Título: O Impacto da Implantação de uma Incubadora Tema em que se enquadra Contribuição para o desenvolvimento Local com a implantação de uma incubadora Autor: Luciene Xavier de Mesquita1 Coautores: Andreza dos Santos Sousa; Ulysses Vieira da Silva Ferreira e Jerônimo Pereira dos Santos2 Resumo As empresas não podem esperar que seus produtos e práticas, que fizeram sucesso no passado, continuem mantendo-as viáveis no presente e menos ainda no futuro. As intensas pressões de preço não deixam espaço para a produção ineficiente. O ciclo de desenvolvimento dos produtos e sua introdução no mercado duram cada vez menos tempo. Entendendo a importância do conhecimento para competitividade, as empresas e os Institutos Federais abraçaram a ideia de promover um elo entre o desenvolvimento e o mercado, buscando a geração de tecnologia, uma vez que ambos os setores geram demandas. Por algum tempo, não ocorreu um diálogo entre estes segmentos, que caminhavam de forma paralela. Com o advento da implantação de incubadoras nos Institutos Federais, houve a criação de um cenário propício para que estes segmentos passem a compreender que as ações conjuntas do SEBRAE, do IFRN e demais parceiros, juntamente com os empreendimentos, são o caminho para a geração do conhecimento e para a inovação. O objetivo deste trabalho é relatar o impacto da implantação de uma incubadora. A diretriz dos Institutos Federais vislumbra a disponibilidade de infraestrutura física, sendo em média para duas empresas residentes, tendo em vista a busca constante pelo melhor desempenho de ambos os segmentos. É observado ainda que na fase de implantação de uma incubadora, a equipe de apoio administrativo não possui ampla formação nas atividades a serem desenvolvidas por uma incubadora; trata-se de uma formação continuada, uma aprendizagem mútua e de benchmarking das práticas de outras incubadoras e seus processos de incubação. O desafio das incubadoras é a busca constante do desenvolvimento organizacional de suas empresas incubadas, bem como do desenvolvimento de tecnologias, da articulação e busca de apoio e apoiadores financeiros às empresas, fomentando assim o seu fortalecimento, desenvolvimento e implantação de ideias Autor: Luciene Xavier de Mesquita – Professora do ensino técnico e tecnológico IFRN/PF – - Graduação em Engenharia Agronômica. Coordenadora da Incubadora ITIPA – Pau dos Ferros (84) 4005 – 4109: E-mail: [email protected] 1 2 Coautores: Andreza dos Santos Sousa - Professora do ensino técnico e tecnológico IFRN/PF –- Graduação em Curso Superior de Tecnologia em Cooperativismo. Coordenadora da Incubadora ITIPA – Pau dos Ferros (84) 4005 – 4109: E-mail: [email protected]. Ulysses Vieira da Silva Ferreira - Professor do ensino técnico e tecnológico IFRN/PF –Graduado em Licenciatura Plena em Química. Coordenador da Incubadora ITIPA – Pau dos Ferros (84) 4005 – 4109: E-mail: [email protected]. Jerônimo Pereira dos Santos Diretor de Inovação Tecnológica do IFRN/CNAT. Graduação em Geologia. Coordenador Geral do NIT-IFRN (84) 4005-0792: E-mail [email protected]. inovadoras, a partir de seu perfil arrojado, de sua disponibilidade de recursos, e de apoio das incubadoras. Para isso, a participação do gestor de incubadoras é imprescindível, bem como sua disponibilidade, desenvoltura e articulação com os demais parceiros, pois é necessário dedicação e tempo para especializar-se no desenvolvimento tecnológico da incubação, de suas funções administrativas, ter uma rotina e nunca perder o foco do seu trabalho de forma gerencial e de conhecimento. Este trabalho ressaltou as principais evoluções / descobertas dos segmentos – Centros de estudos – empresas – parceiros, quanto ao fato de que, em parceria, o desenvolvimento e a tecnologia podem mudar a realidade de inúmeras comunidades e empresas, com alternativas mais apropriadas para o combate à insuficiência de recursos financeiros e de desenvolvimento de tecnologia, pelas empresas, por exemplo. São parceiros institucionais e demais entidades, como SEBRAE/RN, CNPQ e FAPERN que disponibilizam recursos, em seus editais, a fim de oportunizar o acesso à inovação e o desenvolvimento das incubadoras e de suas empresas incubadas, fortalecendo as relações de parcerias mesmo quando os recursos são escassos. Este trabalho relata informações a respeito do impacto de implantação de uma incubadora no IFRN/Campus Pau dos Ferros - RN, a fim de avaliar sua relevância e seus benefícios. Palavras-Chave: Educação. Empreendedorismo. Incubadoras. Title The impact of deploying an incubator Theme in which it fits Local contribution to the development with the implementation of an incubator. Author: Luciene Xavier de Mesquita3 Co-Authors: Andreza dos Santos Sousa; Ulysses Vieira da Silva Ferreira e Jerônimo Pereira dos Santos4 Abstract Companies can not expect their products and practices that were successful in the past to continue keeping them viable in the present and much less in the future. The intense price pressures leave no room for inefficient production. The cycle of product development and market introduction last less and less. By understanding the importance of knowledge for competitiveness, companies and the Federal Institutes embraced the idea of promoting a link between development and the market in the search for generating technology, once both of them generate demands. For some time there was no interaction between these two segments which moved forward in parallel. With the advent of the implementation of the Federal Institutes’ incubators, a favorable scenario was created so that these segments could understand that joint actions of SEBRAE, the IFRN and other partners along with their developments are the pathway to generate knowledge and to innovation. The objective of this study is to report the impact of the deployment of an incubator. The guideline of the Federal Institutes envisions the availability of physical infrastructure, on average for two resident companies, in view of the constant search for the best performance of both segments. It is also observed that in the initial stage of an incubator, the administrative support staff does not have extensive training in the activities to be undertaken by an incubator, such as continuous training, mutual learning and benchmarking practices of other incubators and their processes of incubation. The challenge of incubators is the constant pursuit of organizational development of its incubated companies, as well as the development of technologies, articulation, and the search for support and financial supporters to the companies, thus, promoting their empowerment, development and deployment of innovative ideas from their bold profile, their available resources, and the support to incubators. For this reason, the participation of incubator’s managers is essential, as well as their availability, agility and coordination with other partners for it takes dedication and time to specialize in the technological development of the hatching of its administrative functions, a routine and a 3 Author: Xavier de Mesquita Luciene - Taught technical and technological IFRN/PF Graduation in Agricultural Engineering. Coordinator Incubator ITIPA – Pau dos Ferros (84) 4005-4109: E-mail: luciene.mesquita@ ifrn.edu.br. 4 Coauthors: Andreza dos Santos Sousa - Professor of technical education and technological IFRN / PF - Undergraduate Degree in Technology Cooperative. Coordinator Incubator ITIPA - Pau dos Ferros (84) 4005-4109: E-mail: [email protected]. Ulysses Vieira da Silva Ferreira - Teacher of technical education and technological IFRN/PF - Full Degree graduate in Chemistry. Coordinator Incubator ITIPA - Pau dos Ferros (84) 4005-4109: E-mail: [email protected]. Jeronimo Pereira dos Santos - Director Technology Innovation IFRN/CNAT. Degree in Geology. General Coordinator of the NIT-IFRN (84) 4005-0792: Email: [email protected]. permanent focus of their management work and knowledge. This work highlighted the major developments/discoveries of the following segments - study centers - companies - partners, as to fact that, in a partnership, development and technology can change the reality of many communities/businesses with more appropriate alternatives to combat the lack of financial resources and of technology development by companies, for example. They are institutional partners and other entities, such as SEBRAE/RN, and CNPQ, FAPERN that make resources available in their calls in order to nurture innovation and development of incubators and their incubated companies by strengthening relationships with partnerships even when resources are scarce. This paper reported information about the impact of deploying an incubator in the IFRN/Pau dos Ferros Campus - RN, in order to assess their relevance and benefits. Keywords: Education, Entrepreneurship, Incubators. INTRODUÇÃO Segundo a Anprotec (2012), a incubadora de empresas pode ser definida como um ambiente flexível e encorajador no qual são oferecidas facilidades para o surgimento e o crescimento de novos empreendimentos. Uns dos programas que procura estimular a criação de novos negócios no Brasil são as Incubadoras de Empresas, como um elemento para que novos negócios se desenvolvam de maneira bem sucedida no mercado, proporcionando infraestrutura para abrigar empreendimentos nascentes principalmente de base tecnológica (ANDINO, 2005). Souza, Mello e Silva (2012) entendem que as incubadoras fomentadas por instituições de ensino podem atrair interessados que sejam dotados de criatividade empreendedora, mas que também possuam a capacitação técnica absorvida nas cadeiras escolares. Isso facilita a transferência tecnológica de uma instituição para a sociedade, pois apresenta a Instituição de Ensino não como algo inalcançável, mas como um ambiente prazeroso capaz de apoiar o desenvolvimento econômico e social. Nesse contexto, a incubadora torna-se um caminho para os alunos que se interessam em ingressar no mercado de trabalho e adquirir experiência. Se esta experiência é conseguida dentro de um ambiente de empreendimento, se torna um diferencial para o aluno que se tornará um profissional, pois com o comportamento empreendedor ele estará mais apto a enfrentar os desafios do mercado e se tornar mais eficiente na realização de suas funções, buscando inovações que melhorem a desempenho da empresa (MARQUES, 2006). Este artigo aborda algumas informações a respeito do impacto de implantação da Incubadora de Tecnologia e Inovação em Processamento de Alimentos (ITIPA) no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) Campus Pau dos Ferros - RN, avaliando a sua relevância e benefícios. Desenvolvimento do Texto Relevância e benefícios da implantação da ITIPA Esta relação entre incubadora e institutos faz com que se tornem peças-chave para o desenvolvimento social, fomentando o aprendizado e incentivando a criatividade, com o fim de criar uma sociedade mais apta a enfrentar os desafios do panorama atual, na qual é necessário se reinventar a todo instante e a pessoa aprenda a aprender constantemente (DRUCKER, 1996, p. 156). A ITIPA tem sua tipologia de base mista. A base mista nos remete ao espaço que abriga ao mesmo tempo empresas de base tecnológica e de setores tradicionais, destinada a apoiar empreendedores nas fases de idealização, concepção, formação, consolidação e maturação de seus empreendimentos, tendo em vista as características dos empreendimentos a serem apoiados. A ITIPA adotará as modalidades de empresas residentes, empresa associadas, não residentes ou incubação à distância nas categorias de FASE 1 - Implantação/Préincubação; FASE 2 - Desenvolvimento/Incubação; FASE 3 - Produção/consolidação; FASE 4 - Graduação, além da categoria de empresas graduadas associadas (ANPROTEC, 2012). As formas que o IFRN tem encontrado para que os alunos do ensino médio técnico se aproximem do processo de formação de empresas e consequentemente da incubadora, trazer para a sala de aula, aulas de empreendedorismo que despertam o interesse sobre o tema de incubação de negócios, onde irá despertar em quem tem o talento inato, mas que não dispunha do conhecimento para desenvolvê-lo. Também existe um projeto intitulado Mulheres Mil que qualifica mulheres para o mercado de trabalho, onde essas não serão apenas mão de obra qualificada, mas sim indivíduos capazes de criaram seu próprio negócio. A ação da ITIPA oportunizará o desenvolvimento dessas alunas e agregará o potencial colaborador ou empreendedor para o projeto de implantação da incubadora. A existência de um ensino de empreendedorismo talvez seja um dos principais fatores que determinarão o sucesso de uma incubadora de empresas em certa região. Sem empreendedores não há incubadora de empresas. Assim, sem um ensino qualificado de formação de empreendedores, dificilmente uma incubadora de empresas terá grande parcela de excelentes empreendedores e os casos de sucesso serão raros. O ensino de empreendedorismo envolve mais do que cursos periódicos a respeito de ferramentas de gestão (DORNELAS, 2002, p. 19). Existem dentro do projeto da incubadora ITIPA alguns serviços que serão oferecidos às empresas incubadas. São apresentados alguns dos serviços no Quadro 1. Quadro 1 - Serviços que as incubadoras de empresas oferecem Infraestrutura Serviços Básicos Assessoria Qualificação Salas Individuais Telefonia Gerencial Treinamento Salas Coletivas Acesso à Internet Contábil Cursos de Laboratórios Recepcionista Jurídica capacitação Computadores Segurança Produção Feiras para Auditório Eletricidade Financeira exposição e Biblioteca Limpeza Comercialização vendas de Sala de reuniões Vendas produtos Segurança Marketing Médico e dentista Estacionamento Redes Municípios Prefeituras Universidades Empresas Bancos Instituições de fomento Mas, neste processo de incubação existem barreiras tanto nos institutos como nas empresas que serão incubadas; algumas delas foram detectadas no processo de implantação da ITIPA que é uma incubadora dentro de centro de ensino, conforme Quadro 2. Quadro 2: Dificuldades na relação da ITIPA com empresas incubadas INSTITUTO EMPRESA o A não continuidade de projetos em o Preferência por comprar novas decorrência de problemas de tecnologias ao invés de procurar um financiamento ou mudança de pesquisador ou instituição para professores dos institutos; desenvolvê-la; o A maioria dos docentes não está o Quando estas empresas procuram os preparada para a realização de projetos institutos exigem segredo e propriedade que incorporem o setor produtivo e com dos resultados da pesquisa; formação multidisciplinar; o Muitas vezes estes profissionais já o Muitos pesquisadores ficam isolados em procuraram instituições de ensino e não suas caixas de estudo ficando longe da foram bem recebidos o que provocou realidade, sem compreender as uma sentimento de baixa motivação; necessidades do setor produtivo; o Desconhecimento da capacitação o Existe lentidão nos trâmites burocráticos universitária. para aprovação de convênios; o Falta de recursos financeiros para investimentos nos projetos. O que se pode evidenciar é a ITIPA tentando alimentar o desejo pela cooperação. Entre estes fatores ressalta-se que as pesquisas científicas no Brasil estão hospedadas principalmente em instituições acadêmicas de caráter público e, desta forma, essas instituições recebem recursos, normalmente escassos, tão essenciais para o desenvolvimento do conhecimento. Com isso, a busca por novos recursos talvez seja um importante estímulo para que o IFRN almeje e participe do processo de cooperação com o mundo produtivo. Além da necessidade financeira, outros fatores contribuem para esta postura; pois a cooperação com as empresas permite uma aproximação com a realidade técnica, econômica e social, e sua incorporação nos currículos dos cursos, bem como a contribuição para a transformação tecnológica e social que se espera dos centros de pesquisa e dos Institutos Federais. O apoio não fica limitado a inserir os profissionais nas empresas, mas também em apoiar futuros empreendimentos, os quais são apoiados por programas como o Jovem Empreendedor, o qual se caracteriza por um conjunto de jornadas, cujo objetivo é desenvolver no ambiente discente a cultura empreendedora, para transformação de sonhos em projetos de produtos ou serviços e alunos em empreendedores (LIMA; FIALHO, 2001). Neste ensejo não se pode deixar de falar da importância dos gerentes das incubadoras, pois os gerentes são um recurso fundamental para uma incubadora estes não pode dominar ou desenvolver novas tecnologias, tampouco identificar oportunidades de mercado que transformem as necessidades dos incubados, como gerenciar os seus produtos e as necessidades dos seus serviços. As ações realizadas pelo IFRN em parceria com o SEBRAE/RN, CNPQ, FAPERN e ANPROTEC, tem tentado lograr com êxito no que toca às condições ideais de alavancagem e manutenção das incubadoras já existentes e de suas empresas instaladas. Conclusão O artigo enfocou as relações entre empresa e incubadora, no sentido de mostrar os recursos e as dificuldades do processo de implantação de uma incubadora. Foi apresentado o caso da Incubadora Tecnológica do Campus Pau dos Ferros no IFRN. Referências bibliográficas ANDINO, B. F. A. Impacto da incubação de empresas: capacidade de empresas pós incubadas e empresas não incubadas. 2005. 216 f. Dissertação de mestrado (Mestrado em Administração). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto alegre, 2005. ANPROTEC – Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas. 2012. Perguntas e Respostas. Disponível em: <http://www.anprotec.org.br/publicacao.php?idpublicacao=117>. Acesso em: 30 de maio de 2013. 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