Shirin Ebadi (‫ش یری ن‬
‫ ع بادی‬em Farsi)
Recebeu o Nobel da Paz em 2003. Foi a primeira cidadã iraniana e a primeira mulher muçulmana a receber
um Nobel.
Biografia
Shirin Ebadi nasceu em Hamadã, a 21 de Junho de 1947, onde o seu pai, Mohammad Ali Ebadi, era um
conhecido Professor de Direito Comercial. Em 1948 mudou-se com a sua família para Teerão.
Em 1965, foi admitida no curso de Direito da Universidade de Teerão e em 1968 concluiu a licenciatura. Em
Março de 1969, tornou-se a primeira mulher iraniana a ser nomeada juiz.
Prosseguiu os seus estudos na Universidade de Teerão, tendo concluído um mestrado em 1971. Em 1975,
tornou-se a primeira mulher iraniana a presidir a um tribunal legislativo.
Após a Revolução Islâmica de 1979, por pressão dos clérigos conservadores que consideravam que o
Islão proibia as mulheres de serem juízes, ela e outras mulheres foram demitidas do cargo de juizes, sendo
autorizadas, somente, a realizar trabalhos administrativos nos tribunais. Após vários protestos, acabaram
por ser nomeadas "especialistas em leis", pelo Ministério da Justiça. Dada a sua soituação profissional,
Shirin Ebadi pediu uma reforma antecipada, solicitando, por vários anos, autorização para exexer
advocacia, que lhe foi concedida em 1993.
Durante esse período, escreveu diversos livros e artigos que a tornaram conhecida.
Actividade Profissional
Como advogada, é conhecida pela sua intervenção em numerosos casos de violação de direitos humanos,
sobretudo de mulheres e crianças, de dissidentes, membros de minorias religiosas e de publicações
encerradas pelo governo iraniano. Neste contexto, esteve foi a representante legal de Ezzat EbrahimNejad, a única vítima mortal dos protestos estudantis de 1999 e de Zahra Kazemi, uma foto-jornalista iranocanadiana que morreu numa prisão no Irão.
Shirin Ebadi esteve envolvida na elaboração da lei contra o abuso físico de crianças, aprovada, pelo
parlamento iraniano, em 2008, e fundou duas organizações não-governamentais: a Sociedade para a
Protecção dos Direitos das Crianças e o Centro de Defesa dos Direitos Humanos.
Prémio Nobel
Em 10 de Outubro de 2003, o Comité Nobel atribuiu-lhe o Nobel da Paz pela sua luta na defesa da
democracia e dos direitos humanos, especialmente os direitos das mulheres e das crianças.
Desde que recebeu o prémio, Shirin Ebadi tem viajado por diversos países estrangeiros, dando
conferências e recebido homenagens, publicando documentos e defendendo pessoas acusadas de crimes
políticos no Irão.
Ameaças
Em Abril de 2008, Shirin Ebadi declarou à agência Reuters que o respeito pelos Direitos Humanos no Irão
tinha regredido nos últimos dois anos e aceitou defender os dirigentes Bahá'ís, presos no Irão em 2008.
Nesse mesmo mês, Ebadi tornou públicas as ameaças contra a sua vida e segurança da sua família e que
as mesmas advertiam-na a não fazer discursos no estrangeiro e a não defender os membros da
comunidade Bahá'í. Uma das suas filhas, Nargess Tavassolian, também foi acusada de se ter convertido à
religião Bahá'í, um crime que, no Irão, é punido com a pena de morte.
Em Dezembro de 2008, um grupo de manifestantes atacou a sua casa e a polícia iraniana encerrou o
escritório do Centro dos Defensores dos Direitos Humanos.Na ocasião, a organização Human Rights
Watch afirmou estar "extremamente preocupada" com a segurança de Shirin Ebadi.
Livros
Em Portugal foram publicados os seguintes livros de Shirin Ebadi:


O Despertar do Irão, Editora Guerra & Paz, 2007, ISBN: 9789898014429
A Gaiola de Ouro, Editora Esfera dos Livros, 2009, ISBN 978-989-626-16
Kurt Westergaard
Kurt Westergaard é o cartoonista dinamarquês, criador do controverso cartoon em que o profeta
muçulmano Maomé, com uma bomba no turbante. Este cartoon foi o mais controverso dos 12 cartoons
publicados no Jyllands-Posten e deu origem a fortes reacções, por vezes, mesmo violentas, por parte das
comunidades muçulmanas espalhadas pelo Mundo.
Início de vida e carreira
Westergaard nasceu a 13 de Julho de 1935 na aldeia de Døstrup, na Himmerland da Jutlandia. Cresceu
num ambiente cristão conservador (Inner Mission), mas durante os anos 50 tomou contacto com o
Radicalismo Cultural, que para si foi como uma "epifania" e uma libertação da subjugação religiosa da sua
infância.
A formação inicial de Westergaard foi no Ranum Seminarium, onde tirou o curso de professor. Depois de
ter trabalhado como docente durante algum tempo, inscreveu-se na Universidade de Copenhaga para
estudar psicologia. Posteriormente trabalhou como professor com crianças com necessidades especiais e
foi director de uma escola para crianças com deficiência, em Djursland.
Após uma breve passagem pelo jornal Demokraten, tem trabalhado como cartoonista no Jyllands-Posten
desde o início dos anos 80.
Cartoon de Maomé
Embora Westergaard tivesse sido um caricaturista profissional durante mais de 20 anos, ficou conhecido
por um único desenho, o do profeta muçulmano Maomé.
Numa entrevista em 2009, Westergaard disse que tinha tentado "mostrar que os terroristas fundamentam
os seus actos de violência no Islão o que justifica que, com dinamite e outros explosivos, eles possam
matar pessoas."
Westergaard criticou a reacção à sua caricatura por parte de comunidades emigrantes na Dinamarca ,
afirmando que "muitos dos imigrantes que vieram para a Dinamarca não tinham nada. Demos-lhes tudo –
dinheiro, apartamentos, as suas próprias escolas, universidade gratuita, cuidados de saúde. Em troca,
pedimos uma coisa – respeito pelos valores democráticos, inclusive a liberdade de expressão. Eles
concordam? Esta é a minha pergunta.”
Depois do lançamento do filme Fitna, do político holandês Geert Wilder, que usou a caricatura de
Westergaard sem permissão, Westergaard fez uma caricatura que representa Wilder com uma bomba e
um sinal que lê: "Perigo! Liberdade de Expressão".
Conspiração 2008 e consequentes medidas de segurança
No dia 12 de Fevereiro de 2008, o Serviço de Inteligência e Segurança Dinamarquês (PET) anunciou a
detenção de três muçulmanos — dois tunisianos e um dinamarquês marroquino — que foram acusados de
planear assassinar Westergaard.
Depois da conspiração ter sido descoberta, o serviço secreto dinamarquês ficou responsável pela
protecção de Westergaard, que foi colocado sob vigilância da polícia, sempre que fosse para o trabalho. A
sua casa foi reforçada com portas de aço, uma sala de pânico, vidro reforçado nas janelas e câmaras de
segurança.
Ataque 2010
No dia 2 de Janeiro de 2010, um intruso muçulmano da Somália, de 28 anos, armado com um machado e
uma faca entrou em casa de Westergaard, tendo sido posteriormente capturado pela polícia. Westergaard,
desarmado, fugiu para a sala de pânico quando viu o intruso no corredor a manejar um machado, ficando
separado da sua neta, de cinco anos, que ficara sentada na sala a apenas alguns metros de distância do
intruso.
O assaltante foi capturado pela policia, preso e acusado de tentativa de homicídio de Kurt Westergaard e
de um policia.
Segundo os Serviço de Inteligência e Segurança Dinamarquês (PET), o suspeito estava directamente
ligado ao grupo de revolta Islâmico da Somália, al-Shabaab, considerado uma organização terrorista bem
como a líderes al-Qaeda, no Leste de África.
Prémios
Westergaard recebeu o Sappho Award, um prémio dado pela Free Press Society na Dinamarca a 'um
jornalista que combina a excelência no seu trabalho com a coragem e independência'.
Paulo Moura
Jornalista do Público e Professor na Escola Superior de Comunicação de Lisboa
Paulo Moura nasceu em 1959. Licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade do
Porto, em 1984 e concluiu o curso em Comunicação Social pela Escola Superior de Jornalismo do Porto,
em 1989. Foi professor de História e Português nas escolas secundárias de Bombarral, Ílhavo, Ermesinde
e Póvoa de Varzim. Actualmente lecciona um Atelier de Jornalismo Escrito na Escola Superior de
Comunicação Social em Lisboa.
É jornalista do diário Público desde a sua fundação. Entre 1989 e 1992 trabalhou na secção Internacional
daquele jornal. Durante o período de 1993 a 1995 foi correspondente permanente nos Estados Unidos,
Canadá e México. De volta a Portugal, colabora com as secções de Cultura, Sociedade e Media, tendo
passado para a redacção da revista Pública, revista de domingo daquele diário, em 1997.
Entre 1999 e 2000 assume o cargo de editor desta publicação. Em 2000, volta a ser jornalista da Pública e
da secção «Internacional», onde se destaca com as suas reportagens no Kosovo, Sérvia, Bulgária,
Roménia, Hungria, Polónia, Afeganistão, Kuwait, Qatar entre muito outros países.
Paulo Moura publicou várias reportagens em revistas internacionais, como a Harper’s Magazine, a New
York Times, o Courrier Internacional, a Lettre International Deutschland, a Lettre Romania, a World Media e
Néon.
Prémios
Foi galardoado com vários prémios de jornalismo, entre os quais se destacam:




Grande Prémio de Reportagem da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (1994)
Grande Prémio de Reportagem Escrita do Clube Português de Imprensa (1996, 1998 e 2001)
Prémio de Jornalismo «O Futuro da Europa» atribuído pela Comissão Europeia (2001)
Prémio Imigração e Minorias Étnicas: Jornalismo pela Tolerância, do Alto Comissariado para a
Imigração e Minorias Étnicas (2003)
 1ºPrémio «Jornalismo Contra a Indiferença» da Fundação AMI – Assistência Médica Internacional
(2005)
 Foi, também, finalista do prémio alemão, Lettre Ulysses Award of Art of Reportage em 2004, ano
em que alcançou o segundo Prémio Lorenzo Natali For Journalism, da Comissão Europeia.
Download

Shirin Ebadi (شیرین عبادی em persa) (Hamadã, 21 de Junho