A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO DISPONIBILIDADE DE DADOS CADASTRAIS EM MUNICÍPIO DE GRANDE PORTE: A SITUAÇÃO DE FEIRA DE SANTANA-BA CAROLINE MARTINS PEREIRA1 SANDRA MEDEIROS SANTO 2 JUNÍVIO DA SILVA PIMENTEL 3 Resumo: Neste trabalho, realizou-se análise da disponibilização de dados cadastrais nos municípios de grande, com destaque para Feira de Santana, considerado o segundo maior município da Bahia. Os dados cadastrais adquiridos na prefeitura foram: Boletim de Cadastro Imobiliário e planta de quadra. Observou-se que as informações do Boletim são utilizadas exclusivamente para arrecadação de impostos urbanos, já a planta, em ambiente CAD, está subutiliza. Constatou-se que quase a maioria dos municípios baianos é governada com pouca informação espacial, impedindo, assim, ações eficazes e eficientes nas políticas públicas territoriais. Palavras-chave: Dados cadastrais; Feira de Santana; Gestão territorial. Abstract: In this paper, it was analyzed the availability of cadastre data in the large municipalities in Bahia, especially in the city of Feira de Santana, the second largest one in Bahia. The cadastre data obtained at the prefecture were: Property Registration Form and blocks‟ plant. It was observed that the information in the Property Registration Form are used exclusively for storage of urban municipal taxes and the blocks‟ plant, in CAD environment, is underused. It was noticed that almost the majority of the Bahia‟s municipalities is governed with few spatial information, thus preventing effective and efficient actions in the territorial public policies. Key-words: Cadastre data; Feira de Santana; Land Administration. 1 – Introdução Os municípios brasileiros, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são definidos em classes as quais variam segundo o valor absoluto de número de habitantes. Diante dessa classificação, foi realizada uma análise - em valores absolutos e percentuais - sobre o quantitativo de municípios, da Bahia, presentes em cada 1 - Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Territorial da Universidade Estadual de Feira de Santana. E-mail de contato: [email protected] 2 - Docente do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Territorial da Universidade Estadual de Feira de Santana. E-mail de contato: [email protected] 3 - Docente da Universidade do Estado da Bahia, campus VI, Caetité-BA. E-mail de contato: [email protected] 5665 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO categoria e o que esses números podem representar no tocante à gestão e planejamento municipais. Independente do quantitativo populacional, as prefeituras são responsáveis pela gestão urbana, e a mesma contempla ações de controle no crescimento urbano, tributação, controle de trânsito, manutenção de logradouros, coleta de lixo, obras de infraestrutura, dentre outros. Para a efetivação das políticas públicas citadas, as prefeituras mantêm secretarias, tais como: planejamento, administração, obras, meio ambiente e tributação. Além da necessidade das secretarias para a realização das ações urbanas, há um elemento primordial para a realização eficaz e eficiente de cada política pública, são os dados cadastrais. Os quais são baseados em informações territoriais, geralmente organizadas no setor de cadastro imobiliário, utilizado comumente só para fins de tributação fiscal. No intuito de identificar a situação dos dados cadastrais, avaliou-se a disponibilização dos mesmos nos municípios de grande porte no Estado da Bahia, porém com ênfase no município de Feira de Santana. Esta investigação teve a premissa de que a cidade de grande porte tem condições financeiras, tecnológicas e de corpo técnico para ter, manter, atualizar e disponibilizar dados cadastrais, assim como utilizá-los na gestão e planejamento territorial. 2 – Discussão O IBGE (2010) agrupa os municípios brasileiros em pequeno, médio, grande portes e metrópole, tais classes variam de acordo com a população absoluta: Pequeno porte 1: População chega até 20.000 habitantes; Pequeno porte 2: População varia de 20.001 a 50.000 habitantes; Médio porte: População está entre 50.001 a 100.000 habitantes; Grande porte: População é de 101.000 até 900.000 habitantes; Metrópole: Municípios com mais de 900.000 habitantes. O Estado da Bahia possui 417 municípios e, segundo essa classificação, 88,72% deles são de pequeno porte (1 e 2), 7,19% são municípios de médio porte, 5666 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO já 4,07% municípios são de grande porte e 0,02% representa uma única metrópole presente no estado: Salvador. Diante do grande contingente de municípios de pequeno porte, achou-se relevante calcular a distribuição territorial de todas as classes, assim como percentual proporcional da população para se ter uma melhor configuração do contexto em que está inserido o estado da Bahia. O Quadro 01, a seguir, mostra os valores numéricos distribuídos para cada porte municipal. Distribuição territorial dos municípios % de municípios Pequeno Porte (1 e 2) Médio Porte Grande Porte Metrópole Total 88,72% 7,19% 4,07% 0,02% 100% % em relação à distribuição territorial 81,39% 12,63% 5,86% 0,12% 100% População % por proporcional distribuição da territorial população 6.918.160 45,75% 2.037.402 13,45% 3.267.882 21,60% 2.902.297 19,20% 15.125.741 100% Quadro 01 - Distribuição dos municípios por porte territorial e proporcionalidade da população. Fonte dos dados: IBGE (2010) – Acessado em maio de 2015. Organização: PEREIRA, SANTO e PIMENTEL (2015) Ao analisar o Quadro 01, percebe-se de forma significativa que a quantidade de municípios de pequeno porte é muito superior em relação às outras categorias, além de apresentar uma maior extensão territorial, assim como possuir mais que o dobro da população em comparação com os municípios de grande porte. Sabe-se que as prefeituras são responsáveis pela gestão e desenvolvimento da política urbana municipal conforme os artigos 182 e 183 da Constituição Federal (BRASIL, 1988). A mesma determina que compete aos municípios manter programas de educação, prestar serviços de atendimento à saúde, promover o adequado ordenamento territorial, mediante planejamento, e promover a proteção do patrimônio histórico e cultural local. Dessa forma, o município tem obrigação de possuir estrutura administrativa voltada para a prestação de serviços básicos a cidadania e deve fazer planejamentos para organizar seu território, definir seus programas sociais, disponibilizar equipamentos e serviços públicos para população, além de ter a responsabilidade do recolhimento de tributos urbanos, Artigo 32 do Código Tributário 5667 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO Nacional (BRASIL, 1966). Logo, recai sobre as prefeituras a responsabilidade de gerir o espaço urbano e conduzir sua administração segundo as leis. Mas cabe-se a pergunta: Quais são os dados a que as prefeituras recorrem para gerir e planejar o seu município? Ou melhor, há dados? E se houver, em que condições estão os mesmos? Quais são as informações em que se baseiam para o processo de tomada de decisão? É somente por meio de gráficos e tabelas? Primeiramente, para se atingir o objetivo de gerir e planejar, é necessário haver conhecimento territorial a respeito da cidade, ou seja, ter ciência de como estão distribuídos espacialmente os imóveis, equipamentos urbanos e outros elementos antrópicos e naturais que compõem o município; assim como as características dos mesmos. Tais dados e informações são conhecidos através da base cadastral territorial do município, que é um sistema de informações que identifica a relação entre indivíduo e a propriedade ou domínio sobre o imóvel. O cadastro territorial municipal deve ser capaz de identificar com confiabilidade as pessoas ou instituições - que tem direito - e obrigações sobre cada porção do território. Porém, o chamado cadastro imobiliário tem sido utilizado pelos municípios brasileiros, historicamente, para fins exclusivamente fiscais. Perde-se, assim, a oportunidade de utilizar o cadastro territorial (o qual é considerado pela maioria dos países como um elemento estratégico para a gestão pública e desenvolvimento econômico) para aplicação importante no apoio à tomada de decisões e no planejamento da utilização dos recursos públicos, otimizando os processos envolvidos na gestão. Segundo Souza (2003), sem cadastro territorial e plantas de valores atualizados, não apenas a arrecadação com o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) há de ser comprometida, mas também os objetivos ambiciosos em matéria de planejamento/gestão eficientes e progressistas do município. Há alguns elementos facilitadores para garantir eficiência e qualidade nos procedimentos de planejamento territorial de áreas municipais, um destes recursos tecnológicos é o Sistemas de Informações Geográficas (SIG). Todavia, exige-se preliminarmente uma cartografia estruturada, ou seja, que a mesma tenha passado por uma avaliação topológica de ajuste e correção das feições gráficas, por exemplo. 5668 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO Por essa razão, muitas vezes as ações sobre o território não atingem êxito por dificuldade do conhecimento territorial, por falta de dados ou pela não implementação dos dados existentes do formato analógico em ambientes digitais e estruturados em SIG. Em termos de Bahia, Castro (2009) através de sua dissertação do mestrado fez um estudo sobre a análise da utilização do geoprocessamento na administração municipal do estado baiano. E foi constatado que na Bahia foi implementado o Programa de Administração Municipal e Desenvolvimento de Infraestrutura Urbana (PRODUR), entre março de 1997 e setembro de 2004, que financiou a produção de bases cartográficas de 31 cidades do interior do estado cuja população urbana fosse superior a 30.000 habitantes, com base nos dados da Contagem Populacional de 1996 do IBGE, assim como outras cidades consideradas estratégicas para o desenvolvimento do estado. A Figura 01 representa os municípios contemplados pelo programa. Figura 01 - Municípios contemplados pelo programa PRODUR. Fonte dos dados: CASTRO (2009) – Acessado em maio de 2015. Organização: PEREIRA, C. M. (2015) 5669 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO Dentro do programa, foram elaborados 78 projetos de cadastro municipal: sendo 74 de cadastro técnico (coleta de informações sobre os logradouros, imóveis e atividades econômicas de uma cidade), 02 de cadastro imobiliário (coleta de informações sobre os imóveis e atividades econômicas de uma cidade) e 02 de atividades econômicas (coleta de informações sobre as atividades econômicas de uma cidade). A implantação dos cadastros municipais teve início em 1998 e suas ações concluídas em 2002. Dessa forma, foi desenvolvido conjunto de projetos e serviços na área de mapeamento digital e georreferenciamento. Após a finalização dessa etapa e com os produtos cartográficos em mãos, deu-se início o treinamento em geoprocessamento (técnico-conceitual e metodológico) de 62 técnicos, sendo dois de cada prefeitura. Posteriormente, as prefeituras beneficiárias receberam um computador, com configuração capaz de processar a base cartográfica recebida, e uma impressora que permitia a saída de documentos até o formato A3. Durante a realização do projeto, ainda foi desenvolvido aplicativo para auxiliar nas necessidades básicas das prefeituras na área de cadastro como o Sistema de Gerenciamento de Base de Dados Geográficos Municipais – GEOPOLIS. Logo, o projeto foi concebido para dar suporte às tecnologias de geoprocessamento nos municípios baianos contemplados com a cartografia da área urbana. Entretanto, Castro (2009) concluiu que este trabalho não teve a visibilidade e receptividade devidas junto às prefeituras, apesar do treinamento e equipamentos de informática disponibilizados. Dentre os 31 municípios pesquisados por (CASTRO, 2009) apenas Valença possuía um Núcleo de Geoprocessamento. Barreiras encontrava-se em estruturação do seu Setor de Cartografia e Geoprocessamento, enquanto Vitória da Conquista e Bom Jesus da Lapa já possuíam estruturas que, mesmo com a não denominação específica, podem ser consideradas como tal. Os outros municípios não conseguiram avançar significativamente neste sentido, e, em muitos não havia, à época de 2009, nenhum corpo técnico capacitado na área. 5670 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO Deste modo, a investigação realizada por Castro (2009) demonstrou que poucos municípios de fato estavam utilizando sistematicamente, em suas atividades, o geoprocessamento e a base cartográfica. Percebe-se assim, uma discordância com os objetivos esperados após a aplicação dos programas e projetos visados por uma ação de disseminação do geoprocessamento. Quanto à disponibilização na internet, dos 31 municípios, Castro (2009) constatou que sete deles não possuíam sequer página oficial na internet no período da pesquisa. Em muitos casos o site na internet só existia para disponibilização das contas públicas. Os técnicos de Valença citaram a publicação da cartografia em ambiente web, só que no site do Sistema de Informações Geográficas Urbanas do Estado da Bahia (INFORMS) onde são publicados mapas e demais informações dos municípios em seu portal. Neste último é permitida a consulta às delimitações de bairros, distritos, identificação de logradouros e localidades, e edificações de referência (pontos notáveis), em ambiente web. As bases cartográficas encontram-se sob domínio da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (CONDER, 2015). Elas são comercializadas aos interessados mediante dois instrumentos: convênios para as instituições públicas e contrato com as empresas particulares. A pessoa ou instituição interessada na aquisição do produto se dirige ao setor responsável da CONDER/INFORMS e informa a área desejada, preferencialmente em km², ou obtém ajuda deste setor para defini-la, assim como valores. Um dos objetivos preconizados, a partir da utilização da tecnologia do geoprocessamento, é a possibilidade de disseminar informação ao cidadão comum. Este propósito ficou comprometido, não só pela existência de uma estrutura centralizada - e para muitos inacessível -, mas também pela falta de mecanismos eficazes de divulgação das potencialidades do geoprocessamento aos mais variados públicos. Diante do contexto exposto, em relação ao cadastro territorial na Bahia até o ano de 2009, teve-se como objetivo geral da pesquisa, investigar a disponibilização de dados cadastrais territoriais nos municípios de grande porte. E, constatar se 5671 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO houve progressos - após esses 6 anos - quanto à utilização dos dados cadastrais, ou seja, se ocorreu atualização e disponibilização dos mesmos. Optou-se pela classe dos municípios de grande porte, uma vez que dos 16 municípios (Feira de Santana, Vitória da Conquista, Camaçari, Itabuna, Juazeiro, Lauro de Freitas, Ilhéus, Jequié, Teixeira de Freitas, Alagoinhas, Barreiras, Porto Seguro, Simões Filho, Paulo Afonso, Eunápolis e Santo Antônio de Jesus), 13 (exceto Camaçari, Lauro de Freitas e Paulo Afonso) foram contemplados pelo programa PRODUR e possuem maiores condições financeiras, tecnológicas e de equipamentos para terem gerado atualização da base cadastral, assim como disponibilização. Deu-se ênfase para Feira de Santana, devido ao seu destaque estadual, sendo o segundo maior município baiano em aspectos populacionais e econômicos. 3 – Metodologia A partir da contextualização dos dados cadastrais municipais na Bahia e ressalvada a justificativa da presente pesquisa, realizou-se como primeira etapa a busca em sites das prefeituras de todos os municípios de grande porte, para averiguar se houve amadurecimento e a ampliação no uso dos dados. Diante do resultado negativo à busca nos sites das prefeituras, iniciou-se o processo de pesquisa nos sites dos órgãos estaduais. Na esfera de sites governamentais e prefeituras, percebeu-se que o único site em que se era abordada a base cadastral foi a CONDER, especificamente no INFORMS. No INFORMS na aba „Produtos‟ e no tópico „Cartografia Sistemática‟, há um item que envolve “Bases Municipais” e no qual é apresentada uma tabela indicando 12 municípios de grande porte, com descrição das seguintes informações: extensão do arquivo, escala, ano de referência da informação, dentre outras - todas disponíveis para solicitação na CONDER. Percebe-se que os anos de referência são dos anos 1990 e início dos 2000, e se não foram continuamente atualizadas nas respectivas prefeituras, “perderam” parcialmente seu valor. 5672 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO Já no tópico de „Dados Cadastrais‟, há item „Planta de Referência Cadastral‟ que abrange um total de 03 municípios de grande porte – alguns em formato digitalcujos anos de referência são do final dos anos 1980 e começo dos anos 1990. Ainda no INFORMS, existem outros tópicos como „Redes de Marcos Geodésicos‟, „Dados Político-administrativos e Unidades Espaciais de Referência‟, „Dados Socioeconômicos‟ e „Acervo de Imagens‟. Além da visualização da tabela dos dados disponíveis pelo órgão, tem-se a possibilidade de consultar alguns mapas interativos de determinados municípios com dados de logradouros, pontos notáveis e localidades, utilizando como base os principais elementos do mapa vetorial (sistema viário, rodovias e principais edificações), ortofotos e imagens georreferenciadas. Diante da pouca disponibilidade de informações cadastrais na internet sobre os municípios de grande porte, escolheu-se dentre os mesmos, o segundo maior da Bahia: Feira de Santana (Figura 02), como área de estudo para detalhamento das condições em que se encontram os dados cadastrais territoriais. Atualmente, o município passa por reformas em suas legislações com elaboração de um novo Plano Diretor, ampliação do perímetro urbano com a criação de seis bairros e adequações no código de obras e edificações municipal e, ainda, com vistas para reelaboração da lei de ocupação e uso do solo. Perante o contexto singular de elaboração de novas legislações - as quais possuem relação direta com futuras ações no tocante à gestão e planejamento urbanos - é relevante realizar o diagnóstico dos dados cadastrais; pois não houve disponibilização dos dados via web, como constatado, mas internamente – nesses últimos 6 anos – os dados poderiam ter sido atualizados e implementados em ambiente SIG. Dessa forma, a aquisição dos dados se procedeu diretamente com o setor imobiliário da prefeitura municipal de Feira de Santana. No item a seguir são detalhados os dados cadastrais obtidos, assim como as condições dos mesmos. 5673 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO Figura 02 - Mapa de localização do município de Feira de Santana. Fonte dos dados: IBGE (2009) – Acessado em maio de 2015. Organização: PEREIRA, C. M. (2015) 4 – Resultados Após a visita à prefeitura, foram coletados os seguintes dados: Formulário de Boletim de Cadastro Imobiliário (BCI); Planta urbana (vetorizada) planimétrica nível de quadra dos 15 setores em escala original de 1:7.500 (atualizada em 2008). Quanto aos dados gráficos, os mesmos estão em ambiente Computer Aided Design (CAD) formato AutoCad (.dwg) e georreferenciados; entretanto, certas feições estão em layers errados, há algumas sobreposição/duplicação e erros topológicos. 5674 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO Apesar de estar ocorrendo recadastramento e a Planta de Quadra ser atualizada, a potencialidade desses dados não é aplicada, uma vez que são para fins exclusivamente de arrecadação de impostos urbanos. Quanto ao banco de dados, não chegou a ser adquirido, porém há em formato Oracle e o mesmo é elemento fundamental no setor de Cadastro, pois é a base do Sistema Integrado de Administração Tributária (SIAT) – ferramenta informatizada de tributação fiscal do município. Quanto à base gráfica, precisa-se, ainda, ser corrigida para se conectar com o banco de dados descritivos em ambiente SIG e, assim, ser uma fonte para aplicação das legislações municipais em elaboração, e, posteriormente na gestão e planejamento territorial do município. 5 – Conclusões Apesar dos suportes e orientações tecnológicas e financeiras, provenientes do programa PRODUR, o município de grande porte, como Feira de Santana, não soube usufruir da oportunidade e continuam a subutilizar os dados em ambiente CAD. Estadualmente, há projetos para levantamentos e elaboração de base cartográfica, porém devido à escala, não chega a alcançar fins cadastrais. Dessa forma, sugere-se que onde já existem informações cadastrais, como é o caso dos municípios que foram contemplados com o PRODUR, faz-se necessária a atualização dos seus dados (principalmente nos de grande porte onde há um acelerado crescimento urbano) e no caso onde não há nenhuma informação cadastral, deve-se realizar consórcio com municípios adjacentes para amenizar os aspectos financeiros e de equipamentos. Ao analisar os dados, chegou-se à constatação de que apesar dos seis anos passados, a configuração - em relação aos municípios de grande porte - não mudou comparada com a conclusão a que chegou Castro (2009). E a situação chega a ficar mais crítica ao verificar do Quadro 01, pois se depreende que há extensa área baiana, com alto contingente populacional sendo governada por prefeituras com pouca informação territorial ou de forma somente analógica, sem divulgação à população; alimentando esse sistema “acultural” em 5675 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO que os dados cartográficos e cadastrais só proporcionam custos aos cofres públicos. Os mesmos devem ser vistos como suporte para as ações das prefeituras nas políticas públicas e territoriais, tornado-as mais eficientes e proporcionando repercussões positivas não somente na escala local, mas regional e estadual. Porém, faz-se prudente, antes de tudo, implementar gradativamente a consciência cultural da relevância do cadastro na gestão e planejamento urbanos, caso contrário, somente a partir da obrigatoriedade de uma Lei para que seja verificada concretamente. 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