ANA PAULA DE LIMA OLIVEIRA
EFEITO DA TERAPIA PERIODONTAL NAS CITOCINAS DO
FLUIDO GENGIVAL CREVICULAR DE INDIVÍDUOS COM
PERIODONTITE AGRESSIVA GENERALIZADA
FACULDADE DE ODONTOLOGIA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
BELO HORIZONTE
2012
ANA PAULA DE LIMA OLIVEIRA
EFEITO DA TERAPIA PERIODONTAL NAS CITOCINAS DO
FLUIDO GENGIVAL CREVICULAR DE INDIVÍDUOS COM
PERIODONTITE AGRESSIVA GENERALIZADA
Tese apresentada ao Colegiado de Pós-graduação da Faculdade
de Odontologia da Universidade Federal de Minas Gerais, como
requisito parcial para obtenção do grau de doutor.
Área de concentração: Periodontia
Orientação: Prof. Dr. José Eustáquio da Costa
Co-orientação: Prof. Dr. Ricardo Palmier Teles
Prof. Dr. Fernando de Oliveira Costa
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
FACULDADE DE ODONTOLOGIA
BELO HORIZONTE
2012
AGRADECIMENTOS
Dr. Ricardo Palmier Teles, Dra. Flávia Teles e toda a equipe do Forsyth Institute;
Dr. José Eustáquio da Costa, Dr. Fernando de Oliveira Costa , Dr. Luis Otávio de
Miranda Cota e todos os professores do curso de Periodontia da UFMG;
Dr. Marcelo de Faveri e toda a equipe da Universidade de Guarulhos-SP;
Dr. Marcelo José Barbosa Silva;
Todos os colegas da pós-graduação em Odontologia;
Familliares e amigos, em especial Nancy Veiga e Elida Salazar;
Faculdade de Odontologia da UFMG;
Forsyth Institute, Boston, MA, EUA;
FAPEMIG – Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais;
CNPQ – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
Obrigado!
RESUMO
A doença periodontal é uma reação inflamatória destrutiva onde alterações bacterianas
e fatores do hospedeiro, inatos e adquiridos, determinam o grau de comprometimento
dos tecidos de suporte dos dentes. A periodontite agressiva é um tipo específico de
doença periodontal com características clínicas distintas, que parece estar relacionada
a algum defeito da resposta imune. O objetivo do nosso estudo foi examinar as
mudanças nos níveis de citocinas do fluido gengival crevicular (GCF) de indivíduos com
periodontite agressiva generalizada (PAgG) após a terapia periodontal. Assim, vinte e
quatro indivíduos com PagG tiveram amostras de citocinas do fluido gengival coletadas
e analisadas usando Luminex para sete citocinas: GM-CSF, IFN-γ, IL-10, IL-1β, IL-2,
IL-6 and TNF-α. Os indivíduos foram aleatoriamente designados para uma raspagem e
alisamento radicular (RAR) somente, ou RAR mais amoxicilina sistêmica (500 mg) e
metronidazol (400 mg) 3 vezes ao dia durante 14 dias. Os parâmetros clínicos e as
citocinas do GCF foram medidos no início, 6 e 12 meses após a terapia periodontal.
Verificou-se que houve reduções significativas nos níveis de IL-1β após 6 meses de
acompanhamento, de IL-2 após 6 e 12 meses de acompanhamento e de GM-CSF após
12 meses de acompanhamento, além de um aumento nos níveis de IL-6, TNF- e IL-10
após 12 meses de acompanhamento. A razão IL-1β/IL-10 também reduziu
significativamente nas duas visitas de acompanhamento. Os resultados indicaram que
a terapia periodontal reverteu parcialmente o desequilíbrio entre a IL-1β e IL-10. A
redução de GM-CSF após a terapia implica que essa citocina pode estar associada à
patogênese da PAgG.
Palavras chave: Periodontite agressiva, Fluido crevicular gengival, Citocinas, Terapia
periodontal.
ABSTRACT
To examine changes in levels of gingival crevicular fluid (GCF) cytokines, after
periodontal therapy of generalized aggressive periodontitis (PAgG), twenty four
PAgG subjects had GCF samples collected and analyzed using multiplex bead
immunoassay for: GM-CSF, IFN-γ, IL-10, IL-1β, IL-2, IL-6 and TNF-α. Subjects were
randomly assigned to either scaling and root planing (SRP) alone or SRP plus
systemic amoxicillin (500 mg) and metronidazole (400 mg) 3 times a day for 14 days.
Clinical parameters and GCF cytokines were measured at baseline, 6 and 12 months
after treatment. Differences over time were analyzed using Wilcoxon test and
between groups using Mann-Whitney test. Reductions in GCF IL-2, GM-CSF and IL1β and increases in GCF IL-6, IL-10 and TNF- were detected after therapy. When
the mean change in GCF cytokines were compared between groups, differences
were not significant. The results indicated that periodontal therapy partially reversed
the imbalance between IL-1β and IL-10. The reduction of GCF GM-CSF after therapy
implicates this cytokine in the pathogenesis of GAgP. There was no difference
between therapies in changes of GCF cytokines.
Keywords: cytokines; gingival crevicular fluid; periodontal disease; periodontal
therapy.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
AAP –
Academia Americana de Periodontologia
AM -
Amoxicilina e Metronidazol
et al –
e outros
GCF–
Fluido gengival crevicular
GM-CSF – Fator estimulador de colônia de granulócitos macrófagos
INFγ –
Interferonγ
IL-1β–
Interleucina 1β
IL-2 –
Interleucina 2
IL-4 –
Interleucina 4
IL-6 –
Interleucina 6
IL-8 –
Interleucina 8
IL-10 -
Interleucina 10
ml –
Mililitro
mm –
Milímetros
MMP –
Metaloproteinase
NIC –
Nível de inserção clínico
PA -
Periodontite agressiva
PAgG –
Periodontite agressiva generalizada
PS –
Profundidade de sondagem
PC –
Periodontite crônica
pg –
Picograma
NIC –
Nível de inserção clínica
RANTES -
Regulated upon Activation, Normal T-cell Expressed, and Secreted
RAR -
Raspagem e alisamento radicular
SS –
Sangramento à sondagem
TGF-
Fator de transformação do crescimento beta
Th1 –
Célula “T helper”auxiliar 1
Th2 -
Célula “T helper”auxiliar 2
TNF- α –
Fator de necrose tumoral
µl –
Microlitro
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO................................................................................................................................................. 8
2 OBJETIVOS .................................................................................................................................................... 17
2.1 OBJETIVO ESPECÍFICO ..................................................................................................................................... 17
3 MATERIAIS E MÉTODOS .......................................................................................................................... 18
3.1 POPULAÇÃO DE ESTUDO E MONITORAMENTO CLÍNICO ..................................................................................... 18
3.2 DESENHO EXPERIMENTAL ...................................................................................................................................... 19
3.3 AMOSTRAS DE FLUIDO GENGIVAL CREVICULAR................................................................................................. 19
3.4 QUANTIFICAÇÃO DE CITOCINAS UTILIZANDO A METODOLOGIA LUMINEX ..................................................... 20
3.5 ANÁLISE DOS DADOS ............................................................................................................................................... 22
4 RESULTADOS ............................................................................................................................................... 23
4.1 COOPERAÇÃO DE INDIVÍDUOS ................................................................................................................................ 23
4.2 RESULTADOS CLÍNICOS........................................................................................................................................... 23
5 DISCUSSÃO.................................................................................................................................................... 27
6 CONCLUSÃO .................................................................................................................................................. 34
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................................. 35
TABELAS ........................................................................................................................................................... 49
FIGURAS ............................................................................................................................................................ 52
ANEXOS ............................................................................................................................................................. 57
8
1 INTRODUÇÃO
As reações inflamatórias e imunológicas ao biofilme dental representam
características
predominantes
da
gengivite
e
da
periodontite.
Estudos
epidemiológicos têm mostrado que as patologias que afetam o periodonto estão
entre as doenças crônicas mais comuns do ser humano, afetando de 5 a 30% da
população adulta na faixa etária de 25 a 75 anos (GENCO et al., 2002).
A gengivite é uma reação inflamatória envolvendo apenas tecido mole que
pode ser revertida com a instituição de medidas eficazes de higiene oral (LOE et al.,
1965). Já a periodontite é uma reação inflamatória destrutiva, que afeta as estruturas
de suporte dos dentes, incluindo cemento, osso alveolar e ligamento periodontal. A
periodontite diferencia-se clinicamente da gengivite pela perda de inserção, que
consiste na migração do epitélio juncional da gengiva ao longo da raiz do dente e
reabsorção do osso alveolar. Esse processo inicia-se pela deposição de biofilme
dental nos dentes e próximo à margem gengival. O biofilme dental é uma película
granular composta por bactérias e seus produtos, células descamadas e um
polímero extracelular (dextran), que se forma na superfície dental ou outras
estruturas orais sólidas, constituindo uma entidade específica altamente variável de
indivíduo para indivíduo (GIBBONS e VAN HOUTE, 1973; KOLENBRANDER et al.,
2006).
Enquanto a inflamação gengival pode estar associada a um acúmulo não
específico de biofilme dental, a perda de inserção e de osso alveolar, que são
característicos da periodontite, parecem estar associadas a uma pequena população
do número total de espécies bacterianas orais (SOCRANSKY et al., 1998). O
conceito de especificidade microbiana na etiologia da doença periodontal fortaleceuse com as pesquisas que associaram o Aggregatibacter actinomycetemcomitans
com a periodontite juvenil localizada (PJL) (NEWMAN et al., 1977). Posteriormente,
estabeleceu-se a Porphyromonas gingivalis como um importante patógeno na
periodontite crônica (SLOTS, 1977). Estudos de Moore et al., (1983) mostraram que,
das 300 a 400 espécies bacterianas que podem habitar a cavidade bucal, apenas
um grupo de microrganismos anaeróbios e microaerofílos Gram-negativos está
associado
à
doença
periodontal,
dentre
eles,
Aggregatibacter
actinomycetencomitans (Aa), Porphyromonas gingivalis (Pg), Prevotella intermedia
(P.intermedia),
Fusobacterium
nucleatum
(F.nucleatum),
Tannerella
forsythia
9
(T.forsythia) e Treponema denticola (T.denticola) (SOCRANSKY e HAFFAJEE,
1994). O chamado “complexo vermelho”, descrito por Socransky e colaboradores
(1998), composto por Porphyromonas gingivalis, Treponema denticola e Tannerella
forsythia é um colonizador tardio e sua presença está relacionada às comunidades
clímax de biofilmes em sítios de doença periodontal em progressão (HOLT e
EBERSOLE, 2005).
As bactérias liberam continuamente componentes da superfície celular na
cavidade oral e no sulco gengival (KANTARCI et al., 2006; WILLIAMS e HOLT,
1985), e podem ter efeitos diretos ou indiretos nas células hospedeiras. Os efeitos
diretos ocorrem quando a bactéria ou extrato bacteriano estimula diretamente uma
célula a efetuar um conjunto de respostas tais como proliferação celular, produção
de citocinas, quimiocinas e expressão de moléculas de adesão celular. Os efeitos
indiretos acontecem com a ativação de células hospedeiras para a produção e
liberação de mediadores inflamatórios e citocinas. Estes mediadores e citocinas,
possuem uma potente atividade pró-inflamatória podem desempenhar papéis
essenciais na amplificação local da resposta imune, bem como na degradação do
tecido periodontal (DONGARI-BAGTZOGLOU e EBERSOLE, 1996).
Apesar das
bactérias serem necessárias, esse indício não é suficiente para causar periodontite.
As doenças periodontais são infecções multifatoriais, e fatores do hospedeiro tais
como herança genética, resposta imunológica, hábito de fumar e outros fatores de
risco são tão importantes quanto as bactérias na determinação do desenvolvimento
e estado da doença periodontal (PAGE e KORNMAN, 1997). A complexa interrelação entre alterações bacterianas e fatores do hospedeiro, inatos e adquiridos,
determinam o resultado da doença periodontal (PAGE e BECK, 1997).
Embora as reações inflamatórias e imunológicas no periodonto possam
parecer semelhantes às observadas em outras partes do organismo, a periodontite
se diferencia de outras doenças infecciosas pelo fato dos patógenos permanecerem
na superfície do dente e no ambiente da bolsa periodontal, determinando uma
inflamação persistente (GENCO, 1992). Observa-se, também, que a destruição na
periodontite, não se processa de uma forma linear em todos os sítios e sim através
de um processo descontínuo, sítio-específico, com surtos de atividade de destruição
e períodos de inatividade ou quiescência (SOCRANSKY e HAFFAJEE, 1994). As
variações da atividade da doença periodontal poderiam representar uma
impossibilidade transitória de defesa do hospedeiro por meio da resposta
10
inflamatória ou, pelo contrário, uma reação de tal magnitude que causaria mais dano
do que proteção ao periodonto (TENG, 2003).
Em 1999, no Workshop Internacional para Classificação das Condições e
Doenças Periodontais, ficou decidida a introdução dos termos Periodontite Crônica e
Periodontite Agressiva, e o abandono dos termos anteriormente recomendados,
Periodontite do Adulto e Periodontite de Início Precoce, considerando a incerteza
sobre os limites de idade estabelecidos para o enquadramento a uma das formas
clínicas da doença periodontal, e o fato da idade ser considerada um critério primário
de classificação. A Periodontite Crônica (PC), segundo a nova classificação,
caracteriza-se clinicamente por alteração de cor e textura gengivais, como
vermelhidão e tumefação, maior tendência ao sangramento provocado pela
sondagem na área do sulco/bolsa gengival e, geralmente, presença de placa e
cálculo dentário. Além disso, os tecidos podem exibir uma resistência reduzida à
sondagem (aumento da profundidade da bolsa clínica) e/ou retração tecidual.
Radiograficamente pode ser reconhecida pelo esfumaçamento da crista óssea, no
início, e pela redução da altura óssea alveolar, posteriormente (ARMITAGE, 1999).
Essa perda óssea pode apresentar um contorno uniforme, denominado “horizontal”,
ou um defeito angular, denominado “vertical”. É considerada uma doença de
progressão lenta (BROWN e LOE, 1993). A Periodontite Agressiva (PA), abrange um
grupo de periodontites com manifestações clínicas distintas acometendo crianças,
adolescentes e adultos jovens e, se caracteriza pela idade precoce de aparecimento,
taxa de progressão rápida e ausência de relação entre a quantidade de irritantes
locais e o grau de destruição periodontal (ZAMBON et al., 1986). A compreensão
atual da patogenia dessa forma clínica da doença implica em considerá-la uma
infecção com uma microbiota altamente virulenta e/ou um alto nível de
susceptibilidade do hospedeiro (PAGE e BECK, 1997).
Baseando-se nas evidências clínicas e histopatológicas existentes na época,
tais como biópsias de animais e algumas amostras coletadas de adolescentes
humanos, Page & Schroeder (1976) classificaram a progressão da inflamação
gengival e periodontal em quatro estágios: inicial, precoce, estabelecido e avançado.
As lesões iniciais e precoces representam histopatologicamente as fases iniciais da
gengivite, na qual a reação inflamatória se caracteriza por um infiltrado inflamatório
predominantemente neutrofílico, alteração de permeabilidade vascular e proliferação
coronal de células epiteliais. Por refletir a histopatologia característica da gengivite
11
crônica, a lesão estabelecida apresenta um quadro próximo ao descrito para as
lesões citadas, anteriormente. Contudo, o infiltrado inflamatório, além da presença
de neutrófilos, tem uma população de leucócitos relacionados à inflamação crônica,
como linfócitos T, B e macrófagos. A descrição histopatológica da lesão avançada
reflete a progressão da gengivite para a periodontite, onde ocorre um aumento no
número de plasmócitos no tecido conjuntivo, além de um grande número de
linfócitos B e T. A migração de neutrófilos está reduzida, mas muitas destas células
estão ativas no interior dos tecidos. Os macrófagos, por sua vez, continuam
produzindo fatores, como metaloproteinases, prostaglandina E, fator de necrose
tumoral  (TNF-) e interleucina-1 (IL-1), que aumentam a destruição dos tecidos
conjuntivo e ósseo. Este modelo de estudo ainda é útil para a exposição das
alterações histopatológicas ocorridas na bolsa periodontal. Porém, a resposta
imunoinflamatória na periodontite não deve ser vista como um processo
unidimensional que leva à destruição, mas como um processo interativo que é
constantemente ajustado às múltiplas necessidades locais e sistêmicas do
organismo (KANTARCI et al., 2006; PAGE e BECK, 1997; TENG, 2003).
As células do sistema imune estão amplamente distribuídas pelo organismo
e, quando necessário, podem ser recrutadas para o local da infecção. Este processo
se manifesta como uma inflamação, e compreende três eventos principais: aumento
de suprimento sanguíneo para a área afetada; aumento da permeabilidade vascular
permitindo que mediadores de inflamação atinjam o local da infecção e intensa
diapedese de leucócitos (ROBBINS et al., 2005). Entre os vários tipos celulares que
fazem parte da resposta imunológica na lesão periodontal, os linfócitos T são
particularmente importantes. Linfócitos são células capazes de reconhecer,
especificamente, diferentes determinantes antigênicos. Eles podem ser divididos em
grupos distintos por suas características morfológicas, funções e produtos proteicos
(ROBBINS et al., 2005).
Linfócitos T são centrais na resposta imune seja por controlar a ativação de
linfócitos B (células produtoras de anticorpos), de células acessórias e dos próprios
linfócitos T ou por exercer função citotóxica direta lisando células que contenham o
alvo antigênico (JACOBSEN, 2001).Os linfócitos T podem ser identificados pela
expressão de marcadores característicos. Os linfócitos que expressam o marcador
CD4 (linfócitos CD4+) têm a função de auxiliar às respostas imunes (TH) e os
linfócitos CD8+ são predominantemente citotóxicos. Linfócitos T CD4 + se dividem em
12
duas sub-populações funcionalmente distintas de células,Th1 e Th2, sendo que sua
distinção funcional é resultado de uma produção diferencial de citocinas (MOSMANN
et al., 1986). Células Th1 que são, em geral, caracterizadas pela produção de
interferon- (IFN-) e interleucina-2 (IL-2), estão associadas com inflamação e
induzem resposta imune mediada por células. Células Th2 produzem IL-4, IL-5, IL-6,
IL-10 e IL-13, auxiliam a proliferação e diferenciação dos linfócitos B e estão
associadas com resposta humoral. Em razão de suas principais citocinas, IFN- e IL4, agirem antagonicamente, há uma mútua regulação entre as respostas Th1 e Th2.
Respostas imunes caracterizadas por altos níveis de IFN- são, em geral, vantajosas
em infecções por bactérias intracelulares e em alguns tipos de parasitas. Neste
caso, funções dos macrófagos como fagocitose, secreção de citocinas e formação
de radicais livres são benéficas. Entretanto, na presença de agentes extracelulares e
helmintos, a resposta mediada por células parece assumir papel secundário. A
resposta Th2, com altos níveis de IL-4 predomina no caso de helmintos, sendo
mediada por anticorpos, sistema do complemento e neutrófilos ou por secreção de
IgE e ativação de mastócitos, basófilos e eosinófilos. No entanto, o predomínio
absoluto de um tipo de resposta representa uma possibilidade rara, principalmente
em doenças cujas reações imunes podem causar destruição tecidual (KELSO, 1990;
PALUDAN, 1998).
Nos últimos anos, vários estudos têm sugerido o envolvimento das células T
na patogênese da doença periodontal, considerando-as centrais no controle da
progressão da doença (YAMAZAKI e NAKAJIMA, 2004). Evidências indicam que a
resposta de células T na doença periodontal está frequentemente comprometida e
que este processo pode influenciar a progressão e gravidade da doença (GEMMELL
et al., 1996). Células Th1 e Th2 podem individualmente ou combinadas regular a
defesa do hospedeiro contra a infecção periodontal. (GEMMELL et al., 2002). As
citocinas inflamatórias produzidas por células Th1 estão mais associadas a um
processo de destruição tecidual ativa, enquanto citocinas com características
antinflamatórias (IL-10, TGF-β) produzidas por células Th2 estão envolvidas na
homeostasia tecidual e no subsequente processo de reparo tecidual (LAPPIN et al.,
2001).
O paradigma Th1/Th2 foi usado como um modelo para explicar alguma das
características da patogênese das infecções periodontais (TAUBMAN e KAWAI,
13
2001). Alguns autores sugerem que uma resposta predominante Th1 estaria
associada a uma lesão inicial como descrito por Page & Schroeder em 1976, devido
à presença de tipos celulares associados à hipersensibilidade do tipo tardia (Células
T e Macrófagos) (YAMAMOTO et al., 1997). Inversamente, uma resposta Th2
resultaria em uma lesão avançada, com ativação de células B e a diferenciação em
plasmócitos (GEMMELL et al., 1997).
Em resposta à microbiota subgengival, o hospedeiro libera citocinas
inflamatórias e enzimas, que são responsáveis pela maior parte da degradação dos
tecidos periodontais, levando aos sinais clínicos da doença (PRESHAW et al., 2008;
SEYMOUR e GEMMELL, 2001). Vários destes marcadores biológicos podem ser
detectados no fluido gengival crevicular (GCF), que é um meio conveniente para o
diagnóstico e avaliação dos níveis de mediadores inflamatórios liberados durante a
progressão da doença periodontal. Os níveis aumentados de diversas citocinas próinflamatórias no GCF, como a IL-1 (FIGUEREDO et al., 1999; GIANNOPOULOU et
al., 2003a; MOMBELLI, 2003), IL-2 (LEE et al., 1995a; SALVI et al., 1998), INF-γ
(DUTZAN et al., 2009) e IL-8 (TELES et al., 2009a) têm sido associados com
periodontite crônica e/ou agressiva. Inversamente, níveis aumentados da citocina
anti-inflamatória IL-4 tem sido associados com a remissão ou melhoria de ambas as
formas de periodontites crônica e agressiva (BASTOS et al., 2009; MOMBELLI,
2003). Em indivíduos com periodontite, níveis aumentados de IL-1β foram
estreitamente associados com a gravidade da doença periodontal, podendo servir
como um marcador de destruição dos tecidos (ISHIHARA et al., 1997). Muitas
investigações nessa área concentraram-se na citocina IL-1β, devido à sua
participação na iniciação e desenvolvimento da periodontite. A IL-1β é uma
glicoproteína de 17 KDa produzida predominantemente por monócitos e macrófagos,
mas também pode ser produzida por fibroblastos e células ósseas, sendo ainda
induzida por microrganismos, produtos microbianos e agentes (HOROWITZ, 1993;
MATSUKI et al., 1991, 1992), com propriedades pro inflamatórias
potentes
(TATAKIS, 1993). O papel de outras citocinas destrutivas na patogênese da doença
periodontal como o TNF-α também tem sido investigados. Fator de necrose tumoral (TNF-α) é uma citocina pró-inflamatória que juntamente com a IL-1β induzem a
regulação de moléculas de adesão em leucócitos e células endoteliais, estimulam a
produção de quimiocinas que fazem o recrutamento de leucócitos circulantes para
os locais de inflamação e induzem a expressão de outros mediadores inflamatórios
14
que potencializam a resposta inflamatória, como as prostaglandinas e MMPs
(GRAVES e COCHRAN, 2003). A IL-1β também induz a diferenciação de
osteoclastos e reabsorção óssea (GOWEN e MUNDY, 1986). Usando um modelo de
primatas não humanos da doença periodontal, Delima et al. (2001), demonstraram
que os antagonistas solúveis para IL-1β e TNF-α foram capazes de reduzir a perda
de inserção do tecido conjuntivo e osso alveolar, o que sugere uma relação causaefeito entre estes marcadores e doença periodontal.
O reconhecimento da especificidade do biofilme subgengival, da resposta do
hospedeiro frente ao desafio microbiano e de diferentes formas de doenças
periodontais tem levado pesquisadores e clínicos a um melhor entendimento desse
processo patológico e, eventualmente, à elaboração de uma terapia periodontal
direcionada à supressão dos microrganismos que as causam, e subsequente
recolonização por microrganismos compatíveis com a saúde (SOCRANSKY e
HAFFAJEE, 1992). Sendo assim, diversos protocolos terapêuticos, incluindo o uso
de antimicrobianos, têm sido empregados de forma menos empírica e mais focada
às diferentes infecções periodontais. Além disto, o acompanhamento microbiológico
e imunológico de indivíduos, antes e após o tratamento, tem possibilitado uma
melhor avaliação da eficácia da terapia periodontal empregada.
Normalmente, as doenças periodontais são tratadas através do debridamento
mecânico, ou seja, raspagem e alisamento radicular (supra e subgengivalmente),
para a remoção e desorganização do biofilme e cálculo das superfícies dentárias, e
a maioria dos indivíduos com doença periodontal tem um resultado satisfatório
quando instituído este tratamento, associado ao controle da higiene bucal e
manutenção periódica (AXELSSON et al., 2004). Parâmetros, incluindo nível de
inserção clínica (NIC), profundidade de sondagem (PS) e presença de sangramento
à sondagem (SS) são comumente utilizados para avaliar e monitorar a condição
periodontal. Sendo assim, o tratamento visa reduzir as profundidades de sondagem
de bolsa, manter ou melhorar os níveis de inserção clínica e reduzir a incidência do
sangramento (HEITZ-MAYFIELD et al., 2002).
A terapia periodontal mecânica é considerada fundamental para romper o
biofilme e a justificativa para o uso adjuvante de antimicrobianos sistêmicos é reduzir
a carga bacteriana possibilitando a resolução da inflamação na bolsa periodontal
(HEITZ-MAYFIELD, 2009). Uma revisão sistemática de Hererra et al. (2002) concluiu
que o uso de antibióticos sistêmicos associados à terapia mecânica pode oferecer
15
um benefício adicional sobre a terapia mecânica sem o uso de antibióticos, em
termos de redução de profundidade de sondagem e ganho de inserção clínica, em
bolsas de 6 mm ou mais de profundidade. Resultados semelhantes foram relatados
por Haffajee et al. (2003).
Do ponto de vista microbiológico e imunológico, o objetivo ideal da terapia
periodontal é reduzir os níveis de patógenos aos existentes antes da instalação da
doença, por períodos prolongados de tempo (TELES et al., 2006). Tal proposta visa
simultaneamente reduzir os níveis de mediadores inflamatórios levando a uma
melhora clínica do quadro. Alguns estudos avaliando o efeito do tratamento
periodontal sobre os níveis de citocinas, sugerem que as citocinas pró-inflamatórias,
como IL-1β, diminuem após a terapia, enquanto as anti-inflamatórias, como IL-10,
aumentam (GOUTOUDI et al., 2004; ROSALEM et al., 2011).
A ação imunossupressora das citocinas IL-4 e IL-10 tem sido associada com
a remissão ou a melhoria pós tratamento de ambas as formas de periodontite
crônica e agressiva (BASTOS et al., 2009; GIANNOPOULOU et al., 2003b;
GOUTOUDI et al., 2004; PRADEEP et al., 2008).
Diversos estudos têm
correlacionado a redução dos níveis totais de IL-1β com a melhora clínica após
terapia periodontal, tanto em paciente com periodontite crônica (GOUTOUDI et al.,
2004; THUNELL et al., 2010; TUTER et al., 2001) como com periodontite agressiva
(TOKER et al., 2008). Já em um estudo realizado com indivíduos brasileiros,
tratados com terapia de raspagem apenas em uma sessão (grupo teste), ou em
quatro sessões distintas, um quadrante por semana (grupo controle), a quantidade
total de IL-1β diminuiu após 6 meses de terapia no grupo teste, enquanto os níveis
de Il-10 aumentaram, tanto 3 meses, quanto 6 meses após a terapia periodontal no
mesmo grupo (DEL PELOSO RIBEIRO et al., 2008).
Em um estudo anterior, (TELES et al., 2010) analisou parâmetros clínicos,
dados microbiológicos e os níveis de citocinas em GCF de indivíduos com PAgG
para procurar padrões de associação entre essas variáveis. Este estudo transversal
mostrou que os indivíduos com PAgG tinham níveis estatisticamente significantes
mais elevados da interleucina-1β (IL-1β) (p <0,001), fator estimulador de colônia de
granulócitos-macrófagos (GM-CSF) (p <0,01) no GCF e da razão IL-1β/IL-10 (p
<0,001), além de maior proporção de espécies dos complexos vermelho e laranja
em comparação com indivíduos com saúde periodontal. Concluiu-se que os
diferentes perfis de biofilme subgengival foram associados com padrões distintos de
16
expressão de citocinas no GCF e que indivíduos com PAgG foram caracterizados
por uma maior razão de IL-1β/IL-10 do que indivíduos com saúde periodontal,
sugerindo que existe um desequilíbrio entre as citocinas pró e anti-inflamatória na
periodontite agressiva.
Diante disso, o objetivo do presente estudo foi analisar as alterações nos
níveis de citocinas no GCF nesses indivíduos com PAgG como resultado da terapia
periodontal. Os dados aqui apresentados foram obtidos durante um ensaio clínico
originalmente concebido e desenhado para comparar dois tratamentos periodontais:
raspagem e alisamento radicular (RAR) somente e RAR com o uso concomitante de
antibióticos sistêmicos. Em uma primeira abordagem, nós examinamos se a terapia
periodontal, independentemente do tipo, resultaria em mudanças nos níveis de
citocinas no GCF. Além disso, também foram exploradas as diferenças entre as
duas terapias empregadas, com o objetivo de fortalecer nossas observações
originais, analisando longitudinalmente o impacto da terapia sobre as citocinas no
GCF que demonstraram uma associação com PAgG (ou seja, IL-1β, a GM-CSF e IL10).
A literatura mostra diferentes resultados sobre o efeito da terapia periodontal
nos níveis de marcadores no GCF, tanto no espectro de citocinas investigadas,
quanto no tempo de monitoramento dos indivíduos após a terapia, que varia de 2
semanas a 6 meses. A maioria dos estudos relata uma diminuição no total de IL-1β
e IL-8 no GCF após a terapia não cirúrgica. Outras citocinas e mediadores
imunológicos, como TNF-, MMP-8 e RANTES, também mostram uma tendência a
diminuir após a terapia (GAMONAL et al., 2001). Diferenças na metodologia dos
estudos tornam difíceis resultados conclusivos a respeito deste tema. Acreditamos
que esse estudo fornecerá dados relevantes para o maior entendimento da
etiopatogenia da doença periodontal, podendo, no futuro, direcionar novas
possibilidades de intervenção.
17
2 OBJETIVOS
Avaliar as alterações nos níveis de citocinas do fluido gengival crevicular
(GCF) de indivíduos com periodontite agressiva generalizada (PAgG) após a terapia
periodontal de raspagem e alisamento radicular - RAR - associados ou não com
antibioticoterapia.
2.1 OBJETIVO ESPECÍFICO
1. Analisar o efeito da terapia periodontal associada ou não com a antibiótico
terapia (Amoxicilina e Metronidazol) sobre as citocinas GM-CSF, IFN-, IL-10,
IL-1β, IL-2, IL-6 e TNF-α no GCF de indivíduos com periodontite agressiva
generalizada (PAgG), 6 e 12 meses após a terapia.
2. Analisar o efeito da terapia periodontal associada ou não com a antibiótico
terapia (Amoxicilina e Metronidazol) sobre a proporção de IL-1 β/IL-10.
18
3 MATERIAIS E MÉTODOS
3.1 População de estudo e monitoramento clínico
Trinta indivíduos com periodontite agressiva generalizada (PAgG) foram
recrutados na clínica de periodontia da Universidade de Guarulhos (Guarulhos, SP,
Brasil)(TELES et al., 2010). Os protocolos de estudo, incluindo o exame periodontal
e a obtenção de amostras de GCF, foram aprovados pelo Comitê de Ética em
Pesquisa Clínica da Universidade Guarulhos. Cada indivíduo leu e assinou um
consentimento informado antes de entrar no estudo. Para serem incluídos, os
indivíduos com PAgG tinham que ter entre 18 e 30 anos de idade, no mínimo 20
dentes naturais e um mínimo de seis com pelo menos um sitio com profundidade de
sondagem interproximal (PS)
≥ 5 mm e nível de inserção (NIC) ≥ 5 mm. O
diagnóstico de PAgG foi baseado nos critérios estabelecidos pela Academia
Americana de Periodontia (ARMITAGE, 1999) e exigiu a agregação familiar, ou seja,
pelo menos outro membro da família com PAgG, ou com história de doença
periodontal. Os indivíduos foram excluídos se eles apresentavam alguma condição
sistêmica que influenciaria o curso da doença periodontal ou o tratamento, além de
condições médicas que necessitassem de profilaxia antibiótica para procedimentos
odontológicos de rotina. Indivíduos que fumavam ou fizeram uso de antibióticos nos
últimos 3 meses foram excluídos. Mulheres grávidas ou amamentando também não
participaram do estudo.
O
acúmulo
de
placa
(ausente/presente),
vermelhidão
gengival
(ausente/presente), supuração (ausente/presente), sangramento a sondagem
(ausente/presente), profundidade de sondagem (PS, mm) e nível de inserção clínica
(NIC, mm) foram avaliados em seis sítios por dente sendo estes: mésio-vestibular,
vestibular, disto-vestibular, mésio-lingual, lingual e disto-lingual. Todos os dentes
presentes, excluindo os terceiros molares, foram avaliados por um examinador
calibrado. PS e NIC foram registradas utilizando uma sonda periodontal modelo
Carolina do Norte (Hu-Friedy, Chicago, IL, EUA).
19
3.2 Desenho experimental
Neste estudo clínico randomizado duplo-cego, os indivíduos foram divididos
aleatoriamente usando uma tabela gerada por computador para um dos seguintes
grupos de tratamento: RAR + placebo ou RAR + antibióticos. O protocolo de
tratamento utilizado foi: 400 mg de metronidazol e 500 mg de amoxicilina três vezes
ao dia (t.i.d) por 14 dias. Indivíduos no grupo RAR receberam duas cápsulas de
placebo t.i.d por 14 dias. Para controlar o acúmulo de placa supragengival, todos os
indivíduos foram instruídos a bochechar 15 ml de solução de clorexidina 0,12%
(CHX) durante 1 min. duas vezes ao dia por 60 dias. O início do protocolo com
placebo e antibióticos e o controle químico da placa foi imediatamente após a
primeira sessão de instrumentação mecânica. A Farmácia da Universidade
Guarulhos preparou as doses de antibiótico e placebo, utilizando cápsulas de forma
e cor idênticas. Tanto os profissionais clínicos, quanto os indivíduos avaliados não
sabiam qual tratamento foi atribuído durante o estudo. No início da terapia
periodontal, foi realizado raspagem supragengival em toda a boca em todos os
indivíduos. Nesse mesmo dia, os participantes desse estudo receberam instruções
sobre técnicas adequadas de escovação. Para padronizar os grupos, os indivíduos
receberam o mesmo dentifrício para usar durante todo estudo (Colgate Total, Anakol
Ind. Com. Ltda-Kolynos do Brasil - Colgate Palmolive Co., SP, Brasil). Todos os
indivíduos receberam RAR em toda a boca, no prazo de 14 dias após a consulta
inicial, realizada sob anestesia local, em consultas de aproximadamente 1 hora de
duração cada. A RAR foi realizada por um único periodontista treinado, utilizando
instrumentos manuais. Todos os indivíduos foram monitorados clinicamente e
tiveram amostras de GCF coletadas no início, em seis e doze meses após a terapia.
O estudo foi realizado entre julho de 2007 e setembro de 2009.
3.3 Amostras de Fluido Gengival Crevicular
As amostras de fluido gengival crevicular (GCF) foram obtidas a partir do sítio
mésio-vestibular de cada dente presente (excluindo os terceiros molares), em dois
quadrantes contralaterais, selecionados aleatoriamente. Após o isolamento relativo
do local com rolos de algodão, a placa supragengival foi removida, o dente seco com
20
ar e a amostra do GCF foi coletada durante 30 segundos com papel-filtro
(Periopapers, Interstate Drogas Exchange, Amityville, Nova Iorque, EUA). As tiras de
Periopaper foram cuidadosamente inseridas de 1 a 2 mm na bolsa periodontal. O
volume de fluido gengival crevicular foi determinado usando um Periotron 8000
(Oraflow Inc., Plainview, NY, EUA) calibrado, seguindo o protocolo descrito por
(CHAPPLE et al., 1999). As amostras foram imediatamente colocadas em tubos
Eppendorf no gelo e transportadas para o laboratório onde foram armazenados em
ultrafreezer a -80oC. As amostras de GCF foram coletadas antes das medidas
clínicas e aquelas que estavam contaminadas com sangue foram descartadas.
Todas as amostras foram enviadas congeladas para serem analisadas no Forsyth
Institute em Cambridge–MA, USA.
3.4 Quantificação de citocinas utilizando a metodologia Luminex
Os níveis de citocinas foram determinados utilizando um kit de alta
sensibilidade denominado Millipore 7-plex (Millipore Corporation, Billerica, MA, EUA).
Antes do ensaio, as amostras de GCF foram eluídas com 60 l de tampão fornecido
no kit Millipore, vortexadas por 30 minutos, e centrifugadas por 10 min. a 10.000
rpm. Esse kit permitiu a dosagem das seguintes citocinas: GM-CSF, IL-2, IFN-, IL10, IL-6, IL-1β e TNF-α. Os ensaios foram realizados numa placa de 96 poços que
contem uma membrana de filtração na sua base seguindo as instruções do
fabricante. Resumidamente, microesferas revestidas com anticorpos monoclonais
contra as sete citocinas analisadas foram adicionados aos poços da placa préumedecida. As amostras e padrões (entre 0,13 e 2000 pg / ml para cada análise)
foram pipetados e incubados overnight a 4oC. Os poços foram lavados com um
colector de vácuo (Millipore Corporation) e uma mistura de anticorpos secundários
biotinilados foi adicionada. Após a incubação por 1 hora, estreptavidina conjugada
com a proteína fluorescente R-ficoeritrina (estreptavidina-PE) foi adicionada às
esferas e incubado por 30 min. Após a lavagem para remoção dos reagentes não
aderidos, foram adicionado aos poços e às microesferas uma solução tampão
sheath fluid (Luminex®, MiraiBio, Alameda, CA) para serem analisadas no
analisador de microesferas (Luminex 100™, Luminex®, MiraiBio, Alameda, CA), que
analisou a quantidade de fluorescência emitida pelas microesferas associadas a R-
21
ficoeritrina, relatada como a intensidade média de fluorescência. As concentrações
desconhecidas das amostras (citocinas nas amostras do GCF) foram estimadas a
partir da curva padrão, utilizando uma equação polinomial de terceira ordem e o
software GraphPadPrism 5 (GraphPad Software Inc., La Jolla, CA, EUA) e
expressos em pg/ ml. As amostras abaixo do limite de detecção do ensaio foram
registradas como zero enquanto que as amostras acima do limite superior da
quantificação das curvas padrão foram atribuídos como o valor mais alto da curva.
O uso do sistema Luminex se justifica por sua capacidade de mensuração de
várias citocinas numa mesma amostra de fluido. O Luminex 100 é um sistema de
citometria de fluxo que utiliza 2 raios laser: um vermelho, que excita corantes
internos nas microsferas e possibilita a distinção entre diferentes tipos de
microsferas, e um verde, que excita o corante fluorescente utilizado na etapa de
detecção. Cada uma das microsferas é coberta com anticorpos monoclonais de
captura para um antígeno específico. Teoricamente, os ensaios multianalíticos de
microsferas oferecem vantagens em relação aos tradicionais métodos de detecção
colorimétricos uma vez que 100 substâncias podem ser analisadas de uma vez em
cada amostra (VIGNALI, 2000). Quanto à sensibilidade, a leitura fluorescente do
Luminex é mais direta, estável e sensível que a leitura colorimétrica do ELISA; além
disso, os volumes de GCF recuperados das tiras de papel são geralmente muito
pequenos, e os mediadores inflamatórios são encontrados em pequenas
concentrações (pg/ml), o que torna a sensibilidade essencial. Em relação à
reprodutibilidade, o Luminex apresenta valores de variabilidade intra e inter-ensaios
menores que o ELISA. Já que o ensaio permite resultados por meio do cálculo da
média de 100 microsferas, isto aumenta a confiabilidade e elimina a necessidade de
correr amostras em duplicata. Pelo fato de evitar que seja feito um pool de amostras
de fluido para que se consiga obter um volume adequado para análise, pode-se
explorar melhor a relação entre citocinas, a quantidade e composição do desafio
microbiano e as manifestações clínicas por sítio.
22
3.5 Análise dos dados
Os dados clínicos foram obtidos a partir de 6 sítios por dente para PS, NIC e
SS no início do estudo, 6 e 12 meses. Os parâmetros clínicos médios foram
determinados pela média de todos os sítios, de todos os dentes, em cada indivíduo
e depois comparados entre os indivíduos de cada grupo clínico separadamente nas
respectivas visitas de acompanhamento. Os valores médios e a média da
percentagem dos sítios com PS > 4mm e sangramento a sondagem também foram
calculados. A significância das mudanças dos dados clínicos ao longo do tempo foi
determinada utilizando o teste de Friedman para cada grupo clínico separadamente.
Os níveis das 7 citocinas no fluido gengival foram medidas em até 14 sítios
por indivíduo. Os valores de todas as citocinas em cada indivíduo foram somados
para calcular o nível total de citocinas. Os níveis de cada uma das 7 citocinas
analisadas foram divididas pelo nível total de citocinas para calcular a proporção de
cada citocina. Além disso, a razão entre os níveis de IL-1β/IL-10 também foi
calculada. Os valores médios para cada parâmetro de citocinas foram então
calculados para cada indivíduo e entre indivíduos em cada grupo clínico, em cada
tempo separadamente. Para comparar os níveis de citocinas no início do estudo e
aos 6 e 12 meses
e os dados dos níveis de citocinas no GCF (pg / ml) em
categorias de bolsas, < 4 mm, de 4-6 mm e > 6 mm, foi utilizado o teste de
comparação múltipla de Dunn, e o teste de Dunnett para comparar os dados clínicos
do início, com 6 e 12 meses. As variações médias obtidas para cada tratamento
(RAR + placebo e RAR + Amoxicicilina/Metronidazol) foram comparadas pelo teste
de Mann-Whitney e as mudanças significativas ao longo do tempo nas citocinas do
GCF foram determinadas através do teste de Wilcoxon para cada grupo, após 6
meses de terapia. Devido a um desequilíbrio na gravidade da doença periodontal
entre os grupos clínicos, foi utilizado ANCOVA para ajuste dos valores de PS e NIC
do início do estudo para confirmar as diferenças estatisticamente significantes
obtidas para os valores não corrigidos.
23
4 RESULTADOS
4.1 Cooperação de indivíduos
Ocorreram seis desistências durante o período experimental de 6 meses e 15
durante o período experimental de 12 meses. Estes indivíduos se mudaram para
outras cidades e se recusaram a comparecer para as visitas de acompanhamento.
Assim, um total de 24 indivíduos cooperaram com o estudo até 6 meses de
acompanhamento: 12 no grupo controle (RAR + placebo) e 12 no grupo de teste
(RAR + AM); e um total de 15 indivíduos cooperaram com o estudo até 12 meses: 7
no grupo controle (RAR + placebo) e 8 no grupo de teste (RAR + AM) . A Figura 1
apresenta o fluxograma do estudo. Para mais detalhes sobre comprometimento e
eventos adversos ver Mestniket al. (2010).
4.2 Resultados Clínicos
A Tabela 1 apresenta a média demográfica e parâmetros clínicos (± SD) para
os dois grupos clínicos no início do estudo e na visita de 6 meses de
acompanhamento. Os dados demográficos mostram que os dois grupos estavam
balanceados para a faixa etária e gênero. No entanto, o esquema de randomização
resultou em um nível desequilibrado de gravidade da doença entre os grupos, como
pode ser constatado estatisticamente pela média inicial de PS e NIC. O teste de
Wilcoxon indicou que as reduções nas médias de PS, NIC, o percentual de SS e do
número de sítios profundos com sangramento (ou seja PS> 4mm, SS +) foram
estatisticamente significativas em ambos os grupos. Quando a mudança média dos
parâmetros clínicos foi comparada entre os grupos, utilizando o teste de MannWhitney, verificou-se que o grupo que utilizou antibióticos teve redução
estatisticamente significativa da PS (1,8 ± 0,4) e maior ganho de NIC (1,4 ± 0,4 ) em
comparação ao grupo placebo (0,9 ± 0,4 e 0,8 ± 0,4 para PS média e alterações
NIC, respectivamente) (dados não mostrados). Além disso, a média do percentual
de sítios profundos com sangramento no grupo de indivíduos tratados com
antibióticos reduziu significativamente: 40% ± 14 versus 28% ± 9. A redução média
24
do número de bolsas com sangramento > 4 mm não foi estatisticamente diferente
entre os grupos clínicos. Devido às diferenças nas médias de PS e NIC no início do
estudo, a significância estatística das comparações entre as alterações nos
parâmetros clínicos para os dois grupos foi testada usando o ajuste inicial ANCOVA
para a PS e NIC. Nos valores ajustados para PS média e alterações nos NIC a
diferença estatisticamente significativa se manteve, mas a redução no percentual de
sítios profundos com sangramento já não era significativa. A Tabela 2 apresenta as
médias demográficas e parâmetros clínicos (± SD) para o total de indivíduos no
início do estudo, na visita de 6 meses e na visita de 12 meses de acompanhamento.
A redução nas médias de PS, NIC e o percentual de SS foram estatisticamente
significativas tanto 6 quanto 12 meses após a terapia, quando comparados à visita
inicial.
Um total de 895 amostras de GCF foram processadas como parte deste
estudo: a frequência de detecção para cada uma das 7 citocinas no grupo de
indivíduos saudáveis no início do estudo foi: GM-CSF, 85%; IL-2, 83%; IFN-,63%;
IL-10, 99%; IL-6, 94%; IL-1, 99%; and TNF-, 98%. Enquanto no grupo de
pacientes com Periodontite Agressiva no início do estudo foi: GM-CSF, 79%; IL-2,
79%; IFN-γ, 69%; IL-10, 99%; IL-6, 94%; IL-1β, 100%; e TNF-α, 99% (TELES et al.,
2010). As frequências de detecção seis meses após a terapia foram: GM-CSF, 83%;
IL-2; 0%; IFN-γ, 43%; IL-10, 95%; IL-6, 92%; IL-1β 96%; e TNF-α, 96%. A Figura 2
apresenta os gráficos de distribuição da proporção média das 7 citocinas analisadas,
dimensionados de acordo com os níveis de citocinas totais. O gráfico 2A representa
a composição de citocinas no GCF no início do estudo, enquanto os gráficos
seguintes representam a concentração de citocinas no GCF na visita de 6 meses
(2B) e de 12 meses (2C). O teste de Dunn’s revelou redução estatisticamente
significativa nas percentagens de IL-2 e IL-1β nas visitas de 6 e 12 meses de
acompanhamento, e de GM-CSF após 12 meses de acompanhamento, enquanto as
percentagens de IL-10, IL-6 e TNF-α aumentaram significativamente após 6 e 12
meses de acompanhamento.
A Tabela 3 apresenta os níveis médios de citocinas no GCF (pg / ml) para os
dois grupos clínicos ( RAR + antibiótico e RAR + placebo) no início do estudo e na
visita de 6 meses de acompanhamento. Quando os valores iniciais para os dois
grupos foram comparados por meio de Mann-Whitney, não houve diferença
estatisticamente significativa. Quando as mudanças ao longo do tempo foram
25
testadas estatisticamente usando Wilcoxon, verificou-se que, em ambos os grupos,
houve redução significativa nos níveis de GM-CSF e da razão IL-1β/IL-10. Além
disso, no grupo tratado com antibióticos, houve uma diminuição estatisticamente
significativa nos níveis médios de IL-1β.
A Tabela 4 apresenta os níveis médios de citocinas no GCF (pg / ml) para
toda a população estudada ( n= 15) no início e nas visitas de 6 e 12 meses de
acompanhamento. As variações nos níveis de citocinas após o tratamento foram
analisadas usando o teste de comparação múltipla de Dunn, e verificou-se que
houve
reduções
significativas
nos
níveis
de
IL-1β
após
6
meses
de
acompanhamento, de IL-2 após 6 e 12 meses de acompanhamento e de GM-CSF
após 12 meses de acompanhamento, além de um aumento nos níveis de IL-6, TNF e IL-10 após 12 meses de acompanhamento. A razão IL-1β/IL-10 também reduziu
significativamente nas duas visitas de acompanhamento.
A Figura 3 apresenta a distribuição dos valores médios de citocinas no fluido
gengival, para todos os indivíduos nos grupos RAR+Placebo e RAR+AM
separadamente, seis meses após a terapia. Um certo grau de variabilidade ainda
está presente, mas é evidente que a maioria dos indivíduos em ambos os grupos
apresentaram diminuições em níveis médios de GM-CSF, IL-2 e IL-1β.
A Figura 4 apresenta a distribuição dos valores médios de citocinas no fluido
gengival de todos os indivíduos que completaram 12 meses do estudo, onde a
diminuição das citocinas GM-CSF, IL-2 e IL-1β continua evidente, e um aumento da
citocinas IL-10, IL-6 e TNF- pode ser observado na maioria dos indivíduos.
A tabela 5 apresenta os dados dos níveis de citocinas no GCF (pg / ml)
examinados em categorias de bolsas < 4 mm, de 4-6 mm e > 6 mm. Na categoria <
4 mm, os níveis das citocinas GM-CSF, IL-2 e IL-1β apresentaram uma diminuição
estatisticamente significativa após 6 meses de terapia quando comparadas ao nível
de citocinas no início do estudo, e apenas os níveis de GM-CSF e IL-2 mantiveram
uma diminuição estatisticamente significativa após 12 meses de terapia. Os níveis
das citocinas IL-6 e IL-10 apresentaram aumento estatisticamente significativo
nestes sítios, após 12 meses de terapia quando comparadas ao nível de citocinas no
início do estudo, sendo que o aumento de IL-10 também foi significativo quando
comparado a 6 meses após a terapia. Na categoria de bolsas 4-6 mm, as citocinas
IL-1 (após 6 meses), GM-CSF (após 12 meses) e IL-2 (após 6 e 12 meses)
26
apresentaram uma diminuição estatisticamente significativa, enquanto as citocinas
IL-6 e TNF-apresentaram aumento estatisticamente significativo após 12 meses de
terapia. Quando a categoria de bolsas > 6 mm foi analisada, apenas IL-2 apresentou
uma diminuição estatisticamente significativa após 6 e 12 meses de terapia, e os
níveis de IL-6 e TNF- também apresentaram aumento estatisticamente significativo
após 12 meses de terapia. A média da razão IL-1β/IL-10 também teve diminuição
estatisticamente significativa após o tratamento (p <0,01) nas categorias de bolsa <
4 mm e de 4-6 mm nas duas visitas de acompanhamento.
27
5 DISCUSSÃO
O presente estudo avaliou os níveis de citocinas no GCF em indivíduos com
periodontite agressiva generalizada seis e 12 meses após a terapia periodontal
associados ou não ao tratamento com amoxilina e metronidazol. Como uma primeira
abordagem, examinamos se terapia periodontal associada ou não com antibióticos
resultaria em mudanças nas citocinas do GCF. Em seguida, avaliamos as diferenças
dos parâmetros clínicos nos indivíduos com doença periodontal tratados com a
terapia periodontal associada ou não com antibióticos. O objetivo era testar o
impacto da terapia nos níveis de citocinas do GCF associadas com PAgG,
baseando-se nas observações originais de que existiam diferenças nos perfis de
citocinas do GCF entre saúde e doença periodontal.
A profundidade média de sondagem e a perda de nível clínico de inserção
reduziram após a terapia sistêmica com antibiótico corroborando resultados
publicados anteriormente (CIONCA et al., 2009; GUERRERO et al., 2005). O estudo
de Machtei & Younis (2008) mostrou que o tratamento mecânico combinado com
antimicrobianos reduz a PS média (0,74 ± 0,1 mm) e a média de perda de inserção
(0,86 ± 0,1mm), melhorando os parâmetros clínicos do indivíduo. É provável que o
sucesso nos parâmetros clínicos esteja relacionado à uma diminuição nos níveis e
proporções de bactérias do complexo vermelho e laranja no grupo tratado com
antibióticos, conforme resultado apresentado por MESTNIK et al. (2010). Eles
demonstraram que o tratamento com antibióticos reduziu os níveis de patógenos do
complexo vermelho (Tannerella forsythia, Porphyromonas gingivalis e Treponema
denticola) em aproximadamente 4 vezes mais quando comparado com o grupo não
tratado, representando uma melhora no perfil microbiológico. Além disso, o
tratamento mecânico associado com antibióticos reduziu significativamente as
proporções
dos
patógenos
do
complexo
laranja
(Campylobacter
rectus,
Fusobacterium nucleatum e Prevotella intermedia). Tal fato não foi observado em
indivíduos que receberam apenas RAR. Portanto, as alterações dos níveis de
patógenos dos complexos vermelho e laranja causadas pelo uso do antibiótico
podem estar relacionadas à redução da PS média e aumento do ganho de inserção.
No presente estudo, observou-se que o grupo tratado com antibióticos
apresentou menor número de bolsas residuais profundas com sangramento
28
comparado ao grupo controle. Esse dado mostra que os indivíduos tratados com
antibióticos possuem menor risco de progressão da doença periodontal e,
consequentemente, da necessidade de uma nova intervenção uma vez que o critério
de bolsas residuais com sangramento é um parâmetro utilizado para definir tal risco
(RENVERT e PERSSON, 2002). Além disso, a terapia mecânica associada com
antibióticos pode reduzir a necessidade de tratamento cirúrgico adicional. Essa
afirmação está baseada nos estudos de Matuliene et al. (2008) em que indivíduos
com mais de oito sítios com PS > 5 mm representam um fator de risco adicional para
a perda de inserção e perda do dente. Nesse contexto, o critério de indivíduos póstratamento apresentando bolsas residuais com PS > 5 mm poderia ser usado como
uma medida da necessidade de tratamento cirúrgico adicional. Por fim, dados
publicados na literatura corroboram nossos resultados. Um estudo recente mostrou
que a amoxicilina e metronidazol sistêmicos adjuvante à terapia mecânica resulta
em baixa persistência de bolsas residuais com sangramento (CIONCA et al., 2009).
Portanto, a terapia periodontal associada com antibióticos reduz a persistência de
bolsas residuais o que sugere menor risco de progressão da doença periodontal.
Em um estudo anterior, Teles et al. (2010) demonstraram que a periodontite
agressiva generalizada foi associada com maiores níveis de IL-1β e GM-CSF, além
da maior relação IL-1β/IL-10 no GCF. Goutoudi et al. (2004) relataram o efeito da
terapia periodontal cirúrgica nos níveis de IL-1β e IL-10 no GCF. Os dados
demonstraram a diminuição na quantidade total de IL-1β, enquanto os níveis de IL10 mantiveram-se estáveis até 32 semanas após o tratamento. Eles concluíram que
a periodontite foi associada com uma relação inversa entre a IL-1β e IL-10. Em um
estudo recente avaliando o efeito do tratamento periodontal sobre os níveis de IL-1β
e IL-10 no GCF na periodontite agressiva generalizada, os dados demonstraram
reduções estatisticamente significativas na IL-1β, enquanto a IL-10 manteve-se
inalterada (TOKER et al., 2008). Nossos dados mostram que o tratamento
periodontal resultou em diminuição estatisticamente significativa nos níveis de GMCSF, na proporção de IL-1β e da razão IL-1β/IL-10 e um aumento na proporção de
IL-10 após a terapia periodontal, independente do tratamento utilizado. Em
contraste, Gamonal et al. (2000) relataram uma diminuição nos níveis de IL-10 no
GCF como resultado da raspagem e alisamento radicular. Os resultados relatados
na literatura estão de acordo com os dados atuais que demonstram uma diminuição
dos níveis de IL-1β após o tratamento, o que sugere diminuição na reabsorção do
29
tecido ósseo alveolar (ENGEBRETSON et al., 2002; ROSALEM et al., 2011; ZHONG
et al., 2007). A IL-1β tem sido extensivamente investigada por ser uma das principais
citocinas envolvidas na resposta imunológica celular e por ser responsável pela
diferenciação de osteoclastos e ativação da reabsorção óssea (PRESHAW e
TAYLOR, 2011). Vários estudos relataram níveis mais elevados de IL-1β no GCF em
sítios com periodontite em relação a sítios saudáveis ou com gengivite
(FIGUEREDO et al., 1999; LEE et al., 1995a; TELES et al., 2009b; TSAI et al.,
1995). Nossos resultados confirmam esses resultados uma vez que os níveis dessa
citocinas diminuíram apenas nos sítios rasos (< 4 mm) e médios (4-6 mm),
fortalecendo a associação bem estabelecida entre a IL-1β e os parâmetros clínicos
de doença periodontal. Já o aumento da IL-10 pode ser associado com a resolução
ou regulação do processo inflamatório que se instala na bolsa periodontal uma vez
que essa citocina é um inibidor da resposta Th1 por diminuir a produção de IFN(NAKAJIMA
et
metaloproteinases,
al.,
e
2005).
Além
aumenta
a
disso,
síntese
IL-10
de
suprime
a
inibidores
produção
de
teciduais
de
metaloproteinases em macrófagos (CASSATELLA et al., 1994). Em infecções onde
há uma forte resposta pró-inflamatória, a IL-10 modula a resposta imune inicial
associada ao alto nível de infecção, para que os danos dessa resposta sejam
minimizados durante a resolução do processo, sendo assim, benéfíca para o
hospedeiro (COUPER et al., 2008). GEMMELL E SEYMOUR (1998) sugeriram que a
presença de uma percentagem de células T IL-10+ elevada pode indicar uma lesão
estável, enquanto uma percentagem baixa de célulasT IL-10+ pode indicar uma
lesão progressiva. No nosso estudo observamos um aumento nos níveis de IL-10,
principalmente nas bolsas rasas (< 4 mm), o que sustenta esta teoria.
Quando os dados de citocinas foram expressos como proporção do total de
citocinas medidas, ficou claro que a IL-10 aumentou como porcentagem do total,
representando aproximadamente 50% de todas as citocinas quantificadas após o
tratamento. Além disso, a terapia periodontal, independentemente do uso
concomitante de antibióticos sistêmicos, resultou em uma redução estatisticamente
significativa na razão IL-1β/IL-10. Portanto, nossos resultados demonstram que a
reversão parcial da proporção IL-1β/IL-10 reflete uma melhora clínica dos indivíduos
uma vez que nas bolsas rasas e médias os níveis de IL-1β estavam reduzidos .
A IL-6 é uma citocina sintetizada por fagócitos mononucleares, células
endoteliais e fibroblastos em resposta a microrganismos e a outras citocinas como a
30
IL-1 e o TNF. Também é produzida por linfócitos T CD4 + Th2 (O'GARRA, 1998). A
IL-6 pode atuar na reabsorção óssea estimulando a formação e ativação dos
osteoclastos (PRESHAW e TAYLOR, 2011), e está relacionada com a síntese de
colágeno, fribonectina e laminina em vários tipos celulares (SPONSEL et al., 1994).
Geivelis et al. (1993) correlacionou a quantidade de IL-6 no fluido gengival com os
parâmetros clínicos de indivíduos com doença periodontal crônica. O pesquisador
encontrou uma correlação significativa entre a presença e quantidade de IL-6 com o
índice de sangramento e com a profundidade de bolsa, sugerindo essa citocina
como um possível indicador de doença periodontal. Wu et al. (2001), em uma
análise semelhante, verificou os níveis de IL-6 no fluido gengival crevicular, antes e
após o tratamento periodontal. Os autores observaram que os níveis de IL-6
diminuíram, assim como os índices clínicos periodontais, concluindo que raspagem
e alisamento radicular podem afetar os níveis de IL-6 em sítios com periodontite.
Nossos dados mostram um resultado contrário ao destes autores, pois observamos
um aumento na proporção de IL-6 após o tratamento, tanto no grupo tratado
somente com raspagem, quanto no grupo tratado com raspagem e antibióticos, e em
todas as categorias de bolsas (rasas, médias e profundas). Embora a IL-6 seja um
potente indutor da resposta de fase aguda, ela também tem propriedades antiinflamatórias (BARTON, 1996), pois induz a síntese de glicocorticoides (RUZEK et
al., 1997) e promove a síntese de IL-1ra (antagonista do receptor de IL-1). Ao
mesmo tempo, IL-6 inibe a produção de citocinas pró-inflamatórias, tais como GMCSF e IFN- (BARTON, 1997), contribuindo para controlar a extensão da resposta
inflamatória do tecido (MARTELLI-JUNIOR et al., 2003).
Os níveis de IFN- não foram alterados após a terapia periodontal. Um estudo
publicado recentemente encontrou resultados semelhantes (ROSALEM et al., 2011),
enquanto outros autores relataram uma diminuição nos níveis de IFN-após a
terapia (DEL PELOSO RIBEIRO et al., 2008; THUNELL et al., 2010). A baixa
frequência de detecção para esta citocina pode indicar que ela está presente em
quantidades muito baixas no GCF e, portanto, não seria uma citocina de escolha
para estudos desse tipo.
A redução significativa nos níveis de IL-2 se enquadra na nossa compreensão
do seu papel na doença periodontal pois níveis elevados deste mediador foram
relatados em estudos anteriores, em sítios periodontais ativos de indivíduos com
31
periodontite (LEE et al., 1995a; SALVI et al., 1998). Além disso, um estudo de
THUNELL et al. (2010) relata uma diminuição nos níveis de IL-2 após a terapia
periodontal. No entanto, uma limitação do presente estudo foi a baixa frequência de
detecção e nossa incapacidade de detectar IL-2 no GCF após a terapia.
O GM-CSF é produzido principalmente por monócitos/ macrófagos, fibroblastos
e células endoteliais, desempenhando um papel essencial no desenvolvimento
normal de neutrófilos. Tem sido mostrado que esta citocina pode prolongar a
presença de neutrófilos nos tecidos gengivais de indivíduos com periodontite
crônica, reduzindo a sua apoptose (GAMONAL et al., 2003), e esta sobrevivência
prolongada de neutrófilos tem sido associada a uma resposta inflamatória maior
(DIBBERT et al., 1999). No entanto, a presença de GM-CSF em GCF não tem sido
extensivamente estudada e os estudos relatando esse mediador inflamatório em
amostras do GCF de indivíduos com periodontite não encontraram diferenças entre
os sítios saudáveis e doentes (THUNELL et al., 2010). Além disso, os autores não
conseguiram encontrar uma alteração nos níveis de GM-CSF no GCF como
conseqüência da terapia periodontal mecânica. No entanto, esse estudo difere
consideravelmente do nosso nos seguintes aspectos: 1) a população de estudo
envolveu seis indivíduos com periodontite crônica generalizada, 2) foram
acompanhados por 6-8 semanas após a terapia periodontal inicial, e 3) o
imunoensaio multiplex tinha uma menor sensibilidade com um limite inferior de
detecção de 15,6 pg / ml em comparação a 0,13 pg / ml do presente estudo. No
nosso estudo, os níveis de GM-CSF diminuiram consideravelmente após a terapia, e
quando dividimos os dados em categorias de bolsas, observamos que esta
diminuição ocorreu principalmente em bolsas rasas (< 4 mm) e médias (4-6 mm).
Estudos recentes têm sugerido que o uso sistêmico de antibióticos durante o
tratamento periodontal de indivíduos "com periodontite de progressão rápida"
resultou em mudanças no perfil de citocinas do GCF, que está associado com a
melhora clínica (ATICI et al., 1998). No entanto, alguns estudos sobre os efeitos dos
antibióticos como adjuvantes no tratamento da periodontite não conseguiram
demonstrar um impacto adicional sobre marcadores biológicos no GCF quando
comparados à terapia mecânica isolada (GIANNOPOULOU et al., 2006; MACHTEI e
YOUNIS, 2008; MASCARENHAS et al., 2005). A comparação entre esses relatos e
os nossos dados fica comprometida pelas diferenças metodológicas, tais como
32
tempo de acompanhamento, tipo de antibiótico e/ ou regime empregado, inclusão de
indivíduos fumantes e marcadores biológicos avaliados.
O estudo de Ho et al. (2010) sugere que o uso da azitromicina poderia reduzir
os níveis de citocinas pró-inflamatórias no GCF, como IL-1β, IL-8 e TNF-α em
indivíduos periodontalmente saudáveis . Os autores concluíram que esse efeito foi o
resultado das propriedades anti-inflamatórias da azitromicina. De fato, outros
antibióticos e quimioterápicos, tais como minociclina (GARRIDO-MESA et al., 2011),
eritromicina (ROCHE et al., 1986) e ciprofloxacina (LAHAT et al., 2007) possuem
propriedades anti-inflamatórias. Não encontramos na literatura consultada efeito
anti-inflamatório para a Amoxilina e o Metronidazol, portanto, as mudanças no perfil
de citocinas associadas com o uso concomitante dos antibióticos utilizados em
nossa pesquisa devem ser interpretadas como um resultado do efeito antimicrobiano
dessas drogas. Um estudo recente analisou os resultados clínicos e microbiológicos
do uso adjunto de metronidazol e amoxicilina sistêmica e os associou com a redução
na proporção das espécies dos complexos vermelho e laranja, em comparação ao
grupo placebo (MESTNIK et al., 2010).
Quando o efeito das duas terapias nos níveis de citocinas no GCF foi
comparado entre si, nossos resultados não demonstraram qualquer diferença
estatisticamente significativa. No entanto, no grupo utilizando antibióticos, a terapia
foi associada redução significativa nos níveis de IL-1β e aumento na proporção de
TNF-α, que não foram detectadas no grupo RAR + placebo. Quando os indivíduos
foram analisados independente do tratamento efetuado após 12 meses da terapia,
os níveis de TNF- estavam estatisticamente elevados. Quando analisamos os
níveis de TNF-nas categorias de bolsas rasas (< 4mm), médias 4-6 mm) e
profundas (> 6 mm), observamos que o aumento nos níveis desta citocina ocorreu
apenas nas bolsas profundas após 12 meses de terapia, o que provavelmente gerou
o aumento nos dados das citocinas totais nos indivíduos após 12 meses de
tratamento. Machtei & Younis (2008) não encontraram diferenças nos níveis de TNF entre os grupos tratados com doxicilina e amoxicilina e metronidazol, porém os
níveis de TNF- no grupo amoxicilina e metronidazol estavam ligeiramente
aumentados 3 meses após terapia. Um estudo de Lee et al. (1995b), comparando
sítios ativos com inativos após três meses de terapia, não encontrou diferenças nos
níveis de TNF-. Porém, os níveis de TNF- aumentaram nos sítios inativos após a
33
terapia, quando comparados ao início do tratamento. Neste estudo os autores
sugerem que o aumento de TNF- pode ser um preditor da conversão de sitios
inativos em sítios ativos.
O perfil de citocinas final obtido com a terapia antibiótica se aproxima de
forma mais consistente com o conteúdo de citocinas no GCF de sítios periodontais
saudáveis de indivíduos com saúde periodontal apresentado no estudo anterior
(TELES et al., 2010).
34
6 CONCLUSÃO
Em resumo, nossos resultados apoiam a suposição de que os indivíduos com
periodontite agressiva generalizada apresentam níveis alterados de citocina próinflamatória IL-1β e da citocina anti-inflamatória IL -10, ambas consideradas um fator
importante na progressão dessa doença. Os dados indicaram que a terapia
periodontal reverteu parcialmente a razão IL-1β/IL-10 aos níveis observados na
saúde periodontal. O grupo em uso de antibióticos apresentou uma mudança maior
no perfil de citocinas no GCF após a terapia, se aproximando ao perfil de indivíduos
saudáveis. Além disso, a redução dos níveis de GM-CSF como resultado da terapia
periodontal sugere que esta citocina pode estar relacionada à patogênese da PAgG.
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49
TABELAS
Tabela 1 - Média (±SD) demográfica e parâmetros clínicos para os dois grupos após 6 meses de
terapia.
Parâmetro
RAR (n=12)
RAR+AM (n=12)
Idade (anos)
% masculino
26 ± 3
33
Início
†
3.9 ± 0.5
†
4.0 ± 0.5
77 ± 18
2.3 ± 2.8
27 ± 3
50
6-meses
†
2.9 ± 0.4**
3.2 ± 0.6**
17 ± 14**
3.0 ± 4.0
Início
†
4.4 ± 0.6
†
4.7 ± 0.8
77 ± 18
4.2 ± 4.0
PS (mm)
NIC (mm)
% SS
NDP
Bolsas>4 mm
SS+ (%)
51 ± 15 (33)
7 ± 9 (5)**
60 ± 18 (42)
**p<0.01, comparado ao início por meio do teste Wilcoxon
†
p<0.05 entre grupos por meio do teste Mann-Whitney
RAR - Raspagem e alisamento radicular; AM - amoxicillina + metronidazol
SS - Sangramento à sondagem
PS - Profundidade de sondagem
NIC - Nível de inserção clínica
NDP -Número de dentes perdidos
6-meses
†
2.5 ± 0.2**
3.1 ± 0.5**
10 ± 9**
4.3 ± 4.2
3 ± 5 (3)**
Tabela 2 - Média (±SD) demográfica e parâmetros clínicos do baseline, 6 meses e 12 meses
após a terapia.
Amostra Total (N = 15)
Idade (anos)
% masculino
26 ± 3
27
Baseline
6-month
PS (mm)
4.13 ± 0.60
2.74 ± 0.42***
NIC (mm)
4.14 ± 0.67
2.97 ± 0.47***
% SS
0.74 ± 0.18
0.16 ± 0.13***
***p<0.001, comparado ao baseline por meio do teste de Dunnett
SS - Sangramento à sondagem
PS - Profundidade de sondagem
NIC - Nível de inserção clínica
12 meses
2.72 ± 0.41***
3.00 ± 0.45***
0.15 ± 0.11***
50
Tabela 3 - Média (± DP) dos níveis de citocinas no GCF (pg / ml) para os dois grupos clínicos
no início e 6 meses após a terapia.
RAR (n=12)
RAR+AM (n=12)
Baseline
6-month
Baseline
6-month
3.9 ± 2.9
1.7 ± 0.9*
4.6 ± 1.5
1.6 ± 1.2**
GM-CSF (pg/ml)
IFN-γ (pg/ml)
0.8 ± 1.3
0.5 ± 0.3
0.7 ± 0.9
0.4 ± 0.4
IL-10 (pg/ml)
19.2 ± 10.9
24.4 ± 18.6
16.9 ± 7.0
20.9 ± 20.0
19.7 ± 9.9
7.9 ± 15.2*
IL-1β (pg/ml)
18.8 ± 10.4
10.1 ± 13.0
IL-2 (pg/ml)
2.0 ± 2.7
ND
1.5 ± 2.1
ND
IL-6 (pg/ml)
4.4 ± 7.8
12.1 ± 21.6
2.0 ± 1.9
6.6 ± 7.4
TNF-α (pg/ml)
2.2 ± 2.4
3.7 ± 5.2
1.5 ± 0.9
3.3 ± 3.5
2.4
±
1.6
0.6
±
0.7**
2.6
±
2.4
0.6
± 0.6**
IL-1β/IL-10
*p<0.05, **p<0.01, comparado ao início por meio do Wilcoxon rank sum
test
†
p<0.05 entre grupos por meio do teste de Mann-Whitney
GM-CSF, fator estimulador de colônia de granulócitos-macrófagos; IL, interleucina; IFN, interferon; TNF,
fator de necrose tumoral; GCF, fluido gengival crevicular; RAR, raspagem e alisamento radicular;
AM, amoxicillina + metronidazol
ND – não detectado
Negrito indica diferença estatisticamente significativa entre o início e após 6 meses
Tabela 4 - Média (± SD) dos níveis de citocinas no GCF (pg/ml) para todos os indivíduos
que completaram o estudo do início aos 12 meses após a terapia.
Amostras Totais (N = 15)
Início
6 meses
12 meses
4.59 ± 1.97
1.21 ± 0.69***
GM-CSF (pg/ml)
1.82 ± 1.06
IFN-γ (pg/ml)
0.74 ± 1.18
0.41 ± 0.34
1.12 ± 3.47
19.57 ± 11.25
38.74 ± 23.13**
IL-10 (pg/ml)
29.13 ± 22.25
20.75 ± 11.65
11.93 ± 18.66**
IL-1β (pg/ml)
12.59 ± 11.53
1.96 ± 2.45
0.00 ± 0.00***
0.00 ± 0.00***
IL-2 (pg/ml)
2.44 ± 5.22
15.86 ± 22.61**
IL-6 (pg/ml)
10.58 ± 15.89
2.00 ± 2.32
7.68 ± 12.69**
TNF-α (pg/ml)
5.44 ± 6.94
2.41 ± 2.46
0.47 ± 0.35***
0.91 ± 1.67*
IL-1β/IL-10
*p<0.05, **p<0.01, ***p<0.001 comparado ao início por meio do teste de Dunn.
GM-CSF, fator estimulador de colônia de granulócitos-macrófagos; IL, interleucina; IFN, interferon; TNF,
fator de necrose tumoral; GCF, fluido gengival crevicular; RAR, raspagem e alisamento radicular;
Negrito indica diferença estatisticamente significativa entre o início e após 6 ou 12 meses.
51
Tabela 5 - Níveis de citocinas (± SD) no GCF (pg / ml) examinados em categorias de bolsas < 4mm,
de 4-6 mm e > 6mm para os indivíduos que completaram o estudo do início aos 12 meses após a
terapia.
<4mm
4-6mm
>6mm
6
12
6mese 12
6
12
Início
Início
meses meses
s
meses
meses meses
1.3 ±
1.2 ±
1.1 ±
GM-CSF
4.0 ±
4.7 ±
2.0 ±
4.7 ±
1.9 ±
1.6 ±
1.0**
0.9*
0.6***
(pg/ml)
2.0
2.5
1.2
4.5
1.2
1.1
IFN-γ
0.4 ±
0.4 ±
1.1 ±
1.07 ±
0.4 ±
0.358 ±
0.5 ±
0.3 ±
2.4 ±
(pg/ml)
0.4
0.5
3.2
2.2
0.4
0.704
0.7
0.4
6.9
38.5 ±
IL-10
17.7
19.5 ±
22.4 ±
30.9 ±
34.9 ±
12.9 ±
31.9 ±
41.8 ±
31.4*†
(pg/ml)
± 10
18
17.7
25.5
19.1
11.6
28.7
34.8
5.2 ±
11.3 ±
IL-1β
17.1
6.35 ±
22.3 ±
12.9 ±
18.3 ±
23.3 ±
16.6 ±
11**
17*
(pg/ml)
± 12
9.4
13.1
13.2
15.1
41.1
21.3
0.0 ±
0.0 ±
0.0 ±
0.0 ±
0.0 ±
0.0 ±
IL-2
1.7 ±
1.9 ±
2.2 ±
0.0***
0.0***
0.0***
0.0***
0.0**
0.0**
(pg/ml)
2.5
2.6
3.1
17.3 ±
13.8 ±
21.7 ±
IL-6
1.4 ±
5.15 ±
3.3 ±
14.1 ±
0.9 ±
8.6 ±
23.6**
17.6*
33.5**
(pg/ml)
1.6
8.0
7.5
25.7
0.7
11.7
6.0 ±
9.7 ±
TNF-α
1.8 ±
2.5 ±
7.7 ±
2.3 ±
6.9 ±
0.9 ±
5.6 ±
6.5*
15.6**
(pg/ml)
1.7
3.4
15,0
2.9
11
0.6
4.5
0.3 ±
0.2 ±
0.5 ±
1.5 ±
1.6 ±
2.6 ±
3.2 ±
0.6 ±
0.9 ±
IL-1/IL-10
0.3*
0.3***
0.4***
3.3**
2.0
2.9
3.1
0.5
1.6
*p<0.05, **p<0.01, ***p<0.001 comparado ao início por meio do teste de Dunn.
GM-CSF, fator estimulador de colônia de granulócitos-macrófagos; IL, interleucina; IFN, interferon;
TNF, fato de necrose tumoral; GCF, fluido gengival crevicular; RAR, raspagem e alisamento radicular;
Negrito indica diferença estatisticamente significativa entre o início e após 6 e 12 meses.
Início
52
FIGURAS
Recrutamento
Eligibilidade (n= 200)
Excluídos (n = 170)
 Não cumpriram os critérios de inclusão
(n = 170)
Randomização (n= 30)
Distribuição
Atribuído a RAR + placebo (n = 15)
 Receberam intervenção (n = 15)
Atribuído a RAR + AM (n = 15)
 Receberamintervenção (n = 15)
Acompanhamento
Não compareceu para o acompanhamentona
visita de 6 meses (mudaram-se) (n = 3)
Não compareceu para o acompanhamentona
visita de 6 meses (mudaram-se) (n = 3)
Não compareceu para o acompanhamento na
visita de 12 meses (n = 8)
Não compareceu para o acompanhamento na
visita de 12 meses (n = 7)
Análise
Analisados na visita de 6 meses (n= 12)
Analisados na visita de 6 meses (n= 12)
Analisados na visita de 12 meses (n= 7)
Analisados na visita de 12 meses (n= 8)
Figura 1–Representação esquemática do processo de seleção de indivíduos para o
estudo.
53
Figura 2 - Gráfico de pizza que ilustra a proporção média das 7 citocinas nos
indivíduos que completaram os 12 meses de acompanhamento.
A
*
**
**
*
B
*** †
**
***
***
**
C
54
Gráfico de pizza que ilustra a proporção média das 7 citocinas nos indivíduos que
completaram os 12 meses de acompanhamento. O gráfico inicial representa a
composição de citocinas no GCF no início do estudo, enquanto os gráficosseguintes
representam a concentração de citocinas GCF na visita de 6e de 12 meses para os
dois grupos clínicos. Os gráficos foram dimensionados de modo a refletir os níveis
totais de citocinas. As diferenças dos dados entre o início e 6 ou 12 meses foi
testada pelo Teste de Dunn: * p <0,05, ** p <0,01, ***<0,001. A diferença dos dados
entre 6 e 12 meses estão representadas por †p <0,05.
55
Figura 3 - Gráficos de fluido gengival crevicular média (GCF) e dos níveis de
citocinas 6 meses pós-terapia.
Gráficos de fluido gengival crevicular média (GCF) e dos níveis de citocinas (pg / ml)
no início do estudo e 6 meses pós-terapia em indivíduos com periodontite agressiva
generalizada no grupos placebo (painéis brancos) e sistêmicos (antibióticos painéis
cinzentos). Os círculos verdes representam os níveis basais do GCF (medido em até
14 sítios por indivíduo) e foram ordenados em cada gráfico por indivíduo com o
menor valor GCF para o valor mais alto pré-terapia. Os círculos vermelhos e roxos
representam a média do GCF para cada indivíduo no 6º. mês. Os círculos vermelhos
indicam um aumento médio, enquanto os círculos roxos indicam uma diminuição
média nos níveis de citocinas do GCF após a terapia.
56
Figura 4 - Gráficos de fluido gengival crevicular média (GCF) e dos níveis de
citocinas (pg / ml) no início do estudo e 12 meses pós-terapia.
Gráficos de fluido gengival crevicular média (GCF) e dos níveis de citocinas (pg / ml)
no início do estudo e 12 meses pós-terapia em indivíduos com periodontite
agressiva generalizada . Os círculos verdes representam os níveis basais do GCF
(medido em até 14 sítios por indivíduo) e foram ordenados em cada gráfico por
indivíduo com o menor valor GCF para o valor mais alto pré-terapia. Os círculos
vermelhos e roxos representam a média do GCF para cada indivíduo no 12º. mês.
Os círculos vermelhos indicam um aumento médio, enquanto os círculos roxos
indicam uma diminuição média nos níveis de citocinas do GCF após a terapia.
57
ANEXOS
58
59
60
61
62
63
64
65
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