1º Ten Al EMANUELLA GALVÃO DE SALES E SILVA
EXPECTATIVAS DO MÉDICO NA CARREIRA MILITAR
RIO DE JANEIRO
2010
1º Ten Al ALINE BATISTA DE CASTRO
1º Ten Al EMANUELLA GALVÃO DE SALES E SILVA
EXPECTATIVAS DO MÉDICO NA CARREIRA MILITAR
Trabalho de conclusão de curso apresentado à
Escola de Saúde de Exército como requisito
parcial para aprovação no Curso de Formação
de Oficiais do Serviço de Saúde, especialização
em Aplicações Complementares às Ciências
Militares
Orientador: Tenente Igor Batista Camargo
Coorientador: Capitão André Rolim da Silva
RIO DE JANEIRO
2010
S586e
Silva, Emanuella Galvão de Sales e.
Expectativas do médico na carreira militar / Emanuella Galvão de Sales e
Silva - Rio de Janeiro, 2010.
41 f ; 30 cm
Orientador: Igor Batista Camargo
Trabalho de Conclusão de Curso (especialização) – Escola de Saúde do
Exército, Programa de Pós-Graduação em Aplicações Complementares às
Ciências Militares, 2010.
Referências f. 36.
1. Médico Militar. 2.Serviço de Saúde. 3. Escola de Saúde do Exército. 4.
Carreira Militar. I. Camargo, Igor Batista. II. Escola de Saúde do Exército. III.
Título.
CDD 355.345
1º Ten Al EMANUELLA GALVÃO DE SALES E SILVA
EXPECTATIVAS DO MÉDICO NA CARREIRA MILITAR
COMISSÃO DE AVALIAÇÃO
IGOR BATISTA CAMARGO - Tenente
Orientador
ANDRÉ ROLIM DA SILVA - Capitão
Coorientador
ROGÉRIO GUIMARÃES GOULART ASSIS - Capitão
Avaliador
RIO DE JANEIRO
2010
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus, conhecedor de todas as coisas e caminhos,
que me permite viver essa nova etapa de minha vida com êxito, assim como foi em
todos os momentos da minha vida.
Ao meu pai, que não mais se encontra entre nós, mas que sempre foi um
grande incentivador. Tenho certeza que ele estaria extremamente feliz por mais essa
conquista na minha vida e do lugar onde ele se encontra nesse momento está me
protegendo e desejando a minha felicidade.
À minha mãe, maior exemplo de vida e em quem me espelho na maioria das
minhas atitudes. Agradeço pelo apoio que sempre recebi, pela proteção e
principalmente pelo grande amor que sempre demonstrou por mim. Devo a ela
praticamente tudo o que sou hoje.
Aos meus irmãos, pedaços de mim, dos quais não consigo me separar
jamais. Meus grandes companheiros, presentes na minha vida em todos os
aspectos.
Meus sobrinhos, grandes alegrias e exemplos de amor.
Ao meu orientador, pela grande ajuda, sem a qual não teria conseguido
concluir esse trabalho.
Ao meu coorientador pela paciência e contribuição na realização do trabalho.
E, finalmente, aos meus amigos do Curso de Formação de Oficiais, que
ajudam a transformar as dificuldades em momentos de alegria e que contribuíram
para a realização deste trabalho com as suas respostas.
“A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento
envolvido e não na vitória propriamente dita.”
(Mahatma Gandhi)
RESUMO
Identificar os fatores motivacionais para a procura do médico pela carreira militar
assim como, fatores determinantes da evasão do médico ou receio do ingresso na
vida militar. Analisaram-se 62 questionários que foram respondidos pelos médicos
do Curso de Formação de Oficiais 2010, da Escola de Saúde do Exército. O dados
obtidos destes questionários foram tabulados em planilhas do Microsoft Excel 2007 e
submetidos a análise estatística descritiva com obtenção de valores absolutos e em
percentuais, sendo os resultados expostos através de gráficos e tabelas. Entre os
fatores motivacionais, foram identificados em primeiro lugar a estabilidade, em mais
de 90% dos questionários; a possibilidade de possuir um emprego público também
teve resposta afirmativa em mais de 95%, assim como o fato de o serviço militar ser
um emprego público federal (mais de 80%) e, por último, a insatisfação com as
condições de trabalho no meio civil, em mais de 60% das respostas. O salário não
foi identificado como fator motivacional, assim como a possibilidade de conhecer
diversos Estados do Brasil. Em contrapartida, a possibilidade de transferência em
razão da necessidade do serviço foi o principal determinante da desistência da
carreira (58%). Outros fatores desmotivacionais em continuar no serviço militar,
seriam o receio de ter sua carreira médica no meio civil prejudicada pelo serviço
militar. Mais de 80% desejam aprimorar sua prática médica durante a carreira militar
e cerca de 60% concordaram que a implementação do PROCAP/Sau funcionou
como atrativo para o ingresso no Exército Brasileiro. Os médicos estão em busca de
uma crescente valorização do seu trabalho e esperam exercer sua profissão de
maneira adequada e de acordo com os preceitos aprendidos em anos de formação.
Além disso, é visível a busca do profissional médico por estabilidade, segurança e
tranqüilidade no exercício da medicina. Apesar disso, há um grande receio
principalmente no que diz respeito às transferências. Esse é um problema que ainda
não está elucidado e que todos sabem fazer parte da doutrina do Exército. Apesar
disso, ficou claro que a maioria dos médicos ainda não está preparada para lidar
com essa situação.
Palavras-Chaves: Médico Militar. Serviço de Saúde do Exército. Exército Brasileiro.
Escola de saúde do Exército.
ABSTRACT
To identify the motivational factors that lead physicians to opt for a military career as
well as determinants of avoidance or fear of the doctor's entrance into military life.
We analyzed 62 questionnaires that were answered by doctors from the Training
Course for Officers in 2010, in the Army Health Academy. The data obtained from
these questionnaires were tabulated in Microsoft Excel 2007 spreadsheets and
analyzed using descriptive statistics to obtain absolute values and percentages, and
the results presented through graphs and tables. Among the motivational factors
were identified in the first place the stability, over 90% of the questionnaires, the
possibility to hold a public employment also had an affirmative answer in more than
95% as well as the fact that military service be a federal government job (over 80%).
Finally, dissatisfaction with working conditions in civilian hospitals had also influenced
the demand for military service in more than 60% of responses. The salary was not
identified as a motivational factor as well as the chance to know different states of
Brazil. In contrast, the possibility of transfer due to the need of the service was the
main determinant of the withdrawal of his career (58%). Other factors contributing to
the abandonment of military service, would be the fear of having his medical career in
the civil environment damaged by military service. Over 80% want to improve their
medical practice over a career military and about 60% agreed that the
implementation of PROCAP / Sau functioned as attractive for entry into the Brazilian
army. Physicians are seeking a growing appreciation of their work and expect to
exercise their profession properly and in accordance with the precepts learned in
years of training. In addition, the medical professional is constantly seeking stability,
security and tranquility in the practice of medicine. Nevertheless, there is a big
concern especially with regard to transfers. This is a problem that has not been
elucidated and we all know that is part of Army doctrine. Nevertheless, it became
clear that most physicians are not yet prepared to deal with this situation
Key Words: Military Medical. Army Health Service. Brazilian army. Army Health
Academy
LISTA DE GRÁFICOS
GRÁFICO 1
Distribuição dos Tenentes Alunos quanto à força armada da qual é
egresso...............................................................................................19
GRÁFICO 2
Influência do fator estabilidade na escolha da profissão................... 20
GRÁFICO 3
Contribuição da insatisfação com o salário do meio civil na escolha da
profissão militar...................................................................................21
GRÁFICO 4
Importância em o médico possuir uma carreira pública......................21
GRÁFICO 5
Influência na escolha da profissão militar por ser um emprego
público federal.....................................................................................22
GRÁFICO 6
Importância de conhecer outros Estados na formação do médico do
Exército Brasileiro...............................................................................22
GRÁFICO 7
Percentual de concordância sobre a possibilidade de conhecer outros
Estados funcionar como atrativo para permanência no Exército
Brasileiro......................................................................................23
GRÁFICO 8
Influência das transferências por necessidade do serviço na
desistência da carreira militar.......................................................24
GRÁFICO 9
Incentivo de militar da ativa ou reserva para seguir carreira militar....24
GRÁFICO 10
Conhecimento/atendimento em organização militar de saúde...........25
GRÁFICO 11
Expectativa de exercer plenamente a atividade médica no Exército
Brasileiro.............................................................................................26
GRÁFICO 12
Expectativa sobre o aprimoramento da profissão médica durante a
carreira militar.....................................................................................26
GRÁFICO 13
Intenção de trabalho no meio civil durante a carreira militar...............27
GRÁFICO 14
Receio de a carreira militar atrapalhar o desenvolvimento da carreira
médica no meio civil...........................................................................28
GRÁFICO 15
Desejo de comandar durante a carreira militar.................................28
LISTA DE TABELAS
TABELA 1
Distribuição dos Tenentes Alunos Médicos quanto à especialidade.....18
TABELA 2
Importância do salário na escolha da profissão militar..........................19
TABELA 3
Influência da insatisfação com as condições de trabalho civil para o
ingresso na carreira militar....................................................................20
TABELA 4
Percentual de concordância acerca da influência na escolha da carreira
militar pela possibilidade de conhecer outros Estados..........................23
TABELA 5
Avaliação das condições físicas/trabalho do hospital............................25
TABELA 6
Percentual de concordância sobre a implementação do PROCAP/Sau
funcionar como atrativo para ingresso de médicos no Exército
Brasileiro........................................................................................27
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO......................................................................................................10
2. DESENVOLVIMENTO..........................................................................................12
3. METODOLOGIA...................................................................................................16
3.1 TIPO DE PESQUISA ..........................................................................................16
3.2 POPULAÇÃO DO UNIVERSO E AMOSTRA .....................................................16
3.3 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO.......................................................16
3.4 MÉTODO UTILIZADO PARA A COLETA DE DADOS E PARA ANÁLISE.........17
3.5 CONSIDERAÇÕES BIOÉTICAS.........................................................................17
4. RESULTADOS..............................................................................................18
5. DISCUSSÃO.................................................................................................29
6. CONCLUSÃO.......................................................................................................34
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................36
APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO DE AVALIAÇÃO................................................38
APÊNDICE B – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO..........41
10
1 INTRODUÇÃO
O militar convive com riscos durante toda a vida profissional. Seja nos
treinamentos em tempo de paz ou de guerra, a possibilidade iminente de um dano
físico ou da morte é um fato permanente dessa profissão. Suas atribuições exigem
elevado nível de saúde física e mental, não só por ocasião de eventuais conflitos,
para os quais deve estar sempre preparado, como também no cotidiano da caserna.
No ambiente militar são comuns extensas jornadas de trabalho, problemas
ergonômicos,
exposição
a
agentes
químicos,
físicos
e
biológicos,
que
reconhecidamente são considerados fatores de risco ocupacional para o trabalhador
(NEVES, 2007).
O Serviço de Saúde do Exército preocupa-se com a higidez dos militares do
exército, em combate ou não. O Sistema de Saúde do Exército, responsável por
prover assistência médico-hospitalar a militares e seus dependentes, seja em tempo
de paz ou de guerra, também possui como encargos, a seleção dos que vão compor
o corpo de médicos, odontólogos e farmacêuticos; a manutenção do material de
saúde e a medicina preventiva para seus beneficiários (EXÉRCITO site oficial,
acesso em 2010).
O médico poderá seguir carreira militar após prestar concurso público, de
âmbito nacional, e ingressar na Escola de Saúde do Exército (EsSEx), a qual é um
estabelecimento de ensino de formação e de especialização de graus superior e
médio, aperfeiçoamento de grau médio, da Linha de Ensino Militar de Saúde,
diretamente subordinado à Diretoria de Especialização e Extensão (DEE), e que tem
como uma de suas funções, formar e especializar oficiais de saúde para o serviço
ativo do exército (Exército site oficial, acesso em 2010; EsSEx site oficial, acesso em
2010).
A importância e a necessidade do Serviço de Saúde do Exército, mais
especificamente dos médicos militares, é de conhecimento geral em todas as
esferas hierárquicas do Exército, entre os profissionais da ativa, da reserva e de
todos os seus beneficiários dependentes.
Apesar disso, o contingente de oficiais médicos de carreira ainda encontra-se
aquém do necessário para suprir as necessidades das Organizações Militares de
11
Saúde (OMS), seja devido a pouca procura do médico pela carreira militar ou
mesmo pela evasão deste profissional precocemente após o término da sua
formação. Tudo isso determina nas OMS, a necessidade de incorporação de oficiais
médicos temporários além de realização de convênios com Organizações Civis de
Saúde (OCS) e /ou Profissionais de Saúde Autônomos (PSA).
A importância desta pesquisa consiste fundamentalmente na necessidade de
se determinar quais são os atrativos da carreira militar para o profissional de saúde
médico, baseando-se nas suas expectativas ao ingressar nesta nova profissão.
Outro fator relevante deste estudo fundamenta-se em poder apontar quais são os
fatores determinantes da evasão ou receio do ingresso na vida militar. De posse
destes dados poder-se-á realizar projetos de mudanças no intuito de se estimular
cada vez mais a procura da carreira militar pelo médico, e em especial do Serviço de
Saúde do Exército Brasileiro
Diante disso, formula-se o seguinte problema: quais as expectativas do
médico na carreira militar e em especial na força terrestre, ou seja, o que esse
profissional médico espera que o Exército proporcione a ele durante seu período na
ativa assim como quais seriam os motivos que o levaram a ingressar no Exército
Brasileiro. Some-se a isto a necessidade de se averiguar quais podem ser os
motivos relacionados à evasão precoce destes profissionais das fileiras das Forças
Armadas.
12
2 DESENVOLVIMENTO
No início do século passado, os médicos possuíam respeitabilidade e grande
prestígio social, conseqüência de uma relação direta com os pacientes e de um
processo artesanal de trabalho (individualizado e autônomo) baseado na confiança,
respeito e no sigilo profissional. A assistência à saúde, que se caracterizava como
atividade artesanal, transformou-se progressivamente, no sistema de produção
capitalista, em uma mercadoria socialmente valorizada, “coisificando” o trabalho
médico. Os médicos passaram a se submeter às regras desse sistema,
desenvolvendo suas atividades em serviços públicos (estatais) e privados (lucrativos
e não lucrativos). Dessa forma, foram submetidos às regras impostas aos demais
trabalhadores de qualquer empresa capitalista: instabilidade no emprego, ritmo
intenso de trabalho, jornadas de trabalho prolongadas , somadas às particularidades
do trabalho médico, como aliviar a dor e o sofrimento, e ter a morte como situação
rotineira (SOBRINHO, NASCIMENTO E CARVALHO, 2005).
Atualmente, os médicos brasileiros pagam alto preço pelas falhas de gestão e
carência de financiamento. O resultado é que são obrigados a trabalhar em diversos
locais, contabilizando jornadas desumanas de 60, 70 e até 80 horas semanais. É
quase um regime de escravidão o que se impõe ao profissional de medicina. Óbvio
que isso tem reflexos no atendimento. Para fazer um salário decente, o médico
alterna de um trabalho para o outro e tem dificuldades de assegurar o tempo que
julga adequado à boa assistência. Também chega a níveis de estresse recordes e
se acaba física e psicologicamente e mesmo assim, ele não fraqueja; por amor à
medicina e pelo compromisso com o paciente, tira do próprio bolso recursos
consideráveis para arcar com a necessária educação científica permanente, ficando
assim atualizado e em condições de prestar uma assistência de qualidade
(CALLEGARI e FRANÇOSO, 2009).
Dentre os motivos que levam o indivíduo a escolher a profissão médica,
geralmente estão incluídos a vontade de ajudar ao próximo, o interesse por biologia,
e a preocupação social. Além destes, também há razões pessoais como vocação,
aprendizado constante e realização pessoal. Há também as razões econômicas tais
13
como a boa remuneração e, diante da oferta e necessidade, a facilidade de uma
garantia de emprego (NEVES et al, 2006).
Em estudo realizado por Venturini et al em 2007, concluiu-se que, no tocante
à carreira militar, alguns fatores são extremamente importantes para a escolha
dessa profissão. Dentre estes, pode-se destacar: possibilidade de auto-realização,
assumir responsabilidades, realizar um trabalho de comando e liderança
competente, maior segurança e estabilidade na carreira profissional, além de
progresso na carreira militar bem como a boa remuneração
O exercício da profissão militar exige uma rigorosa e diferenciada formação.
Ao longo de sua vida profissional, o militar de carreira passa por um sistema de
educação continuada, que lhe permite adquirir as capacitações específicas dos
diversos níveis de exercício da profissão militar e realiza reciclagens periódicas para
fins de atualização e manutenção dos padrões de desempenho (EXÉRCITO
BRASILEIRO site oficial, acesso em 2010).
Ser oficial do Exército Brasileiro é uma missão árdua, uma profissão com
aspectos peculiares e diferenciados, que exige dedicação, vigor físico, voluntariado,
estudo permanente, e, principalmente, abdicação e abnegação. O trabalho na vida
militar exige que muitas vezes o indivíduo abstenha-se do contato com a família, de
atividades de lazer, como também, leve uma vida nômade devido às transferências
por necessidade do serviço (VENTURINI et al, 2007).
Neves, em 2007, concluiu que o Exército Brasileiro possui um método de
gerenciamento de risco que se restringe ao gerenciamento dos riscos de acidentes,
não direcionando atenção aos demais tipos de riscos: físicos, ergonômicos e
psicossociais; biológicos e químicos. Neste estudo, procurou-se descrever o método
de gerenciamento de risco que o Exército Brasileiro utiliza em suas atividades,
sendo situação ou fator de risco uma condição ou conjunto de circunstâncias que
tem o potencial de causar um efeito adverso, que pode ser: morte, lesões, doenças
ou danos à saúde e à propriedade ou ao meio ambiente.
O Exército Brasileiro tem necessidade de manter a higidez dos seus efetivos
militares e de melhorar o estado de saúde do combatente, além de assegurar o
acesso e a humanização do atendimento da saúde (assistência médico-hospitalar e
odontológica) mediante a expansão do apoio de saúde à família militar e às
populações carentes do nosso País. O Sistema de Saúde do Exército apresenta
14
uma estrutura bem organizada que é compatível com as necessidades para a
realização do atendimento ao seu público-alvo, qual seja, pessoal militar do Exército
(ABRASIL site oficial, acesso em 2010).
A manutenção de um sistema de saúde próprio é indispensável ao
adestramento dos integrantes das Forças Armadas, ao preparo da reserva
mobilizável e, especialmente, ao apoio às operações militares. Além disso, é
essencial atender às exigências da Forças em diversas localidades do País, onde há
necessidade de apoio de saúde permanente, que está além das possibilidades dos
sistemas de saúde civis. A participação da Instituição no Programa Calha Norte
comprova a presença da Força em regiões inóspitas e remotas do País (EXÉRCITO
BRASILEIRO, site oficial, acesso em 2010).
A assistência Médico-Hospitalar, sob forma ambulatorial ou hospitalar, é
prevista no Estatuto dos Militares como direito do militar (ativo ou inativo) e de seus
dependentes, bem como dos pensionistas nas condições e limitações impostas na
legislação e regulamentação específicas. É prestada pelas organizações de saúde
dos Ministérios Militares, pelo Hospital das Forças Armadas e por organizações de
saúde do meio civil, mediante convênio ou contrato (EXÉRCITO BRASILEIRO, site
oficial, acesso em 2010).
As organizações militares possuem uma Seção de Saúde, com médicos,
dentistas e enfermeiros, onde tem início o apoio médico-odontológico. Os hospitais
gerais e os de guarnição acolhem os enfermos mais graves, dando prosseguimento
à sua recuperação e evacuação,até o Hospital Central do Exército (EXÉRCITO
BRASILEIRO, site oficial, acesso em 2010).
A Escola de Saúde do Exército, responsável pela formação do pessoal de
saúde, foi criada pelo Decreto Nº 2232 de 06/01/1910, com a denominação de
“Escola de Aplicação Médica Militar”, com a finalidade de ministrar conhecimentos
básicos, indispensáveis à vida militar, inicialmente aos doutores em Medicina e, logo
em seguida, estendido aos farmacêuticos, dentistas e veterinários que ingressavam,
mediante concurso, ao Corpo de Saúde do Exército. Estes andamentos eram
voltados para a formação militar e para a legislação peculiar da atividade de saúde,
complementados pelo treinamento físico e pela equitação. Em 1997, seguindo o
exemplo das demais forças singulares, ingressou na EsSEx a primeira turma do
segmento feminino do Curso de Formação de Oficiais, com repercussão favorável
15
junto à sociedade em geral. Atualmente, funcionam na EsSEx
os cursos de
formação de oficiais médicos, farmacêuticos e dentistas, curso de formação e
aperfeiçoamento de sargentos de saúde e o curso de especialização em radiologia
para praças, todos sob a coordenação da EsSEx. De acordo com as necessidades
da força, são realizados outros cursos, na modalidade de especialização ou de
extensão, destinados a oficiais e praças integrantes do Serviço de Saúde (EsSEx
site oficial, acesso em 2010).
Dutra, em 2008, analisando a acumulação de cargos públicos pelos militares
e baseando-se no art 142, § 3º da Constituição federal, afirmou que os membros
das Forças Armadas são denominados militares. Portanto, independentemente da
especialização, da forma de acesso, da função ou de qualquer outra situação
pessoal, todo o indivíduo que passar a integrar as Forças Armadas passará a
ostentar a condição de militar, excetuando-se evidentemente, os servidores civis
lotados nas Forças Singulares ou no próprio Ministério da Defesa. Não interessa se
é um combatente, médico, professor, administrador, capelão, etc. todos são militares
e todos, portanto, estão sujeitos às mesmas normas.
No mesmo artigo, afirmou ainda que a questão que se levanta é se esses
profissionais, formados em estabelecimentos de ensino superior civis, são, antes de
qualquer situação, militares para todos os efeitos. Questionou por exemplo se o
médico que ingressa nas Forças Armadas é médico militar ou militar médico? Há
quem defenda a tese de que ao ingressar no Exército, Marinha ou Aeronáutica, o
cidadão já ostentava a condição de médico, razão pela qual deve se aplicar a ele
todas as normas relativas aos profissionais da medicina em primeiro lugar, sendo a
condição de militar secundária. O autor considera a especialização apenas um
atributo pessoal exigível para o desempenho de determinada função na estrutura
organizacional da Instituição.
.
16
3 METODOLOGIA
3.1 TIPO DE PESQUISA E POPULAÇÃO ESTUDADA
O presente estudo epidemiológico foi do tipo observacional ecológico e
exploratório consistindo na entrevista do universo de alunos do Curso de Formação
de Oficias da Escola de Saúde do Exército localizado no bairro de Benfica, na
cidade do Rio de Janeiro (RJ) no ano de 2010.
3.2 UNIVERSO E AMOSTRA
Foram entrevistados 63 médicos que compõem o grupamento de Oficias
Alunos do Curso de Formação Oficias de Saúde Médicos da Escola de Saúde do
Exército no ano de 2010.
3.3 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO
3.3.1 Inclusão:
- Ser médico e estar regularmente matriculado no CFO 2010 com especialidade
médica;
- Ser médico e estar regularmente matriculado no CFO 2010 sem especialidade
médica.
3.3.2 Exclusão:
- Ser médico e estar matriculado no CFO 2010 por ação judicial
- Ser farmacêutico e estar regularmente matriculado no CFO 2010 com
especialidade;
17
- Ser Cirurgião-Dentista e estar regularmente matriculado no CFO 2010 com
especialidade;
- Ser médico que já cursou CFO em anos anteriores.
3.4 MÉTODO UTILIZADO PARA A COLETA DE DADOS E PARA ANÁLISE
Os Tenentes Alunos do Curso de Formação de Oficiais 2010 foram
entrevistados pela 1 Ten Al Emanuella Galvão através da distribuição de 63
questionários contendo 22 questões (Apêndice I), os quais foram respondidos pelos
demais Tenentes Alunos médicos do Curso de Formação de Oficiais (CFO) da
Escola de Saúde do Exército do corrente ano.
O dados obtidos destes questionários foram tabulados em planilhas do
Microsoft Excel 2007 e submetidos à análise estatística no programa SPSS
versão13.0 para a obtenção descritiva de valores absolutos e em percentuais. Os
resultados foram expostos através de gráficos e tabelas como se segue abaixo.
3.5 CONSIDERAÇÕES BIOÉTICAS
Os entrevistados assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido
(Apêndice II) e não houve necessidade de aprovação do comitê de ética para a
realização da pesquisa na EsSEx.
18
4 RESULTADOS
Foram entrevistados sessenta e três 1º Tenentes Alunos Médicos do curso de
Formação de Oficiais 2010. Um entrevistado não devolveu o questionário, sendo
excluído da análise estatística e portanto considerado como perda amostral. Nas
tabelas expostas com frequências menores que 62, deveu-se ao fato de ter sido
facultado ao entrevistado não responder a questão e para tanto, foi levado em
consideração para elaboração dos gráficos, os “valores percentuais válidos” como
poderá ser visto em algumas das tabelas.
Dentre os resultados obtidos, 24 são do sexo feminino e 38 do sexo
masculino. A média de idade dos entrevistados é de 31 anos (25 a 36).
A distribuição dos alunos quanto à especialidade médica está descrita na
tabela abaixo:
Tabela 1- Distribuição dos Tenentes Alunos Médicos quanto à especialidade
ESPECIALIDADES MÉDICAS
Sem especialidade
NÚMERO DE TENENTES ALUNOS
23
Clínica Médica
4
Cirurgia Geral
3
Pediatria
7
Coloproctologia
1
Urologia
1
CIrurgia vascular
2
Radiologia
2
Cardiologia
2
Ortopedia
6
Medicina Intensiva
3
Endocrinologia
2
Oftalmologia
1
Ginecologia/Obstetrícia
6
Total
63
19
Cerca de dois terços dos Tenentes Alunos já haviam servido em algum
momento como temporários nas Forças Armadas e destes, a grande maioria (mais
de 80%) é egresso do Exército Brasileiro (Gráfico 1)
Gráfico 1 – Distribuição dos Tenentes Alunos quanto à força armada da qual é
egresso
Quando questionados se o salário foi fator importante na escolha da carreira
militar, mais de 50% responderam pouco/não importante. Aproximadamente 34%
responderam que o salário foi importante para escolherem a profissão militar (Tabela
2)
Tabela 2 – Importância do salário na escolha da profissão militar
AVALIAÇÃO
Muito Importante
Importante
Pouco Importante
Não Importante
Total
PERCENTUAL
ABSOLUTO
FREQÜÊNCIA
PERCENTUAL
VÁLIDO
4
6,3
6,5
21
33,3
33,9
26
41,3
41,9
11
17,5
17,7
62
98,4
100,0
20
Com relação à estabilidade, mais de 90% dos entrevistados afirmaram que foi
um fator importante para a escolha da carreira militar (Gráfico 2)
Gráfico 2 – Influência do fator estabilidade na escolha da profissão
Um dos fatores que teve influência para o ingresso na carreira militar pela
maioria dos Tenentes Alunos foi a insatisfação com as condições de trabalho no
meio civil. Diferentemente, a grande maioria não se encontrava insatisfeito com o
seu salário no meio civil, e essa variável não exerceu influência para o ingresso no
Exército Brasileiro (Tabela 3; Gráfico 3)
Tabela 3 – Influência da insatisfação com condições de trabalho civil para o ingresso
na carreira militar
GRAU DE CONCORDÂNCIA
Grande Concordância
Concorda
Neutro
Discorda
Grande Discordância
Total
FREQUÊNCIA
PERCENTUAL
ABSOLUTO
PERCENTUAL
VÁLIDO
13
20,6
21,0
29
46,0
46,8
7
11,1
11,3
11
17,5
17,7
2
3,2
3,2
62
98,4
100,0
21
Gráfico 3 – Contribuição da insatisfação com o salário no meio civil na escolha da
profissão militar
Mais de 95% dos Tenentes Alunos concordam que para o médico, é
importante possuir uma carreira pública, seja esta no âmbito Federal, Estadual ou
Municipal (Gráfico 4)
Gráfico 4 – Importância em o médico possuir uma carreira pública
22
Quando questionados se a oportunidade de possuir uma carreira pública
federal foi um fator influenciador na escolha da carreira militar, a maior parte (mais
de 80%) respondeu afirmativamente (Gráfico 5)
Gráfico 5 – Influência na escolha da profissão militar por ser um emprego público
federal
Com relação à pergunta “a possibilidade de conhecer outros estados do Brasil
e suas diferentes realidades é importante para a formação do médico do Exército
Brasileiro”,
o
percentual
de
entrevistados
que
respondeu
muito
importante/importante foi discretamente menor que aqueles que optaram pelas
respostas pouco/não importante (Gráfico 6)
Gráfico 6 – Importância de conhecer outros Estados na formação do médico do
Exército Brasileiro
23
Mais de 50% dos alunos discordaram quando questionados se a possibilidade
de conhecer outros Estados do Brasil funcionou como um atrativo para que os
mesmos ingressassem na carreira militar; aproximadamente 23% concordaram, e
23% mantiveram-se neutros. No tocante à pergunta se essa possibilidade
funcionaria como um atrativo para que os mesmos permaneçam na força,
aproximadamente 54% discordaram; o percentual de concordância diminuiu, com
16% e a neutralidade aumentou, com 29%. Quando questionados se as
transferências devido à necessidade da força poderiam fazê-los desistir da carreira
militar, 58% responderam afirmativamente (Tabela 4; Gráficos 7 e 8)
Tabela 4 – Percentual de concordância acerca da influência na escolha da carreira
militar pela possibilidade de conhecer outros Estados
PERCENTUAL
ABSOLUTO
PERCENTUAL
VÁLIDO
1
1,6
1,6
Concorda
13
20,6
21,3
Neutro
14
22,2
23,0
Discorda
20
31,7
32,8
Grande Discordância
13
20,6
21,3
Total
61
96,8
100,0
GRAU DE CONCORDÂNCIA
Grande Concordância
FREQÜÊNCIA
Gráfico 7 – Percentual de concordância sobre a possibilidade de conhecer outros
Estados funcionar como atrativo para permanência no Exército Brasileiro
24
Gráfico 8 – Influência das transferências por necessidade do serviço na desistência
da carreira militar
Cinquenta por cento dos Tenentes Alunos possuem algum parente militar e
mais de 60% dos entrevistados, independentemente de possuírem parente militar ou
não, receberam influência de militar, seja da ativa ou da reserva, para seguir a
carreira (Gráfico 9)
Gráfico 9 – Incentivo de militar da ativa ou reserva na escolha para seguir carreira
militar
25
Mais de 70% dos entrevistados conhece ou já foi atendido em alguma
Organização Militar de Saúde (OMS) e destes, a maioria respondeu “pouco
adequado” quando questionados acerca das condições físicas e/ou de trabalho do
hospital (Gráfico 10; Tabela 5)
Gráfico 10 – Conhecimento/atendimento em organização militar de saúde
Tabela 5 – Avaliação das condições físicas/trabalho do hospital
AVALIAÇÃO
Excelente
Adequado
Pouco Adequado
Inadequado
Ruim
Total
FREQÜÊNCIA
PERCENTUAL
ABSOLUTO
PERCENTUAL
VÁLIDO
2
3,2
4,4
13
20,6
28,9
23
36,5
51,1
4
6,3
8,9
3
4,8
6,7
45
71,4
100,0
26
Mais de 75% dos Tenentes Alunos esperam ter plenas condições para
exercer sua atividade médica, seja na tropa ou no hospital (Gráfico 11)
Gráfico 11 – Expectativa de exercer plenamente a atividade médica no Exército
Brasileiro
Com relação à expectativa de se aprimorar no exercício da medicina durante
a carreira militar, mais de 80% dos entrevistados responderam afirmativamente e
aproximadamente 60% concordaram que a implementação do PROCAP/Sau
funciona como atrativo para o ingresso de médicos no exército brasileiro (Gráfico 12;
Tabela 6)
Gráfico 12 – Expectativa sobre o aprimoramento na profissão médica durante a
carreira militar
27
Tabela 6 – Percentual de concordância sobre a implementação do PROCAP/Sau
funcionar como atrativo para ingresso de médicos no Exército Brasileiro
GRAU DE CONCORDÃNCIA
Grande Concordância
FREQUÊNCIA
PERCENTUAL PERCENTUAL
ABSOLUTO
VÁLIDO
15
23,8
24,2
22
34,9
35,5
11
17,5
17,7
Discorda
9
14,3
14,5
Grande Discordância
5
7,9
8,1
62
98,4
100,0
Concorda
Neutro
Total
Mais de 95% dos entrevistados tem intenção de trabalhar no meio civil
concomitantemente com sua carreira militar (freqüentemente/ às vezes) e
aproximadamente 88% tem receio de que a carreira militar atrapalhe o
desenvolvimento de sua carreira médica no meio civil (freqüentemente/ as vezes)
(Gráficos 13 e 14)
Gráfico 13 – Intenção de trabalho no meio civil durante a carreira militar
28
Gráfico 14 – Receio de a carreira militar atrapalhar o desenvolvimento da carreira
médica no meio civil
Mais da metade dos entrevistados (60,3%) almeja exercer função de
comando durante sua carreira militar (Gráfico 15)
Gráfico 15 – Desejo de comandar durante a carreira militar
29
5 DISCUSSÃO
O ingresso de oficiais médicos de saúde no Exército Brasileiro vem
diminuindo gradativamente nos últimos anos, o que determina um grande déficit no
sistema de saúde desta força. Em função disso, a insatisfação do usuário em tempo
de paz, seja ele militar ou dependente é um crescente, provocando muitas vezes,
situações desagradáveis durante a relação médico-paciente em várias organizações
militares de saúde. Em tempo de guerra, essa deficiência muito provavelmente será
acentuada devido às circunstâncias inerentes, como a necessidade crescente e
essencial do apoio médico.
A maioria dos médicos que ingressaram no concurso atual não se apresenta
insatisfeita com a situação salarial no meio civil. Sabe-se que o médico consegue
adquirir um bom salário nos vários empregos oferecidos nos diversos estados
brasileiros, cada um com suas peculiaridades. Conseqüentemente, o atrativo
financeiro não é importante para o oficial médico ingressar na carreira militar. Em
contrapartida, as condições de trabalho no meio civil têm desapontado boa parte dos
médicos no Brasil inteiro e a possibilidade de trabalhar em uma instituição idônea,
organizada e baseada nos preceitos da hierarquia e disciplina funciona como um
atrativo para o médico.
Apesar de todos os benefícios que o profissional de saúde, em especial o
médico, como grande variedade de empregos, bom salário, oportunidade de
trabalhar em mais de um emprego ao mesmo tempo, a rotina imposta a ele é
extremamente desgastante e como todo profissional liberal, o retorno salarial é
dependente da sua produção. Se o médico adoece ou sofre um acidente em que
seja obrigado a ficar afastado de sua atividade profissional durante muito tempo,
provavelmente ficará sem recursos em algum momento. Por isso, é de concordância
da maioria dos oficiais médicos que é importante para o médico possuírem uma
carreira pública, seja ela nos âmbitos Federal, Estadual ou Municipal. O fato de a
carreira militar ser um emprego público federal funcionou como um atrativo para
grande parte dos Tenentes Alunos ingressarem na força, uma vez que os empregos
federais têm algumas vantagens em detrimento dos estaduais e municipais, dentre
30
eles, um plano de cargos e carreiras com mais vantagens, o que ainda está presente
no Exército Brasileiro.
Além disso, a grande maioria dos trabalhadores aspira conseguir um emprego
que lhe dê estabilidade e segurança, não somente para o trabalhador em si, mas
também para seus familiares. O serviço militar é por tradição, um emprego estável,
com vários benefícios, não somente para o militar da ativa e da reserva, como
aposentadoria integral, adicionais de habilitação e cursos, mas também para seus
beneficiários, como plano de saúde e assistência hospitalar completa, que inclui
plano odontológico, psiquiatria, nutrição e fisioterapia, serviços que não são
disponibilizados pela maioria dos planos de saúde do meio civil. A pensão militar
também é um dos benefícios oferecidos pelo Exército Brasileiro oferecendo
tranqüilidade ao militar que tem consciência de que não deixará seu familiar
desamparado em caso de morte. Essa estabilidade oferecida pelo serviço militar
funcionou como um dos principais fatores influenciadores para o ingresso dos
Tenentes Alunos no Exército Brasileiro.
A maior parte dos médicos aprovados neste concurso já haviam sido médicos
temporários das forças armadas e destes, a grande maioria foi proveniente do
Exército Brasileiro, ou seja, grande parte dos Tenentes Alunos já conhecia a rotina e
as características das forças armadas, com todos os seus benefícios, mas também
dificuldades e obstáculos. Isso nos leva a crer que um fator que não está presente
no questionário de avaliação e que muito provavelmente foi um fator influenciador
para o ingresso destes médicos no exército, foi a vocação individual de cada um.
A metade dos Tenentes Alunos tem ou tiveram algum parente militar e grande
parte, independentemente do parentesco com militar, sofreu alguma influência ou
incentivo para ingressar nas forças armadas. Muitas vezes, esse incentivo veio de
um comandante ou colega médico militar superior ou não, além de, para aqueles
com parente militar, do pai, marido ou irmão, dentre outros. Essa influência é
importante, uma vez que insere no médico uma curiosidade que mais tarde pode se
transformar em desejo, de fazer parte definitivamente daquela grande família que é a
militar.
Sabe-se que o médico tem como objetivo principal praticar o exercício da
medicina, ofício para o qual foi formado inicialmente, no meio militar e em sua
maioria, os Tenentes Alunos têm a aspiração de exercer plenamente a medicina
31
dentro do exército. Mesmo assim, apenas uma minoria não deseja trabalhar
concomitantemente no meio civil como médico. A necessidade de complementar sua
atividade militar com o trabalho no meio civil está presente fortemente na grande
maioria destes médicos e pode estar associada a uma realização pessoal e
necessidade de complementação salarial. Em sua maioria, está presente o receio de
que o exercício da atividade militar atrapalhe seu desempenho como médico no
meio civil, no tocante às atividades de trabalho, em maior ou em menor grau. De
onde vem este medo, ou os motivos para este receio ainda não estão elucidados.
A maioria dos médicos entrevistados afirmou que as transferências devido às
necessidades do serviço poderiam fazê-los desistir da carreira militar. Existem
algumas justificativas para isso. Sabe-se que a maior parte dos médicos que
ingressam no serviço militar já são especialistas, com alguns anos de formados,
tendo enfrentado várias dificuldades para se estabelecer em um determinado local
de trabalho, como anos em residência médica, investimento de tempo e dinheiro em
consultórios próprios, tentativas frustradas e com êxito de ingressar em equipes de
sua especialidade. As transferências são encaradas muitas vezes como sentenças
de que todo esse esforço imprimido deverá ser deixado de lado e toda aquela
seqüência de busca pelo seu espaço terá quer ser iniciado novamente.
Ainda no tocante às mudanças de estado, a maioria dos Tenentes Alunos não
considera importante para a formação do médico do Exército Brasileiro a
possibilidade de conhecer diferentes Estados e realidades brasileiras. Essa
oportunidade não foi um atrativo para o ingresso de grande parte dos médicos no
serviço militar e nem funciona como incentivo para que a maioria continue na força,
o que provavelmente está associado ao medo das transferências e mudanças de
vida. A partir do ano corrente, com o ingresso de médicos sem especialidade no
concurso, esse perfil provavelmente mudará gradativamente, uma vez que esses
médicos ainda não estão estabelecidos do ponto de vista profissional no meio civil,
são mais jovens e ainda com um longo caminho pela frente a percorrer na sua
profissão médica. Estes profissionais sabem que voltarão em algum momento ao
estado do Rio de Janeiro, provavelmente em dois anos, para complementar a sua
formação com a realização da residência médica a qual será oferecida dentro do
próprio exército, entidade da qual o médico já faz parte e com todos os benefícios
existentes na carreira militar.
32
A possibilidade de realização da residência médica dentro do Exército
Brasileiro, assim como, cursos de especialização, extensão e aprimoramento
destinados não somente aos médicos sem especialidade mas também aos
especialistas, propostas estas que fazem parte do Projeto de Capacitação e
Atualização Profissional de Militares de Saúde (PROCAP/Sau), incentivaram mais da
metade dos médicos a optar pelo ingresso no serviço militar, uma vez que a grande
maioria afirmou ter o desejo de se aprimorar na profissão médica durante a carreira
militar no Exército Brasileiro. Dessa forma, a implementação do PROCAP/Sau, além
de ser uma iniciativa inovadora que parece estar contribuindo para mudanças no
perfil do serviço de saúde militar, possibilitando a melhora das perspectivas dos
médicos no tocante a sua carreira médica dentro do exército, poderá funcionar como
um dos principais motivos ingresso na carreira especialmente dos médicos sem
especialidade, mas também dos especialistas em menor grau, já que o
aprimoramento profissional é buscado ávida e constantemente pelo médico, fazendo
parte da sua doutrina e prática pessoal. Caberá aos altos comandos manter esse
projeto funcionando, havendo necessidade de contribuição constante das várias
organizações militares de saúde e seus comandantes.
A grande maioria dos Tenentes Alunos conhece ou foi atendido em alguma
organização militar de saúde (OMS) em algum momento de sua vida, porém a maior
parte destes não gostou das condições do hospital. Esse resultado no faz refletir
sobre a incongruência que é o fato dos médicos decidirem ingressar no exército pela
insatisfação com suas condições de trabalho nos hospitais civis, quando também
acham os hospitais militares inadequados. A impressão de inadequação pode ter
sido devido a vários fatores, como estrutura física não condizente com as suas
expectativas, deficiência no atendimento recebido, não somente pelo médico mas
também pelos sargentos ou enfermeiros de saúde. Independentemente dos motivos
que levaram à insatisfação com a OMS freqüentada, o que se observa é a
necessidade premente de mudar essa opinião com relação aos hospitais militares,
uma vez que isso reflete o pensamento geral da população que é atendida seja ela
de militares ou dependentes. Talvez não se consiga mudar a opinião dos Tenentes
Alunos do ano corrente, mas as tentativas e os esforços devem ser empreendidos
para o futuro e esses militares de saúde que estão sendo formados hoje, com
certeza terão sua parcela de responsabilidade nessa mudança. É possível que o fato
33
de a insatisfação dos médicos com os hospitais militares não ter inibido o ingresso
desses Tenentes Alunos no Exército Brasileiro ser devido ao fato de esses médicos
acreditarem em mudanças positivas e melhorias no Sistema de Saúde do Exército e
estarem cientes da que podem contribuir e terem um papel ativo nessas mudanças.
Apesar de, atualmente, haver dificuldade de se obter voluntários para
distribuição dos comandos das OMS, a atual geração em formação na EsSEx, em
sua maioria, tem a intenção de um dia estabelecer alguma função de comando,
sendo que destes, quase um quarto parece ter certeza de se apresentarem como
voluntários para comandar uma unidade militar de saúde durante o serviço no
exército. Logicamente, isso pode mudar de acordo com as características da carreira
de cada militar individualmente, e a expectativa é que esse número aumente no
decorrer dos anos.
Esses dados nos levam a crer que uma grande parcela desses médicos que
estão atualmente em formação militar, realmente são militares por vocação e têm
perspectivas de auxiliar e contribuir para a melhoria e bom andamento da força, não
somente com o trabalho individual mas de forma atuante e coletiva, expondo-se a
todos fatores complicadores que um comando pode trazer, mas ciente de que seu
trabalho é essencial para o serviço de saúde do Exército Brasileiro.
34
6 CONCLUSÃO
O presente trabalho teve como objetivo identificar quais as expectativas do
médico na carreira militar e quais seriam os fatores que o levariam a desistir dessa
carreira.
Com base na análise das respostas do questionário apresentado, concluiu-se
que os médicos estão em busca de uma crescente valorização do seu trabalho e
esperam exercer sua profissão de maneira adequada e de acordo com os preceitos
aprendidos em anos de formação. Além disso, é visível a busca do profissional
médico por estabilidade, segurança e tranqüilidade no exercício da medicina.
Grande parte dos médicos, após perder aquela avidez natural do recém-formado,
após constituir família e se especializar, prima pela qualidade de vida e não somente
pela quantidade de emprego ou alto salário. Daí, a escolha por uma instituição que
pode oferecer esses atributos tão procurados e que ainda oferece a chance de
novas perspectivas outrem desconhecidas como é o exército brasileiro.
Apesar disso, há um grande receio principalmente no que diz respeito ás
transferências. Esse é um problema que ainda não está elucidado e que todos
sabem fazer parte da doutrina do exército. Apesar disso, ficou claro que a maioria
dos médicos ainda não está preparada para lidar com essa situação. O medo do
desconhecido, da perda e do recomeço está presente ainda muito forte e
provavelmente é um dos principais fatores que leva o profissional médico a desistir
de tão nobre carreira. A vocação existe, porém valores como família, filhos,
possibilidade de estabelecimento em um único local, projeção como profissional no
meio civil, muitas vezes falam mais alto.
Observou-se que com o ingresso dos médicos sem especialidade, com a
reorganização do sistema de saúde do exército e a implementação do
PROCAP/Sau, essa realidade pode mudar e que dessa forma, a procura dos
médicos pelo serviço militar pode sofrer um acréscimo anual e condizente com as
necessidades do serviço.
Esse trabalho poderá ser utilizado como base para a identificação dos
principais problemas existentes no serviço do médico militar e para possíveis
soluções que funcionem como incentivo para o aumento do ingresso do profissional
35
médico no Exército Brasileiro, a fim de minimizar a carência deste pessoal. Portanto,
sugere-se que esta metodologia seja aplicada em outras turmas de médicos do CFO
bem como nas OMS a fim de ampliar o banco de dados de respostas e com isso
poder elaborar conclusões que possam servir de base para elaboração de
mudanças na Força Terrestre. Tudo isto no intuito de serem aumentadas
qualitativamente e quantitativamente as fileiras de Oficias Médicos do Serviço de
Saúde do Exército Brasileiro.
36
REFERÊNCIAS
CALLEGARI, Desiré; FRANÇOSO, Renato. Em defesa do médico. Artigos, 2009.
Disponível
em:
<http://www.portalmedico.org.br/novoportal/include/lateraldireito/mostra_artigos_deta
lhe.asp?id=1109&porta>l. Acesso em: 03 jun. 2010.
DUTRA, José Carlos. Acumulação de Cargos Públicos por Militares das Forças
Armadas.
Artigos
Jurídicos.
Disponível
em:
<http://www.advogado.adv.br/artigos/2004/josecarlosdutra/acumulacargospelosmilita
res.htm>. Acesso em: 27 abr. 2010.
EXÉRCITO BRASILEIRO. Serviço de Saúde do Exército. Disponível em:
<http://www.exercito.gov.br/01inst/Historia/Artigos/0011005.htm>. Acesso em: 27
abr. 2010.
______________.
Braço
Forte,
Mão
Amiga.
Disponível
<http://www.exercito.gov.br/02ingr/Profmili.htm>. Acesso em: 15 jul. 2010.
em:
______________.
Braço
Forte,
Mão
Amiga.
Disponível
em:
<http://www.exercito.gov.br/01inst/armas/Saude/indice.htm>. Acesso em: 15 jul.
2010.
NEVES et al. Expectativas versus realidade na formação médica. Gazeta Médica da
Bahia. Bahia, 76:2 (Jul-Dez), 21-28, 2006.
NEVES, Eduardo Borba. Gerenciamento do risco ocupacional no Exército Brasileiro:
aspectos normativos e práticos. Caderno de Saúde Pública. Rio de Janeiro, 23 (9):
2127-2133, set, 2007.
Portal Escola de Saúde do Exército. Aqui começa o Serviço de Saúde do Exército
Brasileiro.
Disponível
em:
<http://www.essex.ensino.eb.br/html/a_essex/historico/historico_essex_1.htm>.
Acesso em: 20 jul. 2010.
SERVIÇO
DE
SAÚDE
DO
EXERCITO.
Disponível
em:
<http://www.abrasil.gov.br/avalppa/site/content/av_prog/15/32/prog1532.htm#topo>.
Acesso em: 27 abr. 2010.
37
SOBRINHO, Carlito Lopes Nascimento; NASCIMENTO, Mônica de Andrade;
CARVALHO, Fernando Martins. Transformações no Trabalho Médico. Revista
Brasileira de Educação Médica. Rio de Janeiro, 29:2 (Maio/Ago), 129-135, 2005.
VENTURINI et al. Motivação no Trabalho dos Oficiais do Exército Brasileiro: um
estudo de caso. Anais do XXVII encontro Nacional de Engenharia de Produção. 09
a 11 OUT de 2007, Foz do Iguaçu, PR. Disponível em:
<http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2007_TR600449_0162.pdf>. Acesso
em: 06 jun. 2010.
38
QUESTIONÁRIO DE AVALIAÇÃO
"Expectativas do Médico na Carreira Militar"
Caro colega médico do Curso de Formação de Oficiais, as perguntas abaixo visam
desenvolver um levantamento a respeito dos fatores motivacionais que o levaram a ingressar no
Exército brasileiro assim como também, identificar quais seriam as suas principais expectativas
durante a sua carreira militar. Para tal, favor assinalar somente uma alternativa para cada
questão.
Informações Pessoais
SEXO (
)Fem (
)Masc
IDADE:
Especialidade:
Ano Formatura:
1. Você já foi temporário nas Forças Armadas: (
2. Se sim, egresso de qual força: (
)EB
(
) SIM
)MAR
(
) NÃO
(
)FAB
3. Possuir uma carreira pública Estadual, Municipal ou Federal é importante para
o médico?
Muito importante
Importante
Pouco importante
Não importante
Não sei
4. A possibilidade de ter um emprego público federal foi importante na escolha
da profissão militar?
Muito importante
Importante
Pouco importante
Não importante
Não sei
5. Um dos fatores para ingressar no exército brasileiro foi a insatisfação com as
condições de trabalho médico no meio civil?
Grande concordância
Concorda
Neutro
Discorda
Grande discordância
6. Um dos fatores para ingressar no exército brasileiro foi a insatisfação com o
seu salário no meio civil?
Grande concordância
Concorda
Neutro
Discorda
Grande discordância
7. Você possui familiares militares da ativa ou da reserva?
(
) SIM
(
) NÃO
8. Você sofreu influência para seguir carreira militar por militares da reserva ou
da ativa?
Freqüentemente
Às vezes
Quase nunca
39
9. A possibilidade de conhecer outros Estados do Brasil e suas diferentes
realidades é importante para a formação do médico do Exército Brasileiro?
Muito importante
Importante
Pouco importante
Não importante
Não sei
10. Essa possibilidade funcionou como um atrativo para você ingressar no
Exército Brasileiro?
Grande concordância
Concorda
Neutro
Discorda
Grande discordância
11. Essa possibilidade funciona como um atrativo para que você continue no
Exército Brasileiro após a sua formação?
Grande concordância
Concorda
Neutro
Discorda
Grande discordância
12. As transferências devido à necessidade do serviço poderiam fazer você
desistir da carreira militar?
Concordo
Fortemente
Concordo
Discordo
Discordo
Fortemente
13. Você conhece ou já foi atendido em algum dos hospitais militares do Exército
Brasileiro?
(
) SIM
(
) NÃO
14. Se sim, o que achou das condições físicas e/ou de trabalho do hospital?
Excelente
Adequado
Pouco adequado
Inadequado
Ruim
15. Você espera ter condições plenas para exercer sua profissão no exército
brasileiro, seja na tropa ou no hospital?
Grande concordância
Concorda
Neutro
Discorda
Grande discordância.
16. Você espera ter condições de aprimorar-se cada vez mais no exercício da
medicina durante a sua carreira militar?
Grande concordância
Concorda
Neutro
Discorda
Grande discordância.
17. Você considera que a implementação do PROCAP/Sau é um atrativo para o
ingresso de médicos no Exército Brasileiro?
Grande concordância
Concorda
Neutro
Discorda
Grande discordância.
18. Você tem intenção de trabalhar no meio civil durante a sua carreira militar?
Freqüentemente
Às vezes
Quase nunca
40
19. Você tem receio que a profissão militar atrapalhe o desenvolvimento de sua
carreira médica no meio civil?
Freqüentemente
Às vezes
Quase nunca
20. Você almeja seguir cargos de comando durante a sua carreira militar?
Concordo
Fortemente
Concordo
Discordo
Discordo
Fortemente
21. O fator estabilidade foi importante para ingressar no Exército Brasileiro?
Muito importante
Importante
Pouco importante
Não importante
Não sei
22. O fator salário foi importante para ingressar no Exército Brasileiro?
Muito importante
Importante
Pouco importante
Não importante
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Não sei
41
Pesquisa: “ EXPECTATIVAS DO MÉDICO NA CARREIRA MILITAR”
O Sr(ª) está sendo convidado a participar da pesquisa “Expectativas do
Médico na Carreira Militar”. Esta é uma investigação que está sendo realizada na
Escola de saúde do Exército, pela 1ª Tenente Aluna Emanuella Galvão de Sales e
Silva como Trabalho de Conclusão do Curso de Formação de Oficiais do ano de
2010.
O objetivo desta pesquisa é determinar as expectativas dos oficiais médicos
do curso de formação de oficiais do ano de 2010 para a sua carreira militar e os
motivos que os levaram a ingressar no exército brasileiro, bem como elucidar os
principais motivos de evasão precoce e a não procura da carreira militar por este
profissional.
Todas as informações serão sigilosas e sua identidade não será revelada.
Sua contribuição será de extrema importância para a realização deste trabalho cujos
dados poderão ajudar na realização de projetos de mudanças no intuito de se
estimular cada vez mais a procura da carreira militar pelo médico.
Juntamente com este documento segue um questionário com algumas
perguntas. A participação no estudo não trará custos e/ou qualquer benefício, assim
como a recusa em participar não lhe trará qualquer prejuízo.
CONSENTIMENTO: A 1º Ten Al Emanuella informou dos objetivos da pesquisa
acima de maneira clara, detalhada e esclareci minhas dúvidas.
Ciente de todas as informações acima, declaro que concordo em participar
desse estudo. Recebi uma cópia deste termo de consentimento livre e esclarecido e
me foi dada a oportunidade de ler e esclarecer as minhas dúvidas.
___________________________________________________________________
Nome do participante, Assinatura e Data
Telefone para esclarecimentos: (21) 80132880
Download

TCC pronto - Escola de Saúde do Exército