1 UNIVERSIDADE DE SANTA CRUZ DO SUL PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PROMOÇÃO DA SAÚDE MESTRADO EM PROMOÇÃO DA SAÚDE ÁREA DE CONCENTRAÇÃO EM PROMOÇÃO DA SAÚDE Mônica Wietzke AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE FUNCIONAL, FUNÇÃO PULMONAR E FORÇA MUSCULAR PERIFÉRICA DE IDOSOS HOSPITALIZADOS Santa Cruz do Sul 2014 2 MÔNICA WIETZKE AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE FUNCIONAL, FUNÇÃO PULMONAR E FORÇA MUSCULAR PERIFÉRICA DE IDOSOS HOSPITALIZADOS Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde - Mestrado, Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC, como requisito parcial para à obtenção do título de Mestre em Promoção da Saúde. Orientadora: Profa. Dra Dulciane Nunes Paiva Colaboradores: Profa. DraSilvia Isabel RechFranke Santa Cruz do Sul 2014 3 MÔNICA WIETZKE AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE FUNCIONAL, FUNÇÃO PULMONAR E FORÇA MUSCULAR PERIFÉRICA DE IDOSOS HOSPITALIZADOS Banca Examinadora: ______________________________________________ Dra. Dulciane Nunes Paiva Professora Orientadora –UNISC ______________________________________________ Dra. Hildegard Hedwing Pohl Professora examinadora – UNISC ______________________________________________ Dra. Marisa Gonçalves Professora examinadora - UFSM 4 AGRADECIMENTOS Primeiramente agradeço à minha orientadora Dulciane Nunes Paiva, pelas ideias, críticas, ensinamentos e incentivo em todos os momentos. Aos queridos bolsistas do projeto, Diogo Bordin, Natália Brum, Régis Severo, Ricardo Gass, Michele Saldanha, Camila Neidermeyer, Emeline Schäfer, Larissy Americo, Angélica Olivero e Taine Zimmer por terem me ajudado no andamento do projeto, principalmente nas coletas de dados e digitação dos mesmos. Ao Professor Dannuey Machado Cardoso por todos os ensinamentos e apoio. Às colegas do Mestrado, em especial a Liziane Hermes, Suzana Cartens por todo apoio nos momentos mais difíceis. Ao meu namorado, pelo companheirismo e paciência. À minha mãe que sempre esteve ao meu lado nos momentos de choro, nos momentos de risos. Aos meus amigos, pela compreensão e pelas palavras de apoio. À minha família pelo carinho. 5 DEDICATÓRIA Dedico à minha família em especial ao meu pai Edemar Roque Wietzke, que infelizmente não está aqui para presenciar este momento que ele tanto incentivou. 6 LISTA DE FIGURAS DO ARTIGO 1 Figura 1 Fluxograma dos participantes do estudo……………………………… 79 LISTA DE FIGURAS DO ARTIGO 2 Figura 1 Fluxograma dos participantes do estudo……………………………… Figura 2 Comparação entre a força de pressão palmar (FPP) entre os grupos. A: Comportamento da FPP em valores absolutos (Kgf). B: Comportamento da FPP em porcentagem do predito (%pred)...................................................................................................... 97 Associação entre a força de preensão palmar (FPP) e capacidade funcional.A: Associação apresentada dentro do GH. B: Associação apenas quando considerado o GC.............................................................................................................. 97 Figura 3 95 7 LISTA DE TABELAS DO ARTIGO 1 Tabela 1 - Caracterização dos grupos analisados................................................. Tabela 2 - Força muscular periférica e capacidade funcional entre os grupos 80 analisados............................................................................................. 81 Tabela 3 - Força muscular respiratória da amostra estudada................................ 82 Tabela 4 - Volumes pulmonares da amostra estudada.......................................... 83 LISTA DE TABELAS DO ARTIGO 2 Tabela 1 - Caracterização dos grupos analisados................................................. 96 8 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AIVD Atividades Instrumentais da Vida Diária AJ Altura do Joelho AMBc Área Muscular do Braço Corrigida AVC Acidente Vascular Cerebral AVD Atividades da Vida Diária BADL Basic Activities of Daily Living CB Circunferência do Braço CC Circunferência da Cintura CEP Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos CF Capacidade Funcional CIF Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde CMB Circunferência Muscular do Braço CMBc Área Muscular do Braço Corrigida CmH2O Centímetro de Água CNPq Conselho Nacional de Desenvolvimento da Pesquisa CP Circunferência da Panturrilha CPT Capacidade Pulmonar Total CRF Capacidade Residual Funcional CV Capacidade Vital CVF Capacidade Vital Forçada DCS Dobra Cutânea Suprailíaca DCSUB Dobra Cutânea Subscapular DCT Dobra Cutânea Triciptal FAPERGS Fundo de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul FM Força Muscular FMR Força Muscular Respiratória FP Função Pulmonar FPP Força de Preensão Palmar IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IMC Índice de Massa Corporal 9 IPAQ Questionário Internacional de Atividade Física MRC Medical Research Council OMS Organização Mundial de Saúde PEF Pico de Fluxo Expiratório PEmax Pressão Expiratória Máxima PImax Pressão Inspiratória Máxima PNAD Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios PRM Pressões Respiratórias Máximas PUIC Programa UNISC de Iniciação Cientifica QV Qualidade de Vida SPSS Statistical Package for Social Sciences SUS Sistema Único de Saúde Tax Temperatura Axilar TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido TFP Testes de Função Pulmonar VEF1 Volume Expiratório Forçado no Primeiro Segundo VR Volume Residual WHO World Health Organization 10 APRESENTAÇÃO Esta dissertação de Mestrado, prevista no regimento do Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde é composta de seis partes: Projeto de Pesquisa, Relatório de Campo, Artigo I, Artigo II, nota para divulgação da pesquisa na imprensa e Anexos. O Projeto de Pesquisa foi defendido em novembro de 2012, perante banca composta pelos professores do Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde. Os Artigos apresentados constam dos seguintes títulos: O Artigo I, intitulado “AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE FUNCIONAL, FUNÇÃO PULMONAR E FORÇA MUSCULAR PERIFÉRICA DE IDOSOS HOSPITALIZADOS que será encaminhado para a revista Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento. O Artigo II, intitulado “ASSOCIAÇÃO ENTRE FORÇA DE PREENSÃO PALMAR E A FUNCIONALIDADE DE IDOSOS HOSPITALIZADOS” que será encaminhado para a Revista Brasileira de Fisioterapia. 11 SUMÁRIO AGRADECIMENTOS...................................................................................................... DEDICATÓRIA................................................................................................................ LISTA DE FIGURAS........................................................................................................ LISTA DE TABELAS....................................................................................................... LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS........................................................................ APRESENTAÇÃO............................................................................................................ 04 05 06 07 08 10 CAPÍTULO I PROJETO DE PESQUISA............................................................................................. 1 INTRODUÇÃO.............................................................................................................. 2 OBJETIVOS................................................................................................................... 3 MARCO TEÓRICO....................................................................................................... 4 MÉTODOS...................................................................................................................... 5 CRONOGRAMA........................................................................................................... 6 RECURSOS HUMANOS E INFRAESTRUTURA...................................................... 7 ORÇAMENTO/RECURSOS MATERIAIS................................................................. 8 RESULTADOS E IMPACTOS ESPERADOS............................................................. 9 RISCOS/DIFICULDADES/LIMITAÇÕES.................................................................. 10 INDICAÇÃO DE PERIÓDICOS PARA PUBLICAÇÃO.......................................... REFERENCIAS................................................................................................................ 12 14 16 17 31 42 43 44 45 46 47 48 CAPÍTULO II RELATÓRIO DO TRABALHO DE CAMPO.............................................................. 61 CAPÍTULO III ARTIGO 1........................................................................................................................ 63 CAPÍTULO IV ARTIGO 2........................................................................................................................ 84 CAPÍTULO VI NOTA A IMPRENSA..................................................................................................... 98 ANEXOS........................................................................................................................... 100 12 CAPÍTULO I PROJETO DE PESQUISA 13 Mônica Wietzke AVALIAÇÃO DA FORÇA MUSCULAR, CAPACIDADE FUNCIONAL E FUNÇÃO PULMONAR DE IDOSOS HOSPITALIZADOS Projeto de Dissertação apresentado ao Programa de PósGraduação em Promoção da Saúde - Mestrado, Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Promoção da Saúde. Orientadora: Profa. Dra Dulciane Nunes Paiva Colaboradores: Profa. Dra Silvia Isabel RechFranke Santa Cruz do sul 2012 14 1 INTRODUÇÃO Sabe-se que o aumento da proporção de idosos é um fenômeno global. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), nos países desenvolvidos são considerados idosos os indivíduos com idade igual ou superior a 65 anos, e nos países em desenvolvimento considera-se a idade de 60 anos (MENDES et al., 2005; apud SANTOS; BARROS, 2008; SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008). O envelhecimento é um processo multifatorial, que é influenciado pelo tempo cronológico, fatores psicológicos e sociais, declínio biológico e alterações funcionais (SANTOS et al., 2011). Na atualidade, esse processo ganha maior notoriedade nos países em desenvolvimento, com o crescimento da população com mais de sessenta anos (GIATTI; BARRETO, 2003). As reflexões sobre o envelhecimento estão se fazendo cada vez mais presentes no cenário mundial. Estudos mostram que a diminuição das taxas de fecundidade e mortalidade vem ocasionando alteração na estrutura etária da população (IBGE, 2009; KALACHE et al., 1987; CARVALHO; GARCIA,2003; WONG; CARVALHO, 2006; NASRI, 2008; KILSZTAJN et al., 2003). Tais circunstâncias modificam a estrutura de gastos dos países em várias áreas, principalmente na saúde (IBGE, 2009; BANCO MUNDIAL, 2011). Com esta diminuição relativa da população jovem e o aumento proporcional da população idosa, torna-se necessário o desenvolvimento de políticas específicas para o idoso, que visem promover seu bem-estar físico, social, econômico e psicológico através da prevenção e promoção de saúde no envelhecimento (WONG; CARVALHO, 2006; NASRI, 2008; UCHÔA, 2003; SANTOS; MATOS, 2011). A transformação da distribuição etária na população brasileira traz oportunidades e desafios que podem levar à sérios problemas sociais e econômicos se não forem enfrentados adequadamente (NASRI, 2008). O resultado do aumento da população idosa reflete diretamente nos serviços de saúde, pois nesta população as internações são mais frequentes e o tempo de ocupação do leito também é maior, quando comparado com outras faixas etárias (VERAS, 2009). O envelhecimento torna o indivíduo mais suscetível às doenças crônicas e incapacidades funcionais (NASCIMENTO et al., 2012). Assim, o envelhecimento está associado a um declínio gradual fisiológico das habilidades funcionais do idoso (LEE et al., 2012). As doenças crônicas ocorrem com frequência em idosos e se desenvolvem de forma progressiva e irreversível. O processo da doença no idoso, bem como a internação hospitalar e 15 o próprio envelhecimento, podem colaborar para a piora do estado de saúde e qualidade de vida desta população (NASCIMENTO et al., 2012; SIQUEIRA et al., 2004). Dentre estas alterações está a do sistema respiratório do idoso que sofre progressiva redução da sua função devido a modificações estruturais, funcionais e fisiológicas em virtude do processo de envelhecimento (BRITTO et al., 2005; SALES et al., 2011; LIM et al., 2011). A infecção respiratória destaca-se como uma das principais causas de mortalidade e morbidade e impõe a necessidade de hospitalização do idoso (FRANCISCO; DONALISIO; LATTORRE, 2003). Sabe-se que as doenças relacionadas ao aparelho respiratório representam a segunda maior causa de internações hospitalares, perdendo apenas para as doenças do sistema circulatório (LOIOLA FILHO et al., 2004). Sabe-se que além dos fatores biológicos, fisiológicos e as doenças, que influenciam no processo de hospitalização do idoso, fatores externos, como as quedas, podem contribuir para o aumento do tempo de internação e a qualidade de vida dos idosos tanto pela assiduidade quanto pelas implicações decorrentes ao evento (SIQUEIRA et al., 2007). Todas as idades apresentam um risco de sofrer quedas, porém em idosos há uma incidência três vezes maior (SALES et al., 2011). A hospitalização por si é um evento crítico na vida dos idosos e acarreta em implicações como o declínio funcional, aumento no tempo de internação, mudança na qualidade de vida (PERON; GRAY; HANLON, 2011) institucionalização e até a morte (CRISTO; PERNAMBUCO, 2009). Nos últimos anos, diversas publicações científicas apontam a deficiência funcional como um forte marcador de morbidade e mortalidade em idosos (SALES et al., 2011; BUURMAN et al., 2011; CHOU et al., 2012). Para Kawasaki (2005), a capacidade funcional sofre influência de fatores externos, ambientais, físicos e culturais que poderão intervir na independência funcional do idoso durante a internação. No âmbito hospitalar, a identificação das características dos idosos é de extrema importância para uma abordagem especializada e adequada, visando a identificação de problemas e ainda a promoção de novas formas de atendimento diferenciadas que permitam uma melhor qualidade no atendimento e melhor emprego dos recursos disponíveis dentro da realidade existente (MAUÉS et al., 2007). Portanto, é importante reconhecer através de uma avaliação funcional criteriosa, as incapacidades funcionais que provocam danos na autonomia dos pacientes idosos, porque as mesmas podem interferir nas atividades da vida diária (AVD) e na qualidade de vida (QV) destes idosos (SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008). 16 A partir dos pressupostos acima expostos, apresentamos o seguinte problema: como se comporta a força muscular, capacidade funcional e a função pulmonar de idosos em condições cirúrgicas e não-cirúrgicas admitidos no Hospital Santa Cruz em Santa Cruz do Sul – RS? 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo geral Avaliar a força muscular, capacidade funcional e a função pulmonar de idosos hospitalizados no Hospital Santa Cruz em Santa Cruz do Sul – RS. 2.2 Objetivos específicos Avaliar a capacidade funcional de pacientes idosos hospitalizados sob condições cirúrgicas e não cirúrgicas; Avaliar o a força de preensão palmar de pacientes idosos hospitalizados sob condições cirúrgicas e não cirúrgicas; Determinar o nível de atividade física de pacientes idosos hospitalizados sob condições cirúrgicas e não cirúrgicas; Avaliar as características antropométricas de pacientes idosos hospitalizados sob condições cirúrgicas e não cirúrgicas; Avaliar a força muscular periférica de pacientes idosos hospitalizados sob condições cirúrgicas e não cirúrgicas; Avaliar os volumes pulmonares de pacientes idosos hospitalizados sob condições cirúrgicas e não cirúrgicas; Avaliar a força muscular respiratória de pacientes idosos hospitalizados sob condições cirúrgicas e não cirúrgicas; Correlacionar as variáveis: sexo, faixa etária, índices antropométricos, força de preensão palmar, força muscular periférica, volumes pulmonares e força muscular respiratória com a condição de hospitalização. 17 3 MARCO TEÓRICO 3.1 Envelhecimento Longevidade refere-se ao número de anos vividos por um sujeito ou ao número de anos que, em média, as pessoas de uma mesma geração viverão (CARVALHO; GARCIA, 2003). Admite-se que com achegada da velhice, vulnerabilidades, perdas de papéis sociais com o afastamento da atividade econômica, surgimento de novos papéis (ser avós), gravidade de doenças crônicas e degenerativas, perdas de parentes e amigos entre outras situações tendem a acontecer (CAMARANO, 2004). Envelhecimento está associado a um declínio progressivo na função de muitos órgãos e aparelhos (BOZZETTI, 2003); portanto, envelhecer é um processo biológico de perda da capacidade física relacionado também a outros processos psicológicos e sociais, sendo um processo natural, inevitável e irreversível (CAMARANO, 2004). As concepções de velhice são mais antigas que a própria humanidade. Até o século II a.C. na Grécia e na Roma, os idosos tinham papéis sociais prestigiados, os jovens confiavam e apoiavam-se nos idosos, mas nos momentos de revoluções, os jovens substituíam os idosos no comando. Durante a Idade Média até o século XVIII, os idosos eram em pouco número. Os idosos que sobrevivam, contavam com a solidariedade dos senhores feudais e da igreja. Da mesma forma ocorreu no início do Capitalismo e no século XIX. Durante a Revolução Industrial, os idosos que não eram ricos e poderosos, ou eram bem tratados por suas famílias, ou então, eram depositados em asilos e hospitais (ALBUQUERQUE, 2008). Entre os anos de 1940 e 1960, nos países desenvolvidos, o processo de envelhecimento ocorreu de forma lenta e acompanhou a elevação da QV das populações urbanas e rurais (NEGRI et al., 2004). Neste mesmo período, o Brasil vivenciou um declínio na mortalidade, mantendo a taxa de fecundidade em níveis elevados, produzindo assim, uma população jovem quase-estável e com rápido crescimento. A partir do final da década de 60, com a redução da fecundidade, iniciada nos grupos populacionais mais privilegiados e nas regiões mais desenvolvidas é que se desencadeou o processo de transição da estrutura etária aos demais grupos populacionais (NASRI, 2008). O aumento da expectativa de vida e a queda da taxa de natalidade originaram o fenômeno do envelhecimento populacional, aumentando o número de pessoas idosas na sociedade (NASRI, 2008), sendo este um grande desafio enfrentado pelos países industrializados (WESTENDORP, 2006). Estima-se que no Brasil, em 2050, a expectativa de 18 vida ao nascer chegará a 85 anos de idade, o que aumentará a proporção de idosos (SOUSA; GUARIENTO, 2009) e este aumento implicará em um grande impacto na organização e prestação de saúde para o idoso (WIENER; TILLY, 2002). De acordo com o Ministério da Previdência Social (BRASIL, 2008), o Brasil está passando por um processo de envelhecimento populacional, com a projeção de que em 2050, a estrutura etária seja semelhante aos países desenvolvidos (BRASIL, 2008, KILSZTAJN et al.,2003) e a participação dos idosos na população será um contingente de 18,3% (CARVALHO; WONG, 2008). Outro estudo aponta um crescimento populacional nos países da América Latina. Segundo Noronha e Andrade (2004), a estimativa do aumento da população com mais de 65 anos na Argentina, passou de 7% em 1970 para uma estimativa de 17,8% em 2050. No Uruguai, essa participação aumentou de 8,9% para 19,1% nesse período, e no Chile, variou de 5,1% para 17,9%. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD 2009, no ano de 2008, o Brasil contava com uma população de cerca de 21 milhões de pessoas de 60 anos ou mais de idade (IBGE, 2009). Em 1960, o contingente de idosos era de 3 milhões e em 1975 passou para 7 milhões. A estimativa para o ano de 2020, é que o país será o sexto do mundo em número de idosos com cerca de 30 milhões de idosos (VERAS, 2009). Para Camarano (2004), o envelhecimento populacional, além de implicações de ordem demográfica, apresenta consequências de ordem econômica, social e política. O crescimento do contingente populacional idoso acarreta uma sobrecarga na economia em nível nacional, na medida em que ocasionam uma maior utilização dos serviços de saúde (KILSZTAJN et al., 2003). Com a utilização de serviços de saúde em maior quantidade e de forma mais prolongada, surgem novas demandas de saúde especialmente a “epidemia de doenças crônicas e de incapacidades funcionais”, que segundo a Organização Pan-Americana de Saúde é um grande desafio nos dias de hoje (BRASIL, 2012). Pensar em relação ao envelhecimento é zelar por uma população que se torna um enorme desafio para o poder público. Este fenômeno atribui uma grande provocação de se preparar para uma nova realidade, que exigirá mudanças amplas em toda sociedade. De acordo com os achados de Wong e Carvalho (2006), o acelerado processo de envelhecimento populacional do Brasil aponta para a criação de uma nova política nesta área para impedir o surgimento de graves problemas sociais. A atenção a saúde aos idosos no Sistema Único de Saúde (SUS) tem início na Atenção Primária, onde são desenvolvidas ações de promoção, prevenção e acompanhamento das 19 condições de saúde desta população. Foi apenas em 2006, que a Saúde do Idoso surgiu como uma das prioridades e uma preocupação das políticas públicas no Brasil, incluída como meta no Pacto pela Vida, elaborado pelo Ministério da Saúde. Este documento, promulgado pela OMS, Ministério da Saúde e Secretarias Municipais de Saúde, tem por objetivo incrementaras ações de saúde voltadas à atenção da população idosa, a fim de contribuir não só na quantidade dos anos vividos, mas na qualidade de vida desta população (BRASIL, 2010). 3.2 Capacidade funcional de idosos O processo de envelhecimento está associado às alterações morfofuncionais que afeta a capacidade funcional (CF) do idoso (AHMED; HABOUBI, 2010, BESWICK et al., 2008) e diminui com a idade (SOER et al., 2012). Segundo Cristo & Pernambuco (2009), o grau de dependência pode variar na medida em que os sujeitos envelhecem, podendo ocorrer plena independência até limitações graves. Com a velhice vem o desejo de viver cada vez mais e ao mesmo tempo, se convive com o medo de atingir essa meta com incapacidades e dependências (MINOSSO et al., 2010). Uma vez comprometida, resulta em implicações importantes para a família, para o sistema de saúde pública e para a vida do próprio idoso, devido à vulnerabilidade e dependência (ALVES et al., 2007; FIEDLER; PERES, 2008, BOYD et al., 2008). O declínio na capacidade funcional acomete de 34 a 50% dos idosos durante o período de hospitalização (STHAL; BERTI; PALHARES, 2011; HOOGERDUIJN et al., 2007) e pode levar a deficiência, hospitalização prolongada, institucionalização e até mesmo à morte (BUURMAN et al., 2011; CHOU et al., 2012; HU et al., 2012; BESWICK et al., 2008). A capacidade funcional é considerada como um novo componente para instrumentar e operacionalizar a atenção à saúde do idoso além de ser uma importante ferramenta para o envelhecimento saudável (KAWASAKI; DIOGO, 2007; MONTEIRO; FARO, 2010; HU et al., 2012). A perda da capacidade conduz a um aumento na morbidade e na mortalidade, portanto, a manutenção das capacidades funcionais é um aspecto a ser incluído na vida do idoso (GAINO; LEANDRO-MERHI; OLIVEIRA, 2007). A senilidade é comumente associada por múltiplas doenças, que em graus diversos, afetam as AVD prejudicando a qualidade de vida dos sujeitos (MUSZALIK et al., 2011; BARBIERI et al., 2012). A avaliação da capacidade funcional é instrumento útil para avaliar o estado de saúde dos idosos, pois muitos possuem várias doenças simultâneas que se distinguem em severidade 20 e provocam diferentes impactos na vida cotidiana (PARAYBA; SIMÕES, 2006; HU et al., 2012). O estudo de Arroyo et al. (2007) buscou avaliar a associação entre medidas antropométricas e de composição corporal com as limitações funcionais de indivíduos idosos participantes do projeto multicêntrico SABE (Inquérito de Saúde e Envelhecimento) de Santiago – Chile. Nesse estudo, foi constatada uma alta prevalência de restrições funcionais, sendo maior nas mulheres do que em homens (63,7% vs 37,5%, p <0,01). Tais limitações funcionais foram associados com uma força de preensão palmar(FPP) baixa em ambos os sexos. A Incapacidade Funcional é um conceito favorável para analisar as condições de saúde dos idosos (SANTOS et al., 2007), já que muitos desenvolvem doenças crônicas que modificam a vida cotidiana. A OMS definiu incapacidade funcional como a dificuldade, devido a uma deficiência, para realizar as atividades típicas e pessoalmente desejadas na sociedade (WHO, 2001). A Capacidade Funcional por sua vez, pode ser definida como a habilidade que o idoso possui para desempenhar as AVD de forma independente (LUCIO et al., 2011; FIEDLER; PERES, 2008; MUSZALIK et al., 2011). Com uma população em rápido envelhecimento, a incapacidade tornou-se um problema de saúde pública, sendo um importante indicador da saúde do idoso no Brasil (NASCIMENTO et al., 2012). Em seu estudo, Millan-Calenti et al. (2010) objetivaram estabelecer uma relação entre diferentes variáveis como idade, sexo, dependência funcional para AVD e Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVD)e observaram que 34,6% dos indivíduos avaliados, apresentavam algum tipo de dependência na escala da AVD. Em 2001, a OMS redefiniu o conceito de deficiência através da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). A partir da CIF uma nova classificação foi implementada a fim de substituir as anteriores sendo empregue o termo funcionalidade no lugar de incapacidade, deficiência, invalidez e desvantagem (WHO, 2001). A CIF busca estabelecer uma diferença entre as AVDs e AIVD. As AVDs são definidas como atividades essenciais para o auto-cuidado como banho, alimentação e ir ao banheiro (KATZ et al., 1963). Já as AIDV são baseadas em atividades instrumentais do dia-a-dia (LAWTON; BRODY, 1969). Segundo Nascimento et al. (2012), tais atividades permitem uma vida independente do idoso, como fazer compras, telefonar, utilizar transportes, lidar com dinheiro, preparar refeições. 21 Segundo os Indicadores Sociodemográficos e de Saúde no Brasil, avaliados em 2009, geralmente a capacidade funcional em pessoas idosas é avaliada a partir da sua dificuldade em realizar as AVDs (PELL et al., 2005). Esta avaliação é realizada através de declaração sugestiva da dificuldade em realizar atividades básicas da vida diária (ABVD), nas quais inclui o cuidado pessoal e AIVD, atividades estas mais complexas e necessárias para viver de forma independente na comunidade (IBGE, 2009). Segundo Rodrigues et al. (2008), morbidades como o acidente vascular cerebral (AVC), catarata e osteoporose, implicam no declínio nas AVDs e AIVDs do idoso. No estudo de Siqueira et al. (2004), 59,6% da amostra obteve melhora ou permaneceu inalterados em relação às dificuldades funcionais, enquanto 40,4% pioraram ou faleceram durante o estudo. No estudo de Maués et al. (2007), que buscou analisar a epidemiologia dos idosos internados em enfermaria de Clínica Médica do Hospital Ophir Loyola- São Brás – Pará, observaram que mais da metade dos pacientes que avaliaram (53,33%) mostraram-se independentes para as AVDs. Já quanto às atividades instrumentalizadas de vida diária, houve prevalência de dependência parcial. Muitos estudos realizam associações entre a idade e sexo dos idosos. Em seu estudo, Millan-Calenti et al. (2010), encontraram uma associação inversa entre idade e a escala de AIVD, contradizendo outros estudos que mostram que, quanto maior a idade do sujeito maior o grau de dependência. As alterações funcionais são frequentemente, consequências de doenças e/ou problemas comuns aos idosos. As doenças crônicas, que devem ser precocemente identificadas, tratadas e monitoradas (OLIVEIRA et al., 2011). Em estudos nacionais e internacionais são encontradas associações entre a incapacidade funcional e o aumento das hospitalizações (MUSZALIK et al., 2011; MARRA et al., 2007). Ao relacionar o número de consultas e a história de internação, Nascimento et al. (2012) encontram uma forte associação com a deficiência funcional em idosos de Viçosa – MG. Ações preventivas que proporcionem atenção à população idosa por meio da promoção e prevenção de doenças é a forma de manter o idoso, na maior parte da sua vida, com capacidade funcional (PHOCHET; SILVA, 2011, BOYD et al., 2008, BACHMANN et al., 2010; MAZIÈRE et al., 2011). Desta forma, quanto mais precocemente ocorrerem as intervenções junto aos idosos hospitalizados, maiores serão as chances de vida mais longa, sem doenças e inaptidão funcional (FABRÍCIO; RODRIGUES, 2008; GRAF, 2006). 22 3.3 Idoso hospitalizado A hospitalização é considerada de grande risco, especialmente para as pessoas mais idosas (VOLPATO et al., 2008; KING, 2006; VOS et al., 2012), devendo-se considerar que esses, usam os serviços hospitalares de modo mais intenso que os demais grupos etários (ALVARENGA; MENDES, 2003; AMARAL et al., 2004; GUERRA; RAMOS; CERQUEIRA, 2007; CHANG et al., 2010; GAMALETSOU et al., 2012; MENEZES; OLIVEIRA; MENEZES, 2010). Estudo realizado em Taiwan observou que 47,5% das internações eram de indivíduos idosos (HSIAO; CHANG; CHEN, 2012). Fatores como a existência de doença crônicas com diferentes graus de deficiência ou limitações, uso de muitos medicamentos bem como a existência de deficiência física e cognitiva, contribuem para que os idosos hospitalizados apresentem vários efeitos adversos (ASTIZ et al., 2008; CHEN et al., 2010; PATTERSON; HOGAN; BERGMAN, 2012). Ressalta-se que as taxas de admissão hospitalar e o tempo médio de ocupação do leito por idosos são mais elevados, exceto às decorrentes do parto e suas complicações (ALVARENGA; MENDES, 2003). Muitas vezes o tratamento possui uma duração mais demorada e de recuperação mais lenta e complicada, envolvendo maiores custos (COELHO FILHO, 2000; GAINO; LEANDRO-MERHI; OLIVEIRA, 2007). Santos e Barros (2008) observaram que os adultos apresentam o maior número de internações hospitalares, porém, as pessoas com 80 anos ou mais de idade gastam cinco vezes mais com a hospitalização. O crescente aumento de idosos em uma população reflete em um maior número de problemas de longa duração. As intervenções para atendimento a essa população, na maior parte das vezes, são complicadas e dependem de medidas com custos elevados (KALACHE et al., 1987). No Brasil, a elaboração de programas e serviços de saúde tem enfoque mais voltado à atenção materno-infantil, cujas características são bem diferentes daquelas apresentadas pela população idosa. O atendimento materno-infantil, na maioria das vezes, possui caráter agudo com desfechos que variam entre recuperação, cura ou morte. Já na população idosa, há uma maior prevalência de doenças crônicas e progressivas com deterioração rápida e que não podem ser tratadas imediatamente, ocasionando assim, um maior período de internação (COELHO FILHO, 2000). Diversos estudos avaliaram o tempo de internação hospitalar de idosos. Siqueira et al. (2004) descreveram as alterações da capacidade funcional de idosos durante a internação hospitalar e o grau de associação dessas alterações no momento da alta. Tais autores 23 observaram que o tempo médio de internação foi de 12,81±9,45 dias. Santos e Barros (2008) analisaram o quadro de morbidade e mortalidade hospitalar de idosos durante o ano de 2005, em Recife e divulgaram um índice aumentado de 2,4 vezes quando comparado à internação de adultos. No estudo realizado no Hospital Bellvitge em Barcelona, o tempo média de internação foi 7,1 dias entre idosos hospitalizados por insuficiência cardíaca descompensada (FORMIGA et al., 2008). Maués et al. (2007), que analisaram aspectos epidemiológicos dos idosos internados na enfermaria de Clínica Médica do Hospital Ophir Loyola- São Brás no Pará, no período de outubro a dezembro de 2005, divulgaram um tempo de permanência hospitalar de 21,9 dias. Já no estudo de Alvarenga e Mendes (2003), a média do tempo de permanência hospitalar foi 5,71 dias, tendo duração mínima de um e máxima de 23 dias. Em relação às readmissões, 59% tiveram alta hospitalar até o quinto dia de admissão e 95,2% saíram até o nono dia de hospitalização. A hospitalização, muitas vezes, está associada ao declínio funcional (MUDGE; O’ROURKE; DENARO, 2010; VOS et al., 2012; MAHONEY; SAGER; JALALUDDIN, 1999) ou perda de independência (COURTNEY et al., 2012)em cerca de um terço dos idosos (BROWN et al., 2009). Parte deste declínio já está estabelecido na admissão (MUDGE; O'ROURKE; DENARO,2010), porém, alguns estudos demonstraram que o declínio funcional acomete de 34 a 50% dos idosos durante o período de hospitalização (BRASIL, 2012; KAWASAKI; DIOGO, 2007; BARBIERI et al., 2012; SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008; HOOGERDUIJN et al., 2007). Os idosos hospitalizados tendem à diminuição da capacidade funcional devido a vários fatores, como a idade avançada, a própria doença, procedimentos médicos e cirúrgicos, repouso no leito, contaminações hospitalares, fármacos, desnutrição, quedas, entre outros (MENEZES; OLIVEIRA; MENEZES, 2010). Essas complicações levam ao aumento do tempo de permanência no hospital, declínio funcional e maior mortalidade (SALES et al., 2011). Segundo Kawasaki (2005), que realizou um estudo para avaliar a independência funcional de idosos hospitalizados em unidades de clínica médica em um hospital universitário do município de Campinas foi observado que 78,6% dos idosos apresentaram declínio funcional durante a hospitalização. A competência funcional do idoso pode ser afetada e levar à dependência funcional durante a hospitalização, devido à retirada do seu meio e do convívio familiar e social (STHAL; BERTI; PALHARES, 2011). Além disso, segundo o I Consenso Brasileiro de 24 Nutrição (SBGG, 2011), é necessário dar uma maior atenção à população senil, pelo fato de apresentarem co-morbidades que impõem restrições alimentares e grande número de medicações com efeitos colaterais que afetam a ingestão alimentar. As principais causas de internação hospitalar da população idosas são as doenças crônicas não transmissíveis (BRASIL, 2010), do aparelho circulatório, respiratório e digestivo (LOIOLA FILHO et al., 2004; ALVARENGA; MENDES, 2003). De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - PNAD 2009, apenas 22,6% das pessoas com 60 anos ou mais de idade declararam não possuir doenças, enquanto idosos de 75 anos ou mais a proporção é de 19,5%. A população idosa possui uma característica de múltiplas patologias em relação às doenças crônicas. Dados dos Indicadores Sociodemográficos e de Saúde no Brasil (2009) apontam que a proporção de idosos com doenças crônicas reduziu. Em 1998, 78,7% dos idosos possuíam alguma doença crônica e em 2003, esse percentual diminuiu para 75,5%. Dos idosos que possuíam alguma doença crônica, 64,4% apresentaram mais de uma patologia (IBGE, 2009). Estratégias para conservação da funcionalidade e precaução de eventos adversos durante a internação precisam ser seguidas imediatamente por uma equipe multidisciplinar para impedir que a hospitalização torne-se a razão da incapacidade no idoso (SALES et al., 2011; LANG et al., 2007). 3.4 Avaliação antropométrica do idoso hospitalizado Sabe-se que os idosos não constituem um grupo homogêneo, o desempenho físico, fatores psicológicos, bem como a situação econômica e social podem interferir em seu estado de saúde (MUSZALIK et al., 2011). O idoso apresenta particularidades distintas das demais faixas etárias, de modo que a avaliação do seu estado de saúde deve ser feita objetivando a identificação de problemas subjacentes à queixa principal (MAUÉS et al., 2007), devendo serem obtidos dados detalhados sobre diferentes dimensões da vida (ALVES; RODRIGUES, 2005). Ressalta-se que, identificar e tratar as co-morbidades produz benefícios em qualquer faixa etária, principalmente em idosos (SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008). Com o envelhecimento, a composição corporal sofre alterações e existem várias técnicas para a determinação da mesma, dentre elas as medidas antropométricas, que têm sido amplamente aplicadas (HICKSON, 2006). Tais medidas são reprodutíveis, práticas e de baixo custo, podendo refletir com precisão o estado de saúde do indivíduo (ACUÑA; CRUZ, 2004; MENEZES; MARUCCI, 2008; GAINO; LEANDRO-MERHI; OLIVEIRA, 2007; 25 MOREIRA et al., 2009; RAUEN et al., 2008; BUENO et al., 2008), podendo as mesmas serem realizadas no leito (MONTEIRO et al., 2009). Diversos estudos têm utilizado estas técnicas para monitoramento da composição corporal dos sujeitos (CERVI; FRANCESCHINI; PRIORE, 2005; MOREIRA et al., 2009; MUÑOZ et al., 2010; SANTOS; SICHIERI, 2005). A antropometria tem se mostrado um importante indicador do estado nutricional dos idosos (RABITO et al., 2006; TSAI et al., 2008). Uma das técnicas é a utilização do Índice de Massa Corporal (IMC), também conhecido como Índice de Quételet. O IMC é empregue na avaliação do estado nutricional de populações e é obtido a partir da divisão da massa corporal em quilogramas, pela estatura em metros, elevada ao quadrado (kg/m2) (CERVI; FRANCESCHINI; PRIORE, 2005). No Brasil não há valores antropométricos de referência para idosos (RAUEN et al., 2008; SANTOS; SICHIERI, 2005; MENEZES; MARUCCI, 2008). As modificações na composição corporal de homens e mulheres ocorrem de maneiras distintas. Em diversos estudos, ouso do IMC para idosos tem sido criticado como uma medida inadequada da obesidade, devido às mudanças relacionadas à idade sobre a composição corporal (CERVI; FRANCESCHINI; PRIORE, 2005; NAM et al., 2012; MUÑOZ et al., 2010). A partir do IMC, é possível traçar o estado nutricional, sendo empregada a seguinte classificação: magreza grau III (IMC <16); magreza grau II (IMC = 16,0 – 16,9); magreza grau I (IMC = 17,0 -18,4); eutrofia (IMC = 18,5-24,9); pré-obeso (IMC = 25,0- 29,9); obesidade grau I (IMC = 30,0 -34,5); obesidade grau II (IMC = 35,0-39,9) e obesidade grau III (≥40,0) (WHO, 1995). Em estudo que buscou avaliar o status antropométrico e a saúde de idosos não institucionalizados, apenas 3,6% dos indivíduos idosos encontravam-se abaixo do peso (IMC < 18,5 kg/m2), quase dois terços estavam com sobrepeso ou obesos (MUÑOZ et al., 2010). As regiões Sul e Sudeste apresentam as maiores prevalências de obesidade no Brasil (BRASIL, 2012). A desnutrição é uma desordem corporal produzida por um desequilíbrio entre o consumo de nutrientes e as necessidades do indivíduo (CHEN et al., 2010; BARKER; GOUT; CROWE, 2011), motivado por uma dieta inadequada, ou por fatores que prejudiquem a ingestão, absorção e utilização dos nutrientes decorrente de alguma afecção ou por necessidades nutricionais aumentadas (SOUSA; GUARIENTO, 2009; SHUM et al., 2005). 26 Definida também com peso corporal baixo ou em excesso, está associada ao aumento do tempo de internação e de custos com a estadia (KYLE, 2003), além do aumento da morbidade e mortalidade (GAMALETSOU et al., 2012; BOUILLANNE et al., 2005). Ocorre frequentemente em idosos, sendo responsável por cerca de um terço da grave perda de peso nessa população (BOZETTI, 2003). Vários são os fatores que influenciam a prevalência de risco de desnutrição em idosos. Com o envelhecimento, o consumo alimentar diminui (CAMPOS et al., 2000; SOUSA; GUARIENTO, 2009), há uma redução na massa magra (PICHARD et al., 2004; LÓPEZGÓMEZ et al., 2011), aumento da massa de gordura (RAUEN et al., 2008; LÓPEZ-GÓMEZ et al., 2011; BAUMGARTNER et al., 1995), problemas de deglutição (LARA-PULIDO; GUEVARA-CRUZ, 2012) e consumo demasiado de medicamentos (SBGG, 2011). A avaliação antropométrica também inclui as medidas da circunferência do braço (CB), circunferência da panturrilha (CP), circunferência muscular do braço (CMB), área muscular do braço corrigida (CMBc) além da Dobra Cutânea Triciptal (DCT), Dobra Cutânea Suprailíaca (DCS) e Dobra Cutânea Subscapular (DCSUB) (MENEZES; MARUCCI, 2008; GARCIA; ROMANI; LIRA et al., 2007). Com relação à DCT, estudo realizado com idosos mostra a tendência de diminuição dos seus valores com o avançar da faixa etária (MENEZES; MARUCCI, 2008). Caso o indivíduo não possa se levantar do leito e permanecer em pé, a indicação é realizar uma estimativa da altura (GARCIA; ROMANI; LIRA, 2007), dada a partir da altura do joelho (CHUMLEA et al., 1985). O mesmo acontece se o idoso não conseguir subir na balança, onde o seu peso pode ser aferido com uma maca-balança, na própria cama (JARDIM et al., 2009). Segundo Moreira et al. (2009), caso não haja uma maca-balança, ainda é possível realizar a estimativa de peso através de equações de medidas da CP, altura do joelho (AJ), CMB e dobra cutânea subescapular (DCSUB), segundo Chumlea et al. (1985). Estudo realizado com idosos da América Latina e Caribe buscou examinar a associação entre Circunferência da Cintura (CC) e do IMC sobre a deficiência para as Atividades da Vida Diária (AVD). Avaliando as variáveis CC e o IMC, os participantes de São Paulo, Santiago, Havana, Montevidéu, da categoria sobrepeso e obesidade, foram significativamente mais propensos a relatar deficiência nas AVDs após o ajuste de co-variáveis (NAM et al., 2012). Portanto, torna-sede extrema importância a avaliação do idoso para detectar precocemente os possíveis riscos de dependência futura, além de estabelecer níveis de mortalidade e morbidade e delimitar a intervenções direcionadas ao idoso (CAMARA et al., 2008). 27 3.5 Nível de atividade física em idosos A forma pela qual a pessoa envelhece não depende apenas da sua hereditariedade, mas também da vida que leva. Estudos têm demonstrado a importância de um estilo de vida saudável em todas as etapas da vida, principalmente durante o envelhecimento (MAZO et al., 2007; VIDMAR et al., 2011). Exercício físico diminui as alterações fisiológicas oriundas do envelhecimento, promove a saúde cognitiva e integra a gestão de doenças crônicas nos adultos mais velhos (CHOU et al., 2012). O estilo de vida saudável tem sido associado à rotina de práticas de atividades físicas e, consequentemente, a melhores padrões de saúde e qualidade de vida (TOSCANO; OLIVEIRA, 2009). A baixa atividade física é um risco importante para o declínio funcional e incapacidade (DENKINGER et al., 2011; GILLIS; MCDONALD, 2005; MOTL; MCAULEY, 2010). A inatividade física predispõe ao surgimento de doenças crônico-degenerativas (BENEDETTI et al., 2007). Estudo realizado com idosos institucionalizados que participaram da Entrevista de Saúde 1986 ''Levantamento de Barcelona'', Espanha, Orfila et al. (2006) encontraram uma pior qualidade de vida relatada em mulheres idosas, devido principalmente a uma maior prevalência de deficiência e doenças crônicas. Os achados do estudo de Li et al. (2011), que procurou explorar o efeito da atividade física na hospitalização durante um ano em uma amostra representativa de adultos mais velhos em Taiwan, encontrou uma relação entre a redução da hospitalização com o gasto calórico de 500 a 999kcal por semana. Em estudo desenvolvido por Chou et al. (2012), que buscou avaliar idosos, através de uma metanálise de estudos controlados e randomizados, determinando os efeitos do exercício sobre a função física, sobre as AVDs e a QV, foi constatado que o exercício foi benéfico em aumentar a velocidade da marcha, melhorar o equilíbrio e melhorar o desempenho nas AVDs. Avaliar o nível de atividade física na população idosa tem servido como um importante critério para a elaboração de políticas públicas que promovam modificações de um estilo de vida desta população (RABACOW et al., 2006). Resultado de estudo realizado por Alves e Rodrigues (2005) indica a necessidade de atuações integradas a fim promover o bem-estar e a qualidade de vida dos idosos. Para que o idoso tenha uma vida saudável e seja independente nas suas atividades de vida diárias, é imprescindível a prática de atividades físicas regulares, pois estas delongam as 28 alterações fisiológicas do envelhecimento, melhoram a qualidade de vida e previnem o declínio funcional (VIDMAR et al., 2011; TARALDSEN et al., 2011). 3.6 Efeito da hospitalização sobre a função pulmonar Com o envelhecimento, várias alterações são observadas em todos os sistemas do organismo. O sistema respiratório sofre progressiva redução da sua função devido a modificações estruturais, funcionais e fisiológicas (BRITTO et al., 2005; SALES et al., 2011; LIM et al., 2011). Vários são os fatores que podem causar dano à função pulmonar, tais como tabagismo, poluição ambiental, exposição profissional, doenças pregressas pulmonares, diferenças socioeconômicas, constitucionais e raciais (FREITAS et al., 2006). As modificações que ocorrem no sistema respiratório englobam os seguintes aspectos: diminuição progressiva dacomplacência da parede torácica, diminuições na retração elástica do pulmão, diminuição da força da musculatura respiratória e do drive respiratório (LIM et al., 2011; FREITAS et al., 2006; JANSSENS, 2005; OYARZÚN, 2009; TRINDADE et al., 2011; CHOI, 2012; RUIVO et al., 2009; KIM; DAVENPORT; SAPIENZA, 2009; SHARMA; GOODWIN, 2006). Nos indivíduos com 60 anos ou mais, a infecção respiratória destaca-se como uma das principais causas de mortalidade e importante razão de morbidade, ocorrendo de modo recidivante e impondo a necessidade de hospitalização (FRANCISCO; DONALISIO; LATTORRE, 2003; TUNG et al., 2011). Problemas pulmonares, nas últimas décadas, são a terceira causa de óbito em idosos no Brasil (FRANCISCO et al., 2006). Sabe-se que as doenças relacionadas ao aparelho respiratório representam a segunda maior causa de internações hospitalares, perdendo apenas para as doenças do sistema circulatório (LOIOLA FILHO et al., 2004). Porém, há escassez de relatos na literatura sobre o efeito da internação hospitalar sobre os volumes pulmonares de indivíduos idosos. Modificações na estrutura torácica restringem a expansão pulmonar, provocando diminuição da capacidade inspiratória e enfraquecimento dos músculos diafragma e intercostais (PETTERNON et al., 2008). Os testes de função pulmonar (TFP) são indicados com a finalidade de diagnóstico de disfunções ventilatórias e avaliação da sua gravidade, determinação dos seus prognósticos, além do planejamento de tratamento e observação da evolução clínica no decorrer do tempo (RODRIGUES et al., 2010). 29 Dentre as várias formas de avaliação da capacidade pulmonar, a espirometria é um dos testes mais utilizados, por ser de boa reprodutibilidade e de fácil execução. Trata-se de um teste diagnóstico confiável, simples, não-invasivo, seguro e de relativo baixo custo, que auxilia na prevenção e permite o diagnóstico e a quantificação dos distúrbios ventilatórios obstrutivos, restritivos e mistos (SORIANO; ZIIELINSKI; PRICE, 2009; AMERICAN THORACIC SOCIETY, 2005). Tal teste pode ser empregado para avaliar as condições respiratórias funcionais em pacientes idosos capazes derealizá-la, ainda que não perfeitamente (DE FILIPPI et al., 2003). Sabe-se que com o avançar da idade ocorrem declínios na função pulmonar (WANNAMETHEE; SHAPER; WHINCUP, 2005; JUBBER, 2004) pois há uma redução na força muscular respiratória (WATSFORD; MURPHY; PINE, 2007), assim, sua mensuração tem uma grande utilidade, pois permite o diagnóstico de insuficiência respiratória por falência muscular e o diagnóstico precoce da fraqueza em músculos respiratórios, auxiliando os profissionais da saúde a estabelecer o protocolo de treinamento físico geral e em particular da musculatura respiratória (HAJJAR, 2007). A força dos músculos respiratórios pode ser avaliada pela Pressão Inspiratória Máxima (PImax) e pela Pressão Expiratória Máxima (PEmax) (PARREIRA, 2007; SHARMA; GOODWIN, 2006). A PImax é considerada como um indicador da força dos músculos inspiratórios (especialmente do músculo diafragma) e a PEmax refere-se à força dos músculos expiratórios, principalmente dos músculos abdominais (HAJJAR, 2007). Segundo Fiore et al. (2006), as medidas das Pressões Respiratórias Máximas (PRM) e da capacidade vital (CV) são úteis no monitoramento da função pulmonar a fim de observar a gravidade das disfunções pulmonares. Trindade et al. (2011) avaliaram a capacidade pulmonar de um grupo de idosos praticantes de hidroginástica da Universidade Federal de Santa Maria – Rio Grande do Sul, e observaram que a PImax e a PEmax encontravam-se abaixo dos valores previstos. Porém, no grupo que praticava atividade física há mais tempo, as PEmax permaneceram dentro dos valores esperados. Os volumes pulmonares abrangem a Capacidade Pulmonar Total (CPT), o Volume Residual (VR), a capacidade residual funcional (CRF) e outros (BAILEY, 2012). Os volumes pulmonares são classificados em estáticos (absolutos) e dinâmicos. Os estáticos são provenientes da complementação de manobras respiratórias, representando compartimentos pulmonares. Os dinâmicos são os decorrentes de manobras respiratórias forçadas, expressando variáveis e parâmetros de fluxo aéreo (BARRETO, 2002). 30 A capacidade vital forçada reduzida (CVF) tem sido evidenciada como um fator associado à pior sobrevida em idosos com e sem doença pulmonar (PEDONE et al., 2010; SCARLATA et al., 2008). Os músculos respiratórios e a parede torácica desempenham um papel de bombeamento por pressão, de forma a mobilizar o gás para dentro e para fora dos pulmões, o que, consequentemente, é de vital importância para a função pulmonar. A força muscular respiratória não é medida diretamente, sendo a mensuração da pressão gerada na boca durante esforços inspiratórios e expiratórios máximos contra uma válvula fechada, um meio simples e indireto de averiguá-la (ELLIS; ALISSON, 1997). De acordo com Black e Hyatt (1969), a PImax é uma medida da força muscular inspiratória, ao passo que a PEmax representa a força dos músculos abdominais e intercostais. O manovacuômetro é o instrumento de Pressão Respiratória Máxima (PRM) de registro das pressões respiratórias estáticas; um tubo de plástico rígido que conecta o manômetro à peça bucal com um orifício de cerca de dois milímetros que dissipa a pressão bucal e evita o aumento da pressão intraoral causado pela contração dos músculos bucinadores. O aparelho é graduado em cmH2O e atualmente, em sua versão digital, apresenta uma variação de ± 300 cmH2O. 31 4 MÉTODOS 4.1 Amostra/ população/sujeitos A população a ser avaliada no presente estudo será constituída por idosos 60 idosos entre 60 e 80 anos do município de Santa Cruz do Sul ou região, sendo o presente estudo, um braço temático do Projeto de Pesquisa intitulado “Avaliação da Capacidade Funcional e Função Pulmonar de Indivíduos Hospitalizados”. Os idosos serão selecionados a partir de rigorosa seleção quanto aos critérios de inclusão e exclusão e classificados em pacientes cirúrgicos (Grupo 1) e não cirúrgicos (Grupo 2). Os idosos do Grupo 1 e 2 serão aqueles admitidos na enfermaria do Hospital Santa Cruz, no período de Março de 2013 à Junho de 2013. O Grupo Controle (Grupo 3) será composto por indivíduos hígidos sedentários não hospitalizados selecionados por chamada pública. Como não foi possível localizar artigos similares ao estudo pretendido, que relacionem indivíduos idosos cirúrgicos e não cirúrgicos às variáveis a serem analisadas, a amostra será composta por 60 indivíduos havendo a distribuição de 20 idosos por grupo (Grupo 1: n= 20); (Grupo 2: n= 20) e (Grupo 3: n= 20). Após atingir este n amostral total, será feita a análise estatística para constatar se haverá significância com tal tamanho amostral, ou se será necessário aumentar a amostra. Serão elegíveis, idosos que atendam aos critérios abaixo especificados. Critérios de inclusão: Indivíduos com idade acima de 60 anos; Indivíduos admitidos nas enfermarias do Hospital Santa Cruz (HSC) devido a eventos clínicos agudos ou crônicos agudizados, secundários a intervenções cirúrgicas ou não cirúrgicas. Indivíduos que estejam acompanhados por familiares ou responsável, que possam responder aos questionamentos; Indivíduos que apresentem condições cognitivas adequadas para responder aos comandos verbais; Indivíduos que aceitem participar do estudo e assinem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. 32 Critérios de exclusão: Indivíduos que apresentem IMC>40 Kg/m2; Indivíduos portadores de câncer; Indivíduos que apresentem instabilidade hemodinâmica; Indivíduos que apresentem deterioração do sensório, como por exemplo, Acidente Vascular Cerebral, Mal de Alzheimer ou outras neuropatias que comprometam o sensório; Indivíduos que apresentem qualquer instabilidade clínica que impossibilite sua participação no estudo. Indivíduos submetidos à cirurgia torácica ou cardíaca; Indivíduos submetidos à cirurgia que apresentem características clinicas que impossibilitem ou enviesem o resultado da pesquisa. 4.2 Delineamento metodológico A presente pesquisa consistirá em um estudo do tipo transversal. O delineamento transversal é útil quando se pretende descrever variáveis e seus padrões de distribuição, as medições são realizadas em uma única ocasião ou durante um curto período de tempo (HULLEY et al., 2008). 4.3 Hipóteses e variáveis 4.3.1 Hipóteses A hospitalização gera redução da capacidade funcional e da função pulmonar na população idosa. Para testar a hipótese, serão analisados questionários de avaliação da capacidade funcional, medidas das variáveis antropométricas e da função pulmonar nos participantes do estudo sob condições cirúrgicas e não cirúrgicas. O presente estudo se baseia nas seguintes hipóteses: H1 – Idosos hospitalizados sob condições cirúrgicas apresentam maior incapacidade funcional que os idosos hospitalizados por causas não cirúrgicas; H2– Idosos hospitalizados sob condições cirúrgicas apresentam maior redução da função pulmonar que os idosos hospitalizados por causas não cirúrgicas; 33 H3 – A condição de hospitalização leva a um maior déficit do estado nutricional do idoso; H4 – Há correlação entre as variáveis: sexo, faixa etária, nível socioeconômico, índices antropométricos, nível de atividade física, força de preensão palmar, força muscular, volumes pulmonares e força muscular respiratória com o tempo de permanência hospitalar. 4.3.2 Variáveis Sexo: variável qualitativa nominal e dicotômica (masculino e feminino), obtida através de questionário, respondido pelo sujeito; Idade: variável quantitativa discreta, referida em anos; obtida através do questionário, respondido pelo sujeito; IMC: variável categórica, referente à classificação do estado nutricional segundo critério da Organização Mundial da Saúde; Atividade física: variável qualitativa nominal, obtida através de Questionário Internacional de Atividade Física(IPAQ) respondido do pelo sujeito; Capacidade funcional: variável qualitativa nominal politômica (independente, parcialmente independente e totalmente independente), verificada através do protocolo de Katz; Volumes pulmonares: variável categórica, expressos através de valores preditos para o sexo e idade da população estudada; Força muscular: variável categórica, de acordo com escore de classificação de 01 a 05 segundo o Medical Research Council (MRC); Força muscular respiratória: variável categórica, expressos através de valores preditos para o sexo e idade da população estudada; Força de preensão palmar: variável categórica, expressos através de valores preditos para o sexo e idade estudada, avaliado através de Dinamometria; Dobra cutânea subscapular: variável quantitativa, aferida através do adipômetro Cescorf® Brasil; Dobra Cutânea triciptal: variável quantitativa, aferida através do adipômetro Cescorf® Brasil; Dobra Cutânea subiliaca: variável quantitativa, aferida através do adipômetro Cescorf® Brasil; Circunferência da panturrilha: variável quantitativa, aferida com fita métrica Sanny Medical®modelo SN-4010, Brasil); 34 Circunferência do braço: variável quantitativa, aferida com fita métrica Sanny Medical®modelo SN-4010, Brasil); Circunferência muscular do braço: variável categórica, expressos através de valores preditos para o sexo e idade da população estudada; Área muscular do braço corrigida: variável categórica, expressos através de valores preditos para o sexo e idade da população estudada; 4.4 Procedimentos metodológicos O estudo será desenvolvido através das seguintes etapas: 1ª etapa: Elaboração do projeto de pesquisa; 2ª etapa: Encaminhamento para aprovação no Comitê de Ética em Pesquisa (CEP – UNISC); 3ª etapa: Assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e aplicação do questionário, junto aos sujeitos do estudo; 4ª etapa: Coleta de dados e realização dos testes; 5ª etapa: Organização, categorização e tabulação dos dados; 6ª etapa: Análise e discussão dos resultados; 7ª etapa: Elaboração da dissertação; 8ª etapa: Defesa da dissertação; 9ª etapa: Divulgação dos dados através da publicação em periódicos da área. 4.5 Técnica e instrumentos de coleta Inicialmente, os pacientes idosos (pertencentes ao Grupo 1 e 2) serão triados após avaliação dos prontuários de pacientes admitidos na enfermaria do Hospital Santa Cruz no período março a junho de 2013. Após a seleção e primeiro contato com tais pacientes, serão esclarecidas possíveis dúvidas e serão obtidas a assinatura do TCLE (ANEXO A). Será realizada uma entrevista, sempre que possível, com o próprio idoso, ou então, quando não possível, com um membro da família maior de 21 anos, ou de qualquer outro acompanhante responsável legal pelo paciente. Os idosos hígidos que farão parte do grupo controle (GC) serão avaliados em dia préagendado conforme disponibilidade dos mesmos. Tais avaliações serão realizadas no 35 Laboratório de Fisioterapia Cardiopulmonar. Todos os dados obtidos serão acondicionados em ficha própria de avaliação (ANEXO B). 4.5.1 Avaliação da capacidade funcional Para avaliar a capacidade funcional dos pacientes idosos internados na enfermaria do Hospital Santa Cruz será utilizada a Escala Basic Activities of Daily Living (BADL), conforme sugerido por Katz et al. (1863) (ANEXO C). A Escala BADL é um questionário destinado a mensurar a independência em seis AVD (banhar-se, vestir-se, ir ao banheiro, transferências, continência e alimentação). Neste instrumento, as atividades são avaliadas em toda sua execução, desde seu princípio até sua conclusão e o grau de dependência ou independência nestas seis atividades é autorreferida pelo idoso. Para cada atividade são determinadas duas observações, caso o idoso consiga realizar a tarefa com independência soma-se um ponto, caso contrário, a atividade receberá zero pontos e cabe ao examinador escolher a mais apropriada para a situação observada. Ao final, somamse todas as atividades para a obtenção da seguinte classificação: independente (6 pontos), parcialmente dependente (4 pontos) e totalmente dependente (2 pontos ou menos) (MENEZES; OLIVEIRA; MENEZES, 2010). 4.5.2 Avaliação da força de preensão palmar A medida da força de preensão palmar (FPP) será obtida através da dinamometria (Dinamômetro Bulbo – Saehan Corporation, Massan, Coréia do Sul), com escala de 0 a 70 quilogramas.Para a avaliação, o sujeito deverá estar sentado, com os ombros posicionados em posição neutra, uma das mãos apoiadas na coxa enquanto o cotovelo do membro a ser medido será mantido flexionado em 90 graus, com o antebraço em rotação neutra. Durante a execução da preensão palmar, o braço deverá permanecer imóvel, havendo somente permissão para a movimentação das articulações do punho e dedos (NOVAES et al., 2009). O teste deverá ser realizado em três tentativas para cada uma das mãos, de forma rotacional, iniciando-se com a mão que o sujeito considere mais forte. A melhor marca dentre três tentativas, para cada uma das mãos, será utilizada como medida (GERALDES et al., 2008) (ANEXO B). 36 4.5.3 Avaliação do nível de atividade física Para identificar o nível de atividade física dos pacientes idosos admitidos na enfermaria do Hospital Santa Cruz, será utilizado Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ)– Versão Curta (ANEXO E). Para a interpretação do nível de atividade física por meio do IPAQ, será utilizado o seguinte critério baseado nas recomendações do Centro de Estudos Laboratório de Aptidão Física de São Caetano (CELAFISCS): 1. Muito Ativo: aquele que cumpriu as recomendações de: a) vigorosa: 5 dias/sem e 30 minutos por sessão ou b) vigorosa: 3 dias/sem e 20 minutos por sessão +moderada ou caminhada: 5 dias/sem e 30 minutos por sessão. 2. Ativo: aquele que cumpriu as recomendações de: a) Vigorosa: 3 dias/sem e 20 minutos por sessão; ou b) Moderada ou caminhada: 5 dias/sem e 30 minutos por sessão; ou c) Qualquer atividade somada: 5 dias/sem e 150 minutos/sem (caminhada + moderada + vigorosa). 3. Irregularmente Ativo: aquele que realiza atividade física, porém, de forma insuficiente para ser classificado como ativo, pois não cumpre as recomendações quanto à frequência ou duração. Para realizar essa classificação soma-se a frequência e a duração dos diferentes tipos de atividades (caminhada + moderada + vigorosa). 4. Sedentário: aquele que não realizou nenhuma atividade física por pelo menos 10 minutos contínuo durante a semana. 4.5.4 Avaliação das características antropométricas Os índices antropométricos avaliados serão aferidos até 42 horas após a internação. Como a maioria dos pacientes hospitalizados não deambula, as aferições poderão ser realizadas com o paciente em decúbito dorsal sob o próprio leito (ANEXO B). 37 4.5.4.1 Circunferência da panturrilha A mensuração da CP será obtida através de fita métrica (Sanny Medical® modelo SN4010, Brasil) expressa em centímetros (cm). Para a avaliação, o sujeito deverá estar deitado em decúbito dorsal com a perna flexionada formando um ângulo de 90°. A fita deverá contornar a maior circunferência da perna no sentido longitudinal. De acordo com a WHO (1995), a CP fornece a medida mais sensível da massa muscular em idosos, indica alterações na massa magra que ocorrem com a idade e com o decréscimo de atividade. 4.5.4.2 Circunferência do braço Para a mensuração da CB será utilizada uma fita métrica (Sanny Medical® modelo SN4010, Brasil), expressa em centímetros. Durante a avaliação, o sujeito deverá estar com o braço relaxado com a palma da mão voltada para a coxa. Para a avaliação, a fita deverá contornar o braço no sentido ao eixo longitudinal do corpo, devendo ser colocada exatamente no ponto médio do braço, entre o acrômio e o olécrano. O resultado obtido será comparado com os valores encontrados na tabela de percentis segundo Frisancho (1981) apud Rosa et al. (2012). 4.5.4.3 Circunferência muscular do braço A CMB é a medida de avaliação do compartimento protéico-somático através da associação entre as medidas da CB e da DCT e empregadas na fórmula abaixo: CMB(cm)= CB (cm) – (DCT (mm) x Onde: π = 3,14 Para a interpretação do resultado será utilizada a tabela com valores de referência para CMB em percentis, segundo Frisancho (1981) apud Rosa et al.(2012). 4.5.4.4 Área muscular do braço corrigida A Área Muscular do Braço Corrigida (AMBc) avalia a reserva de tecido muscular corrigindo a área óssea, sendo obtida por sexo, utilizando a medida da CB e DCT, nas seguintes fórmulas: 38 Homens: Mulheres: Onde: π = 3,14 Para a interpretação do resultado será utilizada a tabela com valores de referência para AMBc em percentis, segundo Frisancho (1981) apud Rosa et al.(2012). 4.5.4.5 Altura do joelho Para a determinação indireta da AJ, será utilizada uma fita métrica não elástica com graduação em centímetros (Sanny Medical® modelo SN-4010, Brasil). A estimativa da altura é verificada através do comprimento entre o calcanhar e a cabeça da fíbula. Para realizar a avaliação, o sujeito deverá estar em decúbito dorsal com a perna flexionada formando um ângulo de 90°. Para estimar a altura será utilizada a equação descrita por Chumlea et al. (1985): Homens: 64,19 – (0,04 x I) + (2,02 x AJ) Mulheres: 84,88 – (0,24 x I) + (1,83 x AJ). Onde: I: idade (anos) e AJ: altura do joelho (cm). 4.5.4.6 Dobra cutânea subscapular A DCSUB será avaliada através de um adipômetro (Cescorf®, Brasil) e será mensurada no sentido obliquo ao eixo longitudinal do corpo, 2 cm abaixo do ângulo inferior da escápula. Os resultados serão expressos em milímetros. 4.5.4.7 Dobra cutânea triciptal A DCT será avaliada através do adipômetro (Cescorf®, Brasil) e será mensurada na distância média entre a borda súperolateral do acrômio e a borda inferior do olecrano, no sentido longitudinal (MATSUDO, 2005). 39 4.5.4.8 Dobra cutânea suprailíaca A DCS será avaliada através do adipômetro (Cescorf®, Brasil) e será mensurada no sentido obliquo ao eixo longitudinal do corpo, 2 cm acima da espinha ilíaca anteroposterior a altura da linha axilar anterior. 4.5.4.9 Peso Para a determinação do peso pelo método indireto, será utilizada a fórmula de Chumleaetal. (1985), através das medidas da CB, CP, DCSUB e AJ: Homens: (0,98 x CP) + (1,16 x AJ) + (1,73 x CB) + (0,37 x DCSUB) - 81,69 Mulheres: (1,27 x CP) + (0,87 x AJ) + (0,98 x CB) + (0,40 x DCSUB) - 62,35 Onde: CP = circunferência da panturrilha (cm); CB = circunferência do braço (cm); AJ = Altura dos joelhos (cm); DCSUB = dobra cutânea subescapular (mm) 4.5.4.10 Índice de massa corporal Também conhecido como Índice de Quetelet, trata-se de um método simples e de baixo custo utilizado para estimar o tecido adiposo. Apesar das limitações, a estimativa de peso e altura do paciente acamado é importante não só para o diagnóstico inicial, mas para estimativas de necessidades de energia e nutrientes (ROSA et al., 2012). Calcula-se o IMC com base na fórmula abaixo: IMC = Peso (kg) / Estatura (m²) 4.5.5Avaliação da força muscular periférica A força muscular periférica será avaliada através do questionário Medical Research Council (MRC) (ANEXO F). Este instrumento abrange um escore de 01 a 05 itens que visam pontuar cada grupo muscular a ser avaliado onde: 0 - indica a ausência de contração (paralisia total), 01 - indica um esboço de contração, 02 - indica o movimento ativo tendo sido eliminada a força da gravidade, 03 - indica o movimento ativo contra força gravitacional, 04 - 40 indica o movimento ativo contra a gravidade e contra a resistência e 05 - indica uma força muscular normal. Caso o paciente não consiga realizar o teste para um determinado grupamento muscular, nenhum escore será registrado (DE JONGHE et al., 2007). Para a utilização desse recurso o paciente deverá encontrar-se lúcido e orientado, em posição sentada ou supina (dependendo do estado clínico do mesmo). 4.5.6 Avaliação dos volumes pulmonares Os volumes pulmonares serão avaliados através da espirometria (Easy One®, Modelo 2001, ndd Medizintechnik AG, Zurich, Switzerland) onde serão obtidas as variáveis de capacidade vital forçada (CVF), volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1), relação VEF1/CVF e o pico de fluxo expiratório (PEF). Durante a realização das medidas os indivíduos permanecerão sentados, utilizando um clipe nasal e sendo orientados a inspirar o máximo possível até a CPT e a expirar sem hesitação para obtenção das medidas. Desta forma, serão realizados três testes, obtendo-se a melhor medida das três curvas, com critérios dentro da aceitabilidade da espirometria (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA, 2002; SALÍCIO et al., 2010). Tais valores serão comparados com os descritos na literatura (PEREIRA et al., 1992) e expressos em percentual do predito (ANEXO B). 4.5.7 Avaliação da força muscular respiratória No presente estudo, as PRM serão aferidas através da manovacuometria digital (MDI®, modelo MVD300, Porto Alegre, Brasil). A PImax será obtida após o indivíduo expirar até o volume residual (VR), tendo o examinador conectado o clipe nasal e solicitado a inspiração até a CPT. A PEmax será avaliada após inspiração da CPT até o VR contra válvula ocluída (ATS, 2002). Para a análise dos dados, será considerado o maior valor obtido dentre as cinco manobras realizadas, que não diferisse mais que 10% do segundo maior valor em ordem decrescente. Tais valores foram comparados com os descritos na literatura (NEDER et al., 1999) e expressos em percentual do predito. Ressalta-se que para tais medidas, o paciente permanecerá em sedestação na poltrona ou sentado no leito com inclinação de 45° (ANEXO B). 4.6 Procedimento de análise de dados / estatística 41 Para análise dos dados será utilizado o programa Statistical Package for Social Sciences (SPSS 20.0, EUA). Os dados serão descritos em média e desvio padrão e avaliados quanto à normalidade pelo teste não paramétrico de Shapiro-Wilk. Para comparar os dados antropométricos (exceto a variável sexo, que será comparado pelo Teste de Qui-Quadrado), o status funcional e a função pulmonar entre os três grupos, será utilizado o teste t Student indepente ou equivalente não paramétrico. A associação entre a condição de hospitalização, o déficit nutricional, o sexo, faixa etária, nível socioeconômico, índices antropométricos, nível de atividade física, força de preensão palmar, força muscular periférica, volumes pulmonares e força muscular respiratória será avaliada através da Correlação de Pearson ou Spearman. Será considerado com significativo um p<0,05. 4.7 Considerações éticas O presente estudo será encaminhado para aprovação junto ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEP) da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). Após aprovação, será iniciada a coleta de dados. Os sujeitos, acompanhantes e/ou responsáveis receberão esclarecimentos de possíveis dúvidas em relação ao TCLE (ANEXO A). 42 5 CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO n° 1 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Atividades/Etapas Revisão de Literatura Defesa do projeto Exame de qualificação do projeto Encaminhamento ao comitê de ética Coleta de dados Digitação dos dados Análise e discussão dos resultados Redação final da dissertação Defesa da dissertação Encaminhamento para publicação Apresentação dos dados M x A x M x J x 2012 J A x S O N D M A M J 2013 J A S O N D x x x x x x x x x x x x x x x x 43 6 RECURSOS HUMANOS E INFRA-ESTRUTURA A coleta de dados com os idosos hospitalizados, cirúrgicos e não cirúrgicos, será realizada na enfermaria do Hospital Santa Cruz, Santa Cruz do Sul - RS. A avaliação dos sujeitos hígidos sedentários será realizada no Laboratório Cadiopulmonar do Curso de Fisioterapia, localizado no Prédio 34 da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Santa Cruz do Sul - RS. Todas as coletas serão realizadas pelo pesquisador principal, juntamente com bolsistas do Fundo de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul (FAPERGS), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Programa UNISC de Iniciação Científica (PUIC) do Curso de Fisioterapia da Universidade da Santa Cruz do Sul. 44 45 8 RESULTADOS E IMPACTOS ESPERADOS Como resultado desta pesquisa, espera-se avaliar a força muscular, capacidade funcional e na função pulmonar de idosos hospitalizados. Através da avaliação funcional precoce, será possível conhecer o nível de dependência do idoso e assim, desenvolver ações que subsidiem a implementação de programas e o planejamento de estratégias adequadas à realidade dessa população, promovendo melhorias na capacidade funcional para as tarefas diárias e possivelmente, redução do tempo de internação e consequente redução dos custos agregados. Em relação à função pulmonar, a relevância do projeto reside na contribuição que o presente estudo proporcionará, diante da escassez de relatos na literatura, sobre a relação entre a função pulmonar e o tempo de internação hospitalar de idosos. Assim, espera-se que ao final deste estudo possamos reconhecer o quanto a condição de hospitalização interfere na força muscular, capacidade funcional e função pulmonar do idoso. Após tal avaliação, será possível desenvolver propostas de medidas de redução do tempo de internação hospitalar dos idosos o que, a depender do seu problema clínico, acarretaria em maior qualidade de vida após a alta. 46 9 RISCOS/ DIFICULDADES/ LIMITAÇÕES Como a participação dos indivíduos no estudo ocorrerá de forma voluntária, uma possível limitação da presente pesquisa seria o número de perdas por não adesão, deterioração do quadro clínico da população estudada ou óbito. Os riscos aos sujeitos serão mínimos, podendo ocorrer tontura, cansaço ou discreta falta de ar após a realização dos testes de função pulmonar, que são testes de caráter submáximo. Pode também ocorrer leve dor nas mãos, causada pelo esforço causado durante a medida da força de preensão palmar através da dinamometria. Na manifestação de qualquer sintoma, será imediatamente interrompido o teste, ressaltando-se que não se prevê riscos para a saúde de qualquer participante causado diretamente pela pesquisa, pois os dados coletados não interferirão nos cuidados clínicos recebidos pelos voluntários. 47 10 INDICAÇÃO DE PERIÓDICOS PARA PUBLICAÇÃO ARTIGO 1: Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento ARTIGO 2: Revista Brasileira de Fisioterapia 48 REFERÊNCIAS ACUÑA, K; CRUZ, T. Avaliação do estado nutricional de adultos e idosos e situação nutricional da população brasileira. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 3, n. 48, p. 55-61, 2004. 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Apesar de ser constante a ida do grupo de pesquisa ao local da coleta, muitas vezes nos deparamos com a falta de pacientes que se enquadrassem dentro dos critérios de inclusão da pesquisa ou com aqueles que não aceitavam participar do estudo. Por esta razão, as coletas de dados se prolongaram até o dia 22 de novembro de 2014. Durante as coletas de dados, realizadas no Hospital Santa Cruz, houve algumas perdas, haviam sujeitos que selecionávamos através dos prontuários e quando nos deslocávamos para o primeiro contato com o paciente, observávamos que eles não possuíam condições de responder ou de realizar os procedimentos, pois eram amputados, possuíam sequelas nos membros inferiores ou ainda não possuíam capacidade de responder aos comandos verbais. Após a coleta de dados, realizamos a devolução das avaliações ao sujeitos participantes da pesquisa. Para os indivíduos do grupo controle, foi realizado um agendamento, conforme disponibilidade, e entregue a retorno das avaliações como uma forma de orientação e uma ação de conscientização dos indivíduos para um estilo de vida mais ativo. Após as ações desenvolvidas no nosso projeto, foi possível observar que é necessário manter intervenções ativas tanto no âmbito hospitalar, quanto na rotina diária dos idosos não hospitalizados a fim de orientar os mesmos para a manutenção, prevenção e aquisição de um estilo de vida ativo e orientação para o autocuidado, promovendo assim a saúde desses indivíduos. 63 CAPITULO III ARTIGO 1 64 AVALIAÇÃO DA CAPACIDADE FUNCIONAL, FUNÇÃO PULMONAR E FORÇA MUSCULAR PERIFÉRICA DE IDOSOS HOSPITALIZADOS EVALUATION OF FUNCTIONAL CAPACITY, PULMONARY FUNCTION AND PERIPHERAL MUSCLE STRENGTH OF ELDERLY INPATIENT Mônica Wietzke1e Dulciane Nunes Paiva2 1 Licenciada em Educação Física pela Universidade de Santa Cruz do Sul. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde (UNISC). 2 Professora Adjunta do Departamento de Educação Física e Saúde da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). Doutora em Ciências Médica pela Universidade Federal do Rio Grande de Sul (UFRGS). RESUMO Objetivo: Avaliar a capacidade funcional, a função pulmonar e a força muscular periférica de idosos hospitalizados sob condição não cirúrgica. Métodos: Estudo transversal, aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa em Seres Humanos da UNISC (CAAE: 08015213.6.0000.5343 e parecer nº 218.439 de 13/03/13) que avaliou indivíduos idosos com 60 anos ou mais, de ambos os sexos e hospitalizados sob condição não cirúrgica (Grupo Hospitalizado) e indivíduos hígidos, sedentários (Grupo Controle). Foram avaliadas as características antropométricas (peso, altura e IMC – estimados); dobras cutâneas; pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD), frequência respiratória (FR), frequência cardíaca (FC). Para avaliar a capacidade funcional foi aplicada a escala Basic Activities of Daily Living (BADL)e para mensurar a força muscular periférica foi utilizada o escore Medical Research Council (MRC). Os volumes pulmonares foram avaliados através da espirometria sendo 65 obtidas: capacidade vital forçada (CVF), volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1), relação VEF1/CVF e o pico de fluxo expiratório (PEF). A força dos músculos respiratórios (FMR) foi aferida através da manovacuometria digital e obtidas: a PImax foi obtida após o indivíduo expirar até o volume residual (VR) e PEmax foi avaliada após inspiração da CPT até o VR. Resultados: A amostra foi composta por 51 participantes (Grupo Hospitalizado - GH= 16; Grupo Controle - GC= 35). Não houve diferenças dos sinais vitais entre os grupos. O tempo mediano de internação do GH foi de 13 (8 - 16) dias. Em nosso estudo foi possível observar que indivíduos hospitalizados apresentaram redução na FMR, nos volumes pulmonares e na capacidade funcional, quando comparado com os idosos do GC. Conclusão: No período da internação hospitalar, a capacidade funcional do idoso pode ser comprometida e levar à dependência para a realização das atividades da vida diária. Tais fatores podem ser devidos ao agravamento da doença ou ainda a retirada do indivíduo do seu meio de convívio familiar e social. Intervenções efetivas que proporcionem a manutenção da funcionalidade e prevenção dos efeitos adversos oriundos da hospitalização devem ser adotados por uma equipe multidisciplinar a fim de garantir ao idoso uma melhor qualidade de vida pós alta hospitalar. Palavras chaves: Idoso, Hospitalização, Limitação da Mobilidade ABSTRACT Objective: To evaluate functional capacity, lung function and peripheral muscle strength in elderly hospitalized nonsurgical condition. Methods: Cross-sectional study approved by the Ethics and Human Research UNISC (CAAE: 08015213.6.0000.5343 and Opinion No 218 439 of 03/13/13) that assessed elderly subjects aged 60 years or older, of both sexes and hospitalized on condition nonsurgical (Group Hospitalized) and healthy, sedentary (Control Group) individuals. Anthropometry (weight, height and BMI - Estimated) were evaluated; 66 skinfolds; systolic blood pressure (SBP) and diastolic (DBP), respiratory rate (RR), heart rate (HR). To assess the functional capacity to Basic Activities of Daily Living (Badl) scale was applied to measure and peripheral muscle strength the Medical Research Council (MRC) score was used. Lung volumes were assessed by spirometry were obtained: forced vital capacity (FVC), forced expiratory volume in one second (FEV1), FEV1/FVC ratio and peak expiratory flow (PEF). The strength of respiratory muscles (FMR) was measured by digital manometer and obtained: MIP was obtained after the individual expire to residual volume (RV) and MEP was evaluated after inspiration to TLC RV. Results: The sample consisted of 51 participants (Group Hospitalized - GH = 16, control group - CG = 35). There were no differences in vital signs between groups. The median length of stay of GH was 13 (8-16) days. In our study we observed that hospitalized individuals had reduced FMR, lung volumes and functional capacity when compared with the older GC. Conclusion: During the period of hospitalization, the functional capacity of the elderly can be compromised and lead to addiction for the performance of activities of daily living. Such factors may be due to the worsening of the disease or the removal of the individual from his means of social and family life. Effective interventions that promote the maintenance of functionality and prevention of adverse effects arising from hospitalization must be adopted by a multidisciplinary team in order to guarantee the elderly a better quality of life after hospital discharge. Keywords: Elderly, Hospitalization, Mobility Limitation 1 Introdução O envelhecimento populacional desencadeia inúmeras implicações sociais, culturais e epidemiológicas, uma vez que neste grupo etário, a prevalência de morbidades e incapacidades é maior. O processo de envelhecimento está associado às alterações 67 morfofuncionais que afetam intensamente a capacidade funcional (AHMED; HABOUBI, 2010). A capacidade funcional pode ser entendida como o grau de habilidade em desempenhar as atividades da vida diária (AVD) de um modo autônomo (LUCIO et al., 2011; FIEDLER; PERES, 2008; MUSZALIK et al., 2011). Estudos têm evidenciado associação entre a maior chance de dependência funcional ou capacidade funcional limitada com o aumento da idade na população idosa (ISHIZAKI et al., 2004, MURABITO et al., 2008). Siqueira et al. (2004), descreveram as alterações da capacidade funcional de idosos durante a internação hospitalar e o grau de associação dessas alterações no momento da alta. Como resultados, 29% dos sujeitos avaliados melhoraram sua capacidade funcional no momento da alta, 59,6% permaneceram inalterados e 40% apresentaram piora ou foram a óbito no decorrer do estudo. A hospitalização do idoso é considerada de grande risco (VOLPATO et al., 2008; KING, 2006; VOS et al., 2012) e desencadeia inúmeros eventos que culminam no declínio funcional (MUDGE; O`ROURKE; DENARO, 2010; MAHONEY; SAGER; JALALUDDIN, 1999). As implicações da restrição ao leito na estrutura muscular e óssea do idoso no período de internação podem levar a consequências severas que são, desde o aumento ao risco de fraturas, até à perda da capacidade de deambulação (SALES et al., 2011), se tornando uma ameaça à capacidade funcional (ENGLISH, PADDON-JONES, 2010). Alguns estudos demonstraram que o declínio funcional acomete de 34 a 50% dos idosos durante o período de hospitalização (BRASIL, 2012; KAWASAKI; DIOGO, 2007; BARBIERI et al., 2012; SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008; HOOGERDUIJN et al., 2007). Sabe-se que com o avançar da idade ocorrem declínios na função pulmonar (WANNAMETHEE; SHAPER; WHINCUP, 2005; JUBBER, 2004), pois ocorre redução na 68 força muscular respiratória (WATSFORD; MURPHY; PINE, 2007), o que pode afetar o desempenho ventilatório e comprometer a capacidade funcional (RODRIGUES et al., 2008). Em estudo desenvolvido por ESTENNE, YERNAULD, DE TROYER (1985), que buscaram relacionar a idade com as alterações na complacência da parede torácica em 50 sujeitos com idades entre 24-75 anos, foi observado que o envelhecimento está relacionado com uma redução de 31% na complacência da parede torácica. Em outro estudo desenvolvido por Simões et al. (2010), que buscou verificar se há associação entre a força muscular respiratória (FMR) e a idade de idosos de ambos os sexos com faixa etária de 60 à 90 anos divididos em subgrupos, foram encontrados valores significativamente menores de pressão inspiratória máxima (PImax) e expiratória (PEmax) no subgrupo de 60-69 anos em comparação ao de 70-79 anos e deste último confrontado ao de 80-90 anos, provando assim a relação existente entre a idade e a FMR nessa população. Neste sentido, a identificação das características dos idosos é de extrema importância para uma abordagem especializada adequada, visando à identificação de problemas e ainda a promoção de novas formas de atendimento que permitam uma melhor qualidade no atendimento e melhor emprego dos recursos disponíveis dentro da realidade existente (MAUÉS et al., 2007). Portanto, é importante reconhecer, através de avaliação funcional, as incapacidades funcionais que provocam danos na autonomia dos pacientes idosos, porque as mesmas podem interferir nas AVD e na qualidade de vida (QV) destes idosos. Dessa forma, o presente estudo teve como objetivo avaliar a capacidade funcional, a função pulmonar e a força muscular periférica de idosos hospitalizados sob condição não cirúrgica. 2 Métodos 69 Trata-se de um estudo transversal composto por indivíduos acima de 60 anos e de ambos os sexos. Foram elegíveis para o estudo idosos admitidos na enfermaria do Hospital Santa Cruz (HSC), Santa Cruz do Sul – RS por eventos clínicos agudos ou crônicos agudizados, secundários à intervenções não cirúrgicas (Grupo Hospitalizado – GH). Foram incluídos aqueles com tempo de internação maior que 48 horas, que pudessem responder aos questionamentos e que apresentassem condições cognitivas adequadas para responder aos comandos verbais, selecionados a partir do prontuário do paciente. Foram excluídos aqueles que apresentassem IMC > 40 Kg/m², diagnóstico de doença pulmonar aguda ou crônica, histórico de instabilidade hemodinâmica, depressão do sensório ou outras neuropatias que comprometessem a cognição. Da mesma forma, foram excluídos aqueles submetidos à procedimentos cirúrgicos e que apresentassem instabilidade clínica que impossibilitasse sua participação no estudo. Participaram ainda, idosos hígidos da comunidade local (Grupo Controle – GC), selecionados por amostragem de conveniência, sendo os mesmos participantes do Grupo de Convivência de Idosos do Complexo Poliesportivo de Santa Cruz do Sul – RS, sendo estes, insuficientemente ativos e sedentários, iniciantes da prática da atividade física, respectivamente. Foram excluídos aqueles praticantes de exercício físico regular ou que tenham apresentado sintomas respiratórios no período de 30 dias antes da avaliação (Figura 1). Inicialmente os participantes foram avaliados quanto às características antropométricas e sinais vitais. As dobras cutâneas foram avaliadas com o indivíduo em decúbito lateral esquerdo na maca ou no leito com um compasso clínico (Cescorf®- Brasil). Para a medida das circunferências e a altura do Joelho (AJ), foi utilizada trena antropométrica (Sanny Medical® modelo SN-4010, Brasil), sendo necessário que os sujeitos se posicionassem em decúbito dorsal (maca ou no leito). Para estimativa do peso e da altura foi utilizada a fórmula de Chumlea et al. (1985). Para tal, foi necessário aferir a AJ, 70 Circunferência da Panturilha (CP), Circunferência do Braço (CB), Dobra Cutânea Subescapular (DCSUB) sendo tais dados utilizados para obtenção do IMC estimado. Foi avaliada a pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD) (PREMIUM®, modelo ESFHS50, BR), a frequência respiratória (FR), a frequência cardíaca (FC) e a saturação periférica de oxigênio (SpO2) (Nonin®, modelo Onix 9500, Winsconsin, EUA) e a temperatura axilar (Tax). Posteriormente foi avaliada a escala Basic Activities of Daily Living (BADL), a escala Medical Research Council (MRC), os volumes pulmonares e a força dos músculos respiratórios (FMR), para estes procedimentos os sujeitos permaneceram em sedestação. A Escala BADL foi utilizada para avaliar a capacidade funcional dos idosos, conforme sugerido por Katz et al. (1863). Tal escala é um questionário destinado a mensurar a independência em seis AVDs (banhar-se, vestir-se, ir ao banheiro, transferências, continência e alimentação). Neste instrumento, autorreferido pelo idoso, as atividades são avaliadas em toda sua execução, desde seu princípio até sua conclusão e o grau de dependência ou independência para cada atividade, caso o idoso consiga realizar a tarefa com independência soma-se um ponto, caso contrário, a atividade receberá zero ponto e cabe ao examinador escolher a mais apropriada para a situação observada. Ao final, somam-se todas as atividades para a obtenção da classificação: independente (6 pontos), parcialmente dependente (4 pontos) e totalmente dependente (2 pontos ou menos) (MENEZES; OLIVEIRA; MENEZES, 2010). A Força Muscular Periférica (FMP) foi avaliada através da escala MRC. Este instrumento abrange um escore de 01 a 05 itens que visam pontuar cada grupo muscular a ser avaliado onde: 0 - indica a ausência de contração (paralisia total), 01 - indica um esboço de contração, 02 - indica o movimento ativo tendo sido eliminada a força da gravidade, 03 indica o movimento ativo contra força gravitacional, 04 - indica o movimento ativo contra a 71 gravidade e contra a resistência e 05 - indica uma força muscular normal. Caso o paciente não consiga realizar o teste para um determinado grupamento muscular, nenhum escore será registrado (DE JONGHE et al., 2007). Os volumes pulmonares foram avaliados através da espirometria (EasyOne®, Modelo 2001, nddMedizintechnik AG, Zurich, Switzerland) sendo obtidas as variáveis: capacidade vital forçada (CVF), volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1), relação VEF1/CVF e o pico de fluxo expiratório (PEF). A FMR foi aferida através da manovacuometria digital (MDI®, modelo MVD300, Porto Alegre, Brasil). A PImax foi obtida após o indivíduo expirar até o volume residual (VR), tendo o examinador aplicado o clipe nasal e solicitado a inspiração até a capacidade pulmonar total (CPT). A PEmax foi avaliada após inspiração da CPT até o VR contra válvula ocluída (ATS, 2002). Para a análise estatística foi utilizado o programa Statistical Package for Social Science (versão 20.0, EUA). Os dados paramétricos foram apresentados média ± desvio padrão, e mediana e intervalos interquartis para dados não paramétricos. Para comparar os grupos quanto às características antropométricas, sinais vitais, função pulmonar, força muscular periférica e capacidade funcional foi utilizado o teste t Student independente ou o teste U de Mann-Whitney, quando apropriado. O Teste Qui-quadrado foi utilizado para calcular as proporções das variáveis categóricas entre os grupos. A associação entre a capacidade funcional e a força muscular periférica foi avaliada através da correlação de Spearman. Para efeito de significância estatística foi adotado um p<0,05. O presente estudo foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa em Seres Humanos da UNISC sendo que todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido sob CAAE: 08015213.6.0000.5343 e parecer nº 218.439 de 13/03/13. 72 3 Resultados A amostra foi composta por 51 participantes (Grupo Hospitalizado - GH= 16; Grupo Controle - GC= 35). A Tabela 1 apresenta a caracterização da amostra, onde pode ser observado que não houve diferença significativa entre o GC e o GH quanto às variáveis antropométricas. Assim, é possível afirmar que existe homogeneidade entre os grupos analisados quanto à tais características. Observou-se ainda, que não houve diferença dos sinais vitais entre os grupos, exceto em relação à Temperatura Axilar (Tax). Ressalta-se que também foi encontrada diferença em relação à SpO2 (p>0,041). É importante mencionar, que o tempo mediano de internação do GH foi de 13 (8 - 16) dias. Capacidade funcional e força muscular periférica A classificação da Escala BADL revelou que no GC, 100% dos indivíduos avaliados se encontraram na condição independente, entretanto quando avaliados os indivíduos do GH observamos que 53% apresentaram classificação independente, 29% de dependência moderada e 18% como de muito dependente. A comparação entre FMP e CF entre os grupos apresenta significativa para a abdução de ombro, flexão de quadril, dorsiflexão de tornozelo demonstrando que, quanto menor a capacidade funcional do idoso, menor sua força muscular periférica (Tabela 2). Quando correlacionado a Escala BADL com as variáveis da Escala MRC para força muscular periférica no GH, encontramos os seguintes resultados: abdução de ombro (r=0,502 p = 0,05); flexão de cotovelo (r=0,540; p= 0,036); extensão de punho (r= 0,738 p= 0,002); flexão de quadril (r= 0,708 p = 0,003); extensão de joelho (r= 0,618 p=0,014). Observa-se que a força muscular periférica, exceto no que tange à abdução do ombro, apresentou forte 73 correlação com a funcionalidade dos pacientes hospitalizados. Quando correlacionado com a dorsiflexão de tornozelo (r= 0,018 p= 0,950) não houve correlação. Força muscular respiratória No presente estudo foi constatada (Tabela 3) diferença significativa na FMR entre o GH e GC, tanto na PImax(p=0,002) quanto na PEmax (p=0,025) em seus valores absolutos, bem como em seus valores preditos (p=0,002 e p=0,036, respectivamente), sendo que GH apresentaram valores inferiores ao obtidos pelos indivíduos do GC. Volumes pulmonares O GC apresentou volumes pulmonares dentro dos valores de normalidade. O GH apresentou redução de todos os volumes pulmonares, com exceção da variável relação VEF1/CVF (Tabela 4). 4 Discussão O presente estudo demonstrou que os indivíduos hospitalizados apresentaram redução na força muscular respiratória (FMR), na função pulmonar (FP) e na capacidade funcional (CF), quando comparado com os idosos do GC. Encontrou-se ainda, uma associação entre capacidade funcional e a força muscular periférica, demonstrando que, nos indivíduos hospitalizados, quanto menor a força muscular periférica, maior é a perda funcional. Os idosos por utilizarem de forma mais assídua os serviços de saúde, estão mais sujeitos aos efeitos adversos decorrentes da hospitalização. Em nosso estudo o tempo de 74 internação teve uma mediana de 13 (8 - 16) dias, e todos os paciente foram avaliados após 48 horas de internação para que fossem realizados os primeiros exames e os mesmo estivessem o mais estáveis possível para a avaliação. Estudo realizado por Maués et al. (2007), que observou uma média de internação de 21,9 dias, o que difere de nossos achados enquanto, Brown et al. (2009), encontrou um tempo de internação com mediana de 4 (1 -71) dias. Segundo Hirsch et al. (1990), no segundo dia de internação já ocorre deterioração da capacidade de realizar atividades básicas, por esse motivo optamos pela avaliação dos idosos após 48 horas de admissão hospitalar. Uma das principais consequências adversas da hospitalização é o comprometimento funcional que, associado com a restrição ao leito, desencadeia uma consequente perda de autonomia ou mobilidade funcional nos idosos. Em nosso estudo foi evidenciada uma redução na capacidade funcional do GH quando comparado ao GC, sendo tais dados corroborados por Sales et al. (2011), que evidenciaram que a restrição ao leito traz grande perda óssea e muscular e que pode levar à perda da capacidade de deambulação, além de aumentar o risco de quedas e fraturas. Além disso, Siqueira et al. (2004), em seus achados observaram uma forte associação entre o tempo de internação e maior comprometimento funcional nos idosos. Lang et al. (2007), destacaram em estudo desenvolvido com 514 pacientes considerados independentes, que após um mês de internação, 60% dos indivíduos avaliados tinham se tornado dependentes. O envelhecimento provoca modificações na estrutura torácica, restringem a expansão pulmonar, provocando diminuição da capacidade inspiratória e enfraquecimento dos músculos diafragma e intercostais (PETTERNON et al., 2008). No estudo de Santos & Travensolo (2011), que buscaram comparar a força da musculatura respiratória em amostra de 16 idosos divididos praticantes e não praticantes atividades físicas. Com relação aos valores de PImax e PEmax, observou-se diferença significante entre os grupos com valores maiores para 75 o grupo praticante de atividade física. Em nosso estudo, foi encontrada diferença significativa tanto para a PImax quanto para a PEmax entre os grupos analisados, sendo que os indivíduos hospitalizados apresentaram valores inferiores ao obtidos pelos indivíduos do grupo controle. Apesar do crescente número de estudos realizados com idosos, existe escassez de estudos que envolvam o idoso hospitalizado em condição não cirúrgica. No estudo de Trindade et al. (2011), que avaliaram 132 idosos praticantes de hidroginástica, a PImax (92,42 %pred) e a PEmax (59,09 %pred) estavam abaixo dos valores previstos para o sexo e a idade. Em relação ao sexo, na análise da PImax, 100% dos homens e 91,30% das mulheres apresentaram valores abaixo do previsto, de acordo com a tabela de normalidade, já para a PEmax, 70,59% dos homens e 57,39% das mulheres obtiveram resultados insatisfatórios. No presente estudo, os volumes pulmonares encontraram-se dentro da normalidade no GC e reduzidos no GH. Alguns estudos evidenciam que o fato de o paciente permanecer por muito tempo na posição de decúbito dorsal acarreta diminuição dos volumes e capacidades pulmonares e o paciente passa a ter um aumento no trabalho respiratório e cardíaco (OLIVEIRA; DA SILVA; TURQUETTO, 2009). Deve ser ressaltado que o presente estudo apresentou algumas limitações, como o fato de não ter sido possível avaliar os participantes do estudo em sua condição pré-hospitalização, devido ao fato de não possuímos um sistema de acompanhamento domiciliar abrangente. Além disso, a amostra dos indivíduos hospitalizados foi composta por pacientes com grande diversidade de patologias clínicas. Através de uma avaliação funcional precoce e reconhecimento do nível de dependência do idoso é possível desenvolver ações que subsidiem a implementação de programas e o planejamento de estratégias adequadas à realidade dessa população, podendose promover melhorias na capacidade funcional para o desenvolvimento de AVD além da possibilidade de elaboração de propostas de medidas de redução do tempo de internação 76 hospitalar dos idosos o que, a depender do seu problema clínico, poderia acarretar em maior qualidade de vida após a alta hospitalar e consequente redução dos custos agregados. 5 Conclusão No período da internação hospitalar, a capacidade funcional do idoso pode ser comprometida e levar à dependência para a realização das atividades da vida diária. Tais fatores podem ser devidos à restrição ao leito ou ainda a retirada do indivíduo do seu meio de convívio familiar e social. Intervenções efetivas que proporcionem a manutenção da funcionalidade e prevenção dos efeitos adversos oriundos da hospitalização devem ser adotados por uma equipe multidisciplinar a fim de garantir ao idoso uma melhor qualidade de vida pós alta hospitalar. Referências AHMED, T.; HABOUBI, N., Assessment and management of nutrition in older people and its importance to health. Clinical Interventions in Aging, v.9, n 5, p. 207–216, 2010. BARBIERI, F.A. et al. Functional capacity of Brazilian patients with Parkinson’s disease (PD): Relationship between clinical characteristics and disease severity. Archives of Gerontology and Geriatrics, v. 54, n. 2, p. e83–e88, 2012. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Organização Pan-Americana da Saúde – Representação Brasil. Atenção à saúde do Idoso: Aspectos Conceituais. / Edgar Nunes de Moraes. 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Amostra inicial (n=141) Exclusões: • Doença pulmonar (n=19) • Cardiopatia (n=28) Grupo Hospitalizado (n=50) Não completaram as avaliações: • Sequela Neurológica em membros inferiores (n=9) • Amputação (n=3) • Incapacidade de compreender os comandos (n=8) Grupo Controle (n=44) Não completaram as avaliações: • 2 IMC >40 Kg/m (n=9) 2 • IMC >40 Kg/m (n=14) • Analisados (n=16) Figura 1. Fluxograma dos participantes do estudo. Analisados (n=35) 80 Tabela 1. Caracterização dos grupos analisados. GH (n=16) GC (n=35) p-valor 10 (62,5) 22 (62,9) 0,609 Idade (anos)* 73 (68,6 – 81,2) 69 (64 – 73) 0,095 Peso (Kg)** 63,9 ± 13,8 71,1 ± 11,5 0,062 Altura (cm)** 157,5 ± 8,9 161,7 ± 8,3 0,117 IMC (Kg/m²)** 25,3 ± 4,2 26,6 ± 3,2 0,214 95,5 (93 – 97) 97 (95 – 98) 0,041 PAS (mmHg)* 135 (122,5 - 140) 130 (120 – 130) 0,174 PAD (mmHg)* 80 (70 – 90) 80 (70 – 87,5) 0,899 19,3 ± 3,8 18,6 ± 3,4 0,535 FC (bpm)* 73 (68,2 – 81,2) 77 (72 – 81) 0,158 Tax (oC)* 36 (36 – 37) 35 (35 – 37) <0,001 Sexo masculino, n (%) SpO2 (%)* Sinas Vitais FR (irpm)** IMC: Índice de Massa Corporal; PAS: Pressão Arterial Sistêmica; PAD: Pressão Arterial Diastólica; FR: Frequência Respiratória; FC: Frequência Cardíaca; SpO2: Saturação Periférica De Oxigênio; Tax: Temperatura Axilar; *Valores em mediana e intervalo interquartil (Teste U de Mann-Whitney). **Média ± desvio padrão (Teste t Student). Valores significativos com p<0,05. 81 Tabela 2. Força muscular periférica e capacidade funcional entre os grupos analisados. GH (n=16) GC (n=35) p-valor Força muscular periférica Abdução de ombro 4,2 ± 0,8 4,8 ± 0,4 0,018 Flexão de cotovelo 4,8 ± 0,3 4,9 ± 0,2 0,611 Extensão de punho 4,6 ± 0,6 4,7 ± 0,4 0,690 Flexão do quadril 4,6 ± 0,6 4,9 ± 0,1 0,010 Extensão do joelho 4,7 ± 0,5 4,9 ± 0,3 0,132 Dorsiflexão de tornozelo 4,6 ± 0,4 5±0 <0,001 5 ± 1,4 5,8 ± 0,3 0,028 Capacidade functional Escore final Valores expressos em média e desvio padrão. Valores significativos com p<0,05. 82 Tabela 3. Força muscular respiratória da amostra estudada. GH (n=16) GC (n=35) PImax (cmH2O) 44,7 ± 30,6 76 ± 26,9 p-valor PImax (%pred) 53,7 ± 36,5 89,1 ± 27,1 0,002 PEmax (cmH2O) 74,7 ± 39,9 101,8 ± 31,5 0,025 PEmax (%pred) 90,6 ± 46,2 119,3 ± 33,3 0,036 0,002 PImax: Pressão inspiratória máxima; PEMax: Pressão expiratória máxima. Valores descritos média ± desvio padrão (Teste t Student). Valores significativos com p<0,05. 83 Tabela 4. Volumes pulmonares da amostra estudada. GH (n=16) GC (n=35) CVF (%pred)* 52,8 ± 23,5 81,5 ± 20,4 p-valor VEF1 (%pred)* VEF1/CVF (%pred)** PEF(%pred)** VEF25-75 (%pred)** <0,001 49,2 ± 23,9 79 ± 21,8 <0,001 92 (82 – 101) 101 (87 - 108) 0,100 46 (17,7 – 63,7) 77 (40,7 - 95,5) 0,032 40,4 ± 24,6 81,9 ± 37,6 <0,001 CVF: Capacidade vital forçada; VEF1: Volume expiratório forçado no 1° segundo; PEF: Pico do fluxo expiratório; VEF25-75%: Fluxo expiratório forçado entre 25% e 75% da CVF. Valores apresentados em média.* Valores descritos média ± desvio padrão (Teste t Student). **Valores em mediana e intervalo interquartil (Teste U de Mann-Whitney). Valores significativos com p<0,05. 84 CAPITULO IV ARTIGO 2 85 ASSOCIAÇÃO ENTRE FORÇA DE PREENSÃO PALMAR E A CAPACIDADE FUNCIONAL DE IDOSOS HOSPITALIZADOS ASSOCIATION BETWEEN HANDGRIP STRENGTH AND FUNCTIONAL CAPACITY OF ELDERLY HOSPITALIZED TITULO CURTO: IDOSOHOSPITALIZADO AVALIÇÃO DA FUNCIONALIDADE DO MÔNICA WIETZKE1, DULCIANE NUNES PAIVA2 1 Licenciada em Educação Física pela Universidade de Santa Cruz do Sul. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde (UNISC). 2 Professora Adjunta do Departamento de Educação Física e Saúde da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). Doutora em Ciências Médica pela Universidade Federal do Rio Grande de Sul (UFRGS). Endereço para correspondência: Mônica Wietzke Rua: Gaspar Silveira Martins, 1935, apto 601 – Centro CEP: 96810-9097 - Santa Cruz do Sul –RS Telefone: (51)3713-4641 / (51)8141-0370 [email protected] Resumo: Introdução: A hospitalização dos idosos acarreta implicações como o declínio funcional e mudança na qualidade de vida (QV). Objetivo: Avaliar possível associação entre a força de preensão palmar (FPP) e a capacidade funcional de idosos hospitalizados. Métodos: Avaliados indivíduos com 60 anos ou mais, de ambos os sexos e hospitalizados sob condição não cirúrgica (Grupo Hospitalizado - GH) e indivíduos hígidos, sedentários (Grupo Controle - GC). Avaliadas as características antropométricas (peso, altura e IMC – estimados); dobras cutâneas; pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD), frequência respiratória (FR), frequência cardíaca (FC). A capacidade funcional foi avaliada através da escala Basic Activities of Daily Living (BADL) e a FPP através da dinamometria manual. Resultados: Avaliados 51 indivíduos (GH: n=16; GC: n=35). A FPP não apresentou diferença entre os valores obtidos com a mão dominante e a não dominante, tanto no GH quanto no GC (p=0,623 e p=0,195, respectivamente). Ao compararmos os resultados da FPP da mão dominante entre os grupos, estes se mostraram reduzidos no GH, tanto em valor absoluto (p= 0,016) quanto em predito (p=0,001). Quanto à capacidade funcional, foi constatada redução no GH (escore de 4,6 ± 1,8) em relação ao GC (escore de 5,8 ± 0,3) (p=0,008). Ao avaliarmos a associação entre a FFP da mão dominante, em porcentagem do predito, e a capacidade funcional, observou-se que esta 86 ocorreu de modo significativo no GH (r= 0,736, p=0,001). Entretanto, esta mesma associação não foi observada quando considerado apenas os indivíduos do GC (r= -0,218, p=207). Conclusão: Houve redução da FPP e da capacidade de realização das atividades de vida diária no GH em relação ao GC. Nossos dados evidenciaram dependência funcional em idosos hospitalizados, o que remete à necessidade de se estabelecer uma abordagem especializada adequada, visando beneficiar o idoso durante o período de hospitalização. Palavras chave: Força da Mão; Idoso, Hospitalizado. Abstract: Introduction: The hospitalization of the elderly has implications as functional decline and change in quality of life (QOL). Objective: To evaluate the possible association between handgrip strength (FPP) and the functional capacity of hospitalized elderly. Methods: Evaluated individuals 60 years or older, of both sexes and in hospitalized nonsurgical condition (Group Hospitalized - GH) and healthy, sedentary (control group - CG) individuals. Evaluated anthropometric characteristics (weight, height and BMI - estimated); skinfolds; systolic blood pressure (SBP) and diastolic (DBP), respiratory rate (RR), heart rate (HR). Functional capacity was evaluated using a scale Basic Activities of Daily Living (Badl) and the FPP through handgrip. Results: This study assessed 51 individuals (GH: n = 16, CG, n = 35). The FPP showed no difference between the values obtained with the dominant hand and the nondominant in both the GH and in the CG (p = 0.623 and p = 0.195, respectively). When comparing the results of the PPF dominant hand between groups, these proved reduced in GH, both in absolute value (p = 0.016) and in predicted (p = 0.001). For the functional capacity was observed reduction in GH (score 4.6 ± 1.8) compared to the CG (score 5.8 ± 0.3) (p = 0.008). When we evaluated the association between FFP of the dominant hand, as a percentage of predicted, and functional capacity, it was observed that this occurred significantly in the GH (r = 0.736, p = 0.001). However, this same association was not observed when considering only individuals GC (r = -0.218, p = 207). Conclusion: There was a reduction of FPP and the ability to perform activities of daily living in GH compared to GC. Our findings reveal functional dependence in hospitalized elderly, which refers to the need to establish an adequate specialized approach, in order to benefit the elderly during hospitalization. Keywords: Hand Strength; Elderly Hospitalized. Introdução 87 O processo de envelhecimento está sendo foco de um expressivo número de pesquisas em virtude do aumento da população com mais de 60 anos. Envelhecer é um processo multifatorial, que é influenciado pelo tempo cronológico, fatores psicológicos e sociais, declínio biológico e alterações funcionais1. O indivíduo ao envelhecer, torna-se mais suscetível às doenças crônicas e às incapacidades funcionais2. Assim, o envelhecimento está associado a um declínio gradual fisiológico das habilidades funcionais3. Ressalta-se que, as doenças crônicas ocorrem com frequência em idosos e se desenvolvem de forma progressiva e irreversível. O processo da doença no idoso, bem como a internação hospitalar e o próprio envelhecimento, podem colaborar para a piora do estado de saúde e da qualidade de vida (QV) desta população2,4. Idosos são internados com frequência três vezes maior que indivíduos mais jovens5. A hospitalização é um evento crítico na vida dos idosos e acarreta implicações como o declínio funcional e mudança na QV6, institucionalização e até a morte7. Nos últimos anos, diversos estudos apontam para a deficiência funcional como um forte indicador de morbidade e mortalidade em idosos8-10. O envelhecimento está associado a um declínio progressivo na função de muitos órgãos e sistemas11. Portanto, envelhecer é um processo de perda da capacidade e funcional do idoso1. A força muscular é um componente determinante das atividades de vida diária (AVDs) e para a manutenção da capacidade funcional, principalmente para os idosos, além de ser uma das capacidades físicas mais importantes para a manutenção da QV12. A força de preensão palmar (FPP) tem sido comumente utilizada, pois reflete a saúde global13,14, dependência e mortalidade em indivíduos idosos15 além de tratar-se de um teste de simples aplicabilidade, com baixo custo, não-invasivo e com medições precisas16. A FPP pode ser avaliada através da dinamometria manual e tal técnica vem sendo utilizada em diversos campos da área da saúde13,3. Mais recentemente, estudos clínicos e epidemiológicos têm-na empregado na avaliação funcional de indivíduos idosos hospitalizados13,16. No âmbito hospitalar, a identificação das particularidades dos idosos é importante para que se possa realizar uma abordagem especializada e adequada, buscando a identificação de problemas e ainda a promoção de formas de atendimento que permitam uma melhor qualidade no atendimento e melhor emprego dos recursos disponíveis dentro da realidade existente17. Portanto, é importante reconhecer, através de avaliação funcional, as incapacidades funcionais 88 que provocam danos na autonomia dos pacientes idosos, pois as mesmas podem interferir nas AVD se na QV18. Neste sentido, o objetivo desse estudo foi o de avaliar uma possível associação entre a FPP e a capacidade funcional de idosos hospitalizados, comparando com indivíduos idosos hígidos sob condições não cirúrgicas. Métodos Trata-se de um estudo transversal, composto por amostra de conveniência. Foram elegíveis indivíduos acima de 60 anos, de ambos os sexos, admitidos nas enfermarias do Hospital Santa Cruz (HSC), devido a eventos clínicos agudos ou crônicos agudizados secundários a intervenções não cirúrgicas (Grupo Hospitalizado - GH), e idosos hígidos (Grupo Controle - GC), participantes do Grupo de Convivência de Idosos do Complexo Poliesportivo de Santa Cruz do Sul – RS. Foram incluídos no GH pacientes com tempo de internação maior que 48 horas, com adequadas condições cognitivas para responder aos comandos verbais ou que estivessem acompanhados por familiares ou responsável. Foram excluídos do GH, sujeitos com índice de massa corporal (IMC) >40 Kg/m2, com diagnóstico de doença pulmonar aguda oucrônica, instabilidade hemodinâmica e clinica ou aqueles submetidos à qualquer procedimento cirúrgico que impossibilitasse a participação no estudo. No GC foram incluídos idosos hígidos e excluídos aqueles praticantes de exercício físico regular ou que tenham apresentado sintomas respiratórios no período de 30 dias antes da avaliação (Figura 1). Durante as coletas de dados, do GH, realizadas no Hospital Santa Cruz, houve algumas perdas, haviam sujeitos que selecionávamos através dos prontuários e quando nos deslocávamos para o primeiro contato com o paciente, observávamos que eles não possuíam condições de responder ou de realizar os procedimentos pois estavam com sonda nasal, eram amputados, possuíam sequelas nos membro inferiores ou ainda não possuíam capacidade de responder aos comandos verbais. Inicialmente os participantes foram avaliados quanto às características antropométricas e sinais vitais. As dobras cutâneas foram avaliadas com o indivíduo em decúbito lateral esquerdo na maca ou no leito com um compasso clínico (Cescorf® - Brasil). Para a medida das circunferências e a altura do Joelho (AJ), foi utilizada trena antropométrica (Sanny Medical® modelo SN-4010, Brasil), sendo necessário que os sujeitos se posicionassem em decúbito dorsal (maca ou no leito). Para estimativa do peso e da altura foi utilizada a fórmula de Chumlea et al.19 Para tal, foi necessário aferir a AJ, Circunferência da Panturilha (CP), Circunferência do Braço (CB), Dobra Cutânea Subescapular (DCSUB) sendo 89 tais dados utilizados para obtenção do IMC estimado. A pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD) (PREMIUM®, modelo ESFHS50, BR), a frequência respiratória (FR), a frequência cardíaca (FC) e a saturação periférica de oxigênio (SpO2) (Nonin®, modelo Onix 9500, Winsconsin, EUA) e a temperatura axilar (Tax). Para avaliar a capacidade funcional dos indivíduos idosos foi utilizada a Escala Basic Activities of Daily Living (BADL), conforme sugerido por Katz et al.20. Tal escala é um questionário destinado a mensurar a independência em seis AVDs (banhar-se, vestir-se, ir ao banheiro, transferências, continência e alimentação). Neste instrumento, auto referido pelo idoso, as atividades são avaliadas em toda sua execução, desde seu princípio até sua conclusão e o grau de dependência ou independência para cada atividade, caso o idoso consiga realizar a tarefa com independência soma-se um ponto, caso contrário, a atividade receberá zero ponto e cabe ao examinador escolher a mais apropriada para a situação observada. Ao final, somam-se todas as atividades para a obtenção da classificação: independente (6 pontos), parcialmente dependente (4 pontos) e totalmente dependente (2 pontos ou menos)5. Os volumes pulmonares foram avaliados através da espirometria (EasyOne®, Modelo 2001, ndd Medizintechnik AG, Zurich, Switzerland) sendo obtidas as variáveis: capacidade vital forçada (CVF), volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1), relação VEF1/CVF e o pico de fluxo expiratório (PEF). A FPP foi avaliada através de um dinamômetro de mão (Jamar®, Sammons Preston, Rolyon, Bolingbrook, EUA), onde o voluntário encontrava-se sentado com cotovelo fletido a 90º, antebraço em posição neutra de prono/supinação e extensão de punho em aproximadamente 30º, a posição adotada seguiu as recomendações da Associação Americana de Terapeutas da Mão12, sendo o mesmo orientado a pressionar o dinamômetro com sua máxima força para a realização de três medidas para obtenção do valor médio em cada membro analisado. Os resultados foram expressos em valores absolutos e o predito na literatura21. Para a análise dos dados foi utilizado o programa SPSS (versão 20.0, Chicago. EUA). Para verificar a normalidade da distribuição dos dados foi utilizado o teste de Shapiro-Wilk e os resultados expressos em média ± desvio padrão ou mediana e intervalo interquartil, quando não houve distribuição normal. Para comparar os grupos quanto às características antropométricas, função pulmonar e FPP foi utilizado o teste t Student independente ou o teste U de MannWhitney, quando apropriado. As proporções das variáveis categóricas foram comparadas entre os grupos pelo teste Qui-quadrado ou Exato de Fisher. A fim de verificar a associação entre capacidade funcional e FPP foi utilizada a correlação de Spearman. Para efeito de significância 90 estatística foi adotado um p<0,05. Resultados A amostra analisada foi composta por 51 indivíduos (GH: n=16; GC: n=35). Na Tabela 1 podem ser observadas as características dos grupos analisados. Ressalta-se que não houve diferença entre os grupos quanto às proporções de indivíduos tabagistas ativos [GH: 2 (12,5%); GC: 3 (8,6%); p=0,844], uso de diuréticos [GH: 3 (18,8%); GC: 4 (11,4%); p=0,664] e uso de sedativos [GH: 1 (6,2%); GC: 2 (5,7%); p=0,940]. A FPP não apresentou diferença entre os valores obtidos com a mão dominante e a não dominante, tanto no GH quanto no GC (p=0,623 e p=0,195, respectivamente). Ao compararmos os resultados da FPP da mão dominante entre os grupos analisados, estes se mostraram reduzidos no GH, tanto em valor absoluto (p= 0,016) quanto em valores preditos (p=0,001) (Figura 2). Quanto à capacidade funcional, avaliada através da escala BADL, foi constatada redução dessa variável no GH (escore de 4,6 ± 1,8) em relação ao GC (escore de 5,8 ± 0,3) (p=0,008). Ao avaliarmos a associação entre a FFP da mão dominante, em porcentagem do predito, e a capacidade funcional, observou-se que esta ocorreu de modo significativo no GH (r= 0,736, p=0,001). Entretanto, esta mesma associação não foi observada quando considerado apenas os indivíduos do GC (r= -0,218, p=0,207) (Figura 3). Discussão No presente estudo foi avaliada a FPP e sua relação com a capacidade funcional de idosos hospitalizados. Os dados evidenciam que o GH apresentou redução tanto na FPP quanto na capacidade de realização das atividades de vida diária quando comparado com o GC. A FPP é considerada um bom teste para os idosos, por ser seguro, rápido, prático, de baixo custo e não invasivo16 para avaliação da força isométrica dos membros superiores12, ele pode ser realizado inclusive por não deambulantes22. Em nosso estudo não foi encontrada diferença nos valores obtidos entre a mão dominante e a não dominante, o que difere do estudo de Watanabe23 que encontrou diferença entre a força da mão dominante e da não dominante, de cerca de 10% entre as mãos, em um grupo composto por 50 homens e 50 mulheres com faixa etária entre 18 à 72 anos. Porém 91 quando comparamos os grupos, encontramos diferenças na FPP entre ambos, tendo o GH apresentado valores reduzidos em relação ao GC. A FPP é um importante indicador do status nutricional24 e é também considerado um bom identificador da capacidade funcional25 A dinamometria expressa uma aproximação da força muscular global13,14, estando fortemente associada à funcionalidade dos idosos13,14. Em nosso estudo, foi possível observar uma associação significante entre a FPP e a capacidade funcional no GH. Porém, devido à escassez de estudos que envolvam o idoso hospitalizado em condição não cirúrgica, não foi possível observar associação entre FPP e a capacidade funcional em outras pesquisas. Mudanças na qualidade de vida e no declínio funcional do idoso podem estar relacionadas com o processo de hospitalização5,8, que muitas vezes traz consequências irreversíveis, por impor um certo grau de imobilidade em qualquer paciente26. Assim, o declínio funcional pode manifestar-se de forma mais rápida, principalmente nos pacientes idosos25.Além disso, a restrição ao leito desencadeia modificações na musculatura e na massa óssea, desencadeando restrições às AVD do idoso8. As manifestações iniciais afetam diretamente o sistema musculoesquelético, alterando a força muscular, a resistência a fadiga e o vigor físico, em função da imobilidade prolongada26. A prevalência de incapacidade e dependência funcional está fortemente associada à diminuição da massa muscular. Neste sentido, a força e a massa muscular são componentes determinantes da função física25 e repercutem tanto sobre a saúde, longevidade e qualidade de vida1. Segundo Doherty27, existe relação entre a força e a massa muscular e a combinação de sarcopenia e perda de força muscular contribuem de forma significativa para o declínio na capacidade função e independência que vem com o envelhecimento. A sarcopenia relacionada com o envelhecimento não está associada apenas com a diminuição da massa muscular esquelética, mas inclui um declínio gradual na função muscular e um decréscimo na capacidade de produção de força, na velocidade máxima de encurtamento e em uma lentidão geral nas ações de contração e relaxamento muscular28. Fiatarone et al.29 demonstraram resultados positivos em relação à capacidade de adaptação neuromuscular em idosos, onde 10 idosos nonagenários foram submetidos a oito semanas de treinamento de resistência de alta intensidade, tendo sido encontrado aumento considerável na força muscular e está refletia a melhora da capacidade funcional e da qualidade de vida dos idosos avaliados. Segundo dados do Projeto Longitudinal de Envelhecimento e Aptidão Física de São 92 Caetano do Sul, desenvolvido com mulheres fisicamente ativas com idade superior à 50 anos, foi verificado, que no período de um ano, a força dos membros superiores, mensurada pelo teste de dinamometria manual, a força muscular dos membros inferiores e a flexibilidade do tronco não apresentaram decréscimo no período de tempo analisado30. Destacamos como principal limitação do estudo o fato de não ter sido possível avaliar os participantes do estudo em sua condição pré-hospitalização, visto que não possuíamos um sistema de acompanhamento domiciliar abrangente, além disso, a amostra estudada foi composta por indivíduos portadores de diferentes patologias clínicas. Neste sentido, a identificação das características dos idosos é de extrema importância para uma abordagem especializada adequada, visando à identificação de problemas e ainda a promoção de novas formas de atendimento que permitam uma melhor qualidade no atendimento e melhor emprego dos recursos disponíveis dentro da realidade existente17. Portanto, é importante reconhecer, através de avaliação funcional, as incapacidades funcionais que provocam danos na autonomia dos pacientes idosos, porque as mesmas podem interferir nas AVD e na qualidade de vida (QV) destes idosos. Conclusão O declínio funcional é um acontecimento comum à um número significativo de idosos hospitalizados, em consequência da vulnerabilidade clínica, física e psicológica e próprias ao processo de envelhecimento. Pode ocorrer antes ou durante o período de hospitalização, e perdurar ou melhorar após a alta. Nossos dados apontam para a existência de dependência funcional em pacientes sob a condição de hospitalização, o que remete à necessidade do reconhecimento precoce das características desses indivíduos para que se possa estabelecer uma abordagem especializada adequada, visando à identificação de problemas que venham a beneficiar o idoso durante o período de hospitalização. Sendo assim, concluímos que o envelhecimento, como processo multifatorial que incide em todas as dimensões do indivíduo, não pode ser interrompido ou evitado. O que propomos, como profissionais da saúde, é o incentivo a ações preventivas e ao estilo de vida ativo na busca do envelhecimento saudável, mantendo a capacidade funcional e a autonomia do idoso. 93 Referencias 1- De Souza CA, Dantas EE, Moreira MH. Correlation of physical aptitude; functional capacity, corporal balance and quality of life (QoL) among elderly women submitted to a post-menopausal physical activities program. 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Fluxograma dos participantes do estudo. Analisados (n=35) 96 Tabela 1. Caracterização dos grupos analisados. GH (n=16) GC (n=35) p-valor 10 (62,5) 22 (62,9) 0,609 Idade (anos)* 73 (68,6 – 81,2) 69 (64 – 73) 0,095 Peso (Kg)** 63,9 ± 13,8 71,1 ± 11,5 0,062 Altura (cm)** 157,5 ± 8,9 161,7 ± 8,3 0,117 IMC (Kg/m²)** 25,3 ± 4,2 26,6 ± 3,2 0,214 95,5 (93 – 97) 97 (95 – 98) 0,041 PAS (mmHg)* 135 (122,5 - 140) 130 (120 – 130) 0,174 PAD (mmHg)* 80 (70 – 90) 80 (70 – 87,5) 0,899 19,3 ± 3,8 18,6 ± 3,4 0,535 FC (bpm)* 73 (68,2 – 81,2) 77 (72 – 81) 0,158 Tax (oC)* 36 (36 – 37) 35 (35 – 37) <0,001 CVF (%pred)** 52,8 ± 23,5 81,5 ± 20,4 < 0,001 VEF1 (%pred)** 49,2 ± 23,9 79,1 ± 21,8 < 0,001 92 (82 – 101) 101 (87 – 108) 0,043 42,1 ± 24,9 74,8 ± 35,1 0,002 Sexo masculino, n (%) SpO2 (%)* Sinas Vitais FR (irpm)** Função Pulmonar VEF1/CVF (%pred)* PEF (%pred)** IMC: Índice De Massa Corporal; PAS: Pressão Arterial Sistêmica; PAD: Pressão Arterial Diastólica; FR: Frequência Respiratória; FC: Frequência Cardíaca; SpO2: Saturação Periférica De Oxigênio; Tax: Temperatura Axilar; CVF: Capacidade Vital Forçada; VEF1: Volume Expiratório Forçado no 1º segundo; PEF: Pico De Fluxo Expiratório. *valores em mediana e intervalo interqualtil (Teste U de Mann-Whitney). **Média ± desvio padrão (teste t Student). Valores significativos com p<0,05. 97 Figura 2. Comparação entre a força de pressão palmar (FPP) entre os grupos. A: Comportamento da FPP em valores absolutos (Kgf). B: Comportamento da FPP em porcentagem do predito (%pred). Figura 3. Associação entre a força de preensão palmar (FPP) e a capacidade funcional (BADL) A: Associação apresentada dentro do GH. B: Associação apenas quando considerado o GC. Onde: FPP: Força de preensão palmar; GH: Grupo Hospitalizado; GC: Grupo controle. 98 CAPITULO V NOTA À IMPRENSA 99 PESQUISA AVALIA A CAPACIDADE FUNCIONAL DE IDOSOS HOSPITALIZADOS O Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde da Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC divulga os resultados de uma pesquisa de mestrado da aluna Mônica Wietzke sob orientação da Professora Drª Dulciane Nunes Paiva, que avaliou indivíduos de ambos os sexos com 60 anos ou mais. Com o envelhecimento o indivíduo torna-se mais suscetível a incapacidades funcionais e doenças crônicas. A doença, bem como a internação hospitalar e o próprio envelhecimento, podem contribuir para um decréscimo na saúde e qualidade de vida desta população. Os idosos utilizam de forma mais assídua os serviços de saúde, bem como, estão sujeitos aos efeitos adversos decorrentes da hospitalização. Em nosso estudo, foram avaliadas as seguintes variáveis: a capacidade funcional, função pulmonar, força muscular e força de preensão palmar em idosos admitidos no Hospital Santa Cruz e idosos da comunidade em geral que foram convidados a realizar os testes que avaliaram sua independência funcional. Como principais resultados da pesquisa, podemos apontar que o idoso hospitalizado possui uma redução na função pulmonar, na capacidade funcional, na força muscular e na força de preensão palmar quando comparado com idosos da comunidade. Neste sentido, esta pesquisa torna-se de extrema importância para detectar precocemente os possíveis riscos de dependência futura em idosos além de delimitar a intervenções direcionadas a esta população. Assim, conhecendo as particularidades do idoso, podemos promover ações que visem um atendimento diferenciado visando um atendimento diferenciado e a promoção de melhor qualidade de vida para essa população. 100 ANEXOS 101 ANEXO A TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO PROJETO: AVALIAÇÃO DA FORÇA MUSCULAR, CAPACIDADE FUNCIONAL E FUNÇÃO PULMONAR DE IDOSOS HOSPITALIZADOS Estamos realizando uma pesquisa com pacientes com 60 anos ou mais, admitidos na enfermaria do Hospital Santa Cruz. O objetivo do estudo é avaliar a força muscular, capacidade funcional e a função pulmonar de idosos hospitalizados no Hospital Santa Cruz em Santa Cruz do Sul – RS. Inicialmente será aplicado um questionário que incluirá perguntas de dados pessoais como: idade, data de nascimento, estado civil, causa da internação, inquérito tabágico e nível de escolaridade, além de questões sobre a realização das atividades da vida diária e práticas de atividade física. Tal avaliação poderá ser feita no próprio leito, sendo realizada até 42 horas após a internação. A força dos músculos será avaliada através do uso de um questionário que pedirá a você para realizar um movimento com a perna e com o braço para quantificar a força dos seus músculos. Será realizada a avaliação da altura através de uma fita métrica que medirá a panturrilha, a perna e o braço e permitirá a medida do peso corporal. Para verificar a quantidade de gordura do corpo, será utilizado um aparelho que chamado Adipômetro, que verificará a quantidade de gordura através de uma medida feita na pele. Este teste não causará dor e não agredirá a pele. Para a avaliação da força das mãos, utilizaremos um aparelho que é chamado de Dinamômetro, este instrumento possui um local para posicionamento da mão, onde você realizará o movimento de fechar a mão colocando a maior força possível. O teste será realizado três vezes com cada uma das mãos. Para a avaliação da função respiratória será realizado os testes de Espirometria e Manovacuometria. Para avaliar seu volume pulmonar, será utilizado um aparelho chamado de espirômetro para verificar se o seu pulmão está normal. Você ficará sentado em uma cadeira com as costas apoiadas, puxará o máximo de ar pelo nariz e após colocará um clipe para não haver escape de ar, após, soprará todo o ar possível através do aparelho. Este teste será repetido três vezes. 102 O teste da manovacuometria mede a força dos seus músculos da respiração. Este teste é realizado em poucos segundos. Você ficará sentado em uma cadeira, irá colocar um clipe nasal, para evitar escape de ar pelo nariz e irá assoprar e puxar fortemente o ar pela boca, através de um bucal firmemente fixo entre os lábios. O bucal será conectado a um aparelho que registrará a força gerada pelos músculos da respiração. Este exame será repetido 5 (cinco) vezes com um descanso de aproximadamente 1 (um) minuto entre eles. É importante ressaltar que não se prevê riscos para a saúde de qualquer participante causado diretamente pela pesquisa, pois os dados coletados não interferirão nos cuidados clínicos recebidos. Você terá direito a esclarecimentos quanto aos possíveis desconfortos durante a realização do teste, que eventualmente podem ser: tontura, cansaço ou discreta falta de ar. Na manifestação de qualquer sintoma, será interrompido o teste. Após o teste de dinamometria poderá ocorrer uma leve dor nas mãos, causada pelo esforço de apertar o equipamento. Enfatizamos que a concordância ou não em participar deste estudo não irá interferir com nenhum outro tratamento médico que eventualmente estejas realizando. O objetivo deste convite é saber do seu interesse em colaborar com a presente pesquisa. As informações obtidas serão de caráter confidencial e serão utilizadas para propósitos de pesquisa exclusivamente. Caso queiras retirar-te do estudo, estarás livre para fazê-lo em qualquer momento que desejares. As profissionais Profª Drª Dulciane Paiva e a aluna do Mestrado em Promoção da Saúde e Educadora Física, Mônica Wietzke certificaram-me de que as informações por mim oferecidas terão caráter confidencial. Os Pesquisadores Responsáveis por este Projeto de Pesquisa são Mônica Wietzke, telefone de contato (51) 8141- 0370 e a Profª Drª Dulciane Paiva, telefone de contato (51) 3717-7387. O Comitê de Ética em Pesquisa responsável pela apreciação do projeto pode ser consultado, para fins de esclarecimento, através do telefone: (51) 3717 7680. O presente documento foi assinado em duas vias de igual teor, ficando uma com o voluntário da pesquisa ou seu representante legal e outra com o pesquisador responsável. Pelo presente Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, eu __________________________________________________________________declaro que autorizo a minha participação neste projeto de pesquisa, pois fui informado, de forma clara e detalhada, livre de qualquer forma de constrangimento e coerção, dos objetivos, da 103 justificativa, dos procedimentos que serei submetido, dos riscos, desconfortos e benefícios, assim como das alternativas às quais poderia ser submetido, todos acima listados. Fui, igualmente, informado: da garantia de receber resposta a qualquer pergunta ou esclarecimento a qualquer dúvida acerca dos procedimentos, riscos, benefícios e outros assuntos relacionados com a pesquisa; da liberdade de retirar meu consentimento, a qualquer momento, e deixar de participar do estudo, sem que isto traga prejuízo à continuação de meu cuidado e tratamento; da garantia de que não serei identificado quando da divulgação dos resultados e que as informações obtidas serão utilizadas apenas para fins científicos vinculados ao presente projeto de pesquisa; do compromisso de proporcionar informação atualizada obtida durante o estudo, ainda que esta possa afetar a minha vontade em continuar participando; de que se existirem gastos adicionais, estes serão absorvidos pelo orçamento da pesquisa. NOME DO VOLUNTÁRIO NOME DO RESPONSÁVEL LEGAL ASSINATURA DO VOLUNTÁRIO ASSINATURA DO RESPONSÁVEL DO VOLUNTÁRIO LEGAL DO VOLUNTÁRIO NOME DO PESQUISADOR ASSINATURA DO PESQUISADOR DATA: __/__/__ 104 ANEXO B FICHA DE AVALIAÇÃO DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Número do questionário: Data da avaliação: Nome do idoso: Sexo: ( ) masculino ( ) feminino Idade: Leito n°: Data de Nascimento: Estado Civil: ( ) Solteiro (a) ( ) Casado (a) ( ) Viúvo (a) ( ) União Estável Causa da Internação (HDA): DADOS CLÍNICOS Data da internação: HDP: Data da alta hospitalar: MEDICAÇÃO: INQUÉRITO TABÁGICO Fumante: ( ) Sim ( ) Não Tipo de Cigarro: Cigarros/dia: Tempo de tabagismo: Ex fumante: ( ) Sim ( ) Não SINAIS VITAIS PA:_______________mmHg FC:______bmp SaO2: ______% Tax:______ºC Fr:______ (irpm) PA:_______________mmHg FC:______bmp SaO2: ______% Tax:______ºC Fr:______ (irpm) DADOS ANTROPOMÉTRICOS Dobra Cutânea Triciptal: Altura do Joelho: 105 (DCT) ___________ (mm) Dobra Cutânea Subescapular: (DCSUB): ___________ (mm) Dobra Cutânea Suprailíaca: (DCS) ___________ (mm) Peso estimado: ___________ kg (AJ): ___________ (cm) Circunferência da Panturrilha: (CP):___________ (cm) Circunferência do Braço: (CB):___________ (cm) Circunferência Muscular do Braço: (CMB):___________ (cm) IMC: ___________ kg/m2 Área Muscular do Braço corrigida: (AMBc): ___________ (cm) Peso (relatado): Altura (relatado): Fórmulas: CIRCUNFERÊNCIA MUSCULAR DO BRAÇO: CMB (cm) = CB (cm) – (DCT (mm) x Onde 3,14 ÁREA MUSCULAR DO BRAÇO: Homens: Mulheres: ALTURA: Homens: 64,19 – (0,04 x I) + (2,02 x AJ) Mulheres: 84,88 – (0,24 x I) + (1,83 x AJ) PESO: Homens: (0,98 x CP) + (1,16 x AJ) + (1,73 x CB) + (0,37 x DCSUB) - 81,69 Mulheres: (1,27 x CP) + (0,87 x AJ) + (0,98 x CB) + (0,40 x DCSUB) - 62,35 IMC: IMC = Peso (kg) / Estatura (m²) FUNÇÃO PULMONAR – ESPIROMETRIA Variável 1ª 2ª CVF ______(%) _____(l) ______(%) PFE ______(%) _____(l) ______(%) VEF1 ______(%) _____(l) ______(%) VEF1/CVF (%) Monovacuometria (Força Muscular Respiratória): Posição sentada a ___° PImax (cmH2O) 1° 2° 3ª _____(l) _____(l) _____(l) (%) ______(%) ______(%) ______(%) PEmax (cmH2O) _____(l) _____(l) _____(l) (%) 106 3° 4° 5° 107 ANEXO C ESCALA DE AVALIAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA FUNCIONAL – (BASIC ACTIVITIES OF DAILY LIVING SCALE) Atividade/ Independência (1 ponto) sem Dependência (0 ponto) com Pontos supervisão, orientação ou assistência supervisão, orientação ou pessoal assistência pessoal ou cuidado integral Banhar-se _____ pontos (1 ponto) – banha-se completamente ou (0 ponto) necessita de ajuda para necessita de auxílio somente para lavar banhar-se em mais de uma parte uma parte do corpo como costas, genitais do corpo, entrar e sair do chuveiro ou extremidade incapacitada ou banheiro ou requer assistência total no banho Vestir-se_____ pontos (1 ponto) pegas as roupas do armário e (0 ponto) Necessita de ajuda para veste as roupas intimas, externas e cintos vestir-se ou necessita ser completamente vestido Ir ao banheiro_____ pontos (1 ponto) Dirigir-se ao banheiro, entra e (0 ponto) Necessita de ajuda para sai do mesmo, arruma suas próprias ir ao banheiro, limpar-se ou usa roupas, limpa a área genital sem ajuda urinol ou comadre Transferência_____ pontos (1 ponto) senta-se/ deita-se e levanta-se da (0 ponto) Necessita de ajuda para cama ou cadeira sem ajuda. Equipamentos sentar-e/deitar-se e levantar-se da mecânicos de ajuda são aceitáveis. cama ou cadeira Continência _____ pontos (1 ponto) Tem completo controle sobre (0 ponto) É parcial ou totalmente suas eliminações (urinar e evacuar incontinente do intestino e bexiga Alimentação _____ pontos (1 ponto) Leva a comida do prato à boca (0 ponto) Necessita de ajuda sem ajuda. Preparação da comida pode ser parcial ou total com a alimentação feita por outra pessoa. ou requer alimentação parenteral. Total de pontos: 6 = independente 4 = dependência 2 ou menos= muita moderada independência 108 ANEXO D QUESTIONÁRIO INTERNACIONAL DE ATIVIDADE FÍSICA (IPAQ) - VERSÃO CURTA As perguntas estão relacionadas ao tempo que você gasta fazendo atividade física na ÚLTIMA semana. As perguntas incluem as atividades que você faz no trabalho, para ir de um lugar a outro, por lazer, por esporte, por exercício ou como parte das suas atividades em casa ou no jardim. Suas respostas são MUITO importantes. Por favor responda cada questão mesmo que considere que não seja ativo. Obrigado pela sua participação ! Para responder as questões lembre que: atividades físicas VIGOROSAS são aquelas que precisam de um grande esforço físico e que fazem respirar MUITO mais forte que o normal atividades físicas MODERADAS são aquelas que precisam de algum esforço físico e que fazem respirar UM POUCO mais forte que o normal Para responder as perguntas pense somente nas atividades que você realiza por pelo menos 10 minutos contínuosde cada vez: 1a Em quantos dias da última semana você caminhou por pelo menos 10 minutos contínuos em casa ou no trabalho, como forma de transporte para ir de um lugar para outro, por lazer, por prazer ou como forma de exercício? dias _____por SEMANA ( ) Nenhum 1b Nos dias em que você caminhou por pelo menos 10 minutos contínuos quanto tempo no total você gastou caminhando por dia? horas: ______ Minutos: _____ 2a. Em quantos dias da última semana, você realizou atividades MODERADAS por pelo menos 10 minutos contínuos, como por exemplo pedalar leve na bicicleta, nadar, dançar, fazer ginástica aeróbica leve, jogar vôlei recreativo, carregar pesos leves, fazer serviços domésticos na casa, no quintal ou no jardim como varrer, aspirar, cuidar do jardim, ou qualquer atividade que fez aumentar moderadamente sua respiração ou batimentos do coração (POR FAVOR NÃO INCLUA CAMINHADA): dias _____por SEMANA ( ) Nenhum 2b. Nos dias em que você fez essas atividades moderadas por pelo menos 10 minutos contínuos, quanto tempo no total você gastou fazendo essas atividades por dia? horas: ______ Minutos: _____ 3a Em quantos dias da última semana, você realizou atividades VIGOROSAS por pelo menos 10 minutos contínuos, como por exemplo correr, fazer ginástica aeróbica, jogar futebol, pedalar rápido na bicicleta, jogar basquete, fazer serviços domésticos pesados em casa, no quintal ou cavoucar no jardim, carregar pesos elevados ou qualquer atividade que fez aumentar MUITO sua respiração ou batimentos do coração. Dias _____por SEMANA ( ) Nenhum 3b Nos dias em que você fez essas atividades vigorosas por pelo menos 10 minutos contínuos quanto tempo no total você gastou fazendo essas atividades por dia? horas: ______ Minutos: _____ Estas últimas questões são sobre o tempo que você permanece sentado todo dia, no trabalho, na escola ou faculdade, em casa e durante seu tempo livre (deixa livre ou lazer. Isto inclui o 109 tempo sentado estudando, sentado enquanto descansa, fazendo lição de casa visitando um amigo, lendo, sentado ou deitado assistindo TV, jogando vídeo game, bate-papo na internet e uso do computador para jogar e estudar. Não inclua o tempo gasto sentando durante o transporte em ônibus, trem, metrô ou carro. 4a. Quanto tempo no total você gasta sentado durante um dia de semana? ______horas _______ minutos 4b. Quanto tempo no total você gasta sentado durante em um dia de final de semana? ______ horas _______ minutos 110 ANEXO E Escore do Medical Research Council (MRC) Movimentos avaliados Abdução do ombro Flexão do cotovelo Extensão do punho Flexão do quadril Extensão do joelho Dorsiflexão do tornozelo Grau de força muscular ( ( ( ( ( ( )0 )0 )0 )0 )0 )0 ( ( ( ( ( ( )1( )1( )1( )1( )1( )1( )2( )2( )2( )2( )2( )2( )3( )3( )3( )3( )3( )3( )4( )4( )4( )4( )4( )4( )5 )5 )5 )5 )5 )5 Grau de força muscular 0 = Nenhuma contração visível 1 = Contração visível sem movimento do segmento 2 = Movimento ativo com eliminação da gravidade 3 = Movimento ativo contra a gravidade 4 = Movimento ativo contra a gravidade e resistência 5 = Força normal Adaptado de DeJongheet al. (2007). 111 ANEXO F 112 ANEXO G 113 ANEXO H 114 ANEXO I NORMAS ESTUDOS INTERDISCIPLINARES SOBRE O ENVELHECIMMENTO E S T U D O S I N T E R D I S C I P L I N A R E S O E N V E L H E C I M E N T O S O B R E DIRETRIZES PARA AUTORES Procedimentos para o envio dos manuscritos 3.1.1 Ao enviar seu manuscrito o(s) autor(es) está(rão) automaticamente: a) autorizando o processo editorial do manuscrito; b) garantindo de que todos os procedimentos éticos exigidos foram atendidos; c) concedendo os direitos autorais do manuscrito à revista Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento; d) admitindo que houve revisão cuidadosa do texto com relação ao português e à digitação; título, e subtítulo (se houver) em português e inglês; resumo na língua do texto e em inglês, com as mesmas características; palavras-chave inseridas logo abaixo do resumo, além de keywords para o abstract; apresentação dos elementos descritivos das referências utilizadas no texto, que permitam sua identificação individual; observação das normas de publicação para garantir a qualidade e tornar o processo editorial mais ágil. 3.1.2 Ao submeter o manuscrito deve ser informado (no portal SEER) nome, endereço, email e telefone do autor a contatar e dos demais autores. Forma de Apresentação dos Manuscritos O título deverá ser apresentado em português e inglês. 3.1.3 Os manuscritos deverão ser digitados em espaço duplo, com no máximo 20 laudas; 3.1.4 A apresentação dos originais deverá seguir as normas atualizadas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Recomenda-se a consulta principalmente às normas NBR 10.520/02 – Citações em documentos; NBR 6024/03 – Numeração progressiva das seções de um documento; NBR 6023/02 – Referências; NBR 6028/03 – Resumos; NBR 6022/03 –Artigo em publicação periódica científica impressa - Apresentação. Nota: Os resumos que acompanham os documentos devem ser de caráter informativo, apresentando elementos sobre as finalidades, metodologia, resultados e conclusões do estudo. 3.1.5 Figuras, tabelas, quadros, etc., devem ser apresentadas uma em cada página, acompanhadas das respectivas legendas e títulos. As figuras e tabelas devem ser apresentadas em preto e branco e não devem exceder 17,5 cm de largura por 23,5 cm de comprimento. Devem ser, preferencialmente, elaboradas no Word/Windows. Não serão aceitas figuras gráficas com cores ou padrões rebuscados que possam ser confundidos entre si, quando da editoração da revista. As figuras e tabelas devem vir anexadas no final do artigo, com suas respectivas legendas explicativas. Deve ser indicado no texto a localização das mesmas, de modo a facilitar o processo de editoração. Fotos (preto e branco) devem estar em formato TIF, com resolução de 300 dpi. CONDIÇÕES PARA SUBMISSÃO 115 Como parte do processo de submissão, os autores são obrigados a verificar a conformidade da submissão em relação a todos os itens listados a seguir. As submissões que não estiverem de acordo com as normas serão devolvidas aos autores. 1. Enviar em formato DOC 2. Figuras em formato TIFF DECLARAÇÃO DE DIREITO AUTORAL Os direitos autorais para artigos publicados nesta revista são do autor, com direitos de primeira publicação para a revista. Em virtude de aparecerem nesta revista de acesso público, os artigos são de uso gratuito, com atribuições próprias, em aplicações educacionais e nãocomerciais. POLÍTICA DE PRIVACIDADE Os nomes e endereços de e-mail neste site serão usados exclusivamente para os propósitos da Revista, não estando disponíveis para outros fins. Estudos Interdisciplinares sobre o Envelhecimento. ISSN: 1517-2473 (impresso) e 2316-2171 (eletrônico) Qualis Capes 2013, área interdisciplinar: B1 116 ANEXO J NORMAS REVISTA BRASILEIRA DE FISIOTERAPIA A Revista Brasileira de Fisioterapia (RBF) publica artigos originais de pesquisa sobre temas relacionados às áreas de terapia e reabilitação física, incluindo estudos clínicos, básica ou aplicada sobre a avaliação, prevenção e tratamento de distúrbios de movimento. Nosso Conselho Editorial tem o compromisso de divulgar pesquisas científicas de qualidade de muitas áreas de especialização. A RBF aceita os seguintes tipos de estudo, que devem ser diretamente relacionados com escopo e especialização áreas da revista: a) Estudos experimentais : estudos que investigam o efeito (s) de uma ou mais intervenções sobre os resultados diretamente relacionados ao escopo e especialização áreas da RBF. Estudos experimentais incluem estudos de caso único experimentais, estudos quaseexperimentais e ensaios clínicos. A Organização Mundial de Saúde define ensaio clínico como qualquer pesquisa que prospectivamente aloca participantes humanos ou grupos de seres humanos para uma ou mais intervenções relacionadas com a saúde para avaliar o efeito (s) sobre o resultado (s) de saúde.Portanto, nenhum estudo que pretende analisar o efeito de uma dada intervenção é considerado como um ensaio clínico. Os ensaios clínicos incluem estudos de caso único, séries de casos (um único grupo, sem um grupo de controle para comparação), estudos controlados não-randomizados e ensaios clínicos randomizados. Ensaios clínicos randomizados devem seguir o CONSORT (Consolidated Standards of Reportagem Trials), as recomendações, que estão disponíveis em: http://www.consort-statement.org/consortstatement/overview0/ . Neste site, o autor deve acessar a lista de verificação CONSORT 2010, que deve ser preenchido e enviado com o manuscrito. Todos os manuscritos devem conter também uma Declaração CONSORT 2010 Diagrama de Fluxo. A partir de 2014, todo o processo de submissão de estudos experimentais devem abordar esta recomendação. b) Estudos observacionais: os estudos que investigam a relação (s) entre as variáveis de interesse relacionados com o escopo e especialização áreas RBF 'sem manipulação direta (por exemplo, intervenção). Estudos observacionais incluem estudos transversais, estudos de coorte e estudos de caso-controle. c) estudos qualitativos: estudos que se centram nas necessidades de compreensão, motivações e do comportamento humano. O objeto de um estudo qualitativo é guiado por uma análise em profundidade de um tema, incluindo opiniões, atitudes, motivações e padrões de comportamento, sem quantificação. Estudos qualitativos incluem documentário e análise etnográfica. d) Revisões da literatura: estudos que analisam e / ou sintetizar a literatura sobre um tema 117 relacionado com o alcance e áreas de expertise da RBF. Comentários críticos ou narrativas só serão publicados a convite dos editores. As revisões sistemáticas que incluem meta-análise terá prioridade sobre outras revisões sistemáticas. Aqueles que têm um número insuficiente de artigos ou artigos com baixa qualidade e não incluem uma conclusão assertiva e válida sobre o assunto não serão considerados para a análise de peer-review. e) estudos metodológicos: estudos centrados no desenvolvimento e / ou avaliação das propriedades psicométricas e características clinimétricas de instrumentos de avaliação. Eles também incluem estudos que visam traduzir e / ou adaptar culturalmente questionários estrangeiros para o Português Brasileiro. Autorização dos autores para a tradução e / ou adaptação do instrumento original deve ser incluído no processo de submissão. O site EQUATOR Network ( http://www.equator-network.org/resource-centre/library-ofhealth-research-reporting ) inclui uma lista completa de orientações disponíveis para cada tipo de estudo, como o STROBE (reforço Comunicação de estudos observacionais em Epidemiologia) para estudos observacionais, o COREQ (Critérios consolidadas para relatar QualitativeResearch) para a pesquisa qualitativa, o PRISMA (Reporting preferido Itens para Revisões Sistemáticas e Meta-Analyses) para revisões sistemáticas e meta-análises, ea GRRAS (Diretrizes para Relatórios de Confiabilidade e Estudos Agreement) para estudos de confiabilidade. Recomendamos que os autores verificar estas orientações e aderir à lista de verificação apropriada antes de enviar seus manuscritos. Estudos que relatam resultados eletromiográficos devem seguir as Isek (Sociedade Internacional de Eletrofisiologia e Cinesiologia) Padrões para Reporting EMG de dados, disponível em http://www.isek-online.org/standards_emg.html . Aspectos éticos e legais Submeter um manuscrito para a RBF implica que o artigo, no todo ou em parte, não tenha sido publicado por outra fonte de comunicação e que não está sendo considerado para publicação por outra revista. O uso de iniciais paciente, nomes ou números de registo do hospital deve ser evitada. Os pacientes não devem ser identificados em fotografias, exceto com consentimento expresso por escrito anexado ao artigo original no momento da apresentação. Estudos em humanos devem estar de acordo com os padrões éticos e com o consentimento informado dos participantes de acordo com o Conselho Nacional de Saúde ( NHC) Resolução 196/96 do Ministério da Saúde, que supervisiona o Código de Ética em Pesquisa Humana. Autores fora do Brasil devem seguir as diretrizes estabelecidas pelo Comitê de Publicação Ética (COPE) . As experiências com animais devem estar em conformidade com as diretrizes internacionais (tais como, o Comitê para a Investigação e Questões Éticas da Associação Internacional para o Estudo da Dor [Pain, 16:109-110, 1983]). Para os estudos que envolvem a pesquisa humana e animal, o manuscrito deve incluir o número de aprovação dada pelo Comitê de Ética em Pesquisa. O estudo deve ser registrado no Conselho Nacional de Saúde da universidade ou hospital ou pelo Conselho Nacional de Saúde mais próximo da sua área. A RBF reserva-se o direito de não publicar manuscritos que não estiverem de acordo com as regras legais e éticas para pesquisas com seres humanos e 118 animais. Para os ensaios clínicos, qualquer registro que satisfaça as exigências do Comitê Internacional de Editores de Revistas Médicas (ICMJE), por exemplo, http://clinicaltrials.gov/ e / ou http://anzctr.org.au/ serão aceitos. A lista completa de todos os registros de ensaios clínicos podem ser encontradas em: http://www.who.int/ictrp/network/primary/en/index.html . De 01/01/2014 a RBF efetivamente adotam a política sugerido pela Sociedade Internacional de Editores de Revista Fisioterapia (ISPJE) e vai exigir um número de registro em potencial (ou seja, os ensaios clínicos que começaram o recrutamento a partir desta data deve registrar o estudo ANTES o recrutamento do primeiro paciente) pelo momento da apresentação do manuscrito.Para estudos que começaram o recrutamento até 31/12/2013 inscrição retrospectiva serão aceitos. Os critérios de autoria A RBF aceita submissões de manuscritos com até seis (6) autores. Política autoria do RBF segue os requisitos do ICMJE para Manuscritos Submetidos a Revistas Biomédicas ( www.icmje.org ), que afirmam que "crédito de autoria deve ser baseado em 1) contribuições substanciais para a concepção e desenho, aquisição de dados, ou análise e interpretação dos dados , 2) a elaboração do artigo ou revisão crítica do conteúdo intelectual e 3) aprovação final da versão a ser publicada. " Condições 1, 2 e 3 devem ser todos cumpridos. Aquisição Grant, coleta de dados e / ou supervisão geral de um grupo de pesquisa não justificam autoria e devem ser reconhecidos nos agradecimentos. Todos os autores são os únicos responsáveis pelo conteúdo dos manuscritos submetidos. Todo o material publicado torna-se propriedade da RBF, que reterá os direitos autorais. Portanto, nenhum material publicado na RBF pode ser reproduzida sem a permissão por escrito dos editores. Todos os autores do manuscrito submetido devem assinar um termo de acordo de transferência de direitos de autor a partir da data da aceitação do manuscrito. Os editores podem considerar, em casos excepcionais, um pedido de apresentação de um manuscrito com mais de 6 (seis) autores. Os critérios de análise incluem o tipo de estudo, o potencial de citação, a qualidade metodológica e complexidade, entre outros. Nestes casos excepcionais, a contribuição de cada autor deve ser especificado no final do texto (após Agradecimentos e logo antes de Referências), de acordo com as diretrizes do Comitê Internacional de Editores de Revistas Médicas e as Diretrizes para a integridade na atividade científica amplamente divulgados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq; http://www.cnpq.br/web/guest/diretrizes ). Manuscrito forma e apresentação A RBF aceita a submissão de manuscritos com até 3.500 palavras (excluindo página de título, resumo, referências, tabelas, figuras e legendas). A informação contida no apêndices serão incluídos no número total de palavras permitidas. O manuscrito deve ser escrito preferencialmente em Inglês. Sempre que a qualidade da 119 escrita em Inglês dificulta a análise e avaliação do conteúdo, os autores serão informados. Recomenda-se que os manuscritos submetidos em Inglês ser acompanhada de certificação de revisão por um profissional de edição e um serviço de revisão. Esta certificação deve ser incluído na apresentação. Recomendamos os seguintes serviços, não excluindo outros: American Journal Experts ( www.journalexperts.com ); Scribendi ( www.scribendi.com ); NaturePublishing Grupos Idioma ( https://languageediting.nature.com/login ). Edição O manuscrito deve incluir um título e uma página de identificação, resumo e palavraschave antes de o corpo do manuscrito.Referências, tabelas e figuras e apêndices devem ser inseridos no final do manuscrito. Título e identificação página O título do trabalho não pode exceder 25 palavras e deve incluir o máximo de informações sobre o estudo possível. Idealmente, os termos utilizados no título não deve aparecer na lista de palavras-chave. A página de identificação deve conter também os seguintes detalhes: Título completo e curto título de até 45 caracteres para ser usado como uma lenda nas páginas impressas; Autor : nome e sobrenome do autor em letras maiúsculas, sem título seguido de um número sobrescrito (expoente) identificando a afiliação institucional (departamento, instituição, cidade, estado, país). Por mais de um autor, separar por vírgula; Endereço para correspondência : nome, endereço completo, e-mail e número de telefone do autor correspondente, que está autorizado a aprovar revisões editoriais e fornecer informações adicionais, se necessário. Palavras-chave : até seis termos de indexação ou palavras-chave em Português e Inglês. Abstrato O resumo deve ser escrito em um formato estruturado. A apresentação concisa não exceda 250 palavras em um único parágrafo, em Inglês, deve ser escrita e colocada logo após a página de título. Não inclua referências, notas de rodapé ou abreviações indefinidas. Introdução Esta parte do manuscrito deve dar informações sobre o objeto de investigação, como se relaciona com outros estudos no mesmo campo, e as razões que justificam a necessidade de estudo, bem como objetivo específico (s) do estudo e hipóteses, se for o caso. Método Descrição clara e detalhada dos participantes do estudo e os procedimentos de coleta de 120 dados, a transformação / redução e análise de dados, a fim de permitir a reprodutibilidade do estudo. O processo de seleção dos participantes e alocação deve ser organizada de um fluxograma contendo o número de participantes em cada fase, bem como as suas principais características (ver modelo de CONSORT diagrama de fluxo ). Sempre que relevante para o tipo de estudo, o autor deve incluir o cálculo que justifique adequadamente o tamanho da amostra para investigação dos efeitos de intervenção. Todas as informações necessárias para estimar e justificar o tamanho da amostra usada no estudo deve ser claramente indicado. Resultados Os resultados devem ser apresentados de forma breve e concisa. Resultados pertinentes devem ser relatados com o uso de texto e / ou tabelas e / ou figuras. Dados incluídos em tabelas e figuras não devem ser duplicados no texto. Discussão O objetivo da discussão é interpretar os resultados e relacioná-los com o conhecimento existente e disponível, especialmente o conhecimento já apresentado na introdução. Seja cauteloso ao enfatizar descobertas recentes. Os dados apresentados nos métodos e / ou nas seções de resultados não devem ser repetidos. As limitações do estudo, implicações e aplicações clínicas para as áreas de fisioterapia e ciências de reabilitação deve ser descrito. Referências O número recomendado de referências é de 30, com exceção de revisões de literatura. Evite referências que não estão disponíveis a nível internacional, tais como teses e dissertações, resultados não publicados e artigos, e comunicação pessoal. As referências devem ser organizadas em ordem numérica de primeira aparição no texto, seguindo os Requisitos Uniformes para Manuscritos Submetidos a Revistas Biomédicas preparados pelo ICMJE . Os títulos dos periódicos devem ser escritos de forma abreviada, de acordo com a lista de Revistas de Index Medicus . As citações devem ser incluídos no texto como sobrescrito (expoente) números sem datas. A exatidão das referências constantes no manuscrito ea sua citação correta no texto são de responsabilidade do autor (s). Exemplos: http://www.nlm.nih.gov/bsd/uniform_requirements.html . Tabelas, Figuras e Anexos Um total de cinco tabelas e figuras (5) combinado é permitido. Anexos devem ser incluídos no número de palavras permitidas no manuscrito. No caso de tabelas publicadas anteriormente, figuras e apêndices, os autores devem apresentar uma autorização assinada pelo autor ou editor, no momento da apresentação. Para artigos submetidos em Português, a versão em Inglês das tabelas, figuras e apêndices 121 e suas respectivas legendas deve ser anexado no sistema como documento suplementar. Tabelas : devem incluir apenas os dados imprescindíveis, não deve ser excessivamente longo (máximo permitido: uma página A4 com espaçamento duplo). Eles devem ser numerados consecutivamente, com algarismos árabes e deve ser inserido no fim do texto. Pequenas mesas que podem ser descritas no texto não são recomendados. Resultados simples são melhor apresentadas em uma frase em vez de uma mesa. Figuras : estas devem ser citadas e numeradas consecutivamente com algarismos arábicos, na ordem em que aparecem no texto. As informações nas figuras não devem repetir dados já descritos em tabelas ou no texto. O título ea legenda (s) deve explicar a figura sem a necessidade de consulta ao texto. Todas as legendas devem ser em espaço duplo, e todos os símbolos e abreviaturas devem ser definidos. Use letras maiúsculas (A, B, C, etc), para identificar as partes individuais de várias figuras. Se possível, todos os símbolos devem aparecer nas legendas. No entanto, os símbolos para identificação de curvas em um gráfico pode ser incluído no corpo da figura, desde que não prejudique a análise dos dados. Figuras em cores só serão publicados na versão online. Com relação à arte final, todos os valores devem estar em alta resolução ou em sua versão original. Figuras de baixa qualidade podem resultar em atrasos na aceitação e publicação do artigo. Agradecimentos : devem incluir declarações de importantes contribuições especificando sua natureza. Os autores são responsáveis pela obtenção da autorização de pessoas / instituições nomeadas nos agradecimentos. A submissão eletrônica Submissão do manuscrito deve ser feito eletronicamente através do site http://www.scielo.br/rbfis . Os artigos submetidos e aceitos em Português será traduzido para o Inglês por tradutores RBF, e artigos submetidos e aceitos em Inglês serão encaminhados para revisores RBF ingleses para uma revisão final. É de responsabilidade dos autores para remover todas as informações (exceto na página do título e identificação) que possam identificar a fonte ou autoria do artigo. Ao submeter um manuscrito para publicação, os autores devem inserir os detalhes do autor no sistema e anexar os seguintes documentos complementares: 1. 2. 3. 4. Cubra carta ; Declaração de conflito de interesse ; Declaração de transferência de direitos autorais assinada por todos os autores; Outros documentos quando for o caso (por exemplo, permissão para publicar figuras ou trechos de matérias publicadas anteriormente, listas de verificação, etc.) 122 Especial Pista Submission Excepcionally, a RBF pode receber e avaliar os manuscritos que foram apresentados e rejeitados por outros periódicos indexados no Journal Citation Reports (JCR). Esta modalidade irá considerar comentários do outro jornal, o que pode encurtar o tempo de publicação, se o manuscrito tem mérito para ser publicado. No entanto, os manuscritos na modalidade pista especial terá de ser avaliada com o mesmo rigor que uma nova submissão, que inclui a necessidade de inovação. Para ser elegível para a apresentação pista especial, o manuscrito deve estar de acordo com o RBF Âmbito e Políticas seção e com as seções 2 e 3 do presente documento, e deve atender aos seguintes requisitos: A revista internacional de que o manuscrito foi previamente submetida deve ter um fator de impacto JCR superior a 1,5; O manuscrito deve ter concluído o processo de peer-review completo na revista anterior. Manuscritos rejeitados na revisão inicial editor não serão aceitos; Trilha especial submissão deve incluir: a) o manuscrito com as mudanças destacadas, b) respostas ponto-a-ponto aos comentários dos revisores, c) uma carta com o nome eo fator de impacto do periódico anterior ea justificativa para publicação na RBF , explicando (se necessário) os itens que não estavam satisfeitos em relação a comentários dos revisores e / ou decisão editorial da revista da revista internacional; d) o e-mail oficial da outra revista (revisor e editor de letras com revisão detalhada), que deve ser encaminhado na íntegra sem edição, ou seja, a resposta de e-mail deve ser encaminhado para a RBF ( [email protected] ), e) todas as informações adicionais solicitadas pela RBF. O processo de revisão As submissões que atendam aos padrões estabelecidos e apresentados de acordo com as políticas editoriais RBF será encaminhado aos editores de área, que irão realizar uma avaliação inicial para determinar se os manuscritos devem ser revisados. Os critérios utilizados para a análise inicial do editor área incluem: originalidade, pertinência, relevância clínica e metodologia. Os manuscritos que não têm mérito ou não estejam em conformidade com as políticas editoriais será rejeitada na fase de pré-análise, independentemente da adequação do texto e qualidade metodológica. Portanto, o manuscrito pode ser rejeitada com base unicamente no recomendação do editor área sem a necessidade de nova revisão, nesse caso, a decisão não é passível de recurso. Os manuscritos selecionados para pré-análise serão submetidos a revisão por especialistas, que irão trabalhar de forma independente. Os revisores permanecerão anônimos aos autores e os autores não serão identificados para os colaboradores. Os editores irão coordenar o intercâmbio entre autores e revisores e tomará a decisão final sobre quais artigos serão publicados com base nas recomendações dos revisores e editores de área. Se aceito para publicação, os artigos podem estar sujeitos a pequenas alterações que não afetarão o estilo do autor. Se um artigo for rejeitado, os autores receberão uma carta justificativa do editor.Após a publicação ou no final do processo de revisão, toda a documentação sobre o processo de revisão será destruído. 123 Áreas de especialização 1. Fisiologia, Cinesiologia e Biomecânica, 2. Cinesioterapia / recursos terapêuticos, 3. O desenvolvimento motor, aquisição, controle e comportamento 4. Educação, Ética, Deontologia e Fisioterapia História, 5. Avaliação, prevenção e tratamento de doenças cardiovasculares e respiratórias, 6. Avaliação, prevenção e tratamento de doenças do envelhecimento, 7. Avaliação, prevenção e tratamento de lesões músculo-esqueléticas, 8. Avaliação, prevenção e tratamento de distúrbios neurológicos, 9.Avaliação, prevenção e tratamento de doenças ginecológicas, 10. Ergonomia / Saúde Ocupacional.