UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS Ana Paula Brauwers Bárbara Mattivy Bianca Motta Bermúdez Camila Melo de Boni Caroline Gremo Giordani Cesar Soler Machado Claudio Stein Crisleine Beatris Pereira Cristine Silva da Cunha Daniel Francisco Pontel Diego Soleti de Oliveira Douglas Pinto Mafra Fabrício Ferrão Araújo Felipe Vinholes Pacheco Gabriela Silveira do Nascimento Leticia Florence Hoch Lubianca Neves da Motta Luciano Jose Martins Vieira Lucio Centeno dos Santos Marcel Juliano Nemitz Biscaino Marcelo Cavalcante Pires Marcelo Ce Martins Marco Gregorio Kayser Marcos Roberto Brum de Campos Patrícia Enzweiler Rocha Paula Bonato Zortéa Paulo Otavio de Oliveira Bortoli Paulo Romulo Scherer Junior Rafael Rosa Zeni Sabrina da Rosa Pojo Vanessa Cerutti Vanessa Medeiros dos Anjos PERCEPÇÃO DO PORTO-ALEGRENSE SOBRE O CENTRO DE PORTO ALEGRE Porto Alegre 2006 Ana Paula Brauwers Bárbara Mattivy Bianca Motta Bermúdez Camila Melo de Boni Caroline Gremo Giordani Cesar Soler Machado Claudio Stein Crisleine Beatris Pereira Cristine Silva da Cunha Daniel Francisco Pontel Diego Soleti de Oliveira Douglas Pinto Mafra Fabrício Ferrão Araújo Felipe Vinholes Pacheco Gabriela Silveira do Nascimento Leticia Florence Hoch Lubianca Neves da Motta Luciano Jose Martins Vieira Lucio Centeno dos Santos Marcel Juliano Nemitz Biscaino Marcelo Cavalcante Pires Marcelo Ce Martins Marco Gregorio Kayser Marcos Roberto Brum de Campos Patrícia Enzweiler Rocha Paula Bonato Zortéa Paulo Otavio de Oliveira Bortoli Paulo Romulo Scherer Junior Rafael Rosa Zeni Sabrina da Rosa Pojo Vanessa Cerutti Vanessa Medeiros dos Anjos PERCEPÇÃO DO PORTO-ALEGRENSE SOBRE O CENTRO DE PORTO ALEGRE Trabalho de conclusão da disciplina de Pesquisa em Marketing, ADM 01163, como requisito parcial para a obtenção do conceito final. Orientador: Prof. Dr. Walter Meucci Nique Porto Alegre 2006 2 AGRADECIMENTOS Ao nosso orientador, professor Dr. Walter Meucci Nique que, com todo seu conhecimento e competência, nos guiou durante o semestre para a elaboração e a concretização deste estudo, e nos ofereceu todo o apoio, além de vivências valiosas. À Fernanda Zilles e Leandro Vieria, pelo apoio, sempre acessíveis e dispostos a ajudar na solução de nossos problemas e dúvidas. Aos convidados que se dispuseram a participar do Grupo Motivacional, compartilhando suas percepções e críticas, e promovendo uma discussão produtiva que nos auxiliou no entendimento do assunto trabalhado. Ao CEPA/UFRGS (Centro de Estudos e Pesquisas em Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul) pelo apoio e disponibilidade oferecidos no decorrer da pesquisa. A todos que dedicaram parte de seu tempo respondendo ao questionário, contribuindo de forma significativa para a realização desta pesquisa. 3 LISTA DE FIGURAS Figura 6 – Planilha de amostragem para sorteio das quadras................................................ 40 Figura 7 – Planilha de amostragem para sorteio do entrevistador.......................................... 41 Figura 8 – Planilha de amostragem para sorteio único ........................................................... 42 Gráfico 1 – Classificação do domicílio..................................................................................... 45 Gráfico 2 – Estado civil do entrevistado .................................................................................. 45 Gráfico 4 – Freqüência de ida ao Centro ................................................................................ 46 Gráfico 5 – Sentimento do entrevistado em relação ao Centro .............................................. 46 Gráfico 6 – Local onde o entrevistado levaria um turista ........................................................ 48 Gráfico 7 – Lista de citações “Outros” locais onde levariam um turista .................................. 50 Gráfico 8 – Locais que ficam no Centro segundo o entrevistado............................................ 51 Gráfico 9 – Motivo de ida ao Centro ........................................................................................ 51 Gráfico 10 – Opção “outros” motivo de ida ao Centro............................................................. 51 Gráfico 11 – Concordância se entrevistado encontra atrações culturais interessantes no Centro ...................................................................................................................................... 53 Gráfico 12 – Concordância se entrevistado encontra grande número de atrações culturais . 54 Gráfico 13 – Concordância se entrevistado se considera bem informado sobre os eventos culturais do Centro................................................................................................................... 54 Gráfico 14 – Percepção de quantos museus existem no Centro ............................................ 55 Gráfico 15 – Concordância se as opções culturais do Centro são maiores que outros bairros ................................................................................................................................................. 55 Gráfico 16 – Freqüência que entrevistado visita feira do livro ................................................ 56 Gráfico 17 – Concordância se o Centro é um local de lazer nos finais de semana................ 57 Gráfico 18 – Concordância se o Cento é um bom local para praticar esportes...................... 57 Gráfico 19 – Concordância se Centro é um bom local para se divertir................................... 57 Gráfico 20 – Concordância se as praças do Centro são um bom local de lazer .................... 58 Gráfico 21 – Concordância se as praças são bem cuidadas e limpas.................................... 58 Gráfico 22 – Concordância se o Centro possui muitas árvores .............................................. 58 Gráfico 23 – Freqüência de ida aos cinemas do Cento .......................................................... 59 Gráfico 24 – Local onde entrevistado vai para se divertir ....................................................... 59 Gráfico 25 – Nota do entrevistado para as opções de lazer no Centro .................................. 60 Gráfico 26 – Concordância quanto a freqüentar o Centro a noite........................................... 60 Gráfico 27 – Concordância se há boas opções de alimentação no Centro ............................ 61 Gráfico 28 – Percepção do entrevistado da população do Centro.......................................... 63 Gráfico 29 – Concordância se o Centro é um bom local para moradia .................................. 63 Gráfico 30 – Concordância se o Centro é seguro para morar ................................................ 64 Gráfico 31 – Concordância se o preço dos imóveis é uma vantagem na moradia................. 65 Gráfico 32 – Concordância se diversidade de comércio é vantagem na moradia.................. 65 Gráfico 33 – Condições para entrevistado morar no Centro................................................... 66 Gráfico 34 – Nota do entrevistado para o Centro como opção de moradia ............................ 67 Gráfico 36 – Concordância se o Centro é mais limpo que os demais bairros ........................ 68 Gráfico 37 – Concordância se propagandas contribuem para sensação de poluição no Centro ................................................................................................................................................. 70 Gráfico 38 – Concordância se existem lixeiras suficientes no Centro .................................... 70 Gráfico 39 – Concordância se o cheiro do Centro incomoda.................................................. 71 Gráfico 40 – Concordância se o barulho do Centro incomoda ............................................... 71 Gráfico 41 – Nota do entrevistado para a limpeza do Centro ................................................. 72 Gráfico 42 – Meio de transporte utilizado para ir ao Centro.................................................... 73 Gráfico 43 – Concordância se existem locais suficientes para estacionar no Centro ............ 74 Gráfico 44 e 45 – Concordância locais para estacionar X Meio de transporte ....................... 75 Gráfico 46 – Concordância sobre facilidade de andar de carro no Centro ............................. 75 Gráfico 47 – Concordância se existem ônibus demais circulando no Centro......................... 75 Gráfico 48 – Concordância se os terminais de ônibus atrapalham os pedestres ................... 76 Gráfico 49 e 50 – Concordância se os terminais de ônibus atrapalham X ............................. 76 Gráfico 51 – Concordância sobre facilidade de transitar no Centro para pedestres .............. 76 Gráfico 52 – Concordância se o Centro é acessível aos deficientes físicos........................... 77 Gráfico 53 – Concordância se o Centro é bem sinalizado ...................................................... 77 Gráfico 54 – Nota do entrevistado para o trânsito no Centro.................................................. 77 4 Gráfico 55 – Local preferido para fazer compras .................................................................... 79 Gráfico 56 – Freqüência que entrevistado faz compras no Centro......................................... 82 Gráfico 57 – Concordância se o Mercado Público é bom local para compras ....................... 82 Gráfico 58 – Concordância se os produtos do Centro são de boa qualidade......................... 83 Gráfico 59 – Concordância se os serviços do Centro são de boa qualidade ......................... 83 Gráfico 60 – Concordância se a favor dos camelôs nas ruas do Centro ................................ 84 Gráfico 61 – Concordância se os camelôs são boa opção de compra................................... 84 Gráfico 62 – Concordância se camelôs prejudicam o comércio legal .................................... 84 Gráfico 63 – Concordância se camelôs dificultam a passagem das pessoas ........................ 85 Gráfico 64 – Concordância se os camelôs tornam o Centro mais perigoso ........................... 85 Gráfico 65 – Concordância se o Centro oferece produtos mais baratos ................................ 86 Gráfico 66 – Concordância se encontra o que procura no Centro.......................................... 86 Gráfico 67 – Concordância se entrevistado faz compras no Centro devido a facilidade de acesso...................................................................................................................................... 86 Gráfico 68 – Concordância se entrevistado faz compras no Centro devido a variedade ....... 87 Gráfico 69 – Concordância se é bem atendido pelos vendedores do Centro......................... 87 Gráfico 70 – Nota do entrevistado para o comércio no Centro ............................................... 88 Gráfico 71 – Concordância sobre sentimento de segurança ao andar no Centro .................. 90 Gráfico 72 – Quantidade de vezes que entrevistado foi assaltado no Centro ........................ 90 Gráfico 73 – Quantidade de vezes que entrevistado viu alguém ser assaltado no Centro .... 90 Gráfico 74 – Concordância sobre correr mais risco de assalto no Centro que demais bairros ................................................................................................................................................. 91 Gráfico 75 – Concordância se entrevistado toma cuidados ao andar no Centro para evitar assaltos.................................................................................................................................... 91 Gráfico 76 – Concordância se o número de pessoas que circulam no Centro o torna mais perigoso ................................................................................................................................... 92 Gráfico 77 – Concordância se freqüenta o Centro a noite ...................................................... 92 Gráfico 78 – Concordância se o Centro é mais perigoso a noite que de dia.......................... 93 Gráfico 79 – Concordância se o Centro é bem iluminado a noite........................................... 93 Gráfico 80 – Opinião sobre policiamento no Centro................................................................ 94 Gráfico 81 – Nota do entrevistado para a segurança do Centro............................................. 94 Nº de residências................................................................................................................... 130 5 LISTA DE TABELAS Tabela 5 – Sexo dos entrevistados ............................................................................................. 44 Tabela 6 – Escolaridade dos entrevistados ................................................................................ 44 Tabela 7 – Sexo X Sentimento em relação ao Centro................................................................ 47 Tabela 8 – Freqüência de ida ao Centro X Sexo ........................................................................ 47 Tabela 9 – Freqüência de ida ao Centro X Sentimento em relação ao Centro .......................... 47 Tabela 10 – Escolaridade do entrevistado X Sentimento em relação ao Centro ....................... 48 Tabela 11 – Sentimento em relação ao Centro X Local onde levaria um turista........................ 49 Tabela 12 – Tempo de permanência no Centro X Motivo de ida ao Centro .............................. 52 Tabela 14 – Tempo de permanência X Freqüência de ida ao Centro ........................................ 53 Tabela 15 – Variáveis que mais impactam na nota de lazer no Centro ..................................... 62 Tabela 16 – Análise das variáveis conforme regressão múltipla para lazer............................... 62 Tabela 17 – Concordância se moraria no Centro X Sentimento em relação ao Centro ............ 63 Tabela 18 – Número de assaltos sofridos no Centro X Segurança para moradia ..................... 64 Tabela 19 – Número de assaltos que assistiu X Segurança na moradia ................................... 64 Tabela 20 – Condições para morar no Centro X Sentimento em relação ao Centro ................. 66 Tabela 21 – Condições para morar no Centro X Concordância se é bom local para morar ...... 67 Tabela 22 – Variáveis de maior impacto na nota de moradia..................................................... 68 Tabela 23 – Análise das variáveis conforme regressão múltipla para moradia ......................... 68 Tabela 24 – Limpeza do Centro em relação aos demais X Sentimento em relação ao Centro. 69 Tabela 25 – Limpeza do Centro em relação aos demais X Freqüência de ida ao Centro ......... 69 Tabela 26 – Limpeza do Centro em relação aos demais X Concordância sobre poluição visual ..................................................................................................................................................... 70 Tabela 27 – Lixeiras suficientes X Limpeza do Centro em relação aos demais ........................ 71 Tabela 28 – Variáveis que mais impactam na nota da limpeza.................................................. 72 Tabela 29 - Análise das variáveis conforme regressão múltipla para limpeza........................... 73 Tabela 30 – Sexo X Meio de transporte utilizado ....................................................................... 74 Tabela 31 – Escolaridade X Meio de transporte utilizado........................................................... 74 Tabela 32 – Variáveis que mais impactam na nota do trânsito .................................................. 78 Tabela 33 – Análise das variáveis conforme regressão múltipla para trânsito........................... 78 Tabela 34 – Local preferido para fazer compras X Sentimento em relação ao Centro.............. 80 Tabela 35 – Local preferido para fazer compras X Escolaridade ............................................... 80 Tabela 36 – Local preferido para compras X Estado civil........................................................... 81 Tabela 37 – Sexo X Local preferido para compras..................................................................... 81 Tabela 38 – Compras no Centro X Tempo de permanência ...................................................... 81 Tabela 40 - Análise das variáveis conforme regressão múltipla para comércio......................... 89 Tabela 41 – Assalto no Centro X Tomar cuidados ao andar no Centro ..................................... 92 Tabela 42 – Variáveis que mais impactam na nota da segurança ............................................. 95 Tabela 43 – Análise das variáveis conforme regressão múltipla para segurança...................... 95 6 SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS ..................................................................................................................... 4 LISTA DE TABELAS .................................................................................................................... 6 INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 9 1 DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA................................................................... 10 1.1 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA..................................................................... 10 1.1.1 História do Centro .............................................................................................................. 10 1.1.2 Aspectos Demográficos ..................................................................................................... 11 1.1.3 A Degradação do Centro.................................................................................................... 15 1.1.4 Comércio ............................................................................................................................ 17 1.1.5 Segurança .......................................................................................................................... 19 1.1.6 Aspectos Culturais ............................................................................................................. 19 1.1.6.1 Mercado Público.............................................................................................................. 20 1.1.6.2 Feira do Livro .................................................................................................................. 21 1.1.6.3 Cinemas .......................................................................................................................... 22 1.1.6.4 Teatros ............................................................................................................................ 22 1.1.6.5 Museus ............................................................................................................................ 23 1.1.7 Trânsito............................................................................................................................... 23 1.1.7.1 A Alternativa .................................................................................................................... 25 1.1.8 O Centro e a Percepção Popular ....................................................................................... 26 1.1.9 Projeto Viva o Centro ......................................................................................................... 29 1.1.10 Pergunta de pesquisa ...................................................................................................... 31 1.2 JUSTIFICATIVA.................................................................................................................... 31 1.3 OBJETIVOS .......................................................................................................................... 32 1.3.1 Objetivo Geral ................................................................................................................... 32 1.3.2 Objetivos Específicos ...................................................................................................... 32 2 MÉTODO.................................................................................................................................. 33 2.1 Etapa Exploratória............................................................................................................... 33 2.2 Etapa Descritiva .................................................................................................................. 36 2.2.1 Instrumento de Coleta de Dados .................................................................................... 36 2.2.2 População e Amostra....................................................................................................... 37 2.2.3 A automatização da amostragem ................................................................................... 39 3 ANÁLISES DOS DADOS ........................................................................................................ 43 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA................................................................................... 43 3.2 O CENTRO DE PORTO ALEGRE: Percepções Iniciais da Amostra............................... 45 3.3 CULTURA: Qualidade em quantidade............................................................................... 53 3.3.1 A Feira do Livro .................................................................................................................. 55 3.4 LAZER: ................................................................................................................................. 56 3.4.1 Cinemas ............................................................................................................................. 58 3.4.2 Restaurantes e Gastronomia ............................................................................................. 61 3.5 MORADIA ............................................................................................................................. 62 3.6 POLUIÇÃO............................................................................................................................ 68 3.7 O TRÂNSITO ........................................................................................................................ 73 3.7.1 Percepções Gerais sobre o Trânsito.................................................................................. 76 3.8 COMÉRCIO: Impasse com Camelôs e alternativas ......................................................... 79 3.8.1 Mercado Público................................................................................................................. 82 3.8.2 Camelôs ............................................................................................................................. 83 3.8.3 Panorama Geral dos Produtos do Centro.......................................................................... 85 3.9 SEGURANÇA NO CENTRO: ............................................................................................... 89 3.9.1 Segurança no Centro à noite ............................................................................................. 92 3.9.2 Policiamento: Questão-chave ............................................................................................ 93 3.10 CONCLUSÕES DE ANÁLISES.......................................................................................... 96 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................................... 99 5 LIMITAÇÕES DO ESTUDO................................................................................................... 100 REFERÊNCIAS......................................................................................................................... 102 ANEXO 1................................................................................................................................... 105 ANEXO 2................................................................................................................................... 106 ANEXO 3................................................................................................................................... 108 ANEXO 4................................................................................................................................... 130 ANEXO 5................................................................................................................................... 131 7 ANEXO 6................................................................................................................................... 132 ANEXO 7................................................................................................................................... 133 ANEXO 8................................................................................................................................... 134 ANEXO 9................................................................................................................................... 135 ANEXO 10................................................................................................................................. 140 ANEXO 11................................................................................................................................. 140 8 INTRODUÇÃO “as cidades, como os sonhos, são construídos por desejos e medos, ainda que o fio condutor de seu discurso seja secreto, que as suas regras sejam absurdas...” Italo Calvino, As Cidades Invisíveis Nos últimos tempos têm-se discutido muito sobre a revitalização do Centro de Porto Alegre. Diversos projetos públicos e privados ocupam-se desse tema e trazem à tona as dificuldades de se abordar matéria tão complexa, alvo de diversas interpretações. A cidade de Porto Alegre, inserida no âmbito internacional pela realização do Fórum Social Mundial, citada como referência em qualidade de vida e como tendo uma população com nível cultural acima da média, ainda não equacionou e resolveu um problema tão antigo quanto grave: a degradação de sua área central. O Centro de Porto Alegre, como veremos adiante, é origem da história da cidade; é Centro não só para a população de porto-alegrenses, porque recebe diariamente um contingente populacional elevado – mais de 600 mil pessoas – oriundas das cidades da Grande Porto Alegre. Jane Jacobs, reconhecida ensaísta americana, escreve em seu clássico Morte e Vida de Grandes Cidades (2001), que a maneira de decifrar o aparentemente indomável comportamento misterioso das grandes cidades é através da observação direta dos acontecimentos mais comuns. Esse trabalho não pretende esgotar tema tão complexo; procura, isso sim, inquirir, através das técnicas da Pesquisa em Marketing, qual a percepção do residente da cidade de Porto Alegre sobre o seu Centro, buscando a partir daí, tirar algumas conclusões. A divisão desse trabalho dá-se como segue. Após breve introdução, trata-se de definir o problema de pesquisa a partir do levantamento de dados secundários, que permitiram o levantamento de temas-chaves e contextualização. Após a definição do problema, apresenta-se a sua justificativa e os objetivos geral e específicos. A seguir procede-se a uma breve revisão da literatura em Marketing a respeito do conceito de percepção. A partir dos objetivos, apresenta-se na seção 3 o método utilizado, com suas duas etapas, exploratória e descritiva. Nessa seção são detalhados o instrumento utilizado para coleta de dados e os procedimentos de amostragem. A partir da seção 4, faz-se a análise dos dados coletados, apresentando-a em tópicos: Caracterização da Amostra, Questões Iniciais, Cultura e Lazer, Moradia, Poluição, Trânsito, Comércio e Segurança, em que são detalhadas a análise e a interpretação dos dados quantitativos, com as correspondentes conclusões. O trabalho encerra-se com as Considerações Finais, Limitações do Estudo e Sugestões para futuras pesquisas. 9 1 DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA A seguir apresentamos a definição do problema de pesquisa a partir da análise e levantamento de dados secundários. 1.1 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA A definição do problema é a etapa mais importante de uma pesquisa em Marketing, pois somente depois da sua definição clara é que a pesquisa pode ser concebida e realizada de forma adequada de modo a atingir plenamente a sua finalidade precípua, a saber, a disponibilização de informações que o gestor deve ou precisa saber para identificar e solucionar problemas em marketing (MALHOTRA, 2001). Para a definição do problema do presente estudo, pesquisou-se, em várias fontes, dados secundários acerca do objeto a ser pesquisado, o Centro de Porto Alegre. Segundo Malhotra (2001, p. 127), os “dados secundários são de acesso fácil, relativamente poucos dispendiosos e de obtenção rápida”. A grande quantidade de dados secundários encontrados proporcionou uma contextualização histórica e um retrato atual desta área da Capital, que a seguir serão expostos em forma de itens para proporcionar ao leitor maior familiaridade com o Centro. Ao final desta exposição, é revelada a pergunta de pesquisa. 1.1.1 História do Centro As origens do Centro se confundem com a própria história de formação de Porto Alegre, e, durante muito tempo, esse único bairro correspondeu ao limite de toda a cidade. No início da povoação, quando os casais de açorianos se estabeleceram no Porto de Viamão, construíram seus ranchos próximos à beira da praia, e do alinhamento desses casebres, surgiu a primeira rua do novo lugar: a Rua da Praia. Quando o Porto dos Casais foi elevado à categoria de Freguesia, em 1772, o capitão Alexandre Montanha realizou o primeiro planejamento urbano com a demarcação das primeiras ruas. Para tanto, tomou como Centro o alto da colina, conhecido por Alto da Praia, mais ou menos no meio da península que se projetava pelo Guaíba, e decidiu que ali seriam instaladas a Igreja e a sede do Governo. A partir desse ponto, levando em conta o relevo, traçou as atuais ruas Duque de Caxias e Riachuelo e algumas transversais, como a Rua do Ouvidor (General Câmara) e a Rua da Bragança (Marechal Floriano). Em 1778, foi construída a linha de fortificação em torno do povoado. Ela exerceu uma importante função na organização do espaço central. A área por ela delimitada foi a primeira a 10 receber melhorias, como iluminação pública, calçamento, chafarizes para o abastecimento de água, coleta de lixo, saneamento e policiamento. A criação legal do bairro Centro deu-se pela Lei Municipal nº. 2.022 de 07/12/59, alterada posteriormente pela Lei Municipal nº. 4.685 de 21/12/79. Durante muito tempo, o Centro foi a região mais movimentada de Porto Alegre. Ponto de encontro de intelectuais, palco de importantes eventos culturais e de grandes manifestações populares, foi também o foco das mais belas lojas, das confeitarias Rocco e Central, dos cafés Colombo e América e do cine-teatro Guarany. A região reúne imponentes prédios, verdadeiros monumentos construídos no início do século e as tradicionais Praças da Alfândega e da Matriz. Neste século, o Centro foi completamente modificado e por isso perdeu muitas de suas características. Teve sua área ampliada com as obras de aterro. Nas décadas de 20 e 30, recebeu sua primeira cirurgia urbana, com a abertura das avenidas Júlio de Castilhos, Otávio Rocha e da suntuosa Borges de Medeiros. Na década de 40, ocorre uma profunda alteração em paisagem com a construção dos espigões, como o Vera Cruz e o Sulacap, ambos na Borges de Medeiros. Nessa mesma época também são construídas as primeiras avenidas radiais da cidade como forma de facilitar o trânsito de veículos e ligar o Centro aos bairros Devido aos transtornos viários, gerados pela tendência das ruas convergirem para o Centro e pelo aumento do fluxo de veículos, na década de 70, começam a ser construídos túneis, elevadas e perimetrais na tentativa de solucionar esses problemas. O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (PDDUA), instituído pela Lei Complementar Municipal nº. 434 de 1999, considera o Centro como uma Área Especial de Interesse Cultural que é definida como “conjunto de bens imóveis de valor significativo – edificações isoladas ou não - ambiências, parques urbanos e naturais, praças, sítios e paisagens, assim como manifestações culturais – tradições, práticas e referências, denominados de bens intangíveis – que conferem identidade a estes espaços”. Dessa forma, o patrimônio não inclui apenas edificações, mas também seu sistema de relações com o entorno, sua integração ao tecido urbano e sua continuidade com a paisagem. As Áreas Especiais de Interesse Cultural devem receber tratamento diferenciado em relação aos padrões adotados em outras áreas da cidade, tanto no uso quanto na ocupação do solo. 1.1.2 Aspectos Demográficos Conforme o Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do Centro é de 36.862 moradores, sendo 16.076 homens e 20.786 mulheres. 11 Representa 0,48% da área total da cidade, com uma área de 228 hectares. A sua densidade populacional é de 162 habitantes por hectare. Possui 17.252 domicílios, cujos responsáveis possuem uma renda média mensal equivalente a 12,61 salários mínimos. Enquanto a população de Porto Alegre cresceu 26% no ultimo quarto de século, o Centro perdeu um terço de seus habitantes. Quinze mil pessoas debandaram, reduzindo a população da área de 49 mil em 1980 para 34 mil hoje. O bairro apresentou taxa de crescimento negativa de 1,70% ao ano no período de 1991 a 2000. Segundo a Secretaria do Planejamento Municipal, um de cada 10 imóveis do bairro está desocupado. Tabela 1 - População de Porto Alegre e do Centro 1980 1991 2000 2005 P. Alegre 1.125.477 1.263.239 1.360.590 1.418.000 Centro 49.064 43.252 36.862 33.833 O Centro é hoje, entre os 78 bairros de Porto Alegre, aquele com maior número de imóveis usados à venda, 8% do total da cidade. Quanto maior a perda de habitantes, mais acelerado será o esvaziamento. A idade avançada dos moradores, muitos deles idosos, residentes ali desde os glamurosos anos 40 e 50, é um desafio extra aos urbanistas. No Centro, apenas 7% da população tem até 9 anos, contra 15% do total da cidade. Em compensação 20% superaram os 60 anos, enquanto que no município o índice cai para 12%. Tabela 2 - Idade dos Moradores do Centro em % Centro 0a4 5a9 10 a 19 20 a 29 30 a 39 40 a 49 50 a 59 60 ou + 3,61 3,57 10,94 20,48 16,54 14,66 10,74 19,46 Das 504 mil unidades constantes no cadastro de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) de Porto Alegre, 47 mil ficam no Centro e responderam até outubro de 2005 por R$ 12,8 milhões (9,38%) dos R$136,9 milhões arrecadados pela Prefeitura. Dos 24 mil imóveis do Centro de Porto Alegre, 70% são residenciais, 25% comerciais, 3,5% para serviços e 1,5% para indústrias. Os limites atuais do Centro são Av. José Loureiro da Silva, Av. João Goulart até seu encontro com a Av. Mauá; desta até a sua convergência com a Av. Presidente Castelo Branco; desta até seu encontro com o Largo Vespasiano Júlio Veppo; deste até o Complexo Viário 12 Conceição (túnel, elevadas, acessos e Rua da Conceição) em seu prolongamento até a Rua Sarmento Leite; desta até a Rua Engenheiro Luiz Englert; desta até seu encontro com a Avenida Perimetral e desta até a confluência da Avenida Loureiro da Silva :Figura 1 – Localização do bairro Centro na cidade de Porto Alegre Fonte: Site da Prefeitura Municipal de Porto Alegre 13 Figura 2 – Limites do bairro Centro Fonte: Site da Prefeitura Municipal de Porto Alegre 14 Figura 3 – Setores do bairro Centro Setor InstitucionaSl etor Comercial e Cultural Setor Residencial Setor Institucional 01 Setor Institucional 02 1.1.3 A Degradação do Centro O esvaziamento demográfico com a ausência de moradores nessa área faz com que o cenário de intensa atividade diurna seja substituído pelo vazio noturno. Algumas causas da degradação acelerada do Centro foram: O Plano Diretor de 1959 adotou o princípio do Zoneamento, distinguindo o uso do solo. Baseado nos conceitos do Urbanismo Moderno – 4 funções: habitar, trabalhar, recrear e circular, as residências se afastam do Centro; Crescimento populacional acelerado, conjugado ao fato do Centro apresentar densa ocupação demográfica e não corresponder à demanda de expansão. Isso gerou a necessidade de ocupação de novas áreas da cidade; Transferência dos investimentos para outras áreas da cidade, com conseqüente descentralização e abandono do Cento pelas classes de maior poder aquisitivo; e Especulação imobiliária. 15 A manifestação “Porto Alegre, triste Centro” do Jornalista Luiz Carlos Vaz na edição do Jornal Correio do Povo de 02 de outubro de 2006 sintetiza o estado de degradação atual do bairro (CORREIO DO POVO, 2006): Dezenas de confeitarias, bares, cafés e restaurantes que davam vida à Rua da Praia em outras décadas – e que vêm sendo relembrados por Flávio Alcaraz Gomes – cederam lugar a apenas quatro lancherias com porta para a calçada, entre as ruas Caldas Jr e Dr Flores. Um quinto estabelecimento, uma bombonière, único remanescente da época dourada da cidade, fechou recentemente. Para uma comunidade que já teve confeitarias como a Pelotense, Neugebauer, Mar del Plata, Paris, Matheus (e seu irresistível pernil), Central, Praiana, Indiana ou Rocco; restaurantes como o Ghilosso ou lancherias como o Rian e Olé, além dos cafés que atraíam e misturavam políticos, letrados, empresários e povo em geral, trata-se de uma triste involução. Ainda mais se levarmos em conta que a mesma Rua da Praia ostentava também ótimas casas de espetáculos como os cinemas e/ou teatros Cacique, Rio/Guarani, Imperial, Rex, Central e Ópera. O trecho citado tem no momento três livrarias, um clube e uma casa de cultura, mas são 17 os estabelecimentos de crédito e financiamento, 11, as lojas que comercializam telefones, 7 as farmácias, dentre outros, e nenhum cinema. Pensava-se que a humanização se faria presente quando foram implantados os calçadões. A idéia era que, restringindo-se a circulação de carros, as pessoas poderiam se movimentar com mais facilidade e que, até mesmo, os comerciantes experimentariam dias melhores. Mas esses foram se retraindo à medida que se desvirtuavam as intenções do poder público. Ambulantes, desocupados e a bandidagem tomaram as ruas principais, afugentando, por óbvio, qualquer empreendimento, especialmente no ramo de alimentação e lazer. Há anos que as administrações prometem intervir no Centro, mas tudo segue piorando. Os calçadões estão virados em colchas de retalhos, conseqüência de sucessivas obras subterrâneas. Sujeira se acumula em calçadas encardidas e, por vezes, repugnantes, em que pese o trabalho do DMLU. Igualmente vergonhosa é a situação das avenidas Borges de Medeiros e Salgado Filho e da Praça XV, cujo entorno é outro caos permanente. Os contribuintes apreciaram, por certo, um plano global para recuperação do Centro que fosse além do camelódromo. Futuros arquitetos, a convite da prefeitura, expuseram no Paço Municipal suas idéias para a área. Pode ser o ponto de partida para esse resgate. Passo seguinte será a vontade pública, desta e das próximas administrações. Há um crescente interesse do Poder Público Municipal, nos últimos anos, em reverter a atual situação do Centro. Tal processo teve início em 1991, com a criação do Centro Cultural Usina do Gasômetro, que provocou uma mudança radical na paisagem urbana da Capital. As políticas públicas municipais recentemente implantadas são baseadas no conceito de Planejamento Estratégico, no qual o Poder Público é o principal agente propositivo e articulador, que dá ênfase à atuação integrada e sustentável dos demais elementos envolvidos no processo de intervenção. 16 A ocupação residencial é o principal estimulador da revitalização de áreas urbanas degradadas. Para estimulá-la, está em execução o Programa de Arrendamento Residencial (PAR), integrante do Programa de Reabilitação de Áreas Urbanas Centrais, conduzido pelo Ministério das Cidades, uma parceria do Governo Federal, Departamento Municipal de Habitação (DEMHAB) e Caixa Econômica Federal. Visa à compra, para fins habitacionais, de empreendimentos prontos ou em construção, destinados à população de baixa renda. Tem o objetivo de diminuir o déficit habitacional, ao mesmo tempo, que visa a ocupação de inúmeros imóveis ociosos, incentivando a ocupação residencial do Centro de Porto Alegre. A relação dos empreendimentos realizados pelo PAR no Centro é a seguinte: Edifício Bento Gonçalves e Charrua, 80 unidades habitacionais, investimentos de R$ 2.775.359,99, obra entregue. Residencial Arachã, 28 unidades habitacionais, investimento de R$ 979.795,90, obra entregue. Outro programa governamental em execução no Centro é o Programa Monumenta, coordenado pelo Ministério da Cultura, em parceria com o COMPAHC (Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural). Visa à revitalização do Centro através da recuperação de seu patrimônio histórico e cultural. A valorização da identidade cultural surge como elemento diferencial que garante a posição única do Centro em relação ao restante da cidade. 1.1.4 Comércio Um dos principais problemas do Centro da capital gaúcha é o grande número de comércio ilegal existente. A decadência do Centro começou quando foi dada permissão para os camelôs, inicialmente uma atividade destinada a cegos, instalarem-se no Centro. Os ambulantes se multiplicam por todo o lado. Pode-se dizer que o início da atual situação caótica foi a entrega dos alvarás aos camelôs, em 1988, pelo então Prefeito Alceu Collares, reconhecendo a atividade. O processo de autorizar seguiria até atingir 752 ambulantes, aos quais se soma um número que atualmente pode ultrapassar os 2.000 vendedores ambulantes ilegais, não cadastrados na Prefeitura. Esse crescimento do comércio informal deve-se a diversos fatores, tais como o alto índice de analfabetos, o crescimento populacional, o índice de precariedade – que é a soma dos desocupados absolutos (aqueles que não conseguiram trabalhar sequer uma hora na semana) com os sub-remunerados (que ganham menos de um salário mínimo) e os subocupados (que não conseguem trabalhar 40 horas semanais). Segundo Adeli Sell, ex-secretário da Secretaria Municipal de Indústria e Comércio (SMIC), a concessão de alvarás visava controlar uma situação que ainda não era grave. 17 Olhando retrospectivamente, foi um equivoco, porque consolidou uma realidade indesejável. Foi criado um problema e agora somos reféns dele. O Centro não comporta mais de 400 ambulantes, diz o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Feirantes e Ambulantes. Enquanto os camelôs avançavam, grandes lojas fechavam as portas, por falta de recursos pra competir com os preços baixos oferecidos por eles. Transformaram um bairro de classes A e B em um lugar freqüentado por pessoas com renda inferiores. Os camelôs prejudicam em 30% o faturamento de quem paga impostos, levando empresas à falência. Conforme o Diretor do Sindilojas, Roberto Jaeger: “Eles estão no melhor ponto da cidade sem pagar encargos ou aluguel. Quem não vai querer isso se não há repressão?”. A SMIC não consegue conter a irregularidade dos ambulantes, pois os fiscais fiscalizam num momento e logo em seguida os irregulares estão instalados novamente. Há o famoso grito “olha a chuva” quando os camelôs avistam os fiscais da SMIC, e a correria nas ruas é intensa, pois eles tentam de todas as formas esconder suas mercadorias para evitar o confisco. A proposta da atual Administração para conter a disseminação de camelôs é a construção de um camelódromo aéreo orçado em R$ 10 milhões. A obra é controversa, pois urbanistas duvidam do interesse de empresários em investir a soma e temem que as áreas desocupadas sejam tomadas por novos irregulares. A idéia do projeto do camelódromo é que, não tendo mais camelôs “legais” na rua, a fiscalização ficaria mais fácil, pois os que restarem, conseqüentemente, serão considerados irregulares. A proposta visa transferir os camelôs instalados no Centro da cidade para locais autorizados. O início da construção do primeiro camelódromo está prevista para 2006, na Praça Rui Barbosa, conforme anúncio feito pelo Prefeito no final de outubro. De acordo com o projeto, a obra terá 10 mil metros quadrados, 800 boxes com infraestrutura, cobertura, acessibilidade e segurança e será destinada aos comerciantes populares instalados atualmente na Praça XV, Rua Vigário José Inácio, Rua da Praia, Praça José Montaury e outros pontos do Centro. Segundo o site da SMIC, há 14.197 alvarás expedidos no Centro de Porto Alegre. Dentre as atividades em maior quantidade no Centro, estão: • Bijuterias: 548 • Bancos: 76 • Bar/lancheria: 520 18 • Barbearia/salão: 855 • Consultórios médicos e odontológicos: 1586 • Escritórios Administrativos: 405 • Escritórios Contabilidade: 253 • Ferragem: 61 • Hotel: 57 • Imobiliária: 70 • Joalheria: 167 • Livraria: 191 • Óticas: 194 • Pensões: 9 • Pizzaria: 8 • Restaurantes: 362 1.1.5 Segurança A segurança da região central de Porto Alegre é feita pelo 9º batalhão da Brigada Militar. Por motivos estratégicos, o Departamento de Relações Institucionais da Secretaria de Segurança Pública não divulgou o número exato de policiais na rua, mas informou que é por volta de 100 homens. Há também no Centro de Porto Alegre o monitoramento feito por câmeras de segurança, localizadas em pontos estratégicos da região. 1.1.6 Aspectos Culturais O Centro é a área de Porto Alegre que, por sua antigüidade, concentra a maior parte dos marcos históricos da Capital. A história de Porto Alegre e do Estado do Rio Grande do Sul inscreve-se em suas ruas e prédios, como observa Mário Quintana. 19 Na Rua Professor Annes Dias, a Santa Casa de Misericórdia é um marco de quase dois séculos da medicina no Estado, que, no ano de 2007, abrigará um Centro histórico cultural. No Centro há um precioso patrimônio arquitetônico a ser preservado. E que, por sua vez, é muito pouco conhecido pelos próprios moradores da cidade. Na fachada da Biblioteca Pública há um raríssimo calendário positivista. E, no seu interior, salas cujas decorações homenageiam culturas tão diversas como a egípcia e a mourisca. No cimo do Paço Municipal (local da Prefeitura Velha), uma estátua da Justiça contempla os porto-alegrenses. Na Rua General Câmara (Rua da Ladeira), na esquina com a Rua dos Andradas (Rua da Praia), um prédio em estilo art noveau resiste, intacto, à passagem do tempo. Exemplos como esses se multiplicam em locais como a Praça Senador Florêncio (Praça da Alfândega), onde o Banco Safra ocupa um conjunto arquitetônico formado, antigamente, por uma farmácia e um cinema, e o Museu de Artes do Rio Grande do Sul e o prédio dos Correios e Telégrafos (Correio velho, hoje Memorial do Rio Grande do Sul), atestam a importância desses marcos históricos. Os nomes de ruas e praças fornece informações preciosas. O Centro é o lugar onde algumas denominações originais das principais ruas e praças se mantêm graças ao uso popular, como é o caso da Rua da Praia, a mais central, que foi renomeada como Rua dos Andradas; hoje aceita-se oficialmente as duas denominações. No Centro localiza-se "A Paineira", aceita por todos os habitantes em uma cidade em que há milhares de paineiras, ponto de referência da rua Sete de Setembro. Por outro lado, é no Centro que se encontram alguns dos principais locais de irradiação cultural da cidade. Basta lembrar que ali estão o Museu Júlio de Castilhos, a Casa de Cultura Mário Quintana, a Usina do Gasômetro, a Biblioteca Pública, o Museu de Artes do Rio Grande do Sul e o Museu da Companhia Estadual de Energia Elétrica. 1.1.6.1 Mercado Público Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre, o Mercado Público foi inaugurado em 1869 para abrigar o comércio de abastecimento da cidade. Em 1912 foi construído o 2º pavimento para abrigar escritórios comerciais e industriais e repartições públicas. Tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre em 1979, o Mercado Público sofreu três incêndios (1912, 1976 e 1979) e resistiu à grande enchente de 1941. Além de oferecer bons produtos, procurando praticar uma boa política de preços, o Mercado Público também atua como espaço para manifestações culturais e comunitárias. 20 Figura 4 – Mercado Público O Mercado é referência cultural, política, social e econômica de nosso estado. Possui, hoje, 108 estabelecimentos, que oferecem produtos regionais, produtos naturais, especiarias e alguns itens que o porto-alegrense só encontra no Mercado Público Central. Há uma programação semanal de música nos terraços do 2º pavimento do Mercado Público, incluindo estilos diferentes como samba de raiz, arte latina, música romântica, MPB, e pop-rock. 1.1.6.2 Feira do Livro A Feira do Livro de Porto Alegre é um evento organizado pela Câmara Rio-Grandense do Livro e voltada para o incentivo e a difusão do hábito da leitura. A Feira do Livro de Porto Alegre é uma das mais antigas do País. Sua primeira edição ocorreu em 1955 e seu idealizador foi o jornalista Say Marques, diretor-secretário do Diário de Notícias. Inspirado por uma feira que visitara na Cinelândia no Rio de Janeiro, Marques convenceu livreiros e editores da cidade a participarem do evento. A 51ª edição da Feira ocupou uma área total de aproximadamente 20 mil m², incluindo o Cais do Porto. A área coberta por lona foi de 7,9 mil m². A circulação é de aproximadamente 1,7 milhão de pessoas durante o período em que é realizada, normalmente duas semanas durante o ano. 21 1.1.6.3 Cinemas O Centro possui, ao todo, 10 salas de cinema: Cinemateca Paulo Amorim (3 salas); Cinema Rua da Praia (3 salas); Sala P. F. Gastal; Cine Victória (2 salas); Santander Cultural. 1.1.6.4 Teatros No Centro há 11 teatros, sendo que a cidade possui ao todo 22; 50% dos teatros se encontram no bairro de referência: Bruno Kiefer e Carlos Carvalho; Casa de Teatro; CIA. de Arte; Clube de Cultura; Museu do Trabalho; Salas Alziro Azevedo e Qorpo Santo; SESC; Theatro São Pedro; Usina do Gasômetro. No Centro há também 5 Centros Culturais, sendo 2 deles frutos da iniciativa privada: Casa de Cultura Mário Quintana; Centro Cultural CEEE Érico Veríssimo; Centro Cultural Usina do Gasômetro; 22 Memorial do Rio Grande do Sul; Santander Cultural. 1.1.6.5 Museus Museu de Arte Contemporânea; MARGS; Museu da Caixa Econômica Federal; Museu do Trabalho; Museu Júlio de Castilhos; Museu da Eletricidade do Rio Grande do Sul; Museu do Banrisul; Museu Antropológico; Museu do Exército; Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa; Memorial do Ministério Público; Museu do Vinho e da Enoteca; Museu da UFRGS. 1.1.7 Trânsito Circulam no Centro aproximadamente, 600 mil pessoas por dia. Dessas, 55% vão ao Centro a trabalho, 14% por lazer, 12% para compras, 8,5% para serviços, apenas 7% por morarem no Centro e 2,5% para estudar. Em relação ao transporte coletivo, 295 linhas de ônibus têm como destino o Centro da capital, para onde fazem cerca de 10 mil viagens por dia. No Centro estão localizados 74, dos 168 parquímetros da cidade, ou seja, 44% dos parquímetros estão no bairro. Somando 1.141 vagas, contra 3.216 de toda Porto Alegre. 23 Há também 109 garagens/estacionamento registrados na Secretaria municipal da Indústria e Comércio no Centro. São entre 60 e 70 fiscais da EPTC circulando pelo Centro. O acesso direto entre as duas faces do Centro por meio da Avenida Borges de Medeiros foi um sonho dos porto-alegrenses durante um século e meio e levou 2 décadas para se concretizar. Para tal, foi preciso dinamitar um morro e demolir quase cem prédios no miolo da Capital, conforme demonstrado na foto a seguir: Figura 5 – Construção Viaduto da Borges de Medeiros Fonte: Zero Hora, Edição nº. 15.082, 08 de dezembro de 2006. Na década de 70, o bloqueio da avenida para o tráfego, voltou a seccionar a região em duas metades. Porto Alegre tinha 3 mil carros quando o morro começou as ser rasgado. Atualmente, são mais de meio milhão de veículos, concorrendo pelo mesmo espaço. A Borges de Medeiros foi fechada para carros da Salgado Filho até a Rua da Praia, afastando o público de maior poder aquisitivo do Centro e criando um vazio urbano logo preenchido por camelôs, meninos de rua e mendigos. Segundo o Secretário Municipal da Mobilidade Urbana, Luiz Afonso Senna, a explicação é que a Borges está fechada na altura da Salgado Filho porque não se quer facilitar o acesso do automóvel ao Centro. Ele compara a cidade a um organismo vivo, que se não tiver 24 circulação, pode sofrer de gangrena. É o que ele acha que aconteceu com o Centro em virtude da dificuldade de acesso. Esse percurso pelo Centro sempre foi difícil. Os primeiros povoadores precisavam vencer um morro para se deslocar de um lado ao outro do Centro. O problema fazia parte do dia-a-dia da população até as primeiras décadas do século 20. As linhas de bonde precisavam circundar o morro para conseguir ir de um lado a outro. A obra começou em 1924, e foi considerada por arquitetos a obra de engenharia mais arrojada da história de Porto Alegre, e significou abrir com explosões um vão no meio do morro, desapropriar quarteirões e construir o monumental viaduto Otávio Rocha. O fechamento dessa rota ocorreu apenas três décadas mais tarde e significou separar de novo as duas faces do Centro. Esse ato fazia parte da estratégia de expulsão do automóvel, desencadeada a partir dos anos 70. O objetivo era desafogar a área. O bloqueio da Borges foi fatal para a Salgado Filho, outro exemplo de grande obra desvirtuada que gerou degradação na área central. Pouco mais que um beco no passado, a avenida foi construída em tempo recorde, no período entre 1939 e 1940, sob a inspiração dos boulevares parisienses. Segundo a professora Nara Machado, trata-se de um outro marco da abertura do Centro para o tráfego: acolhia o fluxo da Azenha, unia-se à Borges e levava ao cais. A Salgado Filho nasceu como uma via elegante, abrindo lojas e serviços sofisticados e atraindo moradores de alto poder aquisitivo. Com o bloqueio da Borges para os veículos, ônibus oriundos da Zona Sul e da João Pessoa não puderam mais chegar até a região do Mercado. A solução foi transformar a avenida em grande terminal a céu aberto. Estavam criadas as condições para a decadência. 1.1.7.1 A Alternativa Pregada por urbanistas, a urgência de tornar o Centro da capital atraente para os automóveis começa a ser adotada no discurso, e em algumas atitudes concretas, pelas autoridades. A solução apontada, a de rever calçadões e bloqueios de vias, influencia a administração municipal. O Secretário de Mobilidade Urbana, Luiz Afonso Senna, promete abrir vias. A Borges de Medeiros é uma das rotas em mira. Senna oferece como exemplo do que virá pela frente uma medida tomada no final do ano passado: a possibilidade de atravessar a Avenida Salgado Filho a partir da abertura da Rua Dr. Flores, rara oportunidade para quem precisa transpor o Centro. Para os próximos meses ele anuncia um novo cruzamento na Rua da Praia, pela Rua General Câmara. A 25 prefeitura também promete revisar os calçadões. O diagnóstico é de que eles tiveram um efeito adverso: limitaram o acesso, afastaram pessoas do Centro e fomentaram a falta de vitalidade de espaços. Segundo o gerente do Projeto Viva o Centro, Glênio Bohrer, há um consenso técnico na prefeitura sobre a abertura de calçadões ao trânsito. Falta a decisão política. A intenção é que, ao menos à noite, todo o Centro esteja liberado aos motoristas. A Prefeitura também assume o compromisso de eliminar os terminais de ônibus a céu aberto. Segundo Senna, os técnicos trabalham com o conceito a ser implementado ainda em 2006, no qual o transporte coletivo continuará a chegar nos locais, mas sem o fim da linha localizado no Centro: “Faremos um esforço para transformar novamente a Salgado Filho no boulevard que ela já foi.” – promete. 1.1.8 O Centro e a Percepção Popular De acordo com Lineu Castello, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRGS, ao evoluir no tempo, cada cidade acumula fatos em sua paisagem, acumulando elementos essenciais. A permanência de alguns elementos na passagem do tempo da cidade traduz a força com que esses marcam as imagens que os cidadãos constroem sobre suas cidades. São elementos que fazem a memória da cidade, que são pragmáticos na paisagem, que reasseguram aos cidadãos a permanência de seus referenciais espaciais básicos, da continuidade de sua historia, da constância de suas estórias, da vida e de sua cultura. Isto tornou-se bastante evidente na descrição que os porto-alegrenses fizeram dos limites da área central de sua cidade e que esta apresentado na tabela abaixo. Agrupados pelo volume de citações, os elementos se repetiram quase que integralmente nos dois momentos da investigação, em 1985 e 1995. Outra consideração importante a extrair da comparação entra as duas pesquisas diz respeito à inserção de elementos no repertório. Respostas a questões como “elementos que mais agradam no Centro” (questão lançada em 1985) ou “o que mostrar a um conhecido no Centro” (apresentada em 1995) trazem boas indicações a respeito tanto da permanência de elementos quanto de sua introdução no repertório. 26 Tabela 3 – Percepção dos limites do Centro (1985 X 1995) Limites Citados em 1985 Limites Citados em 1995 Av. Mauá Antiga Usina do Gasômetro Santa Casa De Misericórdia Estação Rodoviária Praça da Alfândega Santa Casa de Misericórdia Rua da Praia Viaduto da Conceição Rio Guaíba Av. Independência Rua Duque de Caxias Av. Mauá Praça Dom Feliciano Av. Loureiro da Silva Estação Rodoviária Av. Osvaldo Aranha/ Bonfim Av. Salgado Filho Rua da Praia Antiga Usina do Gasômetro Cidade Baixa Rua da Conceição Rio Guaíba Av. Borges de Medeiros Av. Borges de Medeiros Av. Independência Mercado Av. Loureiro da Silva Praça Dom Feliciano 27 Tabela 4 – Local que mais agradam e locais que mostrariam a um conhecido Elementos que mais agradam (85) Nº O que mostrar a um conhecido (95) Rua da Praia: calçadão, comercio, esq 59 Pça democrática, hotel Majestic, Americanas Matriz: Assembléia, Nº biblioteca, 55 catedral, Theatro São Pedro Praça da Matriz 41 Mercado Público 47 Praça da Alfândega 34 CCMQ 45 Mercado Público 22 Usina do Gasômetro 44 Nada 12 Rua da Praia 32 Av. Borges de Medeiros 9 Parques 32 Eixos e Pontos Diversos 27 Parques (harmonia, Marinha, 7 Redenção) Calçadão da Otávio Rocha 7 Rio Guaíba 26 Cais do Porto 6 Museus 21 Eixos e pontos diversos: Salgado Fº, 3 Praça da Alfândega: feira do Livro, jogo 18 Pça Conde de Porto Alegre, bares de Damas na praça, a praça Estabelecimentos Diversos: Shopping 18 Rua da Praia, Lojas, Comercio Voluntários Patrimônio Arquitetônico: Igrejas, 12 Bancos, Prédios Históricos, Beneficência Portuguesa Certamente, mudaram muitas coisas. Agora, por exemplo, já não é mais desconhecido o fato de que o Centro de Porto Alegre esta localizado à beira d’água. Em 1986, na pesquisa MAB-UNESCO, os entrevistados de então foram tomados de surpresa ao serem indagados se conheciam alguma cidade cujo Centro ficasse à beira d’água e qual seria essa cidade. Na época uma desconcertante minoria mencionou Porto Alegre. Atualmente, a força do rio – que não é rio, mas é lago - parece que entrou mesmo em alta recuperação no imaginário do portoalegrense: a capital passou a ser a cidade citada com maior freqüência, entre outras 95 do resto do Brasil e 19 do exterior, igualmente lembradas como tendo áreas centrais junto à água. Outro aspecto importante a ser analisado é a posição recente assumida por dois elementos no imaginário da cidade. Trata-se da Usina do Gasômetro e da Casa de Cultura Mário Quintana, ambos com acentuada expressão entre as preferências populares mais 28 citadas. Nas pesquisas realizadas em 1985, quando ainda não haviam recebido políticas de investimentos, tais elementos eram simplesmente prédios vazios, ocos e sem vida. Com isso é admissível reconhecer que a inserção de novos elementos no repertório urbano pode ser rápida e surpreendentemente eficaz. Finalmente, uma das constatações levantadas na pesquisa realizada por Lineu Castello é da possibilidade – antes quase desacreditada – da reinstauração do otimismo quanto ao futuro do Centro de Porto Alegre e, por extensão, dos Centros urbanos das grandes metrópoles. 1.1.9 Projeto Viva o Centro Na tentativa de recuperar o Centro de Porto Alegre, nos aspectos ambiental, social e econômico, a Prefeitura atual está implementando o Projeto Viva o Centro, que é um plano de gerenciamento generalizado para se alcançar aquilo que a Prefeitura chama de governança solidária na área central da cidade e tornar o Centro um bairro de oportunidades para todos. O projeto está na fase de montagem do módulo financeiro do planejamento estratégico, e engloba uma série de medidas a serem adotadas pelo Poder Público no intuito de reverter a atual imagem do Centro. Apesar de não ser em todo uma novidade - projetos para revitalização do Centro têm estado em pauta há mais de 20 anos -, o projeto inova pelo planejamento e pelos métodos de diagnóstico de problema, sendo esse diagnóstico realizado em conjunto com a sociedade. As medidas anteriores na tentativa de melhorar o ambiente central não passaram de ações pontuais, como a reforma da Rua José Montaury, a remodelação da Usina do Gasômetro, a construção do novo terminal de ônibus na Praça XV, a revitalização do Largo Glênio Peres, entre outras. O Projeto Viva o Centro tem ambições maiores. Em primeiro lugar, o projeto intenta diminuir a dicotomia de uso do Centro. Durante o dia, cerca de 600.000 pessoas circulam pelo Centro diariamente, sendo que a grande maioria dessas pessoas vêm ao Centro a trabalho. À noite, o movimento é reduzido em mais de 90% (vale lembrar que a população residente no Centro é de aproximadamente 40.000 pessoas). Para reduzir esse contraste, a Prefeitura pretende intensificar atividades culturais à noite em todas as partes da área central (hoje as atividades culturais noturnas são reduzidas e localizadas em poucos pontos), propiciar uma melhor percepção de segurança à população (apesar de o Centro não ser o local com maior índice de crimes, a população tem uma idéia negativa em relação à segurança na área central), entre outras medidas. Em seguida, vem uma preocupação conjunta com a circulação (tanto de pedestres quanto de automóveis) e com o transporte interno do Centro (intensificar as possibilidades de transporte coletivo), com o comércio nas ruas (regularização dos camelôs e busca de um 29 espaço para um camelódromo), com a segurança, a iluminação e a limpeza, com a restauração de prédios históricos e praças. Enfim, com todo conjunto social que envolve o Centro. Também é preocupação da Prefeitura tornar o Centro atraente para habitação. A drástica diminuição de moradores do bairro contribui para o aumento da dicotomia dia/noite do uso do Centro. Tornar o Centro um bom lugar para se viver, andar, passear, trabalhar, enfim, fazer o porto-alegrense voltar a sentir orgulho do Centro, pode ser o resumo desse Projeto. 30 1.1.10 Pergunta de pesquisa Quando da pesquisa dos dados oficiais dos aspectos mais latentes da área central na vida da população: comércio, segurança, trânsito, além do seu histórico, motivos da sua degradação e iniciativas do setor público no bairro visando a sua revitalização, verificou-se uma inexistência de estudos ou documentos que registrassem a manifestação da população sobre estes temas relativos ao Centro. Portanto, a presente pesquisa propõe-se a responder a seguinte pergunta: Qual a percepção do porto-alegrense em relação ao Centro da sua cidade? 1.2 JUSTIFICATIVA A presente pesquisa disponibilizará informações que permitirão aos gestores, públicos ou privados, tomar decisões em seus respectivos âmbitos de atuação. O Poder Público pode valer-se das percepções da população acerca dos temas abordados para a orientação do planejamento e execução de políticas públicas tão necessárias para a área central da cidade de Porto Alegre. É importante salientar que o Centro é o local onde estão localizados os poderes políticos do município e também do Estado do Rio Grande do Sul, o que agrava a incapacidade de estancamento da degradação pela qual passa o bairro. A imprensa local poderá valer-se do estudo para orientar futuras reportagens. A academia pode aprofundar a pesquisa de alguns dos aspectos investigados. Por fim, e não menos importante, a iniciativa privada pode utilizar a presente pesquisa para orientar futuros investimentos no bairro. 31 1.3 OBJETIVOS A seguir trataremos dos objetivos dessa pesquisa, divididos em geral e específicos. 1.3.1 Objetivo Geral Identificar a percepção da população residente de Porto Alegre sobre o Centro da cidade. 1.3.2 Objetivos Específicos • Verificar, junto à população da Capital, os seus sentimentos e opiniões em relação ao Centro da cidade quanto aos seguintes assuntos: turismo, cultura, lazer, moradia, poluição, trânsito, segurança e comércio; • Mensurar, através de softwares e métodos estatísticos, as percepções do portoalegrense sobre o Centro; • Comparar as percepções obtidas através das análises de questionários aplicados com dados constantes em reportagens e estudos que versem sobre o Centro de Porto Alegre; • Analisar, ainda que não exaustivamente, a relação entre as múltiplas percepções dos entrevistados. 32 2 MÉTODO A pesquisa, objeto desse trabalho constou de uma etapa exploratória e uma etapa descritiva. 2.1 Etapa Exploratória A etapa exploratória da pesquisa incluiu a busca de informações secundárias, apresentadas na seção anterior, e a realização de uma etapa qualitativa, visando a uma melhor compreensão do tema da pesquisa. Segundo Malhotra (2001), há várias razões para se usar a pesquisa qualitativa. Esta proporciona uma melhor visão e compreensão do contexto do problema. A pesquisa qualitativa é não conclusiva, sendo normalmente complementar à pesquisa quantitativa, que será examinada na seqüência deste trabalho. A pesquisa qualitativa, segundo Malhotra (2001) pode ser abordada direta ou indiretamente. Nessa última incluem-se normalmente as técnicas projetivas. Na abordagem direta, utilizada nesse trabalho, pode-se recorrer a entrevistas em profundidade ou à realização de grupos de foco, também conhecidos como grupos motivacionais ou Focus Groups. Ferramenta de pesquisa originada da sociologia, os grupos de foco tiveram sua utilização ampliada a partir da década de 1980. Sua aplicação em uma pesquisa consiste em obter informações novas a respeito do objeto da pesquisa, a opinião das pessoas a respeito desse objeto e a determinação de variáveis importantes a serem estudadas na pesquisa, entre outras. O objeto de análise de um focus group é a interação dentro do grupo (OLIVEIRA; FREITAS, 1998). Os autores citados sugerem que um grupo de foco deve durar entre uma e três horas e deve reunir entre 6 e 12 pessoas, sendo que a reunião deve ser realizada em um ambiente relaxante e agradável, adequado para que as pessoas que fazem parte do grupo de discussão exponham livremente suas idéias. Segundo Oliveira e Freitas (1998), para que o grupo de foco obtenha sucesso, é interessante que haja uma certa homogeneidade entre os participantes quanto ao objeto de pesquisa, fato que tende a gerar debates aprofundados e produtivos. Segundo Malhotra (2001), o planejamento e a condução de um grupo de foco precisa respeitar os seguintes passos: a) Determinar os objetivos do programa de pesquisa e a definição do problema; b) Especificar os objetivos da pesquisa qualitativa; c) Declarar os objetivos que devem ser respondidos na discussão em grupo; d) Elaborar e redigir um questionário de eliminação para excluir membros do grupo que não cumpram as exigências da pesquisa; e) Desenvolver a linha de conduta do mediador; f) Conduzir a discussão em grupo; 33 g) Analisar os dados; h) Resumir as constatações e planejar pesquisa ou ação de acompanhamento. O debate do grupo é coordenado por um moderador ou mediador, que é uma pessoa devidamente treinada para conduzir a discussão nos assuntos previamente definidos pela equipe de pesquisa. É o moderador quem vai incitar os mais tímidos a exporem seus pensamentos e limitar as declarações dos mais extrovertidos, sempre cuidando para que o clima no ambiente seja o mais positivo possível. Além do moderador (que é a única pessoa do grupo de pesquisa com direito a voz no grupo de foco), podem ser determinados alguns observadores para monitorar o grupo de foco, com o objetivo de coletar declarações relevantes ao objeto de estudo e de perceber reações individuais dos participantes ante cada questão. Os participantes do grupo de discussão são escolhidos conforme sua afinidade com o objeto de pesquisa. Como todo instrumento de pesquisa, o grupo de foco tem suas vantagens e desvantagens. Como principal vantagem destaca-se a rapidez na obtenção de informações relevantes ao tema de estudo. As desvantagens são a falta de representatividade da amostra, face o número limitado de participantes, e a própria natureza humana, que faz com que exista a possibilidade de alguns membros do grupo se retraírem por inibição ou omitirem informações importantes. O debate do grupo motivacional direcionado à pesquisa objeto desse trabalho foi realizado na sala 208 do prédio da Escola de Administração, em 18 de setembro de 2006, às 19:00 h. Para tanto, foram escolhidas previamente pessoas que têm conhecimentos, percepções e relações as mais diversas a respeito do Centro de Porto Alegre, como moradores, trabalhadores, comerciantes, representantes de órgãos públicos com relação direta ao Centro, jornalistas, pessoas que declararam anteriormente amar ou odiar o Centro. Fizeram parte do grupo: a) Dono de Banca de Apostilas no Centro b) Donos de Banca de especiarias no Mercado Público (2 pessoas) c) Editor e organizador da Feira do Livro d) Editora de Cadernos de Bairro da Zero Hora e) Morador do Centro f) Representante do Projeto Viva o Centro da Prefeitura de Porto Alegre g) Morador do Centro e jornalista h) Comandante do 9º BPM – Major i) Pessoa que não gosta do Centro j) Pessoa que trabalha no Centro 34 Essa seleção visava a obter os mais diversos pontos de vista a respeito do Centro de Porto Alegre, possibilitando a determinação das variáveis que teriam mais importância nessa pesquisa. Também foi elaborado com antecedência um roteiro para a condução do Focus Group, o qual continha, além da seqüência lógica dos eventos da reunião, vários pontos-chave que deveriam ser abordados no debate. Esses pontos-chave são: - Comércio - Cultura - Segurança - Moradia - Transporte - História - Turismo - Importância do Centro - Limpeza Durante a reunião, foram abordados quase todos esses tópicos, porém a concentração da discussão se deu em torno dos temas comércio, cultura, turismo, moradia e, principalmente, segurança. A análise da transcrição do debate do grupo motivacional, o qual consta na íntegra ao final desse trabalho (Anexo 02), em conjunto com o material coletado através da pesquisa de dados secundários, permitiu a identificação das principais variáveis que deveriam fazer nortear o instrumento de coleta de dados primários – o questionário. Todas elas foram abordadas no grupo de foco com maior ou menor intensidade, e ratificadas pela pesquisa aos dados secundários. São as seguintes: a) o sentimento das pessoas em relação ao Centro; b) a percepção dos limites geográficos do Centro, uma vez que ocorrem variações de pessoa para pessoa; c) os motivos pelos quais as pessoas freqüentam o Centro; d) as percepções das pessoas em relação ao Centro como opção de lazer, de moradia e de turismo; e) a qualidade e a quantidade de atrações, eventos, oportunidades, comércio e serviços que o Centro proporciona; f) a percepção das pessoas quanto à segurança pessoal e coletiva no Centro; g) o conhecimento que as pessoas possuem a respeito dos pontos turísticos do centro; h) como as pessoas percebem o trânsito do centro; i) como as pessoas percebem a limpeza, a iluminação e a infraestrutura da área central; j) como as pessoas vêem o comércio do Centro de Porto Alegre. 35 2.2 Etapa Descritiva Segundo Malhotra (2001), a pesquisa descritiva tem como objetivo principal a descrição de algum fenômeno – em geral características ou funções do objeto em estudo. Os métodos de survey são classificados segundo sua forma de aplicação. O instrumento utilizado para obtenção de informações no survey dessa pesquisa é descrito na seção a seguir. 2.2.1 Instrumento de Coleta de Dados O questionário consiste basicamente em um instrumento estruturado de coleta de dados, formado por uma série de perguntas dirigidas a um entrevistado (Malhotra, 2001). Ele se caracteriza por três objetivos específicos: deve traduzir a informação desejada por meio de um conjunto de questionamentos, os quais o entrevistado esteja apto a responder; precisa envolver o entrevistado no assunto abordado a fim de que este coopere e complete a entrevista; e deve sempre minimizar o erro de resposta, imprecisão e tendenciosidade. O questionário utilizado para a realização de um survey, conforme Malhotra (2001), pode ser diferenciado em quatro categorias de método de aplicação: telefônico, postal, eletrônico e pessoal. O método utilizado para a coleta de dados foi o de entrevista pessoal, onde os entrevistados foram abordados pessoalmente em suas residências. A elaboração do questionário foi realizada através de várias etapas até chegar em sua versão final. Primeiramente, todo o grupo envolvido na elaboração do questionário realizou o levantamento dos fatores relevantes e os tópicos principais abordados nas etapas prévias: exploratória (pesquisa de dados secundários) e qualitativa (Focus Group). A partir destes dados, elaboraram-se questões sobre o Centro de Porto Alegre, considerando esses principais tópicos. Após o levantamento de questões, fizeram-se filtragens em grupos de discussão, com a orientação de professores, para avaliar quais questões eram realmente pertinentes e quais necessitavam de alguns ajustes. Com as questões definidas, o layout e a ordem das perguntas foi estruturado e um pré- teste foi aplicado para realizar eventuais ajustes. A utilização de um pré-teste possibilita verificar como o entrevistado se comporta em uma situação real de coleta de dados, a compreensão das questões, reação do entrevistado, o tempo de aplicação, manuseio das escalas e seqüência de questões. O pré-teste foi realizado por todo o grupo de alunos em uma amostra de conveniência de duas pessoas por aluno. Em sala de aula foram discutidos os aspectos observados na aplicação do pré-teste. A partir disso, foram feitas modificações no questionário. O pré-teste 36 revelou necessidade de ajuste na ordem das questões, vocabulário e novas opções de resposta, e introdução ou exclusão de perguntas. O questionário foi construído utilizando, basicamente, dois tipos de estrutura de perguntas: perguntas de múltipla escolha e perguntas escalonadas. As perguntas de múltipla escolha oferecem aos entrevistados uma gama de respostas, das quais ele poderá optar por uma (fechada) ou mais de uma (aberta). As alternativas devem conter todas as respostas possíveis, (inclusão da alternativa “outros”), devem ser mutuamente excludentes e abordar apenas um tópico por alternativa. As alternativas foram selecionadas e dispostas com o intuito de minimizar a tendenciosidade do entrevistado, cujo raciocínio mecânico condiciona a marcar a primeira ou última questão de uma lista. Nas perguntas escalonadas foi utilizada a escala do tipo Likert. Segundo Pereira (1999), o sucesso da Escala de Likert se deve à sua reconhecida sensibilidade em recuperar conceitos aristotélicos da manifestação de qualidades: reconhece a oposição entre contrários; reconhece gradiente; e reconhece a situação intermediária. A escala também oferece uma relação adequada entre a precisão e a acurácia da mensuração. A oposição semântica que fica implícita na escala de Likert pela presença do ponto médio veio a ser mais tarde estudada e desenvolvida por Osgood, com sua teoria do diferencial semântico. Likert e Osgood ocuparamse do desenvolvimento de estratégias psicométricas, não visando diretamente à mensuração. São, no entanto, valiosas as suas contribuições para a concepção de medidas qualitativas (PEREIRA, 1999). Na pesquisa realizada, objeto desse trabalho, a escala de Likert foi utilizada com cinco categorias de alternativas e diferentes formas de escalonamento. Uma das escalas mais utilizadas foi a de grau de concordância, com os itens: discordo totalmente, discordo em parte, indiferente, concordo em parte, concordo totalmente. As escalas e as opções de escolha foram utilizadas em forma de cartões, dando ao entrevistado a possibilidade de visualizar as alternativas de respostas (Anexo 06 ao final). Outro recurso utilizado foi a criação de um Glossário, onde foi colocado o significado de algumas palavras que eventualmente poderiam causar alguma dúvida ao entrevistado. Isso possibilita a padronização de um conceito, amenizando o viés do entrevistador. 2.2.2 População e Amostra Malhotra(2001), define população como sendo “a soma de todos os elementos que compartilham algum conjunto comum de características, conformando o universo para o problema de uma pesquisa de marketing”. Ele também define amostra como “um subgrupo dos elementos de uma população selecionado para participação de um estudo”. Esta pesquisa utiliza características amostrais, chamadas estatísticas, para efetuar inferências sobre os parâmetros populacionais. 37 Com base nas definições apresentadas, decidiu-se que a população da pesquisa seria de moradores da cidade de Porto Alegre maiores de 16 anos e que a amostra seria probabilística, o que, por sua vez, permite que os resultados identificados neste estudo sejam representativos e possam ser generalizados para a população considerada. O processo de amostragem foi feito por conglomerado, o qual Malhotra (2001) define como sendo aquele em que “a população-alvo é dividida em subpopulações mutuamente excludentes e coletivamente exaustivas, chamados de conglomerados”. No âmbito dessa pesquisa, os conglomerados foram as quadras da cidade organizadas em um segundo nível de divisão: as residências. O processo de amostragem iniciou-se com o sorteio das quadras a partir do mapa de Porto Alegre disponibilizado pelo CEPA – Centro de Pesquisas em Administração/UFRGS – o qual possui 5376 quadras numeradas. Conforme metas estabelecidas no início da pesquisa e descritas na caracterização da amostra, objetivamos atingir um nível mínimo de confiança de 95% e um erro amostral de 4,27%. Para tanto foram estabelecidas algumas diretrizes que permitiram o alcance destes índices. Através de uma planilha eletrônica desenvolvida pelo grupo da amostragem (Anexo 09, ao final), sorteamos as quadras que seriam objeto de nossa amostra. Cada pesquisador recebeu duas fichas de reconhecimento de quadra. Cada ficha representou uma quadra real e numerada com base no mapa fornecido pelo CEPA. Para cada quadra objetivamos coletar 10 questionários preenchidos, o que totalizaria 20 questionários por pesquisador. Como 32 pesquisadores participaram do estudo, o número de questionários respondidos seria suficiente para o atendimento das metas estabelecidas. Com o intuito de descentralizar e otimizar o processo da amostragem, criamos a figura do facilitador. Ele foi o aluno do grupo da amostragem que se responsabilizou por acompanhar e auxiliar outros dois alunos que não faziam parte da elaboração desse processo. Utilizamos 10 facilitadores em nosso estudo. Na etapa de reconhecimento das quadras os pesquisadores contaram o número de domicílios da quadra sorteada, considerando apenas as residências que ficassem de frente às ruas sorteadas e obedecendo ao sentido e a ordem das flechas indicadas na ficha de reconhecimento de quadra (Anexo 07). Após o término da contagem, cada pesquisador dividiu o número de residências catalogadas por dez (número de questionários por quadra) e do resultado obtido deconsiderou-se a casa decimal. O número que resultou foi o salto da quadra. Ex: uma quadra tem 68 domicílios... 68/10= 6,8 (existe uma convenção que sempre que der número com virgula se arredonda para baixo). Portanto, o salto é 6. A entrevista deveria ser feita na residências: 6,12,18,24,30,36,42,48,54,60 38 Caso o entrevistado não estivesse em casa, ou se negasse a responder o pesquisador deveria voltar um domicílio e partir deste novo ponto, saltar o número de domicílios préestabelecidos. Nos edifícios residenciais foram considerados todos os apartamentos como sendo uma residência, obedecendo a ordem numérica crescente, incluindo o zelador. Caso o pesquisador não completasse 10 questionários em uma quadra, deveria aplicar o restante em quadras adjacentes à principal. Esses critérios de aplicação foram estabelecidos em aula e em uma visita ao CEPA, sendo então elaboradas instruções relativas aos procedimentos (Anexo 09). Os pesquisadores foram instruídos a se apresentarem como estudantes da UFRGS e estavam devidamente identificados com o cartão da universidade e com uma carta assinada pelo professor orientador da pesquisa (Anexo 07). 2.2.3 A automatização da amostragem Tendo em vista os fatores supra citados, o grupo responsável pela amostragem preocupou-se em automatizar os processos, para obter maior controle e ser fiel aos métodos estabelecidos para esta pesquisa. Através do Microsoft Excel, criamos um programa que sorteia aleatoriamente as quadras da cidade de Porto Alegre que fizeram parte de nossa amostra. Automaticamente o programa designa qual aluno irá a cada quadra, sempre se preocupando com proximidade entre quadras, evitando assim grandes deslocamentos por parte do pesquisador. Na primeira parte da planilha três informações são requeridas: o universo de quadras (tamanho da população), o tamanho da amostra que se quer pesquisar e o número de pesquisadores. Através de uma macro, criou-se um botão que quando pressionado sorteia aleatoriamente e sem repetição o número das quadras que serão objeto de nossa amostra respeitando o tamanho amostral determinado no parâmetro anteriormente definido. 39 Figura 6 – Planilha de amostragem para sorteio das quadras Após o sorteio feito na primeira parte da planilha, automaticamente as quadras sorteadas agrupam-se por proximidade na segunda planilha. Nesse trabalho, cada pesquisador era responsável por duas quadras; assim, através dos parâmetros inseridos na primeira planilha, o Excel agrupa as quadras em pares. Nessa planilha existe outro botão de macro que quando apertado busca aleatoriamente no parâmetro “quantidade de alunos” um número que significa, de acordo com a lista de chamada da disciplina, o aluno que deve aplicar a pesquisa no agrupamento de quadras em questão. Por fim, temos as quadras sorteadas e seus respectivos pesquisadores. 40 Figura 7 – Planilha de amostragem para sorteio do entrevistador Como prevíamos a possibilidade de algumas das quadras sorteadas serem inviáveis para a aplicação dos questionários, criamos previamente uma planilha designada sorteio único. Essa planilha é utilizada apenas quando, após o reconhecimento da quadras, algum aluno julga necessário o sorteio de uma nova quadra. Nessa planilha inserem-se parâmetros que mantêm a proximidade das quadras e através de uma macro sorteia aleatoriamente uma nova quadra. Com este mecanismo mantemos as diretrizes originais da amostragem e temos condições de oferecer uma nova quadra ao aluno requerente. O software desenvolvido para o procedimento descrito nessa seção é parte integrante desse trabalho (Anexo 10). 41 Figura 8 – Planilha de amostragem para sorteio único 42 3 ANÁLISES DOS DADOS Para análise dos dados coletados nessa pesquisa, procedeu-se à análise univariada, bivariada e multivariada, esta última através da regressão múltipla. Nas análises bivariadas, realizou-se o teste qui-quadrado para demonstrar a dependência entre duas variáveis. Para Malhotra (2001), esta técnica testa a significância estatística da associação observada e permite determinar se existe uma associação sistemática entre as duas variáveis. A técnica de regressão múltipla, segundo Malhotra (2001), envolve simultaneamente uma relação matemática entre duas ou mais variáveis independentes e uma variável dependente escalonada por intervalo. Importante destacar que o questionário aplicado na presente pesquisa foi dividido em diversos blocos de assuntos. A análise de regressão múltipla permite avaliar qual variável pesquisada tem maior impacto dentro de cada um dos seguintes blocos: Cultura e Lazer, Moradia, Poluição, Segurança, Trânsito e Comércio. Em termos estatísticos, uma análise de regressão é um processo que permite a análise de relações associativas entre uma variável dependente (em nosso caso, as notas de cada bloco) e n variáveis independentes. Nas tabelas de resultado, o R-quadrado representa o quanto o conjunto de variáveis explica a variância da variável dependente, ou seja, a intensidade da associação feita. Já os coeficientes de determinação (aqui chamados de betas) são números que variam de 0 a 1, e significam a proporção da variação total da nota (variável dependente) que é decorrente da variação das variáveis independentes. Simplificando, quanto maiores os betas, mais a variável analisada impacta na nota. Outros dois termos estatísticos que necessitam explicação são o stat-t e o valor-p. Quando o stat-t é maior que o valor-p, considera-se nula a hipótese de que não há qualquer relação linear entre a variável testada e a nota, e vice-versa. Entretanto, para facilitar a visualização, este valor não foi colocado na tabela. Todos os valores das tabelas aparecem em módulo. Para cada bloco de perguntas do questionário fez-se a análise de regressão, exceto para a cultura, em que não se pediu ao respondente uma nota específica para este quesito. 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA AMOSTRA Na coleta de dados, algumas perguntas tinham o intuito de caracterizar a amostra. Foram levantados dados do IBGE para que fosse possível verificar o quão esta amostra era 43 semelhante à população de Porto Alegre. É importante destacar que esta pesquisa teve um filtro um pouco diferente, pois foram aplicadas pesquisas com pessoas acima de 16 anos, e nas segmentações feitas pelo IBGE são consideradas pessoas acima de 10 anos. No total, foram entrevistadas 527 pessoas na Cidade de Porto Alegre. Baseado em dados do IBGE, Porto Alegre possui, em 2006, um população aproximada de 1.450.000 pessoas. Baseado nisto, nossa amostra, com 95% de confiança, possui uma margem de erro de 4,27%. Conhecendo o Universo e Definindo a Amostra Insira o N (Universo) 1450000 Insira o n (Amostra) 527 O Erro é 4,27 Confiança = 95% Analisando o sexo dos entrevistados, percebemos que não há diferença entre a amostra e a população. Este dado auxilia a dar ainda mais validade ao estudo realizado, permitindo sua generalização para a população. Tabela 5 – Sexo dos entrevistados IBGE Mulheres Homens PESQUISA 54,02% 45,98% 52,00% 48,00% Quando é analisada a escolaridade dos entrevistados, acontece uma diferença significativa nas faixas referentes ao “Ensino Fundamental Completo/Incompleto” e “Ensino médio completo e incompleto”. Isto pode ser explicado pelo fato da amostra escolhida ser de pessoas com 16 anos ou mais, enquanto o CENSO contempla a escolaridade das pessoas de 10 anos ou mais. Tabela 6 – Escolaridade dos entrevistados IBGE Não Resposta PESQUISA 0,5 Sem Escolaridade 3,39% 0,60% Fundamental Completo/Incompleto 37,70% 23,00% Médio Completo/Incompleto 18,13% 33,80% Superior Completo/Incompleto, pós 40,79% 42,10% Outras três questões que serviram para caracterizar a amostra foram “Quem mora no domicílio do entrevistado”, “O estado civil do entrevistado” e a sua “idade”. A questão referente 44 à idade foi utilizada para realizar cruzamentos posteriores, ao ponto que as demais perguntas serviram apenas para trazer alguns dados relevantes sobre a amostra selecionada. Gráfico 1 – Classificação do domicílio Quem m ora no dom icílio? Família 385 73.6% Casal 73 14.0% Amigos 5 1.0% Sozinho 55 10.5% 5 1.0% Outro: Total 73.6% 14.0% 1.0% 10.5% 1.0% 523 100.0% Gráfico 2 – Estado civil do entrevistado Estado Civil: Solteiro 180 34.3% Casado ou união estável 254 48.4% Desquitado, separado ou divorciado 52 9.9% Viúvo 39 7.4% Total 34.3% 48.4% 9.9% 7.4% 525 100.0% Gráfico 3 – Idade do entrevistado Idade: Média = 43.65 Menos de 20 38 7.4% De 20 a 29 101 19.7% De 30 a 39 83 16.2% De 40 a 49 92 17.9% De 50 a 59 105 20.5% De 60 a 69 49 9.6% De 70 a 79 31 6.0% 80 e mais 14 2.7% Total 7.4% 19.7% 16.2% 17.9% 20.5% 9.6% 6.0% 2.7% 513 100.0% 3.2 O CENTRO DE PORTO ALEGRE: Percepções Iniciais da Amostra O Centro é um espaço sui generis de Porto Alegre. Os dados coletados indicam que ele é uma área da nossa cidade com a qual a população interage pelo menos em algum momento no ano. Somente 4,8% dos entrevistados afirmam não freqüentar o bairro. 40% dos participantes da pesquisa o freqüentam uma vez por mês ou menos, e 20,4% o fazem duas a três vezes por mês. 45 Gráfico 4 – Freqüência de ida ao Centro 6. Com que freqüencia você vai ao Centro 1 vez por mês ou menos 210 40.0% 2 a 3 vezes por mês 107 20.4% 1 vez por semana 58 11.0% 2 a 3 vezes por semana 40 7.6% Todos os dias 85 16.2% Não freqüento o Centro 25 4.8% 0 0.0% Não sei / Não quero responder Total 40.0% 20.4% 11.0% 7.6% 16.2% 4.8% 0.0% 525 100.0% Os motivos da interação do porto-alegrense com o Centro são vários e não são mutuamente excludentes: profissionais, compras, lazer, cultura, turismo, moradia e serviços. Possivelmente, em razão das várias razões para se ir ao bairro, grande parte dos entrevistados expressaram ter algum sentimento, positivo ou negativo, sobre esta área da cidade. O questionamento junto à população residente na Capital iniciou com uma pergunta que objetivava mensurar o sentimento do respondente em relação ao Centro da cidade. Observou-se um equilíbrio de opostos nas respostas obtidas entre os espectros positivos, “gosto” (30,9%) e “gosto muito” (8,2%), e negativos, “não gosto” (32,8%) e “odeio” (8,6%). Apesar da tradição do povo gaúcho de posicionamento sobre algum tema quando instigado, 19% dos respondentes declararam ser indiferentes em relação ao Centro. Gráfico 5 – Sentimento do entrevistado em relação ao Centro 1. Qual seu sentim ento em relação ao Centro? Odeio 45 8.6% Não Gosto 172 32.8% Indiferente 100 19.0% Gosto 162 30.9% Gosto Muito Não sei / Não queo responder Total 43 8.2% 3 0.6% 8.6% 32.8% 19.0% 30.9% 8.2% 0.6% 525 100.0% Entretanto, tal equilíbrio dos sentimentos não ocorre de forma equânime entre os sexos. 46,6% das mulheres afirmaram odiar ou não gostar do bairro, enquanto que, entre os homens, 35,7% possuem esta opinião. Dos homens que participaram do questionário, 25,4%, um quarto dos respondentes, responderam ter sentimento de indiferença. 46 Tabela 7 – Sexo X Sentimento em relação ao Centro sexo entrevistado Feminino Masculino TOTAL sentimento Centro Odeio 10,3% ( 28) 6,7% ( 17) 8,5% ( 45) Não Gosto 36,3% ( 99) 29,0% ( 73) 32,6% (172) Indiferente 13,2% ( 36) 25,4% ( 64) 19,0% (100) Gosto 31,5% ( 86) 30,2% ( 76) 30,7% (162) Gosto Muito 8,4% ( 23) 7,9% ( 20) 8,2% ( 43) Não sei / Não queo responder 0,4% ( 1) 0,8% ( 2) 0,6% ( 3) 100% (273) 100% (252) 100% (525) TOTAL A dependência é significativa. Qui2 = 14,80, gl = 5, 1-p = 98,88%. Tal percepção da parcela feminina da amostra decorre da constatação de que as mulheres freqüentam menos o Centro do que os homens entrevistados. 46,5% das mulheres entrevistadas vão ao bairro uma vez por mês ou menos, enquanto que 32,9% dos homens se deslocam ao bairro nesta freqüência. O teste qui-quadrado confirma a existência de dependência entre as variáveis analisadas. Tabela 8 – Freqüência de ida ao Centro X Sexo Frequencia centro 1 vez por mês ou2 a 3 vezes por menos mês 1 vez por semana 2 a 3 vezes por Todos os dias Não freqüento o semana Centro TOTAL sexo entrevistado Feminino 46,5% (127) 20,5% ( 56) 9,5% ( 26) 6,6% ( 18) 12,8% ( 35) 4,0% ( 11) 100% (273) Masculino 32,9% ( 83) 20,2% ( 51) 12,7% ( 32) 8,7% ( 22) 19,8% ( 50) 5,6% ( 14) 100% (252) TOTAL 39,8% (210) 20,3% (107) 11,0% ( 58) 7,6% ( 40) 16,1% ( 85) 4,7% ( 25) 100% (525) A dependência é significativa. Qui2 = 12,66, gl = 5, 1-p = 97,32%. As pessoas que possuem sentimentos negativos em relação ao Centro o freqüentam pouco, se comparadas com as que manifestaram indiferença ou sentimentos positivos. Das que manifestaram odiar o bairro, 75,6% vão até três vezes por mês a ele, e 62,2% das que não gostam do bairro vão nele com esta freqüência. Já 41,4% das pessoas que gostam do Centro, freqüentam o bairro pelo menos uma vez na semana, e 23,3% das pessoas que gostam muito do Centro o freqüentam todos os dias. O teste estatístico do qui-quadrado confirma a significativa relação entre o sentimento do entrevistado e a sua freqüência ao bairro. Tabela 9 – Freqüência de ida ao Centro X Sentimento em relação ao Centro Frequencia centro 1 vez por mês ou 2 a 3 vezes por 1 vez por semana 2 a 3 vezes por menos mês semana sentimento Centro Todos os dias Não freqüento o Centro TOTAL Odeio 55,6% ( 25) 20,0% ( 9) 11,1% ( 5) 2,2% ( 1) 4,4% ( 2) 6,7% ( 3) 100% ( 45) Não Gosto 43,6% ( 75) 18,6% ( 32) 10,5% ( 18) 5,2% ( 9) 16,3% ( 28) 5,8% ( 10) 100% (172) Indiferente 45,0% ( 45) 19,0% ( 19) 14,0% ( 14) 4,0% ( 4) 12,0% ( 12) 6,0% ( 6) 100% (100) Gosto 29,6% ( 48) 25,9% ( 42) 9,9% ( 16) 11,1% ( 18) 20,4% ( 33) 3,1% ( 5) 100% (162) Gosto Muito 34,9% ( 15) 9,3% ( 4) 11,6% ( 5) 18,6% ( 8) 23,3% ( 10) 2,3% ( 1) 100% ( 43) TOTAL 39,8% (208) 20,3% (106) 11,0% ( 58) 7,6% ( 40) 16,1% ( 85) 4,7% ( 25) 100% (522) A dependência é muito significativa. Qui2 = 39,57, gl = 20, 1-p = 99,43%. A análise estatística indica que o grau de escolaridade do entrevistado não influencia no seu sentimento em relação ao Centro. Entretanto, observa-se que a maioria da parcela da 47 amostra com menor grau de instrução (até Ensino Fundamental completo) possui sentimentos positivos em relação ao bairro. Mas os demais níveis de instrução da amostra (Ensino Médio incompleto e completo, e Ensino Superior incompleto, completo e com pós-graduação) apresentam percentual decrescente quanto aos sentimentos positivos, e crescentes quanto aos sentimentos negativos. Nas duas últimas categorias da amostra citadas, a maioria, em cada categoria, possui sentimentos negativos em relação ao bairro. Tabela 10 – Escolaridade do entrevistado X Sentimento em relação ao Centro escolaridade entrevistado Até Ensino Fundamental completo Ensino Médio completo e incompleto Ensino Superior incompleto, completo e pós-graduação TOTAL sentimento Centro Odeio 9,1% ( 11) 5,6% ( 10) 10,8% ( 24) 8,5% ( 45) Não Gosto 28,1% ( 34) 34,8% ( 62) 33,8% ( 75) 32,6% (171) Indiferente 15,7% ( 19) 21,3% ( 38) 19,4% ( 43) 19,0% (100) Gosto 37,2% ( 45) 30,3% ( 54) 27,5% ( 61) 30,7% (160) Gosto Muito TOTAL 8,3% ( 10) 7,3% ( 13) 8,6% ( 19) 8,2% ( 42) 100% (119) 100% (177) 100% (222) 100% (518) A dependência não é significativa. Qui2 = 8,05, gl = 8, 1-p = 57,13%. O Centro é uma alternativa turística da Capital, pois possui vários locais aonde parcela expressiva da amostra levaria um turista/pessoa de fora da cidade. Das opções disponíveis no questionário, em que o respondente poderia marcar até sete alternativas, a Casa de Cultura Mário Quintana foi o local mais citado, com 373 respostas. A seguir, em quantidade de citações aparecem o Gasômetro (306 citações), o Mercado Público (303 citações) e a Praça da Matriz/Catedral (255 citações). Gráfico 6 – Local onde o entrevistado levaria um turista 22. Para qual desses lugares do Centro você levaria um turista / pessoa de fora da cidade? Mercado Público 303 19.3% 19.3% Gasômetro 306 19.4% 19.4% Praça da Matriz/Catedral 255 16.2% Casa de Cultura Mário Quintana 374 23.8% 90 5.7% 165 10.5% Não levaria ao Centro 37 2.4% 2.4% Outro: 34 2.2% 2.2% Não sei / Não quero responder 10 0.6% Comércio Palácio Total 16.2% 23.8% 5.7% 10.5% 0.6% 1574 100.0% O teste qui-quadrado indica não haver relação estatística significativa entre o sentimento do entrevistado em relação ao bairro com a intenção de levar um turista para algum dos locais indicados. Portanto, não é plausível a suposição de que o acompanhamento de um turista nestes locais está relacionado ao sentimento do entrevistado. Porém, o reduzido 48 percentual de respostas que afirmaram que não levariam uma pessoa de fora da cidade para conhecer algum dos locais expostos, indica que o bairro possui algumas atrações turísticas interessantes. Tabela 11 – Sentimento em relação ao Centro X Local onde levaria um turista sentimento Centro Odeio Não Gosto Indiferente Gosto Gosto Muito TOTAL turista Mercado Público 71,1% ( 32) 49,4% ( 85) 50,0% ( 50) 64,2% (104) 74,4% ( 32) 57,5% (303) Gasômetro 60,0% ( 27) 51,7% ( 89) 57,0% ( 57) 63,6% (103) 69,8% ( 30) 58,1% (306) Praça da Matriz/Catedral 37,8% ( 17) 43,0% ( 74) 47,0% ( 47) 57,4% ( 93) 55,8% ( 24) 48,4% (255) Casa de Cultura Mário Quintana 62,2% ( 28) 69,2% (119) 68,0% ( 68) 75,3% (122) 83,7% ( 36) 71,0% (373) Comércio 15,6% ( 7) 11,6% ( 20) 15,0% ( 15) 24,7% ( 40) 18,6% ( 8) 17,1% ( 90) Palácio 35,6% ( 16) 30,2% ( 52) 25,0% ( 25) 33,3% ( 54) 41,9% ( 18) 31,3% (165) 8,9% ( 4) 8,7% ( 15) 7,0% ( 7) 5,6% ( 9) 0,0% ( 0) 7,0% ( 35) 11,1% ( 5) 5,8% ( 10) 7,0% ( 7) 4,3% ( 7) 11,6% ( 5) 6,5% ( 34) 100% (136) 100% (464) 100% (276) 100% (532) 100% (153) 100% (1561) Não levaria ao Centro Outro: TOTAL A dependência não é significativa. Qui2 = 22,24, gl = 28, 1-p = 22,98%. Apesar do reduzido número de entrevistados (34) que citaram outros locais, os quais são listados abaixo, percebe-se dois aspectos interessantes. O primeiro é o de que 16 respondentes citaram locais relacionados à cultura, em especial o Teatro São Pedro (5 citações) e o Museu de Artes do Rio Grande do Sul, MARGS (4 citações). O segundo aspecto é o de constar a citação de dois parques que não estão localizados no Centro, a Redenção e o Marinha do Brasil. 49 Gráfico 7 – Lista de citações “Outros” locais onde levariam um turista 23. Se 'Outros:', defina: Redenção 5 14.7% 14.7% TEATRO SÃO PEDRO 5 14.7% 14.7% MARGS 4 11.8% SANTANDER CULTURAL 2 5.9% CAIS DO PORTO 1 2.9% 2.9% SANTANDER 1 2.9% 2.9% 11.8% 5.9% VITRINA DE LOJA 1 2.9% 2.9% AÇORIANOS 1 2.9% 2.9% ATELIÊ DAS MASSAS 1 2.9% 2.9% Biblioteca Pública 1 2.9% 2.9% Cais 1 2.9% 2.9% CAIS DO PORTO 1 2.9% 2.9% CENTRO CULTURAL ÉRICO VERÍSSIMO 1 2.9% 2.9% MARINHA DO BRASIL 1 2.9% 2.9% MUSEUS 1 2.9% 2.9% Orla Guaíba 1 2.9% 2.9% PRAÇA DA ALFÂNDEGA 1 2.9% 2.9% Rio Guaíba 1 2.9% 2.9% Rua da Praia 1 2.9% 2.9% SANTANDER CULTURAL E ENTORNO 1 2.9% 2.9% SHOPPING 1 2.9% 2.9% VIADUTO DA BORGES 1 2.9% 2.9% Total 34 100.0% Tal percepção imprecisa por parte dos respondentes acerca dos limites do Centro ficou demonstrada com a resposta da questão sobre quais dos locais a seguir expostos estão localizados no bairro. O Parque da Redenção (localizado no bairro Farroupilha) foi citado com 106 respostas e o Shopping Praia de Belas (localizado no bairro Praia de Belas) com 90, como áreas que estão situadas no Centro, o que não é correto segundo demonstrado anteriormente na seção de dados secundários, considerando que os limites atuais do Centro são Av. José Loureiro da Silva, Av. João Goulart até seu encontro com a Av. Mauá; desta até a sua convergência com a Av. Presidente Castelo Branco; desta até seu encontro com o Largo Vespasiano Júlio Veppo; deste até o Complexo Viário Conceição (túnel, elevadas, acessos e Rua da Conceição) em seu prolongamento até a Rua Sarmento Leite; desta até a Rua Engenheiro Luiz Englert; desta até seu encontro com a Avenida Perimetral e desta até a confluência da Avenida Loureiro da Silva. Ressalve-se, entretanto, que as duas áreas citadas pelos respondentes são próximas do bairro, o que pode justificar tal equívoco. 50 Gráfico 8 – Locais que ficam no Centro segundo o entrevistado 2. Quais desses lugares se localizam no Centro Mercado Público 495 17.0% Gasômetro 259 8.9% Shopping Praia de Belas 90 3.1% Rua dos Andradas 470 16.1% Hospital Santa Casa 365 12.5% Redenção 106 3.6% Rodoviária 338 11.6% Casa de Cultura Mário Quintana 424 14.5% Viaduto da Borges 369 12.6% 2 <0.1% Não sei / Não quero responder Total 17.0% 8.9% 3.1% 16.1% 12.5% 3.6% 11.6% 14.5% 12.6% <0.1% 2918 100.0% Da amostra pesquisada, observou-se que a maioria dos respondentes tem como principal motivo para ir ao Centro a realização de compras (40,5%). O segundo principal motivo é o trabalho, com 30,7% das respostas, e o terceiro, com 20,2%, são motivos variados. Destes, verificou-se que a atividade mais referida, com 19 citações, foi a ida a médicos. Ao contrário do que evidenciavam os dados secundários, em que aparecem 55% das pessoas indo a trabalho (contra os 30,7% encontrados) e somente 12% para compras (contra os 40,5% encontrados). Gráfico 9 – Motivo de ida ao Centro 3. Qual o principal m otivo de ir ao Centro Trabalho 160 30.7% Compras 211 40.5% Lazer 33 6.3% Outros 105 20.2% 12 2.3% Não sei / Não quero responder Total 30.7% 40.5% 6.3% 20.2% 2.3% 521 100.0% Gráfico 10 – Opção “outros” motivo de ida ao Centro 4. Outros m otivos Assuntos de Interesse Pessoal Bancos Compromissos Estudar 7 11.1% 10 15.9% 3 4.8% 4.8% 4.8% 11.1% 15.9% 3 4.8% Médicos 20 31.7% MORAR 1 1.6% Não Vai 4 6.3% órgão públicos 8 12.7% Transporte 2 3.2% 3.2% Visitar amigos 2 3.2% 3.2% Visitas Culturais 3 4.8% Total 31.7% 1.6% 6.3% 12.7% 4.8% 63 100.0% Seja qual for o motivo da ida ao Centro, o tempo de permanência dos respondentes nele não é extenso. Dos que vão ao bairro principalmente para realizar compras, 86,7% lá 51 permanecem até três horas. Quanto aos que freqüentam o centro em função do lazer, 87,8% permanecem este mesmo período de tempo. Este alto percentual de permanência até três horas ocorre também para quem freqüenta o centro por outro motivo, com 74,2% das respostas. Já para quem tem no trabalho o seu principal motivo para ir ao bairro, 60% dos respondentes permanecem até três horas nele, o que permite inferir que estas pessoas não trabalham no Centro, mas sim que o seu trabalho envolve a sua ida até a área central. Tabela 12 – Tempo de permanência no Centro X Motivo de ida ao Centro permanência Até 3 horas De 3 a 5 horas Mais de 5h TOTAL motivo ir ao centro Trabalho 60,0% ( 96) 13,1% ( 21) 25,6% ( 41) 100% (158) Compras 86,7% (183) 9,5% ( 20) 2,4% ( 5) 100% (208) Lazer 87,9% ( 29) 9,1% ( 3) 3,0% ( 1) 100% ( 33) Outros 74,3% ( 78) 8,6% ( 9) 13,3% ( 14) 100% (101) TOTAL 75,7% (386) 10,1% ( 53) 11,6% ( 61) 100% (500) A dependência é muito significativa. Qui2 = 70,38, gl = 9, 1-p = >99,99%. A ida ao Centro para a realização de compras, a lazer, a trabalho ou por outro motivo majoritariamente não ocorre a cada semana. Dos respondentes que vão principalmente para realizar compras, 72% vão até três vezes por mês. Dos que vão por motivos variados, 66,7%, também o fazem até três vezes por mês. Dos que vão principalmente para aproveitar as alternativas de lazer no bairro, 72,7% o fazem até três vezes por mês. Dos que vão ao Centro principalmente a trabalho, 39,4% o fazer até três vezes por mês, percentual superior ao que vão todos os dias (36,9%). Tabela 13 – Freqüência de ida ao Centro X Motivo de ida ao Centro 1 vez por semana 2 a 3 vezes por Todos os dias Não freqüento o Frequencia centro1 vez por mês ou2 a 3 vezes por menos mês semana Centro motivo ir ao centro TOTAL Trabalho 22,5% ( 36) 16,9% ( 27) 11,9% ( 19) 11,3% ( 18) 36,9% ( 59) 0,6% ( 1) 100% (160) Compras 46,9% ( 99) 25,1% ( 53) 13,3% ( 28) 8,5% ( 18) 1,9% ( 4) 4,3% ( 9) 100% (211) Lazer 48,5% ( 16) 24,2% ( 8) 12,1% ( 4) 6,1% ( 2) 6,1% ( 2) 3,0% ( 1) 100% ( 33) Outros 50,5% ( 53) 16,2% ( 17) 5,7% ( 6) 1,0% ( 1) 19,0% ( 20) 7,6% ( 8) 100% (105) 39,8% (204) 20,3% (105) 11,0% ( 57) 7,6% ( 39) 16,1% ( 85) 4,7% ( 19) 100% (509) TOTAL A dependência é muito significativa. Qui2 = 113,34, gl = 15, 1-p = >99,99%. Verificou-se também que 90% dos entrevistados que vão uma vez ao centro por mês ou menos, quando o fazem, ficam até três horas no bairro. Das pessoas que vão de duas a três vezes por mês, 89,7% permanecem este período nele. Das que vão uma vez por semana, o período de permanência de até três horas o é para 81,1%. Já 65% das pessoas que vão duas a três vezes por semana permanecem no Centro até três horas. 52 Tabela 14 – Tempo de permanência X Freqüência de ida ao Centro permanência Até 3 horas De 3 a 5 horas Mais de 5h TOTAL Frequencia centro 1 vez por mês ou menos 90,0% (189) 6,7% ( 14) 1,9% ( 4) 100% (207) 2 a 3 vezes por mês 89,7% ( 96) 9,3% ( 10) 0,9% ( 1) 100% (107) 1 vez por semana 81,0% ( 47) 15,5% ( 9) 3,4% ( 2) 100% ( 58) 2 a 3 vezes por semana 65,0% ( 26) 17,5% ( 7) 15,0% ( 6) 100% ( 39) Todos os dias 25,9% ( 22) 15,3% ( 13) 56,5% ( 48) 100% ( 83) Não freqüento o Centro 76,0% ( 19) 0,0% ( 0) 0,0% ( 0) 100% ( 19) TOTAL 75,7% (399) 10,1% ( 53) 11,6% ( 61) 100% (513) A dependência é muito significativa. Qui2 = 255,08, gl = 15, 1-p = >99,99%. Portanto, é válida a inferência, em razão da alta significância (constatada pelo teste qui-quadrado) dos três cruzamentos de variáveis realizados acima, de que a ida ao Centro é preponderantemente de até três horas, não importando qual seja o principal motivo ou a freqüência temporal desta ida. 3.3 CULTURA: Qualidade em quantidade O Centro, pela sua importância histórica, abrigou e ainda resiste como pólo de geração e difusão de atividades culturais. A marcante presença de Centros Culturais, grande quantidade de teatros e prédios e monumentos históricos, além da cinqüentenária Feira do Livro, conferem ao bairro uma forte vocação cultural. Questionados sobre quantidade e qualidade de atrações culturais no Centro, os entrevistados foram majoritários em confirmar essa premissa: Na percepção dos respondentes, é alto o percentual para qualidade das atrações culturais do centro (65% concordam) e alto para a quantidade das atrações (66,7% concordam). Gráfico 11 – Concordância se entrevistado encontra atrações culturais interessantes no Centro 10. Encontro atrações culturais interessantes no Centro Média = 3.75 Discordo Totalmente 45 Discordo em parte Indiferente 8.6% 8.6% 47 9.0% 9.0% 61 11.6% Concordo em parte 175 33.4% Concordo Totalmente 165 31.5% 31 5.9% Não sei / Não quero responder Total 11.6% 33.4% 31.5% 5.9% 524 100.0% 53 Gráfico 12 – Concordância se entrevistado encontra grande número de atrações culturais 11. Há um grande núm ero de atrações culturais no Centro Média = 3.82 Discordo Totalmente 32 6.1% Discordo em parte 54 10.3% 10.3% Indiferente 57 10.9% 10.9% Concordo em parte 178 33.9% Concordo Totalmente 172 32.8% 32 6.1% Não sei / Não quero responder Total 6.1% 33.9% 32.8% 6.1% 525 100.0% A tabela a seguir mostra que, apesar de cientes da qualidade e quantidade, os respondentes não se sentem bem informados com relação às atrações culturais (53,7% discorda). O alto nível de desinformação sobre as atrações culturais encontrado nas respostas pode justificar uma ainda insuficiente freqüência a essas atrações; e uma possibilidade relativamente simples de estimular o seu uso, haja vista que uma série de eventos de cultura são gratuitos, como ocorre na Casa de Cultura e Usina do Gasômetro. Tanto a Casa de Cultura como os museus e teatros aparecem nas respostas sobre locais destacados do Centro. Gráfico 13 – Concordância se entrevistado se considera bem informado sobre os eventos culturais do Centro 13. Sou bem inform ado em relação aos eventos culturais do Centro Média = 2.61 Discordo Totalmente 167 31.8% Discordo em parte 115 21.9% Indiferente 43 8.2% Concordo em parte 95 18.1% Concordo Totalmente 79 15.0% Não sei / Não quero responder 26 5.0% Total 31.8% 21.9% 8.2% 18.1% 15.0% 5.0% 525 100.0% A evidência de Cultura no Centro é reforçada pela quantidade citada de museus: 85% dos respondentes percebem a existência de pelo menos 1 museu no Centro. Existem, na verdade, 13 museus no Centro, fato que se apresenta desconhecido para a maioria dos respondentes; uma vez que se tratam de locais de acesso normalmente gratuito, uma maior divulgação de suas exposições e acervo poderiam melhorar a sua freqüência, e criar novos públicos de usuários entre estudantes e moradores da cidade em geral. Em qualquer grande cidade no mundo, os museus são referência cultural e turística; e Porto Alegre utiliza-se mal deste potencial. 54 Gráfico 14 – Percepção de quantos museus existem no Centro 7. Quantos m useus você acha que tem no Centro? De 1 a 3 260 49.6% De 4 a 6 142 27.1% De 7 a 10 39 7.4% Mais de 10 6 1.1% 77 14.7% Não sei / Não quero responder Total 49.6% 27.1% 7.4% 1.1% 14.7% 524 100.0% Quanto à oferta cultural, 55,8% dos respondentes concordam ser a oferta do Centro maior do que nos outros bairros: Esses números confirmam a vocação referida acima, situando o Centro como pólo cultural. E apontam que, malgrado itens de degradação que serão abordados em outros tópicos, como poluição e insegurança, a cultura é percebida como alternativa privilegiada de uso do Centro. Gráfico 15 – Concordância se as opções culturais do Centro são maiores que outros bairros 12. As opções culturais do Centro são maiores que as dos outros bairros. Média = 3.49 Discordo Totalmente 74 14.1% Discordo em parte 79 15.0% Indiferente 34 6.5% Concordo em parte 124 23.6% Concordo Totalmente 169 32.2% 45 8.6% Não sei / Não quero responder Total 14.1% 15.0% 6.5% 23.6% 32.2% 8.6% 525 100.0% A percepção acima demonstrada confirma a realidade: metade dos teatros e a maioria dos museus e centros culturais estão no Centro, fortalecendo sua imagem como gerador e difusor de cultura. 3.3.1 A Feira do Livro Nas suas 52 edições, a Feira do Livro é referência na cidade e no país, proporcionando a convergência de autores, editores e livreiros num dos maiores eventos do gênero no país. A Feira, mesmo ocupando em média 15 dias por ano, está marcada no calendário do portoalegrense; 81,6% freqüentam a Feira, incluindo as respostas como raramente. 55 Gráfico 16 – Freqüência que entrevistado visita feira do livro 19. Você costuma visitar a feira do livro? Média = 3.18 Nunca 92 17.6% 17.6% 17.7% Raramente 93 17.7% Às vezes 112 21.4% 74 14.1% 149 28.4% 4 0.8% Freqüentemente Sempre Não sei / Não quero responder Total 21.4% 14.1% 28.4% 0.8% 524 100.0% A presença da Feira e de suas 155 bancas modifica o Centro da cidade durante sua realização. A praça da alfândega e arredores são tomados por livreiros, escritores e amantes dos livros, formando um mosaico de pessoas que se reúnem em torno de atividades culturais variadas que se concentram na região, incluindo palestras, sessões de autógrafos, peças de teatro, conferências, apresentações musicais. A ocupação da praça pela Feira aumenta a segurança no local, traz interessados de todas as partes da cidade e de fora e melhora o aspecto da Área Central. A Feira proporciona ao Centro uma sensação de segurança que ele normalmente não oferece; mas revela uma possibilidade de ocupação versátil e qualificada que poderia se estender pelos outros meses do ano. 3.4 LAZER: Nas percepções sobre lazer propostas pela pesquisa aparecem itens como o Centro como opção nos finais de semana, a prática de esportes, o uso das praças e opções de lugares para se divertir. Numa primeira abordagem, o Centro não tem muitas praças e parques esportivos. Embora alguns situem a Redenção e o Parque Marinha e seu prolongamento até o Gasõmetro como pertencentes ao Centro, viu-se nos limites do Centro que estes estão na periferia externa do bairro. Em bairros eminentemente residenciais da cidade, as praças são opção preferencial de lazer e passeio. Porto Alegre está entre as cidades do país com maior utilização de parques e praças em relação ao número de habitantes. No Centro esta opção está comprometida. Além do reduzido número de praças, a alta concentração de pedintes, moradores de rua e prostituição, ou ocupação irregular pelos camelôs, restringe o seu uso, praticamente inviabilizando essa opção de utilização. Para 66,8% dos respondentes da pesquisa, o Centro não é uma opção de lazer nos finais de semana: 56 Gráfico 17 – Concordância se o Centro é um local de lazer nos finais de semana 14. Nos finais de sem ana, o Centro é um local para o lazer Média = 2.11 Discordo Totalmente 260 49.5% Discordo em parte 91 17.3% Indiferente 43 8.2% Concordo em parte 82 15.6% Concordo Totalmente 37 7.0% Não sei / Não quero responder 12 2.3% Total 49.5% 17.3% 8.2% 15.6% 7.0% 2.3% 525 100.0% O Centro não é opção para praticar esportes. Mais de 83% discordam ser o Centro boa opção para a prática esportiva; os esportes, na zona central, ficam circunscritos à Redenção e arredores do Parque Marinha, externos aos limites do Centro. Gráfico 18 – Concordância se o Cento é um bom local para praticar esportes 15. O Centro é um bom local para praticar esportes Média = 1.54 Discordo Totalmente 348 66.3% Discordo em parte 89 17.0% Indiferente 22 4.2% Concordo em parte 29 5.5% Concordo Totalmente 12 2.3% 25 4.8% Não sei / Não quero responder Total 66.3% 17.0% 4.2% 5.5% 2.3% 4.8% 525 100.0% Os entrevistados não consideram o Centro um bom local para se divertir. 63,6% não o consideram adequado para esse fim, nem em relação à utilização das praças (71,4% discordam ou discordam totalmente): Gráfico 19 – Concordância se Centro é um bom local para se divertir 16. O Centro é um ótim o lugar para se divertir Média = 2.27 Discordo Totalmente 220 41.9% Discordo em parte 114 21.7% Indiferente 40 7.6% 103 19.6% Concordo Totalmente 38 7.2% Não sei / Não quero responder 10 1.9% Concordo em parte Total 41.9% 21.7% 7.6% 19.6% 7.2% 1.9% 525 100.0% 57 Gráfico 20 – Concordância se as praças do Centro são um bom local de lazer 17. As praças do Centro são um bom lugar para lazer Média = 2.01 Discordo Totalmente 261 49.7% Discordo em parte 114 21.7% Indiferente 28 5.3% Concordo em parte 75 14.3% Concordo Totalmente 29 5.5% 18 3.4% Não sei / Não quero responder Total 49.7% 21.7% 5.3% 14.3% 5.5% 3.4% 525 100.0% O fato de perceberem como pouco limpas praças e parques pode contribuir para a percepção de não ser o Centro bom local para o lazer. Gráfico 21 – Concordância se as praças são bem cuidadas e limpas 37. Os parques e praças do Centro são bem cuidados e lim pos Média = 2.42 Discordo Totalmente 174 33.1% Discordo em parte 121 23.0% 35 6.7% 133 25.3% Concordo Totalmente 27 5.1% Não sei / Não quero responder 35 6.7% Indiferente Concordo em parte Total 33.1% 23.0% 6.7% 25.3% 5.1% 6.7% 525 100.0% No item quantidade de árvores, os respondentes aparecem divididos quase de forma igual: mesmo assim, a presença de árvores não parece ser atrativo suficiente para torná-lo adequado para o lazer, conforme tabela a seguir. Gráfico 22 – Concordância se o Centro possui muitas árvores 41. O Centro possui m uitas árvores Média = 3.01 Discordo Totalmente 105 20.0% Discordo em parte 127 24.2% 42 8.0% Concordo em parte 128 24.4% Concordo Totalmente 108 20.6% 15 2.9% Indiferente Não sei / Não quero responder Total 20.0% 24.2% 8.0% 24.4% 20.6% 2.9% 525 100.0% 3.4.1 Cinemas O Centro já foi a referência dos bons cinemas da cidade. Nos anos 60 do século passado, a maioria dos cinemas se localizavam no Centro. De uns anos para cá os Shoppings 58 passaram a concentrar a maior parte dos cinemas e os melhores, oferecendo segurança e estacionamento coberto que faltam ao Centro. Assim, os respondentes referem baixa freqüência aos 9 cinemas que restaram no Centro (84,7% discordam freqüentá-los). Gráfico 23 – Freqüência de ida aos cinemas do Cento 20. Você freqüenta os cinem as do Centro? Média = 1.57 Nunca 359 68.5% Raramente 85 16.2% Às vezes 38 7.3% Freqüentemente 19 3.6% 3.6% Sempre 20 3.8% 3.8% 3 0.6% Não sei / Não quero responder Total 68.5% 16.2% 7.3% 0.6% 524 100.0% Quanto à utilização geral do Centro para se divertir, pediu-se que se citassem os locais mais utilizados; reforçou-se aqui a não utilização como opção de lazer (39,4% de respostas negativas). As respostas que referiam utilização se concentraram em restaurantes e itens culturais, demonstrando mais uma vez que a alternativa de lazer e utilização do Centro pode se direcionar à cultura. Gráfico 24 – Local onde entrevistado vai para se divertir 8. Quando você vai ao Centro para se divertir, costum a ir ao: Cinema Museus / Centros Culturais 78 11.0% 101 14.3% Restaurantes 85 12.0% Bares 47 6.7% Casas Noturnas 12 1.7% Parques 65 9.2% 278 39.4% Outro: 30 4.2% Não sei / Não quero responder 10 1.4% Não freqüento o Centro como opção de lazer Total 11.0% 14.3% 12.0% 6.7% 1.7% 9.2% 39.4% 4.2% 1.4% 706 100.0% A nota fornecida para o Centro como opção de lazer ficou com média 5,86, apresentando maior densidade entre as notas 5 e 8 (70,6% das respostas). 59 Gráfico 25 – Nota do entrevistado para as opções de lazer no Centro 24. Em term os gerais, atribua um a nota de 1 a 10 para as opções de lazer no Centro: Média = 5.86 Mediana = 6.00 Mín = 1.00 Máx = 10.00 1 22 4.2% 2 25 4.8% 3 38 7.3% 4 31 5.9% 5 102 19.5% 6 82 15.6% 7 86 16.4% 8 100 19.1% 9 25 4.8% 10 13 2.5% Total 4.2% 4.8% 7.3% 5.9% 19.5% 15.6% 16.4% 19.1% 4.8% 2.5% 524 100.0% A idéia do Centro como opção de lazer pode ser melhor compreendida pelo esforço de revitalização pretendida pelo projeto Viva o Centro (PORTO ALEGRE, 2006). Esportes e diversão são pouco citados como opções no bairro, devido aos aspectos de segurança e poluição que serão abordados a seguir. A cultura aparece como opção mais evidente, permitindo que a dicotomia entre o dia e a noite, diagnosticada pelo projeto Viva o Centro, seja minimizada pela oferta de atividades culturais em toda a área central, aumentando sua ocupação neste turno e diminuindo o contraste entre a multidão que circula de dia – em torno de 500 mil – e o deserto que se instala à noite. A baixa freqüência à noite se confirma na pergunta a seguir, revelando os espantosos 86,1% de respostas negativas. Gráfico 26 – Concordância quanto a freqüentar o Centro a noite 49. Costum o freqüentar o Centro à noite (após 20h) Média = 1.54 Discordo Totalmente 400 76.2% 52 9.9% 9 1.7% Concordo em parte 30 5.7% Concordo Totalmente 30 5.7% 4 0.8% Discordo em parte Indiferente Não sei / Não quero responder Total 76.2% 9.9% 1.7% 5.7% 5.7% 0.8% 525 100.0% 60 3.4.2 Restaurantes e Gastronomia O reconhecimento da qualidade gastronômica do Centro, evidencia-se na próxima questão, com 80,4% de respostas positivas. As políticas de revitalização do Centro poderiam centrar-se nos aspectos culturais associados ao estímulo à utilização de seus bons restaurantes, que aparecem bem referenciados pelas respostas da questão 18 abaixo. Gráfico 27 – Concordância se há boas opções de alimentação no Centro 18. No Centro há boas opções de alim entação Média = 4.13 Discordo Totalmente 21 4.0% Discordo em parte 35 6.7% Indiferente 28 5.3% Concordo em parte 197 37.5% Concordo Totalmente 225 42.9% 19 3.6% Não sei / Não quero responder Total 4.0% 6.7% 5.3% 37.5% 42.9% 3.6% 525 100.0% Verifica-se que a forte percepção do Centro como pólo cultural em quantidade e qualidade e com boas opções de alimentação pode oferecer alguma esperança para a sua revitalização. Esta depende das cruciais questões de segurança e trânsito, examinadas a seguir nesse trabalho, e também da melhora do nível de informação da população sobre os eventos culturais. Dentre as opções disponíveis, a Cultura e o Turismo parecem ser as grandes alternativas para devolver ao Centro sua vitalidade e minimizar sua degradação A seguir, procede-se à análise de Regressão múltipla pela comparação da nota atribuída ao Centro como opção de LAZER e os outros questionamentos, conforme listado abaixo: Variáveis independentes: Qualidade atrações - Qualidade das atrações culturais Quantidade Atrações - Quantidade das atrações culturais Informação eventos culturais – Ser bem informado sobre os eventos culturais Lazer nos finais de semana - Centro como opção de lazer nos finais de semana Esportes centro - Centro como local para praticar esportes Praças - As praças do Centro como um bom local para lazer Qualidade restaurantes - As opções de alimentação do Centro 61 Variável dependente: Nota para o centro como opção de lazer As 7 variáveis independentes explicam 31.65% da variância (ou seja, da composição) da nota de lazer. Ordenando as variáveis que mais impactam na nota do bloco, temos a seguinte tabela. 1º 2º 3º 4º 5º 6º Tabela 15 – Variáveis que mais impactam na nota de lazer no Centro As praças do centro como um bom local para lazer Quantidade das atrações culturais As opções de alimentação do Centro Centro como opção de lazer nos finais de semana Centro como local para praticar esportes Qualidade das atrações culturais Cabe destacar que a variável “Ser bem informado sobre os eventos culturais do centro” não foi considerada, segundo o teste de regressão múltipla, como um fator que cause impacto na nota que os entrevistados deram ao centro como opção de lazer. Tabela 16 – Análise das variáveis conforme regressão múltipla para lazer Estatística de regressão R-Quadrado 0,316578937 Variáveis praças quantidade atrações qualidade restaurantes lazer nos finais de semana esportes centro qualidade atrações informação eventos culturais Betas 0,196895 0,169767 0,150582 0,14743 0,123105 0,059408 0,014415 3.5 MORADIA Já foi exposto anteriormente que no último quarto de século o Centro de Porto Alegre perdeu um terço de seus habitantes, aproximadamente quinze mil pessoas. O IBGE informa que apenas 7% da população residente no bairro tem até 9 anos, contra 15% do total da cidade; e que 20% superaram os 60 anos, enquanto que no município o índice é de 12%. Verifica-se, portanto, de forma explícita, o envelhecimento da população do Centro da Capital, ou seja, a sua não-renovação. Este dado oficial de que a maioria dos moradores do bairro é constituída por idosos é compatível com a percepção de 33,5% dos respondentes. Salienta-se, entretanto, que 34,3% dos entrevistados não souberam ou não quiseram manifestar a sua percepção sobre o tema. 62 Gráfico 28 – Percepção do entrevistado da população do Centro 29. A m aioria das pessoas que m ora no Centro é: Jovens 89 17.0% Adultos 80 15.2% Idosos 176 33.5% Não sei / Não quero responder 180 34.3% Total 525 100.0% 17.0% 15.2% 33.5% 34.3% Quando instigados a se posicionar perante a afirmação de que o “O Centro é um bom lugar para se morar”, a maioria dos respondentes manifestou-se de forma contrária a esta afirmação. 51,4% afirmaram que discordam totalmente e 19,2% que discordam em parte. Gráfico 29 – Concordância se o Centro é um bom local para moradia 25. O Centro é um bom lugar para se m orar Média = 2.04 Discordo Totalmente 270 51.4% Discordo em parte 101 19.2% Indiferente 35 6.7% Concordo em parte 68 13.0% Concordo Totalmente 40 7.6% Não sei / Não quero responder 11 2.1% Total 51.4% 19.2% 6.7% 13.0% 7.6% 2.1% 525 100.0% Mesmo entre as pessoas que possuem sentimentos positivos em relação ao Centro, a percepção de que o Centro não é um bom lugar para morar é alta. Das pessoas que gostam do Centro, 66,7% dos respondentes apresentam reservas (discordam totalmente ou em parte) à afirmação de que o bairro é um bom lugar para se morar. Já das pessoas que gostam muito do local, 34,9% discordam totalmente da afirmação apresentada. Esta interpretação é corroborada com a dependência estatística muito significativa apontada pelo teste qui-quadrado. Tabela 17 – Concordância se moraria no Centro X Sentimento em relação ao Centro morar no centro sentimento Centro Discordo Totalmente Discordo em parte Indiferente Concordo em parte Concordo Totalmente TOTAL Odeio 64,4% ( 29) 11,1% ( 5) 2,2% ( 1) 15,6% ( 7) 4,4% ( 2) 100% ( 44) Não Gosto 63,4% (109) 19,2% ( 33) 3,5% ( 6) 9,3% ( 16) 2,9% ( 5) 100% (169) Indiferente 45,0% ( 45) 20,0% ( 20) 10,0% ( 10) 15,0% ( 15) 6,0% ( 6) 100% ( 96) Gosto 43,2% ( 70) 23,5% ( 38) 8,6% ( 14) 13,6% ( 22) 9,3% ( 15) 100% (159) Gosto Muito 34,9% ( 15) 11,6% ( 5) 9,3% ( 4) 18,6% ( 8) 25,6% ( 11) 100% ( 43) TOTAL 51,2% (268) 19,2% (101) 6,6% ( 35) 12,9% ( 68) 7,6% ( 39) 100% (511) A dependência é muito significativa. Qui2 = 50,85, gl = 16, 1-p = >99,99%. Uma situação que influencia tal percepção dos entrevistados é a falta de segurança existente no Centro para os seus moradores. 80,7% dos respondentes não consideram o 63 Centro um lugar seguro para se morar, se somados os percentuais dos entrevistados que responderam “discordo totalmente” e “discordo em parte” ao questionado. Gráfico 30 – Concordância se o Centro é seguro para morar 26. O Centro é um lugar seguro para se m orar Média = 1.70 Discordo Totalmente 304 58.1% Discordo em parte 58.1% 118 22.6% Indiferente 31 5.9% 5.9% Concordo em parte 33 6.3% 6.3% Concordo Totalmente 19 3.6% 3.6% 18 3.4% 3.4% Não sei / Não quero responder Total 22.6% 523 100.0% Tal percepção de insegurança para os moradores do bairro não decorre da reminiscência de uma experiência desagradável. A análise pelo teste qui-quadrado indica não haver dependência significativa entre a opinião dos entrevistados sobre a segurança para moradia e o fato destes terem sido assaltados ou presenciado assaltos no Centro. Tabela 18 – Número de assaltos sofridos no Centro X Segurança para moradia assalto centro Uma vez Duas vezes Três vezes segurança moradia Mais de três vezes Nunca TOTAL Discordo Totalmente 17,1% ( 52) 4,6% ( 14) 3,3% ( 10) 3,0% ( 9) 72,0% (219) 100% (304) Discordo em parte 16,9% ( 20) 7,6% ( 9) 2,5% ( 3) 0,0% ( 0) 72,0% ( 85) 100% (117) Indiferente 16,1% ( 5) 6,5% ( 2) 3,2% ( 1) 0,0% ( 0) 74,2% ( 23) 100% ( 31) Concordo em parte 12,1% ( 4) 0,0% ( 0) 3,0% ( 1) 0,0% ( 0) 84,8% ( 28) 100% ( 33) Concordo Totalmente 31,6% ( 6) 5,3% ( 1) 0,0% ( 0) 0,0% ( 0) 63,2% ( 12) 100% ( 19) TOTAL 16,7% ( 87) 5,5% ( 26) 3,0% ( 15) 1,7% ( 9) 72,5% (367) 100% (504) A dependência não é significativa. Qui2 = 13,82, gl = 16, 1-p = 38,82%. Tabela 19 – Número de assaltos que assistiu X Segurança na moradia ver assalto Uma vez Duas vezes Três vezes segurança moradia Mais de três vezes Nunca TOTAL Discordo Totalmente 15,1% ( 46) 12,8% ( 39) 8,2% ( 25) 31,3% ( 95) 32,2% ( 98) 100% (303) Discordo em parte 19,5% ( 23) 15,3% ( 18) 11,9% ( 14) 27,1% ( 32) 25,4% ( 30) 100% (117) 3,2% ( 1) 9,7% ( 3) 9,7% ( 3) 29,0% ( 9) 48,4% ( 15) 100% ( 31) Concordo em parte 12,1% ( 4) 24,2% ( 8) 18,2% ( 6) 18,2% ( 6) 27,3% ( 9) 100% ( 33) Concordo Totalmente 15,8% ( 3) 5,3% ( 1) 15,8% ( 3) 36,8% ( 7) 26,3% ( 5) 100% ( 19) TOTAL 15,0% ( 77) 13,5% ( 69) 10,1% ( 51) 29,2% (149) 31,5% (157) 100% (503) Indiferente A dependência não é significativa. Qui2 = 20,04, gl = 16, 1-p = 78,16%. Pelo exposto, pode-se inferir que a percepção identificada de que para o portoalegrense o Centro não disponibiliza segurança para os seus moradores resulta em pelo menos duas graves conseqüências para o mercado imobiliário da região. Conforme já referido, o Centro é, dentre os 78 bairros da Capital, aquele com maior número de imóveis usados à venda, 8% do total da cidade; além de apresentar uma redução constante dos valores dos aluguéis de imóveis. 64 O baixo preço dos imóveis ofertados é considerado totalmente uma vantagem de se morar no Centro para 18,2% dos entrevistados e considerada uma vantagem em parte para 21,2%. É de se salientar o elevado percentual de participantes (22,8%) que desconhecem ou não quiseram se manifestar sobre este tema, um dos mais altos da presente pesquisa. Gráfico 31 – Concordância se o preço dos imóveis é uma vantagem na moradia 28. Um a vantagem de m orar no Centro é o preço baixo dos im óveis Média = 3.14 Discordo Totalmente 93 17.8% Discordo em parte 59 11.3% Indiferente 46 8.8% 111 21.2% 95 18.2% Não sei / Não quero responder 119 22.8% Total 523 100.0% Concordo em parte Concordo Totalmente 17.8% 11.3% 8.8% 21.2% 18.2% 22.8% Outra vantagem de morar no Centro manifestada pela maioria dos respondentes é a grande diversidade de comércio. 34,1% concordam em parte e 38,7% concordam totalmente que as múltiplas alternativas de comércio no bairro é uma vantagem para os seus moradores. Lembrando o já exposto anteriormente, a Secretaria Municipal de Indústria e Comércio informa que há 14.197 alvarás expedidos para empreendimentos comerciais localizados no Centro da Capital. Gráfico 32 – Concordância se diversidade de comércio é vantagem na moradia 27. Um a vantagem de m orar no Centro é a grande diversidade de com ércio Média = 3.89 Discordo Totalmente 39 7.4% Discordo em parte 47 9.0% 9.0% Indiferente 47 9.0% 9.0% Concordo em parte 179 34.1% Concordo Totalmente 203 38.7% 10 1.9% Não sei / Não quero responder Total 7.4% 34.1% 38.7% 1.9% 525 100.0% Em que pese o quadro de insegurança para moradia percebido pelos entrevistados, somente 24,3% dos participantes da pesquisa não morariam no centro. As condições mais referendadas para que os respondentes fossem morar no Centro foram: maior segurança (255 citações), maior limpeza (163 citações) e facilidade de trânsito (149 citações). Importante destacar que nesta questão o entrevistado poderia escolher mais de um motivo. Portanto, é coerente a inferência de que caso o Centro receba maior atenção por parte do Poder Público na segurança, em limpeza e em trânsito, a situação de êxodo da população residente verificada pode ser revertida. 65 Contrastando com a percepção acima exposta de que o baixo preço dos imóveis é uma vantagem para se morar no Centro, o baixo preço dos imóveis foi uma condição citada apenas 82 vezes. Gráfico 33 – Condições para entrevistado morar no Centro 30. Eu m oraria no Centro se fosse... Mais limpo 163 18.3% Mais seguro 255 28.6% Melhor de transitar 149 16.7% 82 9.2% 217 24.3% Outro: 11 1.2% 1.2% Não sei / Não quero responder 15 1.7% 1.7% Mais barato Não moraria no Centro Total 18.3% 28.6% 16.7% 9.2% 24.3% 892 100.0% Quando do cruzamento estatisticamente significativo da variável que registrou o sentimento em relação ao Centro com a variável que mensurou as condições nas quais o respondente moraria no bairro, verifica-se que, não importando a intensidade do sentimento da pessoa, a melhora da segurança é a condição primeira que faria as pessoas irem morar no bairro. A melhoria da limpeza é, para todas as categorias de respondentes, a segunda condição. Tabela 20 – Condições para morar no Centro X Sentimento em relação ao Centro razão para morar no centro Mais limpo Mais seguro sentimento Centro Melhor de transitar Mais barato Não moraria no Centro Outro: TOTAL Odeio 37,8% ( 17) 53,3% ( 24) 26,7% ( 12) 15,6% ( 7) 42,2% ( 19) 2,2% ( 1) 100% ( 80) Não Gosto 32,0% ( 55) 47,7% ( 82) 31,4% ( 54) 8,1% ( 14) 45,3% ( 78) 0,6% ( 1) 100% (284) Indiferente 25,0% ( 25) 42,0% ( 42) 24,0% ( 24) 19,0% ( 19) 48,0% ( 48) 0,0% ( 0) 100% (158) Gosto 31,5% ( 51) 54,3% ( 88) 28,4% ( 46) 20,4% ( 33) 35,2% ( 57) 3,1% ( 5) 100% (280) Gosto Muito 32,6% ( 14) 37,2% ( 16) 27,9% ( 12) 18,6% ( 8) 34,9% ( 15) 9,3% ( 4) 100% ( 69) A dependência = (148) 34,49, gl15,6% = 20, 1-p = 41,2% 97,70%. 30,9% (162) é significativa. 48,4% (252) Qui2 28,3% ( 81) (217) 2,1% ( 11) 100% (871) TOTAL Esta hierarquização de motivos ocorre também quando do cruzamento das variáveis condições para se morar no Centro com a de que o bairro é um bom local para se morar. Tal cruzamento, de dependência estatística muito significativa, confirma a percepção de que o Centro não é um local descartado para a moradia por grande parte dos pesquisados; mas para que tal migração ocorra, a segurança, a limpeza e o trânsito devem ser melhorados. 66 Tabela 21 – Condições para morar no Centro X Concordância se é bom local para morar Mais limpo razão para morar no centro Mais seguro Melhor de transitar morar no centro Mais barato Não moraria no Centro Outro: TOTAL Discordo Totalmente 27,0% ( 73) 41,5% (112) 27,0% ( 73) 11,9% ( 32) 55,2% (149) 0,7% ( 2) 100% (441) Discordo em parte 34,7% ( 35) 58,4% ( 59) 35,6% ( 36) 17,8% ( 18) 34,7% ( 35) 0,0% ( 0) 100% (183) Indiferente 40,0% ( 14) 65,7% ( 23) 28,6% ( 10) 22,9% ( 8) 28,6% ( 10) 2,9% ( 1) 100% ( 66) Concordo em parte 42,6% ( 29) 58,8% ( 40) 23,5% ( 16) 23,5% ( 16) 22,1% ( 15) 2,9% ( 2) 100% (118) Concordo Totalmente TOTAL 20,0% ( 8) 40,0% ( 16) 30,0% ( 12) 17,5% ( 7) 12,5% ( 5) 15,0% ( 6) 100% ( 54) 30,9% (159) 48,4% (250) 28,3% (147) 15,6% ( 81) 41,2% (214) 2,1% ( 11) 100% (862) A dependência é muito significativa. Qui2 = 93,80, gl = 20, 1-p = >99,99%. Por fim, foi solicitado que os entrevistados atribuíssem uma nota para o Centro como opção de moradia. A média das respostas foi 4,89, sendo que 26,9% dos entrevistados atribuíram a nota 5. Gráfico 34 – Nota do entrevistado para o Centro como opção de moradia 32. Em term os gerais, atribua uma nota de 1 a 10 para o Centro com o opção de moradia: Média = 4.89 Mediana = 5.00 Mín = 1.00 Máx = 10.00 1 51 9.7% 2 35 6.7% 3 49 9.4% 4 58 11.1% 5 141 26.9% 6 62 11.8% 11.8% 7 65 12.4% 12.4% 8 45 8.6% 9 11 2.1% 7 1.3% 10 Total 9.7% 6.7% 9.4% 11.1% 26.9% 8.6% 2.1% 1.3% 524 100.0% Para a análise de regressão da nota dada, foram selecionadas as seguintes variáveis: Variáveis independentes: Segurança moradia – O centro ser um lugar seguro para se morar Vantagem moradia comércio – Ser vantajoso morar no centro devido a diversidade do comércio Vantagem preço imóveis – Ser vantajoso morar no centro devido ao baixo preço dos imóveis Barulho – O barulho do centro Cheiro – O cheiro do centro Variável dependente Nota para o centro como opção para moradia 67 As 5 variáveis independentes explicam 20,19% da variância (ou seja, da composição) da nota de moradia. Ordenando as variáveis que mais impactam, na nota do bloco temos a seguinte tabela. 1º 2º 3º 4º Tabela 22 – Variáveis de maior impacto na nota de moradia O centro ser um lugar seguro para se morar Ser vantajoso morar no centro devido a diversidade do comércio Ser vantajoso morar no centro devido ao baixo preço dos imóveis O barulho do centro Cabe destacar que a variável “O cheiro do centro” não foi considerada, segundo o teste de regressão múltipla, como um fator que cause impacto na nota que os entrevistados deram ao centro como opção de moradia. Tabela 23 – Análise das variáveis conforme regressão múltipla para moradia Estatística de regressão R-Quadrado 0,201973 Variáveis segurança moradia vantagem moradia comércio barulho vantagem preço imóveis cheiro Betas 0,334775 0,155381 0,065275 0,047395 0,01215 3.6 POLUIÇÃO O grande fluxo constante de pessoas no Centro, aproximadamente 600.000 pessoas por dia, dificulta a manutenção da limpeza que é realizada por moradores e pela Prefeitura. 56,3% dos respondentes discordam totalmente da afirmação de que o Centro é mais limpo que os demais bairros, sendo que 21% discordam em parte. Gráfico 36 – Concordância se o Centro é mais limpo que os demais bairros 38. Considero o Centro m ais lim po que os outros bairros Média = 1.80 Discordo Totalmente 295 56.3% Discordo em parte 110 21.0% Indiferente 29 5.5% Concordo em parte 49 9.4% Concordo Totalmente 22 4.2% 4.2% Não sei / Não quero responder 19 3.6% 3.6% Total 56.3% 21.0% 5.5% 9.4% 524 100.0% 68 Esta percepção não é exclusiva daqueles respondentes que possuem sentimentos negativos em relação ao Centro. Mesmo entre os entrevistados que gostam ou gostam muito do local, os percentuais de pessoas que discordaram totalmente de que o Centro é mais limpo que os outros bairros são altos. Dos que gostam, 48,8% discordam totalmente, percentual semelhante aos que gostam muito, registrado em 46,5%. A existência desta relação é confirmada pelo teste qui-quadrado. Tabela 24 – Limpeza do Centro em relação aos demais X Sentimento em relação ao Centro limpeza cetro x bairro sentimento Centro Discordo Totalmente Discordo em parte Indiferente Concordo em parte Concordo Totalmente TOTAL Odeio 80,0% ( 36) 8,9% ( 4) 4,4% ( 2) 4,4% ( 2) 0,0% ( 0) 100% ( 44) Não Gosto 62,8% (108) 16,3% ( 28) 4,7% ( 8) 9,9% ( 17) 4,1% ( 7) 100% (168) Indiferente 51,0% ( 51) 32,0% ( 32) 3,0% ( 3) 9,0% ( 9) 3,0% ( 3) 100% ( 98) Gosto 48,8% ( 79) 23,5% ( 38) 7,4% ( 12) 9,9% ( 16) 4,9% ( 8) 100% (153) Gosto Muito 46,5% ( 20) 18,6% ( 8) 7,0% ( 3) 11,6% ( 5) 7,0% ( 3) 100% ( 39) TOTAL 56,0% (294) 20,9% (110) 5,5% ( 28) 9,3% ( 49) 4,2% ( 21) 100% (502) A dependência é significativa. Qui2 = 27,06, gl = 16, 1-p = 95,91%. E a mesma intensidade negativa, estatisticamente significativa, da percepção da limpeza do bairro ocorre não importando a freqüência da ida dos respondentes ao bairro. A maioria dos que vão nele todos os dias (54,1%) e dos que vão 1 vez ao mês ou menos (60,5%) tem a mesma sensação de que os outros bairros são mais limpos que o Centro. Tabela 25 – Limpeza do Centro em relação aos demais X Freqüência de ida ao Centro limpeza cetro x bairro Frequencia centro Discordo Totalmente Discordo em parte 1 vez por mês ou menos 60,5% (127) 20,5% ( 43) 2 a 3 vezes por mês 56,1% ( 60) 1 vez por semana 50,0% ( 29) 2 a 3 vezes por semana Indiferente Concordo em parte Concordo Totalmente TOTAL 2,9% ( 6) 9,0% ( 19) 1,4% ( 3) 100% (198) 20,6% ( 22) 4,7% ( 5) 9,3% ( 10) 7,5% ( 8) 100% (105) 25,9% ( 15) 10,3% ( 6) 6,9% ( 4) 3,4% ( 2) 100% ( 56) 42,5% ( 17) 32,5% ( 13) 5,0% ( 2) 17,5% ( 7) 2,5% ( 1) 100% ( 40) Todos os dias 54,1% ( 46) 15,3% ( 13) 11,8% ( 10) 8,2% ( 7) 8,2% ( 7) 100% ( 83) Não freqüento o Centro 64,0% ( 16) 16,0% ( 4) 0,0% ( 0) 8,0% ( 2) 4,0% ( 1) 100% ( 23) TOTAL 56,0% (295) 20,9% (110) 5,5% ( 29) 9,3% ( 49) 4,2% ( 22) 100% (505) A dependência é significativa. Qui2 = 33,41, gl = 20, 1-p = 96,96%. Verifica-se que tal percepção de sujeira pode ser decorrência da grande distribuição de cartazes, propagandas e panfletos no Centro. 61,5% dos respondentes concordam totalmente de que estes itens contribuem para a sensação de poluição no bairro, e 17% concordam em parte com essa afirmação. Quando da realização do teste qui-quadrado, encontra-se uma dependência muito significativa entre estas variáveis, o que confirma essa interpretação. 69 Gráfico 37 – Concordância se propagandas contribuem para sensação de poluição no Centro 36. Os cartazes, propagandas e panfletos contribuem para a sensação de poluição do Centro Média = 4.23 Discordo Totalmente 40 7.6% Discordo em parte 28 5.3% 5.3% Indiferente 29 5.5% 5.5% Concordo em parte 89 17.0% 323 61.5% 16 3.0% Concordo Totalmente Não sei / Não quero responder Total 7.6% 17.0% 61.5% 3.0% 525 100.0% Tabela 26 – Limpeza do Centro em relação aos demais X Concordância sobre poluição visual limpeza cetro x bairro poluição visual Discordo Totalmente Discordo em parte Indiferente Concordo em parte Concordo Totalmente TOTAL Discordo Totalmente 57,5% ( 23) 10,0% ( 4) 0,0% ( 0) 12,5% ( 5) 10,0% ( 4) 100% ( 36) Discordo em parte 46,4% ( 13) 28,6% ( 8) 0,0% ( 0) 10,7% ( 3) 7,1% ( 2) 100% ( 26) Indiferente 55,2% ( 16) 24,1% ( 7) 10,3% ( 3) 3,4% ( 1) 3,4% ( 1) 100% ( 28) Concordo em parte 41,6% ( 37) 32,6% ( 29) 10,1% ( 9) 6,7% ( 6) 5,6% ( 5) 100% ( 86) Concordo Totalmente 61,6% (199) 18,0% ( 58) 4,6% ( 15) 9,9% ( 32) 2,8% ( 9) 100% (313) TOTAL 56,0% (288) 20,9% (106) 5,5% ( 27) 9,3% ( 47) 4,2% ( 21) 100% (489) A dependência é muito significativa. Qui2 = 33,58, gl = 16, 1-p = 99,38%. Outro motivo que pode explicar, considerando a dependência estatística muito significativa, a baixa cotação da limpeza do Centro em relação aos outros bairros é a percepção da maioria dos entrevistados da falta de lixeiras no bairro 58,7% dos entrevistados consideram o número de lixeiras existentes no bairro insuficientes. Gráfico 38 – Concordância se existem lixeiras suficientes no Centro 33. Há lixeiras suficientes no Centro Média = 2.32 Discordo Totalmente 213 40.6% Discordo em parte 95 18.1% Indiferente 29 Concordo em parte 82 15.6% Concordo Totalmente 58 11.0% Não sei / Não quero responder 48 Total 5.5% 9.1% 40.6% 18.1% 5.5% 15.6% 11.0% 9.1% 525 100.0% 70 Tabela 27 – Lixeiras suficientes X Limpeza do Centro em relação aos demais lixeiras limpeza cetro x bairro Discordo Totalmente Discordo em parte Indiferente Concordo em parte Concordo Totalmente TOTAL Discordo Totalmente 47,8% (141) 15,3% ( 45) 4,7% ( 14) 13,2% ( 39) 10,2% ( 30) 100% (269) Discordo em parte 32,7% ( 36) 27,3% ( 30) 7,3% ( 8) 14,5% ( 16) 10,0% ( 11) 100% (101) Indiferente 17,2% ( 5) 31,0% ( 9) 13,8% ( 4) 20,7% ( 6) 6,9% ( 2) 100% ( 26) Concordo em parte 36,7% ( 18) 14,3% ( 7) 2,0% ( 1) 22,4% ( 11) 14,3% ( 7) 100% ( 44) Concordo Totalmente 36,4% ( 8) 9,1% ( 2) 4,5% ( 1) 22,7% ( 5) 27,3% ( 6) 100% ( 22) 40,4% (208) 18,0% ( 93) 5,5% ( 28) 15,6% ( 77) 11,0% ( 56) 100% (462) TOTAL A dependência é muito significativa. Qui2 = 35,15, gl = 16, 1-p = 99,62%. O cheiro desagradável é outro tema relacionado à poluição do bairro que afeta a maioria dos respondentes. 47,6% destes concordam totalmente de que o cheiro do centro lhes incomoda, enquanto que 23,2% concordam em parte que o cheiro ruim é inconveniente. Gráfico 39 – Concordância se o cheiro do Centro incomoda 35. O cheiro do Ce ntro m e incom oda Média = 3.93 Discordo Totalmente 59 11.2% Discordo em parte 30 5.7% Indiferente 51 9.7% Concordo em parte 122 23.2% Concordo Totalmente 250 47.6% 13 2.5% Não sei / Não quero responder Total 11.2% 5.7% 9.7% 23.2% 47.6% 2.5% 525 100.0% Da mesma forma que o cheiro, o barulho do bairro incomoda grande parte dos respondentes. 51,4% dos participantes concordam totalmente e 16,2% concordaram em parte com a afirmação de que o barulho do Centro lhes causa incômodo. Gráfico 40 – Concordância se o barulho do Centro incomoda 34. O barulho do Centro m e incomoda Média = 3.85 Discordo Totalmente 74 14.1% Discordo em parte 37 7.0% Indiferente 49 9.3% Concordo em parte 85 16.2% 270 51.4% 10 1.9% Concordo Totalmente Não sei / Não quero responder Total 14.1% 7.0% 9.3% 16.2% 51.4% 1.9% 525 100.0% Conforme observado acima, as respostas da maioria dos entrevistados apontam para a percepção de que o Centro é, lamentavelmente, um lugar sujo, barulhento e com mau cheiro para os seus freqüentadores. Tal percepção reflete na baixa média da nota dada pelos respondentes sobre a limpeza do centro, de 4,68. 71 Gráfico 41 – Nota do entrevistado para a limpeza do Centro 39. Em te r m os ge r ais , atr ibua um a nota de 1 a 10 par a a lim pe za do Ce ntr o: Média = 4.86 Mediana = 5.00 Mín = 1.00 Máx = 10.00 1 37 7.1% 2 38 7.3% 3 45 8.7% 4 92 17.7% 5 121 23.3% 6 67 12.9% 7 70 13.5% 8 36 6.9% 9 7 1.3% 1.3% 10 6 1.2% 1.2% Total 7.1% 7.3% 8.7% 17.7% 23.3% 12.9% 13.5% 6.9% 519 100.0% A análise de regressão na nota dada considerou as seguintes variáveis como independentes e dependentes: Variáveis independentes: Limpeza Praças – Limpeza e asseio dos parques e praças . Lixeiras – O número de lixeiras. Cheiro – O cheiro do centro. Poluição visual – Cartazes, propagandas e panfletos contribuindo para a sensação de sujeira. Barulho – O barulho do Centro. Variável dependente Nota para a limpeza do centro As 5 variáveis independentes explicam 21.14% da variância (ou seja, da composição) da nota de limpeza do Centro. Ordenando as variáveis que mais impactam, na nota do bloco temos a seguinte tabela. 1º 2º 3º 4º Tabela 28 – Variáveis que mais impactam na nota da limpeza Limpeza e asseio dos parques e praças . O número de lixeiras. O cheiro do centro. Cartazes, propagandas e panfletos contribuindo para a sensação de sujeira. Cabe destacar que a variável “O barulho do centro” não foi considerada, segundo o teste de regressão múltipla, como um fator que cause impacto na nota que os entrevistados deram a limpeza do Centro, em que pese 51,4% dos respondentes concordarem totalmente que o barulho do bairro lhes incomoda e 16,2% concordarem em parte com esta afirmação. 72 Tabela 29 - Análise das variáveis conforme regressão múltipla para limpeza Estatística de regressão R-Quadrado 0,214168 Variáveis limpeza praças lixeiras cheiro poluição visual barulho Betas 0,287273 0,094844 0,07897 0,05831 0,01659 3.7 O TRÂNSITO O trânsito do Centro de Porto Alegre já foi objeto de políticas variadas para sua solução. Houve época em que se adotaram os calçadões, afastando o tráfego de automóveis particulares; mudaram-se os terminais de ônibus de lugar para melhorar a circulação de pedestres; impediu-se o estacionamento nas ruas e posteriormente criou-se as áreas azuis, com vagas rotativas, por tempo limitado. A análise do Bloco trânsito vai procurar as percepções dos entrevistados em relação a esse item, considerando a circulação de pedestres e a forma de se dirigir ao Centro; a sinalização e a presença de terminais de ônibus. A maioria das pessoas que vai ao Centro de Porto Alegre utiliza o ônibus (58,9%) como meio de locomoção. O segundo meio de locomoção mais utilizado para chegar ao centro foi o carro (19,6%), sendo que a maioria das pessoas que vai ao centro de carro são os homens. Em contrapartida, lotação – terceiro mais citado, com 13,9% – e táxi são os meios de locomoção no qual a maioria dos usuários são mulheres. A análise qui-quadrado confirma a dependência entre as variáveis (ver tabelas a seguir). Gráfico 42 – Meio de transporte utilizado para ir ao Centro 56. Na m aioria das vezes, eu vou ao Centro de: Ônibus 309 58.9% Carro 103 19.6% Táxi 7 1.3% Lotação 73 13.9% A pé 20 3.8% Outro: 12 2.3% 1 0.2% Não sei / Não quero responder Total 58.9% 19.6% 1.3% 13.9% 3.8% 2.3% 0.2% 525 100.0% 73 Tabela 30 – Sexo X Meio de transporte utilizado Femi nino Masc ulino TOTAL Ônibus 56,0% 44,0% 100% Carro 36,9% 63,1% 100% Táxi 71,4% 28,6% 100% Lotação 68,5% 31,5% 100% A pé 30,0% 70,0% 100% Outro: 8,3% 91,7% 100% TOTAL 51,8% 47,8% 100% sexo entrevistado meio de transporte A dependência é muito significativa. Qui2 = 33,45, gl = 5, 1-p = >99,99%. As pessoas que vão de carro ou lotação ao centro tendem a ter uma maior renda, assim como as pessoas que vão de ônibus tendem a ter uma renda mais baixa. Tabela 31 – Escolaridade X Meio de transporte utilizado escolaridade entrevistado Ensino Fundamental Ensino Médio Ensino Superior e Pós TOTAL meio de transporte Ônibus 78,5% ( 95) 62,4% (111) 45,5% (101) 58,6% (307) Carro 4,1% ( 5) 19,1% ( 34) 28,8% ( 64) 19,5% (103) Táxi 1,7% ( 2) 1,1% ( 2) 1,4% ( 3) 1,3% ( 7) Lotação 7,4% ( 9) 11,8% ( 21) 18,5% ( 41) 13,9% ( 71) A pé 4,1% ( 5) 3,9% ( 7) 3,6% ( 8) 3,8% ( 20) Outro: TOTAL 3,3% ( 4) 1,7% ( 3) 2,3% ( 5) 2,3% ( 12) 100% (120) 100% (178) 100% (222) 100% (520) A dependência é muito significativa. Qui2 = 48,07, gl = 10, 1-p = >99,99%. Uma das explicações para apenas 19,6% das pessoas irem ao centro de carro pode ser a falta de locais para estacionar. Isto é evidenciado nos quadros abaixo, que indicam que as pessoas que vão de ônibus possuem a percepção de que existem poucos locais para estacionar; ao contrário das que vão de carro, que percebem maiores quantidades de vagas de estacionamento. Mais do que isso, pode-se dizer que o meio de locomoção exerce influência na avaliação quanto à existência de lugares suficientes para estacionar A análise qui-quadrado confirma a dependência das duas variáveis. Gráfico 43 – Concordância se existem locais suficientes para estacionar no Centro 58. Existem locais suficientes para estacionar no Centro Média = 2.09 Discordo Totalmente 253 48.3% Discordo em parte 93 17.7% Indiferente 30 5.7% Concordo em parte 65 12.4% Concordo Totalmente 45 8.6% Não sei / Não quero responder 38 7.3% Total 48.3% 17.7% 5.7% 12.4% 8.6% 7.3% 524 100.0% 74 Gráfico 44 e 45 – Concordância locais para estacionar X Meio de transporte 58. Existem locais suficientes para estacionar no Centro 58. Existem locais suficientes para estacionar no Centro Média = 1.94 Média = 2.51 Discordo Totalmente 154 50.0% Discordo em parte 56 18.2% Indiferente 24 7.8% Concordo em parte 29 9.4% Concordo Totalmente 18 5.8% Não sei / Não quero responder 27 8.8% Total 50.0% 18.2% Discordo Totalmente 50 48.5% Discordo em parte 10 9.7% Indiferente 7.8% 9.4% 5.8% 2 1.9% Concordo em parte 22 21.4% Concordo Totalmente 19 18.4% 0 0.0% Não sei / Não quero responder 8.8% 308 100.0% Total 48.5% 9.7% 1.9% 21.4% 18.4% 0.0% 103 100.0% Pessoas que vão ao centro de ônibus Pessoas que vão ao centro de carro. A dependência é muito significativa. Qui2 = 28,24, gl = 4, 1-p = >99,99%. Independentemente das pessoas que irem ao centro de carro ou ônibus, a grande maioria delas (83,5%) possuem a percepção de que não é fácil andar de carro pelo centro de Porto Alegre. Gráfico 46 – Concordância sobre facilidade de andar de carro no Centro 60. É fácil andar de carro pelo Centro Média = 1.56 Discordo Totalmente 340 64.8% Discordo em parte 98 18.7% Indiferente 20 3.8% 3.8% Concordo em parte 21 4.0% 4.0% Concordo Totalmente 19 3.6% 3.6% Não sei / Não quero responder 27 5.1% 5.1% Total 64.8% 18.7% 525 100.0% Quanto ao número de ônibus que circulam no Centro de Porto Alegre, 57,1% dos entrevistados concorda que existem ônibus demais circulando no Centro, mas tem opiniões divididas quanto ao fato dos terminais de ônibus atrapalharem ou não a movimentação das pessoas. Gráfico 47 – Concordância se existem ônibus demais circulando no Centro 62. Existem ônibus dem ais circulando nas ruas do Centro Média = 3.51 Discordo Totalmente 57 10.9% Discordo em parte 93 17.7% Indiferente 56 10.7% Concordo em parte 131 25.0% Concordo Totalmente 168 32.1% 19 3.6% Não sei / Não quero responder Total 10.9% 17.7% 10.7% 25.0% 32.1% 3.6% 524 100.0% 75 Gráfico 48 – Concordância se os terminais de ônibus atrapalham os pedestres 64. Os term inais de ônibus atrapalham a m ovim entação das pessoas Média = 2.97 Discordo Totalmente 147 28.0% Discordo em parte 79 15.0% Indiferente 40 7.6% Concordo em parte 122 23.2% Concordo Totalmente 118 22.5% 19 3.6% Não sei / Não quero responder Total 28.0% 15.0% 7.6% 23.2% 22.5% 3.6% 525 100.0% Entretanto, cabe salientar que esta percepção é diferente conforme o meio que as pessoas vão até ele: Quem vai ao centro de carro possui a percepção de que o terminais atrapalham a circulação de pessoas com mais intensidade do que quem vai a o centro de ônibus. Gráfico 49 e 50 – Concordância se os terminais de ônibus atrapalham X 64. Os term inais de ônibus atrapalham a m ovim entação das pessoas 64. Os term inais de ônibus atrapalham a m ovim entação das pessoas Média = 3.46 Média = 2.71 Discordo Totalmente 106 34.3% Discordo em parte 52 16.8% Indiferente 22 7.1% Concordo em parte 67 21.7% Concordo Totalmente 55 17.8% 7 2.3% Não sei / Não quero responder Total 34.3% 16.8% Discordo Totalmente 18 17.5% Discordo em parte 13 12.6% Indiferente 7.1% 21.7% 17.8% 6 5.8% Concordo em parte 26 25.2% Concordo Totalmente 34 33.0% 6 5.8% Não sei / Não quero responder 2.3% Total 309 100.0% 17.5% 12.6% 5.8% 25.2% 33.0% 5.8% 103 100.0% Pessoas que vão ao centro de carro Pessoas que vão ao centro de ônibus A dependência é muito significativa. Qui2 = 17,25, gl = 4, 1-p = 99,83%. 3.7.1 Percepções Gerais sobre o Trânsito Quanto ao trânsito de pedestre, as opiniões dos entrevistados aparecem divididas; 53,2% acha fácil transitar a pé pelo Centro. Gráfico 51 – Concordância sobre facilidade de transitar no Centro para pedestres 59. O Centro é fácil de transitar para pedestres Média = 2.78 Discordo Totalmente 162 30.9% Discordo em parte 117 22.3% Indiferente 20 3.8% Concordo em parte 115 21.9% Concordo Totalmente 105 20.0% 6 1.1% Não sei / Não quero responder Total 30.9% 22.3% 3.8% 21.9% 20.0% 1.1% 525 100.0% 76 Os entrevistados consideram o Centro pouco acessível para deficientes (57,5%). Gráfico 52 – Concordância se o Centro é acessível aos deficientes físicos 61. O Centro é acessível aos deficientes físicos Média = 1.68 Discordo Totalmente 302 57.5% Discordo em parte 98 18.7% Indiferente 25 4.8% Concordo em parte 43 8.2% Concordo Totalmente 12 2.3% Não sei / Não quero responder 45 8.6% Total 57.5% 18.7% 4.8% 8.2% 2.3% 8.6% 525 100.0% A sinalização do Centro parece adequada para a maioria dos entrevistados (60% das respostas). Gráfico 53 – Concordância se o Centro é bem sinalizado 63. O Centro é bem sinalizado por placas com nom es das ruas, praças e avenidas Média = 3.53 Discordo Totalmente 78 14.9% Discordo em parte 65 12.4% Indiferente 33 6.3% Concordo em parte 145 27.7% Concordo Totalmente 169 32.3% 34 6.5% Não sei / Não quero responder Total 14.9% 12.4% 6.3% 27.7% 32.3% 6.5% 524 100.0% A nota atribuída para o trânsito do Centro teve uma média de 4,98, com predominância de respostas 5. Gráfico 54 – Nota do entrevistado para o trânsito no Centro 65. Em term os gerais, atribua um a nota de 1 a 10 para o trânsito no Centro: Média = 4.98 Mediana = 5.00 Mín = 1.00 Máx = 10.00 1 41 7.9% 2 33 6.4% 3 50 9.6% 4 65 12.5% 5 121 23.3% 6 90 17.3% 7 57 11.0% 8 43 8.3% 9 10 1.9% 1.9% 9 1.7% 1.7% 10 Total 7.9% 6.4% 9.6% 12.5% 23.3% 17.3% 11.0% 8.3% 519 100.0% 77 A seguir, procede-se à análise de Regressão Múltipla para o bloco de perguntas sobre o trânsito. Confronta-se a nota atribuída ao trânsito do Centro com as variáveis independentes. Variáveis independentes: Transitar carros – Andar de carro pelo centro Quantidade de ônibus – A quantidade de ônibus que circulam Sinalização – A sinalização das ruas, praças e avenidas Transitar pedestres – Transitar a pé pelo centro Estacionamento – Facilidade ou não de estacionar no centro Deficientes físicos – O acesso para deficientes físicos Variável dependente Nota para o trânsito no centro As 6 variáveis independentes explicam 12,89% da variância (ou seja, da composição) da nota de trânsito no centro. Ordenando as variáveis que mais impactam, na nota do bloco temos a seguinte tabela. 1º 2º 3º 4º 5º 6º Tabela 32 – Variáveis que mais impactam na nota do trânsito Andar de carro pelo centro A quantidade de ônibus que circulam A sinalização das ruas, praças e avenidas Transitar a pé pelo Centro Facilidade ou não de estacionar no centro O acesso para deficientes físicos Tabela 33 – Análise das variáveis conforme regressão múltipla para trânsito Estatística de regressão R-Quadrado 0,128908 Variáveis transitar carros quantidade ônibus sinalização transitar pedestres estacionamento deficientes físicos Betas 0,179971 0,119098 0,115982 0,077946 0,047619 0,03606 78 3.8 COMÉRCIO: Impasse com Camelôs e alternativas O Centro de Porto Alegre já foi o melhor lugar para se comprar na cidade. Ali se localizavam as melhores lojas durante os anos 60, 70 e 80 do século passado. Com o advento dos shoppings na cidade (o Iguatemi foi fundado em abril de 83), inicia-se uma migração do público consumidor para estes locais. Os shoppings têm vantagem em relação ao comércio de rua e da área central por ser um ambiente protegido, resguardado por sistemas de segurança e funcionando em horários noturnos, permitindo versatilidade, ao contrário das zonas tradicionais de comércio (LENGLER, 1997). De fato, o cliente de lojas de rua percorre distâncias até quatro vezes maiores, levando seis vezes mais tempo do que um cliente de shopping para visitar o mesmo número de lojas (ABRASCE, 2006). A prioridade absoluta dos administradores de shopping centers no Brasil é com a segurança de seus freqüentadores, para onde fluem os maiores investimentos. Nesse cenário, perguntou-se a preferência dos entrevistados quando vão às compras, encontrando-se um percentual de 53,5% de preferência para os shoppings: Gráfico 55 – Local preferido para fazer compras 66. Quando você faz com pras, prefere ir: Ao Centro 124 23.6% Ao shopping 280 53.3% Lojas de bairro 107 20.4% Outro: 8 1.5% 1.5% Não sei / Não quero responder 6 1.1% 1.1% Total 23.6% 53.3% 20.4% 525 100.0% A preferência por compras no Centro está em segundo lugar, com menos da metade do percentual encontrado para o shopping, atingindo percentuais semelhantes às lojas de bairro. A tabela a seguir realiza o cruzamento das respostas sobre o sentimento em relação ao Centro e a preferência de local de compras. Verifica-se uma forte relação entre o sentimento positivo em relação ao Centro e a preferência como local de compra. Ao contrário, aqueles que não gostam do Centro referem maior preferência pelas compras em Shopping. A análise quiquadrado confirma essa dependência entre as duas variáveis : 79 Tabela 34 – Local preferido para fazer compras X Sentimento em relação ao Centro onde compra Ao Centro Ao shopping Lojas de bairro TOTAL sentimento Centro Odeio 15,6% ( 7) 66,7% ( 30) 15,6% ( 7) 100% ( 44) Não Gosto 15,7% ( 27) 63,4% (109) 18,6% ( 32) 100% (168) Indiferente 24,0% ( 24) 46,0% ( 46) 26,0% ( 26) 100% ( 96) Gosto 28,4% ( 46) 47,5% ( 77) 21,0% ( 34) 100% (157) Gosto Muito 44,2% ( 19) 39,5% ( 17) 16,3% ( 7) 100% ( 43) TOTAL 23,5% (123) 52,9% (279) 20,3% (106) 100% (508) A dependência é muito significativa. Qui2 = 25,82, gl = 8, 1-p = 99,89%. As células marcadas em azul (rosa) são aquelas para as quais a frequência real é claramente superior (inferior) à frequência teórica. Em relação à Renda dos entrevistados, nesse trabalho medida em função da escolaridade, podemos inferir que à medida que esta cresce, cresce também a preferência pelas compras em shopping ; aqueles entrevistados com menor poder aquisitivo referem maior preferência por compras no Centro. O teste qui-quadrado confirma a dependência alta entre renda e preferência por local de compra. A pesquisa da ABRASCE, citada nesse trabalho e referida ao final (ABRASCE, 2006), identifica o público de classes A e B como maior freqüentador dos shopping centers no Brasil. Em contrapartida, predominam no Centro compradores de escolaridade/renda mais baixa : Tabela 35 – Local preferido para fazer compras X Escolaridade onde compra Ao Centro Ao shopping Lojas de bairro TOTAL escolaridade entrevistado Ensino Fundamental incompleto 32,8% ( 19) 25,9% ( 15) 37,9% ( 22) 100% ( 56) Ensino Fundamental completo 46,0% ( 29) 25,4% ( 16) 27,0% ( 17) 100% ( 62) Ensino Médio incompleto 44,1% ( 15) 41,2% ( 14) 8,8% ( 3) 100% ( 32) Ensino Médio completo 22,2% ( 32) 54,2% ( 78) 20,8% ( 30) 100% (140) Ensino Superior incompleto 20,0% ( 17) 68,2% ( 58) 9,4% ( 8) 100% ( 83) 7,1% ( 8) 69,6% ( 78) 20,5% ( 23) 100% (109) Ensino Superior completo Pós / Mestrado / Doutorado / PhD TOTAL 12,0% ( 3) 80,0% ( 20) 4,0% ( 1) 100% ( 24) 23,5% (123) 52,9% (279) 20,3% (104) 100% (506) A dependência é muito significativa. Qui2 = 88,22, gl = 12, 1-p = >99,99%. As células marcadas em azul (rosa) são aquelas para as quais a frequência real é claramente superior (inferior) à frequência teórica. Na comparação com o estado civil dos entrevistados, daqueles que compram no Centro há uma maior incidência de solteiros (42,7%); dos que freqüentam shoppings uma maior incidência de casados (49,5%); e, dos que compram em lojas de bairro, maior é igualmente o percentual de casados (56,1%). A análise qui-quadrado corrobora a dependência entre a o estado civil e o local preferido de compra: 80 Tabela 36 – Local preferido para compras X Estado civil onde compra Ao Centro Ao shopping Lojas de bairro TOTAL estado civil entrevistado Solteiro 42,7% ( 53) 35,5% ( 99) 23,4% ( 25) 34,2% (177) Casado ou união estável 38,7% ( 48) 49,5% (138) 56,1% ( 60) 48,2% (246) Desquitado, separado ou divorciado 12,1% ( 15) 9,0% ( 25) 8,4% ( 9) 9,9% ( 49) 6,5% ( 8) 6,1% ( 17) 12,1% ( 13) 7,4% ( 38) 100% (124) 100% (279) 100% (107) 100% (510) Viúvo TOTAL A dependência é significativa. Qui2 = 15,21, gl = 6, 1-p = 98,13%. Em relação ao sexo dos entrevistados, podemos inferir que, daqueles que preferem comprar no Centro, predomina o público feminino (59,7%), contra 40,3% de público masculino. A análise qui-quadrado não reconhece a dependência entre essas duas variáveis como significativa, conforme a próxima tabela. A pesquisa da ABRASCE sobre o público de shoppings identifica 55% de freqüentadores do sexo feminino e 45% masculino, o que segundo eles “é uma curiosidade porque não confirma a idéia de que as mulheres são muito mais consumistas do que os homens” (ABRASCE, 2006), reconhecendo nessa relação de números o equilíbrio que revelase na pesquisa do trabalho aqui descrito: 50,9% para mulheres e 49,1% para homens freqüentando shoppings. Tabela 37 – Sexo X Local preferido para compras sexo entrevistado Feminino Masculino TOTAL onde compra Ao Centro 59,7% ( 74) 40,3% ( 50) 100% (124) Ao shopping 50,9% (142) 49,1% (137) 100% (279) Lojas de bairro 47,7% ( 51) 52,3% ( 56) 100% (107) Outro: 44,4% ( 4) 55,6% ( 5) 100% ( 9) TOTAL 51,8% (271) 47,8% (248) 100% (519) A dependência não é significativa. Qui2 = 4,07, gl = 3, 1-p = 74,58% Alguns modelos de comportamento do consumidor analisam o tempo de permanência das pessoas em locais de compra (LENGLER, 1997); os entrevistados que costumam comprar no Centro permanecem, em sua maioria, de 1 a 3 horas (50% das respostas); já em shoppings, o tempo médio de permanência é de 73 minutos (ABRASCE, 2006). Tabela 38 – Compras no Centro X Tempo de permanência Ao Centro TOTAL 9,8% 29,3% De 1 a 3 horas 50,0% 46,1% De 3 a 5 horas 17,0% 10,2% Mais de 5h 20,5% 12,0% onde compra permanência Até 1 hora Não sei / Não quero responder 1,8% 1,8% TOTAL 100% 100% 81 Os entrevistados, em sua maioria, costumam ir pouco ao Centro com o intuito específico de fazer compras. 53% vão ao Centro uma vez por mês ou menos para esse fim e, muitos, quase 17%, não costumam freqüentar o Centro. A área central, permite-se deduzir baseado nesses dados, perde em importância como local de compras para outras opções. Gráfico 56 – Freqüência que entrevistado faz compras no Centro 68. Com que freqüência você costum a fazer com pras no Centro? Uma vez por mês ou menos 276 53.0% De duas a três vezes por mês 83 15.9% Uma vez por semana 36 6.9% Duas a três vezes por semana 14 2.7% 2.7% Todos os dias 13 2.5% 2.5% Não freqüento o Centro 88 16.9% Não sei / Não quero responder 11 2.1% Total 53.0% 15.9% 6.9% 16.9% 2.1% 521 100.0% 3.8.1 Mercado Público O Mercado apresenta uma alta preferência como bom local de compras, com 77,6% de opiniões concordantes. Com as reformas já realizadas e outras em previsão, o Mercado se afirma como ponto de referência na cidade, como área de turismo e compras, incluindo na sua programação shows musicais e outras atividades ligadas à cultura. Gráfico 57 – Concordância se o Mercado Público é bom local para compras 69. O Mercado Público é um bom local para fazer com pras Média = 4.11 Discordo Totalmente 33 6.3% 6.3% Discordo em parte 28 5.3% 5.3% Indiferente 35 6.7% Concordo em parte 161 30.7% Concordo Totalmente 246 46.9% 22 4.2% Não sei / Não quero responder Total 6.7% 30.7% 46.9% 4.2% 525 100.0% A percepção em relação à qualidade dos produtos comercializados no centro é bastante positiva. Pelo menos 72,3% concordam que eles sejam de boa qualidade. Do restante, 13,6% discordam da afirmação e 9,6% são indiferentes. Na tabela subseqüente, é alto o percentual para a percepção dos serviços como de boa qualidade (64%). 82 Gráfico 58 – Concordância se os produtos do Centro são de boa qualidade 70. De m aneira geral, os produtos do Centro são de boa qualidade Média = 3.94 Discordo Totalmente 11 2.1% Discordo em parte 60 11.5% Indiferente 50 9.6% Concordo em parte 204 39.0% Concordo Totalmente 174 33.3% 24 4.6% Não sei / Não quero responder Total 2.1% 11.5% 9.6% 39.0% 33.3% 4.6% 523 100.0% Gráfico 59 – Concordância se os serviços do Centro são de boa qualidade 71. De m odo geral, os serviços do Centro são de boa qualidade Média = 3.70 Discordo Totalmente 26 5.0% Discordo em parte 69 13.1% 13.1% 12.2% Indiferente 64 12.2% Concordo em parte 204 38.9% Concordo Totalmente 132 25.1% 30 5.7% Não sei / Não quero responder Total 5.0% 38.9% 25.1% 5.7% 525 100.0% A análise do comportamento de compra no Centro parece revelar uma mudança de paradigma. Ao contrário das grandes lojas de departamentos dos anos 60, 70 e 80 do século passado, o Centro passa a contar hoje com um comércio mais especializado, o que foi mencionado por muitos entrevistados, e confirmado pela pesquisa de dados secundários. Antiquários, lojas de instrumentos musicais, produtos de artesanato (couros, joalheria, tecidos), produtos de eletrônica e outros, passam a revelar uma vocação direcionada para segmentos específicos. O Mercado Público aparece como uma central de especialidades, como ocorre em grandes cidades. 3.8.2 Camelôs O tema dos Camelôs revelou-se o mais polêmico desta pesquisa. A presença maciça dos vendedores ambulantes, legalizados ou não, e as discussões em torno da implantação de um local específico para sua atuação, conhecido como camelódromo, despertaram em nossos entrevistados sentimentos e percepções bastante contundentes. A pergunta sobre o posicionamento dos entrevistados contra ou a favor dos camelôs apresentou uma resposta com alto nível de discordância sobre a sua presença (62%): 83 Gráfico 60 – Concordância se a favor dos camelôs nas ruas do Centro 72. Sou a favor dos cam elôs nas ruas do Centro Média = 2.31 Discordo Totalmente 247 47.0% Discordo em parte 79 15.0% Indiferente 42 8.0% Concordo em parte 78 14.9% Concordo Totalmente 70 13.3% 9 1.7% Não sei / Não quero responder Total 47.0% 15.0% 8.0% 14.9% 13.3% 1.7% 525 100.0% Quando perguntados se os camelôs são uma boa opção, as respostas se dividem: 48% não os acham uma boa opção de compra e 44,3% respondem positivamente. A polarização encontrada no sentimento em relação ao Centro, de certa forma, reaparece no tema polêmico dos camelôs. Gráfico 61 – Concordância se os camelôs são boa opção de compra 73. Os cam elôs são um a boa opção de com pra no Centro Média = 2.84 Discordo Totalmente 175 33.3% Discordo em parte 77 14.7% Indiferente 30 5.7% Concordo em parte 122 23.2% Concordo Totalmente 111 21.1% 10 1.9% Não sei / Não quero responder Total 33.3% 14.7% 5.7% 23.2% 21.1% 1.9% 525 100.0% Podemos inferir que o camelô cumpre uma função comercial importante como fornecedor de produtos, e a importância de sua atuação é percebida por boa parte dos entrevistados. A pergunta que segue, revela que, quanto a prejudicar o comércio legal, não há praticamente dúvidas: 82,3% consideram que os camelôs concorrem e prejudicam o comércio legal. Gráfico 62 – Concordância se camelôs prejudicam o comércio legal 76. Os cam elôs prejudicam o com ércio legal Média = 4.30 Discordo Totalmente 41 7.8% Discordo em parte 20 3.8% 3.8% Indiferente 15 2.9% 2.9% Concordo em parte 103 19.6% Concordo Totalmente 329 62.7% 17 3.2% Não sei / Não quero responder Total 7.8% 19.6% 62.7% 3.2% 525 100.0% 84 A pergunta a seguir pode fortalecer a idéia de um local específico – o camelódromo – para a localização dos camelôs: 84,5% concordam que os camelôs, situados onde estão hoje, prejudicam a circulação de pessoas. Gráfico 63 – Concordância se camelôs dificultam a passagem das pessoas 75. Os cam elôs dificultam a passagem das pessoas no Centro Média = 4.31 Discordo Totalmente 47 9.0% Discordo em parte 19 3.6% 3.6% Indiferente 11 2.1% 2.1% Concordo em parte 92 17.5% 352 67.0% 4 0.8% Concordo Totalmente Não sei / Não quero responder Total 9.0% 17.5% 67.0% 0.8% 525 100.0% Além de prejudicar a circulação, a presença maciça dos camelôs faz com que essas área se tornem foco de insegurança; para 55,1% dos entrevistados, os camelôs tornam o Centro mais perigoso. O perigo pode estar relacionado com a atividade ilícita inerente ao comércio ilegal – contrabando ou descaminho – ou à presença de ladrões e batedores de carteira que se aproveitariam da multidão e grande concentração de barracas para agir subrepticiamente e se esconder no tumulto associado aos ambulantes. Gráfico 64 – Concordância se os camelôs tornam o Centro mais perigoso 74. Os cam elôs tornam o Centro m ais perigoso Média = 3.39 Discordo Totalmente 111 21.1% Discordo em parte 62 11.8% Indiferente 48 9.1% Concordo em parte 95 18.1% 194 37.0% 15 2.9% Concordo Totalmente Não sei / Não quero responder Total 21.1% 11.8% 9.1% 18.1% 37.0% 2.9% 525 100.0% 3.8.3 Panorama Geral dos Produtos do Centro Os entrevistados concordam predominantemente que os produtos do Centro sejam mais baratos que os dos bairros, como se verifica nos 74,7% de respostas obtidas, conforme tabela abaixo. 85 Gráfico 65 – Concordância se o Centro oferece produtos mais baratos 77. O Centro oferece produtos m ais baratos que os outros bairros Média = 4.00 Discordo Totalmente 46 8.8% Discordo em parte 32 6.1% Indiferente 38 7.2% Concordo em parte 151 28.8% Concordo Totalmente 241 45.9% 17 3.2% Não sei / Não quero responder Total 8.8% 6.1% 7.2% 28.8% 45.9% 3.2% 525 100.0% A pergunta a seguir procurou dar conta da variedade das ofertas do Centro. Para 76,4% dos entrevistados, encontra-se no Centro o que se procura, o que pode significar que o Centro mantém ainda sua antiga reputação comercial dos tempos áureos do século passado, conservando a antiga máxima de que se encontra de tudo. Gráfico 66 – Concordância se encontra o que procura no Centro 78. Sem pre encontro o que procuro no Centro Média = 4.22 Discordo Totalmente 14 2.7% Discordo em parte 34 6.5% Indiferente 44 8.4% Concordo em parte 140 26.7% Concordo Totalmente 261 49.7% 32 6.1% Não sei / Não quero responder Total 2.7% 6.5% 8.4% 26.7% 49.7% 6.1% 525 100.0% O acesso fácil ao Centro provoca divisão nas respostas, aparecendo uma leve predominância (44%) dos que associam essa facilidade à sua opção de compra. Sabe-se que os shoppings hoje recebem um público maior, de maior poder aquisitivo, que busca os confortos da estrutura segura, com grandes estacionamentos e concentração de lojas e serviços. Gráfico 67 – Concordância se entrevistado faz compras no Centro devido a facilidade de acesso 79. Faço com pras no Centro devido à facilidade de acesso Média = 3.08 Discordo Totalmente Discordo em parte Indiferente 127 24.2% 71 13.5% 59 11.2% Concordo em parte 103 19.6% Concordo Totalmente 130 24.8% 35 6.7% Não sei / Não quero responder Total 24.2% 13.5% 11.2% 19.6% 24.8% 6.7% 525 100.0% 86 Sobre se o Centro apresenta variedade de opções de compra, os entrevistados ainda percebem, em sua maioria, essa vocação de diversidade (68,2%), mencionada anteriormente; a direção, conforme vimos em outro tópico, parece apontar para uma especialização em itens que não se encontram em shoppings e que poderiam promover a revitalização do comércio local (como são os antiquários na Rua Marechal Floriano e Rua Fernando Machado, ou as lojas de instrumentos musicais da Rua Alberto Bins e Coronel Vicente). Gráfico 68 – Concordância se entrevistado faz compras no Centro devido a variedade 80. Faço com pras no Centro devido a variedade de opções Média = 3.94 Discordo Totalmente 49 9.3% Discordo em parte 35 6.7% Indiferente 52 9.9% Concordo em parte 118 22.5% Concordo Totalmente 240 45.7% 31 5.9% Não sei / Não quero responder Total 9.3% 6.7% 9.9% 22.5% 45.7% 5.9% 525 100.0% O atendimento dispensado pelos vendedores do centro foi aprovado por mais de 72% dos respondentes, conforme tabela a seguir, revelando que ainda existe um esforço pela qualidade, pelo menos nesse critério. Gráfico 69 – Concordância se é bem atendido pelos vendedores do Centro 81. De m odo geral, sou bem atendido pelos vendedores no Centro Média = 4.08 Discordo Totalmente 18 3.4% Discordo em parte 43 8.2% Indiferente 56 10.7% Concordo em parte 143 27.2% Concordo Totalmente 238 45.3% 27 5.1% Não sei / Não quero responder Total 3.4% 8.2% 10.7% 27.2% 45.3% 5.1% 525 100.0% A nota atribuída pelos entrevistados para o Centro como opção de compra aparece na tabela a seguir. A média da nota foi de 7,15, com maior freqüência para a nota 8 (28,2% das respostas). 87 Gráfico 70 – Nota do entrevistado para o comércio no Centro 82. Em termos gerais, atribua uma nota de 1 a 10 para o comércio no Centro: Média =7.15 Mediana =7.00 Mín =1.00 Máx =10.00 1 3 0.6% 0.6% 2 6 1.1% 1.1% 3 6 1.1% 1.1% 4 18 3.4% 5 76 14.6% 6 57 10.9% 7 99 19.0% 8 147 28.2% 9 62 11.9% 10 48 Total 3.4% 9.2% 14.6% 10.9% 19.0% 28.2% 11.9% 9.2% 522 100.0% Procede-se, a seguir, ao tratamento das variáveis pelo método de regressão múltipla, comparando-se com a nota atribuída ao Centro. Variáveis independentes: Atendimento Vendedores – O atendimento dos vendedores Variedade – A variedade de produtos Produtos mais baratos – o preço dos produtos Qualidade serviços – A qualidade dos serviços Qualidade produtos – A qualidade dos produtos Camelôs – Os camelôs como opção de compra (boa ou ruim) Facilidade de acesso – A facilidade de Acesso Mercado – O Mercado Público como opção de compra Variável dependente Nota para o comércio no centro As 6 variáveis independentes explicam 39,90% da variância (ou seja, da composição) da nota do comércio no centro. Ordenando as variáveis que mais impactam, na nota do bloco temos a seguinte tabela. 88 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º Tabela 39 - Variáveis que mais impactam na nota do comércio O atendimento dos vendedores A variedade de produtos o preço dos produtos A qualidade dos serviços A qualidade dos produtos Os camelôs como opção de compra (boa ou ruim) A facilidade de Acesso Cabe destacar que a variável “O Mercado Público como opção de compra” não foi considerada, segundo o teste de regressão múltipla, como um fator que cause impacto na nota que os entrevistados deram ao comércio do Centro Tabela 40 - Análise das variáveis conforme regressão múltipla para comércio Estatística de regressão R-Quadrado 0,39904 Variáveis atendimento vendedores variedade produtos mais baratos qualidade serviços qualidade produtos camelôs facilidade acesso mercado Betas 0,261741 0,17565 0,130283 0,088635 0,075519 0,04069 0,038847 0,007035 3.9 SEGURANÇA NO CENTRO: O tema Segurança Pública tem sido abordado continuamente pelos órgãos de imprensa como uma preocupação constante da população em geral. No Centro de Porto Alegre, critica-se a falta de contingente policial e o abandono pelos órgãos públicos, proporcionando cenário adequado para a prática de furtos e assaltos. Procurou-se nesse trabalho medir como os moradores da cidade percebem a situação atual da Segurança no Centro. Sobre a sensação de andar pela área Central, a maioria não se sente seguro (75,1%). 89 Gráfico 71 – Concordância sobre sentimento de segurança ao andar no Centro 51. Me sinto seguro andando no Centro Média = 1.94 Discordo Totalmente 297 56.6% Discordo em parte 97 18.5% Indiferente 34 6.5% Concordo em parte 49 9.3% 9.3% Concordo Totalmente 45 8.6% 8.6% 3 0.6% Não sei / Não quero responder Total 56.6% 18.5% 6.5% 0.6% 525 100.0% No item a seguir, procurou-se verificar se as pessoas já haviam sido assaltadas. Praticamente 73% dos respondentes revelaram nunca terem sido assaltados no Centro, o que permite a inferência de que a sensação de insegurança não está diretamente ligada ao fato de já haver sido assaltado. Gráfico 72 – Quantidade de vezes que entrevistado foi assaltado no Centro 45. Você já foi assaltado no Centro? Uma vez 88 16.8% Duas vezes 29 5.5% Três vezes 16 3.1% 3.1% 9 1.7% 1.7% 382 72.9% 0 0.0% Mais de três vezes Nunca Não sei / Não quero responder Total 16.8% 5.5% 72.9% 0.0% 524 100.0% Além do fato de terem sido ou não assaltadas, as pessoas entrevistadas foram questionadas sobre se viram algum assalto no Centro; pelo menos 31,6% não presenciou assaltos no Centro; um número expressivo de quase 30% já presenciou assaltos no bairro, conforme tabela abaixo, o que pode representar que ver assaltos é mais freqüente do que ser assaltado. Gráfico 73 – Quantidade de vezes que entrevistado viu alguém ser assaltado no Centro 46. Você já viu pessoas serem assaltadas no Centro? Uma vez 79 15.0% Duas vezes 71 13.5% Três vezes 53 10.1% Mais de três vezes 154 29.3% Nunca 166 31.6% 2 0.4% Não sei / Não quero responder Total 15.0% 13.5% 10.1% 29.3% 31.6% 0.4% 525 100.0% 90 Na comparação do Centro com outros bairros, 60% refere o Centro como mais perigoso. O Centro, com seu enorme contingente de pessoas circulando e a degradação que vem sofrendo, não parece mais representar um lugar seguro para circular; os pontos de encontro que se notabilizaram no passado, como já vimos, como os cafés e confeitarias famosos, aparece como um lugar sem lei e entregue à bandidagem e aos ambulantes, recebendo pouca atenção do Poder público. Gráfico 74 – Concordância sobre correr mais risco de assalto no Centro que demais bairros 47. Corro m ais risco de ser assaltado no Centro do que em outros bairros Média = 3.59 Discordo Totalmente 70 13.3% Discordo em parte 49 9.3% Indiferente 74 14.1% Concordo em parte 141 26.9% Concordo Totalmente 174 33.1% 17 3.2% Não sei / Não quero responder Total 13.3% 9.3% 14.1% 26.9% 33.1% 3.2% 525 100.0% Praticamente 93% dos entrevistados tomam cuidados para não ser assaltados no Centro, o que parece conduzir a uma percepção unânime de insegurança; embora esta percepção possa estar relacionada à cidade como um todo, ela parece ser mais direcionada ao Centro. Gráfico 75 – Concordância se entrevistado toma cuidados ao andar no Centro para evitar assaltos 48. Quando ando pelo Centro, tom o certos cuidados para não ser assaltado Média = 4.69 Discordo Totalmente Discordo em parte 13 2.5% 2.5% 9 1.7% 1.7% 2.7% Indiferente 14 2.7% Concordo em parte 57 10.9% 430 81.9% 2 0.4% Concordo Totalmente Não sei / Não quero responder Total 10.9% 81.9% 0.4% 525 100.0% A pergunta a seguir procurou avaliar se era a quantidade grande de pessoas que freqüenta o Centro que poderia intensificar o risco de assalto: mais de 64% atribuem à multidão que circula no Centro, estimada em 600 mil pessoas/dia, a sua sensação de perigo. 91 Gráfico 76 – Concordância se o número de pessoas que circulam no Centro o torna mais perigoso 53. A quantidade de pessoas que circulam pelo Centro o tornam m ais perigoso Média = 3.70 Discordo Totalmente 57 10.9% 10.9% Discordo em parte 59 11.2% 11.2% 11.2% Indiferente 59 11.2% Concordo em parte 146 27.8% Concordo Totalmente 192 36.6% 12 2.3% Não sei / Não quero responder Total 27.8% 36.6% 2.3% 525 100.0% Tabela 41 – Assalto no Centro X Tomar cuidados ao andar no Centro ja foi Nunca TOTAL Discordo Totalmente 4,2% ( 6) 4,2% ( 16) 4,2% ( 22) Indiferente 1,4% ( 2) 3,1% ( 12) 2,7% ( 14) 93,7% (133) 92,4% (353) 92,4% (486) 100% (141) 100% (381) 100% (522) assalto centro cuidados para andar no centro Concordo em parte TOTAL 3.9.1 Segurança no Centro à noite A questão de Segurança também deve ser abordada segundo a atual dicotomia dia/noite, em que se verifica a grande quantidade de pessoas freqüentando o Centro de dia e o deserto que se instala à noite. Perguntados sobre a sua freqüêcia no período noturno, mais de 86% dos respondentes referem não freqüentar nesse turno o Centro da cidade. Podemos inferir que qualquer projeto de revitalização como o Viva o Centro, que queira viabilizar atividades noturnas, precisará atacar a modificação desse hábito, seja através da informação ou pela conscientização da população. Gráfico 77 – Concordância se freqüenta o Centro a noite 49. Costum o freqüentar o Centro à noite (após 20h) Média = 1.54 Discordo Totalmente 400 76.2% 52 9.9% 9 1.7% Concordo em parte 30 5.7% 5.7% Concordo Totalmente 30 5.7% 5.7% 4 0.8% Discordo em parte Indiferente Não sei / Não quero responder Total 76.2% 9.9% 1.7% 0.8% 525 100.0% A pergunta que se segue procura confirmar o que foi dito na pergunta anterior: a baixa freqüência à noite se relaciona com a sensação do perigo por ela representado. Para 92 praticamente 70% dos respondentes, o bairro é mais perigoso à noite; e se de dia a multidão que circula proporciona o sentimento de perigo, à noite é a ausência quase absoluta de transeuntes que confere ao bairro o perigo percebido., reforçando os extremos da dicotomia citada. Gráfico 78 – Concordância se o Centro é mais perigoso a noite que de dia 50. O Centro é m ais perigoso à noite do que durante o dia Média = 4.12 Discordo Totalmente 38 7.2% 7.2% Discordo em parte 32 6.1% 6.1% Indiferente 50 9.5% Concordo em parte Concordo Totalmente Não sei / Não quero responder Total 80 15.2% 286 54.5% 39 7.4% 9.5% 15.2% 54.5% 7.4% 525 100.0% Quanto à iluminação do Centro durante a noite, as respostas são bem divididas, e muitas pessoas não o freqüentam neste turno. Seria o caso de se perguntar se o entrevistado que percebe e refere o perigo noturno não o freqüenta também pela ausência de iluminação ou se os que não responderam já nem vão ao Centro pelos motivos de insegurança geral que verificamos nas respostas anteriores. Gráfico 79 – Concordância se o Centro é bem iluminado a noite 52. Considero o Centro bem ilum inado à noite Média = 2.55 Discordo Totalmente 122 23.2% Discordo em parte 94 17.9% Indiferente 52 9.9% Concordo em parte 74 14.1% Concordo Totalmente 45 8.6% Não sei / Não quero responder 138 26.3% Total 525 100.0% 23.2% 17.9% 9.9% 14.1% 8.6% 26.3% 3.9.2 Policiamento: Questão-chave De maneira geral, a sensação de insegurança se relaciona com a presença de policiamento. Parece lógico que a baixa percepção de presença de policiais no Centro produziu um conjunto de respostas de opinião sobre o policiamento em que os conceitos predominantes foram Regular (32,8% das respostas), Ruim (29,5% das respostas) e Péssimo (26,1%), revelando uma predominância de respostas com conceito negativo. O Major Maciel, comandante do 9º BPM, sediado no Centro, e entrevistado na etapa qualitativa da pesquisa, afirma que a sensação de mau policiamento não corresponde à realidade. Mas é alto o sentimento de insegurança percebido nas respostas a essa pergunta. 93 Gráfico 80 – Opinião sobre policiamento no Centro 54. O que você acha do policiam ento nas ruas do Centro? Média = 2.26 Péssimo 137 26.1% Ruim 155 29.5% Regular 172 32.8% Bom 42 8.0% Ótimo 4 0.8% 15 2.9% Não sei / Não quero responder Total 26.1% 29.5% 32.8% 8.0% 0.8% 2.9% 525 100.0% A média da nota geral atribuída à Segurança do Centro foi de 4,47. A maior freqüência de respostas foi para a nota 5 (20,2%). Gráfico 81 – Nota do entrevistado para a segurança do Centro 55. Em term os gerais, atribua um a nota de 1 a 10 para a segurança no Centro: Média = 4.47 Mediana = 5.00 Mín = 1.00 Máx = 10.00 1 54 10.4% 2 51 9.8% 3 55 10.6% 4 98 18.9% 5 105 20.2% 6 61 11.8% 11.8% 7 61 11.8% 11.8% 8 23 4.4% 9 3 0.6% 10 8 1.5% Total 10.4% 9.8% 10.6% 18.9% 20.2% 4.4% 0.6% 1.5% 519 100.0% Para a análise de regressão da nota dada, foram selecionadas as seguintes variáveis: Variáveis independentes: policiamento – O policiamento nas ruas do centro . iluminação noite – A iluminação de noite no centro. perigo noite x dia – A sensação de que o centro é mais perigoso a noite do que ao dia. quantidade pessoas perigoso – A quantidade de pessoas que circulam no centro Variável dependente Nota para a segurança no Centro 94 As 4 variáveis independentes explicam 38,30% da variância (ou seja, da composição) da nota de segurança no centro. Ordenando as variáveis que mais impactam, na nota do bloco temos a seguinte tabela. 1º 2º 3º 4º Tabela 42 – Variáveis que mais impactam na nota da segurança O policiamento nas ruas do centro . A iluminação de noite no centro. A sensação de que o centro é mais perigoso à noite do que de dia. A quantidade de pessoas que circulam no centro. Tabela 43 – Análise das variáveis conforme regressão múltipla para segurança Estatística de regressão R-Quadrado 0,383056 Variáveis policiamento iluminação noite perigo noite x dia quantidade pessoas perigoso Betas 0,633725 0,096747 -0,0575 0,026966 O policiamento, através de um estudo de regressão, foi apontado como um fator-chave para a nota que as pessoas atribuíram à segurança no Centro, com um beta muito significativo. Como a média para a nota do Centro é baixa, o policiamento parece estar desacreditado para um terço da população. É interessante destacar que a percepção quanto à qualidade do policiamento está diretamente relacionada com a nota que as pessoas dão para a segurança no Centro. 95 3.10 CONCLUSÕES DE ANÁLISES A presente pesquisa pode ser considerada como uma demonstração confiável da percepção do porto-alegrense em relação ao Centro da cidade, pois a amostra apresentou um percentual de respondentes homens (48%) e de mulheres (52%) muito semelhante ao existente na Capital conforme mensuração do IBGE: 54,02% de mulheres e 45,98% de homens. Nota-se, na amostra, uma equivalência dos sentimentos positivos e negativos sobre o Centro, revelando posicionamentos bem definidos. O sentimento da pessoa em relação ao Centro influencia na sua freqüência de ida ao bairro. O Centro é uma alternativa turística da Capital, pois possui vários locais aonde parcela expressiva da amostra levaria um turista ou pessoa de fora da cidade. Destaque para a Casa de Cultura Mário Quintana, que foi o local mais citado, com 373 respostas. A seguir, em quantidade de citações aparecem o Gasômetro (306 citações), o Mercado Público (303 citações) e a Praça da Matriz/Catedral (255 citações). O Mercado Público aparece sempre citado como referência de Comércio diferenciado, ponto turístico, marco histórico e local de atrações culturais, além de ponto gastronômico. O sentimento em relação ao Centro não influencia levar uma pessoa para conhecê-lo; a pessoa levaria independente do sentimento, revelando sua possível vocação turística. O principal motivo de ida ao centro é compras (40,5%); seguem-se trabalho (30,7%), e motivos variados (20,2%). Parece válida a inferência, em razão da alta significância (constatada pelo teste qui-quadrado), dos três cruzamentos de variáveis realizados acima, de que a ida ao Centro é preponderantemente de até três horas, não importando qual seja o principal motivo ou a freqüência temporal desta ida. 56,3% dos respondentes discordam totalmente da afirmação de que o Centro é mais limpo que os demais bairros, sendo que 21% discordam em parte. Mesmo entre os entrevistados que gostam ou gostam muito do local, os percentuais de pessoas que discordaram totalmente de que o Centro é mais limpo que os outros bairros são altos. Dos que gostam, 48,8% discordam totalmente, percentual semelhante aos que gostam muito, registrado em 46,5%. Verifica-se que tal percepção de sujeira pode ser decorrência da grande distribuição de cartazes, propagandas e panfletos no Centro. 61,5% dos respondentes concordam totalmente de que estes itens contribuem para a sensação de poluição no bairro, e 17% concordam em parte com essa afirmação. 96 A percepção de 58,7% da amostra é de que faltam lixeiras no bairro, o cheiro do Centro é desagradável para 70,8% dos respondentes e 67,6% concordam que o barulho do bairro incomoda. A percepção da amostra de que no Centro residem mais idosos é compatível com a pesquisa de dados secundários, e com a percepção geral de que o Centro é um bairro envelhecido no quesito moradia. Ainda assim, pode ser opção para jovens e universitários. 70,6% dos respondentes afirmaram discordar que o Centro seja um bom lugar para morar. Mesmo as pessoas que gostam (66,7%) e gostam muito (70,4%), concordam que o centro não é um bom lugar para morar. 80,7% dos respondentes não consideram o Centro um lugar seguro para se morar, se somados os percentuais dos entrevistados que responderam “discordo totalmente” e “discordo em parte” ao questionado. Esta percepção NÃO é influenciada pelo fato de ter sido assaltado no centro ou ter visto um assalto lá. Outra vantagem de morar no Centro manifestada pela maioria dos respondentes é a grande diversidade de comércio. 34,1% concordam em parte e 38,7% concordam totalmente que as múltiplas alternativas de comércio no bairro é uma vantagem para os seus moradores Em que pese o quadro de insegurança para moradia percebido pelos entrevistados, somente 24,3% dos participantes da pesquisa não morariam no centro. As condições mais referenciadas para que os respondentes fossem morar no Centro foram: maior segurança (255 citações), maior limpeza (163 citações) e facilidade de trânsito (149 citações). Importante destacar que nesta questão o entrevistado poderia escolher mais de um motivo. A Cultura aparece nessa pesquisa como a grande saída para a revitalização e utilização do Centro em patamares qualificados. A amostra refere alto percentual para qualidade e quantidade de atrações culturais no Centro (65% e 66,7%, respectivamente) , embora referindo baixa informação a respeito das atrações; aqui surge a possibilidade de uma maior divulgação dos eventos. As opções culturais do Centro são também percebidas como maiores (55,8%) do que as dos outros bairros, ratificando sua vocação. A Feira do Livro é evento conhecido e referido pela amostra. Além do mais, é na sua época que o Centro qualifica sua freqüência. Mais de 80% dos respondentes a freqüentam, ainda que raramente. Quanto ao lazer, o Centro não aparece como uma boa opção nos finais de semana (66,8%), nem para prática esportiva (83%), nem para se divertir (63,6%), nem para freqüência de praças (71,4%), mostrando equivocados os projetos que vêem no lazer alternativa de utilização do Centro. Nem os cinemas, que historicamente se situavam no bairro e lhe davam prestígio em outras épocas, a freqüência é uma opção: a amostra revela que mais de 84% não 97 freqüenta os cinemas do Centro. A gastronomia pode ser solução para a utilização, uma vez que mais de 80% da amostra refere as boas opções de alimentação que o bairro apresenta. O trânsito vive o impasse da circulação de pedestres – multidões, como se viu, embora haja divisão entre os que acham difícil a circulação para pedestres e os que não acham tão difícil assim. Para carros, considera-se difícil a circulação e o estacionamento; e os ônibus são preferência de acesso ao Centro para todas as classes de renda pesquisadas. A presença de ônibus, sempre questionada pelos projetos da Prefeitura, aparece dividida na opinião da amostra: parte acha prejudicial a presença dos ônibus e terminais e parte não acha, considerando-os um mal necessário. No quesito comércio, é importante destacar a prevalência dos shoppings como opção de compra para os porto-alegrenses. O Centro é preferência das menores faixas de renda; à medida que esta cresce, cresce também a preferência pelos shoppings. A maior parte dos que compram no Centro permanecem até 3 horas no bairro, e o fazem uma vez por mês ou menos. Os produtos e serviços do Centro são considerados de boa qualidade, e o atendimento dos vendedores aparece como qualificado. O item camelôs é nevrálgico: a maioria concorda que eles prejudicam o comércio legal e a circulação das pessoas; dividem-se em achá-los boa opção de compra e parecem reconhecer que precisam trabalhar, mas em local apropriado; menor citação é de que tornam o bairro mais perigoso. De modo geral, o comércio do Centro é reconhecido como sendo de grande variedade e oferta de opções – o que pode incluir os produtos oferecidos pelos camelôs. A Segurança, item fundamental nessa pesquisa, revela que o Centro não é seguro para se andar, embora a maioria da amostra revele nunca ter sido assaltada (73%), e alguns nem tenham visto assalto (31,6%). 60% acha que corre maior risco de ser assaltado no Centro do que nos bairros; e 82% toma algum cuidado quando ali transita. A multidão parece representar aumento do perigo para 64%; e a noite é mais perigosa par 70%, embora 86% não freqüente nesse turno. O policiamento é regular, ruim ou péssimo para mais de 90% da amostra pesquisada. A percepção de insegurança, embora os números de ocorrências policiais contradigam-na, é elevada; a mudança dessa imagem e da própria realidade é crucial para a revitalização do Centro e reconhecida pelo poder público. 98 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Segundo Jane Jacobs (2001), a diversidade é natural às grandes cidades. Para gerar diversidade, a autora lista os quatro principais atributos: (i) O bairro deve atender a mais de uma função principal;(ii) A maioria das quadras deve ser curta; (iii) Deve incluir prédios com idades e estados de conservação variados, gerando rendimentos econômicos variados; e (iv) Deve haver densidade alta de pessoas, sejam quais forem seus propósitos, inclusive e principalmente de moradores. O ponto principal, segundo Jacobs, é a mistura de usos, não usos separados. O Centro são vários centros. É o Centro da história da cidade, dos prédios e da cultura que o fez ter seu apogeu e quase decadência; é o Centro das repartições públicas, dos principais órgãos de governo e representação municipal e estadual; e também dos Tribunais e principais órgãos de Justiça; é o Centro do comércio de todos os tipos, hoje praticamente voltado às classes mais populares, uma vez que a classe mais aquinhoada elegeu os shoppings como preferência para o consumo. É o Centro de alguns hospitais importantes;.é o Centro de atrações culturais diversas, como a Feira do Livro, referência nacional em permanência e continuidade; é o Centro dos teatros, do Mercado Público e de restaurantes tradicionais, que resistem bravamente à degradação; é memória da cidade, do cais que não se usa mais; dos moradores, alguns teimosos, outros apaixonados, mais experientes ou jovens, unidos no amor que nutrem pelo bairro e lutam pela sua revitalização. Alguns crêem que a imagem de degradação e insegurança não passa de uma percepção equivocada da população. Para Calvino, “A mentira não está no discurso, mas nas coisas” (CALVINO, 2003). A diferença entre percepção e realidade pode ser alta (CZINKOTA, 2001). Essa pesquisa intentou, através do seu método, diminuir essa distância e preencher, ainda que não completamente, essa lacuna entre a realidade e a percepção. Para a feliz surpresa dos que empreenderam esse trabalho, o longo questionário aplicado trouxe uma afirmação: ao começar a falar do Centro, o morador da cidade rapidamente se posiciona, vence a sua inércia inicial e discorre sobre cada pergunta, cada tema abordado; a pergunta abre um leque de impressões e possibilidades que se instalam na conversa, enriquecida por comentários à margem da pesquisa. O tema apaixona; é a história da cidade e de cada um de nós que está impressa nos monumentos, nas ruas, naquelas que Quintana refere ter saudades por jamais tê-las percorrido, que Dyonélio Machado descreve na faina de Naziazeno atrás do dinheiro para o leite de seu filho. O drama literário é retrato vivo e fiel da nossa natureza, da nossa origem: a cidade molda e se amolda viva em torno de sua história e de seus usos, marca indelével de nossa personalidade cultural, mais que isso, de nossa essência. 99 5 LIMITAÇÕES DO ESTUDO Você sabe melhor do que ninguém (...) que jamais se deve confundir uma cidade com o discurso que a descreve (...) Contudo, existe uma ligação entre eles... Italo Calvino – As Cidades Invisíveis Esse estudo procurou obter uma amostra da percepção do porto-alegrense acerca do Centro da cidade. O tema complexo e multifacetado, por si só já representa um desafio aparentemente intransponível. Limitações aqui presentes deram-se em relação aos itens abordados, pela riqueza de cada um deles e da impossibilidade de tratá-los em profundidade a partir de amostra utilizada; cada tema, cultura e lazer, moradia, segurança, trânsito, poluição e comércio, já seria, individualmente, passível de aprofundamento em outros trabalhos. Procurou-se abordá-los todos, ainda que superficialmente, buscando uma percepção integrada. Como já se disse aqui o Centro permite várias leituras. A própria história da cidade pode ser compreendida pelo estudo de suas relações com o Centro. O Centro é um alvo móvel, dinâmico, estrutura viva e complexa, que exige do pesquisador um olhar atento para extrair seus principais aspectos; e que sempre corre o risco de descartar itens importantes. Um posterior refinamento de algumas análises aqui empreendidas poderia sinalizar novas hipóteses, inclusive pelo cotejo com informações de órgãos do Governo que vêm se ocupando de sua revitalização. Um estudo mais detalhado poderá verificar a presença de outras variáveis para exame, uma vez que as análises de regressão indicaram um baixo impacto das variáveis escolhidas – independentes – sobre a variância da nota atribuída a cada grupo de questões. Talvez a nota dada esteja eivada de uma maior subjetividade dos entrevistados que essa pesquisa não conseguiu aferir. Quais e quantas são essas variáveis, poderia-se obter pela realização de pesquisas exploratórias com novos grupos motivacionais, com moradores e pessoas que trabalham no Centro. E com pessoas que estudam e outras ainda responsáveis pelas decisões sobre os destinos desse bairro. Talvez aí possa residir o mérito desse trabalho: a possibilidade de rediscutir amplamente o uso que se faz da cidade e propor discussões amplas para que a população se informe, se posicione e participe da construção do seu futuro. Como finaliza Calvino, em seu clássico As Cidades Invisíveis, na conversa final com o Grande Khan (CALVINO, 2003, p. 158): O inferno dos vivos não é algo que será; se existe, é aquele que já está aqui, o inferno no qual vivemos todos os dias, que formamos estando juntos. Existem duas maneiras de não sofrer: A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornarse parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é 100 arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço. 101 REFERÊNCIAS Sítios Consultados: Consultas no período de 20 ago. 2006 a 20 dez. 2006. ABRASCE Pesquisas. Disponível em:http://www.abrasce.com.br/pesq_pontuais.htm, CANAL EXECUTIVO. Pesquisa revela perfil do consumidor em shopping. Disponível em: < http://www2.uol.com.br/canalexecutivo/notas06/220920062.htm PORTO ALEGRE. Projeto Viva o Centro. Disponível em: < http://www2.portoalegre.rs.gov.br/portaldegestao/gestao/programas_governo/programas.php> http://www.riogrande.com.br/municipios/palegre2.htm http://www2.portoalegre.rs.gov.br/spm/default.php?reg=18&p_secao=43 http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq036/arq036_03.asp http://www.portoalegre.rs.gov.br/smic_sistemas/cac/pativbairro.asp http://www2.portoalegre.rs.gov.br/mercadopublico http://www.feiradolivro-poa.com.br/feira.aspx http://www.nosbairros.com.br/utilidade/teatros.html, http://cidades.terra.com.br/poa/cinemas/0,7548,L:C:TODOS:1,00.html, http://www.nosbairros.com.br/utilidade/Centrocultura.html http://www.nosbairros.com.br/utilidade/museus.htm http://pt.wikipedia.org/wiki/porto_alegre#museus http://www.portoalegre.rs.gov.br/smic_sistemas/cac/alvara.htm http://www.imagensviagens.com.br/br5_portoalegre.htm http://www.riogrande.com.br/turismo/capital12.htm http://portoimagem.com/foto591.html http://www.eptc.com.br/noticias/noticias.asp?codigo_noticia=194 102 Entrevistas: Brigada Militar, Dep Rel Institucionais, Secretaria de Segurança Pública (conversa por telefone). Fiscalização de Transito EPTC, Marcelo Benvenuto (entrevista por telefone). Textos: Livros, Artigos de periódicos, Dissertações. CALVINO, Ítalo. As cidades invisíveis. Rio de Janeiro: O Globo, 2003. CASTELLO, Lineu. O Centro de Porto Alegre e a Percepção. Faculdade de Arquitetura/UFRGS, 1996. Trabalho apresentado no seminário Paisagens. JACOBS, Jane .Morte e Vida de Grandes Cidades. São Paulo: Martins Fontes, 2001. História ilustrada de Porto Alegre. Porto Alegre: Já Editores, 1997. KARSAKLIAN, Eliane. Comportamento do Consumidor. São Paulo: Atlas, 2001. KOTLER, Philip. Administração de Marketing: a edição do Novo Milênio. 10 ed. São Paulo: Prentice-Hall, 2000. LENGLER, Jorge F.B. O Processo de decisão de compra dos consumidores em shopping centers regionais de Porto Alegre e Montevideo: um estudo exploratório comparativo. Dissertação de Mestrado. Escola de Administração. PPGA/UFRGS, 1997. MACEDO, Francisco Riopardense de. História de Porto Alegre. 3 ed. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1999. MALHOTRA, Naresh K. Pesquisa de Marketing: Uma Orientação Aplicada. Porto Alegre: Bookman, 2001. MELO, Itamar. A Encruzilhada do Centro, Jornal ZERO HORA. 9 de abril de 2006. Porto Alegre. Págs 39, 40, 41 e 42. MELO, Itamar. A Encruzilhada do Centro, Jornal ZERO HORA. 10 de abril de 2006. Porto Alegre. Págs 22 e 23. MELO, Itamar. A Encruzilhada do Centro, Jornal ZERO HORA. 11 de abril de 2006. Porto Alegre. Págs 32 e 33. MELO, Itamar. A Encruzilhada do Centro, Jornal ZERO HORA. 12 de abril de 2006. Porto Alegre. Págs 46 e 47. 103 MELO, Itamar. A Encruzilhada do Centro, Jornal ZERO HORA. 13 de abril de 2006. Porto Alegre. Págs 60 e 61. MELO, Itamar. A Encruzilhada do Centro, Jornal ZERO HORA. 14 de abril de 2006. Porto Alegre. Págs 32 e 33. OLIVEIRA, Mírian; FREITAS, Henrique M.R. Focus Group – pesquisa qualitativa: resgatando a teoria, instrumentalizando o seu planejamento. Revista de Administração, São Paulo, v. 33, n. 3, p. 83-91, jul/set, 1998.. PEREIRA, Julio César R. Análise de Dados Qualitativos: Estratégias metodológicas para as Ciências da Saúde, Humanas e Sociais. São Paulo: Edusp/Fapesp, 1999. SCHIFFMAN, Leon G; KANUK, Leslie L. Comportamento do Consumidor. Rio de Janeiro: Livros Técnicos Editora, 1997. SILVA, Michele. O Contraste na paisagem, Jornal ZERO HORA. 30 de novembro de 2006. Porto Alegre. Pág 1. Caderno ZH Centro, ano 1, nº 9. VAZ, Luis C. Porto Alegre, triste Centro, Jornal CORREIO DO POVO. 02 de outubro de 2006. Porto Alegre. 104 ANEXO 1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO ADM01163 – PESQUISA EM MARKETING Porto Alegre, 18 de Setembro de 2006. Estimado (a) Sr (a)., Os alunos da disciplina de Pesquisa de Marketing agradecem a sua presença neste grupo de discussão que teve como finalidade melhorar nossa compreensão sobre pesquisas. As informações fornecidas pelo Sr(a). foram fundamentais para esclarecer inúmeras dúvidas com relação ao tema. O estudo que estamos realizando é parte integrante de uma pesquisa que tem como objetivo “Verificar percepção do porto-alegrense sobre o Centro da cidade”. Os resultados da pesquisa estarão à disposição na página virtual da disciplina: http://disciplinas.adm.ufrgs.br/ADM01163/index.asp. Mais uma vez, muito obrigado pela sua presença e esperamos que a nossa reunião tenha sido agradável e produtiva para todos os participantes. ____________________________ Prof. Dr. Walter Meucci Nique 105 ANEXO 2 ROTEIRO DO FOCUS GROUP INTRODUÇÃO Apresentação - Universidade / EA - Disciplina - Alunos Moderadores Funcionamento - Gravação e filmagem - Coquetel Objetivos iniciais: - Foco do debate - Informalidade - Liberdade de opiniões - Idéia de relação/sentimento com o tema Solicitar apresentação dos participantes (nome e relação com o centro) DISCUSSÃO Pergunta inicial: - Sentimento em relação ao Centro? - O que vem à mente ao falar de Centro? Tópicos para abordagem que devem ser discutidos durante o bate-papo buscando opiniões sobre cada um desses itens no que se refere ao centro: - Comércio - Cultura - Segurança - Moradia - Transporte - História - Turismo - Importância - Limpeza 106 CONCLUSÃO - Considerações finais - Importância da participação - Brindes - Agradecimento e Apresentação à turma na sala ao lado. Outras considerações Buscar participação máxima do grupo de participantes; Encontrar no próprio depoimento dos participantes pontos que liguem um tópico ao outro; Estimular discussão e debate de pontos conflitantes evitando conflito; Extrair o ponto de vista pessoal. 107 ANEXO 3 Transcrição Grupo Motivacional Assunto: Percepção do porto-alegrense sobre o Centro da cidade. Data: 18/09/2006 Horário: 19h Local: Escola de Administração da UFRGS Nique – Bom em primeiro lugar eu quero aproveitar para agradecer a vocês mais uma vez agora sob o ponto de vista coletivo. Eu, eu quero dizer eu Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Administração que vem agradecer a vocês por que vocês vão ceder prá nós, pra nós trabalharmos né uma hora e meia mais ou menos, talvez um pouquinho mais ou menos da vida de vocês pra nos ajudar a entender uma, uma situação que, que nós queremos entender e repartir com a sociedade gaúcha e com a sociedade porto-alegrense melhor dito. E o que que é? A nossa disciplina, de pesquisa aqui na universidade, na Escola, ela é uma disciplina que procura fazer pesquisa. Por que a gente tem uma idéia de fazer pesquisa fazendo pesquisa. E, e eles procuram cada vez discutir, referir tema diferente. No próprio site da disciplina tem uma porção de pesquisas que foram feitas com relação a Porto Alegre. Satisfação com o transporte coletivo em Porto Alegre, percepção da, do meio ambiente da cidade de Porto Alegre. Várias coisas, tudo centrado sempre em Porto Alegre. A cada semestre a nova turma vem participando do que trabalhamos, uma coisa ou outra. Esse semestre a turma reunida, no semestre, disse assim “o que nós vamos fazer?”. Vamos estudar anota o Douglas nosso representante, a Paula, o Paulo .. os representantes da turma, nós queremos saber o que que a população pensa do Centro de Porto Alegre. Então, pra isso foram convidados - e mais uma vez eu agradeço a presença de vocês - vocês foram convidados pra nos dizer o que que vocês pensam do centro de Porto Alegre. Porque vocês têm um conhecimento particular do centro. Ou porque gostam, ou porque não gostam, ou porque sabem, porque andam, porque trabalham... Enfim, vocês entendem do centro como ninguém. O que a gente chama de “expert”: pessoas especiais, que têm um conhecimento profundo do centro de uma matéria inclusive no caso do Centro de Porto Alegre. Então a razão que gente pediu a presença de vocês pra discutir. Eu dizia ainda há pouco, quando nós falávamos né, cada um de vocês, por exemplo, pode contar como é que é o Nique, que taí o professor que tá aqui falando com vocês. Mas acontece que cada um de vocês me vê de uma maneira diferente. Porque, quem tá no meu lado esquerdo, quem tá no meu lado direito, e assim por diante. Na minha frente, etc... Cada um me vê diferente, mas eu sou um só. Mas cada um me vê diferente. Então é exatamente é essa a idéia que a gente tá querendo de vocês: que cada um vais dentro do seu ponto de vista o que que acha do centro de Porto Alegre, como é que é, etc, etc... O Douglas vai coordenar o nosso trabalho, ele tem uma característica de informalidade. Nós vamos conversar, bater papo e cada um vai dizer “Ah o Nique tem uma orelha assim, ah não a orelha é assado! Não, ele tem o cabelo pra aquele lado, não pro outro lado e assim por diante ...” Cada um olha da maneira... e assim vocês vão falar do centro, tá. E o Douglas vai então nos ajudar a conversar desta maneira informal, tranqüila a respeito do centro de Porto Alegre. A todo momento que vocês quiserem por favor, tem salgadinho, tem suco, tem coca, tem água, tudo que vocês quiserem, tá? Nós tamo sendo... nós vamos utilizar isto aqui pra pensar, refletir. Porque não é só o que vocês vão falar e também aqui nós vamos pensar e refletir naquilo que vocês vão dizer. E pra isso então a gente está filmando... nós vamos utilizar isto aqui ... isto vai ser utilizado pra nós estudarmos, acompanhar isto aqui e... tá bom? Pra fazer parte da, da pesquisa que vai ficar, no final do semestre, vai tá disponível pra vocês acessarem e, verem, imprimirem, gastarem como vocês quiserem. Seria interessante colocar o endereço da, do site, né pra eles poderem acessar a página ... Então, um bom trabalho pra vocês, é possível que venha mais gente ainda né, deixa eu ver uma coisa... a Bárbara já foi embora já... eu acho que vem mais gente. Se vier eles vão, vão entrar, incorporando assim, pouco a pouco ta? Um bom trabalho, muito obrigado e já nos veremos aqui, tá?! Obrigado e boa noite! 108 Douglas – Bom então boa noite a todos, meu nome é Douglas aqui nosso grupo, nosso grupo então é o Paulo, a Vanessa e a Paula. A gente vai tá conversando com vocês num clima bem informal, como o Nique falou, ã tentando fazer assim com que surjam as, as idéias de cada um, os sentimentos de cada um ... o que sentem pelo centro, como é que é ã o dia a dia do centro, o que não gostam e o que gostam no centro. Ã...vamos começar então nos apresentando. Eu queria que cada um falasse o seu nome e, e dissesse qual é a relação com o centro, como é que lida com o centro... (chega um participante...). Tudo bem? Teu nome é? Marcelo - Marcelo. Douglas – Pode ficar sentado aqui Marcelo, por favor. Então, o Marcelo chegou bem na hora, na hora da apresentação, então a gente vai pedir que cada um fale seu nome, qual a é relação que tem com o centro pra depois a gente poder saber mais ou menos com quem a gente tá conversando aqui, com estas pessoas que tão na sala. O senhor pode começar... (aponta pro Sr.Cláudio) Cláudio - Bem, meu nome é Cláudio Klein, tenho 55 anos de idade, comecei a trabalhar com 9 anos no Mercado Público central de Porto Alegre. Lá, em todos esses, esses anos de trabalho fui acompanhando várias transformações no centro e, e não só as suas transformações como também já estive na liderança do Mercado público por 12 anos, interagindo relação comércio, administrações municipais, pública, segurança, enfim tudo que se desse a vida ao mercado e suas adjacências. E continuo meu trabalho até hoje junto à associação, o qual o presidente hoje é o Fortunato, mas trabalhamos junto, e nos interagimos junto para mantermos a, o Mercado Público sempre bem informado e de tudo o que acontece no centro, para suas melhorias e seus benefícios. Fortunato – Meu nome é Jorge Fortunato, eu tenho 36 anos, tô desde os meus 10 no mercado do qual hoje estou de presidente. Estou na associação hoje porque ele (aponta para o Sr.Cláudio) um dia me convidou pela mudança nas pessoas. De direito sou eu, de fato somos nós e nós temos um acordo: que nós temos que deixar o mercado em quem a gente confia. E saímos um pouco pra fora porque o nosso público não é só o mercado, é todo o entorno. Então hoje nós temos um trabalho construído junto ao sindicato dos floristas, nós criamos um núcleo de estudo e pesquisa e fomento da pequena, micro e média empresa. Temos é, a Associação Gaúcha de Centros, que foi criada também no centro, porque nós sentimos muito soltos e a maior concentração é no centro. E não há uma política pública, ou não havia, pra esse segmento; criamos essa entidade. E dizer isso, que nós fomos além porque sentimos que o mercado tava ficando ilhado em alguns problemas públicos que não eram discutidos por nós e nem por nossos vizinhos. Maria Erni – Boa noite eu sou Maria Erni, sou Arquiteta, trabalho na Secretaria de Planejamento da Prefeitura, ã especificamente no projeto Viva o Centro, o qual o gerente é o arquiteto Glênio Bohrer, que não pôde participar hoje. Então eu vim no seu lugar. Solane – Boa noite. Meu nome é Solane, trabalho há 23 anos no centro, 5 anos na Alberto Bins. Morei em Canoas, depois passei ã, a morar em Porto Alegre continuando trabalhando no centro. Sou Secretária e, é isso. Luis Carlos – Boa noite. Meu nome é Luis Carlos da Mota. Provavelmente pela idade quem mais andou pelo centro fui eu mesmo! Eu comecei trabalhando no banco, no antigo Banco Nacional do Comércio, em 1945. Hoje é Santander ali, aquele prédio bonito que tem ali. Era o banco mais bonito de Porto Alegre. Por ali eu trabalhei 7 anos, depois fiz concurso pro banco do Brasil e fui trabalhar no interior de Santa Catarina, depois no interior do Rio Grande do Sul e retornando não saí mais de Porto Alegre. O centro eu usei, na época, apenas pra trabalho. Morei 109 muito no Menino Deus e tal e o centro era feito pra trabalho. Acho que até hoje ainda o centro, no fim de semana, morre quase que totalmente. Antigamente morria mais ainda, hoje ainda tem mais movimento. E, e neste centro aí, a vida passa, a barba cresce - como diz o outro - e eu vi que o centro agora pra mim é mais cômodo. Quando, quando eu casei pela segunda vez eu, eu morei no centro aqui na Duque no mesmo prédio por uns 5, 6 anos. Aí me aposentei, achei que não conseguiria ficar encerrado dentro dum apartamento, que parecia uma gaiola. Então fui morar em Belém Velho. Em Belém velho ficamos 17 anos. A mais velha passou na faculdade e eu tinha que buscá-la todas as noites na Oto Niemeyer, lá perto da Tristeza, porque o ônibus não chegava lá. Não tinha condução. E quando a Lubianca passou eu digo: duas não dá pra agüentar isso! Voltei pro meu apartamento na Duque. Então todos os problemas que eu tinha lá em Belém Velho, que pra tirar um xerox tinha que andar dois quilômetros, ida e volta, hoje eu atravesso a rua e tiro... Então, quando menos em Belém velho que a gente tinha que resolver um problema levava a manhã inteira, hoje, depois que voltei pro centro, você resolve 10 problemas em uma hora e meia. E por isso pra mim o centro é muito agradável. Clarissa - Tudo bem! Eu sou Clarissa Ciarelli, eu sou editora dos cadernos de bairro da Zero Hora, há mais de um ano. Nós temos 8 cadernos de bairro e entre eles está o ZH centro que foi lançado na segunda leva; Eles foram lançados em 2004. Então já ta no número 6, eu até trouxe aqui um exemplar pra deixar pra vocês. E a minha relação com o centro é a relação de quem percebe o que o morador percebe. Porque eu não moro no centro, eu moro na verdade em Gravataí, nem em nenhum dos bairros de Porto Alegre. E eu usava o centro muito durante a faculdade, inclusive pra pegar o ônibus pra minha cidade. Então eu já tinha esse conhecimento de usuária. E agora eu tô tendo a concepção dos problemas claro, e da visão de quem mora, que contribui com o nosso caderno de bairro. João Carneiro – Boa noite, eu sou João Carneiro, sou editor, tenho uma editora chamada Ponto Editorial, que é no centro, é, aliás, aqui bem perto, na Demétrio Ribeiro. Ah, e tô aqui também na condição de representante da Câmara Riograndense de Livro, ah, que sou da Diretoria e da condição de preparação da feira do Livro de Porto Alegre, que é o principal evento cultural que ocorre no centro da capital todos os anos, há 52 anos. Agora vai ser a qüinquagésima terceira feira que a gente ta preparando. Ah, as formas com que a gente acaba se relacionando com a cidade elas são muito determinadas por essas relações de trabalho que a gente tem. A gente já fez lançamento de livro lá no tempo que o Cláudio era presidente do, da Associação do mercado. Logo depois da reinauguração do mercado, até como uma forma de ativação cultural do espaço. Ah, e a gente se relaciona de formas muito variadas com cidade e acho que esse conjunto de percepções que a gente ta já vendo aqui tem, tem uma série de, de contribuições. Ah, vou tentar contribuir desse ponto de vista, das questões culturais e de livro. Acho que a gente pode contribuir de algum modo. Germana – Boa noite, meu nome é Germana, eu trabalho no Ministério Público. Ah, por dois momentos já trabalhei no centro: no ano de 2000 e agora no início de 2006. E também fiz um curso no centro no período de um ano. Então seria essa a minha relação com o centro. Marcelo – Eu sou Marcelo Träsel, eu sou jornalista. Tenho 28 anos, moro no centro há dois anos, mais ou menos dois anos. Mas eu convivo com o centro há muito mais tempo, porque a minha mãe tem uma empresa ali no centro, inclusive trabalhei com ela desde os dezesseis lá na empresa. Agora não trabalho mais, mas... E sempre usei também o centro pra lazer, cinema, freqüento muito a Casa de Cultura, também pra fazer compras. Major Maciel – Sou o Major Maciel, comando a 1ª Companhia do 9º BPM, que é responsável pela área central de Porto Alegre, pelo miolo mais central. Pra vocês terem uma idéia do tamanho da companhia ela começa na João Manoel, junto a, ao Rio Guaíba. Viemos até a Riachuelo, Anes Dias – passando pela frente da Santa Casa – e 110 descendo junto à Conceição. Até de novo ao nosso Rio Guaíba. É esta área que eu comando, que é o miolo principal do centro, onde acontecem a maioria dos nossos problemas diários. Juarez - Juarez, tenho uma banca de revista. Vivo no centro desde os 9 anos. Comecei vendendo jornal na rua e hoje consegui trabalhar por conta. A minha relação no centro, quer dizer, é o centro. Eu vivo do centro, eu moro no centro, a minha vida é no centro e poso na Cavalhada. Eu passo 14 horas no centro, o centro pra mim é tudo! Douglas – Certo então a gente, a gente já tá sabendo com quem a gente tá aqui na sala. Quem são as pessoas, a gente tem que ter bastante pontos de vista diferentes né? Agora a idéia é fazer esse bate-papo bem informal sobre ah, o centro. Eu acho que é legal levantar, é interessante que a gente fosse levantando algum ponto a respeito do, do que a gente disse até aqui, até o momento né. O Sr. Luis Carlos falou sobre o centro que ele via, na época dele, o centro como um lugar pra vir trabalhar né. Ele ainda acha que é assim, hoje. Mas vocês que trabalham no centro como é que é essa visão: vocês acham mesmo que o centro é um lugar pra vir trabalhar, somente? O que mais pode ser levado em consideração no centro? O que que mais a gente pode fazer no centro? Que parte do centro que vocês acham mais importante? Isso é o que vamos falar aqui. O centro é realmente um tema logicamente interessante e é o que vamos abordar aqui. Então eu gostaria que vocês (Cláudio e Fortunato) falassem então dessa informação do centro. Cláudio - Eu queria fazer uma colocação aqui então do que é o mercado público e o centro de Porto Alegre. Nosso mercado público é um prédio que tem mais de 130 anos de atividade comercial e ali se instalou porque foi um centro levou-se alimentação, um centro onde se começou a realizar-se o abastecimento da alimentação para Porto Alegre, o que vinha de fora, pelo rio era aportava-se no mercado público, não tinham estradas, nem viação férrea, nem navegação, então o mercado tem uma longa história de vida e de tradição de cultura. E eu sempre digo, quando você vai a algum lugar, seja de qualquer parte, de qualquer estado, vá ao mercado público, porque ali você vê tudo o que produz de alimento na sua forma marginal, a educação de um povo, a sociabilidade dele, a economia dele, tudo isso você sente dele dentro do mercado. Então eu posso falar muito bem disso porque eu tenho 44 anos de mercado e sei bem como é que.., como o mercado passou, pelas suas transformações, a recente reforma profunda, não sei se bastante, mas se restaurou mais de 100 anos de história talvez, e a importância dele no centro de Porto Alegre. E digo para vocês que o mercado público é constituído de 700 funcionários que trabalham diariamente, desde às 5hs da manhã até a meia noite, eu acho que os horários são alternados, mas eles viram o centro, e acho que umas mesmas atividades comerciais eu comparo o centro com o mercado público. Isso diretamente, indiretamente são 4000 funcionários que vivem do mercado público. Se você olhar a abrangência, a importância que tem o mercado no centro, a circulação dá umas 15000 pessoas que vivem do mercado. E, aliás, em se tratando do mercado na sua transformação, na sua reformulação, nós fizemos vários estudos dentro do mercado, de ambiência, de sociologia, tudo foi realizado pelo poder público, nós acompanhamos junto. E realmente tudo delega em função do mercado. Mas quando ocorreu essa reforma na atualidade, nós vimos que o mercado público, não podíamos olhar para dentro dele, tínhamos que olhar para fora do mercado. Quando começamos a olhar para fora, começamos realmente a nos integrar com outras entidades de trabalho municipais, como segurança, enfim, tudo o que vocês possam imaginar, desde o meretriz, a gurizada, meninada de pequenos furtos, que tão pedindo para o pessoal que vai trabalhar, enfim, a vida do centro, que muitas vezes ta mascarada durante o dia, com o direito de ir e vir que o cidadão de Porto Alegre não vê esse tipo de coisa, mas caiu as noite depois das 19hrs, 19h30, você começa a ver essas coisas que você não vê durante o dia. Então isso é uma preocupação constante que nós também temos com isso. E não só com o mercado. E para falar um pouco mais disso, para contar um pouco mais dessa história, queria passar a palavra ao Fortunato, que é o nosso homem de campo, que está no campo na parte externa do mercado, onde ele sempre está presente nas reuniões e em tudo aquilo que é de interesse para o mercado e na sua área central, e isso é uma coisa que nos preocupa muito 111 porque nós entendemos que para o futuro ele sempre vai existir e sempre será um prédio histórico e um patrimônio central de porto alegre, mas a primeira relevância que tenho é que ele sustenta mais de 150 famílias, essas famílias se multiplicam e sempre estão no mercado à meia noite, é tradição, passam de pai para filho, e continuamos fazendo nosso trabalho executando da melhor maneira possível, evoluindo, dentro da sua tecnologia, da sua segurança sanitária, enfim tudo o que é abrange do alimento do mercado, que é comercializado lá dentro, nós acompanhamos nunca perdemos na realidade a essência de atendimento do mercado, aquele atendimento personalizado, que é aquele atendimento onde a gente conhece a família do cliente, os filhos, conhece os avós, conhece os pais, todo mundo, isso é uma coisa cultural que é muito forte, eu sempre digo para o pessoal que trabalha lá, que o nosso trabalho não é só o de comprar e vender, é também o vínculo com as pessoas que compram e freqüentam o mercado e com isso eles passam a fazer parte da história, passam a viver da história do mercado, e com isso passam a contar histórias do mercado como uma pessoa que já partiu, que não está mais no nosso meio, que é o Mario Quintana. Que quando esteve no mercado Público, disse “Cláudio, o mercado público é protegido pelos fantasmas do tempo”. Na hora eu não assimilei isso. E olhando por um lado, é muito profundo o que ele me disse. E ao conversar com as pessoas, eu vi que o que ele disse tem muito fundamento, que tava muito firme do que disse do mercado os fantasmas que ele dizia eram todas as pessoas que passaram pelo mercado, as pessoas que vivem, um lugar que recebe pessoas de todas as classes sociais, desde o marmiteiro até o executivo, toda a classe política, as atrizes e os atores que passam pelo sul do país, passam pelo mercado para comprar, então isso tudo é muito significativo para nós que estamos lá dentro, e sempre levando esse trabalho, essa promessa que a gente tem, de ir sempre tentando melhorar, dentro de nossa atividade Douglas - Cláudio, desculpa, eu acho importante que o mercado mostra na história a importância dele que ele tem para a cidade, e essas peculiaridades, essa diferença que ele tem para o comércio do centro, mas os que trabalham no centro, moram no centro? Cláudio - Não, Cachoeirinha, Gravataí, Canoas, Porto Alegre em alguns bairros como Sarandi, zona sul... Douglas - interessante, porque ali no centro centraliza o transporte né, não sei a Solane se ela só trabalha no centro ou tem alguma parte mais estrutural? Solane - Só trabalho. Douglas - Gosta do mercado Público? Solane - Adoro o mercado Público. Douglas - E foi dito dessa mudança da cara do centro do Mercado Público, do dia para a noite, vou perguntar para o Maciel então, qual é a diferença do dia para a noite, qual é a cara que o centro fica, do dia para noite, nessa virada? Major Maciel - Vou falar um pouco do centro onde as pessoas falam, moram, convivem, mas não sabem a dimensão do centro. Então, hoje o centro de 2,5 km², público de moradores, um pouco mais de 42 mil moradores, público flutuante, dados da ATP, ATM, ATL, e trensurbs, que descarregam no centro de Porto Alegre, no mínimo 600 mil pessoas chegando até 800 mil pessoas nas 24 horas do dia. Fora os veículos de passeios que vão ao centro e que não estão contabilizados, que não temos estatísticas para isso. Temos, segundo a SMIC 8000 pontos de comércio regulares, calculo em torno de quase 2000 irregulares. Mas vamos ficar com os 8000 pontos de comércio regular. O 112 centro de Porto Alegre, temos, segundo dados da FASC, cadastrados nominal, pouquinho mais de 1400 adultos moradores de rua, temos em torno de 600 crianças moradoras de rua. Com um total de 2000 pessoas moradoras de rua, alguns tem até residência, principalmente as crianças que geralmente são da grande Porto Alegre, a brigada vai lá, leva ao conselho tutelar, o conselho tutelar leva até sua casa na grande Porto Alegre, e é o tempo dela pegar um ônibus e estar no centro de volta. Sendo toda a violência que tem, é melhor que a casa que as pessoas têm para morar. Temos uma média de 2000 caminhões na área central, atendemos uma grande parte de pessoas que passam mal no centro de Porto Alegre e que a Brigada leva elas para se medicar. E isso é uma questão de saúde e não de polícia. Mas as pessoas não entendem isso e o policial tem que levar a pessoa até o hospital, sendo que qualquer táxi poderia fazer isso. Mas tem que chamar a viatura da brigada. Nós temos no centro de Porto Alegre hoje, 19 câmeras, que atuam 24 horas por dia no nosso centro de operações. E mesmo assim, tem pessoas que param na Andradas e dizem que não vêem policiamento mas é só olhar para cima que tem uma câmera filmando em tempo real e que ao que ele ver qualquer ocorrência, ele aciona uma unidade nossa que está a poucos metros dali que se deslocará para o atendimento. E estamos sofrendo de um problema que é refazer o mesmo serviço todos os dias. Tem pessoas que já foram presas mais de 60 vezes. O crime que acontece na área central não é um crime violento. Não tem por essa característica. Na verdade, o crime da área central é um furto, um roubo, é o risco na hora que tu abre a bolsa e acontece o roubo. Outro problema que enfrentamos é que temos duas delegacias que atuam no centro de Porto Alegre, uma delas, a 1ª DP que fica na Riachuelo com a Gal. Canabarro, fora desse foco com o miolo central, e a outra fica, que é responsável por esse miolo central, na Voluntários da Pátria com a Ramiro Barcelos, que bairro floresta, para quem não conhece, passa aqueles prédios antigos, pós o mercado público, a rodoviária, e aqueles prédios que eram da viação férrea, e na outra ponta é que fica a delegacia. E então, para registro de ocorrência, só temos o posto da José Montauri, que fica aos fundos do antigo Edifício Gaspari, próximo ao largo Glênio Perez, um pouco mais central. Também tem a seguinte questão: muitas pessoas sofrem em seus bairros, seus furtos e tem a necessidade de fazerem esse registro, para retirar a documentação, que exigido registro, tanto feito pela brigada, quanto feito pela polícia civil. E essas pessoas, como tem uma delegacia em cada bairro, menos nas vilas, que tem só uma delegacia que fica na Bento, para economizar uma passagem, pois não tem poder aquisitivo para isso, economizam indo até o centro. E vai até a nossa delegacia e registra o furto do seu documento ou celular. Como ela não quer dizer que foi lá no bairro, ela não tem conhecimento, para nós é independente nós fazemos em qualquer lugar. Tem uma que diz que foi em São Sepé e eu pus, elas não sabem e acabam sempre dando uma rua principal, que acaba sendo a Salgado Filho, a praça Parobé, onde ela desceu do ônibus. E acaba sendo ali o ponto onde ela foi furtada ou assaltada e as pessoas não sabem disso, e as estatísticas acabam sendo um pouco maior do que acontece na realidade. Eu ensino um pouquinho sobre o centro de Porto Alegre e a gente fala, Porto Alegre hoje tem 40 mil quadras. E se tivéssemos que botar um PM cada quadra, seriam 40 mil PMs. Isso para um único turno de seis horas de serviço. Multiplica isso por 4. Seria inviável. A questão do centro passa pela questão de centro e pela questão de segurança. Ela é uma questão um pouquinho até mais social. Porque com os anos, os governos acabaram trazendo para o centro, os abrigos, os locais para colocar as pessoas no turno da noite. Então eu pego, junto à Voluntários, próximo a nossa estação rodoviária, coloco um abrigo pra menor, três quadras depois um abrigo pra maior, só que, eu só abro aquilo ali às oito da noite e às seis da manhã eu boto tudo pra rua. No pra maior quase 300 adultos, no pra menor um pouquinho mais de 50 crianças. E durante o dia, o que esse pessoal faz? Vai pra onde? Vai conseguir dinheiro e comida, cometendo pequeno furto ou fazendo, tentando tirar de alguém algum tipo de trapaça ou muitas vezes passa o dia com esse dinheiro depois consumindo droga, que é o mais próximo é a região central de Porto Alegre. Então essa é outra briga muito grande que nós temos com a prefeitura para trocar estes abrigos, por que nós temos outra dificuldade também, no lojista, que nós entendemos que ele tem um ponto de comércio e ele depende de vender tudo aquilo. Se ele não vender, ele termina indo à falência. Então ele não quer o mendigo na porta dele, ele não quer aquela pessoa maltrapilha na porta dele, e aquilo ali não é um caso de polícia, é um caso social; mas ele chama a Brigada e eu tenho que tirar da porta dele. 113 Douglas - Essa questão da segurança realmente é a questão do mendigo tudo, a gente tem o projeto Viva Centro, a Maria Erni também pode falar sobre isso. Quais são os projetos para segurança e até essa parte que a gente tava comentando, o que o projeto tá buscando? Maria Erni - É, o que a gente vê, até achei importante essa colocação, essa informação né das ocorrências, que não ocorrem de fato no Centro e o Centro leva. Então assim, a gente percebe que existe né uma questão da imagem de segurança no Centro de que ela seja maior do que a questão da segurança. Até vendo registros sobre os bairros, com certeza Porto Alegre tem bairros bem mais violentos que o Centro, agora o Centro acho que favorece realmente, assim ó, a conservação dos moradores, até pela própria movimentação, é mais fácil eles ficarem sem serem identificados né, então acho que favorece essas pessoas e, mas em questão aos abrigos, tem a Pasque né, que cuida bem disso, mas é realmente um problema, o ideal seria buscar o abrigo no local de origem dessas pessoas né, e não concentrar em uma área, no caso, o Centro. Outra questão assim, não sei se a gente pode voltar... Douglas - Não, fica à vontade pra voltar, dizer aquilo que pensa né, fica à vontade... Maria Erni - Então assim, com relação à primeira questão que foi levantada sobre o que que as pessoas vão fazer no Centro né, eu acho que o Centro oferece muitas coisas né, além do Mercado que é uma atração, com seu comércio né, bem específico, tem outros comércios também que são importantes e são diferente de outras áreas, eletroeletrônicos, é um comércio bem especializado e que atrai um público bem grande e que vem especificamente pra trazer eletrônicos ao Centro. Então acho que essa é uma atividade importante para a área central e outra é o aspecto cultural. Eu acho que o Centro tem muitas atividades culturais, tem a Casa de Cultura Mario Quintana, tem o Santander, tem Margs, tem o São Pedro né, se a gente vai buscando temo muita coisa nessa área de cultura e lazer e turismo, que também é uma coisa que pra cidade é importante. Aliás tem uma rede de hotéis bastante significativa então, é algo que tem muita atuação no Centro. Major Maciel - Se me permite, só pra concluir, nós temos outro problema muito sério no Centro aí, hoje Porto Alegre conta com 1597 ônibus na frota, sendo que 1500 circulam todos os dias do bairro até o Centro, com uma pequena exceção que são os T’s, então sua grande maioria vem do bairro até o Centro. Esses ônibus fazem uma média, segundo a ATP, uma média de 8 viagens ao dia, 8 viagem vem e 8 viagens vão até o bairro. Dá quase 25 mil viagens/dia. E nós temos uma dificuldade muito grande, ta se discutindo com a prefeitura, talvez se resolva logo, nós pegamos ali a Salgado Filho, na João Pessoa, onde inicia a Salgado que é o final da Salgado, até a primeira, segunda quadra da Borges de Medeiros, Salgado dobrando pra cima em direção à Riachuelo, nós temos 85 pontos de terminais de ônibus, as pessoas até falam no jornal que é a maior rodoviária a céu aberto da América Latina. Bate a rodoviária de São Paulo, que seria a maior. Então, nós temos ali no horário, em torno de cinco e meia, seis horas da tarde, a fila aguardando o ônibus é uma fila tripla, uma calçada que mal dá para passar um, todos os pontos com ônibus parado porque eles só saem quando chega o próximo. Então contar a questão de segurança, pra mim que tenho que trabalhar ali, é uma dificuldade enorme. Se eu coloco um PM num canteiro central, ele não enxerga nada, os ônibus fazem uma barreira. Se eu coloco ele dum lado, ele não consegue transitar, porque ele atrapalha o fluxo de pessoas e, ainda, quando cai a noite, ela é uma rua muito arborizada, e as árvores com os galhos muito baixos a iluminação tá por cima, então ela é muito mal iluminada. Então hoje eu tenho uma dificuldade na Salgado Filho porque as pessoas tem aquela sensação do medo. Questão de noite, foi a primeira pergunta que tu me fez né. Então, na realidade, a vida noturna no Centro de Porto Alegre ela é bem grande, o que poucos conhecem, que a nossa maior dor de cabeça é a vida noturna de Porto Alegre, que é o que incomoda os moradores, mais deste miolo central. Porque nós temos muitos bares ali com dificuldades de alvará, pois a sua maioria são irregulares, porque o bar regular, ele não cria problema, porque, 114 para ele ser regulado, ele não pode deixar o som sair pra fora, ele não bota mesa na rua, ele tem horário ate a meia noite, ele cumpre as regras, então ele não é problema. Nosso maior problema é o irregular. Aí pega alguns bares na praça Parobé, Marechal Floriano, temos seis bares ali que são nosso maior problema, todos funcionam de forma irregular, todos têm questões problemáticas com alvarás, uma boa parte não tem ou ele tem alvará de pizzaria, ele tem alvará de restaurante, ele tem alvará pra ser hotel e funciona como casa noturna, tá, ele amanhece, vai até cinco, seis horas da manhã, no mínimo, com som alto. Eles todos, já fizemos uma ação de madruga com a SMIC, todos funcionam com ordem judicial. É a nossa maior dificuldade. Então nós temos locais no centro, casas de jogos aí, onde existe ordens judiciais que nós não podemos nem entrar. Ele já conseguiu ganhar na justiça e continua freqüentando, funcionando. Nesses locais tem problema de prostituição, problemas de drogas, problemas de menores, então alguns aí têm umas ordens judiciais, nós não conseguimos agir, mas sempre que possível nós agimos durante a noite, estamos tentando pelo menos minimizar, resolver os problemas dos moradores, que é o nosso maior problema a Marechal Floriano. Maria Erni - Só queria fazer uma observação assim, até pergunto também junto, é que o Centro tem, a gente identifica pelo menos, setores bem distintos. Tem quatro setores né: o setor comercial, que é ali na Voluntários da Pátria, o setor mais institucional e cultural ali em torno da Andradas e Sete de Setembro, museu e casa de cultura, e o setor residencial que seria acima da Andradas né, da Salgado Filho pra cá. Essa questão de como fica a noite no Centro, eu percebo assim que, no setor residencial ele se comporta como um bairro mais distante né, da periferia. O setor institucional ele tem um abandono porque as atividades né, funcionam até um determinado horário e fica né, completamente abandonados. Mas eu vejo como um espaço bastante crítico o setor comercial, isso que tu falastes com relação às casas noturnas eu acho que até dá mais conflitos em questão de ser uma área mais miscigenada, a Marechal Floriano não tem residências e acaba tendo esses bares que acaba prejudicando as pessoas... Como é que é a parte deste setor comercial ali, que eu acho que é a parte que é mais abandonada né, à noite? Major Maciel - Bom, na realidade as 19 câmeras que estão fixas, são 24 horas por dia. Nós temos, na parte da madrugada, trabalhamos com patrulhas tá, algumas com viaturas, outras a pé, para atendimento dessas ocorrências. Nós tínhamos um problema muito grande até dois anos e meio atrás aí que é a questão do arrombamento, que as pessoas simplesmente pensavam nelas, então colocavam uma grade externa no seu comércio, pra estes menores que nós já falamos, eles tão subindo pela grade e no andar de cima arrombavam. No andar de cima botavam uma grade. Aí nós tivemos um caso aí de um prédio que começou no primeiro, segundo, terceiro, quarto, quinto andar. Cada vez que arrombavam uma loja, o cara botava uma grade. Maria Erni - Essas casas são concentradas mais ou menos nesse setor aí, da área comercial? Major Maciel - Tem em toda a área central. Daí as pessoas, simplesmente pensando nelas, e que daí agora vamo fala um pouquinho do que a brigada fez pra resolver essa questão. Então, pra ti responder, eu vou tocar um pouquinho na questão da brigada. Até o ano de 1995 por aí, nós tínhamos uma forma de trabalhar muito em cima da estatística. Nos primórdios, tava dando muita questão de furto ou roubo. Colocava um PM ali pra acabar com essa questão. Só que pra mim constatar isso estatisticamente eu tinha um período de um mês, nesse um mês tinha alguém que ia lá, quase que diariamente, furtava e roubava. Eu ia lá, tirava ele de circulação, resolvido o problema. Ai ele saía pra rua e ia roubar em outro local. Aí lá estatisticamente me aparecia isso, eu ia lá e tomava uma providência. De 95 pra cá, se viu, nós tínhamos que trabalhar mais com prevenção. Agia antes que o problema acontecesse. Então a partir daí, uma das idéia ate que o Fortunatto falou, que foi a nossa maior dificuldade foi a área central, conseguimos ocupar o conselho comunitário do Centro, que foi o mais difícil, nos bairros foi bem mais fácil, se conseguiu implementar isso bem antes, pra nos vermos as pessoas que trabalham, moram, vivem e tem comércio no centro, 115 podem me dizer o problema que estão sofrendo no dia dia e eu também posso mostrar pra essas pessoas o que que é uma atitude suspeita, de que forma age um marginal na área central, e de que forma ele, trabalhador do Centro, ou mesmo uma pessoa com essa característica possa me ligar e eu chegar antes dela cometer um delito. Então com isso nós começamos a reunir na área central ali os lojistas, na área de lotéricas, bancos, na área hoteleira, comércio geral, joalherias e relojoarias, moradores e assim por diante pra tentar mostrar. Porque as pessoas só conheciam o telefone 190, que é um telefone de emergência. Como diz o nome, eu só devo utilizá-lo quando estiver em situação de perigo e hoje o nosso maior problema, vô fazer um parênteses aqui ó, o 190 recebe uma média de 6 mil ligações chegando a 8 mil, durante um dia; sendo que, 80% delas não é ocorrência. Ou é trote de informação ou é alguém querendo falar, conversar e na realidade não é uma questão de emergência. Então se mostrou pra população do Centro que se tem outros números que a gente pode chamar, que é o nosso posto da José Montauri, a companhia do 9º Batalhão, nosso coordenador e sargento que é responsável, tá 24 horas na rua, ele tem um telefone funcional, eu tenho um telefone funcional também. Douglas - Tu trabalha essa parte de informação pro pessoal do Centro? Major Maciel - Também! Na parte de prevenção e com isto nós conseguimos mostrar ao comércio, e voltando aquela parte que eu contei do quinto andar, que na realidade a questão ali não era de polícia, era simplesmente o condomínio chamar todas aquelas pessoas, mandar tirar aquelas grades que estava servindo de escada e botar uma grade fotográfica pro lado de dentro, se resolveu o problema, nunca mais se furtou ou roubou. Então na realidade, quando alguém sofre algum fato, algum ato delituoso, nós vamos até lá conversar com a pessoa, ver aonde houve uma falha e o que que ela pode fazer para ajudar, porque segurança não depende só de mim, da Brigada. Segurança depende de todos e segurança é prevenção. Nós temos pessoas que vão diariamente, talvez até mais tempo que o Senhor, no Centro, e nunca foram assaltadas ou roubadas e tem pessoas que numa semana foram três vezes onde é que estaá a diferença destas duas pessoas? A diferença ta que naqueles que se previnem não é aquele que pega em plena ruas dos andradas caminhando e atende o celular esse tem possibilidade de ser furtado muito maior, nós temos 8 mil pontos de comércio não custa eu entrar dentro de uma loja pra atender o telefone, cuidados simples não ande com uma mochila nas costas em um local onde muitas pessoas andam são 600 mil, elas nadam muito próximas a possibilidade de alguém abrir uma mochila tirar a tua carteira tirar o teu celular é grande. Douglas - Realmente a parte de prevenção eu acho que é fundamental principalmente no centro hã, acho que é um tema vem debatido principalmente nas pesquisas o Fortunato podia falar depois o Marcelo fazer uma observação. Fortunato - Nessa área aí que nós somos parceiros com a brigada uma grande corporação, mas acho que nós temos que começar a falar as verdades, temos que realmente ver os problemas não temos que maquiar nós temos que apontar onde é que ta os problemas segurança pública hoje não é uma calamidade não é culpa da brigada Douglas - O tema centro Fortunato - No centro, porque tá o qg da brigada da câmara dos veradores, o palácio piratini, tá o ministério público, tá o tribunal de justiça, tá toda essa ordem, mas a densidade de efetivo não é proporcional a isso, não é proporcional ao número de pessoas que lá estão. O comerciante hoje ele vive num stress porque ele tem que cuidar a porta o cliente pra não ser assaltado, pro cara não pedir, pro cara não incomodar, pra ele não apanhar quer dizer tudo isso e aí não é a brigada. Tu pega a policia civil que ta com o mesmo efetivo há trinta anos, tu pega o 116 instituto de perícia que não tem condição, a própria brigada por mais que fazem. Pra nós comerciantes hoje e o centro houve teve uma cultura de shopping por que que o centro nada é por acaso, se falava muito que o shopping era seguro que o shopping era bom e hoje se vê que não é bem assim não é bem assim houve muita incidência de assaltos nos shoppings, muitos estão voltando pras ruas e o centro com certeza vai ser o primeiro que vão voltar por que é um mercado tradicional Douglas - Eu acho que o centro chama a atenção das pessoas né, o próprio apelo cultural que ele oferece, depois eu quero falar com o Marcelo que eu quero falar também sobre a feira do livro e o quanto isso acrescenta né pro centro e trás pessoas pro centro e se torna popular pra todo mundo a feira do livro é uma coisa bem comum Fortunato - É, e o centro hoje não é o centro de poa, o centro ele é metropolitano isso tem que ser discutido dos investimentos hoje na área que é feito na área do centro hoje seria em tese de um bairro de centro da cidade mas não é, se tu pegar a parte do informal é minimamente do centro ou de porto alegre , ele é bem tem o trem é mais fácil Major Maciel - O centro o centro é de fora. Fortunato - Mas eu volto a dizer a parte do efetivo eu acho que é extremante importante por que parece uma coisa simples ta seja através de equipamentos, câmeras, carros, como vocês falaram do centro, a segurança é uma sensação e hoje tu não sente mais essa sensação. Tu pega assim o eixo cultural tem que ser discutido, se tu pegar lá da rua da praia até a avenida, vindo pela duque, osvaldo até o gasômetro, teria que ter um eixo nessa área uma zona que pudesse trazer turista. Hoje turistas saem do hotel e vão passear no gasômetro e vão passear e não vão no centro, dessem a três quatro quadras, o viaduto otávio rocha deveria ser um filtro por que é um monumento da cidade, deveria ser o pórtico de entrada da cidade e não é da duque você não consegue chegar no mercado público. Isso não é culpa da brigada, da polícia civil, isso é culpa do contexto que não se pensou o planejamento por que? Porque como era só moradia e só comercial nunca foi um bairro realmente cem por centro se pegar o planejamento do centro é agora que se está discutindo nos últimos dez anos o que se vai fazer com o centro sempre era assim ó no final da tarde todo mundo ia embora até logo e tchau. Se tu pegar a população do centro pode me corrigir se eu estiver errado mas ela vem até os 18, 20 anos e depois volta dos 50,60. E essa lacuna representa isso então essa discussão é mais profunda por que o que nós queremos do centro o que que é que turismo no centro. Douglas - É a parte de turismo no centro a gente tem agora aquele ônibus que passeia pelo centro e conta a história do centro então ele mostra pras pessoas, né, onde estão os pontos principais né, até é uma forma de trazer o pessoal de novo pro centro, Marcelo tu queria falar? Marcelo - Como morador eu trabalhei também no terra né até as 10 da noite então eu tinha que caminhar da joão manuel até o mercado público pra pegar o ônibus e minha namorada no centro. Antes hã no início eu fiquei meio receoso, mas depois de um mês fazendo esse trajeto de noite às 10 da noite eu me senti seguro pro pedestre, eu sinto até que não ofereça muita segurança mais depois de conhecer um pouco melhor eu ficava olhando, não ficava tranqüilo, mas nunca chequei a me sentir ameaçado. Realmente mas essa questão de segurança é mais uma questão de política, mas por exemplo ali na praça argentina todo dia que eu passo ali tem vidro de carro quebrado no chão eu já vi pessoas roubando rádios mas na verdade sem ameaçar ninguém é sem pedestres por ali não tem ninguém por ali mas eu nunca vi um PM ali na praça argentina vi uma ou duas vezes nesses dois anos que eu tava trabalhando ali Douglas - Tu freqüenta o centro a noite? 117 Marcelo – Sim. Douglas - A parte cultural, o que tu faz ali no centro? Que que tu faz ali de noite? Tu chegou a freqüentar bares, teatro, cinema, eu sei que tem cinema né, tem bastante teatros ali naquela região, tem o multipalco também temos que considerar isso tu já freqüentou essa parte de cultura? Marcelo - Sim, volta e meia eu vou ali na casa de cultura, Santander e tem uns bares ali na andradas perto da casa de cultura, às vezes eu vou lá no cinema, muito embora eu costumo freqüentar mais a cidade baixa ali que aliás, bem lembrado, eu tenho notado cresceu bastante o problema de segurança desde que a cidade baixa meio que virou moda, por que logo que eu me mudei era bem mais tranqüilo mas de um ano e meio pra cá mais ou menos todo o mundo começou a ir nos bares e a cidade baixa abriu também dezenas de bares e assim piorou bastante também durante a noite pra ti andar por ali. João - Tem uma coisa que é a questão de como se ocupam os lugares e que uso se faz a partir dessa ocupação. Aquela parte do centro onde há mais moradores normalmente se tem uma sensação de segurança maior, porque de algum modo as pessoas ocupam esse espaço público. Tá o problema me parece que ocorre justamente quando se ocupa pouco o espaço público, que é tendência obviamente de um espaço devoluto ser ocupado por quem a gente não gostaria que ocupassem. Isso me parece que é sistemático. Quanto mais a gente vai pra dentro de casa e fica vendo televisão e fica botando grade na frente e fica trancando, não tem mais a convivência pública, ou seja, não tem mais esse espaço comunitário de convivência aqui por exemplo, na demétrio ribeiro, é uma beleza, as pessoas ainda botam as cadeiras na calçada e sentam e trocam, então é super interessante, o problema parece, e aí eu acho que entra o papel do poder público em fomentar algumas atividades que possam. Há enormes prédios no centro da cidade totalmente não utilizados, prédios inteiros abandonados. Eu sei que há alguns projetos de utilização desses prédios pra moradia inclusive no sentido de revitalizar, é como o Luiz Carlos disse antes, no centro se encontra tudo quer dizer a pessoa atravessa a rua tem isso tem aquilo e a gente nota e provavelmente o major tem um depoimento a dar sobre isso, o que que é a praça da alfândega durante um ano todo, normalmente durante o ano todo a praça da alfândega tem um determinado tipo de vida durante o dia as pessoas circulam ali e tal e durante a noite é outra história, mas durante a feira do livro de porto alegre as pessoas e isso se ouve muito lá o depoimento delas dizem bom agora eu freqüento a praça muita gente acaba indo pra retornando ao centro pra ocupa a praça durante a feira do livro então tem um outro tipo de ocupação cria um outro nível de sensação e tal e esse tipo de ação, seja ele promovido, como é no caso da feira do livro pela câmara do livro que não é uma entidade governamental ou sejam atividades produzidas pelo poder público de algum modo se a população começar se apropriar desses espaços a impressão que me dá é que se tem mais condições de se ter esse nível de segurança e porto alegre tem uma coisa importante que é tem que ter um planejamento não é, a tantos anos se discute a questão por exemplo da integração das policias, o major falou quer dizer o sujeito vem registrar ali com a brigada no centro lá da lomba ou de qualquer outro bairro da cidade, tudo isso emboca de algum modo aqui o sistema nosso e aliás o centro não é centro né, ele é porto, geograficamente não é, é preciso um trabalho mais sério de planejamento da cidade. Douglas: A Maria Erni até pode contribuir com isso pra dizer o que o projeto ta pensando neste aspecto. Pra isso, mas eu queria falar sobre os pontos críticos do centro quais seriam os pontos negativos do centro. Germana: Eu vejo assim hoje temos muitos pontos positivos por que eu acho que o comércio é muito bom no centro no sentido de encontrar coisas mais baratas, mais variedades, mas é maravilhoso coisa que a gente não encontra nos shopping e nem nos pólos de bairros. Mas infelizmente se torna inacessível por que se tu vai de carro ou de ônibus é um transtorno pra chegar até o centro na hora de estacionar tu vai caminhar no centroé um transtorno as 118 pessoas se batendo, sabe é um fusuê de pessoas pra tudo que é lado, até tu chegar na porta do lojista claro tem esse beneficio mas tem esse contraponto que é relevante, é muito mais cômodo entrar num shopping e comprar. Douglas: E a parte cultural assim? Germana: A parte cultural eu acho excelente, não sou assídua, mas vou com uma certa freqüência, acabo freqüentando os teatros mesmo, desde aquela da duque que parte pela borges, que eu acho maravilhoso, um dos lugares que eu acho mais bonito no centro a noite é passar pela ponte ali acho lindo aquilo a praça da matriz também, a parte arquitetônica do centro, se pudesse parar pra reparar a arquitetura ver como ela não ta restaurada e de coisas demolidas, prédios que estão sendo demolidos, tu falaste deste passeio de ônibus, né e eu fiz, a gente ta acostumado a andar pelo centro mas no ônibus na parte de cima a gente tem outra visão do centro e da arquitetura do centro, dos prédios diferente daquele fusuê de pessoas pra lá e pra cá que te bate e sabe que eu acho horrível, então tu tem outra visão do centro, outro ângulo bem mais interessante. Fortunatto: Isso é muito importante, o que tu falou ai tu já viu a qualidade hoje do mercado foi feito no glenio peres, uma praça que eu acho muito bonita. Nós gostamos de usar tanto é que botamos mesas, só que foi tirado os ônibus e foi tirado sem ser discutido e o impacto pra nós foi muito grande. Passados dez anos a mesma coisa se construiu, um elefante branco na minha opinião, porque? Porque o corredor norte nordeste não começou ainda e não se sabe se vai começar e eu insisto no planejamento porque em qualquer país civilizado tu não ousa fazer as coisas por que tem um secretário, tem um prefeito, tem um corpo técnico que tem que pensar. O candidato tem que ter compromisso com a cidade, tem que pensar que ele é um herdeiro e tem que ser responsável e isso eu me preocupo por que nós tempos uma cultura antiga de discutir só o eu e não só no mercado, a gente não tem isso, a gente discute com a praça quinze, mercado público, chalé, sem contar guaspari, tudo ali, então nós somos procurados por que? Porque a gente quer discutir o planejamento não só do mercado. Nós fomos procurar o outro mercado, porque o que a gente quer é discutir planejamento não só do mercado, o que foi falado sobre o parque, nesse sentido, tem que parar com a hipocrisia de querer contentar todo mundo e não contentar ninguém. No parque, você vai ter que discutir o nível salarial de quem vai para lá, tem que ter poder aquisitivo razoável para poder estar ali. Tem que perder a cultura de querer apenas botar no centro, tem que discutir isso, tem que discutir o cultural, nós temos que ter o centro para nós, de Porto Alegre, também para Porto Alegre, nós temos que discutir isso, isso é uma coisa que o europeu tem, e nós nos alienamos da cultura européia e não discutimos isso, né? Enquanto a gente quiser contentar todo mundo, a gente não contenta ninguém. Geralmente política é fazer isso, é ficar de bem com todo o mundo, não tem o princípio de administrador, isso faz falta. Douglas: É, o João tocou num ponto interessante, que seria a parte dos moradores, quem tem moradia no centro, como fica melhor pro comércio, quando existe a pessoa morando, ocupando aquele espaço. A Clarissa vê e estuda essa parte dos moradores do Centro e vai poder falar qual é a realidade dos moradores do Centro hoje. Clarissa: Eu acho que a experiência que eu tive com o Centro foi bem surpreendente, porque eu já editava esses cadernos de bairro, ZH Bela Vista, ZH Moinhos, ZH Bom Fim, ZH Zona Sul, bem bairro mesmo, que as pessoas moram naquele lugar, que é uma cidade à parte e usam o Centro pra outras coisas. Aí quando a gente foi fazer o Centro, o princípio dos cadernos de bairro é ter o maior número de participação, leitores e colaboradores possível. Até a gente vai dar uma mudada no ZH Centro radical daqui a um tempo: ele vai ser feito todo com a colaboração da comunidade, eu tô trabalhando nesse projeto, até é importante eu estar aqui para me colocar à disposição dessas lideranças que estão aqui, para a gente conversar de que forma a gente pode se ajudar. E aí a gente foi fazer o Centro, eu pensei ”Bah, mas que colaboradores a gente vai ter no Centro, né?” No Centro as pessoas só 119 vão, trabalham e vão para casa, quem é que vai nos mandar coisa assim, normalmente se manda foto do bairro, texto sobre o bairro... O Centro é o caderno que hoje mais tem colaboração de leitor, de todos os cadernos da Zero Hora de bairro. As pessoas que moram no Centro amam morar no Centro, é uma coisa assim surpreendente, fotos de pôr-dosol, assim, a gente tem uma nos outros cadernos e no Centro a gente tem 5, a proporção é gigantesca, as pessoas têm o que dizer, tem muitas associações, parece que ninguém se mexe mas é o lugar onde mais se mexem as pessoas, na minha percepção. E esse negócio da ocupação dos espaços eu concordo completamente, porque é uma das matérias que a gente fez e identificou, que está de uma certa forma virando moda nos meios em que há mais informação, mais intelectualizado, com um nível um pouquinho melhor de vida, voltar pro Centro. Então, é o que algumas pessoas estão fazendo. Designers, fotógrafos, publicitários, compram apartamento bem baratinho ou alugam bem barato num prédio que talvez não possa vender, reforma completamente o apartamento, faz uma coisa linda e usa todos os serviços do Centro. Então isso é uma coisa legal que a gente identificou, que tá, claro, bem no início, mas eu acho que com todas essas idéias pulsantes, de repente vai existir um dia um planejamento para isso, vai realmente fazer a revitalização do Centro, sabe, mas é uma coisa iniciante, mas a gente já nota no nosso caderno pelo comprometimento que essas pessoas têm com o lugar. É bem legal até vocês depois darem uma olhada, que realmente surpreende, quem mora gosta, sabe? Esse negócio de segurança, todo mundo fala, eu achei que seria a coisa que mais iriam reclamar, segurança, quem mora no Centro fala que não é tão violento como nos bairros, porque tem mais movimento, tem mais fluxo de pessoas. Douglas: Juarez, você queria falar da segurança? Juarez: Se eu puder perguntar... Me diga uma coisa, diminuíram os assaltos quando botaram as câmeras e tiraram PM das ruas, diminuiu ou aumentou? Juarez: Não, não, PM é raro. Vocês vêem? Juarez: O que eu vejo é um monte de câmera. Hoje tu entra num banco e não vê ninguém. Quer dizer, câmera é mais fácil, né? Não precisa pôr roupa, não precisa ação. No momento que eu tiver um homem cuidando e um outro para passar os chips pro controle, eu me sinto inseguro. Major Maciel: Na verdade, não é isso. Juarez: Eu acho que mesmo com esse monte de câmera, nós podíamos ter um pouco mais de PM, de contingente na rua. O que um PM faz? Ele inibe e dá confiança pra gente andar na rua. Tem gente que não sabe que tem câmera lá cuidando. O ladrão sabe já onde é que está a câmera. Uma câmera que não se conseguiu instalar foi a câmera da Praça XV. Quer dizer, eu acho, eu não sou contra as câmeras, vamos somar, só eu acho é que falta contingente independente disso. Major Maciel: Vamos começar por parte: aquela câmera não foi instalada por falta de verba da Secretaria de Segurança, só por isso. Senão, ela estaria lá, instalada normalmente. Só por esse caso ela não foi instalada ali ainda. Segunda questão: eu não escondo PM, nem tenho xerox de PM, vamos deixar bem claro aqui. O senhor disse que a gente tirou o PM da rua pra colocar câmera. Não, a câmera veio como forma suplementar. O PM continua no mesmo lugar como sempre esteve. Na realidade, se colocou a câmera de forma suplementar. Eu simplesmente instalei 19 câmeras no Centro e mandei 19 PMs pra casa? Isso não é verdade, até porque o PM, como todo funcionário público, tem uma carga horária a cumprir, e ele continua cumprindo a carga horária dele, no mesmo lugar, sem exceção. Então, os PMs continuam no Centro, trabalhando como sempre trabalharam. Na realidade, além de mais câmeras, nós ganhamos mais rádios. Hoje, todo PM do Centro está com rádio. Isso há dois anos atrás ele não tinha. Até então, além de ganhar a câmera, o PM ganhou um rádio para ele poder atingir uma área maior. Antigamente eu 120 tinha que colocar o PM na Andradas esquina da Borges sobre um pedestal para ele poder enxergar em volta, senão ele não ia. Hoje eu não preciso. Hoje eu deixo ele ali embaixo, caminhando, ele pode ir até metade de uma quadra e metade de outra, tem uma câmera olhando para ele. Quando ela vê o problema, ele ta ali, a meia quadra, 30 segundos. Aí, quando o senhor anda na Andradas com Borges e não enxerga o PM, não significa que ele não ta ali, ele está na esquina da Firmino de Carvalho, ele vai até a rua Uruguai, ele pode ir até a metade da quadra da Borges, porque a câmera está ali, olhando por ele. Antigamente, ele não podia sair dali. Na verdade, se racionalizou a forma de agir, e não ver não significa não ter, é diferente a coisa. Cláudio: Só um instante, você me dá licença, o Juarez não é a Brigada, não é a primeira companhia, mas a gente volta a discutir o problema da saúde publica, da educação, não é novidade que a cidade está com problema de finanças. É publico e notório que, a partir de dezembro, a lei vai ficar pior ainda, e o efetivo não é aumentado na mesma proporção que aumenta a população, então é essa a discussão que nós temos que fazer, e não é pecado o que eu vou dizer, que a Brigada é modelo no Brasil, graças a Deus nós temos uma Brigada, mas nós temos que avançar essa discussão, nós temos que planejar, isso envolve planejamento, planejamento de quantos por cento precisa de efetivo. Se precisar de 10, vamos mandar 10. Se precisar de 6, vamos mandar 6. Porque nós, comerciantes, somos quem gera emprego: de cada 10 empregos, 8 são de pequeno, médio e micro; de cada 10 empregos novos, 9,5 são nossos, do Juarez, Cláudio e eu, então nós somos aqueles que contribuímos para o Estado, e o Estado tem que dar o retorno. Nós temos que voltar a essa discussão, que se perdeu: o que é o Estado e qual é a função do Estado. Se falta efetivo, vamos cobrar de quem faz fiscalização que tem que botar. Em vez de botar o carro novo de um deputado, ou um terceiro motorista de reserva, vamos voltar a discutir isso. Analisa isso, tem que ter mais gente. Douglas: Essa questão de segurança é bem polêmica, eu acho que essa questão vem crescendo. Os problemas se multiplicam, mas como tu mesmo falou o trabalho da Brigada vem sendo executado e a gente tem que aguardar projetos que visem melhorar ou alterar alguma coisa. Como eu passei a palavra pro Juarez, vou perguntar para o Juarez como é morar no Centro, o que você sente morando no Centro, como é o dia-a-dia, seu sentimento de parte da vivência, até porque dá para dizer que o Centro é rico. Juarez: O Centro é rico, a gente que chega lá cedo vê, 7 horas da manhã, o pessoal acordando, aquele amanhecer, aquelas ruas vazias se enchendo devagarzinho, aquilo é vida, eu me sinto vivo. Os dias que eu me sinto pior é no sábado e domingo, que eu não venho pro Centro, entendeu? Quer dizer, é vida, mas é uma vida que a gente tem que ter um pouco de segurança independente disso. Por exemplo, um turista outro dia estava numa fila. Eu vi um ladrão atrás dele, mas se saísse caminhando da Borges até a Mário Quintana, não acharia nenhum PM por ali. Antigamente, quando eu andava pela rua, eu saía da boca da Voluntários até a ponte e voltava e não acontecia nada. Era outra vida, né? João: Eu só queria chamar atenção para um outro aspecto que acho importante. Essa sensação que a gente tem que as pessoas que moram no Centro, que trabalham no Centro, gostam do Centro, ela é real, mas o que não se está conseguindo fazer é que haja uma sensação de pertencimento maior, de tal modo que a gente se aproprie e comece a pressionar para que as coisas funcionem e funcionem para a coletividade. Por exemplo, de tal ponto até tal ponto não tem PM. Na maioria das ruas da nossa cidade não tem lixeira. Tu pega uma bala e tu tem que andar com aquele papel no bolso até achar um lugar que tenha. Há uma série de faltas de serviços, isso são em várias áreas. A gente tem uma certa e a gente agora está na Semana Farroupilha. A gente tem um certo orgulho gaúcho, né, nós até nos achamos mais isso, mais aquilo, em relação a esse ou aquele povo, e no entanto há uma série de coisas que a gente diz como “ah, nós somos grandes leitores”. A câmara do livro está encomendando, está começando hoje, por sinal, uma pesquisa, no Rio Grande do Sul inteiro, pra detectar os hábitos de leitura da nossa população. Nós temos 121 uma riqueza de sebos na nossa capital fantástica, essas livrarias de livros usados, livrarias de livros novos, enfim, a freqüência tem caído de pessoas que freqüentam esses locais. Há, de fato, um certo movimento intelectual, mas ainda muito lento, de retorno. Na verdade, a gente vive uma queda. Se tivesse seguido aquela tendência mais antiga no Centro das confeitarias, casas de tango. Isso, lá pelas tantas, houve uma queda, houve uma coisa que era a modernização, começou a se destruir uma série de prédios no Centro da cidade, casarios antigos e uma verticalização da cidade, e ainda há que pressionar hoje o poder público, para que se faça um inventário de um monte de prédios. Há inúmeras casas maravilhosas no centro da cidade que estão ali, se deteriorando, daqui a pouco caem, etc e tal. Há, eu acho que, essa necessidade de resgate, essa volta para esse movimento, que as pessoas freqüentem mais cafés, já está começando a surgir, já tem aqui, pela volta do Centro, alguns lugares “transadinhos”, né, lugar para se beber um bom vinho tem agora, afora o Mercado, que sempre manteve isso, aqueles lugares tradicionalistas. Mas há que se pensar culturalmente o que que nós, como população, podemos fazer para isso, já chamou a atenção o aspecto da segurança, mas isso é um todo. Quer dizer, quando a gente não pressiona o setor público para botar lixeira nas ruas, para agente poder colocar o resíduo, enfim, tem que mais esse sentimento de pertencimento, de cidadão que se vê de forma mais coletiva. Cláudio: João, só um aparte nisso tudo, eu estou observando cada um que está falando e, dentro do meu negócio, escuto muita gente pensante, pessoas que têm conhecimento de causa. Está havendo uma descrença do povo brasileiro nas coisas que tem. Perdeu-se o elo com as tradições das coisas importantes do cidadão. As pessoas não brigam mais, o povo brasileiro é um povo apático em relação a isso, ele não briga por seus direitos. Se brigasse por seus direitos, não estaria essa bagunça que está o país politicamente, roubando em tudo quanto é lado, é um terror isso... Não se pode botar a mão. E você vê em pleno ano eleitoral essas baboseiras que eles botam na televisão, mostrando que o cidadão é obrigado a votar, que ele é o patrão disso, o patrão daquilo. É uma vergonha isso, porque o exemplo vem lá de cima pra baixo. È tanto furto, tanto roubo, tanto desvio do dinheiro público que não se pode investir mais naquilo que se investia, nos pilares da saúde, da educação, da segurança pública, se o Major me permite, ele deve fazer das tripas coração pra fazer um policiamento digno na capital gaúcha, mas falta gente. Falta, porque eu chego de madrugada, eu não vejo nada disso. | Por que eu chego de madrugada, eu não vejo nada disso, então é uma série de problemas, e isso acontece no grupo que temos aqui hoje, nós estamos tentando trabalhar, cada uma na sua área, temos que realizar pesquisa encima disso. Mas realmente é uma coisa terrível tchê, vivemos num momento terrível em todas as áreas. E resgatar as suas área perdidas, isso é fundamental, você falou da Feira do Livro, isso é bonito, é lindo isso, porque porque tem segurança, ta lá a loja da RBS, tem um público que vem ao centro, dá a vida ao centro. Normalmente o centro tem muitas áreas abandonadas, tem que ter esse momento pro poder público, essa parte cultural de criar coisas em benefício ao centro de Porto Alegre. Não só hoje no mercado, toda a área central, e muitos desses problemas seriam solucionados, nós estamos hoje aqui fazendo discussões sobre problemas de segurança, coisas que realmente,eu acho que não (se vira para Douglas)... Douglas – acho que realmente, falar desse sentimento com o centro, desse pessoal que tem relação com o centro, até o senhor Luiz Carlos poderia falar, perguntei pro seu Juarez, senhor Luiz Carlos, como é que o viver no centro no dia-a-dia né. Porque o centro oferece essas facilidades todas, e por isso que o senhor mesmo falou que é a proximidade das coisas que a gente não pensou, mas também o senhor desenvolve costumes no centro quais são os seus costumes no centro, no dia-a-dia? Luiz Carlos – Eu tenho uma queixa do centro, já porque moro perto, eu moro entre, na Duque de Caxias entre Bento Martins e João Manuel, e eu acho terrível que a nossa Praça da Matriz seja o que é a praça da Matriz. Ela, eu chego a dizer que aquilo ali é uma praça de quatro poderes quando não cinco poderes. Há pouco tempo atrás, melhorou um pouco, há pouco tempo atrás o pessoal dormia nos canteiros da praça da Matriz. Dormiam, tinham até 122 colchonetes na praça da Matriz. A minha filha 7 e meia da manhã foi assaltada, numa dessas entradas da Praça da Matriz. E esses dias, eu tenho um problema de vascularidade na perna direita, que é insuficiente, e eu preciso sentar de vez em quando, e então eu comprei uma cadeirinha, minha mulher sai comigo e eu tenho uma cadeirinha, porque não tem onde sentar, você vai na Praça da Matriz, tem poucos bancos, os bancos são do tempo que isso era possível, cabe quatro num banco, e ali serve de cama. Pra sentar na praça da Matriz em certas horas tu não tem onde sentar, porque tem gente dormindo encima dos bancos. Eu não sei até que ponto essa idéia pode ser válida, porque eu tava dizendo pra minha mulher, eu acho que hoje em dia se devia fazer mais bancos nas praças, mas banco pra duas pessoas, porque num banco de quatro senta dois, os outros não sentam. Porque são dois conhecidos, e os outros não sentam. Então serve esse banco pra cama. E banco pra dois não tem cama, porque sobra a cabeça e sobra os pés, o cara não vai dormir no banco. Eu não sei até que ponto essa validade, essa idéia pode ser valorizada, eu acho que a Praça da Matriz poderia ter muito mais bancos, e banco pra duas pessoas. Até pra namorado, fica melhor... Douglas – a Maria Erni pode antecipar um pouco o discurso sobre o Viva Centro, e falar amplamente, do que que se trata e, pra quem não conhece né, que a gente falou no começo, citou no começo mas não falou do que que se trata. Maria Erni – bom, tem duas coisas sobre o programa né, que é do centro, é um dos núcleos dos programas prioritários da administração, então tem gente do programa e o objetivo do programa é buscar uma maior articulação né, em termos institucional, dentro da própria prefeitura. Ahn, paralelo a isso a gente está trabalhando pra fazer um plano estratégico pro centro. Que na verdade assim, o Viva o Centro faz 20 anos que existe, o Viva o Centro então, que vem da administração passada, aliás acho que eram outros planos de revitalização da área central, mais nunca se trabalhou estrategicamente né, de montar um plano para discutir assim ações de curto, mais de médio e longo prazo né, o que se pretende no centro né... Douglas – e quais são os pontos principais do projeto? Eu queria entrar, numa primeira abordagem assim, o que ele pretende alcançar? Maria Erni – bom ele busca um plano que seja estratégico né e institucional. A gente tá numa etapa assim de levantamento de diagnóstico né e a idéia é envolver a comunidade, pessoas que atuam no centro né, através de oficinas, e montar um mapa estratégico né elencando quais seriam os eixos né que seriam importantes de atuar no centro. A gente assim, de primeira mão, tem o eixo ambiental que é muito importante na área central, a questão dos espaços públicos, a questão de mobilidade, ahn, a questão de segurança né, também é uma coisa importante... Douglas – a questão de mobilidade, que a gente não tratou, falamos pouco agora aqui, ahn, como a senhora falou, foi a questão dos camelôs né, que até ali ocupa bastante o centro da cidade e, nos fins de semana, no final do dia, isso é um ponto de conflito com o pessoal do comércio. A Solane podia falar sobre os camelôs e o que isso dificulta no dia-a-dia do centro.... Solane - Ai, dificulta em tudo, eu acho assim os camelôs é, atrapalham né, eu como trabalho ali há anos, é um ponto muito negativo do centro da cidade... Douglas – mas tem pessoas que vão no centro pra comprar do camelô, e então eu queria que você me desse essa idéia... 123 Solane – Ai eu, poisé né, eu não sei, um planejamento de como tirar, existe um plano de tirar eles dali, mas né... Douglas – tu se refere à parte do centro, aquele parte ali onde tem o transporte público do ônibus né? Solane – o Mercado Público Douglas – o Mercado Público ali, e é assim todo dia... Solane – é sim, todo dia, no horário de almoço, eu vou à loja, eu passeio no centro, como a Germana falou, tem assim a cidade é muito bonita, a a a o arquitetônico dela é muito linda né, tem muito prédio estragado né, que eu acho que poderia assim ahn, ser aproveitado, ahn, o mercado que eu gosto, eu já citei, tem o Chalé da Praça XV, que é um lugar muito freqüentado, desde criança, pessoas de idade, jovens, ahn a Praça da Matriz né, que ta meio abandonada mas é um lugar bonito, né, a Otávio Rocha, há um tempo atrás, há uns anos atrás ela já foi revitalizada né. Tem a questão das floristas, que ele falou também, que eu acho que é uma, é assim, eu acho que isso é uma questão de cidadão também né, cuidar. As floristas têm o espaço delas ali e, todo mundo gosta, mas o pedaço que elas ocupam é totalmente depredado, a calçada esburacada, ahn, sabe, eu acho assim que tem que cada um cuidar, seu espaço né... Douglas – de limpeza né, tu acha que ali, o Centro ali, no teu ponto de vista... Solane – no meu ponto de vista, tem dias assim que eu posso dizer que tá bem, outros dias não. Uma questão da lixeira, a gente anda quadras né, com papel na mão, eu coloco dentro da bolsa que não tem uma lixeira. Né, tem um ponto de ônibus ali na Salgado Filho, que bem no ponto do ônibus existia uma lixeira há um ano atrás, ela foi quebrada e nunca mais foi colocada, então ali é lixo, todo mundo atira o lixo. Às vezes tinha, quem lembra né, eu lembrava, semana passada eu sabia que tinha ali, passa ali e atira o lixo... Fortunato – eu participei seis anos no antigo Viva o Centro, que é o mercado, que virou eu acho, foi só um fórum de serviço, eu sei que tu dissesse que os outros centros têm isso, mas não me interessa os outros centros, das outras capitais. O Rio Grande do Sul sempre foi vanguarda, e não é por que os outros centros têm que eu vou ter, não é porque os outros aceitam que eu vou aceitar. E isso é discutir, porque é bonito a Europa tem, a gente também tem. Não, mais do que isso, inclusive o centro agora tá fazendo agora o que é certo, um diagnóstico, descer do pedestal e escutar essa comunidade, conversar, interagir. Se todos fizessem isso a coisa é mais fácil, porque o poder de império do Estado é assim, eu crio de direito as coisas, dou um canetaço. Bota na prática, se não tem senso comum, nem um tijolo tu consegue. E isso é uma coisa que ainda existe essa cultura, porque eu tenho poder de império, eu mando, e se cumpra. Só que na área, no dia-a-dia, conforme a gente falou, nas 24 horas do dia-a-dia, não tão lá construindo né, então agora no centro se começa a pensar o que se tem que se fazer antes, discutir com as pessoas que são agentes, o que elas vêem, pra poder construir aí sim, o conhecimento empírico-científico. Douglas – ahn, a prática de..., como a Solane estava falando... Solane – só, só um momento, só deixa eu concluir isso. Tem gente que não gosta, mas eu acho que assim, o centro de Porto Alegre é sedento de ônibus, de transporte. Dali tu te desloca pra qualquer ponto da cidade, Grande Porto Alegre, pra qualquer cidade. Eu acho, tem gente que não gosta mas eu acho isso muito importante. É porque nem todo mundo tem carro né, então... eu acho isso bem importante... 124 Fortunato – o major fez uma colocação, agora há pouco, de um censo de pessoas que são transportadas, nós fizemos um censo no Mercado Público há uns anos atrás, até foram alunos das UFRGS. E nós ficamos surpreendidos quando chegou a marca de 300.000 pessoas que circulavam pelo Centro, pelo Mercado, não pelo Centro. É um trânsito... Quando os alunos fizeram o levantamento e nos apresentaram lá (?), realmente o que que é o poder do centro, aquele quadrilátero pro povo, o ir e vir, (?) é uma coisa impressionante... Solane – é tu vai na feira do peixe né... Fortunato – 300.000 pessoas em dois dias... Solane – é, tem... foi falado da Feira do Livro né... Germana - mais em paralelo à questão das lixeiras, a limpeza também né, porque é lastimável andar pelo centro, a sujeira no chão, um cheiro horrível né... realmente... Afasta cada vez mais as pessoas. As pessoas vêem o centro como uma chegada e uma ida. A pessoa sai do seu trabalho, do seu escritório, pega o ônibus e vai embora, sabe, não tem vontade de ficar ali, de ficar curtindo, vendo, o que pode tá proporcionando o centro, o comércio. Tem variedade, tem preço bom, tem a parte cultural também, então isso é mais um dos motivos né, e também pela segurança que é um ponto bem importante (?)... 10 flanelinhas, e eu sou obrigada e ficar indo com o dinheiro todo, eu tenho amigos que fica constrangido, a gente tem que enfrentar, vai deixar de assistir num evento por causa de um flanelinha, mas muita gente não vai por esses motivos. Marcelo – essa questão da limpeza no centro realmente é complicada, pela quantidade de moradores de rua... Solane - Mas só deixa eu, isso aí é uma questão de cultura né, a educação, toma um cafezinho, um refrigerante, dez metros não vai encontrar uma lixeira, que que ele faz, atira, amassa e atira... Fortunato - Tem duzentas lixeiras e mesmo assim atiram no chão... (muita gente falando junto) João Carneiro – ...é cultural mas também tem que ver com a forma como se aplicam as leis às vezes as pessoas falam assim “ah, tem que ter lei pra isso”. No mercado tem uma placa que eu acho fantástica ali na parte de cima “este passeo...” né, e estabelece a multa pra quem jogar, tem lá fora pra lixo... tal.... a gente... a questão do comércio, por exemplo quando se fala em camelô, também é preciso ter o referencial, existem vendedores ambulantes e outros vendedores... Juarez – na minha época, pegava uma toalha né, bota um cordão, hoje não, o camelô tem uma cadeira de praia, uma cadeira pra visita, e uma mesa (muita gente falando) João Carneiro – então tem que diferenciar isso e o poder público tem que agir muito fortemente nisso.. 125 Cláudio: Deixa eu fazer uma colocação sobre limpeza. Vou contar uma coisa pra vocês.... Falar em camelô... Na área central... Vamos falar em banheiro publico na área central. Juarez: Não existe... Cláudio: Só isso... Não vamos citar mais nada... Vocês vão na Praça da Alfândega e lá tem um banheiro público. Mais pro Centro não tem mais nada. Praça Quinze... No Mercado Público tem quatro banheirinhos lá em cima, pra... pro povo que está lá dentro e mais o que tá circulando e o que mendigou pra dentro... que é uma vergonha... Uma coisa mal calculada e mal feita. Na verdade nós passamos por uma reforma no Mercado, os banheiros foram estirpados do Centro, do chão da Praça Quinze tiraram um banheiro... FORTUNATO: Parobé... CLÁUDIO: Parobé também tiraram. Os banheiros da porta do terminal do Parobé, os caras roubam lâmpada, torneira. Roubam tudo lá de dentro. E no Mercado também roubavam por conta que era de graça. Tivemos que cobrar uma caixinha mínima para filtrar o elemento que entrava no Mercado. Que era uma bagunça. Roubavam tudo: saboneteira, o que imaginar eles roubavam... até chuveiro eles levavam pra casa. FORTUNATO: É a mesma taxa CLÁUDIO: É a mesma coisa. E ai me surpreendeu o seguinte: vamos falar agora nos camelôs da rua... Vocês imaginam aqueles homens e aquelas mulheres que trabalham na rua o dia inteiro. Onde é que eles vão no banheiro? Muitos urinam num saquinho plástico e jogam na beira da calçada. Aí dá a fedentina que você falou do centro... Eles lavam de manhã, limpam. Então não adianta... Solane: A sujeira que fica ali... a sujeira junto do caminhão MARCELO: Essa questão, até, da limpeza, ai... Não sei até onde adianta dar sugestão aqui, mas... Em Amsterdam, por exemplo, que que tem? Tem tipo uns biombos no meio da rua, com um buraquinho onde o pessoal vai lá e faz suas necessidades. Agora... É um biombo de aço chumbado no chão que ninguém vai carregar pra casa. Claro que também só serve para homens, ou seja de repente é uma solução... FORTUNATO: Enquanto a gente consegue se indignar com a coisa, ainda tá bom, né? Dá para se gabar, né? Nós temos essa coisa de cidade. Falando nisso, volta a cultura de se indignar de novo com a estrutura pública, pessoal. Por que assim... ó... De novo estamos discutindo, mas para que se criou o Estado? Para administrar bens públicos, para nós podermos ter a nossa vida privada. Mudou essa lógica. Hoje nós temos que entender que falta gente, falta recursos, falta tudo. Aí enquanto para nós não falta nada... Isso é uma discussão que não é desrespeitosa, mas nós temos que fazer essa discussão. Porque tu me desculpa, Douglas, assim... ó... aí eu vou ter que me preocupar se falta gente para a Brigada, ou se a SMIC não tem horário, ou se a EPTC... eles tão lá, são Estado, cobram as taxas de impostos, tributos, pra isso e tem que lá estar. E isso que não está... Tá ou não tá? ... Não é o Centro. Se tu for na Restinga, na Glória, em Gravataí, em Viamão, vai ser a mesma coisa, porque há uma omissão do Estado, há uma falência do Estado. O Estado faliu e não se tem coragem de discutir isso. É uma prestação de serviço, mas o que que nos presta? Procurar em lixeira... mas não... 126 DOUGLAS: Desculpa te interromper, ãh... Fortunato, ãh... a questão é a seguinte, é que na nossa pesquisa a gente tá tentando focar um sentimento, percepção do porto-alegrense. A gente sabe que existe problemas seríssimos no Centro e não são só ligados a... a parte da limpeza, a parte de... do comércio ... Segurança. Com certeza isso aí tem que... tem que ser mudado, só a que a gente... pra gente a gente quer ver o que o porto-alegrense sente em relação ao Centro e como ele tá vendo o Centro hoje. Então eu pareço um pouco superficial, FORTUNATO: Não.... DOUGLAS: Mas é que a questão não é que a gente não quer ... ãh... ãh... entrar na parte do... do que a gente vai ter que partir e mudar. Eu acho então que tu tem que pensar nessa idéia... CLÁUDIO: É... mas se tu vai perguntar pra mim isso aí eu vou te dizer o que o “negro preto” disse: que o Centro lá é uma esculhambação. FORTUNATO: Noventa por cento do território está no Centro. Os poderes tão no Centro. Tá toda a estrutura no Centro e tu não pensa... é isso que eu digo, assim ó... nós estamos falando do Centro, estamos discutindo o Centro... Mas os quatro poderes não tá... o Ministério Público também hoje não é um poder? É. E bom que seja... Os quatro poderes estão no Centro, a... o CTC da Brigada está no Centro... na Praia de Belas , próximo ao Centro. Oitenta por cento acho do que se tem de museu, teatro, cultura tá no Centro, então assim ó... oitenta por cento tá lá e tu não tem vinte por cento de investimento da estrutura pública lá, rapaz. É uma coisa de serviço. DOUGLAS: O que a gente pode fazer, agora, pra ver como é que a gente encara o Centro...É pedir para cada um falar uma palavra, uma frase. O que que é o Centro para ti? Certo? Por que daí eu acho que ... ãh... que com isso a gente vai apurar uma realidade do Centro que depois a gente pode concluir... Então vamos começar pelo Seu Cláudio... O quê que é o Centro para o Senhor? CLÁUDIO: Bem... O Centro para mim... pra mim é o espaço prazeroso, eu trabalho a minha vida toda no Centro. Mas ele como qualidade de Centro deixa... deixa a desejar para mim como cidadão. FORTUNATO: O Centro para mim é o reflexo da nossa cultura, porque não se quer um senso de Nação, se quer um senso de País... E o Centro reflete isso. Porque não se tem organização, planejamento e não é por acaso. Porque eu acho que com um senso de Nação, culturalmente nós teremos um primeiro País. E o gaúcho é perigoso. Se o gaúcho tiver esse senso vai levar os outros. MARIA ERNI: O que chama muita atenção no Centro é a heterogeneidade social que existe no Centro, acho que ele oportuniza assim que várias... né? Camadas sociais freqüentem, utilizem a área central. Solane: Eu acho que é como ele diz, assim... Centro para mim é o reflexo da nossa cultura, geral. DOUGLAS: Seu Luís Carlos... LUIS CARLOS: O Centro pra mim hoje em dia ele é muito bom pra... pra mim morar, mas pra andar na rua há muito tempo que não é bom. A minha filha mais velha do segundo casamento tem 29 anos. E ai eu descobri que tinha que carregar o... carregar o carrinho do nenê. O que que é as calçadas de Porto Alegre de trinta anos atrás, 127 até hoje... É a mesma coisa... Hoje é pior ainda, mas há trinta anos atrás a calçada para carregar um carrinho de nenê era brabo... é difícil... DOUGLAS: Clarissa... CLARISSA: O Centro pra mim é uma região de Porto Alegre que é quase que um patrimônio histórico e cultural pra a cidade, com potencial turístico e econômico..., cultural, muito grande e muito mal explorado. Abandonado. DOUGLAS: João... JOÃO: Eu vou na linha do Fortunato... Acho que o Centro reflete, eh... o que é a nossa cultura. E... ao refletir isso tem as coisas maravilhosas que nós temos, patrimônio histórico, de cultura, de convivência, de mercadorias, enfim... E por outro lado trás também todas as nossas deficiências culturais também. Acho que ele reflete isso mesmo. Há que a gente tentar como usuário do Centro fazer com que a parte positiva se (risos) fortaleça... GERMANA: Ãh... Eu vejo o Centro como um local que era muito bom há décadas atrás, acredito que até 80, ali. Era um lugar bom, de... de ponto de encontro com amigos, centro cultural, de moradia. E com o crescimento econômico-populacional..., globalização, tem sido esquecido, né? Então as pessoas tão só preocupadas em ir pra trabalhar... com seus próprios recursos... se esquecendo do restante. MARCELO: O Cláudio falou que o Centro é uma esculhambação. Eu concordo, mas acho que isso dá um certo charme pro Centro, pra mim. Porque justamente por ser essa esculhambação, que tu convive com gente muito diferente, com coisas muito diferentes. Tu tem uma loja... ãh... que tu pode comprar um aparelho super novo e tu tem um camelô lá que vende pilha do Paraguai, sei lá... Acho que justamente essa esculhambação, a própria cultura, dão um certo charme CLÁUDIO: É, a palavra “esculhambação”, só pra reiterar, não é... é que é.... Há tanto desacordo, há tanto desentendimento entre os poderes públicos, que eu acho, em administrar uma cidade. Por isso que eu citei essa palavra. Agora em si a cidade não... Falar em Porto Alegre eu brigo por ela. Vou brigar por ela. Porque a ciência do porto-alegrense é infindável. Eu tenho um carinho muito grande, entre a relação entre a população e entre si. MAJOR MACIEL: Por falar nisso vou também na mesma linha. No Centro de Porto Alegre tu encontras pessoas da Classe A à classe D. E essa diversidade de cultura que é o bom do Centro. Na realidade hoje tu encontra do mais sofisticado ao mais simples, do mais difícil, do mais complexo, ao... a tudo que se imaginar no Centro de Porto Alegre. Isto é o lado bom do Centro que a gente tem que tentar mostrar. E... que a grande dificuldade do poder público hoje é que ele trabalha, uma coisa que foi o Fortunato que falou. Na verdade hoje o Centro de Porto Alegre não é só Porto Alegre, não... é toda a Grande Porto Alegre. Então hoje tu tem uma dificuldade com morador de rua que são 35 ali na Praça da Matriz, né? Porque a grande maioria não é de Porto Alegre e os órgãos que tem que resolver são de Porto Alegre. Pelo menos não conseguem dar uma solução para aqueles 35, porque eles não tem influência nenhuma em Cachoeirinha, em Gravataí. Então eles terminam ficando com as mãos amarradas. E por fim, vou falar um pouquinho da nossa imprensa. Hoje a imprensa vende “convercê”. Então, hoje eu cometo um furto na escadaria da Independência, que pertence ao bairro Independência, e a imprensa não coloca furto na Independência... Furto no Centro. Porque isso vende mais... Chama mais atenção. Hoje a população compra porque é no Centro. Enquanto na realidade também se vende essa imagem negativa. O Centro 128 também atrai isso. Esse lado ruim. E ai cria essa sua sensação, essa sensação de medo, e muitas vezes o problema que tá acontecendo lá no bairro Independência, não vai chegar nunca perto do Centro. E ai nunca vai sentir isso. Mas o senhor lendo o jornal, vendo na mídia, termina comprando essa idéia e tendo esse sentimento, também de insegurança. DOUGLAS: Seu Juarez, o senhor... JUAREZ: O Centro para mim é tudo, nós temo que lutar, temo que... olhar pra frente... nós somos gaúcho. Vamo preservar o resto de Porto Alegre e o seu centro. DOUGLAS: Obrigado. Então agora vou chamar o Professor Nique para fazer o encerramamento do nosso grupo motivacional. MARIA ERNI: Eu poderia só pra... pra aproveitar a oportunidade que estão todos reunidos. Que agora, dia 10 de... de outubro a gente tá organizando uma oficina de discussão do Centro e eu... não sei... se teria a permissão de todos... se vocês pudessem depois nos passar o endereço eletrônico, para gente ter um contato. MARCELO: Posso fazer um comentário? Eu moro no Centro há dois anos e agora vocês falaram que tem várias associações comunitárias, mas eu nunca vi nada a respeito. Nunca chegou, sei lá, um panfletinho na minha caixa de correio... FORTUNATO: É que falta recurso... falta...comunidade...falta dinheiro... né... tem... tem... tem morador... que tem uma casa... na rua da praia... MARCELO É complicado... porque também quando sai no jornal também, é uma página lá no meio que em geral é uma sessão que tu nem olha... em geral é isso... CLARISSA É pra isso que tá existindo o ZH Centro, vamos ver se a gente consegue... CLÁUDIO Tu já pensou em criar uma página do ZH Centro só pras comunidades, das outras coisas, porque o... CLARISSA: não mas a gente sempre procura divulgar as reuniões, os telefones diretos da Brigada, também, que é uma coisa que eu também nem sabia que existia esses telefones. A gente procura dar uma mão, só que... tem que ajustar a circulação. (risos) NIQUE: Bueno, então eu quero aproveitar para agradecer vocês pela presença... (continua apenas com Nique) 129 ANEXO 4 DICAS PARA O PROCEDIMENTO DE AMOSTRAGEM - Cada aluno deve aplicar 20 questionários ( cada aluno é responsável por 2 quadras). Cada aluno deve aplicar 10 questionários por quadra ( caso você não consiga aplicar 10 questionários em sua quadra, aplique os questionários faltantes em quadras próximas a quadra de origem). - Deve-se mapear todas as residências da quadra e preencher a folha entregue pelo grupo da amostragem. (Apenas residências voltadas para a rua devem ser consideradas). - Respeitar o sentido e a ordem das “flechas” indicadas em sua ficha de reconhecimento de quadra. Após o “mapeamento”, para determinar qual residência será entrevistada deve-se aplicar a seguinte fórmula: Nº de residências 10 Ex: minha quadra tem 68 domicílios... 68/10= 6,8 (existe uma convenção que sempre que der número com virgula se arredonda pra baixo). Portanto, eu pularia os domicílios de 6 em seis. A entrevista deveria ser feita na casas: 6,12,18,24,30,36,42,48,54,60. • Se por algum motivo algum você não conseguiu aplicar o teste em uma das residências volte para a residência anterior da lista e continue pulando o intervalo que foi o resultado da fórmula. EX: consegui aplicar no 6, 12 mas na 18 não consegui aplicar, portanto aplicarei o teste na 17 e pularei 6. Resultado: ir na residência 23, 29, 35,41,47,53,59. - Guarde a folha do mapeamento e preencha corretamente todos os dados do questionário. QUALQUER DÚVIDA ENTRE EM CONTATO COM SEU FACILITADOR PRAZO FINAL PARA A ENTREGA DOS QUESTIONÁRIOS REALIZADOS:13/11/2006 130 ANEXO 5 PLANILHA DE RECONHECIMENTO DE QUADRA 131 ANEXO 6 PLANILHA PARA SORTEIO DE QUADRAS Escolhidos: 3458 3478 3227 967 3750 4144 5243 1302 2301 5228 44 5075 4630 119 695 472 2978 576 2524 5154 1941 2044 2422 3150 2782 7 963 5010 634 1545 5204 4980 289 85 5214 3955 2058 2238 867 3728 2296 3699 Aleatório: Universo de Quadras Quadras Alunos 541 5736 68 34 132 ANEXO 7 PLANILHA DE AMOSTRAGEM BASE Id. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 Quadra 1 7 85 153 404 472 576 634 697 863 963 1120 1153 1545 2024 2058 2176 2264 2301 2422 2524 2757 2837 2978 3227 3478 3728 3955 4355 4647 4980 5075 5154 5214 5243 Quadra 2 44 119 289 438 541 582 695 719 867 967 1143 1302 1941 2044 2162 2238 2296 2327 2451 2569 2782 2935 3150 3458 3699 3750 4144 4630 4939 5010 5094 5204 5228 5625 Nome Aleatório: 19 133 ANEXO 8 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO Porto Alegre, 27 de outubro de 2006. Porto Alegre, 27 de outubro de 2006. Estimado senhor/senhora, Venho por meio desta apresentar o aluno ANA PAULA BRAUWERS, regularmente matriculado nesta Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Que está representando a Escola de Administração nesta pesquisa cujo objetivo é “A percepção do centro de Porto Alegre pelos seus habitantes”. O questionário é parte integrante desta pesquisa que e se insere no contexto da disciplina de Pesquisa em Marketing, do curso de Administração, por mim ministrada. A sua colaboração em responder apresentadas é fundamental para o sucesso do trabalho. as questões Atenciosamente, Prof. Dr. Walter Nique EA/UFRGS 3316-3827 e 3316-3536 134 ANEXO 9 QUESTIONÁRIO (QUE FOI REDUZIDO PARA CABER EM UMA PÁGINA EM FRENTE E VERSO) GERAIS E CULTURA / LAZER 1. Qual seu sentimento em relação ao Centro? 7. Q uantos muse us você acha que te m no Ce ntro? 1.De 1 a 3 1.Odeio 2.De 4 a 6 2.Não Gosto 3.De 7 a 10 3.Indiferente 4.Mais de 10 4.Gosto 5.Não sei / Não quero responder 5.Gosto Muito 6.Não sei / Não queo responder 2. Q uai s de sse s l ugare s se l ocal i z am no Ce ntro 01.Mercado Público 02.Gasômetro 03.Shopping Praia de Belas 04.Rua dos Andradas 05.Hospit al Sant a Casa 06.Redenção 07.Rodoviária 08.Casa de Cult ura Mário Quint ana 09.Viadut o da Borges 10.Não sei / Não quero responder 8. Q uando você vai ao C e ntro para se di ve rtir, costuma i r ao: 1.Cinema 2.Museus / Cent ros Culturais 3.Rest aurantes 4.Bares 5.Casas Not urnas 6.Parques 7.Não freqüento o Centro como opção de lazer 8.Outro: 9.Não sei / Não quero responder Você pode m arcar diversas casas (7 no máximo). 9. Se 'O utro:', de fi na: Você pode m arcar diversas casas (9 no máxim o). 3. Q ual o princi pal moti vo de i r ao Ce ntro 1.T rabalho A questão só é pertinente se Locais para lazer = "Outro:" Você concorda com as afirmaçõe s abaixo? 1 2.Compras 3.Lazer 4.Out ros 5.Não sei / Não quero responder 4. Se 'O utros', de fi na: A questão só é pertinente se m otivo ir ao centro = "Outros" 5. Q uando você vai ao Ce ntro, qual o te mpo de pe rmanê nci a? 1.At é 1 hora 14. Nos finais de semana, o Cent ro é um local para o lazer 16. O Centro é um ótimo lugar para se divertir 4.Mais de 5h 17. As praças do Centro são um bom lugar para lazer 2.2 a 3 vezes por mês 3.1 vez por semana 4.2 a 3 vezes por semana 5.T odos os dias 6.Não freqüent o o Cent ro 5 13. Sou bem informado em relação aos eventos cult urais do Cent ro 3.De 3 a 5 horas 1.1 vez por mês ou menos 4 12. As opções cult urais do Cent ro são maiores que as dos out ros bairros. 15. O Centro é um bom local para prat icar esport es 6. Com que fre qüe ncia você vai ao Ce ntro 3 11. Há um grande número de atrações cult urais no Cent ro 2.De 1 a 3 horas 5.Não sei / Não quero responder 2 10. Encont ro at rações cult urais int eressantes no Cent ro Discordo Totalmente (1), Discordo em parte (2), Indiferente (3), Concordo em parte (4), Concordo Totalm ente (5), Não sei / Não quero responder (6). 18. No C e ntro há boas opçõe s de al i me ntação 1.Discordo T ot almente 2.Discordo em part e 3.Indiferente 4.Concordo em parte 5.Concordo T otalment e 6.Não sei / Não quero responder 7.Não sei / Não quero responder 135 6 Ide ntifique a fre qüe ncia das que stões abaixo 30. Eu moraria no Ce ntro se fosse... 1 2 3 4 5 6 1.Mais limpo 19. Você costuma visitar a feira do livro? 2.Mais seguro 20. Você freqüenta os cinemas do Centro? 3.Melhor de transitar Nunca (1), Raram ente (2), Às vezes (3), Freqüentemente (4), Sem pre (5), Não sei / Não quero responder (6). 4.Mais barato 21. Você fre qüenta as praças do C entro? 5.Não moraria no Centro 6.Outro: 1.Nunca 7.Não sei / Não quero responder 2.Raramente Você pode marcar diversas casas (6 no máximo). 3.Às vezes 31. Se 'O utros:', defina: 4.Freqüentemente A questão só é pertinente se razão para morar no centro = "Outro:" 5.Sempre 32. Em te rmos ge rais, atribua uma nota de 1 a 10 para o Ce ntro como opção de moradia: 6.Não sei / Não quero responder 22. Para qual desse s lugare s do Ce ntro você levaria um turista / pe ssoa de fora da cidade? <digitar aqui a instrução> 1.Mercado Público POLUIÇÃO 2.Gasômetro Você concorda com as afirmaçõe s abaixo: 3.Praça da Matriz/Catedral 1 4.Casa de Cultura Mário Quintana 2 3 4 5 6 33. Há lixeiras suficientes no Centro 5.Comércio 34. O barulho do Centro me incomoda 6.Palácio 35. O cheiro do Centro me incomoda 7.Não levaria ao Centro 36. Os cartazes, propagandas e panfletos contribuem para a sensação de poluição do Centro 8.Outro: 9.Não sei / Não quero responder 37. Os parques e praças do Centro são bem cuidados e limpos Você pode marcar diversas casas (8 no máximo). 23. Se 'O utros:', de fina: Discordo Totalm ente (1), Discordo em parte (2), Indiferente (3), Concordo em parte (4), Concordo Totalmente (5), Não sei / Não quero responder (6). A questão só é pertinente se turista = "Outro:" 38. C onsidero o C entro mais limpo que os outros bairros 24. Em termos gerais, atribua uma nota de 1 a 10 para as opçõe s de laz er no Ce ntro: 1.Discordo T otalmente 2.Discordo em parte <digitar aqui a instrução> 3.Indiferente MORADIA 4.Concordo em parte Você concorda com as afirmações abaixo? 5.Concordo T otalmente 1 2 3 4 5 6 6.Não sei / Não quero responder 25. O Centro é um bom lugar para se morar 26. O Centro é um lugar seguro para se morar 27. Uma vantagem de morar no Centro é a grande diversidade de comércio 39. Em te rmos ge rais, atribua uma nota de 1 a 10 para a limpe z a do C e ntro: <digitar aqui a instrução> Discordo Totalmente (1), Discordo em parte (2), Indiferente (3), Concordo em parte (4), Concordo Totalm ente (5), Não sei / Não quero responder (6). DIVERSAS 28. Uma vantage m de morar no Ce ntro é o preço baixo dos imóve is Você concorda com as afirmaçõe s abaixo? 1 1.Discordo T otalmente 2.Discordo em parte 3.Indiferente 4.Concordo em parte 5.Concordo T otalmente 6.Não sei / Não quero responder 29. A maioria das pe ssoas que mora no C e ntro é: 2 3 4 5 40. As calçadas do Centro estão em boas condições 41. O Centro possui muitas árvores 42. É ruim freqüentar o Centro devido à grande quantidade de pedintes e moradores de rua Discordo Totalm ente (1), Discordo em parte (2), Indiferente (3), Concordo em parte (4), Concordo Totalmente (5), Não sei / Não quero responder (6). 1.Jovens 2.Adultos 3.Idosos 4.Não sei / Não quero responder 136 6 43. No C entro e xiste muita prostituição Você concorda com as afirmações abaixo? 1 1.Discordo T otalmente 2.Discordo em parte 3.Indiferente 4.Concordo em parte 5.Concordo T otalmente 6.Não sei / Não quero responder 2 3 4 5 6 49. Costumo freqüentar o Centro à noite (após 20h) 50. O Centro é mais perigoso à noite do que durante o dia 51. Me sinto seguro andando no Centro 52. Considero o Centro bem iluminado à noite 44. C om que fre qüê ncia você utiliz a os banhe iros públicos do Ce ntro? Discordo Totalmente (1), Discordo em parte (2), Indiferente (3), Concordo em parte (4), Concordo Totalm ente (5), Não sei / Não quero responder (6). 1.Nunca 2.Raramente 3.Às vezes 4.Freqüentemente 5.Sempre 6.Não sei / Não quero responder SEGURANÇA 45. Você já foi assaltado no C entro? 1.Uma vez 53. A quantidade de pe ssoas que circulam pelo Ce ntro o tornam mais pe rigoso 1.Discordo T otalmente 2.Discordo em parte 3.Indiferente 4.Concordo em parte 5.Concordo T otalmente 6.Não sei / Não quero responder 54. O que você acha do policiame nto nas ruas do C entro? 2.Duas vezes 1.Péssimo 3.T rês vezes 2.Ruim 4.Mais de três vezes 3.Regular 5.Nunca 4.Bom 6.Não sei / Não quero responder 5.Ótimo 46. Você já viu pe ssoas serem assaltadas no C entro? 1.Uma vez 6.Não sei / Não quero responder 55. Em termos ge rais, atribua uma nota de 1 a 10 para a segurança no Ce ntro: 2.Duas vezes 3.T rês vezes 4.Mais de três vezes 5.Nunca 6.Não sei / Não quero responder 47. C orro mais risco de ser assaltado no Ce ntro do que e m outros bairros TRÂNSITO 56. Na maioria das ve ze s, e u vou ao C entro de : 1.Ônibus 2.Carro 1.Discordo T otalmente 3.T áxi 2.Discordo em parte 4.Lotação 3.Indiferente 5.A pé 4.Concordo em parte 6.Outro: 5.Concordo T otalmente 6.Não sei / Não quero responder 7.Não sei / Não quero responder 57. Se 'O utros:', de fina: 48. Q uando ando pelo Ce ntro, tomo ce rtos cuidados para não se r assaltado 1.Discordo T otalmente A questão só é pertinente se m eio de transporte = "Outro:" 2.Discordo em parte 3.Indiferente 4.Concordo em parte 5.Concordo T otalmente 6.Não sei / Não quero responder 137 Você concorda com as afi rmaçõe s abaixo? Você con corda com as afirmaçõe s abaixo? 1 2 3 4 5 6 1 58. Existem locais suficientes para estacionar no Centro 69. O Mercado P úblico é um bom local para fazer compras 59. O Centro é fácil de transitar para pedestres 70. De maneira geral, os produtos do Centro são de boa qualidade 60. É fácil andar de carro pelo Centro 61. O Centro é acessível aos deficientes físicos 62. Existem ônibus demais circulando nas ruas do Centro 63. O Centro é bem sinalizado por placas com nomes das ruas, praças e avenidas Discordo Totalm ente (1), Discordo em parte (2), Indiferente (3), Concordo em parte (4), Concordo Totalmente (5), Não sei / Não quero responder (6). 64. O s te rmin ais de ônibus atrapalham a movime ntação das pe ssoas 1.Discordo T otalmente 3 4 5 72. Sou a favor dos camelôs nas ruas do Centro 73. Os camelôs são uma boa opção de compra no Centro 74. Os camelôs tornam o Centro mais perigoso Discordo Totalm ente (1), Discordo em parte (2), Indiferente (3), Concordo em parte (4), Concordo Totalm ente (5), Não sei / Não quero responder (6). 75. O s came lôs dificu ltam a passage m das pe ssoas no Ce ntro 1.Discordo T otalmente 3.Indiferente 2.Discordo em parte 4.Concordo em parte 3.Indiferente 5.Concordo T otalmente 4.Concordo em parte 5.Concordo T otalmente 6.Não sei / Não quero responder GRUPO N°9 1 2 3 4 5 76. Os camelôs prejudicam o comércio legal COMÉRCIO 66. Q u ando você faz compras, pre fe re ir: 1.Ao Centro 2.Ao shopping 3.Lojas de bairro 4.Outro: 5.Não sei / Não quero responder 67. Se 'O utros:', de fina: 77. O Centro oferece produtos mais baratos que os outros bairros 78. Sempre encontro o que procuro no Centro 79. Faço compras no Centro devido à facilidade de acesso 80. Faço compras no Centro devido a variedade de opções Discordo Totalm ente (1), Discordo em parte (2), Indiferente (3), Concordo em parte (4), Concordo Totalm ente (5), Não sei / Não quero responder (6). 81. De modo ge ral, sou be m ate n dido pe los ve n de dore s no C e n tro 1.Discordo T otalmente A questão só é pertinente se onde com pra = "Outro:" 68. C om qu e fre qü ê ncia você costuma faz e r compras no C e ntro? 2.Discordo em parte 3.Indiferente 1.Uma vez por mês ou menos 4.Concordo em parte 2.De duas a três vezes por mês 5.Concordo T otalmente 3.Uma vez por semana 6.Não sei / Não quero responder 4.Duas a três vezes por semana 5.T odos os dias 6 71. De modo geral, os serviços do Centro são de boa qualidade 2.Discordo em parte 6.Não sei / Não quero responder 65. Em te rmos ge rais, atribua uma nota de 1 a 10 para o trânsito no C e ntro: 2 82. Em te rmos ge rais, atribua uma nota de 1 a 10 para o comé rcio n o C e n tro: 6.Não freqüento o Centro 7.Não sei / Não quero responder 138 6 DADOS DO ENTREVISTADO 83. Nome : 84. Tele fone : <digitar aqui a instrução> 85. Bairro: 86. Se xo: 1.Feminino 2.Masculino 87. Idade : 88. Estado C ivil: 1.Solteiro 2.Casado ou união estável 3.Desquitado, separado ou divorciado 4.Viúvo 89. Q uem mora no domicílio? 1.Família 2.Casal 3.Amigos 4.Sozinho 5.Outro: 90. Se 'O utro:', de fina: A questão só é pertinente se dom icílio entrevistado = "Outro:" 91. Q ual é a sua escolaridade? 1.Ensino Fundamental incompleto 2.Ensino Fundamental completo 3.Ensino Médio incompleto 4.Ensino Médio completo 5.Ensino Superior incompleto 6.Ensino Superior completo 7.Pós / Mestrado / Doutorado / PhD 8.Nenhuma DADOS ENTREVISTADOR 92. Nome: 93. Nº da quadra: 139 ANEXO 10 EXEMPLOS DE ESCALAS LIKERT UTILIZADAS ANEXO 11 140