UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA-UNAMA
CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE-CCBS
CURSO DE FISIOTERAPIA
DÉBORA SUELY MARTINS VALENTE
HÍVINA RAFAELE DA COSTA SILVA
KAYSE KÉRCIA NUNES COSTA
EFEITO DO MÉTODO DE REEDUCAÇÃO POSTURAL GLOBAL (RPG) SOBRE A
BIOMECÂNICA VENTILATÓRIA EM INDIVÍDUOS COM ESCOLIOSE
IDIOPÁTICA
BELÉM-PA
2009
DÉBORA SUELY MARTINS VALENTE
HÍVINA RAFAELE DA COSTA SILVA
KAYSE KÉRCIA NUNES COSTA
EFEITO DO MÉTODO DE REEDUCAÇÃO POSTURAL GLOBAL (RPG) SOBRE A
BIOMECÂNICA VENTILATÓRIA EM INDIVÍDUOS COM ESCOLIOSE
IDIOPÁTICA
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado
à
Universidade
da
Amazônia, como pré-requisito para
obtenção do grau em Fisioterapia, sob
orientação da Profa. Ms. Valéria
Marques Ferreira Normando.
BELÉM-PA
2009
V154e
Valente, Débora Suely Martins.
Efeito do método de reeducação postural global (RPG)
sobre a biomecânica ventilatória em indivíduos com escoliose
idiopática / Débora Suely Martins Valente; Hívina Rafaele da
Costa Silva; Kayse Kércia Nunes Costa -- Belém , 2009.
67 folhas
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em
Fisioterapia) --Universidade da Amazônia, 2009.
Orientadora: Profª. Ms. Valeria Marques Ferreira
Normando.
1. Escoliose. 2. Biomecânica Ventilatória. 3. Reeducação
Postural Global (RPG) . I. Silva, Hívina Rafaele da Costa. II.
Costa, Kayse Kércia Nunes. III. Título.
CDD: 615.82
DÉBORA SUELY MARTINS VALENTE
HÍVINA RAFAELE DA COSTA SILVA
KAYSE KÉRCIA NUNES COSTA
EFEITO DO MÉTODO DE REEDUCAÇÃO POSTURAL GLOBAL (RPG) SOBRE A
BIOMECÂNICA VENTILATÓRIA EM INDIVÍDUOS COM ESCOLIOSE
IDIOPÁTICA
Trabalho de Conclusão de Curso
apresentado ao curso de Fisioterapia
do Centro de Ciências Biológicas e
da Saúde da Universidade da
Amazônia como requisito para
obtenção do titulo em Fisioterapia.
Banca Examinadora
___________________________________
Prof. Tayná Leonardo Alves
___________________________________
Prof. Ms. Dr. Manoel Gionovaldo Freire Lourenço
_______________________________________
Ftª Ana Catarina Milet
Apresentado em: __/__/_____
Conceito: _________________
Belém - PA
2009
AGRADECIMENTOS- DÉBORA VALENTE
Á Deus por me possibilitar o dom da vida e pela sua proteção nos momentos difíceis sem me
deixar desistir dos meus objetivos, através da minha Fé. Dando-me sempre muita saúde e
força para transpor as barreiras encontradas até aqui.
Aos meus Pais, Solange e Marcivaldo, pelo amor, educação e confiança. Nunca medindo
esforços para minha formação. Amo vocês!
Aos meus irmãos, Diego e Daniel pela amizade e apoio. E, à minha sobrinha Olívia que foi
um incentivo extra neste caminho, completando ainda mais a minha felicidade.
Aos meus avós, Lindina e Lourival e Hosana e Olivaldo, pelo amor e incentivo.
A todos os meus Tios e Primos que sempre torceram pela minha felicidade. Em especial, aos
meus tios Rosana e Jucimil pelo carinho e apoio. Muito Obrigada!
Ao meu namorado Rodrigo, que surgiu na minha vida de uma forma especial. Sendo meu
maior companheiro, um apoio especial para esta conquista. Obrigada amor! Pelo carinho,
estímulo e compreensão.
A todos os colegas de classe e agora, colegas de profissão, dos quais vou sempre lembrar com
carinho e saudade.
Às futuras “fisioterapistas” do grupo de estágio, Andreza, Alyne, Samantha, Hívina e Kayse
pelos momentos que passamos juntas e pelas comemorações em cada estágio cumprido.
Adoro vocês!
À minha amiga Kayse, companheira em quase todos os trabalhos da faculdade, e claro, do
TCC. Que Deus colocou no meu caminho desde o primeiro dia de aula. Obrigada pela sua
amizade, compreensão e conselhos! E à toda sua família, por sempre me acolher tão bem
durante todo esse tempo.
A todos os professores pelo conhecimento transmitido e pela atenção.
A minha orientadora, Valéria Normando, pelo exemplo de profissional, pelo suporte científico
que me proporcionou e pela sua disponibilidade, sempre prestativa, esclarecendo todas as
minhas dúvidas. Obrigada por me apoiar neste momento final.
E a todos que ao longo desta caminhada colaboraram de alguma forma, dividindo as alegrias e
tristezas, ficarão guardados na minha memória.
AGRADECIMENTOS- HÍVINA SILVA
À Deus, por cada dia e por ser responsável por tudo que tenho na minha vida.
À minha Mãe que é exemplo de mulher e de pessoa a ser seguido, e se dedicou a
minha educação com prioridade me proporcionando inclusive esta formação. Ao meu Pai,
pela excelência em me tornar o que sou hoje sem esquecer o respeito e da responsabilidade.
Enfim, por todas as caronas, lanches, ajudas, empréstimos de “PC”, e etc.
Às minhas irmãs Ingrid, pela eterna parceria, colaboração, carinho e amizade. E a
“maninha” Heidy, pela paciência, por se deixar ser cobaia, modelo de exemplo de exercício,
pelo carinho, críticas, elogios, compreensão, amizade e principalmente por ajudar a fazer
parte dessa pesquisa.
Aos meus amigos de fé (ACAS) pela espiritualidade que sempre me mantêm perto de
Deus e da “vida” pela compreensão de nem sempre está presente.
Aos voluntários e amigos, Danilo, Adriele, PJ e Katlin, que contribuíram para a
realização dessa pesquisa.
Ao meu namorado Fernando, pelo amor e carinho dedicados.
Aos fisioterapeutas Nelson Higino, Gionovaldo Lourenço e Valéria Normando, por
colaborar diretamente no conhecimento adquirido para minha formação acadêmica e
realização pessoal.
AGRADECIMENTOS- KAYSE COSTA
Á Deus por sua imensa graça, e que sempre me conduziu no caminho da verdade e da
compreensão.
Aos meus pais, que me ensinaram sempre buscar á Deus em primeiro lugar. Devo á eles a
pessoa que sou sempre me auxiliando com conselhos. Meu pai “paramédico” da família e
claro futuro advogado. Minha mãe que amo tanto e que sempre me ajudou a pensar antes de
falar. Amo vocês meu pais, eu não seria nada sem vocês.
As minhas irmãs, Katlin e Kassia que sempre me apoiaram e me entenderam quando
precisava mais do PC do que elas, e de mais atenção, em algumas vezes. À minha mana
Monica e ao meu sobrinho lindo Calebe que tem sido uma benção em minha vida, Te amo
“lelebe”.
Ao meu namorado Felipe, que sempre me deu apoio, não somente na faculdade, mas nos
trabalhos desempenhados na igreja. Sempre me dando força e carinho que necessitei. Te amo
Amor, Obrigada por tudo.
As minhas amigas e companheiras de trabalhos e estágios: Alyne (alino), Samantha (sah),
Andreza (dressa), Hivina (hivinoca), Debora (grazy) amo todas vocês. Sempre pude contar
com o apoio e risadas dessas amigas em momentos de tensão. Obrigada!
À minha amiga Grazy (Débora), que foi uma amiga sem igual em todos os momentos,
conselhos, e trabalhos que desempenhamos. Por momentos de imitações, e engraçados
fazendo farofa de ovo em casa e pelos bolos. Deus abençoe sua vida mais do que já é. Adoro
você Amiga.
À minha Professora e orientadora Valéria Normando, que não somente deu apoio, mas me
ensinou a ser dedicada e estudiosa. Obrigada pelo exemplo de profissional.
Agradeço a todos que de maneira formal ou informal também me ajudaram nessa caminhada!
EPÍGRAFE
Tudo é do Pai, toda honra e
toda glória é dele a vitória
alcançada em minha vida.
(Padre Fábio de Melo)
RESUMO
Esta pesquisa teve como objetivo verificar o efeito da Reeducação Postural Global
(RPG) na Biomecânica Ventilatória em indivíduos com escoliose idiopática por meio da
manovacuometria, toracometria e espirometria. O tipo estudo é experimental analítico não
controlado, realizado com 3 voluntários sedentários, com média de idade: 22 anos, onde
foram submetidos à intervenção pelo método de RPG. O protocolo foi constituído por um
programa de alongamento da cadeia muscular respiratória na postura ‘rã no chão e rã no ar
com os braços abertos’ aplicados uma vez por semana, durante 10 sessões. Os indivíduos
foram submetidos à avaliação da pressão inspiratória máxima (PImáx) e pressão expiratória
máxima (PEmax), espirometria e toracometria antes e depois da primeira, quinta e décima
sessão de RPG. Ao analisarmos os valores obtidos antes e após a intervenção do RPG
verificamos que, apenas na 1º sessão, a PEmáx e as regiões analisadas na toracometria
tiveram significância estatística.(p<0,05). No entanto, também encontramos valores
significativos nas pressões respiratórias máximas (PImáx e PEmáx) e na região xifóidea da
toracometria, quando analisamos os valores após a realização das dez (10) sessões de RPG.
(p<0,05). Com isso, verificamos que o protocolo proposto pelo método de RPG proporcionou
um aumento estatisticamente significativo nas pressões respiratórias máximas e na mobilidade
toracoabdominal, sugerindo que este pode ser utilizado como um recurso fisioterapêutico,
uma vez que favorece a melhora da biomecânica ventilatória dos pacientes com escoliose
idiopática.
Palavras-Chaves: Escoliose; Biomecânica Ventilatória; Reeducação Postural Global (RPG).
ABSTRACT
This study aimed to verify the effect of the Global Postural Reeducation (RPG) in
Biomechanics ventilation in patients with idiopathic scoliosis by pressure manometry,
toracometria and spirometry. The study type is not controlled experimental analysis, carried
out with 3 sedentary, with mean age: 22 years, where they were subjected to intervention by
the method of RPG. The protocol consisted of a program of stretching the muscle respiratory
chain in position 'on the ground and frog legs in the air with open arms "applied once a week
for 10 sessions. The individuals were submitted to the evaluation of maximal inspiratory
pressure (MIP) and maximal expiratory pressure (MEP), spirometry and toracometria before
and after the first, fifth and tenth session of RPG. When analyzing the values obtained before
and after the intervention of the RPG found that only in 1 session, the MEP and the regions
analyzed in toracometria were statistically significant. (P <0.05. However, we also found
significant values in maximal respiratory pressures (MIP and MEP) and the region of the
xiphoid toracometria, when we analyze the values after the completion of ten (10) RPG
sessions. (p <0.05). With this, we see that the proposed protocol using the RPG has a
statistically significant increase in maximal respiratory pressures and thoracoabdominal
mobility, suggesting that it may be used as a physical feature, since it favors the improvement
of the biomechanics ventilation of patients with scoliosis idiopathic.
Keywords: Scoliosis; Ventilatory Biomechanics; Reeducation Postural Global (RPG).
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1: Escoliose ..................................................................................................................... 8
Figura 2 - Movimento Diafragmático na Inspiração e na Expiração ....................................... 11
Figura 3: Volumes e Capacidades Pulmonares ........................................................................ 12
Figura 4: Manovacuômetro ...................................................................................................... 14
Figura 5: Fita Métrica ............................................................................................................... 15
Figura 6: Espirômetro Quark PFT ............................................................................................ 16
Figura 7: Postura rã no ar com braços abertos.......................................................................... 21
Figura 8: Postura rã no chão de braços abertos ........................................................................ 22
Figura. 9: Teste de Manovacuometria. ..................................................................................... 23
Figura 10: Cirtometria .............................................................................................................. 24
Figura 11: Procedimento da espirometria ................................................................................. 25
Gráfico 1: Gráfico relativo ao percentual de sexo. ................................................................... 26
Gráfico 2: Demonstrativo referente aos valores de PImáx ante e após a intervenção do RPG
na 1ª, 5ª e 10ª sessão. ................................................................................................................ 27
Gráfico 3: Valores obtidos de PEmáx, antes e após intervenção do RPG (P= 0.0099* na 1ª
sessão). ..................................................................................................................................... 27
Gráfico 4: Valores referente ás médias esperadas da PImáx e a média alcançada após as
sessões de RPG. ........................................................................................................................ 28
Gráfico 5: Valores referente ás médias esperadas da PEmáx e a média alcançada após as
sessões de RPG. ........................................................................................................................ 29
Gráfico 6: Representação gráfica dos valores obtidos por meio da toracometria axilar, antes e
após a intervenção do RPG. (P<0,05 na 1ª sessão). ................................................................. 30
Gráfico 7 Representação gráfica dos valores obtidos por meio da toracometria manilar, antes e
após a intervenção do RPG. (P<0,05 na 1ª sessão). ................................................................ 30
Gráfico 8: Representação gráfica dos valores obtidos por meio da toracometria Xifóide, antes
e após a intervenção do RPG. (P>0,05 na 1ª sessão)................................................................ 31
Gráfico 9: Gráfico referente a mobilidade toracoabdominal na região axilar, antes e após a
intervenção do RPG. ................................................................................................................. 32
Gráfico 10: Gráfico referente a mobilidade toracoabdominal na região mamilar, antes e após a
intervenção do RPG. ................................................................................................................. 32
Gráfico 11: Gráfico referente a mobilidade toracoabdominal na região xifóide, antes e após a
intervenção do RPG. ................................................................................................................. 33
LISTA DE TABELAS
Tabela 1: Análise da regressão da gibosidade dos pacientes na 1ª, 5ª e 10ª sessão. ................ 26
Tabela 2: Valores de pressões respiratórias máximas obtidas antes e após a intervenção de
RPG na 1ª, 5ª e 10ª sessão. (* P>0,05). .................................................................................... 26
Tabela 3: Valores das pressões respiratórias máximas esperadas e obtidas na 1ª, 5ª e 10ª
sessão. (P< 0,05). ...................................................................................................................... 28
Tabela 4: Valores referentes à toracometria alcançados antes e após a intervenção de RPG na
1ª, 5ª e 10ª sessão. (*P<0,05). .................................................................................................. 29
Tabela 5: Valores referentes á toracometria alcançados antes da intervenção do RPG e após a
10 sessão do RPG. .................................................................................................................... 31
Tabela 6: Comparativo dos valores de CVF e VEF- 1 obtidos por meio da espirometria na 1ª,
5ª e 10ª sessão de RPG. ............................................................................................................ 33
LISTA DE ABREVIAÇÕES E SIGLAS
CCBS
Centro de Ciências Biológicas e da Saúde
CEP
Comitê de Ética e Pesquisa
CI
Capacidade Inspiratória
CV
Capacidade Vital
CVF
Capacidade Vital Forçada
Cm
Centímetros
CPT
Capacidade Pulmonar Total
H2O
Água
Mm
Milímetros
PA
Pará ou Estado do Pará
PEMÁX
Pressão Expiratória Máxima
PIMÁX
Pressão Inspiratória Máxima
RPG
Reeducação Postural Global
TCLE
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
VC
Volume Corrente
VER
Volume Expiratório Residual
VIR
Volume Inspiratório Residual
VEF 1
Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo
VMM
Ventilação Voluntária Máxima
VR
Volume Residual
SUMÁRIO
1-INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 5
2- OBJETIVOS .......................................................................................................................... 7
2.1- GERAL ........................................................................................................................... 7
2.2- ESPECÍFICOS ............................................................................................................... 7
3- ESCOLIOSE .......................................................................................................................... 8
4-BIOMECÂNICA VENTILATÓRIA .................................................................................... 11
4.1 VOLUMES E CAPACIDADES .................................................................................... 12
4.2- TESTES VENTILATÓRIOS ....................................................................................... 13
4.2.1 Manovacuometria .................................................................................................... 13
4.2.2 Toracometria:........................................................................................................... 14
4.2.3 Espirometria ............................................................................................................ 15
5-MÉTODO DE RPG............................................................................................................... 17
6- MATERIAIS E MÉTODOS ................................................................................................ 19
6.1- TIPO DE ESTUDO: ..................................................................................................... 19
6.2- LOCAL DO ESTUDO ................................................................................................. 19
6.3 POPULAÇÃO: .............................................................................................................. 19
6.4 AMOSTRAS:................................................................................................................. 19
6.5- CRITÉRIOS DE INCLUSÃO ...................................................................................... 19
6.6- CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO ..................................................................................... 20
6.7 PROCEDIMENTOS: ..................................................................................................... 20
6.8- ANÁLISE ESTATÍSTICA ........................................................................................... 25
7-RESULTADOS ..................................................................................................................... 26
8- DISCUSSÃO........................................................................................................................ 34
9- CONCLUSÃO ..................................................................................................................... 37
10- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................... 38
APÊNDICE A .......................................................................................................................... 48
APÊNDICE B ........................................................................................................................... 49
APÊNDICE C ........................................................................................................................... 50
APÊNDICE D .......................................................................................................................... 51
APÊNDICE E ........................................................................................................................... 55
APÊNDICE F ........................................................................................................................... 56
5
1-INTRODUÇÃO
O conceito de escoliose tem mudado na última década devido ao maior
entendimento da natureza tridimensional dessa patologia, o que levou a ser definida
como uma deformidade nos três planos, sendo a inclinação no plano frontal, a rotação
vertebral no plano axial e a póstero-flexão no plano sagital, produzindo uma topografia
irregular na superfície do troco dos indivíduos que apresentam essa alteração.
(FERREIRA & DEFINO, 2001).
Ela é designada por sua convexidade e chamada de idiopática, 80% dos casos,
quando suas alterações não estão associadas a paralisias, malformações congênitas ou
doenças metabólicas estabelecidas. Na verdade, o que se tem são fatores que
comprovadamente influenciam como: hormonais, genética, mecânica da coluna,
aspectos nutricionais e sócio-econômicos e modismos sociais. (SILVA FILHO, 2000).
De acordo com Ferreira & Defino (2001), a incidência total de escoliose
registra extremos de 1 a 13% por todo o mundo, embora a escoliose com mais de 10
graus seja de, aproximadamente, 2%.
Para Trevisan, Portela & Moraes (2008), a escoliose apresenta variabilidade em
relação à etiologia, idade de surgimento, gravidade e progressão da deformidade
provocando diminuição dos diâmetros da caixa torácica, e freqüente, perda da
flexibilidade com redução da excursão do gradil costal. Essas anormalidades alteram a
movimentação das costelas e a localização dos músculos respiratórios, promovendo
uma desvantagem na mecânica ventilatória que, diretamente, diminuí a complacência
do tórax e, indiretamente, a complacência pulmonar.
Teodori et al (2003) ressalta que a musculatura respiratória apresenta
características estruturais, elétricas e funcionais idênticas a de outros músculos
esqueléticos e que também estão sujeitos a encurtamentos e desequilíbrios. Para ele, a
força muscular é alterada quando o músculo encontra-se em estado de encurtamento,
uma vez que ocorre alteração na relação comprimento-tensão do mesmo,
incapacitando-o de produzir um pico de tensão adequado, desenvolvendo-se fraqueza
com retração.
6
Trevisan,
Portela
&
Moraes
(2008)
demonstram
ainda,
que
os
comprometimentos ventilatórios, em indivíduos escolióticos, aumentam à medida que
a escoliose progride.
Percebe-se com isso, que a fisiologia respiratória depende igualmente de uma
biomecânica satisfatória, dado que o jogo pressórico e as possibilidades de expansão
dos pulmões estão ligados a mecanismos osteo-mio-articulares envolvidos na
ventilação. (SOUCHARD, 2001) Logo, o funcionamento satisfatório do aparelho
locomotor é fator determinante para a boa função ventilatória.
Este mesmo autor ainda afirma que a Reeducação Postural Global (RPG) tem
sido um dos melhores métodos de alongamento muscular, uma vez que suas posturas
visam restabelecer o comprimento-tensão das fibras musculares, favorecendo o
desempenho da biomecânica ventilatória.
7
2- OBJETIVOS
2.1- GERAL
Verificar o efeito do RPG na biomecânica ventilatória em indivíduos com
escoliose idiopática através da manovacuometria, toracometria e espirometria.
2.2- ESPECÍFICOS
- Determinar por meio do manovacuômentro valores de PImáx e PEmáx.
- Obter por meio da técnica de toracometria, a mobilidade tóraco-abdominal.
- Mensurar por meio da espirometria valores de Capacidade Vital Forçada e
Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1).
- Analisar os valores de PImáx, PEmáx, mobilidade tóraco-abdominal,
Capacidade Vital Forçada e Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo
(VEF1), obtidos por meio das técnicas de manovacuometria, toracometria e
espirometria antes e após a intervenção do RPG.
8
3- ESCOLIOSE
Segundo Andrews, Harrelson e Wilk (2000), a coluna vertebral consiste em
cinco regiões: cervical com sete vértebras; torácica com doze; lombar com cinco;
sacral com cinco vértebras fundidas, e a coccígea, com quatro, totalizando assim 33
vértebras. Elas têm seu tamanho aumentado no sentido da região cervical para lombar
e diminuído da sacral para a coccígea.
A estabilização estática da coluna é fornecida pelos ligamentos. Já o sistema
muscular intrínseco e extrínseco é responsável por sua estabilização dinâmica.
(SIZINIO et al 2003).
Para Andrews, Harrelson e Wilk (2000) e Deliberato (2002), ela apresenta
quatro curvas fisiológicas onde duas destas possuem a convexidade posterior,
denominadas cifóticas, localizadas na região torácica e sacral e duas com convexidade
anterior, denominadas lordóticas, na região cervical e lombar. Essas curvaturas são
originadas de acomodações do esqueleto na postura ereta, tornando indispensável para
a manutenção do equilíbrio na posição ortostática e no suporte de forças compressivas.
A escoliose é uma modificação estrutural da coluna vertebral onde as vértebras
inclinam-se no plano frontal, giram no plano transverso e colocam-se em pósteroflexão no plano sagital. (SOUCHARD, 2001).
Figura 1: Escoliose
Fonte: www.vitorcaine.com
9
De acordo com Ferreira & Defino (2001), a incidência total de escoliose
registra extremos de 1 a 13% por todo o mundo, embora a escoliose com mais de 10
graus seja de, aproximadamente, 2%.
Kisner & Colby (1998) demonstram que a estruturação da curva escoliótica
decorre de alterações morfológicas na estrutura óssea da coluna vertebral, no gradil
costal e nos tecidos adjacentes.
A escoliose pode ser classificada em não-estruturada ou estruturada. A
primeira pode ocorrer pela discrepância de membros inferiores, espasmo muscular,
compressão de raiz nervosa e ainda pelo posicionamento do tronco, caracterizada pela
flexibilidade e pelo potencial de reversão. Já a estrutural, pode ser idiopática,
neuromuscular e osteopática sendo caracterizada pela fixação ou rigidez da
deformidade, rotação vertebral e gibosidade, gerando consequente efeito sobre a
ventilação e sistema cardiovascular. (LEAL, 2003).
Souza (2003) cita as manobras semiológicas utilizadas para a realização do
exame físico do paciente com escoliose. Dentre elas está o teste de Adams que
consiste na pesquisa de assimetrias na região dorsal do tórax durante a flexão da
coluna vertebral; e o método de Cobb, utilizado para encontrar o ângulo de curvatura
do desvio por meio da medição do ângulo formado entre as duas vértebras mais
desviadas das extremidades da curva.
Este mesmo autor afirma que a Scoliosis Research Society recomenda que
apenas ângulos superiores a 10 graus sejam considerados anormais, pois até essa
magnitude não ocorre impedimento significativo da função. Portanto, a determinação
das características da curva como magnitude, lado da convexidade, topografia e grau
de rotação são parâmetros importantes para o prognóstico e o tratamento.
É importante salientar também, que o caráter compensatório da escoliose devese principalmente a uma retração assimétrica dos músculos espinhais, sobretudo os
multífidos, sendo responsáveis pelo posicionamento característico da deformidade
cujas inserções sobre o esqueleto deixam claro que são eles os únicos capazes de
produzir rotação para um lado e látero-flexão para o lado oposto, característica das
curvas escolióticas. (SOUCHARD & OLLIER, 2007 e SOUCHARD, 2001).
Contudo, a literatura nos mostra algumas técnicas e recursos fisioterapêuticos
utilizados no tratamento da escoliose. Para Souchard (2001), a Reeducação Postural
Global (RPG) é uma técnica que promove alongamento das estruturas retraídas,
através de tração, e simultaneamente fortalece segmentos da coluna vertebral, por
10
meio de posturas isotônicas excêntricas, promovendo um realinhamento da coluna e
um melhor funcionamento do sistema respiratório.
11
4-BIOMECÂNICA VENTILATÓRIA
A biomecânica ventilatória é um processo natural que ocorre entre a caixa
torácica e o pulmão em decorrência de alguns fatores predisponentes à respiração.
(MOORE, 2001).
Segundo Prestor & Prestor (2002), ela prevalece das propriedades contráteis
dos músculos, das propriedades elásticas do pulmão (complacência, elastância e
resistência das vias áreas) e da caixa torácica.
O processo cíclico da ventilação envolve trabalho mecânico por parte dos
músculos respiratórios. O ato ventilatório exprime-se em duas fases: inspiração e
expiração. Na inspiração ocorre a contração do diafragma, a dilatação da caixa
torácica e a entrada de ar nos pulmões. Os músculos inspiratórios fixam-se no trato
cervical e torácico, elevam as costelas e exercem notável influência sobre a ventilação.
A inspiração calma é determinada por músculos inspiratórios principais: diafragma,
escalenos e intercostais externos. (TRIBASTONE, 2001).
Figura 2 - Movimento Diafragmático na Inspiração e na Expiração.
Fonte: www.auxilio.com
Para este mesmo autor, na expiração, ocorre o relaxamento e a dilatação do
diafragma com expulsão de ar, dado que os pulmões e a caixa torácica, pela sua
elasticidade, retraem-se. Os músculos expiratórios, abdominais, ao contraírem-se,
abaixam as costelas e facilitam a saída do ar. Se for efetuada de maneira forçada, a
expiração transforma-se em um fenômeno ativo e é determinada pela contração dos
12
músculos expiratórios acessórios: abdominais (transversais, oblíquos internos,
oblíquos externos), retos do abdômen, além do serrátil póstero-inferior e quadrado
lombar.
Para Marques (2000) e Teixeira (2005), a ventilação pulmonar está diretamente
relacionada com as curvaturas da coluna vertebral, à má formação do tórax e às
alterações na mobilidade torácica. Logo, o indivíduo portador de qualquer anomalia da
estática ou da dinâmica morfofuncional manifesta uma série de modificações e de
alterações da função ventilatória, pois a cadeia muscular respiratória depende de
perfeitas condições de flexibilidade para poder desempenhar corretamente seu papel.
4.1 VOLUMES E CAPACIDADES
Existem quatro volumes e quatro capacidades pulmonares. Uma capacidade
pulmonar é constituída por dois ou mais volumes pulmonares. Os volumes pulmonares
são o volume corrente (VC), o volume inspiratório de reserva (VIR), volume
expiratório de reserva (VER) e o volume residual (VR). As quatro capacidades são: a
capacidade pulmonar total (CPT), a capacidade inspiratória (CI), a capacidade residual
funcional (CRF) e a capacidade vital (CV). Estes volumes e capacidades pulmonares
podem ser mensurados diretamente através de um espirômetro. (ALEXANDRE,
ARAÚJO E MACHADO, 2008).
Figura 3: Volumes e Capacidades Pulmonares.
Fonte: www.cabuloso.com
13
4.2- TESTES VENTILATÓRIOS
4.2.1 Manovacuometria
A força muscular respiratória é avaliada por meio da pressão inspiratória
máxima (PImáx) e da pressão expiratória máxima (PEmáx). A primeira é uma medida
que indica a força do músculo diafragma. Já a segunda, mede a força dos músculos
abdominais e intercostais. Todavia, a maioria dos autores considera que a PImáx
responde a força de todos os músculos respiratórios. De qualquer maneira, trata-se de
medidas que quando sofrem variações permitem-nos concluir que houve alterações na
força desses músculos. (COSTA et al 2003).
Para Souza (2003), a PImáx pode ser medida a partir de uma expiração
máxima, quando os pulmões adquirem o volume residual e a PEmáx, a partir de uma
inspiração máxima, quando os pulmões estão com a capacidade pulmonar total.
Fiore Junior (2004) relata que a manovacuometria é um recurso
freqüentemente utilizado para determinar a gravidade, as conseqüências funcionais e o
progresso de diversas disfunções pulmonares e neuromusculares. Ela consiste na
medida da máxima pressão inspiratória e expiratória que o indivíduo pode gerar na
boca, e por se tratar de uma manobra estática, com via aérea ocluída, a pressão bucal
avaliada reflete a pressão que está sendo gerada nos alvéolos pela ação dos músculos
respiratórios.
A força não depende apenas dos músculos, mas também do volume pulmonar
em que foi feita a mensuração e do correspondente valor da pressão de retração
elástica do sistema respiratório. A força muscular inspiratória em adultos normais é
entre -90 a -120 cm de água. Já a força muscular expiratória tem como valor médio de
um adulto jovem entre 100 a 150 cm de H2O. Entretanto, em ambos os sexos, após os
20 anos, há um decréscimo anual de 0,5 cm de H2O. (AZEREDO, 2002).
As mensurações das pressões respiratórias máximas dependem da compreensão
das manobras a serem executadas e da vontade do indivíduo em cooperar, realizando
movimentos e esforços respiratórios realmente máximos. (SOUZA,2003).
14
Figura 4: Manovacuômetro.
Fonte: www.fisiorespiratoria.com.br
4.2.2 Toracometria:
Segundo Carvalho (2001), a maneira mais indicada para medir a mobilidade
tóraco-abdominal é por meio da cirtometria dinâmica ou toracometria que é a medida
do perímetro torácico durante os movimentos respiratórios.
Costa (1999) considera que o teste consiste na medida das circunferências
torácicas realizadas nas fases expiratória e inspiratória máxima e que a diferença entre
elas, fornece informações do grau de expansibilidade e de retração dos movimentos
torácicos.
A toracometria é realizada por meio de uma fita métrica e deve ser realizada,
no mínimo, em três regiões diferentes do tórax: axilar, mamilar e xifóidea. A fita deve
ser fixada com seu ponto zero na região anterior do nível a ser examinado e a outra
extremidade, após contornar o tórax, deverá ser tracionada pelo terapeuta sobre o
ponto fixo. Deve ser feita uma pressão máxima possível da fita sobre o corpo do
paciente para prevenir que as estruturas moles interfiram nas medidas. (COSTA,
1999).
Para Candia (2004), a avaliação da expansibilidade torácica pode ser repetida
se houver necessidade, como no caso de dúvida em relação aos valores encontrados; e
sempre a tentativa que fornecer maior diferença deverá ser registrada e não a média
das diferentes repetições.
15
Normalmente, a expansibilidade de uma mulher jovem tem valor aproximado
de 2,5 e os homens de 5 cm. Valores que diferem dos anteriores, para mais ou menos
são graduados como expansibilidade aumentada ou diminuída, respectivamente.
(CIPRIANO, 1999).
Caldeira et al (2007) relata que uma pesquisadora brasileira estudou o padrão
respiratório e a configuração tóraco- abdominal em indivíduos normais durante a
ventilação tranqüila e observou que homens e mulheres mantêm o mesmo
comportamento de padrão respiratório e de configuração tóraco-abdominal nas
posições dorsal e sentada.
Figura 5: Fita Métrica.
Fonte: www.tribofitness.com.br
4.2.3 Espirometria
O termo espirometria (do latim spiro, “respirar” e metrum, “medida”) designa
uma técnica que possibilita a análise quantitativa e qualitativa da função ventilatória e
a avaliação dos volumes, capacidades e fluxos pulmonares, fornecendo ricas
informações sobre a função pulmonar, a partir de manobras respiratórias padronizadas,
e os compara com padrões de referência previstos para a população avaliada.
(COSTA, 1999; PEREIRA, 2002).
Para Azeredo (2002), dos inúmeros testes que avaliam a função pulmonar, a
espirometria é o exame complementar de maior utilidade ao fisiodiagnóstico e à
elaboração do programa terapêutico e dos critérios de alta.
Um dos principais parâmetros analisados na espirometria é a Capacidade Vital
Forçada (CVF), que é o volume de ar que pode ser expirado tão rápida e
completamente quanto possível após uma inspiração profunda máxima, normalmente
expressa em litros; e o Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1) que
é verificado a partir da Manobra de Expiração Forçada possibilitando, de forma
16
indireta, a obtenção do valor da Ventilação Voluntária Máxima (VVM) que por sua
vez, avalia as propriedades mecânicas dos pulmões e da caixa torácica, associadas às
condições da musculatura respiratória. (AZEREDO, 2002; COSTA, 1999;
BETHLEM, 2002).
Segundo Costa (1999) e Pereira (2002), a espirometria pode ser indicada com
propósito diagnóstico, monitorização e avaliação tendo como objetivos: avaliar o risco
cirúrgico, a evolução clínica de uma pneumopatia e a resposta ao tratamento; detectar
precocemente disfunções pulmonares e a natureza fisiopatológica do distúrbio e
parametrizar recursos terapêuticos por meio de testes pré e pós intervenção
terapêutica.
Os equipamentos utilizados na espirometria, espirômetros, são de dois tipos:
que mede a volume e a fluxo de gás. Podem ainda ser abertos, quando o paciente
inspira fora do sistema antes de iniciar o teste, e fechados quando a manobra é
realizada totalmente dentro do circuito do aparelho. (PEREIRA, 2002).
Douce (2008) considera que para todos os volumes e capacidades medidos pela
espirometria, existem tabelas que, com base em fórmulas, fornecem valores previstos.
Os valores normais das mensurações espirométricas da mecânica pulmonar se baseiam
na altura, idade, sexo e raça. No entanto, existe uma correlação positiva entre as
mensurações da mecânica pulmonar e a altura e uma correlação negativa entre as
mensurações da mecânica pulmonar e a idade para pacientes com mais de 20 anos. Os
valores para o sexo masculino são maiores do que os do sexo feminino quando a altura
e a idade são iguais.
Valores isolados da espirometria nem sempre fornecem elementos definitivos e
informações completas. Há sempre a necessidade da associação dos resultados da
espirometria e histórico do paciente com outros elementos da avaliação, a fim de
estabelecer uma boa interpretação das condições funcionais do sistema respiratório.
(COSTA, 1999).
Figura 6: Espirômetro Quark PFT.
Fonte: www.2.ciashop.com.br
17
5-MÉTODO DE RPG
A reeducação postural global (RPG) foi descrita originalmente por Philippe
Emmanuel Souchard na década de 70, a partir de observações feitas por Françoise
Méziéres sobre cadeias musculares. Esse método provoca o alongamento muscular
ativo de um conjunto de músculos estáticos, antigravitários, rotadores internos e
inspiratórios. (TEODORI et al 2003).
De acordo com Marques (2000), a idéia das cadeias musculares se baseia no
alongamento de músculos encurtados, por meio da tração, que criam compensações
musculares próximas ou distantes, trabalhando o corpo como um todo. Portanto, a
proposta do RPG é alongar vários músculos em cadeia. Com isso, como relata Barros
(2006) o comprimento muscular adequado possibilita aos músculos inspiratórios
exercer capacidade contrátil mais eficaz, promovendo melhora da biomecânica
ventilatória e conseqüente aumento do volume corrente.
As posturas empregadas nesse método são ativas e consecutivas, isotônicas e
excêntricas dos músculos estáticos e com manutenção dos dinâmicos, sempre em
descompressão articular progressivamente mais global. Visam corrigir retrações
existentes nas diferentes cadeias permitindo adaptações que permitem a melhora da
flexibilidade e força muscular e devem ser mantidas o máximo de tempo possível, uma
vez que o tempo de manutenção é proporcional ao ganho de alongamento.
(SOUCHARD, 2001).
Segundo Durigon
(1995), o alongamento
promove alterações tanto
quantitativas quanto qualitativas a nível muscular. Quantitativas quanto à adição de
sarcômeros em série, em um alongamento da ordem de até 30% do comprimento
inicial do músculo, sendo esta alteração irreversível e plástica. Nas alterações
qualitativas observam-se um realinhamento das fibras de colágeno.
O RPG trata o indivíduo e não a doença, porque cada um tem sua própria
resistência à agressão e sua própria maneira de reagir a ela, muitas vezes adotando
padrões posturais alterados para evitar a dor ou bloqueio. (SOUCHARD, 2001).
Para Souchard (2001), durante o tratamento, caberá ao fisioterapeuta tentar
descobrir como a causa do problema se relaciona com o sintoma, analisar as
compensações que o paciente desenvolveu e revelar as retrações de defesa criadas por
18
ele para esconder uma dor ou uma tensão. É um trabalho fino, delicado, que exige um
tratamento personalizado e individual, pois cada comportamento é pessoal.
Barros (2006) afirma que o encurtamento dos músculos da cadeia inspiratória
leva ao aumento do volume da caixa torácica em repouso, formando-se um tórax com
grande diâmetro, porém recebendo pequeno volume de ar corrente. Logo, o
comprimento muscular adequado possibilita aos músculos inspiratórios exercer
capacidade contrátil mais eficaz, promovendo melhora da biomecânica ventilatória e
conseqüente aumento do volume corrente.
Desta forma, entendemos que a biomecânica da caixa torácica não funciona de
maneira isolada, ela está inserida na mecânica corporal global. Portanto, entende-se
que a atuação sobre a biomecânica ventilatória não pode se desvincular de uma
abordagem sobre a organização da totalidade do corpo, assim como das disfunções
osteomusculares.
19
6- MATERIAIS E MÉTODOS
6.1- TIPO DE ESTUDO:
A pesquisa é do tipo experimental, de caráter quanti-qualitativo, prospectivo.
Sendo realizado a partir da coleta de dados, por meio de pesquisa de campo, associado
á aplicação de protocolo de tratamento de RPG e à utilização de uma ficha de
avaliação previamente elaborada por seus pesquisadores. (APÊNDICE A).
6.2- LOCAL DO ESTUDO
A pesquisa foi desenvolvida na Clinica Escola de Fisioterapia da Universidade
da Amazônia – FISIOCLINICA localizado na Rua Alcindo Cacela, n°2424, no
período compreendido entre janeiro e maio de 2009.
6.3 POPULAÇÃO:
Foi realizado no presente estudo uma triagem dos pacientes assistidos na
Clinica Escola de Fisioterapia da Universidade da Amazônia – FISIOCLINICA, entre
janeiro de 2008 a maio de 2009. Nesta, foram encontrados trinta e oito (38) pacientes
com escoliose, sendo que apenas quinze (15) deles encontravam-se nos critérios de
inclusão e apenas cinco (5) participaram inicialmente da pesquisa. Destes, dois (2)
foram excluídos da pesquisa, um por não obedecer às freqüências nas sessões e o outro
por influenciar nos resultados estatísticos.
6.4 AMOSTRAS:
Participaram deste estudo apenas três (3) indivíduos que iniciaram e
finalizaram o tratamento de Reeducação Postural Global (RPG) no período de
realização do mesmo.
6.5- CRITÉRIOS DE INCLUSÃO
20
Foram selecionados indivíduos com escoliose idiopática para tratamento na
Clinica Escola de Fisioterapia da Universidade da Amazônia – FISIOCLINICA,
sedentários, não tabagistas, de ambos os sexos, na faixa etária de 18 a 30 anos de
idade, com ângulo de Cobb maior que 10° e menor que 40°, sem patologias
respiratórias, sem qualquer desvio da coluna vertebral que interfira diretamente na
biomecânica ventilatória, estado geral de deterioração física ou mental que impeça a
sua colaboração e que não apresentem algum critério de contra-indicação para a
manovacuometria e espirometria tais como: infarto agudo do miocárdio ou angina
instável recente, hipertensão arterial sistêmica grave e sem controle, aneurisma de
aorta, pneumotórax, fístulas pleurocutâneas ou pulmonares, cirurgia ou traumatismo
recentes sobre as vias aéreas superiores, tórax ou abdômen, hérnias abdominais,
problemas agudos de ouvido médio, glaucoma ou descolamento de retina,
hidrocefalia, meningocele, processos neurológicos que favoreçam o engasgamento das
amídalas.
6.6- CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO
Foram excluídos do presente estudo todos os indivíduos que não se
enquadraram no critério de inclusão.
6.7 PROCEDIMENTOS:
A pesquisa foi desenvolvida mediante as aprovações: orientadora da pesquisa
(APÊNDICE B) e co-orientadora (APÊNDICE C); dos indivíduos , por meio do
Termo de Consentimento Livre Esclarecido – TCLE (APÊNDICE D); do Comitê de
Ética em Pesquisa –CEP (APÊNDICE E) e do local onde foram realizadas as
avaliações, Clinica Escola de Fisioterapia da Universidade da Amazônia –
FISIOCLINICA. (Apêndice F).
No primeiro momento, os indivíduos tiveram seus dados registrados em uma
ficha de avaliação previamente elaborada pelas pesquisadoras, contendo as seguintes
variáveis: idade, sexo, hábitos e vícios (etilismo e tabagismo), doenças respiratórias
pregressas e atividade física.
A aplicação do RPG foi realizada por uma única fisioterapeuta especializada
neste método, sendo esta profissional destinada somente para essa função.
21
A avaliação dos pacientes foi realizada inicialmente em posição ortostática
formando um triângulo de 30° com o pé, onde se observou o posicionamento da
cabeça, ombro, quadril, joelhos, e pés, verificando-se a presença de compensações e
possíveis alterações nesses locais. Em seguida, na posição sentada, foi analisada a
postura, sendo que a aplicação do teste de flexibilidade foi realizado nas duas
posições. Os demais testes aplicados foram: de Adams e de reequilibração do método
RPG. Todos objetivaram verificar a presença de encurtamentos, compensações e
dores.
O protocolo de intervenção constituiu-se por alongamentos da cadeia muscular
respiratória na postura rã no chão (abertura do quadril e braços abertos) e rã no ar
(fechamento do quadril e braços abertos), pois estas posturas permitem maior
estabilidade dos pontos de inserção do diafragma, sendo ideais para o alongamento
desta musculatura. A mesma postura foi realizada em todas as sessões sendo que o a
terapeuta realizava a progressão das posturas até o limite possível de cada voluntário, ,
favorecendo o alongamento progressivo das cadeias musculares envolvidas na postura
durante o tratamento.
Cada paciente foi submetido a dez (10) sessões, uma vez na semana, com
duração de 30 minutos cada. (MORENO et al, 2007).
Figura 7: Postura rã no ar com braços abertos.
Fonte: Dados do Autor, 2009.
22
Figura 8: Postura rã no chão com braços abertos.
Fonte: Dados do Autor, 2009.
Todos os indivíduos foram orientados quanto à sua freqüência nas sessões, uma
vez que essa desconsideração provocaria alterações no efeito do tratamento e exclusão
da pesquisa.
Uma das pesquisadoras submeteu todos os voluntários à avaliação das pressões
respiratórias máximas (PImáx e PEmáx), toracometria e espirometria, sob comando
verbal homogêneo, antes e depois da primeira, quinta e décima sessão de RPG.
A avaliação da força muscular respiratória foi analisada por meio do
manovacuômetro. Tal instrumento analisou a pressão inspiratória máxima (PImáx) e a
pressão expiratória máxima (PEmáx) seguindo a orientação da pesquisadora. Para as
mensurações os indivíduos estavam sentados em posição confortável, estando em um
ângulo de 90º com a articulação coxofemoral e com as narinas ocluídas por um clipe
nasal.
Todos foram conscientizados da forma exata da realização do teste. Para a
realização da PEmáx, o paciente foi orientado a inspirar, até a capacidade pulmonar
total (CPT), e a realizar um esforço expiratório sustentado até o volume residual (VR).
Na medida da PImáx, o indivíduo expirou até o volume residual (VR) e, a seguir,
realizou um breve esforço inspiratório até a capacidade pulmonar total (CPT).
Para ambas as mensurações, foram realizadas três manobras, sendo que destas
foi aceita a de maior valor, com a duração do esforço mantida por pelo menos dois
segundos. Os valores visualizados no manômetro foram anotados e um intervalo de
trinta segundos entre as tentativas de mensuração das pressões respiratórias máximas,
e de dois minutos entre PImáx e PEmáx foi disponibilizado aos participantes.
(SOUZA, 2002).
23
Todas as medidas das Pressões respiratórias foram avaliadas com o
manovacuômetro da marca Gerar com escala de 0 a + 300cmH2O para as pressões
expiratórias, e 0 a – 300 cmH2O para as pressões inspiratórias, sendo utilizados
adaptadores orais contendo um orifício de 2mm
de diâmetro por 37mm de
comprimento, a fim de desprezar a pressão exercida pela musculatura orofacial, como
os músculos burcinadores. (ALEXANDRE, ARAÚJO E MACHADO, 2008).
As equações de predição dos valores normais da pressão inspiratória máxima
(PImáx) e pressão expiratória máxima (PEmáx) foram as de Neder et al (1988),
(Anexo 1). Neste estudo, todas as voluntárias apresentavam valores das pressões
respiratórias máximas abaixo do predito para a população estudada.
Figura. 9: Teste de Manovacuometria.
Fonte: Dados do Autor, 2009.
Para a realização da toracometria o paciente foi posicionado sentado com os
braços ao longo do corpo. As medidas foram feitas com uma fita métrica com escalas
em centímetros, em três pontos de referência do diâmetro torácico: axilar, mamilar e
xifóide após os movimentos de expiração e inspiração forçada máxima. O individuo
foi orientado a expirar e inspirar o máximo possível sendo registrados os valores e a
diferença entre as medidas.
24
Figura 10: Toracometria.
Fonte: Dados do Autor, 2009.
Já para a avaliação da espirometria foi utilizado um espirômetro da marca
Quark PFT acoplado ao um computador que forneceu uma representação gráfica dos
volumes e capacidades pulmonares. Os indivíduos ficaram na posição sentada, com a
articulação coxofemoral em um ângulo de 90º, permanecendo constante até o término
do teste, e com as narinas ocluídas com um clipe nasal
Foi solicitada ao voluntário uma respiração espontânea, por meio de uma peça
bucal bem ajustada, até que fosse estabelecido um padrão ventilatório normal e
rítmico. Em seguida os indivíduos foram orientados a realizar uma inspiração e
expiração máxima, sendo a última forçada, colocando para fora dos pulmões todo o ar
que pudesse. Para assegurar a validade, cada voluntário realizou no mínimo três (3)
manobras reprodutíveis e aceitáveis.
A técnica utiliza a definição dos valores de referência de normalidade estando
os valores avaliados de acordo com as resoluções do consenso de espirometria.
(PEREIRA, 2002).
25
Figura 11: Procedimento da espirometria.
Fonte: Dados do Autor, 2009.
6.8- ANÁLISE ESTATÍSTICA
As informações coletadas foram inseridas no programa EPI INFO, versão 6.04
para análise estatística dos mesmos. As tabelas e gráficos foram construídas no
Microsoft EXCEL 2003. Para análise da significância foi utilizado o teste t-Student na
comparação da diferença entre as médias, em cada grupo estudado, com nível α = 0,05
(5%), através do software BioEstat 5.0, assinalando com asterisco (*) os valores
significantes.
26
7-RESULTADOS
Gráfico 1: Gráfico relativo ao percentual de sexo.
Fonte: Dados do Autor, 2009.
Tabela 1: Análise da regressão da gibosidade dos pacientes na 1ª, 5ª e 10ª sessão.
PACIENTES
X1
X2
X3
GIBOSIDADE
1ª Sessão
5ª Sessão
10ª Sessão
+++
+++
+++
+++
++
++
++
+
+
Fonte: Dados do Autor, 2009.
(+ =leve; ++=leve para moderado; +++= moderado para grave; ++++= grave)
Tabela 2: Valores de pressões respiratórias máximas obtidas antes e após a intervenção de RPG
na 1ª, 5ª e 10ª sessão. (* P>0,05).
Variável
PI Máx
PE Máx
Fonte: Dados do Autor, 2009.
Sessão
Pré
Pós
Teste t-Student
(p-valor)
Sessão 01
60,0
67,0
0,0917
Sessão 05
153,0
107,0
0,2444
Sessão 10
107,0
110,0
0,2113
Sessão 01
60,0
83,0
0.0099*
Sessão 05
93,0
87,0
0,2643
Sessão 10
97,0
107,0
0,1127
27
Gráfico 2: Demonstrativo referente aos valores de PImáx ante e após a intervenção do RPG na
1ª, 5ª e 10ª sessão.
Fonte: Dados do Autor, 2009.
Gráfico 3: Valores obtidos de PEmáx, antes e após intervenção do RPG (P= 0.0099* na 1ª
sessão).
Fonte: Dados do Autor, 2009.
28
Tabela 3: Valores das pressões respiratórias máximas esperadas e obtidas na 1ª, 5ª e 10ª sessão.
(P< 0,05).
Valores Médios
PI Máx
PE Máx
Esperado
64,5
83,5
Pós Sessão 01
66,7
83,3
Pós Sessão 05
106,7
86,7
Pós Sessão 10
110,0
106,7
0.0075*
0.0411*
Esperado X Sessão 10
Fonte: Dados do Autor, 2009.
Gráfico 4: Valores referente ás médias esperadas da PImáx e a média alcançada após as sessões
de RPG.
Fonte: Fonte: Dados do Autor, 2009.
29
Gráfico 5: Valores referente ás médias esperadas da PEmáx e a média alcançada após as
sessões de RPG.
Fonte: Fonte: Dados do Autor, 2009.
Tabela 4: Valores referentes à toracometria alcançados antes e após a intervenção de RPG na
1ª, 5ª e 10ª sessão. (*P<0,05).
Variável
Axilar
Mamilar
Xifóide
Fonte: Dados do Autor, 2009.
Sessão
Pré
Pós
Teste t-Student
(p-valor)
Sessão 01
4,3
8,0
0.0266*
Sessão 05
8,3
8,0
0,3333
Sessão 10
8,3
8,0
0,3709
Sessão 01
4,7
9,0
0.0029*
Sessão 05
6,3
7,3
0,2666
Sessão 10
7,0
7,7
0,2643
Sessão 01
6,4
12,7
0.0091*
Sessão 05
7,0
6,7
0,3333
Sessão 10
8,3
9,0
0,2643
30
Gráfico 6: Representação gráfica dos valores obtidos por meio da toracometria axilar, antes e
após a intervenção do RPG. (P<0,05 na 1ª sessão).
Fonte: Dados do Autor, 2009.
Gráfico 7 Representação gráfica dos valores obtidos por meio da toracometria manilar, antes e
após a intervenção do RPG. (P<0,05 na 1ª sessão).
Fonte: Dados do Autor, 2009.
31
Gráfico 8: Representação gráfica dos valores obtidos por meio da toracometria Xifóide, antes e
após a intervenção do RPG. (P>0,05 na 1ª sessão).
Fonte: Dados do Autor, 2009.
Tabela 5: Valores referentes á toracometria alcançados antes da intervenção do RPG e após a
10 sessão do RPG.
Valores Médios
Axilar
Mamilar
Xifóideo
Pré Sessão 01
4,3
4,7
6,4
Pós Sessão 01
8,0
9,0
12,7
Pós Sessão 05
8,0
7,3
6,7
Pós Sessão 10
8,0
7,7
9,0
Pré Sessão 01 X Pós Sessão 10
Fonte: Dados do Autor, 2009.
0,0866
0,0947
0.0464*
32
Gráfico 9: Gráfico referente a mobilidade toracoabdominal na região axilar, antes e após a
intervenção do RPG.
Fonte:Dados do Autor, 2009.
Gráfico 10: Gráfico referente a mobilidade toracoabdominal na região mamilar, antes e após a
intervenção do RPG.
Fonte: Dados do Autor, 2009.
33
Gráfico 11: Gráfico referente a mobilidade toracoabdominal na região xifóide, antes e após a
intervenção do RPG.
Fonte: Dados do Autor, 2009.
Tabela 6: Comparativo dos valores de CVF e VEF- 1 obtidos por meio da espirometria na 1ª, 5ª
e 10ª sessão de RPG.
Pré
Variável
Pós
Sessão
Abaixo
Acima
Abaixo
Acima
Sessão 01
100,0%
0,0%
100,0%
0,0%
Sessão 05
100,0%
0,0%
100,0%
0,0%
Sessão 10
100,0%
0,0%
100,0%
0,0%
Sessão 01
100,0%
0,0%
75,0%
25,0%
Sessão 05
100,0%
0,0%
100,0%
0,0%
Sessão 10
Fonte: Dados do Autor, 2009.
100,0%
0,0%
75,0%
25,0%
CVF
VEF
34
8- DISCUSSÃO
O estudo contemplou (3) indivíduos do sexo feminino, com média de idade de
22 anos, submetidos a 10 sessões de RPG, uma vez por semana, durante trinta (30)
minutos cada, na Clínica Escola de Fisioterapia da Unama – Fisioclínica, no período
de janeiro a maio de 2009. As variáveis analisadas neste estudo foram as pressões
respiratória máximas (PImáx) e (PEmáx), a toracometria e a espirometria mensuradas
antes e após a primeira , quinta e décima sessão do método RPG.
A principal característica dos indivíduos com escoliose idiopática é a presença
da gibosidade que quando situadas no nível da região torácica provoca alterações
estruturais nessa região. (FERREIRA & DEFINO, 2001). Em nosso estudo. os
indivíduos analisados tiveram uma regressão da gibosidade após terem sido
submetidos às posturas do RPG após as 10 (dez) sessões estabelecidas. (Tabela 1).
Segundo Souchard (2001), isso foi possível devido o RPG promover
alongamento das estruturas retraídas e fortalecê-las simultaneamente, ocorrendo uma
reorganização nos segmentos da coluna.
Sabe-se que além das disfunções osteo-mio-articulares, essas alterações
causam comprometimentos ventilatórios e consequentemente pulmonares. No entanto,
a atenção é dada principalmente aos fenômenos que levam a essa alteração, relegando
e deixando de lado, a importância dos músculos respiratórios nessa situação.
(MORENO, 2007). Logo, este estudo teve preocupação em obter maior atividade da
biomecânica ventilatória a partir da melhora do comprimento tensão que este método
proporciona, melhorando o desempenho dos músculos respiratórios, da mobilidade
torácica e consequentemente da ventilação pulmonar.
No protocolo de tratamento do método RPG foram adotadas as posturas "rã no
chão" e a "rã no ar", que de acordo com Souchard (1989), permitem melhor
estabilidade dos pontos de inserção do diafragma, sendo ideais para que se trabalhe o
alongamento dos músculos diafragma, esternocleidomastóideo, escalenos, intercostais,
peitoral maior e menor.
Em nossos resultados o alongamento muscular proposto favoreceu o aumento
significativo da força muscular inspiratória e expiratória (PImáx e PEmáx)
respectivamente, após as 10º sessões de RPG.(Tabela 3). Para Teodori et al (2003).
35
Esse aumento da força muscular, em função do alongamento, deu-se possivelmente á
melhor interação entre os filamentos de actina e miosina em virtude do comprimento
funcional do músculo.
Moreno (2007) ainda ressalta que a duração de cada sessão de alongamento (30
minutos) pode ter favorecido o aumento no comprimento dos sarcômeros e uma
contração mais eficaz, refletida no aumento das pressões respiratórias máximas.
Verificamos também que ao compararmos os valores obtidos antes e depois do
RPG, apenas na 1º sessão, a PEmáx teve significância estatística.(Tabela 2). Esse
resultado foi contrário ao encontrado por Teodori et al (2003) que não encontrou
aumento significativo na PEmáx após a sessão de RPG. Porém, esta obteve um
aumento de 17% na sua força
Esse autor justifica que esse desempenho deu-se pela melhora na habilidade de
coordenar a ação desse grupo muscular, devido à contração destes serem bastante
exigidos durante a realização da postura rã no ar com braços abertos.
De acordo com Cândia (2004) apud Barros (2009), a mobilidade torácica
informa sobre as capacidades pulmonares, porque há uma estreita relação entre ela e
os volumes pulmonares. A mobilidade de expansão da caixa torácica se relaciona com
o conjunto de músculos que expandem e diminuem o diâmetro torácico.
Para Costa, 1999; Guyton e Hall (2002) apud Barros (2009), a expansibilidade
torácica poderá estar alterada (diminuída) por limitações músculo-esqueléticas do
tórax, como em uma cifose ou escoliose, bem como por outras condições próprias do
aparelho respiratório como patologias restritivas e obstrutivas.
No presente estudo observou-se aumento significativo nos valores da
mobilidade toracoabdominal nas três regiões analisadas na primeira sessão após o
RPG.(Tabela 4).
É relevante demonstrar que somente a região xifóide apresentou dados
significantes após as 10 sessões de RPG.(Tabela 5). Esses resultados foram
compatíveis com os estudos de Yokohama (2004), onde seus resultados evidenciaram
aumento da mobilidade toracoabdominal em todos os pacientes após 10 sessões de
alongamento. Segundo Tribastone (2002) e Ricieri (2003) apud Yokohama (2004),
essa situação se dá porque a região superior do tórax é mais rígida do que a inferior
devido ao formato anatômico das costelas.
Além do RPG outros métodos de alongamento muscular (Iso-Stretching) tem
demonstrado preocupação com a função ventilatória. Estes são igualmente justificados
36
pela melhora da biomecânica ventilatória decorrente da correção postural e do
constante trabalho respiratório preconizado pelos métodos. (YOKOHAMA, 2004).
O aumento da VEF 1 e das pressões respiratórias máxima após a intervenção
de RPG neste estudo demonstram que este método foi eficaz para a melhora da função
respiratória, o que é concordante com West (2004) apud Teodori et al (2003), que
refere a existência de uma relação direta com o aumento do volume quando há
alteração na pressão exercida. Nesta pesquisa, 25% do pacientes estiveram valores
acima do esperado na VEF 1.(Tabela 6).
Em nossos resultados, nenhuns dos valores obtidos por meio da espirometria
tiveram significância estatística. Esta insignificância apresentada pode ser relacionada
às peculiaridades do procedimento como: a compreensão e colaboração dos pacientes,
treinamento do pesquisador e do paciente, além do prejuízo com a perda de ar durante
a realização do teste com a utilização de espirômetro aberto.
37
9- CONCLUSÃO
O protocolo de alongamento da cadeia muscular respiratória proposto pelo
método de Reeducação Postural Global (RPG) proporcionou um aumento
estatisticamente significativo das pressões respiratórias máximas e das medidas da
mobilidade toracoabdominal, sugerindo que este pode ser utilizado como um recurso
fisioterapêutico, favorecendo a melhora da biomecânica ventilatória dos pacientes com
escoliose idiopática.
38
10- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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48
APÊNDICE A
UNAMA – UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA
EFEITO DO MÉTODO DE REEDUCAÇÃO POSTURAL GLOBAL (RPG) SOBRE A
DINÂMICA RESPIRATÓRIA EM INDIVÍDUOS COM ESCOLIOSE IDIOPÁTICA
FICHA DE AVALIAÇÃO
Data:
Nome: ________________________________ Idade:
sexo:
História de Vida:
a) atividade física: ( ) regular ( ) atleta ( ) não pratica
b) fumante: ( ) sim ( ) não
c) Hábitos e Vícios: Fumantes ( ) Bebidas Alcoólicas ( )
d) afecções pulmonares: ( ) sim ( ) não
e) Obs:------------------------------------------------------------------------------------------------Doenças Respiratórias Pregressas: _____________________________
Padrão respiratório: ( ) Diafragmático ( ) Costal
Espirometria
CVF________________
VEF1______________________
Toracometria
Axilar ________
Mamilar ________
Xifoídeo ________
Manovacuometria
PImáx:______cmH2O
PEmáx:______cmH2O
PI Max:______cmH2O
PEmáx:______cmH2O
PI Max: ______cmH2O
PEmáx:______cmH2O
49
APÊNDICE B
50
APÊNDICE C
51
APÊNDICE D
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
EFEITO DO MÉTODO DE REEDUCAÇÃO POSTURAL GLOBAL (RPG) SOBRE
A BIOMECANICA VENTILATÓRIA EM INDIVÍDUOS COM ESCOLIOSE
IDIOPÁTICA
Você está sendo convidado (a) a participar do projeto de pesquisa acima citado. O
documento abaixo contém todas as informações necessárias sobre a pesquisa que
estamos fazendo. Sua colaboração neste estudo será de muita importância para nós,
mas se desistir a qualquer momento, isso não causará nenhum prejuízo a você.
Eu,_____________________________________,
residente
e
domiciliado
na
______________________, portador da Cédula de identidade, RG ____________ , e
inscrito no CPF/MF___________ nascido (a) em _____ / _____ /_______ , abaixo
assinado (a), concordo de livre e espontânea vontade em participar como voluntário (a)
do estudo “Efeito do Método de Reeducação Postural Global (RPG) sobre a
Biomecânica Ventilatória em Indivíduos com Escoliose Idiopática.
Estou ciente que:
I) Este estudo terá como objetivo verificar o efeito do método RPG sobre a
biomecânica ventilatória em indivíduos com escoliose idiopática por meio da
manovacuometria espirometria, e toracometria ;
II) Nesta pesquisa participarão indivíduos com diagnóstico de escoliose idiopática, de
ambos os sexos, com idade entre 18 e 30 anos que se submeterão à intervenção do
método de RPG por um profissional especializado em tal método;
III)
Para a avaliação dos valores da Capacidade Vital Forçada e Volume
Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1), graus de mobilidade toracoabdominal e valores das pressões respiratórias máximas (PImáx e PEmáx)será
utilizado
respectivamente,um
manovacuômetro;
espirômetro,
uma
fita
métrica,e
um
52
IV)
Os dados serão coletados na Clínica Escola de Fisioterapia da UNAMA FISIOCLÍNICA, através de uma ficha de avaliação sucinta para obter
informações que quantifiquem os dados;
V)
Será aplicada ficha de avaliação com perguntas abertas e fechadas, no qual
constará as seguintes variáveis: Idade, sexo, hábitos e vícios, doenças
pregressas, cirurgias, além da avaliação respiratória da espirometria,
toracometria e manovacuometria;
VI)
O teste de espirometria será realizadas na posição sentada, pois esta favorece o
trabalho da musculatura respiratória, sendo repetidas até a obtenção das 3
provas reprodutíveis e aceitáveis. A técnica utiliza a definição dos valores de
referência de normalidade e que estão de acordo com as resoluções do
Consenso de Espirometria;
VII)
Para a realização da toracometria o paciente será posicionado sentado com os
braços ao longo do corpo. As medidas serão feitas com uma fita métrica com
escala em centímetros, após os movimentos de expiração e inspiração forçada
máxima com três pontos de referência considerados no diâmetro torácico:
axilar, mamilar e xifóide. O individuo será orientado a expirar o máximo
possível e então inspirar também ao máximo, sendo, então, registrados os
valores e a diferença entre as medidas;
VIII) Para a mensuração das pressões respiratórias máximas (PImáx e PEmáx), será
utilizado um manovacuômetro da marca GERAR®, com escala de ±300cmH2O
com o indivíduo sentado em posição confortável, estando o tronco em um
ângulo de 90° com a articulação coxofemural e com as narinas ocluídas com
um clipe nasal e utilizando adaptadores orais. Para ambas as mensurações
serão realizadas três manobras, sendo aceita a maior, com a duração do esforço
mantida por pelo menos dois segundos;
IX)
Antes da intervenção do RPG os voluntários serão submetidos aos testes acima
mencionados seguindo as instruções e os comandos verbais de um unico
pesquisador;
X)
Não sou obrigado a responder as perguntas realizadas na ficha de avaliação,
tampouco realizar o teste proposto pela pesquisa;
XI)
Receberei a intervenção da técnica de RPG por um profissional especializado
no método, para melhora do quadro clínico de escoliose mediante
encaminhamento do meu médico;
53
XII)
Não receberei remuneração e nenhum tipo de recompensa nesta pesquisa;
XIII) Tenho a liberdade de desistir ou de interromper a colaboração neste estudo no
momento em que desejar, sem necessidade de qualquer explicação;
XIV) A desistência da pesquisa não causará nenhum prejuízo à minha saúde ou bem
estar físico;
XV)
A minha participação neste projeto contribuirá para acrescentar à literatura
dados referentes ao tema, além de comprovar os benefícios do método de RPG
em pacientes com escoliose, no que se refere à biomecânica ventilatória;
XVI)
Os testes poderão desencadear sintomas como desconfortos respiratórios,
tontura ou qualquer outra manifestação decorrente do esforço. Para tal, será
oferecido repouso assim como assistência necessária do departamento médico
da instituição, uma vez que este se encontra devidamente equipado e
compromissado com as intercorrências dentro do espaço institucional;
XVII) Todos os resultados obtidos durante este ensaio serão mantidos em sigilo;
XVIII) Concordo que os resultados sejam divulgados em publicações científicas,
desde que meus dados pessoais não sejam mencionados;
XIX) Caso eu desejar, poderei pessoalmente tomar conhecimento dos resultados
parciais e finais desta pesquisa.
( ) Desejo conhecer os resultados desta pesquisa.
( ) Não desejo conhecer os resultados desta pesquisa.
Belém,
de
2009
Declaro que obtive todas as informações necessárias, bem como todos os
eventuais esclarecimentos quanto às dúvidas por mim apresentadas.
(
)
Paciente
/
(
)
Responsável
_______________________________________________
Testemunha 1: _______________________________________________
Débora Valente / RG: 5034616 / Celular: 81016716
Testemunha 2: ________________________________________________
Kayse Costa / RG: 5392802 / Celular: 82128082
Testemunha 3: ________________________________________________
Hívina Silva / RG: 4601660 / Celular: 88161105
54
Testemunha 4________________________________________________
Fisioterapeuta e especialista em RPG: CECÍLIA WARIS / CREFITO: 2027.1
LTF
Telefone para contato:
Responsável pelo Projeto:
Profª. Ms. VALÉRIA NORMANDO, FISIOTERAPEUTA , CREFITO: 9647-F
Telefone para contato: 40093204
55
APÊNDICE E
56
APÊNDICE F
DECLARAÇÃO
Eu, Valéria Marques Normando, permito o uso da sala de RPG da Clínica
Escola de Fisioterapia da UNAMA – Fisioclínica, para o desenvolvimento do trabalho
de conclusão de curso intitulado EFEITO DO MÉTODO DE REEDUCAÇÃO
POSTURAL GLOBAL (RPG) SOBRE A BIOMECANICA VENTILATÓRIA EM
INDIVÍDUOS COM ESCOLIOSE IDIOPÁTICA das acadêmicas Débora Suely
Martins Valente (0521901061), Kayse Kércia Nunes Costa (0521901291) e Hívina
Rafaele da Costa Silva (0521901221), devidamente matriculadas na Universidade da
Amazônia – UNAMA sob responsabilidade da Professora-orientadora Valéria
Marques Ferreira Normando e da Co-Orientadora Cecília Waris. Durante o período de
Janeiro a Maio de 2009.
Belém,
de Janeiro de 2009
_______________________________________________
Profª Ms Valéria Marques Ferreira Normando
Coordenadora da Clínica Escola de Fisioterapia da UNAMA– Fisioclínica
57
ANEXO 1
Tabela – Formula utilizada para obter os valores esperados para das pressões respiratórias
máximas de acordo com a idade e o sexo.
SEXO
PI MÁX
PE MÁX
HOMENS
Y= - 0,80(IDADE) + 155,3
Y= 0,81 (IDADE) +165,3
MULHERES
Y= - 0,49 (IDADE) + 110,4
Y= 0,61 (IDADE) + 115,6
Fonte: Neder, et al 1998
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efeito do método de reeducação postural global( rpg)