1.a SÉRIE - LIVRO 1
ENSINO MÉDIO
LIVRO DO PROFESSOR
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© 2006-2009 – IESDE Brasil S.A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito dos autores e do
detentor dos direitos autorais.
I229
IESDE Brasil S.A. / Ensino Médio / IESDE Brasil S.A.
— Curitiba : IESDE Brasil S.A., 2009.
[1.a Série –
Livro 01 – Livro do professor]
632 p.
ISBN: 978-85-387-0307-5
1. Ensino Médio. 2. Educação. 3. Estudo e Ensino. I. Título.
CDD 370.71
Disciplinas
Autores
Língua Portuguesa
Literatura
Matemática
Física
Química
Biologia
História
Geografia
Francis Madeira da S. Sales
Márcio F. Santiago Calixto
Rita de Fátima Bezerra
Fábio D’Ávila
Danton Pedro dos Santos
Feres Fares
Haroldo Costa Silva Filho
Jayme Andrade Neto
Renato Caldas Madeira
Rodrigo Piracicaba Costa
Cleber Ribeiro
Marco Antonio Noronha
Vitor M. Saquette
Edson Costa P. da Cruz
Fernanda Barbosa
Fernando Pimentel
Hélio Apostolo
Rogério Fernandes
Jefferson dos Santos da Silva
Marcelo Piccinini
Rafael F. de Menezes
Rogério de Sousa Gonçalves
Vanessa Silva
Duarte A. R. Vieira
Enilson F. Venâncio
Felipe Silveira de Souza
Fernando Mousquer
Produção
Projeto e
Desenvolvimento Pedagógico
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HISTÓRIA
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Civilizações
pré-colombianas,
asiáticas e
africanas
Uma história da humanidade
ou uma história da
conquista da Europa?
O conteúdo ensinado em suas aulas de História
está dividido em duas partes: a história do Brasil e
a história geral. A primeira tem como objetivo tratar
sobre o nosso país, de seu descobrimento até os
dias atuais. Já a segunda visa estudar a história da
humanidade, das origens do homem até os problemas vividos nos dias de hoje. Mas, ao contrário do
que pode parecer, essa divisão não é tão ingênua
quanto parece.
Por trás dessa separação, está presente uma
visão de história. Por exemplo, quando estudamos
a história do Brasil enfatizando o descobrimento e
a colonização portuguesa, estamos considerando a
presença do homem branco europeu nessas terras e a
transformação que aqui desencadeou – fundamental
para entender a formação do Brasil atual. Sem dúvida
uma contribuição importante (a começar pela nossa
própria língua, o português, que é herança dessa
colonização), mas não única.
Antes da chegada dos portugueses, o Brasil
não era desabitado: a presença das nações indígenas era marcante. Eles povoavam todo o território
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Geralmente, após estudarmos a Idade Média,
partimos para a Idade Moderna: as grandes navegações e a descoberta da América; a formação dos
Estados nacionais; as reformas religiosas etc. Por
isso, você pode estar achando um tanto incomum
os temas a serem tratados agora (civilizações précolombianas e áfrica pré-colonial).
Mas não é tão estranho como parece. Na
verdade, vimos nos módulos anteriores o período antigo e medieval tendo como pano de fundo
eventos relacionados ao continente europeu. Só
que, durante essa mesma época, a história não
ocorria somente na Europa. Havia todo o resto
do mundo com uma dinâmica própria, com povos
vivendo características tão importantes quanto a
dos europeus.
Por isso, estudaremos os principais acontecimentos fora da Europa: na América das civilizações
pré-colombianas (antes da chegada de Colombo e da
conquista espanhola); na África antes da expansão
marítimo-comercial europeia; e os povos asiáticos,
principalmente a China, a Índia e o Japão.
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1
O porquê do eurocentrismo
2
A razão da existência do eurocentrismo em
nosso meio ainda hoje ocorre muito porque fomos um
povo colonizado pelos próprios europeus. A colonização não afeta somente as estruturas administrativas
ou econômicas: ela se encontra presente em outros
campos, deixando resquícios em nossa formação
cultural e intelectual.
Ser colonizado, portanto, implica subordinação à
metrópole inclusive mentalmente. Apesar de o Brasil
ter conseguido sua emancipação política em 1822,
até hoje a influência/subordinação cultural é muito
grande. Ainda carregamos esse legado – como pode
ser atestado no ensino de história.
Para romper com
o eurocentrismo
Buscando quebrar um pouco essa lógica, estudaremos povos que floresceram em paralelo com
os europeus durante a época antiga e medieval. A
importância está em realçar que naquele período
outras civilizações destacavam-se com maior força
e com grandes avanços fora da Europa. Naquele
momento, os europeus não haviam se transformado
ainda na força em que se tornaram depois.
Por fim, para se romper com a visão eurocêntrica
na História não se deve apenas estudar os outros povos não-europeus e ignorar partes como o absolutismo
monárquico ou a Revolução Francesa. Para dar um
grande passo visando romper essa lógica é necessário
ter em mente duas considerações fundamentais:
•• perceber que a História é fruto de uma construção, um processo no qual tudo está em jogo
e nada está predeterminado a acontecer. Por
exemplo: houve momentos nos quais povos,
como os chineses, realizaram navegações tão
extraordinárias quanto às europeias e muito
antes destas (embora com consequências
bem diversas);
•• entender as razões pelas quais estamos estudando eventos como a Revolução Francesa, por exemplo, torna-se fundamental para
realizarmos uma história crítica.
Os povos a serem estudados a partir de agora
viveram na Antiguidade e na Idade Média. Isso
porque possuíam as características próprias que
podem ser analisadas dentro de ambos os períodos,
considerando – no entanto – suas especificidades.
As civilizações
pré-colombianas
Vamos começar nossos estudos primeiramente
pelos povos que habitavam o continente americano
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que corresponde hoje ao Brasil, tinham uma cultura
rica e toda uma história complexa antes mesmo da
conquista europeia.
Além disso, a colonização portuguesa contou
com um agente fundamental para os seus objetivos:
o negro. Trazido da África onde fora tornado escravo,
ele veio ao Brasil para trabalhar e se tornar a mãode-obra fundamental na colonização. Aqui estando,
trouxe suas crenças e hábitos, ajudando a formar o
Brasil. Sem a presença indígena e a presença negra
o Brasil não seria o que é hoje.
Todavia, muitas vezes a História ensinada tem
como fim legitimar uma visão de passado e deixar um
pouco à margem a contribuição de tais grupos. Apesar de serem grupos fundamentais na construção do
Brasil, pelo fato de serem subjugados, não aparecem
com destaque na história brasileira (apesar de sua
luta por espaço e direitos, e seu legado que abrange
vários campos, inclusive o cultural).
O mesmo processo ocorre quando estudamos a
chamada história geral. Aparentemente ela é a história da humanidade por englobar vários continentes.
Porém, se repararmos um pouco melhor, veremos que
ela não é uma história tão plural assim.
Pouco sabemos sobre os povos africanos antes
da colonização europeia. Ou mesmo as civilizações
americanas antes da chegada do europeu à América. Os povos orientais raramente são estudados – e
se isso ocorre, geralmente mostram-se os contatos
travados entre eles e os europeus – principalmente
o interesse dos últimos por especiarias.
Assim, é possível reparar um aspecto importante da história geral. Ela é vista por meio de uma perspectiva europeia: do seu surgimento (com as bases da
civilização em Grécia e em Roma) e de sua conquista
sobre o mundo (com o expansionismo marítimo do
início da Idade Moderna, com a formação de colônias
e, por fim, com o imperialismo e domínio mundial do
século XIX aos dias de hoje). Esse enfoque é o que
chamamos de eurocentrismo.
muito antes do “descobrimento” da América por
Cristóvão Colombo. Por terem se desenvolvido antes da chegada deste, são chamados de povos précolombianos (antes de Colombo).
Você sabe o porquê do nome deste continente
ser “América”? Em 1492, o navegador genovês
Cristóvão Colombo partiu pelo oceano Atlântico
em busca de um caminho às Índias pois os reis
espanhóis estavam interessados em comprar
produtos existentes lá – as especiarias. Desembarcando no continente americano, Colombo
acreditou até o fim da vida ter chegado às Índias
(Oriente) – embora hoje seja considerado o descobridor das Índias Ocidentais. Isso explica a razão
de chamar seus habitantes de índios – pois seriam
habitantes da Índia.
Outro navegador, Américo Vespúcio, ao fazer
viagens em fins do século XV pela região do “Novo
Continente” constatou que não se havia chegado
às Índias. Assim, em 1507, é feito um mapa-múndi
em que o novo continente aparece e é nomeado de
América em homenagem ao navegador.
É devido às constatações de Américo Vespúcio e da teimosia do genovês (que até o fim de
sua vida garantia não ter descoberto um novo
mundo) que o continente no qual habitamos não
se chama “Colombo”.
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O povoamento do
continente americano
O povoamento do continente americano ocorreu
desde o século X a.C. Acredita-se que os grupos humanos chegaram ao norte do continente via Estreito
de Bering. Embora não haja uma ligação terrestre
entre o continente asiático e a parte Norte da América, acredita-se que naquele momento a migração
de povos foi possível graças à glaciação, um resfriamento das temperaturas globais, que atingiam o
planeta naquele período.
Esse resfriamento possibilitou o congelamento
de várias partes do oceano, fazendo com que houvesse um recuo do nível dos mares. Tal recuo facilitou a
passagem por aquele estreito – que, aliás, não tinha
uma profundidade muito grande – de várias ondas
migratórias existentes na Ásia.
Embora não haja provas concretas do número
de pessoas que migraram à América, estima-se
que as ondas migratórias foram compostas por
um conjunto significativo de integrantes. Inferese isso pelo fato de que quando da chegada dos
espanhóis eram faladas cerca de 2600 línguas na
América – um forte indício da diversidade e da
grande quantidade de povoadores originais.
Uma vez chegando esses grupos, que viviam
em bandos, estabeleciam-se e passavam também por
vários marcos importantes da Pré-História como a Revolução Neolítica, ocorrida na região atual do México
por volta de 7000 a.C. Cabe lembrar que o surgimento
da agricultura foi simultâneo em todo o mundo – por
volta de 8000 a.C. – e não foi consolidada de imediato:
foi um processo que ocorreu em vários milênios.
Povos pré-colombianos:
maias, astecas e incas
As três grandes civilizações pré-colombianas
foram os maias, os astecas e os incas. Seu destaque
é dado pelo desenvolvimento tecnológico, cultural e/
ou pela extensão de seus domínios.
Tiveram como zona básica de ocupação a região
da América Central (também chamada de mesoamérica) e os Andes.
Maias
Os maias foram um povo que habitou a Península de Iucatã, México – muito próximo da região do
Golfo do México. Sua civilização destacou-se entre
os séculos IV e X da nossa era.
Registros arqueológicos indicam que a economia dos maias era baseada na agricultura, como a
produção de milho em coivara. Coivara é o nome de
um sistema de plantio no qual se abrem clareiras
na mata. Quando o solo já estava gasto devido ao
plantio, partia-se para outro lugar a fim de abrir uma
nova coivara.
Já o sistema político era calcado em uma
espécie de cidades-Estado (algo característico da
América Central, como veremos no caso dos astecas)
independentes, o que demonstra seu caráter de autonomia uma da outra.
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Astecas
Os astecas, tal qual os maias, também habitavam
a região da meso-américa, mais especificamente o
planalto mexicano. Seu centro de força era a cidade de
Tenochtitlán. Era uma das maiores cidades do mundo,
habitando por lá aproximadamente 300 000 pessoas.
Ela comandava uma confederação de cidades-Estado
que compunham o império asteca.
Mas, no plano político, é necessário uma ressalva importante: os astecas governavam por meio de
um mosaico de alianças que formavam um império
gigantesco (com aproximadamente 40 milhões de
habitantes), mas um tanto inconsistente – não era
muito centralizado.
Os astecas tinham no campo religioso o mito
apocalíptico de Quetzalcóatl (a “Serpente Emplumada”). De acordo com a crença asteca, um dia os deuses
retornariam pelo oeste decretando o fim dos tempos.
Embora não fosse o determinante, esse mito favoreceu significativamente a conquista espanhola.
Incas
Os incas foram um povo que se situou na zona
andina, que se entende desde onde hoje é o Chile
até o Peru. Seu apogeu deu-se ao fim do século XIV
até a conquista espanhola.
Ao contrário dos astecas e maias, os incas possuíam um alto grau de centralização política. O império inca já foi chamado de uma enorme “confederação
de confederações”, tamanho o grau de integração
entre suas partes. Um exemplo disso era a instituição
da mita – um tributo sobre os povos dominados que
incidia sobre a prestação de trabalho. Depois este
tributo será reutilizado pelos espanhóis.
A cidade de Cuzco era a grande capital do
império. E as atividades agrícolas e pastoris mais
importantes eram a plantação de batata, milho e a
criação de llama, um animal típico da região.
4
Quadro comparativo astecas e incas
Aspectos
Astecas
Impostos
Pagos por meio
de gêneros in
natura.
Comércio
Comércio de
longa distância.
Império
Economia
Inconsistente.
Esboço de propriedade de tipo
individual.
Incas
Pagos por meio de
trabalho.
Sistema de reciprocidade / redistribuição /
constituição.
Sólida organização.
Estatismo.
Os olmecas
A cultura olmeca, que se originou na costa sul
do Golfo do México (La Venta, San Lorenzo, Tenochtitlán, Três Zapotes), é considerada a primeira
cultura elaborada da Mesoamérica, e matriz de
todas as culturas posteriores dessa área.
Quem foram os olmecas? A sua antiguidade remonta à época em que na Europa, depois
de invadirem Creta, os aqueus se preparavam
para conquistar Troia. Portanto, por volta do
século XIII a.C., surgiu na América a primeira
civilização, que durou até cerca do ano 100 a.C.
As características marcantes do Império Olmeca, que se estendeu desde o México Ocidental
até, talvez, a Costa Rica, foram a escultura
monumental (colossais cabeças de pedra) e a
presença de centros cívicos religiosos a que se
subordinavam áreas periféricas (satélites).
Tem razão o historiador mexicano Ignacio
Bernal em declarar que “para nós, americanos,
ainda é melhor conhecida a vida de Roma que
a de Tenochtitlán ou de Cuzco”. Embora já se
conheça razoavelmente bem a vida econômica
e sociopolítica dos astecas e incas, o mesmo
não acontece em relação aos olmecas. Recentes
pesquisas arqueológicas, realizadas em San
Lorenzo, um dos principais centros olmecas e,
provavelmente, o primeiro centro civilizado da
Mesoamérica, nos dão conta da existência de
colinas artificiais, com desaguamentos subter-
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Os maias tiveram impressionantes avanços
culturais, como a escrita hieroglífica (onde há grande
dificuldade em decifrar até os dias de hoje), um calendário que registra o tempo com grande precisão,
além da matemática e da arquitetura (são famosas
as pirâmides maias).
O declínio daquela civilização ocorreu por volta
de 800 d.C, muito antes da chegada dos espanhóis.
Não se sabem as razões. Especula-se que elas sejam
originadas do esgotamento do solo, ou por revoltas
camponesas – mas nenhuma das hipóteses está
confirmada.
râneos que funcionariam como sistemas para
controle da água. A costa meridional do Golfo
do México é uma área pantanosa, irrigada por
numerosos rios. Nesse ambiente tropical, os
Olmecas cultivaram milho, feijão e abóbora,
complementando a subsistência com os produtos obtidos por meio da caça e da pesca.
Além de talhar monumentos gigantescos,
feitos de pedra, os olmecas também se destacaram no artesanato de jade. Nem pedra, nem
jade existiam no litoral do golfo. Os olmecas iam
buscar essas matérias-primas em regiões distantes. Como não conheciam a roda, nem possuíam
animais de carga, a pedra era transportada em
balsas, por via fluvial. A procura do jade deve ter
servido como estímulo ao comércio, que se fazia
através de numerosas rotas. Acredita-se que a
notável influência olmeca na Mesoamérica seja
devido à extensão desse comércio.
A organização social dos olmecas era bastante desenvolvida. A população, espalhada
pelo Império, dividia-se entre uma minoria
(sacerdotes, artífices da elite), que habitava os
centros cerimoniais, e a maioria do povo – camponeses – vivia nas aldeias.
Nos centros cerimoniais, como o de La Venta,
havia altos cômoros, em forma de pirâmide truncada, construídos sobre grandes plataformas de
terra, organizadas ao redor de “plazas”, segundo
um plano sistemático. Esses montículos de argila
eram rodeados de enormes fossas, onde foram
encontradas máscaras religiosas profundamente
enterradas. Ao que parece, os cômoros tinham
funções primordialmente funerárias.
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É de se supor a existência de Chefias ou
Estados incipientes (como em Três Zapotes),
devido à necessidade de supervisão e planejamento, além de recrutamento de numerosa
mão-de-obra para a construção das pirâmides,
plataformas e aterros.
O valor dominante do religioso caracterizou
a arte olmeca. A escultura era bastante desenvolvida: monumentais cabeças de pedra, com
rosto redondo, lábios grossos e nariz achatado; estatuetas com formas humanas; e outras
apresentando uma mistura de traços humanos
e felinos. Todas caracterizavam-se pela boca
retorcida – típica da arte olmeca. São frequentes
as representações do jaguar, a principal divin-
dade, sendo que o homem-jaguar representaria,
provavelmente, o deus da chuva. Quanto à
pintura, encontrou-se poucos exemplares, em
locais distantes.
Sabe-se que tinham conhecimentos de
Astronomia – basta observar o traçado das
suas cidades, obedecendo aos pontos cardeais
(como La Venta) – e um calendário, pois foram
encontrados, em alguns monumentos, registros
de datas muito antigas. Também conheciam
a escrita e possuíam sistemas matemáticos.
Muitos traços e tradições dos olmecas sobreviveram entre as diversas culturas que os
sucederam, como é o caso das culturas dos
maias e astecas.
(Disponível em: <www.historianet.com.br/
conteudo/default.aspx?codigo=368>.)
A África pré-colonial
Geralmente estudamos a África invadida e explorada durante a expansão europeia ou o continente
africano do tráfico negreiro durante a Idade Moderna
ou a partilha da África resultante do avanço imperialista de fins do século XIX. Em suma, estudamos
a África enquanto palco de espoliação.
Entretanto, antes disso temos um continente rico
em povos e culturas originais. O berço da origem do
homem. Um período antes do avanço colonial: é essa
África pré-colonial que iremos conhecer agora.
O espaço geográfico africano
Se relacionarmos a geografia com a dinâmica
histórica, podemos dividir a África em duas zonas
distintas: a África saariana e a África subsaariana.
Na primeira – também conhecida como África
branca – encontra-se o deserto do Saara. É um clima
desértico e está mais relacionada ao mar Mediterrâneo. Já a segunda, ou África negra, encontra-se ao
sul da região desértica e é completamente diferente
quanto ao clima e ao relevo, possuindo savanas a
florestas tropicais. Sua multiplicidade é visualizada
pelo grande conjunto de reinos e impérios existentes,
e pelas áreas de abrangência, tanto o oceano Atlântico quanto o Pacífico.
Estudaremos, nesse momento, a África saariana e depois prosseguiremos nossos estudos com a
África subsaariana.
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Alexandre Pedrozo.
A África saariana
A África saariana tem uma história milenar. Era
onde situava-se o Egito faraônico com sua grande civilização. Cartago, uma das mais prósperas colônias
fundadas pelos fenícios era dessa região – lembremos
que Roma teve de vencê-la para conseguir conquistar
a preponderância sobre o Mediterrâneo, tamanha sua
força e importância. E Roma mesmo tinha naquele
local suas reservas de cereais que abasteciam seu
império. Uma parte profundamente vinculada à dinâmica da bacia do Mediterrâneo.
Mas não abordaremos aqui esta África saariana
e sim a que corresponde ao tempo da Idade Média
europeia: a África que passou pelo processo de expansão islâmica.
A África e a expansão islâmica
6
Fatores da expansão islâmica
As explicações para tal movimento são várias:
•• o enfraquecimento dos adversários (como os
bizantinos);
•• exército disciplinado;
•• interesse em expandir não somente a fé, mas
também conquistar rotas e pontos comerciais.
Mas, segundo muitos, o principal fator foi a unidade político-religiosa que só os árabes islamizados
conseguiram.
Como ocorria a expansão
A conquista da África ocorreu no século VII,
e se iniciou no Egito. Após, avançou sobre o norte,
chegando até a região do Marrocos ao fim do século
VI. A tomada não foi só de terras, mas também de
importantes pontos marítimos.
A conquista procedia de forma rápida e com
força militar, mas não era mantida com violência.
Havia cobrança de impostos aos não-islamizados.
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Nos séculos que corresponderiam à Idade
Média europeia, a dinâmica da África do Norte esteve muito ligada a uma outra região, a Península
Arábica. O advento e difusão do islamismo será
crucial para entender as mudanças pelas quais esta
região passou.
Maomé, o fundador do islamismo, fez com que
toda a Arábia se convertesse ao Islã. Com a sua
morte, em 632, vimos que houve uma quebra dessa
unificação. Algumas tribos não reconheciam o Islã
e sim a autoridade do profeta. Para conter esses
dissidentes, houve um movimento armado de reunificação da península: é o que chamamos de primeira
expansão islâmica.
Porém, após conter os revoltosos, os islâmicos
expandiram-se para além da Península Arábica. Conquistaram terras tanto para oeste (norte da África e
a Península Ibérica) como para o leste (até a Índia).
Esse movimento expansivo é o que chamamos de segunda expansão islâmica (que conseguiu, em pouco
menos de um século, conquistar uma das maiores
extensões de terras da história).
Expansão muçulmana na África.
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Os convertidos não pagavam tributo (o que muito
explica a difusão do Islã em uma região tão grande
e em pouco tempo).
Os muçulmanos enfrentaram os povos do norte
da África, os berberes: habitantes do deserto e com
modo de vida nômade. Apesar da invasão, muitos
berberes se converteram muito rapidamente ao islã.
A África islamizada
A África islamizada pode ser dividida em três
grandes províncias: Magreb, Tunísia e Egito.
Eram subordinadas ao califado no oriente. Todavia, por volta do século X, houve o enfraquecimento
daquele califado. Isso fez com que as províncias já
islamizadas se tornassem autônomas, não mais subordinadas às ordens vindas do oriente.
Emancipadas, promoveram um grande desenvolvimento cultural, principalmente entre os séculos
VII-XII; além de instituirem novas rotas de comércio
pelo Saara a partir do século IX.
Uma outra questão importante da África branca
foi a difusão maciça do islamismo (que chegou até a
regiões mais ao sul, como Gana e Mali). O cristianismo desapareceu quase que por completo na região.
Formou-se ao Norte da África um “cordão islâmico” forte; como consequência disso houve o que
alguns chamam de fechamento do Mediterrâneo às
navegações europeias: os islâmicos tiveram pleno
domínio das rotas navais e comerciais que de certa
maneira impediram o comércio de europeus (cristãos)
por esse mar. Apesar de ser contestada nos dias de
hoje, a teoria sobre o fechamento do Mediterrâneo
salienta a ampla islamização que se produziu em
uma zona tão próxima à Europa. Um outro mundo
na outra margem do mar.
A África subsaariana
A África subsaariana
islamizada e autônoma
Características gerais
O alastramento da religião islâmica pôde ser
notado nos reinos islamizados ao sul do Saara: Gana,
Mali e Songai. Entretanto, apesar da islamização, são
estudados à parte dos demais centros da África do
norte por duas razões:
Geográfica
Situaram-se numa outra região, com dinâmica
própria, não-associada à bacia do Mediterrâneo.
Religiosa
Nessas áreas houve a difusão do islamismo,
mas não foi total como ocorrera com os berberes
– situou-se mais na camada dominante, como na
corte dos reis.
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A África saariana e a subsaariana são estudadas
em separado para melhor compreender suas características e dinâmicas. Porém, devemos levar em consideração que, apesar da grande barreira geográfica,
do Saara, havia contato entre as regiões.
Os berberes islamizados partiram rumo ao sul
do Saara para iniciar seus contatos a partir do século
IX. Esse interesse de expansão rumo ao sul pode
ser percebido em duas regiões: no Magreb (o atual
Marrocos) e no Egito.
Na região magrebina, a oeste da África do norte,
a expansão rumo ao sul visou a busca por rotas onde
haveria ouro, escravos e sal – produtos muito valiosos
na época. Já na parte leste, no Egito, o movimento
em direção ao sul foi ao encontro do ouro do Sudão
(local visado até a Idade Moderna).
Tais contatos entre a parte saariana e a subsaariana eram oportunizados pelas rotas transaarianas:
ligações que cruzavam o deserto. Elas nos mostram
o grande senso de orientação dos berberes em uma
região difícil e inóspita, onde o mínimo desvio poderia
levar à morte. Era graças a essas rotas que havia uma
ligação entre os povos do norte e do sul do Saara.
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7
Política
Eram reinos que por terem sofrido a influência
da religião islâmica, por volta do século XI, não
estiveram vinculados e subordinados às ordens do
califado do Oriente.
Gana
O império de Gana situava-se na zona ocidental
da África, fazendo divisa com os territórios saarianos e berberes. Sofreu islamização, processo que
não atingiu toda população; só abrangeu a camada
dominante.
Seu período de apogeu ocorreu entre os séculos
IX e X. Era um império muito rico em ouro: a sua
riqueza principal.
Entrou em processo de decadência a partir
do século XI até sua desestruturação completa no
século XIII. Com o seu fim, houve uma disputa por
suas rotas comerciais de ouro (que acabaram ficando
com o Mali).
Seu declínio deu-se a partir do século XVI com
a chegada dos europeus, mais especificamente os
portugueses que desarticularam essa região.
O islã, ao se espalhar pela África, também
fomentou o tráfico de escravos: como precisava de
mão-de-obra e não poderia submeter um outro indivíduo de religião islâmica à escravidão (algo proibido pelo Alcorão), recorria aos negros cativos.
Assim, os africanos utilizavam a si próprios
como escravos. Segundo o historiador Ricardo da
Costa: “Muito antes da chegada dos brancos europeus, as tribos, reinos e impérios negros africanos
praticavam largamente o escravismo, da mesma
forma os berberes e demais etnias muçulmanas.
Imaginar os portugueses, castelhanos e italianos
lançando seus marinheiros em caçadas aos negros
no coração das florestas africanas não resiste ao
menor exame histórico.”
Mali
Tal qual o império de Gana, Mali teve uma islamização parcial e restrita.
Temos muito poucos registros sobre o reino, mas
muitos apontam para a figura destacada do monarca
Mansa (que significa imperador) Mussa (1307-1332).
Ele se notabilizou por fazer, em 1324, uma peregrinação à Meca com uma grande quantidade de auxiliares e escravos, pompa e luxo. Tudo isso somado
ao fato de ter sido um dos primeiros imperadores
que realizou esse tipo de empreitada que o deixou
famoso até mesmo no Ocidente medieval, onde foi
reconhecido.
Mali tinha como base econômica a agricultura
e o comércio. Na esfera política vivia um ambiente
pacífico. Seu declínio ocorreu no século XV.
Mas é claro que a passagem dos europeus por
essa região gerou uma desarticulação no panorama
africano. Um exemplo de trauma é a figura a seguir:
representação do soldado português que trazia a
violência (repare na arma que está em posição de
tiro, mostrando a crueldade da passagem europeia
na região).
Songai
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Estátua representando um soldado português
feita em bronze (Benin - África ocidental).
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O império de Songai era também chamado de
império de Gao. Até o século XV pertencia ao Mali,
quando conquistou sua autonomia.
Seu grande soberano foi Sonni Ali (1464-1492),
também islâmico. A monarquia de Songai foi convertida ao Islã por volta do século XI.
Como características podemos salientar a
existência de uma moeda, o cauris (uma concha de
moluscos, utilizada até o século XIX), e o ambiente
cultural muito rico – inclusive com universidades.
Alexandre Pedrozo.
Mapa do tráfego negreiro do período da África colonial:
relação entre a região e o destino dado aos escravos.
Outros povos da África subsaariana
Golfo da Guiné
Foi do Golfo da Guiné que veio grande parte dos
escravos trazidos à força para o Brasil. Não tinham
a mesma cultura, mas boa parte era da tradição
cultural ioruba.
A cultura ioruba havia florescido anteriormente,
por volta dos séculos XIII e XIV, inspirada na formação do reino de Benin, já no século XV.
África Central
A África Central teve pouca influência islâmica.
Um dos reinos que se destacou nessa região foi o do
Congo, a partir do século XIII, com a sua produção
de cereais.
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África Oriental
Por fim, a África Oriental é uma região com uma
dinâmica própria e diferente de todas as demais.
A razão disso deve-se ao fato de estar inserida no
contexto do oceano Índico.
O Índico foi um canal de imenso contato entre
os povos durante todo esse período. A navegação por
aquele oceano possibilitou contatos da África Oriental com a Península Arábica, Índia, sudeste asiático
e, inclusive, China (veremos mais adiante como os
chineses se destacaram na arte da navegação, antes
mesmo dos europeus).
Muitos dos pontos comerciais daquela região
estavam em mãos dos árabes. Mas, apesar de terem
conquistado pontos comerciais na África Oriental,
não islamizaram aqueles locais como ocorrera ao
norte do continente.
A cultura, as tradições e as histórias dos
africanos nem sempre foram registradas. Muitos
povos eram ágrafos (isto é, não possuíam escrita).
Porém, isso não impediu a transmissão de conhecimento das tribos às novas gerações graças ao
papel dos griot: homens mais velhos que tinham
como objetivo ensinar às novas gerações fatos do
passado, sendo eles um registro da memória de
diversas tribos. Tudo passado por meio oral, do
mais velho ao mais novo.
O Oriente imagens e
significados
Antes de estudarmos as civilizações chinesa,
indiana e japonesa, devemos refletir com mais cuidado sobre uma característica dada a elas: serem
povos do oriente.
Essa palavra costuma ser associada a algo
distante. Desde o século X era comum a imagem do
Oriente como um lugar extraordinário ou mágico.
Mas, o que seria o Oriente?
Uma imagem distorcida. Essa foi a opinião
de um intelectual palestino chamado Edward Said
(1935-2003). Por meio de seus estudos, chegou à conclusão de que foi o Ocidente que construiu uma ideia
de Oriente. Essa concepção foi criada pela Europa,
a fim de garantir a aquisição de vastas possessões
coloniais naqueles territórios.
A noção construída é a de uma designação de
uma identidade cultural através da oposição a um
grupo não-europeu, que não compartilha a cultura
europeia: se esta é civilizada e racional, os orientais
são estranhos e irracionais. Dessa forma, “oriente”
pode significar um nome e uma ideia que abarca
um conjunto de povos e culturas diversas como se
fosse um todo semelhante, equivalente. Na verdade,
oriente é uma denominação que tenta homogeneizar
um conjunto múltiplo e diverso de povos. Porém,
cada povo tem sua característica, vivência, costume
e tradição próprios.
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As rotas da seda
Marco Polo – um dos mais famosos viajantes
desta época.
China
Uma das mais antigas civilizações do planeta
é a China ou, como era chamada pelos próprios chineses, o “Império do Meio” (porque seus habitantes
acreditavam que estavam no centro do universo).
Apesar de seu caráter milenar, sua abertura para o
contato com povos do Oriente foi lenta.
Alexandre Pedrozo.
Esses povos não se encontravam isolados um
do outro. Houve nessa pluralidade um espaço no qual
ocorriam circulação e trocas entre as diversas culturas existentes. Esses contatos é o que chamamos de
as rotas da seda.
As rotas da seda eram vias de ligação (tanto
terrestres quanto marítimas) entre diferentes povos.
Nelas circulavam viajantes que buscavam, entre
outras coisas, comercializar especiarias, fazendo
com que sua passagem proporcionasse o contato e
o compartilhamento de crenças, saberes, fé, visões
de mundo entre os povos envolvidos.
Além de tudo isso, as rotas da seda nos evidenciam que havia profundas ligações não só entre os
povos orientais, mas também com o ocidente cristão
durante a Idade Média – era a mais famosa via de
acesso entre estes dois distintos mundos.
As fontes que temos para entender esse período
são basicamente relatos de viajantes que, ao cruzarem as Rotas da Seda, depararam-se com os mais diversos povos e relataram suas características. Afinal,
quais os mundos que esses viajantes descobriram?
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Mapa das Rotas da Seda.
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Os primórdios da
civilização chinesa
Por volta do I milênio a.C. houve o desenvolvimento da agricultura na China. Essa região foi, junto
com a Mesopotâmia e Mesoamérica, um dos centros
irradiadores da revolução neolítica.
A agricultura levou ao desenvolvimento da
sedentarização de grupos nômades o que originou
aldeias chamadas de senhorias. Nessa organização
social, os indivíduos cultuavam os antepassados e
alguns deuses (politeísmo). Com o tempo, a urbanização fez com que houvesse o agrupamento das
senhorias em unidades maiores, chamadas principados. Estes entraram em conflito e só ocorreu a
pacificação nos primórdios da monarquia chinesa
– com a dinastia Han (século III a.C.).
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A organização
do estado chinês
O império chinês foi instituído no século III a.C.
e durou até o século XX. Embora tenha passado por
problemas e rupturas, representou um fenômeno de
organização política raro devido à sua duração.
A organização do primeiro império é atribuída ao
primeiro imperador, Tsin Che Huang-ti (221 - 206 a.C.),
pouco antes da dinastia Han.
Para entender melhor a estrutura imperial é
necessário entender o papel do imperador. Seus
atos são relativos tanto às coisas materiais quanto
às sagradas. Ele cuida tanto do campo deste e do
outro mundo (parte espiritual); por isso é chamado
de “filho do Céu”.
Sua importância no aspecto divino o fez semelhante aos monarcas das sociedades do Oriente
Próximo. Um exemplo de semelhança da função do
governante em ambas as sociedades pode ser melhor analisada quando ocorriam crises. Desastres
naturais, fome, epidemias não eram encaradas como
acontecimentos circunstanciais ou desequilíbrios
climáticos etc. A desordem na natureza era encarada como um castigo pelas falhas do governante. É o
que chamamos de ontologia unitária: a inter-relação
entre a natureza e o homem. Se este (no caso, o imperador) cometesse falhas e não governasse baseado
na justiça e na virtude, a natureza se manifestaria
provocando castigos e alertando a todos a respeito
do desequilíbrio existente entre a ordem espiritual
e a ordem mundana.
Mas nem tudo foi crença no governo chinês.
O imperador era cercado por altos funcionários
membros da burocracia chinesa, os mandarins.
Estes eram “funcionários letrados” e ingressavam
naquela estrutura por meio de concursos. Eram
uma minoria para aquela sociedade, com grande
destaque intelectual.
Você sabia que os países ocidentais basearamse no milenar modelo chinês para o recrutamento
e formação de seus corpos burocráticos? Desde
inícios da época contemporânea, o sistema de
concursos para seleção de funcionários e promoções internas, baseadas no tempo de serviço e nos
serviços prestados foram adotados pelos Estados
do Ocidente – uma nítida influência chinesa.
Essa estrutura política encontrou seu apogeu
– tanto econômico quanto cultural – com a dinastia
Tang, entre os séculos VII a X d.C. Mas, apesar de
tal estruturação, a unidade chinesa só foi obtida no
século XIII, a partir da atuação dos mongóis (12111279).
A sociedade chinesa e
seus contatos com o mundo
A sociedade chinesa era composta por uma
camada esmagadora de camponeses, mas também
havia artesãos e mercadores. Já no século XIII, a
China tinha cerca de 100 milhões de habitantes.
Muito já se disse do “fechamento da China”
em relação ao mundo. De certo modo, seus contatos
com outros povos sempre encontravam obstáculos
naturais, o deserto ou o mar.
A China, em seu período mongol (1215-1368),
buscou uma maior abertura. Além de caminhos
terrestres, passando pelo deserto, formou-se uma
marinha que ofertou contatos através do Índico com
outros povos.
Esses caminhos terrestres foram dificultados
com a expulsão dos mongóis (1368). Assim, a dinastia
sucessora – Ming – buscaria a abertura de flancos
com o mar: é o que poderia ser chamado de grandes
navegações chinesas.
Nessa época, o grande navegador Zheng He
cruzou os oceanos navegando em alto-mar – algo
totalmente incomum para a época: a navegação
na Europa, por exemplo, era de cabotagem (isto é,
próxima à costa).
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Os chineses travaram contatos e comércio por
todo o sudeste asiático, Índia, Península Arábica,
costa oriental da África – chegaram a cruzar o Cabo
das Tormentas décadas antes dos portugueses. Uma
das expedições contou com 62 navios feitos de junco,
com quase 18 mil soldados a bordo.
As navegações ocorreram em uma época de
grande prosperidade. O fim das aventuras navais
deveu-se a problemas internos e à contenção de
gastos e de suprimentos.
As concepções culturais
As concepções culturais dos chineses são
compostas de crenças diversificadas que convivem
entre si, sem que haja uma religião hegemônica.
Veremos as três principais: confucionismo, taoísmo
e budismo.
As concepções culturais:
o confucionismo
O confucionismo é uma reação à antiga religião dos chineses (a da época das senhorias). Suas
concepções são atribuídas a Confúcio (551-479 a.C.).
Representa uma tentativa de reordenar o mundo que
influenciou a conduta dos mandarins. O confucionismo
esteve ligado a um contexto de grande desenvolvimento cultural ocorrido entre os séculos V e III a.C.
Gravura que representa
Confúcio (551- 479 a.C.).
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Este símbolo é uma representação das forças
da natureza. O Yin é a parte relativa à sombra e ao
inverno; já o Yang faz parte do sol e do verão. Há
uma constante alternância entre eles. O ritmo dessa
alternância é dado pelo Tao.
É característica humana não cumprir o Tao,
gerando desequilíbrio e confusão (a perturbação
social está relacionada a isso). Com tal preocupação,
o confucionismo busca a harmonia e a ordem num
momento de intensas manifestações culturais. Seguir
o caminho do Tao não é subverter a hierarquia social
(esta deve ser mantida – o que denota o caráter conservador do confucionismo).
O taoísmo é contemporâneo ao confucionismo.
A diferença é que agrega um caráter mais místico:
busca uma imortalidade (a experiência mística dá-se
por meio da meditação).
O budismo é originário da Índia (formou-se entre os séculos VI e V a.C.) e da Ásia central. Esteve
em evidência na China desde o século III d.C. até o
século X.
O historiador Fernand Braudel fez uma interessante definição do que é o budismo: “O budismo
ensina que, após a morte, os homens renascem num
outro corpo para uma existência mais ou menos
feliz (conforme os atos praticados nas existências
anteriores), mas que é sempre dor. A única saída
para essa dor é o caminho ensinado por Buda, que
permite atingir o Nirvana, ou seja, confundir-se com a
vida eterna incondicionada e libertar-se da ‘roda’ da
reencarnação. Esse caminho é difícil, pois o que faz os
seres renascerem após a morte é a sua sede de viver.
É ela que é preciso extinguir pelo desprendimento e
pela renúncia. Para isso é necessário compreender
que nem o “Eu”, nem o que o cerca têm existência
real: ambos não passam de ilusão. Essa compreensão
não é um conhecimento racional, mas uma intuição,
uma iluminação, que o sábio só pode apreender pela
contemplação e por exercícios espirituais repetidos
em uma ou, quase sempre, em várias existências”.
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Apesar de buscar explicar o mundo de forma
nova, respeitando a tradição e eliminando as crenças
populares, reformulou algumas crenças, como o Yin
e o Yang.
Símbolo do Yin e Yang.
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Inicialmente, o budismo confundiu-se com o
taoísmo (ambas as religiões de salvação com práticas
de contemplação e desprendimento). A confusão com
o taoísmo só acabou com a tradução para o chinês
de textos sânscritos (século VI-VIII d.C.).
•• Brâmanes: Eram os sacerdotes. Monopolizavam a ritualística religiosa (Brama, o deus
deles próprios).
•• Xátrias: Eram integrantes os guerreiros, reis,
príncipes, grandes senhores de terras.
Índia
•• Vaixás: Pequenos lavradores, artesãos, mercadores.
A Índia tem proporções gigantes – tanto territoriais quanto populacionais – desde há muito tempo.
Um dos focos das primeiras civilizações (a civilização
do rio Indo, por volta de 3000 a.C.), não conseguiu em
nenhum dos períodos de sua história conquistar uma
unificação territorial em torno de um único governo.
Podemos dividir a história indiana nas seguintes etapas:
•• Índia indoariana (védica): 1400 a.C. ao século
VII d.C.
•• Sudras: Eram aqueles que se encontravam
em situação de dependência.
•• Índia hindu (hinduísmo) : século VII ao
XIII d.C.
•• Índia islamo-hindu (conquista muçulmana):
século XIII ao XVIII d.C.
Índia indoariana (védica):
1400 a.C. ao século VII d.C.
Índia hindu (hinduísmo):
século VII ao XIII d.C.
Entre os séculos VI e V a.C. ocorreu o desenvolvimento de realezas indianas que tiveram como
grande fonte de riqueza o comércio. Essa transformação social refletiu-se na esfera religiosa. Jainismo
e o budismo são religiões que se desenvolveram
nessa época. Eram adotadas pela camada dominante
(com exceção dos brâmanes). Seus fundadores eram
grandes senhores e era constituído de indicações e
regras para a salvação individual.
O jainismo foi pregado por Vardhamana Mahavira (ou Jina, que significa o Vencedor). Ele pregava
que o sofrimento pessoal representaria a busca correta pela salvação.
Já o budismo foi fundado por Siddharta Gautama (ou Buda, que significa o Iluminado). Como já
vimos, a doutrina budista visa acabar com o ciclo
de encarnações, fugir da vida para atingir o estágio
superior, o Nirvana. É a procura pela salvação pessoal
e não pela transformação social.
A grande marca dessa etapa de desenvolvimento da Índia foi o hinduísmo, fundamental para
a cultura local. Seu desenvolvimento está contextualizado com alterações econômicas da época. A
regressão na economia vivida no século VI d.C. afetou
os mercadores. O enfraquecimento deles fez com que
as formas religiosas praticadas pelos próprios (jainismo e budismo) sofressem perseguição por parte
dos sacerdotes (brâmanes).
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Correspondeu à migração dos povos arianos,
vindos da Ásia, que se estabeleceram em parte
da Índia. Chocaram-se com os já residentes préarianos e formaram a primeira civilização indiana:
os vedas.
Temos acesso àquela época por meio dos textos
antigos e sagrados dos arianos (escritos em sânscrito). Tais textos narram esta conquista – do tempo
no qual eles ainda eram nômades. Entre 1000 e 600
a.C. ocorreu a sedentarização dos invasores, com
o advento das práticas agrícolas, gerando transformações sociais que redundaram na formação do
sistema de castas.
Casta é o nome dado às camadas sociais entre
as quais não há mobilidade. Isto é, uma vez integrante de uma determinada casta, o indivíduo tem determinadas funções a cumprir e não pode modificar sua
condição – a casta pressupõe fixação de atividades.
Vejamos um exemplo dessa divisão social indiana
em seus primórdios:
Gradativamente, consolidaram-se barreiras que
impediram a mescla entre as camadas. O processo
de formação das castas foi longo: o período entre
300 a.C. e 700 d.C. correspondeu à sua consolidação
que, com o passar do tempo, deu origem a milhares
de castas.
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Brahma, Vishnu e Shiva: os principais deuses do hinduísmo.
Índia islamo-hindu
(conquista muçulmana):
século XIII ao XVIII d.C.
A Índia das muitas religiões conviveu com mais
um elemento importante antes de atingir o tempo da
dominação britânica: a influência do islamismo. Foi
o tempo da Índia muçulmana (1206-1757).
A conquista muçulmana sobre o território indiano foi longa. Deu-se, inicialmente, no século VII, com
o estabelecimento de portos de comércio na costa
ocidental indiana (chamada de Malabar). Aos poucos,
conquistou terras até que no século XIII estabelecese o Sultanato de Delhi (1206), garantindo uma vasta
ocupação militar.
Japão
14
Estudar o Japão é um bom exemplo quando
se trata das influências culturais. A ilha japonesa sempre sofreu grande influência externa. Se
atualmente é um dos países orientais mais ocidentalizados (uma grande consequência da restauração meiji de fins do século XIX), em tempos
mais remotos sofreu grande influência da cultura
chinesa – que, por sinal, foi a matriz cultural de
praticamente todos os povos do sudeste asiático
até a Coreia. Tanto que a palavra Japão vem do
chinês “Je-Pen” (em japonês lê-se “nipon”), que
quer dizer país do sol nascente.
Japão antes da
influência chinesa
Até o século VI d.C., a ilha japonesa passou por
ondas de povoação. Não que fosse desabitada, pois lá
existiam, de acordo com descobertas arqueológicas,
habitantes desde 8000 a.C. Eram os chamados ainos.
Sobre as terras que eram dos ainos houve
ondas de invasões vindas inicialmente da Coreia.
Depois (por volta dos séculos III e II a.C.) da China
e da Indonésia, quando se introduziram o plantio
de arroz, cereal essencial na dieta japonesa até os
dias de hoje.
Nesse processo de configuração do espaço e da
sociedade japonesa ocorre a formação (séculos II III d.C.) de clãs, cavaleiros (senhores que dizem
ser originários de divindades locais) e a difusão do
xintoísmo, sistema religioso ligado às forças da
natureza.
O império japonês
A formação do império japonês (também chamado de micado) foi um processo progressivo e de
longa duração. Sofreu influência, através da Coreia,
de características chinesas que influenciaram a administração, como o budismo e confucionismo – este
com grande influência na política – aproximadamente
pelo século VII.
O traço marcante é que o imperador era visto
como o descendente do Sol, portanto, um ser divino,
crença sustentada pela monarquia japonesa até o
século XX. O Estado japonês sofria outras influências
chinesas em sua organização político-administrativa,
como a divisão em províncias e a urbanização das
cidades em forma de tabuleiros.
O declínio do império japonês:
o xogunato
O império japonês viveu sua época de apogeu
entre os séculos X e XII. O declínio de sua estrutura
imperial ocorreu desde o século VIII com os clãs
limitando o poder do micado – principalmente o clã
dos Minamoto, em meados do século XII.
Com o enfraquecimento do micado houve o
estabelecimento do xogunato. Essa palavra vem de
xogum, o chefe militar que vai controlar o imperador.
O micado vai continuar a existir, mas não governa.
A era do xogunato aproxima-se muito em termos
comparativos ao “Feudalismo”. As terras, símbolos
de poder, estavam nas mãos dos daimos (“grandes
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Exerceram uma espécie de sincretismo religioso, mesclando vários elementos existentes com tradições antigas para formar o hinduísmo. Buscou-se não
só o poder por ordem dos brâmanes como também a
manutenção da situação social – o hinduísmo serviu
para legitimar a sociedade de castas.
No hinduísmo, deus é misericordioso e protetor.
Esse ser supremo é visto como a expressão de três
divindades: Brama (ele cria o mundo), Vishnu (ele
conserva o mundo) e Shiva (ele destrói o mundo).
senhores, chefes de clãs e distritos”). Estes garantiam
seu poder por meio de mercenários, os samurais. Por
isso, alguns chamam de Feudalismo Japonês. Apesar
de serem remunerados, desenvolveram toda uma ética
de devoção total ao seu senhor, a ética samurai.
Porém, ao contrário do Feudalismo, o poder dos
daimos era controlado pelo comandante militar, o
xogum.
Você sabia que foram os portugueses os primeiros europeus a chegarem ao Japão e travarem
contato com a sua cultura, em 1543?
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Os caminhos para o Oriente:
as especiarias e a seda
As especiarias – tintas, perfumes, incensos,
mirra, sândalo, marfim, peles, pedras preciosas,
jóias engastadas, pimenta, canela, gengibre,
noz moscada – e a seda, oriundas do Oriente,
foram muito apreciadas por todo o mundo antigo e medieval. Entre a China e a Europa desses
períodos, interpuseram-se vários reinos e impérios, ciosos do monopólio desse rico comércio,
que movimentava fortunas. Os caminhos que
a ela conduziam, por mar ou por terra, eram
perigosos e seus percursos eram segredos
cuidadosamente guardados pelos povos que
ocupavam os territórios por onde passavam,
como os citas, os partos, os persas, os árabes.
Os caminhos eram terrestres e marítimos,
podendo levar cerca de quatro meses o percurso
da ida ou o da volta, sendo que a permanência
no destino dependia das condições climáticas
ou das monções marítimas. Os caminhos terrestres podiam partir de vários pontos: Constantinopla, Antióquia, Tiro; contudo, logo encontram pontos de estrangulamento, passagens
obrigatórias: Ctésiphon, onde hoje é o Iraque;
Nishapur, onde hoje é o extremo norte do Irã;
Merv, Bactria, Samarcanda, Kachgar, Karashahr,
Dunhuang, Yemenguan – esta, já em território
chinês, Chang’an. Por mar, era possível sair
pelo Mar Vermelho ou pelo Golfo Pérsico, atravessando o Mar da Arábia, o Oceano Pacífico,
o Golfo de Bengala, o Oceano Índico, o Estreito
de Málaca, chegando ao Mar da China, parando
em vários portos e indo até Cantão.
Organizar caravanas ou armar navios eram
atividades que demandavam recursos financeiros e humanos de monta, e dificilmente
poderiam ser ocultadas da vigilância dos governantes daqueles povos. Trafegar solitariamente
era expor-se a riscos incalculáveis: desertos,
penhascos, tempestades de areia ou de neve;
havia ainda assaltantes e agentes governamentais, que prendiam e matavam peregrinos
suspeitos. (Os territórios não estavam abertos
aos estrangeiros, como um país moderno hoje
está: o estrangeiro é sempre observado e seus
passos, vigiados, não apenas pelos agentes do
rei, mas também pelos moradores locais). Pelo
mar, havia os piratas, que infestavam os mares
conhecidos.
O caminho para o Oriente ficou, assim, por
muitos séculos, fechado para os viajantes europeus: primeiro, a queda do Império Romano do
Ocidente, em 476, tira-o da disputa pelo controle
de territórios; tal disputa, no entanto, ocorre,
nesse momento, entre o Império Bizantino e o
Império Persa sobre grandes extensões e pelo
comércio que nelas se realiza; ambos investem
em políticas de estreito controle comercial,
cobrando altos impostos pelos produtos que
entram e saem de suas fronteiras; segue-se,
ainda, o fato de que o Mediterrâneo passa a
ser controlado pelos bizantinos e, depois, pelos
muçulmanos, a partir do século VII, impedindo
o comércio por parte dos europeus.
A súbita expansão dos muçulmanos surpreende o mundo oriental: do século VII ao
século VIII esse povo estende seu território da
Península Arábica e Pérsia até o norte da Índia.
O foco dos grandes acontecimentos, o fluxo das
riquezas e do conhecimento desloca-se para o
Oriente, sobretudo ao longo das costas marítimas – do Mar Vermelho ao Mar da China.
No século X, quando os italianos começam
a entrar nesse ramo de negócios, trazendo para
o Ocidente as especiarias, precisam comprálas tanto dos bizantinos – que as compravam
dos muçulmanos –, quanto dos judeus. Com as
cruzadas, a partir do século XI, os mercadores
italianos passam a eliminar os intermediários
bizantinos nas rotas de comércio com muçulmanos. No entanto, os muçulmanos ainda dominavam o comércio com a Índia e a China, e o
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15
(Texto elaborado por Carlinda Maria Fischer Mattos, mestre e doutoranda em História Medieval pela UFRGS.)
1. (Unesp) “Vi também as coisas que trouxeram ao rei, do
novo país do ouro: um sol todo em ouro medindo uma
toesa de largura; do mesmo modo, uma lua toda de prata
e igualmente grande; também dois gabinetes repletos
de armaduras idênticas e toda sorte de armas por eles
usadas, escudos, bombardas, armas espantosas de
defesa, vestimentas curiosas [...].” (Albert Dürer, pintor,
alemão, 1471-1528.)
“As pessoas [...] tanto homens quanto mulheres, andam nuas assim como suas mães as pariram, exceto
algumas das mulheres que cobrem suas partes com
uma única folha de grama ou tira de algodão [...]. Eles
não possuem armas, exceto varas de cana cortadas
[...], e têm receio de usá-las [...]; são tratáveis e generosos com o que possuem. Entregavam o que quer
que possuíam, jamais recusando qualquer coisa que
lhes fosse pedida [...].”
(Trecho da Carta de Cristóvão Colombo, de 15 de fevereiro de 1493.)
Os textos referem-se aos habitantes da América na
época dos descobrimentos.
a) Dê dois exemplos de grupos indígenas que podem
ser identificados com os textos.
b) Por que os dois relatos são diferentes?
16
``
Solução:
a) Astecas (ou incas) e tupis-guaranis (ou tupinambás,
caraíbas e muitos outros).
b) Porque se referem a populações indígenas com
níveis técnicos diferentes.
2.
(EsPCEX) O Japão, durante o século XVII, foi governado,
de fato, pela família Tokugawa. Nesta época, o líder dos
Tokugawas ostentava o título de xogum. Funcionalmente,
o xogum era um:
a) comerciante marítimo.
b) banqueiro-financista.
c) chefe militar.
d) sacerdote xintoísta.
e) micado.
``
Solução: C
Apesar de a questão se referir ao Japão do período moderno, o xogunato tem origens mais remotas e ligadas
às questões militares: xogum (ou bakufu) era o nome
dado ao comandante do Exército.
1. O que é o eurocentrismo?
2. O que deve ser levado em conta para romper com o
eurocentrismo?
3. Quais são as civilizações pré-colombinas e qual delas
não viveu o tempo da conquista espanhola?
4. Quando e por onde se deu o povoamento do continente
americano?
5. Qual técnica agrícola era praticada pelos maias?
6. Qual era a principal cidade dos astecas?
7. O que era a mita?
Instrução:
(Elite) Responda as perguntas de 08 a 12 marcando
V nas alternativas verdadeiras e F nas falsas.
8. (
) Autóctone é uma palavra que expressa transformações e influências vindas do exterior.
9. (
) O sistema político maia foi difundido pela mesoamérica, influenciando os incas.
10. (
) Os astecas possuíam mitos de fim do mundo antes
da chegada europeia.
11. (
) A queda do império inca foi próxima à conquista
espanhola.
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sonho dos europeus do Ocidente era eliminar
intermediário tão incômodo e, ainda, infiel.
Esse anelo se realiza, enfim, no século XIII,
quando os mongóis rompem com a hegemonia
muçulmana, estendendo seu domínio da Ásia
central ao Norte da China e à Índia, avançando
para a Pérsia, tendo chegado até às portas da
Europa. Embora fossem temidos como ferozes
e violentos invasores, acabaram pacificando as
rotas terrestres que levavam às especiarias e à
seda, e permitindo o trânsito aos europeus.
Mas tal situação logo acabou. Com o avanço
dos turcos otomoanos sobre o território mongol,
no fim do século XIV, fecham-se novamente as
rotas, e a solução para os europeus é abrir novos caminhos pelo mar rumo ao Oriente. Assim
começa a aventura das grandes navegações
para os reinos da Europa Ocidental.
12. (
) Os olmecas foram uma das primeiras culturas da
América central.
13. Como ocorriam os contatos entre a parte saariana e a
subsaariana?
14. Quais são os três principais reinos islamizados ao sul
do Saara?
15. Qual o mineral mais importante do reino de Gana?
16. Qual a tradição cultural mais importante do Golfo da
Guiné?
17. Qual a zona de integração na qual está inserida a África
Oriental?
18. Sobre a noção de “Oriente”, responda: qual o seu erro/
preconceito?
19. O que são especiarias? Cite algumas.
20. Quem eram os mandarins?
21. O que é uma casta?
22. Qual foi a grande influência cultural do Japão antigo?
A
B
C
D
E
1. (Fatec) Na América, desenvolveram-se sociedades que
deram origem a grandes civilizações; é o caso da civilização inca. Sobre ela podemos afirmar que:
a) os incas eram governados por um rei, que tinha
como função principal comandar o exército; por isso
o título de “senhor dos guerreiros”, comprometendose a ser responsável com os deuses e seu povo.
b) entre os incas, qualquer indivíduo, por mais humilde que fosse, poderia chegar a pertencer às classes mais altas, desde que tivesse mostrado bravura
e valentia numa batalha.
de prata não teria vindo à tona sem a concomitante
abundância de mercúrio de Huancavélica, que naqueles
mesmos anos estava também produzindo como nunca
havia feito. Outro estimulante para Potosi foi claramente
a mão-de-obra barata e abundante fornecida por meio
da mita de Toledo”.
(BETHELL, Leslie. (Org.). História da América Latina: a América
Latina Colonial. São Paulo: USP. Brasília: Fundação Alexandre Gusmão,
1999, p.141. v. II.)
A descrição acima reflete o caráter da exploração da
mão-de-obra indígena na manutenção da produção
econômica colonial, sob o regime da mita, instaurada
pelo vice-rei Francisco de Toledo. Podemos definir essa
forma de exploração do trabalho como:
a) escravo, decorrente do recrutamento de grupos
indígenas que pagavam tributos coletivamente, ficando sob a guarda do colonizador que se encarregava da obrigação de instruí-los na fé católica.
b) forçado, de origem incaica, funcionando por meio
de recrutamento por sorteio em suas comunidades
e direcionado especialmente para as atividades intensificadas na mineração.
c) servil indígena, hereditário, oferecendo à Coroa espanhola impostos em troca de benefícios individuais, tais como concessão de títulos de nobreza e
doação de terras para a agricultura.
d) individual e vitalício, recrutado mediante especialização e capacitação, produzindo uma elite trabalhadora altamente remunerada e distanciada da
maioria dos outros trabalhadores locais.
e) trabalho livre e voluntário, adotado pela Coroa espanhola para mobilizar grandes contingentes de desempregados que se associaram aos espanhóis e, com o
passar dos anos, os sucederam como dirigentes.
c) Tenochtitlán, sua principal cidade, foi construída
numa pequena ilha, do lago Texcoco, na qual ao
invés de estradas usavam-se canais como via de
comunicação.
3. (Elite) Observe o mapa a seguir.
EM_1S_HIS_008
e) os incas criaram um sistema de produção agrícola
que garantia a sobrevivência da população, graças
a um sistema de divisão das terras cultiváveis em
três tipos: terra do Deus Sol, terra do Inca e a terra
dos camponeses.
Alexandre Pedrozo.
d) o predomínio social nessa civilização cabia a uma
elite militar e sacerdotal de caráter hereditário, comandada pelo Halach Uinic, responsável pela administração e cobrança de impostos.
2. (Unirio) “Nos anos 1575-1600, Potosi produziu talvez a
metade de toda a prata hispano-americana. Tal profusão
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17
(Elite) Responda as perguntas de 05 a 09 marcando V
nas alternativas verdadeiras e F nas alternativas falsas.
Com base nele, responda:
a) Essa configuração do espaço ocorreu em um determinado momento da formação do planeta Terra.
Como se chama o espaço representado anteriormente?
b) Qual é a relação entre o desenvolvimento das civilizações africanas e das americanas (tanto do
homem que aqui vivia, quanto dos agrupamentos humanos maiores) devido a essa união dos
continentes?
4. (UFRGS) Na Idade Média a dieta alimentar dos europeus era pobre, pouco diversificada e não incluía
batata, tomate, milho e chocolate. Esses alimentos
passaram a ser consumidos na Europa apenas na
época moderna porque:
a) na época medieval o consumo desses alimentos
era interditado pela Igreja por não serem citados
na Bíblia.
5. (
)A islamização foi decorrente do processo de expansão muçulmana sobre a África e atingiu todo
o continente.
6. (
)O tráfico negreiro só se destinou a suprir a mãode-obra do continente americano.
7. (
)Os “griot” eram homens mais velhos que tinham
como fim ensinar as novas gerações fatos do
passado da aldeia, por meio oral.
8. (
)As rotas da seda eram vias de trânsito somente
de mercadorias.
9. (
)A dinastia Han foi um dos maiores impérios do
planeta concomitante ao império romano.
10. Cite alguma diferença entre o feudalismo europeu e o
japonês e explique a razão.
11. (Elite) Observe a imagem abaixo: Qual(quais) povo(os)
podemos afirmar que esta imagem não corresponde a:
b) o elevado custo de produção desses produtos os destinava apenas para a decoração das festas da corte.
c) considerados especiarias de alto preço, faziam parte do tesouro dos senhores.
a) China e Japão.
d) nesta época começou a haver contato e trocas com
a América.
b) Japão e Coreia.
e) sua produção diminuiria a área de cultivo de trigo e
videiras, produtos mais apreciados pelos mercados
consumidores da época.
d) Índia e Japão.
Instrução:
c) China e Coreia.
e) n.d.a.
LOMBARDOS
AVARES
KHAZARAS
Mar de Aral
BÚLGAROS
Toledo
Ravena
Sevilha
Cartagena
Roma
Singidunum
Spalato
SOGDIANA
ESLAVOS
ALANOS
Sárdica Mar Negro
Constantinopla
Calcedônia
Andrinopla
MAURITANIA
Cartago
Alexandre Pedrozo.
12. (Elite) Observe o mapa a seguir:
ARMENIA
Nicéia
Saracusa
Mar
Mediterrâneo
GEORGIA
Atenas
Mar
Cáspio
BACTRIANA
Nisibis
Antioquia
KUCHAN
Hamadhan
(Ecbatana)
Ctesifonte
Beirute
Alexandria
Merv
Hira
Jerusalém
LA
CM
ID
AS
Mar da
Arábia
Yathrib (Medina)
IMPÉRIO BIZANTINO
Meca
N
IMPÉRIO PERSA
Mar
Vermelho
ETIÓPIA
Axum
18
HIMIA
RITAS
Ma’rib
EN
IEM
W
E
S
Mapa do Império Bizantino e Império Persa nos séculos VI e VII.
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Rassândias
Sabendo que a parte mais escura (situada à direita do
mapa) representa o império persa; e a parte em cinza
(situada à esquerda do mapa) representa os domínios
do império bizantino, responda: o que representa a linha
que parte de Antioquia? Por quê?
Digital Juice.
13. (Elite) Leia o texto abaixo.
Taj Mahal: um dos mais belos monumentos indianos.
Taj Mahal
Jorge Ben Jor
“Foi a mais linda história de amor
Que me contaram e agora eu vou contar
Do amor do principe Xá-Jehan pela princesa Nunts
Mahal
Dê, dê, dêdêredê
Dê, dê, dêdêredê
Dê, dê
Taj Mahal
Taj Mahal”
Com base no texto, responda:
a) Qual das civilizações estudadas neste capítulo
está indiretamente referenciada no texto?
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b) Qual o sujeito do verbo contaram, em “que me
contaram...”?
14. (Elite) Sabemos que o Japão sofreu grandes influências culturais ao longo de sua história. Vimos
que houve uma profunda contribuição chinesa na
antiguidade e do Ocidente desde a restauração meiji.
Cite um exemplo de cada contribuição.
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