PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA
FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS
CONCELHOS DE
PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
CADERNO II – Informação de Base
Comissão Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios
de Palmela, Setúbal e Sesimbra
Dezembro de 2007
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
NOTA PRÉVIA
O presente Plano Intermunicipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios dos Concelhos de
Palmela, Setúbal e Sesimbra foi elaborado pela Comissão Municipal de Defesa da Floresta
Contra Incêndios (CMDFCI) dos respectivos concelhos com base nas normas definidas pela
Direcção-Geral dos Recursos Florestais (DGRF, 2007a; DGRF, 2007b).
EQUIPA TÉCNICA - AFLOPS
Coordenação Executiva e Institucional
Nuno Santos Fernandes
Coordenação Técnica Geral
Vanda Acácio
Dispositivo Operacional DFCI
Diogo d´Ajuda
Direcção de Equipa Técnica
Nuno Oliveira
Francisca Costa Lima
Equipa Técnica
Joana dos Reis de Oliveira
Luís Botica
Filipa Vidas
Nélia Aires
António Paula Soares
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PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Índice
1. CARACTERIZAÇÃO FÍSICA ...................................................................................................................5
1.1. Enquadramento Geográfico e Administrativo....................................................................................5
1.1.1. Palmela .....................................................................................................................................5
1.1.2. Setúbal ......................................................................................................................................6
1.1.3. Sesimbra ...................................................................................................................................7
1.2. Modelo Digital de Terreno.................................................................................................................8
1.3. Declives...........................................................................................................................................10
1.4. Exposição........................................................................................................................................11
1.5. Hidrografia.......................................................................................................................................12
2. CARACTERIZAÇÃO CLIMÁTICA .........................................................................................................14
2.1. Rede Climatológica.........................................................................................................................14
2.2. Temperatura....................................................................................................................................15
2.3. Humidade........................................................................................................................................16
2.4. Precipitação ....................................................................................................................................18
2.5. Ventos dominantes .........................................................................................................................19
3. CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO ................................................................................................22
3.1. População residente por censo e freguesia e densidade populacional ..........................................22
3.2. Índice de envelhecimento e sua evolução ......................................................................................24
3.3. População por sector de actividade ................................................................................................25
3.4. Taxa de Analfabetismo ...................................................................................................................26
4. CARACTERIZAÇÃO DO USO DO SOLO E ZONAS ESPECIAIS ........................................................28
4.1. Ocupação do Solo...........................................................................................................................28
4.2. Povoamentos Florestais..................................................................................................................32
4.3. Áreas protegidas, Rede Natura 2000 e Regime Florestal...............................................................36
4.3.1. Áreas Protegidas.....................................................................................................................36
4.3.2. Rede Natura 2000 ...................................................................................................................40
4.3.3. RAN e REN .............................................................................................................................44
4.3.4. Regime Florestal .....................................................................................................................47
4.4. Instrumentos de gestão florestal .....................................................................................................50
4.5. Zonas de recreio florestal, caça e pesca.........................................................................................51
4.5.1. Zonas de recreio florestal........................................................................................................51
4.5.2. Zonas de caça e pesca ...........................................................................................................55
4.6. Romarias e Festas ..........................................................................................................................58
4.6.1. Palmela ...................................................................................................................................59
4.6.2. Setúbal ....................................................................................................................................60
4.6.3. Sesimbra .................................................................................................................................62
5. ANÁLISE DO HISTÓRICO E DA CASUALIDADE DOS INCÊNDIOS FLORESTAIS...........................63
5.1. Palmela ...........................................................................................................................................63
5.1.1. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Anual .....................................................................63
5.1.2. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Mensal...................................................................67
5.1.3. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Semanal ................................................................68
5.1.4. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Diária .....................................................................69
5.1.5. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Horária...................................................................71
5.1.6. Área Ardida por Tipo de Coberto Vegetal ...............................................................................73
5.1.7. Área Ardida e Ocorrências por Classes de Extensão .............................................................74
5.1.8. Pontos de Início e Causas.......................................................................................................75
5.1.9. Fontes de Alerta......................................................................................................................77
5.2. Setúbal............................................................................................................................................78
5.2.1. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Anual .....................................................................78
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PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
5.2.2. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Mensal...................................................................82
5.2.3. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Semanal ................................................................84
5.2.4. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Diária .....................................................................85
5.2.5. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Horária...................................................................87
5.2.6. Área Ardida por Tipo de Coberto Vegetal ...............................................................................89
5.2.7. Área Ardida e Ocorrências por Classes de Extensão .............................................................90
5.2.8. Pontos de Início e Causas.......................................................................................................91
5.2.9. Fontes de Alerta......................................................................................................................92
5.3. Sesimbra.........................................................................................................................................94
5.3.1. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Anual .....................................................................94
5.3.2. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Mensal...................................................................97
5.3.3. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Semanal ................................................................99
5.3.4. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Diária ...................................................................100
5.3.5. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Horária.................................................................102
5.3.6. Área Ardida por Tipo de Coberto Vegetal .............................................................................104
5.3.7. Área Ardida e Ocorrências por Classes de Extensão ...........................................................104
5.3.8. Pontos de Início e Causas.....................................................................................................105
5.3.9. Fontes de Alerta....................................................................................................................106
5.4. Breve análise comparativa............................................................................................................108
5.5. Grandes Incêndios ........................................................................................................................109
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................................................111
7. CARTOGRAFIA ...................................................................................................................................113
Mapa 20 – Mapa do Enquadramento Geográfico dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra ...114
Mapa 21 – Mapa Hipsométrico dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra ...............................115
Mapa 22 – Mapa de Declives dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra..................................116
Mapa 23 – Mapa de Exposições dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra.............................117
Mapa 24 – Mapa Hidrográfico dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra .................................118
Mapa 25 – Mapa da População Residente por Censos e Freguesia (1981/1991/2001) e Densidade
Populacional (2001) dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra ................................................119
Mapa 26 – Mapa de Índice de Envelhecimento (1981/1991/2001) e a sua Evolução (1981-2001) dos
Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra........................................................................................120
Mapa 27 – Mapa da População por Sector de Actividade (2001) dos Concelhos de Palmela, Setúbal e
Sesimbra..............................................................................................................................................121
Mapa 28 – Mapa da Taxa de Analfabetismo (1981/1991/2001) dos Concelhos de Palmela, Setúbal e
Sesimbra..............................................................................................................................................122
Mapa 29 – Mapa de Uso e Ocupação do Solo dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra........123
Mapa 30 – Mapa dos Povoamentos Florestais dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra .......124
Mapa 31 – Mapa das Áreas Protegidas, Rede Natura 2000 e Regime Florestal dos Concelhos de
Palmela, Setúbal e Sesimbra...............................................................................................................125
Mapa 33 – Mapa de Zonas de Recreio Florestal e Caça dos Concelhos de Palmela, Setúbal e
Sesimbra..............................................................................................................................................126
Mapa 34 – Mapa das Áreas Ardidas – Distribuição Anual dos Concelhos de Palmela, Setúbal e
Sesimbra (1990-2006) .........................................................................................................................127
Mapa 35 – Mapa dos Pontos de Início e Causas dos Incêndios (2001-2006) dos Concelhos de
Palmela, Setúbal e Sesimbra...............................................................................................................128
Mapa 36 – Mapa dos Grandes Incêndios (área>100 ha) – Distribuição Anual dos Concelhos de
Palmela, Setúbal e Sesimbra...............................................................................................................129
4
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
1. CARACTERIZAÇÃO FÍSICA
1.1. Enquadramento Geográfico e Administrativo
Os concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra localizam-se na Região da Península de Setúbal,
distrito de Setúbal, e Núcleo Florestal do Sul, Circunscrição Florestal do Ribatejo, Oeste e Área
Metropolitana de Lisboa (AML).
1.1.1. Palmela
O concelho de Palmela é limitado a Norte, Nordeste e Noroeste pelos concelhos de Benavente,
Alcochete e Montijo, a Este pelo concelho de Vendas Novas, a Oeste pelos concelhos de Moita e
125000
130000
135000
140000
145000
150000
2000
0
155000
2000
00000
20000
Barreiro, e a Sul, Sudeste e Sudoeste pelos concelhos de Alcácer do Sal e Setúbal (Figura 1).
4000 Metros
ALCOCHETE
190000
190000
195000
195000
MONTIJO
MOITA
185000
N
POCEIRÃO
185000
180000
180000
Limites
Administrativos:
Freguesias
Concelhos
PALMELA
PINHAL NOVO
QUINTA DO ANJO
MAPA DO
ENQUADRAMENTO
GEOGRÁFICO
DO CONCELHO
DE PALMELA
PALMELA
Enquadramento
Nacional:
Palmela
Concelhos Limítrofes
Distritos
175000
175000
MARATECA
SETUBAL
125000
130000
135000
140000
145000
150000
155000
Figura 1. Enquadramento geográfico do concelho de Palmela e concelhos limítrofes
O concelho de Palmela tem aproximadamente 46285 ha de área, subdividida
administrativamente em cinco freguesias: Palmela, Poceirão, Pinhal Novo, Quinta do Anjo, e
Marateca (Quadro 1). A sede de concelho localiza-se na freguesia de Palmela, que representa
cerca de 16.54% da área total do concelho.
5
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Quadro 1. Enquadramento administrativo do concelho de Palmela
Circunscrição
Florestal
Núcleo Florestal
Distrito
Ribatejo, Oeste e
Área
Metropolitana de
Lisboa
Sul
Concelho
Setúbal
Freguesia
Área (ha)*
Palmela
7 654
Poceirão
15 122
Pinhal Novo
5 440
Quinta do Anjo
5 113
Marateca
12 956
Total Concelho
46 285
Palmela
*Fonte: CAOP (Carta Administrativa Oficial de Portugal)
1.1.2. Setúbal
O concelho de Setúbal é limitado a Oeste pelo concelho de Sesimbra, a Noroeste pelo concelho
do Barreiro e a Norte e Nordeste pelo concelho de Palmela (Figura 2).
120000
125000
130000
135000
140000
145000
180000
180000
BARREIRO
PALMELA
S. MARIA
DA GRAÇA
MAPA DO
ENQUADRAMENTO
GEOGRÁFICO
DO CONCELHO
DE SETÚBAL
175000
175000
GÂMBIA - PONTES - ALTO DA GUERRA
S. JULIÃO
S. SIMÃO
SETUBAL
S. SEBASTIÃO
Limites
Administrativos:
NOSSA SENHORA
DA ANUNCIADA
SADO
S. LOURENCO
170000
170000
Freguesias
Concelhos
N
Enquadramento
Nacional:
165000
165000
SESIMBRA
160000
160000
0
4
Setúbal
Concelhos Limítrofes
Distritos
Projecção rectangular de Gauss
Elipsóide de Hayford, Datum Lisboa
Coordenadas Hayford-Gauss
8 Km
155000
155000
120000
125000
130000
135000
140000
145000
Figura 2. Enquadramento geográfico do concelho de Setúbal e concelhos limítrofes
6
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
O concelho de Setúbal tem aproximadamente 17185 ha de área, subdividida administrativamente
em oito freguesias: S. Simão, Nossa Senhora da Anunciada, S. Lourenço, S. Sebastião, GâmbiaPontes-Alto da Guerra, S. Maria da Graça, S. Julião e Sado (Quadro 2).
Quadro 2. Enquadramento administrativo do concelho de Setúbal
Circunscrição
Florestal
Núcleo Florestal
Distrito
Ribatejo, Oeste e
Área Metropolitana
de Lisboa
Sul
Concelho
Setúbal
Setúbal
Freguesia
Área (ha)*
São Simão
2 206
Nossa Sr.ª da Anunciada
2 699
São Lourenço
4 723
São Sebastião
1 909
Gâmbia –Pontes - Alto da
Guerra
2 770
St. Maria da Graça
225
São Julião
404
Sado
2 247
Total Concelho
17 185
*Fonte: CAOP (Carta Administrativa Oficial de Portugal)
1.1.3. Sesimbra
O concelho de Sesimbra é limitado a Este pelo concelho de Setúbal e a Norte pelos concelhos
de Almada, Seixal e Barreiro (Figura 3).
110000
115000
120000
125000
180000
180000
105000
BARREIRO
ALMADA
PALMELA
SEIXAL
175000
175000
QUINTA DO
CONDE
MAPA DO
ENQUADRAMENTO
GEOGRÁFICO
DO CONCELHO
DE SESIMBRA
Limites
Administrativos:
CASTELO
Freguesias
Concelhos
170000
N
170000
SETUBAL
SESIMBRA
165000
165000
Enquadramento
Nacional:
SANTIAGO
Sesimbra
Concelhos Limítrofes
Distritos
0
105000
2
4
160000
160000
Projecção rectangular de Gauss
Elipsóide de Hayford, Datum Lisboa
Coordenadas Hayford-Gauss
6 Km
110000
115000
120000
125000
Figura 3. Enquadramento geográfico do concelho de Sesimbra e concelhos limítrofes
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PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
O concelho de Sesimbra tem aproximadamente 19500 ha de área, subdividida
administrativamente em 3 freguesias: Castelo, Santiago e Quinta do Conde (Quadro 3).
Quadro 3. Enquadramento administrativo do concelho de Sesimbra
Circunscrição
Florestal
Sul
Núcleo Florestal
Ribatejo, Oeste e
Área
Metropolitana de
Lisboa
Distrito
Setúbal
Concelho
Freguesia
Área (ha)*
Castelo
17 906
Santiago
199
Quinta do Conde
1 395
Sesimbra
Total Concelho
19 500
*Fonte: CAOP (Carta Administrativa Oficial de Portugal)
O enquadramento geográfico está representado no Mapa 20 – Mapa do Enquadramento
Geográfico dos concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra (capítulo 7. Cartografia).
1.2. Modelo Digital de Terreno
A fisiografia gera variações climáticas que influenciam a distribuição e composição da vegetação
presente na área de estudo, assim como a progressão dos incêndios, condicionando ainda o seu
combate.
A influência directa do relevo no fogo pode assumir três aspectos essenciais (Ventura e
Vasconcelos, 2006):
1. em vales estreitos o fogo pode propagar-se de uma vertente para a outra por radiação
e/ou projecção de material incandescente ou em chamas;
2. em ravinas pode ocorrer o “efeito de chaminé”, que aumenta a velocidade de
propagação do incêndio e provoca um fogo com elevada intensidade que sobe
rapidamente por um desfiladeiro;
8
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
3. em terreno inclinado, as chamas fazem um ângulo em relação ao terreno, aumentando a
radiação incidente e portanto a taxa de aquecimento dos combustíveis, o que diminui o
tempo de ignição e torna o fogo mais rápido.
Indirectamente, o relevo condiciona a temperatura, a precipitação, e a orientação do local em
relação ao sol, influenciando o tipo de combustível existente e a sua humidade, o que por sua
vez irá condicionar o comportamento do fogo. A orografia cria assim microclimas e altera os
padrões do vento em altitude (Ventura e Vasconcelos, 2006).
A área de estudo apresenta uma grande variação de amplitude altimétrica, mais elevada nos
concelhos de Sesimbra e Setúbal. A variação de altitude ocorre gradualmente, aumentando de
nordeste para oeste/sudoeste.
Especificamente para cada concelho, as altitudes variam entre:
•
0 m (cota mínima – nível do mar) e 390 m (cota máxima) no concelho de Palmela,
localizando-se as maiores altitudes na Serra de São Luís, Serra da Arrábida e
envolvente da vila de Palmela;
•
0 m (cota mínima - nível do mar) e 499 m (cota máxima) no concelho de Setúbal,
localizando-se o ponto mais alto na Serra da Arrábida;
•
0 m (cota mínima - nível do mar) e 380 m (cota máxima) no concelho de Sesimbra
localizando-se as maiores altitudes na Serra da Arrábida e junto à costa, sobretudo a
sudeste.
Na generalidade a fisiografia da área em estudo não é um factor limitante para a DFCI.
Exceptuam-se as zonas com coberto florestal, de maior altitude e relevo mais acentuado, que
serão alvo de um maior número de propostas de acção (Caderno I), como por exemplo a Serra
da Arrábida, cuja fisiografia contribui para a progressão rápida dos incêndios e dificulta o
combate.
A hipsometria está representada no Mapa 21 – Mapa Hipsométrico dos Concelhos de Palmela,
Setúbal e Sesimbra (Capítulo 7. Cartografia), mostrando a variação altimétrica dos 3 concelhos,
através de uma gradação de cores correspondente às diferentes classes de altitude.
9
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
1.3. Declives
O declive condiciona fortemente as características de um incêndio, relacionando-se
positivamente com a progressão do fogo, ou seja, quanto maior o declive, maior é a proximidade
da chama relativamente aos combustíveis situados nos andares superiores do coberto vegetal.
Esta facilidade de progressão traduz-se nas características da chama, que adquire maiores
dimensões, e na maior velocidade de propagação do fogo.
A variação espacial do declive na área de estudo é gradual e grande parte da área (76%)
apresenta declives pouco acentuados, que variam entre os 0 e os 5%, sobretudo no concelho de
Palmela e parte Norte dos concelhos de Sesimbra e Setúbal. Os declives que podem provocar
destabilização de vertentes (> 30%) ocorrem pontualmente, em apenas aproximadamente 4,5%
da área de estudo, e localizam-se maioritariamente na Serra da Arrábida, concelho de Setúbal.
A distribuição (ha e %) da área dos concelhos pelas classes de declives apresenta-se no Quadro
4.
Quadro 4. Distribuição da área dos concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra pelas classes de declive
Classes de declive
Palmela
Setúbal
Sesimbra
Área (ha)
%
Área (ha)
%
Área (ha)
%
0-1%
25846,38
55,84
5646,16
32,86
6751,89
34,63
1-5%
16208,34
35,02
4052,63
23,58
4613,82
23,66
5-15%
2756,99
5,96
3277,66
19,07
5592,83
28,68
15-30%
857,23
1,85
2067,30
12,03
1551,58
7,96
>30%
613,56
1,33
2139,87
12,45
989,25
5,07
46282,50
100%
17183,62
100%
19499,37
100%
TOTAL
Analisando cada concelho individualmente, observa-se que mais de metade (55,8%) da área do
concelho de Palmela é plana (declives de 0-1%), e apenas 1,33% do concelho corresponde a
áreas com declive superior a 30%. No concelho de Setúbal, as áreas planas (com declives de 01%) correspondem a aproximadamente 32,9% da área concelhia, e as áreas mais declivosas
(>30%) ocorrem em cerca de 12,5% da área do concelho. Em relação a Sesimbra, 34,6% da
área do concelho classifica-se como áreas planas e 5% como áreas com declive superior a 30%.
10
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Observa-se novamente que as áreas mais declivosas correspondem à Serra da Arrábida
(maioritariamente no concelho de Setúbal), onde deverão ser mais incidentes as acções de
DFCI, na medida em que os declives acentuados aumentam a taxa de aquecimento dos
combustíveis e a velocidade de progressão dos incêndios florestais. Por outro lado, em Palmela,
a maior percentagem de área plana permite uma maior rapidez na 1.ª intervenção e facilita o
combate.
O declive está representado no Mapa 22 – Mapa de Declives dos Concelhos de Palmela,
Setúbal e Sesimbra (capítulo 7. Cartografia), subdividido em cinco classes: 0-1%, 1-5%, 5-15%,
15-30% e >30% .
1.4. Exposição
A exposição é a orientação geográfica de um terreno, correspondendo a um determinado grau
de insolação que vai influenciar o teor de humidade dos combustíveis e sua consequente
inflamabilidade. Assim sendo, a exposição é um factor que também vai ter impacto na
progressão do fogo. As exposições viradas a sul são mais soalheiras, logo, apresentam
condições mais favoráveis à progressão de um incêndio, porque os combustíveis que aí se
localizam sofrem uma maior dessecação, para além de que o ar circundante é mais seco devido
à maior radiação solar a que está exposto. As exposições norte, com condições de maior
humidade e menor insolação, facilitam o crescimento da vegetação, acumulando portanto mais
combustível (Fernandes, 2007).
Na área de estudo predomina a classe de exposição total (38,8%, correspondente a áreas
planas), seguindo-se as áreas com exposição Oeste (22,3%), Sul (15,1%), Este (14,1%) e Norte
(9,7%). Apesar das áreas potencialmente mais inflamáveis (Sul) ocuparem apenas 15,1% do
concelho, deverá existir especial cuidado na planificação das acções de vigilância nestas áreas,
sobretudo quando coincidentes com declives mais acentuados (ver Mapa 22) e cargas de
combustível mais elevadas (ver Caderno I), por constituírem um maior risco para a progressão
rápida dos incêndios.
A distribuição (ha e %) da área dos concelhos pelas classes de exposição apresenta-se no
Quadro 5.
11
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Quadro 5. Distribuição da área dos concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra pelas classes de exposição
Palmela
Setúbal
Sesimbra
Classes de
exposição
Área (ha)
%
Área (ha)
%
Área (ha)
%
Exposição total
21263,66
45,94
4904,43
28,54
6028,96
30,92
Norte
3612,61
7,81
1843,73
10,73
2621,23
13,44
Este
5332,21
11,52
3389,96
19,73
2955,04
15,15
Sul
6810,07
14,71
2984,08
17,37
2753,58
14,12
Oeste
9263,86
20,02
4061,49
23,64
5140,50
26,36
TOTAL
46282,41
100%
17183,69
100%
19499,31
100%
O concelho de Palmela é aquele onde predominam as áreas com exposição total, sendo
portanto o concelho com maior percentagem de áreas planas, tal como já foi observado no ponto
anterior (1.3. Declives). Em todos os concelhos a percentagem de área com exposição Sul é
inferior a 20%, sendo portanto relativamente baixa a percentagem de área com maior risco para
a ignição e progressão dos incêndios. Refira-se ainda que todos os concelhos apresentam uma
distribuição de áreas pelas classes de exposição semelhante à descrita para a totalidade da área
de estudo.
A exposição está representada no Mapa 23 – Mapa de Exposições dos Concelhos de Palmela,
Setúbal e Sesimbra (capítulo 7. Cartografia), subdividida em cinco classes: Norte, Sul, Este,
Oeste e Total.
1.5. Hidrografia
A área de estudo insere-se nas Bacias Hidrográficas do Tejo, e do Sado e Mira. A bacia
hidrográfica do Tejo, a maior do país, é limitada a Norte/Noroeste pelas bacias das ribeiras do
Oeste, do rio Lis, do rio Mondego e do rio Douro, a Sul pela bacia do Sado e Mira e a Sudeste
pela bacia do rio Guadiana. A bacia hidrográfica do Sado e Mira é limitada a Norte pela bacia do
Rio Tejo, a Este pela bacia do rio Guadiana e a Sul pela bacia das ribeiras e rios do Algarve.
As linhas de água nos concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra são na sua maioria de
existência sazonal, situação frequente no regime dos cursos de água de menor dimensão,
12
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
profusos por toda a área de estudo. Estas linhas de água apresentam um elevado valor natural,
pela importância que adquirem como locais de refúgio para espécies de fauna.
O principal curso de água permanente que limita parte da área de estudo a Sul (nomeadamente
o concelho de Setúbal) é o Rio Sado. A Ribeira da Marateca é outro curso de água principal
permanente, atravessando o concelho de Palmela e desaguando no Estuário do Sado, já no
concelho de Setúbal. No concelho de Sesimbra o principal curso de água permanente é a
Ribeira da Apostiça, que desagua na Lagoa de Albufeira, e esta no Oceano Atlântico. Foram
ainda identificados outros cursos de água, permanentes e temporários, dos quais se destacam: a
Ribeira da Califórnia, a Ribeira do Vale de Cão, a Ribeira do Vale do Cedo, o Rio da Moita, a
Ribeira Grande, a Vala da Amieira, a Vala da Asseiceira, a Vala Real, o Rio Coina, a Ribeira de
Malpique e a Vala da Salgueirinha.
As principais massas de água da área de estudo são a Lagoa de Albufeira e a Lagoa Pequena
no concelho de Sesimbra, e a Barragem da Venda Velha no concelho de Palmela. No concelho
de Setúbal não foram identificadas massas de água de dimensão considerável, apesar de toda a
zona do estuário do Sado inserida neste concelho poder vir a ser considerada uma massa de
água. As grandes massas de água presentes na área de estudo estão associadas à Ribeira da
Apostiça.
As linhas de água de carácter permanente podem constituir uma faixa de interrupção de
combustível se o coberto vegetal das suas margens estiver bem gerido. Por outro lado, as linhas
de água podem ser o maior veículo para a propagação do fogo se a vegetação das suas
margens estiver bastante desenvolvida, com espécies arbustivas como silvas e caniços,
sobretudo quando o regime do curso de água é sazonal, o que é frequente nos cursos de água
de menor dimensão dos concelhos em estudo, como já se referiu. Os açudes e charcas
assumem assim grande importância no combate aos fogos. Neste sentido, no plano de acção
(Caderno I) será ponderada a possibilidade de construir mais pontos de água em determinadas
áreas dos concelhos considerados, uma vez que uma rede de pontos de água bem distribuída
permite um combate rápido e eficaz aos incêndios florestais.
A hidrografia está representada no Mapa 24 – Mapa Hidrográfico dos Concelhos de Palmela,
Setúbal e Sesimbra (capítulo 7. Cartografia).
13
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
2. CARACTERIZAÇÃO CLIMÁTICA
2.1. Rede Climatológica
A caracterização climática da área de estudo foi obtida com base na análise dos registos
históricos publicados pelo Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG, 1991). A análise
climática entre 1951 e 1980 baseou-se nos dados de um conjunto de estações climatológicas
(abaixo descritas), e foi comparada com os valores médios registados em 2005 para a estação
de Setúbal (cujos dados foram fornecidos pelo Instituto de Meteorologia - IM).
A metodologia delineada assenta na análise da variabilidade anual de algumas variáveis
climáticas (temperatura, humidade, precipitação e ventos) para um período de 30 anos (19511980). Para o efeito utilizaram-se as seguintes estações meteorológicas, constituintes da rede
climatológica dos concelhos considerados neste Plano: Pegões, Águas de Moura, Setúbal,
Setúbal/Setenave e Sesimbra/Maçãs (Quadro 6).
Quadro 6. Caracterização da rede climatológica dos concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
Estação Meteorológica
Latitude
Longitude
(meridiano de Greenwich)
Altitude
Entidade gestora
Pegões
38º 38’ N
8º 39’ W
64 m
Instituto de Meteorologia
Águas de Moura
38º 34’ N
8º 45’ W
5m
Instituto de Meteorologia
Setúbal
38º 31’ N
8º 54’ W
35 m
Instituto de Meteorologia
Setúbal/Setenave
38º 29’ N
8º 49’ W
4m
Instituto de Meteorologia
Sesimbra/Maçã
38º 28’ N
9º 05’ W
120 m
Instituto de Meteorologia
Dada a dispersão das várias estações meteorológicas nos concelhos considerados, foi
necessário aferir qual a representatividade de cada uma delas na área de estudo, de modo a
poder efectuar-se uma análise mais correcta dos vários parâmetros climáticos. Através da
delimitação dos polígonos de Thiessen obtiveram-se valores ponderados para as diversas
variáveis climáticas na região. O Quadro 7 identifica essa representatividade.
14
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Quadro 7. Representatividade das estações meteorológicas
Estação Meteorológica
Representatividade (%)
Pegões
14,99%
Águas de Moura
22,65%
Setúbal
9,78%
Setúbal/Setenave
24,09%
Sesimbra/Maçã
28,49%
2.2. Temperatura
A temperatura do ar é um parâmetro condicionado por diversos factores locais, como a latitude,
o relevo, a exposição da superfície ao sol e aos ventos, e a proximidade a grandes massas de
água, entre outros.
O Gráfico 1 apresenta a variação anual da temperatura entre 1951 e 1980 (média mensal, média
das máximas, e valores máximos), para os concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra. A
temperatura média do ar varia entre 10,1 ºC em Janeiro (mês mais frio) e 21,3 ºC em Agosto
(mês mais quente), correspondendo a um valor médio anual de 15,4 ºC. O valor máximo da
temperatura média máxima ocorre em Agosto (28,4 ºC) e o valor máximo absoluto registado na
série temporal de 1951-1980 ocorreu em Julho (40,2 ºC) (Gráfico 1).
Gráfico 1.
Valores mensais da temperatura média, média das máximas e valores máximos nos concelhos de
Palmela, Setúbal e Sesimbra (1951-1980)
45
40
35
ºC
30
25
20
15
10
5
0
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Média Mensal
10,1
10,9
12,3
13,9
16,4
19,1
21,1
21,3
20,0
16,9
12,9
10,3
Média das máximas
14,9
15,5
17,4
19,3
22,1
25,2
28,0
28,4
26,4
22,5
18,1
15,0
Valores máximos
21,3
25,3
28,4
29,8
37,1
38,5
40,2
39,6
38,5
34,1
29,0
24,0
15
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Os meses de Verão são aqueles onde se verifica maior amplitude térmica, atingindo-se o valor
máximo de 14,2 ºC no mês de Agosto. O mês de Dezembro é aquele que em média apresenta
menor amplitude térmica (9,3 ºC).
Se tomarmos por referência o valor médio anual da temperatura do ar, é possível dividir o ano
em dois períodos:
⇒ Período mais quente de Maio a Outubro (temperatura média mensal superior a 15ºC);
⇒ Período mais frio de Novembro a Abril (temperatura média mensal inferior a 15ºC).
A época estival (Junho, Julho, Agosto e Setembro) representa o período crítico de ocorrência de
incêndios, dadas as temperaturas médias mensais mais elevadas nesta época (superiores a
20ºC), que resultam numa maior inflamabilidade dos combustíveis florestais, o que por sua vez
origina um maior risco de ignição e maior velocidade de progressão do fogo. Os dispositivos
operacionais de prevenção e combate aos incêndios são assim reforçados nos meses de Junho,
Julho, Agosto e Setembro (ver Caderno I).
Os modelos de alteração climática projectam um aumento da frequência de secas para as
regiões de clima mediterrânico (Cubash et al. 1996, McCarthy et al. 2001) e um aumento
generalizado da temperatura em Portugal para um horizonte temporal de 100 anos (Santos et al.
2001). De facto, as temperaturas médias anuais têm registado um aumento claro em Portugal,
com os 6 anos mais quentes registados nos últimos 12 anos (período 1931-2000) (Cabrinha e
Santo 2000; Miranda et al., 2002). Sob este cenário, prevê-se um aumento substancial do risco
meteorológico de incêndio em todo o país, e consequentemente, um aumento da frequência de
fogos florestais (Santos et al. 2001).
2.3. Humidade
A humidade relativa do ar é definida como a razão entre a concentração de vapor de água
existente numa massa de ar e a concentração que teria que existir para se produzir saturação à
mesma temperatura. A humidade relativa é a variável que melhor expressa o ponto de saturação
e portanto a ocorrência de precipitação.
16
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
As medições efectuadas nas estações meteorológicas para esta variável são habitualmente
realizadas duas vezes por dia (manhã e tarde). Contudo, nas estações meteorológicas
consideradas neste estudo, a segunda medição (tarde) foi realizada às 15 horas em
Setúbal/Setenave, e às 18 horas nas restantes estações, o que não permitiu efectuar uma
análise conjunta deste parâmetro para todas as estações. Assim, optou-se por não incluir a
estação de Setúbal/Setenave nesta análise.
O Gráfico 2 apresenta a humidade relativa mensal média às 9h e às 18h, entre 1951 e 1980,
para os concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra. O valor médio mensal da humidade relativa
às 9h varia entre 67,2% (Agosto) e 88,1% (Dezembro), e às 18h entre 56,9% (Agosto) e 84,6%
(Dezembro), para a série temporal de 1951-1980. O valor médio anual da humidade relativa foi
de 77,6% às 9h e de 70,9% às 18h, para o período de 1951-1980, e de 72,4% às 18h para o ano
de 2005 (dados da estação de Setúbal).
Gráfico 2.
Humidade relativa média mensal às 9h e 18h (1951-1980) nos concelhos de Palmela, Setúbal e
Sesimbra
100
80
%
60
40
20
0
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Média
9h
88,1
85,0
81,5
74,7
71,4
70,2
67,2
67,9
73,7
79,2
84,7
87,9
77,6
18 h
83,6
78,6
74,0
69,2
65,9
62,3
57,3
56,9
64,4
73,3
80,9
84,6
70,9
De um modo geral, o comportamento desta variável climática ao longo do ano é muito similar
entre o período 1951-1980 e o ano de 2005, observando-se apenas uma ligeira diferença nos
meses de Julho (9%) e Agosto (3%), com maior humidade relativa média em 2005.
A variação da humidade relativa é significativa ao longo do ano e inversa à da temperatura: os
meses mais secos são também os mais quentes e correspondem aos meses de Verão, como é
característico de um clima mediterrânico (Junho, Julho, Agosto e Setembro). Nestes meses, em
17
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
que a humidade relativa é inferior ou próxima dos 60%, e tal como já foi referido, os dispositivos
operacionais de prevenção e combate aos incêndios são reforçados (ver Caderno I).
2.4. Precipitação
A precipitação é um parâmetro que deve ser analisado sob dois aspectos: a quantidade total
anual e a sua distribuição ao longo do ano. O Gráfico 3 apresenta a precipitação mensal total e a
precipitação mensal máxima diária (médias calculadas a partir dos valores registados entre 1951
e 1980), para os concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra.
Tal como para a humidade relativa, a precipitação varia inversamente com a temperatura, e os
meses mais quentes coincidem com os de menor ocorrência de precipitação, sendo esta uma
característica fundamental do clima mediterrânico, estando por isso este tipo de clima associado
a uma elevada ocorrência de fogos. Neste tipo de clima, a precipitação concentra-se nos meses
de Outubro a Março, quando ocorre aproximadamente 80% do total da precipitação anual.
Na área em estudo, a precipitação anual é 644,8 mm, muito variável ao longo do ano. Grande
parte da precipitação média mensal (57,5%) ocorreu no Inverno (de Novembro a Fevereiro) e
Primavera (24,9%, de Março a Maio), entre 1951 e 1980 (Gráfico 3). No mesmo período de
tempo, apenas 7% da precipitação (média mensal) ocorreu nos meses estivais (de Junho a
Setembro), mais secos e quentes (clima mediterrânico).
Gráfico 3.
Precipitação mensal (1951-1980) nos concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
120
100
80
mm
60
40
20
0
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Máxima diária
72,3
49,6
57,1
46,1
45,4
37,2
30,8
20,4
51,4
73,5
80,0
79,1
Total
97,1
90,6
76,7
51,5
32,4
16,1
3,3
3,9
24,1
65,9
85,6
97,8
18
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
O mês de Julho foi o mês mais seco, em que a precipitação média mensal (total e máxima diária)
foi quase nula entre 1951 e 1980. Pelo contrário, os valores máximos diários de precipitação
atingiram os 80 mm em Novembro.
Comparando a evolução ao longo do ano, é possível constatar que de Novembro a Abril os
valores da precipitação mensal total são superiores aos da precipitação máxima diária, enquanto
que de Maio a Outubro ocorre precisamente o contrário.
A diminuição de precipitação reflecte-se na diminuição da humidade dos combustíveis e,
consequentemente, no incremento do risco de ignição dos mesmos. Para além disso, a
precipitação que ocorre nos meses anteriores à época crítica (Verão) favorece o crescimento dos
combustíveis finos, o que origina fogos mais rápidos no Verão.
A existência de meses com precipitação inferior a 20 mm poderá reflectir-se também no
restabelecimento do nível de água dos pontos de abastecimento dos meios de combate,
podendo comprometer a eficiência do plano operacional de combate a incêndios, sendo por isso
necessário avaliar anualmente a operacionalidade da rede de pontos de água (Plano
Operacional Municipal - POM), sobretudo em anos muito secos.
2.5. Ventos dominantes
A velocidade e direcção do vento desempenham um papel fundamental no comportamento do
fogo, condicionando frequentemente a velocidade de expansão e direcção do fogo. Para além
disso, o vento aumenta a taxa de evaporação dos combustíveis facilitando a sua ignição, facilita
a propagação ao inclinar as chamas, pondo-as em contacto com os combustíveis, alimenta a
combustão com oxigénio, e contribui ainda para o aparecimento de focos secundários através do
transporte de material em combustão (Silva, 2002; Fernandes, 2007).
Nos dias de muito calor e simultaneamente muito vento, o perigo é muito maior porque o vento
aumenta a progressão e desenvolvimento do incêndio. Quanto mais forte o vento sopra, mais
rápido o fogo se propaga. Para além disso, o fogo gera ventos próprios que são quase 10 vezes
19
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
mais rápidos do que o vento ambiente. O vento também pode alterar a direcção do fogo e ventos
fortes podem elevar o fogo em altura e criar um incêndio de copas.
O vento é caracterizado através do seu rumo (8 direcções) e da sua velocidade (expressa em
km/h). Quando a velocidade do vento é igual ou inferior a 1 km/h, consideram-se os dias de
calma (C’). O regime de circulação atmosférica na área de estudo apresenta, como é frequente
na maioria das estações, um ciclo anual bem definido pelas frequências dos rumos e, menos
nitidamente, pelas velocidades. No Quadro 8 e Gráfico 4 apresentam-se os valores médios
mensais da frequência (f, %) e velocidade média (v, km/h) do vento, para cada rumo para o
período de 1951-1980, para os concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra, obtidos com base na
representatividade de cada estação climática considerada.
Quadro 8. Médias mensais da frequência (f) e velocidade do vento (v) em 1951-1980, para os concelhos de
Palmela, Setúbal e Sesimbra
Rumo
N
NE
E
SE
S
SW
W
NW
C'
f
v
f
v
f
v
f
v
f
v
f
v
f
v
f
v
f
Janeiro
21,6
7,4
11,3
6,3
5,5
7,7
8,9
9,2
10,4
10,2
13,6
9,0
8,9
8,5
14,4
7,4
5,3
Fevereiro
19,3
7,8
11,7
7,0
5,7
7,5
6,7
8,8
12,2
10,5
15,2
9,7
9,9
9,6
15,9
8,1
3,5
Março
19,8
8,8
11,0
7,6
5,2
7,8
6,9
8,6
10,3
10,9
14,1
9,3
10,9
9,4
19,8
9,1
2,1
Abril
22,3
10,1
12,2
8,7
3,9
8,6
4,6
9,1
9,4
10,3
12,7
10,1
11,1
9,1
22,8
10,0
0,9
Maio
23,5
11,1
10,5
9,1
2,3
8,7
2,3
7,2
8,4
10,0
14,5
10,4
11,2
10,1
27,4
10,5
0,6
Junho
22,2
11,1
9,0
8,5
1,5
7,3
2,2
7,1
9,8
8,9
15,3
9,5
11,9
9,6
27,8
10,7
0,3
Julho
26,2
11,9
11,9
8,2
1,4
6,0
1,6
7,2
7,8
9,1
10,8
8,5
10,2
8,4
29,6
10,7
0,6
Agosto
27,3
10,8
12,0
8,7
1,6
7,2
1,7
6,7
7,2
9,3
9,4
8,4
9,6
8,1
30,2
10,8
1,0
Setembro
21,7
10,0
10,5
7,3
2,5
6,0
3,9
6,2
11,9
7,5
14,0
7,8
10,3
7,3
23,7
9,0
1,5
Outubro
20,7
8,0
12,8
6,6
4,4
6,1
7,1
7,7
11,1
8,3
12,3
7,6
9,0
7,0
19,0
7,8
3,7
Novembro
23,6
7,4
13,8
6,2
5,3
6,4
8,4
8,8
9,3
10,1
11,4
7,9
7,4
7,4
16,6
7,4
4,2
Dezembro
24,3
7,0
14,2
6,0
6,0
7,6
7,0
10,0
8,8
10,3
11,9
9,4
7,9
9,7
15,1
7,4
4,9
20
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Gráfico 4.
Médias mensais d a freq uência do vento n os con celho s de Palmela, Setúbal e
Sesimbra entre 1951-1980
100%
90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0%
Jan.
Fev.
Mar.
Abr.
N
Mai.
NE
E
Jun.
SE
Jul.
S
SW
Ago.
W
Set.
NW
Out.
Nov.
Dez.
C'
Na área em estudo os ventos sopram mais frequentemente de Norte (N) e de Noroeste (NW). O
rumo de NW é claramente dominante nos meses de Abril a Setembro, sendo o rumo de N
dominante nos restantes meses do ano. As maiores velocidades são atingidas quanto o vento
sopra do quadrante Norte (N) (de Maio a Setembro) e Sul (S) (restantes meses).
As implicações destes resultados em termos de DFCI relacionam-se sobretudo com a
determinação da direcção predominante de desenvolvimento dos incêndios florestais em dias de
vento forte. Deste modo, serão mais frequentes os fogos orientados para os rumos de vento
mais frequentes (N e NW), sendo esperável que a velocidade de propagação dos incêndios
florestais seja mais elevada nas direcções Norte e Sul.
Nos meses coincidentes com o período crítico (meses de Verão) os incêndios florestais
apresentam assim uma maior probabilidade de frequência e de velocidade de propagação sobre
os rumos Norte (N) e Noroeste (NW). Este facto deve ser tomado em consideração na
implementação da rede de faixas de gestão de combustível. Por outro lado, os incêndios que
resultam em grandes áreas ardidas em Portugal estão normalmente associados a ventos que
sopram de leste no Verão, que provocam uma temperatura do ar extremamente elevada e
humidade relativa do ar muito baixa (< 10%) (Fernandes, 2007).
21
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
3. CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO
A caracterização da população tem por base os dados estatísticos dos Censos 1981, 1991 e
2001 do Instituto Nacional de Estatística (INE, 1981; INE, 1991; INE, 2001).
3.1. População residente por censo e freguesia e densidade populacional
Ao longo do últimos 20 anos, o concelho de Lisboa tem perdido população para os concelhos
vizinhos, sobretudo para os concelhos situados na margem sul do Tejo (DGRF, sem data). Desta
forma, observa-se uma variação populacional positiva no distrito de Setúbal (cerca de 8,24% de
1981 para 1991 e de 10,65% de 1991 para 2001), consequência de um acréscimo verificado na
maioria dos concelhos que o integram. De facto, nos concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
ocorreu um aumento populacional bastante significativo nos últimos anos, analogamente ao que
se observa na maioria dos concelhos da região.
A população residente na área de estudo passou de 158 402 habitantes em 1981, para 174 737
habitantes em 1991 e 204 854 habitantes em 2001, sendo Setúbal o concelho com mais
população residente. Contudo, apesar do concelho de Setúbal continuar a ser o que apresenta
mais população residente, não foi neste concelho que se registou o maior crescimento relativo.
O aumento da população residente entre 1981 e 1991 foi de 18,75% no concelho de Palmela,
5,36% no concelho de Setúbal e 17,93% no concelho de Sesimbra. Entre 1991 e 2001 o
aumento populacional foi de 21,65% no concelho de Palmela, 9,94% no concelho de Setúbal e
37,88% no concelho de Sesimbra. O concelho de Sesimbra foi o que registou a maior taxa de
crescimento, seguido pelo concelho de Palmela, e por último Setúbal.
Relativamente às freguesias constituintes dos concelhos considerados neste estudo, a análise
engloba apenas o período de 1991 a 2001, uma vez que os dados de 1981 não incluem algumas
freguesias (inexistentes à data). Assim, verifica-se que no concelho de Palmela a freguesia do
Pinhal Novo é aquela que apresenta um maior acréscimo populacional entre 1991 e 2001,
enquanto que no Poceirão houve um decréscimo populacional de -2,05% neste período. No
concelho de Setúbal, a freguesia com maior acréscimo de população entre 1991 e 2001 é São
22
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Lourenço (43,31%), enquanto que em Santa Maria da Graça houve um decréscimo populacional
bastante significativo neste período (-13,09%). O concelho de Sesimbra apresenta uma grande
assimetria entre as suas freguesias, integrando as duas freguesias com maior variação
populacional entre 1991 e 2001: Quinta do Conde com 108,18% de aumento da população
residente e Santiago com –20,87%.
A densidade populacional em Setúbal em 2001 é a mais elevada dos três concelhos, com 591,3
habitantes/km2, o que equivale praticamente ao dobro da densidade populacional da área de
estudo (232 habitantes/km2). Os concelhos de Palmela e Sesimbra apresentam uma densidade
populacional que representa respectivamente 12,78% e 21,38% (114,7 habitantes/km2 e 192
habitantes/km2) da densidade populacional da área de estudo. Observa-se também que a área
de estudo apresenta uma densidade populacional superior à registada no distrito de Setúbal
(155,61 habitantes/km2).
As freguesias com maior densidade populacional são a freguesia do Pinhal Novo (390,9
hab/km2) no concelho de Palmela, a freguesia de Santa Maria da Graça (7630,4 hab/km2) no
concelho de Setúbal, e a freguesia de Santiago (2673,8 hab/km2) no concelho de Sesimbra.
Note-se também que as freguesias de Santa Maria da Graça, São Julião e São Sebastião, no
concelho de Setúbal, apresentam uma densidade populacional superior a 2500 hab/km2.
Quanto maior a densidade populacional, maior será o número de ocorrências esperado,
associadas na sua grande maioria a comportamentos negligentes e intencionais (Silva e Catry,
2006). Assim sendo, as regiões com elevada densidade populacional e em expansão,
confinantes com áreas florestais (como na freguesia de Quinta do Conde), e as edificações
dispersas pela área florestal (como é frequente na área de estudo, sobretudo no concelho de
Palmela), constituem áreas de elevado risco de incêndio.
A população residente por censo e freguesia (1981/1991/2001) e densidade populacional (2001)
apresenta-se no Mapa 25 – Mapa da População Residente por Censos e Freguesia
(1981/1991/2001) e Densidade Populacional (2001) dos Concelhos de Palmela, Setúbal e
Sesimbra (capítulo 7. Cartografia).
23
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
3.2. Índice de envelhecimento e sua evolução
O aumento do índice de envelhecimento (IE) entre 1981 e 2001 nos 3 concelhos da área de
estudo permite confirmar o envelhecimento da população (Quadro 9).
Quadro 9. Índice de Envelhecimento em 1981, 1991 e 2002 para os concelhos de Palmela, Setúbal e
Sesimbra
Concelho
Palmela
Setúbal
Sesimbra
Índice Envelhecimento* (%)
1981
1991
2001
42,76
37,6
41,8
63,26
59,4
69,82
93,98
95,1
88,51
Evolução
1981-2001
119,78
152,93
111,75
* Índice de Envelhecimento = (65+anos /0-14 anos) x 100 indivíduos
O envelhecimento da população também se observa ao nível das freguesias, com um aumento
do IE entre 1981 e 2001, cujos valores mais elevados foram registados nas freguesias de
Santiago no concelho de Sesimbra (381,94%), São Julião no concelho de Setúbal (224,86%), e
Palmela no concelho de Palmela (173,8%). As únicas freguesias onde a evolução do IE foi
inferior a 100% no período de 1981 a 2001 foram Pinhal Novo no concelho de Palmela (63,24%),
São Simão no concelho de Setúbal (81,05%) e Quinta do Conde no concelho de Sesimbra
(8,26%).
Em 2001, as freguesias com maior número de população idosa eram Quinta do Anjo no concelho
de Palmela (118,5%), Santa Maria da Graça no concelho de Setúbal (183,1%) e Santiago no
concelho de Sesimbra (263,86%). Pelo contrário, as freguesias mais jovens da área de estudo
em 2001 eram Pinhal Novo no concelho de Palmela (75,84%), São Sebastião no concelho de
Setúbal (68,70%), e Quinta do Conde no concelho de Sesimbra (55,59%).
O índice de envelhecimento e sua evolução apresenta-se no Mapa 26 – Mapa de Índice de
Envelhecimento (1981/1991/2001) e a sua Evolução (1981-2001) dos Concelhos de Palmela,
Setúbal e Sesimbra (capítulo 7. Cartografia).
24
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
3.3. População por sector de actividade
O sector terciário (serviços) emprega a maioria da população activa, tanto ao nível distrital
(Setúbal), como concelhio. Na área de estudo o sector terciário emprega cerca de 63,24% da
população activa, seguido pelo sector secundário com 31,68%, e por último pelo sector primário
com 5,08% da população activa.
Tal como refere o parágrafo anterior, grande parte da população nos três concelhos está
empregada no sector terciário: 65,91% no concelho de Sesimbra, 65,82% no concelho de
Setúbal, e 58% no concelho de Palmela. Da mesma forma, o principal sector de actividade em
todas as freguesisa é o sector terciário, sendo as freguesias de São Julião e Santa Maria da
Graça, ambas do concelho de Setúbal, as que apresentam maior percentagem de população
empregada nesse sector (75,43% e 70,43%, respectivamente).
As freguesias que apresentam maior proporção de população empregada no sector secundário
são Sado (concelho de Setúbal) com 42,35%; Quinta do Anjo (concelho de Palmela) com 38,7%
e Gambia-Pontes-Alto da Guerra (concelho de Setúbal) com 37,4%. As freguesias de Marateca e
Poceirão no concelho de Palmela, correspondem às freguesias mais rurais da área em estudo,
ou seja, com a maior % da população empregada no sector primário (agricultura, silvicultura e
pesca): 23,7% e 29,2% da população activa, respectivamente. Saliente-se que a elevada % de
população empregada no sector primário na freguesia de Santiago (18,8%), concelho de
Sesimbra, corresponde a actividades associadas ao sector da pesca.
O crescimento do sector terciário e a redução do sector primário registados nas últimas décadas
em áreas que eram outrora predominantemente rurais como a área em estudo, mas que
actualmente presenciam a expansão dos seus centros urbanos mais jovens (como as freguesias
de Quinta do Conde e Pinhal Novo), tem contribuído para o abandono generalizado dos espaços
agrícolas e florestais, e consequente aumento do risco de incêndio.
A população por sector de actividade (%) em 2001 apresenta-se no Mapa 27 – Mapa da
População por Sector de Actividade (2001) dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
(capítulo 7. Cartografia).
25
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
3.4. Taxa de Analfabetismo
A taxa de analfabetismo em 1981, 1991 e 2001 para os concelhos de Palmela, Setúbal e
Sesimbra apresenta-se no Quadro 10.
A taxa de analfabetismo registou uma forte regressão entre 1981 e 2001 nos 3 concelhos em
análise, sobretudo no concelho de Sesimbra, com a taxa de analfabetismo mais baixa em 2001
(Quadro 10). O aumento do nível de instrução na área em estudo enquadra-se na tendência
nacional para o período observado.
Quadro 10. Taxa de analfabetismo em 1981, 1991 e 2001 para os concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
Taxa de Analfabetismo (%)
Concelho
1981
1991
2001
Palmela
25.04
15
10.8
Setúbal
15.71
9.2
7.6
Sesimbra
21.1
7.67
3.89
De entre os concelhos em análise, Palmela é o único que apresenta uma taxa de analfabetismo
superior à nacional em 1991 e 2001 (a taxa de analfabetismo nacional é de 11% em 1991 e 9%
em 2001).
A taxa de analfabetismo em 1981, 1991 e 2001 para as freguesias dos concelhos de Palmela,
Setúbal e Sesimbra apresenta-se no Quadro 11.
26
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Quadro 11. Taxa de analfabetismo em 1981, 1991 e 2001 para as freguesias dos concelhos de Palmela,
Setúbal e Sesimbra
Concelho
Taxa de Analfabetismo (%)
Freguesia
1981
1991
2001
Marateca
33.15
24,3
19,8
Quinta do Anjo
25.84
15,6
12,1
Palmela
24.22
12,1
9,5
Pinhal Novo
22.3
12,6
8,2
Poceirão
*
24,3
18,8
S. Simão
21,44
12,4
7
Nossa Senhora da Anunciada
18,73
10,6
10,4
São Lourenço
17,78
8,9
6,8
São Sebastião
17,45
9,5
7,6
Santa Maria da Graça
10,66
5,9
5,4
São Julião
6,62
3,5
3,2
Gâmbia-Pontes-Alto da Guerra
*
19,4
14,8
Sado
*
13,4
10,7
Santiago
19,18
8,25
9,47
Castelo
22,2
9,76
5,27
Quinta do Conde
*
4,03
0,46
Palmela
Setúbal
Sesimbra
* freguesias inexistentes em 1981
A taxa de analfabetismo tem vindo a diminuir em todas as freguesias da área de estudo entre
1981 e 2001, à excepção da freguesia de Santiago no concelho de Sesimbra, onde esta taxa
registou um ligeiro aumento entre 1991 e 2001 (Quadro 11), provavelmente associado ao
acentuado envelhecimento da população nesta freguesia (ver subcapítulo 3.2.).
As menores taxas de analfabetismo em 2001 registaram-se nas freguesias de Quinta do Conde
(0,46%) no concelho de Sesimbra, São Julião (3,2%), Santa Maria da Graça (5,4%) e São
Lourenço (6,8%) no concelho de Setúbal. Pelo contrário, as taxas de analfabetismo mais
elevadas em 2001 foram registadas nas freguesias de Marateca (19,8%) e Poceirão (18,8),
concelho de Palmela, que correspondem às freguesias mais rurais da área em estudo (ver
subcapítulo 3.3.).
27
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
4. CARACTERIZAÇÃO DO USO DO SOLO E ZONAS ESPECIAIS
4.1. Ocupação do Solo
A ocupação do solo foi elaborada com base em fotointerpretação de ortofotomapas de voos de
2004, 2005 e 2006 (escala 1:10 000, informação proveniente de: CNIG - Centro Nacional
Informação Geográfica, DGRF, CELPA – Associação da Indústria Papeleira, e IGEOE – Instituto
Geográfico do Exército). Posteriormente, o trabalho de fotointerpretação em gabinete foi validado
através de levantamentos de campo, obtendo-se uma classificação final para a ocupação do solo
da área de estudo.
A ocupação do solo da área de estudo foi classificada em 6 grandes classes:
1. Superfícies aquáticas (estuários, cursos de água, lagoas, albufeiras, charcas, etc);
2. Agricultura (espaço destinado à produção agrícola, em regime intensivo ou extensivo,
constituído por terras aráveis com culturas permanentes, prados e pastagens);
3. Áreas sociais (áreas urbanas de habitação, comércio ou actividades industriais, podendo
englobar desde grandes cidades a pequenas povoações e habitações dispersas no
espaço rural);
4. Floresta (todos os espaços ocupados por povoamentos florestais ou formações não
arbóreas como medronheiro, aroeira, carrasco, zambujeiro e alfarrobeira, com um grau
de coberto superior ou igual a 10%; inclui-se nesta classe de espaço as áreas ardidas,
desde que a sua ocupação anterior seja igualmente florestal, as áreas de povoamentos
florestais sujeitas a corte raso, as áreas arborizadas e ainda as galerias ripícolas e
zonas húmidas com vegetação típica ribeirinha e com vegetação arbustiva infestante
como silvas, canas, etc.);
5. Improdutivos (afloramentos rochosos, praias, pedreiras e áreas de exploração mineira,
correspondendo a superfícies estéreis, sem potencialidades para a produção agrícola ou
florestal);
6. Incultos (espaços não agricultados ou florestados, com cobertura vegetal de porte
arbustivo ou herbáceo de origem natural, resultante da degradação das comunidades
florestais, do pousio agrícola, do abandono dos terrenos, da renovação da vegetação
após a acção do fogo, do abate de floresta para exploração de madeira, ou ainda do
28
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
desenvolvimento de pastagens espontâneas; incluem-se neste sistema de ocupação os
terrenos que, estando mobilizados para arborização, não estejam ainda semeados ou
plantados).
A ocupação do solo apresenta-se no Quadro 12 e no Mapa 29 – Mapa de Uso e Ocupação do
Solo dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra (capítulo 7. Cartografia). De um modo
geral, os sistemas de ocupação estão relativamente bem distribuídos pela área de estudo, com
maior concentração das áreas sociais na zona central (concelho de Setúbal), das áreas agrícolas
na zona mais a Norte (concelho de Palmela) e das áreas florestais na zona mais a Oeste da área
de estudo (concelho de Sesimbra). Constata-se ainda que as áreas florestais de menor extensão
se encontram bem compartimentadas por outros sistemas de uso, nomeadamente pelas áreas
agrícolas e de incultos, o que resulta numa descontinuidade espacial dos vários sistemas de
ocupação, garantindo-se desta forma a existência de barreiras de contenção naturais à
propagação dos incêndios florestais.
A ocupação do solo predominante na área de estudo são as áreas florestais (39,17%), seguindose as áreas agrícolas (38%) e as áreas de incultos/matos (8,7%). As áreas sociais ocupam cerca
de 9,42% da área de estudo, as áreas improdutivas 3,38% e por fim as superfícies aquáticas
com cerca de 1,28% (Quadro 12).
O concelho de Palmela é aquele que apresenta a maior área florestal dos três concelhos, com
cerca de 14000 ha de superfície florestal, seguido por Sesimbra com 11000 ha de floresta.
Nestes concelhos, as freguesias com maior área florestal são Marateca e Poceirão (5408,46 ha
e 6202, 29 ha, respectivamente, para o concelho de Palmela) e Castelo (11115, 48 ha, para o
concelho de Sesimbra).
Contudo, em termos relativos, o concelho de Sesimbra é o concelho em que a floresta é a
ocupação do solo predominante no total da área concelhia (60,16%). No concelho de Setúbal
também predomina a área florestal (36,10%), mas em menor percentagem, ocupando a área
agrícola 28,88% da superfície total deste concelho. Pelo contrário, no concelho de Palmela
predomina a ocupação do solo agrícola (50,84%), ocupando a floresta apenas 31,46% da área
concelhia (apesar da grande área ocupada por floresta em termos absolutos).
A área ocupada por agricultura é maior nas freguesias de Poceirão e Palmela no concelho de
Palmela (8249,11 ha e 5122, 36 ha, respectivamente), São Lourenço no concelho de Setúbal
29
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
(1296,70 ha) e Castelo no concelho de Sesimbra (2990,86). A área ocupada por áreas sociais
(urbano consolidado e disperso, entre outras) é mais elevada nas freguesias de Quinta do Anjo
no concelho de Palmela (1114,80 ha), São Sebastião no concelho de Setúbal (738,72 ha) e
Castelo no concelho de Sesimbra (1218,92).
O concelho de Palmela é aquele que apresenta um menor perigo de incêndio, dado predominar
a ocupação agrícola; as freguesias onde o perigo de incêndio poderá ser mais elevado são a
Marateca e Poceirão, com uma área florestal mais extensa. No concelho de Setúbal o perigo de
incêndio resulta sobretudo da elevada representatividade de áreas sociais confinantes com
áreas florestais. Em Sesimbra, as zonas de interface urbano-floresta também são frequentes,
com muitas áreas urbanas dispersas nas áreas florestais, sem outros sistemas de uso do solo
que as compartimentem.
30
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Quadro 12. Ocupação do solo (ha e %) por freguesia, para os concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
Concelho
Palmela
Setúbal
Sesimbra
Freguesias
Marateca
Palmela
Pinhal Novo
Poceirão
Quinta do Anjo
TOTAL
Gâmbia-Pontes-Alto da Guerra
S. Lourenço
S. Simão
Sado
Nossa Senhora da Anunciada
S. Julião
S. Sebastião
Santa Maria da Graça
TOTAL
Quinta do Conde
Castelo
Santiago
TOTAL
TOTAL
Superfícies aquáticas
Agricultura
Áreas sociais
Floresta
Improdutivos
Incultos
Área Total
Área (ha)
%
Área (ha)
%
Área (ha)
%
Área (ha)
%
Área (ha)
%
Área (ha)
%
484,923
2,392
19,032
171,5012
3,74%
0,03%
0,35%
1,13%
458,82
640,456
419,317
408,506
1114,803
3041,902
234,755
481,46
428,722
427,936
250,002
187,08
738,719
112,872
2861,546
626,959
1218,917
68,306
1914,182
3,54%
8,37%
7,71%
2,70%
21,80%
6,57%
8,47%
10,19%
19,43%
19,05%
9,26%
46,25%
38,69%
50,10%
16,65%
44,91%
6,80%
34,29%
9,81%
47,87%
15,56%
13,70%
35,77%
0,05%
1,47%
5,76%
0,27%
0,00%
0,23%
0,08%
0,00%
0,00%
0,00%
1,04%
0,70%
1,10%
0,00%
1,06%
34,02%
66,92%
69,21%
54,55%
38,89%
50,84%
36,31%
27,45%
37,23%
19,39%
24,22%
45,13%
26,54%
26,81%
28,88%
5,83%
16,74%
0,52%
15,79%
6202,285
1191,07
745,164
5408,4638
2,423
680,27
159.64
12,597
0
5,072
2,133
0
0
0
179,442
9,713
196,464
0
206,177
4407,213
5122,362
3764,808
8249,112
1988,819
23532,314
1005,718
1296,702
821,685
435,586
653,773
182,552
506,724
60,396
4963,136
81,413
2998,858
1,026
3081,297
1015,429
14562,41
708.836
2487,582
659
438,525
1571,538
19,281
288,039
31,589
6204.39
522,23
11115,477
100,996
11738,703
19,86%
31,46%
25,59%
52,66%
29,86%
19,52%
58,23%
4,77%
15,09%
14,02%
36,10%
37,41%
62,04%
50,70%
60,16%
213,24
105,27
78,045
56,244
160,987
613,786
529,846
34,594
5,305
762,56
101,818
0,828
52,057
1,751
1488,759
0,08
687,914
11,395
699,389
1,65%
1,38%
1,43%
0,37%
3,15%
1,33%
19,13%
0,73%
0,24%
33,94%
3,77%
0,20%
2,73%
0,78%
8,66%
0,01%
3,84%
5,72%
3,58%
1189,339
593,023
413,609
827,312
831,61
3854,893
131,232
410,529
292,077
177,117
119,713
14,796
323,564
18,691
1487,719
155,61
1699,993
17,48
1873,083
9,18%
7,75%
7,60%
5,47%
16,26%
8,33%
4,74%
8,69%
13,24%
7,88%
4,44%
3,66%
16,95%
8,30%
8,66%
11,15%
9,49%
8,77%
9,60%
12955,82
7654,573
5439,975
15121,139
5114,071
46285,578
2770,027
4723,464
2206,789
2246,796
2698,977
404,537
1909,103
225,299
17184,992
1396,005
17917,623
199,203
19512,831
1065,890
1,28%
31576,747
38,05%
7817,63
9,42%
32505,505
39,17%
2801,934
3,38%
7215,695
8,70%
82983,401
31
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
4.2. Povoamentos Florestais
Na classificação dos povoamentos florestais distinguiu-se entre povoamentos puros (uma só
espécie) e povoamentos mistos (mais do que uma espécie, existindo usualmente uma espécie
dominante em área de ocupação e uma dominada). Dentro dos povoamentos mistos, a área
florestal foi classificada de acordo com as espécies florestais dominantes. Foram assim
identificadas as áreas de povoamentos puros e mistos de pinheiro bravo, pinheiro manso,
sobreiro, eucalipto, outras resinosas e outras folhosas.
O Quadro 13 apresenta a distribuição da área de ocupação (ha) de cada tipo de povoamento
florestal identificado, por concelho e freguesia. A designação dos povoamentos mistos refere
apenas a espécie dominante.
As espécies florestais dominantes na área de estudo são o sobreiro (7869,04 ha, 24,21% da
área florestal total) e o pinheiro bravo (7112,47 ha, 21,88% da área florestal total), em
povoamentos puros. A terceira maior área florestal é ocupada com povoamentos mistos
dominados por outras folhosas (3946,23 ha, 12,14%), seguida pela área ocupada com
povoamentos mistos dominados por sobreiro (3707,29 ha, 11,41%).
A área florestal do concelho de Palmela é ocupada maioritariamente por povoamentos puros de
sobreiro (6702,64 ha, correspondente a 46,03% da área florestal total concelhia) e povoamentos
mistos de sobreiro dominante (2850,43 ha, correspondente a 19,57% da área florestal total
concelhia). Os povoamentos puros de sobreiro concentram-se na freguesia de Poceirão
(4204,55 ha), enquanto que os mistos se localizam maioritariamente na freguesia da Marateca
2064,68 ha). O terceiro maior tipo de povoamento florestal no concelho de Palmela são os
povoamentos mistos de pinheiro manso dominante (1349,8 ha, 9,27% da área florestal total de
Palmela), logo seguido pelos povoamentos puros de eucalipto (1255,04 ha, 13,82% da área
florestal total de Palmela).
No concelho de Setúbal predominam os povoamentos mistos dominados por outras folhosas
(2320,42 ha, 37,40% da área florestal total do concelho), sobretudo nas freguesias de S.
Lourenço, Nossa Senhora da Anunciada e S. Simão, e em segundo lugar os povoamentos
32
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
mistos dominados pelo pinheiro manso (763,09 ha, 12,30% da área florestal total do concelho de
Setúbal). A terceira maior área florestal é ocupada com povoamentos mistos de sobreiro (605,08
ha, 9,75%), logo seguida pela área ocupada por pinheiro bravo puro (507,44 ha, 8,18%).
33
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Quadro 13. Área florestal (ha) por tipo de povoamento e espécie dominante, por freguesia, para os concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
Concelho
Palmela
Setúbal
Sesimbra
Freguesias
Área florestal
total
Marateca
Palmela
Pinhal Novo
Poceirão
Quinta do Anjo
TOTAL
Gâmbia-Pontes-Alto da Guerra
S. Lourenço
S. Simão
Sado
Nossa Senhora da Anunciada
S. Julião
S. Sebastião
Santa Maria da Graça
TOTAL
Quinta do Conde
Sesimbra (Castelo)
Sesimbra (Santiago)
TOTAL
TOTAL
6202,285
1191,07
745,164
5408,4638
1015,429
14562,41
708,836
2487,582
659
438,525
1571,538
19,281
288,039
31,589
6204,39
522,23
11115,477
100,996
11738,703
32505,505
Eucalipto
893,282
78,051
28,453
167,57
87,681
1255,04
16,617
7,566
Outras
Folhosas
16,652
18,396
16,965
4,057
12,464
68,534
80,299
7,423
160,759
1,847
0,571
187,36
41,338
326,358
367,696
1810,09
26,733
9,638
8,321
5,676
138,09
828,008
87,415
915,423
1122,05
Povoamentos puros
Outras
Pinheiro
Resinosas
bravo
37,168
3,556
144,247
41,642
0,736
42,878
0,023
463,76
4,315
729,695
28,081
328,232
89,383
45,672
59,17
6,501
59,17
29,725
6,006
35,731
99,216
Pinheiro
manso
119,269
66,358
19,332
87,945
30,288
323,192
40,264
184,534
19,468
5,928
121,834
Sobreiro
Eucalipto
101,13
16,015
1,492
79,393
18,603
216,633
3,566
4,736
3,82
5,749
507,438
312,457
5562,88
4,26
1478,37
379,688
564,924
4204,547
75,11
6702,64
120,712
174,61
74,5
14,54
6,542
0,065
82,708
376,288
16,181
613,681
473,677
21,685
671,035
31,691
1,949
67,61
5875,34
7112,47
629,862
1329,342
692,72
7869,04
69,559
317,883
23,221
0,168
Povoamentos mistos (espécie dominante)
Outras
Outras
Pinheiro
Pinheiro
Folhosas Resinosas
bravo
manso
114,187
2,023
287,803
1087,72
197,272
63,717
71,242
78,232
9,183
35,655
1,499
41
29,759
146,064
36,891
25,286
148,113
36,286
398,533
91,026
572,572
1349,8
10,73
48,973
154,624
1280,83
44,054
243,525
89,114
296,884
42,371
37,266
37,472
2,463
144,574
14,619
719,302
154,583
4,465
446,915
3,807
0,567
5,876
18,144
14,907
0,529
4,139
4,869
2320,42
241,008
501,086
763,087
0,799
2,002
116,46
1,546
1218,91
34,211
918,051
601,041
7,575
1227,28
36,213
1034,51
602,587
3946,23
368,247
2108,17
2715,47
Sobreiro
2064,68
74,296
26,019
604,514
80,924
2850,43
285,269
50,085
54,233
26,749
25,493
5,204
147,988
10,056
605,077
7,813
243,964
251,777
3707,29
34
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Mais de metade da área florestal do concelho de Sesimbra é ocupada com povoamentos puros
de pinheiro bravo (5875,34 ha, correspondente a 50,05% da área florestal total do concelho),
concentrados na freguesia do Castelo. A segunda maior área florestal é ocupada com
povoamentos mistos de outras folhosas (1227,28 ha, 10,46% da área florestal total de
Sesimbra). Os povoamentos mistos de pinheiro bravo também ocupam uma área significativa no
concelho, aparecendo em terceiro lugar (1034,51 ha, 8,81% da área florestal total concelhia),
sendo a quarta maior área florestal ocupada por povoamentos puros de outras folhosas (915,42
ha, correspondentes a 7,8% da área florestal total de Sesimbra).
Os povoamentos florestais na área de estudo apresentam-se no Mapa 30 – Mapa dos
Povoamentos Florestais dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra (capítulo 7.
Cartografia). As grandes manchas de povoamentos florestais contínuas localizam-se
essencialmente na região Norte e Oeste da área de estudo, nomeadamente em todo o concelho
de Sesimbra e na zona Norte e Este do concelho de Palmela.
No concelho de Sesimbra, observa-se claramente uma diferenciação da distribuição dos
povoamentos florestais consoante se trate da zona Norte ou Sul do concelho. Assim, na
freguesia da Quinta do Conde e na zona Norte da freguesia do Castelo são predominantes os
povoamentos puros de pinheiro bravo, enquanto que na zona Sul das freguesias do Castelo e
Santiago são mais frequentes os povoamentos mistos e puros de outras folhosas. Os
povoamentos de pinheiro bravo formam áreas extensas e contínuas no concelho de Sesimbra, o
que representa um maior perigo de incêndio, uma vez que estes povoamentos têm elevada
combustibilidade e são pouco compartimentados. Pelo contrário, no concelho de Palmela, a área
florestal é dominada por espécies folhosas (sobreiro), de menor combustibilidade e mais
resistentes à passagem do fogo. Por fim, o concelho de Setúbal apresenta uma maior
diversidade de povoamentos florestais na área concelhia, constituídos por uma grande variedade
de espécies e tipologias de povoamentos.
35
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
4.3. Áreas protegidas, Rede Natura 2000 e Regime Florestal
A identificação e localização das áreas protegidas e áreas de Rede Natura 2000 são
fundamentais para o planeamento da defesa da floresta contra incêndios. Estas áreas
apresentam um elevado valor cultural, social e científico, motivo pelo qual devem ser prioritárias
para a intervenção numa situação de ocorrência de fogo.
4.3.1. Áreas Protegidas
Segundo o número 2 do artigo 1.º do Decreto-Lei n.º19/93 de 23 de Janeiro, “Devem ser
classificadas como áreas protegidas as áreas terrestres e as águas interiores e marítimas em
que a fauna, a flora, a paisagem, os ecossistemas ou outras ocorrências naturais apresentem,
pela sua raridade, valor ecológico ou paisagístico, importância científica, cultural e social, uma
relevância especial que exija medidas específicas de conservação e gestão, em ordem a
promover a gestão nacional dos recursos naturais, a valorização do património natural e
construído, regulamentando as intervenções artificiais susceptíveis de as degradar”.
Na área de estudo foram identificadas 3 áreas protegidas: o Parque Natural da Serra da
Arrábida, a Reserva Natural do Estuário do Sado e a Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da
Costa da Caparica, totalizando 17 133,26 ha.
4.3.1.1. Palmela
O Parque Natural da Arrábida (PNA) e a Reserva Natural do Estuário do Sado (RNES) são as
duas áreas protegidas com parte da sua área incluída no concelho de Palmela (Quadro 12 e
Figura 4).
36
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Quadro 14. Área do concelho de Palmela inserida em Áreas Protegidas
Concelho
Palmela Área total
PNA –Área
total
(ha)
(ha)
(ha)
(%)
(ha)
(ha)
(%)
462 86,83
17 663,88
1 761,23
3,81%
2 3971,34
1 323,93
2,86%
PNA - Área total inserida no
concelho de Palmela
RNES - Área
total
RNES - Área total inserida
no concelho de Palmela
BENAVENTE
N
Estuário do Tejo
ALCOCHETE
MONTIJO
PALMELA
MOITA
PINHAL NOVO
POCEIRÃO
QUINTA DO ANJO
PALMELA
MARATECA
SETUBAL
Arrábida
Estuário do Sado
Legenda:
Palmela
Áreas Protegidas
Freguesias do concelho de Palmela
Concelhos Limítrofes
3000
0
3000
6000 Metros
Figura 4. Localização das áreas protegidas no concelho de Palmela
37
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
4.3.1.2. Setúbal
O Parque Natural da Arrábida (PNA) e a Reserva Natural do Estuário do Sado (RNES) são as
duas áreas protegidas com parte da sua área incluída no concelho de Setúbal (Quadro 13 e
Figura 5).
Quadro 15. Área do concelho de Setúbal inserida em Áreas Protegidas
Concelho
Setúbal Área total
PNA –Área
total
(ha)
(ha)
(ha)
(%)
(ha)
(ha)
(%)
17 184,97
17 663,88
6 593,06
38,36%
2 3971,34
3 042,32
17,7%
PNA - Área total inserida no
concelho de Setúbal
RNES - Área
total
RNES - Área total inserida
no concelho de Setúbal
BARREIRO
N
PALMELA
S. MARIA
DA GRAÇA
GÂMBIA - PONTES - ALTO DA GUERRA
S. SIMÃO
S. LOURENCO
S. JULIÃO
SETUBAL
S. SEBASTIÃO
NOSSA SENHORA
DA ANUNCIADA
SADO
Arrabida / Espichel
SESIMBRA
Legenda:
Setúbal
Freguesias do Concelho de Setúbal
Áreas Protegidas
Concelhos Limítrofes
0
2
4
6 Km
Figura 5. Localização das áreas protegidas no concelho de Setúbal
38
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
4.3.1.3. Sesimbra
O Parque Natural da Arrábida (PNA) e a Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da
Caparica (PPAFCC) são as duas áreas protegidas com parte da sua área incluída no concelho
de Sesimbra (Quadro 14 e Figura 6). Para além destas áreas protegidas, o concelho de
Sesimbra tem na sua área geográfica outros locais protegidos de menor dimensão como a
Pedreira do Avelino (MN), a Gruta do Zambujal (SC), a Pedra da Mua (MN) e a Jazida de
Icnofósseis dos Lagosteiros.
Quadro 16. Área do concelho de Sesimbra inserida em Áreas Protegidas
Concelho
Sesimbra Área total
PNA –Área
PNA - Área total inserida no
PPAFCC -
PPAFCC - Área total inserida
total
concelho de Sesimbra
Área total
no concelho de Sesimbra
(ha)
(ha)
(ha)
(%)
(ha)
(ha)
(%)
19 500.59
17 663.88
3 949.77
20.25
1 551.50
462.94
2.37
ALMADA
N
PALMELA
SEIXAL
QUINTA DO
CONDE
Arriba Fossil
da Costa da Caparica
CASTELO
SETUBAL
SESIMBRA
Arrábida
SANTIAGO
Legenda:
Sesimbra
Freguesias do Concelho de Sesimbra
Áreas Protegidas
Concelhos Limítrofes
0
3
6 Km
Figura 6. Localização das áreas protegidas no concelho de Sesimbra
39
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
4.3.2. Rede Natura 2000
A Rede Natura 2000 é uma rede ecológica europeia composta por áreas de importância
comunitária para a conservação de determinados habitats e espécies, nas quais as actividades
humanas deverão ser compatíveis com a preservação destes valores, com vista a uma gestão
sustentável (ICN, 2006). Esta rede é formada por Zonas de Protecção Especial – ZPE (Directiva
Aves – Directiva n.º 79/409/CEE) e Sítios Classificados (também designados por Zonas
Especiais de Conservação – ZEC – Directiva Habitats, Directiva n.º 92/43/CEE). As ZPE
englobam os locais mais representativos para a protecção de aves não cinegéticas, incluindo os
respectivos ninhos, ovos e habitats (Anexo I da respectiva Directiva) e os Sítios Classificados
englobam os locais mais representativos para a conservação dos habitats de espécies da flora e
da fauna constantes dos anexos da respectiva Directiva.
As Directivas Aves e Habitats foram transpostas para o direito nacional pelo Decreto-Lei n.º
140/99, de 24 de Abril, com a redacção que lhe foi dada pelo Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de
Fevereiro.
No âmbito da garantia de conservação dos habitats e das populações de espécies para os quais
os vários sítios foram designados e classificados com estatutos de conservação, o licenciamento
ou a autorização das actividades ficam sujeitos a parecer do Instituto de Conservação da
Natureza e da Biodiversidade. Os actos e actividades condicionados são os constantes do Artigo
9.º do Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de Fevereiro.
4.3.2.1. Palmela
No concelho de Palmela existem dois Sítios Classificados e uma ZPE (Figura 7),
nomeadamente:
1- Sítio Classificado PTCON00011 Estuário do Sado - ZEC com 3 662,32 ha inseridos no
concelho de Palmela (Resolução do Conselho de Ministros n.º142/1997 de 28 de
Agosto);
2- Sítio Classificado PTCON0010 Arrábida-Espichel - ZEC com 1 655,035 ha inseridos no
concelho de Palmela (Resolução do Conselho de Ministros n.º142/1997 de 28 de
Agosto);
3- ZPE do Estuário do Sado, com 1 537,01 ha inseridos no concelho de Palmela (DecretoLei n.º 384-B/99, de 23 de Setembro).
40
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
A gestão destas áreas rege-se pela legislação geral aplicável, mencionada no parágrafo anterior.
3000
0
3000
6000 Metros
BENAVENTE
N
Estuário do Tejo
ALCOCHETE
MONTIJO
PALMELA
MOITA
PINHAL NOVO
POCEIRÃO
QUINTA DO ANJO
PALMELA
MARATECA
SETUBAL
Arrabida / Espichel
Estuário do Sado
Legenda:
Palmela
Freguesias do concelho de Palmela
Concelhos Limítrofes
Zona Especial de Conservação (ZEC)
Zona de Protecção Especial (ZPE)
Açude da Murta
Figura 7. Localização das áreas de de Sítios Classificados (ZEC) e ZPE no concelho de
Palmela
41
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
4.3.2.2. Setúbal
No concelho de Setúbal existem dois Sítios Classificados e uma ZPE (Figura 8), nomeadamente:
1- Sítio Classificado PTCON00011 Estuário do Sado, com 3107,26 ha inseridos no
concelho de Setúbal (Resolução do Conselho de Ministros n.º142/1997 de 28 de
Agosto);
2- Sítio Classificado PTCON0010 Arrábida-Espichel, com 6703,60 ha inseridos no concelho
de Setúbal (Resolução do Conselho de Ministros n.º142/1997 de 28 de Agosto);
3- ZPE do Estuário do Sado, com 1983,72 ha inseridos no concelho de Setúbal (DecretoLei n.º 384-B/99, de 23 de Setembro).
A gestão destas áreas rege-se pela legislação geral aplicável, mencionada anteriormente.
BARREIRO
N
PALMELA
S. MARIA
DA GRAÇA
GÂMBIA - PONTES - ALTO DA GUERRA
S. SIMÃO
S. LOURENCO
S. JULIÃO
SETUBAL
S. SEBASTIÃO
NOSSA SENHORA
DA ANUNCIADA
SADO
Arrabida / Espichel
Estuário do Sado
SESIMBRA
Legenda:
Setúbal
Freguesias do Concelho de Setúbal
Zona de Protecção Especial (ZPE)
Zona Especial de Conservação (ZEC)
Concelhos Limítrofes
0
2
4
6 Km
Figura 8. Localização das áreas de Sítios Classificados (ZEC) e ZPE no concelho de Setúbal
42
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
4.3.2.3. Sesimbra
No concelho de Sesimbra existem duas ZEC e duas ZPE (Figura 9), nomeadamente:
1- Sítio Classificado PTCON00054 Fernão Ferro/Lagoa de Albufeira - ZEC com 3 151.76
ha inseridos no concelho de Sesimbra (Resolução do Conselho de Ministros nº76/2000
de 5 de Julho; posteriormente classificado pela Comissão Europeia como “Sítio de
Importância Comunitária da Região Biogeográfica Mediterrânica Fernão Ferro/Lagoa de
Albufeira” por decisão da Comissão das Comunidades Europeias de 19 de Julho de
2006);
2- Sítio Classificado PTCON0010 Arrábida-Espichel - ZEC com 6 758.42 ha inseridos no
concelho de Sesimbra (Resolução do Conselho de Ministros n.º142/1997 de 28 de
Agosto);
3- ZPE da Lagoa Pequena, com 68.76 ha inseridos no concelho de Sesimbra (Decreto-Lei
n.º 384-B/99, de 23 de Setembro);
4- ZPE do Cabo Espichel. 874.27 ha inseridos no concelho de Sesimbra (Decreto-Lei n.º
384-B/99, de 23 de Setembro).
A gestão destas áreas rege-se pela legislação geral aplicável, mencionada anteriormente.
ALMADA
N
PALMELA
SEIXAL
Fernão Ferro /
Lagoa de Albufeira
QUINTA DO
CONDE
Lagoa Pequena
CASTELO
SETUBAL
SESIMBRA
Arrabida / Espichel
SANTIAGO
Cabo Espichel
Legenda:
Sesimbra
Freguesias do Concelho de Sesimbra
Zona de Protecção Especial (ZPE)
Zona Especial de Conservação (ZEC)
Concelhos Limítrofes
0
3
6 Km
Figura 9. Localização das áreas de ZEC e ZPE no concelho de Sesimbra
43
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
4.3.3. RAN e REN
A Reserva Agrícola Nacional (RAN) destina-se a defender as áreas de maiores potencialidades
agrícolas, ou aquelas que foram objecto de importantes investimentos destinados a aumentar a
sua capacidade produtiva, tendo como objectivo o progresso e a modernização da agricultura
portuguesa (o pleno aproveitamento agrícola dos melhores solos e a sua salvaguarda). A
Reserva Agrícola Nacional é constituída principalmente por solos de Capacidade de Uso das
classes A e B, bem como por solos de baixas aluvionares e coluviais.
O regime jurídico da RAN (a definição das áreas constituintes, bem como as especificidades de
uso e de manutenção dessas áreas) foi estabelecido pelo Decreto-Lei n.º 169/89 de 14 de
Junho, alterado pelo Decreto-Lei n.º 274/92 de 12 de Dezembro. As áreas da RAN estão
cartografadas à escala 1:25 000, e publicadas em Portaria no Diário da República. Contudo, com
a ratificação e publicação dos Planos Directores Municipais (PDM), aquelas Portarias caducam e
a carta da RAN é a constante dos PDM.
Nos solos da RAN são proibidas as acções que diminuam ou destruam as suas potencialidades
agrícolas, sendo as actividades agrícolas objecto de tratamento preferencial em todas as acções
de fomento e apoio à agricultura, desenvolvidas pelas entidades públicas. A utilização não
agrícola de solos da RAN carece sempre de prévio parecer das Comissões Regionais de
Reserva Agrícola (CRRA), junto das quais poderá ser instruído o processo de pedido de
utilização não agrícola de solos da RAN.
A Reserva Ecológica Nacional (REN) foi instituída pelo Decreto-Lei n.º 321/83 de 5 de Julho,
tendo sido o seu regime jurídico revisto no Decreto-Lei n.º 93/90 de 19 de Março, alterado pelo
Decreto-Lei n.º 79/95 de 20 de Abril e pelo Decreto-Lei n.º 180/2006 de 6 de Setembro. Nestes
documentos foram definidas como áreas de REN todas as áreas indispensáveis à estabilidade
ecológica do meio e à utilização racional dos recursos naturais, com vista ao correcto
ordenamento do território. Nos solos classificados como REN são assim proibidas todas as
acções que diminuam ou destruam as suas funções e potencialidades, nomeadamente vias de
comunicação e acessos, construção de edifícios, aterros e escavações, destruição do coberto
vegetal e da vida animal. Como excepção estão as operações relativas à florestação e
44
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
exploração florestal decorrentes de projectos aprovados ou autorizados pela Direcção Geral dos
Recursos Florestais (DGRF).
Os terrenos integrados na REN serão obrigatoriamente identificados em todos os instrumentos
que definam a ocupação física e o ordenamento do território, nomeadamente os planos de
ordenamento e os planos directores municipais.
Na globalidade da área de estudo, foram identificados cerca de 7597,8 ha classificados como
solos da RAN e 18859,49 ha classificados como solos da REN. A gestão destes solos deverá
atender à legislação aplicável descrita anteriormente.
4.3.3.1. Palmela
No concelho de Palmela encontram-se delimitadas áreas de RAN e de REN, ocupando a RAN
cerca de 3 728,82 ha, e a REN aproximadamente 8 103,11 ha, existindo sobreposição de áreas
(Figura 10).
3000
0
3000
6000 Metros
BENAVENTE
N
ALCOCHETE
MONTIJO
PALMELA
MOITA
PINHAL NOVO
POCEIRÃO
QUINTA DO ANJO
PALMELA
MARATECA
SETUBAL
Legenda:
Palmela
Freguesias do concelho de Palmela
Concelhos Limítrofes
RAN
REN
Figura 10. RAN e REN no concelho de Palmela
45
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
4.3.3.2. Setúbal
No concelho de Setúbal encontram-se delimitadas áreas de RAN e de REN, ocupando a RAN
cerca de 2250,62 ha, e a REN aproximadamente 7152,16 ha, existindo sobreposição de áreas
(Figura 11). Importa referir que a área estabelecida para a REN é apenas indicativa, não estando
ainda aprovada.
BARREIRO
N
PALMELA
S. MARIA
DA GRAÇA
GÂMBIA - PONTES - ALTO DA GUERRA
S. SIMÃO
S. LOURENCO
S. JULIÃO
SETUBAL
S. SEBASTIÃO
NOSSA SENHORA
DA ANUNCIADA
SADO
SESIMBRA
Legenda:
Setúbal
Freguesias do Concelho de Setúbal
RAN
REN
Concelhos Limítrofes
0
2
4
6 Km
Figura 11. RAN e REN no concelho de Setúbal
4.3.3.3. Sesimbra
No concelho de Sesimbra encontram-se delimitadas áreas de RAN e de REN, ocupando a RAN
cerca de 1 618.36 ha, e a REN aproximadamente 3 604.22 ha, existindo sobreposição de áreas
(Figura 12).
46
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
ALMADA
N
PALMELA
SEIXAL
QUINTA DO
CONDE
CASTELO
SETUBAL
SESIMBRA
SANTIAGO
Legenda:
Sesimbra
Freguesias do Concelho de Sesimbra
RAN
REN
Concelhos Limítrofes
0
3
6 Km
Figura 12. RAN e REN no concelho de Sesimbra
4.3.4. Regime Florestal
Em 24 de Dezembro de 1901 foi publicado o Decreto que define o conceito de regime florestal,
tendo como objectivo criar e fomentar um património florestal. Neste decreto é determinada a
arborização, conservação e exploração de terrenos considerados de utilidade pública que
ficaram sujeitos a restrições. O regime florestal aplica-se a terrenos e matas públicas ou
privadas, a áreas submetidas ao regime cinegético especial e a áreas de pesca concessionada
ou reservada, nas águas interiores. Tem como objectivos fundamentais a criação, a exploração e
conservação da riqueza silvícola, enquadrada na economia nacional e o revestimento florestal
dos terrenos cuja arborização seja de qualidade pública. Estes espaços estão sujeitos a
restrições legais de utilidade pública que condicionam o exercício do direito de propriedade.
Estas restrições e condicionantes resultam do reconhecimento da necessidade de salvaguardar
o solo a usos inadequados.
As áreas sujeitas ao regime florestal nos 3 concelhos em análise totalizam 1755,89 ha.
47
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
4.3.4.1. Palmela
No concelho de Palmela não há áreas sujeitas ao Regime Florestal.
4.3.4.2. Setúbal
No concelho de Setúbal existem terrenos submetidos ao Regime Florestal Total e terrenos
submetidos ao Regime Florestal Parcial Obrigatório (terrenos privados), localizados na Reserva
da Serra da Arrábida. A Reserva da Serra da Arrábida foi criada pelo Decreto-Lei n.º 355/71, de
16 de Agosto, e abrange toda a Serra da Arrábida.
A área sujeita ao Regime Florestal Total, designada “Mata Nacional da Serra da Arrábida”, é
composta por duas parcelas com áreas de 144 ha e 148 ha. A área total submetida ao Regime
Florestal (Total e Parcial Obrigatório) perfaz 1651 ha, dos quais 1397 ha estão inseridos no
concelho de Setúbal (Figura 13). Por Despacho Conjunto de 20 de Agosto de 1986 (DR n.º 202,
II Série, de 3/9), a gestão desta área foi transferida dos “Serviços Florestais” para o Serviço
Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza, actual ICNB.
BARREIRO
N
PALMELA
S. MARIA
DA GRAÇA
GÂMBIA - PONTES - ALTO DA GUERRA
S. SIMÃO
S. LOURENCO
S. JULIÃO
SETUBAL
S. SEBASTIÃO
NOSSA SENHORA
DA ANUNCIADA
SADO
SESIMBRA
Legenda:
Setúbal
Freguesias do Concelho de Setúbal
Regime Florestal
Concelhos Limítrofes
0
2
4
6 Km
Figura 13. Regime Florestal no concelho de Setúbal
48
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
4.3.4.3. Sesimbra
No concelho de Sesimbra há quatro áreas sujeitas ao Regime Florestal, nomeadamente (Figura
14):
1- a Reserva da Arrábida, com área total de 1651 ha, dos quais 251.94 ha no concelho de
Sesimbra;
2-
o Perímetro Florestal da Amieira, com 69,27 ha, inserido na sua totalidade no concelho
de Sesimbra;
3- a Mata Nacional das Dunas de Albufeira, com 122 ha, dos quais 33,40 ha no concelho
de Sesimbra;
4- a Mata Nacional dos Medos, com 344.73 ha, mas com apenas 4.28 ha no concelho de
Sesimbra.
ALMADA
N
PALMELA
SEIXAL
Dunas de Albufeira
QUINTA DO
CONDE
CASTELO
Amieira
SETUBAL
SESIMBRA
Reserva da Arrábida
SANTIAGO
Legenda:
Sesimbra
Freguesias do Concelho de Sesimbra
Regime Florestal
Concelhos Limítrofes
0
3
6 Km
Figura 14. Regime Florestal no concelho de Sesimbra
As Áreas Protegidas, Rede Natura 2000 e Regime Florestal dos concelhos de Palmela, Setúbal
e Sesimbra estão representados no Mapa 31 – Mapa das Áreas Protegidas, Rede Natura 2000 e
Regime Florestal dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra (capítulo 7. Cartografia).
49
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
4.4. Instrumentos de gestão florestal
Segundo a Lei de Bases da Política Florestal (Lei n.º 33/96 de 17 de Agosto), a gestão das
explorações florestais deve ser efectuada com base nas normas de silvicultura definidas no
Plano Regional de Ordenamento Florestal (PROF) correspondente, ficando as matas públicas e
comunitárias, as matas privadas com área superior à definida no PROF respectivo, bem como as
explorações florestais inseridas em Zonas de Intervenção Florestal (ZIF) obrigadas à existência
de um Plano de Gestão Florestal (PGF). Os PGF´s são instrumentos que vão permitir melhorar o
conhecimento do material lenhoso existente e a manutenção do espaço florestal, informação
relevante para a produção florestal e a prevenção dos incêndios.
Os concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra inserem-se no PROF da Área Metropolitana de
Lisboa (AML), cuja área mínima a partir da qual as explorações florestais privadas devem estar
obrigatoriamente submetidas a um PGF é de 100 hectares. A elaboração de PGF é obrigatória
também nos perímetros florestais submetidos ao regime florestal (subcapítulo 4.3.4.).
Até à data, ainda não existem PGFs aprovados referentes a propriedades florestais da área de
estudo. Existem contudo PGFs em elaboração no concelho de Sesimbra: o Plano de Gestão
Florestal do Perímetro Florestal da Mata da Amieira, e o Plano de Gestão Florestal da Mata
Nacional dos Medos (na fase final de elaboração).
No entanto, a inexistência de PGF’s aprovados não implica necessariamente que as
propriedades florestais destes concelhos não pratiquem já uma gestão planeada e com
orientações específicas de sustentabilidade da produção e de defesa dos espaços florestais
contra agentes abióticos, como os incêndios florestais. As implicações da inexistência de PGF’s
na área de estudo em termos de DFCI reflectem-se na dificuldade de articulação entre os vários
instrumentos de ordenamento e de gestão e na carência de um instrumento de planeamento e
de operacionalização das intervenções florestais com vista à redução de combustíveis lenhosos
e restantes medidas de DFCI.
As Zonas de Intervenção Florestal são figuras de ordenamento territorial e florestal de grande
importância para a gestão da floresta, que permitem a definição de uma dimensão mínima viável
para a execução de intervenções nos espaços florestais, assim como reduzir as condições de
50
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
ignição e de propagação de incêndios florestais, e dar coerência territorial e eficácia à acção da
administração central e local e dos demais agentes com intervenção nos espaços florestais. As
áreas prioritárias para a constituição de uma ZIF ocorrem maioritariamente em regiões
caracterizadas pela fragmentação da propriedade rural, onde os proprietários são na sua maioria
ausentes, sendo o abandono dos espaços florestais a principal causa para o aumento de
combustíveis lenhosos e para o elevado risco de incêndio. Para além da dimensão média das
explorações florestais, existem outros critérios considerados para a criação de uma ZIF,
nomeadamente o índice de risco de incêndio, a percentagem de espaços florestais e espaços
arborizados na área da ZIF, a percentagem de área ardida e a área proposta para ZIF.
As freguesias da área de estudo com espaços florestais prioritários para a constituição de ZIF,
propostas no PROF-AML são: São Lourenço, São Simão e Nossa Senhora da Anunciada no
concelho de Setúbal, e Castelo no concelho de Sesimbra. A constituição de ZIF nestas
freguesias facilitará o estabelecimento de medidas de DFCI através de uma maior coerência
territorial, assim como a implementação eficaz das orientações estratégicas para a gestão e
ordenamento florestal definidas no PROF-AML. Contudo, na área de estudo ainda não foram
identificadas Zonas de Intervenção Florestal constituídas nem em fase de constituição.
4.5. Zonas de recreio florestal, caça e pesca
4.5.1. Zonas de recreio florestal
4.5.1.1. Palmela
As zonas de recreio florestal identificadas no concelho de Palmela integram um parque de
campismo, dois parques de merendas, um parque verde urbano, uma barragem de recreio e
cerca de 90 km de percursos pedestres (Quadro 17 e Figura 15). Saliente-se que os percursos
pedestres localizados na Herdade do Zambujal são realizados em propriedade privada, logo, a
sua utilização deve ser precedida de pedido de autorização à mesma. As zonas de recreio
florestal encontram-se bem distribuídas pela área do concelho, localizando-se maioritariamente
nas freguesias de Palmela, Marateca e Pinhal Novo. Nestas zonas os circuitos de vigilância
móvel e acções de prevenção devem ser reforçados, uma vez que constituem áreas com
51
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
elevada densidade de visitantes e, consequentemente, uma maior probabilidade de ocorrência
de incêndios florestais.
Quadro 17. Zonas de Recreio Florestal no concelho de Palmela
Zonas de Recreio Florestal
Barragens de Recreio
ha/m
Escola de Ski - Rio Frio
Parque Venâncio Ribeiro da Costa
Parque de Merendas de S. Gonçalo
Parque de Campismo Pinhal Novo
Cabeço das Silveiras
Centro Histórico da Vila de Palmela
Espaço Florestal - Montado de Rio Frio
Parque Natural da Arrábida - S. Gaiteiros
Parque Natural da Arrábida - S. Louro
Parque Natural da Arrábida - S. Luís
Parque Natural da Arrábida - Vale Alcube
Percurso A - Moinhos
Percurso B - Gaiteiros
Percurso C - S. Luís
Percurso E - Alcube
Rede Natura 2000
Rede Natura 2000 - extensão Rib. Marateca
Reserva Ecológica Nacional - Pinhal Novo
Reserva Natural do Estuário do Sado
Equipamentos de Recreio
Trilhos Pedestres
15.057
3.67
0.98
3.93
0.11
1854,75
895,33
8147,06
6331,82
254,64
8521,12
11096,65
5006,31
1839,17
6293,79
4978,30
3977,56
7339,14
2818,13
Palmela
Freguesias do concelho de Palmela
Concelhos Limitrofes
Percursos pedestres
Zonas de Recreio
Parque de Campismo
Parque de Merendas
Parque Verde Urbano
Barragem de recreio
N
ALCOCHETE
MONTIJO
MONTIJO
POCEIRÃO
MOITA
PALMELA
PINHAL NOVO
BARREIRO
QUINTA DO ANJO
PALMELA
VENDAS NOVAS
MARATECA
ALCACER DO SAL
SETUBAL
0
5
10 Km
Figura 15. Zonas de recreio florestal do concelho de Palmela
52
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
4.5.1.2. Setúbal
As zonas de recreio florestal identificadas no concelho de Setúbal integram três parques de
campismo, um parque ambiental, dois parques de merendas, e cerca de 53 km de percursos
pedestres (Quadro 18 e Figura 16).
Quadro 18. Zonas de Recreio Florestal no concelho de Setúbal
Zonas de Recreio Florestal
Equipamentos de Recreio
Trilhos Pedestres
Parque da Comenda
Parque de Campismo de Picheleiros
Parque de Campismo da Gâmbia
Parque Ambiental do Alambre
Parque de Merendas do Alambre
Parque de Campismo do Otão
Parque Natural da Arrábida - S. Gaiteiros
Parque Natural da Arrábida - S. Luís
Parque Natural da Arrábida - Vale Alcube
Percurso 6
Percurso B - Gaiteiros
Percurso C - S. Luís
Percurso D - S. Filipe
Percurso E - Alcube
Percurso F - Picheleiros
Percurso G - Três Aldeias
Percurso H - Ramada
Percurso I - Terras do Risco
ha/m
1.42
3.20
6.32
36.55
0.29
4.41
420,89
7546,43
502,23
5769,65
450,51
5572,24
2753,88
4901,52
11198,92
7010,45
6984,47
249,67
As zonas de recreio florestal do concelho de Setúbal localizam-se predominantemente nas
freguesias de S. Lourenço, Nossa Senhora da Anunciada e Gâmbia-Pontes-Alto da Guerra.
Nestas zonas os circuitos de vigilância móvel e acções de prevenção devem ser reforçados, uma
vez que constituem áreas com elevada densidade de visitantes e, consequentemente, com uma
maior probabilidade de ocorrência de incêndios florestais.
53
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Setúbal
Freguesias do concelho de Setúbal
Concelhos Limitrofes
Percursos pedestres
Zonas de Recreio
Parque de Campismo
Parque de Merendas
Parque Ambiental
N
BARREIRO
PALMELA
SANTA MARIA DA GRAÇA
#
GÂMBIA - PONTES - ALTO DA GUERRA
S. JULIÃO
S. SIMÃO
S. SEBASTIÃO
S. LOURENÇO
NOSSA SENHORA
DA ANUNCIADA
SADO
SETUBAL
SESIMBRA
ALCACER DO SAL
0
5
10 Km
Figura 16. Zonas de recreio florestal do concelho de Setúbal
4.5.1.3. Sesimbra
As zonas de recreio florestal identificadas no concelho de Sesimbra compreendem seis parques
de campismo, um parque de merendas, uma albufeira de recreio (Lagoa de Albufeira), assim
como cerca de 15,6 km de percursos pedestres (Quadro 19 e Figura 17).
Quadro 19. Zonas de Recreio Florestal no concelho de Sesimbra
Zonas de Recreio Florestal
Barragens de Recreio
Equipamentos de Recreio
Trilhos Pedestres
Lagoa de Albufeira e Lagoa Pequena
Parque Municipal Forte do Cavalo
Parque de Campismo - Campimeco
Parque de Campismo Fetais
Parque de Campismo da Maçã
Parque de Campismo - Lagoa de Albufeira
Parque de Merendas do Cruzeiro
Parque de Campismo de Valbom
Percurso I - Terras do Risco
Trilho – Cabo Espichel
ha/m
120.23
8.05
20.04
2.98
4.39
2.45
0.28
6.45
7094.12
8330
54
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
A freguesia do Castelo é a única do concelho de Sesimbra onde foram identificadas zonas de
recreio florestal. Analogamente ao que foi descrito anteriormente, também estas zonas requerem
medidas especiais de DFCI, nomeadamente os parques de campismo e a Lagoa de Albufeira,
por corresponderem a áreas de recreio com elevada pressão turística, sobretudo nos meses de
Verão.
ALMADA
SEIXAL
N
PALMELA
QUINTA DO CONDE
Sesimbra
Freguesias do concelho de Sesimbra
Concelhos Limitrofes
Percursos pedestres
Zonas de Recreio
Parque de Campismo
Parque de Merendas
Albufeira de recreio
SESIMBRA
SETUBAL
CASTELO
SANTIAGO
0
2
4 Km
Figura 17. Zonas de recreio florestal do concelho de Sesimbra
4.5.2. Zonas de caça e pesca
Nos concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra foram identificadas 8 zonas de caça associativa,
ocupando cerca de 4153,34 ha, 7 zonas de caça municipal com cerca de 10081,16 ha, 16 zonas
de caça turística abrangendo 17237,39 ha e uma zona de interdição de caça com uma área de
122,91 ha. Nestas áreas a probabilidade de ocorrência de focos de incêndio por negligência
humana poderá estar relacionada com a maior movimentação de pessoas e veículos associados
a esta actividade.
Nos concelhos em análise não se identificaram zonas de concessão de pesca.
55
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
4.5.2.1. Palmela
No concelho de Palmela foram identificadas 3 zonas de caça associativas que ocupam 2,6% da
área concelhia, 1 zona de caça municipal ocupando 1,97% da área concelhia e 6 zonas de caça
turística que ocupam 23,16% do concelho de Palmela (Figura 18). No total, cerca de 27,8% da
área do concelho de Palmela encontra-se concessionada com zonas de caça.
Palmela
Freguesias do concelho de Palmela
Concelhos Limitrofes
Zonas de Caça
Zona de Caça Associativa
Zona de Caça Municipal
Zona de Caça Turística
N
ALCOCHETE
MONTIJO
MONTIJO
MOITA
POCEIRÃO
PINHAL NOVO
PALMELA
BARREIRO
QUINTA DO ANJO
PALMELA
VENDAS NOVAS
MARATECA
SETUBAL
0
2
4 Km
ALCACER DO SAL
Figura 18. Zonas de caça no concelho de Palmela
4.5.2.2. Setúbal
No concelho de Setúbal foram identificadas 1 zona de caça associativa que representa menos
de 0,5% da área concelhia, 2 zonas de caça municipais que ocupam 18,6% do concelho, e 5
zonas de caça turística que ocupam 5,05% do concelho de Setúbal (Figura 19), totalizando
23,8% de área concessionada com zonas de caça no concelho de Setúbal.
56
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
MOITA
Setúbal
Freguesias do concelho de Setúbal
Concelhos Limitrofes
Zonas de Caça
Zona de Caça Associativa
Zona de Caça Municipal
Zona de Caça Turística
N
BARREIRO
PALMELA
SANTA MARIA DA GRAÇA
#
S. JULIÃO
GÂMBIA - PONTES - ALTO DA GUERRA
S. SIMÃO
S. SEBASTIÃO
S. LOURENÇO
SETUBAL
NOSSA SENHORA
DA ANUNCIADA
SADO
SESIMBRA
ALCACER DO SAL
0
2
4 Km
Figura 19. Zonas de caça no concelho de Setúbal
4.5.2.3. Sesimbra
No concelho de Sesimbra foram identificadas 4 zonas de caça associativas que representam
cerca de 15% da área concelhia, 4 zonas de caça municipais que representam cerca de 30,6%
do concelho, 5 zonas de caça turística que ocupam cerca de 29% do concelho, e ainda uma área
de interdição à caça (Figura 20). Grande parte do concelho de Sesimbra (mais de 70%) está
assim concessionado a zonas de caça. Mais uma vez se salienta que esta actividade poderá
originar focos de incêndio por negligência dada a movimentação de pessoas e veículos
associados.
57
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
ALMADA
SEIXAL
N
PALMELA
QUINTA DO CONDE
Sesimbra
Freguesias do concelho de Sesimbra
Concelhos Limitrofes
Zonas de Caça
Áreas de Interdição de Caça
Zona de Caça Associativa
Zona de Caça Municipal
Zona de Caça Turística
SESIMBRA
SETUBAL
CASTELO
SANTIAGO
0
2
4 Km
Figura 20. Zonas de caça no concelho de Sesimbra
As zonas de recreio florestal, zonas de caça, albufeiras de recreio e percursos pedestres estão
representadas no Mapa 33 – Mapa de Zonas de Recreio Florestal e Caça dos Concelhos de
Palmela, Setúbal e Sesimbra (capítulo 7. Cartografia).
4.6. Romarias e Festas
A identificação das romarias e festas na área de estudo é importante para a identificação dos
dias do ano em que a movimentação e concentração de pessoas é maior em certos locais,
sobretudo quando ocorrem actividades com risco de incêndio como churrascos ou lançamento
de foguetes, perto de espaços florestais, podendo originar focos de incêndio por negligência ou
acidente.
Refira-se ainda que segundo o artigo 29º do Decreto-Lei n.º 124/2006, de 28 de Junho, não é
permitido o lançamento de qualquer tipo de foguetes durante o período crítico (período definido
por Portaria do Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, decorrente de
58
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
condições meteorológicas de elevado risco de incêndio), sendo que a utilização de fogo-deartifício nos espaços rurais se encontra sujeita a autorização prévia da respectiva câmara
municipal.
4.6.1. Palmela
O concelho de Palmela apresenta uma diversificada oferta cultural e turística, desde feiras e
romarias, a festas distribuídas ao longo do ano, onde se promovem os produtos locais e as
actividades desenvolvidas no concelho. De entre as actividades com maior visibilidade cultural
destacam-se a Festa das Vindimas, a Mostra de Vinhos do Poceirão e Marateca e o Festival do
Queijo, Pão e Vinho (Quadro 20).
Quadro 20. Romarias e festas no concelho de Palmela
Mês de
realização
Data de início /
fim
Freguesia
Lugar
Designação
Observações
Abril (1)
2º fim-de-semana
Quinta do
Anjo
Quinta do Anjo
Festival do Queijo, Pão e Vinho
(Feira)
Animação diversa
Marateca e
Poceirão
Fernando do Pó
Mostra de Vinhos do Poceirão e
Marateca
Animação diversa
Maio
Maio
2º Domingo
Pinhal Novo
Pinhal Novo
Feira de Maio
Mercado e Feira Franca
Junho
1º fim-de-semana
Poceirão
Poceirão
Feira Comercial e Agrícola de
Poceirão
Lançamento de fogo de
artificio
Junho
1ª quinzena (inclui
o 10 de Junho)
Pinhal Novo
Pinhal Novo
Festas Populares de Pinhal
Novo
Lançamento de fogo de
artificio
Junho
Último fim-desemana
Marateca
Águas de Moura
Festas de S. Pedro da
Marateca
Lançamento de fogo de
artificio
Palmela
Aires
Festa do Artesanato
Animação diversa
Julho
Julho (2)
6/8
Pinhal Novo
Pinhal Novo
FIG – Festival Internacional de
Gigantes
Animação diversa
Julho
Último fim-desemana
Palmela
Vila de Palmela (centro
histórico)
FIAR – Festival Internacional de
Artes de Ruas
-
Agosto
Domingo mais
próximo do dia 15
Palmela
Escudeira
Festa da Escudeira
Romaria
Agosto
15
Desloca-se
pelos 3
concelhos
Cabo Espichel
Romaria de Nossa Senhora do
Cabo
Romaria e procissão
Agosto
Último Domingo
Pinhal Novo
Olhos d´Água - Atalaia
Romaria de Nossa Senhora da
Atalaia
Setembro
De 5ª a 3ª feira,
abrangendo o 1º
fim-de-semana
Palmela
Palmela
Festa das Vindimas
Lançamento de fogo de
artificio
Fim-de-semana
próximo ao dia 1
de Novembro
Quinta do
Anjo
Quinta do Anjo
Festa de Todos os Santos
Procissão e animação
diversa
Outubro /
Novembro
(1)
No ano de 2007 realizou-se de 4 a 6 de Maio.
(2)
Romaria e procissão
Lançamento de balões
Realização bianual.
59
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
O lançamento de fogo de artifício, actividade que constitui um risco de incêndio, é realizado em
algumas feiras e festas que ocorrem no Verão no concelho de Palmela, período do ano com
risco de incêndio mais elevado (Quadro 20). Deve salientar-se que o Festival Internacional de
Gigantes (FIG), realizado bianualmente no Pinhal Novo nos dias 6 a 8 de Julho é a única
festividade coincidente com os dias de maior registo de área ardida (6 de Julho com cerca de
400 ha ardidos e 12 ocorrências entre 1996 e 2006 – ver Gráfico 10, subcapítulo 5.1.4.).
4.6.2. Setúbal
Muitas são as festas, feiras e romarias que ao longo do ano se realizam no concelho de Setúbal.
No Quadro 21 destacam-se as mais importantes.
60
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Quadro 21. Romarias e festas no concelho de Setúbal
Mês de
realização
Janeiro
Fevereiro/Ma
rço
Fevereiro/Ma
rço
Abril
Abril/Maio
Março/Abril
Maio
Data de início / fim
Freguesia
Lugar
Designação
9
Setúbal
Setúbal
Dia de Luísa Todi
Dia de Carnaval
Setúbal
Setúbal
Cégadas
Teatro de rua
Setúbal
Setúbal
Enterro do Bacalhau
Festejo pagão
Setúbal
Setúbal
Cultural
Setúbal
Setúbal
25 de Abril
Meia Maratona Internacional de
Setúbal
4ª feira de cinzas (depois do
Carnaval)
25
Entre finais de Abril e inicio de
Maio
Domingo após a Páscoa
(Pascoela)
1º fim-de-semana
Maio
Junho
Junho
No inicio de Junho e com de 10
dias de duração
Vésperas dos dias 13, 24 e 29
de Junho
Observações
Desportivo
Festa de S. Luís da Serra
Animação diversa
Fontaínhas
e Troíno
Festa do Senhor do Bonfim
Festejos religiosos
Troíno
Festas de Troino
Animação diversa
Setúbal
Setúbal
FESTROIA – Festival
Internacional de Cinema
Cultural
Setúbal
Setúbal
Santos Populares
Animação diversa
Festival de Folclore de Praias do
Sado
Festa de N. Srª da Arrábida
(Círio Novo de Setúbal)
S. Sebastião e
N. Srª da
Anunciada
N. Srª da
Anunciada
Julho
1º fim-de-semana
Sado
Praias do
Sado
Julho
Um dia no inicio de Julho
N. Srª da
Anunciada
Troíno
Julho
Uma semana na 2ª quinzena
São Lourenço
Azeitão
Festa de N. Srª da Arrábida
(Círio de Azeitão)
Animação diversa
Julho
/Agosto
Última semana de Julho e
primeira de Agosto
Setúbal
Setúbal
Feira de Sant’iago
Animação diversa
Agosto
Inicio do mês
Sado
Praias do
Sado
Festa de N. Srª do Rosário de
Tróia
Animação diversa
Agosto /
Setembro
A partir da 3ª semana de Agosto
até finais de Setembro
Setúbal
Setúbal
Festival do Sado
Animação diversa
Agosto
Final do mês
Sado
Sado
Setembro
1ª semana
Setúbal
Setembro
1ª semana
São Simão
Setúbal
Vila Fresca
de Azeitão
15 (feriado municipal)
Época natalícia
São Sebastião
Setúbal
Setúbal
1º Domingo
Setembro
Setembro
Dezembro
Todos os
meses
Todos os
meses
Todos os
meses
Encontro de folclore
Festejos religiosos
Festas do Moinho de Maré da
Mourisca
Festa dos Sabores do Sado
Mostra gastronómica
Festas da Senhora da Saúde
Animação diversa
Setúbal
Setúbal
Festanima
Festas Bocagianas
Festejos de Natal
Mostra gastronómica
Cultural
Decorações festivas
São Lourenço
Azeitão
Mercado de Azeitão
Mercado
Sábados
N. Srª da
Anunciada
Av. Luísa
Todi
Feira de Velharias de Setúbal
Mercado
2º Domingo do mês
São Lourenço
Azeitão
Feira de Velharias de Azeitão
Mercado
Animação diversa
No concelho de Setúbal observa-se uma distribuição mais homogénea das festas e romarias ao
longo do ano, predominando contudo as festas de Verão. Analogamente ao que foi referido no
subcapítulo anterior, destes festejos podem resultar focos de incêndio como consequência da
utilização de fogo-de-artifício, e pela elevada afluência de pessoas e veículos aos locais onde
decorrem as festividades. Deste modo, deverão ser consideradas as datas de realização de
festas e romarias de Verão no âmbito da DFCI.
61
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Saliente-se que a Festa de N. Sr.ª da Arrábida realizada em Azeitão na 2.ª quinzena de Julho, e
a Feira de Santiago realizada na última semana de Julho e primeira de Agosto coincidem com os
dias com maior registo de área ardida no concelho de Setúbal entre 1996 e 2006: 20 e 25 de
Julho (com 231 h a ardidos e 8 ocorrências, e 712 ha ardidos e 9 ocorrências, respectivamente,
ver Gráfico 21, ponto 5.2.4.).
4.6.3. Sesimbra
As festividades e romarias identificadas no concelho de Sesimbra apresentam-se no Quadro 22.
Quadro 22. Romarias e festas no concelho de Sesimbra
Mês de realização
Data de início / fim
Freguesia
Lugar
Designação
Maio
3/5
Santiago
Santiago
Festa do Senhor Jesus das
Chagas
Junho
1ª quinzena
Quinta do
Conde
Quinta do Conde
Feira Festa
Julho
3º Domingo
Quinta do
Conde
Quinta do Conde
Festa de Nossa Senhora da
Esperança
Agosto
15
Quinta do
Conte
Boa Água
Festa de Nossa Senhora da Boa
Água
Setembro
2º Domingo
Castelo
Sampaio
Festa da Luz
Setembro
Último Domingo do mês
Castelo
Cabo Espichel
Festa de Nossa Senhora do Cabo
Dezembro
26
Castelo
Alfarim
Festa de Nossa Senhora da
Conceição
As festas e romarias do concelho de Sesimbra ocorrem sobretudo nos meses de Verão (de Maio
a Setembro), podendo contribuir para o incremento do risco de incêndio nos locais onde se
realizam. Estas datas devem assim ser tidas em conta no planeamento e implementação das
medidas de DFCI. Deverá ser dada especial atenção às festas e romarias que ocorrem nas
freguesias de Santiago e da Quinta do Conde, dada a elevada densidade populacional nestas
freguesias.
62
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
5. ANÁLISE DO HISTÓRICO E DA CAUSALIDADE DOS INCÊNDIOS
FLORESTAIS
A análise temporal das estatísticas de incêndios foi efectuada com base em informação
disponibilizada pela Direcção-Geral dos Recursos Florestais (DGRF), referente ao histórico de
incêndios para o período 1980-2006 (distribuição anual), 1996-2006 (distribuição mensal,
semanal, diária e horária, por tipo de coberto vegetal, e por classes de extensão) e 2001-2006
(pontos de início e causas, fontes e hora de alerta).
5.1. Palmela
5.1.1. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Anual
A distribuição anual da área ardida e do n.º de ocorrências para o concelho de Palmela
apresenta-se no Gráfico 5.
Entre 1980 e 2006 regista-se um aumento progressivo do número de ocorrências a partir de
1994 e até 2004. Ao longo de 27 anos, a área ardida atingiu os valores mais elevados em 2004
(667,3 ha), 2003 (426,1 ha), 2002 (202,3 ha), 2000 (156,4 ha) e 2001 (111,5 ha). Em 1982, entre
1985 e 1988, e em 1990 não ocorreram registos de área ardida.
O maior número de ocorrências foi registado em 2000 (202 ocorrências), seguido pelo ano de
2002 com 170 ocorrências, e pelo ano de 2006 com 165 ocorrências.
A distribuição anual das áreas ardidas no concelho de Palmela apresenta-se no Mapa 34 – Mapa
das Áreas Ardidas – Distribuição Anual dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra (19902006) (capítulo 7. Cartografia). Importa referir que a informação cartográfica disponibilizada pela
DGRF não regista algumas das áreas ardidas de menor dimensão que se encontram referidas
nas estatísticas facultadas pela mesma entidade.
63
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Gráfico 5. Distribuição anual da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências (1980-2006) para o concelho de
Palmela
Nota: Os anos de 1988 e de 1990 não constam dos dados da DGRF, pelo que se assumiu para estes anos valores nulos para a
área ardida e para o número de ocorrências.
800
250
700
200
500
150
400
Nº de Ocorrências
Área ardida (ha)
600
100
300
200
50
100
0
0
1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
Área Ar dida Tot al
Nº de Ocor r ências
14,0 47,1
1
3
0,0
0,5
4,6
0,0
0,0
0,0
0,0
0,1
0,0
0,1
8,6
8,9
0
5
6
0
0
0
0
2
0
2
16
9
38,3 90,7 35,08 18,41 41,23 40,11 156,4 111,5 202,3 426,1 667,3 48,8 62,8
36
122
107
86
172
123
202
77
170
105
102
127
165
O Gráfico 6 representa a área ardida e o número de ocorrências entre 2001 e 2006 para as
freguesias do concelho de Palmela. A área ardida em 2006 é inferior à média registada no
quinquénio 2001-2005, para todas as freguesias, excepto para a freguesia da Quinta do Anjo. O
número de ocorrências em 2006 é inferior à média registada no quinquénio 2001-2005 apenas
para as freguesias de Palmela e Pinhal Novo, tendo sido registadas mais ocorrências em 2006
do que no período 2001-2005 para as restantes freguesias (Marateca, Poceirão e Quinta do
Anjo).
As freguesias de Palmela e Marateca são as que apresentam a maior área ardida (média) e a
freguesia do Pinhal Novo o maior número de ocorrências (média) e a terceira maior área ardida,
no período 2001-2005. Pelo contrário, a freguesia do Poceirão é a que apresenta o menor
64
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
registo de área ardida e de número de ocorrências no quinquénio em estudo (Gráfico 6). A
Quinta do Anjo destaca-se das outras freguesias, com a maior área ardida em 2006 (41,82 ha),
que representa quase 70% do total ardido nesse ano no concelho de Palmela.
60
100
50
80
40
60
30
40
20
20
10
Área ardida (ha)
120
0
Marateca
Palmela
Pinhal Novo
Poceirão
Quinta do Anjo
Área ardida 2006
0,75
3,30
9,12
7,80
41,82
Média Área ardida 2001-2005
91,77
95,26
58,56
7,85
37,73
N.º Ocorrências 2006
Média N.º Ocorrências 2001-2005
26
24
33
31
51
11,8
26,4
41,6
12,2
24,2
Nº de ocorrências
Gráfico 6. Distribuição da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências em 2006 e média no quinquénio 20012005, por freguesia, para o concelho de Palmela
0
Curiosamente, as freguesias com maior registo de área ardida entre 2001 e 2005 - Marateca,
Palmela e Pinhal Novo, são as freguesias onde se localizam os equipamentos florestais de
recreio presentes no concelho (ver subcapítulo 4.5). É provável que a utilização de tais
equipamentos tenha estado na origem de alguns destes incêndios, constituindo assim áreas
importantes para a instalação de faixas de gestão de combustível, reforço da vigilância móvel,
acções de sensibilização e fiscalização.
No Gráfico 7 podem visualizar-se as áreas ardidas e número de ocorrências por espaços
florestais em cada 100 hectares, entre 2001 e 2006. Para obter estes valores consideraram-se
as áreas de espaços florestais por freguesia (ver Quadro 13, subcapítulo 4.2.).
65
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Ao comparar-se o Gráfico 7 com o Gráfico 6, verifica-se que a área ardida aumentou para a
freguesia de Pinhal Novo e diminuiu para a freguesia da Marateca, comparativamente com as
restantes freguesias. Estas diferenças devem-se ao facto de que no Gráfico 7 a área ardida é um
valor relativo, representado em relação à área florestal existente em cada freguesia, enquanto
que o Gráfico 6 apresenta a área ardida em termos absolutos. Quando a área ardida é
representada em relação aos espaços florestais existentes (rácio área ardida/área florestal,
Gráfico 7), o valor de área ardida vai variar inversamente com o valor da área de espaços
florestais. Assim sendo, apesar da freguesia de Pinhal Novo não ser a que apresenta a maior
área ardida do concelho (valores absolutos, Gráfico 6), quando se analisa a área ardida por
espaços florestais (Gráfico 7), Pinhal Novo é a que tem o maior registo. A área ardida nesta
freguesia tem maior importância relativa por espaço florestal porque Pinhal Novo tem a menor
área florestal do concelho (ver Quadro 13, subcapítulo 4.2). Pelo contrário, na freguesia da
Marateca, a área ardida diminui quando é representada por espaços florestais (Gráfico 7),
porque a Marateca tem a maior área florestal do concelho (ver Quadro 13, subcapítulo 4.2).
Gráfico 7.
Distribuição da área ardida e do n.º de ocorrências em 2006 e média no quinquénio 2001-2005
por espaços florestais, em cada 100 hectares, para o concelho de Palmela
6
9
8
5
Área ardida (ha)
6
4
5
3
4
3
2
Nº de ocorrências
7
2
1
1
0
Área ardida 2006/Área espaços
Marateca
Palmela
Pinhal Nov o
Poceirão
Quinta do Anjo
0,01
0,28
1,22
0,14
4,12
1,48
8,00
7,86
0,14
3,72
0,42
2,01
4,43
0,57
5,02
0,19
2,22
5,58
0,22
2,38
0
florestais*100 hectares
Média Área ardida 2001-2005/Área
espaços florestais*100 hecatres
N.º Ocorrências 2006/Área
espaços florestais*100 hectares
Média N.º Ocorrências 20012005/Área espaços florestais*100
hectares
66
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
5.1.2. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Mensal
A distribuição mensal da área ardida e n.º de ocorrências é de grande utilidade para o
planeamento mensal do reforço da vigilância. A distribuição mensal da área ardida e número de
ocorrências no concelho de Palmela entre 1996 e 2006 apresenta-se no Gráfico 8.
Distribuição mensal da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências em 2006 e média 1996-2005,
para o concelho de Palmela
90
40
80
35
Área ardida (ha)
70
30
60
25
50
20
40
15
30
10
20
5
10
0
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Área ardida 2006
0,00
0,00
0,00
0,01
2,49
24,14 13,56 22,37
Média Área ardida 1996-2005
0,07
0,22
0,85
1,22
3,66
0
0
2
8
32
1,20
1,30
3,80
3,60
7,00
N.º de ocorrências 2006
Média N.º ocorrências 1996-2005
N.º de ocorrências
Gráfico 8.
Set
Out
Nov
Dez
0,17
0,05
0,00
0,00
11,12 79,39 58,66 14,48
3,58
0,62
0,85
6
2
0
8,50
2,20
1,60
34
Jul
34
Ago
32
15
17,20 29,70 31,50 19,50
0
Em média nos últimos 10 anos (1996-2005), os incêndios florestais ocorreram sobretudo nos
meses de Junho, Julho, Agosto e Setembro. Julho destaca-se como o mês com a área ardida
mais elevada (79,39 ha) no período 1996-2005, sendo portanto o mês mais crítico em termos de
fogos florestais. Em 2006 Junho foi o mês que registou maior área ardida (24,14 ha). Pode
referir-se ainda que o ano de 2006 foi um ano atípico comparativamente à média do período
1996-2005, com uma área ardida baixa em Julho (13,56 ha) (Gráfico 8).
O maior n.º de ocorrências no período 1996-2005 foi registado em Agosto (31,5), seguido pelos
meses de Julho e Setembro (29,7 e 19,5, respectivamente); em 2006 o maior n.º de ocorrências
foi observado em Junho e Julho (34). Pode assim concluir-se que os fogos que ocorreram em
2006 em Julho correspondem a muitos focos de incêndio mas de reduzida dimensão. Este facto
67
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
poderá estar relacionado com a maior eficácia no ataque aos incêndios florestais a partir de 2006
devido a uma maior utilização de meios de combate na 1.ª intervenção (“ataque musculado”).
É previsível que Junho, Julho, Agosto e Setembro registem o maior valor médio de área ardida e
ocorrências de incêndios, já que são os meses mais quentes e secos (época estival), criando
condições propícias à ocorrência de fogos. Os meses de Outono e Inverno registaram áreas
ardidas muito pequenas na última década (1996-2005) e nulas em 2006 (Dezembro a Março).
5.1.3. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Semanal
A análise da distribuição semanal das áreas ardidas e número de ocorrências permite detectar
quais os dias da semana mais susceptíveis à ocorrência de incêndios florestais. Neste sentido, é
provável que a Sexta-feira, o Sábado e o Domingo sejam os dias mais propícios à ocorrência de
fogos, pela maior deslocação da população para fora dos perímetros urbanos, como por exemplo
para as praias, ou para actividades de veraneio nos espaços florestais (tais como a realização de
piqueniques com churrascos em locais não autorizados, utilização de fogueiras para outros fins,
e actividades de todo-o-terreno com veículos motorizados).
O Gráfico 9 representa a distribuição semanal da área ardida e número de ocorrências para o
concelho de Palmela. A área ardida média no período 1996-2005 ocorreu sobretudo ao Sábado
e Terça-feira (64,50 ha e 63,02 ha, respectivamente), valores que representam cerca de 73% do
total registado nos restantes dias da semana. A Quarta-feira é o dia com maior área ardida em
2006. Contrariamente ao que seria de prever, a área ardida ao Domingo foi baixa em 1996-2005
e 2006, e próxima de zero aos Sábados em 2006 (Gráfico 9).
O número de ocorrências (média) em 1996-2005 distribui-se por todos os dias da semana, tendo
sido registadas mais ocorrências ao Sábado (20,5), e menos ocorrências à Quinta-feira (16,6). O
n.º de ocorrências em 2006 também se distribui pelos diferentes dias da semana, tendo-se
registado o maior número de ocorrências à Quarta-feira e Domingo (29 e 27, respectivamente), e
o menor valor ao Sábado (20) (Gráfico 9). Em 2006 o n.º de ocorrências aumentou
comparativamente à média registada em 2001-2005, para todos os dias da semana (exceptuamse os Sábados, em que se registou uma pequena diminuição de 0,5).
68
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
70
35
60
30
50
25
40
20
30
15
20
10
10
5
0
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sáb
Dom
Área ardida 2006
2,75
1,67
22,13
14,75
9,58
2,76
9,15
Média Área ardida 1996-2005
7,65
63,02
8,35
6,15
14,81
64,50
10,23
21
22
29
23
23
20
27
17,30
18,40
18,40
16,60
18,10
20,50
17,80
N.º de ocorrências 2006
Média N.º ocorrências 1996-2005
N.º de ocorrências
Distribuição semanal da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências em 2006 e média 1996-2005
para o concelho de Palmela
Área ardida (ha)
Gráfico 9.
0
5.1.4. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Diária
No Gráfico 10 apresenta-se a distribuição diária das áreas ardidas e número de ocorrências no
período de 1996 a 2006, permitindo identificar os dias mais críticos para a ocorrência de
incêndios no concelho de Palmela nos últimos 11 anos.
69
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Distribuição dos valores diários acumulados da área ardida e do nº de ocorrências (1996-2006)
25
500
Área Ardida
Nº de Ocorrências
450
6 de Julho
6 dias críticos
75,93% do total ardido
400
20
2 de Agosto
250
12 Julho
10
200
Nº de ocorrências
15
300
150
31 de Julho
100
5
28 de Agosto
3 de Julho
50
Gráfico 10.
26-Dez
18-Dez
10-Dez
02-Dez
24-Nov
16-Nov
08-Nov
31-Out
23-Out
15-Out
29-Set
07-Out
21-Set
13-Set
05-Set
28-Ago
20-Ago
12-Ago
27-Jul
04-Ago
19-Jul
11-Jul
03-Jul
25-Jun
17-Jun
09-Jun
01-Jun
24-Mai
16-Mai
08-Mai
30-Abr
22-Abr
14-Abr
06-Abr
29-Mar
21-Mar
13-Mar
05-Mar
26-Fev
18-Fev
10-Fev
02-Fev
25-Jan
17-Jan
0
09-Jan
0
01-Jan
Área ardida (ha)
350
Distribuição dos valores diários acumulados da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências (1996-2006) para o concelho de Palmela
70
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Os dias 6 de Julho e 2 de Agosto foram os mais críticos dos últimos 11 anos (1996 a 2006), em
que se registaram os maiores valores de área ardida (435,04 ha e 355,16 ha, respectivamente),
representando cerca de 43,66% do total de área ardida no período em análise. Em geral,
Palmela é um concelho com um histórico de área ardida entre 1996 e 2006 concentrada nos dias
dos meses estivais, ou seja, de Junho a Agosto. Salienta-se também o facto de existirem poucos
dias do ano sem nenhuma ocorrência registada, no período de 1996 a 2006.
5.1.5. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Horária
A análise da distribuição horária da área ardida e do número de ocorrências possibilita conhecer
em que período do dia deverá ser reforçada a vigilância, por parte das entidades responsáveis,
para que a primeira intervenção possa ser rápida e eficaz.
Analisando a distribuição gráfica horária da área ardida e n.º de ocorrências para o período de
1996 a 2006 para o concelho de Palmela (Gráfico 11), verifica-se que o maior registo de área
ardida ocorreu no período entre as 15:00h e as 15:59h (639,24 ha, que correspondem a 35,32%
da área ardida total), seguido do período das 8:00h às 8:59h (cerca de 353,69 ha). O maior
número de ocorrências foi registado no período entre as 16:00h e as 16:59h, com 139
ocorrências.
É de esperar que os períodos horários mais críticos correspondam às horas de maior circulação
da população (tais como a hora de almoço e saída dos empregos), e às horas de maior pico de
calor. Os valores de área ardida observados para o período das 15h-15h59 enquadram-se
nesses períodos mais críticos. Pelo contrário, o período horário com a segunda maior área
ardida registada entre as 8h e as 8h59 da manhã não se enquadra no que seria provável como
mais crítico, podendo ser o resultado de queimadas realizadas no período mais fresco do dia,
que progrediram para pequenos focos de incêndio. Há também outras excepções observadas,
tais como as áreas ardidas no período nocturno (00h-1h59 e 3h-3h59), provavelmente
resultantes de causas intencionais (fogo-posto).
Estes resultados são importantes para a programação das acções de sensibilização junto das
populações, prevenção, vigilância, 1.ª intervenção e combate. O reforço da vigilância e 1.ª
intervenção deverá incidir sobre o período das 11h às 19h.
71
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Distribuição horária da área ardida e nº de ocorrências 1996-2006
700
160
2 Períodos críticos - Área ardida
35,32% do total ardido
54,86% da área ardida
140
600
Área ardida (ha)
100
19,54% do total ardido
400
80
300
60
Nº de ocorrências
120
500
Período crítico - Ocorrências
200
11:00 - 00:59 horas
86% das ocorrências
40
69,82% da área ardida
100
0
00:00 - 1:00 00:59 1:59
2:00 2:59
3:00 3:59
4:00 4:59
5:00 5:59
33,071 111,55 7,5584 41,765 0,5758 2,1568
Ár ea ardida
Nº de Ocorrências
68
30
Gráfico 11.
17
19
9
8
6:00 6:59
7:00 7:59
1,373
16,219 353,69 5,8771 5,375 15,442 25,528 123,72 87,705 639,24 129,82 72,548 36,884 28,673 20,037 29,557 15,101 6,4166
8
16
8:00 8:59
19
9:00 9:59
20
37
10:00 - 11:00 - 12:00 - 13:00 - 14:00 - 15:00 - 16:00 - 17:00 - 18:00 - 19:00 - 20:00 - 21:00 - 22:00 - 23:00 10:59 11:59 12:59 13:59 14:59 15:59 16:59 17:59 18:59 19:59 20:59 21:59 22:59 23:59
38
71
66
90
112
113
139
134
99
86
65
73
68
0
51
Distribuição horária da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências (1996-2006) para o concelho de Palmela
72
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
5.1.6. Área Ardida por Tipo de Coberto Vegetal
A área ardida de povoamentos florestais no concelho de Palmela representa aproximadamente
58.99% da totalidade de área ardida, para o período 1996-2006 (Gráfico 12), ou seja, ardem
mais áreas ocupadas com floresta do que com matos. A área ardida de povoamentos é superior
à área ardida de matos em 1999, no período 2001-2003 e no ano de 2005. Este resultado pode
estar relacionado com a inexistência de práticas de gestão e de exploração florestal adequadas,
tais como a limpeza dos povoamentos e a gestão de sobrantes florestais, e ainda com a
especulação imobiliária.
Entre 1996 e 2006 a maior área ardida de povoamentos ocorreu em 2003, e a maior área ardida
de matos em 2004 (352,6 ha e 427,3 ha respectivamente, correspondendo a cerca de 33% do
total de área ardida de povoamentos e a 58% do total de área ardida de matos, ao longo dos 11
anos observados). O ano de 2004 corresponde ao maior registo de área ardida entre 1996 e
2006, representando 36,9% do total de área ardida no período considerado.
Distribuição da área ardida (ha) por tipo de coberto vegetal (1996-2006) no concelho de
Palmela
800
700
600
Área ardida (ha)
Gráfico 12.
500
400
300
200
100
0
1996
1997 1998
1999 2000
Área Ardida Matos
33,0
9,3
24,5
15,6
82,8
Ardida Povoamentos
2,1
9,1
16,7
24,5
73,6
2001 2002
9,1
19,7
2003 2004
73,5 427,3
2005 2006
8,0
39,3
102,3 182,6 352,6 240,0 40,9
23,5
73
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
5.1.7. Área Ardida e Ocorrências por Classes de Extensão
O Gráfico 13 mostra a distribuição da área ardida e o número de ocorrências por classes de
extensão, que variam da classe 0-1 ha à classe >100 ha.
No período de 1996 a 2006 registaram-se fogos florestais em todas as classes de extensão.
Contudo, 90% do total de ocorrências (1289 ocorrências) registadas no concelho de Palmela
corresponde a fogos de pequena área ardida, entre 0 e 1 ha, seguida de 9% de ocorrências com
área ardida na classe de 1 a 10 ha. Pode assim concluir-se que a quase totalidade das
ocorrências nos últimos 11 anos (1996-2006) no concelho de Palmela corresponde a muitos
incêndios de reduzida dimensão, provavelmente controlados atempadamente por equipas de 1.ª
intervenção. Há contudo duas excepções no período estudado: os anos de 2003 e 2004, em que
ocorreram dois grandes incêndios florestais, com áreas ardidas superiores a 100 ha.
Distribuição da área ardida e do n.º de ocorrências por classes de extensão (1996-2006) para o
concelho de Palmela
900
1400
800
1200
1000
600
500
800
400
600
300
Nº de ocorrências
700
Área ardida (ha)
Gráfico 13.
400
200
200
100
0
Área ardida
Nº de ocorrências
0-1
1-10
10-20
20-50
50-100
>100
190,35
412,44
105,50
112,00
211,58
778,00
1289
132
7
3
3
2
0
74
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
5.1.8. Pontos de Início e Causas
A distribuição dos pontos de início dos incêndios no concelho de Palmela no período 2001- 2006
é heterogénea, ocorrendo a maior concentração de pontos de início nas freguesias de Quinta do
Anjo, Palmela e Pinhal Novo. O maior registo de pontos de início ocorreu nos anos de 2002 e
2006.
As causas de incêndios são classificadas em seis categorias (DGRF, 2007a):
1. uso do fogo (queima de lixo, queimadas, lançamento de foguetes, fogueiras, fumar,
apicultura);
2. acidentais (transporte e comunicações, maquinaria e equipamento, outras causas
acidentais);
3. estruturais (caça e vida selvagem, uso do solo, defesa contra incêndios, outras causas
estruturais);
4. incendiarismo (inimputáveis, imputáveis);
5. naturais (raio);
6. indeterminadas.
A análise das causas dos incêndios em Portugal está dificultada pela falta de qualidade dos
dados disponíveis, com muita informação temporal em falta e relatórios incompletos, sendo difícil
obter uma interpretação consistente e rigorosa da causalidade dos incêndios (Damasceno e
Silva, 2007).
No concelho de Palmela a informação sobre as causas de início para a maioria dos incêndios
ocorridos entre 2001 e 2006 é quase inexistente. Num total de 746 pontos de início, apenas em
10 (1,43% do total de causas investigadas) se identificaram as causas de início, classificadas em
quatro categorias: desconhecida, negligente (uso do fogo), intencional (incendiários), e natural
(Quadro 23). Destas, não existe nenhuma causa com maior frequência absoluta, excepto na
freguesia do Pinhal Novo em que a causa desconhecida foi a mais frequente.
75
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Quadro 23. N.º total de incêndios e causas por freguesia (2001-2006), para o concelho de Palmela
Freguesias
Marateca
Causas
Natural
Total de Incêndios
N.º de incêndios
investigados
85
Sub-total
Palmela
Intencional
1
156
Sub-total
Pinhal Novo
Desconhecida
2
Intencional
2
241
1
Sub-total
Quinta do Anjo
Sub-total
3
92
0
Desconhecida
1
Intencional
1
Negligente
172
Sub-total
1
3
Natural
Total/tipo de
causa
1
1
Negligente
Poceirão
1
1
Desconhecida
3
Intencional
4
Negligente
Total Geral
2
746
10
Ao nível do concelho, a causa mais frequente é a intencional, seguida da desconhecida e da
negligente, existindo apenas um registo de causa natural. O registo de causa natural identificado
foi um dos grandes incêndios que ocorreu no concelho de Palmela em 2003. Por outro lado, o
grande incêndio de 2004 neste concelho teve causa intencional, tendo ocorrido numa área de
Rede Natura 2000 (ZEC), o que parece indicar que a intenção era a alteração do uso do solo
(dadas as limitações ao uso do solo numa área protegida deste tipo).
Os pontos de início e causas dos incêndios do concelho de Palmela apresentam-se no Mapa 35
– Mapa dos Pontos de Início e Causas dos Incêndios (2001-2006) dos Concelhos de Palmela,
Setúbal e Sesimbra (capítulo 7. Cartografia).
76
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
5.1.9. Fontes de Alerta
O Gráfico 14 apresenta a distribuição do n.º de ocorrências por fonte de alerta entre 2001 e 2006
para o concelho de Palmela. A principal fonte de alerta de incêndios no concelho de Palmela são
os populares (cerca de 45,44%), seguida pelo Comando Distrital de Operações de Socorro
(CDOS) com 29,89%. A fonte de alerta Outros e Postos de Vigia (PV) também são
representativos (13,81% e 9,38%, respectivamente). A utilização do 117 representa valores
marginais no total do tipo de fonte de alerta (foram contabilizados apenas 11 registos para este
tipo de alerta, cerca de 2% do total de alertas) (Gráfico 10). Não existem registos de alertas de
sapadores florestais.
Gráfico 14. Distribuição do n.º de ocorrências por fonte de alerta (2001-2006) para o concelho de Palmela
Legenda: CDOS – Comando Distrital de Operações de Socorro; PV – Posto de Vigia
1,47%
29,89%
45,44%
13,81%
9,38%
CDOS
Outros
PV
Populares
117
O Gráfico 15 apresenta a distribuição do n.º de ocorrências por fonte e hora de alerta entre 2001
e 2006 para o concelho de Palmela. Os alertas dados pelos populares e pelo CDOS distribuemse pelas 24 horas mas apresentam um pico das 13h às 19h59, e das 11h às 20h59,
respectivamente. O alerta dado por “Outros” também se distribui pelas 24h. Por outro lado, o
alerta dado pelos postos de vigia (PV) concentra-se entre as 13h e as 18h59. O alerta através do
117 é marginal, ocorrendo entre as 10h e as 20h59.
77
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Gráfico 15.
Distribuição do n.º de ocorrências por fonte e hora de alerta (2001-2006)
90
80
60
17
30 36
50
4
10
117
11 10
7
3
12
CDOS
Outros
Populares
1
1
1
1
17:00 - 17:59
18:00 - 18:59
19:00 - 19:59
20:00 - 20:59
14:00 - 14:59
23
13
24
3
15 14 13
1
2
3
2
9
7
4
6
5
9
13
24 22
15:00 - 15:59
1
13:00 - 13:59
3
21
1
5
12 14 12 14 15
12:00 - 12:59
5
5
6
20
1
23:00 - 23:59
9
11:00 - 11:59
6
3
1
9:00 - 9:59
3
1
1
10:00 - 10:59
122
8:00 - 8:59
1
3
3
5
3
21
7:00 - 7:59
12
2
2
6
6:00 - 6:59
00:00 - 00:59
0
6
9
5:00 - 5:59
11
1
4
5
4:00 - 4:59
3
2
3:00 - 3:59
10
18
3
27
24
12 15 19 24
2:00 - 2:59
20
5
16:00 - 16:59
30
2
22:00 - 22:59
3
21:00 - 21:59
40
1:00 - 1:59
N.º de ocorrências
8
12
70
PV
5.2. Setúbal
5.2.1. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Anual
A distribuição anual da área ardida e do n.º de ocorrências apresenta-se no Gráfico 16.
Entre 1980 e 2006 regista-se uma grande variação da área ardida e um aumento progressivo do
número de ocorrências a partir de 1991.
Ao longo de 27 anos, o maior valor de área ardida registada ocorreu no ano de 2004 (719,75 ha),
seguido pelo ano de 2005 (232,98 ha), e pelo ano de 1980 (150,5 ha). Entre 1985 e 1991 não
ocorreram registos de área ardida. A grande área ardida registada em 2004 é muito superior aos
valores de área ardida registados para o restante período de tempo observado, e resulta apenas
de um incêndio ocorrido no Parque Natural da Arrábida, com início nos Arneiros e que se
estendeu até à Serra da Arrábida.
78
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
O maior número de ocorrências foi registado em 2006 (133 ocorrências), seguido pelo ano de
2000 com 123 ocorrências, e pelo ano de 2002 com 89 ocorrências.
Saliente-se que a informação da base de dados estatística da DGRF não inclui quaisquer dados
para o ano de 1990, e apresenta valores (área ardida e n.º de ocorrências) nulos para 1991,
apesar de ter ocorrido um fogo na Serra da Arrábida em Setembro de 1991 (com uma área
ardida de cerca de 200 ha).
A distribuição anual das áreas ardidas no concelho de Setúbal apresenta-se no Mapa 34 – Mapa
das Áreas Ardidas – Distribuição Anual dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra (19902006) (capítulo 7. Cartografia). Importa referir que a informação cartográfica disponibilizada pela
DGRF não regista algumas das áreas ardidas de menor dimensão que se encontram referidas
nas estatísticas facultadas pela mesma entidade.
Gráfico 16.
Distribuição anual da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências (1980-2006) para o concelho de
Setúbal
800
140
700
120
600
500
80
400
N.º de Ocorrências
Área ardida (ha)
100
60
300
40
200
20
100
0
0
1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
Área Ar dida Tot al 150,5 47,60 13,50 45,80 19,70 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 32,59 9,41 16,75 28,25 6,30 7,47 16,04 9,56 91,46 16,15 57,15 23,82 719,7 232,9 46,47
Nº de Ocorr ências
3,00 7,00 15,00 38,00 25,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 24,00 10,00 20,00 71,00 33,00 39,00 78,00 65,00 123,0 62,00 89,00 61,00 48,00 44,00 133,0
79
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
O Gráfico 17 representa a área ardida e o número de ocorrências entre 2001 e 2006 para as
freguesias do concelho de Setúbal. A área ardida em 2006 é inferior à média registada no
quinquénio 2001-2005, para todas as freguesias, excepto para a freguesia do Sado.
Relativamente ao número de ocorrências constata-se exactamente o inverso, ou seja, o número
de ocorrências em 2006 está acima da média registada no quinquénio 2001-2005, também para
todas as freguesias, excepto na freguesia de Santa Maria da Graça (contudo, a diferença é de
apenas 0,4 ocorrências).
Entre 2001 e 2006, as freguesias de Nossa Senhora da Anunciada e de São Lourenço são as
que apresentam a maior área ardida (143,47 ha e 52,24 ha, respectivamente) e a freguesia de
São Sebastião o maior número de ocorrências do concelho, logo seguida pela freguesia de
Nossa Senhora da Anunciada (21,4 e 8 ocorrências, respectivamente) (Gráfico 17).
Pode então concluir-se que muitas das ocorrências na freguesia de São Sebastião resultaram
em focos de incêndio de dimensão reduzida, já que a área ardida nesta freguesia é baixa. Por
outro lado, a freguesia de Nossa Senhora da Anunciada é a que apresenta o maior registo de
área ardida e um dos maiores registos de ocorrências no quinquénio em estudo, logo, muitas
das ocorrências registadas nesta freguesia resultaram em incêndios florestais com alguma
dimensão (Gráfico 17). De facto, a grande área ardida (média 2001-2006) nas freguesias de
Nossa Senhora da Anunciada e São Lourenço resulta do grande incêndio ocorrido em 2004 na
Serra da Arrábida, em que arderam cerca de 700 ha (ver Mapa 34 - Mapa das Áreas Ardidas –
Distribuição Anual, capítulo 7. Cartografia). Tal como já e referiu, a Serra da Arrábida é uma
serra com uma fisiografia acentuada e elevados declives (ver subcapítulos 1.2. e 1.3.), que
dificultam o combate.
Para além disso, São Lourenço é a freguesia com a maior área florestal do concelho de Setúbal
(cerca de 2487 ha, ver subcapítulo 4.2., Quadro 13) e com o maior acréscimo populacional entre
1991 e 2001 (43,31%, ver subcapítulo 3.1.), sendo a freguesia de Nossa Senhora da Anunciada
a que apresenta a segunda maior área florestal do concelho. Desta forma, é natural que Nossa
Senhora da Anunciada e São Lourenço sejam também as freguesias onde se localizam os
equipamentos florestais de recreio presentes no concelho (ver subcapítulo 4.5), tais como
80
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
parques de campismo, parques de merendas e percursos pedestres. É provável que a utilização
de tais equipamentos tenha estado na origem de alguns incêndios, constituindo assim áreas
importantes para a instalação de faixas de gestão de combustível, reforço da vigilância móvel,
acções de sensibilização e fiscalização.
160
40
140
35
120
30
100
25
80
20
60
15
40
10
20
5
0
Gâmbia-
Nossa
Pontes-Alto
Sra. da
N.º de ocorrências
Distribuição da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências em 2006 e média no quinquénio 20012005, por freguesia, para o concelho de Setúbal
Área ardida (ha)
Gráfico 17.
0
Sado
da Guerra Anunciada
Sta. Maria
da Graça
São Julião
São
São
Lourenço
Sebastião
São Simão
Área ardida 2006
0,02
28,25
2,67
0,00
0,01
13,78
0,90
0,83
Média Área ardida 2001-2005
2,93
1,43
143,47
0,75
0,01
0,43
52,24
8,70
N.º Ocorrências 2006
17
32
9
1
4
27
35
8
Média N.º Ocorrências 2001-2005
5,4
8,0
4,2
1,4
3
11,6
21,4
5,6
No Gráfico 18 podem visualizar-se as áreas ardidas e número de ocorrências por espaços
florestais em cada 100 hectares, entre 2001 e 2006. Para obter estes valores consideraram-se
as áreas de espaços florestais por freguesia (ver Quadro 13, subcapítulo 4.2.).
A área ardida na freguesia de São Lourenço representada em relação aos espaços florestais
existentes na freguesia (Gráfico 18) aumenta em relação à mesma área ardida em valores
81
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
absolutos (Gráfico 17). Esta alteração resulta do facto da freguesia de São Lourenço apresentar
a maior área florestal percentual do concelho (ver Quadro 13, subcapítulo 4.2.), o que resulta na
diminuição da área ardida quando esta é calculada por espaços florestais (tal como explicado em
relação a Palmela).
Gráfico 18. Distribuição da área ardida e do n.º de ocorrências em 2006 e média no quinquénio 2001-2005
por espaços florestais, em cada 100 hectares, para o concelho de Setúbal
10
25
9
8
20
Área ardida (ha)
6
15
5
4
10
N.º de ocorrências
7
3
2
5
1
0
Gâmbia-
0
Nossa
São
Lourenço
Sebastião
Sra. da
Alto da
Anunciada
0,00
1,80
0,61
0,00
0,07
0,55
0,31
0,13
0,20
9,13
0,17
0,03
2,22
2,10
3,02
0,45
2,40
2,04
2,05
3,17
20,75
1,09
12,15
1,21
5.2.2. Área Ardida e Ocorrências
– Distribuição
Mensal
0,76
0,51
0,96
4,43
15,56
0,47
7,43
0,85
da Graça
São Julião
São
Pontes-
Área ardida 2006/Área espaços
Sado
Sta. Maria
São Simão
florestais*100 hectares
Média Área ardida 2001-2005/Área
espaços florestais*100 hecatres
N.º Ocorrências 2006/Área espaços
florestais*100 hectares
Média N.º Ocorrências 2001-2005/Área
espaços florestais*100 hectares
A distribuição mensal da área ardida e número de ocorrências no concelho de Setúbal entre
1996 e 2006 apresenta-se no Gráfico 19.
82
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
120
35
100
30
25
80
20
60
15
40
10
20
0
5
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Área ardida 2006 (ha)
0,00
0,00
0,00
0,00
2,01
Média 1996-2005
0,00
0,27
0,37
0,21
0,52
1
0
4
8
0,50
1,90
1,90
1,60
Nº de ocorrências 2006
Média 1996-2005
N.º de ocorrências
Distribuição mensal da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências em 2006 e média 1996-2005,
para o concelho de Setúbal
Área ardida (ha)
Gráfico 19.
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
0,48
4,58
29,58
9,76
0,05
0,00
0,00
2,93
103,01
3,26
3,15
4,19
0,02
0,14
18
18
24
29
13
12
4
2
2,80
10,10
18,10
10,90
10,40
4,30
1,00
0,70
0
Em média nos últimos 10 anos (1996-2005), os incêndios florestais ocorreram sobretudo nos
meses de Junho, Julho, Agosto e Setembro. Julho destaca-se como o mês com área ardida e n.º
de ocorrências bastante mais elevadas que os restantes meses (103,01 ha e 18,1,
respectivamente), sendo portanto o mês mais crítico em termos de fogos florestais. Em 2006
Agosto foi o mês que registou maior área ardida (29,58 ha) e maior n.º de ocorrências (29). Pode
referir-se ainda que o ano de 2006 foi um ano atípico comparativamente à média do período
1996-2005, com uma área ardida baixa em Julho (4,58 ha) (Gráfico 19).
É previsível que Julho, Agosto e Setembro registem o maior valor médio de área ardida e
ocorrências de incêndios, já que são os meses mais quentes e secos (época estival), criando
condições propícias à ocorrência de fogos. Janeiro é o único mês em que não se registaram
incêndios no período 1996-2006 (Gráfico 19).
83
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
5.2.3. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Semanal
O Gráfico 20 representa a distribuição semanal da área ardida e número de ocorrências para o
concelho de Setúbal. A área ardida média no período 1996-2005 ocorreu sobretudo ao Domingo,
valor que representa cerca de 64% do total registado nos restantes dias da semana. A Quarta é
o dia com a segunda maior área ardida no período 1996-2005, e a maior área ardida em 2006.
Contrariamente ao que seria de prever, a área ardida ao Domingo foi quase nula em 2006, e
registou valores baixos aos Sábados e Sextas entre 1996 e 2005 (Gráfico 20).
O número de ocorrências (média) em 1996-2005 distribui-se por todos os dias da semana, tendo
sido registadas mais ocorrências à Segunda (10,7) e Quinta-feira (10,3), e menos ocorrências à
Sexta-feira (7,3). Em 2006 há uma oscilação maior do n.º de ocorrências entre os diferentes dias
da semana, tendo-se registado o maior número de ocorrências à Sexta-feira e Sábado (24 e 23,
respectivamente), e o menor valor à Terça-feira (4) (Gráfico 20).
Distribuição semanal da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências em 2006 e média 1996-2005
para o concelho de Setúbal
Área ardida (ha)
80
30
25
60
20
40
15
10
20
0
5
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sáb
Dom
Área ardida 2006 (ha)
1,23
0,14
26,84
2,70
10,62
3,54
1,39
Média Área ardida 1996-2005
3,83
3,33
28,21
4,57
1,36
1,68
75,09
N.º de ocorrências 2006
20,00
13,00
16,00
19,00
24,00
23,00
18,00
Média N.º Ocorrências 1996-2005
10,70
9,00
8,10
10,30
7,30
9,40
9,40
0
84
N.º de ocorrências
Gráfico 20.
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
5.2.4. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Diária
No Gráfico 21 apresenta-se a distribuição diária das áreas ardidas e número de ocorrências no
período de 1996 a 2006, permitindo identificar os dias do ano que foram mais críticos para a
ocorrência de incêndios no concelho de Setúbal nos últimos 10 anos.
85
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Distribuição dos valores diários acumulados da área ardida e do nº de ocorrências (1996-2006)
16
800
Área Ardida
25 de Julho
Nº de Ocorrências
14
700
12
500
10
20 Julho
400
8
300
6
8 de Outubro
200
Nº de ocorrências
600
4
31 de Julho
100
2
6 de Setembro
9 de Agosto
0
Gráfico 21.
30-Dez
23-Dez
16-Dez
09-Dez
02-Dez
25-Nov
18-Nov
11-Nov
28-Out
04-Nov
21-Out
14-Out
30-Set
07-Out
23-Set
16-Set
09-Set
02-Set
26-Ago
19-Ago
12-Ago
29-Jul
05-Ago
22-Jul
15-Jul
08-Jul
01-Jul
24-Jun
17-Jun
10-Jun
03-Jun
27-Mai
20-Mai
13-Mai
06-Mai
29-Abr
22-Abr
15-Abr
08-Abr
01-Abr
25-Mar
18-Mar
11-Mar
04-Mar
26-Fev
19-Fev
12-Fev
29-Jan
05-Fev
22-Jan
15-Jan
08-Jan
0
01-Jan
Área ardida (ha)
6 dias críticos
85,60 % do total ardido
Distribuição dos valores diários acumulados da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências (1996-2006) para o concelho de Setúbal
86
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Os dias 20 e 25 de Julho foram os mais críticos dos últimos 11 anos (1996 a 2006), em que se
registaram os maiores valores de área ardida (712,24 ha e 231,36 ha, respectivamente),
representando cerca de 85,60% do total de área ardida no período em análise. Em geral, Setúbal
é um concelho com um histórico de área ardida entre 1996 e 2006 concentrada nos dias dos
meses estivais, ou seja, de Junho a Agosto, ocorrendo apenas a excepção da área ardida
registada a 8 de Outubro. Salienta-se também o facto de existirem poucos dias do ano sem
nenhuma ocorrência registada, no período de 1996 a 2006.
5.2.5. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Horária
Analisando a distribuição gráfica horária da área ardida e n.º de ocorrências para o período de
1996 a 2006 para o concelho de Setúbal (Gráfico 22), verifica-se que o maior registo de área
ardida ocorreu no período entre as 13:00h e as 13:59h (cerca de 726 ha, que correspondem a
59,13% da área ardida total), seguido do período das 15:00h às 15:59h (cerca de 256,35 ha).
O maior número de ocorrências foi registado no período entre as 17:00h e as 17:59h, com 88
ocorrências.
Os períodos horários observados como mais críticos correspondem às horas de maior circulação
da população (tais como a hora de almoço e saída dos empregos), e a horas de maior pico de
calor. Estes resultados são importantes para a programação das acções de sensibilização junto
das populações, prevenção, vigilância, 1.ª intervenção e combate. O esforço de vigilância e de
1.ª intervenção deverá incidir prioritariamente sobre o período das 11h às 19h.
87
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Distribuição horária da área ardida e nº de ocorrências 1996-2006
800
100
59,13% do total ardido
90
700
2 Períodos críticos - Área ardida
80,02% da área ardida
600
80
500
60
20,89% do total ardido
400
50
40
300
Período crítico - Ocorrências
Área ardida
Nº de Ocorrências
20
99,772% da área ardida
100
0
30
10:00 - 00:59 horas
92,65% das ocorrências
200
Nº de ocorrências
Área ardida (ha)
70
10
00:00 -
1:00 -
2:00 -
3:00 -
4:00 -
5:00 -
6:00 -
7:00 -
8:00 -
9:00 -
10:00 -
11:00 -
12:00 -
13:00 -
14:00 -
15:00 -
16:00 -
17:00 -
18:00 -
19:00 -
20:00 - 21:00 -
22:00 - 23:00 -
00:59
1:59
2:59
3:59
4:59
5:59
6:59
7:59
8:59
9:59
10:59
11:59
12:59
13:59
14:59
15:59
16:59
17:59
18:59
19:59
20:59
21:59
22:59
1,4162
1,0171
0,5525
0,276
0,095
0,271
0,001
0,01
0,2011
0,391
5,4302 10,2904 36,7661 725,665 41,6085 256,355 59,8914 19,9798 20,9062 11,1212
6,381
6,5056
6,8493 15,1735
21
7
10
9
4
4
1
4
7
11
46
36
Gráfico 22.
20
35
50
37
71
83
64
88
71
51
25
0
23:59
20
Distribuição horária da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências (1996-2006) para o concelho de Setúbal
88
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
5.2.6. Área Ardida por Tipo de Coberto Vegetal
A área ardida de povoamentos florestais no concelho de Setúbal representa aproximadamente
62,78% da totalidade de área ardida, para o período 1996-2006 (Gráfico 23). A área ardida de
povoamentos é superior à área ardida de matos nos anos de 2000, e a partir de 2004 (20042006). Uma das explicações possíveis para o aumento da área ardida em povoamentos
florestais a partir de 2000, poderá ser o aumento da carga combustível no sub-bosque dos
povoamentos que se tem verificado desde início da década de 90 (ou seja uma diminuição da
área de povoamentos devidamente gerida).
Entre 1996 e 2006 a maior área ardida de matos e povoamentos ocorreu no mesmo ano - 2004
(309,9 ha e 409,8 ha respectivamente, correspondendo a 67,9% do total de área ardida de
matos e 89,7% do total de área ardida de povoamentos, ao longo dos 11 anos observados). O
ano de 2004 corresponde ao maior registo de área ardida entre 1996 e 2006, representando
58,7% do total de área ardida no período considerado.
Distribuição da área ardida (ha) por tipo de coberto vegetal (1996-2006) no concelho de
Setúbal
800
700
600
500
Área ardida (ha)
Gráfico 23.
400
300
200
100
0
1996
1997 1998
1999 2000
2001 2002
2003 2004
Área Ardida Matos
5,3
7,4
15,5
5,0
31,4
8,2
29,8
21,2 309,9
Ardida Povoamentos
1,0
0,1
0,5
4,5
60,1
7,9
27,4
2,6
2005 2006
1,1
21,9
409,8 231,9 24,6
89
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
5.2.7. Área Ardida e Ocorrências por Classes de Extensão
O Gráfico 24 mostra a distribuição da área ardida e o número de ocorrências por classes de
extensão, que variam da classe 0-1 ha à classe >100 ha.
A quase totalidade da área ardida no concelho de Setúbal durante 11 anos (1996-2006) repartese por muitos incêndios de pequena dimensão: 695 ocorrências com área < 1ha e 48
ocorrências com área entre 1 e 10 ha. Estes resultados indicam que os incêndios no concelho de
Setúbal são controlados atempadamente por equipas de 1.ª intervenção. Há apenas duas
excepções no período estudado: os anos de 2004 e 2005, em que ocorreram dois grandes
incêndios florestais.
1000
800
900
700
800
600
700
600
500
500
400
400
300
300
200
200
100
100
0
Área ardida
Nº de ocorrências
N.º de ocorrências
Distribuição da área ardida e do n.º de ocorrências por classes de extensão (1996-2006) para o
concelho de Setúbal
Área ardida (ha)
Gráfico 24.
0-1
1-10
10-20
20-50
50-100
>100
59,11
138,24
35
56,5
0
938,3
695
48
2
2
0
2
0
90
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
5.2.8. Pontos de Início e Causas
A distribuição dos pontos de início dos incêndios no concelho de Setúbal no período 2001- 2006
é heterogénea, ocorrendo a maior concentração de pontos de início nas freguesias de Nossa
Senhora da Anunciada, S. Julião, S. Sebastião e São Lourenço. O maior registo de pontos de
início ocorreu nos anos de 2002 e 2006.
Para a maioria dos incêndios ocorridos no concelho de Setúbal entre 2001 e 2006 não existe
informação sobre as causas de início. Num total de 437 pontos de início, apenas em 5 se
identificaram as causas de início, classificadas em três categorias: indeterminada
(desconhecida); negligente (uso do fogo) e intencional (incendiários) (Quadro 24).
Os pontos de início e causas dos incêndios do concelho de Setúbal apresentam-se no Mapa 35
– Mapa dos Pontos de Início e Causas dos Incêndios (2001-2006) dos Concelhos de Palmela,
Setúbal e Sesimbra (capítulo 7. Cartografia).
Quadro 24. N.º total de incêndios e causas por freguesia (2001-2006), para o concelho de Setúbal
Freguesias
Causas
Total de Incêndios
Gâmbia-Pontes-Alto Guerra
Sub-total
Indeterminada
Negligente
Sub-total
Sub-total
Sub-total
Sub-total
Indeterminada
Intencional
Sub-total
Sub-total
Sub-total
Indeterminada
Intencional
Negligente
Total Geral
44
Nossa Senhora da Anunciada
Sado
Santa Maria da Graça
São Julião
São Lourenço
São Sebastião
São Simão
Total/tipo de causa
72
31
8
19
85
142
36
437
N.º de incêndios
investigados
0
2
1
3
0
0
0
1
1
2
0
0
3
1
1
5
91
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
5.2.9. Fontes de Alerta
O Gráfico 25 apresenta a distribuição do n.º de ocorrências por fonte de alerta entre 2001 e 2006
para o concelho de Setúbal. A principal fonte de alerta de incêndios no concelho de Setúbal são
os populares (cerca de 53,55%), seguida pelo CDOS com 25,17%. A fonte de alerta Outros e
Postos de Vigia (PV) também são representativos (12,36% e 6,86%, respectivamente). A
utilização do 117 representa um valor marginal no total do tipo de fonte de alerta (foram
contabilizados apenas 9 registos para este tipo de alerta). Não existem registos de alertas de
sapadores florestais.
Gráfico 25. Distribuição do n.º de ocorrências por fonte de alerta (2001-2006) para o concelho de Setúbal
Legenda: CDOS – Centro Distrital de Operações de Socorro; PV – Posto de Vigia
2,06%
25,17%
53,55%
12,36%
6,86%
CDOS
Outros
PV
Populares
117
92
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Gráfico 26.
Distribuição do n.º de ocorrências por fonte e hora de alerta (2001-2006) no concelho de Setúbal
60
3
4
25
2
20
12
22
2:00 - 2:59
3:00 - 3:59
4:00 - 4:59
5:00 - 5:59
6:00 - 6:59
7:00 - 7:59
8:00 - 8:59
117
2
CDOS
1
6
Outros
1
3
1
6
Populares
11
7
8
11
6
4
14
1
11
18:00 - 18:59
1
4
1
17:00 - 17:59
1
8
17
6
15:00 - 15:59
2
1
4
2
6
14:00 - 14:59
1
4
11
10
13:00 - 13:59
11
3
11:00 - 11:59
2
2
6
10:00 - 10:59
4
2
9:00 - 9:59
3
3
1:00 - 1:59
7
00:00 - 00:59
0
1
3
16:00 - 16:59
17
1
10
16
2
6
8
8
1
1
2
5
10
23:00 - 23:59
8
20
22:00 - 22:59
27
19:00 - 19:59
3
21:00 - 21:59
20
30
3
2
20:00 - 20:59
6
40
12:00 - 12:59
N.º de ocorrências
50
11
PV
O Gráfico 26 apresenta a distribuição do n.º de ocorrências por fonte e hora de alerta entre 2001 e 2006 para o concelho de Setúbal. Os alertas dados pelos
populares e pelo CDOS distribuem-se pelas 24 horas mas apresentam um pico das 12h às 19h59, e das 11h às 21h59, respectivamente. O alerta dado por
“Outros” também se distribui pelas 24h. Por outro lado, o alerta dado pelos postos de vigia (PV) concentra-se entre as 11h e as 19h59. O alerta através do 117
ocorre entre as 11h e as 21h59, mas com um pico (4 registos) no período 17h-17h59.
93
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
5.3. Sesimbra
5.3.1. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Anual
Entre 1980 e 2006 regista-se um aumento de área ardida e do número de ocorrências a partir de
1991 (contudo, com grande variação entre anos).
Ao longo de 27 anos, a área ardida atingiu os valores mais elevados em 1995 (448 ha), 1980
(188,1 ha), 2000 (170,9 ha), 1981 (146 ha), 1996 (120,14 ha), e 2005 (106,6 ha). Entre 1985 e
1991 não ocorreram registos de área ardida. Após 1995 verifica-se uma oscilação na área
ardida, mas nunca atingindo os valores registados neste ano (Gráfico 27).
O maior número de ocorrências foi registado em 1998 (110 ocorrências), seguido pelo ano de
2000 com 92 ocorrências, e pelo ano de 1995 com 81 ocorrências. Considerando que a área
ardida em 1998 foi baixa relativamente ao período estudado, as ocorrências registadas neste
ano correspondem assim a fogos de reduzida dimensão.
Gráfico 27.
Distribuição anual da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências (1980-2006) para o concelho de
Sesimbra
500
120
450
Área ardida (ha)
350
80
300
250
60
200
40
150
100
20
50
0
0
1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
Área Ardida Tot al
Nº de Ocorrências
188,1 146,0 21,0 12,2
9
51
15
7
3,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
0,0
1
0
0
0
0
0
0
0
18,7 74,7
26
44
7,1 448,0 120,1 4,587 36,76 13,16 170,9 24,50 22,76 18,21 78,72 106,6 7,116
5
81
53
40
110
60
92
52
53
50
45
60
58
94
Nº de Ocorrências
100
400
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
A distribuição anual das áreas ardidas no concelho de Sesimbra apresenta-se no Mapa 34 –
Mapa das Áreas Ardidas – Distribuição Anual dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
(1990-2006) (capítulo 7. Cartografia). Importa referir que a informação cartográfica
disponibilizada pela DGRF não regista algumas das áreas ardidas de menor dimensão que se
encontram referidas nas estatísticas facultadas pela mesma entidade.
O Gráfico 28 representa a área ardida e o número de ocorrências entre 2001 e 2006 para as
freguesias do concelho de Sesimbra. A área ardida em 2006 é inferior à média registada no
quinquénio 2001-2005, para todas as freguesias. Relativamente ao número de ocorrências
constata-se exactamente o inverso, ou seja, o número de ocorrências em 2006 está acima da
média registada no quinquénio 2001-2005, também para todas as freguesias, excepto na
freguesia da Quinta do Conde.
A freguesia do Castelo é a que apresenta a maior área ardida e o maior número de ocorrências
do concelho, logo, muitas das ocorrências nesta freguesia resultaram em incêndios florestais.
Note-se que esta freguesia é onde se concentra a quase totalidade da área florestal do concelho
de Sesimbra (11115 ha, ver subcapítulo 4.2., Quadro 13).
Por outro lado, a freguesia da Quinta do Conde é a segunda freguesia com maior número de
ocorrências, mas uma menor área ardida média em 2001-2005 e nenhuma área ardida em 2006,
podendo assim concluir-se que a maioria das ocorrências registadas nesta freguesia resultaram
em fogos de reduzida dimensão (Gráfico 28). O grande número de ocorrências nesta freguesia
está provavelmente associado à grande densidade populacional aqui existente, com um elevado
acréscimo populacional entre 1991 e 2001 (108%, ver subcapítulo 3.1.). Quinta do Conde é
portanto uma freguesia com uma forte interface urbano-floresta em expansão, e o grande n.º de
ocorrências aqui registado está muito provavelmente associado à utilização negligente do fogo.
95
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Distribuição da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências em 2006 e média no quinquénio 20012005, por freguesia, para o concelho de Sesimbra
Área ardida (ha)
40
50
40
30
30
20
20
10
0
10
Castelo
Quinta do Conde
Santiago
Área ardida 2006
4,01
0,05
3,05
Média 2001-2005
35,40
2,72
12,68
Ocorrências 2006
44
9
5
Média 2001-2005
37,2
11,4
3
N.º de ocorrências
Gráfico 28.
0
No Gráfico 29 podem visualizar-se as áreas ardidas e número de ocorrências por espaços
florestais em cada 100 hectares, entre 2001 e 2006. Para obter estes valores consideraram-se
as áreas de espaços florestais por freguesia (ver Quadro 13, subcapítulo 4.2.).
Ao comparar-se o Gráfico 29 com o Gráfico 28, verifica-se que a área ardida aumentou para a
freguesia de Santiago e diminuiu para a freguesia do Castelo, comparativamente com as
restantes freguesias.
Quando a área ardida é representada em relação aos espaços florestais existentes (rácio área
ardida/área florestal), o valor de área ardida vai variar inversamente com o valor da área de
espaços florestais. Ou seja, dado que Santiago é a freguesia com menor área florestal do
concelho (ver Quadro 13, subcapítulo 4.2.), a importância relativa da área ardida por espaço
florestal vai aumentar nesta freguesia, o que resulta no valor mais elevado de área ardida por
espaços florestais em 2001-2005 (Gráfico 29). Pelo contrário, a freguesia do Castelo apresenta a
menor área ardida por espaços florestais em 2001-2005 (Gráfico 29), porque tem a maior área
florestal do concelho (ver Quadro 13, subcapítulo 4.2.).
96
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
14
6
12
5
10
4
8
3
6
2
4
1
2
0
Castelo
Quinta do Co nde
Santiago
Á rea ardida 2006/Á rea espaço s flo restais*100
hectares
0,04
0,01
3,02
M édia Á rea ardida 2001-2005/Á rea espaço s
flo restais*100 hecatres
0,32
0,52
12,56
N.º Oco rrências 2006/Á rea espaço s flo restais*100
hectares
0,40
1,72
4,95
M édia N.º Oco rrências 2001-2005/Á rea espaço s
flo restais*100 hectares
0,33
2,18
2,97
0
5.3.2. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Mensal
A distribuição mensal da área ardida e número de ocorrências entre 1996 e 2006 apresenta-se
no Gráfico 30.
97
N.º de ocorrências
Distribuição da área ardida e do n.º de ocorrências em 2006 e média no quinquénio 2001-2005
por espaços florestais, em cada 100 hectares, para o concelho de Sesimbra
Área ardida (ha)
Gráfico 29.
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Gráfico 30.
Distribuição mensal da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências em 2006 e média 1996-2005,
para o concelho de Sesimbra
35
16
14
30
Área ardida (ha)
10
20
8
15
6
4
10
N.º de ocorrências
12
25
2
5
0
0
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov Dez
Área ardida 2006 (ha)
0,05 0,00 0,05 2,01 0,03 0,29 0,10 1,08 3,11 0,40 0,00 0,00
Média 1996-2005
0,05 0,39 1,07 0,78 1,73 12,36 28,58 2,98 2,14 7,53 1,63 0,41
Nº de ocorrências 2006
Média 1996-2005
1
1
2
5
4
9
4
8
12
9
0
-2
3
1,40 2,00 2,30 2,30 3,80 9,60 14,80 10,30 6,20 4,00 2,50 2,30
Em média nos últimos 10 anos (1996-2005), os incêndios florestais ocorreram sobretudo nos
meses de Junho e Julho. Julho destaca-se como o mês com área ardida e n.º de ocorrências
bastante mais elevadas que os restantes meses (28.58 ha e 14.8, respectivamente), sendo
portanto o mês mais crítico em termos de fogos florestais (Gráfico 30).
É previsível que Junho e Julho registem o maior valor médio de área ardida e ocorrências de
incêndios, já que são os meses mais quentes e secos (época estival), criando condições
propícias à ocorrência de fogos. Para além disso, é também provável que o grande aumento em
área ardida e ocorrências nestes dois meses esteja relacionado com as queimas de início de
Verão em quintais e lotes de terreno que representam uma segunda habitação e se encontram
desocupados durante quase todo o ano (excepto nos meses estivais).
O mês de Outubro constitui uma excepção à maior área ardida observada sobretudo nos meses
mais quentes do ano (2001-2006), podendo então concluir-se que neste mês ainda se registam
condições climáticas propícias à ocorrência de incêndios florestais. Janeiro é o único mês em
que não se registam incêndios no período 1996-2006 (Gráfico 30).
98
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Pode referir-se ainda que o ano de 2006 foi um ano atípico comparativamente à média do
período 1996-2005, uma vez que os maiores registos de área ardida correspondem aos meses
de Setembro e Abril, e os maiores registos de ocorrências ao mês de Setembro, seguido pelos
meses de Junho e Outubro (Gráfico 30).
5.3.3. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Semanal
O Gráfico 31 representa a distribuição semanal da área ardida e número de ocorrências para o
concelho de Sesimbra. A área ardida média no período 1996-2005 ocorreu sobretudo ao Sábado
e Quarta, valor que representa cerca de seis vezes mais do que a média registada nos restantes
dias da semana. Exceptua-se a Sexta-feira, com o terceiro valor mais elevado de área ardida
média para 1996-2005.
Em 2006 os dias da semana com maior registo de área ardida foram a Sexta-feira, o Sábado e o
Domingo, tal como seria previsível, dada a maior utilização humana dos espaços florestais aos
fins de semana. O Domingo, que em 1996-2005 apresenta um valor de área ardida média baixo
comparativamente aos restantes dias da semana (5% da área total ardida durante a semana),
regista em 2006 valores que se adequam mais à realidade do concelho de Sesimbra (18% da
área total ardida durante a semana) (Gráfico 31).
25
12
20
10
8
15
6
10
4
5
0
2
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sáb
Dom
Área ardida 2006 (ha)
0,15
0,06
0,02
0,18
3,36
2,04
1,30
Média 1996-2005
3,85
3,17
20,00
2,70
9,58
17,42
2,93
Nº de ocorrências 2006
10,00
10,00
4,00
7,00
11,00
7,00
9,00
Média 1996-2005
9,50
8,80
7,90
8,90
8,90
9,10
8,40
N.º de ocorrências
Distribuição semanal da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências em 2006 e média 1996-2005
para o concelho de Sesimbra
Área ardida (ha)
Gráfico 31.
0
99
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
O número de ocorrências (média) em 1996-2005 distribui-se igualmente por todos os dias da
semana, tendo sido registadas mais ocorrências à Segunda-feira (9,5), e menos ocorrências à
Quarta-feira (7,9). Por outro lado, em 2006 há uma grande oscilação entre os diferentes dias da
semana, tendo-se registado o maior número de ocorrências à Sexta-feira (11), e o menor valor à
Quarta-feira (4) (Gráfico 31).
5.3.4. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Diária
No Gráfico 32 apresenta-se a distribuição diária das áreas ardidas e número de ocorrências no
período de 1996 a 2006, permitindo identificar os dias do ano que foram mais críticos para a
ocorrência de incêndios no concelho de Sesimbra, nos últimos 11 anos.
100
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Distribuição dos valores diários acumulados da área ardida e do nº de ocorrências (1996-2006)
160,00
12
15 de Julho
Área Ardida
Nº de Ocorrências
140,00
6 dias críticos
67,87 % do total ardido
10
26 Junho
120,00
6 de Julho
8
80,00
6
60,00
4
40,00
2
23 de Novembro
20,00
13 de Julho
Gráfico 32.
Distribuição dos valores diários acumulados da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências (1996-2006) para o concelho de Sesimbra
101
31-Dez
26-Dez
21-Dez
16-Dez
11-Dez
06-Dez
01-Dez
26-Nov
21-Nov
16-Nov
11-Nov
06-Nov
27-Out
01-Nov
22-Out
17-Out
12-Out
07-Out
27-Set
02-Out
22-Set
17-Set
12-Set
07-Set
02-Set
28-Ago
23-Ago
18-Ago
13-Ago
08-Ago
29-Jul
03-Ago
24-Jul
19-Jul
14-Jul
09-Jul
04-Jul
29-Jun
24-Jun
19-Jun
14-Jun
09-Jun
04-Jun
30-Mai
25-Mai
20-Mai
15-Mai
10-Mai
05-Mai
30-Abr
25-Abr
20-Abr
15-Abr
10-Abr
05-Abr
31-Mar
26-Mar
21-Mar
16-Mar
11-Mar
06-Mar
01-Mar
25-Fev
20-Fev
15-Fev
10-Fev
31-Jan
05-Fev
26-Jan
21-Jan
16-Jan
11-Jan
0
06-Jan
0,00
Nº de ocorrências
8 de Outubro
01-Jan
Área ardida (ha)
100,00
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Os dias 15 de Julho e 26 de Junho foram os mais críticos dos últimos 11 anos (1996 a 2006),
com os maiores valores de área ardida (151,06 ha e 96,94 ha, respectivamente), representando
cerca de 41.09% do total de área ardida no período em análise. Em geral, Sesimbra é um
concelho com um histórico de área ardida entre 1996 e 2006 concentrada nos dias dos meses
estivais, ou seja, de Junho a Agosto, ocorrendo apenas a excepção da área ardida registada a 8
de Outubro. Salienta-se também o facto de existirem poucos dias do ano sem nenhuma
ocorrência registada, no período de 1996 a 2006.
5.3.5. Área Ardida e Ocorrências – Distribuição Horária
Analisando a distribuição gráfica horária da área ardida e n.º de ocorrências para o período de
1996 a 2006 para o concelho de Sesimbra (Gráfico 33), verifica-se que o maior registo de área
ardida ocorreu no período entre as 16:00h e as 16:59h (cerca de 209,95 ha, que correspondem a
34.78% da área ardida total), seguido dos períodos das 15:00h às 15:59h (153,27 ha).
O maior número de ocorrências foi registado no período entre as 14:00h e as 14:59h, com 76
ocorrências.
Os períodos horários observados como mais críticos correspondem às horas de maior circulação
da população (tais como a hora de almoço e saída dos empregos), e a horas de maior pico de
calor. Estes resultados são importantes para a programação das acções de sensibilização junto
das populações, prevenção, vigilância, 1.ª intervenção e combate. O reforço da vigilância e 1.ª
intervenção deverá incidir prioritariamente sobre o período das 11h às 20h.
102
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Distribuição horária da área ardida e nº de ocorrências 1996-2006
34,78% do total ardido
80
250
70
Área ardida (ha)
200
25,39% do total ardido
60
50
150
40
100
30
Período crítico - Ocorrências
12:00 - 19:59 horas
20
76,82% das ocorrências
95,13% da área ardida
50
Nº de ocorrências
2 Períodos críticos - Área ardida
60,18% da área ardida
10
0
Área ardida
Nº de Ocorrências
00:00 00:59
1:00 1:59
2:00 2:59
3:00 3:59
4:00 4:59
5:00 5:59
6:00 6:59
7:00 7:59
8:00 8:59
9:00 9:59
10:00 10:59
11:00 11:59
0,8955
1,3782
1,6855
2,651
3,237
0,871
0,081
3,076
0,526
0,277
0,608
14,1202 82,3415 21,897 47,2731 153,274 209,95
20
13
17
26
10
10
3
6
10
6
14
Gráfico 33.
21
12:00 12:59
40
13:00 13:59
35
14:00 14:59
76
15:00 15:59
61
16:00 16:59
62
17:00 17:59
18:00 18:59
19:00 19:59
20:00 - 21:00 20:59 21:59
20,841 9,4425 14,1015 8,0213
51
58
41
28
22:00 - 23:00 22:59 23:59
2,222
4,2542
0,579
25
27
13
0
Distribuição horária da área ardida (ha) e do n.º de ocorrências (1996-2006) para o concelho de Sesimbra
103
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
5.3.6. Área Ardida por Tipo de Coberto Vegetal
A área ardida de povoamentos florestais no concelho de Sesimbra representa aproximadamente
52,27% da totalidade de área ardida, para o período 1996-2006 (Gráfico 34). A área ardida de
povoamentos é superior à área ardida de matos nos anos de 1996, 1998, 2001, 2002, 2004 e
2005.
Entre 1996 e 2005 a maior área ardida de matos ocorreu no ano 2000 (26,1% do total de área
ardida ao longo dos 11 anos observados), enquanto que a maior área ardida de povoamentos
florestais ocorreu no ano 2005 (16,1% do total de área ardida ao longo dos 11 anos observados).
O ano 2000 corresponde também ao maior registo de área ardida entre 1996 e 2006, perfazendo
28,3% do total de área ardida no período considerado.
Gráfico 34.
Distribuição da área ardida (ha) por tipo de coberto vegetal (1996-2006) no concelho de
Sesimbra
180
160
Área ardida (ha)
140
120
100
80
60
40
20
0
1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006
47,5
4,6
16,2 9,2 157,6 5,1
Ardida Povoamentos 72,7
0,0
20,5 4,0
Área Ardida Matos
8,5
9,4
15,8
9,2
5,0
13,3 19,4 14,3
8,8
62,9 97,4
2,2
5.3.7. Área Ardida e Ocorrências por Classes de Extensão
O Gráfico 35 mostra a distribuição da área ardida e o número de ocorrências por classes de
extensão, que variam da classe 0-1 ha à classe >100 ha.
104
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
No período de 1996 a 2006 registaram-se fogos florestais nas classes de extensão <10 ha e >50
ha. Contudo, 92 % do total de ocorrências (616 ocorrências) registadas no concelho de Sesimbra
corresponde a fogos de pequena área ardida, entre 0 e 1 ha, seguida de 8 % de ocorrências com
área ardida na classe de 1 a 10 ha. Pode assim concluir-se que a quase totalidade das
ocorrências nos últimos 11 anos (1996-2006) no concelho de Sesimbra corresponde a muitos
incêndios de reduzida dimensão, provavelmente controlados atempadamente por equipas de 1.ª
intervenção. Há contudo três excepções no período estudado: os anos de 1996 e 2005 com 3
ocorrências com área entre 50-100 ha, e o ano de 2000 com 1 ocorrência com área> 100 ha.
300
700
250
600
500
200
400
150
300
100
200
50
0
Área ardida
Nº de ocorrências
Nº de ocorrências
Distribuição da área ardida e do n.º de ocorrências por classes de extensão (1996-2006) para o
concelho de Sesimbra
Área ardida (ha)
Gráfico 35.
100
0-1
1-10
10-20
20-50
50-100
>100
77,24
152,05
0
0,0
239,31
135
616
53
0
0
3
1
0
5.3.8. Pontos de Início e Causas
A distribuição dos pontos de início dos incêndios no concelho de Sesimbra no período 20012006 é heterogénea, ocorrendo o maior número de pontos de início na freguesia do Castelo. O
maior registo de pontos de início ocorre nos anos de 2005 e 2006.
Não existe informação sobre as causas de início para a maioria dos incêndios ocorridos no
concelho de Sesimbra entre 2001 e 2006. Num total de 318 pontos de início, apenas em 2 se
identificou a causa de início, tendo esta sido classificada como indeterminada (desconhecida)
105
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
para ambos (Quadro 25). Os pontos de início e causas dos incêndios do concelho de Sesimbra
apresentam-se no Mapa 35 – Mapa dos Pontos de Início e Causas dos Incêndios (2001-2006)
dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra (capítulo 7. Cartografia).
Quadro 25. N.º total de incêndios e causas por freguesia (2001-2006), para o concelho de Sesimbra
Freguesias
Castelo
Causas
Total de Incêndios
Desconhecida
Nº de incêndios investigados
2
232
Sub-total
2
Quinta do Conde
Sub-total
66
0
Santiago
Sub-total
20
0
Total/tipo causa
Desconhecida
2
Total Geral
318
2
5.3.9. Fontes de Alerta
A principal fonte de alerta de incêndios no concelho de Sesimbra são os populares (cerca de
45.91%), seguida pelo CDOS com 31.45%. A fonte de alerta Outros e Postos de Vigia (PV)
também são representativos (13,52% e 7,55%, respectivamente). A utilização do 117 e o alerta
dado pelos sapadores florestais (foi contabilizado apenas um registo) representam valores
marginais no total do tipo de fonte de alerta (Gráfico 36).
Gráfico 36.
Distribuição do n.º de ocorrências por fonte de alerta (2001-2006) para o concelho de Sesimbra
Legenda: CNGF – Corpo Nacional da Guarda Florestal; CDOS – Centro Distrital de Operações de Socorro; PV – Posto de Vigia
0,31%
0,31%
0,94%
31,45%
45,91%
13,52%
7,55%
Sapadores
CNGF
CDOS
Outros
PV
Populares
117
106
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Gráfico 37.
Distribuição do n.º de ocorrências por fonte e hora de alerta (2001-2006)
25
2
7
2
6
1
1
15
14
12
11
11
13
1
1
2
CNGF
6
Outros
4
Populares
Sapadores
18:00 - 18:59
17:00 - 17:59
16:00 - 16:59
15:00 - 15:59
14:00 - 14:59
1
PV
6
3
3
1
1
20:00 - 20:59
3
19:00 - 19:59
4
1
13:00 - 13:59
2
12:00 - 12:59
8:00 - 8:59
2
5
4
5
3
11:00 - 11:59
2
1
10
1
8
2
10:00 - 10:59
2
9:00 - 9:59
1
7:00 - 7:59
2
1
1
6:00 - 6:59
2
5:00 - 5:59
2
5
1
4
4:00 - 4:59
2
1
1
3:00 - 3:59
5
2:00 - 2:59
0
3
6
1:00 - 1:59
5
2
1
23:00 - 23:59
13
22:00 - 22:59
1
21:00 - 21:59
10
00:00 - 00:59
N.º de ocorrências
20
117
O alerta dado pelos populares distribui-se pelas 24 horas mas apresenta um pico das 11h às 18h59. Por outro lado, o alerta dado pelos postos de vigia (PV)
concentra-se entre as 14h e as 16h59. O alerta dado por “Outros” também se distribui pelas 24h. Os restantes alertas são marginais, ocorrendo pontualmente:
das 10h às 10h59 (alerta dados pelos sapadores); das 16h às 16h59 e das 19h às 19h59 (alerta 117); e no período 17h-17h59 (CNGF – Corpo Nacional da
Guarda Florestal).
107
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
5.4. Breve análise comparativa
No Quadro 26 apresenta-se uma comparação sumária entre alguns dados do histórico de
incêndios para os concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra.
No geral pode referir-se que os três concelhos analisados não apresentam um histórico de
incêndios crítico. De facto, Setúbal é o distrito do país com a menor área ardida média anual e
um dos mais baixos registos de ocorrências médias anuais a nível nacional, entre 1980 e 2005
segundo dados da DGRF (Damasceno e Silva, 2007).
Grande parte dos fogos (cerca de 90%) nos três concelhos analisados são de pequena
dimensão (0-1 ha), verificando-se em média 1 a 2 grandes incêndios durante os 11 anos
observados (1996-2006). A área ardida atingiu um máximo no concelho de Setúbal (720 ha),
enquanto que o n.º máximo de ocorrências foi bastante superior no concelho de Palmela (202
ocorrências) (Quadro 21).
Os meses do ano em que ocorrem mais fogos são Junho, Julho e Agosto no período 1996-2006.
Os dias da semana com maior registo de área ardida são o Sábado e a Quarta-feira. Também se
registam valores significativos de área ardida e ocorrências noutros dias da semana que variam
consoante o concelho, não sendo possível definir-se uma distribuição padrão. Os maiores
registos de área ardida ocorrem no período das 13h às 16h59, ou seja no período horário de
maior calor (Quadro 21).
Quadro 26. Síntese comparativa do histórico de incêndios para os concelhos de Palmela, Setúbal e
Sesimbra
Área
ardida1
(intervalo)
(ha)
N.º
ocorrências1
(intervalo)
Palmela
0-667
0-202
Setúbal
0-720
0-133
Concelho
Dias semana com
maior área ardida
19962005
Sábado,
Terça
Domingo,
Quarta
Dias semana com
maior n.º de
ocorrências
2006
19962005
Quarta
Sábado
Quarta
Segunda,
Quinta
2006
0-448
0-110
Com >
Área
ardida
Com > N.º
ocorrências
Fogos com área 0-1
ha2
(% do total de
ocorrências)
Quarta,
15h-15h59
Domingo
16h-16h59
90
Sexta,
Sábado
13h-13h59
17h-17h59
93
16h-16h59
14h-14h59
91,5
Sexta,
Sábado, Sábado, Segunda
Sexta
Domingo
Quarta
1 dados anuais para o período de 1980 a 2006; 2 dados para o período de 1996 a 2006
Sesimbra
Período horário2
108
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
A maior parte da área ardida em Palmela, Setúbal e Sesimbra durante o período de 1996-2006,
corresponde a povoamentos florestais. Exceptuam-se os grandes incêndios de 2004 e 2000, que
ocorreram respectivamente em Palmela e Sesimbra, em que arderam sobretudo matos. Para
concluir refere-se ainda que os populares, seguido do CDOS, são as fontes de alerta de maior
relevância na detecção dos fogos, e que as causas de incêndios identificadas foram as
desconhecidas, negligentes, e intencionais, para os 3 concelhos analisados.
5.5. Grandes Incêndios
Na área de estudo ocorreram 5 grandes incêndios (com área ardida > 100 ha) ao longo de 11
anos (1996-2006) (Gráfico 38):
•
2 no concelho de Palmela, ocorridos em 2003 (351 ha) e 2004 (427 ha);
•
2 no concelho de Setúbal, ocorridos em 2004 (710 ha) e 2005 (228,3);
•
1 no concelho de Sesimbra, ocorrido em 2000 (135 ha).
Gráfico 38. Distribuição anual da área ardida e n.º de ocorrências dos grandes incêndios (1996-2006), para
os concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
1.200
2
800
600
1
400
200
0
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
Ár ea Ar dida ( ha)
0,0
0,0
0,0
0,0
135,0
0,0
0,0
351,0
1137,0
228,3
0,0
Nº de Ocor rências
0
0
0
0
1
0
0
1
2
1
0
0
109
Nº de Ocorrências
Área ardida (ha)
1.000
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
A maior área ardida corresponde ao ano de 2004, quando ocorreram 2 grandes incêndios: um de
710 ha no concelho de Setúbal e um de 427 ha no concelho de Palmela (perfazendo cerca de
61,42% da área ardida total dos grandes incêndios). O ano de 2003 apresenta o maior registo de
área ardida a seguir a 2004, correspondendo na sua totalidade a um incêndio de 351 ha que
ocorreu no concelho de Palmela. Todos os grandes incêndios registados na área de estudo
ocorreram nas áreas de maior declive (> 30%) (ver Mapa 36).
Os grandes incêndios ocorreram em Julho, excepto o de Palmela (2003) que ocorreu em Agosto.
Saliente-se ainda que os dois grandes incêndios ocorridos no concelho de Setúbal em 2004 (710
ha) e 2005 (228,3 ha), coincidem com a realização da Festa de Nossa Senhora da Arrábida, na
segunda quinzena de Julho (ver Sub-capítulo 4.6). Este facto é particularmente interessante
porque durante esta Festa há uma grande afluência de população à região da Arrábida (Azeitão),
logo, a probabilidade de ocorrência de incêndios florestais aumenta.
A ocorrência dos grandes incêndios não apresenta um padrão claro de distribuição semanal,
tendo os vários incêndios ocorrido em diferentes dias da semana, com maior frequência aos
Sábados: Terça-feira, Quarta-feira e Domingo (com 1 registo cada), e Sábado (com dois
registos).
Por outro lado, existe um padrão mais bem definido para a ocorrência horária dos grandes
incêndios. Três grandes incêndios ocorreram no período das 15h às 15h59, sendo um deles de
causa intencional. O grande incêndio com a maior área ardida (710 ha, concelho de Setúbal)
ocorreu entre as 13h
e as 13h59, estando a sua causa identificada como negligente.
Finalmente, registou-se também um grande incêndio (351 ha) entre as 8h e as 8h59.
Os grandes incêndios representam-se no Mapa 36 – Mapa dos Grandes Incêndios (área>100
ha) – Distribuição Anual dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra (capítulo 7. Cartografia).
110
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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111
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
INE, 1991. Censos 1991: XIII Recenseamento Geral da População. Instituto Nacional de
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INE, 2001. Censos 2001: XIV Recenseamento Geral da População. Instituto Nacional de
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112
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
7. CARTOGRAFIA
Mapa 20 – Mapa do Enquadramento Geográfico dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
Mapa 21 – Mapa Hipsométrico dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
Mapa 22 – Mapa de Declives dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
Mapa 23 – Mapa de Exposições dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
Mapa 24 – Mapa Hidrográfico dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
Mapa 25 – Mapa da População Residente por Censos e Freguesia (1981/1991/2001) e
Densidade Populacional (2001) dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
Mapa 26 – Mapa de Índice de Envelhecimento (1981/1991/2001) e a sua Evolução (1981-2001)
dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
Mapa 27 – Mapa da População por Sector de Actividade (2001) dos Concelhos de Palmela,
Setúbal e Sesimbra
Mapa 28 – Mapa da Taxa de Analfabetismo (1981/1991/2001) dos Concelhos de Palmela,
Setúbal e Sesimbra
Mapa 29 – Mapa de Uso e Ocupação do Solo dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
Mapa 30 – Mapa dos Povoamentos Florestais dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
Mapa 31 – Mapa das Áreas Protegidas, Rede Natura 2000 e Regime Florestal dos Concelhos de
Palmela, Setúbal e Sesimbra
Mapa 33 – Mapa de Zonas de Recreio Florestal e Caça dos Concelhos de Palmela, Setúbal e
Sesimbra
Mapa 34 – Mapa das Áreas Ardidas – Distribuição Anual dos Concelhos de Palmela, Setúbal e
Sesimbra (1990-2006)
Mapa 35 – Mapa dos Pontos de Início e Causas dos Incêndios (2001-2006) dos Concelhos de
Palmela, Setúbal e Sesimbra
Mapa 36 – Mapa dos Grandes Incêndios (área>100 ha) – Distribuição Anual dos Concelhos de
Palmela, Setúbal e Sesimbra
113
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Mapa 20 – Mapa do Enquadramento Geográfico dos Concelhos de Palmela, Setúbal e
Sesimbra
114
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Mapa 21 – Mapa Hipsométrico dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
115
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Mapa 22 – Mapa de Declives dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
116
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Mapa 23 – Mapa de Exposições dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
117
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Mapa 24 – Mapa Hidrográfico dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
118
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Mapa 25 – Mapa da População Residente por Censos e Freguesia (1981/1991/2001) e
Densidade Populacional (2001) dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
119
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Mapa 26 – Mapa de Índice de Envelhecimento (1981/1991/2001) e a sua Evolução (19812001) dos Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
120
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Mapa 27 – Mapa da População por Sector de Actividade (2001) dos Concelhos de Palmela,
Setúbal e Sesimbra
121
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Mapa 28 – Mapa da Taxa de Analfabetismo (1981/1991/2001) dos Concelhos de Palmela,
Setúbal e Sesimbra
122
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Mapa 29 – Mapa de Uso e Ocupação do Solo dos Concelhos de Palmela, Setúbal e
Sesimbra
123
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Mapa 30 – Mapa dos Povoamentos Florestais dos Concelhos de Palmela, Setúbal e
Sesimbra
124
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Mapa 31 – Mapa das Áreas Protegidas, Rede Natura 2000 e Regime Florestal dos
Concelhos de Palmela, Setúbal e Sesimbra
125
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Mapa 33 – Mapa de Zonas de Recreio Florestal e Caça dos Concelhos de Palmela, Setúbal
e Sesimbra
126
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Mapa 34 – Mapa das Áreas Ardidas – Distribuição Anual dos Concelhos de Palmela,
Setúbal e Sesimbra (1990-2006)
127
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Mapa 35 – Mapa dos Pontos de Início e Causas dos Incêndios (2001-2006) dos Concelhos
de Palmela, Setúbal e Sesimbra
128
PLANO INTERMUNICIPAL DE DEFESA DA FLORESTA CONTRA INCÊNDIOS DOS CONCELHOS
DE PALMELA, SETÚBAL E SESIMBRA
Mapa 36 – Mapa dos Grandes Incêndios (área>100 ha) – Distribuição Anual dos Concelhos
de Palmela, Setúbal e Sesimbra
129
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Consulta Pública - Câmara Municipal de Palmela