Interciente 2014, 1, 33-49 – Doi: xxxxxxxxxxxxxxx – Publicado online Agosto 2014
http://publicacoes.ufabc.edu.br/interciente/
ISSN: em tramitação
Artigo
Os Bacharelados Interdisciplinares e os seus desafios
Derval dos Santos Rosa
Resumo A Educação Superior tem passado por significativas transformações ao longo da história
das instituições universitárias, mobilizadas inicialmente pelas demandas advindas da
profissionalização para o mundo do trabalho. No entanto, algumas Instituições de Ensino Superior
tem realizado propostas pedagógicas com inovações curriculares no Brasil, que procuram superar
essa perspectiva mais voltada ao credenciamento profissional. Este artigo procura apresentar
algumas considerações relativas aos aspectos relevantes e desafiadores relacionados à implantação
dos cursos de graduação denominados de Bacharelados Interdisciplinares (BIs). Procurou-se
apresentar alguns fatos para um entendimento mais amplo da inovação curricular que ocorreu, em
âmbito nacional, nos últimos anos. O texto apresenta ainda conceitos envolvidos nos cursos dos BIs,
segundo os Referenciais Orientadores para os Bacharelados Interdisciplinares e similares, e
evidencia também a construção de importantes documentos, tais como portarias do Ministério da
Educação que estabeleceram os grupos de trabalhos responsáveis por diferentes estudos sobre o
assunto. Os dados apresentados mostram que houve um crescimento do número dos cursos de
graduação no Brasil com diversas inovações curriculares, vislumbrando-se um avanço significativo de
tais propostas ao longo dos próximos anos.
Palavras-chave Bacharelado Interdisciplinar . Currículo Integrado . Interdisciplinaridade . Inovação
Curricular . Educação Superior
Interdisciplinaridade na Ciência, Inovação, Ensino, Tecnologia e Extensão.
Abstract Higher education has undergone significant changes over the history of universities,
initially mobilized by the demands from professionals regarding the world of work. However, some
higher education institutions have established curricular innovations in Brazil, seeking to overcome
this more focused approach to professional accreditation. This article presents some considerations
on relevant and challenging aspects related to the implementation of the interdisciplinary bachelor’s
degree (IB). We present some facts to enable a broader understanding of the curriculum innovation
that has occurred at the national level in recent years. We also introduce concepts involved in IB
programs, according to the Interdisciplinary Bachelor’s Degree Guidelines and similar frameworks,
and discuss important documents such as edicts from the Ministry of Education that established
working groups responsible for studying the subject. The data show that in recent years there has
been an increase in the number of undergraduate courses in Brazil with curricular innovations and
point to a significant advance in such proposals over the coming years.
Keywords Interdisciplinary bachelor’s degree . integrated curriculum . interdisciplinarity .
curriculum innovation . higher education
1 Considerações Preliminares
Os Bacharelados Interdisciplinares se configuram um tema bastante desafiador no cenário da
Educação Superior. Por essa razão, para “traçar” uma visão panorâmica dessa modalidade curricular
de formação no Brasil, é necessário antes, recuperar aspectos históricos relativos a esse segmento de
educação.
A instituição universitária tal como conhecemos hoje, tem sua origem em países como
Inglaterra, França e Itália no início do século XIII, exercendo um papel unificador da cultura medieval,
e mais tarde, ao longo do século XIX, também produziu significativos efeitos em processos de
consolidação dos Estados Nacionais (CHARLES e VERGER, 1996).
No Brasil, datam também do século XIX os primeiros registros relacionados com a educação
universitária não religiosa, com a criação do curso de Cirurgia, Anatomia e Obstetrícia, na Bahia e no
Rio de Janeiro. É importante também destacar que tais cursos estavam muito articulados à
preocupação da defesa militar da colônia e da formação dos cirurgiões militares do Brasil e seus
currículos eram organizados por meio das denominadas “cadeiras”, que definiam disciplinas com
conteúdos necessários para a profissionalização. (TEIXEIRA, 1988).
Segundo Sampaio, tal modelo de formação profissional teve duas principais influências: a) – o
pragmatismo que orientou o projeto de modernização de Portugal, que mais especificamente estava
ligado à reforma da Universidade de Coimbra e b) – o modelo napoleônico que trouxe, de uma forma
mais evidente, a separação entre o ensino e a pesquisa científica. Essas contribuições levaram à
criação de instituições de ensino superior que buscavam, principalmente, formar profissionais para a
administração dos negócios do estado e para a descoberta de novas riquezas. (SAMPAIO, 1991 e
MENDONÇA, 2000)
34
Já no século XX, ocorreu a criação da primeira instituição universitária num modelo mais
parecido com o que conhecemos hoje. No Rio de Janeiro, a Escola Politécnica, a Faculdade de Direito
e a de Medicina foram reunidas pelo governo federal, dando origem à Universidade do Brasil (UB),
que é hoje a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
A UB teve um papel importante no processo de avanço nas estruturas do Ensino Superior,
favorecendo um cenário que também culminou com a criação da Universidade de São Paulo, em
1934, fruto da resistência da elite paulista às políticas federais, com projeto próprio e plena defesa de
sua autonomia.
Uma série de fatos contribuiu para a mudança do cenário nacional da época e entre eles, podese citar: (a) Abolição da Escravidão; (b) a queda do Império; (c) a Proclamação da República entre
outros. De fato, com a promulgação da Constituição Federal de 1934, foi consolidado um avanço na
estrutura do Ensino Superior, que passou a ser compreendida como um direito de todos e como
possibilidade de formação de futuras gerações que pudessem estar preparadas para assumir postos
de trabalhos gerados com os avanços pretendidos no setor econômico. Já no início dos anos 40, com
o ministro Gustavo Capanema, consolidaram-se reformas educacionais nos níveis secundário e
superior, com uma perspectiva parecida com os moldes atuais da Educação brasileira. Até a década
de 60, estabeleceu-se a manutenção do sistema educacional brasileiro centralizado, controlado pela
Federação, pelos Estados e Municípios.
Por outro lado, inovações foram propostas e implementadas na Educação Superior, como por
exemplo, a criação da Universidade de Brasília (UnB) que buscou inicialmente um ensino integrado,
orgânico e atuante. Na sua proposta inicial, trazia como eixo principal um princípio curricular de
articulação entre cultura científica e profissionalização. No entanto, este projeto foi interrompido
com o golpe militar de 1964.
A flexibilidade curricular, no entanto, emergiu com intensidade, quase no final do século XX,
em 1996, com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, como um dos efeitos
dos debates sobre a estrutura universitária vigente na época. A LDB de 1996 trouxe diversos avanços
em relação as leis anteriores, em especial a da inclusão da Educação Infantil (creches e pré-escola) e
de algumas mudanças no ensino superior. A chamada “nova LDB” trouxe outras concepções
formativas de ensino que permitem ao aluno estar em contato com aspectos outros do currículo, ou
seja, que o processo de ensino aprendizagem ocorresse por meio de atitudes investigativas não
necessariamente presas as cargas horárias e conteúdos fixos.
Em relação a políticas públicas de expansão do ensino superior, ainda na década de 90,
durante o governo Fernando Henrique Cardoso, houve um razoável aumento de vagas nas
universidades privadas, no entanto, com poucas inovações curriculares. No entanto, a partir de 2003,
período em que se inicia o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, evidenciou-se uma
ampliação de vagas e de criação de novas universidades públicas com projetos pedagógicos
inovadores. Neste período, consolidou-se uma nova fase do Ensino Superior brasileiro,
principalmente favorecido pelo Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais
(Reuni), no qual, propostas mais amplas de arquitetura curricular em nível de graduação eram
35
esperadas. Este programa, instituído pelo Decreto no 6.096 de 2007, foi uma das ações desenvolvidas
em consonância ao Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação (PNDE).
2 Ampliação e inovação curricular no Ensino Superior – a experiência brasileira
No Brasil, desde a primeira década do presente século, modelos de cursos de graduação mais
tradicionais e de longa duração, com estrutura curricular engessada, com itinerários de formação
rigidamente pré-definidos e voltados para uma profissionalização precoce, começaram a dar sinais de
esgotamento progressivo.
Jurjo Santomé discute as origens do currículo integrado, apontando que até pouco tempo atrás,
expressões como interdisciplinaridade, educação global e metodologia de projetos faziam parte do
cotidiano de vários educadores na Espanha. Segundo ele, o movimento pedagógico a favor da
globalização e da interdisciplinariedade nasceu de reivindicações progressistas de grupos ideológicos
e políticos que lutavam por uma maior democratização da sociedade. (SANTOMÉ, 1998 e SAMTOMÉ,
1987)
No Brasil, em cenário semelhante, a Universidade Federal do ABC (UFABC) foi criada com um
projeto pedagógico diferenciado em 2005. Um grupo de professores e pesquisadores, coordenado
pelo Prof. Luiz Bevilacqua, propôs um projeto pedagógico inicial para uma universidade em moldes
almejados pela comunidade regional. A UFABC deveria buscar sua inserção regional mediante
atuação multicâmpus na região do ABC Paulista e trazer um projeto pedagógico completamente
novo, livre de amarras internas e de restrições externas, permitindo ampla flexibilidade curricular ao
estudante. A Universidade Federal do ABC trouxe também proposta de avanços na pesquisa em
Ciência e Tecnologia e em Ciência e Humanidades, tendo como base os bacharelados
interdisciplinares, que oportunizam rupturas de barreiras que dividem os diferentes campos do
conhecimento. Em seu projeto, a Universidade, localizada nos câmpus de Santo André e de São
Bernardo, apoia-se em uma estrutura na qual nota-se a ausência de departamentos, com
intensificação da interlocução permanente entre os docentes e discentes de forma interdisciplinar.
Em relação aos aspectos pedagógicos, o projeto da UFABC trouxe uma nova concepção de
disciplinas e propõe uma alteração na organização do currículo, no trabalho, nos espaços e nos
saberes dos seus docentes e discentes. (LOPES, 2011 e MACHADO, 1999).
Buscando um fortalecimento da ideia de cursos de graduação com a formação ampla e geral, a
Universidade Federal da Bahia (UFBa) também trouxe uma contribuição significativa a este
movimento, com a criação dos bacharelados interdisciplinares em 2009, com compreensão ampla e
articulação de conhecimentos e saberes. Na UFBa, os BI’s de Artes, Ciência e Tecnologia,
Humanidades e Saúde foram hospedados no Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Prof. Milton
Santos (IHAC), tendo sido aprovados durante a gestão do reitor Prof. Naomar de Almeida Filho.
Assim, o número de bacharelados interdisciplinares foi aumentando significativamente em
diferentes universidades brasileiras e se fazia necessário um avanço em relação as diversas questões,
como por exemplo, o reconhecimento desses cursos de graduação já criados no País.
36
Dessa forma, o recém-criado Colégio de Pró-Reitores de Graduação das Instituições Federais
(COGRAD), vinculado à Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais do Ensino
Superior (ANDIFES), iniciou uma agenda de encontros, a partir dos quais, seus membros - PróReitores de Graduação - perceberam que seria necessário fazer um diagnóstico da real situação dos
diferentes bacharelados interdisciplinares recém-criados no país. Entre as diferentes demandas dos
vários cursos existentes, a mais evidente era o reconhecimento dos cursos de graduação. Nesse
sentido, foi instituído um grupo de trabalho no COGRAD, tendo como finalidade a sistematização do
diálogo com os diferentes órgãos nacionais ligados a essa nova política pública.
Em um primeiro momento, o grupo de trabalho (GT) iniciou contato com o Ministério da
Educação, mais especificamente com a Secretaria de Educação Superior (SESu). A ideia inicial era
identificar o eixo principal de cada um dos diferentes cursos. Isso foi feito no âmbito do COGRAD e
posteriormente estendido para o Ministério da Educação. Além disso, ocorreram várias reuniões
entre o grupo de Pró-reitores de Graduação, os representantes do Conselho Nacional de Educação
(CNE) e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). Nesse
período, houve momentos motivantes e outros cansativos, pois se estava trabalhando no
convencimento de um novo ciclo da Educação Superior. Nas palavras da professora Lana Ermelinda
da Silva dos Santos (GAMBI, 2013):
“Os desafios são muitos, envolvem aspectos administrativos, acadêmicos e
políticos, chegando até aos pessoais.”
A frase da Pró-reitora da UNIFAL refletiu o espírito dos demais Pró-Reitores que participavam
do processo e das reuniões. Em 2010, aconteceu o primeiro avanço do grupo do Colégio de PróReitores de Graduação que publicou a primeira Portaria para formalizar, junto ao MEC, o Grupo de
Trabalho dos Bacharelados Interdisciplinares (GTBIs). Na ocasião, a portaria instituiu um grupo de
discussão agregando os bacharelados e as licenciaturas Interdisciplinares. É importante deixar
registrado que vários Pró-Reitores também participaram destas discussões, mas não estavam
formalmente nomeados, como foi o caso do Prof. Valter Carvalho de Andrade Júnior, Pró-Reitor de
Graduação da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri.
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR
PORTARIA No 383, DE 12 DE ABRIL DE 2010
A SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, no uso de suas
atribuições, resolve:
Art.1o - Designar MURILO SILVA DE CAMARGO da Diretoria de Desenvolvimento da Rede IFES DIFES/SESu/MEC, CLEUNICE MATOS REHEM Diretoria de Regulação e Supervisão da Educação
Superior - DESUP/SESu/MEC, YARA MARIA RAUH MULLER da Universidade Federal de Santa Catarina,
DERVAL DOS SANTOS ROSA da Universidade Federal do ABC, MURILO CRUZ LEAL da Universidade
Federal de São João Del-Rei, EDUARDO MAGRONE da Universidade Federal de Juiz de Fora, NAOMAR
DE ALMEIDA FILHO da Universidade Federal da Bahia, para, sob a presidência do primeiro, constituírem
o Grupo de Trabalho dos Bacharelados e Licenciaturas Interdisciplinares, para que num prazo de 180 (cento
e oitenta dias) proponha a SESu subsídios para o ordenamento dos referidos cursos.
Art.2o - o Grupo de Trabalho dos Bacharelados e Licenciaturas Interdisciplinares ter· as seguintes
atribuições: Coletar e sistematizar as contribuições das IFES, em harmonia com as diretrizes do REUNI,
para a elaboração de curriculares dos Bacharelados e das Licenciaturas Interdisciplinares - BIs , LIs e
similares.
37
I. Articular coordenadamente com Órgãos e colaboradores para a institucionalização dos BIs, LIs e
similares.
II. Produzir, com base nas contribuições das IFES e outros entes educacionais, os referenciais que
subsidiarão os procedimentos de avaliação e regulação dos BIs, das LIs e similares.
III. Elaborar proposta de indicadores de avaliação para fins de autorização e reconhecimento dos BIs, das
LIs e similares.
IV. Sistematizar o perfil básico comum de conclusão dos BIs, das LIs e similares.
V. Acompanhar e avaliar a implementação e resultados dos cursos.
VI. Coordenar uma publicação interinstitucional sobre esses cursos.
VII. Sugerir aperfeiçoamentos para avanços contínuos desses cursos.
Art.3o - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
MARIA PAULA DALLARI BUCCI
Os membros do GT fizeram vários encontros discutindo conjuntamente os temas relacionados
com os bacharelados interdisciplinares (BIs) e as licenciaturas integradas (LIs). Logo ficou evidente
que as questões das LIs eram diferentes dos BIs, o que resultou na decisão de separar as equipes.
Em paralelo a esse Grupo de Trabalho, junto a SESu, um trabalho foi realizado junto ao INEP.
Após muitos encontros com a equipe do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira, também ficou bastante evidente que os instrumentos vigentes de avaliação não eram
apropriados para os Bacharelados Interdisciplinares. Sabiamente, a Diretoria de Avaliação da
Educação Superior, mais especificamente a equipe da Profa. Claudia Maffini Griboski tomou a decisão
de organizar um curso de avaliadores que não só serviu para a formação dos avaliadores, mas
também propiciou o esclarecimento de diversas dúvidas/questões.
Foram vários os resultados do Grupo de Trabalho instituído pela Portaria no 383, de abril de
2010. No entanto, a principal realização foi a publicação do documento, ilustrado na Figura 1, que foi
encaminhado para o então presidente a Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de
Educação (Prof. Paulo Speller) pelo Memorando nº 119 /2010-DIFES/SESU/MEC, de 05 de Agosto de
2010.
Fig. 1: Ilustração da capa do Documento Referenciais Orientadores dos BIs.
38
Os autores Murilo Silva de Camargo, DIFES/SESu/MEC; Cleunice Matos Rehem,
DESUP/SESu/MEC; Yara Maria Rauh Muller, UFSC;
Derval dos Santos Rosa, UFABC; Murilo Cruz Leal,
UFSJ; Eduardo Magrone, UFJF e
Naomar de Almeida Filho da UFBa debateram amplamente,
incluindo também alunos nesse cenário de interlocução. Neste grupo, procurava-se sempre um
consenso nas discussões e talvez seja isso que tenha favorecido a aprovação do documento pelo
Conselho Nacional de Educação.
O documento aponta que:
“Os Cursos de Bacharelados Interdisciplinares (BIs) e similares são
programas de formação em nível de graduação de natureza geral, que conduzem
a diploma, organizados por grandes áreas do conhecimento. Sendo que as
grandes áreas são entendidas como campos de saberes, práticas, tecnologias e
conhecimentos, definidos de modo amplo e geral. Como exemplos, pode-se citar:
Artes; Ciências da Vida; Ciência e Tecnologia; Ciências Naturais e Matemáticas;
Ciências Sociais; Humanidades e outros.”
Segundo os Referenciais Orientadores para os Bacharelados Interdisciplinares e Similares, a
estrutura e fluxo de formação deve considerar:
“diversidade na organização curricular, com variações organicamente articuladas
às estruturas e práticas de ensino da Instituição. Os projetos pedagógicos
deverão especificar as possibilidades de integralização curricular e de fluxo de
formação em termos de, pelo menos: estrutura, acesso, permanência e sucesso,
progressão, aprendizagem e avaliação e mobilidade”.
O mesmo documento busca também esclarecer que a estrutura curricular dos BIs e similares
deverá:
“garantir uma formação geral, incluindo objetos, métodos cognitivos e recursos
instrumentais da grande área, possibilitando o prosseguimento dos estudos em
níveis de graduação profissionalizante (segundo ciclo) ou Pós-graduação.”
Com a publicação do despacho do Ministro, publicado no D.O.U. de 14/10/2011, Seção 1,
página 16, contendo os “Referenciais Orientadores para os Bacharelados Interdisciplinares e
Similares das Universidades Federais” a comunidade acadêmica, o Ministério de Educação e o INEP,
conheceram um pouco mais, de forma organizada, as pautas dos cursos de graduação - Bacharelados
Interdisciplinares. Neste contexto, uma segunda Portaria no 1670, de Outubro de 2010 foi publicada
prorrogando o trabalho do Grupo de Trabalho, conforme citado abaixo.
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR
PORTARIA No 1.670, DE 14 DE OUTUBRO DE 2010
A SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, no uso de suas
atribuições, resolve:
Art.1o –Prorrogar, por 180 dias a vigência da Portaria n 383 de 12 de abril de 2010, publicada no D.O.U.
de 14 abril 2010.
39
Art.2o –Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
MARIA PAULA DALLARI BUCCI
O trabalho foi continuado com prorrogação realizada pelo Prof. Luís Claudio Costa, o então
Secretário da SESu, pela Portaria 1.001, de 29 de Abril de 2011, com prazo por 180 dias, conforme
ilustrado na Portaria abaixo.
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR
PORTARIA No 1.0001, DE 29 DE ABRIL DE 2011
O SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, no uso de suas
atribuições, resolve:
Art.1o –Prorrogar, por 180 dias a vigência da Portaria no 1670 de 14 de outubro de 2010, publicada no
D.O.U. de 15 de outubro de 2010.
Art.2o –Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
LUIZ CLÁUDIO COSTA
Neste período, ocorreram vários encontros para mapeamento dos cursos de BIs existentes no
País. Na Tabela 1, são apresentados os BIs identificados na ocasião e nela já estão sinalizados os
Cursos da UFESBA e UFOB que hoje já estão em funcionamento. A Figura 3 ilustra a distribuição
destes cursos por região.
Tabela 1: Bacharelados Interdisciplinares identificados.
Fonte: Resultado do Grupo de Trabalho - PORTARIA No 1.0001, DE 29 DE ABRIL DE 2011
IFES
Nome do Curso
Ano
início
Vagas
anuais
UFABC
Bacharelado em Ciência e Tecnologia
2006
1500
UFABC
Bacharelado em Ciências e Humanidades
2010
400
UFBA/
Barreiras
Bacharelado em Ciências e Tecnologia
2009
80
UFBA/
Barreiras
Bacharelado em Humanidades
2010
80
UFBA/ Sede Bacharelado em Ciência e Tecnologia
2009
300
UFBA/ Sede Bacharelado em Saúde
2009
300
UFBA/ Sede Bacharelado em Humanidades
2009
400
UFBA/ Sede Bacharelado Interdisciplinar em Artes
2009
300
UFCA
Bacharelado em Ciência e Tecnologia (em
implantação)
40
UFERSA
Bacharel em Ciência e Tecnologia - BC&T
UFESBA
Bacharelado em Ciência e Tecnologia (em
implantação)
UFESB
Bacharelado em Artes (em implantação)
UFESB
Bacharelado em Humanidades (em implantação)
UFESB
Bacharelado em Saúde (em implantação)
2008
600
UFJF
Bacharelado em Ciências Exatas
2009
405
UFJF
Bacharelado em Ciências Humanas
2009
345
UFJF
Bacharelado em Artes e Design
2009
260
UFOB/
Barreiras
Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia
(em implantação)
2013
UFOB/
Barreiras
Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades (em
implantação)
2013
UFOPA
Santarém
Bacharelado Interdisciplinar em Ciências da Terra
2011
50
UFOPA
Santarém
Bacharelado Interdisciplinar em Tecnologia da
Informação
2011
50
UFOPA
Santarém
Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia
2011
100
UFOPA
Santarém
Bacharelado Interdisciplinar em Ciências Biológicas
2011
50
UFOPA
Santarém
Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia
das Aguas
2011
50
UFOPA
Santarém
Bacharelado Interdisciplinar em Gestão Ambiental
2011
50
41
UFOPA
Santarém
Bacharelado Interdisciplinar em
Etnodesenvolvimento
2011
50
UFOPA
Santarém
Bacharelado Interdisciplinar em Agroecologia
2011
80
UFOPA
Santarém
Bacharelado Interdisciplinar em Biotecnologia
2011
40
UFRB
Bacharelado em Ciências Exatas e Tecnológicas
2008
300
2009
100
UFRB
Bacharelado Interdisciplinar em Saúde
UFRJ
Bacharelado em Ciências Matemáticas e da Terra
2009
280
UFRN
Bacharel em Ciências e Tecnologia - BC&T
2009
1120
UFRN
Bacharel em Tecnologia da Informação – BTI
2012
240
UFSC
Bacharelado em Ciências Rurais
2009
360
UFSC
Bacharelado em Tecnologias da Informação e
Comunicação
2009
200
UFSJ
Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia
2008
500
UFSJ
Bacharelado Interdisciplinar em Biossistemas
2009
40
2009
400
2009
480
2009
330
2009
264
UFVJM
UFVJM
UNIFAL
UNIFAL
Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades – BHU
Bacharelado em Ciência e Tecnologia
Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Economia
(Ciências Atuariais, Adminstração Pública, Ciências
Econômicas com Ênfase em Controladoria)
Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia
(Engenharia Ambiental e Urbana, Engenharia de
Minas, Engenharia Química)
UNIFESP
Bacharel em Ciências e Tecnologia - BC&T
2011
300
UNIFESP
Bacharel Interdisciplinar em Ciências e Tecnologia
com ênfase em Ciências do Mar - BICT-Mar
2012
200
UNILAB
Bacharelado Interdisciplinar em Ciências Humanas
2010
320
42
UNIPAMPA
Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia
2011
150
É evidente que os dados apresentados na Tabela 1 apontam para um significativo crescimento
dos cursos de graduação entre os anos de 2008 e 2009, conforme ilustra a Figura 2. Naquele
momento, foi importante identificar que os Bacharelados Interdisciplinares já estavam distribuídos
em várias regiões do País, conforme ilustra a Figura 3, e representavam cerca de 4,9% das vagas da
rede pública Federal, ou seja, 11.394 vagas de um total de 231.753. Foram identificados 45 cursos de
graduação, distribuídos em 18 Universidades Federais.
12000
10954
11394
9984
10000
9184
8000
6000
4000
2960
2000
1500
1500
0
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
Fig. 2: Ilustração do crescimento do total de vagas dos BIs nas Universidades Federais.
As discussões em curso permitiram a organização do I Encontro dos Bacharelados
Interdisciplinares, ocorrido na cidade de Santo André nos dias 5 e 6 de Junho de 2012. Tal evento,
realizado pelo Colégio de Pró-Reitores de Graduação da ANDIFES, Ministério da Educação e a equipe
da Universidade Federal do ABC, teve a participação de Reitores, Pró-Reitores, Diretores,
Coordenadores de Curso, Dirigentes e representantes de 46 Instituições Públicas e alguns poucos
participantes de instituições privadas. Na ocasião, além de palestras de convidados, foram
desenvolvidos trabalhos com as seguintes temáticas: Flexibilidade Curricular e Novas Possibilidades
de Escolha Profissional; Mobilidade e Acreditação; Interdisciplinaridade e Perfil do Egresso.
43
NÚMERO DE VAGAS POR
REGIÃO
520
3820
5464
1030
Fig. 3: Ilustração, por região do Brasil, da distribuição das vagas anuais oferecidas dos Bacharelados
Interdisciplinares.
Foram vários os frutos produzidos no encontro, realizado em um período cercado de conflitos
com a greve dos estudantes e servidores (docentes e técnicos administrativos). Os trabalhos
conduzidos ao longo do Encontro culminaram com a produção da Declaração de Santo André –
Bacharelados Interdisciplinares (BIs). Uma nova Portaria foi publicada e a Profa. Adriana Rigon
Weska, passou formalmente a encabeçar o grupo de trabalho, conforme ilustrado abaixo.
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR
PORTARIA No 127, DE 31 DE JULHO DE 2012
O SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR DO MINISTERIO DA EDUCAÇÃO, no uso de suas
atribuições, resolve:
Art. 1o - Designar ADRIANA RIGON WESKA, ANTONIO SIMÕES SILVA, da Diretoria de Desenvolvimento
da Rede de Instituições Federais de Ensino Superior/SESU/MEC, ANDREA DE FA- RIA BARROS
ANDRADE e CLEUNICE MATOS REHEM da Diretoria de Regulação e Supervisão da Educação
Superior/Seres/MEC, CLAUDIA MAFFINI GRIBOSKI do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Anísio
Teixeira/INEP, DERVAL DOS SANTOS ROSA da Universidade Federal do ABC, YARA MARIA RAUH
MÜLLER da Universidade Federal de Santa Catarina, EDUARDO MAGRONE da Universidade Federal de
Juiz de Fora, NAOMAR MONTEIRO DE ALMEIDA FILHO e RICARDO CARNEIRO DE MIRANDA FILHO da Universidade Federal da Bahia, VALTER CARVALHO DE ANDRADE JÚNIOR da Universidade
Federal Vales do Jequitinhonha e Mucuri, LANA ERMELINDA DA SILVA DOS SANTOS da Universidade
Federal de Alfenas, JOAO DE DEUS MENDES DA SILVA da Universidade Federal do Estado Maranhão,
MARCELO PEREIRA PIMENTEL da Universidade Federal de São João Del Rei, SUSANA COUTO
PIMENTEL da Universidade Federal do Recôn- cavo da Bahia, ADELARDO ADELINO DANTAS da
44
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, WALTER MARTINS RODRIGUES da Universidade Federal
Rural do Semi-Árido, JOSÉ ANTONIO DE OLIVEIRA AQUINO da Universidade Federal do Oeste do Pará,
MARTA FEIJÓ BARROSO da Universidade Federal do Rio de Janeiro, sob a presidência da primeira, para
que num prazo de 90 (noventa dias) proponha à SESu subsídios para o ordenamento do referido curso.
Art. 2 o - O grupo de trabalho dos bacharelados e Licenciaturas Interdisciplinares terá as segui o es
atribuições
I. Coletar e sistematizar as contribuições das IFES, em harmonia com as diretrizes do REUNI e da expansão,
para a elaboração das praticas curriculares dos Bacharelados Interdisciplinares (BI's) e similares.
II. Articular coordenadamente com órgãos e colaboradores para institucionalização e implementação dos Bis
e similares.
III. Definir, com base nas contribuições das IFES e outros entes educacionais parâmetros orientativos para o
uso do instrumento da avaliação para fins de autorização e reconhecimento dos Bis e similares.
IV. Sistematizar, durante a implementação dos BI's nas diferentes instituições, o perfil básico comum de
conclusão dos Bis e similares.
V. Acompanhar e avaliar a implementação e resultados dos cursos.
VI. Coordenar uma publicação interinstitucional sobre cursos.
VII. Sugerir aperfeiçoamentos para avanços contínuos desses cursos.
VIII. Sugerir medidas para a extensão progressiva da modalidade de graduação em dois ciclos.
Art. 3o - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
AMARO HENRIQUE PESSOA LINS
Este trabalho de equipe de persistência pela causa dos bacharelados interdisciplinares contou
com o apoio da Sra. Denise de Oliveira Alves, que acompanhou o inicio do projeto e tem
acompanhado o GT de perto no INEP e, também, da Sra. Katia Marangon Barbosa que tem
acompanhado todo este gratificante caminho. A contribuição do Coordenador Geral de Expansão e
Gestão das Instituições Federais de Ensino, Prof. Dr. Antonio Simões Silva foi fundamental para a
continuidade do trabalho.
A portaria no Diário Oficial da União em 23 de novembro de 2012, mais especificamente Seção
II – p.20 permitiu a continuidade do grupo de trabalho que naquele momento também trabalhava em
sintonia com a SESu.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO.
PORTARIA No 162 , DE 22 DE NOVEMBRO DE 2012
O SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, no uso de suas
atribuições, resolve:
Art.1o - Prorrogar por, 240 dias, a partir de 1o de novembro, a vigência da Portaria No 127 de 31 de julho
de 2012, publicada no D.O.U, do dia 1o de agosto de 2012, seção 02, página 19.
Art. 2o - Esta Portaria entra em vigor na data da sua publicação.
AMARO HENRIQUE PESSOA LINS
Em agosto de 2013, entre os dias 07 e 09, a UNIFAL-MG realizou, conjuntamente com o MEC e
o COGRAD, o II Encontro dos Bacharelados Interdisciplinares. O evento realizado no Complexo
Cultural da Urca, em Poços de Caldas contou com um grande número de participantes, dentre os
quais, os estudantes que também formalizaram a sua participação nos encontros dos BIs. O encontro
também produziu a Declaração de Poços de Caldas – Bacharelados Interdisciplinares (BIs).
O crescente número dos Bacharelados Interdisciplinares pode também ser evidenciado com o
surgimento da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), que avança com seus marcos conceituais
formalizados desde o seu processo inicial de implantação: Universidade Popular; Pedagogia da
45
autonomia, Ecologia dos saberes e da Inteligência coletiva. A UFSB estabelece o regime letivo
quadrimestral, já adotado pela UFABC em 2006, e apropria-se de tecnologias digitais e dos aspectos
culturais trazidos pelo mundo contemporâneo. Na Tabela 2, encontram-se os tipos de BIs e LIs, bem
como as quantidades de vagas que estão previstas na implantação, até 2020, na Universidade Federal
do Sul da Bahia.
Tabela 2: Quantidade de vagas em cada Bacharelado Interdisciplinar previsto até 2020 na UFSB
Dentro deste processo de expansão dos Bacharelados Interdisciplinares, há um desafio ainda
maior representado pelo acompanhamento mais intenso dos Cursos existentes, conforme explicitado
na Portaria no 12 da SESU, de Março de 2014.
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR
PORTARIA Nº 12 DE 31 DE MARÇO DE DE 2014
O SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR, no uso das atribuições que lhe são conferidas pela Portaria
nº 212, de 27de março de 2013, resolve:
Art. 1º Fica intituída a Comissão de Acompanhamento e Monitoramento do Processo de Implementação e
Expansão dos cursos de Bacharelado Interdisciplinar nas Instituições Federais de Ensino Superior- IFES.
Art. 2º A Comissão será coordenada pela Secretaria de Educação Superior, e composta pelos profissionais a
seguir:
I - Adriana Rigon Weska - Diretoria de Desenvolvimento da Rede de Instituições Federais de Ensino
Superior/SESu/MEC
II - Antonio Simões Silva - Diretoria de Desenvolvimento da Rede de Instituições Federais de Ensino
Superior/SESu/MEC
III - Derval dos Santos Rosa - Universidade Federal do ABC/UFABC
IV - Lana Ermelinda da Silva dos Santos- Universidade Federal de Alfenas/UNIFAL
V - Valter Carvalho de Andrade Júnior - Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri/UFVJM
VI - Ricardo Carneiro de Miranda Filho - Universidade Federal da Bahia/UFBA
VII - Eduardo Magrone - Universidade Federal de Juiz de Fora/UFJF
VIII - Naomar Monteiro de Almeida Filho - Universidade Federal do Sul da Bahia/UFESBA
IX - Adelardo Adelino Dantas - Universidade Federal do Rio Grande do Norte/UFRN
X - Marcelo Pereira de Andrade - Universidade Federal de São João Del Rei/UFSJ
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XI - Walter Martins Rodrigues- Universidade Federal Rural do Semi-Árido/UFERSA
XII - Anselmo Alencar Colares - Universidade Federal do Oeste do Pará/UFOPA
Art. 3º Compete à Comissão, sem prejuízo das competências dos órgãos envolvidos:
§ 1º Acompanhar e Monitorar a Implantação dos Cursos de Bacharelado Interdisciplinar nas universidades
federais, de acordo com critérios estabelecidos pela SESu/MEC em consonância com os Referenciais
Orientadores para os Bacharelados Interdisciplinares e Similares, e ainda:
§ 2º Propor adequações dos Projetos Políticos Pedagógicos dos cursos de Bacharelado Interdisciplinar, das
universidades federais, que não estiverem de acordo com os Referenciais Orientadores para os Bacharelados
Interdisciplinares e Similares.
§ 3º Promover o diálogo com o Conselho Nacional de Educação - CNE, com vistas à elaboração e
aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Bacharelado Interdisciplinar.
Art. 4º A conclusão dos trabalhos da Comissão deverá ser apresentada no prazo de 240 dias.
§ 1º Os membros dessa Comissão exercem função não remunerada de relevante interesse social.
§ 2º Poderão ser convidados a participar das reuniões da Comissão e do desenvolvimento de suas atividades
representantes de outros Ministérios, Secretarias e Universidades, bem como especialista sobre o assunto.
Art. 5º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
PAULO SPELLER
Diante de todas as considerações tecidas até aqui, um panorama de crescimento parece se
delinear:
A criação da Universidade Federal do Cariri (UFCA) que já prevê diretrizes norteadoras
envolvendo uma formação sólida e com pressupostos Interdisciplinares, Multidisciplinares e
Transdisciplinares tem sinalizado um avanço em relação à Interdisciplinaridade.
Na Universidade do Sul e do Sudeste do Pará (Unifessapa) já estão entre os cursos de
Graduação, os Bacharelados em Ciência de Tecnologia e Engenharia Ferroviária e Logística.
A Universidade do Oeste da Bahia (UFOB) aprovou o seu estatuto em fevereiro deste ano e já
propôs o Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia e o Bacharelado Interdisciplinar
em Humanidades;
São exemplos também da continuidade da expansão dos cursos de BIs, a recém criação (2014)
dos Cursos de BC&T da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (400 vagas
para o Câmpus de Janaúba) e do curso de Bacharelado em Ciências Agrárias (320 vagas do
BC&A) do Câmpus de Unaí da mesma Universidade.
3 Considerações Finais
As considerações aqui desenvolvidas retratam um cenário ainda em movimento e com muitas
perspectivas de ampliação. Pode-se perceber que a criação destes cursos de graduação no Brasil tem
crescido significativamente, nos últimos anos. Cada vez mais, observa-se que o tema
interdisciplinaridade também tem frequentado as discussões acadêmicas, principalmente após a
organização (pelo Ministério Francês nos anos 70) do Seminário Internacional sobre a
Interdisciplinaridade nas Universidades Francesas. Uma maior discussão sobre esse tema permitirá
um avanço na busca por soluções de questões do cotidiano e na concepção de novas propostas
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pedagógicas de cursos interdisciplinares, em especial aqueles que trazem contribuições nos campos
sociais, econômicos, políticos, culturais.
Sem dúvida, o avanço no entendimento do significado de propostas curriculares integradas
nos obrigará a levar em conta dimensões globais da sociedade e do mundo contemporâneo em que
vivemos. Neste sentido, teremos que fazer um trabalho orquestrado entre os diferentes atores
sociais, ou seja, a Universidade, a Sociedade e o Estado.
Agradecimentos: O autor agradece a todos aqueles que ajudaram na produção de dados, nos
diferentes grupos de trabalhos. É importante salientar que este é apenas um relato possível dos
acontecimentos nos últimos 5 anos.
Referências:
CHARLES, Christophe e VERGER, Jacques, (1996). História das universidades. São Paulo: Editora da
Universidade Estadual Paulista, p. 7-8.
GAMBI, T., COSENTINO, D. do VAL e GAYDECZKA,B., (2013). O desafio da interdisciplinaridade:
Reflexões sobre a experiência do Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Economia da
UNIFAL-MG, Fino Traço Editora Ltda., 296.
LOPES, A.C, DIAS, R.E e ABREU, R.G., (2011). Discursos na políticas de currículo, Quartet Editora, 303.
MACHADO, Nilson J. (1999). Interdisciplinaridade e contextualização. In: INEP (Instituto Nacional de
Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Exame Nacional do Ensino Médio (Enem):
fundamentação teórico-metodológica. Brasília: INEP, 121p.
MENDONÇA, A.W.P.C., (2000). A universidade no Brasil. Revista Brasileira da Educação, no 14, p131150.
SAMPAIO, H. (1991). Evolução do ensino superior brasileiro, 1808-1990. Documento de trabalho,
Núcleo de Pesquisas sobre Ensino Superior da Universidade de São Paulo. 30p.
SANTOMÉ, J.T., (1998). Globalização e Interdisciplinaridade. Artmed Editora, 275.
SANTOMÉ, J.T., (1987). La globalization como forma de Organización del currículo. Revista de
Education, no 282, p103-130.
TEIXEIRA, Anísio, (1988). Educação e universidade. Rio de Janeiro: Editora da UFRJ. 187p.
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Biografia do autor: Derval dos Santos Rosa possui graduação em Licenciatura
e Bachareado em Química pela Universidade Estadual de Campinas (1984),
Mestrado em Química pela UNICAMP (1988) e Doutorado em Engenharia
Química pela mesma Universidade (1996). Atuou como coordenador de curso
de graduação e pós-graduação e como Diretor de Câmpus. Atualmente é
professor da Universidade Federal do ABC, onde atuou como Pró-Reitor de
Graduação no período de 2010-2014. Tem experiência na área de Química e
Engenharia de Materiais, com ênfase em Polímeros, atuando principalmente
nos seguintes temas: Biodegradação e Reciclagem de polímeros. Possui
experiência em projetos de pesquisa básica e tecnológica, financiados por
agências de fomento e empresas. Atualmente possui cerca de 80 artigos
completos publicados em periódicos (grande maioria internacionais), 3 livros
publicados, 19 capítulos de livros e por volta de 270 trabalhos publicados em
Anais de Eventos ou Congressos Científicos. Vem atuando como parecerista
em algumas agencias de fomento e revistas nacionais e internacionais.
Contato: Centro de Engenharia, Modelagem e Ciências Sociais Aplicadas,
Universidade Federal do ABC, Santo André, Brasil.
e-mail: [email protected], [email protected]
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