UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS
Ana Paula Brauwers
Bárbara Mattivy
Bianca Motta Bermúdez
Camila Melo de Boni
Caroline Gremo Giordani
Cesar Soler Machado
Claudio Stein
Crisleine Beatris Pereira
Cristine Silva da Cunha
Daniel Francisco Pontel
Diego Soleti de Oliveira
Douglas Pinto Mafra
Fabrício Ferrão Araújo
Felipe Vinholes Pacheco
Gabriela Silveira do Nascimento
Leticia Florence Hoch
Lubianca Neves da Motta
Luciano Jose Martins Vieira
Lucio Centeno dos Santos
Marcel Juliano Nemitz Biscaino
Marcelo Cavalcante Pires
Marcelo Ce Martins
Marco Gregorio Kayser
Marcos Roberto Brum de Campos
Patrícia Enzweiler Rocha
Paula Bonato Zortéa
Paulo Otavio de Oliveira Bortoli
Paulo Romulo Scherer Junior
Rafael Rosa Zeni
Sabrina da Rosa Pojo
Vanessa Cerutti
Vanessa Medeiros dos Anjos
PERCEPÇÃO DO PORTO-ALEGRENSE SOBRE O
CENTRO DE PORTO ALEGRE
Porto Alegre
2006
Ana Paula Brauwers
Bárbara Mattivy
Bianca Motta Bermúdez
Camila Melo de Boni
Caroline Gremo Giordani
Cesar Soler Machado
Claudio Stein
Crisleine Beatris Pereira
Cristine Silva da Cunha
Daniel Francisco Pontel
Diego Soleti de Oliveira
Douglas Pinto Mafra
Fabrício Ferrão Araújo
Felipe Vinholes Pacheco
Gabriela Silveira do Nascimento
Leticia Florence Hoch
Lubianca Neves da Motta
Luciano Jose Martins Vieira
Lucio Centeno dos Santos
Marcel Juliano Nemitz Biscaino
Marcelo Cavalcante Pires
Marcelo Ce Martins
Marco Gregorio Kayser
Marcos Roberto Brum de Campos
Patrícia Enzweiler Rocha
Paula Bonato Zortéa
Paulo Otavio de Oliveira Bortoli
Paulo Romulo Scherer Junior
Rafael Rosa Zeni
Sabrina da Rosa Pojo
Vanessa Cerutti
Vanessa Medeiros dos Anjos
PERCEPÇÃO DO PORTO-ALEGRENSE SOBRE O
CENTRO DE PORTO ALEGRE
Trabalho de conclusão da disciplina de Pesquisa
em Marketing, ADM 01163, como requisito
parcial para a obtenção do conceito final.
Orientador: Prof. Dr. Walter Meucci Nique
Porto Alegre
2006
2
AGRADECIMENTOS
Ao nosso orientador, professor Dr. Walter
Meucci Nique que, com todo seu conhecimento e
competência, nos guiou durante o semestre para a
elaboração e a concretização deste estudo, e nos
ofereceu todo o apoio, além de vivências valiosas.
À Fernanda Zilles e Leandro Vieria, pelo apoio,
sempre acessíveis e dispostos a ajudar na solução
de nossos problemas e dúvidas.
Aos convidados que se dispuseram a participar
do Grupo Motivacional, compartilhando suas
percepções e críticas, e promovendo uma
discussão produtiva que nos auxiliou no
entendimento do assunto trabalhado.
Ao CEPA/UFRGS (Centro de Estudos e
Pesquisas em Administração da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul) pelo apoio e
disponibilidade oferecidos no decorrer da
pesquisa.
A todos que dedicaram parte de seu tempo
respondendo ao questionário, contribuindo de
forma significativa para a realização desta
pesquisa.
3
LISTA DE FIGURAS
Figura 6 – Planilha de amostragem para sorteio das quadras................................................ 40
Figura 7 – Planilha de amostragem para sorteio do entrevistador.......................................... 41
Figura 8 – Planilha de amostragem para sorteio único ........................................................... 42
Gráfico 1 – Classificação do domicílio..................................................................................... 45
Gráfico 2 – Estado civil do entrevistado .................................................................................. 45
Gráfico 4 – Freqüência de ida ao Centro ................................................................................ 46
Gráfico 5 – Sentimento do entrevistado em relação ao Centro .............................................. 46
Gráfico 6 – Local onde o entrevistado levaria um turista ........................................................ 48
Gráfico 7 – Lista de citações “Outros” locais onde levariam um turista .................................. 50
Gráfico 8 – Locais que ficam no Centro segundo o entrevistado............................................ 51
Gráfico 9 – Motivo de ida ao Centro ........................................................................................ 51
Gráfico 10 – Opção “outros” motivo de ida ao Centro............................................................. 51
Gráfico 11 – Concordância se entrevistado encontra atrações culturais interessantes no
Centro ...................................................................................................................................... 53
Gráfico 12 – Concordância se entrevistado encontra grande número de atrações culturais . 54
Gráfico 13 – Concordância se entrevistado se considera bem informado sobre os eventos
culturais do Centro................................................................................................................... 54
Gráfico 14 – Percepção de quantos museus existem no Centro ............................................ 55
Gráfico 15 – Concordância se as opções culturais do Centro são maiores que outros bairros
................................................................................................................................................. 55
Gráfico 16 – Freqüência que entrevistado visita feira do livro ................................................ 56
Gráfico 17 – Concordância se o Centro é um local de lazer nos finais de semana................ 57
Gráfico 18 – Concordância se o Cento é um bom local para praticar esportes...................... 57
Gráfico 19 – Concordância se Centro é um bom local para se divertir................................... 57
Gráfico 20 – Concordância se as praças do Centro são um bom local de lazer .................... 58
Gráfico 21 – Concordância se as praças são bem cuidadas e limpas.................................... 58
Gráfico 22 – Concordância se o Centro possui muitas árvores .............................................. 58
Gráfico 23 – Freqüência de ida aos cinemas do Cento .......................................................... 59
Gráfico 24 – Local onde entrevistado vai para se divertir ....................................................... 59
Gráfico 25 – Nota do entrevistado para as opções de lazer no Centro .................................. 60
Gráfico 26 – Concordância quanto a freqüentar o Centro a noite........................................... 60
Gráfico 27 – Concordância se há boas opções de alimentação no Centro ............................ 61
Gráfico 28 – Percepção do entrevistado da população do Centro.......................................... 63
Gráfico 29 – Concordância se o Centro é um bom local para moradia .................................. 63
Gráfico 30 – Concordância se o Centro é seguro para morar ................................................ 64
Gráfico 31 – Concordância se o preço dos imóveis é uma vantagem na moradia................. 65
Gráfico 32 – Concordância se diversidade de comércio é vantagem na moradia.................. 65
Gráfico 33 – Condições para entrevistado morar no Centro................................................... 66
Gráfico 34 – Nota do entrevistado para o Centro como opção de moradia ............................ 67
Gráfico 36 – Concordância se o Centro é mais limpo que os demais bairros ........................ 68
Gráfico 37 – Concordância se propagandas contribuem para sensação de poluição no Centro
................................................................................................................................................. 70
Gráfico 38 – Concordância se existem lixeiras suficientes no Centro .................................... 70
Gráfico 39 – Concordância se o cheiro do Centro incomoda.................................................. 71
Gráfico 40 – Concordância se o barulho do Centro incomoda ............................................... 71
Gráfico 41 – Nota do entrevistado para a limpeza do Centro ................................................. 72
Gráfico 42 – Meio de transporte utilizado para ir ao Centro.................................................... 73
Gráfico 43 – Concordância se existem locais suficientes para estacionar no Centro ............ 74
Gráfico 44 e 45 – Concordância locais para estacionar X Meio de transporte ....................... 75
Gráfico 46 – Concordância sobre facilidade de andar de carro no Centro ............................. 75
Gráfico 47 – Concordância se existem ônibus demais circulando no Centro......................... 75
Gráfico 48 – Concordância se os terminais de ônibus atrapalham os pedestres ................... 76
Gráfico 49 e 50 – Concordância se os terminais de ônibus atrapalham X ............................. 76
Gráfico 51 – Concordância sobre facilidade de transitar no Centro para pedestres .............. 76
Gráfico 52 – Concordância se o Centro é acessível aos deficientes físicos........................... 77
Gráfico 53 – Concordância se o Centro é bem sinalizado ...................................................... 77
Gráfico 54 – Nota do entrevistado para o trânsito no Centro.................................................. 77
4
Gráfico 55 – Local preferido para fazer compras .................................................................... 79
Gráfico 56 – Freqüência que entrevistado faz compras no Centro......................................... 82
Gráfico 57 – Concordância se o Mercado Público é bom local para compras ....................... 82
Gráfico 58 – Concordância se os produtos do Centro são de boa qualidade......................... 83
Gráfico 59 – Concordância se os serviços do Centro são de boa qualidade ......................... 83
Gráfico 60 – Concordância se a favor dos camelôs nas ruas do Centro ................................ 84
Gráfico 61 – Concordância se os camelôs são boa opção de compra................................... 84
Gráfico 62 – Concordância se camelôs prejudicam o comércio legal .................................... 84
Gráfico 63 – Concordância se camelôs dificultam a passagem das pessoas ........................ 85
Gráfico 64 – Concordância se os camelôs tornam o Centro mais perigoso ........................... 85
Gráfico 65 – Concordância se o Centro oferece produtos mais baratos ................................ 86
Gráfico 66 – Concordância se encontra o que procura no Centro.......................................... 86
Gráfico 67 – Concordância se entrevistado faz compras no Centro devido a facilidade de
acesso...................................................................................................................................... 86
Gráfico 68 – Concordância se entrevistado faz compras no Centro devido a variedade ....... 87
Gráfico 69 – Concordância se é bem atendido pelos vendedores do Centro......................... 87
Gráfico 70 – Nota do entrevistado para o comércio no Centro ............................................... 88
Gráfico 71 – Concordância sobre sentimento de segurança ao andar no Centro .................. 90
Gráfico 72 – Quantidade de vezes que entrevistado foi assaltado no Centro ........................ 90
Gráfico 73 – Quantidade de vezes que entrevistado viu alguém ser assaltado no Centro .... 90
Gráfico 74 – Concordância sobre correr mais risco de assalto no Centro que demais bairros
................................................................................................................................................. 91
Gráfico 75 – Concordância se entrevistado toma cuidados ao andar no Centro para evitar
assaltos.................................................................................................................................... 91
Gráfico 76 – Concordância se o número de pessoas que circulam no Centro o torna mais
perigoso ................................................................................................................................... 92
Gráfico 77 – Concordância se freqüenta o Centro a noite ...................................................... 92
Gráfico 78 – Concordância se o Centro é mais perigoso a noite que de dia.......................... 93
Gráfico 79 – Concordância se o Centro é bem iluminado a noite........................................... 93
Gráfico 80 – Opinião sobre policiamento no Centro................................................................ 94
Gráfico 81 – Nota do entrevistado para a segurança do Centro............................................. 94
Nº de residências................................................................................................................... 130
5
LISTA DE TABELAS
Tabela 5 – Sexo dos entrevistados ............................................................................................. 44
Tabela 6 – Escolaridade dos entrevistados ................................................................................ 44
Tabela 7 – Sexo X Sentimento em relação ao Centro................................................................ 47
Tabela 8 – Freqüência de ida ao Centro X Sexo ........................................................................ 47
Tabela 9 – Freqüência de ida ao Centro X Sentimento em relação ao Centro .......................... 47
Tabela 10 – Escolaridade do entrevistado X Sentimento em relação ao Centro ....................... 48
Tabela 11 – Sentimento em relação ao Centro X Local onde levaria um turista........................ 49
Tabela 12 – Tempo de permanência no Centro X Motivo de ida ao Centro .............................. 52
Tabela 14 – Tempo de permanência X Freqüência de ida ao Centro ........................................ 53
Tabela 15 – Variáveis que mais impactam na nota de lazer no Centro ..................................... 62
Tabela 16 – Análise das variáveis conforme regressão múltipla para lazer............................... 62
Tabela 17 – Concordância se moraria no Centro X Sentimento em relação ao Centro ............ 63
Tabela 18 – Número de assaltos sofridos no Centro X Segurança para moradia ..................... 64
Tabela 19 – Número de assaltos que assistiu X Segurança na moradia ................................... 64
Tabela 20 – Condições para morar no Centro X Sentimento em relação ao Centro ................. 66
Tabela 21 – Condições para morar no Centro X Concordância se é bom local para morar ...... 67
Tabela 22 – Variáveis de maior impacto na nota de moradia..................................................... 68
Tabela 23 – Análise das variáveis conforme regressão múltipla para moradia ......................... 68
Tabela 24 – Limpeza do Centro em relação aos demais X Sentimento em relação ao Centro. 69
Tabela 25 – Limpeza do Centro em relação aos demais X Freqüência de ida ao Centro ......... 69
Tabela 26 – Limpeza do Centro em relação aos demais X Concordância sobre poluição visual
..................................................................................................................................................... 70
Tabela 27 – Lixeiras suficientes X Limpeza do Centro em relação aos demais ........................ 71
Tabela 28 – Variáveis que mais impactam na nota da limpeza.................................................. 72
Tabela 29 - Análise das variáveis conforme regressão múltipla para limpeza........................... 73
Tabela 30 – Sexo X Meio de transporte utilizado ....................................................................... 74
Tabela 31 – Escolaridade X Meio de transporte utilizado........................................................... 74
Tabela 32 – Variáveis que mais impactam na nota do trânsito .................................................. 78
Tabela 33 – Análise das variáveis conforme regressão múltipla para trânsito........................... 78
Tabela 34 – Local preferido para fazer compras X Sentimento em relação ao Centro.............. 80
Tabela 35 – Local preferido para fazer compras X Escolaridade ............................................... 80
Tabela 36 – Local preferido para compras X Estado civil........................................................... 81
Tabela 37 – Sexo X Local preferido para compras..................................................................... 81
Tabela 38 – Compras no Centro X Tempo de permanência ...................................................... 81
Tabela 40 - Análise das variáveis conforme regressão múltipla para comércio......................... 89
Tabela 41 – Assalto no Centro X Tomar cuidados ao andar no Centro ..................................... 92
Tabela 42 – Variáveis que mais impactam na nota da segurança ............................................. 95
Tabela 43 – Análise das variáveis conforme regressão múltipla para segurança...................... 95
6
SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS ..................................................................................................................... 4
LISTA DE TABELAS .................................................................................................................... 6
INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 9
1 DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA................................................................... 10
1.1 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA..................................................................... 10
1.1.1 História do Centro .............................................................................................................. 10
1.1.2 Aspectos Demográficos ..................................................................................................... 11
1.1.3 A Degradação do Centro.................................................................................................... 15
1.1.4 Comércio ............................................................................................................................ 17
1.1.5 Segurança .......................................................................................................................... 19
1.1.6 Aspectos Culturais ............................................................................................................. 19
1.1.6.1 Mercado Público.............................................................................................................. 20
1.1.6.2 Feira do Livro .................................................................................................................. 21
1.1.6.3 Cinemas .......................................................................................................................... 22
1.1.6.4 Teatros ............................................................................................................................ 22
1.1.6.5 Museus ............................................................................................................................ 23
1.1.7 Trânsito............................................................................................................................... 23
1.1.7.1 A Alternativa .................................................................................................................... 25
1.1.8 O Centro e a Percepção Popular ....................................................................................... 26
1.1.9 Projeto Viva o Centro ......................................................................................................... 29
1.1.10 Pergunta de pesquisa ...................................................................................................... 31
1.2 JUSTIFICATIVA.................................................................................................................... 31
1.3 OBJETIVOS .......................................................................................................................... 32
1.3.1 Objetivo Geral ................................................................................................................... 32
1.3.2 Objetivos Específicos ...................................................................................................... 32
2 MÉTODO.................................................................................................................................. 33
2.1 Etapa Exploratória............................................................................................................... 33
2.2 Etapa Descritiva .................................................................................................................. 36
2.2.1 Instrumento de Coleta de Dados .................................................................................... 36
2.2.2 População e Amostra....................................................................................................... 37
2.2.3 A automatização da amostragem ................................................................................... 39
3 ANÁLISES DOS DADOS ........................................................................................................ 43
3.1 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA................................................................................... 43
3.2 O CENTRO DE PORTO ALEGRE: Percepções Iniciais da Amostra............................... 45
3.3 CULTURA: Qualidade em quantidade............................................................................... 53
3.3.1 A Feira do Livro .................................................................................................................. 55
3.4 LAZER: ................................................................................................................................. 56
3.4.1 Cinemas ............................................................................................................................. 58
3.4.2 Restaurantes e Gastronomia ............................................................................................. 61
3.5 MORADIA ............................................................................................................................. 62
3.6 POLUIÇÃO............................................................................................................................ 68
3.7 O TRÂNSITO ........................................................................................................................ 73
3.7.1 Percepções Gerais sobre o Trânsito.................................................................................. 76
3.8 COMÉRCIO: Impasse com Camelôs e alternativas ......................................................... 79
3.8.1 Mercado Público................................................................................................................. 82
3.8.2 Camelôs ............................................................................................................................. 83
3.8.3 Panorama Geral dos Produtos do Centro.......................................................................... 85
3.9 SEGURANÇA NO CENTRO: ............................................................................................... 89
3.9.1 Segurança no Centro à noite ............................................................................................. 92
3.9.2 Policiamento: Questão-chave ............................................................................................ 93
3.10 CONCLUSÕES DE ANÁLISES.......................................................................................... 96
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................................... 99
5 LIMITAÇÕES DO ESTUDO................................................................................................... 100
REFERÊNCIAS......................................................................................................................... 102
ANEXO 1................................................................................................................................... 105
ANEXO 2................................................................................................................................... 106
ANEXO 3................................................................................................................................... 108
ANEXO 4................................................................................................................................... 130
ANEXO 5................................................................................................................................... 131
7
ANEXO 6................................................................................................................................... 132
ANEXO 7................................................................................................................................... 133
ANEXO 8................................................................................................................................... 134
ANEXO 9................................................................................................................................... 135
ANEXO 10................................................................................................................................. 140
ANEXO 11................................................................................................................................. 140
8
INTRODUÇÃO
“as cidades, como os sonhos, são construídos por desejos e
medos, ainda que o fio condutor de seu discurso seja secreto, que as
suas regras sejam absurdas...”
Italo Calvino, As Cidades Invisíveis
Nos últimos tempos têm-se discutido muito sobre a revitalização do Centro de Porto
Alegre. Diversos projetos públicos e privados ocupam-se desse tema e trazem à tona as
dificuldades de se abordar matéria tão complexa, alvo de diversas interpretações.
A cidade de Porto Alegre, inserida no âmbito internacional pela realização do Fórum
Social Mundial, citada como referência em qualidade de vida e como tendo uma população
com nível cultural acima da média, ainda não equacionou e resolveu um problema tão antigo
quanto grave: a degradação de sua área central.
O Centro de Porto Alegre, como veremos adiante, é origem da história da cidade; é
Centro não só para a população de porto-alegrenses, porque recebe diariamente um
contingente populacional elevado – mais de 600 mil pessoas – oriundas das cidades da
Grande Porto Alegre.
Jane Jacobs, reconhecida ensaísta americana, escreve em seu clássico Morte e Vida
de Grandes Cidades (2001), que a maneira de decifrar o aparentemente indomável
comportamento misterioso das grandes cidades é através da observação direta dos
acontecimentos mais comuns. Esse trabalho não pretende esgotar tema tão complexo;
procura, isso sim, inquirir, através das técnicas da Pesquisa em Marketing, qual a percepção do
residente da cidade de Porto Alegre sobre o seu Centro, buscando a partir daí, tirar algumas
conclusões. A divisão desse trabalho dá-se como segue.
Após breve introdução, trata-se de definir o problema de pesquisa a partir do
levantamento de dados secundários, que permitiram o levantamento de temas-chaves e
contextualização. Após a definição do problema, apresenta-se a sua justificativa e os objetivos
geral e específicos.
A seguir procede-se a uma breve revisão da literatura em Marketing a respeito do
conceito de percepção. A partir dos objetivos, apresenta-se na seção 3 o método utilizado, com
suas duas etapas, exploratória e descritiva. Nessa seção são detalhados o instrumento
utilizado para coleta de dados e os procedimentos de amostragem.
A partir da seção 4, faz-se a análise dos dados coletados, apresentando-a em tópicos:
Caracterização da Amostra, Questões Iniciais, Cultura e Lazer, Moradia, Poluição, Trânsito,
Comércio e Segurança, em que são detalhadas a análise e a interpretação dos dados
quantitativos, com as correspondentes conclusões.
O trabalho encerra-se com as Considerações Finais, Limitações do Estudo e
Sugestões para futuras pesquisas.
9
1 DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA
A seguir apresentamos a definição do problema de pesquisa a partir da análise e
levantamento de dados secundários.
1.1 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA
A definição do problema é a etapa mais importante de uma pesquisa em Marketing,
pois somente depois da sua definição clara é que a pesquisa pode ser concebida e realizada
de forma adequada de modo a atingir plenamente a sua finalidade precípua, a saber, a
disponibilização de informações que o gestor deve ou precisa saber para identificar e
solucionar problemas em marketing (MALHOTRA, 2001). Para a definição do problema do
presente estudo, pesquisou-se, em várias fontes, dados secundários acerca do objeto a ser
pesquisado, o Centro de Porto Alegre. Segundo Malhotra (2001, p. 127), os “dados
secundários são de acesso fácil, relativamente poucos dispendiosos e de obtenção rápida”.
A grande quantidade de dados secundários encontrados proporcionou uma
contextualização histórica e um retrato atual desta área da Capital, que a seguir serão expostos
em forma de itens para proporcionar ao leitor maior familiaridade com o Centro. Ao final desta
exposição, é revelada a pergunta de pesquisa.
1.1.1 História do Centro
As origens do Centro se confundem com a própria história de formação de Porto
Alegre, e, durante muito tempo, esse único bairro correspondeu ao limite de toda a cidade.
No início da povoação, quando os casais de açorianos se estabeleceram no Porto de
Viamão, construíram seus ranchos próximos à beira da praia, e do alinhamento desses
casebres, surgiu a primeira rua do novo lugar: a Rua da Praia.
Quando o Porto dos Casais foi elevado à categoria de Freguesia, em 1772, o capitão
Alexandre Montanha realizou o primeiro planejamento urbano com a demarcação das primeiras
ruas. Para tanto, tomou como Centro o alto da colina, conhecido por Alto da Praia, mais ou
menos no meio da península que se projetava pelo Guaíba, e decidiu que ali seriam instaladas
a Igreja e a sede do Governo. A partir desse ponto, levando em conta o relevo, traçou as atuais
ruas Duque de Caxias e Riachuelo e algumas transversais, como a Rua do Ouvidor (General
Câmara) e a Rua da Bragança (Marechal Floriano).
Em 1778, foi construída a linha de fortificação em torno do povoado. Ela exerceu uma
importante função na organização do espaço central. A área por ela delimitada foi a primeira a
10
receber melhorias, como iluminação pública, calçamento, chafarizes para o abastecimento de
água, coleta de lixo, saneamento e policiamento.
A criação legal do bairro Centro deu-se pela Lei Municipal nº. 2.022 de 07/12/59,
alterada posteriormente pela Lei Municipal nº. 4.685 de 21/12/79.
Durante muito tempo, o Centro foi a região mais movimentada de Porto Alegre. Ponto
de encontro de intelectuais, palco de importantes eventos culturais e de grandes manifestações
populares, foi também o foco das mais belas lojas, das confeitarias Rocco e Central, dos cafés
Colombo e América e do cine-teatro Guarany.
A região reúne imponentes prédios, verdadeiros monumentos construídos no início do
século e as tradicionais Praças da Alfândega e da Matriz.
Neste século, o Centro foi completamente modificado e por isso perdeu muitas de suas
características. Teve sua área ampliada com as obras de aterro. Nas décadas de 20 e 30,
recebeu sua primeira cirurgia urbana, com a abertura das avenidas Júlio de Castilhos, Otávio
Rocha e da suntuosa Borges de Medeiros. Na década de 40, ocorre uma profunda alteração
em paisagem com a construção dos espigões, como o Vera Cruz e o Sulacap, ambos na
Borges de Medeiros. Nessa mesma época também são construídas as primeiras avenidas
radiais da cidade como forma de facilitar o trânsito de veículos e ligar o Centro aos bairros
Devido aos transtornos viários, gerados pela tendência das ruas convergirem para o
Centro e pelo aumento do fluxo de veículos, na década de 70, começam a ser construídos
túneis, elevadas e perimetrais na tentativa de solucionar esses problemas.
O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (PDDUA), instituído pela Lei
Complementar Municipal nº. 434 de 1999, considera o Centro como uma Área Especial de
Interesse Cultural que é definida como “conjunto de bens imóveis de valor significativo –
edificações isoladas ou não - ambiências, parques urbanos e naturais, praças, sítios e
paisagens, assim como manifestações culturais – tradições, práticas e referências,
denominados de bens intangíveis – que conferem identidade a estes espaços”. Dessa forma, o
patrimônio não inclui apenas edificações, mas também seu sistema de relações com o entorno,
sua integração ao tecido urbano e sua continuidade com a paisagem. As Áreas Especiais de
Interesse Cultural devem receber tratamento diferenciado em relação aos padrões adotados
em outras áreas da cidade, tanto no uso quanto na ocupação do solo.
1.1.2 Aspectos Demográficos
Conforme o Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a
população do Centro é de 36.862 moradores, sendo 16.076 homens e 20.786 mulheres.
11
Representa 0,48% da área total da cidade, com uma área de 228 hectares. A sua densidade
populacional é de 162 habitantes por hectare. Possui 17.252 domicílios, cujos responsáveis
possuem uma renda média mensal equivalente a 12,61 salários mínimos.
Enquanto a população de Porto Alegre cresceu 26% no ultimo quarto de século, o
Centro perdeu um terço de seus habitantes. Quinze mil pessoas debandaram, reduzindo a
população da área de 49 mil em 1980 para 34 mil hoje. O bairro apresentou taxa de
crescimento negativa de 1,70% ao ano no período de 1991 a 2000. Segundo a Secretaria do
Planejamento Municipal, um de cada 10 imóveis do bairro está desocupado.
Tabela 1 - População de Porto Alegre e do Centro
1980
1991
2000
2005
P. Alegre
1.125.477
1.263.239
1.360.590
1.418.000
Centro
49.064
43.252
36.862
33.833
O Centro é hoje, entre os 78 bairros de Porto Alegre, aquele com maior número de
imóveis usados à venda, 8% do total da cidade. Quanto maior a perda de habitantes, mais
acelerado será o esvaziamento. A idade avançada dos moradores, muitos deles idosos,
residentes ali desde os glamurosos anos 40 e 50, é um desafio extra aos urbanistas. No
Centro, apenas 7% da população tem até 9 anos, contra 15% do total da cidade. Em
compensação 20% superaram os 60 anos, enquanto que no município o índice cai para 12%.
Tabela 2 - Idade dos Moradores do Centro em %
Centro
0a4
5a9
10 a 19
20 a 29
30 a 39
40 a 49
50 a 59
60 ou +
3,61
3,57
10,94
20,48
16,54
14,66
10,74
19,46
Das 504 mil unidades constantes no cadastro de recolhimento do Imposto sobre a
Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) de Porto Alegre, 47 mil ficam no Centro e
responderam até outubro de 2005 por R$ 12,8 milhões (9,38%) dos R$136,9 milhões
arrecadados pela Prefeitura. Dos 24 mil imóveis do Centro de Porto Alegre, 70% são
residenciais, 25% comerciais, 3,5% para serviços e 1,5% para indústrias.
Os limites atuais do Centro são Av. José Loureiro da Silva, Av. João Goulart até seu
encontro com a Av. Mauá; desta até a sua convergência com a Av. Presidente Castelo Branco;
desta até seu encontro com o Largo Vespasiano Júlio Veppo; deste até o Complexo Viário
12
Conceição (túnel, elevadas, acessos e Rua da Conceição) em seu prolongamento até a Rua
Sarmento Leite; desta até a Rua Engenheiro Luiz Englert; desta até seu encontro com a
Avenida Perimetral e desta até a confluência da Avenida Loureiro da Silva
:Figura 1 – Localização do bairro Centro na cidade de Porto Alegre
Fonte: Site da Prefeitura Municipal de Porto Alegre
13
Figura 2 – Limites do bairro Centro
Fonte: Site da Prefeitura Municipal de Porto Alegre
14
Figura 3 – Setores do bairro Centro
Setor InstitucionaSl etor Comercial
e Cultural
Setor
Residencial
Setor Institucional
01
Setor Institucional
02
1.1.3 A Degradação do Centro
O esvaziamento demográfico com a ausência de moradores nessa área faz com que o
cenário de intensa atividade diurna seja substituído pelo vazio noturno.
Algumas causas da degradação acelerada do Centro foram:
O Plano Diretor de 1959 adotou o princípio do Zoneamento, distinguindo o uso
do solo. Baseado nos conceitos do Urbanismo Moderno – 4 funções: habitar,
trabalhar, recrear e circular, as residências se afastam do Centro;
Crescimento populacional acelerado, conjugado ao fato do Centro apresentar
densa ocupação demográfica e não corresponder à demanda de expansão.
Isso gerou a necessidade de ocupação de novas áreas da cidade;
Transferência
dos
investimentos
para
outras
áreas
da
cidade,
com
conseqüente descentralização e abandono do Cento pelas classes de maior
poder aquisitivo; e
Especulação imobiliária.
15
A manifestação “Porto Alegre, triste Centro” do Jornalista Luiz Carlos Vaz na edição do
Jornal Correio do Povo de 02 de outubro de 2006 sintetiza o estado de degradação atual do
bairro (CORREIO DO POVO, 2006):
Dezenas de confeitarias, bares, cafés e restaurantes que
davam vida à Rua da Praia em outras décadas – e que vêm sendo
relembrados por Flávio Alcaraz Gomes – cederam lugar a apenas
quatro lancherias com porta para a calçada, entre as ruas Caldas Jr e
Dr Flores. Um quinto estabelecimento, uma bombonière, único
remanescente da época dourada da cidade, fechou recentemente.
Para uma comunidade que já teve confeitarias como a Pelotense,
Neugebauer, Mar del Plata, Paris, Matheus (e seu irresistível pernil),
Central, Praiana, Indiana ou Rocco; restaurantes como o Ghilosso ou
lancherias como o Rian e Olé, além dos cafés que atraíam e
misturavam políticos, letrados, empresários e povo em geral, trata-se
de uma triste involução. Ainda mais se levarmos em conta que a
mesma Rua da Praia ostentava também ótimas casas de espetáculos
como os cinemas e/ou teatros Cacique, Rio/Guarani, Imperial, Rex,
Central e Ópera. O trecho citado tem no momento três livrarias, um
clube e uma casa de cultura, mas são 17 os estabelecimentos de
crédito e financiamento, 11, as lojas que comercializam telefones, 7
as farmácias, dentre outros, e nenhum cinema.
Pensava-se que a humanização se faria presente quando
foram implantados os calçadões. A idéia era que, restringindo-se a
circulação de carros, as pessoas poderiam se movimentar com mais
facilidade e que, até mesmo, os comerciantes experimentariam dias
melhores. Mas esses foram se retraindo à medida que se
desvirtuavam as intenções do poder público. Ambulantes,
desocupados e a bandidagem tomaram as ruas principais,
afugentando, por óbvio, qualquer empreendimento, especialmente no
ramo de alimentação e lazer. Há anos que as administrações
prometem intervir no Centro, mas tudo segue piorando. Os calçadões
estão virados em colchas de retalhos, conseqüência de sucessivas
obras subterrâneas. Sujeira se acumula em calçadas encardidas e,
por vezes, repugnantes, em que pese o trabalho do DMLU.
Igualmente vergonhosa é a situação das avenidas Borges de
Medeiros e Salgado Filho e da Praça XV, cujo entorno é outro caos
permanente.
Os contribuintes apreciaram, por certo, um plano global para
recuperação do Centro que fosse além do camelódromo. Futuros
arquitetos, a convite da prefeitura, expuseram no Paço Municipal suas
idéias para a área. Pode ser o ponto de partida para esse resgate.
Passo seguinte será a vontade pública, desta e das próximas
administrações.
Há um crescente interesse do Poder Público Municipal, nos últimos anos, em reverter a
atual situação do Centro. Tal processo teve início em 1991, com a criação do Centro Cultural
Usina do Gasômetro, que provocou uma mudança radical na paisagem urbana da Capital.
As políticas públicas municipais recentemente implantadas são baseadas no conceito
de Planejamento Estratégico, no qual o Poder Público é o principal agente propositivo e
articulador, que dá ênfase à atuação integrada e sustentável dos demais elementos envolvidos
no processo de intervenção.
16
A ocupação residencial é o principal estimulador da revitalização de áreas urbanas
degradadas. Para estimulá-la, está em execução o Programa de Arrendamento Residencial
(PAR), integrante do Programa de Reabilitação de Áreas Urbanas Centrais, conduzido pelo
Ministério das Cidades, uma parceria do Governo Federal, Departamento Municipal de
Habitação (DEMHAB) e Caixa Econômica Federal. Visa à compra, para fins habitacionais, de
empreendimentos prontos ou em construção, destinados à população de baixa renda. Tem o
objetivo de diminuir o déficit habitacional, ao mesmo tempo, que visa a ocupação de inúmeros
imóveis ociosos, incentivando a ocupação residencial do Centro de Porto Alegre. A relação dos
empreendimentos realizados pelo PAR no Centro é a seguinte:
Edifício Bento Gonçalves e Charrua, 80 unidades habitacionais, investimentos
de R$ 2.775.359,99, obra entregue.
Residencial
Arachã,
28
unidades
habitacionais,
investimento
de
R$
979.795,90, obra entregue.
Outro programa governamental em execução no Centro é o Programa Monumenta,
coordenado pelo Ministério da Cultura, em parceria com o COMPAHC (Conselho do Patrimônio
Histórico e Cultural). Visa à revitalização do Centro através da recuperação de seu patrimônio
histórico e cultural. A valorização da identidade cultural surge como elemento diferencial que
garante a posição única do Centro em relação ao restante da cidade.
1.1.4 Comércio
Um dos principais problemas do Centro da capital gaúcha é o grande número de
comércio ilegal existente. A decadência do Centro começou quando foi dada permissão para
os camelôs, inicialmente uma atividade destinada a cegos, instalarem-se no Centro. Os
ambulantes se multiplicam por todo o lado. Pode-se dizer que o início da atual situação caótica
foi a entrega dos alvarás aos camelôs, em 1988, pelo então Prefeito Alceu Collares,
reconhecendo a atividade. O processo de autorizar seguiria até atingir 752 ambulantes, aos
quais se soma um número que atualmente pode ultrapassar os 2.000 vendedores ambulantes
ilegais, não cadastrados na Prefeitura.
Esse crescimento do comércio informal deve-se a diversos fatores, tais como o alto
índice de analfabetos, o crescimento populacional, o índice de precariedade – que é a soma
dos desocupados absolutos (aqueles que não conseguiram trabalhar sequer uma hora na
semana) com os sub-remunerados (que ganham menos de um salário mínimo) e os subocupados (que não conseguem trabalhar 40 horas semanais).
Segundo Adeli Sell, ex-secretário da Secretaria Municipal de Indústria e Comércio
(SMIC), a concessão de alvarás visava controlar uma situação que ainda não era grave.
17
Olhando retrospectivamente, foi um equivoco, porque consolidou uma realidade indesejável.
Foi criado um problema e agora somos reféns dele.
O Centro não comporta mais de 400 ambulantes, diz o presidente do Sindicato do
Comércio Varejista de Feirantes e Ambulantes. Enquanto os camelôs avançavam, grandes
lojas fechavam as portas, por falta de recursos pra competir com os preços baixos oferecidos
por eles. Transformaram um bairro de classes A e B em um lugar freqüentado por pessoas com
renda inferiores. Os camelôs prejudicam em 30% o faturamento de quem paga impostos,
levando empresas à falência. Conforme o Diretor do Sindilojas, Roberto Jaeger: “Eles estão no
melhor ponto da cidade sem pagar encargos ou aluguel. Quem não vai querer isso se não há
repressão?”.
A SMIC não consegue conter a irregularidade dos ambulantes, pois os fiscais
fiscalizam num momento e logo em seguida os irregulares estão instalados novamente. Há o
famoso grito “olha a chuva” quando os camelôs avistam os fiscais da SMIC, e a correria nas
ruas é intensa, pois eles tentam de todas as formas esconder suas mercadorias para evitar o
confisco.
A proposta da atual Administração para conter a disseminação de camelôs é a
construção de um camelódromo aéreo orçado em R$ 10 milhões. A obra é controversa, pois
urbanistas duvidam do interesse de empresários em investir a soma e temem que as áreas
desocupadas sejam tomadas por novos irregulares. A idéia do projeto do camelódromo é que,
não tendo mais camelôs “legais” na rua, a fiscalização ficaria mais fácil, pois os que restarem,
conseqüentemente, serão considerados irregulares.
A proposta visa transferir os camelôs instalados no Centro da cidade para locais
autorizados. O início da construção do primeiro camelódromo está prevista para 2006, na
Praça Rui Barbosa, conforme anúncio feito pelo Prefeito no final de outubro.
De acordo com o projeto, a obra terá 10 mil metros quadrados, 800 boxes com infraestrutura, cobertura, acessibilidade e segurança e será destinada aos comerciantes populares
instalados atualmente na Praça XV, Rua Vigário José Inácio, Rua da Praia, Praça José
Montaury e outros pontos do Centro.
Segundo o site da SMIC, há 14.197 alvarás expedidos no Centro de Porto Alegre.
Dentre as atividades em maior quantidade no Centro, estão:
•
Bijuterias: 548
•
Bancos: 76
•
Bar/lancheria: 520
18
•
Barbearia/salão: 855
•
Consultórios médicos e odontológicos: 1586
•
Escritórios Administrativos: 405
•
Escritórios Contabilidade: 253
•
Ferragem: 61
•
Hotel: 57
•
Imobiliária: 70
•
Joalheria: 167
•
Livraria: 191
•
Óticas: 194
•
Pensões: 9
•
Pizzaria: 8
•
Restaurantes: 362
1.1.5 Segurança
A segurança da região central de Porto Alegre é feita pelo 9º batalhão da Brigada
Militar. Por motivos estratégicos, o Departamento de Relações Institucionais da Secretaria de
Segurança Pública não divulgou o número exato de policiais na rua, mas informou que é por
volta de 100 homens.
Há também no Centro de Porto Alegre o monitoramento feito por câmeras de
segurança, localizadas em pontos estratégicos da região.
1.1.6 Aspectos Culturais
O Centro é a área de Porto Alegre que, por sua antigüidade, concentra a maior parte
dos marcos históricos da Capital. A história de Porto Alegre e do Estado do Rio Grande do Sul
inscreve-se em suas ruas e prédios, como observa Mário Quintana.
19
Na Rua Professor Annes Dias, a Santa Casa de Misericórdia é um marco de quase
dois séculos da medicina no Estado, que, no ano de 2007, abrigará um Centro histórico
cultural.
No Centro há um precioso patrimônio arquitetônico a ser preservado. E que, por sua
vez, é muito pouco conhecido pelos próprios moradores da cidade. Na fachada da Biblioteca
Pública há um raríssimo calendário positivista. E, no seu interior, salas cujas decorações
homenageiam culturas tão diversas como a egípcia e a mourisca.
No cimo do Paço Municipal (local da Prefeitura Velha), uma estátua da Justiça
contempla os porto-alegrenses. Na Rua General Câmara (Rua da Ladeira), na esquina com a
Rua dos Andradas (Rua da Praia), um prédio em estilo art noveau resiste, intacto, à passagem
do tempo.
Exemplos como esses se multiplicam em locais como a Praça Senador Florêncio
(Praça da Alfândega), onde o Banco Safra ocupa um conjunto arquitetônico formado,
antigamente, por uma farmácia e um cinema, e o Museu de Artes do Rio Grande do Sul e o
prédio dos Correios e Telégrafos (Correio velho, hoje Memorial do Rio Grande do Sul), atestam
a importância desses marcos históricos.
Os nomes de ruas e praças fornece informações preciosas. O Centro é o lugar onde
algumas denominações originais das principais ruas e praças se mantêm graças ao uso
popular, como é o caso da Rua da Praia, a mais central, que foi renomeada como Rua dos
Andradas; hoje aceita-se oficialmente as duas denominações.
No Centro localiza-se "A Paineira", aceita por todos os habitantes em uma cidade em
que há milhares de paineiras, ponto de referência da rua Sete de Setembro.
Por outro lado, é no Centro que se encontram alguns dos principais locais de irradiação
cultural da cidade. Basta lembrar que ali estão o Museu Júlio de Castilhos, a Casa de Cultura
Mário Quintana, a Usina do Gasômetro, a Biblioteca Pública, o Museu de Artes do Rio Grande
do Sul e o Museu da Companhia Estadual de Energia Elétrica.
1.1.6.1 Mercado Público
Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre, o Mercado Público foi inaugurado em
1869 para abrigar o comércio de abastecimento da cidade. Em 1912 foi construído o 2º
pavimento para abrigar escritórios comerciais e industriais e repartições públicas. Tombado
pelo Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre em 1979, o Mercado Público sofreu três
incêndios (1912, 1976 e 1979) e resistiu à grande enchente de 1941. Além de oferecer bons
produtos, procurando praticar uma boa política de preços, o Mercado Público também atua
como espaço para manifestações culturais e comunitárias.
20
Figura 4 – Mercado Público
O Mercado é referência cultural, política, social e econômica de nosso estado. Possui,
hoje, 108 estabelecimentos, que oferecem produtos regionais, produtos naturais, especiarias e
alguns itens que o porto-alegrense só encontra no Mercado Público Central.
Há uma programação semanal de música nos terraços do 2º pavimento do Mercado
Público, incluindo estilos diferentes como samba de raiz, arte latina, música romântica, MPB, e
pop-rock.
1.1.6.2 Feira do Livro
A Feira do Livro de Porto Alegre é um evento organizado pela Câmara Rio-Grandense
do Livro e voltada para o incentivo e a difusão do hábito da leitura.
A Feira do Livro de Porto Alegre é uma das mais antigas do País. Sua primeira edição
ocorreu em 1955 e seu idealizador foi o jornalista Say Marques, diretor-secretário do Diário de
Notícias. Inspirado por uma feira que visitara na Cinelândia no Rio de Janeiro, Marques
convenceu livreiros e editores da cidade a participarem do evento.
A 51ª edição da Feira ocupou uma área total de aproximadamente 20 mil m², incluindo
o Cais do Porto. A área coberta por lona foi de 7,9 mil m². A circulação é de aproximadamente
1,7 milhão de pessoas durante o período em que é realizada, normalmente duas semanas
durante o ano.
21
1.1.6.3 Cinemas
O Centro possui, ao todo, 10 salas de cinema:
Cinemateca Paulo Amorim (3 salas);
Cinema Rua da Praia (3 salas);
Sala P. F. Gastal;
Cine Victória (2 salas);
Santander Cultural.
1.1.6.4 Teatros
No Centro há 11 teatros, sendo que a cidade possui ao todo 22; 50% dos teatros se
encontram no bairro de referência:
Bruno Kiefer e Carlos Carvalho;
Casa de Teatro;
CIA. de Arte;
Clube de Cultura;
Museu do Trabalho;
Salas Alziro Azevedo e Qorpo Santo;
SESC;
Theatro São Pedro;
Usina do Gasômetro.
No Centro há também 5 Centros Culturais, sendo 2 deles frutos da iniciativa privada:
Casa de Cultura Mário Quintana;
Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo;
Centro Cultural Usina do Gasômetro;
22
Memorial do Rio Grande do Sul;
Santander Cultural.
1.1.6.5 Museus
Museu de Arte Contemporânea;
MARGS;
Museu da Caixa Econômica Federal;
Museu do Trabalho;
Museu Júlio de Castilhos;
Museu da Eletricidade do Rio Grande do Sul;
Museu do Banrisul;
Museu Antropológico;
Museu do Exército;
Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa;
Memorial do Ministério Público;
Museu do Vinho e da Enoteca;
Museu da UFRGS.
1.1.7 Trânsito
Circulam no Centro aproximadamente, 600 mil pessoas por dia. Dessas, 55% vão ao
Centro a trabalho, 14% por lazer, 12% para compras, 8,5% para serviços, apenas 7% por
morarem no Centro e 2,5% para estudar. Em relação ao transporte coletivo, 295 linhas de
ônibus têm como destino o Centro da capital, para onde fazem cerca de 10 mil viagens por dia.
No Centro estão localizados 74, dos 168 parquímetros da cidade, ou seja, 44% dos
parquímetros estão no bairro. Somando 1.141 vagas, contra 3.216 de toda Porto Alegre.
23
Há também 109 garagens/estacionamento registrados na Secretaria municipal da
Indústria e Comércio no Centro. São entre 60 e 70 fiscais da EPTC circulando pelo Centro.
O acesso direto entre as duas faces do Centro por meio da Avenida Borges de
Medeiros foi um sonho dos porto-alegrenses durante um século e meio e levou 2 décadas para
se concretizar. Para tal, foi preciso dinamitar um morro e demolir quase cem prédios no miolo
da Capital, conforme demonstrado na foto a seguir:
Figura 5 – Construção Viaduto da Borges de Medeiros
Fonte: Zero Hora, Edição nº. 15.082, 08 de dezembro de 2006.
Na década de 70, o bloqueio da avenida para o tráfego, voltou a seccionar a região em
duas metades.
Porto Alegre tinha 3 mil carros quando o morro começou as ser rasgado. Atualmente,
são mais de meio milhão de veículos, concorrendo pelo mesmo espaço.
A Borges de Medeiros foi fechada para carros da Salgado Filho até a Rua da Praia,
afastando o público de maior poder aquisitivo do Centro e criando um vazio urbano logo
preenchido por camelôs, meninos de rua e mendigos.
Segundo o Secretário Municipal da Mobilidade Urbana, Luiz Afonso Senna, a
explicação é que a Borges está fechada na altura da Salgado Filho porque não se quer facilitar
o acesso do automóvel ao Centro. Ele compara a cidade a um organismo vivo, que se não tiver
24
circulação, pode sofrer de gangrena. É o que ele acha que aconteceu com o Centro em virtude
da dificuldade de acesso.
Esse percurso pelo Centro sempre foi difícil. Os primeiros povoadores precisavam
vencer um morro para se deslocar de um lado ao outro do Centro. O problema fazia parte do
dia-a-dia da população até as primeiras décadas do século 20. As linhas de bonde precisavam
circundar o morro para conseguir ir de um lado a outro.
A obra começou em 1924, e foi considerada por arquitetos a obra de engenharia mais
arrojada da história de Porto Alegre, e significou abrir com explosões um vão no meio do morro,
desapropriar quarteirões e construir o monumental viaduto Otávio Rocha.
O fechamento dessa rota ocorreu apenas três décadas mais tarde e significou separar
de novo as duas faces do Centro. Esse ato fazia parte da estratégia de expulsão do automóvel,
desencadeada a partir dos anos 70. O objetivo era desafogar a área.
O bloqueio da Borges foi fatal para a Salgado Filho, outro exemplo de grande obra
desvirtuada que gerou degradação na área central. Pouco mais que um beco no passado, a
avenida foi construída em tempo recorde, no período entre 1939 e 1940, sob a inspiração dos
boulevares parisienses. Segundo a professora Nara Machado, trata-se de um outro marco da
abertura do Centro para o tráfego: acolhia o fluxo da Azenha, unia-se à Borges e levava ao
cais.
A Salgado Filho nasceu como uma via elegante, abrindo lojas e serviços sofisticados e
atraindo moradores de alto poder aquisitivo. Com o bloqueio da Borges para os veículos,
ônibus oriundos da Zona Sul e da João Pessoa não puderam mais chegar até a região do
Mercado. A solução foi transformar a avenida em grande terminal a céu aberto. Estavam
criadas as condições para a decadência.
1.1.7.1 A Alternativa
Pregada por urbanistas, a urgência de tornar o Centro da capital atraente para os
automóveis começa a ser adotada no discurso, e em algumas atitudes concretas, pelas
autoridades. A solução apontada, a de rever calçadões e bloqueios de vias, influencia a
administração municipal. O Secretário de Mobilidade Urbana, Luiz Afonso Senna, promete abrir
vias. A Borges de Medeiros é uma das rotas em mira.
Senna oferece como exemplo do que virá pela frente uma medida tomada no final do
ano passado: a possibilidade de atravessar a Avenida Salgado Filho a partir da abertura da
Rua Dr. Flores, rara oportunidade para quem precisa transpor o Centro. Para os próximos
meses ele anuncia um novo cruzamento na Rua da Praia, pela Rua General Câmara. A
25
prefeitura também promete revisar os calçadões. O diagnóstico é de que eles tiveram um efeito
adverso: limitaram o acesso, afastaram pessoas do Centro e fomentaram a falta de vitalidade
de espaços.
Segundo o gerente do Projeto Viva o Centro, Glênio Bohrer, há um consenso técnico
na prefeitura sobre a abertura de calçadões ao trânsito. Falta a decisão política. A intenção é
que, ao menos à noite, todo o Centro esteja liberado aos motoristas.
A Prefeitura também assume o compromisso de eliminar os terminais de ônibus a céu
aberto. Segundo Senna, os técnicos trabalham com o conceito a ser implementado ainda em
2006, no qual o transporte coletivo continuará a chegar nos locais, mas sem o fim da linha
localizado no Centro: “Faremos um esforço para transformar novamente a Salgado Filho no
boulevard que ela já foi.” – promete.
1.1.8 O Centro e a Percepção Popular
De acordo com Lineu Castello, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da
UFRGS, ao evoluir no tempo, cada cidade acumula fatos em sua paisagem, acumulando
elementos essenciais. A permanência de alguns elementos na passagem do tempo da cidade
traduz a força com que esses marcam as imagens que os cidadãos constroem sobre suas
cidades. São elementos que fazem a memória da cidade, que são pragmáticos na paisagem,
que reasseguram aos cidadãos a permanência de seus referenciais espaciais básicos, da
continuidade de sua historia, da constância de suas estórias, da vida e de sua cultura.
Isto tornou-se bastante evidente na descrição que os porto-alegrenses fizeram dos
limites da área central de sua cidade e que esta apresentado na tabela abaixo. Agrupados pelo
volume de citações, os elementos se repetiram quase que integralmente nos dois momentos da
investigação, em 1985 e 1995. Outra consideração importante a extrair da comparação entra
as duas pesquisas diz respeito à inserção de elementos no repertório. Respostas a questões
como “elementos que mais agradam no Centro” (questão lançada em 1985) ou “o que mostrar
a um conhecido no Centro” (apresentada em 1995) trazem boas indicações a respeito tanto da
permanência de elementos quanto de sua introdução no repertório.
26
Tabela 3 – Percepção dos limites do Centro (1985 X 1995)
Limites Citados em 1985
Limites Citados em 1995
Av. Mauá
Antiga Usina do Gasômetro
Santa Casa De Misericórdia
Estação Rodoviária
Praça da Alfândega
Santa Casa de Misericórdia
Rua da Praia
Viaduto da Conceição
Rio Guaíba
Av. Independência
Rua Duque de Caxias
Av. Mauá
Praça Dom Feliciano
Av. Loureiro da Silva
Estação Rodoviária
Av. Osvaldo Aranha/ Bonfim
Av. Salgado Filho
Rua da Praia
Antiga Usina do Gasômetro
Cidade Baixa
Rua da Conceição
Rio Guaíba
Av. Borges de Medeiros
Av. Borges de Medeiros
Av. Independência
Mercado
Av. Loureiro da Silva
Praça Dom Feliciano
27
Tabela 4 – Local que mais agradam e locais que mostrariam a um conhecido
Elementos que mais agradam (85)
Nº O que mostrar a um conhecido (95)
Rua da Praia: calçadão, comercio, esq 59 Pça
democrática, hotel Majestic, Americanas
Matriz:
Assembléia,
Nº
biblioteca, 55
catedral, Theatro São Pedro
Praça da Matriz
41 Mercado Público
47
Praça da Alfândega
34 CCMQ
45
Mercado Público
22 Usina do Gasômetro
44
Nada
12 Rua da Praia
32
Av. Borges de Medeiros
9
Parques
32
Eixos e Pontos Diversos
27
Parques
(harmonia,
Marinha, 7
Redenção)
Calçadão da Otávio Rocha
7
Rio Guaíba
26
Cais do Porto
6
Museus
21
Eixos e pontos diversos: Salgado Fº, 3
Praça da Alfândega: feira do Livro, jogo 18
Pça Conde de Porto Alegre, bares
de Damas na praça, a praça
Estabelecimentos Diversos: Shopping 18
Rua
da
Praia,
Lojas,
Comercio
Voluntários
Patrimônio
Arquitetônico:
Igrejas, 12
Bancos, Prédios Históricos, Beneficência
Portuguesa
Certamente, mudaram muitas coisas. Agora, por exemplo, já não é mais desconhecido
o fato de que o Centro de Porto Alegre esta localizado à beira d’água. Em 1986, na pesquisa
MAB-UNESCO, os entrevistados de então foram tomados de surpresa ao serem indagados se
conheciam alguma cidade cujo Centro ficasse à beira d’água e qual seria essa cidade. Na
época uma desconcertante minoria mencionou Porto Alegre. Atualmente, a força do rio – que
não é rio, mas é lago - parece que entrou mesmo em alta recuperação no imaginário do portoalegrense: a capital passou a ser a cidade citada com maior freqüência, entre outras 95 do
resto do Brasil e 19 do exterior, igualmente lembradas como tendo áreas centrais junto à água.
Outro aspecto importante a ser analisado é a posição recente assumida por dois
elementos no imaginário da cidade. Trata-se da Usina do Gasômetro e da Casa de Cultura
Mário Quintana, ambos com acentuada expressão entre as preferências populares mais
28
citadas. Nas pesquisas realizadas em 1985, quando ainda não haviam recebido políticas de
investimentos, tais elementos eram simplesmente prédios vazios, ocos e sem vida. Com isso é
admissível reconhecer que a inserção de novos elementos no repertório urbano pode ser
rápida e surpreendentemente eficaz.
Finalmente, uma das constatações levantadas na pesquisa realizada por Lineu Castello
é da possibilidade – antes quase desacreditada – da reinstauração do otimismo quanto ao
futuro do Centro de Porto Alegre e, por extensão, dos Centros urbanos das grandes
metrópoles.
1.1.9 Projeto Viva o Centro
Na tentativa de recuperar o Centro de Porto Alegre, nos aspectos ambiental, social e
econômico, a Prefeitura atual está implementando o Projeto Viva o Centro, que é um plano de
gerenciamento generalizado para se alcançar aquilo que a Prefeitura chama de governança
solidária na área central da cidade e tornar o Centro um bairro de oportunidades para todos. O
projeto está na fase de montagem do módulo financeiro do planejamento estratégico, e
engloba uma série de medidas a serem adotadas pelo Poder Público no intuito de reverter a
atual imagem do Centro.
Apesar de não ser em todo uma novidade - projetos para revitalização do Centro têm
estado em pauta há mais de 20 anos -, o projeto inova pelo planejamento e pelos métodos de
diagnóstico de problema, sendo esse diagnóstico realizado em conjunto com a sociedade. As
medidas anteriores na tentativa de melhorar o ambiente central não passaram de ações
pontuais, como a reforma da Rua José Montaury, a remodelação da Usina do Gasômetro, a
construção do novo terminal de ônibus na Praça XV, a revitalização do Largo Glênio Peres,
entre outras. O Projeto Viva o Centro tem ambições maiores.
Em primeiro lugar, o projeto intenta diminuir a dicotomia de uso do Centro. Durante o
dia, cerca de 600.000 pessoas circulam pelo Centro diariamente, sendo que a grande maioria
dessas pessoas vêm ao Centro a trabalho. À noite, o movimento é reduzido em mais de 90%
(vale lembrar que a população residente no Centro é de aproximadamente 40.000 pessoas).
Para reduzir esse contraste, a Prefeitura pretende intensificar atividades culturais à noite em
todas as partes da área central (hoje as atividades culturais noturnas são reduzidas e
localizadas em poucos pontos), propiciar uma melhor percepção de segurança à população
(apesar de o Centro não ser o local com maior índice de crimes, a população tem uma idéia
negativa em relação à segurança na área central), entre outras medidas.
Em seguida, vem uma preocupação conjunta com a circulação (tanto de pedestres
quanto de automóveis) e com o transporte interno do Centro (intensificar as possibilidades de
transporte coletivo), com o comércio nas ruas (regularização dos camelôs e busca de um
29
espaço para um camelódromo), com a segurança, a iluminação e a limpeza, com a restauração
de prédios históricos e praças. Enfim, com todo conjunto social que envolve o Centro.
Também é preocupação da Prefeitura tornar o Centro atraente para habitação. A
drástica diminuição de moradores do bairro contribui para o aumento da dicotomia dia/noite do
uso do Centro.
Tornar o Centro um bom lugar para se viver, andar, passear, trabalhar, enfim, fazer o
porto-alegrense voltar a sentir orgulho do Centro, pode ser o resumo desse Projeto.
30
1.1.10 Pergunta de pesquisa
Quando da pesquisa dos dados oficiais dos aspectos mais latentes da área central na
vida da população: comércio, segurança, trânsito, além do seu histórico, motivos da sua
degradação e iniciativas do setor público no bairro visando a sua revitalização, verificou-se uma
inexistência de estudos ou documentos que registrassem a manifestação da população sobre
estes temas relativos ao Centro. Portanto, a presente pesquisa propõe-se a responder a
seguinte pergunta:
Qual a percepção do porto-alegrense em relação ao Centro da sua cidade?
1.2 JUSTIFICATIVA
A presente pesquisa disponibilizará informações que permitirão aos gestores, públicos
ou privados, tomar decisões em seus respectivos âmbitos de atuação. O Poder Público pode
valer-se das percepções da população acerca dos temas abordados para a orientação do
planejamento e execução de políticas públicas tão necessárias para a área central da cidade
de Porto Alegre. É importante salientar que o Centro é o local onde estão localizados os
poderes políticos do município e também do Estado do Rio Grande do Sul, o que agrava a
incapacidade de estancamento da degradação pela qual passa o bairro.
A imprensa local poderá valer-se do estudo para orientar futuras reportagens. A
academia pode aprofundar a pesquisa de alguns dos aspectos investigados.
Por fim, e não menos importante, a iniciativa privada pode utilizar a presente pesquisa
para orientar futuros investimentos no bairro.
31
1.3 OBJETIVOS
A seguir trataremos dos objetivos dessa pesquisa, divididos em geral e específicos.
1.3.1 Objetivo Geral
Identificar a percepção da população residente de Porto Alegre sobre o Centro da
cidade.
1.3.2 Objetivos Específicos
•
Verificar, junto à população da Capital, os seus sentimentos e opiniões em relação
ao Centro da cidade quanto aos seguintes assuntos: turismo, cultura, lazer,
moradia, poluição, trânsito, segurança e comércio;
•
Mensurar, através de softwares e métodos estatísticos, as percepções do portoalegrense sobre o Centro;
•
Comparar as percepções obtidas através das análises de questionários aplicados
com dados constantes em reportagens e estudos que versem sobre o Centro de
Porto Alegre;
•
Analisar, ainda que não exaustivamente, a relação entre as múltiplas percepções
dos entrevistados.
32
2 MÉTODO
A pesquisa, objeto desse trabalho constou de uma etapa exploratória e uma etapa
descritiva.
2.1 Etapa Exploratória
A etapa exploratória da pesquisa incluiu a busca de informações secundárias,
apresentadas na seção anterior, e a realização de uma etapa qualitativa, visando a uma melhor
compreensão do tema da pesquisa. Segundo Malhotra (2001), há várias razões para se usar a
pesquisa qualitativa. Esta proporciona uma melhor visão e compreensão do contexto do
problema. A pesquisa qualitativa é não conclusiva, sendo normalmente complementar à
pesquisa quantitativa, que será examinada na seqüência deste trabalho.
A pesquisa qualitativa, segundo Malhotra (2001) pode ser abordada direta ou
indiretamente. Nessa última incluem-se normalmente as técnicas projetivas. Na abordagem
direta, utilizada nesse trabalho, pode-se recorrer a entrevistas em profundidade ou à realização
de grupos de foco, também conhecidos como grupos motivacionais ou Focus Groups.
Ferramenta de pesquisa originada da sociologia, os grupos de foco tiveram sua
utilização ampliada a partir da década de 1980. Sua aplicação em uma pesquisa consiste em
obter informações novas a respeito do objeto da pesquisa, a opinião das pessoas a respeito
desse objeto e a determinação de variáveis importantes a serem estudadas na pesquisa, entre
outras. O objeto de análise de um focus group é a interação dentro do grupo (OLIVEIRA;
FREITAS, 1998).
Os autores citados sugerem que um grupo de foco deve durar entre uma e três horas e
deve reunir entre 6 e 12 pessoas, sendo que a reunião deve ser realizada em um ambiente
relaxante e agradável, adequado para que as pessoas que fazem parte do grupo de discussão
exponham livremente suas idéias. Segundo Oliveira e Freitas (1998), para que o grupo de foco
obtenha sucesso, é interessante que haja uma certa homogeneidade entre os participantes
quanto ao objeto de pesquisa, fato que tende a gerar debates aprofundados e produtivos.
Segundo Malhotra (2001), o planejamento e a condução de um grupo de foco precisa
respeitar os seguintes passos:
a) Determinar os objetivos do programa de pesquisa e a definição do problema;
b) Especificar os objetivos da pesquisa qualitativa;
c) Declarar os objetivos que devem ser respondidos na discussão em grupo;
d) Elaborar e redigir um questionário de eliminação para excluir membros do grupo que
não cumpram as exigências da pesquisa;
e) Desenvolver a linha de conduta do mediador;
f)
Conduzir a discussão em grupo;
33
g) Analisar os dados;
h) Resumir as constatações e planejar pesquisa ou ação de acompanhamento.
O debate do grupo é coordenado por um moderador ou mediador, que é uma pessoa
devidamente treinada para conduzir a discussão nos assuntos previamente definidos pela
equipe de pesquisa. É o moderador quem vai incitar os mais tímidos a exporem seus
pensamentos e limitar as declarações dos mais extrovertidos, sempre cuidando para que o
clima no ambiente seja o mais positivo possível. Além do moderador (que é a única pessoa do
grupo de pesquisa com direito a voz no grupo de foco), podem ser determinados alguns
observadores para monitorar o grupo de foco, com o objetivo de coletar declarações relevantes
ao objeto de estudo e de perceber reações individuais dos participantes ante cada questão. Os
participantes do grupo de discussão são escolhidos conforme sua afinidade com o objeto de
pesquisa.
Como todo instrumento de pesquisa, o grupo de foco tem suas vantagens e
desvantagens. Como principal vantagem destaca-se a rapidez na obtenção de informações
relevantes ao tema de estudo. As desvantagens são a falta de representatividade da amostra,
face o número limitado de participantes, e a própria natureza humana, que faz com que exista a
possibilidade de alguns membros do grupo se retraírem por inibição ou omitirem informações
importantes.
O debate do grupo motivacional direcionado à pesquisa objeto desse trabalho foi
realizado na sala 208 do prédio da Escola de Administração, em 18 de setembro de 2006, às
19:00 h. Para tanto, foram escolhidas previamente pessoas que têm conhecimentos,
percepções e relações as mais diversas a respeito do Centro de Porto Alegre, como
moradores, trabalhadores, comerciantes, representantes de órgãos públicos com relação direta
ao Centro, jornalistas, pessoas que declararam anteriormente amar ou odiar o Centro.
Fizeram parte do grupo:
a) Dono de Banca de Apostilas no Centro
b) Donos de Banca de especiarias no Mercado Público (2 pessoas)
c) Editor e organizador da Feira do Livro
d) Editora de Cadernos de Bairro da Zero Hora
e) Morador do Centro
f)
Representante do Projeto Viva o Centro da Prefeitura de Porto Alegre
g) Morador do Centro e jornalista
h) Comandante do 9º BPM – Major
i)
Pessoa que não gosta do Centro
j)
Pessoa que trabalha no Centro
34
Essa seleção visava a obter os mais diversos pontos de vista a respeito do Centro de
Porto Alegre, possibilitando a determinação das variáveis que teriam mais importância nessa
pesquisa. Também foi elaborado com antecedência um roteiro para a condução do Focus
Group, o qual continha, além da seqüência lógica dos eventos da reunião, vários pontos-chave
que deveriam ser abordados no debate. Esses pontos-chave são:
- Comércio
- Cultura
- Segurança
- Moradia
- Transporte
- História
- Turismo
- Importância do Centro
- Limpeza
Durante a reunião, foram abordados quase todos esses tópicos, porém a concentração
da discussão se deu em torno dos temas comércio, cultura, turismo, moradia e, principalmente,
segurança. A análise da transcrição do debate do grupo motivacional, o qual consta na íntegra
ao final desse trabalho (Anexo 02), em conjunto com o material coletado através da pesquisa
de dados secundários, permitiu a identificação das principais variáveis que deveriam fazer
nortear o instrumento de coleta de dados primários – o questionário. Todas elas foram
abordadas no grupo de foco com maior ou menor intensidade, e ratificadas pela pesquisa aos
dados secundários. São as seguintes:
a) o sentimento das pessoas em relação ao Centro;
b) a percepção dos limites geográficos do Centro, uma vez que ocorrem variações de
pessoa para pessoa;
c) os motivos pelos quais as pessoas freqüentam o Centro;
d) as percepções das pessoas em relação ao Centro como opção de lazer, de moradia e
de turismo;
e) a qualidade e a quantidade de atrações, eventos, oportunidades, comércio e serviços
que o Centro proporciona;
f)
a percepção das pessoas quanto à segurança pessoal e coletiva no Centro;
g) o conhecimento que as pessoas possuem a respeito dos pontos turísticos do centro;
h) como as pessoas percebem o trânsito do centro;
i)
como as pessoas percebem a limpeza, a iluminação e a infraestrutura da área central;
j)
como as pessoas vêem o comércio do Centro de Porto Alegre.
35
2.2 Etapa Descritiva
Segundo Malhotra (2001), a pesquisa descritiva tem como objetivo principal a
descrição de algum fenômeno – em geral características ou funções do objeto em estudo. Os
métodos de survey são classificados segundo sua forma de aplicação. O instrumento utilizado
para obtenção de informações no survey dessa pesquisa é descrito na seção a seguir.
2.2.1 Instrumento de Coleta de Dados
O questionário consiste basicamente em um instrumento estruturado de coleta de
dados, formado por uma série de perguntas dirigidas a um entrevistado (Malhotra, 2001). Ele
se caracteriza por três objetivos específicos: deve traduzir a informação desejada por meio de
um conjunto de questionamentos, os quais o entrevistado esteja apto a responder; precisa
envolver o entrevistado no assunto abordado a fim de que este coopere e complete a
entrevista; e deve sempre minimizar o erro de resposta, imprecisão e tendenciosidade.
O questionário utilizado para a realização de um survey, conforme Malhotra (2001),
pode ser diferenciado em quatro categorias de método de aplicação: telefônico, postal,
eletrônico e pessoal.
O método utilizado para a coleta de dados foi o de entrevista pessoal, onde os
entrevistados foram abordados pessoalmente em suas residências.
A elaboração do questionário foi realizada através de várias etapas até chegar em sua
versão final. Primeiramente, todo o grupo envolvido na elaboração do questionário realizou o
levantamento dos fatores relevantes e os tópicos principais abordados nas etapas prévias:
exploratória (pesquisa de dados secundários) e qualitativa (Focus Group). A partir destes
dados, elaboraram-se questões sobre o Centro de Porto Alegre, considerando esses principais
tópicos. Após o levantamento de questões, fizeram-se filtragens em grupos de discussão, com
a orientação de professores, para avaliar quais questões eram realmente pertinentes e quais
necessitavam de alguns ajustes. Com as questões definidas, o layout e a ordem das perguntas
foi estruturado e um pré- teste foi aplicado para realizar eventuais ajustes.
A utilização de um pré-teste possibilita verificar como o entrevistado se comporta em
uma situação real de coleta de dados, a compreensão das questões, reação do entrevistado, o
tempo de aplicação, manuseio das escalas e seqüência de questões.
O pré-teste foi realizado por todo o grupo de alunos em uma amostra de conveniência
de duas pessoas por aluno. Em sala de aula foram discutidos os aspectos observados na
aplicação do pré-teste. A partir disso, foram feitas modificações no questionário. O pré-teste
36
revelou necessidade de ajuste na ordem das questões, vocabulário e novas opções de
resposta, e introdução ou exclusão de perguntas.
O questionário foi construído utilizando, basicamente, dois tipos de estrutura de
perguntas: perguntas de múltipla escolha e perguntas escalonadas. As perguntas de múltipla
escolha oferecem aos entrevistados uma gama de respostas, das quais ele poderá optar por
uma (fechada) ou mais de uma (aberta). As alternativas devem conter todas as respostas
possíveis, (inclusão da alternativa “outros”), devem ser mutuamente excludentes e abordar
apenas um tópico por alternativa. As alternativas foram selecionadas e dispostas com o intuito
de minimizar a tendenciosidade do entrevistado, cujo raciocínio mecânico condiciona a marcar
a primeira ou última questão de uma lista.
Nas perguntas escalonadas foi utilizada a escala do tipo Likert. Segundo Pereira
(1999), o sucesso da Escala de Likert se deve à sua reconhecida sensibilidade em recuperar
conceitos aristotélicos da manifestação de qualidades: reconhece a oposição entre contrários;
reconhece gradiente; e reconhece a situação intermediária. A escala também oferece uma
relação adequada entre a precisão e a acurácia da mensuração. A oposição semântica que fica
implícita na escala de Likert pela presença do ponto médio veio a ser mais tarde estudada e
desenvolvida por Osgood, com sua teoria do diferencial semântico. Likert e Osgood ocuparamse do desenvolvimento de estratégias psicométricas, não visando diretamente à mensuração.
São, no entanto, valiosas as suas contribuições para a concepção de medidas qualitativas
(PEREIRA, 1999).
Na pesquisa realizada, objeto desse trabalho, a escala de Likert foi utilizada com cinco
categorias de alternativas e diferentes formas de escalonamento. Uma das escalas mais
utilizadas foi a de grau de concordância, com os itens: discordo totalmente, discordo em parte,
indiferente, concordo em parte, concordo totalmente.
As escalas e as opções de escolha foram utilizadas em forma de cartões, dando ao
entrevistado a possibilidade de visualizar as alternativas de respostas (Anexo 06 ao final).
Outro recurso utilizado foi a criação de um Glossário, onde foi colocado o significado de
algumas palavras que eventualmente poderiam causar alguma dúvida ao entrevistado. Isso
possibilita a padronização de um conceito, amenizando o viés do entrevistador.
2.2.2 População e Amostra
Malhotra(2001), define população como sendo “a soma de todos os elementos que
compartilham algum conjunto comum de características, conformando o universo para o
problema de uma pesquisa de marketing”. Ele também define amostra como “um subgrupo dos
elementos de uma população selecionado para participação de um estudo”. Esta pesquisa
utiliza características amostrais, chamadas estatísticas, para efetuar inferências sobre os
parâmetros populacionais.
37
Com base nas definições apresentadas, decidiu-se que a população da pesquisa seria
de moradores da cidade de Porto Alegre maiores de 16 anos e que a amostra seria
probabilística, o que, por sua vez, permite que os resultados identificados neste estudo sejam
representativos e possam ser generalizados para a população considerada. O processo de
amostragem foi feito por conglomerado, o qual Malhotra (2001) define como sendo aquele em
que “a população-alvo é dividida em subpopulações mutuamente excludentes e coletivamente
exaustivas, chamados de conglomerados”. No âmbito dessa pesquisa, os conglomerados
foram as quadras da cidade organizadas em um segundo nível de divisão: as residências.
O processo de amostragem iniciou-se com o sorteio das quadras a partir do mapa de
Porto Alegre disponibilizado pelo CEPA – Centro de Pesquisas em Administração/UFRGS – o
qual possui 5376 quadras numeradas.
Conforme metas estabelecidas no início da pesquisa e descritas na caracterização da
amostra, objetivamos atingir um nível mínimo de confiança de 95% e um erro amostral de
4,27%. Para tanto foram estabelecidas algumas diretrizes que permitiram o alcance destes
índices. Através de uma planilha eletrônica desenvolvida pelo grupo da amostragem (Anexo
09, ao final), sorteamos as quadras que seriam objeto de nossa amostra. Cada pesquisador
recebeu duas fichas de reconhecimento de quadra. Cada ficha representou uma quadra real e
numerada com base no mapa fornecido pelo CEPA. Para cada quadra objetivamos coletar 10
questionários preenchidos, o que totalizaria 20 questionários por pesquisador. Como 32
pesquisadores participaram do estudo, o número de questionários respondidos seria suficiente
para o atendimento das metas estabelecidas.
Com o intuito de descentralizar e otimizar o processo da amostragem, criamos a figura
do facilitador. Ele foi o aluno do grupo da amostragem que se responsabilizou por acompanhar
e auxiliar outros dois alunos que não faziam parte da elaboração desse processo. Utilizamos 10
facilitadores em nosso estudo.
Na etapa de reconhecimento das quadras os pesquisadores contaram o número de
domicílios da quadra sorteada, considerando apenas as residências que ficassem de frente às
ruas sorteadas e obedecendo ao sentido e a ordem das flechas indicadas na ficha de
reconhecimento de quadra (Anexo 07). Após o término da contagem, cada pesquisador dividiu
o número de residências catalogadas por dez (número de questionários por quadra) e do
resultado obtido deconsiderou-se a casa decimal. O número que resultou foi o salto da quadra.
Ex: uma quadra tem 68 domicílios... 68/10= 6,8 (existe uma convenção que sempre
que der número com virgula se arredonda para baixo).
Portanto, o salto é 6.
A entrevista deveria ser feita na residências: 6,12,18,24,30,36,42,48,54,60
38
Caso o entrevistado não estivesse em casa, ou se negasse a responder o pesquisador
deveria voltar um domicílio e partir deste novo ponto, saltar o número de domicílios préestabelecidos.
Nos edifícios residenciais foram considerados todos os apartamentos como sendo uma
residência, obedecendo a ordem numérica crescente, incluindo o zelador. Caso o pesquisador
não completasse 10 questionários em uma quadra, deveria aplicar o restante em quadras
adjacentes à principal.
Esses critérios de aplicação foram estabelecidos em aula e em uma visita ao CEPA,
sendo então elaboradas instruções relativas aos procedimentos (Anexo 09). Os pesquisadores
foram instruídos a se apresentarem como estudantes da UFRGS e estavam devidamente
identificados com o cartão da universidade e com uma carta assinada pelo professor orientador
da pesquisa (Anexo 07).
2.2.3 A automatização da amostragem
Tendo em vista os fatores supra citados, o grupo responsável pela amostragem
preocupou-se em automatizar os processos, para obter maior controle e ser fiel aos métodos
estabelecidos para esta pesquisa. Através do Microsoft Excel, criamos um programa que
sorteia aleatoriamente as quadras da cidade de Porto Alegre que fizeram parte de nossa
amostra. Automaticamente o programa designa qual aluno irá a cada quadra, sempre se
preocupando com proximidade entre quadras, evitando assim grandes deslocamentos por
parte do pesquisador.
Na primeira parte da planilha três informações são requeridas: o universo de quadras
(tamanho da população), o tamanho da amostra que se quer pesquisar e o número de
pesquisadores. Através de uma macro, criou-se um botão que quando pressionado sorteia
aleatoriamente e sem repetição o número das quadras que serão objeto de nossa amostra
respeitando o tamanho amostral determinado no parâmetro anteriormente definido.
39
Figura 6 – Planilha de amostragem para sorteio das quadras
Após o sorteio feito na primeira parte da planilha, automaticamente as quadras
sorteadas agrupam-se por proximidade na segunda planilha. Nesse trabalho, cada pesquisador
era responsável por duas quadras; assim, através dos parâmetros inseridos na primeira
planilha, o Excel agrupa as quadras em pares. Nessa planilha existe outro botão de macro que
quando apertado busca aleatoriamente no parâmetro “quantidade de alunos” um número que
significa, de acordo com a lista de chamada da disciplina, o aluno que deve aplicar a pesquisa
no agrupamento de quadras em questão. Por fim, temos as quadras sorteadas e seus
respectivos pesquisadores.
40
Figura 7 – Planilha de amostragem para sorteio do entrevistador
Como prevíamos a possibilidade de algumas das quadras sorteadas serem inviáveis
para a aplicação dos questionários, criamos previamente uma planilha designada sorteio único.
Essa planilha é utilizada apenas quando, após o reconhecimento da quadras, algum aluno
julga necessário o sorteio de uma nova quadra. Nessa planilha inserem-se parâmetros que
mantêm a proximidade das quadras e através de uma macro sorteia aleatoriamente uma nova
quadra. Com este mecanismo mantemos as diretrizes originais da amostragem e temos
condições de oferecer uma nova quadra ao aluno requerente. O software desenvolvido para o
procedimento descrito nessa seção é parte integrante desse trabalho (Anexo 10).
41
Figura 8 – Planilha de amostragem para sorteio único
42
3 ANÁLISES DOS DADOS
Para análise dos dados coletados nessa pesquisa, procedeu-se à análise univariada,
bivariada e multivariada, esta última através da regressão múltipla.
Nas análises bivariadas, realizou-se o teste qui-quadrado para demonstrar a
dependência entre duas variáveis. Para Malhotra (2001), esta técnica testa a significância
estatística da associação observada e permite determinar se existe uma associação
sistemática entre as duas variáveis.
A técnica de regressão múltipla, segundo Malhotra (2001), envolve simultaneamente
uma relação matemática entre duas ou mais variáveis independentes e uma variável
dependente escalonada por intervalo.
Importante destacar que o questionário aplicado na presente pesquisa foi dividido em
diversos blocos de assuntos. A análise de regressão múltipla permite avaliar qual variável
pesquisada tem maior impacto dentro de cada um dos seguintes blocos: Cultura e Lazer,
Moradia, Poluição, Segurança, Trânsito e Comércio.
Em termos estatísticos, uma análise de regressão é um processo que permite a análise
de relações associativas entre uma variável dependente (em nosso caso, as notas de cada
bloco) e n variáveis independentes.
Nas tabelas de resultado, o R-quadrado representa o quanto o conjunto de variáveis
explica a variância da variável dependente, ou seja, a intensidade da associação feita. Já os
coeficientes de determinação (aqui chamados de betas) são números que variam de 0 a 1, e
significam a proporção da variação total da nota (variável dependente) que é decorrente da
variação das variáveis independentes. Simplificando, quanto maiores os betas, mais a variável
analisada impacta na nota.
Outros dois termos estatísticos que necessitam explicação são o stat-t e o valor-p.
Quando o stat-t é maior que o valor-p, considera-se nula a hipótese de que não há qualquer
relação linear entre a variável testada e a nota, e vice-versa. Entretanto, para facilitar a
visualização, este valor não foi colocado na tabela.
Todos os valores das tabelas aparecem em módulo. Para cada bloco de perguntas do
questionário fez-se a análise de regressão, exceto para a cultura, em que não se pediu ao
respondente uma nota específica para este quesito.
3.1 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA
Na coleta de dados, algumas perguntas tinham o intuito de caracterizar a amostra.
Foram levantados dados do IBGE para que fosse possível verificar o quão esta amostra era
43
semelhante à população de Porto Alegre. É importante destacar que esta pesquisa teve um
filtro um pouco diferente, pois foram aplicadas pesquisas com pessoas acima de 16 anos, e
nas segmentações feitas pelo IBGE são consideradas pessoas acima de 10 anos.
No total, foram entrevistadas 527 pessoas na Cidade de Porto Alegre. Baseado em
dados do IBGE, Porto Alegre possui, em 2006, um população aproximada de 1.450.000
pessoas. Baseado nisto, nossa amostra, com 95% de confiança, possui uma margem de erro
de 4,27%.
Conhecendo o Universo e Definindo a Amostra
Insira o N (Universo)
1450000
Insira o n (Amostra)
527
O Erro é
4,27
Confiança = 95%
Analisando o sexo dos entrevistados, percebemos que não há diferença entre a
amostra e a população. Este dado auxilia a dar ainda mais validade ao estudo realizado,
permitindo sua generalização para a população.
Tabela 5 – Sexo dos entrevistados
IBGE
Mulheres
Homens
PESQUISA
54,02%
45,98%
52,00%
48,00%
Quando é analisada a escolaridade dos entrevistados, acontece uma diferença
significativa nas faixas referentes ao “Ensino Fundamental Completo/Incompleto” e “Ensino
médio completo e incompleto”. Isto pode ser explicado pelo fato da amostra escolhida ser de
pessoas com 16 anos ou mais, enquanto o CENSO contempla a escolaridade das pessoas de
10 anos ou mais.
Tabela 6 – Escolaridade dos entrevistados
IBGE
Não Resposta
PESQUISA
0,5
Sem Escolaridade
3,39%
0,60%
Fundamental Completo/Incompleto
37,70%
23,00%
Médio Completo/Incompleto
18,13%
33,80%
Superior Completo/Incompleto, pós
40,79%
42,10%
Outras três questões que serviram para caracterizar a amostra foram “Quem mora no
domicílio do entrevistado”, “O estado civil do entrevistado” e a sua “idade”. A questão referente
44
à idade foi utilizada para realizar cruzamentos posteriores, ao ponto que as demais perguntas
serviram apenas para trazer alguns dados relevantes sobre a amostra selecionada.
Gráfico 1 – Classificação do domicílio
Quem m ora no dom icílio?
Família
385
73.6%
Casal
73
14.0%
Amigos
5
1.0%
Sozinho
55
10.5%
5
1.0%
Outro:
Total
73.6%
14.0%
1.0%
10.5%
1.0%
523 100.0%
Gráfico 2 – Estado civil do entrevistado
Estado Civil:
Solteiro
180
34.3%
Casado ou união estável
254
48.4%
Desquitado, separado ou divorciado
52
9.9%
Viúvo
39
7.4%
Total
34.3%
48.4%
9.9%
7.4%
525 100.0%
Gráfico 3 – Idade do entrevistado
Idade:
Média = 43.65
Menos de 20
38
7.4%
De 20 a 29
101
19.7%
De 30 a 39
83
16.2%
De 40 a 49
92
17.9%
De 50 a 59
105
20.5%
De 60 a 69
49
9.6%
De 70 a 79
31
6.0%
80 e mais
14
2.7%
Total
7.4%
19.7%
16.2%
17.9%
20.5%
9.6%
6.0%
2.7%
513 100.0%
3.2 O CENTRO DE PORTO ALEGRE: Percepções Iniciais da Amostra
O Centro é um espaço sui generis de Porto Alegre. Os dados coletados indicam que
ele é uma área da nossa cidade com a qual a população interage pelo menos em algum
momento no ano. Somente 4,8% dos entrevistados afirmam não freqüentar o bairro. 40% dos
participantes da pesquisa o freqüentam uma vez por mês ou menos, e 20,4% o fazem duas a
três vezes por mês.
45
Gráfico 4 – Freqüência de ida ao Centro
6. Com que freqüencia você vai ao Centro
1 vez por mês ou menos
210
40.0%
2 a 3 vezes por mês
107
20.4%
1 vez por semana
58
11.0%
2 a 3 vezes por semana
40
7.6%
Todos os dias
85
16.2%
Não freqüento o Centro
25
4.8%
0
0.0%
Não sei / Não quero responder
Total
40.0%
20.4%
11.0%
7.6%
16.2%
4.8%
0.0%
525 100.0%
Os motivos da interação do porto-alegrense com o Centro são vários e não são
mutuamente excludentes: profissionais, compras, lazer, cultura, turismo, moradia e serviços.
Possivelmente, em razão das várias razões para se ir ao bairro, grande parte dos entrevistados
expressaram ter algum sentimento, positivo ou negativo, sobre esta área da cidade.
O questionamento junto à população residente na Capital iniciou com uma pergunta
que objetivava mensurar o sentimento do respondente em relação ao Centro da cidade.
Observou-se um equilíbrio de opostos nas respostas obtidas entre os espectros positivos,
“gosto” (30,9%) e “gosto muito” (8,2%), e negativos, “não gosto” (32,8%) e “odeio” (8,6%).
Apesar da tradição do povo gaúcho de posicionamento sobre algum tema quando instigado,
19% dos respondentes declararam ser indiferentes em relação ao Centro.
Gráfico 5 – Sentimento do entrevistado em relação ao Centro
1. Qual seu sentim ento em relação ao Centro?
Odeio
45
8.6%
Não Gosto
172
32.8%
Indiferente
100
19.0%
Gosto
162
30.9%
Gosto Muito
Não sei / Não queo responder
Total
43
8.2%
3
0.6%
8.6%
32.8%
19.0%
30.9%
8.2%
0.6%
525 100.0%
Entretanto, tal equilíbrio dos sentimentos não ocorre de forma equânime entre os
sexos. 46,6% das mulheres afirmaram odiar ou não gostar do bairro, enquanto que, entre os
homens, 35,7% possuem esta opinião. Dos homens que participaram do questionário, 25,4%,
um quarto dos respondentes, responderam ter sentimento de indiferença.
46
Tabela 7 – Sexo X Sentimento em relação ao Centro
sexo entrevistado
Feminino
Masculino
TOTAL
sentimento Centro
Odeio
10,3% ( 28)
6,7% ( 17)
8,5% ( 45)
Não Gosto
36,3% ( 99)
29,0% ( 73)
32,6% (172)
Indiferente
13,2% ( 36)
25,4% ( 64)
19,0% (100)
Gosto
31,5% ( 86)
30,2% ( 76)
30,7% (162)
Gosto Muito
8,4% ( 23)
7,9% ( 20)
8,2% ( 43)
Não sei / Não queo responder
0,4% ( 1)
0,8% ( 2)
0,6% ( 3)
100% (273)
100% (252)
100% (525)
TOTAL
A dependência é significativa. Qui2 = 14,80, gl = 5, 1-p = 98,88%.
Tal percepção da parcela feminina da amostra decorre da constatação de que as
mulheres freqüentam menos o Centro do que os homens entrevistados. 46,5% das mulheres
entrevistadas vão ao bairro uma vez por mês ou menos, enquanto que 32,9% dos homens se
deslocam ao bairro nesta freqüência. O teste qui-quadrado confirma a existência de
dependência entre as variáveis analisadas.
Tabela 8 – Freqüência de ida ao Centro X Sexo
Frequencia centro 1 vez por mês ou2 a 3 vezes por
menos
mês
1 vez por
semana
2 a 3 vezes por Todos os dias Não freqüento o
semana
Centro
TOTAL
sexo entrevistado
Feminino
46,5% (127)
20,5% ( 56)
9,5% ( 26)
6,6% ( 18)
12,8% ( 35)
4,0% ( 11)
100% (273)
Masculino
32,9% ( 83)
20,2% ( 51)
12,7% ( 32)
8,7% ( 22)
19,8% ( 50)
5,6% ( 14)
100% (252)
TOTAL
39,8% (210)
20,3% (107)
11,0% ( 58)
7,6% ( 40)
16,1% ( 85)
4,7% ( 25)
100% (525)
A dependência é significativa. Qui2 = 12,66, gl = 5, 1-p = 97,32%.
As pessoas que possuem sentimentos negativos em relação ao Centro o freqüentam
pouco, se comparadas com as que manifestaram indiferença ou sentimentos positivos. Das
que manifestaram odiar o bairro, 75,6% vão até três vezes por mês a ele, e 62,2% das que não
gostam do bairro vão nele com esta freqüência. Já 41,4% das pessoas que gostam do Centro,
freqüentam o bairro pelo menos uma vez na semana, e 23,3% das pessoas que gostam muito
do Centro o freqüentam todos os dias. O teste estatístico do qui-quadrado confirma a
significativa relação entre o sentimento do entrevistado e a sua freqüência ao bairro.
Tabela 9 – Freqüência de ida ao Centro X Sentimento em relação ao Centro
Frequencia centro 1 vez por mês ou 2 a 3 vezes por 1 vez por semana 2 a 3 vezes por
menos
mês
semana
sentimento Centro
Todos os dias
Não freqüento o
Centro
TOTAL
Odeio
55,6% ( 25)
20,0% ( 9)
11,1% ( 5)
2,2% ( 1)
4,4% ( 2)
6,7% ( 3)
100% ( 45)
Não Gosto
43,6% ( 75)
18,6% ( 32)
10,5% ( 18)
5,2% ( 9)
16,3% ( 28)
5,8% ( 10)
100% (172)
Indiferente
45,0% ( 45)
19,0% ( 19)
14,0% ( 14)
4,0% ( 4)
12,0% ( 12)
6,0% ( 6)
100% (100)
Gosto
29,6% ( 48)
25,9% ( 42)
9,9% ( 16)
11,1% ( 18)
20,4% ( 33)
3,1% ( 5)
100% (162)
Gosto Muito
34,9% ( 15)
9,3% ( 4)
11,6% ( 5)
18,6% ( 8)
23,3% ( 10)
2,3% ( 1)
100% ( 43)
TOTAL
39,8% (208)
20,3% (106)
11,0% ( 58)
7,6% ( 40)
16,1% ( 85)
4,7% ( 25)
100% (522)
A dependência é muito significativa. Qui2 = 39,57, gl = 20, 1-p = 99,43%.
A análise estatística indica que o grau de escolaridade do entrevistado não influencia
no seu sentimento em relação ao Centro. Entretanto, observa-se que a maioria da parcela da
47
amostra com menor grau de instrução (até Ensino Fundamental completo) possui sentimentos
positivos em relação ao bairro. Mas os demais níveis de instrução da amostra (Ensino Médio
incompleto e completo, e Ensino Superior incompleto, completo e com pós-graduação)
apresentam percentual decrescente quanto aos sentimentos positivos, e crescentes quanto aos
sentimentos negativos. Nas duas últimas categorias da amostra citadas, a maioria, em cada
categoria, possui sentimentos negativos em relação ao bairro.
Tabela 10 – Escolaridade do entrevistado X Sentimento em relação ao Centro
escolaridade entrevistado
Até Ensino
Fundamental
completo
Ensino Médio
completo e
incompleto
Ensino Superior
incompleto,
completo e
pós-graduação
TOTAL
sentimento Centro
Odeio
9,1% ( 11)
5,6% ( 10)
10,8% ( 24)
8,5% ( 45)
Não Gosto
28,1% ( 34)
34,8% ( 62)
33,8% ( 75)
32,6% (171)
Indiferente
15,7% ( 19)
21,3% ( 38)
19,4% ( 43)
19,0% (100)
Gosto
37,2% ( 45)
30,3% ( 54)
27,5% ( 61)
30,7% (160)
Gosto Muito
TOTAL
8,3% ( 10)
7,3% ( 13)
8,6% ( 19)
8,2% ( 42)
100% (119)
100% (177)
100% (222)
100% (518)
A dependência não é significativa. Qui2 = 8,05, gl = 8, 1-p = 57,13%.
O Centro é uma alternativa turística da Capital, pois possui vários locais aonde parcela
expressiva da amostra levaria um turista/pessoa de fora da cidade. Das opções disponíveis no
questionário, em que o respondente poderia marcar até sete alternativas, a Casa de Cultura
Mário Quintana foi o local mais citado, com 373 respostas. A seguir, em quantidade de citações
aparecem o Gasômetro (306 citações), o Mercado Público (303 citações) e a Praça da
Matriz/Catedral (255 citações).
Gráfico 6 – Local onde o entrevistado levaria um turista
22. Para qual desses lugares do Centro você levaria um turista / pessoa de
fora da cidade?
Mercado Público
303
19.3%
19.3%
Gasômetro
306
19.4%
19.4%
Praça da Matriz/Catedral
255
16.2%
Casa de Cultura Mário Quintana
374
23.8%
90
5.7%
165
10.5%
Não levaria ao Centro
37
2.4%
2.4%
Outro:
34
2.2%
2.2%
Não sei / Não quero responder
10
0.6%
Comércio
Palácio
Total
16.2%
23.8%
5.7%
10.5%
0.6%
1574 100.0%
O teste qui-quadrado indica não haver relação estatística significativa entre o
sentimento do entrevistado em relação ao bairro com a intenção de levar um turista para algum
dos locais indicados. Portanto, não é plausível a suposição de que o acompanhamento de um
turista nestes locais está relacionado ao sentimento do entrevistado. Porém, o reduzido
48
percentual de respostas que afirmaram que não levariam uma pessoa de fora da cidade para
conhecer algum dos locais expostos, indica que o bairro possui algumas atrações turísticas
interessantes.
Tabela 11 – Sentimento em relação ao Centro X Local onde levaria um turista
sentimento Centro
Odeio
Não Gosto
Indiferente
Gosto
Gosto Muito
TOTAL
turista
Mercado Público
71,1% ( 32)
49,4% ( 85)
50,0% ( 50)
64,2% (104)
74,4% ( 32)
57,5% (303)
Gasômetro
60,0% ( 27)
51,7% ( 89)
57,0% ( 57)
63,6% (103)
69,8% ( 30)
58,1% (306)
Praça da Matriz/Catedral
37,8% ( 17)
43,0% ( 74)
47,0% ( 47)
57,4% ( 93)
55,8% ( 24)
48,4% (255)
Casa de Cultura Mário Quintana
62,2% ( 28)
69,2% (119)
68,0% ( 68)
75,3% (122)
83,7% ( 36)
71,0% (373)
Comércio
15,6% ( 7)
11,6% ( 20)
15,0% ( 15)
24,7% ( 40)
18,6% ( 8)
17,1% ( 90)
Palácio
35,6% ( 16)
30,2% ( 52)
25,0% ( 25)
33,3% ( 54)
41,9% ( 18)
31,3% (165)
8,9% ( 4)
8,7% ( 15)
7,0% ( 7)
5,6% ( 9)
0,0% ( 0)
7,0% ( 35)
11,1% ( 5)
5,8% ( 10)
7,0% ( 7)
4,3% ( 7)
11,6% ( 5)
6,5% ( 34)
100% (136)
100% (464)
100% (276)
100% (532)
100% (153)
100% (1561)
Não levaria ao Centro
Outro:
TOTAL
A dependência não é significativa. Qui2 = 22,24, gl = 28, 1-p = 22,98%.
Apesar do reduzido número de entrevistados (34) que citaram outros locais, os quais
são listados abaixo, percebe-se dois aspectos interessantes. O primeiro é o de que 16
respondentes citaram locais relacionados à cultura, em especial o Teatro São Pedro (5
citações) e o Museu de Artes do Rio Grande do Sul, MARGS (4 citações). O segundo aspecto
é o de constar a citação de dois parques que não estão localizados no Centro, a Redenção e o
Marinha do Brasil.
49
Gráfico 7 – Lista de citações “Outros” locais onde levariam um turista
23. Se 'Outros:', defina:
Redenção
5
14.7%
14.7%
TEATRO SÃO PEDRO
5
14.7%
14.7%
MARGS
4
11.8%
SANTANDER CULTURAL
2
5.9%
CAIS DO PORTO
1
2.9%
2.9%
SANTANDER
1
2.9%
2.9%
11.8%
5.9%
VITRINA DE LOJA
1
2.9%
2.9%
AÇORIANOS
1
2.9%
2.9%
ATELIÊ DAS MASSAS
1
2.9%
2.9%
Biblioteca Pública
1
2.9%
2.9%
Cais
1
2.9%
2.9%
CAIS DO PORTO
1
2.9%
2.9%
CENTRO CULTURAL ÉRICO VERÍSSIMO
1
2.9%
2.9%
MARINHA DO BRASIL
1
2.9%
2.9%
MUSEUS
1
2.9%
2.9%
Orla Guaíba
1
2.9%
2.9%
PRAÇA DA ALFÂNDEGA
1
2.9%
2.9%
Rio Guaíba
1
2.9%
2.9%
Rua da Praia
1
2.9%
2.9%
SANTANDER CULTURAL E ENTORNO
1
2.9%
2.9%
SHOPPING
1
2.9%
2.9%
VIADUTO DA BORGES
1
2.9%
2.9%
Total
34 100.0%
Tal percepção imprecisa por parte dos respondentes acerca dos limites do Centro ficou
demonstrada com a resposta da questão sobre quais dos locais a seguir expostos estão
localizados no bairro. O Parque da Redenção (localizado no bairro Farroupilha) foi citado com
106 respostas e o Shopping Praia de Belas (localizado no bairro Praia de Belas) com 90, como
áreas que estão situadas no Centro, o que não é correto segundo demonstrado anteriormente
na seção de dados secundários, considerando que os limites atuais do Centro são Av. José
Loureiro da Silva, Av. João Goulart até seu encontro com a Av. Mauá; desta até a sua
convergência com a Av. Presidente Castelo Branco; desta até seu encontro com o Largo
Vespasiano Júlio Veppo; deste até o Complexo Viário Conceição (túnel, elevadas, acessos e
Rua da Conceição) em seu prolongamento até a Rua Sarmento Leite; desta até a Rua
Engenheiro Luiz Englert; desta até seu encontro com a Avenida Perimetral e desta até a
confluência da Avenida Loureiro da Silva. Ressalve-se, entretanto, que as duas áreas citadas
pelos respondentes são próximas do bairro, o que pode justificar tal equívoco.
50
Gráfico 8 – Locais que ficam no Centro segundo o entrevistado
2. Quais desses lugares se localizam no Centro
Mercado Público
495
17.0%
Gasômetro
259
8.9%
Shopping Praia de Belas
90
3.1%
Rua dos Andradas
470
16.1%
Hospital Santa Casa
365
12.5%
Redenção
106
3.6%
Rodoviária
338
11.6%
Casa de Cultura Mário Quintana
424
14.5%
Viaduto da Borges
369
12.6%
2
<0.1%
Não sei / Não quero responder
Total
17.0%
8.9%
3.1%
16.1%
12.5%
3.6%
11.6%
14.5%
12.6%
<0.1%
2918 100.0%
Da amostra pesquisada, observou-se que a maioria dos respondentes tem como
principal motivo para ir ao Centro a realização de compras (40,5%). O segundo principal motivo
é o trabalho, com 30,7% das respostas, e o terceiro, com 20,2%, são motivos variados. Destes,
verificou-se que a atividade mais referida, com 19 citações, foi a ida a médicos. Ao contrário do
que evidenciavam os dados secundários, em que aparecem 55% das pessoas indo a trabalho
(contra os 30,7% encontrados) e somente 12% para compras (contra os 40,5% encontrados).
Gráfico 9 – Motivo de ida ao Centro
3. Qual o principal m otivo de ir ao Centro
Trabalho
160
30.7%
Compras
211
40.5%
Lazer
33
6.3%
Outros
105
20.2%
12
2.3%
Não sei / Não quero responder
Total
30.7%
40.5%
6.3%
20.2%
2.3%
521 100.0%
Gráfico 10 – Opção “outros” motivo de ida ao Centro
4. Outros m otivos
Assuntos de Interesse Pessoal
Bancos
Compromissos
Estudar
7
11.1%
10
15.9%
3
4.8%
4.8%
4.8%
11.1%
15.9%
3
4.8%
Médicos
20
31.7%
MORAR
1
1.6%
Não Vai
4
6.3%
órgão públicos
8
12.7%
Transporte
2
3.2%
3.2%
Visitar amigos
2
3.2%
3.2%
Visitas Culturais
3
4.8%
Total
31.7%
1.6%
6.3%
12.7%
4.8%
63 100.0%
Seja qual for o motivo da ida ao Centro, o tempo de permanência dos respondentes
nele não é extenso. Dos que vão ao bairro principalmente para realizar compras, 86,7% lá
51
permanecem até três horas. Quanto aos que freqüentam o centro em função do lazer, 87,8%
permanecem este mesmo período de tempo. Este alto percentual de permanência até três
horas ocorre também para quem freqüenta o centro por outro motivo, com 74,2% das
respostas. Já para quem tem no trabalho o seu principal motivo para ir ao bairro, 60% dos
respondentes permanecem até três horas nele, o que permite inferir que estas pessoas não
trabalham no Centro, mas sim que o seu trabalho envolve a sua ida até a área central.
Tabela 12 – Tempo de permanência no Centro X Motivo de ida ao Centro
permanência
Até 3 horas
De 3 a 5 horas
Mais de 5h
TOTAL
motivo ir ao centro
Trabalho
60,0% ( 96)
13,1% ( 21)
25,6% ( 41)
100% (158)
Compras
86,7% (183)
9,5% ( 20)
2,4% ( 5)
100% (208)
Lazer
87,9% ( 29)
9,1% ( 3)
3,0% ( 1)
100% ( 33)
Outros
74,3% ( 78)
8,6% ( 9)
13,3% ( 14)
100% (101)
TOTAL
75,7% (386)
10,1% ( 53)
11,6% ( 61)
100% (500)
A dependência é muito significativa. Qui2 = 70,38, gl = 9, 1-p = >99,99%.
A ida ao Centro para a realização de compras, a lazer, a trabalho ou por outro motivo
majoritariamente não ocorre a cada semana. Dos respondentes que vão principalmente para
realizar compras, 72% vão até três vezes por mês. Dos que vão por motivos variados, 66,7%,
também o fazem até três vezes por mês. Dos que vão principalmente para aproveitar as
alternativas de lazer no bairro, 72,7% o fazem até três vezes por mês. Dos que vão ao Centro
principalmente a trabalho, 39,4% o fazer até três vezes por mês, percentual superior ao que
vão todos os dias (36,9%).
Tabela 13 – Freqüência de ida ao Centro X Motivo de ida ao Centro
1 vez por semana
2 a 3 vezes por Todos os dias Não freqüento o
Frequencia centro1 vez por mês ou2 a 3 vezes por
menos
mês
semana
Centro
motivo ir ao centro
TOTAL
Trabalho
22,5% ( 36)
16,9% ( 27)
11,9% ( 19)
11,3% ( 18)
36,9% ( 59)
0,6% ( 1)
100% (160)
Compras
46,9% ( 99)
25,1% ( 53)
13,3% ( 28)
8,5% ( 18)
1,9% ( 4)
4,3% ( 9)
100% (211)
Lazer
48,5% ( 16)
24,2% ( 8)
12,1% ( 4)
6,1% ( 2)
6,1% ( 2)
3,0% ( 1)
100% ( 33)
Outros
50,5% ( 53)
16,2% ( 17)
5,7% ( 6)
1,0% ( 1)
19,0% ( 20)
7,6% ( 8)
100% (105)
39,8% (204)
20,3% (105)
11,0% ( 57)
7,6% ( 39)
16,1% ( 85)
4,7% ( 19)
100% (509)
TOTAL
A dependência é muito significativa. Qui2 = 113,34, gl = 15, 1-p = >99,99%.
Verificou-se também que 90% dos entrevistados que vão uma vez ao centro por mês
ou menos, quando o fazem, ficam até três horas no bairro. Das pessoas que vão de duas a três
vezes por mês, 89,7% permanecem este período nele. Das que vão uma vez por semana, o
período de permanência de até três horas o é para 81,1%. Já 65% das pessoas que vão duas
a três vezes por semana permanecem no Centro até três horas.
52
Tabela 14 – Tempo de permanência X Freqüência de ida ao Centro
permanência
Até 3 horas
De 3 a 5 horas
Mais de 5h
TOTAL
Frequencia centro
1 vez por mês ou menos
90,0% (189)
6,7% ( 14)
1,9% ( 4)
100% (207)
2 a 3 vezes por mês
89,7% ( 96)
9,3% ( 10)
0,9% ( 1)
100% (107)
1 vez por semana
81,0% ( 47)
15,5% ( 9)
3,4% ( 2)
100% ( 58)
2 a 3 vezes por semana
65,0% ( 26)
17,5% ( 7)
15,0% ( 6)
100% ( 39)
Todos os dias
25,9% ( 22)
15,3% ( 13)
56,5% ( 48)
100% ( 83)
Não freqüento o Centro
76,0% ( 19)
0,0% ( 0)
0,0% ( 0)
100% ( 19)
TOTAL
75,7% (399)
10,1% ( 53)
11,6% ( 61)
100% (513)
A dependência é muito significativa. Qui2 = 255,08, gl = 15, 1-p = >99,99%.
Portanto, é válida a inferência, em razão da alta significância (constatada pelo teste
qui-quadrado) dos três cruzamentos de variáveis realizados acima, de que a ida ao Centro é
preponderantemente de até três horas, não importando qual seja o principal motivo ou a
freqüência temporal desta ida.
3.3 CULTURA: Qualidade em quantidade
O Centro, pela sua importância histórica, abrigou e ainda resiste como pólo de geração
e difusão de atividades culturais. A marcante presença de Centros Culturais, grande
quantidade de teatros e prédios e monumentos históricos, além da cinqüentenária Feira do
Livro, conferem ao bairro uma forte vocação cultural.
Questionados sobre quantidade e qualidade de atrações culturais no Centro, os
entrevistados foram majoritários em confirmar essa premissa: Na percepção dos respondentes,
é alto o percentual para qualidade das atrações culturais do centro (65% concordam) e alto
para a quantidade das atrações (66,7% concordam).
Gráfico 11 – Concordância se entrevistado encontra atrações culturais interessantes no Centro
10. Encontro atrações culturais interessantes no Centro
Média = 3.75
Discordo Totalmente
45
Discordo em parte
Indiferente
8.6%
8.6%
47
9.0%
9.0%
61
11.6%
Concordo em parte
175
33.4%
Concordo Totalmente
165
31.5%
31
5.9%
Não sei / Não quero responder
Total
11.6%
33.4%
31.5%
5.9%
524 100.0%
53
Gráfico 12 – Concordância se entrevistado encontra grande número de atrações culturais
11. Há um grande núm ero de atrações culturais no Centro
Média = 3.82
Discordo Totalmente
32
6.1%
Discordo em parte
54
10.3%
10.3%
Indiferente
57
10.9%
10.9%
Concordo em parte
178
33.9%
Concordo Totalmente
172
32.8%
32
6.1%
Não sei / Não quero responder
Total
6.1%
33.9%
32.8%
6.1%
525 100.0%
A tabela a seguir mostra que, apesar de cientes da qualidade e quantidade, os
respondentes não se sentem bem informados com relação às atrações culturais (53,7%
discorda). O alto nível de desinformação sobre as atrações culturais encontrado nas respostas
pode justificar uma ainda insuficiente freqüência a essas atrações; e uma possibilidade
relativamente simples de estimular o seu uso, haja vista que uma série de eventos de cultura
são gratuitos, como ocorre na Casa de Cultura e Usina do Gasômetro. Tanto a Casa de Cultura
como os museus e teatros aparecem nas respostas sobre locais destacados do Centro.
Gráfico 13 – Concordância se entrevistado se considera bem informado sobre os eventos
culturais do Centro
13. Sou bem inform ado em relação aos eventos culturais do Centro
Média = 2.61
Discordo Totalmente
167
31.8%
Discordo em parte
115
21.9%
Indiferente
43
8.2%
Concordo em parte
95
18.1%
Concordo Totalmente
79
15.0%
Não sei / Não quero responder
26
5.0%
Total
31.8%
21.9%
8.2%
18.1%
15.0%
5.0%
525 100.0%
A evidência de Cultura no Centro é reforçada pela quantidade citada de museus: 85%
dos respondentes percebem a existência de pelo menos 1 museu no Centro. Existem, na
verdade, 13 museus no Centro, fato que se apresenta desconhecido para a maioria dos
respondentes; uma vez que se tratam de locais de acesso normalmente gratuito, uma maior
divulgação de suas exposições e acervo poderiam melhorar a sua freqüência, e criar novos
públicos de usuários entre estudantes e moradores da cidade em geral. Em qualquer grande
cidade no mundo, os museus são referência cultural e turística; e Porto Alegre utiliza-se mal
deste potencial.
54
Gráfico 14 – Percepção de quantos museus existem no Centro
7. Quantos m useus você acha que tem no Centro?
De 1 a 3
260
49.6%
De 4 a 6
142
27.1%
De 7 a 10
39
7.4%
Mais de 10
6
1.1%
77
14.7%
Não sei / Não quero responder
Total
49.6%
27.1%
7.4%
1.1%
14.7%
524 100.0%
Quanto à oferta cultural, 55,8% dos respondentes concordam ser a oferta do Centro
maior do que nos outros bairros: Esses números confirmam a vocação referida acima, situando
o Centro como pólo cultural. E apontam que, malgrado itens de degradação que serão
abordados em outros tópicos, como poluição e insegurança, a cultura é percebida como
alternativa privilegiada de uso do Centro.
Gráfico 15 – Concordância se as opções culturais do Centro são maiores que outros bairros
12. As opções culturais do Centro são maiores que as dos outros bairros.
Média = 3.49
Discordo Totalmente
74
14.1%
Discordo em parte
79
15.0%
Indiferente
34
6.5%
Concordo em parte
124
23.6%
Concordo Totalmente
169
32.2%
45
8.6%
Não sei / Não quero responder
Total
14.1%
15.0%
6.5%
23.6%
32.2%
8.6%
525 100.0%
A percepção acima demonstrada confirma a realidade: metade dos teatros e a maioria
dos museus e centros culturais estão no Centro, fortalecendo sua imagem como gerador e
difusor de cultura.
3.3.1 A Feira do Livro
Nas suas 52 edições, a Feira do Livro é referência na cidade e no país, proporcionando
a convergência de autores, editores e livreiros num dos maiores eventos do gênero no país. A
Feira, mesmo ocupando em média 15 dias por ano, está marcada no calendário do portoalegrense; 81,6% freqüentam a Feira, incluindo as respostas como raramente.
55
Gráfico 16 – Freqüência que entrevistado visita feira do livro
19. Você costuma visitar a feira do livro?
Média = 3.18
Nunca
92
17.6%
17.6%
17.7%
Raramente
93
17.7%
Às vezes
112
21.4%
74
14.1%
149
28.4%
4
0.8%
Freqüentemente
Sempre
Não sei / Não quero responder
Total
21.4%
14.1%
28.4%
0.8%
524 100.0%
A presença da Feira e de suas 155 bancas modifica o Centro da cidade durante sua
realização. A praça da alfândega e arredores são tomados por livreiros, escritores e amantes
dos livros, formando um mosaico de pessoas que se reúnem em torno de atividades culturais
variadas que se concentram na região, incluindo palestras, sessões de autógrafos, peças de
teatro, conferências, apresentações musicais. A ocupação da praça pela Feira aumenta a
segurança no local, traz interessados de todas as partes da cidade e de fora e melhora o
aspecto da Área Central. A Feira proporciona ao Centro uma sensação de segurança que ele
normalmente não oferece; mas revela uma possibilidade de ocupação versátil e qualificada que
poderia se estender pelos outros meses do ano.
3.4 LAZER:
Nas percepções sobre lazer propostas pela pesquisa aparecem itens como o Centro
como opção nos finais de semana, a prática de esportes, o uso das praças e opções de
lugares para se divertir. Numa primeira abordagem, o Centro não tem muitas praças e parques
esportivos. Embora alguns situem a Redenção e o Parque Marinha e seu prolongamento até o
Gasõmetro como pertencentes ao Centro, viu-se nos limites do Centro que estes estão na
periferia externa do bairro.
Em bairros eminentemente residenciais da cidade, as praças são opção preferencial de
lazer e passeio. Porto Alegre está entre as cidades do país com maior utilização de parques e
praças em relação ao número de habitantes. No Centro esta opção está comprometida. Além
do reduzido número de praças, a alta concentração de pedintes, moradores de rua e
prostituição, ou ocupação irregular pelos camelôs, restringe o seu uso, praticamente
inviabilizando essa opção de utilização.
Para 66,8% dos respondentes da pesquisa, o Centro não é uma opção de lazer nos
finais de semana:
56
Gráfico 17 – Concordância se o Centro é um local de lazer nos finais de semana
14. Nos finais de sem ana, o Centro é um local para o lazer
Média = 2.11
Discordo Totalmente
260
49.5%
Discordo em parte
91
17.3%
Indiferente
43
8.2%
Concordo em parte
82
15.6%
Concordo Totalmente
37
7.0%
Não sei / Não quero responder
12
2.3%
Total
49.5%
17.3%
8.2%
15.6%
7.0%
2.3%
525 100.0%
O Centro não é opção para praticar esportes. Mais de 83% discordam ser o Centro boa
opção para a prática esportiva; os esportes, na zona central, ficam circunscritos à Redenção e
arredores do Parque Marinha, externos aos limites do Centro.
Gráfico 18 – Concordância se o Cento é um bom local para praticar esportes
15. O Centro é um bom local para praticar esportes
Média = 1.54
Discordo Totalmente
348
66.3%
Discordo em parte
89
17.0%
Indiferente
22
4.2%
Concordo em parte
29
5.5%
Concordo Totalmente
12
2.3%
25
4.8%
Não sei / Não quero responder
Total
66.3%
17.0%
4.2%
5.5%
2.3%
4.8%
525 100.0%
Os entrevistados não consideram o Centro um bom local para se divertir. 63,6% não o
consideram adequado para esse fim, nem em relação à utilização das praças (71,4%
discordam ou discordam totalmente):
Gráfico 19 – Concordância se Centro é um bom local para se divertir
16. O Centro é um ótim o lugar para se divertir
Média = 2.27
Discordo Totalmente
220
41.9%
Discordo em parte
114
21.7%
Indiferente
40
7.6%
103
19.6%
Concordo Totalmente
38
7.2%
Não sei / Não quero responder
10
1.9%
Concordo em parte
Total
41.9%
21.7%
7.6%
19.6%
7.2%
1.9%
525 100.0%
57
Gráfico 20 – Concordância se as praças do Centro são um bom local de lazer
17. As praças do Centro são um bom lugar para lazer
Média = 2.01
Discordo Totalmente
261
49.7%
Discordo em parte
114
21.7%
Indiferente
28
5.3%
Concordo em parte
75
14.3%
Concordo Totalmente
29
5.5%
18
3.4%
Não sei / Não quero responder
Total
49.7%
21.7%
5.3%
14.3%
5.5%
3.4%
525 100.0%
O fato de perceberem como pouco limpas praças e parques pode contribuir para a
percepção de não ser o Centro bom local para o lazer.
Gráfico 21 – Concordância se as praças são bem cuidadas e limpas
37. Os parques e praças do Centro são bem cuidados e lim pos
Média = 2.42
Discordo Totalmente
174
33.1%
Discordo em parte
121
23.0%
35
6.7%
133
25.3%
Concordo Totalmente
27
5.1%
Não sei / Não quero responder
35
6.7%
Indiferente
Concordo em parte
Total
33.1%
23.0%
6.7%
25.3%
5.1%
6.7%
525 100.0%
No item quantidade de árvores, os respondentes aparecem divididos quase de forma
igual: mesmo assim, a presença de árvores não parece ser atrativo suficiente para torná-lo
adequado para o lazer, conforme tabela a seguir.
Gráfico 22 – Concordância se o Centro possui muitas árvores
41. O Centro possui m uitas árvores
Média = 3.01
Discordo Totalmente
105
20.0%
Discordo em parte
127
24.2%
42
8.0%
Concordo em parte
128
24.4%
Concordo Totalmente
108
20.6%
15
2.9%
Indiferente
Não sei / Não quero responder
Total
20.0%
24.2%
8.0%
24.4%
20.6%
2.9%
525 100.0%
3.4.1 Cinemas
O Centro já foi a referência dos bons cinemas da cidade. Nos anos 60 do século
passado, a maioria dos cinemas se localizavam no Centro. De uns anos para cá os Shoppings
58
passaram a concentrar a maior parte dos cinemas e os melhores, oferecendo segurança e
estacionamento coberto que faltam ao Centro.
Assim, os respondentes referem baixa freqüência aos 9 cinemas que restaram no
Centro (84,7% discordam freqüentá-los).
Gráfico 23 – Freqüência de ida aos cinemas do Cento
20. Você freqüenta os cinem as do Centro?
Média = 1.57
Nunca
359
68.5%
Raramente
85
16.2%
Às vezes
38
7.3%
Freqüentemente
19
3.6%
3.6%
Sempre
20
3.8%
3.8%
3
0.6%
Não sei / Não quero responder
Total
68.5%
16.2%
7.3%
0.6%
524 100.0%
Quanto à utilização geral do Centro para se divertir, pediu-se que se citassem os locais
mais utilizados; reforçou-se aqui a não utilização como opção de lazer (39,4% de respostas
negativas). As respostas que referiam utilização se concentraram em restaurantes e itens
culturais, demonstrando mais uma vez que a alternativa de lazer e utilização do Centro pode se
direcionar à cultura.
Gráfico 24 – Local onde entrevistado vai para se divertir
8. Quando você vai ao Centro para se divertir, costum a ir ao:
Cinema
Museus / Centros Culturais
78
11.0%
101
14.3%
Restaurantes
85
12.0%
Bares
47
6.7%
Casas Noturnas
12
1.7%
Parques
65
9.2%
278
39.4%
Outro:
30
4.2%
Não sei / Não quero responder
10
1.4%
Não freqüento o Centro como opção de lazer
Total
11.0%
14.3%
12.0%
6.7%
1.7%
9.2%
39.4%
4.2%
1.4%
706 100.0%
A nota fornecida para o Centro como opção de lazer ficou com média 5,86,
apresentando maior densidade entre as notas 5 e 8 (70,6% das respostas).
59
Gráfico 25 – Nota do entrevistado para as opções de lazer no Centro
24. Em term os gerais, atribua um a nota de 1 a 10 para as opções
de lazer no Centro:
Média = 5.86
Mediana = 6.00
Mín = 1.00 Máx = 10.00
1
22
4.2%
2
25
4.8%
3
38
7.3%
4
31
5.9%
5
102
19.5%
6
82
15.6%
7
86
16.4%
8
100
19.1%
9
25
4.8%
10
13
2.5%
Total
4.2%
4.8%
7.3%
5.9%
19.5%
15.6%
16.4%
19.1%
4.8%
2.5%
524 100.0%
A idéia do Centro como opção de lazer pode ser melhor compreendida pelo esforço de
revitalização pretendida pelo projeto Viva o Centro (PORTO ALEGRE, 2006).
Esportes e diversão são pouco citados como opções no bairro, devido aos aspectos de
segurança e poluição que serão abordados a seguir.
A cultura aparece como opção mais evidente, permitindo que a dicotomia entre o dia e
a noite, diagnosticada pelo projeto Viva o Centro, seja minimizada pela oferta de atividades
culturais em toda a área central, aumentando sua ocupação neste turno e diminuindo o
contraste entre a multidão que circula de dia – em torno de 500 mil – e o deserto que se instala
à noite.
A baixa freqüência à noite se confirma na pergunta a seguir, revelando os espantosos
86,1% de respostas negativas.
Gráfico 26 – Concordância quanto a freqüentar o Centro a noite
49. Costum o freqüentar o Centro à noite (após 20h)
Média = 1.54
Discordo Totalmente
400
76.2%
52
9.9%
9
1.7%
Concordo em parte
30
5.7%
Concordo Totalmente
30
5.7%
4
0.8%
Discordo em parte
Indiferente
Não sei / Não quero responder
Total
76.2%
9.9%
1.7%
5.7%
5.7%
0.8%
525 100.0%
60
3.4.2 Restaurantes e Gastronomia
O reconhecimento da qualidade gastronômica do Centro, evidencia-se na próxima
questão, com 80,4% de respostas positivas. As políticas de revitalização do Centro poderiam
centrar-se nos aspectos culturais associados ao estímulo à utilização de seus bons
restaurantes, que aparecem bem referenciados pelas respostas da questão 18 abaixo.
Gráfico 27 – Concordância se há boas opções de alimentação no Centro
18. No Centro há boas opções de alim entação
Média = 4.13
Discordo Totalmente
21
4.0%
Discordo em parte
35
6.7%
Indiferente
28
5.3%
Concordo em parte
197
37.5%
Concordo Totalmente
225
42.9%
19
3.6%
Não sei / Não quero responder
Total
4.0%
6.7%
5.3%
37.5%
42.9%
3.6%
525 100.0%
Verifica-se que a forte percepção do Centro como pólo cultural em quantidade e
qualidade e com boas opções de alimentação pode oferecer alguma esperança para a sua
revitalização. Esta depende das cruciais questões de segurança e trânsito, examinadas a
seguir nesse trabalho, e também da melhora do nível de informação da população sobre os
eventos culturais. Dentre as opções disponíveis, a Cultura e o Turismo parecem ser as grandes
alternativas para devolver ao Centro sua vitalidade e minimizar sua degradação
A seguir, procede-se à análise de Regressão múltipla pela comparação da nota
atribuída ao Centro como opção de LAZER e os outros questionamentos, conforme listado
abaixo:
Variáveis independentes:
Qualidade atrações - Qualidade das atrações culturais
Quantidade Atrações - Quantidade das atrações culturais
Informação eventos culturais – Ser bem informado sobre os eventos culturais
Lazer nos finais de semana - Centro como opção de lazer nos finais de semana
Esportes centro - Centro como local para praticar esportes
Praças - As praças do Centro como um bom local para lazer
Qualidade restaurantes - As opções de alimentação do Centro
61
Variável dependente:
Nota para o centro como opção de lazer
As 7 variáveis independentes explicam 31.65% da variância (ou seja, da composição)
da nota de lazer. Ordenando as variáveis que mais impactam na nota do bloco, temos a
seguinte tabela.
1º
2º
3º
4º
5º
6º
Tabela 15 – Variáveis que mais impactam na nota de lazer no Centro
As praças do centro como um bom local para lazer
Quantidade das atrações culturais
As opções de alimentação do Centro
Centro como opção de lazer nos finais de semana
Centro como local para praticar esportes
Qualidade das atrações culturais
Cabe destacar que a variável “Ser bem informado sobre os eventos culturais do centro”
não foi considerada, segundo o teste de regressão múltipla, como um fator que cause impacto
na nota que os entrevistados deram ao centro como opção de lazer.
Tabela 16 – Análise das variáveis conforme regressão múltipla para lazer
Estatística de regressão
R-Quadrado
0,316578937
Variáveis
praças
quantidade atrações
qualidade restaurantes
lazer nos finais de semana
esportes centro
qualidade atrações
informação eventos culturais
Betas
0,196895
0,169767
0,150582
0,14743
0,123105
0,059408
0,014415
3.5 MORADIA
Já foi exposto anteriormente que no último quarto de século o Centro de Porto Alegre
perdeu um terço de seus habitantes, aproximadamente quinze mil pessoas. O IBGE informa
que apenas 7% da população residente no bairro tem até 9 anos, contra 15% do total da
cidade; e que 20% superaram os 60 anos, enquanto que no município o índice é de 12%.
Verifica-se, portanto, de forma explícita, o envelhecimento da população do Centro da Capital,
ou seja, a sua não-renovação. Este dado oficial de que a maioria dos moradores do bairro é
constituída por idosos é compatível com a percepção de 33,5% dos respondentes. Salienta-se,
entretanto, que 34,3% dos entrevistados não souberam ou não quiseram manifestar a sua
percepção sobre o tema.
62
Gráfico 28 – Percepção do entrevistado da população do Centro
29. A m aioria das pessoas que m ora no Centro é:
Jovens
89
17.0%
Adultos
80
15.2%
Idosos
176
33.5%
Não sei / Não quero responder
180
34.3%
Total
525 100.0%
17.0%
15.2%
33.5%
34.3%
Quando instigados a se posicionar perante a afirmação de que o “O Centro é um bom
lugar para se morar”, a maioria dos respondentes manifestou-se de forma contrária a esta
afirmação. 51,4% afirmaram que discordam totalmente e 19,2% que discordam em parte.
Gráfico 29 – Concordância se o Centro é um bom local para moradia
25. O Centro é um bom lugar para se m orar
Média = 2.04
Discordo Totalmente
270
51.4%
Discordo em parte
101
19.2%
Indiferente
35
6.7%
Concordo em parte
68
13.0%
Concordo Totalmente
40
7.6%
Não sei / Não quero responder
11
2.1%
Total
51.4%
19.2%
6.7%
13.0%
7.6%
2.1%
525 100.0%
Mesmo entre as pessoas que possuem sentimentos positivos em relação ao Centro, a
percepção de que o Centro não é um bom lugar para morar é alta. Das pessoas que gostam do
Centro, 66,7% dos respondentes apresentam reservas (discordam totalmente ou em parte) à
afirmação de que o bairro é um bom lugar para se morar. Já das pessoas que gostam muito do
local, 34,9% discordam totalmente da afirmação apresentada. Esta interpretação é corroborada
com a dependência estatística muito significativa apontada pelo teste qui-quadrado.
Tabela 17 – Concordância se moraria no Centro X Sentimento em relação ao Centro
morar no centro
sentimento Centro
Discordo
Totalmente
Discordo em parte
Indiferente
Concordo em
parte
Concordo
Totalmente
TOTAL
Odeio
64,4% ( 29)
11,1% ( 5)
2,2% ( 1)
15,6% ( 7)
4,4% ( 2)
100% ( 44)
Não Gosto
63,4% (109)
19,2% ( 33)
3,5% ( 6)
9,3% ( 16)
2,9% ( 5)
100% (169)
Indiferente
45,0% ( 45)
20,0% ( 20)
10,0% ( 10)
15,0% ( 15)
6,0% ( 6)
100% ( 96)
Gosto
43,2% ( 70)
23,5% ( 38)
8,6% ( 14)
13,6% ( 22)
9,3% ( 15)
100% (159)
Gosto Muito
34,9% ( 15)
11,6% ( 5)
9,3% ( 4)
18,6% ( 8)
25,6% ( 11)
100% ( 43)
TOTAL
51,2% (268)
19,2% (101)
6,6% ( 35)
12,9% ( 68)
7,6% ( 39)
100% (511)
A dependência é muito significativa. Qui2 = 50,85, gl = 16, 1-p = >99,99%.
Uma situação que influencia tal percepção dos entrevistados é a falta de segurança
existente no Centro para os seus moradores. 80,7% dos respondentes não consideram o
63
Centro um lugar seguro para se morar, se somados os percentuais dos entrevistados que
responderam “discordo totalmente” e “discordo em parte” ao questionado.
Gráfico 30 – Concordância se o Centro é seguro para morar
26. O Centro é um lugar seguro para se m orar
Média = 1.70
Discordo Totalmente
304
58.1%
Discordo em parte
58.1%
118
22.6%
Indiferente
31
5.9%
5.9%
Concordo em parte
33
6.3%
6.3%
Concordo Totalmente
19
3.6%
3.6%
18
3.4%
3.4%
Não sei / Não quero responder
Total
22.6%
523 100.0%
Tal percepção de insegurança para os moradores do bairro não decorre da
reminiscência de uma experiência desagradável. A análise pelo teste qui-quadrado indica não
haver dependência significativa entre a opinião dos entrevistados sobre a segurança para
moradia e o fato destes terem sido assaltados ou presenciado assaltos no Centro.
Tabela 18 – Número de assaltos sofridos no Centro X Segurança para moradia
assalto centro
Uma vez
Duas vezes
Três vezes
segurança moradia
Mais de três
vezes
Nunca
TOTAL
Discordo Totalmente
17,1% ( 52)
4,6% ( 14)
3,3% ( 10)
3,0% ( 9)
72,0% (219)
100% (304)
Discordo em parte
16,9% ( 20)
7,6% ( 9)
2,5% ( 3)
0,0% ( 0)
72,0% ( 85)
100% (117)
Indiferente
16,1% ( 5)
6,5% ( 2)
3,2% ( 1)
0,0% ( 0)
74,2% ( 23)
100% ( 31)
Concordo em parte
12,1% ( 4)
0,0% ( 0)
3,0% ( 1)
0,0% ( 0)
84,8% ( 28)
100% ( 33)
Concordo Totalmente
31,6% ( 6)
5,3% ( 1)
0,0% ( 0)
0,0% ( 0)
63,2% ( 12)
100% ( 19)
TOTAL
16,7% ( 87)
5,5% ( 26)
3,0% ( 15)
1,7% ( 9)
72,5% (367)
100% (504)
A dependência não é significativa. Qui2 = 13,82, gl = 16, 1-p = 38,82%.
Tabela 19 – Número de assaltos que assistiu X Segurança na moradia
ver assalto
Uma vez
Duas vezes
Três vezes
segurança moradia
Mais de três
vezes
Nunca
TOTAL
Discordo Totalmente
15,1% ( 46)
12,8% ( 39)
8,2% ( 25)
31,3% ( 95)
32,2% ( 98)
100% (303)
Discordo em parte
19,5% ( 23)
15,3% ( 18)
11,9% ( 14)
27,1% ( 32)
25,4% ( 30)
100% (117)
3,2% ( 1)
9,7% ( 3)
9,7% ( 3)
29,0% ( 9)
48,4% ( 15)
100% ( 31)
Concordo em parte
12,1% ( 4)
24,2% ( 8)
18,2% ( 6)
18,2% ( 6)
27,3% ( 9)
100% ( 33)
Concordo Totalmente
15,8% ( 3)
5,3% ( 1)
15,8% ( 3)
36,8% ( 7)
26,3% ( 5)
100% ( 19)
TOTAL
15,0% ( 77)
13,5% ( 69)
10,1% ( 51)
29,2% (149)
31,5% (157)
100% (503)
Indiferente
A dependência não é significativa. Qui2 = 20,04, gl = 16, 1-p = 78,16%.
Pelo exposto, pode-se inferir que a percepção identificada de que para o portoalegrense o Centro não disponibiliza segurança para os seus moradores resulta em pelo
menos duas graves conseqüências para o mercado imobiliário da região. Conforme já referido,
o Centro é, dentre os 78 bairros da Capital, aquele com maior número de imóveis usados à
venda, 8% do total da cidade; além de apresentar uma redução constante dos valores dos
aluguéis de imóveis.
64
O baixo preço dos imóveis ofertados é considerado totalmente uma vantagem de se
morar no Centro para 18,2% dos entrevistados e considerada uma vantagem em parte para
21,2%. É de se salientar o elevado percentual de participantes (22,8%) que desconhecem ou
não quiseram se manifestar sobre este tema, um dos mais altos da presente pesquisa.
Gráfico 31 – Concordância se o preço dos imóveis é uma vantagem na moradia
28. Um a vantagem de m orar no Centro é o preço baixo dos im óveis
Média = 3.14
Discordo Totalmente
93
17.8%
Discordo em parte
59
11.3%
Indiferente
46
8.8%
111
21.2%
95
18.2%
Não sei / Não quero responder
119
22.8%
Total
523 100.0%
Concordo em parte
Concordo Totalmente
17.8%
11.3%
8.8%
21.2%
18.2%
22.8%
Outra vantagem de morar no Centro manifestada pela maioria dos respondentes é a
grande diversidade de comércio. 34,1% concordam em parte e 38,7% concordam totalmente
que as múltiplas alternativas de comércio no bairro é uma vantagem para os seus moradores.
Lembrando o já exposto anteriormente, a Secretaria Municipal de Indústria e Comércio informa
que há 14.197 alvarás expedidos para empreendimentos comerciais localizados no Centro da
Capital.
Gráfico 32 – Concordância se diversidade de comércio é vantagem na moradia
27. Um a vantagem de m orar no Centro é a grande diversidade de com ércio
Média = 3.89
Discordo Totalmente
39
7.4%
Discordo em parte
47
9.0%
9.0%
Indiferente
47
9.0%
9.0%
Concordo em parte
179
34.1%
Concordo Totalmente
203
38.7%
10
1.9%
Não sei / Não quero responder
Total
7.4%
34.1%
38.7%
1.9%
525 100.0%
Em que pese o quadro de insegurança para moradia percebido pelos entrevistados,
somente 24,3% dos participantes da pesquisa não morariam no centro. As condições mais
referendadas para que os respondentes fossem morar no Centro foram: maior segurança (255
citações), maior limpeza (163 citações) e facilidade de trânsito (149 citações). Importante
destacar que nesta questão o entrevistado poderia escolher mais de um motivo.
Portanto, é coerente a inferência de que caso o Centro receba maior atenção por parte
do Poder Público na segurança, em limpeza e em trânsito, a situação de êxodo da população
residente verificada pode ser revertida.
65
Contrastando com a percepção acima exposta de que o baixo preço dos imóveis é uma
vantagem para se morar no Centro, o baixo preço dos imóveis foi uma condição citada apenas
82 vezes.
Gráfico 33 – Condições para entrevistado morar no Centro
30. Eu m oraria no Centro se fosse...
Mais limpo
163
18.3%
Mais seguro
255
28.6%
Melhor de transitar
149
16.7%
82
9.2%
217
24.3%
Outro:
11
1.2%
1.2%
Não sei / Não quero responder
15
1.7%
1.7%
Mais barato
Não moraria no Centro
Total
18.3%
28.6%
16.7%
9.2%
24.3%
892 100.0%
Quando do cruzamento estatisticamente significativo da variável que registrou o
sentimento em relação ao Centro com a variável que mensurou as condições nas quais o
respondente moraria no bairro, verifica-se que, não importando a intensidade do sentimento da
pessoa, a melhora da segurança é a condição primeira que faria as pessoas irem morar no
bairro. A melhoria da limpeza é, para todas as categorias de respondentes, a segunda
condição.
Tabela 20 – Condições para morar no Centro X Sentimento em relação ao Centro
razão para morar no centro
Mais limpo
Mais seguro
sentimento Centro
Melhor de
transitar
Mais barato
Não moraria no
Centro
Outro:
TOTAL
Odeio
37,8% ( 17)
53,3% ( 24)
26,7% ( 12)
15,6% ( 7)
42,2% ( 19)
2,2% ( 1)
100% ( 80)
Não Gosto
32,0% ( 55)
47,7% ( 82)
31,4% ( 54)
8,1% ( 14)
45,3% ( 78)
0,6% ( 1)
100% (284)
Indiferente
25,0% ( 25)
42,0% ( 42)
24,0% ( 24)
19,0% ( 19)
48,0% ( 48)
0,0% ( 0)
100% (158)
Gosto
31,5% ( 51)
54,3% ( 88)
28,4% ( 46)
20,4% ( 33)
35,2% ( 57)
3,1% ( 5)
100% (280)
Gosto Muito
32,6% ( 14)
37,2% ( 16)
27,9% ( 12)
18,6% ( 8)
34,9% ( 15)
9,3% ( 4)
100% ( 69)
A dependência
= (148)
34,49, gl15,6%
= 20,
1-p = 41,2%
97,70%.
30,9% (162) é significativa.
48,4% (252) Qui2
28,3%
( 81)
(217)
2,1% ( 11)
100% (871)
TOTAL
Esta hierarquização de motivos ocorre também quando do cruzamento das variáveis
condições para se morar no Centro com a de que o bairro é um bom local para se morar. Tal
cruzamento, de dependência estatística muito significativa, confirma a percepção de que o
Centro não é um local descartado para a moradia por grande parte dos pesquisados; mas para
que tal migração ocorra, a segurança, a limpeza e o trânsito devem ser melhorados.
66
Tabela 21 – Condições para morar no Centro X Concordância se é bom local para morar
Mais limpo
razão para morar no centro
Mais seguro
Melhor de
transitar
morar no centro
Mais barato
Não moraria no
Centro
Outro:
TOTAL
Discordo Totalmente
27,0% ( 73)
41,5% (112)
27,0% ( 73)
11,9% ( 32)
55,2% (149)
0,7% ( 2)
100% (441)
Discordo em parte
34,7% ( 35)
58,4% ( 59)
35,6% ( 36)
17,8% ( 18)
34,7% ( 35)
0,0% ( 0)
100% (183)
Indiferente
40,0% ( 14)
65,7% ( 23)
28,6% ( 10)
22,9% ( 8)
28,6% ( 10)
2,9% ( 1)
100% ( 66)
Concordo em parte
42,6% ( 29)
58,8% ( 40)
23,5% ( 16)
23,5% ( 16)
22,1% ( 15)
2,9% ( 2)
100% (118)
Concordo Totalmente
TOTAL
20,0% ( 8)
40,0% ( 16)
30,0% ( 12)
17,5% ( 7)
12,5% ( 5)
15,0% ( 6)
100% ( 54)
30,9% (159)
48,4% (250)
28,3% (147)
15,6% ( 81)
41,2% (214)
2,1% ( 11)
100% (862)
A dependência é muito significativa. Qui2 = 93,80, gl = 20, 1-p = >99,99%.
Por fim, foi solicitado que os entrevistados atribuíssem uma nota para o Centro como
opção de moradia. A média das respostas foi 4,89, sendo que 26,9% dos entrevistados
atribuíram a nota 5.
Gráfico 34 – Nota do entrevistado para o Centro como opção de moradia
32. Em term os gerais, atribua uma nota de 1 a 10 para o Centro
com o opção de moradia:
Média = 4.89
Mediana = 5.00
Mín = 1.00 Máx = 10.00
1
51
9.7%
2
35
6.7%
3
49
9.4%
4
58
11.1%
5
141
26.9%
6
62
11.8%
11.8%
7
65
12.4%
12.4%
8
45
8.6%
9
11
2.1%
7
1.3%
10
Total
9.7%
6.7%
9.4%
11.1%
26.9%
8.6%
2.1%
1.3%
524 100.0%
Para a análise de regressão da nota dada, foram selecionadas as seguintes variáveis:
Variáveis independentes:
Segurança moradia – O centro ser um lugar seguro para se morar
Vantagem moradia comércio – Ser vantajoso morar no centro devido a
diversidade do comércio
Vantagem preço imóveis – Ser vantajoso morar no centro devido ao baixo
preço dos imóveis
Barulho – O barulho do centro
Cheiro – O cheiro do centro
Variável dependente
Nota para o centro como opção para moradia
67
As 5 variáveis independentes explicam 20,19% da variância (ou seja, da composição)
da nota de moradia. Ordenando as variáveis que mais impactam, na nota do bloco temos a
seguinte tabela.
1º
2º
3º
4º
Tabela 22 – Variáveis de maior impacto na nota de moradia
O centro ser um lugar seguro para se morar
Ser vantajoso morar no centro devido a diversidade do comércio
Ser vantajoso morar no centro devido ao baixo preço dos imóveis
O barulho do centro
Cabe destacar que a variável “O cheiro do centro” não foi considerada, segundo o teste
de regressão múltipla, como um fator que cause impacto na nota que os entrevistados deram
ao centro como opção de moradia.
Tabela 23 – Análise das variáveis conforme regressão múltipla para moradia
Estatística de regressão
R-Quadrado
0,201973
Variáveis
segurança moradia
vantagem moradia comércio
barulho
vantagem preço imóveis
cheiro
Betas
0,334775
0,155381
0,065275
0,047395
0,01215
3.6 POLUIÇÃO
O grande fluxo constante de pessoas no Centro, aproximadamente 600.000 pessoas
por dia, dificulta a manutenção da limpeza que é realizada por moradores e pela Prefeitura.
56,3% dos respondentes discordam totalmente da afirmação de que o Centro é mais limpo que
os demais bairros, sendo que 21% discordam em parte.
Gráfico 36 – Concordância se o Centro é mais limpo que os demais bairros
38. Considero o Centro m ais lim po que os outros bairros
Média = 1.80
Discordo Totalmente
295
56.3%
Discordo em parte
110
21.0%
Indiferente
29
5.5%
Concordo em parte
49
9.4%
Concordo Totalmente
22
4.2%
4.2%
Não sei / Não quero responder
19
3.6%
3.6%
Total
56.3%
21.0%
5.5%
9.4%
524 100.0%
68
Esta percepção não é exclusiva daqueles respondentes que possuem sentimentos
negativos em relação ao Centro. Mesmo entre os entrevistados que gostam ou gostam muito
do local, os percentuais de pessoas que discordaram totalmente de que o Centro é mais limpo
que os outros bairros são altos. Dos que gostam, 48,8% discordam totalmente, percentual
semelhante aos que gostam muito, registrado em 46,5%. A existência desta relação é
confirmada pelo teste qui-quadrado.
Tabela 24 – Limpeza do Centro em relação aos demais X Sentimento em relação ao Centro
limpeza cetro x bairro
sentimento Centro
Discordo
Totalmente
Discordo em parte
Indiferente
Concordo em
parte
Concordo
Totalmente
TOTAL
Odeio
80,0% ( 36)
8,9% ( 4)
4,4% ( 2)
4,4% ( 2)
0,0% ( 0)
100% ( 44)
Não Gosto
62,8% (108)
16,3% ( 28)
4,7% ( 8)
9,9% ( 17)
4,1% ( 7)
100% (168)
Indiferente
51,0% ( 51)
32,0% ( 32)
3,0% ( 3)
9,0% ( 9)
3,0% ( 3)
100% ( 98)
Gosto
48,8% ( 79)
23,5% ( 38)
7,4% ( 12)
9,9% ( 16)
4,9% ( 8)
100% (153)
Gosto Muito
46,5% ( 20)
18,6% ( 8)
7,0% ( 3)
11,6% ( 5)
7,0% ( 3)
100% ( 39)
TOTAL
56,0% (294)
20,9% (110)
5,5% ( 28)
9,3% ( 49)
4,2% ( 21)
100% (502)
A dependência é significativa. Qui2 = 27,06, gl = 16, 1-p = 95,91%.
E a mesma intensidade negativa, estatisticamente significativa, da percepção da
limpeza do bairro ocorre não importando a freqüência da ida dos respondentes ao bairro. A
maioria dos que vão nele todos os dias (54,1%) e dos que vão 1 vez ao mês ou menos (60,5%)
tem a mesma sensação de que os outros bairros são mais limpos que o Centro.
Tabela 25 – Limpeza do Centro em relação aos demais X Freqüência de ida ao Centro
limpeza cetro x bairro
Frequencia centro
Discordo
Totalmente
Discordo em parte
1 vez por mês ou menos
60,5% (127)
20,5% ( 43)
2 a 3 vezes por mês
56,1% ( 60)
1 vez por semana
50,0% ( 29)
2 a 3 vezes por semana
Indiferente
Concordo em
parte
Concordo
Totalmente
TOTAL
2,9% ( 6)
9,0% ( 19)
1,4% ( 3)
100% (198)
20,6% ( 22)
4,7% ( 5)
9,3% ( 10)
7,5% ( 8)
100% (105)
25,9% ( 15)
10,3% ( 6)
6,9% ( 4)
3,4% ( 2)
100% ( 56)
42,5% ( 17)
32,5% ( 13)
5,0% ( 2)
17,5% ( 7)
2,5% ( 1)
100% ( 40)
Todos os dias
54,1% ( 46)
15,3% ( 13)
11,8% ( 10)
8,2% ( 7)
8,2% ( 7)
100% ( 83)
Não freqüento o Centro
64,0% ( 16)
16,0% ( 4)
0,0% ( 0)
8,0% ( 2)
4,0% ( 1)
100% ( 23)
TOTAL
56,0% (295)
20,9% (110)
5,5% ( 29)
9,3% ( 49)
4,2% ( 22)
100% (505)
A dependência é significativa. Qui2 = 33,41, gl = 20, 1-p = 96,96%.
Verifica-se que tal percepção de sujeira pode ser decorrência da grande distribuição de
cartazes, propagandas e panfletos no Centro. 61,5% dos respondentes concordam totalmente
de que estes itens contribuem para a sensação de poluição no bairro, e 17% concordam em
parte com essa afirmação. Quando da realização do teste qui-quadrado, encontra-se uma
dependência muito significativa entre estas variáveis, o que confirma essa interpretação.
69
Gráfico 37 – Concordância se propagandas contribuem para sensação de poluição no Centro
36. Os cartazes, propagandas e panfletos contribuem para a sensação de
poluição do Centro
Média = 4.23
Discordo Totalmente
40
7.6%
Discordo em parte
28
5.3%
5.3%
Indiferente
29
5.5%
5.5%
Concordo em parte
89
17.0%
323
61.5%
16
3.0%
Concordo Totalmente
Não sei / Não quero responder
Total
7.6%
17.0%
61.5%
3.0%
525 100.0%
Tabela 26 – Limpeza do Centro em relação aos demais X Concordância sobre poluição visual
limpeza cetro x bairro
poluição visual
Discordo
Totalmente
Discordo em parte
Indiferente
Concordo em
parte
Concordo
Totalmente
TOTAL
Discordo Totalmente
57,5% ( 23)
10,0% ( 4)
0,0% ( 0)
12,5% ( 5)
10,0% ( 4)
100% ( 36)
Discordo em parte
46,4% ( 13)
28,6% ( 8)
0,0% ( 0)
10,7% ( 3)
7,1% ( 2)
100% ( 26)
Indiferente
55,2% ( 16)
24,1% ( 7)
10,3% ( 3)
3,4% ( 1)
3,4% ( 1)
100% ( 28)
Concordo em parte
41,6% ( 37)
32,6% ( 29)
10,1% ( 9)
6,7% ( 6)
5,6% ( 5)
100% ( 86)
Concordo Totalmente
61,6% (199)
18,0% ( 58)
4,6% ( 15)
9,9% ( 32)
2,8% ( 9)
100% (313)
TOTAL
56,0% (288)
20,9% (106)
5,5% ( 27)
9,3% ( 47)
4,2% ( 21)
100% (489)
A dependência é muito significativa. Qui2 = 33,58, gl = 16, 1-p = 99,38%.
Outro motivo que pode explicar, considerando a dependência estatística muito
significativa, a baixa cotação da limpeza do Centro em relação aos outros bairros é a
percepção da maioria dos entrevistados da falta de lixeiras no bairro 58,7% dos entrevistados
consideram o número de lixeiras existentes no bairro insuficientes.
Gráfico 38 – Concordância se existem lixeiras suficientes no Centro
33. Há lixeiras suficientes no Centro
Média = 2.32
Discordo Totalmente
213 40.6%
Discordo em parte
95 18.1%
Indiferente
29
Concordo em parte
82 15.6%
Concordo Totalmente
58 11.0%
Não sei / Não quero responder
48
Total
5.5%
9.1%
40.6%
18.1%
5.5%
15.6%
11.0%
9.1%
525 100.0%
70
Tabela 27 – Lixeiras suficientes X Limpeza do Centro em relação aos demais
lixeiras
limpeza cetro x bairro
Discordo
Totalmente
Discordo em parte
Indiferente
Concordo em
parte
Concordo
Totalmente
TOTAL
Discordo Totalmente
47,8% (141)
15,3% ( 45)
4,7% ( 14)
13,2% ( 39)
10,2% ( 30)
100% (269)
Discordo em parte
32,7% ( 36)
27,3% ( 30)
7,3% ( 8)
14,5% ( 16)
10,0% ( 11)
100% (101)
Indiferente
17,2% ( 5)
31,0% ( 9)
13,8% ( 4)
20,7% ( 6)
6,9% ( 2)
100% ( 26)
Concordo em parte
36,7% ( 18)
14,3% ( 7)
2,0% ( 1)
22,4% ( 11)
14,3% ( 7)
100% ( 44)
Concordo Totalmente
36,4% ( 8)
9,1% ( 2)
4,5% ( 1)
22,7% ( 5)
27,3% ( 6)
100% ( 22)
40,4% (208)
18,0% ( 93)
5,5% ( 28)
15,6% ( 77)
11,0% ( 56)
100% (462)
TOTAL
A dependência é muito significativa. Qui2 = 35,15, gl = 16, 1-p = 99,62%.
O cheiro desagradável é outro tema relacionado à poluição do bairro que afeta a
maioria dos respondentes. 47,6% destes concordam totalmente de que o cheiro do centro lhes
incomoda, enquanto que 23,2% concordam em parte que o cheiro ruim é inconveniente.
Gráfico 39 – Concordância se o cheiro do Centro incomoda
35. O cheiro do Ce ntro m e incom oda
Média = 3.93
Discordo Totalmente
59
11.2%
Discordo em parte
30
5.7%
Indiferente
51
9.7%
Concordo em parte
122
23.2%
Concordo Totalmente
250
47.6%
13
2.5%
Não sei / Não quero responder
Total
11.2%
5.7%
9.7%
23.2%
47.6%
2.5%
525 100.0%
Da mesma forma que o cheiro, o barulho do bairro incomoda grande parte dos
respondentes. 51,4% dos participantes concordam totalmente e 16,2% concordaram em parte
com a afirmação de que o barulho do Centro lhes causa incômodo.
Gráfico 40 – Concordância se o barulho do Centro incomoda
34. O barulho do Centro m e incomoda
Média = 3.85
Discordo Totalmente
74
14.1%
Discordo em parte
37
7.0%
Indiferente
49
9.3%
Concordo em parte
85
16.2%
270
51.4%
10
1.9%
Concordo Totalmente
Não sei / Não quero responder
Total
14.1%
7.0%
9.3%
16.2%
51.4%
1.9%
525 100.0%
Conforme observado acima, as respostas da maioria dos entrevistados apontam para a
percepção de que o Centro é, lamentavelmente, um lugar sujo, barulhento e com mau cheiro
para os seus freqüentadores. Tal percepção reflete na baixa média da nota dada pelos
respondentes sobre a limpeza do centro, de 4,68.
71
Gráfico 41 – Nota do entrevistado para a limpeza do Centro
39. Em te r m os ge r ais , atr ibua um a nota de 1 a 10 par a a lim pe za
do Ce ntr o:
Média = 4.86
Mediana = 5.00
Mín = 1.00 Máx = 10.00
1
37
7.1%
2
38
7.3%
3
45
8.7%
4
92
17.7%
5
121
23.3%
6
67
12.9%
7
70
13.5%
8
36
6.9%
9
7
1.3%
1.3%
10
6
1.2%
1.2%
Total
7.1%
7.3%
8.7%
17.7%
23.3%
12.9%
13.5%
6.9%
519 100.0%
A análise de regressão na nota dada considerou as seguintes variáveis como
independentes e dependentes:
Variáveis independentes:
Limpeza Praças – Limpeza e asseio dos parques e praças .
Lixeiras – O número de lixeiras.
Cheiro – O cheiro do centro.
Poluição visual – Cartazes, propagandas e panfletos contribuindo para a
sensação de sujeira.
Barulho – O barulho do Centro.
Variável dependente
Nota para a limpeza do centro
As 5 variáveis independentes explicam 21.14% da variância (ou seja, da composição)
da nota de limpeza do Centro. Ordenando as variáveis que mais impactam, na nota do bloco
temos a seguinte tabela.
1º
2º
3º
4º
Tabela 28 – Variáveis que mais impactam na nota da limpeza
Limpeza e asseio dos parques e praças .
O número de lixeiras.
O cheiro do centro.
Cartazes, propagandas e panfletos contribuindo para a sensação de
sujeira.
Cabe destacar que a variável “O barulho do centro” não foi considerada, segundo o
teste de regressão múltipla, como um fator que cause impacto na nota que os entrevistados
deram a limpeza do Centro, em que pese 51,4% dos respondentes concordarem totalmente
que o barulho do bairro lhes incomoda e 16,2% concordarem em parte com esta afirmação.
72
Tabela 29 - Análise das variáveis conforme regressão múltipla para limpeza
Estatística de regressão
R-Quadrado
0,214168
Variáveis
limpeza praças
lixeiras
cheiro
poluição visual
barulho
Betas
0,287273
0,094844
0,07897
0,05831
0,01659
3.7 O TRÂNSITO
O trânsito do Centro de Porto Alegre já foi objeto de políticas variadas para sua
solução. Houve época em que se adotaram os calçadões, afastando o tráfego de automóveis
particulares; mudaram-se os terminais de ônibus de lugar para melhorar a circulação de
pedestres; impediu-se o estacionamento nas ruas e posteriormente criou-se as áreas azuis,
com vagas rotativas, por tempo limitado. A análise do Bloco trânsito vai procurar as percepções
dos entrevistados em relação a esse item, considerando a circulação de pedestres e a forma
de se dirigir ao Centro; a sinalização e a presença de terminais de ônibus.
A maioria das pessoas que vai ao Centro de Porto Alegre utiliza o ônibus (58,9%) como
meio de locomoção. O segundo meio de locomoção mais utilizado para chegar ao centro foi o
carro (19,6%), sendo que a maioria das pessoas que vai ao centro de carro são os homens.
Em contrapartida, lotação – terceiro mais citado, com 13,9% – e táxi são os meios de
locomoção no qual a maioria dos usuários são mulheres. A análise qui-quadrado confirma a
dependência entre as variáveis (ver tabelas a seguir).
Gráfico 42 – Meio de transporte utilizado para ir ao Centro
56. Na m aioria das vezes, eu vou ao Centro de:
Ônibus
309
58.9%
Carro
103
19.6%
Táxi
7
1.3%
Lotação
73
13.9%
A pé
20
3.8%
Outro:
12
2.3%
1
0.2%
Não sei / Não quero responder
Total
58.9%
19.6%
1.3%
13.9%
3.8%
2.3%
0.2%
525 100.0%
73
Tabela 30 – Sexo X Meio de transporte utilizado
Femi
nino
Masc
ulino
TOTAL
Ônibus
56,0%
44,0%
100%
Carro
36,9%
63,1%
100%
Táxi
71,4%
28,6%
100%
Lotação
68,5%
31,5%
100%
A pé
30,0%
70,0%
100%
Outro:
8,3%
91,7%
100%
TOTAL
51,8%
47,8%
100%
sexo entrevistado
meio de transporte
A dependência é muito significativa. Qui2 = 33,45, gl = 5, 1-p = >99,99%.
As pessoas que vão de carro ou lotação ao centro tendem a ter uma maior renda,
assim como as pessoas que vão de ônibus tendem a ter uma renda mais baixa.
Tabela 31 – Escolaridade X Meio de transporte utilizado
escolaridade entrevistado
Ensino
Fundamental
Ensino Médio Ensino Superior
e Pós
TOTAL
meio de transporte
Ônibus
78,5% ( 95)
62,4% (111)
45,5% (101)
58,6% (307)
Carro
4,1% ( 5)
19,1% ( 34)
28,8% ( 64)
19,5% (103)
Táxi
1,7% ( 2)
1,1% ( 2)
1,4% ( 3)
1,3% ( 7)
Lotação
7,4% ( 9)
11,8% ( 21)
18,5% ( 41)
13,9% ( 71)
A pé
4,1% ( 5)
3,9% ( 7)
3,6% ( 8)
3,8% ( 20)
Outro:
TOTAL
3,3% ( 4)
1,7% ( 3)
2,3% ( 5)
2,3% ( 12)
100% (120)
100% (178)
100% (222)
100% (520)
A dependência é muito significativa. Qui2 = 48,07, gl = 10, 1-p = >99,99%.
Uma das explicações para apenas 19,6% das pessoas irem ao centro de carro pode
ser a falta de locais para estacionar. Isto é evidenciado nos quadros abaixo, que indicam que
as pessoas que vão de ônibus possuem a percepção de que existem poucos locais para
estacionar; ao contrário das que vão de carro, que percebem maiores quantidades de vagas de
estacionamento. Mais do que isso, pode-se dizer que o meio de locomoção exerce influência
na avaliação quanto à existência de lugares suficientes para estacionar
A análise qui-quadrado confirma a dependência das duas variáveis.
Gráfico 43 – Concordância se existem locais suficientes para estacionar no Centro
58. Existem locais suficientes para estacionar no Centro
Média = 2.09
Discordo Totalmente
253
48.3%
Discordo em parte
93
17.7%
Indiferente
30
5.7%
Concordo em parte
65
12.4%
Concordo Totalmente
45
8.6%
Não sei / Não quero responder
38
7.3%
Total
48.3%
17.7%
5.7%
12.4%
8.6%
7.3%
524 100.0%
74
Gráfico 44 e 45 – Concordância locais para estacionar X Meio de transporte
58. Existem locais suficientes para estacionar no Centro
58. Existem locais suficientes para estacionar no Centro
Média = 1.94
Média = 2.51
Discordo Totalmente
154
50.0%
Discordo em parte
56
18.2%
Indiferente
24
7.8%
Concordo em parte
29
9.4%
Concordo Totalmente
18
5.8%
Não sei / Não quero responder
27
8.8%
Total
50.0%
18.2%
Discordo Totalmente
50
48.5%
Discordo em parte
10
9.7%
Indiferente
7.8%
9.4%
5.8%
2
1.9%
Concordo em parte
22
21.4%
Concordo Totalmente
19
18.4%
0
0.0%
Não sei / Não quero responder
8.8%
308 100.0%
Total
48.5%
9.7%
1.9%
21.4%
18.4%
0.0%
103 100.0%
Pessoas que vão ao centro de ônibus
Pessoas que vão ao centro de carro.
A dependência é muito significativa. Qui2 = 28,24, gl = 4, 1-p = >99,99%.
Independentemente das pessoas que irem ao centro de carro ou ônibus, a grande
maioria delas (83,5%) possuem a percepção de que não é fácil andar de carro pelo centro de
Porto Alegre.
Gráfico 46 – Concordância sobre facilidade de andar de carro no Centro
60. É fácil andar de carro pelo Centro
Média = 1.56
Discordo Totalmente
340
64.8%
Discordo em parte
98
18.7%
Indiferente
20
3.8%
3.8%
Concordo em parte
21
4.0%
4.0%
Concordo Totalmente
19
3.6%
3.6%
Não sei / Não quero responder
27
5.1%
5.1%
Total
64.8%
18.7%
525 100.0%
Quanto ao número de ônibus que circulam no Centro de Porto Alegre, 57,1% dos
entrevistados concorda que existem ônibus demais circulando no Centro, mas tem opiniões
divididas quanto ao fato dos terminais de ônibus atrapalharem ou não a movimentação das
pessoas.
Gráfico 47 – Concordância se existem ônibus demais circulando no Centro
62. Existem ônibus dem ais circulando nas ruas do Centro
Média = 3.51
Discordo Totalmente
57
10.9%
Discordo em parte
93
17.7%
Indiferente
56
10.7%
Concordo em parte
131
25.0%
Concordo Totalmente
168
32.1%
19
3.6%
Não sei / Não quero responder
Total
10.9%
17.7%
10.7%
25.0%
32.1%
3.6%
524 100.0%
75
Gráfico 48 – Concordância se os terminais de ônibus atrapalham os pedestres
64. Os term inais de ônibus atrapalham a m ovim entação das pessoas
Média = 2.97
Discordo Totalmente
147
28.0%
Discordo em parte
79
15.0%
Indiferente
40
7.6%
Concordo em parte
122
23.2%
Concordo Totalmente
118
22.5%
19
3.6%
Não sei / Não quero responder
Total
28.0%
15.0%
7.6%
23.2%
22.5%
3.6%
525 100.0%
Entretanto, cabe salientar que esta percepção é diferente conforme o meio que as
pessoas vão até ele: Quem vai ao centro de carro possui a percepção de que o terminais
atrapalham a circulação de pessoas com mais intensidade do que quem vai a o centro de
ônibus.
Gráfico 49 e 50 – Concordância se os terminais de ônibus atrapalham X
64. Os term inais de ônibus atrapalham a m ovim entação das pessoas
64. Os term inais de ônibus atrapalham a m ovim entação das pessoas
Média = 3.46
Média = 2.71
Discordo Totalmente
106
34.3%
Discordo em parte
52
16.8%
Indiferente
22
7.1%
Concordo em parte
67
21.7%
Concordo Totalmente
55
17.8%
7
2.3%
Não sei / Não quero responder
Total
34.3%
16.8%
Discordo Totalmente
18
17.5%
Discordo em parte
13
12.6%
Indiferente
7.1%
21.7%
17.8%
6
5.8%
Concordo em parte
26
25.2%
Concordo Totalmente
34
33.0%
6
5.8%
Não sei / Não quero responder
2.3%
Total
309 100.0%
17.5%
12.6%
5.8%
25.2%
33.0%
5.8%
103 100.0%
Pessoas que vão ao centro de carro
Pessoas que vão ao centro de ônibus
A dependência é muito significativa. Qui2 = 17,25, gl = 4, 1-p = 99,83%.
3.7.1 Percepções Gerais sobre o Trânsito
Quanto ao trânsito de pedestre, as opiniões dos entrevistados aparecem divididas;
53,2% acha fácil transitar a pé pelo Centro.
Gráfico 51 – Concordância sobre facilidade de transitar no Centro para pedestres
59. O Centro é fácil de transitar para pedestres
Média = 2.78
Discordo Totalmente
162
30.9%
Discordo em parte
117
22.3%
Indiferente
20
3.8%
Concordo em parte
115
21.9%
Concordo Totalmente
105
20.0%
6
1.1%
Não sei / Não quero responder
Total
30.9%
22.3%
3.8%
21.9%
20.0%
1.1%
525 100.0%
76
Os entrevistados consideram o Centro pouco acessível para deficientes (57,5%).
Gráfico 52 – Concordância se o Centro é acessível aos deficientes físicos
61. O Centro é acessível aos deficientes físicos
Média = 1.68
Discordo Totalmente
302
57.5%
Discordo em parte
98
18.7%
Indiferente
25
4.8%
Concordo em parte
43
8.2%
Concordo Totalmente
12
2.3%
Não sei / Não quero responder
45
8.6%
Total
57.5%
18.7%
4.8%
8.2%
2.3%
8.6%
525 100.0%
A sinalização do Centro parece adequada para a maioria dos entrevistados (60% das
respostas).
Gráfico 53 – Concordância se o Centro é bem sinalizado
63. O Centro é bem sinalizado por placas com nom es das ruas, praças e
avenidas
Média = 3.53
Discordo Totalmente
78
14.9%
Discordo em parte
65
12.4%
Indiferente
33
6.3%
Concordo em parte
145
27.7%
Concordo Totalmente
169
32.3%
34
6.5%
Não sei / Não quero responder
Total
14.9%
12.4%
6.3%
27.7%
32.3%
6.5%
524 100.0%
A nota atribuída para o trânsito do Centro teve uma média de 4,98, com predominância
de respostas 5.
Gráfico 54 – Nota do entrevistado para o trânsito no Centro
65. Em term os gerais, atribua um a nota de 1 a 10 para o trânsito no Centro:
Média = 4.98
Mediana = 5.00
Mín = 1.00 Máx = 10.00
1
41
7.9%
2
33
6.4%
3
50
9.6%
4
65
12.5%
5
121
23.3%
6
90
17.3%
7
57
11.0%
8
43
8.3%
9
10
1.9%
1.9%
9
1.7%
1.7%
10
Total
7.9%
6.4%
9.6%
12.5%
23.3%
17.3%
11.0%
8.3%
519 100.0%
77
A seguir, procede-se à análise de Regressão Múltipla para o bloco de perguntas sobre
o trânsito. Confronta-se a nota atribuída ao trânsito do Centro com as variáveis independentes.
Variáveis independentes:
Transitar carros – Andar de carro pelo centro
Quantidade de ônibus – A quantidade de ônibus que circulam
Sinalização – A sinalização das ruas, praças e avenidas
Transitar pedestres – Transitar a pé pelo centro
Estacionamento – Facilidade ou não de estacionar no centro
Deficientes físicos – O acesso para deficientes físicos
Variável dependente
Nota para o trânsito no centro
As 6 variáveis independentes explicam 12,89% da variância (ou seja, da composição)
da nota de trânsito no centro. Ordenando as variáveis que mais impactam, na nota do bloco
temos a seguinte tabela.
1º
2º
3º
4º
5º
6º
Tabela 32 – Variáveis que mais impactam na nota do trânsito
Andar de carro pelo centro
A quantidade de ônibus que circulam
A sinalização das ruas, praças e avenidas
Transitar a pé pelo Centro
Facilidade ou não de estacionar no centro
O acesso para deficientes físicos
Tabela 33 – Análise das variáveis conforme regressão múltipla para trânsito
Estatística de regressão
R-Quadrado
0,128908
Variáveis
transitar carros
quantidade ônibus
sinalização
transitar pedestres
estacionamento
deficientes físicos
Betas
0,179971
0,119098
0,115982
0,077946
0,047619
0,03606
78
3.8 COMÉRCIO: Impasse com Camelôs e alternativas
O Centro de Porto Alegre já foi o melhor lugar para se comprar na cidade. Ali se
localizavam as melhores lojas durante os anos 60, 70 e 80 do século passado. Com o advento
dos shoppings na cidade (o Iguatemi foi fundado em abril de 83), inicia-se uma migração do
público consumidor para estes locais. Os shoppings têm vantagem em relação ao comércio de
rua e da área central por ser um ambiente protegido, resguardado por sistemas de segurança e
funcionando em horários noturnos, permitindo versatilidade, ao contrário das zonas tradicionais
de comércio (LENGLER, 1997). De fato, o cliente de lojas de rua percorre distâncias até quatro
vezes maiores, levando seis vezes mais tempo do que um cliente de shopping para visitar o
mesmo número de lojas (ABRASCE, 2006). A prioridade absoluta dos administradores de
shopping centers no Brasil é com a segurança de seus freqüentadores, para onde fluem os
maiores investimentos. Nesse cenário, perguntou-se a preferência dos entrevistados quando
vão às compras, encontrando-se um percentual de 53,5% de preferência para os shoppings:
Gráfico 55 – Local preferido para fazer compras
66. Quando você faz com pras, prefere ir:
Ao Centro
124
23.6%
Ao shopping
280
53.3%
Lojas de bairro
107
20.4%
Outro:
8
1.5%
1.5%
Não sei / Não quero responder
6
1.1%
1.1%
Total
23.6%
53.3%
20.4%
525 100.0%
A preferência por compras no Centro está em segundo lugar, com menos da metade
do percentual encontrado para o shopping, atingindo percentuais semelhantes às lojas de
bairro.
A tabela a seguir realiza o cruzamento das respostas sobre o sentimento em relação ao
Centro e a preferência de local de compras. Verifica-se uma forte relação entre o sentimento
positivo em relação ao Centro e a preferência como local de compra. Ao contrário, aqueles que
não gostam do Centro referem maior preferência pelas compras em Shopping. A análise quiquadrado confirma essa dependência entre as duas variáveis :
79
Tabela 34 – Local preferido para fazer compras X Sentimento em relação ao Centro
onde compra
Ao Centro
Ao shopping
Lojas de bairro
TOTAL
sentimento Centro
Odeio
15,6% ( 7)
66,7% ( 30)
15,6% ( 7)
100% ( 44)
Não Gosto
15,7% ( 27)
63,4% (109)
18,6% ( 32)
100% (168)
Indiferente
24,0% ( 24)
46,0% ( 46)
26,0% ( 26)
100% ( 96)
Gosto
28,4% ( 46)
47,5% ( 77)
21,0% ( 34)
100% (157)
Gosto Muito
44,2% ( 19)
39,5% ( 17)
16,3% ( 7)
100% ( 43)
TOTAL
23,5% (123)
52,9% (279)
20,3% (106)
100% (508)
A dependência é muito significativa. Qui2 = 25,82, gl = 8, 1-p = 99,89%.
As células marcadas em azul (rosa) são aquelas para as quais a frequência real é claramente
superior (inferior) à frequência teórica.
Em relação à Renda dos entrevistados, nesse trabalho medida em função da
escolaridade, podemos inferir que à medida que esta cresce, cresce também a preferência
pelas compras em shopping ; aqueles entrevistados com menor poder aquisitivo referem maior
preferência por compras no Centro. O teste qui-quadrado confirma a dependência alta entre
renda e preferência por local de compra. A pesquisa da ABRASCE, citada nesse trabalho e
referida ao final (ABRASCE, 2006), identifica o público de classes A e B como maior
freqüentador dos shopping centers no Brasil. Em contrapartida, predominam no Centro
compradores de escolaridade/renda mais baixa :
Tabela 35 – Local preferido para fazer compras X Escolaridade
onde compra
Ao Centro
Ao shopping
Lojas de bairro
TOTAL
escolaridade entrevistado
Ensino Fundamental incompleto
32,8% ( 19)
25,9% ( 15)
37,9% ( 22)
100% ( 56)
Ensino Fundamental completo
46,0% ( 29)
25,4% ( 16)
27,0% ( 17)
100% ( 62)
Ensino Médio incompleto
44,1% ( 15)
41,2% ( 14)
8,8% ( 3)
100% ( 32)
Ensino Médio completo
22,2% ( 32)
54,2% ( 78)
20,8% ( 30)
100% (140)
Ensino Superior incompleto
20,0% ( 17)
68,2% ( 58)
9,4% ( 8)
100% ( 83)
7,1% ( 8)
69,6% ( 78)
20,5% ( 23)
100% (109)
Ensino Superior completo
Pós / Mestrado / Doutorado / PhD
TOTAL
12,0% ( 3)
80,0% ( 20)
4,0% ( 1)
100% ( 24)
23,5% (123)
52,9% (279)
20,3% (104)
100% (506)
A dependência é muito significativa. Qui2 = 88,22, gl = 12, 1-p = >99,99%.
As células marcadas em azul (rosa) são aquelas para as quais a frequência real é claramente
superior (inferior) à frequência teórica.
Na comparação com o estado civil dos entrevistados, daqueles que compram no
Centro há uma maior incidência de solteiros (42,7%); dos que freqüentam shoppings uma
maior incidência de casados (49,5%); e, dos que compram em lojas de bairro, maior é
igualmente o percentual de casados (56,1%). A análise qui-quadrado corrobora a dependência
entre a o estado civil e o local preferido de compra:
80
Tabela 36 – Local preferido para compras X Estado civil
onde compra
Ao Centro
Ao shopping
Lojas de bairro
TOTAL
estado civil entrevistado
Solteiro
42,7% ( 53)
35,5% ( 99)
23,4% ( 25)
34,2% (177)
Casado ou união estável
38,7% ( 48)
49,5% (138)
56,1% ( 60)
48,2% (246)
Desquitado, separado ou divorciado
12,1% ( 15)
9,0% ( 25)
8,4% ( 9)
9,9% ( 49)
6,5% ( 8)
6,1% ( 17)
12,1% ( 13)
7,4% ( 38)
100% (124)
100% (279)
100% (107)
100% (510)
Viúvo
TOTAL
A dependência é significativa. Qui2 = 15,21, gl = 6, 1-p = 98,13%.
Em relação ao sexo dos entrevistados, podemos inferir que, daqueles que preferem
comprar no Centro, predomina o público feminino (59,7%), contra 40,3% de público masculino.
A análise qui-quadrado não reconhece a dependência entre essas duas variáveis como
significativa, conforme a próxima tabela.
A pesquisa da ABRASCE sobre o público de shoppings identifica 55% de
freqüentadores do sexo feminino e 45% masculino, o que segundo eles “é uma curiosidade
porque não confirma a idéia de que as mulheres são muito mais consumistas do que os
homens” (ABRASCE, 2006), reconhecendo nessa relação de números o equilíbrio que revelase na pesquisa do trabalho aqui descrito: 50,9% para mulheres e 49,1% para homens
freqüentando shoppings.
Tabela 37 – Sexo X Local preferido para compras
sexo entrevistado
Feminino
Masculino
TOTAL
onde compra
Ao Centro
59,7% ( 74)
40,3% ( 50)
100% (124)
Ao shopping
50,9% (142)
49,1% (137)
100% (279)
Lojas de bairro
47,7% ( 51)
52,3% ( 56)
100% (107)
Outro:
44,4% ( 4)
55,6% ( 5)
100% ( 9)
TOTAL
51,8% (271)
47,8% (248)
100% (519)
A dependência não é significativa. Qui2 = 4,07, gl = 3, 1-p = 74,58%
Alguns modelos de comportamento do consumidor analisam o tempo de permanência
das pessoas em locais de compra (LENGLER, 1997); os entrevistados que costumam comprar
no Centro permanecem, em sua maioria, de 1 a 3 horas (50% das respostas); já em shoppings,
o tempo médio de permanência é de 73 minutos (ABRASCE, 2006).
Tabela 38 – Compras no Centro X Tempo de permanência
Ao
Centro
TOTAL
9,8%
29,3%
De 1 a 3 horas
50,0%
46,1%
De 3 a 5 horas
17,0%
10,2%
Mais de 5h
20,5%
12,0%
onde compra
permanência
Até 1 hora
Não sei / Não quero responder
1,8%
1,8%
TOTAL
100%
100%
81
Os entrevistados, em sua maioria, costumam ir pouco ao Centro com o intuito
específico de fazer compras. 53% vão ao Centro uma vez por mês ou menos para esse fim e,
muitos, quase 17%, não costumam freqüentar o Centro. A área central, permite-se deduzir
baseado nesses dados, perde em importância como local de compras para outras opções.
Gráfico 56 – Freqüência que entrevistado faz compras no Centro
68. Com que freqüência você costum a fazer com pras no Centro?
Uma vez por mês ou menos
276
53.0%
De duas a três vezes por mês
83
15.9%
Uma vez por semana
36
6.9%
Duas a três vezes por semana
14
2.7%
2.7%
Todos os dias
13
2.5%
2.5%
Não freqüento o Centro
88
16.9%
Não sei / Não quero responder
11
2.1%
Total
53.0%
15.9%
6.9%
16.9%
2.1%
521 100.0%
3.8.1 Mercado Público
O Mercado apresenta uma alta preferência como bom local de compras, com 77,6% de
opiniões concordantes. Com as reformas já realizadas e outras em previsão, o Mercado se
afirma como ponto de referência na cidade, como área de turismo e compras, incluindo na sua
programação shows musicais e outras atividades ligadas à cultura.
Gráfico 57 – Concordância se o Mercado Público é bom local para compras
69. O Mercado Público é um bom local para fazer com pras
Média = 4.11
Discordo Totalmente
33
6.3%
6.3%
Discordo em parte
28
5.3%
5.3%
Indiferente
35
6.7%
Concordo em parte
161
30.7%
Concordo Totalmente
246
46.9%
22
4.2%
Não sei / Não quero responder
Total
6.7%
30.7%
46.9%
4.2%
525 100.0%
A percepção em relação à qualidade dos produtos comercializados no centro é
bastante positiva. Pelo menos 72,3% concordam que eles sejam de boa qualidade. Do
restante, 13,6% discordam da afirmação e 9,6% são indiferentes. Na tabela subseqüente, é
alto o percentual para a percepção dos serviços como de boa qualidade (64%).
82
Gráfico 58 – Concordância se os produtos do Centro são de boa qualidade
70. De m aneira geral, os produtos do Centro são de boa qualidade
Média = 3.94
Discordo Totalmente
11
2.1%
Discordo em parte
60
11.5%
Indiferente
50
9.6%
Concordo em parte
204
39.0%
Concordo Totalmente
174
33.3%
24
4.6%
Não sei / Não quero responder
Total
2.1%
11.5%
9.6%
39.0%
33.3%
4.6%
523 100.0%
Gráfico 59 – Concordância se os serviços do Centro são de boa qualidade
71. De m odo geral, os serviços do Centro são de boa qualidade
Média = 3.70
Discordo Totalmente
26
5.0%
Discordo em parte
69
13.1%
13.1%
12.2%
Indiferente
64
12.2%
Concordo em parte
204
38.9%
Concordo Totalmente
132
25.1%
30
5.7%
Não sei / Não quero responder
Total
5.0%
38.9%
25.1%
5.7%
525 100.0%
A análise do comportamento de compra no Centro parece revelar uma mudança de
paradigma. Ao contrário das grandes lojas de departamentos dos anos 60, 70 e 80 do século
passado, o Centro passa a contar hoje com um comércio mais especializado, o que foi
mencionado por muitos entrevistados, e confirmado pela pesquisa de dados secundários.
Antiquários, lojas de instrumentos musicais, produtos de artesanato (couros, joalheria, tecidos),
produtos de eletrônica e outros, passam a revelar uma vocação direcionada para segmentos
específicos. O Mercado Público aparece como uma central de especialidades, como ocorre em
grandes cidades.
3.8.2 Camelôs
O tema dos Camelôs revelou-se o mais polêmico desta pesquisa. A presença maciça
dos vendedores ambulantes, legalizados ou não, e as discussões em torno da implantação de
um local específico para sua atuação, conhecido como camelódromo, despertaram em nossos
entrevistados sentimentos e percepções bastante contundentes. A pergunta sobre o
posicionamento dos entrevistados contra ou a favor dos camelôs apresentou uma resposta
com alto nível de discordância sobre a sua presença (62%):
83
Gráfico 60 – Concordância se a favor dos camelôs nas ruas do Centro
72. Sou a favor dos cam elôs nas ruas do Centro
Média = 2.31
Discordo Totalmente
247
47.0%
Discordo em parte
79
15.0%
Indiferente
42
8.0%
Concordo em parte
78
14.9%
Concordo Totalmente
70
13.3%
9
1.7%
Não sei / Não quero responder
Total
47.0%
15.0%
8.0%
14.9%
13.3%
1.7%
525 100.0%
Quando perguntados se os camelôs são uma boa opção, as respostas se dividem: 48%
não os acham uma boa opção de compra e 44,3% respondem positivamente. A polarização
encontrada no sentimento em relação ao Centro, de certa forma, reaparece no tema polêmico
dos camelôs.
Gráfico 61 – Concordância se os camelôs são boa opção de compra
73. Os cam elôs são um a boa opção de com pra no Centro
Média = 2.84
Discordo Totalmente
175
33.3%
Discordo em parte
77
14.7%
Indiferente
30
5.7%
Concordo em parte
122
23.2%
Concordo Totalmente
111
21.1%
10
1.9%
Não sei / Não quero responder
Total
33.3%
14.7%
5.7%
23.2%
21.1%
1.9%
525 100.0%
Podemos inferir que o camelô cumpre uma função comercial importante como
fornecedor de produtos, e a importância de sua atuação é percebida por boa parte dos
entrevistados. A pergunta que segue, revela que, quanto a prejudicar o comércio legal, não há
praticamente dúvidas: 82,3% consideram que os camelôs concorrem e prejudicam o comércio
legal.
Gráfico 62 – Concordância se camelôs prejudicam o comércio legal
76. Os cam elôs prejudicam o com ércio legal
Média = 4.30
Discordo Totalmente
41
7.8%
Discordo em parte
20
3.8%
3.8%
Indiferente
15
2.9%
2.9%
Concordo em parte
103
19.6%
Concordo Totalmente
329
62.7%
17
3.2%
Não sei / Não quero responder
Total
7.8%
19.6%
62.7%
3.2%
525 100.0%
84
A pergunta a seguir pode fortalecer a idéia de um local específico – o camelódromo –
para a localização dos camelôs: 84,5% concordam que os camelôs, situados onde estão hoje,
prejudicam a circulação de pessoas.
Gráfico 63 – Concordância se camelôs dificultam a passagem das pessoas
75. Os cam elôs dificultam a passagem das pessoas no Centro
Média = 4.31
Discordo Totalmente
47
9.0%
Discordo em parte
19
3.6%
3.6%
Indiferente
11
2.1%
2.1%
Concordo em parte
92
17.5%
352
67.0%
4
0.8%
Concordo Totalmente
Não sei / Não quero responder
Total
9.0%
17.5%
67.0%
0.8%
525 100.0%
Além de prejudicar a circulação, a presença maciça dos camelôs faz com que essas
área se tornem foco de insegurança; para 55,1% dos entrevistados, os camelôs tornam o
Centro mais perigoso. O perigo pode estar relacionado com a atividade ilícita inerente ao
comércio ilegal – contrabando ou descaminho – ou à presença de ladrões e batedores de
carteira que se aproveitariam da multidão e grande concentração de barracas para agir
subrepticiamente e se esconder no tumulto associado aos ambulantes.
Gráfico 64 – Concordância se os camelôs tornam o Centro mais perigoso
74. Os cam elôs tornam o Centro m ais perigoso
Média = 3.39
Discordo Totalmente
111
21.1%
Discordo em parte
62
11.8%
Indiferente
48
9.1%
Concordo em parte
95
18.1%
194
37.0%
15
2.9%
Concordo Totalmente
Não sei / Não quero responder
Total
21.1%
11.8%
9.1%
18.1%
37.0%
2.9%
525 100.0%
3.8.3 Panorama Geral dos Produtos do Centro
Os entrevistados concordam predominantemente que os produtos do Centro sejam
mais baratos que os dos bairros, como se verifica nos 74,7% de respostas obtidas, conforme
tabela abaixo.
85
Gráfico 65 – Concordância se o Centro oferece produtos mais baratos
77. O Centro oferece produtos m ais baratos que os outros bairros
Média = 4.00
Discordo Totalmente
46
8.8%
Discordo em parte
32
6.1%
Indiferente
38
7.2%
Concordo em parte
151
28.8%
Concordo Totalmente
241
45.9%
17
3.2%
Não sei / Não quero responder
Total
8.8%
6.1%
7.2%
28.8%
45.9%
3.2%
525 100.0%
A pergunta a seguir procurou dar conta da variedade das ofertas do Centro. Para
76,4% dos entrevistados, encontra-se no Centro o que se procura, o que pode significar que o
Centro mantém ainda sua antiga reputação comercial dos tempos áureos do século passado,
conservando a antiga máxima de que se encontra de tudo.
Gráfico 66 – Concordância se encontra o que procura no Centro
78. Sem pre encontro o que procuro no Centro
Média = 4.22
Discordo Totalmente
14
2.7%
Discordo em parte
34
6.5%
Indiferente
44
8.4%
Concordo em parte
140
26.7%
Concordo Totalmente
261
49.7%
32
6.1%
Não sei / Não quero responder
Total
2.7%
6.5%
8.4%
26.7%
49.7%
6.1%
525 100.0%
O acesso fácil ao Centro provoca divisão nas respostas, aparecendo uma leve
predominância (44%) dos que associam essa facilidade à sua opção de compra. Sabe-se que
os shoppings hoje recebem um público maior, de maior poder aquisitivo, que busca os
confortos da estrutura segura, com grandes estacionamentos e concentração de lojas e
serviços.
Gráfico 67 – Concordância se entrevistado faz compras no Centro devido a facilidade de
acesso
79. Faço com pras no Centro devido à facilidade de acesso
Média = 3.08
Discordo Totalmente
Discordo em parte
Indiferente
127
24.2%
71
13.5%
59
11.2%
Concordo em parte
103
19.6%
Concordo Totalmente
130
24.8%
35
6.7%
Não sei / Não quero responder
Total
24.2%
13.5%
11.2%
19.6%
24.8%
6.7%
525 100.0%
86
Sobre se o Centro apresenta variedade de opções de compra, os entrevistados ainda
percebem, em sua maioria, essa vocação de diversidade (68,2%), mencionada anteriormente;
a direção, conforme vimos em outro tópico, parece apontar para uma especialização em itens
que não se encontram em shoppings e que poderiam promover a revitalização do comércio
local (como são os antiquários na Rua Marechal Floriano e Rua Fernando Machado, ou as lojas
de instrumentos musicais da Rua Alberto Bins e Coronel Vicente).
Gráfico 68 – Concordância se entrevistado faz compras no Centro devido a variedade
80. Faço com pras no Centro devido a variedade de opções
Média = 3.94
Discordo Totalmente
49
9.3%
Discordo em parte
35
6.7%
Indiferente
52
9.9%
Concordo em parte
118
22.5%
Concordo Totalmente
240
45.7%
31
5.9%
Não sei / Não quero responder
Total
9.3%
6.7%
9.9%
22.5%
45.7%
5.9%
525 100.0%
O atendimento dispensado pelos vendedores do centro foi aprovado por mais de 72%
dos respondentes, conforme tabela a seguir, revelando que ainda existe um esforço pela
qualidade, pelo menos nesse critério.
Gráfico 69 – Concordância se é bem atendido pelos vendedores do Centro
81. De m odo geral, sou bem atendido pelos vendedores no Centro
Média = 4.08
Discordo Totalmente
18
3.4%
Discordo em parte
43
8.2%
Indiferente
56
10.7%
Concordo em parte
143
27.2%
Concordo Totalmente
238
45.3%
27
5.1%
Não sei / Não quero responder
Total
3.4%
8.2%
10.7%
27.2%
45.3%
5.1%
525 100.0%
A nota atribuída pelos entrevistados para o Centro como opção de compra aparece na
tabela a seguir. A média da nota foi de 7,15, com maior freqüência para a nota 8 (28,2% das
respostas).
87
Gráfico 70 – Nota do entrevistado para o comércio no Centro
82. Em termos gerais, atribua uma nota de 1 a 10 para o comércio
no Centro:
Média =7.15
Mediana =7.00
Mín =1.00 Máx =10.00
1
3
0.6%
0.6%
2
6
1.1%
1.1%
3
6
1.1%
1.1%
4
18
3.4%
5
76 14.6%
6
57 10.9%
7
99 19.0%
8
147 28.2%
9
62 11.9%
10
48
Total
3.4%
9.2%
14.6%
10.9%
19.0%
28.2%
11.9%
9.2%
522 100.0%
Procede-se, a seguir, ao tratamento das variáveis pelo método de regressão múltipla,
comparando-se com a nota atribuída ao Centro.
Variáveis independentes:
Atendimento Vendedores – O atendimento dos vendedores
Variedade – A variedade de produtos
Produtos mais baratos – o preço dos produtos
Qualidade serviços – A qualidade dos serviços
Qualidade produtos – A qualidade dos produtos
Camelôs – Os camelôs como opção de compra (boa ou ruim)
Facilidade de acesso – A facilidade de Acesso
Mercado – O Mercado Público como opção de compra
Variável dependente
Nota para o comércio no centro
As 6 variáveis independentes explicam 39,90% da variância (ou seja, da composição)
da nota do comércio no centro. Ordenando as variáveis que mais impactam, na nota do bloco
temos a seguinte tabela.
88
1º
2º
3º
4º
5º
6º
7º
Tabela 39 - Variáveis que mais impactam na nota do comércio
O atendimento dos vendedores
A variedade de produtos
o preço dos produtos
A qualidade dos serviços
A qualidade dos produtos
Os camelôs como opção de compra (boa ou ruim)
A facilidade de Acesso
Cabe destacar que a variável “O Mercado Público como opção de compra” não foi
considerada, segundo o teste de regressão múltipla, como um fator que cause impacto na nota
que os entrevistados deram ao comércio do Centro
Tabela 40 - Análise das variáveis conforme regressão múltipla para comércio
Estatística de regressão
R-Quadrado
0,39904
Variáveis
atendimento vendedores
variedade
produtos mais baratos
qualidade serviços
qualidade produtos
camelôs
facilidade acesso
mercado
Betas
0,261741
0,17565
0,130283
0,088635
0,075519
0,04069
0,038847
0,007035
3.9 SEGURANÇA NO CENTRO:
O tema Segurança Pública tem sido abordado continuamente pelos órgãos de
imprensa como uma preocupação constante da população em geral. No Centro de Porto
Alegre, critica-se a falta de contingente policial e o abandono pelos órgãos públicos,
proporcionando cenário adequado para a prática de furtos e assaltos. Procurou-se nesse
trabalho medir como os moradores da cidade percebem a situação atual da Segurança no
Centro. Sobre a sensação de andar pela área Central, a maioria não se sente seguro (75,1%).
89
Gráfico 71 – Concordância sobre sentimento de segurança ao andar no Centro
51. Me sinto seguro andando no Centro
Média = 1.94
Discordo Totalmente
297
56.6%
Discordo em parte
97
18.5%
Indiferente
34
6.5%
Concordo em parte
49
9.3%
9.3%
Concordo Totalmente
45
8.6%
8.6%
3
0.6%
Não sei / Não quero responder
Total
56.6%
18.5%
6.5%
0.6%
525 100.0%
No item a seguir, procurou-se verificar se as pessoas já haviam sido assaltadas.
Praticamente 73% dos respondentes revelaram nunca terem sido assaltados no Centro, o que
permite a inferência de que a sensação de insegurança não está diretamente ligada ao fato de
já haver sido assaltado.
Gráfico 72 – Quantidade de vezes que entrevistado foi assaltado no Centro
45. Você já foi assaltado no Centro?
Uma vez
88
16.8%
Duas vezes
29
5.5%
Três vezes
16
3.1%
3.1%
9
1.7%
1.7%
382
72.9%
0
0.0%
Mais de três vezes
Nunca
Não sei / Não quero responder
Total
16.8%
5.5%
72.9%
0.0%
524 100.0%
Além do fato de terem sido ou não assaltadas, as pessoas entrevistadas foram
questionadas sobre se viram algum assalto no Centro; pelo menos 31,6% não presenciou
assaltos no Centro; um número expressivo de quase 30% já presenciou assaltos no bairro,
conforme tabela abaixo, o que pode representar que ver assaltos é mais freqüente do que ser
assaltado.
Gráfico 73 – Quantidade de vezes que entrevistado viu alguém ser assaltado no Centro
46. Você já viu pessoas serem assaltadas no Centro?
Uma vez
79
15.0%
Duas vezes
71
13.5%
Três vezes
53
10.1%
Mais de três vezes
154
29.3%
Nunca
166
31.6%
2
0.4%
Não sei / Não quero responder
Total
15.0%
13.5%
10.1%
29.3%
31.6%
0.4%
525 100.0%
90
Na comparação do Centro com outros bairros, 60% refere o Centro como mais
perigoso. O Centro, com seu enorme contingente de pessoas circulando e a degradação que
vem sofrendo, não parece mais representar um lugar seguro para circular; os pontos de
encontro que se notabilizaram no passado, como já vimos, como os cafés e confeitarias
famosos, aparece como um lugar sem lei e entregue à bandidagem e aos ambulantes,
recebendo pouca atenção do Poder público.
Gráfico 74 – Concordância sobre correr mais risco de assalto no Centro que demais bairros
47. Corro m ais risco de ser assaltado no Centro do que em outros bairros
Média = 3.59
Discordo Totalmente
70
13.3%
Discordo em parte
49
9.3%
Indiferente
74
14.1%
Concordo em parte
141
26.9%
Concordo Totalmente
174
33.1%
17
3.2%
Não sei / Não quero responder
Total
13.3%
9.3%
14.1%
26.9%
33.1%
3.2%
525 100.0%
Praticamente 93% dos entrevistados tomam cuidados para não ser assaltados no
Centro, o que parece conduzir a uma percepção unânime de insegurança; embora esta
percepção possa estar relacionada à cidade como um todo, ela parece ser mais direcionada ao
Centro.
Gráfico 75 – Concordância se entrevistado toma cuidados ao andar no Centro para evitar
assaltos
48. Quando ando pelo Centro, tom o certos cuidados para não ser assaltado
Média = 4.69
Discordo Totalmente
Discordo em parte
13
2.5%
2.5%
9
1.7%
1.7%
2.7%
Indiferente
14
2.7%
Concordo em parte
57
10.9%
430
81.9%
2
0.4%
Concordo Totalmente
Não sei / Não quero responder
Total
10.9%
81.9%
0.4%
525 100.0%
A pergunta a seguir procurou avaliar se era a quantidade grande de pessoas que
freqüenta o Centro que poderia intensificar o risco de assalto: mais de 64% atribuem à multidão
que circula no Centro, estimada em 600 mil pessoas/dia, a sua sensação de perigo.
91
Gráfico 76 – Concordância se o número de pessoas que circulam no Centro o torna mais
perigoso
53. A quantidade de pessoas que circulam pelo Centro o tornam m ais
perigoso
Média = 3.70
Discordo Totalmente
57
10.9%
10.9%
Discordo em parte
59
11.2%
11.2%
11.2%
Indiferente
59
11.2%
Concordo em parte
146
27.8%
Concordo Totalmente
192
36.6%
12
2.3%
Não sei / Não quero responder
Total
27.8%
36.6%
2.3%
525 100.0%
Tabela 41 – Assalto no Centro X Tomar cuidados ao andar no Centro
ja foi
Nunca
TOTAL
Discordo Totalmente
4,2% ( 6)
4,2% ( 16)
4,2% ( 22)
Indiferente
1,4% ( 2)
3,1% ( 12)
2,7% ( 14)
93,7% (133)
92,4% (353)
92,4% (486)
100% (141)
100% (381)
100% (522)
assalto centro
cuidados para andar no centro
Concordo em parte
TOTAL
3.9.1 Segurança no Centro à noite
A questão de Segurança também deve ser abordada segundo a atual dicotomia
dia/noite, em que se verifica a grande quantidade de pessoas freqüentando o Centro de dia e o
deserto que se instala à noite. Perguntados sobre a sua freqüêcia no período noturno, mais de
86% dos respondentes referem não freqüentar nesse turno o Centro da cidade. Podemos
inferir que qualquer projeto de revitalização como o Viva o Centro, que queira viabilizar
atividades noturnas, precisará atacar a modificação desse hábito, seja através da informação
ou pela conscientização da população.
Gráfico 77 – Concordância se freqüenta o Centro a noite
49. Costum o freqüentar o Centro à noite (após 20h)
Média = 1.54
Discordo Totalmente
400
76.2%
52
9.9%
9
1.7%
Concordo em parte
30
5.7%
5.7%
Concordo Totalmente
30
5.7%
5.7%
4
0.8%
Discordo em parte
Indiferente
Não sei / Não quero responder
Total
76.2%
9.9%
1.7%
0.8%
525 100.0%
A pergunta que se segue procura confirmar o que foi dito na pergunta anterior: a baixa
freqüência à noite se relaciona com a sensação do perigo por ela representado. Para
92
praticamente 70% dos respondentes, o bairro é mais perigoso à noite; e se de dia a multidão
que circula proporciona o sentimento de perigo, à noite é a ausência quase absoluta de
transeuntes que confere ao bairro o perigo percebido., reforçando os extremos da dicotomia
citada.
Gráfico 78 – Concordância se o Centro é mais perigoso a noite que de dia
50. O Centro é m ais perigoso à noite do que durante o dia
Média = 4.12
Discordo Totalmente
38
7.2%
7.2%
Discordo em parte
32
6.1%
6.1%
Indiferente
50
9.5%
Concordo em parte
Concordo Totalmente
Não sei / Não quero responder
Total
80
15.2%
286
54.5%
39
7.4%
9.5%
15.2%
54.5%
7.4%
525 100.0%
Quanto à iluminação do Centro durante a noite, as respostas são bem divididas, e
muitas pessoas não o freqüentam neste turno. Seria o caso de se perguntar se o entrevistado
que percebe e refere o perigo noturno não o freqüenta também pela ausência de iluminação ou
se os que não responderam já nem vão ao Centro pelos motivos de insegurança geral que
verificamos nas respostas anteriores.
Gráfico 79 – Concordância se o Centro é bem iluminado a noite
52. Considero o Centro bem ilum inado à noite
Média = 2.55
Discordo Totalmente
122
23.2%
Discordo em parte
94
17.9%
Indiferente
52
9.9%
Concordo em parte
74
14.1%
Concordo Totalmente
45
8.6%
Não sei / Não quero responder
138
26.3%
Total
525 100.0%
23.2%
17.9%
9.9%
14.1%
8.6%
26.3%
3.9.2 Policiamento: Questão-chave
De maneira geral, a sensação de insegurança se relaciona com a presença de
policiamento. Parece lógico que a baixa percepção de presença de policiais no Centro produziu
um conjunto de respostas de opinião sobre o policiamento em que os conceitos predominantes
foram Regular (32,8% das respostas), Ruim (29,5% das respostas) e Péssimo (26,1%),
revelando uma predominância de respostas com conceito negativo. O Major Maciel,
comandante do 9º BPM, sediado no Centro, e entrevistado na etapa qualitativa da pesquisa,
afirma que a sensação de mau policiamento não corresponde à realidade. Mas é alto o
sentimento de insegurança percebido nas respostas a essa pergunta.
93
Gráfico 80 – Opinião sobre policiamento no Centro
54. O que você acha do policiam ento nas ruas do Centro?
Média = 2.26
Péssimo
137
26.1%
Ruim
155
29.5%
Regular
172
32.8%
Bom
42
8.0%
Ótimo
4
0.8%
15
2.9%
Não sei / Não quero responder
Total
26.1%
29.5%
32.8%
8.0%
0.8%
2.9%
525 100.0%
A média da nota geral atribuída à Segurança do Centro foi de 4,47. A maior freqüência
de respostas foi para a nota 5 (20,2%).
Gráfico 81 – Nota do entrevistado para a segurança do Centro
55. Em term os gerais, atribua um a nota de 1 a 10 para a
segurança no Centro:
Média = 4.47
Mediana = 5.00
Mín = 1.00 Máx = 10.00
1
54
10.4%
2
51
9.8%
3
55
10.6%
4
98
18.9%
5
105
20.2%
6
61
11.8%
11.8%
7
61
11.8%
11.8%
8
23
4.4%
9
3
0.6%
10
8
1.5%
Total
10.4%
9.8%
10.6%
18.9%
20.2%
4.4%
0.6%
1.5%
519 100.0%
Para a análise de regressão da nota dada, foram selecionadas as seguintes variáveis:
Variáveis independentes:
policiamento – O policiamento nas ruas do centro .
iluminação noite – A iluminação de noite no centro.
perigo noite x dia – A sensação de que o centro é mais perigoso a noite do que ao dia.
quantidade pessoas perigoso – A quantidade de pessoas que circulam no centro
Variável dependente
Nota para a segurança no Centro
94
As 4 variáveis independentes explicam 38,30% da variância (ou seja, da composição)
da nota de segurança no centro. Ordenando as variáveis que mais impactam, na nota do bloco
temos a seguinte tabela.
1º
2º
3º
4º
Tabela 42 – Variáveis que mais impactam na nota da segurança
O policiamento nas ruas do centro .
A iluminação de noite no centro.
A sensação de que o centro é mais perigoso à noite do que de dia.
A quantidade de pessoas que circulam no centro.
Tabela 43 – Análise das variáveis conforme regressão múltipla para segurança
Estatística de regressão
R-Quadrado
0,383056
Variáveis
policiamento
iluminação noite
perigo noite x dia
quantidade pessoas perigoso
Betas
0,633725
0,096747
-0,0575
0,026966
O policiamento, através de um estudo de regressão, foi apontado como um fator-chave
para a nota que as pessoas atribuíram à segurança no Centro, com um beta muito significativo.
Como a média para a nota do Centro é baixa, o policiamento parece estar desacreditado para
um terço da população. É interessante destacar que a percepção quanto à qualidade do
policiamento está diretamente relacionada com a nota que as pessoas dão para a segurança
no Centro.
95
3.10 CONCLUSÕES DE ANÁLISES
A presente pesquisa pode ser considerada como uma demonstração confiável da
percepção do porto-alegrense em relação ao Centro da cidade, pois a amostra apresentou um
percentual de respondentes homens (48%) e de mulheres (52%) muito semelhante ao
existente na Capital conforme mensuração do IBGE: 54,02% de mulheres e 45,98% de
homens.
Nota-se, na amostra, uma equivalência dos sentimentos positivos e negativos sobre o
Centro, revelando posicionamentos bem definidos.
O sentimento da pessoa em relação ao Centro influencia na sua freqüência de ida ao
bairro.
O Centro é uma alternativa turística da Capital, pois possui vários locais aonde parcela
expressiva da amostra levaria um turista ou pessoa de fora da cidade. Destaque para a Casa
de Cultura Mário Quintana, que foi o local mais citado, com 373 respostas. A seguir, em
quantidade de citações aparecem o Gasômetro (306 citações), o Mercado Público (303
citações) e a Praça da Matriz/Catedral (255 citações). O Mercado Público aparece sempre
citado como referência de Comércio diferenciado, ponto turístico, marco histórico e local de
atrações culturais, além de ponto gastronômico.
O sentimento em relação ao Centro não influencia levar uma pessoa para conhecê-lo;
a pessoa levaria independente do sentimento, revelando sua possível vocação turística.
O principal motivo de ida ao centro é compras (40,5%); seguem-se trabalho (30,7%), e
motivos variados (20,2%). Parece válida a inferência, em razão da alta significância
(constatada pelo teste qui-quadrado), dos três cruzamentos de variáveis realizados acima, de
que a ida ao Centro é preponderantemente de até três horas, não importando qual seja o
principal motivo ou a freqüência temporal desta ida.
56,3% dos respondentes discordam totalmente da afirmação de que o Centro é mais
limpo que os demais bairros, sendo que 21% discordam em parte.
Mesmo entre os entrevistados que gostam ou gostam muito do local, os percentuais de
pessoas que discordaram totalmente de que o Centro é mais limpo que os outros bairros são
altos. Dos que gostam, 48,8% discordam totalmente, percentual semelhante aos que gostam
muito, registrado em 46,5%.
Verifica-se que tal percepção de sujeira pode ser decorrência da grande distribuição de
cartazes, propagandas e panfletos no Centro. 61,5% dos respondentes concordam totalmente
de que estes itens contribuem para a sensação de poluição no bairro, e 17% concordam em
parte com essa afirmação.
96
A percepção de 58,7% da amostra é de que faltam lixeiras no bairro, o cheiro do Centro
é desagradável para 70,8% dos respondentes e 67,6% concordam que o barulho do bairro
incomoda.
A percepção da amostra de que no Centro residem mais idosos é compatível com a
pesquisa de dados secundários, e com a percepção geral de que o Centro é um bairro
envelhecido no quesito moradia. Ainda assim, pode ser opção para jovens e universitários.
70,6% dos respondentes afirmaram discordar que o Centro seja um bom lugar para
morar. Mesmo as pessoas que gostam (66,7%) e gostam muito (70,4%), concordam que o
centro não é um bom lugar para morar.
80,7% dos respondentes não consideram o Centro um lugar seguro para se morar, se
somados os percentuais dos entrevistados que responderam “discordo totalmente” e “discordo
em parte” ao questionado. Esta percepção NÃO é influenciada pelo fato de ter sido assaltado
no centro ou ter visto um assalto lá.
Outra vantagem de morar no Centro manifestada pela maioria dos respondentes é a
grande diversidade de comércio. 34,1% concordam em parte e 38,7% concordam totalmente
que as múltiplas alternativas de comércio no bairro é uma vantagem para os seus moradores
Em que pese o quadro de insegurança para moradia percebido pelos entrevistados,
somente 24,3% dos participantes da pesquisa não morariam no centro. As condições mais
referenciadas para que os respondentes fossem morar no Centro foram: maior segurança (255
citações), maior limpeza (163 citações) e facilidade de trânsito (149 citações). Importante
destacar que nesta questão o entrevistado poderia escolher mais de um motivo.
A Cultura aparece nessa pesquisa como a grande saída para a revitalização e
utilização do Centro em patamares qualificados. A amostra refere alto percentual para
qualidade e quantidade de atrações culturais no Centro (65% e 66,7%, respectivamente) ,
embora referindo baixa informação a respeito das atrações; aqui surge a possibilidade de uma
maior divulgação dos eventos. As opções culturais do Centro são também percebidas como
maiores (55,8%) do que as dos outros bairros, ratificando sua vocação.
A Feira do Livro é evento conhecido e referido pela amostra. Além do mais, é na sua
época que o Centro qualifica sua freqüência. Mais de 80% dos respondentes a freqüentam,
ainda que raramente.
Quanto ao lazer, o Centro não aparece como uma boa opção nos finais de semana
(66,8%), nem para prática esportiva (83%), nem para se divertir (63,6%), nem para freqüência
de praças (71,4%), mostrando equivocados os projetos que vêem no lazer alternativa de
utilização do Centro. Nem os cinemas, que historicamente se situavam no bairro e lhe davam
prestígio em outras épocas, a freqüência é uma opção: a amostra revela que mais de 84% não
97
freqüenta os cinemas do Centro. A gastronomia pode ser solução para a utilização, uma vez
que mais de 80% da amostra refere as boas opções de alimentação que o bairro apresenta.
O trânsito vive o impasse da circulação de pedestres – multidões, como se viu, embora
haja divisão entre os que acham difícil a circulação para pedestres e os que não acham tão
difícil assim. Para carros, considera-se difícil a circulação e o estacionamento; e os ônibus são
preferência de acesso ao Centro para todas as classes de renda pesquisadas. A presença de
ônibus, sempre questionada pelos projetos da Prefeitura, aparece dividida na opinião da
amostra: parte acha prejudicial a presença dos ônibus e terminais e parte não acha,
considerando-os um mal necessário.
No quesito comércio, é importante destacar a prevalência dos shoppings como opção
de compra para os porto-alegrenses. O Centro é preferência das menores faixas de renda; à
medida que esta cresce, cresce também a preferência pelos shoppings. A maior parte dos que
compram no Centro permanecem até 3 horas no bairro, e o fazem uma vez por mês ou menos.
Os produtos e serviços do Centro são considerados de boa qualidade, e o atendimento dos
vendedores aparece como qualificado.
O item camelôs é nevrálgico: a maioria concorda que eles prejudicam o comércio legal
e a circulação das pessoas; dividem-se em achá-los boa opção de compra e parecem
reconhecer que precisam trabalhar, mas em local apropriado; menor citação é de que tornam o
bairro mais perigoso.
De modo geral, o comércio do Centro é reconhecido como sendo de grande variedade
e oferta de opções – o que pode incluir os produtos oferecidos pelos camelôs.
A Segurança, item fundamental nessa pesquisa, revela que o Centro não é seguro para
se andar, embora a maioria da amostra revele nunca ter sido assaltada (73%), e alguns nem
tenham visto assalto (31,6%). 60% acha que corre maior risco de ser assaltado no Centro do
que nos bairros; e 82% toma algum cuidado quando ali transita. A multidão parece representar
aumento do perigo para 64%; e a noite é mais perigosa par 70%, embora 86% não freqüente
nesse turno. O policiamento é regular, ruim ou péssimo para mais de 90% da amostra
pesquisada. A percepção de insegurança, embora os números de ocorrências policiais
contradigam-na, é elevada; a mudança dessa imagem e da própria realidade é crucial para a
revitalização do Centro e reconhecida pelo poder público.
98
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Segundo Jane Jacobs (2001), a diversidade é natural às grandes cidades. Para gerar
diversidade, a autora lista os quatro principais atributos: (i) O bairro deve atender a mais de
uma função principal;(ii) A maioria das quadras deve ser curta; (iii) Deve incluir prédios com
idades e estados de conservação variados, gerando rendimentos econômicos variados; e (iv)
Deve haver densidade alta de pessoas, sejam quais forem seus propósitos, inclusive e
principalmente de moradores. O ponto principal, segundo Jacobs, é a mistura de usos, não
usos separados.
O Centro são vários centros. É o Centro da história da cidade, dos prédios e da cultura
que o fez ter seu apogeu e quase decadência; é o Centro das repartições públicas, dos
principais órgãos de governo e representação municipal e estadual; e também dos Tribunais e
principais órgãos de Justiça; é o Centro do comércio de todos os tipos, hoje praticamente
voltado às classes mais populares, uma vez que a classe mais aquinhoada elegeu os
shoppings como preferência para o consumo. É o Centro de alguns hospitais importantes;.é o
Centro de atrações culturais diversas, como a Feira do Livro, referência nacional em
permanência e continuidade; é o Centro dos teatros, do Mercado Público e de restaurantes
tradicionais, que resistem bravamente à degradação; é memória da cidade, do cais que não se
usa mais; dos moradores, alguns teimosos, outros apaixonados, mais experientes ou jovens,
unidos no amor que nutrem pelo bairro e lutam pela sua revitalização.
Alguns crêem que a imagem de degradação e insegurança não passa de uma
percepção equivocada da população. Para Calvino, “A mentira não está no discurso, mas nas
coisas” (CALVINO, 2003). A diferença entre percepção e realidade pode ser alta (CZINKOTA,
2001). Essa pesquisa intentou, através do seu método, diminuir essa distância e preencher,
ainda que não completamente, essa lacuna entre a realidade e a percepção.
Para a feliz surpresa dos que empreenderam esse trabalho, o longo questionário
aplicado trouxe uma afirmação: ao começar a falar do Centro, o morador da cidade
rapidamente se posiciona, vence a sua inércia inicial e discorre sobre cada pergunta, cada
tema abordado; a pergunta abre um leque de impressões e possibilidades que se instalam na
conversa, enriquecida por comentários à margem da pesquisa. O tema apaixona; é a história
da cidade e de cada um de nós que está impressa nos monumentos, nas ruas, naquelas que
Quintana refere ter saudades por jamais tê-las percorrido, que Dyonélio Machado descreve na
faina de Naziazeno atrás do dinheiro para o leite de seu filho. O drama literário é retrato vivo e
fiel da nossa natureza, da nossa origem: a cidade molda e se amolda viva em torno de sua
história e de seus usos, marca indelével de nossa personalidade cultural, mais que isso, de
nossa essência.
99
5 LIMITAÇÕES DO ESTUDO
Você sabe melhor do que ninguém (...) que jamais se deve
confundir uma cidade com o discurso que a descreve (...) Contudo,
existe uma ligação entre eles...
Italo Calvino – As Cidades Invisíveis
Esse estudo procurou obter uma amostra da percepção do porto-alegrense acerca do
Centro da cidade. O tema complexo e multifacetado, por si só já representa um desafio
aparentemente intransponível.
Limitações aqui presentes deram-se em relação aos itens abordados, pela riqueza de
cada um deles e da impossibilidade de tratá-los em profundidade a partir de amostra utilizada;
cada tema, cultura e lazer, moradia, segurança, trânsito, poluição e comércio, já seria,
individualmente, passível de aprofundamento em outros trabalhos. Procurou-se abordá-los
todos, ainda que superficialmente, buscando uma percepção integrada.
Como já se disse aqui o Centro permite várias leituras. A própria história da cidade
pode ser compreendida pelo estudo de suas relações com o Centro. O Centro é um alvo móvel,
dinâmico, estrutura viva e complexa, que exige do pesquisador um olhar atento para extrair
seus principais aspectos; e que sempre corre o risco de descartar itens importantes.
Um posterior refinamento de algumas análises aqui empreendidas poderia sinalizar
novas hipóteses, inclusive pelo cotejo com informações de órgãos do Governo que vêm se
ocupando de sua revitalização. Um estudo mais detalhado poderá verificar a presença de
outras variáveis para exame, uma vez que as análises de regressão indicaram um baixo
impacto das variáveis escolhidas – independentes – sobre a variância da nota atribuída a cada
grupo de questões. Talvez a nota dada esteja eivada de uma maior subjetividade dos
entrevistados que essa pesquisa não conseguiu aferir. Quais e quantas são essas variáveis,
poderia-se obter pela realização de pesquisas exploratórias com novos grupos motivacionais,
com moradores e pessoas que trabalham no Centro. E com pessoas que estudam e outras
ainda responsáveis pelas decisões sobre os destinos desse bairro.
Talvez aí possa residir o mérito desse trabalho: a possibilidade de rediscutir
amplamente o uso que se faz da cidade e propor discussões amplas para que a população se
informe, se posicione e participe da construção do seu futuro. Como finaliza Calvino, em seu
clássico As Cidades Invisíveis, na conversa final com o Grande Khan (CALVINO, 2003, p. 158):
O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele
que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que
formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer: A
primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornarse parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é
100
arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber
reconhecer quem e o que, no meio do inferno não é inferno, e
preservá-lo, e abrir espaço.
101
REFERÊNCIAS
Sítios Consultados:
Consultas no período de 20 ago. 2006 a 20 dez. 2006.
ABRASCE Pesquisas.
Disponível em:http://www.abrasce.com.br/pesq_pontuais.htm,
CANAL EXECUTIVO. Pesquisa revela perfil do consumidor em shopping. Disponível em:
< http://www2.uol.com.br/canalexecutivo/notas06/220920062.htm
PORTO
ALEGRE.
Projeto
Viva
o
Centro.
Disponível
em:
<
http://www2.portoalegre.rs.gov.br/portaldegestao/gestao/programas_governo/programas.php>
http://www.riogrande.com.br/municipios/palegre2.htm
http://www2.portoalegre.rs.gov.br/spm/default.php?reg=18&p_secao=43
http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq036/arq036_03.asp
http://www.portoalegre.rs.gov.br/smic_sistemas/cac/pativbairro.asp
http://www2.portoalegre.rs.gov.br/mercadopublico
http://www.feiradolivro-poa.com.br/feira.aspx
http://www.nosbairros.com.br/utilidade/teatros.html,
http://cidades.terra.com.br/poa/cinemas/0,7548,L:C:TODOS:1,00.html,
http://www.nosbairros.com.br/utilidade/Centrocultura.html
http://www.nosbairros.com.br/utilidade/museus.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/porto_alegre#museus
http://www.portoalegre.rs.gov.br/smic_sistemas/cac/alvara.htm
http://www.imagensviagens.com.br/br5_portoalegre.htm
http://www.riogrande.com.br/turismo/capital12.htm
http://portoimagem.com/foto591.html
http://www.eptc.com.br/noticias/noticias.asp?codigo_noticia=194
102
Entrevistas:
Brigada Militar, Dep Rel Institucionais, Secretaria de Segurança Pública (conversa por
telefone).
Fiscalização de Transito EPTC, Marcelo Benvenuto (entrevista por telefone).
Textos: Livros, Artigos de periódicos, Dissertações.
CALVINO, Ítalo. As cidades invisíveis. Rio de Janeiro: O Globo, 2003.
CASTELLO, Lineu. O Centro de Porto Alegre e a Percepção. Faculdade de
Arquitetura/UFRGS, 1996. Trabalho apresentado no seminário Paisagens.
JACOBS, Jane .Morte e Vida de Grandes Cidades. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
História ilustrada de Porto Alegre. Porto Alegre: Já Editores, 1997.
KARSAKLIAN, Eliane. Comportamento do Consumidor. São Paulo: Atlas, 2001.
KOTLER, Philip. Administração de Marketing: a edição do Novo Milênio. 10 ed. São Paulo:
Prentice-Hall, 2000.
LENGLER, Jorge F.B. O Processo de decisão de compra dos consumidores em shopping
centers regionais de Porto Alegre e Montevideo: um estudo exploratório comparativo.
Dissertação de Mestrado. Escola de Administração. PPGA/UFRGS, 1997.
MACEDO, Francisco Riopardense de. História de Porto Alegre. 3 ed. Porto Alegre: Editora da
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MALHOTRA, Naresh K. Pesquisa de Marketing: Uma Orientação Aplicada. Porto Alegre:
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MELO, Itamar. A Encruzilhada do Centro, Jornal ZERO HORA. 9 de abril de 2006. Porto
Alegre. Págs 39, 40, 41 e 42.
MELO, Itamar. A Encruzilhada do Centro, Jornal ZERO HORA. 10 de abril de 2006. Porto
Alegre. Págs 22 e 23.
MELO, Itamar. A Encruzilhada do Centro, Jornal ZERO HORA. 11 de abril de 2006. Porto
Alegre. Págs 32 e 33.
MELO, Itamar. A Encruzilhada do Centro, Jornal ZERO HORA. 12 de abril de 2006. Porto
Alegre. Págs 46 e 47.
103
MELO, Itamar. A Encruzilhada do Centro, Jornal ZERO HORA. 13 de abril de 2006. Porto
Alegre. Págs 60 e 61.
MELO, Itamar. A Encruzilhada do Centro, Jornal ZERO HORA. 14 de abril de 2006. Porto
Alegre. Págs 32 e 33.
OLIVEIRA, Mírian; FREITAS, Henrique M.R. Focus Group – pesquisa qualitativa: resgatando
a teoria, instrumentalizando o seu planejamento. Revista de Administração, São Paulo, v. 33,
n. 3, p. 83-91, jul/set, 1998..
PEREIRA, Julio César R. Análise de Dados Qualitativos: Estratégias metodológicas para as
Ciências da Saúde, Humanas e Sociais. São Paulo: Edusp/Fapesp, 1999.
SCHIFFMAN, Leon G; KANUK, Leslie L. Comportamento do Consumidor. Rio de Janeiro:
Livros Técnicos Editora, 1997.
SILVA, Michele. O Contraste na paisagem, Jornal ZERO HORA. 30 de novembro de 2006.
Porto Alegre. Pág 1. Caderno ZH Centro, ano 1, nº 9.
VAZ, Luis C. Porto Alegre, triste Centro, Jornal CORREIO DO POVO. 02 de outubro de 2006.
Porto Alegre.
104
ANEXO 1
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO
ADM01163 – PESQUISA EM MARKETING
Porto Alegre, 18 de Setembro de 2006.
Estimado (a) Sr (a).,
Os alunos da disciplina de Pesquisa de Marketing agradecem a sua presença
neste grupo de discussão que teve como finalidade melhorar nossa compreensão sobre
pesquisas. As informações fornecidas pelo Sr(a). foram fundamentais para esclarecer
inúmeras dúvidas com relação ao tema.
O estudo que estamos realizando é parte integrante de uma pesquisa que tem
como objetivo “Verificar percepção do porto-alegrense sobre o Centro da cidade”. Os
resultados da pesquisa estarão à disposição na página virtual da disciplina:
http://disciplinas.adm.ufrgs.br/ADM01163/index.asp.
Mais uma vez, muito obrigado pela sua presença e esperamos que a nossa reunião
tenha sido agradável e produtiva para todos os participantes.
____________________________
Prof. Dr. Walter Meucci Nique
105
ANEXO 2
ROTEIRO DO FOCUS GROUP
INTRODUÇÃO
Apresentação
-
Universidade / EA
-
Disciplina
-
Alunos Moderadores
Funcionamento
-
Gravação e filmagem
-
Coquetel
Objetivos iniciais:
-
Foco do debate
-
Informalidade
-
Liberdade de opiniões
-
Idéia de relação/sentimento com o tema
Solicitar apresentação dos participantes (nome e relação com o centro)
DISCUSSÃO
Pergunta inicial:
-
Sentimento em relação ao Centro?
-
O que vem à mente ao falar de Centro?
Tópicos para abordagem que devem ser discutidos durante o bate-papo buscando opiniões
sobre cada um desses itens no que se refere ao centro:
-
Comércio
-
Cultura
-
Segurança
-
Moradia
-
Transporte
-
História
-
Turismo
-
Importância
-
Limpeza
106
CONCLUSÃO
-
Considerações finais
-
Importância da participação
-
Brindes
-
Agradecimento e Apresentação à turma na sala ao lado.
Outras considerações
Buscar participação máxima do grupo de participantes;
Encontrar no próprio depoimento dos participantes pontos que liguem um tópico ao
outro;
Estimular discussão e debate de pontos conflitantes evitando conflito;
Extrair o ponto de vista pessoal.
107
ANEXO 3
Transcrição Grupo Motivacional
Assunto: Percepção do porto-alegrense sobre o Centro da cidade.
Data: 18/09/2006 Horário: 19h Local: Escola de Administração da UFRGS
Nique – Bom em primeiro lugar eu quero aproveitar para agradecer a vocês mais uma vez agora sob o
ponto de vista coletivo. Eu, eu quero dizer eu Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Administração
que vem agradecer a vocês por que vocês vão ceder prá nós, pra nós trabalharmos né uma hora e meia mais ou
menos, talvez um pouquinho mais ou menos da vida de vocês pra nos ajudar a entender uma, uma situação que, que
nós queremos entender e repartir com a sociedade gaúcha e com a sociedade porto-alegrense melhor dito. E o que que
é? A nossa disciplina, de pesquisa aqui na universidade, na Escola, ela é uma disciplina que procura fazer pesquisa.
Por que a gente tem uma idéia de fazer pesquisa fazendo pesquisa. E, e eles procuram cada vez discutir, referir tema
diferente. No próprio site da disciplina tem uma porção de pesquisas que foram feitas com relação a Porto Alegre.
Satisfação com o transporte coletivo em Porto Alegre, percepção da, do meio ambiente da cidade de Porto Alegre.
Várias coisas, tudo centrado sempre em Porto Alegre.
A cada semestre a nova turma vem participando do que trabalhamos, uma coisa ou outra. Esse semestre a
turma reunida, no semestre, disse assim “o que nós vamos fazer?”. Vamos estudar anota o Douglas nosso
representante, a Paula, o Paulo .. os representantes da turma, nós queremos saber o que que a população pensa do
Centro de Porto Alegre. Então, pra isso foram convidados - e mais uma vez eu agradeço a presença de vocês - vocês
foram convidados pra nos dizer o que que vocês pensam do centro de Porto Alegre. Porque vocês têm um
conhecimento particular do centro. Ou porque gostam, ou porque não gostam, ou porque sabem, porque andam,
porque trabalham... Enfim, vocês entendem do centro como ninguém. O que a gente chama de “expert”: pessoas
especiais, que têm um conhecimento profundo do centro de uma matéria inclusive no caso do Centro de Porto Alegre.
Então a razão que gente pediu a presença de vocês pra discutir. Eu dizia ainda há pouco, quando nós falávamos né,
cada um de vocês, por exemplo, pode contar como é que é o Nique, que taí o professor que tá aqui falando com
vocês. Mas acontece que cada um de vocês me vê de uma maneira diferente. Porque, quem tá no meu lado esquerdo,
quem tá no meu lado direito, e assim por diante. Na minha frente, etc... Cada um me vê diferente, mas eu sou um só.
Mas cada um me vê diferente. Então é exatamente é essa a idéia que a gente tá querendo de vocês: que cada um vais
dentro do seu ponto de vista o que que acha do centro de Porto Alegre, como é que é, etc, etc... O Douglas vai
coordenar o nosso trabalho, ele tem uma característica de informalidade. Nós vamos conversar, bater papo e cada um
vai dizer “Ah o Nique tem uma orelha assim, ah não a orelha é assado! Não, ele tem o cabelo pra aquele lado, não pro
outro lado e assim por diante ...” Cada um olha da maneira... e assim vocês vão falar do centro, tá. E o Douglas vai
então nos ajudar a conversar desta maneira informal, tranqüila a respeito do centro de Porto Alegre. A todo momento
que vocês quiserem por favor, tem salgadinho, tem suco, tem coca, tem água, tudo que vocês quiserem, tá? Nós tamo
sendo... nós vamos utilizar isto aqui pra pensar, refletir. Porque não é só o que vocês vão falar e também aqui nós
vamos pensar e refletir naquilo que vocês vão dizer. E pra isso então a gente está filmando... nós vamos utilizar isto
aqui ... isto vai ser utilizado pra nós estudarmos, acompanhar isto aqui e... tá bom? Pra fazer parte da, da pesquisa que
vai ficar, no final do semestre, vai tá disponível pra vocês acessarem e, verem, imprimirem, gastarem como vocês
quiserem. Seria interessante colocar o endereço da, do site, né pra eles poderem acessar a página ... Então, um bom
trabalho pra vocês, é possível que venha mais gente ainda né, deixa eu ver uma coisa... a Bárbara já foi embora já...
eu acho que vem mais gente. Se vier eles vão, vão entrar, incorporando assim, pouco a pouco ta? Um bom trabalho,
muito obrigado e já nos veremos aqui, tá?! Obrigado e boa noite!
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Douglas – Bom então boa noite a todos, meu nome é Douglas aqui nosso grupo, nosso grupo então é o
Paulo, a Vanessa e a Paula. A gente vai tá conversando com vocês num clima bem informal, como o Nique falou, ã
tentando fazer assim com que surjam as, as idéias de cada um, os sentimentos de cada um ... o que sentem pelo
centro, como é que é ã o dia a dia do centro, o que não gostam e o que gostam no centro. Ã...vamos começar então
nos apresentando. Eu queria que cada um falasse o seu nome e, e dissesse qual é a relação com o centro, como é que
lida com o centro... (chega um participante...). Tudo bem? Teu nome é?
Marcelo - Marcelo.
Douglas – Pode ficar sentado aqui Marcelo, por favor. Então, o Marcelo chegou bem na hora, na hora da
apresentação, então a gente vai pedir que cada um fale seu nome, qual a é relação que tem com o centro pra depois a
gente poder saber mais ou menos com quem a gente tá conversando aqui, com estas pessoas que tão na sala. O senhor
pode começar... (aponta pro Sr.Cláudio)
Cláudio - Bem, meu nome é Cláudio Klein, tenho 55 anos de idade, comecei a trabalhar com 9 anos no
Mercado Público central de Porto Alegre. Lá, em todos esses, esses anos de trabalho fui acompanhando várias
transformações no centro e, e não só as suas transformações como também já estive na liderança do Mercado público
por 12 anos, interagindo relação comércio, administrações municipais, pública, segurança, enfim tudo que se desse a
vida ao mercado e suas adjacências. E continuo meu trabalho até hoje junto à associação, o qual o presidente hoje é o
Fortunato, mas trabalhamos junto, e nos interagimos junto para mantermos a, o Mercado Público sempre bem
informado e de tudo o que acontece no centro, para suas melhorias e seus benefícios.
Fortunato – Meu nome é Jorge Fortunato, eu tenho 36 anos, tô desde os meus 10 no mercado do qual hoje
estou de presidente. Estou na associação hoje porque ele (aponta para o Sr.Cláudio) um dia me convidou pela
mudança nas pessoas. De direito sou eu, de fato somos nós e nós temos um acordo: que nós temos que deixar o
mercado em quem a gente confia. E saímos um pouco pra fora porque o nosso público não é só o mercado, é todo o
entorno. Então hoje nós temos um trabalho construído junto ao sindicato dos floristas, nós criamos um núcleo de
estudo e pesquisa e fomento da pequena, micro e média empresa. Temos é, a Associação Gaúcha de Centros, que foi
criada também no centro, porque nós sentimos muito soltos e a maior concentração é no centro. E não há uma política
pública, ou não havia, pra esse segmento; criamos essa entidade. E dizer isso, que nós fomos além porque sentimos
que o mercado tava ficando ilhado em alguns problemas públicos que não eram discutidos por nós e nem por nossos
vizinhos.
Maria Erni – Boa noite eu sou Maria Erni, sou Arquiteta, trabalho na Secretaria de Planejamento da
Prefeitura, ã especificamente no projeto Viva o Centro, o qual o gerente é o arquiteto Glênio Bohrer, que não pôde
participar hoje. Então eu vim no seu lugar.
Solane – Boa noite. Meu nome é Solane, trabalho há 23 anos no centro, 5 anos na Alberto Bins. Morei em
Canoas, depois passei ã, a morar em Porto Alegre continuando trabalhando no centro. Sou Secretária e, é isso.
Luis Carlos – Boa noite. Meu nome é Luis Carlos da Mota. Provavelmente pela idade quem mais andou
pelo centro fui eu mesmo! Eu comecei trabalhando no banco, no antigo Banco Nacional do Comércio, em 1945. Hoje
é Santander ali, aquele prédio bonito que tem ali. Era o banco mais bonito de Porto Alegre. Por ali eu trabalhei 7
anos, depois fiz concurso pro banco do Brasil e fui trabalhar no interior de Santa Catarina, depois no interior do Rio
Grande do Sul e retornando não saí mais de Porto Alegre. O centro eu usei, na época, apenas pra trabalho. Morei
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muito no Menino Deus e tal e o centro era feito pra trabalho. Acho que até hoje ainda o centro, no fim de semana,
morre quase que totalmente. Antigamente morria mais ainda, hoje ainda tem mais movimento. E, e neste centro aí, a
vida passa, a barba cresce - como diz o outro - e eu vi que o centro agora pra mim é mais cômodo. Quando, quando
eu casei pela segunda vez eu, eu morei no centro aqui na Duque no mesmo prédio por uns 5, 6 anos. Aí me aposentei,
achei que não conseguiria ficar encerrado dentro dum apartamento, que parecia uma gaiola. Então fui morar em
Belém Velho. Em Belém velho ficamos 17 anos. A mais velha passou na faculdade e eu tinha que buscá-la todas as
noites na Oto Niemeyer, lá perto da Tristeza, porque o ônibus não chegava lá. Não tinha condução. E quando a
Lubianca passou eu digo: duas não dá pra agüentar isso! Voltei pro meu apartamento na Duque. Então todos os
problemas que eu tinha lá em Belém Velho, que pra tirar um xerox tinha que andar dois quilômetros, ida e volta, hoje
eu atravesso a rua e tiro... Então, quando menos em Belém velho que a gente tinha que resolver um problema levava a
manhã inteira, hoje, depois que voltei pro centro, você resolve 10 problemas em uma hora e meia. E por isso pra mim
o centro é muito agradável.
Clarissa - Tudo bem! Eu sou Clarissa Ciarelli, eu sou editora dos cadernos de bairro da Zero Hora, há mais
de um ano. Nós temos 8 cadernos de bairro e entre eles está o ZH centro que foi lançado na segunda leva; Eles foram
lançados em 2004. Então já ta no número 6, eu até trouxe aqui um exemplar pra deixar pra vocês. E a minha relação
com o centro é a relação de quem percebe o que o morador percebe. Porque eu não moro no centro, eu moro na
verdade em Gravataí, nem em nenhum dos bairros de Porto Alegre. E eu usava o centro muito durante a faculdade,
inclusive pra pegar o ônibus pra minha cidade. Então eu já tinha esse conhecimento de usuária. E agora eu tô tendo a
concepção dos problemas claro, e da visão de quem mora, que contribui com o nosso caderno de bairro.
João Carneiro – Boa noite, eu sou João Carneiro, sou editor, tenho uma editora chamada Ponto Editorial,
que é no centro, é, aliás, aqui bem perto, na Demétrio Ribeiro. Ah, e tô aqui também na condição de representante da
Câmara Riograndense de Livro, ah, que sou da Diretoria e da condição de preparação da feira do Livro de Porto
Alegre, que é o principal evento cultural que ocorre no centro da capital todos os anos, há 52 anos. Agora vai ser a
qüinquagésima terceira feira que a gente ta preparando. Ah, as formas com que a gente acaba se relacionando com a
cidade elas são muito determinadas por essas relações de trabalho que a gente tem. A gente já fez lançamento de
livro lá no tempo que o Cláudio era presidente do, da Associação do mercado. Logo depois da reinauguração do
mercado, até como uma forma de ativação cultural do espaço. Ah, e a gente se relaciona de formas muito variadas
com cidade e acho que esse conjunto de percepções que a gente ta já vendo aqui tem, tem uma série de, de
contribuições. Ah, vou tentar contribuir desse ponto de vista, das questões culturais e de livro. Acho que a gente pode
contribuir de algum modo.
Germana – Boa noite, meu nome é Germana, eu trabalho no Ministério Público. Ah, por dois momentos já
trabalhei no centro: no ano de 2000 e agora no início de 2006. E também fiz um curso no centro no período de um
ano. Então seria essa a minha relação com o centro.
Marcelo – Eu sou Marcelo Träsel, eu sou jornalista. Tenho 28 anos, moro no centro há dois anos, mais ou
menos dois anos. Mas eu convivo com o centro há muito mais tempo, porque a minha mãe tem uma empresa ali no
centro, inclusive trabalhei com ela desde os dezesseis lá na empresa. Agora não trabalho mais, mas... E sempre usei
também o centro pra lazer, cinema, freqüento muito a Casa de Cultura, também pra fazer compras.
Major Maciel – Sou o Major Maciel, comando a 1ª Companhia do 9º BPM, que é responsável pela área
central de Porto Alegre, pelo miolo mais central. Pra vocês terem uma idéia do tamanho da companhia ela começa na
João Manoel, junto a, ao Rio Guaíba. Viemos até a Riachuelo, Anes Dias – passando pela frente da Santa Casa – e
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descendo junto à Conceição. Até de novo ao nosso Rio Guaíba. É esta área que eu comando, que é o miolo principal
do centro, onde acontecem a maioria dos nossos problemas diários.
Juarez - Juarez, tenho uma banca de revista. Vivo no centro desde os 9 anos. Comecei vendendo jornal na
rua e hoje consegui trabalhar por conta. A minha relação no centro, quer dizer, é o centro. Eu vivo do centro, eu moro
no centro, a minha vida é no centro e poso na Cavalhada. Eu passo 14 horas no centro, o centro pra mim é tudo!
Douglas – Certo então a gente, a gente já tá sabendo com quem a gente tá aqui na sala. Quem são as
pessoas, a gente tem que ter bastante pontos de vista diferentes né? Agora a idéia é fazer esse bate-papo bem informal
sobre ah, o centro. Eu acho que é legal levantar, é interessante que a gente fosse levantando algum ponto a respeito
do, do que a gente disse até aqui, até o momento né. O Sr. Luis Carlos falou sobre o centro que ele via, na época dele,
o centro como um lugar pra vir trabalhar né. Ele ainda acha que é assim, hoje. Mas vocês que trabalham no centro
como é que é essa visão: vocês acham mesmo que o centro é um lugar pra vir trabalhar, somente? O que mais pode
ser levado em consideração no centro? O que que mais a gente pode fazer no centro? Que parte do centro que vocês
acham mais importante? Isso é o que vamos falar aqui. O centro é realmente um tema logicamente interessante e é o
que vamos abordar aqui. Então eu gostaria que vocês (Cláudio e Fortunato) falassem então dessa informação do
centro.
Cláudio - Eu queria fazer uma colocação aqui então do que é o mercado público e o centro de Porto Alegre.
Nosso mercado público é um prédio que tem mais de 130 anos de atividade comercial e ali se instalou porque foi um
centro levou-se alimentação, um centro onde se começou a realizar-se o abastecimento da alimentação para Porto
Alegre, o que vinha de fora, pelo rio era aportava-se no mercado público, não tinham estradas, nem viação férrea,
nem navegação, então o mercado tem uma longa história de vida e de tradição de cultura. E eu sempre digo, quando
você vai a algum lugar, seja de qualquer parte, de qualquer estado, vá ao mercado público, porque ali você vê tudo o
que produz de alimento na sua forma marginal, a educação de um povo, a sociabilidade dele, a economia dele, tudo
isso você sente dele dentro do mercado. Então eu posso falar muito bem disso porque eu tenho 44 anos de mercado e
sei bem como é que.., como o mercado passou, pelas suas transformações, a recente reforma profunda, não sei se
bastante, mas se restaurou mais de 100 anos de história talvez, e a importância dele no centro de Porto Alegre. E digo
para vocês que o mercado público é constituído de 700 funcionários que trabalham diariamente, desde às 5hs da
manhã até a meia noite, eu acho que os horários são alternados, mas eles viram o centro, e acho que umas mesmas
atividades comerciais eu comparo o centro com o mercado público. Isso diretamente, indiretamente são 4000
funcionários que vivem do mercado público. Se você olhar a abrangência, a importância que tem o mercado no
centro, a circulação dá umas 15000 pessoas que vivem do mercado. E, aliás, em se tratando do mercado na sua
transformação, na sua reformulação, nós fizemos vários estudos dentro do mercado, de ambiência, de sociologia, tudo
foi realizado pelo poder público, nós acompanhamos junto. E realmente tudo delega em função do mercado. Mas
quando ocorreu essa reforma na atualidade, nós vimos que o mercado público, não podíamos olhar para dentro dele,
tínhamos que olhar para fora do mercado. Quando começamos a olhar para fora, começamos realmente a nos integrar
com outras entidades de trabalho municipais, como segurança, enfim, tudo o que vocês possam imaginar, desde o
meretriz, a gurizada, meninada de pequenos furtos, que tão pedindo para o pessoal que vai trabalhar, enfim, a vida do
centro, que muitas vezes ta mascarada durante o dia, com o direito de ir e vir que o cidadão de Porto Alegre não vê
esse tipo de coisa, mas caiu as noite depois das 19hrs, 19h30, você começa a ver essas coisas que você não vê durante
o dia. Então isso é uma preocupação constante que nós também temos com isso. E não só com o mercado. E para
falar um pouco mais disso, para contar um pouco mais dessa história, queria passar a palavra ao Fortunato, que é o
nosso homem de campo, que está no campo na parte externa do mercado, onde ele sempre está presente nas reuniões
e em tudo aquilo que é de interesse para o mercado e na sua área central, e isso é uma coisa que nos preocupa muito
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porque nós entendemos que para o futuro ele sempre vai existir e sempre será um prédio histórico e um patrimônio
central de porto alegre, mas a primeira relevância que tenho é que ele sustenta mais de 150 famílias, essas famílias se
multiplicam e sempre estão no mercado à meia noite, é tradição, passam de pai para filho, e continuamos fazendo
nosso trabalho executando da melhor maneira possível, evoluindo, dentro da sua tecnologia, da sua segurança
sanitária, enfim tudo o que é abrange do alimento do mercado, que é comercializado lá dentro, nós acompanhamos
nunca perdemos na realidade a essência de atendimento do mercado, aquele atendimento personalizado, que é aquele
atendimento onde a gente conhece a família do cliente, os filhos, conhece os avós, conhece os pais, todo mundo, isso
é uma coisa cultural que é muito forte, eu sempre digo para o pessoal que trabalha lá, que o nosso trabalho não é só o
de comprar e vender, é também o vínculo com as pessoas que compram e freqüentam o mercado e com isso eles
passam a fazer parte da história, passam a viver da história do mercado, e com isso passam a contar histórias do
mercado como uma pessoa que já partiu, que não está mais no nosso meio, que é o Mario Quintana. Que quando
esteve no mercado Público, disse “Cláudio, o mercado público é protegido pelos fantasmas do tempo”. Na hora eu
não assimilei isso. E olhando por um lado, é muito profundo o que ele me disse. E ao conversar com as pessoas, eu vi
que o que ele disse tem muito fundamento, que tava muito firme do que disse do mercado os fantasmas que ele dizia
eram todas as pessoas que passaram pelo mercado, as pessoas que vivem, um lugar que recebe pessoas de todas as
classes sociais, desde o marmiteiro até o executivo, toda a classe política, as atrizes e os atores que passam pelo sul
do país, passam pelo mercado para comprar, então isso tudo é muito significativo para nós que estamos lá dentro, e
sempre levando esse trabalho, essa promessa que a gente tem, de ir sempre tentando melhorar, dentro de nossa
atividade
Douglas - Cláudio, desculpa, eu acho importante que o mercado mostra na história a importância dele que
ele tem para a cidade, e essas peculiaridades, essa diferença que ele tem para o comércio do centro, mas os que
trabalham no centro, moram no centro?
Cláudio - Não, Cachoeirinha, Gravataí, Canoas, Porto Alegre em alguns bairros como Sarandi, zona sul...
Douglas - interessante, porque ali no centro centraliza o transporte né, não sei a Solane se ela só trabalha no
centro ou tem alguma parte mais estrutural?
Solane - Só trabalho.
Douglas - Gosta do mercado Público?
Solane - Adoro o mercado Público.
Douglas - E foi dito dessa mudança da cara do centro do Mercado Público, do dia para a noite, vou
perguntar para o Maciel então, qual é a diferença do dia para a noite, qual é a cara que o centro fica, do dia para noite,
nessa virada?
Major Maciel - Vou falar um pouco do centro onde as pessoas falam, moram, convivem, mas não sabem a
dimensão do centro. Então, hoje o centro de 2,5 km², público de moradores, um pouco mais de 42 mil moradores,
público flutuante, dados da ATP, ATM, ATL, e trensurbs, que descarregam no centro de Porto Alegre, no mínimo
600 mil pessoas chegando até 800 mil pessoas nas 24 horas do dia. Fora os veículos de passeios que vão ao centro e
que não estão contabilizados, que não temos estatísticas para isso. Temos, segundo a SMIC 8000 pontos de comércio
regulares, calculo em torno de quase 2000 irregulares. Mas vamos ficar com os 8000 pontos de comércio regular. O
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centro de Porto Alegre, temos, segundo dados da FASC, cadastrados nominal, pouquinho mais de 1400 adultos
moradores de rua, temos em torno de 600 crianças moradoras de rua. Com um total de 2000 pessoas moradoras de
rua, alguns tem até residência, principalmente as crianças que geralmente são da grande Porto Alegre, a brigada vai
lá, leva ao conselho tutelar, o conselho tutelar leva até sua casa na grande Porto Alegre, e é o tempo dela pegar um
ônibus e estar no centro de volta. Sendo toda a violência que tem, é melhor que a casa que as pessoas têm para morar.
Temos uma média de 2000 caminhões na área central, atendemos uma grande parte de pessoas que passam mal no
centro de Porto Alegre e que a Brigada leva elas para se medicar. E isso é uma questão de saúde e não de polícia. Mas
as pessoas não entendem isso e o policial tem que levar a pessoa até o hospital, sendo que qualquer táxi poderia fazer
isso. Mas tem que chamar a viatura da brigada. Nós temos no centro de Porto Alegre hoje, 19 câmeras, que atuam 24
horas por dia no nosso centro de operações. E mesmo assim, tem pessoas que param na Andradas e dizem que não
vêem policiamento mas é só olhar para cima que tem uma câmera filmando em tempo real e que ao que ele ver
qualquer ocorrência, ele aciona uma unidade nossa que está a poucos metros dali que se deslocará para o
atendimento. E estamos sofrendo de um problema que é refazer o mesmo serviço todos os dias. Tem pessoas que já
foram presas mais de 60 vezes. O crime que acontece na área central não é um crime violento. Não tem por essa
característica. Na verdade, o crime da área central é um furto, um roubo, é o risco na hora que tu abre a bolsa e
acontece o roubo. Outro problema que enfrentamos é que temos duas delegacias que atuam no centro de Porto
Alegre, uma delas, a 1ª DP que fica na Riachuelo com a Gal. Canabarro, fora desse foco com o miolo central, e a
outra fica, que é responsável por esse miolo central, na Voluntários da Pátria com a Ramiro Barcelos, que bairro
floresta, para quem não conhece, passa aqueles prédios antigos, pós o mercado público, a rodoviária, e aqueles
prédios que eram da viação férrea, e na outra ponta é que fica a delegacia. E então, para registro de ocorrência, só
temos o posto da José Montauri, que fica aos fundos do antigo Edifício Gaspari, próximo ao largo Glênio Perez, um
pouco mais central. Também tem a seguinte questão: muitas pessoas sofrem em seus bairros, seus furtos e tem a
necessidade de fazerem esse registro, para retirar a documentação, que exigido registro, tanto feito pela brigada,
quanto feito pela polícia civil. E essas pessoas, como tem uma delegacia em cada bairro, menos nas vilas, que tem só
uma delegacia que fica na Bento, para economizar uma passagem, pois não tem poder aquisitivo para isso,
economizam indo até o centro. E vai até a nossa delegacia e registra o furto do seu documento ou celular. Como ela
não quer dizer que foi lá no bairro, ela não tem conhecimento, para nós é independente nós fazemos em qualquer
lugar. Tem uma que diz que foi em São Sepé e eu pus, elas não sabem e acabam sempre dando uma rua principal, que
acaba sendo a Salgado Filho, a praça Parobé, onde ela desceu do ônibus. E acaba sendo ali o ponto onde ela foi
furtada ou assaltada e as pessoas não sabem disso, e as estatísticas acabam sendo um pouco maior do que acontece na
realidade. Eu ensino um pouquinho sobre o centro de Porto Alegre e a gente fala, Porto Alegre hoje tem 40 mil
quadras. E se tivéssemos que botar um PM cada quadra, seriam 40 mil PMs. Isso para um único turno de seis horas
de serviço. Multiplica isso por 4. Seria inviável. A questão do centro passa pela questão de centro e pela questão de
segurança. Ela é uma questão um pouquinho até mais social. Porque com os anos, os governos acabaram trazendo
para o centro, os abrigos, os locais para colocar as pessoas no turno da noite. Então eu pego, junto à Voluntários,
próximo a nossa estação rodoviária, coloco um abrigo pra menor, três quadras depois um abrigo pra maior, só que, eu
só abro aquilo ali às oito da noite e às seis da manhã eu boto tudo pra rua. No pra maior quase 300 adultos, no pra
menor um pouquinho mais de 50 crianças. E durante o dia, o que esse pessoal faz? Vai pra onde? Vai conseguir
dinheiro e comida, cometendo pequeno furto ou fazendo, tentando tirar de alguém algum tipo de trapaça ou muitas
vezes passa o dia com esse dinheiro depois consumindo droga, que é o mais próximo é a região central de Porto
Alegre. Então essa é outra briga muito grande que nós temos com a prefeitura para trocar estes abrigos, por que nós
temos outra dificuldade também, no lojista, que nós entendemos que ele tem um ponto de comércio e ele depende de
vender tudo aquilo. Se ele não vender, ele termina indo à falência. Então ele não quer o mendigo na porta dele, ele
não quer aquela pessoa maltrapilha na porta dele, e aquilo ali não é um caso de polícia, é um caso social; mas ele
chama a Brigada e eu tenho que tirar da porta dele.
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Douglas - Essa questão da segurança realmente é a questão do mendigo tudo, a gente tem o projeto Viva
Centro, a Maria Erni também pode falar sobre isso. Quais são os projetos para segurança e até essa parte que a gente
tava comentando, o que o projeto tá buscando?
Maria Erni - É, o que a gente vê, até achei importante essa colocação, essa informação né das ocorrências,
que não ocorrem de fato no Centro e o Centro leva. Então assim, a gente percebe que existe né uma questão da
imagem de segurança no Centro de que ela seja maior do que a questão da segurança. Até vendo registros sobre os
bairros, com certeza Porto Alegre tem bairros bem mais violentos que o Centro, agora o Centro acho que favorece
realmente, assim ó, a conservação dos moradores, até pela própria movimentação, é mais fácil eles ficarem sem
serem identificados né, então acho que favorece essas pessoas e, mas em questão aos abrigos, tem a Pasque né, que
cuida bem disso, mas é realmente um problema, o ideal seria buscar o abrigo no local de origem dessas pessoas né, e
não concentrar em uma área, no caso, o Centro. Outra questão assim, não sei se a gente pode voltar...
Douglas - Não, fica à vontade pra voltar, dizer aquilo que pensa né, fica à vontade...
Maria Erni - Então assim, com relação à primeira questão que foi levantada sobre o que que as pessoas
vão fazer no Centro né, eu acho que o Centro oferece muitas coisas né, além do Mercado que é uma atração, com seu
comércio né, bem específico, tem outros comércios também que são importantes e são diferente de outras áreas,
eletroeletrônicos, é um comércio bem especializado e que atrai um público bem grande e que vem especificamente
pra trazer eletrônicos ao Centro. Então acho que essa é uma atividade importante para a área central e outra é o
aspecto cultural. Eu acho que o Centro tem muitas atividades culturais, tem a Casa de Cultura Mario Quintana, tem o
Santander, tem Margs, tem o São Pedro né, se a gente vai buscando temo muita coisa nessa área de cultura e lazer e
turismo, que também é uma coisa que pra cidade é importante. Aliás tem uma rede de hotéis bastante significativa
então, é algo que tem muita atuação no Centro.
Major Maciel - Se me permite, só pra concluir, nós temos outro problema muito sério no Centro aí, hoje
Porto Alegre conta com 1597 ônibus na frota, sendo que 1500 circulam todos os dias do bairro até o Centro, com uma
pequena exceção que são os T’s, então sua grande maioria vem do bairro até o Centro. Esses ônibus fazem uma
média, segundo a ATP, uma média de 8 viagens ao dia, 8 viagem vem e 8 viagens vão até o bairro. Dá quase 25 mil
viagens/dia. E nós temos uma dificuldade muito grande, ta se discutindo com a prefeitura, talvez se resolva logo, nós
pegamos ali a Salgado Filho, na João Pessoa, onde inicia a Salgado que é o final da Salgado, até a primeira, segunda
quadra da Borges de Medeiros, Salgado dobrando pra cima em direção à Riachuelo, nós temos 85 pontos de terminais
de ônibus, as pessoas até falam no jornal que é a maior rodoviária a céu aberto da América Latina. Bate a rodoviária
de São Paulo, que seria a maior. Então, nós temos ali no horário, em torno de cinco e meia, seis horas da tarde, a fila
aguardando o ônibus é uma fila tripla, uma calçada que mal dá para passar um, todos os pontos com ônibus parado
porque eles só saem quando chega o próximo. Então contar a questão de segurança, pra mim que tenho que trabalhar
ali, é uma dificuldade enorme. Se eu coloco um PM num canteiro central, ele não enxerga nada, os ônibus fazem uma
barreira. Se eu coloco ele dum lado, ele não consegue transitar, porque ele atrapalha o fluxo de pessoas e, ainda,
quando cai a noite, ela é uma rua muito arborizada, e as árvores com os galhos muito baixos a iluminação tá por cima,
então ela é muito mal iluminada. Então hoje eu tenho uma dificuldade na Salgado Filho porque as pessoas tem aquela
sensação do medo. Questão de noite, foi a primeira pergunta que tu me fez né. Então, na realidade, a vida noturna no
Centro de Porto Alegre ela é bem grande, o que poucos conhecem, que a nossa maior dor de cabeça é a vida noturna
de Porto Alegre, que é o que incomoda os moradores, mais deste miolo central. Porque nós temos muitos bares ali
com dificuldades de alvará, pois a sua maioria são irregulares, porque o bar regular, ele não cria problema, porque,
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para ele ser regulado, ele não pode deixar o som sair pra fora, ele não bota mesa na rua, ele tem horário ate a meia
noite, ele cumpre as regras, então ele não é problema. Nosso maior problema é o irregular. Aí pega alguns bares na
praça Parobé, Marechal Floriano, temos seis bares ali que são nosso maior problema, todos funcionam de forma
irregular, todos têm questões problemáticas com alvarás, uma boa parte não tem ou ele tem alvará de pizzaria, ele tem
alvará de restaurante, ele tem alvará pra ser hotel e funciona como casa noturna, tá, ele amanhece, vai até cinco, seis
horas da manhã, no mínimo, com som alto. Eles todos, já fizemos uma ação de madruga com a SMIC, todos
funcionam com ordem judicial. É a nossa maior dificuldade. Então nós temos locais no centro, casas de jogos aí, onde
existe ordens judiciais que nós não podemos nem entrar. Ele já conseguiu ganhar na justiça e continua freqüentando,
funcionando. Nesses locais tem problema de prostituição, problemas de drogas, problemas de menores, então alguns
aí têm umas ordens judiciais, nós não conseguimos agir, mas sempre que possível nós agimos durante a noite,
estamos tentando pelo menos minimizar, resolver os problemas dos moradores, que é o nosso maior problema a
Marechal Floriano.
Maria Erni - Só queria fazer uma observação assim, até pergunto também junto, é que o Centro tem, a
gente identifica pelo menos, setores bem distintos. Tem quatro setores né: o setor comercial, que é ali na Voluntários
da Pátria, o setor mais institucional e cultural ali em torno da Andradas e Sete de Setembro, museu e casa de cultura,
e o setor residencial que seria acima da Andradas né, da Salgado Filho pra cá. Essa questão de como fica a noite no
Centro, eu percebo assim que, no setor residencial ele se comporta como um bairro mais distante né, da periferia. O
setor institucional ele tem um abandono porque as atividades né, funcionam até um determinado horário e fica né,
completamente abandonados. Mas eu vejo como um espaço bastante crítico o setor comercial, isso que tu falastes
com relação às casas noturnas eu acho que até dá mais conflitos em questão de ser uma área mais miscigenada, a
Marechal Floriano não tem residências e acaba tendo esses bares que acaba prejudicando as pessoas... Como é que é a
parte deste setor comercial ali, que eu acho que é a parte que é mais abandonada né, à noite?
Major Maciel - Bom, na realidade as 19 câmeras que estão fixas, são 24 horas por dia. Nós temos, na parte
da madrugada, trabalhamos com patrulhas tá, algumas com viaturas, outras a pé, para atendimento dessas
ocorrências. Nós tínhamos um problema muito grande até dois anos e meio atrás aí que é a questão do arrombamento,
que as pessoas simplesmente pensavam nelas, então colocavam uma grade externa no seu comércio, pra estes
menores que nós já falamos, eles tão subindo pela grade e no andar de cima arrombavam. No andar de cima botavam
uma grade. Aí nós tivemos um caso aí de um prédio que começou no primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto
andar. Cada vez que arrombavam uma loja, o cara botava uma grade.
Maria Erni - Essas casas são concentradas mais ou menos nesse setor aí, da área comercial?
Major Maciel - Tem em toda a área central. Daí as pessoas, simplesmente pensando nelas, e que daí agora
vamo fala um pouquinho do que a brigada fez pra resolver essa questão. Então, pra ti responder, eu vou tocar um
pouquinho na questão da brigada. Até o ano de 1995 por aí, nós tínhamos uma forma de trabalhar muito em cima da
estatística. Nos primórdios, tava dando muita questão de furto ou roubo. Colocava um PM ali pra acabar com essa
questão. Só que pra mim constatar isso estatisticamente eu tinha um período de um mês, nesse um mês tinha alguém
que ia lá, quase que diariamente, furtava e roubava. Eu ia lá, tirava ele de circulação, resolvido o problema. Ai ele
saía pra rua e ia roubar em outro local. Aí lá estatisticamente me aparecia isso, eu ia lá e tomava uma providência. De
95 pra cá, se viu, nós tínhamos que trabalhar mais com prevenção. Agia antes que o problema acontecesse. Então a
partir daí, uma das idéia ate que o Fortunatto falou, que foi a nossa maior dificuldade foi a área central, conseguimos
ocupar o conselho comunitário do Centro, que foi o mais difícil, nos bairros foi bem mais fácil, se conseguiu
implementar isso bem antes, pra nos vermos as pessoas que trabalham, moram, vivem e tem comércio no centro,
115
podem me dizer o problema que estão sofrendo no dia dia e eu também posso mostrar pra essas pessoas o que que é
uma atitude suspeita, de que forma age um marginal na área central, e de que forma ele, trabalhador do Centro, ou
mesmo uma pessoa com essa característica possa me ligar e eu chegar antes dela cometer um delito. Então com isso
nós começamos a reunir na área central ali os lojistas, na área de lotéricas, bancos, na área hoteleira, comércio geral,
joalherias e relojoarias, moradores e assim por diante pra tentar mostrar. Porque as pessoas só conheciam o telefone
190, que é um telefone de emergência. Como diz o nome, eu só devo utilizá-lo quando estiver em situação de perigo
e hoje o nosso maior problema, vô fazer um parênteses aqui ó, o 190 recebe uma média de 6 mil ligações chegando a
8 mil, durante um dia; sendo que, 80% delas não é ocorrência. Ou é trote de informação ou é alguém querendo falar,
conversar e na realidade não é uma questão de emergência. Então se mostrou pra população do Centro que se tem
outros números que a gente pode chamar, que é o nosso posto da José Montauri, a companhia do 9º Batalhão, nosso
coordenador e sargento que é responsável, tá 24 horas na rua, ele tem um telefone funcional, eu tenho um telefone
funcional também.
Douglas - Tu trabalha essa parte de informação pro pessoal do Centro?
Major Maciel - Também! Na parte de prevenção e com isto nós conseguimos mostrar ao comércio, e
voltando aquela parte que eu contei do quinto andar, que na realidade a questão ali não era de polícia, era
simplesmente o condomínio chamar todas aquelas pessoas, mandar tirar aquelas grades que estava servindo de escada
e botar uma grade fotográfica pro lado de dentro, se resolveu o problema, nunca mais se furtou ou roubou. Então na
realidade, quando alguém sofre algum fato, algum ato delituoso, nós vamos até lá conversar com a pessoa, ver aonde
houve uma falha e o que que ela pode fazer para ajudar, porque segurança não depende só de mim, da Brigada.
Segurança depende de todos e segurança é prevenção. Nós temos pessoas que vão diariamente, talvez até mais tempo
que o Senhor, no Centro, e nunca foram assaltadas ou roubadas e tem pessoas que numa semana foram três vezes
onde é que estaá a diferença destas duas pessoas? A diferença ta que naqueles que se previnem não é aquele que pega
em plena ruas dos andradas caminhando e atende o celular esse tem possibilidade de ser furtado muito maior, nós
temos 8 mil pontos de comércio não custa eu entrar dentro de uma loja pra atender o telefone, cuidados simples não
ande com uma mochila nas costas em um local onde muitas pessoas andam são 600 mil, elas nadam muito próximas a
possibilidade de alguém abrir uma mochila tirar a tua carteira tirar o teu celular é grande.
Douglas - Realmente a parte de prevenção eu acho que é fundamental principalmente no centro hã, acho
que é um tema vem debatido principalmente nas pesquisas o Fortunato podia falar depois o Marcelo fazer uma
observação.
Fortunato - Nessa área aí que nós somos parceiros com a brigada uma grande corporação, mas acho que
nós temos que começar a falar as verdades, temos que realmente ver os problemas não temos que maquiar nós temos
que apontar onde é que ta os problemas segurança pública hoje não é uma calamidade não é culpa da brigada
Douglas - O tema centro
Fortunato - No centro, porque tá o qg da brigada da câmara dos veradores, o palácio piratini, tá o
ministério público, tá o tribunal de justiça, tá toda essa ordem, mas a densidade de efetivo não é proporcional a isso,
não é proporcional ao número de pessoas que lá estão. O comerciante hoje ele vive num stress porque ele tem que
cuidar a porta o cliente pra não ser assaltado, pro cara não pedir, pro cara não incomodar, pra ele não apanhar quer
dizer tudo isso e aí não é a brigada. Tu pega a policia civil que ta com o mesmo efetivo há trinta anos, tu pega o
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instituto de perícia que não tem condição, a própria brigada por mais que fazem. Pra nós comerciantes hoje e o centro
houve teve uma cultura de shopping por que que o centro nada é por acaso, se falava muito que o shopping era seguro
que o shopping era bom e hoje se vê que não é bem assim não é bem assim
houve muita incidência de assaltos nos
shoppings, muitos estão voltando pras ruas e o centro com certeza vai ser o primeiro que vão voltar por que é um
mercado tradicional
Douglas - Eu acho que o centro chama a atenção das pessoas né, o próprio apelo cultural que ele oferece,
depois eu quero falar com o Marcelo que eu quero falar também sobre a feira do livro e o quanto isso acrescenta né
pro centro e trás pessoas pro centro e se torna popular pra todo mundo a feira do livro é uma coisa bem comum
Fortunato - É, e o centro hoje não é o centro de poa, o centro ele é metropolitano isso tem que ser discutido
dos investimentos hoje na área que é feito na área do centro hoje seria em tese de um bairro de centro da cidade mas
não é, se tu pegar a parte do informal é minimamente do centro ou de porto alegre , ele é bem tem o trem é mais fácil
Major Maciel - O centro o centro é de fora.
Fortunato - Mas eu volto a dizer a parte do efetivo eu acho que é extremante importante por que parece
uma coisa simples ta seja através de equipamentos, câmeras, carros, como vocês falaram do centro, a segurança é
uma sensação e hoje tu não sente mais essa sensação. Tu pega assim o eixo cultural tem que ser discutido, se tu pegar
lá da rua da praia até a avenida, vindo pela duque, osvaldo até o gasômetro, teria que ter um eixo nessa área uma zona
que pudesse trazer turista. Hoje turistas saem do hotel e vão passear no gasômetro e vão passear e não vão no centro,
dessem a três quatro quadras, o viaduto otávio rocha deveria ser um filtro por que é um monumento da cidade,
deveria ser o pórtico de entrada da cidade e não é da duque você não consegue chegar no mercado público. Isso não é
culpa da brigada, da polícia civil, isso é culpa do contexto que não se pensou o planejamento por que? Porque como
era só moradia e só comercial nunca foi um bairro realmente cem por centro se pegar o planejamento do centro é
agora que se está discutindo nos últimos dez anos o que se vai fazer com o centro sempre era assim ó no final da tarde
todo mundo ia embora até logo e tchau. Se tu pegar a população do centro pode me corrigir se eu estiver errado mas
ela vem até os 18, 20 anos e depois volta dos 50,60. E essa lacuna representa isso então essa discussão é mais
profunda por que o que nós queremos do centro o que que é que turismo no centro.
Douglas - É a parte de turismo no centro a gente tem agora aquele ônibus que passeia pelo centro e conta a
história do centro então ele mostra pras pessoas, né, onde estão os pontos principais né, até é uma forma de trazer o
pessoal de novo pro centro, Marcelo tu queria falar?
Marcelo - Como morador eu trabalhei também no terra né até as 10 da noite então eu tinha que caminhar da
joão manuel até o mercado público pra pegar o ônibus e minha namorada no centro. Antes hã no início eu fiquei meio
receoso, mas depois de um mês fazendo esse trajeto de noite às 10 da noite eu me senti seguro pro pedestre, eu sinto
até que não ofereça muita segurança mais depois de conhecer um pouco melhor eu ficava olhando, não ficava
tranqüilo, mas nunca chequei a me sentir ameaçado. Realmente mas essa questão de segurança é mais uma questão de
política, mas por exemplo ali na praça argentina todo dia que eu passo ali tem vidro de carro quebrado no chão eu já
vi pessoas roubando rádios mas na verdade sem ameaçar ninguém é sem pedestres por ali não tem ninguém por ali
mas eu nunca vi um PM ali na praça argentina vi uma ou duas vezes nesses dois anos que eu tava trabalhando ali
Douglas - Tu freqüenta o centro a noite?
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Marcelo – Sim.
Douglas - A parte cultural, o que tu faz ali no centro? Que que tu faz ali de noite? Tu chegou a freqüentar
bares, teatro, cinema, eu sei que tem cinema né, tem bastante teatros ali naquela região, tem o multipalco também
temos que considerar isso tu já freqüentou essa parte de cultura?
Marcelo - Sim, volta e meia eu vou ali na casa de cultura, Santander e tem uns bares ali na andradas perto
da casa de cultura, às vezes eu vou lá no cinema, muito embora eu costumo freqüentar mais a cidade baixa ali que
aliás, bem lembrado, eu tenho notado cresceu bastante o problema de segurança desde que a cidade baixa meio que
virou moda, por que logo que eu me mudei era bem mais tranqüilo mas de um ano e meio pra cá mais ou menos todo
o mundo começou a ir nos bares e a cidade baixa abriu também dezenas de bares e assim piorou bastante também
durante a noite pra ti andar por ali.
João - Tem uma coisa que é a questão de como se ocupam os lugares e que uso se faz a partir dessa
ocupação. Aquela parte do centro onde há mais moradores normalmente se tem uma sensação de segurança maior,
porque de algum modo as pessoas ocupam esse espaço público. Tá o problema me parece que ocorre justamente
quando se ocupa pouco o espaço público, que é tendência obviamente de um espaço devoluto ser ocupado por quem a
gente não gostaria que ocupassem. Isso me parece que é sistemático. Quanto mais a gente vai pra dentro de casa e
fica vendo televisão e fica botando grade na frente e fica trancando, não tem mais a convivência pública, ou seja, não
tem mais esse espaço comunitário de convivência aqui por exemplo, na demétrio ribeiro, é uma beleza, as pessoas
ainda botam as cadeiras na calçada e sentam e trocam, então é super interessante, o problema parece, e aí eu acho que
entra o papel do poder público em fomentar algumas atividades que possam. Há enormes prédios no centro da cidade
totalmente não utilizados, prédios inteiros abandonados. Eu sei que há alguns projetos de utilização desses prédios
pra moradia inclusive no sentido de revitalizar, é como o Luiz Carlos disse antes, no centro se encontra tudo quer
dizer a pessoa atravessa a rua tem isso tem aquilo e a gente nota e provavelmente o major tem um depoimento a dar
sobre isso, o que que é a praça da alfândega durante um ano todo, normalmente durante o ano todo a praça da
alfândega tem um determinado tipo de vida durante o dia as pessoas circulam ali e tal e durante a noite é outra
história, mas durante a feira do livro de porto alegre as pessoas e isso se ouve muito lá o depoimento delas dizem bom
agora eu freqüento a praça muita gente acaba indo pra retornando ao centro pra ocupa a praça durante a feira do livro
então tem um outro tipo de ocupação cria um outro nível de sensação e tal e esse tipo de ação, seja ele promovido,
como é no caso da feira do livro pela câmara do livro que não é uma entidade governamental ou sejam atividades
produzidas pelo poder público de algum modo se a população começar se apropriar desses espaços a impressão que
me dá é que se tem mais condições de se ter esse nível de segurança e porto alegre tem uma coisa importante que é
tem que ter um planejamento não é, a tantos anos se discute a questão por exemplo da integração das policias, o
major falou quer dizer o sujeito vem registrar ali com a brigada no centro lá da lomba ou de qualquer outro bairro da
cidade, tudo isso emboca de algum modo aqui o sistema nosso e aliás o centro não é centro né, ele é porto,
geograficamente não é, é preciso um trabalho mais sério de planejamento da cidade.
Douglas: A Maria Erni até pode contribuir com isso pra dizer o que o projeto ta pensando neste aspecto.
Pra isso, mas eu queria falar sobre os pontos críticos do centro quais seriam os pontos negativos do centro.
Germana: Eu vejo assim hoje temos muitos pontos positivos por que eu acho que o comércio é muito bom
no centro no sentido de encontrar coisas mais baratas, mais variedades, mas é maravilhoso coisa que a gente não
encontra nos shopping e nem nos pólos de bairros. Mas infelizmente se torna inacessível por que se tu vai de carro ou
de ônibus é um transtorno pra chegar até o centro na hora de estacionar tu vai caminhar no centroé um transtorno as
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pessoas se batendo, sabe é um fusuê de pessoas pra tudo que é lado, até tu chegar na porta do lojista claro tem esse
beneficio mas tem esse contraponto que é relevante, é muito mais cômodo entrar num shopping e comprar.
Douglas: E a parte cultural assim?
Germana: A parte cultural eu acho excelente, não sou assídua, mas vou com uma certa freqüência, acabo
freqüentando os teatros mesmo, desde aquela da duque que parte pela borges, que eu acho maravilhoso, um dos
lugares que eu acho mais bonito no centro a noite é passar pela ponte ali acho lindo aquilo a praça da matriz também,
a parte arquitetônica
do centro, se pudesse parar pra reparar a arquitetura ver como ela não ta restaurada e de
coisas demolidas, prédios que estão sendo demolidos, tu falaste deste passeio de ônibus, né e eu fiz, a gente ta
acostumado a andar pelo centro mas no ônibus na parte de cima a gente tem outra visão do centro e da arquitetura do
centro, dos prédios diferente daquele fusuê de pessoas pra lá e pra cá que te bate e sabe que eu acho horrível, então tu
tem outra visão do centro, outro ângulo bem mais interessante.
Fortunatto: Isso é muito importante, o que tu falou ai tu já viu a qualidade hoje do mercado foi feito no
glenio peres, uma praça que eu acho muito bonita. Nós gostamos de usar tanto é que botamos mesas, só que foi tirado
os ônibus e foi tirado sem ser discutido e o impacto pra nós foi muito grande. Passados dez anos a mesma coisa se
construiu, um elefante branco na minha opinião, porque? Porque o corredor norte nordeste não começou ainda e não
se sabe se vai começar e eu insisto no planejamento porque em qualquer país civilizado tu não ousa fazer as coisas
por que tem um secretário, tem um prefeito, tem um corpo técnico que tem que pensar. O candidato tem que ter
compromisso com a cidade, tem que pensar que ele é um herdeiro e tem que ser responsável e isso eu me preocupo
por que nós tempos uma cultura antiga de discutir só o eu e não só no mercado, a gente não tem isso, a gente discute
com a praça quinze, mercado público, chalé, sem contar guaspari, tudo ali, então nós somos procurados por que?
Porque a gente quer discutir o planejamento não só do mercado. Nós fomos procurar o outro mercado, porque o que a
gente quer é discutir planejamento não só do mercado, o que foi falado sobre o parque, nesse sentido, tem que parar
com a hipocrisia de querer contentar todo mundo e não contentar ninguém. No parque, você vai ter que discutir o
nível salarial de quem vai para lá, tem que ter poder aquisitivo razoável para poder estar ali. Tem que perder a cultura
de querer apenas botar no centro, tem que discutir isso, tem que discutir o cultural, nós temos que ter o centro para
nós, de Porto Alegre, também para Porto Alegre, nós temos que discutir isso, isso é uma coisa que o europeu tem, e
nós nos alienamos da cultura européia e não discutimos isso, né? Enquanto a gente quiser contentar todo mundo, a
gente não contenta ninguém. Geralmente política é fazer isso, é ficar de bem com todo o mundo, não tem o princípio
de administrador, isso faz falta.
Douglas: É, o João tocou num ponto interessante, que seria a parte dos moradores, quem tem moradia no
centro, como fica melhor pro comércio, quando existe a pessoa morando, ocupando aquele espaço. A Clarissa vê e
estuda essa parte dos moradores do Centro e vai poder falar qual é a realidade dos moradores do Centro hoje.
Clarissa: Eu acho que a experiência que eu tive com o Centro foi bem surpreendente, porque eu já editava
esses cadernos de bairro, ZH Bela Vista, ZH Moinhos, ZH Bom Fim, ZH Zona Sul, bem bairro mesmo, que as
pessoas moram naquele lugar, que é uma cidade à parte e usam o Centro pra outras coisas. Aí quando a gente foi
fazer o Centro, o princípio dos cadernos de bairro é ter o maior número de participação, leitores e colaboradores
possível. Até a gente vai dar uma mudada no ZH Centro radical daqui a um tempo: ele vai ser feito todo com a
colaboração da comunidade, eu tô trabalhando nesse projeto, até é importante eu estar aqui para me colocar à
disposição dessas lideranças que estão aqui, para a gente conversar de que forma a gente pode se ajudar. E aí a gente
foi fazer o Centro, eu pensei ”Bah, mas que colaboradores a gente vai ter no Centro, né?” No Centro as pessoas só
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vão, trabalham e vão para casa, quem é que vai nos mandar coisa assim, normalmente se manda foto do bairro, texto
sobre o bairro... O Centro é o caderno que hoje mais tem colaboração de leitor, de todos os cadernos da Zero Hora de
bairro. As pessoas que moram no Centro amam morar no Centro, é uma coisa assim surpreendente, fotos de pôr-dosol, assim, a gente tem uma nos outros cadernos e no Centro a gente tem 5, a proporção é gigantesca, as pessoas têm
o que dizer, tem muitas associações, parece que ninguém se mexe mas é o lugar onde mais se mexem as pessoas, na
minha percepção. E esse negócio da ocupação dos espaços eu concordo completamente, porque é uma das matérias
que a gente fez e identificou, que está de uma certa forma virando moda nos meios em que há mais informação, mais
intelectualizado, com um nível um pouquinho melhor de vida, voltar pro Centro. Então, é o que algumas pessoas
estão fazendo. Designers, fotógrafos, publicitários, compram apartamento bem baratinho ou alugam bem barato num
prédio que talvez não possa vender, reforma completamente o apartamento, faz uma coisa linda e usa todos os
serviços do Centro. Então isso é uma coisa legal que a gente identificou, que tá, claro, bem no início, mas eu acho que
com todas essas idéias pulsantes, de repente vai existir um dia um planejamento para isso, vai realmente fazer a
revitalização do Centro, sabe, mas é uma coisa iniciante, mas a gente já nota no nosso caderno pelo
comprometimento que essas pessoas têm com o lugar. É bem legal até vocês depois darem uma olhada, que
realmente surpreende, quem mora gosta, sabe? Esse negócio de segurança, todo mundo fala, eu achei que seria a
coisa que mais iriam reclamar, segurança, quem mora no Centro fala que não é tão violento como nos bairros, porque
tem mais movimento, tem mais fluxo de pessoas.
Douglas: Juarez, você queria falar da segurança?
Juarez: Se eu puder perguntar... Me diga uma coisa, diminuíram os assaltos quando botaram as câmeras e
tiraram PM das ruas, diminuiu ou aumentou?
Juarez: Não, não, PM é raro. Vocês vêem?
Juarez: O que eu vejo é um monte de câmera. Hoje tu entra num banco e não vê ninguém. Quer dizer,
câmera é mais fácil, né? Não precisa pôr roupa, não precisa ação. No momento que eu tiver um homem cuidando e
um outro para passar os chips pro controle, eu me sinto inseguro.
Major Maciel: Na verdade, não é isso.
Juarez: Eu acho que mesmo com esse monte de câmera, nós podíamos ter um pouco mais de PM, de
contingente na rua. O que um PM faz? Ele inibe e dá confiança pra gente andar na rua. Tem gente que não sabe que
tem câmera lá cuidando. O ladrão sabe já onde é que está a câmera. Uma câmera que não se conseguiu instalar foi a
câmera da Praça XV. Quer dizer, eu acho, eu não sou contra as câmeras, vamos somar, só eu acho é que falta
contingente independente disso.
Major Maciel: Vamos começar por parte: aquela câmera não foi instalada por falta de verba da Secretaria
de Segurança, só por isso. Senão, ela estaria lá, instalada normalmente. Só por esse caso ela não foi instalada ali
ainda. Segunda questão: eu não escondo PM, nem tenho xerox de PM, vamos deixar bem claro aqui. O senhor disse
que a gente tirou o PM da rua pra colocar câmera. Não, a câmera veio como forma suplementar. O PM continua no
mesmo lugar como sempre esteve. Na realidade, se colocou a câmera de forma suplementar. Eu simplesmente instalei
19 câmeras no Centro e mandei 19 PMs pra casa? Isso não é verdade, até porque o PM, como todo funcionário
público, tem uma carga horária a cumprir, e ele continua cumprindo a carga horária dele, no mesmo lugar, sem
exceção. Então, os PMs continuam no Centro, trabalhando como sempre trabalharam. Na realidade, além de mais
câmeras, nós ganhamos mais rádios. Hoje, todo PM do Centro está com rádio. Isso há dois anos atrás ele não tinha.
Até então, além de ganhar a câmera, o PM ganhou um rádio para ele poder atingir uma área maior. Antigamente eu
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tinha que colocar o PM na Andradas esquina da Borges sobre um pedestal para ele poder enxergar em volta, senão ele
não ia. Hoje eu não preciso. Hoje eu deixo ele ali embaixo, caminhando, ele pode ir até metade de uma quadra e
metade de outra, tem uma câmera olhando para ele. Quando ela vê o problema, ele ta ali, a meia quadra, 30 segundos.
Aí, quando o senhor anda na Andradas com Borges e não enxerga o PM, não significa que ele não ta ali, ele está na
esquina da Firmino de Carvalho, ele vai até a rua Uruguai, ele pode ir até a metade da quadra da Borges, porque a
câmera está ali, olhando por ele. Antigamente, ele não podia sair dali. Na verdade, se racionalizou a forma de agir, e
não ver não significa não ter, é diferente a coisa.
Cláudio: Só um instante, você me dá licença, o Juarez não é a Brigada, não é a primeira companhia, mas a
gente volta a discutir o problema da saúde publica, da educação, não é novidade que a cidade está com problema de
finanças. É publico e notório que, a partir de dezembro, a lei vai ficar pior ainda, e o efetivo não é aumentado na
mesma proporção que aumenta a população, então é essa a discussão que nós temos que fazer, e não é pecado o que
eu vou dizer, que a Brigada é modelo no Brasil, graças a Deus nós temos uma Brigada, mas nós temos que avançar
essa discussão, nós temos que planejar, isso envolve planejamento, planejamento de quantos por cento precisa de
efetivo. Se precisar de 10, vamos mandar 10. Se precisar de 6, vamos mandar 6. Porque nós, comerciantes, somos
quem gera emprego: de cada 10 empregos, 8 são de pequeno, médio e micro; de cada 10 empregos novos, 9,5 são
nossos, do Juarez, Cláudio e eu, então nós somos aqueles que contribuímos para o Estado, e o Estado tem que dar o
retorno. Nós temos que voltar a essa discussão, que se perdeu: o que é o Estado e qual é a função do Estado. Se falta
efetivo, vamos cobrar de quem faz fiscalização que tem que botar. Em vez de botar o carro novo de um deputado, ou
um terceiro motorista de reserva, vamos voltar a discutir isso. Analisa isso, tem que ter mais gente.
Douglas: Essa questão de segurança é bem polêmica, eu acho que essa questão vem crescendo. Os
problemas se multiplicam, mas como tu mesmo falou o trabalho da Brigada vem sendo executado e a gente tem que
aguardar projetos que visem melhorar ou alterar alguma coisa. Como eu passei a palavra pro Juarez, vou perguntar
para o Juarez como é morar no Centro, o que você sente morando no Centro, como é o dia-a-dia, seu sentimento de
parte da vivência, até porque dá para dizer que o Centro é rico.
Juarez: O Centro é rico, a gente que chega lá cedo vê, 7 horas da manhã, o pessoal acordando, aquele
amanhecer, aquelas ruas vazias se enchendo devagarzinho, aquilo é vida, eu me sinto vivo. Os dias que eu me sinto
pior é no sábado e domingo, que eu não venho pro Centro, entendeu? Quer dizer, é vida, mas é uma vida que a gente
tem que ter um pouco de segurança independente disso. Por exemplo, um turista outro dia estava numa fila. Eu vi um
ladrão atrás dele, mas se saísse caminhando da Borges até a Mário Quintana, não acharia nenhum PM por ali.
Antigamente, quando eu andava pela rua, eu saía da boca da Voluntários até a ponte e voltava e não acontecia nada.
Era outra vida, né?
João: Eu só queria chamar atenção para um outro aspecto que acho importante. Essa sensação que a gente
tem que as pessoas que moram no Centro, que trabalham no Centro, gostam do Centro, ela é real, mas o que não se
está conseguindo fazer é que haja uma sensação de pertencimento maior, de tal modo que a gente se aproprie e
comece a pressionar para que as coisas funcionem e funcionem para a coletividade. Por exemplo, de tal ponto até tal
ponto não tem PM. Na maioria das ruas da nossa cidade não tem lixeira. Tu pega uma bala e tu tem que andar com
aquele papel no bolso até achar um lugar que tenha. Há uma série de faltas de serviços, isso são em várias áreas. A
gente tem uma certa e a gente agora está na Semana Farroupilha. A gente tem um certo orgulho gaúcho, né, nós até
nos achamos mais isso, mais aquilo, em relação a esse ou aquele povo, e no entanto há uma série de coisas que a
gente diz como “ah, nós somos grandes leitores”. A câmara do livro está encomendando, está começando hoje, por
sinal, uma pesquisa, no Rio Grande do Sul inteiro, pra detectar os hábitos de leitura da nossa população. Nós temos
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uma riqueza de sebos na nossa capital fantástica, essas livrarias de livros usados, livrarias de livros novos, enfim, a
freqüência tem caído de pessoas que freqüentam esses locais. Há, de fato, um certo movimento intelectual, mas ainda
muito lento, de retorno. Na verdade, a gente vive uma queda. Se tivesse seguido aquela tendência mais antiga no
Centro das confeitarias, casas de tango. Isso, lá pelas tantas, houve uma queda, houve uma coisa que era a
modernização, começou a se destruir uma série de prédios no Centro da cidade, casarios antigos e uma verticalização
da cidade, e ainda há que pressionar hoje o poder público, para que se faça um inventário de um monte de prédios. Há
inúmeras casas maravilhosas no centro da cidade que estão ali, se deteriorando, daqui a pouco caem, etc e tal. Há, eu
acho que, essa necessidade de resgate, essa volta para esse movimento, que as pessoas freqüentem mais cafés, já está
começando a surgir, já tem aqui, pela volta do Centro, alguns lugares “transadinhos”, né, lugar para se beber um bom
vinho tem agora, afora o Mercado, que sempre manteve isso, aqueles lugares tradicionalistas. Mas há que se pensar
culturalmente o que que nós, como população, podemos fazer para isso, já chamou a atenção o aspecto da segurança,
mas isso é um todo. Quer dizer, quando a gente não pressiona o setor público para botar lixeira nas ruas, para agente
poder colocar o resíduo, enfim, tem que mais esse sentimento de pertencimento, de cidadão que se vê de forma mais
coletiva.
Cláudio: João, só um aparte nisso tudo, eu estou observando cada um que está falando e, dentro do meu
negócio, escuto muita gente pensante, pessoas que têm conhecimento de causa. Está havendo uma descrença do povo
brasileiro nas coisas que tem. Perdeu-se o elo com as tradições das coisas importantes do cidadão. As pessoas não
brigam mais, o povo brasileiro é um povo apático em relação a isso, ele não briga por seus direitos. Se brigasse por
seus direitos, não estaria essa bagunça que está o país politicamente, roubando em tudo quanto é lado, é um terror
isso... Não se pode botar a mão. E você vê em pleno ano eleitoral essas baboseiras que eles botam na televisão,
mostrando que o cidadão é obrigado a votar, que ele é o patrão disso, o patrão daquilo. É uma vergonha isso, porque
o exemplo vem lá de cima pra baixo. È tanto furto, tanto roubo, tanto desvio do dinheiro público que não se pode
investir mais naquilo que se investia, nos pilares da saúde, da educação, da segurança pública, se o Major me permite,
ele deve fazer das tripas coração pra fazer um policiamento digno na capital gaúcha, mas falta gente. Falta, porque eu
chego de madrugada, eu não vejo nada disso. | Por que eu chego de madrugada, eu não vejo nada disso, então é uma
série de problemas, e isso acontece no grupo que temos aqui hoje, nós estamos tentando trabalhar, cada uma na sua
área, temos que realizar pesquisa encima disso. Mas realmente é uma coisa terrível tchê, vivemos num momento
terrível em todas as áreas. E resgatar as suas área perdidas, isso é fundamental, você falou da Feira do Livro, isso é
bonito, é lindo isso, porque porque tem segurança, ta lá a loja da RBS, tem um público que vem ao centro, dá a vida
ao centro. Normalmente o centro tem muitas áreas abandonadas, tem que ter esse momento pro poder público, essa
parte cultural de criar coisas em benefício ao centro de Porto Alegre. Não só hoje no mercado, toda a área central, e
muitos desses problemas seriam solucionados, nós estamos hoje aqui fazendo discussões sobre problemas de
segurança, coisas que realmente,eu acho que não (se vira para Douglas)...
Douglas – acho que realmente, falar desse sentimento com o centro, desse pessoal que tem relação com o
centro, até o senhor Luiz Carlos poderia falar, perguntei pro seu Juarez, senhor Luiz Carlos, como é que o viver no
centro no dia-a-dia né. Porque o centro oferece essas facilidades todas, e por isso que o senhor mesmo falou que é a
proximidade das coisas que a gente não pensou, mas também o senhor desenvolve costumes no centro quais são os
seus costumes no centro, no dia-a-dia?
Luiz Carlos – Eu tenho uma queixa do centro, já porque moro perto, eu moro entre, na Duque de Caxias
entre Bento Martins e João Manuel, e eu acho terrível que a nossa Praça da Matriz seja o que é a praça da Matriz.
Ela, eu chego a dizer que aquilo ali é uma praça de quatro poderes quando não cinco poderes. Há pouco tempo atrás,
melhorou um pouco, há pouco tempo atrás o pessoal dormia nos canteiros da praça da Matriz. Dormiam, tinham até
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colchonetes na praça da Matriz. A minha filha 7 e meia da manhã foi assaltada, numa dessas entradas da Praça da
Matriz. E esses dias, eu tenho um problema de vascularidade na perna direita, que é insuficiente, e eu preciso sentar
de vez em quando, e então eu comprei uma cadeirinha, minha mulher sai comigo e eu tenho uma cadeirinha, porque
não tem onde sentar, você vai na Praça da Matriz, tem poucos bancos, os bancos são do tempo que isso era possível,
cabe quatro num banco, e ali serve de cama. Pra sentar na praça da Matriz em certas horas tu não tem onde sentar,
porque tem gente dormindo encima dos bancos. Eu não sei até que ponto essa idéia pode ser válida, porque eu tava
dizendo pra minha mulher, eu acho que hoje em dia se devia fazer mais bancos nas praças, mas banco pra duas
pessoas, porque num banco de quatro senta dois, os outros não sentam. Porque são dois conhecidos, e os outros não
sentam. Então serve esse banco pra cama. E banco pra dois não tem cama, porque sobra a cabeça e sobra os pés, o
cara não vai dormir no banco. Eu não sei até que ponto essa validade, essa idéia pode ser valorizada, eu acho que a
Praça da Matriz poderia ter muito mais bancos, e banco pra duas pessoas. Até pra namorado, fica melhor...
Douglas – a Maria Erni pode antecipar um pouco o discurso sobre o Viva Centro, e falar amplamente, do
que que se trata e, pra quem não conhece né, que a gente falou no começo, citou no começo mas não falou do que que
se trata.
Maria Erni – bom, tem duas coisas sobre o programa né, que é do centro, é um dos núcleos dos programas
prioritários da administração, então tem gente do programa e o objetivo do programa é buscar uma maior articulação
né, em termos institucional, dentro da própria prefeitura. Ahn, paralelo a isso a gente está trabalhando pra fazer um
plano estratégico pro centro. Que na verdade assim, o Viva o Centro faz 20 anos que existe, o Viva o Centro então,
que vem da administração passada, aliás acho que eram outros planos de revitalização da área central, mais nunca se
trabalhou estrategicamente né, de montar um plano para discutir assim ações de curto, mais de médio e longo prazo
né, o que se pretende no centro né...
Douglas – e quais são os pontos principais do projeto? Eu queria entrar, numa primeira abordagem assim, o
que ele pretende alcançar?
Maria Erni – bom ele busca um plano que seja estratégico né e institucional. A gente tá numa etapa assim
de levantamento de diagnóstico né e a idéia é envolver a comunidade, pessoas que atuam no centro né, através de
oficinas, e montar um mapa estratégico né elencando quais seriam os eixos né que seriam importantes de atuar no
centro. A gente assim, de primeira mão, tem o eixo ambiental que é muito importante na área central, a questão dos
espaços públicos, a questão de mobilidade, ahn, a questão de segurança né, também é uma coisa importante...
Douglas – a questão de mobilidade, que a gente não tratou, falamos pouco agora aqui, ahn, como a senhora
falou, foi a questão dos camelôs né, que até ali ocupa bastante o centro da cidade e, nos fins de semana, no final do
dia, isso é um ponto de conflito com o pessoal do comércio. A Solane podia falar sobre os camelôs e o que isso
dificulta no dia-a-dia do centro....
Solane - Ai, dificulta em tudo, eu acho assim os camelôs é, atrapalham né, eu como trabalho ali há anos, é
um ponto muito negativo do centro da cidade...
Douglas – mas tem pessoas que vão no centro pra comprar do camelô, e então eu queria que você me desse
essa idéia...
123
Solane – Ai eu, poisé né, eu não sei, um planejamento de como tirar, existe um plano de tirar eles dali, mas
né...
Douglas – tu se refere à parte do centro, aquele parte ali onde tem o transporte público do ônibus né?
Solane – o Mercado Público
Douglas – o Mercado Público ali, e é assim todo dia...
Solane – é sim, todo dia, no horário de almoço, eu vou à loja, eu passeio no centro, como a Germana falou,
tem assim a cidade é muito bonita, a a a o arquitetônico dela é muito linda né, tem muito prédio estragado né, que eu
acho que poderia assim ahn, ser aproveitado, ahn, o mercado que eu gosto, eu já citei, tem o Chalé da Praça XV, que
é um lugar muito freqüentado, desde criança, pessoas de idade, jovens, ahn a Praça da Matriz né, que ta meio
abandonada mas é um lugar bonito, né, a Otávio Rocha, há um tempo atrás, há uns anos atrás ela já foi revitalizada
né. Tem a questão das floristas, que ele falou também, que eu acho que é uma, é assim, eu acho que isso é uma
questão de cidadão também né, cuidar. As floristas têm o espaço delas ali e, todo mundo gosta, mas o pedaço que elas
ocupam é totalmente depredado, a calçada esburacada, ahn, sabe, eu acho assim que tem que cada um cuidar, seu
espaço né...
Douglas – de limpeza né, tu acha que ali, o Centro ali, no teu ponto de vista...
Solane – no meu ponto de vista, tem dias assim que eu posso dizer que tá bem, outros dias não. Uma
questão da lixeira, a gente anda quadras né, com papel na mão, eu coloco dentro da bolsa que não tem uma lixeira.
Né, tem um ponto de ônibus ali na Salgado Filho, que bem no ponto do ônibus existia uma lixeira há um ano atrás,
ela foi quebrada e nunca mais foi colocada, então ali é lixo, todo mundo atira o lixo. Às vezes tinha, quem lembra né,
eu lembrava, semana passada eu sabia que tinha ali, passa ali e atira o lixo...
Fortunato – eu participei seis anos no antigo Viva o Centro, que é o mercado, que virou eu acho, foi só um
fórum de serviço, eu sei que tu dissesse que os outros centros têm isso, mas não me interessa os outros centros, das
outras capitais. O Rio Grande do Sul sempre foi vanguarda, e não é por que os outros centros têm que eu vou ter, não
é porque os outros aceitam que eu vou aceitar. E isso é discutir, porque é bonito a Europa tem, a gente também tem.
Não, mais do que isso, inclusive o centro agora tá fazendo agora o que é certo, um diagnóstico, descer do pedestal e
escutar essa comunidade, conversar, interagir. Se todos fizessem isso a coisa é mais fácil, porque o poder de império
do Estado é assim, eu crio de direito as coisas, dou um canetaço. Bota na prática, se não tem senso comum, nem um
tijolo tu consegue. E isso é uma coisa que ainda existe essa cultura, porque eu tenho poder de império, eu mando, e se
cumpra. Só que na área, no dia-a-dia, conforme a gente falou, nas 24 horas do dia-a-dia, não tão lá construindo né,
então agora no centro se começa a pensar o que se tem que se fazer antes, discutir com as pessoas que são agentes, o
que elas vêem, pra poder construir aí sim, o conhecimento empírico-científico.
Douglas – ahn, a prática de..., como a Solane estava falando...
Solane – só, só um momento, só deixa eu concluir isso. Tem gente que não gosta, mas eu acho que assim, o
centro de Porto Alegre é sedento de ônibus, de transporte. Dali tu te desloca pra qualquer ponto da cidade, Grande
Porto Alegre, pra qualquer cidade. Eu acho, tem gente que não gosta mas eu acho isso muito importante. É porque
nem todo mundo tem carro né, então... eu acho isso bem importante...
124
Fortunato – o major fez uma colocação, agora há pouco, de um censo de pessoas que são transportadas,
nós fizemos um censo no Mercado Público há uns anos atrás, até foram alunos das UFRGS. E nós ficamos
surpreendidos quando chegou a marca de 300.000 pessoas que circulavam pelo Centro, pelo Mercado, não pelo
Centro. É um trânsito... Quando os alunos fizeram o levantamento e nos apresentaram lá (?), realmente o que que é o
poder do centro, aquele quadrilátero pro povo, o ir e vir, (?) é uma coisa impressionante...
Solane – é tu vai na feira do peixe né...
Fortunato – 300.000 pessoas em dois dias...
Solane – é, tem... foi falado da Feira do Livro né...
Germana - mais em paralelo à questão das lixeiras, a limpeza também né, porque é lastimável andar pelo
centro, a sujeira no chão, um cheiro horrível né... realmente... Afasta cada vez mais as pessoas. As pessoas vêem o
centro como uma chegada e uma ida. A pessoa sai do seu trabalho, do seu escritório, pega o ônibus e vai embora,
sabe, não tem vontade de ficar ali, de ficar curtindo, vendo, o que pode tá proporcionando o centro, o comércio. Tem
variedade, tem preço bom, tem a parte cultural também, então isso é mais um dos motivos né, e também pela
segurança que é um ponto bem importante (?)... 10 flanelinhas, e eu sou obrigada e ficar indo com o dinheiro todo, eu
tenho amigos que fica constrangido, a gente tem que enfrentar, vai deixar de assistir num evento por causa de um
flanelinha, mas muita gente não vai por esses motivos.
Marcelo – essa questão da limpeza no centro realmente é complicada, pela quantidade de moradores de
rua...
Solane - Mas só deixa eu, isso aí é uma questão de cultura né, a educação, toma um cafezinho, um
refrigerante, dez metros não vai encontrar uma lixeira, que que ele faz, atira, amassa e atira...
Fortunato - Tem duzentas lixeiras e mesmo assim atiram no chão...
(muita gente falando junto)
João Carneiro – ...é cultural mas também tem que ver com a forma como se aplicam as leis às vezes as
pessoas falam assim “ah, tem que ter lei pra isso”. No mercado tem uma placa que eu acho fantástica ali na parte de
cima “este passeo...” né, e estabelece a multa pra quem jogar, tem lá fora pra lixo... tal.... a gente... a questão do
comércio, por exemplo quando se fala em camelô, também é preciso ter o referencial, existem vendedores ambulantes
e outros vendedores...
Juarez – na minha época, pegava uma toalha né, bota um cordão, hoje não, o camelô tem uma cadeira de
praia, uma cadeira pra visita, e uma mesa
(muita gente falando)
João Carneiro – então tem que diferenciar isso e o poder público tem que agir muito fortemente nisso..
125
Cláudio: Deixa eu fazer uma colocação sobre limpeza. Vou contar uma coisa pra vocês.... Falar em
camelô... Na área central... Vamos falar em banheiro publico na área central.
Juarez: Não existe...
Cláudio: Só isso... Não vamos citar mais nada... Vocês vão na Praça da Alfândega e lá tem um banheiro
público. Mais pro Centro não tem mais nada. Praça Quinze... No Mercado Público tem quatro banheirinhos lá em
cima, pra... pro povo que está lá dentro e mais o que tá circulando e o que mendigou pra dentro... que é uma
vergonha... Uma coisa mal calculada e mal feita. Na verdade nós passamos por uma reforma no Mercado, os
banheiros foram estirpados do Centro, do chão da Praça Quinze tiraram um banheiro...
FORTUNATO: Parobé...
CLÁUDIO: Parobé também tiraram. Os banheiros da porta do terminal do Parobé, os caras roubam
lâmpada, torneira. Roubam tudo lá de dentro. E no Mercado também roubavam por conta que era de graça. Tivemos
que cobrar uma caixinha mínima para filtrar o elemento que entrava no Mercado. Que era uma bagunça. Roubavam
tudo: saboneteira, o que imaginar eles roubavam... até chuveiro eles levavam pra casa.
FORTUNATO: É a mesma taxa
CLÁUDIO: É a mesma coisa. E ai me surpreendeu o seguinte: vamos falar agora nos camelôs da rua...
Vocês imaginam aqueles homens e aquelas mulheres que trabalham na rua o dia inteiro. Onde é que eles vão no
banheiro? Muitos urinam num saquinho plástico e jogam na beira da calçada. Aí dá a fedentina que você falou do
centro... Eles lavam de manhã, limpam. Então não adianta...
Solane: A sujeira que fica ali... a sujeira junto do caminhão
MARCELO: Essa questão, até, da limpeza, ai... Não sei até onde adianta dar sugestão aqui, mas... Em
Amsterdam, por exemplo, que que tem? Tem tipo uns biombos no meio da rua, com um buraquinho onde o pessoal
vai lá e faz suas necessidades. Agora... É um biombo de aço chumbado no chão que ninguém vai carregar pra casa.
Claro que também só serve para homens, ou seja de repente é uma solução...
FORTUNATO: Enquanto a gente consegue se indignar com a coisa, ainda tá bom, né?
Dá para se gabar, né? Nós temos essa coisa de cidade. Falando nisso, volta a cultura de se indignar de novo com a
estrutura pública, pessoal. Por que assim... ó... De novo estamos discutindo, mas para que se criou o Estado? Para
administrar bens públicos, para nós podermos ter a nossa vida privada. Mudou essa lógica. Hoje nós temos que
entender que falta gente, falta recursos, falta tudo. Aí enquanto para nós não falta nada... Isso é uma discussão que
não é desrespeitosa, mas nós temos que fazer essa discussão. Porque tu me desculpa, Douglas, assim... ó... aí eu vou
ter que me preocupar se falta gente para a Brigada, ou se a SMIC não tem horário, ou se a EPTC... eles tão lá, são
Estado, cobram as taxas de impostos, tributos, pra isso e tem que lá estar. E isso que não está... Tá ou não tá? ... Não é
o Centro. Se tu for na Restinga, na Glória, em Gravataí, em Viamão, vai ser a mesma coisa, porque há uma omissão
do Estado, há uma falência do Estado. O Estado faliu e não se tem coragem de discutir isso. É uma prestação de
serviço, mas o que que nos presta? Procurar em lixeira... mas não...
126
DOUGLAS: Desculpa te interromper, ãh... Fortunato, ãh... a questão é a seguinte, é que na nossa pesquisa
a gente tá tentando focar um sentimento, percepção do porto-alegrense. A gente sabe que existe problemas seríssimos
no Centro e não são só ligados a... a parte da limpeza, a parte de... do comércio ... Segurança. Com certeza isso aí tem
que... tem que ser mudado, só a que a gente... pra gente a gente quer ver o que o porto-alegrense sente em relação ao
Centro e como ele tá vendo o Centro hoje. Então eu pareço um pouco superficial,
FORTUNATO: Não....
DOUGLAS: Mas é que a questão não é que a gente não quer ... ãh... ãh... entrar na parte do... do que a
gente vai ter que partir e mudar. Eu acho então que tu tem que pensar nessa idéia...
CLÁUDIO: É... mas se tu vai perguntar pra mim isso aí eu vou te dizer o que o “negro preto” disse: que o
Centro lá é uma esculhambação.
FORTUNATO: Noventa por cento do território está no Centro. Os poderes tão no Centro. Tá toda a
estrutura no Centro e tu não pensa... é isso que eu digo, assim ó... nós estamos falando do Centro, estamos discutindo
o Centro... Mas os quatro poderes não tá... o Ministério Público também hoje não é um poder? É. E bom que seja...
Os quatro poderes estão no Centro, a... o CTC da Brigada está no Centro... na Praia de Belas , próximo ao Centro.
Oitenta por cento acho do que se tem de museu, teatro, cultura tá no Centro, então assim ó... oitenta por cento tá lá e
tu não tem vinte por cento de investimento da estrutura pública lá, rapaz. É uma coisa de serviço.
DOUGLAS: O que a gente pode fazer, agora, pra ver como é que a gente encara o Centro...É pedir para
cada um falar uma palavra, uma frase. O que que é o Centro para ti? Certo?
Por que daí eu acho que ... ãh... que com isso a gente vai apurar uma realidade do Centro que depois a gente pode
concluir... Então vamos começar pelo Seu Cláudio... O quê que é o Centro para o Senhor?
CLÁUDIO: Bem... O Centro para mim... pra mim é o espaço prazeroso, eu trabalho a minha vida toda no
Centro. Mas ele como qualidade de Centro deixa... deixa a desejar para mim como cidadão.
FORTUNATO: O Centro para mim é o reflexo da nossa cultura, porque não se quer um senso de Nação,
se quer um senso de País... E o Centro reflete isso. Porque não se tem organização, planejamento e não é por acaso.
Porque eu acho que com um senso de Nação, culturalmente nós teremos um primeiro País. E o gaúcho é perigoso. Se
o gaúcho tiver esse senso vai levar os outros.
MARIA ERNI: O que chama muita atenção no Centro é a heterogeneidade social que existe no Centro,
acho que ele oportuniza assim que várias... né? Camadas sociais freqüentem, utilizem a área central.
Solane: Eu acho que é como ele diz, assim... Centro para mim é o reflexo da nossa cultura, geral.
DOUGLAS: Seu Luís Carlos...
LUIS CARLOS: O Centro pra mim hoje em dia ele é muito bom pra... pra mim morar, mas pra andar na
rua há muito tempo que não é bom. A minha filha mais velha do segundo casamento tem 29 anos. E ai eu descobri
que tinha que carregar o... carregar o carrinho do nenê. O que que é as calçadas de Porto Alegre de trinta anos atrás,
127
até hoje... É a mesma coisa... Hoje é pior ainda, mas há trinta anos atrás a calçada para carregar um carrinho de nenê
era brabo... é difícil...
DOUGLAS: Clarissa...
CLARISSA: O Centro pra mim é uma região de Porto Alegre que é quase que um patrimônio histórico e
cultural pra a cidade, com potencial turístico e econômico..., cultural, muito grande e muito mal explorado.
Abandonado.
DOUGLAS: João...
JOÃO: Eu vou na linha do Fortunato... Acho que o Centro reflete, eh... o que é a nossa cultura. E... ao
refletir isso tem as coisas maravilhosas que nós temos, patrimônio histórico, de cultura, de convivência, de
mercadorias, enfim... E por outro lado trás também todas as nossas deficiências culturais também. Acho que ele
reflete isso mesmo. Há que a gente tentar como usuário do Centro fazer com que a parte positiva se (risos) fortaleça...
GERMANA: Ãh... Eu vejo o Centro como um local que era muito bom há décadas atrás, acredito que até
80, ali. Era um lugar bom, de... de ponto de encontro com amigos, centro cultural, de moradia. E com o crescimento
econômico-populacional..., globalização, tem sido esquecido, né? Então as pessoas tão só preocupadas em ir pra
trabalhar... com seus próprios recursos... se esquecendo do restante.
MARCELO: O Cláudio falou que o Centro é uma esculhambação. Eu concordo, mas acho que isso dá um
certo charme pro Centro, pra mim. Porque justamente por ser essa esculhambação, que tu convive com gente muito
diferente, com coisas muito diferentes. Tu tem uma loja... ãh... que tu pode comprar um aparelho super novo e tu tem
um camelô lá que vende pilha do Paraguai, sei lá...
Acho que justamente essa esculhambação, a própria cultura, dão um certo charme
CLÁUDIO: É, a palavra “esculhambação”, só pra reiterar, não é... é que é.... Há tanto desacordo, há tanto
desentendimento entre os poderes públicos, que eu acho, em administrar uma cidade. Por isso que eu citei essa
palavra. Agora em si a cidade não... Falar em Porto Alegre eu brigo por ela. Vou brigar por ela. Porque a ciência do
porto-alegrense é infindável. Eu tenho um carinho muito grande, entre a relação entre a população e entre si.
MAJOR MACIEL: Por falar nisso vou também na mesma linha. No Centro de Porto Alegre tu encontras
pessoas da Classe A à classe D. E essa diversidade de cultura que é o bom do Centro.
Na realidade hoje tu encontra do mais sofisticado ao mais simples, do mais difícil, do mais complexo, ao...
a tudo que se imaginar no Centro de Porto Alegre. Isto é o lado bom do Centro que a gente tem que tentar mostrar.
E... que a grande dificuldade do poder público hoje é que ele trabalha, uma coisa que foi o Fortunato que falou. Na
verdade hoje o Centro de Porto Alegre não é só Porto Alegre, não... é toda a Grande Porto Alegre. Então hoje tu tem
uma dificuldade com morador de rua que são 35 ali na Praça da Matriz, né? Porque a grande maioria não é de Porto
Alegre e os órgãos que tem que resolver são de Porto Alegre. Pelo menos não conseguem dar uma solução para
aqueles 35, porque eles não tem influência nenhuma em Cachoeirinha, em Gravataí. Então eles terminam ficando
com as mãos amarradas. E por fim, vou falar um pouquinho da nossa imprensa. Hoje a imprensa vende “convercê”.
Então, hoje eu cometo um furto na escadaria da Independência, que pertence ao bairro Independência, e a imprensa
não coloca furto na Independência... Furto no Centro. Porque isso vende mais... Chama mais atenção. Hoje a
população compra porque é no Centro. Enquanto na realidade também se vende essa imagem negativa. O Centro
128
também atrai isso. Esse lado ruim. E ai cria essa sua sensação, essa sensação de medo, e muitas vezes o problema que
tá acontecendo lá no bairro Independência, não vai chegar nunca perto do Centro. E ai nunca vai sentir isso. Mas o
senhor lendo o jornal, vendo na mídia, termina comprando essa idéia e tendo esse sentimento, também de
insegurança.
DOUGLAS: Seu Juarez, o senhor...
JUAREZ: O Centro para mim é tudo, nós temo que lutar, temo que... olhar pra frente... nós somos gaúcho.
Vamo preservar o resto de Porto Alegre e o seu centro.
DOUGLAS: Obrigado. Então agora vou chamar o Professor Nique para fazer o encerramamento do nosso
grupo motivacional.
MARIA ERNI: Eu poderia só pra... pra aproveitar a oportunidade que estão todos reunidos. Que agora, dia
10 de... de outubro a gente tá organizando uma oficina de discussão do Centro e eu... não sei... se teria a permissão de
todos... se vocês pudessem depois nos passar o endereço eletrônico, para gente ter um contato.
MARCELO: Posso fazer um comentário? Eu moro no Centro há dois anos e agora vocês falaram que tem
várias associações comunitárias, mas eu nunca vi nada a respeito. Nunca chegou, sei lá, um panfletinho na minha
caixa de correio...
FORTUNATO: É que falta recurso... falta...comunidade...falta dinheiro... né... tem... tem... tem morador...
que tem uma casa... na rua da praia...
MARCELO É complicado... porque também quando sai no jornal também, é uma página lá no meio que
em geral é uma sessão que tu nem olha... em geral é isso...
CLARISSA É pra isso que tá existindo o ZH Centro, vamos ver se a gente consegue...
CLÁUDIO Tu já pensou em criar uma página do ZH Centro só pras comunidades, das outras coisas,
porque o...
CLARISSA: não mas a gente sempre procura divulgar as reuniões, os telefones diretos da Brigada,
também, que é uma coisa que eu também nem sabia que existia esses telefones. A gente procura dar uma mão, só
que... tem que ajustar a circulação. (risos)
NIQUE: Bueno, então eu quero aproveitar para agradecer vocês pela presença...
(continua apenas com Nique)
129
ANEXO 4
DICAS PARA O PROCEDIMENTO DE AMOSTRAGEM
-
Cada aluno deve aplicar 20 questionários ( cada aluno é responsável por 2 quadras).
Cada aluno deve aplicar 10 questionários por quadra ( caso você não consiga aplicar 10
questionários em sua quadra, aplique os questionários faltantes em quadras próximas a quadra
de origem).
-
Deve-se mapear todas as residências da quadra e preencher a folha entregue pelo grupo da
amostragem. (Apenas residências voltadas para a rua devem ser consideradas).
- Respeitar o sentido e a ordem das “flechas” indicadas em sua ficha de reconhecimento de
quadra.
Após o “mapeamento”, para determinar qual residência será entrevistada deve-se aplicar a
seguinte fórmula:
Nº de residências
10
Ex: minha quadra tem 68 domicílios... 68/10= 6,8 (existe uma convenção que sempre que der
número com virgula se arredonda pra baixo).
Portanto, eu pularia os domicílios de 6 em seis.
A entrevista deveria ser feita na casas: 6,12,18,24,30,36,42,48,54,60.
•
Se por algum motivo algum você não conseguiu aplicar o teste em uma das residências
volte para a residência anterior da lista e continue pulando o intervalo que foi o resultado
da fórmula.
EX: consegui aplicar no 6, 12 mas na 18 não consegui aplicar, portanto aplicarei o teste na 17 e
pularei 6. Resultado: ir na residência 23, 29, 35,41,47,53,59.
-
Guarde a folha do mapeamento e preencha corretamente todos os dados do questionário.
QUALQUER DÚVIDA ENTRE EM CONTATO COM SEU FACILITADOR
PRAZO FINAL PARA A ENTREGA DOS QUESTIONÁRIOS REALIZADOS:13/11/2006
130
ANEXO 5
PLANILHA DE RECONHECIMENTO DE QUADRA
131
ANEXO 6
PLANILHA PARA SORTEIO DE QUADRAS
Escolhidos:
3458
3478
3227
967
3750
4144
5243
1302
2301
5228
44
5075
4630
119
695
472
2978
576
2524
5154
1941
2044
2422
3150
2782
7
963
5010
634
1545
5204
4980
289
85
5214
3955
2058
2238
867
3728
2296
3699
Aleatório:
Universo de
Quadras
Quadras
Alunos
541
5736
68
34
132
ANEXO 7
PLANILHA DE AMOSTRAGEM BASE
Id.
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
Quadra
1
7
85
153
404
472
576
634
697
863
963
1120
1153
1545
2024
2058
2176
2264
2301
2422
2524
2757
2837
2978
3227
3478
3728
3955
4355
4647
4980
5075
5154
5214
5243
Quadra
2
44
119
289
438
541
582
695
719
867
967
1143
1302
1941
2044
2162
2238
2296
2327
2451
2569
2782
2935
3150
3458
3699
3750
4144
4630
4939
5010
5094
5204
5228
5625
Nome
Aleatório:
19
133
ANEXO 8
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO
Porto Alegre, 27
de outubro de 2006.
Porto Alegre, 27 de outubro de 2006.
Estimado senhor/senhora,
Venho por meio desta apresentar o aluno ANA PAULA
BRAUWERS, regularmente matriculado nesta Universidade Federal do
Rio Grande do Sul – UFRGS. Que está representando a Escola de
Administração nesta pesquisa cujo objetivo é “A percepção do centro de
Porto Alegre pelos seus habitantes”.
O questionário é parte integrante desta pesquisa que e se
insere no contexto da disciplina de Pesquisa em Marketing, do curso de
Administração, por mim ministrada.
A sua colaboração em responder
apresentadas é fundamental para o sucesso do trabalho.
as
questões
Atenciosamente,
Prof. Dr. Walter Nique
EA/UFRGS
3316-3827 e 3316-3536
134
ANEXO 9
QUESTIONÁRIO (QUE FOI REDUZIDO PARA CABER EM UMA PÁGINA EM FRENTE E
VERSO)
GERAIS E CULTURA / LAZER
1. Qual seu sentimento em relação ao Centro?
7. Q uantos muse us você acha que te m no Ce ntro?
1.De 1 a 3
1.Odeio
2.De 4 a 6
2.Não Gosto
3.De 7 a 10
3.Indiferente
4.Mais de 10
4.Gosto
5.Não sei / Não quero responder
5.Gosto Muito
6.Não sei / Não queo responder
2. Q uai s de sse s l ugare s se l ocal i z am no Ce ntro
01.Mercado Público
02.Gasômetro
03.Shopping Praia de Belas
04.Rua dos Andradas
05.Hospit al Sant a Casa
06.Redenção
07.Rodoviária
08.Casa de Cult ura Mário Quint ana
09.Viadut o da Borges
10.Não sei / Não quero responder
8. Q uando você vai ao C e ntro para se di ve rtir, costuma i r ao:
1.Cinema
2.Museus / Cent ros Culturais
3.Rest aurantes
4.Bares
5.Casas Not urnas
6.Parques
7.Não freqüento o Centro como opção de lazer
8.Outro:
9.Não sei / Não quero responder
Você pode m arcar diversas casas (7 no máximo).
9. Se 'O utro:', de fi na:
Você pode m arcar diversas casas (9 no máxim o).
3. Q ual o princi pal moti vo de i r ao Ce ntro
1.T rabalho
A questão só é pertinente se Locais para lazer = "Outro:"
Você concorda com as afirmaçõe s abaixo?
1
2.Compras
3.Lazer
4.Out ros
5.Não sei / Não quero responder
4. Se 'O utros', de fi na:
A questão só é pertinente se m otivo ir ao centro = "Outros"
5. Q uando você vai ao Ce ntro, qual o te mpo de pe rmanê nci a?
1.At é 1 hora
14. Nos finais de semana, o Cent ro é um local
para o lazer
16. O Centro é um ótimo lugar para se divertir
4.Mais de 5h
17. As praças do Centro são um bom lugar para
lazer
2.2 a 3 vezes por mês
3.1 vez por semana
4.2 a 3 vezes por semana
5.T odos os dias
6.Não freqüent o o Cent ro
5
13. Sou bem informado em relação aos eventos
cult urais do Cent ro
3.De 3 a 5 horas
1.1 vez por mês ou menos
4
12. As opções cult urais do Cent ro são maiores que
as dos out ros bairros.
15. O Centro é um bom local para prat icar
esport es
6. Com que fre qüe ncia você vai ao Ce ntro
3
11. Há um grande número de atrações cult urais no
Cent ro
2.De 1 a 3 horas
5.Não sei / Não quero responder
2
10. Encont ro at rações cult urais int eressantes no
Cent ro
Discordo Totalmente (1), Discordo em parte (2), Indiferente (3), Concordo
em parte (4), Concordo Totalm ente (5), Não sei / Não quero responder (6).
18. No C e ntro há boas opçõe s de al i me ntação
1.Discordo T ot almente
2.Discordo em part e
3.Indiferente
4.Concordo em parte
5.Concordo T otalment e
6.Não sei / Não quero responder
7.Não sei / Não quero responder
135
6
Ide ntifique a fre qüe ncia das que stões abaixo
30. Eu moraria no Ce ntro se fosse...
1
2
3
4
5
6
1.Mais limpo
19. Você costuma visitar a feira do livro?
2.Mais seguro
20. Você freqüenta os cinemas do Centro?
3.Melhor de transitar
Nunca (1), Raram ente (2), Às vezes (3), Freqüentemente (4), Sem pre (5), Não
sei / Não quero responder (6).
4.Mais barato
21. Você fre qüenta as praças do C entro?
5.Não moraria no Centro
6.Outro:
1.Nunca
7.Não sei / Não quero responder
2.Raramente
Você pode marcar diversas casas (6 no máximo).
3.Às vezes
31. Se 'O utros:', defina:
4.Freqüentemente
A questão só é pertinente se razão para morar no centro = "Outro:"
5.Sempre
32. Em te rmos ge rais, atribua uma nota de
1 a 10 para o Ce ntro como opção de
moradia:
6.Não sei / Não quero responder
22. Para qual desse s lugare s do Ce ntro você levaria um turista /
pe ssoa de fora da cidade?
<digitar aqui a instrução>
1.Mercado Público
POLUIÇÃO
2.Gasômetro
Você concorda com as afirmaçõe s abaixo:
3.Praça da Matriz/Catedral
1
4.Casa de Cultura Mário Quintana
2
3
4
5
6
33. Há lixeiras suficientes no Centro
5.Comércio
34. O barulho do Centro me incomoda
6.Palácio
35. O cheiro do Centro me incomoda
7.Não levaria ao Centro
36. Os cartazes, propagandas e panfletos
contribuem para a sensação de poluição do Centro
8.Outro:
9.Não sei / Não quero responder
37. Os parques e praças do Centro são bem
cuidados e limpos
Você pode marcar diversas casas (8 no máximo).
23. Se 'O utros:', de fina:
Discordo Totalm ente (1), Discordo em parte (2), Indiferente (3), Concordo
em parte (4), Concordo Totalmente (5), Não sei / Não quero responder (6).
A questão só é pertinente se turista = "Outro:"
38. C onsidero o C entro mais limpo que os outros bairros
24. Em termos gerais, atribua uma nota de
1 a 10 para as opçõe s de laz er no Ce ntro:
1.Discordo T otalmente
2.Discordo em parte
<digitar aqui a instrução>
3.Indiferente
MORADIA
4.Concordo em parte
Você concorda com as afirmações abaixo?
5.Concordo T otalmente
1
2
3
4
5
6
6.Não sei / Não quero responder
25. O Centro é um bom lugar para se morar
26. O Centro é um lugar seguro para se morar
27. Uma vantagem de morar no Centro é a grande
diversidade de comércio
39. Em te rmos ge rais, atribua uma nota de
1 a 10 para a limpe z a do C e ntro:
<digitar aqui a instrução>
Discordo Totalmente (1), Discordo em parte (2), Indiferente (3), Concordo
em parte (4), Concordo Totalm ente (5), Não sei / Não quero responder (6).
DIVERSAS
28. Uma vantage m de morar no Ce ntro é o preço baixo dos imóve is
Você concorda com as afirmaçõe s abaixo?
1
1.Discordo T otalmente
2.Discordo em parte
3.Indiferente
4.Concordo em parte
5.Concordo T otalmente
6.Não sei / Não quero responder
29. A maioria das pe ssoas que mora no C e ntro é:
2
3
4
5
40. As calçadas do Centro estão em boas
condições
41. O Centro possui muitas árvores
42. É ruim freqüentar o Centro devido à grande
quantidade de pedintes e moradores de rua
Discordo Totalm ente (1), Discordo em parte (2), Indiferente (3), Concordo
em parte (4), Concordo Totalmente (5), Não sei / Não quero responder (6).
1.Jovens
2.Adultos
3.Idosos
4.Não sei / Não quero responder
136
6
43. No C entro e xiste muita prostituição
Você concorda com as afirmações abaixo?
1
1.Discordo T otalmente
2.Discordo em parte
3.Indiferente
4.Concordo em parte
5.Concordo T otalmente
6.Não sei / Não quero responder
2
3
4
5
6
49. Costumo freqüentar o Centro à noite (após
20h)
50. O Centro é mais perigoso à noite do que
durante o dia
51. Me sinto seguro andando no Centro
52. Considero o Centro bem iluminado à noite
44. C om que fre qüê ncia você utiliz a os banhe iros públicos do Ce ntro? Discordo Totalmente (1), Discordo em parte (2), Indiferente (3), Concordo
em parte (4), Concordo Totalm ente (5), Não sei / Não quero responder (6).
1.Nunca
2.Raramente
3.Às vezes
4.Freqüentemente
5.Sempre
6.Não sei / Não quero responder
SEGURANÇA
45. Você já foi assaltado no C entro?
1.Uma vez
53. A quantidade de pe ssoas que circulam pelo Ce ntro o tornam mais
pe rigoso
1.Discordo T otalmente
2.Discordo em parte
3.Indiferente
4.Concordo em parte
5.Concordo T otalmente
6.Não sei / Não quero responder
54. O que você acha do policiame nto nas ruas do C entro?
2.Duas vezes
1.Péssimo
3.T rês vezes
2.Ruim
4.Mais de três vezes
3.Regular
5.Nunca
4.Bom
6.Não sei / Não quero responder
5.Ótimo
46. Você já viu pe ssoas serem assaltadas no C entro?
1.Uma vez
6.Não sei / Não quero responder
55. Em termos ge rais, atribua uma nota de 1 a 10 para a segurança no
Ce ntro:
2.Duas vezes
3.T rês vezes
4.Mais de três vezes
5.Nunca
6.Não sei / Não quero responder
47. C orro mais risco de ser assaltado no Ce ntro do que e m outros
bairros
TRÂNSITO
56. Na maioria das ve ze s, e u vou ao C entro de :
1.Ônibus
2.Carro
1.Discordo T otalmente
3.T áxi
2.Discordo em parte
4.Lotação
3.Indiferente
5.A pé
4.Concordo em parte
6.Outro:
5.Concordo T otalmente
6.Não sei / Não quero responder
7.Não sei / Não quero responder
57. Se 'O utros:', de fina:
48. Q uando ando pelo Ce ntro, tomo ce rtos cuidados para não se r
assaltado
1.Discordo T otalmente
A questão só é pertinente se m eio de transporte = "Outro:"
2.Discordo em parte
3.Indiferente
4.Concordo em parte
5.Concordo T otalmente
6.Não sei / Não quero responder
137
Você concorda com as afi rmaçõe s abaixo?
Você con corda com as afirmaçõe s abaixo?
1
2
3
4
5
6
1
58. Existem locais suficientes para estacionar no
Centro
69. O Mercado P úblico é um bom local para fazer
compras
59. O Centro é fácil de transitar para pedestres
70. De maneira geral, os produtos do Centro são
de boa qualidade
60. É fácil andar de carro pelo Centro
61. O Centro é acessível aos deficientes físicos
62. Existem ônibus demais circulando nas ruas do
Centro
63. O Centro é bem sinalizado por placas com
nomes das ruas, praças e avenidas
Discordo Totalm ente (1), Discordo em parte (2), Indiferente (3), Concordo
em parte (4), Concordo Totalmente (5), Não sei / Não quero responder (6).
64. O s te rmin ais de ônibus atrapalham a movime ntação das pe ssoas
1.Discordo T otalmente
3
4
5
72. Sou a favor dos camelôs nas ruas do Centro
73. Os camelôs são uma boa opção de compra no
Centro
74. Os camelôs tornam o Centro mais perigoso
Discordo Totalm ente (1), Discordo em parte (2), Indiferente (3), Concordo
em parte (4), Concordo Totalm ente (5), Não sei / Não quero responder (6).
75. O s came lôs dificu ltam a passage m das pe ssoas no Ce ntro
1.Discordo T otalmente
3.Indiferente
2.Discordo em parte
4.Concordo em parte
3.Indiferente
5.Concordo T otalmente
4.Concordo em parte
5.Concordo T otalmente
6.Não sei / Não quero responder
GRUPO N°9
1
2
3
4
5
76. Os camelôs prejudicam o comércio legal
COMÉRCIO
66. Q u ando você faz compras, pre fe re ir:
1.Ao Centro
2.Ao shopping
3.Lojas de bairro
4.Outro:
5.Não sei / Não quero responder
67. Se 'O utros:', de fina:
77. O Centro oferece produtos mais baratos que os
outros bairros
78. Sempre encontro o que procuro no Centro
79. Faço compras no Centro devido à facilidade de
acesso
80. Faço compras no Centro devido a variedade de
opções
Discordo Totalm ente (1), Discordo em parte (2), Indiferente (3), Concordo
em parte (4), Concordo Totalm ente (5), Não sei / Não quero responder (6).
81. De modo ge ral, sou be m ate n dido pe los ve n de dore s no C e n tro
1.Discordo T otalmente
A questão só é pertinente se onde com pra = "Outro:"
68. C om qu e fre qü ê ncia você costuma faz e r compras no C e ntro?
2.Discordo em parte
3.Indiferente
1.Uma vez por mês ou menos
4.Concordo em parte
2.De duas a três vezes por mês
5.Concordo T otalmente
3.Uma vez por semana
6.Não sei / Não quero responder
4.Duas a três vezes por semana
5.T odos os dias
6
71. De modo geral, os serviços do Centro são de
boa qualidade
2.Discordo em parte
6.Não sei / Não quero responder
65. Em te rmos ge rais, atribua uma nota de 1 a 10 para o trânsito no
C e ntro:
2
82. Em te rmos ge rais, atribua uma nota de 1 a 10 para o comé rcio n o
C e n tro:
6.Não freqüento o Centro
7.Não sei / Não quero responder
138
6
DADOS DO ENTREVISTADO
83. Nome :
84. Tele fone :
<digitar
aqui a instrução>
85.
Bairro:
86. Se xo:
1.Feminino
2.Masculino
87. Idade :
88. Estado C ivil:
1.Solteiro
2.Casado ou união estável
3.Desquitado, separado ou divorciado
4.Viúvo
89. Q uem mora no domicílio?
1.Família
2.Casal
3.Amigos
4.Sozinho
5.Outro:
90. Se 'O utro:', de fina:
A questão só é pertinente se dom icílio entrevistado = "Outro:"
91. Q ual é a sua escolaridade?
1.Ensino Fundamental incompleto
2.Ensino Fundamental completo
3.Ensino Médio incompleto
4.Ensino Médio completo
5.Ensino Superior incompleto
6.Ensino Superior completo
7.Pós / Mestrado / Doutorado / PhD
8.Nenhuma
DADOS ENTREVISTADOR
92. Nome:
93. Nº da quadra:
139
ANEXO 10
EXEMPLOS DE ESCALAS LIKERT UTILIZADAS
ANEXO 11
140
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Percepção do porto-alegrense sobre o centro de porto