Quinta-feira
26 de março de 2015
Jornal do Comércio - Porto Alegre
Economia
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Editor: Luiz Guimarães
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Desenvolvimento
Transgas irá investir US$ 2,7 bi em Candiota
Grupo norte-americano produzirá fertilizantes a partir da gaseificação do carvão mineral extraído no Rio Grande do Sul
Dentro de 18 meses, o grupo
norte-americano Transgas Development Brazil pretende iniciar as
obras do seu primeiro empreendimento no País: uma fábrica de
fertilizantes a partir da gaseificação do carvão mineral. O complexo será instalado no município
de Candiota e absorverá um investimento de aproximadamente
US$ 2,7 bilhões (valor superior ao
maior projeto atualmente em andamento no Estado, a ampliação
da Celulose Riograndense, estimado em R$ 5 bilhões).
O protocolo de intenções foi
assinado ontem no Palácio Piratini entre o governador José Ivo
Sartori, o presidente da Transgas, Adam Victor, secretários de
Estado, Companhia Riograndense de Mineração (CRM) e prefeitos. O presidente da CRM, Edivilson Meurer Brum, explica que o
acordo prevê o fornecimento de
carvão, por parte da estatal gaúcha, para a empresa estrangeira.
A unidade da Transgas extrairá do carvão o syngas (gás
de síntese, mistura de monóxido de carbono e hidrogênio),
matéria-prima para a elaboração do fertilizante (amônia, que
é convertida em ureia). A CRM
deverá fornecer 2,5 milhões de
toneladas de carvão ao ano à
planta industrial do grupo norte-americano.
A Transgas já sondou outros
estados, como Santa Catarina,
“mas as negociações aqui são
as mais importantes, pois aqui
o assunto é tratado com mais
empenho e apoio”, assinalou Victor. A meta da empresa é produzir
2,1 milhões de toneladas de ureia
por ano, porém os detalhes do
projeto ainda serão ajustados. O
presidente da CRM esclarece que
a definição do empreendimento
da Transgas dependerá da garantia de demanda de mercado.
O secretário de Minas e
Energia, Lucas Redecker, estima
que, a partir do início das obras,
serão necessários cerca de três
anos para finalizar uma estrutura como essa. O dirigente reforça
que, além da geração de renda e
emprego que o empreendimento
irá proporcionar, o acréscimo de
oferta de fertilizante no mercado
regional poderá baixar custos
para o setor agrícola gaúcho.
Redecker acrescenta que o
Estado possui espaço para outros projetos de gaseificação do
carvão, como é o caso das iniciativas da Copelmi com o grupo
coreano Posco e da norte-americana Synthesis Energy Systems
(SES) e sua representante no Brasil, a Vamtec.
Conforme apresentação feita
ontem, realizada pelo presidenteda Transgas, serão gerados 5 mil
empregos temporários nas obras
da empresa. Depois de pronta, a
fábrica terá 300 postos fixos de
trabalho. Fornecedores e parceiros da unidade criarão mais 300
empregos e as áreas da infraestrutura e mineração, outros 600
postos, informa o executivo. A
preferência pelo Rio Grande do
Sul, segundo Victor, deve-se à
LUIZ CHAVES/DIVULGAÇÃO/JC
Protocolo de intenções entre a empresa e o governo do Estado foi assinado ontem no Palácio Piratini
presença, no Estado, das maiores
reservas de carvão do Brasil (em
torno de 90% do total do País).
“Firmar contrato com fornecedor estatal nos dá tranquilidade
jurídica e operacional”, afirma o
empresário.
No plano estratégico a implantação da fábrica deve-se à
necessidade mundial crescente
de expansão da produção de alimentos, cenário no qual o Brasil
“é um celeiro”, enfatiza Victor.
“Cerca de 25% dos alimentos
são cultivados no planeta a partir dos fertilizantes vindos do
carvão mineral”, acrescenta. Os
mercados da Transgas, no Brasil,
seriam cooperativas de produtores de grãos e consórcios de
compradores de fertilizantes. A
tecnologia é considerada de menor impacto. Em parceria com a
alemã ThyssenKrupp, a Transgas promove a extração do syngas por processo químico e não
pela queima do carvão mineral.
O governador Sartori criou
um grupo de trabalho para tratar
do investimento com a Transgas,
integrado pelas secretarias de
Minas e Energia, Agricultura e
Pecuária, Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e Desenvolvimento Ciência e Tecnologia,
mais a CRM. A primeira reunião
do grupo ocorre amanhã. “Essa
fábrica valoriza o carvão gaúcho, municípios, e a economia
primária com a oferta local de
fertilizantes, a um custo menor”,
frisou Sartori.
tributos
Levy fala sobre execuções fiscais com presidente do STF Há desafio grande para ampliar a
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, se reuniu brevemente ontem com o presidente do
Supremo Tribunal Federal (STF),
ministro Ricardo Lewandowski.
Ao deixar a Corte, Levy afirmou
que eles falaram sobre “questão
da execução fiscal” para “diminuir o número de ações que chegam à Justiça”.
“Quer dizer, elas (ações)
podem ter uma execução mais
acelerada antes de chegar na
Justiça”, disse Levy. “É um pouco
técnico, mas muito importante
para desafogar a Justiça e dar
mais segurança também às empresas, ao contribuinte de um
modo geral”, disse Levy.
Segundo ele, Lewandowski se mostrou “entusiasta”
MARCELO CAMARGO/ABR/JC
Ministro comentou projeto de
conexão on-line entre cartórios
a respeito do tema e já “vem
trabalhando nisso há bastante
tempo”. “Vamos agora procurar
desenvolver em conjunto a partir
de alguns elementos que já existem”, completou Levy.
Levy comentou ainda, ao
deixar o Supremo, um projeto de
conexão online entre os cartórios
do País que “permite identificar
os contribuintes, patrimônio,
etc., de uma maneira muito mais
ágil, de tal maneira que a execução fiscal ganhe em efetividade,
velocidade e segurança”.
Mais cedo, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) afirmou
que o encontro entre Levy e
Lewandowski serviria para tratar da questão da convalidação
de benefícios fiscais. Os dois
permaneceram poucos minutos
juntos no Salão Branco do STF,
onde Lewandowski recebeu o
ministro.
arrecadação neste ano, diz Rachid
O secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, afirmou ontem
que há um desafio “muito grande” para ampliar a arrecadação
neste ano. Após deixar reunião
com parlamentares da Comissão de Finanças e Tributação da
Câmara dos Deputados, Rachid
afirmou que há “preocupação”
do Fisco com isso.
“O desafio para arrecadação
deste ano é muito grande. O resultado de fevereiro apontou que
nós conseguimos atingir um resultado próximo ao do mesmo
mês do ano passado por fruto de
uma arrecadação extraordinária de R$ 4,6 bilhões. Se retirar
essa arrecadação, nosso esforço
vai ser maior. Então estamos
preocupados”, disse Rachid. Ele
fez referência a uma operação
de transferência de ativos entre
empresas do setor privado que
resultou em uma arrecadação
extraordinária de R$ 4,6 bilhões
em IR, CSLL e PIS/Cofins no mês
de fevereiro.
Questionado sobre a participação da Receita Federal nas
negociações com o Congresso
Nacional, Rachid afirmou que o
trabalho do Fisco junto aos parlamentares é o de ampliar a transparência nas negociações entre
as partes. “Temos que atuar com
transparência, insistir no debate.
Essa é a nossa atividade.”
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