Universidade Federal da Bahia
Faculdade de Comunicação
Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas
Análise de Produtos e Linguagens da Cultura Mediática
CONSTRUÇÃO DO JORNALISMO TEMÁTICO TELEVISIVO NO BRASIL
Uma análise comparativa de como programas televisivos se inscrevem no jornalismo
televisivo temático através da construção de seus ‘modos de endereçamento’ e de
estratégias de ‘interação’ com a audiência.
JUSSARA PEIXOTO MAIA
Anteprojeto para Mestrado
Dezembro/2002
1. OBJETO DE ESTUDO
A proposta é identificar as estratégias empregadas na construção de programas televisivos
que asseguram o seu reconhecimento como produção do subgênero jornalismo temático no
universo do gênero jornalismo televisivo. Como objetos de análise escolhemos o Globo
Rural, transmitido pela Rede Globo; o Repórter Eco, apresentado pela TV Cultura e o
Espaço Aberto, exibido pela Globo News.
A escolha de objetos de temáticas diversas nos oferece a possibilidade de apontar recursos
visuais e textuais comuns que possam ser relacionados às exigências do subgênero no qual
se inscrevem. Vale destacar que, segundo argumentação de inúmeros autores que citaremos
a seguir, a construção genérica dos textos televisivos está diretamente vinculada ao
contexto histórico-social, sendo portanto uma espécie de ‘espelho’ de alguns aspectos do
perfil da audiência à qual se endereçam os programas.
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1.1 Programas
Globo Rural - O lançamento do programa pela Rede Globo em 1980 resultou de uma
solicitação feita pelo departamento de marketing da emissora ao Jornalismo, depois de
constatar que, apesar do homem do campo ter sido inserido na audiência com a
eletrificação rural e a ampliação do alcance do sinal da emissora na década de 70, ainda não
havia nenhuma programação que tivesse a sua realidade e sua atividade como foco. A meta
era mudar esse cenário e avançar na conquista de novos públicos e anunciantes. A primeira
edição foi ao ar em 6 de janeiro de 1980 com apenas meia hora de duração, mas em apenas
seis meses o programa teve sua duração ampliada para uma hora. Atualizando-se ao longo
do tempo, depois de 20 anos de edições dominicais, o Globo Rural lançou edições diárias,
transmitidas de Segunda a Sexta-feira, às 6h10min, mas com um formato mais
diferenciado, voltado para a prestação de serviços ao agricultor e pecuarista.
Repórter Eco – É um programa semanal especializada em meio ambiente com
embasamento científico através do suporte oferecido por especialistas de universidades e
institutos de pesquisa que são fontes ouvidas com frequência nas reportagens. O programa
foi criado em fevereiro de 1992 como o primeiro telejornal da TV voltado exclusivametne
para esse assunto. No Repórter Eco são exibidas matérias que abordam a tecnologia
ambiental no Brasil e no exterior, ecoturismo, educação ambiental, experiências de
desenvolvimento sustentável, projetos, pesquisas e ações de preservação da fauna e da
flora. O programa faz entrevistas com pessoas ligadas à área ambiental, artistas, cientistas e
ambientalistas que se destacam pelo seu trabalho voltado para a reciclagem de materiais,
arte e ecologia, projetos nacionais e internacionais.
Espaço Aberto – produção mais recente da Globo News, o programa é multitemático com
o enfoque em temas específicos diariamente. Na segunda-feira é ciência e tecnologia, na
terça-feira é esporte, na quarta-feira o tema é o reflexo da economia no bolso do brasileiro,
na quinta-feira o assunto é poesia, na sexta-feira o programa faz uma abordagem mais
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voltada para as questões atuais gerais do país, no sábado a temática é também geral e no
Domingo o programa discute a situação do mercado de trabalho e do setor financeiro.
2. JUSTIFICATIVA
Tendo como elo comum a escrita, jornalismo e literatura mantiveram estreita relação na
produção brasileira até que, a partir da segunda metade do século passado, com a
modernização da imprensa nacional, no bojo do ritmo intenso de industrialização e
urbanização, o jornalismo vai construindo uma identificação mais independente de seus
gêneros, categorias e formatos. Mas, assim como os teóricos das ciências sociais
identificam na literatura a relação entre um processo material social e a produção genérica
do período, com restrições à teoria dos gêneros fixos, também no jornalismo muitos
estudiosos apontam para esse caráter relacional da construção do gênero que o vincula com
o contexto sócio-histórico.
“O gênero, sob esse ângulo, não é um tipo ideal nem
uma ordem tradicional nem uma série de regras
técnicas. É na combinação prática e variável e até
mesmo na fusão daquilo que constitui, abstratamente,
diferentes níveis do processo material social, que o
gênero tal como o conhecemos, se transforma num
novo tipo de evidência constitutiva”. (WILLIAMS,
1979, p. 184)
Para Raymond Williams( 1979) o gênero pode ser classificado pela forma, pelo assunto e
pelo tipo de público visado, sendo, dessa forma, um modo de construção de referências que
esclarecem para a audiência qual é o tipo de texto (escrito ou, no caso, televisivo), qual o
assunto que aborda e como se remete ao público que deseja atingir. Mesmo no jornalismo,
com uma trajetória mais longa que a produção da televisão, a identificação dos gêneros
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ainda envolve uma classificação confusa, pouco clara e, por vezes, polêmica. José Marques
de Melo (1994) reconhece a existência do Jornalismo Informativo (nota/notícia/reportagem/
entrevista), Jornalismo Opinativo (editorial, comentário, artigo, resenha, coluna, crônica,
caricatura e carta) e Jornalismo Diversional, sem admitir, no entanto, a existência do
Jornalismo Interpretativo. Já Luiz Beltrão discorre acerca dos gêneros de Jornalismo
Informativo ( notícia/entrevista/reportagem/ história de interesse humano/ informação por
imagens), Jornalismo Opinativo (editorial, artigo, crônica, opinião ilustrada e opinião do
leitor) e Jornalismo Interpretativo (reportagem em profundidade) e atribui o aspecto
diversional à função lúdica dojornalismo.
Também de forma confusa, no telejornalismo se reconhece a existência de pelo menos
quatro gêneros: o jornalismo informativo, o jornalismo opinativo, jornalismo interpretativo
e o jornalismo diversional (cf. Marques de Melo. 1985; Rezende. 2000). Aqui pertencem ao
gênero informativo cinco formatos: nota, notícia, reportagem, entrevista, serviço. Os
formatos editorial, comentário, resenha, crônica e caricatura integram o jornalismo
opinativo, enquanto as notícias de interesse humano e os fait divers fazem parte do
jornalismo diversional.
Na metodologia de análise de telejornais que está sendo aplicada de forma experimental na
análise da representação da cultura em telejornais baianos, como detalhamos na abordagem
metodológica, consideramos a programação da televisão como gênero televisivo, onde
estão inseridos os gêneros ficção seriada, programas jornalísticos, publicidade, programas
de auditório e reality shows. Dentro do gênero programas jornalísticos são identificados os
seguintes subgêneros: programas de entrevista, documentários, telejornais, revistas
eletrônicas e programas de jornalismo temático, onde concentramos o interesse dessa
proposta.
Tendo por base as teorias dos Estudos Culturais, trataremos aqui os programas televisivos
dos mass media como um local especial de produção e circulação de sentidos. Os media
integram o chamado ‘circuito da cultura’ através do qual, segundo Stuart Hall, sentidos são
produzidos em diversos locais e circulam através de vários processos ou práticas diferentes.
Na abordagem feita pelo autor, a cultura é definida como ‘sentidos compartilhados’ por um
grupo ou sociedade, considerando a linguagem como uma das formas através das quais
pensamentos, idéias e sentimentos são representados na cultura. Vale destacar aqui, nessa
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perspectiva, que o olhar culturalista explicita
a importância dos sentidos no ajuste e
organização das condutas e práticas, colaborando no estabelecimento de regulamentos,
normas e convenções que ordenam e governam a vida social.
“Sentido/significado é também produzido dentro de
uma variedade de media diferentes; especialmente
nestes dias, no moderno mass media, o sentido de
comunicação global, pela complexa tecnologia, que
circula sentidos entre culturas diferentes numa escala
e com uma velocidade até agora não conhecida na
história” (HALL, 1997, p.3)
Os textos televisivos nos oferecem, dessa forma, uma amostra bastante significativa para a
investigação acerca do processo de construção de sentidos e, portanto, da própria cultura,
através de suas estratégias textuais e visuais voltadas para a ‘captura’ da audiência. Na
proposta que ora apresentamos, os programas televisivos de jornalismo temático serão
analisados na perspectiva da aproximação entre a abordagem culturalista de valorização dos
contextos sócio-antropológicos e os estudos da linguagem que enfatizam a inscrição da
recepção nos textos através de conceitos como leitor modelo e cooperação interpretativa,
apresentados por Umberto Eco, em ‘Lector in Fabula’.
Assim, a abordagem metodológica resulta da contribuição que advém de ambas correntes
de investigação, através de conceitos que levam em conta os contextos de produção dos
discursos1. A disposição é de não fazer uma análise imanente do texto televisivo, mas
abordá-lo sob a ótica das propostas trazidas por inúmeros teóricos que, depois do marco
representado pelos Cultural Studies, avançam na direção da retomada da análise textual sob
o enfoque que reúne três aspectos: discurso, subjetividade e contexto.
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1No presente trabalho os conceitos de “texto” e “discurso” serão utilizados
indiscriminadamente, seguindo Todorov: “sobre o texto ou, ainda, propondo um sinônimo,
o de discurso” (TODOROV, 1980, p.46).
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2.1 Aproximação de conceitos
Baseado na “teoria da enunciação” o conceito de “contrato de leitura” apresentado por
Eliseo Veron também poderá enriquecer a análise da amostra recortada, levando-se em
conta as adaptações pertinentes à linguagem televisiva. Na formulação do conceito, o autor
incorpora o valor pragmático inserido no texto que estabelece na sua construção um tipo
específico de relação com o destinatário, reivindicando, assim, a existência de um
‘contrato’ entre autor e leitor.
O autor explica que “um mesmo conteúdo [...] pode ser representado por estruturas
enunciativas bem diferentes [grifo do autor]: em cada uma dessas estruturas enunciativas,
aquele que fala (o enunciador) constrói um “lugar” para ele mesmo, “posiciona” o
destinatário de uma certa maneira, e estabelece, assim, uma relação entre essas duas
categorias” (VERON,1985, p.209). Veron conclui: “o conjunto (mais ou menos coerente,
mais ou menos evidente) dessas estruturas enunciativas constitui o contrato de leitura que o
suporte propõe a seu leitor” (ibidem).
Dentro dessa relação contratual, de acordo com Dominique Maingueneau, são exigidas
certas competências que possibilitam a comunicação, como a competência enciclopédica,
que remete a um repertório virtual de saberes vinculados à experiência e a cultural
individuais e a chamada competência genérica.
“Mesmo não dominando certos gêneros, somos
geralmente capazes de identificá-los e de ter um
comportamento adequado em relação a eles. Cada
enunciado possui um certo estatuto genérico, e é
baseando-se nesse estatuto que com ele lidamos”.
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Maingueneau destaca o ‘caráter historicamente variável’ das tipologias dos gêneros e
chega a afirmar que é possível “caracterizar uma sociedade pelos gêneros de discurso que
ela torna possível e que a tornam possível”.
Recorreremos ainda ao chamado ‘modo de endereçamento’, debatido inicialmente na
década de 70 pelos teóricos do cinema, críticos literários e, mais tarde, aprofundado com a
valorização do contexto histórico e sociocultural trazida pelos Estudos Culturais,
inicialmente nas abordagens apresentadas por David Morley e John Hartley. O conceito
busca tornar explícitas as proposições implícitas, premissas e normas naturalisadas na
mensagem televisiva, investigando o modo como o programa constrói a imagem de sua
audiência e a partir daí modela sua relação e como se posiciona ao se dirigir ao público.
“O conceito de ‘modo de endereçamento’ designa as
formas comunicativas específicas e práticas do
programa que constitui o que poderia ser considerado
pela crítica literária como seu ‘tom’ ou ‘estilo’”
(Morley, 1980, p. 262)
Na linguagem utilizada pelo Globo Rural, por exemplo, identificamos um modo de
endereçamento através da busca de uma relação pessoal, próxima, incorporada pelos
apresentadores que, com frequência, se referem aos assuntos e às notícias falando ‘eu
fui...’, ‘Dona Lana...’, ‘Seo Ademir...’, ‘Seo Zé de Iza...’.
As considerações feitas por Umberto Eco2 voltadas para a pragmática textual a partir das
noções de ‘leitor modelo’, ‘enciclopédia’ e ‘cooperação interpretativa’ permitem a
colaboração dessas noções da semiótica para enriquecer a análise dos textos televisivos. A
partir desses conceitos podemos investigar o texto televisivo como uma co-produção, tendo
de um lado o autor diante de um leitor imaginado e do outro um leitor que recorre ao seu
universo de saberes para atualizar e interpretar a mensagem.
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2 Em ‘Lector in Fabula’, Eco apresenta e aprofunda esses conceitos, sempre realçando a
importância do leitor não apenas em sua função de integrante do processo comunicativo,
mas, também, como agente capaz de operar ativamente no processo de construção de
significados para o texto.
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“O texto está, pois, entremeado de espaços brancos,
de interstícios a serem preenchidos, e quem o emitiu
previa que esses espaços e interstícios seriam
preenchidos e os deixou brancos por duas razões.
Antes de tudo, porque um texto é um mecanismo
preguiçoso (ou econômico) que vive da valorização de
sentido que o destinatário ali introduziu; e somente
em casos de extremo formalismo, de extrema
preocupação didática ou de extrema repressividade o
texto se complica com redundâncias e especificações
ulteriores – até o limite em que se violam as regras
normais de conversação. Em segundo lugar, porque á
medida que passa da função didática para a estética,
o
texto
quer
deixar
ao
leitor
a
iniciativa
interpretativa, embora costume ser interpretado com
uma margem suficiente de univocidade. Todo texto
quer que alguém o ajude a funcionar.” (ECO, 1986,
p.37)
A aproximação dos Cultural Studies com os estudos da linguagem, como apresentamos
aqui, é fundamental à análise dos textos televisivos de nossa amostra pelo reconhecimento
da importância do contexto histórico-social (ou sócio-antropológico) na elaboração dos
gêneros que resultam dessa interação. As estratégias textuais e visuais que inscrevem os
programas em gêneros e subgêneros específicos estão diretamente vinculadas ao cenário de
produção, circulação, distribuição/consumo e reprodução, recorrendo aqui ao modelo
formulado por Stuart Hall que incorpora as contribuições de Baktin, Barthes, Eco e
Althusser na análise do processo comunicativo em quatro etapas, apresentado no
“Encoding/decoding in television discourse”.
Apesar da trajetória de investigação sobre a televisão ter se revelado bastante produtiva,
com uma expressiva produção de obras nascidas de inúmeras correntes teóricas, por sua
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espetacular representatividade no contexto contemporâneo dos mass media, ainda há um
longo caminho a percorrer no aprofundamento na compreensão da inserção do texto
televisivo na perspectiva de gênero televisivo. Depois de uma aproximação mais generalista
do meio com classificações mais largas, os estudos tem se voltado para um tratamento mais
específico dos programas dentro de seus gêneros e subgêneros, recaindo, algumas vezes,
sobre classificações rígidas demais ou demasiadamente abertas.
Para muitos estudiosos do processo comunicativo, nesse momento, tal esforço tem se
revelado bastante promissor no avanço da compreensão não apenas de determinado
programa, mas, mais ainda, sobre o próprio processo de construção de sentido pela
recepção inscrita na formatação dos objetos de estudo. Mesmo sem clareza por parte dos
pesquisadores quanto aos mecanismos de construção dos gêneros televisivos, dentro da
dinâmica social e tecnológica, a televisão segue atualizando antigos formatos e criando
novos que são identificados pela audiência que, a partir desse entendimento, se posiciona e
faz suas leituras e escolhas.
É instigante perceber, na perspectiva de uma recepção ativa e capaz de construir seus
sentidos particulares para um mesmo texto, como os media se apropriam desse
conhecimento através da formatação de produtos que devem, em primeira e última
instância, atender aos anseios de seu público. Vale ressaltar aqui a relação mercadológica
da produção em meio ao contexto geográfico, político, econômico e social da televisão e da
recepção.
O lançamento pela Rede Globo em 1980 resultou de uma solicitação feita pelo
departamento de marketing da emissora ao Jornalismo, depois de constatar que, apesar do
homem do campo ter sido inserido na audiência, não havia nenhuma programação que
tivesse a sua realidade e sua atividade como foco. A meta era mudar esse cenário e avançar
na conquista de novos públicos e anunciantes, uma vez que, depois do impulso da
agricultura, no decorrer da década de 70, a eletrificação rural se estendia pelos mais
longínquos rincões e o sinal da televisão já chegava a pontos distantes, mas o mundo do
campo ainda não estava incluído em nenhum produto televisivo e as empresas que
atendiam o meio rural também não tinham qualquer visibilidade.
A primeira edição foi ao ar em 6 de janeiro de 1980 com apenas meia hora de duração, mas
a excelente receptividade fez com que em apenas seis meses o programa tivesse sua
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duração ampliada para uma hora. Atualizando-se ao longo do tempo, depois de 20 anos de
edições dominicais, o Globo Rural lançou edições diárias, transmitidas de Segunda a Sextafeira, às 6h10min, mas com um formato mais diferenciado, voltado para a prestação de
serviços ao agricultor e pecuarista que, em um novo contexto econômico-social, são
tratados como um profissional do interior brasileiro que, dessa forma, necessita de
informações diárias sobre o comportamento do mercado para direcionar seus esforços de
produção. Num esforço inicial apresentamos à frente uma rápida análise de um edição de
Domingo e uma de Segunda-feira, destacando alguns aspectos e diferenças.
O interesse pelo objeto apresentado veio da convergência entre o prazer pessoal como
telespectadora do programa e a possibilidade de, a partir da pesquisa no mestrado, avançar
no conhecimento da relação entre os mass media e a recepção, a partir da identificação dos
contornos de construção do subgênero jornalismo temático no universo do jornalismo
televisivo. Na tentativa de construir uma identificação com a audiência o Globo Rural
investiu num formato de programa que valoriza os costumes, a linguagem, as paisagens, a
culinária, enfim, toda a riqueza cultural do interior do Brasil em sua diversidade.
Mas essa abordagem foi apropriada com todos os recursos técnicos e visuais mais
modernos empregados hoje na televisão brasileira, revelando a preocupação em ‘traduzir’ o
‘idioma rural’ para uma linguagem que pudesse dar conta da multiplicidade de
telespectadores de origens culturais variadas. Essa ‘homogeneização’ de aspectos tão
diversos parece sinalizar a construção de um formato capaz de dissolver as fronteiras
regionais num discurso unificador das diferenças. Capaz, inclusive, de conquistar a atenção
dos moradores de grandes cidades que, como eu, não tem em sua história de vida nenhuma
referência de convívio no campo.
A utilização de elementos típicos da cultura do homem do campo como a relação pessoal,
próxima, foi incorporada pela linguagem empregada no Globo Rural. Os apresentadores,
com frequência, se referem aos assuntos e às notícias falando ‘eu fui..’, ‘Dona Lana’, ‘Seo
Ademir’, ‘Seo Zé de Iza’ e chegam ao requinte de acompanhar, ao longo de duas décadas, a
evolução e os desdobramentos de questões que o programa abordou. Na amostra analisada
sob o enfoque dos modos de endereçamento, com os referenciais trazidos por Hartley
(1992), Elizabeth Ellsworth (2001) e David Morley (1980), antes de apresentar o relato
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atual, que é o casamento de uma mulher que nasceu e vive numa área rural, o programa
mostra imagens de reportagens anteriores realizadas com ‘seo Zé de Iza’, o pai da noiva.
Sob inúmeros enfoques o Globo Rural recorre à cultura rural para construir o seu texto e, a
julgar pela manutenção do programa durante mais de duas décadas, tem alcançado
excelentes resultados junto a audiência. O programa se insere na programação da Rede
Globo num horário bastante estratégico para a realidade do público visado e tem se mantido
inalterado durante o período.
Outro indicativo do sucesso da formatação do Globo Rural tanto internamente, na
estruturação de seus aspectos textuais, quanto externamente, na sua inserção na grade de
programação da emissora, é o grande número de anunciantes que tem se mantido fiéis ao
longo das duas últimas décadas. Destacaria aqui, só para exemplificar, a empresa Terwal
que teve seu jingle associado ao programa pela veiculação contínua da propaganda aos
domingos (“Passe na Terwal, passe na Terwal, você que é da cidade ou da zona rural, exija
qualidade, passe na Terwal”), mas as imagens e os arranjos do jingle foram se modificando
com o passar do tempo para acompanhar exatamente os movimentos da dinâmica cultural.
Na perspectiva das transformações da sociedade o Globo Rural se insere num contexto de
crescente valorização e de profissionalização da atividade rural. Distanciando-se da
imagem do valor tradicional da terra por si mesma num país marcado pela monocultura e
pelo coronelismo como o Brasil, o meio rural é concebido no programa como uma esfera
de punjante potencial econômico na realidade da agricultura, pecuária e das agro-industrias
que utilizam a tecnologia para transformar a matéria-prima nos próprios locais de produção.
Mas o programa não exclui a otra realidade do trabalhador do campo mais humilde,
abordando tanto as dificuldades e desafios enfrentados pela camada social mais pobre,
como assegurando a visibilidade de algumas iniciativas simples que tiveram sucesso na
solução de problemas graves e comuns no meio rural, como os enfrentados pelos
nordestinos na convivência com a seca.
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3. OBJETIVOS
3.1 Objetivo Geral – analisar e identificar estratégias visuais e textuais comuns aos três
programas que possam estar inseridas na caracterização do processo de construção do
subgênero jornalismo temático, no gênero jornalismo televisivo brasileiro.
3.2 Objetivos Específicos –
. Verificar a produtividade do conceito de ‘modos de endereçamento’, anteriormente
apresentado, na análise da construção genérica de programas televisivos;
. Produzir uma metodologia adaptada a partir da combinação da proposta existente, em fase
de teste, voltada para uma abordagem mais adequada às especificidades do texto televisivo
no Brasil.
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4. REVISÃO DE LITERATURA
Depois de uma concepção inicial das investigações sobre a televisão a partir de uma ótica
generalista que misturava no mesmo enfoque os vários programas, os estudos foram
gradativamente avançando na direção da classificação dos gêneros televisivos. No início,
ainda sem a distinção, os programas eram analisados em termos de sequências
padronizadas de estímulos como ‘faixas de emissões’(Newcomb e Hirsch, 1983), ‘fluxo
televisivo’(Williams, 1975), ‘interrupções programadas’(Houston, 1984), ‘mensagens
recorrentes’(Gerbner e al., 1979), ‘papel de parede em movimento’ e ‘chiclete para os
olhos’ (Hood, 1967; Csikszentmihalyi e Kubey, 1981).
Originadas das radionovelas, as telenovelas chamaram a atenção dos estudiosos e foram
alvo de inúmeras investidas teóricas que contribuíram para o detalhamento de seu processo
de construção e recepção. Mais recentemente tem sido registrado o crescente interesse
pelos telejornais com expressivas contribuições para a compreensão do processo de
produção e de recepção, enriquecidas pelos avanços teóricos e metodológicos nos últimos
vinte anos.
Leitura da imagem televisiva
Na busca de uma maior clareza acerca da compreensão da formação dos gêneros televisivo
que transcenda a simples identificação, com categorizações ou tipificações dos formatos,
encontramos um tratamento do texto televisivo que está, em boa medida, com uma ótica
enriquecida pela união do enfoque culturalista e semiótico. Lorenzo Vilches (1984)
recorreu à abordagem de Umberto Eco, no “Lector in Fabula”, para a leitura das imagens
que o autor considera como ‘textos culturais’ carregados de representações de um mundo
real ou possível, incluindo a própria imagem do espectador.
“A atual confluência
de diversas disciplinas e
metodologias interessadas no fenômeno da recepção e
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da interação social começa a mudar o panorama
exíguo dentro do qual se moviam as ‘ciências’ da
imagem. Os aportes da pragmática e da semiótica
textual nos ajudam a entender que o funcionamento
dos textos de comunicação de massa obedece a
estruturas comunicativas intertextuais amplamente
socializadas em nossa cultura contemporânea”.
(Vilches, 1984, p. 11)
Voltado para o estudo da imagem, seja fotográfica ou televisiva, Lorenzo Vilches a
considera como uma produção que resulta de fatores humanos e técnicos sobre materiais
diversos, cujos usos e significados dependeriam da variedade de representações da
sociedade que, na prática, definem as suas modalidades e as transformações por que passa.
Seguindo na sua investigação, propõe a utilização do conceito de iconismo para tornar mais
clara a discussão sobre a relação visual-real e lembra que
“para
Eco,
os
signos
icônicos
têm
caráter
convencional e a história da arte provaria que o
artista tem inventado regras de transformação dos
signos icônicos para expressar os conteúdos da
realidade. Não é o objeto que motiva a organização
da expressão, senão o conteúdo cultural que
corresponde a esse objeto”. (Vilches, 1984, p. 21)
Dessa forma, a construção de significados da imagem como texto cultural exige uma
observação bastante cuidadosa no processo de análise do texto televisivo, mantendo-se a
noção da importância dos sentidos culturais da recepção como competências culturais
construídas, entre outras, pelas práticas sociais. Nessa abordagem se insere os conceitos de
leitor modelo, enciclopédia e cooperação interpretativa de Umberto Eco.
Gênero enquanto mediação
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Como a linguagem se constituiu, desde sempre, um elemento de mediação na relação entre
o homem e a realidade, o texto televisivo, enquanto discurso e de forma mais complexa,
convoca não apenas o caráter de mediação no qual se inscreve a inserção do gênero, como
também o caráter intrínseco de mediatização da televisão. A estrutura geral do textoprograma dentro de um gênero e/ou formato é uma primeira estratégia discursiva que
cumpre um papel mediador entre as lógicas do sistema produtivo e dos usos, sendo, então,
o gênero uma construção que não é um elemento interno do texto, mas fruto da relação que
insere o próprio leitor/telespectador dentro de sua competência para identificar e fazer a sua
leitura.
“ Um gênero é, antes de tudo, uma estratégia de
comunicabilidade
e
é
como
marca
dessa
comunicabilidade que um gênero se faz presente e
analisável no texto. A consideração dos gêneros como
fato puramente ‘literário’ – e não cultural - e, por
outro lado, sua redução a receita de fabricação ou
etiqueta de classificação nos têm impedido de
compreender sua verdadeira função e sua pertinência
metodológica: chave para a análise dos textos
massivos e, em especial, dos televisivos”. (Barbero,
1987, p. 302)
Em sua abordagem, Jesús Martin Barbero destaca a configuração do gênero não como algo
interno à estrutura do texto, mas seu caráter interativo, construído e em funcionamento
numa perspectiva de interação entre a produção e a audiência que têm, ambas, suas
competências comunicativas ativadas.
“Seu funcionamento nos coloca diante do fato de que
a competência textual, narrativa, não se acha apenas
presente, não é unicamente condição da emissão, mas
também da recepção” (ibidem)
16
Barbero destaca o fato de que o gênero é definido também pelo seu lugar na programação
na trama da grade televisiva, observando, ainda, a perspectiva particular a cada país, em
sintonia com as configurações culturais, a estrutura jurídica de funcionamento da televisão,
o grau de desenvolvimento da indústria televisiva nacional e alguns modos de articulação
com o contexto transnacional. Em sua avaliação, o autor já apontava para a necessidade de
fazer convergir correntes de investigação que levassem em conta o conteúdo textual
imanente, mas como uma construção viva, elaborada de maneira relacional para se fazer
identificável.
“Implica
uma
redefinição
do
modo
de
nos
aproximarmos dos textos da televisão. Momentos de
uma negociação, os gêneros não são abordáveis em
termos de semântica ou sintaxe: exigem a construção
de uma pragmática, que pode dar conta de como
opera
seu
reconhecimento
numa
comunidade
cultural”. (ibidem)
Abordagem interdisciplinar
Unindo as perspectivas das ciências humanas àquelas trazidas pelas ciências sociais acerca
dos diferentes aspectos da produção de sentido em três elementos básicos do processo
comunicativo, discurso, subjetividade e contexto, K. B. Jensen segue nessa direção
propondo uma abordagem interdisciplinar.
O conceito de discurso é empregado para referir-se a qualquer uso da linguagem e de outros
sistemas semióticos em um contexto social. Enquanto a subjetividade define-se como uma
posição dentro da linguagem que, no caso dos media, significa dizer que os veículos de
massa dão voz a algumas posições discursivas em detrimento de outras. O contexto insere
aqui o comprometimento de indivíduos e instituições com as práticas sociais que estão
presentes na consciência e nas ações cotidianas.
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É dentro da perspectiva da relação entre texto e contexto que o gênero é considerado como,
ao mesmo tempo, construtor e construído por uma ordem social historicamente
determinada.
“O gênero pode servir de intercâmbio cultural entre
os estudos do discurso e as investigações sociais. Por
um lado, o gênero tem sido, durante muito tempo,
chave do estudo da comunicação como representação,
expressão e ritual, com ênfase na forma textual; por
outro lado, os gêneros, em especial seu sistema de
estudo, provocam e estruturam a transferência, os
usos e o impacto da comunicação no contextos da
ação social. Pode se discutir a forma de enfocar estes
aspectos interrelacionados dos gêneros, em termos
metodológicos, em um marco da semiótica social”.
(Jensen, 1993, p. 49)
Existe entre os teóricos de várias correntes de investigação a aposta na união das
abordagens possibilitadas pela semiótica, na leitura feita por Eco, e pelo enfoque
culturalista. Seguindo nessa convocação para que as fronteiras teóricas possam ser
ultrapassadas em estudos fecundos, amplia-se a percepção de que o aprofundamento do
entendimento acerca do processo de construção dos gêneros, nessa perspectiva relacional,
pode ampliar a compreensão da dinâmica da comunicação televisiva.
“A compreensão metodológica do fenômeno do
gênero implica que não permaneçamos na primeira
etapa ( análise do discurso) e que possamos
introduzir, através de progressivas adaptações, as
outras
perspectivas
que
dão
conta
de
sua
complexidade. Para que a análise discursiva dos
gêneros seja algo mais que uma taxionomia, deve ser
18
capaz
de
abarcar
o
conjunto
contínuo
da
comunicação de massas tendo em conta categorias
textuais e extratextuais”. (Mauro Wolf, Universidad
de Bolonia, p. 264)
A abordagem do gênero televisivo como estratégia de interação tem sido considerada
estratégica para aprofundar o diálogo entre correntes de investigação de origens diversas,
num processo de adaptação e elaboração de métodos que permita resultados promissores
nessa empreitada.
“Nossa aposta é a de que a atenção ao gênero
permitirá à investigação em Comunicação a produção
de uma metodologia de análise que acolha as
contribuições dos estudos da linguagem e dos estudos
culturais” (Itania Gomes, 2002, p. 19)
5. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
5. 1 Amostra
Para proceder a análise tomaremos com amostra dez edições de cada um dos programas ao
longo de dez meses no caso do Repórter Eco que é apresentado semanalmente, ao longo de
duas semanas aleatórias no recorte dos programas Globo Rural e Espaço Aberto que são
diários.
5.2 Análise
Os programas televisivos vão ser analisados com o manejo de conceitos produzidos sob
uma abordagem que aproxima os Cultural Studies dos teóricos dos estudos da linguagem
como:
19
5.2.1 Modos de endereçamento (nascido no âmbito das pesquisas de teóricos do cinema e
redimensionado e atualizado na vertente culturalista, aplicado por David Morley e John
Hartley) com classificações como as sugeridas por Morley em Nationwide: Conteúdo
manifestado, Tipo de item, Tematisação dominante e Função de relação com a audiência.
Ou aquelas posições apontadas por Hartley a partir do mesmo conceito como:
1. O mediador – o apresentador faz a ligação entre os telespectadores mais comuns e as
notícias mais sérias.
2. The ‘vox pop’ – é utilizada através de entrevistas de ‘homens e mulheres da rua’ que
têm a função de expressar a reação da população, promovendo uma espécie de
legitimação do enfoque apresentado, a partir da identificação da ‘voz do povo’ com a
própria audiência.
3. A investigação/ entrevista difícil- o apresentador faz o papel de um investigador que
busca desvendar os ‘segredos’ por trás da imagem pública de representantes oficiais e
políticos. As questões são feitas como aquelas que ‘nós’, a audiência, gostaria de fazer,
colocando-se na função de ‘cão de guarda’ dos interesses do seu público.
5.2.2 Contrato de leitura - produzido a partir da ‘teoria da enunciação’, reivindica o
posicionamento do autor e do receptor no texto através de um ‘contrato’ que tem relação
direta com o contexto.
5.2.3 Leitor modelo - identifica a participação do leitor na atualização do texto, durante o
processo de interpretação previsão feita pelo autor da competência cultural que terá para
atualizar o texto. São empregados aqui os conceitos de ‘cooperação interpretativa’, ‘autor
modelo’, ‘leitor modelo’ e ‘enciclopédia’.
5.2.4 Metodologia de Análise de Telejornais 3 – aplicaremos o modelo metodológico que
está sendo testado pela professora Itania Maria Mota Gomes na análise de representações
da cultura baiana nos telejornais locais noturnos. Esta proposta metodológica segue, a
princípio, esta classificação:
_________________________________________________________________________
3
Modelo propõe a análise formal dos telejornais, dos ‘modos de endereçamento’ ou
‘estratégias de captura do receptor’ na perspectiva da vinculação com a cultura local
20
1. Análise dos Formatos
1.1 Formato das notícias (nota, reportagem(cabeça, off, boletim, sonoras, nota-pé),
entrevista e indicadores
1.2 Temporalidade (tempo destinado ao apresentador, ao repórter, à fonte, total da
reportagem)
1.3 Recursos audiovisuais empregados (vinhetas, cenários, uso das cores, infográficos,
mapas, etc.)
1.4 Posições de câmera, recursos de edição e montagem
1.5 Elementos de dramatização
1.6 Estruturação em blocos (distribuição do tempo e do número de notícias)
2. Análise de Conteúdo
2.1 Identificação das editorias
2.2 Distribuição de Temáticas
2.3 Seleção de temas e enfoques
2.4 Fontes mais frequentes/por editoria
2.5 Matérias de serviço, informações para uso cotidiano, meteorologia, trânsito, índices
econômicos
3. Representação da cultura baiana4 : símbolos, cores, geopolítica
3. Estratégias de captura do receptor
3.1 Recursos de captura
-
recursos textuais
-
recursos dramáticos (gestual e fisionômico)
-
recursos gráficos
-
recursos sonoros
-
recursos técnicos/linguagem televisiva (edição, montagem)
-
recursos de organização do telejornal (entrevistas com populares, prestação de serviços,
regularidade na organização dos blocos e na oferta de serviços)
______________________________________________________________________________________________________________
21
4
Na análise do jornalismo temático a análise da representação da cultura não vai estar
vinculada à Bahia, mas na esfera abordada por Stuart Hall em Representation (1997)
3.2 Estratégias de captura devem ser analisadas em relação a:
-
estrutura do telejornal dentro da programação televisiva da emissora
-
estrutura do telejornal em relação ao próprio telejornal
-
estrutura do telejornal em relação à emissora
6. Cronograma
2003
ATIVIDADE
ATUALIZAÇÃO
1ºTRIMESTRE 2ºTRIMESTRE 3ºTRIMESTRE 4ºTRIMESTRE
X
X
X
X
DE
BIBLIOGRAFIA
COLETA DAS
X
X
AMOSTRAS
2004
ATIVIDADE
1ºTRIMESTRE 2ºTRIMESTRE 3ºTRIMESTRE 4ºTRIMESTRE
ATUALIZAÇÃO
X
X
DE
BIBLIOGRAFIA
COLETA
DE
X
X
X
X
AMOSTRAS
REDAÇÃO
DA
X
X
DISSERTAÇÃO
7. Referências
22
BARBERO, Jésus Martín. De los medios a las mediaciones. Communicación, cultura y
hegemonia,
México,
Gustavo
Gilli,
1987.
BELTRÃO, Luiz. Jornalismo interpretativo. Porto Alegre : Sulina, 1976.
BELTRÃO, Luiz. Jornalismo opinativo. Porto Alegre : Sulina, ARI, 1980.
BELTRÃO, Luiz. A imprensa informativa. São Paulo: Folco Masucci, 1969. Coleção
Mass-Media, vol
ECO, Umberto. Lector in fabula – A Cooperação interpretativa nos textos narrativos. São
Paulo : Perspectiva, 1986.
HALL, Stuart. “Encoding and decoding” in Hall, S. et al (eds) Culture, Media, Language,
Hutchinson, 1980;
___________. Representation: Cultural representations and signifing practices.
Londres: Sage Publications, 1997.
HARTLEY, John. Understanding News, Londres: Routledge, 1992;
JENSEN, Klaus Bruhn & JANKOWSKI, Nicholas. Metodologias cualitativas de
investigaicon en comunicacion de masas (Trad. De Joan Soler) Barcelona: Bosch, 1993,
324pp. (Colección Bosch Comunicación);
MAINGUENAEAU, Dominique. Análise de textos de Comunicação. Trad. Cecília P. de
Souza-e-Silva e Décio Rocha. São Paulo : Cortez, 2001.
MORLEY, David. “The Nationwide Audience: structure and decoding” in MORLEY,
David & BRUNSDON, Charlott. The Nationwide Television Studies, London: Routledge,
1999;
VERON, Eliseo. L'analyse du contrat de lecture. In: Les médias, expériences, recherches
actuelles, applications, Paris, IREP, 1985, p. 203-229.
VILCHES, Lorenzo. La lectura de la imagem. Barcelona: Ediciones Paidós Ibérica,1984.
WILLIAMS, Raymond. Marxismo e Literatura. Tradução Waltensir Dutra, Rio de
Janeiro, Zahar, 1979.
WOLF, Mauro. Recherche en communication et analyse textuelle, in Hermès, nº 11-12,
Paris, CNRS Éditions, 1993, pp. 213-226.
23
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Projeto Integral - Grupo de Pesquisa em Análise de Telejornalismo