Diário de Bordo Informativo do PET/Pesca - UFRPE Jul/Ago/Set 2007 Nº 33 - Ano XIII EDITORIAL Por Maria do Carmo F. Soares Por Vanildo Oliveira Novos editores Nesta edição do DB estão assumindo os novos editores Ebenezer Oliveira e Joana Lyra Vogeley, com a colaboração de Roberta Nery, Renata Alencar e Antônio Guarda. Este informativo do grupo PET/Pesca da Universidade Federal Rural de Pernambuco é uma produção que representa mais um treinamento dos seus integrantes em divulgarem matérias e notícias relacionadas à Pesca e Aqüicultura. Algumas novidades no curso de Engenharia de Pesca da UFRPE são noticiadas, a exemplo da elaboração de um artigo científico para a conclusão do curso de graduação, a partir deste segundo semestre de 2007. Outra é uma série de seminários realizados duas vezes por mês, denominada “Café com peixe” sob a coordenação do Prof. Ronaldo Cavalli que teve início no mês de agosto, reunindo interessados na discussão de assuntos relacionados à piscicultura marinha. Uma seção nova no informativo é o resgate histórico de fatos importantes dentro das Ciências Pesqueiras proposta pelos novos editores, afinal “povo sem história é povo sem memória”. Na outra seção, PEIXES DE NOSSAS ÁGUAS, é feita uma abordagem sobre o pirarucu, um importante recurso pesqueiro da Bacia Amazônica que tem despertado o interesse de pesquisadores em todo país, com vários projetos de pesquisa sobre a espécie em andamento. Não poderíamos deixar de destacar a participação do nosso Diretor do DEPAq, Prof. Fábio Hazin na Reunião de Especialistas da FAO, no período de 4 a 8 de setembro em Washington, nos Estados Unidos e, a importante campanha educativa Semana do Peixe, em nível nacional e na sua quarta edição, promovida pela SEAP em parceria com a ABRAS para incentivar o consumo de pescado, durante o período 17 a 30 de setembro! Consuma mais peixe, rico em fósforo e boa leitura! Maria do Carmo F. Soares é tutora do grupo PET/Pesca da UFRPE. O Curso de Engenharia de Pesca da Universidade Federal Rural de Pernambuco foi o primeiro a empregar a apresentação de monografia como trabalho de conclusão de curso, o que foi seguido p e l o s d e m a i s posteriormente. Naquele tempo, a monografia, que pela definição é "Dissertação ou estudo minucioso q u e s e p r o p õ e e s g o t a r determinado t e m a relativamente restrito", deu uma nova visão ao aluno, pois ele teria de apresentar um estudo, o qual seria submetido a uma banca examinadora, que, se aprovado, poderia publicar posteriormente, o que na maioria das vezes não acontecia. Atualmente existe um grande estímulo à produção científica e o modelo "monografia" não atende mais a essa nova realidade. Com esse pensamento a Coordenação do Curso e Comissão de Ensino do Departamento de Pesca e A q ü i c u l t u r a - D E PA q , elaboraram uma normativa que possibilita ao aluno fazer um Artigo Científico, que pela definição é "parte de uma publicação com autoria declarada, que apresenta e discute idéias, métodos, técnicas, processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento", ao invés da monografia. O Aluno poderá apresentar o Artigo Científico seguindo as normas de revistas que s e r ã o sugeridas p e l o DEPAq, com isto, Foto: Helder C. Lima e l e j á concluirá o curso com um trabalho pronto para ser submetido a revista escolhida. Atualmente o estudante terá a possibilidade de apresentar como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) um Artigo Científico (AC) ou o Relatório de Estágio (RE) e futuramente também poderá opinar por um Plano de Negócio (PN), havendo, desta forma, um maior número de opções para o aluno realizar o seu TCC. Vanildo Oliveira é Professor Adjunto do Departamento de Pesca e Aqüicultura e Coordenador do Curso de Engenharia de Pesca da UFRPE. 2 Diário de Bordo - Recife Setembro de 2007 DE NOSSAS ÁGUAS Por Adriana Lima O pirarucu, Arapaima gigas (Cuvier, responsável pelo cuidado com a prole. Os filhotes 1829), maior peixe de escamas de têm associação gregária e nadam sobre a cabeça água doce do mundo, é natural da do macho, que os mantém próximo a superfície bacia amazônica, podendo chegar até 3 metros de para facilitar a respiração. A cabeça do macho, no comprimento. Seu nome tem origem no Tupi e período reprodutivo, assume uma coloração significa pira = escurecida, o peixe e urucum = que dificulta a vermelho, devido à visualização da c o l o r a ç ã o p r o l e p o r avermelhada de predadores. Fonte: www.sopeixesdaamazonia.com.br/especies.html suas escamas, O pirarucu é que se intensifica no período reprodutivo. Tem um peixe extremamente rústico, resistente a respiração aérea obrigatória, o que facilita sua manejos e é considerado um "fóssil vivo”, pois sua criação em ambientes com baixa disponibilidade família existe sem modificações há mais de 100 de oxigênio, além de apresentar elevadas taxas de milhões de anos. Tem carne desprovida de crescimento, podendo chegar a 10 kg em um ano. espinhas, rendimento filé em torno de 58 % e seus Tem corpo cilíndrico, cabeça pequena em sub-produtos são de fácil aproveitamento. relação ao corpo e hábito alimentar carnívoro. Adriana Lima, é bolsista do PET/Pesca e aluna do 7º Formam casais no período reprodutivo e o macho é Período do curso de Eng. de Pesca da UFRPE. A edição do Diário de bordo, tentando resgatar um pouco da história da pesca e aqüicultura no Brasil e no mundo, está realizando um levantamento de fatos importantes que ocorreram nas últimas décadas relacionados a Engenharia de Pesca. O objetivo é fazer com que o leitor conheça a evolução da aqüicultura e da pesca e reflita sobre a situação atual através de comparações. Para isto, será disponibilizada a partir desta edição uma série de reportagens publicadas há vários anos atrás, com curiosidades, inovações tecnológicas e perspectivas no setor pesqueiro da época, estabelecendo uma linha do tempo até os dias atuais. Para iniciar, uma matéria sobre a pesca do atum publicada há 31 anos atrás na Revista Nacional da Pesca. Boa leitura!!! Os editores. futura aplicação em escala industrial. A Brasil Atlantic está adaptando mais dois barcos de sua Fonte: Revista Nacional da Pesca - Nº 158-1976 propriedade, para utilizá-los s diretores da Brasil também na captura do atum, ao Atlantic, de São Paulo, tempo em que terá a possibilidade estão satisfeitos com de treinar a mão-de-obra para este os resultados da experiência que t i p o d e p e s c a , a t é e n t ã o está sendo desconhecida no Brasil. realizada, O Superintendente desde junho da empresa confessou último, na está plenamente satisfeito captura do com os resultados iniciais Atum pelo e entende que as método de perspectivas futuras são cerco. Nessa Fonte: server.com/WebApps/mail-listarchive.cgi?id=6... m u i t o p r o m i s s o r a s , experiência principalmente por abrir estão sendo utilizados os antigos um campo novo na pesca b a r c o s s a r d i n h e i r o s d a brasileira. Pescanova, especialmente Os tunídeos pescados até preparados para este tipo de agora têm servido para teste de operação, cuja particularidade congelamento e industrialização, importante é a utilização de redes áreas para as quais a empresa especiais, até agora inéditas na vem estudando planos a respeito. pesca brasileira. As redes são Contribuição de Ebenezer Oliveira, fabricadas pela própria empresa bolsista do PET/Pesca e aluno do 7º que, nessa tarefa, por sua vez, vem período do curso de Eng. de Pesca da formando know-how para uma UFRPE. O Nós, editores do Diário de Bordo, informamos à comunidade discente e docente interessada em publicar matérias com temas relevantes na área das Ciências Pesqueiras e relacionados ao curso de Engenharia de Pesca que podem nos procurar na sala do PET/Pesca trazendo suas matérias que teremos prazer em divulgá-las. Diário de Bordo - Recife 3 Setembro de 2007 Softwares para Apoio na Gestão de Cultivos Aqüícolas. Por Paulo Cavalcanti O processamento, transmissão e obtenção de informações estão mudando a forma como são realizados os negócios, criando vantagem competitiva. E esta afirmação é aplicável também em empreendimentos aqüícolas. Serão apresentados, a seguir, alguns sistemas de informação encontrados durante uma pesquisa na web, que oferecem algum tipo de suporte em atividades inerentes na gestão de aqüiculturas: Sistema de Informação GeográficaLAQUASIG: Este projeto consiste em um estudo aliado a um software para diagnosticar atividades aqüícolas (piscicultura tropical, carcinicultura, truticultura, malacocultura e ranicultura) desenvolvidas no Estado do Rio de Janeiro. Tem como metas levantar informações sobre mercado, demandas e orientar investidores do setor; Sistema de Monitoramento Contínuo de Viveiros- SMCV: Tem foco na piscicultura (viveiros e tanques-rede), com monitoramento por sondas e apresenta funcionalidades de um sistema especialista onde aponta soluções para o produtor; Sistema Guabi de Monitoramento de CamarãoS G M C ( w w w. g u a b i . c o m . b r ) : Consiste num sistema para gestão de carciniculturas. Apresenta relatório e gráficos que facilitam o entendimento o usuário em relação aos dados cadastrados no SGMC, referentes a cada viveiro cadastrado no software. Através do software pode-se avaliar a biometria, consumo de ração, qualidade de água, temperatura e rentabilidade (econômica) da produção; S o f t w a r e p a r a Gerenciamento de AqüiculturasBETA: foi desenvolvido com o objetivo de atender o mercado brasileiro no que tange softwares específicos para aqüicultura. Traz funções administrativas (controle de despesas, investimentos, depreciação) e funções técnicas (cadastro de viveiros, cultivos, custos e receitas, povoamento, biometria, despesca); Dzampier:(http://www.dzampi er.com.br) - é um sistema destinado ao cálculo de dimensionamentos de tanques e viveiros para piscicultura. Possibilita o dimensionamento do fundo, bordo e talude, layout dos tanques, volume de terra movimentada, a vazão média suportada pelo dreno, raio hidráulico, velocidade média da água, tempo de escoamento do tanque, calcula o orçamento analítico por volume movimentado e em relação a cada máquina utilizada na construção do dreno, núcleo e tanque. Apresenta um formulário de legislação ambiental e confecciona um relatório do projeto para impressão; POND:(http://biosys.bre.orst.e du/pond/pond.htm) - este sistema focado no desenvolvimento de modelos e ferramentas de apoio à decisão em aqüicultura. O sistema possui funcionalidades agrupadas nos seguintes módulos: recursos aquáticos, tanques/viveiros, populações, fertilização, ração, solo, clima, análise econômica, simulações e controle e relatórios. Possui ainda um apoio para iniciantes no uso do sistema, (um “Wizard”) que apresenta de maneira mais direta e clara as funcionalidades do sistema em questão. Durante a pesquisa por softwares, foram obtidas as seguintes conclusões: é alarmante como há poucas ferramentas de apoio a gestão para aqüicultura bem como a baixa qualidade das existentes. Por isso, se faz necessário a disponibilização de uma maior gama de ferramentas que dêem suporte a aqüicultura, e com isso, oferecer um diferencial competitivo às empresas brasileiras diante do mercado atual. Paulo Cavalcanti é aluno do 9º período do curso de Engº de Pesca da UFRPE. Fonte: National Geografhic Brasil, setembro/2007 Fonte: www.casadepraia.imb.br/CP/OLugar/Praias.html O litoral sempre é lembrado pelo seu odor peculiar, o que geralmente chamamos de “cheiro do mar”. As algas conferem à explicação mais simples para o tal fenômeno. No entanto os pesquisadores descobriram como ocorre esse tão complexo aroma. Inicialmente uma substância chamada dimetilsulfopropionato (DMSP) é liberada pelas algas, pelo plâncton e pela vegetação do mangue, deixando os oceanos com milhões de toneladas de DMSP. As bactérias por sua vez o consomem, fragmentando - o graças a uma recém-identificada enzima, e depois emitem o gás dimetil-sulfeto (DMS), como produto secundário. Essa é a origem do odor característico notado à beira mar. E ao se decompor, o DMS libera partículas que ajudam a formar nuvens e baixar a temperatura do planeta. Contribuição de Renata Alencar, não-bolsista do PET/Pesca e aluna do 4º período do curso de Engº de Pesca da UFRPE. 4 Diário de Bordo - Recife Setembro de 2007 Diretor do DEPAq participa de Reunião de Especialistas da FAO¹, para elaboração de um tratado internacional sobre medidas do Estado Porto (Washington- DC, EUA, 04 a 08 de Setembro de 2007) Desde tempos imemoriais a pesca tem sido uma importante fonte de alimento para a humanidade, provendo, além de proteínas de alto valor nutricional, emprego e renda. Inicialmente praticada exclusivamente como uma atividade de coleta manual, a pesca foi gradualmente se sofisticando, em conseqüência do desenvolvimento tecnológico. De maneira geral, pode-se dizer que o desenvolvimento da pesca no mundo acompanhou o ritmo do crescimento populacional experimentado pela humanidade, acelerando-se bastante, portanto, a partir da Segunda Guerra Mundial. Ao final da década de 1980, contudo, começou a ficar claro que os recursos pesqueiros mundiais já se aproximavam rapidamente do seu limite máximo sustentável, exigindo a adoção de novas abordagens para o ordenamento pesqueiro internacional. Em conseqüência, como resultado de um processo de negociação iniciado em 1992, em Cancun, México, a FAO adotou, em 1995, o Código de Conduta para a Pesca Responsável, estabelecendo o arcabouço legal para o ordenamento pesqueiro, em todo o mundo. Como conseqüência do Código, subseqüentemente, em 1999, foram aprovados os Planos Internacionais de Ação para o Manejo da Capacidade Pesqueira, para a Conservação dos Tubarões e para a Redução da Captura Incidental de Aves na Pesca de Espinhel. Dois anos depois, a partir da constatação de que um dos mais graves problemas enfrentados pela pesca no mundo era a prática da pesca ilegal, a FAO aprovou o Plano Internacional de Ação para Prevenir, Deter e Eliminar a Pesca Ilegal, Não Reportada e Não Regulada, chamada de Pesca IUU². Mais recentemente, em março de 2007, o Comitê de Pesca da FAO, durante a sua 27ª Reunião, reconhecendo o papel extremamente relevante que os Países costeiros, através do controle dos seus portos, podem desempenhar no combate a pesca IUU, aprovou a elaboração de um tratado internacional sobre medidas de Estado Porto. Com esta finalidade, a FAO realizou, no período de 4 a 8 de setembro, em Washington- DC, EUA, uma reunião com a participação de 10 especialistas convidados, de diferentes países (Brasil, Canadá, EUA, Holanda, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Oman, Senegal, Seychelles). O documento-base do tratado, resultante da reunião, será subseqüentemente submetido para negociação e aprovação, na FAO, através de uma Consulta Técnica a ser realizada, entre 24 e 28 de junho de 2008. Diversas provisões inseridas no documento final se revestem de grande importância para o país, entre eles o reconhecimento do direito soberano dos países costeiros de cederem ou negarem o acesso aos seus portos, à sua inteira discrição. A relevância de tal aspecto se torna particularmente clara se considerada à luz das recentes investidas da Espanha, junto aos governos de alguns Estados do nordeste, para a construção de um porto internacional, com o objetivo de viabilizar a operação dos seus barcos no Atlântico Sul. Com este intuito, como o canto de uma sereia, o governo espanhol vem oferecendo inúmeras vantagens a esses governos. Ocorre que uma das poucas, se não a única, vantagem comparativa que o Brasil possui ao competir com as Por Fábio Hazin frotas oceânicas no Atlântico Sul é a proximidade dos seus portos das áreas de pesca. Registre-se, neste contexto, que as embarcações nacionais são obrigadas a competir pelos recursos pelágicos do Atlântico Sul, com as frotas estrangeiras, particularmente a espanhola e japonesa, pesadamente subsidiadas, com um custo financeiro que representa uma pequena fração da realidade brasileira, com tecnologia mais sofisticada e mão-de-obra melhor qualificada. Não é um desafio pouca monta. Se diante de tal fato o Brasil se deixar levar pelo canto da sereia e decidir franquear a utilização dos seus portos pela frota internacional estará, evidentemente, anulando a principal vantagem comparativa que possui o que invariavelmente resultará no aniquilamento de qualquer pretensão brasileira de desenvolver a sua pesca oceânica. O que claramente se coloca, portanto, é: Qual futuro o Brasil prefere? Conceder às frotas internacionais o livre acesso aos portos brasileiros, e ficar literalmente a ver os navios estrangeiros pescando em seu litoral, ou enfrentar o desafio de desenvolver a sua pesca oceânica, a qual não diz respeito apenas à produção de pescado, nem à geração das divisas, empregos e renda, mas, acima de tudo, a efetiva ocupação, não apenas da Zona Econômica Exclusiva brasileira, mas das águas internacionais do Atlântico Sul. Estou convencido de que a decisão do Estado brasileiro não poderá ser outra, se não pelo desenvolvimento do setor pesqueiro nacional. Fábio Hazin é diretor do Departamento de Pesca e Aqüicultura da UFRPE. 1 Food and Agriculture Organization of the United Nations 2 IUU: Ilegal, Unreported and Unregulated Fisheries Diário de Bordo - Recife 5 Café com peixe Setembro de 2007 Por Ronaldo Cavalli O Laboratório de Piscicultura Marinha- LPM está promovendo o “Café com peixe”. Trata-se de uma série de seminários que tem como principal objetivo reunir, em caráter informal, pessoas interessadas na discussão de assuntos relacionados à piscicultura marinha. A idéia é que o “Café com peixe” seja realizado duas vezes por mês, sempre no Auditório Prof. Antônio Lisboa - DEPAq. Na sua primeira edição, no dia 23 de agosto, o Prof. Ronaldo Cavalli apresentou o “Estado atual do projeto Beijupirá”. As próximas edições do “Café com peixe” estão indicadas abaixo: Sessão # 3: “Biologia e cultivo de cavalos marinhos” Engº. de Pesca Luciano Willadino de Oliveira Dia 02/10 (Terça-feira) às 16:30 h Sessão # 2: “Captura, transporte e manejo de reprodutores do beijupirá” Mestrando Ronaldo B. Peregrino Dia 18/09 (Terça-feira) às 17:00 h Ronaldo Cavalli é Professor Titular do Departamento de Pesca e Aqüicultura da UFRPE. ANOMALIA PREOCUPA CIENTISTAS Fonte: Diário de Pernambuco, jul/2007. Baleias e pingüins perdidos, navegações descontroladas e até mesmo um crescimento nos casos de câncer. Como esses, outros tantos tumultos seriam provocados no planeta pela troca de posição dos pólos Norte e Sul. Uma área do planeta que reforça a proximidade dessa inversão e vem chamando a atenção de pesquisadores está localizada no Atlântico Sul, a 700 quilômetros da costa brasileira. Denominada de Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS), o local chega a ter um campo magnético terrestre até 50% menor em seu interior do que no resto da terra. Descoberta em 1950, a anomalia já provoca interferências e panes em satélites e sinais de rádio que dependem daquela região. “Os estudos indicam que a área está crescendo muito rapidamente e, por volta do ano 2240, a área de cobertura superficial da AMAS ocupará mais da metade do Hemisfério Sul. Os efeitos podem ser enormes, pois muitas espécies e fenômenos naturais são guiados pelo campo magnético”, disse o pesquisador do Observatório Nacional do Rio de Janeiro, Luiz Benyosef. Ele disse que a extensão do campo magnético da terra, a magnetosfera, forma uma proteção contra a radiação solar, que tornaria-se frágil com a reversão de pólos, aumentando os casos de câncer. Por volta de 1994, o campo magnético de Pernambuco registrou uma queda de intensidade e direção. No mesmo período, os ataques de tubarão tornaram-se freqüentes na costa do estado. A coincidência, observada numa rápida avaliação do novo Atlas geomagnético, pode ser a chave para a presença desses grandes peixes numa área mais próxima e perigosa para os banhistas pernambucanos. A relação ainda precisa ser melhor estudada, mas representa uma nova possibilidade de pesquisa. “Ainda é preciso aprofundar os estudos, mas essas alterações podem ter contribuído para a proximidade dos tubarões em relação à orla. De qualquer forma, é uma relação que merece atenção”, afirma o autor do Atlas geomagnético, Guilherme Pereira. A mudança nos valores, segundo ele, registrou uma variação na declinação magnética de 15ºC para 22ºC negativos. “A relação entre a movimentação dos peixes e o campo magnético já foi confirmada por outros estudos. Mas, em geral, eles têm a finalidade de mapear a migração e reprodução de espécies de importância econômica”, disse, citando contribuições em estudos de espécies como atum e salmão, além de lagostas e tartarugas marinhas. O campo magnético terrestre também estimula pesquisas sobre as migrações de pássaros, que despertam interesse desde a época dos pombos-correios. E cada vez mais sugerem evidências de que várias espécies orientam-se pelas condições climáticas e campos magnéticos. “Com o surgimento da gripe aviária e suas conseqüências para o ambiente e a saúde da população, vários pesquisadores voltaram-se para essas pesquisas”, afirmou o biólogo Geraldo Freitas. O novo Atlas geomagnético poderá ser útil na pesquisa de monitoramento de aves migratórias que vem sendo realizada pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Contribuição de Roberta Nery, bolsista do PET/Pesca e aluna do 4º período do curso de Eng. de Pesca da UFRPE. Diário de Bordo - Recife 6 Setembro de 2007 Fonte: Revista Ciência e Cultura Na visão da maioria dos países de língua inglesa, o plágio é definido como a "apropriação ou imitação da linguagem, idéias ou pensamentos de outro autor e a representação das mesmas como se fossem daquele que as utiliza", conforme o Random House Unabridged Dictionary(....). De acordo com a University of Hertfordshire Hatfield, no Reino Unido, o plágio se caracteriza pela apropriação de idéias ou palavras de outrem sem o devido crédito, mesmo que acidental.(...) Nos Estados Unidos, a prática do plágio também é vista com bastante seriedade e está sujeita a punições acadêmicas. De acordo com John Edlund, da Califórnia State University, "o plágio é uma violação direta da honestidade acadêmica e intelectual. Muito embora ele possa existir sob várias formas, todos os tipos de plágio se resumem na mesma prática: representar as idéias ou palavras de outrem como se fossem suas... mesmo a utilização das idéias do outro nas suas próprias palavras sem citação também pode ser qualificado como tal". (...) Num editorial sobre o plágio (1996), Carlos Coimbra, editor de Cadernos de Saúde Pública, declara que "no Brasil pouco se fala sobre plágio em ciência. Isto certamente decorre menos da ausência do problema no país do que da falta de iniciativas para aprofundar essa discussão" (...) De acordo com Obdália Silva, em seu Entre o plágio e a autoria? qual o papel da universidade? (2006) [no Brasil]... "historicamente, desde o ensino fundamental à universidade, tem-se convivido com a prática de cópias de produções textuais de outrem, seja de forma parcial ou total, omitindo-se a fonte...".(...) O fato é que a discussão da dimensão da prática do plágio na academia é de extrema importância para a atividade científica. Diante da relevância do tema e do foco internacional que ele vem recebendo é, no mínimo, ingênuo ou imaturo não se pensar de forma bem pragmática em abordar o plágio nas universidades e outras instituições de pesquisa. (...) Segundo a definição internacional do plágio, mudar algumas palavras de uma frase de outrem e incorporá-las no texto em construção configura plágio. Contribuição de Adriana Lima, bolsista do PET/Pesca e aluna do 7º período do curso de Engenharia de Pesca da UFRPE. Fonte: Folha de Pernambuco Digital (Por Petterson Rodrigues) A Secretaria Especial da Agricultura e Pesca (SEAP) abriu no dia 17/09, em parceria com a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), a quarta edição da Semana do Peixe, uma campanha nacional para incentivar o consumo regular de pescado pelos brasileiros. Foto: Gustavo Pellizzon Segundo dados da Seap, o consumo de peixe no Brasil ainda está abaixo do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O brasileiro consome 6,8 quilos por ano, enquanto a OMS recomenda como ideal o consumo anual de 12 quilos por pessoa. A média mundial gira em torno de 16 quilos por pessoa ao ano. Em São Paulo, a abertura da Feira Internacional de Pescados, Frutos do Mar e Tecnologia para a Indústria da Agricultura e Pesca (Seafood) marcou, na manhã do dia 17, o início da Semana do Peixe. Na abertura do evento, o ministro da Pesca, Altemir Gregolin, disse que a campanha é importante para fortalecer o consumo e a produção do peixe no Brasil. Segundo o ministro, o consumo de pescado no Brasil aumentou nos últimos anos. “As grandes redes de supermercado, no ano passado, ampliaram as vendas num percentual que varia 10% a 16% em relação ao ano anterior”, disse. Segundo informações da Seap, durante a Semana do Peixe, um milhão de cartilhas serão distribuídas nos 26 estados e no Distrito Federal com informações para o consumidor de como identificar e consumir um peixe de qualidade. Contribuição de Ebenezer Oliveira, bolsista do PET/Pesca e aluno do 7º período do curso de Engenharia de Pesca da UFRPE. 7 Diário de Bordo - Recife Setembro de 2007 Colônia de Pescadores da Ilha de Itamaracá: Um Levantamento do Perfil Social dos Trabalhadores da Pesca Artesanal. Por Paulo Cavalcanti, Emanuell Beserra, Isabela Bacalhau, Yuri Lopes e Ângelo Callou. T endo em vista a importância que a pesca apresenta atualmente sob o contexto mundial, faz-se necessário que pesquisas sejam desenvolvidas, bem como levantamento de informações sobre como se apresenta a realidade dos pescadores das colônias de pesca no Brasil. O trabalho realizado por alguns discentes do curso de Engenharia de Pesca teve por objetivo coletar e analisar informações sobre as atividades de pesca e organização administrativa da Colônia de Pescadores Z-11 da Ilha de Itamaracá, Pernambuco, visando auxiliar parte do entendimento desta realidade. Os alunos, após levantarem bibliografias para obter embasamento teórico, realizaram um visita técnica na Colônia no dia 14 de maio de 2007. Foram aplicados questionários junto a alguns pescadores presentes na Colônia, que apresentavam perguntas referentes às dificuldades e vantagens do setor pesqueiro, no que se refere à perspectiva social. Alguns temas trabalhados foram: dificuldades na ida para o mar; acesso ao auxílio defeso do governo; pescado capturado; formas de complementação de renda; petrechos de pesca utilizados; retorno financeiro; infra-estrutura e participação dos associados na vida da Colônia; parcerias entre a Colônia e organizações governamentais e não-governamentais; principais problemas vivenciados pelos pescadores; apoio institucional; atuação da mulheres nas assembléias da Colônia; assistência técnica, entre outros. Como resultados obtidos, pode-se afirmar que: 1) as condições sociais dos pescadores são preocupantes tendo níveis de estudo, saúde e renda muito baixos (a maioria possui baixo grau de escolaridade, apresentam doenças conseqüentes da atividade pesqueira e ganham em torno de R$ 500 mensais); 2) A organização política e Articulação interna, entre os associados, é frágil, não havendo um interesse coletivo e convergente que norteie a evolução da colônia (há baixa participação nas reuniões, por exemplo); 3) A Colônia também não possui uma boa articulação externa com entidades, empresas e organizações, o que contribui parcialmente para o nãodesenvolvimento da atividade pesqueira na região (alguns problemas encontrados são: falta de financiamento compatíveis com o perfil socioeconômico dos associados, não há trabalhos de extensão pesqueira junto a colônia e o IBAMA realiza apreensões dos petrechos de pesca, segundo os pescadores entrevistados) e 4) Os pescadores não possuem uma boa infraestrutura na colônia, especialmente para a fabricação de gelo e beneficiamento do pescado. O somatório desses problemas resulta em dificuldades para que haja sucesso no desenvolvimento local e participativo, por meio da pesca artesanal na região. Seria de fundamental importância que organizações com espírito empreendedor e extensionista apoiassem a colônia Z-11. Como trabalhos futuros sugere-se a implementação de projetos apoiados pelo DEPAq/UFRPE (entendam-se docentes, pesquisadores e discentes) na mesma Colônia. A difícil realidade apresentada pelos pescadores frente as suas condições sociais e econômicas na pesca artesanal, bem como a existência de uma base de pesquisa em Itamaracá, vinculada ao próprio DEPAq/UFRPE, são fatores que facilitariam a atuação da comunidade DEPAq em tal contexto. Ângelo Callou é Profº do Deptº de Educação da UFRPE e os demais autores são alunos do 9º período do curso de Eng. de Pesca da UFRPE. Oportunidades Universidade Federal de Pernambuco Seleção ao Programa de Pós-gradução em Oceonografia Mestrado: Inscrições: 19 à 23/11/2007 Seleção: 10 à 14/12/2007 Doutorado: Inscrições: 22 à 26/10/2007 Seleção: 26 à 30/11/2007 Maiores informações: (81) 2126.8227 Universidade Federal Rural de Pernambuco Programa de Pós-Graduação em Recursos Pesqueiros e Aqüicultura (PPG-RPAq) Inscrições: 03/09 à 17/10/2007 Abertura de inscrições ao concurso de títulos e provas visando o provimento de um (01) cargo de professor doutor, no Departamento de Oceanografia Biológica do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo. Edital: http://www.usp.br/drh/novo/recsel/ioconc0112007.html 8 Diário de Bordo - Recife Setembro de 2007 ACONTECERÁ... 23 e 24 de setembro de 2007 Será realizado no Centro de Convenções da Bahia, Salvador-BA Inf.: www.ambientegaia.com.br ou (71) 3424 5197 26 e 27 de setembro de 2007 Será realizado na Univ. Estácio de Sá, Cabo Frio-RJ Inf.: lí[email protected] ou (22) 2643 0805 16 a 19 de outubro - Será realizado na Universidade Federal do Amazonas em Manaus/ AM. Inf.: www.conbep2007.com.br 28 de outubro a 1º de novembro de 2007 47º Reunião Anual da Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior 2º Congresso de Educação Agrícola Superior em Recife Será realizada no Recife Praia Hotel 18 e 19 de outubro - Tilápia: técnicas avançadas de cultivo e manejo Será realizado em Jundiaí SP pelo instrutor Fernando Kubitza. Inf.: (11) 4587-2496, [email protected] ou www.acquaimagem.com.br 17 e 18 de outubro - Seminário Estadual de Aqüicultura Interior Será realizado no REMMAR Residence Hotel, em Cabo Frio, RJ. Inf.: Tel/Fax: (22) 2643-0805. 19 e 20 de outubro - II Curso sobre Processamento e Aproveitamento Integral de Peixes - Será realizado Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP em Pirassununga/ SP. Inf.: www.fzea.usp.br ou e-mail: [email protected] 02 a 05 de outubro VI Seminario Internacional de Acuicultura Será realizado na Facultad de Medicina Veterinaria y de Zootecnia, Universidad Nacional de Colombia. Inf.: Http://www.veterinaria.unal.edu.co/index.html ou [email protected] 14 a 16 de novembro - 2º Simpósio de Nutrição e Saúde de Peixes - Será realizado na Fazenda Experimental Lageado UNESP, em Botucatu/ SP. Inf.: (14) 3811-7187/ 3882-6300 ou [email protected] Aconteceu... Aconteceu nos dias 29 e 30 de agosto, no Centro de Convenções em Olinda, o 15º AGINORDESTE. O evento anual é dividido em segmentos das Ciências Agrárias, como: Bovinocultura, Floricultura, Aqüicultura, entre outros. No segmento da Aqüicultura, discutiram-se diversos temas nos dois dias de palestras. O camarão continuou sendo a grande estrela da Aqüicultura, apresentou- Expediente Universidade Federal Rural de Pernambuco Departamento de Pesca, Av. Dom Manuel de Medeiros, s/n Dois Irmãos, Recife (PE) CEP: 52171-900 Fone:33206525/Email:[email protected] se diversas opções de Policultuvo, camarão com tilápia, camarão, tilápia e ostra, como alternativa de baratiar a produção do Vannamei. Também se falou sobre qualidade de Água no Cultivo, Piscicultura Marinha, Cultivo de Moluscos, Cultivo Heterotrófico. Uma palestra muito discutida foi a de Melhoramento Genético, ministrada pela Profª. Raquel Coimbra, do nosso Departamento Por Antony Evangelista de Pesca e Aqüicultura, nessa palestra foram os esforços para seleção de um plantel resistente a IMNV. Enfim, foi um evento muito proveitoso para o enriquecimento e para a solidificação dos conhecimentos e idéias que estão acontecendo no meio Aquicola. Antony Evangelista é bolsita do PET/Pesca e aluno do 5º período do curso de Eng. de Pesca da UFRPE. Artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores. Diretor do Deptº de Pesca e Aqüicultura Prof. Fábio Hissa Vieira Hazin Coordenador do Curso de Eng. de Pesca Prof. Vanildo Souza de Oliveira Tutora do PET/Pesca Profª. Maria do Carmo F. Soares Comissão Editorial: PET/Pesca Editores: Ebenezer Oliveira ([email protected]) Joana Vogeley ([email protected]) Roberta Nery ([email protected]) Renata Alencar ([email protected]) Periodicidade: Trimestral - Tiragem: 500 exemplares