Poluição por cargas difusas em AIA
de rodovias: o caso do Rodoanel
Sul de São Paulo
Omar Yazbek Bitar , Sofia Julia Alves Macedo Campos,
Caio Pompeu Cavalhieri, Guilherme de Paula Santos
Cortez, Rodrigo Augusto Stabile, Nivaldo Paulon,
André Luiz Ferreira, Carlos Geraldo Luz de Freitas,
Priscila Ikematsu, Luciano Zanella, Maria Lucia Solera,
Mariana Hortelani Carneseca Longo
Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo - IPT
Sumário
1. Introdução
2. Objetivos
3. Procedimentos
4. Resultados e Discussão
5. Conclusões
1. Introdução
• Rodovia de grande porte em região de mananciais
• AAE (2003-2004) e AIA (2004-2006)
• Construção, Acompanhamento e Gestão Ambiental (2007-2010)
Figura 1 – Localização do Traçado do Rodoanel Sul, com destaque à RMSP, Bacia
Hidrográfica do Alto Tietê e os reservatórios Guarapiranga e Billings (IPT, 2013).
1. Introdução
O que são cargas difusas?
• Em rodovias, veículos são considerados fontes
móveis de poluição.
• O escoamento pluvial (run off) carreia para
jusante poluentes acumulados nas pistas.
• Os materiais resultam do desgaste de pneus e
peças, óleos e graxas, combustíveis, etc.
• Nas chuvas, a “primeira lavagem” (first flush)
apresenta maior concentração de poluentes.
1. Introdução
EIA/Rima (2004)
• Previsão: poluição por cargas difusas na fase de operação
• Avaliação: relevante e inevitável, com riscos a mananciais
• Solução: reduzir a magnitude do aporte de poluentes
• Medida: controle de compostos do runoff
1. Introdução
PBA da operação (fev/2010)
• M2.01.03
Permanência
seletiva de caixas
de retenção de
sedimentos
• M3.02.02
Controle de cargas
difusas
• M3.03.01
Monitoramento
de cargas
difusas
1. Introdução
LO – item 1.31 (mar/2010)
“Apresentar relatórios anuais sobre o
monitoramento de cargas difusas
previsto, contemplando as ações
realizadas, análise dos tipos de carga
difusa por subtrecho, identificando os
pontos críticos e consequentemente as
medidas mitigadoras de controle para
tais subtrechos”
2. Objetivos
• Geral: contribuir para o desenvolvimento de
sistemas de controle e monitoramento, dentro da
AIA de rodovias, com base na experiência do
Rodoanel Sul.
• Específicos: definir atividades que devem
compor o sistema, salientando aspectos que
podem ser relevantes em novos projetos (cargas
difusas, pontos críticos e medidas de controle).
3. Procedimentos
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
•
Revisão bibliográfica e concepção teórica do sistema;
Análise do contexto legal e institucional incidente;
Caracterização do perfil da carga poluidora;
Estimativa de descarga efetiva nas saídas de drenagem;
Zoneamento da sensibilidade hídrica nas áreas receptoras;
Definição de pontos críticos em termos de descargas,
Proposição de medidas a cada saída de drenagem;
Avaliação das estruturas de controle de erosão e
assoreamento remanescentes da fase de construção;
Cartografia digital e geoprocessamento dos dados obtidos;
Coleta de amostras e análises físico-químicas da água;
Acompanhamento das medidas executadas;
Monitoramento e avaliação de desempenho das medidas; e
Difusão tecnológica.
3. Procedimentos
Compartimentação da rodovia para análise de
cargas difusas: subtrechos homogêneos
3. Procedimentos
Matriz de correlação aplicada aos 415 pontos
de saída identificados (pressão vs. recepção)
Sensibilidade hídrica da
área (recepção)
Muito
Alta
Alta
Média
Baixa
Muito Alta
1
1
2
2
Alta
1
2
2
3
Média
2
2
3
3
Baixa
2
3
3
4
Descarga potencial
de poluentes (pressão)
Obs.: 1 - prioridade Muito Alta; 2 - prioridade Alta; 3 - prioridade Média; e 4 - prioridade Baixa.
4. Resultados e Discussão
Classificação de descargas, conforme tipo de
poluente, concentração e volume
• Modelo teórico apropriado ao Rodoanel Sul, orientado
pelas demandas apresentadas no EIA, PBA e LO.
• Estimativa de geração anual de poluentes baseada em
SÉTRA (2006), bem como LNEC (2005).
• Variáveis: carga unitária, tráfego global (dados Artesp,
de acordo com o subtrecho) e área impermeabilizada.
• Composição e concentrações de poluentes no runoff
dos seis segmentos foram estimados por amostragem.
4. Resultados e Discussão
Classificação de descargas, conforme tipo de
poluente, concentração e volume
4. Resultados e Discussão
Localização de pontos de amostragem e
caracterização das cargas difusas
4. Resultados e Discussão
Sobre as amostragens:
• monitoramento das chuvas: amostras de first flush coletadas após cinco dias sem chuva
Três Chaves
(S1/PE)
• coleta do runoff: cinco amostras a cada chuva (média de uma amostra a cada 2’)
t 1=
t 2= t 3= t 4= t 5=
1min 3min 5min 7min 9min
4. Resultados e Discussão
Classificação das áreas receptoras, conforme
corpos d’água, solos, biota e assentamentos
•
Zona Hídrica Receptora 1: descarga
no reservatório Billings a montante de
captação Sabesp, abrangendo o Parque
Riacho Grande;
•
Zona Hídrica Receptora 2: descarga
no reservatório Billings a jusante de
captação Sabesp e no reservatório
Guarapiranga, incluindo parques lineares
que interligam UCs;
•
Zona Hídrica Receptora 3: descarga em cursos d’água que afluem para os
reservatórios e planícies aluviais; e
•
Zona Hídrica Receptora 4: descarga em cursos d’água e canais de drenagem
não enquadrados nas zonas anteriores.
4. Resultados e Discussão
Sobre os pontos críticos:
4. Resultados e Discussão
Sobre as medidas de controle:
• Onze bacias formadas por gabiões e outras estruturas
remanescentes apresentam potencial para controle.
• Caixas de produtos perigosos, valetas e canais de
drenagem vegetados favorecem a retenção de poluentes.
• Manutenção periódica desses dispositivos é essencial, com
reparos nos gabiões e nos de produtos perigosos.
• Remoção e disposição de resíduos em drenagens, caixas
de produtos perigosos e caminhos do runoff.
• Serviços de capina e poda de herbáceas na FD.
4. Resultados e Discussão
Sobre as medidas de controle:
• Em novas estruturas, avaliaram-se geometria e espaço
disponível, apontando o dispositivo adequado ao ponto.
• Complementarmente, consideraram-se aspectos de
manutenção e custos de implantação.
• Dispositivos sugeridos: bacias de filtração; valas ou
bacias de detenção; e filtros de areia.
4. Resultados e Discussão
Síntese:
atividades
essenciais na
implantação de
sistemas de
controle e
monitoramento
de poluição por
cargas difusas em
rodovias
5. Conclusões
• O objetivo de estruturar um sistema de
monitoramento e controle, em face do contexto
de mananciais, foi alcançado em seus pilares
fundamentais, contendo:
 Caracterização e estimativas das cargas
difusas, por subtrecho;
 Identificação de pontos críticos; e
 Proposição de medidas de controle.
5. Conclusões
• O desenvolvimento do sistema beneficiou-se da
integração de medidas propostas e adotadas em
momentos distintos da AIA.
• Aproveitaram-se experiências técnicas e estruturas
remanescentes do controle de erosão e
assoreamento da fase de instalação.
• Dado o modelo obtido, considera-se atingida a
perspectiva de contribuir para o desenvolvimento de
sistemas similares, no contexto de AIA de rodovias.
AGRADECIMENTOS
• Dersa/UGA-ROD, pelo apoio à realização e
divulgação dos estudos;
• Artesp pelos dados fornecidos;
• Colegas do IPT; e
• Profissionais de outras instituições que
participaram de atividades conjuntas na gestão
ambiental do Rodoanel Sul.
Grato pela atenção!
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Omar Yazbek Bitar