DIALOGANDO PARA PREVENIR A INFECÇÃO PELO HIV: AÇÕES
EDUCATIVAS NA COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA
Bárbara Andres1
Leonardo Rodrigues Piovesan2
Jenifer Grotto3
Stela Maris de Mello Padoin4
Aline Cammarano Ribeiro5
O presente trabalho trata-se do relato de experiência da realização de
atividades referentes ao Dia Mundial na Luta Contra a Aids – 1º de dezembro e
visa apontar esse tipo de ações informativas como forte instrumento para o
trabalho de enfermagem. A atual epidemia de HIV/AIDS com que nos
defrontamos é bastante complexa, e o estigma, ou seja, o preconceito que
muitas pessoas com HIV/AIDS ainda enfrentam, sendo marginalizadas,
excluídas de seus grupos sociais; está fortemente ligado a relação feita entre a
infecção e questões comportamentais. Percebendo a necessidade de se
avaliar a vulnerabilidade em uma comunidade universitária, tendo em vista que
a universidade tem compromisso com as demandas da sociedade, Paula et al
(2006), realizaram na Universidade Federal de Santa Maria, uma pesquisa que
colaborou com alguns dados estatísticos coletados neste cenário universitário.
Neste estudo foi possível identificar que esta comunidade universitária refere
apresentar algum conhecimento sobre a temática HIV/AIDS e demonstra certa
consciência dos riscos. No entanto, este entendimento reflete uma fragilidade
nas informações, pois os mesmos não se encontram inteiramente esclarecidos,
o que possibilita uma prática cotidiana suscetível a possíveis falhas. Assim, a
deficiência de métodos preventivos e curativos eficazes no campo das ciências,
nos exige o desenvolvimento de estratégias de sensibilização das pessoas
acerca da prevenção do vírus, onde as possibilidades de combate estejam
1
Autora/Relatora, acadêmica do 6º semestre do Curso de Enfermagem da UFSM. Endereço: Rua Conde
de Porto Alegre, 464. apto. 704, Santa Maria – RS; [email protected]
2
Autor, acadêmico do 6º semestre do Curso de Enfermagem da UFSM
3
Autora, acadêmica do 5º semestre do Curso de Enfermagem da UFSM
4
Prof.ª Enfª. Drª., coordenadora do projeto e coordenadora do Programa AIDS, educação e cidadania.
5
Profª Substª. do departamento de enfermagem, sub-coordenadora do projeto.
sustentadas no trabalho educativo. É necessário ressaltar a importância da
educação em saúde, como instrumento de trabalho inerente aos enfermeiros.
Essa educação a ser repassada à comunidade em geral, deve ser organizada
e planejada de maneira a que se possa atingir todas as classes de indivíduos
de maneira agradável, compreensível e satisfatória. Além disso, sabemos que,
enquanto acadêmicos de enfermagem, somos responsáveis pelo futuro da
profissão e, para isso, precisamos aperfeiçoar os serviços de enfermagem e
melhorar o status da profissão diante da sociedade com o reconhecimento da
contribuição dos enfermeiros para a saúde. Com base nestes conhecimentos,
fez-se necessário uma mobilização, ou seja, um momento para repensar-se
estratégias de dialogar sobre HIV/AIDS, em especial com a comunidade
universitária, para que se abranja grande quantidade e diversidade de pessoas.
Consequentemente e devido aos estudos realizados pelo ‘Programa AIDS,
Educação e Cidadania: uma proposta de promoção à saúde e à qualidade de
vida’, em desenvolvimento desde 1998, no Centro de Ciências da Saúde da
Universidade Federal de Santa Maria – RS, desenvolvemos as atividades que
constituíram o evento do Dia Mundial na Luta Contra a Aids – 1º de dezembro,
que fez refletir todas as questões que envolvem HIV/AIDS. Neste evento,
tivemos
como
objetivos,
proporcionar
aos
estudantes
universitários
esclarecimento acerca da vulnerabilidade das pessoas, envolvendo a
comunidade acadêmica nas atividades propostas; alertar, através da
informação, o público alvo os modos de transmissão do HIV; dialogar de forma
espontânea e interativa com os sujeitos e sensibilizar através de dinâmicas
que, por exemplo, lembram celebridades que vieram a falecer devido a AIDS.
O evento foi realizado no período de novembro a dezembro de 2007, no âmbito
da UFSM/Santa Maria e da comunidade santa-mariense. Foram desenvolvidas,
antecipadamente, ações de ensino com o grupo participante, formado por
acadêmicos do curso de graduação de enfermagem, publicidade, filosofia e
docentes de enfermagem. As atividades envolveram estudos e discussões de
artigos referentes ao tema, análise de filmes, organização de oficinas e jornal
informativo, elaboração de folder contendo as principais informações e
confecção de camisetas. Tais encontros, além de serem um momento de
organização do evento, visaram respaldar os participantes de suporte teórico
sobre o tema, fazendo com que os mesmos tivessem conhecimento para
dialogar e conduzir as informações necessárias no decorrer das ações
educativas. Na semana que antecedia o dia 1º de dezembro, foram montadas,
em diversos centros da universidade, bancas de informação denominadas
INFORMAIDS, onde dialogamos com os estudantes, alertando-os para
resultados de pesquisas realizadas, realizamos dinâmicas com os mesmos,
distribuímos folder, jornais, preservativos e tiramos as eventuais dúvidas. O
evento foi concluído com grande sucesso e empenho dos participantes e as
estratégias de educação desenvolvidas foram realizadas de maneira
desenvolta, espontânea e o conhecimento de todos os participantes foi
bastante útil para a resolução de dúvidas e questionamento. Apesar da boa
receptividade do evento por parte da maioria dos acadêmicos e profissionais da
universidade, foi possível observar, com o desenrolar das atividades, o quanto
o assunto HIV/AIDS é visto como tabu e evitado por um número significativo de
estudantes da comunidade acadêmica mesmo atualmente, depois de tantos
anos de epidemia. Esperávamos que, por se tratar de uma população jovem
que freqüenta uma universidade pública, a receptividade das ações seria
grande e não encontraríamos grandes obstáculos para atingir o público alvo.
Porém, a AIDS ainda é bastante relacionada com homossexuais, usuários de
drogas e indivíduos de comportamento sexual promíscuo. Devido a esse fato,
encontramos vários estudantes que, além de não darem atenção às
informações,
recusaram-se
a
aceitar
os
preservativos,
distribuídos
gratuitamente. Dentre esses estudantes, foi surpreendente se deparar com tão
pouco interesse e receptividade por parte dos estudantes da área da saúde,
nas bancas montadas no Centro de Ciências da Saúde. Acreditamos que esse
fato pode ser relacionado ao pensamento, comum entre os que estão nesta
área, de que se tem conhecimento e proteção suficiente para lidar com a AIDS.
Ainda, foi curioso observar maior aceitação da campanha por parte de
profissionais, e não de acadêmicos, mostrando-se mais abertos a abordagens
e menos receosos ao pedir informações e tirar dúvidas. Com o término das
atividades, pudemos chegar a conclusões que, por vezes, não esperávamos.
Pessoas de meia-idade e até mesmo idosos procuraram mais e deram maior
importância à campanha do que o público alvo, que seriam os adolescentes e
jovens estudantes. Não podemos afirmar o motivo para esse acontecido, mas
podemos atribuir grande parte desse interesse de pessoas de idade mais
avançada, ao fato de praticamente não haverem campanhas de educação e
informação a esse público. Também é válido alertar que muitas ações
informativas aos jovens acabam se tornando repetitivas ao longo do tempo,
limitando o interesse e a procura por novos conhecimentos. Faz-se necessário,
no cenário atual, inovações no sentido de melhor informar e conscientizar as
pessoas, e a enfermagem tem artifícios para que essas mudanças sejam
realizadas. Portanto, cabe não só aos enfermeiros, mas sim a todos os
profissionais da área da saúde, engajar-se nesse esforço em prol do combate
ao HIV/AIDS e compartilharem o seu saber com os demais. E nesse aspecto,
os profissionais de enfermagem devem saber usar seu espaço para mostrar
seus conhecimentos e ser valorizados pelo que são capazes.
Palavras chave: HIV, AIDS, educação, universidade.
REFERÊNCIAS
CASTILHO, E. A. et al. A AIDS no Brasil: uma epidemia em mutação. Cad.
Saúde Pública, v.16, 2000.
FERNANDES, J. C. L. Práticas educativas para a prevenção do HIV/AIDS:
aspectos conceituais. Cad. Saúde Pública, v.10, n.2, 1994.
PAULA. C. C.; PADOIN, S. M.; LOPES, L.F. Avaliação da vulnerabilidade ao
HIV de adolescentes e jovens em instituições de ensino médio e
universidade de Santa Maria/RS: um caminho para a implementação de
ações na luta contra a AIDS. Relatório de Pesquisa. Universidade Federal de
Santa Maria, Centro de Ciência Naturais e Exatas. Departamento de
Estatística. UFSM: Santa Maria, 2006.
PADOIN, S. M. et al. Experiências Interdisciplinares em AIDS: Interfaces de
uma epidemia. Santa Maria: Ed. UFSM, 2006.
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