II - 029
o
20 CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL
EXPERIÊNCIA DE MEDIÇÃO INDIVIDUALIZADA DE
APARTAMENTO EM EDIFÍCIOS ANTIGOS
Adalberto Cavalcanti Coelho(1)
Graduado em Engenharia Civil. Pós-graduado em Recursos Hídricos
obtendo o grau de M.Sc pela UFPB, empregado da COMPESA desde
março de 1996 dentre as quais Chefe da Coordenadoria de Pesquisas e
Desenvolvimento,
Gerente
de
Faturamento,
Gerente
de
Comercialização. Consultorias prestadas a diversos organismos a nível
nacional e internacional.
João Carlos de Britto Maynard
Graduado em Administração de Empresas pela FESP-PE, ocupou
diversas funções na COMPESA dentre as quais destacam-se: Gerente
Comercial do Recife, Chefe de Gabinete da Presidência, Assessor da Diretoria de
Operações, Gerente de Cobrança. Consultorias prestadas a diversas Empresas Estaduais
de Saneamento Básico no país.
Endereço(1): Rua Prof. Gastão Vilarim, 102 - Bairro Jardim Atlântico - Olinda - PE CEP: 53140-360 - Tel/Fax: (081) 432-2688 - e-mail: [email protected]
RESUMO
Nos últimos dois anos cresce de forma acelerada o número de edifícios antigos que
adaptam as suas instalações prediais para a medição individualizada de água nos seus
apartamentos. A necessidade de uma distribuição mais justa dos custos das contas de
água/esgotos, em função dos custo atual destes serviços, tem levado a população a busca
de alternativa que permita a cada um controlar o seu consumo e em decorrência a sua
própria conta. No sistema de medição global não existe uma justiça já que o desperdício
de uns é pago por todos. No presente trabalho vamos apresentar uma experiência já
consolidada na Região Metropolitana do Recife com a medição individualizada hoje em
mais de 1500 edifícios antigos adaptados. Serão apresentados exemplos de
individualização de medição individualizada de água em apartamentos antigos, que foram
fruto da experiência já consolidada em Pernambuco. Apesar de existir uma idéia
generalizada no país que a medição individualizada de água em apartamentos antigos não
é possível, a experiência nossa na RMR prova o contrário. Em alguns casos de acordo
com a disposição das instalações prediais a adaptação para a implantação da medição
individualizada pode ser fácil e de baixo custo.
PALAVRAS-CHAVE: Medição Individualizada de Água, Hidrômetros, Hidrometria,
Economia de Água, Racionalização dos Consumos, Conservação de Água.
o
20 Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental
1157
II - 029
o
20 CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL
INTRODUÇÃO
Tradicionalmente se acreditava que era impraticável fazer a medição individualizada de
água nos edifícios já construídos. Com o crescimento da crise econômica que assola a
economia do país, cada vez mais a população tem procurado formas de economizar, e
com relação serviços de água/esgotos a coisa não tem sido diferente. Hoje a conta
água/esgotos pesa no orçamento familiar, encarecendo sobre maneira as taxas de
condomínio, o que tem levado, em Pernambuco, a população a solicitar
a
individualização de suas contas de água/esgotos. Na realidade, estes clientes querem
pagar o que realmente consomem, e não pelo desperdício dos outros . Quando do inicio
do processo de medição individualizada de apartamentos, há 4 anos atras, não existia
conhecimento seguro de como fazer as modificações das instalações prediais, e assim,
elas foram lentas. Era necessário, naquela oportunidade, o desenvolvimento de técnicas
para análise dos projetos das instalações prediais antigas. Era necessário também o
conhecimento de como executar estas modificações, obedecendo rigorosamente as normas
de execução e a especificação dos materiais estabelecida pela ABNT. Hoje após mais de
1.500 edifícios com as instalações prediais modificadas, detêm-se experiências que
permitem soluções para os diversos tipos de edifícios, alguns com baixo custo, outros
com maiores custos a depender da disposições originais das instalações prediais de água e
do padrão de construção existente, e da própria concepção do projeto de modificação.
Um aspecto de fundamental importância no sucesso da medição individualizada na
COMPESA, foi o fato desta empresa ajustar o seu sistema de faturamento, de forma a que
fosse emitida uma conta para cada apartamento, com base no seu consumo medido no
hidrometro instalado no ramal de alimentação do apartamento, acrescido do rateio do
consumo comum, apurado pela diferença do volume registrado no medidor principal e o
somatório dos volumes apurados para cada apartamento.
A situação hoje é que encontram-se apartamentos com medição individualizada
praticamente em todos bairros do Recife. Hoje a empresa recebe cerca de 200 a 300
solicitações de individualizações por mês o que de certa forma leva a uma certa
dificuldade no atendimento pleno das solicitações .
No entanto, apesar desta dificuldade citada, a COMPESA vê-se beneficiada com os
resultados obtidos: a redução de consumo, a redução do índice de inadimplência e o
aumento de faturamento, compensando plenamente o esforço realizado.
OBJETIVO DA MEDIÇÃO INDIVIDUALIZADA
Emissão da conta de água/esgotos para cada apartamento de um edifício, com base nos
consumos individuais registrado nos hidrômetros.
FATORES DETERMINANTES
Os principais fatores determinantes para implantação do programa de medição
individualizada foram os seguintes:
o
20 Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental
1158
II - 029
o
20 CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL
1) Solicitação dos moradores de conjunto residenciais domiciliares preocupados com os
valores da contas de água/esgotos, e desejosos de pagar as contas de acordo com os
seus consumos;
2) Necessidade de incentivar a economia de água nos edifícios multi-familiares;
3) Redução do índice de inadimplência;
AÇÕES PARA MEDIÇÃO INDIVIDUALIZADA DE APARTAMENTOS EM
EDIFÍCIOS ANTIGOS
As ações para solicitação de uma medição individualizada num edifício antigo são
apresentadas na seqüência :
1. Sindico prepara um abaixo assinado solicitando a COMPESA estudo para a
individualização da medição de água do edifício;
2. Sindico dirige-se a uma loja de atendimento ao publico para solicitação de uma
inspeção visando a individualização;
3. Técnico da COMPESA dirige-se ao edifício fazendo a inspeção e dá as instruções
básicas necessárias;
4. Sindico contrata empresa ou profissional habilitado para fazer o projeto com
orçamento das modificações;
5. Sindico contrata firma para a execução das modificações
6. Sindico negocia o débito por ventura existente na matricula do edifício ;
7. Empresa ou profissional contratado executa fisicamente as modificações necessárias
nas instalações prediais;
8. Sindico solicita a COMPESA inspeção final ;
9. Técnico da COMPESA realiza inspeção e autoriza a instalação dos hidrômetros;
10. A área comercial da COMPESA atualiza o cadastro associando as novas matriculas
de cada apartamento com a matricula do edifício.
ASPECTOS TÉCNICOS A SEREM OBEDECIDOS NO PROJETO DE
MODIFICAÇÃO DAS INSTALAÇÕES PREDIAIS
O projeto de modificações das instalações prediais de água antigas devem obedecer
rigorosamente aos aspectos seguintes:
•
Cada apartamento deve ser abastecido por um único ramal de alimentação no qual
será instalado o hidrômetro individual;
O hidrômetro deve ser instalado em local de fácil acesso de forma a facilitar a sua
leitura;
As caixas de proteção devem ser padronizadas possuindo, imediatamente, antes do
hidrometro registro de esfera ou gaveta;
Não é permitida a utilização de “válvulas de descargas” pois estas necessitam de
vazão superiores as compatíveis com os hidrometros que serão instalados;
Não e permitida a interligação das instalações prediais de apartamentos distintos;
•
•
•
•
o
20 Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental
1159
II - 029
o
20 CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL
MODIFICAÇÕES NECESSÁRIAS DAS INSTALAÇÕES PREDIAIS DE ÁGUA
PARA A INDIVIDUALIZAÇÃO
Conforme estabelece a NBR 5626/1982 para as Instalações Prediais de Água Fria, o
projeto das instalações prediais de água deve ser elaborado, supervisionado e de
responsabilidade de profissional de nível superior devidamente habilitado pelas leis do
País.
As modificações nas instalações prediais devem ser feitas obedecendo as seguintes
condições:
A) garantir o fornecimento de água de forma contínua, em quantidade suficiente, com
pressões e velocidades adequadas ao perfeito funcionamento das peças de utilização e
do sistema de tubulações;
B) preservar rigorosamente a qualidade da água do sistema de abastecimento;
C) preservar o máximo de conforto aos clientes, incluindo-se a redução do nível de ruído;
Condições para o projeto de modificação das instalações prediais de água
As modificações devem ser feitas para serem obedecidos o estabelecido nos dois itens
anteriores. Estas modificações consistem basicamente em fazer com que a alimentação
dos pontos de utilização sejam feitas por um único ramal de alimentação devendo
observar os passos citados na seqüência.
Passo 1
Localizar as plantas das instalações hidráulicas onde poderão ser observadas a disposição
e a vista isométrica das tubulações. Após o estudo destas plantas deverá ser proposto
preliminarmente um esquema básico das modificações a serem feitas nas mesmas para
permitir a medição individualizada.
Passo 2
Ir ao edifício para comprovar no local a veracidade da planta, e colher elementos que
propiciem a elaboração do projeto de adaptação inclusive com levantamento de custos. A
identificação dos locais das colunas de distribuição existente, normalmente é fácil pois
nelas sempre existe um registro de fechamento. Na prática fechando-o verifica-se quais os
pontos de utilização que ficam sem água, e portanto por ela são alimentados.
Passo 3
Agora com os elementos coletados pode-se fazer o projeto confirmando o melhor local
para descer a nova coluna de distribuição. Deve-se estudar como fazer a descida da caixa
d’água superior ate o hidrometro a instalar na entrada do ramal de alimentação sem
danificar ou danificando o mínimo possível os elementos antigos de construção
(cerâmica, mosaico, lajes, vigas ). Devem ser evitadas passagem sobre a estrutura de
concreto armado do prédio.
Definir o melhor ponto para localização do hidrômetro procurando coloca-lo na área
comum em local de fácil acesso para a leitura.
o
20 Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental
1160
II - 029
o
20 CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL
Quando as instalações prediais possuem válvula de descarga estas normalmente são
abastecidas por coluna de alimentação vinda direta da caixa d’água superior. Neste caso,
esta coluna é isolada na parte superior próximo a fundo da caixa d’água. Estas válvulas
ficam inertes, isoladas e em substituição colocam-se novos conjuntos de bacia sanitária
com caixa acoplada, ou outra similar, a qual deve ser alimentada por uma tubulação de
½” tirada de algum local do banheiro próximo da bacia sanitária. Na grande maioria dos
casos dos edifícios populares, os clientes preferem continuar com a válvula de descarga
inerte, evitando despesas extras com a sua retirada definitiva, e também devido a
dificuldade de encontrar azulejos iguais para a reposição necessária .
Definida a nova coluna de distribuição prevista no projeto de individualização, o trabalho
seguinte é estudar o trajeto do trecho do ramal de alimentação para restabelecer a
alimentação dos pontos de utilização.
Na pratica após a execução das citadas modificações temos observado normalmente um
aumento da pressão nos pontos de utilização. Isto deve-se principalmente a que os
edifícios com mais de 10 anos tem tubos e/ou conexões de ferro galvanizado que
encontram-se parcialmente obstruídas.
Geralmente durante a execução o último andar representa o ponto critico sendo necessário
tomar cuidados especiais no dimensionamento da tubulação de alimentação destes
apartamentos. Considerando o fator perda de carga as vezes é necessário fazer uma coluna
de alimentação independente para o último andar, ou seja, o pavimento mais próximo da
caixa d’água superior.
DIMENSIONAMENTOS DAS COLUNAS E RAMAIS
Corresponde a ação de verificar o dimensionamento utilizando a nova estrutura de
distribuição de água proposta (barrilete, colunas de alimentação, ramais de alimentação)
para tornar possível a medição individualizada. As vazões a serem consideradas nos
pontos de utilização devem ser as estabelecidas no projeto original acrescida das
modificações efetuadas na instalação predial de água fria, considerando a substituição das
válvulas de descarga por caixas de descarga.
Para as vazões dos pontos de utilização devem ser consideradas as apresentadas na Tabela
1 (Vazões de projeto e pesos relativos dos pontos de utilização) da NBR 5626 .
Quanto ao limite de pressões na rede de distribuição predial de água
O dimensionamento da rede de distribuição predial de água fria deve ser projetada de
modo que as pressões estáticas e dinâmicas sem qualquer ponto situem-se no seguinte
campo de variação;
1) Pressão estática máxima de 40,0 metros* de coluna de água;
2) Pressão dinâmica mínima 2,5 metros de coluna de água;
*Como medida para favorecimento da economia de água o ideal seria trabalhar com
pressão estática máxima de 20 m.c.a .
o
20 Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental
1161
II - 029
o
20 CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL
A fixação da pressão mínima de 2,5 m.c.a e não de 0,5 m.c.a como fixa a NBR 5626
deve-se ao acréscimo da perda de pressão de 2,0 m.c.a que ocorrerá no hidrometros para
vazão de 1.500 litros por hora (Vazão nominal - Qn)
Quanto as pressões nos pontos de utilização
Deve-se utilizar as pressões dinâmicas e estáticas nos pontos de utilização estabelecidas
na Tabela 3 da NBR 5626.
Quanto a velocidade
A velocidades máximas nas tubulações não devem ultrapassar o valor de 2,5 m/s de forma
a evitar ruídos que possa perturbar o sono das pessoas.
Quanto aos materiais empregados nos trecho modificados
Os materiais empregados na(s) colunas de alimentação e nos trechos dos ramais
modificados devem ser de alta qualidade garantindo a estanqueidade por longo período. A
pressão de serviço dos tubos utilizados deve ser superior a pressão estática no ponto
considerado, somada da sobrepressão devido a golpes de aríete .
O material empregado deve ser submetido a rigoroso controle de qualidade, conforme
normas especificas da ABNT .
DIMENSIONAMENTO DO HIDRÔMETRO PRINCIPAL
O dimensionamento do hidrômetro mestre instalado no ramal predial de água que
alimenta o edifício deve ser feito pelo procedimento convencional . Deve-se ter uma
especial atenção a classe metrológica do hidrômetro de forma que seja medida com
precisão as baixas vazões.
Deve-se considerar que o esquema predominantemente é o da alimentação da rede de
distribuição de água para uma caixa d’água inferior dotado de bóia. Neste sistema, nos
momentos em que a caixa d’água está quase cheia as vazões de alimentação são pequenas.
Por este motivo o hidrômetro instalado no ramal predial deve ter amplo campo de
medição.
Na prática, verificou-se ser conveniente a utilização de hidrômetros de Classe Metrológica C.
o
20 Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental
1162
II - 029
o
20 CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL
Figura 1 - Curva de Consumo de um edifício de apartamento obtida do hidrômetro
mestre instalado no ramal predial, obtida com Data Logger da Meinecke.
DIMENSIONAMENTO DO HIDRÔMETRO INDIVIDUAL
Para o dimensionamento dos hidrômetros a serem instalados nos apartamentos deve-se
procede convencional considerando-se as vazões normais de serviço e suas respectivas
perdas de carga . O dimensionamento do hidrômetro deve ser feito utilizando a perda de
carga disponível na planilha de calculo de instalações prediais de água fria Figura 5 da
NBR 5626.
O hidrômetro deve ser dimensionamento numa bitola tal que não provoque uma perda de
carga exagerada que limite o consumo nos pontos de utilização da instalação predial de
água.
Outro aspecto a considerar é que o “campo de medição” do hidrômetro cubra o campo de
vazões com o qual vai trabalhar o ramal de alimentação no qual está instalado o aparelho.
Na prática os medidores a instalar nos apartamentos terão capacidade (Qmáx) entre 3 e 5
m³/h.
Figura 2 - Curvas de consumos de apartamento com medição individualizada obtida
com Data Logger da Meinecke em edifício situado em Boa Viagem - Recife.
o
20 Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental
1163
II - 029
o
20 CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL
DETALHES CONSTRUTIVOS
As tubulações devem ser executadas de acordo com as normas especificas da ABNT, para
o tipo do material empregado.
Para o corte de paredes, necessário às modificações, se recomenda o uso de maquina
moderna de corte o que evita danificar a estrutura. A batida forte pode rachar as paredes
das tubulações existentes provocando vazamentos.
As tubulações devem ser devidamente protegidas contra eventual acesso de água poluída.
Somente será permitida a localização de tubulações solidarias a estrutura se não forem
prejudicadas pelos esforços ou deformações próprias dessa.
Se necessário as passagens por estrutura devem ser aprovadas por seu projetista. Estas
passagens se possíveis devem ser projetadas de forma a permitir a montagem e
desmontagem das tubulações e seus acessórios em qualquer ocasião.
Quando a parte arquitetônica o permitir a melhor solução para a localização das
tubulações indicam a sua total independência das estruturas e das alvejarias.
O projeto das modificações das instalações prediais de água fria compreendem os
seguintes elementos:
•
•
•
•
•
Memorial descritivo;
Cálculos de dimensionamento;
Normas de execução;
Especificação dos materiais;
Plantas, esquemas hidráulicos e desenhos isométricos;
o
20 Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental
1164
II - 029
o
20 CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL
ESQUEMAS DE ALIMENTAÇÃO DOS EDIFÍCIOS TRABALHADOS
O esquema predominante para a alimentação dos edifícios trabalhados consiste
basicamente na alimentação do ramal predial de água a caixa d’água inferior dotada de
bóia com conjunto elevatório que leva a água a um reservatório superior de onde e feita a
distribuição de água aos apartamentos.
Figura 3 - Esquema hidráulico básico dos edifícios trabalhados com caixas d’água
inferior e superior.
Existiu somente para o Conjunto Habitacional Jardim Brasil I e II em Peixinhos, Olinda,
cujo esquema hidráulico de abastecimento feito direto do ramal predial aos apartamentos,
sendo neste caso os hidrômetros instalados na calçada.
Figura 4 – Esquema hidráulico dos edifícios sem caixa d’água inferior.
o
20 Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental
1165
II - 029
o
20 CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL
Algumas vezes no ultimo andar se faz uma tomada independente para evitar problemas de
baixa pressão.
Quando a caixa d'água é muito perto da laje volta a tubulação o mais baixo possível para
evitar problema com a perda de pressão.
EXEMPLOS
DE
INDIVIDUALIZADA
PROJETOS
ADAPTADOS
PARA
MEDIÇÃO
No desenvolvimento dos trabalhos de individualização foram identificados três tipos de
esquemas básicos de individualização da medição de apartamentos que serão
apresentados em seguida.
o
20 Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental
1166
II - 029
o
20 CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL
•
Exemplo 1 - Edifícios populares tipo COHAB
Estes edifícios correspondem aos edifícios populares tipo COHAB muito freqüentes na
Zona Periférica da Região Metropolitana do Recife, área construída inferior a 50 m2. Para
estes edifícios as instalações hidrosanitarias são compostas de : 1 chuveiro, 1 bacia
sanitária com caixa de descarga, 1 pia, 1 tanque de lavar pratos, 1 tanque de lavar roupas e
1 chuveiro. Estes edifícios possuem 3 pavimentos sendo 4 apartamento por cada um.
As modificações nestes edifícios consistem em isolar a coluna de distribuição antiga,
descendo com outra junto a anterior. Procede-se então o isolamento da coluna anterior
dos ramais de distribuição dos apartamentos, fazendo a conexão destes ramais na nova
coluna de distribuição colocando o hidrômetro individual a entrada do apartamento de
modo a que seja facilitada a leitura.
Existe ainda outros esquemas hidráulicos que podem ser utilizados a conveniência do
projetista.
Figura 5 - Esquema de adaptação da instalação hidráulica de um edifício tipo
COHAB.
o
20 Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental
1167
II - 029
o
20 CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL
Figura 6 - Planta baixa com as instalações hidráulicas de um edifício tipo COHAB.
Nomenclatura da planta baixa:
1)
2)
3)
4)
5)
6)
7)
8)
9)
Tê φ 32 x 25 mm PVC
Joelho φ 25 mm PVC
Nípel φ ¾” PVC
Registro esfera φ 3/4"
Hidrômetro φ 3 m³
Luva LR φ 3/4” x 25 mm PVC
Tê φ 25 mm PVC
Joelho φ 32 x 25 mm PVC
Abraçadeira φ 3/4"
•
Exemplo 2 - EDIFÍCIOS CLASSE MÉDIA
Nestes edifícios os apartamentos são de 2 quartos, área construída entre 50 a 80 m2.
Nestes edifícios as instalações hidrosanitárias são compostas de : 2 chuveiros, 2 bacia
sanitárias dotadas de válvulas de descarga, 1 pia, 1 tanque de lavar pratos, 1 tanque de
lavar roupas e 1 chuveiro.
o
20 Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental
1168
II - 029
o
20 CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL
Deve-se verificar a possibilidade de aproveitamento de uma das colunas de distribuição
para conectar o ramal de alimentação onde será instalado o hidrometro individual,
isolando as demais colunas na parte inferior da caixa d’ água superior. Deve ser feito o
redimensionamento dos trechos dos ramais de alimentação que serão conectados com os
pontos de utilização alimentados pelas antigas colunas.
Figura 7 - Esquema ilustrativo mostrando a nova coluna de distribuição, sua ligação
com os trechos dos ramais de alimentação e o isolamento das outras antigas colunas
MODELOS DE CAIXAS DE PROTEÇÃO DOS HIDRÔMETROS
As caixas de proteção a utilizar devem ser tais atendam ao aspecto e proteção do
hidrômetro sem causar prejuízo ao aspecto estético arquitetônico do ambiente onde será
instalado. Existe uma grande variedade de caixas de proteção das quais trabalhamos com
3 modelos principais: caixa de alvenaria com moldura de alumínio, caixa de proteção de
fibra de vidro e caixa de proteção de chapa de galvanizado. Esta última pode ser utilizada
com vantagem quando há problemas de espaço na área comum dos apartamentos.
o
20 Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental
1169
II - 029
o
20 CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL
MEDIÇÃO ELETRÔNICA
Em alguns casos, onde os usuários estejam dispostos a arcar com os custos, podem ser
utilizados hidrômetros com transmissão a distância, centralizando a leitura em área
comum no pavimento térreo. Isto implica no aumento do custo de R$ 200,00 para cada
apartamento.
CONCLUSÕES
Como resultado da bem sucedida experiência realizada na Região Metropolitana do
Recife com a adaptação das instalações prediais de edifícios antigos para a medição
individualizada de apartamentos destacamos as seguintes recomendações:
1. A medição individualizada em apartamentos de prédios antigos é possível desde que o
estudo de viabilidade econômica o justifique;
2. Os medidores mestres a utilizar na medição central do edifício devem ser do tipo C de
forma que não exista perda por submedição;
3. Para edifícios do tipo populares que utilizam nas instalações hidrosanitárias caixas de
descarga a modificação destas instalações pode ser feita a baixo custo;
4. A nova sistemática foi plenamente aprovada pelos clientes já que não houve uma só
solicitação de retornar ao sistema anterior de faturamento;
5. O índice de inadimplência para os prédios individualizados é inferior a 10%;
6. A redução de consumo dos edifícios que aderiram a medição individualizada foi de 25%;
7. Houve um aumento de faturamento nos citados edifícios superior a 21%;
BIBLIOGRAFIA
1.
2.
AWWA, “Sizing Limes And Meters” - Manual M22, USA, 1975
AWWA, “Water Meter, Selection, Instalation, Testing And Maintenance” - MANUAL M6, Denver
USA, 1986.
3.
COÊLHO, ADALBERTO CAVALCANTI, “Medição de Água, Política e Prática”, Recife Pernambuco, Fevereiro de 1997.
4.
GOMEZ, BERNARDO, “Instalacion de Medidores de Água em Edifícios Multi-familiares” CEPIS/OPS, Agosto de 1981.
5.
MEINECKE, Manual do Datta Logger – CDLwin, Julho de 1998
o
20 Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental
1170
Download

ii - 029 experiência de medição individualizada de apartamento em