8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
ANAIS
8º SEMINÁRIO NACIONAL DE
DIRETRIZES PARA A EDUCAÇÃO EM
ENFERMAGEM
31 de Agosto a 03 de Setembro de 2004
Vitória
ES
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8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
ORGANIZAÇÃO
Elizabete Regina Araújo de Oliveira
Maria Cristina Ramos
Maria Edla de Oliveira Bringuente (Coordenadora)
Nágela Cadê Valadão
Rita de Cássia Duarte Lima
ARTE E DIAGRAMAÇÃO
Oficina de Letras Comunicação
FICHA CATALOGRÁFICA
Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP)
_______________________________________________________________________
Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem no Brasil (8. :
S471
2004 : Vitória, ES)
Anais do 8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
no Brasil. [CD-ROM] / Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em
Enfermagem no Brasil. Vitória : Associação Brasileira de Enfermagem, 2004.
1 CD-ROM
Inclui bibliografia.
ISBN: 85-88582-22-4
1. Enfermagem - Seminário. I. Título
CDU: 616-83
CDD: 616
_______________________________________________________________________
Biblioteca Pública Estadual do Espírito Santo
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8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
PROMOÇÃO
Associação Brasileira de Enfermagem
REALIZAÇÃO
Associação Brasileira de Enfermagem Seção Espírito Santo
Fórum de Escolas de Enfermagem e Serviços de Saúde ABEn-ES
COLABORADORES
Ministério da Saúde - MS
Universidade Federal do Espírito Santo - UFES
Conselho Nacional de Pesquisa e Tecnologia CNPq
Companhia Siderúrgica de Tubarão - CST
Pólo de Educação Permanente do Sistema Único de Saúde do Estado Espírito Santo PEPSUS
Secretaria da Saúde do Estado do Espírito
Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Vitória
Secretaria Municipal de Turismo da Prefeitura Municipal de Vitória
Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de Vitória EMESCAM
Educação Superior - FAESA
Faculdade Novo Milênio
Centro Educacional São Camilo
Faculdade Salesiana de Vitória
Centro Universitário do Espírito Santo - Unesc
Centro de Educação Superior UNIVIX
Centro Universitário de Vila Velha UVV
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8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
DIRETORIA DA ABEn NACIONAL
GESTÃO 2001
2004
Presidente Francisca Valda da Silva
Vice-Presidente Maria Celi de Albuquerque
Secretária Geral Maria da Glória Lima
Primeira Secretária Maria Ângela Alves do Nascimento
Primeiro-Tesoureiro Carlos Eduardo dos Santos
Segunda - Tesoureira Marysia Alves da Silva
Diretora de Assuntos Profissionais Lúcia de Fátima da Silva
Diretor de Publicações e Comunicação Social Joel Rolim Mancia
Diretora Científico-Cultural Sandra Andreoni de Oliveira Ribeiro
Diretora de Educação Milta Neide Freire Barron Torrez
Diretora do Centro de Estudos e Pesquisas em Enfermagem Jane Lynn Garrison Dytz
Conselho Fiscal Maria Emilia de Oliveira
Rosilda Silva Dias
Maria do Livramento Figueiredo Carvalho
ABEn
ESPÍRITO SANTO
GESTÃO 2001
2004
Presidente Denise Silveira de Castro
Vice-Presidente Cândida Caniçali Primo
Secretária Geral Luzimar dos Santos Luciano
Primeira - Tesoureira Maria Célia Pereira da Silva
Diretora de Assuntos Profissionais Maria Cristina Ramos
Diretor de Publicações e Comunicação Social Ângela Maria de Castro Simões
Diretora Científico-Cultural Leila Massaroni
Diretora de Educação Maria Edla de Oliveira Bringuente
Diretora do Centro de Estudos e
Pesquisas em Enfermagem Maria Helena Costa Amorim
Conselho Fiscal Rita de Cássia Duarte Lima
Isa Ferreira de Almeida
Vitória ES
2004
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8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
COMISSÕES E SUB-COMISSÕES
COMISSÃO EXECUTIVA
Denise Silveira de Castro Presidente da ABEn-ES
Milta Neide Freire Barron Torrez Diretora de Educação da ABEn Nacional
Maria Edla de Oliveira Bringuente Diretora de Educação da ABEn ES
Maria Cristina Ramos
Maria Helena Costa Amorim
Rita de Cássia Duarte Lima
SUB-COMISSÃO: TEMAS E DOCUMENTAÇÃO
Coordenadoras: Maria Edla de Oliveira Bringuente e Rita de Cássia Duarte Lima
Elda Coelho de Azevedo Bussinguer
Leda Zoraide de Oliveira
Lívia P. Bedin
Maria Cristina Ramos
Maria Elizabete Araújo de Oliveira
Nágela Valadão Cadê
Rita de Cássia Duarte Lima
Tânia Mara Cappi Matos
Vinícia Duarte Souza
SUB-COMISSÃO: FINANÇAS E SECRETARIA
Coordenadoras: Nágela Valadão Cadê e Maria Célia Pereira da Silva
Karine Ribeiro Nunes
Leny Ventura
Maria Cristina Ramos
Neudes Fraga Viana Gonçalves
Nilcéia Dadalto Squassani
Marluce Miguel de Siqueira
Eleonete Stauffer de Andrade
SUB-COMISSÃO: DIVULGAÇÃO E IMPRENSA
Coordenadora: Ângela Maria de Castro Simões
Margarete Rose S. Fortes
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8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
SUB-COMISSÃO: SOCIAL/LAZER/SAÚDE/HOSPEDAGEM
Coordenadoras: Leila Massaroni, Ângela Maria de Castro Simões e
Maria Helena Costa Amorim
Ana Lídia S. Souza
Geisa Fregona
Jorge Guimarães de Souza
SUB-COMISSÃO: INFRA-ESTRUTURA
Coordenadora: Maria Helena Costa Amorim
Haldria Vale
Léia Damasceno Brotto
Márcia Valéria de Souza Almeida
Rita Inês Casagrande
Sebastiana Calmon
SUB-COMISSÃO: APOIO E MONITORIA
Coordenadora: Cândida Caniçali Primo
Fernanda Ronconi Faiçal
Flávia Lyrio da Silva Machado
Gália Mariana Morosky
Janine dos Santos Carneiro
João Lemos
Mariana Rabello Laignier
Mônica Barros de Pontes
Raquel B. de A Calazans
Rosimere C. Lessa
Viviane Hemerly Camposhini
Kátia Cristina de Castro
Roberta Pedroni Gorza
CAPÍTULO ES - ILHA DA SAÚDE
Coordenadoras: Maria Edla de Oliveira Bringuente e Eugenia Célia Raizer
Sub- Coordenadoras: Maria Sandra Pereira e Cristina Puppin
COMISSÃO ORGANIZADORA
Adriane Raimundo
Elda Coelho de Azevedo Bussinguer
Hedilamar da Graça Ferreira
Jacqueline Damasceno de Castro
Jerusa Madalena Silva Brasil
Márcia Valéria de Souza Almeida
Rita Inês Casagrande
Valéria Pin
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8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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SUMÁRIO
Apresentação .............................................................................................................................
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Regimento .................................................................................................................................
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A Ilha de Vitória.......................................................................................................................
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Local...........................................................................................................................................
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Realização .................................................................................................................................
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Programação do Evento............................................................................................................
20
Programação Científica............................................................................................................
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Sessão de Abertura....................................................................................................................
26
Sub-Tema 1 - Educação em Enfermagem e seu compromisso com as políticas de
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educação e saúde .....................................................................................................................
Sub-tema 2
Educação em Enfermagem e o processo de produção do trabalho em
63
Saúde..........................................................................................................................................
Sub-tema 3
Formação do Educador em Enfermagem: Quem educa o educador?..........
76
Sessão de Encerramento...........................................................................................................
87
Carta da Executiva Nacional dos Estudantes ................................................................
87
Moção de repúdio...............................................................................................................
88
Carta de Vitória ................................................................................................................
89
Resultado/Avaliação .................................................................................................................
95
Participação dos Estados.......................................................................................................... 102
Sessão de Trabalhos.................................................................................................................. 103
Programação Social e Cultural................................................................................................. 444
Apoio........................................................................................................................................... 444
Anexo
Capítulo Espírito Santo.............................................................................................
445
a 451
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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APRESENTAÇÃO
A educação profissional tendo como um dos seus eixos as políticas públicas de educação e saúde e a
suas interfaces com o mundo do trabalho, carece não somente de projetos pedagógicos pautados
nessas políticas, fundamentados em perfil epidemiológico da comunidade e construídos coletivamente,
mas sobretudo, de que os educadores tenham a clareza de que os processos de mudança em educação
necessitam primeiramente passar pelo educador e que este assuma o seu processo de mudança que
através de sua prática pedagógica, da relação pesquisa e trabalho, passe a vivenciar os desafios que as
realidades práticas impõem.
Nessa perspectiva, o 8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem-8º
SENADEn, realizado no Campus da Universidade Federal do Espírito Santo-Vitória-ES, no período
de 31 de agosto a 3 de setembro de 2004, tendo como tema central: Educação em Enfermagem.
Discutindo mudanças, pesquisando o novo e superando os desafios , reuniu a comunidade de
enfermagem para juntos debaterem o ensino e a prática da Enfermagem Brasileira.
O 8º SENADEn, foi também um evento sonhado pela ABEn-ES, para homenagear a enfermagem
brasileira e particularmente a capixaba, por estar comemorando o seu Jubileu de Ouro (1954-2004),
cujo tema central construído coletivamente pelo Fórum de Escolas e Serviços de Saúde da ABEn-ES
que, juntamente com a ABEn-Nacional, estruturou as discussões e deliberações do seminário.
Educação em Enfermagem é um tema historicamente debatido pela ABEn, que desde cedo reivindicou
para si, como uma entidade civil, a responsabilidade e o compromisso de coletivamente construir as
bases ético-filosóficas, técnico-científicas e sócio-políticas da formação em enfermagem,
compreendendo também ser a educação um processo de eterno vir a ser , ou seja, um movimento de
mudanças. Mudanças essas, promovidas pelos processos de transformações que as questões e políticas
sociais impõem, mas sobretudo aquelas determinadas pelos novos olhares das visões de mundo, isto é,
a consciência crítica que de forma sutil e progressiva vamos nos apropriando.
As mudanças sempre instigaram a todos e provocaram perguntas: o que mudou e vem mudando nas
visões de mundo dos atores sociais da enfermagem?
Foi acreditando serem essas mudanças o que tem inspirado e motivado a enfermagem, como uma
categoria profissional, a viver na busca da superaração de suas contradições, os desafios ao re-visitar
os temas antigos que se tornam de atualidade permanente. Essa atualidade mediada pelo olhar da
consciência crítica e o re-encantamento que a utopia inspira a todos por acreditar ser a educação uma
forma de intervenção no mundo . Acalentados por essas crenças é que o evento foi editado.
Acreditando também ser a pesquisa, assim como o seu engajamento político, o elemento desafiador
que fortificará esse movimento saudável da enfermagem brasileira na busca de sua autonomia e da
liberdade profissional, na organização de suas forças para dizer não a processos anacrônicos e
hegemônicos.
Pensando nos múltiplos processos que envolvem a formação do profissional, o 8º SENADEn se
constitui também num fórum de troca de experiência, de tudo que está emergindo da prática como
resposta aos desafios do cotidiano de trabalho e a capacidade criativa e inventiva desses profissionais
da saúde, o enfermeiro.
Representou espaço de formulação de agenda política da ABEn com a OPAS/OMS, pactuando acordo
de otimização de programas de Educação Permanente, como parte da politização e otimização dos
recursos humanos na Enfermagem; de espaços de construções e deliberações coletivas sobre as
diretrizes emanadas pela Carta do Espírito Santo , que foi lida e aprovada pela plenária. E ainda, de
deliberações da Executiva Nacional dos Estudantes de Enfermagem , de jovens idealizadores , que
no frescor de suas idades e na pureza de seus ideais, são provocadores e questionadores, posturas que
devem ser respeitadas e até estimuladas, acreditando ser esse o caminho na formação de jovens
profissionais comprometidos com as causas sociais e da profissão. Na sua pauta de reivindicações,
dentre outros quesitos, o da defesa da Universidade Pública e uma Saúde Pública de qualidade.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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A ABEn-ES sonhou com um SENADEn, que reunisse os colegas de toda parte do país, para não só
discutir, refletir, trocar idéias, experiências, alegria, crenças de poder viver os desafios e ser felizes,
más também, encontrar caminhos para empreender as mudanças necessárias na Educação da
Enfermagem Brasileira.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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REGIMENTO GERAL
CAPÍTULO I: DAS FINALIDADES E OBJETIVOS
Artigo 1.º - O 8º SEMINÁRIO NACIONAL DE DIRETRIZES PARA A EDUCAÇÃO EM
ENFERMAGEM (8º SENADEn) promovido pela Associação Brasileira de Enfermagem Nacional
(ABEn), realizar-se-á na cidade Vitória-ES, período 31 de agosto a 3 de setembro de 2004, organizado
pela Associação Brasileira de Enfermagem Seção Espírito Santo ( ABEn-ES). Esse fórum representa
o espaço de mobilização e articulação dos profissionais de enfermagem que desenvolvem ensino e à
assistência, objetivando discutir, refletir, compartilhar idéias, desejos e propostas pedagógicas,
contribuindo para a formação de profissionais de enfermagem em todos os níveis: médio, de
graduação e pós-graduação, objetivando: Discutir e refletir criticamente sobre a articulação do ensino,
do trabalho e da pesquisa, como um dos fatores determinantes de qualidade na formação profissional;
Explicitar políticas de capacitação de recursos humanos na enfermagem.
CAPÍTULO II: DA ORGANIZAÇÃO
Artigo 2.º - O 8º SEMINÁRIO NACIONAL DE DIRETRIZES PARA A EDUCAÇÃO EM
ENFERMAGEM (8º SENADEn) teve o presente Regimento proposto pela Comissão Executiva e
homologado pela Diretoria de Educação da ABEn Nacional, como o instrumento que descreve as
competências de cada comissões integrando a organização do evento.
Alínea 1- A Coordenação Geral do evento é de competência da Diretoria de Educação da ABEn
Nacional.
CAPÍTULO III: DA ORGANIZAÇÃO DAS COMISSÕES E SUB-COMISSÒES
Artigo 3.º - O 8º SENADEn foi organizado por uma Comissão Executiva, responsável pelo
planejamento, coordenação e execução dos trabalhos.
Alínea Iº - A Comissão Executiva constituída:
Presidente da ABEn - ES
Diretora de Educação da ABEn - ES
Diretora de Assuntos Profissionais ABEn ES
Secretário ABEn-ES
Conselheira Fiscal ABEn - ES
Coordenadoras das Sub-Comissões
Alínea 2º - As Sub-Comissões que participaram do processo de organização do evento:
Sub-Comissão de Temas e Documentação;
Sub-Comissões Secretaria e finanças;
Sub-Comissão de Divulgação e Imprensa;
Sub-Comissão Social, de Hospedagem, de Saúde e Lazer;
Sub-Comissão de infraestrutura
Sub-Comissão de Apoio e Monitoria.
Alínea 3º - As Sub-Comissões foram constituídas por sócios efetivos da ABEn-ES representando os
pares que integram os Fóruns de Escolas em número de oito cursos sendo um do setor público e sete
do setor privado; Unidades de Assistência a Saúde e Serviços de Educação Permanente dos setores
públicos e privados.
Alínea 4º - A Comissão Executiva contratou serviços de assessoria prestados por empresas, pessoas
físicas ou jurídicas.
CAPÍTULO IV: DAS COMPETÊNCIAS
Artigo 4.º - À Coordenação Geral competiu:
Emitir parecer em Projeto de desenvolvimento do evento e aprovar o plano orçamentário;
Promover a viabilização técnico-científica e financeira do evento;
Aprovar o Regimento e encaminhá-lo à diretoria da ABEn Nacional para homologação;
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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Apreciar a versão definitiva do Documento Final.
Artigo 5.º - À Comissão Executiva competiu:
Providenciar a área destinada, organização e preparo do local do evento;
Constituir as Sub-Comissões e apreciar suas propostas e relatórios;
Elaborar o projeto de organização e viabilidade financeira do evento para aprovação da ABEn
Nacional;
Participar da construção e aprovação do Programa do evento;
Elaborar o Regimento do evento;
Organizar e definir o plano orçamentário;
Estipular valor referente às inscrições;
Instituir parcerias junto às instituições de ensino e serviço do setor público e privado
Fazer captação de recursos junto às agências financiadora CNPq, Petrobrás, Bancos; mediante
projeto;
Coordenar as atividades desenvolvidas pelas comissões;
Elaborar e apresentar relatório das atividades desenvolvidas pelas Comissões.
Artigo 6.º - Da Sub-Comissão de Secretaria e Finanças:
Movimentar a conta bancária, criando mecanismo de controle de receita e despesa junto com a
comissão executiva;
Encaminhar e controlar correspondências diversa;
Encaminhar e controlar correspondências financeiras;
Arquivar cópias de todos os expedientes e documentos;
Providenciar numerários para despesas com almoço e transportes dos convidados e monitores;
Coordenar atividades desenvolvida pelos Promotores de Eventos ;
Coordenar atividade de expedição de certificados;
Coordenar o processo de inscrições dos participantes;
Elaborar e apresentar relatório das atividades desenvolvidas pela Comissão.
Artigo 7.º - À Sub-Comissão de Temas e Documentação competiu:
Redigir, assinar e expedir toda correspondência relativa à Comissão;
Organizar temário e toda programação do evento;
Participar na editoração de todo o trabalho gráfico e audiovisual em conjunto com a Comissão
de Divulgação e Imprensa;
Organizar em conjunto com a comissão de infraestrutura toda a disponibilidade de material e
disposição de espaços para a programação oficial do evento;
Estabelecer prazos e normas para a entrega de trabalhos;
Convidar os expositores e manter os contatos necessários;
Convidar os coordenadores, sistematizadores e relatores de atividades;
Elaborar normas, datas, prazos e formas para apresentação de trabalhos e funcionamento das
mesas;
Apresentar relatório das atividades desenvolvidas pela Comissão;
Apresentar relatório final dos participantes e atividades desenvolvidas pelo evento:
Elaborar o documento final do evento;
Organizar os anais do evento e a publicação dos trabalhos inscritos.
Artigo 8.º - À Sub-Comissão de Divulgação e Imprensa competiu:
Providenciar a cobertura do evento pela imprensa, utilizando os principais meios de
comunicação;
Divulgar o 8º SENADEn nos meios de comunicação local e nacional;
Negociar e organizar agenda junto a mídia e
Elaborar modelos de cartazes, out-door, folders, certificados, pastas, crachás, programa, em
conjunto com a Comissão de Temas e Documentação Final;
Providenciar a confecção do material gráfico;
Elaborar e apresentar relatório das atividades desenvolvidas pela Comissão.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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Artigo 9.º - À Sub-Comissão Social, de Saúde e Lazer competiu:
Proceder ao levantamento e organização das listas de sugestões de pontos turísticos, locais de
diversão, restaurantes, shoppings, agências bancárias, telefones úteis;
Organizar as atividades sociais do evento;
Promover atividade de lazer ao termino das atividades científica;
Apresentar à Comissão Executiva proposta de hospedagem para o evento;
Manter um serviço de saúde para atendimento de emergências aos participantes do evento;
bem como, possibilitar o transporte e o atendimento hospitalar em instituições previamente
contatadas;
Providenciar balcão de informações sobrem às atividades propostas pela sub-comissão;
Elaborar e apresentar relatório das atividades desenvolvidas pela Comissão.
Artigo 10º - Á Sub-Comissão de Infraestrutura
Organizar mapas de todo o recinto do evento;
Providenciar identificação do Campus indicando os locais de desenvolvimento da
programação científica;
Administrar juntamente com a sub-comissão de monitoria o local do evento: aspectos da
ambientação e da higiene do local do evento
Organizar e guardar materiais disponíveis ao evento: sons, multimídia e outros.
Artigo 10.º - À Sub-Comissão Monitoria competiu:
Providenciar e preparar do local do evento junto com a Sub-Comissão de Infra-Estrutura;
Expedir avisos e comunicações durante o evento;
Organizar serviço de digitação e reprodução do material;
Providenciar e distribuir pastas e crachás;
Providenciar e organizar recursos audiovisuais;
Organizar e projetar material das apresentações
Garantir a limpeza e organização do local;
Controlar o uso de crachá e o acesso de participantes;
CAPÍTULO V: DO TEMÁRIO DO EVENTO
Artigo 11.º - O tema Central do 8º SENADEn: Educação em Enfermagem. Discutindo mudanças,
pesquisando o novo e superando os desafios. Tendo como Sub-temas 1: Educação em Enfermagem e
seu compromisso com as políticas de Educação e Saúde; Sub-tema 2: Educação em Enfermagem e o
processo de produção do trabalho em saúde e Sub-tema 3: Educação em enfermagem e a formação do
educador: Quem educa o educador em Enfermagem?
Artigo 12.º- Trata-se dos temas e sub-temas livres. Contando-se ainda, oficina de trabalho:
implantação, implementação e avaliação das Implantação das Diretrizes Curriculares do Curso de
Graduação em Enfermagem e apresentação de temas livres sob forma de pôster dialogado.
Artigo 13.º- Os resumo dos trabalhos devendo ser postados até 06/08/04, acompanhado da ficha de
inscrição devidamente preenchida e cópia do recibo anuidade/2004 da ABEn.
Alínea 1º - Os trabalhos foram apresentados sob a forma de pôster dialogado.
Alínea 2º - Os trabalhos atenderam às normas para apresentação descritas pela Comissão de Temas e
Documentação Final.
Alínea 3º - Cabendo a Comissão de Temas e Documentação Final selecionar os trabalhos inscritos
com base nos textos enviados, informando ao relator a sua aceitação ou não do trabalho até o dia
20/08/04.
CAPÍTULO VI: DOS PARTICIPANTES DO EVENTO
Artigo 14º- As inscrições no 8° SENADEn devem ser feitas com antecedência, através do
preenchimento de ficha específica, encaminhada pela organização do evento e depósito do valor
correspondente através da Conta Corrente .............., Agência........... do Banco............ em nome do 8°
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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SENADEn. As cópias de comprovantes de depósito e de quitação da ABEn/2004, integrando a relação
de documento a ser enviado a ABEn-ES, Av. Marechal Campos CEP, ou na secretaria do evento.
Alínea 1º - A Comissão Executiva investiu na realização de inscrições prévias, considerando que o
limite de inscrição é de 600 participantes.
Alínea 2º - As inscrições antecipadas ate o dia 31/3 com data de postagem;
Alínea 3º- O pagamento da inscrição podendo ser parcelado obedecendo aos seguintes critérios
Anexar: - xerox do comprovante de quitação da anuidade ABEn para 2004;
Estudantes: declaração do curso/escola onde realiza o curso;
Estrangeiros: credenciamento feito por entidade associativa ou sindical de enfermagem do país
de origem. Ficou deliberado sobre as inscrições de outros profissionais envolvidos com a
educação, com taxa diferenciada.
Alínea 4º - Nas inscrições antecipadas, o recibo/comprovante de inscrição no evento que foi enviado
pelo correio até 20/08/04, após compensação do(s) cheque(s).
Alínea 5º - O recibo comprovante de inscrição no 8º SENADEn, constituindo documento de retirada
do crachá e material, no início do evento.
Alínea 6º - Para inscrições antecipadas com pagamento parcelado até 30/07/04, a ficha de inscrição
enviada através de carta registrada ou SEDEX, para: Av. Marechal Campos, s/n, CEP:
Vitória/ES,
com cheque(s) nominal(is) e cruzado(s) à ABEn Seção ES no valor correspondente à sua categoria
profissional, com cópia do comprovante de anuidade/2004 e declaração, se estudante, discriminando a
forma de pagamento:
b.1) 01 cheque n.º..........................Banco...........................Agência.................
Valor R$...................................Data....................................
b.2) 02 cheques Banco...........................................Agência..............................
1.ª parcela: R$.....................N.º do cheque....................para o dia ___/___/04
2.ª parcela: R$.....................N.º do cheque....................para o dia ___/___/04
Alínea 7º - Não haverá reembolso de inscrição no caso de desistência de participação após a data de
30/07/04. Caso a desistência seja informada até esta data será cobrada uma taxa de 10% do valor pago
pela inscrição para o ressarcimento de despesas.
Artigo 15º- Os profissionais inscreveram-se no 8º SENADEn mediante pagamento da respectiva taxa
de inscrição e prazos estabelecidos.
CATEGORIA
Até 30/03/04 Até 30/05/02 Até 30/07 Local
Enfermeiro
R$ 150,00
R$ 220,00 R$ 270,00 R$ 350,00
Aux e Tec..
R$ 90,00
R$ 110,00 R$ 130,00 R$ 150,00
Estudante
R$ 75,00
R$ 90,00
R$ 110,00 R$ 120,00
Outros profissionais
R$ 200,00
R$ 270,00 R$ 340,00 R$ 450,00
CAPÍTULO VII: DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Artigo 16º- Para serem admitidos no recinto do evento, os participantes usaram crachá fornecido pela
Comissão Executiva.
Artigo 17º- Os casos omissos foram julgados pela Coordenação Geral e Comissão Executiva.
Artigo 18º - Da Dinâmica dos Trabalhos
Os trabalhos do 8º SENADEn, foram organizados de modo a possibilitar a participação integral dos
presentes.
Da sessão de abertura: Realizada em Teatro Universitário da UFES, com a seguinte estrutura:
capacidade de 600 pessoas, com via de acesso frontal por escadas e lateral por elevador sendo
reservado para as pessoas portadoras necessidades especiais, com sistema de som, 6
microfones, 1 telão, sistema multimídia.
Da composição da mesa: autoridade nacional, local governo, reitor, presidentes da ABEnNacional, ABEN-ES, Diretoria de Educação ABEn-Nacional e ES.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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Da metodologia utilizada: Conferências, palestras, painéis, mesas- redondas; Talk Show,
colóquio e oficinas.
Mesas-redondas participando convidados das áreas de enfermagem, educação, saúde, outras,
com temáticas que subsidiaram as discussões nos grupos de trabalho;
Os grupos de discussão mediante a dinâmica de oficina organizadas em salas de aulas com
capacidade média de 50 pessoas;
As apresentações e discussão mediante colóquio em Educação Permanente em Enfermagem
consolidando a agenda de trabalho IEPE 2004/2005, auditório com capacidade para 120
pessoas.
As sessão de pôsteres dialogados, com colméias organizadas para apresentação coletiva de
forma que assegurou a efetiva apresentação e participação do pesquisador com o público
presente. A área estimada em 25m2,com capacidade para 5 pôsteres, nas dimensões de 0,80m
de largura x 1,00 m de comprimento , acomodando de forma confortável 15 pessoas;
As plenárias foram realizadas no Teatro Universitário da UFES, com capacidade de 600 pessoas, com
sistema de som, microfones, 1 telão, sistema multimídia, com via de acesso frontal por escadas e
lateral por elevador reservada especial para as pessoas idosas, limitações de locomoção e portadoras de
deficiência físicas.
Da programação e a impossibilidade de ser garantida a não simultaneidade de apresentação de temas.
Os grupos de discussão foram organizados de modo a promover a participação de todos, procurando
assim, possibilitar a discussão de temas integradores da formação em enfermagem no país.
Os coordenadores ou presidente de mesas e sistematizadores, foram convidados pela Comissão de
Temas dentre os participantes, com as seguintes orientações:
Presidente Ou Coordenador De Mesa, Oficinas, Colóquio, Talk Show, Dentre Outras
Dinâmicas:
Presidentes ou Coordenadores
Cabe aos coordenadores estarem apresentando cada palestrante com a leitura do mini currículos,
controlando e orientando os trabalhos para que os tempos sejam obedecidos, tendo o controle para
promover o debate ao final de cada tema, estimulando a platéia, porém atento ao tempo destinado para
a mesa. Anunciar sempre ao início e final de cada mesa as programações subseqüentes e os locais
onde estarão ocorrendo, além de outros avisos fornecidos pela coordenação geral. Procurar manter a
calma e a firmeza no controle do tempo, sem perder de vista o objetivo de cada discussão, auxiliando o
sistematizador a colher as informações necessárias para o documento final em conjunto com a
secretária de mesa.
Sistematizadores de mesa, oficinas, colóquio, talk show, dentre outras dinâmicas:
Compete ao sistematizador estar atento a todas as falas e ao que for sentido durante as apresentações,
para colocar tudo no papel e juntamente com a fala dos palestrantes terminar a sistematização das
idéias principais sobre o tema em questão. As anotações devem ser lidas ao final dos debates do tema.
O documento deve constituir uma síntese que expresse as lições/ o espírito das contribuições e
discussões . Não esquecer de entregar o documento final a equipe de sistematização na secretaria ou
na sala multimídia.
Da sessão de encerramento, com avaliação dos resultados, elaboração de documento final, a Carta da
Executiva Nacional dos Estudantes de Enfermagem, Moção de Repúdio e a Carta de Vitória.
Artigo 19º - Da Programação
Tema Central do 8º SENADEn : Educação em Enfermagem - Discutindo as mudanças, pesquisando o
novo e superando os desafios .
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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ILHA DE VITÓRIA
Vitória conhecida como a Cidade Sol, fica situada numa ilha, tendo a sua orla belas praias. A
aproximadamente 80 km temos a região serrana com cidades como Santa Tereza como a cidade dos
beija-flores e Domingo Martins por suas belas orquídea.
Essas cidades em alguns pontos podem atingir 1100 metros acima do nível do mar. Seus acessos se
fazem por estradas com vistas panorâmicas que descortinam paisagens naturais dignas de serem
contempladas.
A cidade de Vitória, com a sua população resultante de uma etnia marcada pela presença do negro, do
índio e do europeu precisamente a imigração italiana e alemã, oferecem a todos os seus visitantes a
convivência com culturas que amplia a consciência do Brasil como uma grande nação, capaz de
conviver com harmonia as suas múltiplas raças, caldeadas em uma única o capixaba , que com
orgulho ostenta as manifestações singulares de sua cultura como a moqueca capixaba, as paneleiras, a
batida do congo, o Chocolate Garoto e as já incorporadas, as danças e comidas típicas alemãs
(pomeranas) e italianas e tantas outras expressões culturais do seu povo.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
18
LOCAL DO EVENTO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO UFES, NO SEU JUBILEU DE OURO (1954-2004)
A UFES está em pleno vigor da juventude, com sua vasta área verde e florida, de 4. 176.638,00m2 e
área construída de 212.551,00m2 situada na ilha de Vitória foi colocada a disposição do 8º SENADEn.
Apresenta uma população estudantil de 12.260 alunos matriculados nos 50 cursos por ela ofertados,
com uma população de docentes de 919 professores efetivos, 262 substitutos e visitantes e 2.018
servidores técnicos administrativos. Possui 27 cursos de especialização, 18 mestrados e 4 doutorados.
O brasão da UFES é o mesmo utilizado pelo donatário Vasco Fernando Coutinho e nele circunda uma
frase docete omnes gentes , retirada do capítulo 28, versículo 19 do Evangelho São Mateus, pode ser
traduzida como: ensinai todas as gentes . Essa foi e continua sendo a missão da Nossa UFES. Os
nossos parabéns.
O Teatro Universitário da UFES
O teatro se impõe pela sua arrojada e imponente arquitetura com capacidade de acomodar cerca de 700
pessoas, possuindo uma entrada frontal e acesso pela lateral do edifício por elevador reservada mais
especificamente para as pessoas com necessidades especiais.
Centro de Educação Pedagógica
Constitui um dos centros da UFES com tradição na formação pedagógica oferecendo disciplina de
licenciatura para todos os cursos da Universidade. Foi o primeiro centro a oferecer programa de pósgraduação em strictu sensu, mestrado com abordagem multidisciplinar e por último o programa de
doutorado.
Associação dos Docentes da UFES
Entidade que está comemorando o seu Jubileu de Prata (1979-2004), que se orgulha em ter sido criada
em plena ditadura militar. Na palavra do seu primeiro presidente João Batista Herkenhoff Um
professor -juiz que presidia as inflamadas assembléias . A essa nossa grande instituição os nossos
parabéns e votos de vigor nas lutas pela universidade pública de qualidade e garantia dos direitos dos
trabalhadores da educação.
HOTEL LA RÉSIDENCE
Tradição refletindo conforto, bem-estar e satisfação. São palavras que você vai usar quando ficar em
um dos apartamentos do La Résidence. Todos eles são, muito bem decorados, totalmente mobiliados,
com belíssima vista panorâmica para a Praia de Camburi. Os apartamentos de cobertura,
proporcionando um bem estar e conforto aos clientes possuindo churrasqueira, sauna, piscina, sala de
estar, suíte, escritório para executivos, restaurante, auditório, coffee shop, cofre central locker
debagagem, sala VIP e serviço de lavanderia. Em frente à Praia de Camburi, você terá total
privacidade e, é claro, um serviço de altíssimo nível.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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REALIZAÇÃO DO EVENTO
A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMAGEM - SEÇÃO ESPÍRITO SANTO - ABEN-ES. NO SEU
JUBILEU DE OURO (1954-2004)
Criada em 10 de maio de 1954. Contava o Estado com onze enfermeiras. A primeira diretoria da
ABEn-ES, tomou posse na abertura das comemorações da Semana de Enfermagem de 1954, em
Vitória; a essa sessão compareceram onze enfermeiras. Foi a sua primeira diretoria: Maria de Lourdes
Oliveira, presidente e diretora da Escola de Auxiliares de Enfermagem do Espírito Santo; Izaltina
Schirmer, vice-presidente; Guaraci Gonçalves Curvacho, 1ª secretária; Raimunda Maranhão de Melo,
2ª secretaria; Déa de Souza Rego, Tesoureira. A segunda diretoria foi presidida por Nadir Moura
Paradício que tomou posse em 1956, seguida pela gestão da enfermeira Maria de Lourdes Cardoso que
em 1958, se ausentou do Estado para fazer sua pós-graduação no Rio de Janeiro, sendo substituída
pela Enfermeira Erly Rabello Brasil. Em 1960 a então presidente Enfermeira Dulce da Rocha Neves,
encaminhou à ABEn - Nacional documento referindo-se as dificuldades financeiras e de mobilizar a
categoria pouco representativa quantitativamente e foi desativada em 1965.
O período de desativação trouxe uma lacuna para a enfermagem capixaba ao mesmo tempo em que
hoje reconhecemos nos relatos e registros o pioneirismo e garra de poucas enfermeiras que lutaram
para a construção da enfermagem brasileira. Nesse período as enfermeiras atuavam de forma isolada,
cada uma em seus respectivos locais de trabalho. Em 1970 surgiram os primeiros movimentos de
reativação da seção. O Estado do Espírito Santo, já contava com 50 enfermeiras.
A reativação da ABEn-ES deu-se em 1975, presidida provisoriamente por Erly Rabello Brasil, seguida
de Ilza Lima Faroni, reiniciando-se assim a reconstrução de sua história. Desde então a entidade vem
apresentando continuidade de seus trabalhos, com a participação de 11 diretorias, que vêm lidando
com questões antigas de atualidade permanente e procurando superar os desafios.
Hoje, o Estado do Espírito Santo conta com cerca de 1200 enfermeiros, 10 Cursos de Graduação em
Enfermagem e cerca de 12 Cursos Técnicos de Enfermagem. Ao longo dos cinqüenta anos de
existência, a ABEn-ES, vivenciou momentos de lutas, confrontos, dificuldades, desativação, de
conquistas em busca de uma enfermagem mais participativa, reconhecida socialmente e sobretudo,
comprometida com os ideais de servir e do cuidado humano.
As nossas pioneiras que inspiraram gerações passadas e continuam inspirando as novas e futuras
gerações, os nossos agradecimentos pela existência, sobrevivência e a transcendência da Enfermagem.
É importante reafirmar que a luta continua.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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PROGRAMAÇÃO DO EVENTO
31 DE AGOSTO TERÇA-FEIRA
HORA
ATIVIDADE
AUTORIDADES
LOCAL
19:30h
Abertura Oficial
Autoridades
Presidente da ABEn Nacional - Prof.ª Drª
Francisca Valda da Silva.
Teatro Universitário
Universidade Federal
do Espírito Santo UFES
Presidente da ABEn-ES - Prof.ª Dr ª Denise
Silveira de Castro.
Diretora de Educação da ABEn-Nacional Prof.ª Drª Milta N. Barron Torrez.
Diretora de Educação zda ABEn-ES - Profª
Drª Maria Edla de Oliveira Bringuente
20 h
Cerimônia de
Formalização da
Cooperação Técnica
ABEn / OPAS /
UFMG para a
Implementação das
Unidades
Dinamizadoras da
Iniciativa de
Educação
Permanente de
Enfermagem - IEPE
Dr. Antonio Horácio Toro Ocampo
Representante da OPAS/OMS no Brasil.
Dr. Francisco Carlos Félix Lana Diretor da
Escola de Enfermagem da UFMG.
Dr. José Paranaguá de Santana Gerente da
Unidade Técnica de Política de RH da
OPAS/OMS Brasil.
Profª Drª Francisca Valda da Silva
Presidente da ABEn-Nacional.
Profª Drª Eliane Marina Palhares Guimarães
Coordenadora da Unidade Dinamizadora da
Educação Permanente.
Teatro Universitário
Universidade Federal
do Espírito Santo UFES
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
HORA
8h30 às
9h40h
01 DE SETEMBRO QUARTA-FEIRA
Sub-Tema 1
Educação em Enfermagem e seu compromisso com as políticas de Educação e Saúde
ATIVIDADE
PALESTRANTES
LOCAL
Conferência
Prof. Dr. Ricardo Burg Ceccim
Teatro Universitário 1. A formação profissional em
Universidade Federal
saúde: modelos em disputa e
do Espírito Santo processos de inclusão
UFES
10h às
12h
Painel
Desafios na construção de novos
processos
Pedagógicos em Saúde /
Enfermagem
12h às
14h
Pôster dialogado / Almoço
14h às
18h
21
Prof. Dra. Raimunda Germano
Prof. Dra. Laura Feuerwerker
Osvaldo Peralta Bonetti Executiva Nacional dos Estudantes
de Enfermagem
Estevão Toffoli Rodrigues Executiva Nacional dos Estudantes
de Medicina
Teatro Universitário Universidade Federal
do Espírito Santo UFES
Associação dos
Docentes da UFESADUFES
Oficinas
1 - Experiências Integradas de
Formação
Prof. Dra. Renata Schimizu
Locateli da Rosa
Prof. Dr Maurício Braz Zanolli
Sistematizadora: Prof. Dra.
Raimunda Medeiros Germano
2 - Experienciando as abordagens
por competências
Profª Drª Rika M. Kobayashi
Sistematizadora: Profª Dra.
Henriqueta Kruse
Sala 12 do IC 4
3 -Experienciando as mudanças na
formação: o olhar das instituições
privadas de ensino
Prof. Dr. Luis Cláudio Fraga
Sistematizadora: Profª Dra. Abigail
de Moura
Sala 11 do IC 4
4 -VER SUS Vivenciando o SUS
Prof. Dr. Luiz Fernando Bilibio
Prof. Dra. Odete Messa Torres
Sistematizadora: Profa. Cristina
Ramos
Sala 06 do IC 4
Sala 09 do IC 4
Mesa Redonda:
Educação Profissional:
Mudanças que desafiam
Política de Educação Profissional
do Ministério da Educação.
MEC/SETEC
Prof. Dr.Gleison Rubin
Políticas de Educação
profissional para o SUS
Profª Dra. Simone Machado
Teatro Universitário da
UFES
14h às
18h
Colóquio
Educação Permanente em
Enfermagem consolidando a
agenda de trabalho IEPE
2004/2005
Profª Dra. Eliane Maria Palhares
Guimarães
Profª Dra. Helena M. S. Davit
Auditório do IC 4
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
HORA
8h30 às
11h
11h às
13h
13 às 14h
14h às
16h
2 DE SETEMBRO QUINTA-FEIRA
Sub-Tema 2
Educação em Enfermagem e o processo de produção do trabalho em saúde
ATIVIDADE
PALESTRANTES
LOCAL
Talk Show
Prof Dr. Gaudêncio Frigotto
Teatro Universitário da
Trabalho como eixo fundamental
Profª Dra. Cristina Maria Loyola UFES
para as transformações nos
Miranda
processos de formação e nas
Prof ª Dra. Sonia Acioli
práticas em saúde.
Graduanda Viviane Rassele Silva
Pôster Dialogado
Associação dos
Docentes da UFESADUFES
Almoço
Palestra
Educação à distância e a formação
de profissionais de saúde: limites e
possibilidades
Oficinas
1 -Informática na formação dos
profissionais de Enfermagem
14h às
16h30
16h30 às
18h
20h30
Prof . Dr. Guido Palmeira
Profª Dra. Isabel Cristina Cunha
Dra. Yolanda Martinez Évora
Dra. Grace T. M. Dal Sasso
Dra. Maria Catarina Mota
Sistematizadora: Profa. Dra. Cristina
Maria Loyola Miranda
2 - Humanização como elemento
fortalecedor da relação trabalhoformação em saúde
Profª Drª Maria Elizabeth de Barros
e Barros
Profª Drª Solange de Souza Bastos
Prof ª Tânia Mara Cappi Mattos
Sistematizadora: Profa. Dra. Leila
Massaroni
3 - O desafio da consolidação dos
Pólos de Educação Permanente:
contribuição da enfermagem
Profª. Dra. Elizabeth Barcellos
Azoury
Sistematizadora: Profª Leda Zoraide
4 - VER SUS Vivenciando o
SUS
Prof. Dr. Luiz Fernando Bilibio
Prof. Dra. Odete Messa Torres
Sistematizadora: Profa. Cristina
Ramos
Mesa Redonda:
Política de formação do
especialista - questão estratégica
para o SUS
1 - Política de formação do
especialista
18h às
19h
22
2 - Qualificação do enfermeiro da
assistência para a pesquisa
Momentos de lazer
Jantar de Adesão com comidas
típicas do ES
Profª. Dra. Rosalina P Rodrigues
CAPES
Profª. Dra. Alacoque Lorenzine
Erdman
Prof ª Dr ª Jane Lyn Garrison Dytz
Teatro Universitário da
UFES
Auditório do Centro de
Educação IC 4
Sala 12 IC 4
Sala 11 IC 4
Sala 9 IC 4
Teatro Universitário da
UFES
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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03 DE SETEMBRO SEXTA-FEIRA
Sub-Tema 3
Formação do Educador em enfermagem: Quem educa o educador ?
HORA
8h30 às
11h
ATIVIDADE
Painel
Políticas e estratégias para a
formação do formador
1 - Graduação - Licenciatura
2 - Lato Sensu à distância
PALESTRANTES
Representante do MEC
LOCAL
Teatro
Universitário
UFES
da
Prof ª Drª Miriam de Abreu Almeida
Prof ª Dr ª Milta Neide Freire Barron
Torrez
Prof ª Dra. Isaura Setenta Porto
3- Strictu Sensu: instância de
formação do docente do ensino
superior
11h às
13h
12h às
14h
14h às
16h
16h às 18
h
19h
Associação dos
Docentes da UFES
- ADUFES
Pôster Dialogado
Almoço
Plenária das Escolas / Cursos de
Enfermagem: Sistema Nacional de
Avaliação da Educação Superior
Fechando cartas, moções,
encaminhamentos.
Encerramento.
Prof ª Dra. Iara de Moraes Xavier
Sistematizador:
Prof. Dr. Mauro Antonio Pires Dias da
Silva
Teatro
Universitário
UFES
Teatro
Universitário
UFES
Teatro
Universitário
UFES
da
da
da
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
24
PROGRAMAÇÃO CIENTÍFICA
A programação científica elaborada com a participação de enfermeiros ligados a docência e serviços e
com a presença um pouco tímida do estudante de enfermagem. Para tornar esse seminário o mais
produtivo possível estão sendo convidados especialistas de diversas áreas do conhecimento humano:
de educação, economia, filosofia, enfermagem, medicina, dentre outras, para promover inquietações,
discussões, reflexões, e proposições que o tema central: Educação em Enfermagem Discutindo as
mudanças, pesquisando o novo e superando os desafios , estimula.
RELAÇÃO DE CONVIDADOS
Autoridades
- Reitor da UFES - Prof. Dr. Rubens Sérgio Rasseli
- Presidente da ABEn - Nacional Prof.ª Dr.ª Francisca Valda da Silva
- Presidente da ABEn -ES Prof.ª Dr.ª Denise Silveira de Castro
- Diretora de Educação da ABEn - Nacional- Profª Dr.ª Milta N. Barron Torrez
- Diretora de Educação da ABEn-ES. - Profª Dr.ª Maria Edla de Oliveira Bringuente.
- Dr. Antonio Horácio Toro Ocampo- Representante da OPAS / OMS no Brasil
- Dr. Francisco Carlos Félix Lana - Diretor da Escola de Enfermagem da UFMG
- Dr. José Paranaguá de Santana - Gerente da Unidade Técnica de Política de RH da OPAS / OMS
Brasil
- Prof.ª Dr.ª Francisca Valda da Silva Presidente da ABEn - Nacional
- Prof.ª Dr.ª Eliane Marina Palhares Guimarães - Coordenadora da unidade dinamizadora da Educação
Permanente.
Palestrantes, painelistas e debatedora de mesas redondas, oficinas e colóquios.
Prof. Dr. Ricardo Burg Ceccim Ministério da Saúde (MS) - DF
Prof. Dra. Raimunda Germano - UFRG - RN
Prof. Dra. Laura Feuerwerker - MS - DF
Acadêmica de Enfermagem- Danielle Cristina Moura dos Santos - Executiva Nacional dos Estudantes
de Enfermagem
Acadêmico de Medicina- Estevão Toffoli Rodrigues - Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina
Prof. Dra. Renata Schimizu Locateli da Rosa FAMEMA- SP
Prof. Dr Maurício Braz Zanolli - FAMEMA- SP
Profª Drª Rika M. Kobayashi - FMU/SP
Profa. Dra. Maria Henriqueta Luce Kruse UFRGS - RS
Prof. Dr. Luis Cláudio Fraga - FESO - RJ
Prof. Dr. Luiz Fernando Bilibio- MS- DF
Profª. Cristina Ramos - UFES - ES
Prof. Dr. Gleisson Rubin MEC- DF
Prof. Drª. Simone Machado MS - DF
Profª Drª. Eliane Maria Palhares Guimarães UFMG- MG
Prof.ª Drª. Helena M. S. Davit - UERJ - RJ
Prof. Dr. Gaudêncio Frigotto - UFF-RJ
Profª Drª. Cristina Maria Loyola Miranda - UFRJ - RJ
Profª. Drª. Sonia Acioli - UERJ - RJ
AC de Enfermagem Viviane Rassele- UFES- ES
Prof. Dr. Guido Palmeira- FIOCRUZ/ENSP- RJ
Profª Drª Isabel Cristina Cunha UNIFESP/UNISA
Profª. Dr.ª Isabel Cristina dos Santos Oliveira- UFRJ- RJ
Dr.ª. Grace T. M. Dal Sasso - UFSC
Profª. Dr.ªMaria Tereza Coimbra Carvalho- UVV-ES
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
Profª. Dr.ª Maria Elizabeth de Barros e Barros - UFES - ES
Profª. Dr.ª Solange de Souza Bastos - MS - DF
Profª. Tânia Mara Cappi Mattos UFES-ES
Profª. Dr.ª Leila Massaroni- UFES- ES
Profª. Elizabeth Barcellos Azoury - Secretaria Estadual de Saúde - SESA- ES
Profª. Leda Zoraide Secretaria de Saúde - ES
Prof. Dr. Luiz Fernando Bilibio- Ministério da Saúde- DF
Profª. Maria Cristina Ramos UFES- ES
Profª. Dra. Rosalina P Rodrigues CAPES- DF
Profª. Dra. Alacoque Lorenzine Erdman CNPq - DF
Profª. Dra. Jane Lyn Garrison Dytz- ABEn - Nacional- DF
Prof. Dr.ª Miriam de Abreu Almeida UFRS- RS
Profª. Dr.ª Milta Neide Freire Barron Torrez- FIOCRUZ- RJ
Profa. Dra. Isaura Setenta Porto - UFRJ - RJ
Prof. Dr. Mauro Antonio Pires Dias da Silva UNICAMP- SP
Profª. Dr.ª Abigail Moura - FESO - RJ
Profª. Margareth Rose Sampaio Forte - UNESC - ES
Profª. Kátia Piccoli - EMESCAM - ES
Profª. Dr.ª Elizabete Araújo de Oliveira - SALESIANO - ES
Profª. Dr.ª Penha R. Firme - UNI Linhares - ES
Profª. Dr.ª Angela Maria de Castro Simões - UVV - ES
Profª. Roseane Vargas Rohr - UNIVIX - ES
Profª. Lea Brotto Damasceno - Novo Milênio - ES
Profª. Hedilamar Ferreira - FAESA - ES
Profª. Drª Lívia P. Bedin - São Camilo - ES
25
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
26
SESSÃO DE ABERTURA
DISCURSO DE ABERTURA DO 8º SENADEn
Francisca Valda da Silva
Presidente da ABEn
Exmos componentes desta mesa de abertura oficial-magnífico
O tema central deste seminário
Discutindo as mudanças, pesquisando o novo e superando os
desafios sintetiza, por meio das suas palavras chave mudanças, novo, desafios, o contexto que
estamos vivendo de materialização das mudanças nas políticas de saúde e educação, representando,
também, o processo de acumulação reflexiva e propositiva da Enfermagem Brasileira.
O compromisso que este conjunto de trabalhadores tem com as políticas de saúde e educação
expressa-se na construção de propostas que possibilitem a inclusão social, tanto em termos
educacionais quanto na atenção a saúde, mas não só. Expressa-se também na coragem de praticá-las,
como demonstra a realização de mais esta edição do SENADEn, onde buscamos o aprimoramento da
qualidade técnica e política, indissociável para tornar concretas as propostas e as políticas.
Por estes motivos os temas desafiadores que serão debatidos, buscam fundamentar a participação
individual, coletiva e institucional dos sujeitos da educação em saúde/Enfermagem, de modo que
possam compreender para analisar criticamente, encontrando cada um o seu lugar e os modos como
poderá viver o seu compromisso com a saúde como direito de todos.
Incluindo-se, assim, conscientemente na política de educação para o SUS, nas mudanças profundas a
serem operadas nas relações com os serviços, de tal modo que impactem para além da organização e
produção da atenção em saúde, atingindo também a formação dos formadores e a produção de
conhecimentos e tecnologias, superando a sensação de que as mudanças não conseguem ir além das
intenções.
Vamos participar, ouvir, debater, juntos, buscando afirmar ou modificar as diretrizes para a nossa
ação, comprometidos com a concretização dos princípios que declaramos acreditar, de tal maneira que
não sejamos responsáveis pelo esvaziamento do nosso próprio discurso. A articulação discurso-prática
é, como todos sabemos, indispensável para que a ação política se tornem realidade histórica na vida de
todos.
Representando a consciência do que significa realizar esta oitava edição do SENADEn, no momento
em que são comemorados os cinqüentenários da Universidade Federal do Espírito Santo e da Seção da
ABEn aqui sediada, queremos agradecer as parcerias intersetoriais, interinstitucionais, internacionais,
público-privado representadas pelo: MEC, MS, OPAS, Secretarias Estaduais e Municipais,
Universidades, Escolas de Formação de Nível Técnico, Fórum de Escolas de Enfermagem do Espírito
Santo; além das muitas colaborações individuais oriundas de Docentes, Estudantes, Consultores,
Especialistas, Pesquisadores, Profissionais de Enfermagem, dentre tantas outras viabilizadoras deste
momento.
O 8º SENADEn é uma VITÓRIA a vista com as bênçãos de todo o ESPÍRITO SANTO. Nestes
termos, e na condição de Presidente da Associação Brasileira de Enfermagem declaro aberto o 8º
SENADEn.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
27
Milta Neide Freire Barron Torrez
Diretora de Educação da ABEn Nacional
Na pessoa do Professor Dr. Carlos Alberto Redins representando o Magnífico Reitor e da Professora
Drª Maria Edla de Oliveira Bringuente
Diretora de Educação da ABEn-ES, cumprimento as
autoridades que compõem a mesa e as demais presentes a esse evento.
Queridas (os) colegas e amigas (os), sejam bem-vindas (os)
O 8 º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem é a terceira edição realizada
durante a gestão 2001 2004 , dentre a série de cinco que deverá ser promovida anualmente, até 2006
e, como tal, será o último desta gestão. Isso o torna um espaço de síntese mesmo que provisória e de
continuidade da construção dos eixos temáticos priorizados: Formação dos profissionais, dos
formadores de Enfermagem, suas relações com a pesquisa e o trabalho, contribuindo para a
organização social da Enfermagem brasileira em bases críticas, éticas e solidárias.
O seu tema central é Educação em Enfermagem. Discutindo mudanças, pesquisando o novo e
superando os desafios, escolhido pela comissão organizadora para representar o processo de
acumulação reflexiva e propositiva que uma série precisa promover, para proporcionar níveis de
apropriação e participação capazes de incorporar desde os mais recém- ingressos alunos e profissionais
aos mais experientes docentes, pesquisadores, gestores, preceptores e assistenciais - sujeitos do
ensino em saúde/Enfermagem.
Portanto, a partir dos sub - temas Educação em Enfermagem e seu compromisso com as políticas de
Educação e Saúde; Educação em Enfermagem e a formação do educador: Quem educa o educador em
Enfermagem ?; Educação em Enfermagem e o processo de produção do trabalho em saúde, pretende
apoiá-los nesta caminhada, para que, discutindo as mudanças já vivenciadas apontem coletivamente
as diretrizes que podem contribuir para transformar a realidade da educação e do trabalho em saúde,
em nossa sociedade.
Desse modo o novo não pode ser compreendido ou tratado aqui como novidade consumível e
sim como objeto da investigação ativa - também chamada de curiosidade criativa, - de todos os
participantes, por aquilo que ainda não é suficientemente conhecido ou assumido como práxis
educativa pelo conjunto da Enfermagem, cuja potencialidade transformadora e seus limites queremos
compreender, sentir. O que for conhecido precisa ser divulgado, desafiando a outros e aos que o
conhecem a renovar , recriar, readmirar.
Se a Educação e Enfermagem são práticas sociais que precisam de tempo e muita ação historicamente
contextualizada para se tornarem realidades agradáveis, construtivas de homens e mulheres
comprometidamente felizes, a transformação é um processo histórico e determinado, não podendo ser
repetitiva, já que nunca está completa... Daí surgem as iniciativas inovadoras e desafiadoras, mas
acima de tudo perseverantes, que se propõem a enfrentar os desafios e não apenas ouvir falar
deles como algo distante ou inexorável.
Obrigada por trazerem a novidade das suas participações cada vez mais generosas no compartilhar,
no expor, debater, para influenciar o nosso eterno vir a ser.
Feliz SENADEn para todas (os).
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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PALAVRAS DE BOAS VINDAS
Maria Edla de Oliveira Bringuente
Diretora de Educação ABEn-Es
Os nossos cumprimentos à mesa na pessoa da Prof. Dra. Francisca Valda da Silva, PRESIDENTE DA
ABEn NACIONAL e Prof. Dr. Carlos Alberto Redins, representando o Magnífico Reitor. As demais
autoridades aqui presentes ou representadas, a Assembléia Legislativa do E.S, a todos enfermeiros
enfermeiras, colegas educadores, nossos familiares e amigos.
Esta é uma noite de festa. A ABEn do ES sente-se honrada em estar realizando na Ilha de Vitória, no
Campus da Universidade Federal do ES - o 8º SEMINÁRIO NACIONAL DE DIRETRIZES DA
EDUCAÇÃO EM ENFERMAGEM. E saúda todos os colegas que atenderam ao convite e aqui estão
participando, trazendo as suas contribuições, suas idéias, seu entusiasmo e sobretudo, a sua crença em
que as transformações das realidades sociais dar-se-ão através da educação .
A ousadia de estarmos realizando um evento desse porte, revela o caráter pertinaz de um grupo e um
esforço coletivo envidado por 9 (nove) cursos de enfermagem, seis grandes serviços que integram o
Fórum de Escolas e Serviços da ABEN ES, o apoio da própria Universidade e outras instituições.
Com isso, só um esforço coletivo, transformaria nesses quatro dias, a nossa Ilha de Vitória, também
conhecida como Ilha do Mel em um ponto de encontro da agenda nacional da Enfermagem e
cenário de discussões, reflexões e encaminhamento de propostas para a Educação da Enfermagem
Brasileira.
O 8º SENADEn, também é um momento de muitas comemorações: do Jubileu de Ouro da nossa
Universidade Federal do Espírito Santo (1954- 2004), também o Jubileu de Ouro da Nossa Associação
Brasileira de Enfermagem
no mesmo período e estamos comemorando os10 anos de nossos
SENADEns, que já representam um marco histórico de discussões e acumulações reflexivas e
propositivas na construção de um novo perfil profissional de enfermagem.
No entendimento da educação como um processo de movimento dialético, na busca constante de
superação dos seus desafios, a comissão de tema buscou nas inquietações de seus pares, nas discussões
que há dez anos a enfermagem vem nutrindo acerca dos novos projetos políticos pedagógicos, em que
compreende a enfermagem como uma profissão com prática social, os fundamentos para a construção
do tema Central do nosso 8º SENADEn.
Nessa perspectiva, o 8º SENADEn, tem como tema central: Educação da Enfermagem. Discutindo as
mudanças, pesquisando o novo e superando os desafios. Propondo uma discussão e desmembrando
em três grandes eixos temáticos: a educação da enfermagem e seus compromissos com a política de
educação e saúde; - a educação em enfermagem e o processo de produção do trabalho em saúde e por
o ultimo o eixo temático: que busca na educação em enfermagem - a formação do educador: quem
educa o educador.
Toda a categoria de enfermagem foi convidada para esse grande encontro, onde serão debatidos os
desafios do cotidiano da prática profissional, na esperança de que juntos, ou seja, nas reflexões,
discussões e produções coletivas, traçaremos os novos caminhos da profissão.
Contamos ainda com a indispensável participação de nossos alunos, que estarão presentes e com o
frescor de sua juventude e a pureza dos seus ideais, estarão questionando, instigando, desafiando e
estimulando a todos prosseguirmos nessa caminhada na conquista de uma enfermagem autônoma e
reconhecida socialmente.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
29
Os desafios foram postos e nesses três dias vamos ter uma programação que será desenvolvida
mediante palestras, painéis, mesas redondas, talk show, oficinas e colóquios. A Universidade colocou
a disposição da Enfermagem Brasileira os seus milhares de metros quadrados de áreas verdes, seus
jardins floridos, seu teatro, seu centro de educação e a sua entidade de classe, onde ocorrerão todas as
atividades propostas no nosso SENADEn,
E o Capítulo do ES na sua Primeira Edição para comemorar o Jubileu de Ouro da ABEN-ES (19542004), com uma feira de Ciência, apresentando os trabalhos de pesquisa e extensão dos cursos de
Enfermagem do Estado do Espírito Santo, contando ainda com a programação de filmes, peça teatral
e a sessão de homenagens às pioneiras da ABEn-ES.
E para encerrar, gostaríamos de mais uma vez saudar a todos colocando para reflexões, para esses dias
e todos os outros de nossas vidas, uma mensagem Paulo Freire dirigida aos educadores: eu agora
diria a nós, educadores e educadoras: ai daqueles e daquelas entre nós, que pararem com a sua
capacidade de sonhar , de inventar, a sua coragem de denunciar e anunciar .
Ai daqueles e daquelas que, em lugar de visitar de vez em quando o amanhã, atrelam-se a um passado
de exploração, rotina e de desesperança.
Obrigada e feliz 8º SENADEn
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
30
SUB-TEMA 1 -EDUCAÇÃO EM ENFERMAGEM E SEU
COMPROMISSO COM AS POLÍTICAS DE EDUCAÇÃO E
SAÚDE
CONFERÊNCIA
A FORMAÇÃO PROFISSIONAL EM SAÚDE:
MODELOS EM DISPUTA E PROCESSOS DE INCLUSÃO
Ricardo Burg Ceccim1
Objetivos da política nacional:
Construir uma política nacional de formação e desenvolvimento para o conjunto dos profissionais de
saúde: profissionalização técnica, mudança na graduação, mudança e oferta de residências e
especializações em serviço, construção da educação permanente em saúde e produção de
conhecimento para a mudança das práticas de saúde, bem como implementar a educação popular para
a gestão social das políticas públicas de saúde;
Instituir trabalho intersetorial entre os Ministérios da Saúde e da Educação para orientar programas
conjuntos e decisões relacionadas à formação dos profissionais de saúde.
Modelos em disputa e processos de inclusão:
Século XVIII o nascimento da Biopolítica: a medicalização;
Século XX
o Relatório Flexner: uma ciência e profissionalização da educação
médica/educação dos profissionais de saúde;
Hierarquia das aprendizagens (básico ao clínico, complexidade crescente),
Aprender com as doenças em ambientes de concentração de quadros nosológicos,
Hospitais universitários como lugar privilegiado e central;
Especialismo corporativista,
Mecanicismo do corpo humano: máquinas corporais,
Biologicismo: saúde e doença com estados mensuráveis;
Oposição do campo científico à humanização: perda da integralidade e da humanização
(dicotomias/ciência moderna/hierarquia de serviços);
Brasil - Anos 40, profissionalização da gestão acadêmica na saúde: implantação do Relatório
Flaxner;
Anos 60 boom dos Deptos. de Medicina Preventiva: prevenção de doenças (higienista) e
experiência extra-hospitalar
Não restitui a integralidade e humanização, segue medicalizador,
Mantém o especialismo na dicotomia prevenção-tratamento e fragmentação das
pessoas em eventos biológicos,
a experiência extra-hospitalar não significou acolhimento de pessoas, mas mediação
normativa;
Anos 70 Extra-Muros: aprendizagens junto à população, saúde comunitária;
Restaura a possibilidade da integralidade e da humanização;
Restitui o lugar em oposição do hospital e da APS;
Separa extensão (que vai para a periferia) e graduação (que fica no hospital);
1
Diretor do Departamento de Gestão da Educação na Saúde
Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
31
Anos 80 experiências extra-muros e Integração Docente Assistencial para a integração
Ensino Serviço (movimento de mudanças instituído e com a chancela de governo pertence
às IES, segue a separação da extensão e da graduação);
Anos 90 - Projeto Uni multiprofissionalidade e interdisciplinaridade e integração ensinoserviço com inclusão da população;
Anos 90
Projeto Cinaem
uniprofissional, inclusão do protagonismo estudantil e dos
gestores de saúde;
Rede Ida + Projetos Uni = Rede UNI IDA;
Rede UNI IDA avaliação indica a necessidade de ultrapassar 1 profissão, ultrapassar 1
departamento, instituir a multiprofissionalidade, dar lugar aos usuários, ampliar a interação
com o sistema de saúde;
Cinaem uma teoria da educação dos profissionais de saúde centrada nas necessidades de
saúde e em ruptura com o pensamento médico-hegemônico;
As novas inclusões: integralidade e humanização das práticas; o quadrilátero da formação
Quadrilátero da Formação: instituir relações orgânicas entre estruturas de gestão da saúde
(práticas gerenciais e organização da rede), instituições de ensino (práticas de formação,
produção de conhecimento e cooperação), órgãos de controle social em saúde (movimentos
sociais e educação popular) e serviços de atenção (profissionais e suas práticas):
compromissos da gestão do sistema de saúde,
compromissos das instituições de ensino com o sistema de saúde,
protagonismo aos estudantes;
interação com a rede de serviços,
participação dos usuários com direitos de controle social,
ensino e trabalho em saúde usuário-centrados (acolhimento, responsabilidade pela
cura, afirmação dos usuários).
Construção da política de educação para o SUS, que possibilite articulação da gestão com a
formação: estratégias em curso
Pólos de Educação Permanente em Saúde;
Educação nos Hospitais de Ensino;
VER-SUS (os estudantes e a gestão);
Residências Integradas em Saúde;
Profissionalização técnica (A./T.Enf., ACS, ACD/THD/APD/TPD);
Educação para a gestão social das políticas públicas de saúde (construção da Aneps);
Fórum das Associações de Ensino das Profissões de Saúde.
Mudança na Graduação
Objetivo: formar profissionais com capacidade para a integralidade da atenção à saúde, para a atuação
multiprofissional (entre-disciplinaridade) e com apropriação do SUS (protagonismo e participação)
Eixo central da mudança: integralidade da atenção à saúde/clínica usuário-centrada (acolhimento;
responsabilidade com a cura ; afirmação da autodeterminação dos usuários)
Referencial: novos compromissos da escola com o SUS; modo mais amplo de pensar a graduação em
saúde:
Ativação de processos de mudança da formação;
Prestação de serviços e composição da rede-escola;
Produção do conhecimento sobre o cuidado e tecnologias leves;
Desenvolvimento de processos e métodos de Educação Permanente (porosidades com a rede).
Aspectos fundamentais para a integralidade/clínica usuário-centrada:
Conceito ampliado de saúde;
Diversificação dos cenários de ensino-aprendizagem e das práticas em saúde;
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
32
Práticas multiprofissionais desde o início do curso;
Apropriação dos conceitos de inovação da clínica, equipe como função intercessora; educação
popular como alteridade com os usuários e noção de rede como malha de cuidados horizontais
progressivos à saúde;
Assumir e propiciar compromissos com a qualidade e continuidade da atenção;
Articular ação hospitalar com a ação de toda a rede de cuidados do sistema de saúde;
Transformar a prática no hospital e na rede para garantir humanização, qualidade da
assistência em projetos terapêuticos de equipe e maior autodeterminação dos usuários;
Articulação entre as escolas das diferentes profissões da saúde para a mudança.
Adoção da Integralidade como Eixo da Mudança:
Ampliação dos compromissos entre IES e SUS;
Ampliação do pensamento crítico dinamizador da mudança:
Curso de Formação de Ativadores de Processos de Mudança (EAD),
Espaços regionais e nacionais para debater conceitos e sistematizar experiências
(Associações de Ensino doc. e disc.; por prof. e inter-prof.), apoio à produção de
conhecimento sobre a mudança no ensino para a integralidade (pesquisas intervenção
e pesquisas de análise);
Apoio à implementação das DCN em conjugação ao compromisso com as diretrizes do SUS e
em articulação com a formação de especialistas em área profissional;
Adição aos Pólos de EPS (ações compartilhadas):
Qualificação pedagógica para docentes, preceptores, tutores, orientadores de serviços,
Implantação de laboratórios para o desenvolvimento de práticas integradas e de
habilidades com referência na equipe de saúde e dimensão cuidadora,
Ampliação de acervos bibliográficos e abertura de centros de documentação,
Desenvolvimento de condições de infra-estrutura para a diversificação de cenários de
aprendizagem;
Sistematização de experiências em processos cooperativos entre universidade, gestores,
serviços e controle social (visitas, divulgação, eventos).
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
33
PAINEL
DESAFIOS NA CONSTRUÇÃO
SAÚDE/ENFERMAGEM
DE
NOVOS
PROCESSOS
PEDAGÓGICOS
EM
Raimunda Medeiros Germano1
Ninguém educa a ninguém; ninguém
tampouco se educa sozinho; os homens se
educam entre si, mediatizados pelo mundo .
(Paulo Freire)
No Brasil, dos últimos anos, as reformas que vêm acontecendo, no setor saúde, têm provocado,
igualmente, mudanças no ensino dos cursos dessa área, abrindo uma ampla discussão acerca de seus
projetos pedagógicos. O debate sobre o projeto político-pedagógico da enfermagem foi deflagrado há
algum tempo, ainda nos anos 80, do século passado, antes, portanto, de ser aprovada a nova legislação
que regulamenta esse ensino. Vale ressaltar ter sido o Movimento da Reforma Sanitária Brasileira a
força motriz para o início desse debate, fortalecido, nesse mesmo período, pelo Movimento
Participação2 que inclui, como prioridade em sua agenda de trabalho, o tema da educação.
Torna-se importante assinalar que a conjuntura política de redemocratização do país, naquele
momento, favorecia a organização dos profissionais através de suas entidades representativas. Na
enfermagem, a ABEn (Associação Brasileira de Enfermagem) desempenhou um papel decisivo na
organização do referido debate. E assim, através de sua Comissão de Educação, realizou vários
eventos sobre o ensino de enfermagem, envidando esforços na mobilização de todos os atores sociais
envolvidos com o processo. Mobilizou docentes, discentes, profissionais dos serviços, grandes e
pequenas escolas, comissão de especialistas da área, em diferentes fóruns de debate, com vistas a
consolidar a construção de um projeto educacional para a enfermagem brasileira, que contemplasse os
três níveis de ensino (médio, graduação e pós-graduação).
Nesse percurso, nem sempre tranqüilo, permeado por muitos embates, em parte motivados pela
própria dificuldade de mudar algumas estruturas, por vezes conservadoras e arcaicas, algumas
ocorrências foram pontuais para aquecer, cada vez mais, a discussão que ora se processava. São
exemplos, a aprovação do Parecer 314/94 do CFE, homologado pela Portaria nº 1.721 do Ministério
da Educação e do Desporto, em 15 de dezembro do mesmo ano, a Lei de Diretrizes e Bases da
Educação (LDB), Lei nº 9.394/96, gerando novas polêmicas no interior da enfermagem e, por fim, as
Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Enfermagem (Resolução CNE/CES
Nº 3
07/11/2001).
Com o propósito de aprofundar essa discussão e consolidar uma política de educação para a
enfermagem, a ABEn cria, na década de 90, os Seminários Nacionais de Diretrizes para a Educação
em Enfermagem (SENADENs), como um fórum para tratar do tema específico da educação, tendo
ocorrido o primeiro destes, no ano de l994, na cidade do Rio de Janeiro. Outros se sucederam, em
outros Estados, embora sem muita regularidade, em razões de dificuldades da própria entidade.
No momento presente, realiza-se o 8º SENADEn, em Vitória/ES, tendo como tema central: Educação
em Enfermagem. Discutindo mudanças, pesquisando o novo e superando os desafios . Este painel,
intitulado Desafios na construção de novos processos pedagógicos em Saúde/Enfermagem , está
incluído no sub-tema, Educação em Enfermagem e seu compromisso com as políticas de Educação e
Saúde . São temas que passam e retornam sempre, na perspectiva de se acrescentar algo novo em
1
2
Professora do Departamento de Enfermagem da UFRN. Doutora em Educação pela UNICAMP.
Movimento de renovação da enfermagem ocorrido nos anos 80.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
34
relação aos problemas emergentes na saúde, na profissão e, sobretudo, no ensino. Um desses
exemplos, na atualidade, é o debate em torno da reforma universitária.
É bem verdade que desde sempre a ABEn elegeu a educação, o ensino, a formação de recursos
humanos como temas básicos de seus congressos e demais eventos da categoria; no entanto, a partir
dos anos 80, essa discussão se intensifica, tendo como alvo a construção de um projeto políticopedagógico para a enfermagem. Durante todo esse período, cerca de quinze anos, e, principalmente,
após a instalação dos SENADENs (1994), muito tem se discutido, experimentado, avaliado nessa
construção. Entendemos ser importante a existência de uma disposição contínua, de todos os atores
envolvidos, de construir, desconstruir e reconstruir esse projeto em busca de seu aprimoramento, de
sua significação para a profissão e para a vida. Nessa perspectiva, muitos temas têm sido ardentemente
debatidos pela enfermagem, tais como: política educacional, diretrizes curriculares, ensino
profissional, formação por competência, transdisciplinaridade na educação, licenciatura, educação a
distância, pesquisa e ensino, o próprio projeto político-pedagógico, apenas para citar alguns. São
instrumentos nos quais se apoiam a enfermagem para discutir a complexa missão de educar, embora se
tenha consciência de que a educação é bem maior do que todos esses aspectos reunidos.
Morin1, ao tratar dos saberes necessários à educação do futuro, convida-nos a uma profunda reflexão,
quando aponta, entre outros aspectos, ensinar a condição humana. Portanto, ao relermos seu livro Os
sete saberes necessários à educação do futuro para preparar essa comunicação, pensamos ser a missão
de ensinar a condição humana, entre outras dimensões da vida, um dos grandes desafios para a
construção de novos processos pedagógicos para a saúde/enfermagem.
Assim sendo, teríamos como pressuposto uma pedagogia preocupada em juntar competência e
sensibilidade social, admitindo que algumas concepções pedagógicas favorecem, mais do que outras,
essa junção. A sensibilidade teria um papel fundante, uma dimensão primordial e generativa no
conhecimento.
No entanto, na grande maioria dos espaços educacionais universidades, escolas, faculdades, cursos a forma como o ensino se organiza e se processa favorece a uma visão fragmentária e mecanicista do
mundo. As disciplinas são entendidas como autônomas e independentes, refletindo o parcelamento
ocorrido no campo das ciências, pelo aumento da especialização, frente à complexidade da realidade,
conforme afirmam Assmann e Mo Sung2. Para estes autores, o problema não está na especialização,
mas na crença subjacente de que esta especialização levaria às verdades definitivas pelo refinamento
cada vez maior das ciências . De certa maneira, este pensamento reforça a idéia de que, quando
defendemos o ensino por competência, sem querermos generalizar, a preocupação básica centra-se no
domínio do conhecimento e das técnicas necessárias para um funcionamento eficaz das partes do todo
que cabe a cada profissional. Em decorrência, o enfraquecimento dessa visão global e necessária à
experiência do aprender a aprender, conduz ao enfraquecimento da responsabilidade e da
solidariedade. Concorre, igualmente, para perdermos a noção das conseqüências de nossos atos e nos
afasta da possibilidade de compreendermos os limites e ambigüidades da condição humana. Daí a
importância de ultrapassar a concepção de educação na qual predomina a visão instrucional com
ênfase, sobretudo, nas aptidões cognitivas, e avançar nas experiências de aprendizagem que enfatizam
o aprender a aprender e estimulam a curiosidade e a criatividade.
O aprender a aprender representa um dos quatro pilares da educação, formulados e contidos no
Relatório da Unesco de 1998. Além deste, mais três são, igualmente, mencionados: aprender a fazer
(ênfase nas competências e habilidades); aprender a viver juntos (juntar competência e solidariedade)
e, por fim, aprender a ser (realizar-se como indivíduo e ser social)
São esses, portanto, os grandes desafios para a construção dos novos processos pedagógicos. No
entanto, não parece ser tão simples enfrentá-los. Em primeiro lugar, pelo racionalismo ou
racionalismos que preponderam no mundo pós-moderno e se apropriam de várias dimensões da vida,
nas quais a educação se inclui. Em segundo lugar, pelo fato da dificuldade que constitui a
operacionalização de mudanças estruturais em uma área de tamanha abrangência. Não depende apenas
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
35
de reformas ocorridas simplesmente por força de uma legislação, por mais legítima que essa possa vir
a ser, ou mesmo que tenha sido exaustivamente discutida pelos seus pares. Torna-se preciso, nos diz
Morin1, mudar os dispositivos mentais dos protagonistas envolvidos, e, igualmente, acrescentamos,
renovar as estruturas institucionais, por demais rígidas e fechadas ao novo, ao diferente.
Para lembrar uma área que conhecemos mais de perto, pensemos o ensino de enfermagem: Como se
processam as relações entre o nível médio, a graduação e a pós-graduação? São projetos estanques,
isolados, mesmo quando se desenvolvem em um único espaço físico. E ainda mais grave é observar a
operacionalização de cada um desses cursos. Comumente são estruturados a partir de áreas temáticas,
módulos, matrizes, ou quaisquer outras denominações, sendo integrados por um elenco de disciplinas
que não se articulam entre si, não estão abertas ao diálogo, mesmo defendendo a interdisciplinaridade.
No dizer de Morin1, a incapacidade de organizar o saber disperso e compartimentado conduz à atrofia
da disposição mental natural de contextualizar e globalizar ; (...) e, ainda, fraciona os problemas,
separa o que está unido, torna unidimensional o multidimensional .
Outro aspecto a ser referido diz respeito a tão anunciada flexibilidade do ensino ou flexibilidade
curricular, como preferem alguns, um dos temas mais enfatizados quando se discute projeto políticopedagógico. Contudo, a experiência vem demonstrando que, na prática, não se consegue visualizá-la,
quer na instância da gestão do ensino, quer na experiência de sala de aula, envolvendo professores e
estudantes. Vemos que a rigidez se sobrepõe a qualquer aceno de flexibilização. Mesmo pensando a
própria relação professor/aluno, nesta, pontifica o autoritarismo e não o diálogo como anunciava e
defendia Paulo Freire3, o grande mestre brasileiro da educação.
As experiências de aprendizagem que acontecem fora da sala de aula, sejam em eventos da profissão
ou outros eventos científicos, culturais, sejam em projetos de extensão ou mesmo de pesquisa,
dificilmente serão computadas como créditos para o discente. Ao contrário, tais atividades, por vezes,
podem concorrer até mesmo para reprová-lo, quando, por exemplo, em virtude da necessidade de
realizar alguma delas, tenha faltado a uma prova. Todavia, esquecemos que a nova empregabilidade
está ligada à flexibilidade na capacidade de aprender.
Além disso, a nova ordem do mundo internacionalizado, globalizado, na qual o mercado aparece como
modelo, funciona como mais um agravante. Assim, os estudantes já não indagam: O que podemos
fazer por nosso país, como outrora interrogavam? Perguntam de outra forma: O que o mercado quer
que façamos?
Por outro lado, existem correntes de pensamentos convivendo com a mesma realidade, que abordam
uma outra concepção de educação, enfatizando, sobremaneira, essa sensibilidade a qual defendemos;
se reportam, por exemplo, a razão sensível, inteligência emocional, cognição afetiva, sensibilidade
solidária, entre outras terminologias congêneres. Faz-se oportuno lembrar alguns desses autores: Paulo
Freire, Edgar Morin, Humberto Maturana, Ilya Prigogine, René Barbier, Luis Carlos Restrepo, Daniel
Goleman, Rubem Alves, Antônio Damásio, Boaventura dos Santos, Fernando Savater, Pedro Demo,
Fritjof Capra, entre outros, todos contribuíram e vêm contribuindo, de alguma forma, com uma nova
discussão diante dos desafios que se apresentam à missão de educar.
De alguma maneira, isso vem reforçar a esperança no fazer pedagógico, como um empreendimento
humano importante para os seres humanos na luta pela humanização da vida. De acordo com
Assmann e Mo Sung2, ao pressupormos que o ser humano é melhorável, estamos afirmando
implicitamente que ele se encontra ainda num processo de vir-a-ser, que admite avanços, mas jamais
se estagna numa plenificação totalmente alcançada .
Assim sendo, mesmo a escola não tendo condições de garantir todos os conhecimentos que os
estudantes precisarão em suas vidas, como bem sabemos, pode e deve propiciar o ambiente onde estes
possam aprender a acessar formas de aprender. Essa idéia contém o embrião das chamadas ecologias
cognitivas no dizer de Morin, entendendo ecologia, como o conjunto das circunstâncias propícias a
nichos vitais, onde seres vivos possam sobreviver e incrementar-se em mais e melhor vida 2. Essas
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
36
ecologias cognitivas propiciariam o salto do bom ensino imprescindível a efetiva experiência de
aprendizagem, com processo personalizado de construção do conhecimento 2.
Outros autores se referem a ecologia de saberes, como é o caso do sociólogo e educador, Boaventura
dos Santos4, que a entende como conjuntos de práticas que promovem uma nova convivência ativa de
saberes no pressuposto que todos eles, incluindo o saber científico se podem enriquecer nesse
diálogo .
Essas experiências criam condições para que a aprendizagem possa continuar ocorrendo fora da
escola, esse é, fundamentalmente, o papel da educação. Uma educação que envolve, e, sobretudo,
seduz, pois, como afirma o professor Rubem Alves5, em muitos dos seus livros, educação é sedução .
Por isso, o ato de educar requer uma transação comunicativa de envolvimentos pessoais no processo
de aprendizagem enquanto sinônimo de processos de vida possível e felicidade possível 2. No entanto,
na prática, como docentes, nossos apelos se dirigem muito mais para cobranças impositivas do que
para elevar o nível de satisfação dos nossos estudantes, criando, portanto, mais obstáculos do que
condições propícias à aprendizagem. Esse devia ser um processo de apaixonamento, de inclusão, de
formas de salvar vidas.
Setzer, apud Assmann e Mo Sung2, afirma que o conhecimento científico e a sensibilidade e
habilidade artística precisam unificar-se numa única visão do conhecimento . Por isso, para ele
precisamos educar (e auto-educar-nos) para a sensibilidade social, a compaixão e a responsabilidade
social. Somente se tivermos essas três habilidades seremos capazes de agir moralmente .
A conquista da sensibilidade social não deve ser interpretada como algo incompatível com a realização
pessoal, com a busca do prazer e da felicidade; isso é um direito de todo ser humano. Ao contrário,
precisamos, de fato, cultivá-lo, torná-lo vivo em nossas relações, considerando os tabus que ainda
persistem quando nos reportamos ao tema da felicidade.
O reencantamento do mundo é preciso, diz Morin. Pensando, portanto, a educação como uma de suas
dimensões, importa, igualmente, reencantá-la. Precisamos, apenas, estar atentos para que a expressão
não seja banalizada, mas que de fato, passe do discurso para a prática, penetrando nas diversas e
complexas instâncias da educação e da vida. Nesse sentido, é bom lembrar que a linguagem tem um
forte poder sobre nossas ações; daí a importância de um discurso otimista quando pensamos nos
desafios que se apresentam ao tentarmos refletir acerca dos novos processos pedagógicos. Contribui
para manter acesa a chama de nossas utopias, de nossos sonhos, o que já é por demais significativo.
As utopias nos encorajam a caminhar e a contribuir com essa construção contínua que é a missão de
educar, de ensinar a condição humana, em um mundo tão pouco solidário.
Assim, devemos enfatizar que, por mais que tenhamos abordado em nossa comunicação alguns
aspectos ditos relevantes, diante dos desafios da construção de novos processos pedagógicos, eles
serão sempre provisórios, limitados, parciais, considerando a complexidade do ato de educar.
Mas, apesar dessas dificuldades, é igualmente apaixonante formar seres humanos, torná-los criativos,
ternos e, sobretudo, desejantes como nos ensina o grande poeta gaúcho, Mário Quintana, em um de
seus versos:
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A presença distante das estrelas .
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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Referências
1. Morin E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez; Brasília,DF:
UNESCO, 2000.
2. Assmann H, Mo Sung J. Competência e sensibilidade solidária
Educar para a esperança.
Petrópolis/RJ: Vozes, 2000.
3. Freire P. Pedagogia da autonomia Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra,
1996.
4. Alves R. Ao professor, com o meu carinho. Campinas/SP: Verus Editora, 2004.
5. Santos BS. A universidade no século XXI Para uma reforma democrática e emancipatória da
universidade. São Paulo: Cortez, 2004.
OS DESAFIOS PARA A MUDANÇA DAS GRADUAÇÕES EM SAÚDE
Laura Feuerwerker1
Os problemas clássicos da formação
Identificados desde os anos 60:
orientação pedagógica tradicional
curriculos organizados por meio de disciplinas fragmentadas
falta de integração entre teoria e prática
hospitais como o principal cenário de práticas
orientação à especialização e ao mercado
A acumulação para a mudança
Nos anos 70 e 80 forte experiência em integração docente-assistencial e de atenção primária.
Embora significativas, insuficientes para provocar mudanças porque:
Isoladas, desconectadas das políticas gerais.
A maioria envolvia principalmente departamentos de medicina preventiva, saúde
pública e pediatria sem força para influir nos demais.
Predominavam relações verticais entre as universidades, os serviços de saúde e as
populações.
Nos anos 90, movimentos mais vigorosos se desenvolveram: CINAEM, Rede UNIDA.
Mobilização sistemática de atores, projetos participativos, desenvolvidos com compromisso
institucional mais amplo.
Parcerias e acordos interinstitucionais envolveram universidades, serviços de saúde e
organizações populares.
A própria construção da parceria
relações de cooperação interinstitucional
como
importante estratégia para democratização de relações.
3 principais pontos trabalhados:
Diversificação de cenários de práticas
Adoção de metodologias ativas de ensino-aprendizagem
Adoção de conceito ampliado de saúde
Incorporação de novos temas revelados pelas necessidades da população
Lições aprendidas
Mudanças necessárias para transformar o perfil do profissional formado: mais profundas do
que se imaginava.
1
Coordenação Geral de Ações Estratégicas de Educação na Saúde
Departamento de Gestão da Educação na Saúde
Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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Envolvem conceitos inteiramente novos: saúde, educação,responsabilidade social, mudança
institucional.
Implicam novas relações de poder dentro da universidade e entre a universidade e demais
atores.
Grande experiência na construção da mudança.
Indispensável ação política mais geral para cenários mais favoráveis às mudanças.
A conquista das novas Diretrizes Curriculares Nacionais.
Foi a primeira conquista dos movimentos de mudança na graduação em saúde.
Mobilização nacional das várias profissões, inclusão dos atores da saúde no debate,
ocupação dos espaços públicos de debate.
Resultado: conquista de um marco legal favorável às mudanças perseguidas e coerentes com
as orientações da saúde.
Mudança na Formação dos profissionais
Rede de Serviços como escola
Formação de Agentes Sociais
Educação Técnica
Educação Permanente
Políticas para Especialização
Mudança nas práticas
Projetos Locorregionais
EAD
Produção de conhecimento
Política de Educação para o SUS
Convites do SUS às universidades
Relações de cooperação em três campos
Educação dos profissionais de saúde
Prestação de Serviços
Produção de conhecimento
(incentivos nacionais para a construção local de relações de cooperação)
Políticas e dispositivos:
Pólos de Educação Permanente - Espaços de articulação interinstitucional para orientar e
construir iniciativas e políticas para formação e desenvolvimento dos profissionais de saúde
Certificação dos hospitais de ensino: novos compromissos, contratos melhores
Integração com o sistema
Integralidade da atenção
Apoio especializado para as equipes da atenção básica
Avaliação tecnológica para o SUS
Política de especialização:
Estudo cooperativo para identificar necessidades de especialistas
Programa de bolsas para apoiar iniciativas inovadoras
AprenderSUS: mudança na graduação
Integralidade da atenção como orientadora da formação
Formação de ativadores de processos de mudança
Apoio para desenvolver experiências inovadoras
Apoio para infraestrutura necessária à mudança
Apoio para sistematização e intercâmbio de experiências
Aspectos críticos nas políticas
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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Articulação efetiva entre os setores da educação e da saúde: histórias e tempos diferentes
Inserção efetiva do tema da formação na agenda dos gestores do SUS
Políticas para a graduação têm que ser coerentes com as políticas para a pós-graduação em
saúde:
Mudanças limitadas à graduação perdem força pois a especialização conforma o perfil
profissional
Marco legal favorável das diretrizes precisa ser acompanhado por transformações nas
políticas de avaliação institucional e avaliação docente
Aspectos críticos na construção da mudança
Incorporação efetiva do conceito ampliado de saúde à construção do raciocínio clínico
Construir a Integralidade na formação e nas práticas de saúde, envolvendo todos os
segmentos profissionais
Tomar a prática como elemento central para a formação e para a transformação
Quebrar as barreiras para ensinar e aprender for a do hospital
Trabalhar e aprender em equipe multiprofissional
Pistas para construir integralidade na formação:
Integralidade possibilita ampliação do convite à mudança dentro das escolas e dentro dos
serviços
Problemas da realidade favorecem a concretização do conceito ampliado de saúde e a
articulação de saberes para seu enfrentamento
Ampliação da clínica: convite ao diálogo entre saberes, áreas e profissões
Acolhimento, vínculo, responsabilização, ampliação da autonomia dos usuários,qualidade e
continuidade da atenção possibilitam repensar a organização das práticas e dos serviços em
todos os níveis
Múltiplas estratégias de mobilização para os diferentes segmentos docentes e profissionais
(na política e e na condução interna da mudança)
Gestão democrática, avaliação e educação permanente potentes e indispensáveis para
construção e alimentação da mudança
Processos inovadores de formação construídos em sintonia com mudanças nas práticas se
potencializam mutuamente
Pólos são espaço constituído para articulação entre educação e saúde
Envolvimento dos HUs pode ser aposta estratégica
SISTEMATIZAÇÃO DO PAINEL DESAFIOS NA CONSTRUÇÃO DE NOVOS PROCESSOS
PEDAGÓGICOS EM SAÚDE / ENFERMAGEM
Sistematizadora: Josicélia Dumêt Fernandes
- Romper com as práticas pedagógicas tradicionais; com os currículos organizados por meio de
disciplinas fragmentadas.
- Incorporar novos referenciais e paradigmas que fundamentem o processo da mudança em educação
e saúde.
- Romper com as atuais relações de poder existentes na realidade do processo de formação em saúde.
- Efetuar as ações de mudança com sustentabilidade, ancorando essas ações em políticas que
alimentam o processo de mudança.
- Ampliar / fortalecer a incorporação efetiva do conceito de saúde à construção do raciocínio clínico.
- Buscar a integridade nas escolas, nos serviços e entre ambos.
- Buscar a transformação nos três níveis de ensino buscando a integridade das ações e nas ações.
- Educar os educadores para o processo de mudança.
- Transcender às exigências do mercado e enfocar as demandas sociais.
- Reconstruir modelos que possam estar engessando a integridade.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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- Implementar o aprender a ser, a aprender, a fazer, a viver junto , a ser valorizando não só a questão
da competência técnica mas também a competência humana, a sensibilidade social.
- Diversificar não só os cenários das práticas, mas também as práticas.
- Reforçar a esperança no fazer pedagógico e no re-encantamento do mundo da educação e da saúde.
OFICINAS
EXPERIENCIANDO AS ABORDAGENS POR COMPETÊNCIA E A CONSTRUÇÃO DE
INDICADORES INSTITUCIONAIS
Rika M. Kobayashi1
Maria Madalena J. Leite2
Um de nossos maiores desafio, frente às imposições do mundo do trabalho e em atendimento à
satisfação do nosso cliente, consumidor do serviço de saúde, é o investimento em Recursos Humanos,
o desenvolvimento das competências profissionais que os instrumentalizem à atuar e intervir nos
diversos níveis de atenção e em diferentes processos de trabalho da área de saúde, mais
especificamente, na área de Enfermagem.
Se por um lado, o processo de trabalho é fragmentado pela distinção entre o pensar e o fazer, pela
divisão social e técnica do trabalho(1,2), na área da saúde, na assistência à saúde este processo de
trabalho também o é, dificultando a compreensão do contexto sócio-econômico do mercado capitalista
e as formas de intervenção para a transformação da realidade. E mais, apesar desta forma de
estruturação do trabalho, o mercado exige trabalhadores cada vez mais qualificados, atendendo à
estrutura de produção, com autonomia para a tomada de decisões, trabalho em equipe, com
competência para inovação, criatividade, mediadas por tecnologias da informação, simultaneamente
com a valorização e compreensão da cultura do trabalho, de suas formas de produção e de seus
processos.
Neste contexto das diversidades, o modelo de formação por competências, nos mostra a existência de
várias matrizes teórico-conceituais que orientam a identificação, definição e construção de
competências, e direcionam a formulação e a organização do currículo. Estas matrizes estão ancoradas
em indicações gerais propostas para a organização do currículo: investigação dos processos de
trabalho para a identificação de perfis profissionais de conclusão; definição dos blocos de
competências profissionais básicas, gerais e específicas relacionadas aos perfis identificados; desenho
da estrutura do currículo, em geral flexível e modularizado; definição dos itinerários profissionais com
critérios de acesso aos módulos e ao curso; definição das estratégias de aprendizagem prática
pedagógica interdisciplinar e contextualizada, processo centrado na aprendizagem do aluno,
individualização dos percursos de formação, construção significativa do conhecimento, seleção de
situações de aprendizagem baseadas na pedagogia de projetos e situações-problema; e definição do
processo de avaliação da aprendizagem.(3)
A experiência de trabalhar com a formação por competências, construindo-a, desenvolvendo-a e
avaliando-a na área de educação profissional(4), possibilitou algumas constatações:
A importância de uma Proposta Pedagógica alicerçada não só numa abordagem construtivista, mas
também na abordagem crítico-progressista destacando sob o ponto de vista conceitual, a preocupação
maior em busca da contextualização dos processos educativos mediante a exigências do mercado
capitalista, a busca de mecanismos de inserção dos excluídos, de compreensão conceitual de
1Enfermeira, pedagoga, mestre e doutoranda em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da USP
2
Enfermeira. Professora Livre Docente da Escola de Enfermagem da USP
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
41
referenciais de homem, sociedade, trabalho, educação, enfermagem, saúde-doença, como forma inicial
de entendimento para as transformações necessárias ao meio em que se vive e no qual se sustenta,
resgatando e compreendendo a dimensão histórica do trabalho e da educação no Brasil. Esta
constatação nos obrigou à discussão sobre a educação, seus processos e suas finalidades,
concretizando a elaboração da Proposta Pedagógica compartilhada pela comunidade escolar e
atendendo à demanda do mercado, pautada na definição de competências do Conselho Nacional de
Educação, com foco em três grandes competências: o Aprender a Conhecer, Saber Fazer e Saber Ser
(5)
.
Para que todo processo educacional fosse trabalhado com seriedade proposta, a qualificação docente
foi um foco especial de atenções que proporcionaram mudanças como a sólida formação em educação
e a formação em Pós-Graduação Stricto-Sensu na totalidade do corpo docente, o primeiro indicador
institucional. A produção do conhecimento foi legitimada por meio de produções cientificas realizadas
durante o ano, adotado como outro indicador institucional. Asso, foram conquistados espaços no
sentido de construção e divulgação destes conhecimentos que compartilhados por vários profissionais
de saúde, enriqueceram a formação com enfoque multidisciplinar.
O aproveitamento de estudos e desenvolvimento de potencialidades individuais foram muito
trabalhados, com especificidade na melhoria da auto-estima, normalmente bastante rebaixado nos
profissionais de enfermagem. O corpo discente além de sua formação específica, passou a buscar
cursos de especialização, educação permanente, o estudo dirigido e a auto-aprendizagem; além da
articulação ético-política e técnica que possibililtaram o ingresso e manutenção no mercado de
trabalho, em condições de competividade para a empregabilidade. Para o desenvolvimento deste
trabalho, um dos diferenciais significativos foi a utilização do estudo dirigido para auto-aprendizado(6),
que facilitou bastante o desenvolvimento da competência aprender a conhecer.
O indicador de ingresso no mercado de trabalho mostra que 83% dos profissionais egressos estão
atuantes em suas áreas, e que o percentual de aprovação em concursos públicos chegou a ser 100% dos
alunos da escola inscritos, além da expressão de satisfação com a sua formação por 84% dos egressos
(7)
, também foram adotados como indicadores.
Outro fator importante é que o índice de evasão neste contexto girava em torno de 25%, na maioria das
vezes, por motivos particulares, decorrentes do próprio contexto sócio-econômico dos estudantes
trabalhadores (8).
Dentre as dificuldades a maioria ainda está centrada na avaliação de competências. A avaliação
propriamente já é um assunto bastante discutido e no que se refere a acompanhamento do
desenvolvimento das competências profissionais individuais ou coletivas, a dificuldade percebida foi
ainda maior. Estas referiram-se à delimitação de competências mínimas desejadas para a formação
profissional, no trabalhar a competência ético-política que envolve atitudes, comportamentos, valores ,
vivências acumuladas individualmente, no acompanhamento quase que individualizado dos alunos em
relação aquisição de novas competências, no acompanhar a evolução individual do aluno,
considerando seus limites e suas possibilidades, no transformar conceitos de avaliação tanto no corpo
docente, quanto discente, exercitar continuamente a auto-avaliação direcionadas para intervenções de
melhoria.
Outra dificuldade percebida ao longo do processo, foi a necessidade contínua de revisão do perfil
profissional e suas respectivas competências periodicamente, atendendo às diretrizes políticas,
determinantes sócio-econômicas, às necessidades locais da comunidade assim como do mundo do
trabalho em contínua transformação.
E uma dificuldade percebida como uma das mais emergentes, foi a de educação permanente dos
enfermeiros de campo em relação às mudanças nos processos de trabalho, formação da força de
trabalho, evitando assim, gerar conflitos locais. Neste sentido, articulações foram realizadas no sentido
de um trabalho coletivo dos educadores do Serviço de Educação Continuada e do corpo docente além
de investimentos na formação especializada de multiplicadores na área de educação in loco.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
42
Para a continuidade do trabalho foram traçadas metas de aprimoramento do sistema de avaliação
existente, de forma que integrem o mundo acadêmico e o mundo do trabalho, considerando-se que
nenhum trabalho foi realizado neste sentido e que com certeza possibilitará outras intervenções
construtivas na elaboração do currículo por competências.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Conselho Nacional de Educação.(BR). Parecer CNE/CEB n. º 16 de 26 de novembro de 1999.
Diretrizes Curriculares para Educação Profissional de Nível Técnico. Diário Oficial da União, Brasília,
5 out. 1999.
Brasil. Ministério da Saúde. Formação pedagógica em educação profissional na área de saúde:
enfermagem: núcleo contextual: educação, trabalho e profissão 4. 2.ed.ver e ampliada. Brasília:
Ministério da Saúde. 2003
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Januário. Planejando e avaliando a formação de competências: um relato de experiência. In: 7º
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Federal - Brasília. 7º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem. 2003.
KOBAYASHI, Rika M.; LEITE, Maria Madalena Januário. Caracterização da disciplina Noções de
Administração de Enfermagem dos cursos Técnico de Enfermagem. In: 12ºSeminário Nacional de
Pesquisa em Enfermagem, 2003, Porto Seguro - Bahia. Anais do 12ºSeminário Nacional de Pesquisa
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OKANE, Eliana Suemi H; KOBAYASHI, Rika M.; TAKAHASHI, Regina Toshie. O AutoAprendizado no ensino de profissionais de nível médio de enfermagem. In: Seminário Nacional de
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2001
OKANE, Eliana Suemi Handa; KOBAYASHI, Rika M.; TAKAHASHI, Regina Toshie. A evasão dos
alunos na educação profissional de enfermagem. In: II Encontro Internacional de Pesquisa em
Enfermagem - Trajetória Espaço Temporal, 2002, Águas de Lindóia. Anais do II Encontro
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KOBAYASHI, Rika M.; OKANE, Eliana Suemi Handa; TAKAHASHI, Regina Toshie. Avaliação do
curso de auxiliar sob o ponto de vista dos egressos. In: 53º Congresso Brasileiro de Enfermagem,
2001, Curitiba. anais 53º congresso brasileiro de enfermagem. 2001.
EXPERIENCIANDO AS ABORDAGENS POR COMPETÊNCIAS
Sistematizadora: Maria Henriqueta Luce Kruse
1º Momento
2º Momento
3º Momento
apresentação dos presentes
Explanação Rika Koayashi
Discussão entre os presentes
Relato da experiência da formação desenvolvida no Hospital do Câncer/SP destacando:
Definição do perfil do técnico
Atribuições de técnicos e na visão de enfermeiros e técnicos
O que seria competência e como se constrói um currículo por competência
Determinação de habilidades necessárias e das bases tecnológicas
Como se avalia competência
Competência como capacidade de decidir embora essa visão não fosse considerada pelo grupo
como muito ampla para o nível técnico
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
43
Objetivos: aprender a ser, a aprender, a fazer.
Certificação por competência
A apresentadora agrupou questões relativas à formação dos técnicos em dois aspectos que nortearam a
discussão
Dificuldades de construir a formação experenciando a abordagem por competência
Construção do perfil desejado para o aluno;
Desenhar currículos que apresentem coerência entre perfil, competências, habilidades e bases
tecnológicas;
Enfrentar a questão de interdisciplinaridade;
Avaliar continuamente o aluno considerado as competências desejadas
Dentre as facilidades atividades destacam-se:
A integração entre teoria e prática;
Integração entre docentes, o que é mais fácil ou possível em cursos com pequenos grupos de
docentes;
Este modelo de formação facilita a avaliação continua do aluno e avaliação institucional.
Nas discussões da oficina também foram destacados:
A questão sobre a necessidade de mudar é preciso que nos encaixemos nos novos modelos? A
competência não seria um modismo?
A enfermagem sempre se preocupou sobre o ensinar a fazer, ser hábil e ser competente,
independente dessa construção de competência que temos hoje.
Também foi destacado o fato de que professores / coordenadores de cursos de graduação não se
dispuseram a apresentar currículos baseados em competência nessa oficina. O que isto está a
demonstrar? O que quer dizer?
A competência como algo que está dado e que temos que descobrir , conhecer a fórmula, as receitas.
Foi destacado que é algo que temos que construir em cada curso, em cada profissão, pois ainda não
está definido.
Foi apontado que essa discussão muda o foco do professor para o aluno que está envolvido em todo o
processo de formação.
Que todos estamos preocupados com as competências, habilidades e conteúdos que temos que
desenvolver em nossos cursos e preocupados em determinar o que os alunos futuros
profissionais devem saber.
Que temos muitas dúvidas sobre como trabalhar interdisciplinarmente tendo em vista toda a
história da modernidade e como fomos formados, como estão construídos os saber e os livros
que usam]
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
44
EXPERENCIANDO AS MUDANÇAS NA FORMAÇÃO: O OLHAR DAS INSTITUIÇÕES
PRIVADAS DE ENSINO
Luís Cláudio da Rocha Fraga1
Abigail Moura Moura2
Contextualizando
A educação direito de todos e dever do Estado , previsto na constituição, coloca também que o
sistema educacional é composto pelo setor público, responsável pela garantia dos direitos sociais e
pelo setor privado, complementar ao sistema.
Mesmo compreendendo que o ensino superior, sofre influência da política econômica do governo
através do corte de verbas, da privatização interna, e dos incentivos ao ensino privado, esse ensino
deve ser configurado como o espaço de garantia de direitos.
Sabemos que os grandes blocos econômicos como a ALCA e OMC, através de negociação de
serviços, precisa, para tentarem superar suas crises e buscar saídas para seu déficit de cerca de meio
trilhão de dólares, entrar e explorar outros ramos do mercado e da economia, daí, a proposta da ALCA
e também da OMC de incluir a educação como um serviço que deve ser comprado no mercado como
qualquer outro, e com a ALCA todos devem ter o direito de explorar e competir em condições iguais
no mercado3.
Ou seja, no pensamento desses blocos, não pode haver privilégios para as instituições do estado, todas
devem competir em igual situação, portanto o financiamento estatal deve ser disputado em iguais
condições pelas instituições públicas e privadas (aqui estariam as multinacionais do ensino), e as
públicas devem, assim como as privadas, buscar suas fontes de financiamento no mercado, ou seja, é o
fim da universidade pública estatal, é o fim do já restrito direito à educação superior.
Mesmo conhecendo essa realidade não podemos pensar que o setor privado da educação, em toda a
sua extensão, está totalmente atrelado a esse modelo. Sabemos que, numa sociedade capitalista o
interesse empresarial é o lucro. Em conseqüência as Instituições de Ensino, enquanto empresas,
também visam ao lucro. Mas além desse interesse, existe o compromisso com a qualidade do ensino,
com a educação como espaço de construção de autonomia, instituições comprometidas com a
produção e disseminação do conhecimento e de tecnologias.
Se o setor privado é complementar, opcional, o que o torna hegemônico e espaço onde os excluídos
encontram a possibilidade de vencer a exclusão? O que avança e o que permanece no movimento de
construção de políticas de regulação e regulamentação da educação?
Se a regulação e regulamentação da educação tanto no que se refere ao setor público como ao privado
é papel do Estado como que este cumpre o seu papel relacionado à abertura indiscriminada de cursos;
à avaliação e acompanhamento dos mesmos, a capacitação dos docentes para novas propostas?
Não temos discussão acumulada para afirmar que O Pacto de Educação para o Desenvolvimento
Inclusivo proposto pelo governo constitui-se em medida que vai começar a mudar a fundo a estrutura
do ensino superior no país.
Esse Pacto seria a forma atual do Contrato de Gestão: Como dar o primeiro passo nesse rumo, no
qual o MEC se propõe a assegurar um fluxo regular adicional de recursos para aquelas instituições
1
Coordenador do Curso de Graduação em Enfermagem FESO Teresópolis, RJ; Diretor de Educação da ABEn RJ.
Profa. Titular da FESO, Profa. Honoris Causa da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.
3
ANDIFES. Proposta de expansão e modernização do sistema público federal de ensino superior. Brasília 2003.
2
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
45
universitárias que aceitem aderir a um Pacto de Educação para o Desenvolvimento Inclusivo ? Ou
seria o desafio de assumirmos a responsabilidade, de construirmos estratégias capazes de tornar a
educação como um dos espaços de inclusão social?
Compreendemos que o momento atual é de extrema responsabilidade para nós que atuamos no setor
privado, uma vez que é neste setor onde se encontram 88,1% das instituições e 77% dos alunos, existe
também uma sobra de vagas (500 mil em 2003) e uma crise financeira que está gerando 35% de
inadimplência (800 mil estudantes), o que impossibilita um maior crescimento do setor sem que esse
problema seja resolvido. É também nesse setor onde se encontra o maior número de Escolas de
Enfermagem do País.
Vale questionarmos que enfermeiro é esse que estamos formando? Estamos preocupados em aumentar
o número de vagas contando com a evasão, ou em construirmos propostas políticas pedagógicas
garantindo a permanência desse aluno na Escola e acima de tudo a formação do cidadão
comprometido com as mudanças da realidade brasileira?
Quando falamos em propostas políticas estamos nos referindo ao nosso papel de mediador entre o
aluno e a Instituição; entre o docente e a Instituição, entre as condições concretas de trabalho e a
Instituição. Entendemos a impossibilidade de separarmos o político do pedagógico. Seria até
redundante falarmos político-pedagógico. Mas essa redundância também é política, uma vez que a
dicotomia tão presente no trabalho em educação permite que o pedagógico apresente-se neutro ,
totalmente desvinculado da realidade.
Lembramos, também, que o setor privado vem apresentando mudanças geradas, em parte pelo
compromisso das Instituições sérias, e, em parte, pelas medidas do governo, seja nos processos
avaliativos que, de certo modo, gera a preocupação com a capacitação docente, o desenvolvimento de
pesquisas, a produção de conhecimentos e tecnologias, seja pela absorção de mestres e doutores
vindos do setor público, por aposentadorias precoces, como conseqüência do descaso do governo com
a educação.
O momento atual aponta para a necessidade de pensarmos o ensino de Enfermagem, e
particularmente, a formação do enfermeiro na sua totalidade, independente de onde essa formação
aconteça, seja no setor público ou privado. Para tanto temos que compreender que na sociedade
contemporânea a produção de conhecimento, a inovação e a transferência tecnológica são
fundamentais para a soberania das nações. Desse modo, há necessidade de assumirmos o compromisso
com:
o fortalecimento do Sistema Nacional de Educação com a efetiva integração entre os diversos
níveis de ensino;
a qualidade na formação de profissionais para a sociedade, em geral, e para os demais níveis de
ensino, em especial;
processos que buscam articular a graduação, pós-graduação e nível técnico;
produção de novos conhecimentos, mesmo entendendo que as Instituições Federais de Ensino
(IFES) são responsáveis pela maior parte das pesquisas realizadas no país e pela quase totalidade
daquelas desenvolvidas nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Centro-Oeste, tal fato não isenta as
Instituições Particulares de sua responsabilidade com a produção de novos conhecimentos;
a mudança na política de extensão de modo que seja indissociável do ensino e da pesquisa e, que
de fato,represente o vínculo político da Instituição com a comunidade.
O Compromisso da Enfermagem da Feso com a Transformação
O movimento de construção do projeto político pedagógico do Curso de Graduação em Enfermagem
da FESO inicia-se na década de 1990 quando buscamos acompanhar o movimento nacional da ABEn
perspectivando transformar a Portaria .1721. do Currículo Mínimo em currículo plenos. Esse
movimento, apesar de ser centrado na proposta de construção de um novo currículo , o desafio maior
era de construir um projeto político para a educação em Enfermagem, articulando os três níveis de
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
46
formação, articulando ensino/trabalho de modo que a enfermagem pudesse, de fato, intervir nas
políticas de saúde e educação do Estado Brasileiro e na produção dos serviços de saúde comprometida
com os princípios da Reforma Sanitária.
Optamos pela construção coletiva, iniciando com o levantamento dos problemas o que nos possibilitou
a organização de frentes de ação no sentido de vencer os desafios identificados e perseguir os
objetivos procurando apoiar-se em idéias e debates, sem, no entanto, perder de vista os aspectos de
realidade, bem como o período de tempo estabelecido para sua concretude.
Assim, nesse caminhar, optamos por uma metodologia que nos permitisse avançar no delineamento de
ações a partir das necessidades surgidas, cujos procedimentos fossem gerados no próprio processo que
não perdesse de vista a descrição e crítica da realidade e a construção coletiva, apropriando-se do
método dialógico e dos princípios metodológicos nele contidos como norteadores de pistas a serem
perseguidas. Nesse aspecto, traçamos algumas linhas de ação a serem percorridas, a saber:
Realização de Oficinas de Trabalho a partir das necessidades apontadas.
Levantamento do Perfil Profissional atual e o desejável, a partir da identificação das
compet6encias habilidades e atitudes que vêm sendo ensinados e os que devem ser incorporados,
especialmente os que são definidos pela ABEn através dos SENADENs.
Discussão através de seminários dos seguintes temas:
Teoria Crítica da Educação,
Pedagogia da Problematização,
Currículo Integrado,
Processo de Trabalho Saúde/Enfermagem,
Perfil Epidemiológico,Articulação Educação / Trabalho.
Incorporação, na medida do possível, das discussões ocorridas por ocasião dos Seminários
Nacionais Sobre Diretrizes para a Educação em Enfermagem (SENADEN).
Apesar do processo de construção de Currículo ser apoiado por uma Teoria Crítica-Problematizadora,
na prática, essa base teórica, encontramos muitas dificuldades, no que se refere à apropriação por
grande parte dos docentes. Entretanto esse movimento tem sido como explorar um caminho, indo e
vindo, superando obstáculos. A construção coletiva possibilita errar menos, a partir de uma
experiência grupal essencialmente dialógica1.
Mais Compromisso... Novos e Velhos Desafios
Vale salientar que esse movimento não é só do Curso de Graduação em Enfermagem mas, a FESO
como um todo, vem passando por um processo de construção do seu Projeto Político Pedagógico
Institucional2, concebendo-o como instrumento político norteador sempre em construção
não
significando um documento acabado, mas representando a possibilidade da construção de novos
saberes e tecnologias, ou seja, instrumento de balizamento para o fazer universitário, concebido
coletivamente, no âmbito da instituição, orientado para esta como um todo e para cada curso em
particular, devendo:
contemplar demandas da sociedade contemporânea (fatores que favorecem ou que bloqueiam a
transformação);
desenvolver uma nova visão de mundo expressa nos novos paradigmas da sociedade e da
educação;
ter a perspectiva de uma formação global e crítica para o exercício da cidadania;
ser instrumento de ação política;
ter a compreensão da educação/formação em contínuo processo;
contemplar as inovações tecnológicas;
considerar as exigências do mundo do trabalho
1
2
PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO do Curso de Graduação em Enfermagem da FESO, Teresópolis 2002
PROJETO POLÍTICO INSTITUCIONAL da FESO (em construção) Teresópolis 2004.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
47
levar em consideração o aprofundamento das diferenças econômicas, sociais, regionais e de
conhecimento que caracterizam o desenvolvimento desigual;
compreender a crise das políticas públicas, esfera pública dominada pelos interesses de mercado,
deixando de priorizar o interesse geral da sociedade;
comprometer-se com um modelo includente de educação centrado no direito de cidadania,
compreendendo que as relações do mundo do trabalho vêm se alterando como resultado da crise
imposta pelo processo de globalização;
superar o concepção do ensino centrado na dimensão tecnológica do conhecimento que predomina
sobre as demais dimensões: filosófica, ética e a do compromisso social.
A proposta de construção do PPP do Curso de Graduação em Enfermagem obrigou-nos a compreender
as dimensões da realidade social como as dimensões do próprio projeto:
Dimensão geral: demandas sociais, econômicas e políticas esperadas da universidade, faculdade,
cursos; diplomas legais (LDB, DCNs,), Movimentos Sociais .
Dimensão particular: políticas de educação e saúde, inserção regional da FESO, Movimentos
sociais e da Enfermagem.
Dimensão específica: os processos de trabalho específicos da FESO, do Curso de Graduação em
Enfermagem, dos cenários de prática e outros.
Partindo dessa compreensão, desencadeamos um novo momento com o objetivo maior de
transformar as DCNs em um projeto político pedagógico para a graduação em Enfermagem, na
perspectiva de formar o enfermeiro generalista crítico e reflexivo, com competência técnicocientífica, ético-política, com vistas à transformação da realidade social, respeitando os princípios
éticos e legais da profissão, valorizando o ser humano em sua totalidade e no exercício da
cidadania, tendo como horizonte os princípios da integralidade na atenção à saúde.
Para tanto resgatamos os movimentos anteriores: criação e projetos do curso, participação nos fóruns
da Enfermagem, na construção de propostas para as DCNs, de modo que essas traduzissem o Projeto
Político de Educação em Enfermagem apresentado na Carta de Florianópolis e outros. Sempre
acompanhado de crítica a esse momento, na perspectiva da construção de novas propostas para a
Enfermagem da FESO, articulada ao movimento nacional da Enfermagem e elaboração de propostas,
considerando as três dimensões e o processo como um todo.
Compreendendo que a construção de um projeto pedagógico é sempre processual, iniciamos pela
captação e interpretação da realidade do ensino e da prática de enfermagem, sempre nas três
dimensões, construímos projetos de intervenção dentro da realidade dos serviços de saúde de
Teresópolis, no ensino de Enfermagem, na produção do conhecimento da FESO, num movimento
constante de reinterpretação dessa realidade, representado por constantes processos de avaliação,
buscando construir projetos de novas intervenções e, conseqüentemente, a construção coletiva de
novas propostas, envolvendo docentes, discentes, corpo técnico-administrativo, atores dos cenários de
prática e coordenada por um grupo gestor.
O envolvimento de todos é imprescindível para que haja comprometimento com o projeto. Assim, o
nosso desafio é com o desvelamento do significado do projeto com a compreensão de todas as suas
dimensões. Esse desvelamento é indispensável pois o que une os participantes é consciência da
importância da mudança para que possa gerar o envolvimento necessário para essa mesma mudança.
Para desencadear esse processo, investimos prioritariamente na capacitação docente: investimento na
pós-graduação; participação em eventos internacionais, nacionais, regionais e locais; na cooperação
técnica com outras Instituições; articulação com os processos de mudança no ensino na FESO,
particularizando o projeto de mudanças do ensino médico (antigo PROMED); nas oficinas de
sensibilização. A capacitação docente está voltada para o processo na construção e/ou (re)construção
de:
marcos teóricos do projeto pedagógico FESO, faculdades, cursos;
concepções de homem, sociedade, educação, processo ensinar/aprender;
especificidade do curso de graduação;
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
48
políticas de graduação pós graduação, extensão, pesquisa;
estruturas curriculares que atendam ao perfil definido coletivamente;
programas especiais : monitorias, iniciação científica;
direção do processo: coordenação de curso, coordenação de estágio e assessorias;
participação do corpo docente: doutores, mestres, especialistas;
construção de meios/instrumentos necessários à mudança (novos conhecimentos, estratégias
pedagógicas, espaços para a pesquisa, laboratórios entre outros).
Proposta de Reorganização do Projeto Político Pedagógico do Curso de Graduação em Enfermagem
da Feso (Em Construção)
O Desafio...
O trabalho em enfermagem tem especificidade que se materializa nos processos assistir/intervir,
gerenciar, investigar, ensinar/aprender, de forma indissociável nos modelos epidemiológico e
clínico, onde o profissional exerce a coordenação do trabalho de enfermagem, na produção em
saúde.
O Curso de Graduação em Enfermagem da FESO, acompanhando esse movimento nacional e de
acordo com as formulações do Fórum de Escolas de Enfermagem do Rio de Janeiro, assume e define
novos objetivos, perfil, competências e habilidades para a formação do Enfermeiro em Teresópolis.
A Construção...
Partindo de questionamentos dos pressupostos básicos que atravessam o texto das diretrizes
curriculares e o Projeto Político Pedagógico do Curso de Graduação em Enfermagem, ora em
andamento, a proposta em construção visa traduzir as Diretrizes Curriculares em um Novo Projeto
Político Pedagógico que implica em (des)construções e (re)construção das concepções de sociedade,
educação, saúde e enfermagem.
O processo vem se dando por meio da construção coletiva, com a participação de professores, alunos,
enfermeiros dos campos de prática e funcionários técnico-administrativos, tendo como norte: o perfil
acadêmico e profissional; competências, habilidades e conteúdos que atendam às necessidades sociais,
nas dimensões estrutural, particular e singular da sociedade; as perspectivas e abordagens
contemporâneas e os referenciais nacionais e internacionais que possibilitem a atuação do enfermeiro
no SUS, com base na Reforma Sanitária Brasileira.
Essa proposta abrange estratégias de capacitação dos sujeitos e dos processos, como forma de
impulsionar as mudanças político-pedagógicas na formação dos enfermeiros.
As Diretrizes...
A estrutura do Curso de Graduação em Enfermagem deve assegurar:
processo ensinar/aprender que estimule o aluno a refletir sobre a realidade social, na sua
historicidade e dinamicidade, visando desenvolver o aprender a aprender;
ensino crítico reflexivo e criativo;
estímulo a experimentos/pesquisa;
ação-reflexão-ação (integração e interdisciplinaridade);
educar para a cidadania;
construção coletiva;
valorização das dimensões éticas e humanísticas;
articulação graduação e demais níveis de formação;
articulação entre ensino/pesquisa/extensão.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
49
Os conteúdos curriculares serão trabalhados em áreas temáticas desdobradas em atividades teóricopráticas, presentes desde o início do curso, de modo a conformar o trabalho da enfermagem
materializado nos processos assistir/intervir, gerenciar, ensinar/aprender e investigar, conforme quadro
a seguir:
ÁREAS TEMÁTICAS
Bases Biológicas e Sociais
do Trabalho de
Enfermagem
EIXOS DE OPERACIONALIZAÇÃO
Determinação social comportamental e cultural do processo saúde-doença
Processos Morfo-Fisiológico: bases para a intervenção da enfermagem no
processo saúde doença.
Produção dos serviços de saúde frente aos Processos Protetores e
Processo destrutivos do índivíduo/família, grupos sociais e sociedade
(processos patológicos e terapêuticos)
Bases TeóricoMetodológicas do Trabalho
de Enfermagem
Gênero e Enfermagem
História e processo de trabalho em enfermagem
Os determinantes éticos-legais do processo saúde-doença e o trabalho de
enfermagem. A ética e a bio-Ética e a construção da cidadania
O movimento da construção do SUS
Modelos tecnológicos de produção dos serviços de saúde/enfermagem
(modelo epidemiológico e clínico) (metodologias, técnicas no hospital,
unidades básicas e comunidade)
Processo de produção dos serviços de saúde na perspectiva da saúde coletiva
Saúde ambiental
Processo Assistir/Intervir da
Enfermagem nos Modelos
Epidemiológico e Clínico
Bases para a intervenção da enfermagem no processo saúde doença no
modelo clínico na perspectiva da integralidade. (semiologia e semiotécnica)
Produção dos serviços de saúde frente aos processos protetores e
Processo destrutivos do índivíduo/família, grupos sociais e sociedade
(epidemiologia)
A intervenção da enfermagem na saúde coletiva
Processo saúde doença relacionado ao processo de produção social.
O assistir/intervir e gerenciar no processo saúde doença da criança e
adolescente, de reprodução humana e do adulto e do idoso no modelo
epidemiológico e clínico
Processo Gerenciar da
Enfermagem no Modelo
Epidemiológico e Clínico
A gerência como processo de trabalho da enfermagem e como instrumento
do processo assistir/intervir (teorias e métodos...).
O processo gerenciar da enfermagem nas instituições prestadoras de atenção
à criança e adolescente, de reprodução humana e do adulto e do idoso no
modelo epidemiológico e clínico
A educação permanente dos trabalhadores de enfermagem
A formação do formador
Políticas de Educação Permanente do Estado brasileiro
Formação, qualificação dos trabalhadores de saúde/enfermagem.
Processo investigar da enfermagem nos modelos clínicos e epidemiológicos:
ato de estudar;
metodologias, técnicas;
produção de trabalhos acadêmicos;
elaboração e apresentação de trabalhos em eventos;
produção e apresentação do trabalho de Conclusão de Curso
(monografia).
Processo Ensinar/Aprender
De Enfermagem
Processo Investigar da
Enfermagem
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
Articulação Ensino
Trabalho
50
O projeto de intervenção da enfermagem nos serviços de saúde: as
dimensões da realidade na relação indivíduo/família, grupos socias e
sociedade no trabalho em saúde enfermagem (atividade de campo)
O projeto de intervenção da enfermagem nos serviços de saúde (captação da
realidade(interpretação da realidade)
O projeto de intervenção da enfermagem nos serviços de saúde)
(elaboração do projeto de intervenção
O projeto de intervenção da enfermagem nos serviços de saúde atenção à
criança e ao adolescente
O projeto de intervenção da enfermagem nos serviços de saúde atenção ao
processo de reprodução humana
O projeto de intervenção da enfermagem nos serviços de saúde atenção ao
adulto e idoso
O projeto de intervenção da enfermagem nos modelos clínicos e
epidemiológicos de produção dos serviços de saúde (estágio
supervisionado)
Onde O Velho E O Novo Se Entrelaçam - Mais Desafios:
As mudanças na formação dos profissionais de saúde devem ser compreendidas e produzidas frente as
suas relações com o trabalho em saúde - nos níveis de gestão e execução -, e a realização do
controle da sociedade sobre o sistema de saúde, como requisitos para o desenvolvimento da
qualidade da formação promovida e das práticas exercidas por estes trabalhadores (...) na concepção
da ABEn onde é proposto (...) a execução de um plano de trabalho integrado por atividades que
produzam e aprofundem o conhecimento, a sistematização e o fortalecimento da execução das
mudanças e dos sujeitos das mudanças no Ensino de nível superior e técnico em
Saúde/Enfermagem...
Acompanhando esse movimento temos que nos comprometer com o estabelecimento de coerência
entre o processo ensinar/aprender e os princípios norteadores do SUS, gerando novos desafios:
Adoção de marcos teórico-metodológicos que possibilite ao Aluno ser sujeito do processo
ensinar/aprender, conformando sua autonomia intelectual;
Buscar estratégias para a articulação ensino/trabalho de modo a inverte a relação teoriaprática para uma nova relação prática-teoria-prática, na qual a realidade social e dos
serviços de saúde seja a base norteadora da formação;
Construção de proposta de extensão da Enfermagem da FESO envolvendo todas as disciplinas
e propostas hoje existentes
Seminários sobre A articulação Ensino-Trabalho no SUS ;
Levantamento de temáticas de interesse do Curso e dos Serviços para capacitação dos
docentes e enfermeiros de serviço;
Experiências de educação à distância para oferta em parceria com o pólo de educação
permanente sobre a articulação ensino/trabalho;
Cursos/oficinas sobre a integralidade na atenção à saúde no contexto do SUS; Experiências
integradas de formação, realizadas pelas disciplinas e profissionais de saúde/enfermagem;
Estudo sobre os processos curriculares e os cenários de Promoção da Saúde.Sistematização
das experiências curriculares que apresentem acúmulos no processo de construção deste
paradigma.
Construção de momentos integradores de ação e reflexão como estratégias indispensáveis para
a consciência crítica reflexiva.
Cursos/Oficinas de Informática para profissionais e estudantes de Nível Superior e Técnico
Saúde/ Enfermagem;
Curso Internet no Ensino de Enfermagem;
Levantamento dos conteúdos/disciplinas ora ministrados no Curso de Enfermagem e
conformação de um novo desenho curricular.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
51
Pesquisa sobre Compreensões e concepções de Trabalho, Mudança e Cuidado presentes no
Projeto Políticos Pedagógico do Curso de Graduação em Enfermagem da FESO;
Concepções e ações avaliativas que sustentam os processos de mudança na relação professoraluno e produção da força de trabalho e serviços de saúde.
A integralidade como princípio estruturante da humanização da atenção em
saúde/enfermagem no HCT;
Os processos destrutivos e protetores na atenção à saúde/enfermagem.
Processo ensinar/aprender momentos integradores de ação e reflexão como estratégias
indispensáveis para a consciência crítica reflexiva.
Artigos para Cadernos de Enfermagem da ABEn Nacional; trabalhos apresentados em
congressos; artigos para Revistas Temáticas e jornal da ABEn, revista do CCBM; Boletins e
Informativos;
Cursos de especialização em Gestão e Gerência e na especificidade do cuidado em
Enfermagem para qualificação da atenção,com foco na relação ensino-cuidado;
Curso de especialização a formação do formador;
Formulação de proposta de acompanhamento e avaliação das mudanças político-pedagógicas
dos Curso de graduação em Enfermagem;
Construção de propostas de de avaliação do processo de mudança na formação e do processo
ensinar-aprender tendo por base o PPP;
Capacitação dos docentes em novas metodologias e processos avaliativos e de Auto
Avaliação;
Participação na Pesquisa sobre as razões e concepções políticas e sociais que impulsionam a
formação de especialistas em Enfermagem;
Participação no Estudo sobre o perfil dos especialistas em enfermagem no Brasil, o processo
de trabalho em saúde/enfermagem e a formação profissional;
Participação na Pesquisa nacional de Avaliação de Egressos dos Cursos de Enfermagem, com
foco nas possibilidades e limites da implantação das DCNs frente a promoção das mudanças;
OFICINA: EXPERENCIANDO AS MUDANÇAS NA FORMAÇÃO: O OLHAR DAS
INSTITUIÇÕES PRIVADAS DE ENSINO
Sistematizadora - Abigail Moura
ESTADOS REPRESENTADOS; DF, SP, PI, MG, RS, RJ, RN, BA, PA, PR , TO, PB
A discussão partiu da compreensão que numa sociedade capitalista o interesse empresarial é o lucro.
Em conseqüência as Instituições de ensino, enquanto empresas, também visam o lucro. Mas além
desse interesse existem instituições comprometidas com a qualidade do ensino, com a educação como
espaço de construção de autonomia, com a produção e disseminação do conhecimento e de
tecnologias.
Mesmo compreendendo que o ensino superior, sofre influência da política econômica do governo
através do corte de verbas, da privatização interna, e dos incentivos ao ensino privado, esse ensino tem
que se configurar como espaço de garantia de direitos. Foi apontado o desafio de da construção de
estratégias capazes de tornar a educação como um dos espaços de inclusão social.
Apontou-se a necessidade questionar que enfermeiro é esse que está sendo formando e a indagação
sobre a preocupação das escolas presentes se é apenas em aumentar o número de vagas contando com
a evasão, conseqüentemente encontrando formas de maior lucro ou na construção de propostas
políticas pedagógicas garantindo a permanência dos alunos na escola e acima de tudo com a formação
do cidadão comprometido com as mudanças da realidade brasileira?
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
52
Foi lembrado também que o setor privado vem apresentando mudanças geradas em parte pelo
compromisso das Instituições sérias, e, em parte, pelas medidas do governo, seja nos processos
avaliativos que, de certo modo, cria a preocupação com a capacitação docente, desenvolvimento de
pesquisas, produção de conhecimentos e tecnologias, seja pela absorção de mestres e doutores vindos
do setor público, por aposentadorias precoces, como conseqüência do descaso do governo com a
educação.
O momento atual aponta para a necessidade de pensar o ensino de enfermagem, e particularmente a
formação do enfermeiro na sua totalidade, independendo de onde essa formação aconteça seja no setor
público ou privado. Para tanto torna-se imprescindível compreender que na sociedade contemporânea
a produção de conhecimento, a inovação e a transferência tecnológica são fundamentais para soberania
das nações. Rompendo com a dicotomia público/privado; compreendendo a especificidade de cada
setor, buscando superar toda e qualquer forma de preconceito.
A realidade é que já existe um grande movimento de mudanças das Escolas/Cursos no sentido de
transformar as DCNs, em PPP. Mudanças a partir de avaliações externas. No entanto foram
levantados problemas que ainda não foram superados, entre outros;
ESTÁGIOS - dificuldades que vão desde a concepção do que seja estágio, ensino teórico prático,
supervisão dessas atividades: docente que ministra o bloco teórico, enfermeiro de serviço que
supervisiona as práticas; número excessivo de alunos nos campos de prática; enfermeiros de serviço
distantes das diretrizes do ensino; enfermeiros de serviço não são remunerados entre outras. Propostas
início a partir das UBS; média de alunos por docentes atendendo a especificidade do campo de prática;
proposta de estágio negociada com os gestores; formação dos enfermeiros de campo através de
oficinas, seminários, cursos de extensão, especializações, mestrados e outras, proporcionada pela
Academia; oferecimento de contrapartida didática (cursos ou outras atividades para o pessoal de
serviço) pela escola por ocasião da negociação dos convênios; ampliação dos cenários de prática; todo
o professor seja supervisor de prática buscando romper a dicotomia teoria-prática; normatização para
estágios supervisionados nas 24 horas. construção coletiva de mecanismos que possam intervir na
abertura indiscriminada de curso;
ENSINO NOTURNO deve ser melhor compreendido como espaço que reflete a especificidade do
trabalho em enfermagem e não somente como um espaço de acomodar interesses propostas
estabelecimento de diretrizes para cursos noturnos, respeitando e garantindo aspectos trabalhistas dos
docentes/supervisores.
MUDANÇA NO ENSINO dificuldade em desenvolverem experiências de pedagogias ativas ou
outras mudanças número excessivo alunos falta de preparo docente e outros; compreensão de que o
PPP não é apenas um documento a ser entregue aos órgãos competentes, mas um movimento em
constantes mudanças, sempre provisório, que gera vários produtos, preocupado em questionar que
enfermeiro queremos formar; os SENADEN concebidos como espaços de aprendizados para as
Escolas;
AVALIAÇÃO: diferentes concepções de avaliação por parte dos avaliadores do INEPE gerando
orientações contraditórias; avaliação como fiscalização (punição ou premiação) e não como espaço de
acompanhamento do PPP com base nas DCNs, modelos de avaliação centrado em outras concepções
pedagógicas e não as expressas nos PPP; proposta que os avaliadores do INEPE sejam selecionados e
treinados tendo por base as DCNs;
ORGANIZAÇÃO POLÍTICA - dificuldades na formação/participação nos fóruns de Escolas da
ABEn; falta de repasse de informações das seções para as regionais; propostas criação de mecanismos
de inclusão das escolas que não fazem parte dos fóruns em atividades como APRENDER-SUS,
projetos da ABEn ex. projeto de sustentabilidade; além da divulgação da ABEn para as seções que
seja também feita também para as escolas de enfermagem; os Pólos de Educação Permanente foram
apontados como espaço a ser aproveitado pela ABEn. Que sejam criados ou fortalecidos em todos os
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
53
estados da federação, fóruns de Escolas de Enfermagem (nível médio, graduação e pós-graduação)
ressaltando a importância de uma coordenação ativa para que possa estar instigando e motivando as
escolas para participação nesse espaço; que enquanto IES as privadas sejam vistas como participes da
Educação em Enfermagem, garantindo recursos para pesquisa e extensão; enquanto parceiras dos
campos de prática estabelecem responsabilidade social, desenvolvem extensão e pesquisa. Portanto as
políticas de Educação devem ser pensadas na totalidade. Estabelecimentos de fóruns maiores para
que as IES privadas tenham condição de desenvolverem maiores discussões através das diversas
experiências regionais do país; as IES privadas necessitam ter paridade nas representações oficiais da
Educação em Enfermagem, uma vez que representam 90% dos agentes formadores no País.
EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA - como vínculo político da IES com a comunidade, ou seja
responsabilidade social para tanto tem que ter o respaldo institucional não se trata de iniciativas
isoladas de docentes ou gestores;
Encaminhar para a IEPE a sugestão de criação de espaço virtual de discussão das questões levantadas
pela oficina.
OFICINA: O PROCESSO VER-SUS/BRASIL: VIVENCIANDO O SUS
Luiz Fernando Silva Bilibio1
Odete Messa Torres2
Objetivo da Oficina: proporcionar espaço de reflexão e discussão acerca do processo de formação de
profissionais da saúde em resposta as reais necessidades do Sistema Único de Saúde a partir da análise
da construção do VER-SUS/Brasil enquanto política do DEGES/SGTES/MS em parceria com o
Movimento Estudantil da Área da Saúde.
Público Participante: estudantes, docentes, gestores, trabalhadores e usuários.
A oficina inicia com uma análise conjuntural do processo da Reforma Sanitária Brasileira e seus
desdobramentos na criação do Sistema Único de Saúde (SUS). Caracteriza este sistema, seus
princípios e diretrizes, discute as concepções de saúde, responsabilizando-se, enquanto Gestor Federal,
em ordenar a formação de recursos humanos na saúde, a partir do Artigo 200 da Constituição
Brasileira:
Compete à gestão do Sistema Único de Saúde o ordenamento da formação de recursos humanos da
área da saúde, bem como o incremento, na sua área de atuação, do desenvolvimento científico e
tecnológico (Constituição Nacional, Art. 200, Incisos III e IV).
Para tanto, apresenta a proposta do VER-SUS/Brasil Vivências e Estágios na Realidade do Sistema
Único de Saúde no Brasil como parte da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde
(EducarSUS), proposta pela Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, do Ministério
da Saúde e desenvolvida pelo Departamento de Gestão da Educação na Saúde. Esta política - o
EducarSUS - apresenta, entre outros, três componentes que se inter-relacionam para compor o quadro
de estratégias de mudança, são eles: (1) o AprenderSUS, que se traduz nos processos para a promoção
1
Doutorando e Mestre em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Consultor
Técnico do Departamento da Gestão da Educação na Saúde, da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, do
Ministério da Saúde. E-mail: [email protected].
2
Mestranda em Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde pelo Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia.
Consultora Técnica do Departamento da Gestão da Educação na Saúde, da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação
na Saúde, do Ministério da Saúde. E-mail: [email protected].
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
54
de mudanças nas graduações em saúde; (2) os Pólos de Educação Permanente em Saúde, que se
apresentam como palco privilegiado de encontro dos diversos atores sociais envolvidos com os
processos de formação e educação de profissionais da saúde, reunindo na lógica das rodas gestores,
trabalhadores, formadores, estudantes e usuários a fim de juntos comporem estratégias locais de
qualificação e formação profissional - que aproxime o ensino, os serviços, a gestão e o controle social
- utilizando-se dos referenciais de educação permanente para construírem e implementarem os
projetos locorregionais que serão financiados pela SGTES/MS, em uma lógica ascendente de
priorização de necessidades; e, por fim, (3) o VER-SUS/Brasil, objeto desta oficina, que se propõe a
dialogar com o Movimento Estudantil da Área da Saúde as formas de construção locais de estágios de
vivência no SUS a fim de aproximar os estudantes aos desafios relativos à gestão, atenção, educação e
controle social em saúde.
A Oficina transcorreu com a apresentação do VER-SUS/Brasil pelos técnicos do Ministério da Saúde
em colaboração com estudantes das Executivas dos Cursos de Enfermagem (ENEEnf Executiva
Nacional dos Estudantes de Enfermagem) e Medicina (DENEM Direção Executiva Nacional dos
Estudantes de Medicina) presentes na Oficina e participação de estudantes locais que compõe o
Núcleo Estudantil de Articulação do Projeto VER-SUS/Brasil em Vitória e no Estado do Espírito
Santo. Por fim, foram respondidos os questionamentos dos participantes
estudantes, docentes,
coordenadores de cursos, gestores e trabalhadores, e a este público foram proporcionados espaços de
participação, com troca de experiências e impressões que possibilitaram dinamizar o curso da Oficina.
A seguir transcrevemos parte do que foi trabalhado na Oficina.
O VER-SUS/Brasil
O Projeto de Vivências e Estágios na Realidade do Sistema Único de Saúde VER-SUS/Brasil faz
parte da estratégia do Ministério da Saúde e do Movimento Estudantil da Área da Saúde de aproximar
os estudantes universitários do setor aos desafios inerentes à implantação do Sistema Único de Saúde
(SUS). A missão é promover a integração dos futuros profissionais à realidade da organização dos
serviços, levando-se em consideração os aspectos de gestão do sistema, as estratégias de atenção, o
exercício do controle social e os processos de educação na saúde.
Trata-se de uma ação que propicia aos estudantes universitários dos cursos da saúde conhecer mais de
perto o SUS. É uma oportunidade de vivenciar os desafios, as dificuldades e os avanços deste sistema.
Uma vivência onde os profissionais em formação problematizam a organização dos serviços de saúde
nas diferentes regiões do país.
O Projeto orienta-se pela abertura do sistema como espaço de ensino e aprendizagem para os
estudantes da área da saúde. Sua realização nos espaços de ensino-serviço visa tornar presentes as
ações de condução do sistema de saúde.
O DEGES vem se reunindo sistematicamente com a Comissão de Representação do Movimento
Estudantil da Área da Saúde, desenvolvendo uma agenda de temas importantes para a formação dos
profissionais da saúde do país. O VER-SUS/Brasil é um dos pontos desta agenda e representa a
concretização de muitos desejos e a provocação de vários sonhos voltados para a formação de
profissionais realmente comprometidos com a saúde da população.
Outra dimensão contemplada nesse Projeto diz respeito à histórica dificuldade das diferentes
profissões da saúde trabalharem de forma integrada. A cultura da fragmentação no setor ainda é uma
realidade ligada à falta de convivência multiprofissional. A intensa convivência multiprofissional dos
estudantes é uma das principais marcas do VER-SUS/Brasil.
Deste modo, o VER-SUS/Brasil é uma importante ferramenta capaz de fortalecer a formação dos
profissionais, visando enfrentar os reais desafios da área da saúde como, também, sensibilizar os
estudantes para uma participação crítica e reflexiva no movimento da Reforma Sanitária Brasileira.
Objetivos do VER-SUS/Brasil
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
55
Valorizar e potencializar o compromisso ético-político dos participantes do espaço de vivência no
processo da Reforma Sanitária;
Provocar reflexões acerca do papel do estudante enquanto agente transformador da realidade social;
Contribuir para a construção da consciência acerca da saúde em seu conceito ampliado;
Sensibilizar gestores, trabalhadores e formadores do sistema de saúde, estimulando as discussões e as
práticas de educação permanente, reafirmando o SUS em suas ações;
Contribuir para o amadurecimento da prática interdisciplinar e multiprofissional, para a articulação
interinstitucional e intersetorial e para a integração ensino-serviço no campo da saúde;
Contribuir para o debate sobre o projeto político-pedagógico da graduação e sobre a implementação
das diretrizes curriculares da saúde, de forma que contemplem as reais necessidades do SUS e da
população brasileira;
Estimular a inserção dos estudantes no Movimento Estudantil e em outros Movimentos Sociais.
Qual o público do VER-SUS/Brasil?
O Projeto VER-SUS/Brasil destina-se aos estudantes universitários brasileiros dos cursos da área de
saúde (segundo a Resolução 287/98 do CNS): Biologia, Biomedicina, Educação Física, Enfermagem,
Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutrição, Odontologia,
Psicologia, Serviço Social e Terapia Ocupacional.
Além destes, a Coordenação Nacional do VER-SUS/Brasil incluiu os cursos de Administração
Hospitalar e Administração de Sistemas e Serviços de Saúde, totalizando 16 profissões da saúde. Está
prevista a possibilidade de participação de estudantes universitários de outros cursos e de outros
países.
O Movimento Estudantil da Saúde e o VER-SUS
O Movimento Estudantil da Saúde é resultante da união das representações Estudantis dos cursos da
área. Seu objetivo com esse Projeto é promover a reflexão do estudante sobre situações e temas
importantes, pertinentes à sua formação profissional. As Executivas Nacionais participantes da
construção do VER-SUS/Brasil objetivam a consolidação do SUS, pois o movimento acredita que
possibilitando ao estudante a sua inserção na realidade local, através de estágios e vivências, será mais
fácil para ele perceber as muitas contradições e as complexas relações de nossa sociedade, facilitando
assim a formulação e o entendimento do seu papel enquanto estudante, seu futuro profissional e seu
potencial como agente transformador da realidade do país.
Quais as diretrizes do VER-SUS/Brasil?
O processo de construção do VER-SUS/Brasil tem as seguintes diretrizes:
1. Uma ação marcada pela autonomia dos grupos descentralizados, visando à construção
coletiva.
2. Uma ação elaborada com a participação ativa dos coletivos estudantis organizados em todo o
país.
3. Vivências qualificadas através de um processo espiral de observação e reflexão, permitindo
um olhar cada vez mais enriquecido sobre os campos da gestão, da atenção, da participação,
do controle social e da educação na saúde, problematizando a relação da graduação com estas
dimensões do SUS.
Como é a vivência?
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
56
O VER-SUS/Brasil proporciona ao estudante 15 dias de vivência-estágio multiprofissional em um
sistema de saúde municipal. Trata-se da interação dos estudantes com gestores, trabalhadores da
saúde, usuários e instituições de ensino superior. Uma interação que propicia o debate e o
conhecimento sobre aspectos de gestão do sistema, as estratégias de atenção, o controle social e os
processos de educação na saúde. Pretende acontecer no período das tradicionais férias letivas,
ocorrendo a primeira edição entre os meses de julho e outubro de 2004, a qual envolveu
aproximadamente 60 municípios e oportunizou estágio para 1200 estudantes.
Durante o período da vivência os estudantes terão suas despesas de alimentação, hospedagem,
transporte e suporte pedagógico custeadas pelo Ministério da Saúde. Secretarias Municipais de Saúde,
Secretarias Estaduais de Saúde e Instituições de Ensino Superior são parceiras do Projeto.
Como participar?
A inscrição no processo de seleção para participar do VER-SUS/Brasil é feita através da página
eletrônica www.saude.gov.br/sgtes/versus. A seleção proposta pela Comissão Nacional constitui-se
em um processo educativo-seletivo de distribuição de vagas em sintonia com os próprios objetivos
VER-SUS/Brasil. Sendo o objetivo explícito deste projeto a aproximação dos estudantes as diferentes
dimensões do SUS, a idéia é que estejam ocorrendo rodas de debate sobre importantes questões
ligadas à implantação do SUS, disseminadas por todo o país e voltadas para todos os estudantes
interessados em participar deste processo. Em certo sentido, o VER-SUS/Brasil já ocorre em sua
própria fase de seleção quando permite a aproximação destes atores. Por fim, constituem-se critérios
de seleção para a composição das equiepes: (1) a multiprofissionalidade, (2) a interinstitucionalide, (3)
a regionalidade e (4) a participação.
Conquistas da Primeira Edição do VER-SUS/Brasil
Mais de 4900 estudantes inscritos;
Interlocução em torno da proposta entre milhares de estudantes universitários, dezenas de gestores
municipais de saúde e centenas de docentes e usuários;
Movimento de centenas de encontros (oficinas, rodas de diálogo, reuniões e seminários) sobre: (1) o
conceito ampliado de saúde, (2) desafios para a consolidação do SUS e (3) a construção do próprio
VER-SUS/Brasil, atingindo, com estas ações, centenas de cursos de graduação do setor saúde em todo
o país e milhares de estudantes.
Esta primeira edição do VER-SUS/Brasil acontecerá em 60 municípios no país;
Estarão participando da vivência aproximadamente 1200 estudantes-estagiários;
Várias outras locorregiões estão manifestando o interesse em aderirem à ação;
A próxima edição está prevista para janeiro-fevereiro de 2005.
A Comissão de Representação do Movimento Estudantil da Área da Saúde
Conselho Nacional de Entidades Estudantis de Psicologia CONEP
Diretoria Executiva Nacional dos Estudantes de Fonoaudiologia DENEFONO
Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina DENEM
Executiva Nacional dos Estudantes de Enfermagem ENEEnf
Executiva Nacional dos Estudantes de Farmácia ENEFAR
Executiva Nacional dos Estudantes de Fisioterapia ENEFI
Executiva Nacional dos Estudantes de Veterinária ENEV
Executiva Nacional dos Estudantes de Nutrição ENEN
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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Executiva Nacional dos Estudantes de Serviço Social ENESSO
Núcleo Estudantil de Trabalhos em Saúde Coletiva NETESC
Executiva Nacional dos Estudantes de Biomedicina ENEBIOMED
Pró-Executiva Nacional dos Estudantes de Odontologia
Pró-Executiva Nacional dos Estudantes de Administração Hospitalar
Pró-Executiva Nacional dos Estudantes de Terapia Ocupacional
Representação Estudantil do Curso de Administração de Sistemas de Serviço de Saúde
OFICINA: INFORMÁTICA NA FORMAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM
Isabel Cristina Cunha (UNIFESP/UNISA)
Grace T. M. Dal Sasso (UFSC)
Sistematizadora: Heloísa Helena Ciqueto Peres (USP)
A professora Grace fez uma apresentação pontuando conceituações sobre informática em saúde,
enfermagem e educação, apontando caminhos/estratégias para o ensino da Informática em
Enfermagem no Brasil.
A professora Isabel apresentou a experiência do departamento de Enfermagem da UNIFESP no ensino
de Informática na graduação, especialização e Pós-Graduação Sensu Strictu .
Alguns resultados de produção e pesquisas na área foram apresentados na tentativa de ilustrar e
exemplificar as atividades de Informática em Enfermagem.
Após debate com os participantes da oficina foram pactuados os seguintes encaminhamentos:
1) Que sejam contemplados nos Projetos Políticos Pedagógicos dos Cursos de Graduação em
Enfermagem a temática da Informa tica em Enfermagem articulada com as necessidades da
prática e integrada as áreas de ensino, pesquisa, assistência e gerência; que esta temática seja
articulada e integrada aos diversos níveis educacionais desde o ensino médio, à Pós Graduação
Sensu Strictu.
2) Que sejam viabilizadas parcerias entre as diversas iniciativas de desenvolvimento da
Informática em Enfermagem com a Rede IEPE;
3) Que sejam viabilizados espaços virtuais para a acessibilidade e a divulgação da produção
científica e tecnológica da Informática em Enfermagem;
4) Que sejam desenvolvidos projetos que objetivem a capacitação docente no campo de
conhecimento da Informática em Enfermagem;
5) Que se articule uma participação efetiva da Enfermagem na Conferência Nacional de
Comunicação, Informação e Educação Popular em Saúde em 2005;
6) Que se assegure espaços permanentes sobre a temática de Informática em Enfermagem na
agenda de eventos da ABEn Nacional, visando a sensibilização e a mobilização dos
profissionais.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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OFICINA: HUMANIZAÇÃO COMO ELEMENTO FORTALECEDOR DA RELAÇÃO
TRABALHO FORMAÇÃO EM SAÚDE.
Maria Elizabeth de Barros e Barros;
Solange de Souza Bastos;
Tânia Mara Cappi Mattos;
Sistematizadora: Leila Massaroni
Durante a apresentação houve a explanação rápida da Prof.ª Maria Elizabeth de Barros e Barros
esclarecendo quais são as diretrizes da Política Nacional de Humanização e ressaltando a importância
da formação do trabalhador em saúde, como eixo norteador para a mudança cultural necessária para a
implantação da humanização.
A humanização é vista como eixo transversal desde a formação do trabalhador até a sua prática diária.
Em seu local de trabalho ela ( PNH ) perpassa a forma de gestão, o processo de trabalho e o
atendimento ao usuário.
Para que haja formação, há necessidade não somente de capacitar, mas também, de transformar o
funcionamento do trabalho.
Com o objetivo de mostrar como esse processo ocorre, a Enf.ª Ms. Tânia Mara Cappi, discorreu sobre
a metodologia Comunidade Ampliada de Pesquisa ( CAP ), que está sendo implantada no HUCAM.
Essa proposta traz a necessidade de se preparar, conceitualmente, o trabalhador da saúde, para que ele
próprio possa transformar sua prática de trabalho.
Durante os questionamentos, discutiu-se os aspectos facilitadores e dificultadores no desenvolvimento
da CAP no HUCAM. A diferença entre educação permanente e continuada.
Concluiu-se que a formação do trabalhador em saúde, abraça e é necessária para que as propostas da
política nacional de humanização se concretize.
COLÓQUIO: EDUCAÇÃO PERMANENTE EM
ENFERMAGEM CONSOLIDANDO A AGENDA DE
TRABALHO - IEPE 2004/2005
Eliane Maria Palhares Guimarães
Helena M. S. Davit
O colóquio Educação Permanente em Enfermagem da IEPE foi aberto pela Coordenadora da Rede,
Eliane Palhares Guimarães, que deu as boas vindas aos participantes. No momento da abertura, foram
contabilizados 59 participantes.
A seguir, a mesa do colóquio foi composta, com as presenças do Dr José Paranaguá de Santana,
consultor da área de Recursos Humanos na OPAS, da Coordenadora da IEPE, Eliane Marina Palhares
Guimarães, e da convidada, bibliotecária Carmen Verônica Mendes Abdala, da BIREME.
O Dr Paranaguá fez, na sua fala, um breve histórico das redes colaborativas da OPAS, e falou do apoio
da instituição no sentido de divulgar e estreitar a comunicação entre as unidades constitutivas das
redes, e enfatizou a criação da IEPE como uma parceria de trabalho com a ABEn Nacional. Ressaltou
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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a importância da adesão das escolas e cursos de graduação como forma de fortalecimento da IEPE.
Lembrou o processo de implementação da primeira unidade dinamizadora da IEPE na Escola de
Enfermagem da UFMG, e, ao final, apresentou a proposta recém discutida sobre as possibilidades de
implantação de uma Biblioteca Virtual em Saúde voltada para o tema Educação Permanente em
Enfermagem.
Eliane Guimarães fez uma apresentação breve dos objetivos da IEPE, bem como das principais
atividades e deliberações decorrentes dos encontros, ao longo dos dois anos de existência da Rede. A
seguir, apresentou o Plano de Ação para o ano 2004/2005, e as correspondentes atividades propostas.
Por último, apresentou a proposta da realização de uma pesquisa sobre as experiências de Educação
Permanente em Enfermagem mediadas pela Internet, desenvolvidas nas escolas de graduação do país.
A bibliotecária Carmen Verônica apresentou as bases de dados da BIREME e suas possibilidades de
acesso. Deu ênfase às bases de interesse específico da Enfermagem, exemplificando como fazer
pesquisa de literaturas convencionais em enfermagem na BVS.
A seguir, passou-se à discussão em plenária, tendo sido levantados os seguintes aspectos:
Integração das escolas da IEPE foram dirimidas as dúvidas quanto a este processo, informando
aos interessados como fazê-lo.
Troca de experiências em Educação Permanente foram discutidas as possibilidades de integração
entre as experiências de Educação Permanente desenvolvidas nas escolas de graduação e nas
unidades de serviço, mediadas pelo ambiente IEPE;
Integração com as Escolas Técnicas do SUS este tópido foi discutido, e a Coordenadora da IEPE
informou que já há uma rede exclusiva de ET-SUS, que é a RET-SUS, também uma rede
colaborativa da OPAS.
A Presidente da ABEn, Francisca Valda, comentou sobre a importância da Iniciativa, e sobre o desejo
da ABEN de que outras unidades dinamizadoras sejam criadas, pelo menos uma em cada região do
país. Lembrou que esta construção se faz no cotidiano, fazendo e que a integração da IEPE com os
Pólos de Educação Permanente é o próximo passo a ser concretizado. Lembrou que a qualificação da
enfermagem pede vôos mais altos, incluindo a integração com instâncias como o CONASEMS e os
COSEMS, e que esta iniciativa é o primeiro passo em direção ao futuro.
Não havendo outros questionamentos, a reunião foi encerrada pela Coordenadora.
Deliberações
Manutenção dos espaços já definidos de discussão, no CBEn e outros eventos da ABEn;
Implementar discussão sobre a possibilidade da BVS de Educação Permanente em Enfermagem;
Divulgar o debate acontecido neste colóquio entre as escolas, com vistas a identificar novos
parceiro para o desenvolvimento da atividades da IEPE;
Estudar a possibilidade de criar novas unidades dinamizadoras em escolas de graduação nas
diversas regiões do país;
Nos próximos eventos da IEPE, adotar como estratégia o desenvolvimento de atividades de
capacitação, como forma de estimular a participação na IEPE
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
60
A UTILIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO NA PESQUISA EM ENFERMAGEM
Carmen Verônica Mendes Abdala1
A informação é a matéria prima para o desenvolvimento da pesquisa, em qualquer área do
conhecimento. Por outro lado, o uso da informação gera o conhecimento.
Nos últimos anos, quando pensamos em informação pensamos em acesso a informação por Internet.
Quando falamos de informação para pesquisa estamos, principalmente, tratando de informação
técnico-científica.
O acesso à informação atualizada, relevante e no momento oportuno é a chave para o aprimoramento
dos processos de tomada de decisões em matéria de saúde, em todos os níveis: na pesquisa, na prática
clínica, na universidade, na administração pública e até mesmo para o público em geral, usuário dos
serviços de saúde.
A saúde é aprimorada na mesma proporção em que o conhecimento científico e o acesso a ele se
ampliam.
O acesso à informação digital é cada vez mais imprescindível. A Internet viabiliza e democratiza o
acesso à informação, muda alguns paradigmas e obriga uma certa organização do enorme volume de
textos e informações que são geradas no mundo.
Na área de ciências da saúde e na região da América Latina, a forma organizada de enfrentar este
grande desafio é a Biblioteca Virtual em Saúde2 - BVS. (http://www.bvs.br)
A BVS é uma base distribuída do conhecimento científico e técnico em saúde, registrado, organizado e
armazenado em formato eletrônico, acessível de forma universal na Internet.
A BVS é um espaço virtual que armazena uma ampla coleção de fontes de informação relevantes para
subsidiar os processos de tomada de decisões em todas as áreas de saúde.
A Biblioteca Virtual em Saúde é real. Virtual é o processo de busca e recuperação de informação. A
BVS parte do princípio que a função de todas as bibliotecas é reunir, preservar a coleção e
democratizar o conhecimento. A grande mudança de paradigma entre real e virtual, é a transição do
gerenciamento de documentos e estantes, para o âmbito eletrônico e para o grande "arquivo" da
Internet. Por outro lado, uma outra grande mudança é a des-intermediação do processo de acesso à
informação: a Internet é um espaço livre, sem portas.
Um outro aspecto importante é referente a textos completos versus metadados (bases de dados). A
crescente inclusão de textos completos na Internet não exclui a criação de bases de metadados. Ao
contrário. Esses índices organizam a enorme quantidade de informação disponível, facilitam a busca e
recuperação de dados e asseguram o controle de qualidade. O grande desafio é conseguir manter os
registros metadados na mesma velocidade da criação e publicação de textos eletrônicos completos.
Na BVS os recursos de informação (artigos de revistas e documentos técnicos científicos, sites de
Internet, etc) estão organizados em fontes de informação (bases de dados bibliográficas, diretórios,
catálogos, etc).
1
Bibliotecária, mestre em ciências da informação, responsável pela Coordenação de Serviços de Informação da BVS,
BIREME, São Paulo. (e-mail: [email protected]).
2
A BVS é promovida pela BIREME Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde, um
centro da OPAS Organização Pan-Americana da Saúde. Ë um projeto que tem a cooperação do Ministério da Saúde e da
Educação do Brasil, da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo e de outras instituições que têm a missão de promover a
saúde na Região da América Latina e Caribe, que são os centros cooperantes da BVS.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
61
Fontes de Informação da BVS
Rumo ao acesso eqüitativo à informação em ciências da saúde, a BVS oferece aos profissionais da
área um grande conjunto de fontes de informação, das quais destacamos:
Pesquisa Bibliográfica: acesso às bases de dados LILACS, Medline, Biblioteca Cochrane, entre
outras bases de dados especializadas (enfermagem, odontologia, saúde do adolescente,
administração de serviços de saúde, etc.). As bases de dados bibliográficas incluem referências de
artigos de revistas científicas e outros tipos de documentos, com resumo e enriquecidos com links
para a base de currículos de pesquisadores brasileiros (Banco de currículos Lattes CNPq), para o
texto completo eletrônico, quando disponível, e para o serviço de fornecimento de documentos
SCAD.
No conjunto das bases de dados destacamos:
LILACS Literatura Latino-Americana e do Caribe de Informação em Saúde, muito adequada
para responder necessidades de informação onde o contexto nacional é importante. Analisa cerca
de 500 revistas latino-americanas, sendo a maioria publicada em português ou espanhol.
Biblioteca Cochrane
medicina baseada em evidências, traz revisões sistemáticas, em texto
completo. É a melhor fonte para auxiliar o processo de tomada de decisões. Inclui também a maior
base de dados de referências de ensaios clínicos controlados, são mais de 350 mil.
Biblioteca Eletrônica SciELO
Scientific Electronic Library Online: coleção eletrônica das
melhores revistas brasileiras, chilenas, cubanas e da área de saúde pública, em texto completo
enriquecidos com links às bases de dados bibliográficas a partir das referências bibliográficas
citadas nos artigos publicados, e para o banco de currículos de pesquisadores brasileiros (Currículo
Lattes).
Portal de Revistas Científicas: catálogo com mais de 5 mil revistas nacionais e internacionais da
área de saúde, inclui informação sobre o acesso às versão eletrônica dos artigos (disponibilidade,
links de acesso direto, tipo de controle de acesso), e também o registro de coleções nas bibliotecas
cooperantes da BVS (catálogo coletivo SeCS Seriados em Ciências da Saúde).
Diretório de Eventos em Saúde: catálogo atualizado com informação sobre congressos,
seminários, workshops, simpósios, reuniões e conferências da área, nacionais e internacionais.
LIS - Localizador de Informação em Saúde: catálogo de sites de Internet referentes às fontes de
informação avaliadas. O LIS é um buscador especializado de sites de qualidade da área de saúde,
incluindo, principalmente, os sites governamentais e de instituições internacionais como OPAS e
OMS.
DeCS
Descritores em Ciências da Saúde: terminologia em saúde, nos idiomas português,
espanhol e inglês. É um vocabulário de uso universal que inclui a definição de termos, sinônimos
e termos relacionados; é usado para indexar e acessar às fontes de informação, permitindo uma
navegação através do conteúdo.
SCAD Serviço Cooperativo de Acesso a Documentos: é um serviço que facilita o acesso ao
texto completo de artigos e documentos da área. O SCAD integra coleções de mais de 100
bibliotecas fornecedoras de fotocópias de documentos, que podem ser solicitadas por usuários
registrados do serviço (com código e senha de acesso). As fotocópias podem ser enviadas por
correio, fax ou e-mail, diretamente aos solicitantes, em um prazo médio de 48 horas. Este é o
único serviço não gratuito da BVS.
Na BVS estas fontes de informação estão integradas e cada vez mais enriquecidas com links
pertinentes.
O desenho ilustra o processo de busca de informação na BVS e a integração das fontes.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
Biblioteca Virtual em Saúde
Tomada de decisão,
uma necessidade
de informação
www.bireme.br
LIS - Localizador de
sites
Bases de dados
Medline, Lilacs,
Cochrane, etc
Referências bibliográficas
com resumo
Texto completo
SciELO
Referências bibliográficas
com link para texto completo
Diretório de Revistas Científicas
Acesso a documentos
através de fotocópias - SCAD
Revistas eletrônicas
Acesso Livre
Catálogo Coletivo SeCS
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8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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SUB-TEMA 2 - EDUCAÇÃO EM ENFERMAGEM E O
PROCESSO DE PRODUÇÃO DO TRABALHO EM SAÚDE
TALK SHOW : TRABALHO COMO EIXO FUNDAMENTAL PARA AS
TRANSFORMAÇÕES NOS PROCESSOS DE FORMAÇÃO E NAS PRÁTICAS EM SAÚDE.
Talk Show Programa de entrevistas: roteiro
Propósito: Polemizar e problematizar o tema para torná-lo acessível a todos os participantes, a partir
de uma atividade reconhecida como programa de televisão, baseado em entrevistas. Ouvir diferentes
vozes e entendimentos sobre esta questão e suas relações.
O tom do programa: brincar, com assunto sério . MARIJÔ: personagem que não tem nada a ver com
a Enfermagem, nem compromisso com o que é politicamente correto. Tem na garganta perguntas que
querem calar .
1)Cenário: Teatro da Universidade, aproveitando o banner do 8º Senaden ao fundo, cadeiras, mesa de
centro e flores aproveitadas no hall do Teatro. Canecas coloridas trazidas pela Lêda Zoraide Oliveira ,
café e água. Música anunciando o começo e o fim , imitando o Quinteto Onze e Meia controlada
pelo auxiliar do som , Jorge.
I) Rita Lima: apresenta o tema, contextualizando-a na temática do SENADEn, anuncia os participantes
sentados no plenário, utilizando um mini currículo.
Anuncia a apresentadora do programa Milta Torrez
Os intervalos serão utilizados como momento dos comerciais e servirão para anunciar a programação
a seguir.
Registra as principais idéias apresentadas e controla o tempo, atuando como contra-regra em contato
com a comissão executiva.
II) Milta Torrez: sobe ao palco, volta-se de costas para público e coloca a gravata borboleta
patrocinada pelos garçons do Hotel La Residence , para caracterizar a MARIJÔ mistura de Marilia
Gabriela, Jô Soares, com pitadas de Hebe Camargo, Ana Maria Braga, Clodovil, no limite da
dignidade .
III) Dinâmica:
Convidados anunciados são convidados a subir ao palco ao tempo em que MARIJÔ informa que se
trata de um Programa da TV GAVETA ( a TV GAZETA existe em Vitória), que este é o 8º Programa
Senaden as 9 e meia ou a partir da hora em que Gaudêncio (Frigotto) chegar, brinca com o auditório
(pedindo colaboração, anunciando a presença dos Estados e suas delegações, etc)
A apresentação do que cada um representa deve ser feita de forma hilária, brincando de forma a
relaxá-los e dar as dicas da dinâmica, uma vez que todos estarão juntos apenas na hora da atividade e
não tivemos reunião prévia. O ideal seria pactuar a dinâmica anteriormente, sem contudo desvelar
demais o processo para gerar um clima de certa ansiedade natural dos entrevistados por
apresentadores irreverentes , neste caso.
Ex: Viviane Rasele; graduanda de Enf. da UFES, dirigente do Centro Acadêmico, representa a voz dos
estudantes.
menina linda que a gente sabe que tá mais para vítima, mas os professores chamam de meu futuro!!
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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Gaudêncio Frigotto:, especialista e autor de diversos textos e livros sobre Educação e Trabalho,
representa a voz dos educadores.
Cristina Loyola; gestora experiente de serviços de saúde, assessora da Secretaria de Saúde do Rio de
Janeiro, na área de Saúde Mental, , autora de diversos livros, inclusive sobre experiência com o PSF
no Maranhão, representa a voz dos serviços de saúde.
Sonia Aciolli vice-diretora da Fac. de Enf. UERJ, membro e pesquisadora do LAPPIS sobre o tema
Integralidade , representa a voz dos educadores de Enfermagem
Imitando uma apresentadora de televisão irreverente, MARIJÔ pergunta e faz girar a roda de
entrevistados, deixa-os a vontade para discutirem o tema interpelando uns aos outros, e possibilita
perguntas do auditório no momento intitulado : a palavra é sua! Deve incorporar os presentes que
forem chegando após a abertura para que saibam a dinâmica e possam participar, utilizando as
chamadas características dos programas de televisão com os quais a maioria tem familiaridade.
Questões dinamizadoras:
Introdução: o trabalho. pelo trabalho e causas damos os nossos pescoços L I T E R A L M E N TE! ,
Inclusive o meu está salvo hoje pela gravata patrocinada pelos garçons do La Residence, a quem
agradecemos, diz MARIJÔ e provoca: no contexto de uma sociedade capitalista, do trabalho
explorador, da luta de poderes e saberes, da divisão técnica e social do trabalho, inclusive em saúde.
Será que o trabalho tem um sentido formativo, é criador de cultura e de aperfeiçoamento humano?
Vocês acreditam nisso?
A partir das primeiras intervenções reordenar as questões inicialmente elencadas para dar sentido ao
texto que vai sendo tecido pelas falas, articular os entrevistados atiçando aquele que tiver mais
telhado de vidro diante do que foi dito, etc. Administrar o tempo e as réplicas. Promover a
participação da representação estudantil dentro dos mesmos tempos e réplicas, apoiando-a caso seja
necessário, devido a surpresa com o tipo de dinâmica.
Neste contexto de tapas e beijos do Ato Médico, tem possibilidade da integralidade ser uma marca
das praticas dos profissionais de saúde? Será mais um modismo?
A produção me disse que um tal de Pedro Demo, que vocês lêem muito, fala uma coisa que achei
BÁRBARA : o modismo só se estabelece quando a capacidade de reflexão é medíocre? O que
acham da capacidade de reflexão dos profissionais de saúde?
----------- ABRIR PARA O MOMENTO : A PALAVRA É SUA AUDITÓRIO!!
Ouçam esta: a formação ainda é alheia à organização da gestão setorial e ao debate crítico sobre os
sistemas de estruturação do cuidado a saúde dizem os críticos da formação hegemonicamente
promovida.
Dizem também que a graduação tem permanecido I M P E R M E Á V EL ( adorei isso!!) ao controle
social, ao fato de que as necessidades sociais sejam o centro da formação. E AGORA JOSÉ???? Como
vão rolar as mudanças e o trabalho como eixo fundamental?
------------ IDEM ......... (verificar o tempo para alternar estas participações)
Diante das condições objetivas de trabalho e da precarização do emprego, múltiplos vínculos, COM O
PITS , POTS , PUTS rolando, pensar que a formação e as mudanças das práticas vão estruturar-se a
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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partir da problematização do processo de trabalho e de sua capacidade de dar acolhimento às várias
dimensões das pessoas , não é um delírio não? Quem vai ficar para fazer isso ?
Abrir para as considerações finais propondo a questão: a busca de articulação entre trabalho, ciência e
cultura, na formação de profissionais de saúde, é possível?
Agradecer a todos e avisar ao público que a próxima edição do programa será em NATAL, RIO
GRANDE DO NORTE, NO 9º SENADEn.
O TRABALHO QUE A ENFERMAGEM DÁ : EIXO FUNDAMENTAL PARA O CUIDADO
EM PSIQUIATRIA E PARA AS PRÁTICAS DE SAÚDE
Cristina Maria Loyola Miranda
O trabalho ocupa uma posição de centralidade na vida das pessoas, constituindo um lugar de
identificação:
De produção, valores diversos;
De construção de futuro e de metas;
De um certo compromisso com o futuro;
De ideal do Eu.
Na contemporaneidade: ideário neoliberalista; livre concorrência; o enxugamento produzido pela
informatização; o emprego temporário que subscreve as relações do homem com o trabalho, um
sentimento de descartabilidade , de não pertinência a grupos campo que produz mal estar.
Freud fala do conceito do trabalho como Pulsão. A maior parte das pessoas que trabalham, o fazem
movidas pela pressão da necessidade, que advém da quebra do princípio da constância, colocando o
homem no circuito da linguagem e das trocas, portanto do laço social.
O trabalho é algo de construção da subjetividade, uma das formas de dar conta do mal estar de viver.
A organização do trabalho não cria doenças mentais específicas, na medida em que as
descompensações, psicóticas ou traumáticas, estão ligadas à estrutura da personalidade. O trabalhador
traz para o seu fazer todas as suas manias, a sua história pessoal, que inclui desejos, motivações,
necessidades psicológicas. A organização do trabalho pode favorecer a descompensação, dificultando
os investimentos pulsionais, as sublimações.
O campo da saúde mental, mais que outras, produz um TRABALHO para a Enfermagem. A proposta
trazida pela Reforma Psiquiátrica afeta diretamente a prática da enfermagem porque subverte a lógica
da formação profissional de que existe uma bandeja com .
Na prática, o trabalho (anterior, do fazer) é permeado por atravessamentos, por situações inesperadas
que alteram todo o curso do planejamento. O trabalho real se impõe ao trabalho prescrito. A bandeja
com não dá conta do que há para fazer.
O trabalho se dá nas brechas, se forma a partir do inesperado, do encontro das palavras com as
possibilidades de cada um. Através desses atravessamentos, julgamos que o desejo possa circular e
produzir trabalho.
A instituição, que pode ser o hospital ou o CAPS, é um espaço organizado para conter o mal, tudo
aquilo que a sociedade estipula como devendo ser debelado pela insuportabilidade da convivência.
Na perspectiva da Reforma Psiquiátrica, a psicopatologia não é efeito de um déficit de funcionamento,
não é uma falha de estrutura. È a própria estrutura em funcionamento. E é uma experiência humana. O
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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que nos diferencia de um doente mental não é substancialmente a doença em si, mas a intensidade de
suas emoções, a sua força. Isto num eixo. No outro eixo, o que nos diferencia é a duração destas
vivencias, afetos, emoções. Os delírios, as alucinações, as metáforas, os neologismos, a fuga de idéias,
o humor deprimido, a fixação ao álcool e drogas, por exemplo, demonstram em si mesmos, que os
fenômenos psicopatológicos são estruturados, têm uma ciência, uma lógica que pode ser desvelada e
abordada. Eu diria que eles têm uma linguagem própria, ou melhor, eles se realizam na própria
linguagem, a mesma que nos constitui ,à todos , como seres humanos. O grande desafio que temos que
enfrentar o trabalho é isolar as suas particularidades de sujeito: isto é o tratamento, ou o trabalho
da enfermagem dentro da Reforma. Tratamento de sujeitos que só são sujeitos porque sofrem em si
mesmos os efeitos daquilo que os faz sujeitos.
É nosso dever nosso trabalho acolher sua psicopatologia, porque ali se revelam as dobras por onde
o laço social organiza suas estruturas.
PALESTRA
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - FUNDAMENTOS E GERAÇÕES DA EDUCAÇÃO A
DISTÂNCIA
Guido Palmeira
Gerações da Educação a Distância
1880s Material impresso via postal: Cursos por Correspondência na Europa e EUA.
1960s - Televisão e Rádio: Material audiovisual gravado em fita ou transmitido, vídeo
conferência, telefone.
1990s - Informática / Internet: Material multimídia, interação em redes de comunicação.
EAD no Brasil
1923 - Rádio Sociedade do Rio de Janeiro
1937 - Serviço de Radiodifusão Educativa do Ministério da Educação
1941 - Instituto Universal Brasileiro
1967 - Fundação Centro Brasileiro de Televisão Educativa (núcleo produtor)
1970s - Veiculação obrigatória, por radio e TV, de programas oficiais de alfabetização e educação
supletiva de adultos. (Projeto Minerva, Telecurso)
1980s - Fim da obrigatoriedade de veiculação e da exclusividade da produção estatal.
EAD - modelo industrial
Cursos e disciplinas concebidos como projetos específicos.
Divisão do trabalho educativo por equipes profissionais com atribuições definidas (autores,
produtores, editores).
Organização centralizada (Fordista/Taylorista).
Produção massiva / economia de escala.
Estratégias instrucionais padronizadas.
Tecnologias educacionais e de comunicação voltadas para a superação da distância.
Orientação condutivista / auto-aprendizagem.
Marco: Open University - Reino Unido (1969)
EAD - aberta e continuada
Ênfase no processo de aprendizagem e na relação pedagógica / liberdade e autonomia do aluno
Estratégias pedagógicas abertas e flexíveis
Tecnologias educacionais e de comunicação voltadas para incrementar a interatividade, ampliar o
acesso à informação e as oportunidades de experimentação
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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Orientação construtivista / aprendizagem colaborativa
Perspectiva de educação continuada / durante toda a vida
Ambientes de aprendizagem
Espaço onde os alunos
desenvolvem atividades
manipulam recursos e ferramentas
coletam e interpretam informações
recebem orientação e suporte
interagem com outras pessoas / colaboram / trocam
Lugar onde comunidades de alunos trabalham juntos em projetos e atividades, trocando suporte e
aprendizagem entre si e com o ambiente (Wilson, 1965).
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - ESCOLA NACIONAL DE SAÚDE PÚBLICA FIOCRUZ
EAD/ENSP
O núcleo de EAD está constituído como um setor da Escola de Governo em saúde EGS/ENSP e
constitui opção estratégica para a capacitação de profissionais de saúde pública.
Seu propósito é potencializar a missão de capacitação profissional da ENSP, visando atender as
necessidades decorrentes do processo de descentralização e municipalização das ações de saúde.
Escola de Governo em Saúde
Orientação estratégica dos programas de ensino, pesquisa e cooperação técnica da ENSP, com o
propósito de colaborar para o aumento da capacidade e da qualidade de governo do sistema de saúde
do país.
EGS/ENSP: Ações
Capacitação quadros para a gestão e operação de ações, programas, serviços, sistemas e
organizações de saúde.
Produção de conhecimento de aplicação imediata no desenvolvimento do sistema de saúde.
Cooperação direta com os órgãos gestores e unidades operacionais do SÚS, nas três esferas
governamentais.
Promoção e articulação de instituições de ensino e pesquisa em Saúde Coletiva com vistas a
constituir uma rede nacional de escolas de governo em saúde
Saúde Pública Tradicional
Paradigma biomédico (centrado na doença)
Estrutura vertical e normatizada das ações de atenção
Modelo de capacitação instrutivista (treinamento)
Nova Saúde Pública
Interdisciplinaridade e intersetorialidade
Integralidade da atenção, o cuidado à pessoa
Promoção da saúde e do auto-cuidado
Intervenções assistenciais, sociais e educacionais
Descentralização e participação
Demandas para a capacitação
Ampliação da demanda - capacitação em larga escala.
Clientela diversificada.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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Dinamismo dos processos de trabalho
Autonomia da ação profissional.
Pedagogia centrada na aprendizagem, o aluno é sujeito autônomo do aprendizado.
Formação aberta (flexível) e permanente.
EAD/ENSP: Princípios
A EAD é um modelo educativo organizado, onde o aluno, sujeito ativo, (re)constrói o
conhecimento através da interação e da própria experiência.
O aprendizado se dá a partir da interação com materiais didáticos especialmente elaborados
para proporcionar um ambiente adequado.
O apoio docente é condição indispensável para a aprendizagem.
O docente é um facilitador do processo de construção do conhecimento. A relação docentealuno deve ser especialmente privilegiada.
EAD/ENSP: Pedagogia
O conhecimento é construção coletiva.
O pressuposto fundamental da educação é a possibilidade de crítica e de transformação.
A formação para o trabalho deve visar a qualificação do trabalhador mais do que a
qualificação para o trabalho.
EAD/ENSP - Elementos essenciais
Pedagógicos: Material didático, Tutoria e Gestão pedagógica;
Suporte tecnológico: Informação e Comunicação
Apoio administrativo
EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA E A FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE: LIMITES
E POSSIBILIDADE
Sistematizadora: Milta Freire Barron Torres
Após historiar o desenvolvimento da EAD como alternativa educativa, as experiências nacionais e
internacionais, através do Século XX, até o presente estágio de acumulação dos modelos de
compreensão, foi enfatizado pelo palestrante a seguinte superação:
Da visão de ensino pra educação à distância, de formação pra o trabalho para formação do
trabalhador (o foco é o sujeito que aprende).
Do processo de ensinar pra o processo de aprender, da perspectiva instrutivista para a
construtivista.
Foram destacados os elementos pedagógicos, tecnológicos, como constitutivos do processo de
produção de propostas em EAD, principalmente em termos do material didático sua especificidade
de linguagem, estrutura e editoração, além do papel indispensável do docente como medrados,
facilitador (tutor).
Após o debate, as perguntas levantadas visavam:
análise comparativa do rendimento e efetividade da aprendizagem, entre a forma presencial
e a distância, coerência entre a concepção pedagógica e o material didático.
As estratégias e critérios de avaliação de aprendizagem mecanismos de seleção dos cursos que
serão nesta modalidade.
Aceitação no mercado de trabalho, critérios pra a permanência do tutor por todo o curso como
único EAD e sua capacidade de promover reflexão crítica.]
Proposição
avaliação sistemática das experiências existentes
Participara 125 pessoas no plenário.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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Diretriz inferida os presentes estão interessados em conhecer aspectos estruturantes da capacidade
de formatura da EAD, com ênfase no rendimento e efetividade e a sua proposta de avaliação na
perspectiva da aprendizagem, no processo de formação de graduados, sem menção à pós-graduação.
OFICINA: O DESAFIO DA CONSOLIDAÇÃO DOS PÓLOS DE EDUCAÇÃO EM SAÚDE:
A CONTRIBUIÇÃO DA ENFERMAGEM
Elizabeth Barcellos Azoury
Pólo de Educação Permanente em Saúde do Estado do Espírito Santo
Muitas têm sido as ações desenvolvidas na área de formação e capacitação dos trabalhadores de saúde
do Sistema Único de Saúde, na última década. Entretanto, apesar de terem possibilitado mobilização
de pessoas e instituições, no sentido de estimularem mudanças no processo de formação, a maior parte
dessas ações ocorreram de forma desarticulada, pontual, fragmentada, não produzindo impactos
significativos sobre as instituições formadoras e nas práticas predominantes no sistema de saúde.
Nesse contexto, a partir de 2003, o Ministério da Saúde (MS), por meio da Secretaria de Gestão do
Trabalho e da Educação na Saúde (SEGETES), propõe uma política de Educação e Desenvolvimento
para o SUS, na qual a educação permanente deve se constituir como eixo transformador, estratégia
mobilizadora de recursos e poderes e recurso estruturante do fortalecimento do SUS.
A concepção da educação permanente tem como pressuposto a aprendizagem significativa, em que as
transformações das práticas profissionais devam ocorrer a partir da reflexão do processo de trabalho.
Desse modo, as necessidades de saúde das pessoas, das populações, da gestão setorial e do controle
social é que devem nortear a formação/ capacitação dos trabalhadores de saúde, a fim de transformar
as práticas e a organização do trabalho. Nessa perspectiva, a lógica da educação permanente deverá ser
descentralizada, ascendente e transdisciplinar, o que implicará articulações entre os serviços e as
instituições de ensino, os gestores e o controle social.
A fim de viabilizar essa proposta o MS tem incentivado, em todo o país, a implantação de Pólos de
Educação Permanente em Saúde, concebidos como espaços para o estabelecimento do diálogo e da
negociação entre os atores das ações e serviços do SUS e das instituições formadoras [...] Lócus para a
identificação de necessidades e a construção de estratégias e políticas no campo da formação e
desenvolvimento [...] Rodas para a Educação Permanente em Saúde (MS/SEGETES, Portaria
198/03). A constituição desses Pólos deve ter, no mínimo, representantes dos gestores estadual e
municipal, instituições de ensino técnico e superior, conselho estadual de saúde, discentes, COSEMS,
sindicatos e hospitais de ensino.
Os Pólos se estabelecerão como Colegiado de Gestão, plenária onde participam todas as instituições
que aderirem à proposta; um Conselho Gestor, constituído pelos representantes do gestor estadual e
municipal (COSEMS), gestor municipal sede do Pólo, instituições de ensino e estudantes. Poderá ser
constituída ainda, uma Secretaria Executiva para implementar e agilizar os encaminhamentos do
Colegiado de Gestão e do Conselho Gestor.
Os Pólos deverão tomar como diretriz constitucional a integralidade de atenção à saúde, a fim de
possibilitar impacto na vida da população e contribuir nas mudanças da formação e das práticas em
saúde ainda predominantes. Nesse sentido, a atenção primária deve cumprir o papel estratégico de
articular o conjunto da rede de ações e serviços de saúde básicos, ambulatórios de especialidades e
hospitais gerais e especializados, assegurando um atendimento de qualidade, com adequado
acolhimento e responsabilização dos problemas de saúde das pessoas e das populações.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
70
Contudo, a construção desse processo é de médio e longo prazo. Ainda a lógica de
formação/capacitação está voltada para a educação continuada (pontual), mas, com o tempo, a ênfase
se voltará para o desenvolvimento de sistemas locais de educação permanente. Em linhas gerais, podese identificar algumas diferenças entre educação continuada e educação permanente: enquanto a
primeira é uniprofissional, a prática é autônoma, realizada por temas de especialidades, para
atualização técnica, esporadicamente, centrada na pedagogia da transmissão, a segunda é
multiprofissional, a prática é institucionalizada, se dá a partir dos problemas de saúde das pessoas e da
comunidade e pretende transformar as práticas, é contínua e centrada na resolução de problemas.
Nessa perspectiva, o MS apresenta como principais linhas de ação dos Pólos o incentivo à
implementação das diretrizes curriculares na graduação das profissões da saúde, o desenvolvimento de
ferramentas e metodologias para Educação Permanente de profissionais de saúde, a formação e
qualificação de profissionais para a Atenção Primária com ênfase em Saúde da Família e a formação e
desenvolvimento para a gestão e controle social do sistema de saúde.
A partir dessas reflexões os participantes da Oficina foram divididos em 2 grupos e discutiram o
seguinte roteiro: Como está se consolidando o processo de implantação do Pólo de Educação
Permanente em Saúde no seu Estado? Qual a participação dos enfermeiros nesse processo? Quais as
instituições representativas da categoria que participam? Em que instância?
MESA REDONDA: POLÍTICA DE FORMAÇÃO DO
ESPECIALISTA QUESTÃO ESTRATÉGICA PARA O
SUS
PESQUISA COMO ESTRATÉGIA DE FORTALECIMENTO DA FORMAÇÃO DO
ESPECIALISTA NA ENFERMAGEM
Alacoque Lorenzini Erdmann1
Maria Itayra Coelho de Souza Padilha2
Rosane Gonçalves Nitschke3
Abrindo Janelas: Pontuando Realidades
A pesquisa na Graduação e Pós-Graduação em enfermagem tem importância primordial para o avanço
e consolidação da ciência e tecnologia da Profissão e para contribuir na melhoria da atenção à saúde à
sociedade. Na formação lato sensu é esperada uma competência no domínio do processo de uma nova
visão da prática profissional, em abrangência e especificidade que possibilita trazer novos
conhecimentos importantes para o avanço destas especialidades. Assim, o especialista deve ter
potencial e capacidade para desenvolver, participar e aplicar pesquisas ou outras formas de produção
de conhecimento, que objetivem a qualificação da prática profissional.
De acordo com Fernandes et al (2004), a despeito do importante papel da pós-graduação lato sensu na
capacitação de docentes e de enfermeiros, não se observa uma proporcional preocupação com a
tendência da produção científica emanada dos cursos de especialização. Essa realidade contrasta com
1
Profa. Titular da UFSC, Dra. em Filosofia da Enfermagem,. Coord. Adjunta Enf. Capes e Representante da
Área da Enf no CNPq. Pesquisadora CNPq.
2
Profa. Adjunto da UFSC,.Doutora em Enfermagem pela EEAN/UFRJ. Pesquisadora do CNPq.
3
Profa. Adjunto da UFSC,.Doutora em Enfermagem pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da
UFSC.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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o entendimento de que essa produção é, também, parte integrante do conhecimento científico na área e
representa uma contribuição ao avanço científico da enfermagem.
As áreas de conhecimento atendidas pelos cursos de especialização são diversificadas e de um modo
geral mantém alguma homogeneidade em termos de interesse. Neste sentido, percebe-se que o
oferecimento dos cursos de especialização procura atender mais a uma demanda regional do que
nacional e os resultados das pesquisas refletem esta realidade. Os cursos de especialização têm sido
uma das estratégias utilizadas para fortalecer o conhecimento técnico científico do profissional de
enfermagem que está na prática da assistência a saúde, e também, como forma de preparar os
enfermeiros para exercerem suas funções com mais competência, satisfação e realização, num
mercado de trabalho ainda em expansão.
Os objetos de investigação na enfermagem têm sido, predominantemente, emergentes do trabalho do
enfermeiro e direcionados para o cuidado, organização e administração desse cuidado, educação,
promoção à saúde, recursos humanos e estudos relativos à profissão (Gutierrez et al, 2002). Entende-se
que o pesquisar, cuidar, assistir, educar e o administrar são dimensões que, na prática de enfermagem,
se desenvolvem de forma estreitamente inter-relacionada e têm seu ponto de origem na realidade de
saúde e em questões da profissão.
A construção do conhecimento na enfermagem constitui-se no produto de um processo que vem se
delineando no desenvolvimento do trabalho em saúde e nas relações sociais que vão se estabelecendo
entre os diversos profissionais da área e as transformações sociais (Moriya et al, 1998).
O processo de construção do conhecimento se desenvolve em espaços sociais de relações múltiplas e
complementares do pensar, refletir, e dialogar dos atores inseridos na realidade do fazer-pensar o
cuidado em saúde. Este processo se desenvolve num cenário complexo de um novo paradigma do
conhecimento, no qual o aprender ser e fazer ocorrem ao longo da vida do enfermeiro, não se
limitando a conhecimentos acumulados e sim, no exercício contínuo de aprender e na competência de
continuar aprendendo (Koerich & Erdmann, 2003).
A produção científica da pós-graduação lato sensu deve ser apreendida como um movimento em busca
do fortalecimento da área da enfermagem, da melhoria da qualidade do trabalho do enfermeiro, da
maior satisfação do profissional, do crescente reconhecimento do trabalho realizado e,
conseqüentemente, da melhoria da qualidade do cuidado de enfermagem (Azevedo, 1995).
Nessa perspectiva, situamos o processo de construção do conhecimento resultante da pós-graduação
lato sensu não como algo idealizado, abstrato, mas como movimento para integrar
teoria/pesquisa/prática e como instrumento e produto do processo de trabalho na enfermagem.
Portanto, o conhecimento produzido se constitui no produto de uma multiplicidade de processos
sociais resultantes da prática da categoria e dos conjuntos sociais onde esta prática, historicamente, se
desenvolve e reflete a abrangência do corpo de conhecimentos que vem sendo construído ao longo do
tempo. Ele não ocorre no vazio, estando, portanto, inserido num contexto do qual é parte indissociável
e como resultado de múltiplos fatores de ordem científica, social e institucional que, em conjunto,
constituem-se nas condições concretas, reais, de produção de uma saber próprio da enfermagem
(Fernandes et al, 2004). Ainda para as referidas autoras, os resultados mostram, também, que a
produção do conhecimento ocorre de forma criativa valorizando a experiência como ponto de partida
da produção do conhecimento, a observação como elemento chave desse processo, a adaptação do que
existe na literatura e a utilização de conceitos e teorias para a compreensão do fenômeno estudado.
Observa-se que os autores, dentro de limites estabelecidos, buscam compreender a realidade que têm
diante de si, a partir de relações intersubjetivas, internas ou externas à prática cotidiana ou de
referenciais teóricos.
A formação do Especialista na Enfermagem, nas mais diversas áreas do conhecimento, segundo
Padilha et al, 2003, teve seu início na maioria dos países da América Latina na década de 80, à
exceção do Brasil, que introduziu os cursos de especialização no início da década de 70, sendo que o
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
72
incremento dos mesmos também se deu na década de 90, em função da necessidade de formação
específica.
Os cursos de especialização têm como requisito de ingresso a Graduação de Enfermagem, com
estruturas curriculares visando o preparo profissional para o atendimento especializado, assim como,
estimulando o desenvolvimento de atividades de liderança no mercado de trabalho de enfermagem e
introduzindo alguns conhecimentos sobre metodologia da pesquisa.
As áreas de conhecimento atendidas pelos cursos são diversificadas, ou seja: clínica-cirúrgica,
oncologia, cuidado neonatal e obstétrico, saúde da criança e do adolescente, saúde da família, terapia
intensiva, psiquiátrica e saúde mental, saúde do trabalhador, administração e qualidade hospitalar,
diálise e transplante renal, cardiologia, oftalmologia, emergências e desastres, geriatria e gerontologia,
enfermagem familiar e docência em enfermagem, dentre outras.
Os cursos de especialização em enfermagem devem ter como referência a diversificação de
oportunidades de emprego e de prática de enfermagem, derivados das mudanças do mercado de
trabalho, como efeito das reformas do setor da saúde e da incorporação de tecnologias que tragam
respostas para as necessidades de cuidado e de atendimento da saúde da população (Sena &
Villalobos, 2001).
Neste sentido, percebe-se que o oferecimento dos cursos de especialização procura atender a demanda
regional de cada país, como forma de preparar os enfermeiros para exercerem suas funções com mais
competência, satisfação e realização, num mercado de trabalho ainda em expansão. Os cursos de
especialização também têm sido uma das estratégias de fortalecer o conhecimento técnico científico da
enfermagem e da saúde, especialmente em países nos quais os cursos de Pós-Graduação strito sensu
não existem (Padilha et al, 2003)
A carga horária dos cursos em nosso país deve ser de, no mínimo, 360 horas segundo legislação atual
do Ministério da Educação. Padilha et al, 2003, referem que a carga horária média é superior a 360
horas embora na sua maioria não ultrapassem a 600 horas. Em outros países da América Latina, a
duração é acima de 1000 horas, com duração máxima de dois anos. A carga horária elevada destes
cursos nos demais países da América Latina indica o valor da titulação de Especialista para estes
países no preparo técnico de seus enfermeiros. Além disso, o número de cursos de Mestrado e
Doutorado na maioria dos países, ainda é reduzido, o que pode explicar a carga horária elevada dos
cursos. Estes, em sua maioria, apresentam infra-estrutura própria para funcionamento no que diz
respeito a salas de aula, biblioteca, laboratórios de informática, apesar da mesma não ser específica
para o curso de especialização. O corpo docente dos cursos é composto por um maior número de
professores com titulação de especialista, mestre e poucos doutores, vinculados às universidades, que
dedicam algumas horas para os cursos de especialização (Padilha et al, 2003).
De uma maneira geral, os cursos de especialização vêm respondendo as políticas econômicas do
mercado interno da área de saúde, isto é, suprir a rede hospitalar pública e privada com um
profissional de enfermagem capacitado para assumir o cuidado especializado de áreas específicas da
assistência médico-hospitalar, em detrimento a demanda e necessidades da população na parte
preventiva e de promoção da saúde da população brasileira.
Um aspecto importante a ser destacado na política de desenvolvimento dos cursos de Pós-Graduação
Lato Sensu, reflete-se nas competências esperadas que compõem o perfil do especialista egresso, quais
sejam:
formação de líderes na área de conhecimento, através de atitudes e habilidades para a atenção
especializada;
atendimento da demanda regional por área de conhecimento;
participação no ensino-aprendizagem da especialidade, disseminando o conhecimento
adquirido;
desenvolvimento de investigações na área de conhecimento.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
73
Além disso, é importante que neste perfil inclua-se o comprometimento profissional com o
fortalecimento de mudanças na prática assistencial, administrativa, docente e de pesquisa, construindo
um referencial sólido, aderente à realidade e apropriada a cada ambiente específico ao qual o
especialista retornará.
Aponta-se algumas fortalezas identificadas nos cursos de especialização, a partir do levantamento de
Padilha et al 2003 e de outros autores, quais sejam:
infra-estrutura própria e campos de práticas de ensino;
currículos dentro de um marco contextual e conceptual;
apoio na formação de docentes de instituições de ensino superior;
proporciona mais oportunidades no mercado de trabalho
cobertura geográfica que permite o acesso de profissionais de várias regiões,
diversidades metodológicas, com novas modalidades de ensino individuais e coletivas,
presenciais e semi-presenciais, além da sistematização das experiências de trabalho e busca de
novos conhecimentos;
auto-financiáveis através das mensalidades dos alunos;
concepção do ensino de pós-graduação lato sensu voltado não só para capacitação de
enfermeiros, mas, também, para o desenvolvimento de processos de produção do ensino e de
institucionalização da pesquisa
Com relação às fragilidades dos cursos e que precisam ser melhor vislumbradas para o futuro dos
cursos de especialização, destacamos:
pouca articulação entre os Cursos no sentido de propor um currículo com uma linha mestra
comum e atendendo as especificidades de cada estado ou região;
os marcos referenciais e teóricos pouco relacionados aos avanços científicos e tecnológicos e
as perspectivas de mudanças;
pouco acesso a informação científica atual, principalmente porque há dificuldade de infra
estrutura de informática acessível aos alunos, além de uma bibliografia atualizada deficitária;
o corpo docente dos cursos não é contratado com tempo integral, o que dificulta a formação de
equipes de trabalho para desenvolver novas estratégias ou tecnologias de ensinar e aprender;
existem poucos cursos com financiamento por órgãos governamentais;
em alguns cursos ocorre uma evasão acentuada de alunos antes do seu término;
não há uma avaliação sistemática e contínua dos cursos, que permita reduzir as limitações e
ampliar as fortalezas dos mesmos.
Visualizando perspectivas para a pesquisa como estratégia de fortalecimento da formação do
especialista na enfermagem frente aos desafios do século XXI
O crescimento da Pós-Graduação é resultado das políticas de educação de cada país, bem como, das
necessidades e evolução de cada profissão. A perspectiva de crescimento coletivo e fortalecimento da
investigação nos Programas de Pós-Graduação da América Latina depende das políticas e estratégias
estabelecidas.
Neste sentido, destaca-se a necessária ênfase a ser dada no fortalecimento da articulação entre a PósGraduação Lato Sensu e Stricto Sensu, como sendo o fio condutor a pesquisa voltada para as reais
necessidades contextuais.
Assim, apontamos alguns aspectos que consideramos importantes enquanto perspectivas para a
pesquisa como estratégia de fortalecimento da formação do especialista na enfermagem frente aos
desafios do século XXI:
Fortalecimento das linhas de pesquisa pela realização de pesquisas multicêntricas, conduzidas
por pesquisadores e grupos de pesquisa de várias regiões, integrando conhecimentos e
adequando às realidades específicas, com busca de apoios financeiros;
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
74
Estabelecimento de estratégias de orientações e co-orientações integradas, estimulando a
publicação conjunta entre docentes e discentes;
Orientação do enfoque acadêmico dos cursos para produzir conhecimentos no rigor exigido
pela comunidade científica, com aderência às necessidades locais, regionais e internacionais,
contextualizadas no cenário nacional e internacional;
Fortalecimento das linhas de pesquisa pela realização de pesquisas multicêntricas, conduzidas
por pesquisadores e grupos de pesquisa de várias regiões, integrando conhecimentos e
adequando às realidades específicas, com busca de apoios financeiros;
Estabelecimento de estratégias de orientações e co-orientações integradas, estimulando a
publicação conjunta entre docentes e discentes;
Orientação do enfoque acadêmico dos cursos para produzir conhecimentos no rigor exigido
pela comunidade científica, com aderência às necessidades locais, regionais e internacionais,
contextualizadas no cenário nacional e internacional;
O pouco acesso a informação científica atual, principalmente porque há dificuldade de infra
estrutura de informática acessível aos alunos, além de uma bibliografia atualizada deficitária;
Estimulo e ampliação das estratégias de Ensino à Distância, com tele-conferências, ensino não
presencial ou semi-presencial; A participação de instituições com back-ground diferenciado
em Pós-Graduação, poderá trazer resultados diferenciados no incremento da formação de
especialistas, no fortalecimento de núcleos de pesquisa, na ampliação e divulgação da
produção científica, constituindo-se em um conjunto de ações que promovam o
desenvolvimento dos cursos já ofertados e estimulem a criação de outros.
A integração de propostas de desenvolvimento de Cursos Multiprofissionais, reforça o
desenvolvimento de uma abordagem interdisciplinar, frente as tendências contemporâneas de políticas
públicas que enfatiza a Integralidade (ex A proposta atual do Ministério da Saúde).
O investimento crescente na formação de Especialistas, forma líderes, impulsiona a reflexão crítica,
instrumentaliza para o enfrentamento dos desafios da profissão e investe na produção de
conhecimentos, contribuindo assim para o desenvolvimento de uma prática profissional voltada para a
busca de soluções dos graves problemas de saúde, vividos em nossa sociedade.
Estimulo à reflexão sobre os desafios para a produção de conhecimentos e implementação de
iniciativas criativas no processo de cuidar, ensinar e pesquisar.
Necessidade de buscar meios para um desenvolvimento ordenado da pós-graduação lato sensu e
definição de uma posição nacional sobre os Cursos de Especialização em Enfermagem, incluindo os
da modalidade de Residência, valorizando esses cursos como uma das etapas da qualificação
profissional que resultam em elevação da qualidade do trabalho do enfermeiro, em domínio de
conhecimentos e qualificação, assim como em melhoria da qualidade do cuidado prestado.
Considerações Finais
Acredita-se que o avanço científico e tecnológico da Enfermagem está na dependência da competência
de seus pesquisadores, formados desde a Graduação pelo estímulo e descoberta de novos talentos na
modalidade de Iniciação Científica e dos trabalhos de Conclusão de Curso, na Especialização com as
experiências das Monografias, Mestrado Acadêmico no exercício do processo de investigação no
desenvolvimento da Dissertação, Doutorado pela defesa e sustentação de uma Tese como trabalho
inédito, original e relevante para a ciência e tecnologia da Enfermagem, e Pós-Doutorado, na busca de
novos referenciais teórico, filosóficos e metodológicos de maior amplitude e profundidade. Acreditase que a internacionalização da Enfermagem brasileira é fruto das fortalezas regionais. E, que a soma
de esforços, a determinação para alcançar metas, o prazer da descoberta, da criação,.. da construção de
conhecimentos... é uma prática social desafiadora!!!
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
75
BIBLIOGRAFIA
AZEVEDO, N.D.A de. Formação do enfermeiro especialista em Terapia Intensiva. Rev. Baiana de
Enfermagem, Salvador, v. 8, n.1/2, p.160-168, abr/out 1995.
FERNANDES, Josicelia Dumêt et al. Construção do conhecimento de enfermagem em unidades de
tratamento intensivo: contribuição de um curso de especialização. Mimio. (artigo no prelo)
GUTIÉRREZ, M.G.R. de et al. Os múltiplos problemas pesquisados e a pesquisar na enfermagem.
Rev. Bras. Enfermagem, v.55, n.5, p.535-541, set/out. 2002.
KOERICH, M S & ERDMANN, A L. Enfermagem e patologia geral: resgate e reconstrução de
conhecimentos para uma prática interdisciplinar. Rev. Texto & Contexto Enfermagem. V.12 n.4, p.
528-37, out/dez., 2003
MORIYA, T.M. et al. Pós-Graduação Stricto Sensu em enfermagem: um estudo do seu
desenvolvimento no Brasil. Ribeirão Preto: Fundação Instituto de Enfermagem de Ribeirão Preto,
1998, 189p.
PADILHA et al, 2003 As perspectivas dos programas de pós-graduação em enfermagem e o uso da
ciência e tecnologia na América Latina frente aos desafios do século XXI. In: La situación de los
programas de postgrado de enfermería em nueve paises de América Latina frente a los desafios de la
reduccíon de la demanda de drogas. Washington, D.C; U.S; Florianópolis: UFSC/PEN, 2003.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
76
SUB-TEMA 3 - FORMAÇÃO DO EDUCADOR EM ENFERMAGEM:
QUEM EDUCA O EDUCADOR ?
PAINEL: POLÍTICAS E ESTRATÉGIAS PARA A FORMAÇÃO DO FORMADOR:
GRADUAÇÃO
LICENCIATURA, LATU-SENSU A DISTÂNCIA, STRICTO-SENSU:
INSTÂNCIA DA FORMAÇÃO DO DOCENTE DO ENSINO SUPERIOR.
FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE ENFERMAGEM: A PROPOSTA DA UFRGS
Miriam de Abreu Ameida1
Valéria Giordani Araújo2
Miriam Suzete de Oliveira Rosa3
Maria da Graça Corso da Motta4
Margarita Rubin Unicovsky5
Maria Henriqueta Luce Kruse6
Introdução
O Curso de Licenciatura em Enfermagem foi criado no final dos anos 60 pelo Parecer nº 837/68 da
Câmara de Ensino Superior, concedendo o título de licenciado em enfermagem, para atender a
exigência social de formação de profissionais para o nível médio (à época auxiliares e técnicos de
enfermagem). A criação deste curso levou em consideração a necessidade da formação pedagógica das
enfermeiras4, tendo como justificativa a existência de cursos destinados à formação de auxiliares de
enfermagem, bem como a inclusão de estudos de enfermagem como disciplinas e práticas educativas
no ensino médio. Os cursos de licenciatura em enfermagem também tinham como foco a formação de
profissionais para ministrarem aulas no nível médio, em disciplinas e práticas educativas relacionadas
à enfermagem, tais como Higiene e Programas de Saúde.
Na questão da formação de professores de enfermagem, cabe destacar que as licenciadas em
enfermagem devem possuir o diploma de enfermeira como pré-requisito da docência nesta área,
configurando uma excepcionalidade dentre as licenciaturas (MOTTA; ALMEIDA, 2003). Deste
modo, essas licenciadas em enfermagem são docentes de educação profissional com dupla dimensão
de conhecimento que contempla os conteúdos pedagógicos, além da necessária experiência de trabalho
como enfermeira. Portanto, são profissionais que desempenham simultaneamente essas duas funções,
de professora e de enfermeira.
Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o Curso de Licenciatura em Enfermagem
foi criado no ano de 1973. O curso obedecia ao que determinava a Lei 1254/50 Parecer 2085/76 e
tinha 585 horas-aula distribuídas em 3 semestres letivos, configurado no formato tradicional dos
cursos de Licenciatura na época. Com a vigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira
(LDB), que estabeleceu a necessidade de novas diretrizes curriculares para os cursos de graduação, o
que inclui as licenciaturas, foram determinadas as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação
1
Enfermeira. Professora Adjunta da Escola de Enfermagem/UFRGS. Coordenadora da Comissão de Graduação da Escola de
Enfermagem/UFRGS. Doutora em Educação/PUCRS. Endereço: Av. Nilópolis, 280/304. Porto Alegre RS CEP 90460050. E-mail: [email protected]
2
Professora Adjunta da Escola de Enfermagem da UFRGS
3
Professora Adjunta da Faculdade de Educação da UFRGS
4
Professora Adjunta da Escola de Enfermagem da UFGRS
5
Professora Adjunta da Escola de Enfermagem da UFGRS
6
Professora Adjunta da Escola de Enfermagem da UFGRS
7
Utilizaremos as expressões enfermeira e licenciada no gênero feminino, tendo em vista a predominância das mulheres na
área.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
77
de Professores (CNP/CP1, de 18/02/2002 e CNE/CP2 de 19/02/2002). Estas estabelecem uma carga
horária com integralização mínima de 2800 horas, articulando teoria e prática, e prevendo as seguintes
dimensões: conteúdos curriculares científico-cultural (1800 horas), prática com o componente
curricular vivenciado ao longo do curso (400 horas), estágio curricular supervisionado a partir da
segunda metade do curso (400 horas), e outras atividades científico-culturais (200 horas). Assim, foi
necessário alterar o currículo então vigente.
A Comissão de Graduação da Escola de Enfermagem (COMGRAD/ENF) da UFRGS propôs a
reestruturação do Curso de Licenciatura em Enfermagem, visando essa adequação às novas diretrizes.
A proposta deste curso abrange os eixos docência e pesquisa para atuar em dois campos distintos, mas
interrelacionados: a formação profissional em nível técnico e o desenvolvimento das habilidades
necessárias à educação e saúde. Esta formação docente tem como pressuposto o cuidado humano
inserido no debate contemporâneo, o que envolve o desenvolvimento humano e as questões sociais,
culturais e econômicas.
Entendemos que a UFRGS, como universidade pública, tem uma contribuição importante na formação
de professores, até porque, temos observado que as instituições que tradicionalmente ofereciam cursos
de Licenciatura em Enfermagem não têm mais oferecido essa modalidade, provavelmente devido à
dificuldade em adequar o mesmo às exigências das atuais diretrizes. Destacamos, também, a
importância dessa formação considerando o impacto que as profissionais de enfermagem produzem
nos postos de trabalho do setor saúde, uma vez que constituem uma parcela representativa dos
trabalhadores deste setor. Existem hoje no Brasil, inscritos no Conselho Federal de Enfermagem
(COFEN), aproximadamente 800.000 profissionais de enfermagem. Destes, cerca de 160.000 são
técnicas de enfermagem e 460.000 são auxiliares de enfermagem. A formação destes 600.000
profissionais é feita por enfermeiras licenciadas. Entendemos que é papel da universidade pública
formar esse profissional que, como tal deve ter uma sólida formação básica, além de deter experiência
e conhecimento do trabalho.
Neste texto, relatamos a construção do novo currículo de Licenciatura em Enfermagem, ação
compartilhada por um grupo de professoras da Escola de Enfermagem e da Faculdade de Educação da
UFRGS, que pretendemos implementar no ano de 2005. Para o desenvolvimento dessa proposta estão
sendo realizadas reuniões quinzenais com os docentes diretamente envolvidos no projeto. Visando a
implementação do novo currículo está sendo planejada a realização de seminário envolvendo
integrantes da comunidade acadêmica para apresentação e discussão do currículo. Também
pretendemos criar um banco de dados que possibilite conhecer as linhas de pesquisa nas quais as
professoras estão inseridas e suas áreas de orientação, além de um encontro com docentes de Escolas
de Enfermagem do Estado para divulgar o curso e propor futuras parcerias. Estas propostas têm como
finalidade contemplar as atividades de ensino, tais como a supervisão do estágio curricular e a
orientação dos trabalhos de conclusão.
Desenho Curricular e Competências
O novo projeto pedagógico do Curso de Licenciatura em Enfermagem atende as determinações legais
do exercício profissional, as Diretrizes Curriculares Nacionais e as orientações da Coordenadoria das
Licenciaturas da UFRGS (COORLICEN), contidas na Resolução n.º 04/2004 do Conselho de Ensino,
Pesquisa e Extensão (CEPE) da UFRGS. A duração do curso será de quatro semestres, conservando o
ingresso extravestibular na modalidade de Ingresso de Diplomado. No âmbito da Universidade esta
decisão está assegurada no Art. 11 da Resolução nº 10/2004 do CEPE, onda consta que no caso da
Licenciatura em Enfermagem o candidato deverá ser portador do diploma de curso superior de
graduação em Enfermagem. A seleção deverá ser realizada uma vez ao ano, com ingresso semestral.
O aluno deverá cursar 1020 horas (68 créditos), que somados às 1800 horas correspondentes ao
Diploma de Enfermeiro, integraliza 2820 horas (188 créditos). Quanto às disciplinas pedagógicas, em
um total de 405 horas (27 créditos) serão desenvolvidas nas duas primeiras etapas do curso.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
78
Os estágios curriculares, incluindo a elaboração e o desenvolvimento do Trabalho de Conclusão de
Curso (TCC), em um total de 405 horas (27 créditos) serão desenvolvidos nas duas últimas etapas do
curso. A disciplina Estágio Curricular I
Educação e Saúde, visa oferecer condições para
implementação e avaliação de projetos de educação em saúde em escolas infantis, de ensino
fundamental e médio, bem como em outras instituições da rede pública e/ou privada que desenvolvam
ações educativas no âmbito da Educação e Saúde. A disciplina Estágio Curricular II: Formação em
Nível Técnico em Enfermagem, visa oferecer condições para implementação e avaliação de projetos
de ensino em cursos profissionalizantes em nível técnico ou educação continuada em enfermagem.
As atividades complementares, em um total de 210 horas (14 créditos) serão desenvolvidas ao longo
do curso. As atividades complementares que a aluna poderá realizar estão descritas na Resolução nº
31/2003 - CEPE e na Resolução nº 02/2004 da COMGRAD/ENF. Elas contemplam disciplinas
obrigatórias alternativas, disciplinas de outros cursos, habilitações ou ênfases da UFRGS, ou de
instituições de ensino superior nacionais e estrangeiras cursadas com aproveitamento; estágio extracurricular desenvolvidos com base em convênios firmados pela UFRGS; participação efetiva e
comprovada em semanas acadêmicas, programas de treinamento e eventos científicos e culturais
promovidos pela UFRGS, por outras instituições de ensino superior, e por conselhos ou associações de
classe; além de outras atividades propostas pelo estudante com reconhecimento prévio da
COMGRAD-ENF.
A formação de licenciadas em enfermagem tem por objetivo dotar enfermeiras dos saberes e fazeres
necessários para o exercício das seguintes competências:
a) Comprometimento com os valores inspiradores da sociedade democrática
b) Compreensão da função social da educação e saúde
c) Domínio dos conteúdos a serem socializados, seu significado em diferentes contextos e a
articulação interdisciplinar
d) Domínio do conhecimento pedagógico que possibilite o aperfeiçoamento da prática pedagógica
e) Compreensão das políticas de educação e saúde
f) Desenvolvimento e aplicação do conhecimento investigativo na área de educação e saúde
g) Gerenciamento e administração do processo educativo em saúde, considerando o contexto
sócio político cultural e as políticas sociais vigentes no país.
A seguir apresentamos o quadro de disciplinas que compõe o currículo do Curso de Licenciatura em
Enfermagem.
ETAPAS
1º
2º
3º
DISCIPLINAS
EDU01XXX - Sociologia da Educação I
EDU01XXX - História da Educação: História de
Escolarização Brasileira e Processos Pedagógicos
EDU01XXX - Filosofia da Educação
EDU02XXX - Ensino e Identidade Docente
EDU01XXX - Psicologia da Educação
EDU02XXX - Educação-Saúde e a Docência em
Enfermagem
CARÁTER
CH
02
02
Disciplinas
Pedagógicas 02
02
02
04
ENF01XXX - Educação e Formação de Professores Para o
Nível Técnico
ENF01XXX - Processo sócio-histórico da educação em
enfermagem
EDU02XXX - Processo de Planejamento de Ensino
03
Disciplinas
Pedagógicas 04
EDU02XXX - Estágio Curricular I: Educação e Saúde
ENF01XXX - Trabalho de Conclusão de Curso - Projeto
Estágio/
10
Disciplina
Articuladora 04
06
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
4º
EDU02XXX - Estágio Curricular II Formação de
Professores em Nível Técnico em Enfermagem
ENF01XXX - Trabalho de Conclusão de Curso - Relatório
Atividades Complementares
79
Estágio/
10
Disciplina
Articuladora 03
14
Considerações Finais
O projeto pedagógico que trata da reestruturação curricular do curso de Licenciatura em Enfermagem
da UFRGS foi aprovado no Conselho da Escola e atualmente encontra-se em tramitação nos órgãos da
Universidade responsáveis por sua aprovação. A especificação das disciplinas, suas súmulas,
conteúdos programáticos, competências e bibliografia básica estão sendo elaboradas buscando
contemplar alternativas que visem à diminuição da evasão do curso, tais como oferecer disciplinas e
estágios em diferentes horários e/ou turnos e introduzir o ensino à distância, visando adequar o mesmo
às necessidades das alunas, enfermeiras inseridas no mercado de trabalho.
Como estratégias para implementação do curso objetivamos enviar este projeto ao Pólo de Educação
Permanente da Região Metropolitana de Porto Alegre visando o financiamento do mesmo, bem como
o fornecimento de bolsas de estudo para as alunas. Também pretendemos a integração com as demais
Escolas de Enfermagem para desenvolver o curso em parceria, tanto em relação aos alunos como
professores.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP1 de 18 de fevereiro de 2002.
Diretrizes Curriculares Nacionais para Formação de Professores da Educação Básica em Nível
Superior Curso de Licenciatura / Graduação Plena. Brasília (DF), 2002.
CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DO RIO GRANDE DO SUL (COREN/RS).
Legislação. Porto Alegre (RS), 2002. 55p.
MOTTA, M.G.C.; ALMEIDA, M.A.A. Repensando a licenciatura em enfermagem à luz das diretrizes
curriculares. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília (DF), v.56, n.4, p.417-419, jul./ago. 2003.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Pró-Reitoria de Ensino. Pró-Reitoria
Adjunta de Graduação - Coordenadoria das Licenciaturas - COORLICEN. Porto Alegre(RS); s/d.
PAINEL
POLÍTICAS E ESTRATÉGIAS PARA A FORMAÇÃO DO FORMADOR: GRADUAÇÃO
LICENCIATURA, LATU-SENSU A DISTÂNCIA, STRICTO-SENSU: INSTÂNCIA DA
FORMAÇÃO DO DOCENTE DO ENSINO SUPERIOR.
Sistematizadora: Tereza Coimbra Carvalho
Diretrizes gerais:
As questões educacionais hoje nas pautas de discussões, nelas incluindo a formação do formador em
enfermagem, precisam ser vistas sob as dimensões global e local, compreendendo-a como uma política
pública que envolve os diversos segmentos e a sociedade civil, de modo que os projetos elaborados,
ultrapassem a visão burocratizada da educação, da produção do conhecimento e do pensar/fazer
fragmentados. A formação de formadores não pode ser entendida apenas pela designação de a quem
compete formar o formador, pois para isso já existem os dispositivos legais que regulamentam essa
formação. A Enfermagem precisa neste sentido estar preparada organicamente para o questionamento,
a problematização e a proposição das políticas e estratégias voltadas pra o setor educacional, visando o
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
80
compromisso social. O momento não é de disputa organizacional, mas de crescimento e
fortalecimento político e organizativo.
Afinal, por que manter a licenciatura, outra graduação que não repercute em itinerário de crescimento?
Não seria mais viável curso permanente de especialização em educação profissional?
Graduação
licenciatura : Trabalho resultante da experiência na UFRS
Breve explanação histórica, legal sobre o ensino de Licenciatura em Enfermagem.
Relatar a construção do novo currículo da Licenciatura
Apresentar as diretrizes gerais que norteiam a formação do Licenciado.
O que diferencia das experiências de formação das demais universidades é que o curso se estrutura
como específico para a licenciatura e exige a formação do enfermeiro. Está distribuído em 4 semestres
com disciplinas pedagógicas, disciplinas integradas
pedagogia e enfermagem
estágios
supervisionados e trabalho de conclusão de curso.
A proposta tenta sanar o problema da evasão, decorrentes da situação dos estudantes, os quais já são
enfermeiros inseridos no mercado de trabalho.
Formação de formadores no lato-sensu. à distância.
A expositora toma como referência a experiência da ENSP e Fundação Osvaldo Cruz na modalidade
de ensino lato sensu à distância para a formação de formadores, e particularmente, que atuassem na
formação profissional.
Relata a trajetória pra formulação da proposta da ENSP, considerando os debates, movimentos e
legislação que orientavam e orientam as licenciaturas.
Debate então os fatores de natureza políticas que motivavam a vivência da especialização para
formação pedagógica.
E os fatores de natureza pedagógica que imprimissem não só as competências necessárias ao trabalho
do professor, mas que estimulassem o exercício da crítica na formação do formador. Outra
característica é a superação do formato disciplinar para um ensaio curricular por temas, movimentos
que levam o estudante a trabalhar na perspective de pesquisa-ação, além da possibilidade do TCC, não
novo temático, mas expressão da construção coletiva.
Por fim, a grande possibilidade de formação em 4 modalidades: licenciatura, especialização com nível
de formação de formadores, a formação em serviço.
Stricto sensu: instância de formação do docente do ensino superior.
Trata de uma reflexão da formação docente, tomando como experiência proposta efetivada na Escola
de Enfermagem que Será:
A professora faz uma abordagem histórica acerca do desenvolvimento dos cursos strictu sensu e a
distribuição dos programas de pós-graduação no Brasil, tomando como estratégia metodológica o que
chamou de duplo olhar o internalista e o externalista.
Assim, ressalta as questões conjunturais que afetam a educação de maneira geral e em especial,
poderão afetar os programas de pós-graduação em enfermagem.
Além da associação existente entre o sistema de avaliação desenvolvido pela CAPES e o
financiamento e recursos direcionados aos programas, o que via de regra, penalize os programas com
conceito de av mais baixo e fortalecer ainda mais os programas com conceitos de av. mais alto.
Por fim, ressalta a agenda Nacional de Pesquisa em Saúde em sendo desenvolvido juntamente com o
Ministério da Ciência e Tecnologia e Ministério da Saúde para o próximo milênio.
A outra dimensão voltada para o olhar instituição, onde na posição da professora, reside a maior
possibilidade de mudanças, através de estratégias educacionais (seleção, currículos, avaliação entre
outras).
Desafios
A superação de que o processo educativo não constitui uma produção científica;
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
81
A inserção da solidariedade entre programas e destes com o CAPES, para além da aparente
concorrência hoje observada;
A possibilidade da criação de uma rede nacional, cuja solidariedade será o motor para a sua efetivação;
Aproveitamento dos resultados das pesquisas.
Debate
Uma dimensão diferenciada, pois além de formar pedagogicamente, relaciona essa formação em
saúde, além de propiciar formas de ensino presencial e à distância.
Institui para além da disciplina prática de ensino, a modalidade de estágios curriculares pra a formação
pedagógica. As atividades complementares seguirão o que reza o regimento da universidade, salvo as
especificidades do curso, buscando acompanhar os princípios previstos nas diretrizes curriculares,
além dos estágios extracurriculares . Assegura que a licenciatura é uma estratégia de possibilidade de
itinerário de crescimento.
Pontos para reflexão:
Espaço de debates de experiências sejam mais amplos sugestão para o próximo SENADEn;
Desafio da integração da licenciatura com o bacharelado;
O cuidado na indissociabilidade dos três níveis de ensino;
E o reconhecimento da ABEn enquanto espaço articulador e coordenador das questões da educação
em enfermagem e não apenas um convidado na configuração das redes de pós-graduação, o que foi
posteriormente, reforçado pela expositora que a ABEn teria o seu espaço nas discussões, entretanto, a
origem da iniciativa deve ser das pós-graduações;
Que por ocasião das reuniões anuais junto à coordenação da CAPES que os coordenadores dos
programas sejam prepositivos, apresentando propostas construídas desde a base e através de redes de
articulação entre os programas;
A pós-graduação de enfermagem do Brasil ela é brasileira, e deve estar movida pra o desenvolvimento
humano e não ser apenas cumpridora dos critérios ditatoriais da CAPES;
Todas as questões aqui levantadas são pertinentes a formação de formadores em enfermagem e as
contribuições daqui são para o fortalecimento desse segmento da formação;
É necessária a articulação dos discursos, superando a perspective da discussão específica por níveis.
A formação de formadores não é uma questão só de designar a quem compete, mas as possibilidades é
que deve ser valorizada;
A quem compete existe a regulamentação do setor, mas também a escolha de acordo com a missão
institucional;
A especialização é uma conquista na formação de formadores e por isso não pode ser qualquer
especialização.
Como gerar um movimento de renovação do docente já inserido na prática docente?
A contribuição de pós-graduação na formação do formador deve se dar em espaços, disciplinas, outras
estratégias que oportunizem essa formação, através da oferta de livre escolha do aluno;
Ainda está nebulosa a diferenciação entre os níveis latos e strictu sensu de formação e o mestrado
profissional;
As questões hoje em pauta precisam ser vista sob as dimensões global e local;
A educação precisa ser vista como uma política pública que envolve os diversos segmentos e a
sociedade civil, de forma que os projetos elaborados ultrapassem a visão burocrática da educação, da
produção do conhecimento fragmentado. Este momento não é de disputa de organização, mas de
crescimento político e organizativo;
Os exemplos dados pelo ensino profissional e pela graduação devem ser mirados pela pós-graduação;
A enfermagem precisa se organizar para ter força organizada de questionar, problematizar e propor
políticas com compromisso social.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
82
PROPOSTA DE ENCAMINHAMENTO
Na questão da formação do docente do ensino superior, sabemos que os programas de mestrado e/ou
doutorado não se voltam para a preparação pedagógica destes docentes, existindo uma lacuna neste
aspecto.
Minha proposta é de encaminhamento para a ABEn, a partir do SENADEn que é o fórum privilegiado
para emanar demandas e proposição aos espaços de formação nos diversos níveis.
A recomendação do SENADEn/ABEn seria para que os programas de pós-graduação strictu sensu,
insiram em seus componentes curriculares, disciplina/espaços, módulos, a formação do educador
enfermeiro para a Educação Superior.
CONSELHO CONSULTIVO NACIONAL DE ESCOLAS DE ENFERMAGEM
CONTRIBUINDO PARA O CONTROLE SOCIAL
Mauro Antonio Pires Dias da Silva1
Eliete Maria Silva2
Introdução
As questões que permeiam o ensino de enfermagem são resultantes de inquietações e situações ligadas
às reflexões, que embora não sejam sempre compartilhadas por instrumentos públicos de divulgação,
são motivos de debates, aulas e trabalhos nas atividades que exercemos como docentes de enfermagem
ou mesmo como diretor de Educação ou membro da Associação Brasileira de Enfermagem Seção São
Paulo (ABEn SP).
Em 2003, no período de 18 a 21 de setembro foi realizado o 7º Seminário Nacional de Diretrizes para
a Educação em Enfermagem SENADEn, com o tema central: Educação em Enfermagem: buscando
a coerência entre Intenções e Gestos . Participamos da plenária sobre o tema Conselho Consultivo
Nacional de Escolas um passo a mais , quando sistematizamos informações a fim de subsidiar a
implementação dos Conselhos Estaduais e Nacional.
Atualmente, no cargo de Diretor de Educação da Associação Brasileira de Enfermagem de 2001 a
2004, assumimos fazer parte da proposta que abrangia o programa de trabalho elaborado pela ABEn Nacional. Entre os princípios e os eixos norteadores são determinadas várias metas, sendo que no eixo
que trata da ABEn e o seu processo interno e externo de organização a implantação dos Conselhos
Consultivos de Escolas e de Sociedades de Especialista, são objetivos fundamentais no contexto de
uma ação integrada na ABEn .
Ao consultarmos o atual ESTATUTO DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ENFERMAGEM ,
(ABEn, 2001, p.3) que foi submetido à reformulação geral e aprovado em Assembléia Nacional de
Delegados da Associação Brasileira de Enfermagem (sessão extraordinária) realizada no dia 21 de
outubro de 2000, em Recife Pernambuco e que regerá a ABEn por prazo indeterminado determina
sobre os Conselhos Consultivos diversos dispositivos.
Destacamos que a ABEn admite vinculação de Sociedades ou Associações de Enfermagem ou de
Enfermeiros (as) Especialistas e Escolas de Enfermagem de nível superior e de educação profissional
habilitação técnico de enfermagem e tem como finalidade coordenar e articular estes Conselhos
Consultivos
1
Professor Doutor Departamento de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas
- Unicamp.
2
Professora Doutora Departamento de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de
Campinas - Unicamp.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
83
Poderão requerer vinculação a ABEn, as Escolas de Enfermagem cujos cursos estejam autorizados
ou reconhecidos pelo MEC e de acordo com regulamentação específica elaborada pelo CONABEn,
tanto em âmbito estadual, quanto nacional.
Os conselhos tem caráter de assessoria e consultoria, articulando com a entidade nacional através do
CONABEn, sendo presidido pelo Diretor de Educação de cada âmbito, nacional e das seções
estaduais.
Além da assessoria e consultoria em matéricas de ensino compete ainda aos Conselhos promover
integração entre as Escolas ou cursos de Enfermagem e desenvolver gestões junto aos docentes e
discentes de enfermagem no sentido de estimular sua participação na ABEn e possível associação.
Verificamos que as Faculdades de Enfermagem necessitam se vincular a ABEn, para participar do
Fórum Estadual e posteriormente indicar participantes do Fórum Nacional de Escolas de Enfermagem.
A forma de organização interna do Fórum pode ser estabelecida através de seu regimento. Fica
evidente o caráter federativo do conselho, bem como é o da entidade, desde seus primórdios.
Podemos observar que o regimento trata de matéria recente, que merece ser mais amplamente
discutida pela categoria como um todo, pelos profissionais e pelas instituições envolvidas neste
processo.
Considerações sobre os Conselhos Consultivos de Escolas de Enfermagem.
O número de Faculdades de Enfermagem entre o ano de 1996 e de 2001 apresentou expressiva
expansão quantitativa, segundo informações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira - INEP, em 1996 existiam 35 cursos de enfermagem no Brasil, sendo
que em 1995 havia 1.603 concluintes. Em 30/04/1996, 9.291 efetuaram matrículas nos cursos de
enfermagem (BRASIL, 2003).
Em 2001 existiam 207 cursos de enfermagem no Brasil sendo que 35 originários de Universidades
Federais, 35 de Estaduais, 02 Municipais, 54 Privadas, 81 Comunitárias (BRASIL, 2003). Atualmente
somente no Estado de São Paulo são localizados 114 cursos de enfermagem, ao verificarmos as
Instituições identificamos que muitas são relacionadas mais de uma vez, excluindo as repetições o
número é de aproximadamente 100 cursos de enfermagem, devemos ainda considerar as Instituições
de ensino que estão na fase de aprovação e que não estão cadastradas (BRASIL, 2004).
Concordamos que maior número de enfermeiros é necessário para a melhoria de qualidade de
indicadores de saúde do Brasil. No entanto os aspectos que nos causam inquietações são os
relacionados com o controle de qualidade dos cursos de enfermagem e as providências que estão sendo
adotadas nesse sentido.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº 9395/96, aponta para uma maior
flexibilização do ensino, aumentando a autonomia das decisões nos níveis regionais e diminuindo a
interferência do Ministério da Educação e Cultura, que centralizava e inibia o desenvolvimento
quantitativo e qualitativo da Educação (BRASIL, 2001).
As Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação em Enfermagem (DC) aprovadas no
ano de 2001 (CNE/CES nº 1.133/2001) estabeleceram características que podem auxiliar na
construção deste enfermeiro mais qualificado e ajustado às realidades que convive, a questão que
envolve a qualidade do profissional não deve ser fundamentada somente em perspectiva legais, pois ao
admitirmos que apenas a lei bastaria para fortalecer as relações teóricas e práticas da enfermagem
brasileira poderemos ter expressivas dificuldades em relação às diferentes configurações regionais, dos
diversos interesses, muitas vezes, conflitantes e que norteiam as instituições públicas e privadas, e
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
84
ainda, a possibilidade de que a lei quando aprovada pode não contemplar as necessidades da categoria
que estão em constante transformação e em busca de uma identidade mais sólida.
As Diretrizes Curriculares (DC) também são conseqüências das mobilizações das Associações, dos
docentes, dos alunos, enfim de todos que estão sintonizados com as questões das práticas e do ensino
de enfermagem.
As DC se constituíram como o principal processo de operacionalização daquilo que é determinado
pela LDB. As DC estabelecem as linhas gerais, não instituem a forma, mas permitem flexibilizações
na construção do projeto pedagógico (NORONHA e cols., 2002a). Abordam características que vão do
perfil do egresso, às competências e habilidades, aos conteúdos curriculares, aos estágios e atividades
complementares, às organizações e aos acompanhamentos e avaliações dos cursos (BRASIL, 2001).
Possibilitam ainda organização do Projeto Pedagógico que poderá estabelecer articulações entre o
ensino, pesquisa, extensão e assistência. Considerando este processo admitimos que o ensino poderá se
tornar crítico, reflexivo e criativo.
Evidentemente que estas possibilidades estão relacionadas aos interesses que as Faculdades de
Enfermagem efetivamente pretendem atender ao deflagrar o processo de ensino e aprendizagem.
Quando planejamos e produzimos um projeto de uma nova faculdade no mundo imaginário tudo é
possível. Contudo como garantiremos que as inúmeras Faculdades, que estão sendo constituídas e
tantas outras que estão formando enfermeiros, estão executando as tarefas com competência e
eficiência ao considerarmos as múltiplas realidades concretas e necessidades da saúde e educação na
atualidade?
Relevamos que para a definição das Diretrizes Curriculares dos Cursos da Área da Saúde foram
fundamentais os conceitos estabelecidos na Constituição e os princípios norteadores do SUS
(NORONHA e cols, 2002b), evidentemente que isto não foi conquistado tacitamente, nos fóruns da
Enfermagem as discussões que culminaram com as DC foram intensas e extensas e vários marcos
históricos foram conquistados, como por exemplo: a carta de Florianópolis em 1999, a carta de
Teresina em 2002, sendo que dos pontos orientadores das discussões destacaram-se as diretrizes
básicas do SUS, adotado como modelo referencial de atenção à saúde (SANTOS e col.,2003).
Portanto a formação generalista, apregoada nas Diretrizes Curriculares, ainda que possibilita várias
interpretações, tem sido considerada como aquela cuja perspectiva está fundamentada na atenção
básica e nos preceitos determinados pelo SUS.
Outra questão que nos aflige é o controle de qualidade ao qual as Faculdades de Enfermagem devem
se submeter. Esperar esta ação somente do serviço público é complicado e limitado, pois já
identificamos que se a flexibilização permitiu um desenvolvimento mais qualitativo para as
Instituições de ensino bem intencionadas. Por outro lado, esta mesma flexibilização pode resultar em
um afrouxamento do ensino, precarizando a formação e acrescentando muito pouco à formação do
auxiliar ou técnico já existente e que pretende tornar- se enfermeiro, vivenciando um ensino inócuo
e não transformador.
Como podemos alterar este quadro? Através de avaliações sistemáticas e de controle social sobre as
condições reais das faculdades de enfermagem existentes e criando parâmetros mínimos para aquelas
que querem se constituir, considerando a demanda de enfermeiros na região, com avaliação das
Faculdades existentes, se já atendem (ou não) estas necessidades.
Mas a quem caberia este controle? Sabemos que o Ministério de Educação e Cultura historicamente
tem buscado formas de avaliar e controlar a abertura de novos cursos e a manutenção de outros, mas
ainda identificamos dificuldades, sobretudo em função da centralização do processo que apresenta
custo elevado e nem sempre eficiente no que tange às reais condições da Instituição de ensino.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
85
Temos ouvido também, cada vez mais, que o mercado de trabalho irá controlar e estabelecer as
competências necessárias para o exercício do trabalho. Delegar para o mercado a seleção das
competências dos profissionais é um alto risco, pois em uma sociedade capitalista onde os interesses,
muitas vezes, é o lucro, pode ser conveniente formar e deixar no mercado de trabalho pessoas com
formação técnica deficiente, baixa crítica e servil as necessidades de um mercado explorador e
conivente com o lucro fácil.
E nós enfermeiros como temos nos comportado frente a estas questões?
A Associação Brasileira de Enfermagem, historicamente através de seus fóruns, fundamentalmente o
SENADEN e o CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERMAGEM, busca discutir e ponderar as
questões da Educação da Enfermagem Brasileira. Fortalecer as discussões e construir soluções de
forma sistematizada, aprofundando e esclarecendo os pontos nebulosos, estabelecendo uma linha de
discussão que permite a troca de informações e encaminhamentos eficientes e fundamentados.
Os Fóruns Estaduais podem identificar as necessidades reais, estabelecer investigações e indicar
caminhos para solucionar questões quantitativas e qualitativas, como por exemplo: quantas faculdades
de Enfermagem o Estado de São Paulo demandaria na atualidade se considerarmos as necessidades
sob aspectos que se relacionam ao âmbito dos serviços de saúde (públicos e privados) do Estado. Será
que teremos que esperar o mercado deixar de contratar enfermeiros e que este fato passe a ser um
indicador real que demonstre que as faculdades são em número suficiente ou demasiado?
Partindo da premissa que todas as faculdades estão formando enfermeiros através de Projetos
Pedagógicos fundamentados nas Diretrizes Curriculares Nacionais, questionamos sobre a qualidade
dos entendimentos que os dirigentes, docentes e discentes das faculdades existentes possuem sobre os
conceitos determinados pelas DC. Surge uma questão. O que fazer?
A partir do fortalecimento dos Fóruns Estaduais e com o conseqüente acúmulo de experiências dos
vários Estados, o Conselho Consultivo Nacional de Escolas de Enfermagem poderá ser o gerador e
provocador das discussões sobre as várias questões que permeiam a Educação da Enfermagem
Brasileira.
Os Fóruns de Escolas de Enfermagem efetuados nos Estados têm revelado experiências interessantes e
que devem ser reproduzidas e intensificdas em todos os estados. Provocar o surgimento e
fortalecimento de uma massa crítica consistente e que respalde as decisões estabelecidas no fórum
nacionail é um dos caminhos possíveis.
O desafio que temos como educadores, educandos, administradores e participantes deste momento
histórico é o de nos organizarmos e garantirmos qualidades mínimas nas práticas educativas
estabelecidas pelas Faculdades de Enfermagem do Brasil. Na região sudeste, onde a quantidade de
Escolas tem aumentado expressivamente, a necessidade de mobilização e discussão é mais trabalhosa
e onerosa, mas precisamos iniciar para que problemas hoje detectados, sejam resolvidos de forma
descentralizada, negociada e que permita avanços construídos democraticamente e com qualidade.
Dar este passo a mais , ou seja, formar o CONSELHO CONSULTIVO NACIONAL DE
ESCOLAS DE ENFERMAGEM é necessário para que o ensino de enfermagem melhore em
qualidade, enfermeiros ocupem espaços fundamentais no sistema de saúde e interajam nos diferentes
modelos de atenção buscando a melhoria da qualidade do atendimento do ser humano.
REFERÊNCIAS
ABEn. Associação Brasileira de Enfermagem. Estatuto. Reformulação geral aprovada em
Assembléia Nacional de Delegados, realizada, em Recife - Pernambuco, em 21 de outubro de 2000.
BRASIL,
Ministério
da
Educação.
INEP,
Estatísticas
do
Ensino
Superior.Disponível:http://www.inep.gov.br/superior/censosuperior/sinopse/1996/1.1Sudeste.htm.
Acesso em:22 jun.2003.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
86
BRASIL,
Ministério
da
Educação.
INEP,
Estatísticas
do
Ensino
Superior.Disponível:http://www.inep.gov.br/superior/censosuperior/sinopse/2001/1.1Sudeste.htm.
Acesso em:23 jun.2003.
BRASIL,
Ministério
da
Educação.
INEP,
Estatísticas
do
Ensino
Superior.Disponível:http://www.inep.gov.br/superior/funcional/lista-cursos.asp. Acesso em: 29
ago.2004.
BRASIL, Ministério da Educação/ conselho nacional de Educação. Diretrizes curriculares Nacionais
dos Cursos de Graduação em Enfermagem, parecer nº CNE/CES1.133/2001, aprovado e, 07 ago.2001.
SANTOS, Débora de Souza et all. Análise Crítica das Práticas de Educação em Enfermagem. Estudo
apresentado no Programa de pós-graduação disciplina EG 101, Análise Crítica de Enfermagem ,
junho de 2003.
NORONHA, A B. SOPHIA, D.,MACHADO, K. Formação profissional em saúde. Revista Radis
Comunicação em Saúde, n.3, out.,2002 a.
NORONHA, A B. SOPHIA, D.,MACHADO, K. Graduação: é preciso mudar transformações
dependem de políticas de Educação e de Saúde. Revista Radis comunicação em Saúde, n.5,
dez..,2002 b.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
87
SESSÃO DE ENCERRAMENTO
CARTA DA EXECUTIVA NACIONAL DOS ESTUDANTES
AOS PARTICIPANTES DO 8º SENADEn
Por meio das reuniões dos estudantes ocorridas durante esse Seminário, tivemos a oportunidade de
refletir e avaliar o contexto histórico em que se encontram as organizações civis e também sua relação
com o governo.
A cada dia percebemos o quanto é importante o fortalecimento das entidades e/ou movimentos para
construção de projetos e formulação de políticas de Estado que assegurem os direitos dos cidadãos e
que não mercantilizem esses direitos transformados muitas vezes em valores.
Diante dessa conjuntura, analisamos a necessidade de uma relação mais próxima do movimento
estudantil com a Associação Brasileira de Enfermagem através da participAÇÃO EFETIVA na
elaboração de projetos para a mudança na formação, ajudando na construção de diretrizes para a
educação em Enfermagem.
Trabalhando juntos podemos contribuir na formação política para o resgate da cidadania dos
estudantes, trabalhadores e docentes tão desconstruída pelo sistema neoliberal.
Contudo, sabemos o quanto há que se transformar essas relações ao começar pelo entendimento dos
objetivos de cada entidade, do respeito a cada uma delas e da busca de coerência entre suas
perspectivas representações estaduais e nacional.
Ao se falar, portanto, da formação em enfermagem compreendemos que a ENEEnf, a ABEn e a FNE
devem se comprometer em avaliar as possibilidades de atuação em conjunto para superação dos
desafios para mudança na formação do enfermeiro, pensando em processos.
Para esta atuação, sugerimos :
1. Avaliação do trabalho da enfermagem e da formação profissional;
2. Construção de um projeto para a Enfermagem( niveis médio e superior) e para formação como
profissional de SAÚDE, entendo a relevância de sua inserção na totalidade do Sistema Único
de Saúde, não reduzindo este ao mundo do trabalho e muito menos ao mercado.
3. Buscar caminhos para gerar esta mudança na formação, incluindo novos espaços e parceiros
estratégicos.
Voltando nosso olhar para este Seminário, propomos:
Espaço maior para debates, não só em mesas, mas em grupos de discussão e de trabalho;
Valorização do saber dos participantes que trazem suas experiências para troca e não apenas
para apresentação. Dessa forma estaríamos garantindo a formulação efetiva de diretrizes
através do acúmulo dos mesmos e não só daqueles que compõem as mesas.
Queremos rodas de discussão, em que se estabeleçam relações de horizontalidade entre os
diversos sujeitos.
Buscar garantias de ampliação do acesso aos eventos promovidos pela ABEn, por meio de
incentivo das instituições de ensino e valores mais acessíveis.
Para isso, estamos dispostos a construir coletivamente essas idéias e colocá-las em prática!
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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MOÇÃO DE REPÚDIO
CONTRA O PROJETO DA REFORMA UNIVERSITÁRIA PROPOSTO PELO MEC
Nós, enfermeiros, docentes e estudantes presentes no 8º Seminário Nacional de Diretrizes para a
Educação em Enfermagem, em Vitória/ES, acontecido nos dias 31 de agosto a 03 de setembro do
corrente ano, encaminhamos esta moção de repúdio que declara nossa posição contrária ao projeto de
Reforma Universitária apresentado pelo Ministério da Educação e Cultura de forma fatiada e que se
expressa através dos seguintes programas e propostas:
Programa Universidade para Todos que indica a isenção de uma série de tributos federais às
instituições que aderirem ao PROUNI.
Projeto de Lei de Inovação tecnológica que está permeado pela concepção de que a pesquisa
deve resultar necessariamente em ganhos econômicos dentro de uma dinâmica de competição,
empreendedorismo e investimento condicionado.
Projeto de Parceria-Público-Privada que vem se tratando de um sistema de parcerias em que o
Estado garantirá, em qualquer hipótese, a rentabilidade do capital e por se dizer, a instituição
do capitalismo sem risco.
Diante do que vem sendo sinalizado, denunciamos um processo de descompromisso do Estado com a
sociedade brasileira, pois este deveria ter a responsabilidade de promover a expansão da rede pública
ao invés de transferir recursos públicos para que instituições privadas realizem a democratização do
acesso ao ensino superior.
Denunciamos a intenção de integrar as universidades ao jogo do mercado, onde o resultado da
produção científica e tecnológica é medido única e exclusivamente por sua capacidade de auferir
resultados positivos (lucros) para o investidor desta área.
Denunciamos a harmonia deste processo de reforma com as diretrizes dos organismos internacionais
como o Banco Mundial e BID para a educação nos países periféricos, que tem como intenção a
transformação de direitos fundamentais ao ser humano em mercadoria.
Afirmamos que nos princípios e diretrizes da reforma da Educação Superior anunciada no dia 7 de
junho de 2004 pelo MEC há pontos aparentemente positivos, mas que estão na periferia ou na
perfumaria deste processo e não em sua essência que é a mercantilização do ensino superior no país.
Por fim, declaramos que queremos sim uma Reforma da Educação no país, em todos os seus níveis,
mas construído de forma democrática com a sociedade civil. Para isso exigimos do Governo Federal
um fórum de debate democrático com a sociedade Brasileira antes que seja encaminhada essa reforma
ao Congresso Nacional.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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A CARTA DE VITÓRIA
A Associação Brasileira de Enfermagem Nacional e a Seção Espírito Santo, realizaram no período de
31 de agosto a 03 de setembro, em Vitória , Espírito Santo, o 8º Seminário Nacional de Diretrizes para
a Educação em Enfermagem
SENADEn, tendo como tema central EDUCAÇÃO EM
ENFERMAGEM: DISCUTINDO AS MUDANÇAS, PESQUISANDO O NOVO E SUPERANDO
OS DESAFIOS que, conforme a presidente da ABEn Nacional Francisca Valda da Silva sintetiza o
contexto que estamos vivendo de materialização das mudanças nas políticas de saúde e educação
representando também o processo de acumulação reflexiva e propositiva da enfermagem brasileira.
Nesse contexto e com a participação de diversos atores (enfermeiros, docentes, técnicos, estudantes,
gestores de ensino e de serviços de saúde,outros profissionais de saúde, convidados dos Ministérios da
Saúde e Educação, Organização Pan-Americana de Saúde, Cursos de Enfermagem e Educação), o 8º
SENADEn se desenvolveu tendo os
seguintes objetivos: discutir, refletir, formular políticas,
compartilhar idéias, propostas e estratégias pedagógicas, que possam contribuir para a formação de
profissionais de enfermagem em todos os seus níveis de ensino; discutir e refletir criticamente sobre a
articulação do ensino, do trabalho e da pesquisa, como um dos fatores determinantes de qualidade na
formação profissional.
O tema central foi desenvolvido em três grandes eixos temáticos: O primeiro abordando a Educação
em Enfermagem e seu compromisso com as políticas de Educação e Saúde: Conferência A formação
profissional em saúde: modelos em disputa e processo de inclusão; Painel: Desafios na construção de
novos processos pedagógicos;A mesa redonda: Educação profissional e mudanças que desafiam Política de Educação para o SUS, Educação à distância e a formação em saúde. As oficinas
abordando:- Implementação e avanços de experiências de currículo integrado, por competência e
experienciando mudanças na formação o olhar das instituições privadas; vivenciando o Sistema
Único de Saúde SUS- Viver SUS ;
Na conferência A formação profissional em saúde, modelos em disputa e processos de inclusão ,
foram abordadas as mudanças que vêm acontecendo na Política Nacional, no campo da saúde e da
educação, desde o Relatório Flexner trazendo um modelo científico de educação médica/profissionais
de saúde até à construção da Política de Educação para o SUS, o EDUCAR-SUS-APRENDER
SUS/VERSUS/Pólo de Educação Permanente além de ter abordado outros movimentos que têm
ocorrido contribuindo para este processo.
O painel: A construção de novos processos pedagógicos em saúde/enfermagem brasileira, deverá
romper com as práticas pedagógicas tradicionais, com as atuais relações de poder existentes na
realidade do processo de formação em saúde, com os currículos organizados por meio de disciplinas
fragmentadas, incorporar novos referenciais e paradigmas que fundamentem o processo da mudança
em educação e saúde, efetuar as ações de mudança com sustentabilidade, ancorando essas ações em
políticas que alimentam o processo de mudança; ampliar/fortalecer a incorporação efetiva do conceito
de saúde à construção do raciocínio clínico; buscar a integralidade nas escolas, nos serviços e entre
ambos, a transformação nos três níveis de ensino buscando a integralidade das ações e nas ações.
Como um grande desafio, educar os educadores para o processo de mudança ; transcender às
exigências do mercado e enfocar as demandas sociais; desconstruir modelos que possam estar
engessando a integralidade; implementar o aprender a ser, a aprender a fazer, a viver junto, a ser
valorizando não só a questão da competência técnica, mas também a competência humana, a
sensibilidade social; diversificar não só os cenários das práticas, mas também as práticas e como um
ponto colocado para reflexão a necessidade de reforçar a esperança no fazer pedagógico e no
reencantamento do mundo da educação e da saúde.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
90
No debate da mesa-redonda sobre a Educação profissional: mudanças que desafiam, sendo abordado
pelo MEC os quatro desafios prioritários:a reforma do ensino superior; criação do fundo (FUNDEB);
inclusão educacional; educação profissional.
A educação profissional, segundo o seu representante, tem sido colocada como prioridade neste
governo e o MEC está em processo de construção de uma política de educação profissional. Considera
que as reformas educacionais feitas em governos anteriores não podem ser consideradas Políticas de
Estado , por não terem sido gestadas no seio da sociedade .
A criação do Fórum Nacional de Educação Profissional e Tecnológica, com a participação da ABEn
que tem contribuído com a criação de uma Lei Orgânica da Educação Profissional do país.
Na abordagem das Políticas de Educação Profissional para o SUS foi colocado que o Ministério da
Saúde vem assumindo a partir de 2003 a ordenação dos recursos humanos, não sobrepondo a política
do MEC e sim de forma intersetorial.
No campo da saúde a enfermagem através do PROFAE apontou para a necessidade de uma Política de
Educação Profissional, e hoje o MS propõe ampliar esta política para outras categorias profissionais,
frente à necessidade de técnicos em várias áreas do SUS. A estratégia proposta passa pela formação
dos docentes e no formato de cursos construídos a partir de itinerários formativos que possibilitem o
acesso aos trabalhadores do SUS.
No debate a platéia apontou para que o fato de que o governo tem priorizado o ensino fundamental e o
tecnológico em detrimento do ensino superior. O palestrante contrapõe pelo aumento no volume de
recursos no ensino superior mesmo sem ser suficiente.
A formação pedagógica do PROFAE expõe e inaugurou um modo de formação que precisa ser
valorizado e consolidado, não podendo estar subordinado à recursos periódicos e sim a um orçamento
fixo para esta proposta, ampliando para outras categorias profissionais.
No contexto das discussões surgiu a proposta de no próximo SENADEN, haver um espaço para trocas
de experiência na formação do profissional de nível médio
No debate sobre a Educação Permanente em Enfermagem da IEPE saíram as seguintes deliberações:
Manutenção dos espaços já definidos de discussão, no CBEn e outros eventos da ABEn;Implementar
discussão sobre a possibilidade da BVS de Educação Permanente em Enfermagem; divulgar o debate
acontecido neste colóquio entre as escolas, com vistas a identificar novos parceiros para o
desenvolvimento das atividades da IEPE; estudar a possibilidade de criar novas unidades
dinamizadoras em escolas de graduação nas diversas regiões do país.
Nos próximos eventos da IEPE, adotar como estratégia o desenvolvimento de atividades de
capacitação, como forma de estimular a participação na IEPE.
Em relação à oficina experiando as abordagens por competências, à discussão sobre as experiências
surgiram e várias dificuldades na construção destes processos de formação,como:
Conhecimento da legislação, conceitos e implicações; construção do perfil desejado; dar coerência ao
currículo quanto ao perfil, competências e habilidades desejado; enfrentamento da dificuldade em
desenvolver a interdisciplinaridade; e, avaliação contínua a partir das competências desejadas
E, como facilidades na construção destes processos de formação por competências, a integração entre
a teoria e a prática, entre os docentes e, a organização do ensino facilita a avaliação contínua do aluno
e da instituição.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
91
Em relação à Educação à Distância com a proposição: de avaliação sistemática das experiências
existentes e demonstrado o interesse em conhecer aspectos estruturantes da capacidade formativa da
EAD, com ênfase no rendimento, efetividade e a sua proposta de avaliação na perspectiva da
aprendizagem, no processo de formação de graduados,sem menção à pós-graduação.
Nas oficinas: experiências integradas de formação, nos debates foram apontadas as seguintes
dificuldades: necessidade de formação pedagógica para os professores; o contrato temporário de
professores; políticas Institucionais divergentes- serviços e ensino apontam em direções diferentes;
dificuldades de transformar algumas experiências em políticas institucionais, sendo enfatizado que as
instituições formadoras não têm políticas que vislumbrem a integração.
Os estudantes clamam por mudanças. Apontam contradições no ensino de conteúdos e no
relacionamento-professor/profissional-professor/estudante.
Na oficina que abordou: experienciando as mudanças na formação: o olhar das instituições privadas de
ensino. Foi considerado que o momento atual aponta para a necessidade de pensar o ensino de
enfermagem, e particularmente a formação do enfermeiro na sua totalidade, independendo de onde
essa formação aconteça seja no setor público ou privado. Para tanto se torna imprescindível
compreender que na sociedade contemporânea a produção de conhecimento, a inovação e a
transferência tecnológica são fundamentais para soberania das nações. Rompendo com a dicotomia
público/privado; compreendendo a especificidade de cada setor, buscando superar toda e qualquer
forma de preconceito.
A realidade é que já existe um grande movimento de mudanças das Escolas/Cursos no sentido de
transformar as DCNs, em PPP. Mudanças a partir de avaliações externas. No entanto foram
levantados problemas que ainda não foram superados, entre outros:
Em relação aos estágios - dificuldades que vão desde a concepção do que seja estágio, ensino teórico
prático, supervisão dessas atividades.
O ensino noturno deve ser melhor compreendido como espaço que reflete a especificidade do
trabalho em enfermagem e não somente como um espaço de acomodar interesses propostas
estabelecimento de diretrizes para cursos noturnos, respeitando e garantindo aspectos trabalhistas dos
docentes/supervisores.
Quanto à mudança no ensino dificuldades em desenvolverem experiências de pedagogias ativas ou
outras mudanças número excessivo alunos, falta de preparo docente, compreensão de que o PPP não é
apenas um documento a ser entregue aos órgãos competentes, mas um movimento em constantes
mudanças, sempre provisório, que gera vários produtos, preocupado em questionar que enfermeiro
queremos formar; os SENADEN concebidos como espaços de aprendizados para as Escolas;
Na questão relativa a avaliação, diferentes concepções de avaliação por parte dos avaliadores do
INEPE gerando orientações contraditórias; avaliação como fiscalização (punição ou premiação) e não
como espaço de acompanhamento do PPP com base nas DCNs, modelos de avaliação centrado em
outras concepções pedagógicas e não as expressas nos PPP; proposta que os avaliadores do INEPE
sejam selecionados e treinados tendo por base as DCNs;
Em relação à organização política - dificuldades na formação/participação nos fóruns de Escolas da
ABEn; os Pólos de Educação Permanente foram apontados como espaço a ser aproveitado pela
ABEn. Que sejam criados ou fortalecidos em todos os estados da federação, fóruns de Escolas de
Enfermagem (nível médio, graduação e pós-graduação) ressaltando a importância de uma
coordenação ativa para que possa estar instigando e motivando as escolas para participação nesse
espaço; que enquanto IES as privadas sejam vistas como participes da Educação em Enfermagem,
garantindo recursos para pesquisa e extensão; enquanto parceiras dos campos de prática estabelecem
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
92
responsabilidade social, desenvolvem extensão e pesquisa. Portanto as políticas de Educação devem
ser pensadas na totalidade.
E por último a extensão universitária - como vínculo político da IES com a comunidade, ou seja
responsabilidade social para tanto tem que ter o respaldo institucional não se trata de iniciativas
isoladas de docentes ou gestores;
Com base nesses questionamentos foi identificada a necessidade de encaminhar para a IEPE a
sugestão de criação de espaço virtual de discussão das questões levantadas pela oficina;
A estratégia VERSUS/Brasil foi apresentada sendo reconhecida como um potencializador das
relações entre Pólo Aprender-SUS e o estudante que, além de ser cliente é um formulador, sendo este
um momento político-histórico importante para o movimento estudantil que deve ser um parceiro para
estimular e forçar mudanças na formação, reforma universitária, interlocução ensino/serviço.
O segundo eixo temático - Educação em Enfermagem e o processo de produção do trabalho em saúde,
abordando: Com Talk Show
Processo de trabalho em saúde: dimensões interdisciplinares na
formação profissional. Com horário reservado para um vasto Debate.
Oficinas: Humanização como elemento fortalecedor da relação trabalho formação em saúde; Educação em Enfermagem e as Tecnologias de Informação em Comunicação; -Informática na
formação dos profissionais de Enfermagem; - Pólos dinamizadores de Educação Permanente em
Enfermagem mediatizadas pela internet; - Política de formação de especialista: questão estratégica
para o SUS; - Qualificação do enfermeiro para a pesquisa com a participação CAPES e CNPq.
Este SENADEn inovou com um momento único o Talk Show, que abordou um tema complexo e
profundo com humor e criatividade,acrescentando ao debates não só a riqueza das idéias, mas a
participação efetiva dos participantes da plenária.
A temática o Trabalho como Eixo Fundamental para as Transformações nos Processos de Formação e
nas Práticas em Saúde foi mediado por duas questões: 1. De que trabalho estamos falando?; 2. Porque
a formação é tão impermeável ao Controle Social? Os convidados expuseram e debateram suas idéias
com a participação efetiva da platéia que pôde apresentar questionamentos assim como idéias em
torno do tema.
As questões centrais apontadas neste encontro foram de que o trabalho tem a possibilidade de re-criar
a vida mesmo em condições adversas, sendo considerado como eixo estruturante, manifestação de
vida . No entanto, as Universidades não tem instigado os alunos a refletirem sobre o tema e a
pensarem em que cidadãos pretendem se formar.
A idéia de que os gestores hoje têm uma visão limitada sobre os processos de trabalho e que há a
necessidade de entender o trabalho sobre a perspectiva do trabalho visível (das práticas) e do
trabalho invisível (relação subjetiva que envolve emoções, sentimentos, o cuidado), leva-nos a
pensar como trazer a integralidade para além dos princípios do SUS, não sendo considerada como
panacéia e nem como modismo e que tem sido apresentada como uma prática solene, quando a
realidade do nosso cotidiano é singela, mas sim como eixo estruturante do processo de trabalho e do
cuidado. É preciso avaliar criticamente a forma como a discussão da integralidade vem sendo
conduzida, para que não se repitam os equívocos de experiências históricas na área da saúde como a
discussão da integração Docência/Assistencial.
As dificuldades de sermos integrais passam por diversos âmbitos, desde a formação fragmentada
dos profissionais, até a compreensão de que não se trata de um conceito abstrato, mas que se diz da
dimensão humana, e, portanto não se pode tratar o outro de forma integral se o próprio indivíduo não
se sente integral. Para tanto, se apontou à necessidade de valorização das condições e processos de
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
93
trabalho que permitam aos profissionais tratarem do outro em um momento de vulnerabilidade, que é
o adoecimento e de se pensar a saúde no território como espaço privilegiado de planejamento e ação.
No que se refere à Informática na formação dos profissionais de enfermagem, foram pactuados os
seguintes encaminhamentos:
Que sejam contemplados nos Projetos Políticos Pedagógicos dos Cursos de Graduação em
Enfermagem a temática da Informática em Enfermagem articulada com as necessidades da prática e
integrada as áreas de ensino, pesquisa, assistência e gerência; que esta temática seja articulada e
integrada aos diversos níveis educacionais desde o ensino médio, à pós- graduação;
Que sejam viabilizadas parcerias entre as diversas iniciativas de desenvolvimento da Informática em
Enfermagem com a Rede IEPE e viabilizados espaços virtuais para a acessibilidade e a divulgação da
produção científica e tecnológica da Informática em Enfermagem;
Que sejam desenvolvidos projetos que objetivem a capacitação docente no campo de conhecimento da
Informática em Enfermagem;
Que se articule uma participação efetiva da Enfermagem na Conferência Nacional de Comunicação,
Informação e Educação Popular em Saúde em 2005;
Que se assegurem espaços permanentes sobre a temática de Informática em Enfermagem na agenda de
eventos da ABEn Nacional, visando a sensibilização e a mobilização dos profissionais.
Também foi debatido o tema a humanização como elemento fortalecedor da relação trabalho-formação
em saúde e a importância da formação do trabalhador em saúde, como eixo norteador para a mudança
cultural necessária para a implantação da humanização.
E, para que haja esta formação, há necessidade não somente de capacitar, mas também, de transformar
o funcionamento do trabalho.
Na discussão sobre os Pólos de Educação Permanente surgiram várias reflexões sobre necessidades e
desafios, dentre elas: às questões políticas e as relações de poder; necessidade de estreitamento da
relação entre gestores municipais e estaduais; ampliar a participação para além das Universidades,
para as entidades de classe, alunos e serviços; a coerência entre pressupostos e ação concreta;
produção de conhecimentos para a consolidação do Projeto em nível nacional.
O terceiro eixo temático - Educação em Enfermagem e a formação do educador: Quem educa o
educador em Enfermagem ? Sendo trabalhado por um painel Política e estratégias para superação
dos desafios na formação do educador em saúde/enfermagem: desafios contemporâneos, abordando
Graduação e licenciatura; - Pós- Graduação Lato-Sensu a distancia, Strictu Senso; seguido pela
plenária das escolas/cursos de enfermagem: sistema de Avaliação da Educação Superior.
No painel que abordou políticas e estratégias para a formação do formador, foram consideradas que
as questões educacionais hoje nas pautas de discussões, nelas incluindo a formação do formador em
enfermagem, precisam ser vistas sob as dimensões global e local, compreendendo-a como uma política
pública que envolve os diversos segmentos e a sociedade civil, de modo que os projetos elaborados,
ultrapassem a visão burocratizada da educação, da produção do conhecimento e do pensar/fazer
fragmentados.
A formação de formadores não pode ser entendida apenas pela designação de a quem compete formar
o formador, pois para isso já existem os dispositivos legais que regulamentam essa formação. A
Enfermagem precisa neste sentido estar preparada organicamente para o questionamento, a
problematização e a proposição das políticas e estratégias voltadas pra o setor educacional, visando o
compromisso social.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
94
O trabalho resultante das experiências da UFRGS, diferentes das demais universidades é que o curso
se estrutura como específico para a licenciatura e exige a formação do enfermeiro. Está distribuído em
4 semestres
com disciplinas pedagógicas, disciplinas integradas
pedagogia e enfermagem
estágios supervisionados e trabalho de conclusão de curso.
A proposta tenta sanar o problema da evasão, decorrentes da situação dos estudantes, os quais já são
enfermeiros inseridos no mercado de trabalho.
Em relação à possibilidade de formação de formadores no lato-sensu, tomou-se como referência á
experiência da ENSP e Fundação Osvaldo Cruz na modalidade de ensino lato sensu à distância para
a formação de formadores, e particularmente, que atuassem na formação profissional. Uma formação
pedagógica e uma natureza pedagógica que imprimissem não só as competências necessárias ao
trabalho do professor, mas que estimulassem o exercício da crítica na formação do formador.
Considerada a lacuna existente nos programas de mestrado e doutorado, por não preparar o docente
para as atividades pedagógicas e como proposta o encaminhamento para a ABEn, a partir do
SENADEn, que se coloca como o fórum privilegiado para emanar demandas e proposição aos espaços
de formação profissional nos diversos níveis.
A recomendação do SENADEn/ABEn seria para que os programas de pós-graduação strictu sensu,
insiram em seus componentes curriculares, disciplina/espaços, módulos, a formação do educador
enfermeiro para a Educação Superior.
O 8º SENADEn, constituiu também espaço de formulação de agenda de cooperação técnica
ABEn/OPAS/UFMG, para implantação das unidades dinamizadoras da iniciativa de Educação
Permanente - IEPE, como política de otimização de programas de Educação Permanente, estratégia a
ser utilizada objetivando a politização e otimização de recursos humanos na enfermagem, visando a
melhoria da qualidade da assistência prestada a comunidade.
A participação dos estudantes da Executiva-Nacional de Enfermagem, cumprindo um papel
importante questionador, participando das discussões, sobretudo, falando de sua formação profissional
que continua se dando com base em propostas curriculares fragmentadas de práticas pedagógicas
domestificadoras, apresentando uma moção de repúdio à reforma Universitária.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
95
RESULTADO DA AVALIAÇÃO DO 8º SENADEn
Tema 1
Conferência
1- A formação profissional em saúde: modelos em disputa e processos de inclusão
Ruim 2,3%
Regular 4,6%
Bom 66,7%
Ótimo 26,4%
Painel
Ruim
0%
Regular
11,1%
Bom
61,1%
Ótimo
27,8%
Desafios na construção de novos processos
Ruim 0%
Regular 9,6%
Bom
61,6%
Ótimo
28,8%
Pedagógicos em Saúde / Enfermagem
Ruim 0%
Regular 12,7%
Bom
55,6%
Ótimo
31,7%
Bom 50%
Ótimo
20%
Bom
54,6%
Ótimo
22,7%
75%
Ótimo
12,5%
Oficinas
Ruim
0%
Regular
30%
1- Experiências Integradas de Formação
Ruim 4,5%
Regular 18,2%
2- Experienciando as abordagens por competência
Ruim 0%
Regular 12,5%
Bom
3- Experienciando as mudanças na formação: o olhar das instituições privadas de ensino
Ruim 15%
Regular 10%
Bom 55%
Ótimo 20%
4- Ver SUS - Vivenciando o SUS
Ruim 0%
Regular 13,6%
Bom
59,1%
Ótimo
27,3%
Mesa Redonda:
Ruim 0%
Bom
66,7%
Ótimo
0%
Educação Profissional: Mudanças que desafiam
Ruim 4,6%
Regular 7%
Bom
67,4%
Ótimo
21%
Regular
33,3%
Política de Educação Profissional do Ministério da Educação. MEC/SETEC
Ruim 9,2%
Regular 13%
Bom 59,3%
Ótimo 18,5%
Políticas de Educação Profissional para o SUS
Ruim 11,5%
Regular 9,6%
Bom
57,7%
Ótimo
21,2%
85,7%
Ótimo
0%
Colóquio
Ruim
0%
Regular
14,3%
Bom
N=100 participantes do 8º SENADEn 2004 responderam ao questionário.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
96
Educação Permanente em Enfermagem consolidando a agenda de trabalho
IEPE 2004/2005
Ruim 0%
Regular 18,2%
Bom 63,6%
Ótimo 18,2%
Tema 2
Talk Show
Ruim
0%
Regular
9,5%
Bom
19%
Ótimo
71,5%
Trabalho como eixo fundamental para as transformações nos processos de formação e nas
práticas em saúde
Ruim 5,8%
Regular 4,6%
Bom 26,8%
Ótimo 62,8%
Palestra
Ruim
0%
Regular
22,2%
Bom
33,3%
Ótimo
44,5%
Educação à distância e a formação de profissionais de saúde: limites e possibilidades
Ruim 1,6%
Regular 20,3%
Bom 59,4%
Ótimo 18,7%
Oficinas
Ruim
12,5%
Regular
12,5%
Bom
50%
1- Informática na formação dos profissionais / Enfermagem
Ruim 5,9%
Regular 23,5%
Bom 47%
Ótimo
Ótimo
25%
23,6%
2- Humanização como elemento fortalecedor da relação trabalho formação em saúde
Ruim 0%
Regular 7,1%
Bom 57,1%
Ótimo 35,8%
3- O desafio da consolidação dos Pólos de Educação Permanente: contribuição da
enfermagem
Ruim 11,1%
Regular 22,2%
Bom 55,6%
Ótimo 11,1%
4- Ver SUS Vivenciando o SUS
Ruim 5,9%
Regular 5,9%
Bom
64,7%
Ótimo
23,5%
Mesa Redonda:
Ruim 0%
Bom
37,5%
Ótimo
25%
Política de formação do especialista estratégica para o SUS
Ruim 2,8%
Regular 25%
Bom 58,3%
Ótimo
13,9%
1- Política de formação do especialista
Ruim 1,9%
Regular 28,3%
52,8%
Ótimo
17%
2- Qualificação do enfermeiro da assistência / pesquisa
Ruim 7,1%
Regular 25%
Bom 53,7%
Ótimo
14,2%
Regular
37,5%
Bom
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
97
Tema 3
Formação do Educador em Enfermagem: Quem educa o educador?
Ruim 0%
Regular 20,6%
Bom 61,8%
Ótimo
17,6%
Painel
Ruim
0%
Regular
9,1%
72,7%
Ótimo
18,2%
Políticas e estratégias para a formação do formador
Ruim 4,1%
Regular 22,4%
Bom 55,1%
Ótimo
18,4%
1- Graduação
Ruim 0%
Ótimo
24,4%
Ótimo
32,6%
Licenciatura
Regular 23,1%
2- Lato Sensu à distância
Ruim 3,7%
Regular
18,7%
Bom
Bom
52,5%
Bom 45%
3- Strictu Sensu: instância de formação do docente do ensino superior
Ruim 17,5%
Regular 33,8%
Bom 36,5%
Ótimo 12,2%
Plenária das escolas / Cursos de Enfermagem: Sistema Nac. de Avaliação da Educ. Superior
Ruim 0%
Regular 21,4%
Bom 53,6% Ótimo 25%
Plenária das escolas / Cursos de Enfermagem: Sistema Nac. de Avaliação da Educ. Superior
Ruim 4,7%
Regular 23,8%
Bom 52,4% Ótimo 19,1%
Acolhimento
Ruim
4,5%
Regular
17,8%
Bom
37,7%
Ótimo
40%
Regular
9,7%
Bom
49,5%
Ótimo
37,6%
35,5%
Bom
37,7%
Ótimo
19%
Local do Evento
Ruim
3,2%
Organização do Evento
Ruim
7,8%
Regular
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
98
AVALIAÇÃO DE EVENTO E PERFIL DE PÚBLICO:
Seminário para educação em Enfermagem
31/08 a 03/09/2004
Setembro/2004
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
99
1. PERFIL DO VISITANTE
Os participantes do evento entrevistados eram, em sua maioria, mulheres (88%) e mais de 70%
afirmaram ter idade entre 36 e 55 anos. A profissão predominante era a de enfermagem (74%) e,
portanto, o nível de escolaridade era bastante elevado, com 95% das pessoas com nível superior, sendo
que destes 70% eram pós-graduados. Pessoas casadas correspondiam a 54% dos entrevistados.
Faixa etária
19 a 25
26 a 30
31 a 35
36 a 45
46 a 55
Mais de 55
Total
Sexo
Masculino
%
12
Feminino
Total
88
100
%
5
4
4
41
37
9
100
Escolaridade
2º completo/3º
incompleto
3º completo
Pós-graduado
Total
Profissão
Enfermeiro
Enfermeiro docente
Professor
Outros
Estudante
Total
%
74
13
5
5
3
100
%
5
25
70
100
Estado civil
Casado
Solteiro
Divorciado
Viuvo
Outro
Total
%
54
30
12
2
2
100
Considerando o perfil apresentado acima, esperava-se um alto padrão de renda das pessoas presentes,
e isto se confirma na tabela a seguir. Nela, verifica-se que 37% dos entrevistados tinham renda
mensal familiar superior a 20 salários mínimos e 31% afirmou ganhar entre 15 e 20 salários
mínimos. No outro extremo, a pesquisa revelou que 16% dos participantes ganham até 10 salários
mínimos.
Renda familiar
mensal (em SM)
Até 4
De 5 a 10
De 11 a 14
De 15 a 20
De 21 a 25
De 26 a 29
De 30 a 40
Mais de 40
Total
%
4
12
16
31
11
5
16
5
100
Os participantes originaram-se principalmente da Região Sudeste, somando 54%, com destaque para
o Estado de São Paulo, responsável por 22% dos participantes. A seguir a distribuição dos
participantes por Estado de origem.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
Estado brasileiro
São Paulo
Rio de Janeiro
Minas Gerais
Rio Grande do Sul
Paraná
Rio Grande do Norte
Bahia
Paraíba
Santa Catarina
Demais estados
Total
100
%
22
19
13
8
6
6
4
3
3
16
100
2. AVALIAÇÃO DO EVENTO
A seguir são apresentadas as formas como os participantes tomaram conhecimento do evento. A
divulgação por folder atingiu o maior número de participantes e em seguida foi a internet, com
respectivamente 18% e 9% dos inscritos. Em outros, destaca-se a divulgação pela Associação
Brasileira de Enfermagem e a divulgação em eventos anteriores.
Informação sobre o
evento
Folder
Internet
Mala direta
Escola
Empresa
Convite
Parentes/amigos
Outdoor/cartazes
NS/NR
Outro
Total
%
18
9
8
7
5
3
2
1
1
46
100
Dentre os itens referentes às instalações do local onde realizou-se o evento, o que apresentou melhor
desempenho foi a avaliação da iluminação e do som. O primeiro foi avaliado como ótimo por 15% dos
entrevistados e como bom por 83% deles. Veja a seguir a avaliação dos demais itens.
Em %
Instalações
Ótimo
Bom
Ruim
Péssimo
do local
Iluminação
15
83
2
1
Som
12
80
6
2
Refrigeração ambiente
14
69
16
1
Instalações sanitárias
11
73
14
1
Sinalização
6
47
38
10
Estacionamento
17
69
6
8
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
101
Quanto aos serviços disponibilizados no local, a limpeza e a segurança foram os itens melhor
avaliados, atingindo os respectivos índices de 95% e 93% de avaliação ótimo ou bom.
Em %
Serviços oferecidos no
local
Limpeza
Organização do evento
Coffe-break
Segurança
Ótimo
Bom
Ruim
Péssimo
20
12
9
13
75
72
57
80
4
14
19
6
1
2
15
2
No geral, o evento foi bem avaliado pelos participantes. Conforme mostra a tabela a seguir, 66% das
pessoas consideraram o evento bom e 23% ótimo, enquanto apenas 5% avaliaram o evento como
ruim ou péssimo.
Avaliação geral do evento
Ótimo
Bom
Ruim
Péssimo
NS/NR
Total
%
23
66
4
1
6
100
Em apenas 35% dos casos, o próprio participante arcou com as despesas enquanto outros 35% tiveram
as despesas pagas pela empresa. Para 30% dos entrevistados as despesas foram divididas com a
empresa, desembolsando em média 37% do valor total.
Responsável pelas despesas
Eu mesmo
A empresa
Uma parte eu, outra a empresa
Total
%
35
35
30
100
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
102
PARTICIPAÇÃO DOS ESTADOS
Categoria
Outros Profissionais
Enfermeiras(os)
Categoria
Estudantes de Enfermagem
Estados
Espírito Santo
Quantidades
10
Rio Grande do Sul
Não identificado
Alagoas
Amapá
Bahia
Ceará
Espírito Santo
Goiás
Mato Grosso
Minas Gerais
Pará
Pararaná
Pernambuco
Piauí
Rio de Janeiro
Rio Grande do Norte
Rio Grande do Sul
Santa Catarina
São Paulo
Sergipe
Tocantis
Não identificado
1
1
1
1
3
2
87
3
3
28
7
15
4
2
33
18
21
8
40
2
2
80
Estados
Bahia
Distrito federal
Espírito Santo
Goiás
Minas Gerais
Rio de Janeiro
São Paulo
Tocantis
Não Identificado
Quantidade
2
1
139
1
2
3
4
1
61
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
103
SESSÃO DE TRABALHOS
Foram apresentados em Sessão Pôsteres todos os trabalhos inscritos no evento e publicados em Anais
aqueles que obedeceram as normas:
A redação deverá ser com letra Time New Roman, tamanho 11, em espaço simples e papel A4. O
resumo tipo informativo deverá sintetizar as proposições, natureza do estudo, referencial teórico,
metodologia, resultados, conclusões e bibliografia no máximo cinco referências e conter de 1000 a 1500
palavras. O título deverá ser em caixa alta e em negrito; a identificação dos autores deverá ser
justificada a direita, apresentando nomes e sobrenomes, estando o relator grifado. Na nota de rodapé
incluir categoria profissional, grau acadêmico, instituição de origem, endereço eletrônico e residencial
do relator. Serão aceitos até 6 autores por trabalho .
(Transcrito do folder do 8º SENADEn).
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
104
01. ENTREVISTANDO IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS INSERIDOS NUM GRUPO DE
CONVIVÊNCIA EXPERIÊNCIAS VIVENCIADAS
Kellen Felícia Marques da Silva1
Renata Priscilla Cupertino de Souza2
Paulete Maria Ambrósio Maciel3
Através da Disciplina de Enfermagem em Gerontologia, visitamos a Instituição de Longa Permanência
Sociedade de Assistência à Velhice Desamparada Asilo dos Velhos do Vitória , onde percebemos
que as pessoas residentes a de Convivência da Prefeitura Municipal de Vitória (PMV), sendo nossa
curiosidade despertada pelo fato de o Projeto Conviver ser desenvolvido junto a idosos
institucionalizados, o que procuramos conhecer, além de ver a atuação da Enfermagem na Instituição
uma vez que a necessidade do profissional enfermeiro em tais locais é uma questão nova, nos
conformes da legislação vigente. Assim começamos a participar das reuniões do Grupo de
Convivência instituído pela Prefeitura Municipal de Vitória na entidade, percebendo que aqueles eram
momentos de socialização entre os idosos, com desenvolvimento do raciocínio crítico (possibilidade
das pessoas opinarem), estimulação social e motora, além do apoio psicológico e afetivo dado aos
moradores da Instituição participantes. Dentre as atividades desenvolvidas junto a esses idosos,
destacavam-se os jogos, brincadeiras, teatro, música, dança, atividades recreativas e os exercícios
físicos programados. O presente trabalho teve como objeto de estudo a pessoa idosa institucionalizada,
tendo como finalidade investigar o interesse dos idosos em atividades grupais bem como sua interação
junto a um Grupo de Convivência; verificar quais profissionais participavam das atividades do Projeto
Conviver e a inserção do profissional enfermeiro nas atividades desenvolvidas pelo Grupo de
Convivência e pela Instituição. No Brasil, um país em desenvolvimento, considera-se velho ou idoso a
pessoa que tem 60 anos ou mais de idade. É uma fase da vida em que as pessoas tiveram muitos
ganhos, mas também muitas perdas. Observa-se um aumento no número de pessoas idosas nos locais
que prestam serviços de saúde como os hospitais, postos de saúde, ambulatórios e pronto-socorros,
onde buscam tratamento médico e assistência de enfermagem, além das Instituições de Longa
Permanência onde recebem cuidados gerais e há de se esperar que sejam bem tratados de modo a
promover o bem estar físico, mental, social e psicológico. Os cuidados com idosos na Instituição ou no
lar, principalmente quando estes se encontram mais dependentes, freqüentemente ficam sob a
responsabilidade de algum membro da Instituição ou da família, o qual enfrenta situações difíceis ao
assumir a responsabilidade de cuidar, dar suporte ou assistir ao idoso que tem alguma necessidade.
Portanto, o cuidador, quer seja no asilo, quer no domicílio, é uma pessoa que deve ter um preparo para
o cuidado com o idoso visando uma melhoria de sua saúde e manutenção do bem estar psicossocial.É
um estudo qualitativo, desenvolvido junto a 10 (dez) voluntários, moradores de uma Instituição de
Longa Permanência do Município de Vitória/ Espírito Santo, inseridos em um Grupo de Convivência.
Enquanto acadêmicas de Enfermagem estivemos junto ao grupo nas reuniões semanais nos meses de
novembro e dezembro de 2003, participando com os idosos das atividades desenvolvidas pelo projeto.
Os dados foram coletados na ocasião do recesso das atividades do Projeto Conviver, o que ocorreu nos
meses de janeiro e fevereiro de 2004. A participação dessas pessoas no Grupo de Convivência se deve
ao fato de que a Instituição não oferece atividades de lazer ou atividades grupais lúdicas com estímulo
à socialização. Diante da falta de recreação e através do convite feito pelos profissionais integrantes do
Projeto, essas mesmas pessoas foram para as reuniões movidas pela curiosidade (convite para a
participação em algo novo) e pelo interesse de aprender coisas novas. Cinco pessoas citaram que
gostavam muito porque aprendiam coisas novas , a maioria (oito), referiu que as reuniões eram
divertidas e dentre as atividades mais citadas estavam os jogos, as brincadeiras, o teatro, a música, a
pintura (em pano e em chapéu), as festas e as conversas. Das pessoas entrevistadas, apenas duas
relataram não gostar muito de participar do projeto conviver, embora uma delas estivesse sempre nas
1
Enfermeira. Graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo/UFES
Enfermeira. Graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo/UFES. R. Waldyr Meireles, 128, Consolação, Vitória
ES. CEP: 29045-670. E-mail: [email protected].
3
Professora da Universidade Federal do Espírito Santo/ UFES
2
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
105
reuniões e gostava de participar do teatro e das festas, e a outra, ao questioná-la sobre sua participação
no Projeto, não respondeu. As que gostaram, continuaram a participar assiduamente porque segundo
elas, os encontros eram divertidos e estimulantes. A equipe básica do Projeto geralmente é constituída
por 01 técnico e 01 estagiário, com profissionais das seguintes áreas: Educação Física, Artes e Serviço
Social. O Projeto é de grande importância para esses idosos que são estimulados através das atividades
desenvolvidos pelos profissionais, além disso, esses idosos gostam de conversar entre si e com os
profissionais para suprir a dor do abandono pela família, como também a carência afetiva que provoca
um grande vazio em sua existência. Conforme Atkinson (1989): Uma vida com atividades variadas,
nas quais o indivíduo é reconhecido como um membro de valor, aumenta a auto-estima das pessoas
idosas e ajuda a protegê-las dos estados depressivos e do isolamento social . Para o idoso asilado, o
retorno é lento e progressivo quando comparado com os demais locais onde o Projeto é desenvolvido,
pois na Instituição os profissionais é que vão até os idosos ao passo que nos outros locais os idosos é
que vão até o Projeto. Isso se explica pela realidade do asilamento, despertando nesses idosos
sentimentos de angústia e desesperança, além da falta de expectativas para o futuro. Nas dinâmicas de
grupo, nas palestras, debates e discussões o Técnico de Serviço Social procura levantar reflexões e
questionamentos, estimulando os idosos a participarem, expressando suas opiniões, sua forma de ver e
sentir a realidade e principalmente valorizando essa participação elevando sua auto-estima e
autoconfiança, mostrando o quanto o idoso tem a contribuir na sociedade. Na instituição, o objetivo do
Projeto é estimular os idosos, tanto física como psicossocialmente extraindo deles idéias para
realização das atividades. São estimulados fisicamente através do alongamento realizado pelo
professor de Educação Física, e dentre as atividades ocupacionais exercidas pelos idosos destacam-se
as brincadeiras, desenhos, pinturas em quadros e tecidos, objetos de papel, dança, música, teatro com a
participação de todos os profissionais do Projeto. O que se produz através dessas atividades recreativas
acaba pertencendo a eles próprios. O Serviço Social desenvolve tarefas diversas no decorrer dos
encontros dos grupos, ficando responsáveis pelo desenvolvimento de dinâmicas de grupo, organização
de festas comemorativas, palestras, discussões e debates sobre assuntos de interesse do grupo,
organização de passeios, etc, enquadrando-se na realidade de cada grupo. Na Instituição verificamos a
existência de profissionais de nível médio de enfermagem que assumem a inteira responsabilidade
pelos cuidados (banho, administração de medicamentos, curativos, etc), sem a devida supervisão de
profissional enfermeiro, em desacordo com o que preconiza a legislação vigente. Através de relatos
dos idosos, constata-se a satisfação dos mesmos em participar das atividades desenvolvidas pelo
Grupo de Convivência na Instituição, uma vez que proporcionam a eles reuniões em grupos
(socialização), expressão de opiniões, atividades lúdicas, exercícios físicos, aprendizados culturais
(arte, pintura, música, teatro) e participação em festas comemorativas, amenizando, desta forma, a dor
e o sofrimento de sentirem-se aprisionados e isolados do ambiente social e humano em que viveram.
Enquanto alunas, foi uma experiência marcante, pela possibilidade de desenvolvermos atividades
junto ao idoso institucionalizado. No entanto, o fato de o enfermeiro não fazer parte da equipe do
Grupo de Convivência e que na instituição não se verifica a presença desse profissional, nos levou a
um questionamento. Acreditamos que, o enfermeiro profissional deve ser inserido nas atividades da
Instituição de Longa Permanência, conforme determina legislação, assim como nas atividades
desenvolvidas pelos Grupos de Convivência, como membros efetivos para a avaliação específica no
âmbito da saúde, com acompanhamento antes, durante e após a participação dos idosos nesses grupos
de Convivência, e também para o desenvolvimento de educação para a saúde. É notória também a
necessidade da inclusão da Gerontologia como disciplina obrigatória para os acadêmicos do curso de
Enfermagem, tendo como um dos requisitos para avaliação da disciplina a participação dos mesmos
enquanto estagiários nas Instituições de Longa Permanência.
Referências Bibliográficas:
ATKINSON, L. D.; MURRAY, M. E. Fundamentos de Enfermagem, Introdução ao Processo de
Enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1989. cap. 14, p. 185-192.
BRASIL. Lei nº 8842, de 4 de janeiro de 1994. Dispõe sobre a Política Nacional do Idoso. Diário
Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 3 jul. 1996.
______. Portaria 810, de 22 de setembro de 1989. Aprova normas e os padrões para o funcionamento
de casas de repouso, clínicas geriátricas e outras instituições destinadas ao atendimento de idosos, a
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
106
serem observados em todo o território Nacional. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil,
Brasília, 22 set. 1989.
______. Portaria 73, de 10 de maio de 2001. Dispõe sobre as normas de funcionamento de serviços e
programas de atendimento ao Idoso no Brasil, regulamentando novas modalidades de serviço, a saber:
Centro-Dia, Casa-Lar, República, Atendimento Integral, Institucional, Residência Temporária, Família
Acolhedora e Família Natural. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, 14 maio
2001.
CARVALHO FILHO, E. T.; NETTO, M. P. Geriatria: Fundamentos, clínica e terapêutica. São Paulo:
Ateneu, 2000. cap.2, p. 9-29.
3. HISTÓRIA DA ENFERMAGEM: POSSIBILIDADES DE ESTUDO COM A
DRAMATIZAÇÃO
Kellen Pereira1
Talucha Ferrari1
Thaís Taqueti Favaro1
Profª. Drª Maria da Penha R. Firmes2
O presente trabalho descreve as atividades desenvolvidas na disciplina História da Enfermagem, em
uma instituição situada ao norte do estado do Espírito Santo. Foi uma proposta elaborada pelos alunos
do 1º período do curso de Enfermagem da Faculdade de Ciências Aplicadas Sagrado Coração UNILINHARES, o qual buscou a contextualização da profissão ao longo dos anos. É um estudo
descritivo apoiado no referencial teórico documental, literatura e relatos de profissionais da época.
Tem como justificativa, implementar a metodologia da problematização no curso. Por volta do século
V a.C, a enfermagem era realizada por meio de práticas de saúde, que consistiam em ações que
garantiam ao homem a manutenção da sua sobrevivência, estando a sua origem, associada ao trabalho
feminino. Assim, observa-se que a enfermagem está em sua natureza intimamente relacionada ao
cuidar das sociedades primitivas. Teve, como objetivo, conhecer a origem da Enfermagem e suas
nuanças simbólicas que até os dias atuais estão resguardadas, e despertar a aprendizagem de um
recorte histórico com momentos distintos e evidência de protagonistas como Florence Nightingale,
que nasceu em Florença, na Itália em 1820, enquanto sua família, que pertencia à pequena nobreza da
época, fazia uma viagem de passeio pela Europa. A mesma é considerada fundadora da enfermagem
moderna. Segundo o comentário de Castro (1989, p.3), as referências feitas à sua obra são polarizadas
ou pela exaltação de suas excelsas virtudes de criatura predestinada por Deus, que ela mesma se
acreditava, ou pela reprovação ao seu apoio à política inglesa, expansionista e dominadora . Florence
demonstrou ser uma mulher de garra ao abandonar a predestinação das mulheres da época para lutar
pelo seu ideal, que era promover o cuidado aos necessitados, por isso foi escolhida pelo governo
britânico a prestar seus cuidados aos feridos durante a Guerra da Criméia, tendo como princípios
básicos a higiene, o calor (sol) e a água. Durante esse episódio ficou conhecida como A Dama do
Lampião , tornando, assim, a lâmpada o símbolo da enfermagem. Em contrapartida, no Brasil, na
época do Império, Anna Justina Ferreira Nery, conhecida apenas pelo nome de Anna Nery, também
tem sua importância. Após enviuvar e seus filhos serem convocados a servir a Pátria durante a Guerra
do Paraguai (1864-1970), não resiste à separação de seus familiares e escreve ao Presidente da
Província, colocando-se à disposição. Tendo seu pedido aceito, parte para os campos de batalha, onde
improvisa hospitais e trabalha como enfermeira prática. Ao retornar ao Brasil é condecorada pelo
Imperador D. Pedro II com medalhas humanitárias, passando a ser conhecida como Mãe dos
Brasileiros devido a sua devoção aos enfermos. Por volta de 1890 no Governo Provisório da Segunda
República, as autoridades começaram a pensar no ensino de enfermagem, acometidas naquela época
1
Alunos do 1º período do Curso de Enfermagem UNILINHARES (Faculdade Ciências Aplicadas Sagrado Coração ),
[email protected]. Av. Augusto Calmon 704 Bairro Centro. Linhares/ES 29900-060 Tel.: (27)3371-1282
2
Professora Orientadora da Disciplina História da Enfermagem.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
107
pelas epidemias de febre amarela, varíola e malária. A primeira escola foi a Escola Profissional de
Enfermeiros e Enfermeiras (hoje atual Alfredo Pinto - UNIRIO) no estado do Rio de Janeiro,
naquele mesmo ano. Segundo Germano (1993, p.33) em 1901-02 foi iniciado um curso de
enfermagem em São Paulo, no Hospital Evangélico, hoje Hospital Samaritano, sob orientação de
enfermeiras inglesas . A Primeira Grande Guerra Mundial incentivou muito o progresso da Cruz
Vermelha. Fundaram-se filiais em diversos Estados e abriram-se cursos de voluntárias. Em 1916, foi
criada a Escola Prática de Enfermeiras da Cruz Vermelha Brasileira, com o propósito de preparar
socorristas voluntárias para o atendimento em situação de emergência. Somente em 19 de fevereiro de
1923 foi criada a Escola de Enfermeiros do Departamento de Saúde Pública (DNPS). Essa foi criada
com o objetivo de implementar o saneamento dos postos e núcleos urbanos, caso persistissem as
constantes epidemias e endemias que representavam ameaças à tripulação. Após o decreto nº 17.268
de 31 de março de 1926, passa a ser chamada de Escola de Enfermeiras D. Anna Nery. Em 1931 foi
elevada a categoria de escola oficial padrão pelo decreto nº 20.109, passando a ser designada
simplesmente Escola de Enfermeiras Anna Nery. A partir desse período a enfermagem enquanto
profissão tornou-se parte essencial do sistema de saúde. Como resultado do rápido crescimento da
indústria da saúde, os padrões de uso pelos pacientes mudaram e uma nova abordagem está surgindo,
como exemplo disso pode ser citado o desenvolvimento de novos e diferentes órgãos de atendimento
ambulatorial e de saúde pública. A metodologia buscou recursos criativos usando técnicas de
dramatização (os componentes dos grupos se caracterizaram dos principais personagens da História da
Enfermagem, mostrando como era a realidade das instituições de saúde no passado e os métodos
usados para o atendimento aos clientes), dinâmica de grupo (foi realizada a dança da cadeira com
um jogo de perguntas e respostas, onde a turma pôde interagir com o grupo que apresentava o
trabalho), e o depoimento de uma convidada que exercia a profissão a mais de 30 anos, ou seja, que
atua na área de saúde desde a década de 1970. Junta-se a isso os recursos audiovisuais que
enriqueceram a apresentação na forma de seminário. Obteve-se como primeiro resultado deste trabalho
uma ampla visão da Enfermagem e, como segundo resultado, a aprendizagem que, por meio dos
recursos e técnicas utilizados despertaram os interesses dos alunos, o qual se refletiu em toda a turma.
A dramatização contribuiu para que os alunos se tornassem mais comunicativos. Trazendo assim, para
o grupo a visualização do segundo resultado. Esse trabalho permite concluir que a dramatização usada
como técnica na disciplina de História da Enfermagem tornou-se um excelente termômetro de
aprendizagem para estudo de fatos históricos, trazendo considerada contribuição para a metodologia
da problematização utilizada no curso.
Referências Bibliográficas:
BROWN PAM. Florence Nightingale a história de uma mulher corajosa que estabeleceu as bases da
moderna enfermagem, Editora Globo, 1988.
CARVALHO Amália Corrêa de. Florence Nightingale, Editora Cortez- São Paulo, 1989.
GEOVANINI Telma, MOREIRA Almerinda, SCHOELLER Soraia Dornelles, MACHADO Wiliam
G. A. História da enfermagem versões e interpretações. Segunda Edição. PAIXÃO Walesca. História
da Enfermagem. 5ª Edição, Revista e aumentada, RJ 1979.
LOUZEIRO José. Ana Nery a brasileira que venceu a guerra. Coleção Anjos de Branco. Editora
Mondrian Rio de Janeiro: Mondrian, 2002.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
108
5. A ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL ENFERMEIRO NO PROGRAMA DE CONTROLE DE
HANSENÍASE DO MUNICÍPIO DE JAGUARÉ - ES: UMA ABORDAGEM EDUCATIVA
Andréia Soprani dos Santos1
Shaferly Sherry Bonincenha
No Brasil, apesar da redução drástica no número de casos, de 19 para 3 doentes em cada 10.000
habitantes, a hanseníase ainda se constitui em um problema de saúde pública o que exige uma
vigilância resolutiva. Desde 1985, o país vem reestruturando suas ações voltadas para este problema e,
em 1999 assumiu o compromisso de eliminar a hanseníase até 2005, quando se objetiva alcançar o
índice de menos de um doente a cada 10.000 habitantes. A hanseníase é causada pelo bacilo
Mycobacterium leprae, ou bacilo de Hansen, que é um parasita intracelular obrigatório, com afinidade
por células cutâneas e por células dos nervos periféricos, que se instala no organismo da pessoa
infectada, podendo se multiplicar, quando diagnosticada e tratada tardiamente pode trazer graves
conseqüências para os portadores e seus familiares, não só pelas lesões que os incapacitam
fisicamente, mas pelas repercussões psicossociais, em decorrência de preconceitos, medos e rejeições
por parte da sociedade. A estratégia de Saúde da Família surge no cenário nacional em 1994, para
contribuir na reorientação do modelo assistencial, a partir da atenção básica. É uma forma de
reorganizar as unidades básicas, que segundo os princípios de saúde da família se caracterizam como a
porta de entrada nos serviços de saúde do município.As principais atividades executadas são: saúde da
criança, saúde do adolescente, saúde da mulher, saúde do trabalhador, saúde do idoso, controle da
hipertensão, controle da tuberculose, eliminação da hanseníase e ações de saúde bucal. A Estratégia de
Saúde da Família foi instituída no município de Jaguaré em 1995 com a criação do Programa de
Agentes Comunitários de Saúde e com a formação de três unidades de saúde da família, e em 2000
passou trabalhar com cobertura de 100%. O Programa de controle da Hanseníase é uma das
prioridades no município por ser uma área endêmica. As ações preventivas, promocionais e curativas
vêm sendo realizadas com sucesso pelas equipes, evidenciando um forte comprometimento com todos
os profissionais. Com destaque para o profissional enfermeiro responsável por: gerenciar e planejar as
ações desenvolvidas no programa; execução do cuidado na promoção, prevenção, recuperação e
reabilitação do paciente; informar a população através de ações educativas sobre sinais e sintomas,
tratamento da doença; acompanhar e avaliar as ações executadas. Relatar a importância do profissional
enfermeiro no programa de controle da hanseníase, destacando a abordagem educativa junto à
população para desmistificação da doença. Desde a antigüidade a hanseníase tem sido considerada
uma doença contagiosa, mutilante e incurável, provocando uma atitude preconceituosa de rejeição e
discriminação de seu portador, sendo este, normalmente, excluído da sociedade. Em 1940 a hanseníase
começou a ser encarada como um problema de saúde pública, e seu tratamento (poliquimioterapia) é
um tratamento simples e bem aceito. Ele interrompe a cadeia de transmissão, fazendo com que seja
possível a eliminação da doença e a prevenção da ocorrência de incapacidades físicas. Sua ação
eficiente vem reduzindo a prevalência global da doença sendo possível garantir sua cura, reduzindo,
assim, o grande e histórico estigma ligado ao seu portador e sua discriminação e exclusão social. A
hanseníase é uma doença infecto-contagiosa, de evolução lenta, que se manifesta principalmente
através de sinais e sintomas dermatoneurológicos: lesões na pele e nos nervos periféricos,
principalmente nos olhos, mãos e pés. O comprometimento dos nervos periféricos é a característica
principal da doença e lhe dá um grande potencial para provocar incapacidades físicas que podem,
inclusive, evoluir para deformidades. Estas incapacidades e deformidades podem acarretar alguns
problemas, tais como diminuição da capacidade de trabalho, limitação da vida social e problemas
psicológicos. São responsáveis, também, pelo estigma e preconceito contra a doença. Natureza do
estudo
descritivo, de abordagem qualitativa. Para Ludke & André (1986), o estudo descritivo
permite detalhar acontecimento, situações e depoimentos que enriquecem a análise das informações,
contribuindo para aumentar o conhecimento do pesquisador acerca dos problemas. Para Triviños
1
Enfermeira, graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo. Atuando na Estratégia de Saúde da Família no
município de Jaguaré. E-mail: [email protected]. Rua Uirapuru, Centro, Jaguaré. CEP 29950000. Telefone residencial: (27)
3769-2256 / telefone celular (27) 9974-3077.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
109
(1987) a pesquisa qualitativa mostra o ambiente natural como fonte direta de dados e o pesquisador
como seu principal instrumento. O estudo foi realizado com um grupo de sete profissionais
Enfermeiros da Estratégia de Saúde da Família atuantes no Programa de Controle da Hanseníase do
município de Jaguaré ES o material foi coletado no mês de maio 2004 utilizando a entrevista semiestrutura. O estudo permitiu evidenciar que o profissional Enfermeiro é indispensável no Programa de
Controle da Hanseníase, por atuar em todo o processo de desenvolvimento do programa e
principalmente na sua abordagem educativa, conseguindo informar e mobilizar a população, aderir ao
tratamento e prevenir incapacidades. Dessa forma, contribuindo para o controle e eliminação da
hanseníase e desmistificando o estigma da doença. O Ministério da Saúde objetiva subsidiar dentre os
profissionais de saúde que atuam na rede de atenção básica, com destaque para os profissionais da
equipe de Saúde da Família , sobre os mais importantes e atualizados conhecimentos para a
abordagem do paciente de hanseníase, como instrumento de capacitação, esperando que ele possa
contribuir para a eliminação da doença no país e reintegração dos pacientes curados ao convívio na
família e na sociedade. As atividades de controle da hanseníase são: a população deve conhecer os
sinais e sintomas da doença e deve estar informada de que a hanseníase tem cura! Deve estar
informada, também, sobre o tratamento e estar motivada a buscá-lo nas unidades de saúde do
município; as unidades de saúde devem ter seus serviços organizados para desenvolver as atividades
de controle da hanseníase, garantindo o acesso da população a esses serviços; os profissionais de saúde
devem estar capacitados para reconhecer os sinais e sintomas da doença, isto é, para diagnosticar e
tratar os casos de hanseníase. Portanto, o profissional enfermeiro é essencial por desenvolver ações
que fundamentam e sustentam o programa.
Referências Bibliográficas:
JOPLING, W. H. et al. Manual de hanseníase. 4 ed. São Paulo: Atheneu,1991.
MOREIRA, M. B. R. Enfermagem em hanseníase. Brasília: Fundação Hospitalar do Distrito Federal,
Hospital Regional de Sobradinho, 1983. BRASIL. Ministério da Saúde. Controle da hanseníase na
atenção básica: guia prático para profissionais da equipe de saúde da família Brasília: Ministério da
Saúde, 2001.
8. VIVENCIANDO A PRÁTICA DA EDUCAÇÃO EM SAÚDE COM PRÉ-ESCOLARES: UM
RELATO DE EXPERIÊNCIA
Sheilla Diniz Silveira Bicudo1
Roseane Vargas Rohr 2
Anelisa de Oliveira Morais3
Loren Ferreira Knup
Larissa Santos Oliveira
Lívia Maria Pires Melo
Introdução: Durante a disciplina Educação e Saúde, ministrada no 2° período do Curso de Graduação
em Enfermagem, da Faculdade Brasileira UNIVIX em Vitória - ES, de setembro a dezembro de
2003, buscou-se integrar os conteúdos teóricos acerca da educação e saúde do
indivíduo/família/comunidade, e, a vivência prática. As leituras e discussões de textos acerca dos
temas propostos perpassam por questões que extrapolam as atribuições do enfermeiro, como a situação
sócio-econômica da população, cultural relacionada ao binômio saúde-doença e outras. Porém, as
1
Doutora em Enfermagem/EEAN-UFRJ, Mestre em Psicologia/UFES; Enfermeira do Programa de Diabetes da Unidade de
Saúde de Jardim Camburi- SEMUS/PMV Vitória/ES; Gerente de Enfermagem do SIM Sistema Integrado Médico
Familiar/Atendimento Exclusivo da Companhia Siderúrgica de Tubarão/CST; Profª do Curso de Enfermagem; Faculdade
Brasileira - UNIVIX Vitória/ES. Endereço para correspondência: Av. Desembargador Santos Neves, 1140, aptº 202, Praia
do Canto, Vitória-ES, CEP. 29.055-720, Tel: (27) 33451885, E-mail: [email protected]
2
Mestre em Saúde Coletiva. Enfermeira. Coordenadora e Profª do Curso de Enfermagem; Faculdade Brasileira UNIVIX
Vitória/ES.
3
Acadêmica de Enfermagem 4º Período, Faculdade Brasileira UNIVIX Vitória-ES
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
110
condições de vida de uma população geram agravos à saúde e conseqüentemente, na qualidade de vida
desta. Para Pereira (2003, p. 1528), a educação e a saúde são espaços de produção e aplicação de
saberes destinados ao desenvolvimento humano. Há uma interseção entre estes dois campos, tanto em
qualquer nível de atenção à saúde quanto na aquisição contínua de conhecimentos pelos profissionais
de saúde . Pensando neste aspecto, tomou-se como base, as cartas estabelecidas nos encontros
mundiais, onde se discutiu a implantação e implementação de políticas públicas saudáveis. Neste
contexto, os alunos puderam discutir e refletir criticamente sobre a promoção de saúde, se apoiando
nos referenciais propostos tais como, a Carta de Ottawa, a Declaração de Alma-Ata, Adelaide,
Sundsvall, Bogotá, Jacarta e México (Ministério da Saúde, 2002). A disciplina portanto, busca uma
reflexão crítica do aluno de enfermagem, a partir do embasamento teórico e a realidade encontrada na
comunidade circunvizinha à Faculdade. Para isto, os acadêmicos, desenvolveram em um Centro
Municipal de Educação Infantil da Prefeitura de Vitória-ES, ao longo de dois meses, atividades
educativas em saúde, buscando a apreensão da realidade de vida das crianças e suas famílias e ao
mesmo tempo, sensibilizando os escolares e seus pais para problemas identificados junto aos
professores, como merecedores de uma abordagem de cunho educativo junto às crianças na faixa préescolar. Assim, com o objetivo de motivar para hábitos de prevenção à saúde; temas como educação
alimentar, higiene corporal, saúde bucal, cuidado e prevenção em pediculose foram trabalhados na
escola. Concomitante a esta atividade, alguns alunos realizaram visita ao domicílio dos escolares,
buscando a apreensão da realidade de vida e integração dos conceitos e teorias discutidos em sala de
aula acerca dos requisitos necessários à saúde. Esta ação não poderia se constituir em um mero repasse
de informações, e, sim em uma vivência impulsionada pela troca de experiências, na busca da
transformação da realidade. A combinação de experiências de aprendizagem que facilitem ações
conducentes à saúde é tida para Candeias (1997), como educação em saúde. Buscando a união de
práticas educativas coerentes com as necessidades dos escolares, ferramentas educativas como a
dramatização, teatro, fantoches, histórias, músicas e a integração entre o aprender e fazer, como a
escovação de dentes, foram desenvolvidas neste período citado. A reflexão crítica do acadêmico de
enfermagem, acerca do processo educativo, exerce vital importância no fazer do enfermeiro, à medida,
que irá desenvolver na sua prática diária a promoção, prevenção e reabilitação da saúde dos
indivíduos. A metodologia problematizadora de Paulo Freire (2001), contribuiu de forma ímpar para a
concepção do pensar crítico dos acadêmicos, pois na concepção deste autor, a educação é um processo
interativo, onde educador e educando aprendem simultaneamente, e suas experiências anteriores,
influem na construção do saber. Neste sentido Freire (2001 p. 52), traz uma reflexão acerca do ensino,
e descreve que o educador deve Saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as
possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção . Quando incorporada ao sistema, a
prática da educação em saúde age como principal meio de acesso à população. Essa aproximação
fornece condições de visualizarmos as principais deficiências da comunidade, podendo assim,
atuarmos diretamente para sanar essas necessidades. O enfermeiro deve suscitar no indivíduo o
autocuidado, a conscientização da importância da prevenção e atitudes de promoção da sua saúde,
visando alcançar qualidade de vida para ele e para os que o cercam, de acordo com Ministério da
Saúde (2002 p.25), A saúde é construída pelo cuidado de cada um consigo mesmo e com os outros,
pela capacidade de tomar decisões e de ter controle sobre as circunstâncias da própria vida, e pela luta
para que a sociedade ofereça condições que permitam a obtenção da saúde por todos os seus
membros . Resultados e Discussão: Dessa forma, é evidente a importância e a responsabilidade do
enfermeiro em desempenhar a função de educador e esse trabalho contribuiu para despertar nos
acadêmicos de enfermagem a consciência desse papel no resgate, não somente da saúde das pessoas,
mas também no fortalecimento e respeito profissional, os relatos de alguns acadêmicos comprovam a
gratificante experiência vivenciada. Foi muito bom ver o envolvimento dos alunos e professores
durante a realização do projeto . Nos deparamos com a realidade de vida das pessoas durante as
visitas domiciliares . É gratificante perceber que o trabalho desenvolvido pelo enfermeiro assume
relevante papel na mudança de hábitos das pessoas, o que favorece uma melhor qualidade de vida para
todos . Os resultados obtidos com as crianças serão alcançados a curto e médio prazo, porém, notou-se
uma excelente aceitação, com ativa participação do grupo, o que nos encoraja a estar elaborando
outras experiências como esta. Entretanto, o trabalho de educação em saúde deve ser realizado de
forma ampla, organizada e não aleatória tornando-se imprescindível a elaboração de um plano diretor,
planejamento anual e detalhamento mensal das ações, levantamento e análise dos resultados obtidos.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
111
Considerações finais: Julgamos ser de suma importância, a manutenção de propostas inovadoras que
comunguem educação e saúde, visando fortalecer essa prática não somente na enfermagem, mas que
possamos estar fomentando o fazer saúde numa equipe multidisciplinar.
Referências Bibliográficas:
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Projeto da Saúde. As Cartas da
Promoção da Saúde. Série: B. Textos Básicos em Saúde. Brasília, 2002.
CANDEIAS, Nelly Martins Ferreira. Conceitos de educação e de promoção em saúde: Mudanças
individuais e mudanças organizacionais. Revista de Saúde Pública, São Paulo, 31(2), 209-213, 1997.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. 18. ed. São Paulo:
Paz e Terra, 2001.
FREIRE, Paulo.Pedagogia do Oprimido. 30. ed. . São Paulo: Paz e Terra, 2001.
PEREIRA, Adriana Lenho de Figueiredo. As tendências pedagógicas e a prática educativa nas ciências
da saúde. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, 19(5), 1527-1534, set-out 2003.
11. ATENÇÃO PRIMÁRIA E EDUCAÇÃO PERMANENTE: RELATO DE EXPERIÊNCIA
DE UM NOVO PARADIGMA EDUCACIONAL
Débora Catarina Pfeilsticker1
A progressiva expansão do modelo de atenção voltado para a Saúde da Família e os avanços nos
processos de gestão do sistema de saúde, tem proporcionado mudanças positivas na relação entre os
profissionais de saúde e a população, na estruturação dos serviços de saúde e no padrão de assistência
à saúde. A atenção a família e a comunidade passam ser um importante objeto das práticas em saúde,
com a busca da humanização, ampliação do acesso aos serviços, abrindo as possibilidades de
intervenção sobre os determinantes e condicionantes do processo saúde-doença. Romper, entretanto,
com os instituídos mais fortes que determinam as práticas de saúde, ou seja, o modelo tradicional
hierarquizado e verticalizado de prestação de serviços centrado na cura de corpos individuais e na
medicalização, constitui-se um dos maiores desafios da Secretaria Municipal de Saúde (SEMUS) do
município de Vitória-ES. Dentro desse marco reconhece-se que para a reorganização das práticas de
atenção à saúde, faz-se necessário uma nova política de recursos humanos e educação permanente. Em
2001, a SEMUS institucionalizou o Programa de Educação Permanente (PEP) para os profissionais
inseridos no Programa de Saúde da Família como estratégia para desenvolver a reflexão crítica sobre
as novas práticas sanitárias inseridas em um contexto de mudanças de paradigma de saúde. O
Programa de Educação Permanente com seu desdobramento para os enfermeiros em março de 2002,
vem consolidando-se como uma experiência inovadora, do ponto de vista educacional, pela forma
como se configura o processo ensino-aprendizagem. As linhas de ação e estratégias educacionais
permitem desenvolver o pensamento crítico sobre as novas práticas sanitárias buscando superar um
dos maiores desafios do Sistema Único de Saúde: a integralidade. Constituem linhas de ação do PEP a
aprendizagem em Grupos de Aperfeiçoamento Permanente (GAP), os Treinamentos em Serviço e
Módulos Específicos de Treinamento. A constituição e funcionamento sistemático dos GAP s,
poderão ser compostos de até doze profissionais de saúde sob a orientação de um educador
permanente ou coordenador. O GAP representa um fórum onde os recursos dos membros do grupo são
mais efetivos que a somatória das atividades individuais. Constitui um laboratório para aprendizagem
sobre a interação e integração humana, onde podem desenvolver habilidades de comunicação e
relacionamento interpessoal e interdisciplinar. Delimita o núcleo de conhecimento específico do
profissional e reconhece um campo comum para integração multidisciplinar a partir do próprio
1
Enfermeira Especialista em Saúde da Família. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Atenção à Saúde
Coletiva/UFES. Professora do Curso de Graduação de Enfermagem e Pós-Graduação da FAESA- Faculdades Integradas
São Pedro. Ex-coordenadora do Programa de Educação Permanente para Enfermeiros da Secretaria Municipal de Saúde de
Vitória-ES. E-mail: [email protected]. Rua: José Anchieta Fontana, 735/302. Jd. Camburi. Vitória-ES.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
112
processo de trabalho. O treinamento em serviço é direcionado para o desenvolvimento de habilidades
técnicas e humanização do atendimento, adotando-se como estratégia a identificação de profissionais
de referência para o treinamento, que necessariamente não precisa ser o educador ou o coordenador do
PEP. E os módulos específicos de treinamento constituem uma linha de ação onde em geral um
profissional de referência ou especialista é convidado para abordar um tema específico ou um grupo de
problemas ou agravos relevantes e de impacto no processo de trabalho. O GAP é o pilar do Programa
Educação Permanente e se estrutura através de duas estratégias educacionais, o PBL (Problem Based
Learning/Aprendizagem Baseada em Problemas) e o Peer Review (revisão entre pares). Na primeira, o
problema é utilizado como estímulo à aquisição de conhecimento e compreensão de conceitos. O
educando também usa cada problema para desenvolver habilidades na solução de problemas. Em PBL
nenhuma exposição formal prévia de informação é dada e a seguinte seqüência de passos é
desenvolvida: 1) Esclarecendo conceitos; 2) Definindo o problema; 3) Analisando o problema
( tempestade de idéias ); 4) Sistematizando a análise do problema; 5) Formulando Objetivos de
Aprendizagem; 6) Conduzindo o estudo individual; 7) Resolvendo o problema. A segunda, o
modelo Peer Review, revisão entre pares/colegas, é definido como um processo permanente e
sistemático de reflexão crítica e avaliação de sua prática profissional. O modelo de Peer review tem se
destacado, em contraposição às abordagens tradicionalmente adotadas na educação médica
continuada, por sua efetividade (GROL & LAWRENCE, 1995). Este modelo, para a estruturação da
educação permanente, formando um ciclo de aprendizagem, tem como seus componentes básicos: a)
definição de prioridades; b) avaliação de sua prática; c) planejamento de linhas de ação e
metodologias educacionais para aquisição de novos conhecimentos; d) nova avaliação. A equipe do
PEP é formada por um coordenador e um número específico de educadores respeitando-se a
metodologia de ensino e acompanhando as demandas decorrentes da expansão da Estratégia Saúde da
Família. Entre as funções da coordenação do PEP, destacamos: identificar necessidades de
aprendizagem dos enfermeiros e estabelecer metas educacionais; articular junto à Secretaria de Saúde
propostas de linhas diretivas e estratégias formuladas para organização do processo de trabalho;
planejar e avaliar sistematicamente o processo educativo. As funções do educador permanente/tutor
incluem: a) planejar e conduzir atividade educacional dirigida para pequenos grupos; b) planejar e
conduzir uma atividade utilizando métodos de tecnologia educacional (Internet, multimídia, etc); c)
conduzir uma avaliação de necessidades educacionais; d) executar atividades de avaliação do processo
educativo nos Grupos de Aperfeiçoamento Permanente (GAPs). Finalizando, a experiência do
processo de Educação Permanente para Enfermeiros na Atenção Primária tem representado um
espaço para o enfermeiro exercer sua competência técnica, política e ética, fundamentados num saber
próprio voltado para o cuidado. Constitui-se em um novo modelo educacional orientado para um
modelo assistencial de qualidade, profundamente relacionado com padrões epidemiológicos e o
cuidado sistematizado do cidadão, família e comunidade. Do ponto de vista metodológico, tem
demonstrado resultados positivos, entretanto, ainda faltam evidências que avaliem aspectos
específicos da relação entre o processo ensino-aprendizagem e o impacto nas práticas sanitárias. Esta é
uma questão de interesse cada vez mais freqüente dos educadores e um desafio para o
desenvolvimento de um processo sistemático de avaliação. O trabalho conclui chamando a atenção
para as distinções conceituais entre Educação Permanente e Educação Continuada, para se ter clareza
dos caminhos a serem percorridos e buscar novos modos de se pensar,aprender, fazer e ser
enfermagem.
Referências Bibliográficas:
GROL R & LAWRENCE M. Quality Improvement by Peer Review. Oxford University Press. 1995.
MAMEDE, S.; PENAFORTE, J.C. Aprendizagem baseada em prolemas: anatomia de uma nova
abordagem educacional. Fortaleza: Hucitec, 2001.
MOTTA, J.I.J. Educação permanente em saúde: da política do consenso a construção do dissenso. Rio
de Janeiro, 1998, 227p. Dissertação (Mestrado em Educação em Saúde) Núcleo de Tecnologias
Educacionais em Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
RICAS, J. A deficiência e a necessidade: um estudo sobre a formação continuada de pediatras em
Minas Gerais. Belo Horizonte, 1994. 232p. Tese (Doutorado em Pediatria) Faculdade de Medicina
de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
113
12. RELATO DE EXPERIÊNCIA PROPOSTA DE IMPLANTAÇÃO DO INTERNATO
MULTIDISCIPLINAR EM HOSPITAL PEDIÁTRICO
Ivana Silveira de Castro1
Antonio da Silva Neto 1
Neudes Fraga Viana Gonçalves 1
Elizabete Regina Araújo Oliveira2
Internato pode ser definido como uma forma de ensino na graduação, pela qual o acadêmico no
cumprimento de um programa específico deve aperfeiçoar-se no exercício da profissão em serviços
hospitalares, sob a orientação de profissionais nas áreas afins com experiência amadurecida, e, de
elevado conceito do ponto de vista ético. Os objetivos do internato são, entre outros, oferecer
oportunidade para ampliar, integrar e aplicar os conhecimentos adquiridos ao longo do curso de
graduação, promover o aperfeiçoamento ou a aquisição de atividades adequada a assistência à criança,
família e a comunidade; possibilitar a prática da assistência integrada, pelo estímulo à interação dos
diversos profissionais da equipe de saúde caracterizando a multidisciplinaridade; proporcionar uma
experiência acadêmico-profissional através da vivência no mercado de trabalho hospitalar;
desenvolver a consciência das limitações, responsabilidades e deveres éticos do profissional perante o
paciente, a instituição e a comunidade. Foi instituída como inovação no Hospital Infantil Nossa
Senhora da Glória (HINSG) nas áreas de Enfermagem, Psicologia, Serviço Social, Nutrição,
Fisioterapia e Farmácia. Esta modalidade para aquisição de habilidades tem também o caráter de
ensino, portando a Escola não é o único meio de contribuir para a formação profissional. É uma
tarefa coletiva de produção de saúde, para assegurar acesso universal e igualitário às ações e aos
serviços de promoção, proteção e recuperação da saúde, assim como da redução do risco de doença e
outros agravos, e garantir o acolhimento dos usuários do SUS em ações de qualidade, resolutibilidade
e promoção da sua autonomia com franca abertura ao controle social com saúde. Os cursos na área de
saúde precisam adequar sua abordagem pedagógica, favorecer a articulação dos conhecimentos e
trabalhar pelo entendimento da atuação em equipe multidisciplinar, além de promover atividades
práticas ao longo de todo o curso. O internato do Centro de Estudos do Hospital Infantil Nossa
Senhora da Glória, em sua proposta multidisciplinar, proporciona uma oportunidade educacional,
extracurricular, de vivência filosófica, cientifica, pedagógica e organizacional, reproduzindo o papel
social e de cidadania, a partir do princípio do espaço educacional como espaço dinâmico e aberto,
muito além dos limites físicos de uma sala de aula. Proposta esta que considera o pensamento de
Morin 1 quanto ao envolvimento multidisciplinar, como uma estratégia que transcende as barreiras
quantitativas de categorias de ensino para em suas discussões promover uma visão ampla do homem,
da ciência, da natureza e seus fenômenos. Uma educação só pode ser viável se for uma educação
integral do ser humano. Uma educação que se dirige à totalidade aberta do ser humano e não apenas a
um de seus oponentes. A integridade do homem não é proposta nova, uma vez que foi levantada pela
Organização mundial de Saúde na Declaração de Alma Ata. Nenhuma proposta setorial está
desconectada de outras fundamentais. Inexiste saúde sem educação. Ela está presente na construção de
todos os nossos aspectos humanos. Segundo Silva, Keim e Bertocini (2003) 2 . A educação é uma
dinâmica organizativa dos saberes e das formas de interação das pessoas com o meio social, político e
geográfico no qual atuam. Ela é agente capaz de promover alterações no contexto social a partir de
mudanças, na medida em que considera a diversidade e complexidade dos sujeitos que interagem entre
si e com o meio . Se saúde depende de ações educativas, depende também de ações de trabalho.
Ambos, educação e trabalho estão presentes em todos os processos de nossa vida. È neste contexto que
o Internato do Centro de Estudos do HINSG existe, proporcionando estímulo à visão do Homem
1
Enfermeiros do HINSG. Pós-Graduando em Formação Pedagógica em Educação Profissional na Área de Saúde:
Enfermagem. NAD/UFES. Ivana Silveira de Castro. Av. Rio Branco, 1550, Apto. 602, Praia do Canto, Vitória, ES, CEP.:
29.055-642
E-mail: [email protected]
2
Professora do Departamento de Enfermagem da UFES Coordenadora e Tutora do Curso de Pós-Graduação em Formação
Pedagógica em Educação Profissional na Área de Saúde: Enfermagem
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
114
Integral e de uma consciência planetária a partir de um modelo pedagógico mobilizador de
profissionais em seus contextos, para a função educativa de preceptoria. A partir de uma iniciativa do
Centro de Estudos do HINSG, reuniu-se com vários representantes das áreas afins com o intuito de
formalizar o internato multidisciplinar, favorecendo uma experiência singular. Houve a necessidade
de compreender a legislação própria para a institucionalização do mesmo tomando por por base as
regulamentações e legislações específicas vigente sob estágio. Com a criação da Coordenação do
Internato, procedeu-se processo seletivo para o preenchimento do número de vagas para cada área.,
foram selecionados um grupo multidisciplinar nas áreas: enfermagem, farmácia, serviço social,
psicologia, fisioterapia e nutrição para desenvolver habilidades referentes assistência com incentivo
ao desenvolvimento de pesquisa. Utilizou-se a estratégia de reunir-se uma vez por semana para
reunião científica multidisciplinar, na qual eram discutidos casos clínicos e a abordagem de cada área
com esse paciente. Ao final do internato foi programada uma semana de Jornada Cientifica para cada
área, com participação e envolvimento dos internos e preceptores envolvidos no processo de
acompanhamento e avaliação O internato encontra-se em período de avaliação quanto ao
cumprimento do seu objetivo no que refere ao desenvolvimento de habilidades profissionais de forma
multidisciplinar verificando a contribuição na formação destes profissionais, bem como a estratégia
adotada que ainda não conseguimos acompanhar o avanço no que refere a integração das áreas. A
realização do internato multidisciplinar no hospital infantil vem ao encontro com os pilares da
educação, como eixos norteadores da educação profissional, do futuro-aprender a conhecer, aprender a
fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser. Aprender a fazer valoriza a competência pessoal que
capacita o indivíduo a enfrentar novas situações de emprego, a trabalhar em equipe em detrimento da
pura qualificação profissional. São características fundamentais do profissional atual. Saber trabalhar
coletivamente, ter iniciativa, gostar do risco, ter intuição, saber comunicar-se, saber resolver conflitos,
ter estabilidade emocional. Essas são, acima de tudo, qualidades humanas que se manifestam nas
relações interpessoais mantidas no trabalho3.
Referências Bibliográficas:
FAUSTINO, R.L.H.; MORAES, M.J.B.; OLIVEIRA, M. A. de C.; EGRY, E.Y. Caminhos da
Formação de Enfermagem: Continuidade ou ruptura? Rev. Bras. Enferm. V. 56, n. 4, p. 343-347,
Jul/Ago 2003.
Conselho Departamental da Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre.
Regulamento do Internato da FFFCMPA. Porto Alegre, 1998. Disponível em: <
http://www.infosc.fffcmpa.tche.br/internato/reginternatl.htm>
MORIN, E. Os setes saberes necessários à educação. São Paulo: Cortez; 2000. 118 p.
SILVA, C.R.L.D. da; KEIM, E.J.; BERTONCINI, J.H. Transdisciplinaridade na educação para a
saúde: um planejamento para a graduação do enfermeiro. Rev. Bras. Enferm. V. 56, n. 4. p. 424-428,
Jul/Ago 2003.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
115
13. EXPERIÊNCIA DE ENSINO-APRENDIZAGEM ATRAVÉS DA MONITORIA NA
DISCIPLINA ENFERMAGEM EM SAÚDE MENTAL
Joana Olympia de Souza Stein1
Josiane Mandelli de Lima1,
Marluce Miguel de Siqueira2.
INTRODUÇÃO: O processo de ensino-aprendizagem caracteriza-se, segundo a Teoria da Libertação
de Paulo Freire (1994), pela informação e formação de consciência de pensar ou não; tornando os
educandos comprometidos com a educação para serem conduzidos à liberdade. Compreendendo-se
que a educação deve ser um modo de favorecer os alunos a tomarem consciência da situação em que
vivem e de reconhecerem a necessidade autêntica de mobilização e o poder da criação e de crítica,
sendo conduzidos ao desenvolvimento de suas capacidades, tornando-os menos dependentes e mais
confiantes em si. Para a construção do conteúdo da monitoria considerou-se que as habilidades,
juntamente com a observação, sensibilidade e a criatividade, constituem instrumentos básicos para a
prática de enfermagem (Cianciarullo, 2000) especialmente em saúde mental (Pitanga e Simão, 2001),
essas habilidades, além de manuais e intelectuais que atendem as demandas técnicas, as de solucionar
problemas e de tomar decisões, também compreende a esfera interpessoal quando reconhece a
demanda de relacionamento com o usuário, família e equipe de trabalho, como um aspecto importante
da atividade do enfermeiro. O conteúdo escolhido para consolidar esses aspectos constituiu-se da
metodologia assistencial de enfermagem (Barros et al.2000) que possui como base teórica às
necessidades humanas básicas pressupostas por Horta e a Conservação de energia preconizada por
Levine, sendo suas etapas: histórico; levantamento de problemas; diagnóstico; planejamento da
assistência (prescrição ou plano de cuidados diários) e evolução. Sendo assim em forma de monitoria
aos alunos do 4º período do curso de graduação em Enfermagem, do Centro Biomédico da UFES, é
possível uma vivência prática da consulta de enfermagem dirigida a pacientes alcoolistas e seus
familiares no Programa de Atendimento ao Alcoolista do Hospital Universitário Cassiano Antônio
Moraes da Universidade Federal do Espírito Santo - PAA-HUCAM-UFES (Macieira et al., 1993). O
processo de cuidar implementado pelos acadêmicos de enfermagem durante a vigência do estágio
curricular da disciplina de Enfermagem em Saúde Mental sob a supervisão do professor facilita a
execução de estudos de caso, logo o instrumento de ensino, além de fundamentar teoricamente a
assistência de enfermagem, facilita e estrutura o cuidado prestado ao paciente alcoolista e sua família
fortalecendo nos acadêmicos a responsabilidade técnica em relação a dependência alcoólica tratada no
ambulatório. OBJETIVO: Vivenciar o processo de ensino-aprendizagem na disciplina de Enfermagem
em Saúde Mental no Programa de Atendimento ao Alcoolista do Hospital Universitário Cassiano
Antônio Moraes da Universidade Federal do Espírito Santo (PAA-HUCAM-UFES).
METODOLOGIA: A escolha do monitor da disciplina Enfermagem em Saúde Mental (ENF-04071) é
realizada através de um processo de seleção entre os alunos do 3º período do curso de graduação em
Enfermagem da UFES, consistindo na elaboração de uma redação com o tema drogas , análise de
histórico escolar, horário individual, experiência com informática e outras línguas. Os alunos
selecionados passam por um processo de treinamento cuja duração é de 06 (seis) meses, envolvendo:
estudo dirigido sobre drogas e observação de atendimentos no Programa, participação nos seminários
e reuniões de equipe. Após o período de preparação esses alunos tornam-se monitores da disciplina
Enfermagem em Saúde Mental (ENF-04071), exercendo suas atividades acadêmicas-assistencias no
Programa de Atendimento ao Alcoolista do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes da
Universidade Federal do Espírito Santo (PAA-HUCAM-UFES), através do acompanhamento
sistematizado das turmas de laboratório 2 e 4 (às 2ª e 3ª, respectivamente). Constituiram sujeitos do
estudo 26 (vinte e seis) alunos do 4º período do curso de graduação em Enfermagem na disciplina
1
Acadêmicos do curso de graduação em Enfermagem do Centro Biomédico da UFES e monitores do PAA-HUCAM-UFES.
Endereço: Rua T, Bloco 302 - A, Primeira Etapa, Quadra 3, Aptº 402, Bairro Jacaraípe, Serra ES., CEP. 29173-000,
E-mail: [email protected]
2
Profª Adjunta IV do Deptº de Enfermagem do Centro Biomédico da UFES, coordenadora do NEAD-CBM-UFES, membro
do PAA-HUCAM-UFES e orientadora.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
116
Enfermagem e Saúde Mental (ENF-04071), destes os alunos das turmas de laboratório 2 e 4 receberam
treinamento específico no Programa (PAA-HUCAM-UFES); desenvolvendo a vivência da
interdisciplinaridade, consulta de enfermagem e atenção integral ambulatorial (extra-hospitalar) a
alcoolistas e seus familiares. No Programa são realizadas 06 (seis) consultas de enfermagem por dia,
sendo 03 (três) para pacientes de primeira vez e 03 (três) para retornos. A disciplina oferece 08 (oito)
unidades de ensino, a saber: 1. Evolução histórica da Enfermagem em Saúde Mental; 2. Política
Nacional de Saúde Mental; 3. Instrumentos Básicos da Enfermagem em Saúde Mental; 4. Ação de
Saúde Mental do Enfermeiro 5. Transtornos relacionados a Substâncias Psicoativas (SPA); 6.
Transtornos Neuróticos; 7. Transtornos Psicóticos e 8. Emergência e Urgência Psiquiátrica; no
decorrer das quais são apresentas possibilidades teórico-práticas de atuação e inserção do enfermeiro à
luz da nova política de atenção integral ao usuário da saúde mental vigente no País. RESULTADOS:
Foram produzidos estudos teórico-práticos envolvendo o processo de assistência e trabalho vigentes na
área da Enfermagem em Saúde Mental através do desenvolvimento: a) 13 aulas teóricas sobre as
unidades pedagógicas oferecidas pela disciplina; b) 08 laboratórios práticos sobre temas mais
relevantes na área de Enfermagem em saúde Mental, implementados na própria UFES e em
instituições especializadas conveniadas; c) 06 materiais didáticos (04 estudos dirigidos, 01 relatório de
visita institucional, 01 álbum seriado) e d) manutenção do campo prático no Programa de Atendimento
ao Alcoolista do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes da Universidade Federal do Espírito
Santo (PAA-HUCAM-UFES) para os laboratórios das turmas 2 e 4 (2ª e 3ª feiras). E ainda, ocorreram
03 participações em eventos científicos (50 anos do Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, II Ciclo de
Debates Drogas: e eu com isso ? e Semana Estadual Antidrogas) CONCLUSÃO: A monitoria
propicia ao aluno a oportunidade de experiência do processo de ensino-aprendizagem, preconizado
pela teoria da libertação de Paulo Freire (1994), como também, a aplicação da metodologia
assistencial de enfermagem (MAE) através das consultas a alcoolistas e seus familiares implementadas
no Programa (PAA-HUCAM-UFES). Conseqüentemente, a atividade de monitoria vêm possibilitando
ao acadêmico de enfermagem, uma vivência de formação consciente e crítica (Cuidar, sim. Excluir,
não) sobre a atuação profissional na área da saúde mental.
APOIO FINANCEIRO: PROEX-UFES
Referências Bibliográficas:
BARROS, J.F.V. et al. Metodologia da assistência de enfermagem desenvolvida com pacientes do
programa de atendimento ao alcoolista. J. Bras. Psiq. v.49, n.7, p. 247-254, 2000.
CIANCIARULLO, T. Instrumento básico do cuidar: um desafio para a qualidade de assistência. São
Paulo: Atheneu, 2000.
FREIRE, P. Educação como prática da liberdade. 21ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1994a.
MACIEIRA, M.S. et al. Programa de Atendimento ao Alcoolista do HUCAM da UFES. J. Bras. Psiq.
v.42, n.2, p.97-109, 1993.
PITANGA, F.S.M. e SIMÃO, R.C.A. A disciplina de Enfermagem em Saúde Mental no contexto da
interdisciplinariedade. Ver. O Mundo da Saúde: Saúde Mental a inclusão como desafio. São Pauloano 25, v.25, n.3, 2001. p.316-319.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
117
14. A ABEN-PR SEGMENTO TRABALHADOR, VTVENCIANDO A CAPACITAÇÃO DOS
CONSELHEIROS DE SAÚDE DO MUNICÍPIO DE CURITIBA
Simone Aparecida Peruzzo1
Gelson Luiz de Albuquerque2
Márcia Steil3
Rosângela Scucato4,
O presente trabalho tem como objetivo, apresentar o projeto de capacitação de Conselheiros
Municipais de Saúde do Município de Curitiba. Para formar Conselheiros que exerçam suas funções
como agentes públicos de saúde daquele município, através da formação de uma consciência cidadã.
Os Conselhos Municipais de Saúde (CMS) foram criados através da Lei Municipal, elaborada
conforme a Lei Orgânica da Saúde 8.142/90 e 8080/90. São instâncias colegiadas constituídas de
forma paritária em cada esfera de governo. Com caráter permanente e deliberativo, ao qual compete conforme disposto § 2° do artigo 1° da Lei 8.142/90: atuar na formulação de estratégias da política de
saúde, e no controle da execução da política de saúde, incluindo seus aspectos económicos e
financeiros (SUS, 2004). Esta lei garante a representação dos segmentos do governo (gestor),
prestadores de serviço de saúde (trabalhadores de saúde) e usuários. Estes serão representados
paritariamente aos demais segmentos, ou seja, comporão 50% do número total de conselheiros. As
demais vagas serão compostas pêlos demais segmentos.O Conselho Municipal de Saúde de Curitiba
foi instalado no ano de 1991. Atualmente, é constituído por 36(trinta e seis) membros titulares e
36(trinta e seis) membros suplentes. A gestão da mesa diretora do CMS é de dois anos. A presidência,
conforme regimento interno aprovado em plenária, tomou o cargo eletivo entre seus integrantes.A
Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn PR), representa nesta instância o segmento dos
trabalhadores de saúde. É a única representação possuidora de vaga nata, definida por meio de
resolução própria, devido à enfermagem representar a maior força de trabalho na área de saúde.
Segundo dados do Ministério da Saúde, de um total de dois milhões e duzentos mil empregados no
setor saúde, um milhão são trabalhadores de Enfermagem que merecem a devida atenção dos
formuladores de políticas e gestores do SUS.Estes profissionais podem contribuir para o trabalho
coletivo em saúde, pela expressão que a enfermagem pode representar na qualidade de serviços para a
consolidação do SUS, tanto nas dimensões institucionais como em políticas de saúde para a sociedade
(SILVA, 2003b). A Associação Brasileira de Enfermagem e uma organização da sociedade civil, de
âmbito nacional reconhecida como utilidade publica, com personalidade jurídica não governamental,
caracterizada como entidade que congrega sócios efetivos - profissionais de Enfermagem-Enfermeiras,
Técnicos de Enfermagem e Auxiliares de Enfermagem - obstetrizes e sócios especiais, dentre eles os
estudantes de Enfermagem (ABEn, 2004). O Controle Social exercido pêlos conselhos, em seu pleno
funcionamento, é quem habilita o município para qualquer de suas modalidades de gestão. E através
da participação institucionalizada da sociedade que o Controle Social ocorre dentro da esfera pública.
A descentralização do poder implica em maior autonomia e responsabilidades para o município
exigindo dos conselheiros uma habilitação instrumentalizada para a defesa do interesse público, a
consolidação dos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde e o exercício pleno da cidadania.
Um programa de capacitação efetivo, melhora a qualidade da atuação do conselheiro e por sua vez,
reflete no desenvolvimento dinâmico e participativo nos trabalhos realizados do próprio Conselho. O
conteúdo abordado nesta capacitação foi definido, participativamente, por escolha dos próprios
conselheiros em fóruns específicos e, principalmente, por ocasião das Conferências ocorridas no ano
1
Enfermeira da Universidade Federal do Paraná, Mestranda do Curso de Mestrado em Enfermagem/UFSC, Presidente do
Conselho Municipal de Saúde de Curitiba; Presidente da ABEn-PR. Rua: Brasílio Itiberé, 3530, apto 22; CEP: 80250-160.
Curitiba-PR. TEL: (41) 244-6115. E-mail: [email protected].
2
Enfermeira da Universidade Federal do Paraná, Mestranda do Curso de Mestrado em Enfermagem/UFSC, Presidente do
Conselho Municipal de Saúde de Curitiba; Presidente da ABEn-PR. Rua: Brasílio Itiberé, 3530, apto 22; CEP: 80250-160.
Curitiba-PR. TEL: (41) 244-6115. E-mail: [email protected].
3
Assistente Social, supervisora do Distrito do Bairro Novo e Presidente da Comissão de Informação e Comunicação da
Secretaria Municipal de Curitiba.
4,
Enfermeira, Diretora do Centro de Educação em Saúde de Curitiba, membro da Comissão de informação e comunicação da
SMS, mestranda da UFPR.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
118
de 2003 (I Conferência do Trabalhador e a VII Conferência Municipal de Saúde de Curitiba).
Posteriormente, o programa da Capacitação foi elaborado pela Comissão de Informação e
Comunicação do próprio CMS, sendo apresentado e aprovado por unanimidade em uma de suas
reuniões ordinárias. O processo da capacitação ocorreu por meio de duas conferências de abertura e
uma de encerramento. Foram abordados temas, tais como: Controle Social - conferência de abertura
do primeiro ciclo e, o Papel do Cidadão nas Ações de Saúde Ambiental - conferência de encerramento,
que visavam a sensibilização do público alvo (conselheiros municipais, distritais e locais).A
metodologia adotada pela comissão organizadora foi de encontros que inicialmente envolveram os
conselheiros municipais de saúde. A partir do mês de maio, a capacitação envolveu os conselheiros
distritais e locais de saúde, agrupada por bairros, que exercem o controle social em 94 (noventa e
quatro) das 105 (cento e cinco) unidades de saúde da capital. Os temas abordados, nestas ocasiões
foram: Legislação; Representatividade dos Conselhos de Saúde; Perfil Epidemiológico de Curitiba;
Financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS); O Sistema Integrado dos Serviços de Saúde de
Curitiba; Programas Estratégicos do Sistema Único de Saúde em Curitiba. Alguns distritos tiveram sua
programação enriquecida através de apresentação teatral, por conta da iniciativa dos agentes
comunitários de saúde que apresentaram questões como a prevenção da aids, leptospirose, dengue e
outro programa, a Mãe Curitibana. Este tipo de integração somente é possível, quando os atores da
construção do SUS, sentem-se partícipes deste processo de consolidação da política pública. Assim é
propiciado um cenário democrático, participativo e ético. Nesta etapa distrital e local, os conselheiros
municipais de saúde estiveram inseridos no processo como agentes multiplicadores. Até o momento o
programa atingiu mais de 600 conselheiros, na sua maioria, usuários. Os comentários e sugestões da
primeira avaliação foram extremamente positivos e o encerramento do programa, acompanhado da
avaliação do processo de capacitação, sua aplicação e desenvolvimento das ações dos conselheiros,
ocorrerá até o mês de novembro de 2004. Este processo deverá compor o Programa de Educação
Permanente do Conselho Municipal de Curitiba.
REFERÊNCIAS
Associação Paulista de Medicina - SUS - O que você precisa saber sobre o Sistema único de Saúde.
São Paulo: vol. l. Ed. Atheneu, 2004.
Lei Federal 8.142 de 28 de dezembro de 1990 -Dispõe sobre a participação da Comunidade na gestão
do SUS e sobre as transferências de recursos financeiros da área de saúde e dá outras providências.
Lei Federal 8.080 de 19 de setembro de 1990 - Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e
recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras
providências.
Lei Municipal 10.179 de 05 de junho de 2001- Altera dispositivos e revoga o art.7, da Lei 7631, de 17
de abril de 1991.
SILVA.F.V. Construindo Coerência na Ação. Editorial do Jornal da Associação Brasileira de
Enfermagem. Brasília, Ano 45, n.2. Abril, Maio e Junho de 2003.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
119
15. DE INÍCIO O DESCONHECIDO, O OBSCURO UMA INTERNAÇÃO NA UTI.
I ENCONTRO DE EX-PACIENTES HOSPITALIZADOS NA UNIDADE DE TERAPIA
INTENSIVA DO HOSPITAL AUGUSTO DE OLIVEIRA CAMARGO - INDIATUBA / SP.
Renata Rotella Magalhães1
Telma Gil Gasiola²
Silene Silvana Carvaline³
Maria de Lourdes Gibim Marcato4
INTRODUÇÃO: Pode-se dizer que a medicina passou por grandes descobertas científicas e
tecnológicas com surgimentos de aparelhos sofisticados, medicamentos mais eficazes para o combate
das doenças, propiciando um aumento de vários anos nas expectativas dos humanos. Em meio a todos
esses encadeamentos de novos conhecimentos surge a necessidade da reflexão de bioética, da
Humanização saúde / paciente. Deve - se avançar de uma ciência eticamente livre para outra
eticamente responsável, que domine o homem para uma tecnologia que esteja a serviço da humanidade
do próprio homem. ( Hans Kung ). Os grandes Hospitais com suas Unidade de Terapia Intensiva e
Enfermarias vivem essa modernização, porém a vida de um paciente dentro da instituição torna se
para ele um mundo à parte, um distanciamento da própria vida, da família e como lidar com situações
estranhas e assustadoras, aparelhos disparando, profissionais com linguajar de difícil compreensão.
Para isso surge a teoria da Humanização. Humanizar é atualmente a palavra de ordem no Sistema de
Saúde; porém qual o princípio a ser seguido, sabendo que a medicina e todas as suas variantes, são
áreas de grande pressão profissional; ainda há o fato de profissionais mal remunerados, com diversos
empregos o que dificulta o relacionamento interpessoal, as atitudes, a forma de tratamento e o contato
com o paciente. Patch Adams em seu livro o Amor é Contagioso, recomenda que o profissional ajude
a manter sua saúde através da alegria, do riso e da gentileza. Sugere também que, às vezes o
tratamento mais eficaz é a esperança, o amor, o relaxamento e a simples alegria de viver. Sabemos
que pacientes submetidos à internação em UTI se tiverem sorte, vivos, com ou sem seqüelas, carregam
as conseqüências daqueles instantes para o resto de suas existências. Enquanto não aprendermos a
evitar estes males é melhor que saibamos tratá-los. Este estudo foi realizado após o I Encontro de Ex.
Pacientes hospitalizados, na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Augusto de Oliveira Camargo
no município de Indaiatuba
SP, a partir dos diálogos e sensações vividas pela equipe
multiprofissional e pelos ex. pacientes que permaneceram neste setor, e puderam contar suas histórias,
com a proposta de iniciar um projeto de Humanização na instituição e em suas diferentes áreas
hospitalares, trabalhando com todos os profissionais. OBJETIVOS: Rever os Ex. pacientes que foram
submetidos à internação na Unidade de Terapia Intensiva; identificar os principais sentimentos vividos
por eles durante a internação; demonstrar a Equipe multiprofissional atuante na Unidade, o seu devido
valor e necessidade na atuação da humanização hospitalar e propor a Instituição iniciar o projeto para
Humanização Hospitalar em suas diferentes áreas. METODOLOGIA: O Estudo é descritivo e a
pesquisa consistiu na convocação de cinqüenta Ex. pacientes, submetidos à internação na Unidade de
Terapia Intensiva do Hospital Augusto de Oliveira Camargo no período de cinco anos, de Janeiro de
Noventa e Seis a Janeiro de dois mil, totalizando cinco anos. Adotaram se os seguintes critérios para
seleção: pacientes submetidos à internação na Unidade, ambos os sexos e idade, independente do tipo
de patologia tratada e que deixaram marcas na equipe e no setor, estes foram os convocados a
participarem do evento através de uma carta convite, quando realizaram a confirmação da presença. A
Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Augusto de Oliveira Camargo é composta por nove leitos,
sendo seis destinados à internação SUS, e três destinados à internação de convênios e particulares,
atende diferentes tipos de patologias clínicas e cirúrgicas e de alta complexidade, possui equipamentos
1
Enfermeira Especialista em Administração Hospitalar, Coordenadora de Enfermagem da Fundação Indaiatubana de
Educação e Cultura FIEC. Rua Alberto Santos Dumont, nº 1202 Bairro Cidade Nova - CEP 13330-530 Indaiatuba / SP.
Fone: (19) 3875 5157 - e-mail: [email protected].
² Enfermeira Especialista em Unidade de Terapia Intensiva, Coordenadora Geral do Projeto PROFAE da Fundação
Indaiatubana de Educação e Cultura
³ Enfermeira Especialista em Infecção Hospitalar, Coordenadora Pedagógica do Projeto PROFAE da Fundação Indaiatubana
de Educação e Cultura FIEC
4
Enfermeira Especialista em Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Augusto de Oliveira Camargo
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
120
modernizados e atua no setor uma equipe multiprofissional. A média de internação é em torno de mais
ou menos 420 pacientes por ano, e oitenta por cento são assistidos pelo SUS, foi inaugurada em mil
novecentos e noventa e seis e houve a necessidade de ser ampliada para atender à demanda, pois é
única no município de Indaiatuba SP. O evento foi realizado no dia 22 de setembro de dois mil e um,
no Salão Nobre do Hospital Augusto de Oliveira Camargo, participam os Ex. pacientes, familiares,
Equipe Multiprofissional, Diretoria do Hospital, e o grupo de palhaços Só Riso, (grupo este que realiza
um serviço voluntário na Instituição). Na abertura do evento, houve um momento de animação pelo
grupo Só Riso, dinâmicas em grupo, relaxamento, brincadeira e relatos de experiências vividas pelos
Ex. pacientes. Após foi oferecido um coquetel aos participantes, e um momento de descontração entre
todos os presentes. RESULTADOS: Os resultados obtidos no evento foram muito satisfatórios, houve
interação entre a equipe e os Ex. pacientes, momentos de alegria, recordações, muita emoções e
demais sentimentos vividos por todos os presentes. Os Ex. pacientes expressaram se muito emotivos
as suas diferentes fases percorridas nesta trajetória e agradeceram e valorizaram muito a vida
concedida novamente, agradeceram muito a Deus, à Família, e à equipe que em nenhum momento os
deixavam sozinhos. Seguem alguns relatos mencionados pelos pacientes: 1. Pai e Mãe Perfeitos",
referiu se à importância da presença dos dois nos momentos difíceis e na ajuda para sua recuperação.
2. a Enfermagem preenche o vazio agradeceu a toda equipe de enfermagem que nunca a deixou
sozinha. 3 Jesus sempre ao lado, carinho dos médicos e enfermeiras", apego a Deus nos momentos
difíceis e carinho desempenhado pelas equipes no seu cuidado. 4 Eu tirava o oxímetro apenas para
chamar alguém" a necessidade de Ter pessoas ao seu lado trazia a segurança. 5 Não havia nada de
ruim tudo estava muito bom". Bom contato com todos, muito cooperativa na internação. 6 Acordei
apanhando", Acordei apanhando de um homem, fui entender mais tarde que era o fisioterapeuta
realizando manobras. 7 O acordar foi muito bom , momentos de silêncio, muito choro expressado
por todos presentes ao ouvir esta fala de um Ex. paciente com dezoito anos de idade com seqüelas
cerebral, relata o seu acidente e agradece por Ter acordado e não Ter ficado sozinho na estrada, contou
nos uma história muito emotiva, dizendo que certa vez um soldado disse ao sue tenente que o amigo
não havia voltado do campo de batalha e pedia permissão para ir buscá-lo, porém o oficial negava a
permissão alegando que não queria perder mais um vida por um homem que provavelmente já estava
morto. O soldado ignorando a proibição, saiu ao encontro do amigo e horas depois regressou
gravemente ferido, trazendo o corpo do amigo, o oficial ficou muito furioso e lhe disse que sabia que o
colega estava morto e perguntou ao soldado se valeu à pena Ter trazido um cadáver. O soldado lhe
respondeu que sim, pois quando o encontrou ainda estava vivo e pode me dizer tinha certeza que você
viria. Diante desta história afirmou a todos que nunca esteve sozinho pois seus pais nunca o deixaram.
Após os relatos todos ficaram felizes e agradeceram a iniciativa da instituição em promover um
evento marcante como este. A diretoria do Hospital também pode expressar os sentimentos e
agradecer a participação de todos. CONCLUSÃO: Diante das situações vivenciadas e presenciadas,
pode-se concluir que houve uma interação com todos os participantes, demonstrando afeto, carinho,
amor, compreensão, ansiedade e outros sentimentos para o qual não cabe explicações pois essa é uma
experiência que deve ser vivida por todos os profissionais da área da saúde; é gratificante para a
equipe poder prestar cuidados necessários aos clientes, pois os procedimentos são transitórios e se
alteraram continuamente e aceleradamente. Durante a vida profissional, os sentimentos também se
alteram e se passam, mas as lembranças daqueles pacientes que cuidamos, daqueles que um dia
conseguiram sair ficam gravadas e já mais se passam. Concluí se que a Humanização se faz
necessária e que cada pessoa é um mistério desafiador. Há necessidade de se implantar em toda a área
hospitalar, valorizando a vida, o trabalho em equipe, realizando sessões de grupo onde as equipes
discutam os conflitos, percepções e quais as respostas mais adequadas às situações, conversas e
encontros amigáveis fora das unidades.
Referências Bibliográficas:
DANIEL, L. F. A (1981) A Enfermagem Planejada, 3º Ed. Ver e ampl- SP EPU.
PESSINI, L.; PAUL C. de; (1991) - Problemas Atuais de Bioética, 3º Ed , Loyola SP.
ADANS, P., (1999) - O Amor é Contagioso, 6º Ed. Editora Sextante, RJ.
SILVA, M. J. P. de, (2000) - O Amor é o Caminho, Maneiras de Cuidar, Ed. Gente SP.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
121
16. AÇÕES EDUCATIVAS: A ARTE DE AMAMENTAR
Renata Rotella Magalhães1
Eliana Aparecida Prado da SIlva Dohnal2
Bianca Pantarotto3
Telma Gil Gasiola4
Apesar de historicamente a amamentação passar por diferentes contextos e mudanças sociais, aliadas
ao desenvolvimento tecnológico, sem dúvida o leite materno é o único adaptado às necessidades
nutricionais da criança e é superior a qualquer substituto elaborado por cientistas da nutrição A
amamentação é a solução para diversos problemas do nosso país. Cada pessoa consciente da
importância da amamentação é um agente de transformação dessa realidade. A atitude displicente do
mundo moderno em relação à amamentação está relacionada com o abandono de uma série de valores
que fazem a harmonia natural do ser humano, interferindo em sua qualidade de vida. Entretanto, é
inegável a presença de causas complexas que atuam no contexto de aleitamento. Amamentar não pode
ser visto como um ato instintivo no ser humano, mas está na dependência do aprendizado, da
observação da experiência e convivência com este comportamento.
É necessário ter em mente que a não participação dessa conscientização torna o cidadão coresponsável pela situação atual do nosso país.
O leite humano é o único adaptado às necessidades nutricionais da criança e é superior a qualquer
substituto elaborado por cientistas da nutrição. A amamentação contribui de forma direta para o bebê,
para a mãe, família e até para o planeta.
As crianças que mamam no peito são mais inteligentes, o contato mãe-filho durante a amamentação é
muito forte e importante, pois auxilia no desenvolvimento psicomotor e social dos bebês, resultando
em vantagens significativas na idade de um ano.
Bebês alimentados exclusivamente com leite materno têm menos doenças e infecções, porque ele é
estéril, isento de bactérias e contém fatores antiinfecciosos. O ato de sugar o seio é importante para o
desenvolvimento das mandíbulas, quanto maior o período da amamentação, menor o risco da máoclusão.Como vantagens para a mãe podemos destacar os direitos da mulher na legislação, em nosso
país existe uma lei avançada, que garante o direito da mulher, trabalhadora e dos seus filhos. A
constituição brasileira, e a Consolidação das Leis Trabalhista (CLT), que vigoram no Brasil, garantem
uma série de direitos às mães trabalhadoras. Segundo a Constituição Federal, as trabalhadoras da
cidade e do campo têm o direito à licença maternidade de 120 dias, sem prejuízo de emprego e do
salário. (Capítulo II- Art. XVIII), tendo assim a oportunidade de estar próxima ao bebê, favorecendo o
estabelecimento da amamentação de forma consistente. A mãe que amamenta sente-se mais segura e
menos ansiosa, agiliza a diminuição do volume do útero e evita hemorragia pós-parto, uma das
principais causas de mortalidade pós-parto no Brasil. Além disso, tem menos risco de contrair câncer
de mama, protege contra anemia, diminui o risco de osteoporose na vida madura, ajuda a mulher a
voltar ao peso normal mais rapidamente. Como vantagens para a família, amamentar é mais prático, o
leite está sempre na temperatura ideal, não precisa ser preparado, gera economia de tempo e dinheiro,
pois a criança adoece menos, sobrando mais tempo para a família e gastando menos dinheiro com
remédios, leites artificiais, mamadeiras, bicos e complementos.
O novo modelo de Educação Profissional em Enfermagem, desenvolvido no CEPIN - Centro de
Educação Profissional de Indaiatuba, objetiva preparar o aluno- futuro profissional, para atuar junto à
comunidade, em mais serviços com atividades específicas. Proporcionando ainda ao formando a
oportunidade de inserção e ascensão profissional no mercado de trabalho.
A implementação de um projeto que oportuniza os alunos atuarem em Instituições de Saúde no
atendimento da comunidade vem ao encontro desta nova concepção de trabalho.
1
Enfermeira Especialista em Administração hospitalar, Coordenadora de Enfermagem da Fundação Indaiatubana de
Educação e Cultura FIEC. Rua Alberto Santos Dumont, nº 1202 Bairro Cidade Nova CEP 13330-530 Indaiatuba / SP.
Fone: (19) 3875 5157 - e-mail: [email protected]
2
Técnica de Enfermagem, monitora do Curso Técnico de Enfermagem
3
Aluna do 4° modulo do Curso Técnico de Enfermagem
4
Enfermeira Especialista em Unidade de Terapia Intensiva, Coordenadora Geral do Projeto PROFAE da Fundação
Indaiatubana de Educação e Cultura FIEC
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
122
Entende-se que o cuidar em enfermagem como responsabilidade e interesse social, presentes em uma
sociedade concreta, com suas características próprias, construídas por um contingente de pessoas
favoráveis à saúde e ao desenvolvimento humano. Frente a estes enfoques, um projeto educativo pode
tornar-se estratégico na integração ensino-serviço-comunidade.
Como objetivos destacamos:
Oportunizar ao aluno o aprendizado em situações concretas, capacitando-o com conhecimentos,
habilidades e valores, mantendo os princípios da ética, da identidade, da contextualização e da
interdisciplinaridade.
Incentivar a amamentação na atenção primária à saúde, contribuindo para a diminuição dos índices de
mortalidade infantil;
Conscientizar a mãe e familiares sobre a importância do aleitamento materno;
Estimular nos alunos, questões referentes aos interesses e a responsabilidade social;
Esclarecer os direitos da mulher no período grávido-puerperal;
Contribuir para a qualidade de vida do público alvo.
MÉTODOS: Trata-se de um projeto dirigido à gestantes, através de palestras educativas relacionadas à
gestação com ênfase à Amamentação. As palestras, programadas para o momento que antecede a
consulta pré-natal agendada anteriormente, de forma a proporcionar à todas gestantes informações
acerca dos três trimestres da gravidez, independente do qual a mesma se encontra São distribuídos
produtos de higiene pessoal (sabonete, creme), manipulados pelos alunos do Curso Técnico em
Processos Químicos do CEPIN, devidamente supervisionados.
Nos encontros são registrado a presença das gestantes e preenchimento de um cadastro próprio
elaborado para este fim, contendo nome, data de nascimento, endereço completo, gestante primigesta,
secundigesta, multigesta, idade gestacional, data da última menstruação e data provável do parto.
Os relatos verbais das participantes assim como o entrosamento entre as mesmas são avaliados e
considerados no sentido de amparar e dar continência aos objetivos do Projeto. RESULTADOS:
Observa-se uma participação intensa das gestantes, acompanhada de grande interesse pelo tema. O
fato do Projeto proporcionar entendimento das mudanças vivenciadas e conhecimento do preparo è
amamentação faz com que o mesmo seja aguardado com carinho.Em relação aos alunos, os mesmos se
envolveram desde a fase de elaboração e implantação do projeto até a sua passagem para alunos dos
módulos que o seguem. Relatam que a experiência vivenciada com o projeto foi válida, dando a
oportunidade de uma vivência profissional importante. CONCLUSÃO: Entendemos que Ações
Educativas direcionadas a compreensão de temas importantes propiciam uma participação integrada
entre alunos / professores / pacientes / instituições de saúde / comunidade, consolidando o
compromisso com a estruturação mais justa da Sociedade Brasileira.
Referências Bibliográficas:
BADINTER, E. Um amor conquistado, o mito do amor materno. 7ª ed. Rio de Janeiro, Nova
Fronteira, 1985
SEPULVEDA, d. ET. AL. Lactancia materna: alguns factores preventivos psicosociales y biologicos
que la influenciam. Bol. Of. Sanit. Panam., v.95, n.1.p.51.9, 1983
SILVA, I. A. Amamentar: uma questão de assumir riscos ou garantir benefícios. São Paulo, 1994.
Tese (Doutorado) Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
123
17. O PSICODRAMA PEDAGÓGICO EM AÇÃO: VIVENCIANDO O PROJETO
PEDAGOGICO NA SAÚDE COLETIVA ATRAVES DO RESGATE DA
CRIATIVIDADE E A ESPONTANEIDADE
1
Dora Mariela Salcedo-Barrientos1
2
Maria J. Barbosa de Moraes2
Flávia Peres de Barros3
Regina L. HerculanoFaustino4
Trata-se de um estudo de referencial materialista histórico dialético (MHD), a partir de uma
perspectiva de gênero focalizando o ensino na saúde coletiva. Objetivos: Favorecer o processo ensinoaprendizagem através da execução de oficinas de trabalho à luz da Pedagogia do Drama incluindo o
Psicodrama Pedagógico. Instrumentalizar ao discente para o exercício profissional através de
vivencias resgatando a criatividade e espontaneidade. Estimular o discente a identificar o perfil
epidemiológico da clientela que freqüenta a instituição. Estimular o espírito critico gerando momentos
de reflexão a luz da teoria da determinação social. Estimular o discente para a execução do
planejamento de uma proposta de intervenção utilizando diferentes estratégias pedagógicas
focalizando a criatividade e espontaneidade dos estudantes de enfermagem favorecendo desta forma a
inclusão social através da lavagem das mãos. Foi desenvolvido junto aos acadêmicos do curso de
enfermagem, 4º período, do Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP), os quais
desenvolveram pela sua vez intervenções na área de educação em saúde com vistas à observar as
mudanças epidemiológicas a luz da determinação social nos clientes do restaurante Bom Prato- Santo
Amaro. Foi realizado no período de 03 de Maio a 23 de Junho de 2004 no restaurante Bom Prato de
Santo Amaro- SP. Este constitui-se um restaurante com administração filantrópica (UNASP) e com
parceria do governo do estado de São Paulo, de cunho social, que oferece cerca de 1.500 a 1.800
almoços diários no estabelecimento, com custo de R$ 1,00 (um real). Resultados: A estratégia
pedagógica foi ministrada pela docente responsável por este campo de estagio, a qual utilizou oficinas
de trabalho com enfoque de psicodrama pedagógico durante 3 dias consecutivos, que constou das
seguintes etapas: aquecimento através do uso de jogos psicodramáticos, seção psicodramática
propriamente dita e uma terceira etapa de síntese e compartilha. A seguir todos os grupos de
acadêmicos foram estimulados a desenvolver estratégias educativas. Desta forma constituíram-se em
seis diferentes grupos, totalizando a participação de 66 alunos. Cada grupo teve que planejar e
executar uma estratégia pedagógica permeada pela criatividade e espontaneidade para educar esta
população alvo . Durante as oficinas de trabalho emergiram as seguintes categorias empíricas: ser
aluno de enfermagem cidadão , resgatando os processos protetores/destrutivos do cliente excluído ,
utilizando as próprias potencialidades acumuladas na sociedade brasileira significado positivo nas
intervenções executadas .Foi utilizado como estratégia de ensino a Pedagogia do Drama,
considerando inclusive o Psicodrama Pedagógico que visa o resgate do ser humano cidadão que será
capaz de reproduzir o conhecimento construído dialeticamente dentro e fora da sala de aula
centralizada fundamentalmente em um ensino significativo, aspirando provocar uma ruptura no
campo do saber tradicional dogmático e reducionista recuperando assim uma forma de pensar mais
flexível (ROMAÑA,1996) (ROMAÑA,2004). Considerou-se este momento direcionado para a
integração da produção do conhecimento na área da Saúde Coletiva. Isto é, pretendeu-se proporcionar
1
Enfermeira. Psicodramatista. Doutora em Enfermagem pela EEUSP. Mestre em Enfermagem pela EEUSP Área de
Concentração na Saúde Coletiva. Docente Coordenadora da Disciplina Enfermagem em Saúde Coletiva do Centro
Universitário Adventista de São Paulo (UNASP). Coordenadora do Grupo de Estudo e Pesquisa: Mulher e Saúde:
Resgatando a Criatividade e a Espontaneidade a partir de
uma perspectiva de gênero . E-mail:
[email protected]. Endereço: Av. João José Gomes 169- Vila Antonio CEP 05376-100. São Paulo.Brasil.
1
Enfermeira. Psicodramatista. Doutora em Enfermagem pela EEUSP. Mestre em Enfermagem pela EEUSP Área de
Concentração na Saúde Coletiva. Docente Coordenadora da Disciplina Enfermagem em Saúde Coletiva do Centro
Universitário Adventista de São Paulo (UNASP). Coordenadora do Grupo de Estudo e Pesquisa: Mulher e Saúde:
Resgatando a Criatividade e a Espontaneidade a partir de
uma perspectiva de gênero . E-mail:
[email protected]. Endereço: Av. João José Gomes 169- Vila Antonio CEP 05376-100. São Paulo.Brasil.
2
Enfermeira. Mestre em Enfermagem pela EEUSP. Especialista em Saúde da Comunidade. Docente do Curso de
Enfermagem do UNASP.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
124
um maior estímulo à reflexão conjunta no campo da saúde coletiva e da educação em saúde, visando
aprimorar esta experiência de políticas públicas, que hoje se constitui como um espaço de referência
para a discussão sobre a formação de recursos humanos na área da saúde. Identificou-se o 100% de
aderência e aceitação à nova estratégia utilizada, sendo avaliada como uma excelente estratégia
inovadora e de qualidade que deveria ser implementada nas diversas disciplinas para melhor
aproveitamento dos produtos (teoria/pratica) oferecidos na própria faculdade. Foram atingidas as
expectativas dos discentes em um novo campo de estágio proposto, favorecendo o crescimento
profissional uma vez que foi executado no âmbito de extra-muros aproveitando inclusive a parceria
com outros setores favorecendo a interdisciplinariedade. Constitui-se este um novo espaço a ser
aproveitado oportunamente no âmbito do atual contexto social político-econômico e pedagógico com
o intuito de contribuir e ampliar o exercício profissional no SUS, respondendo desta forma as
demandas educacionais decorrentes da implantação da Atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional LDB Lei nº 9.394/96 a qual no seu artigo 1º reconhece o foco da educação e o seu objeto
especifico resgatando que: a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida
familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos
sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais (BRASIL, 1996). Desta
forma, foram utilizadas as seguintes estratégias pedagógicas teatro: os mosquitos em ação; a mímica:
mão limpa/mão suja; as eleições sanitárias; composição de música educativa em festa Junina; o
detector de mãos sujas e finalmente a peça teatral: o bem e o mal na nossa sociedade paulista através
da apresentação de marionetes e nova composição musical. Considerações finais: Ao final do estágio
foi entregue um relatório por escrito contendo o levantamento dos principais problemas identificados
e a avaliação do impacto da proposta de intervenção executadas por cada grupo.Toda atividade foi
devidamente registrada através de filmagem, fotografias, etc. Posteriormente estes dados foram
sistematizados e encaminhados através de um relatório final as instituições comprometidas
(coordenação de enfermagem UNASP, restaurante Bom Prato). Desta forma, considera-se esta
experiência um trabalho coletivo executado pelo do 4o semestre e contou com o apoio técnico
logístico do grupo de Iniciação Cientifica do Curso de Enfermagem: Grupo de Estudo e Pesquisa
Mulher e Saúde: Resgatando a Criatividade e a Espontaneidade desde uma perspectiva de gênero no
âmbito da Saúde Coletiva .Cabe destacar que, a estratégia pedagógica implementada junto aos alunos,
apresenta-se uma ferramenta oportuna e inovadora que atendeu os objetivos planejados, favorecendo
o desenvolvimento profissional do discente, constituindo-se inclusive um espaço que favoreceu a
interação e redescobertas de potencialidades pessoais e profissionais no próprio grupo. Sendo este
momento prazeroso e significativo para os discentes como para a própria docente que encarou este
novo desafio. Sendo o resgate da emoção e os sentimentos uma porta de saída a ser privilegiada neste
novo processo de ensino-aprendizagem comprometidos com as novas mudanças políticas em
educação em saúde de uma forma mais humanizada.
Palavras Chaves: Processo de Trabalho-Ensino, Educação em Saúde, Saúde Coletiva, Psicodrama
Pedagógico, Pedagogia do Drama.
Referências Bibliográficas:
ANDRADE SANTOS, ANTONIO . Sociodrama Educacional: Grupos de Professores, Alunos e Pais.
Revista da SPAGESP - Sociedade de Psicoterapias Analíticas Grupais do Estado de São Paulo,
Ribeirão Preto, SP, v.3,n.1, p. 119-126. 2002.
BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação. Lei
de Diretrizes e Bases da educação
LDB. [on line] Brasília (DF); 1996. Disponível em:
<http://prolei.cibec.inep.gov.br > Acesso em 10 fev. 2004.
_________.
Decreto
n.4281,
de
25
de
junho
de
2002.
Disponível
em:
<http://www.mec.gov.br/sef/Ftp/LEI979599.doc> Acesso em 12 fev. 2004.
ROMAÑA, MARIA ALICIA. Pedagogia do Drama: 8 perguntas & 3 relatos. São Paulo, SP: Casa do
Psicólogo, 2004.
ROMAÑA, MARIA ALICIA. Do Psicodrama Pedagógico à Pedagogia do Drama. Campinas, SP:
Papirus, 1996.
SALCEDO-BARRIENTOS, DORA MARIELA. Mulher e saúde: dialetizando o trabalho da
enfermagem ambulatorial. [Tese] São Paulo (SP): Escola de Enfermagem da USP; 2002.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
125
18. ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS EM AÇÃO: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO
NA SAÚDE COLETIVA ATRAVÉS DO RESGATE DA CRIATIVIDADE E A
ESPONTANEIDADE NA EDUCAÇÃO EM SAÚDE
1
Dora M. Salcedo-Barrientos1
2
Leonardo R. Gonçalves2
2
Claudemilson Rogério Ramos2
3
Flávia dos Santos Souza3
4
Talita Keller Ferreira4
Trata-se de um estudo de referencial materialista histórico dialético (MHD), a partir de uma
perspectiva de gênero focalizando a utilização de estratégias pedagógicas de impacto na saúde
coletiva. Objetivos: Identificar o perfil epidemiológico dos clientes. Sensibilizar os clientes através
da promoção do auto-cuidado e a lavagem das mãos aplicando diferentes estratégias pedagógicas
resgatando a criatividade e espontaneidade dos estudantes de enfermagem. Foi desenvolvido pelos
acadêmicos do curso de enfermagem, 4º semestre, do Centro Universitário Adventista de São Paulo
(UNASP), os quais desenvolveram intervenções na área de educação em saúde com vistas buscando
promover mudanças epidemiológicas à luz da determinação social junto aos clientes do restaurante
Bom Prato- Santo Amaro (SP). Estas intervenções foram realizadas no período de 03 de Maio a 23 de
Junho de 2004. O local onde foram desenvolvidas as intervenções constitui-se em um restaurante
com administração filantrópica (UNASP) e com parceria do governo do estado de São Paulo, de
cunho social, que oferece cerca de 1.500 a 1.800 almoços diários no estabelecimento, com custo de
R$1,00 (um real). Estas intervenções foram executadas após a instrumentalização prévia ministrada
pela docente responsável por este estágio, a qual utilizou oficinas de trabalho privilegiando o
psicodrama pedagógico e levando em consideração a experiência desenvolvida por SALCEDOBARRIENTOS (2002) durante 3 dias consecutivos, ação repetida para cada grupo. ROMAÑA (2004)
acredita no impacto da Pedagogia do Drama enquanto estratégia de ensino-aprendizagem,
considerando-o inclusive como um modelo apropriado para se trabalhar com conhecimentos
geradores , especialmente aqueles que incluem o conceito ou a idéia geradora de outras
possibilidades de aplicação; os conhecimentos deste tipo são suscetíveis de serem tratados
independentemente da matéria ou nível de ensino e finalmente não deve ser proposto como fórmula
exclusiva de ensino, mas combinada com outras estratégias que também favoreçam a aprendizagem
significativa. A seguir todos os grupos de acadêmicos foram estimulados a desenvolver estratégias
educativas. Desta forma constituíram-se em seis diferentes grupos, totalizando a participação de 66
alunos. Cada grupo teve que planejar, executar e avaliar uma estratégia pedagógica permeada pela
criatividade e espontaneidade com vistas a promover o auto-cuidado e sensibilização quanto à
importância da lavagem das mãos dentro e fora da instituição. O presente estudo visou também o
resgate da prática de enfermagem no ensino cotidiano, onde se tecem os primeiros referenciais que
permearão a vida do sujeito na enfermagem, categoria que conforma a maior força de trabalho na
área da saúde. Foi proposto utilizar como estratégia de ensino a Pedagogia do Drama resgatando ao
ser humano cidadão que será capaz de reproduzir o conhecimento construído dialeticamente dentro e
fora da sala de aula. Este projeto visou portanto, repensar e subsidiar futuras estratégias pedagógicas
e inclusive reavaliar diferentes ferramentas pedagógicas que possam favorecer a formação sólida do
1
Enfermeira. Psicodramatista. Doutora e Mestre em Enfermagem pela EEUSP. Docente Coordenadora da Disciplina
Enfermagem em Saúde Coletiva do Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP). Coordenadora do Grupo de
Estudo e Pesquisa: Mulher e Saúde: Resgatando a Criatividade e a Espontaneidade a partir de uma perspectiva de
gênero . E-mail: [email protected] Endereço: Av. João José Gomes 169- Vila Antonio CEP 05376-100.
São Paulo.Brasil.
2
Discente do 5º Semestre do Curso de Enfermagem do UNASP. Membro Ativo do Grupo de Estudo e Pesquisa: Mulher e
Saúde: Resgatando a Criatividade e a Espontaneidade a partir de uma perspectiva de gênero .
3
Discente do 4º Semestre do Curso de Enfermagem do UNASP. Membro Ativo do Grupo de Estudo e Pesquisa: Mulher e
Saúde: Resgatando a Criatividade e a Espontaneidade a partir de uma perspectiva de gênero .
4
Discente do 2º Semestre do Curso de Enfermagem do UNASP. Membro Ativo do Grupo de Estudo e Pesquisa: Mulher e
Saúde: Resgatando a Criatividade e a Espontaneidade a partir de uma perspectiva de gênero .
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
126
profissional centralizada fundamentalmente no ensino significativo. Assim, neste momento a
intenção esteve direcionada para a integração da produção do conhecimento no campo da saúde
coletiva e da educação em saúde, visando aprimorar esta experiência de políticas públicas, que hoje
se constitui como um espaço de referência para a discussão sobre a formação de recursos humanos na
área da saúde respondendo as exigências da atual agenda social político-econômico e pedagógico
despertando o interesse dos discentes à Pesquisa em Enfermagem com o intuito de contribuir e
ampliar o exercício profissional no SUS, respondendo desta forma as demandas educacionais
decorrentes da implantação da Atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB Lei
nº9.394/96 colocando-los em contato com organizações da sociedade civil (BRASIL, 1996).
Resultados: Dentro do contexto do Bom Prato, destaca-se que no horário pico das 10:30 às 11:30
verificou-se uma alta freqüência de clientes que almoçam no estabelecimento e quantos destes
lavavam as mãos antes de comer, sendo observado antes das intervenções que apenas 9% lavavam as
mãos e após as intervenções evidenciou-se uma mudança de comportamento equivalente ao 50% ,
dados obtidos pela contagem em uma hora. Foram utilizadas as seguintes estratégias pedagógicas
interativas (teatro: os mosquitos em ação; a mímica: mãos limpas/mãos sujas; as eleições sanitárias;
composição de música educativa em festa Junina; o detector de mãos sujas e finalmente a peça
teatral: o bem e o mal na nossa sociedade paulista através da apresentação de marionetes e nova
composição musical. Considerações finais: É possível afirmar que identificar o perfil epidemiológico,
promover o auto- cuidado e favorecer a inclusão social podem ser alcançados através de novas
estratégias, como foi utilizado neste estudo, alcançando resultados satisfatórios e quebrando
paradigmas da tradicional educação em saúde. Considera-se que, a instrumentalização recebida
através da introdução de uma nova estratégia pedagógica, isto é a Pedagogia do Drama facilitou abrir
novos espaços para enfermagem na saúde coletiva e contribuiu no crescimento pessoal e profissional
dos discentes que experimentaram pela primeira vez a possibilidade de transformar uma realidade
objetiva aproveitando outros espaços da sociedade. A utilização de novas ferramentas e/ou estratégias
pedagógicas consideram-se importantes e inovadoras, pois conseguiu atingir os objetivos planejados
e estabelecer uma interação diferenciada com uma população considerada multiplicadora e
reprodutora do saber adquirindo novos conhecimentos de uma forma dinâmica e prazerosa. Foi
também, considerada importante a possibilidade de ter conseguido planejar, executar e avaliar ações
efetivas em curto prazo e atingindo um grande contingente de clientes que antes parecia impossível
vencer esta barreira, considerando esta experiência positiva e transcendente como futuros educadores
e reprodutores do saber considerando as necessidades sentidas da população escolhida para ser
intervinda levando em consideração o principio da integralidade. Palavras Chaves: Processo de
Trabalho-Ensino; Estratégias Pedagógicas; Saúde Coletiva; Psicodrama Pedagógico; Pedagogia do
Drama.
Referências Bibliográficas:
ANDRADE SANTOS, ANTÔNIO. Sociodrama Educacional: Grupos de Professores, Alunos e Pais.
Revista da SPAGESP - Sociedade de Psicoterapias Analíticas Grupais do Estado de São Paulo,
Ribeirão Preto, SP, v.3,n.1, p. 119-126. 2002.
BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação. Lei
de Diretrizes e Bases da educação
LDB. [on line] Brasilia (DF); 1996. Disponível em:
<http://prolei.cibec.inep.gov.br > Acesso em 10 fev. 2004.
_________.
Decreto
n.4281,
de
25
de
junho
de
2002.
Disponível
em:
<http://www.mec.gov.br/sef/Ftp/LEI979599.doc> Acesso em 12 fev. 2004.
ROMAÑA, MARIA ALICIA. Pedagogia do Drama: 8 perguntas & 3 relatos. São Paulo, SP: Casa do
Psicólogo, 2004.
ROMAÑA, MARIA ALICIA. Do Psicodrama Pedagógico à Pedagogia do Drama. Campinas, SP:
Papirus, 1996.
SALCEDO-BARRIENTOS, DORA MARIELA. Mulher e saúde: dialetizando o trabalho da
enfermagem ambulatorial. [Tese] São Paulo (SP): Escola de Enfermagem da USP; 2002.
CENTRO UNIVERSITÁRIO ADVENTISTA DE SÃO PAULO (UNASP).. Projeto Pedagógico do
Curso de Graduação em Enfermagem. São Paulo; 2003.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
127
20. AVALIANDO O DESENVOLVIMENTO DO PROFAE NO RN: O OLHAR DOS
PARCEIROS.
Sheila Saint-Clair da S. Teodósio1
Alzirene Nunes de Carvalho
INTRODUÇÂO: Trata o presente trabalho do relato do desenvolvimento do projeto de
profissionalização de trabalhadores da área de enfermagem do Estado do Rio Grande do Norte a partir
do olhar dos participantes diretos e indiretos do projeto. OBJETIVOS: Descrever a experiência e
apresentar os resultados da avaliação realizada, pela Agência Regional. REFERENCIAL:O PROFAE
foi gestado com o propósito de promover a melhoria da qualidade da atenção à saúde ambulatorial e
hospitalar, través da qualificação do pessoal auxiliar de enfermagem. No entanto, na sua execução, ele
vai muito além e se constitui como uma política pública de desenvolvimento de recursos humanos em
saúde. Daí se constitui num conjunto de respostas engendradas pelo Estado brasileiro, para combater
uma negativa herança social brasileira, tanto no que diz respeito à erradicação da pobreza, à melhoria
do acesso e das condições de saúde, quanto à ampliação da oferta pública de qualificação profissional.
Desta forma, ele contribui, também, para viabilização dos princípios do SUS. A realização dos cursos
de Qualificação Profissional (QP) e Complementação da Qualificação Profissional (CQP) foram
viabilizados através da Operadora e Executoras selecionadas através de licitação. Para acompanhar a
execução do projeto, em apreço, foi criado, de forma ímpar, um ente externo denominado de Agências
Regionais (ARs). As ARs competem o monitoramento e supervisão dos cursos de qualificação e
escolarização, além de exercerem um papel fundamental de articulação e mediação política no nível
local. Segundo Sório, o trabalho das ARs tem favorecido a atuação política do Ministério da Saúde,
junto aos vários segmentos, com objetivo de elevar a qualidade da prática de saúde. No Estado do Rio
Grande do Norte, a Agência Regional vem exercendo tais funções desde agosto de 2001 quando foi
efetivada sua equipe técnica. Assim a AR/RN, preocupada com a responsabilidade que lhe compete
neste processo de monitoramento e supervisão, efetivou, no ano de 2003, uma avaliação sobre o
desempenho do PROFAE no Estado. A mesma teve como participantes as Operadoras/Executoras e
outros parceiros externos, tais como: secretários municipais de saúde, coordenadores/gerentes de
enfermagem das unidades de saúde, equipes de PSF e egressos do PROFAE. A avaliação teve os
seguintes objetivos: Apreciar o desenvolvimento do PROFAE/RN a partir da participação dos atores
envolvidos direta e indiretamente com o projeto no Estado; b) Identificar os aspectos facilitadores e/ou
dificultadores do desenvolvimento do PROFAE/RN buscando, na interlocução entre os parceiros, a
superação dos problemas identificados e socialização dos avanços alcançados; c) Propor sugestões
para a construção de estratégias para maior eficácia do PROFAE no RN. METODOLOGIA: Tomou
como parâmetro os pressupostos metodológicos qualitativos e realizou-se em dois momentos
diferentes: Inicialmente, foi aplicado pelas Executoras/Operadoras aos parceiros externos, acima
citados, um questionário com três (3) questões semifechadas e três (3) abertas,. A escolha dos
informantes se deu de forma aleatória e o número variou de Executora para Executora. O segundo
momento, ocorreu sob a modalidade de oficina de trabalho com a participação da equipe técnica da
AR/RN, de todas Operadoras/Executoras do PROFAE/RN e coordenação do NAD/RN, na qual foram
discutidos, em pequenos grupos, os resultados dos questionários dos parceiros externos e avaliados os
aspectos facilitadores/dificultadores do desenvolvimento dos cursos de CQP, QP e Formação
Pedagógica. RESULTADOS: Os resultados mostram que, para 99% dos respondentes, o PROFAE
tem contribuído de forma positiva para as mudanças nos serviços de saúde. Nos aspectos facilitadores
de QP e CQP destacam-se: a busca na melhoria da qualidade dos serviços prestados; maior articulação
entre ensino e serviço; resgate social dos trabalhadores que não tinham qualificação específica; a
adoção da metodologia problematizadora que valorizou as experiências trazidas pelos alunos, tornando
efetiva a sua participação na construção do conhecimento, e possibilitando uma integração entre
ensino-serviço e comunidade; contribuição do aluno/estagiário no processo de cuidar; troca de
experiências/conhecimentos entre professores x supervisores x alunos e a bolsa auxílio. Quanto a
formação pedagógica, o maior destaque foi o curso ter sido ofertado na modalidade à distância,
1
Enfermeira Mestre em Educação-UFRN /Instituição: Deptº. ENF. End: Rua 23 de julho
Natal/RN. E-mail: [email protected]
09 Vila de Ponta Negra-
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
128
embora a solicitação, por todos os grupos, de mais encontros com os tutores, denota a existência,
ainda, do apego ao ensino presencial. Tanto os participantes da oficina, quanto os parceiros externos,
elegeram como dificultadores os seguintes aspectos: Número excessivo de alunos nos campos de
estágio; elevado número de alunos para cada supervisor, dificultando o acompanhamento dos mesmos;
insuficiência de materiais nos campos de estágios; alunos sem experiência na área da saúde e o sistema
de avaliação. Este último foi apontado pela unanimidade dos participantes como um dos nós críticos
de todo o processo. Para eles, a maioria dos instrutores/supervisores teve muitas dificuldades de
entender/aplicar o processo de avaliação, proposto pelas Executoras. A preocupação em sair das teias
das constatações e partir para uma ação mais positiva gerou um elenco de sugestões que, com certeza,
contribuirão para o crescimento efetivo do PROFAE/RN.SUGESTÕES: Melhorar a comunicação
entre MS/AR/Operadora/Executora; as Operadoras/Executoras devem: elaborar e cumprir calendário
de repasse financeiro, divulgando-o para os instrutores; - intensificar relacionamento com os gestores
para que os alunos sejam liberados para o curso com mais facilidade; estabelecer novas parcerias com
os serviços de saúde objetivando ampliar os campos de prática e trabalhar a questão da avaliação junto
aos instrutores/supervisores. O MS deve: exigir junto a Caixa Econômica Federal a pontualidade no
repasse da bolsa escola; - solicitar a EAD/FIOCRUZ a ampliação do número de vagas no curso de
formação pedagógica; - articular, junto às universidades, a possibilidade de realização de mestrado
para coordenadores pedagógicos e gerentes.Foi sugerido para o NAD/RN desenvolver um trabalho de
acompanhamento dos egressos do curso, oportunizando a educação permanente aos mesmos.
CONCLUSÃO: A análise dos resultados, tanto as dos parceiros externos, quanto a dos internos,
demonstram a preocupação dos que fazem o PROFAE/RN em melhorar a sua eficácia no Estado. Esta
avaliação permitiu um aprofundamento sobre a realidade do PROFAE como um todo, socializando
informações, experiências acertos e desacertos e estreitando as parcerias e articulações em busca de
estratégias conjuntas para vencer os desafios da consolidação do projeto como uma política pública.
Referenciais Bibliográficas:
BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE.Saúde: promovendo educação profissional. Profissionalização
da área de enfermagem. Brasília, 2002
BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Oferta de qualificação é necessária para melhorar à atenção à
saúde. Formação,Brasília v.1.n 1, 2001
SÓRIO,R.E. da R. Inovações do campo da gestão de projetos sociais: uma reflexão à luz da
experiência do PROFAE. In: CASTRO, J de L.(ORG) Brasil, Ministério da Saúde. PROFAE:
educação profissional e cidadania
VELOZZO, G. Supervisão no PROFAE: notas sobre uma experiência recente. Formação, Brasília, v.
3, 2001.
21. CONTROLE SOCIAL EM SAÚDE: UMA EXPERIÊNCIA EDUCATIVA COM
CONSELHEIROS NO RN
Sheila Saint-Clair da Silva Teodósio1
Miranice Nunes Crives
Rosana Lúcia Alves de Vilar
Introdução: O presente trabalho relata o desenvolvimento dos cursos de capacitação dos conselheiros
de saúde do Rio Grande do Norte inseridos no programa de apoio ao Fortalecimento do Controle
Social no Sistema Único de Saúde promovido pelo Ministério da Saúde. Tem como objetivos
descrever a experiência e apresentar o resultado da avaliação dos participantes, destacando os aspectos
positivos, os limites e as dificuldades do processo educativo. Os cursos foram realizados sob
coordenação de um Núcleo Estadual constituídos por representantes do Conselho Estadual de Saúde
do RN; Conselho de Secretários Municipais de Saúde do RN; Secretaria de Saúde Pública do Estado
1
Enfermeira- Mestre em Educação-Docente do Departamento de Enfermagem da UFRN. [email protected]
End:rua 23 de Julho-09-Vila de Ponta Negra-Natal/RN
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
129
do Rio Grande do Norte, Ministério Público e Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte. Referencial teórico, A participação da sociedade no campo da saúde
no Brasil, tem assumido significados variados de acordo com o contexto histórico e político,
traduzindo diferentes formas de compreensão da relação Estado x Sociedade e intervenção do processo
de saúde-doença. O tema da participação tem sido objeto de discussões em vários estudos que
estabelecem uma estreita relação com processos de descentralização e democratização. Nesta sentido,
Demo (1993), analisando a participação estabelece de forma clara a sua relação com a democracia e a
cidadania, mostrando o seu caráter processual e de conquista. Andrade (1996) discute a participação
social classificando-a como induzida ou espontânea. A primeira se dá por iniciativas da organização
por parte do Estado que tem interesse no processo participativo. Já a segunda surge a partir das
entidades organizadas, com uma cultura política já sedimentada que impõe o seu conhecimento. A
nova visão da participação atrelada ao controle social é apresentada na atual Constituição Federal
(1996), que afirma a participação enquanto diretriz do sistema de saúde. Sobre a noção de controle
social, Carvalho (1995) enfatiza que no caso brasileiro, a participação social se institucionaliza na
esteira da democratização, dirigida a transformar o Estado, superando seu caráter politicamente
autoritário e socialmente excludente. Como se o Estado, liminarmente suspeito precisasse ser vigiado,
controlado em suas práticas patrimonialistas. Vários fatores têm interferido para o exercício do
controle social nos conselhos de saúde, Vilar (1997) discute alguns, destacando entre eles o papel
desempenhado pelos atores sociais participantes do processo, a organização política da população e
necessidade de novos componentes e atitudes. O conselho tem que conhecer e entender e para tal é
preciso ter acesso a informações, o que pressupõe a necessidade de capacitação para o exercício da
função. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo com abordagem qualitativa e quantitativa, que
teve como foco central os 21 cursos realizados no período de outubro a dezembro de 2003, no Rio
Grande do Norte, nos quais participaram 547 conselheiros de saúde. As fontes de pesquisa utilizadas
constituíram-se dos relatórios dos cursos elaborados pelos instrutores; dos questionários aplicados
após cada curso que teve como respondentes os participantes-conselheiros de saúde e do produto de
uma oficina de avaliação da qual participaram os representantes do núcleo estadual e os instrutores dos
cursos. Os dados quantitativos foram usados para complementar os qualitativos, tratados através de
gráficos estatísticos. Segundo Mazzotti e Gewandsznajder, as pesquisas qualitativas geram um enorme
volume de dados que precisam ser organizados e compreendidos. Isto se faz através de um processo
continuado, procurou-se então, identificar dimensões categorias, tendências e relações, desvendandolhe os significados na análise de cunho qualitativo. Resultados: A experiência foi constituída por
quatro momentos envolvendo a preparação dos instrutores, a articulação com os municípios, a
operacionalização dos cursos e a avaliação. O olhar dos conselheiros denotou um excelente nível de
satisfação em todos os itens avaliados, tendo destaque para a metodologia adotada que favoreceu a
reflexão crítica da realidade e permitiu a construção de novos saberes e a atuação dos monitores, que
não tiveram o papel de ensinar algo, mas o de mediar a aproximação dos sujeitos ao objeto do
conhecimento. Os instrutores e representantes do Núcleo Estadual também fizeram uma avaliação
positiva do processo. Nesta capacitação o envolvimento do Ministério Público e a participação efetiva
da Promotoria Pública de alguns municípios foram considerados por todos o grande diferencial. Tanto
pela organização e execução de audiências públicas, que antecederam os cursos em algumas turmas e
fizeram o fechamento de outras, quanto no apoio de infra-estrutura nos municípios onde ocorreram
suas atuações. Todos os atores envolvidos foram unânimes em enfatizar a importância do curso para
qualificar a atuação dos conselheiros gerando mais compromisso e responsabilidade. Os principais
limites e dificuldades referidas foram à coincidência com o período das conferências municipais de
saúde; a redução da carga horária do curso para compatibilizar com a disponibilidade da participação e
viabilizar a ocorrência dos cursos no prazo esperado; o pouco apoio de alguns gestores municipais e a
falta de compromisso de alguns conselheiros que não compareceram ao curso. Conclusões: A
execução da segunda etapa de capacitação dos conselheiros estaduais e municipais de saúde, num
curto espaço de tempo, tanto exigiu um esforço concentrado do Núcleo Estadual quanto representou o
seu compromisso e responsabilidade com a participação social dos cidadãos na gestão pública, em
particular na saúde, de forma qualitativa e propositiva. A capacitação referendou a idéia do Núcleo de
que para o exercício do controle social não basta criar mecanismos jurídicos de participação popular,
faz-se necessário garantir aos cidadãos a capacitação adequada para que possam acompanhar, avaliar,
fiscalizar e propor medidas/ações alternativas e criativas e gerir políticas públicas que correspondam
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
130
às necessidades e aos interesses da população usuária. As sugestões dos participantes apontaram para a
continuidade das capacitações de forma ampliada agregando novas lideranças e agentes sociais, e para
a necessidade de acompanhamento dos conselheiros já capacitados.Além disso, o Ministério Público
solicitou o fortalecimento de parcerias, com o Núcleo Estadual, na realização de capacitações na área
de saúde para os Promotores Públicos como estratégia de aproximá-los mais dos problemas da
comunidade .
Referências Bibliográficas:
ANDRADE, I. ª L. de. Políticas e poder: o discurso da participação. São Paulo: ADHOMINEN; Natal:
Cooperativa cultural da UFRN, 1996.
CARVALHO, A.I. de. Conselhos de saúde no Brasil: participação cidadã e controle social. Rio de
Janeiro: Fase/Ibam, 1995.
DEMO, P. Participação é conquista. 2 ed. São Paulo: Cortez,1993.
VILAR, R. L. ª de. Participação social em saúde: a experiência de Natal-RN. Dissertação (mestrado
em ciências sociais), Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 1997.
22.A AVALIAÇÃO COLETIVA DE UM PROJETO PEDAGÓGICO
Inahiá Pinhel1
Ligia Maria Thomaisino2
Silvia Tonelli Bartolomei3
Sueli de Fátima Sampaio4
INTRODUÇÃO: A definição de um projeto pedagógico por parte de uma escola revela uma
intencionalidade e, por conseguinte, descarta qualquer possibilidade de neutralidade. A importância
dessa definição é que o projeto dá um rumo, imprime um sentido que deve orientar a globalidade das
ações desenvolvidas por sua comunidade (Sordi, 1995). Nesta perspectiva no ano de 2002 o Centro
Universitário da Fundação de Ensino Octávio Bastos (UNIFEOB) cria o seu Curso de Enfermagem,
dando continuidade ao seu projeto na área da saúde, tendo como objetivo contribuir para a melhoria
das condições de vida da população local, respeitando o perfil epidemiológico da região, alicerçado
nas características regionais, nas condições objetivas da instituição formadora e nos serviços de saúde
que indicam uma formação de cunho geral, como a necessária para o futuro profissional (FEOB,
2001). Com a idéia concebida e lançada, a elaboração de um projeto político-pedagógico para o
referido curso se concretizou de forma ágil, identificando-se profissionais qualificados que não só se
propuseram a construí-lo, mas efetivamente implantá-lo e implementá-lo. O referido projeto,
fundamentado e justificado na proposta de uma formação de cunho generalista, visando um
profissional da saúde comprometido com a transformação da realidade social, por meio de uma ação
competente tanto técnica como politicamente (FEOB, 2001), se constitui como um verdadeiro desafio
em formar profissionais, que ao ultrapassarem a competência técnica para sua prática profissional,
poderão por meio de suas competências humanas, políticas, éticas e sociais se transformarem em
verdadeiros profissionais cidadãos. Nesse sentido, propõe conteúdos, estabelece métodos de ensino e
estratégias de avaliação, que buscam dar sustentação ao propósito de imprimir qualidade a todo o
processo de ensino-aprendizagem desenvolvido, com vistas à formação de profissionais. Freitas
1
Enfermeira Mestre em Administração de Enfermagem. Professora da Faculdade de Enfermagem PUCCAMP e do Curso de
Enfermagem da UNIFEOB.
2
Enfermeira Doutora em Enfermagem, Coordenadora do Curso de Enfermagem UNIFEOB. [email protected]
Rua: Dorival Blota, 85 apto 65. São João da Boa Vista, SP - Cep: 13874-160.
3
Enfermeira Doutora em Enfermagem. Professora da Faculdade de Enfermagem PUCCAMP e do Curso de Enfermagem da
UNIFEOB.
4
Enfermeira Doutora em Enfermagem. Professora da Faculdade de Enfermagem PUCCAMP e do Curso de Enfermagem da
UNIFEOB.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
131
(1995) reforça que a díade objetivo/ avaliação deve preceder a decisão sobre conteúdos/ métodos que
devem ser colocados a serviço da primeira. Ao final do primeiro ano de implantação do Curso, em
reunião de colegiado identificamos proposta de avaliação para as disciplinas, que não só apontaram,
mas suscitaram o desejo e real necessidade de assumirmos a responsabilidade de uma avaliação mais
global do desenvolvimento do curso, com vistas a realizar ajustes necessários à manutenção e melhoria
da qualidade de ensino. É assim que, entre o período de término do ano letivo de 2002 e início do de
2003, pensando e repensando, analisando e reanalisando caminhos e estratégias para
institucionalização de um processo contínuo e permanente de avaliação do Projeto, que sugerimos
Projeto Pedagógico do Curso de Graduação em Enfermagem: Proposta de Avaliação Pedagógica,
Política e Ética . O referido projeto se justificou como um processo formal de avaliação do Projeto
Político-Pedagógico do Curso de Graduação em Enfermagem, implementado no ano de 2003, que por
meio de seminários buscaram aspectos facilitadores e dificultadores vinculados ao desenvolvimento
do currículo junto aos grupos de docentes e discentes, bem como coordenação do Curso, tendo como
foco a prática cotidiana subsidiando e preservando seus aspectos: técnico, político, ético e social.
OBJETIVOS: Os objetivos estabelecidos foram de se levantar dados sobre o desenvolvimento do
Projeto Político-Pedagógico junto ao corpo discente e docente; avaliar criticamente os dados
levantados e propor intervenções necessárias para adequação do processo de formação.
METODOLOGIA: Foram utilizadas como estratégia: dinâmicas junto ao corpo discente para
levantamento de dados do cotidiano; oficinas de trabalho para coleta de dados junto ao corpo docente;
estabelecimento de categorias para análise; elaboração de propostas de intervenção e encaminhamento
de propostas às instâncias superiores. Conforme proposto, o processo deveria ser cuidadosamente
inserido, exigindo uma reflexão maior, que ultrapassasse o caráter formal da institucionalização do
processo avaliativo, mas que pudesse ser apropriado por aqueles que participaram, participam e, que,
portanto imprimem o caráter pedagógico, político e ético ao mesmo. Vale ressaltar que não se tratava
de buscar estratégias de conformação dos sujeitos envolvidos, mas de inconformação que gerasse a
possibilidade na identificação de aspectos facilitadores e dificultadores para a qualificação do processo
de ensino, emergindo ainda a necessidade de elaboração de propostas de intervenção para ajustes
necessários. Para tanto, ouvir e refletir sobre concepções de avaliação constituiu o primeiro passo na
busca de mexer e remexer com as quais introjetamos ao longo de nossa vivência como alunos e/ou
profissionais. Importante registrar que o momento se constituiu num verdadeiro olhar no espelho e
ver assim refletidas tantas verdades e mentiras sobre o que significa avaliar. O grupo de sujeitos,
alunos, professores, coordenação do curso e administração institucional com a ajuda de profissional
qualificado junto às questões de avaliação, pôde a partir do momento de reflexão assumir o
compromisso com um processo de avaliação que busque, respeitando as características dos sujeitos, do
próprio curso e da realidade educacional do país, que imprima a ética em todas as suas ações durante o
processo, respeitando-se as contraposições, o inconformismo e até mesmo a rebeldia, mas entendendo
e compreendendo que transformar uma dada realidade requer para além da crítica pela crítica, mas
uma crítica fundamentada em princípios ético-científicos, sem os quais o processo poderá representar
tão somente uma maquiagem sofisticada para encobrir verdadeiras intenções em avaliar. Como
seqüência da proposta, ocorreu encontro junto ao grupo de alunos, tendo como objetivo maior o início
do processo de (re) conhecimento do Projeto Pedagógico do Curso, no qual estão inseridos. A
estratégia escolhida foi construir gradativamente cada componente do Projeto a partir das questões
elencadas pelo grupo. Dessa forma, como primeira etapa refletiu-se sobre as concepções que o grupo
atribui aos aspectos Projeto, Enfermagem, Saúde, Educação, Professor, Aluno, Ensino de
Enfermagem, Saúde e Avaliação, aspectos estes que compõem o projeto oficial. Por meio,
inicialmente da escrita individual sobre os aspectos elencados, foram formados nove grupos de
trabalho, sendo que cada um analisou e sintetizou as idéias em relação a um determinado aspecto.
Como complementação cada grupo representou além da escrita em lâmina para apresentação em
plenária final, à construção com massa de modelar, figura representativa a síntese realizada e à própria
concepção em si. Além do momento em si, representando uma aproximação com questões de reflexão
aprofundada, explicitando inclusive a adesão irrestrita de participação pelos presentes, notamos já
numa primeira apresentação dos resultados, forte semelhança com aquilo que já concebíamos sobre o
projeto. Em continuidade ao trabalho, junto ao grupo de professores, procedemos a apresentação
primeiramente das Diretrizes Curriculares Nacionais para Cursos de Graduação em Enfermagem
com a intenção de criar aproximação de todos, tanto os pertencentes à área de saber da Enfermagem,
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
132
que certamente já tinham conhecimento, mas principalmente daqueles de outras áreas de saber que
participam como docentes na formação do profissional enfermeiro. A etapa seguinte constitui-se em
coletar dados juntos aos professores e alunos, por intermédio de um questionário com perguntas
abertas que objetivaram investigar de um modo global a percepção dos envolvidos em relação aos
aspectos pedagógicos, administrativos e de infra-estrutura do curso de enfermagem. A docente
responsável pelo projeto, com apoio da coordenação de curso, estabeleceu uma comissão constituída
por: dois docentes e representantes de todas as séries do curso para dar continuidade ao processo. A
comissão analisou os dados coletados e preparou o material que foi apresentado em assembléia geral
do curso; nesta assembléia os dados foram discutidos e aprovados pelos presentes, culminado na
legitimação e encaminhamento das propostas. RESULTADOS: O projeto neste momento encontra-se
na fase de organização e analise de cada proposta por parte da comissão. Cada uma deverá ser
encaminhada como um novo processo, que desencadeará outras intervenções que irão refletir em ações
que culminarão na estrutura do Projeto Pedagógico, que em momento oportuno serão avaliadas, por
considerarmos sempre a avaliação como um processo contínuo. Sem a intenção de gerar previsões
cabalísticas, a experiência vivenciada até o momento, permite vislumbrarmos que a partir deste (re)
conhecimento do Projeto Pedagógico e a clareza da concepção sobre avaliação, um ir e vir ao
mesmo poderá servir como elemento de anúncio de novas possibilidades ou denúncia de contradições.
A avaliação como já concebida no projeto deverá se constituir como um instrumento usado a favor da
consolidação do mesmo, um fator de mediação entre o ainda não e o vir a ser , implicando no
rompimento com as distorções que historicamente acompanham esta prática.
Referências bibliográficas:
FEOB. Projeto Pedagógico do Curso de Enfermagem. São João da Boa Vista/SP. 2001. Mimeo.
FREITAS, L.C Crítica da organização do trabalho pedagógico e da didática. Campinas: Papirus, 1995.
SORDI, MRL A prática da avaliação do ensino superior: uma experiência na enfermagem. Campinas:
Cortes, 1995.
23. O SIGNIFICADO DA RESIDÊNCIA INTEGRADA EM SAÚDE DO GRUPO
HOSPITALAR CONCEIÇÃO PARA O APERFEIÇOAMENTO ESPECIALIZADO DA
ENFERMAGEM
Ananyr Porto Fajardo
Maria Helena Schmidt1
Silvana da S. F. Flores VeraL.Pasini
INTRODUÇÃO A enfermagem vem desempenhando um importante papel tanto na assistência como
no gerenciamento dos serviços públicos de saúde, sendo que esta demanda já vem sendo acompanhada
por mudanças graduais no currículo dos cursos de graduação. Para terem efetividade, as práticas da
enfermagem precisam encontrar na dinâmica das mudanças em curso a essencialidade e o foco de sua
prática específica, pois uma profissão é um projeto em permanente construção com outros atores
sociais da área, envolvidos na formulação e no processo de tomada de decisão do setor saúde. (Silva,
2003) É necessário aperfeiçoar os profissionais já graduados e requisitados para trabalhar num
contexto que exige uma ampliação do olhar para além do processo saúde/doença e que avance na
direção de seus múltiplos determinantes . Na área da saúde, a educação em serviço é uma das formas
de desenvolver o aperfeiçoamento especializado, tanto pela presença contínua nos locais de produção
das ações, como pelo estabelecimento de estratégias de aprendizagem coletiva e em equipe
multiprofissional (Ceccim,2003).
1
Enfermeira, Mestre em Gerontologia Biomédica Instituições de origem: Grupo Hospitalar Conceição e UNISINOS
Endereço eletrônico: [email protected] Endereço residencial: Rua Garibaldi, 1214 / 404 CEP 90035-052 Porto Alegre
- RS
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
133
OBJETIVOS A Residência Integrada em Saúde do Grupo Hospitalar Conceição ( RIS/GHC) tem
como objetivo, especializar profissionais de saúde de diversas áreas, através da formação em serviço,
para atuação em equipe de saúde de forma interdisciplinar e resolutiva, além de capacitá-los para
realizar pesquisas no âmbito do Sistema Único de Saúde, desenvolvendo curiosidade crítica e
criatividade, visando alcançar a integralidade, a universalidade e a eqüidade na atenção à saúde com
participação social. DESENVOLVIMENTO Uma das propostas de aperfeiçoamento especializado é a
Residência Integrada em Saúde do Grupo Hospitalar Conceição (RIS/GHC), que baseou-se na
proposta desenvolvida pela Escola de Saúde Pública do Rio Grande do Sul (ESP/RS, 2002). É uma
modalidade de educação profissional pós-graduada (lato sensu) de caráter multiprofissional e
interdisciplinar, sendo desenvolvida por meio da formação em serviço. A RIS/GHC foi criada por
meio da portaria nº109/04 que integra o programa de aperfeiçoamento especializado aos programas de
residência médica já existentes na instituição .A RIS/GHC, baseada no tripé
ensino/assistência/pesquisa, proporcionará melhor cuidado à saúde dos usuários, pois fortalecerá a
interdisciplinaridade e a humanização da atenção. Na RIS/GHC, os enfermeiros estão presentes em
três áreas de ênfase/especialidade, a saber: Saúde da Família e Comunidade, Saúde Mental e Terapia
Intensiva, oferecendo-lhes a oportunidade de aproveitar todas as atividades como momentos
educativos (Ceccim, 2000), permitindo o cruzamento de diferentes saberes. A primeira turma da
RIS/GHC ingressou em julho de 2004, sendo composta por 30 residentes de enfermagem, fisioterapia,
odontologia, psicologia e serviço social e terapia ocupacional, integrando-se aos residentes das
diversas especialidades médicas. A proposta da RIS/GHC está fundamentada nos princípios do
Sistema Único de Saúde (SUS), visando a formação de profissionais capacitados para reconhecer a
qualidade de vida e saúde dos seus usuários e intervir quando necessário, tanto em nível hospitalar
como em unidades de saúde. A duração da RIS/GHC é de 24 meses, com carga horária máxima de 60
horas semanais em regime de tempo integral. As atividades de formação em serviço constituem entre
80 e 90% da carga horária total, enquanto as atividades de reflexão teórica compõem entre 10 e 20%
da carga horária total. As atividades de reflexão teórica serão desenvolvidas ao longo da residência,
perpassando toda a formação em serviço. Esta totalidade teórico-prática é viabilizada por seminários,
oficinas, estudos de caso, aulas expositivas e desenvolvimento de pesquisas, articulados com as
práticas de atenção à saúde (ESP, 2002). Fazem parte das atividades de reflexão teórica os módulos
teóricos integrados, comuns a todas as áreas, e os módulos específicos de campo e núcleo (para cada
área de ênfase / especialidade). Os módulos teóricos integrados têm por objetivo promover a
integração dos residentes e a discussão dos conhecimentos sob diferentes olhares, promovendo a
reflexão sobre a prática. Os temas abordados são: bioestatística, epidemiologia, metodologias de
pesquisa, bioética, biossegurança, gestão em saúde e atenção integral em saúde. Conforme Campos
(1997), campo é um conjunto de saberes e práticas comuns a várias profissões ou especialidades e
núcleo é o conjunto de saberes e práticas específicos a cada profissão ou especialidade. O núcleo
marcaria a diferença entre os membros de uma equipe, com elementos de singularidade,
conhecimentos e ações de exclusiva competência de cada profissão ou especialidade. A formação dos
residentes dar-se-á por meio de um corpo técnico docente que exercerá a função de preceptoria de
campo, preceptoria de núcleo, orientação de pesquisa, co-orientação de pesquisa e orientação local.
Para qualificar estes profissionais, está sendo desenvolvido um projeto de formação e educação
permanente para responder às demandas que se apresentarem ao longo do desenvolvimento da
RIS/GHC, sendo constantemente avaliado e redirecionado. A fim de viabilizar a proposta, também foi
instituído o Conselho Gestor da RIS/GHC, cujo objetivo é garantir uma gestão participativa por parte
de todos os atores envolvidos. Seu caráter é consultivo e deliberativo e a representatividade contempla
todos os segmentos. Todas as atividades e ações em ensino e pesquisa do campo comum da
Residência Integrada em Saúde (Programas de Residência Médica e de Aperfeiçoamento
Especializado) serão discutidas e deliberadas neste Conselho Gestor. O MOMENTO ATUAL: As
atividades da RIS/GHC começaram no dia 1º de julho de 2004. As três áreas de ênfase prepararam a
integração para acolhimento dos residentes na instituição. Foi organizada uma semana para
apresentação dos jovens profissionais e para inserção e discussão de temas fundamentais da proposta
para atuação no SUS. Os residentes visitaram vários locais da instituição, conheceram suas principais
diretrizes e participaram de oficinas sobre conceitos de campo e núcleo, controle de infecção, saúde do
trabalhador, controle social. A avaliação feita no último dia desta semana de acolhimento foi positiva,
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
134
tanto por parte dos residentes como pela equipe de organização. Neste momento, os residentes estão
em processo de inserção nas equipes das respectivas áreas de ênfase.
Referências Bibliográficas:
CAMPOS GWS. Subjetividade e administração de pessoal: considerações sobre os modos de
gerenciar o trabalho em equipes de saúde. In: MERHY EE, ONOCKO R (Orgs.). Agir em saúde. São
Paulo: Hucitec, 1997. p.229-266.
CECCIM RB, ARMANI TB. Educação na saúde coletiva: papel estratégico na gestão do SUS.
Divulgação em Saúde para Debate:
RIO GRANDE DO SUL. ESCOLA DE SAÚDE PÚBLICA. Regulamento da Residência Integrada em
Saúde. Porto Alegre: 2002.
SILVA FV. Jornal da Associação Brasileira de Enfermagem. Brasília/DF Nº3/2003.
24. A DIMENSÃO METODOLÓGICA DA CONSTRUÇÃO DE UM PROJETO POLÍTICO
PEDAGÓGICO
Francine Lima Gelbcke1
Gelson Albuquerque1
Kenya Schmith Reibnitz1
Maria Itayra Coelho de Souza Padilha1
Flávia Regina Souza Ramos2
Introdução: Desde sua criação, em 1969, o Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade
Federal de Santa Catarina (UFSC) demonstra uma permanente inquietude com relação ao perfil do
profissional enfermeiro, buscando implementar metodologias e tecnologias que favoreçam uma
formação competente técnica e politicamente e explicitar a intencionalidade educativa coletivamente
consensuada, por meio de claras opções políticas e diretrizes pedagógicas. Com esta preocupação,
desenvolveu diversos processos avaliativos (1972, 1977, 1980, 1983, 1989, 1996) e assumiu o
compromisso de recomposição, rediscussão e redirecionamento do Projeto Político Pedagógico (PPP)
a partir da implantação das atuais Diretrizes Curriculares Nacionais. Ao longo do ano de 2003, um
intenso trabalho foi coordenado para a proposição do novo PPP do curso, reconhecendo-o como um
documento que permite identificar o referencial e a identidade do Curso, orientar o fazer universitário,
expressar o sentido do processo de formação e imprimir os impactos e transformações almejadas no
contexto histórico social. A natureza do estudo e seu objetivo: O presente trabalho visa relatar o
processo de construção coletiva do PPP do curso de Enfermagem da UFSC, destacando a dimensão
metodológica desta experiência, ou seja, do processo de construção em si. Estudos desta natureza, qual
seja, de descrição e análise de uma metodologia desenvolvida, são relevantes porque consideram o
contexto real da experiência específica, as opções e as estratégias que foram determinantes da mesma,
permitindo relacionar tal processo com os resultados obtidos, não se focando apenas na apresentação
destes resultados. Assim, contribui para o desenvolvimento de novas experiências em diferentes áreas
e espaços institucionais. Desenvolvendo uma metodologia para construção do PPP: O primeiro
momento de construção do PPP foi o de explicitação da proposta de trabalho, que se desdobrou nos
seguintes passos: reconhecendo o caminho já trilhado: trata-se da etapa de recuperar experiências
anteriores (de avaliação e mudança curricular) em relação aos seus aspectos positivos e negativos,
dificuldades e facilidades; escolhendo os princípios norteadores: permite que os sujeitos envolvidos
consensuem e declarem algumas opções em termos de regras e valores que irão organizar o modus
1
Todos os autores são enfermeiros, Doutores e Professores do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de
Santa Catarina/UFSC
2
Presidente do Colegiado de Curso de Graduação em Enfermagem. e-mail: [email protected]. Rua 18 de janeiro, 81.
Lagoa da Conceição. Florianópolis. SC. 88.062-080.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
135
operandi, representando aquilo que não se abre mão; planejando processo: inclui o reconhecimento
de todas as possibilidades e condições que se dispõe, realisticamente, para desenvolver o trabalho e a
definição de responsabilidades, prazos, cronograma, espaços, entre outros; reunindo as bases
necessárias: refere-se a ações de pesquisa e busca de aportes necessários, desde consensos e dissensos
na área profissional, referências teóricas e metodológicas e possíveis parceiros. No processo
desenvolvido em nosso curso, em cada um destes passos foram geradas ações específicas (que
poderiam ser diferentes em outros contextos), sintetizadas a seguir. Ao se reconhecer o caminho
trilhado, foram definidas as ações de: - escolher líderes e equipe (coordenador, representantes); estudar processos anteriores de reforma (estudo documental); - retomar avaliações anteriores do curso
(validar e atualizar achados anteriores). Ao se escolher os princípios norteadores foram tomadas
decisões quanto a participação, ao envolvimento e as oportunidades que seriam a base do processo,
estabelecendo como premissas que: - existe um tempo determinado; - a criação de uma comissão
representativa (docentes/discentes) com papel claramente definido é condição necessária; - o
planejamento deve ser compartilhado e conhecido; - a cada passo (ação) deve se chegar a um produto;
- cada produto inicial deve ser disponibilizado/divulgado para apreciação; - todo produto final deve ser
aprovado por todos. Ao se planejar o processo foram definidos: - os espaços de trabalho (2 espaços
básicos, a comissão de reformulação e o fórum de professores e alunos); - a construção de uma agenda
(encontros semanais da comissão para estudos, discussões, operacionalização e organização do
trabalho e fóruns mensais envolvendo todos os professores e alunos); - a previsão dos temas (temáticas
em torno das quais se processa a discussão e criação, representando componentes do PPP, ou seja, que
são coerentes com o referencial utilizado no PPP). Ao se escolher as estratégias ficou claro que
precisaríamos contar com: - divisão de tarefas (para otimizar as tarefas da comissão); articulação de
diferentes formas de se trabalhar as temáticas, incluindo oficinas, trabalho e dinâmicas de grupos,
palestras e debates. Ao se reunir as bases necessárias foram levantados todos os documentos e apoios
que subsidiariam o trabalho, incluindo: - sustentações legais (LDB, Diretrizes Curriculares.
Regulamentos dos Cursos de graduação-UFSC); - produções da área profissional e de educação
(análises das diretrizes, análises sobre competências, documentos produzidos em fóruns e eventos da
ABEn
SENADENs, CBEns, orientações elaboradas pela categoria, entre outros); - apoio de
instâncias institucionais e possíveis parceiros (Pro-reitoria, Direção de Centro, Departamentos, ABEn
seção SC, serviços). Com a explicitação de todo o processo de construção do PPP, nas etapas
descritas, coube ainda considerar o desenvolvimento em si do trabalho. Como planejado, os temas
eleitos constituíram o eixo norteador, tanto das análises de dados de avaliações (organizando as
informações em categorias), como dos momentos de reflexão e discussão (conteúdos dos fóruns). A
eleição destes temas se deu por consideração ao referencial de Gandin (1994) que apresenta três
momentos articulados, operacionalizados pela discussão participativa, o marco contextual ou
situacional, o marco Conceitual e o marco operativo ou estrutural. Desta forma, os produtos foram
previstos, planejados e criados (em cronograma detalhado e com as adaptações exigidas no transcurso
nas ações), a partir das seguintes definições: Filosofia, Marco Contextual e Conceitual: Princípios
fundadores, referencial(ais) filosófico(s), conceitual(ais), éticos do curso e da profissão. Panorama
social, político, cultural, econômico nos quais se insere o trabalho profissional.. Perfil e competências:
Conjunto de características que devem fundamentar o exercício de uma profissão. Contornos
desejados para o profissional de enfermagem. Qualidades, habilidades, capacidades, aptidões relativas
ao desenvolvimento da profissão. Valores e papéis atribuídos pela sociedade quanto à atuação do
profissional. Eixo Curricular: Diretriz que aponta a trajetória do aluno durante o processo de sua
formação, direcionando a ação educativa e coordenando as diversas possibilidades e experiências para
o desenvolvimento das competências eleitas. Organização da matriz curricular: Modo de organização
dos conhecimentos e experiências ao longo do tempo de formação universitária. Relação entre
disciplinas em uma perspectiva vertical (seriação temporal ao longo das fases) e horizontal (em uma
mesma fase). Infra-estrutura (humana e material): Condições disponíveis. Instalações físicas, campos
de prática, recursos bibliográficos e de informática. Suporte material e financeiro. Qualificação e
competência dos professores e seus planos de trabalho (atividades de ensino, pesquisa, extensão,
formação). Um novo produto e uma construção a ser continuada à guisa de conclusão. Embora, o
objetivo não seja descrever o produto gerado, mas o caminho percorrido, vale destacar, sinteticamente,
a expressão do Eixo Curricular do Curso fundado na Promoção da Saúde no Processo de Viver
Humano - na diversidade e complementaridade dos cenários do trabalho em saúde. Neste eixo,
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
136
assume-se como perspectivas transversais a educação em saúde, a Ética e Bioética, a Articulação
entre Pesquisa, Ensino e Extensão e, o Processo Decisório. O curso se organiza em 8 semestres ou
fases, organizadas em um eixo fundamental e um conjunto de bases complementares e ou bases
articuladas. O Eixo Fundamental caracteriza-se como integrado e é composto por ações educativas
voltadas ao desenvolvimento de competências específicas do enfermeiro. As Bases articuladas
representam o aporte necessário, de áreas básicas e tradicionais das ciências da vida, para a
fundamentação do eixo fundamental. As Bases complementares representam sustentações a todo o
processo educativo e aos enfrentamentos atuais e cotidianos do trabalho profissional e, portanto, dos
campos de prática experienciados pelo acadêmico, privilegiando a aprendizagem vivencial e a
abordagem interdisciplinar. Na articulação deste eixo e destas bases se organizam as disciplinas que,
uma vez definidas em atividades teóricas, teórico-práticas e de estágio, além de consideradas em
relação aos princípios da complexidade, da compatibilidade com cenários de prática e das
oportunidades pedagógicas e tecnológicas disponíveis, operacionalizam o processo educativo, lhe
conferindo viabilidade e terminalidade (PPP do Curso de Enfermagem/UFSC, 2004). Mesmo sem a
pretensão de concluir, podemos reafirmar que todo este percurso se orientou na idéia de que qualidade
de nosso projeto e de nossa ação se faz continuamente, ao nascer das próprias vivências, ao explicitar
os problemas e seus determinantes, ao ser exeqüível e prever condições necessárias de ser colocado
em movimento; ao implicar em ação articulada de todos os envolvidos com a realidade circundante; ao
ser construído de forma flexível e permanente, como tarefa do fazer docente e profissional. Se todas as
possibilidades e as condições desejadas não se dão facilmente, ou concomitantemente, cabe buscá-las
e conquistá-las, momento a momento. É o que sabemos quando, após a realização desta construção
coletiva, o nosso esforço se concentra na busca de condições de implementação deste novo PPP,
desenvolvendo tecnologias inovadoras para esta formação profissional e propondo e implementando
um processo de avaliação e acompanhamento permanente.
Referências Bibliográficas:
GANDIN, Danilo. A prática do planejamento participativo. 6 ed., Petrópolis: Vozes, 1994.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Projeto Político Pedagógico do Curso de
Enfermagem. Florianópolis, 2004.
25. PROPOSTA DE CONSTRUÇÃO CURRICULAR: DESENVOLVENDO COMPETÊNCIAS PARA O
CUIDADO HUMANO NO CICLO VITAL
Ana Cristina de Araújo Vianna1
Suzete Marchetto Claus2
Introdução:A formação generalista, com ênfase no cuidado humano, possibilita o exercício de
competências para cuidar das condições de saúde coerentemente com a dimensão social da qual não
deve ser separada, possibilitando a superação de uma aprendizagem de domínio predominantemente
tecnicista Essas competências, e os respectivos conhecimentos dos quais são derivadas ou aos quais
estão relacionadas, podem estrutura-se em torno das fases evolutivas que constituem o ciclo vital
(ciclo gravídico-puerperal e infância, adolescência, fase adulta e velhice). Cada uma dessas fases são
consideradas pela perspectiva das condições de saúde no que se refere ao homem nas relações
estabelecidas consigo com a sociedade e o meio. Com isso, os alunos poderão desenvolver uma
compreensão integrada de suas intervenções, considerando o que é necessário fazer, os meios, recursos
disponíveis e procedimentos (com que e como fazer relevantes à realização das intervenções
profissionais. Objetivo:Nesse sentido, o curso de graduação em Enfermagem da Universidade de
Caxias do Sul-RS propõe uma construção curricular com capacidade de desenvolver competências
para o cuidado humano no ciclo vital, levando em conta a realidade social, no contexto regional
1
Coordenadora do Curso de Enfermagem da Universidade de Caxias do Sul Mestre em Enfermagem UFRGS.
[email protected]
2
Chefe do Departamento de Enfermagem da Universidade de Caxias do Sul Mestre em Educação UFSCar, Doutoranda
em Saúde Coletiva UNICAMP.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
137
inserido no estadual e no nacional. Método: Como opção metodológica, a organização curricular leva
em conta os cuidados básicos de saúde de acordo com as necessidades mais peculiares a cada estágio
do processo do ciclo vital. A identificação e caracterização dessas necessidades são essenciais para
uma compreensão das pessoas em relação (com um ambiente e uma sociedade concretos) e para a
previsão das dificuldades que surgem durante o processo de desenvolvimento humano nas condições
em que ocorre essa relação. A organização curricular ainda é feita com a percepção de que o
desenvolvimento do ciclo vital não ocorre com uma orientação linear e com um ritmo constante. Em
outras palavras, ocorrendo o ciclo da vida em estágios sucessivos, as condições de passagem de um
estágio para outro interferem nos seguintes, exigindo adaptações em cada crise ou período de
transição para que não ocorram desajustes biológicos, cognitivos, sociais, emocionais e espirituais
que possam vir a comprometê-la. Nesse sentido, produzir o cuidado humano de enfermagem no ciclo
vital, foco essencial da profissão, requer integração entre os aspectos biológico, psicológico, social e
espiritual do processo de viver do homem. A mera compreensão de que não existe uma única maneira
adequada de viver, mas tipos diferentes de integração viáveis entre as pessoas e dessas com o mundo
exige dos enfermeiros a capacidade de compreensão das pessoas e de sua maneira de viver e de reagir
frente à evolução natural e às condições de vida em que estão inseridas. Em síntese: é essa concepção
que norteia a seleção, distribuição e inter-relação das competências a serem desenvolvidas nas
diferentes disciplinas da estrutura curricular do curso de Enfermagem. São integradas em torno desse
eixo central as dimensões individual e coletiva, os âmbitos de atuação profissional do enfermeiro e os
níveis de organização dos serviços de saúde, cujos conceitos, focalizados especialmente em algumas
disciplinas iniciais perpassam as demais disciplinas componentes do currículo. Como forma para dar
conta dessa dinâmica, o currículo estará organizado em unidades de aprendizagem (campos
temáticos), distribuídas nos diferentes semestres letivos, priorizando os diferentes enfoques do
processo de trabalho do enfermeiro nas diferentes fases do ciclo vital: caracterização das condições de
saúde homem e relações estabelecidas; definição das intervenções a serem realizadas o que fazer
em relação a essas características; e a definição dos meios e recursos para implementar essas
intervenções como fazer. Em outras palavras, tal organização curricular levará em consideração o
fato de que a capacidade de o futuro enfermeiro produzir o cuidado humano no ciclo vital depende, em
parte, da visibilidade sobre o que deve fazer diante de cada situação com que se defronta e, em parte,
da utilização e do desenvolvimento de recursos, instrumentos e procedimentos que viabilizem, com
resolutividade, esse fazer. É importante ressaltar que as unidades de aprendizagem sobre
caracterização das condições de saúde pelo enfermeiro, sobre o que fazer como profissional e sobre os
recursos necessários para esse fazer, embora organizadas distintamente, precisam ser relacionadas
entre si sem compartimentalizar as chamadas várias dimensões de uma formação profissional de nível
superior. Portanto o desenvolvimento de competências para a produção do cuidado humano no ciclo
vital deverá ocorrer num processo gradual, interacional e cumulativo ao longo de nove semestres,
culminando nos dois últimos semestres do Curso.Como base didático-pedagógica de
operacionalização do curso a concepção desta proposta curricula buscará transcender o simples
repasse de informações e constituir-se-á numa recriação do saber necessário para tornar o enfermeiro
apto a produzir o cuidado humano no ciclo vital, englobando nesse fazer as dimensões política,
técnica, científica, filosófica e ética, na qualidade de ator social. Terá como referente a solidariedade,
o interesse comum, a partir do que o Curso passa a representar não um fim em si mesmo, mas uma
operação que visa a acumular capacidade de reconhecer e lidar com problemas concretos do cotidiano
do trabalho do enfermeiro. Trata-se, portanto, de uma proposta que requer a articulação de objetivos
(as competências a aprender) e conhecimentos (meios a usar para desenvolvê-las) consistentes com a
natureza do objeto de trabalho próprio da Enfermagem. É o aluno o centro desse trabalho, sendo
parceiro dos professores (e não um cliente) na construção da formação de um profissional que a
sociedade necessita (esta, sim, cliente desses dois agentes de formação do enfermeiro). Nessa
perspectiva, na seqüência das unidades de aprendizagem, o aluno deverá realizar operações cognitivas,
desde a representação que envolve a descrição e definição de dados da realidade, a comparação, a
discriminação, a explicação de fatos e a relação entre fenômenos na tentativa de explicá-los e de
avançar na compreensão de suas determinações mais amplas, até o exercício do planejamento de ações
concretas que inclui a definição de objetivos e a avaliação dos resultados, passando pela execução das
ações que planeja e deve avaliar. Essa concepção salienta a construção da aprendizagem por meio de
interações educativas que potencializem a análise de situações de ensino e aprendizagem e as tomadas
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
138
de decisões em processos concretos de transformação do conhecimento em competências
capacidades de agir e atuações concretas. Isso implica desenvolver o currículo articulando-o de tal
forma que o aluno, no mínimo, reconstrua o conhecimento que estuda ao transformá-lo em
competências profissionais para atuar. Como referencial, destacam-se justamente as múltiplas
possibilidades de como podem articular-se o ensino e a aprendizagem consoante com a história de vida
dos sujeitos em processo de formação. Metaforicamente, os eixos transversais do currículo como a
ética, a política, a legislação, a antropologia, a sociologia, a psicologia, a filosofia e unidades para
capacitar a produzir conhecimento são o pano de fundo dos quais emergem as relações verticais e
horizontais do currículo. Assim, o aspecto mais importante do desenvolvimento curricular não se
refere à apresentação e prática das unidades técnicas que o compõem, mas sim aos processos que
ocorrem graças à integração garantida pela transversalidade curricular. Portanto, a organização
curricular está baseada na própria estrutura do conhecimento como processo e não apenas como
produtos da atividade dos cientistas com intenção de superar o isolacionismo entre as disciplinas
(seu caráter parcial e relativo) e no desejo de revitalizar o próprio papel de docente na formação de
profissionais para atuarem não nos limites das áreas de conhecimento, mas no mundo que lhes deu
origem e para cujo entendimento elas podem servir. Papel que exige dos docentes a constatação da
precariedade dos limites disciplinares e a abertura para possibilidades que vão além das fronteiras das
áreas de conhecimento e para a exploração de relações de interdependência e conexões recíprocas
entre as disciplinas. Nesse sentido, o desenvolvimento dos programas de aprendizagem deverá
contemplar uma integração multidisciplinar, focalizando questões, temas ou situações-problema que
precisam ser resolvidos pelo trabalho do enfermeiro, mediante contribuições de diversas disciplinas.
Como corolário disso, a prática docente deverá também expressar e desenvolver competências para
relações de intersubjetividade, presentes nas trocas, não apenas entre formas e fontes de
conhecimentos e métodos, mas também entre diferentes experiências e visões de mundo das pessoas.
Resultados: Almeja-se, como resultados, que essa atitude diante do conhecimento, explicite e reforce
a importância da comunicação, da criatividade, da inovação, da flexibilidade de raciocínio, do trabalho
interdisciplinar e multiprofissional, além da busca de novos modos de interação profissional. Destacase, também, que as circunstâncias das relações educacionais, notadamente na sala de aula, poderão se
consolidar como ambiente de cooperação, ampliação, produção, humildade e realização de processos
de resolução de problemas reais com os quais os alunos vão se defrontar enquanto profissionais de
Enfermagem.
Referências Biliográficas:
PERRENOUD,P. Construir competências desde a escola. Trad. Bruno Charles Magna. Porto Alegre:
Artes Médicas Sul,1999.
UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL. Projeto pedagógico: subsídios para elaboração e
avaliação.Org. SANTOS, Márcia M. C.dos . Caxias do Sul: EDUCS, 1999.
26. NOVAS PERSPECTIVAS PARA O ESTÁGIO DA DISCIPLINA ENFERMAGEM
PSIQUIÁTRICA: A OPÇÃO PELO SETOR DE HEMODIÁLISE
Edna Gurgel Casanova1
Ainda encontramos nos cursos de enfermagem, assim como nos demais da área da saúde, cursos
majoritariamente orientados para o alcance de habilidades e competências baseadas no método
anátomo-clínico. No entanto, esperamos que os discentes preparem psicologicamente os pacientes
1
Doutora em Enfermagem. Professora Titular de Enfermagem Psiquiátrica e Saúde Mental da Universidade Severino
Sombra, Professora Adjunta da Universidade do Grande Rio (UNIGRANRIO).
Endereço: Rua São Clemente nº 185 bl 1 apt 905- Botafogo. Tel. 0xx2125389140, 0xx2199780107,
e-mail:[email protected]
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
139
ou que estes sejam tratados como um todo . Sabemos, entretanto, que este método desvaloriza ou
exclui as questões subjetivas, em favor da racionalidade normatizadora. .Por outro lado, os alunos têm
encontrado no paradigma da Reforma Psiquiátrica, transformações do universo discursivo sobre a
saúde mental e o redirecionamento do modelo assistencial. Conseqüentemente, estas mudanças com
freqüência têm provocado nos estagiários uma tensão entre o que fazer no estágio supervisionado no
setor de hemodiálise e no hospital psiquiátrico. Cabe ressaltar que o conteúdo teórico é ministrado no
5º período e o estágio acontece no 7º período do curso de graduação. Desta maneira, convém lembrar
que os alunos já trazem consigo, movimentos inconscientes que determinam suas condutas, bem
como, estereótipos e preconceitos sobre a doença mental e sobre a hemodiálise. Assim, justifica-se a
nossa escolha de conjugar a prática pedagógica nestes dois cenários. Ao escolher a unidade de
hemodiálise, esperamos relativizar junto aos nossos alunos, o real valor da tecnologia, sempre
considerando a emergência dos múltiplos sentidos nas suas falas, nas falas dos pacientes e dos
integrantes das várias equipes. Isto porque se a singularidade não for considerada neste encontro do
saber com o sofrer, não há tratamento possível (Bastos&Proença, 2000). Por outro lado, a expectativa
de vida ao nascer no Brasil tem-se elevado, em decorrência do processo de transição que
atravessamos, em suas dimensões demográfica, epidemiológica, tecnológica, sócio-econômica,
cultural e política. Resulta disso, o crescente aumento das doenças crônicas, muitas vezes
conseqüentes aos modos de vida dos grupos sociais, estando também associada ao nível de renda per
capta. Há que se considerar, todavia, que algumas doenças crônicas, tem a sua prevalência nos anos
mais produtivos da vida adulta, como por exemplo, a hipertensão arterial, o diabetes e a insuficiência
renal crônica. No entanto, apesar dos investimentos dos sistemas de saúde, as doenças crônicodegenerativas, estão em ascendência e apresentam níveis baixos de controle. Segundo dados da
Sociedade Brasileira de Enfermagem em Nefrologia só no Brasil estão registrados em 2001, cerca de
46500 pacientes, dos quais existem 42000 em programa de hemodiálise. Assim, planos ou políticas de
atendimento a essa clientela, devem ser estabelecidos objetivando, não só o tratamento da correção da
disfunção fisiológica, como também, para as conseqüências transformadoras que a doença acarreta,
tanto psicológicas, quanto sociais. Conseqüentemente, os cuidados desenvolvidos junto a essa clientela
precisam ser diversificados e multidimensionais. Nesse sentido, torna-se importante, os alunos, futuros
enfermeiros identificarem as profundas modificações que acontecem nas vidas dos pacientes, a partir
do recebimento do diagnóstico. De acordo com Lima (1995), a chegada do paciente ao mundo da
diálise é acompanhada de espanto diante do inevitável. Ela o obriga a defrontar-se com a dependência,
o compromisso com o tratamento, o aprisionamento a horários pré-estabelecidos, enfim, a vivências
singulares, que por muitas vezes não as conhecermos, não ajudamos os portadores dessa afecção, a
ajustarem o seu cotidiano, propondo estratégias que os levem a uma melhor qualidade de vida. Por
outro lado, as conquistas no campo da tecnologia e, em especial, no aperfeiçoamento das máquinas
dializadoras, reverteram para a extensão da vida dos que delas necessitam. No entanto, a identificação
das necessidades psicossociais dos pacientes, nem sempre estão sendo detectadas, pois o processo
ensino-aprendizagem ainda está prioritariamente centrado no modelo biomédico. A ampliação dos
horizontes nos quais pudéssemos exercitar a escuta e na medida do possível atender as demandas dos
clientes, muitas vezes apresentadas através de maneiras extremamente subjetivas, possibilitaram a
realização desta investigação, que teve como objetivo: analisar o Setor de Hemodiálise como um
campo de estágio da disciplina Enfermagem Psiquiátrica. Utilizando o método qualitativo, realizei esta
pesquisa em 2003, através da observação participante e dos dados coletados em setenta relatórios
elaborados pelos alunos do Curso de Graduação em Enfermagem sobre o estágio realizado no Setor de
Hemodiálise do Hospital-Universitário Sul Fluminense (Vassouras). Procurei durante toda a
experiência prática estimular os discentes neste contexto inovador e desafiante, proporcionando-lhes
um ambiente no qual se sentissem seguros em experimentar e expressar suas dúvidas, sempre
lembrando que estávamos vivenciando uma experiência pedagógica no campo das significações e
valores. Os resultados mostraram que o espectro de saberes adquiridos pelos alunos a partir da
observação e escuta dos clientes, possibilitaram o redimensionamento do valor até então atribuídos aos
avanços tecnológicos. Assim, relataram que apesar da eficácia da máquina de hemodiálise, esta não
abrange todo o sofrimento de um paciente. Referiram também a angústia sentida por eles, ao
constatarem a quase total dependência dos pacientes à máquina de diálise. Ressaltaram a importância
do desenvolvimento do relacionamento terapêutico, citando como relevante, estimular a auto-estima
dos pacientes, como um fator que muito contribui para a sua aderência ao projeto de tratamento. Os
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
140
sujeitos do estudo também apontaram o estágio no Setor de Hemodiálise como um espaço de
descobertas e de crescimento de ambos: pacientes e alunos. Acreditam também que podem inovar a
arte de cuidar em Enfermagem Psiquiátrica se deixarem fluir a criatividade e paralelamente a
essência dos pacientes. .O portador de uma doença crônica a vivencia e enfrenta em função da sua
personalidade, da capacidade de tolerar frustrações, assim como da sua relação com as pessoas e
projetos de vida (Botega, 2002). Desta maneira, devem ser estimulados, estudos que articulem uma
prática que procure atender a totalidade humana, ou seja, que atenda a singularidade dos clientes,
considerando a sua situação clínica e a qualidade de vida. Assim, ao estimularmos nossos discentes a
valorizar a singularidade e a prática discursiva do cliente sem a preocupação de enquadrá-los em
quadros psicopatológicos, independente do cenário da prática, estamos criando uma experiência
pedagógica que empresta um novo olhar sobre o cuidar em enfermagem psiquiátrica.
Referências
BASTOS, L.A. M & PROENÇA, M. A. No fio da navalha: psicanálise e educação médica. In:
Cadernos do IPUB, nº9 Rio de Janeiro: UFRJ/IPUB, 2000.
BOTEGA, N. J. Prática Psiquiátrica no hospital geral: interconsulta e emergência. Porto Alegre:
Artmed, 2002.
29. O PORTFÓLIO COMO INSTRUMENTO FACILITADOR NA FORMAÇÃO DE
ENFERMEIROS CRÍTICOS E REFLEXIVOS UMA EXPERIÊNCIA NA DISCIPLINA DE
ESTÁGIO CURRICULAR SUPERVISIONADO NA UNISA
Sônia Regina Leite de Almeida Prado1
Evelen Cristiane Spilla Casa 2
Isabel Cristina Kowal Olm Cunha3
Rosa Kazuye Koda D Amaral4
Introdução: As diretrizes curriculares Brasil (2001), estabelecem como um dos eixos norteadores da
proposta político-pedagógica para o ensino da enfermagem o desenvolvimento do Estágio Curricular
Supervisionado. Buscando atuar em consonância com tais diretrizes a Faculdade de Enfermagem da
Universidade Santo Amaro UNISA, vêm desde 2003, implantando a disciplina denominada Estágio
Curricular com o propósito de possibilitar ao aluno vivências que permitam a articulação de
competências, habilidades e atitudes inerentes aos processos de trabalho do enfermeiro. Perseguir esse
propósito tem sido um grande desafio para o corpo docente, enfermeiros dos serviços e alunos
envolvidos nesse processo. Dentre as estratégias de ensino adotadas, destaca-se a implantação do
portfólio do aluno que segundo Alvarenga (2001), é um instrumento que compreende a compilação de
todos os trabalhos realizados pelo estudante durante um período e permite que o desenvolva a
habilidade de avaliar sua própria produção. Para Perrenoud ( 1999) a prática de avaliação do tipo
formativa intensifica a inter-relação aluno-aluno, professor-aluno, oportuniza ao aluno a compreensão
sobre seu processo de aprendizagem e ao professor a possibilidade de intervir diante dos sinais
emitidos pelo aluno. Gomes (2001) em estudo sobre autoavaliação na formação do profissional críticoreflexivo na enfermagem, propõe a autoavaliação reflexiva como uma alternativa didática capaz de
1
Enfermeira, Mestre em Saúde Materno-Infantil, Vice diretora da Faculdade de Enfermagem da Universidade Santo Amaro
UNISA, [email protected]
2
Enfermeira, Docente da Faculdade de Enfermagem da Universidade Santo Amaro UNISA.
3
Enfermeira, Doutora em Saúde Pública, Diretora da Faculdade de Enfermagem da Universidade Santo Amaro UNISA,
[email protected], Rua Vereador José Diniz nº 1312.
4
Enfermeira, Mestre em Saúde Pública, Coordenadora de Estágio da Faculdade de Enfermagem da Universidade Santo
Amaro UNISA.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
141
desenvolver habilidades reflexivas no aluno, levando-o à auto-consciência crítica sobre sua prática,
contribuindo dessa forma para a avaliação formativa e somativa da aprendizagem. Diante desses
pressupostos, os alunos foram orientados com relação a todas as etapas de desenvolvimento do
portfólio que deveria conter registros das atividades diárias, reflexões sobre seu processo de ensino
aprendizado e ensaio auto reflexivo final com projeções para o futuro entre outros aspectos que não
são objetos desse estudo. Esse trabalho tem o objetivo de relatar e analisar o uso do portfólio como
instrumento para avaliação durante o Estágio Curricular desenvolvido na Faculdade de Enfermagem
da UNISA no ano de 2003. Objetivo: Este trabalho tem o objetivo de descrever e analisar a
implementação do uso do portfólio como instrumento de avaliação na disciplina de estágio curricular
na Faculdade de Enfermagem da UNISA. Metodologia: Trata-se de estudo descritivo, que contou com
a participação consentida de 46 alunos da 4ª série do curso de Graduação em Enfermagem. Os dados
foram coletados a partir dos portfólios dos alunos envolvidos no estudo. Resultados: Os dados
apontam que 50% (23) realizaram os registros das atividades diárias conforme parâmetros
estabelecidos, 26,1% (12) realizaram além dos registros das atividades diárias a reflexão final
contemplando a projeção para o futuro, 6,5 (3) realizaram apenas a reflexão final e 17,4 (8) realizaram
registros completamente fora das orientações. A maior parte do material analisado, apresenta bons
conteúdos reflexivos, porém percebe-se que alguns apresentaram conteúdos mais superficiais, sem
formatação e sem embasamento científico. A similaridade dos discursos contidos nos relatos permitem
agrupa-los em três momentos distintos a fase inicial, a fase intermediária e a fase final do estágio.
Independente da qualidade do material analisado, os alunos de modo geral, iniciam seus relatos, com
alto índice de ansiedade, medo e insegurança. Atribuem estes sentimentos ao fato deste ser o primeiro
estágio com supervisão indireta do docente. A grande maioria descreve as dificuldades iniciais frente à
adaptação, relacionamento e entrosamento com as equipes profissionais. Dificuldades estas superadas
com o decorrer do estágio. A fase intermediária foi marcada pelo conflito pertinente a tomada de
decisão. Algumas situações vivenciadas nessa fase desencadearam questionamentos quanto aos
procedimentos e atitudes adotadas pelos profissionais dos serviços. Embora os alunos não se sentissem
suficientemente fortalecidos e seguros para contraporem a realidade local, o processo reflexivo
favoreceu a busca de embasamento cientifico facilitando o processo de tomada de decisão num outro
momento. No final do estágio descrevem com alegria a sensação de capacidade em conduzir a
unidade, a segurança em buscar o conhecimento quando não íntimos com os diagnósticos e condutas,
a melhora na habilidade técnica em desenvolver alguns procedimentos rotineiros da enfermagem e o
amadurecimento no relacionamento com a equipe de trabalho. Apesar das dificuldades e conflitos
vivenciados no decorrer do estágio, todos os alunos descrevem a tristeza que surgia com o findar do
mesmo, por estarem adaptados a unidade de estágio, por terem tido na maioria das vezes o
reconhecimento das equipes profissionais, mas principalmente por estarem reconhecendo-se como
enfermeiros . Outro aspecto bastante evidenciado nos relatos é a valorização dos momentos
reflexivos em grupo. Esses momentos foram propostos com o objetivo de promover a troca de
experiências do pensar, sentir e agir e foram desenvolvidos em três encontros durante o período de
estágio. As avaliações realizadas no decorrer do estágio são descritas como momentos de
crescimento, consciência da necessidade de busca de conhecimento e ...enxergar as dificuldades
vivenciadas por cada aluno e tentar em grupo achar soluções para todas... . Conclusões: Embora
incipiente os resultados permitem perceber a dificuldade dos alunos em realizar processos auto
reflexivos, o que se acentua quando solicitados a pensar prospectivamente. Além dos alunos, os
docentes também necessitam de capacitação didático pedagógica para adotarem novos modelos de
avaliação do ensino aprendizagem afim de melhor apoiar e estimular os alunos a percorrerem o
caminho do auto conhecimento tão importante no desenvolvimento do papel de futuros enfermeiros.
Referências Bibliográficas:
BRASIL Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/CES
3/2001. Diário Oficial da União, Brasília, 9 de novembro de 2001. Seção 1, p.37.
ALVARENGA GM. Portfólio: o que é e a que serve? Rev. Olho Mágico. Londrina, v.8, n.1, p. 18-21,
jan/abr. 2001.
PERRENOUD P. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens. Entre duas lógicas.Porto
Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
142
GOMES JB. Autoavaliação: um caminho para a formação do profissional crítico-reflexivo na
enfermagem. Ribeirão Preto, 2001 [Tese apresentada à Escola de Enfermagem da Universidade São
Paulo Ribeirão Preto
30. CAPACITAÇÃO DOCENTE NO CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM DA
FAMERP: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Josimerci Ittavo Lamana Faria
Maria Rita Rodrigues Vieira
Vânia Del Arco Paschoal*
Vânia Zaqueu Brandão**
Em relatório encaminhado à UNESCO, a Comissão Internacional de Estudos sobre a Educação para
este século sublinha que a finalidade mais importante da educação, na busca de um mundo melhor e
mais justo, é possibilitar o desenvolvimento de indivíduos e comunidades, com ênfase no conceito de
educação ao longo da vida. Neste documento, fica ressaltado que, para dar resposta ao conjunto de
suas missões, a educação deve estar organizada em torno de quatro aprendizagens fundamentais:
aprender a aprender ou conhecer (adquirir cultura geral ampla e domínio aprofundado de um reduzido
número de assuntos, mostrando a necessidade de educação contínua e permanente), aprender a fazer
(oferecendo-se oportunidades de desenvolvimento de competências amplas para enfrentar o mundo do
trabalho), aprender a viver juntos (cooperar com os outros em todas as atividades humanas) e aprender
a ser, que integra as outras três, criando-se condições que favoreçam ao indivíduo adquirir autonomia e
discernimento (Delors,1996). Perrenoud (2002b) explica que a educação e suas finalidades
constituem-se em questão nacional, devendo ficar explicitada por cada escola a forma como se dará,
ou seja, democrática ou como instrumento de reprodução de desigualdades e de sujeição. Para este
autor, as finalidades do sistema educacional e as competências dos professores não podem ser
dissociadas, de forma que o papel a ser desempenhado pelos professores deve estar em consonância
com as finalidades da escola. Oferecer aos alunos uma formação ancorada nestes quatro pilares citados
anteriormente foi motivo de diversas discussões em uma equipe formada por enfermeiros docentes,
alunos e pedagogos do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Medicina de São José
do Rio Preto (FAMERP) e representantes da comunidade, que culminaram na elaboração e
implantação, após a sua aprovação pelo Conselho Estadual de Educação, de um novo Projeto PolíticoPedagógico (PPP), constituído pelos Ciclos Fundamental, Composicional e Profissional, sendo cada
ciclo constituído pelos eixos de fundamentação, formação e qualificação, compostos por Componentes
Curriculares. Esta mudança curricular busca a formação do enfermeiro com condições de inserir-se no
mercado de trabalho e de atender com competência ao usuário de saúde, nos aspectos relevantes de sua
qualificação profissional, obedecendo aos dispositivos éticos e legais vigentes. Neste PPP, o perfil
elaborado para o egresso o enfermeiro crítico-reflexivo, sujeito ativo e apto a desenvolver-se, capaz
de exercer seus direitos e deveres de cidadão ao longo de sua vida - requer significativas mudanças no
processo atual de ensino e aprendizagem. Uma das questões que merece especial destaque, entre
outras, neste cenário de transição é a capacitação dos professores, com vistas a um exercício docente
profissional, congruente com a missão do referido Curso de Graduação em Enfermagem. Tal
preocupação com as mudanças nesta transição curricular levou à formação de uma Comissão nomeada
Núcleo de Apoio ao Ensino de Enfermagem (NAENF), que entre outros objetivos almeja
possibilitar a capacitação dos professores do referido curso de Graduação. Desta forma, formou-se um
sub-comitê para realizar o planejamento da capacitação docente. Este sub-comitê elaborou um
questionário para a Investigação das Necessidades de Aprendizagem (INA) junto ao corpo docente do
citado curso; cujos resultados subsidiaram a elaboração do Projeto para Capacitação Pedagógica. Este
Enfermeira Doutora, Professora Adjunta do Curso de Graduação em Enfermagem da FAMERP.
[email protected]. Rua Rio Negro nº 165, Jd. Aclimação, CEP: 15091390, S. José do Rio Preto /SP
Enfermeira Mestre, Professora Assistente do Curso de Graduação em Enfermagem da FAMERP
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
143
projeto foi desenvolvido considerando as quatro aprendizagens fundamentais enviadas à UNESCO: aprender a conhecer o professor deverá ter conhecimento amplo e saber de forma aprofundada os
conteúdos a serem ensinados e aqueles que fundamentam o ensino da enfermagem; aprender a fazer
o professor deverá saber gerenciar o ensino e a aprendizagem em sala de aula e em campos da prática
profissional; aprender a conviver o professor deverá saber estabelecer relações de autonomia e
respeito com o meio social, institucional e profissional em que vive com os seus alunos; aprender a ser
professor
o professor irá construir a sua própria identidade profissional. Na primeira fase da
capacitação docente foram realizados quatorze encontros na própria instituição, no período de agosto a
novembro de 2003, sendo abordados os seguintes temas: o relacionamento interpessoal; a nova
proposta pedagógica do Curso de Graduação em Enfermagem FAMERP (conceitos explícitos e
implícitos); a competência docente; as teorias pedagógicas; o processo de ensino/aprendizagem; os
métodos e técnicas de ensino; plano de ensino e plano de aula; Avaliação e a Identidade atual do
docente do Curso de Graduação em Enfermagem e as novas necessidades profissionais. A avaliação
realizada pelos docentes desta primeira etapa apontou alguns aspectos importantes, tais como: o
desenvolvimento afetivo, propiciado pela integração entre os participantes e a participação nas
dinâmicas de grupo desenvolvidas; a aquisição e desenvolvimento de novos conhecimentos
relacionados principalmente ao PPP, ao plano de ensino e plano de aula, e também sobre a avaliação.
Foram realizadas algumas sugestões quanto à carga horária e dia da semana dos encontros, estratégias
de ensino e aprendizagem e recursos audiovisuais. Diante dos resultados deste primeiro momento e as
sugestões explícitas no INA, foi elaborado o planejamento do segundo momento da capacitação, onde
serão abordados os temas: identidade profissional docente, com o objetivo geral de sensibilizar o
professor quanto à necessidade de mudança contínua para a construção da docência profissional, sendo
que ao término de dois encontros, os professores deverão ser capazes de reconhecer as características
de sua identidade profissional atual; elaborar as características da identidade do professor (Ideal)
profissional; conhecer as características do professor profissional; estabelecer relação entre as suas
características profissionais e a identidade profissional desejada, vivenciar estratégias didáticas que
possam ser utilizadas em situações interativas e de ativa participação dos alunos; identificar caminhos
que levem a formação da identidade profissional desejada; vivenciar aspectos que favoreçam a
superação das lacunas identificadas. Consideramos essencial a continuidade permanente de encontros
que possibilitem o desenvolvimento do professor para o exercício da docência profissional, para que
possam contribuir com a formação de cidadãos e profissionais competentes, de acordo com o perfil
almejado. O fato dos nossos professores assumirem a responsabilidade pela sua própria educação
contínua é um dos sinais mais seguros da profissionalização do nosso ofício (Perrenoud, 2000).
Referências Bibliográficas:
DELORS, J. Educação: um tesouro a descobrir. Portugal: UNESCO/ASA, 1996. 255 p.;
PERRENOUD P. Novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artmed; 2000;
PERRENOUD, P. A formação dos professores para o século XXI. In: PERRENOUD, F.; THURLER,
M.G. As competências para ensinar no século XXI: a formação dos professores e o desafio da
avaliação. Porto Alegre: Artmed, 2002. Cap.1.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
144
32. COMPREENDENDO O OUTRO: UMA EXPERIÊNCIA DO RESPEITO ÀS
DIFERENÇAS EM UMA TURMA DE ENFERMAGEM
Lidia Celestino Meireles de Oliveira1
Elizabet Regina Araújo de Oliveira2
A Faculdade Salesiana de Vitória, por ser uma Instituição religiosa e a exemplo das outras Instituições
de Ensino Salesianas, tem a preocupação na formação de seus alunos que está para além da formação
técnica e administração de conteúdos específicos de cada curso, de tal forma que a questão da
humanização, convivência e tolerância às diferenças se faz presente. Atendendo a essa premissa, a
Faculdade apresenta no currículo de todos os seus cursos uma disciplina denominada Religião e
Sociedade. Com o objetivo de caracterizar o fenômeno religioso em sua natureza e diversidade de
manifestações, segundo uma abordagem analítica multidisciplinar, numa perspectiva de abertura e
encontro entre culturas, buscando uma formação humana e ética dirigida para a valorização da vida em
sua diversidade de manifestações , a disciplina é voltada, particularmente, à compreensão, por parte
do aluno, que, na sua prática profissional, estará lidando com uma diversidade de pessoas com
diferentes posições diante do mundo. Assim, é importante que ele saiba se posicionar diante de
situações que lhe exija compreender que algumas religiões podem orientar no sentido de não coadunar
com determinadas práticas, como, por exemplo, as que incluem o toque no corpo, a questão alimentar,
a transfusão de sangue, dentre outras. Essa compreensão, nessa perspectiva, é de grande importância
fundamentalmente para o aluno do curso de Enfermagem. A disciplina, ministrada sob uma
abordagem antropológica, é dividida em três etapas: Introdução ao estudo do fenômeno religioso,
onde interessa proporcionar ao aluno o entendimento do que é religião e porque os homens a fazem,
privilegiando a idéia de que religião é algo cultural e, por isso mesmo, cada sociedade, grupo social ou
mesmo indivíduo tem sua forma específica de concebê-la e que isso deve ser respeitado; Cultura,
religião e vivência do corpo, onde é amplamente trabalhado com os alunos o conceito antropológico
de etnocentrismo e relativismo cultural, onde o primeiro mostra que sua essência reside em considerar
os valores, pontos de vista, idéias, etc. do próprio grupo como sendo corretos em detrimento a outros
grupos sociais com pontos de vista diferentes (o que pode levar a uma situação de preconceito e
discriminação) enquanto o segundo mostra que cada povo, grupo social e até mesmo indivíduo têm
sua cultura, seus valores, seus pontos de vista, etc. que devem ser considerados no seu contexto social
e cultural, de maneira que não existe uma cultura melhor nem pior que outra mas diferentes entre si e
que, por esse motivo, não são passíveis de julgamento nem de discriminação. Segundo ROCHA (1994
: 8), de um lado conhecemos o grupo do eu , o nosso grupo, que come igual, veste igual, gosta de
coisas parecidas, conhece problemas do mesmo tipo, acredita nos mesmos deuses, casa igual, mora no
mesmo estilo, distribui o poder da mesma forma, empresta à vida significados em comum e procede,
por muitas maneiras, semelhantemente. Aí, então, de repente, nos deparamos com um outro , o grupo
do diferente que, às vezes, nem sequer faz coisas como as nossas ou quando as faz é de forma tal
que não reconhecemos como possíveis. (...) O grupo do eu faz, então, da sua visão, a única possível
ou, mais discretamente, se for o caso, a melhor, a natural, a superior, a certa. O grupo do outro fica,
nesta lógica, como sendo engraçado, absurdo, anormal ou ininteligível . Isso se aplica, inclusive, à
questão religiosa, posto que é cultural, conforme já afirmado. Ainda nesse momento a beleza do
corpo é analisada na perspectiva cultural brasileira sob a ótica de que ela é relativa (o que é belo para
um pode não ser para outro), considerando o corpo enquanto uma totalidade biopsicossocial que
merece práticas dietéticas e físicas para a manutenção da sua integridade; Tradições religiosas, corpo
e terapêutica, onde são mostrados os principais aspectos de algumas religiões e práticas religiosas,
associando-as à saúde e ao cuidado com o corpo. Nesse momento da disciplina, os alunos pesquisam
sobre várias religiões e socializam o conhecimento em sala de aula, sempre fazendo uma relação com
a saúde. Por ser uma disciplina que tem como objetivo primeiro privilegiar a questão da alteridade de
uma forma humanizadora, conforme já anteriormente colocado, foi-me permitido compartilhar com os
alunos uma experiência, por mim proposta, significativamente rica em termos de aprendizado no que
1
Cientista Social, mestre em Antropologia e professora da Faculdade Salesiana de Vitória. E-mail:
[email protected] - Endereço: Rua Braga, 14 Residencial Coqueiral Vila Velha E.S. CEP:29102-760.
2
Enfermeira, doutora em enfermagem. Coordenadora do curso de enfermagem da Faculdade Salesiana de Vitória.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
145
concerne a respeitar o outro com seus valores, crenças, visões de mundo, em uma palavra,
compreendendo-o. Podemos compreender o outro quando procuramos ser capazes de, primeiro, pensar
a sua cultura através dos termos com que ela se pensa a si própria para, depois, então, a partir daí,
sermos capazes de associar a compreensão de tal cultura, com base em seu próprio ponto de vista, à
minha lógica (BRANDÃO, 1986: 13). Isto significa não querer reduzir a cultura, valores, crenças do
outro à minha lógica, mas respeitá-las e apreendê-las no seu próprio contexto. Após ter trabalhado
com os alunos os conceitos de etnocentrismo e relativismo, reunimo-nos em um dos pátios nas
dependências da Faculdade onde cada aluno, espontaneamente, pôde manifestar seus pontos de vista,
anseios e perspectivas em relação ao curso, ao futuro e aos próprios colegas, reconhecendo que cada
um tem suas peculiaridades e que o exercício diário é procurar respeitá-las de tal forma que possa
proporcionar uma convivência harmoniosa entre colegas que compartilharão o mesmo espaço por
quatro anos, pelo menos. Este encontro foi acompanhado por um café da manhã previamente
combinado onde cada um providenciou um tipo de alimento que, ao final, foi compartilhado por todos.
Um dos pontos chaves do encontro foi o reconhecimento, por parte dos alunos, das suas limitações e
lacunas, assim como a necessidade que alguns perceberam (e admitiram) de procurar mudar em um ou
outro aspecto (ou tentar fazê-lo) a fim de melhor conviver com os seus pares. Ressalvo que esse
reconhecimento se deu por parte dos alunos porque eles eram os principais agentes na dinâmica, uma
vez são eles que estarão juntos por um período relativamente longo com um só objetivo: serem
enfermeiros. Foi gratificante para todos os que ali estavam poderem se colocar de uma forma que
levou em conta o princípio da humildade, reconhecendo que a necessidade do respeito ao outro é
essencial não só para o exercício da profissão de enfermeiro, mas, também, para a convivência em
qualquer âmbito da vida social, seja ele na escola, no trabalho, na família ou em qualquer outro espaço
social. A religiosidade, naquele momento, foi manifestada quando, de acordo com a concepção
religiosa de cada um, foi elevada uma prece no sentido que houvesse mais tolerância entre as pessoas e
que isso pudesse contribuir para a convivência mais harmoniosa entre os seres, extrapolando a sala de
aula, mas tratando-se dos seres humanos, de um modo geral. Ao final do período letivo, a experiência
se repetiu de forma igualmente satisfatória onde, nos relatos dos alunos, a disciplina contribuiu, em
muito, para que pudessem crescer como seres humanos no sentido de solidariedade, humanização e
tolerância para com os outros e consigo mesmos, ampliando seus conhecimentos (pois passaram a
conhecer mais detalhadamente várias manifestações religiosas que antes só conheciam
superficialmente) e, principalmente, consolidando valores éticos e humanos que contribuem para o
respeito às diferenças culminando em uma melhor convivência entre colegas e vislumbrando
possibilidades de maior compreensão na relação com seus futuros pacientes.
Referências Bibliográficas:
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Inculturação e libertação . Semana de Estudos Teológicos CNBB
São Paulo : Paulinas, 1986.
RAMPAZZO, Lino. Antropologia, religião e valores cristãos. São Paulo : Loyola/Cedas, 1996.
ROCHA, Everardo P. Guimarães. O que é etnocentrismo. 11. ed. São Paulo : Brasiliense, 1994.
VIERTLER, Renate B. A beleza do corpo entre os índios brasileiros. In.: QUEIROZ, Renato
Silva. (org.). O corpo do brasileiro. estudos de estética e beleza. São Paulo : Ed. Senac.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
146
33. EDUCAÇÃO EM ENFERMAGEM EM INTERFACE COM INTERDISCIPLINARIDADE
E POLÍTICAS PÚBLICAS. 1
Maria Grasiela Teixeira Barroso 2
Neiva Francenely Cunha Vieira3
Zulene Maria de Vasconcelos Varela4
INTRODUÇÃO: As Diretrizes curriculares nacionais dos Cursos de Graduação em enfermagem,
textos sobre interdisciplinaridade, promoção/educação em saúde, políticas públicas serviram de base
para desenvolver esse tema. A partir das Diretrizes Curriculares Nacionais, no perfil traçado para o
formando, futuro profissional de enfermagem percebemos a preocupação com a formação humanista,
crítica e reflexiva; identificamos, ainda, a ênfase dada à capacitação do formando para responder às
necessidades de saúde e seus determinantes identificados por diagnósticos epidemiológicos e
evidenciamos o papel que lhe será atribuído que é o de promotor da saúde integral do ser humano.1
Dentre as competências e habilidades específicas do enfermeiro, interessaram-nos aquelas que
apontam para os campos de estudo que selecionamos para evidenciar como mais significativos e mais
complexos, exigindo de parte dos sujeitos envolvidos na operacionalização e experiência do currículo,
particular atenção: promover estilos de vida saudáveis; Integrar as ações de enfermagem às ações
multiprofissionais; planejar e, implementar programas de educação e promoção à saúde. As Diretrizes
curriculares colocam o aluno como sujeito da aprendizagem e o professor como facilitador e mediador
do processo ensino-aprendizagem. O processo ensino-aprendizagem orientar-se-á pelo princípio
metodológico expresso na reflexão-ação-reflexão apropriada à estratégia centrada na resolução de
problemas. O documento enfatiza a importância da articulação entre ensino, pesquisa,
extensão/assistencial e a investigação como eixo integrador que retroalimenta a formação acadêmica e
a prática do enfermeiro.1 OBJETIVO: Motivar, entre os leitores, a vontade de construir um espaço
psico-pedagógico, cultural e operacional de caráter interdisciplinar para o desenvolvimento humano e,
em decorrência, nutrir a esperança de que se possa promover a qualidade de vida no Planeta.
METODOLOGIA: Optamos por um estudo descritivo, crítico, reflexivo e construtivo.
RESULTADOS: Com base nos recortes das Diretrizes Curriculares dirigimos a atenção dos leitores
para a complexidade do desempenho esperado do agente de transformação social que, segundo o teor
do documento deverá estar capacitado a promover seu próprio desenvolvimento de forma autônoma e
permanente lembrando-se de que sua missão é a de transformar-se e transformar seu contexto
promovendo estilos de vida saudáveis. A formação do agente de transformação social, como preconiza
o documento oficial sobre o currículo para a área da saúde e os currículos de enfermagem, exige que
se pense a interdisciplinaridade como eixo norteador do processo integrativo na educação para a
promoção humana. Essa formação implica também no conhecimento, por parte dos sujeitos
envolvidos no processo ensino-aprendizagem, das políticas públicas na assistência à saúde, das
atividades desenvolvidas pelas ONGs nos campos da saúde e social, pelas Instituições religiosas que
também atuam nestes campos. O educando, exposto a essas realidades, aprenderá a conviver em um
ambiente culturalmente favorável à ação social animada por valores que transcendem as contingências
da luta pela sobrevivência física em uma sociedade de consumo competitiva. Importante lembrar que
nesse movimento de conhecer a atuação dessas Instituições o educando se sentirá empolgado pelo
entusiasmo das pessoas que aí interatuam e será orientado, pelos professores, a darem sua parcela de
contribuição. Esse processo de pensar e agir intersubjetivamente ajudará o educando a tecer redes
interdisciplinares em saúde (parcerias, intercâmbios, referência e contra-referência de
pacientes/clientes, eventos interinstitucionais) tornando viável a experiência de um estilo de vida
saudável. Podemos ainda usar o texto do documento para reiterar o que afirmamos: A articulação entre
o ensino, pesquisa e extensão/assistência, garantindo um ensino crítico, reflexivo e criativo, que leve à
1
Trabalho resultante do Grupo de Pesquisa FAMEPE que é vinculado ao Projeto Integrado de Pesquisa
.Processo: nº 551326/2002 -6
2
Prof. ª Emérita. Docente Livre Titular do Departamento de Enfermagem/FFOE/UFC.
3
Drª PHD pela Universidade de Bristol. Profª do Departamento de Enfermagem/FFOE/UFC. Email:
[email protected] Rua Cel Linhares, 930, apto 103. Aldeota, CEP 60821470. Fortaleza-Ceará.
4
Prof. ª Docente Livre do Departamento de Enfermagem/FFOE/UFC
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
147
construção do perfil almejado estimulando a realização de experimentos e/ou de projetos de pesquisa,
socializando o conhecimento produzido, levando em conta a evolução epistemológica dos modelos
explicativos do processo saúde-doença. Mas nada disso seria possível se não dispuséssemos de
políticas públicas que nos dessem a abertura desejada para a ação social. Políticas públicas, educação
profissional e educação em saúde constituem-se elementos essenciais para orientação políticopedagógica em direção às mudanças necessárias para as práticas de saúde dos profissionais e
contribuem para o fortalecimento do sistema único de saúde. Nas políticas públicas de saúde temos as
normas das práticas sociais, ou seja, o modo como nós desenvolvemos o nosso fazer, o cuidado, junto
às pessoas. Neste sentido fazemos uma reflexão sobre a formação do enfermeiro a partir da seguinte
indagação: Que saberes e fazeres estamos utilizando que contribuem para formação da massa crítica
de profissionais? Ao nos referirmos a modelos de saúde e saberes e fazeres no campo da saúde,
estamos considerando uma variedade de experiências e práticas espalhadas pelo País, nos serviços e
academias, que constroem o saber coletivo em diversas áreas de atenção à saúde. É importante integrar
no processo de ensino-aprendizagem experiências inovadoras que problematizem e gerem idéias de
pesquisa e ação para a promoção da saúde. Esta posição requer a integralidade e transversalidade de
saberes formais da antropologia, sociologia, filosofia, psicologia, educação, citando apenas algumas. E
de saberes não formais oriundos de práticas populares, incubadoras das crenças, costumes, hábitos que
tecem a ética e a estética humana. As concepções atuais conduzem à valorização da participação,
autonomia, solidariedade, responsabilidade, liberdade, respeito, como se lê nas expressões a seguir:
educação em saúde é processo onde a população participa no contexto de sua vida cotidiana e não
apenas das pessoas com risco de adoecer;2
aprendizagem que visa a capacitação das pessoas
proporcionado por uma abordagem sócioeducativa que assegure conhecimento, habilidades e
formação da consciência crítica para tomar uma decisão pessoal com responsabilidade social,
incluindo políticas públicas e reorganização de serviço.3 CONCLUSÃO: Assim, cabe aos docentes
criar estratégias de ensino-aprendizagem onde os discentes possam exercitar a autonomia, liberdade
para criar e aprender a aprender ações educativas em saúde nos diversos cenários do cuidar de
enfermagem. Exercitar, com os educandos a consciência crítica, pois a vida lhes reserva um mundo de
trabalho absolutamente diferente, mais exigente, tecnologicamente mais avançado impondo novo
estilo de vida nem sempre voltado para os valores humanos, para a qualidade de vida no Planeta. Daí a
necessidade de que seja estimulado o debate sobre a promoção humana e a importância da ação de
cada um, na formação de opinião, na vivência dos valores humanos para o bem comum, contrapondose a uma sociedade que se centra no individualismo, na competição pelo poder, no império do
descartável e dos valores que passam, alheia à preocupação com a responsabilidade pelos destinos da
humanidade. A educação em enfermagem sugere ao professor assumir um compromisso social e ético
para diminuir o fosso entre privilegiados e excluídos, de impregnar a vida profissional de um saberser que inclui a arte de acolher o outro, o aprender a aprender pelo re-exame contínuo, reflexivo e
crítico dos conceitos aprendidos no mundo da informação, e do aprender-a-fazer que se concretiza na
interligação das culturas científicas e humanísticas no resgate do sentir, do comunicar-se e da escuta.
Enfim envolve uma atitude alicerçada no domínio da ciência vinculada à razão e iluminada pela
afetividade humana.
Referência Bibliografica:
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de
Graduação em Enfermagem, Medicina, Nutrição. Brasília DF, 2001.
BARROSO, M. G. T.;VIEIRA, N. F. C.; VARELA, Z. M. V. (org). Educação em Saúde: no contexto
da promoção humana. Fortaleza. Edições Demócrito Rocha, 2003. 100p.
SHALL, V. T. ; STRUCHINER, N. Educação em saúde; novas perspectivas. Caderno de Saúde
Pública, Rio de Janeiro, 15, n, 45 4, 1999. (Suplemento 2).
UNESCO. EDUCAÇÃO: um tesouro a descobrir. 7ª ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: MEC:
UNESCO, 2002.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
34. VALORES ÉTICOS NA FORMAÇÃO DO ENFERMEIRO
148
UMA RELEXÃO
Maria de Fátima Cardoso Marques1
Maria Grasiela Teixeira Barroso2
Neiva Francenely da Cunha Vieira3
INTRODUÇÃO: Nossa reflexão é sobre a tão destacada crise de valores, e dentro desse tema, nos
deteremos na responsabilidade individual e consciência social de cada um, enfocando questões sobre
ética e o ser humano na formação do enfermeiro. Descrevemos não somente uma reflexão sobre ética
na atualidade, mas também trazemos novas discussões sobre a importância da participação, tanto
individual quanto coletiva a respeito dos caminhos da ética, como o caminho eficaz que deve
evidenciar as responsabilidades dos futuros enfermeiros, seja no trabalho, na família ou sociedade em
que vive. Queremos estimular questionamentos a respeito da formação do enfermeiro na sociedade
enfatizando a ética como condição primordial nesta formação. OBJETIVO: Contribuir para uma
reflexão dos valores éticos na formação do enfermeiro. METODOLOGIA: Estudo reflexivo utilizando
a literatura como fundamentação teórica sobre ética na atualidade.RESULTADOS: O mundo
globalizado e a resignificação da ética no cuidar humano: A desumanização crescente exarceba-se, a
partir da idéia de que o desenvolvimento econômico geraria, como sub-produto, o bem estar da
humanidade. Surgem os crimes contra a ecologia, destrói-se a camada de ozônio e as florestas;
proliferam os lixos químicos e atômicos; os agrotóxicos contaminam os alimentos. Aumenta a
prevalência das doenças psicossomáticas e dos distúrbios psiquiátricos.A violência toma conotação de
problema de saúde coletiva. O homem comum, não consegue competir com a máquina e nem
consegue comprar os bens que a máquina produz. O desejo de possuir o que produz, o desejo de
sucesso, comum a todos os mortais; a ansiedade por vezes mais distante os sonhos de possuir o
conforto que a tecnologia oferece aos olhos de quem assiste televisão, transforma-o num insatisfeito
crônico, vulnerável a todas as doenças do século.O homem pobre já não tem tanta certeza sobre o
futuro; o custo da sobrevivência é alto; as dúvidas avolumam-se. O cansaço. O nervosismo, a insônia,
a desnutrição vão minando, pouco a pouco, a energia do trabalhador. Esse trabalhador adoece e morre
jovem; adoece ou se torna improdutivo. Cresce o movimento migratório. O idoso, o imigrante que
busca centros mais adiantados, o improdutivo por doença incapacitante ou desqualificação de mão-deobra, passam a engrossar a fileira dos excluídos sociais numa sociedade de consumo. Ao lado disso,
a corrupção generalizada, o caos político, a descontinuidade dos projetos econômicos e a fragilidade
das propostas de cunho social, a incompetência na gerência da coisa pública e a desatualização dos
currículos universitários. Tudo isso, em conjunto, compromete a imagem do Brasil no cenário
internacional e põe em risco a formação das novas gerações. Na população esfomeada e analfabeta
repercute o que foi dito anteriormente. Instala-se a descrença nos homens públicos, a criminalidade
organizada (como mecanismo de defesa contra repressão policial) o consumo de drogas, a
promiscuidade sexual. Recrudescem as patologias. Doenças consideradas erradicadas voltam a
acometer milhares de pessoas; surgem novas como a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida-AIDS,
e o Papiloma Vírus Humano-HPV, com características cosmopolitas. Tudo isso confirma a síndrome
de que a modernidade não conseguiu satisfazer as necessidades da pessoa humana. Torna-se gritante a
expressão sócio-econômica de dois Brasis: o Brasil com características de primeiro mundo e o Brasil
dos excluídos sociais. Percebemos muitas outras coisas sobre Nossa terra, esse Brasil de contrastes; de
Brasília e das favelas; dos grandes clubes e dos botequins; Sul maravilha e do Nordeste; das belas
faculdades e da maioria de analfabetos; dos grandes donos de terra não cultivadas e pobres João sem
terra; Esse Brasil que tem em seu território de uma civilização adiantada, mas que admite áreas onde
ainda há traços do séculos no passado. E o que se tem feito para resolver esses problemas? O caminho
que os governantes têm seguido, para resolver esses nossos problemas, para fugir ao
1
Enfermeira pela Universidade Estadual do Ceará. Mestra em Saúde da Comunidade pela Universidade Federal do Ceará.
Professora Emérita Docente Livre Titular do Departamento de Enfermagem da FFOE
Faculdade de Farmácia,
Odontologia e Enfermagem da Universidade Federal do Ceará. Email: [email protected]. Rua Cel. Linhares, 930, apto 103.
Aldeota. Cep. 60170240. FAX 261.86.34
3
Professora do Departamento de Enfermagem da UFC. Phd pela Universidade de Bristol Inglaterra
2
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
149
subdesenvolvimento, foi desenvolver mais ainda a região mais rica, e mesmo nessas regiões pouca
gente se beneficiou. O desenvolvimento deve-se processar igualmente para todos. Nesse momento
histórico de redefinição da ordem mundial, a ética na formação do enfermeiro se evidencia. A ética
como resposta aos medos e à esperança do homem pela vida e sobrevivência do Planeta. Diante do
avanço tecnológico no campo da saúde, entre transplante e os bebês de proveta; entre as cirurgias
intra-uterinas e a engenharia genética, emerge a compreensão de que o estilo de vida saudável é o
melhor caminho para a promoção da saúde e do bem estar da humanidade.Usando a linguagem do
lucro é muito mais rentável promover o equilíbrio ecológico do que fazer transplantes. É nesse clima
de esperança, que surge a ética e suas várias facetas, como a bio-ética. Essas formas de ver a vida
geram questões como quem somos nós? , Aonde vamos? , Aonde queremos chegar? Respostas
surgem de todos os lados do mundo. Diante do individualismo ferrenho, emerge a ética da
solidariedade humana e todas as características do ser humano são estimuladas novamente. O dilema
entre estimular o avanço indiscriminado da tecnologia, aceitando riscos impostos à sobrevivência da
espécie humana e do Planeta ou repensar o comportamento humano, na perspectiva da transcendência
humana faz surgir e desenvolver-se o impulso para os estudos da bio-ética, a reflexão sobre temas
científicos, filosóficos, jurídicos sob a égide da ética. A ética se situa numa esfera normativa, atingida
através da reflexão. 1 A sociedade é produto de ações individuais e coletivas. Cada futuro enfermeiro e
enfermeiros devem questionar e revisar suas ações constantemente. Isto é, deixando de ser agente
passivo e contribuir ativamente para o cumprimento da ética na sociedade, com dignidade cidadã,
ampliando as possibilidades de gerar efeitos positivos no contexto coletivo. 2 Não podemos aceitar que
os processos de exclusão social e má distribuição de renda, geradora das precárias condições
econômicas, continuem favorecendo o desequilíbrio individual e coletivo na conduta ética.
Reconhecemos que o baixo ou nenhum poder aquisitivo, dificulta o alcance de um patamar mínimo de
sobrevivência da ética. Porém, acreditamos na ética como um fator primordial na vida em sociedade,
que contribui, positivamente para uma convivência social mais qualificada em conjunto e com
competência humanizada. Isto aponta para um processo emancipatório de futuros profissionais
inseridos em um contexto histórico de conquista da condição de agente coletivo e autônomo. Por isso
defendemos que a ética esteja em todas as disciplinas do processo acadêmico, isto é, seja
transversalizada e impregnada na formação curricular e na prática assistencial do enfermeiro
enfatizando valores e virtudes como justiça, bondade, generosidade para um cuidar humano realmente
humano. CONCLUSÃO: Portanto, para o empreendimento de mudanças na formação dos
profissionais enfermeiros como promotores de sua própria cidadania e estimuladores ao exercício da
cidadania dos outros, é necessário a compreensão dessa dimensão ética de valorização do ser humano
agregado à saúde como notável motivadora dos outros valores.3 Neste processo, devemos considerar
as transformações que estão ocorrendo no mundo e no setor saúde tendo como um referencial
indispensável na formação do enfermeiro, os valores éticos.
Referencias Bibliográficas:
OLIVEIRA, Manfredo A. de. Ética intencionalista tecnológica em Vittorio Hösle. In: OLIVEIRA,
M. A.de(org.). Correntes fundamentais da ética contemporânea. 2ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.
233p.
ANCHEZ, Adolfo. Ética. São Paulo: Civ Brasileira, 1997.
BELLATO, R. E GAIVA, M. A. M. A Cidadania e a ética como eixos norteadores da formação do
enfermeiro. In: Revista Bras. de Enf., vol 56, n.4, jul/agt, 2003. Pg 429-432.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
150
35. A FORMAÇÃO DO ENFERMEIRO - ANOS 2000: CONTRADIÇÕES E DESAFIOS À
PRÁTICA PEDAGÓGICA
Joelma Batista Tebaldi Pinto1
Alda Muniz Pêpe2
Este estudo aborda as temáticas Currículo, prática pedagógica e formação do enfermeiro. Na
atualidade esses assuntos têm tomado espaço relevante no debate acadêmico da enfermagem e nesse
debate alternam-se discursos que traduzem muitas inquietações. Por outro lado, as questões
curriculares relacionadas a formação do enfermeiro têm suscitado investigações, com vistas ao
aprimoramento da formação profissional. O foco da maioria dos estudos, todavia, indicam que nem
sempre, as reformas curriculares, por si só, significam melhoria na formação. Desta forma, nosso
estudo tem a suposição de que há uma forte relação entre a prática pedagógica mais do que a própria
organização curricular na formação do enfermeiro. Assim, a partir da implantação de uma nova
proposta de organização curricular, buscamos conhecer empiricamente e descrever analiticamente a
realidade acadêmica da formação do enfermeiro no Curso de Graduação em Enfermagem da
Universidade Estadual de Santa Cruz UESC/BA. Tomamos como matriz analítica os princípios que
nortearam a construção do novo currículo nacional e as idéias de vários autores, a exemplo de
Mizukami, Rozendo, Bersnstain, Morin, Polak, Waldow, entre outros, sobre o que se requer da
formação do enfermeiro, hoje. Analisamos se a implantação do novo currículo do Curso em estudo
modificou a prática docente e a formação do enfermeiro, em coerência com os princípios curriculares
preconizados. Para análise dos dados utilizamos estatística descritiva com cálculo de freqüência
simples e percentual. A amostra do estudo foi constituída na sua maioria de sujeitos do sexo
feminino (82,2%), na faixa etária entre 31 e 50 anos. A maioria destes (93,4%), residentes na cidade
de Itabuna e são professores efetivos; lotados no Departamento de Ciências da Saúde - DCS da
UESC; em regime de trabalho de 40 horas semanais e foram graduados pela própria instituição. A
maioria destes docentes encontra-se em fase de capacitação stricto sensu, e consequentemente em
contato formal com Curso/disciplina de Capacitação Pedagógica. Quase a metade da amostra tem
entre 6 e 15 anos de serviço na Universidade em foco e a sua maioria teve experiência docente anterior
em Cursos de Formação de Técnicos e de Auxiliares de Enfermagem, onde ministraram ou ministram
disciplinas do tronco pré profissional e profissional. Dos que exercem atividade técnica atual, parte
substancial atua em hospitais ou na administração de serviços de saúde. Tratou-se pois de amostra
ideal de sujeitos para pesquisa, visto estarem em contato com os campos de trabalho e também
ocupados com a formação de enfermeiros. Trabalhamos pois com uma amostra com maioria de
enfermeiros
docentes, portanto com formação específica em Enfermagem, e experiência como
professor, além de trabalharem também como enfermeiros em hospitais e outros serviços de saúde.
Trabalhamos, ainda, com o fito de estudar os impactos do Curso nos próprios graduandos, uma
amostra de alunos do último semestre do Curso. Estes, de igual modo constituído de maioria absoluta
do sexo feminino (81%), em faixa etária entre 22 e 33 anos e média de idade de 23 anos.
Sinteticamente, os resultados apontaram que os professores e alunos têm dificuldade em conceituar
currículo, o que nos permitiu perceber quanto suas concepções estão próximas (professores e alunos).
Do processo comparativo entre as cargas horárias dos currículos antigo e novo , observamos que:
da carga horária total do Curso, hoje com 3.825 horas, da ordem de 41% deste tempo está destinado às
disciplinas consideradas da área hospitalar e apenas 21% é ocupada por disciplinas da área de saúde
coletiva, o que nos permite concluir que ainda é dada maior ênfase às práticas curativas em detrimento
das preventivas. Convém observar que esses dados mantiveram coerência com um dos resultados de
pesquisa anterior, obtidos três anos atrás, (Pinto, 1997, p.102) pois, analisando o currículo antigo,
concluiu-se que a carga horária total do Curso que era de 2.970 horas, tinha 44,4% deste tempo
destinado às disciplinas ligadas à área hospitalar e apenas 13,1% destinado às disciplinas da área de
1
Enfermeira. Professora Titular . Doutora em Educação. Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) Ilhéus BA. E-mail:
[email protected]. Rua: J, Nº 59, Térreo - Bairro: Loteamento Jardim União Itabuna- BA. CEP: 45.605.470.
2
Docente do PPGE - UFBA: Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação da Universidade Federal da
Bahia/Convênio UFBA - UESC. Doutora em Psicopedagogia e Ciências da Educação: Université des Sciences Sociales de
Grenoble - França.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
151
saúde pública . De outra via, o currículo estudado se caracteriza como do tipo coleção (segundo a
tipologia proposta por Bersnstain), isso pôde ser observado porque a maioria dos docentes
pesquisados, pelas suas respostas, demonstra conceber o atual currículo, como um currículo
caracterizado por princípios organizativos, desintegrados, isolados e rígidos e de conhecimento
(conteúdo) hierarquizado. Os conteúdos são ainda obrigatórios, separados uns dos outros; o
conhecimento/conteúdos são disciplinares/ fechados, especializados; e considerado como propriedade
sagrada de poucos. A relação entre as disciplinas é do tipo fechada, com os conteúdos delimitados em
relação vertical. Esses últimos estão nas mãos de quem os ensina e de quem avalia, podendo cada
professor atuar à sua maneira dentro de limites prescritos. As disciplinas são por outro lado, isoladas
por tarefas individualizadas. Quanto à avaliação da aprendizagem, valoriza-se a subserviência e
passividade do aluno face ao conhecimento, promovendo o individualismo e introduzindo a lógica das
relações de mercado no sistema de ensino (prevalece a quantidade). Por fim, a prática pedagógica
está voltada, predominantemente, para o modelo tradicional. Desta forma, os resultados obtidos nos
permitem afirmar que a maioria dos docentes tem uma idéia de prática pedagógica aproximada ou
coincidente com a concepção tradicional (conforme a proposta de Mizukami,1986), revelada por ações
técnico-mecanicistas, em detrimento de abordagem e ações humanistas, preconizadas pela reforma
curricular. Os dados, em contrapartida são confirmados pela opinião dos alunos. Face aos resultados
pode-se afirmar que a formação do enfermeiro continua tendo características do modelo biomédicotecnicista, que privilegia um atendimento à saúde, em partes, não considerando o ser humano integral
em seus aspectos bio-psico-social. Ficou evidente a falta de formação pedagógica, no seu mais largo
sentido, por parte dos docentes do Curso, aspectos que se mantêm para as novas gerações, pois no
currículo analisado não há previsão nem preocupação com a formação pedagógica do enfermeiro.
Diante desses resultados, acreditamos que precisam ser envidados esforços para que o currículo
consiga avançar do modelo de currículo tipo Coleção para o tipo Integração e que a prática
pedagógica que hoje se caracteriza como tradicional, com ações técnico mecanicistas, evolua para
uma abordagem e ações humanista, que considere como unidade do processo ensino-aprendizagem o
par pedagógico, constituído por professor e aluno, que deve propiciar o entendimento e a formação
consciente e competente do par-do-ato-de-saúde, como um referencial da formação do enfermeiro na
contemporaneidade, deixando claro que par implica em cooperação e cooperação só se pode esperar
de sujeitos de construção moral autônoma. Portanto, o Projeto Pedagógico deve avançar nessas
questões que dizem respeito a qualidade do processo pedagógico e também no que diz respeito as
mudanças de paradígma da sociedade contemporânea, o que implica em mudança de mentalidade e
tomada de consciência, não apenas de docentes e discentes do Curso, mas também da própria
Instituição (UESC), que deve estar comprometida com as necessidades da sociedade onde está
inserida.
Referências Bibliográficas:
MIZUKAMI, M.G.N. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986.
MORIN, E. Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro. Trad. Catarina Eleonora F. da Silva e
Jeanne Sawaya. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2000, pp.35-36-37-38-39-61.
ROZENDO, C.A, et al. Uma análise das práticas docentes de professores universitários da área de
saúde. Rev. Latino-am. Enfermagem. v.7: 2, Ribeirão Preto: abril/1999. p.15 23.
VEIGA, I.P.A . Sistematizando a Ação Docente: Currículo numa nova perspectiva. Curso realizado
pela Pró Reitoria de Graduação (PROGRAD) da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).
Ihéus/BA, no período de 29 e 30 de agosto de 1997.
WALDOW, V.R. Cuidado Humano: o resgate necessário. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1998, p.5167.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
152
37. O PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM DA PESQUISA NO CURSO DE
GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM DA NOVAFAPI
Maria Eliete Batista Moura1
Benevina Maria Vilar Teixeira Nunes
Claudete Ferreira de Souza Monteiro
Ana Maria Ribeiro dos Santos
INTRODUÇÃO relato dessa experiência apresenta o processo de desenvolvimento do ensino de
metodologia da pesquisa no Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Saúde, Ciências
Humanas e Tecnológicas do Piauí - NOVAFAPI. Entende-se que para desenvolver a perspectiva
crítica do aluno em relação à realidade em que está inserido é necessário o quanto antes a sua
aproximação com os conteúdos dos processos metodológicos da construção da pesquisa, para que
possam buscar respostas aos problemas da realidade prática na perspectiva da transformação. Nesse
sentido o relato dessa experiência retrata uma possibilidade de como buscar o desenvolvimento do
processo de pesquisa o mais cedo possível no aprendizado dos alunos, para estimular o
desenvolvimento de sua consciência critica, como propõe as Novas Diretrizes Curriculares. Dessa
forma o relato de experiência tem como objetivo descrever o ensino da metodologia da pesquisa no
referido Curso que ocorre de forma gradativa do primeiro ao oitavo período e discutir as
possibilidades de avanços no aprendizado da pesquisa científica na graduação.
Metodologia. Trata-se de um trabalho descritivo que de acordo Leopardi (2002) identifica as
características mudanças e regularidades de uma situação problema. A experiência foi realizado no
Curso de Enfermagem da Faculdade NOVAFAPI em que utilizou-se a vivência dos autores como
coordenadores do processo de ensino da metodologia da pesquisa, como também os registros dos
trabalhos dos alunos e de reuniões com professores. O desenvolvimento do processo de ensino
aprendizagem da pesquisa. O processo de ensino da pesquisa no Curso de Enfermagem da
NOVAFAPI está em consonância com o Projeto Político Pedagógico da Faculdade que tem como
diretriz a iniciação científica desde a disciplina Introdução a Metodologia Cientifica, no primeiro
período do curso, quando os alunos iniciam a aproximação com os conhecimentos sobre a pesquisa e
tem como atividade de conclusão da disciplina o desenvolvimento de uma pesquisa bibliográfica. A
mesma é desenvolvida sobre a orientação de uma professora de acordo com sua linha de pesquisa,
sendo que a construção do estudo é acompanhada e discutida em sala de aula pelos professores e
alunos, numa construção coletiva. Os alunos prosseguem com o aprofundamento desse aprendizado no
quarto período do Curso quando tem oportunidade de desenvolver outra disciplina denominada
Seminário de Pesquisa cujo objetivo final é o desenvolvimento de um pequeno estudo, tipo pesquisa
operacional, a partir de situações problemas já vivenciadas nos campos de prática. O acompanhamento
também é feito por uma professora orientadora com a construção coletiva em sala de aula. Com essa
proposta entende-se que os alunos precisam ser formados para pensar além das suas vidas particulares
cotidianas e o conhecimento científico proporciona um embasamento para pensar, refletir sobe as
bases sociais, políticas e econômicas da sociedade. De acordo com Polit& Hungler, 1995, as
enfermeiras que embasam suas decisões em informações cientificas auxiliam a enfermagem a
construir sua identidade profissional. Continuando o relato do processo de ensino apendizagem da
pesquisa científica, ao chegarem no sétimo período os alunos iniciam o desenvolvimento do projeto do
TCC, o qual é realizado na mesma sistemática já descrita acima. Esse processo além de desenvolver os
alunos no aprendizado da pesquisa estimula os professores da escola a pesquisarem, já que
praticamente todos são envolvidos no processo de orientação. De acordo com o relatório final do 5º
Seminário Nacional das Diretrizes Curriculares em enfermagem realizado em 2001, O TCC deve
expressar as características do Projeto Político Pedagógico da instituição, a qual regulamentara o
processo de seu desenvolvimento garantindo a excelência da sua execução e avaliação. Nesse sentido,
1
Maria Eliete Batista Moura, enfermeira professora doutora, Coordenadora do Curso de Enfermagem da
NOVAFAPI e professora do Curso de Enfermagem da Universidade Federal do Piauí.
Endereço: Rua Alecrim 1951, apto. 501, Edificio Vila Pisani, Teresina
Piauí, CEP 64049-130, email:
[email protected]
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
153
a Coordenação do Curso de Enfermagem NOVAFAPI iniciou o processo contratando duas
professoras, uma com a titulação de doutora e outra doutoranda para conduzirem a primeira etapa do
TCC, as quais iniciaram mobilizando os docentes da Faculdade para colaboração conjunta na
construção do processo. Inicialmente, decidiu-se que o trabalho seria realizado por no máximo dois
alunos e que o tipo de trabalho seria uma monografia ou uma pesquisa de campo de acordo com as
linhas de pesquisas dos orientadores cujos temas fossem de interesse para a enfermagem. Quanto ao
processo de orientação limitou-se aos docentes do Curso de Enfermagem que tivessem titulação de
mestre, podendo colaborar também outros professores do curso como co-orientador se assim o
orientador julgasse necessário. Foram desenvolvidos vinte trabalhos os quais construíram-se ao longo
do primeiro semestre de 2004 na disciplina TCC I nos horários das 10:20 as 12:50 as quartas e sextas
feiras. Primeiramente foram discutidos os conteúdos necessários à construção do projeto e
concomitantemente os alunos já conversavam com os orientadores para definir o que pesquisar. No
desenvolvimento da disciplina os alunos, juntamente, com as professoras foram construindo o projeto,
num sistema de crítica construtiva em que as professoras recebiam os trabalhos a serem apresentados
com 48 horas de antecedência da data prevista para a apresentação. Isso permitia a critica prévia com
indicação de leitura que ajudava o aluno a crescer. Os demais alunos participavam do processo
criticando também o trabalho do outro e dessa forma identificando no seu trabalho o que era
necessário avançar. Cada aluno teve oportunidade de apresentar duas vezes no decorrer da disciplina,
sendo que na última apresentação a professora orientadora esteve presente em sala de aula para
também apresentar sua avaliação sobre o desenvolvimento do aluno na construção da pesquisa. Foram
também elaboradas normas pelas professoras da disciplina para apresentação do projeto estabelecendo
regras de digitação e formatação da capa, página de rosto e estrutura básica do trabalho de acordo com
as Normas para Apresentação de Trabalhos Científicos da ABNT. Para avaliação final foi realizado
um seminário em que todos alunos defenderam o projeto para uma banca constituída por três
professoras escolhidas pelos alunos e professoras orientadoras, a qual fez o julgamento do trabalho de
acordo com instrumento previamente elaborado pelas docentes da disciplina TCC I. Considerações
finais O resultado desse trabalho foi bastante produtivo, pois todos alunos apresentaram seu estudo no
Seminário de Pesquisa desenvolvido pela ABEn Piauí durante a Semana Brasileira de Enfermagem,
outros participaram de seminários, cursos, fóruns de debates referentes a temática pesquisada fora da
Faculdade. Dessa forma, incrementou-se a produção científica em enfermagem da escola, como
também se estimulou o hábito de produzir e consumir pesquisas, como recomenda o Processo Político
Pedagógico do Curso. Obteve-se também um incentivo à qualificação dos professores e ao trabalho
multidisciplinar, como também, maior utilização da biblioteca e bancos de dados, aumento da
participação de alunos e professores em eventos científicos, conhecimento dos alunos já no primeiro
período das publicações de enfermagem e incentivo a publicações. No transcorrer do semestre teve-se
algumas dificuldades, como por exemplo, no processo de orientação. Entende-se que alguns
professores estão caminhando no aprendizado da pesquisa e acredita-se que da maneira como foi
realizada essa primeira experiência o professor também só tem a crescer. Outra dificuldade foi em
relação a aceitação das críticas pelos alunos, mas entendeu-se como elemento parte do processo de
construção do trabalho que aos poucos serão melhor compreendidos. Essas dificuldades com certeza
ajudarão a construir uma nova perspectiva sobre a próxima experiência, pois se trabalhará melhor
essas questões para que venham a ser minimizada.
Referencias Bibliográficas:
LEOPARDI, M.T. Metodologia da Pesquisa na Saúde. 2ª ed. Florianópolis: UFSC, 2002.
POLIT, D.F.; HUNGLER, B.P. Fundamentos da Pesquisa em Enfermagem. 3ª ed. Porto Alegre: Artes
Médicas, 1995.
VANZIN, A.S. e NERY, M. E. S. Metodologia da Pesquisa Em Saúde: Fundamentos pra o
desenvolvimento de pesquisas em saúde. 1ª ed. Porto Alegre: RM&L, 1998.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
154
39. O ESTÁGIO SUPERVISIONADO I NO CURSO DE ENFERMAGEM DA NOVAFAPI:
RELATO DE EXPERÊNCIA
Benevina Maria Vilar Teixeira Nunes
Maria Eliete Batista Moura
Claudete Ferreira de Souza Monteiro
Ana Maria Ribeiro dos Santos1
INTRODUÇÃO: Os mecanismos efetivos de acompanhamento e avaliação do Estágio Curricular I, no
Curso de Enfermagem, da Faculdade de Saúde, Ciências Humanas e Tecnológicas do Piauí NOVAFAPI, são desenvolvidos de acordo com os pressupostos, teóricos e metodológicos, do Projeto
Político Pedagógico desse Curso, entendendo-se que os alunos devem vivenciar a aprendizagem teoria
e prática, de modo que ambas possam interpelassem constantemente, ou seja, uma sempre
modificando e questionando a outra, a fim de que o processo de construção do conhecimento aconteça
concretamente na realidade social em que os alunos estão estagiando e dessa forma a prática
educacional se faz pelo próprio aluno, de dentro para fora e não de cima para baixo como um doação
uma imposição (FREIRE,1983). Com o intuito de buscar-se cada vez mais a aproximação dessa
prática de ensino é que se escreveu esse relato de experiência cujo objetivo é descrever a experiência
vivenciada no Estágio supervisionado I. A PROPOSTA DO ESTAGIO SUPERVISIONADO I: O
estágio curricular foi desenvolvido em ambiente de hospital geral e especializado, como também nas
instituições da rede básica de saúde pública, proporcionando aos alunos experiências efetivas em
situações concretas da prática de enfermagem, com a orientação dos professores, na proporção de um
professor para cada três alunos.As atividades desenvolvidas durante o estágio tiveram como princípio
básico à integração ensino serviço, a aproximação teoria prática, pois se entende que a relação teoria e
prática nos levam a uma interpretação mais próxima da realidade, mais contextualizada e crítica.Assim
pensando, a programação do Estágio Curricular I foi construída em comum acordo com a direção dos
serviços de enfermagem das instituições de saúde que serviram de campo de prática, numa tentativa de
aproximação do plano de ação da escola com os serviços, na busca de superar a visão meramente
técnica do estágio e gerar uma integração entre a Faculdade e as instituições de saúde e de
enfermagem. Os objetivos do Estágio Curricular I são: elaborar plano de trabalho após o levantamento
de dados e reflexão crítica sobre a situação do campo de prática; implementar o plano de atividades
proposto, participando do processo gerencial da unidade de internação hospitalar e de saúde pública;
desenvolver pesquisas operacionais a partir das necessidades do serviço; desenvolver habilidades
intelectuais e motoras necessárias à realização dos procedimentos da assistência de enfermagem;
aplicar a sistematização da assistência de enfermagem à clientela sob sua responsabilidade; estabelecer
relacionamento cordial com os membros da equipe de saúde e de enfermagem e avaliar no decorrer
dos estágios os avanços alcançados no processo de ensinar e aprender. O Estágio Curricular I foi
desenvolvido em instituições de saúde da rede estadual e municipal da cidade de Teresina relacionadas
a seguir: Hospital Getúlio Vargas (HGV), Hospital Infantil Lucídio Portela (HILP) Hospital Areolino
de Abreu, Sanatório Meduna LTDA, Maternidade Dona Evangelina Rosa (MDER), Centro de Saúde
Vila Bandeirantes, Centro de Saúde Ceci Fortes, Centro de Saúde Cristo Rei, Centro de Saúde Wall
Ferraz. A programação do estágio foi executada de modo a integrar, essas atividades, com as
desenvolvidas pelos serviços de enfermagem das instituições acima mencionadas. Para tanto, foram
realizadas reuniões prévias com as chefias dos serviços de enfermagem, juntamente com um grupo de
enfermeiras das instituições mencionadas acima, momento em que discutimos a proposta do Curso de
Enfermagem, trocando idéias e as possibilidades de integração ensino serviço. Inicialmente, os alunos
desenvolveram um plano de trabalho que constou de um diagnóstico situacional do serviço de
enfermagem levantando os principais problemas dos serviços, em seguida, foram sugeridas soluções
para essas dificuldades, numa escala de prioridades do serviço de enfermagem. A construção do plano
é um exercício crítico de contextualização do aluno na realidade social e o primeiro passo para
1
Ana Maria Ribeiro dos Santos, enfermeira, mestre em enfermagem, professora da Faculdade da NOVAFAPI.Endereço: rua
Professor madeira Nª 1519, Horto Florestal, Teresina Piauí. Email: [email protected]
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
155
percepção de problemas a serem pesquisados. O plano foi desenvolvido dentro das condições
materiais e históricas da realidade dos serviços públicos de saúde. Todas as instituições de saúde
possuíam condições físicas e materiais para desenvolvimento do estágio e parte delas receberam
contribuição efetiva de recursos materiais da NOVAFAPI. A avaliação do estágio aconteceu tanto
durante a sua execução como ao final do estágio e trouxe resultados positivos motivando professores e
alunos. Para exemplificar, no Hospital Getúlio Vargas, o grupo de professores e alunos assumiu
gerenciamento da clínica ortopédica implantando a sistematização da assistência de enfermagem.
Apesar das dificuldades iniciais na organização da clinica, com o planejamento e implementação das
atividades planejadas, verificou-se no final do estágio que os avanços foram significativos. Tanto é
que os professores permanecerão mantendo o campo através de um projeto de extensão, onde irão
atuar na clínica ortopédica, inclusive no período de férias, mantendo o campo de estágio e assim
contribuindo efetivamente com as transformações necessárias para a enfermagem nessa instituição e
desenvolvendo concretamente a integração ensino serviço, o que certamente facilitará o trabalho com
as turmas seguintes. Na rede de saúde pública o aluno teve oportunidade de trabalhar com as
enfermeiras do Programa de Saúde da Família. Optou-se por desenvolver uma escala, com no máximo
dois alunos, para que tivessem oportunidade de aproveitar bem a experiência, não congestionando o
cotidiano do trabalho das unidades, que geralmente tem um porte menor e assim permitindo maior
integração entre as equipes, os alunos e professores. O procedimento de avaliação do Estágio I, foi
através de: freqüência igual ou superior a 75% de comparecimento aos campos de prática;
desenvolvimento de estudos de caso, técnicas de enfermagem, produção intelectual nos prontuários do
cliente, nos relatórios de enfermagem como em outras atividades afins. Participação nas atividades
desenvolvidas nas unidades de internação, no Programa de Saúde da Família, como no ambulatório
das unidades de saúde pública. Apresentação por escrito do plano e relatório final das atividades
desenvolvidas. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Ao avaliar a experiência identificou-se aspectos
positivos e negativos nessa prática. Porém durante o desenvolvimento do mesmo procurou-se avaliar
os aspectos positivos e negativos visando um melhor desempenho no processo ensino/aprendizagem,
neste sentido, procurou-se sanar as questões negativas e aproveitar o máximo o que nos foi oferecido
dentro da programação proposta, no sentido de exercitar a visão crítica sobre o modelo implantado no
sentido de construirmos coletivamente a visão crítica da realidade, ponderando o que foi possível
alcançar naquele momento e o que será possível avançar em momentos futuros.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BRASIL, Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e bases da Educação nacional. Lei nº 9.394 de
20/12/1996.
FREIRE, P. A pedagogia do oprimido. 13. ed. São Paulo: Paz e terra, 1983
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
156
40. REPRESENTAÇÕES DOS DISCENTES SOBRE O ENSINO DE ANATOMIA E
FISIOLOGIA PARA A PRÁTICA DO CUIDADO EM ENFERMAGEM1.
Eloíza Augusta Gomes2.
Girlene Alves da Silva3.
A enfermagem, como qualquer profissão, sempre procurou estruturar a base do seu conhecimento em
princípios, valores e normas para guiar sua ação e a prática do cuidado. O papel do enfermeiro no
provimento de cuidados de saúde está sempre em processo de mudanças, mas estas, não ocorrem
somente no campo do conhecimento cientifico da área. Ocorrem também na melhora da qualidade dos
serviços prestados pelo profissional na medida em que transcendem uma prática prescritiva para
oferecer uma prática humanizada através da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE).
Sistematização que tem no Brasil como precursora o trabalho de Horta (1979) ao destacar as fases que
deveriam ser seguidas no sentido de poder identificar as necessidades dos doentes e propor uma
estratégia de cuidados. Na mesma perspectiva a proposição de Castilho et ai (1991) quando chama
atenção para aplicação do processo de enfermagem como o método de sistematizar a assistência de
enfermagem em qualquer nível de atendimento à saúde.Embora durante a formação na academia seja
enfatizada a necessidade desses conhecimentos, a partir do qual o enfermeiro poderá de fato elaborar
um programa de sistematização, na condição de egresso é possível observar que a efetivação dessa
sistematização para o cuidado encontra barreiras, quer seja no campo dos recursos materiais
institucionais, quer seja de recursos humanos tanto no quantitativo quanto no qualitativo e também
por carências de referenciais específicos de enfermagem. A medida em que passamos a trabalhar mais
efetivamente dentro de uma instituição de cuidado às pessoas doentes sentimos que a barreira mais
significativa para a não implantação da SAE está ancorada na carência dos ensinamentos que auxiliam
na estruturação da base do conhecimento de enfermagem para o cuidado. Compreendemos que o
processo de Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) requer de quem se propõe fazê - lo
conhecimento de diversas áreas do conhecimento, dentre as quais destacamos os ensinamentos no
campo das ciências biológicas, aqui entendidas as disciplinas de anatomia, fisiologia, histologia,
bioquímica. No campo das ciências biológicas temos presenciado discussões sobre a maneira de
integrá-las no processo de sistematização, pois constituem conhecimentos importantes para pensarmos
a implementação do processo de SAE. Baseado nas situações por nós vivenciadas no que diz respeito
a dificuldade dessa institucionalização, fazendo-nos refletir sobre tais fatores impeditivos motivamonos a realizar o presente estudo que tem como objeto " as representações dos discente sobre o ensino
de anatomia e fisiologia para a prática do cuidado em enfermagem". Com o propósito de aprofundar o
conhecimento e contribuir para uma assistência de enfermagem mais humanizada e coerente
elaboramos os seguintes objetivos para o estudo: conhecer as representações dos discentes sobre os
conhecimentos de anatomia e fisiologia na sua formação; Analisar como essas representações
repercutem na implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem. Trata-se de um
estudo de natureza qualitativa. Os dados foram coletados através de um roteiro de entrevista durante o
mês de fevereiro de 2004 junto aos discentes do último semestre do curso de Graduação da Faculdade
de Enfermagem da Universidade Federal de Juiz de Fora. A participação aconteceu de maneira
voluntária após serem informados dos objetivos da pesquisa, sendo assegurando identificação através
de pseudônimo, garantido assim, o anonimato como estabelece a resolução n.° 196/96 do Conselho
Nacional de Ética do Ministério da Saúde. Após transcrição das entrevistas os temas que emergiram
para análise foram assim nomeados: I-A estrutura / O momento que acontece; II - Representando o
ensino de anatomia e fisiologia. Para os sujeitos do estudo, os conhecimentos compartilhados quando
cursam as disciplinas de anatomia e fisiologia embora sejam importantes não são articulados para um
pensar e fazer em enfermagem, tomando um ensino pouco motivador. No entanto, ressaltam que
1
Pesquisa realizada e apresentada na Disciplina Supervisão Integrada III da Residência em Enfermagem Saúde do Adulto da
Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Juiz de Fora.
2
Enfermeira, Especialista em Ações Institucionais e Saúde Coletiva. Endereço: rua Olegário Marcial, 882; aptº: 16. Bairro
Paineiras. CEP: 36016-010. Fone: (32) 3212-0645. E-mail:[email protected]
3
Professor Adjunto I do departamento de Enfermagem Aplicada da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de
Juiz de Fora. Orientadora, e - mail: [email protected]
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
157
diante da sua relevância para o processo de coleta de dados clínicos para elaboração de uma proposta
de cuidado deverão ser (ré) pensados na perspectiva de estabelecer de fato uma articulação entre os
diversos saberes necessários para a prática de fazer o cuidado em enfermagem. Vale ressaltar que não
se trata de descartar ou super valorizar essas disciplinas, pois na medida que não conseguimos utilizar
desses conhecimentos para uma prática específica da enfermagem, poderemos estar propondo uma
assistência como alerta Fridiandert ai (1993) calcada em um modelo médico alopata, pois nesse
modelo, o exame físico realizado pelo enfermeiro é semelhante ao do médico, visto que a base teórica
e os objetivos são os mesmos. O que deve ficar compreendido que ao fazer o exame do usuário, o
enfermeiro deverá ser capaz de identificar problemas de enfermagem. Nesse sentido entendemos que
a maneira, os conteúdos e as articulações dessas disciplinas com o saber especifico da área da
enfermagem possam subsidiar a formação do enfermeiro para realizar o processo de cuidar em
enfermagem. O enfermeiro deverá estar instrumentalizado para prestar o cuidado e é por esta razão
que na sua formação, constam disciplinas como Anatomia/Fisiologia. Estas disciplinas aliadas a
outros conteúdos e habilidades específicas da profissão deverão promover ao discente/enfermeiro a
capacidade de desenvolvimento de habilidades, permanente e perspectiva para se tomar um
profissional autônomo e consciente de sua prática. A realização deste estudo permitiu identificar e
destacar a importância do ensino da Anatomia e Fisiologia como relevante contribuição para a
Sistematização da Assistência de Enfermagem, que vem demandando mudanças de postura, de
comprometimento e principalmente de envolvimento dos profissionais de Enfermagem.
Reconhecendo que a Sistematização da Assistência de Enfermagem - SAE - vem representando um
método trabalho, que tem contribuído para que possamos concretizar o cuidado como uma prática
social na nossa área, verificamos que existem possibilidades e potencialidades para que a
Enfermagem possa, de fato, avançar por este caminho em busca do reconhecimento profissional.
Referências bibliográficas:
BRASIL, M. S. Resolução 196/96. Consentimento livre esclarecido. Brasília, 2000.(mimeogr.).
HORTA, W A . Processo de Enfermagem. São Paulo: EPU, 1979. 90p.
CASTILHO et al.. Planejamento da assistência de enfermagem. In: Kurgant, V (org).
Administração em enfermagem. São Paulo: EPU, 1991, p. 207-214.
FRIEDLANDER, M. R. et al.. Características do exame físico realizado pelo enfermeiro. In:
Revista da Escola de Enfermagem da USP. Vol. 27 N. l. São Paulo, p. 95-99, abr. 1993.
42. SEXUALIDADE, O QUE PENSAM OS JOVENS ESTUDANTES BRASILEIROS?
Aline Machado Benite1
Denize Cristina de Oliveira2
O presente estudo buscou descrever o conteúdo e analisar as representações sociais construídas por
adolescentes sobre sexualidade, em função de seus conceitos e práticas. Foi realizado em Vila Isabel/
RJ, em duas escolas de ensino médio da rede pública estadual, Escola Estadual João Alfredo com 591
alunos participantes, ou seja, 78,5% do total da amostra e Escola Estadual República da Argentina
com 162 alunos participantes, correspondendo a 21,5% da amostra, ambas situadas na zona norte deste
município. Aplicamos um questionário semi-estruturado, precedido de um teste de evocações livres,
no período de agosto a novembro de 2003. Neste estudo os alunos foram instados a escrever as 5
primeiras palavras que surgiram em seu imaginário, em ordem crescente de aparecimento, assim que
leram o termo indutor sexualidade . O objetivo foi o de induzir a imagem do núcleo das
representações sociais dos alunos, fazendo emergir do imaginário, através de palavras, um conjunto de
1
Aluna de Mestrado em Enfermagem da UERJ, bolsista CAPES/ Rua Gastão Cruls, 956-101- 25 de Agosto/ D. de Caxias
RJ- e-mail: [email protected]
2 Professora Titular Faculdade de Enfermagem da UERJ. Rua Gal. Ribeiro da Costa, 178- 1201 Leme RJ/ e-mail:
[email protected]
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
158
significantes para dar dimensão ao conceito de sexualidade, de acordo com os valores, a cultura e a
educação. Também serviram de conexão entre sexualidade, desenvolvimento pessoal, relações
interpessoais e estrutura social desses adolescentes. A amostra foi composta por 753 alunos, na faixa
etária de 14 a 22 anos, sendo 314 do sexo masculino que correspondeu 41,7% da amostra e 439 do
sexo feminino, correspondendo a 58,3% da amostra do estudo. Os resultados obtidos na análise do
SOFTWARE EVOC 2000, ocorreram discrepâncias em relação ao gênero e idades dos sujeitos
estudados. Os sujeitos participantes da pesquisa elaboraram 2.956 evocações, com 239 palavras
diferentes. A estrutura das representações sociais relacionadas à sexualidade está organizada em torno
de um núcleo central, onde constam - bom, camisinha, gênero, necessário, responsabilidade e transar.
Esses termos evocados apresentaram as maiores freqüências, superiores ou igual a 66 e, ao mesmo
tempo, obtiveram as menores médias na ordem de evocação, ou seja, inferior a 2,6. Pode-se observar
que os elementos do núcleo central revelam alguns sentidos particulares do termo sexualidade:
Sexualidade associada a um conteúdo avaliativo positivo: os adolescentes entrevistados definiram
sexualidade como sexo com qualidade através das palavras adoro, curtição, curto, curtir, em-alta,
gosto-sexo, gostoso, delícia, saboroso. Estes termos demonstram sentimentos de prazer e afeição que o
termo evocado provoca aos adolescentes.Sexualidade associada a sexo com uso de preservativo:
retratada pelas palavras camisinha, com-camisinha, camisinha-sempre, preservativo. Os termos
evocados pelos adolescentes refletem as informações adquiridas por estes sobre as formas de
prevenção e cuidado com a saúde, mas também a prevenção da gravidez. Sexualidade e Gênero: neste
quadrante os adolescentes descreveram os termos homem, mulher, homens, mulheres, feminino,
masculino, homens-mulheres, macho e fêmea. Entre os adolescentes entrevistados, compreender a
vivência da sexualidade implica reconhecer que sobre os atributos biológicos definidores dos sujeitos
macho e fêmeo se projeta a identidade do masculino e feminino. Sexualidade e necessidade: retratada
pelos termos necessário, necessidade, indispensável, essencial, fundamental e importante. Tais
palavras exprimem a importância da sexualidade na vida e no cotidiano desses jovens. Sexualidade x
Responsabilidade: as palavras que definem o conteúdo deste quadrante são responsabilidade,
responsável, normal-responsabildade, alguns-irresponsáveis. Sexualidade x Transar: os adolescentes
entrevistados retratam nesta categoria, o sexo, ou seja, o ato sexual como significado real de
sexualidade associando alguns adjetivos ao termo indutor. Estas palavras definem o conteúdo das
representações como ato-sexual, transa, transar, sexo, sexo-é-bom, comer, sacudir-roseira. Já os
elementos do sistema periférico favorecem o vínculo entre a representação do objeto e as condições
concretas e práticas cotidianas que o envolvem. O sistema periférico revela as diferenças existentes no
grupo e as histórias individuais de seus membros, enquanto que no núcleo central percebe-se o
consenso de idéias do grupo e segue um caráter de estabilidade. Os elementos adoro, alegre,
amadurecimento, carinho, com-quem-ama, conhecer, consciência, cumplicidade, doenças, fantasias,
filhos, preconceito e saudável, que aparecem no quadrante inferior direito, possivelmente constituem o
sistema periférico das representações sociais, ou seja, elementos menos freqüentes e mais tardiamente
evocadas (VERGÈS, 1994). Sexualidade associada à satisfação: definida pelas palavras alegre, alegria,
feliz, felicidade. Tais palavras refletem sentimentos de satisfação que os adolescentes evocam.
Sexualidade associada à crescimento pessoal: definida pelas seguintes palavras evocadas
amadurecimento, maturidade, madura, ser-maduro. Estes termos refletem um conteúdo prudente
acerca da concepção de sexualidade como maturidade e condições essenciais para a entrada no mundo
adulto. Sexualidade associada ao auto- conhecimento: definida pelas seguintes palavras conhecer,
conhecer-corpo, conhecer-interior, entender, entendimento, sabedoria, saber, poucos-conhecem. Estas
palavras se agrupam em uma categoria que aponta para o significado do auto-conhecimento, ou seja,
conhecer e compreender a si mesmo. O grupo pesquisado demonstra preocupação em relação ao
desejo do corpo e da alma. Sexualidade como senso de responsabilidade: definida pelas palavras
consciência, consciente, saber-o-que-faz, saber-o-que-quer, cabeça, boa-cabeça, cabeça-no-lugar, tercabeça, mentalidade, lúcido, juízo, importante-pensar-agir. Esta categoria retrata a preocupação do
adolescente entrevistado em responder por seus próprios atos. Sexualidade associada à cumplicidade:
definida pelas palavras cumplicidade, companheirismo, com-quem-ama, carinho. Estas palavras se
agrupam em uma categoria que reflete o conteúdo positivo acerca das relações interpessoais.
Sexualidade associada à doenças: definida pelas palavras doenças, dst, muitas-doenças, farmácia,
remédios, usar-remédios. Estas palavras se agrupam em uma categoria que expressa o medo de
transmissão de doenças através do sexo inconsciente. Sexualidade associada à fantasias sexuais:
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
159
definida pelas palavras fantasia, dança-do-ventre, de-calcinha, de-quatro, dóris-playboy, em-casa, hiphop, imaginação, na-praia, posições, sem-calcinha, sandy, loira, motel, vila-militar, várias-posições,
sexo-anal, sexo-oral, ereção-total, fuder-várias. Estas palavras se grupam em uma categoria que
expressa a idealização que a sexualidade evoca ao grupo pesquisado. Sexualidade associada à
reprodução: definida pelas palavras filho, filhos, gravidez, gravidez-indesejada, gravidez-naadolescência, natalidade, não-ter-filhos-cedo, reprodução. Estes termos refletem a preocupação
relacionada a paternidade /maternidade durante a adolescência. Sexualidade associada ao preconceito:
definida pelas palavras preconceito, discriminação, tabu. Estas palavras refletem um conteúdo
negativo da representação da sexualidade e expressam o sentimento de aversão e julgamento de
valores que a sexualidade evoca em meio à sociedade. Sexualidade associada à saúde vital: definida
pelas palavras saúde, saudável, saúde-física, sem-doença, ter-saúde. Estas palavras associam-se ao
vínculo que os adolescentes buscam fazer com a vida e o bem-estar. No quadrante superior direito
constam os seguintes elementos evocados amor, prazer, prevenção e respeito, e no quadrante inferior
esquerdo os termos que apareceram foram aparência, corpo, cuidado, informação, maravilhoso,
namorar, normal, opção, opção-sexual, tempo-certo que passam a ser os elementos intermediários
entre o núcleo central e a periferia da representação dos adolescentes.Levando em consideração que
representações e práticas encontram-se interligadas, determinando comportamentos e atitudes
específicas diante do problema estudado, o adolescente atribui a sexualidade diferente significados,
refletindo seu meio social. A intenção deste trabalho é a de incorporar novas formas de pensar a saúde
do adolescente, e a relação do profissional de saúde interagindo com a educação, formando subsídios
para o desenho de novos programas de orientação sexual nas escolas. Entendemos que a implantação
de programas que objetivam promover a saúde da criança e do adolescente em escolas, e que ampliam
espaços para os conceitos simbólicos dominantes de nossa cultura, como: tabus, preconceitos, crenças,
ou mesmo modismos, sejam examinados, reavaliados e debatidos, trocando informações e
possibilitando oportunidade de diálogo e reflexão entre jovens e educadores. Ressalta-se, portanto, a
importância de profissionais especializados para discutirem informações a respeito de conflitos
decorrentes da adolescência e da sexualidade, a aproximação da escola às necessidades reais dos
mesmos o desafio de refletir a origem e a função social de rótulos e estereótipos estabelecidos por
nossa sociedade. O profissional que desenvolverá o programa de educação sexual nas escolas, só
alcançará resultados adequados ao seu trabalho, se for capaz de estar disponível a ouvir e refletir,
reconhecer as construções simbólicas relacionadas à sexualidade e aos valores implícitos nas
representações dos adolescentes. Assim, recomenda-se que os profissionais busquem fazer o jovem
refletir e compreender a si mesmo, dar importância a seus valores e ao que pensam, incentivá-los a
construir um projeto de vida e ajudá-los a reconhecer seus limites para que sejam capazes de tomar
decisões responsáveis.
Bibliografia:
ABRIC, J. C. Prácticas sociales y representaciones. México: Coyoacán, 2001. 227p.
BALEEIRO, M. C.; SIQUEIRA, M.J.; CAVALCANTI, R.C.
SOUSA, V. Sexualidade do adolescente - fundamentos para uma ação educativa. Salvador: Fundação
Odebrecht, 1999. 320p.
BRANCO, V. M. C. Os sentidos da saúde dos adolescentes para os profissionais. Dissertação de
mestrado em Saúde Coletiva. UFRJ. Rio de Janeiro 2002. 106p
FOUCAULT, M. História da sexualidade I: à vontade de saber. 11ed. Rio de Janeiro: Graal, 1998.
152p
LOYOLA, M. A. (org.). A sexualidade nas ciências humanas. Rio de Janeiro: ed. UERJ, 1998. 308p
OLIVEIRA, D.C. et al. Análise das evocações livres: uma técnica de análise estrutural das
representações sociais. In PAREDES, A.S. Metodologia de estudo das representações sociais. Ed.
UBPB/Portugal, João Pessoa e Lisboa, 2003 (no prelo).
SÁ, C. P. A construção do objeto de pesquisa em representações sociais. Rio de Janeiro: Ed. UERJ,
1998. 186p
SÁ, C. P. Núcleo central das representações sociais. 2 ed. Petrópolis/Rio de Janeiro: Vozes, 1996.
189p
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
160
43. CONSTRUINDO O PROJETO PEDAGÓGICO DO CURSO DE LICENCIATURA EM
ENFERMAGEM/UFRGS
Miriam de Abreu Ameida1
Valéria Giordani Araújo2
Miriam Suzete de Oliveira Rosa3
Maria da Graça Corso da Motta²
Margarita Rubin Unicovsky²
Maria Henriqueta Luce Kruse²
INTRODUÇÃO O Curso de Licenciatura em Enfermagem foi criado no final dos anos 60 pelo Parecer
nº 837/68 da Câmara de Ensino Superior, concedendo o título de licenciado em enfermagem, para
atender a exigência social de formação profissional de nível médio (à época auxiliares e técnicos de
enfermagem). A criação deste curso levou em consideração a necessidade da formação pedagógica das
enfermeiras4, tendo como justificativa a existência de cursos destinados à formação de auxiliares de
enfermagem bem como a inclusão de estudos de enfermagem como disciplinas e práticas educativas
no ensino médio. Cabe destacar que as licenciadas em enfermagem devem possuir o diploma de
enfermeira como pré-requisito da docência nesta área, configurando uma excepcionalidade dentre as
licenciaturas (MOTTA; ALMEIDA, 2003). Deste modo, essas licenciadas em enfermagem são
docentes de educação profissional com dupla dimensão de conhecimento que contempla os conteúdos
pedagógicos, além da necessária experiência de trabalho como enfermeira. Portanto, são profissionais
que desempenham simultaneamente essas duas funções, de professora e de enfermeira. Na
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o Curso de Licenciatura em Enfermagem teve
seu reconhecimento no ano de 1973. O curso obedecia ao que determinava a Lei 1254/50 Parecer
2085/76 e tinha 585 horas aula distribuídas em 3 semestres letivos. Com a vigência da Lei de
Diuretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB), que estabeleceu a necessidade de novas diretrizes
curriculares para os cursos de graduação, o que inclui as licenciaturas, foi necessário alterar o currículo
do curso então vigente. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores
(CNP/CP1, de 18/02/2002 e CNE/CP2 de 19/02/2002) estabelecem uma carga horária com
integralização mínima de 2800 horas, articulando teoria e prática, e prevendo as seguintes dimensões:
conteúdos curriculares científico-cultural (1800 horas), prática com o componente curricular
vivenciado ao longo do curso (400 horas), estágio curricular supervisionado a partir da segunda
metade do curso (400 horas), e outras atividades científico-culturais (200 horas). A importância dessa
formação se deve ao impacto que as profissionais de enfermagem produzem nos postos de trabalho do
setor saúde, uma vez que representam 28% dos trabalhadores deste setor. Existem hoje no Brasil,
inscritos no Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), aproximadamente 800.000 profissionais de
enfermagem. Destes, cerca de 160.000 são técnicas de enfermagem e 460.000 são auxiliares de
enfermagem. A formação destes 600.000 profissionais é feita por enfermeiras licenciadas.
Entendemos que é papel da universidade pública formar esse profissional que, como tal deve ter uma
sólida formação básica, além de deter experiência e conhecimento do trabalho. Tendo em vista a
importância da formação de licenciadas em enfermagem a Comissão de Graduação da Escola de
Enfermagem da UFRGS está propondo a reestruturação do Curso de Licenciatura em Enfermagem,
visando a adequação às novas diretrizes. A proposta deste curso abrange os eixos docência e pesquisa
para atuar em dois campos distintos, mas interrelacionados: a formação profissional em nível técnico e
o desenvolvimento das habilidades necessárias à educação e saúde. Esta formação docente tem como
1
Enfermeira. Professora Adjunta da Escola de Enfermagem/UFRGS. Coordenadora do Curso de Graduação em
Enfermagem/UFRGS. Doutora em Educação/PUCRS. Endereço: Av. Nilópolis, 280/304. Porto Alegre RS
CEP 90460-050. E-mail: [email protected]
2
Professoras Adjuntas da Escola de Enfermagem da UFRGS
3
Professora Adjunta da Faculdade de Educação da UFRGS
4
Utilizaremos as expressões enfermeira e licenciada no gênero feminino, tendo em vista a predominância das
mulheres na área.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
161
pressuposto o cuidado humano inserido no debate contemporâneo, o que envolve o desenvolvimento
humano e as questões sociais, culturais e econômicas. 2 OBJETIVO: Relatar a construção do novo
currículo de Licenciatura em Enfermagem baseado em ações compartilhadas entre as Unidades Escola
de Enfermagem e Faculdade de Educação da UFRGS. 3 METODOLOGIA DE TRABALHO: Para o
desenvolvimento dessa proposta estão sendo realizadas reuniões quinzenais com os docentes
diretamente envolvidos no projeto. Para facilitar a implementação do novo currículo está sendo
planejada a realização de seminário envolvendo integrantes da comunidade acadêmica para
apresentação e discussão do currículo. Para conhecer as linhas de pesquisa nas quais as professoras
estão inseridas estamos propondo a criação de um banco de dados dos docentes e suas áreas de
orientação. Também está programado um encontro com docentes de Escolas de Enfermagem do
Estado para divulgar o curso e propor futuras parcerias. 4 COMPETÊNCIAS: A formação de
licenciadas em enfermagem tem por objetivo dotar enfermeiras dos saberes e fazeres necessários para
o exercício das seguintes competências: a) Comprometimento com os valores inspiradores da
sociedade democrática; b) Compreensão da função social da educação e saúde; c) Domínio dos
conteúdos a serem socializados, seu significado em diferentes contextos e a articulação
interdisciplinar; d) Domínio do conhecimento pedagógico que possibilite o aperfeiçoamento da prática
pedagógica; e) Compreensão das políticas de educação e saúde; f) Desenvolvimento e aplicação do
conhecimento investigativo na área de educação e saúde; g) Gerenciamento e administração do
processo educativo em saúde, considerando o contexto sócio político cultural e as políticas sociais
vigentes no país. 5 DESENHO CURRICULAR: O novo projeto pedagógico do Curso de Licenciatura
em Enfermagem atende as determinações legais do exercício profissional, as Diretrizes Curriculares
Nacionais e as orientações da Coordenadoria das Licenciaturas da UFRGS (COORLICEN), contidas
na Resolução n.º 04/2004 do CEPE, de modo que as 1800 horas destinadas à formação específica
equivalem ao curso de graduação em enfermagem, visto ser uma exigência legal que o licenciado em
enfermagem tenha o diploma de enfermeiro. Quanto às disciplinas pedagógicas, em um total de 405
horas (27 créditos) serão desenvolvidas nas duas primeiras etapas do curso. Os estágios curriculares,
incluindo a elaboração e o desenvolvimento do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), em um total
de 405 horas (27 créditos) serão desenvolvidos nas duas últimas etapas do curso. A disciplina Estágio
Curricular I Educação e Saúde, visa oferecer condições para implementação e avaliação de projetos
de educação em saúde em escolas infantis, de ensino fundamental e médio, bem como em outras
instituições da rede pública e/ou privada que desenvolvam ações educativas no âmbito da Educação e
Saúde. A disciplina Estágio Curricular II: Formação em Nível Técnico em Enfermagem, visa oferecer
condições para implementação e avaliação de projetos de ensino em cursos profissionalizantes em
nível técnico ou educação continuada em enfermagem. As atividades complementares, em um total de
210 horas (14 créditos) serão desenvolvidas ao longo do curso. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS: O
novo projeto pedagógico e a re-estrutura curricular do curso de Licenciatura em Enfermagem da
UFRGS encontra-se em etapa de finalização para posterior encaminhamento aos órgãos da
Universidade responsáveis por sua aprovação. A especificação das disciplinas, suas súmulas,
conteúdos programáticos, competências e bibliografia básica estão sendo elaborados de forma
conjunta entre professores da Escola de Enfermagem e da Faculdade de Educação. No presente Projeto
Pedagógico busca-se contemplar alternativas que visem diminuir a evasão do curso, como oferecer
disciplinas e estágios em diferentes horários e/ou turnos, bem como ensino à distância, adequando às
necessidades das alunas, enfermeiras inseridas no mercado de trabalho.
Referências Bibliográficas:
BRASIL 2002. Ministério da Educação. Resolução CNE/CP1 de 18 de fevereiro de 2002. Diretrizes
Curriculares Nacionais para Formação de Professores da Educação Básica em Nível Superior Curso
de Licenciatura / Graduação Plena. Brasília. Disponível em www.mec.gov.br/cne. Acesso em 2 de jun.
CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DO RIO GRANDE DO SUL (COREN/RS).
Legislação. Porto Alegre (RS), 2002. 55p.
MOTTA, M.G.C.; ALMEIDA, M.A.A. Repensando a licenciatura em enfermagem à luz das diretrizes
curriculares. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília (DF), v.56, n.4, p.417-419, jul./ago. 2003.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Pró-Reitoria de Ensino. Pró-Reitoria
Adjunta de Graduação - Coordenadoria das Licenciaturas - COORLICEN. Porto Alegre(RS); s/d.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
162
44. EDUCAÇÃO EM SAÚDE - A SAÚDE BUCAL EM PRÉ-ESCOLARES
Michel Bertolo
Priscila Gonçalves Monteiro1
Maria da Penha R. Firmes2
O presente trabalho descreve as atividades do campo de estágio da disciplina de Saúde da Criança e do
Adolescente nas instituições Cáritas Diocesana "Centro da Acolhida da Criança e do Adolescente" e
Centro de Educação Infantil Municipal "Nossa Senhora da Penha". A proposta elaborada pelos alunos
para educação em saúde é direcionada à Saúde Bucal. O tipo de estudo é descritivo. o referencial
teórico apoiou-se no Programa de Saúde Bucal do Ministério da Saúde ( que foi lançado dia 25 de
outubro de 1998, dia do cirurgião dentista, o plano de inclusão de equipe de saúde bucal no Programa
de Saúde da Família, onde foi aberto a todas as cidades do país). Tem como objetivo geral incentivar
crianças de 04 a 06 anos a desenvolverem um cuidado oral incluindo sua anatomia, suas funções
enfatizando a importância da escavação necessária aos dentes ( ou seja a importância dos cuidados
com as duas dentições existentes a primeira dentição e a segunda dentição que são aquelas conhecidas
como dente de leite e a dentição permanente) e os processos preventivos contra doenças bucais como:
cárie, gengivite, periodontite, placa bacteriana, abscesso dentário, fluorose dental, tártaro ou cálculo,
halitose, lesões bucais, traumatismo bucal, dentinogênese imperfeita, Hipoplasia do esmalte, etc., além
disso orientamos e apresentamos funções dos dentes que contribuem para o preparo mecânico dos
alimentos para a digestão, estimula o crescimento dos maxilares através da mastigação ou trituração de
toda substância ingerida por um ser vivo, desenvolvimento da fala e a estética, considerando que os
mesmos melhoram o aspecto da criança e mantém o espaço nos arcos dentários, através do trabalho de
prevenção ensinamos a evitar as placas bacterianas, como também as cáries, o tártaro ( que é uma
irritação da gengiva, que provoca uma inflamação, chamada gengivite), formação de bolsas de pus
(infecção), destruição do osso que suporta o dente, com o uso correto das técnicas de escovação que
deve ser feita logo após as refeições ( café da manhã, almoço e jantar) e antes de dormir, aplicação de
flúor e a utilização do fio dental. Falamos também sobre os cuidados com a dieta, pois existe
alimentos que ajudam na formação das placas bacterianas como o açúcar, na forma de sacarose,
embora seja uma importante fonte de energia, é o principal responsável pela proliferação exagerada
das placa bacterianas. Além de ser encontrada nos doces, estão presente em vários alimentos que
alojam-se entre os dentes e transforma-se em ácidos atacando o esmalte provocando a cárie (O açúcar
aumenta a incidência de cárie principalmente se a quantidade de açúcar consumida diariamente for
exagerada; o açúcar for consumido freqüentemente, ou seja, várias vezes por dia e entre as refeições; a
consistência do alimento açucarado for pegajosa - balas que ficam grudadas nos dentes - A grosso
modo, uma bala pegajosa que permanece na boca por muito tempo, pode causar mais estrago do que
uma quantidade maior de açúcar ingerida rapidamente.) Mas nem todos os alimentos são formadores
de placa, pois existem os "Alimentos Detergentes" que tem a função de eliminar durante a mastigação
outros alimentos que ficam' grudados entre os dentes auxiliando a limpeza. Daí são chamados de
detergentes os frutos carnosos e legumes crus como: maçã, laranja, pêra, cenoura, etc. Como também
orientamos sobre os "Alimentos não Cariogênicos" são os que não provocam cáries: leite, ovos,
peixes, carnes, frutas e vegetais. São muito importantes para a formação de dentes bem calcificados,
fortes e resistentes. A metodologia buscou recursos criativos através do mundo imaginário das
crianças, utilizando materiais dinâmicos e ilustrativos como: televisão de manivela, dramatização, fita
de vídeo Volta ao Mundo com Drª. Dentuço, histórias contadas ( "Fantasia dos Dentinhos'), materiais
didáticos ( Escova dental grande e Tubo de pasta representando os personagem Dona Escova amiga
dos Dentinhos e Senhor Creme Dental fortificante de dentes e protetor contra cárie e um cartaz com
dicas ilustrativas e explicativas do Dr. Dentuço para o sorriso saudável tendo informações de como
escovar os dentes e como usar fio dental); com a expectativa de estimulá-las a cuidar e manter os
dentes limpos e saudáveis.Obteve-se no primeiro resultado desse trabalho o questionamento e
expressões das crianças sobre suas experiências domiciliares demonstrando assim o interesse e
1
Alunos do 6º Período do Curso de Enfermagem UNESC (Centro Universitário do Espírito Santo), [email protected].
Rua Aurélio Bonato, 92 Bairro Honório Fraga. Colatina /ES 29.704-540 Tel: 3711-3984
2
Professora orientadora da disciplina Saúde da Criança e do Adolescente
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
163
compreensão do tema referido. Vale relatar que a maioria dos recursos usados, foram facilitadores e
despertaram curiosidade nessa clientela estimulando a aprendizagem de conceitos, hábitos e outros. A
televisão de manivela foi um dos instrumentos principais, onde as mesmas detiveram maior atenção.
O segundo resultado emergiu da observação da técnica demonstrada em sala de aula, onde as crianças
conseguiram aprender a escovar seus próprios dentes corretamente e compreende que eles são a parte
de nosso corpo que participa da mastigação e prolação, por isso são importantes para o seu
desenvolvimento. É uma iniciativa do grupo trabalhar com crianças pré-escolares pois é um período
ideal para introduzir bons hábitos e iniciar um programa preventivo e educativo de saúde bucal,
fornecendo-lhe informações valiosas, onde as mesmas usufruirão, assim, dos benefícios de uma boa
dentição e gengivas saudáveis, que refletirá de maneira favorável no seu estado de saúde geral por toda
vida. Relatando assim a verdadeira importância da odontologia preventiva para o mundo de hoje,
esclarecendo duvidas, e, principalmente, descobrir que a melhor arma contra problemas bucais está na
prevenção, pois é através dela que destacamos a parte do nosso corpo mais exposta, a face, onde o
sorriso deixa a mostra os nossos dentes, que se tornam elementos de presença marcante em nossa vida.
As crianças puderam compreender a importância da saúdes bucal no nosso dia a dia, pois a
necessidade de uma boa aparência nos leva a nos preocuparmos com os cuidados com nossos dentes,
favorecendo para gengivas saudáveis que são o alicerce de um sorriso perfeito. De tal forma que
permitiu concluir que as crianças aprenderam os conceitos de formação de carie e periodontites bem
como os processos preventivos desenvolvidos ao longo da realização do trabalho.
Referencias Bibliográficas:
PINTO, Issáo Guedes. Manual de Odontopediatria. 6 ed. São Paulo: Artes Médicas. 1984, 299 p.
CLASSEN, Naya Flaitt. Por seu Sorriso: o que você pode fazer para ter dentes bonitos e saudáveis. 1
ed. São Paulo: Grupo Prevenir. 1999, 64 p.
SEIXAS, Lucia, Ministro anuncia a inclusão de odontologia no PSF. Ministério da Saúde, Brasília,
outubro. 1998. disponível em: < http://www.saude.gov.br/bucal1>. Acessado em 22 maio. 2004.
SILVA, Carlos Roberto Lyra, et al. Dicionário de Enfermagem. 1 ed. São Paulo: Editora Difusão
Paulista de Enfermagem. 2004, 693p.
KATO, Keiko, et al . Dicionário de Termos Técnicos de Saúde. 1 ed. São Paulo: Editora Conexão.
2002, 495p.
MANUILA, L ., et al. Dicionário Medico Andrei. 1 ed. São Paulo: Editora LTDA Organização
Andrei. 1997, 858 p.
POTTER, Patrícia A. Grande Tratado de Enfermagem Pratica: Clinica e Pratica Hospitalar. 3 ed. São
Paulo: Editora Livraria Santos. 1998, 999 p.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
45. VIVENCIANDO A EXPERIÊNCIA DO PROFAE
164
NAD/RN: A VISÃO DOS DISCENTES
Jacinta Maria Morais Formiga1
Jucimar França Vilar Lima2
Raimunda Germano Medeiros3
Susana Maria Miranda Dantas4
Introdução: A criação de um curso de especialização na área de formação pedagógica, na modalidade
de ensino a distância (EAD), é de grande relevância social considerando a dimensão continental de
nosso país, a dificuldade de deslocamento dos profissionais diante das exigências do trabalho e,
sobretudo, a necessidade de qualificação dos trabalhadores de nível médio que atuam na enfermagem
ou que se apresentam como candidatos a ingressar no mercado de trabalho da área. Na condição de
integrantes do corpo docente do Núcleo de Apoio à Docência do Rio Grande do Norte (NAD-RN),
acompanhando algumas dificuldades de alunos e professores na vivência dessa experiência, julgamos
ser fundamental avaliá-la. Essa avaliação não se prende ao processo de aprendizagem em si, embora
focalize algumas de suas dimensões, mas ressalta, sobretudo aspectos que dizem respeito a essa
experiência de ensino a distância. De certa maneira, se identifica com a avaliação emancipatória,
defendida por SAUL (1988, p.61) quando afirma que ela se caracteriza como um processo de
descrição, análise e crítica de uma dada realidade, visando a transformá-la . Nessa perspectiva, apesar
da complexidade que envolve o ato de avaliar, disso temos consciência, minimizá-lo, não considerá-lo,
não parece ser a melhor opção quando queremos melhorar a qualidade daquilo que fazemos. Partimos
da idéia de que ao fazermos constatações da realidade presente, com base em depoimentos das pessoas
envolvidas no processo que avaliamos, apesar dos limites, abrimos perspectivas de inovação e
possibilidades de reorientação da prática com vistas ao aprimoramento de sua qualidade. Portanto,
avaliar o Curso de Especialização na Área de Formação Pedagógica, para Enfermeiros, realizado na
modalidade de Ensino a Distância, sob a coordenação do NAD/RN-PROFAE, constitui o objeto desta
investigação. Vários foram os motivos para sua realização: Em primeiro lugar, o fato de vivenciarmos
pela primeira vez a experiência de ensino a distância e como tal muitas eram as nossas dúvidas quanto
ao processo de aprendizagem. Em segundo lugar, constatar as dificuldades e/ou facilidades
vivenciadas no transcorrer do curso e relatadas pelos alunos. Em terceiro lugar, conhecer melhor a
realidade dos alunos e, assim, abrir caminhos e possibilidades de renovação e reorientação da prática
de ensino a distancia. Com base em tais inquietações, algumas indagações feitas, a seguir, serão os
pilares condutores da investigação: Quais as expectativas e motivações dos alunos (enfermeiros) em
relação ao curso? Qual a importância e contribuição do curso para a sua prática? Quais os meios de
comunicação mais usados na relação aluno/tutor? Quais as principais dificuldades registradas no
transcorrer do curso?Assim sendo, são objetivos deste estudo: descrever a motivação e expectativas
dos alunos em relação ao curso; identificar suas principais dificuldades e/ou facilidades no processo
ensino/aprendizagem; identificar os meios mais utilizados para comunicação com o tutor, bem como
as possíveis dificuldades registradas nesse processo e analisar as contribuições do curso na prática
assistencial docente dos instrutores (alunos PROFAE). Metodologia: Trata-se de um estudo do tipo
descritivo-exploratório com análise quanti-qualitativa dos dados. Para Minayo (1998), a quantidade e
qualidade são inseparáveis e interdependentes, ensejando-se assim a dissolução das dicotomias
quantitativo/qualitativo, macro/micro, interioridade e exterioridade com que se debatem as diversas
correntes sociológicas. O estudo foi realizado com os concluintes dos dois cursos de Especialização
em Formação Pedagógica em Educação Profissional na área de Saúde: Enfermagem-PROFAE,
ofertada em Natal/RN, em parceria com ENSP/UFRN, no período compreendido entre os anos de
2001 a 2003, perfazendo um total de 418 alunos. Para a coleta de dados foi utilizado um questionário
1
Enfermeira. Mestre em Enfermagem.Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem/UFRN.
Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem/UFRN.
End; Av. 25 de Dezembro 886, apt° 107, Praia do Meio, Natal-Rn, CEP:59010-030, Fone(84) 2025226.
e-mail: [email protected].
3
Enfermeira. Doutora em Educação. Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem/UFRN.
4
Enfermeira. Mestre em Enfermagem. .Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem/UFRN
2
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
165
com perguntas abertas e fechadas, respondido por 185 concluintes presentes nos seminários de
encerramento dos referidos cursos. Inicialmente foram informados dos objetivos do estudo, solicitando
a cooperação de forma voluntária. A opção pelo questionário, de acordo com GIL (1994), justifica-se
pela abrangência do universo a ser pesquisado, composto por grande quantidade de pessoas e,
também, porque constitui o meio mais rápido e barato de obtenção de informações, não requerendo
preparo especial para sua aplicação, além de garantir o anonimato do requerente . Resultados: Os
dados foram trabalhados tendo como aporte teórico os estudos de Saul (1988), Sordi (1995),
Vasconcellos (1998), Morales (1998), Villas Boas (2002), Dias Sobrinho ( 2003), tomando-se por base
quatro categorias de análise: Dificuldades/facilidades, Motivação/expectativas, Comunicação,
Contribuições à prática. As dificuldades se concentraram principalmente no domínio de alguns
conteúdos, destacando-se o núcleo contextual. Isso, em parte se deve ao fato do enfermeiro ter sua
formação centrada numa dimensão eminentemente técnica, portanto, distanciada de uma abordagem
direcionada à compreensão da realidade social. Em contrapartida o núcleo integrador, aquele que trata
da prática pedagógica em si, apresenta-se como o de maior facilidade no processo ensinoaprendizagem. Admite-se que, em se tratando de uma experiência pedagógica em sua própria área de
atuação como enfermeiro, a prática educativa se dá através de interrelações dinâmicas entre a docência
e a assistência. A principal motivação apresentada pelos respondentes diz respeito ao fato de ser uma
capacitação na área de ensino. Todo ato de ensino tem como propósito a efetivação da aprendizagem,
ela é o reflexo de motivação e de influências diversas, entre elas, as questões trazidas por conjunturas
proporcionadas pelo cenário socioeconômico e político de cada momento histórico. Para os
participantes suas expectativas antes de cursar a formação pedagógica prendiam-se ao
aperfeiçoamento dos conhecimentos e após concluí-lo a maior expectativa diz respeito a melhoria da
prática em consonância, portanto, com os próprios objetivos do curso. Sobre a comunicação
aluno/tutor, o telefone foi o meio mais utilizado, seguido de Internet. Dentre as contribuições do curso
para a prática docente ressaltaram a fundamentação pedagógica pela possibilidade de adquirir novos
conhecimentos. Conclusão: Partindo da idéia de que a avaliação não é um processo autolimitado,
portanto, que basta a si mesmo, entende-se ser fundamental sua realização contínua em se tratando da
prática pedagógica, em virtude da possibilidade de implementar novas mudanças para seu
aperfeiçoamento. Vale, portanto, ressaltar que a avaliação ora realizada forneceu alguns elementos
que, sem dúvida, deverão nortear as experiências subseqüentes do curso em pauta, principalmente, no
que se refere ao conteúdo dos módulos, em particular, aqueles que tratam do núcleo contextual. Em
síntese, apesar de algumas dificuldades já referidas, o curso representou uma experiência de grande
significação sendo recomendado pelos próprios participantes a outros interessados.
Referências Bibliográficas:
GIL, AC. Como elaborar projetos de pesquisa. 3 ed. São Paulo:Atlas, 1994.
MINAYO, MCS. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 5ed.HUCITECABRASCO: São Paulo Rio de Janeiro, 1998. .269p.
SORDI, MRL. de. A Prática de Avaliação do Ensino Superior: uma experiência na enfermagem. São
Paulo: Cortez. Campinas: Pontifícia Universidade Católica de Campinas, 1995.135p.
DIAS SOBRIHO, J. Avaliação: políticas educacionais e reformas da educação superior. São Paulo:
Cortez, 2003.198p.
VASCONCELLOS, CS. Avaliação da aprendizagem: Práticas de Mudança
por uma práxis
transformadora. São Paulo: Libertad, 1998. 125p.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
166
46. PROPOSTAS DE AÇÕES DE ENFERMAGEM QUE VISAM ELEVAR A AUTO-ESTIMA
DAS MULHERES MASTECTOMIZADAS .
Fernanda Brito Cossi1
Adriani Geralda Ribeiro2
Introdução: Após a vivência no estágio da disciplina da Saúde da Mulher, percebi a necessidade de um
acompanhamento e um suporte para com as mulheres mastectomizadas, do município de
Colatina/Espírito Santo, pois era visível a fragilidade e a vulnerabilidade dessas mulheres. Um outro
grande problema observado era a falta de orientações quanto as sua novas condições, não só de vida
mas também sua nova condição de mulher, pois de acordo com BLAND & COPELAND, (1994) a
deficiência da auto-estima agregado a perda da imagem corporal defrontados com o diagnóstico de
câncer de mama afetam diretamente à vida dessa mulher. A mulher passa por várias fases durante todo
o tratamento levando à um conflito de identidade, fazendo com que haja um aumento da ansiedade, a
mulher fique mais frágil e vulnerável a qualquer coisa que pode afetar e comprometer toda seu
tratamento e sua recuperação. Segundo a idéia de BLAND & COPELAND (1994) e BASEGIO
(1999), a falta de motivação e de esperança estariam ligados ao reaparecimento da doença, tendo assim
todo resultado do tratamento prejudicado, pois afeta a qualidade de vida , podendo até haver um
encurtamento á sobrevida. De acordo com SMALTZER & BARE (1998) o isolamento social durante e
após o tratamento estaria de alguma forma ligado aos preconceitos sociais e culturais, ainda mais que
a mama é uma parte do corpo de grande significado pois expressa a identidade feminina, sendo
considerada como atributo de beleza sexual. Deve-se ressaltar também a importância de orientar e
apoiar não só a mulher mastectomizada, mas sim a família que é parte integrante do tratamento, pois
se o suporte emocional for de qualidade será bastante significativo na recuperação da mulher
mastectomizada, ajudando na reformulação da auto-estima e consequentemente ajudando na
restruturação da auto-imagem. Segundo PIRES (1996) se criarmos pensamentos negativos, teremos
desenvolvimento negativo da determinada situação. Porém, se os pensamentos forem de forma
positiva os resultados também serão positivos. Dessa forma vê-se a importância de orientar e capacitar
os profissionais da área de saúde sobre as questões já citadas e analisar a realidade enfrentada pelas
mulheres mastectomizadas no município de Colatina. Objetivos: O maior objetivo é de analisar os
problemas enfrentados durante todo o processo de saúde/ doença, pelas mulheres mastectomizadas,
pois a doença está agregada junto a mudança de condição de sadio para condição de doente, e isso faz
com que ele viva constantemente ameaçado por essa situação, afetando não somente seu corpo mas
também ao seu psicológico e a partir dessa afirmação capacitar profissionais da área de saúde para dar
um suporte adequado e de qualidade para as mulheres mastectomizadas visando o aumento da autoestima. Metodologia: Realizado pesquisa e revisão bibliográfica com análise e síntese de dados do tipo
exploratório e descritivo nos períodos de 1994 à 2004. Estudo realizado por meio do depoimento
pessoal de mulheres mastectomizados, colhidos através de entrevista semi-estruturada, sobre a autoestima, os problemas enfrentados durante toda a fase da doença e da recuperação. Analisar também os
procedimentos adotados durante o processo saúde/doença, pela equipe de profissionais de saúde
visando principalmente à equipe de enfermagem, analisando também a influencia dos familiares.
Resultados Obtidos e Discussão: O câncer de mama é muito estudado, pois tem alta incidência na
população feminina e o seu tratamento muitas vezes é mutilador, podendo levar até a morte. De acordo
com o INCA e o Ministério da Saúde foram registrados no Brasil em 2001, 9.115 óbitos recorrentes do
câncer de mama. Para o Ministério da Saúde (1998) cerca de 80% das mulheres acometidas pelo
câncer de mama descobrem os tumores de forma acidental e já em um estágio avançado da doença. De
acordo com SMELTZER & BARE (1998) toda essência feminina estaria ligada as mamas, que é fator
primordial para a sexualidade, erotismo e para amamentação. A mama para é uma das mais
importantes zonas erógenas assim como a área genital. Não esquecendo que a mama representa
1
Graduanda do Curso de Enfermagem do 8o Período
Enfermeira e Docente do Curso de Enfermagem. End. R. Giacomo Martinelli nº 152 Maria das Graças Colatina -ES Cep
29.705.150. E.mail: fe.bc @ bol.com.br
2
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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proteção e aconchego desde a infância, por isso tem grande importância para ambos o sexos. De
acordo com DIÓGENES,REZENDE & PASSOS (2001) a maior problemática que acontece em
relação ao diagnóstico refere-se à descoberta de forma tardia da doença, pois é um dos principais
determinantes das deficiência de intervenções que tem a pura finalidade de reduzir a mortalidade, pois
sabe-se que quanto mais avançado o estágio, mais mutilante será o tratamento. Segundo RIBEIRO &
SILVA (2003), o câncer é visto como uma fase muito complicada de ser vivida, por isso há grande
necessidade de aceitar a doença, e mudar alguns hábitos e até mesmo estilos de vida. Vê-se a
importância de vivenciar momentos agradáveis. Afirma ainda que é muito difícil trabalhar com
pacientes oncológicos devido sua fragilidade, pois é uma doença que envolve diretamente o
sofrimento e a dor. E para o autor a auto-estima é reflexo dos nossos sentimentos, ligados a todos os
momentos vividos. A capacidade de buscar uma auto-estima está ligada diretamente à uma melhor
qualidade de vida, que é um conjunto multidimencional que inclui o estado funcional (auto-cuidado),
funcionamento social e bem-estar psicológico e espiritual (SMELTZER & BARE , 1998). As
mulheres câncer de mama na maioria das vezes tem uma grande necessidade de falar sobre o futuro
que para elas é uma coisa incerta, um outro assunto abordado é a fé e suas esperanças, e grande
incerteza de que se elas serão capazes de controlar crises ou obstáculos que hajam pelo caminho.
Conclusão: O enfermeiro é de grande importância pois pode ajudar a mulher através de orientação e
apoio, visando os aspectos bio-psico-sociais. É muito importante conhecer a fundo cada paciente, sua
história, suas dúvidas, anseios, incertezas, para que juntos (enfermeiro, mulher, família, todos
envolvidos no tratamento) possam desenvolver todo um trabalho de recuperação da auto-estima
devolvendo a vontade de viver , e traçando novos objetivos de vida. Pode haver intervenções para
melhorar o auto-cuidado, fazendo com que a mulher conheça sua doença, tratamentos, seus efeitos,
trabalhando os temores e as ansiedades, melhorando sempre a capacidade de decisões, por isso a
grande necessidade de uma criação de grupos de apoio para essas mulheres. Não esquecendo nunca
que devemos atuar com respeito ao ser humano e à vida, reconhecendo as diferenças e as expressões
de cada um . ( RIBEIRO & SILVA, 2003).
Referências Bibliográficas:
BASEGIO,L.B. Câncer de Mama: Abordagem Multidiciplinar, Rio de Janeiro: Revinter, 1999.
BLAND, K.I; COPELANE. E.C. A Mama- Tratamento Compreensivo das Doenças Benignas e
Malignas. São Paulo: Manole, 1994.
DIÓGENES, M.A.R; REZENDE, M.S; PASSOS, N.M.G. Prevenção do Câncer: Atuação do
Enfermeiro na Consulta de Enfermagem Ginecológica: Aspectos Éticos e Legais da Profissão.
Fortaleza: Pouchain Ramos, 2001.
PIRES,F.R.L, et al. Brincando com Deus. O início de uma jornada em busca do elo perdido. 3º ed.
Porto Alegre: sagra,1996.
RIBEIRO, M.C.P; SILVA,M.J.P. Avaliação do sentimento de auto-estima em Pacientes Portadores de
Patologias Oncológicas e Onco-Hematológicas que utilizam as Terapias Complementares. Revista
técnica de Enfermagem Nursing, São Paulo, v.63, n.6, p.20-23, agosto 2003.
SMELTZER, S.C; BARE,B.G. Brunner e Suddarth - Tratado de Enfermagem Médico Cirúrgico. 8º
ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998, v.2.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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47. PROPOSIÇÃO DE ESTRATÉGIAS PARA PREVENÇÃO DE ÚLCERAS DE PRESSÃO
EM USUÁRIOS ACAMADOS NOS SERVIÇOS DE SAÚDE.
Marília Bravin1
Adriani Geralda Ribeiro2
Introdução: A decisão de estudar sobre úlceras de pressão surgiu no decorrer de minha vivência
durante a graduação de Enfermagem, quando tive oportunidade de avaliar e implementar ações de
enfermagem, pois observava que os usuários internados na instituição hospitalar e que apresentavam
limitações de movimentos físicos, com determinadas doenças ou debilitações e pela ausência de
protocolos e rotinas para avaliar potenciais de risco, com freqüência, desenvolviam úlceras de pressão.
A enfermagem como profissão deve atender as necessidades globais do indivíduo, sendo assim é
imperioso para o Enfermeiro planejar ações e estratégias que atendam as necessidades individuais do
ser humano em atendimento. A equipe de enfermagem tem como um dos seus atributos o atendimento
as necessidades humanas básicas descritas por Maslow para a promoção, recuperação e reabilitação da
saúde. O presente trabalho tem o intuito de propor estratégias para prevenção de úlceras de pressão em
usuários acamados nos serviços de saúde. De acordo com os pressupostos mencionados acima,
decorre-se da necessidade de instaurar mecanismos como a implementação da Escala de Braden pela
equipe de enfermagem do hospital, visando prevenir o surgimento de lesões, já que estas acarretam
prejuízos estruturais e estéticos aos internos da instituição hospitalar, além de ser uma via de grande
potencial para o surgimento e disseminação de infecções hospitalares. Segundo SILVA (1998), as
úlceras de pressão são sinônimos de deficiência na qualidade da assistência de enfermagem prestada.
Somando-se a isto, KNOBEL (1998) , menciona que a úlcera de pressão constitui um sério problema
que afeta aproximadamente 9% do total dos pacientes hospitalizados e 23% daqueles em atendimento
domiciliar. Tomando como base o entendimento de Knobel, seria essa uma suposta realidade
vivenciada nos hospitais, principalmente quando o dimensionamento de pessoal não é suficiente para
atender a demanda dos usuários, ou ainda quando a enfermeira acumula diversas funções,
distanciando-se da assistência, ou ainda quando não foi implementada a sistematização da assistência
de Enfermagem. Vários são os serviços que a equipe de enfermagem pode oferecer ao cliente
hospitalizado de forma a prevenir o surgimento de úlceras de pressão. Entretanto, alguns parâmetros
podem ser avaliados com o intuito de subsidiar informações relativas ao aparecimento de úlceras de
pressão como a freqüência com que ocorre seu aparecimento, os fatores de risco a que os acamados
estão expostos, bem como as localizações mais susceptíveis e o grau em que a úlcera de pressão se
encontra. A busca de meios relacionados à prevenção de úlceras de pressão deve ser uma preocupação
de toda equipe, tendo-se como objetivo a necessidade de orientar a equipe de enfermagem e gerência
do hospital sobre a importância da utilização e seguimento de rotinas para a prevenção de úlceras de
pressão em usuários acamados internados em uma instituição prestadora de serviços de saúde. Diante
dessa realidade, este estudo é de importância para o hospital, para a equipe de enfermagem e para o
usuário do serviço. Ao mesmo tempo, fornece subsídios, contribuindo para a diminuição da estadia
hospitalar do interno, reduzindo os custos hospitalares, bem como para a sistematização da assistência
de enfermagem, facilitando a unificação da linguagem e elevando a qualidade da assistência prestada.
Objetivos: 1.Fornecer subsídios, contribuindo para a diminuição da estadia hospitalar do usuário do
serviço de saúde. 2.Reduzir os custos hospitalares. 3.Contribuir para a sistematização da assistência de
enfermagem, facilitando a unificação da linguagem e elevando a qualidade da assistência prestada.
Metodologia: Este estudo realizou um levantamento bibliográfico, embasado em referenciais técnicocientíficos idôneos, publicados no período de 1997 a 2004, utilizando-se da análise e síntese, e do
método dedutivo, tendo como base teórica bibliografias especializadas referentes às úlceras por
pressão. Resultados Obtidos e Discussão: A integridade da pele do usuário do serviço de saúde é algo
que define nossa assistência, e se não for realizada adequadamente poderá aumentar a duração da
estadia hospitalar, principalmente do cliente acamado, atrasando seu retorno para casa e aumentando o
1
Graduanda do Curso de Enfermagem do 8o Período
Enfermeira e Docente do Curso de Enfermagem
End. R. Milton Manoel dos Santos nº 370/1003 Jardim Camburi Vitória-ES Cep 29.090.110
E.mail: [email protected]
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8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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risco de complicações. Quando a integridade da pele é alterada, deixa o corpo vulnerável ao ataque de
patógenos. O cuidado adequado com a pele é uma parte importante no programa de prevenção de
úlceras de pressão. Com a intenção de colaborar na prevenção de úlceras de pressão, o conhecimento
dos fatores de risco ajudam a planejar intervenções preventivas para os usuários dos serviços de saúde,
garantindo uma assistência de qualidade. Entretanto é necessário entender que o estado geral do
indivíduo é muito importante. Algumas localizações corpóreas prevalecem a incidência de úlcera
quando o cliente está doente. Para colaborar na prevenção de úlceras de pressão, vários pesquisadores
elaboraram escalas para que os enfermeiros pudessem indicar quais indivíduos correm risco para
desenvolvê-las. Entre as mais citadas estão a de Norton, a de Gosnell, a de Waterlow e a de Braden.
(SILVA,1998). A primeira escala a ser desenvolvida foi a Escala de Norton. Ela consiste em cinco
fatores de risco: condições físicas, estado mental, atividade, mobilidade e incontinência. Cada um dos
fatores é dividido em vários níveis, e cada nível é pontuado de 1 a 4, com uma ou duas palavras
descritivas para cada nível.(SILVA,1998). A soma dos cinco níveis pode variar de 5 a 20. Uma
pontuação total de 10 ou menos indica risco de úlcera de pressão. Uma pontuação abaixo de 12 indica
alto risco. (HESS, 2002). Observa-se que esta escala não contempla a idade, as condições da pele, a
fricção e o cisalhamento, mencionados na literatura como fatores de risco para o desenvolvimento de
úlceras de pressão. Para JORGE & DANTAS (2003) a escala de Gosnell está constituída de cinco
fatores de risco: estado mental, continência, mobilidade, atividade e nutrição e contém ainda itens
relativos à avaliação da integridade da pele. A faixa de pontuação varia de 5 a 20; contudo uma
pontuação mais alta indica um risco mais elevado. DEALEY, (2001), SILVA (1998) e JORGE &
DANTAS (2003) concordam que a escala de Waterlow funciona como um guia para avaliação de
paciente com risco para desenvolvimento de úlceras de pressão, além de condutas preventivas. Esse
indicador leva em consideração: constituição/ peso x altura, continência, áreas visuais de risco/tipo de
pele, mobilidade, sexo/idade, apetite, desnutrição tecidual, déficit neurológico, grande cirurgia/trauma
e medicação, sendo que os últimos quatro fatores são considerados de risco especial. A pontuação
também é invertida, de modo que, quanto mais alto o escore , maior é o risco. Para JORGE &
DANTAS (2003), a Escala de Braden, foi desenvolvida como estratégia para diminuir a incidência de
úlceras de pressão. Ela consiste em seis subescalas: percepção sensorial, umidade, atividade física,
mobilidade, nutrição, fricção e cisalhamento. As subescalas são pontuadas de 1 a 4, exceto para fricção
e cisalhamento que é pontuada de 1 a 3. Cada subescala é acompanhada de um título e cada nível, de
um conceito chave. Os escores variam de 6 a 23, correspondendo os baixos escores a um alto risco
para o desenvolvimento de úlcera de pressão. É uma escala que demonstrou ter maior sensibilidade e
especificidade que as outras escalas. (DEALEY, 2001). Conclusão: Para garantir uma assistência de
enfermagem qualificada a clientes acamados, deve-se ter como meta a prevenção da ocorrência de
úlceras de pressão, por isso os aspectos abordados nesse trabalho são fundamentais para que se possam
atuar na prevenção de danos à pele e comprovar a eficácia de medidas/terapias preventivas ou então,
propor novas intervenções/estratégias que lhe pareçam necessárias.
Referências Bibliográficas
JORJE, S. A; DANTAS, Sônia R. P. E. Abordagem Multiprofissional do Tratamento de Feridas. São
Paulo: Atheneu, 2003. 378 p.
KNOBEL, Elias. Condutas no Paciente Grave. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 1998. v2.
SILVA, Maria do Socorro Moura Lins. Fatores de Risco para Úlceras de Pressão em Pacientes
Hospitalizados. 1998. 89 p. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) Centro de Ciências da Saúde,
Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa.
HESS, Cathy Thomas. Tratamento de feridas e úlceras. 4.ed. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso
Ed, 2002. 226 p.
DEALEY, Carol. Cuidando de feridas: um guia para as enfermeiras. 2. ed. Saõ Paulo: Atheneu, 2001.
216 p.
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48. GANHOS SECUNDÁRIOS MOTIVADOS POR FERIDAS CRÔNICAS EM CLIENTES
PORTADORES DE DIABETES MELLITUS DO TIPO 2: NÃO SE PERDE SEMPRE
Fernanda Águida Lievore1
Lauer Marinho Sardenberg2
Jussara A G N Sardenberg3
O presente estudo nasceu após observação sistemática dos clientes que, mesmo em condições de
realizar o tratamento adequado (para cuidado de feridas, relacionado ao diabetes), não desejam estar
curados. A observação ocorreu durante o desenvolvimento da disciplina de Procedimentos em
Enfermagem, realizado na comunidade. Clientes com mais de 5 (cinco) anos com úlcera, quando
estavam próximos da cura, passaram a não retornar ao ambulatório com a mesma freqüência, ou
retornavam com suas feridas abertas e sujas, sem condições terapêuticas. Este estudo de abordagem
qualitativa, tem como objetivo analisar os ganhos secundários motivados por feridas crônicas em
clientes portadores de Diabetes Mellitus do Tipo 2 , e também a possibilidade de ganhos secundários
de clientes com diferentes tempos de lesões crônicas, se essa ferida afetou e como afetou sua vida
emocional e atividades rotineiras; refletir com os demais profissionais da área de saúde sobre os
possíveis ganhos desses clientes, e sua implicação direta ou indireta no processo de cicatrização;
propor entre os enfermeiros um programa de avaliação sobre esses ganhos em clientes diabéticos,
trabalhando a sua reinserção à vida diária, com a ferida cicatrizada ou suas devidas adaptações,
avaliando quais foram os possíveis benefícios dessa ferida para a vida do cliente, o quão difícil foi a
aceitação da cura e o quanto esses benefícios implicam na não adesão à terapia. Os referenciais
teórico-metodológicos proposto foram BARE & SMELTZER (2000) que diferenciam os diabetes dos
tipos 1 e 2; relacionam as manifestações clínicas do diabetes e os comportamentos de autocuidado
importantes em sua prevenção; identificam os instrumentos de ensino e grupos de apoio comunitários
disponíveis para as pessoas com diabetes; descrevem as estratégias de tratamento que uma pessoa com
diabetes deve utilizar durante os dias de doença ; usam o processo de enfermagem como uma
estrutura para o cuidado com o paciente diabético. CÂNDIDO (2001) enfoca que o tratamento das
feridas exige a consideração de inúmeros fatores, como a identificação do agente etiológico da
enfermidade de base, da fase evolutiva da ferida, das características individuais de cada cliente e dos
recursos materiais e humanos disponíveis. Expõe o processo cicatricial e as fases da cicatrização, que
são: fase inflamatória ou exsudativa, fase proliferativa e fase de maturação ou remodelação. Relata que
o fator psicossocial é importante, já que o cliente pode utilizar-se da ferida para chamar atenção,
comunicar-se buscando maior apoio pessoal e solicitar um maior envolvimento dos parentes próximos
e dos profissionais da área de saúde. Em virtude desse binômio ferida/atenção, é muito comum
acontecer a somatização, retardando assim uma cicatrização mais rápida. Relata que um suporte
psicológico, tanto para o cliente quanto para os familiares, é um ponto chave nesse tipo de consulta
pois, segundo Freud, a perda de uma pessoa amada ou o ódio reprimido poderão, inconscientemente,
originar lesões cutâneas. FENICHEL (2003) afirma que os lucros secundários desempenham papel
mais importante do que as neuroses, podendo acontecer que os sintomas signifiquem,
secundariamente, que o cliente está demonstrando o seu desamparo a fim de conseguir ajuda externa,
tal qual desfrutava quando criança. É freqüente ver casos em que o modo de combater ou impedir os
lucros secundários constituem o problema mais importante do tratamento. Enfatiza que o lucro
secundário principal consiste em ganhar atenção pelo fato de estar doente ou como tranquilização e
promessa de ajuda e proteção. Não é raro, também, se perceber a doença como direito a privilégios, os
quais consistem em vantagens materiais ou em proveitos psíquicos. ERNEST, LOOSEN &
NURCOMBE (2002) dizem que os pacientes com transtorno factícios às vezes usam a doença para
obter benefícios de incapacidade ou liberação de obrigações usuais como trabalho, já que suas doenças
podem evocar a atenção de membros da família que, de algum modo, poderiam não estar disponíveis.
Utilizou-se como campo de pesquisa para esse trabalho, as três mais importantes Unidades Sanitárias
1
Graduanda do 8º Período de Enfermagem no Centro Universitário do Espírito Santo UNESC e relatora do trabalho.
Enfermeiro, Docente do UNESC, orientador do trabalho.
3
Enfermeira, Docente do UNESC, co-orientadora. E-mail: [email protected]/[email protected]
2
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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do Município de Colatina-ES, nas quais por meio do cadastro das fichas do programa Estratégia Saúde
da Família (ESF), foram selecionados clientes portadores de Diabetes Mellitus, que possuem uma
ferida crônica, para futura visita domiciliária. Esses clientes foram contactados e, por meio de
entrevista puderam falar sobre a ferida. Observou-se, também, se, voluntária ou involuntariamente,
estão retardando o processo de cicatrização, se há ganhos secundários oriundos dessa ferida e quais
seriam esses possíveis ganhos e a adesão ou não do cliente ao tratamento. Fez-se ainda, avaliação do
quanto a família está efetivamente contribuindo para a cicatrização da ferida, como o diabético encara
sua doença crônica e se responde positivamente à terapia. O estudo vem sendo realizado com 05
clientes, 03 homens e 02 mulheres, com idades entre 55 e 70 anos, com diagnóstico de Diabetes
Mellitus do Tipo 2. Eles são visitados periódica e individualmente, com acompanhamento do
tratamento, e da medicação que está sendo administrada, bem como a evolução da ferida. Nas
abordagens, observou-se uma extrema sensibilidade, por parte dos clientes, quando se trata dos
cuidados com a ferida. Através de análise dos dados pode-se perceber que em todos os clientes havia
ganhos, pois relataram que as visitavas eram freqüentes, de modo que raramente se sentiam
abandonados ou sós. Até os agrados dos vizinhos eram uma constante. Percebeu-se que, sem o apoio
social não conseguem sutentar-se sozinhos. A maioria se sente deprimida e precisa da atenção de
outras pessoas. Conclui-se que é importanteo enfermeiro entender que a Assistência de Enfermagem
vai além das orientações dos indivíduos ou a realização de curativos bem feitos. É de especial
importancia durante a anamnese, conhecer melhor os fatores socioeconômicos e de saúde mental para,
se necessário, realizar as devidas intervenções e encaminhamentos de acordo com a proposta de ação.
Caso isto não seja efetivado, o apoio ao cliente em buscar a sua melhora, será uma luta solitária do
enfermeiro.
Referências Bibliográficas
BRUNNER E SUDDARTH. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 9ª Edição. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2002. 1084p, vol 1.
EBERT, Michael H; LOOSEN, Peter T.; NURCOMBE, Barry. Psiquiatria: Diagnóstico e Tratamento.
1ª Edição. São Paulo: Atheneu, 2004. 619p.
FENICHEL, Otto. Teoria Psicanalítica das Neuroses: Fundamentos e Bases da Doutrina Psicanalítica.
1ª Edição. São Paulo: Atheneu, 2003. 665p.
CÂNDIDO, Luiz Cláudio. Nova Abordagem no Tratamento de Feridas. 1ª Edição: Senac São Paulo,
2001. 282p.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES: Consenso brasileiro de conceitos e condutas para o
diabetes mellitus. São Paulo, 1997.
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49. LEVANTAMENTO SOBRE O USO DE ÁLCOOL NO PROGRAMA DE REABILITAÇÃO
PARA MULHERES - MASTECTOMIZADAS PREMMA.
Franciéle Marabotti1
Tatiane Comério
Maria Helena Costa Amorin
Os objetivos deste estudo foram levantar o uso de álcool nas mulheres com diagnóstico de câncer de
mama e submetidas a mastectomia, que estão matriculadas no Programa de Reabilitação para
Mulheres Mastectomizadas, e examinar a relação do álcool com as variáveis: faixa etária, grau de
instrução, religião e estadiamento. A amostra constituiu-se de 100 (cem) mulheres mastectomizadas,
participantes do referido programa, localizado no Ambulatório Ylza Bianco, do Hospital Santa Rita de
Cássia. No Brasil, nas últimas duas décadas, a taxa bruta de mortalidade por câncer de mama
apresentou uma elevação de 68%, passando de 5,77 em 1979, para 9,70 mortes por 100 mil mulheres
em 1998. É a maior causa de óbitos por câncer na população feminina, principalmente na faixa etária
entre 40 e 69 anos. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (2001), a principal causa de mortalidade
feminina do Espírito Santo é devido ao câncer de mama. Em 2000 o coeficiente de mortalidade por
câncer de mama por sexo foi de 11,83 entre a população residente em Vitória. Os fatores de risco que
predispõe para essa alta incidência incluem: reprodutivos e hormonais, genéticos, clínicos,
nutricionais, ambientais, idade e sexo, e ainda, outros fatores, como uso de contraceptivos orais por
mais de 4 (quatro) anos, terapia de reposição hormonal prolongada, lactação, exposição à radiação
ionizante, situações emocionais de estresse, tabagismo e ingestão de álcool são questionáveis, não
apresentando, até o momento, nenhuma relação conclusiva com o câncer de mama. A detecção
precoce dessa neoplasia aumenta as chances de cura, evita que o câncer se espalhe para outras partes
do corpo, favorecendo o prognóstico, a recuperação e a reabilitação. Assim, a mulher deve buscar o
autocuidado, realizando o auto-exame e outros recursos básicos disponíveis como o exame clínico e a
mamografia. Através da biópsia é obtido o grau de malignidade do tumor que é avaliado de acordo
com o estadiamento clínico.O estadiamento do câncer de mama leva em conta o tamanho do tumor
primário (T), o envolvimento de linfonodos (N) e a presença ou não de metástase à distância (M)
Sistema TNM de Classificação de Tumores Malignos. A partir do estadiamento da doença, do tipo de
tumor e o estado de saúde da paciente define-se a opção de tratamento. As terapêuticas mais usadas a
nível local são as cirurgias e/ou radioterapia e, a nível sistêmico, é a quimioterapia ou
hormonioterapia. A Reabilitação vem auxiliar os métodos de tratamento para que o paciente tenha uma
melhor qualidade de vida. Apesar dos grandes avanços terapêuticos, o câncer de mama continua sendo
a principal causa de morbi-mortalidade e o tipo de neoplasia mais temido entre as mulheres, pois traz
em si um caráter agressivo e traumatizante para a vida e saúde da mulher, podendo afetá-la nas
dimensões biopsicossocioespirituais, acarretando modificações na imagem corporal, ou seja, na
percepção que tem do próprio corpo e, conseqüentemente, no conceito que ela tem de si mesma. No
Brasil, o estudo do alcoolismo constitui-se em uma constante busca de novas formas para se intervir
no problema e estabelecer uma visão preventiva e curativa, a fim de que em tão grave situação de
saúde pública se possa vislumbrar alguma possibilidade de mudança. De acordo com a edição revisada
do Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 10% das mulheres e 20% dos homens
já reuniram os critérios diagnósticos para abuso de álcool durante suas vidas, e 3 a 5% das mulheres e
10% dos homens já reuniram os critérios para o diagnóstico mais sério de dependência de álcool. Após
a doença cardíaca e o câncer, os transtornos relacionados ao álcool, hoje, constituem o terceiro
problema mais importante de saúde nos EUA. Em praticamente todos os países, é evidente a
predominância do alcoolismo entre os homens, entretanto, apesar do consumo do álcool ser ainda
menor no sexo feminino, seu impacto pode ser maior do que entre os homens, causando grandes danos
à saúde da mulher. As mulheres alcoolistas têm uma morbidade 1,5 a 2 vezes maior do que os homens,
isto é, as complicações físicas decorrentes do álcool aparecem antes e de forma mais grave nas
mulheres. Estima-se que o álcool seja o responsável por 4% de todos os casos de câncer de mama
registrados no mundo. Calcula-se que, em média a cada 100 (cem) mulheres, aproximadamente 9
1
Graduação de Enfermagem e Obstetrícia UFES; [email protected]; rua Manoel Messias dos santos, 133, Maruípe
cep: 29047-650, Vitória ES.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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(nove) desenvolverão câncer até os 80 (oitenta) anos. Esse percentual aumenta para 9,5 entre as
mulheres que bebem uma dose de álcool diariamente, e para 13,5 casos em 100 (cem), se o consumo
passa a ser de 6 (seis) doses diárias. Cerca de 10 (dez) gramas de álcool por dia elevam em 7% as
chances de a mulher apresentar o tumor na mama. Isso está relacionado à unidade padrão utilizado
internacionalmente para o álcool 10 (dez) gramas que equivale à cerca de uma taça de vinho ou
meio copo de cerveja. No entanto, vale ressaltar que mulheres mais jovens com pouco risco de
desenvolver a doença, o consumo de álcool é menos prejudicial, já mulheres mais velhas que já tem
mais chance de ter o tumor, o risco é mais grave. Os cientistas ainda não sabem o que pode elevar o
risco para o desenvolvimento do câncer de mama, mas acreditam que o álcool altera os níveis de
estrógeno, aumentando esse hormônio circulante no sangue. Os estrógenos têm um efeito estimulante
à divisão de células mamárias, o que aumenta a probabilidade de erros no DNA celular, gerando
mutações. A mutação inicial até o desenvolvimento de metástases é acelerada pelo incremento dos
estrógenos. Dessa forma, o consumo de álcool por favorecer o aumento do estrógeno sanguíneo vem
sendo alvo de estudos como um fator de risco para o câncer de mama. Assim, na tentativa de
relacionar o uso do álcool com a doença que mais acomete as mulheres atualmente, buscamos
pesquisas que venham relacionar essa droga com o câncer de mama. Como instrumentos para coleta
de dados, foram utilizados entrevista com registro em formulário, prontuário da paciente e um
questionário padronizado, denominado CAGE. Os dados foram analisados por meio do Statistical
Package Social Science (SPSS) versão 8.0 1997. Os resultados encontrados demonstram que 21,9%
da amostra têm diagnóstico de presença do uso de álcool, e as variáveis religião e faixa etária
apresentaram significância estatística. O passo inicial sobre a relação do álcool com o câncer de mama
foi dado, mas há questões relevantes, que dada à complexidade, deixaram de ser destacadas no
presente trabalho, merecendo, no entanto, outros estudos.
Referências Bibliográficas:
CÂNCER
de
mama:
fatores
de
risco.[S.I.:s.n.,
200-].
Disponível
em:
<http://www.acssjr.hpg.ig.com.br/fatores_de_risco.htm>. Acesso em: 05 ago. 2003.
GORENSTEIN, C.; ANDRADE, L. H. S. G.; ZUARDI, A. W. Escalas de avaliação clínica em
psiquiatria e psicofarmacologia. Revista de Psiquiatria Clínica.rev. e atual. v. 25, n. 5 e 6, 1998, v. 26,
n. 1 e 2, 1999. São Paulo: Lemos, 2000. 438 p. ISBN 85-7450-057-7.
HOCHGRAF, Patrícia B. Mulheres fármaco dependentes. Jornal Brasileiro de Dependências
Químicas, Porto Alegre, 2 (Supl. 1) : 34-37, fev. 2001.
Instituto Nacional do Câncer.Câncer de mama.[S.I.:s.n.], 2002a. Disponível em:
<http://www.inca.gov.br/cancer/mama.html>. Acesso em: 12 jul. 2003.
REEVES, Giulliam. Alcohol increases breast câncer risk. BBC news world edition-hearh.
[S.I.:s.n.,1998]. Disponível em: <http://news.bbc.co.UK/2/hi/health/2445273.stm> . Acesso em: 23
ago. 2003.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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50. TESTE PILOTO DE CERTIFICAÇÃO DE COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS DO
AUXILIAR DE ENFERMAGEM PROFAE: UMA VISÃO DO ENFERMEIRO/AVALIADOR
Cleusa Gomes Picalo1
Elizabete Regina Araújo de Oliveira
Luciene Freitas Lemos Borlotte
Introdução: Com a promulgação da Lei nº 7498, de 25 de junho de 1986, que regulamentou o
exercício de Enfermagem, muitos trabalhadores que estavam atuando como profissionais nessa área,
sem a devida formação especifica citada em lei, se tornaram irregulares. No entanto, esta mesma lei
concedeu a estes uma autorização para executar atividades elementares de Enfermagem por um
período de 10 anos com o objetivo destes se regularizarem nesse intervalo de tempo. O tempo passou e
muitos destes trabalhadores não conseguiram a formação exigida pela referida lei, devido a vários
fatores. Segundo o Ministério da Saúde (2002), cerca de 225.000 trabalhadores continuavam a
executar suas atividades de forma irregular.O PROFAE, Projeto de Profissionalização dos
Trabalhadores da área de Enfermagem criado pelo Ministério de Saúde, através das Secretarias de
Políticas de Saúde e de Gestão de Investimento à Saúde, surge com o objetivo de qualificar tais
profissionais, sendo o Espírito Santo base do projeto piloto. O PROFAE segue a um padrão de
competência profissional, que segundo a Resolução CNE/CEB 04/99 é: ... a capacidade de mobilizar,
articular e colocar em ação valores, conhecimentos e habilidades necessários para o desempenho
eficiente e eficaz de atividades requeridas pela natureza do trabalho .(Bomfim et al, 2000, pág 85).
Para a avaliar essa competência profissional foi normatizada a Certificação de Competências
Profissionais do Auxiliar de Enfermagem aplicada exclusivamente ao Sistema de Certificação de
Competências do PROFAE. Essa norma abrange egressos dos cursos de Qualificação Profissional de
Nível Técnico em Auxiliar de Enfermagem. No contexto do Estado do Espírito Santo, que foi o
precursor do PROFAE, tiveram oportunidade de participar desta certificação de competências os
alunos da primeira turma. A finalidade desta certificação, em nenhum momento, foi avaliar o egresso,
e sim analisar e rediscutir as competências profissionais necessárias e adequadas ao Auxiliar de
Enfermagem. Objetivo: Investigar junto aos Enfermeiros que participaram do Teste Piloto de
Certificação de Competências Profissionais de Auxiliar de Enfermagem PROFAE, a sua opinião
quanto aos desempenhos propostos para a avaliação de competências profissionais e se estas atendem
ao perfil necessário ao auxiliar de enfermagem. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivoquantitativo.A amostra foi 26 enfermeiros de um total de 36 que participaram do Projeto Piloto de
Certificação. A coleta de dados foi realizada por telefone, e-mail ou fax. Aos sujeitos da pesquisa foi
esclarecido o objetivo desta, e mediante a aceitação era procedida à entrevista.O instrumento utilizado
foi um questionário com sete perguntas fechadas, que estavam relacionadas aos desempenhos
propostos para a avaliação da certificação por competências do Auxiliar de Enfermagem do PROFAE.
Resultados: 2 (8%) enfermeiros responderam que o número de egressos foi o esperado e 24 (92%)
responderam que não. Aos que responderam não, colocamos algumas alternativas para justificar tal
resposta, podendo optar por um ou mais motivos e até expor outros, sendo eles: desconhecimento do
local da avaliação (6); condições do tempo desfavoráveis (5); inviabilidade financeira do egresso (5);
local da avaliação longe da residência do egresso (5); falta de esclarecimento ao egresso quanto ao que
era o processo (4); desinteresse do egresso pelo processo de certificação (2); abordagem para
convocação não sensibilizou o egresso (1); o egresso não conseguiu a dispensa da escala (1); o egresso
não se programou adequadamente (1). Com relação aos desempenhos propostos, questionamos se
estavam de acordo com as competências curriculares 25 (96%) disseram sim e 01 (4%) descordou.
Perguntamos também se os desempenhos propostos estavam de acordo com a realidade do Auxiliar de
Enfermagem, 14 (54%) apontaram que sim e 12 (46%) responderam que não, apontando um ou mais
desempenhos que não estavam contextualizados nesta realidade em ordem decrescente: leitura do
termômetro máxima e mínima (7), aplicação de vacina tríplice bacteriana (6), curativo com luvas (3),
administração de medicamentos (2), limpeza terminal com desinfecção da unidade do cliente e preparo
1
Enfermeira pós-graduada em Formação Pedagógica em Educação Profissional na Área de Saúde-Enfermagem pela Fiocruz.
E-mail: [email protected] [email protected] rua Ernesto Pereira Gomes, 29 Itacibá, Cariacica.
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do leito (2), anti-sepsia das mãos (1), verificação das medidas antropométricas - peso altura - em
crianças maiores de 2 anos e adultos (1), verificação das medidas antropométricas - peso altura - em
crianças menores de 2 anos (1) verificação dos sinais vitais (1). Todos concordaram que os padrões de
desempenho eram aceitáveis para a certificação. Quanto à classificação que eles dariam ao alcance dos
desempenhos pelo egresso, para fins da avaliação de certificação, 07 (27%) acharam bom; 10 (38%)
regular; 08 (31%), ruim e 01 (4%) péssimo. Conclusão: A maioria dos enfermeiros que participaram
do Teste-Piloto para Certificação de Competências Profissionais do Auxiliar de
Enfermagem/PROFAE concordou que este propõe desempenhos adequados às competências
curriculares e que na opinião de todos, os padrões de desempenhos são aceitáveis para certificação de
competências.Contudo, a classificação dos alcances dos desempenhos por parte do egresso, para fins
de certificação, não apresentou resultados expressivos, já que grande parte das opiniões se concentrou
em regular ou ruim, com um apontamento para péssimo e nenhum para ótimo. Não foi julgada a
capacidade do egresso, pois ele não era o alvo do projeto de certificação, e sim, as competências que
foram adquiridas e desenvolvidas por ele durante o curso de formação e/ou durante sua vida
profissional. Contudo, é ele o articulador da competência, que precisa ter as habilidades e atitudes
necessárias para a execução de suas atividades, conforme suas atribuições legais que moldam seu
perfil profissional. Portanto, se na sua formação estas competências não são bem trabalhadas,
juntamente com o docente e a instituição de ensino, provavelmente não conseguiremos alcançar os
desempenhos esperados numa certificação.
Referências Bibliográficas:
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Educação
profissional: referenciais curriculares nacionais da educação profissional de nível técnico. Brasília,
2000.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão de Investimento em Saúde.PROFAE.
Profissionalização de auxiliares de enfermagem: guia do aluno. Brasília: Ministério da Saúde, 2002.
BRASIL. Ministério da Saúde. Termo de Referencias Conceituais para Organização do Sistema de
Certificação de Competências / Profae. Brasília, 2000, mimeo
BOMFIM, Maria Inês do Rego Monteiro, et all: Proposta Pedagógica: as bases da ação. Brasília:
Ministério da Saúde, Rio de Janeiro: Fundação Osvaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública,
2000. (Formação pedagógica em educação profissional na área de saúde: enfermagem, módulo 6).
51. A NEUROPATIA PERIFÉRICA DIABÉTICA E A PREVENÇÃO DE LESÕES NO PÉ
DIABÉTICO.
Gabriel Luchi1
Walckíria Garcia Romero2
SMELTZER e BARE (2002), definem o Diabetes mellitus como um grupo de distúrbios metabólicos
caracterizados por níveis elevados de glicose no sangue, ou hiperglicemia. Normalmente, há uma certa
quantidade de glicose circulante no sangue. A insulina, um hormônio produzido por células beta do
pâncreas que controla os níveis de glicose no sangue regulando a produção e armazenamento dessa
glicose. Os mesmos autores, ainda relatam no diabetes a capacidade do corpo em responder à insulina
pode reduzir ou o pâncreas parar totalmente de produzir a insulina. Isso leva a hiperglicemia, podendo
resultar em complicações metabólicas agudas, como a cetoacidose diabética e síndrome de
hiperglicemia hiperosmolar não-cetótica (HHNC). A hiperglicemia a longo prazo contribui para o
aparecimento de complicações microvasculares crônicas (doenças renais e oculares) e complicações
neuropáticas (doenças nervosas). O diabetes também está associado a um aumento de ocorrência de
1
Graduando do curso de enfermagem do 8º Período. End. R. Atílio Dalla Bernardina nº 383 Centro São Roque do Canaã
ES Cep 29.665-000. E-mail: [email protected]
2
Professora orientadora do Curso de Graduação em Enfermagem do Centro Universitário do Espírito Santo UNESC
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doenças macrovasculares, incluindo infartos do miocárdio, derrames e doença vascular periférica. O
desejo e o desafio de estudar sobre a neuropatia periférica diabética e a prevenção de lesões no pé
diabético surgiu no decorrer do curso de graduação em enfermagem, através de realização e
desenvolvimento da promoção, prevenção e reabilitação da saúde, nos estágios em saúde pública, onde
nos era propiciado um contato direto com o cliente em seu domicilio e quando possível na própria
unidade sanitária, e ainda por conhecer indivíduos próximos que possuem complicações crônicas do
diabetes, principalmente a neuropatia periférica que acaba acarretando lesões nos membros inferiores,
inclusive nos pés. Pudemos observar que esses não conheciam os riscos e as complicações que o
diabetes não controlado poderia causar, sendo que, constitui um problema de saúde pública em
decorrência da sua alta prevalência no mundo e de suas complicações. Em 2025, estima-se que 300
milhões de pessoas no mundo tenham diabetes. No Brasil, estudos confirmam que a doença atinge
aproximadamente 7,6% da população adulta (BRASIL, 2001; LOPES, 2004). Além disso, a
freqüência da doença aumenta proporcionalmente com a idade em ambos os gêneros, independente da
raça, e sua prevalência é maior em idosos, e representa a principal causa de amputações de partes de
membros inferiores (Sociedade Brasileira de Diabetes, 2000). Ademais, 10% dos diabéticos
desenvolvem úlceras nos pés em algum momento de sua vida e, aproximadamente 50 a 70% das
amputações não traumáticas, em indivíduos diabéticos, se devem a esse problema (LOPES, 2004).
Devido a isso é necessário o acompanhamento dos clientes e o desenvolvimento de atividades de
educação em saúde para a prevenção da neuropatia e consequentemente prevenir as úlceras nos
portadores de Diabetes mellitus. Este estudo objetiva identificar os fatores de risco que acarretam o
desenvolvimento do pé diabético, traçar cuidados para prevenção do pé diabético e compartilhar com
os portadores desta patologia e identificar os fatores de risco que predispõe o aparecimento da
neuropatia periférica. Tal pesquisa realiza um levantamento de bibliografias científicas, que estão
disponíveis na biblioteca do Unesc, publicados no período de 1992 a 2004, utilizando-se da análise e
síntese, e do método dedutivo, tendo como referenciais teóricos bibliográficos especializados
referentes ao Diabetes mellitus, Neuropatia periférica e Pé diabético. É utilizado ainda um plano de
entrevistas estruturadas para o cliente diabético. Como podemos verificar, tal cronicidade da doença
exige uma vida de comportamentos de autocontrole especiais. Como a alimentação, exercícios físicos
e estresse físico e emocional podem afetar o controle glicêmico, devido isso os clientes devem
aprender as habilidades de autocuidado diário de modo a evitar flutuações agudas na glicemia, como
também devem incorporar muitos comportamentos de prevenção em seu estilo de vida, visando a
prevenção das complicações crônicas do diabetes (SMELTZER e BARE, 2002). De acordo com os
mesmos autores as complicações a longo prazo estão se tornando mais comuns à medida que um
maior número de pessoas vive por mais tempo com o diabetes. As causas específicas e a patogenia de
cada tipo de complicação ainda estão sendo pesquisadas. Contudo, parece que os níveis aumentados da
glicose sangüínea podem desempenhar uma função na doença neuropática, essa complicação pode ser
observada no diabetes do tipo 1 e 2, em geral não ocorre dentro dos 5 a 10 primeiros anos do
diagnóstico. HESS (2002), diz que a neuropatia periférica diabética envolve componentes dos sistemas
nervoso sensorial, autônomo e motor. O dano sensorial gera alterações de sensibilidade, com perda da
sensibilidade álgica ou de toda a sensibilidade com parestesia parcial ou total do pé. Outra faceta da
neuropatia diabética é a neuropatia motora, que pode gerar alterações na biomecânica do pé, que
suporta o peso do corpo, e a neuropatia também pode afetar o sistema nervoso autônomo, que
coordena as funções do músculo liso, glândulas e órgãos viscerais. Segundo HESS (2002), estima-se
que 60% a 70% dos pacientes diabéticos tenham neuropatia periférica; 15% a 20% tenham doença
vascular periférica; e 15% a 20% tenham as duas . A neuropatia diabética, que comumente
acompanha o diabetes de longa data, freqüentemente só é detectada e diagnosticada ao surgir uma
úlcera ou dor no membro inferior. Entretanto, o diagnóstico precoce e um plano de prevenção rigoroso
podem ser de muito sucesso nas lesões. Ambos são fundamentais para reduzir a quantidade de
amputações nessa população (HESS, 2002). A maioria dos sujeitos apresentaram como fatores de
risco para o aparecimento da neuropatia periférica diabética a obesidade, a hipertensão arterial, o
período de evolução da doença, o sedentarismo e a hiperglicemia sendo que, para o desenvolvimento
do pé diabético foram a sudorese diminuída, a micose ungueal, o calo e a lesão no pé. Após a
verificação dos cuidados realizados pelos sujeitos com os pés vários relataram o uso de calçado
inadequado, sendo o aberto o mais freqüente. Além disso, eles apresentavam um déficit no cuidado
com os pés após o banho e não tinham o hábito de examiná-los. Logo, essa deficiência nos cuidados
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associados aos fatores de risco aumentam a possibilidade do aparecimento e desenvolvimento da
neuropatia diabética e do pé diabético, demonstrando a necessidade dos sujeitos de aprenderem
medidas de auto-cuidado e controle para preveni-los, tais como a alimentação, o controle da pressão
arterial, a atividade física, o controle metabólico, a hidratação cutânea dos pés, o cuidado adequado
com as unhas, o uso de calçados apropriados, o tratamento adequado das lesões existentes, a higiene
adequada após o banho, o exame periódico dos pés e outras. De tal forma, o presente estudo demonstra
a necessidade da continuidade do acompanhamento dos sujeitos e o desenvolvimento de atividades
educativas para sensibilizar os clientes para se comprometerem com mudanças em seu estilo de vida
prevenindo a neuropatia periférica e o pé diabético, promovendo assim , melhora em sua qualidade de
vida.
Referências Bibliográficas:
HESS, Cathy Thomas. Tratamento de feridas e úlceras. 4.ed. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso
Ed, 2002. 226 p.
SMELTZER, Suzane C.; et al. Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 9.ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2002. v 2. 1955 p.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Hipertensão arterial sistêmica e Diabetes mellitus: Cadernos de atenção
básica. nº 7. Brasília, 2001. 94 p.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Cuidados com o pé diabético. Rio de Janeiro, 2004.
Disponível em: <http://www.sbd.org.br.html>. Acesso em 05 de abril. 2004.
LOPES, Fabiana A. M.; et al. Fatores de risco para o desenvolvimento do pé diabético em sujeitos
atendidos pelo Programa de Saúde da Família (PSF). Uberaba, 2004. Disponível em:
<http://www.fmtm.br/instpub/fmtm/patge/diabetes-psf.htm>. Acesso em 24 de junho. 2004.
53. COMPREENDENDO A AÇÃO DO DOCENTE NO PROCESSO EDUCACIONAL DE UM
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM: O OLHAR DOS SUJEITOS
ENVOLVIDOS.
Mariângela Abate de Lara Soares1
Maria Madalena Januário Leite2
Minha experiência enquanto docente e coordenadora de um curso de graduação em Enfermagem, em
uma instituição particular da Grande São Paulo, instigou-me a reflexão sobre o papel da escola , a ação
do docente , a relação professor- aluno , melhores estratégias de ensino, demandas de mercado de
trabalho entre outras preocupações que me acompanham quase que diariamente . Refletindo sobre
essas temáticas ,compreendo que o aluno ingressa na Escola com determinadas experiências , com
uma história de vida , cujos valores podem ou não coincidir com o perfil idealizado pelos professores e
pelo mercado de trabalho. Considero , também de fundamental importância , que os docentes possam
utilizar ações adequadas para serem facilitadores na aprendizagem dos alunos. Acredito ser necessário
um repensar sobre as ações dos docentes a fim de refletir se essas ações estão dando subsídios à
formação de um enfermeiro com perfil adequado para enfrentar o atual mercado de trabalho e as
constantes mudanças inseridas no cenário da sociedade brasileira. Portanto , para uma melhor
compreensão dos meus questionamentos proponho-me , nesta investigação , compreender a ação do
docente de Enfermagem , segundo a perspectiva dos professores e alunos que vivenciam o curso de
graduação em Enfermagem. Assim , considerei importante , fazer uma retomada bibliográfica que
pudesse, inicialmente , elucidar o leitor sobre a temática em questão .Inicialmente , considerei
1
Professora Doutora em Enfermagem, Coordenadora do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Cruzeiro do
Sul. Endereço Eletrônico: [email protected]. Endereço Residencial: Al. Rio Claro, 95 Apto. 75 Bela Vista São
Paulo CEP: 01332-010
2
Professora Livre-Docente em Enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
178
importante apresentar conceitos de especialistas em educação , que realizaram seus estudos voltados
para ações do professor universitário de forma geral . Para Deluiz (1996), o momento atual, momento
de globalização econômica e de informações, gera a emergência de um trabalho revalorizado, no qual
o trabalhador multiqualificado, polivalente, tem que exercer funções abstratas e intelectuais, com
capacidade de tomar decisões, de intervir no processo de trabalho, de trabalhar em equipe, autoorganizar-se e enfrentar situações em constantes mudanças. Portanto, o papel da educação, assim
como o do docente, está sendo reformulado, existindo no momento exigências de ações construídas
sobre uma base de educação geral. Da mesma forma, a educação técnico-profissional começa a refletir
sobre a necessidade de articulação à educação geral, preparando o profissional competente, o cidadão
socialmente responsável, o sujeito comprometido com o bem estar coletivo. Contribuindo para as
reflexões sobre o papel da universidade e do docente, Delors (1999), apresenta a Declaração Mundial
sobre Educação Superior no Século XXI , proposta pela Unesco. Essa declaração demonstra a
atualidade do debate sobre competência pedagógica e docência universitária. A Unesco discute a
missão da educação superior. Refere que "Docentes de Educação Superior atualmente devem estar
ocupados sobretudo em ensinar seus estudantes a aprender a tomar iniciativas, ao invés de serem
unicamente fontes de conhecimento. Devem ser tomadas providências adequadas para pesquisar,
atualizar, e melhorar as habilidades pedagógicas, por meio de programas apropriados ao
desenvolvimento de pessoal." Em sua obra "10 novas competências para Ensinar", Perrenoud (2000)
faz referências às ações dos docentes tais como: organizar e dirigir situações de aprendizagem;
administrar a progressão das aprendizagens; Conhecer e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação;
envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho; trabalhar em equipe; participar da
administração da escola; informar e envolver os pais; utilizar novas tecnologias; enfrentar os deveres e
os dilemas éticos da profissão e administrar sua própria formação contínua.Da mesma forma, Delors
(1999) e Antunes (2001), referem que a ação do docente deve organizar-se de forma procurar levar o
aluno a alcançar as seguinte competências: Aprender a conhecer (adquirir os instrumentos de
compreensão, incluindo os próprios instrumentos do conhecimento), Aprender a fazer (para poder agir
sobre o meio envolvente, envolve o preparo para o mundo do trabalho), Aprender a viver juntos (a fim
de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas) e Aprender a ser (via essencial
que integra os três precedentes; O ser humano deve ser preparado de forma integral : espírito, corpo,
inteligência e sensibilidade, sentido estético e responsabilidade pessoal, ética e espiritualidade, para ter
condições de agir em diferentes circunstâncias da vida). Após a leitura de trabalhos que envolviam as
ações dos docentes universitários no processo ensino-aprendizagem, iniciei um recorte apresentando
estudos que abrangem reflexões sobre as ações de docentes na graduação em Enfermagem. Após o
levantamento bibliográfico, revelou-se que são poucos os trabalhos que analisam as ações dos
docentes de forma global, embora seja em maior número o de estudos que discutem este tema de
forma verticalizada, isto é, são trabalhos envolvendo a ação docente em função do aluno trabalhador,
ação do docente voltada para o processo de avaliação, ação do docente centrada na relação professoraluno, entre outros. Em função da natureza da presente pesquisa optei por trabalhar na perspectiva da
abordagem qualitativa. Essa perspectiva me possibilitou ir de encontro ao fenômeno estudado: ação
do docente de graduação em Enfermagem, a partir da compreensão dos docentes e de alunos que
vivenciam o processo ensino-aprendizagem. O fenômeno estudado apresenta uma certa dimensão
pessoal que pode ser conhecida se pesquisada na abordagem qualitativa. Essa abordagem permite o
conhecimento através dos depoimentos sobre o vivido naquele momento.Como docente que também
vivencio a sua ação no cenário universitário, gostaria de compreender o Ser docente em sua totalidade,
através de seus valores, percepções, emoções e significados, através de uma história de vida própria
inserida numa determinada sociedade. A partir da escolha do referencial fenomenológico, realizei
leituras e optei pela possibilidade de compreender o fenômeno tendo como base a fenomenologia
social de Alfred Schutz. A fenomenologia social de Alfred Schutz permite desvelar o fenômeno
através da compreensão da dimensão social da ação do docente de enfermagem. Podemos considerar
que a sociologia fenomenológica vai tratar da ação social dos docentes de enfermagem que vivem e
interagem na realidade social. Esse referencial fundamenta-se na experiência única vivida do docente,
que sente e realiza uma determinada ação. Como se trata de uma experiência única, toda ação do
docente será considerada intencional, pois terá em si um significado. Assim, a escolha desse
referencial foi feita em função da investigação das ações dos docentes, a partir de seu mundo-vida, de
sua vivência e de suas interações dentro do mundo social, possibilitando conhecer não só o docente,
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
179
mas o que essa ação significa para o grupo de docentes e discentes que vivem e interagem no cenário
da graduação em Enfermagem. A fim de compreender o fenômeno que este trabalho pretende
desvelar, foi escolhido para o cenário do estudo, o curso de graduação em Enfermagem, pertencente a
uma universidade particular da grande São Paulo , local onde os sujeitos do estudo , professores e
alunos , vivenciam o mundo social comum . Os discursos foram obtidos, atendendo aos preceitos
éticos (Resolução nO_196/96) , por meio de entrevista e o fenômeno foi desvelado a partir da análise
dos discursos de professores e alunos. Ao analisar os discursos extraí "os motivos para", sendo
possível compreender o tipo vivido do docente de Enfermagem para os sujeitos da pesquisa. O tipo
vivido compreendido para o docente, pressupõe um docente envolvido com seu aluno, que se preocupa
com o processo de interação no processo ensino-aprendizagem. Ao mesmo tempo trata-se de um
docente preocupado com sua capacitação e formação, acreditando no ensino pautado na relação
teórico-prática. Para o aluno, o docente também apresenta envolvimento com o aluno, tem
conhecimento na disciplina básica e experiência na área, assim como facilidade no processo de
transmissão do conhecimento. O docente torna-se o "espelho" para o futuro profissional. Esse estudo
promoveu reflexões sobre ação docente, dando subsídios para futuras ações de trabalho com os
docentes a fim de melhor qualificar o processo ensino-aprendizagem. Unitermos: Ensino,
Aprendizagem, Enfermagem, Formação Docente, Ação Docente, Fenomenologia.
Referências Bibliográficas:
Antunes C. Como desenvolver as competências em sala de aula. Petrópolis: Vozes;2001.
Delors J, et al.(org) Educação: um tesouro a descobrir. UNESCO. São Paulo:Cortez,1999
Deluiz NA. Globalização econômica e os desafios à formação Profissional. Boletim Técnico do Senac
1996;22(2):5-15
Perrenoud P. As dez competências do professor. Trad. de Patrícia Chittoni Ramos. Porto Alegre: Artes
Médicas; 2000.
54. HABITANDO O MUNDO DA EDUCAÇÃO EM UM CURRÍCULO INTEGRADO DE
ENFERMAGEM: UM OLHAR À LUZ DE HEIDEGGER
Mara Lúcia Garanhani1
Elizabeth Ranier Martins do Valle2
A implantação do Currículo Integrado no Curso de Enfermagem da Universidade Estadual de
Londrina (UEL), tem mostrado o quanto uma transformação curricular envolve mudanças de
paradigmas e de práticas profissionais. Esta pesquisa buscou desvelar a experiência vivida por
docentes que estavam habitando o mundo da educação em enfermagem no Currículo Integrado da
UEL. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, orientada pela fenomenologia existencial-hermenêutica de
Martin Heidegger. Para desenvolver este estudo foram realizadas entrevistas com dez professores que
estavam atuando no currículo integrado há pelo menos dois anos e, com dez alunos da primeira turma
iniciada em 2000. A análise das entrevistas conduziu à construção de quatro estruturas, denominadas
unificações ontológicas, que configuram o habitar do ser-docente e do ser-aluno no mundo da prática
educativa em enfermagem, sob o olhar de cada um deles: A Abertura e Decisão para o Trabalho, que
envolve o destinar-se e o distanciar-se da obra de ensinar e aprender; Habitando o Mundo Cotidiano da
Prática Educativa de Enfermagem, que engloba o habitar o mundo na obscuridade e a busca da
conformidade com este; Habitando as Relações, que abrange o mover-se nas relações, o olhar para a
realidade e o apropriar-se do mundo vivido; e Ser-docente e Ser-aluno como Obra do Existir, que traz
em si o sentido de ser-professor e ser-aluno bem como, o Currículo Integrado como lugar de
referência para eles. No início, o Currículo Integrado, mesmo quando discutido coletivamente em seus
princípios teóricos metodológicos, ainda permanecia oculto, sem iluminação. Foi a partir das
discussões e oficinas de trabalho para construção das atividades e dos instrumentos de avaliação
1
Professora Doutora Adjunta da Universidade Estadual de Londrina. Endereço: Rua Raposo Tavares, nº 445, apto 22,
Centro, Londrina PR CEP: 86.010-580 E-mail: [email protected]
2
Professora Doutora Livre Docente da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
180
acadêmicos necessários para a implantação da proposta e da posterior vivência destas atividades,
estando no cotidiano da prática educativa, que veio à luz o currículo integrado. Foi na existência de
sua implantação que a prática educativa do Currículo Integrado mostrou-se e ocultou-se, saindo do
esforço racional e cognitivo para se tornar vivência, um acontecimento na existência de docentes e
alunos. Desta forma, as várias situações pedagógicas, os vários encontros entre docentes e alunos, as
inúmeras possibilidades abertas na convocação desta nova proposta educativa do Currículo Integrado
têm comunicado e revelado a linguagem de sua manifestação. Quando comunicam e revelam a sua
linguagem, cada ser-docente e cada ser-aluno aí presente, são ouvidos e vistos uns pelos outros e
podem, assim, testemunhar a sua manifestação. Como seres-no-mundo-com-os-outros, docentes e
alunos, ao se comunicarem, não são meros emissores e receptores de mensagens, mas são coelaboradores, co-construtores da proposta. Assim, docentes e alunos manifestando e testemunhando as
suas experiências, consolidam aquilo que estão desvelando e revelando na prática educativa cotidiana.
Isto é compartilhado tanto de forma singular, particular, como também de forma plural, coletiva. O
testemunho não se resume a apenas ver e ouvir, mas em abrir e fechar espaços, na existência, para as
coisas, as pessoas, as maneiras e alternativas de se viver. Isto tem possibilitado que o ser-docente
habite ou recue para espaços existenciais, ouse coisas desconhecidas, retome práticas passadas e
projete-se para um novo fazer. Perceba que tem diante de si um universo de alternativas possíveis,
embora, em outros momentos, perceba-se paralisado e sem caminho. O ser-aluno, da mesma forma,
testemunha seu medo, temor, ousa falar, aprende a se posicionar, a vencer limites antes impostos ao
seu próprio desenvolvimento. Percebe-se abrindo para novas formas de estudar, de comunicar-se, de
relacionar-se, de existir. Neste contexto o ser-docente e o ser-aluno percorrem suas trajetórias
destinando-se, em suas existências, em busca de alcançar, cada qual, a sua verdade. Neste movimento
de buscar a verdade, entram em jogo as comunicações dos homens entre si para convencerem-se,
mutuamente, das verdades que atribuem às coisas, na sua coexistência. O ser-docente muitas vezes
envolveu-se nesse movimento, fez jogos de poderes, jogos de convencimento, enfim as falas desvelam
variadas formas de competição. Outras vezes, agrupava-se constituindo sub-grupos dos que pensam a
mesma verdade, dos que são contrários e dos que se omitem. A primeira unificação ontológica
construída mostra a abertura para a decisão e o trabalho e desvela várias situações em que o serdocente vivencia estes jogos competitivos, fala dos sentimentos de invasão, agressão, insatisfação,
mostrando a proximidade e a distância das verdades de cada um. O ser-aluno, ao ingressar no mundo
da universidade e ver-se lançado na prática do Currículo Integrado, faz movimentos de retração e de
abertura, sente-se cobaia, parte de um experimento e busca, em seu passado, um ponto de referência.
Vivencia emoções intensas e abre-se para aproximar-se de seu ser mais próprio. Sente-se cobrado e
cobra também. Enfrenta os jogos competitivos no confronto das verdades e na busca de
reconhecimento externo. Luta por maior número de livros na biblioteca, pelo campo de estágio e tenta
encontrar a sua identidade diante de um novo jeito de estar na sala de aula. Abre-se para a linguagem
revelando suas opiniões, lidando com o temor de falar e ser avaliado, utilizando novos instrumentos e
ganhando confiança em si próprio ocupando novos espaços existenciais. A segunda unificação
ontológica trata do habitando o mundo cotidiano da educação em enfermagem. Nela também fica
evidenciado o movimento da comunicação, das revelações, das interpretações de cada um em sua
condição existencial. Desvela a relação homem-mundo, a busca da familiaridade para escapar da
estranheza e da obscuridade. Isto se mostra principalmente pelas mudanças de alocações dos docentes,
das dificuldades em operacionalizar os princípios da problematização em sala de aula, a busca inicial
de apropriação através de conceitos teóricos, a criação de novas terminologias e a repetição das
mesmas, tudo indicando um movimento de busca da familiaridade. A terceira unificação ontológica
trata do habitar as relações, onde docentes e alunos coexistem e vivenciam o desvelar, o revelar, o
testemunhar das interpretações que cada um, de forma singular, faz de seu mundo, baseado em sua
vivência prática e em seu modo de olhar. Só que, ao se comunicarem coexistindo, cada um tem a
oportunidade de, diante da verdade do outro, re-significar a sua própria verdade. Os docentes e alunos,
movendo-se nas relações, habitam novos espaços de trabalho e coexistência: trabalho em pequenos
grupos, novas formas de abordagens, práticas avaliativas. Eles envolvem-se em busca de limites,
vivenciam aberturas e fechamentos, chocam-se, formam pequenos grupos, agridem-se e ajudam-se. E,
juntos, enfrentam conflitos coletivos e pessoais, conquistando o estreitamento de vínculos na relação
professor-aluno. A busca da autenticidade é a busca da verdade de cada um, que em seu movimento de
destinar-se no mundo, busca o sentido mesmo de seu ser. Assim, não basta ser convencido da verdade
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
181
do outro, é preciso encontrar a sua própria verdade. A quarta unificação ontológica agrupa os
movimentos em que docentes e alunos buscam o sentido do seu ser, buscam a autenticação de suas
verdades em si mesmos. Expressam o sentido de ensinar e de aprender, tomam posse de novos
conhecimentos, de novos olhares. A prática educativa do Currículo Integrado tem se mostrado uma
trama comum cotidiana, construída e consolidada ao longo do tempo pelo trabalho conjunto de
docentes, alunos, enfermeiros e, em menor escala, representantes da comunidade, cada um em sua
maneira particular de ser. Este estudo reforça que para a construção de uma educação para o futuro, é
necessário que se enfatize o homem enquanto ser-no-mundo-com-outros-homens, sem perder de vista
a importância da reflexão, do cuidado, da atenção, e da disponibilidade em aprender continuamente.
Estas e outras reflexões do estudo ampliam o campo de visão, possibilitando vislumbrar novos
horizontes no ensinar e aprender em enfermagem.
Referências Bibliográficas:
ALVES, E. O desenvolvimento da capacidade de resolução de problemas no contexto do de um
currículo integrado: uma contribuição para a competência profissional. 2003 187p. Dissertação
(Mestrado em Educação) Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2003.
CRITELLI, D. M. Educação e Dominação Cultural: tentativa de reflexão ontológica. 2ª ed. São Paulo:
Cortez Editora Autores Associados, 1981. 92p
GARANHANI, ML Habitando o mundo da educação em um currículo integrado de Enfermagem: um
olhar à luz de Heidegger. 2004. 232 p. Tese (Doutorado) Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto,
Universidade de São Paulo, São Paulo, 2004.
HEIDEGGER, M. El ser y el tiempo. 6 ed. México: Fondo de Cultura Econômica, 1997. 478p.
MARTINS, J. T. Cotidiano acadêmico de enfermeiros docentes da Universidade Estadual de
Londrina-PR: um estudo sobre os sentimentos de prazer e sofrimento frente à implementação de uma
mudança curricular radical. 2002. 177 p. Dissertação (Mestrado) Escola de Enfermagem de Ribeirão
Preto - Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2002.
56. A PRÁTICA DOS FACILITADORES DA APRENDIZAGEM NO ENSINO DO CURSO
TÉCNICO DE ENFERMAGEM DO SENAC1
Kátia de Moraes Jorge2
Neiva Maria Picinini Santos3
INTRODUÇÃO O objeto deste estudo é a experiência do facilitador da aprendizagem no
ensino do curso técnico de enfermagem, tendo como objetivos: - descrever as atividades do
facilitador da aprendizagem no ensino do curso técnico de enfermagem e - analisar a
correlação das atividades do facilitador com a formação do educando de nível médio. De
acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996, p.5), o curso técnico de
enfermagem tem por objetivo fazer com que o aluno desenvolva a consolidação e o
aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o
prosseguimento dos estudos, a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando,
para continuar aprendendo de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade e novas
condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores, o aprimoramento do educando como
1
Dissertação de Mestrado da Escola de Enfermagem Anna Nery/UFRJ 2004.
Enfermeira. Mestre em Enfermagem da Escola de Enfermagem Anna Nery. Defesa da Dissertação de Mestrado em
16/08/2004. Membro do Núcleo de Pesquisa em Educação, Gerência e Exercício Profissional da Enfermagem
(NUPEGEPEn).
3
Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta do Departamento de Metodologia da Enfermagem da Escola de Enfermagem
Anna Nery. Membro do NUPEGEPEn. Rua Bento Cardoso nº 120/Bloco 2, aptº 406 Penha, CEP-21215-000 RJ, Tel:
(21) 2293-8999. E-mail: [email protected]
2
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
182
pessoa humana incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do
pensamento crítico, a compreensão dos fundamentos científicos tecnológicos dos processos
produtivos relacionando a teoria com a prática no ensino de cada disciplina, portanto, segundo
Demo (2000, p.127) ...o facilitador não é quem facilita as coisas, mas quem orienta o
processo reconstrutivo, tendo o aluno como figura central do processo ensino-aprendizagem .
Corroborando com o pensamento do autor, penso que é fundamental para o facilitador da
aprendizagem se dispor a orientar o aprendizado dos alunos no sentido de dialogar, como
também estimular o exercício do pensamento de uma forma crítica, para que este aluno
argumente a favor ou contra determinado assunto, exercendo sua plena liberdade de pensar.
METODOLOGIA Trata-se de um estudo qualitativo, que para Lüdke e André (1986,p.13)
se dá a partir do contato direto do pesquisador com o objeto de interesse, ressalta mais o
processo do que o produto e a perspectiva dos participantes é utilizada e enfatizada na leitura
dos acontecimentos . O cenário do estudo foi o SENAC/seção Jacarepaguá (Município do
Rio de Janeiro). Os sujeitos da pesquisa foram treze facilitadores da aprendizagem, que
desenvolvem suas atividades na referida instituição de ensino de nível médio. Estes sujeitos
estão assim caracterizados: sete (7) enfermeiros, um (1) psicólogo, um (1) administrador de
empresas, um (1) técnico em processamento de dados, uma (1) professora de yoga, um (1)
comunicador com especialização em web designer, e um (1) professor de massagem indiana.
O procedimento metodológico utilizado foi a entrevista não estruturada, que segundo Minayo
(2002,p.57) o entrevistado aborda de maneira livre o tema que está sendo proposto pelo
pesquisador. As entrevistas foram realizadas no período de setembro a novembro de 2003, e
tiveram em média 40 minutos de duração.Antes de iniciarmos a entrevista, os depoentes
foram informados sobre o tema da pesquisa, objeto de estudo, objetivos. Foi solicitado
autorização dos facilitadores da aprendizagem por escrito no sentido de utilização,
divulgação dos depoimentos (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido), conforme
estabelecido pela Resolução 196/1996 do Conselho Nacional de Saúde, sendo garantido o
sigilo dos depoimentos e seu respectivo anonimato. Cabe destacar que as entrevistas só
tiveram início após autorização da Superintendência do SENAC. A identificação dos
depoentes foi feita através de letras do alfabeto, que foram escolhidas pela autora. A análise
dos dados foi dividida em três etapas, conforme recomendada por Minayo (1992,p.209), a
primeira é a pré-análise, sendo feita a leitura e releitura do material, cuja intenção é tornar os
dados mais objetivos e claros; a segunda etapa envolve a organização do material,
contemplando os aspectos que fazem parte do roteiro, e sua adequação com os objetivos
propostos: e a terceira etapa é o agrupamento dos aspectos semelhantes, e construção das
unidades temáticas.Foram de utilização, divulgação dos depoimentos (Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido), conforme estabelecido pela Resolução 196/1996 do
Conselho Nacional de Saúde, sendo garantido o sigilo dos depoimentos e seu respectivo
anonimato. Cabe destacar que as entrevistas só tiveram início após autorização da
Superintendência do SENAC. A identificação dos depoentes foi feita através de letras do
alfabeto, que foram escolhidas pela autora. A análise dos dados foi dividida em três etapas,
conforme recomendada por Minayo (1992,p.209), a primeira é a pré-análise, sendo feita a
leitura e releitura do material, cuja intenção é tornar os dados mais objetivos e claros; a
segunda etapa envolve a organização do material, contemplando os aspectos que fazem parte
do roteiro, e sua adequação com os objetivos propostos: e a terceira etapa é o agrupamento
dos aspectos semelhantes, e construção das unidades temáticas. Foram estabelecidas quatro
(4) unidades temáticas, a saber: 1) O conhecimento dos depoentes sobre o conceito de
facilitador da aprendizagem ; 2) Maneiras de desenvolver a aprendizagem; 3) Recursos
didáticos que norteiam as ações do facilitador da aprendizagem e 4) O comprometimento do
facilitador da aprendizagem no ensino do aluno de nível médio. Os dados foram analisados à
luz de autores que tratam da temática do estudo. CONCLUSÃO
O estudo mostra que a
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
183
maioria dos depoentes tem conhecimento do conceito acerca de facilitador da aprendizagem,
quando desenvolvem em sala de aula aspectos relacionados ao ensino-aprendizagem centrado
no aluno, apesar de serem docentes de diferentes formação profissional. Quanto a maneira de
desenvolver a aprendizagem, a maioria dos facilitadores da aprendizagem interagem com os
alunos em sala de aula, buscando alternativas de incentivar o aprendizado com a utilização de
metodologias de apropriação ativa de conteúdo, no qual os educandos manifestam seus
pensamentos de modo contínuo. No que se refere aos recursos didáticos, os facilitadores da
aprendizagem em sua totalidade utilizam recursos audio-visuais, fato este que traduz
habilidade em promover o aprendizado de uma maneira mais prática para o aprendiz, porque
as imagens traduzem uma maior assimilação do tema desenvolvido durante as aulas. No que
tange ao comprometimento dos facilitadores da aprendizagem com o ensino do aluno de nível
médio, a maioria desenvolve ação integralizadora em relação ao aluno, compartilhando
responsabilidades no aprendizado dos discentes.
Referências Bibliográficas:
DEMO, P. Conhecer e Aprender: Sabedoria dos limites e desafios, Porto Alegre: Artmed, 2000.
Diário Oficial de Brasília seção 127837, 23 de dezembro de 1996.
LÜDKE, et al. Pesquisa em Educação abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.
MINAYO, M.C.S. O desafio do conhecimento pesquisa qualitativa em saúde. São Paulo: HUCITEC,
1992.
MINAYO, M.C.S. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 21ª ed. Petrópolis: Vozes, 2002.
57. PROJETO HOMENS NA PRAÇA : PREVENÇÃO DO CÂNCER DE PRÓSTATA NO
MUNICÍPIO DE COLATINA : PRECONCEITO OU DESINFORMAÇÃO?
Marcela Portugal Martins1
Walckiria Garcia Romero2
Segundo Dangelo e Fattini (2000) A próstata é um órgão pélvico, ímpar, situado inferiormente à
bexiga e atravessado em toda sua extensão pela uretra. A secreção desta, junta-se à secreção das
vesículas seminais para constituir o volume do líquido seminal. A secreção das glândulas prostáticas é
lançada diretamente na porção prostática da uretra através de numerosos ductos prostáticos e confere
odor característico ao sêmen . A próstata, ao contrário do que se pensa, é sede de um grande número
de doenças que atinge o homem desde da adolescência até a velhice. Dentre essas, o câncer de próstata
que vem aumentando de forma assustadora no Brasil e no mundo. Noticias e reportagens inundaram os
meios de comunicação com duas conseqüências imediatas: os homens estão mais conscientes dos
problemas da próstata, mas, informações desencontradas tem gerado aflições indevidas. O câncer de
próstata é um dos mais freqüentes no homem brasileiro, ficando atrás do câncer de pulmão e de pele.
Segundo o INCA, em 2002, foram constatados 25.600 novos casos e em 1999 o câncer de próstata foi
responsável por 7.223 óbitos. Em virtude disso, surgiu o interesse em pesquisar sobre esse assunto
esclarecendo sobre o exame de próstata, a importância da detecção precoce do câncer, e
principalmente detectar a quantidade de homens em faixa etária de risco em momentos de ociosidade
nas praças. O projeto de pesquisa passou a ser chamado de Homens na Praça . As campanhas de
prevenção às neoplasias se detêm, na maioria das vezes, à população feminina. Até dados sobre câncer
de próstata nos municípios ainda não refletem a realidade atual.Visto que o município de Colatina
1
Acadêmica do 8º período do Curso de Enfermagem do Centro Universitário do Espírito Santo. E-mail:
[email protected]] Rua Floriano Peixoto, nº63, apt 101. Centro. Resplendor-MG. CEP 35230000
2
Professora do Curso de Graduação em Enfermagem de Centro Universitário do Espírito Santo-UNESC. E-mail:
[email protected]. Rua Natalina Daher Carneiro 135/104 Jardim da Penha, Vitória ES. Cep: 29060-490. Tel: 99336514/3325-7974.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
184
também se enquadra no nessa realidade, campanhas para realização do exame seriam necessárias para
orientar a população masculina sobre a importância da detecção precoce do câncer de próstata e alertar
sobre seus sintomas, encorajando a procura de um profissional qualificado para a realização do exame.
Segundo Srougi e Simon (1996) A origem do câncer de próstata é ainda desconhecida apesar de
algumas idéias que têm sido apresentadas para justificar o desenvolvimento destas neoplasias . Entre
os fatores de riscos encontramos: genética, homens com pai ou irmão com câncer de próstata têm 2,8
vezes mais chances de desenvolver a doença que a população geral. Se o tio ou avô também
mostrarem a doença, o risco sobe para 6,1 vezes.(Sociedade Brasileira de Urologia, 1998); dieta, rica
em frutas, legumes e verduras diminuem o risco de câncer e uma dieta rica em gordura animal
aumenta os riscos de aparecimento destes tumores; Idade, a literatura clássica cita que 95% dos casos
são diagnosticados em homens entre 45 e 89 anos de idade, com a média de 72 anos (Sociedade
Brasileira de Urologia, 1998); condições econômicas pouco favoráveis; tabagismo; infecções
bacterianas; etc. Segundo Srougi e Simon (1996), Os tumores prostáticos só produzem manifestações
clínicas quando o câncer atinge a cápsula prostática, ou seja, quando a doença já esta relativamente
avançada. Nas fases iniciais o tumor só pode ser identificado através do exame clínico de rotina, o que
justifica o exame de toque retal anual em todo homem acima de 50 anos . Outros exames
complementares são: PSA (Antígeno Prostático Específico); biópsia; e ultra-som transretal, com a
função de comparar e detectar se há ou não presença de uma neoplasia. Porém, o exame de toque é
insubstituível. O tratamento do câncer de próstata varia de acordo com o tipo de tumor e estágio em
que foi diagnosticada a doença, sabendo-se que diagnosticado precocemente tem cura. Esse trabalho
tem como objetivo: criar e estimular campanhas de prevenção do câncer de próstata no município de
Colatina, orientar a população masculina sobre a importância da realização do exame para detectar
precocemente o câncer de próstata, ressaltar sobre a importância de bons hábitos alimentares para
prevenção do câncer de próstata e demais tipos de câncer e alertar sobre os sintomas desta patologia e
encorajar a procura de um profissional para realização do exame. Trata-se de um trabalho qualitativo,
visando levantar dados sobre a detecção precoce do câncer de próstata. A coleta dos dados foi no mês
de julho de 2004, na Praça Municipal de Colatina-ES, onde foi desenvolvido um questionário
estruturado, contemplando 47 homens na faixa etária entre 40-90 anos, com a seguinte distribuição: 6
com idade inferior a 50 anos; 14 com idade entre 50-59 anos; 12 com idade entre 60-69 anos; 13 com
idade entre 70-79 anos; 2 com idade superior a 80 anos. Todos já ouviram falar sobre câncer de
próstata e o meio de comunicação mais comum foi a televisão seguido por comentários de parentes e
de amigos. Dos entrevistados 11% não fariam o exame de detecção precoce do câncer de próstata, pois
consideram-no constrangedor, relatando ainda que somente o fariam se começassem a apresentar os
sintomas. Somente 38% fizeram exame de detecção, sendo o PSA a forma mais comum, porém
aproximadamente 25% dos pacientes com câncer podem apresentar taxas normais desse exame. Dos
62% que nunca realizaram exame, 60 % apresentaram o preconceito e 40% a desinformação como
justificativa para tal. A estatística sobre a faixa etária dos que não fizeram o exame foi a seguinte:
43% dos pacientes entre 50-59 anos, 75% entre os de 60-69 anos, 54% entre os de 70-79 anos, e 100%
entre 80-89 anos. Sabe-se, porém, que este carcinoma atinge 50% dos homens aos 60 anos e cerca de
90% dos homens entre 70-80 anos, tornando-se a idade fator relevante para o surgimento câncer.
Constatou-se que 17% dos entrevistados já tiveram caso de câncer de próstata na família, somente
30% fazem acompanhamento médico de rotina. Apenas 40% sabem sobre os sintomas da doença e dos
60% que não sabem, 67% estão na faixa etária inferior a 50 anos, 57% dos entrevistados entre 50-59
anos, 75% entre 60-69 anos, 39% entre 70-79 anos, e 100% acima de 80 anos. Relataram 57%, que
não comentam com amigos sobre o carcinoma de próstata principalmente por preconceito. Acham o
exame de prevenção um ato consciente somente 66% dos entrevistados, porém, 15% consideram o
exame doloroso, sendo que 100% nunca realizaram-no. Ainda 15% consideram-no motivo de
chacota , porém, 100% deles também nunca realizaram-no, a faixa etária mais preconceituosa está
entre 70-79 anos. Dos entrevistados 30% acreditam que o carcinoma de próstata sempre leva a óbito, e
70% que se descoberto a tempo tem cura. Os sintomas, em conformidade com uma escala de
graduação, foram os seguintes: 74% leve; 17% moderado, sendo 12% com menos de 50 anos, 37%
entre 50-59 anos, 38% entre 70-79 anos, 13% entre 80-89 anos; 9% com sintomas graves, sendo 25%
entre 50-59 anos, 50% entre 60-69 anos, e 25% entre 70-79 anos. Os critérios para encaminhamento
ao urologista foram escore moderado ou grave, história familiar de câncer de próstata e idade
avançada (que não estão sobre acompanhamento médico anual). Porém, tivemos 25% de pacientes
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
185
com escore moderado na faixa etária entre 70-79 anos que recusaram o encaminhamento ao urologista.
Tivemos também, paciente de 57 anos com história familiar positiva (filho falecido aos 28 anos com
câncer de próstata e pai aos 70 anos) que recusou encaminhamento. Conclui-se, através deste trabalho,
que o carcinoma de próstata promete deixar muitas vítimas, caso não seja feita uma campanha
adequada de prevenção que possa abranger as várias faixas etárias, com um trabalho de educação
continuada com a população masculina, afim de livrá-la do próprio preconceito e o da sociedade, e
informá-la sobre os benefícios de um acompanhamento adequado, onde possam ser identificados
sinais e sintomas que irão contribuir para a prevenção e a detecção precoce do câncer de próstata,
promovendo uma melhor qualidade de vida.
Referências Bibliográficas
DANGELO, José Geraldo; FATTINI, Carlo Américo. Anatomia Humana Básica. São Paulo: Ateneu,
2000.
SMEITZER, Suzanne C; BARE, Brenda G. Tratado de Enfermagem Médico Cirúrgico.9.ed. Rio de
Janeiro:Guanabara Koogan,2002.
SROOUGI, Miguel; SIMON, Sergio de. Câncer urológico. São Paulo: Marprint, 1996.
Tumores Prostáticos. São Paulo: Sociedade Brasileira de Urologia, 1998.
Sociedade Brasileira de informações de patologias Urológicas. UroNews, 1999, Nº 35.
58. A INTERDISCIPLINARIDADE COMO ESTRATÉGIA DE ENSINO
Andréia Soprani dos Santos1
Jerusa Araújo Dias
Shaferly Sherry Bonincenha
O modo atual de viver é visto como marcado por uma exigência de decisões e ações competentes, em
um ambiente que se torna cada vez mais instantâneo. Esta exigência se faz cada vez mais consciente,
como condição de conquista de mais humanidade para o ser humano. A linguagem que considerava
educação como um serviço, com espírito público, prestado à cidadania; o aluno, como sujeito do
processo, que mobilizava os educadores para a proposta de uma estratégia pedagógica comprometida
com resultados efetivos para o desenvolvimento da pessoa e da comunidade, passa a ser entendida
como afirmação de que a educação é simplesmente uma prestação de serviço, o projeto pedagógico
nada mais é do que uma estratégia, o aluno apenas um cliente, o resultado, um produto. A
comunicação de massa e a comunicação interativa são presenças indispensáveisl em qualquer debate
sobre educação. As instituições de ensino precisam acompanhar esse desenvolvimento global e o
projeto pedagógico com currículo interdisplinar que pode permitir essa oportunidade, promovendo
uma integração com todas as disciplinas e o desenvolvimento do espírito crítico no aluno. (Lopes,
2000). O objetivo do estudo é identificar a importância da construção de um currículo interdisciplinar
para a área da enfermagem, permitindo formar
profissionais capazes de explorar a
interdisciplinaridade na sua prática profissional. A ciência pedagógica consiste em um conjunto de
procedimentos e técnicas que vão se aperfeiçoando no sentido de conferir aos estudantes e aos saberes
uma natureza moralizada e moralizante (Varela,1994). A interdisciplinaridade é reinvenção que vem
para reafirmar a integridade perdida, o esfacelamento dos domínios do conhecimento, do homem e da
ciência. Significa um passo além no processo de aquisição do conhecimento, possibilitando uma
educação centrada na integração entre conhecimento, conhecedor e conhecido. Essa
interdisciplinaridade, característica de um código integrado, não significa apenas uma disciplina
1
Enfermeira, graduada pela Universidade Federal do Espírito Santo. Atuando na Estratégia de Saúde da Família no
município de Jaguaré. E-mail: [email protected]. Rua Uirapuru, Centro, Jaguaré. CEP 29950000. Telefone residencial: (27)
3769-2256 / telefone celular (27) 9974-3077.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
186
utilizar conhecimentos de outra. Essas são apenas inter-relações intelectuais. A integração pressupõe
uma subordinação das disciplinas a uma idéia ou um projeto comum, articulando-as, Bernstein (1996).
É necessário que, no processo de ensino e aprendizagem, sejam exploradas: a aprendizagem de
metodologias capazes de priorizar a construção de estratégias: de verificação e comprovação de
hipóteses na construção do conhecimento, da construção de argumentação capaz de controlar os
resultados desse processo, do desenvolvimento do espírito crítico capaz de favorecer a criatividade, da
compreensão dos limites e alcances lógicos das explicações propostas. Além disso, é necessário ter em
conta uma dinâmica de ensino que favoreça não só o desenvolvimento das potencialidades do trabalho
individual, mas também, e sobretudo, do trabalho coletivo. Isso implica o estímulo à autonomia do
sujeito, desenvolvendo o sentimento de segurança em relação às suas próprias capacidades,
interagindo de modo orgânico e integrado num trabalho de equipe e, portanto, sendo capaz de atuar em
níveis de interlocução mais complexos e diferenciados. O projeto pedagógico tem diferentes
dimensões, onde se destacam: político -ideológicos, pedagógicos e técnico-científicos. O
desenvolvimento de uma proposta pedagógica requer a contextualização da organização políticoadministrativa da escola, cumpre-nos promover a coerência entre o modelo de gestão e a proposta
pedagógica assumida. Ao considerar uma escola voltada para formação de profissionais de saúde, esta
deve transcender aos limites da assistência prestada pelos serviços do sistema, fica evidente que a
articulação teoria x prática entre várias disciplinas é imprescindível para a formação de qualificação
profissional, integralizando-o e articulando-o com os serviços e com a comunidade. Oferecer
sustentação política e técnica às experiências de formação e de reorganização dos serviços, que
aproximam os mundos do ensino e do trabalho, ousando superar as formações que incentivam o agir
isolado, exclusivista e auto-suficiente. Estudo exploratório realizado através de levantamento
bibliográfico livro, artigos, revistas, acerca do tema com a finalidade de reunir informações diversas
de vários autores para posterior discussão. O período utilizado para esse levantamento bibliográfico foi
de maio a junho de 2003, a partir de referências bibliográficas utilizadas nos módulos de estudo do
PROFAE. A pesquisa bibliográfica diz respeito ao conjunto de conhecimentos humanos reunidos nas
obras. Tem como base fundamental conduzir o leitor a determinado assunto e a produção, coleção,
armazenamento, reprodução, utilização e comunicação das informações coletadas para o
desenvolvimento da pesquisa. (Fachin, 2002). Este estudo revelou que a linguagem que considerava
educação como um serviço e o projeto pedagógico como simples estratégia, está sendo considerados
retrógrado e voltado para um processo que vai de encontro à humanização. Os novos modelos de
ensino pretendem transformar a sala de aula em um espaço de interatividade, onde o professor constrói
territórios que serão explorados pelos alunos de acordo com suas aptidões individuais. Portanto, ao
formar os trabalhadores de saúde sobre uma ótica de integralidade aliando teoria à prática, a
preocupação com o resultado e com o ser humano, estaríamos contribuindo para uma atuação
harmônica de todos que trabalham na área de saúde. O estudo permitiu evidenciar que na medida em
que o processo de formação profissional tende a se diversificar e é impulsionado para a aquisição de
competências e habilidades, cabe a questão: que tipo de curso prepara melhor o ser humano para a
sociedade tecnológica, em mudança permanente? Será o curso generalista, no qual as questões do
trabalho não estão necessariamente presentes e o contato com a tecnologia é vago e casual? Ou será
um curso de formação para a área da saúde, para a área tecnológica ou outra área, no qual estejam
presentes e integrados os conhecimentos científicos, os tecnológicos, as técnicas específicas e as
relações humanas? Ao formar o trabalhador de saúde sob uma ótica de integralidade unindo a técnica à
ciência, a preocupação com o resultado e com o ser humano, estaremos contribuindo para uma atuação
harmônica de todos que trabalham na área da saúde, nos seus mais diversos níveis e especificidades, e
para o sucesso da política setorial. O reconhecimento da integralidade como um princípio ou diretriz
que contempla as dimensões biológicas, psicológicas e sociais do processo saúde-doença através de
ações de promoção, proteção, recuperação e reabilitação que respeitem a integridade do ser humano
deve ser progressivamente, difundido como uma nova cultura da saúde na educação profissional. As
estratégias para essa formação não devem, portanto, confundir a atenção primária à saúde com
tecnologia simplificada e capacitação insuficiente (Brasil, 1990). Para alcançar esses aspectos por
intermédio da formação exige mais do que a transmissão de conteúdos das matérias de ensino.
Requerem todo um conjunto de ações e procedimentos dos agentes do processo educativo os
docentes e o pessoal técnico-pedagógico articulados entre si. A definição desse conjunto faz parte do
planejamento pedagógico e a articulação se dá nos momentos em que a equipe se reúne e também nas
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
187
atividades cotidianas, expressadas no projeto político-pedagógico. Nesse sentido, reafirmamos a
necessidade do envolvimento de todos os docentes na formulação da proposta educativa da escola em
que atuam, com consciência do significado de preparar pessoas para o trabalho, com visão do processo
educacional e tendo refletido sobre as particularidades do estudante-trabalhador.
Referencias bibliográficas:
Bernstein, Basil. A estruturação do Discurso Pedagógico: Classe, Códigos e Controles. Petrópoles.
Vozes: 1995.
Brasil, Ministério da Educação. Referencias para Formação de Professores. Secretaria de Educação
Fundamental. Brasília, 1999.
Fachin, Odília. Fundamentos de metodologia. 3 ed. São Paulo. Saraiva, 2002.
Lopes, Alice Ribeiro Casimiro. Proposta Pedagógica: o plano de ação. Brasília: Ministério da Saúde;
RJ: Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública, 2000; mód.7.
Varela, Julia. O estatuto do saber pedagógico. Trad. Guacira Lopes Louro. In: Silva, T. (org.) O sujeito
da educação: estudos foucaultianos. Petrópoles, RJ: Vozes, 1995.
59. O DESENVOLVIMENTO DO RACIOCÍNIO CLÍNICO DO ENFERMEIRO ATRAVÉS
DA PRÁTICA SEMIOLÓGICA
Júlia Valéria de Oliveira Vargas Bitencourt1
Leonardo Duarte Silva2
Marilene de Almeida3
Flávia Flaiman Lauff4
Introdução: A semiologia para a enfermagem iniciou formalmente no Brasil, em 1990, na Escola
Paulista UNIFESP/EPM. A crença em uma enfermagem que pudessem coletar dados mais
fundamentados, possibilitando o raciocínio clínico que conduzissem a diagnósticos de enfermagem
corretos (Barros, Alba, L. B. L. 2002). A citação refere ao aspecto que mais motivou os profissionais
da enfermagem da referida escola para busca do desenvolvimento da prática semiológica. Para a
implementação do ensino da semiologia na graduação da enfermagem, inúmeras foram as
dificuldades, no entanto, felizmente houveram profissionais perseverantes que ousaram desafiar e com
isso obtiveram o sucesso. Ousar aprofundar o ensino da fisiologia e fisiofarmacologia já havia
resultado, na época em má interpretação, quanto ao alcance da prática de enfermagem, por parte dos
docentes mais ortodoxos. O que dizer, então, de ensinar semiologia e semiotécnica (Barros, Alba, L.
B. L 2002). O objetivo da enfermagem, como definido pela Associação Americana de Enfermagem
(ANA ) O diagnóstico e tratamento das respostas humanas a problemas de saúde reais ou potenciais
(ANA, 1980). Para ajudar uma pessoa a manter, recuperar ou aumentar o nível de saúde, a enfermeira
deve ser capaz de estabelecer os julgamentos clínicos adequados. A tomada de decisões clínicas é
fundamental para a prática de enfermagem. Exige que a enfermeiro(a) pense criticamente, analisando e
aplicando o conhecimento, refletindo sobre a experiência, utilizando protocolos profissionais
adequados, resolvendo problemas e tomando decisões. A avaliação de saúde é um componente de
importância crucial na tomada de decisões clínicas. A perícia na tomada de decisões clínicas contribui
para o desenvolvimento da prática de enfermagem. O pensamento crítico é um processo cognitivo
complexo. Facione e Facione (1996) definem pensamento crítico como um julgamento objetivo autoregulado, centrado no julgamento clínico especializado. Sempre que uma enfermeira dirige seu
pensamento para compreender e achar soluções para os problemas de saúde de um cliente, o processo
1
Enfermeira, Professora do curso de graduação de enfermagem da UNIVIX
Faculdade Brasileira em Vitória/ES
,especialista em UTI .
2
Acadêmico de enfermagem 6° período da UNIVIX- Faculdade Brasileira;Vitória/ES.
3
Acadêmica de enfermagem 6° período da UNIVIX Faculdade Brasileira; Vitória/ES [email protected];
Avenida Resplendor nº112 aptº302 Itapoã - Vila Velha - ES cep: 29101-500.
4
Acadêmica de enfermagem 6º período da UNIVIX- Faculdade Brasileira;Vitória/ES.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
188
torna-se intencional e dirigido para os objetivos. Torna-se uma prática consciente. A compreensão dos
elementos do pensamento crítico pode favorecer o desenvolvimento da competência
profissional. (POTTER, Patrícia A. 2002). O desenvolvimento do raciocínio clínico, considerando-se
sua complexidade, será melhor trabalhado através de modelos sistematizados. Objetivo: O objetivo é
apresentar uma proposta de uma metodologia funcional para o desenvolvimento do pensamento crítico
na atuação clínica do enfermeiro. A avaliação de saúde e o exame físico são duas atividades utilizadas
pela enfermeira em diversas situações clínicas. O uso bem sucedido do conhecimento e habilidades
empregados na avaliação e no exame exige pensamento crítico. Metodologia: Trata-se de um estudo
descritivo onde as coletas de dados estão sendo realizadas em duas Unidades de Saúde de Vitória/ES
(Espírito santo- Vitória) e em um Hospital Estadual do ES na grande Vitória, no ano de 2004. A
atuação nestes locais pode ser descrita da seguinte forma: são escolhidos pacientes aleatoriamente
freqüentadores das Unidades de Saúde e pacientes internados no referido hospital, num total de 25
pacientes, distribuídos em 10 pacientes das Unidades de saúde e 15 pacientes no Hospital. O
procedimento a ser realizado com estes pacientes, nada mais é, do que o processo de enfermagem, nas
etapas de anamnese e exame físico, ou seja, a prática semiológica. À partir desta prática com os dados
obtidos utiliza-se então o modelo do quadro de facilitação do raciocínio clínico, que além desejar esta
facilidade, também, proporciona revisão dos métodos semiológicos utilizados para a obtenção dos
dados. Resultados: Espera-se que os profissionais enfermeiros possam vir a utilizar o quadro de
facilitação do raciocínio clínico, na busca de um desenvolvimento cada vez mais crescente do
pensamento crítico na prática da enfermagem e também possam revisar e expor todo o conhecimento
semiológico introduzido na prática da enfermagem à partir de sua introdução na grade curricular.
Espera-se que os enfermeiros obtenham subsídios para utilização do pensamento crítico, reconhecendo
os componentes do pensamento crítico e a relação com o julgamento clínico. Espera-se que o
enfermeiro torne-se mais hábil na avaliação de saúde e no exame físico após reconhecer como ambos
exigem uma aplicação sistemática e rigorosa do pensamento crítico. Uma avaliação de saúde e um
exame físico completos permitem que a enfermeira identifique adequadamente os problemas do
cliente e escolha as ações de enfermagem indicadas para os resultados desejados. Espera-se que o
enfermeiro através da obtenção dos sinais e sintomas sutis ou evidentes levantados na história de
saúde e no exame físico forneçam pistas ou características especificas que possam levar o enfermeiro a
formulação de diagnósticos de enfermagem, pois os diagnósticos de enfermagem fornecem uma
linguagem que permite que todas as enfermeiras compreendam as alterações de saúde do paciente e
possam dessa forma oferecer-lhes um melhor atendimento Conclusão: Expor o raciocínio clínico do
enfermeiro é necessário, para dar visibilidade ao profissional, assim como proporcionar segurança a
comunidade de profissionais, que passarão a discutir casos clínicos, subsidiando-se para sua prática
clínica cientificamente. O paciente obterá uma melhoria na qualidade do atendimento, no momento em
que o profissional enfermeiro realiza análise crítica para prestar assistência. A prática semiológica
tende a ser valorizada e pode também passar por um processo de estratificação, pois depois da
introdução na grade curricular da enfermagem, que ainda não foi feito levantamento estatístico do
desenvolvimento semiológico para a enfermagem. Atualmente, nos ambientes de cuidados de saúde
complexos, a enfermeira deve ser capaz de rever uma enorme quantidade de informações, para pensar
criticamente e fazer julgamentos corretos. A partir do momento em que a enfermeira encontra pela
primeira vez um cliente, ela aprende a demonstrar um sentido de cuidado e respeito que ganha a
confiança do paciente. Quando bem sucedida, a relação que se forma eventualmente entre enfermeira e
cliente permite que ela obtenha informações sobre o seu estado de saúde, colabore com ele em um
planejamento de cuidados de saúde e implemente ações que mantenham e/ou elevem o nível de saúde
do paciente.
Referências Bibliográficas:
POTTER, P.A. Semiologia em Enfermagem. Rio de Janeiro: Reichmann-e Affonso editores,2000.
& BARROS, A.L.B.L; Anamnese e Exame Físico Avaliação diagnóstico de enfermagem em adulto.
Porto Alegre: Artmed 2002
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
189
61. CONSULTA DE ENFERMAGEM A MULHERES ALCOOLISTAS DO
PAA/HUCAM/UFES
Michelle Garcia de Alcântara1
Mariana Lorencett Fornazier2
Marluce Miguel de Siqueira3
Introdução: A Enfermagem é uma profissão que possibilita uma atuação intra e extra hospitalar tendo
como propósito a educação em saúde. A Consulta de Enfermagem é um instrumento para
consolidação da referida atuação (Adami et al., 1989). Neste contexto, em 1985 foi criado o Programa
de Atendimento ao Alcoolista do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes da Universidade
Federal do Espírito Santo
PAA/HUCAM/UFES, tendo como meta o tratamento de pacientes
alcoolistas e seus familiares, através de uma proposta interdisciplinar e em regime ambulatorial onde o
enfermeiro tem um papel essencialmente educativo (Macieira, Gomes e Garcia, 1993). E, segundo
Pillon e Nóbrega (2001), este papel educativo auxilia na quebra de crenças, preconceitos e superação
da negação do problema, de forma a possibilitar o desenvolvimento de um plano assistencial
individualizado, com intervenções educativas e aconselhamentos. A especificidade deste trabalho ao
estudo da Consulta de Enfermagem direcionada a mulheres alcoolistas deve-se a dificuldade das
mesmas de estarem em seguimento no programa, assim como representam uma necessidade de
atendimento específico para a realidade destas. Apesar dos poucos estudos sobre mulheres alcoolistas,
em sua maioria sugerem que estas se beneficiam de tratamentos que visam suprir suas dificuldades,
tais como: a superação de barreiras estruturais (por exemplo, falta de creches e de ajuda legal),
pessoais (como falta de emprego e dependência financeira), e sociais (estigma social e a oposição dos
familiares e do companheiro), que, quando devidamente trabalhadas permitem maior adesão aos
tratamentos (Grella et al., 1999). O número de mulheres alcoolistas apresentam-se ainda subestimados
no Brasil e desconhecidos no Espírito Santo, não diferindo muito da realidade de outros estados
brasileiros já que na maioria das vezes estas permanecem sub-representadas devido a vários fatores
dificultadores do diagnóstico, como o estigma social presente na mulher e conseqüentemente, sua
menor procura aos serviços de tratamento especializado como também treinamento inadequado das
equipes de saúde (Zilberman, 1998). Objetivos: Descrever e analisar as atividades desenvolvidas pela
enfermagem na consulta dirigida às mulheres alcoolista no PAA/HUCAM/UFES. Metodologia: O
trabalho foi desenvolvido através de um estudo descritivo dos dados gerados pelos prontuários das
pacientes atendidas em 2002 em dois momentos. No primeiro momento foi levantado na agenda do
Programa o número de atendimentos realizados nesse período e posteriormente aplicado um
instrumento para a coleta dos seguintes dados nos prontuários: identificação, grau de severidade,
abstinência, participação em grupos de ajuda mútua, tipo de apoio, orientações sobre o auto-cuidado e
alcoolismo-doença. Num segundo momento, estes dados foram submetidos a uma análise quantitativa
e qualitativa onde foram consideradas as etapas da consulta desenvolvida pela enfermagem.
Resultados: No ano de 2002 foram realizadas 34 consultas, sendo 26,5,3% de primeira vez e 73,5% de
retorno, com uma média mensal de 2,8 atendimentos. O n da pesquisa foi de 9 mulheres. Deste total,
100% participaram da Reunião de Sala de Espera e 22,2% de Alcoólicos Anônimos. O apoio familiar
para o tratamento estava presente em 44,4% das mulheres seguido do empregador (33.3%), e dos
amigos (22,2%), a iniciativa individual foi presenciada em 33,3% das mulheres. O grau de severidade
grave em relação a dependência alcoólica foi constatado em 77,8% das pacientes, no entanto apenas
22,2% apresentaram lapso ou recaída durante o tratamento. Constatou-se que, em relação às
orientações com ênfase nas necessidades humanas básicas nas consultas de retorno, 72% foram sobre
alimentação, 60% sobre hidratação e atividade física, 56% sobre atividade sócio-espiritual, 36% sobre
atividade recreacional ou ocupacional, 8% sobre sono/repouso e nenhuma orientação foi dada sobre
higiene e sexualidade. Quanto às orientações sobre alcoolismo-doença nas consultas de retorno, 28%
1
Acadêmica do curso de Enfermagem da UFES (8ª período) e Bolsista do CNPq. Rua Doze, 28, Vale Esperança, CariacicaES. E-mail: michelle.alcâ[email protected]
2
Acadêmica do curso de Enfermagem da UFES (8ª período) e Bolsista do CNPq.
3
Enfermeira Psiquiátrica. Profa Drª Adjunta do Departamento de Enfermagem da UFES e Coordenadora do
NEAD/CBM/UFES.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
190
foram sobre a ação do álcool no organismo, 16% sobre motivos para beber e prevenção à recaída, 8%
sobre doença tratável, e 4% foram sobre o conceito de alcoolismo, estágios de intoxicação, ajuda
especializada, e sucesso no tratamento. Conclusão: A análise da consulta de enfermagem nos permitiu
observar que o público feminino atendido no PAA-HUCAM-UFES buscou o programa por iniciativa
individual, o que nos conduz às dificuldades que a mulher possui de se apresentar à sociedade como
abusadora/dependente de álcool, sendo que as mesmas em sua maioria possuem grau de severidade
grave não diferindo muito da realidade da severidade da dependência alcoólica masculina. A
participação das mulheres em grupos de ajuda mútua ainda é bastante reduzida refletindo a dificuldade
que as mesmas apresentam em participar de atividades extras ambulatoriais, seja pela dificuldade de
organização do tempo ou até mesmo pelo estigma social que carregam já que nos Alcoólicos
Anônimos o sexo masculino é predominante. Nossos achados demonstram que as orientações
fornecidas durante as consultas de enfermagem sobre as necessidades humanas básicas, concentraramse na atenção para auto-cuidado com maior ênfase sobre alimentação, hidratação, atividades físicas,
social, espiritual e recreacional. As orientações sobre a sexualidade, atividade ocupacional, higiene e
sono/repouso necessitam ser ampliadas. A educação em saúde sobre a Síndrome de Dependência
Alcoólica desenvolvida pela enfermagem no P.A.A. abrangeu prioritariamente o conceito de
alcoolismo e sua implicação no organismo oferecendo as orientações iniciais para uma melhor
compreensão do paciente sobre sua doença, e posteriormente são abordados os motivos que levam o
paciente a beber, a ação do álcool no organismo, o sucesso do tratamento e o alcoolismo como doença
tratável, fornecendo condições facilitadoras para a manutenção da abstinência o que não nos garante a
abstinência das pacientes.
Referências bibliográficas:
ZILBERMAN M. L., Características Clínicas da dependência de drogas em mulheres. [Tese], São
Paulo: Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998.
ADAMI N. P. et al. Características Básicas que diferenciam a Consulta de Enfermagem da Consulta
Médica. Acta Paul Enf, 2(1): 9-13, 1989.
MACIEIRA M. S.; GOMES M. P. Z.; GARCIA M. L. T. Programa de atendimento ao alcoolista do
HUCAM da UFES (PAA-HUCAM-UFES), J. Bras. Psiq, 42(2): 97-109, 1993.
PILLON S. C. e NÓBREGA M. P. Desintoxicação Alcoólica Ambulatorial Realizada por
Enfermeiras. In: FOCCHI, G. R. A. et al. Dependência Química Novos Modelos de Tratamento. São
Paulo: ROCA, 2001 p. 143-160.
GRELLA C. E.; POLINSK M. L.; HSER Y.; PERRY S. M. Characterístics of women-only and
mixed-gender drug abuse treatment programs. J. Subst. Abuse Treatment. 12: 37-44, 1999.
62. A IMPLEMENTAÇÃO DE MONITORIAS DE DISCIPLINA NAS FACULDADES DE
ENFERMAGEM DA GRANDE VITÓRIA
Dayane Lopes Ribeiro1
Marcela Almeida Baptistini1
Pollyana Siqueira Spinassé1
Elizabete Regina Araújo2
Denise Silveira de Castro2
A enfermagem é uma área de conhecimento teórico e prático, cuja especificidade é o cuidado do ser
humano. O curso de graduação tem por finalidade capacitar o aluno para a prática assistencial,
administrativa, pedagógica e investigativa, através da implementação de atividades teóricas, práticas,
1
Acadêmicas doCurso de Graduação em Enfermagem e Obstetrícia da UFES 3º período. Monitoras dadisciplina
Semiologia e Semiotécnica. Rua: Orlando Basílio dos Santos, n 95, Itararé, Vitória, ES, Brasil, Cep: 29079-470 - 3324 7926
e-mail: [email protected]
2
Orientadoras, docente do Departamento de Enfermagem da UFES. Doutoras em Enfermagem
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
191
estágios, iniciação científica e extensão. Dentre essas, na área de extensão, destacamos a participação
junto ao corpo docente em atividades de monitoria e investigação. A monitoria é um serviço de apoio
pedagógico oferecido em muitas faculdades, tanto públicas como privadas, aos alunos interessados em
aprofundar alguns conteúdos, bem como solucionar dificuldades em relação a algum ponto da matéria
trabalhada em aula. Os monitores são alunos dos próprios cursos ou de outros cursos, que estejam
dispostos a colaborar com os colegas. São selecionados pelas coordenações de curso e podem receber
remuneração através de bolsa ou desconto na mensalidade, nas faculdades privadas, ou também podem
exercer a monitoria como voluntários. A monitoria tem a finalidade de favorecer a participação dos
alunos como auxiliares do pesquisador/docente na execução de projetos de ensino, sem obtenção de
resultados próprios; incentivar a melhoria no processo ensino/ aprendizagem, fortalecendo a relação
entre o aluno e o professor. Além disso, estimula a formação de futuros docentes e profissionais não
docentes, mediante cooperação do aluno com o docente, em atividades de ensino, pesquisa e extensão;
fornece subsídios ao corpo docente, proporcionando maior e melhor atendimento aos alunos; e
desperta no aluno que apresente rendimento escolar geral satisfatório, o interesse pelo exercício na
carreira docente e pela profissão escolhida. As atividades de monitoria não prejudicam as atividades
acadêmicas, já que os alunos desempenham os seus deveres em horários disponíveis. Além disso, ao
final do desenvolvimento da monitoria, recebem certificado de desenvolvimento da monitoria que é de
grande valia para o currículo do aluno. O número de faculdades com o curso de enfermagem na
Grande Vitória cresce a cada dia, contando hoje com sete faculdades. Considerando que a monitoria de
disciplina tem como finalidade ajudar o professor no processo de ensino, colaborar com o aluno na
aprendizagem e enriquecer o monitor com conhecimento e experiências, fica fácil perceber a
importância da implantação de monitores nas faculdades, visto o seu grande benefício para todos. A
monitoria de disciplina tem mostrado ser de significante importância e necessidade tanto para os
professores quanto para os alunos. Essa pesquisa se fundamenta na detecção de informações
relacionada a implementação da prática de monitoria nas faculdades da Grande Vitória. O projeto de
base para esta pesquisa tem uma tríade de integração, contemplando a monitoria, pesquisa e ensino.
Trabalhamos com a implantação de coleta de dados nas faculdades de enfermagem da Grande Vitória,
estruturado em um questionário de perguntas fechadas, determinando a assistência dos monitores de
disciplina.Os objetivos do estudo baseiam-se em detectar a prevalência de monitores de disciplina nas
faculdades de enfermagem da Grande Vitória; quais são adeptas ao sistema de monitoria; detectar a
prevalência de monitores bolsistas e voluntários; verificar a utilização da prática de monitoria de
disciplina em aulas teóricas e teórico-práticas; identificar o tempo de monitoria exercido pelos
monitores e a idade média dos monitores. Os dados foram coletados nas sete faculdades de
enfermagem da Grande Vitória, sendo uma universidade federal e seis faculdades particulares, na qual
o instrumento utilizado foi um questionário de perguntas fechadas de caráter quantitativo. Esse
questionário foi aplicado pelos pesquisadores, que são os autores, aos coordenadores do curso de
enfermagem e coordenadores de disciplina das faculdades. A coleta de dados foi realizada de forma
sistemática no período do dia 01 de julho de 2004 ao dia 09 de julho de 2004. Os resultados levantados
nas faculdades de enfermagem da Grande Vitória, dispõe-se de 32% de monitores de disciplina
bolsistas e 68% de monitores voluntários. A aplicação da prática de monitoria é mais prevalente nas
disciplinas teórico-práticas, visto sua maior necessidade de acompanhamento nas atividades,
objetivando facilitar o aprendizado dos alunos. Das sete faculdades de enfermagem, cinco são adeptas
ao sistema de monitoria de disciplina e duas ainda não são, pleiteando a adesão da atividade a partir do
próximo período letivo. As disciplinas que apresentam maior prevalência de monitores são: Anatomia,
Parasitologia, Biologia Geral, Semiologia e Semiotécnica e Procedimentos Básicos de Enfermagem,
que são disciplinas teórico-práticas, provando a maior adesão da monitoria em disciplinas teóricopráticas . O tempo de monitoria tem o período mínimo de seis meses e máximo de um ano. A idade
média dos monitores é de vinte e dois anos. Portanto, conclui-se que o desenvolvimento da atividade
da monitoria é muito importante nas faculdades, pois os professores são auxiliados pelos monitores
nas aulas teóricas e práticas; os monitores têm a oportunidade de aprimorar seu conhecimento em tal
disciplina, já que estão constantemente em contato com o assunto e os alunos podem contar com o
auxílio dos monitores em horários de aula e monitorias, facilitando assim o seu aprendizado. Contudo,
a presença das monitorias nas faculdades da Grande Vitória ainda é pouco desenvolvida. Algumas
faculdades ainda não desempenham tal atividade, e nas que empregam o sistema de monitoria, os
alunos são pouco estimulados a participar. Levando em conta os grandes benefícios trazidos pelo
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
192
programa de monitoria (aluno/ professor/ monitor), vale ressaltar que tal atividade deveria ser
considerada um assunto mais relevante, tanto nas faculdades públicas quanto nas particulares, o que
beneficiaria os campos do ensino, aprendizado e da pesquisa. Os graduandos de enfermagem vêm se
reportando ao monitor como um indicador de informações inerentes à disciplina e ainda ressaltam a
ajuda do mesmo frente às dificuldades surgidas no campo clínico, mostrando ser imprescindível a
presença do monitor junto ao acadêmico uma vez que o mesmo esclarece dúvidas, auxilia nos
cuidados e principalmente na prescrição da assistência. Acreditamos que esta atividade acadêmica
constitui-se num elo de integração entre pesquisa, ensino e cuidado de enfermagem, aspectos
fundamentais que devem ser perseguidos por aqueles que almejam exercer a docência/educacão. Ao
final, faz-se necessário mencionar que a monitoria merece maior atenção e deve ser proposta e
incentivada para todos os alunos uma vez que é o caminho para a licenciatura e a preparação para a
iniciação científica.
Referências bibliográficas:
Monitoria Institucional. Disponível em :
<http://www.unifor.Br/servlets/newstorn.notitia.apresentação.htm>. Acesso em: 01 jul. 2004.
Monitoria. Disponível em: <http://www.faculdadesintegrado.edu.br/grad_enfermagem_ensino.asp.htm
>. Acesso em: 05 jul. 2004.
Monitoria. Disponível em:< http://www.ufjf.br >. Acesso em: 09 jul. 2004.
PAIXÃO,C. T. et al. Monitoria: Uma iniciação para a docência.Projeto de Pesquisa Científica (90
Período de Graduação)- Escola de Enfermagem de Afonso Costa da Universidade Federal Fluminense,
Rio de Janeiro.
PAES,G. O. et al. Monitoria: Uma vivência para o aluno de enfermagem.Projeto de Pesquisa
Científica (60 Período de Graduação)- Escola de Enfermagem de Afonso Costa da Universidade
Federal Fluminense, Rio de Janeiro.
64. O ENSINO DO DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM: UM DESAFIO
Verônica de Azevedo Mazza1
Liliana Maria Labronici1
Maria de Fátima Mantovani2
Denise Faucz Kletemberg3
INTRODUÇÃO A aplicação da Metodologia da Assistência de Enfermagem embasada num marco
conceitual desenvolve o potencial profissional, possibilitando a organização do conhecimento da
categoria, trazendo benefícios ao cliente, ao enfermeiro e a profissão. É um instrumento científico que
proporciona ao profissional enfermeiro o planejamento e a sistematização de suas ações e da equipe de
Enfermagem, respaldando-o para o cumprimento da Lei n.7.498, que dispõe sobre o exercício da
Enfermagem, no seu artigo 8.° ...Ao enfermeiro incumbe, como integrante de equipe de saúde, a
participação na elaboração, execução e avaliação dos planos assistenciais de saúde... (BRASIL,
1987).
O diagnóstico de Enfermagem como parte integrante desta metodologia, resulta do processamento dos
dados levantados e subsidia as fases subseqüentes do Processo de Enfermagem: planejamento,
1
Professora Assistente do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Paraná. Doutoranda do Programa de
Pós-graduação da USP.
1
Professora Doutora do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Paraná. Vice-coordenadora do Programa
de Pós-graduação em Enfermagem da UFPR. [email protected] R. Antonio Lago, 420. Curitiba-PR 82560-470.
Membro do Grupo de Estudos Multidisciplinar em Saúde do Adulto- GEMSA
2
Professora Doutora do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Paraná. Coordenadora do Programa de
Pós-graduação em Enfermagem da UFPR. Coordenadora do Grupo de Estudos Multidisciplinar em Saúde do AdultoGEMSA
3
Mestranda do Programa de Pós-graduação em Enfermagem da UFPR. Bolsista de Pós-graduação da CAPES. Membro do
Grupo de Estudos Multidisciplinar em Saúde do Adulto- GEMSA
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
193
implementação e avaliação. Segundo Carpenito (1997) o diagnóstico de Enfermagem impulsiona a
profissão por várias perspectivas, pois proporciona um mecanismo útil para a estruturação do
conhecimento da Enfermagem, definindo o domínio próprio dos enfermeiros. Assim, é de crucial
importância para a prática cotidiana da enfermeira, porquanto exige uma avaliação clínica por meio do
pensamento crítico. Este permite a tomada de decisão quanto aos resultados esperados nas ações de
cuidado, buscando a resolutividade para os diagnósticos elencados, decisivo para a prática, uma vez
que, colaboram para firmar o conhecimento nas ações de Enfermagem proporcionando maior
autonomia ao profissional enfermeiro. O diagnóstico de Enfermagem não é idéia nova e vem
permeando a prática profissional desde Florence Nightingale, ao diagnosticar e tratar problemas de
saúde, passando pela taxonomia da North American Diagnosis Association (NANDA), em 1982 e
culminando na Classificação Internacional da Prática de Enfermagem em 1996. A taxonomia de
diagnóstico considerada como instrumento de trabalho do enfermeiro, possibilita maior definição do
objeto de trabalho da Enfermagem. Classificar a prática de Enfermagem expressa os fenômenos do
cotidiano, possibilitando estabelecer uma linguagem comum para poder compartilhar conceitos da
profissão e impulsionando avanços no conhecimento e no alcance dos propósitos de seu campo de
atuação. Detentor de tal importância para a prática profissional, o processo ensino-aprendizagem do
tema deverá permear as discussões da categoria, quer nas escolas de graduação como em suas
entidades de classe, pois o desenvolvimento deste raciocínio clínico se inicia na graduação, quando o
discente percebe a necessidade deste, ao identificar os diagnósticos de Enfermagem em campo de
aulas práticas. Cabe ao docente fomentar, direcionar e implementar o pensamento crítico no aluno,
permeando toda a vivência acadêmica.
OBJETIVO Esta pesquisa teve como objetivo refletir sobre o ensino do diagnóstico de enfermagem
desenvolvido em cursos de graduação em enfermagem em uma instituição de ensino superior pública
na cidade de Curitiba. METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva. Os dados
foram coletados nas consultas de Enfermagem realizadas pelos acadêmicos do 6º período da
graduação, no período de maio à setembro de 2003, no Pronto Atendimento de Hospital-escola e em
Unidade Básica de Saúde Mnicipal. Os diagnósticos de Enfermagem mais encontrados foram: déficit
de conhecimento; risco para troca de gases ineficaz; dor, risco para perfusão tissular alterada; risco
para excesso de volume; risco para infecção; nutrição alterada; déficit de volume de líquidos; débito
cardíaco diminuído; intolerância a atividade; ansiedade; Nutrição; Tegumento; Temperatura corporal;
Desenvolvimento psicomotor; Eliminações. ANÁLISE DOS DADOS Os dados compilados
permitiram a identificação do desenvolvimento do pensamento crítico dos graduandos, retratado no
histórico de Enfermagem e no levantamento dos diagnósticos de Enfermagem.Identificamos como
ponto convergente o referencial teórico de Wanda Aguiar Horta, NANDA, CIPESC e a reflexão
teórico-prática por meio da associação de sinais e sintomas, referendando as proposições teóricas da
disciplina. Entretanto os dados analisados apontam algumas lacunas como: falta de raciocínio crítico
demonstrado a partir da dificuldade no agrupamento de sinais e sintomas que direcionam o diagnóstico
identificado, acarretando falha na correlação entre os sinais e sintomas e o diagnóstico de
Enfermagem. A evidência é o excesso de diagnósticos de enfermagem que poderiam ser agrupados,
permeados pelo pensamento clínico da situação problema. Outra falha foi a abrangência das
prescrições de enfermagem. A falta de objetividade nas prescrições dificulta o cumprimento das
intervenções de Enfermagem que deverão ser implementadas pela equipe. A característica marcante
que emergiu dos dados foi o direcionamento do foco biológico em detrimento do psicossocial. O
estudo demonstrou que os diagnósticos mais encontrados pertencem ao padrão de resposta humana de
trocar (NANDA), evidenciando o foco biológico dos alunos em detrimento dos padrões conhecer e
sentir, que embora identificados, apareceram em menor número. Este achado revela a dificuldade do
graduando na observação e percepção da subjetividade, resultante da construção positivista e
cartesiana que ainda compõe o conhecimento acadêmico da Enfermagem. CONSIDERAÇÕES
FINAIS A sistematização da assistência possibilita uma organização do cuidado prestado, facilitando a
identificação dos diagnósticos, a definição dos cuidados, e assim sendo, fornecendo condições para
sua priorização. A utilização dos diagnósticos de Enfermagem leva à consciência da responsabilidade
e estimula o enfermeiro a adquirir novos conhecimentos e habilidades para desenvolver as ações de
enfermagem (MAZZA & MANTOVANI, 2001). Entendemos que a consolidação dos diagnósticos de
Enfermagem necessita de esforços conjuntos partindo do ensino do diagnóstico de forma contínua e
coerente nos cursos de graduação e da integração do conhecimento à prática, para que então se
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
194
desenvolva uma reflexão mais crítica acerca do cuidado a ser realizado. Apesar das dificuldades,
percebemos que um maior número de alunos conseguiu desenvolver o processo de enfermagem
aplicando o diagnóstico de enfermagem. Entendemos que se faz necessário utilizar uma metodologia
pedagógica que possibilite a reflexão teórico-prática para estimular o desenvolvimento do pensamento
crítico e do raciocínio clínico para a aplicação do diagnóstico de enfermagem na prática cotidiana.
Nesta perspectiva, é imprescindível que a reflexão sobre o ensino do diagnóstico de enfermagem
deverá permear as discussões e ser foco de pesquisa, para que esforços sejam canalizados para o
desenvolvimento de um corpo de conhecimento próprio da enfermagem.
Referências bibliográficas:
BRASIL. Decreto-Lei n.94.406, de 8 de junho de 1987. Lei do exercício profissional de Enfermagem.
CARPENITO, L.J. Diagnósticos de Enfermagem: aplicação à prática clínica. 6 ed. Porto Alegre:
Artmed, 1997.
MAZZA, V.A; MANTOVANI, M.F. O diagnóstico de Enfermagem e a metodologia da assistência: da
teoria à prática. In: CARRARO, T.E; WESTEPHALEN. M.E.A. Metodologia para a assistência de
Enfermagem: teorizações, modelos e subsídios para a prática. Goiânia: AB; 2001.
66. A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA NO ENSINO DA ENFERMAGEM1
Amarílis Schiavon Paschoal2
Maria de Fátima Mantovani3
Ymiracy N. S. Polak4
Resumo Este estudo é uma reflexão teórica sobre o ensino da ética na busca da autonomia, do agir
com competência, em mobilizar conhecimentos para julgar e eleger decisões para a prática
profissional democrática. No ensino da enfermagem a ética faz parte do currículo como disciplina,
com conteúdos que devem permitir a criação de espaços para a reflexão, com característica de fazer
parar para pensar , objetivando fazer raciocinar adequadamente bem para conduzir com competência,
comprometimento e responsabilidade a profissão. A ética pode ser definida como saber que agrega e
integra as várias disciplinas do currículo de enfermagem, para que todos tenham uma linguagem
comum, relacionada aos princípios éticos que norteiam nossa profissão. Inseridos no contexto da ética
educativa encontram-se vários valores. Nesta situação serão discutidos apenas os valores estéticos e
políticos e seus determinantes. A estética na enfermagem é caracterizada pela sensibilidade, que
qualifica o fazer humano na medida em que afirma que a prática deve ser sensível a determinados
valores. O primeiro valor a ser descrito é o ideal da profissão, que é a sua valorização, que imprime o
respeito, o orgulho e a dignidade daqueles que a praticam. É a busca pela qualidade do serviço e pelo
respeito ao cliente que, neste contexto, se insere como a boa assistência prestada, assim como a
construção do conhecimento, dentro de uma relação interpessoal imprescindível ao desenvolvimento
individual, profissional e social. Nesta linha de pensamento entende-se a estética da sensibilidade
como capacidade profissional que valoriza a diversidade de trabalhos e de clientes, estimula a
criatividade e a ousadia, qualidades que devem ser desenvolvidas na enfermagem, visando à prestação
do cuidado mais humanizado. A busca de novo paradigma no ensino da enfermagem deve contemplar
1
Estudo apresentado na disciplina de Ética e bioética em Enfermagem, do curso de Mestrado em Enfermagem da UFPR,
ministrada pela Profª Drª Ymiracy N. S. Polak.
2
Enfermeira, Pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior, diretora do Centro de Educação Profissional Evangélico,
Coordenadora do curso de Enfermagem da Faculdade Evangélica do Paraná, mestranda do curso de Mestrado em
Enfermagem da UFPR.
3
Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Paraná. Doutora em EnfermagemEEUSP. Coordenadora do Grupo de Estudos Multiprofissional em Saúde do Adulto (GEMSA).
4
Doutora em Filosofia da enfermagem, Pós-Doutora em Tecnologia de Comunicação e Informação pelo Instituto de
Educação da Universidade de Londres, Professora participante do programa de Mestrado da UFPR, Reitora da Universidade
Virtual do Maranhão UNIVINA
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
195
a estética, porquanto, ao relembrar a história da enfermagem, vimos que foi fundamentada na caridade,
religiosidade, intuição e submissão ao saber médico, num desempenho de prática rotineira e
mecanicista, em que dificilmente se deparavam sensibilidade e arte. Ainda hoje a enfermagem é
fortemente influenciada pela visão cartesiana de homem, caracterizada pela separação entre corpo e
alma, e pelo modelo biologicista, que combate os sintomas e as causas das doenças, sem se preocupar
com outros determinantes, como os emocionais, psicológicos e sociais que interferem no estado de
saúde e doença das pessoas. O processo de trabalho em enfermagem também sofre essa influência
cartesiana, pois a assistência é fragmentada, a responsabilidade do planejamento e gerenciamento do
cuidado é do enfermeiro, e a execução dos procedimentos é realizada pelos técnicos e auxiliares.
Diante disto, há necessidade de fortalecer o enfoque humanístico, nos currículos de enfermagem,
valorizando a interdisciplinaridade, formando um profissional atuante, crítico e preparado
cientificamente, a fim de poder relacionar teoria e prática em sua ação, o que leva ao desenvolvimento
teórico e crítico da profissão. A estética está em consonância com o surgimento deste novo paradigma,
pois esta mudança traz em sua essência elementos de uma nova sensibilidade para com as questões
que envolvem o mundo do trabalho e seus profissionais. A educação fundamentada na estética da
sensibilidade deverá organizar seus currículos de acordo com valores que fomentem a criatividade, a
iniciativa e a liberdade de expressão, abrindo espaços para a incorporação de atributos como a leveza,
a multiplicidade e o respeito pela vida e intuição. Currículos inspirados na estética da sensibilidade são
mais prováveis de contribuir para a formação de profissionais que, além de tecnicamente competentes,
percebam na realização de seu trabalho uma forma concreta de cidadania. Ao pensar em valores
políticos dentro do ensino e da prática da enfermagem, entende-se que estes devem levar a uma
política da igualdade de condição na aquisição de conhecimentos e na atuação profissional, devendo
ser desenvolvidos, com o respeito ao bem comum, à solidariedade e à responsabilidade. Constituem,
assim, um compromisso pessoal e social nos indivíduos, com a compreensão de seus direitos e
deveres, tanto na educação quanto na saúde. A política da igualdade deverá incentivar situações de
aprendizagem nas quais o protagonismo do aluno e o trabalho de grupo sejam estratégias para a
contextualização dos conteúdos curriculares na práxis. Nesse sentido, a política da igualdade está
sintonizada com as mudanças na organização do trabalho pelas quais as relações hierarquizadas estão
sendo substituídas pela equipe, pelo cuidado, como essência da prática da enfermagem, bem como
pelo acolhimento de várias lideranças em lugar do único supervisor, como também pela solidariedade
e companheirismo na realização das atividades profissionais. Os determinantes dos valores estéticos e
políticos são as questões éticas que devem partir da autonomia intelectual e da conscientização,
construídas na formação da pessoa, que se caracteriza como o fundamento da ética. Ao definir a
pessoa como um ser com possibilidades de escolhas e constituído de valores, formada por uma rede de
relações que começa no seio materno, se amplia na família, na cultura e na política, ao longo de toda a
existência, entende-se que a construção das questões éticas se desenvolve num processo de interrelações. A ética na educação deve propiciar ao aluno o exercício da escolha e da decisão entre
alternativas diferentes, tanto na execução de atividades profissionais como na definição de caminhos,
procedimentos ou metodologias mais eficazes para o desenvolvimento com qualidade da sua vida
pessoal e social. Para agir competentemente, é preciso posicionar-se diante da situação com
autonomia, para produzir o curso de ação mais eficaz. A competência inclui o decidir e agir em
situações imprevistas, o que significa intuir, pressentir e arriscar, com base na experiência anterior e
no conhecimento. Ser competente é ser capaz de mobilizar conhecimentos, informações e até mesmo
hábitos, para aplicá-los, com capacidade de julgamento, em situações reais e concretas,
individualmente e com sua equipe de trabalho. Sem capacidade de julgar, considerar, discernir e
prever os resultados de distintas alternativas, eleger e tomar decisões, não há competência. Sob esta
ótica a educação ética deve abordar os seguintes pontos: educar para a responsabilidade; o individuo
deve arcar com as conseqüências de seus atos; educar para o senso crítico; o individuo deve criticar o
que conhece e não se deixar massificar; educar para aguçar o sentido da justiça social; educar para a
partilha com disponibilidade; o individuo deve lutar contra o dar tudo; educar para o esforço, lutando
pela verdade e pela saúde; educar para se personalizar. Na educação ética, a consciência, enquanto
percepção que as pessoas têm de si, do meio ambiente e dos outros, ocupa lugar de destaque. É o
julgamento interno que cada um faz de seus atos e dos atos alheios. Sofre alteração de um grupo
profissional para outro, de uma época para outra, pois se baseia em valores que são mutáveis. Após
discorrer sobre este tema, se obtém com mais clareza o entendimento em relação ao comportamento
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
196
ético, compreendendo-se os fundamentos da ética, como senso de responsabilidade, a consciência e o
conjunto de valores e normas. Entendendo que a ética pode ajudar-nos a fazer uma escolha, quando
reconhecemos nossos próprios valores e normas, refletimos sobre eles, discutimos e examinamos, para
ver se são conflitantes ou contraditórios. Assim podemos justificar nossas escolhas éticas de maneira
lógica e racional. Os princípios e as normas que procuramos seguir como princípios orientadores
devem estar bem determinados na nossa consciência. A reflexão sob os valores da estética da
sensibilidade e dos valores políticos contribuiu para esclarecer nosso pensamento sobre a importância
da ética no ensino da enfermagem, visto que entendemos que a formação profissional está nela
fundamentada, determinando o perfil profissional desejado, que visa ao desenvolvimento da
competência e da autonomia no enfermeiro.
Referências Bibliográficas:
FORTES, P.A C. Ética e saúde: questões éticas, deontológicas e legais, tomada de decisões,
autonomia e direitos do paciente, estudo de casos. São Paulo: EPU, 1998.
PARECER 16/99. Diretrizes curriculares nacionais para a educação profissional de nível técnico.
Brasília. Conselho Nacional de Educação. 1999.
RIZZOTTO, M. L. F. História da enfermagem e sua relação com a saúde pública. Goiânia: AB, 1999.
SILVA, M. A. P. D. da. As representações sociais e as dimensões éticas. Taubaté: Cabral editora
universitária, 1998.
PEGORARO, O. Ética e bioética. Petrópolis: Vozes, 2000.
69. A PREVENÇÃO PRIMÁRIA DO DIABÉTICO REFLETIDA PELA ATUAÇÃO DO
ENFERMEIRO.
Gilmara Garcia Gomes1
Viviane Thomasi Hemerly Campostrini2
Introdução: O Diabetes Mellitus assume grande importância no contexto dos problemas de saúde
pública. O mau controle da doença ou a falta de controle da mesma, ocasiona uma série de
complicações agudas e crônicas que podem ser evitadas através do acompanhamento pela equipe de
saúde e da participação ativa do paciente no seu tratamento diário. Atividades educativas devem ser
disponibilizadas com o intuito de prevenir complicações e promover melhor adaptação do paciente à
doença e neste contexto ressalta-se a atuação do Enfermeiro. Durante o período de graduação em
Enfermagem, em especial no último ano de curso, pude observar nos campos de estágios, as
dificuldades enfrentadas pelos pacientes diabéticos, em relação a doença no que diz respeito ao
processo evolutivo patológico, quanto a prevenção primária do Diabetes Mellitus, e, particularmente
pela vivência adquirida com pacientes diabéticos e seus familiares da comunidade onde resido, Itueta,
Minas Gerais. Desde então, tive a iniciativa de estudar sobre o Diabetes Mellitus. Segundo
SMELTZER; BARE(1993), "O diabetes mellitus é uma doença que exige toda disciplina para uma
vida de comportamentos especiais de auto-cuidado para que a glicemia seja mantida o mais próximo
possível da normalidade. Torna-se necessário o desenvolvimento de atividades de ensino ou práticas
educativas de saúde dirigidas ao paciente e família, visando a prevenção de complicações através do
auto-cuidado, possibilitando melhor adaptação do paciente ao tratamento. Segundo BANDEIRA
(1998), a educação do paciente diabético é de fundamental importância, pois sem a colaboração do
paciente, principalmente em relação à adesão a dieta, a prática de exercícios físicos, à manutenção do
controle glicêmico domiciliar, a correta aplicação das injeções de insulina, auto-cuidado, quanto a
1
Graduanda do Curso de Enfermagem do 8º Período
Enfermeira e Docente do Curso de Enfermagem End. R. Thiago Ferreira nº184 Centro Itueta-MG CEP 35220-000
Email: [email protected]
2
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
197
higiene corporal e oral, cuidados com os pés, reeducação alimentar e o acompanhamento regular à
assistência especializada, não se consegue um controle adequado . Portanto, o cotidiano imposto pelas
doenças crônicas na vida das pessoas, remetem para o cuidado no dia a dia de cada individuo, ou seja,
para o ato de se cuidarem, e transformando assim o estilo de vida de cada um. Segundo OLIVEIRA,
J.E.P.; MILECH,ª(2004), os resultados do Diabetes Prevention Program demonstraram uma redução
de 58% na incidência de casos de diabetes através do estímulo à dieta e á prática de atividade física,
sendo esta medida mais efetiva do que o uso de medicação(metformina). Conforme ALMEIDA,HGG
(1997), "a educação é a chave para a melhoria da qualidade de vida dos clientes diabéticos." Dentro
desse contexto ressaltamos a função do Enfermeiro no cuidado ao diabético através de Consultas de
Enfermagem, sendo este momento , oportuno para acontecer maior interação profissional-cliente, que
objetivam estender os conhecimentos ao paciente acerca do Diabetes, conscientizando-o da
importância da mudança de comportamentos e atitudes a fim de conquistar auto - estima, vontade de
aprender, o auto-cuidado, controlar o Diabetes, proporcionando uma convivência mais feliz no seio
familiar e no contexto social. Atualmente os pacientes das mais diversas patologias estão mais
exigentes e pouco a pouco mais participativos no seu próprio tratamento. Em relação aos portadores
de diabetes isto é fundamental, visto que envolve, entre outros aspectos, a mudança de comportamento
e o desenvolvimento de ações de auto-cuidado.O Enfermeiro como membro da equipe de saúde deverá
ser um elemento multiplicador de conhecimentos através da promoção de educação em saúde aos
pacientes diabéticos. De acordo com AQUINO (2001), atuar sobre os processos de saúde/doença da
população implica no desenvolvimento de três grandes tipos de ações: a promoção de saúde, a
prevenção das enfermidades e acidentes e a atenção curativa e reabilitadora através da organização da
atenção básica. Tal estudo têm como propósito, implementar as ações do enfermeiro no processo
ensino aprendizagem para prevenção primária da doença. Objetivos: 1- proporcionar melhora da
qualidade de vida por meio de mudanças no comportamento, estilo de vida e hábitos adequados à
condição do diabético; 2.- Implantar programa de educação em saúde para o paciente diabético; 3Analisar as atividades diárias dos diabéticos na comunidade; 4- Detectar precocemente os indivíduos
com a doença para a prevenção das possíveis complicações; 5- Propiciar um bom grau de autosuficiência pelo estímulo ao auto-cuidado e aprendizagem de algumas habilidades. Metodologia:
Trata-se de uma pesquisa de campo, caráter qualitativo com perguntas estruturadas aos clientes
diabéticos e associadas a referências bibliográficas científicas especializadas referentes à Diabetes
Mellitus, na qual buscaremos indicativos para prevenção primária do cliente diabético no município
pesquisado. Resultados: Participaram do estudo 25% dos pacientes diabéticos residentes no
município, aos quais foram entrevistados após consentimento. Dos pacientes entrevistados, 40%
(quarenta por cento) possuem conhecimento acerca da doença. Percebe-se então que a grande maioria
dos pacientes entrevistados apresentam conhecimento do Diabetes baseado no que ele "ouviu falar"
durante os anos de tratamento, por outras pessoas que também sofrem com a patologia ou ainda pelos
sinais e sintomas que sente no dia-dia. . Alguns relataram a falta de adaptação à doença, devido à
dificuldade em alterar seus hábitos de vida. Tornou-se evidente a necessidade de orientações a respeito
do auto-cuidado e mudanças no estilo de vida. Durante o estudo, fora também observado que a grande
parte dos diabéticos não fazia a auto-monitorização, que por sua vez, era realizado pelo Enfermeiro(a)
da unidade de saúde da família uma vez por mês. Segundo esse profissional, a freqüência inadequada
do controle da glicemia capilar, ocorre devido à precariedade do sistema saúde no município, que
conseqüentemente, leva a uma falta de material necessário para a realização periódica desse teste.
Conclusões: Entre os principais problemas de saúde pública no Brasil, está o Diabetes Mellitus, sendo
responsável pela morbi-mortalidade de grande parte da população. É sabido que grande parte das
complicações que o diabetes pode ocasionar, poderia ser evitada. No presente estudo detectou-se que a
maioria dos pacientes pesquisados, ressente-se da falta de orientações quanto à doença e tratamento.
Contudo, mesmo entre aqueles que se consideram informados, existe a falta de conscientização quanto
à necessidade de alterações pessoais no estilo de vida. Entretanto, conseguir a adesão do paciente a
tratamentos que exigem mudanças de comportamento nem sempre é uma tarefa fácil para os
profissionais da área de saúde. Ficou evidente a necessidade da implantação de serviços de Consulta
de Enfermagem para pacientes diabéticos, sendo oportuno para conscientizar quanto à mudança de
hábitos de vida, motivação para o exercício de ações de auto-cuidado, buscando mudança de idéias,
concepções, comportamentos e atitudes a fim de conquistar auto - estima, vontade de aprender,
controlar e conviver com o diabetes, proporcionando uma convivência mais feliz e qualitativa no
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
198
âmbito familiar e na sociedade. Acreditando que, as falhas identificadas no processo ensino de
aprendizagem do diabético são também de responsabilidade do próprio indivíduo, o qual não tem
rigorosa adesão ao tratamento. Sendo assim, enfoca-se a necessidade do enfermeiro ter a uma visão
holística além da doença, buscando compreender o comportamento do diabético frente à sua patologia.
Referência Bibliográficas :
BRENDA, G Bare; SUZANE, C. Smeltzer. Brunner & Suddarth: Tratado de Enfermagem MédicoCirúrgico.9 edição. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan 2002.V.2. Páginas 933 a 983.
BANDEIRA, Francisco. Manual de endocrinologia. Rio de Janeiro: Medsi, 1998.
OLIVEIRA, E.P; Milech, Adolpho. Diabetes Mellitus Clínica, Diagnóstico, Tratamento
Multidiciplinar. São Paulo: Editora Atheneu, 2004. Páginas 07 a 33.
ALMEIDA, HGG et al. Diabetes Mellitus: Uma abordagem simplificada para profissionais de saúde.
São Paulo: Editora Atheneu,1997. Páginas 43 a 61.
AQUINO,Rosana et al. Pólo de Capacitação, Formação e Educação Permanente de Pessoal para a
Saúde da Família. Manual para treinamento das equipes de saúde da família. Salvador, 2001, v.2.
Páginas 24-26.
77. SER COORDENADOR DE UM CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM:
ULTRAPASSANDO FRONTEIRAS E CONSTRUINDO ESPAÇOS DE APRENDIZAGEM
Marlene Gomes Terra1
Silviamar Camponogara2
Este é um relato de experiência vivida por docentes e alunos bolsistas da Coordenação do Curso de
Graduação de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria, RS. Para tanto, este texto visa
colaborar com os colegas que ocupam cargos na coordenação dos Cursos de Graduação em
Enfermagem com a reflexão acerca de alguns questionamentos como: O que é ser Coordenador de
Curso de Graduação? Quais os requisitos essenciais para ser coordenador? Que espaço é este? Diante
destes questionamentos percebemos que, durante a graduação, recebemos algumas ferramentas que
são consideradas necessárias para o trabalho em Enfermagem, porém não uma formação que nos dê
um suporte para enfrentarmos o quotidiano de uma Coordenação de Curso de Graduação em
Enfermagem. Nesta perspectiva, ao pensar no Curso de Graduação, buscamos a criatividade e
compreensão como ferramentas fundamentais para o agir, assim como o compromisso e a ética como
elementos presentes tanto na formação do acadêmico como na nossa atuação profissional. Diante do
contexto vivenciado compreendemos que atuar na Coordenação do Curso de Graduação em
Enfermagem possui algumas peculiaridades o que, invariavelmente, traz dificuldades ao coordenador e
ao coordenador substituto, mas, também oferece momentos de profundo aprendizado para a atuação
profissional. Ao se buscar a superação de alguns desafios, foi necessário superar a nossa formação
num viés tradicional, romper barreiras conceituais e compreender a relação do ciclo profissionalizante
com o ciclo básico, a compartimentalização do ensino e dos conteúdos, o descompasso entre os
serviços de saúde e a Universidade, a defasada infra-estrutura acadêmica e administrativa da
instituição, conseqüente do sucateamento das Instituições Públicas de Ensino Superior do país dentre
outros. Pode-se, desse modo, compreender que ser coordenador de um Curso é uma atividade
extremamente complexa e de alta responsabilidade, devendo ser conduzida por pessoas qualificadas
para exercer esta função. No entanto, entendemos que esta responsabilidade não é somente de uma
1
Professora Assistente do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria Mestre em Educação Rua Felipe dos Santos, nº97 CEP 97070-340 Santa Maria RS [email protected]
2
Professora Assistente do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria Mestre em Assistência
de Enfermagem.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
199
pessoa, mas de um grupo que compreenda como necessária à construção de uma formação para um
mundo mais humano. O mundo da Coordenação não é um mundo pré-determinado e não o sendo, é o
resultado de vários fatores como motivação e autonomia das pessoas envolvidas, dos projetos
individuais e coletivos e dos limites de cada um. A consciência, a participação, o objetivo de construir
um Curso de Enfermagem com mais solidariedade, humildade, respeito, justiça, tolerância e
cooperação são desafios que devem ser perpassados por toda comunidade acadêmica. Assim,
percebemos que, contextualizar um novo paradigma educacional em enfermagem, envolve resistências
e conflitos, pois há distintas concepções sobre o que significa ser enfermeiro e como formá-lo. Cabe
destacar que, estes conflitos afloravam mais quando nos preocupamos em discutir sobre as
metodologias de ensino, a interdisciplinaridade na construção do conhecimento, formação de pessoas
para o exercício da cidadania e sobre um cuidado que envolvesse o ser humano de uma forma
holística. Desta forma, apreendemos que o processo de mudança é complexo e para que ocorra é
necessário entender que traz consigo uma certa ansiedade acompanhada de medo, insegurança e um
sentimento de desvalia, o qual, diversas vezes não estamos preparadas para enfrentarmos. Assim,
sentimos que estar na Coordenação do Curso constitui-se em um movimento de idas e vindas em um
movimento dinâmico e complexo que possibilita criação de espaços participativos e de reflexão crítica
sobre o processo ensino-aprendizagem. No cenário nacional, nos eventos de enfermagem, que
participávamos ouvíamos de colegas que eram coordenadoras de cursos uma preocupação muito
grande por estarem neste cargo e as responsabilidades que delas era exigido. Algumas colegas
extremamente ansiosas, outras com quadros depressivos em decorrência da responsabilidade do cargo,
outras com vontade de deixar a função de coordenadora, pois era muito incômodo, pouco retorno
financeiro e falta de reconhecimento por parte dos colegas e das instituições de ensino, assim como
referiam que não foram preparadas para ocuparem um cargo de tamanha responsabilidade. Os
SENADEns tornaram-se o fórum dos (re)encontros e até porque não dizer dos desabafos das colegas
que desempenhavam um cargo na Coordenação, pois afinal tínhamos um espaço para discutirmos,
trocarmos idéias e vermos saídas quando as dificuldades eram coletivas. Assim, passamos a nos fazer
presentes, neste evento e que para alegria e alivio das coordenadoras este passou a ser anual pela
necessidade da construção dos Projeto Político Pedagógico. À medida que o tempo foi passando
fomos superando as dificuldades, pois percebemos que sempre haveria contradições, ambigüidades e
que teríamos que apreender a lidar com as incertezas e também com os méritos de tudo o quanto
realizássemos. No entanto, sentíamos que era preciso tentar organizar o que considerávamos que era
preciso mudar e dar sentido a complexidade, mas sem terminar com a dinâmica instaurada no Curso e
sim de acordo com MORIN (1991) tentar simplificar. Apreendemos que todo movimento de
transformação requer disponibilidade das pessoas envolvidas, decisão política e institucional, assim
como estabelecer estratégias com intencionalidade de novas aprendizagens. Neste sentido, lembramos
FREIRE(1979) quando refere que o professor é aquele que ensina apreendendo e apreende ensinando.
Este referencial tomou um sentido especial em nossa atividade a partir do momento que buscamos dar
maior abertura as questões inerentes ao cargo de coordenador junto ao corpo discente do Curso, na
tentativa de , além de oferecer transparência as questões administrativas e didático-pedagógicas,
também oportunizar um espaço de aprendizagem. Assim, REIBINITZ & PRADO (2003,p.440)
referem que a educação, portanto, é um processo que vai além de ensinar, instruir ou treinar; ela é
essencialmente um processo de formação que precisa estimular a curiosidade, desenvolver a
autonomia crítica e criativa do sujeito histórico. Notamos que se faz necessário que a formação
profissional seja com motivação e estímulo das potencialidades de cada um através da reflexão, da
análise e da crítica. Nessa perspectiva, percebemos que para que a formação seja reflexiva é necessário
permitir o crescimento do aluno enquanto pessoa, no sentido da sua relação com a profissão e com a
complexidade da mesma. Isto só é possível, quando o aluno é confrontado desde cedo com a
complexidade das situações de vida e de aprendizagem. Assim, percebemos, o entusiasmo e a vontade
de aprender dos alunos, bem como o nosso desejo é que estes se constituam em sujeitos ativos na
construção de uma Enfermagem mais feliz, sensível e solidária as questões humanas. Entendemos
desta forma, que a coordenação do Curso é um espaço de reflexão da realidade, a qual está
fundamentada em conhecimentos ao longo da trajetória existencial. Esta maneira, de compreender
possibilita que possamos ir descobrindo alguns erros cometidos e tentando transformar para melhor,
pois não existem respostas prontas para as nossas dúvidas e nossas angústias. É necessário,
compreender que é importante participar do processo de estar na coordenação e assimilar a
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
200
necessidade de novas aprendizagens, de reconhecermos os nossos limites e dos outros, de sermos
criativos e tolerantes, estarmos atentas àquilo que não está instituído.
Referências Bibliográficas:
MORIN, Edgar. Introdução ao Pensamento Complexao. Instituto Piaget, 1991.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1979.
REIBNITZ, K. S. & PRADO, M. L. Formação do Profissional Crítico-Reflexivo: a investigação como
atitude de (re)conhecimento do mundo. TEXTO & Contexto: Enfermagem, Florianópolis(SC) 2003
jan/abr, 12(1):26-33.
78. O DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA EM ENFERMAGEM: UM DESAFIO
À FORMAÇÃO PROFISSIONAL
Marlene Gomes Terra1
Silviamar Camponogara2
Durante as últimas décadas temos assistido, quase que passivamente, a impressionante degradação do
meio ambiente, fruto de inúmeros fatores, dentre eles: uso indiscriminado de pesticidas e agrotóxicos,
emissão de gases poluentes, desmatamento de florestas. Esta situação tem levado a mudanças
climáticas e a uma necessária reflexão sobre a sobrevivência do nosso planeta. Neste sentido, muitos
estudos tem sido dirigidos a busca de estratégias que possam resultar em controle desta desmedida
corrida pelo avanço tecnológico, que destrói os ecossistemas terrestres. Sob esta ótica, percebe-se que
há um movimento, a nível mundial, que congrega organizações governamentais e não governamentais,
mobilizado no sentido de formular políticas, em várias áreas. Neste contexto, cabe destacar a
ocorrência da Rio 92, evento que simbolizou um marco na conjugação de esforços de várias nações,
solidariamente, com vistas a preservação do planeta. Mais recentemente, o Protocolo de Kioto (2000)
reforçou uma luta mundial em favor da causa ecológica. Em consonância com estas diretrizes, alguns
estudiosos das áreas das ciências biológicas, geógrafos, filósofos e sociólogos, dentre outras, têm
divulgado suas inquietações sobre esta temática, podendo-se destacar: Edgar Morin, Fritjof Capra,
Leonardo Boff, Hans Jonas. No entanto, a despeito de toda esta confluência de esforços, paira uma
dúvida relacionada à forma como estas questões vem sendo abordadas no âmbito da área da saúde, em
especial, na área da enfermagem. Motivadas por esta dúvida, muitas inquietações tem encontrado
espaço em nossas reflexões, tais como: que pressupostos, do ponto de vista da preservação do meio
ambiente, tem pautado o agir dos profissionais da enfermagem? Que valores tem sido construídos, no
que tange a formação profissional, no intuito de motivar os futuros profissionais de enfermagem a um
comprometimento com a causa ecológica? Embora muitos projetos político pedagógicos de cursos de
graduação em enfermagem tenham como arcabouço teórico-filosófico a vertente ecológica, até que
ponto isto se concretiza como diretriz ética na formação profissional? Desta forma, esta reflexão
teórica visa desencadear um processo reflexivo a cerca de questões relativas a necessidade de
despertarmos para o desafio de formar profissionais em enfermagem comprometidos com a
sustentabilidade do planeta. Tal processo reflexivo está assentado em autores como: Capra (1980),
Capra (2002), Morin (1995), Zancanaro (2001), Figueroa & Correa (2002), Silva & Erdmann (2002),
Santos (2002). Como já foi mencionado anteriormente, é urgente direcionarmos nossa atenção para a
busca de soluções que possibilitem a sustentabilidade do nosso ecossistema. De uma forma geral,
embora haja um esforço de muitos países, percebe-se que esta sustentabilidade depende de um
comprometimento de cada ser humano. Dentro deste contexto, a uma certa unanimidade entre os
autores ao afirmarem que a educação, em todos os níveis, constitui-se uma das vertentes que
1
Professora Assistente do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria Mestre em Educação Rua Felipe dos Santos, nº97 CEP 97070-340 Santa Maria RS [email protected]
2
Professora Assistente do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria Mestre em Assistência
de Enfermagem.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
201
possibilitaria um comportamento responsável com a ecologia do planeta. Sob um olhar mais profundo,
Hans Jonas (apud Zancanaro, 2001), filosófo alemão, aponta que, tendo em vista, os novos
imperativos surgidos a partir do agir tecnológico inerente as transformações ocorridas nestes últimos
séculos, torna-se evidente a incorporação de uma reflexão ética sobre estas questões, como forma de
buscar um novo agir, fundado no sim a vida . Segundo o autor supracitado, a tecnologia impõe
desafios do ponto de vista moral, já que o apego exagerado ao poder tecnológico, pode colocar em
risco a continuidade da vida no planeta. Reforçando esta idéia, Figueroa & Correa (2002), afirmam ser
necessária a busca de uma nova conduta moral do homem com o mundo natural. Com base nestas
afirmativas, aludimos a questão dos profissionais da enfermagem, os quais, imprescindivelmente,
necessitam incorporar um conceito de cuidado de si, do outro e do meio ambiente, balizado por
valores como respeito e responsabilidade.
Desta forma, cuidar ultrapassa a fronteira da
individualidade e ganha a dimensão do auto-conhecimento, da coletividade e do sentimento de
pertença, o que possibilita um diálogo com universo, sabendo-se que a todo instante influenciamos e
somos influenciados por ele. Entretanto, esta harmonia dialética, será levada a efeito se, ao utilizar-se
do principio da liberdade, o ser humano estiver imbuído de uma ética de responsabilidade com o
futuro, o que significa um imperativo para a existência. Ao aproximarmos esta reflexão com mundo do
cuidado em enfermagem, concluímos que ainda carece da retomada de uma postura ética que leve em
consideração o contexto ecológico em que nos encontramos e as possibilidades de desenvolvimento
sustentável e preservação do meio ambiente. Precisamos, enquanto formadores, buscar uma diretriz
ético-política-filosófica, que valorize o ensinar a cuidar, não como ato isolado, mas como parte da
própria vida dos profissionais, pois, de acordo com Santos (2002, p.92), cuidar é uma ato de
sustentabilidade da vida para o ser humamo e seus decendentes . Os profissionais da enfermagem
precisam perceber-se como parte integrante deste imenso universo, com o qual devem buscar a
harmonia, o diálogo, enfim, a vida. Para tanto, no que concerne a causa ecológica, é imperioso um
resgate do ensino da ética nos cursos de enfermagem com vistas a formação de uma consciência
valórica em relação ao meio ambiente, com destaque ao princípio da responsabilidade sobre a
sobrevivência do planeta. Cabe-nos enfrentar o grande desafio de ampliar discussões sobre: que
relações podem ser estabelecidas entre a prática da enfermagem e a preservação do universo? O que
significa cuidar do planeta? Que dimensões têm este processo de cuidar pautado no desenvolvimento
sustentável? Como podemos ensinar a cuidar com vistas a preservação da vida? Que valores devem ser
incorporados ao perfil profissional na busca da formação de enfermeiros comprometidos com o futuro
da existência humana? Em suma, acreditamos que o desenvolvimento de reflexões e pesquisas que
possam auxiliar a elucidar estes questionamentos são fundamentais para que a enfermagem contribua
com sua parcela de responsabilidade na preservação do nosso planeta.
Referencias Bibliográficas:
Capra, Fritjof. O ponto de mutação. São Paulo, Cultrix, 1982.
Capra, Fritjof. As conexões ocultas: ciência para uma vida sustentável. São Paulo, Cultrix, 2002
Morin, Edgar. Terra Pátria. Porto Alegre, Sulina, 1995.
Zancanaro, Lourenço. A ética da responsabilidade de Hans Jonas. In: Barchifontaine & Pessini.
Bioética: alguns desafios. São Paulo, Loyola, 2001.
Figueroa, Alexandrina & Correa, Francisco. Enfermagem, ética e meio ambiente. Texto Contexto
Enfermagem. Florianópolis, 11(3): 15-20, set/dez, 2002.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
202
79. ENSINO DA DISCIPLINA DE ADMINISTRAÇÃO EM ENFERMAGEM PARA O CURSO
TÉCNICO DE ENFERMAGEM
Sônia Maria Alves de Paiva1
Elizabeth Laus Ribas Gomes2
Raymunda Viana Aguiar3
Zélia Marilda Rodrigues Resck4
Euza Mara Prini5
INTRODUÇÃO: Na conformação do ensino da Administração em Enfermagem Nimtz (2003) refere
que função não só de retratar a realidade, mas de contribuir no preparo de agentes de transformação
dentro de uma postura crítico-reflexiva, engajando os alunos no contexto real da profissão, capazes de
analisar criticamente e de contribuir para as situações de transformação. Assim o professor não pode
ser apenas um instrumental, um mero técnico transmissor de conhecimentos em nome do
profissionalismo, ele deve ser um profissional com capacidade de inovar, de participar nos processos
de produção de conhecimento sobre seu trabalho. A autora pontua que a educação é abrangente,
complexa e contínua e, portanto, os conhecimentos devem ser atualizados e contextualizados,
revisando paradigmas e tecnologias educacionais. Quando o ensino continua centralizado no professor
e na transmissão passiva do conhecimento, onde o aluno se submete ao conteúdo selecionado,
mantendo-se alheio, cumprindo uma obrigação, este não consegue assimilar e transformar o que lhe é
ensinado para aplicá-lo em sua vivência. Nos programas dos Cursos Técnicos de Enfermagem além
das competências profissionais relativas ao desempenho das ações de enfermagem a pacientes graves,
a prevenção e saúde coletiva, está previsto a participação do planejamento, programação e orientação
das atividades de assistência de enfermagem, conhecer a estrutura e organização do sistema de saúde,
participação de programas e projetos de pesquisa, com uma visão crítica-reflexiva e conhecimento da
realidade social. Entretanto o estudo de Kobayashi (2002) sobre as competências e os enfoques
temáticos da Disciplina de Administração em Enfermagem para os cursos Técnicos de Enfermagem
demonstrou que as competências do saber fazer e do aprender a conhecer prevaleceram sobre a
competência do saber ser, sendo que o aprender a conhecer é necessário à instrumentalização para o
desenvolvimento do saber fazer; todo o enfoque estava voltado para a assistência de enfermagem e a
estrutura organizacional. A maneira como os conteúdos de administração são trabalhados durante o
curso com os alunos refletem não apenas na postura submissa dos futuros profissionais, imposto pelo
modelo taylorista da profissão de Enfermagem reproduzindo a divisão do trabalho dicotomizado e
fragmentado, como na visão que estes agentes terão da liderança exercida pelos Enfermeiros no
campo de atuação. OBJETIVO: Conhecer a percepçãp dos alunos do curso Técnico em Enfermagem
da função gerencial dos enfermeiros durante os estágios e a correlação com o conhecimento adquirido.
METODOLOGIA: Trata-se de um estudo descritivo, quali-quantitativo. Com base nos pressupostos
apresentados nos dispusemos a realizar uma pesquisa com os alunos do Curso Técnico de
Enfermagem do 3º Ciclo da Escola Técnica Francisco Nogueira do Centro Paula Souza de Casa
Branca- SP, que já haviam cursado a Disciplina de Administração em Enfermagem. Aplicamos um
questionário com questões semi-estruturadas para conhecer a percepção que eles tiveram da função
gerencial dos Enfermeiros durante o período de estágio e como eles conseguiram correlacionar esta
percepção com o conhecimento adquirido. RESULTADOS: Os resultados foram apresentados
estatisticamente pela análise percentual e a discussão foi embasada nas sugestões que foram
mencionadas. Demonstraram que os alunos atentaram que os Enfermeiros exercem atividades técnicas
e gerenciais e que entre as atividades técnicas estão as que exigem maiores cuidados com a integridade
do paciente, mas estão presentes também nos procedimentos de modo geral, seja realizando ou
orientando a execução. Dos 23 alunos que participaram do estudo, 18 (77%) afirmaram que os
1
Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação de Interunidades EERP-USP, rua Joaquim Lima de Camargo-711, tel
(011)36565890, e-mail: [email protected]
2
Profª. Dra., Docente do Programa Interunidades de Doutoramento da EERP-USP.
3
Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação dInterunidades EERP-USP
4
Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação de Interunidades EERP-USP.
5
Docente da ETE Francisco Garcia do CEETESP.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
203
Enfermeiros prestam cuidado direto aos pacientes. Entre as atividades administrativas relacionaram o
controle de materiais na unidade, sendo que 14 (51%) relataram escassez de materiais e atribuíram
isto à administração e organização ineficaz dos materiais, à falta de verbas e empréstimos para outras
unidades. Outras atividades administrativas relatadas foram que o Enfermeiro é responsável pela
confecção de escalas, distribuição de tarefas, admissão de pacientes, supervisão de enfermagem,
controle de medicamentos. A relação entre os Enfermeiros e funcionários foi compreendida de modo
contraditório, enquanto uns perceberam-na como boa, onde os Enfermeiros procuravam resolver os
problemas em equipe, os outros expressaram que há pouco diálogo, falta de compreensão e de
humanização, sugerindo que os Enfermeiros precisam estar mais próximos dos funcionários para saber
o que se passa na unidade, ouvir a opinião deles sobre determinados assuntos, ou então afirmaram que
os enfermeiros ouviam, mas não acatavam as opiniões. Também expressaram que nem sempre os
funcionários demonstraram preocupação com isso. Sobre a motivação dos funcionários mencionaram
que estes demonstraram baixa motivação para o trabalho e atribuíram o fato à sobrecarga de trabalho,
em parte devido ao número insuficiente de funcionários, condições precárias de trabalho, baixos
salários e em outra, porque a maioria têm mais de uma jornada de trabalho e já chegam cansados e
impacientes para o trabalho. Também perceberam que os funcionários não são motivados para
mudanças, cumprem o que está estabelecido e não há uma preocupação com a qualidade da
assistência. Como sugestão consideraram que é necessário haver um maior interesse por parte dos
Enfermeiros, do serviço médico e administrativo em relação aos funcionários, avaliar os funcionários
nas atitudes éticas com os clientes, humanizar o atendimento, melhorar o relacionamento interpessoal
entre os funcionários, discutir os problemas de cada unidade para melhorar os cuidados, maior
abertura na relação entre enfermeiros e subordinados para programarem as atividades em equipe,
reverem os critérios de contratação, melhores salários e treinamento contínuo. Esses resultados nos
possibilitaram refletir que cabe ao Enfermeiro na função de educador exercitar novas relações de
trabalho com a equipe de enfermagem e através da educação permanente construir uma prática
transformadora, pois este processo não se esgota na formação escolar. Assim como recomenda
Kobayashi (2002) é necessário que todos aqueles que trabalham com a educação profissional em
enfermagem repensem as competências profissionais do Técnico de Enfermagem conforme o perfil
estabelecido bem como, estimulando a reflexão de como este pode atuar nos processos administrativos
sob supervisão do enfermeiro, aprender a correlacionar as contradições cotidianas das organizações,
permitindo um entendimento mais amplo da concepção do trabalho na saúde, para formar profissionais
competentes, críticos e responsáveis. Nimtz (2003) ressalta que o saber deve estar articulado ao
aprender a conhecer, ao saber fazer, ao aprender a conviver e ao aprender a ser, como desafio para o
alcance da competência. CONCLUSÃO: Para tanto, consideramos que é necessário o docente
gerenciar o processo de ensino-aprendizagem, através de estratégias para os alunos aprenderem a
pensar juntos para a resolução dos problemas, bem como a necessidade de integrar os conteúdos,
partilhando idéias, opiniões e concepções. A capacitação do professor para atuar no ensino de
Administração se torna essencial, através da capacitação quanto aos aspectos legais do ensino
(Políticas da Educação e Lei das Diretrizes Básicas) e conhecimentos sobre Administração,
considerando as atitudes, os valores, a filosofia e estrutura organizacional do ensino, para que haja
uma conscientização crítica da realidade educacional e conseqüentemente uma renovação da ação
pedagógica no processo ensino-aprendizagem, que possa refletir no futuro profissional como uma ação
transformadora da prática da enfermagem.
Referências bibliográficas:
NIMTZ, MA. O significado de competência para o docente de administração em enfermagem. (tese de
doutoramento). São Paulo. EEUSP, 2003.
KOBAYASHI R M. Caracterização da disciplina noções de administração de enfermagem dos cursos
de técnico de enfermagem. 2002. Dissertação (Mestrado)- Escola de Enfermagem da USP, São Paulo,
2002.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
204
80. AS COMPETÊNCIAS DO ENSINO DE ADMINISTRAÇÃO EM ENFERMAGEM
SEGUNDO AS DIRETRIZES CURRICULARES.1
Sônia Maria Alves de Paiva2
Zélia Marilda Rodrigues Resck3
INTRODUÇÃO: O docente de enfermagem necessita conscientizar-se dos determinantes sociais que
interferem no ensino e, aceitar o desafio de inovar sua atuação. Como mediadores do processo ensinoaprendizagem, não estão preparados para empreender a nova proposta de formação que se ancora no
desenvolvimento do pensamento crítico, pois não vivenciaram uma formação crítica. Conforme Nimtz
(2003), o ensino de Administração em Enfermagem no que diz respeito à nova proposta do Ministério
da Educação deverá propiciar ao educ1ando o desenvolvimento de competências e habilidades, para o
exercício do processo de trabalho gerencial, que tem como meios e instrumentos a força de trabalho,
os recursos físicos e materiais e o saber administrativo. Nesta perspectiva, Peres, Leite e Kurgant
(1998) têm manifestado suas inquietações sobre as múltiplas variáveis do processo educativo que
afetam o professor e o aluno, como: interesses, atitudes, formas de pensar e agir, valores e
experiências anteriores, sendo levadas a repensar a forma de vivenciar a prática educacional e a refletir
sobre a capacitação docente. Pontuam que para analisar o processo ensino-aprendizagem deve-se
contextualizá-lo no momento histórico, político, econômico e social do grupo e do cenário enfocado.
Este processo é dinâmico e exige do docente constante reflexão, revisão de sua atuação, de
conhecimentos, de valores, de interesses e atitudes em relação ao ensino, mas sobretudo, avaliar a sua
própria prática. As Diretrizes Curriculares Nacionais constituem orientações para a elaboração dos
currículos por todas as instituições de ensino superior, estimulam o abandono das concepções antigas e
herméticas das grades curriculares, dos instrumentos de transmissão de conhecimento e informações .
Devem garantir uma sólida formação básica, preparando o futuro graduado para enfrentar os desafios
das rápidas transformações da sociedade, mercado de trabalho e das condições do exercício
profissional (BRASIL, 2001). O curso de graduação em enfermagem deverá ter um projeto
pedagógico, construído coletivamente, centrado no aluno como sujeito da aprendizagem e apoiado no
professor como facilitador e mediador do processo ensino-aprendizagem. A aprendizagem deverá
buscar a formação integral e a articulação entre o ensino, a pesquisa e a extensão/assistência, tendo
como eixo integrador a formação acadêmica e a prática do enfermeiro. OBJETIVO: Refletir sobre os
limites e possibilidades do ensino por competências de um programa da disciplina de Administração
em Enfermagem II sob a perspectiva das Diretrizes Curriculares. METODOLOGIA: Trata-se de um
estudo reflexivo realizado como trabalho final da Disciplina de Administração II do Programa de PósGraduação da Escola de Enfermagem da USP. Utilizou-se para este estudo o programa da disciplina
Administração em Enfermagem II, referente ao ano de 2003, oferecido pelo Departamento de
Orientação Profissional II da referida escola. A disciplina é oferecida no 6° semestre, com uma carga
horária de 90 horas e com 80 alunos por turma. RESULTADOS: Considerando para a reflexão, os
objetivos propostos, tem-se que o objetivo 1 - conhecer e analisar o processo de gerenciamento de
recursos humanos no trabalho de enfermagem e o objetivo 2- analisar os métodos de organização e
divisão do trabalho de enfermagem envolvem a discussão do processo de trabalho na dimensão técnica
(trabalho de gerenciamento, instrumentos de gerenciamento de recursos humanos), a dimensão éticapolítica (política de recursos humanos, poder e a cultura nas organizações de saúde). No objetivo 3identificar e discutir os determinantes da qualidade de vida no trabalho de enfermagem e suas
implicações na saúde dos trabalhadores está implícito as dimensões social, relacional e
comunicacional (qualidade de vida no trabalho/ saúde do trabalhador). Diante das crescentes
exigências de produtividade e de qualidade dos setores produtivos no contexto do mercado de
1
¹Trabalho de conclusão da Disciplina Administração em Enfermagem II.
Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação de Interunidades ERP-USP, rua Joaquim Lima de Camargo-711, tel (011)
36565890, e-mail: [email protected]
3
Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação de Interunidades EERP-USP.
2
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
205
trabalho, torna-se cada vez mais necessário a implantação de um modelo de formação e de gestão
baseado no enfoque das competências profissionais. Discutir poder e cultura organizacional, qualidade
de vida/ saúde do trabalhador de enfermagem é fundamental para tornar o enfermeiro crítico, para que
não transforme os trabalhadores apenas em instrumento para atender às necessidades do sistema
produtivo capitalista, sem abranger a dimensão de cidadania, tornando se reducionista,
instrumentadora e tecnicista apenas. Conforme Deluiz (1995) a discussão do processo de trabalho de
enfermagem com os alunos precisa possibilitar a compreensão do exercício eficiente de seu trabalho, a
participação ativa, consciente e crítica no mundo do trabalho e na esfera social, além de sua efetiva
auto-realização. O ensino de Administração de acordo com a proposta do Ministério da Educação
deverá propiciar ao educando o desenvolvimento de competências e habilidades para o exercício do
processo de trabalho gerencial, tendo como meio e instrumentos a força de trabalho, os recursos
físicos, materiais e humanos, o saber administrativo; enfim, para que estejam aptos para serem
gestores e líderes. Percebe-se no programa da Disciplina Administração II analisado que esses
aspectos são todos contemplados e desenvolvidos com os alunos. Portanto os docentes da disciplina
em questão demonstraram que repensar o ensino de Administração em Enfermagem e as competências
desenvolvidas constituem-se no desafio enfrentado nas suas práticas pedagógicas. Quanto aos métodos
utilizados através de leituras dirigidas, permite que nesse momento os alunos se tornem sujeitos do
aprendizado e aprendam a exercer a sua autonomia, envolvendo-se com a investigação, a formulação
de propostas, enquanto a exposição dialogada permite a relação dialógica, onde o professor não se
coloca na posição de detentor do saber, mas permite conduzir o processo segundo as necessidades
identificadas pelos alunos. A exposição didática permite ao aluno a problematização, a reflexão dos
conteúdos trabalhados. Os grupos de discussão e os seminários propiciam espaços para a discussão,
pautados na visão crítica da realidade em trocas de vivências para aprender a ser, a conviver, a
conhecer e aprender a aprender. A comunicação mediada por computador consiste em outro método
didático que está disponível como instrumento de trabalho, permite o desenvolvimento de um conjunto
de habilidades, respeitando os limites de construção do conhecimento. A carga horária é compatível
para o desenvolvimento destes conteúdos propostos, uma vez que o ensino de Administração é diluído
em outros semestres, onde se trabalham os demais conteúdos, havendo, portanto, uma seqüência dos
temas abordados, que envolve toda a historicidade da prática de saúde, dos modelos, as realidades da
saúde da população brasileira, as políticas e programas estabelecidos pelo SUS, a inserção dos
serviços de enfermagem nos serviços de saúde, as teorias da Administração, os meios e instrumentos
do processo de trabalho em enfermagem. Portanto, quando no 6° semestre, a disciplina propõe a
análise do processo de gerenciamento/ organização do trabalho de enfermagem, os alunos já se
encontram com um embasamento teórico que subsidiam as discussões, favorecendo uma maior
compreensão, uma análise crítica, reflexiva e amadurecida do processo de trabalho de gerenciamento
em enfermagem. Entretanto, ressaltamos a dificuldade de se trabalhar com uma classe de 80 alunos e
possibilitar que todos tenham oportunidade de participação efetiva no processo de
discussão/problematização. Assim dificulta ao docente conseguir desenvolver um conhecimento das
vivências individuais dos alunos, levá-lo a aprender a conviver, etc. Quanto à avaliação enfocada na
prova escrita e trabalho, torna o método tradicional e contradiz com a proposta do programa e com
todo o processo de discussão. A competência é a condição do desempenho na realização de atividades,
interpretando múltiplos conhecimentos; não se constata ou avalia competência somente através de
resultados ou de atos realizados, nem o desempenho reduz-se a isso, o que torna impossível limitá-lo a
um conjunto de tarefas, operações ou atividades descritas e codificadas com precisão. As provas e os
trabalhos escritos devem ser acompanhadas de outras evidências de aprendizagens, como a
participação nas atividades propostas em sala de aula. As referências são bastante atuais e pertinentes
aos temas propostos, dando subsídios para a análise crítica e reflexiva dos alunos no contexto real do
processo de gerenciamento do trabalho de enfermagem. CONCLUSÃO: O programa em análise
atende as perspectivas das Diretrizes Curriculares propostas pelo Ministério da Educação, expressa as
características e os interesses dos docentes que o elaboraram, como alternativa ao modelo de educação
profissional vigente.
Referências Bibliográficas:
DELUIZ, N. Qualificação, competências e certificação: visão do mundo do trabalho. In: Seminário de
Certificação de Competências para a área de saúde: os desafios do PROFAE, Brasília, 2000.BRASIL.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
206
LEI N° 9394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. In:
Educação profissional- Legislação Básica. 2°ed. Brasília: PROEP, 1998 a.
NIMTZ, M. A O significado da competência para o docente de administração em Enfermagem.
2003.213 p. Tese (Doutorado)- Escola de Enfermagem da USP-São Paulo, São Paulo, 2003.
PERES, HHC; LEITE, MMJ, KURGANT, P. A percepção dos docentes universitários a respeito de
sua capacitação para o ensino em enfermagem. Rev Bras. Enfermagem, v. 32, n. 1, p. 52-58, São
Paulo, 1998.
81. A INSERÇÃO DO TEMA SEXUALIDADE NO ENSINO SUPERIOR: UM NOVO
ESPAÇO PEDAGÓGICO DO ENFERMEIRO
Rosalba Pessoa de Souza Timóteo1
Akemi Iwata Monteiro2
Ana Tânia Lopes Sampaio3
Introdução: Historicamente a prática do enfermeiro/enfermeira no campo da sexualidade se restringiu
ao aspecto assistencialista dos programas de saúde. Com a reforma constitucional de 1988 a Saúde e a
Educação sofrem profundas transformações enquanto políticas públicas sociais as quais refletem nos
espaços das práticas do (a) enfermeiro (a). Metodologia: O mestrado em enfermagem da UFRN no ano
de 2003 oportunizou através da disciplina "Análise critica da Prática de Enfermagem", uma pesquisa
no nosso campo de atuação prática como enfermeiro(a), tendo sido nossa escolha o campo da
Educação para sexualidade, uma vez que pesquisamos nessa área e exercemos a docência superior
nessa área, assim, entendemos a importância de um ressignificar no âmbito pedagógico baseado em
novos paradigmas. Natureza do estudo: do tipo revisão de literatura com caráter propositivo,
considerando ser parte do nosso objeto de estudo na dissertação do mestrado: a preocupação com o
conhecimento da sexualidade, o preparo de educadores e educadoras para o despertar de suas
potencialidades, favorecendo a impressão de sua criatividade, de sua sensibilidade e responsabilidade
na formação dos nossos adolescentes e jovens. O referencial teórico pesquisado nos mostra os
seguintes Resultados: A sexualidade se constituiu em diferentes representações, considerando os
contextos socialmente construídos de acordo com cada momento histórico, porém sempre na lógica de
fator de risco para o ser humano. A Educação sexual surge como estratégia de prevenção para esses
riscos, e assim, submetida a interesses políticos e económicos que marcaram e marcam toda uma
prática educativa na produção do conhecimento (Werebe, 1998). Politicamente foi reconhecida por
várias organizações internacionais. Destacando-se a Conferência Internacional sobre População e
Desenvolvimento (Cairo, 1994) onde na ocasião os governos (179 países, inclusive o Brasil)
assumiram compromisso em tomar providências para a promoção da saúde sexual e reprodutiva, com
ênfase nas questões da Educação no prazo de 20 anos. Pós Cairo 10 anos, os dados estatísticos
Brasileiros apontam para indicadores preocupantes na área da saúde sexual e reprodutiva dos nossos
adolescentes e jovens, destarte são emergentes as dificuldades vivenciadas pela Escola em lidar com
esta área do conhecimento. Permanece o paradigma de práticas educativas centradas no referencial dos
agravos/biologicista (Camargo e Ribeiro, 2000), fragmentando o conhecimento e desconsiderando a
complexidade do componente da sexualidade enquanto parte de um todo do desenvolvimento humano
que envolve aspectos psico-afetivo-sociais (Morin, 2003). A inserção da Orientação Sexual no ensino
1
Professora do Programa de Pós-Graduação de Enfermagem/UFRN. Doutora em Educação. Membro efetívo da Base de
Pesquisa Educação em Enfermagem do Depto de Enfermagem/UFRN. Endereço residencial: Rua Interventor Mário Câmara
2141, Dix Sept Rosado, Natal-RN 59062-600. E-mail: [email protected]
2
Professora do Programa de Pós-Graduação de Enfermagem/UFRN. Doutora em Enfermagem. Membro da Base de
Pesquisa Enfermagem nos Serviços de Saúde do Depto de Enfermagem/UFRN.
3
Mestranda do Programa de Pós-Graduação de Enfermagem/UFRN. . Membro participante da Base de Pesquisa Educação
em Enfermagem do Depto de Enfermagem/UFRN. Professora da Faculdade de Ciências Cultura e Extensão do Rio Grande
do Norte/FACEX
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
207
fundamental é hoje uma realidade necessária as Escolas brasileiras, considerando a Constituição de
1988, â reforma educacional, a Lei de Diretrizes e Bases, os Parâmetros Curriculares Nacionais, o
Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, as estatísticas alarmantes na área da saúde sexual e
reprodutiva, enfim, a crise amorosa vivenciada pêlos nossos jovens.A Educação proposta para o século
XXI (Delors, 2003) sugere uma educação de valores, uma Nova Escola com novos professores de
perfis essencialmente educadores. Surge então o papel das Universidades no contexto da formação
desses "novos educadores". Pereira & Hamias (2000), comentando a inserção da sexualidade nos
currículos como temas transversais, consideram como excelente proposta das autoridades e sua
importância nos documentos oficiais, atentam, porém, para a pouca orientação ao educador sobre
como abordar esse tema, afirmando que essa abordagem não se resolve com currículos ou programas,
mas com uma mudança de atitude por parte dos professores de todas as disciplinas. Abordam essa
questão enfocando o novo paradigma que compreende o universo como campo unificado, teia,
interconexão, sistema e da pessoa humana como parte integrante dessa teia. Destaca a nova
responsabilidade da educação "O primeiro passo para educação é sair da visão separatista rumo à vida
integradora; sair da visão reducionista de ser humano rumo a uma visão mais ampla". Assim, são das
Universidades que sairão os futuros educadores do ensino médio e fundamental, além disso, as
mudanças na LDB representam também a necessidade de mudanças de práticas pedagógicas e da
inserção de novos conteúdos, em novos currículos. Conclusões: Percebe-se então que a educação
sexual extrapola o limite da escola, ou seja, envolve a responsabilidade da família, e da sociedade em
geral, porém o papel pedagógico da escola pode ser bem desenvolvido se houver um investimento em
formação de profissionais que "Eduquem para sexualidade", que abordem a sexualidade como parte
integrante do desenvolvimento humano, envolvam a família e a comunidade no processo educativo A
responsabilidade social que a Nova Universidade assume nesse mundo globalizado exige
necessariamente reformulações de práticas e concepções, o ser académico é também um ser social,
sexual, afetivo que tem emoções, sentimentos, frustrações e, portanto que necessita de novos espaços
de aprendizagens que oportunizem nesse sistema complexo, não só o crescimento profissional mais
também pessoal. No artigo 207 da constituição. As universidades gozam de autonomia didáticocientífica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de
indissociabilidade entre ensino-pesquisa e extensão, e o desafio apontado na LDB quanto ao novo
papel das Universidades, sugerem mudanças nas suas práticas e em suas grades curriculares em função
das novas demandas. E interessante essa análise tendo em vista que são das Universidades que sairão
os futuros educadores do ensino médio e fundamental, além disso, as mudanças na LDB representam
também a necessidade de mudanças de práticas pedagógicas e da inserção de novos conteúdos. O
Relatório da Comissão Internacional sobre educação para o século XXI para UNESCO, afirma
claramente que o ensino superior é, em qualquer sociedade, um dos motores do desenvolvimento
económico e, ao mesmo tempo, um dos pólos da educação ao longo da vida. E, simultaneamente,
depositário e criador de conhecimentos. As instituições de ensino superior têm um papel decisivo a
desempenhar na formação de professores, na instauração de relações estreitas com os estabelecimentos
de formação pedagógica que não pertencem ao ensino superior e na preparação de professores de
formação pedagógica. Proposições: Cientes da responsabilidade das Universidades na formação do ser
educador e educadora e a inserção da transversalidade, interdisciplinaridade, e transdisciplinaridade
como reformuladoras de uma ação educativa, não distante da prática nem das realidades vividas na
formação de um novo sujeito, afirma-se a necessidade do repensar currículos e os conteúdos
universitários, priorizando um perfil de docente sensível a todas essas questões. Assim, entende-se a
inserção do tema sexualidade e afetividade como uma das novas missões do ensino superior, baseados
em novos paradigmas educacionais, e o enfermeiro/ enfermeira, especialistas na área, sensíveis a visão
ampliada da sexualidade, como um profissional de excelente perfil para compor esses quadros
docentes. Convém destacar que, a especialização seria um requisito apenas para a docência superior
por exigência legal, o que não se aplicaria ao ensino médio e fundamental, tendo em vista que o
conhecimento não se fundamenta apenas na teorização, mas principalmente nas experiências
vivenciadas e na qualidade do processo comunicativo.
Referências:
CAMARGO, Ana Maria F.; RIBEIRO, Cláudia. Sexualidade(s) e infância(s): a sexualidade como um
tema transversal. São Paulo: Moderna e Campinas: Ed. da Unicamp, 1999.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
208
DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir - "Relatório para UNESCO da Comissão
Internacional sobre educação para o século XXI". 8. ed.- São Paulo : Cortez: Brasília, DF: MEC :
UNESCO. 2003.
MORIN, Edgar. A cabeça bem feita: Repensar a reforma, reformar o pensamento. 8a ed. Rio de
Janeiro:
Bertrand Brasil, 2003.
PEREIRA, leda Lúcia; HANNAS, Maria Lúcia. Nova prática pedagógica para uma nova abordagem
curricular. São Paulo: Editora Gente, 2000.
WEREBE, Maria José Garcia. Sexualidade, Política e Educação. Campinas, SP: Autores autorizados,
1998.
83. A CONSTRUÇÃO DE UMA NOVA PRÁXIS DA PROMOÇÃO DA SAÚDE DO
ESCOLAR: A ESCOLA COMO UM ESPAÇO DIALÓGICO.
Maria Andrade e Silva1
Mary Rangel2
Ronaldo Gismondi3
A escola é lócus fundamental para se discutir saúde numa análise sociológica, voltada para a
identificação dos fatores sociais que determinam o contexto saúde-doença. Porém, constatamos que as
questões referentes às condições de vida das populações, como determinantes das suas condições de
saúde, bem como a redução dos recursos necessários à promoção da saúde, não são discutidos pela
comunidade escolar. Os estudos e ações desenvolvidas, em uma escola municipal do Rio de Janeiro,
pelo projeto de pesquisa e extensão Brincando em Saúde, da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto, da
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro/UNIRIO, e a tese de doutorado intitulada: O
processo de construção de uma relação dialógica entre enfermeiros e a comunidade escolar, com base
na temática da promoção da saúde, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Ciências
Médicas, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro/UERJ, apontaram que a visão de saúde
transmitida ao escolar é aquela centrada nas ações individuais, em que o próprio sujeito, através de
atitudes higiênicas corretas, promove a sua saúde. A partir dos resultados obtidos na dissertação de
mestrado: Promoção da Saúde Escolar: possibilidade de um projeto comum entre Enfermeiros e
Professores(1998), que evidenciou a possibilidade do enfermeiro contribuir, juntamente com os
professores, na promoção da saúde do escolar, iniciou-se uma parceria com uma escola municipal do
Rio de Janeiro, onde a docente e graduandos de Enfermagem que participam do referido projeto e que
cursam a disciplina Praticas Educativas na Promoção da Saúde em Enfermagem, desenvolvem
atividades com escolares, professores, direção, pais dos alunos e demais funcionários da escola
municipal. O estudo possui como objetivo aplicar, através da metodologia da pesquisa-ação,
abordagens teórico-metodológicas de Paulo Freire na construção de uma relação dialógica, no sentido
critico, participativo e contextualizado, entre enfermeiros e comunidade escolar, no interesse da
promoção da saúde, focalizando problemas e soluções. As discussões e ações desenvolvidas com a
comunidade, desde 1998, possibilitam a investigação das temáticas de interesse dos escolares;
codificação e decodificação dos temas, através do diálogo, buscando seu significado social e a
problematização onde almeja-se superar as visões anteriores das condições de saúde, observando-se
formas de melhoria e avanços nessas questões. As atividades desenvolvidas são construídas
1
Relatora. Professora Assistente da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto, Autora do projeto institucional Brincando em
Saúde, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro UNIRIO. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em
Ciências Médicas PGCM, da Faculdade de Ciências Médicas, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro/UERJ.
Endereço
para
correspondência:
Estrada
do
Bananal,
nº
1202/Jacarepaguá-RJ.
E-mail:
[email protected].
2
Doutora em Educação. Professora do PGCM/UERJ. Professora Titular de Didática da Universidade Federal Fluminense
UFF e Professora Titular da Área de Ensino Aprendizagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro -UERJ
3
Doutor em Ciências Médicas. Vice Diretor da Faculdade de Ciências Médicas, da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro-UERJ.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
209
coletivamente com a comunidade, a partir da realidade concreta do escolar, da situação real vivida no
seu cotidiano. Para nos inserirmos no cotidiano escolar e conhecê-lo, utilizamos duas questões
norteadoras, que foram: o que é saúde? Como a escola influencia na sua saúde? As indagações foram
respondidas pela direção, professores, pais e escolares, e visavam também, conhecer o significado do
conceito de saúde e identificar em que o processo educativo interferia na saúde da comunidade. As
especificidades das necessidades expressas, levaram-nos a organizar com a comunidade escolar uma
atividade na qual todos puderam, coletivamente, pensar sobre a importância de sua participação na
identificação de seus problemas, e na busca de soluções para os mesmos. No transcorrer desta
atividade percebemos a importância do trabalho desenvolvido com e não para o outro, pois a
medida em que a comunidade escolar sentiu-se sujeito ativo da ação desenvolvida, demonstrou seu
engajamento, potencial crítico e coerência ao construiu coletivamente várias soluções para suas
necessidades afetadas, que posteriormente colocou em prática de forma autônoma e compromissada. O
desenvolvimento de atividades construídas coletivamente e a continuidade das ações possibilitaram a
comunidade escolar, reconhecer-nos como parte do seu cotidiano e assim partilhar conosco suas
inquietações vividas no cotidiano escolar como: comportamentos exacerbados dos alunos, no que se
refere a sua sexualidade; surgimento de alunas grávidas; dúvidas quanto aos cuidados necessários para
a manutenção da saúde. A direção, professores, representantes dos pais e escolares, impotentes em
lidar com essas questões, solicitaram a nossa contribuição profissional, ensejando uma etapa
fundamental do projeto onde nos questionamos sobre, qual seria a nossa atuação profissional. No
decorrer de várias reuniões construímos e desconstruimos nossas vivências e conhecimentos ao
tentarmos elaborar uma assistência de enfermagem centrada no fazer e saber profissional. Vivemos o
conflito de romper com o modelo tradicional, estabelecido e reconhecido pelo meio assistencial e
acadêmico e ousar construir algo novo. Não queríamos mais fazer uma assistência individualista
centrada no poder profissional, no seu conhecimento e na mera transmissão de conteúdos. Queríamos
um novo que não conseguíamos apreender, mas que nos parecia já ter sido vivido. Foi somente nesse
momento, após várias reuniões e discussões que percebemos que queríamos a criatividade, a
construção coletiva, a vivacidade, a vida cotidiana aprendida com os escolares. Assim optamos pela
filosofia pedagógica de Paulo Freire (1921-1997), que possibilita a organização de experiências
pedagógicas em formas e práticas sociais que dialogam para desenvolver modos de aprendizagem e de
luta mais críticos, dialógicos, questionadores e coletivos. A problematização do projeto se faz presente
a cada dia, quando os sujeitos envolvidos dialogam criticamente sobre o conhecimento construído,
gerando constantes transformações. Nossas atividades são direcionadas pelo pensamento freireano,
quando a comunidade escolar, docente responsável pelo projeto e disciplina, e graduandos de
Enfermagem são significativos e co-responsáveis pelo processo de construção. Através do diálogo
estabelecido nas atividades são trazidas para discussão, através de dinâmicas, jargões e crendices do
dia a dia, cenas de novelas, músicas e comportamentos incentivados pela mídia. Todos os envolvidos
vivenciam os ensinamentos de Freire quando se inserem no mundo não como objetos, mas como
sujeitos que ao partilharem saberes constroem novos, escrevendo, assim, uma nova História da
promoção da saúde do escolar, segundo a qual todos, são co-responsáveis pela construção de uma
sociedade mais crítica, participativa e emancipada. Recriar um processo educativo e refazer uma
prática de enfermagem são desafios que perpassam por todas as nossas ações. Nossa porque a
escrevemos juntos, lado a lado com a comunidade escolar e em vários momentos nossos sonhos e
desafios transformam-se em um só. Quando ousamos não aceitar o modelo tradicional estabelecido,
nos aventuramos a refletir e questionar a nossa prática educativa e assistencial e ousamos construir
com a comunidade uma assistência participativa, nós tornamos sujeitos sociais. Sujeitos que almejam
ser agentes facilitadores de uma mudança, e para isso nos despimos das velhas roupagens e
começamos efetivamente a construir uma nova práxis da promoção da saúde do escolar. Neste sentido,
através das atividades desenvolvidas com a comunidade escolar, aprendemos, ensinamos, tivemos
alegrias, sofremos, fomos valorizados por uns e marginalizados por outros, brincamos (como foi difícil
manter nosso nome, para muitos ele soava como uma heresia), mas levamos a sério nosso trabalho e
resistimos. Desta forma, este trabalho fundamentado no pensamento filosófico educativo de Paulo
Freire tem contribuído não só para oferecer subsídios aos profissionais da saúde e da educação, no
sentido do desenvolvimento de um enfoque crítico e participativo, com vistas às questões relativas à
promoção da saúde do escolar, mas também tem possibilitado a todos que já escreveram e escrevem
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
210
esta História, a certeza de que todos são co-responsáveis pela construção de uma sociedade mais
crítica, participativa e emancipada.
Referências Bibliográficas:
FERRIANI, Maria das Graças Carvalho, GOMES, Romeu. Saúde escolar: contradições e desafios.
Goiânia: AB, 1997.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 32ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 2002.
FREIRE, Paulo. Política e educação. 5ª ed. São Paulo: Cortez, 2001.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 18ª ed. São Paulo:
Paz e Terra, 2001.
SILVA, Maria Andrade e. Promoção da saúde do escolar: possibilidade de um projeto comum entre
Enfermeiros e Professores. Dissertação (Mestrado em Enfermagem). Universidade do Rio de Janeiro
UNIRIO. 1998.
84. O CURSO DE ENFERMAGEM DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO
DO SUL UEMS: NOVA PROPOSTA CURRICULAR
Lourdes Missio1
Elaine Aparecida May Takamatu Watanabe 2
Márcia Regina Martins Alvarenga3
Este presente estudo tem por objetivo relatar o processo de reestruturação do Projeto Político
Pedagógico do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul UEMS.
Através de um estudo descritivo, apresenta-se o resultado de um trabalho coletivo, de duração de
aproximadamente 3 anos envolvendo professores, alunos e comunidade, culminando em um currículo
integrado. O Curso de Enfermagem da UEMS foi criado em 1993 e implantado em 1994, visando
suprir a carência de profissionais enfermeiros para o mercado de trabalho no Estado e região, e
alavancar o desenvolvimento do setor de saúde do Estado, e assim contribuindo para a formação de
recursos humanos e para a qualidade de vida da população regional. Em seus nove anos de
implantação observou-se uma crescente procura da comunidade estudantil conforme inscrições para
vestibular da UEMS para o ingresso no curso, sendo, que posteriormente, os já profissionais formados
foram imediatamente absorvidos pelo mercado de trabalho. Visando melhorar a qualidade de ensino,
instituiu-se em 2001, uma comissão com representação docente e discente para iniciar a reestruturação
do Projeto Pedagógico. A primeira ação efetiva foi à aplicação de um questionário para professores e
estudantes do curso com a finalidade de avaliar o grau de satisfação destes atores em relação à carga
horária, distribuição das disciplinas, interdisciplinaridade, além de discutir outros pontos que deveriam
ser considerados positivos e negativos do curso e sugestões para melhora.Grande contingente dos
professores relatou que a carga horária das disciplinas ministradas (teoria e prática) era suficiente,
porém, observou-se também que não existia interdisciplinaridade no desenvolvimento das atividades
de ensino. Já os acadêmicos apontaram a carga horária do curso como extensa e pesada e o processo
avaliativo foi descrito como rígido e punitivo (tanto para aulas teóricas quanto para as atividades
práticas). De acordo com o instrumento aplicado, verificou-se que o curso deveria desenvolver
atividades de pesquisa e extensão; docentes melhor preparados e capacitados adotando postura
humanizada em relação a metodologia do ensino. Ainda sugeriram aumentar o acervo bibliográfico e a
melhoria dos laboratórios. Assim, elaborou-se um Projeto Pedagógico (PP) que contemplava a
realização de oficinas de capacitação para os docentes e com participação discente. As oficinas
contaram com a participação de profissionais da área da educação, tanto da UEMS quanto de outras
Instituições de Ensino Superior, bem como a participação de enfermeiros-docentes de outras
universidades, as quais já haviam implantado novas organizações curriculares. As ações desenvolvidas
na construção do Projeto Pedagógico ocorreu em forma de palestras e oficinas pedagógicas
1
Enfermeira. Doutoranda em Educação/PRAESA/FE/UNICAMP. Docente da UEMS.
Enfermeira. Mestre em Desenvolvimento Sustentável. Docente da UEMS.
3
Enfermeira. Mestre Enfermagem Fundamental. Docente da UEMS
2
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
211
contemplando os seguintes temas: a educação como um ato político; a Arte de Cuidar (foi
desenvolvida em forma de representação teatral pelos acadêmicos das quatro séries do Curso); a
Evolução do Ensino Superior da Enfermagem: uma abordagem histórica e Novas Diretrizes
Curriculares da Enfermagem: a dimensão e o caminho das mudanças ; Linhas de pensamentos
pedagógicos. Além das palestras, foram realizadas reuniões com os professores convidados e
participação de docentes em eventos regionais e nacionais visando buscar subsídios para a
reestruturação do PP. Portanto, por um período de três anos, a comunidade acadêmica do Curso de
Enfermagem da UEMS, de modo consciente e persistente, conduziu os trabalhos de maneira reflexiva
e crítica, na reformulação e re-construção da proposta curricular. Durante todo esse processo houve
crescimento e amadurecimento de idéias, entendendo-se que Projeto Pedagógico é um instrumento de
direcionamento para o fazer universitário e concebido coletivamente no âmbito do curso. Ao
constituir o Projeto Pedagógico deve-se esperar a construção da intencionalidade para o desempenho
do papel social do curso, centrando-se no ensino e estreitamente articulado com a pesquisa e a
extensão. Desta forma, o curso (re)construiu o projeto pedagógico coletivamente, com novas
abordagens na organização curricular para dinamizar o processo ensino-aprendizagem através da
promoção da interdisciplinaridade. Assim, espera-se conduzir o acadêmico a uma progressiva
autonomia na busca do conhecimento; desenvolver sua capacidade de reflexão e de aquisição de
competências e habilidades para resolução de problemas; valorizar o capital cultural, social e os
conhecimentos destes discentes para implementar, o processos de ensino e aprendizagem interativos e
participativos, possibilitando ao acadêmico pensar, agir, saber, desejar buscar e criar novos
conhecimentos, buscar as reflexões para, além de introjetar os valores da profissão de enfermeiro. O
Curso de Enfermagem da UEMS foi o pioneiro do Estado de Mato Grosso do Sul ao mudar e
implantar o novo currículo integrado, para formar profissionais que atendam as necessidades sociais
da saúde com ênfase no SUS. A adoção de uma proposta interdisciplinar implicou em profunda
alteração nos modos de ensinar e aprender, em virtude da necessidade de construção de novas
metodologias, reestruturação dos temas e conteúdos curriculares, organização de equipe de docentes
que integrem diferentes áreas do saber, entre outros. A reconstrução do Projeto Pedagógico do Curso
de Enfermagem da UEMS foi embasada em "marcos" (referencial, filosófico, conceitual e estrutural),
pois, de acordo com a literatura pedagógica, fundamenta que as mudanças pedagógicas devem partir
do conhecimento da realidade na qual o curso está inserido, refletir esta realidade e fundamentar a
construção da proposta curricular, bem como sua implantação, acompanhamento e avaliação. Além
disso, essas mudanças devem ser processuais e constituídas no tempo, pela dinâmica da articulação
entre a subjetividade (vontade de mudar) e a objetividade (condições objetivas e favoráveis para que as
mudanças ocorram). Assim, o Projeto Pedagógico trabalha a mudança no curso por meio da
articulação entre os aspectos subjetivos e objetivos detectados no presente momento histórico
(ForGRAD, 1999; SAUPE E ALVES, 2000). Os Marcos Filosófico e Conceitual adotados incluem
a concepção de ser humano, saúde, ética, enfermagem, contexto / cenário, comunicação, processo do
cuidar, educação em saúde, educador, educando e o perfil do egresso (enfermeiro). A estrutura
curricular é norteada por três eixos: Ser Humano, Saúde e Ética. Estes princípios gerais originaram
cinco eixos temáticos: Educação e Saúde; Enfermagem; Processo do Cuidar; Comunicação; Contexto
e Cenário, que resultaram na organização dos conteúdos em unidades temáticas, condensadas em
módulos que compõem as quatro séries do curso. Portanto, deixam de existir as disciplinas
tradicionais, substituídas por unidades temáticas agrupadas em módulos, sendo os conteúdos
desenvolvidos de forma integrada (interdisciplinaridade), seqüenciada e contextualizada.Cada unidade
temática descreve os propósitos, as competências, as habilidades e capacidades que os acadêmicos
devem desenvolver, bem como a forma do processo avaliativo. Em síntese, o currículo integrado do
Curso de Enfermagem da UEMS visa organizar hierarquicamente os conteúdos curriculares em áreas
de conhecimento adotando metodologias que privilegiem uma efetiva integração entre ensino e
aprendizagem. Para o planejamento das atividades, os docentes do curso realizam semanalmente
reuniões com o objetivo de expor e ouvir as idéias, opiniões, conceitos, planos, projetos,
conhecimentos e informações de forma participativa, para analisar, planejar e decidir coletivamente as
atividades pedagógicas. Também tem o caráter de aproximar os diversos profissionais de nível
superior que compõem o quadro de docentes do Curso, respeitando seus valores, princípios e
doutrinas, em busca do objetivo principal que é o de promover o ensino de enfermagem com
qualidade, centrado na ética, no respeito e na dignidade, para formação do profissional reflexivo,
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
212
crítico, atuante, compromissado com a cidadania e promotor da saúde integral do ser humano
(indivíduo, família e coletividade). Assim, esta transição pedagógica exigiu uma capacitação para os
docentes do Curso de Enfermagem da UEMS, por profissionais qualificados e com conhecimentos
específicos tanto na área de Enfermagem quanto pedagógica. Porém, observamos que esta capacitação
deve ser permanente e compartilhada.
Referências Bibliográficas:
CES/CNE. Câmara de Educação Superior. Conselho Nacional de Educação. Resolução nº 3 de 07 de
novembro de 2001. In: Diário Oficial da União. Seção 1, n.215 de 09/11/2001. Disponível em:<
http://www.imprensanacional.gov.br>. Acesso em 10 mar. 2002.
ForGRAD. Do pessimismo da razão para o otimismo da vontade: referências para a construção dos
projetos pedagógicos nas IES brasileiras. Curitiba, 1999. 27 p.
PIMENTA, S. G.; ANASTASIOU, L. das G. C. Docência no Ensino Superior Vol. I. São
Paulo: Cortez.2002
ROMANO, R.A.T.; PAPA, L.M.P.; LOPES, G.T. Construção de um currículo integrado de
enfermagem. Revista Brasileira de Enfermagem. Brasília, v.50, n.3, p.407-424, jul./set. 1997.
SAUPE, R.; ALVES, E.D. Contribuição à construção de projetos político-pedagógicos na
enfermagem. Revista Latinoamericana Enfermagem. Ribeirão Preto, v. 8, n.2, p.60-7, abr. 2000.
86. ESTRATÉGIA PARA A FORMAÇÃO PEDAGÓGICA DE ENFERMEIROS
DOCENTES NO NÚCLEO DE APOIO DOCENTE DA UNIVERSIDADE DE
PERNAMBUCO NAD UPE: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA.
Viviane Tannuri F. Lima Falcão1
Isabel Cristina Vieira Santos2
Dilma Neto de Menezes3
Maria Inês da Silva4
Em 1999, o Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem- PROFAE,
lançou a pedra Fundamental da qualificação Profissional para os trabalhadores de enfermagem de
nível médio. Sua execução teve início em agosto de 2000, no Espírito Santo, com o objetivo de
melhorar a qualidade da atenção ambulatorial e hospitalar, no sentido de garantir um atendimento sem
riscos, mas também de reconhecer, social e profissionalmente estes trabalhadores, o que determina a
busca da qualidade do cuidado , prestado pelo Sistema Único de Saúde (MS/PROFAE, 2003). Na
perspectiva de participar do enfoque proposto pelo Ministério da Saúde e consciente da sua
responsabilidade em dar respostas às demandas sociais, à Universidade de Pernambuco, através da
Faculdade de Enfermagem Nossa Senhora das Graças- FENSG-UPE, que historicamente, tem
conduzido projetos de curso de formação profissional na área de enfermagem, veio a contribuir
através da parceria Ministério da Saúde, Escola Nacional de Saúde Publica da Fundação Oswaldo
Cruz-FIOCRUZ, no âmbito do PROFAE, desenvolvendo o componente II, que trata de pós-graduação
lato sensu à distância com vistas à preparação de profissionais de enfermagem para atuarem na
educação profissional na área de saúde: Enfermagem. O objetivo deste trabalho é apresentar as
experiências vivenciadas pelos diferentes atores do Núcleo de Apoio Docente da Universidade de
1
Enfermeira. Especialista em Formação Pedagógica em Educação Profissional na Área de Saúde: Enfermagem. Professora
da Faculdade de Enfermagem Nossa Senhora das Graças (FENSG). Universidade de Pernambuco (UPE). e-mail:
[email protected] / Av. Santos Dumont, nº332, Aptº 1701, Aflitos, Recife PE.
2
Enfermeira. Mestre em Nutrição , Doutoranda em Saúde Pública. Professora da FENSG UPE. Coordenadora do Curso de
Formação Pedagógica em Educação Profissional na Área de Saúde: Enfermagem.
3
Enfermeira. Mestre em Planejamento e Gestão Organizacional. Professora da FENSG-UPE.
4
Enfermeira. Mestre em Planejamento e Gestão Organizacional. Professora da FENSG-UPE.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
213
Pernambuco
NAD - UPE, envolvidos no desafio de qualificar pedagogicamente enfermeirosdocentes para atuarem no processo de formação de trabalhadores da área de enfermagem. Trata-se de
um relato de experiência que materializa as ações desenvolvidas no NAD-UPE no período de
novembro de 2002 a abril de 2004, quando se finalizou a primeira turma. A proposta de educação à
distância (EAD), lançada pelo Ministério da Saúde por intermédio da Escola Nacional de Saúde
Pública, em parceria com as Universidades brasileiras, apresentou-se como um grande desafio
considerando as transformações do ponto de vista de estruturação acadêmica da nossa instituição; foi
necessário estabelecer uma nova ordem para superar as barreira do modelo tradicional de formação
e conhecer novos moldes de organização para atuar diante desta nova concepção inovadora de
formação. Iniciou-se assim em novembro de 2002 a preparação para a realização do Curso de
Formação Pedagógica em Educação Profissional na Área de Saúde: Enfermagem. Contamos com a
estrutura física de uma sala, um computador ligado à internet e uma linha telefônica à disposição do
NAD, assim como toda estrutura da FENSG. Quanto aos recursos humanos, inicialmente foi
disponibilizado o apoio administrativo de uma secretária que iniciou os trabalhos de secretaria
realizando a organização administrativa para funcionamento, juntamente com a Coordenadora do
NAD, assim iniciaram-se as inscrições dos enfermeiros-docentes vinculados as operadoras do
PROFAE. Obtivemos trezentos inscritos, da região metropolitana do Recife e também de outras
cidades do estado de Pernambuco os quais seriam acompanhados por doze enfermeiros tutores que
foram devidamente selecionados de acordo com critérios pré-determinados pela ENSP- FIOCRUZ. 1
Durante o período de inscrição a coordenação do curso promoveu reuniões de caráter pedagógico e
administrativo onde foram traçadas as estratégias de funcionamento do núcleo buscando numa
metodologia própria de trabalho. Elegemos como prioridade para o desenvolvimento das atividades,
manter o núcleo aberto para apoio ao aluno e ao tutor, de segunda a sexta feira de 8:00 às 17:00 horas.
Definimos a participação do tutor através da implantação do plantão pedagógico que teve por objetivo
atender ao aluno quanto às dúvidas relativas a metodologia do curso à distância, assim como
dificuldades referentes à elaboração das atividades de avaliação dos módulos e preparo para os
encontros presenciais, nesta oportunidade apresentavam-se também possibilidades de indicação de
bibliografia complementar para enriquecimento do conteúdo. Em abril de 2003, tivemos então o
primeiro contato com os tutorandos através da aula inaugural, com apresentação do material e
metodologia a ser utilizada pelo curso, o que gerou grande ansiedade, por se tratar de uma experiência
diferente e desafiadora, levando a curiosidade , dúvida e expectativa no grupo. Considerando ser a
educação à distância uma estratégia para articular a formação pedagógica à prática, esta apresenta
possibilidade de alcance e flexibilidade que nem sempre o ensino presencial consegue ofertar pelas
diferentes demandas vivenciadas pelos enfermeiros-docentes.(BELLONI,1999). Atende a uma
necessidade crescente de formação continuada voltada para novos contextos de trabalho, que nos
desafiam a rever nossos paradigmas educacionais, tendo em vista a ampliação do atendimento a um
novo perfil do aluno.(CORRÊA, 2002). Nessa perspectiva passeamos pelo núcleo contextual, o qual
gerou dificuldades para alguns tutorandos, por tratar de temas histórico-filosóficos, o que denota pouca
aproximação dos enfermeiros-docentes com este assunto durante sua formação acadêmica. O NAD
utilizou estratégias para resgatar o aprendizado deste núcleo buscando a discussão pedagógica,
possibilitando através do encontro presencial mobilizar esforços no sentido de esgotar possíveis dúvidas.
Utilizamos na primeira prova presencial (PP), avaliação subjetiva dando oportunidade de reelaboração
dos conceitos anteriormente discutidos mobilizando a reconstrução do conhecimento através da
intelecção da leitura ou seja o entendimento e a compreensão do que foi lido (LIBANIO, 2001). Os
núcleos estruturais e integrador trouxeram momentos de grande enriquecimento para tutores e
tutorandos, pois afloraram debates de grande riqueza para a formação do enfermeiro-docente. O uso das
novas tecnologias da informação e da comunicação geram um referencial crítico, fortalecendo assim a
importância dessas tecnologias no aperfeiçoamento do processo de educação à distância apesar das
dificuldades encontradas por alguns quanto ao acesso a internet pois se encontravam em regiões onde
sequer havia computador. As atividades desenvolvidas durante estes núcleos permitiram investigar,
refletir, criticar e buscar alternativas para diversidade aprendendo a elaborar propostas que articulem as
necessidades da profissão e a prática social do enfermeiro-docente, não esquecendo das características
culturais e dos conflitos presentes na sociedade. O NAD utilizando reuniões mensais pedagógicas
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
214
viabilizou com os tutores através de discussões amplas, o tratamento dos conteúdos por temas,
buscando a interdisciplinaridade, a reflexão sobre a prática e a articulação entre saúde e educação. As
avaliações presenciais serviram de termômetro para o reconhecimento de mudança de comportamento
do enfermeiro-docente, a independência do aluno no desenvolvimento e articulação através do
mecanismo de criação de formas inovadoras de ensino as quais foram sistematizadas na prática docente,
atividade pedagógica desenvolvida como avaliação do módulo 11. No último encontro presencial
realizamos, através de um instrumento com 20 questões estruturadas uma avaliação sistemática que
revelaram as transformações no estilo pedagógico e de vida dos enfermeiros docentes. Os resultados
foram apresentados na aula de encerramento do curso, aos tutorandos e tutores com o objetivo de
resignificar concepções e conceitos referentes às atitudes e a prática profissional. Para o NAD UPE
foi gratificante perceber a evolução e reconstrução de atitudes permeada pelas atividades do cotidiano
dos alunos estabelecendo novos conceitos de ensino e aprendizagem. Este formulário foi respondido por
295 enfermeiros-docentes o que representa 94% dos 295 que concluíram o curso, vale ressaltar a baixa
evasão do NAD-UPE . Dentre os dados levantados chama atenção, 89,2% não ter contato com outros
cursos de formação pedagógica o que expressa a pouca participação em Licenciaturas, que teriam a
função de preparar o enfermeiro para a prática docente, fato que reitera a importância de um novo
projeto de formação para a área de enfermagem. Para 95% dos enfermeiros este curso foi a primeira
experiência da modalidade à distância. O computador não era utilizado por, 79,8% dos cursistas; no
decorrer do curso, 80% passou a utiliza-lo para digitar trabalhos, e 11% para digitar, enviar e se
comunicar, o que possibilita para estes a interação com novas tecnologias possibilitando a diminuição
das distâncias espaço temporais auxiliando na construção do conhecimento.O plantão pedagógico foi
utilizado por 70% para se comunicar com o tutor, 60,3 % usou o celular e 40% usou contatos
presenciais fora do horário do plantão pedagógico, demonstrando a importância das relações
interpessoais entre tutor e tutorando assim como a relevância dada por conduzir as reflexões na hora
adequada. Fato respaldado por 45,8% dos cursistas que definiram como insuficientes os encontros com
o tutor, porém como muito boa à qualidade das suas observações para a construção do conhecimento.
Diante disso é impossível contestar a transformação produzida pelo curso de formação pedagógica tanto
do ponto de vista institucional, renovando a formação pedagógica, como do ponto de vista da postura
profissional, o que assim redimensiona a ação docente na área da saúde, revelando um olhar mais
crítico, mais consciente e mais comprometido.
Referências Bibliográficas:
BELLONI, Maria Luisa. Educação a distância. Campinas: Autores Associados, 1999.
BRASIL-MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Gestão de Investimentos em saúde. Formação
Pedagógica em Educação Profissional na Área de Saúde: enfermagem: guia do aluno.- 2. ed. rev. e
ampliada. Brasília: Ministério da Saúde, 2002.
CORRÊA, Juliane. Reflexões sobre o desafio de ser tutor. Revista Formação, v. 2, n. 4, p. 35 42,
jan./maio. 2002.
LIBANIO, J.B. Introdução à vida intelectual. São Paulo: Edições Loyola, 2001
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
215
87. COMISSÃO DE REESTRUTURAÇÃO CURRICULAR DA FENSG - UPE: RELATO DE
EXPERIÊNCIA
Viviane Tannuri 1
Silvana Sidney Costa Santos 2
Dilma Neto de Menezes 3
Nara Carneiro Lacerda 4
Maria Suely Medeiros de Correa 5
Maria Inês da Silva1
Este estudo, do tipo relato de experiência, teve por objetivo apresentar resultados parciais dos
trabalhos realizados pela Comissão para estudo e elaboração na proposta de projetos de implantação
das Diretrizes Curriculares para o Curso de Graduação em Enfermagem , da Faculdade de
Enfermagem Nossa Senhora das Graças (FENSG), da Universidade de Pernambuco (UPE), que foi
instituída pela diretora em exercício, por meio de ordem de serviço nº 03/2003, em julho de 2003,
tendo por finalidade implantar a Resolução CNE/CES nº 3, de 7 de novembro de 2001. As reuniões
começaram a acontecer em setembro de 2003. Inicialmente pensou-se em realizar o seguinte caminho:
estudar as Diretrizes Curriculares Nacionais; depois, estudar-se Projeto Político Pedagógico; em
seguida realizar-se um esboço do projeto do Curso de Enfermagem da FENSG UPE, para só então
se traçar a estrutura curricular. Na medida em que os trabalhos foram iniciados, algumas mudanças
foram estabelecidas pelo grupo, com caminho um pouco diferente do pensado, mas aproximado da
realidade apresentada, pois verificamos que as etapas traçadas se integram o tempo todo, mostrando
que tudo está relacionado a tudo. Até o momento foram realizadas 12 reuniões, nas quais foram
trabalhadas as seguintes ações: 1) estudo das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de
Graduação em Enfermagem (BRASIL, 2001), discutindo-se cada artigo e refletindo-a profundamente,
sempre se procurando entendê-la numa perspectiva de alteração da estrutura do curso, ou seja, como
colocar o escrito em nossa realidade? De tal discussão surgiu um estudo bibliográfico intitulado
Currículo de Enfermagem no Brasil e as Diretrizes: novas perspectivas (SANTOS, 2003), no qual a
autora realizou uma retrospectiva histórica dos currículos da enfermagem brasileira e apresentou novas
perspectivas de mudanças a partir das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN). 2) Estudo sobre
Projeto Político Pedagógico (PPP), aqui tivemos a apresentação, seguida de discussão de uma fita de
vídeo, intitulada Capacidades, habilidades e competências , de autoria de Celso Antunes, que
apresenta três conceitos fundamentais na educação contemporânea: capacidades, habilidades e
competências, relacionando-os às novas idéias acerca do funcionamento da inteligência e ao novo
papel do professor. Esta fita de vídeo nos ajudou a compreender mais intensamente às questões
pedagógicas e políticas envolvidas na educação superior de enfermagem. 3) Estabelecimento de
grupos temáticos para as disciplinas do currículo atual, considerando a perspectiva de alterações
curriculares e a necessidade de experimentos prévios no 1º semestre de 2004. Os grupos temáticos
escolhidos foram: Aspectos Filosóficos, Sociais e Científicos; Cuidado de enfermagem ao adulto e ao
Idoso; Saúde mental; Ensino; Cuidado à mulher, à Criança e ao Adolescente. Os professores das
disciplinas afins realizaram reuniões em seus grupos temáticos e em algumas disciplinas foram
iniciadas ações experimentais, que foram avaliados como sendo ações exitosas, no final do segundo
semestre de 2004.
4) Apresentação de uma proposta de Projeto de Curso de Enfermagem formado por duas partes: I Da
Universidade de Pernambuco e II Do Curso de Enfermagem, esta composta por três dimensões,
1
Enfermeira. Especialista em Enfermagem do Trabalho. Professora da Faculdade de Enfermagem Nossa senhora das Graças
(FENSG). Universidade de Pernambuco (UPE). e-mail: [email protected]/
Av. Santos Dumont,
nº332, aptº 1701, Aflitos, Recife PE.
2
Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora da Faculdade de Enfermagem Nossa Senhora das Graças (FENSG).
Universidade de Pernambuco (UPE). Presidente da Comissão de Reestruturação Curricular da FENSG UPE.
3
Enfermeira. Mestre em Planejamento e Gestão Organizacional. Professora da FENSG UPE.
4
Enfermeira. Mestre em Nutrição. Diretora da FENSG UPE.
5
Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Professora da FENSG UPE.
1
Enfermeira. Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgico. Professora da FENSG UPE.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
216
quais sejam: 1. Dados gerais sobre o Curso; 2. Da organização didático-pedagógica aqui incluído a
elaboração do PPP e das questões do ensino-pesquisa e extensão; 3. Do Corpo docente; 4. Das
instalações. Este material servirá de guia geral para a elaboração final do Projeto do Curso de
Enfermagem da FENSG UPE. 5) Realização de uma oficina para elaboração do perfil de egresso da
FENSG UPE, esta oficina foi composta por dois momentos, sendo o primeiro uma palestra sobre a
formação do profissional de saúde e o SUS, proferida por técnico do Ministério da Saúde; e o segundo
momento foi à realização de trabalhos em pequenos grupos, seguido de trabalho do grande grupo,
tendo por finalidade a escolha de categorias para elaboração do perfil de egressos da FENSG-UPE. As
categorias escolhidas para subsidiar as discussões sobre o perfil de egressos foram: Generalista;
Humanista; Ético; Reflexivo; Voltado às necessidades da população, fortalecendo o SUS e o Estado de
bem-estar social; (capaz de) Desenvolver ações de educação em saúde; (voltado à) Gestão da
assistência e serviços de saúde (voltado a) Multi/ interdisciplinaridade; (capaz de) Elaborar produção
científica na saúde; (zeloso da importância da) Integralidade; Defensor dos interesses da população na
construção da cidadania e da cultura da paz; tendo o Cuidar como cerne do perfil do egresso. 6)
Construção de um quadro teórico-prático para exploração das categorias apontadas à elaboração do
perfil do egresso. Este quadro de categorias escolhidas para elaboração do perfil do egresso da
FENSG/UPE é composto por três colunas, a primeira lista, as categorias escolhidas e já apresentadas
neste estudo; a segunda apresenta os significados subjetivos (teorização) destas categorias, na qual os
membros da Comissão realizaram um aprofundamento teórico das categorias listadas, utilizando-se
de dicionários da língua portuguesa, dicionário de filosofia, livros específicos do Direito, livros
específicos da Administração e autores contemporâneos que vêm dando grande contribuição à
disciplina Enfermagem, destacando-se: Edgar Morin, Fritjof Capra, Leonardo Boff, Pedro Demo,
Izabel Petraglia, Vera Waldow e outros, além de documentos relacionados ao Sistema Único de Saúde
(SUS) e às Leis n. º 8.080 e 8.142/90; a terceira coluna diz respeito aos significados objetivos
(exemplos práticos na enfermagem); etapa onde se encontram, no momento, os esforços dos membros
da Comissão. Para esta terceira coluna serão utilizados os seguintes documentos: Resolução CNE/
CES nº 3, de 7 de novembro de 2001 (que institui as Diretrizes Curriculares para o Curso de
Graduação em Enfermagem), o Decreto nº 94.406/87 (que regulamenta o exercício profissional da
Enfermagem) e a Resolução COFEN 240/2000 (que aprova o Código de Ética dos Profissionais de
Enfermagem). Após o estabelecimento do perfil do egresso da FENSG-UPE serão elaborados: os
marcos (referencial, filosófico, conceitual, estrutural) e os objetivos do curso; a organização curricular
(estrutura do curso, currículo, ementas e bibliografias - básica e complementar); as metodologias de
ensino e as práticas pedagógicas previstas; todas as atividades acadêmicas específicas do curso
(iniciação científica e pesquisa, extensão, monitoria, estagio supervisionado, trabalho de conclusão de
curso, atividades complementares, envolvimento com a comunidade e parcerias, sistema de avaliação).
Para que estas atividades se realizem os membros da Comissão serão subdivididos, para melhor
agilização e conclusão do trabalho, elaborando os itens que faltarão para completar o Projeto de Curso
de Enfermagem da FENSG-UPE, a saber: o item I da Universidade e os itens 3 e 4, da Organização
didático-pedagógica, respectivamente: do Corpo docente e das Instalações. O trabalho realizado pela
Comissão é árduo; caminha de forma lenta, pois cada ser humano tem tempos de ação diferente;
solicita uma certa disponibilidade dos docentes integrantes (para participar das reuniões e para
elaborar os documentos necessários à concretização da proposta de Projeto do Curso de Enfermagem
da FENSG-UPE); é acompanhado por todos os docentes da FENSG-UPE e aqueles representantes das
disciplinas do ciclo básico, como também aos alunos integrantes, pois todos os passos são enviados
por e-mail, pela presidente; é complexo, considerando tratar-se de uma ação tecida em conjunto
(MORIN, 1995), formada por constituintes heterogêneos inseparavelmente associados, cheios de
interações, determinações, que apresentaram traços inquietantes da desordem, da ambigüidade e da
incerteza; caminha com vontade de transformar o ensinar-pesquisar-fazer enfermagem na FENSGUPE.
Referências Bibliográficas:
BRASIL. Conselho Nacional da Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/CES nº
3/2001. Diário Oficial da União, Brasília, 9 de novembro de 2001. Seção 1. P.37.
MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. Lisboa: Instituto Piaget.1995.177p.
SANTOS, Silvana Sidney Costa. Currículos de Enfermagem no Brasil e as Diretrizes
novas
perspectivas. Rev.Bras.Enferm, Brasília, vol.56, n.4. jul./ago, p.361-364, 2003
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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88. REFLEXÕES SOBRE A VIVÊNCIA DA IMPLANTAÇÃO DO ESTÁGIO CURRICULAR
SUPERVISIONADO DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM DA
UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ.
Luciana Guimarães Assad1
Lúcia de Fátima Silva de Andrade2
Miriam Garcia Leoni3
Sheila dos Santos Souza de Azevedo4
Tipo de estudo e metodologia: Estudo qualitativo na modalidade reflexão teórico-filosófica. Possui
como objeto de reflexão a implantação do estágio curricular supervisionado no Curso de Graduação
em Enfermagem da Universidade Estácio de Sá. Apresenta como objetivo discorrer sobre os desafios e
dificuldades de realizar tal empreendimento, visto que a Universidade possui como característica ser
multicampi. O referencial teórico vincula-se aos princípios da complexidade de Morin (2001) e Leis
relativas ao estágio curricular supervisionado no nível superior, além das Diretrizes Curriculares
Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem (2001). Utilizaremos a noção de competência de
Perrenoud (2000) que afirma ser a capacidade de mobilizar diversos recursos cognitivos para enfrentar
um tipo de situação, entendendo que as competências não são elas mesmas saberes ou atitudes, mas
mobilizam, integram e orquestram tais recursos, sendo que essa mobilização só é pertinente em
situação, sendo cada situação singular, mesmo que se possa tratá-la em analogia com outras já
encontradas. Para o citado autor, o exercício da competência passa por operações mentais complexas,
subentendidas como esquemas de pensamento que permitem determinar e realizar uma ação
relativamente adaptada à situação. Desenvolvimento: O estágio curricular supervisionado em
Enfermagem é uma exigência legal5 (Lei nº 6.494, de 07 de dezembro de 1977, regulamentada pelo
Decreto-Lei n. º 87.497, de 18 de agosto de 1982 e Lei n. º 8.859, de 23 de março de 1994 e o Decreto
Lei n. º 2.080, de 26 de novembro de 1996, que promovem modificações na Lei n. º 6.494/77 e no
Decreto Lei n. º 87.497/82, respectivamente), que deve acontecer nos dois últimos semestres do
curso de graduação, com 20% da carga horária total do curso conforme as Diretrizes Curriculares
Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem de 2001. O objetivo do Estágio Curricular
Supervisionado do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Estácio de Sá é promover a
aplicabilidade dos conhecimentos teóricos à prática profissional, através de atividades desenvolvidas
no âmbito da assistência de enfermagem aos clientes de acordo com o seu ciclo vital (criança,
adolescente, mulher, adulto e idoso), nos diferentes níveis de atenção à saúde, mediante a adoção de
estratégias pedagógicas que articulem o saber com o saber fazer. O Estágio Curricular Supervisionado
1
Doutora em Enfermagem pela EEAN/UFRJ. Instituição de Origem: Coordenadora do Curso de Enfermagem da
Universidade Estácio de Sá Campus Barra-Akxe; Enfermeira do Hospital Universitário Pedro Ernesto/UERJ E-mail:
[email protected] End.: Rua Gilberto Cardoso, 280/604 Leblon, Rio de Janeiro. CEP: 22430-070
2
Enfermeira. Doutora em Enfermagem pela EEAN/UFRJ. Instituição de Origem: Supervisora Geral de Estágio Curricular
Supervisionado da Universidade Estácio de Sá. E-mail: [email protected] End.: Travessa das Flores, 385/207 bloco E-4
Mangueira São Gonçalo RJ CEP 24 435 410. Tel.: (21) 2606 3999.
3
Doutora em Enfermagem pele EEAN/UFRJ. Instituição de Origem: Diretora do Curso de Enfermagem da Universidade
Estácio de Sá. End. Av Fernando Mattos 85 ap 101. CEP: 22621-090 e-mail: [email protected]
4
Mestre em Enfermagem pela Faculdade de Enfermagem da UERJ. Instituição de Origem: Coordenadora do Curso de
Enfermagem da Universidade Estácio de Sá Campus Taquara R9. e-mail: [email protected]
5
Lei nº 6.494, de 07 de dezembro de 1977, regulamentada pelo Decreto-Lei n. º 87.497, de 18 de agosto de 1982, que dispõe
sobre o estágio de estudantes de estabelecimentos de ensino superior e de ensino profissionalizante do 2° Grau e Supletivo e
dá outras providências. Lei 8.859 de 23 de março de 1994 modifica dispositivo da Lei n° 6.494, de 7 de dezembro de 1977,
estendendo aos alunos de ensino especial o direito à participação em atividades de estágio. Decreto 2.080 de 26 de novembro
de 1996. Dá nova redação ao art. 8° do Decreto n° 87.497, de 18 de agosto de 1982, que regulamenta a Lei n° 6.494, de 7 de
dezembro de 1977, que dispõe sobre os estágios de estudantes de estabelecimentos de ensino superior e de ensino
profissionalizante do 2° Grau e Supletivo.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
218
deverá também proporcionar ao aluno estagiário experiência prática que leve ao desenvolvimento de
competências e habilidades necessárias à sua formação. O Curso apresenta como campos de estágio as
Instituições de Saúde públicas e privadas, conveniadas com a Universidade Estácio de Sá, que
atendem aos diferentes níveis de complexidade de assistência à saúde. O Estágio Curricular
Supervisionado é realizado em hospitais gerais e especializados, ambulatórios, rede básica de serviços
de saúde conveniados com a Universidade Estácio de Sá contemplando atividades assistenciais e de
pesquisa. Assim, implantar o estágio curricular supervisionado em um curso novo foi um grande
desafio vivenciado pelas autoras, visto que cada Instituição possui suas peculiaridades, sendo que a
nossa tem a característica de ser multicampi. Associada a essa característica soma-se que nos oito
campi onde existe o Curso de Graduação em Enfermagem, os períodos são diferenciados, visto que
cada Campus teve seu início em semestres diferentes, configurando a grande complexidade do mesmo.
Sobre a complexidade Morin (2001) afirma: complexus é o que está junto; é o tecido formado por
diferentes fios que se transformaram numa só coisa. Isto é, tudo isso se entrecruza, tudo se entrelaça
para formar a unidade da complexidade; porém, a unidade do complexus não destrói a variedade e a
diversidade das complexidades que o teceram . Essa complexidade se configura nas intrincadas
relações entre o Coordenador Geral de Estágio e as diversas instâncias da Universidade e nas Unidades
de Saúde onde ocorrem os estágios. Associada aos questionamentos postos, faz-se necessário relatar a
dificuldade de inserção nos campos de práticas já ocupados por outras instituições já tradicionais,
sendo necessário que fôssemos bastante flexíveis nas negociações para que também pudéssemos
usufruir o campo de prática. Vencida essa etapa, a seguinte era começar a inserir os alunos e os
professores de modo que houvesse a integração dos mesmos. Considerações finais: Conclui-se que foi
um grande desafio enfrentar a complexidade de tal empreendimento, tendo em vista a imensa
responsabilidade de formar enfermeiros que possuam competências e habilidades para exercer a
profissão de Enfermagem e que ao mesmo tempo estejam compromissados com a profissão.
Entendemos que os campos de estágio os locais onde o acadêmico de enfermagem adquire a sua
identidade profissional na sua relação com o docente, o enfermeiro da Unidade e o cliente, sendo
grande a nossa preocupação, tendo em vista que devemos preservar a vida e a integridade do cliente.
Além de manter boas relações com a equipe de saúde, sob o risco de se perder o campo de prática.
Com isso enfatizamos a necessidade de mantermos essa rede ações, interações e interligações
funcionantes através de um sólido trabalho baseado na cooperação dos membros envolvidos no
processo.
Referências
BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA. Resolução CNE/CES nº 3, de 07 de
novembro de 2001, do Conselho de Educação/ Câmara do Ensino Superior, que instituiu as Diretrizes
para o Curso de Graduação em Enfermagem.
MORIN, E. Ciência com Consciência. 5 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.
PERRENOUD, P. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
219
89. O HOSPITAL UNIVERSITÁRIO PEDRO ERNESTO: CENÁRIO DE APRENDIZAGEM
PARA O ENFERMEIRO NA PRÁTICA ASSISTENCIAL
Luciana Guimarães Assad1
Ligia de Oliveira Viana2
No presente estudo, desenvolvido no Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE),
objetivamos identificar formas de aprendizagem na prática assistencial do enfermeiro na
organização hospitalar e discutir a inserção da prática reflexiva como instrumento de
aprendizagem para o enfermeiro inserido na prática assistencial da organização hospitalar.
Defendemos a tese de que as formas de aprendizagem desenvolvidas na dimensão prática da
atuação do enfermeiro sofrem influência do ambiente e da identidade pessoal do enfermeiro,
podendo ser individuais ou coletivas e combinam elementos de transformação e de
reprodução do processo de cuidado, da relação com os clientes e com a equipe. A prática não
é espontaneamente didática e para ser formadora, ela deve ser teorizada. À luz dessa premissa,
estudamos a prática dos enfermeiros, por entender que sua formação deve ser concebida de
maneira a auxiliar esse profissional na construção de novos saberes e no desenvolvimento de
suas competências; ou seja na aplicação desses saberes em sua vida, mais especificamente, em
seu ambiente de trabalho. O suporte teórico foi derivado da contribuição de Donald Shön
acerca da prática reflexiva que descreve duas maneiras do profissional realizar a reflexão:
refletir sobre a ação, ou refletir na ação. O primeiro modelo desenvolve-se através da
retomada de nosso pensamento sobre o que temos feito para produzir resultados. Isso pode
ser feito no meio da ação, interrompendo-a, ou ao final da mesma. Em ambos os casos, nossa
reflexão carece de uma conexão direta com a ação que se encontra em curso. De modo
alternativo, a reflexão na ação desenvolve-se dentro da própria ação, sem que a mesma seja
interrompida, como se fosse parte dela, servindo para reorganizar o que estamos fazendo
durante o processo. O que a distingue de outros tipos de reflexão é a sua imediata relevância
para a ação. O suporte teórico também foi pautado nos princípios de formação contínua e
competência, formulados por Philippe Perrenoud. O estudo deste tema implica no esforço de
compreender de que forma o enfermeiro transforma o conhecimento e constrói competências
profissionais no desenvolvimento de suas ações. O conceito de competência é definido por
Perrenoud como o conjunto diversificado de conhecimentos da profissão, de esquemas de
ação e de posturas, que são mobilizados no exercício do ofício . Nas competências, que são
de ordem cognitiva, afetiva, conativa e prática, mobilizamos saberes, representações, teorias e
esquemas de ação que se traduzem em objetivos definidos, a fim de resolver problemas nas
situações do dia-a-dia do trabalho. Utilizou-se como apoio teórico as formulações de Patrícia
Benner referente a análise das áreas de conhecimento prático do enfermeiro. Estudando a
prática assistencial do enfermeiro, Benner identificou seis áreas de conhecimentos práticos,
que podem ser analisadas para se compreender o saber desenvolvido por esse profissional.
São elas: as distinções qualitativas; os significados comuns; as suposições; expectativas e
intuição; paradigmas e conhecimento pessoal; as máximas e as práticas não planejadas.Para
a autora os níveis distinções qualitativas compreendem a evolução do conhecimento que é
refinado, a partir de comparações e confrontos que o enfermeiro estabelece durante o seu
cuidado ao cliente. Os significados comuns, também denominados de senso comum, dizem
respeito às rotinas estabelecidas pelos enfermeiros, a partir de suas vivências na prática
1
Doutora em Enfermagem pela EEAN/UFRJ. Instituição de Origem: Coordenadora do Curso de Enfermagem da
Universidade Estácio de Sá Campus Barra-Akxe; Enfermeira do Hospital Universitário Pedro Ernesto/UERJ E-mail:
[email protected] End.: Rua Gilberto Cardoso, 280/604 Leblon, Rio de Janeiro. CEP: 22430-070
2
Doutora em Enfermagem pela EEAN/UFRJ. Professora adjunta do Departamento de Enfermagem Fundamental da Escola
de Enfermagem Anna Nery. E-mail: [email protected] e [email protected] End.: Rua Dr Satamini, 183 ap. 701,
Tijuca, Rio de Janeiro. CEP: 20270-230
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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assistencial. Esses sentidos são relacionados a situações de vida/morte; saúde/doença dentre
outros. Outra área de conhecimento descrita pela autora abarca o desenvolvimento de
suposições e intuição, o que traz à tona a predisposição dos enfermeiros para agir com certo
encaminhamento em situações particulares; a intuição varia conforme o cenário em que
trabalha o enfermeiro. Os paradigmas e conhecimento pessoal dizem respeito à interação do
enfermeiro com a situação; ou seja, ele recorre a situações passadas de cuidado, decorrentes
de sua experiência, para agir na situação presente. As máximas são as instruções fornecidas
pelos especialistas, que não fazem sentido para qualquer outro, a menos que a pessoa já tenha
conhecimento profundo da situação. Enfermeiras especialistas podem aprender muito com as
máximas, que costumam transmitir para as colegas. Contudo, para os observadores externos
ou ainda para enfermeiras com menos perícia, as máximas constituem apenas dicas. Observar
e colecionar máximas pode ser um bom começo, quando se pretende identificar melhor uma
área de atuação. Por seu turno, as práticas não planejadas envolvem intervenções estendidas
aos enfermeiros, a partir da evolução de seu trabalho. Sob essa perspectiva, é notória a
expansão das funções do enfermeiro nos hospitais, através de práticas, delegadas por outros
profissionais da área de saúde. Admitindo a necessidade de aprendizagem contínua, acreditase que experiências favoráveis à reflexão do enfermeiro sobre sua prática poderiam contribuir
significativamente para a formação continuada dos profissionais envolvidos na prática
assistencial. A parte operacional da pesquisa, um estudo de caso com abordagem qualitativa,
foi realizada no período compreendido entre março de 2000 e março de 2003. Este tipo de
estudo supõe o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que
está sendo investigada, geralmente através do trabalho intensivo de campo. Os dados foram
coletados por meio de entrevista semi-estruturada, grupo focal e levantamento de dados
documentais. O estudo de caso destaca-se também pela ênfase na interpretação em contexto;
ou seja, para um entendimento mais completo do objeto, é necessário contextualizá-lo, além
de relacionar à situação específica, no que se refere às ações, às percepções, aos
comportamentos e interações ligadas à problemática. Para desenvolver o estudo, escolheu-se o
Hospital Universitário Pedro Ernesto HUPE referência do Estado, especializado em diversas
áreas na saúde e localizado na região metropolitana do município do Rio de Janeiro. Além do
fato de ser referência, esse hospital permite boa abordagem da problemática proposta no
estudo, tendo em vista tratar-se de uma Instituição-Escola integrada ao Campus da
Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ. Os atores sociais foram os dezessete
enfermeiros e doze residentes de enfermagem, que desenvolvem atividades assistenciais. Sua
escolha justifica-se em função de eles estarem próximos dos cliente e da prática assistencial
de Enfermagem. Na análise de dados, aplicou-se a técnica de análise de conteúdo, que
propiciou a emergência das seguintes categorias: os saberes na formação contínua do
enfermeiro assistencial; formas de aprender na dimensão prática da atuação do enfermeiro
assistencial, que foi subdivido em: aprendizagem com elementos de transformação a partir da
movimentação entre teoria e prática, aprendizagem com elementos de transformação a partir
da movimentação prática e aprendizagem por reprodução; e a prática reflexiva como
instrumento para a aprendizagem do enfermeiro. Os resultados sugerem que, no HUPE,
predominam duas modalidades de aprendizagem: a) que traz à tona elementos de
transformação e b) que favorece a reprodução. Os enfermeiros alternam esses modelos a
partir de variáveis tais como: tempo de atuação na área, ambiente construído no trabalho e
identidade pessoal. A partir desses resultados, sugere-se que se estimulem atividades que
propiciem a integração da Faculdade de Enfermagem da UERJ com o HUPE, no
desenvolvimento de atividades que incorporem o trabalho como princípio educativo,
paralelamente à ações administrativas que estimulem a prática profissional ao processo de
Educação Continuada da equipe de Enfermagem, além de providências que dinamizem
processos coletivos de reflexão sobre a prática profissional do conjunto dos enfermeiros.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
221
Referências Bibliográficas:
SHÖN, Donald A . La Formacion de Professionales Reflexivos: hacia um nuevo diseño de la
enseñanza y el aprendizaje en las profissiones. Madri: Ministério de Educacion y Ciencia, 1992.
____________. El Professional Reflexivo. Como piensam los profesionales cuando actúam.
Barcelona: Paidós, 1998.
_____________. Educando o Profissional Reflexivo. Um Novo Design para o ensino e a
aprendizagem. Tradução: Roberto Cataldo Costa. Porto Alegre: Artmed, 2000.
PERRENOUD, Philippe; PAQUAY, Léopold; ALTET, Marguerite e CHARLIER, Évelyne.Tradução
Fátima Murad e Eunice Gruman. Formando Professores Profissionais. Quais estratégias? Quais
competências? Porto Alegre: Artmed, 2001a.
____________, Philippe. Ensinar: Agir na Urgência, Decidir na Incerteza. Porto Alegre: Artmed,
2001b.
___________, Philippe. Dez Novas Competências para Ensinar. Porto Alegre: Artmed. 2000c.
90. EDUCAÇÃO E CULTURA - INFLUENCIA NA ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL
ENFERMEIRO
Vládia Teles Moreira*
Maria Socorro Pereira Rodrigues**
Introdução: A percepção e a compreensão, assim como a forma de cada indivíduo orientar suas ações,
de viver e atuar no mundo, é entendida como cultura - valores, crenças, hábitos, costumes e idéias.
Assim como todas as dimensões sociais da vida humana, com regras que vêm caracterizar e sustentar a
sociedade, (Helman, 1994). O assistir envolve portanto, ações e atitudes de apoiar, capacitar e facilitar
o bem-estar do indivíduo, em suas condições humanas gerais, seja relacionado tanto a quem cuida,
quanto a quem é cuidado. O conceito de cuidar apoia-se, então nas ações, habilidades e atitudes no
cuidar, as quais envolvem valores culturais adquiridos ao longo das vivências e experiências de vida
de cada indivíduo. Nos próprios protocolos e rotinas, onde se pode perceber, muitas vezes,
determinações expressas que podem conduzir ao risco da supressão da espontaneidade, e até repercutir
nas relações pessoais e na qualidade e no respeito à dignidade do paciente, no que se refere a aspectos
psicossociais, ambientais e familiares, via de regra, está implícita a cultura do grupo ou comunidade,
pelo qual essas foram elaboradas, ou ao qual as mesmas se direcionam servir, possíveis de interferir na
qualidade da assistência de enfermagem. Enfermagem é conceituada por Leininger (1991), como, arte
e ciência humanística apreendida, centradas no processo de cuidar para a promoção e manutenção
da saúde, do bem-estar e, recuperação de enfermidades físicas, psicoculturais e sociais. Objetivo:
Identificar a influência dos fatores culturais envolvidos na prática dos cuidados que o enfermeiro
presta ao paciente hospitalizado. Metodologia: pesquisa do tipo descritiva com abordagem qualitativa,
com base na análise estrutural do discurso que, evidencia o desenvolvimento da gramática discursiva,
presente na analogia entre o texto e a frase; entre o pensamento e o gesto, a atitude, o comportamento,
capaz de permitir a captação dos fatos, questioná-los em suas dimensões, chegando à superação das
impressões imediatas ou aparentes, (Rifiotis, 1994). O local escolhido para a pesquisa foi a Unidade de
Terapia Intensiva de Adultos, de 26 leitos de um hospital público-municipal de nível terciário,
referência para o trauma, localizado na cidade de Fortaleza-Ceará. A população consta de enfermeiras
e os informantes foram selecionados dentre os que trabalham de 2ª a 6ª feira, em dias fixos, nos
períodos diurnos e noturnos. A coleta de dados, foi realizada através de entrevista e de observação do
*
Enfermeira Assistencial do IJF; Docente do Curso de Graduação em Enfermagem da Unifor; Mestranda em Enfermagem
Clínico-cirúrgica DENF/UFC. E-mail <[email protected]
**
Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Docente do Curso de Pós-graduação em Enfermagem UFC. E-mail
<[email protected]> End. Residencial: Rua Gustavo Sampaio, 1413, Apto. 603. Cep: 60.455-001 Fortaleza-Ce.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
222
tipo participante, com o auxílio de um diário de campo. Iniciada após ter recebido parecer favorável do
Comitê de Ética, respeitando-se os aspectos éticos previstos na Resolução 196 de 10/10/1996, que
trata de pesquisas com seres humanos. Os Resultados foram estabelecidos a partir da análise com base
no modelo simplificado de análise estrutural do discurso, proposto por Rifiotis (1994); Dooley &
Levinsohn, (2003), que engloba particularidades inerentes aos elementos textuais do discurso, com
base na contextualização da narrativa, na identificação do sujeito do estudo, e nas condições de
produção da narrativa. São destacados, a interconecção dos elementos textuais do discurso e a sua
repercussão no funcionamento do todo, a partir dos seguintes elementos da narrativa: dados pessoais
do emissor; dados inerentes ao pensar do emissor; signos/chaves do discurso e elementos contextuais,
pondo em confronto o quadro inicial e o quadro final do sujeito pesquisado. O primeiro, conforme a
seguir apresentado no Discurso de ÁGATA, mostra seu perfil, enquanto cuidadora de enfermagem,
conforme a influência dos seus padrões culturais, segundo a perspectiva da própria ÁGATA, e no
segundo, esse perfil vem apresentado com base no resultado da observação do sujeito pesquisado pelo
pesquisador. Quadro Inicial: [ÁGATA, enfermeira, 50 anos de idade, está casada há mais de 20 anos, há
18 trabalha na mesma UTI; diz que tem um bom relacionamento com o marido e com os 3 filhos que
são adolescentes. Refere que a importância da assistência ao paciente depende do significado que a
enfermeira dá a essa assistência; que seus valores educacionais, morais, éticos e religiosos influenciam
na qualidade do cuidado que oferece ao paciente e que, não expor o corpo do paciente durante os
cuidados, é uma forma de demonstrar respeito ao mesmo]. Quadro Final: [ÁGATA, enfermeira que há
18 anos trabalha em UTI. Estabelece relação entre valor pessoal e qualidade da assistência ao paciente,
no sentido de que um está na dependência do outro. Deixa bem perceptível, sua característica de
profissional tecnicista, ao realizar, com rigor técnico os procedimentos de enfermagem, e ao dar mais
atenção à máquina que ao paciente; autoritário, ao fazer continuamente determinações e por nenhum
momento, qualquer consulta ou pedido de sugestão, e burocrático, visto que mantém a pontualidade
dos registros, mesmo esquecendo de verbalizar qualquer palavra com o paciente, sujeito do cuidado.
Seu discurso, na primeira pessoa, demonstra egocentrismo considera seu próprio Eu como o centro
de interesse, sempre no centro da situação, exaltando suas qualidades pessoais de honestidade,
estudiosa, educada; e também, na sua atitude de dirigir-se à auxiliar de enfermagem ao fazer-lhe
solicitações de ajuda com o cuidado. Durante os cuidados não olha para a face do paciente, não
informa a esse qual o procedimento a ser realizado, não lhe faz qualquer gesto de atenção ou afago,
apenas mantém-se atenta aos sinais de comunicação da máquina]. A educação, religião, disciplina e
respeito são signos chaves que se sobressaem no discurso de ÁGATA, aspectos intrinsecamente
imiscuídos nos adereços do cuidado que oferece ao paciente. A atitude reflexiva sobre o fazer, envolve
um exercício de auto-avaliação sobre a forma, o porque e o como fazer, questionamentos esses
necessários ao exercício da arte da prática do cuidar, a qual precisa valorizar a vida humana, em toda
sua integridade. Também o profissional deve-se ver dessa natureza, susceptível ao sofrimento e ao
morrer, dependente de cuidados e com a obrigação de cuidar-se em toda sua integridade, individual e
socialmente, assumindo-se autonomamente, em sua materialidade e espiritualidade. A qualidade do
cuidado, deve ser compreendida a partir de indicadores centrados em aspectos político-filosóficos,
sócio-culturais e religiosos, científicos, tecnológicos e profissionais, articulados harmonicamente.
Precisa emergir necessariamente, do ser que pratica o cuidado, da manifestação de sua natureza,
enquanto essência e realidade. Tendo em mente que o amor, o prazer, a generosidade e a fraternidade,
são elementos constitutivos da essência da enfermagem, mesmo que em sua prática, as enfermeiras
norteiem-se pelo princípio do real e racional. O enfermeiro pode empregar as mais diversas formas de
cuidado a fim de ajudar o outro a manter a própria identidade para conservar a segurança e a
integridade do próprio ser e da própria liberdade; a obter a paz, a harmonia e a serenidade; mesmo em
meio a dor e a vulnerabilidade, Rodrigues (1997). A qualidade do cuidado, está intrínseca ao cuidador,
deve emergir do relacionamento desenvolvido com base de expressões de olhar, do estar perto, do
sentir a presença, do prestar atenção, do valorizar gestos, desejos, exteriorizados de várias formas.
Conclusões: as enfermeiras precisam aprofundar suas reflexões a respeito dos objetivos de suas ações,
atitudes e comportamentos, influenciados pela cultura, valores e filosofias de vida, envolvendo seus
entes do cuidado, em particular no que se refere ao paciente crítico. A cultura deve ser vista e
praticada, tanto a partir dos códigos e normas, visto que vive-se em sociedade, quanto ao que é
praticado no âmbito da vida cotidiana, integrado aos padrões sociais e institucionais, no que se inclui o
fator espiritual. É importante que o profissional esteja atento para envolver esse contexto nas suas
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
223
ações de cuidado junto ao paciente. Reciclar sempre seus valores, revitalizar suas ações e atitudes
profissionais, no sentido de voltá-las para o bem comum, para a realização dos objetivos da
assistência, envolvendo o ser cuidado e o cuidador, em sua eterna busca da perfeição do ser, no
constante exercício de liberdade, espontaneidade, desprendimento e criatividade.
Referências Bibliográficas:
RODRIGUES, M. S. P. Emfermagem: relação amorosa - uma abordagem hegeliana. Texto &
Contexto - Enfermagem. Florianópolis - S. C.: , v.6, n.n.3, p.259 - 270,1997.
HELMAN, C.G. Cultura, saúde e doença - Tradução por Eliane Mussimich. 2 ed. Porto Alegre: Artes
Médicas, 1994, p.309. Tradução de: Culture, health and iilness.
RIFIOTIS, T. Literatura oral. In: Aldeia dos Jovens: a passagem do mundo do parentesco ao universo
da política em sociedades banto-falantes. Estudo da dinâmica dos grupos etários através da literatura
oral 1994. Tese (Doutorado em Sociologia), Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas.
Universidade de São Paulo, São Paulo, 1994. Cap. 02, p 41-91.
LEINNIGER, M.M. Culture Care Diversity and Universality: a theory of nursing. New York: National
Legue for Nursing Press, 1991.
DOOLEY,R.A. & LEVINSOHN, S.H. Análise do discurso conceitos básicos em lingüística.
Petrópolis, RJ: vozes, 2003,221p.
92. A IMPLANTAÇÃO DO EXAME DE PREVENÇÃO DO CÂNCER CÉRVICO UTERINO
EM UM MUNICÍPIO A PARTIR DE UMA SITUAÇÃO DE CRISE NO ENSINO CLÍNICO
DA SAÚDE DA MULHER
Raquel Silva Assunção1
Introdução: O Curso de Graduação em Enfermagem da FUNEDI está situado em Divinópolis,
município Pólo da região Centro Oeste de Minas Gerais. A organização curricular divide as disciplinas
em conteúdos teóricos e práticos, considerando que a formação do Enfermeiro necessita do
embasamento teórico associado ao das técnicas de enfermagem, e de metodologias de ensino para a
prestação do cuidado ao usuário. As aulas práticas são realizadas nos laboratórios das áreas básicas e
de habilidades em Enfermagem, nas unidades de saúde das redes pública e hospitalar de Divinópolis e
dos municípios da região, mediante convênio previamente estabelecidos com estas unidades, e em
Instituições Sociais, como creches, asilos. No 1º semestre de 2004 o Curso tinha nos diversos períodos
disciplinas cujos conteúdos seriam dados em aulas teóricas e práticas. No 5º período adotamos como
modalidade de prática para as disciplinas Enfermagem na Saúde da Mulher e do Recém nascido e
Enfermagem na Saúde da Criança e do Adolescente o Ensino Clínico, na qual a turma é dividida em
grupos com no máximo 06 alunos, sendo que cada grupo fica sob a responsabilidade de um docente.
No planejamento das disciplinas o grupo de docentes define os campos de prática e as atividades de
forma que atendam às suas ementas. No 7º e 8º períodos a prática é desenvolvida por meio do Estágio
Curricular Supervisionado, onde o aluno fica na unidade de saúde sob a supervisão direta do
Enfermeiro, orientado pelo docente da Instituição. Assim, todas as disciplinas destes períodos estavam
organizadas de forma que as práticas de Ensino Clínico e Estágio Curricular Supervisionado
começassem no início do semestre, junto com as aulas teóricas. Porém, nove dias após o início do
semestre, o funcionalismo público de Divinópolis deflagrou uma greve cuja duração foi de 45 dias, o
que provocou uma mudança geral na organização das disciplinas, fazendo com que buscássemos
alternativas para as aulas práticas que seriam realizadas na rede pública. Como alternativa surgiu a
possibilidade de realizarmos estas aulas em um município que dista 37 km de Divinópolis e cuja rede
de serviços atendia à necessidade do Curso. Inicialmente fomos conhecer a rede de serviços de saúde
1
Enfermeira, Mestra, Docente da Disciplina Enfermagem na Saúde da Mulher e do Recém Nascido e Coordenadora do
Curso de Graduação em Enfermagem da UEMG/Fundação Educacional de Divinópolis/INESP [email protected].
Endereço: Rua Bahia, 389 apto 302. Centro. Divinpolis MG. CEP.: 35500.026. Telefone: (0xx37) 3221.6713/ 3229.3538.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
224
pública deste município e, posteriormente, estabelecemos uma negociação com os gestores, Prefeito
Municipal e Secretário Municipal de Saúde, e funcionários, Enfermeiros e Médicos, para a realização
desta prática. Os gestores do município aceitaram que o Curso de Enfermagem desenvolvesse esta
prática nas suas unidades, desde que o Curso permanecesse no município com um grupo de alunos
mesmo após o encerramento da greve do funcionalismo público de Divinópolis. A proposta foi aceita
e definimos que o grupo de alunos, juntamente com o docente, a permanecer neste município seria o
da Enfermagem na Saúde da Mulher e do Recém nascido, com atividades na área da prevenção do
câncer cérvico uterino. A definição desta área por parte do município se deu diante da necessidade de
implantar a coleta do preventivo do câncer cérvico uterino pelo Enfermeiro, atividade esta já
desenvolvida pelos Enfermeiros de Divinópolis, considerando as diversas tentativas feitas pelos
profissionais, impedidos pela mobilização da classe médica, e à baixa cobertura da população.
Objetivos: Implantar a coleta do exame de prevenção do câncer cérvico uterino pelo Enfermeiro no
município; capacitar os Enfermeiros conforme a necessidade dos profissionais; ampliar os campos de
prática do Curso; proporcionar ao aluno do Curso a oportunidade de conhecer uma realidade diferente
de Divinópolis em relação à atuação do Enfermeiro. Referencial teórico: O câncer de colo uterino tem
alta incidência no Brasil, com estimativas em torno de16.270 novos casos do útero, segundo o Instituto
Nacional de Câncer, e Mortalidade de 3.725 óbitos, em 2001. Sabe-se que o diagnóstico precoce pode
levar à cura em 100% dos casos, porém somente 30% das mulheres brasileiras submetem-se ao exame
citopatológico pelo menos três vezes na vida, o que resulta um diagnóstico já na fase avançada da
doença em 70% dos casos. O Ministério da Saúde, no Programa Nacional do Controle do Câncer de
Colo do Útero estabelece que a prevenção primária do câncer do colo do útero se dá através da
realização de sexo seguro, evitando-se o contágio com o HPV principal fator de risco para o
desenvolvimento da doença, e a secundária, resultante da detecção precoce da doença, é feita através
da realização do exame Papanicolaou. As células do tumor cérvico uterino foram identificadas em
1838, na Alemanha, por Müller, porém somente em 1939, após diversos estudos e enfrentando
resistências a seu trabalho, Papanicolau aplicou a técnica citológica ao diagnóstico do câncer. (Viana
et al, 2001). A adoção do exame citológico nos Estado Unidos levou à redução de mais de 70% da
mortalidade por carcinoma escamocelular nos últimos 40 anos. A coleta do exame de Papanicolau no
setor público é realizado tanto pelo médico quanto pelo enfermeiro. O Enfermeiro tem na Lei do
Exercício Profissional, Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986, a regulamentação para exercer esta
atividade, considerando que a consulta de enfermagem, prevista no artigo11, alínea i, é uma das ações
de assistência à saúde da mulher, onde o profissional faz, entre outras ações, a coleta do exame de
Papanicolau (Gerk, 2002). Metodologia: 1) Reunião com a Enfermeira e funcionários da unidade onde
seria realizado o Ensino Clínico e com a coordenadora do Programa de Saúde da Família PSF - do
município; 2) Definição das unidades de PSF onde seriam implantados a coleta do Preventivo do
câncer cérvico uterino; 3) Levantamento dos recursos materiais permanentes e de consumo para a
realização da atividade; 4) Reunião com os Enfermeiros e Médicos dos PSFs; 5) Realização do Ensino
Clínico; 6) Capacitação dos Enfermeiros na coleta do Preventivo do câncer cérvico uterino; 7)
Avaliação do processo de implantação da coleta do Preventivo do câncer cérvico uterino e do Ensino
Clínico; 8) Apresentação dos resultados para todos os atores envolvidos no processo. Resultados: A
coleta do Preventivo do câncer cérvico uterino pelo Enfermeiro, foi implantada em 04 das 07 unidades
do PSF deste município, ou seja, em mais de 50%, o que consideramos extremamente positivo. Além
deste dado, os alunos do Curso de Enfermagem realizaram 99 exames em 13 dias, o que correspondeu
a 22,47% de todos os exames colhidos na rede pública nos 3 primeiros meses do ano. Dos exames
colhidos foi-nos possível analisar e dar os devidos encaminhamentos à 31 resultados dos exames. Os
alunos elaboraram a ficha da mulher, onde são anotados os dados de relevância para a assistência à sua
saúde, trabalhos teóricos que irão dar suporte à organização desta atividade e uma proposta de projeto
de extensão para a educação em saúde para as mulheres do PSF vizinho à unidade no qual foi
realizado o Ensino Clínico, nos temas Prevenção de Câncer cérvico uterino e de mama, Planejamento
Familiar, Doenças Sexualmente Transmissíveis DSTs e AIDS. Conclusão: A realização do Ensino
Clínico em outro município gerou dificuldades como deslocamento dos alunos, aumentando o custo do
Curso e provocando desgaste físico nos alunos e docente, além da incerteza quanto à efetividade da
proposta de implantação da coleta do Preventivo do câncer cérvico uterino pelo Enfermeiro, o que
poderia provocar nosso retorno a Divinópolis. Porém, esta experiência nos proporcionou a
oportunidade de lidar com as adversidades, fazendo com que todos os envolvidos saíssem mais
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
225
maduros e realizados do processo. A aceitação da comunidade em relação à presença dos alunos e à
realização dos exames por eles foi o maior ganho obtido neste desafio, pois mostrou-nos que a
população está aberta a aceitar o novo desde que traga resultados para seus problemas e necessidades.
Referência bibliográfica:
ALVARENGA, R.J. de. Citologia cervicovaginal. In.: VIANA, L. C., MARTINS, M., GEBER, S.
Ginecologia. 2ª ed. Rio de Janeiro: MEDSI, 2001 cap. 8, p. 112 121.
BRASIL. www.inca.gov.br. Programa Nacional de Controle do Câncer do Colo de Útero e de Mama
Viva mulher.
GERK, M. A. DE S. Prática de Enfermagem na Assistência Ginecológica. In.: BARROS, S. M. O.,
MARIN, H. F., ABRÃO, A. C. F. V. Enfermagem Obstétrica e Ginecológica: guia para a prática
assistencial. São Paulo: Roca, 2002. p. Cap. 21. 429 470.
MINAS GERAIS. Conselho Regional de Enfermagem. Legislação e Normas. Belo Horizonte, 1997. p.
8
95. NOVA LÓGICA DA EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE PARA O SUS E O
DESENVOLVIMENTO DE UMA NOVA EDUCAÇÃO DE ENFERMAGEM
Carlos Roberto Fernandes1
A criação dos Pólos de Educação Permanente em Saúde (EPS) é estratégia para a condução
locorregional da Política Nacional de EPS para o SUS, instituída pela Portaria no. 198/GM/Ministério
da Saúde, em 13 de fevereiro de 2004. Com a metodologia da Roda de Gastão Wagner, o movimento
de que participei foi o da realização de Oficinas em Palmas, desde outubro de 2003 para a criação do
Pólo de EPS para o SUS no Tocantins. Docente de uma IES, membro do seu Núcleo de Saúde
Comunitária e participando das Oficinas como membro do Colegiado daquele Pólo, uma das minhas
ações foi criar estratégias nas disciplinas de Metodologia Científica, Enfermagem na Atenção
Primária, Didática e Introdução à Enfermagem, no Curso de Graduação em Enfermagem, para a
introdução do que vivencio ser a Nova Lógica da EPS para o SUS, considerando-se que uma das
discussões em todas as Rodas e Oficinas do Pólo é a fragilidade do conceito de EPS, agravada pela
fragmentação e desarticulação dos processos educativos. Meu objetivo neste trabalho é esclarecer a
Nova Lógica da EPS para o SUS, identificando as possíveis mudanças no ensino para uma Nova
Educação de Enfermagem; descrever as estratégias iniciais que desenvolvi nas disciplinas referidas;
analisar criticamente as mudanças experienciadas a partir da apresentação dos resultados. O material
utilizado, além dos documentos da Organização Panamericana de Saúde, da Organização Mundial de
Saúde e da Secretaria e do Departamento do Ministério da Saúde, é a bibliografia de Enfermagem e as
minhas experiências docentes numa IES nas disciplinas citadas. Trata-se de uma investigação
exploratória, crítico-reflexiva, cujo marco referencial é o da Educação Permanente em Saúde, junto a
alguns princípios conceptuais do Método da Roda ou Paidéia de Gastão Wagner de Sousa Campos, e o
marco estrutural ou metodológico, partindo da hermenêutica analítico-crítica. A investigação
exploratória desenvolveu-se de Fevereiro a Junho de 2004, quando assumi a docência nas disciplinas
de Metodologia e Introdução à Enfermagem no 1o. período, de Didática no 3o. período, de
Enfermagem na Atenção Primária na qual foi desenvolvido um Projeto metodológico-pedagógico de
minha autoria e por mim coordenado, no 4o. período - todas as disciplinas na Graduação em
Enfermagem. Resultado: Os conteúdos vigentes das disciplinas de Metodoogia Científica Aplicada à
Saúde, Enfermagem na Atenção Primária, Didática Aplicada à Enfermagem e Introdução à
Enfermagem foram totalmente modificados: apesar da inicial resistência discente e estranhamento dos
demais docentes, a modificação estrutural dos conteúdos promoveu uma ampla revisão e nova visão
de Enfermagem, da formação do espírito e da racionalidade científica de Enfermagem, de uma nova
concepção de estudo e de educação de Enfermagem. Em Introdução à Enfermagem, o conteúdo,
1
Enfermeiro, Mestre em Enfermagem, End. Rua Zircônio, 514/303
[email protected]
Bloco 1
Bairro Camargos
CEP 30520-170. E-mail:
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
226
partindo da obra de Florence Nightingale e de textos inéditos especialmente produzidos pelo autor e
docente sobre a condição e a situação socio-político-assistencial da Enfermagem no Brasil, lançou
bases para a ressignificação e recontextualização da mesma, permitindo o esclarecimento sistemático
sobre o fim da Enfermagem Moderna, periodizada, no Brasil entre 1922 e 1982 e o advento de uma
Nova Enfermagem - nomeada naqueles textos, discutidos em sala-de-aula, de "Ciência do Cuidado";
em Didática, mais de 60 alunos foram individualmente avaliados pela pesquisa e apresentação em
Seminário das idéias pedagógicas no mundo, desde a Grécia Antiga até a atual estratégia federal da
EPS; em Enfermagem na Atenção Primária houve a revisão de Metodologia Científica e o estudo do
SUS do Brasil com a inserção discente na Rede Municipal de Serviços de Saúde junto ao
desenvolvimento individual de Pré-Projetos de Pesquisa cujos objetos de estudo foram a realidade
sanitária regional e local; em Metodologia iniciou-se a construção e discussão de uma Metodologia de
Enfermagem, com a produção e avaliação individual dos discentes em trabalhos acadêmicos realizados
em dupla sobre as Escolas Filosóficas de Pensamento, suas concepções de método e influências no
processo pesquisante de Enfermagem. Conclusão: Os saberes e as práticas de Enfermagem centradas
na saúde e não na doença, no conhecimento de Enfermagem e não no conhecimento médico ou
biomédico, no cuidado de enfermagem e não estritamente no cuidado médico estruturam uma
específica Educação de Enfermagem consolidadora da identidade dos profissionais da área, permitindo
a formação e o desenvolvimento de saberes específicos, de pessoas e de Coletivos Organizados com
responsabilidade sanitária e, por isso, tanto garantem a inter, a multi e a transdisciplinaridade quanto
oferecem um novo modelo e paradigma de atenção à saúde e atenção aos agravos à saúde centrado na
Promoção da Saúde e na Qualidade de Vida das pessoas e das comunidades de pessoas; da introdução
do estudo e da pesquisa da EPS para o SUS disponibilizaram-se conteúdos e delinearam-se novas
práticas para a formação de consciência histórica e responsabilidade sanitária dos discentes pela
necessária revisão e discussão da história do povo brasileiro e da sua situação de saúde, de agravos e
fragilidades, de carências e sofrimentos históricos; utilizando-se para o estudo da Nova Lógica da EPS
para o SUS de uma bibliografia nacional de Enfermagem, particularmente dos Anais dos Congressos
Brasileiros, constituiu-se a possibilidade de consolidação de metodologias pedagógicas de áreas
específicas de "Metodologia de Enfermagem", "Didática de Enfermagem", "História de Enfermagem",
"Enfermagem Comunitária" e não Metodologia e Didática aplicada à Enfermagem ou História e/em/na
Enfermagem e não anexação ou absorção dos paradigmas da Medicina Social, da Medicina
Preventiva, da Medicina Comunitária; e, por fim, sem negligenciar as bases da inter-multi e
transdisciplinaridade nas práticas de cuidado à saúde e aos agravos à saúde, delinearam-se conteúdos
históricos ainda não sistematizados e consolidadores da Enfermagem como campo epistêmico especial
de uma Nova Enfermagem, apresentada (e discutida com os) aos Graduandos como "Ciência do
Cuidado" pela qual se dará a formação e o desenvolvimento de uma Nova Educação de Enfermagem
no Brasil.
Referências Bibliográficas:
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Organizacion Panamericana de La Salud-Organizacion Mundial de la Salud. 1994.
DAVINI, Maria C. Educación permanente en salud. Washington: Organizacion Panamericana de la
Salud-Organizacion Mundial de la Salud. 1995.
HADDAD, Jorge e PINEDA, Elia B. (Editores). Educacion Permanente de Personal de salud: la
gestión del trabajo-aprendizaje en los Servicios de Salud. Honduras: Organización Panamericana de la
Salud. 1997.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Política de Educação e Desenvolvimento para o SUS. Brasília: Ministério
da Saúde. 2003.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
227
98. APOIO NO PROCESSO DE INTERRUPÇÃO DO USO DO TABACO:
APROXIMAÇÃO DO ENSINO, DA PESQUISA E DA EXTENSÃO SUBSIDIANDO
MUDANÇAS EM CENÁRIOS PARA PRÁTICAS CURRICULARES
Cristina Arreguy-Sena1
Maria Inês Cabral2
Eloíza Augusta Gomes3
Sabrina Centellas4
Raquel Pacci Habirached5
Rosamary Aparecida Garcia Stuchi6
Introdução- O processo do cuidar é um traço humano universal, sendo vivenciado ao longo da história
dentro dos domicílios de maneira e com intensidade distintas entre os povos, dependendo do
significado do mesmo nas diversas culturas. A enfermagem, enquanto categoria profissional que
integra a equipe de saúde, possibilitou a modulação da concepção de cuidado como atividade laborai
que busca respaldo científico em áreas do saber. Como o consumo do tabaco é considerado um dos
maiores poluidores ambientais e o maior fator de risco para inúmeros estados de morbidade passíveis
de serem prevenidos foram implantadas políticas nas esferas municipais, estaduais e nacional com
vistas a estimular sua interrupção entre a população. Visando inserir abordagens que intensifiquem a
identificação de condutas terapêuticas capazes de intensificar a adesão para a interrupção do tabaco na
formação de futuros enfermeiros, em consonância com as atuais políticas, e considerando o papel de
autoridade que a população atribui aos profissionais que atuam na área de saúde e a necessidade de
instrumentalizá-los para intensificarem a adesão de seus clientes para atuações de promoção de saúde
e redução de danos nos propusemos a criar um projeto de extensão para atendimento de fumantes
passivos e ativos, onde a enfermagem pudesse exercitar atuações interdisciplinares de pesquisa e usar
tal cenário como locus para sua formação em consonância com as diretrizes da Resolução 272/2002.
Objetivos: Analisar a construção, a validação e a elaboração da sistematização da assistência na
modalidade de Consulta de enfermagem como suporte terapêutico para interrupção do uso passivo
e/ou ativo do tabaco e como estratégia para viabilizar cenário propício para o desenvolvimento de
práticas curriculares de assistência, ensino e pesquisa; descrever a construção, a validação e a
implementação de um instrumento destinado a coleta de dados, de uma lista dos principais problemas
de enfermagem identificados entre clientes fumantes passivos e/ou ativos e de um protocolo elaborado
para as principais abordagens terapêuticas recomendadas no processo de interrupção do consumo do
tabaco. Metodologia - Descrevemos nossa experiência no processo de construção da sistematização,
da validação e da implementação da consulta de enfermagem destinada a pessoas em uso passivo e/ou
ativo de tabaco atendidas numa instituição pública federal conveniada ao Sistema Único de Saúde.
Participaram docentes e discentes numa abordagem que integra o atendimento multidisciplinar, no
período de janeiro de 2002 a junho de 2004. Resultados: Tendo em vista que a tendência terapêutica
para subsidiar a interrupção do uso do tabaco está centrada numa intervenção multidisciplinar,
buscamos delinear nossa atuação, enquanto enfermeiro, com base na Resolução 272/2002 que
recomenda a utilização da sistematização da assistência de enfermagem como estratégia capaz de
nortear o processo de trabalho do enfermeiro. Para tanto, descrevemos as estratégias pedagógicas
usadas para construir um instrumento de coleta de dados segundo o referencial teórico de Dorothéia
Orem e o apresentamos. Demonstramos como a linha de raciocínio utilizada para identificar e definir o
problema de enfermagem (Diagnóstico de Enfermagem), segundo recomendações de Risner. Após
realizarmos a coleta de dados, aplicamos a linha de raciocínio capaz de permitir a identificação do
problema de enfermagem, ou seja, usamos da proposta de Risner para subsidiar o raciocínio clínico
1
Enfermeira Doutora e Professora Adjunto da Faculdade de Enfermagem da UFJF. Docente do Curso de
Residência de Enfermagem do HU-UFJF.
2
Enfermeira, Gerente do Serviço de Ambulatório do Hospital Universitário da UFJF
3
Enfermeira, Especialista em Ações Institucionais e Saúde Coletiva- Rua Olegário Maciel n°882 aptl6 Bairro Paineiras- Juiz
de Fora, Minas Gerais (Telefax): Oxx 32.32162532.
4
Enfermeira, Residente de Enfermagem em Saúde do Adulto pela Faculdade de Enfermagem da UFJF.
5
Académica de Enfermagem do Curso de Graduação em Enfermagem pela UFJF
6
Enfermeira, Doutora e Professora Adjunto das Faculdade Integradas de Diamantina
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
228
que nos permitiu a explicitação da situação que o enfermeiro possui respaldo legal para intervir
terapeuticamente. Nomeamos os problemas de enfermagem a partir da aplicação da taxonomia da
NANDA (2002). A apresentamos os protocolos com intervenções terapêuticas elaborados para cada
diagnóstico de enfermagem com base nas diretrizes nacionais e internacionais para interrupção do uso
do tabaco. Para favorecer a uniformização de condutas terapêuticas a serem usadas durante a consulta
de enfermagem, elaboramos protocolos de abordagem para cada consulta a ser realizada, com vistas à
promoção da saúde e ao favorecimento da interrupção do hábito de fumar. Para fins didáticos
estabelecemos que para cada consulta deveria existir uma abordagem central e informações
indispensáveis a serem desenvolvidas juntamente com o cliente. Dentre as abordagens cada consulta
podemos destacar: 1) identificação dos benefícios e as razões para se interromper o hábito de fumar; 2)
asjustificativas que poderiam subsidiar a crenças de que o tabaco é um droga de adição; 3) a definição
de uma data para iniciar a interrupção do tabagismo; 4) os motivos que levaram ao insucessos do
cliente em suas tentativas anteriores de parar de fumar; 5) formas de enfrentamento do estresse; 6)
formas de enfrentamento da síndrome de abstinência, dentre outras. Considerações finais: A estrutura
metodológica utilizada viabilizou um norteamento indispensável à elaboração da consulta de
enfermagem, norteando ações a serem orientadas e consolidando informações de fundamental
importância no processo de incentiva à mudança de comportamento diante do hábito de fumar. A
conciliação de atividades de extensão e ensino (graduação e pós-graduação) mostrou-se eficaz na
medida em que proporcionou a atuação num cenário real, a permuta de experiência entre as pessoas
envolvidas e viabilizou cenário para o desenvolvimento de práticas curriculares. As atividades de
interrupção do tabaco desenvolvidas pela enfermagem integram uma atuação interdisciplinar na qual a
enfermagem adquiriu visibilidade junto a equipe multidisciplinar e o cenário mostrou-se um locus
capaz de permitir a integração de atuações de enfermeiros, graduandos e pós - graduandos de
enfermagem em atividades complementares, onde a permuta de experiência e vivência constitui a base
para uma integração da realidade laborai e a formação profissional.
Referências Bibliográficas
FAGESTRÕM, K.O. Measuring degree of physu]ucak dependence to tobacco smoling with reference
to individualization of treatment.. Addic behav, 1979, vol.3:p.235-41.
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ajuda?, 1999, 18p.
LARANJEIRA, R., PILLON, S., DUNN, J. Environmental tobacco smoke exposure among nonsmoling waiters: measurement of expired carbon monoxide leveis. São Paulo. Med. J. Rev. Paul Med,
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MION-Jr, D.; NOBRE, F.. Risco Cardiovascular global: Convencendo o paciente a reduzir o
risco. São Paulo: Lemos Editorial. 2002, p. 13 8-160.
Revista Brasileira de Educação Médica. Associação Brasileira de Educação Médica. V.27, n° 3.
Rio de Janeiro. Set. / dez 2003. Pesquisa: O tabagismo e a formação médica. Pág. 177-183. Elaine
Cristina Martin, Alfredo Cataldo Neto e José Miguel Chatkin.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
229
100. EDUCAR EM ENFERMAGEM: O JOGO DE FORÇAS NA RELAÇÃO PEDAGÓGICA
Kenya Schmidt Reibnitz1
Marta Lenise do Prado2
Francine Lima Gelbcke3
Este texto, construído a partir da pesquisa4, teve como objetivo compreender como se manifesta o
espaço intercessor na relação pedagógica. O espaço interseçor apresentado por Merhy (2002) no
sistema de saúde, designa o espaço de relação que se produz no encontro dos sujeitos, o qual é mais
que a somatória dos dois, mas um espaço singular, constituído pelo encontro dos dois em ato, não
tendo existência sem este momento em processo, no qual os inter se colocam como instituíntes em
busca de um processo próprio[...] (MERHY, 1997, p. 132). O mesmo constatamos no trabalho educar,
pois na relação pedagógica existe um espaço interseçor entre professor-aluno, que é único e se traduz
no trabalho vivo em ato e que se desenvolve numa determinada realidade, única em cada processo.
Relação professor-aluno entendida como processo, um conjunto de pessoas em interatividade, que
trazem consigo características pessoais e sociais além dos objetivos institucionais. Esta pesquisa
consistiu num estudo de caso de caráter qualitativo, foi desenvolvida junto ao Curso de Graduação em
Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina. O cenário envolveu o ambiente em que a
cena se processou e seus atores - professores e alunos. A cena configurou-se no desenvolvimento de
cada aula observada (sala de aula e campos de prática). Os dados foram obtidos mediante observação
não participante, registrados em Diário de Campo, com análise dos registros pautada no referencial
teórico de Merhy (2002). As cenas observadas em salas de aula, apresentaram-se geralmente,
conforme o padrão tradicional, propiciando a formação das turmas da frente e de trás, instituindo
rótulos aos alunos, quando o fato de estar na fila de trás poderia traduzir a divisão entre o lado da
norma e o lado da transgressão, transgressão entendida como uma reação ao instituído, como um ruído
no qual o professor precisa estar atento favorecendo linhas de fuga, brechas e quebras e muitas vezes
gerando novos procedimentos. Com relação aos atores, percebemos em muitos momentos que esta
relação se deu no contexto dos próprios alunos, sendo importante que se considere que estes alunos
podem exercer um controle mútuo; percebemos que o colega de classe assim como o professor, é
alguém ao mesmo tempo desejado e temido. Nesta pesquisa, categorizamos como manifestação de
jogo de forças no processo pedagógico, as capturas do instituído, os ruídos e as linhas de fuga. Este
jogo de forças presente no trabalho vivo em ato, é uma das formas de expressão das tensões entre o
instituído e o instituínte, manifestando um confronto entre controle e liberdade. Na identificação das
capturas do instituído houve a preocupação em destacar as manifestações de aprisionamento às
normas , provocadas pelos professores e alunos. Inicialmente foram identificados 274 códigos, que
após agrupamento por semelhança, ficaram 106. Dentre estes 106 códigos, 41 foram provocados
pelos alunos, 65 pelos professores, incluindo aqui as manifestações dos enfermeiros assistenciais
envolvidos no cenário das disciplinas teórico-práticas. Os indicadores que traduziram as capturas do
instituído na relação pedagógica foram: Relacionados aos professores e alunos: Cumprindo ritual,
Manifestando interesse, Avaliando, Ofertando cardápio; Relacionados apenas aos professores: Tendo
sutileza, Orientando quando o trabalho vivo se mostra aprisionado às normas instituídas, ou seja, às
configurações tecnológicas dos processos de trabalho, comandada pelos saberes estruturados, pelas
normas, pelas máquinas, pelos procedimentos, entre outros, os atores percebem que precisam mudar,
mas não conseguem agir por força do instituído. É importante destacar que durante a observação do
processo foi possível identificar que em alguns momentos esta captura do instituído se apresentou de
1
Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Docente do Departamento de Enfermagem e Vice-diretora do Centro de Ciências da
Saúde/UFSC. End: Rua Nivaldo Alfredo Silva, 451. Ingleses/Florianópolis-SC. CEP. 88058-250
Email: [email protected]
2
Enfermeira. Doutora em Filosofia da Enfermagem. Vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e
docente do Departamento de Enfermagem da UFSC. Email: [email protected]
3
Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Diretora do Hospital Universitário e docente do Departamento de Enfermagem da
UFSC. Email: [email protected]
4
Texto extraído de: Profissional Crítico-Criativa em Enfermagem:a construção do espaço interseçor na relação pedagógica
de autoria de Kenya Schmidt Reibnitz, orientado por Marta Lenise do Prado e Francine Lima Gelbcke
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
230
maneira positiva, como o próprio Merhy (2002) coloca ao destacar que a captura do instituído não
pode ser encarada como algo ruim, mas como algo necessário para a mobilização do trabalho vivo.
Por mais que o professor se contamine com a possibilidade do trabalho vivo em ato o que lhe
proporciona uma certa leveza ao agir, sempre terá regras institucionais e pessoais que lhe orientarão.
Nesta dinâmica, o professor pode não ser totalmente capturado pelas normas institucionais e pelo
saber tecnológico definido, pois esta captura também é disputada pelos alunos presentes neste
processo, podendo prevalecer o lado mais duro (captura do instituído) sobre o mais leve (MERHY
et al, 2002). Quando o instituído se manifesta, tanto pelo professor, quanto pelo aluno, ressalta a
predominância do trabalho morto sobre o trabalho vivo. Entretanto, em alguns momentos esta captura
é necessária para o equilíbrio da ação pedagógica e sua presença denota o jogo de forças necessário no
processo pedagógico, pois não podemos esquecer que é neste movimento, neste jogo de forças, que o
processo se estabelece como possibilidade de mudança do instituído, ou seja, como trabalho vivo em
ato. Quanto aos ruídos, inicialmente foram identificados 153 códigos, que após agrupamento por
semelhança, ficaram em 50. Dentre estes, 4 foram provenientes do cenário, 35 provocados pelos
alunos, 9 pelos professores. Identificamos que alguns indicadores surgiam como propulsores do ruído,
os quais apareceram: relacionados ao cenário tendo dispersão; relacionados aos alunos e professores
demonstrando desinteresse; relacionados apenas aos alunos - utilizando expressões não verbais,
demonstrando cansaço e manifestando descontentamento; relacionados apenas aos professores
demonstrando despreparo. Ruído neste estudo tem uma conotação importante, pois ele rompe com a
inércia da relação pedagógica traduzida pelas manifestações de insatisfação com o que está ocorrendo
no espaço interseçor. Do ponto de vista pedagógico, o ruído pode ser considerado como algo positivo,
pois aponta a inadequabilidade da ação, como um alerta para alterar o instituído. Precisamos mudar o
conceito linear de ruído estabelecido pelo processo de comunicação tradicional, definido como algo
que prejudica o processo, algo ruim para se alcançar o objetivo . Este precisa ser compreendido como
um processo dialético e dinâmico, pois ao mesmo tempo em que pode vir a prejudicar a eficiência do
processo comunicativo, aponta para linhas de fuga, brechas e quebras que indicam a necessidade de
um novo processo, favorecendo a criativodade. Assim, para a identificação dos ruídos preocupamonos em destacar as manifestações de insatisfação na ação pedagógica, podendo ser expressa de
forma verbal ou não verbal. As expressões não verbais identificam como o gesto, a voz ou a
fisionomia revelam ou denotam a intensidade de um sentimento ou de um estado moral (FERREIRA,
1986, p.744). Quanto às linhas de fuga, na sistematização dos dados, identificamos inicialmente 190
códigos: após o agrupamento por semelhança, ficamos com 92, dos quais 44 foram gerados pelos
alunos e 52 pelos professores. De modo geral, podemos inferir que neste espaço interseçor há um
movimento constante, ora por parte do professor, ora pelo aluno, permitindo que no mínimo, ocorra
liberdade de expressão. Como podemos analisar, os indicadores se concentram nesta mútua relação
professor-aluno, contudo, alguns foram percebidos somente como manifestações dos alunos ou dos
professores. Desta forma, neste cenário estudado percebemos, alguns indicadores de geração de linhas
de fuga: Relacionados aos alunos e professores: estimulando, questionando, manifestando opinião,
negociando, justificando e tendo sensibilidade; Relacionados aos alunos: reclamando e tendo
iniciativa; Relacionados aos professores: contextualizando. Esta é mais uma peça da dinâmica das
relações que manifesta possibilidades de alterar aquilo que está instituído, identificado a partir dos
ruídos.No processo de trabalho educar, traduzido pelo trabalho vivo em ato, as possibilidades tanto do
professor como do aluno, apresentam-se como potências para o agir e para tanto é necessário a
abertura de fissuras no processo instituído para poder construir linhas de fuga destes mesmos ruídos.
As linhas de fuga indicam que o ruído foi percebido e propõe linhas de ação, que são possibilidades e
estão sujeitas ao acerto e erro e, podem apresentar-se de várias maneiras. Contudo, o instituído muitas
vezes ocupa o lugar de vigia das linhas de fuga evitando que elas se manifestem como
transgressões , podendo traduzir uma tentativa de captura do instituído quando sustenta o
reconhecimento de situações e saberes já estruturados, constituindo linhas de fuga que paralisam a
possibilidade de transformação.A geração de linhas de fuga favorece o pensamento lateral e pode ser
um indicativo do processo criativo; podemos inventá-las para movimentar o curso da vida, ou seja,
para manter acesa a chama da mudança, da inventividade...
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
231
Referências Bibliográficas:
FERREIRA, Aurélio B. de H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 1986.
MERHY, Emerson Elias. O SUS e um dos seus dilemas: mudar a gestão e a lógica do processo de
trabalho em saúde (um ensaio sobre a micropolítica do trabalho vivo). In: FLEURY, Sonia (Org.).
Saúde e democracia: a luta do CEBES. São Paulo: Lemos Editorial, 1997. p.125-142.
______. Saúde a cartografia do trabalho vivo. São Paulo: Hucitec. 2002.
MERHY, Emerson Elias, ONOCKO, Rosana (orgs.) Agir em saúde: um desafio para o público. 2. ed.
São Paulo: Hucitec. 2002.
MERHY, Emerson Elias et al. Em busca das ferramentas analisadoras das tecnologias em saúde: a
informação e o dia a dia de um serviço, interrogando e gerindo o trabalho em saúde. In: MERHY,
Emerson Elias, ONOCKO, Rosana (orgs.) Agir em saúde: um desafio para o público. 2. ed. São Paulo:
Hucitec. 2002. p. 113-160.
102. A INTERDISCIPLINARIDADE NO PRÉ-NATAL
Cândida Caniçali Primo1
Lucienne Venturim Caldas2
Mariana Rabello Laignier3
Silvana Guasti Almeida4
Rita de Cássia Moreira de Almeida Teixeira5
Elizabeth Regina de Araújo Oliveira6
Na história da saúde pública, a atenção materno-infantil tem sido reconhecida como prioritária. No
Brasil, a introdução do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM) no ano de 1983
ampliou o elenco de ações de saúde destinadas à parcela feminina da população, destacando a atenção
ao pré-natal pelo seu impacto e transcendência no resultado perinatal (BRASIL, 2002). A gravidez,
apesar de ser processo fisiológico, produz modificações no organismo materno que o colocam no
limite do patológico. Desse modo, se a gestante não for adequadamente acompanhada, notadamente
quando já existe a superposição de estados patológicos prévios, o processo reprodutivo transforma-se
em situação de alto risco tanto para a mãe quanto para o feto. No Brasil, no ano de 1999, a razão
declarada de mortalidade materna foi de 55,8 óbitos por 100.000 nascidos vivos, enquanto no Espírito
Santo encontramos uma taxa de 42,8 óbitos por 100.000 nascidos vivos, sendo que a mortalidade
perinatal ainda persiste como a principal responsável pelas taxas de mortalidade infantil ainda
observadas no país. Ciente da importância da atenção pré-natal no resultado perinatal e na redução das
taxas de mortalidade materna, o Ministério da Saúde lançou no ano de 2000 o Programa Nacional de
Humanização no Pré-Natal e Nascimento, propondo assim critérios marcadores de desempenho e
qualidade da assistência pré-natal, além de disponibilizar incentivos financeiros aos municípios que
aderirem a este programa. A principal estratégia do Programa de Humanização no Pré-natal e
1
Enfermeira, especialista em Enfermagem em Saúde Pública pela UFMG/MG, especialização em Educação Profissional na
Área da Saúde pela UFES/ES e mestranda do Programa de Pós-graduação em Atenção a Saúde Coletiva da UFES.
2
Cirurgiã dentista, especialista em odontopediatria pela UFRJ/RJ e mestranda do Programa de Pós-graduação em Atenção a
Saúde Coletiva da UFES.
3
Enfermeira, especialização em Educação Profissional na Área da Saúde pela UFES/ES e mestranda do Programa de Pósgraduação em Atenção a Saúde Coletiva da UFES.
4
Médica pediatra, especialista em Gerência em Saúde pela FGV/RJ e mestranda do Programa de Pós-graduação em Atenção
a Saúde Coletiva da UFES.
5
Médica sanitarista pela USP/SP, especialista em Homeopatia pela Associação Médica Homeopática do ES, especialista em
Medicina do Trabalho pela EMESCAM/ES e mestranda do Programa de Pós-graduação em Atenção a Saúde Coletiva da
UFES.
6
Enfermeira, doutora em Enfermagem pela USP/SP, docente do Curso de Graduação em Enfermagem e do Programa de Pósgraduação em Atenção a Saúde
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
232
Nascimento é assegurar a melhoria do acesso, da cobertura e da qualidade do acompanhamento prénatal, da assistência ao parto e puerpério às gestantes e ao recém-nascido, na perspectiva dos direitos
de cidadania (BRASIL, 2001). O Programa fundamenta-se no direito à humanização da assistência
obstétrica e neonatal como condição primeira para o adequado acompanhamento do pré-natal, parto e
do puerpério. A norma de pré-natal elaborada pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2002) deve ser
adaptada às condições locais, garantindo o atendimento integral e os requisitos básicos para promoção
do parto normal sem complicações e prevenção das principais afecções perinatais. Na assistência prénatal os profissionais devem acolher a mulher desde o início de sua gravidez, período de mudanças
físicas e emocionais, que cada gestante vivencia de forma distinta. Essas transformações podem gerar
medos, dúvidas, angústias, fantasias ou simplesmente a curiosidade de saber o que acontece no interior
de seu corpo. Em geral, a consulta de pré-natal envolve procedimentos bastante simples, podendo o
profissional de saúde dedicar-se a escutar as demandas da usuária, transmitindo nesse momento o
apoio e a confiança necessárias para que a mulher se fortaleça e possa conduzir com mais autonomia
sua gestação e o parto. Informações sobre as diferentes vivências devem ser trocadas entre as mulheres
e os profissionais de saúde. Essa possibilidade de intercâmbio de experiências e conhecimentos é
considerada a melhor forma de promover a compreensão do processo de gestação. Entre as diferentes
formas de realização do trabalho educativo, o Ministério da Saúde sugere as discussões em grupo, as
dramatizações e outras dinâmicas que facilitam a fala e a troca de experiências entre os componentes
do grupo. Estas atividades podem ocorrer dentro ou fora da unidade de saúde. O profissional de saúde,
atuando como facilitador, deve evitar o estilo palestra, pouco produtiva, que ofusca questões
subjacentes, na maioria das vezes mais importantes para as pessoas presentes do que um roteiro préestabelecido. A equipe deve estar preparada para o trabalho educativo. Apesar de todas as orientações
e normas do Ministério da Saúde para humanizar e melhorar a qualidade da assistência à saúde através
de abordagens multiprofissionais, com atuação de médicos, enfermeiros, odontólogos, nutricionistas e
as vezes de fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais e terapeutas ocupacionais percebe-se que os
profissionais de saúde continuam trabalhando de forma fragmentada e descontínua. Além disso, as
atividades assistenciais e educativas propostas na norma técnica do Ministério da Saúde não se
mostram efetivamente dinâmicas, continuam sendo trabalhadas através de palestras e consultas
individuais, pois as equipes de saúde não possuem preparação técnica para desenvolver as atividades
em grupo com abordagem interdisciplinar. Parte dessa dificuldade pode ser explicada pelas formações
disciplinares, paradigmas de pensamento profissional e abordagens metodológicas diferentes e até
conflitivas entre si, a interação entre todas essas pessoas nem sempre é fácil. Além disso, a formação
acadêmica existente não dá condições ao desenvolvimento da capacidade de trabalhar em equipes.
Resultando em uma grande resistência, traduzida como descrença ou desestímulo a um trabalho
integrado e interdisciplinar (NUNES, 2002). Segundo Japiassu (1976), para uma equipe de trabalho se
constituir em uma equipe interdisciplinar precisa que cada trabalhador especialista seja capaz de fazer
uma exposição de suas atividades e de ter uma melhor consciência dos limites e das contribuições que
sua especialidade pode oferecer para a consolidação de um programa de trabalho verdadeiramente
interdisciplinar voltado para uma assistência integral e que se preocupe com as questões de saúde do
homem na sociedade. É necessário que o setor saúde esteja aberto para as mudanças sociais e cumpra
de maneira mais ampla o seu papel de educador e promotor da saúde. Segundo Nina (1995), para que
um grupo evolua para o nível interdisciplinar é necessário a diminuição das ansiedades diante do
novo e do sentimento de pertença a determinada categoria profissional. Além disso, há necessidade
de um coordenador para os processos grupais, que dê atenção aos fatores implícitos e ao
desenvolvimento da comunicação, afetividade, aprendizagem e colaboração entre os integrantes do
grupo. Desta forma torna-se fundamental o encontro regular entre os integrantes e coordenação, para
possibilitar o convívio, planejamento das ações e as trocas de experiências. Pensando no exposto
acima, como adequar essas orientações ao cotidiano dos serviços de saúde, na medida em que as
atividades desenvolvidas nos serviços são marcadas pela exigência de produtividade e de resposta
imediata às demandas diárias? Ao mesmo tempo em que os programas formulados pelo Ministério da
Saúde conclamam ações de saúde voltadas para a cobertura de todos os aspectos humanos, para que
seja assegurado um atendimento centrado nas necessidades de cada indivíduo, as exigências
profissionais do serviço dificultam o desenvolvimento dessas atividades gerando insatisfação e
desânimo. Antes de tudo, os profissionais precisam estar em contato, promoverem discussões e
questionamentos a cerca de sua prática e das necessidades dos usuários dos serviços, o que não é
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
233
possível frente a sua demanda de trabalho. A interdisciplinaridade deve se construir no cotidiano dos
serviços, no aprendizado mútuo das trocas de conhecimentos, para que se viabilize na prática o que
teoricamente já está sedimentado. Para atingir o nível de interdisciplinaridade será necessário, como
acentua Japiassu (1976), que cada um esteja impregnado de um espírito epistemológico
suficientemente amplo, para que possa observar as relações de sua disciplina com as demais, sem
negligenciar o terreno de sua especialidade . Observamos que podemos desenvolver um trabalho mais
integrado, com resolutividade, critérios e respeito se tivermos consciência de que todos os
profissionais são capazes, independente de sua formação técnica científica pois o que importa é
trabalhar de maneira integrada com cumplicidade, aceitando as diferenças de cada um, as opiniões
diversas e realmente buscando desenvolver um trabalho interdisciplinar (NUNES, 2002). No contexto
da assistência integral à saúde da mulher, a assistência pré-natal deve ser organizada para atender às
reais necessidades da população de gestantes, através da utilização dos conhecimentos técnicocientíficos existentes e dos meios e recursos disponíveis mais adequados para cada caso. Assim, a
assistência pré-natal torna-se um momento privilegiado para discutir e esclarecer as diversas questões
que envolvem uma gravidez, no que se refere aos aspectos sócio-econômico, psicológico, biológico,
espiritual, cultural e que são únicos para cada mulher e sua família. Um diálogo franco, a sensibilidade
e a capacidade de percepção de quem acompanha o pré-natal são condições básicas para que o saber
em saúde seja colocado à disposição da mulher e de sua família de forma integral e interdisciplinar.
Referências Bibliográficas:
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Ministério da Saúde, 2002.
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gestores e técnicos. Brasília: Ministério da Saúde, 2001.
JAPIASSÚ, H. Interdisciplinaridade e Patologia do Saber. Rio de Janeiro: Imago, 1976.
NINA, M.D. A equipe de trabalho interdisciplinar no âmbito hospitalar. In: Oliveira, M.F.P.; Ismael,
S.M.C.(orgs.). Rumos da Psicologia Hospitalar em Cardiologia. Campinas: Papirus, 1995.
NUNES, E. D. Interdisciplinaridade: conjugar saberes. Saúde em Debate, Rio de Janeiro, v. 26, n. 62,
p. 149-258, set./dez. 2002.
104. PROPONDO TEMAS E EXPERIÊNCIAS DE APRENDIZAGEM PARA A PROMOÇÃO
DA SAÚDE FAMILIAL E PREVENÇÃO DA VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR NO CURSO
DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM
Dalva Irany Grüdtner1
Ingrid Elsen2
Em nosso grupo de pesquisa GAPEFAM - grupo de assistência, pesquisa e educação na área da saúde
da família - vimos há alguns anos procurando identificar as ações específicas de Enfermagem frente à
violência. Nossas pesquisas têm identificado pelo menos três tipos de reações dos enfermeiros: o
enfermeiro que não enxerga a violência, ou seja, tem uma venda nos olhos ; o enfermeiro que se
encontra aprisionado a certas crenças, ou experiências passadas que o impedem de abordar o
fenômeno em sua prática profissional, e o enfermeiro envolvido científica e eticamente, isto é, o
desejoso de aprender e compreender a violência na família, descobrindo espaços para sua atuação.
Junto aos estudantes os achados mostram que embora eles não tenham muitas vezes tido suporte para
atuar, eles se mostraram interessados em ampliar seus conhecimentos e práticas sobre a prevenção da
1
Mestre em Enfermagem, Doutoranda em Enfermagem, Saúde e Sociedade pela PEN/UFSC. Docente do Curso de
Graduação em Enfermagem da UFSC. Membro do GAPEFAM Grupo de Assistência, Pesquisa e Educação na Área da
Saúde da Família. R: Lauro Linhares, 1288, Bl 2, Apto. 302. CEP 88036 001. Florianópolis, SC; e-mail
[email protected].
2
Doutora em Ciências da Enfermagem pela University of California - São Francisco - USA. Fundadora do GAPEFAM.
Docente Colaboradora da PEN/UFSC e do Mestrado em Saúde Univali SC
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
234
violência na família ( GRÜDTNER, Dalva Irany; ELSEN Ingrid; RODRIGUES, Pabline, 2001). A
saúde da família pode ser abordada sob distintos aspectos de acordo com a visão de mundo de quem a
está definindo. Para alguns a saúde familial está presente quando seus integrantes estão saudáveis,
enquanto para outros ela está relacionada com a presença ou ausência de psicopatologias. Já os
teóricos do desenvolvimento humano apregoam que a saúde familial consiste em cumprir as tarefas do
desenvolvimento no tempo apropriado. Para os interacionistas a família saudável é aquela que
compartilha símbolos e significados e mantém canais de comunicação abertos, apresentando
flexibilidade nas interações intra e extrafamiliares. A saúde de uma família encontra-se afetada na
presença da violência intrafamiliar entendida como todas as formas de abuso de poder que se
desenvolvem nos contextos das relações familiares e que ocasionam diversos níveis de danos às
vítimas que são as meninas, meninos, mulheres e idosos. Tem duas vertentes, uma baseada no gênero
e a outra intergeracional (Corsi, 2003, p. 18). A violência é um tema amplo e polêmico que tem
estado mais presente do que desejávamos em quase todas as esferas do cotidiano das pessoas. De
acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde é um fenômeno que guarda estreita relação com o
setor saúde porque, independente do aspecto em que é considerada, ela acaba afetando a saúde e a vida
das pessoas, deixando seqüelas físicas e invisíveis perniciosas. Assim, alguns estudiosos como
Deslandes (2002, p. 163), demonstram que os serviços básicos de saúde, podem atuar como
importantes aliados na prevenção da violência doméstica contra crianças, adolescentes e mulheres,
seja no pré-natal, no atendimento pediátrico e de ginecologia, seja nas atividades dos agentes de saúde,
nos grupos comunitários de saúde e nos programas de saúde da família. Assim, embora sendo a
violência um fenômeno social, é também objeto do setor saúde no sentido de elaborar estratégias de
prevenção e promoção a saúde, buscando ultrapassar seu papel apenas curativo, ampliando o conceito
de bem-estar individual e coletivo (Minayo e Souza, 2003). O Curso de Graduação em Enfermagem da
Universidade Federal Santa Catarina, ao longo de seus 35 anos tem buscado formar um enfermeiro
profissional técnico e politicamente competente. No momento de implantar as Diretrizes Curriculares
Nacionais reconhece a importância da temática e sente a necessidade de discutir sua inclusão no
Projeto Político Pedagógico em construção. Neste trabalho as autoras apresentam uma proposta de
inclusão de conteúdos e práticas de promoção de saúde familial e de prevenção de violência
intrafamiliar a ser desenvolvida ao longo do curso, de maneira articulada e progressiva nas disciplinas
formais. O referencial teórico escolhido para guiar o trabalho foi o interacionismo simbólico,
especialmente em seus conceitos: sociedade, família, interação e papel e os pressupostos sobre o
fenômeno da violência intrafamiliar de Azevedo e Guerra (1998) e do Centro Crescer sem Violência,
conforme se segue: as violências devem ser compreendidas como históricas e socialmente construídas;
a violência doméstica contra crianças e adolescente é um fenômeno universal e endêmico, ou seja,
ocorre em qualquer etnia, classe social ou religião; a violência doméstica é assunto no qual toda a
família está envolvida e, portanto, não é suficiente lidar com o problema individualmente junto à
vítima e/ou agressor; a criança e o adolescente são seres em formação, com necessidades específicas,
que precisam de acompanhamento constante e afetuoso para um desenvolvimento saudável; é
necessário entender o fenômeno da violência doméstica a fim de poder vislumbrar alternativas para
uma ação profissional profundamente comprometida com a transformação da realidade social; os
profissionais envolvidos necessitam ser competentes, comprometidos e defensores da causa da
criança; é necessário que o profissional que trabalha diretamente com a violência doméstica esteja
consciente de suas dificuldades emocionais, preconceitos e valores morais, para que os mesmos não
interfiram em sua postura e atuação diante do caso atendido; a intervenção no fenômeno é um
processo, ou seja, um complexo de ações interligadas que se prolongam no tempo e cujo compromisso
básico é o da interrupção do ciclo da violência doméstica e, uma vez que a ação de prevenção da
violência é uma tarefa coletiva deve envolver, além da equipe interdisciplinar, vários setores do
governo e da sociedade. Como eixo norteador da proposta foi utilizado o ciclo vital do ser humano
bem como a trajetória de vida da família, adotados na Enfermagem. Foram selecionadas as áreas da
saúde da criança, adolescente, mulher, idoso e comunidade. Em cada uma delas identificou-se temas a
serem abordados visando a promoção da saúde familial, a prevenção primária, secundária e terciária
da violência, bem como experiências de aprendizagem a serem desenvolvidas pelos acadêmicos.
Como exemplo, identificou-se os temas a serem abordados na área da saúde da criança: o incentivo ao
fortalecimento dos vínculos afetivos entre a criança e pessoas significativas; o reconhecimento dos
direitos da criança e os compromissos e responsabilidade da família/responsável. Entre as experiências
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
235
de aprendizagem a serem incluídas na prática do discente constam: o oportunizar ou incentivar
momentos de troca de afeto para a criança se sentir amada, valorizada e integrante da família e a
orientação desta sobre os direitos da criança e do adolescente como seres humanos em
desenvolvimento e sujeitos de direitos sociais, garantidos pela Constituição. Entendemos que esta
proposta de articulação teoria e prática, inserida nas disciplinas formais e não descolada da realidade
da aprendizagem vai ao encontro da necessidade dos estudantes, preparando assim, profissionais
capazes de delinear ações específicas de Enfermagem e de atuar de maneira interdisciplinar.
Referências Bibliográficas:
AZEVEDO, Maria Amélia de GUERRA, Viviane Nogueira de Azevedo. Com licença, vamos à luta:
guia de bolso. São Paulo: LACRI/PSA/IPSUP, Iglu. 1998, 166p.
CORSI, J. (Org.). Maltrato y abuso en el ámbito doméstico. Buenos Aires. Piados. 2003.
DESLANDES, Suely F. Frágeis deuses: profissionais da emergência entre os danos da violência e a
recriação da vida. Rio de Janeiro: Editora da Fiocruz, 2002, 194 p.
GRÜDTNER, Dalva Irany; ELSEN Ingrid; RODRIGUES, Pabline. Conhecimentos e prática de
cuidado relacionados com o fenômeno da violência doméstica contra a criança e o adolescente nos
cursos de graduação em Enfermagem em Santa Catarina. Relatório de pesquisa pelo FUNPESQUISA.
Florianópolis, 2001, 34p.
MINAYO, Maria Cecília de Souza e SOUZA, Edinilsa Ramos de. (org.). Violência sob o olhar da
saúde: a infrapolítica da contemporaneidade brasileira. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003, 282p.
105. USUÁRIO DE DROGAS É...CONCEPÇÕES E PRÁTICAS ENTRE A
SOCIEDADE CAPIXABA.
Fernanda Bissoli Beninca1
Maykel Marques Fejoli1
Cassiane Cominoti Abreu·2
Mirian Cátia Vieira Basílio1
Maria Lúcia Teixeira Garcia3
Marluce Miguel de Siqueira3
INTRODUÇÃO A utilização de drogas não é algo recente. Historicamente, a sociedade construiu
formas de compreensão e de intervenção sobre o consumo de drogas. As concepções trazem em seu
interior crenças, opiniões, atitudes, preconceitos e estereótipos, enfim fala de visões de mundo
(BAIÔCO, 1999). Várias são as linhas explicativas para a relação que se estabelece entre o usuário e a
droga. Estas linhas de pensamento diferem quanto ao que leva o consumo e o dano resultante desta
interação. Entre estas concepções podemos destacar dois modelos explicativos: a) o modelo médicosocial que presume que o usuário é incapaz de exercer controle sobre o seu comportamento usar a
droga seja por fatores psicológicos ou fisiológico, ou ainda, os danos sociais decorrentes deste
comportamento (MARLATT; GORDON, 1993) . O conceito de doença está baseado na compreensão
de dependência física decorrente de fatores fisiológicos predisponentes que se presume ser
geneticamente transmitidos; b) o modelo moral-legal - preconiza que à utilização excessiva de
qualquer substância pode ser relacionada como um problema decorrente da ausência de força de
vontade do indivíduo para controlar o seu comportamento ou ainda pela ausência de legislação
proibitiva. Assim, este modelo acredita que o usuário de drogas é alguém sem fibra moral para resistir
1
Acadêmica do curso de graduação em Serviço Social da UFES, estagiárias do MPES, estagiárias do PAA-HUCAM
UFES.
2
Acadêmicos do curso de formação em Enfermagem da UFES e monitores do NEAD-CBM-UFES.
3
Orientadoras do Projeto: Profa. Adjunta II do Depto. de Serviço Social do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas da
UFES, membro do NEAD-CBM-UFES e do PAA-HUCAM-UFES; Profa. Adjunta IV do Depto. de Enfermagem do
Centro Biomédico da UFES, coordenadora do NEAD-CBM-UFES e membro do PAA-HUCAM-Ufes;
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
236
a tentação e que necessita de interdição legal (MARLATT; GORDON, 1993). Assim, o alcoolista é
alguém fraco, com comportamento desviante e sem qualquer força de vontade (BAIÔCO, 1999). Face
à magnitude do problema, o governo brasileiro viu-se pressionado a pensar e propor novas formas de
enfrentamento da questão do uso indevido de drogas. Esse processo de questionamento ocorre no
interior da Reforma Psiquiátrica (SILVA, 1995). A Reforma Psiquiátrica apontava para a necessidade
de mudanças nos cuidados psiquiátricos com ações coercitivas e excludentes a ações sócio-educativas,
priorizando o atendimento ambulatorial (SILVA, 1995). Diversos estudos realizados nas últimas
décadas vêm apontando para a necessidade de avanço nas práticas na área de saúde mental, em virtude
do insucesso do modelo de atenção centrada em hospital psiquiátrico, na ineficácia das internações e
das freqüentes denuncias da violação dos direitos humanos dos pacientes nestas instituições
(LANCMAN, 1997). OBJETIVO: Identificar qual a concepção que a sociedade detém em relação aos
usuários de drogas e avaliar o que acredita ser a melhor fonte de tratamento para estas pessoas.
METODOLOGIA: Pesquisa de opinião envolvendo todos os indivíduos que participaram do Dia 24 de
junho de 2004, definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como Dia Internacional de
Combate as Drogas e conduzido no Estado pelo Conselho Estadual Antidrogas (COESAD) dentro da
programação da Semana Estadual Antidrogas. Participaram do inquérito 140 sujeitos que transitavam
pela praça Costa Pereira no dia comemorativo supra-referido. Foi elaborado um formulário contendo
perguntas abertas e fechadas, que continham as seguintes variáveis: Perfil do entrevistado abordado:
sexo, idade e nível de instrucional do entrevistado; Concepção sobre o usuário de drogas; avaliação de
crenças; e opinião sobre a melhor opção de tratamento para o dependente químico. O instrumento foi
testado com quatro participantes e aplicado na população estimada, por pesquisadores alunos da
Universidade Federal do Espírito Santo sendo dois do curso de graduação em Enfermagem e dois do
curso de graduação em Serviço Social. Foram entrevistados indivíduos de ambos os sexos que fossem
maiores de 18 anos com o seu interesse espontâneo de participação. Durante a abordagem onze
pessoas negaram-se em participar de entrevista e três não atenderam a idade estipulada por serem
menor de dezoito anos. Para analisar os dados utilizou-se a análise estatística descritiva.
RESULTADOS: Foram realizadas 140 entrevistas, dos entrevistados 54% eram do sexo masculino e
46% eram do sexo feminino, média de idade de 52,8 anos. Destes 27,8% possuem Ensino Médio
Completo. Identificou-se mediante as entrevistas que 33,5% consideram o usuário um fraco, 30,1%
um doente, 8,5% um sem vergonha e 15,4% sem fé. A concepção que subjaz à doença é caracteriza-la
como um mal moral relacionado a um comportamento desviante, uma vez que a pessoa perde sua
identidade e muitas vezes é visto como um mau caráter (MARLATT; GORDON, 1993). Afirmaram
conhecer um usuário de droga, 123 pessoas (88%). Enquanto 17 (12%) negaram ter conhecimento. Da
porcentagem afirmativa 89 pessoas (72,4%) relataram que o conhecido não fez tratamento e 34
pessoas (27,6%) disseram que o usuário fez tratamento. Desses destacou-se os que buscaram
tratamento em Instituições de Dependência Química seguido de igreja (16,9%). Estudos do CEBRID
(2002), relatam que (14%) da população afirmam terem visto alguém consumindo alguma droga.
Quanto ao tratamento recebido pelos usuários indicados, houve a prevalência entre aqueles que
receberam conselho profissional (29,8%), seguido de conselho profissional e remédio (20.3%) e de
internação de muitos dias (20,3%), com número relevante aparece também à citação de correntes e
campanhas na igreja (14,9%). Ao serem perguntados sobre o que aconteceu após o tratamento, 52,9%
relataram que não houve melhora do usuário, 41,2% melhoraram e 3,9% pioraram. Os estudos sobre a
efetividade do tratamento entre os usuários que procuraram por este serviço devem ser replicados ao
vermos que os resultados são pouco animadores, a prevalência foi entre os que não melhoraram.
Relataram que o local que acreditam que o usuário deve se tratar é uma instituição de dependência
química (44%); seguido de vinte e nove por cento (29%) que acreditam na igreja como lugar de
tratamento. A procura por instituições se vê necessária, uma vez que grande parte das pessoas que
procuram algum tipo de tratamento vão em busca de auxílio médico face às complicações clínicas
associadas ao quadro de dependência química ou mesmo por procurarem lugares que consideram um
ambiente seguro em relação ao consumo de drogas. CONCLUSÃO A concepção dos entrevistados
sobre o usuário de drogas reflete em duas realidades: o modelo explicativo do fenômeno em que
dependência química é vista como fraqueza, falta de fé e ausência de força de vontade do indivíduo
para controlar o seu comportamento; e o modelo doença presumindo que o usuário é incapaz de
exercer controle sobre o uso da substância em razão da influência vigorosa dos fatores psicológicos
intensivos subjacente a adicção (MARLATT; GORDON, 1993).
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
237
Referências Bibliográficas:
BAIOCO, M. CONCEPÇÕES SOBRE ALCOOLISMO ENTRE ESTUDANTES DE ÁREAS DE
CONHECIMENTO DISTINTAS EM UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA. (Tese de Mestrado).
Vitória, 1999.
LANCMAN, S. Instituições psiquiátricas e comunidades: um estudo de demanda em saúde mental no
Estado de São Paulo, Brasil. In: Cadernos de Saúde Pública, v. 13, RJ, 1997.
MARLATT, A; GORDON, JR. Prevenção à recaída. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
SILVA, RC. Política do Ministério da Saúde na área de Drogas. In: Anais do XI Congresso Brasileiro
de Alcoolismo e Outras Drogas. Belo Horizonte. ABEAD, 1995.
107. A PERCEPÇÃO DO ESTRESSE DO ENFERMEIRO ATUANTE EM HOSPITAL
CLÍNICO.
Telma Gil Gasiola1
Renata Rotella Magalhães
O termo estresse corresponde a um conjunto de reações do organismo a agressões de ordem fisiológica
e/ou psicológica, capazes de interferir em seu equilíbrio. Pode-se dizer ainda que estresse refere-se a
uma situação de tensão aguda ou crônica que produz uma mudança, tanto no comportamento quanto
no estado emocional do indivíduo. Nesse caso, a pessoa reage a tal estado com respostas adaptativas
psicofisiológicas. O estresse parece ser, portanto, função do grau de adequação da pessoa com o
ambiente. Quando os recursos do indivíduo são adequados para lidar com uma situação
potencialmente estressante, ele provavelmente apresentará pouco ou nenhum estresse. Então pôr conta
das diferenças nas experiências, nas crenças e valores, nas atitudes ou no que se costuma designar
como visão do mundo, os estressores representam para o indivíduo uma experiência única e particular
que ocorre em um dado momento da vida. O estresse decorrente do exercício de determinadas
profissões tem sido objeto de interesse de pesquisadores e clínicos. O exercício da Enfermagem reúne
uma série de elementos que tornam-se essenciais, na medida em que promovem uma assistência
consciente, qualificada e interrelacionada com outras categorias
profissionais. Além da
instrumentalização técnica, o Enfermeiro precisa ter conhecimento das pessoas e suas necessidades
para atuar como elemento terapêutico no cuidado dos pacientes. A enfermagem proporciona o
atendimento ao homem como ser total: mente e corpo não são separados. O estresse relaciona-se às
experiências do ambiente hospitalar, nas quais se incluem os enfermeiros, os médicos, os pacientes (e
eventualmente seus parentes) e outros membros da equipe terapêutica. Identificar e analisar eventos
estressores relacionados à prática profissional do enfermeiro atuante em hospitais clínicos foram os
objetivos desta pesquisa. METODOLOGIA: Participaram da pesquisa 30 enfermeiros atuantes em 04
Hospitais Clínicos de Campinas São Paulo (Idade média - 31 anos; sexo feminino - 27, sexo
masculino- 3). Os dados foram coletados em duas etapas. Inicialmente realizou-se uma entrevista
semi-dirigida com cada participante, na qual solicitava-se que ele mencionasse todas as situações
potencialmente estressoras (eventos estressores potenciais) vivenciadas durante seu trabalho no
hospital. As entrevistas foram gravadas e transcritas. A partir de sucessivas leituras das mesmas
identificou-se 14 categorias de eventos potencialmente estressores. Tomando-se as categorias de
eventos identificados como base, elaborou-se um questionário com 15 questões fechadas, cada uma
correspondendo a cada categoria de eventos. Os questionários foram aplicados individualmente.
RESULTADOS: O Quadro 1 apresenta as categorias de eventos potencialmente estressores. Pode-se
1
Enfermeira Especialista em Unidade de Terapia Intensiva, Coordenadora Geral do Projeto PROFAE da Fundação
Indaiatubana de Educação e Cultura FIEC. Rua Alberto Santos Dumont, nº 1202 Bairro Cidade Nova CEP 13330-530
Indaiatuba / SP. Fone: (19) 3875 5157 - e-mail: [email protected]² Enfermeira Especialista em Administração hospitalar,
Coordenadora de Enfermagem da Fundação Indaiatubana de Educação e Cultura
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
238
notar que, das 14 categorias identificadas, oito ( 57,14% ) referem-se às relações do enfermeiro com
pessoas ( Categorias 1, 2, 3, 4, 5, 6,7 e oito ).
Quadro 1 Estressores
1. Relacionar-se com a doença, a dor e a morte.
potenciais relacionados ao
2. Relacionar-se com os pacientes
exercício profissional do
3. Relacionar-se com os parentes e amigos do paciente
enfermeiro. A classificação da
intensidade das categorias de
4. Relacionar-se com os médicos
eventos estressores foi realizada
5. Relacionar-se a equipe de Enfermagem
alocando-se as médias obtidas
6. Relacionar-se com a chefia imediata
nos intervalos que se seguem.
7. Relacionar-se com a administração
8. Relacionar-se com os auxiliares técnicos
9. Horário de trabalho
10. Honorários
11. Deficiência na formação profissional
12. Demanda física das atividades profissionais
13. Deficiência de recursos técnicos e físicos do hospital
14. Possibilidade de contrair Infecções Hospitalares
INTERVALOS
INTENSIDADE
0 - 0,8
muito pouco estressante
0,9 - 1,6
pouco estressante
1,7 - 2,4
medianamente estressante
2,5 - 3,2
muito estressante
3,3 - 4,0
Fortemente estressante
O resultado da classificação da intensidade dos estressores é apresentado no Quadro 2.
CATEGORIAS
1. Relacionar-se com a doença, a dor e a morte
4. Relacionar-se com os médicos
9. Horário de trabalho
10. Honorários
2. Relacionar-se com os pacientes
6. Relacionar-se com a chefia imediata
13. Deficiência de recursos técnicos e físicos do hospital
11. Deficiência na formação profissional
12. Demanda física das atividades profissionais
13. Relacionar-se com parentes e amigos do paciente
5. Relacionar-se com e equipe de enfermagem
8. Relacionar-se com os auxiliares técnicos
7. Relacionar-se com a administração
14. Possibilidade de contrair infecções hospitalares
SCORE
3,53
3,47
3,07
3
2,8
2,6
2,6
2,53
2,33
2,4
2,4
1,6
1,33
0.73
ITENSIDADE
Fortemente estressante
Muito estressante
Medianamente
estressante
Pouco estressante
Muito pouco estressante
Quadro 2 - Classificação da intensidade de eventos potencialmente estressores para o enfermeiro
Nota-se que as categorias 1 (Relacionar-se com a doença, a dor e a morte) e 4 (Relacionar-se com
os médicos) foram classificadas com as maiores intensidades ( 3,53; e 3, 47, respectivamente), isto
é, fortemente estressante. O enfermeiro interage diariamente com o paciente e família, passando
por perda e pesar e, ao mesmo tempo, por experiências de perda pessoal à medida que o
relacionamento paciente-enfermeiro-família termina através da transferência, alta, recuperação ou
morte do paciente. A alta intensidade ocorrida na categoria 4 (Relacionar-se com os médicos) pode
ser discutida considerando que os enfermeiros vivenciam conflitos de papéis com outros
profissionais de saúde, principalmente com os médicos. Salienta-se a baixa intensidade obtida (0,73
- muito pouco estressante) pela categoria 14 (Possibilidade de contrair infecções hospitalares). Esse
resultado chama a atenção uma vez que, em todos os aspectos da prática, o enfermeiro depara-se
com situações que apresentam riscos de desenvolvimento ou transmissão de infecções. Além disso,
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
239
cabe principalmente a ele a conscientização dos funcionários da instituição para promover rotinas
de prevenção e controle de infecções hospitalares. CONCLUSÃO: Considera-se que o estresse no
hospital é a combinação de fatores de trabalho que interagem com o enfermeiro para desestruturar
seu equilíbrio fisiológica ou psicologicamente. Pode-se concluir que o contato com pacientes e
ambiente hospitalar como um todo pode resultar num quadro de estresse profissional, com
conseqüências lesivas para a saúde do enfermeiro.
Referências Bibliográficas:
DEWE, P.; COX, T.; FERGUNSON, E. 1993. Individual strategies for coping with stress at work : a
review Work & stress. 7(1): 5-15
FERREIRA SANTOS, C. A. 1973. A Enfermagem como profissão: estudo num hospital escola.
São Paulo EDUSP.
KRAUSZ, M. & KOLOWSKY, M. 1995. Impact of shift work and department type upon strain and
attitudinal measures of hospital nurses. Work & Stress. 9 (1): 88 94.
KUNDI, M; KOLLER, M.; STEFAN, H.; LEHNER, L; KAINDLSDORFER, S; ROTTENBUCHER,
S. 1995. Attitudes of nurses towards 8-h and 12-h shift systems. Work & Stress. 9 (2/3) 134- 139.
MAURO, M.I.C. 1990. Perspectivas da Enfermagem do trabalho frente ao contexto atual de saúde do
país. Revista brasileira de Saúde Ocupacional. 69 (18) 55-63.
108. PERFIL MOTIVACIONAL DE ALUNOS DO CURSO TÉCNICO EM ENFERMAGEM
Telma Gil Gasiola1
Renata Rotella Magalhães²
A presente pesquisa trata das relações motivacionais acerca da escolha da Enfermagem como
profissão. A "satisfação" profissional dos Técnicos de Enfermagem no mercado de trabalho torna-se
relevante na medida que em que pode vir afetar a profissão como um todo.As motivações internas e
externas que levam os alunos a buscar um Curso Técnico de Enfermagem possivelmente diferem. A
partir do trabalho educacional propriamente dito faz-se necessário e mesmo essencial melhorar a
visibilidade motivacional do aluno, suas expectativas, necessidades e limitações.Considera-se que os
objetivos educacionais, além de facilitar na construção de conhecimentos, devem buscar capacitar o
aluno habilidades específicas na área, condizentes com o mercado de trabalho. Os objetivos de ensino
devem, portanto, direcionar-se às necessidades da população na qual os aprendizes deverão atuar (Gil,
1993).A motivação, tema de reflexão deste estudo, considera o ambiente como uma variável
importante, seguida das forças internas do indivíduo ("necessidade", "desejo", "vontade", "interesse",
"impulso", etc. ) e do objeto, que atrai por ser fonte de satisfação do motivo interno que o mobiliza.
Motivação pode ser definida como um processo que relaciona necessidade, ambiente e objeto, e que
predispõe o organismo para a ação em busca da satisfação da necessidade (Bock, Furtado e Teixeira,
1989)Pretende-se, portanto, analisar o perfil motivacional do aluno do 1º ano do Curso Técnico de
Enfermagem. Para tanto, decidiu-se proceder uma análise de seus relatos verbais. Dessa forma, são
apresentados a seguir, esclarecimentos do que se entende aqui por comportamento verbal e relato
verbal.Segundo Male (1984, Skinner, 1957, Botomé, 1980) comportamento é, sobretudo, a relação
entre o que uma pessoa faz (resposta do organismo), os aspectos do ambiente relacionados a esse fazer
( situação antecedente), e as consequências do fazer (situação subsequente). É então a relação entre
esses elementos que define comportamento.De acordo com Engelmann (1985, p.1), a expressão
comportamento verbal refere-se ao "ato de um ser humano emitir sons estruturados, que possam ser
compreendidos, com a mesma estrutura, por outros seres humanos que aprenderam a mesma língua.
Além disso, o comportamento verbal que pode também traduzir-se em escrever e realizar gestos
1
Enfermeira Especialista em Unidade de Terapia Intensiva, Coordenadora Geral do Projeto PROFAE da Fundação
Indaiatubana de Educação e Cultura FIEC. Rua Alberto Santos Dumont, nº 1202 Bairro Cidade Nova CEP 13330-530
Indaiatuba / SP. Fone: (19) 3875 5157 - e-mail: [email protected]
² Enfermeira Especialista em Administração hospitalar, Coordenadora de Enfermagem da Fundação Indaiatubana de
Educação e Cultura
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
240
emblemáticos". Relato verbal é um comportamento verbal que pode ser definido como uma resposta
que tem uma relação suposta com um determinado evento precursor, de maneira que se possa fazer
referências diretas da reposta com esse evento (Engelmann, 1985).Tendo em vista o exposto, o
objetivo deste trabalho é identificar o perfil motivacional dos alunos do 1º ano do Curso Técnico em
Enfermagem da Fundação Indaiatubana de Educação e Cultura (FIEC). METODOLOGIA:
participaram deste estudo 29 alunos recém-ingressos no Curso Técnico de Enfermagem da FIEC em
2003.Para coleta de dados utilizou-se um questionário, especialmente elaborado para esse fim, com
cinco questões abertas referentes a expectativas relacionadas as curso propriamente dito, à profissão, a
áreas de atuação, a influências de terceiros, etc. Depois de leituras sucessivas dos relatos verbais
obtidos procedeu-se à avaliação de questionários, cujos relatos apresentavam conteúdos verbais afins.
Essa análise possibilitou o agrupamento dos relatos em classes e subclasses de relatos verbais, e
posterior
contagem
para
identificação
de
suas
frequências
absolutas
e
relativas.RESULTADOS:Apresenta-se a seguir as classes e subclasses de conteúdo verbal
identificados a partir dos relatos verbais dos alunos.Classes e subclasses de conteúdo verbal A
Expectativas relacionadas ao curso de Enfermagem: A1 - Ênfase na parte prática do curso. A2 Preparação para a atuação profissional. A3 - Ênfase em características humanitárias da profissão A4 Ênfase em características vocacionais. A5 - Preparação para a faculdade. A6 - Observações.B
Expectativas relacionadas à carreira de Enfermagem: B1 - Realização profissional. B2 - Preparação
para a faculdade. B3 - Observações. C
Determinantes da Escolha de Enfermagem: C1 Características vocacionais (pessoais). C2 - Influência da família e/ou outras pessoas. C3 - Preparação
para a faculdade. C4 - Observações. D Outras áreas de interesse: D1 - Áreas relacionadas à saúde .
D2 - Outras áreas. E Características necessárias para o sucesso na profissão: E1 - Características
humanitárias E2 - Habilidades práticas. E3 - Outras.A título de ilustração e/ou esclarecimento
relaciona-se abaixo exemplos de relatos verbais de cada uma das subclasses de conteúdo verbal
identificadas.Exemplos de relatos verbais: A1 - "Aprender as principais técnicas de enfermagem". A2
- "Espero ser bem preparada para ter competência na carreira de enfermagem". A3 "Espero atender
bem as pessoas". A4 "Espero um bom aproveitamento, pois é um curso que eu adoro". A5 "Que
seja um curso forte, com boa base para a faculdade". A6 "Um bom desempenho de mim mesma". B1
"Espero trabalhar bastante, cuidar dos pacientes". B2 "Mais tarde eu possa fazer uma faculdade de
medicina". B3 "Espero Ter um grande sucesso". C1 "Ninguém, eu sempre quis ser enfermeira". C2
"Meus pais e meus amigos que estudam na FIEC". C3 "Meu objetivo é fazer medicina, então eu
acho que é um começo".C4 "... foi os doentes que precisam de ajuda ...". D1 "Medicina". D2
"Secretariado e administração".E1
"Atenção, educação e principalmente carinho". E2
"Competência profissional". E3 "Ser uma boa aluna". A frequência relativa das subclasses das
Classes A, B, C, D e E foram identificadas.Observa-se que os relatos mais frequentes dos alunos
foram referentes as características humanitárias da profissão (43,75%); por outro lado, além da
realização profissional (46,87%) como técnicos, eles também pareceram estar sob controle da
necessidade de preparação para o faculdade (43,75%). Embora a maioria dos relatos da classe C
Determinantes da escolha de Enfermagem (77,41%) aponte para as suas características vocacionais;
curiosamente 48,57% (subclasse D2) relatou a ocorrência de outra(s) área(s) de interesse profissional,
distinta(s) da Saúde. Finalmente, parece paradoxal constatar que, em 90% dos relatos, os alunos
referiu-se apenas à "características humanitárias" como determinantes do sucesso na profissão de
Técnico em Enfermagem. Apenas 6,6% do relatos menciona a necessidade de habilidades práticas.
Considerando que a destreza manual é um requisito essencial para as tarefas do técnico, esse resultado
não parece condizente com o esperado. CONCLUSÕES: hoje convivemos com a defasagem do ensino
nas escolas com o solicitado pelo mercado de trabalho, em seu processo extremamente dinâmico.
Destaca-se também o valor da pesquisa, pois dela depende o ensino e a prática profissional . Sem
dúvida, é relevante conhecer os motivos que levam o aluno buscar o ensino Técnico de Enfermagem.
Entretanto, é difícil observar que eles ainda estão, de certa forma, incipientes; particularmente se
considerarmos que podem determinar parte do sucesso do trabalho educacional e, principalmente
melhorar o desempenho profissional com as habilidades técnico-práticas obtidas, seguidas de melhor
inserção no mercado de trabalho e reconhecimento profissional.
Referências Bibliográficas:
BOCK, A. M. B.; FURTADO, O.; TEIXEIRA, M. L. T. (1989) Psicologias
Uma Introdução ao
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
241
Estudo de Psicologia. S.P. Saraiva.
BOTOMÉ, S.P. (1980). Objetivos comportamentais de ensino: a contribuição da Análise
Experimental do Comportamento. Tese de Doutoramento apresentada ao Instituto de Psicologia da
Universidade de São Paulo USP.
ENGELMANN, A. (1985). Comportamento verbal e relato verbal. Psicologia, 11(1), 1 6.
GIL, I. A. (1997). Relações entre Ações Faciais e Relatos Verbais de Estados Subjetivos de Emoções e
Eventos Correlatos. Tese de Doutoramento apresentada ao Instituto de Psicologia da Universidade de
São Paulo.
SKINNER,B. F. (1957). Verbal Behavior. New York, Appleton Century Crofts
109. CAPACITAÇÃO EM VIGILÂNCIA E ASSISTÊNCIA AO PACIENTECOM DENGUE
PARA EQUIPES DE PSF DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO: RELATO DE
EXPERIENCIA
Selma Almeida de Jesus1
O processo de capacitação em Vigilância e Assistência ao paciente com dengue organizado pela
Coordenação estadual do PSF , com o apoio das assessorias de :Educação em Saúde e de controle da
dengue na Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro ( SES/RJ ), teve como objetivo capacitar
médicos , enfermeiros e técnicos de enfermagem das equipes do Programa Saúde da Família do
Estado do Rio de Janeiro, visando melhorar a qualidade da assistência, a organização dos serviços de
Atenção Básica, e a mobilização social na prevenção e controle da dengue. A SES/RJ atenta ao
avanço da doença ,convocou as :Secretarias Municipais de SAÚDE ( SMS ) para participarem da
capacitação , no que compete a etapa de treinamento das equipes de PSF de todo o estado. A
capacitação se deu em 8 das 9 regiões administrativas do estado , escolhendo-se um município sede
em cada região para ser pólo de capacitação . Foi utilizada a metodologia problematizadora em toda a
capacitação, com a construção de casos clínicos respeitando-se as diversidades regionais. ;dentre os
fatores de relevância epidemiológica, favorecidos pelo processo de capacitação , pode-se identificar
alguns que serviram como fonte de analise deste trabalho. Como primeiro exemplo cita-se o baixo
nível de participação dos municípios , em regiões onde a incidência da doença nas ultimas epidemias
estaduais , não foi significativa devido a características regionais especificas ( clima e altitude ). Isto
demonstra a não observância por parte dos gestores municipais das ações de Vigilância em Saúde ,
visto que a cada nova epidemia estas regiões vem apresentando incremento do número de casos. A
maior proximidade da Coordenação estadual do PSF com municípios do estado e uma maior
interlocução entre as Assessoriais que trabalham no controle da dengue na SES/RJ deram alguns
subsídios para definição de um processo de trabalho mais integrado e respeitando as realidades locais.
Optou-se por apresentar alguns passos na construção da capacitação para instrutores/multiplicadores e
equipes do PSF, atores envolvidos, conclusões e resultados obtidos que nortearam algumas ações
estratégicas de trabalho de combate á dengue no estado. A proposta de capacitação em Vigilância e
assistência ao paciente com dengue para o estado do Rio de Janeiro foi formulado a partir da
implantação do Programa Nacional de Controle da Dengue em atendimento aos componentes 03 ( três
) e 04 ( quatro ), onde o processo de integração com Atenção Básica e a assistência aos pacientes , são
as principais estratégias frente ao risco da ocorrência de epidemia. Para melhor sistematização ,
dividiu-se a proposta em duas fases descritas a seguir: I Primeira fase: Envolveram a elaboração da
proposta e roteiro de capacitação dos instrutores/multiplicadores , atores responsáveis por capacitar
as equipes de PSF do estado. A Coordenação ]estadual do ( PACS/PSF ) e a Coordenação do
Programa Medico de Família / Niterói foram responsáveis pela formulação da proposta de capacitação
dos instrutores/multiplicadores com base na discussão de casos clínicos apresentados no roteiro de
capacitação de profissionais médicos no diagnostico e tratamento de dengue , elaborado pela
1
Estudante de Enfermagem. Centro de Ensino Médio e Profissionalizante CEFAE. [email protected]. Rua: General
Rodrigues, nº 19, aptº 301. Bairro: Rocha Cep: 20.950-110
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
242
Fundação Nacional de Saúde / Ministério da Saúde. ( FUNASA/MS ). II Segunda fase:Indicação
por parte das SMS/ Coordenações Municipais do PACS/PSF de profissionais , médicos enfermeiros e
técnicos de enfermagem que atuem na Estratégia Saúde da Família e tenham tido experiência com
atendimento a pacientes com dengue , para que os mesmos possam ser selecionados pela comissão
organizadora do treinamento para atuarem como instrutores/multiplicadores das Equipes da Saúde da
Família. Foram indicados 70 ( setenta ) profissionais, para participarem do curso de instrutoria ,
comparecendo apenas 48 ( quarenta e oito ) , sendo que, liberados pelas SMS para atuarem nas
regiões somente 37 ( trinta e sete ) . O treinamento para instrutores teve a participação de um
representante da FUNASA/RJ , de um representante do Departamento de Atenção Básica ( DAB/MS
) e um assessor técnico da Secretaria de Vigilância em saúde que atuou como instrutor junto com 3 (
três ) enfermeiros da Equipe de Educação Permanente da Secretaria Estadual de Saúde . A cidade
escolhida como sede para o treinamento foi Teresópolis devido a necessidade de isolamento para o
desenvolvimento das atividades que foram realizadas nos dias 15 , 16 e 17 de setembro de 2003 ,
perfazendo uma carga horária de 24 ( vinte e quatro ) horas, em regime de internato. A Coordenação
Estadual do Programa de Agentes Comunitários de Saúde/ Programa Saúde da Família (PACS/PSF)
formulou, a partir de uma sugestão apresentada pelo DAB/MS , uma proposta de capacitação das
equipes de PSF com carga horária de 8 ( oito ) horas utilizando-se a pedagogia problematizadora .
Nesta primeira fase também foi identificada a necessidade de capacitar médicos , enfermeiros e
técnicos de enfermagem da mesma equipe , em conjunto para que sejam feitas reflexões a cerca da
epidemiologia , fluxo do paciente dentro da Unidade de Saúde da Família e Agente de endemias ,
referência e contra referência. Ações estas , essenciais para organização dos serviços e não somente a
discussão de casos clínicos como proposto inicialmente pela FUNASA. Com isso propomos uma
capacitação regionalizada para as Equipes de Saúde da Família ESF, com carga horária de 16h/aula (
8h para estudo na unidade ) , uma pedagogia critica reflexiva a partir da experiência de cada equipe ,
que obrigatoriamente teriam que estar na mesma sala , com 02 instrutores/ multiplicadores , sendo um
medico e outro enfermeiro para um grupo de no Maximo 15 alunos. A metodologia utilizada nas
capacitações foi problematizadora , utilizando-se casos clínicos a partir do manual de capacitação
elaborado pela FUNASA, selecionados de acordo com a realidade sócio demográfica e
epidemiológica do estado , além da apresentação de situações problema sinalizada pela Coordenação
de controle do Aedes da SES/RJ. A discussão referente ao conteúdo programático dos treinamentos
também contemplou a especificidade da Estratégia Saúde da Família, com o conseqüente
aproveitamento da metodologia de trabalho das equipes . A capacitação atendeu ao esperado tendo
uma boa avaliação em todas as regiões . O conteúdo , assim como a metodologia problematizadora
abordada no treinamento tentou romper com a dicotomia entre a Vigilância em Saúde e a assistência
ao paciente. Durante a formulação da proposta , contemplamos o estimulo a construção da processos
de trabalhos integrados, com o enfermeiro ,o medico, e o técnico de enfermagem da unidade na
mesma sala discutindo suas praticas de saúde. De acordo com algumas avaliações a carga horária não
foi suficiente, preocupação esta, que já havíamos sinalizado, no entanto, quantitativo de profissionais
previstos e o impacto de sua ausência na comunidade por mais um dia , foram pontos considerados
relevantes durante o processo de formulação de proposta.
Referências Bibliográficas:
BRASIL, Fundação Nacional de Saúde. Dengue Diagnostico e Manejo Clinico. Brasília. Fundação
Nacional de Saúde. 2002.
BRASIL, Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Dengue Aspectos Epidemiológico,
diagnostico e tratamento /Ministério da Saúde . Fundação Nacional de Saúde. Brasília.2002.
Informe Técnico do CREMERJ: Dengue /Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de
Janeiro. Ediouro S/A.2002.
Vigilância em Saúde - Boletim Informativo da Saúde Coletiva SES/RJ/FUNASA RJ ano 2. nº 1.
Nov/Dez/2001.
Portaria nº 44/GM de 3/01/2002.Atribuições da ACS, nas ações de prevenção e controle da dengue.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
243
111. FEIRA DE SAÚDE COMO INTEGRAÇÃO ENSINO/ SERVIÇO/COMUNIDADE
Wanja Penna Cruz1
Regina Celia de Barros Sá2
Introdução O meio escolar deverá ser ampliado através de ações que oportunizem a ida do aluno a
novos conhecimentos especificamente elaborados a ser aplicados em curto prazo ou a realidade futura,
buscando soluções para seus problemas e, ao mesmo tempo, enfrentar novas situações a serem
resolvidas, tendo consciência como cidadão dos seus direitos e deveres. A Lei 8080, de 19 de
Setembro de 1990, dispõe em seu Art. 2º A Saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo
o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício . A promoção à saúde se faz
através de políticas, nos campos econômicos e sociais com medidas de promoção, proteção e
recuperação da saúde, incluindo-se a formação de recursos humanos na, área de saúde e atualização do
desenvolvimento científico e tecnológico. As ações de ensino e saúde têm como meta, preparar os
profissionais de forma competente, capaz de dominar os conhecimentos e as estratégias, as habilidades
e as atitudes para melhorar desempenho do seu trabalho. Neste sentido, a promoção de saúde se coloca
como recorde de trabalho para o desenvolvimento de capacidades pessoais e da coletividade para a
elaboração de políticas públicas saudáveis, para a criação de ambientes favoráveis a saúde, para o
reforço da ação comunitária e para reorientação do sistema de saúde (carta de OTAWA 1986). O
processo de trabalho pautado na perspectiva da educação-popular-saúde nos coloca a discussão das
questões centradas na realidade que se impõe a partir do contexto sócio - cultural da população, da
análise concreta dos limites, de construção e reconstrução de possibilidades e alternativas coletivas e
de troca de experiências individuais.Reafirmando este processo o serviço de saúde comunitário do
Hospital Geral de Bonsucesso em parceria com demais entidade de saúde e ensino fez acontecer nos
dias 12, 13 e 14 de Novembro de 2003, a XXIII FEIRA DOS DIABÉTICOS E II FEIRA DE SAÚDE
DO HGB, com os seguintes objetivos:Integrar ensino serviço comunidade ao cuidar do adulto, a
partir da compreensão do processo saúde - doença, visando à construção coletiva do conhecimento e
oportunizando o desenvolvimento da comunidade e dos alunos com estratégias possibilitadoras da
articulação teórico - prática.Promover, oportunizar e participar, nos diversos espaços do meio social,
na implementação de ações que visem trabalhar com o cidadão o processo saúde-doença..A
Enfermagem, como prática social, integra-se às práticas dos demais trabalhadores em saúde, enquanto
um coletivo que responde pela produção de serviços de saúde, campo que vem sendo desafiado à
construção de um novo modelo. Tem a necessidade de se colocar diante da construção de um trabalho
interdisciplinar, contribuindo com sua especificidade. Assim, vem construindo ligações, articulações
permanentes com a população e com os demais profissionais (SENA CHOMPRÉ & EGRY, 1998),
potencializando as perspectivas de ações transformadoras no campo da saúde e da educação.
Metodologia Este evento foi desenvolvido no Hospital Geral de Bonsucesso Ministério da Saúde RJ,
organizado pelo serviço de saúde comunitário, com a participação de varias entidades, entre elas o
Colégio Estadual Hilton Gama, localizado no município de Duque de Caxias/ Estado do Rio de
Janeiro, responsável pela formação de Técnicos de Enfermagem que tem como meta buscar
desenvolver além do conhecimento teórico, competências política-institucional, ética-legal e técnica,
nas ações de enfermagem.A nossa proposta é relatar a experiência da integração instituição x escola,
objetivando a aquisição de novos conhecimentos através da prática comunitária.Dentre as atividades
coube ao corpo discente do colégio, desenvolver práticas de enfermagem junto à comunidade de
aferição de pressão arterial e dosagem de glicemia capilar, com essas ações e com o dialogo os alunos
poderam através de conhecimentos teórico-prático já adquiridos durante o percurso pedagógico do seu
curso implementar orientações sobre o processo saúde/doença objetivando uma melhoria da qualidade
1
Mestranda em Educação da UNIPLI, Professora do Curso Técnico de Enfermagem da Escola Estadual Hilton Gama e
Professora do Curso Técnico de Enfermagem da FAETEC.
2 Mestranda em Educação da UNIPLI, Professora Auxiliar do Curso de Enfermagem da UNISUAM, Coordenadora
Pedagógica dos Cursos de Enfermagem da Escola de Formação Técnica em Saúde
Enfermeira Isabel dos Santos, Coordenadora do Núcleo do Hospital Geral de Bonsucesso Enfermeira Isabel dos Santos,
Professora da Escola de Saúde da Marinha.
Endereço relator: Avenida Marechal Rondon, 2045 apto 606, Riachuelo,RJ ([email protected])
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
244
de vida deste indivíduo.O dialogo assim como uma entrevista permite a captação imediata e corrente
da informação desejada praticamente com qualquer tipo de informante sobre os mais variados tópicos
(Lüdke, 1986:34). Segundo Levental, as pessoas adquirem uma sensação de controle sobre os eventos
quando elas recebem as informações que lhes tornam possível fazer uma imagem mental do evento
(1983).A partir do exposto, serão implementadas ações de saúde que estimule ao indivíduo reconhecer
fatores de risco e os agravos à vida e facilite a interação entre o aluno e a comunidade.Resultados
Como avaliação fizemos uma pesquisa quantitativa objetivando o número de 350 cidadãos atendido
em cada atividade e qualitativo através da seguinte pergunta a clientela, Diga com uma palavra o que
você achou deste evento e para o aluno uma pergunta que tinha como objetivo conferir a associação
do conhecimento teórico à prática profissional, Resuma em uma frase se você conseguiu associar o
conhecimento teórico com vivência deste evento . Como resultado tivemos algumas das respostas da
comunidade gostei , Eu estava precisando e do aluno Pude colocar em prática a teoria , gostei de
atender as pessoas da comunidade Conclusão Este relato de experiência se deve a uma parceria entre
profissionais de área de enfermagem do setor de educação do Hospital Geral de Bonsucesso e docente
do Colégio Estadual Hilton Gama. Acredito que ao elaborarmos o planejamento estratégico deste
evento a partir da integração ensino, serviço e comunidade tivemos em mente ir além do instituído,
transpor os muros da escola, ultrapassar os limites impostos pela atual sociedade. A escola precisa
deixar de ser meramente uma agência transmissora de informação e transformar-se num lugar de
análises críticas e produção da informação, onde o conhecimento possibilita a atribuição de significado
à informação (Libâneo 1998) .Podemos pensar ainda, como já fazemos, mesmo que por costume, o
direito à vida e à vida com qualidade, ou o direito a saúde, como compromisso fundamental e
formalmente assumido por alguns setores, especialmente por aqueles situados no setor
educação/saúde. A organização dos cuidados em saúde fortemente relacionada e sustentada pelo
trabalho e cuidado de enfermagem, continua exigindo novas pautas, propostas e metodologia de
intervenção, integrando ensino, serviço e comunidade. Além disso, não prescinde de novas formas de
compreender os processos sociais, biológicos, subjetivos e institucionais que conformam a qualidade
de vida do cidadão e, portanto as diferentes vulnerabilidades aos agravos em saúde e as insuficiências
das modalidades de ações e serviços a que têm acesso. Buscamos com está proposta estratégica, a
integração da comunidade à assistência e ao ensino, construindo laços de solidariedade e
compromisso, na qualidade de vida desta população, estabelecendo assim relações de respeito ao outro
como sujeito de direitos e autonomia.
Referências Bibliográficas:
BRUNNER, L. S. e SUDDARTH.Tratado de Enfermagem Médico Cirúrgica. 9ºed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2000.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Lei n. º 9394. Dispõe sobre as diretrizes da Educação Brasileira,
1996.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
245
114. CONSTRUINDO O PERFIL DE DOCENTES SUPERVISORES EM CAMPO DE
ESTÁGIO PRÁTICO: UMA CONTRIBUIÇÃO DE DISCENTES DO ENSINO MÉDIO
MILITAR
Leila Milman Alcantara1
Joséte Luzia Leite2
Andréia Jorge da Costa3
Claudia de Carvalho Dantas4
Lilianne Garcia S. L. Provedel5
Renato Silva de Carvalho6
O mundo tem passado por transformações em diversas áreas do saber, possibilitando o progresso
tecnológico e científico. Ide e Domênico (2001) ressaltam que essas constantes mudanças representam
um desafio, pois com a globalização, as especializações ganham novos redimensionamentos em
iniciativa, criatividade, competitividade e busca permanente da melhor qualidade do profissional,
conformando um perfil em eterna construção e reiterada transformação. Estes, ainda acrescentam que
nesse cenário de modificações, a educação ocupa um importante espaço peculiar, emergindo
discussões na configuração do profissional capacitado para interação e criação dentro deste contexto
de mutações contínuas. Afim do êxito nesta formação de profissionais, a educação, segundo Delors
(2001), deve organizar-se em torno de quatro aprendizagens, que ao longo da vida dos indivíduos
sejam pilares do conhecimento: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e
aprender a ser. A educação em Enfermagem deve abranger docentes e discentes, perpassando por todo
o processo de ensino-aprendizagem, numa construção recíproca e contínua. Este modelo educacional
deve ser horizontalizado onde este binômio compartilha saberes, constrói conhecimentos técnicocientíficos, adquire habilidades e competências, preparando discentes para o mercado de trabalho.
Neste contexto, a Escola de Saúde do Hospital Naval Marcílio Dias (ES) zela pelo aprimoramento,
acompanhamento de procedimentos e tecnologias no ensino, pautada na hierarquia e disciplina militar
para a tomada de decisões. Assim, considerar posicionamentos deste binômio, tem sido levado em
consideração no processo decisório e incremento do ensino nos últimos anos. Mediante o exposto, este
estudo teve intuito de investigar questões concernentes ao ensino médio militar de Enfermagem no
prisma da discência. Desta forma, elegeu-se como objeto de estudo o perfil de docentes supervisores
de Enfermagem em campo de estágio prático idealizado por discentes do ensino médio de uma
instituição militar. O interesse desta investigação residiu no conhecimento deste perfil para integrar as
informações e sugestões ao plano estratégico do ensino da ES, visando atender ao seguimento
investigado e filosofia da instituição. Este estudo corroborará na otimização do ensino na seleção de
futuros docentes e reflexões para os atuais, tornando-se prazeroso o processo de ensino-aprendizagem.
Desta forma, prioriza-se um perfil docente compatível com as expectativas dos regentes da ES,
outrossim, dos discentes. Esta pesquisa teve por objetivos conhecer o perfil de docentes idealizado por
discentes do ensino médio inerentes à atuação destes profissionais na supervisão do campo de estágio
prático e discutir as implicações desse perfil para formação profissional desses discentes.Tratou-se de
um estudo descritivo-exploratório, com abordagem qualitativa, do tipo estudo de caso. Esta
1
Enfermeira. Capitão-de-Fragata. Encarregada da Divisão de Ensino Médio da Escola de Saúde do Hospital Naval Marcílio
Dias. Doutoranda em Enfermagem da Escola de Enfermagem Anna Nery/ Universidade Federal do Rio de Janeiro
(EEAN/UFRJ). Membro do Núcleo de Pesquisa Educação, Gerência e Exercício Profissional da Enfermagem
(NUPEGEPEn).
2
Enfermeira aposentada. Emérita da Universidade do Rio de Janeiro (UNIRIO). Membro da Diretoria do NUPEGEPEn.
Pesquisadora 1A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
3
Enfermeira. Professora civil da Escola de Saúde da Marinha do Brasil (2004/1). Mestranda em Enfermagem da
EEAN/UFRJ. Membro do NUPEGEPEn. Ex-Residente do Hospital Naval Marcílio Dias (1996/2).
4
Enfermeira. Professora civil da Escola de Saúde da Marinha do Brasil (2004/1). Mestranda em Enfermagem da
EEAN/UFRJ. Membro do NUPEGEPEn.
5
Enfermeira. Professora civil da Escola de Saúde da Marinha do Brasil (2004/1). Pós-Graduanda do Curso de Pós Graduação
em Enfermagem do Trabalho da Universidade Gama Filho.
6
Enfermeiro. Professor civil da Escola de Saúde da Marinha do Brasil (2004/1).Rua Canavieiras,n°220 apt104.GrajaúRJ.CEP:20561000.Tel : (021)22086901 e 96071142.e-mail:[email protected].
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
246
abordagem se fez apropriada uma vez que Minayo (2000) afirma que: ... ela trabalha com um
universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um
espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à
operacionalização de variáveis . Justifica-se a opção pelo estudo de caso por tratar-se de uma escola
de Enfermagem militar na qual todo o processo educativo é desenvolvido pelo sistema de ensino
naval sob supervisão da Diretoria de Ensino da Marinha (DEnsM), numa organização bem estruturada
e consciente da responsabilidade de garantir a qualidade da formação pessoal da Marinha do Brasil
(MARINHA DO BRASIL, 2001). Salienta-se que a Marinha mantém desde 1947 cursos de
Enfermagem, na qual foi reconhecida através do Decreto Federal n° 50387/61 para ministrar o ensino
e a ES foi criada através do Decreto Federal n° 83161/79. O Curso desta escola recebeu
credenciamento do Parecer 290/85 da CEDERJ, bem como autorização de funcionamento pela
Portaria n° 6113/DAT/85 em julho de 1985. Mediante a estrutura desenvolvida dentro de padrões
ético-legais, a ES forma cabos e sargentos na especialidade de Enfermagem os quais são equiparadas,
em âmbito civil, as qualificações de auxiliar de Enfermagem e complementação para técnico de
Enfermagem. Tais cursos são peculiaridades do ambiente militar diferindo em aspectos encontrados no
meio civil, no que tange às atividades chamadas operativas as quais requerem alto preparo técnicoprofissional (Op. Cit, 2001). Para que todo este processo funcione articuladamente há um corpo
qualificado e conceituado de militares distribuídos nas diversas cadeiras do Sistema de Ensino Naval,
DEnsM e ES. Isto posto, o cenário consistiu nas salas de aula da ES. Os sujeitos deste estudo
constitui-se de 66 discentes militares do ensino médio no curso de especialização de auxiliar de
Enfermagem. Este estudo foi desenvolvido no segundo e terceiro trimestre de 2004. Como
instrumento para coleta de dados foi elaborado um formulário contendo três questões que buscavam a
caracterização do perfil docente idealizado pelos sujeitos do estudo. Como forma de atender aos
aspectos éticos e legais da Resolução do Conselho Nacional de Saúde n° 196/96 foi fornecido um
termo de consentimento livre e esclarecido a todos os discentes interessados em participar do estudo,
garantindo o sigilo/anonimato. O recolhimento do formulário foi atribuído ao representante da classe,
a tarefa de entregar todos os impressos preenchidos pelos discentes aos pesquisadores. Os
instrumentos foram submetidos a processo de categorização de acordo com os critérios propostos por
Minayo (2000). Dos 66 formulários distribuídos, nove (9) foram entregues em branco. Os 57
instrumentos preenchidos foram submetidos a sucessivas leituras com discussões entre os autores do
estudo, de modo a buscar convergências de cada depoimento, agrupando em unidades de significados
que se mostravam constantes. Tais agrupamentos possibilitaram reflexão sobre o perfil desejado pelos
discentes. Os dados evidenciaram que a média de idade dos sujeitos do estudo foi de 24 anos,
existindo um quantitativo de discentes com curso superior completo ou em fase de conclusão. Em
relação à análise do perfil de docentes emergiram as seguintes unidades de significação: ser paciente,
ser atencioso, ser amigo, ser flexível, ser objetivo, ser comunicativo, ser competente, ser dinâmico, ser
justo, ser seguro, ser atual, ser condizente com princípios utilizados em campos de guerras e ser
presente. Os dados apontam que os discentes buscam no docente em campo de estágio prático, mais
que um instrutor e sim um amigo, onde vislumbram um profissional dotado de várias qualidades, com
ênfase na competência, paciência e dinamicidade, que permitam uma troca horizontalizada com aluno,
onde este possa sentir-se tranqüilo diante de dúvidas apresentadas. Nesta linha de raciocínio, verificouse que os discentes buscam a flexibilidade do ensino, buscando amenizar o autoritarismo que lhes é
imposto (horários, hierarquização e verticalização de informação e saber). Sua maioria busca um
ensino com respeito mútuo, onde o discente não apenas aprende e o docente somente ensina, mas que
ambos, dentro de suas particularidades e peculiaridades possa ocupar um lugar de destaque nesta
construção de novos conhecimentos e saberes, sem que isso diminua a competência/capacidade de
ambos envolvidos neste processo de ensino-aprendizagem. Evidencia-se a sugestão da reestruturação
do ensino no sentido deste docente em estágio prático atuar como facilitador de suas bagagens teóricopráticas, norteando caminhos e deixando-os livres para suas escolhas, sentindo-se como elementos
importantes desse aprendizado e com a aplicabilidade de seus conhecimentos, que a priori pareçam
restritos ao professor. Sobre a relação professor-aluno, Libâneo (2001) descreve que esta é um aspecto
fundamental da organização da situação didática , tendo em vista alcançar os objetivos do processo
de ensino: assimilação de conhecimentos, hábitos e habilidades, sendo o professor um agente
facilitador no aprendizado. Logo, os discentes devem sentir-se com abertura para comunicarem-se e
expressarem-se sem a preocupação de serem repreendidos ou reprovados pelo primeiro erro que
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
247
cometerem, verbal ou prático. Em suma, os discentes buscam por cúmplices, que possam acompanhálos em todos os momentos de seu estágio, no sentido de orientarem procedimentos, sanar dúvidas,
mostrar caminhos e, principalmente, articular todo o conhecimento do campo teórico-prático com
situações de guerras e calamidades públicas. Por fim, este perfil ideal, corrobora com aquele
priorizado pela instituição de ensino, onde se almeja docentes aptos na partilha do conhecimento
teórico-prático com seus discentes, refletindo em ações críticas e reflexivas, para tomada de decisões,
estando preocupados com a formação desses corpos discentes, em especial no que tange a
Enfermagem operativa.
Referências Bibliográficas:
DELORS, J. Educação-um tesouro a descobrir. Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional
sobre Educação para o século XXI. 6.ed. São Paulo: Cortez, 2001.
IDE, C. A.; DOMÊNICO, E.B.L.D. Ensinando e aprendendo um novo estilo de cuidar. São Paulo:
Atheneu, 2001.
LIBÂNEO, J.C. Didática.São Paulo: Cortez, 2001.
MARINHA DO BRASIL. Escola de Saúde. Plano de Curso da Escola de Saúde. Deliberação n°. 268
de 17 de julho de 2001. 122p. (digitado)
MINAYO, M. C. de S (org.). Pesquisa social: teoria método e criatividade. 15.ed. Petrópolis, Rio de
Janeiro: Vozes, 2000.
116. RELAÇÃO INTERPESSOAL E INSERÇÃO PROFISSIONAL: UMA EXPERIÊNCIA DE
ENSINO-APRENDIZAGEM*
Marluce Miguel de Siqueira1
Nagela Valadão Cade2
INTRODUÇÃO Para Freire (1994a e b), a educação deve ser elaborada a partir do princípio humanista,
libertadora, problematizadora, conscientizadora, buscando circunstâncias concretas onde os educandos
se encontram inseridos, para que possam lhe atribuir sentido, na qual o educador assume o papel de
coordenador dos debates, pautado essencialmente, pelo diálogo e discussão de experiências vividas,
pois o aprendizado só pode efetivar-se através das relações estabelecidas entre educando e educador, a
partir da tomada de consciência da situação em que vivem, onde o saber é construído de maneira
democrática, como fruto do trabalho de ambos. No ano de 2002, iniciou-se no Curso de Graduação em
Enfermagem da Universidade Federal do Espírito Santo, a disciplina intitulada Relação interpessoal e
inserção profissional, cuja ementa vislumbra o estudo do relacionamento humano como processo
desenvolvido em esfera interpessoal e profissional. Para a construção do conteúdo da disciplina
considerou-se que as habilidades, juntamente com a observação, sensibilidade e a criatividade,
constituem instrumentos básicos para a prática de enfermagem e, essas habilidades, além de manuais e
intelectuais que atendem as demandas técnicas, as de solucionar problemas e de tomar decisões,
também compreende a esfera interpessoal quando reconhece a demanda de relacionamento com o
cliente, família e equipe de trabalho, como um aspecto importante da atividade do enfermeiro. O
conteúdo escolhido para dar conta à esses aspectos constituiu a empatia oferecida em forma de
treinamento e em grupo, segundo o referencial de Falcone (1998). A escolha por esses referenciais se
deu primeiramente, por compreender-se que a empatia sendo uma habilidade social, melhora a
capacidade de o aluno enfrentar os problemas que ocorrem no cenário de trabalho mediante o estágio
curricular obrigatório e reduz a possibilidade de conflitos entre os pares. Por outro lado, o ambiente
1
Profª Adjunto IV do Deptº de Enfermagem (Enfermagem em Saúde Mental) e do Programa de Pós-Graduação em Atenção
à Saude Coletiva (PPGASC) do Centro Biomédico da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).
2
Profª Assistente I do Deptº de Enfermagem (Procedimentos de Enfermagem) e do Programa de Pós-Graduação em Atenção
à Saude Coletiva (PPGASC) do Centro Biomédico da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
248
grupal facilita as interações, possibilita trabalhar as deficiências advindas dessas interações, reproduz
as situações e os comportamentos do cotidiano, é um espaço adequado para aprender a se relacionar e
ainda os elementos podem funcionar como pares para o desempenho de papéis. Frente ao exposto,
este estudo teve como objetivo verificar junto aos alunos do 8º período de enfermagem como se
desenvolve o processo educativo, utilizando como referencial teórico-metodológico o treinamento da
empatia de Falcone (1998) oferecido em grupo. O treinamento de empatia proposto por Falcone
(1998) foi constituído de 11 encontros, sendo o primeiro deles com destaque no acolhimento e o
último destinado à avaliação final realizada com questionário. Dos 9 encontros destinados ao conteúdo
específico sobre empatia abordou-se: a) explicações sobre o treinamento; b) como se comportar
empaticamente em situações de ajuda e de conflito; c) identificação dos motivos que podem dificultar
ouvir e compreender os outros, impedindo a manifestação do comportamento empático; d) imaginação
de cenas envolvendo situações de interação vivenciadas pelos membros do grupo e) dramatização ou
jogo de papéis das cenas imaginadas ou vivenciadas e f) prática das habilidades aprendidas nos
encontros em situação de vida real. O treinamento da empatia foi precedido pelo consentimento dos
referidos alunos para participação, sendo esclarecido a finalidade e objetivos do mesmo, bem como
sua importância no processo educativo em enfermagem.Os encontros tinham duração de 2 horas,
semanalmente e apresentava composição fechada. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Trata-se
de um estudo descritivo, exploratório, com combinação da abordagem quantitativa e qualitativa
mediante triangulação simultânea dos dados, que pretende compreender os efeitos da modalidade de
ensino proposta sobre os alunos.O estudo foi desenvolvido com os 89 alunos do 8º período do Curso
de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) referentes ao 2º
semestre de 2002 e 1º e 2º semestres de 2003, matriculados na disciplina Relação Interpessoal e
Inserção Profissional. Elegeu-se como critério de inclusão, o preenchimento de avaliação final sobre o
treinamento em empatia oferecido em grupo e que aceitaram participar do treinamento mediante o
contrato de trabalho. Para a coleta de dados foi utilizado um questionário de avaliação do treinamento
proposto por Falcone (1998) e a técnica de observação direta não participante.O questionário
contemplou questões sobre: a) aplicação do treinamento no que diz respeito a freqüência e as áreas de
atuação vida pessoal, trabalho e com amigos, b) o efeito que causou nas interações sociais, c)
motivação para realizar o treinamento, d) realização de quesitos da interação empática - comunicação
não verbal, atenção, ouvir sensivelmente e demonstrar empaticamente, e) exercícios que mais
gostaram e f) sugestões. No que diz respeito à análise de dados as respostas fechadas do instrumento
foram tabuladas e submetidas à estatística descritiva - freqüência simples - enquanto as respostas
abertas foram categorizadas para melhor compreensão. As observações diretas serão trazidas para
enriquecer e subsidiar a compreensão dos resultados com a preocupação de destacar os pressupostos
da análise temática proposta por Freire (1994), com algumas adaptações para os contextos envolvidos
na educação em saúde. RESULTADOS Os resultados referentes a avaliação dos alunos quanto ao
treinamento evidenciam que 75% deles aplicaram o treinamento tanto em vida pessoal, como no
trabalho, e no que diz respeito a freqüência que utilizaram o conteúdo de sala de aula, 42% dos
conseguiu ser empático algumas vezes, enquanto 34% deles se perceberam empático na maioria das
vezes. As respostas mostram que 35% dos alunos reconheceram que a interação com as pessoas
melhorou e os demais relataram que o treinamento influenciou de forma positiva na qualidade das
interações e na promoção da mesma. Somente dois alunos não observaram melhora ou qualquer
mudança com o treinamento. Sobre os efeitos que o treinamento causara nas relações sociais dos
alunos, as respostas abertas foram categorizadas para melhor compreensão dos resultados. As
respostas que prevaleceram foram: na categoria ação, 26 alunos fizeram referência que após o
treinamento estão mais atentos ao outro, pensam mais antes de falar e têm tentado modificar seus
comportamentos em direção à promoção da empatia, enquanto 13 alunos relataram estar ouvindo mais,
em substituição ao falar. Na categoria interação, 24 alunos reconheceram que o treinamento facilitou e
melhorou a interação, bem como reduziu os conflitos nas interações, e na categoria observação, 13
alunos disseram que com o treinamento pensam mais sobre os comportamentos emitidos por eles
próprios; têm mais consciência sobre não julgar o outro e passaram a se colocar no lugar do outro.
Sobre a avaliação da aplicabilidade das etapas da interação empática nas relações sociais após o
Treinamento, relatada pelos alunos, constatou-se que eles demonstraram maior dificuldade naqueles
comportamentos mais complexos como ouvir e demonstrar empaticamente. A medida que o
comportamento fica mais complexo, aumenta o número de alunos que pouco realizou o
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
249
comportamento em questão. Quanto aos exercícios que mais gostaram 25 alunos citaram o role play
ou representação de papéis, 14 deles fizeram referência ao falar de suas próprias experiências em
grupo e poderem compartilhar seus sentimentos com alguém. No que diz respeito as sugestões que os
alunos fizeram a respeito da disciplina, 15 alunos sugeriram haver mais dinâmica de grupo com o
objetivo de descontrair e promover o relaxamento, 8 alunos pontuaram a necessidade de melhor área
física para o treinamento em grupo e a utilização de música, 7 alunos sugeriram o uso de filmes,
palestras e dentro do possível que eles pudessem ver exemplos. CONCLUSÃO Nas respostas abertas
sobre os efeitos do treinamento em suas interações sociais, observa-se que eles modificaram o enfoque
da observação, ficaram mais receptivos ao outro, foram capazes de modificar seus comportamentos em
direção a promoção da empatia e reconheceram que suas interações foram beneficiadas pelo
treinamento. Nesse sentido, entende-se que os alunos ao terminarem o Treinamento, tinham maior
conscientização da necessidade de serem empáticos em seu contexto tanto de vida pessoal como
profissional e estavam instrumentalizados para tal. Conclui-se que a experiência em trabalhar uma
ementa de disciplina direcionada para o relacionamento humano com um modelo de treinamento em
determinada habilidade social em grupo, onde as questões problemáticas e as soluções dessas sejam
trazidas pelos alunos e trabalhadas de acordo com seu repertório comportamental, tem sido
extremamente benéfica e ao mesmo tempo gratificante para os professores. É uma proposta que tem
caminhado paralela aos pressustos de Freire (1994a e b), a medida que explora a realidade dos
educandos e os possibilita refletir sobre elas e escolher o que deve e pode ser feito para melhorá-la,
mesmo que seja somente no que se refere ä interação interpessoal. Ainda, tem privilegiado as
experiências das pessoas envolvidas e tentado promover uma relação dialética de troca das pessoas
com elas próprias e com os demais.
Referências Bibliográficas:
FREIRE, P. Educação como prática da liberdade. 21ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1994a.
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 22ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 1994b .
Falcone, E.M. O. A avaliação de um programa de treinamento da empatia com universtários. [Tese]
São Paulo: Instituto de Psicologia da Universidade - São Paulo, 1998.
117. CONHECIMENTO SOBRE TABAGISMO ENTRE OS ACADÊMICOS DA ÁREA
BIOMÉDICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO
Cremilda Maria Mello Silva1
Márcia Bárbara Souza Dibai2
Nágela Valadão Cade3
Ronaldo Ewald Martins4
INTRODUÇÃO
O hábito de fumar durante muitos anos foi incentivado e aceito socialmente em várias nações e vem se
modificando nos últimos 40 anos como conseqüência de resultados de estudos nos quais tem sido
comprovado a associação entre o consumo do tabaco e os riscos e agravos á saúde. No entanto, apesar
de todas as evidências apresentadas no meio acadêmico-científico, ainda existe uma lentidão no
1
Enfermeira do Centro Regional de Especialidades de Vitória ES, Programa de tabagismo e mestranda do Curso de
Atenção em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo. [email protected]
Av. Hugo Musso, 1464, aptº 802, Praia da Costa, Vila Velha, ES, Cep 29101-280.
2
Assistente Social do Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes, Vitória - ES e mestranda do Curso de Atenção em
Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo. [email protected]
Rua Afonso Braz, 35, aptº 904, Centro, Vitória, ES, Cep 29020-110.
3 3
Profª Drª do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Espírito Santo e do Programa de Pós-Graduação
em Atenção em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo. [email protected]. Av. Carlos Orlando de
Carvalho, 781, aptº 204, Vitória, ES, Cep 29060-260.
4
Av. Carlos Orlando de Carvalho 781 aptº 204, Jardim da Penha / Vitória, ES, Cep 29260-060.
4
Profº do Departamento de Pediatra da Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória - ES e mestrando do Curso de
Atenção em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Espírito Santo. [email protected] Av. Carlos Moreira
Lima, 399, aptº 102, Bento Ferreira, Vitória, ES, Cep 29050-650
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
250
processo de transformar o conhecimento em ações e estratégias efetivas para o controle do tabagismo.
Esse fato se explica em função de a expansão da epidemia do tabagismo estar focalizada em diferentes
aspectos - sanitários, ambientais, econômicos, sociais e políticos. Em função da complexidade e
amplitude envolvida na problemática do tabagismo, existe uma recomendação internacional de tratar o
fumante através de abordagem por profissionais de saúde (Brasil, 1997). Apesar de haver a
preocupação e o reconhecimento do Ministério da Saúde - INCA em abordar e tratar o fumante, essa
idéia vem sendo gradativamente incorporada entre os profissionais, ainda com algumas barreiras para
a sua efetivação, como o desconhecimento pela maioria dos profissionais de saúde, dos métodos para
deixar de fumar (Cavalcante, 2001) e o desinteresse em atender tal clientela, mesmo porque muitos
desses profissionais são fumantes (Campos, 1992). Um estudo multicêntrico em nível internacional,
envolvendo 9000 estudantes de medicina de 51 escolas, oriundos de 42 paises, identificou que apesar
da maioria desses acadêmicos reconhecerem de um modo geral, que o fumo é extremamente
prejudicial à saúde, existe grande desconhecimento sobre as conseqüências do fumo em determinadas
áreas (Menezes, 2001). Os achados mostraram que apenas 29% dos estudantes do último ano de
medicina na Europa, 32% nos EUA e 43% na Austrália sabem que o fumo é a principal causa de
doenças vasculares. Outro aspecto ainda apontado pela pesquisa é o de que, na maioria dos países
estudados, apenas 30% a 49% dos estudantes disseram que aconselhariam o paciente a abandonar o
fumo, sendo que, no Japão, esse percentual foi de apenas 5%. Uma curiosidade encontrada nesse
estudo é que os percentuais encontrados foram sempre menores quando os estudantes eram fumantes
(Menezes, 2001). A escolha por essa temática decorreu em face de que o Ministério da Saúde
preconizou a abordagem e tratamento dos pacientes tabagistas pelos profissionais da área da saúde, em
virtude do caráter epidêmico de consumo do tabaco e de sua relação com elevadas taxas de morbimortalidade.Uma vez que os acadêmicos serão os futuros profissionais que irão se deparar na prática,
com essa realidade, houve o interesse em identificar o nível de conhecimento específico sobre a
temática, nesses grupos de alunos. Diante desse raciocínio objetivou-se neste trabalho, averiguar o
nível de conhecimento entre os acadêmicos de quatro cursos da área biomédica - Enfermagem,
Farmácia, Medicina e Odontologia, por ocasião do início e do final dos cursos. Nossa hipótese
consiste no fato de os alunos da área de saúde, ao final do curso de graduação, terem mais informações
sobre o tabagismo, em relação aos alunos do primeiro período. METODOLOGIA Realizou-se um
estudo comparativo entre alunos dos períodos iniciais e finais dos cursos de graduação na área da
saúde, a fim de investigar se estes, ao final do curso, possuem mais informações sobre tabagismo que
os alunos do primeiro período. A pesquisa foi realizada no mês de fevereiro de 2004. Elaborou-se um
questionário contendo 21 questões estruturadas específicas sobre tabagismo e de caracterização dos
sujeitos. As perguntas foram elaboradas com base em materiais de publicações do Ministério da
Saúde/ Instituto do Câncer (INCA), veiculados em instituições de saúde e em eventos de capacitações
profissionais na área de saúde e de educação. Contemplou-se ainda se o aluno havia recebido
informação específica sobre tabagismo em alguma disciplina do seu curso. Caso positivo, solicitava-se
anotar todas as disciplinas que citaram o tema. O questionário avaliou o conhecimento geral sobre
tabagismo, abordando as seguintes questões: o tabagismo como fator de risco para várias doenças e
como causa direta de adoecimento; da legislação brasileira sobre o assunto; dos riscos e agravos
relacionados ao consumo; riscos do fumo passivo; agravos ao meio-ambiente; abordagem e tratamento
e estatísticas de estudos prévios. Quanto ao critério de pontuação das respostas não foi emitida
nenhuma nota, optando-se apenas por computar os erros e acertos de cada questão isoladamente. Os
questionários foram aplicados em sala de aula por um dos pesquisadores (60.9%) ou pelo professor da
turma (39%). Foram constituídos dois grupos de alunos. Aqueles alunos que cursavam períodos
iniciais da grade curricular foram denominados como grupo A e constituíram 94 alunos e aqueles que
cursavam o último período teórico, pertenciam ao grupo B, constituído por 80 alunos de graduação,
totalizando assim,174 alunos. Os dados foram analisados mediante testes estatísticos que comparou os
acertos nas respostas dos alunos que cursavam períodos iniciais com aqueles que estavam terminando
as disciplinas teóricas, que precedem o estágio. RESULTADOS A caracterização dos alunos
compreendeu faixa etária entre 18 a 28 anos, prevalecendo o sexo feminino em 57,5% deles. Houve a
predominância da raça branca em 50,6%, religião católica (64,4%) e quanto a renda familiar, 50% da
amostra, dos entrevistados declararam pertencer a média salarial de mais de 10 salários mínimos.
Quanto ao status em relação ao hábito de fumar, os estudantes se classificam em sua maioria como não
fumante, 159 (91,4%) alunos, seguindo os fumantes 7(4%) alunos e 6 (3,4%) deles eram ex-fumantes.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
251
Não responderam 2 (1,2%) alunos. Em análise descritiva, considerando todos os cursos, houve um
percentual de acerto mediano 66,7% das respostas e os alunos do curso de medicina obtiveram mais
acertos, cerca de 71% de acerto (p < 0,01) em relação aos demais cursos - farmácia, odontologia e
enfermagem. Cabe destacar, que segundo os alunos, o curso de medicina contém mais disciplinas que
bordam sobre o tabagismo, ao total oito disciplinas. O curso de odontologia apresenta três e o de
enfermagem, uma disciplina. No que diz respeito à estatística inferencial, a média de acertos entre os
períodos iniciais (grupo A) e finais (grupo B) de todos os cursos analisados revelou uma diferença
significante (p< 0,05), sendo que os acertos ao final do curso foi maior. Um fato surpreendente foi que
entre os alunos do curso de farmácia não houve citação de nenhuma disciplina na grade curricular
abordando a temática, mas na análise geral, em relação aos demais cursos, o percentual de acertos
entre esses alunos está equiparado aos alunos dos cursos de enfermagem e de odontologia, com
exceção aos alunos da medicina. CONCLUSÃO O presente estudo revelou que o percentual de
acertos relativos à temática de tabagismo ocorreu com predomínio entre os períodos finais de todos os
cursos analisados. Mesmo nos cursos onde não foi citado pelos alunos, a abordagem sobre tabagismo
em nenhuma disciplina, tal fato ocorreu da mesma forma. Os alunos que citaram terem recebido
informação sobre o assunto em alguma disciplina, foram os que tiveram maior número de acertos.
Assim podemos aventar que é significante a oferta deste conhecimento em disciplinas de curso da área
da saúde para os jovens em formação profissional. No entanto, acreditamos que esse não é o único
canal de conhecimento, visto que existem outras estratégias já elaboradas pelo Ministério da Saúde
/INCA, com esse propósito. Atualmente, as informações sobre tabagismo são veiculadas de várias
maneiras na sociedade, como por exemplo em reportagens em revistas e jornais, campanhas educativas
em instituições de saúde e escolas, com distribuição de folderes, cartazes e outros. Ao nosso entender,
uma proposta seria incluir a temática tabagismo nas grades curriculares enquanto disciplina nos
diferentes cursos da área da saúde, com a finalidade de constituir um corpo de conhecimentos
necessários à realização da abordagem de fumantes, somando esforços então, na política de prevenção
aos riscos e agravos provocados pelo tabagismo.
Referências Bibliográficas:
CAMPOS, H.S. Tabagismo entre os médicos no Brasil: Jornal de epidemiologia. 1992. 18 (1): 1-9.
CAVALCANTE, T. M. O médico e suas representações sobre tabagismo, fumante e cessação de
fumar". 2001. 223f. Dissertação (Mestrado em Saúde Pública) - Programa de Pós-Graduação em
Ciências na Área de Saúde Pública, Escola Nacional de Saúde Pública, Rio de Janeiro, 2001.
MENEZES, A. et al. Evolução temporal do tabagismo em estudantes de medicina,1986, 1991, 1996.
Revista Saúde Pública. 2001; 35 (2): 165-69.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
252
118. QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL COMO INDICADOR DA QUALIDADE DE
SERVIÇO NA ENFERMAGEM
Cristina Ribeiro Macedo1
Mariana Rabello Laignier2
Priscilla Rocha Araújo3
Rita de Cássia Duarte Lima4
Simone Erlacher Médici5
A humanidade tem passado por transformações econômicas, políticas, sociais e culturais, e é
necessário ter consciência de que estamos numa sociedade marcada pela tecnologia e pela informação,
sendo assim, exige-se das pessoas conhecimentos sólidos, espírito competitivo e habilidades para o
trabalho em equipe. O mercado de trabalho tem demandado do trabalhador atributos mais amplos tais
como um patamar superior de escolarização, e competências diferenciadas. O setor saúde pelo fato de
fazer parte do conjunto das atividades denominada serviços de consumo coletivo sofre de igual forma
os impactos dos processos de ajuste macroestrutural que vem atingindo o setor industrial nas duas
últimas décadas: por um lado, a busca de produtividade e de quali3dade pela via da redução de custos,
privatizações e terceirizações; por outro as exigências de melhoria de processos e serviços, por meio
de novas formas de organização do trabalho e do investimento em programas de capacitação
profissional dos trabalhadores. (BRASIL, 2001b, p.8). O PROFAE (Projeto de Profissionalização dos
trabalhadores da Área de Enfermagem) é o maior programa nacional de qualificação profissional do
setor de saúde em desenvolvimento no Brasil, abrangendo os trabalhadores que atuam na promoção,
recuperação e reabilitação da saúde, seja na rede ambulatorial (postos e centro de saúde), rede
hospitalar pública, privada ou filantrópica. Por meio deste projeto procura-se oferecer melhor
qualificação técnica e humanização da assistência de enfermagem. Hoje, na pós-modernidade, a
educação reassume centralidade não apenas para o desenvolvimento sócio-econômico em geral, mas
para reinserção e realinhamento dos países no cenário internacional. Frente ao avanço da tecnologia,
os países continuam necessitando de mão de obra qualificada. O panorama atual cobra competências,
trazendo à cena a questão da qualidade do ensino e exige qualificação geral, passível de ser
demonstrada na prática profissional e na vida diária. No que se refere à área de saúde, e tendo como
parâmetro a Resolução no 4, de 8/12/1999, da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de
Educação, que explica as competências profissionais de nível técnico, a normalização das
competências gerais e especificas deveria tomar por base os seguintes níveis de competências com
suas respectivas categorias de capacidades e habilidades: competências técnicas, isto é, a capacidade
de dominar os conteúdos das tarefas, das regras e dos procedimentos da área especifica de trabalho;
competências organizacionais ou metódicas, isto é, a capacidade de auto planejamento, de autoorganização, de estabelecimento de métodos próprios, de gerenciamento de seu tempo e espaço,
desenvolvendo a flexibilidade do processo de trabalho; competências comunicativas, como a
capacidade de expressão e comunicação com o seu grupo, superiores hierárquicos ou subordinados, de
cooperação, de trabalho em equipe, desenvolvendo a prática do diálogo, o exercício da negociação e a
comunicação interpessoal; competências sociais, isto é, a capacidade de utilizar todos os seus
conhecimentos obtidos em fontes, meios e recursos diferenciados, nas diversas situações encontradas
no mundo do trabalho e a capacidade de transferir conhecimentos da vida cotidiana para o ambiente de
trabalho e vice-versa; competências pessoais, isto é, a capacidade de assumir responsabilidade sobre o
1
Enfermeira, especialista em Educação Profissional na Área da Saúde pela UFES/ES e mestranda do Programa de PósGraduação em Atenção à Saúde Coletiva da UFES.
2
Enfermeira, especialista em Educação Profissional na Área da Saúde pela UFES/ES e mestranda do Programa de PósGraduação em Atenção à Saúde Coletiva da UFES.
3
Enfermeira, especialista em Família pela CEAF/FDV, especialista em Educação Profissional na Área da Saúde pela
UFES/ES e mestranda do Programa de Pós-Graduação em Atenção à Saúde Coletiva da UFES.
Rua Amélia Tartuce Nasser 835/404 Jardim da Penha Vitória ES. CEP: 29065-020. E-mail: [email protected]
4
Enfermeira, doutora em Saúde Coletiva UNICAMP, docente do Curso de Graduação em Enfermagem e coordenadora do
Programa de Pós-graduação em Atenção a Saúde Coletiva da UFES.
5
Enfermeira, especialista em Educação Profissional na Área da Saúde pela UFES/ES
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
253
trabalho, de tomar a iniciativa, de exercitar a criatividade, de aprender, de ter abertura às mudanças, de
desenvolver auto-estima, atributos que implicam no desenvolvimento da subjetividade do indivíduo na
organização do trabalho; competência de cuidado, isto é, a capacidade de interagir com o paciente
levando em consideração suas necessidades e escolhas, valorizando a autonomia que este tem para
assumir sua própria saúde, a partir da concepção de saúde como qualidade de vida; competências de
serviço, a capacidade de compreender e se indagar sobre o impacto que seus atos profissionais terão
direta ou indiretamente sobre os serviços ou usuários, ou ainda de que forma os destinatários serão
influenciados; competências sócio-políticas, capacidade de refletir sobre a esfera do mundo do
trabalho, de ter consciência da qualidade e das implicações éticas do seu trabalho, de ter autonomia de
ação e compromisso social, e de desenvolver o exercício da cidadania (BRASIL, 2001b p. 13,14).
Observando a abrangência do Programa de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de
Enfermagem (PROFAE), e na condição de instrutores do curso, acompanhamos a sua aceitação por
parte dos seus beneficiados e as expectativas criadas em torno da qualificação oferecida, do
crescimento profissional técnico-científico e financeiro. Objetivamos avaliar, na visão dos
profissionais inseridos no processo, o impacto do curso de Qualificação Profissional do PROFAE em
suas vidas e verificar se as competências técnicas, comunicativas, sociais e pessoais propostas pelo
programa foram atingidas. Foi utilizada como metodologia a pesquisa qualitativa de caráter descritivo,
sendo aplicado um questionário semi-estruturado, no mês de junho de 2003, aos trabalhadores do
Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória (HINSG), localizado no município de Vitória, Espírito
Santo, que concluíram o curso. O trabalho foi desenvolvido com 25 servidores, sendo 21 Auxiliares de
Enfermagem, 3 Atendentes de Enfermagem, 1 Auxiliar de Serviços Gerais (escolaridade antes da
Profissionalização). Observamos uma maior procura pela capacitação por parte dos profissionais
acima de 40 anos, seguido da faixa etária de 26 a 30 anos, juntamente com os profissionais de 35 a 40
anos, apenas 4% dos servidores se encontrou na faixa etária de 31 a 35 anos, sendo que 16% não
informaram a idade. A principal motivação para a realização do curso foi adquirir novos
conhecimentos na sua área de atuação (49%), crescimento profissional (27%), seguido da expectativa
de melhoria do poder aquisitivo (12%), cumprimento da legislação (3%) e atualização (3%).
Obtivemos como resultado da pesquisa que 84% dos servidores consideram que houve crescimento
profissional, os principais argumentos apresentados foram: humanização do atendimento; visão
globalizada do paciente; melhora do relacionamento inter-pessoal; aperfeiçoamento no
desenvolvimento das técnicas de enfermagem; e enriquecimento do conhecimento científico. Houve
mudança de comportamento no desempenho da profissão, com o emprego do conhecimento teóricoprático e estímulo à participação em eventos de caráter científico. Em relação ao nível salarial, não
houve mudança, pelo fato do hospital não oferecer reenquadramento da nova categoria profissional
sem a realização de concurso público. Dos entrevistados, 64% afirmaram que mantiveram o bom
relacionamento que possuíam com a equipe de saúde, com pacientes e familiares, porém 36%
afirmaram ter havido melhora; e 56% dos trabalhadores pesquisados disseram sentirem-se mais
motivados, no entanto 40% disseram que não, e apenas 4% não opinaram. Quando perguntado se o
trabalhador se sente mais respeitado como membro da equipe após a realização do curso, 32% relatou
que sim; enquanto 4% não opinou; e a maioria, 64%, respondeu que não houve mudança. Concluímos
que houve grande aproveitamento e mudança de comportamento no desempenho profissional dos
servidores que realizaram o curso. Observamos que alguns servidores fizeram a capacitação
pressionados pela chefia imediata, ou pelo contexto profissional atual, conseqüentemente, estes
servidores tiveram um menor aproveitamento do curso. Aqueles que se submeteram à capacitação por
iniciativa própria, por estarem conscientes que enquanto profissionais comprometidos com a qualidade
da assistência prestada ao paciente necessitam de otimização de conhecimentos, apresentaram um
ótimo desempenho durante e após o curso. Pudemos quantificar que foram atingidas as seguintes
competências de nível técnico por parte dos profissionais abordados: competências técnicas,
competências comunicativas, competências sociais e competências pessoais.
Referências bibliográficas:
BRASIL, Ministério da Saúde. Formação: Humanizar cuidados de saúde: uma questão de
competência. Brasília,v.1, nº2, 2001b.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
254
CECCIM, R. B. Formação e desenvolvimento na área da saúde: observação para políticas de recursos
humanos no SUS. In: FALCÃO, A. Observatório de Recursos Humanos no Brasil estudos e análises.
Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2003.
LIMA, Rita de Cássia Duarte. A enfermeira: uma protagonista que produz o cuidado no cotidiano do
trabalho em saúde. Vitória: EDUFES, 2001.
MINAYO, M. C. de S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 5 ed. São Paulo:
Hucitec, 1998. SOUZA, J. G. Humanização hospitalar: bases e estratégias de integração e inter relação
na equipe de enfermagem. 2000. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) Escola de Enfermagem
Anna Nery, Rio de Janeiro, 2000.
120. A MONITORIA DESVELANDO O SER DOCENTE: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA 1
Michelle Heinze Bayerl 2
Lívia Bedin 3
1. Introdução. A proposta deste trabalho é trazer um relato de experiência vivida no ano de 2003 e
2004, durante a monitoria ministrada aos alunos do 3o período do curso de enfermagem, onde
procurou-se enfatizar a importância desta como instrumento riquíssimo para o desenvolvimento do
ensino-aprendizado, dentro das disciplinas de Semiologia e processo Terapêutico e Fundamentos
Teóricos do Cuidar I. Tal experiência tem se mostrado como uma possibilidade de ampliação na
formação de futuros professores e tem suscitado questões relativas à própria formação; desta forma,
busca-se com o relato, trazer diferentes enfoques que possibilite concretizar a experiência vivida
através da monitoria perpassando por aspectos diferenciados, como: as relações de trabalho, o
aprendizado com a monitoria, a relação interdisciplinar do ensino de enfermagem, a relação teóricaprática da disciplina de fundamentos e o despertar para a docência. Quando entrei no projeto de
monitoria, lembro claramente da expectativa de ter que dar aula para um aluno, que dirá para um
grupo de alunos. Como tudo que é novo gera medo, esta experiência inicialmente também gerou
medo. E vencer essa etapa de vida virou um desafio, já que assumi o compromisso junto à Instituição.
Hoje os desafios são outros: a falta de estrutura psicológica diante de um aluno ou de um grupo já foi
superada, a desenvoltura para falar em público já é melhor. Tenho tido a chance de perceber esse
crescimento durante as aulas onde falo com mais segurança aos grupos que recebo. O despreparo
frente ao conteúdo também já não assusta tanto, mas em momento algum foi deixado de lado. O
conteúdo teórico tem sido enriquecido com artigos científicos, literaturas adotadas pelos docentes e
por cada novo detalhe que surge. Com a chegada dos grupos de alunos dava-se inicio as aulas (aula
entendida como lugar de troca) baseada nos aspectos científicos que o espaço proporciona. E por mais
que se seguisse um roteiro para ministrar a aula, cada qual se diferenciava uma da outra. De acordo
com BAKHTIN (1988), por se tratar de grupos diferentes, cada monitoria é uma experiência única,
onde a relação que estabelecemos com o conteúdo da exposição e seus visitantes é diferente Pode-se
observar que durante o período letivo, a procura pelos monitores foram acentuadas em épocas em que
as avaliações práticas se iniciavam, pois os alunos traziam inúmeros duvidas, dificuldades e
ansiedades por se tratar da necessidade de ter sua técnica de enfermagem avaliada pelo docente. Os
atendimentos eram agendados, o aluno procurava a monitora e marcava hora, dia e a técnica que
gostaria de revisar. Em comum acordo entre os estagiários do laboratório de semiologia,
estabelecemos um limite no numero de alunos por prática, para que houvesse um melhor
aproveitamento das atividades. Cada grupo trabalhado era composto por até dez alunos, desta forma
evitava-se as conversas paralelas. Verificamos que houve um aumento do interesse por parte deles em
esclarecimento de dúvidas e também em praticar os procedimentos quantas vezes forem necessários.
No decorrer desse trabalho, verificou-se o despreparo da maioria dos alunos antes das monitorias, pois
1
Projeto de pesquisa estágio extra curricular.
2 Universitária do 7o período e monitora das discipinas de Semiologia e Fundamentos I e II do Curso de
Enfermagem do Centro Universitário São Camilo-ES. e-mail: [email protected] Rua: Coronel
Borges, 35. Bairro: Coronel Borges. Cachoeiro de Itapemirim-ES. CEP: 29.306-100.
3. Professora Dra. Coordenadora do Curso de Enfermagem do Centro Universitário São Camilo-ES.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
255
muitos procuravam o atendimento sem terem realizado um estudo prévio do conteúdo solicitado.
Assim, exigiam muitas vezes, que o monitor retomasse toda a teoria, cobrando de certa forma, detalhes
que não seriam possíveis de serem sanados naquele momento.
2. Metodologia A opção
metodológica empregada consistiu de uma revisão teórica do conteúdo escolhido pelos alunos,
ressaltando somente os pontos fundamentais para a execução dos procedimentos. Em seguida utilizouse o material, anteriormente organizado, para demonstrar, passo a passo a técnica explicada,
levantando os pontos relevantes de cada etapa do procedimento, bem como as suas complicações,
quando existentes. No final de cada explanação do conteúdo e demonstração das práticas deixava-se a
critério do acadêmico a realização das mesmas, com o intuito de esclarecer ainda mais as dúvidas. 3.
Resultados Neste momento como monitora tive que desenvolver habilidade para lidar com a situação
estabelecida pelo grupo, e muitas vezes, transcendendo no nervosismo e na ansiedade que se
manifestava durante o desenvolvimento das atividades. Foi então que percebi a importância de
estabelecer uma relação de confiança interpessoal, que surtiu resultados interessantes e importantes
que determinavam a convivência durante àquele período e aquele processo. Era preciso estabelecer o
respeito e o auto-controle da situação, sem contudo caracterizar-me como ditador, mas como amiga e
intelectualmente capacitada para exercer determinada função. Segundo SCHUTZ (2002) apud
FRITZEN (2002), todo individuo vem a um grupo com necessidades interpessoais específicas e
identificadas. Baseado na teoria das necessidades interpessoais, os membros de um grupo não
conseguem integrar-se, senão a partir do momento em que certas necessidades fundamentais são
satisfeitas pelo grupo. Existem três necessidades interpessoais: a necessidade de inclusão, a
necessidade de controle e a necessidade de afeição. Sendo que todo individuo ao entrar no grupo
preocupa-se, inicialmente, com a inclusão passando, a seguir para o controle e, finalmente, procura
satisfazer sua necessidade de afeição. Essas necessidades foram exploradas por mim durante a
convivência, e estabeleci uma convivência harmônica, onde todos saíram satisfeitos, eles por
relatarem segurança e confiança nas aulas ministradas por mim e eu por ter conseguido lecionar e ver
o grupo crescer teórica e tecnicamente. De acordo com FRITZEN (2002), conviver é viver com.
Consiste em partilhar a vida, as atividades com o outro. São encontros para conviver, para buscar junto
um objetivo, e onde se partilha a vida, as experiências e se busca uma projeção futura. É importante
ressaltar que o aluno de graduação tem por vezes poucas chances de realmente refletir sobre a escolha
da docência, seja pela urgência da formatura, exigência do mercado de trabalho, e outros, e o momento
da monitoria deve ser valorizado para esta reflexão, contando com devidos incentivos por parte de
seus professores, que devem encarar a monitoria como primeiro passo para a docência. De acordo com
FREIRE (1979), o professor tem o papel de não ficar somente se detendo no quadro negro, mas deve
transcender, ir além. Fazer parte desta rotina, além de proporcionar um conhecimento maior sobre a
profissão escolhida, também ajuda a escolher futuros passos profissionais, uma vez que mostra que as
atividades desenvolvidas, especificamente pela enfermagem, não se resumem ao ambiente hospitalar,
mas também às atividades de ensino, pesquisa, gerencia, assessoria e administração dos serviços de
saúde. 4. Conclusões Acredita-se que esta atividade acadêmica constitui-se num elo de integração
entre pesquisa, ensino e cuidado de enfermagem, aspectos fundamentais que devem ser perseguidos
por aqueles que almejam exercer a docência. O estudo propiciou o entendimento do processo ensinoaprendizagem, libertando o aluno do ensino tradicional onde ele é considerado uma página em
branco , transcendendo-o ao modelo pedagógico dinâmico, que estimula o desenvolvimento do
raciocino, fazendo com que os pré-docentes envolvidos inovem as estratégias pedagógicas de ensino.
Apesar de pouca experiência que tenho, posso refletir que o projeto aponta a possibilidade de
desabafar os muros da própria sala de aula e ainda observar a prática educativa como algo amplo, que
transcende não somente a uma matéria, a um quadro ou a um prazo, mas a possibilidade de
desenvolver no aluno a construção do ser docente.
Referências Bibliográficas:
BAKHTIN, M. Marxismo e Filosofia da Linguagem. Mucitec: São Paulo, 1990 FREIRE, Paulo.
Educação como prática de liberdade. Paz e Terra: Rio de Janeiro, 1979. FRITZEN, S. J. Relações
Humanas Interpessoais. Vozes: Petrópolis, 2002.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
256
122. ESTRESSE NO TRABALHO COMO DESENCADEADOR DE HIPERTENSÃO E
HIPERGLICEMIA
Walckiria Garcia Romero1
Viviane Tomasi Hemerli Campostrini2
Arleide Brandão Braga 2
Tatiane Miranda da Silva3
Therezinha Barbosa Monteiro3
Neste trabalho, foi pesquisado a relação do estresse com hipertensão arterial e hiperglicemia no
ambiente de trabalho. Devido ao aumento constante de doenças cardiovasculares, a preocupação com a
melhoria na qualidade de vida dos funcionários foi despertada por, nós, profissionais de saúde. O
estresse é o maior vilão do século XXI e desencadeador de várias outras doenças, principalmente as
cardiovasculares que são as maiores causas de óbitos e inatividade (seqüela) no mundo. Na Saúde
Coletiva, a Enfermagem tornou-se peça de fundamental importância, pois consegue envolver o cliente
à medida que passa todas as informações/orientações necessárias para a prevenção e tratamento
adequado. Suas consultas são abrangentes, pondo em prática a visão holística na qual observa o
paciente como um todo, e não simplesmente como uma doença, observando os aspectos físicos,
mentais e sociais. Dá ênfase ao cliente e tudo que o envolve (família, trabalho, laser, sexualidade,
alimentação, etc...). Neste caso, é o profissional com perfil mais adequado para o acompanhamento
dos funcionários vítimas de hipertensão arterial e hiperglicemia ou com predisposição há desenvolvelos, através de consultas periódicas melhorando a qualidade de vida destes, a produtividade e
qualidade dos serviços prestados. Na etiopatogenia da hipertensão arterial e do diabetes, o fator
genético é fundamental no desenvolvimento da doença. Entretanto não é o único e nem suficiente. Um
indivíduo que apresente pré-disposição genética para tais doenças, irá desenvolve-las de acordo com o
estilo de vida que adotar. Segundo GOLDSTEIN (1973, p.1313) ... se o indivíduo for sedentário,
obeso, se alimentar incorretamente e tiver uma vida estressante, a probabilidade de desenvolvê-las
torna-se maior . Uma mensuração isolada de pressão arterial alta não qualifica um diagnóstico de
hipertensão. Todavia, se o enfermeiro, ao exame, encontra uma leitura elevada durante a primeira
mensuração (ex. 150/90 mmHg ), o cliente deve ser encorajado a retornar para um novo exame, com
avaliações e acompanhamento freqüentes (POTTER e PERRI, 1997 p. 342). A ansiedade, o medo, a
dor e o estresse emocional, resultam em estimulação simpática, o que aumenta a freqüência cardíaca, o
débito cardíaco e a resistência vascular periférica. Relata POTTER E PERRI (1997, p. 341) que o
efeito da estimulação simpática aumenta a pressão arterial. O diabetes mellitus é caracterizada por
níveis elevados de glicose sanguínea. Níveis elevados de glicose plasmática em jejum acima de 140
mg/dl ou níveis aleatórios de glicose plasmática acima de 200 mg/dl em mais de uma ocasião são
sugestivos de diabetes e merecem investigação (World Healt Organization, 1985). A relação entre
diabetes mellitus e cardiopatia foi substanciada. A hiperglicemia favorece a agregação plaquetária
aumentada e a função alterada do eritrócito, as quais podem levar à formação de trombos . Também,
segundo BRUNNER E SUDARTH, foi sugerido que a insulina lesiona a parede vascular levando à
resposta inflamatória (2000, p. 521); o ácido nicotínico do tabaco deflagra a liberação de
catecolaminas, que elevam a frequência cardíaca e a pressão arterial e também gera a constricção das
artérias e aumenta a adesão plaquetária . (2000, p. 574). A Associação Nacional de Assistência ao
Diabético ANAD relata que as diversas cardiopatias são três vezes mais frequentes em diabéticos.
Quando não controlado, o diabetes pode trazer outras complicações tais como: doenças pulmonares e
circulatórias, insuficiência renal e hipertensão arterial. Em situações de estresse, a glicose sanguínea é
aumentada para suprir mais prontamente a energia disponível. A liberação de adrenalina e
noradrenalina estimulam o sistema nervoso e produzem efeitos que aumentam a taxa metabólica de
glicose sanguínea (BRUNNER e SUDDARTH, 2000 p. 96). A reação ao estressor relacionado com o
1
Professora do Departamento de Enfermagem do Centro Universitário do Espírito Santo
UNESC. E-mail:
[email protected] . Rua Natalina Daher Carneiro 135/104 Jardim da Penha, Vitória ES. Tel: 9933-6514 / 3325-7974.
2
Professoras do Departamento de Enfermagem do Centro Universitário do Espírito Santo UNESC.
3
Enfermeira do Hospital Santa Rita de Cássia, Vitória Es
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
257
trabalho depende da personalidade do funcionário, do seu estado de saúde, das experiências prévias
com o estresse e dos mecanismos de enfrentamento (POTTER E PERRI, 1997 p. 342).. Trata-se de
uma pesquisa de natureza qualitativa, estruturada, realizada com 10% dos funcionários do Centro
Universitário do Espírito Santo UNESC, Campos I, localizado na cidade de Colatina ES. A coleta
dos dados aconteceu nos dias 01,02 e 03/09/2003 pelos alunos do 5º período de enfermagem, em dois
horários: 10:00 e 15:00 horas, diariamente, com os mesmos funcionários, podendo, desta forma, notar
a variação de pressão arterial e glicemia nestes 3 dias em horários diferenciados. Como pré-requisito
para a execução da pesquisa, foram alvos somente funcionários com idade acima de 30 anos e com
tempo de trabalho na instituição superior a 1 ano. No primeiro dia da coleta, o funcionário respondeu
um questionário no qual foram relacionados fatores de risco para o desenvolvimento de doenças
cardiovasculares e hiperglicemia. O resultado do trabalho realizado com os funcionários pode
comprovar, através de dados, a necessidade de profissionais da área da saúde que possam fornecer
orientações sobre prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares. Como sabemos, o índice de
massa corpórea superior a 30% é diagnosticado como obesidade, que é um dos fatores predisponentes
a hipertensão, a hiperglicemia e a doenças cardiovasculares. Um alto índice de funcionários (18 %)
apresenta IMC superior a 25% o que pode desencadear problemas funcionais, para a empresa e para o
funcionário. No ambiente de trabalho, alguns períodos devem ser reservados para descanso. Porém na
análise dos dados, pudemos observar que este fato não acontece, no horário do almoço, em cerca de
42% dos entrevistados. Alguns dos entrevistados relataram não fazer uso de bebidas alcoólicas (56%),
fazerem uso somente finais de semana (42%) e diariamente (2%). O fumo também está relacionado
com várias doenças. As cardiopatias estão em ampla distribuição nestes usuários. A associação
estresse x fumo chega a ser considerada uma bomba silenciosa . Dentre os entrevistados, 21%
fumam mais que um maço/dia de cigarro e 7% mais que dois maço/dia. Considerando que a
hipertensão e a diabetes são fatores fundamentais no aparecimento de cardiopatia, o índice elevado
destas patologias sugere que um processo de intervenção imediata deve ser adotado dentro da
instituição, onde 21% já são hipertensos e 71% tem história familiar de hipertensão; 9% são diabéticos
e 19% tem história familiar de diabetes. Com relação ao trabalho, a maior parte dos funcionários
queixou ser estressante. Somente 25% relataram não apresentar estresse no trabalho, o que significa
que de uma forma ou de outra 75% inclui o estresse em suas atividades diárias. A irritabilidade, antes
mesmo de chegar à instituição de trabalho, foi um fator surpresa . Cerca de 27% às vezes já chega
estressado ao trabalho e 6% sempre chegam estressados ao trabalho. A taquicardia é um sinal de
alteração orgânica e funcional, e é um alerta para o estresse. Dos entrevistados 56% não sentem tal
sintoma, porém 35% sentem poucas vezes e 9% várias vezes. Na análise dos dados colhidos pelas
aferições de pressão arterial, 20% apresentavam valores superiores a 140/90 mmHg, em diferentes
horários do dia, porém durante o período diurno as alterações foram maiores. Na análise dos dados das
coletas de glicemia capilar, cerca de 34% dos funcionários apresentavam glicemia capilar entre 140 e
200mg/dl, o que é um dado preocupante visto que, mesmo não estando em jejum, os valores estavam
acima do esperado. Cerca de 3% apresentaram glicemia capilar superior a 200 mg/dl. As alterações de
valores foram mais proeminentes no período diurno. À partir do que foi explorado neste projeto,
deduzimos de forma incontestável a importância da atuação do Enfermeiro dentro desta instituição,
não somente como docente, mas também como colaborador na melhoria da qualidade de vida do
funcionário e na melhoria dos serviços prestados por estes. O estresse diário no ambiente de trabalho
auxilia na execução das funções, desde que controlado. Quando passa a ser rotineiro, desenvolve uma
ação negativa no organismo levando o indivíduo a várias alterações orgânicas e funcionais. Os maiores
problemas passam a ser a hipertensão arterial e hiperglicemia, fatores determinantes para o
desenvolvimento de cardiopatias, que são as maiores causas de inatividade e óbito no mundo. As
alterações encontradas nas coletas de dados mostra-nos a importância de tomadas imediatas de
decisões quanto a implantação de serviços de atendimento a funcionários dentro da instituição. As
consultas de Enfermagem visam não somente o tratamento das patologia existentes, mas
principalmente a prevenção das mesmas.
Referência Bibliográfica
ANAD. O que é diabetes. São Paulo, 2003. Disponível em: http://www.anad.org.br. Acesso em:
08/10/2003.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
258
BRUNNER, Lillian S; SUDDARTH, Doris S. Enfermagem médico-cirúrugico. 9 ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 2000, p. 96, 521, 574, 641.
GOLDSTEIN, M.J. Individual differences in response to stress. Am J Community Psychol, v.1,
p.1313, 1973.
POTTER, Patrícia A.; PERRY, Anne G. Fundamentos de enfermagem. 4 ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan, 1997, p.341,342, 574, 1361.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Diabetes mellitus: report of a who study group. Teach Report
Series n° 727, 1985
123. CONSULTA DE ENFERMAGEM A PACIENTES ALCOOLISTAS DO PAA-HUCAMUFES
Mariana Lorencetti Fornazier1
Michelle Garcia de Alcântara2
Marluce Miguel de Siqueira3.
INTRODUÇÃO: O uso indiscriminado do álcool vem causando considerável prejuízo a saúde de
todas as populações e, sendo este uma droga lícita, não há restrições para seu consumo, afetando
homens e mulheres de diferentes grupos étnicos, independentemente de classe social, econômica ou
mesmo idade. Recentemente em 2001, com a implantação em nosso país da Política Nacional
Antidrogas PNAD, observamos um maior incentivo a estudos e pesquisas que permitam incrementar
um melhor conhecimento sobre as drogas, com enfoque na prevenção, no tratamento, na recuperação e
reinserção social dos dependentes de drogas. Na enfermagem, uma profissão que possibilita atuação
no contexto intra e extra hospitalar, com o propósito da educação em saúde, temos um importante
instrumento para a consolidação da referida atuação a consulta de enfermagem; a qual surgiu em
1968 sendo legitimada como atividade do enfermeiro a partir de 1986 com a aprovação da nova lei do
exercício profissional. A consulta de enfermagem destinada a pacientes alcoolistas efetivou-se através
do PRONAL (1987), entretanto, este programa só foi implementado nos estados do Amazonas,
Maranhão, Bahia, Distrito Federal, São Paulo e Rio Grande do Sul. No Espírito Santo, o início dessa
atividade ocorreu em 1985 com a criação do Programa de Atendimento ao Alcoolista do Hospital
Cassiano Antônio Moraes da Universidade Federal do Espírito Santo PAA-HUCAM-UFES, sendo o
mesmo pioneiro na construção de uma metodologia de assistência de enfermagem ao público
alcoolista, bem como referência no tratamento ambulatorial em todo Estado. Para Barbosa et al. (1998)
e Campedelli (1990), a consulta de enfermagem é uma atividade exclusiva do enfermeiro que, usando
de sua autonomia profissional, assume responsabilidade quanto à ação da enfermagem a ser
determinada frente aos problemas detectados e a estabelecer a intervenção de enfermagem em nível
de: prestar cuidados que se fizerem necessários, ministrar orientações indicadas no momento e,
encaminhar para outros profissionais, quando a competência de resolução do problema fugir do seu
âmbito de ação. Portanto, o procedimento requer segurança para a tomada de decisão, de forma a
proporcionar uma assistência integral com eficiência e eficácia. No PAA-HUCAM-UFES, a
intervenção é desenvolvida através de uma equipe interdisciplinar, dirigida ao alcoolista e seus
familiares, onde o enfermeiro tem um papel essencialmente educativo. OBJETIVO: Este trabalho tem
como objetivo descrever e analisar as atividades desenvolvidas pela enfermagem na consulta dirigida a
alcoolistas do PAA-HUCAM-UFES. METODOLOGIA: O trabalho foi desenvolvido no período de
1
Acadêmica de Enfermagem da Universidade Federal do Espírito Santo e Bolsista de IC do CNPq-balcão. (Rua: Basílio
Costalonga n40 Ilha das Flores Vila Velha ES Cep: 29.115-560 Tel:32267947/81167527 e-mail:
[email protected]
2
Acadêmica de Enfermagem da Universidade Federal do Espírito Santo e Bolsista de IC do PIBIC/CNPq-UFES.
3
Profª. Adjunto IV do Deptº de Enfermagem do Centro Biomédico da UFES, Coordenadora do NEAD-CBM-UFES e
orientadora.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
259
janeiro a março de 2002, através de um levantamento das consultas de enfermagem realizadas a
pacientes alcoolistas do Programa de Atendimento ao Alcoolista no Hospital Universitário Cassiano
Antônio de Moraes da Universidade Federal do Espírito Santo (PAA-HUCAM-UFES). O atendimento
no Programa ocorre de segunda a quinta-feira das 13:00 às 17:00 h no Ambulatório de Clínica Médica
do Hospital Universitário, onde são agendas diariamente consultas iniciais e de retorno. O PAA possui
como proposta de trabalho a atuação de uma equipe interdisciplinar composta pelos profissionais das
áreas de Serviço Social, Medicina, Enfermagem e Psicologia; e tem como objetivos a prestação da
assistência ao alcoolista e seus familiares. Além disso, o Programa integra a proposta desenvolvida
pelo NEAD (2001), no âmbito assistencial. A assistência oferecida aos pacientes e familiares é
realizada com metodologia própria através das seguintes etapas: Reunião de Sala de Espera; Entrevista
com o Serviço Social; Consulta médica; Consulta de Enfermagem; Atendimento psicológico; e Grupos
de ajuda mútua (AA, AL-ANON, AL-TEEN). Na consulta de Enfermagem são abordados os paciente
e seus familiares através de uma visão holística, procurando trabalhar a educação em saúde, a partir
dos problemas decorrentes do uso, abuso e dependência do álcool. A metodologia da assistência de
enfermagem baseia-se nas teorias de Enfermagem de Horta e Orem. A avaliação da consulta de
Enfermagem desenvolvida no PAA-HUCAM-UFES foi realizada através de dois momentos. No
primeiro momento, aplicamos um instrumento (anexo 1) no qual, através de uma análise retrospectiva
nos prontuários dos pacientes atendidos em 2002, foram levantados os seguintes dados: identificação,
grau de severidade, participação em grupos de ajuda mútua, tipo de apoio, orientações sobre o autocuidado, orientações alcoolismo-doença e encaminhamentos. Num segundo momento, estes dados
foram submetidos a uma análise quali-quantitativa, sendo que na análise quantitativa foram
empregadas medidas de tendência central e na análise qualitativa foram consideradas as etapas da
consulta desenvolvidas pela enfermagem. RESULTADOS: Foram realizadas 603 consultas, sendo
28,7% de primeira vez e 71,3% de retorno. Deste total, 82% participaram da Reunião de Sala de
Espera e 18% de Alcoólicos Anônimos. Constatou-se que, em relação às orientações dadas na primeira
consulta com ênfase nas necessidades humanas básicas, 21,6% foram sobre hidratação, 20,8% sobre
alimentação, 15,4% sobre atividades físicas, 11,6 sobre atividade sócio-espiritual, 8,9% sobre
recreação, 8,1% sobre higiene, 7,2% sobre sono/repouso, 5% atividade ocupacional e 1,5% sobre
sexualidade. Quanto às orientações sobre alcoolismo-doença, centraram-se 58,8% no conceito de
alcoolismo, 21,9% sobre epidemiologia, 9,8 sobre ajuda especializada e 5,1% na ação do álcool no
organismo. CONCLUSÃO: Nossos achados demonstram que a manutenção da abstinência do álcool
tem sido auxiliada pelo atendimento prioritário das necessidades humanas básicas (NHB) de
hidratação, alimentação e atividade física, devendo ser mais implementado o encaminhamento para os
grupos de ajuda mútua (GAM). A educação em saúde sobre a SDA desenvolvida pela enfermagem no
PAA abrange prioritariamente o conceito, epidemiologia e conseqüências da problemática, oferecendo
orientações iniciais para um melhor entendimento do paciente sobre sua doença e, posteriormente, os
motivos que levam o paciente a beber, a ação do álcool no organismo e o sucesso do tratamento,
fornecendo condições facilitadoras para a manutenção da abstinência.
APOIO FINANCEIRO: PIBIC/ CNPq-UFES e CNPq-balcão.
Referências Bibliográficas:
BRASIL. Presidência da República. Secretaria Nacional Antidrogas. Política Nacional Antidrogas.
Brasília: Gabinete de Segurança Institucional, Secretaria Nacional Antidrogas, 2001, 40p.
CAMPEDELLI MC. Reflexões sobre a consulta de enfermagem. Enfoque, São Paulo, 1990; 18(2) 2830.
DSM IV- Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. trad. Dayse Batista, 4ª ed., Porto
Alegre: Artes Médicas, 1995.
MACIEIRA MS, GOMES MPZ, GARCIA MLT. Programa de Atendimento ao Alcoolista do
HUCAM da UFES (PAA-HUCAM-UFES). J. Bras.Psiq. 1993; 42:97-109.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. CID-10: Manual da Classificação Internacional de
Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. 10º revisão. 6º ed, São Paulo, OMS/OPS; 1998; 1: 313-4.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
260
124. NÚCLEO DE ESTUDOS SOBRE O ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS (NEAD): UMA
RETROSPECTIVA DE 05 ANOS.
Juliana P. Bossato1
Josiane dos Santos1
Mª da Penha Z. Gomes2
Ester M. NakamurPalacios3
Mª Lúcia T. Garcia4
Marluce M. de Siqueira5
Introdução: o Núcleo de Estudos sobre o Álcool e outras Drogas (NEAD) integra o Comitê Assessor
do Conselho Estadual Antidrogas contribuindo na formulação e implantação da política estadual
antidrogas, através de ações tanto preventivas quanto de tratamento em todo o Estado do Espírito
Santo.O Núcleo de Estudos sobre o Álcool e outras Drogas (NEAD) foi criado em junho de 1996 e
registrado na Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) como um projeto permanente vinculado
administrativamente ao Centro Biomédico da Universidade Federal do Espírito Santo (CBM/UFES).
O núcleo atua há cinco anos na área de dependência química e é composto por uma equipe
interdisciplinar de docentes e profissionais de diversas áreas de conhecimento da Universidade Federal
do Espírito Santo (UFES), que visa, além do trabalho interdisciplinar e interinstitucional, a produção e
divulgação de conhecimentos, através de pesquisas e do estabelecimento de cooperações técnicocientíficos e assessorias a organismos governamentais e não governamentais. Colaborando desta
forma, com as necessidades da população capixaba, e com a proposta de atenção integral à saúde
preconizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Os trabalhos desenvolvidos pelo núcleo
repercutem por meio da tríade ensino-assistência, pesquisa e extensão, sendo o Programa de
Atendimento ao Alcoolista (PAA), o pioneiro em serviços de referência no tratamento do alcoolismo
no Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (HUCAM). Na área de pesquisa são realizadas
investigações científicas: básicas (conhecimentos relativos ao abuso e dependência de drogas e seus
efeitos sobre a aprendizagem); clínica-cognitivas (funções cognitivas e disfunções mentais, que
estejam ou não sob o tratamento de agentes terapêuticos) e clínicas (perfil de uso, abuso e dependência
de drogas no Espírito Santo), bem como avaliação de vários aspectos e formas de tratamento clínico
das dependências químicas. Objetivo: avaliar a produção científica do Núcleo de Estudos sobre o
Álcool e outras Drogas (NEAD) no período de julho/1997 a dezembro /2001, uma vez que o núcleo é
uma referência para a sociedade capixaba e a avaliação deste serviço é fundamental, pois propiciará
uma análise quali-quantitativa desta atuação interdisciplinar. Metodologia: a produção científica do
Núcleo de Estudos sobre o Álcool e outras Drogas (NEAD) foi avaliada no período de julho/1997 à
junho/2001, considerando-se os seguintes períodos: o triênio 1997 a 1999 e o biênio 2000 a 2001. Os
dados foram coletados nos relatórios do núcleo apresentados à Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) da
Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), por meio de um levantamento retrospectivo
envolvendo as áreas de ensino- assistência, pesquisa e extensão. Na análise dos dados, a produção
científica foi classificada qualitativa e quantitativamente de acordo, com a padronização de curriculum
vitae, utilizada pelos órgãos brasileiros de fomento à pesquisa. Resultados: Das 776 produções
científicas do núcleo, 358 (46%) contemplaram a área de ensino- assistência, 210 (27%) a pesquisa e
208 (27%) a extensão. Nesta avaliação de serviços observou-se um número significativo de produções
vinculadas a trabalhos científicos, demonstrando que o núcleo tem buscado transmitir conhecimento
especializado à população capixaba de acordo com o preconizado na Política Nacional Antidrogas
1
Acadêmicas de graduação em Enfermagem e bolsistas de Extensão do NEAD/ CBM/ UFES. Endereço: Rua Amélia Tartuce
Nasser, 740, Apto 301, Bairro Jardim da Penha, Vitória-ES
CEP 29065-020 E-mail: [email protected]
Fone: (27) 32358442 Celular: (27) 99753999
2
Profª. Assistente I do Departamento de Clínica Médica, membro da equipe técnica do NEAD e coordenadora do PAA/
HUCAM da UFES.
3
Profª. Adjunta III do Departamento de Ciências Fisiológicas, membro da equipe técnica do NEAD e coordenadora do
PPGCF da UFES.
4
Profª. Adjunta I do Departamento de Serviço Social, membro da equipe técnica do NEAD e coordenadora do PPGPS da
UFES.
5
Profª. Adjunta IV do Departamento de Enfermagem, coordenadora do NEAD e membro do PPGASC da UFES e
orientadora.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
261
(PNAD) 2001, que incentiva estudos e pesquisas para um melhor conhecimento sobre drogas, com
enfoque na prevenção, no tratamento, na recuperação e reinserção social dos dependentes. No aspecto
assistencial o Núcleo de Estudos sobre o Álcool e outras Drogas (NEAD) vem desenvolvendo o seu
papel através do Programa de Atendimento ao Alcoolista (PAA), implantado na Universidade Federal
do Espírito Santo (UFES) em 1985 e funcionando como suporte para as ações docente assistências na
área de dependência química. Finalmente os resultados, demonstraram uma necessidade de ampliar
ações de extensão à comunidade capixaba, bem como a divulgação de suas pesquisas científicas
(levantamentos sistematizados sobre consumo, pesquisa básicas, epidemiologia e sobre de
intervenção) conforme estabelecido os pressupostos básicos da Política Nacional Antidrogas (PNAD)
2001. Conclusão: Os achados demonstram que no período analisado, o Núcleo de Estudos sobre o
Álcool e outras Drogas (NEAD) obteve uma concentração de produção na área de ensino-assistência,
seguido respectivamente da pesquisa e extensão. O trabalho reafirmou a importância do Núcleo de
Estudos sobre o Álcool e outras Drogas (NEAD) na sociedade capixaba, não só como integrante da
rede de apoio ao dependente químico no Estado, como também pela sua produção de conhecimento na
área do uso e abuso de drogas sua produção científica apresentou-se satisfatória quanto à eficiência da
proposta desenvolvida pelo mesmo ao longo de cinco anos. A atuação do núcleo na área de ensinoassistência, representada pelo Programa de Atendimento ao Alcoolista (PAA), continua sendo
referência para o estado do Espírito Santo. Quanto às pesquisas, faz-se necessário a continuidade da
formação de recursos humanos através de cursos de pós-graduação e o Núcleo de Estudos sobre o
Álcool e outras Drogas (NEAD) necessita também, ampliar trabalhos técnicos que corroborem na
implantação de novos serviços destinados a dar suporte ao dependente químico capixaba. Permanece o
desafio para o núcleo de implantar novos aperfeiçoamentos através de cursos de curta e longa duração
(treinamentos e especialização), extensão de serviços à comunidade (palestras, assessorias,
consultorias, etc.) de forma a contribuir com a qualificação de recursos humanos nesta área. Apoio:
CNPq, PROEX/ UFES.
Referências Bibliográficas:
Brasil. Constituição (1998) Constituição da República Federativa do Brasil: texto constitucional
promulgado em 5 de outubro de 1988, com as alterações adotadas pelas emendas constitucionais nº
1/92 a 32/2001 e pelas emendas constitucionais de revisão nº 1 a 6/94. Brasília: Senado Federal, Subsecretaria de edições técnicas, 2001. 405 p.
Macieira MS, Gomes MPZ, Garcia MLT, Nakamura-Palacios EM. Núcleo de Estudos sobre o Álcool
e outras Drogas- NEAD. Revista HUCAM. 2002; 11:11-15.
Macieira MS, Gomes MPZ e Garcia MLT. Programa de Atendimento ao Alcoolista do HUCAM da
UFES ( PAA-HUCAM-UFES). Jornal Brasileiro de Psiquiatria 1993 ;97-109.
Secretaria Nacional Antidrogas. Política Nacional Antidrogas. Brasília: Presidência da República,
Gabinete de Segurança Institucional, Secretaria Nacional Antidrogas, 2001.
Secretaria Nacional Anti- Drogas. Relatório do I Fórum Nacional Antidrogas. Brasília: SENAD, 1999.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
262
125. METODOLOGIA ASSISTENCIAL DE ENFERMAGEM: UMA EXPERIÊNCIA NO
PAA-HUCAM-UFES
Renata Santos de Souza 1
Priscyla Therezinha Scardua Onofre2
Marluce Miguel de Siqueira 3
Introdução: O processo de enfermagem foi introduzido no Brasil na década de 60 por Wanda Horta
(Barros, 2000), que o definiu como ...dinâmica das ações sistematizadas e inter-relacionadas, visando
a assistência ao ser humano (Horta, 1979, p. 35). Segundo a autora, o processo de enfermagem é
dividido em seis fases: histórico, diagnóstico, plano assistencial, plano de cuidados ou prescrição,
evolução e prognóstico de enfermagem. Esse instrumento surgiu como proposta de implementação da
Metodologia Assistencial de Enfermagem (MAE), tendo como fator primordial o relacionamento
enfermeiro-paciente (Campedelli, 2000). As teorias de enfermagem constituem o alicerce teórico do
processo de enfermagem (George, 2000), e dentre elas destacamos: a Teoria das Necessidades
Humanas Básicas (Horta, 1979), que se apóia e engloba leis gerais que regem os fenômenos
universais, como a lei do equilíbrio (homeostase ou homeodinâmica), a lei da adaptação e a lei do
holismo; a Teoria do Autocuidado (Orem,1985), que segundo George (2000) delineia quando as ações
de enfermagem são necessárias e propõe o envolvimento do indivíduo em seus próprios cuidados,
sendo composta por três teorias inter-relacionadas: a teoria do autocuidado, a teoria do déficit de
autocuidado e a teoria dos sistemas de enfermagem; e a Teoria da Conservação da Energia,
Integridade Estrutural, Pessoal e Social (Levine, 1996), caracterizada pela interação enfermeiropaciente numa estrutura de cuidado total do paciente. A síndrome de dependência do álcool é definida
pelo Código Internacional de Doenças (CID-10, 1998) como um conjunto de fenômenos
comportamentais, cognitivos e fisiológicos que se desenvolvem após repetido consumo de uma
substância psicoativa, tipicamente associada ao desejo poderoso de tomar a droga, à dificuldade de
controlar o consumo, à utilização persistente apesar das suas conseqüências nefastas, a uma maior
prioridade ao uso da droga em detrimento de outras atividades e obrigações, a um aumento da
tolerância pela droga e por vezes, a um estado de abstinência física , mostrando claramente as
alterações produzidas pelo alcoolismo na manutenção da saúde e a importância desses pacientes serem
atendidos através de uma abordagem integral, tanto pelo enfermeiro quanto pelos demais profissionais
da saúde.Apesar de muitos enfermeiros reconhecerem a importância do processo de enfermagem no
exercício profissional, poucas instituições utilizam essa metodologia, sobretudo no contexto extrahospitalar, necessitando dessa forma ampliar sua aplicação. Sendo assim, resolvemos implementar o
estudo dessa metodologia através do atendimento prestado pela enfermagem no Programa de
Atendimento ao Alcoolista (PAA) do Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (HUCAM)
da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Objetivos: Traçar o perfil dos pacientes alcoolistas
atendidos no PAA-HUCAM-UFES e avaliar a qualidade assistencial através da aplicação do processo
de enfermagem. Metodologia: Este trabalho é um estudo descritivo com uma abordagem qualiquantitativa, constituído por 17 pacientes cadastrados nos meses de novembro/ 2003 a fevereiro/ 2004
no PAA-HUCAM-UFES. Os pacientes foram selecionados através do agendamento de primeira
consulta, apresentando os seguintes critérios de inclusão para serem integrados a pesquisa: 1)
diagnóstico de síndrome de dependência alcóolica (SDA); 2) freqüência no Programa; 3) residente na
região metropolitana da Grande Vitória-ES e; 4) atendimento de segunda às quintas-feiras. Após a
seleção, foram feitas explicações sobre a pesquisa e os pacientes que concordaram com a participação
assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido e, posteriormente, foram submetidos ao
processo de enfermagem. Resultados: A idade média dos pacientes foi de 40 anos; predomínio do sexo
masculino (88,2%); a faixa etária de início de ingestão alcoólica prevalente situou-se entre 11 a 19
1
Acadêmica do curso de graduação em Enfermagem da UFES, monitora do PAA-HUCAM-UFES e bolsista de IC do PIBIC/
CNPq-UFES. Endereço: R. Engº. Luis Carlos Pereira, 50/ 201, Ed. Fernanda, Jardim Camburi, Vitória-ES. CEP: 29090-660.
Fone: (27) 3317-8969/ 9961-1017. E-mail: [email protected]
2 Acadêmica do curso de graduação em Enfermagem da UFES e monitora do PAA-HUCAM-UFES.
3. Prof.ª Adjunta IV do Departamento de Enfermagem do CBM da UFES, membro da equipe técnica do PAA-HUCAMUFES, coordenadora do NEAD-CBM-UFES e orientadora.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
263
anos (82,3%), com média de 16,8 anos; 88,2% dos pacientes mencionaram história de alcoolismo
familiar, mostrando a relevância do componente hereditário como uma das causas do alcoolismo;
75,0% dos pacientes informaram outra dependência química associada, o tabaco, mostrando a forte
associação entre alcoolismo e tabagismo; e os municípios de procedência foram: Serra (35,3%),
Cariacica (23,5%), Vitória (23,5%), Vila Velha (11,8%) e Viana (5,9%). As principais razões que
levaram os pacientes ao Programa foram o comprometimento da saúde e o conflito familiar. Os
problemas de enfermagem detectados foram: tosse, murmúrio vesicular diminuído, varicosidades em
MMII, edema, pressão arterial elevada, higiene oral inadequada, pele de MMII ressecada, polaciúria,
cólica renal e tremores. Dentre os diagnósticos de enfermagem, destacaram-se: dentição alterada,
intolerância à atividade, distúrbio no padrão do sono, integridade da pele prejudicada e processos
familiares alterados pelo alcoolismo. Os achados demonstram um déficit de autocuidado com destaque
para a higiene oral inadequada, padrão do sono alterado, deficiência de atividade física e
comprometimento das interações familiares, provavelmente, devido a relevância da bebida , um dos
sinais e sintomas da síndrome da dependência do álcool, que coloca a bebida como o centro das
atividades do alcoolista e a coordenadora de suas funções. No planejamento de enfermagem as
orientações envolveram o autocuidado com ênfase nas necessidades humanas básicas, o incentivo ao
ingresso no AA, a educação em saúde sobre a importância do álcool e tabaco e a necessidade de
seguimento em decorrência de comorbidades como, diabetes e hipertensão. Conclusões: O processo de
enfermagem como metodologia assistencial no PAA-HUCAM-UFES possibilitou traçar o perfil da
população atendida no Programa, permitiu um maior vínculo entre o pesquisador e o paciente e
identificou alterações no estado físico, tais como: tosse, murmúrio vesicular diminuído, taquipnéia,
bradipnéia, higiene oral inadequada, cólica renal, disúria e retenção urinária, bem como aquelas
comumente alteradas em decorrência do alcoolismo (pressão arterial elevada, edema, varicosidades,
palpitação, azia, turgor diminuído, pele ressecada, tremores e parestesia). Outra importante
contribuição dessa ferramenta foi o desenvolvimento da assistência de enfermagem personalizada e
individualizada ao paciente por meio do planejamento de enfermagem, envolvendo uma assistência
física, psíquica, social e espiritual. Apoio financeiro: PIBIC/ CNPq- UFES.
Referências bibliográficas:
BARROS, J.F.V. et al. Metodologia da assistência de enfermagem desenvolvida com pacientes do
programa de atendimento ao alcoolista. J. Bras. Psiquiatria. v.49, n.7, p. 247-254, 2000
HORTA, W.A. Processo de enfermagem. 6 ed. São Paulo: EPU/ EDUSP, 1979
CAMPEDELLI, M.C. et al. Processo de enfermagem na prática. 2 ed. São Paulo: Editora Ática, 2000
GEORGE, J. B. Teorias de enfermagem: os fundamentos à prática profissional. 4 ed. Porto Alegre:
Artes Médicas Sul, 2000.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE.CID-10: Manual da Classificação Internacional de
Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. 10ª revisão 6ª ed., São Paulo, OMS/ OPS; 1998. v.1,
p.303-4.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
264
126. TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO: ABRINDO POSSIBILIDADES À
PESQUISA.
Ana Cristina Gomes Pereira
Ãndria Oliveira dos Santos1
Cássia Maria dos S. Gomes
Elizabete Regina A. Oliveira
A enfermagem como uma profissão inserida no contexto social e de saúde, precisa reorganizar-se a
fim de acompanhar as rápidas transformações decorrentes das constantes alterações no quadro
político-social e econômico no Brasil. O enfermeiro deve acompanhar o avanço tecnológico e
científico da saúde e, para isto, em sua formação acadêmica precisa adquirir habilidades e técnicas que
favoreçam à transformação da sua prática profissional1. O curso de graduação em enfermagem, de
acordo com a resolução do Conselho Nacional de Educação nº 03, de novembro/2001, institui
diretrizes curriculares nacionais, onde no artigo 12 diz que, para conclusão do curso de graduação em
enfermagem, o aluno deverá elaborar um trabalho sob orientação docente2. O TCC (Trabalho de
Conclusão de Curso) tem como alvo principal inserir o aluno à pesquisa, fazendo-o utilizar a
metodologia científica para perceber, conhecer, solucionar situações e sugerir ações que necessitam da
intervenção da enfermagem. O projeto pedagógico da instituição Faesa privilegia a realização do TCC,
conforme se apresenta na ementa, destacando como objetivo principal respostas para questões que
existem em todos os ramos do conhecimento humano3. Este regulamento indica procedimentos para o
planejamento, orientação e apresentação do TCC, que resulta num documento de caráter científico,
com características de objetividade, clareza, precisão, imparcialidade, coerência e consistência, cujo
enfoque é específico da área de conhecimento do curso que o aluno está concluindo. Abrange a
correlação entre variáveis fundamentais para todas as disciplinas e possibilita o desenvolvimento e a
análise de fenômenos, que têm como ponto de partida a pesquisa. O TCC visa ao estudo de um tema
delimitado, objetivando o aprofundamento do conhecimento, como importante contribuição para o
segmento em que se insere. Sua estrutura compõe-se de elementos obrigatórios, constantes deste
regulamento. A disciplina de TCC iniciou-se no 7º período com o propósito de escolha do tema,
elaboração do projeto de pesquisa e escolha do orientador que tenha conhecimento sobre o tema
escolhido. Tendo como atribuições específicas do aluno em fase de desenvolvimento do TCC,
comparecer as sessões de orientação nos dias e horários estabelecidos, assinar o formulário de controle
de presença, redigir o trabalho de acordo com as normas metodológicas pré-estabelecidas pela
instituição, cumprir o calendário divulgado pela coordenação para entrega do TCC, comparecer no dia,
hora e local determinado para apresentação do trabalho, assinar a ata de apresentação e, se necessário,
assinar o formulário para indicação de ressalvas feitas ao TCC pela banca examinadora. Dentre as
atribuições do professor orientador destacam-se: subsidiar o aluno em relação à revisão literária e
metodologia científica, comparecer as sessões de orientação conforme dia e hora determinado entre
orientador/aluno. Concluída a fase de elaboração do TCC, o orientador deverá preencher um termo
onde consta que o trabalho está apto a ser apresentado, escolha da banca examinadora de acordo com o
grau de conhecimento sobre o tema do trabalho, comparecer no dia e hora marcada para presidir a
banca durante a apresentação do trabalho. Conforme as diretrizes para educação, dentre as propostas
de mudanças curriculares, a obrigatoriedade da pesquisa incentiva o aluno desenvolver criatividade e
dar continuidade aos estudos. A realização de algo novo é um desafio, as dificuldades foram muitas,
mas não se comparam com a experiência positiva do aprendizado contínuo, aprimoramento nas
relações interpessoais, uso da técnica e metodologia, sendo compartilhada com os docentes e alunos.
O presente estudo objetiva identificar as dificuldades dos alunos de graduação em enfermagem da
Faesa na elaboração e apresentação do TCC. Foi utilizado um estudo participante de natureza
quanti/qualitativa, realizado em uma população-amostra de 58 acadêmicos do 8º período do curso de
graduação em enfermagem da Faculdade de Ciências da Saúde e Meio Ambiente (Vitória-ES) após
defesa do TCC. Para obter informações referentes a alguns dados pessoais e questões relacionadas às
1
Aluna do curso de graduação em enfermagem Faesa 8º período. Rua Pinheiro, 231, Nova Valverde, Cariacica, ES, Brasil,
29.143-180, Tel. (27) 3336-4056, e-mail: [email protected]
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
265
dificuldades na elaboração e apresentação do TCC foi aplicado um questionário com perguntas abertas
e fechadas. Os dados foram tabulados através do programa estatístico SPSS 11.5, onde foram feitas as
descrições e discussões dos dados alcançados em relação ao objetivo enunciado. Os participantes da
pesquisa foram informados a cerca do objetivo, sendo solicitada sua permissão por escrito, conforme
resolução do Conselho Nacional de Saúde 292/99, respeitando os aspectos éticos4. O resultado da
pesquisa mostrou que o TCC não é somente uma grade curricular e regulamentações que conseguem
por em prática sua exigência, mas sim um processo contínuo, dinâmico e flexível às reformulações e
adequações. Entre as dificuldades encontradas na elaboração e apresentação do TCC pôde-se verificar
que 67,2% dos alunos possuem vínculo empregatício e, deste total, 38,4% trabalham em uma carga
horária superior a 44 horas semanais. Destacou-se o fato de 84,4 dos entrevistados serem do sexo
feminino, sendo que 40,8% são casadas e destas, 32,6% tem filhos, tornando-se fatores relevantes na
elaboração e apresentação do TCC, haja vista que a mulher além de possuir vínculo empregatício para
custear seu estudo, ainda ocupa o papel de cuidadora do lar, tornando-se assim uma tripla jornada de
trabalho. No que concerne à assistência oferecida pela faculdade, 72,4% mostraram insatisfação
referentes a pouca disponibilidade de tempo dos orientadores, recursos áudio visuais insuficientes e
informações obscuras em relação às normas exigidas pela instituição, causando uma ansiedade em
60,3% dos entrevistados. Este estresse físico e suas conseqüências, juntamente com a adição de
elementos de ordem psicológica, mesmo dominando o assunto, e enfrentar o desconhecido é muito
desgastante para algumas pessoas5. Apesar das dificuldades para elaboração e apresentação do TCC,
podemos considerar como pontos positivos a boa relação interpessoal entre os docentes/discentes,
conforme relatado por 86,2% da amostra, podendo ser um dos fatores que despertaram interesse em
58,6% dos alunos em dar continuidade ao trabalho, seja aplicando-o no local de estudo, publicações
em congressos e revistas científicas e aprofundando-se sobre o tema para utilização em dissertação de
mestrado entre outros. Acreditamos que esse é um processo dinâmico em que o aprendizado está
presente diariamente tanto para os discentes como para os docentes e o perfil do processo pedagógico
da instituição é parte fundamental para que entrem no mercado de trabalho enfermeiros pesquisadores,
subsidiando a melhoria da qualidade da assistência com conhecimento científico que proporcione uma
base sólida, além de estarem atingindo sua própria identidade profissional.
Referências Bibliográficas:
HEYDEN, Maria Silvana Totti; RESCK, Zélia Maria Rodrigues; GRADIM, Clícia Valim Côrtes.A
pesquisa na graduação em enfermagem: requisito para conclusão do curso. Revista Brasileira de
Enfermagem, Brasília, v.56, n.4, p. 409-411,2003.
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (Brasil). Resolução nº03, de 07 de novembro de 2001.
Diário Oficial da União, Brasília, 07 nov. 2001. Seção 1, p.04.
FACULDADE DE SAÚDE E MEIO AMBIENTE. Regulamento do Trabalho de Conclusão de Cursos
de graduação. Disponível em < http://www.faesa.br >. Acesso em: 10 jun. 2004.
CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE (Brasil). Resolução nº 292, de 08 de julho de 1999.
Disponível em: < http://www.invitare.com.br/site_novo/legislação >. Acesso em: 10 nov. 2003.
UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA. Reduzindo o Rítmo. Disponível em: <
http://www.universiabrasil.net/universitario/materia_vida >. Acesso em: 05 jun. 2004.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
266
127. QUALIFICAÇÃO DO PROFISSIONAL DE ENFERMAGEM NA ADMINISTRAÇÃO DE
MEDICAMENTOS
Rosiene Fiorot Lopes1
Walckiria Garcia Romero2
Desde Segunda Guerra Mundial que a equipe de enfermagem concomitantemente é responsável pela
administração de medicamentos. No Brasil, o exercício dessa atividade é praticado, na maioria das
instituições de saúde, por técnicos e auxiliares de enfermagem sob a supervisão do enfermeiro, que
consiste em uma função assistencial categorizada com um processo de preparação e introdução de
substância química no organismo humano visando à obtenção de efeito terapêutico. No dia de hoje, faz
necessário uma atualização constante aumentando, assim, o conhecimento para uma administração
medicamentosa consciente e eficaz, já que o erro traz à tona a responsabilidade da categoria de
enfermagem sob os aspectos éticos e legais gerando um impacto displicente à prática
profissional.Notório se faz que o trabalho é exercido sobre a qualidade do profissional durante a
prática da administração de medicamentos, onde permite que o profissional de enfermagem;
compreenda a importância do conhecimento técnico/científico de terapia medicamentosa.A
displicência, por parte do profissional de enfermagem, no que tange ao preparo e administração de
medicamentos ocorre face ao desconhecimento da importância de tal fato. Assim, um erro pode causar
efeitos deletérios se não letais, expondo seus clientes pelo desconhecimento do procedimento seguro e
falta de decisões tomadas durante a administração medicamentosa. Buscaremos então relacionar as
responsabilidades da equipe de enfermagem; Demonstrar habilidades e segurança para o mesmo,
minimizando os erros da administração de medicamentos através de sugestões e realização de ações
para qualificação da equipe de enfermagem na administração de medicamentos.De acordo com
MAYOR & OUTROS (1999)Todo profissional de enfermagem para administrar um medicamento
deve conhecer seu princípio ativo, dose usual, via de administração, ações principais, efeitos
colaterais, contra-indicações e possíveis cuidados de enfermagem que a utilização do mesmo pode
exigir. Para FIGUEIREDO( 2001), O profissional ao preparar o medicamento, da mesma forma que
ele deva utilizar um cabedal de conhecimentos (teórico|prático) e possuir uma estrutura de tecnologias,
seu envolvimento no dia-a-dia, pulsões e sentimentos que fluem tanto como energia positiva como
negativa não pode interferir em seu preparo e na administração medicamentosa.Se a pessoa que
prepara o medicamento NÃO ESTA bem ou em sintonia com seus corpos (físico, mental, emocional e
espiritual) num determinado dia, ela pode errar a fórmula, os cálculos, o local da aplicação, a dosagem,
estar impaciente ou agressiva, descompensada... . No contexto de administrar, na prática de
enfermagem, a responsabilidade ética e moral requer uma profundidade quando seu ato se concretiza
na relação interpessoal, mesmo que seja atos delegados a equipe de enfermagem. No que tange a
enfermagem nesse processo de administração de medicamentos, a compreensão e um viver com
responsabilidade, traduz uma prática holística, valorizando o indivíduo com valores, cultura e com
diminuição de possibilidades de erros e com uma qualidade de assistência que a sociedade e
merecedora (CASSANI & COIMBRA 2001). Enfim, por toda a sintonia do cuidar, sabemos que,
conhecer a importância dos cuidados ao administrar as medicações, perante as suas responsabilidades,
fortalece diligentemente na aquisição de procedimentos qualitários, obtendo assim, um reflexo
aprimorativo conforme exigência profissional e comunitária. O estudo, quanto ao seu método de
procedimento, refere-se a uma pesquisa dedutiva, exploratória realizada nas instituições hospitalares
de Colatina/ES sendo uma filantrópica , outra privada e outra pública caracterizada conforme ética. A
opção pelos respectivos lugares se fez devida atuação diversificada dos profissionais de enfermagem
em diferentes nosocômios.A população em estudo e atuante foi composta por oito técnicos de
enfermagem, onze auxiliares de enfermagem e um atendente de enfermagem de forma aleatória;
definindo assim uma amostra de 20% dos funcionários de cada instituição onde ficou definido a
participação total de 20 profissionais de enfermagem constando o mínimo de um ano de serviço
1
Acadêmica de Enfermagem; cursando o 8º período no UNESC Centro Universitário do Espírito Santo Endereço: Av Silvio
Ávidos n: 900. Apto 101,B: São Silvano-Colatina E.S. Cep: 29706-010. Tel: 99471756(cel), 37214494(residencial),e-mail:
[email protected]
2
Enfermeira; Professora do curso de graduação em enfermagem do Centro Universitário do Espírito Santo- UNESC.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
267
diretamente com a função assistencial da terapia medicamentosa.O instrumento da coleta de dados
constou em um roteiro de entrevista fechada, estruturada mais observação participativa, sendo a
mesma de caráter qualitativo, de acordo com o objetivo do estudo.A coleta de dados foi realizada no
mês de Junho e Julho de 2004, após aprovação do estudo pelo comitê de ética em pesquisa, sendo,
necessária à assinatura do Consentimento Livre Esclarecido para participação no estudo conforme
recomenda resolução 196/96 do Ministério da Saúde.Atualidade da enfermagem durante o processo da
terapia medicamentosa é feita em sua maioria por recursos humanos deficitários em número e
qualidades, dos 20 funcionários entrevistados cada um permanece em média com 14 à 24 paciente sob
sua responsabilidade para que seja realizado os procedimentos necessários oferecidos pela
instituição.Ao observar nota-se que mesmo tendo um cabedal de conhecimentos técnico/científico a
qualidade do processo de administração medicamentosa sofre determinadas influências das quais
interferem prejudicialmente. Quando questionados ao preparo da medicação 30% dos entrevistados
disseram que a medicação é legível e 70% dizem que decifram o que está escrito, influenciando assim
em uma decisão duvidosa; 90% garantem que identificam o nome do paciente na medicação, conforme
meios oferecidos pela instituição. A medicação é administrada logo após preparada, em 60% conforme
os entrevistados, todavia há um atraso da medicação em 55% dos casos no horário previsto,
ressaltando um retardo da farmácia para enviar os pedidos necessários conforme a prescrição.Ao
questionar se seguem um processo para realizar a medicação 60% dos entrevistados citam os cinco
certos . De acordo com POTTER (2001) os cincos certos da administração de medicamentos
asseguram o preparo e a administração precisa dos medicamentos.A segurança é o mais importante
objetivo na administração de medicamentos. Existe uma contradição quanto ao fornecimento de
materiais, pois de acordo com os entrevistados os recursos materiais oferecido pelas instituições são
suficientes para o preparo e administração eficiente dos medicamentos, todavia conforme observação
em 45% dos casos acompanhados faltavam equipos apropriados água destilada, suportes de soro e
ainda a falta do próprio medicamento a ser administrado. Ao testar o conhecimento científico, somente
35% sabem dos efeitos colaterais dos medicamentos que administram, desqualificando assim a
assistência em caso de reações imediatas, nota-se também que após administrado os medicamentos
somente 45% dos entrevistados retornam para uma avaliação do efeito da droga. Dos 20 entrevistados
somente 10% tem atualização constante, acesso a DEF (Dicionário de Especialidade Farmacêutica) e
bulas medicamentosas, além de incentivo pela própria instituição (até mesmo financeiro) na
participação de cursos oferecidos referentes aos assuntos voltados para enfermagem.Existe um difícil
acesso a materiais que possam trazer informação a respeito das medicações a serem administradas, até
mesmo a utilização de protocolos que possam assegurar os procedimentos realizados. Administração
de medicamentos é um procedimento básico de enfermagem que exige do profissional aprimoramento
de seus conhecimentos, técnicas e aplicação de seus princípios científicos. O papel do enfermeiro no
processo de administração medicamentosa é de suma importância para o restabelecimento da saúde
dos clientes, atuando de forma concisa na reciclagem dos profissionais subordinados a eles através de
protocolos assistenciais e um serviço de educação continuada dentro das instituições de saúde. A
compreensão e um viver com responsabilidade traduzem uma prática holística, nos serviços de saúde,
que hoje em dia, exigem este processo em nível de excelência. A deficiência da assistência à terapia
medicamentosa é uma triste realidade no trabalho da enfermagem, sendo um dos maiores indicadores
da qualidade de saúde prestada aos pacientes hospitalizados.Sabendo que uma falha pode ter
conseqüências irreparáveis, como a perda de uma vida, daí surge o fato da grande importância da
qualificação do profissional de enfermagem ao realizar a terapia medicamentosa, encarando como um
ato de consciência social, humana e não como uma atribuição técnica profissional.
Referências Bibliográficas:
ATKINSON, Leslie D.; MURRAY, Mary Ellen. Fundamentals of Nursing: A nursing process
Aproach. Trad. Maria de Fátima Azevedo. 1. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan S.A. 1989. 618p.
COIMBRA, J.A.H; CSSANI, S.H.B. Responsabilidade na administração de medicamentos: algumas
reflexões para uma prática segura com qualidade de assistência. Revista Latino América de
Enfermagem. São Paulo, v9, n.2, p56-60, marco 2001.
FIGUEIREDO, Nébia Maria Almeida de. Administração de Medicamentos: Revisando uma Pratica de
Enfermagem. 1. ed. São Paulo: Difusão Paulista de Enfermagem Editora Com Ltda, 2001. 258p.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
268
PERRY, Anne G.;POTTER, Patricia A. Basic Nursing: Theory and Practice. Trad. Hildegard
Theimann Buckup; Terezinha Oppido. 3. ed. 1. Reimpressão, São Paulo: Santos, 2001. 999p.
128. ATUAÇÃO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO DE ÚLCERAS DE
PRESSÃO EM PACIENTES DE TERAPIA INTENSIVA
Rusilania Tozi Barbieri1
Walckiria Garcia Romero2
Com os avanços tecnológicos das últimas décadas, têm aumentado a sobrevida de pacientes
hospitalizados em terapia intensiva, que são aqueles que apresentam condições clínicas graves e
necessitam de equipe qualificada na prestação de serviços. Devido à instabilidade orgânica e a
significativa limitação da mobilidade, os mesmos têm sido apresentados como indivíduos de risco para
o desenvolvimento de úlceras de pressão, a qual também é denominada úlcera de decúbito,
compressão ou escara, termos utilizados para descrever uma integridade da pele alterada. O interesse
por desenvolver um estudo sobre a integridade da pele, vem das experiências vivenciadas durante
estágios curriculares e extracurriculares, onde foi observado em pacientes críticos hospitalizados a
formação de úlceras de pressão, que acarretavam complicações, como por exemplo, infecções,
piorando o prognóstico do paciente, além de danos físicos e psicológicos, aumentando sua
permanência e os custos hospitalares. O objetivo do estudo é compreender as práticas utilizadas pela
equipe de enfermagem na prevenção de úlceras de pressão em pacientes de terapia intensiva.
Ressalvando que após estar capacitado a compreender tais procedimentos, possa identificar e discutir
as maneiras de prevenção utilizadas pela equipe de enfermagem, especificar os fatores de risco
associados para sua formação, explorá-los através de um processo de educação continuada voltado
para equipe e elaborar um protocolo de avaliação para quantificar o risco de desenvolvimento de
úlceras de pressão, orientando para um cuidado preventivo, satisfatório e individualizado de cada
paciente e conseqüentemente melhorando a qualidade da assistência de enfermagem. A pele ou cútis é
o maior órgão do corpo, e o único completamente exposto ao meio externo, cuja integridade é
fundamental para a vida humana e para o perfeito relacionamento fisiológico do organismo. Entre
inúmeras alterações que podem acometer à pele, destaca-se a úlcera de pressão, definida como
qualquer lesão causada por pressão não aliviada, que resulta em danos e necrose da pele e tecidos
subjacentes, secundária ao comprometimento do suprimento sanguíneo, trombose capilar e anóxia
tecidual associado a outros fatores. De acordo com Smeltzer e Bare (2002, p. 128), As úlceras de
pressão estão localizadas em áreas de tecido mole enfartado que surgem quando a pressão aplicada à
pele sobre um período de tempo é maior do que a pressão do fechamento capilar normal, que é em
torno de 32 mmHg . Nos pacientes críticos, a pressão exercida no fechamento do capilar é menor do
que a normal, fazendo que haja uma diminuição do fluxo sanguíneo no local da compressão,
provocando trombose e morte de celular devido à deficiência de oxigênio e nutrição. As saliências
ósseas mais vulneráveis ao desenvolvimento de úlceras de pressão são às vezes denominadas áreas de
pressão. Temos entre elas: o sacro, as tuberosidades isquiáticas, os trocanteres, os calcanhares e os
cotovelos (Dealey, 2001, p. 97). Segundo Hess (2002, p. 84), Um dos sinais precoces de possível
formação de úlcera sobre uma proeminência óssea é um eritema pálido, verificado por compressão
digital. A situação pode regredir sem perda tecidual, se a compressão for reduzida ou eliminada . Os
pacientes de terapia intensiva durante a hospitalização, são mantidos freqüentemente em repouso, seja
como parte das medidas necessárias para o tratamento, como para manutenção da instabilidade
hemodinâmica ou déficit de mobilidade devido ao quadro clínico que apresenta, tendo maiores riscos
para desenvolverem úlceras de pressão. De acordo com Carpenito (2002, p. 296), vários são os fatores
1
Acadêmica de enfermagem, 7° período do Centro Universitário do Espírito Santo
UNESC. E-mail:
[email protected]. Rua: Avenida Brasil, n° 2589, apartamento 202, Bairro Maria das Graças, CEP: 29705-100. Colatina
E.S.
2
Enfermeira. Professora do curso de graduação de enfermagem do Centro Universitário do Espírito Santo UNESC.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
269
de risco que podem desenvolver úlceras de pressão, entre eles estão: Os fatores extrínsecos que
exercem força mecânica sobre o tecido mole incluem a pressão, o deslizamento, a fricção e a
maceração. Os fatores intrínsecos que determinam a suscetibilidade ao rompimento do tecido incluem
a desnutrição, a anemia, a perda da sensibilidade, a mobilidade física prejudicada, a idade avançada, o
estado mental deficiente, a incontinência e a infecção . Souza, et al. (2003, p. 19), ressalta Como
métodos para a prevenção de úlceras de pressão, alguns cuidados podem ser adotados: manutenção da
pele limpa evitando água quente e o uso de sabão neutro; manutenção da pele hidratada; evitar
massagens nas regiões de proeminências ósseas em presença de hiperemia; manchas roxas ou bolhas;
complementação alimentar para suprir os déficits nutricionais; evitar o atrito corporal; proteção de
proeminências ósseas com equipamentos apropriados; exame freqüente da pele . Trata-se de um
estudo descritivo-exploratório, dedutivo, caracterizado por uma abordagem qualitativa. Tal escolha se
deve ao fato da pesquisa qualitativa apresentar algumas características fundamentais que possibilitam
o alcance dos objetivos de forma satisfatória, permitindo a exploração do estudo desenvolvido através
de uma pesquisa de campo, sobre a atuação da equipe de enfermagem na prevenção de úlceras de
pressão em pacientes de terapia intensiva. Os cenários do estudo foram três instituições hospitalares do
Estado do Espírito Santo que possuem terapia intensiva, onde foi realizada a pesquisa de acordo com a
autorização da carta de solicitação enviada as instituições. O estudo foi desenvolvido com uma
amostra de 30% da equipe de enfermagem de cada instituição que atua em terapia intensiva,
totalizando 19 profissionais de enfermagem, caracterizados no estudo como atores sociais. A coleta de
material necessário ao estudo, que configura na pesquisa de campo, foram realizadas nos meses de
junho e junho, utilizando entrevista semi-estruturada, que possibilita aos atores sociais uma maior
amplitude nas informações, enquanto ao investigador, liberdade de promover intervenções a qualquer
momento, sendo procedida após assinatura do termo de consentimento livre esclarecido para
participação no estudo, conforme recomendação da Resolução 196/96 do Ministério da Saúde e
participação observativa. O presente estudo possibilitou detectar deficiências nos cuidados de
enfermagem relativos à prevenção de úlcera de pressão, cuja ocorrência continua bastante comum em
pacientes de terapia intensiva, tendo vários fatores contribuintes para sua formação. O fator mais
citado, correspondente a 18 citações, é a não realização de mudança adequadamente de decúbito,
conforme relato de um dos atores sociais, Acaba ocorrendo um déficit na mudança de decúbito
quando todos os boxes estão lotados, e às vezes tem profissional de atestado . Sendo assim, quando há
por vários fatores redução da quantidade de profissionais que compõem a equipe de enfermagem,
ocorre uma sobrecarga nos procedimentos à serem realizados, contribuindo de forma direta para uma
queda na qualidade da assistência prestada para prevenção da úlcera de pressão. Alguns relatos de
profissionais demonstram também, uma insuficiência quantitativa e qualitativa de recursos materiais,
como por exemplo, colchão no formato de caixa de ovo, citado pelo ator social que diz: De imediato
quando um paciente é admitido na UTI, e percebesse que ficará por muito tempo, pedimos a família
para trazer colchão caixa de ovo, porém se o paciente é do SUS, o hospital doa quando tem disponível,
mas demora . A ausência ou a insuficiência deste e outros recursos materiais interferem diretamente
na qualidade da assistência de enfermagem, evidenciando os prejuízos aos clientes e aos profissionais.
Quanto à importância da equipe de enfermagem na prevenção de úlceras de pressão em terapia
intensiva, um dos atores citou que A equipe deve ser unida, colocando em prática uma mesma
assistência, fazendo com que o paciente não saia com úlcera . Este relato deixa bem claro, a
necessidade de uma assistência de enfermagem contínua nas 24 horas. Outro ator social ressaltou que
a equipe É de fundamental importância, devido à carência de mobilidade espontânea do paciente,
onde ela deve mobilizar o paciente para evitar a formação. Porém às vezes, encontramos profissionais
que não estão dispostos a cumprir os cuidados prescritos . Este estudo procura contribuir para um
cuidado de enfermagem mais humanizado. Cabe à equipe de enfermagem, entre outras
responsabilidades, a manutenção da integridade da pele, sendo necessário o estabelecimento de
condutas que assegurem a ausência ou minimizem a ação dos fatores contribuintes para a alteração
dessa integridade, pois pode acarretar ao paciente inúmeras complicações, prolongando inclusive o
estresse gerado pela internação hospitalar.
Referencias Bibliográficas:
CARPENITO, Lynda Juall. Diagnósticos de Enfermagem: aplicação à prática clínica. 8. ed. Porto
Alegre, 2002. p. 880.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
270
DEALEY, Carol. Cuidando de Feridas: Um guia para as enfermeiras. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2001.
216 p.
HESS, Cathy Thomas. Tratamento de Feridas e Úlceras. 4. ed. Rio de Janeiro: Ruchmann e Affonso
editores, 2002. 226 p.
SMELTZER, S. C., BARE, B. G. Brunner & Suddarth: Tratado de enfermagem médico-cirúrgica.
7.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1994. 1955 p.
SOUZA, A. B. G.; SILVA, Fabiana; VENERE, Fernanda di; CASAN, F. M.; GIANNOCCARO, L.
D.; LACERDA, P. C. Intervenções do Enfermeiro nas Úlceras de Pressão não Infectadas em Pacientes
Hospitalizados. Revista brasileira de enfermagem, São Paulo, v 2, n. 1, p. 17 - 22, janeiro / fevereiro
2003.
129. ATUAÇÕES DO ENFERMEIRO INTENSIVISTA NA MONITORIZAÇÃO
HEMODINÂMICA ATRAVÉS DO CATETER DE SWAN-GANZ.
Zico Smarssaro 1
Walckiria Garcia Romero2
O método de Swan Ganz, para cateterismo cardíaco, nas Unidades de Terapia Intensiva foi indicado
por volta de 1970, na Universidade de Califórnia, Los Angeles, com os médicos americanos William
Ganz e Harold J. C. Swan, que aperfeiçoaram este tipo de cateter. No Brasil, os primeiros estudos com
Cateter de Swan Ganz, foram iniciados em 1971, no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia,
pelo Dr. Leopoldo Soares Piegas, Chefe do Setor de Terapia Intensiva, trazendo possibilidade de
conhecimentos de certos parâmetros hemodinâmicos valiosos para o diagnóstico, prognóstico e
tratamento de pacientes acometidos das mais graves entidades clínicas e complicações pós-operatória.
É utilizado no controle da função ventricular esquerda, na presença e no tratamento da falência
cardíaca em pacientes com IAM e sepse, no controle da sobrecarga hídrica imposta pela infusão de
líquidos e transfusões em pacientes com reserva cardíaca diminuída, no controle pós-operatório de
pacientes submetidos à cirurgia cardíaca, na avaliação de efeitos de drogas vasoativas, na coleta de
sangue venoso misto para análise gasométrica e, especialmente, na monitorização hemodinâmica e no
controle do paciente hemodinamicamente instável
( Knobel, 1998, p. 1520 ). A finalidade da
monitorização é de realizar estudo hemodinâmico, de forma a reconhecer objetiva e mensuravelmente
a função cardíaca e os distúrbios circulatórios, através da mensuração das pressões de AD (átrio
direito), AE (átrio esquerdo), PCP (pressão de capilar pulmonar), PAP (artéria pulmonar), da
determinação numérica do débito cardíaco, determinação indireta da RVS (resistência vascular
sistêmica), RVP (resistência vascular pulmonar), IC (índice cardíaco) e cálculo da diferença
arteriovenosa de oxigênio. O cateter é inserido numa veia calibrosa (usualmente a veia subclávia,
jugular ou femoral); em seguida ele é inserido dentro da veia cava e do átrio direito. No átrio direito, a
extremidade com o balão, é insuflada, sendo o cateter rapidamente carregado pelo fluxo sanguíneo,
através da válvula tricúspide, passando pelo ventrículo direito e daí, para dentro de um ramo da artéria
pulmonar. Quando o cateter alcança uma pequena artéria pulmonar, o balão é desinsuflado e o cateter
é fixado por meio de suturas. Nenhuma decisão terapêutica deve ser tomada com base em informações
obtidas de dados isolados, mas que associem todos os parâmetros numéricos possíveis, como
exames laboratoriais, interpretando tais dados sempre em conjunto com o quadro clínico do paciente.
Quanto maior o número de dados obtidos e quanto maior a sua confiabilidade, menor a chance de erro
( Terzi, 1995, p. 109 ). As complicações mais freqüentes relacionadas com a passagem do cateter são
as arritmias ventriculares sendo também possível o aparecimento transitório de bloqueio de ramo
direito ou até de bloqueio da condução atrioventricular. A ocorrência de infecções aumenta com a
mobilização freqüente do cateter e com sua utilização para coleta de amostras sanguíneas. A obtenção
do débito cardíaco por método asséptico é fundamental na prevenção dessas complicações. De acordo
1
Acadêmico do 8º período de Enfermagem do UNESC Centro Universitário do Espírito Santo. E-mail: [email protected].
Rua Luis Catelan, 369 Centro Marilândia ES. CEP: 29.725-000.
2
Professora do curso de Graduação em Enfermagem do Centro Universitário do Espírito Santo UNESC.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
271
com Hudak ( 1997, p. 179 ), os cuidados de Enfermagem ao paciente submetido à monitorização da
pressão da artéria pulmonar são complexos. O enfermeiro de terapia e cuidados intensivos deve ser
capaz de interpretar os dados obtidos, prestar assistência adequada, bem como alertar para possíveis
complicações. Segundo Ferraz, ( 2003, p. 27 ) é de responsabilidade do enfermeiro a manutenção do
sistema de monitorização para reproduzir, de modo fidedigno, as pressões do paciente para o
transdutor. Faz-se necessária a checagem de todo sistema a cada troca de turno a cada checagem da
pressão, a manutenção das curvas de pressão de forma legível para leitura e interpretação. Além da
avaliação dos parâmetros hemodinâmicos obtidos. As vantagens do uso deste cateter é que pode ser
feito no leito, evitando o transporte de doentes graves; o cateter é flexível, com ponta acolchoada pelo
balão, o que amortece o choque contra a parede ventricular, diminuindo arritmias; baixa morbidade
durante o procedimento; a pressão de artéria pulmonar exprime com mais fidelidade a função
miocárdica que a Pressão Venosa Central; as medidas de pressão e de Débito Cardíaco são simples,
seguras e podem ser repetidas em intervalos curtos; os traçados são de boa qualidade e as amostras
para oximetria são facilmente colhidas. A cateterização da artéria pulmonar, amplamente usada em
terapia intensiva nos últimos 25 anos, sem dúvida alguma trouxe amplos subsídios para o
aprimoramento diagnóstico e entendimento fisiopatológico das anormalidades hemodinâmicas que
ocorrem em doentes críticos. Contudo, é importante lembrar que o cateter por si só não tem nenhum
benefício terapêutico direto, mas fundamentalmente diagnóstico ( Terzi, 1995, p. 117 ). Este estudo
deu-se pelo fato de ter percebido um mínimo de exploração quanto ao tema em questão. Por ser um
método novo em alguns hospitais, existem profissionais que não têm conhecimentos práticos sobre o
assunto; e naqueles hospitais em que o uso de cateter já é realidade cotidiana, o problema é ainda
maior, pois temos profissionais, inclusive o enfermeiro, que não sabem a sua aplicabilidade como um
método de auxílio no tratamento de pacientes graves. Talvez pela falta de informação durante a
graduação ou pela ausência de treinamento na manipulação do mesmo. A baixa produção científica do
tema em questão é outro fator que desperta uma busca, que eu possa enriquecer meus conhecimentos
enquanto Acadêmico. O trabalho é definido como qualitativo, visando descrever e analisar os fatores
que interferem na assistência prestada pelo enfermeiro ao cliente sob monitorização hemodinâmica. Os
sujeitos deste trabalho foram enfermeiros de terapia intensiva de hospitais da Grande Vitória ES, que
atuam freqüentemente com a monitorização hemodinâmica por cateter de Swan-Ganz. Para atingirmos
os objetivos desta pesquisa, foi utilizado como instrumento, uma entrevista semi-estruturada, o que
permite ao respondente desenvolver o conteúdo e forma das respostas de forma livre. Os dados foram
analisados com base na fundamentação teórica, de modo a garantir uma reflexão mais profunda sobre
os resultados. Houve concordância entre os entrevistados, no que se refere à utilização do cateter de
Swan Ganz. Aspectos como: medidas de débito cardíaco, pressão de artéria pulmonar, pressão de
capilar pulmonar, ou seja, destacaram aspectos importantes do cateter de Swan Ganz no controle
hemodinâmico do cliente crítico a beira do leito. ... Para monitorização hemodinâmica invasiva a
beira do leito (medidas de débito cardíaco, pressão de capilar pulmonar, índice cardíaco )... ( Enf. C
). Os entrevistados, em geral, fizeram menção a aspectos semelhantes, referentes aos cuidados de
enfermagem durante a verificação do débito cardíaco, como: posicionar o paciente, zerar o sistema,
controlar a temperatura do soro para infusão e controle da velocidade de infusão do soro. ... Nivelar a
transdutor do débito cardíaco a nível da linha axilar média, controlar a temperatura do soro para
infusão, controlar para que a velocidade da infusão seja a mesma, ou seja, deverá ser infundido através
do sistema co-set, para que se tenha um valor mais fidedigno do débito cardíaco... ( Enf. B ). Os
depoimentos, evidenciaram discordância, entre os entrevistados, no que se refere na posição em que o
paciente deve estar durante a verificação das medidas através do cateter de Swan Ganz, onde 25 %
relataram, que o paciente poderia estar na posição fowler ou semi-fowler. ... Decúbito dorsal... ( Enf.
A ). ... Decúbito dorsal, no máximo de cabeceira elevada 30º... ( Enf. C ). ... Fowler, semi-fowler,
cabeceira elevada 30º - 40º ... ( Enf. B ). O desenvolvimento do uso do cateter de Swan-Ganz hoje em
dia, proporciona uma melhor avaliação dos parâmetros hemodinâmicos, como: débito cardíaco,
pressão de artéria pulmonar entre outros, melhorando a assistência da equipe de saúde da unidade de
terapia intensiva, tendo como resultado um bom prognóstico do cliente e dos cuidados intensivos.
Devido a todos esses aspectos do uso do cateter de Swan-Ganz, o papel do enfermeiro intensivista é
extremamente importante durante a monitorização hemodinâmica, pois é ele que presta cuidados
diretos, 24 horas por dia, para o cliente crítico. Entretanto, observamos que as competências dos
enfermeiros no cuidado ao cliente com cateter de Swan-Ganz, não estão totalmente delimitadas. O
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
272
enfermeiro tem como papel relacionar os achados clínicos do cliente com os parâmetros
hemodinâmicos, porém muitas vezes não corresponde com a realidade. Contudo, o enfermeiro deve
mudar esta realidade, contribuindo, assim, para um tratamento terapêutico mais correto e o cuidado de
enfermagem mais qualificado.
Referências Bibliográficas:
BARRETO, Anelise Jábali. NETO, Antônio Capone; e outros. Curso de Monitorização
Hemodinâmica Básico e Avançado. 1. ed. São Paulo: 2002.
FERRAZ, Aline Fontinelle. SAMPAIO, Carlos Eduardo Peres. Atuações do enfermeiro intensivista na
monitorização hemodinâmica através do cateter de Swan-Ganz. Revista Enfermagem Brasil, Rio de
Janeiro: v. 1, n.1 p. 24 29, Janeiro/Fevereiro 2003.
HUDAK C. M. GALLO B. M. Cuidados intensivos de enfermagem: uma abordagem holística. 6. ed.
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1997. p
KNOBEL, Elias. Condutas no paciente grave. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 1998.
TERZI, Renato Giuseppe Giovani. ARAÚJO, Sebastião. Monitorização hemodinâmica e suporte
cardiocirculatório do paciente crítico. São Paulo: Atheneu, 1995. p. 109 119.
130. O ENSINO E PRÁTICAS DE CUIDADO EM ENFERMAGEM
Rita da Cruz Amorim1
RESUMO Este estudo originou-se das vivências e inquietações construídas ao longo da formação e
atuação profissional da autora, tendo como objeto o processo de ensino do cuidar/cuidado em um
Curso de Enfermagem. O processo de ensino do cuidar/cuidado no referido Curso vivencia um
momento de transição entre um modelo de ensino tradicional tecnicista, direcionado a definição e
cumprimento dos conteúdos programáticos e desenvolvimento de habilidades relacionadas a
procedimentos técnicos voltados à cura, existindo uma visão dicotomizada do ser humano e, por outro
lado, teoriza-se um ensino baseado na problematização que considera os (as) envolvidos (as) como
sujeitos do processo, buscando a construção de uma educação para o cuidado humano. Para responder
a questão tivemos como objetivos analisar o processo de ensino do cuidar/cuidado na formação do (a)
enfermeiro (a) do Curso de Graduação em Enfermagem. Para isto, buscamos conhecer o processo de
ensino do cuidar/cuidado no Curso de Graduação em Enfermagem sob a ótica de docentes da Área de
Saúde do Adulto, discentes e egressos(as). Pautado no conhecido, por meio do material empírico
foram descritos e analisados os significados e valores do ensinar e aprender o cuidar/cuidado para as
pessoas envolvidas no estudo, fazendo uma reflexão a respeito da formação destas (es) profissionais.
Para isto, a pesquisadora baseou-se em autores (as) que discutem o ensino e o cuidar, em geral, e na
Enfermagem. Foi adotada a ótica de gênero como relações hierárquicas de poder entre os sexos no
contexto da construção do saber e fazer o cuidar/cuidado na Enfermagem. Empregar esta ótica para
analisar o processo de ensino do cuidar/cuidado nos possibilita discutir as relações opressoras que
atuam e reproduzem-se no seio da profissão, interferindo no desvelamento do cuidado no mundo
público como um saber alternativo que pode ser valorizado e complementar ao saber dominante. A
abordagem metodológica foi a qualitativa, pois esta desvela significados e valores que permeiam o
processo de ensino do cuidar/cuidado no Curso em estudo com o método de Estudo de Caso que toma
uma unidade significativa do todo, com elementos suficientes para fundamentar um julgamento
fidedigno e também propor intervenção. Foi eleita para estudo a Área de Saúde do Adulto e Idoso
porque a pesquisadora faz parte da mesma e reconhece a necessidade de um estudo aprofundado Por
ser evidenciado pelo corpo docente a importância de conteúdos e procedimentos técnicos. A coleta de
material foi realizada por meio da técnica de entrevista com roteiro semi- estruturado por ser
desenvolvida de maneira mais espontânea, permitindo a relevância do sujeito. As entrevistas foram
1
Enfermeira do Hospital Geral Cleriston Andrade, professora da Universidade Estadual de Feira de Santana, atuando nas
disciplinas Fundamentos de Enfermagem e Semiologia e Semiotécnica, [email protected], Rua João Martins da
Silva 831, caseb, CEP44038430, Feira de Santana, Bahia.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
273
realizadas nos meses de janeiro, fevereiro e julho de 2002. Analisou-se alguns documentos do Curso
tais como o Currículo e o Projeto Político Pedagógico. Para análise do material, foi trabalhada a
estratégia metodológico do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). Foram identificadas as expressõeschave(ECH) e idéias centrais (IC) das entrevistas para a construção do Discurso do Sujeito Coletivo.
Assim emergiram discursos diferentes nas categorias de alunos (as) e enfermeiros (as) e
complementares nas três categorias de sujeitos. As análises dos discursos possibilitaram a criação de 3
(três) temáticas: O processo de ensinar e aprender o cuidar/cuidado no caso do Curso de Graduação
em Enfermagem em estudo, sendo evidenciado as fragilidades e fragmentações existentes no processo
e a necessidade de supera-las através da integração; o cuidar/cuidado como objeto de trabalho da
Enfermagem e sua construção para uma prática social, o material empírico mostrou o cuidar/cuidado
como função primária da Enfermagem, porém a (o) enfermeira (o) precisa superar as dicotomias
existentes para assumi-lo de maneira integral; divisão sexual e social no processo de ensinar e
aprender a cuidar em Enfermagem, através da leitura dos discursos de docentes da Área de Saúde do
Adulto e enfermeiras (os) egressas (os) foi possível perceber que não há unanimidade no que tange ao
ensinar, aprender e cuidar em Enfermagem para homens e mulheres. Entender as relações entre
mulheres e mulheres, homens e homens e mulheres e homens que prestam cuidados contribuirá para
possíveis rupturas no seio desta profissão que sofre um processo de naturalização do seu fazer na
sociedade, sendo colocado na condição de uma extensão das atividades domésticas exercidas por
mulheres, evidenciando a prática da Enfermagem como qualidade e não como qualificação, o que tem
dificultado a construção de um campo teórico de conhecimento próprio. Considera-se importante que
os (as) integrantes do Curso de Graduação em Enfermagem,em especial, a Área de Conhecimento
estudada busque clarificar as dimensões do cuidar/cuidado no sentido de trabalhar os conteúdos que
privilegiam as ações do curar e do cuidar de modo equivalente pela complementaridade. É preciso
investir em diversas estratégias de ensinar e aprender o cuidado, porém, com pontos de convergências
que caminhem para a integração. Faz-se necessário trabalhar as disposições internas do corpo docente
no sentido de revalorizar o cuidado como atividade primária de Enfermagem, elaborando e
desenvolvendo oficinas e trabalhos que possam mobilizar ações do cuidado no âmbito individual e
coletivo integrando docentes e enfermeiras (os) dos serviços que a Universidade tem convênio. Para
isto, será importante a criação de grupos de estudo que contemplem discussões sobre o cuidar/cuidado
na dimensão da objetividade e subjetividade, integrando os saberes da Enfermagem dentro de uma
postura critica. Nessa perspectiva, uma contribuição valiosa será a implantação de grupos de reflexão
sobre o cuidado que atenda aos (as) alunos (as) que ingressam na prática do Curso e que contemple a
equipe interdisciplinar de saúde para o enriquecimento das discussões.
Referências Bibliográficas:
ALMEIDA, M. C. P., ROCHA, J. S. Y. O saber de enfermagem e sua dimensão prática. 2.ed. São
Paulo: Cortez, 1989.
AMORIM, R. C. ; CORREA, M. G. N. O cuidar/cuidado: representações dos alunos de fundamentos
de enfermagem, 51f. Monografia ( Especialização) - Universidade do Estado da Bahia, Salvador,
2000.
CHIZZOTTI, A . Pesquisa em ciências humanas e sociais. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2001.
COLLIÈRE, M. F. Promover a vida: da prática das mulheres de virtude aos cuidados de enfermagem.
Tradução Maria Leonor Braga Abecasis. Lisboa.
LIDEL, 1999.LEFÈVRE, F.; LEFÈVRE, AM. C.; TEIXEIRA, J.J.V. o DISCURSO DO SUJEITO
COLETIVO: uma nova abordagem metodológica em pesquisa qualitativa. Caxias do Sul: EDUCS,
2000.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
274
131. A DISSONÂNCIA NA FORMAÇÃO DO PROFISSIONAL DE ENFERMAGEM
DE ENSINO SUPERIOR COM SUA PRÁTICA PROFISSIONAL.
Rodolpho Fernandes de Souza1
Fabiano Ribeiro dos Santos1
Este trabalho tem como objeto de estudo a dissonância na formação do profissional de enfermagem de
ensino superior com sua prática profissional, tem por objetivo analisar a compatibilidade da formação
de graduação de enfermagem com seu exercício profissional. Para tanto, optou-se por uma pesquisa do
tipo qualitativa que teve como cenário escolhido um Hospital Universitário situado em Niterói no Rio
de Janeiro com número de 30 participantes na pesquisa. Contudo, devido ao tipo de pesquisa
escolhido, esta não se baseia em critérios numéricos para garantir a sua representatividade. Entretanto,
os afores entrevistados são egressos da escola de enfermagem vinculada ao referido hospital. Para
coleta de dados usou-se questionário, que segundo Leopardi (2002, p.208) refere-se a um meio de se
obter respostas ás perguntas que o próprio informante preenche, contendo um conjunto de questões,
abertas e fechadas todas logicamente relacionadas com um problema central. São questões abertas
quando não tem restrições sobre a sua forma e fechadas quando implicam em número de opções de
respostas limitado. Tal estudo por razão de coerência utilizou a Teoria das Representações Sociais.
Para descrição, interpretação e analise dos dados usou-se o conteúdo das entrevistas através da
proposta operacional de Bardin (1994, p.38). Como base literária buscou - se autores como: Lima
Mads, autora da dissertação: A Formação do enfermeiro e a prática profissional: qual a relação?,
publicada em 1983, artigos de Freitas Armando, intitulado: O mercado de trabalho na área de
enfermagem, do periódico Revista do Agente de Formação Profissional Diga Lá de agosto de 2003,
dissertação de Esperidião Elizabeth, com título: Holismo só na teoria: a trama dos sentimentos do
acadêmico de enfermagem sobre sua formação, publicada em 2000 e ainda tantos outros autores, bem
como manuais do ministério da saúde que versam sobre o assunto: formação. È um trabalho de suma
importância, pois Segundo Lima (1983, p. 88) são relevantes os estudos que visam destacai a relação
entre formação e a práxis de enfermeiros no mercado de trabalho. Esclarece esta autora que muitas
vezes há discrepância entre as situações orientadas no ensino de enfermagem e em relação àquelas que
serão evidenciadas no exercício profissional. Portanto, não é tarefa fácil discutir sobre a formação de
profissionais na área de enfermagem, pois diversos são os fatores que levam as dissonâncias entre a
formação destes profissionais e sua práxis da assistência. De acordo com Krowczuk (1988, p. 7) desde
1977 um significativo número de Escolas de Enfermagem, em todo o Brasil, estão reavaliando seus
programas de ensino a partir da revisão do papel do enfermeiro, afim de diminuir dissonâncias entre o
preparo educacional a realidade profissional- Contudo, diversos são os problemas entre o ensino
oferecido e a prática do profissional na prestação de serviços de saúde da população, na formação do
"produto final", entendido como o enfermeiro já no pleno exercício profissional, pois na procura de
autonomia e da especificidade da enfermagem, surgem diversos enfoques como o da construção do
corpo de conhecimentos específicos da profissão, expresso por formalização de conceitos e teorias,
construção de marcos teóricos e de referências e que já não contemplam a prática de campo clínico,
essencial para a qualificação tanto do ensino quanto da assistência. De acordo com Relatório de fórum
e debates ensino e mercado de trabalho em enfermagem (1988, p. 69), a partir da década de 40 o
ensino tem sido admito na Universidade, levando a educação de enfermagem e a separação do pessoal
docente do pessoal do serviço assistencial, pois até então as docentes eram as próprias enfermeiras do
campo clínico, responsáveis pelo serviço de enfermagem, ou seja, amando em ambos ao mesmo
tempo, o que prejudicava o ensino pela pouca disponibilidade de tempo. Contudo, nesta nova situação,
ainda permanecem os inconvenientes, pois o acadêmico deixa de ter a vivência da problemática de
campo assistencial, num distanciamento da sua prática profissional. Assim, persiste a problemática já
citada, como a falta de tempo suficiente para o aluno se preparar na prática assistencial, estando tão
1
Acadêmicos de Enfermagem do 8° período da Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa da UFF.
Endereço: Rua Maestro Felício Toledo, n°482, apt° 101-A, Centro - Niterói / RJ, cep.-24030-l0l
e-mail: [email protected]
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
275
distante do exercício profissional, uma vez que, estará voltado para tantos conhecimentos teóricos.
Segundo Relatório de fórum e debates ensino e mercado de trabalho em enfermagem (1988, p-63)
enquanto os campos clínicos não forem entendidos como centros por excelência dos trabalhos de
pesquisas educacionais e assistências de enfermagem, enquanto não se tomarem a principal sede do
desenvolvimento curricular, enquanto não traduzirem o verdadeiro mais firme ponto de encontro
profissional entre docentes-enfermeiros e enfermeiros de serviço, enquanto não estiverem habilitados
em todos os horários, por docentes, discentes e pessoal do próprio serviço, será difícil imaginar que,
alienado dessa realidade da prática, poder-se-á elevar a qualidade de qualquer dos dois setores, seja o
de serviço, seja o de ensino, sabendo-se de antemão que esse último pode vir a ser o mais prejudicado.
Logo, de acordo com Desenvolvimento de ensino superior de Enfermagem no Brasil (1988, p. 26) em
trabalho realizado com acadêmicos de enfermagem 60% dos matriculados na UFMG e PUC, constatou
que todos procuram estágios extracurriculares para complementar a aprendizagem e para aquisição de
prática profissional, uma vez que a faculdade não contempla bem estes aspectos. Portanto, após
abordada tal temática conclui-se que existe uma dicotomia entre os conhecimentos hauridos em sala de
aula, e a realidade concreta, entre o órgão formador e o utilizador de recursos humanos e que a
residência de enfermagem, que segundo Lima (1979, p. 4) é cada vez mais solicitada pêlos recém
formados, apesar da carência de diretrizes e consensos definidos, se constitui como ponto de
minimizar tal problema, pois é um meio de melhor qualificar o profissional, implementando uma
modalidade de treinamento que enfatize a prática, onde aqueles que passaram pela residência relatam
em Lopes (2000, p. 174) são mais bem aceitos no mercado de trabalho, por que saiam com um
conhecimento grande e isso ajudava muito proporcionando um desempenho profissional com maior
qualidade e segurança, algo que não tiveram quando saíram da graduação, ou ainda outros que relatam
que só pelo fato de fazerem residência, já estavam todos colocados no mercado, coisa impossível para
o recém graduado que saem da academia totalmente sem prática profissional, pois como relata
Linhares: conteúdos inúteis precisam ser substituídos por matérias indispensáveis , bem como por
maior tempo de prática no campo clínico, havendo uma renovação nos currículos das universidades
Logo, tal realidade vem sendo uma solução para esses egressos melhor se adaptarem ao mercado de
trabalho, que exige sempre mais qualificação, pois de fato contata-se a enorme dissociação da
formação com a prática profissional de enfermagem.
Referências:
ESPERIDIÃO, Elizabeth. Holismo só na teoria: a trama dos sentimentos do acadêmico de
enfermagem sobre sua formação. Ribeirão Preto, 2001. Dissertação (Mestrado em Educação)
Faculdade de Enfermagem de Ribeirão Universidade de São Paulo. Ribeirão Preto. 2001.
FREITAS, Armando. O mercado de trabalho na área de enfermagem. Separata de: Revista do Agente
de Formação Profissional Diga Lá. Rio de Janeiro: Senac ano 8, n° 3, p.30-35, set./out.. 2003.
LIMA. Mads. A Formação do enfermeiro e a prática profissional: qual a relação? Porto Alegre, 1983.
Dissertação (Mestrado)-Faculdade de Educação, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do
Sul.
RELATÓRIO DE FÓRUM E DEBATES ENSINO E MERCADO DE TRABALHO EM
ENFERMAGEM, 1988. São Paulo. Anais...São Paulo: Universidade de São Paulo, Escola de
Enfermagem de Ribeirão Preto, 1988.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
276
133. PROPOSTA DE AVALIAÇÃO DA REESTRUTURAÇÃO CURRICULAR DO CURSO
DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM DA FAMERP.
Claudia Bernardi Cesarino1
Elaine Regonaschi
Elizabeth Abelama Sena Somera
Lafayete Ibraim Salimon
Maria de Fátima Farinha Martins Furlan
Zaida Aurora Sperli Geraldes Soler
A avaliação curricular de um Curso é um processo de julgamento de todo o trabalho realizado, o qual
resulta em um diagnóstico técnico objetivo que possibilita reflexões, estudos críticos e subsídios para
orientar a gestão institucional revendo, corrigindo ou promovendo ajustes necessários para melhoria
permanente do desempenho e da qualidade das atividades desenvolvidas. Segundo CARVALHO
(2000), a avaliação educacional é o processo pelo qual se emite um julgamento de valor sobre a
qualidade de determinadas características dos alunos, do grupo, do ambiente educativo, dos objetivos
educacionais, dos materiais educativos, dos programas de ensino-aprendizado, para intervir sobre uma
dada realidade e modificá-la. A avaliação, de acordo com TERRA (1996), é uma tarefa complexa e
árdua porque consta da seleção de atributos que sejam significativos para julgar o valor do que vai ser
avaliado de maneira objetiva e precisa, sendo a síntese das evidências alcançadas por esses
procedimentos, num julgamento final de valor. Este trabalho tem como objetivo relatar a proposta de
avaliação da implantação do projeto pedagógico da reestruturação curricular do Curso de Graduação
em Enfermagem da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto FAMERP - iniciada no ano de
2003. A reestruturação curricular levou em consideração a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (LDB), as diretrizes curriculares fixadas pelo Conselho Nacional de Educação de 2001, as
necessidades do mercado de trabalho quanto à formação de enfermeiros competentes, e os resultados
obtidos no Seminário Interno de Graduação para construção da cultura curricular da FAMERP
realizado em 1998/1999. Constituiu um grupo para estudar, planejar e reestruturar o currículo,
denominado Núcleo de Apoio ao Ensino de Enfermagem (NAENF), sob assessoria do Técnico em
Educação Superior da FAMERP. Este núcleo elaborou uma nova Proposta Pedagógica para o Curso
de Graduação em Enfermagem que foi aprovada através do Parecer CEE/SP nº 640/2002, homologado
conforme Resolução SE de 10/01/2003. O NAENF desempenhou por meio de encontros quinzenais
durante dois anos com a participação de enfermeiros de instituições hospitalares e da saúde coletiva,
representantes da Associação Brasileira de Enfermagem - ABEn e Conselho Regional de Enfermagem
COREn, docentes, discentes e as Coordenadoras do Curso. A reestruturação, implantada a partir da
turma ingressante em 2003 apresenta uma organização em: ciclos, eixos, abordagens e enfoques
buscando a integração das disciplinas/componentes curriculares. No documento da nova proposta
curricular o ciclo é definido como todo processo que tem início, desenvolvimento e desfecho dentro de
uma unidade de tempo onde, cada desfecho se constituirá no ponto de partida para um ciclo mais
estruturado. Os 3 ciclos: fundamental, composicional e profissional ordenam seus componentes
curriculares em 2 linhas: vertical (referente à seqüência lógica dos conteúdos intra-componentes) e
horizontal (referente a uma ordenação inter-componentes de um mesmo ciclo). Cada ciclo também
direciona seus componentes curriculares em 3 eixos: fundamentação, formação e qualificação. Os
enfoques são obrigatórios relacionado com os componentes formadores do perfil e os eletivos
referentes à flexibilidade de oferta de componentes destinados à ampliação de visão e atenção aos
interesses do alunado. Para a integração das disciplinas/ componentes curriculares utilizou-se a
interdisciplinaridade dentro das abordagens (ântropo-psico-social, biológica, ética, de saúde coletiva,
semiológica e semiotécnica, do corpo e do movimento, metodológica, da comunicação e expressão,
profissionalizante e gerencial) em todos os ciclos. Esta reestruturação é acompanhada pelo Núcleo de
Apoio ao Ensino de Enfermagem - NAENF que tem por objetivos: elaborar, propor e acompanhar a
1
Enfermeira, professora doutora do Curso de Graduação em Enfermagem da FAMERP, [email protected], Rua
Jamil Barbar Cury, 511, Jardim Tarraf II, São José do Rio Preto-SP CEP:15092-530.
8º Seminário Nacional de Diretrizes para a Educação em Enfermagem
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implantação; sugerir projetos acadêmicos institucionais de qualificação, capacitação e atualização
pedagógica do corpo docente e propor procedimentos de auto-avaliação das estruturas curriculares em
andamento, bem como dos componentes curriculares, nos termos das Deliberações dos órgãos
colegiados e das Resoluções da Diretoria Geral. O Plano Global do Núcleo de Apoio ao Ensino de
Enfermagem - NAENF para o ano de 2004 constituiu 3 programas, sendo um destes o programa de
avaliação da reestruturação curricular que se desdobrará em três projetos de avaliação, um projeto para
cada Ciclo: Fundamental, Composicional e Profissional. A avaliação dos ciclos terá como unidade de
análise os componentes curriculares que estão inseridos nos três eixos. Os projetos serão
desenvolvidos nas seguintes etapas: sensibilização da comunidade acadêmica; organização e
desenvolvimento do processo de avaliação com aplicação de instrumentos para coleta de dados ao
término de cada componente curricular; tabulação e análise quantitativa dos dados, elaboração de
relatórios contendo diagnósticos e propostas de melhoria com posterior divulgação dos resultados para
a comunidade FAMERP. Os respondentes dos instrumentos, que são também os sujeitos do processo
de avaliação serão os 72 docentes e pelo menos 80% do corpo discente do curso, que responderão,
cada qual na sua perspectiva, às questões relativas aos componentes curriculares, o ensino clínico e
estágios supervisionados. Também foi incluído neste instrumento a avaliação e a auto-avaliação
docente, discente e da turma. Foi deixado espaço para comentários e sugestões para melhorias. As
questões relativas aos componentes curriculares buscam, no geral, informações pertinentes aos planos
de ensino, articulação com outros componentes curriculares, os instrumentos e a pertinência das
avaliações formais, bem como abertura à discussão com os alunos, tanto dos planos como das
avaliações. Para avaliar o ensino clínico/estágios supervisionados buscam-se informações sobre o
campo, a organização, a relação teoria-prática e se sua avaliação é congruente com os objetivos e
conteúdos desenvolvidos. A avaliação e a auto-avaliação
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