A Europa em movimento Ao Serviço dos Europeus Funcionamento da Comissão Europeia Comissão Europeia A presente publicação é editada em todas as línguas oficiais da União Europeia : alemão, dinamarquês, espanhol, finlandês, francês, grego, inglês, italiano, neerlandês, português e sueco. Comissão Europeia Direcção-Geral Imprensa e Comunicação Publicações B-1049 Brussel/Bruxelles Manuscrito concluído em Julho de 2002 Fotografia: Christian Lambiotte Capa: CE-EAC Uma ficha bibliográfica encontra-se no fim desta obra Luxemburgo: Serviço das Publicações Oficiais das Comunidades Europeias, 2003 ISBN 92-894-4019-8 © Comunidades Europeias, 2003 Reprodução autorizada Printed in Belgium IMPRESSO EM PAPEL BRANQUEADO SEM CLORO Ao Serviço dos Europeus Funcionamento da Comissão Europeia Ao S e r v i ç o d o s E u ro p e u s Índice Introdução 3 Atribuições 4 Estrutura da Comissão 6 Pessoal 8 Recrutamento 10 Orçamento 12 Consultas 14 Direitos dos cidadãos 16 Controlos e balanços 18 Línguas 20 Conclusão 22 Outra documentação 22 2 Introdução O início do século XXI coloca a União Europeia perante desafios muito especiais. Entre eles contam-se o alargamento a leste, a modernização da economia europeia, a reforma do Estado-Providência e toda a discussão sobre o futuro da Europa. Todas estas questões irão afectar as gerações futuras. O papel da Comissão Europeia é vital para se fazer face a estes desafios. Mas a Comissão defronta os seus próprios recontros. Também ela está a mudar e a evoluir, a tornar-se mais aberta e exposta, debatendo-se para se aproximar dos cidadãos da Europa. A Comissão Europeia foi criada pelos dirigentes eleitos da Europa e, através deles, pelos cidadãos, e trabalha em colaboração com eles. O seu pessoal é constituído por europeus e são os europeus que, através do processo de consulta, estão envolvidos em todas as fases de decisão política. Muito embora a Comissão seja muitas vezes designada como a «força motriz da Europa», o impulso vem dos cidadãos. O objectivo desta brochura é dar uma imagem clara do que é a Comissão Europeia e de quem lá trabalha. Em cada um dos capítulos é apresentado um elemento do pessoal, o que permite descobrir quem são os funcionários e o que fazem. 3 Ao S e r v i ç o d o s E u ro p e u s Atribuições O objectivo da União Europeia é garantir que os seus cidadãos possam viver em paz, liberdade e prosperidade. Era isto que pretendiam os seus fundadores no início dos anos 50 e que continua a ter uma importância capital ainda hoje. A Comissão Europeia está no coração deste propósito. Os poderes e responsabilidades desta instituição encontram-se definidos no Tratado de Roma e foram, com a aprovação de todos os Estados-Membros, confirmados e aumentados à medida que o processo de cooperação europeia evoluiu de Comunidade Económica Europeia de seis Estados -Membros para uma União Europeia de cerca de 380 milhões de cidadãos em 15 países. A Comissão tem três funções distintas. A primeira é criar propostas de legislação — a Comissão redige propostas que são submetidas ao Parlamento Europeu e ao Conselho de Ministros. O desenvolvimento sustentável, a estabilidade e a segurança dos cidadãos da Europa são algumas das prioridades-chave da actual Comissão. 4 Em segundo lugar compete-lhe gerir a extraordinária gama de actividades da UE — desde melhorar a qualidade da água potável à formação de professores, da protecção social às pescas, do comércio electrónico à agricultura. A Comissão é também responsável pela condução das negociações do comércio internacional em nome dos Estados -Membros, como por exemplo no seio da Organização Internacional do Comércio. A terceira principal área de responsabilidade da Comissão é garantir a aplicação da legislação da União por todos os Estados -Membros, assegurando o cumprimento das suas obrigações legais. Caso contrário, a Comissão tem o direito de os processar no Tribunal de Justiça Europeu. Um futuro mais verde A condução diária de projectos sobre uma extraordinária variedade de assuntos faz com que a Comissão Europeia se projecte na vida quotidiana de todos os cidadãos da Europa e de muitas outras pessoas em todo o mundo. O ambiente é um dos temas mais importantes para todos nós, sendo nesta área que a Comissão continua a exercer um impacto positivo importante. Marco Loprieno estudou Ciências Políticas na universidade da sua cidade natal, Pisa. Formou-se seguidamente em Relações Internacionais na John Hopkins University of Advanced International Studies (universidade com sede em Washington e Bolonha). As ciências e o ambiente sempre o interessaram, tendo iniciado a sua vida profissional numa consultora ambiental, em Londres. É também músico amador de jazz («embora não seja um ás!») e toca regularmente num grupo de jazz amador chamado «inaudível». «Já tinha feito trabalho na área do ambiente para a Comissão antes de vir para cá. Pareceu-me uma organização dinâmica, o que me agradou. Quando comecei a trabalhar aqui foi num serviço que dava às empresas o direito de aporem uma etiqueta especial aos produtos considerados sem perigo para o ambiente. Actualmente trabalho na implementação europeia do Protocolo de Quioto (acordo internacional sobre alterações climáticas). Trabalhamos com governos, empresas, organizações não governamentais e outros grupos para estudar o que se pode fazer para reduzir as emissões de ‘gases de estufa’, responsáveis pelo aquecimento global. Tenho muito orgulho em trabalhar aqui, porque a Comissão Europeia avançou imenso em matéria de trabalho sobre alterações climáticas e sinto que o meu trabalho diário pode fazer diferença; também me interessa fazer alguma coisa pelo mundo em vias de desenvolvimento, por isso brevemente vou passar para outro serviço da Comissão para trabalhar com os auxílios ao desenvolvimento.» 5 Marco Loprieno NASCIDO em Pisa, Itália, 1957 CARGO: coordenador do Programa Europeu de Alteração Climática Ao S e r v i ç o d o s E u ro p e u s DIRECÇÕES-GERAIS Políticas Agricultura Ambiente Assuntos Económicos e Financeiros Centro Comum de Investigação Concorrência Educação e Cultura Emprego e Assuntos Sociais Empresa Energia e Transportes Fiscalidade e União Aduaneira Investigação Justiça e Assuntos Internos Mercado Interno Pesca Política Regional Saúde e Defesa do Consumidor Sociedade da Informação Relações externas Alargamento Comércio Desenvolvimento Relações Externas Serviço de Ajuda Humanitária (ECHO) Serviço de Cooperação EuropeAid Estrutura da Comissão O termo «Comissão Europeia» refere-se, em primeiro lugar, aos 20 comissários designados pelos Estados-Membros da Comissão Europeia em concertação com o Parlamento Europeu. No entanto, por «Comissão» entende-se também a instituição e os seus cerca de 24 000 funcionários. Este número pode parecer enorme, mas na realidade é inferior ao pessoal empregado pela maioria das câmaras de dimensão média da Europa. A Comissão é chefiada pelo presidente, Romano Prodi. Tanto ele como os restantes 19 comissários são nomeados por um período de cinco anos, iniciado em 2000. Embora a maioria das pessoas que trabalham na Comissão estejam em Bruxelas, há cerca de 2 000 no Luxemburgo e há serviços de Serviços gerais e internos Eurostat Controlo Financeiro Grupo de Conselheiros Políticos Imprensa e Comunicação Orçamento Organismo Europeu de Prevenção da fraude (OLAF) Pessoal e Administração Secretariado-Geral Serviço das Publicações Serviço Comum de Interpretação -Conferências Serviço de Auditoria Interna Serviço de Tradução Serviço Jurídico 6 representação da Comissão em todos os países da UE. Há ainda cem delegações da comissão em todo o mundo, desde o Peru à Papuásia Nova-Guiné, que se ocupam de comércio, desenvolvimento e auxílio humanitário. Os 20 comissários reúnem-se uma vez por semana para tomarem decisões em conjunto. Cada um deles é também responsável por um ou vários dos 36 serviços da Comissão, chamados direcções-gerais (DG). Cada DG gere uma área política específica, como por exemplo comércio, investigação ou defesa do consumidor. Esperam-se entre 10 e 13 novos países na UE, o que vai requerer alterações estruturais, incluindo o aumento do número de comissários. Dinheiro bem gasto O Serviço de Auditoria Interna da Comissão (SAI) foi criado em 2000, no âmbito do programa de reforma administrativa do presidente Prodi, para ajudar a garantir que os recursos da Comissão sejam rigorosa e eficazmente geridos. O principal papel do SAI consiste em avaliar o desempenho de todos os serviços e inspeccionar os respectivos sistemas de controlo interno. Vijay Bhardwaj foi para o Reino Unido com o pai, professor, quando tinha 10 anos. Foi para uma escola em Londres e, antes de ser contabilista com carteira profissional, formou-se em Economia pela London School of Economics. Entrou para a Comissão em 1988, depois de ter trabalhado quatro anos para o Tribunal de Contas Europeu e de inicialmente ter exercido auditoria e ter dado aulas de contabilidade de gestão no Sheffield Polytechnic. «Agora sou inspector de contas, mas já tive outras funções desde que entrei para esta unidade, em Setembro de 2000. A mobilidade é uma das vantagens do trabalho na Comissão. Anteriormente estive no serviço que se ocupa dos programas de desenvolvimento internacional na Ásia e América Latina. Gostei muito da experiência e de ter passado pelo serviço do Ambiente. Considero que a minha unidade actual, o SAI, tem efeitos genuinamente positivos. O SAI faz parte integrante do processo de reforma da Comissão e a auditoria é um motor necessário à mudança. Estamos a contribuir para o desenvolvimento de uma cultura de gestão mais dinâmica e, ao fornecermos orientação independente e objectiva, podemos ajudar os serviços a reformularem-se sempre que necessário. Conhecendo-a como conheço, tenho elevado apreço por esta instituição e o nosso trabalho para a melhorar é não só estimulante como gratificante.» 7 Vijay Bhardwaj NASCIDA em Nairobi, Quénia, 1954 CARGO: chefe de Unidade, Serviço de Auditoria Interna Ao S e r v i ç o d o s E u ro p e u s Pessoal A Comissão Europeia emprega 24 000 pessoas numa vasta gama de funções e enorme diversidade de indivíduos, reflexo da União Europeia no seu todo. Com proveniência de 15 países, estes funcionários públicos fazem da Comissão uma encruzilhada de línguas e culturas europeias. É difícil esboçar a imagem do funcionário típico da Comissão, dado o vasto leque de proveniências culturais, linguísticas, sociais e étnicas. Ao percorrer um simples corredor na Comissão é muito provável cruzarem -se várias nacionalidades e ouviremse diferentes línguas. 8 Não há nenhum caminho pré-definido que conduza a um posto de trabalho na Comissão e embora a instituição lute por manter um equilíbrio entre as nacionalidades, não há nenhum sistema de quotas. A característica fundamental é a adaptabilidade, o que significa que uma das qualidades comuns é a capacidade de viver num ambiente plurilingue e multicultural. A exigência mínima é saber falar duas línguas comunitárias. Do ensino ao auxílio às regiões A pedra de toque da Comissão é a heterogeneidade. «Fui professora do ensino secundário durante 16 anos e meio antes de vir para a Comissão Europeia. As escolas em que trabalhei ficavam no norte da Suécia, perto do Círculo Árctico. Embora o ensino fosse gratificante, comecei a sentir a necessidade de mudar de carreira e de fazer uma coisa completamente diferente. Um dia vi por acaso um anúncio de emprego na Comissão e pensei ‘Vou apanhar este comboio e ver até onde me leva’. Fiz o concurso e, para minha surpresa, fui uma das primeiras suecas a começar a trabalhar aqui em 1996. Eu nasci e habituei-me a viver num dos tipos de áreas elegíveis para apoio dos fundos estruturais, ou seja, pouco povoada e de clima rigoroso, e penso que isso me ajuda a compreender melhor os desafios em zonas deste tipo. O meu trabalho leva-me por vezes a visitar regiões da Suécia para ver como é que os programas são concretizados localmente. Um dos aspectos mais edificantes do meu trabalho é o contacto com as pessoas que se encontram longe de tudo.» Ironicamente, o meu marido, que era funcionário das alfândegas na fronteira entre a Finlândia e a Suécia, perdeu o emprego em 1995, quando a Suécia aderiu à UE. Agora apoia a minha carreira e ‘ocupa-se da casa’, facilitando a vida a toda a família, que inclui duas crianças. 9 Ann-Kerstin Myleus NASCIDO em Övertornea, Norrbotten, Suécia, 1960 CARGO: quadro dos fundos estruturais para a Suécia Ao S e r v i ç o d o s E u ro p e u s REMUNERAÇÃO Em Agosto de 1999, efectuou -se um estudo comparativo independente das remunerações do pessoal da UE. O objectivo era comparar os níveis salariais das instituições da UE, os serviços públicos nacionais, as NU, o Banco Europeu de Investimento, a NATO e cinco empresas multinacionais. As principais conclusões revelaram que o nível de remuneração líquida das instituições da UE é: — Inferior aos graus comparáveis das empresas multinacionais — Inferior aos graus comparáveis dos serviços diplomáticos de cinco Estados -Membros — Aproximado aos graus comparáveis de outras organizações internacionais — Superior ao dos funcionários públicos nacionais. Exemplos: um licenciado com três anos de experiência ganharia 3 999 euro/mês brutos (nível «A8» da classificação do pessoal da UE). Um secretário com formação e experiência que iniciasse a carreira no nível «C5» ganharia 2 276 euro/mês brutos. Recrutamento A forma mais habitual para se ser funcionário da Comissão é através de concurso. Os concursos, efectuados em todas as línguas da UE, consistem em testes de pré-selecção de escolha múltipla e num exame escrito. Os candidatos aprovados são seguidamente convocados para um exame oral, em geral em Bruxelas. Embora os concursos sejam abertos a quem responda a um conjunto de condições de base, são extremamente selectivos, exigindo dos interessados uma preparação de fundo. Os concursos são amplamente divulgados na imprensa e no sítio web da UE. A aprovação no concurso abre o caminho para uma carreira flexível e altamente gratificante, dando ao pessoal a possibilidade de se dedicar a uma variedade de áreas políticas ao longo da sua vida profissional. A maior parte do pessoal da Comissão é constituído por funcionários públicos. Este sistema pretende garantir a sua independência dos interesses específicos nacionais. Os salários e as condições de trabalho são acordados pelos governos dos Estados-Membros em legislação especial com a designação de «Estatuto do Pessoal». Os funcionários públicos europeus pagam imposto à UE e não ao país onde trabalham ou de onde são originários. 10 Podem abrir vagas para pessoal técnico temporário em algumas áreas de trabalho da Comissão, sendo os funcionários públicos nacionais regularmente destacados para trabalhar nestas áreas. A Comissão está neste momento a proceder a uma reforma de fundo da sua administração interna. A reforma incide particularmente na política de recursos humanos, no planeamento e programação de actividades e na gestão financeira. O principal objectivo é assegurar a total dedicação da Comissão ao serviço do público europeu — com especial incidência na responsabilidade, obrigação de prestar contas, eficiência e transparência. No futuro, os funcionários disporão de maiores oportunidades de evolução na carreira com base no mérito e de uma maior incidência na formação e na mobilidade. Para tal, a Comissão é favorável à alteração da estrutura das carreiras (actualmente baseada numa série de categorias e graus) e a muitos outros aspectos dos termos e condições de recrutamento. A reforma começa por cima, tendo sido introduzidas grandes alterações na selecção e nomeação dos quadros superiores da Comissão. Novas experiências Duas vezes por ano, durante cinco meses, cerca de 500 estagiários (seleccionados entre mais de 7 000 candidatos) chegam a Bruxelas provenientes de toda a Europa e não só, para verem como se trabalha na Comissão Europeia. Alguns deles poderão vir a ser funcionários da Comissão se vierem a passar num concurso. «Sendo a Polónia um dos países em negociações de adesão à União Europeia, poder fazer um estágio aqui foi uma grande oportunidade para adquirir experiência e impulsionar a minha carreira. Este período é histórico para os polacos e estou muito satisfeita por ser uma das primeiras estagiárias dos países candidatos à adesão na Comissão, que é o centro de todo o processo. Estudei economia na universidade de Gdansk e depois direito europeu no Colégio da Europa em Natolin. Na realidade, gostava de ser jornalista. É por isso que é importante para mim saber como funciona a Comissão. Antes de começar a trabalhar tive os empregos habituais dos estudantes, desde dar explicações de inglês até relações públicas. O tempo que passei aqui foi extremamente valioso e espero que o que aprendi me venha a ser útil no futuro.» 11 Agnieszka Raczynska NASCIDA em Gdynia, Polónia, 1976 CARGO: estagiária Direcção-Geral da Imprensa e Comunicação Ao S e r v i ç o d o s E u ro p e u s Orçamento O orçamento total da UE em 2002 é de 98,6 mil milhões de euros. Em termos reais, isto equivale apenas a cerca de 1,1% do produto interno bruto (PIB) dos países da UE. Apenas uma pequena parte deste dinheiro é utilizada para gerir as instituições em si, correspondendo a 4,9 mil milhões de euros, ou seja, 5,1% do orçamento total. O orçamento é utilizado para concretizar toda a gama de políticas da UE, desde protecção ambiental a pescas. Mais de 35% é investido nas regiões europeias através dos fundos estruturais. É dinheiro que financia, por exemplo, grandes projectos de infra-estruturas, como a construção de estradas ou pontes e uma variedade de projectos além-fronteiras. Cerca de 45% do orçamento da UE é gasto na agricultura. A Comissão não tem rédea solta para fazer despesas como quiser — o Parlamento Europeu e o Conselho de Ministros, que tomam conjuntamente as grandes decisões sobre o orçamento da UE, exigem prestação de contas e transparência em todas as fases. 12 Os orçamentos anuais são elaborados pela Comissão dentro de um tecto anual global. Os tectos para o período 2000-2006 foram acordados na cimeira de Berlim, em 1999, com a aprovação do Parlamento Europeu. As finanças e sistemas da Comissão estão sujeitos a auditorias internas (dentro de cada serviço e pelo novo Serviço de Auditoria Interna) e externas (pelo Tribunal de Contas). No final de cada exercício a Comissão tem de apresentar as contas à aprovação do Parlamento Europeu. Apoio às regiões Mais de um terço do orçamento da UE é utilizado em investimento nas áreas da Europa com mais carências — por exemplo, na construção de infra -estruturas ou na formação profissional. Os programas são geridos pelas autoridades locais, apoiadas por funcionários da Comissão Europeia. Luís estudou Engenharia Civil na Universidade de Lisboa e complementou os estudos na Universidade de Bruxelas (ULB). Veio para a capital belga para trabalhar numa empresa privada em 1977. Depois de gerir uma filial da mesma em Portugal, regressou a Bruxelas «porque era aqui que estava a minha família». Começou a trabalhar para a Comissão Europeia em 1984. ocupo-me de vários projectos em Portugal. Neste momento trabalho em projectos de esgotos e sistemas de condutas. Não será muito romântico, mas eu gosto. Sou testemunha de muitas mudanças em Portugal desde que entrei para a Comissão. Muitas coisas melhoraram, desde as infra-estruturas do país ao ambiente. Sou partidário da Europa e penso que essa é também a posição da maioria dos portugueses, sobretudo porque o investimento europeu desempenhou um papel fundamental na redução do nível de desemprego.» «Quando entrei para a Comissão, Portugal ainda não tinha aderido e eu era um técnico ‘não comunitário’. Fazia parte da equipa que coadjuvava os portugueses na preparação para a adesão, que se ocupava da conformidade com a legislação da UE. Quando Portugal se tornou membro, mudei de emprego. Queria fazer uma coisa mais técnica e mais ligada ao que tinha estudado, por isso agora 13 Luís Pessoa NASCIDO na Covilhã, Portugal, 1951 CARGO: quadro, fundos estruturais e de coesão para Portugal S e r v i Ao n g tSheer v pi çeoo pdloes oEfuErouproepues Consultas Com o vasto mandato político de que dispõe, a realização de consultas é vital para a Comissão — são tão amplas e sistemáticas quanto possível, sempre que se elaboram propostas de políticas ou de legislação. A Comissão conta com informações, experiência e consultoria preciosas de diversas fontes, incluindo organizações não governamentais (ONG), a sociedade civil (grupos voluntários e outros) e os governos da UE. O processo de decisão da União é apoiado por dois órgãos consultivos: o Comité das Regiões, constituído por duzentos e vinte e dois representantes de órgãos locais e regionais, e o Comité Económico e Social Europeu, também com 222 membros provenientes essencialmente de sindicatos e de associações patronais. 14 No processo de diálogo com a sociedade civil e com os grupos de interesses, a Comissão procede formalmente a consultas através de comités e de grupos de técnicos, mas também procura pareceres menos formais sobre questões específicas. A tomada de decisões interactiva através da internet aumenta a oportunidade de os diferentes grupos desempenharem um papel activo na preparação de nova legislação. Através do sítio web interactivo da Comissão, A sua voz na Europa, (europa.eu.int/yourvoice) todos os cidadãos podem desempenhar um papel activo na elaboração das políticas. Este sítio web permite o envio de comentários e de experiências e a participação nos fóruns de intervenção. Todos podem ter voz activa Tirar partido da Internet é um dos principais objectivos da Comissão Europeia. O sistema directo conhecido sob a designação de «Consulta, a Comissão Europeia e a sociedade civil» (CONECCS) faz parte do compromisso assumido pela Comissão de informar melhor sobre o seu processo de consulta. O CONECCS é apenas um exemplo dos meios de informação disponíveis. Depois de se licenciar em Ciências Políticas pela Universidade de Helsínquia, Lea Vatanen começou a sua carreira no serviço de informação do governo finlandês. Em 1994 começou a trabalhar para a Associação Europeia de Comércio Livre, facto que a trouxe para Bruxelas. «Quando cheguei a Bruxelas a Finlândia ainda não era membro da União Europeia, fazíamos apenas parte da zona de comércio livre. Eu estava envolvida em muitos projectos em torno das instituições e sobre elas e há muito que o meu sonho era trabalhar para a Comissão. Quando a Finlândia aderiu à União Europeia, em 1995, foi para mim a grande oportunidade, visto que as instituições procuravam funcionários públicos finlandeses, e eu passei no concurso para a Comissão. Foi um período interessante e marcante. Agrada-me muito a ideia de unidade da UE. Fora das horas de trabalho, sempre que posso faço kayak. Bruxelas não é a cidade ideal para desportos aquáticos e os canais não são tão limpos como os rios, mas ainda assim sabe bem poder fazer exercício ao ar livre de vez em quando!» 15 Lea Vatanen NASCIDA em Helsínquia, Finlândia, 1962 CARGO: quadro do Secretariado -Geral, trabalha no âmbito do CONECCS Ao S e r v i ç o d o s E u ro p e u s Direitos dos cidadãos As decisões tomadas pela Comissão reflectem-se em muitas das questões que afectam a vida diária dos cidadãos da Europa. Por este motivo, a Comissão procura, tanto quanto possível, justificar os seus actos e manter a máxima abertura, de modo a permitir que os cidadãos se mantenham informados sobre assuntos que lhes dizem directamente respeito. Há mais de um milhão e meio de documentos disponíveis no sítio Internet da UE (europa.eu.int). O sítio é actualizado em permanência e abrange todas as políticas da Comissão, com uma gama de características interactivas. Para quem pretenda informação adicional, há várias possibilidades: • Acesso a documentos A abertura é uma das prioridades -chave da Comissão Europeia. Consequentemente, o público tem acesso não só às publicações oficiais, mas também aos documentos internos. Qualquer pessoa pode solicitar um documento, independentemente da sua situação profissional e sem ter de justificar o pedido. Apenas as informações de carácter pessoal ou que possam pôr em risco interesses comerciais legítimos podem ser recusadas. • Pedidos de informação Os membros do público podem contactar a Comissão por carta, telefone, fax ou correio electrónico em qualquer das 11 línguas da UE. A Comissão é obrigada a responder na mesma língua, no prazo de 15 dias após a recepção do pedido. A forma mais simples para obter informações da Comissão é telefonar ou contactar por via electrónica «A Europa em Directo» (europa.eu.int/ europedirect). Trata-se de um serviço concebido para este efeito, que dá resposta a questões práticas relacionadas com a Comissão e que dá informações sobre formas de obter orientação jurídica. 16 Informação dos meios de comunicação Uma outra forma importante de informar o público é através dos meios de comunicação. É à Direcção-Geral da Imprensa e Comunicação que cabe a responsabilidade de garantir que os jornalistas disponham da informação de que necessitam e de dar resposta a todas as suas solicitações diárias. Dervla O’Shea começou a trabalhar para a Comissão Europeia em 1986, após ter concluído um curso de secretariado bilingue em Dublim. No entanto, esteve em Bruxelas apenas durante seis meses, antes de ser colocada no Médio Oriente. «Surgiu a oportunidade de trabalhar para a delegação da Comissão Europeia na Síria. Foi uma experiência inesquecível. Estive lá um ano. Só em 1995 é que decidi tentar fazer um concurso para a Comissão. Passei e o meu primeiro cargo foi no Emprego e Assuntos Sociais. Alguns anos depois mudei para onde estou hoje, na Imprensa e Comunicação. Esta é a voz oficial da Comissão e o primeiro porto de escala dos jornalistas que se ocupam dos assuntos relacionados com a Comissão. Gosto muito e o trabalho é variado. Tenho de acompanhar as actividades da Comissão e estar sempre a par das últimas notícias. Uma das vantagens de trabalhar aqui é a flexibilidade. Já tive oportunidade de me ocupar de várias áreas interessantes onde aprendo imenso. Como secretária, o meu papel é talvez mais estimulante do que no sector privado. O que faço fora da Comissão? Bem, gosto de nadar e de cozinhar para os amigos. Uma das consequências de ter vivido no estrangeiro é que apanhei o bichinho das viagens!» 17 Dervla O’Shea NASCIDA em Dublim, Irlanda, 1968 CARGO: secretária do porta-voz, Direcção-Geral da Imprensa e Comunicação Ao S e r v i ç o d o s E u ro p e u s Controlos e balanços A Comissão Europeia está sujeita a diversos controlos e balanços. Antes de mais, a Comissão tem a obrigação de prestar contas às pessoas que serve, os cidadãos da Europa, através do Parlamento Europeu. É ainda responsável perante os governos dos Estados-Membros, através do Conselho de Ministros. A cooperação eficaz entre as instituições da UE é uma realidade diária da vida na Comissão. O processo de adopção da legislação europeia é disto um bom exemplo. O Tribunal de Justiça Europeu e o Tribunal de Contas desempenham um papel vital no que respeita ao cumprimento da legislação europeia e ao gasto eficaz do dinheiro dos contribuintes, competindo ao Procurador europeu garantir o respeito dos direitos de cada um dos cidadãos e procurar soluções para os casos de má administração. 18 A Comissão está também sujeita a controlos financeiros independentes estritos, quer internos quer externos. O controlo externo é efectuado pelo Tribunal de Contas. Na Comissão, a DG do Controlo Financeiro e o recém -criado Serviço de Auditoria Interna lutam por instaurar uma cultura de gestão eficaz e eficiente e por desenraizar as práticas deficientes. Efeitos da democracia O Parlamento Europeu, eleito por sufrágio directo e operando em parceria com a Comissão Europeia, desempenha um papel fundamental no desenvolvimento das políticas e na elaboração da legislação da UE. A coordenação eficaz é um factor capital, pelo que há funcionários, como Xabier Atutxa, que acompanham de perto a evolução da preparação da legislação da UE por forma a facilitar a passagem pelo Parlamento. «Sempre me interessou a construção da União Europeia, por isso é fascinante ter a oportunidade de trabalhar de perto com o Parlamento Europeu e a Comissão. Compete-me acompanhar o que se passa no Parlamento, como por exemplo ver como os deputados reagem a determinadas coisas, o que lhes agrada e o que querem alterar, e passar estas informações às direcções -gerais competentes. Sabendo isto, a Comissão altera a legislação em conformidade e tenta chegar a um compromisso.» Xabier Atuxta começou a trabalhar na Comissão Europeia em Setembro de 1995. Estudou Direito na Universidade de East Anglia, no Reino Unido, e formou-se em Integração Europeia pela Universidade do País Basco. Apesar de se ter mudado para Bruxelas, a sua identidade regional é muito importante para ele, reforçada pelo facto de ser «europeu». «Vejo a Europa como uma forma de viver em paz no respeito por nacionalidades e identidades. Tendo em mente as guerras ocorridas não há muito tempo, é espantoso o que se conseguiu. Para mim, é a força na diversidade que torna a Europa única.» 19 Xabier Atutxa Sarria NASCIDO em Bilbau, País Basco, Espanha, 1964 CARGO: ocupa-se das relações da Comissão Europeia com o Parlamento Europeu Ao S e r v i ç o d o s E u ro p e u s Línguas A língua que falamos é a expressão mais óbvia da nossa nacionalidade e cultura e faz parte da riqueza histórica de cada região. A variedade de valores da UE, a saber, o respeito da diversidade linguística e cultural, está consagrado no artigo 22.º da Carta Europeia dos Direitos Fundamentais. A UE incentiva também a aprendizagem das línguas como meio de acesso a outras culturas. Com este objectivo em mente, a Comissão gere diversos programas na Europa que ajudam e incentivam as pessoas de todas as idades a melhorarem a sua capacidade de aprendizagem de outras línguas europeias. Para o funcionamento da Comissão, a comunicação em toda a Europa é absolutamente fundamental. Os documentos oficiais e a informação geral sobre a União Europeia são produzidos nas línguas oficiais da UE, por forma a que todos os cidadãos tenham acesso, na sua própria língua, às informações que lhes dizem directamente respeito. Todos os cidadãos têm o direito a comunicar com a Comissão na sua língua-mãe. As línguas oficiais da UE são: alemão, dinamarquês, espanhol, finlandês, 20 francês, grego, inglês, italiano, neerlandês, português e sueco. Sendo um microcosmos da União no seu todo, a Comissão inclui obviamente falantes nativos de todas as línguas oficiais (para além de outras). Considerando não ser razoável esperar-se que todos os funcionários falem todas as línguas, é necessário um grau de compromisso. Na Comissão, por razões práticas, a documentação interna circula tipicamente em três línguas: alemão, francês e inglês. É habitual os funcionários falarem pelo menos uma destas línguas e são estas as línguas utilizadas habitualmente nas reuniões internas. Novos horizontes para os professores O realce dado pela Comissão Europeia ao incentivo da diversidade das línguas e culturas é bem visível através dos diferentes programas que gere, desde o programa Ariane (apoio à tradução de projectos literários) ao conhecido programa Erasmus de intercâmbio universitário. «Eu trabalhava em formação de professores antes de passar o concurso para a Comissão. Depois de ter trabalhado como assistente na universidade de Nuremburg, embora tratando-se de uma área afim, é uma grande mudança vir para uma grande instituição. Mas acho que o trabalho que faço é compensador. chegamos. Entre 1995 e 1999 estiveram envolvidos no Comenius dois milhões de alunos. Até agora, temos cerca de dez mil escolas participantes e esperamos triplicar este número até 2006. Aquilo que se faz é precioso e estes programas são importantes para escolas, professores e alunos. No meu tempo livre gosto de jogar andebol e tento cultivar o meu gosto pela História da Europa.» O meu serviço ocupa-se, entre outras coisas, de aspectos específicos do ensino e da formação de professores na Europa, do acesso das escolas às tecnologias de informação e de comunicação (TIC) e da aprendizagem ao longo da vida. É espantoso o volume de pessoas a que 21 Detlev Clemens NASCIDO em Nuremburg, Alemanha, 1962 CARGO: organiza o programa de intercâmbio escolar Comenius e a formação de pessoal dos estabelecimentos de ensino. S e r v i Ao n g tSheer v pi çeoo pdloes oEfuErouproepues Conclusão A Comissão é um órgão independente, mas de modo algum livre de responder pelos seus actos. Tem sido desenvolvido para servir os cidadãos da Europa e para gerir com eficácia uma União sem precedentes de Estados soberanos. Os seus funcionários não constituem um batalhão de burocratas sem rosto; são cidadãos europeus normais que partilham o objectivo comum de construção de uma União forte e diversificada. À medida que a UE for crescendo em dimensão e com a moeda única já uma realidade em muitos Estados-Membros, o papel da Comissão Europeia vai sem dúvida evoluir. A forma como tudo se processará vai depender das pessoas que serve. A vossa opinião sobre a Europa, seja ela qual for, é importante para a Comissão. Utilizando os fóruns directos na Internet ou escrevendo para a Comissão, todos têm a possibilidade de se fazer ouvir. Cabe a cada um de nós ajudar a criar a Europa em que queremos viver. Outra documentação Para mais informações sobre as questões relacionadas com a gestão e a organização da Comissão Europeia, consultar: http://europa.eu.int/comm/reform/index_en.htm. Informações sobre emprego na Comissão Europeia: http://europa.eu.int/comm/recruitment/. Para informações sobre as políticas e actividades da União Europeia, consultar a página «Mais informações sobre a União Europeia» no final da brochura. 22 Comissão Europeia Ao Serviço dos Europeus Funcionamento da Comissão Europeia Luxemburgo: Serviço das Publicações Oficiais das Comunidades Europeias 2003 — 22 p. — 16,2 x 22,9 cm ISBN 92-894-4019-8 No coração da União Europeia encontra-se a Comissão Europeia, órgão com uma combinação única de poderes legislativo e executivo, responsável por uma vasta gama de áreas políticas, desde a cultura à agricultura. Empregando 24 000 pessoas de toda a UE, a Comissão trabalha estreitamente com o Parlamento Europeu, o Conselho de Ministros, a sociedade civil e os governos nacionais. Luta para unir a Europa com base na compreensão mútua e no desejo de paz, liberdade e prosperidade. Como é e quem lá trabalha? Esta brochura ajuda-o a descobrir a resposta. 23 Mais informações sobre a União Europeia Na Internet, através do servidor Europa (http://europa.eu.int), há informações em todas as línguas oficiais da União Europeia. EUROPE DIRECT (A EUROPA EM DIRECTO) é um serviço telefónico gratuito que ajuda a encontrar respostas às questões sobre a União Europeia e fornece informações acerca dos direitos e oportunidades de que os cidadãos da UE beneficiam : 00 800 6 7 8 9 10 11. Para obter informações e publicações em língua portuguesa sobre a União Europeia, pode contactar: REPRESENTAÇAO EM PORTUGAL DA COMISSÃO EUROPEIA GABINETE EM PORTUGAL DO PARLAMENTO EUROPEU Centro Europeu Jean Monnet Largo Jean Monnet, 1-10.° P-1269-068 Lisboa Tel.: (351) 213 50 98 00 Internet: euroinfo.ce.pt E-mail: [email protected] Centro Europeu Jean Monnet Largo Jean Monnet, 1-6.° P-1269-070 Lisboa Tel.: (351) 213 57 80 31/213 57 82 98 Fax: (351) 213 54 00 04 Internet : www.parleurop.pt E-mail : [email protected] Existem representações ou gabinetes da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu em todos os Estados-Membros da União Europeia. Noutros países do mundo existem delegações da Comissão Europeia. A União Europeia Estados-Membros e países candidatos Estados-Membros Países candidatos Situação na Primavera de 2002 1 PT 16 NA-41-01-018-PT-C No coração da União Europeia encontra-se a Comissão Europeia, órgão com uma combinação única de poderes legislativo e executivo, responsável por uma vasta gama de áreas políticas, desde a cultura à agricultura. Empregando 24 000 pessoas de toda a UE, a Comissão trabalha estreitamente com o Parlamento Europeu, o Conselho de Ministros, a sociedade civil e os governos nacionais. Luta para unir a Europa com base na compreensão mútua e no desejo de paz, liberdade e prosperidade. Como é e quem lá trabalha? Esta brochura ajuda-o a descobrir a resposta. ISSN 1022-8306 SERVIÇO DAS PUBLICAÇÕES OFICIAIS DAS COMUNIDADES EUROPEIAS L-2985 Luxembourg ISBN 92-894-4019-8 -:HSTCSJ=YYUV^[:>