Diário de Bordo
Informativo do PET/Pesca - UFRPE
Jul/Ago/Set 2007
Nº 33 - Ano XIII
EDITORIAL
Por Maria do Carmo F. Soares
Por Vanildo Oliveira
Novos editores
Nesta edição do DB estão assumindo os
novos editores Ebenezer Oliveira e Joana Lyra
Vogeley, com a colaboração de Roberta Nery,
Renata Alencar e Antônio Guarda. Este
informativo do grupo PET/Pesca da
Universidade Federal Rural de Pernambuco é
uma produção que representa mais um
treinamento dos seus integrantes em
divulgarem matérias e notícias relacionadas à
Pesca e Aqüicultura.
Algumas novidades no curso de Engenharia
de Pesca da UFRPE são noticiadas, a exemplo
da elaboração de um artigo científico para a
conclusão do curso de graduação, a partir deste
segundo semestre de 2007. Outra é uma série
de seminários realizados duas vezes por mês,
denominada “Café com peixe” sob a
coordenação do Prof. Ronaldo Cavalli que teve
início no mês de agosto, reunindo interessados
na discussão de assuntos relacionados à
piscicultura marinha.
Uma seção nova no informativo é o resgate
histórico de fatos importantes dentro das
Ciências Pesqueiras proposta pelos novos
editores, afinal “povo sem história é povo sem
memória”. Na outra seção, PEIXES DE
NOSSAS ÁGUAS, é feita uma abordagem
sobre o pirarucu, um importante recurso
pesqueiro da Bacia Amazônica que tem
despertado o interesse de pesquisadores em
todo país, com vários projetos de pesquisa
sobre a espécie em andamento.
Não poderíamos deixar de destacar a
participação do nosso Diretor do DEPAq, Prof.
Fábio Hazin na Reunião de Especialistas da
FAO, no período de 4 a 8 de setembro em
Washington, nos Estados Unidos e, a
importante campanha educativa Semana do
Peixe, em nível nacional e na sua quarta edição,
promovida pela SEAP em parceria com a
ABRAS para incentivar o consumo de pescado,
durante o período 17 a 30 de setembro!
Consuma mais peixe, rico em fósforo e boa
leitura!
Maria do Carmo F. Soares é tutora do grupo
PET/Pesca da UFRPE.
O Curso de Engenharia
de Pesca da Universidade
Federal Rural de
Pernambuco foi o primeiro a
empregar a apresentação
de monografia como
trabalho de conclusão de
curso, o que foi seguido
p e l o s
d e m a i s
posteriormente.
Naquele tempo, a
monografia,
que pela
definição é
"Dissertação
ou estudo
minucioso
q u e
s e
p r o p õ e
e s g o t a r
determinado
t e m a
relativamente
restrito", deu uma nova
visão ao aluno, pois ele teria
de apresentar um estudo, o
qual seria submetido a uma
banca examinadora, que,
se aprovado, poderia
publicar posteriormente, o
que na maioria das vezes
não acontecia. Atualmente
existe um grande estímulo à
produção científica e o
modelo "monografia" não
atende mais a essa nova
realidade.
Com esse pensamento
a Coordenação do Curso e
Comissão de Ensino do
Departamento de Pesca e
A q ü i c u l t u r a - D E PA q ,
elaboraram uma normativa
que possibilita ao aluno
fazer um Artigo Científico,
que pela definição é "parte
de uma publicação com
autoria declarada, que
apresenta e discute idéias,
métodos,
técnicas,
processos e resultados nas
diversas áreas do
conhecimento", ao invés da
monografia.
O Aluno poderá
apresentar
o Artigo
Científico
seguindo as
normas de
revistas que
s e r ã o
sugeridas
p e l o
DEPAq,
com isto,
Foto: Helder C. Lima
e l e
j á
concluirá o curso com um
trabalho pronto para ser
submetido a revista
escolhida.
Atualmente o estudante
terá a possibilidade de
apresentar como Trabalho
de Conclusão de Curso
(TCC) um Artigo Científico
(AC) ou o Relatório de
Estágio (RE) e futuramente
também poderá opinar por
um Plano de Negócio (PN),
havendo, desta forma, um
maior número de opções
para o aluno realizar o seu
TCC.
Vanildo Oliveira é Professor Adjunto
do Departamento de Pesca e
Aqüicultura e Coordenador do Curso
de Engenharia de Pesca da UFRPE.
2
Diário de Bordo - Recife
Setembro de 2007
DE NOSSAS ÁGUAS
Por Adriana Lima
O
pirarucu, Arapaima gigas (Cuvier, responsável pelo cuidado com a prole. Os filhotes
1829), maior peixe de escamas de têm associação gregária e nadam sobre a cabeça
água doce do mundo, é natural da do macho, que os mantém próximo a superfície
bacia amazônica, podendo chegar até 3 metros de para facilitar a respiração. A cabeça do macho, no
comprimento. Seu nome tem origem no Tupi e período reprodutivo, assume uma coloração
significa pira =
escurecida, o
peixe e urucum =
que dificulta a
vermelho, devido à
visualização da
c o l o r a ç ã o
p r o l e p o r
avermelhada de
predadores.
Fonte: www.sopeixesdaamazonia.com.br/especies.html
suas escamas,
O pirarucu é
que se intensifica no período reprodutivo. Tem um peixe extremamente rústico, resistente a
respiração aérea obrigatória, o que facilita sua manejos e é considerado um "fóssil vivo”, pois sua
criação em ambientes com baixa disponibilidade família existe sem modificações há mais de 100
de oxigênio, além de apresentar elevadas taxas de milhões de anos. Tem carne desprovida de
crescimento, podendo chegar a 10 kg em um ano.
espinhas, rendimento filé em torno de 58 % e seus
Tem corpo cilíndrico, cabeça pequena em sub-produtos são de fácil aproveitamento.
relação ao corpo e hábito alimentar carnívoro.
Adriana Lima, é bolsista do PET/Pesca e aluna do 7º
Formam casais no período reprodutivo e o macho é
Período do curso de Eng. de Pesca da UFRPE.
A edição do Diário de bordo,
tentando resgatar um pouco da
história da pesca e aqüicultura
no Brasil e no mundo, está
realizando um levantamento de
fatos importantes que ocorreram
nas últimas décadas
relacionados a Engenharia de
Pesca. O objetivo é fazer com
que o leitor conheça a evolução
da aqüicultura e da pesca e
reflita sobre a situação atual
através de comparações. Para
isto, será disponibilizada a partir
desta edição uma série de
reportagens publicadas há
vários anos atrás, com
curiosidades, inovações
tecnológicas e perspectivas no
setor pesqueiro da época,
estabelecendo uma linha do
tempo até os dias atuais.
Para iniciar, uma matéria
sobre a pesca do atum
publicada há 31 anos atrás na
Revista Nacional da Pesca. Boa
leitura!!!
Os editores.
futura aplicação em escala
industrial.
A Brasil Atlantic está
adaptando mais dois barcos de sua
Fonte: Revista Nacional da Pesca - Nº 158-1976
propriedade, para utilizá-los
s diretores da Brasil também na captura do atum, ao
Atlantic, de São Paulo, tempo em que terá a possibilidade
estão satisfeitos com de treinar a mão-de-obra para este
os resultados da experiência que t i p o d e p e s c a , a t é e n t ã o
está sendo
desconhecida no Brasil.
realizada,
O Superintendente
desde junho
da empresa confessou
último, na
está plenamente satisfeito
captura do
com os resultados iniciais
Atum pelo
e entende que as
método de
perspectivas futuras são
cerco. Nessa Fonte: server.com/WebApps/mail-listarchive.cgi?id=6... m u i t o p r o m i s s o r a s ,
experiência
principalmente por abrir
estão sendo utilizados os antigos um campo novo na pesca
b a r c o s s a r d i n h e i r o s d a brasileira.
Pescanova, especialmente
Os tunídeos pescados até
preparados para este tipo de agora têm servido para teste de
operação, cuja particularidade congelamento e industrialização,
importante é a utilização de redes áreas para as quais a empresa
especiais, até agora inéditas na vem estudando planos a respeito.
pesca brasileira. As redes são
Contribuição de Ebenezer Oliveira,
fabricadas pela própria empresa
bolsista do PET/Pesca e aluno do 7º
que, nessa tarefa, por sua vez, vem período do curso de Eng. de Pesca da
formando know-how para uma
UFRPE.
O
Nós, editores do Diário de Bordo, informamos à comunidade discente e docente interessada em publicar matérias com
temas relevantes na área das Ciências Pesqueiras e relacionados ao curso de Engenharia de Pesca que podem nos procurar
na sala do PET/Pesca trazendo suas matérias que teremos prazer em divulgá-las.
Diário de Bordo - Recife
3
Setembro de 2007
Softwares para Apoio na Gestão
de Cultivos Aqüícolas.
Por Paulo Cavalcanti
O processamento, transmissão
e obtenção de informações estão
mudando a forma como são
realizados os negócios, criando
vantagem competitiva. E esta
afirmação é aplicável também em
empreendimentos aqüícolas. Serão
apresentados, a seguir, alguns
sistemas de informação
encontrados durante uma pesquisa
na web, que oferecem algum tipo de
suporte em atividades inerentes na
gestão de aqüiculturas:
Sistema de Informação
GeográficaLAQUASIG: Este
projeto consiste em um estudo
aliado a um software para
diagnosticar atividades aqüícolas
(piscicultura tropical, carcinicultura,
truticultura, malacocultura e
ranicultura) desenvolvidas no
Estado do Rio de Janeiro. Tem como
metas levantar informações sobre
mercado, demandas e orientar
investidores do setor;
Sistema de Monitoramento
Contínuo de Viveiros- SMCV: Tem
foco na piscicultura (viveiros e
tanques-rede), com monitoramento
por sondas e apresenta
funcionalidades de um sistema
especialista onde aponta soluções
para o produtor;
Sistema Guabi de
Monitoramento de CamarãoS G M C ( w w w. g u a b i . c o m . b r ) :
Consiste num sistema para gestão
de carciniculturas. Apresenta
relatório e gráficos que facilitam o
entendimento o usuário em relação
aos dados cadastrados no SGMC,
referentes a cada viveiro cadastrado
no software. Através do software
pode-se avaliar a biometria,
consumo de ração, qualidade de
água, temperatura e rentabilidade
(econômica) da produção;
S o f t w a r e
p a r a
Gerenciamento de AqüiculturasBETA: foi desenvolvido com o
objetivo de atender o mercado
brasileiro no que tange softwares
específicos para aqüicultura. Traz
funções administrativas (controle de
despesas, investimentos,
depreciação) e funções técnicas
(cadastro de viveiros, cultivos,
custos e receitas, povoamento,
biometria, despesca);
Dzampier:(http://www.dzampi
er.com.br) - é um sistema destinado
ao cálculo de dimensionamentos de
tanques e viveiros para piscicultura.
Possibilita o dimensionamento do
fundo, bordo e talude, layout dos
tanques, volume de terra
movimentada, a vazão média
suportada pelo dreno, raio
hidráulico, velocidade média da
água, tempo de escoamento do
tanque, calcula o orçamento
analítico por volume movimentado e
em relação a cada máquina utilizada
na construção do dreno, núcleo e
tanque. Apresenta um formulário de
legislação ambiental e confecciona
um relatório do projeto para
impressão;
POND:(http://biosys.bre.orst.e
du/pond/pond.htm) - este sistema
focado no desenvolvimento de
modelos e ferramentas de apoio à
decisão em aqüicultura. O sistema
possui funcionalidades agrupadas
nos seguintes módulos: recursos
aquáticos, tanques/viveiros,
populações, fertilização, ração,
solo, clima, análise econômica,
simulações e controle e relatórios.
Possui ainda um apoio para
iniciantes no uso do sistema, (um
“Wizard”) que apresenta de maneira
mais direta e clara as
funcionalidades do sistema em
questão.
Durante a pesquisa por
softwares, foram obtidas as
seguintes conclusões: é alarmante
como há poucas ferramentas de
apoio a gestão para aqüicultura bem
como a baixa qualidade das
existentes. Por isso, se faz
necessário a disponibilização de
uma maior gama de ferramentas
que dêem suporte a aqüicultura, e
com isso, oferecer um diferencial
competitivo às empresas brasileiras
diante do mercado atual.
Paulo Cavalcanti é aluno do 9º período do curso de
Engº de Pesca da UFRPE.
Fonte: National Geografhic Brasil, setembro/2007
Fonte: www.casadepraia.imb.br/CP/OLugar/Praias.html
O litoral sempre é
lembrado pelo seu odor
peculiar, o que geralmente
chamamos de “cheiro do
mar”.
As algas conferem à
explicação mais simples
para o tal fenômeno. No
entanto os pesquisadores
descobriram como ocorre
esse tão complexo aroma.
Inicialmente uma
substância chamada
dimetilsulfopropionato
(DMSP) é liberada pelas
algas, pelo plâncton e pela
vegetação do mangue,
deixando os oceanos com
milhões de toneladas de
DMSP. As bactérias por sua
vez o consomem,
fragmentando - o graças a
uma recém-identificada
enzima, e depois emitem o
gás dimetil-sulfeto (DMS),
como produto secundário.
Essa é a origem do odor
característico notado à beira
mar. E ao se decompor, o
DMS libera partículas que
ajudam a formar nuvens e
baixar a temperatura do
planeta.
Contribuição de Renata Alencar, não-bolsista do
PET/Pesca e aluna do 4º período do curso de Engº
de Pesca da UFRPE.
4
Diário de Bordo - Recife
Setembro de 2007
Diretor do DEPAq participa de Reunião de Especialistas da
FAO¹, para elaboração de um tratado internacional sobre
medidas do Estado Porto
(Washington- DC, EUA, 04 a 08 de Setembro de 2007)
Desde tempos imemoriais a
pesca tem sido uma importante
fonte de alimento para a
humanidade, provendo, além de
proteínas de alto valor nutricional,
emprego e renda. Inicialmente
praticada exclusivamente como
uma atividade de coleta manual, a
pesca foi gradualmente se
sofisticando, em conseqüência do
desenvolvimento tecnológico. De
maneira geral, pode-se dizer que o
desenvolvimento da pesca no
mundo acompanhou o ritmo do
crescimento populacional
experimentado pela humanidade,
acelerando-se bastante, portanto,
a partir da Segunda Guerra
Mundial.
Ao final da década de 1980,
contudo, começou a ficar claro que
os recursos pesqueiros mundiais
já se aproximavam rapidamente
do seu limite máximo sustentável,
exigindo a adoção de novas
abordagens para o ordenamento
pesqueiro internacional. Em
conseqüência, como resultado de
um processo de negociação
iniciado em 1992, em Cancun,
México, a FAO adotou, em 1995, o
Código de Conduta para a Pesca
Responsável, estabelecendo o
arcabouço legal para o
ordenamento pesqueiro, em todo
o mundo.
Como conseqüência do
Código, subseqüentemente, em
1999, foram aprovados os Planos
Internacionais de Ação para o
Manejo da Capacidade Pesqueira,
para a Conservação dos Tubarões
e para a Redução da Captura
Incidental de Aves na Pesca de
Espinhel. Dois anos depois, a
partir da constatação de que um
dos mais graves problemas
enfrentados pela pesca no mundo
era a prática da pesca ilegal, a
FAO aprovou o Plano
Internacional de Ação para
Prevenir, Deter e Eliminar a Pesca
Ilegal, Não Reportada e Não
Regulada, chamada de Pesca
IUU².
Mais recentemente, em março
de 2007, o Comitê de Pesca da
FAO, durante a sua 27ª Reunião,
reconhecendo o papel
extremamente relevante que os
Países costeiros, através do
controle dos seus portos, podem
desempenhar no combate a pesca
IUU, aprovou a elaboração de um
tratado internacional sobre
medidas de Estado Porto. Com
esta finalidade, a FAO realizou, no
período de 4 a 8 de setembro, em
Washington- DC, EUA, uma
reunião com a participação de 10
especialistas convidados, de
diferentes países (Brasil, Canadá,
EUA, Holanda, Japão, Noruega,
Nova Zelândia, Oman, Senegal,
Seychelles). O documento-base
do tratado, resultante da reunião,
será subseqüentemente
submetido para negociação e
aprovação, na FAO, através de
uma Consulta Técnica a ser
realizada, entre 24 e 28 de junho
de 2008.
Diversas provisões inseridas
no documento final se revestem de
grande importância para o país,
entre eles o reconhecimento do
direito soberano dos países
costeiros de cederem ou negarem
o acesso aos seus portos, à sua
inteira discrição. A relevância de tal
aspecto se torna particularmente
clara se considerada à luz das
recentes investidas da Espanha,
junto aos governos de alguns
Estados do nordeste, para a
construção de um porto
internacional, com o objetivo de
viabilizar a operação dos seus
barcos no Atlântico Sul. Com este
intuito, como o canto de uma
sereia, o governo espanhol vem
oferecendo inúmeras vantagens a
esses governos. Ocorre que uma
das poucas, se não a única,
vantagem comparativa que o
Brasil possui ao competir com as
Por Fábio Hazin
frotas oceânicas no Atlântico Sul é
a proximidade dos seus portos das
áreas de pesca.
Registre-se, neste contexto,
que as embarcações nacionais
são obrigadas a competir pelos
recursos pelágicos do Atlântico
Sul, com as frotas estrangeiras,
particularmente a espanhola e
japonesa, pesadamente
subsidiadas, com um custo
financeiro que representa uma
pequena fração da realidade
brasileira, com tecnologia mais
sofisticada e mão-de-obra melhor
qualificada. Não é um desafio
pouca monta. Se diante de tal fato
o Brasil se deixar levar pelo canto
da sereia e decidir franquear a
utilização dos seus portos pela
frota internacional estará,
evidentemente, anulando a
principal vantagem comparativa
que possui o que invariavelmente
resultará no aniquilamento de
qualquer pretensão brasileira de
desenvolver a sua pesca
oceânica.
O que claramente se coloca,
portanto, é: Qual futuro o Brasil
prefere? Conceder às frotas
internacionais o livre acesso aos
portos brasileiros, e ficar
literalmente a ver os navios
estrangeiros pescando em seu
litoral, ou enfrentar o desafio de
desenvolver a sua pesca
oceânica, a qual não diz respeito
apenas à produção de pescado,
nem à geração das divisas,
empregos e renda, mas, acima de
tudo, a efetiva ocupação, não
apenas da Zona Econômica
Exclusiva brasileira, mas das
águas internacionais do Atlântico
Sul. Estou convencido de que a
decisão do Estado brasileiro não
poderá ser outra, se não pelo
desenvolvimento do setor
pesqueiro nacional.
Fábio Hazin é diretor do Departamento de
Pesca e Aqüicultura da UFRPE.
1
Food and Agriculture Organization of the United Nations
2
IUU: Ilegal, Unreported and Unregulated Fisheries
Diário de Bordo - Recife
5
Café com peixe
Setembro de 2007
Por Ronaldo Cavalli
O Laboratório de Piscicultura Marinha- LPM está promovendo o “Café com peixe”. Trata-se de uma
série de seminários que tem como principal objetivo reunir, em caráter informal, pessoas interessadas
na discussão de assuntos relacionados à piscicultura marinha. A idéia é que o “Café com peixe” seja
realizado duas vezes por mês, sempre no Auditório Prof. Antônio Lisboa - DEPAq. Na sua primeira
edição, no dia 23 de agosto, o Prof. Ronaldo Cavalli apresentou o “Estado atual do projeto Beijupirá”. As
próximas edições do “Café com peixe” estão indicadas abaixo:
Sessão # 3:
“Biologia e cultivo de cavalos
marinhos”
Engº. de Pesca Luciano
Willadino de Oliveira
Dia 02/10 (Terça-feira) às 16:30 h
Sessão # 2:
“Captura, transporte e manejo
de reprodutores do beijupirá”
Mestrando Ronaldo B.
Peregrino
Dia 18/09 (Terça-feira) às
17:00 h
Ronaldo Cavalli é Professor Titular do
Departamento de Pesca e Aqüicultura da UFRPE.
ANOMALIA PREOCUPA CIENTISTAS
Fonte: Diário de Pernambuco, jul/2007.
Baleias e pingüins perdidos,
navegações descontroladas e
até mesmo um crescimento nos
casos de câncer. Como esses,
outros tantos tumultos seriam
provocados no planeta pela troca
de posição dos pólos Norte e Sul.
Uma área do planeta que reforça
a proximidade dessa inversão e
vem chamando a atenção de
pesquisadores está localizada no
Atlântico Sul, a 700 quilômetros
da costa brasileira. Denominada
de Anomalia Magnética do
Atlântico Sul (AMAS), o local
chega a ter um campo magnético
terrestre até 50% menor em seu
interior do que no resto da terra.
Descoberta em 1950, a
anomalia já provoca
interferências e panes em
satélites e sinais de rádio que
dependem daquela região. “Os
estudos indicam que a área está
crescendo muito rapidamente e,
por volta do ano 2240, a área de
cobertura superficial da AMAS
ocupará mais da metade do
Hemisfério Sul. Os efeitos podem
ser enormes, pois muitas
espécies e fenômenos naturais
são guiados pelo campo
magnético”, disse o pesquisador
do Observatório Nacional do Rio
de Janeiro, Luiz Benyosef. Ele
disse que a extensão do campo
magnético da terra, a
magnetosfera, forma uma
proteção contra a radiação solar,
que tornaria-se frágil com a
reversão de pólos, aumentando
os casos de câncer.
Por volta de 1994, o campo
magnético de Pernambuco
registrou uma queda de
intensidade e direção. No mesmo
período, os ataques de tubarão
tornaram-se freqüentes na costa
do estado. A coincidência,
observada numa rápida
avaliação do novo Atlas
geomagnético, pode ser a chave
para a presença desses grandes
peixes numa área mais próxima e
perigosa para os banhistas
pernambucanos. A relação ainda
precisa ser melhor estudada,
mas representa uma nova
possibilidade de pesquisa.
“Ainda é preciso aprofundar
os estudos, mas essas
alterações podem ter contribuído
para a proximidade dos tubarões
em relação à orla. De qualquer
forma, é uma relação que merece
atenção”, afirma o autor do Atlas
geomagnético, Guilherme
Pereira. A mudança nos valores,
segundo ele, registrou uma
variação na declinação
magnética de 15ºC para 22ºC
negativos. “A relação entre a
movimentação dos peixes e o
campo magnético já foi
confirmada por outros estudos.
Mas, em geral, eles têm a
finalidade de mapear a migração
e reprodução de espécies de
importância econômica”, disse,
citando contribuições em estudos
de espécies como atum e
salmão, além de lagostas e
tartarugas marinhas.
O campo magnético terrestre
também estimula pesquisas
sobre as migrações de pássaros,
que despertam interesse desde a
época dos pombos-correios. E
cada vez mais sugerem
evidências de que várias
espécies orientam-se pelas
condições climáticas e campos
magnéticos. “Com o surgimento
da gripe aviária e suas
conseqüências para o ambiente
e a saúde da população, vários
pesquisadores voltaram-se para
essas pesquisas”, afirmou o
biólogo Geraldo Freitas. O novo
Atlas geomagnético poderá ser
útil na pesquisa de
monitoramento de aves
migratórias que vem sendo
realizada pela Universidade
Federal Rural de Pernambuco
(UFRPE).
Contribuição de Roberta Nery, bolsista do
PET/Pesca e aluna do 4º período do curso de
Eng. de Pesca da UFRPE.
Diário de Bordo - Recife
6
Setembro de 2007
Fonte: Revista Ciência e Cultura
Na visão da maioria
dos países de língua
inglesa, o plágio é definido
como a "apropriação ou
imitação da linguagem,
idéias ou pensamentos de
outro autor e a
representação das
mesmas como se fossem
daquele que as utiliza",
conforme o Random House
Unabridged Dictionary(....).
De acordo com a University
of Hertfordshire Hatfield,
no Reino Unido, o plágio se
caracteriza pela
apropriação de idéias ou
palavras de outrem sem o
devido crédito, mesmo que
acidental.(...)
Nos Estados Unidos, a
prática do plágio também é
vista com bastante
seriedade e está sujeita a
punições acadêmicas. De
acordo com John Edlund,
da Califórnia State
University, "o plágio é uma
violação direta da
honestidade acadêmica e
intelectual. Muito embora
ele possa existir sob várias
formas, todos os tipos de
plágio se resumem na
mesma prática:
representar as idéias ou
palavras de outrem como
se fossem suas... mesmo a
utilização das idéias do
outro nas suas próprias
palavras sem citação
também pode ser
qualificado como tal". (...)
Num editorial sobre o
plágio (1996), Carlos
Coimbra, editor de
Cadernos de Saúde
Pública, declara que "no
Brasil pouco se fala sobre
plágio em ciência. Isto
certamente decorre menos
da ausência do problema
no país do que da falta de
iniciativas para aprofundar
essa discussão" (...)
De acordo com
Obdália Silva, em seu Entre
o plágio e a autoria? qual o
papel da universidade?
(2006) [no Brasil]...
"historicamente, desde o
ensino fundamental à
universidade, tem-se
convivido com a prática de
cópias de produções
textuais de outrem, seja de
forma parcial ou total,
omitindo-se a fonte...".(...)
O fato é que a
discussão da dimensão da
prática do plágio na
academia é de extrema
importância para a
atividade científica. Diante
da relevância do tema e do
foco internacional que ele
vem recebendo é, no
mínimo, ingênuo ou
imaturo não se pensar de
forma bem pragmática em
abordar o plágio nas
universidades e outras
instituições de pesquisa.
(...)
Segundo a definição
internacional do plágio,
mudar algumas palavras
de uma frase de outrem e
incorporá-las no texto em
construção configura
plágio.
Contribuição de Adriana Lima,
bolsista do PET/Pesca e aluna do 7º
período do curso de Engenharia de
Pesca da UFRPE.
Fonte: Folha de Pernambuco Digital (Por Petterson Rodrigues)
A Secretaria Especial da Agricultura e
Pesca (SEAP) abriu no dia 17/09, em
parceria com a
Associação Brasileira
de Supermercados
(ABRAS), a quarta
edição da Semana do
Peixe, uma campanha
nacional para incentivar
o consumo regular de
pescado pelos
brasileiros.
Foto: Gustavo Pellizzon
Segundo dados da
Seap, o consumo de peixe no Brasil ainda
está abaixo do recomendado pela
Organização Mundial de Saúde (OMS). O
brasileiro consome 6,8 quilos por ano,
enquanto a OMS recomenda como ideal o
consumo anual de 12 quilos por pessoa. A
média mundial gira em torno de 16 quilos
por pessoa ao ano.
Em São Paulo, a abertura da Feira
Internacional de Pescados, Frutos do Mar e
Tecnologia para a Indústria da Agricultura e
Pesca (Seafood) marcou, na manhã do dia
17, o início da Semana do Peixe. Na
abertura do evento, o ministro da Pesca,
Altemir Gregolin, disse que a campanha é
importante para fortalecer o consumo e a
produção do peixe no Brasil.
Segundo o ministro, o consumo de
pescado no Brasil aumentou nos últimos
anos. “As grandes redes de supermercado,
no ano passado, ampliaram as vendas num
percentual que varia 10% a 16% em
relação ao ano anterior”, disse.
Segundo informações da Seap,
durante a Semana do Peixe, um milhão de
cartilhas serão distribuídas nos 26 estados
e no Distrito Federal com informações para
o consumidor de como identificar e
consumir um peixe de qualidade.
Contribuição de Ebenezer Oliveira, bolsista do PET/Pesca e
aluno do 7º período do curso de Engenharia de Pesca da
UFRPE.
7
Diário de Bordo - Recife
Setembro de 2007
Colônia de Pescadores da Ilha de Itamaracá: Um Levantamento do
Perfil Social dos Trabalhadores da Pesca Artesanal.
Por Paulo Cavalcanti, Emanuell Beserra, Isabela Bacalhau, Yuri Lopes e Ângelo Callou.
T
endo em vista a
importância que a
pesca apresenta
atualmente sob o contexto
mundial, faz-se necessário que
pesquisas sejam desenvolvidas,
bem como levantamento de
informações sobre como se
apresenta a realidade dos
pescadores das colônias de pesca
no Brasil.
O trabalho realizado por
alguns discentes do curso de
Engenharia de Pesca teve por
objetivo coletar e analisar
informações sobre as atividades
de pesca e organização
administrativa da Colônia de
Pescadores Z-11 da Ilha de
Itamaracá, Pernambuco, visando
auxiliar parte do entendimento
desta realidade.
Os alunos, após levantarem
bibliografias para obter
embasamento teórico, realizaram
um visita técnica na Colônia no dia
14 de maio de 2007. Foram
aplicados questionários junto a
alguns pescadores presentes na
Colônia, que apresentavam
perguntas referentes às
dificuldades e vantagens do setor
pesqueiro, no que se refere à
perspectiva social.
Alguns temas trabalhados
foram: dificuldades na ida para o
mar; acesso ao auxílio defeso do
governo; pescado capturado;
formas de complementação de
renda; petrechos de pesca
utilizados; retorno financeiro;
infra-estrutura e participação dos
associados na vida da Colônia;
parcerias entre a Colônia e
organizações governamentais e
não-governamentais; principais
problemas vivenciados pelos
pescadores; apoio institucional;
atuação da mulheres nas
assembléias da Colônia;
assistência técnica, entre outros.
Como resultados obtidos,
pode-se afirmar que: 1) as
condições sociais dos pescadores
são preocupantes tendo níveis de
estudo, saúde e renda muito
baixos (a maioria possui baixo
grau de escolaridade, apresentam
doenças conseqüentes da
atividade pesqueira e ganham em
torno de R$ 500 mensais); 2) A
organização política e Articulação
interna, entre os associados, é
frágil, não havendo um interesse
coletivo e convergente que norteie
a evolução da colônia (há baixa
participação nas reuniões, por
exemplo); 3) A Colônia também
não possui uma boa articulação
externa com entidades, empresas
e organizações, o que contribui
parcialmente para o nãodesenvolvimento da atividade
pesqueira na região (alguns
problemas encontrados são: falta
de financiamento compatíveis
com o perfil socioeconômico dos
associados, não há trabalhos de
extensão pesqueira junto a
colônia e o IBAMA realiza
apreensões dos petrechos de
pesca, segundo os pescadores
entrevistados) e 4) Os pescadores
não possuem uma boa infraestrutura na colônia,
especialmente para a fabricação
de gelo e beneficiamento do
pescado.
O somatório desses
problemas resulta em dificuldades
para que haja sucesso no
desenvolvimento local e
participativo, por meio da pesca
artesanal na região. Seria de
fundamental importância que
organizações com espírito
empreendedor e extensionista
apoiassem a colônia Z-11. Como
trabalhos futuros sugere-se a
implementação de projetos
apoiados pelo DEPAq/UFRPE
(entendam-se docentes,
pesquisadores e discentes) na
mesma Colônia. A difícil realidade
apresentada pelos pescadores
frente as suas condições sociais e
econômicas na pesca artesanal,
bem como a existência de uma
base de pesquisa em Itamaracá,
vinculada ao próprio
DEPAq/UFRPE, são fatores que
facilitariam a atuação da
comunidade DEPAq em tal
contexto.
Ângelo Callou é Profº do Deptº de Educação da
UFRPE e os demais autores são alunos do 9º
período do curso de Eng. de Pesca da UFRPE.
Oportunidades
Universidade Federal de
Pernambuco
Seleção ao Programa de Pós-gradução em
Oceonografia
Mestrado:
Inscrições: 19 à 23/11/2007
Seleção: 10 à 14/12/2007
Doutorado:
Inscrições: 22 à 26/10/2007
Seleção: 26 à 30/11/2007
Maiores informações: (81) 2126.8227
Universidade Federal Rural
de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação em Recursos
Pesqueiros e Aqüicultura (PPG-RPAq)
Inscrições: 03/09 à 17/10/2007
Abertura de inscrições ao concurso de
títulos e provas visando o provimento de um
(01) cargo de professor doutor, no
Departamento de Oceanografia Biológica do
Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo.
Edital: http://www.usp.br/drh/novo/recsel/ioconc0112007.html
8
Diário de Bordo - Recife
Setembro de 2007
ACONTECERÁ...
23 e 24 de setembro de 2007
Será realizado no Centro de
Convenções da Bahia, Salvador-BA
Inf.: www.ambientegaia.com.br ou
(71) 3424 5197
26 e 27 de setembro de 2007
Será realizado na Univ. Estácio de Sá,
Cabo Frio-RJ
Inf.: lí[email protected] ou
(22) 2643 0805
16 a 19 de outubro - Será
realizado na Universidade
Federal do Amazonas em
Manaus/ AM. Inf.:
www.conbep2007.com.br
28 de outubro a 1º de novembro de 2007
47º Reunião Anual da Associação
Brasileira de Educação Agrícola Superior
2º Congresso de Educação Agrícola
Superior em Recife
Será realizada no Recife Praia Hotel
18 e 19 de outubro - Tilápia: técnicas avançadas de cultivo e manejo Será realizado em Jundiaí SP pelo instrutor Fernando Kubitza. Inf.:
(11) 4587-2496, [email protected] ou
www.acquaimagem.com.br
17 e 18 de outubro - Seminário
Estadual de Aqüicultura Interior Será realizado no REMMAR
Residence Hotel, em Cabo Frio, RJ.
Inf.: Tel/Fax: (22) 2643-0805.
19 e 20 de outubro - II Curso sobre Processamento e
Aproveitamento Integral de Peixes - Será realizado Faculdade de
Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP em Pirassununga/ SP.
Inf.: www.fzea.usp.br ou e-mail: [email protected]
02 a 05 de outubro
VI Seminario Internacional de Acuicultura
Será realizado na Facultad de Medicina Veterinaria y de
Zootecnia, Universidad Nacional de Colombia. Inf.:
Http://www.veterinaria.unal.edu.co/index.html ou
[email protected]
14 a 16 de novembro - 2º Simpósio de Nutrição e
Saúde de Peixes - Será realizado na Fazenda
Experimental Lageado UNESP, em Botucatu/ SP.
Inf.: (14) 3811-7187/ 3882-6300 ou
[email protected]
Aconteceu...
Aconteceu nos dias 29 e 30 de
agosto, no Centro de Convenções
em Olinda, o 15º AGINORDESTE.
O evento anual é dividido em
segmentos das Ciências Agrárias,
como: Bovinocultura, Floricultura,
Aqüicultura, entre outros.
No segmento da
Aqüicultura, discutiram-se diversos
temas nos dois dias de palestras. O
camarão continuou sendo a grande
estrela da Aqüicultura, apresentou-
Expediente
Universidade Federal Rural de Pernambuco
Departamento de Pesca,
Av. Dom Manuel de Medeiros, s/n
Dois Irmãos, Recife (PE) CEP: 52171-900
Fone:33206525/Email:[email protected]
se diversas opções de Policultuvo,
camarão com tilápia, camarão,
tilápia e ostra, como alternativa de
baratiar a produção do Vannamei.
Também se falou sobre
qualidade de Água no Cultivo,
Piscicultura Marinha, Cultivo de
Moluscos, Cultivo Heterotrófico.
Uma palestra muito discutida foi a
de Melhoramento Genético,
ministrada pela Profª. Raquel
Coimbra, do nosso Departamento
Por Antony Evangelista
de Pesca e Aqüicultura, nessa
palestra foram os esforços para
seleção de um plantel resistente a
IMNV.
Enfim, foi um evento muito
proveitoso para o enriquecimento e
para a solidificação dos
conhecimentos e idéias que estão
acontecendo no meio Aquicola.
Antony Evangelista é bolsita do PET/Pesca e
aluno do 5º período do curso de Eng. de Pesca da
UFRPE.
Artigos assinados são de responsabilidade dos seus autores.
Diretor do Deptº de Pesca e Aqüicultura
Prof. Fábio Hissa Vieira Hazin
Coordenador do Curso de Eng. de Pesca
Prof. Vanildo Souza de Oliveira
Tutora do PET/Pesca
Profª. Maria do Carmo F. Soares
Comissão Editorial: PET/Pesca
Editores:
Ebenezer Oliveira ([email protected])
Joana Vogeley ([email protected])
Roberta Nery ([email protected])
Renata Alencar ([email protected])
Periodicidade: Trimestral - Tiragem: 500 exemplares
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