UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE PSICOLOGIA ALEXANDER DE MELO LUIZ Dos Heróis Gregos ao Batman, uma evolução histórica, cultural e social CRICIÚMA, 2010 2 UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE PSICOLOGIA Dos Heróis Gregos ao Batman, uma evolução histórica, cultural e social Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do Grau de Bacharel em Psicologia, do curso de Psicologia da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC. Orientador (a) Professor (a): Elisiênia Cardoso de Souza Frasson Fragnani. CRICIÚMA, 2010 3 ALEXANDER DE MELO LUIZ Dos Heróis Gregos ao Batman, uma evolução histórica, cultural e social Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para a obtenção do Grau de Bacharel em Psicologia, do curso de Psicologia da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC. BANCA EXAMINADORA Prof.ª Elisiênia C.de S. F. Fragnani – Mestre em Psicologia– (UNESC) – Orientadora Prof. Paulo de Tarso Ferreira Correa –Mestre– (UNESC) Profª Elenice de Freitas Sais – Especialista – (UNESC) CRICIÚMA, 2010 4 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus por ter me iluminado nos momentos mais difíceis, a minha mãe que com sua força e determinação sempre me deu apoio, ao meu pai pelo seu bom humor e pensamento positivo e a minha orientadora pela colaboração neste trabalho. 5 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO................................................................................................6 2. OBJETIVOS....................................................................................................8 3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA......................................................................9 4. METODOLOGIA............................................................................................13 REFERENCIAS.................................................................................................14 NORMAS DA REVISTA....................................................................................16 ARTIGO.............................................................................................................22 6 1) INTRODUÇÃO Através desse projeto, por meio de pesquisa bibliográfica, se buscará um maior entendimento do personagem heróico através dos mitos da Grécia Antiga e do período da Idade Média até as Histórias em Quadrinhos (HQ) da nossa contemporaneidade (Modernidade e Pós-Modernidade). O presente estudo será feito pelo fato de se acreditar que os contos míticos da antiguidade dão um recorte de todos os aspectos inerentes às sociedades vigentes. Na Grécia Antiga se desenvolvem dois tipos de Heróis, o paladino épico, que prezava pela honra e moralidade, e o herói trágico que era desmoralizado no desenrolar do drama. Na Idade Média, as características dos personagens heróicos mudam nos mitos, mas a moralidade ainda se encontrava presente. Num primeiro momento a moral cristã tratou de reprimir o corpo e quando as características do corpo são suprimidas, a sexualidade também o é. Nesse ínterim, se destacam os santos como os grandes heróis do momento. Depois, de alguns séculos com a chegada dos romances corteses um novo tipo de herói ganha popularidade, o honroso cavaleiro que luta pela justiça e pela sua amada donzela. Nos nossos contemporâneos (modernidade e pós-modernidade) com a chegada dos veículos de comunicação em massa (populares) um novo tipo de herói começa a se destacar, os paladinos das histórias em quadrinhos. Dentre os primeiros personagens criados nas HQs está Batman, objeto do nosso estudo. Ao longo de mais de 70 anos ele faz parte da nossa história, influenciando as crianças, jovens (e porque não) adultos do mundo inteiro. 7 Desde a modernidade, onde o período histórico estabelecia um herói com forte apelo nacionalista e de ações corretas, até a pós-modernidade onde o herói vira um sujeito multifacetado, onde atitudes repreensíveis podem ser feitas pelo próprio paladino ele continua presente no nosso imaginário coletivo. Por fim, chega-se a conclusão que o caráter moral sempre esteve presente no herói, mas nos últimos tempos a barreira entre o bem e o mal não passa de uma linha muito tênue, onde cabe o paladino se equilibrar, mas nada o impede de perder o equilíbrio, e de vez em quando, cair no lado das atitudes obscuras. O que era fixo (o conceito de bom e mal) em outros períodos históricos, acaba por se desmanchar no ar na Pós-Modernidade, onde num mundo de constantes mudanças modelos fixos e rígidos de herói não são vistos com bons olhos pelo público como anteriormente. 8 2) OBJETIVOS 2.1) Objetivo Geral Estudar os heróis a fim de descobrir quais são as características sociais, culturais e psicológicas que eles representam. 2.2) Objetivos específicos * Fazer revisão bibliográfica de obras que falam dos heróis e mitos. * Compreender os aspectos históricos, culturais e sociais da Grécia Antiga, da Idade Média, da Modernidade e Pós-Modernidade. * Classificar os tipos de heróis. * Conhecer as histórias em quadrinhos do Batman. 9 3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Doron e Parot (2000, p. 505) denominam o mito como sendo uma narrativa de acontecimentos fictícios, atribuídos a deuses, a heróis humanos, a seres sobrenaturais, que explicam a origem e o destino do mundo, da humanidade, da sociedade e das forças divinas‖. Gorender destaca que para muitos estudiosos contemporâneos o mito é tido como uma falácia primitivista e fantasiosa. Nós aqui procuramos entendêlo como uma forma de conhecimento diferente do racionalismo científico que se caracteriza pela sabedoria popular dos povos antigos, onde aspectos sociais de diversas civilizações estão representadas neles, conforme Abbagnano (2000). Mas, sem sombra de dúvida, nas fábulas o herói é o personagem que mais representa os desejos humanos. O que existe na civilização são desejos individuais que estão à margem da sociedade, estes são vistos como tabu. Gera-se, com isso uma impossibilidade do sujeito sair do seu conflito, pois, estes desejos realizáveis se tornam irrealizáveis graças à interdição social. Esta vontade fica sublimada na psique humana cabendo a figura mítica do herói a execução desse desejo reprimido. (Callois 1972). Para entender o personagem mítico heróico o dividimos em determinados períodos da história onde o universo fantástico foi rico e evoluiu esplendorosamente. Começaremos por dois momentos históricos da Antiguidade Grega: Arcaica (800 à 450 a.c) e Clássica (por volta dos séculos IV e V) conforme Aymard e Auboyer (1971). 10 Na Grécia Arcaica se destaca o culto a diversos deuses que são conhecidos pelo nosso imaginário coletivo, como: Zeus, Afrodite, Apolo, Hades, dentre outros tantos. Do acasalamento entre os humanos e deuses, nascem os heróis gregos explica Kothe (1985). Esses heróis são conhecidos como semideuses, embora não sejam eternos, teem habilidades além do humano. Tanto que Chevalier (2000) comenta que ele é uma espécie de ―deus caído‖ ou ―homem divinalizado‖. Os heróis da Época Arcaica são classificados como épicos, e estão comumente ligados as obras de Homero, Ilíada e Odisséia. Nestes heróis aparece uma forte noção de honra e moralidade, sendo que eles sempre são um exemplo a ser seguido. Pois, a natureza deles são sempre as mais elevadas moralmente de acordo com Kothe (1985). O herói do Período Clássico Grego é o Paladino Trágico que ao contrário do Épico decai moralmente. O herói aqui não é mais um exemplo a ser seguido. Como pontua Vernant e Pierre-Naquet (1977) ele virou problema. O paladino começa a ser questionado, o que ele faz não é mais verdade absoluta, geralmente o que ocorre é que seus atos são dignos de reprovação, como Édipo que se vê enredado pelo destino depois de descobrir que não passa de um parricida e incestuoso. O que ocorre com os heróis da Grécia Antiga é que o primeiro (épico) vem manifestar a vontade dos deuses tida nessa época como soberana. Já o segundo (trágico) vem questionar por meio de seus atos amorais, a própria hegemonia divina, que diferentemente do Arcadismo, passou a ter concorrência no Período Clássico com a justiça dos homens, ou seja, os 11 aspectos normativos da Grécia (algo parecido com o direito que conhecemos hoje). Já a Idade Média (V-XV d.c) se destacam dois tipos de heróis. O primeiro é o Santo Cristão, cuja origem nos remonta a Alta Idade Média (V-XI) onde a igreja dominava. Com o passar do tempo, devido a ascensão de uma nova classe, a cavalaria, junto aos heróicos santos, vieram os honrosos cavaleiros. Cuja moral elevada, sempre permeava histórias de romance na Baixa Idade Média (XII-XIII). (FRANCO JÚNIOR 1996, LE GOFF 1994). Depois de enquadrarmos os tipos de heróis destes dois momentos históricos (Grécia Antiga e Idade Média) chegamos à nossa contemporaneidade, cujos períodos estudados serão o Moderno (século XVIII à última década do século XX) e a Pós-Modernidade (final da década de 80 até os idos atuais). Oliveira (2007) define modernidade como um período histórico onde as estruturas sociais que compõem o indivíduo estão bem delineadas. A pessoa sabe a que grupo pertence (gênero, sexualidade, etnia, raça e nacionalidade), sua identidade é sentida de forma indissolúvel, não fragmentada. Hall (2001) entende que dentre as características da Modernidade estão as culturas nacionais. O sujeito é tido como um ser único e indissolúvel pertencente há algo maior, o país, com toda a sua vastidão histórica, social e cultural. Esta característica patriótica fica bem clara no embate que houve durante as duas guerras mundiais e também na guerra fria onde cada nação lutava pela sua hegemonia. Tanto que em 1986 a HQ Batman: Cavaleiro das Trevas, mostrava todo um medo de aniquilação que o mundo estava passando devido o embate entre a falida União Soviética e os Estados Unidos. Krakhecke 12 (2007) pontua que uma suposta bomba é solta pela URSS atingindo uma ilha fictícia do caribe nessa história em quadrinhos. Aqui fica claro a dimensão nacionalista da Modernidade representada pela União Soviética e Estados Unidos e também a tensão mundial em relação à bomba atômica. O próprio Krakhecke (2007) pontua que o arsenal presente nesses dois países daria para acabar com o planeta não uma, mas duas vezes! Na Pós-modernidade todas as convicções fixas se desmancham no ar. Oliveira (2007) entende que a Pós-modernidade tem como característica a fragmentação dos grupos rígidos. Portanto, a idéia de sujeito único e imutável, já não pode ser mais aplicada a nossa época, tal como a idéia de um herói com características puras (somente boas). Vieira (2008) entende que as mudanças ligeiras da atualidade vão de encontro aos modelos rígidos nas histórias em quadrinhos. Ele pontua que os heróis não atendem a certos padrões e hegemonias, não sendo possível classificar os tipos de heróis, quiçá os vilões dos paladinos. Tanto que Vargas (2007) comenta sobre a linha tênue que separa o heroísmo e a lucidez de Batman da loucura e vilania do Coringa em Asilo Arkham (.Grant Morrison e Dave Mc Kean 2003). 13 4. METODOLOGIA Buscou-se estudar primeiro os diversos períodos históricos da civilização humana, a fim de descobrir e estudar as épocas em que os contos míticos heróicos evoluíram plenamente, representando toda uma gana de aspectos das sociedades escolhidas. Baseado nisso, as eras antigas estudadas no presente trabalho foram a Grécia Antiga e a Idade Média. Afim, de estudar os momentos históricos pelo qual o personagem em questão (Batman) passou, foram estudados os períodos atuais da nossa história moderna e pós-moderna. Com isto, procurou-se entender as representações sociais, históricas, culturais e psicológicas presente nas histórias em quadrinhos. Por último, foram lidos artigos e algumas HQs de Batman, para elucidar a influência dele nas pessoas e de como os momentos históricos estão representados nas histórias em quadrinhos do Homem-Morcego. 14 REFERÊNCIAS * GORENDER, Miriam Elza. Batman e o parricídio. UFRJ, Rio de Janeiro, (não consta o ano no artigo). 5 p. * Chevalier, Jean. Dicionário de Símbolos: mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. Rio de Janeiro, 15ª Edição. José Olympio, 2000. 996 p. * DORON, Roland ; PAROT, Françoise. Dicionário de Psicologia. São Paulo. Editora Ática, 200. 863 p. * OLIVEIRA, de Luísa. A jornada do herói na trajetória de Batman. BOLETIM DE PSICOLOGIA, 2007, VOL. LVII, Nº 127: 139-152 BOLETIM DE PSICOLOGIA, 2007, VOL. LVII, Nº 127: 139-152. * Vernant, Jean-Pierre ; Vidal-Naquet, Pierre. Mito e tragédia na Grécia Antiga. 1ª edição. Livraria Duas Cidades, 1977. 163 p. * LE GOFF, Jacques. O imaginário Medieval. Portugal. Editora Estampa, 1994. 367 p. * FRANCO JÚNIOR, Hilário. A Eva barbada: Ensaios de mitologia medieval. São Paulo. Editora da Universidade de São Paulo, 1996. 247 p. 15 * HALL, Stuart. A identidade cultural na Pós- modernidade. Rio de Janeiro, 5ª edição. DP&A editora, 2001. 102 p. * VARGAS, Alexandre Linck. A morte do homem no morcego. Palhoça. Dissertação-mestrado: Universidade do Sul de Santa Catarina, 2007. 132 p. * KRAKHECKE, Carlos André. A Guerra Fria da década de 1980 nas Histórias em Quadrinhos Batman- O Cavaleiro das Trevas e Watchmen. História, imagem e narrativas. PUCRS/PPGH, Rio Grande do Sul, Brasil. 2007. 25 p. * Abbagnano, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo. Martins Fontes, 2000. 1014 p. * VIEIRA, Marcos. Corpo, identidade e poder nos quadrinhos de superheróis: Um estudo de representações. Rio de Janeiro. II Seminário PPGCOM. Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, 2008. 15 p. * Kothe, Flávio R. O herói. 1ª edição. Editora ática, 1985. 94 p. * CAILLOIS, Roger. O mito e o homem moderno. Lisboa. Edições 70, 1972. 137 p. 16 NORMAS DA REVISTA Projeto e política editorial INTERFACE — Comunicação, Saúde, Educação publica artigos analíticos e/ou ensaísticos, resenhas críticas e notas de pesquisa (textos inéditos); edita debates e entrevistas; e veicula resumos de dissertações e teses e notas sobre eventos e assuntos de interesse. Os editores reservam-se o direito de efetuar alterações e/ou cortes nos originais recebidos para adequá-los às normas da revista, mantendo estilo e conteúdo. Toda submissão de manuscrito à Interface está condicionada ao atendimento às normas descritas abaixo. Forma e preparação de manuscritos SEÇÕES Dossiê — textos ensaísticos ou analíticos temáticos, a convite dos editores, resultantes de estudos e pesquisas originais (até sete mil palavras). Artigos — textos analíticos ou de revisão resultantes de pesquisas originais teóricas ou de campo referentes a temas de interesse para a revista (até sete mil palavras). Debates — conjunto de textos sobre temas atuais e/ou polêmicos propostos pelos editores ou por colaboradores e debatidos por especialistas, que expõem seus pontos de vista, cabendo aos editores a edição final dos textos. (Texto de abertura: até seis mil palavras; textos dos debatedores: até mil palavras; 17 réplica: até mil palavras.). Espaço aberto — notas preliminares de pesquisa, textos que problematizam temas polêmicos e/ou atuais, relatos de experiência ou informações relevantes veiculadas em meio eletrônico (até cinco mil palavras). Entrevistas — depoimentos de pessoas cujas histórias de vida ou realizações profissionais sejam relevantes para as áreas de abrangência da revista (até sete mil palavras). Livros — publicações lançadas no Brasil ou exterior, sob a forma de resenhas críticas, comentários, ou colagem organizada com fragmentos do livro (até três mil palavras). Teses — descrição sucinta de dissertações de mestrado, teses de doutorado e/ou de livre-docência; título, palavras-chave e resumo (até quinhentas palavras) em português, inglês e espanhol. Informar o endereço de acesso ao texto completo, se disponível na internet. Criação — textos de reflexão com maior liberdade formal, com ênfase em linguagem iconográfica, poética, literária etc. Informes — notas sobre eventos, acontecimentos, projetos inovadores (até duas mil palavras). Cartas — comentários sobre publicações da revista e notas ou opiniões sobre assuntos de interesse dos leitores (até mil palavras). Observação: na contagem de palavras do texto, excluem-se título, resumo e palavras-chave. 18 SUBMISSÃO DE ORIGINAIS Interface - Comunicação, Saúde, Educação aceita colaborações em português, espanhol e inglês para todas as seções. Apenas trabalhos inéditos serão submetidos à avaliação. Não serão aceitas para submissão traduções de textos publicados em outra língua. Os originais devem ser digitados em Word ou RTF, fonte Arial 12, respeitando o número máximo de palavras definido por seção da revista. Todos os originais submetidos à publicação devem dispor de resumo e palavras-chave alusivas à temática (com exceção das seções Livros, Criação, Informes e Cartas). Da folha de rosto devem constar título (em português, espanhol e inglês) e dados dos autores com as informações na seguinte ordem: Autor principal: vínculo institucional - Departamento, Unidade, Universidade (apenas um, por extenso). Endereço completo para correspondência, telefones de contato, e-mail. Co-autores: vínculo institucional - Departamento, Unidade, Universidade (apenas um, por extenso). Email. Observação: não havendo vínculo institucional, informar a atividade profissional. A titulação dos autores não deve ser informada. A indicação dos nomes dos autores logo abaixo do título é limitada a oito. Acima deste número serão listados no rodapé da página. Também em nota de rodapé o (s) autor (es)deve (m) explicitar se o texto é inédito, se foi financiado, se é resultado de dissertação de mestrado ou tese de doutorado, se há conflitos de interesse e, em caso de pesquisa com seres 19 humanos, se foi aprovada por Comitê de Ética da área, indicando o número do processo. Em texto com dois autores ou mais devem ser especificadas, antes das referências, as responsabilidades individuais de todos os autores na preparação do mesmo, de acordo com um dos modelos a seguir: Modelo 1: "Os autores trabalharam juntos em todas as etapas de produção do manuscrito." Modelo 2: "Autor X responsabilizou-se por…; Autor Y responsabilizou-se por…; Author Z responsabilizou-se por…, etc." Da primeira página devem constar (em português, espanhol e inglês): título, resumo (até 150 palavras) e no máximo cinco palavras-chave. Observação: na contagem de palavras do resumo, excluem-se título e palavras-chave. Notas de rodapé - numeradas, sucintas, usadas somente quando necessário. Citações - referências no texto devem subordinar-se à forma -Autor, ano, página, em caixa baixa (apenas a primeira letra do sobrenome do autor em caixa alta) conforme o exemplo: ― ...e criar as condições para a construção de conhecimentos de forma colaborativa (Kenski, 2001, p. 31). As referências citadas devem ser listadas no final do texto, em ordem alfabética, segundo normas adaptadas da ABNT (NBR 6023), conforme os exemplos: LIVROS: FREIRE, P. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Ed. Unesp, 2000. 20 ARTIGOS em REVISTAS: TEIXEIRA, R.R. Modelos comunicacionais e práticas de saúde. Interface — Comunic., Saúde, Educ., v.1, n.1, p.7-40, 1997. TESES: IYDA, M. Mudanças nas relações de produção e migração: o caso de Botucatu e São Manuel. 1979. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo, São Paulo. EVENTOS: PAIM, J.S. O SUS no ensino médico: retórica ou realidade. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO MÉDICA, 33., 1995, São Paulo. Anais... São Paulo, 1995. p.5. CAPÍTULOS DE LIVROS: QUÉAU, P. O tempo do virtual. In: PARENTE, A. (Org.). Imagem máquina: a era das tecnologias do virtual. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1996. p.91-9. DOCUMENTOS ELETRÔNICOS: WAGNER, C.D.; PERSSON, P.B. Chaos in cardiovascular system: an update. Cardiovasc. Res., v.40, p.257-64, 1998. Disponível em: <http://www.probe.br/science.html>. Acesso em: 20 jun. 1999. * Os autores devem verificar se os endereços eletrônicos (URL) citados no texto ainda estão ativos. Ilustrações - imagens, figuras ou desenhos devem estar em formato tiff ou jpeg, com resolução mínima de 200 dpi, tamanho máximo 16 x 20 cm, em tons de cinza, com legenda e fonte arial 9. Tabelas e gráficos torre podem ser produzidos em word. Outros tipos de gráficos (pizza, evolução...) devem ser produzidos em programa de imagem (photoshop ou corel draw). Todas as ilustrações devem estar em arquivos separados e serão inseridas no sistema como documentos suplementares, com respectivas legendas e numeração. No texto deve haver indicação do local de inserção de cada uma delas. 21 As submissões devem ser realizadas on-line no endereço: http://submission.scielo.br/index.php/icse/login ANÁLISE E APROVAÇÃO DOS ORIGINAIS Todo texto enviado para publicação será submetido a uma pré-avaliação inicial, pelo Corpo Editorial. Uma vez aprovado, será encaminhado à revisão por pares (no mínimo dois relatores). O material será devolvido ao (s) autor (es) caso os relatores sugiram mudanças e/ou correções. Em caso de divergência de pareceres, o texto será encaminhado a um terceiro relator, para arbitragem. A decisão final sobre o mérito do trabalho é de responsabilidade do Corpo Editorial (editores e editores associados). A publicação do trabalho implica a cessão integral dos direitos autorais à Interface - Comunicação, Saúde, Educação. Não é permitida a reprodução parcial ou total de artigos e matérias publicadas, sem a prévia autorização dos editores. Os textos são de responsabilidade dos autores, não coincidindo, necessariamente, com o ponto de vista dos editores e do Conselho Editorial da revista. 22 Dos Heróis Gregos ao Batman, uma evolução histórica, cultural e social The Greek Heroes to the Batman, the historic, cultural and social evolution Los Héroes Griegos al Batman, una evolución histórica, cultural e social Alexander de Melo Luiz Acadêmico do curso de Psicologia da Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC Endereço: Rua Etelvina de Oliveira Muniz, bairro Morro Estevão, Criciúma-SC. E-mail: [email protected] Elisienia C. S. Frasson Fragnani. Professora MSc. Orientadora de TCC do curso de Psicologia da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC – E-mail: [email protected] RESUMO A representação do Herói, nas mais diversas culturas, engendra características dos tempos em que os mitos envolvendo esses paladinos foram feitas. Na Grécia Antiga as histórias homéricas e do teatro clássico elucidam o paradigma que há entre o homem e deus, no qual o fruto de toda a repugnância e desejos humanos são projetados nos personagens dessas fábulas. Na Idade Média, o corpo tratou de ser subjugado pela doutrina cristã, garantindo a hegemonia do dogma cristão sobre os ritos pagãos. Já na época contemporânea, o que se vê, é que longe de ser uma linguagem esquecida, os mitos ainda continuam presentes em nossa vida, servindo de alimento para a alma sofredora e representando, através das histórias em quadrinhos do Batman, o contexto Moderno e Pós-moderno da contemporaneidade. Palavras-chave: herói, mito, história em quadrinhos, Batman. ABSTRACT The representation of the Hero, in the most diverse cultures, produces characteristics of the times where the myths involving these paladins had been made. In Old Greece Homeric’s histories and of the classic theater elucidate the paradigm that has between the man and god, in which the origin of all the human repugnance and desires are projected in the personages of these fables. In the Average Age, the body dealt with being overwhelmed by the Christian doctrine, guaranteeing the hegemony of the Christian dogma on the heathen rites. Already at the time contemporary, what she sees is that far from being a forgotten language, the myths still continue gifts in our life, serving of 23 food for the sufferer soul and representing, through histories in Comics of the Batman, the Modern context and After-modern of the contemporary age. Keywords: Hero, Myth, Comics, Batman RESUMEN La representación del héroe, en las culturas malas varios, producir las características de los tiempos, por tanto, los mitos que implicaban la estos paladines habían sido hechos. En las viejas historias homéricas de y del teatro el clásico aclarar su paradigma que tiene entre el hombre y Dios, en acerca de la fruta a lo largo del repugnancia humana y los deseos se proyectan en los personajes de estas fábulas. En la edad media, el cuerpo trató ser abrumado por la doctrina cristiana, garantizando la hegemonía del dogma cristiano en los paganos ritos. Ya cuando el contemporáneo, qué ella ve es ése mucho!! Ser una lengua olvidada, Los mitos todavía persiste los manguitos en nuestra vida, servicio del alimenta el alma de la víctima y representación, con historias en los tebeos del Batman, el contexto moderno y postmodernismo de la contemporaneidad. Palabras claves: Héroe, Mito, Tebeos, Batman. Introdução Nesta revisão bibliográfica procurou-se compreender o significado do Herói na composição do homem moderno e pós-moderno. Para isto, procurou-se compreender as definições inerentes ao mito e a figura heróica, a fim de entender os significados culturais, históricos, sociais e psicológicos do maravilhoso, na época da Grécia Antiga, Idade Medieval até os dias atuais. Tendo por objetivo analisar os aspectos inerentes à época Moderna e Pós-Moderna. Serão usadas como base algumas Histórias em 24 quadrinhos do Batman, bem como suas representações no social e psicológico no indivíduo contemporâneo. O Mito, O Herói Tendo em pauta a riqueza mitológica inerente aos mitos gregos, começaremos a jornada explicando o que é mito e a denominação de Herói. (Aymard e Auboyer, 1971) Doron e Parot (2000, p. 505) denominam o mito, como sendo ―uma narrativa de acontecimentos fictícios, atribuídos aos deuses, aos heróis humanos, aos s eres sobrenaturais, que explicam a origem e o destino do mundo, da humanidade, da sociedade e das forças divinas‖. Já Abbagnano (2000) nos remete a três correntes distintas para explicar os mitos, são elas: (1) O mito como forma de intelectualidade; (2) O mito como forma autônoma de pensamento de vida; (3) O mito como instrumento de estudo social. O mito como forma atenuada de intelectualidade é entendido como um produto inferior ou alterado da atividade racional. Baseado neste ponto de vista, ele é tido como atividade anterior à ciência. Ou seja, é um construto de falácia primitivista criado para explicar coisas que o homem desconhecia antes da origem da ciência. O mito como forma autônoma de pensamento ou de vida, não é entendido como subordinado à ciência. Ele é antes de tudo uma forma original de 25 conhecimento, pontua Abbagnano (2000). A alegoria é, pois, uma verdade autêntica (verdade essencial) sob forma fantástica ou poética em que se transmite a sabedoria dos antepassados. Mito como instrumento de estudo social: aqui nem a desvalorização do mito e nem a supervalorização do maravilhoso, são atribuídos ao conteúdo alegórico, explica Abbagnano (2000). Então, os contos míticos podem ser estudados sob o critério societário, tanto nos povos antigos, como nas sociedades atuais. Rossi (2008) assegura que o mito é uma maneira de comunicação que faz parte de um conjunto alegórico (constituído de símbolos e metáforas), no qual, através da alegoria e figuras de linguagem, o momento sociocultural é representado. Doron e Parot (2000) falam que o mito é uma narrativa fictícia, na qual figuras divinas (deuses), heróicas (semideuses) e seres sobrenaturais (criaturas míticas como cíclope, sereias, minotauros) povoam essas obras. São essas figuras os personagens que representam toda uma gama de eventos mundanos da sociedade Grega Antiga, que foram evoluindo no decorrer dos séculos até chegar aos mitos modernos. O herói pode ser definido, de acordo com Doron e Parot (2000, p.387) como: Personagem lendário que supera provas e realiza façanhas bem acima das capacidades normalmente atribuídas aos seres humanos. Esse caráter fora das normas faz do herói uma figura extraordinária (os semideuses da mitologia) que transpõe limites e o coloca além das leis naturais e sociais. Sua filiação anula, às vezes, os laços habituais de parentesco e o faz opor-se dramaticamente àquele que ocupa o lugar do pai. Associadas à força de figuração dos heróis, suas imagens estruturam a vida psíquica, simbolizando a dramaturgia das tensões interiores e alimentando as funções da imaginação. 26 Os heróis podem ser estudados desde a Grécia Antiga, e alguns são chamados semideuses; por serem frutos de um acasalamento entre um ser humano (homem ou mulher) com uma figura divina (deus ou deusa), simbolizando a união entre as forças terrestres e celestes. (Kothe, 1985; Chevalier, 2000). Em suas características, o herói não é imortal; porém, conserva em sua vida terrena um poder além do ser humano normal, sendo uma espécie de ―deus caído‖ ou ―homem divinalizado‖, já que eles possuem habilidades fora do comum de acordo com Chevalier (2000) e Burkert (1993). A primeira classificação encontrada para heróis retoma a própria histórica da Grécia, berço cultural ocidental, e fonte de explicações sobre nossa existência. Aymard e Auboyer (1971) classificam os heróis gregos da Grécia Antiga, em dois períodos, Arcaico (800 a 450 a.c) representado pelo herói épico e o Clássico (séculos V-IV a.c) representado pelo herói trágico. No período arcaico, os heróis épicos possuem nas fábulas uma elevação moral. As histórias Homéricas, segundo Del Prado (1996) iam além de se ter bons cavalos, armaduras e armas, essas poesias prezavam pela moralidade. Este Herói é sempre um exemplo a ser seguido. (Vernant; Pierre-Naquet, 1977). Como exemplos de heróis dessa época estão: Hércules, Ulisses e Aquiles. Burkert (1993) comenta que Hércules em seu status divino, é visto como um deus, podendo estar, tanto no mundo Olímpico (dos deuses) quanto no mundo 27 Ctônico (dos mortos). Já Ulisses é um sujeito muito sagaz e inteligente que usa destes atributos para sair das mais complicadas situações. Por último, temos Aquiles que assume a tangência de um herói, se caracterizando pelo uso da força e coragem presentes no guerreiro. Já o trágico, do período clássico, decai no desenrolar do drama. O que decai, acima de tudo, são as suas ações imorais. É o tipo de herói que problematiza determinada situação conforme Vernant e Pierre-Naquet (1977). Então, nem sempre o caminho escolhido pelo Herói da tragédia é um exemplo a ser seguido. Como exemplo, temos os semideuses Édipo e Prometeu. Édipo se vê enredado pelas artimanhas do destino, predestinado a matar seu pai e casa com sua mãe. Já Prometeu representa o herói que salvará toda a humanidade através de seu conhecimento. (Souza, 1950). Considerando as diferenças dentre o herói épico e trágico temos como distinção a participação dos deuses na história. O Épico sempre é ajudado por uma divindade, já o Trágico se vê ―esmagado‖ pelas forças divinas, há um deus que controla o destino do herói que em vez de lhe ajudar, o repudia. (Vernant e Pierre-Naquet, 1977). O Herói e sua evolução histórica, cultural e social Para falarmos sobre a gama de aspectos inerentes aos heróis, precisamos situar que o nascimento deles está vinculado a uma época, em uma história que lhes sustenta e dá significado. 28 Os heróis da era arcaica, supracitados, foram criados em uma Grécia onde a aristocracia era forte; esses possuíam poder e eram grandes proprietários de terras. Naquele tempo nada valia mais do que o espaço territorial, conforme destacam Aymar e Auboyer (1971). Havia também a nobreza, denominada Genos (hereditariedade), na qual se valorizavam mais os aspectos de grupo como o de família, do que o individual. (Savioli, 2006). Em plena época de extensão de fronteiras os heróis gregos representam a ideia política de que os governantes eram superiores ao governados. (Aymard; Auboyer, 1971; Abbagnano, 2000). Foi durante essa época que ocorreu a guerra contra os Persas, em que todo o povo grego se aliou para expulsá-los dos seus domínios, conforme Aymard e Auboyer (1971). Na Grécia clássica, a intensa evolução do teatro e demais esferas da sociedade poderiam evoluir. Isto ocorreu graças à mudança de foco do país, que sai da luta contra um ente estrangeiro para a evolução interior, nos mais variados aspectos artísticos, democráticos e intelectuais. Porém, novos revanchismos se fizeram presentes na Grécia. Desta vez, os embates são internos. Destacam-se nesse âmbito a batalha entre a culta Atenas e a militarista Sparta. E após 27 anos de batalha, Sparta se consagra como vencedora. (Senett, 2003). Um aspecto a ser considerado nessa época é a ênfase que se dava ao corpo humano. O corpo era e ainda é sinônimo de poder. O corpo daqueles que eram 29 vigorosos eram considerados quentes e, portanto, poderiam usar de menos vestuário. Para Kothe (1985) e Souza (1950), outro aspecto que o herói trágico implicitamente traz e que historicamente coincide com a queda do politeísmo grego, no período helênico, no qual se enfatizava a razão e a ciência. Tanto em uma época quanto outra, arcaica e clássica, Koethe (1985), pontua que os heróis da antiguidade (épicos e trágicos) vêm mostrar ao público o caráter elevado do nobre que tenta a todo custo recuperar o estágio inicial dos acontecimentos, o status quo em sua sociedade. A busca pelo status quo sempre foi a marca que todos os nobres perseguiam. Segundo esse prisma, os aristocratas da Grécia arcaica utilizavam da figura heróica, para reforçarem ainda mais a importância das coisas continuarem como estavam, para que assim, pudessem continuar governando. Cabendo ao herói zelar pelo status quo da nobreza. Com o passar dos séculos subseqüentes, o que ocorre no ocidente é que todo universo mítico e maravilhoso da Grécia, é acoplado a outras civilizações posteriores, como ocorre com a mitologia Greco-romana, cuja origem serviu para anunciar um novo tipo de mitologia (entendido como Maravilhoso para Le Goeff) na Idade Média. Le Goeff (1994) divide a Idade Medieval (século V ao XV d.c) em dois períodos principais. A alta idade média (V-XI) e a baixa idade média (séculos XII e XIII). 30 Na alta idade média existia uma preocupação muito forte do cristianismo contra os outros dogmas e culturas descritas pela igreja como pagãs (cultura céltica, germânica e irlandesa). Pois, estes cultos eram tidos pela igreja como perigosos, de acordo com Le Goeff (1994). Isto ocorria por que o cristianismo buscava uma hegemonia dogmática e cultural no começo da Idade Média. Portanto, tudo que era contrário ao dogma Cristão era tido como inimigo aos seus olhos. Isso tratou de tornar o maravilhoso pouco rico, pois culturalmente, o que se aceitava era a mitologia da igreja, ou seja, a verdade absoluta era a que estava escrita na bíblia, suprimindo outras culturas. Nessa época havia uma grande repressão dos aspectos corporais, pois é no corpo que o pecado encontrava guarida para acontecer, como exemplo, têm-se a gula e a luxúria. Comparando os gêneros, a mulher sofre mais repressão sexual que o homem. Os heróis desta época eram, sobretudo, os santos. Franco Júnior (1996) denomina-o como uma santificação que seguia normas da igreja cristã, em que a principal regra era as confirmações dos milagres. Destacam-se como exemplos neste período todos os santos da época, de uma maneira geral, mas em grau de importância, ninguém teve maior expressividade do que Jesus Cristo. Na baixa idade média passou a existir uma pressão política sobre a igreja cristã no ocidente. Isto se deu, devido à subida de status social de uma nova classe, a cavalaria. Além disso, a igreja já não se preocupava tanto, como outrora, com as culturas pagãs. Estas encontraram guarida para penetrarem na civilização Medieval através dos romances corteses. Le Goeff (1994) pondera que a 31 repressão sexual da alta idade média foi ―afrouxada‖ durante os séculos XII e XIII. Nessas histórias havia sempre um romance entre um cavaleiro, cuja principal característica era a honra, com uma mulher: rainha, princesa, feiticeira e fada. Nesses romances havia um sincretismo de culturas entre o cristianismo e as fábulas populares antigas pagãs. Baseado nisto, poder-se-ia afirmar que existiam dois flancos míticos na época medieval: o laico e o clérigo. Franco Júnior (1996) entende o clérigo como os contos presentes na bíblia. Contudo, o laico é o que se encontra no folclore popular das civilizações pagãs. Dentre os heróis cavalheirescos da baixa idade média podemos citar Tristão e Isolda. Fugindo do que era entendido como civilizado na época; castelo e cidade, cujo domínio era do cristianismo e dos reis para o selvagem; floresta, onde eremitas de dogmas pagãos realizavam seus cultos e trabalhadores rudimentares trabalhavam. Tem-se também, as famosas histórias arturescas, nais quais fica bem clara a confluência exercida entre o selvagem, portanto pagão, e o cristianismo, tido como civilizado. (Le Goeff, 1994; Franco Júnior, 1996). O herói ainda está muito em evidência atualmente. Ao contrário, do que muita gente pensa, ele está presente no nosso mundo contemporâneo nas mais diversas mídias: televisão, livros e histórias em quadrinhos. Vamos nos ater a Modernidade (século XVIII à última década do século XX) e a Pós-Modernidade (Final da década de 80 até os idos atuais) para que mais adiante se possa explicar o contexto social e histórico da figura heróica das histórias em quadrinhos. 32 No começo da Modernidade ocorre um aprimoramento da tecnologia, com o surgimento da máquina a vapor, produção em série e em larga escala. (Vieira e Vieira, 2004). Oliveira (2008) define modernidade como um período histórico, no qual as estruturas sociais que compõem o indivíduo estão bem delineadas. A pessoa sabe a que grupo pertence (gênero, sexualidade, etnia, raça e nacionalidade), sua identidade é sentida de forma indissolúvel, não fragmentada. Hall (2001) entende que entre as características da Modernidade estão as culturas nacionais. O sujeito é tido como um ser único e indissolúvel pertencente há algo maior, o país; com toda a sua vastidão histórica, social e cultural. Esta característica patriótica fica bem clara no embate que houve durante as duas guerras mundiais e também na guerra fria em que cada nação lutava pela sua hegemonia. Depois da 2º Guerra Mundial o mundo se viu dividido, política e filosoficamente, entre duas correntes de pensamento: o liberalismo econômico capitalista e o comunista materialista, de acordo com Vieira e Vieira (2004). O capitalismo e o comunismo se acirravam pelo poder mundial. O exemplo mais marcante que se tem desse embate é o da Guerra Fria (1947-1989), que durante décadas foi encabeçada pela União Soviética comunista, contra os Estados Unidos capitalista. A busca pelo poder e tecnologia travaram uma luta ínfima, sobretudo, na conquista do espaço e do armamento pesado se destacando. Nesse ínterim, a bomba atômica. A preocupação por parte de toda a população do mundo por uma 3º guerra mundial estava iminente. (krakhecke, 2007). 33 Dentre os heróis das histórias em quadrinhos que eclodiram nesse momento da Modernidade podem-se citar o Superman, o Batman, o Capitão-América e Watchmen. Krakheche (2007) identifica que durante o período da Guerra Fria, muitas vezes, os antagonistas destes heróis, culturalmente norte-americanos, eram os soviéticos. Contudo, devido aos grandes gastos com armamento e tecnologia, junto com uma estagnação econômica de muitos anos o regime soviético comunista se desmantela em 1989, abrindo sua economia para o mundo Liberal Capitalista. (Krakhecke, 2007). Este desmantelamento do comunismo soviético é tido por Vieira e Vieira (2004) como uma das causas que possibilitaram a eclosão de um novo momento histórico, tido por muitos, como Pós-moderno. As idealizações nacionalistas acabam por ruir, não existem mais dois lados da moeda (comunista e capitalista). O mundo política e economicamente, atende por uma uniformidade, conhecida agora como Neoliberal, acabando com o modelo cultural fixo de nacionalidade. Oliveira (2007) entende que a Pós-modernidade tem como característica a fragmentação dos grupos rígidos. Portanto, a ideia de sujeito único e imutável, já não pode ser mais aplicada à nossa época. Hall (2001) entende que atualmente há uma fragmentação das identidades que geram uma multiplicidade de estilos. Num mundo onde as pessoas estão interligadas e que o tempo e o espaço não são mais barreiras gigantescas, onde se pode saber o que está acontecendo do outro lado do mundo, simplesmente ligando a televisão, não dá mais para se dizer que determinada cultura pertence simplesmente a uma nação ou região. 34 Além, da fragmentação nacionalista, tem-se de acordo com Vieira e Vieira (2004) uma grande evolução da tecnologia cibernética. Se o grande marco da era Moderna foi a máquina a vapor, na Pós-Modernidade o objeto símbolo é o Micro-computador, principalmente no que concerne a década de 90 em diante. Desta forma, tecnologias novas são lançadas rapidamente, o que era novo se torna velho com uma rapidez impressionante e a fronteira entre espaço-tempo é minimizada. No meio desse salto tecnológico, a partir dos anos 90, surge nas HQs de todo mundo a colorização digital, que nos quadrinhos culmina numa maior riqueza de cores e entretons. Entretanto, Batman continua ainda mais sombrio do que anteriormente. (Busch e Vogelman,200-). Nesse sentido, as histórias em quadrinhos podem ser tidas como recortes de uma determinada sociedade. Krakhecke (2007), assim como Jarcem e Nassau (2007), entendem que as histórias em quadrinhos retratam a realidade histórica e social. As histórias em quadrinhos não surgem à margem de uma época, nascem a fim de representar os valores que regulam determinada sociedade. Porém, é importante citar que as sociedades mudam através dos tempos, e é devido a essa mudança social que os heróis das HQs também se veem obrigados a mudar. Esta flexibilização é que garante o sucesso de alguns desses personagens, geração após geração de acordo com Busch e Vogelman (200-). Baseado nas características distintas de Batman, nas mais diversas gerações, a história do homem morcego foi dividida em 4 grandes momentos: a) o 35 primeiro ano de Batman (1939), b) de 1940 a 1967, c) de 1968 a 1986 e d) de 1987 aos dias atuais. Considerando as histórias em quadrinhos do Batman, as principais obras correspondentes aos períodos supracitados são: Detetive Comics (DC) nº 27 e 39, Batman 1, Batman: Cavaleiro das Trevas, Piada Mortal e Asilo Arkham. Em Batman 1 (2007) traz várias histórias clássicas de Batman. Em ―O Retorno do Coringa‖ da década de 40, o caráter pedagógico de Batman que ensina as crianças atributos de boa índole, como respeito e nacionalismo. Na HQ Batman: Cavaleiro das Trevas (1986) fica explícito o medo que os cidadãos dos Estados Unidos e do mundo tinham da bomba atômica. Em Asilo Arkham (1989) e A Piada Mortal de 1988, ocorre o recorte de uma eclosão de um novo tempo pós-moderno. E por último, a HQ Crise de Identidade (2004) a qual Batman, integrante da liga da justiça, junto com Superman, Robin, Flash, dentre outros, vive num liame bastante complexo e estreito entre herói e vilão. (Krakhecke, 2007; Vieira, 2008; Busch e Vogelman (200-). Aprofundando os aspectos históricos, culturais e sociais de cada época, o primeiro momento correspondente a sua origem, representando o período entre guerras, e projeta o sentimento de proteção às pessoas, através da luta contra o mal. Batman, personagem criado por Bob Kane em 1939, é um entre muitos heróis criados nessa época, cuja missão era a constante luta entre o bem com o mal. (Araújo, 2002; Jarcem e Nassau, 2007). Jarcem e Nassau (2007) difundem que mais de quatrocentos heróis foram criados nesse período. Mas, nem todos vingaram. Muitos se alistaram na guerra, e eram verdadeiras armas ideológicas do estado. 36 Oliveira (2007) entende que o grande fluxo de criação dos heróis se deu devido há uma idealização de alguém que pudesse salvar a humanidade das forças do mal. Com Batman isto ocorre explicitamente na cena em que seus pais são mortos por um bandido (DC Nº 39). Depois do fato, o pequeno Bruce jura lutar pela justiça contra o mal que assolava a cidade. Ironicamente, nos heróis criados naquela época, o mal, representado nessas histórias, era a eclosão da própria 2º guerra mundial que ameaçava acabar com o mundo pela própria estupidez humana. Vieira e Vieira (2004) afirmam que no período entre guerras, destacaram-se as tecnologias mecânicas, portanto, esse era o sinônimo de evolução na época. E realmente foi até a chegada da 2ª Guerra mundial. Na Detective Comics nº 27, Bruce Wayne já aparecia com um carro da época, o Ford Coupe, 1939 (tecnologia mecânica). O segundo momento de 1940 a 1967, foi marcado pela solidificação dos estados nacionais. A partir de 1940, Batman começa a tomar uma postura moral mais elevada. O herói começa a ser um sujeito ―politicamente correto‖, ou seja, um indivíduo portador de moral, tornando-se quase didático de acordo com Busch e Vogelman (200-). O uniforme de Batman passa a ser menos sombrio, mais azul. Isto se deu porque existia uma conotação pejorativa daquela época que dizia que as pessoas más vestiam preto. Batman, então, é visto como um herói responsável, zelando pelo menino prodígio (Robin). Tanto que numa edição especial, Batman 1, lançada pela Panini em 2007, aparecem na história ―O Retorno do Coringa‖ (década de 40), 37 as regras de ouro para ser um recruta de Robin, que são respeito, bondade, inteligência, nacionalismo e obediência, conforme Busch e Vogelman (200-). Os autores mostravam consciência do que passavam as crianças. Eles sabiam que eram formadores de opinião e por isso, tratavam de ensinar bons costumes, ao invés de apresentar histórias com menos valores e mais ação, se estendendo essa conduta pelos anos subsequentes. Esse apelo pela moralidade se deu, conforme Vargas (2007) devido a um código de ética imposto às HQs, já que estas eram acusadas de promulgar a preguiça e a delinquência infantil. Portanto, Batman entre os anos 40, 50 e 60, raramente batia em seres humanos. As vitimas de Batman eram ET’s do espaço sideral e máquinas tecnológicas. Outra causa fazia jus ao momento histórico da época como pontuam Beiras et all (2007), no passado ideais corporais de masculinidade e virilidade eram sinônimos de barba no rosto e pelos pelo corpo. Com base nisto, pode-se entrar no meandro de que Batman estava num tempo em que o gentleman de corpo saudável, com sua boa educação e gentileza, eram tidos com padrão de masculinidade. Coube ao herói ensinar então, a gentileza e o caminho correto para as criancinhas, adentrando nesse padrão de homem/herói fixo e nacionalista próprio da modernidade; num cenário pós-guerra, uma nova corrente emergia pelo mundo, se solidificando nesta época nos Estados Unidos. A esta filosofia política e econômica (e por que não nacionalista?) foi dado o nome de liberalismo econômico. (Hall, 2001; Vieira e Vieira, 2004). 38 De 1968 a 1986, representando o terceiro momento, que é caracterizado pelo sentimento humano de medo frente à aniquilação por meio da bomba atômica, devido ao embate ideológico entre os norte-americanos e os soviéticos. Em Batman: Cavaleiro das Trevas, lançado em 1986, aparece o embate entre os Estados Unidos e a União Soviética demonstrado explicitamente. Nessa história em quadrinhos, o momento histórico é retratado através de uma suposta ilha caribenha que está à espera do pior: uma bomba atômica, lançada pelos russos. A população de Gotham City fica em pânico, tal como está toda a população mundial, devido à corrida armamentista proposta pela União Soviética e Estados Unidos. Segundo Krakhecke (2007), Frank Miller expressou muito bem nesta HQ, o medo da dizimação de toda a humanidade. Haja vista que o arsenal vigente das duas nações daria para destruir o mundo não só uma, mas duas vezes. E por fim, o último momento, de 1987 aos dias atuais, marcando o advento de uma nova era, na qual o que era fixo e indissolúvel se desmancha no ar. (Oliveira, 2007; Hall, 2001; Krakhecke, 2007). Hall (2001) entende a identidade como um processo inacabado, ou seja, a identidade é um processo que está em constante andamento. Então, não se pode falar de um indivíduo que tem certa identidade específica, pois ela é construída e reconstruída durante toda a vida da pessoa. Ao passo, que somente se pode falar de um processo de identificação, em que no desenrolar da vida, a pessoa se identifica com várias coisas. Estas identificações com o passar dos anos se tornaram cada vez mais avassaladoras. As mudanças, com 39 o advindo da Pós-Modernidade, geraram um caráter de mudança e movimentos constantes. O que restava de indissolúvel do indivíduo (e talvez a única), que é a sua identificação para com a sua nação, é desfragmentada. (Hall, 2001). No meio dessa multiplicidade de identidades e dessa celebração do não fixo e do imutável, os heróis das HQs assim como o mundo, vem participando do mesmo pressuposto Pós-Moderno. Vieira (2008) percebe que as mudanças ligeiras da atualidade vão ao encontro dos modelos rígidos nas histórias em quadrinhos. Os heróis não atendem a certos padrões e hegemonias, não sendo possível classificar os tipos de heróis, quiçá os vilões dos paladinos. Tanto que Vargas (2007) comenta sobre a linha tênue que separa o heroísmo e a lucidez de Batman da loucura e vilania do Coringa em Asilo Arkham (Grant Morrison e Dave Mc Kean, 2003) e a Piada Mortal (Moore e Bolland, 1999) vem anunciar um novo tempo das histórias em quadrinhos: a dificuldade que há em rotular rigidamente os tipos de heróis e de vilões. Tanto que em Guerra ao Crime (2004) fica muito difícil distinguir os heróis dos vilões, conforme Vieira (2008). Beiras ET all (2007) compreendem que as histórias em quadrinhos, especificamente, as histórias de Batman e Super-homem, reproduzem um ideal inserido na sociedade que funciona como uma normatização de poder. Essa homogeneidade dos quadrinhos da forma andrógena musculosa, tentam por fim, segundo esses autores, reproduzir certos valores, que fazem com que as mulheres, grupos étnicos e padrões corporais que fogem do padrão dominante atlético, se encontrem à margem da sociedade. 40 Cirne (1997) e Vieira (2008) não são tão generalistas quanto Beiras e colaboradores. Eles pontuam que existem HQs do Batman que devem ser criticadas com generosidade, haja vista a qualidade literária de certas histórias como Asilo Arkham (1989) e A Piada Mortal (1988). Sob essa ótica, as histórias em quadrinhos não seriam somente uma reprodução de formas corporais e sociais hegemônicas. O que ocorre é uma multiplicidade cultural, na qual diversos personagens diferentes atuam de maneira complementar, desconstruindo a ideia de que a comunicação de massa poderia controlar livremente a opinião das pessoas. Em Saga do Crime (2004) fica difícil delimitar os vilões dos mocinhos. O conceito do herói que antes era aquele que vela e protege, agora é trocado por aquele que vigia, de acordo com Vieira (2008). Se o paladino de antes era o homem da lei, agora ele virou um vigilante. Essa expressão, na verdade é muito tênue, pois a lei antes fixa, se torna deveras subjetiva e nesse ínterim, muitas vezes, o herói pega o governo para si, influenciando e governando os outros. Batman é considerado um herói da modernidade e pós-modernidade. Conserva em sua origem aspectos, como o patriotismo, que zela pela retidão de caráter, com identidade definida e pertencente a um grupo social, no qual ele colabora ajudando as pessoas do seu meio. Como pós-moderno ele representa uma figura camaleônica, assumindo características de movimento e mudança. (Vieira, 2008 e Araújo, 2002). 41 Aspectos Psicológicos do Batman Batman desde a sua criação sempre possuiu características psicológicas antagônicas, sendo ao mesmo tempo positivo e negativo. Dentre os aspectos psicológicos positivos, conforme Araújo (2002) estão a retidão de caráter, inteligência, honestidade e aparência corporal perfeita. Dentre os aspectos psicológicos negativos, citam-se as associações inerentes as trevas em Batman. Prova disto está no seu uniforme, segundo Busch e Vogelman (200-) que descrevem a criação em 1939 do uniforme, sempre teve um caráter sombrio, tendo como cores predominantes o preto e cinza. Até o morcego, símbolo-mor de Batman é ambíguo. Nas leis mosaicas esse mamífero de asas é tido como pavoroso e impuro, além de ter comportamento noturno como Batman. Porém, na China, ele significa longevidade e felicidade de acordo com Chevalier (2000). O aspecto Psicológico que fez com que o pequeno Bruce em sua tenra infância virasse Batman, foi ilustrado por Bob Kane numa das primeiras histórias em quadrinhos do Homem-Morcego em 1939 (Detective Comics nº 39), sendo a causa motivadora de seu heroísmo, a morte de seus pais. Como indivíduo, o pequeno Bruce estabelece uma promessa que vai muito além da necessidade de proteger a sociedade contra os criminosos. Pois o indivíduo deve superar suas dores e individualismos para ajudar toda uma sociedade. (Araújo, 2002). 42 Campbell (1997) baseado em diversos estudos dos mitos, das mais diversas culturas, fixou diversos estágios que em seus estudos estavam presentes nas fábulas do mundo todo, nos quais os heróis deviam passar para alcançar seu objetivo. O primeiro desses estágios é o chamado para a aventura. O herói recebe um chamado que vai iniciar toda a sua aventura. Conforme Oliveira (2007), o chamado da aventura em Batman está na fatídica cena em que o menino Bruce vê seus pais serem assassinados por um criminoso. É neste momento que ele jura buscar justiça combatendo todo o mal fétido de Gotham City, tornando-se mais tarde o Homem-Morcego. A partir da década de 40, o herói que só queria buscar justiça através do combate contra os criminosos da cidade, começa a possuir um caráter mais bonzinho se tornando moralmente correto, não sendo muito diferente de uma espécie de professor para as criancinhas, conforme Busch e Vogelman (200-). A modernidade atendia pelo padrão fixo de homem gentil e educado, e isto se estenderá até o final da década de 60. Busch e Vogelman (200-) relatam que a partir de 1968, Batman assumiu características mais violentas e investigativas. O herói assume uma postura durona, contrastando com o moral Batman dos anos 40, 50, 60. Este Batman, muitas vezes pode ser confundido com um anti-herói, pois há um conflito entre o bem e o mal em Batman que vai até 87. Em Batman: Cavaleiro das Trevas de Frank Miller (1987) há uma dualidade entre o bem e o mal. De um lado temos um herói que quer salvar Gotham City de uma suposta bomba atômica. Porém, por outro lado conforme Vargas (2007), existe um herói egoísta e cínico em perseguir, que de certa forma, 43 sente prazer no sofrimento alheio. De 1968 até 1987 o Homem-Morcego se destaca pela violência fora do comum. Beiras ET all (2007) comentam que Batman costuma ser mais violento com os seus oponentes do que o Super-homem. O autor (2007) não descarta a possibilidade de Batman fazer isso para compensar a sua falta de poder nas relações humanas. Isto se justifica pela questão do Superman ser um homem bem educado, pelo fato de ter sido uma criança afetuosamente bem cuidada pelos pais adotivos. Já com Batman isto não ocorre, pois seus pais morreram quando ele era ainda criança, e a falta de acompanhamento parental, sob esse prisma, teria tornado o Cavaleiro das trevas um sujeito violento. Pois, a falta de amor parental, nesse caso encontrou guarida para se desenvolver em forma de violência. Vieira e Vieira (2004) entendem que a Pós-modernidade é um Período recente, que data de 20 anos atrás (mais ou menos por volta da década de 90). Dentre as coisas que a caracterizam, está a possibilidade de movimento e mudança rápida nas pessoas, gerando multipluralidades, as quais podemos entender também, como uma pluralização de identidades, conforme Hall (2001). Batman agora não pode mais ser entendido como um herói fixo, cujas características estão bem delimitadas. Batman, sujeito lúcido, tipo de herói racional? (Oliveira, 2007). Na época pós-moderna não. Tanto que o próprio Batman chega a admitir sua suposta loucura em Asilo Arkham (Morrison e Mc Kean, 2003, p. 107): ―(...) sou mais forte do que eles. Do que este lugar. Eles precisam saber. Sim, Arkham 44 tinha razão. Ás vezes, é só a loucura que nos faz ser aquilo quem somos. Ou talvez o destino‖. Mas, que loucura é essa que faz Batman ser o que é? Gorender(200-) cogita que a neurose de Batman está na morte dos seus pais e no desejo reprimido que Batman teve em matar seus pais na tenra infância, ou então, por se achar culpado pelo fato de admitir que a melhor coisa que lhe aconteceu foi à morte de seus entes paternos. Haja vista que Batman só se tornou o que é por essa tragédia. Contudo, chega-se a conclusão de que Batman passou por uma grande evolução durante os anos. Deixando de ser um herói gentil, moral e pedagógico (1940-67), passando a ser um atleta de alta-performance, atlético e questionador das suas próprias ações a partir de 1988 em diante. Modernidade e Pós-Modernidade: o eu, o nós e o entre. Nesta parte do trabalho são relacionadas às semelhanças, as divergências entre os heróis da antiguidade, do Batman e do homem moderno. Compreende-se que Batman tenha percorrido em sua dinâmica psicológica uma trajetória de vida entre o individual (vingança) e o coletivo, tal como os heróis da antiguidade. Para Caillois (1972) a heroicidade de Batman, ainda que não de forma tão suntuosa que um Aquiles ou Perseu, representa a possibilidade nos dias atuais de tornar realizável o irrealizável. A dimensão humana é presente em todos os 45 mitos, reforçando o que Rossi (2008), argumenta no sentido de que mitos e heróis são constituídos de símbolos, metáforas, alegorias e figuras de linguagem, representando o momento sociocultural. Por isso Batman, personifica o homem moderno e pós-moderno em sua trajetória evolutiva. Comparando os heróis da Grécia antiga, pode-se perceber a função social do mito, consagrando-se a vitória da própria coletividade. Batman vencendo os criminosos de Gotham representa todo o grupo ao qual ele pertence e representa, nesse caso o homem moderno. Hall (2001) fala do sentimento de pertença nacionalista da modernidade. Sob esse prisma Batman é o herói épico de Gotham City, pode-se dizer que de 1940 até 1967 o Homem-Morcego foi, assim como o Heitor que representa Tróia, o representante de Gotham. Outra característica inerente ao Batman de 1940 é que ele simplesmente é um homem gentil que preza pela gentileza, ensinando o caminho correto para as crianças (Busch e Vogelman, 200-). Seu papel, portanto, é bem delineado e ele não tem conflitos de identidade, característica essa, que é própria da Modernidade. Já como características do herói trágico, Batman, se assemelha ao homem, porque o caminho escolhido por cada um, nem sempre é o exemplo a ser seguido pelos demais, principalmente nas décadas de 80 a 90, com os quadrinhos Piada Mortal (1988) e Asilo Arkham (1989). Contudo, o homem pós-moderno, começa a se preocupar com sua fragmentação, com seu sentido de continuidade, com suas ações; assim, como 46 Batman que em suas últimas aparições, questiona seus atos, refletindo sobre os efeitos negativos que esses possam oferecer. (Oliveira, 2007). De todos os heróis modernos, Batman é considerado por Araújo (2002), como um personagem, que realiza façanhas utilizando-se de sua inteligência, a despeito de não ser um semideus. Conferindo-lhe ainda mais, o aspecto humano, tão singular e necessário para configurar o imaginário da vida psíquica do homem. Conforme Doron e Parot (2000), simboliza a dramaturgia das tensões interiores. Embora Oliveira (2007), referencie o Cavaleiro das trevas como sendo o herói da razão, já que o caminho a ser escolhido por Batman é simplesmente deter os criminosos sem se questionar profundamente em relação a isso. Oliveira (2007) argumenta que a luta entre o bem e o mal, ao que se coloca ao homem moderno, é o eterno conflito de Batman, que se pergunta se os ―fins justificam os meios‖. Batman representa como herói pós-moderno, muitas vezes, o momento de solidão, no qual todos estão aprisionados. Existe a tecnologia, redes sociais; mas, é preciso, muitas vezes, ocultar para resguardar a própria identidade, de uma competição imposta pela cultura econômica e que organiza a vida social. O que simboliza tal alegoria é a utilização da máscara. Contudo, essa pode ser compreendida também, (Vernant e Pierre-Naquet, 1977) como acessório utilizado nos teatros gregos, representando as características dramáticas de determinado personagem da peça trágica grega Clássica. Stein (2002) pontua que a máscara naquela época chamava-se Persona. 47 Na psicologia, um dos principais autores, que estudaram este conceito foi Jung. A persona foi um termo escolhido por Jung para representar a pessoa tal como ela é apresentada pela sociedade. A persona está ligada aos papéis que determinado sujeito exerce no social, sendo de suma importância para a convivência humana. Um sujeito pode ter inúmeras ―máscaras‖ dentro do convívio entre os outros. (Stein, 2002) Mas, se identificar com este grande número de personas pode ser muito difícil, ainda mais, se a questão inerente a identidade for estreita. Bauman (1998) entende o conflito do indivíduo Moderno como o de um nômade que tem o sonho de encontrar um lugar onde possa fixar, a fim de se identificar com o que realmente se é. Sob esse prisma se fixar numa coisa só é cada vez mais difícil, e de certa forma, ser algo indissolúvel é uma grande mentira. São justamente os conceitos de fixação e unicidade do sujeito que se desmancham no ar com a vinda da Pós-modernidade. A nova era atende pelo nome de movimento e mudança conforme Hall (2001). A unicidade fixa de homem gentil e moralmente correto da Modernidade entre 1940-1967 se desmancha no ar. O que se tem daí em diante é a pergunta indubitável do que é ser bom e mau. Acaba-se descobrindo que se é uma pluralidade de coisas, e Batman descobre sua maldade, paixão e loucura escondidas, acima de tudo em seu rival coringa que expõe todo seu eu desconhecido, desfragmentando a unicidade racional do Homem-Morcego, assim como a unicidade do homem pós-moderno. (Cirne, 1997; Santos, 2009; Oliveira, 2007). 48 Analogamente como Batman, o homem moderno e pós-moderno, utilizando-se da classificação de Campbell (1997) passa como herói (cada qual com suas particularidades) pelos estágios de separação, iniciação e retorno. No estágio da separação, Batman e homem se veem obrigados a se separarem do que é conhecido por eles. Exemplo disso para o Batman é a morte de seus pais. Para todos nós, todas as situações que nos exigem uma ruptura com algo que costumeiramente nos era familiar. No estágio da iniciação está a separação total do que é conhecido, afim de que o herói possa provar suas habilidades contra os inimigos, para conseguir o seu objetivo conforme Campbell (1997). Para o Batman Moderno, assim como para o homem da modernidade, manter-se fixo na sua unicidade é para o indivíduo Pós-Moderno, descobrir toda a pluralidade do seu ser e não enlouquecer no meio de tantos movimentos divergentes e mudanças bruscas. No estágio do retorno o herói reconhece sua própria unicidade e entende que as coisas fazem parte de uma coisa só. Porém, num mundo pós-moderno, onde há uma fragmentação do sujeito, isso se torna impossível, no que concerne aos estudos de Hall (2001). Mas, Oliveira (2007) lança uma luz no fim do túnel, utilizando-se de Jung. A autora fala do processo de individuação de Jung (busca pela totalidade psíquica: União do inconsciente e consciente), refletindo que o Batman nos últimos anos vem mantendo contato com os aspectos do seu inconsciente, nos quais as dualidades estão sendo experimentadas por Batman. Esse processo de individuação por parte dele, visa integrar todos os aspectos pouco conhecidos do Homem-morcego, evitando assim uma menor unilateralidade. Assim como nós, representando nosso estágio atual de buscar e lutar por essa 49 unicidade. De tudo isso, entre o bem e o mal, e a procura atual para identificarmos quem somos, Batman e Homem, se renovam. A ressurreição pode ser entendida como a tomada de consciência do homem atual, de sua própria condição e busca pelo processo unificador. Conclusão Dentre os objetivos desse trabalho estão compreender os aspectos históricos, culturais e sociais desde a Grécia antiga até a nossa contemporaneidade. O que pode ser compreendido através desse trabalho é que elementos da coletividade de civilizações antigas ainda estão presentes na nossa atualidade, como a característica peculiar do corpo dos heróis gregos. Já na Grécia antiga havia uma hegemonia do biotipo musculoso no homem e da erotização das curvas femininas, tanto que os heróis, deuses e deusas possuíam essas características corporais. Na nossa atualidade o padrão corporal continua o mesmo desses tempos remotos gregos. O que se tem é o ideal de corpo perfeito tirado das academias. Muitos são os pesquisadores que subestimam o poder do mito, entendendo-o como uma falácia primitivista e fantasiosa, conforme explica Gorender (200-). Mas, o mito vai muito, além disso. Eles são uma forma autônoma de conhecimento permeada por um conjunto de alegorias e metáforas, em que a sabedoria dos antepassados pode ser passada através dos tempos, pontua Rossi (2008). Tal fato se sustenta, ao comparar os heróis da Grécia (principalmente), da Idade Média e da época atual. Ao estudar o herói Batman, pode-se verificar o quanto realmente as formas de representação que surgem através das mais variadas formas de artes, significam a identificação do homem de cada época às suas angústias mais 50 profundas, ajudando-lhes a dar continuidade na ―tramacidade‖ da existência humana. Portanto, concorda-se com Martin-Barbero (apud Vieira, 2008), que descreve que em nosso racionalismo instrumental vivente, há uma demanda por mitos e heróis em que mecanismos de identificação e projeção estão inseridos nos quadrinhos. Sob esse ponto de vista, o mito funciona como uma resposta empírica e, portanto, mais rápida para as questões problemáticas humanas que não podem ser explicadas pelo racionalismo científico. Em sua dimensão social, o mito e o herói, representam o momento e os valores de determinada sociedade, conforme foi observado nas várias fases do Batman. Em sua dimensão psicológica, o estudo do herói propicia o reconhecimento de conflitos psicológicos e possibilidades de superação, nesse caso, a ressurreição. Relacionando principalmente com o homem, esse através do herói, em específico, o Batman, pode de forma simbólica sobreviver a esses tempos. Não negando a quem se é (homem pós-moderno), com suas múltiplas características e às vezes antagônicas; mas, com esperança de que algo possa valer e ter significado na vida humana. Batman, assim como todo estudo sobre heróis, nos ensina, a despeito de nossas imperfeições, a capacidade de lutar e ainda continuar em caminhos que podem ser satisfatórios, embora de difíceis escolhas para a humanidade. De outra forma, a figura do herói engrandece a alma humana, humilhada pelos complexos. O que existe são desejos individuais que estão à margem da sociedade, estes são vistos como tabu. Gera-se, com isso uma impossibilidade do sujeito sair do seu conflito, pois, estes desejos realizáveis se tornam 51 irrealizáveis, graças à interdição social. Esta vontade fica sublimada na psique humana, cabendo à figura mítica do herói, a execução desse desejo reprimido. (Callois 1972). A importância de estudar os mitos para a Psicologia, em específico a vertente clínica, está no fato de conteúdos inconscientes poderem ser descobertos através da linguagem onírica e mítica. Podendo-se descobrir o que o paciente esconde e até o que ele não sabe conscientemente. Por fim, é importante explicar que através da revisão bibliográfica de diversas obras, procurou-se elencar as características inerentes aos mitos e tipos heróicos da história Grega Antiga, da Idade Média e da nossa contemporaneidade, a fim de se atingir o objetivo de uma classificação do herói Batman. Num momento pós-moderno onde as mudanças acontecem de maneira rápida e flexível, padrões rígidos de heróis são dispensados pelo público em geral. O herói bonzinho que luta pela justiça já não é mais tão bem visto pelo público. O que se tem é um herói mais complexo que se permite errar e mudar de opinião de uma hora pra outra. Deste modo o conceito do que é mal e bom acaba sendo somente um ponto de vista complexo, sujeito a mudanças e a uma gana de interpretações diferentes. Pois, num mundo multicultural, onde a identidade humana se vê fragmentada, o herói representante do modelo (sobre)humano, vem representar essa característica múltipla das pessoas, onde identidades rígidas acabam por se desfragmentar, assim é com o herói, que não é mais somente o sujeito bom que luta contra o mal, revelando muito mais complexidades nas obras pós-modernas, como certos desvios de caráter e 52 uma tendência maior em cometer erros, não beirando mais a perfeição dos heróis épicos antigos. Colaboradores *A professora MSc. Elisienia Cardoso de Souza Frasson Fragnani orientou o artigo, resultante do Trabalho de Conclusão de Curso do acadêmico Alexander de Melo Luiz. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo. Martins Fontes, 2000. 1014 p. Acesso em: 09/04/2010. ARAÚJO, Denise de Castilhos. A Produção de Sentido em Histórias em Quadrinhos do Batman. Intercom, Pontifícia Universidade Católica – PUCRS. 2002. 17 p. AYMARD, André & AUBOYER, Jeannine. O Oriente e a Grécia Antiga. 2º volume, 4ª edição. Editora Difusão Européia do livro, 1971. 407 p. BAUMAN, Zygmunt. O mal-estar da pós-modernidade. Rio de Janeiro. Jorge Zahar, 1998. 272 p. BEIRAS, Adriano; LODETTI, Alex; CABRAL, Arthur Grimm; TONELLI, Juracy Filgueiras; RAIMUNDO, Pablo. Gênero e Super-heróis: o traçado do corpo masculino pela forma. Psicologia e Sociedade, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil. 2007. 7 p. BURKERT, Walter. 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