ISSN 2238-7137 UNIVERSO DE ENFERMAGEM Faculdade Capixaba de Nova Venécia – UNIVEN v. 01 n.1 Jan./Jun – 2012 - Semestral Diretor Geral Tadeu Antônio de Oliveira Penina Diretora Acadêmica Eliene Maria Gava Ferrão Coordenadora de Graduação Kessya Pinitente Fabiano Costalonga Diretor Financeiro Fernando Bom Costalonga Coordenadores de Curso Ciências Contábeis / Petróleo e Gás Alcione Cabaline Gotardo Administração Jaqueline Guimarães Pedagogia / Letras Manuela Brito Tiburtino Camata Direito Keila Tofano Saores Wania Ribeiro da Fonseca Enfermagem Ivan Paulino Bibliotecária Alexandra Barbosa Oliveira Presidente da Comissão Editorial Eliene Maria Gava Ferrão Comissão Editorial Eliene Maria Gava Ferrão Kessya Pinitente Fabiano Costalonga Viviane Dias de Carvalho Pontes Endereço para correspondência Biblioteca Pe. Carlos Furbetta Rua Jacobina, 165 – Bairro São Francisco 29830-000 – Nova Venécia – ES e-mail: [email protected] Capa Alex Cavalini Pereira Universo de Enfermagem / Faculdade Capixaba de Nova Venécia– v. 1. n.1, 2012 – Nova Venécia: UNIVEN, 2012. Semestral ISSN 2238-7137 1. Pesquisa científica: Periódicos. I. Faculdade Capixaba de Nova Venécia. CDD 610.73 UNIVERSO DE ENFERMAGEM SUMÁRIO ARTIGOS 5º Sinal Vital: impacto na Sistematização da Assistência de Enfermagem........................................................................................................................ 06 Alcino Batista de Oliveira Fagner Carlos Alves Barreto Teresa Cristina Ferreira da Silva Perfil das mulheres que procuram atendimento no Programa de Planejamento Familiar no município de Guaçuí, ES ............................................................................ 35 Layara Gomes Rodrigues Efetividade das ações da Estratégia Saúde da Família frente aos desafios da Atenção Básica em Saúde.................................................................................................. 53 Ivan Paulino Valéria Ferreira Romano Haroldo José de Mattos Kátia Sydronio de Souza Bruno Grillo Pim Poliana Nunes Alves Gestão em Saúde Pública: o poder descentralizado....................................................... 68 Lucilene Becker Paulino Efetividade do trabalho do enfermeiro na prevenção do câncer ginecológico ........... 83 Laureen Nascimento Pinheiro Liduína Maria Côgo Benefícios do aleitamento materno como prevenção de doenças do neonato............... 93 Aryanna Rezende Albani A importância da qualidade na técnica de coleta de exame colpocitológico................ 114 Isabela Poubel Bastos Ferreira Machado Micheline Odorico Geraldo Gazoni Vargas ISSN 2238-7137 5 EDITORIAL É missão de uma Instituição de Ensino Superior (IES) o ensino, a extensão e a pesquisa. Quanto ao ensino, nosso Curso de Enfermagem da Faculdade Capixaba de Nova Venécia – UNIVEN,funciona regularmente e atualmente com os 1º, 3º e 5º Períodos de Graduação. No fazer da extensão universitária, onde nossos acadêmicos de enfermagem participam de projetos comunitários e solidários, destacamos nossa participação em ações globais, com parcerias diversas, cursos e projetos de extensão, tais como, os de HUMANIZAÇÃO e de PRIMEIROS SOCORROS. No momento, estamos inserindo nossos acadêmicos na iniciação científica, procurando o despertar dos discentes na pesquisa científica em Enfermagem e nessa messe, fazemos a publicação de nossa REVISTA DE ENFERMAGEM. Em nosso primeiro número, apresentamos alguns artigos originais, que nos foram encaminhados por colegas de diversos municípios do nosso Estado do Espírito Santo e do Estado do Rio de Janeiro. Nossa proposta é de um periódico semestral, com a divulgação de artigos, projetos, pesquisas e relatos de experiência diversos, lavra do trabalho de nosso corpo docente e discente. Estamos abertos para contribuições diversas, críticas, que muito nos ajudarão na melhoria do trabalho acadêmico. Que tenhamos todos uma boa leitura. Prof. MSc. Ivan Paulino COREN – ES- 7138 Coordenador do Curso de Enfermagem UNIVEN 6 5º SINAL VITAL: IMPACTO NA SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM Alcino Batista de Oliveira1 Fagner Carlos Alves Barreto2 Teresa Cristina Ferreira da Silva3 RESUMO A dor gera incapacidades, comprometimento da qualidade de vida, e o tratamento deste principal motivador do sofrimento humano é considerado como uma parte tão importante do cuidado que foi denominado como o quinto sinal vital, visando enfatizar seu significado e aumentar a conscientização entre os profissionais de saúde sobre a importância do tratamentoefetivo da dor. Portanto, torna-se relevante conhecer estratégias para o exercício da assistência qualificada para o controle e manejo da dor por parte dos profissionais de enfermagem. O estudo foi desenvolvido nos hospitais locais dos municípios de Alegre e Muniz Freire – ES, com profissionais de enfermagem, objetivando identificar as contribuições da sistematização da assistência de enfermagem no manejo da dor do paciente hospitalizado e, especificamente conhecer o tipo de assistência implementada frente às queixas álgicas, o conhecimento destes em relação à avaliação da dor e os aspectos prioritários para a intervenção e assistência de enfermagem diante da percepção da dor no paciente. Trata-se de estudo exploratório-descritivo, de natureza quali-quantitativa, com coleta de dados primários, tendo sido entrevistados 45 profissionais de enfermagem. Revelou-se que 84,4% (38) nunca participaram de curso específico sobre dor; 77,8% (35) disseram que a queixa álgica entre os pacientes internados ocorre frequentemente; 84,5% (38) sempre avaliam a dor junto à verificação dos sinais vitais; 60% (27) consideram o relato de dor logo que o paciente refere; 93,3% (42) administram os fármacos prescritos frente às queixas álgicas; 100% referiram que inexistem protocolos de avaliação da dor nas instituições; 40% (18) desconhecem instrumentos para mensurar a intensidade da dor; 51,1% (23) apontaram a contribuição da SAE na melhoria da qualidade do cuidado de enfermagem. Os achados demonstram que o manejo adequado da dor como quinto sinal vital mediante a SAE possibilita a adequada intervenção de enfermagem. PALAVRAS-CHAVE: Dor. Assistência. Conhecimento. ABSTRACT The pain causes disability, impaired life quality, and the treatment of this main motivator of human suffering is considered such an important part of the care that has been termed as the fifth vital sign, in order to emphasize its significance and increase awareness among health professionals about the importance of effective pain treatment. Therefore, it is crucial to know strategies for the exercise of skilled assistance for the control and management of pain by nursing professionals. The study was conducted in local hospitals in the municipalities of 1 Enfermeiro do município de Alegre, ES. Enfermeiro do município de Alegre, ES. 3 Enfermeira do município de Alegre, Coordenadora do Programa Saúde da Mulher. Pós-Graduação em Educação e Prof. da Saúde (FIOCRUZ). Pós-Graduação em Enfermagem Dermatológica (U. Gama Filho-RJ). Pós-Graduação em APS (Centro Univ. São Camilo-ES). Profa. Especialista da FAFIA, Alegre,ES. 2 7 Alegre and Muniz Freire - ES, with nursing professionals, in order to identify the contributions of the systematization of nursing assistance in pain management of the hospitalized patient and, specifically know the type of assistance implemented in the face of pain complaints, their knowledge regarding pain evaluation and main aspects for intervention and nursing assistance before the perception of pain in the patient. This is an exploratorydescriptive study, qualitative and quantitative in nature, with primary data collection, respondents were 45 nursing professionals. It was revealed that 84.4% (38) have never participated in specific course about pain; 77.8% (35) said the pain complaint among hospitalized patients often occurs; 84,5% (38) always evaluate pain with the checking of vital signs; 60% (27) consider the report of pain as soon as the patient reports; 93,3% (42) administer the prescribed drugs in the face of pain complaints; 100% reported that there are no protocols for pain evaluation in the institutions; 40% (18) are unaware of instruments to measure pain intensity; 51,1% (23) indicated the contribution of SAE in improving the quality of nursing care. The findings show that the appropriate management of pain as the fifth vital sign by SAE allows the appropriate nursing intervention. KEYWORDS: PAIN. Assistance. Knowledge. 1 INTRODUÇÃO Acredita-se que a dor é um dos principais motivadores do sofrimento humano, gerando incapacidades, comprometimento da qualidade de vida e imensuráveis repercussões psicossociais e econômicas, além de ser considerada a razão principal pela qual 75% a 80% das pessoas procuram os serviços de saúde, tornando-se um grave problema de saúde pública (BRASIL, 2002). A dor tem sido definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada ao dano tecidual real ou potencial. É o motivo mais comum para procurar cuidados médicos e ocorre em consequência de muitos distúrbios, exames diagnósticos e tratamentos. Ela incapacita e angustia mais pessoas do que qualquer doença isolada. Como a equipe de enfermagem passa mais tempo com os pacientes, inclusive aqueles com dor, que os outros profissionais de saúde, eles precisam compreender a fisiopatologia da dor, as consequências fisiológicas e psicológicas da dor aguda e crônica, bem como os métodos empregados para tratar a dor (MERSKEY; BOGDUK, 1994). Smeltzer e Bare (2009) comentam que o tratamento da dor é considerado como uma parte tão importante do cuidado que, inclusive, a dor foi referida pela American Pain Society como o quinto sinal vital, visando enfatizar seu significado e aumentar a consciência entre os profissionais de saúde sobre a importância do tratamento efetivo da dor. Destacam, ainda, a exigência pela Joint Commission on the Accreditation of Healthcare Organizations, da avaliação e do tratamento da dor. Entretanto, nas concepções de Machado e Bretas (2006) citados por Carvalho e Lourenço (2009) a tolerância individual à dor é diferente de uma pessoa para outra, sendo que algumas pessoas sentem uma dor insuportável com um pequeno corte ou pancada, enquanto outras toleram um traumatismo maior ou até mesmo uma ferida por arma branca quase sem reclamar. Justifica-se este estudo pelo fato da enfermagem desempenhar papel fundamental como integrante da equipe multidisciplinar, frente ao monitoramento da dor como 5º sinal vital, e 8 que a avaliação e o registro sistemático da queixa álgica junto aos sinais vitais constitui-se num dado imprescindível para um atendimento mais adequado ao paciente. Para tanto, é de suma importância que os profissionais de enfermagem conheçam estratégias para o exercício da assistência qualificada para o controle e manejo da dor, e que a gerência de enfermagem proponha medidas que possam evidenciar a importância da adesão à avaliação da dor no contexto dos cuidados de enfermagem. O estudo buscou identificar, como objetivo geral, as contribuições da sistematização da assistência de enfermagem no manejo da dor do paciente hospitalizado e, especificamente, conhecer o tipo de assistência implementada pelos profissionais de enfermagem frente às queixas álgicas; Identificar o conhecimento da equipe de enfermagem em relação à avaliação da dor e Identificar os aspectos prioritários para a intervenção e assistência de enfermagem diante da percepção de dor no paciente internado. 2 DESENVOLVIMENTO 2.1 O FENÔMENO DOR Provavelmente desde sua origem, o homem já vivenciou momentos de dor e, desde este momento, ele procura compreender as formas de lidar e livrar-se da dor. Existe um senso comum sobre o que é dor, porém expressar em palavras o que é de fato, na maioria das vezes, é algo complicado e também impossível de ser compartilhado, aja visto que ninguém consegue experimentar a vivência da dor do próximo. Portanto, é uma experiência individual, com detalhes e características próprias de cada ser humano e está associada à sua história de vida, além da percepção sobre o contexto atual na qual está sendo vivida (PEDROSO; CELICH, 2006). A dor é um fenômeno universalmente conhecido. Por ser subjetiva, torna-se uma percepção particular de cada indivíduo. Desse modo, de forma simples, costuma ser descrita como aquilo que o indivíduo que a está experimentando diz que é. Como uma experiência subjetiva tem sua intensidade e a duração, bem como o seu significado atribuídos pelo próprio indivíduo (KAZANOWSKI; LACCETTI, 2005). O termo dor é determinado pela Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) como experiência sensorial e emocional desagradável que é associada a lesões reais ou descrita em termos de tais lesões (CHAVES; LEÃO, 2004 apud CARVALHO; LOURENÇO, 2009). Rigotti e Ferreira (2005) adotam a classificação da dor aguda como a que está relacionada a afecções traumáticas, infecciosas ou inflamatórias e acrescentam que há expectativa de desaparecimento, após a cura da lesão. A delimitação têmporo-espacial é precisa, há respostas neurovegetativas associadas à elevação da pressão arterial, taquicardia e taquipnéia, enquanto a ansiedade e agitação psicomotora são respostas frequentes e têm a função biológica de alertar o organismo sobre a agressão. Já a dor crônica, segundo os mesmos autores, classifica aquela que persiste após o tempo razoável para a cura de uma lesão ou que está associada a processos patológicos crônicos, que causam dor contínua ou recorrente. Não tem mais a função biológica de alerta, geralmente não há respostas neurovegetativas associadas ao sintoma, é mal delimitada no tempo e no espaço, enquanto a ansiedade e depressão são respostas frequentemente associadas ao quadro clínico. 9 Por outro lado, Barreira e Gomes (2010) se utilizam da Classificação Internacional para a prática de enfermagem que conceitua a dor em aguda, quando é habitualmente referida como uma sensação aguda e intensa de facada, impacto ou tormento. Além disso, enfatizam que as sensações de dor permanente, constante ou recorrente não são acompanhadas de respostas automáticas, mas a dor crônica é normalmente referida como embotada incomodativa, surda, assustadora ou insuportável e pode estar associada a dificuldades no sono, irritabilidade, depressão, isolamento, desespero e desamparo. Descrevendo o conceito de dor, Pimenta e Cruz (1998) referem que cada indivíduo aprende a utilizar este termo através de suas experiências prévias traumáticas e reforça a afirmação da IASP, definindo a dor como uma experiência sensorial e emocional desagradável, associada a um dano real ou potencial dos tecidos, ou descrita em termos de tais lesões. Para Ferreira (2008) o termo dor é a sensação de sofrimento decorrente de lesão e percebida por formações nervosas especializadas. Generalizando a discussão acerca do que seja dor, Pedroso e Celich (2006) a consideram como uma manifestação subjetiva, que envolve mecanismos físicos, psíquicos e culturais. Esta concepção está de acordo com os escritos de Carvalho (1999) quando declara ser de conhecimento de todas as pessoas, mas ressalta que descrever a própria dor e conhecer exatamente a experiência de dor de outra pessoa é algo difícil e até mesmo impossível. Assim, atribui tal dificuldade por tratar-se de experiência individual, com características próprias do organismo, associadas à sua história passada compreendendo o contexto no qual a dor é percebida. 2.2 A DOR COMO RESPOSTA FISIOLÓGICA Segundo Porto (2005, apud CARVALHO; LOURENÇO, 2009) a dor é percebida inicialmente nos receptores especiais que estão espalhados por todo o corpo. Estes receptores transportam a informação sob o formato de impulsos elétricos que enviam à medula espinhal ao longo das vias nervosas e depois ao cérebro. Ao acontecer tal situação, o sinal é prontamente reenviado pelos nervos motores ao local original da dor, resultando então em contração muscular. Este sinal é enviado também ao cérebro, que o processa e o interpreta como dor, e que intervém a consciência individual para dar conta disso. De acordo com Guyton e Hall (1998, p. 354), Frequentemente, uma pessoa sente dor numa parte do corpo consideravelmente distante dos tecidos que causam a dor. Esta é chamada de dor referida. Geralmente a dor é iniciada num dos órgãos viscerais e referida a uma área na superfície do corpo. No mecanismo da dor referida, ramos das fibras nervosas viscerais fazem sinapse na medula espinhal com alguns dos mesmos neurônios de segunda ordem que recebem sinais de dor da pele. Quando as fibras nervosas viscerais são estimuladas, os sinais da dor a partir das vísceras são então conduzidos por pelo menos alguns dos mesmos neurônios que conduzem sinais de dor da pele, e a pessoa tem a impressão que as sensações realmente se originam na própria pele. Considerando a classificação para a prática de enfermagem, Barreira e Gomes (2010) afirmam que a dor é um tipo de sensação com características específicas, tais como: aumento da percepção sensorial de partes do corpo, habitualmente acompanhada por experiência subjetiva de sofrimento intenso com expressão facial característica, olhos baços e apagados, olhar 10 sofrido, movimento facial fixo ou disperso, esgares, alteração do tônus muscular, variação da apatia à rigidez, comportamento auto protetor, estreitamento do foco de atenção, alteração da percepção do tempo, fuga do contato social, compromisso do processo do pensamento, comportamento de distração marcado por gemidos, choro, andar a passos largos, procurar sem descanso outras pessoas ou atividades; as sensações relacionam-se com a duração da dor; o aparecimento súbito da sensação de dor associado à lesão aguda dos tecidos é marcado por respostas automáticas como a elevação da pressão arterial, pulso, respiração, transpiração, suores frios, piloereção e palidez acompanhada por tensão muscular, perda de apetite e ansiedade; as sensações de dor aguda são auto limitadas e funcionam como mecanismo de proteção para levar a vítima a fugir ou a retirar-se da origem da dor para evitar um mal maior. A dor é uma sensação desagradável que varia de acordo com a intensidade e localização, merecendo considerações especiais porque ela desempenha um importante papel protetor. Sempre que existe lesão tissular, os receptores de dor, chamados de nociceptores, são estimulados e enviam impulsos de volta para a medula espinhal, de onde esses impulsos são transmitidos para o cérebro, onde serão recebidos e interpretados. Em geral, a dor é percebida enquanto o tecido está sofrendo o comprometimento e cessa quando a lesão termina. A estimulação dos nociceptores é causada pela liberação de substâncias do tecido lesionado e pela ativação da resposta inflamatória. As células lesionadas liberam potássio e íon hidrogênio, os quais estimulam os nociceptores. No entanto, a resposta inflamatória que é evocada em resposta a lesão tissular é responsável por grande parte de estimulação dos nociceptores. Por exemplo, a histamina pode estimular os nociceptores, e as prostaglandinas e os leucotrienos podem sensibilizar os nociceptores e outros estímulos. Todas essas substâncias são liberadas pelas células inflamatórias (macrófagos, neutrófilos e outros leucócitos) que são atraídas para a região da lesão tissular. Além disso, as plaquetas ativadas participantes na formação do coágulo em resposta a laceração dos vasos sanguíneos liberam a serotonina, que também estimula os nociceptores. Por fim, o próprio nociceptor pode liberar a substância P, quando é estimulado, o que o sensibiliza para outras substâncias ativadoras (MORTON et al, 2007). No que diz respeito ao diagnóstico clínico, Guyton e Hall (1998) afirmam que um dos poucos critérios que podem ser usados para diagnosticar a inflamação visceral, doenças ou outros distúrbios, é a dor, a partir de diferentes vísceras do abdômen e do peito. Isto se deve ao fato de que, em geral, as vísceras não têm receptores sensoriais para outras modalidades de sensação além da dor. A dor visceral também difere da dor superficial em vários aspectos importantes. Tipos de lesões maiores localizadas nas vísceras raramente causam dor acentuada e, este fato torna-se uma das principais diferenças entre a dor superficial e a dor visceral. Um cirurgião, por exemplo, pode cortar por inteiro, em duas partes, o intestino de um paciente acordado sem causar dor significativa. Por outro lado, qualquer estímulo que cause a estimulação difusa das terminações nervosas da dor numa víscera causa dor que pode ser extremamente forte. A isquemia, por exemplo, causada pela oclusão do suprimento sanguíneo de uma grande área do intestino, estimula muitas fibras da dor difusas ao mesmo tempo e pode resultar em dor extrema. À medida que os impulsos dolorosos ascendem na medula espinhal, no sentido do tronco cerebral e tálamo, o sistema nervoso autonômico é estimulado como parte da resposta ao estresse. A dor de intensidade leve a moderada e a dor superficial provocam a reação de luta ou fuga da síndrome de adaptação geral. A estimulação do ramo simpático do sistema nervoso autonômico resulta em respostas fisiológicas. Quando a dor é contínua, intensa ou profunda, envolvendo tipicamente os órgãos viscerais, por exemplo, um infarto do miocárdio ou cólica 11 decorrente de cálculos biliares ou renais, o sistema nervoso parassimpático entra em ação. As respostas fisiológicas sustentadas pela dor podem provocar graves danos a uma pessoa, exceto nos casos de dor traumática intensa, a qual pode levar a pessoa ao choque. A maioria das pessoas alcança um nível de adaptação em que os sinais físicos voltam ao normal. Desta maneira, um cliente com dor nem sempre exibe sinais físicos (POTTER; PERRY, 2001). 2.3 MECANISMOS FISIOLÓGICOS X DIMENSÕES DA DOR Para Guyton e Hall (1998) classifica-se a dor em dois diferentes tipos principais: a dor rápida e a dor lenta. A dor rápida é sentida em 0,1 segundo quando é aplicado um estímulo doloroso, enquanto a dor lenta só começa após um segundo ou mais e depois aumenta de forma gradativa e lenta por muitos segundos e, às vezes, minutos. Dor cortante, dor em pontada, dor aguda, dor elétrica, e outras, também, são alguns dos nomes alternativos dentre muitos pelos quais a dor rápida é descrita. Este tipo de dor é sentido quando uma agulha é enfiada na pele, quando esta é cortada com uma faca, quando é agudamente queimada ou ainda quando é submetida a um choque elétrico. A dor cortante, rápida, não é sentida na maior parte dos tecidos profundos do corpo (GUYTON; HALL, 1998). Os mesmos autores ainda destacam que a dor lenta também é conhecida por muitos outros nomes como dor lenta em queimação, dor contínua, dor latejante, dor nauseante e dor crônica. Este tipo de dor é associado à destruição dos tecidos, podendo levar ao sofrimento prolongado, insuportável, e ocorre não só na pele, mas em quase todos os tecidos ou órgãos profundos. Nas concepções de Carvalho (1999) os mecanismos fisiológicos da dor sugerem a existência de três dimensões da experiência dolorosa: uma dimensão sensório-discriminativa, uma dimensão motivacional-afetiva e uma dimensão cognitivo-avaliativa da dor. De acordo com Anand (2000), essas dimensões resultam do funcionamento integrado dos três sistemas. O quadro 1 esquematiza os três sistemas. QUADRO 1 – SISTEMAS SENSÓRIO-DISCRIMINATIVO, MOTIVACIONAL-AFETIVO E COGNITIVOAVALIATIVO Sistema sensório-discriminativo, de condução rápida, fornece informação perceptiva relativa à localização, amplitude e propriedades têmporo-espaciais do estímulo, ou seja, a sensação-discriminação da dor aguda. Sistema motivacional-afetivo, de condução mais lenta, confere à dor um caráter desagradável, estimula a reação de evitamento e agressão, ou seja, está associado a uma condição limitadora da duração e intensidade do estímulo doloroso e a atributos comportamentais complexos, respostas emocionais como a ansiedade e depressão. Sistema cognitivo-avaliativo, que relaciona a experiência dolorosa com seu contexto ambiental e significado biopsicossocial, que o compara com experiências anteriores semelhantes. Fonte: Anand , 2000, p. 24 12 A percepção da dor diferencia-se de um indivíduo para o outro, quando submetidos a estímulos idênticos, afirmando o caráter subjetivo, pois a manifestação da dor ocorre de diversas formas e está relacionada a fatores externos e internos com os quais o indivíduo convive ou conviveu durante sua vida, como elementos sensoriais afetivos, sociais, culturais e emocionais (PIMENTA, 1998. PORTO, 2001). Os três sistemas interagem entre si e projetam-se sobre as áreas do sistema nervoso central responsável pela resposta à dor (CHRISTOFFEL, 2002). A figura 1 ilustra as dimensões da dor e os diferentes componentes que interligados interferem no mecanismo de percepção da dor. Figura 1 – Componentes distintos interligados no mecanismo de percepção da dor. Fonte: Cristoffel, 2002, p. 59. 2.4 AVALIAÇÃO DA DOR Com a finalidade de contribuir para a melhoria da qualidade da assistência de enfermagem, Carvalho e Kowacs (2006) descrevem que a dificuldade de avaliar a dor existe, pois o relato da intensidade da dor explicitada pelo paciente é muito subjetivo e, ao invés de defini-la exatamente por conta dessa subjetividade, dificulta a definição, o que permite apenas um conceito aproximado acerca do conceito de dor. Sousa (2002) define a dor como uma experiência subjetiva não podendo ser objetivamente determinada por instrumentos físicos, que, usualmente, mensuram o peso corporal, a temperatura, a altura, a pressão sanguínea e o pulso. A dor é caracterizada subjetivamente multidimensional que, de acordo com a diversificação na qualidade e na intensidade sensorial não existe um instrumento padrão que permita a um observador externo, objetivamente, mensurar essa experiência interna, complexa e pessoal. Por ser de avaliação prática, subjetiva e individual, a dor não pode ser mensurada objetivamente, como se mensura temperatura, pressão arterial e outros sinais. A identificação da dor tem como peça primordial o relato do paciente (FONTES; JAQUES, 2007). Para Guinsburg (1999), tais medidas fisiológicas não estão especificamente relacionadas à avaliação da dor, sendo que essas especificidades fisiológicas se evidenciam através das variáveis que incluem frequência cardíaca, pulso, saturação de oxigênio, pressão arterial, 13 tensão transcutânea de oxigênio e de dióxido de carbono, entre outras. Ressalta, ainda, que é importante frisar esse caráter subjetivo de avaliar a dor, utilizando-se dos métodos multidimensionais, o que permite melhor identificação a respeito individual da dor e interações com o meio ambiente, frente à assistência no manejo da dor. Apesar da sua magnitude, a dor passa a ser o centro que direciona e limita as decisões e comportamentos do indivíduo. Essas consequências biopsicossociais da dor enfatizam a importância do dimensionamento da sua prevalência visando o planejamento de medidas para seu controle e tratamento (DELLAROZA et al, 2007). Sendo um fenômeno universal, a dor é uma importante informação e consideração na assistência de enfermagem, visto que o profissional de enfermagem é capacitado pra avaliar e planejar a assistência de qualidade frente à dor do paciente (PEREIRA, 1998). Para tal assistência de enfermagem frente ao paciente com dor, Crescêncio, Zanelato e Leventhal (2009) relatam que as escalas de dor são instrumentos que facilitam a interação e comunicação entre os membros da equipe, contribuindo de forma significativa na assistência e implementação, o que permite avaliar a evolução da dor em cada paciente, verificando assim a resposta terapêutica analgésica. Fontes e Jaques (2007) compreendem que os profissionais de enfermagem podem utilizar várias escalas para mensurar a intensidade da dor do paciente, sendo que cada uma tem suas contribuições e limitações. De acordo com Carvalho (1999) os termos mensuração e avaliação são amplamente usados na literatura acerca da dor e são diferenciados da seguinte maneira: Mensuração refere-se ao escalonamento de um número ou valor e é comumente associada com a dimensão de intensidade da dor; Avaliação descreve um processo mais complexo onde informações sobre a dor, seu significado e seus efeitos sobre a pessoa são considerados juntamente com valores quantitativos. Juntas, avaliação e mensuração constituem o processo de sintetizar as informações coletadas e capturadas pelas escalas unidimensionais ou multidimensionais durante o exame do paciente para estabelecer um diagnóstico, prognóstico e planejar um programa de controle e manejo da dor. Sobre as escalas unidimensionais o mesmo autor afirma que estes instrumentos apenas quantificam a severidade ou a intensidade da dor e são usados em contextos clínicos para obter informações rápidas, não-invasivas. São especialmente úteis para mensurar a dor aguda. Enquadra-se nesta categoria a grande maioria dos instrumentos escalares psicofísicos utilizados para mensurar a magnitude sensorial ou mesmo a quantidade de dor relatada nos diferentes descritores de dor empregados pelos pacientes para descrever a dor que estão sentindo num dado momento. Os instrumentos multidimensionais, por outro lado, são utilizados para avaliar e medir as diferentes dimensões de dor a partir de diferentes indicadores de respostas e suas interações. As principais dimensões avaliadas e mensuradas são a sensorial, a afetiva e a avaliativa. Os quadros 2 e 3 exemplificam algumas escalas utilizadas para mensurar a intensidade da dor. 14 QUADRO 2 – ESCALAS VISUAL ANALÓGICA, NUMÉRICA, DE COPOS E ASSOCIADA Escala Numérica Fonte: Torritesi; Vendrúsculo (1998). Rossato; Angelo (1993). Carvalho; Kowacs (2006). 15 QUADRO 3 – ESCALAS DE FACES, DE INTENSIDADE DE DOR E EM TERMÔMETRO Escala de Expressões Faciais Escala Unidimensional de Faces Escala em Termômetro Fonte: Torritesi; Vendrúsculo (1998). Rossato; Angelo (1993). Carvalho; Kowacs (2006). Para Faleiros e Silva (2004) as funções e as atividades sociais cotidianas são também avaliadas para verificar o grau de interferência da dor. São imprescindíveis no processo de avaliação e mensuração da dor crônica, no qual se torna importante mensurar o grau de alívio da dor associado com uma medicação ou intervenção. Os objetivos da avaliação da dor para Faleiros e Silva (2005) incluem identificar a sua etiologia e compreender a experiência sensorial, afetiva, comportamental e cognitiva do indivíduo com dor para propor e implementar o seu manejo. No entanto, apesar de sua fundamental importância a dor ainda é avaliada inadequadamente. Ressaltam os mesmos autores que diversos estudos demonstram que os enfermeiros subestimam a dor pós- 16 operatória intensa. Inicialmente, o processo de avaliação deve incluir o histórico e exame físico do paciente, bem como os aspectos psicossociais e familiares relacionados. A avaliação também deve envolver os componentes sensoriais da dor, porém deve-se ter em mente que o indivíduo que vivencia a dor é o expert sobre o seu padrão, localização, intensidade e natureza, bem como o grau de alívio obtido pela terapia. Devido à subjetividade do sintoma o autorrelato será fundamental nesse processo de avaliação. A dor caracteriza-se por alguns sinais e sintomas objetivos, no entanto, não é possível supor que todos os indivíduos exibirão sinais objetivos como parte da experiência da dor, que são características frequentemente descritas pelos clientes, quando indagados a respeito do tipo e a intensidade da dor. Porém, a avaliação desse fenômeno deve ser feita de forma criteriosa para se planejar as intervenções, visto que para o cliente, em determinado momento, pode haver existência simultânea de mais de um tipo, sensação ou origem da dor (KAZANOWSKI; LACCETTI, 2005). Souza e Silva (2005) advertem que o padrão da dor é avaliado pelo uso de palavras que descrevem o seu ritmo e que o paciente deve ser questionado se a dor é constante, intermitente ou breve, e ainda sobre a data e horário do seu início e quando foi o último episódio. Segundo Faleiros e Silva (2004) a determinação da localização da dor pode auxiliar na determinação de sua etiologia. Na localização pode ser utilizado um diagrama corpóreo, para que o paciente demonstre, assinalando em um desenho, as áreas dolorosas. Outra forma é o enfermeiro questionar o indivíduo sobre os locais do corpo que doem e realizar o registro descritivo ou assinalar no diagrama de localização. Novos locais dolorosos que apareçam devem ser registrados porque pode sinalizar uma nova complicação. A intensidade da dor pode ser avaliada por meio de uma escala visual analógica (EVA). Uma das versões dessas escalas compreende uma linha horizontal de 10 cm com as extremidades indicando ―ausência de dor‖ e ―a pior dor possível‖. Poderá ser determinado um valor numérico, utilizando-se uma régua e medindo-se a distância entre a marcação do indivíduo, que está sendo avaliado, e o extremo inferior, numa escala em centímetros (SOUZA; SILVA, 2005). Contudo, a utilização de uma EVA por crianças, idosos e pacientes com déficit visual e cognitivo pode ser difícil pela ausência de qualquer marcação na linha de 10 cm, que seria um recurso de auxílio para a avaliação (ELSEN; ALTHOFF; MARQUES, 1993). Na avaliação da dor também podem ser utilizadas escalas como a numérica visual de 0 a 10, que pode ou não estar associada a uma escala verbal com quatro ou cinco descritores. Os descritores serão apresentados ao paciente para que ele escolha aquele que representa a intensidade da dor ou do alívio no momento da avaliação. A escala verbal mais utilizada em nosso meio é a de quatro termos, sendo considerada a dor ausente, leve, moderada ou intensa (FALEIROS; SILVA, 2004). Faleiros e Silva (2005) citam em seus escritos que outros instrumentos estão disponíveis para a avaliação da dor, como as escalas de faces de sofrimento, que podem ser úteis para pacientes que apresentam dificuldades em compreender as escalas numéricas. Entretanto, ressaltam que o fator mais importante na escolha de qual instrumento deve ser usado é a capacidade do paciente para compreendê-lo e que os instrumentos de avaliação devem ser adequados à faixa etária, à capacidade cognitiva e aos aspectos culturais dos indivíduos avaliados. 17 O prejuízo nas atividades de vida diária como: sono, apetite, movimentação, higiene e deambulação, bem como o humor, também devem ser avaliados, pois alterações são indicativos do desconforto causado pela dor e auxiliam na avaliação da qualidade da analgesia. A identificação da natureza da dor poderá ser definida pelas suas características utilizando-se descritores verbais. Ao paciente será solicitado que defina as palavras que melhor caracterizam a sua dor. As palavras escolhidas podem descrever as diversas qualidades sensoriais e emocionais da dor e auxiliar na definição do tipo de dor (CARVALHO, 1999). Segundo o mesmo autor, parâmetros fisiológicos tais como, alterações cardiovasculares (hipertensão e taquicardia), frequência respiratória, saturação arterial de oxigênio, sudorese e alterações metabólicas e hormonais, têm sido utilizados associados ou não à observação do comportamento, podendo ser úteis no processo de avaliação, tendo em vista que podem ocorrer respostas neurovegetativas provenientes da hiperatividade simpática, na vigência de dor aguda intensa. Respostas comportamentais podem incluir respostas verbais, vocalizações, expressões faciais, movimentos corporais e reações ao ambiente. Algumas manifestações sinalizam sofrimento e complementam a avaliação do quadro; entre elas estão: choro, resmungo, gritos e proteção de partes do corpo. Tais manifestações podem variar entre os indivíduos, já que são subjetivas. A percepção de dor é caracterizada como uma complexa experiência multidimensional, variando quer na qualidade e intensidade sensoriais, quer nas suas características afetivas e motivacionais. Todavia, muitos a consideram como apenas uma dimensão simples, variando unicamente na magnitude sensorial. Mas esta dimensão, ainda que importante, talvez não seja aquela que melhor caracteriza a dor de uma pessoa. Muitas pessoas usam vários descritores para indicarem o quão desagradável é a sua dor e, às vezes, nenhum para indicar a magnitude da intensidade de dor percebida (FALEIROS; SILVA, 2004). Ao longo dos anos as pesquisas têm evoluído para refletir mudanças nas idéias sobre dor. Estas mudanças têm variado da noção de um fenômeno puramente sensorial àquela de uma experiência composta tanto de componentes sensoriais quanto reativos e, finalmente, àquela em que os componentes sensorial-discriminativo, motivacional-afetivo e comportamentalcognitivo tomam parte. Durante toda essa evolução, os pesquisadores têm enfatizado diferentes interpretações e, consequentemente, instrumentos e escalas de mensuração têm sido desenvolvidos para investigar estes diferentes componentes (CARVALHO, 1999). De fato, a dor é uma experiência descrita em termos de atributos sensoriais, motivacionais e cognitivos e muitas vezes com sequelas emocionais. Por isso, a utilidade de muitas medidas de dor, por exemplo, das escalas psicofísicas e dos questionários multidimensionais, parcialmente resulta do reconhecimento e da avaliação independente dos seus diferentes componentes ou dimensões. Todavia, um grande número de estudos acerca da dor e da analgesia, no passado e, ainda, atualmente, consideram a dor como uma dimensão unitária, variando apenas em intensidade. Porém, como os resultados dos experimentos sobre a dor podem depender da dimensão que está sendo avaliada, o uso de uma simples medida da sensação dolorosa pode introduzir uma variabilidade significativa nos estudos sobre os seus mecanismos e tratamentos eficazes (FALEIROS; SILVA, 2004). Faleiros e Silva (2004) em seus escritos ainda interrogam: sobre o que poderão entender os pacientes quando descrevem a magnitude de dor que estão sentindo? Referir-se-ão à intensidade sensorial, à presença de qualidades sensoriais específicas, ou ao seu sofrimento, 18 ansiedade, angústia, agonia, aflição? Estarão os registros de dor usualmente associados a uma dessas dimensões, ou poderão os seus significados variar entre os indivíduos? Algumas escalas multidimensionais, especialmente aquelas usadas com neonatos, crianças que ainda não verbalizam e populações especiais, incluem além dos indicadores comportamentais, os fisiológicos e os biológicos. Quando possível usam também os autorregistros feitos pelos pacientes. Qualquer que seja a característica do instrumento, unidimensional ou multidimensional, ele deve ser prático, fidedigno, sensível e válido, e deve, ao mesmo tempo, possuir propriedades de uma escala em nível de razão. Certamente, técnicas com estas propriedades facilitariam o diagnóstico, o prognóstico e permitiriam uma avaliação criteriosa da eficácia dos tratamentos usados para alívio da dor (SAKATA et al, 2003). Kunderman e colaboradores (2004) notaram que a privação do sono produz alterações hiperalgésicas, nas quais os pacientes referem dor mais intensa a partir do mesmo estímulo quando estão privados do sono. Inclusive Smeltzer e Bare (2009) reforçam que outro efeito da privação do sono é a diminuição da eficácia dos analgésicos. O fato de que os analgésicos, as terapias, não são uniformemente eficazes reflete a extrema variabilidade da experiência de dor. Duas pessoas não experienciam da mesma forma estímulos nociceptivos idênticos. Fatores neurofisiológicos, hormonais, culturais, situacionais e psicológicos podem influenciar e interagir entre si, afetando a magnitude da sensação e do desprazer associado à dor. Os clínicos usam várias escalas para mensurar e avaliar a dor (FALEIROS; SILVA, 2005). Muito familiares são as escalas numéricas, com zero indicando nenhuma dor e 10 indicando a pior dor imaginável. Crianças são solicitadas a apontar cartoons configurados em faces para comunicar o nível de sua agonia. O Questionário McGill de Dor computa uma ―Intensidade de Dor Presente‖ variando de zero a cinco. Mas, os autorregistros não se mostram bastante fidedignos e válidos. Muitas vezes torna-se necessário interpretar os indícios não-verbais; se uma criança faz careta, o staff aumenta a medicação (CHRISTOFFEL, 2008). Os clínicos há tempos notaram diferenças nas respostas aos analgésicos. Algumas pessoas são hipersensitivas a uma dose padrão de morfina, enquanto outro grupo não responde, a menos que lhe seja dada uma dose muito elevada ou mesmo elevadíssima (FALEIROS; SILVA, 2005). Fatores genéticos têm sido procurados para explanar estas diferenças individuais, isto é, explicar porque algumas pessoas suportam mais dor do que outras, porque algumas pessoas têm um limiar de tolerância bem diferente de outra. O conhecimento ao nível molecular e farmacogenômico certamente permitirá não somente explicar tais diferenças, mas também individualizar e personalizar o tratamento da dor (CARVALHO, 1999). A mensuração de dor é provavelmente uma das áreas mais importantes da medicina e pesquisa de dor. A mensuração de dor depende de registros subjetivos ou dos julgamentos produzidos pelas pessoas sofrendo dor. Este autorregistro introspectivo é essencial para a ciência da dor porque ele fornece uma importante janela, dentro da qual somente a pessoa sofrendo dor está consciente. É verdade que o autorregistro não constitui a única janela para a mente e que métodos não-invasivos, como o imageamento cerebral funcional, têm alcançado grande progresso, mas ainda há uma longa jornada a ser percorrida antes que mensurações objetivas de dor ou da consciência tornem-se realidade. Mas, mesmo no futuro, é ainda provável que venhamos a depender do autorregistro como uma ferramenta essencial para 19 investigar a dor e a consciência dela. Logo, por ser a dor um fenômeno subjetivo, ela é difícil de quantificar e de qualificar. Entender a experiência de dor requer a convergência dos saberes de diferentes disciplinas em diferentes níveis. Mas a dor não pode ser reduzida simplesmente à neurofisiologia ou à farmacogenomia da dor (FALEIROS; SILVA, 2005). Os profissionais de saúde devem ter como critério acreditar que a dor é o que o paciente diz ser e que existe, quando ele diz existir. A maneira como o enfermeiro age no controle da dor está cada vez mais em evidência, pois estando próximo dos que precisam de cuidados, identifica a necessidade de intervenções e analisa sua eficácia (LEÃO; SILVA, 2004). QUADRO 4 – PROPOSTA DE ADAPTAÇÃO DO QUESTIONÁRIO MCGILL PARA A LÍNGUA PORTUGUESA Fonte: Pimenta; Teixeira (1996) 2.4.1 A DOR COMO QUINTO SINAL VITAL A necessidade de a dor ser reconhecida como o quinto sinal vital foi citada pela primeira vez em 1996 por James Campbell, então presidente da Sociedade Americana de Dor, quando referiu que se a avaliação e o tratamento da dor fossem sistematizados com o mesmo zelo como os demais sinais vitais haveria uma melhor chance de promover o tratamento adequado. Seu objetivo foi de elevar a conscientização entre os profissionais de saúde sobre os efeitos benéficos da dor adequadamente tratada (AMERICAN PAIN SOCIETY, 2010 apud MENDONÇA; LEÃO, 2007). 20 A monitoração da dor como o 5º sinal vital faz com que ela seja reconhecida não só como um sintoma, mas como um sinal de alarme. Isto gera uma mudança no posicionamento da equipe multiprofissional, bem como da própria organização de saúde, que estabelece a dor como um sinal que demanda um padrão de cuidado e como um dos indicadores de qualidade da assistência prestada (DICCINI, 2004). No entendimento de Bottega e Fontana (2010) deve-se avaliar a dor tão automaticamente quanto os outros sinais vitais do paciente, a fim de que se caracterize como quinto sinal vital conforme descreve a Agência Americana de Pesquisa e Qualidade em Saúde Pública e a Sociedade Americana de Dor. Inclusive Kreling, Cruz e Pimenta (2006) ressaltam que é tão importante quanto os outros sinais vitais afirmando que deve sempre ser avaliada num ambiente clínico. 2.5 SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM E MANEJO DA DOR Para fundamentar a prática, o exercício e a assistência de enfermagem, segundo Ferreira (1975), é necessário haver um marco na estrutura de organização do serviço ou assistência que almeja alcançar. Portanto, para sistematizar é necessário traçar metas que determinem uma linha de conceitos e pensamentos que podem ser utilizados na enfermagem, uma vez que são evidenciadas a partir de vivências da prática profissional. O cuidado em enfermagem tem sido estudado a partir de vários referenciais filosóficos e éticos desde o tempo de Florence Nightingale, assim, diversas pessoas eminentes em enfermagem desenvolveram teorias sobre o cuidado por causa da importância deste cuidado, não somente para a prática de enfermagem, como também para a existência da humanidade (POTTER; PERRY, 2004). Nessa mesma linha de pensamento, o não atendimento ou a deficiência na Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) caracteriza-se como omissão total das atividades de enfermagem, ficando o responsável pela omissão passível de sanção ética profissional. A negação dos cuidados de enfermagem a um cliente necessitado pode levá-lo a agravar o seu quadro clínico e comprometer as suas funções vitais (SANTOS et al, 2001). A prática e o exercício profissional de enfermagem funcionam como um alicerce estrutural para a implantação da SAE, que requer uma metodologia a ser implantada (TANNURE; GONÇALVES, 2008). Potter e Perry (2001) acrescentam que para compreender a dor do cliente e fornecer a intervenção adequada os enfermeiros precisam abordar sistematicamente o controle da dor. Para Stanton, Paul e Reeves (1993) citado por Tannure e Gonçalves (2008), o processo de enfermagem propicia ordem e direção aos cuidados de enfermagem, sendo a essência, o instrumento e a metodologia da prática de enfermagem, que direciona o profissional enfermeiro a tomar decisões e a prever e avaliar as consequências. Nessa mesma linha de pensamento, o relacionamento enfermeiro-cliente, no momento de investigação, é fundamental para o sucesso do trabalho, sendo um momento crucial o entrosamento entre o enfermeiro e o cliente que possibilitará melhor coleta de dados objetivos e subjetivos, de modo fidedigno. Segundo Garcez (2010) os diagnósticos de enfermagem são interpretações científicas dos dados levantados, usados para orientar o planejamento de enfermagem, a implementação e a 21 avaliação. O autor ainda cita que a American Nurses Association (NANDA) define dor aguda (00132) e dor crônica (00133) como diagnósticos de enfermagem no âmbito do domínio denominado conforto. Nesse mesmo contexto se uma pessoa tem que convencer os profissionais da saúde de que tem dor, sua ansiedade aumentará, aumentando também a dor e, dessa forma, ambas exaurem a mesma dor. O uso de medidas não invasivas para o alívio da dor (relaxamento, massagem, distração) pode incrementar os efeitos terapêuticos dos medicamentos analgésicos (MCGUIRE; SHEIDLER; POLOMANO, 2000). Diante dessa afirmativa, o mesmo autor confirma que esses métodos comportamentais tentam modificar as reações fisiológicas à dor, contribuindo com o biofeedback. 3 METODOLOGIA A presente pesquisa se insere na área de enfermagem, com ênfase na assistência ao paciente com dor e foi realizada na Casa de Caridade São José, no Município de Alegre - ES e na Santa Casa de Misericórdia Jesus Maria José, no Município de Muniz Freire – ES, ambas, unidades hospitalares do sul do Estado do Espírito Santo. A amostra constituiu-se de 45 profissionais de Enfermagem. As informações foram obtidas através da pesquisa de campo realizada no mês de outubro do ano de 2011, com coleta de dados primários através de questionário estruturado com uma questão aberta e nove fechadas. No percurso metodológico de forma exploratória e descritiva empregou-se a abordagem de natureza quali-quantitativa. De acordo com Figueiredo (2004) as pesquisas exploratórias proporcionam maior familiaridade com o problema, ou seja, têm o intuito de torná-lo mais explícito e aprimorar idéias ou descobrir intuições. A amostra inicial do estudo foi estimada em 49 profissionais de enfermagem sendo que a amostra elegível para as entrevistas foram 45 profissionais de Enfermagem que se encontravam nos plantões diurnos e noturnos no período da pesquisa, representando, assim, 91,83% do total de funcionários de enfermagem das instituições hospitalares. Excluíram-se os funcionários que se encontravam de férias ou licença. Seguindo-se aos aspectos éticos da Resolução n° 196 de 10 de outubro de 1996 do Conselho Nacional de Saúde, que regulamenta a pesquisa envolvendo seres humanos, a pesquisa foi elaborada após aprovação do Comitê de Ética da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Alegre mediante processo nº. 020430/2011. Para realização deste estudo solicitou-se autorização aos participantes, mediante assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, sendo-lhes assegurado sigilo de identidade. Os dados obtidos foram consolidados, interpretados e representados na forma de tabelas e/ou gráficos pelos próprios pesquisadores. Ressalta-se que a pesquisa não trouxe riscos para a população estudada e compreendeu o benefício de reunir elementos que possibilitam o planejamento dos cuidados de enfermagem, bem como de atividades de educação permanente no tocante ao manejo da dor do paciente hospitalizado. 22 4 RESULTADOS / DISCUSSÃO De acordo com a tabela 1 foram entrevistados 45 profissionais de enfermagem, sendo que 62,2% (28) atuam na Casa de Caridade São José e 37,8% (17) na Santa Casa de Misericórdia Jesus Maria José, dos municípios de Alegre e Muniz Freire, respectivamente. TABELA 1 – DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA QUANTO À INSTITUIÇÃO PESQUISADA. ALEGRE, 2011. Instituição Casa de Caridade São José Santa Casa de Misericórdia Jesus Maria José TOTAL Número 28 17 45 % 62,2 37,8 100 A tabela 2 caracteriza a mostra quanto ao gênero, assim, 22,2% (10) dos entrevistados são do sexo masculino e 77,8% (35) do sexo feminino. TABELA 2 – CARACTERIZAÇÃO DOS SUJEITOS DA PESQUISA QUANTO AO SEXO. ALEGRE, 2011. Sexo Número % Masculino 10 22,2 Feminino 35 77,8 TOTAL 45 100 Os achados se assemelham aos dados nacionais da pesquisa do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) que evidencia a forte presença do sexo feminino na enfermagem, correspondendo a 87,24% dos profissionais do Brasil; já o sexo masculino corresponde a 12,76% dos profissionais de enfermagem (COFEN, 2011).O paralelo entre os dados desta pesquisa e os da pesquisa apresentada pelo COFEN mostra que apesar de o número de profissionais do sexo masculino, nas instituições pesquisadas, estar um pouco acima da média nacional, a predominância de mulheres foi confirmada. Dos 45 profissionais entrevistados 8,9% (04) tem até 21 anos de idade, 31,1% (14) estão entre 21 e 35 anos de idade, 46,7% (21) entre 35 e 50 anos de idade e 13,3% (6) estão acima de 50 anos de idade, conforme ilustra o gráfico 1. 13,3% 8,9% Até 21 anos 31,1% 46,7% 21 a 35 35 a 50 Acima de 50 anos Gráfico 1 – Caracterização dos sujeitos da pesquisa quanto a idade 23 Segundo os estudos do COFEN (2011), os profissionais de enfermagem concentram-se na faixa etária de 26 a 55 anos, estando a grande maioria entre 26 a 35 anos, a qual representa 35,98% do total dos profissionais de enfermagem do Brasil.A faixa etária com a maior representatividade, nas instituições pesquisadas, difere daquela apresentada pela já citada pesquisa do COFEN. De acordo com o gráfico 2, 24,5% (11) dos entrevistados são auxiliares de enfermagem, 62,2% (28) técnicos de enfermagem e 13,3% (06) enfermeiros. % 24,5 62,2 13,3 Auxiliar de Enfermagem Técnico de Enfermagem Enfermeiro Gráfico 2 – Identificação dos entrevistados quanto a função. Alegre, 2011. Segundo dados do COFEN (2011) os profissionais de enfermagem são 1.449.583 profissionais em todo o Brasil. Desse total corresponde à categoria de enfermeiros 287.119 profissionais (19,81% do total), técnicos de enfermagem 625.862 profissionais (43,18% do total), auxiliares de enfermagem 533.422 profissionais (36,80% do total), parteiras 106 profissionais (0,01% do total) e não informados 3.074 profissionais (0,21% do total). Encontrou-se similaridade na proporção de técnicos e auxiliares de enfermagem neste estudo com o do COFEN (2011). Em relação ao tempo de serviço, a tabela 3 destaca que 20,0% (09) dos entrevistados estão na profissão há menos de 2 anos, 22,2% (10) entre 2 e 5 anos, 8,9% (4) entre 5 e 10 anos e 48,9% (22) há mais de 10 anos. Portanto, com base nestes resultados da pesquisa, pode-se inferir que a maior parte dos profissionais de enfermagem, das instituições pesquisadas, são profissionais experientes. TABELA 3 – PERFIL DOS ENTREVISTADOS QUANTO AO TEMPO DE SERVIÇO. ALEGRE, 2011. (Continua) Tempo Número % Até 2 anos 09 20,0 2 a 5 anos 10 22,2 5 a 10 anos 04 8,9 Acima de 10 anos 22 48,9 TOTAL 45 100 24 No gráfico 3 visualiza-se a participação da população amostral em algum curso específico sobre a assistência ao paciente com dor; 15,6% (07) dos entrevistados afirmaram ter participado de algum curso, enquanto 84,4% (38) disseram não ter participado de nenhum curso. Sim Não 15,6% 84,4% Gráfico 3 – Percentual dos entrevistados referente a participação em curso específico sobre a assistência ao paciente com dor. Alegre, 2011. Os resultados apontam para um despreparo por parte dos profissionais de enfermagem, no que diz respeito ao manejo da dor dos pacientes hospitalizados, uma vez que mais de 80% deles nunca recebeu capacitação em relação ao tema. O treinamento dos profissionais de enfermagem propicia melhora do rendimento, pois o profissional preparado possui condições de lidar com os rápidos avanços da tecnologia, com a alta complexidade dos diagnósticos, além de oferecer assistência de enfermagem de qualidade, atendendo às necessidades do paciente nas organizações de saúde (JERICO; CASTILHO, 2004). Nesse sentido, Castilho (2000) destaca que tanto o treinamento como o desenvolvimento de recursos humanos devem ser potencializados, elaborados e oferecidos para a equipe de enfermagem, a fim de contribuir na aquisição de novos conhecimentos, conceitos e atitudes, promovendo uma atuação eficaz dos profissionais junto aos pacientes. De acordo com a tabela 4, 20,0% (09) dos entrevistados acham que a frequência da queixa de dor entre os pacientes internados ocorre poucas vezes, 77,8% (35) acham que ocorre frequentemente e 2,2% (01) acham que nunca ocorre. TABELA 4 – OPINIÃO DOS ENTREVISTADOS EM RELAÇÃO À FREQUÊNCIA DA QUEIXA DE DOR ENTRE OS PACIENTES INTERNADOS. ALEGRE/MUNIZ FREIRE, 2011. Frequência Poucas vezes Frequentemente Nunca TOTAL Número 09 35 01 45 % 20,0 77,8 2,2 100 Embora seja importante acreditar nos pacientes que relatam a dor, de igual modo faz-se necessário ficar alerta para os pacientes que a negam em situações em que ela seria esperada, pois, algumas pessoas negam a dor porque temem o tratamento que possa resultar ao relatá-la ou admiti-la, enquanto outras negam a dor por medo de se tornarem viciadas em opióides, 25 quando estes medicamentos são prescritos. Desse modo, quando um enfermeiro suspeitar de dor em um paciente que nega senti-la deverá explorar com o mesmo o motivo de sua suspeita, já que o distúrbio ou o procedimento geralmente é doloroso ou o paciente faz careta quando se move ou evita o movimento (SMELTZER; BARE, 2009). No estudo indagou-se sobre a existência, nas instituições, de protocolo para avaliação da dor do paciente hospitalizado e 100% (45) dos entrevistados afirmaram que não havia nenhum protocolo para avaliação da dor do paciente hospitalizado. O estudo de Eler e Jaques (2009) revelou que a avaliação da dor mediante protocolos de SAE não tem ocorrido devido à inexistência de um instrumento para tal, e enfatiza a necessidade de instrumentalização adequada dos profissionais de enfermagem no que tange ao manejo da dor. Por protocolos de assistência entende-se que trata-se de um conjunto de dados que permitem direcionar o trabalho e registrar oficialmente os cuidados executados na resolução ou prevenção de um problema. Dessa forma, para garantir a confiabilidade à assistência de enfermagem é imprescindível a construção de protocolos de assistência (BARROS; ANAMI; MORAES, 2003). GRÁFICO 4 – IDENTIFICAÇÃO DA EXISTÊNCIA, NAS INSTITUIÇÕES DE PROTOCOLO PARA AVALIAÇÃO DA DOR DO PACIENTE HOSPITALIZADO, SEGUNDO OS ENTREVISTADOS. ALEGRE, 2011. 100 100 80 60 40 20 0 0 Sim Não % Quando indagados quanto à avaliação da dor junto à verificação dos sinais vitais, 84,5% (38) dos entrevistados disseram que sempre avaliam, 11,1% (05) às vezes avaliam, 2,2% (01) não avaliam e 2,2% (01) avaliam em outras ocasiões. % Em outras ocasiões 2,2 Não 2,2 Às vezes Sempre 11,1 84,5 26 GRÁFICO 5 – OCORRÊNCIA DA AVALIAÇÃO DA DOR JUNTO A VERIFICAÇÃO DOS SINAIS VITAIS. ALEGRE, 2011. De acordo com a Agência Americana de Pesquisa e Qualidade em Saúde Pública e a Sociedade Americana de Dor, a dor é especificada como o quinto sinal vital que deve ser sempre registrada ao mesmo tempo e no mesmo ambiente clínico em que são avaliados os outros sinais vitais, quais sejam: temperatura, pulso, respiração e pressão arterial (SOUSA, 2002). No que tange a situação em que os entrevistados consideram o relato de dor do paciente, 8,9% (04) disseram que o levam em consideração quando há prescrição médica de analgésico SOS, 60% (27) logo que o paciente refere, 11,1% (05) quando o paciente refere por diversas vezes, 17,8% (08) quando o paciente refere e observam associação de outros sinais e sintomas pertinentes e 2,2% (01) só em paciente de pós-operatório. Título do Eixo GRÁFICO 6 – SITUAÇÕES EM QUE OS ENTREVISTADOS CONSIDERAM O RELATO DE DOR DO PACIENTE. ALEGRE, 2011. 60 50 40 30 20 10 0 % % Quando há prescrição médica de analgésico SOS Logo que o paciente refere Quando refere por diversas vezes 8,9 60 11,1 Quando o paciente refere e observo associação de outros sinais e… 17,8 Só em paciente de pósoperatório 2,2 De acordo com Pinto e Porto (2003) não é possível descrever a dor do paciente quando o mesmo não a expressa de forma efetiva através de seus sentidos, seu corpo e sua fala. O risco de alguém interpretar queixas de dor dos pacientes segundo sua própria visão e experiência pessoal está presente em muitas situações. Integrantes da equipe de saúde que acreditam nas queixas de dor são sensíveis para compreender o momento de estresse e angústia envolvendo pacientes e familiares, além de estarem aptos para intervir no seu controle. Pode-se inferir que tais concepções são importantes no sentido de que o profissional de saúde possa ter embasamento para seu cuidado, visto que são privilegiados aspectos subjetivos envolvidos na percepção dolorosa. A partir delas é possível selecionar estratégias mais adequadas e buscar uma solução mais apropriada. A tabela 5 mostra que quando inquiridos a respeito do tipo de assistência implementada frente às queixas álgicas do paciente hospitalizado, 93,3% (42) dos entrevistados relataram que administram os fármacos prescritos, 2,2% (01) utilizam técnicas de distração, 4,5% (02) aplicam técnicas de relaxamento e nenhum dos entrevistados aplica outras técnica. 27 TABELA 5: PROPORÇÃO DO TIPO DE ASSISTÊNCIA IMPLEMENTADA FRENTE ÀS QUEIXAS ÁLGICAS DO PACIENTE HOSPITALIZADO. ALEGRE, 2011. Assistência Administração dos fármacos prescritos Técnicas de distração Técnicas de relaxamento Placebo Outro TOTAL Número 42 01 02 0 0 45 % 93,3 2,2 4,5 0,0 0,0 100 É importante ressaltar que o profissional de Enfermagem desempenha um papel fundamental para o controle adequado da dor, uma vez que atua como identificador de dores em situações de internação em ambulatórios, nos centros de saúde, nas instituições de trabalho e até nos domicílios através do Home Care. Este profissional é o que mais frequentemente detecta a presença de dor e busca alternativas para amenizar o sofrimento do cliente e de sua família, através de intervenções como: medidas farmacológicas, físicas e cognitivo-comportamentais e, após lançar mão dessas medidas, avalia a eficácia do tratamento e o alívio obtido (ESTEVES, 2008). A tabela 6 expõe uma abordagem acerca da concepção da população estudada segundo o método mais adequado para mensurar a intensidade da dor, sendo que 40% (18) dos entrevistados disseram não conhecer instrumentos para mensurar a intensidade da dor, 31,1% (14) informaram que avaliam apenas local, a duração e outras características da dor, 4,5% (02) consideram a escala verbal numérica a mais adequada, as escalas visual analógica e de faces foram apontadas com o mesmo percentual, 2,2% (01), 11,1% (05) consideram a escala verbal a mais adequada e 8,9% (04) consideram a escala comportamental a mais adequada. As escalas visual numérica e das mãos (através das mãos em oração), bem como, a graduação por abstração relacionada a copo de água/fruta e outros instrumentos, não foram citados. TABELA 6: CONCEPÇÃO DA POPULAÇÃO ESTUDADA SEGUNDO O MÉTODO MAIS ADEQUADO PARA MENSURAR A INTENSIDADE DA DOR. ALEGRE, 2011. Instrumentos Não conheço instrumentos para mensurar a intensidade da dor Avalio apenas local, a duração e outras características da dor Escala verbal numérica Escala visual numérica Escala visual analógica Graduação por abstração relacionada a copo de água/fruta Escala de faces Escala verbal Escala das mãos (através das mãos em oração) Escala Comportamental Outro TOTAL Número 18 14 02 0 01 0 01 05 0 04 0 45 % 40,0 31,1 4,5 0,0 2,2 0,0 2,2 11,1 0,0 8,9 0,0 100 Os dados corroboram com os encontrados por SGUASSABIA; KALINKE (2005) que referem que a maioria dos profissionais de enfermagem avalia a dor do paciente pela 28 comunicação verbal e não-verbal e que o uso das escalas analógicas visuais e de categoria numérica-verbal são pouco conhecidas pelos profissionais de enfermagem. Os dados do estudo sugerem a necessidade de implantar instrumentos padronizados nos hospitais pesquisados, com o objetivo de promover uma avaliação adequada antes da realização de intervenções para o alívio da dor, pois cada indivíduo é único e possui diferentes limiares de dor, portanto a assistência deve ser individualizada. Sobre o aspecto da assistência no manejo da dor do paciente hospitalizado em que a SAE pode melhor contribuir, 2,2% (01) dos entrevistados disseram que não visualizam qualquer contribuição, 17,8% (08) afirmaram que a melhor contribuição da SAE é no alívio do sofrimento do paciente, 2,2% (01) opinaram que há uma melhoria dos demais parâmetros vitais, 8,9% (04) reconhecem uma melhoria na humanização da assistência, 17,8% (08) apontaram uma contribuição na evolução do estado geral do paciente e 51,1% (23) acham que há uma melhoria na qualidade do cuidado de enfermagem. % 51,1 17,8 17,8 8,9 2,2 2,2 Não visualizo No alívio do Na melhoria Na Na evolução Na qualidade qualquer sofrimento dos demais humanização do estado do cuidado contribuição do paciente parâmetros da assistência geral do de vitais paciente enfermagem GRÁFICO 07: CONSIDERAÇÕES DOS ENTREVISTADOS SOBRE O ASPECTO DA ASSISTÊNCIA NO MANEJO DA DOR DO PACIENTE HOSPITALIZADO, EM QUE A SAE PODE MELHOR CONTRIBUIR. ALEGRE, 2011. A metodologia da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) direciona a prática de forma a facilitá-la em uma forma simples e objetiva, sendo principalmente aplicável à realidade vivenciada. Nesta perspectiva, a aplicação da SAE requer algumas reformulações do dia-a-dia, mas, certamente, facilitará o desempenho e permitirá maior aproximação do ser humano além de, oferecer respaldo, autonomia, satisfação profissional, segurança e direcionamento para o desempenho com competência, credibilidade e visibilidade para a enfermagem (CARRARO; WESTPHALEN, 2001). 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O estudo mesmo sem a pretensão de esgotar o assunto mapeou a discussão, na atualidade, acerca da temática ―5º sinal vital‖ para a compreensão do contexto do indivíduo hospitalizado 29 e que sofre com dor. Neste enfoque, sobressai um caráter mais científico e acentua-se o aspecto do cuidado holístico da enfermagem. Constatou-se que diversas produções científicas no campo da enfermagem recomendam o manejo da dor considerando-a como o quinto sinal vital, embora a dor, de fato, não seja sinal e nem vital. No entanto, a assistência de enfermagem nesta perspectiva exige o reconhecimento da necessidade de desenvolver estratégias dentro da SAE no ambiente hospitalar para alívio do sofrimento do paciente com queixas álgicas. Os achados da pesquisa de campo em Alegre e Muniz Freire revelaram que 84,4% (38) do total de 45 profissionais de enfermagem entrevistados, nunca participaram de curso específico sobre dor; 77,8% (35) disseram que a queixa álgica entre os pacientes internados ocorre frequentemente; 84,5% (38) referiram que sempre avaliam a dor junto aos sinais vitais; 60% (27) consideram o relato de dor logo que o paciente refere; 93,3% (42) administram fármacos prescritos como intervenção para alívio das queixas álgicas; 100% afirmaram que inexistem protocolos de avaliação da dor na instituição que trabalham; 40% (18) desconhecem instrumentos para mensurar a intensidade da dor; 51,1% (23) apontaram a contribuição da SAE na melhoria da qualidade do cuidado de enfermagem. Foi possível identificar que um dos aspectos prioritários para a intervenção e assistência de enfermagem diante da percepção de dor no paciente internado constitui-se na necessidade de convergência do cuidado e da educação permanente, a fim de garantir o impacto na SAE mediante o cuidado humanizado a ser prestado de maneira individualizada e sistematizada e, assim, obter maior êxito no atendimento, juntamente com as medidas terapêuticas necessárias. Os dados encontrados no estudo sinalizam alguns exemplos importantes para se pensar e ressignificar o cuidar em enfermagem com foco na dor e suas significações para o ser humano. Finaliza-se argumentando que a SAE, para ser efetiva, exige uma preocupação holística com o paciente e a identificação da necessidade de cuidados balizada em uma prática que incorpore resultados de pesquisa ao cuidado diário e à educação permanente. Portanto, há necessidade de estudos com metodologias que fundamentem um cuidado de enfermagem qualificado e baseado em evidências científicas e clínicas, favorecendo-lhe uma posição de destaque no âmbito da interdisciplinaridade ao lidar com o indivíduo com dor. REFERÊNCIAS ANAND, K. J. S. A fisiologia da dor em lactentes e crianças. Anais Nestlé, v. 2, n. 59, p.1137, 2000. BARROS, S. K. S.; ANAMI, E. H. T.; MORAES, M. P. A elaboração de um protocolo para prevenção de úlcera de pressão por enfermeiros de um hospital de ensino, Revista Nursing, São Paulo. v. 63, n. 6, p. 29-32, 2003. BARREIRA, A.; GOMES, O. Avaliação e registo da dor: um imperativo em Enfermagem. Disponível em: http://www.infiressources.ca/fer/depotdocuments/ Avaliacao_da_dor-O_Gomes-mars2010.pdf. Acesso em: 06 de novembro de 2011. 30 BOTTEGA, F. H.; FONTANA, R. T. A dor como quinto sinal vital: utilização da escala de avaliação por enfermeiros de um Hospital Geral. Texto e Contexto de Enfermagem. 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O estudo tem como objetivo geral descrever o perfil das mulheres que procuram o Programa de Planejamento Familiar no município de Guaçuí,ES para atendimento. E como específicos: classificar quanto à faixa etária; analisar a situação gestacional das mulheres cadastradas no programa; analisar quanto à condição sócio - econômica; analisar quanto o grau de escolaridade; classificar as clientes quanto a sua profissão; analisar o estado civil das usuárias e investigar qual o método mais utilizado pelas mulheres. Trata-se de estudo de campo exploratório, descritivo, de abordagem quantitativa e analítica, com coleta de dados primários, através de questionário estruturado, realizado no Espaço Viva Mulher, no município de Guaçuí, ES, tendo como alvo mulheres regularmente cadastradas no Programa e que freqüentam a unidade. Com a amostra de 51 clientes, na sua maioria (54.9%) entre 21-30 anos, com 1 filho (33.3%), com renda mensal de 1 salário mínimo (47%),ensino fundamental incompleto (49%),do lar (31%), casadas (43%), onde 72% optaram pela pílula anticoncepcional como método contraceptivo e nenhuma delas optou pelos métodos naturais. Conclui-se assim que o trabalho do Planejamento Familiar no município de Guaçuí, ES tem sido de forma valorosa e de trabalho continuo. PALAVRAS-CHAVE: Planejamento Familiar. Mulheres. Perfil. Atendimento ABSTRACT Family planning is an integral part of the set of actions of attention to the woman, the man or the couple, within a global vision care and comprehensive health care. The women attending health services for their care, where the health situation involves many aspects of life, as the relationship with the environment, leisure, food, working conditions, housing and income. Justified by the relevance of the research topic, and study is important and necessary to be developed when taking into account that getting to know the profile of women seeking treatment, the most appropriate measures can be adopted to improve the progress of the Program Family planning in the city of Guaçuí, ES. The study aims to describe the general profile of women who seek Family Planning Program in the municipality of Guaçuí,ES ES for treatment. And as specific: to classify as to age, gestational analyze the situation of women enrolled in the program should analyze the socio - economic, analyze how much schooling; classify customers as their profession, to analyze the marital status of users and investigate 4 Enfermeira do município de Guaçuí, ES. 36 which method most used by women. This field study is exploratory, descriptive, analytical and quantitative approach, with primary data collection through structured questionnaire, held at the Women Living in the city of Guaçuí, ES, targeting women regularly enrolled in the Program and attending the unit. With the sample of 51 clients, mostly (54.9%) between 21-30 years with a son (33.3%), with a monthly income of minimum wage (47%), elementary education (49%), home (31%), married (43%), where 72% chose the pill as a contraceptive method chosen and none of the natural methods. It is concluded that the work of Planned Parenthood in the city of Guaçuí, ES has been so valuable and ongoing work. KEYWORDS: Family Planning. Women. Profile. Service 1 INTRODUÇÃO As mulheres constituem a maioria da população brasileira e são as principais usuárias do Sistema Único de Saúde – SUS. Freqüentam os serviços de saúde para o seu atendimento, onde a situação saúde envolve diversos aspectos da vida, como a relação com o meio ambiente, o lazer, a alimentação, as condições de trabalho, moradia e renda. (BRASIL, 2008). Neste sentido, o planejamento familiar é tido como o conjunto de ações de regulação da fecundidade que garanta direitos iguais de constituição, limitação ou aumento da prole pela mulher, pelo homem ou pelo casal. O planejamento familiar é parte integrante do conjunto de ações de atenção à mulher, ao homem ou ao casal, dentro de uma visão de atendimento global e integral à saúde. (BRASIL, 2002). O mesmo autor ainda relata que este se orienta por ações preventivas e educativas e pela garantia de acesso igualitário a informações, meios, métodos e técnicas disponíveis para a regulação da fecundidade. De acordo com Brasil (2002), o planejamento familiar deve ser um elemento essencial na prevenção primária de saúde, auxiliando as pessoas que procuram tais serviços, oferecendolhes informações necessárias para a escolha e uso efetivo dos métodos anticoncepcionais que melhor se adaptem às condições atuais de saúde. Justifica-se a pesquisa pela relevância do tema, e o estudo torna-se importante e necessário de ser desenvolvido quando se leva em consideração que conhecendo melhor o perfil das mulheres que procuram atendimento, medidas mais adequadas podem ser adotadas para o melhor desenvolvimento do Programa de Planejamento familiar na cidade de Guaçui, ES. O presente estudo tem como objetivo geral descrever o perfil das mulheres que procuram o Programa de Planejamento Familiar no município de Guaçuí/ES para atendimento. E como específicos: classificar quanto à faixa etária; analisar a situação gestacional das mulheres cadastradas no programa; analisar quanto à condição sócio - econômica; analisar quanto o grau de escolaridade; classificar as clientes quanto a sua profissão; analisar o estado civil das usuárias e investigar qual o método mais utilizado pelas mulheres. 37 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1 A SEXUALIDADE As relações entre sexo e reprodução estão historicamente tão ligadas, que ainda hoje é impossível falar da sexualidade nas sociedades contemporâneas, sem considerar essas relações. Isso porque, nas sociedades humanas, todos os diferentes momentos da sequência reprodutiva desde o coito, a gravidez, o parto e a amamentação, até o número e a socialização das crianças são socialmente organizados e controlados. Por um lado, embora a reprodução humana seja vista como um processo eminentemente biológico ou natural, por esse processo reproduzem-se não indivíduos abstratos, mas pessoas alocadas em posições sociais historicamente construídas (LOYOLA, 1992). A adolescência é um período muito especial no desenvolvimento humano, considerada a transição entre a infância e a idade adulta, caracterizada por intenso crescimento e desenvolvimento que se manifesta por marcantes transformações anatômicas, fisiológicas, psicológicas e sociais. Em um contexto mais psicológico, é a etapa na qual o indivíduo busca a identidade adulta, apoiando-se nas primeiras relações afetivas, já interiorizadas, que teve com seus familiares e verificando a realidade que a sua sociedade lhe oferece (BRÊTAS et al, 2002). Com o decorrer do amadurecimento do processo de adolescer, diante do novo corpo que está surgindo, os adolescentes passam a preocupar-se e valorizá-lo, principalmente na aparência visual, adotando comportamentos sociais e sexuais atribuídos a cada sexo (ABERASTURY; KNOBEL, 1981). A sexualidade é algo que se constrói e aprende, sendo parte integrante do desenvolvimento da personalidade, capaz de interferir no processo de aprendizagem, na saúde mental e física do indivíduo (BRÊTAS, 2004). Assim, entendemos que toda essa transformação biológica e psicológica também acarreta em mudanças na convivência social. O adolescente começa a se relacionar com o "grupo", inicialmente separados, meninas em um grupo e meninas em outro, no exercício da bissexualidade, posteriormente, pouco a pouco, exercitam possibilidades de relacionamento com os outros (BLOS, 1988). O tempo disponível dos pais para se relacionarem com seus filhos está cada vez mais limitado. Diante deste fato à orientação sexual é transferida para a escola, uma responsabilidade que, ou não querem, ou encontram dificuldades em assumir (AQUINO et al, 2003). A prática sexual dos filhos não é discutida na família, assim o gerenciamento da contracepção, à revelia dos pais, torna-se mais difícil, e, no entanto, o fato destes estarem cientes e o recomendarem, não significa que haverá um acato (BRANDÃO; HEILBORN, 2006). A família e a escola têm papeis diferentes e complementares na orientação dos adolescentes, uma não substituiu a outra. A escola complementa o que é iniciado no lar, suprindo lacunas, combatendo preconceitos, desenvolvendo respeito pelo corpo e pelos sentimentos (FONSECA, 2004). Neste sentido, percebe-se a importância do professor na função natural de educador sexual no ambiente escolar, e a necessidade de renovação contínua dos seus próprios conhecimentos sobre sexualidade, para cumprimento eficaz de seu papel (EGYPTO, 2003). 38 Muitas vezes os pais consideram delicado abordar questões de sexualidade com seus filhos adolescentes, justamente por não terem muito claro o que aconteceu com eles próprios, atribuindo essa responsabilidade à escola, e esta, por sua vez, apresenta dificuldade em cumprir tal tarefa (BRÊTAS; PEREIRA, 2007). Na sexualidade as garotas são mais informadas do que os rapazes, porém este conhecimento vai aumentando para os dois grupos com o avanço da idade e da escolaridade (GOMES et al, 2002). É necessário trabalhar a questão de gênero na adolescência como uma estratégia de diminuir o desequilíbrio de poder entre os sexos, mudando normas de pares, criando habilidades de negociação e mudança de conduta (MARTINS et al, 2006). As atitudes em relação à sexualidade e à moralidade sexual têm sido apontadas como fatores importantes para a normatividade e regulação do que é aceitável ou não como prática em cada país ou comunidade (PAIVA, 2006). Ao mesmo tempo, compreender atitudes e valores tem se mostrado fundamental para planejar iniciativas no campo da prevenção e da promoção da saúde, interferindo também nas diretrizes e no desenho das políticas públicas no campo da educação, e nas iniciativas de proteção e promoção de direitos (PAIVA et al, 2006). Políticas públicas que visem promover a saúde sexual e reprodutiva ou prevenir doenças sexualmente transmissíveis de forma eficaz e eficiente dependem do diálogo permanente com os valores dos participantes dos programas - profissionais que tomam decisões e implementam os programas; grupos comunitários, de educandos ou de pacientes envolvidos; e usuários (AYRES, 2002). 2.2 PATERNIDADE RESPONSÁVEL De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2003), 17,7% das famílias brasileiras são constituídas por homens ou mulheres com filhos que vivem sem a presença do cônjuge/companheiro. Na literatura, tais famílias são chamadas de monoparentais e decorrem do aumento do número de divórcios e separações e das mulheres e homens solteiros ou viúvos que cada vez mais criam seus filhos (biológicos ou adotivos) sem necessariamente constituir ou manter um relacionamento conjugal. Esses dados confirmam que as instituições familiares, ao longo da história, estão sujeitas a transformações, pois as formas de se conceber a família são socialmente construídas (SANTOS; OLIVEIRA, 2005). De acordo com Heilborn e colaboradores (2006), a adolescência é um período da vida em que colegas e pares passam a ganhar mais importância, e isso faz parte do processo de construção da autonomia dos jovens diante da família, na busca de suas singularidades. Não discutir contracepção é permanecer cego diante do fato de que as relações sexuais de jovens e adolescentes se modificaram, são legítimas e constituem um direito. No que concerne à reprodução, as mulheres continuam sendo culpabilizadas por engravidar; os homens, absolvidos ou esquecidos de sua participação no evento; e aos poderes públicos é reclamado simplesmente o planejamento familiar sem considerar a etapa necessária da educação sexual que é um instrumento que poderia, de fato, fazer com que a contracepção e a proteção nas relações sexuais se integrassem de maneira regular na vida dos jovens. Na literatura brasileira a gravidez na adolescência aparece sob o enfoque de "risco", associada a certo imaginário contemporâneo da adolescência enquanto um período instável, caracterizado por crises. Diversos estudos discorrem sobre os resultados indesejados de uma 39 maternidade precoce para as mulheres e seus filhos, tal como a mortalidade infantil, justificada não só pela incapacidade fisiológica da gestante (cujos efeitos se traduziriam no tamanho e no baixo peso do recém-nascido), mas também pela imaturidade psíquica do jovem para criar uma criança, deixando esta mais propensa a contrair doenças infectocontagiosas ou a sofrer acidentes, por exemplo (CAMARANO, 1998). A tendência de queda da idade média da menarca e da iniciação sexual também aparece associada à gravidez na adolescência, assim como a falta de informação sobre métodos contraceptivos e a dificuldade de acesso a estes. Igualmente corrente é a assertiva de que a gravidez em mulheres menores de 20 anos tem incidência maior nas classes mais economicamente desfavorecidas (CAMARANO, 1998). Na verdade, uma determinada posição de classe social e a ausência de escolaridade recorrentemente perfilam dentre os fatores explicativos da gravidez na adolescência. Reiteradamente, a literatura aponta a interrupção prematura da escolaridade, a diminuição da capacidade de competir no mercado de trabalho e maior instabilidade nas relações conjugais como uma constelação de fatores que ajuda a compor um quadro de "desvantagem social" decorrente da maternidade na adolescência (SOUZA, 1998). Observa-se uma circularidade dos argumentos, e as questões sobre escolaridade e pobreza são colocadas em pauta não somente no âmbito das consequências, mas também no das causas do fenômeno (STERN; MEDINA, 2000). Em estudo realizado pela Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil, a respeito do comportamento sexual e reprodutivo de jovens brasileiros, a totalidade dos inquiridos "conhecia" algum tipo de método contraceptivo e a maioria já havia utilizado algum método pelo menos uma vez. Todavia, essa mesma pesquisa mostra a "limitação" de seus dados, pois o "nível de conhecimento" inferido está relacionado ao simplesmente "ter ouvido falar" dos métodos, sem detalhar questões acerca da utilização adequada (BEMFAM, 1999). Estar usando algum método poderia significar o planejamento de um intercurso sexual, o que não corresponde ao imaginário da mulher ingênua e inexperiente. Paradoxalmente, espera-se que a adolescente tenha relações sexuais pré-maritais. Ressalta-se um argumento consensual entre os autores: as relações sexuais são mais imprevisíveis entre os jovens (HEILBORN et al., 2002). A democracia e a idéia de igualdade entre os sexos penetram a esfera doméstica, alterando a configuração tradicional do casamento e o modelo de relacionamento conjugal, que passa a ser o das uniões livres, engendrando uma constante negociação dos conflitos. Os laços conjugais se fragilizam e sua continuidade é rompida, não obstante à vontade em contrário dos parceiros (BATTAGLIOLA, 1988). O início da vida sexual fora dos marcos do casamento é cada vez mais frequente na atualidade, o que leva alguns autores a questionar sobre uma possível perda do valor da virgindade feminina, "moeda de troca" no mercado matrimonial tradicional. No entanto, as circunstâncias, reiteradas pelo fato das parceiras que se iniciaram sexualmente com o rapaz serem as mesmas envolvidas nos episódios de gravidez, permitem questionar o caráter relativo da perda do valor da virgindade. É significativo encontrar aqui a conjugação desses elementos: iniciação sexual da parceira e gravidez com paternidade assumida (BOZON; HEILBORN, 2001). 40 É fundamental a participação das famílias neste cenário; contudo, está implícita uma obrigação moral do jovem prover, pelo menos, a criança. O trabalho passa a ser um bem maior, indispensável ao jovem. Afinal, pode-se dizer que tradicionalmente, a identidade masculina é construída com base na tripla imagem do homem "prenhador, protetor e provedor" (VALDÉS; OLAVARRÍA, 1998). Navarro (2007) relata que, por muito tempo, os estudos e investigações sobre relacionamento parental se centravam principalmente na relação mãe-filho, com pouca ênfase na paternidade, contribuindo para que a maternidade ocupasse um lugar central no desenvolvimento dos filhos e até mesmo promovendo a culpabilização materna quando havia alguma dificuldade nesse processo. Ao mesmo tempo, a paternidade foi considerada como secundária no desenvolvimento psicológico dos filhos, sendo as consequências da ausência paterna os aspectos mais enfatizados pelas pesquisas (GIFFIN, 2005). 2.3 PLANEJAMENTO FAMILIAR Até o final dos anos 70, as lutas em prol da saúde reprodutiva encontraram fortes barreiras, destacando-se o Estado autoritário, que não atendia às necessidades básicas da maioria da população; a hegemonia biomédica na elaboração de representações sobre o corpo feminino; o limitado lugar social ocupado pela mulher; e os programas verticais de planejamento familiar, implementados por organismos internacionais desde a década de 60 (ÁVILA; CORRÊA, 1999). Importante ressaltar que, desde os anos sessenta, as mulheres brasileiras vinham processando a ruptura com o clássico e exclusivo papel social que lhes era atribuído pela maternidade, introduzindo-se no mercado de trabalho e ampliando suas aspirações de cidadania. Controlar a fecundidade e praticar a anticoncepção passaram a ser aspirações das mulheres, assim como a vivência plena da sexualidade, desvinculando a maternidade do desejo e da vida sexual (COSTA, 1995). Somente na década de 80, com a transição democrática vivida no país, caracterizada pela organização de movimentos sociais, as mulheres passaram a conquistar certos direitos relacionados às suas escolhas no campo do Planejamento Familiar (TYRREL; CARVALHO, 1995). A concepção é o resultado natural do intercurso sexual entre homem e mulher. Partindo dessa premissa, espera-se que a anticoncepção seja um fenômeno, também, por natureza, resultante da conjugação de esforços dos parceiros igualmente envolvidos nessa relação. Entretanto, a cultura patriarcal em que vivemos confinou a mulher no âmbito da maternidade, do lar e das tarefas internas familiares. O mundo externo foi considerado de âmbito masculino. Nos países latino-americanos, além da cultura patriarcal, o machismo está presente como forma de dominação do homem sobre a mulher (SCHIAVO, 1987). Informações sobre saúde reprodutiva foram amplamente disseminadas, particularmente a partir do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), lançado nacionalmente em 1983, adotando a política de ampliar o acesso da população aos meios de contracepção, todavia com informação e livre escolha. Esses aspectos estão garantidos na Constituição Federal e na Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996, que trata do planejamento familiar, definindo como responsabilidade do Estado proporcionar condições para que 41 homens e mulheres tenham acesso a informações, meios, métodos e técnicas para a regulação da sua fecundidade (BRASIL, 2002). Tal conquista se mantém na atual Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM) como ação para reduzir a mortalidade materna e perinatal por causas previníveis e evitáveis, além de fomentar a implementação de ações que contribuam para a garantia dos direitos humanos das mulheres (BRASIL, 2004). A assistência ao Planejamento Familiar tem passado por descontinuidade ao longo dos anos, negando o que há de mais fundamental, que é a promoção da saúde sexual e reprodutiva de homens, mulheres e/ou casais, levando-se em conta aspectos culturais e socioeconômicos (MOURA, 2007). Por sua vez, a variedade de métodos anticoncepcionais é limitada e sua provisão é irregular, percebendo-se, pois, uma distância entre o que está proposto como política e o que é realizado na prática (BLUMER, 1969). O Planejamento Familiar deve ser um elemento essencial na prevenção primária de saúde, auxiliando as pessoas que procuram os serviços, oferecendo-lhes informações necessárias para a escolha e o uso efetivo dos métodos anticoncepcionais que melhor se adaptem às condições atuais de saúde. De acordo com o Ministério da Saúde, planejamento familiar é o direito que toda pessoa tem à informação e ao acesso aos recursos que permitam optar livre e conscientemente por ter ou não ter filhos. O número, o espaçamento entre eles e a escolha do método anticoncepcional mais adequado são opções que toda mulher deve ter em relação ao direito de escolher de forma livre e por meio da informação, sem discriminação, coerção ou violência (BRASIL, 2002). O enfermeiro assume a maior parte do atendimento em Planejamento Familiar, encaminhando a cliente ao atendimento médico quando identifica alguma alteração ou esta solicita a troca do Método Anticoncepcional. É preciso uma política nacional de planejamento familiar que reconheça o potencial do enfermeiro em manejar os métodos anticoncepcionais e explicite seu amparo legal, para que este assuma com autonomia essa área do cuidado para a qual soma grande contribuição (MOURA, 2007). Embora as atividades de planejamento sejam desenvolvidas por enfermeiros, o Ministério da Saúde preconiza que a atuação dos profissionais na assistência à anticoncepção deva promover a interação dos membros da equipe de saúde, de forma que permita a participação dos diversos elementos nas atividades, de acordo com a responsabilidade requerida em cada situação (BRASIL, 2002). Na prática assistencial, as mulheres, quando pretendem usar um método específico, chegam aos serviços de saúde com a decisão tomada e não se mostram receptivas a uma orientação ampla, completa, acerca de todas as opções dos métodos anticoncepcionais disponíveis (TYRREL; CARVALHO, 1995). No contexto internacional, a Conferência de Beijing, promovida pela Organização das Nações Unidas em 1995, alerta para a importância da divisão da responsabilidade pela anticoncepção entre ambos os sexos, visando à promoção da saúde reprodutiva, e enfatiza a sua relevância para a consolidação de uma sociedade democrática e para o desenvolvimento da cidadania (PIOVESAN; PIROTTA, 1998). 42 A participação do parceiro no Planejamento Familiar é praticamente inexistem, ou seja, não há serviços dirigidos à clientela masculina nos serviços públicos, com horários adequados, desvinculados dos serviços de ginecologia, e que além de informação adequada sobre contracepção, provisão de preservativos e oferta de vasectomia, tratem de questões que abarquem a sexualidade e a prevenção de doenças sexualmente transmitidas (PRB, 1995). As relações entre homens e mulheres refletem os padrões culturais de uma sociedade, pois a mulher, conquistando um espaço cada vez maior, entra no mercado de trabalho e assume a corresponsabilidade ou até a responsabilidade no sustento da família. A divisão das tarefas na família, porém, ainda não é tão comum (CARVALHO; PIROTTA; SCHOR, 2001). Ao recomendar o conjunto dos métodos anticoncepcionais disponíveis - naturais ou comportamentais; de barreira; hormonais; DIUs e laqueadura, o Ministério da Saúde (2004) reafirma a autonomia e a liberdade da escolha para as usuárias do planejamento familiar do SUS: Planejamento familiar é o direito que toda pessoa tem à informação, à assistência especializada e ao acesso aos recursos que permitam optar livre e conscientemente por ter ou não ter filhos. O número, o espaçamento entre eles e a escolha do método anticoncepcional mais adequado são opções que toda mulher deve ter o direito de escolher de forma livre e por meio da informação, sem discriminação, coerção ou violência. (BRASIL, 1999, p 11.) Pode-se afirmar que a autonomia tem diversos significados, relacionados à autodeterminação, direito à liberdade, privacidade, escolha individual, livre vontade (BEAUCHAMP; CHILDRESS, 1994). Essencialmente, autonomia é a capacidade de pensar, decidir e agir, com base no livre pensamento e decisão independente (ALMEIDA; MUÑOZ, 2011). No entanto, à vontade e a capacidade não são suficientes para o pleno exercício da autonomia. A informação é o pressuposto inarredável para a escolha que o indivíduo realiza, no contexto de uma sociedade equilibrada (MARCHI, 2011). A rápida transformação do comportamento reprodutivo no Brasil, de alguma forma, é resultado da absorção pelas mulheres de valores difundidos sobre os benefícios de uma prole menor, valores esses coincidentes com os interesses do controle demográfico na redução da natalidade. A aspiração ao número menor de filhos, baseada nos benefícios relacionados ao acesso a bens de consumo e serviços assistenciais, submete a decisão individual a uma lógica de possibilidades: menos filhos, melhores cuidados. Essa condição para a decisão, transplantada do mundo da lógica racional, obscurece, de certa forma, os aspectos subjetivos na decisão das mulheres (COSTA, 2003). O sucesso das iniciativas favoráveis ao controle demográfico no Brasil nos últimos 30 anos pode ser celebrado pela notável redução da taxa de fecundidade: de 6,3 filhos por mulher, em 1960, para 2,3 filhos em 2000 (IBGE, 2003). A subordinação da política externa brasileira aos interesses dos países que detêm a hegemonia no debate do controle da natalidade é histórica e revela-se por meio da queda de natalidade ocorrida nas três últimas décadas (COSTA, 1995). 3 METODOLOGIA Trata-se de estudo exploratório, descritivo de abordagem quantitativa, com coleta de dados primários, no Espaço Viva Mulher, onde funciona o Programa de Planejamento Familiar no 43 município de Guaçuí, ES. A coleta de dados foi realizada no período de julho a agosto de 2011. O município de Guaçuí está situado ao sul do Espírito Santo, pertencendo a região do Caparaó, com uma população de 27,851 habitantes (IBGE, 2010), possuindo uma ótima estrutura de prestação de serviços médico-hospitalares, sendo que nele se encontra a microregião Guaçuí composta pelo Módulo Guaçuí: Divino São Lourenço, Dores do Rio Preto, Ibatiba, Ibitirama, Irupi e Iúna, com um significativo comércio e um latente processo de industrialização e cafeicultura. O Espaço Viva Mulher, onde funciona o Programa de planejamento Familiar é composto por muitos outros programas entre ele o SISCOLO/SISMAMA, Programa de Aleitamento Materno em parceria com o Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim, SISPréNatal e conta com diagnóstico feito por ultrassonografia onde fornece o atendimento a toda população e municípios vizinhos. Sendo coordenado pela equipe de enfermagem contando com o serviço de técnicos de enfermagem e médicos especializados tanto para atendimento, conciliações e diagnósticos por ultrassonografia. A pesquisa insere-se na área de saúde pública e obteve a amostra a partir das mulheres que estão regularmente cadastradas no Programa e que freqüentaram a unidade no período do estudo. Dessa forma encontra-se cadastradas cerca de 2000 mulheres em todo o Programa sendo a amostra composta por 51 mulheres, entrevistadas através de questionário estruturado, onde os dados foram consolidados em gráficos e ou tabelas. A pesquisa não trouxe riscos para a população, e teve como benefício traçar o perfil das mulheres para se desenvolver melhor as atividades que correspondam as suas necessidades em saúde da mulher e melhor compreensão. 4 RESULTADOS/ DISCUSSÃO Para facilitar a caracterização da amostra dividiu- se as idades nas seguintes categorias [14 – 20], [21 -30], [31- 40], [41-50] anos de idade. TABELA 1: PERFIL DAS MULHERES ESTUDADAS QUANTO À FAIXA ETÁRIA, GUAÇUÍ, 2011. Faixa Etária 14 – 20 21 – 30 31 – 40 41 – 50 TOTAL Nº 08 28 12 03 51 % 15,68 54,90 23,52 5,88 100 Analisando a tabela 1 verifica-se que 28 (54,90%) dos elementos da amostra tinham idade entre 21-30 anos, 12 (23,52%) tinham idades compreendidas entre 31-40 anos de idade e entre 14 -20 anos de idade 8 (15,68%). 3(5,88%) tinham idades compreendidas entre 41-50 anos de idade. 44 Nº % 120 100 100 80 51 60 40 20 10 19,6 33,33 17 29,41 15 Hum Dois 9 17,64 0 Nenhum Mais de dois TOTAL GRÁFICO 1 : PERFIL DAS MULHERES ESTUDADAS QUANTO A SITUAÇÃO GESTACIONAL, GUAÇUÍ,2011. Analisando o gráfico 1 de acordo com a situação gestacional podemos concluir que a maioria das mulheres pertencentes a amostra possuem hum filho 33,33%( 17),onde 29,41% correspondente a 15 mulheres possuem dois filhos. Seguem -se as mulheres que não possuem nenhum filho 29,60%(10) e neste mesmo sentido apenas 17,64% condizentes com 9 mulheres possuem mais de dois filhos. Totalizando ao final o numero de 51 mulheres entrevistadas. TABELA 2: PERFIL DAS MULHERES ESTUDADAS QUANTO À CONDIÇÃO SOCIOECONÔMICA, GUAÇUÍ, 2011. Renda Mensal Menor que 1 salário 1 salário mínimo 2 salários míninos Superior á dois salários mínimos Nº 21 24 06 - % 41,17 47,05 12,76 - No presente estudo foram consideradas as seguintes categorias: menor que 1 salário, 1 salário mínimo, 2 salários mínimos e superior a dois salários mínimos. Através da analise da tabela 2 verifica-se que 24(47,05%) das mulheres da amostra possuem renda mensal equivalente a 1 salário mínimo, seguidos por 21 (41,17%) mulheres que possuem renda menor que 1 salário mínimo e 6 (12,76%) 2 salários mínimos. Não existindo no estudo mulheres que recebam mais de 2 salários mínimos. 45 GRÁFICO 2 : PERFIL DAS MULHERES ESTUDADAS QUANTO AO GRAU DE ESCOLARIDADE, GUAÇUÍ, 2011. 1; 1% 2; 2% 25; 25% 51; 49% 12; 12% 5; 5% 4; 4% Analfabeta Ensino fundamental incompleto Ensino médio incompleto Ensino superior incompleto 2; 2% Ensino fundamental completo Ensino médio completo Ensino superior completo TOTAL Em relação ao grau de escolaridade, verificou-se que 25 (49,01%) das mulheres possuíam o ensino fundamental incompleto,seguidamente 12 (23,52%) concluíram o ensino médio,5 (9,80%) possuem o ensino médio incompleto, onde 4 (7,84%) possuem o ensino superior completo, seguidos por 2 (3,92) concomitantes referentes a ensino fundamental completo e ensino superior incompleto. Finalizando com 1(1,96%) da amostra do estudo sendo analfabeta. Levando em consideração que quanto mais elevado for o grau de escolaridade, maior a probabilidade de um maior conhecimento/compreensão da mulher a respeito do estudo. TABELA 3: PERFIL DAS MULHERES ESTUDADAS QUANTO Á PROFISSÃO, GUAÇUÍ, 2011. Profissão Técnico em enfermagem Do lar Servente Cozinheira Doméstica Manicura Balconista Estudante Lavradora Agente comunitário de saúde Salgadeira Recepcionista Serviços gerais Enfermeira Vendedora Babá TOTAL Nº 02 16 01 01 10 01 01 02 07 03 01 01 02 01 01 01 51 % 3,92 31,37 1,96 1,96 19,60 1,96 1,96 3,92 13,72 5,88 1,96 1,96 3,92 1,96 1,96 1,96 100 46 Através da analise realizada na tabela 3 para exposição da profissão, conclui-se que 31, 37 %(16) se referem como ―do lar‖, 19,60% (10) se apresentam como domestica, 13,72% (07) exercem a profissão de lavradoras, 5,88% (03) trabalham como Agente comunitário de saúde, seguidos por 3,92%(02) concomitantes referentes a profissão de técnico em enfermagem, estudante e encarregadas de serviços gerais, da mesma forma 1,96(01) se igualam hás profissões de servente, cozinheira, manicura, balconista,salgadeira, recepcionista enfermeira vendedora e baba, totalizando-se 100% com o total de 51 amostras. TOTAL Amigada Viúva 100 51 10 19,6 1,96 1 Separada 7 Solteira 13,72 11 Casada 21,56 22 0 20 43,13 40 Nº 60 80 100 % GRÁFICO 3 : PERFIL DAS MULHERES ESTUDADAS QUANTO AO ESTADO CIVIL, GUAÇUÍ,2011. Analisando-se o gráfico 3 sendo este relativo quanto ao estado civil das mulheres estudadas, demonstra que a maioria das mulheres do estudo 43,13% (22), são casadas seguido por mulheres solteiras e separadas representando 21,56% (11) e 13,72% (7) das mulheres da amostra respectivamente. Correspondendo 1,96% (1) a condição de viúva e por fim 19,6% (10) sendo referidas como amigadas ou seja vivendo em uma situação estável. Concluindo –se assim as cinco propostas com o total de 100% (51) da amostra. TABELA 4: PERFIL DAS MULHERES ESTUDADAS QUANTO AO MÉTODO CONTRACEPTIVO ESCOLHIDO, GUAÇUÍ, 2011. Método contraceptivo Preservativo Pílula anticoncepcional Injeção contraceptiva Método natural TOTAL Nº 01 37 13 51 % 1,96 72,54 25,49 100 Através da analise da tabela 4 sendo que este compreende quanto o método contraceptivo escolhido, verifica-se que a maioria das mulheres 37 (72,54%) utilização a pílula anticoncepcional como forma de prevenir a gravidez, 13 (25, 49%) utilizam a injeção contraceptiva, apenas 1 (1,96%) o preservativo. Apresentando-se nula a utilização de métodos naturais entre as mulheres da amostra estudada. 47 160 140 120 100 100 80 % 60 40 Nº 31,37 20 16 0 Menos de 1 ano 3,92 2 1 ano 13,72 7 9,8 5 5,88 3 7,84 4 19,6 10 51 7,84 4 2 anos 3 anos 4 anos 5 anos Mais de Mais de TOTAL 5 anos 10 anos GRÁFICO 4 : PERFIL DAS MULHERES ESTUDADAS QUANTO AO TEMPO DE CADASTRAMENTO NO PROGRAMA DE PLANEJAMENTO FAMILIAR, GUAÇUÍ, 2011. Através da analise do gráfico 4 verificam-se que 31,37% (16) das mulheres da amostra freqüentam o Programa de Planejamento Familiar há menos de um ano, 19,60% (10) por mais de 5 anos, seguidamente por 13,72% (7) por 2 anos, 9,80% (5) por 3 anos, igualmente 7,84% (4), 5 anos e mais de 10 anos respectivamente, 5,88% (3) por 4 anos, finalizando com 3,92% (2) por 1 ano. TABELA 5: PERFIL DAS MULHERES ESTUDADAS QUANTO Á ZONA DE MORADIA, GUAÇUÍ, 2011. Zona de moradia Zona urbana Zona rural TOTAL Nº 41 10 51 % 80,39 19,60 100 A analise da tabela 5 relativa quanto a zona de moradia sugere que 41(80,39%) residem na zona urbana e 10(19,60%) residem na zona rural. Totalizando a amostra de 51 (100%) mulheres estudadas. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Como já estabelecido em Lei é de responsabilidade do Estado garantir que o Planejamento Familiar ofereça informações sobre saúde reprodutiva e amplie o acesso da população aos meios de contracepção, todavia com informação e livre escolha. De acordo com o estudo realizado nota-se que o Programa de Planejamento no município de Guaçuí, ES tem oferecido um serviço de grande relevância e nele se encontram uma variedade de métodos anticoncepcionais e preservativos com uma ótima provisão, alem de profissionais capacitados a desenvolver os serviços ali propostos, onde este conta com uma equipe de multiprofissionais. 48 Nesta mesma visão observa-se no estudo que a maior procura no Planejamento é de praticamente mulheres em idade de 21- 30 anos no total de 54,90% (28). E que a maioria das mulheres pertencentes a amostra possuem hum filho 33,33%( 17). Onde cerca de 47,05% (24) das mulheres possuem renda mensal equivalente a 1 salário mínimo, verificando-se que 49,01% (25) das mulheres possuem o ensino fundamental incompleto. Levando-se em consideração o grau de estudo das mulheres, podemos concluir que apesar do baixo nível de escolaridade o Planejamento Familiar tem realizado com êxito o seu papel em esclarecimentos e informações as mulheres do município de Guaçui, ES. Nota-se que 31,37% (16) da amostra quando referente á profissão se intitulam como ―do lar‖ e observamos que a maioria das mulheres do estudo 43,13% (22), são casadas. E 72,54% (37) optaram pela utilização da pílula anticoncepcional como forma de prevenir a gravidez existindo no Planejamento outras inúmeras formas de prevenção da gravidez, entre elas injeção anticoncepcional, métodos naturais (método de Billings, o método sintotérmico, o método rítmico e o método da temperatura corporal basal) e métodos artificiais (preservativos masculino e feminino, diafragma e a geléia espermicida). O presente estudo ainda nos permite observar que 31,37% (16) das mulheres da amostra freqüentam o Programa de Planejamento Familiar há menos de um ano, o que revela a efetividade do Programa com novas buscas realizando o cadastramento freqüente das mulheres. Na observação quanto á zona de moradia 80,39% (41) residem na zona urbana, mas o numero de cadastradas pertencentes a zona rural é de importância, onde atuando o planejamento familiar com uma equipe de multiprofissionais, fazem exercer nele o papel das ACS (Agente Comunitárias de Saude) facilitando a vida das mulheres que habitam na zona rural. Sendo assim foi possível compreender que no campo da assistência ao que compete o Planejamento Familiar, especialmente, no campo da enfermagem, que é de suma importância no desenvolvimento do Programa, a busca ativa de mulheres, esclarecimentos e informações devem ser de forma clara e simples. Proporcionando-nos de acordo com o estudo o perfil traçado quanto a mulheres que o frequentam sendo estas necessidades reais e de grande relevância. O quadro revelado por este trabalho nos permite observar que o enfermeiro tem de se apoiar em um estudo de abordagem á sua prática assistencial, que deve estar fundamentada no conhecimento dos aspectos relacionados ao perfil das mulheres estudadas, respeitando a individualidade de cada mulher de cada situação. Conclui-se assim que o trabalho do Planejamento Familiar no município de Guaçuí, ES tem sido de forma valorosa e de trabalho continuo. REFERÊNCIAS ABERASTURY, A; KNOBEL, M. Adolescência normal. Porto Alegre: Artes Médicas; 1981. ALMEIDA, M.C; AQUINO, E.M; GAFFIKIN, L; MAGNANI, R.J. Contraceptive use among adolescents at public schools in Brazil. Rev. Saúde Pública 2003; 37:566-75. 49 ALMEIDA, M; MUÑOZ, D.R. A responsabilidade médica: uma visão bioética. Acessado em: 07 de out. 2011. 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VALDES, T; OLAVARRIA, J. Masculinidades y Equidad de Género en América Latina. Chile: 1998, Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales. 53 EFETIVIDADE DAS AÇÕES DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA FRENTE AOS DESAFIOS DA ATENÇÃO BÁSICA EM SAÚDE Ivan Paulino¹ Valéria Ferreira Romano² Haroldo José de Mattos² Kátia Sydronio de Souza² Bruno Grillo Pim³ Poliana Nunes Alves³ RESUMO A pesquisa afere a efetividade das ações desenvolvidas pela ESF frente aos desafios de oferecer atenção básica em dois municípios do sul do Estado do Espírito Santo (Rio Novo do Sul e Vargem Alta). Foi realizado um levantamento de indicadores epidemiológicos da atenção primária em saúde que foram comparados com as metas pactuadas pelos municípios estudados, além de pesquisar as condições de trabalho e o grau de adesão das equipes saúde da família às premissas da atenção básica em saúde a partir de um estudo ecológico. Foram estudados 11 indicadores epidemiológicos da atenção básica em saúde, entre os anos 2002 e 2006, com um total de 54 observações, onde às equipes da ESF do município de Rio Novo do Sul atingiram as metas pactuadas 43 vezes (79.6%) e às equipes da ESF do município de Vargem Alta atingiram as metas pactuadas 45 vezes (83.3%). Com relação a qualidade, segundo as condições de estrutura e infra-estrutura oferecidas às equipes da ESF, o município de Rio Novo do Sul conta com 4 equipes (80%) com qualidade ―B‖(boa) e 1 equipe (20%) com qualidade ―D‖(em desenvolvimento), enquanto que o município de Vargem Alta conta com 3 equipes (42.8%) com qualidade ―B‖(boa), 1 equipe (14.2%) com qualidade ―C‖(consolidada) e 3 equipes (42.8) com qualidade ―D‖(em desenvolvimento). Segundo os processos de organização dos serviços e práticas desenvolvidas pelas equipes da ESF, o município de Rio Novo do Sul conta com 2 equipes (40%) com qualidade ―B‖(boa) e 3 equipes (60%) com qualidade ―C‖(consolidada), enquanto que, o município de Vargem Alta conta com 4 equipes (57.1%) com qualidade ―C‖(consolidada) e 3 equipes com qualidade ―D‖(em desenvolvimento). No estudo, os dados demonstram a efetividade das ações da ESF com relação a atenção básica em saúde no cumprimento de metas pactuadas, e ainda que, os municípios estudados, embora não tenham condições de oferecerem às equipes da ESF uma estrutura e infra-estrutura com qualidade ―A‖(avançada),como seria o ideal, o trabalho, segundo as práticas tidas como modelo pelo Ministério da Saúde, encontram-se num patamar satisfatório em termos de qualidade. PALAVRAS-CHAVE: Saúde da Família. Efetividade. Atenção Básica em Saúde. ______________________ 1. Mestre em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Docente e Coordenador do Curso de Enfermagem da Faculdade Capixaba de Nova Venécia – UNIVEN. 2.. Doutores em Saúde Pública. Docentes do Mestrado Profissional em Saúde da Família da Universidade Estácio de Sá. 3 Enfermeiros da SMS da Prefeitura de Vargem Alta,ES. 54 ABSTRACT This research gauge the effectiveness of the actions developed by the FHS front the challenges of ofter basic attention in two counties from the south of Espírito Santo state (Rio Novo do Sul and Vargem Alta). It was made a survey of the epidemiologic indicators from a primary attention in health, this survey was compared to main aims mentioned by the studied counties, beyond a work conditions research and the adhesion degree of the Health Family teams in premises of the Health Basic Attention from an ecologic study. Eleven (11) epidemiologic indicators of the basic attention in health were studied, between the years 2002 and 2006, with a total of 54 observations, where the FHS teams from the Rio Novo do Sul county reached their purpose 43 times (79.6%) and the teams from Vargem Alta reached their purpose in 45 times (85.3%). Related to the quality, as the structure conditions offered to FHS teams, the Rio Novo do Sul county can count with 4 teams (80%) with quality ―B‖ (good) and 1 team (20%) with quality ―D‖ (developing), while the Vargem Alta count can count with 3 teams (42.8%) with quality ―B‖ (good), 1 team (14.2%) with quality ―C‖ (consolidated) and 3 teams (42.8%) with quality ―D‖ (developing). According to service organization process and the practice developed by the FHS teams, the Rio Novo do Sul county can count with 2 teams (40%) with quality ―B‖ (good) and 3 teams (60%) with quality ―C‖ (consolidated), while the Vargem Alta county can count with 4 teams (57.1%) with quality ―C‖ (consolidated) and 3 teams with quality ―D‖ (developing). At the study, the data show the effectiveness of the FHS actions when related to the health basic attention in the accomplishment of the main aims, even if, the studied counties, even if they don’t have the conditions to offer to FHS teams a structure with quality ―A‖ (advanced), as it would be the ideal, the work, as the practice gotten from the Health Ministry model, they are found at a satisfactory landing when we talk about quality. KEYWORDS: Family Health. Effectiveness. Health Basic Attention. 1.INTRODUÇÃO A Estratégia Saúde da Família (ESF) vem com o propósito de levar a saúde para mais perto da população, e consequentemente, otimizar a qualidade de vida das pessoas através do desenvolvimento de ações que visam, acima de tudo, a prevenção de agravos, garantindo assim, a promoção da saúde. A ESF por ser uma proposta do Sistema Único de Saúde (SUS), não deixa de considerar os seus princípios que versam a descentralização, municipalização, integralidade e a equidade, além de acrescentar a efetiva participação popular. Nesse sentido, torna-se preponderante o trabalho dos profissionais que atuam nas equipes saúde da família. A pesquisa avalia a efetividade das ações desenvolvidas pela Estratégia Saúde da Família (ESF) frente aos desafios da atenção básica em saúde, tendo como pano de fundo, dois municípios do Estado do Espírito Santo (Rio Novo do Sul, com 16.000 habitantes e Vargem Alta, com 28.000 habitantes), com algumas características que consideramos interessantes para o estudo, tais como: são municípios de origem italiana, com cobertura de 100% do seu território pela ESF, com equipes completas e dentro dos parâmetros do Ministério da Saúde, sem rotatividade de profissionais, e ainda, que foram capacitadas por um dos pesquisadores. O estudo identifica, através da avaliação dos indicadores da atenção básica pactuados, as metas alcançadas e, por meio de questionário estruturado, as condições de trabalho e a adesão de cada equipe aos objetivos propostos pelo Ministério da Saúde. 55 Avaliar significa formar opinião, julgar e emitir juízo de valor sobre determinado assunto (AMQ,2006:09). Frequentemente a temática avaliação está associada a aspectos negativos, tais como: punição, classificação e eliminação dos que não alcançam determinado resultado; no entanto, esta não é a vertente do estudo. Com relação às condições de trabalho e o grau de adesão das equipes de saúde da família às premissas da atenção básica em saúde, as consideramos como fundamentais para o sucesso da Estratégia Saúde da Família, fator preponderante para o oferecimento de serviços de boa qualidade no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). A Estratégia de Saúde da Família surge como uma proposta de reorganização dos serviços da atenção básica, priorizando as ações de promoção, proteção e recuperação da saúde dos indivíduos e da família, do recém-nascido ao idoso, sadios ou doentes, de forma integral e contínua. Com o propósito de alterar o modelo assistencial de saúde, centrado na doença, no médico e no hospital, a estratégia privilegia a parte preventiva, mostrando que oferecer às famílias serviços de saúde mais humanizados em suas próprias comunidades resulta em melhorias importantes nas condições de saúde da população. É o que reforça o Ministério da Saúde (2001:16), ―(...) Humanizar significa reconhecer as pessoas que buscam nos serviços de saúde a resolução de suas necessidades de saúde como sujeitos de direitos, é observar cada pessoa e cada família, em sua singularidade, em suas necessidades específicas, com sua história particular, com seus valores, crenças e desejos, ampliando as possibilidades para que possam exercer sua autonomia (...)‖ No Brasil, a elaboração da estratégia de reorganização da Atenção Básica foi iniciada em junho de 1991, com a implantação do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS). Posteriormente, em janeiro de 1994, por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Fundo das Nações Unidas para a Infância, o Programa de Saúde da Família foi institucionalizado, incorporando e ampliando a atuação dos agentes comunitários. De acordo com Soares (2003:16) ―(...) O PSF pode ser entendido como uma estratégia para contribuir com a melhoria das condições de vida e, subseqüentemente, do nível de saúde da população, possibilitando a integração e promovendo a organização das atividades em um território definido, com o objetivo de promover o enfrentamento e resolução dos problemas identificados.‖ Possibilitar o acesso de todos ao serviço de saúde não é uma tarefa fácil, todavia a estratégia vem para implementar os princípios do Sistema Único de Saúde, de integralidade, universalidade, equidade e participação popular, sendo esta criação uma das iniciativas de destaque em prol da saúde. Oferecer à população ações de saúde acessíveis, resolutivas e humanizadas é uma responsabilidade a ser compartilhada pelas três esferas de gestão do Sistema Único de Saúde. Investir na melhoria da qualidade dos serviços, considerando todos os níveis de atenção, significa promover a saúde, reduzir riscos e a morbi-mortalidade, garantindo maior efetividade e eficiência. Tendo em vista o que foi citado, percebe-se a magnitude que envolve a Estratégia Saúde da Família, e conseqüentemente, sua enorme contribuição para a população por ela coberta, tornando-se assim, uma proposta que só tem a trazer aspectos positivos para o município que 56 a tenha implementado. Porém, a partir do momento que o município decida pela sua implantação, este deve estar ciente de suas obrigações como gestor da saúde, e provavelmente, estar disposto a cumpri-las. Dessa forma, percebe-se a relevância do tema estudado, onde os dados do Sistema de Informação da Atenção Básica em Saúde (SIAB), traduzidos em indicadores epidemiológicos da atenção básica em saúde foram comparados com as metas pactuadas pelos municípios na atenção básica em saúde num estudo ecológico, buscando-se revelar a efetividade das ações da Estratégia Saúde da Família, como estratégia prioritária, frente aos desafios da oferta de assistência à saúde comunitária de qualidade, e ainda, o grau de qualidade da assistência ofertada à população, contribuindo para inserção da dimensão da qualidade em todos os componentes e espaços da ESF, checando o estágio de desenvolvimento alcançado pelos municípios, considerando-se o trabalho das equipes, e ainda, contribuindo para a construção da capacidade avaliativa na área da qualidade nas Secretarias Municipais de Saúde dos municípios estudados. 2.METODOLOGIA O tipo de pesquisa desenvolvida foi exploratória, utilizando-se da abordagem quantitativa, com dados secundários, baseados na identificação e análise, por estudo ecológico, de indicadores da atenção básica em saúde, pactuados e obtidos pelos municípios estudados, e ainda, com dados primários, avaliando as condições de trabalho e o grau de adesão das equipes Saúde da Família, às premissas do trabalho com a atenção básica em saúde. Os estudos ecológicos, segundo Medronho (2002), são estudos na qual a unidade de análise é uma população ou um grupo de pessoas, que geralmente pertence a uma área geográfica definida, como uma cidade ou município. O estudo foi realizado nas Unidades Básicas Saúde da Família e nas dependências das Secretarias Municipais de Saúde dos municípios de Rio Novo do Sul e Vargem Alta, no Estado do Espírito Santo, Brasil. A população alvo foi composta por 100% da população adscrita (16.000 habitantes em Rio Novo do Sul e 28.000 habitantes em Vargem Alta e ainda todos os membros das equipes de saúde da família dos municípios estudados (5 equipes em Rio Novo do Sul e 7 equipes em Vargem Alta). Os dados de indicadores da atenção básica foram coletados de forma secundária, utilizando-se do Sistema de Informações da Atenção Básica (SIAB) e dados do Sistema de Informações de Pactuação (SISPACTO), analisados por estudo ecológico. Os dados primários foram obtidos por questionários estruturados e fechados, com questionamentos que possibilitaram a análise das condições de trabalho e o grau de adesão das equipes ao modelo do Ministério da Saúde para a atenção básica em saúde, que foram aplicados por dois acadêmicos do sétimo período do Curso de Enfermagem do Centro Universitário São Camilo-ES, devidamente treinados pelo pesquisador. Foram entrevistados médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem de todas as equipes de saúde da família. Os aspectos referentes às condições de trabalho ou à estrutura para o funcionamento das equipes Saúde da Família, incluem o número de profissionais e pessoal de saúde das Unidades Básicas Saúde da Família, ambiente físico e equipamentos disponíveis, entendida como de responsabilidade do gestor local. 57 Os aspectos referentes à adesão das equipes Saúde da Família às premissas do Ministério da Saúde com relação à atenção básica em saúde, foram analisados pela existência e utilização de manuais de procedimentos, guias de conduta, aspectos de processo e de resultado relacionados aos campos de atuação, objetivos e diretrizes estabelecidos. Utilizamos como protocolo na pesquisa os instrumentos números 3 (Unidade Saúde da Família) por ser capaz de identificar as condições de trabalho das equipes e 4 (Consolidação do Modelo de Atuação) por ser eficaz na identificação da adesão das equipes às premissas do Ministério da Saúde na Atenção Básica em Saúde, que fazem parte da ―Avaliação para Melhoria da Qualidade da Estratégia Saúde da Família ‖ do Ministério da Saúde (2006), já validado pelo Ministério da Saúde (2006) e de uso nacional. Cada instrumento representa uma dimensão de análise, totalizando duas possibilidades. Em sua estrutura interna, de acordo com a temática abordada, cada instrumento está organizado em perguntas agrupadas em subdimensões, abrangendo determinado grupo de padrões correspondentes. 2.1 INSTRUMENTOS: QUESTIONÁRIO Nº03 AMQ (Unidade Saúde da Família) Subdimensões: I. Infra-estrutura e Equipamentos (perguntas 1 – 24) II. Insumos, Imuno-biológicos e Medicamentos (perguntas 25 – 40) QUESTIONÁRIO Nº04 AMQ (Consolidação do modelo de Atenção) Subdimensões: I. Organização do Trabalho em Saúde da Família (perguntas 1 – 21) II. Acolhimento, Humanização e Responsabilização (perguntas 22 – 33) III. Promoção da Saúde (perguntas 34 – 54) IV. Participação Comunitária e Controle Social (perguntas 55 – 58) A análise da efetividade das ações na atenção básica foi realizada comparando-se os indicadores de saúde obtidos pelo município com as metas pactuadas pela Secretaria Municipal de Saúde e o Ministério da Saúde e o desempenho das equipes foi avaliado pelas respostas ao questionário empregado. Os dados foram tabulados, consolidados, mediante estudo eológico e os resultados expressos na forma de quadros demonstrativos. A qualidade, segundo o AMQ (2006) é abordada de modo processual, tendo início com as condições de estrutura e infra-estrutura,passando pelos processos de organização dos serviços e práticas e avançando até aquelas ações mais complexas, tanto nos processos do trabalho quanto no impacto sobre as condições de saúde da população assistida. No instrumento de coleta de dados qualitativos, o conceito de estágios de qualidade está associado a cada um dos padrões, os quais estão assim colocados: Padrões do Estágio E – Qualidade Elementar (abordam elementos fundamentais de estrutura e as ações mais básicas da ESF). Questionário nº03 - Perguntas 1 – 8; 25 – 28. Questionário nº04 – Perguntas 1 -4; 22,23, 34. Padrões do Estágio D – Qualidade em Desenvolvimento (abordam elementos organizacionais iniciais e o aperfeiçoamento de alguns processos de trabalho). 58 Questionário nº03 – Perguntas 9 e 10; 29 – 35. Questionário nº04 – Perguntas 5 -9; 24- 26; 35 – 39; 55. Padrões do Estágio C – Qualidade Consolidada (abordam processos organizacionais consolidados e avaliações iniciais de cobertura e resultado das ações). Questionário nº03 – Perguntas 11 – 21;36 e 37. Questionário nº04 – Perguntas 10 -16; 27- 29; 40 – 47; 56. Padrões do Estágio B – Qualidade Boa (abordam ações de maior complexidade no cuidados e resultados mais duradouros e sustentados). Questionário nº03 – Perguntas 22; 38 e 39. Questionário nº04 – Perguntas 17 – 19; 30, 31, 48 – 51; 57. Padrões do Estágio A – Qualidade Avançada (colocam-se como o horizonte a ser alcançado, com excelência na estrutura, nos processos e, principalmente, nos resultados). Questionário nº03 – Perguntas 23, 24 e 40. Questionário nº04 – Perguntas 20,21,32,33, 52 – 54; 58. Os estágios não representam situações estanques, estacionárias de qualidade, mas que reflitam momentos de um processo do grupo envolvido na ESF e os sucessos no alcance de um conjunto de padrões. Neste sentido, o resultado da análise não se configura como uma classificação por estágio de um município em relação ao outro, e sim, na possibilidade de avaliar a qualidade e efetividade da estratégia nos aspecto de estrutura e adesão às premissas do Ministério da Saúde para à atenção básica. Para esta proposta, considerando a diversidade dos municípios estudados, seguindo a metodologia da AMQ (2006) do Ministério da Saúde, desenvolveu-se escalas de qualificação bem simples, consensuais, de fácil aplicabilidade, aceitabilidade e entendimento no nível local. A atribuição para cada padrão de seu estágio de qualidade correspondente, consistiu na opção metodológica escolhida, assim, cada padrão representa um elemento da estrutura, processo ou resultado dentro de uma determinada dimensão, permitindo um diagnóstico amplo e processual da situação da estratégia no município. Esperamos mostrar o desempenho e a efetividade das ações da Estratégia Saúde da Família como metodologia prioritária na atenção básica em saúde nos municípios de Rio Novo do Sul e Vargem Alta, no Estado do Espírito Santo, Brasil. Os resultados consideram os efeitos dos processos na concretização das ações e práticas desempenhadas pelas equipes segundo os princípios e metas pré-estabelecidas. Distinguem-se dois tipos de resultados: diretos e de saúde da população. Os resultados diretos se relacionam com os efeitos das ações e práticas desenvolvidas nas USF em termos de acesso (ampliação da cobertura, se a população recebeu a atenção que precisava e se recebeu quando necessitou), adequação (oferta de serviços suficientes em quantidade e qualidade, de acordo com os conhecimentos e as tecnologias disponíveis, e a capacidade de antecipar problemas e riscos) e efetividade (capacidade dos esforços das ações e práticas em saúde de satisfazer as necessidades e demandas em saúde da população, ou seja, impacto positivo sobre os indicadores epidemiológicos em termos de internações por doenças evitáveis, morbidade e mortalidade). 59 Os resultados em saúde dependem de uma grande proporção de fatores não relacionados à prestação do cuidado no primeiro nível de atenção do sistema de saúde, mas também dos demais níveis de atenção do sistema, e especialmente do envolvimento e da participação de outros setores e atores da área social. 3.RESULTADOS/DISCUSSÃO A norma Operacional da Assistência à Saúde – NOAS SUS 01/2001, aprovada pela Portaria GM nº95/01, de 26 de janeiro de 2001, dispõe sobre a ampliação das responsabilidades dos municípios na Atenção Básica, define o processo de regionalização da assistência, cria mecanismos para o fortalecimento da capacidade de gestão do Sistema Único de Saúde e atualiza os critérios de habilitação de Estados e Municípios. O Pacto dos Indicadores da Atenção Básica é a principal ferramenta no processo de avaliação da gestão do SUS, no que se refere à Atenção Básica, destacando-se como instrumento para avaliação e qualificação da gestão municipal e estadual. Trata-se de instrumento de acompanhamento das responsabilidades mínimas atribuídas aos municípios habilitados, bem como requisito quando da necessidade de desabilitação de Estados e Municípios a suas formas de gestão. O Sistema de Monitoramento do Pacto dos Indicadores da Atenção Básica (SISPACTO) permite ao Ministério da Saúde e às Secretarias Estaduais e Municipais desenvolverem o processo de acompanhamento e avaliação do Pacto dos Indicadores da Atenção Básica em Saúde. No trabalho, estudamos 11 (onze) indicadores epidemiológicos da atenção básica em saúde, entre os anos de 2002 e 2006, que aparecem dispostos em quadros, comparando-se as metas pactuadas e atingidas por cada município. Mortalidade Infantil é o termo usado para designar os óbitos de crianças menores de um ano de idade, ocorridos em determinado local e período. Para estados e municípios o indicador utilizado para sua mensuração é a taxa de mortalidade infantil, definida como o número de óbitos de menores de um ano de idade por 1000 nascidos vivos, em determinado local e período. Essa taxa indica o risco de um nascido vivo morrer durante o seu primeiro ano de vida. É um dos principais indicadores de saúde pública, utilizado como indicador geral ou específico. Como indicador de saúde geral, expressa, em associação com outros indicadores, a situação de saúde de uma comunidade e as desigualdades de saúde entre os grupos sociais e regiões. Como indicador específico, revela as condições de saúde do grupo materno-infantil. QUADRO 1: Taxa de Mortalidade Infantil por 1000 nascidos vivos, pactuada e efetivada pelos municípios de Rio Novo do Sul e Vargem Alta, no Estado do Espírito Santo, entre 2002 e 2006. _________________________________________________________________ MUNICÍPIO RIO NOVO DO SUL VARGEM ALTA ANO PACTUADO EFETIVADO PACTUADO EFETIVADO 2002 46.98 14.81 18.08 16.57 2003 24.08 21.58 15.0 26.41 2004 24.04 26.08 19.15 18.05 2005 26.08 9.25 18.05 7.27 2006 14.29 0 14.80 20.80 FONTE:SISPACTO/M.SAÚDE e Secretarias Municipais de Saúde. 60 As taxas de mortalidade infantil são classificadas em altas (50 por 1000 ou mais), médias (20 a 49 por 1000) e baixas (menos que 20 por 1000), em função de patamares alcançados em países desenvolvidos (IDB 2000). A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera mortalidade infantil alta, aquela acima de 40 óbitos de menores de 1 ano de idade por 1000 nascidos vivos. A taxa de mortalidade infantil é utilizada na análise de saúde e condições de vida da população, detectando variações geográficas temporais e entre grupos sociais. Serve ainda, para subsidiar o planejamento, gestão e avaliação de políticas e ações voltadas para atenção à saúde da criança e da gestante. Suas limitações ocorrem diante do sub-registro de óbitos de menores de 1 ano de idade e de nascidos vivos, erro na definição de nascidos vivos, erro na informação de idade da criança na declaração de óbito. Suas fontes de informação são: Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e o Sistema de Informaçõess sobre Nascidos Vivos (SINASC). Em nosso estudo, verificamos que os municípios estudados apresentam taxas de mortalidade infantil entre médias (20 – 49) e baixas (menos que 20 por 1000 nascidos vivos) e que, com o trabalho das equipes da Estratégia Saúde da Família, a maioria das metas pactuadas foram efetivadas, com exceções em 2004 para Rio Novo do Sul e, 2003 e 2006 para Vargem Alta. Como os dois municípios,sofrem constantes migrações de pessoas carentes em busca de trabalho na mão de obra do café, acreditamos que tais taxas sejam decorrentes de processos migratórios. Por outro lado, o aumento da taxa de mortalidade infantil pode, em determinadas situações, ser resultante da melhoria dos registros de óbitos infantis. QUADRO 2: Proporção de nascidos vivos com baixo peso ao nascer por 1000 nascidos vivos, pactuada e efetivada pelos municípios de Rio Novo do Sul e Vargem Alta, no Estado do Espírito Santo, entre 2002 e 2006. _____________________________________________________________________ MUNICÍPIO RIO NOVO DO SUL VARGEM ALTA ANO PACTUADO EFETIVADO PACTUADO EFETIVADO 2002 8.0 6.6 8.0 6.63 2003 6.4 2.81 6.0 4.52 2004 2.87 2.6 6.52 6.49 2005 2.87 6.43 6.52 7.27 2006 6.42 8.08 6.52 6.43 FONTE:SISPACTO/M.SAÚDE e Secretarias Municipais de Saúde. Esse indicador é calculado pelo número de recém-nascidos com peso menor que 2500g dividido por 1000 nascidos vivos. Indica o grau de nutrição das gestantes e de modo indireto, a assistência nutricional oferecida às mulheres grávidas pelos municípios. Nos municípios acompanhados as metas pactuadas foram atingidas, com exceção de Rio Novo do Sul em 2005 e 2006 e ainda, Vargem Alta em 2005. Os dois municípios possuem movimentos migratórios de população carente em busca do trabalho nos cafezais e esse fato, contribui para indicadores negativos, não obstante o trabalho das equipes da ESF. 61 QUADRO 3: Taxa de internações hospitalares por Infecção Respiratória Aguda (IRA) em menores de 05 anos de idade, pactuada e efetivada pelos municípios de Rio Novo do Sul e Vargem Alta, no Estado do Espírito Santo, entre 2002 e 2006. _____________________________________________________________________ MUNICÍPIO RIO NOVO DO SUL VARGEM ALTA ANO PACTUADO EFETIVADO PACTUADO EFETIVADO 2002 4.2 10.5 20.0 20.97 2003 47.35 34.38 22.0 11.56 2004 34.37 28.87 22.0 21.54 2005 34.37 12.07 17.0 14.2 2006 22.07 15.92 17.0 10.52 FONTE:SISPACTO/M.SAÚDE e Secretarias Municipais de Saúde. Esse indicador é calculado pelo número de internações hospitalares por Infecção Respiratória Aguda (IRA) de 05 anos de idade dividido pela população de menores de 05 anos do município vezes 1000. Expressa a seriedade com que são desenvolvidas ações na abordagem preventiva da infecção respiratória aguda. Nos municípios estudados, as metas pactuadas foram atingidas,com a única exceção do ano 2002, ano de implementação desse indicador. QUADRO 4: Proporção de nascidos vivos de mães com 4 ou mais consultas de pré-natal, pactuada e efetivada pelos municípios de Rio Novo do Sul e Vargem Alta, no Estado do Espírito Santo, entre 2002 e 2006. ____________________________________________________________________ MUNICÍPIO RIO NOVO DO SUL VARGEM ALTA ANO PACTUADO EFETIVADO PACTUADO EFETIVADO 2002 89.02 91.1 80.0 82.32 2003 91.0 93.52 83 83.39 2004 91.0 91.03 85 89.0 2005 92 85.72 85 88 2006 85.72 86.87 80 85.14 FONTE:SISPACTO/M.SAÚDE e Secretarias Municipais de Saúde. A proporção de nascidos vivos de mães com 4 ou mais consultas de pré-natal, em determinado local ou período é calculada dividindo-se o número de nascidos vivos de mães com 4 ou mais consultas de pré-natal pelos nascidos vivos no mesmo local e período. Indica a concentração de atendimento pré-natal, a partir da quarta consulta. É utilizada para análise da cobertura dos serviços de pré-natal, detectando variações geográficas, temporais e entre grupos sociais, servindo para subsidiar o planejamento e avaliação de políticas voltadas para o atendimento pré-natal. Com limitações desse indicador, registramos que não abrange o universo das gestantes, excluindo aquelas que tiveram aborto ou como produto da gestação o nascido morto. O valor ideal é o aproximado a 100 %, ou seja, que todas as crianças venham a nascer de mães que fizeram o pré-natal com 4 ou mais consultas. Em nosso estudo encontramos valores superiores a 80% em todas as observações entre 2002 e 2006, com metas pactuadas atingidas, com exceção em 2005 no município de Rio Novo do Sul, demonstrando a seriedade com que o atendimento pré-natal é realizado pelas equipes. 62 QUADRO 5: Razão entre exames citopatológicos cérvico-vaginais em mulheres de 25 a 59 anos e a população feminina nesta faixa etária, pactuada e efetivada pelos municípios de Rio Novo do Sul e Vargem Alta, no Estado do Espírito Santo, entre 2002 e 2006. _____________________________________________________________________ MUNICÍPIO RIO NOVO DO SUL VARGEM ALTA ANO PACTUADO EFETIVADO PACTUADO EFETIVADO 2002 0.21 0.46 0.30 0.50 2003 0.21 0.19 0.50 0.34 2004 0.21 0.26 0.21 0.32 2005 0.21 0.31 0.30 0.39 2006 0.21 0.28 0.39 0.39 FONTE:SISPACTO/M.SAÚDE e Secretarias Municipais de Saúde. Esse indicador é calculado dividindo-se o número de exames citopatológicos cérvico-vaginais realizados em mulheres de 25 a 59 anos pela população feminina dessa faixa etária nos municípios. Objetiva acompanhar o empenho dos municípios na realização dos exames preventivos de câncer de colo de útero. No Brasil, em 2003 o Ministério da Saúde publicou no informativo ―Painel de Indicadores do SUS‖ que 68,7% da população feminina realizaram o exame de Papanicolau nos últimos 3 anos. Em nosso estudo, todas as equipes realizam o exame preventivo de câncer de colo de útero e de mama e as metas pactuadas foram atingidas em sua maioria, com exceções em Rio Novo do Sul em 2002 e 2003, e Vargem Alta em 2003. QUADRO 6: Taxa de internações por Acidente Vascular Cerebral (AVC), pactuada e efetivada pelos municípios de Rio Novo do Sul e Vargem Alta, no Estado do Espírito Santo, entre 2002 e 2006. ____________________________________________________________________ MUNICÍPIO RIO NOVO DO SUL VARGEM ALTA ANO PACTUADO EFETIVADO PACTUADO EFETIVADO 2002 20.14 26 35.0 36.23 2003 77.05 39.95 35.0 27.08 2004 55.93 45.18 35.08 50.92 2005 55.18 77.22 50.0 19.41 2006 77.22 62.72 25.0 15.16 FONTE:SISPACTO/M.SAÚDE e Secretarias Municipais de Saúde. A Taxa de Internações por Acidente Vascular Cerebral (AVC) é expressa pelo número de internações por AVC em determinado local e período, dividido pela População, vezes 10.000. É uma medida da morbidade hospitalar por AVC, no âmbito do SUS. Objetiva avaliar, de forma indireta, a disponibilidade de ações básicas de prevenção e controle (diagnóstico precoce, tratamento e educação para à saúde) da doença hipertensiva. Não existem parâmetro de comparação. Espera-se que, nos municípios que priorizem a execução dessas ações, ocorra uma diminuição no número de internações por AVC. Nos municípios estudados, as taxas possuem variações e alternâncias,mas na sua maioria, as metas pactuadas foram atingidas, com exceções em Rio Novo do Sul em 2002 e 2005, e Vargem Alta em 2002 e 2004. 63 QUADRO 7: Taxa de internações por insuficiência cardíaca congestiva (ICC), pactuada e efetivada pelos municípios de Rio Novo do Sul e Vargem Alta, no Estado do Espírito Santo, entre 2002 e 2006. _____________________________________________________________________ MUNICÍPIO RIO NOVO DO SUL VARGEM ALTA ANO PACTUADO EFETIVADO PACTUADO EFETIVADO 2002 34.14 32.07 40.0 40.49 2003 105.6 119.86 60.0 56.24 2004 119.86 118.0 70.0 67.21 2005 119.84 107.56 70.0 93.19 2006 107.56 79.08 70.0 68.22 FONTE:SISPACTO/M.SAÚDE e Secretarias Municipais de Saúde. A Taxa de Internações por Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) é expressa pelo número de internações por ICC em determinado local e período, dividido pela População, vezes 10.000. É uma medida da morbidade hospitalar por ICC, no âmbito do SUS. Objetiva avaliar, de forma indireta, a disponibilidade de ações básicas de prevenção e controle (diagnóstico precoce, tratamento e educação para à saúde) da doença hipertensiva. Não existem parâmetro de comparação. Espera-se que, nos municípios que priorizem a execução dessas ações, ocorra uma diminuição no número de internações por ICC. Nos municípios estudados, as taxas possuem variações e alternâncias,mas na sua maioria, as metas pactuadas foram atingidas, com exceções em Rio Novo do Sul em 2003 e Vargem Alta em 2002 e 2005. QUADRO 8: Proporção de internações por diabetes mellitus, pactuada e efetivada pelos municípios de Rio Novo do Sul e Vargem Alta, no Estado do Espírito Santo, entre 2002 e 2006. ____________________________________________________________________ MUNICÍPIO RIO NOVO DO SUL VARGEM ALTA ANO PACTUADO EFETIVADO PACTUADO EFETIVADO 2002 47.28 20.8 25.05 24 2003 3 2.42 12.0 8.0 2004 5.55 2.55 9.0 8.1 2005 2.55 1.45 8.0 7.6 2006 2.55 2.85 7.0 2.25 FONTE:SISPACTO/M.SAÚDE e Secretarias Municipais de Saúde. A proporção de internações por diabetes mellitus é expressa pelo número de internações por DM descompensada em determinado local e período, dividido pela População Diabética cadastrada e acompanhada. É uma medida da morbidade hospitalar por diabetes, no âmbito do SUS. Objetiva avaliar, de forma indireta, a disponibilidade de ações básicas de prevenção e controle (diagnóstico precoce, tratamento e educação para à saúde) da diabetes mellitus. Não existem parâmetro de comparação. Espera-se que, nos municípios que priorizem a execução dessas ações, ocorra uma diminuição no número de internações por DM. Nos municípios estudados, as proporções possuem valores decrescentes com as metas pactuadas atingidas, com exceções em Rio Novo do Sul em 2006. 64 QUADRO 9: Proporção de abandono de tratamento da tuberculose, pactuada e efetivada pelos municípios de Rio Novo do Sul e Vargem Alta, no Estado do Espírito Santo, entre 2002 e 2006. ____________________________________________________________________ MUNICÍPIO RIO NOVO DO SUL VARGEM ALTA ANO PACTUADO EFETIVADO PACTUADO EFETIVADO 2002 5 0 8 2 2003 5 0 8 0 2004 5 0 7 0 2005 5 0 6 0 2006 * (85%) (100%) *(90%) (100%) FONTE:SISPACTO/M.SAÚDE e Secretarias Municipais de Saúde. * Em 2006 o indicador foi transformado para Taxa de cura de tuberculose (%). Esse indicador exprime a seriedade do tratamento dispensado aos portadores de tuberculose, com todos os casos tratados, com uma exceção no município de Vargem Alta no ano 2002, mas com todas as metas pactuadas devidamente atingidas. Vale ressaltar que os dois municípios utilizam a estratégia de ―Dose Terapêutica Diretamente Observada pelo ACS‖. QUADRO 10: Taxa de incidência de Tuberculose Pulmonar Positiva (BK+), pactuada e efetivada pelos municípios de Rio Novo do Sul e Vargem Alta, no Estado do Espírito Santo, entre 2002 e 2006. _____________________________________________________________________ MUNICÍPIO RIO NOVO DO SUL VARGEM ALTA ANO PACTUADO EFETIVADO PACTUADO EFETIVADO 2002 19 8.67 12.0 10.94 2003 8.6 8.57 16.0 5.23 2004 9.33 8.2 5.75 5.23 2005 9.5 8.28 9.0 9.2 2006 * * * * FONTE:SISPACTO/M.SAÚDE e Secretarias Municipais de Saúde Em 2006 o indicador foi retirado do pacto. Estima o risco de um indivíduo vir a desenvolver tuberculose, em qualquer de suas formas clínicas. É um indicador do nível de saúde e de desenvolvimento socioeconômico da população. Em geral, altas taxas de tuberculose refletem baixos níveis de saúde, de desenvolvimento socioeconômico e de condições de vida. Altas taxas de tuberculose também podem estar associadas com outras doenças, como a AIDS. Nos municípios pesquisados, as metas pactuadas foram plenamente atingidas, demonstrando o empenho das equipes da ESF com relação ao controle e identificação dos casos novos de tuberculose. QUADRO 11: Coeficiente de detecção de casos de hanseníase, pactuada e efetivada pelos municípios de Rio Novo do Sul e Vargem Alta, no Estado do Espírito Santo, entre 2002 e 2006. 65 _____________________________________________________________________ MUNICÍPIO RIO NOVO DO SUL VARGEM ALTA ANO PACTUADO EFETIVADO PACTUADO EFETIVADO 2002 0.87 0.86 1.62 1.64 2003 0.86 0.86 1.6 1.6 2004 0.86 0.86 1.57 1.6 2005 0.86 0.82 1.6 1.5 2006 * (90%) (100%) (90%) (100%) FONTE:SISPACTO/M.SAÚDE e Secretarias Municipais de Saúde. * Em 2006 o indicador foi transformado em Taxa de cura de hanseníase. Estima o risco de um indivíduo vir a desenvolver hanseníase, em qualquer de suas formas clínicas. É um indicador do nível de saúde e de desenvolvimento socioeconômico da população. Em geral, altas taxas de hanseníase refletem baixos níveis de saúde, de desenvolvimento socioeconômico e de condições de vida. Nos municípios pesquisados, as metas pactuadas foram plenamente atingidas, demonstrando o empenho das equipes da ESF com relação a eliminação da doença. QUADRO 12: Número de observações de indicadores do pacto de atenção básica realizadas, correlacionadas com o número de vezes que as metas pactuadas foram atingidas pelos municípios de Rio Novo do Sul e Vargem Alta, no Estado do Espírito Santo, entre 2002 e 2006. Município Rio N. do Sul Vargem Alta Nº Observaçôes 54 54 de Nº de vezes de metas % atingidas 43 79.6 45 83.3 FONTE:SISPACTO/M.SAÚDE e Secretarias Municipais de Saúde. Foram estudados 11 indicadores epidemiológicos da atenção básica em saúde, entre os anos 2002 e 2006, com um total de 54 observações, onde às equipes da ESF do município de Rio Novo do Sul, atingiram as metas pactuadas 43 vezes (79.6%) e às equipes da ESF do município de Vargem Alta, atingiram as metas pactuadas 45 vezes (83.3%), demonstrando a efetividade da ESF diante dos desafios das ações de atenção básica em saúde. QUADRO 13: Avaliação da qualidade, segundo as condições de estrutura e infra-estrutura, oferecidas às equipes do PSF nos municípios de Rio Novo do Sul e Vargem Alta, no Estado do Espírito Santo. ________________________________________________________________________ AMQ MUNICÍPIOS Qualidade Estágio Perguntas Nº de Equipes Nº de Equipes de Rio N do de Vargem Sul Alta ELEMENTAR E 1-8;25-28 05 07 66 DESENVOLVIMENTO D 9;10;29-35 CONSOLIDADA C 11-21;36;37 BOA B 22;38;39 AVANÇADA A 23;24;40 FONTE: Questionário Nº03 da AMQ/Ministério da Saúde. 05 04 04 0 07 04 03 0 O município de Rio Novo do Sul, quanto a estrutura e infra-estrutura das UBSF conta com 4 equipes com qualidade ―B‖ (boa) e uma equipe com qualidade ― D‖ (em desenvolvimento). município de Vargem Alta conta com 3 equipes com qualidade ―B‖ (boa), 1 equipe com qualidade ―C‖ (consolidada) e 3 equipes com qualidade ―D‖ (em desenvolvimento). O município de Rio Novo do Sul, quanto aos processos de organização dos serviços e práticas (modelo MS) desenvolvidos pelas Equipes do PSF, conta com 2 equipes com qualidade ―B‖ (boa) e 3 equipes com qualidade ―C‖ (consolidadas). O município de Vargem Alta conta com 4 equipes com qualidade ―C‖ (consolidada) e 3 equipes com qualidade ―D‖ (em desenvolvimento). É importante ressaltar que, no município de Rio Novo do Sul, a ESF foi implementada há oito anos e que, no município de Vargem Alta, a ESF foi implementada há dez anos. QUADRO 14: Avaliação da qualidade, segundo os processos de organização dos serviços e práticas (modelo MS) desenvolvidos pelas Equipes do PSF, nos municípios de Rio Novo do Sul e Vargem Alta, no Estado do Espírito Santo. _____________________________________________________________________ AMQ MUNICÍPIOS Qualidade Estágio Perguntas Nº de Equipes Nº de Equipes de Rio N do de Vargem Sul Alta ELEMENTAR E 1-4;22;23;24 05 07 DESENVOLVIMENTO D 5-9;24-26;3505 07 39;55 CONSOLIDADA C 10-16;2703 04 29;40-47;56 BOA B 1702 0 19;30;31;4851;57 AVANÇADA A 20;21;32;33;52- 0 0 54;58 FONTE: Questionário Nº04 da AMQ/Ministério da Saúde. 4.CONSIDERAÇÕES FINAIS No estudo, os dados demonstraram a efetividade das ações da Estratégia Saúde da Família (ESF) com relação ao cumprimento de metas pactuadas na atenção básica em saúde, e ainda, que os municípios estudados, embora não tenham condições de oferecerem às equipes da ESF 67 uma estrutura e infra-estrutura com qualidade ―A‖ (avançada), como seria o ideal, o trabalho, segundo as práticas tidas como modelo pelo Ministério da Saúde, encontram-se num patamar satisfatório em qualidade. Há muito sabemos que saúde e doença, longe de serem fatalidade ou destino, são processos históricos e sociais determinados pelo modo como cada sociedade vive, organiza-se e produz. As profundas transformações históricas e sociais que a sociedade brasileira vem atravessando ao longo das décadas, têm levado a profundas mudanças no quadro epidemiológico, na produção e distribuição social dos problemas de saúde. Desse modo, afora as desigualdades e iniqüidades regionais, urbanas e rurais, os problemas de saúde, sua valorização social e gravidade também se distribuem desigualmente, entre mulheres e homens, brancos, negros, amarelos e indígenas, pobres e ricos, jovens e velhos, seja pelas diferentes origens sociais, pela desigualdade de acesso às ações e serviços de saúde e demais políticas sociais, em meio a processos, muitas vezes contraditórios, em permanente mudança. Considerados aqui os problemas na dimensão coletiva, fica claro que sua superação não é possível apenas mediante decisões de âmbito hospitalar ou de assistência médica. Seu enfrentamento necessita da ação da Saúde Coletiva, com ênfase na promoção da saúde e na prevenção de doenças, do trabalho interdisciplinar, em equipe, da ação intersetorial, que apenas são possíveis com a participação de todos. REFERÊNCIAS AMQ. Avaliação para Melhoria da Qualidade da Estratégia Saúde da Família.Brasília: Imprensa Nacional, 2006. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia Prático do Programa Saúde da Família. Ministério da Saúde. Brasília,DF: Imprensa Nacional, 2001. MEDRONHO, R. A. Epidemiologia. Rio de Janeiro: Atheneu,2002. SOARES, B. A. As relações trabalhistas no Programa Saúde da Família: participação de médico e enfermeiro do município de Ipu-CE. Nursing, v.64, n.6, p.15-20, set, 2003. 68 GESTÃO EM SAÚDE PÚBLICA: O PODER DESCENTRALIZADO Lucilene Becker Paulino¹ RESUMO A gestão centralizada, na Saúde Pública corresponde um espectro de grande importância para a organização do sistema de saúde, para que este de forma eficaz ponha em prática valores do Sistema Único de Saúde. Muitas correntes filosóficas tentam formular uma gestão eficaz, porém muitos aspectos estão envolvidos neste processo, como a pressão psicossocial focada em apenas uma figura norteadora levando à um serviço pobre, carente e incapaz de atingir sua plenitude.O trabalho avalia a importância do poder descentralizado na gestão em saúde pública, buscando na literatura especializada publicações que nos direcione para uma certificação das vantagens deste método. Ressalta-se ainda, a verificação dos fatores organizacionais da gestão, imprescindíveis no serviço de qualidade, identificação da necessidade da gestão descentralizada, checagem dos fatores psicosssociais afetados no gestor com sobrecarga de serviço, além de avaliar as vantagens da departamentalização eficaz dos níveis de poder. O estudo tem por metodologia a revisão bibliográfica, com coleta de dados secundários. Como conclusão sugere a possibilidade de implementação de uma nova proposta, descentralizada e departamentalizada de gestão em saúde pública possibilitando um real acesso e correspondência às necessidades da população. PALAVRAS-CHAVE: Saúde Pública; Gestão; Descentralização; Poder. ABSTRACT The centralized management in public health represents a spectrum of great Importance to the organization of the health system so that it effectively put into practice the values of the Unified Health System. Many philosophical attempt to formulate effective management, but many aspects are involved in this process, as the psychosocial pressure focused on just one figure guiding leading to a poor service, poor and unable to meet its size. The work aims at assessing the importanceof decentralized power in public health management, searching the literature specialized publications that directs us to a certification of the advantages of this method. It is also worth checking the organizational factors essential in the management of service quality, identifying the need for decentralized management, checking of the factors affected the psychosocial manager with the overhead of service, and to evaluate the advantages of departmentalization effective levels of power. The study methodology is a literature review, with secondary data collection. As conclusion suggests the possibility of implementing a new proposal, decentralized and departmentalized management in public health enabling a real access and matching the needs of the population. KEYWORDS: Public Health. Management. Decentralization. Power. ________________________________________ ¹ Enfermeira do Hospital Maternidade Santa Helena, Pós-Graduada em Saúde Pública pela FAFIA, Docente de Prática Clínica do Curso de Enfermagem da Faculdade Capixaba de Nova Venécia – UNIVEN. 69 1. INTRODUÇÃO As organizações públicas de saúde até a década de 70 caracterizaram-se por serem centralizadas e verticalizadas. Em período mais recente esse perfil se alterou em função do movimento ocorrido nos setores sociais para tornar a gestão de suas organizações mais eficazes (JUNQUEIRA, 1997). No dia-a-dia os serviços ainda são governados segundo diferentes variações do taylorismo. O poder centralizado em chefes, controle direto sobre a realização de procedimentos técnicos (produtividade médica, etc) e sobre o comportamento formal de funcionários (cumprimento de horário, relatórios, etc), elaboração centralizada de programas e de normas reguladoras do atendimento, e quase ausência de comunicação tanto entre serviços em relação horizontal de poder, quanto entre os distintos níveis hierárquicos (CAMPOS, 1998). O desgaste físico e emocional ao qual as pessoas são submetidas nas relações com o ambiente de trabalho é um fator muito significativo na determinação de transtornos de saúde relacionados ao estresse, como é o caso das depressões, ansiedade, transtorno de pânico, fobias e doenças psicogênicas (GOLEMAN, 1997-98). Na pesquisa, avaliamos a importância da descentralização do poder na gestão em saúde pública e justifica-se pelo tema corresponder a uma responsabilidade pública, a qual se encontra diretamente relacionada com a organização dos serviços de saúde da população. Temos como objetivos específicos: verificar os fatores organizacionais da gestão imprescindíveis no serviço de qualidade, identificar a necessidade da gestão descentralizada, checar os fatores psicossociais inferentes sobre o gestor, com a sobrecarga de serviço e avaliar as vantagens da departamentalização eficaz dos níveis de poder. 2. REFERENCIAL TEÓRICO As organizações públicas de saúde até a década de 70 caracterizaram-se por serem centralizadas e verticalizadas. Em período mais recente esse perfil se alterou em função do movimento ocorrido nos setores sociais para tomar a gestão de suas organizações mais eficazes. É no bojo desse movimento e da crise das ditaduras militares latino-americanas que se deve situar as novas formas de gestão das organizações de saúde, que têm na descentralização e na participação seus pressupostos. A descentralização, incorporada no Sistema Único de Saúde – SUS permitiu que se alterasse a gestão do setor, tornando-a mais democrática e participativa. Com a descentralização, o poder de decidir sobre a gestão das organizações de saúde é levado para junto dos usuários cultura das organizações públicas, que determinam à maneira de gerenciar o setor (JUNQUEIRA, 1997). Participação comunitária, conselhos de saúde para permitir a gestão tripartite, com usuários, trabalhadores e prestadores, são diversas experiências interessantes, porém, exceto no que se refere à oficialização dos Conselhos e Conferências de Saúde, ainda não se encontrou modo de institucionalizar todas estas diretivas democratizantes. No dia-a-dia os serviços ainda são governados segundo diferentes variações do taylorismo. 70 Passa-se como se a democracia acabasse nos Conselhos de Saúde ou nas Oficinas de Planejamento, daí para frente operaria lógica, tradicional de gerência: poder centralizado em chefes, controle direto sobre a realização de procedimentos técnicos (produtividade médica, etc) e sobre o comportamento formal de funcionários (cumprimento de horário, relatórios, etc), elaboração centralizada de programas e de normas reguladoras do atendimento, e quase ausência de comunicação tanto entre serviços em relação horizontal de poder, quanto entre os distintos níveis hierárquicos (CAMPOS, 1998). Esse novo perfil organizacional transformou o formato institucional do setor, de direito, mas não de fato, uma vez que essa mudança depende da alteração de praticas e valores arraigados na cultura das organizações públicas, que determinam a maneira de gerenciar o setor (JUNQUEIRA, 1997). 2.1 TAYLORISMO A Teoria Geral da Administração, o taylorismo em particular, coloca-se a tarefa de administrar pessoas como se elas fossem instrumentos, coisas ou recursos destituídos de vontade ou de projeto próprio. Faz parte da cultura tradicional da maioria das Escolas da Administração o objetivo explícito de disciplinar o trabalhador, quebrar-lhe o orgulho, a autonomia e a iniciativa crítica. Delegando a padrões, normas e programas a função de operar o trabalho cotidiano daqueles encarregados de executar ações. Algumas Escolas apostaram mais em controles disciplinares para realizar este intento, bastaria a domesticação do comportamento dos trabalhadores; outras, entretanto, mais modernas e com pensamento mais estratégico, inventaram modos para modificar a subjetividade dos sujeitos, ganhar-lhes a alma. Porém, nenhuma destas correntes investe na produção de sujeitos dotados, ao mesmo tempo, de autonomia e de capacidade para contratar compromissos com outros (TAYLOR, 1960; FAYOL, 1960; MOTTA, 1987; CAMPOS, 1992). 2.2 LIDERANÇA Embora o campo da liderança sempre tenha atraído o interesse de cientistas sociais e particularmente de psicólogos, o fenômeno da liderança em organizações ganha destaque a partir dos anos 80 (BRYMAN, 1996). O conceito de liderança envolve, em suas definições mais usuais, três elementos: influência, grupo e objetivo. Os líderes tratariam de influenciar, induzir e impactar o comportamento de outros, processo que se dá em um contexto grupal. O último elemento envolve a idéia de direção – o comportamento dos membros do grupo é influenciado no sentido de determinados objetivos. Esses elementos tiveram destaque e foram aplicados na teoria e pesquisa sobre liderança marcadamente até a metade dos anos 80. A partir de então, as definições empregadas utilizam a idéia da ―gestão do simbólico‖. A característica fundamental da liderança, na perspectiva simbólica, seria promover valores que forneçam significados partilhados sobre a natureza da organização (BRYMAN, 1996). Desta forma, o líder conforma o sentido de direção e propósito através da articulação de uma visão de mundo. Zaleznik (apud BRYMAN, 1996),enfatizando a compreensão da gestão pelo simbólico, aponta os líderes como aqueles que ―mudam a forma das pessoas pensarem sobre o que é desejável, possível e necessário‖. 71 2.2.1 OS SIGNIFICADOS DA LIDERANÇA A liderança, como um dos processos que concretiza a administração de pessoal nas organizações, trata basicamente da condução ou coordenação de grupos. Mas organizações, os significados atribuídos à liderança, aos líderes e ao grupo refletem, mais do que qualquer outro processo da administração de pessoal, a filosofia da instituição, a política de pessoal adotada e as propostas de trabalho desenvolvidas nessas organizações. Segundo Knickerbocker (1979), para um grupo agir como uma unidade ou para organizar-se, são necessárias a coordenação das discussões e a escolha dos métodos a serem adotados. Ele considera que, para a efetivação de qualquer plano, é necessária a ação de um indivíduo e, à medida que aumenta a complexidade das atividades do grupo, aumenta, também, a necessidade de um líder. Estudos sobre o fenômeno liderança, líder e liderados mereceram atenção a partir da Escola das Relações Humanas. Nos conceitos iniciais, a concepção de liderança detinha-se nas características pessoais do líder, enquanto nas concepções atuais a liderança é considerada como resultante da soma dos fatores líder, liderados e situação. O aumento da produção ou da prestação de bens e serviços, bem como o bem estar das pessoas que interagem nesses processos têm sido a constante preocupação dos administradores e das organizações. Entretanto, ainda não está claro o quanto o bem- estar das pessoas é visto no seu componente humano, ou seja, o homem como elemento essencial do sistema social, e o quanto o homem é considerado como peça importante do processo produtivo, ou seja, integrante do sistema econômico. 2.3 TRABALHO E PRODUÇÃO DE SOFRIMENTO NAS ORGANIZAÇÕES DE SAÚDE Vivemos em um mundo com grandes recursos tecnológicos em que o tempo passa em uma velocidade espantosa, devendo os problemas ter resolutividade rápida e eficaz. Isto pressiona os indivíduos, gerando muitas vezes, um sentimento de estar aquém da capacidade de resolução dos acontecimentos. Experienciamos uma era de produção de sofrimento psíquico com forte ressonância no desencadeamento dos males físicos. As exigências impostas pelo trabalho, estudo, relações familiares e sociais, cercadas pela ideologia capitalista homogênea, provocam um grande esforço do indivíduo para satisfazer suas necessidades, muitas das quais supérfluas para sua sobrevivência e infladas de modo artificial pelo contexto sociocultural. Nesse sistema homogêneo criou-se a cultura do consumo desenfreado e em larga escala, em que o indivíduo, respondendo ao estímulo de consumir sem pensar sobre a real necessidade de seu ato, obtém prazer e satisfação com esse comportamento. Ao longo do dia somos demasiadamente estimulados, conduzidos pelos diversos meios de comunicação de massa, ao ato de consumir. Segundo Araújo (2003), a avaliação dos aspectos relacionados à dimensão psicossocial do trabalho tem sido objeto de estudos recentes em saúde e trabalho. Assim diversas propostas teóticas e metodológicas vêm sendo elaboradas na perspectiva de apresentar modelos para estudo dessa dimensão. 72 2.4 GESTÃO EM SAÚDE PÚBLICA Segundo Brasil (2005), fazer uma reflexão sobre o tema da gestão, sobretudo no novo milênio, implica reconhecer o entorno dessa problemática. São profundas as transformações – históricas, econômicas, políticas e tecnológicas – vividas pela humanidade, e esse fato desafia o homem a rever o modo de organização social básico. As mudanças ocorrem numa velocidade acelerada, num mundo absolutamente inter-relacionado, gerando situações altamente complexas, que são conduzidas com um elevado grau de incerteza. Nesse cenário, o campo da gestão vive uma profunda crise, ou seja, uma mudança de paradigma e, portanto, de seus princípios, hipóteses, arcabouços teóricos, tecnologias básicas, etc. Essas mudanças repercutem na estrutura e no funcionamento dos estados, que precisam contar com melhores capacidades técnicas e políticas para dar resposta aos cidadãos de forma oportuna e com qualidade, e, portanto, as organizações têm a obrigação de melhorar suas práticas administrativas. Os órgãos da administração pública devem promover ações no sentido de fortalecer a gestão pública, garantindo assim a melhoria dos serviços públicos oferecidos aos cidadãos (BRASIL, 2005). Para melhorar a gestão em saúde, faz-se necessário conhecer as particularidades do processo de gestão nas organizações públicas de saúde no Brasil. No setor Saúde, existem alguns estudos sobre sistemas de saúde, mas estes têm abordado mais o aspecto legal, formal e estrutural da gestão municipal e estadual em saúde. Entretanto, ainda são escassos estudos que abordam a realidade da gestão pública em saúde do ponto de vista do processo de formulação e implementação de políticas, projetos e programas de saúde. Ao acompanhamento dos aspetos legais e estruturais do processo de descentralização, precisase associar estudos sobre o modo de gestão dentro das organizações públicas de saúde. Entendendo a gestão em saúde como [...] a direção ou condução de processos políticoinstitucionais relacionados ao sistema de saúde, eminentemente conflituosos ou contraditórios, ainda que nos níveis técnico-administrativo e técnico-operacional desenvolva ações de planejamento, organização, gerenciamento, controle e avaliação dos recursos humanos, financeiros e materiais empregados na produção de serviços de saúde, torna-se extremamente complexa a tarefa de fazer a abordagem desse processo (BRASIL, 2005). 2.5 NOVAS FORMAS DE INTERSETORIALIDADE GESTÃO NA SAÚDE: DESCENTRALIZAÇÃO E As organizações públicas de saúde até a década de 70 caracterizaram-se por ser centralizadas e verticalizadas. Em período mais recente esse perfil se alterou em função do movimento ocorrido nos setores sociais para tomar a gestão de suas organizações mais eficazes. É no bojo desse movimento e da crise das ditadurasmilitares latino-americanas que se deve situaras novas formas de gestão das organizações de saúde, que têm na descentralização e na participação seus pressupostos. A descentralização, incorporada no Sistema Único de Saúde - SUS, permitiu que se alterasse a gestão do setor, tornando-a mais democrática e participativa. Com a descentralização o poder de decidir sobre a gestão das organizações de saúde é levada para junto dos usuários. 73 Esse novo perfil organizacional transformou o formato institucional do setor, de direito, mas não de fato, uma vez que essa mudança depende da alteração de praticas e valores arraigados na cultura das organizações públicas, que determinam a maneira de gerenciar o setor. Apesar de, muitas vezes, descentralizadas elas permanecem setorializadas, impedindo que as soluções sejam encaminhadas de maneira integrada. A proposta de descentralização é pois, uma possibilidade de alterar a gestão de uma política setorial, no caso a da saúde, mas não garante a sua eficácia. O cidadão para resolver seus problemas necessita que eles sejam considerados na sua totalidade e não de forma fragmentada por apenas uma política. Apesar dos serviços serem dirigidos aos mesmos grupos sociais, que ocupam o mesmo espaço geográfico, eles são executados isoladamente por cada política publica. Essa dicotomia pode ser superada pela intersetorialidade, pela ação integrada daspolíticas sociais. As políticas sociais, mesmo as de caráter universal têm dificuldade em promover a equidade e a integralidade do atendimento. Apesar dos problemas sociais manifestarem-se setorialmente, sua solução está na dependência da ação de mais de uma política. São parte de um todo complexo e demandam uma maneira integrada para resolvê-los, daí a necessidade de ordenar as estruturas de poder das políticas públicas. Nessa perspectiva é que se situa a reforma administrativa realizada, em 1997, na cidade de Fortaleza-CE. O prefeito eleito em outubro de 1996, Dr. Juraci Magalhães, pretendeu dar à população fortalezense uma vida de melhor qualidade através da gestão integrada, mas não apenas das políticas sociais, mas do conjunto das políticas públicas. 2.5.1 DESCENTRALIZAÇÃO E A GESTÃO PÚBLICA MUNICIPAL A descentralização é um dos pressupostos que tem informado as iniciativas de mudanças que ocorreram na gestão do setor social nas duas últimas décadas. É um processo dialético que se dá em relação ao poder centralizado. A descentralização como estratégia de mudança nas relações estado e sociedade teve início nos países centrais democráticos, nos anos 70, como alternativa à crise do Estado do BemEstar Social. Esse modelo de Estado teria ocasionado uma enorme expansão do aparato burocrático na gestão das políticas sociais, gerando, inclusive, uma acentuada centralização das decisões e comprometendo a sua eficácia. Dessa ótica neo-liberal o Estado deveria reduzir suas funções na área social centrando-se nas políticas compensatórias, ou seja, nos programas assistenciais de auxílio à pobreza (DRAIBE, 1993, p.90). Mas para cumprir esse papel de atenuar as desigualdades mais aparentes, o Estado deveria descentralizar-se reduzindo o tamanho do seu aparato organizacional, para ganhar agilidade e eficiência. O movimento da descentralização também ganhou destaque nos países latino-americanos, a partir da década de 80, como um meio para reestruturar o Estado e a gestão das políticas sociais. Contudo, essa discussão ocorreu por ocasião da mudança dos regimes políticos autoritários, que se consolidaram sob alto grau de centralização político-administrativa e de exclusão social. 74 Apesar da perspectiva neoliberal no debate sobre a descentralização, no Brasil e em outros países latino-americanos, a discussão foi pautada sobretudo pela ótica da política, expressando a exigência de que se estabelecesse um novo contrato social entre o Estado e a sociedade civil. Assim, integrada ao processo de superação de uma crise essencialmente política, a discussão da descentralização passou, principalmente, pela discussão da democratização e da participação. Esses conceitos, sua discussão e concretização caminharam a tal ponto juntas que, em alguns momentos, os termos, descentralização e democratização foram tomados como sinônimos: a descentralização "além de ser uma formulação técnico-administrativa, assume valores políticos finalísticos tais como a universalização, a eqüidade, o controle social, que não seriam enfatizados se a perspectiva fosse meramente racionalizadora"(LOBO, 1990, p.81). Entretanto, no Brasil, os interesses privados ainda prevalecem sobre os coletivos, e a participação não se viabiliza, necessariamente, com a existência de organismos descentralizados e, teoricamente, próximos da população. Mas, mesmo nessas condições, a descentralização constitui um fator importante para estimular a dinâmica participativa mediante a abertura de canais de comunicação entre os usuários e as organizações descentralizadas, permitindo, no mínimo, que façam chegar suas necessidades a quem tem o poder de decidir. ―O ente descentralizado possibilita aos sujeitos sociais de um determinado território, participar do processo de elaboração, decisão e execução de programas e normas que condicionam sua atuação, podendo inclusive reduzir sua autonomia real". (Borja, 1987, p. 48) A descentralização, considerada como parte do encaminhamento da solução dos problemas sociais, supõe que a transferência de poder venha no âmbito de uma transformação políticoadministrativa, que facilite o acesso da população aos centros de poder e, conseqüentemente, que vise atender a demanda social. As organizações descentralizadas podem mais facilmente articular os interesses dos excluídos, garantindo igualdade de acesso, ao mesmo tempo em que viabiliza a articulação e implementação de políticas de desenvolvimento de modo a aumentar a eqüidade e fortalecer as unidades regionais e sub-regionais, permitindo aos líderes políticos a apreensão dos problemas e prioridades do desenvolvimento (RONDINELLI, 1981, p.139). A descentralização como um processo de transferência de poder de decisão determina sua redistribuição como resposta a centralização. Essa redistribuição do poder também é uma decisão política, denominada de político-administrativa ou territorial, porque também pode envolver uma dimensão espacial. A descentralização envolve mudanças, um novo processo de articulação entre estado e sociedade, entre o poder público e a realidade social. Apesar da importância da atuação do Estado, ele não pode substituir a sociedade em qualquer que seja o sistema. Assim, é necessário saber o que transferir, para quem e como transferir. A descentralização pode se dar também para um ente público privado. O Estado transfere a prestação de serviços que é de sua competência para outro organismo público não estatal, devolvendo para a sociedade aquilo que lhe é próprio. E isso é que Martins (1994) denomina de devolução social. O ente publico privado que recebe as competências, permanecerá sujeito às normas, à avaliação e aos controles de qualidade estabelecidos pelo poder cedente. Para governar para o conjunto da sociedade é necessário identificar as formas de organização, os interesses sociais e políticos 75 que articulam e os diversos modos pelos quais se expressam (CORAGGIO, 1991, p. 68). Sem desconhecer o papel regulador do Estado, não se pode crer que apenas iniciativas estritamente estatais sejam capazes de dar resposta de maneira equânime e justa às necessidades sociais da população. A descentralização na perspectiva da devolução, diz Martins (1994, p. 336), anula a pretensão do Estado de ser o principal agente da solidariedade social. E isso vem ao encontro da discussão proposta por HABERMAS (1987) e mesmo por ROSAVALON (1991) da existência de uma sociedade solidária, que se organiza em espaços alternativos e que também exerce seu controle sobre o próprio Estado. Esse processo só se viabilizará na medida em que os beneficiários das políticas sociais transformem-se em sujeitos dessas políticas. Elas trazem consigo o processo de construção da cidadania, desde que consideradas como direito, no seu caráter distributivo e não apenas compensatório. E essa mudança só ocorrerá através da educação para a cidadania, quando os diversos atores sociais tomarem consciência dos seus direitos de cidadãos. A cidadania é um processo de aprendizado, que se atualiza na medida em que as pessoas vão experimentando relações e percebem que seu saber e sua experiência têm importância e são respeitados. A cidadania se consuma mediante o exercício do papel de sujeitos com valores contrários a sujeição, favoráveis a liberdade e direcionados por uma quota de poder (MANZINI-COVRE, 1996, p. 37). Assim, a realidade sócio-econômica, política e cultural da população, para quem o poder é transferido, determina diferentes posições sociais e distâncias desse poder. Por isso, a descentralização não garante automaticamente a participação, podendo, em algumas circunstâncias, reiterar as diferenças. A possibilidade de participar não homogeneiza os interesses que permeiam a relação, inclusive pela sensação de impotência em relação aos acontecimentos. As mudanças sociais benéficas requerem, com freqüência, o uso de poder diferencial, mantido apenas pelos privilegiados (GIDDENS, 1991, p. 154). A descentralização, como um processo político-administrativo de transferência de poder, viabiliza-se, sobretudo, através do reordenamento do aparato estatal. E isso deve ocorrer em cada nível de governo e não apenas de um para outro nível. 2.5.2 A INTERSETORIALIDADE NA GESTÃO PÚBLICA MUNICIPAL No município, como espaço definido territorial e socialmente, é que se concretizará a integração interinstitucional e a ação intersetorial. Essa interação pode ser construída através de um processo dinâmico entre os sujeitos, mediada por novos paradigmas, que devem informar a mudança das instituições sociais e de suas práticas. É um processo de aprendizagem e de determinação dos sujeitos, que resulta também na gestão integrada das políticas sociais, para responder com eficácia dos problemas da população de um determinado território. Implica sair do "reino da necessidade para o da liberdade", da ótica arendtiana, para quem essa liberdade "é o espaço onde o ser humano pode alçar algum vôo de realização humana, e mesmo pensar a utopia, liberto das peias da necessidade" (MANZINICOVRE, 1996, p. 38). 76 E a crença de que o âmbito das necessidades o homem precisa ser considerado na sua integralidade, mediante uma visão que busca superar a autonomização e a fragmentação, o que tem caracterizado a gestão das políticas sociais em seu novo direcionamento, para uma dimensão intersetorial. Essa é uma nova visão que se coloca para a saúde como direito do cidadão e dever do estado, resultando de"um conjunto de fatores sociais, econômicos, políticos e culturais que se combinam de forma particular, em cada sociedade e em conjunturas específicas, redundando em sociedades mais ou menos saudáveis" (BUSS, 1996, p. 174). Assim, a conquista de uma vida saudável não passa apenas pela saúde, mas pela interação das diversas políticas sociais, pela intersetorialidade. 3. METODOLOGIA A pesquisa foi baseada em levantamento de referenciais, desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos.Denota-se que toda nova pesquisa inicia com uma pesquisa bibliográfica, permitindo nova visão sobre uma temática e qualquer campo a ser pesquisado; Sempre será necessária uma pesquisa bibliográfica, para se ter um conhecimento prévio do estágio em que se encontra o assunto. A pesquisa bibliográfica é realizada a partir de levantamentos de materiais com dados já analisados e publicados por meios escritos e/ou eletrônicos (livros, artigos científicos, páginas na Web), e são utilizadas para a coleta de dados gerais ou específicos, além de proporcionar atividades destinadas à consulta de fontes documentais diversas da informação impressa ou eletrônica. As fontes de informação para esta pesquisa são mediadas por fontes primárias e principalmente secundárias, que têm a função de facilitar o uso do conhecimento disperso nas fontes primárias, além de apresentar informação filtrada e organizada de acordo com um arranjo definido. Já a fonte terciária, é muito utilizada para guiar o estudo às fontes primárias e secundárias; Da mesma forma pode ser usada com base na análise de bibliografias, serviços de indexação e resumos, catálogos coletivos, bibliografias de bibliografias e bibliotecas e centros de informação. Os dados obtidos, baseados na literatura de Gil (2002, p. 16) podem ser mediados por pesquisa local e remota seguindo o critério a seguir: Fontes Bibliográficas,Publicações, Jornais,Periódicos e Revistas. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS A liderança, reconhecida como fator fundamental para enfrentar as dificuldades de implementação de processos de mudança nas organizações públicas de saúde, torna-se fator eixo, de análise na compreensão das relações de intersubjetividade e processos organizacionais. 77 O setor de saúde impulsionado por diretrizes democratizantes e equidade a partir de 70, passa a buscar propostas inovadoras ao modelo de gestão vigente com características verticalizadas e centralizadas. Contudo a gestão não apenas baseia-se nos fatores burocráticos. O próprio gestor como figura norteadora, apresenta papel relevante no direcionamento das políticas organizacionais publicas de saúde. A gestão institucional centrada em um único eixo reduz a abrangência e relevância do trabalho, uma vez que o distanciamento dos reais problemas vivenciados pelo publico alvo, não permite uma intervenção capaz de resolver os problemas públicos de saúde. Desse modo uma nova proposta de gestão faz-se imprescindível: a descentralização e intersetorialidade do poder na gestão em saúde pública. Apesar da divisão do serviço em níveis hierárquicos e departamentalizados a estrutura organizacional deve tornar-se simples para uma melhor resposta as questões e enfrentamento de saúde pública. Este reduz gastos e uma análise positiva do custo – benefício. Outro fator relevante na discussão de uma gestão apropriada baseia-se nos aspectos psicológicos do gestor que sob constante cobrança e pressão psicossocial (comum na atual proposta de economia capitalista), desenvolve psicopatologias como o estresse e depressão, exercendo assim um trabalho falho alterando toda a dinâmica institucional. Cabe desse modo, ao gestor, a procura por ajuda de profissionais competentes (psicólogos, psicoterapeutas e outros) para suporte e melhoras da psique alterada. A psicossomatização não só a curto, como também em longo prazo causa danos muitas vezes irreversíveis, levando ao abandono do cargo e desestruturação das políticas já em andamento na instituição. Desse modo, uma reforma dos velhos paradigmas da gestão faz-se muito importante para um melhor desenvolvimento da instituição saúde pública, gerida. Com redução de gastos desnecessários correspondendo as reais expectativas e necessidades da população. Porém para tal, um estudo e apoio daqueles que após instituir a descentralização e a intersetorialidade como formas de gestão obtiveram sucesso, torna-se um instrumento de grande valia para o aperfeiçoamento das políticas gerenciais vigentes, proporcionando um serviço de qualidade. REFERÊNCIAS AGUIAR, M. A. F. de. Psicologia aplicada à administração; uma introdução à psicologia organizacional. São Paulo, Atlas, 1981. ARAÚJO, J.W.G. Hipertensão arterial em grupos sócio-ocupacionais de Volta Redonda, RJ. Rio de Janeiro, 1984. 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Saudeetrabalho.com.br/download_2/work-stress-who.pdf; acessado em: 17/02/2009. 83 EFETIVIDADE DO TRABALHO DO ENFERMEIRO NA PREVENÇÃO DO CÂNCER GINECOLOGICO Laureen Nascimento Pinheiro¹ Liduína Maria Côgo¹ RESUMO O profissional enfermeiro desempenha papel importante no contexto da prevenção do câncer do colo uterino, pois na sua atuação, deve disponibilizar ações que garantam a mulher acesso ao conhecimento sobre o assunto, assim como, a garantia do acesso a realização de exames preventivos e seu encaminhamento ao tratamento nos serviços especializados. Trabalhando na promoção da saúde da mulher visando a capacitação da equipe de enfermagem e da comunidade, formando agentes multiplicadores, melhorando a qualidade de vida através de orientações sobre tabus e principalmente, sobre o medo da realização do exame, tornando-o rotina, reduzindo dessa forma, o número de novos casos e de óbitos causados por esta patologia. Sabe-se que o câncer de colo é uma doença com alto potencial de cura, desde que diagnosticado precocemente. É importante que a afetividade acompanhe o processo de cuidar, envolvendo os agentes que cuidam e os clientes que são cuidados. A pesquisa objetiva o levantamento do nível do processo de efetividade das condutas do enfermeiro frente a prevenção do câncer ginecológico. O estudo tem por metodologia a revisão bibliográfica, com coleta de dados secundários. Como conclusão sugere um programa de capacitação com ações de educação permanente buscando o aprimoramento profissional e, por conseqüência, uma boa atuação em todas as fases do processo, garantindo um laudo seguro as suas pacientes. PALAVRAS-CHAVE: Enfermeiro. Efetividade. Prevenção. Câncer ginecológico. ABSTRACT The nurse plays an important role in the prevention of cervical cancer, because its action, shall make efforts to ensure women, access to knowledge on the subject, as well as ensuring access to preventive examinations and their referral to diagnosis and treatment in specialized services. Working to promote women's health in order to train the nursing staff and the community to form multipliers, practicing the promotion of women's health, improving quality of life through guidance on taboos and especially about the fear of the examination , making the routine, thereby reducing the number of new cases and deaths caused by this disease. It is known that cervical cancer is a disease with high potential for cure, since it diagnosed early. It is important that affectivity track the care process, involving staff members who care and the clients who receive care. The study methodology is a literature review, with secondary data collection. In conclusion suggests a training program with ongoing education initiatives seeking professional development and, consequently, a good performance at all stages of the process, ensuring a secure report their patient KEYWORDS: Nurse. Effectiveness. Prevention. Gynecologic cancer. ____________________________________ ¹ Enfermeiras da SMS de Guaçuí,ES. Pós-Graduadas em Saúde Pública pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Alegre, ES - FAFIA 84 1 INTRODUÇÃO De acordo com as literaturas consultadas, o câncer de colo de útero é o segundo tipo de câncer mais comum em mulheres no mundo, depois do câncer de mama, e o mais comum em países em desenvolvimento. Em países latino-americanos, é o maior problema de saúde pública encontrado, quando comparado a outros tipos de câncer que afetam os seres humanos. O Brasil é o campeão do mundo em incidência de câncer de colo de útero, sendo este o segundo na lista dos cânceres que mais levam à óbito mulheres no país. No tocante à mortalidade, são estimados 230 mil óbitos anuais por câncer de colo uterino em todo o mundo, 80% dos quais em países em desenvolvimento. Entre estes, os maiores coeficientes são encontrados em países da África e da América Latina (PARKIN, 1999). Segundo o Manual de Condutas Médicas, o câncer do colo do útero é um tumor que apresenta um desenvolvimento lento e progressivo ao longo de muitos anos, e somente apresenta sintomas característicos quando a doença já se encontra em forma avançada, nesta fase uma em cada três mulheres morre da doença (OMS, 1995). Já a Organização Mundial da Saúde relata que, comparado a outras neoplasias, o câncer de colo de útero apresenta uma característica importante: há longo tempo dispõe-se de um exame de rastreamento da doença, o teste de Papanicolau, capaz de detectá-la em fase incipiente e curável com medidas relativamente simples. A grande redução da incidência e da mortalidade, observada desde o início dos anos 60 na maioria dos países desenvolvidos, é atribuída à prática de Papanicolau (OMS, 1995). No Brasil, há poucos estudos sobre cobertura do teste de Papanicolau em amostra aleatória da população. Em um estudo conduzido na cidade de São Paulo em 1987, 69% das mulheres de 15 a 59 anos relataram pelo menos um teste na vida (OMS, 1995). Diante das informações levantadas e apesar de todos os esforços realizados na tentativa de prevenir o câncer de colo de útero, as ações em prevenção tem se mostrado ineficaz no que diz respeito ao número de coletas do citopatológico, o aumento da morbidade pela doença e principalmente a educação em saúde, onde o controle do câncer depende essencialmente de ações nas áreas de promoção, proteção específica e diagnóstica precoce. O Objetivo geral da pesquisa é sensibilizar os profissionais de enfermagem quanto ao seu papel efetivo no desenvolvimento de ações educativas na saúde da mulher, desmistificando tabus e medos que norteiam a intimidade feminina e os objetivos específicos são: Relatar sobre o câncer de colo de útero, mostrando as causas e fatores de risco, diagnóstico, quais são os sintomas, métodos de prevenção e tratamento;descrever a atuação do enfermeiro nos diversos níveis de atenção à saúde;relatar sobre o papel do enfermeiro como sendo um dos agentes efetivos de educação na patologia e mostrar que o enfermeiro além de ser um profissional efetivo desempenha um papel fundamental no na prevenção do câncer de colo de útero. 2 REVISÃO DE LITERATURA O câncer de colo de útero é o segundo tipo de câncer mais comum em mulheres no mundo, depois do câncer de mama, e o mais comum em países em desenvolvimento. Em países latino-americanos, é o maior problema de saúde pública encontrado, quando comparado a 85 outros tipos de câncer que afetam os seres humanos. O Brasil é o campeão do mundo em incidência de câncer de colo de útero, sendo este o segundo na lista dos cânceres que mais levam à óbito mulheres no país. No tocante à mortalidade, são estimados 230 mil óbitos anuais por câncer de colo uterino em todo o mundo, 80% dos quais em países em desenvolvimento. Entre estes, os maiores coeficientes são encontrados em países da África e da América Latina (PARKIN, 1999). Comparado a outras neoplasias, o câncer de colo de útero apresenta uma característica importante: há longo tempo dispõe-se de um exame de rastreamento da doença, o teste de Papanicolau, capaz de detectá-la em fase incipiente e curável com medidas relativamente simples. A grande redução da incidência e da mortalidade, observada desde o início dos anos 60 na maioria dos países desenvolvidos, é atribuída à prática de Papanicolau (OMS, 1995). Câncer de colo do útero são alterações celulares que tem uma progressão gradativa e é por isto que é uma doença curável quando descoberta no início, ele se inicia no colo uterino da mulher, que é a parte do útero que fica no fundo da vagina (INCA, 2002). O câncer se torna um problema para a equipe de enfermagem a partir do momento em que se torna um problema de saúde pública, devido à sua magnitude (elevada morbi-mortalidade) e transcendência (alto custo social e econômico), a equipe deve estar preparada para lidar com esta modalidade de doença, cabendo desta forma ao enfermeiro treinar a equipe de enfermagem, orientar o indivíduo, a família e a comunidade sobre os fatores de risco do câncer e sobre as formas de prevenção (BRASIL, 2002). O enfermeiro pode atuar nos diversos níveis de atenção à saúde, hierarquizados segundo grau de complexidade, desenvolvendo ações de coordenação e de execução, que incluem a assistência de enfermagem, educação comunitária e profissional, envolvendo-se na investigação científica de problemas de enfermagem, contribuindo com pesquisas no sentido de favorecer a promoção e recuperação da saúde, para desenvolver seu trabalho de prevenção, promoção e proteção na saúde da mulher, a equipe multidisciplinar deverá considerar o meio em que atua, fatores sócio econômico, cultural e religioso, auxiliando no desenvolvimento da cidadania (BRASIL, 2002). É importante enfatizar que o enfermeiro, dentro da equipe multiprofissional, é um dos agentes de educação para a saúde, objetivando integração em favor da promoção da saúde do paciente, da família, grupos sociais e da comunidade, a sua ação deve ser integral e participativa, na sua rotina de trabalho, deve estar voltado para o desenvolvimento de ações de saúde e práticas educativas no sentido de prevenir o câncer (BRASIL, 2002). 2.1 O QUE É O CÂNCER Câncer é uma doença causada por células que se dividem de maneira descontrolada. Essas células duplicam-se de forma muito rápida e, após algum tempo, podem invadir outra parte do corpo (BARBOSA, 2003). Existem vários tipos diferentes de câncer, alguns tipos podem permanecer. quase inalterados por muitos anos e não têm impacto na expectativa de vida. Ao contrário, existem tipos raros que podem ser fatais logo após serem descobertos. Da mesma forma que o termo ―infecção‖ engloba doenças tão diferentes, como uma gripe comum, furúnculo, malária e tuberculose, o 86 espectro da doença maligna varia, tanto no comportamento quanto na gravidade (BARBOSA, 2003). Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo (INCA, 1996). Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores (acúmulo de células cancerosas) ou neoplasias malignas. Por outro lado, um tumor benigno significa simplesmente uma massa localizada de células que se multiplicam vagarosamente e se assemelham ao seu tecido original, raramente constituindo um risco de vida (INCA, 1996). Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. Por exemplo, existem diversos tipos de câncer de pele porque a pele é formada de mais de um tipo de célula. Se o câncer tem início em tecidos epiteliais como pele ou mucosas ele é denominado carcinoma. Se começa em tecidos conjuntivos como osso, músculo ou cartilagem é chamado de sarcoma (INCA, 1996). 2.2 O CÂNCER DE COLO DE ÚTERO Câncer de colo do útero são alterações celulares que tem uma progressão gradativa e é por isto que é uma doença curável quando descoberta no início, ele se inicia no colo uterino da mulher, que é a parte do útero que fica no fundo da vagina (Figura 1) (INCA, 2002). No Brasil, estima-se que o câncer de colo do útero seja a terceira neoplasia maligna mais comum entre as mulheres, sendo superado pelo câncer de pele (não-melanoma) e pelo câncer de mama, e que seja a segunda causa de morte por câncer em mulheres. Em 2006, as estimativas da incidência de câncer no Brasil apontaram a ocorrência de 19.260 novos casos de câncer do colo do útero (INCA, 2002). Figura 1 - Colo uterino indicado na seta azul. FONTE: INCA, 2002. Este tipo de câncer costuma apresentar crescimento lento. Durante vários anos, células da superfície do colo do útero se tornam anormais. No início, estas anormalidades ainda não se caracterizam como um câncer e são denominadas displasias. Porém algumas dessas alterações 87 ou displasias podem dar início a uma série de alterações que podem levar ao aparecimento do câncer de colo de útero (INCA, 2002). Algumas displasias se curam espontaneamente, sem tratamento, mas sendo algumas précancerosas, todas necessitam de atenção para evitar o aparecimento do câncer. Geralmente o tecido displásico pode ser retirado ou destruído sem atingir tecidos saudáveis, mas em alguns casos, a histerectomia (retirada total do útero) pode ser necessária. A decisão do tratamento da displasia depende de alguns pontos: Tamanho da lesão e quais tipos de alterações ocorreram nas células; se a mulher planeja ter filhos no futuro; a idade da mulher; a saúde geral da mulher; preferência pessoal da mulher e do seu médico (CARVALHO, 1993). Se células pré-cancerosas se transformam em células verdadeiramente tumorais e se espalham mais profundamente no colo uterino ou outros órgãos e tecidos, a doença é chamada de câncer de colo uterino ou cervical (vindo da palavra cérvix, outro sinônimo para colo de útero). (COELHO, 2003). O câncer de colo de útero está dividido em dois tipos principais, baseados no tipo de célula do qual o câncer se originou: carcinoma de células escamosas - representa de 85% a 90% de todos os casos e adenocarcinomas - cerca de 10% (COELHO, 2003). 2.3 O ENFERMEIRO E O CÂNCER DE COLO DE ÚTERO Segundo a Resolução do COFEN - 272/2002 no uso das suas atribuições legais e regimentais dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) nas instituições de saúde brasileiras, considerando que a (SAE) sendo atividade privativa do enfermeiro utiliza método e estratégia de trabalho científica para identificação das situações de saúde/doença subsidiando ações de Assistência de Enfermagem que possam contribuir para a promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde do indivíduo, família e comunidade (COFEN, 2002). Artigo I - Ao enfermeiro incumbe à consulta de enfermagem, exame físico diagnóstico de enfermagem, prescrição de enfermagem e a evolução de assistência de enfermagem. Artigo II - A implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) deve ocorrer em toda a instituição da saúde pública ou privada. (Anexo I) Conforme a Coordenação Estadual de Prevenção e Controle do Câncer Ginecológico, de 21 de fevereiro de 2007, considera que o enfermeiro em sua formação acadêmica está habilitado para realizar o exame citopatológico durante a realização da consulta de enfermagem a mulher é respaldada pela Lei do exercício profissional 7498/86 e o Decreto 94406/97 e portaria 1721/MEC de 15/12/1994 que confere ao enfermeiro a habilitação necessária para o exercício desta função. (COFEN, 2002). Segundo Barros, Marin e Abrão (2002), a consulta de enfermagem é uma atividade privativa do enfermeiro e permite o exercício de sua autonomia. Deve possibilitar a assistência à mulher de forma integral, além de ser uma excelente oportunidade para educá-la no desenvolvimento de um comportamento preventivo, ou seja, para buscar espontaneamente os serviços de saúde de forma periódica, mesmo na ausência de sintomas. 88 Conforme Horta et al. (1992), a consulta de enfermagem é uma atividade para a assistência e como tal deve ser sistematizada, a qual envolve uma seqüência dinâmica de etapas que direcionam as ações de modo a contribuir no atendimento às necessidades de saúde do indivíduo e da comunidade, além de ser uma oportunidade viável para a autonomia na medida em que é uma atividade - fim do enfermeiro. O câncer se torna um problema para a equipe de enfermagem a partir do momento em que se torna um problema de saúde pública, devido à sua magnitude (elevada morbi-mortalidade) e transcendência (alto custo social e econômico), a equipe deve estar preparada para lidar com esta modalidade de doença, cabendo desta forma ao enfermeiro treinar a equipe de enfermagem, orientar o indivíduo, a família e a comunidade sobre os fatores de risco do câncer e sobre as formas de prevenção (BRASIL, 2002). O enfermeiro poderá atuar nos diversos níveis de atenção à saúde, hierarquizados segundo grau de complexidade, desenvolvendo ações de coordenação e de execução, que incluem a assistência de enfermagem, educação comunitária e profissional, envolvendo-se na investigação científica de problemas de enfermagem, contribuindo com pesquisas no sentido de favorecer a promoção e recuperação da saúde, para desenvolver seu trabalho de prevenção, promoção e proteção na saúde da mulher, a equipe multidisciplinar deverá considerar o meio em que atua, fatores sócio econômico, cultural e religioso, auxiliando no desenvolvimento da cidadania (BRASIL, 2002). É importante enfatizar que o enfermeiro, dentro da equipe multiprofissional, é um dos agentes de educação para a saúde, objetivando integração em favor da promoção da saúde do paciente, da família, grupos sociais e da comunidade, a sua ação deve ser integral e participativa, na sua rotina de trabalho, deve estar voltado para o desenvolvimento de ações de saúde e práticas educativas no sentido de prevenir o câncer (BRASIL, 2002). As atividades educativas são de alta relevância, já que muitas mulheres, por seus valores e cultura, não reconhecem as medidas de prevenção e detecção precoce do câncer, estudos sobre a atitude das mulheres brasileiras quanto à prevenção e o não atendimento aos programas de captação mostram que as principais causas da resistência estariam relacionadas às questões culturais, vergonha, medo de doer, religião, desconhecimento do exame e de onde realizá-lo e parceiros que não permitem que as mulheres compareçam para realizar o exame preventivo (BRASIL, 2002). Por essas razões, as práticas educativas devem sensibilizar as mulheres com vida sexual ativa para a realização do exame e para a importância de se tornarem agentes multiplicadores de informações, orientando quanto aos cuidados para a realização do exame e sobre dúvidas quanto aos resultados, utilizando meios de comunicação eficazes e mensagens adequada para alcançar as mulheres e sensibilizá-las para a coleta do material do papanicolau (INCA, 2002). A captação das mulheres para a realização do exame citopatológico deve estabelecer uma integração com instituições e grupos que já promovam reuniões regulares, tais como associações de moradores, associações de mulheres, clubes de mães em escolas, Igrejas e outros, para a realização de palestras e também para identificar lideranças comunitárias, objetivando a formação de agentes multiplicadores das informações (INCA, 2002). 89 3 METODOLOGIA A pesquisa é de natureza bibliográfica, onde segundo Lima (2007, p.28) é ―um conjunto ordenado de procedimentos de busca por soluções, atento ao objeto de estudo, e que, por isso, não pode ser aleatório‖. De acordo com Gil (apud LIMA, 2007, p. 40) a pesquisa bibliográfica possibilita um amplo alcance de informações, além de permitir a utilização de dados dispersos em inúmeras publicações, auxiliando também na construção, ou na melhor definição do quadro conceitual que envolve o objeto de estudo proposto. A trajetória metodológica percorrida apoiou-se nas leituras exploratórias e seletivas do material pesquisado, bem como em sua revisão integrativa, ajudando no processo de síntese e análise dos resultados de vários estudos, criando uma leitura compreensiva. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS A enfermagem é a arte e a ciência de prestar assistência ao ser humano, dando suporte, facilitando e capacitando indivíduos e grupos para que mantenham ou restabeleçam seu bemestar de forma satisfatória de acordo com suas crenças e cultura. Por este motivo, a enfermagem não impõe pressupostos ou práticas, mas as adequa às realidades de vida, pensamento e costumes daqueles por ela assistidos. A Saúde da mulher nas mais diversas literaturas compreende os aspectos biológicos e anatômicos relacionando-se com direitos humanos porém o direito sexual é deixado de lado e o corpo da mulher é visto apenas com função reprodutiva e ausência de enfermidade associada a ela. A humanização e qualificação na abordagem da mulher devem compreender, compartilhar saberes e reconhecer direitos, implicando no estabelecimento de relação entre profissional e cliente respeitando-se suas condições sociais, raciais, étnicas, culturais e religiosas. O câncer de colo uterino, acomete a um número alto de mulheres no mundo inteiro, podendo ser identificado através do Papanicolau, que é um exame essencial para fins profiláticos, permitindo à mulher que o realiza anualmente um controle de suas características celulares e um tratamento menos agressivo quando do surgimento de atipia celular. Mesmo células malignas podem ser identificadas precocemente, o que favorece o prognóstico da doença mediante tratamento adequado. Dentro do contexto, prevenção do câncer ginecológico, observou-se que o enfermeiro desempenha um papel fundamental no gerenciamento da saúde coletiva e no cuidado, através de uma assistência sistematizada e personalizada as necessidades e expectativas da saúde da mulher. Aonde a equipe de enfermagem vem abrangendo cada vez mais conhecimento teórico-prático sobre a prevenção do câncer do colo uterino, onde são avaliados e cobrados com rigor, sobre trabalhos diferenciados através de ações educativas, planejamentos estratégicos para realização do exame citopatológico, por meio de comunicação, distribuição de panfletos, prestando atendimento humanizado. O programa saúde da mulher tem como objetivo reduzir o número de casos de câncer ginecológico e reduzir o número de óbitos causados por ele e melhorando a qualidade de vida 90 de mulheres portadoras do câncer cervico-uterino, mesmo ciente de que a demanda populacional de mulheres é maior que o número de profissionais envolvidos no programa. Cabe a cada membro da equipe enfatizar a importância de seu papel dentro da saúde coletiva. Diversos países têm realizado estudos acerca da atuação do enfermeiro na prevenção do câncer, ficando cada vez mais comprovada a sua importância nos programas de prevenção junto à população, atuando não só tecnicamente, mas também como, facilitador do acesso da população aos serviços de prevenção e detecção precoce do câncer, educador e conselheiro. Diante disso, o profissional enfermeiro deve ser efetivo em seu trabalho, ou seja, ser efetivo é ter a capacidade de produzir um efeito, que pode ser positivo ou negativo. Conseqüentemente, o que é efetivo não é necessariamente eficiente ou eficaz. É importante que a afetividade acompanhe a efetividade no processo de cuidar, envolvendo os agentes que cuidam e os clientes que são cuidados. Sendo assim conclui-se que, cabe principalmente às mulheres a consciência da necessidade de efetuar este exame regularmente e aos profissionais que executam o exame a boa atuação em todas as fases do processo, garantindo um laudo seguro às suas pacientes. REFERÊNCIAS: BARBOSA, Antonieta. Câncer: Direito e Cidadania. São Paulo: Arx. 2003. BARROS, S. M. O; MARIN, H. F; ABRÃO, A. C. F. V. Enfermagem Obstétrica e Ginecológica: Guia para prática assistencial. 1. ed. São Paulo, Roca, 2002. BRASIL, Ministério da Saúde. Ações de Enfermagem para o controle do câncer. BrasíliaDF, 2002. CARVALHO, G. Citologia do trato genital feminino. 3 ed. São Paulo: Atheneu, 1993. COELHO, F.R.G. Câncer: manual de orientações para pacientes e interessados. Robe editorial, São Paulo, 2003. 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Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1996. 23p. SILVA, G.B. Enfermagem profissional: análise crítica. 2 ed. São Paulo: Cortez; 1989. 92 STARFIEL B. Atenção Primária – Equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. Brasília: UNESCO, Ministério da Saúde, 2002. 93 BENEFÍCIOS DO ALEITAMENTO MATERNO COMO PREVENÇÃO DE DOENÇAS DO NEONATO Aryanna Rezende Albani¹ RESUMO O aleitamento materno constitui a principal fonte de alimentação dos neonatos, tornando-se um recurso de grande importância para a manutenção do bem-estar físico e psíquico dessas crianças. O estudo consiste na realização de uma ampla pesquisa bibliográfica, cujo objetivo é identificar as publicações relacionadas a temas como a importância da amamentação, a fisiopatologia dos neonatos, e a forma como o aleitamento materno podem prevenir as doenças que afetam os recém-nascidos. A busca foi realizada em livros, produções acadêmicas (dissertações e teses) e artigos científicos oriundos das bases dne dados SCIELO e PERFLINE disponíveis na Internet. As publicações reafirmam a importância da prática do aleitamento materno para os neonatos, mesmo quando existem fatores que interpõem essa prática, como a ocorrência de determinadas doenças que envolvem tanto a nutriz quanto a criança, assim como diante de certos apelos existentes na sociedade moderna que afastam a mulher da função de amamentar seu filho e favorece o desmame precoce, tais como: o novo papel da mulher na sociedade, o cuidado com o corpo, a invenção da mamadeira, entre outros. Nesse sentido, a ação dos profissionais da área da saúde é imprescindível para a modificação do comportamento das nutrizes, para que, frente a essas intercorrências, elas possam obter êxito e não deixem de amamentar, principalmente durante o neonatal, período este em que a criança apresenta maior vulnerabilidade, por conta da imaturidade de seu sistema imunológico. PALAVRAS-CHAVE:Aleitamento materno; Neonato; Importância da amamentação; Prevenção de doenças. ABSTRACT The breastfeeding constitutes the main source of feeding of the babies, becoming a resource of great importance for the maintenance of physical and psychic well-being of these children. The study it consists of the accomplishment of an ample bibliographical research, whose objective is to identify to the related publications the subjects as the importance of breastfeeding, the fisiopatology of the babies, and the form as the breastfeeding can prevent the illnesses that affect the just-been born ones. The search was carried through in books, academic productions (dissertactions and teses) and deriving scientific articles of the available databases SCIELO and PERFLINE in the InterNet. The publications reaffirm the importance of the practical one of the breastfeeding for the babies, exactly when factors exist that interpose this practical, as the occurrence of determined illnesses that involve the wet-nurse in such a way how much the child, as well as certain existing I appeal in the modern society that move away the woman from the function to suckle its son and favor wean it precocious, such as: the new paper of the woman in the society, the care with the body, the invention of the ______________________ ¹. Enfermeira do Hospital de Jerônimo Monteiro,ES. Pós-Graduada em Saúde Pública pelo Centro Universitário São Camilo-ES. 94 baby's bottle, among others. In this direction, the action of the professionals of the area of the health are essential for the modification of the behavior of the wet-nurses, so that, front to these interpose, they they can get success and they do not leave to suckle, mainly during the just-been born, period this where the child presents greater vulnerability, for account of the immaturity of its imunologycal system. KEY-WORDS: Breastfeeding; Babies; importance of breastfeeding; Prevention of illnesses. 1 INTRODUÇÃO O leite humano é o único alimento que apresenta nutrientes em composição e em condições de biodisponibilidade ideais, características estas que resultam em um processo digestivo harmônico às condições fisiológicas da criança pequena, no melhor aproveitamento dos elementos que o compõem (CRUZ, 2001). Por essa razão, Rego (2000) é enfático ao declarar que a forma mais segura, eficaz e complexa para a criança de até 6 meses de vida alcançar o crescimento e desenvolvimento adequados é garantir o aleitamento materno exclusivo desde a primeira hora após o nascimento, não havendo necessidade de introduzir outros alimentos na sua dieta durante este período. Além disso, o aleitamento materno traz benefícios diversos tanto à mãe quanto à sociedade em geral, podendo-se citar como exemplo que a prática da amamentação oportuniza à nutriz se prevenir contra diversos problemas que afetam sua saúde (diabetes mellitus, câncer de ovário, de mama e de útero), além de que, para a sociedade, o aleitamento materno significa a redução da mortalidade infantil e o desafogar dos serviços públicos de saúde, uma vez que diminui a incidência de doenças infecciosas graves - responsáveis por grande parte das internações infantis -, que afetam principalmente os neonatos por conta da vulnerabilidade do seu sistema imunológico e da imaturidade de diferentes órgãos do seu corpo (VENÂNCIO et al 2002; GARCIA, 2006). Mediante estas observações, surge o seguinte questionamento que servirá como guia para todo o processo de pesquisa desta monografia: Quais são os benefícios do aleitamento materno para a prevenção de doenças em neonatos? Para responder a esse questionamento principal, a metodologia utilizada será a coleta de dados, obtidos através de fontes primárias escritas e fontes secundárias. As fontes primárias escritas referem-se às obras literárias, revistas especializadas, trabalhos acadêmicos que tratam de temas como: ―composição do leite humano‖, ―importância do aleitamento‖, ―neonatologia‖ entre outros. Já as fontes secundárias correspondem às referências bibliográficas envolvendo sites de pesquisa que trazem artigos científicos, além de teses e dissertações. A motivação em desenvolver este estudo justifica-se pelo interesse em avaliar a importância do aleitamento materno e sua colaboração no tocante à prevenção de doenças em recémnascidos, os aspectos fisiológicos que tornam o neonato mais suscetível à doenças, bem como 95 a forma como os profissionais da saúde, das mais diversas esferas de atendimento, podem contribuir para a promoção, proteção e apoio à prática da amamentação. Todavia, para melhor visualizar os objetivos desta pesquisa, estes foram divididos em objetivos geral e específico. O objetivo geral é identificar como e quais formas o aleitamento previne as doenças; já o objetivo específico consiste-se na identificação das doenças que afetam os neonatos. Para tanto, este trabalho está estruturado em 4 partes. Na primeira parte é feita uma abordagem sobre os aspectos gerais do leite humano e do processo de aleitamento materno. Na segunda parte, o enfoque é a identificação das principais características do neonato. A terceira parte aborda a questão do aleitamento materno como fator de prevenção de doenças em neonatos. Por fim, a quarta parte traz uma reflexão acerca da contribuição dos profissionais da saúde no tocante à promoção da prática da amamentação natural. Com isto, este trabalho buscará contribuir com conhecimentos científicos para decisões a serem tomadas pelo profissional de saúde, pela mãe/nutriz, sua família e coletividade, no tocante à promoção da prática do aleitamento materno. 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1 ASPECTOS GERAIS DO LEITE HUMANO E DO PROCESSO DE ALEITAMENTO MATERNO Sabe-se hoje ser o aleitamento materno o modo mais natural, nutritivo e seguro de alimentação para a criança pequena, principalmente daquela com idade de até 6 meses. A afirmativa é endossada pelo conhecimento científico acerca do processo de lactação, que comprova as propriedades ímpares do leite humano e destaca vantagens como uma combinação única de proteínas, lipídios, carboidratos, minerais, vitaminas, enzimas e células vivas (AKRÉ, 1994; NELSON et al, 1997; REGO, 2000; GRASSI, COSTA e VAZ, 2001; CRUZ, 2001). De acordo com Rego (2000), as principais propriedades imunológicas existentes no leite humano, responsáveis por propiciar ao lactente um crescimento adequado, são: Imunoglobina A secretora (IgAs): necessária para a impermeabilização anti-séptica das mucosas (digestiva, respiratória, urinária); Lactoferrina: exerce a ação bacteriostática (retirada de ferro); Lisozima: exerce ação bactericida (lise das bactérias); Macrófagos: exercem fagocitose (engloba as bactérias); Fator bífido: promove resíduo de lactobacilos e produção de ácidos. Ressalta-se que, dentre estes componentes, a IgAs desempenha função importante e específica de proteção do recém-nascido. Esta imunoglobulina não está presente nas secreções do recémnascido, o que reforça a importância da utilização do leite humano e, particularmente, da ingestão do colostro, líquido secretado nos últimos dias e semanas que antecedem o parto e que é rico em IgAs na proteção da imatura mucosa intestinal do bebê. A concentração média de IgAs no colostro atinge a marca de 50 mg/ml contra 2,5 mg/ml no sangue de adultos, valendo destacar que o leite da mãe do prematuro apresenta valores significantemente mais 96 elevados de IgAs quando comparado com o recém-nascido a termo (VIEIRA e ALMEIDA, 2004). Sendo assim, fica evidente que o leite humano contém concentrações relativamente altas de anticorpos IgAs, e estes, por sua vez, impedem a aderência de microrganismos à mucosa intestinal dos lactentes. Nesse sentido, Vieira e Almeida (2004) ressaltam que os anticorpos existentes no leite humano são dirigidos a inúmeros microorganismos com os quais a mãe entrou em contato durante a sua vida, representando, de certa forma, uma memória do seu repertório imunológico, o que assegura a proteção do lactente. Sua composição é determinada no sentido de oferecer energia e nutrientes necessários em quantidades apropriadas. Isto significa dizer que, diferentemente de outros tipos de leite, o leite humano contém fatores que conferem a proteção contra infecções virais e bacterianas. Além disto, raramente ocorrem reações alérgicas em decorrência do seu uso (NELSON et al, 1997; REGO, 2000). Para complementar o exposto, no quadro 1 estão expostas as diferenças existentes entre os leites humano, animal e artificial. Quadro 1: Diferença entre os tipos de leite PROPRIEDADES Proteínas Lipídeos Vitaminas Minerais Ferro Água TIPOS DE LEITE Humano Quantidade adequada e fácil de digerir Suficiente em ácidos graxos essenciais, lipase para digestão. Suficiente. Quantidade adequada. Pouca quantidade, boa absorção. Suficiente. Propriedades Presente. antiinfecciosas Fatores de Crescimento Presente. Animal Excesso, difícil de digerir. Deficiente em ácidos graxos essenciais, não apresenta lipase. Deficiente de A e C. Excesso. Pouca quantidade, má absorção. Precisa de mais. Artificial Parcialmente modificado. Deficiente em ácidos graxos essenciais, não apresenta lipase. Vitaminas adicionadas. Parcialmente correto. Ausente. Adicionado, má absorção. Pode precisar de mais. Ausente. Ausente. Ausente. Fonte: Rego (2000) Tal fato reforça ainda mais a idéia de que a prática do aleitamento é fator preponderante para a manutenção do bem-estar físico do lactente e, conseqüentemente, para a diminuição da mortalidade infantil, haja vista que somente o leite humano oferece substâncias imunológicas que atuam contra os processos infecciosos, principalmente a diarréia aguda e as doenças respiratórias, as quais são apontadas como responsáveis por maiores riscos de ocorrência de óbitos entre crianças pequenas (CRUZ, 2001). No entanto, a literatura médica evidencia, também, que as vantagens do aleitamento materno não se esgotam apenas nos fatos acima citados, uma vez que vários outros aspectos tornam a 97 utilização do leite humano adequada, não só sob o ponto de vista da saúde física da criança, mas também para a nutriz, sendo possível citar benefícios de ordem imunológica, psicológica e econômica (AKRÉ, 1994). Conforme afirma Pérez (apud CRUZ, 2001), enquanto a mãe está amamentando, seu organismo libera ocitocina, hormônio responsável para liberação do leite e que estimula a contração uterina após o parto, evitando, assim, hemorragias. Ainda de acordo com o autor, mulheres que amamentam apresentam menor chance de desenvolver diabetes mellitus, câncer de ovário, de mama e de útero, além de apresentar maior perda de peso durante o puerpério e de ter reduzida a possibilidade de engravidar novamente durante o período de aleitamento, graças à amenorréia lactacional, embora esta associação decresça quando o período de lactação é muito longo. Além disto, Rego (2000) observa que é através do ato de amamentar que a nutriz estabelece seu primeiro elo com a criança, construindo mais rapidamente uma relação de afeto e carinho, sendo essa proximidade com a mãe que irá tornar-se a base do desenvolvimento da afetividade e da inteligência da criança, nos primeiros meses de vida. Ou seja, A amamentação é fundamental do ponto de vista psico-biológico: propicia o estabelecimento do vínculo mãe-filho, supre as necessidades nutricionais e proporciona o incremento da imunidade (...). Deste modo, deve ser realizado o incentivo ao Aleitamento Materno, principalmente nos países onde a mortalidade infantil é alta. (GRASSI, COSTA e VAZ, 2001, p. 262). Por fim, não se pode deixar de observar que o leite humano está sempre pronto, na temperatura ideal e com boas condições de armazenamento, aspectos esses que, além de exigir menos disponibilidade de tempo da mãe, apresentam custo zero, o que possibilita sua oferta à crianças de qualquer classe social (ALMEIDA, 1999). Mediante a tudo que foi exposto nesta parte do estudo, não restam dúvidas quanto às propriedades ímpares do leite humano, bem como da importância do aleitamento materno e seus inúmeros benefícios fornecidos não só ao bebê, mas também à nutriz e à sociedade como um todo. Isto significa dizer que o leite humano transcende o paradigma biológico em direção ao social, possibilitando, com isso, perceber o aleitamento materno como um fenômeno híbrido, multidimensional (Ibid.). No que diz respeito à prática do aleitamento, Rego (2000) salienta que deve ser iniciada logo após o nascimento e, se possível, ainda na sala de parto, uma vez que o colostro fornece ao bebê a primeira imunização para protegê-lo contra infecções bacterianas e virais, sendo rico também em fatores de crescimento que estimulam a maturação do intestino da criança. Ademais, o colostro é laxativo e auxilia a eliminação do mecônio (primeiras fezes muito escuras), ajudando a prevenir a icterícia - síndrome caracterizada pela deposição de pigmento biliar na pele e nas mucosas, apresentando a criança coloração amarelada. Segundo Schneider (2001), as mamadas devem respeitar horários controlados: nos primeiros dias, a criança deve mamar a cada duas horas e, a partir do primeiro mês, deve ser alimentada a cada três horas. O tempo de mamada muda de uma para outra, pois a fome da criança se altera durante o dia. O intervalo entre as mamadas também muda durante o dia: geralmente de madrugada e de manhã a criança se alimenta em intervalo maiores e permanece menos tempo ao seio; já durante a tarde e início da noite, ela mama mais tempo e o intervalo é maior. 98 Contudo, não existe a necessidade de ofertar outros alimentos para a criança durante os intervalos, haja vista que o leite materno supre todas as necessidades alimentares do bebê. Nesse contexto, cabe reforçar que a dieta exclusivamente à base de leite humano deve ser mantida somente até o sexto mês de vida da criança; após esse período, faz-se necessária a inclusão de outros alimentos na dieta da criança. Sobre este aspecto, Silva e Souza (2005, p. 302) declaram que: A Organização Mundial de Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Ministério da Saúde preconizam o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade e, depois dessa idade, que os lactentes recebam alimentos complementares, mas continuem com o leite materno até os dois anos. As práticas apropriadas de alimentação são de fundamental importância para a sobrevivência, crescimento, desenvolvimento, saúde e nutrição dos lactentes em qualquer lugar. Nessa ótica, o aleitamento materno exclusivo é de crucial importância para que se obtenham bons resultados. Além desses pontos que norteiam a prática da amamentação, Junqueira (apud SCHNEIDER, 2001) ressalta a existência de uma maneira correta para oferecer o seio à criança, tanto no contexto da postura global do bebê como na postura da nutriz. Quanto à postura da criança na hora da mamada, o autor observa que ela deve estar com a cabeça inclinada e bem apoiada, evitando-se que fique caída para trás. Já com relação à mãe, esta deve carregar a criança em posição de flexão, com os braços fletidos e na linha média. Além disso, a nutriz deve segurar o mamilo ligeiramente achatado, entre os dedos indicador e médio da mão livre. Ao observar estes cuidados na hora do aleitamento, a nutriz irá garantir uma boa porção do mamilo na boca da criança e, ainda, que a mama não bloqueie as narinas do bebê, impedindo assim sua respiração nasal. Figura 1: Maneira correta de se oferecer o seio durante o aleitamento materno Fonte: Junqueira apud Schneider (2001, p. 22) Estando assentada a importância do leite humano, da prática do aleitamento materno exclusivo para o pleno desenvolvimento das crianças pequenas, bem como da forma como a nutriz deve realizar tal prática, torna-se necessário destacar que, apesar de não haver contraindicação formal para a amamentação, dois fatores favorecem o desmame precoce e o afastamento da mulher da função de amamentar seu filho. 99 Conforme Schneider (2001), o primeiro aspecto consiste-se no fato de que a sociedade moderna possibilitou à mulher uma ascensão no mercado de trabalho, trouxe uma maior agitação à sua vida diária, passou a exigir uma maior preocupação com a estética do corpo e, até mesmo, ofertou uma invasão de produtos industrializados - como mamadeiras, bicos, leites artificiais etc. –, aspectos esses que colaboram para que a mulher deixe de dar o devido valor à amamentação natural. Sobre este contexto, Kummer et al (2000, p. 49) reiteram: ... existem fatores que se interpõem ao efetivo desenvolvimento da prática da amamentação, tais como: atuação dos serviços de saúde; educação materna; nível de escolaridade; papel da indústria para o uso de leite e bicos artificiais; retorno precoce das nutrizes ao trabalho; diversos papéis desempenhados pela mulher na sociedade moderna; o fato da mulher estar assumindo o papel de chefe da família; e a apresentação das mamas como símbolo sexual. O segundo fator é a existência de determinadas doenças que envolvem tanto a nutriz quanto a criança e que são apontadas como obstáculos para o processo de aleitamento materno. Nesse contexto, Lamounier, Moulin e Xavier (2004) apontam algumas infecções ocasionadas por vírus, bactérias e fungos, as quais seguem detalhadas abaixo. a) INFECÇÃO POR VÍRUS: Mesmo diante da existência de várias doenças virais que podem afetar a nutriz, tais como hepatite, herpes vírus, sarampo, caxumba, rubéola etc., a literatura médica evidencia que a transmissão via amamentação tem pouco valor epidemiológico, uma vez que essas doenças podem afetar o bebê através de outras vias de contaminação. O que se sabe ao certo é que, dentre os vírus, o grupo dos retrovírus é passível de transmissão via amamentação, o que torna necessária a suspensão do aleitamento materno. Nesse grupo estão incluídos o vírus da imunodeficiência humana (HIV-1), o vírus T-linfotrópicos humanos tipo I (HTLV I) e o vírus T-linfotrópicos humanos tipo II (HTLV II) (Ibid.). Os autores observam ainda que, além destes vírus, o HIV-2 também pode ser transmitido da mãe para o filho, mas o papel do aleitamento na transmissão via leite humano ainda não está bem estabelecido. Outros vírus que também podem ser encontrados no leite humano são o vírus Epstein-Barr e a herpes vírus 6; todavia, os autores observam que, até o momento, raros foram os relatos de crianças amamentadas que foram infectadas por tais vírus (Ibid.). Para sintetizar o exposto, no quadro 2 estão as infecções virais mais importantes com possibilidade de transmissão do vírus via leite materno para o recém-nascido, bem como as respectivas condutas com relação à prática do aleitamento materno. Quadro 2: Infecções maternas virais Tipo de Vírus Citomegalovírus Hepatite A* Hepatite B Hepatite C* Rubéola Caxumba Herpes simples Conduta Amamentar Amamentar Amamentar Amamentar Amamentar Amamentar Amamentar, exceto se as lesões forem na 100 Varicela Sarampo HTVL I HIV mama. Amamentar, exceto se a infecção for adquirida entre 5 dias antes e 3 dias depois do parto. Suspender amamentação temporariamente Não amamentar Não amamentar * Os vírus das hepatites B e C são transmitidos pelo contato com sangue e secreções genitais. O antígeno de superfície do vírus da hepatite B (HBsAg) tem sido detectado no leite de mulheres soropositivas para o HBsAg, e é possível que pequenas Quantidades de sangue possam ser ingeridas pelo recém-nascido durante amamentação, a partir de lesões nos mamilos, mesmo que pequenas. Mas a maior via de transmissão do vírus da mãe para a criança é a exposição do bebê ao sangue materno, que acontece durante todo o trabalho de parto e no parto. Fonte: Lamounier, Moulin e Xavier (2004) b) INFECÇÃO POR BACTÉRIAS: Nesse grupo, dentre os possíveis contaminadores do leite humano e, conseqüentemente, da criança alimentada ao seio, estão as bactérias causadoras da tuberculose, hanseníase, sífilis e brucelose, as quais são descritas abaixo. Tuberculose No que tange à tuberculose, a manutenção do aleitamento dependerá da fase de desenvolvimento em que a doença se encontra, bem como da época em que foi feito seu diagnóstico. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), no caso de nutriz com tuberculose extrapulmonar, esta não precisa suspender a amamentação, assim como não necessita de cuidados especiais para amamentar. Quanto à mãe portadora de tuberculose pulmonar em fase contagiante ou bacilífera - sem tratamento ou com menos de 3 semanas de tuberculostáticos no momento do parto -, esta deverá ser separada da criança, a qual passará a ser alimentada com leite humano ordenhado, uma vez que a transmissão da doença geralmente se dá pelas vias aéreas; esta nutriz somente poderá voltar a ter contato com a criança após a realização de pesquisas do bacilo álcool-ácido resistente (BAAR) no escarro e a constatação de sua negativação. Quanto à mãe em fase não-contagiante da doença, cujo tratamento foi iniciado há mais de 3 semanas, não existe restrições quanto à amamentação; no entanto, a criança ao nascer deve ser vacinada com BCG-ID; já nos caso em que o diagnóstico se deu após o início da amamentação, a criança deve ser considerada potencialmente infectada e receber tratamento quimioprofilático. Contudo, a amamentação deverá ser mantida, haja vista que a administração de drogas tuberculostáticas não contra-indica o aleitamento (OMS apud LAMOUNIER, MOULIN e XAVIER, 2004). Ou seja, a tuberculose não impede a continuidade do aleitamento materno, apenas o afastamento de nutriz e criança nos casos de tuberculose pulmonar em fase contagiante ou bacilífera. A continuidade da lactação deve-se ao fato de que o bacilo de Koch excepcionalmente é excretado pelo leite materno e, quando ocorre contaminação da criança, geralmente ela se dá via trato respiratório. Hanseníase 101 De acordo com Lamounier, Moulin e Xavier (2004), a hanseníase pode ser transmitida para o bebê, haja vista que o bacilo da Hansen pode ser isolado no leite materno nos seguintes casos: a) doença de Hansen não tratada; b) em pacientes com duração de tratamento inferior a 3 meses com sulfona (dapsona ou clofazamina) ou inferior a 3 semanas com rifampicina; c) presença de lesões de pele na mama da nutriz. Todavia, não existe contra-indicação para o aleitamento se a mãe estiver sob tratamento adequado. A ressalva fica por conta do fato de que a nutriz contagiante ou bacilífera - que não foi tratada ou que recebeu tratamento há menos de 3 meses com sulfona ou 3 semanas com rifampicina - deve evitar o contato prolongado com a criança, procurando aproximar-se somente nos momentos da amamentação. E, para tanto, ela deverá tomar certos cuidados como: utilizar máscara, lavar cuidadosamente as mãos antes de manipular a criança e fazer a desinfecção das secreções nasais e dos lenços (Ibid.). Sífilis No caso da sífilis, Lamounier, Moulin e Xavier (2004) salientam que, sem a ocorrência de lesões de mama, não há evidências de transmissão da doença via leite humano. A mãe, com sífilis primária ou secundária na mama, pode infectar a criança em decorrência do contato das lesões com as mucosas. Quando as lesões se apresentam nas mamas, sobretudo nas auréolas, faz-se necessária a suspensão da amamentação e do uso do leite ordenhado, até que ocorra o tratamento e a regressão das lesões. Todavia, essa suspensão tem curto prazo, uma vez que, após 24 horas de tratamento com penicilina, o espiroqueta (agente infeccioso) raramente é identificado, não havendo, assim, contra-indicação para a retomada do aleitamento após tratamento adequado. Brucelose De acordo com Lamounier, Moulin e Xavier (2004), existem evidências que comprovam o isolamento da Brucella melitensis no leite humano, bem como a ocorrência de casos da doença em crianças que são amamentadas exclusivamente ao seio. Sendo assim, a possibilidade de transmissão da brucelose via leite materno é confirmada pela literatura médica. Por essa razão, quando a doença apresenta-se na nutriz em fase aguda, o aleitamento deve ser suspenso e substituído pelo uso do leite ordenhado e pasteurizado. A amamentação deverá ser retomada somente após o tratamento da doença, com agentes antimicrobianos, e a constatação da melhora clínica da mãe. c) INFECÇÃO POR PARASITAS: Nesse contexto, o leite humano pode ser infectado pelo parasita causador da doença de Chagas. Segundo Lamounier, Moulin e Xavier (2004), o Trypanosoma cruzi pode ser isolado no leite materno, havendo até mesmo relato de um caso de infecção aguda em lactente de 2 meses de idade amamentado por mãe portadora da doença. Duas são as condutas mediante a ocorrência desse tipo de infecção: para mulheres portadoras da forma crônica da doença não existe necessidade de suspensão do aleitamento, exceto se houver sangramento e fissura nos mamilos; já nos casos de doença aguda, a amamentação deve ser suspensa. d) INFECÇÃO POR FUNGOS: 102 O agente fúngico passível de contaminação humana é o Paracoccidiomicose. No entanto, não é a doença em si que provoca a contaminação do leite materno, mas sim o agente quimioprofilático comumente utilizado para seu tratamento, o cotrimoxazol, o qual é excretado no leite e que pode causar efeitos colaterais graves na criança. Mas, mesmo assim, não existe contra-indicação para a manutenção do aleitamento caso a mãe apresente esta doença (Ibid.). Mediante ao exposto nesta parte do estudo, nota-se que nutrizes portadoras de doenças causadas por vírus, parasitas ou fungos podem, em alguns casos, transmitir agentes patogênicos pelo leite materno para a criança. Assim, a amamentação também pode ser uma importante fonte de infecção. Todavia, a orientação geral é a manutenção do aleitamento materno, sendo sua suspensão indicada somente em casos extremos, após cuidadosa avaliação. Tal fato se deve a dois fatores: O primeiro é que o papel do aleitamento na transmissão de determinadas doenças via leite humano ainda não está bem estabelecido, uma vez que existem outras vias de contaminação para o lactente que devem ser avaliadas antes de se atribuir essa possibilidade apenas à amamentação. O segundo consiste-se na constatação científica de que, quando a nutriz suspende ou substitui o aleitamento materno pela prática da amamentação artificial, a proteção do lactente fica diminuída e, com isso, a chance da criança adoecer tornase maior, uma vez que ela deixa de receber anticorpos específicos e demais fatores de proteção do leite humano, que são essenciais para o seu desenvolvimento físico e psíquico. Essas possibilidades adquirem relevo especial quando se trata de neonatos, em decorrência da sua maior vulnerabilidade por conta da imaturidade de seu sistema imunológico. Visando enriquecer o presente trabalho com algum conhecimento acumulado a respeito desse grupo de crianças, buscou-se nos estudos de Souza & Elias (2006 e de Garcia (2006) a explicação acerca dos aspectos especiais da fisiologia do neonato, por considerar que dessa forma torna-se mais fácil compreender a extensão da importância que o aleitamento materno tem para o pleno desenvolvimento da criança pequena, contribuindo para o afastamento de doenças que comprometem sua qualidade de sobrevida. 2.2 OS NEONATOS E SUAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS Por definição, o termo NEONATO é geralmente aplicado para lactentes nos primeiros 28 dias de vida, e corresponde a um organismo em pleno desenvolvimento, como resultado da maturação pós-natal de diversos órgãos e sistemas e da adaptação à vida extra-uterina independente. Nesse conceito inclui-se os recém-nascidos de baixo peso corporal, com menos de 2,5 kg, e os prematuros, cuja idade gestacional é inferior a 37 semanas (259 dias) (SOUZA & ELIAS, 2006). Os dados da literatura pesquisada sugerem que a transição da vida fetal à extra-uterina é caracterizada por uma série de eventos singulares, que ocasionam instabilidade de vários sistemas de controle hormonal e neurogênico. De certa forma, isso resulta do desenvolvimento imaturo dos diferentes órgãos do corpo e, em parte, do fato de que os sistemas de controle simplesmente ainda não se ajustaram à nova maneira de vida (GARCIA, 2006). 103 Para melhor entendimento do que foi colocado pela autora supracitada, seguem detalhados os principais eventos fisiopatológicos encontrados no neonato. VOLUME SANGÜÍNEO: Os neonatos têm um volume sangüíneo elevado, de aproximadamente 85 ml/kg de peso. O valor do hematócrito varia com a idade gestacional: o hematócrito do neonato cai progressivamente de cerca de 50% nos primeiros dias de vida, para cerca de 38 a 40% na terceira semana, sendo que essa queda é mais pronunciada nos prematuros e nos neonatos de baixo peso. Uma certa anemia dita "fisiológica" pode ocorrer, durante as quatro primeiras semanas de vida (SOUZA & ELIAS, 2006). ÁGUA E METABOLISMO: No neonato, tanto o teor de água quanto o metabolismo apresentam-se elevados, fato este que pode fazer a criança desidratar ou super-hidratar com muita facilidade. A água no organismo do neonato corresponde a quase 80% do seu peso, sendo que nos prematuros de 28 semanas de gestação o teor de água pode chegar a 86%. Quanto à distribuição dos principais íons, esta apresenta-se semelhante à dos adultos; já o potássio e o cálcio são ligeiramente mais elevados, enquanto o magnésio habitualmente é um pouco mais baixo. Os neonatos apresentam grande necessidade de água, correspondendo à cerca de 120 a 150 ml/Kg/dia (em torno do 5º dia de vida). Contudo, tal necessidade pode variar com a idade gestacional e o estado nutricional da criança. Quanto às necessidades diárias de eletrolitos, estas correspondem à 1 a 3 mEq de sódio, 1 a 3 mEq de potássio, 1 a 3 mEq de cloro e 1 a 4 mEq de cálcio. As necessidades diárias de magnésio são aparentemente menores que as do cálcio; não raro, os distúrbios desses dois íons estão associados. Nos primeiros dias de vida ocorre uma perda isotônica de sódio e água que produz uma significativa redução do total de líquido do organismo e do líquido do espaço extracelular. Tal perda se reflete na baixa de peso da criança, que pode alcançar os 5 a 10% do peso total do neonato (Ibid.). SISTEMA RESPIRATÓRIO: A taxa normal da respiração do recém-nascido é de cerca de 40 incursões por minuto e o fluxo do ar com cada respiração é, em média, 16ml, o que dá um volume respiratório total por minuto de 640 ml/min. (cerca de duas vezes maior que no adulto em relação ao peso corporal). A capacidade residual funcional da criança é apenas a metade da de um adulto em relação ao peso corporal. Esta diferença causa variações cíclicas excessivas nas concentrações de gases sangüíneos, quando a taxa respiratória é lentificada, porque é o ar residual nos pulmões que atenua as variações de gases sangüíneos no adulto. Nas primeiras semanas podem ainda manter uma resistência vascular elevada, pela presença de certas cardiopatias, especialmente as que produzem hiperfluxo pulmonar (GARCIA, 2006). HIPOGLICEMIA: Os neonatos têm maior facilidade de desenvolver hipoglicemia especialmente em circunstâncias de sobrecarga metabólica, como ocorre na presença de algumas cardiopatias com insuficiência cardíaca, cianose, agitação, dispnéia, redução da ingestão oral. Nesse grupo de crianças, a glicemia varia de 40 a 100 mg/100 ml e o valor médio da glicose sangüínea é de 63 mg/100 ml. As condições apresentadas pelo neonato que costumam predispor o desenvolvimento de hipoglicemia referem-se à presença de fatores redutores da produção da glicose e fatores que aumentam o seu consumo. A síntese hepática da glicose pode estar deprimida em função das reservas de glicogênio (SOUZA & ELIAS, 2006). 104 HIPOCALCEMIA: Há hipocalcemia quando o valor do cálcio plasmático encontra-se abaixo de 2,5 a 3 mEq/l (7 mg%), com ou sem a presença de sintomas. Quando o valor do cálcio sérico é inferior a 3,2 mEq/l costumam surgir os sintomas de hipocalcemia, sendo que dentre os principais sintomas do problema estão apnéia, convulsões, tremores e irritabilidade. A hipocalcemia severa pode determinar alterações do eletrocardiograma. A hipocalcemia ocorre em aproximadamente 1 a 2% dos neonatos normais, sendo que na presença de cardiopatias graves a incidência pode ser maior. A hipóxia acentua a eliminação renal do cálcio e pode contribuir para o surgimento da hipocalcemia. A presença de quantidades adequadas de magnésio também é importante para o metabolismo neonatal; a absorção do magnésio depende da presença do cálcio e do fósforo. A redução do magnésio sérico pode contribuir para o desenvolvimento de hipcalcemia secundária. Quando o valor do magnésio no plasma é inferior a 1 mEq/l (2 mg/dl) podem surgir os sintomas da hipomagnesemia que, em essência, são os mesmos sintomas da hipocalcemia (Ibid.). REGULAÇÃO DA TEMPERATURA: A regulação térmica dos neonatos é precária, devido à imaturidade dos sistemas termo-reguladores. A produção de calor depende exclusivamente do metabolismo do neonato. Sua principal fonte de calor é a combustão metabólica de uma gordura especial localizada na nuca (na região interescapular, mediastino e no retroperitônio), sendo esta combustão estimulada pela liberação de noradrenalina. Como a relação entre a massa e a superfície corporal de um neonato é muito pequena, ele se torna suscetível à perda de calor com facilidade para o ambiente. Por isso, para cuidar do recém-nascido, principalmente quando prematuro, faz-se necessário que seja mantido um ambiente térmico neutro a fim de minimizar as perdas energéticas necessárias para manutenção da temperatura corporal. Todavia, embora os neonatos percam calor para o meio ambiente com grande facilidade, a sua tolerância à hipotermia é um pouco maior. A resposta do neonato ao frio inclui vasoconstrição intensa, capaz de desencadear quadros de acidose metabólica (Ibid.). Além dos eventos acima observados, os neonatos apresentam diversos órgãos ainda imaturos, tanto na estrutura quanto na função, principalmente o fígado, rins, pulmões, sistema nervoso central e o miocárdio. Com base nos apontamentos de Garcia (2006), seguem descritas tais alterações: FÍGADO: Esse grupo de crianças pode apresentar um certo grau de imaturidade funcional hepática e, nessas circunstâncias, quando há cianose ou alterações circulatórias produzidas por cardiopatias, a disfunção pode tornar-se mais pronunciada, podendo ocorrer distúrbios de vários graus no metabolismo dos hidratos de carbono (hipoglicemia), lipídeos e proteínas (fatores de coagulação dependente da vitamina K1), na transformação química das substâncias endógenas e exógenas, na produção e secreção de bilirrubina, na síntese de uréia, na regulação hormonal e no armazenamento de glicogênio e de vitaminas lipossolúveis. RINS: Os neonatos apresentam seus rins imaturos, razão pela qual a função renal é reduzida tanto com relação à filtração da urina como a eliminação dos restos do metabolismo, o que contribui para a dificuldade de eliminar o excesso de água administrado e torna a criança extremamente sensível ao desenvolvimento de edema, inclusive cerebral, por excesso de líquido. Por outro lado, situações de hipofluxo renal ou agentes nefrotóxicos são mais danosos aos rins dos neonatos que, com facilidade, podem desenvolver insuficiência renal. 105 PULMÕES: Assim como os demais órgãos acima citados, os pulmões também são imaturos, uma vez que o desenvolvimento do parênquima pulmonar não se completa na vida fetal e pode prolongar-se até aproximadamente o final do segundo ano de vida. O desenvolvimento e comportamento dos pulmões podem ser modificados em decorrência de diversos fatores, dentre os quais destaca-se a presença de cardiopatias, especialmente as que produzem hiperfluxo pulmonar. SISTEMA NERVOSO CENTRAL: O desenvolvimento do sistema nervoso central, particularmente do cérebro, apenas se completa na vida pós-natal. Para tanto, o cérebro passa por quatro etapas: proliferação celular, diferenciação neuroblástica, migração neuronal e desenvolvimento dos circuitos neuronais. A proliferação celular rápida começa em torno das 10 semanas de gestação; já a fase de diferenciação celular (neuroblástica) se prolonga após o nascimento do mesmo modo que a fase de desenvolvimento dos circuitos neuronais. Estas duas fases de desenvolvimento cerebral após o nascimento podem sofrer influência do meio ambiente e de outras intercorrências, como a existência de lesões cardíacas sintomáticas, por exemplo. Mediante a imaturidade do sistema nervoso central, os neonatos são mais suscetíveis à injúria neurológica e ao desenvolvimento de convulsões, seja por hipofluxo cerebral, por hipóxia ou mesmo por alterações metabólicas, como hipoglicemia e hipocalemia. MIOCÁRDIO: À semelhança de diversos outros órgãos, o miocárdio do neonato tem características próprias, que o diferenciam do miocárdio das crianças maiores. A sua estrutura celular é mais pobre e menos organizada e a sua reserva funcional é bastante reduzida. Além disso, o miocárdio do neonato produz energia principalmente às custas da queima de glicose. Portanto, torna-se possível concluir que os neonatos, devido à imaturidade e vulnerabilidade de seus órgãos e sistemas, bem como à sua relativa incompetência imunológica, requerem atenção e cuidados redobrados com os quais a utilização do leite humano como alimento exclusivo pode contribuir para redução das complicações e a mortalidade a que estão sujeitos. 2.3 O ALEITAMENTO MATERNO FAVORECENDO A PREVENÇÃO DE DOENÇAS EM NEONATOS Como o próprio título sugere, esta parte do estudo pretende ater-se às doenças e intercorrências que podem ser prevenidas nos neonatos, através da utilização do aleitamento materno exclusivo. Nesse sentido, há literatura abundante acerca das vantagens da alimentação materna para a prevenção de doenças em recém-nascidos. Sendo assim, buscouse nos estudos de Schneider (2001), Moraes (1999), Nascimento e Issler (2004 ), Cruz (2001), Nelson et al (1997), dentre outros, o embasamento teórico necessário para tratar da temática em questão. De acordo com Carvalho, citado por Schneider (2001, p. 25), ―o aleitamento materno constitui o principal meio de prevenção da síndrome do respirador bucal‖. Este problema, segundo Mocellins (apud MORAES, 1999), é caracterizado pela substituição do padrão correto de respiração nasal por um padrão inadequado, bucal ou misto (buconasal), e que pode causar no recém-nascido patologias como a atresia da coana e os tumores nasais. A atresia da coana caracteriza-se pelo fechamento bilateral ou unilateral da parte posterior do nariz por uma 106 membrana mucosa ou placa óssea. Quanto aos tumores nasais, é possível citar os seguintes exemplos: os cistos dermóides, hemangiomas e os neurogênicos (gliomas e encefaloceles). Sobre este contexto, Carvalho (apud SCHNEIDER, 2001, p. 26) explica que o aleitamento materno é considerado o principal fator de prevenção da síndrome do respirador bucal porque durante a amamentação a criança estabelece o padrão correto de respiração, mantém corretamente as estruturas orais facilitando a evolução do sugar para o mastigar. Ela não executa o simples movimento de ―ordenha‖, que são estímulos neurofuncionais para o correto desenvolvimento da musculatura perioral para estabelecer um bom vedamento labial, além de estímulos para o correto posicionamento mandibular corrigindo o retrognatismo natural após o nascimento. Além disto, ao ampliar as possibilidades de investigação sobre o valor do aleitamento materno nos primeiros dias de vida, foi possível constatar que a amamentação exclusivamente no seio proporciona ao recém-nascido um maior desenvolvimento da musculatura orofacial e também dos ossos da face – o que contribui para a diminuição da ocorrência de futuros problemas fonológicos (SCHNEIDER, 2001). Outro aspecto, agora apontado por Moraes (1999), consiste na proteção que o leite materno garante contra infecções (virais e bacterianas), cuja manifestação em neonato é favorecida em decorrência das suas peculiaridades fisiológicas e anatômicas. Nesta mesma perspectiva, os estudos de Nelson et al (1997), Cruz (2001) e de Vieira e Almeida (2004) apontam os efeitos potenciais de proteção e preservação da vida do leite humano contra a incidência de patogenias como: diarréia aguda (especialmente por cólera, Shigella e Escherichia coli, Campylobacte e Giárdia lambia), otite média, infecções respiratórias, septicemia, meningite bacteriana, botulismo, infecção de trato urinário e a enterocolite necrosante. Mesmo para os neonatos prematuros, em especial os de muito baixo peso ao nascer, o leite materno representa risco muito menor de enterocolite necrosante, superando as fórmulas artificiais em relação à qualidade de seus nutrientes e aos componentes não nutricionais. A corroborar com esta afirmativa estão autores como Nascimento e Issler (2004 [on-line]), quando declaram que, por conta dos agentes antimicrobianos, anti-inflamatórios, imunomoduladores e leucócitos existentes no leite humano,a incidência de qualquer infecção, inclusive enterocolite necrosante, sepse e meningite, é significativamente menor nos recémnascidos de muito baixo peso alimentados com leite humano quando comparados àqueles que recebem exclusivamente leite artificial. (NASCIMENTO e ISSLER, 2004 , p. 164). A explicação para tal proteção, conforme apontaram anteriormente Vieira e Almeida (2004), está no fato do leite humano conter anticorpos dirigidos à diversos microorganismos com os quais a nutriz entrou em contato ao longo de sua história de vida, o que assegura imunoglobulinas para proteção do neonato durante um período crítico de relativa incompetência imunológica. Outro benefício conferido ao neonato, quando do uso do leite humano, é a proteção contra alergias. Isto porque, segundo Marcondes (1999), sintomas como dermatite atípica, pneumopatias alérgicas e alergia intestinal são menos comuns nos lactentes que recebem leite humano. Além disso, Nelson et al (1997) e Nascimento e Issler (2004 [on-line]) observam que o leite materno protege de alergias os bebês prematuros com história familiar de atopia, principalmente no que diz respeito à incidência de eczema atópico. 107 A exemplo das evidências reunidas na revisão de literatura realizada na obra de Cruz (2001 [on-line]), torna-se possível destacar a significativa associação entre a desnutrição e a não utilização do leite humano em neonatos, principalmente nos países mais pobres. De acordo com a autora, em países ricos as diferenças na mortalidade entre neonatos alimentados ao seio e artificialmente são pequenas. Todavia, quando se trata de países em desenvolvimento, esse quadro muda consideravelmente e a alimentação artificial passa a ser associada à morbidade e mortalidade muito maiores, devido a infecções e desnutrição, em comparação ao aleitamento materno. Já os apontamentos de Vieira e Almeida (2004) demonstram que são bastante oportunos os estudos que enfocam a efetiva proteção do aleitamento materno na síndrome de morte súbita, diabetes mellitus insulino-dependente, linfoma, e as doenças do tubo digestivo, tais como a Doença de Crohn, a colite ulcerativa e doença celíaca. Além disso, merece ser enfatizada a relação que se estabelece entre o aleitamento materno e a prevenção da obesidade. Nesse sentido, Souza, Castro e Nogueira (2003) observam que, em neonatos humanos, a utilização de fórmulas artificiais comparadas ao leite materno pode levar a maior ingestão alimentar e, conseqüentemente, predispor à obesidade. Por outro lado, crianças amamentadas com leite materno apresentam menores níveis de colesterol na vida adulta. Esse resultado sugere que a ingestão de leite materno pode programar o metabolismo de gordura e reduzir subseqüentemente o risco de doenças cardiovasculares. Ou seja, o leite humano é o mais apropriado de todos os leites disponíveis para o lactente humano, pois está singularmente adaptado às suas necessidades por conter altas concentrações de anticorpos que oferecem imunidade contra diversos processos patológicos. 2.4 A CONTRIBUIÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE PARA A PROMOÇÃO DA PRÁTICA DO ALEITAMENTO MATERNO As evidências reunidas nesse estudo demonstram que o leite humano, face à sua composição, além de reduzir de forma estatisticamente significativa os riscos de ocorrência de doenças agudas e crônicas, se mostra capaz de modular o metabolismo do neonato e exercer reflexos importantes na futura vida adulta. Entretanto, para determinados grupos populacionais - principalmente dos países em desenvolvimento -, é baixa a prevalência dessa prática alimentar. Nesse sentido, Cruz (2001 [on-line]) declara que, mesmo tendo havido um evidente aumento na duração da amamentação em todo o mundo a partir da década de 80, a introdução de novos alimentos está ocorrendo de forma precoce e a prevalência do aleitamento materno está baixa e distante da recomendada pela OMS: amamentação exclusiva até o sexto mês de vida e aleitamento materno com alimentos complementares até dois anos ou mais de idade. No que tange ao Brasil, a UNICEF, em relatório intitulado A Infância Brasileira nos anos 90, apontou uma baixa taxa de prevalência do aleitamento materno exclusivo em todas as regiões do país em 1999. Os piores índices foram encontrados nas capitais da região Sudeste, perfazendo 17,2 dias de aleitamento materno exclusivo, e os melhores índices foram verificados nas regiões Sul, com 53,1 dias, e Nordeste, com 38,2 dias (UNICEF apud CRUZ, 2001). 108 Os motivos que favorecem ou restringem a duração do aleitamento materno, conforme apontados anteriormente por Krummer et al (2000), estão atrelados a fatores como: a educação materna, a classe sócio-econômica, a estética corporal, o apelo da indústria para o uso de leite e bicos artificiais, o retorno precoce das nutrizes ao trabalho, etc. Por essas razões, tanto em nível internacional, como nacional, instituições e organizações buscam alertar para a importância da promoção, proteção e apoio à prática da amamentação, através da implementação de atividades educativas e do envolvimento institucional. Nesse contexto, os profissionais de saúde, por meio de suas atitudes e práticas, podem influenciar positivamente o início da amamentação e sua duração. Em particular, as enfermeiras e os obstetras, durante o período pré-natal, e os pediatras e a equipe de enfermagem, no período neonatal, podem incentivar a amamentação e apoiar as mães, ajudando-as a iniciá-la precocemente e a adquirir autoconfiança em sua capacidade de amamentar (CARVALHAES e CORREA, 2003). Além destes, os profissionais inseridos no programa Estratégia Saúde da Família (ESF) também podem prestar significativo apoio para a promoção dessa prática alimentar, haja vista que a ESF constitui cenário pertinente para realização desse trabalho. Isto porque, em 25 de janeiro de 2001, o Ministério da Saúde editou as Normas Operacionais de Assistência à Saúde (NOAS – SUS 01/2001) e nelas estabeleceu a existência de áreas prioritárias para o acompanhamento, assim como determinou as principais responsabilidades da Atenção Básica a serem executadas pelas equipes da ESF. Dentre estas áreas, existe uma destinada à ações voltadas para a manutenção da saúde da criança, e nela vem destacada a promoção ao aleitamento materno como uma das ações mínimas para a Atenção Básica à Saúde da Criança (TAVARES et al, 2003). O programa ESF, criado em 1994 pelo Ministério da Saúde, representa tanto uma estratégia para reverter a forma de prestação de assistência à saúde, como uma proposta de reorganização da atenção básica como eixo de reorientação do modelo assistencial, respondendo a uma nova concepção de saúde não mais centrada somente na assistência à doença, mas, sobretudo, na promoção da qualidade de vida e intervenção nos fatores que a colocam em risco. Sobre isto, Tavares et al (2003, p. 17) reiteram, declarando que o ESF ―objetiva proceder à reorganização da prática assistencial através de novas bases e critérios, em substituição ao modelo tradicional hospitalocêntrico e orientado somente para a cura de doença‖. Sousa (2003) ressalta ainda que as diretrizes da ESF apontam para uma nova dinâmica na forma de organização dos serviços e ações de saúde, possibilitando a racionalidade na utilização dos demais pontos do sistema e ampliando os resultados positivos nos indicadores de saúde dos indivíduos, das famílias e das comunidades pelas equipes cuidadoras. Mediante ao exposto, torna-se possível reconhecer que o desenvolvimento ostensivo de ações de apoio à amamentação dentro das instituições hospitalares que assistem ao parto e ao recém-nascido, bem como dentro dos programas de assistência à saúde da família, é uma medida capaz de modificar o perfil do aleitamento materno em uma população. Isto significa dizer que, para ocorrer uma maior prevalência do aleitamento materno, torna-se necessária a participação de todos os profissionais envolvidos na área da saúde, da própria 109 nutriz, da sua família e da coletividade, pois não é de natureza exclusiva de nenhuma profissão. Assim sendo, todos os membros inseridos na área da saúde devem compartilhar as ações de promoção e incentivo à essa prática alimentar, bem como devem estar devidamente preparados para suspeitar da existência de determinadas doenças que podem ser transmitidas ao lactente durante a amamentação, para assim tomar a decisão mais acertada para cada caso suspendendo ou não o aleitamento materno, o que pode ser um fato angustiante devido seu papel fundamental na promoção dessa prática alimentar, mas que também servirá de grande valia para a mudança do quadro de morbi-mortalidade infantil. 3 METODOLOGIA A pesquisa foi baseada em levantamento de referenciais, desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Denota-se que toda nova pesquisa inicia com uma pesquisa bibliográfica, permitindo nova visão sobre uma temática e qualquer campo a ser pesquisado. Sempre será necessária uma pesquisa bibliográfica, para se ter um conhecimento prévio do estágio em que se encontra o assunto. Conforme Lakatos; Marconi (2007, p. 63) a pesquisa bibliográfica é realizada a partir de levantamentos de materiais com dados já analisados e publicados por meios escritos e/ou eletrônicos (livros, artigos científicos, páginas na Web), e são utilizadas para a coleta de dados gerais ou específicos, além de proporcionar atividades destinadas à consulta de fontes documentais diversas da informação impressa ou eletrônica. Denota-se que as fontes de informação para esta pesquisa são mediadas por fontes primárias e principalmente secundárias, que têm a função de facilitar o uso do conhecimento disperso nas fontes primárias, além de apresentar informação filtrada e organizada de acordo com um arranjo definido. Já a fonte terciária, é muito utilizada para guiar o estudo às fontes primárias e secundárias; Da mesma forma pode ser usada com base na análise de bibliografias, serviços de indexação e resumos, catálogos coletivos, bibliografias de bibliografias e bibliotecas e centros de informação. Os dados obtidos, baseados na literatura de Gil (2002, p. 16) podem ser mediados por pesquisa local e remota seguindo o critério a seguir: Fontes Bibliográficas - Publicações: Jornais - Periódicos: Revistas - Livros: *Leitura Concorrente (Obras Literárias ou Obras de Divulgação) *Referência (Informativa Remissiva: Dicionários; Enciclopédias; Anuários; Almanaques) Impressos Diversos A principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente. Essa vantagem torna-se particularmente importante quando o problema de pesquisa requer dados muito dispersos pelo espaço (LAKATOS; MARCONI, 2007). 110 A pesquisa bibliográfica tem, no entanto, uma contrapartida que pode comprometer em muito a qualidade da pesquisa. Muitas vezes, as fontes apresentam dados coletados ou processados de forma equivocada. Assim, um trabalho fundamentado nessas fontes tenderá a reproduzir ou mesmo a ampliar esses erros. Para reduzir essa possibilidade foi utilizada, nesse trabalho, avaliação crítica de cada informação a fim de descobrir possíveis incoerências ou contradições, cotejando-as cuidadosamente. 4 CONCLUSÃO Nesse estudo, as evidências levantadas apontaram inúmeros benefícios do aleitamento materno exclusivo para as crianças de até 6 meses de vida, tais como: Contribuição para o crescimento e desenvolvimento infantil; Reforço à imunidade infantil; Melhor desempenho intelectual; Proteção contra a icterícia; Amadurecimento e reforço à manutenção das funções de órgãos e sistemas corporais; Desenvolvimento neuromotor; Maior desenvolvimento da afetividade na criança, em decorrência do contato com os seios da mãe e pelo aconchego produzido pelos braços maternos. Tal fato não é diferente para o neonato, haja vista que foram destacadas diversas vantagens acerca da administração deste tipo de dieta alimentar para os recém-nascidos, a saber: Proteção contra morbi-mortalidades, como os processos infecciosos; Prevenção da síndrome do respirador bucal, responsável por causar no recémnascido patologias como a atresia da coana e os tumores nasais; Maior desenvolvimento da musculatura orofacial e, conseqüentemente, a diminuição de futuros problemas fonológicos; Proteção contra alergias; Proteção contra a desnutrição; Efetiva proteção do aleitamento materno na síndrome de morte súbita, diabetes mellitus insulino-dependente, linfoma, e as doenças do tubo digestivo, tais como a Doença de Crohn, a colite ulcerativa e doença celíaca; e Prevenção da obesidade e do risco de doenças cardiovasculares. Com relação à nutriz, os benefícios do aleitamento foram traduzidos em: Diminuição de intercorrências como: hemorragias, diabetes mellitus, câncer de ovário, de mama e de útero; Maior facilidade em emagrecer; Redução da possibilidade de engravidar novamente durante a lactação; Ser econômico, prático e higiênico; e Promoção do vínculo afetivo entre mãe e bebê. Ademais, não se pode deixar de destacar o exposto por Venâncio et al (2002), quando declararam que, para a sociedade, a manutenção da prática do aleitamento materno significa benefícios como: Redução da mortalidade infantil; 111 Diminuição de incidências de doenças infecciosas graves; redução da necessidade hospitalizações e melhor desenvolvimento infantil. Isto significa dizer que o aleitamento materno não só proporciona ao neonato o melhor alimento, como também contribui de maneira decisiva para o desenvolvimento físico e psíquico de mãe e bebê, além de trazer vantagens consideráveis para sociedade como um todo. Entretanto, mesmo diante da importância adquirida pela prática do aleitamento materno e dos benefícios que são trazidos para as crianças pequenas, principalmente para os neonatos, esse estudo proporcionou constatar que a situação, principalmente nos países em desenvolvimento como o Brasil, ainda está longe da preconizada pela OMS, face à existência de vários fatores que interferem no sucesso do aleitamento, muitos deles presentes desde o início da assistência perinatal, tais como: a educação da nutriz, sua escolaridade, sua condição sócio-econômica, o retorno precoce ao trabalho, o culto excessivo da beleza corporal, o papel da indústria para o uso de leite e bicos artificiais, etc. (KRUMMER et al, 2000). Diante desses entraves, a atuação dos profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, agentes de saúde e outros) se torna de grande importância. Para tanto, eles devem desenvolver habilidade, conhecimento técnico e atitude acolhedora para demonstrar às mães a viabilidade do aleitamento materno, mesmo nessas circunstâncias. Torna-se necessário que esses profissionais se engajem na luta para uma maior adesão das nutrizes à amamentação, buscando ressaltar a importância de tal prática, conversando com as gestantes sobre os seus planos quanto à alimentação do bebê, discutindo as vantagens do aleitamento materno e as desvantagens da introdução precoce de leites artificiais, explicando a elas a fisiologia tanto da lactação como dos neonatos, alertando-as para as dificuldades que poderão surgir e ensinando estratégias para prevenção e superação das mesmas, ao mesmo tempo desfazendo certos tabus, como, por exemplo, que o leite materno é fraco ou, então, que o ato de amamentar compromete a estética de seu corpo, especialmente dos seios. Portanto, as evidências reunidas nesse trabalho demonstraram o benefício do aleitamento materno exclusivo para a saúde do neonato e reconhecem que essa é a forma de alimentação ideal para suprir as necessidades específicas da criança pequena, até mesmo do recém-nascido prematuro que apresenta muito baixo peso ao nascer. Por essa razão, é de fundamental importância a união de esforços desenvolvidos por todos os profissionais da saúde, em conjunto com a sociedade, para a implementação da prática do aleitamento materno. REFERÊNCIAS AKRÉ, J. Alimentação Infantil: bases fisiológicas. Trad. Anna Volochko. São Paulo: IBFAN/ Instituto de Saúde de São Paulo, 1994. ALMEIDA, J.A.G. Amamentação: um híbrido natureza-cultura. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1999. CARVALHAES, Maria Antonieta de Barros Leite; CORREA, Cláudia Regina Hostin. Identificação de dificuldades no início do aleitamento materno mediante aplicação de protocolo. J. Pediatr (Rio J)., Porto Alegre, v. 79, n. 1, 2003. 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Este tem por objetivo verificar alterações nas células cervicais., fazer o rastreio na prevenção do câncer de colo uterino e detectar outras condições tais como doenças da vagina e doenças sexualmente transmissíveis (DST´s). Também chamado de citologia oncótica, consiste na coleta de material do colo uterino, que será analisado em laboratório posteriormente Por isso, o exame ginecológico é um dos mais importantes métodos de avaliação da saúde da mulher, fácil e muito eficaz quando realizado seguindo os protocolos de coleta por profissionais habilitados, capacitados, associado à análise precisa e segura dentro dos padrões de qualidade estabelecidos. A pesquisa teve como objetivos: analisar a importância da qualidade na técnica de coleta do exame colpocitológico e identificar os fatores que influenciam na adequabilidade da amostra para exame colpocitológico. O estudo tem por metodologia a revisão bibliográfica, com coleta de dados secundários. Como conclusão sugere educação continuada e permanente dos profissionais de saúde envolvidos para a manutenção dos padrões de qualidade na coleta do exame, bem como a reorganização da assistência prestada à mulher. Acrescenta-se ainda a implementação efetiva de políticas públicas comprometidas com este objetivo, através da realização de campanhas educativas para divulgação do exame de forma a estimular a adesão da mulher ao mesmo e assim aumentar a cobertura para mais eficiente rastreamento e prevenção do câncer cérvico uterino. Portanto para isso torna-se imprescindível a conscientização dos profissionais de saúde envolvidos, acerca de sua participação e comprometimento na assistência prestada à saúde da mulher. PALAVRAS-CHAVE: Exame colpocitológico. Qualidade. ABSTRACT The Pap test was created by Dr. George Papanicolaou in 1940. This has as an objective to verify changes in cervical cells., to be screened in prevention of cervical cancer and detect other conditions such as diseases of the vagina and vagina and sexually transmitted diseases (STDs). Also called oncologic cytology, consists of collecting material from the cervix to be examined later in the laboratory. Therefore, the gynecological exam is one of the most important methods to evaluate the woman´s health, easy and very effective when performed following the protocols for collection by qualified and skilled professionals, associated with the safe and accurate analysis within the established quality standards. The research aimed to analyze the importance of quality in technical collection of cervical cytology and to identify factors that influence the adequacy of the sample for a smear test. The study methodology is a literature review, with secondary data collection. In conclusion, it suggests the continuing and permanent education of health professionals involved in the maintenance of quality standards in the sample collection, as well as reorganization of the assistance provided to women. And it's also added to that the effective implementation of public policies committed to this goal ____________________________________ ¹ Enfermeira da SMS de Guaçuí,ES. Pós-Graduada em Saúde Pública pela Faculdade de Filosofia,Ciências e Letras de Alegre,ES- FAFIA. ² Enfermeira da SMS de Alegre, ES. Pós-Graduada em Saúde Pública pela Faculdade de Filosofia,Ciências e Letras de Alegre,ES- FAFIA. 115 through educational campaigns to publicize the exam in order to stimulate women's adherence to it and thus increase the coverage to more efficient screening and cervical cancer prevention . So for this it is essential to raise awareness of health professionals involved, about their participation and commitment in assisting women's health. KEY-WORD: Pap. test. Quality. ____________________________________ 1.INTRODUÇÃO As doenças crônico-degenerativas são responsáveis por um elevado número de morbimortalidade mundial, e dentre elas, o câncer tem mantido altas taxas de óbitos, sendo o Câncer do colo do útero (CCU) o de grande relevância epidemiológica na população feminina. (INCA, 2008). Recentemente uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) e Ministério da Saúde (MS), revela que o câncer continua a ser grave problema de saúde pública e faz uma estimativa desta neoplasia no país, para 2010, sendo de 18.430 casos, com risco esperado de 18 a cada 10 mil mulheres. (INCA/ MS, 2010) Sabe-se que o CCU é um dos tipos de câncer com maior possibilidade de se detectar precocemente por meio da técnica colpocitológica oncótica, ou teste de Papanicolaou, reforçando a importância da realização do exame, principalmente de forma rotineira. O exame de Papanicolaou ou citologia oncótica ou Pap test, consiste na obtenção de amostras celulares da ectocérvice e endocérvice, com o objetivo de detectar possíveis alterações celulares e lesões pré-cancerosas. Mas apesar da ampla adesão do exame colpocitológico como método de rastreamento, acredita-se que são muitos os fatores que podem interferir de forma direta e indiretamente no seu resultado, como o modo de manuseio durante a coleta na utilização da espátula de ayre, escovinha endocervical, no registro de dados clínicos importantes e na interpretação laboratorial. (MS, 2006) Assim todas as etapas do processo de coleta da amostra celular, como na confecção do esfregaço, fixação, desde o acolhimento da mulher, devem ser realizados baseados nos padrões de qualidade, para se garantir a confiabilidade da amostra e assegurar um resultado confiável. Diante da situação apresentada, surgem alguns questionamentos sobre as seguintes indagações: O profissional de saúde envolvido diretamente na coleta do exame colpocitológico está atualizado para desenvolver a técnica de coleta da amostra adequadamente? As unidades de saúde contam com profissional capacitado para prestar assistência de qualidade, acolhimento adequado e informação à mulher, para melhorar a adesão ao exame? As unidades de saúde estão oferecendo à mulher recursos humanos e materiais adequados para consulta e coleta do exame colpocitológico? 116 A colpocitologia oncótica ou Papanicolaou é um método manual realizado por profissionais enfermeiros e médicos que permite a identificação de células sugestivas de pré-invasão até lesões malignas, através de coloração multicrômica de lâminas contendo células cervicais esfoliadas (JORGE, et al, 2008). O exame de Papanicolaou, conhecido internacionalmente, é tido como instrumento mais adequado, prático e barato para o rastreamento do câncer de colo de útero, também denominado de colpocitologia e mais comumente referido pela clientela como exame preventivo. O mesmo consiste no esfregaço ou raspado de células esfoliadas do epitélio cervical e vaginal, tendo seu valor tanto para prevenção secundária quanto para o diagnóstico, pois possibilita a descoberta de lesões pré-neoplásicas e da doença em seus estágios iniciais. Mesmo sendo um procedimento de baixo custo, não está incorporado a todos os serviços de saúde, tendo utilização reduzida e não disponível a toda população feminina (DAVIM, et al, 2009). O exame é realizado oportunamente nas consultas de planejamento familiar, pré-natal, ginecológica e outras. Geralmente, o exame é realizado nas mesmas mulheres que freqüentam os serviços de saúde, o que não diminui, significativamente, a incidência do câncer do colo uterino, apesar deste tipo de câncer ser uma das poucas afecções malignas, com história natural conhecida, que dispõe de uma política internacional para detecção precoce e erradicação (JORGE, et al, 2008). Pesquisas que avaliem a cobertura do exame preventivo são fundamentais para estimar o impacto das ações empreendidas. É importante também avaliar a periodicidade de realização do exame e a cobertura específica por faixa etária para se avaliar se as metas estão sendo atingidas. O conhecimento dos fatores associados à não realização do Papanicolaou é também fundamental para o planejamento de estratégias de controle. O exame colpocitológico além da coleta adequada da amostra, seu resultado satisfatório também depende do armazenamento, transporte, análise. Assim torna-se necessário identificar todos os fatores envolvidos, que podem influenciar de forma positiva ou negativa no resultado. Essas indagações atuaram como alvo que nos direcionaram ao estudo e reflexão sobre o tema, portanto, buscamos respostas para a pergunta/problema que originou essa pesquisa. Qual importância da qualidade da técnica de coleta do exame colpocitológico para proporcionar a adequabilidade da amostra? A preocupação de se manter a adequabilidade da amostra do exame colpocitológico, além do objetivo principal de se obter um resultado satisfatório e fidedigno quanto a prevenção do câncer de colo uterino, acredita-se que exista por trás disso outro fator que traz influência, pois trata-se que uma amostra fora dos padrões de adequabilidade,isto é, na confirmação de uma amostra celular rejeitada, este fato implicará imediatamente na realização de uma segunda amostra, resultando em nova coleta, que muitas vezes traz incômodos e transtornos à mulher, pelo próprio desconforto do procedimento, podendo assim de forma negativa contribuir para o não retorno da mulher à unidade,não confiabilidade da assistência do profissional,não aceitação de se submeter a um novo exame e possível abandono de tratamento, além da geração de novos custos . O profissional de saúde deve estar ciente que tal situação deve ser considerada e sua influência compreendida nesta dimensão e sempre evitada, para assim evitar as situações citadas anteriormente, pois todo procedimento de assistência à mulher, deve seguir as normas 117 e padrões de qualidade para assim contribuir de forma a garantir a assistência de qualidade à mulher no exame colpocitológico e livre de possíveis erros no diagnostico. Desta forma a pesquisa tem como objetivo geral analisar a importância da qualidade na técnica de coleta de exame colpocitológico, e como objetivo específico: identificar os fatores que influenciam na adequabilidade da amostra. Para atingirmos os objetivos, adotamos como procedimento metodológico a pesquisa bibliográfica, de abordagem exploratória, que nos permitiu descrever e analisar os objetivos propostos como elementos direcionadores na busca da compreensão da importância da qualidade na técnica de coleta do exame colpocitológico para proporcionar a adequabilidade da amostra. A coleta de dados contou na sua primeira etapa, na elaboração de resenhas e resumos de fontes bibliográficas que tratam do assunto em questão, sendo anteriormente selecionada de acordo com a relevância que subsidiou o estudo. Acredita-se que a relevância deste trabalho evidencia-se na possibilidade de sua contribuição para ampliação dos conhecimentos sobre a temática através dos estudos e reflexão que o assunto exige. A tal relevância, associamos outra, também importante, que diz respeito à possibilidade deste trabalho oportunizar meios para que a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Alegre, Espírito Santo (FAFIA), possa contribuir na formação de profissionais de saúde, especialmente os de enfermagem para às diversas instituições, principalmente, aquelas da rede de saúde pública, como instrumento de orientação e promoção da melhoria da qualidade de vida, na atenção à saúde da mulher. 2. REVISÃO DE LITERATURA 2 .1REFLEXÕES E ASPECTOS DO CÂNCER CÉRVICO UTERINO (CCU) No Brasil, o câncer de colo do útero ainda é a terceira neoplasia maligna mais freqüente no sexo feminino. As regiões Norte e Nordeste ocupam o primeiro lugar em freqüência. A estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para 2003 foi de 16.480 novos casos e 4.110 óbitos pela doença, o que corresponde a taxa de incidência de 18,32/100.000 mulheres e a taxa de mortalidade de 4,58/100.000 mulheres. No Brasil, somente 30% das mulheres submetem-se à colheita de colpocitologia oncótica pelo menos três vezes na vida (SILVA, 2005). Toda mulher deve fazer o exame preventivo de câncer de colo uterino (Papanicolaou) a partir da relação sexual ou após os 18 anos. Este exame deve ser feito anualmente ou, com menor freqüência, a critério do médico. Entretanto, apesar da eficácia do Papanicolaou, a cobertura deste exame na população feminina brasileira é ainda baixa. A OMS estabelece como necessária uma cobertura de 85% da população feminina, para obtenção de impacto epidemiológico na freqüência e distribuição do câncer cérvico uterino (OLIVEIRA, 2006). No Brasil o governo de 2004, considerou a saúde da mulher como prioridade e lançou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher – Princípios e Diretrizes ―(PNAISM) em parceria com diversos setores da sociedade, com o compromisso de 118 implementar ações de saúde que contribuam para a garantia dos direitos humanos das mulheres e reduzam a morbimortalidade por causas preveníveis e evitáveis. Dados do IBGE (2005) apontam que as mulheres são a maioria da população brasileira (mais de 93 milhões) e as principais usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS), comprovando assim a importância de se considerar como prioridade a busca de ações que garantam uma atenção integral a saúde da mulher em todos os níveis, desde a prevenção, diagnóstico, tratamento, até os cuidados paliativos em relação ao câncer, especialmente o de colo de útero. As estratégias de prevenção e controle do câncer do colo do útero e da mama têm como objetivos reduzir a ocorrência (incidência e a mortalidade) do câncer do colo do útero, a mortalidade por câncer de mama e as repercussões físicas, psíquicas e sociais causadas por esses tipos de câncer, por meio de ações de prevenção, oferta de serviços para detecção em estágios iniciais da doença e para o tratamento e reabilitação das mulheres. Para alcançar esses objetivos, no Brasil, ao longo dos anos, foram elaboradas e implantadas diversas ações, dentre elas o Programa Viva Mulher - Programa Nacional de Controle do Câncer do Colo do Útero e Mama. Em 2004, um processo de avaliação identificou a necessidade de revisão da estrutura e das estratégias do Programa Viva Mulher, de forma a se construir novos meios que permitissem alcançar os objetivos preconizados descritos anteriormente. Tais constatações motivaram a construção de um Plano de Ação para o Controle do Câncer de Mama e do Colo do Útero no Brasil 2005 – 2007. O Plano de Ação apresenta seis Diretrizes Estratégicas: Aumento da Cobertura da PopulaçãoAlvo; Garantia da Qualidade; Fortalecimento do Sistema de Informação; Desenvolvimento de Capacitações; Desenvolvimento de Pesquisas; Mobilização Social, compostas por ações a serem desenvolvidas, a partir do ano de 2005, nos distintos níveis de atenção à saúde. Após a instalação do Programa Nacional de Combate ao Câncer de Colo Uterino, a cobertura do preventivo vem aumentando significativamente (BRASIL, 2006). De acordo com o Ministério da Saúde, os fatores responsáveis pelos altos níveis de câncer cérvico uterino e a não adesão ao exame Papanicolau no Brasil, devem-se à insuficiência de recursos humanos e de materiais disponíveis na rede de saúde para prevenção, diagnóstico e tratamento; deve-se a utilização inadequada dos recursos existentes; má articulação entre os serviços de saúde na prestação da assistência nos diversos níveis de atenção; indefinição de normas e condutas; baixo nível de informações de saúde da população em geral e insuficiência de informações necessárias ao planejamento das ações de saúde (JORGE, et al, 2008). Um dos fatores relacionados ao baixo impacto do preventivo é o uso tardio dos serviços de saúde pelas mulheres em risco. Outros motivos seriam a falta de seguimento, de tratamento adequado para todas as mulheres que foram rastreadas. No Brasil, outro fator implicado é que grande parte dos exames citopatológicos é realizada em mulheres com menos de 35 anos de idade, que buscam os serviços de saúde para atenção reprodutiva. Pouco conhecimento a respeito do preventivo e medo associado à sua realização têm sido outros fatores implicados (OLIVEIRA, et al, 2006). 119 2.2 PERIODICIDADE DE REALIZAÇÃO DO EXAME CITOPATOLÓGICO A realização do exame citopatológico de Papanicolaou tem sido reconhecida mundialmente como uma estratégia segura e eficiente para a detecção precoce do câncer de colo de útero na população feminina e tem modificado efetivamente as taxas de incidência e mortalidade por este câncer.(MS, 2006). A efetividade da detecção precoce do câncer do colo do útero por meio do exame de Papanicolaou, associada ao tratamento deste câncer em seus estádios iniciais, tem resultado em uma redução das taxas de incidência de câncer cervical invasor que pode chegar a 90%, quando o rastreamento apresenta boa cobertura (80%, segundo Organização Mundial da Saúde - OMS) e é realizado dentro dos padrões de qualidade (Gustafsson et al., 1997). Barron e Richart (1968) mostraram que, na ausência de tratamento, o tempo mediano entre a detecção de uma displasia leve (HPV, NIC I) e o desenvolvimento de carcinoma in situ é de 58 meses, enquanto para as displasias moderadas (NIC II) esse tempo é de 38 meses e, nas displasias graves (NIC III), de 12 meses. Em geral, estima-se que a grande maioria das lesões de baixo grau regredirá espontaneamente, enquanto cerca de 40% das lesões de alto grau não tratadas evoluirão para câncer invasor em um período médio de 10 anos (Sawaya et al., 2001). Por outro lado, o Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos (NCI, 2000) calcula que somente 10% dos casos de carcinoma in situ evoluirão para câncer invasor no primeiro ano, enquanto que 30% a 70% terão evoluído decorridos 10 a 12 anos, caso não seja oferecido tratamento. Em 1988, uma reunião de consenso entre o Ministério da Saúde, por meio do Instituto Nacional de Câncer e a participação de experts internacionais, representantes das sociedades científicas e das diversas instâncias ministeriais , definiram que, no Brasil, o exame colpocitológico deveria ser realizado em mulheres de 25 a 60 anos de idade, uma vez por ano e após dois exames anuais consecutivos negativos, a cada três anos.(MS, 2006). Essas recomendações apóiam-se na observação da história natural do câncer do colo do útero, que permite a detecção precoce de lesões pré-neoplásicas para o seu tratamento oportuno, devido apresentar lenta progressão para doença mais grave. Segundo o manual do Inca (2006), estudos quantitativos têm demonstrado que, nas mulheres entre 35 e 64 anos, depois de um exame citopatológico do colo do útero negativo, um exame subseqüente pode ser realizado a cada três anos, com a mesma eficácia da realização anual. Assim a expectativa de redução percentual no risco cumulativo de desenvolver câncer, após um resultado negativo, é praticamente a mesma, quando o exame é realizado anualmente (redução de 93% do risco) ou quando ele é realizado a cada 3 anos (redução de 91% do risco). Mas o fato do câncer de colo de útero ser considerado curável em 100% dos casos, iniciados por uma lesão pré-invasiva e que progride lentamente, por anos, antes de atingir o estágio invasor da doença, vale ressaltar que sua cura se torna muito mais difícil,quando não impossível, se diagnosticado tardiamente. (MS; INCA, 2006). Assim acredita-se ser indispensável à periodicidade do exame como prevenção e controle dos casos graves, pois quando inevitavelmente, se detecta precocemente a doença, a adesão ao 120 tratamento em estágio inicial pode evoluir para cura, favorecer mais proteção à mulher e se reduzir assim as taxas de mortalidade por este câncer. 2.3 DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS E SUA RELAÇÃO COM O CÂNCER DE COLO DO ÚTERO De acordo com o Ministério da Saúde (2006), a significativa relação encontrada entre as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Lesões Intra-epiteliais Cervicais (LIE) / câncer do colo do útero, segundo as diretrizes do Programa Nacional de DST/AIDS, tornam mais simples e objetivo o diagnóstico e o tratamento dessas mulheres. Embora a pesquisa do diagnóstico etiológico e o tratamento específico sejam incentivados, a adoção dessa linha de conduta tem demonstrado maior proteção e garantido efetividade de tratamento na maioria dos casos. Dessa forma, a instituição de condutas imediatas torna possível a interrupção da doença e de suas complicações, da transmissão para parceiros (as) e a prevenção ou agravamento das lesões precursoras do câncer do colo do útero. Segundo estudos de prevalência, mulheres com DST apresentam lesões precursoras do câncer do colo do útero cinco vezes mais freqüentemente do que aquelas que procuram outros serviços médicos. (MS,2006). Portanto, essas mulheres têm maior risco para câncer do colo do útero, principalmente se houver infecção pelo HPV (Papilomavírus Humano). É razoável que mulheres com DST sejam submetidas à citopatologia mais freqüentemente, pelo seu maior risco de serem portadoras de câncer do colo do útero ou de seus precursores. O exame preventivo não tem o objetivo de identificar DST, embora muitas vezes seja possível a identificação do agente ou de efeitos citopáticos sugestivos da presença dos mesmos. ( MS,2006). 2,4 QUALIDADE E AVALIAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE Nos serviços de saúde, a qualidade é enfatizada porque o produto/serviço é consumido durante a sua produção. Assim considera-se importante adotar a gestão de qualidade para o alcance das metas desse processo, modo que torna-se fundamental a implementação de medidas que visem à qualidade dos serviços, que se destaca cada vez mais na esfera empresarial, nos modelos gerenciais, na política de recursos humanos e na organização dos processos de trabalho (SILVA,1996). Esse processo de evolução do conceito de qualidade, passa por diversas fases de importante contribuição, sua iniciativa ressaltava-se a inspeção, tendo como eixo o produto, seguindo para fase do controle de qualidade, tendo ao mesmo tempo uma preocupação com o conhecimento dos custos, pela antecipação da detecção dos defeitos, buscando-se evitar reclamações, por meio da implementação de medidas necessárias e eficazes para alcançar os padrões almejados. A ênfase desse processo segue etapas subseqüentes, e surge a garantia da qualidade e defendendo que não era suficiente que o produto estivesse em conformidade com o projeto, mas também atender ás necessidades dos usuários, adotando ações corretivas- a prevenção de modo a atingir a causa do problema e não suas conseqüências. 121 Posteriormente o emprego da fase da qualidade total, momento que defende a responsabilidade, que passa a ser partilhada por todos os envolvidos no trabalho, tendo como foco as pessoas/clientes. Assim vale ressaltar que a abordagem fundamentada na qualidade total, reforça a importância dos executores dos processos que levam à qualidade- os trabalhadores e a sua satisfação profissional. Esta dinâmica do homem no ambiente da qualidade, deve-se adotar como base de discussão a expectativa e satisfação dos envolvidos responsáveis em realizar todos os propósitos para o alcance das metas institucionais, e proporcionar meios que facilitem o alcance dessas metas, e propiciar condições de trabalho de estímulo à realização profissional e satisfação de seus funcionários ( LEITÃO E KURCGANT,2004). Segundo Silva (1996) desconsiderar a importância de trabalhar o humano de forma adequada, tem levado ao fracasso inúmeros programas de qualidade, assim considera-se indispensável investir na capacitação dos recursos humanos, visto que para adoção da gestão da qualidade, pressupõe um estilo gerencial participativo, tendo, portanto envolvimento de todos os envolvidos. 3 METODOLOGIA A pesquisa foi baseada em levantamento de referenciais, desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Denota-se que toda nova pesquisa inicia com uma pesquisa bibliográfica, permitindo nova visão sobre uma temática e qualquer campo a ser pesquisado. Sempre será necessária uma pesquisa bibliográfica, para se ter um conhecimento prévio do estágio em que se encontra o assunto. A pesquisa bibliográfica é realizada a partir de levantamentos de materiais com dados já analisados e publicados por meios escritos e/ou eletrônicos (livros, artigos científicos, páginas na Web), e são utilizadas para a coleta de dados gerais ou específicos, além de proporcionar atividades destinadas à consulta de fontes documentais diversas da informação impressa ou eletrônica. As fontes de informação para esta pesquisa são mediadas por fontes primárias e principalmente secundárias, que têm a função de facilitar o uso do conhecimento disperso nas fontes primárias, além de apresentar informação filtrada e organizada de acordo com um arranjo definido. Já a fonte terciária, é muito utilizada para guiar o estudo às fontes primárias e secundárias; Da mesma forma pode ser usada com base na análise de bibliografias, serviços de indexação e resumos, catálogos coletivos, bibliografias de bibliografias e bibliotecas e centros de informação. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS O exame ginecológico é um dos mais importantes exames de avaliação da saúde da mulher, fácil e muito eficaz quando realizado seguindo os protocolos de coleta por profissionais 122 habilitados, capacitados, associado à análise precisa e segura dentro dos padrões de qualidade estabelecidos. Assim fica claro que a qualidade do exame colpocitológico envolve vários fatores relacionados quanto aos procedimentos citológico e histológico, sendo indispensável à manutenção do controle de qualidade destes para a garantia da sensibilidade e especificidade do exame Papanicolaou. Mas para alcançar êxito no rastreamento e controle do câncer de colo de útero, torna-se indispensável à constante análise e planejamento das ações voltadas a este objetivo, que permita uma reorganização da assistência a saúde da mulher, educação continuada e capacitação dos profissionais de saúde envolvidos. Vale ressaltar que o enfermeiro destaca-se como profissional indispensável frente a esta organização assistencial dos serviços de saúde, sendo, portanto preciso proporcionar um número adequado de recursos humanos habilitados e também recursos materiais. Portanto, sugere-se a implementação efetiva de políticas públicas comprometidas com este objetivo, bem como a realização de campanhas educativas para divulgação do exame de forma a estimular a adesão da mulher ao mesmo e assim aumentar a cobertura para mais eficiente rastreamento e prevenção do câncer cérvico uterino. Portanto para isso torna-se imprescindível a conscientização dos profissionais de saúde envolvidos, acerca de sua participação e comprometimento na assistência prestada à saúde da mulher. REFERÊNCIAS BELDA Junior, Walter; SHIRATSU, Ricardo PINTO, Valdir. Abordagem nas doenças sexualmente transmissíveis.[s.d].Disponível em:<http:// www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext. htm>.Acesso em: 20 out.2009. BRASIL .Ministério da Saúde. O SUS de A a Z, garantindo saúde nos municípios. Brasília, DF: MS, 2005. ____. Prevenção de câncer de colo do útero Manual técnico profissional de saúde. Brasília, 2002. Disponível em:<http://WWW.bvsms.saude.gov.br/bvs/.../inca/manual_profissionaisdesaude.pdf.htm >.Acesso em 18 nov.2009. ____. Prevenção de câncer de colo do útero Manual técnico. Laboratório. Brasília, 2002. Disponível em:<http://www.bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/inca/manual_laboratorio.pdf.htm> .Acesso em:07 Out.2010. ____. 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