c ADRIANA DE AGUIAR PINTO DE SOUZA Estudo da microbiota anemófila presente nos diferentes ambientes do Hospital Santa Casa de Belo Horizonte, MG DISSERTAÇÃO DE MESTRADO INSTITUTO DE ENSINO E PESQUISA – IEP SANTA CASA DE BELO HORIZONTE Belo Horizonte, Minas Gerais. 2012 ADRIANA DE AGUIAR PINTO DE SOUZA ESTUDO DA MICROBIOTA ANEMÓFILA PRESENTE NOS DIFERENTES AMBIENTES DO HOSPITAL SANTA CASA DE BELO HORIZONTE, MG Dissertação apresentada ao Programa de Pós–Graduação e Pesquisa em Ciências da Saúde do Instituto de Ensino e Pesquisa da Santa Casa de Belo Horizonte, como requisito parcial para a obtenção do grau de Mestre em Medicina e Biomedicina. ORIENTADOR: Profa. Dra. Rachel Basques Caligiorne CO-ORIENTADOR: Prof. Dr. Luiz Ronaldo Alberti Belo Horizonte, Minas Gerais. 2012 II FICHA CATALOGRÁFICA Souza, Adriana de Aguiar Pinto de Estudo da microbiota anemófila presente nos diferentes ambientes do Hospital Santa Casa de Belo Horizonte, MG. Belo Horizonte: Hospital da Santa Casa de Belo Horizonte, 2012. 70f. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação StrictoSensu do Instituto de Ensino e Pesquisa – IEP – Santa Casa de Belo Horizonte para obtenção de grau de Mestre em Medicina e Biomedicina. Orientação: Profa. Dra. Rachel Basques Caligiorne Co-orientação: Prof. Dr. Luiz Ronaldo Alberti Microbiota in the air of environments in different units of Santa Casa de Belo Horizonte Hospital, MG 1. Microbiota 2. Fungos 3. Unidade de Tratamento Intensivo 4. Infecção Hospitalar 5. Qualidade Interna do Ar NLM: CDU: 616.053.31//.32 ESTUDO DA MICROBIOTA ANEMÓFILA PRESENTE NOS DIFERENTES AMBIENTES DO HOSPITAL SANTA CASA DE BELO HORIZONTE, MG ADRIANA DE AGUIAR PINTO DE SOUZA Nível: Mestrado Data da defesa: 18/12/2012 Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências da Saúde: Medicina/Biomedicina do Instituto de Ensino e Pesquisa da Santa Casa de Belo Horizonte. Comissão Examinadora formada pelos Professores: Profa. Dra. Rachel Basques Caligiorne – Orientadora Prof. Dr. Luis Alberti – Co-orientador Dr. César Lúcio Lopes de Faria Júnior Dra. Samantha Ribeiro Béla Belo Horizonte – MG. 2012 Aos meus pais, Rossmary e Sebastião (in memoriam) exemplos para minha vida e inspiração; eles me ensinaram a buscar meus objetivos com dignidade e honestidade. Ao meu marido Wander e minhas filhas Ana Luiza e Luana, que souberam me apoiar, compreenderam minhas ausências, e cujo amor foi motivo para eu persistir e concluir esta dissertação. AGRADECIMENTOS A Deus, que sempre iluminou o meu caminho e foi minha força nos momentos difíceis. Ao chefe e ao coordenador do programa de pós-graduação da Santa Casa de Belo Horizonte, Dr. Francisco das Chagas Lima e Silva e Dr. José Augusto Nogueira Machado. À Profa. Dra. Rachel Basques Caligiorne, orientadora e, além de tudo, amiga, pela inestimável colaboração, paciência, disponibilidade e oportunidade de avançar este degrau na vida acadêmica e científica. Ao Prof., Dr. Luiz Ronaldo Alberti, coorientador, pelo incentivo, apoio, amizade, ensinamentos e otimismo, que me levou a completar esta etapa da minha vida. A todos os professores e funcionários do Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) da Santa Casa de Belo Horizonte pelo carinho, apoio e possibilidade de aprendizado diário. Aos colegas e funcionários do Laboratório de Micologia do Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP), em especial às companheiras amigas e incríveis profissionais Cláudia, Cidiane, Thelma e Fabi, pela fundamental colaboração durante a fase do experimento e pelo apoio nos momentos de desesperos. Aos meus pais por todo amor, carinho e suporte durante toda a minha vida. À minha irmã Andréa, por quem tenho profundo carinho, amizade e foram fonte constante de apoio e incentivo. Ao meu marido Wander, pelo amor, compreensão e por acreditar sempre na minha capacidade. Às minhas filhas, Ana Luiza e Luana fonte inesgotável da minha vida. Ao grande e inesquecível amigo de sempre Odilon Garrilho Freitas. Pessoa de estima inigualável. Sem sua ajuda jamais teria concluído este trabalho e vencido mais esta etapa da vida. Meu muito obrigada. A todos aqueles que de alguma forma contribuíram para o meu crescimento pessoal e profissional. ÍNDICE DA TABELA Tabela 1: Lista de reagentes utilizados ...........................................................................12 ÍNDICE DAS FIGURAS Figura 1: Observação de um conidióforo típico de Aspergillus sp, aumento de 1000x 14 Figura 2: Observação microscópica de cocos bacterianos 17 Figura 3: Observação da conidiação típica de Cladosporium sp, aumento 1000x 19 Figura 4: Técnica de microcultivo em lamina 26 Figura 5: Placas de petri com o crescimento das colônias fúngicas e bacterianas 27 ÍNDICE DOS GRÁFICOS Gráfico 1: Proporção dos gêneros dentre as 136 colônias isoladas nos diferentes ambientes do Hospital Santa Casa de BHte ............... 28 Gráfico 2:. Proporção dos gêneros dentre as 136 colônias isoladas 8º andar do Hospital Santa Casa de BHte ...........................................29 Gráfico 3:. Proporção dos gêneros dentre as 136 colônias isoladas 9º andar do Hospital Santa Casa de BHte ...........................................30 Gráfico 4:. Proporção dos gêneros dentre as 136 colônias isoladas no CTI adulto do Hospital Santa Casa de BHte .................................31 Gráfico 5:. Proporção dos gêneros dentre as 136 colônias isoladas na Unidade Coronariana do Hospital Santa Casa de BHte .................32 Gráfico 6:. Proporção dos gêneros dentre as 136 colônias isoladas na Enfermaria Pediátrica do Hospital Santa Casa de BHte ................33 Gráfico 7:. Proporção dos gêneros dentre as 136 colônias isoladas no CTI pediátrico do Hospital Santa Casa de BHte ...........................34 Gráfico 8:. Proporção dos gêneros dentre as 136 colônias isoladas no CTI neonatal do Hospital Santa Casa de BHte ..............................35 Gráfico 9:. Proporção dos gêneros dentre as 136 colônias isoladas no setor de oncologia do Hospital Santa Casa de BHte .....................36 LISTA DE SÍMBOLOS, SIGLAS E ABREVIATURAS: AC – Ar-condicionado ASD – Ágar Sabouraud Dextrose CC – Centro Cirúrgico CTI – Centro de Tratamento Intensivo CTN – Centro de Tratamento Intensivo Neonatal IH – Infecção Hospitalar LT – Limite de tolerância m2 – Metro quadrado m3 – Metro cúbico ppm – Parte por Milhão ppb – Parte por Bilhão ppt – Parte por Trilhão QAI – Qualidade do Ar Interno RN – Recém-Nascido UFC – Unidade Formadora de Colônia BHte – Belo Horizonte 1 RESUMO O monitoramento da qualidade do ar em hospitais é de grande importância devido ao fato de que inúmeras doenças são transmissíveis através dos bioaerossóis da microbiota anemófila, formada por fungos, bactérias, algas e vírus. Vários estudos apontam as infecções hospitalares (IH) como as mais frequentes complicações do tratamento em unidades de terapia intensiva (UTI), além de serem consideradas um grave e complexo problema de saúde pública. No Brasil, a infecção hospitalar acomete entre 5% e 15% dos pacientes hospitalizados. Entre os pacientes internados em UTIs estes valores podem aumentar, ficando entre 25% a 35%, tornando as infecções hospitalares a quarta causa de mortalidade no país. Portanto, torna-se de extrema necessidade a determinação da composição e concentração de microrganismos do ar nas áreas internas, externas e críticas de hospitais. Os gêneros Cladosporium, Candida, Penicillium, Aspergillus, Rhizopus, Fusarium, Rhodotorula, Aureobasidium, Curvularia, Helminthosporium e Trichoderma são os fungos mais frequentes encontrados nas regiões brasileiras. Neste estudo foram isoladas colônias de fungos e bactérias de diferentes ambientes do Hospital Santa Casa de Belo Horizonte, sendo eles: oncologia; UTIs adulto, pediátrica e neonatal; enfermaria pediátrica e enfermarias do oitavo e nono andar. Foram abertas 150 placas, isolando ao todo 136 colônias de bactérias, fungos filamentos e leveduriformes. O gênero Cladosporium foi o mais frequente, com 39 colônias (29%), seguido pelos gêneros Chrysosporium, Cladophialophora, Aspergillus, todos com 16 colônias isoladas (12%); Penicillium com 8 colônias (6%) e Candida sp, com apenas 5 colônias (4%). Dentre as bactérias, foram isolados cocos gram-positivos (10%) e bastonetes gram-negativos (4%). Os resultados apresentados demonstram que, apesar do hospital estar passando por um período de reformas, a contagem de microrganismos da microbiota do ar nos diversos setores não foi elevada em se comparando com outros estudos de ambientes hospitalares. Entretanto, o estudo periódico da microbiota do ar se faz necessário, uma vez que o monitoramento constante impede que muitas infecções hospitalares possam ocorrer, além de fazer com que os profissionais da saúde possam ficar mais atentos às condutas diárias de desinfecção das mãos e dos equipamentos. Palavras chave: microbiota, fungos, Unidade de Tratamento Intensivo, infecção hospitalar, qualidade interna do ar. 2 ABSTRACT The monitoring of air quality in hospitals is of great importance due to the fact that several diseases are transmissible via bioaerosols of microbiota anemophilous, formed by fungi, bacteri a, algae and viruses. Several studies show hospital infections (HI) as the most frequent treatments complication in intensive care units (ICU) and are considered a serious and complex public health problem. In Brazil, hospital infections affects between 5% and 15% of hospitalized patients. Among ICU patients these values may increase to 25% to 35%, making hospital infections the fourth leading cause of mortality in the country. Therefore, it is of utmost necessity to determine the composition and concentration of air microorganisms in internal, external and critical areas in hospitals. The Cladosporium, Candida, Penicillium, Aspergillus, Rhizopus, Fusarium, Rhodotorula, Aureobasidium, Curvularia, Helminthosporium and Trichoderma fungi are the most frequently found in Brazilian regions. For this study were isolated colonies of fungi and bacteria from different environments inside the Santa Casa de Belo Horizonte Hospital: oncology; adult, pediatric and neo-natal ICU; pediatrics ward and wards of the eighth and ninth floor. 150 plates were opened, isolating 136 colonies of bacteria, fungi filaments and yeast. The Cladosporium genus was the most frequent, with 39 colonies (29%), followed by the Chrysosporium, Cladophialophora and Aspergillus genus, all with 16 isolated colonies (12%), Penicillium with 8 colonies (6%) and Candida sp, with only 5 colonies (4%). Among the bacterias, were isolated Gram-positive cocci (10%) and gramnegative rods (4%). The results show that although the hospital is going through a period of reform, the number of microorganisms from the air microbiota in various sectors was not high if compared to other studies of hospital environments. However, the periodic study of air microbiota is necessary, since the constant monitoring prevents many hospital infections as well as leads health professionals to be more attentive to conduct daily disinfecting of hands and equipment. Keywords: microbiota, fungi, Intensive Care Unit, hospital infection, indoor air quality. 3 ÍNDICE GERAL DEDICATÓRIA .............................................................................................................V AGRADECIMENTOS ..................................................................................................VI ÍNDICE DAS TABELAS ...........................................................................................VII ÍNDICE DAS FIGURAS ...........................................................................................VII ÍNDICE DAS TABELAS ...........................................................................................VII LISTA DE SÍMBOLOS, SIGLAS E ABREVIATURAS .........................................VIII RESUMO ..................................................................................................................... IX ABSTRACT .................................................................................................................. X 1. INTRODUÇÃO .........................................................................................................1 2. REVISÃO DA LITERATURA ................................................................................2 2.1. Infecção Hospitalar (IH) .................................................................................... 2 2.2. Contextualização sócio-histórica das infecções hospitalares ............................ 3 2.3. História das infecções hospitalares e a legislação ............................................. 7 2.4. Infecções Hospitalares (IH) e o Ar Ambiente ................................................. 10 2.5. Os Fungos anemófilos ..................................................................................... 12 2.6. As Bactérias anemófilas .................................................................................. 14 2.7. O ar e sua microbiota Fúngica ........................................................................ 17 3. JUSTIFICTIVA .................................................................................................20 4. OBJETIVOS ......................................................................................................21 4.1. OBJETIVOS GERAIS .........................................................................................21 4.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ...............................................................................21 4 5. METODOLOGIA ...................................................................................... 22 5.1. Coleta de amostras ...............................................................................................23 5.2. Reagentes utilizados ........................................................................................... 23 5.3. Meios de cultura utilizados ................................................................................. 24 5.4. Observação macroscópica das colônias de fungos e bactérias ........................... 24 5.5. Técnica de Microcultivo pelo método de Ridell ................................................ 25 5.6. Identificação das espécies de fungos ................................................................. 26 5.7. Técnica de coloração pelo Gram para identificação das bactérias ..................... 26 6. RESULTADOS ................................................................................................... 27 7. DISCUSSÃO ...................................................................................................... 37 8. CONCLUSÃO ................................................................................................... 40 9. PROPOSIÇÕES ................................................................................................ 41 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................... 42 11. APÊNDICE I .................................................................................................. 47 5 1. INTRODUÇÃO O estudo da qualidade do ar é de grande importância devido ao fato de que inúmeras doenças são transmissíveis através dos bioaerossóis da microbiota anemófila, formada por fungos, bactérias, algas e vírus. Em muitas destas doenças a transmissão se dá pelas vias aéreas, quando o indivíduo é contaminado pela inalação do agente microbiano e a sua retenção no trato respiratório, local propício para o seu desenvolvimento. Estes organismos anemófilos constituem uma flora potencialmente patogênica que, em vista do perfil imunossuprimido dos pacientes e o uso prolongado de antimicrobianos (ATB), podem ocasionar quadro irreversível (MARTINS-DINIZ et al., 2005). Para avaliar a qualidade microbiológica do ar em ambientes climatizados, Nunes (2005) realizou um estudo com o objetivo de isolar espécies dos gêneros Aspergillus, Staphylococcus aureus, enterobactérias bem como Pseudomonas aeruginosas. Foi escolhido o ambiente hospitalar para uma pesquisa qualitativa destes microrganismos, uma vez que o acúmulo de umidade e material orgânico em bandejas de ar-condicionado pode torná-las poderosas fontes dispersoras de bioaerossóis. Segundo Kenny et al. (1999), uma sensibilização respiratória como (asma ou alveolite) e efeitos toxicológicos no pulmão, como a febre de inalação ou síndrome da poeira orgânica tóxica, podem ser causados pela exposição aos micro-organismos aéreos ou outros bioaerosóis. E ainda, segundo Rosa & de Melo Lisboa (2005), a infectividade de um microrganismo está relacionada à capacidade de suas partículas infectivas em penetrar no organismo do hospedeiro. Nos últimos anos, tem-se observado aumento das taxas de morbidade e mortalidade devido às infecções fúngicas e bacterianas de origem hospitalar. As transmissões dessas infecções podem ser através das mãos contaminadas dos colaboradores da área da saúde, dos infusos contaminados ou da dispersão de seus esporos pelo ar. O principal efeito da inadequada qualidade deste ar se dá no sistema respiratório humano. Assim, faz-se a importância do monitoramento ambiental das UTI, isolando e quantificando bioaerossóis fúngicos. 6 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1. Infecção Hospitalar (IH) Vários estudos apontam as infecções hospitalares (IH) como as mais frequentes complicações do tratamento em UTI além de serem consideradas um grave e complexo problema de saúde pública. São vários os fatores que desencadeiam as infecções, dentre eles, a ampla utilização de procedimentos cada vez mais invasivos e a resistência microbiana devido ao uso indiscriminado de antibióticos (STARLING, 2004; TURRIN, 2002). O Ministério da Saúde define a IH como “[…] aquela adquirida após a admissão do paciente e que se manifesta durante a internação ou após a alta, quando puder ser relacionada com a internação ou procedimentos hospitalares” (BRASIL, 1998a). Por ser a principal causa de morbidade e mortalidade hospitalar, as IHs representam uma grande preocupação mundial, pois prolongam o tempo de internação e consequentemente, elevam os custos da internação além de reduzir a rotatividade dos leitos hospitalares (ANDRADE et al., 2000), o que ocasiona um prejuízo tanto aos enfermos, aos seus familiares, aos hospitais e a própria sociedade em geral. Há uma variação de incidência das infecções entre os estabelecimentos hospitalares de determinadas regiões para outras. Estas variantes dependem do tipo de hospital, suas especialidades e características no tipo de atendimento, das tecnologias utilizadas, presença e efetividade de uma vigilância epidemiológica no Controle de Infecção Hospitalar, bem como a clientela que é atendida (PCIH). Por ser uma infecção que representa riscos à saúde de todas as pessoas e que pode ocorrer tanto dentro quanto fora do ambiente hospitalar, o termo infecção hospitalar vem sendo substituído por “Infecção Relacionada à Assistência à Saúde Iras” (ABRAMCZYK, 2006 a,b). Um estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), no período de 19831985 constatou uma variação de 3% a 21% na taxa de IH em quatorze países, apresentando uma média de 8,7%. Inquérito nacional realizado em 1994, apontou uma taxa média de 15,5% de IH entre hospitais públicos e privados (OPAS-OMS, 2000), o que quando comparadas aos estudos da OMS revelou-se elevadas. Por meio de utilização de determinadas medidas de prevenção e de controle, a IH é um evento que pode e deve ser evitada, essa forma pode também ser chamada de evento sentinela (ES). Esse evento refere-se à ocorrência de uma doença, invalidez ou morte que poderia ter 7 sido evitada (PENNA, 2006). Para Palmeira (2000), o evento sentinela “[…] é um acontecimento indicativo de uma situação que requer uma intervenção imediata”. Sendo assim, consideramos a IH como um evento sentinela, uma vez que pode e deve ser evitado, considerando que a sua ocorrência deve ser minimizada, através da utilização de ações preventivas e de controle. Algumas falhas reveladas pelo evento sentinela IH impedem um bom funcionamento do serviço assistencial de saúde (PENNA, 2006). Há evidências de falhas operacionais e consequentemente surge a necessidade de programar ações preventivas no controle da infecção que permitam reduzir ou até mesmo impedir riscos às pessoas doentes dos serviços de saúde. Tem se notado que o aparecimento de casos de IH é inversamente proporcional ao nível da qualidade da assistência hospitalar, sendo pertinente afirmar que esta frequência constitui riscos à saúde das pessoas doentes, em especial ao se tratar da assistência hospitalar. Por mais que sejam empregadas as medidas necessárias, a ocorrência de IH representa um desafio não só para as instituições hospitalares, mas também para os profissionais de saúde, os doentes e para a própria comunidade em geral. É possível a redução das estatísticas de infecções hospitalares e até mesmo dos agravos relacionados a elas com a implantação que combinem tecnologia, recursos humanos e financeiros para atender a programas de prevenção e controle de infecção (ANDRADE et al., 1999; TURRINI, 2002). A assistência hospitalar se diferencia da atenção básica por disponibilizar atendimento mais complexo, podendo oferecer uma variedade de recursos humanos, materiais e tecnológicos. Essa assistência visa melhorar a condição de saúde das pessoas internadas que, já se encontram fisicamente debilitadas, podendo desta forma contribuir para o surgimento de eventos decorrentes dos processos assistenciais, como as IHs. Algumas medidas simples como a lavagem das mãos, a utilização de materiais de proteção individual, o cumprimentos das regras de assepsia e evidentemente, o processamento adequado dos materiais e artigos assim como a limpeza adequada das superfícies, podem reduzir a incidência e até mesmo evitar as IHs (PEREIRA et al., 2005). 2.2. Contextualização sócio-histórica das infecções hospitalares Aproximadamente entre os anos 300 e 394 d.C., encontra-se citações na literatura quanto ao aparecimento dos primeiros hospitais urbanos no Império Romano (RODRIGUES, 1997; COUTO et al., 2003; FERNANDES et al., 2000). 8 Os cuidados às pessoas doentes na Idade Média (séculos XI e XII) eram direcionados aos religiosos. No século XIII, iniciou a enfermagem nas instituições hospitalares, sobretudo na pessoa das religiosas que pregavam a filosofia em amar o próximo (MELO, 1986). Os hospitais surgem com a função de assegurar a vida e salvar a alma dos enfermos no momento de sua morte. Com a Revolução Industrial e o crescimento urbano, houve a necessidade de uma transformação na instituição hospitalar, na tentativa de anular os efeitos negativos causados pelas desordens socioeconômicas, a manutenção de ociosos e ainda evitar a disseminação de doenças de classe mais baixa para outras classes sociais. Desta forma, passa a ser local de tratamento e recuperação de pessoas (FOUCAULT, 1994). A concepção terapêutica surge com intuito de conscientização para que o hospital seja um instrumento para atender à emergência capitalista, para que os cidadãos fossem preservados saudáveis para o desenvolvimento das atividades de produção (FOUCAULT, 1994). A disciplinarização e a inserção de médicos marca o processo de reorganização e reestruturação dessas instituições. No entanto, esses confinamentos de pessoas tornam-se insalubres, favorecendo a transmissão de doenças infecciosas, devido às precárias condições sanitárias. Portanto, esta reorganização das instituições marca o aparecimento das infecções hospitalares e, evidentemente da necessidade de seu controle (LACERDA & EGRY, 1997). Devido ao aumento da necessidade assistencial muitos hospitais foram criados, entre eles o Hotel-Dieu na França, com capacidade de 1.200 leitos. Por serem precárias as condições de funcionamento destas instituições e ainda ter uma excessiva clientela, os leitos eram compartilhados por vários enfermos, o que propiciava a transmissão de doenças, especialmente as de origem infecciosa (FERNANDES et al., 2000a). Quando se tratava de pediatria, o número compartilhado de crianças no mesmo leito era ainda maior. A água era algo incerto e os alimentos evidentemente, não recebiam cuidados adequados para serem consumidos (COUTO et al., 2003b). Os hospitais eram similares a albergues ou asilos, tinham a finalidade de recolher pobres e enfermos no intuito de proteger a população de doenças ou até mesmo epidemias. Favorecidas pelas condições dentro das instituições, as doenças se propagavam com muita facilidade, uma vez que os processos infecciosos eram oriundos dos próprios serviços, sendo que as consequências aumentavam ainda mais a gravidade até causavam a morte dos enfermos (FOUCAULT, 1992b). Os espaços dos hospitais eram fontes inesgotáveis de doença e da própria morte dos pobres. Esses eram assistidos material e espiritualmente, recebendo os cuidados e o último sacramento. Pode-se perceber que os hospitais não eram destinados à cura e sim apresentavam 9 um caráter social (FOUCAULT, 1992). Desde o período pré-cristianismo, na Roma Antiga e na Idade Média, eram as religiosas, mulheres, prostitutas e outras pessoas sem qualificação e remuneração que cuidavam da assistência aos enfermos e necessitados. Pois, desempenhar a assistência aos necessitados significava uma realização de obras de caridade, servindo como um meio para a remissão dos seus pecados e merecimento de indulgências (MELO, 1986). O espaço hospitalar de conformação insalubre é enfatizado por Foucault (1994) em sua obra “O Nascimento da Clínica”, como […] o hospital, como a civilização, é um lugar artificial em que a doença, transplantada, corre o risco de perder seu aspecto essencial. Ela logo encontra nele um tipo de complicação que os médicos chamam febres das prisões ou dos hospitais (FOUCAULT, 1994). A institucionalização era para o autor, uma causa de complicações para os doentes, já que as infecções hospitalares apareciam por consequência de condições de assistência precárias na qual permitiam a disseminação de doenças entre as pessoas atendidas. A falta de higiene pública a contaminação dos rios e do ambiente acarretava racionamentos de água e por muitas vezes, a água estava contaminada com excrementos, tornando os índices de morbidade e mortalidade aumentados. Pelo descaso com a população e principalmente com a saúde pública, surgiu a necessidade de uma política nacional na qual tinha o objetivo de promover a saúde e o bem-estar da população. Assim, observou-se a participação social nos sistemas de gestão, garantindo o exercício da cidadania (FERNANDES, 2000). Os reis buscavam manter o poder sob seu controle para tornar um Estado forte. Assim, foram criadas algumas medidas de organização e preconização constituindo-se a polícia sanitária, na qual fazia o controle e fiscalização de aspectos higiênicos, alimentares e jurídicos (FOUCAULT, 1992a; FERNANDES, 2000). Com o objetivo de estabelecer um programa de reconstrução e reorganização dessas instituições, foram realizadas, no final desse século, viagens inquéritos em hospitais de vários países da Europa, sob outra a ótica que não mais de arquitetos e sim de médicos, com intuito de corrigir os efeitos patológicos que causavam (FOUCAULT, 1992). Outras concepções apareceram em relação aos fenômenos patológicos e espaciais, como a separação de doentes de acordo com a nosologia, cuidados com os ambientes e principalmente com as contaminações, de forma a evitar os fatos patológicos próprios dos hospitais. Inicia-se aqui o período de constituição de um modelo clínico, já que a prática médica, não possibilitava, até então, conhecimento para a organização de um saber voltado para a medicina hospitalar (FOUCAULT, 1992b). 10 A reestruturação hospitalar começa nos hospitais marítimos e militares, ainda no Sec. XVIII, por motivos das regulamentações econômicas e a valorização dos homens enquanto soldados devido aos altos investimentos para a sua formação. Desta forma, os soldados doentes, passaram a ser vigiados para que se curassem, evitando a deserção e até mesmo sua morte (FOUCAULT, 1992). Várias regulamentações foram instituídas nesses hospitais com o objetivo de reordenar o hospital. Dentre as regulamentações foram observados o combate ao tráfico de mercadorias como objetos preciosos, especiarias contrabandeadas pelos traficantes que se faziam de doentes para serem transferidos para os hospitais e a quarentena para evitar a propagação de doenças epidêmicas. A introdução de medidas disciplinares nos hospitais permitiu investigar melhor as necessidades econômicas para valorizar os corpos dos indivíduos e ao controle das epidemias. (FOUCAULT, 1992). A disciplinarização tornou-se médica, corroborou para promover a medicalização do ambiente hospitalar, através de processos de transformação dos saberes e das práticas médicas. A assistência caridosa fora substituída pela atividade de cura e terapêutica. A doença passou a ser vista como um fenômeno natural em que há correlação da natureza sobre o indivíduo, a água, o ar, o ambiente, e principalmente no tratamento efetuado pelo conhecimento científico, em uma intervenção médica (FOUCAULT, 1992). Para evitar a superlotação dos hospitais, somente os doentes com indicação médica são admitidos. Com esse novo procedimento há uma individualização no trato dos enfermos e consequentemente uma preocupação com a arquitetura do hospital favorecendo assim, a cura dessas pessoas (FOUCAULT, 1992). O médico passa a ser o elemento essencial e principal responsável pela organização do hospital (FOUCAULT, 1992b), delimitado aí o seu espaço hegemônico e de poder, que se estabelece progressivamente na hierarquização da sua classe. As transformações socioeconômicas provindas do capitalismo e do crescimento desordenado das cidades, das doenças epidêmicas e da própria evolução social do trabalho, fazem com que haja uma evolução no conhecimento da medicina e da organização dos hospitais (LACERDA & EGRY, 1997). O médico cirurgião húngaro Ignaz Philipp Semmelweis (1818 -1865), Viena, em meados do Séc. XIX (1847) observou altas taxas de infecção puerperal nas mulheres que foram tratadas por médicos que realizavam necropsias, isto fez com que fosse instituída a lavagem das mãos com solução clorada, rotineiramente. Este ato tornou-se um marco nas IHs, pois conseguiu diminuir as taxas de infecção de 11,4% para 1,3% em um curto período de tempo (FERNANDES et al., 2000). 11 No final do Sec. XIX, na Inglaterra, surge Florence Nightingale personagem importante no desenvolvimento da enfermagem. Ela instituiu medidas sanitárias e de controle das IHs.; reorganizou os hospitais ingleses, demonstrando preocupação com os cuidados de higienização; implantou o isolamento dos enfermos; o atendimento individual; a dieta controlada. Tudo isso, através da instituição de medidas de organização, sistematização do atendimento e treinamento de pessoal, com o objetivo de reduzir no ambiente hospitalar as causas das infecções sobre os doentes internados (ANDRADE et al., 2000). Com a implantação das práticas higiênico-sanitárias, reduziu-se significativamente as taxas de mortalidade hospitalar da época (MELO, 1986; NIGHTINGALE, 1989; LACERDA & EGRY, 1997). Provavelmente, a vigilância epidemiológica surgiu a partir das atividades desenvolvidas por Florence Nightingale. A utilização das práticas hospitalares como instrumento e elaboração de critérios apresentou melhoria na assistência prestada (COUTO & PEDROSA, 2003a). Com os avanços no campo da bacteriologia no final do séc. XIX as descobertas trouxeram possibilidades de terapêutica não somente aos sintomas, mas também nas causas dos males (LACERDA & EGRY, 1997). Assim, a preocupação com as infecções adquiridas pelas pessoas doentes instituiu medidas voltadas para a prevenção e controle. O combate a IHs fez surgir a intervenção de órgãos governamentais, cujas medidas normativas e legais, passaram a ser instituídas para a prevenção e controle nas instituições hospitalares (ANDRADE et al., 2000). 2.3. História das infecções hospitalares e a legislação Somente a partir da década de 50 surgiram os primeiros relatos no Brasil a respeito da infecção hospitalar. O nome anteriormente utilizado era o da contaminação hospitalar, que era um indicativo correlacionado à esterilização dos materiais hospitalares e até mesmo ao abuso do uso de antibióticos (RODRIGUES, 1997). A preocupação com medidas ambientais como o descarte do lixo, a contaminação do ar, bem como a utilização de técnicas assépticas passou a ser fatos preocupantes. Principalmente pelo fato de que as escolas médicas não se preocupavam muito com a temática da infecção hospitalar, especialmente no uso das técnicas assépticas (RODRIGUES, 1997; FERNANDES et al., 2000b). 12 A partir da década de 60 surge no Rio Grande do Sul, no Hospital Ernesto Dornelles, a primeira Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do país (RODRIGUES, 1997). Com a criação dessa comissão, inicia-se nos anos 70 uma nova forma de comissão definida como multidisciplinares. Estas foram criadas em hospitais públicos e privados e eram vinculadas às instituições de ensino. Já em 1972, no Rio de Janeiro, ocorre o primeiro evento científico específico sobre infecção hospitalar (RODRIGUES, 1997). Em 1979, com o propósito de implantar no país ações de controle de infecção, o Ministério da Saúde participa da primeira Conferência da Organização Pan-Americana de Saúde/ Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS). A partir daí, estabeleceram algumas metas e indicadores como o treinamento e a elaboração de uma educação continuada, criação de núcleos centrais com definição das políticas nacionais para o controle das infecções hospitalares, padronização de normas técnicas, procedimentos e principalmente um diagnóstico situacional dos hospitais do país (FERNANDES et al., 2000b). Os profissionais de saúde somente se conscientizaram para o controle das infecções, na década de 80, quando foram realizadas várias reuniões entre os profissionais de saúde, palestras e discussões referentes ao tema, o que alavancou o desenvolvimento no controle da infecção hospitalar no país e a criação de várias CCIHs nos hospitais brasileiros (RODRIGUES, 1997; FERNANDES et al., 2000b). O Ministério da saúde, por ser pressionado pela imprensa por fatos ocorridos de infecções hospitalares, acaba expedindo uma legislação, Portaria MS nº 196 (BRASIL, 1983) na qual recomendava aos hospitais brasileiros a criação de CCIH e fornecia anexos com orientações práticas (RODRIGUES, 1997; FERNANDES et al., 2000b). Dois anos mais tarde após a publicação da Portaria do MS nº 196 (BRASIL, 1983), o primeiro Presidente da República eleito por voto direto, Tancredo de Almeida Neves, foi vitima de uma septicemia decorrente de infecção hospitalar pós-cirúrgica, pouco antes de sua posse, vindo a falecer dias depois, fato marcante que repercute na história da infecção hospitalar no país. O I Congresso Brasileiro de Infecção Hospitalar realizou-se em São Paulo em 1989, através da Associação Paulista em Controle de Infecção Hospitalar (RODRIGUES, 1997; FERNANDES et al., 2000b). Em 1990, foi instituída pela Lei Orgânica da Saúde a política de descentralização das ações de saúde, na qual provocou a dispersão dos profissionais do Ministério da Saúde na área do controle de infecção, sendo drasticamente comprometido o funcionamento do Programa pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 1990b). Com a descentralização formaram-se núcleos de 13 profissionais com atuação no controle de infecção em vários estados, formando assim, associações de profissionais em controle de infecção (FERNANDES et al., 2000). A emissão da Lei Federal nº 9.431 (BRASIL, 1997) veio pelo não cumprimento de diversos hospitais brasileiros da Portaria MS nº 930, que determinou a obrigatoriedade da manutenção dos Programas de Controle de Infecção Hospitalar por todos os hospitais do país, objetivando uma melhoria do quadro da maioria dos hospitais brasileiros. Assim, a Portaria nº. 2.616 (BRASIL, 1998), emitida pelo Ministério da Saúde e em vigor até então, mantém a obrigatoriedade da existência de um Programa de Controle de Infecção Hospitalar (PCIH) em todos os hospitais do país. Esta Portaria trás sobre a organização e competências da CCIH e do PCIH, estabelece ainda os conceitos e critérios diagnósticos das Infecções Hospitalares, orienta quanto à vigilância epidemiológica das infecções hospitalares juntamente com seus indicadores, e ainda recomenda algumas ações como a lavagem das mãos, o uso de germicidas, a implantação de lavanderia e farmácia. Em 1999, cria-se a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) com o objetivo de centralizar, controlar medicamentos e alimentos, bem como produtos e serviços de interesse da saúde como controle de infecção em nível federal, tendo suporte das Secretarias Estaduais através do apoio técnico, capacitações, expedição de normas e legislações, consolidação de informações e promoção da socialização das informações pertinentes (BRASIL, 2006). A ANVISA emitiu a Resolução RDC nº. 48 (BRASIL, 2000), com intuito de estabelecer a sistemática para avaliação/inspeção dos Programas de Controle de Infecção Hospitalar no Brasil. Esta instrumentalização de ações e fiscalização sanitária monitora a forma mais efetiva de desenvolvimento das ações de Controle das Infecções nos estabelecimentos hospitalares. Devido à falta de indicadores, a ANVISA desenvolveu um Sistema de Informações para o Controle de Infecção em Serviços de Saúde (SINAIS) (BRASIL, 2006). Este sistema tem o objetivo de conhecer o perfil epidemiológico e principalmente as taxas de infecções dos hospitais, para que haja uma corroboração na uniformização e padronização de indicadores que possam ser acompanhados para uma orientação de implantação de ações para minimizar a incidência e a gravidade das infecções hospitalares. A infecção hospitalar no Brasil, aparece entre 5 e 15% dos pacientes hospitalizados. Os internados em UTIs ficam entre 25 a 35% adquirem infecção hospitalar, o que compõe cerca de 25% do setor responsável por todas as infecções hospitalares. Tornando a quarta causa de 14 mortalidade no país (EGGIMANN & PITTET, 2001). Entretanto, a prevalência certa das infecções hospitalares, declarada por órgãos oficiais ainda é desconhecida (TURRINI & SANTO, 2002). Os dados disponíveis são apenas do inquérito nacional de 1994, que revelou taxas de infecção hospitalar de 13% a 15% em hospitais públicos e privados brasileiros (RODRIGUES, 1997; FERNANDES et al., 2000b). São diversas as questões que relacionam às condições do funcionamento dos serviços, as resistências e até mesmo as questões políticas relacionadas aos órgãos competentes fiscalizadores que interferem no cumprimento das legislações e normas nos serviços hospitalares (LACERDA & EGRY, 1997; SOUZA et al., 2002). 2.4. Infecções Hospitalares (IH) e o Ar Ambiente Vários estudos comprovam que há propagação de microrganismos através do ar. As infecções hospitalares mesmo sendo relacionadas com os métodos terapêuticos e diagnósticos, elas podem se vincular ao ar e, portanto, devem ser consideradas (ADDINGTON, 2004; PEREIRA et al., 2005; AFONSO et al., 2008). Alguns determinantes importantes a respeito do grau de contaminação do ar interno são relacionados à quantidade de partículas, natureza, taxa de ventilação, ocupação e grau de atividade exercida pelas pessoas que estejam em um mesmo espaço físico (LUOMA & BATTERMAN, 2001). A concentração de microrganismos dispersas no ar é muito diversificada, tendo em vista que a contaminação microbiológica do ar de ambientes internos tenha como fontes o meio externo e o próprio ambiente interno (BERNARDS et al., 1998). No entanto, caso ocorra de encontrar outros gêneros em concentrações elevadas no ambiente interno diferentemente das encontradas no ambiente externo, a fonte de amplitude deve ser identificada e consequentemente, eliminada (JENSEN & SCHAFER, 2009). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) promoveu a redação da Consulta Pública nº 109, de 11 de dezembro de 2003 (BRASIL, 2003). Através deste documento foi possível classificar os ambientes hospitalares em níveis de ocorrência e eventos adversos à saúde sendo estabelecidos limites para contagens totais de bactérias e fungos. São de extrema necessidade uma determinação da composição e concentração de microrganismos do ar nas áreas internas, externas e críticas de hospitais (ALBERTI et al., 2001; DINIS et al., 2005). Relatos sobre a contaminação do ar por esporos de Aspergillus sp 15 foram os primeiros como fonte de transmissão de agentes infecciosos no meio ambiente hospitalar (PANNUTI, 1997). A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) dentre os ambientes hospitalares, são as que mais merecem destaque, uma vez que os doentes deste ambiente apresentam um risco aumentado em adquirir uma infecção hospitalar por motivos de gravidade da doença, assim como são expostos a vários procedimentos invasivos, como punção de cateteres venosos centrais; passagem de cateterismo vesical; entubação traqueal com utilização de ventilação mecânica; uso de antibióticos de amplo espectro; grande densidade populacional e principalmente pelo tempo de internação que se torna muitas vezes, prolongada (GORBACH et al., 2003; ABRAMCZYK, 2006a,b). No Brasil, cresce a preocupação com as infecções hospitalares pelo aumento das taxas de morbimortalidade (PFALLER, 1996; DE MORAES et al., 2000; COLOMBO et al., 2003) Uma vez que o tratamento de pacientes com IH ficam extremamente caros em relação aos que não tem IH. Ainda que tenha implantado a legislação o índice de IH permanecem elevados cerca de 15,5% correspondendo 1,18 episódios de infecção por pacientes internados com IH. (LEISER et al., 2007). Várias dessas infecções são causadas pela microbiota residente do paciente, sendo conhecida como endógena, outras são exógenas, causadas pelas mãos dos colaboradores da área de saúde, por materiais contaminados, pelo ar contaminado e até mesmo fontes inanimadas ambientais (WENZEL, 1995). A transmissão cruzada de patógenos continua sendo uma das principais causas para o elevado número de pacientes com IH (GARDAM et al., 2007). Mas, observam-se, outros fatores que também são contribuintes para o surgimento e a disseminação das infecções hospitalares como na circulação constante de pessoas, enfermarias mal higienizadas, a indiscriminada utilização de antibióticos e pelo uso de antissépticos muitas vezes impróprios nas mãos das equipes de saúde (SIQUEIRA, 2000; RAMPLING et al., 2001; BERQUÓ et al., 2004; HARAKEH et al., 2005). Os dados sobre as infecções hospitalares são pouquíssimos divulgados no Brasil, por não serem consolidados por muitos hospitais (TURRINI et al., 2002), o que torna difícil o conhecimento da real dimensão do problema. Entretanto, estima-se que elas sejam responsáveis por cerca de 45.000 óbitos e prejuízos na ordem de bilhões de reais anualmente (MALUF et al., 2002). 16 2.5. Os Fungos anemófilos Os fungos incluem organismos eucariotos, unicelulares ou pluricelulares. O micélio fúngico é o conjunto de filamentos, ou hifas, que compõem o corpo vegetativo dos fungos. Por ser um sistema de filamentos ramificado, constitui às vezes, corpos morfologicamente complexos. Vistos no microscópio óptico, as hifas são extremamente simples e de fácil observação. Podem ser cenocíticas ou septadas (celulares). As septadas, ao microscópio eletrônico, podem apresentar um septo completo, com poro simples ou poro doliporo - com espessamento nas bordas (GUERREIRO & SILVEIRA, 2003; SIDRIM & ROCHA, 2004). Os fungos são heterotróficos, capazes de obter energia da matéria orgânica em decomposição. Eles se nutrem por absorção, diferentemente dos animais que o fazem por ingestão (LACAZ et al., 2002). Quando a fonte de matéria orgânica está em decomposição, os fungos são ditos sapróbios. Já quando desenvolve em matéria viva, chamamos de parasitas. Temos ainda os grupos dos simbiontes como os liquens de fungos com algas, enquanto as micorrízas são exemplos de associações com raízes de plantas terrestres (KENDRICK, 2008). Encontramos estes organismos nos mais variados ambientes aquáticos e terrestres. Os esporos resistentes são facilmente dispersos e encontrados no ar, formando a microbiota anemófila. Ao abrirmos uma placa de Petri, preparada com meio de cultura esterilizado, por alguns minutos em um ambiente, terá uma placa contaminada com certa facilidade pelos fungos, isso comprova a grande ocorrência de seus esporos no ar (ALEXOPOULOS et al., 1996). David Hawksworth, renomado micologista inglês, chegou a uma estimativa de aproximadamente 1,5 milhões de espécies de fungos presentes em todos os habitats de nosso planeta. Até o momento existem cerca de 75.000 espécies catalogadas, ou seja, somente 5% de toda a diversidade estimada é conhecida (HAWKSWORTH, 2001). Os homens, os animais mamíferos e os insetos são responsáveis pela dispersão dos fungos, pois estes fazem parte da microbiota indígena da pele, cabelo e mucosas dos animais. Os esporos fúngicos também podem ser dispersos pelo ar (BERNARDI & NASCIMENTO, 2005). Assim, como causadores de doenças em plantas, os fungos anemófilos também podem causar micoses em humanos e animais. As micoses são infecções de origem fúngica que, geralmente são crônicas e de longa duração. Estas infecções são classificadas como superficiais, cutâneas, subcutâneas ou sistêmicas (BURTON & ENGELKIRK, 2005). Entretanto, os fungos possuem baixa virulência e as micoses causadas pelos fungos aos 17 humanos são ditas como oportunistas e está associada ao estado imunossuprimido do indivíduo bem como sua alta exposição ambiental aos esporos fúngicos (WANKE et al., 2000; TORTORA et al., 2005). Segundo Martins-Diniz et al. (2005), os ambientes climatizados apresentam acúmulo de umidade e depósito de material orgânico alojados nas bandejas de condicionadores de ar, o que pode tornar uma poderosa fonte dispersora de microrganismos. Uma das complicações mais frequentes dos doentes hospitalizados são as infecções hospitalares causadas por microrganismos e por isso há uma preocupação específica com a qualidade do ar climatizado de ambientes hospitalares, principalmente nas Unidades de Terapia Intensiva - UTIs (MORBIM & SALMITO, 2006). Em torno de 80% das infecções fúngicas de origem hospitalar provém das espécies do gênero Cândida, sendo a quarta causa de infecção da corrente sanguínea, levando a óbito de 25 a 38% dos pacientes que desenvolvem candidemia (ST-GERMAING et al., 2001). No período neonatal, principalmente entre os recém-nascidos (RN) de baixo peso, a sepse fúngica tornou-se frequente (BALEY & ELLIS, 2003). Algumas ocorrências de fungos dispersos no ar aparecem em pesquisas realizadas em diversos estados do Brasil. Dentre eles os estudos relacionados ao isolamento desses de fungos em unidade hospitalar do município de Araraquara, São Paulo (DINIZ et al., 2005); sensibilização em indivíduos atópicos no Rio Grande do Sul (MEZZARI et al., 2002); exposição alergênica e sintomas respiratórios em ambientes climatizados em São Paulo (GAUDENZ et al., 2004); análise de um acidente fúngico na Biblioteca Central de Manguinhos (STRAUZ, 2001); em um aeroporto do Rio de Janeiro (SILVEIRA, 2001) e em ambiente climatizado artificialmente antes e após a higienização no Estado de São Paulo (DUTRA, 2002). Os gêneros Cladosporium, Cândida, Penicillium, Aspergillus, Rhizopus, Fusarium, Rhodotorula, Aureobasidium, Curvularia, Helminthosporium e Trichoderma são os fungos mais frequentes encontrados nas regiões brasileiras nos períodos do outono e inverno, cuja frequência aumenta consideravelmente (LACAZ et al., 2002). Alguns estudos sugerem que a quantidade e a variedade de fungos ocorrem de acordo com as regiões geográficas, sob influência de fatores ambientais sazonais e climáticos (PEI-CHIN et al., 2000a; HUANG et al., 2002). Pei-Chin et al. (2000), demonstraram alguns estudos em que a exposição de fungos presentes no ar estão associadas ao desenvolvimento de diversas doenças respiratórias, dentre elas a asma que detém uma relação íntima com a flora micótica do ar, outras patologias 18 como pneumonite por hipersensibilidade, rinite, aspergilose e reações tóxicas e micoses com variados graus de dificuldades de tratamento (REPONEN et al., 1996). Alguns microrganismos se encontram dispersos no ar o que preocupa bastante a clínica médica, uma vez que há fungos oportunistas como Penicillium sp., Aspergillus sp., Cândida sp., Cladosporium sp. e Fusarium sp., que são responsáveis por doenças como otite, infecções urinárias, micotoxicoses, infecções oculares, fungemias até onicomicoses (SIDRIM & ROCHA, 2004; GRUMACH, 2001). Figura 1: Observação de um conidióforo típico de Aspergillus sp, aumento de 1000x. 2.6. As Bactérias anemófilas Existem várias espécies de bactérias anemófilas patogênicas, que colonizam o sistema de ar condicionado e podem contaminar as pessoas que estão expostas ao ambiente climatizado (TORTORA et al., 2005; JAWETZ et al., 2000). Assim como os fungos, as bactérias podem causar uma infecção em um paciente hospitalizado por vias endógenas ou exógenas. Dentre as espécies anemófilas está a mais importante, por estar presente em todas as regiões e climas do mundo, que é a Mycobacterium tuberculosis. A tuberculose pulmonar é uma doença infecciosa de grande importância. Estima-se que um terço da população do mundo seja infectado anualmente por M. tuberculosis (MTb), uma bactéria fracamente grampositiva que faz parte do grupo dos actinomicetos (GWON et al. 2004; MADIGAN et al., 2004; TORTORA et al., 2005). Entretanto, o número de casos diagnosticados de tuberculose 19 em 2004 foi de apenas 8 milhões (GWON et al., 2004). Os aerossóis contendo células de MTb apresentam-se nas dimensões que variam de 1 a 5 µm e podem se manter suspensos no ar por um longo período de tempo. Estudos mostraram que a tuberculose pulmonar pode ser transmitida de pessoa para pessoa pela inalação de gotículas que contém ao menos duas células do bacilo de MTb. Os ambientes que possuem risco superior de tuberculose são aqueles que possuem pessoas sintomáticas da doença e incluem hospitais, unidades penitenciárias, abrigos para pessoas desabrigadas, centros de reabilitação, e asilos (GWON et al., 2004). A bactéria Klebsiella pneumoniae pode ocasionalmente causar pneumonia. Bactérias do gênero Klebsiella são freqüentemente encontradas na água e no solo (MADIGAN et al., 2004). As bactérias do gênero Legionella são bacilos gram-negativos aeróbios, causam uma espécie de pneumonia conhecida como legionelose ou “doença dos legionários”. Os principais sintomas são febre alta, dores de cabeça, fraqueza e dores musculares. Outro quadro causado pela Legionella sp é a febre de Pontiac, uma doença febril sistêmica autolimitante, muito rara. Também foi associada a casos de infecção do sítio cirúrgico (MANGRAM et al., 1999). Indivíduos desse gênero habitam córregos e colonizam tipos de hábitat como linhas de água quente, bandejas de condensação e torres de resfriamento em sistemas de ar-condicionado. A habilidade de viver e se reproduzir dentro de amebas aquáticas torna sua erradicação difícil em sistemas de água (GORBACH et al., 2003; TORTORA et al., 2005). Outra bactéria que pode ser facilmente transmitida pelo ar é a Haemophilus influenzae. Trata-se de um bacilo gram-negativo que provoca meningite, infecções do ouvido médio e, mais raramente, pneumonia. Este patógeno oportunista também é responsável, juntamente com Staphylococcus pneumoniae, pela sinusite e pela epiglotite, uma inflamação da epiglote que pode resultar em morte dentro de poucas horas (GORBACH et al., 2003; TORTORA et al., 2005). As bactérias Gram-positivas com baixo conteúdo G + C3 (Índice G + C: Proporção de base GC (guanina-citosina) no DNA), são de grande importância médica (MADIGAN et al., 2004; TORTORA et al., 2005). A seguir são descritos dois gêneros de bactérias desse filo que podem ser transmitidas por via aérea: Staphylococcus, Streptococcus. Os Staphylococcus são micro-organismos anaeróbicos facultativos e crescem bem sob condições de alta pressão osmótica e baixa umidade, o que explica parcialmente seu crescimento e sobrevivência nas secreções nasais e na pele humana. Essas bactérias produzem várias toxinas que contribuem para sua patogenicidade, sendo responsáveis por infecções comuns em cortes cirúrgicos. O S. 20 aureus produz a toxina responsável pela síndrome do choque tóxico, uma infecção grave caracterizada por febre alta e vômitos, algumas vezes ocasionando a morte. Esta bactéria também pode causar infecções na pele, como furúnculos e acne, além de pneumonia, meningite e artrite. Sua habilidade de adquirir rapidamente resistência aos antibióticos, como penicilina, representa um perigo para pacientes em ambientes hospitalares (MADIGAN et al., 2004; TORTORA et al., 2005). As espécies do gênero Streptococcus crescem em arranjos de diplococos ou em cadeias de vários indivíduos, apresentam cápsula e produzem uma reação Gram-positiva. Os organismos do gênero Streptococcus são um grupo complexo, provavelmente responsável por um maior número e diversidade de doenças do que qualquer outro grupo de bactérias. Entre as doenças causadas por S. pyogenes, o principal patógeno deste gênero, estão a febre escarlatina, a faringite e a laringite. Outra espécie patogênica de importância na qualidade do ar é S. pneumoniae, também causadora de laringite, freqüentemente em combinação com vírus e, provavelmente, a causa mais comum de pneumonia (pneumonia pneumocócica) (GORBACH et al., 2003; MADIGAN et al., 2004; BURTON & ENGELKIRK, 2005; TORTORA et al., 2005). Os gêneros Streptomyces, Actinomyces e Nocardia apresentam filamentos abundantes e freqüentemente ramificados e sua morfologia se assemelha à dos fungos filamentosos. Entretanto, esses filamentos são formados por células procarióticas e com diâmetro muito inferior ao dos fungos (MADIGAN et al., 2004; TORTORA et al., 2005). Grigorevski-Lima et al. (2006) descrevem os esporos desses microorganismos como contaminantes importantes do ar interno e externo. Estes mesmos autores coletaram amostras de ar interno e encontraram actinomicetos em 90% das amostras. As Actinomyces spp são anaeróbias facultativas, geralmente encontradas na boca e na garganta de seres humanos e de animais. A espécie A. israelii causa a actinomicose, uma doença que afeta, geralmente, a cabeça, pescoço e pulmões (TORTORA et al., 2005). As espécies do gênero Nocardia assemelham-se às espécies do gênero Actinomyces, sendo, entretanto, aeróbios obrigatórios. Bactérias deste gênero possuem filamentos de elementos cocóides ou alongados, ocasionalmente produzindo esporos aéreos (MADIGAN et al., 2004). Algumas espécies, como a N. asteroides, eventualmente causam uma infecção pulmonar de difícil tratamento (TORTORA et al., 2005). As espécies do gênero Mycoplasma são bactérias aeróbias facultativas, patogênicas em sua maioria. Suas células são muito pequenas, apresentando apenas cerca de 5% do volume 21 celular de um bacilo típico e suas colônias têm menos de 1 mm de diâmetro. Mycoplasma pneumoniae é o patógeno humano mais significativo entre os micoplasmas. Esta espécie é responsável por uma forma comum de pneumonia branda, ou atípica (GORBACH et al., 2003; MADIGAN et al., 2004; BURTON & ENGELKIRK, 2005; TORTORA et al., 2005). Bactérias do gênero Chlamydia pertencem ao filo de mesmo nome e são parasitas obrigatórias. Há três espécies conhecidas entre as clamídias: C. psittaci, que causa a psitacose através do contato por via respiratória com dejetos de aves; C. trachomatis, que causa o tracoma (doença oftálmica extremamente contagiosa), conjuntivite de inclusão e outras doenças nos seres humanos; e C. pneumoniae, causador de uma variedade de síndromes respiratórias, como bronquite, pneumonia e sinusite (MADIGAN et al., 2004; BURTON & ENGELKIRK, 2005). Há uma grande variedade de espécies bacterianas que ronda o ambiente hospitalar, tornando fundamental o monitoramento destes ambientes, evitando assim as infecções hospitalares em pacientes recém-operados, internados nas UTIs e ainda, os pacientes neutropênicos, em tratamento anti-cancer ou receptores de transplantes. Figura 2: Observação microscópica de cocos bacterianos. Fonte: medicinageriatrica.com.br. 2.7. O ar e sua microbiota Fúngica A importância das investigações da presença de fungos ambientais, principalmente aos que compõe a microbiota anemófila hospitalar, é a prevenção das doenças alérgicas, assim como as infecções hospitalares que são provocadas por esses patógenos ao homem (GRUMACH, 2001). 22 No ar atmosférico encontramos dispersos uma grande diversidade de espécies de fungos anemófilos que podem causar patologias no ser humano. Devido à própria carência de estudos mais especializados, principalmente no quesito da taxonomia fúngica, as publicações em torno da composição da microbiota fúngica do ar não possuem identificação em nível de espécie de fungos filamentosos. Isso se deve exatamente à dificuldade que apresenta no tempo de crescimento das culturas e na escassez de estruturas reprodutivas que ajudam na classificação taxonômica das espécies (JAWETS, 1998). Nos Estados Unidos, bem como em outros países, a Infecção hospitalar causada por fungos, constitui um crescente problema de saúde pública. Sendo que a prevalência de infecções nos EUA passou de 6% para 10,4% em 10 anos. Segundo o Sistema Nacional de Vigilância das Infecções Hospitalares, 80% destas infecções foram causadas por fungos dentre elas as leveduras do gênero Cândida, sendo a terceira causa de infecções mais comum. (TRICK et al., 2002; RODRIGUES et al., 2007; MALUCHE & SANTOS, 2008). A identificação cada vez mais rápida e simples de leveduras, devido à grande prevalência de espécies de Cândida envolvidas em infecções hospitalares, é de extrema importância nos laboratórios microbiológicos (HSU et al., 2003; MALUCHE & SANTOS, 2008). Desta forma, os métodos moleculares de análises rápidas e com alta sensibilidade e especificidade são utilizados para a identificação de marcadores espécie-específicos, que geram informações com maior eficácia na detecção e identificação dos patógenos (MCCULLOUGH et al., 1999; WAHYNINGSIH et al., 2000; MAHNSS et al., 2005). Vários processos fisiopatológicos e traumáticos facilitam muito a colonização e a infecção do hospedeiro por Cândida sp. A quimioterapia, a neutropenia e a desnutrição são as causas mais comuns de imunossupressão (JARVIS & MILLER, 2005; PFALLER & DIEKERNA, 2007). Outros fatores importantes que facilitam a penetração dos microrganismos no hospedeiro são pacientes com queimaduras graves, grandes cirurgias (VAZQUEZ et al., 1993; GODOY et al., 2003) e o uso prolongado de cateteres, associados à antibioticoterapias, nos quais as leveduras se multiplicam no trato gastrointestinal ou na pele, causando uma disseminação na corrente sanguínea do fungo, ocasionando a candidemia (CANTÓN et al., 2001; COLOMBO & GUIMARÃES, 2000). Humphrey (1998) e Eickhoff (1994) discutem a dificuldade em quantificar o risco que o paciente apresenta em adquirir infecção hospitalar causada por patógenos suspensos no ar. De acordo com Gambale et al. (1993) e Mezzari et al. (2002) a exposição aos propágulos 23 fúngicos oportunistas desencadeiam manifestações nos indivíduos como a conjuntivite, a rinite alérgica e até mesmo a asma brônquica. Segundo Leenders et al. (1999) algumas precauções como a utilização de sistemas eficientes no suprimento de ar, com uma quantidade mínima de bioaerossóis, além do isolamento do ambiente interno em relação ao meio exterior do prédio são sugeridas para limitar a exposição a fungos anemófilos patogênicos contribuindo para redução de infecções fúngicas nos ambientes hospitalares. Entretanto, o monitoramento da qualidade do ar tem sido a medida mais efetiva em diversos hospitais do Brasil, da Europa e dos Estados Unidos, uma vez que possibilita acompanhar as modificações que possam ocorrer na qualidade do ar e tomar as devidas providencias a tempo de evitar contaminações nos pacientes hospitalizados. Figura 3: Observação da conidiação típica de Cladosporium sp, aumento 1000x. 24 3. JUSTIFICATIVA O monitoramento da qualidade do ar em ambiente hospitalar é de suma importância, pois neste ambiente concentram-se grande variedade de microrganismos anemófilos, que constituem uma flora potencialmente patogênica formada por fungos, bactérias, algas e vírus. Além disso, os pacientes que circulam as diferentes alas dos hospitais, principalmente as UTIs e a oncologia, normalmente apresentam um perfil imunossuprimido, com destacada neutropenia, o que favorece a infecção grave pelos agentes oportunistas. Ainda, o uso prolongado de medicamentos imunossupressores, como os corticosteróides ou o uso de indiscriminado de antibacterianos, favorecem a infecção e disseminação por fungos patogênicos, que podem estar presentes na microbiota indígena do paciente, como o caso das candidemia, ou podem estar presentes no ar, como é o caso das aspergilose. Ambas as doenças, tem sido importantes causas da mortalidade dos pacientes internados em UTIs ou na oncologia por períodos prolongados. Assim, faz-se a importância do monitoramento ambiental destas unidades, assim como em todo o hospital, isolando e quantificando bioaerossóis fúngicos antes que se tornem uma forte ameaça aos pacientes internados. O presente estudo faz parte de um grande projeto pesquisa desenvolvido no laboratório de Micologia do Núcleo de pós-graduação da Santa Casa de Belo Horizonte, denominado PROTAX (Programa de Taxonomia). Este projeto é financiado pelo CNPq e tem como objetivo formar jovens estudantes em taxonomia fúngica. Este projeto visa fortalecer a presença de taxonomistas em micologia, dando ênfase aos fungos de interesse médico. Desta forma, isolar e identificar os fungos anemófilos presentes nas diferentes alas do hospital Santa Casa, foi um importante objeto de estudo e que consolidou esta pesquisa no Laboratório de Micologia, pois toda a equipe pôde participar desta tarefa e crescer junto neste propósito, juntamente da estudante de mestrado. Outra motivação neste estudo foi o fato de que a Santa Casa estava passando por um período de reformas, com a construção dos 1000 Leitos SUS. As UTIs estavam passando por um grande tumulto e a grande quantidade de poeira foi uma constante preocupação dos médicos e profissionais do hospital. A pesquisa realizada bem neste período foi oportuna, pois trouxe um esclarecimento sobre a sobrecarga de microrganismos anemófilos neste período. 25 4. OBJETIVOS 4.1 GERAL Realizar levantamento da microbiota do ar presente nos diferentes ambientes do Hospital Santa Casa de Belo Horizonte, Minas gerais. 4.2 ESPECÍFICOS - Avaliar os níveis de contaminação fúngica do ar dos ambientes; - Identificar os fungos isolados nestes ambientes; -Indicar as espécies de fungos potencialmente patogênicas, toxicogênicas e alergizantes no ar; 26 5. METODOLOGIA 5.1. Coleta de amostras As coletas foram realizadas durante o período de 08 meses (dezembro de 2011 a agosto de 2012), percorrendo diferentes áreas do Hospital Santa Casa de Belo Horizonte. As áreas em estudo, de onde foram coletadas as amostras, foram: 80 e 90 andar - alas A e B; CTI adulto; Unidade Coronariana; enfermaria pediátrica; CTI Neonatal; CTI Pediátrico e Oncologia. Para a coleta das amostras de fungos e bactérias do ambiente, foram abertas 02 placas em cada local específico, contendo o meio Àgar-Sabouraud com e sem o antibiótico Cloranfenicol a 0,05% (Sigma,USA). Ao todo, foram abertas 150 placas em todo o experimento. As placas foram abertas por um período de 5 minutos em cada local. Além da abertura das placas, foram coletados swabs de equipamentos que estavam presentes nos setores, como ventiladores mecânicos, monitores, teclados de computador, bombas de infusão, etc. Os swabs foram repicados nas placas de petri contendo o meio ÀgarSabouraud com e sem o antibiótico Cloranfenicol a 0,05% (Sigma,USA). As placas que não continham o antibiótico Cloranfenicol foram incubadas a 370C a fim de observar o crescimento de bactérias. As placas que continham o Cloranfenicol foram incubadas a 270C, a fim de observar o crescimento de fungos. Após 5 dias incubadas, foram anotados os resultados de crescimento de colônias de bactérias, de fungos leveduriformes e filamentosos. As colônias de bactérias foram imediatamente coradas pelo método de Gram (item 5.6), a fim de caracterizar as colônias como cocos, bastonetes ou cachos, gram positivos ou negativos. As diversas colônias de crescimento fúngico foram isoladas em novas placas de meio Àgar-Sabouraud contendo Cloranfenicol a 0,05%, a fim de isolar uma cultura da outra, evitando assim a contaminação entre elas. Novamente, após 5 dias de crescimento das colônias isoladas, foi realizado o microcultivo, pelo método de Ridell (item 5.4) e incubadas por 20 a 30 dias para observar o tipo de esporulação. Para conservação das amostras de fungos e bactérias, todas foram mantidas a 4ºC em tubos de ensaio, de 16x16mm, contendo o meio Àgar-Sabouraud com Cloranfenicol a 0,05%, com repiques semestrais. 27 5.2. Reagentes utilizados Tabela 1. Lista de reagentes utilizados. REAGENTE MARCA ESPECIFICAÇÃO Açúcares Difco e Reagen P.A. Ágar-Ágar Difco P.A. Alcool Etilico Difco P.A. Corante Lactofenol Merck - Etanol Sigma P.A. Extrato de levedura Difco - Filtro de Papel Reagen no. 40 Kit para colocaração pelo Gram Laborclin - Peptona Difco P.A PA – Pró-análise 5.3. Meios de cultura utilizados Foram utilizados os seguintes meios de cultura: Meio Ágar Sabouraud Glicose Peptona Ágar-ágar Água destilada 20,0 g 10,0 g 15,0 g q.s.p. 1000 mL pH- 5,0 Meio Ágar-batata Extrato de batatas (livres de agro-químicos) 230 mL (100 g de batatas descascadas cozidas em 300 mL de água destilada, e filtradas em papel de filtro) Glicose 20,0 g Ágar-ágar 20,0 g Água destilada q.s.p. 1000 mL pH- 6,5 Meio Ágar-fubá Fubá (livre de produtos agro-químicos) Ágar-ágar Água destilada 12,50 g 3,80 g q.s.p. 300 mL pH- 6,5 28 5.4. Observação macroscópica das colônias de fungos e bactérias: Após o período de incubação, foram descritos os morfotipos das colônias isoladas, levando-se em consideração os seguintes aspectos taxonômicos: - a) – Tamanho da colônia: as colônias leveduriformes apresentam crescimento limitado, enquanto que as filamentosas apresentam crescimento invasor. - b) - Textura da colônia: a colônia pode ser cremosa (ou butirosa), mucóide, aveludada, granulosa, cotonosa (ou pulverulenta), membranosa (ou coriácea), verrucosa (ou cerebriforme); - c) - Verso e reverso da colônia: O reverso pode estar inalterado, ou seja, a cor do meio não é diferente da observada no verso. Ex: colônia de cor bege com reverso bege (reverso inalterado); colônia branca com reverso bege (reverso alterado). 5.5. Técnica de Microcultivo pelo método de Ridell A técnica de Microcultivo foi realizada de acordo com Ridell, descrita em CAMPBELL & STEWARD (1980), acompanhando os seguintes passos: Material: - Placas de microcultivo esterilizados: Placas de Petri contendo o suporte de lâminas, lâminas e algodão hidrófilo (Figura 4); - Lamínulas estéreis; - Corante Lactofenol : Azul de algodão + ácido fênico + ácido lático; - Água estéril. Metodologia: - Cortou os cubos de ágar-batata ou agar-fubá (Item 5.3) e colocou sobre uma lâmina; - Semeou 4 fragmentos da cultura fúngica em cada canto do ágar; - Cobriu com uma lamínula estéril; - Adicionou água estéril ao algodão; - Fechou a placa e deixou incubar a 28oC por 4 semanas, lembrando de umedecer o algodão a cada semana; 29 - Após 4 semanas retirou a lamínula e colocou-a sobre uma lâmina contendo 2 gotas de lactofenol; - Retirou o cubo de ágar, descartou-o e adicionou 2 gotas do corante Lactofenol (Tabela 1) à lâmina e colocou uma nova lamínula sobre a lâmina; - Examinou as duas lâminas ao microscópio ótico com objetiva de pequeno e médio aumento; O corante Lactofenol é composto pelo corante Azul de Algodão, que cora a parede fúngica; o ácido fênico e o ácido Lático que ambos têm a função de matar o fungo assim que entra em contato com o mesmo. Este corante é vendido comercialmente. Figura 4: Técnica de microcultivo em lamina. O gel de meio de cultura é colocado sobre uma lâmina, que fica sobre um suporte de arame, dentro de uma placa de petri estéril, para que ocorra o crescimento do fungo e a liberação de seus esporos típicos de cada espécie. 5.6. Identificação das espécies de fungos Após o crescimento em microcultivo, as colônias foram observadas ao microscópio ótico para observação das estruturas fúngicas típicas de cada espécie, utilizando o Atlas de Micologia Clínica (de HOOG, 2000). O tipo de esporulação e sua ontogenia são características taxonômicas importantes 30 para a classificação das espécies. Desta forma, a partir da observação das estruturas fúngicas em microscopia e as características das colônias, foi possível de identificar os gêneros de fungos isolados nas coletas no Hospital Santa Casa de Belo Horizonte. É importante anotar as estruturas observadas: 1. Tipo de hifa observado (larga, estreita, septada, não septada e presença de ramificações e pigmentação); 2. Presença de microconídios ou macroconídios; 3. Presença de esporângios, basidiosporângios ou ascosporângios; 4. Presença de fiálides, cladosporios ou rinocladielas; 5. Presença de clamidósporos ou artrósporos; 6. Presença de blastosporos; 5.7. Técnica de coloração pelo Gram para identificação das bactérias Para a coloração pelo método de Gram (KRIEG & HOLT, 1984), foi utilizado o Kit de coloração pelo Gram vendido comercialmente pela empresa Laborclin (Paraná, Brasil). Para tanto, seguiu-se os seguintes passos: - Realização de esfregaço da cultura de bactéria em uma lâmina aquecida lentamente para fixar o esfregaço na lâmina; - Cobertura da lâmina com Cristal Violeta deixando-se corar por 50 segundos; - Lavagem imediatamente com água corrente; - Cobertura da lâmina com Lugol deixando-se corar por 60 segundos; - Lavagem imediatamente com água corrente; - Após escorrer e descorar rapidamente com solução de acetona (30%) e álcool (70%); - Lavagem imediatamente com água corrente; - Cobertura da lâmina com Safranina (solução em 2,5% no álcool a 95%) e deixou corar por 45 segundos; - Escorrer e deixar secar à temperatura ambiente; - Exame da lâmina em microscópio ótico, no aumento de 1000x, com auxilio do óleo de imersão; 31 6. RESULTADOS Durante a realização deste estudo foram abertas 150 placas de petri contendo o meio de cultura, de onde foram isoladas 136 colônias de fungos ou bactérias (Tabela 2). Dentre as colônias isoladas, foram identificados 14 gêneros de fungos anemófilos. Estes gêneros foram classificados segundo o sistema de classificação proposto por Alexopoulos et al. (1996). Figura 5: Placas de petri com o crescimento das colônias fúngicas e bacterianas. Entre as 136 colônias isoladas, o gênero Cladosporium foi o mais frequente com 39 colônias (29%), seguido pelos gêneros Chrysosporium, Cladophialophora, Aspergillus, todos com 16 colônias isoladas (12%); Penicillium com 8 colônias (6%) e Cândida sp, com apenas 5 colônias (4%). Considerando as bactérias, foram isoladas 10% de cocos gram-positivos e 4% de bastonetes gram-negativos. Dentre as espécies de fungos filamentosos, algumas são consideradas como potencialmente patogênicas, sendo oportunistas em pacientes imunossuprimidos, internados por longo período em UTIs ou Oncologia. Os gêneros Aspergillus spp e Cladosporium spp, Penicilium spp e Cândida spp são os mais importantes devido ao alto numero de casos relatados na bibliografia médica (de HOOG et al. 2000). Dentre as colônias isoladas nas diferentes unidades do Hospital Santa Casa de Belo Horizonte 106 (78%) são considerados potencialmente patogênicas, apenas 30 (22%) não patogênicos. Algumas espécies são alergizantes, como o Aspergillus spp e o Penicilium spp. Neste estudo foi isolado um total de 24 colônias destes gêneros de fungos (18%). Pode-se considerar fungos toxicogêncios aqueles que produzem micotoxinas que podem causar, em longo prazo, alguma lesão neuronal ou hepática. Neste estudo foram 32 isolados apenas os gêneros Aspergillus spp e Penicillium spp., que são considerados fungos toxigênicos. Gráfico 1: Proporção dos gêneros dentre as 136 colônias isoladas nos diferentes ambientes do Hospital Santa Casa de Belo Horizonte. 33 O gráfico 2 demonstra o isolamento das espécies de fungos no 80 andar. Não houve isolamento de colônias bacterianas e nem leveduriforme. Houve isolamento de cinco colônias de Cladosporium sp (50%), seguido de duas colônias de cada gênero Aspergillus sp e Chrysosporium sp (20%). Gráfico 2: Proporção dos gêneros dentre as 10 colônias isoladas 8º andar do Hospital Santa Casa de Belo Horizonte. 34 Assim como descrito no 80 andar, verificou-se crescimento de Cladosporium sp permanece bem significante no 90 andar (47%), seguido do Penicilium sp (17%) (gráfico 3). Gráfico 3: Proporção dos gêneros dentre as 17 colônias isoladas 9º andar do Hospital Santa Casa de Belo Horizonte. 35 No CTI adulto foi observado o crescimento de seis colônias de Aspergillus sp (19%), seguido de cinco colônias Cladosporium sp (16%). Foram isoladas cinco colônias de cocos gram-negativos e duas colônias de bastonetes gram-positivos, perfazendo um total de 22 % das colônias isoladas neste ambiente (gráfico 4). Gráfico 4: Proporção dos gêneros dentre as 32 colônias isoladas no CTI adulto do Hospital Santa Casa de Belo Horizonte. 36 Com relação à Unidade Coronariana, foram isolados cinco colônias de cocos grampositivos (23%) e duas de bastonetes gram-negativos (9%), perfazendo um total de 32% das colônias isoladas neste ambiente (gráfico 5). Gráfico 5: Proporção dos gêneros dentre as 22 colônias isoladas na Unidade Coronariana do Hospital Santa Casa de Belo Horizonte. 37 Na Enfermaria Pediátrica foram isoladas cinco colônias de Cladophialophora sp (36%) e quatro colônias de Cladosporium sp (29%). Foi isolada uma colônia leveduriforme de Candida sp e uma colônia de coco gram-positivo (gráfico 6). Gráfico 6: Proporção dos gêneros dentre as 14 colônias isoladas na Enfermaria Pediátrica do Hospital Santa Casa de Belo Horizonte. 38 No CTI pediátrico foram isoladas cinco colônias de Cladosporium sp (38%), seguido de 3 colônias de Crysosporium sp (23%) e de duas colônias de Cladophialophora sp (15%). Foi isolada uma colônia de bastonete gram-negativo e uma de coco gram-positivo. Não houve crescimento na coleta do swab do monitor deste setor (gráfico 7). Gráfico 7: Proporção dos gêneros dentre as 13 colônias isoladas no CTI pediátrico do Hospital Santa Casa de Belo Horizonte. No CTI neonatal foram isoladas 5 colônias de Cladosporium (38%), seguido de duas colônias de Cladophialophora sp e de Crysosporum sp (15%). Foi isolada uma colônia de coco gram-positivo do swab do monitor do eletrocardiograma e uma colônia de bastonete gram-negativo do ventilador do paciente (8%) (gráfico 8). 39 Gráfico 8: Proporção dos gêneros dentre as 13 colônias isoladas no CTI neonatal do Hospital Santa Casa de Belo Horizonte. 40 No setor de oncologia foram isoladas quatro colônias de Cladosporium sp (27%), seguido de 3 colônias de Cladophialophora sp e de Aspergillus sp (20%). Foram isoladas duas colônias leveduriformes de Cândida sp (13%). Não houve crescimento no swab da bomba de infusão coletada no setor (gráfico 9). Gráfico 9: Proporção dos gêneros dentre as 15 colônias isoladas no setor de oncologia do Hospital Santa Casa de Belo Horizonte. 41 7. DISCUSSÃO A partir das 150 exposições de placas realizadas nos ambientes de escolha da Santa Casa de Belo Horizonte, foi possível observar o crescimento de 136 colônias fúngicas, como ilustra a tabela 2 (apêndice 1). Os dados obtidos estão em conformidade com os dados apresentados em algumas publicações. Em um estudo sobre a microbiota fúngica presente nos setores de um hospital público em Campina Grande na Paraíba, Carmo e colaboradores (2007) detectaram 218 colônias de fungos anemófilos a partir de uma exposição de 30 placas. Em outro estudo, foram isolados 220 colônias em 50 exposições realizadas por Menezes e colaboradores (2006) numa sala de periódicos da biblioteca de ciências da saúde da Universidade Federal do Ceará. Embora os achados demonstrem a presença de fungos potencialmente patogênicos, isso não quer dizer que os pacientes sejam necessariamente infectados por estas espécies. O estudo é apenas uma demonstração da existência desses microrganismos dentro de setores importantes do hospital, que acomodam pacientes imunossuprimidos, comprometendo, assim o tratamento dos mesmos. De acordo com Mc Donald et al. (1998), as placas expostas em ambientes e contendo meio de cultura destinadas ao crescimento microbiano, servem tão somente para um alerta microbiológico. Portanto, o monitoramento da qualidade do ar é de suma importância dentro de um hospital devido ao fato de que inúmeras doenças são transmissíveis através dos bioaerossóis da microbiota anemófila, formada principalmente pelos fungos e bactérias. Estes organismos anemófilos constituem uma flora potencialmente patogênica que, vindo de encontro com o perfil imunossuprimido do paciente pode ocasionar em uma infecção oportunista fatal (ROSA & de MELO LISBOA, 2005). Em nossos estudos, encontramos uma microbiota muito diversificada, formada por bactérias gram-negativas, gram-positivas, fungos leveduriformes e filamentosos. Dentre as colônias de fungos filamentosos identificadas, predominou o gênero Cladosporium sp. Alguns estudos realizados em países temperados verificaram que os fungos dematiáceos, ou fungos negros, como o gênero Cladosporium sp são predominantes na poeira e no ar dos ambientes (SALOMON et al., 2006). A espécie Cladosporium bantianum é a principal espécie que causa doenças graves em humanos como abscessos cerebrais em todo o mundo (DEB et al., 2005). Já a espécie Cladosporium herbarum, isolada no ar da UTI causa cromoblastomicose e as demais espécies deste gênero podem desencadear reações alérgicas em pessoas mais sensíveis (PETERNEL et al., 2004). 42 Dentre alguns estudos realizados por Beaumont et al. (1985) na Holanda; Halwagy (1989) no Kuwait; Savino e Caretta (1992) em Yokohama no Japão; Dixit et al. (2000) no Texas, demonstraram que dentre as espécies de maior ocorrência em pesquisas de monitoramento de fungos anemófilos nos interiores predomina as espécies do gênero Cladosporium. Tanto o Penicillium quanto o Aspergillus causam infecções importantes nos seres humanos como peniciliose e aspergilose, podendo lesionar e causar efeitos adversos no organismo (JARVIS & MILLER, 2005; MURTONIEMI et al., 2005; BUSH et al., 2006; JOHANNESSEN et al., 2007). O principal patógeno causador de aspergilose pulmonar é o Aspergillus fumigatus (HOFFMAN et al., 1999; PERFECT et al., 2001). De acordo com os autores supracitados, são fatores agravantes o diagnóstico insatisfatório e o tratamento tardio, o que resulta em 50% de mortalidade. No entanto, Oren e colaboradores (2001) descreveu que os pacientes submetidos a transplante de medula óssea, apresentaram uma taxa de 95% de mortalidade. Os fungos apresentam diferenciações em sua incidência, que pode variar com a estação do ano, a umidade do ar, temperatura, hora do dia, velocidade e direção do vento e, evidentemente pela presença humana e o tipo de climatização do ambiente (GAMBALE et al., (1993); LACAZ et al. 2002; MEZZARI et al., 2002). O estudo da sazonalidade da composição da microbiota do ar é de suma importância (MEDRELA-KUDER, 2003). Neste estudo não foi possível observar nenhuma variação sazonal da microbiota anemófila do Hospital Santa Casa, uma vez que não houve uma busca direcionada a repetir a coleta nos mesmos ambientes em diferentes períodos do ano. A pesquisa por uma variação sazonal da microbiota poderá ser uma proposta para estudos posteriores, envolvendo um monitoramento mais ostensivo dentro do hospital. Humphrey (1998) e Eickhoff (1994) questionaram a dificuldade de comprovar o risco de infecção hospitalar causada por patógenos suspensos no ar que são inalados pelo paciente. Gambale et al. (1993) e Mezzari et al. (2002) demonstraram que a exposição aos propágulos fúngicos oportunistas podem desencadear manifestações como rinite alérgica, conjuntivite ou ataques de asma brônquica em indivíduos suscetíveis a fungos alergênicos. Portanto, as infecções sistêmicas, como a candidemia, podem ou não estar relacionadas à presença dos fungos no ar. Muitos casos de candidemia podem estar relacionados aos procedimentos invasivos mais que pela aspiração de esporos de Cândida spp (PFALLER, 1996). As candidemias são altamente envolvidas no acometimento de infecções hospitalares, sendo a 43 mais recorrente, seguida da aspergilose invasiva (ANG et al., 1993; ALVAREZ-LERMA et al., 2003). Em nosso estudo, foi possível verificar o crescimento de leveduras em três dos ambientes estudados, perfazendo (46%) das amostras. A maioria das coletas de onde foram isoladas as Cândidas sp compreenderam os swabs de monitores e teclados, onde há o manuseio pelos profissionais da saúde. Apenas duas colônias foram isoladas do ar. A candidemia raramente afeta aos indivíduos normais, porém, diante dos enfermos hospitalizados alguns fatores contribuem com um maior risco para o seu desenvolvimento como: a idade, antibioticoterapia de amplo espectro, sexo feminino, o uso de corticosteróides e imunossupressores, pós-operatório de cirurgias de grande porte e doenças malignas, diabetes e sondagem vesical de demora (FANELLO et al., 2001; LUDSTROM & SOBEL, 2001;WEINBERGGER et al., 2003; KAUFFMAN, 2005). Os resultados apresentados demonstram que, apesar do hospital estar passando por um período de reformas, a microbiota do ar dos diversos setores não foi exuberante, concordando com outros estudos de ambientes hospitalares (CARMO & PRADO, 1999; CARMO et al., 2007; MENEZES et al., 2006). Martins-Diniz et al. (2005), quando monitorou fungos em uma unidade hospitalar do Estado de São Paulo, Brasil, conseguiu isolar 30 gêneros diferentes. Não temos parâmetros definidos para estabelecer quando uma microbiota torna-se ostensiva a um paciente, por isso ainda necessitamos comparar os dados novos com estudos anteriores. Entretanto, a análise qualitativa da microbiota do ar nos fornece informações importante, uma vez quw3 e, com isso, gerar novos estudos, afim de que possamos criar uma definição para estes parâmetros. O crescimento bacteriano foi bastante moderado, com crescimento de poucas colônias gram-positivas e gram-negativas. Este estudo teve como foco a identificação de bactérias presentes no ar. Portanto, não houve uma busca direcionada para o isolamento de bactérias de mãos ou objetos manipulados pelos profissionais de saúde. Isto indica que as bactérias anemófilas não representavam um problema agravante para a infecção hospitalar dentro do hospital no período em que foram realizadas as coletas. O estudo periódico da microbiota do ar se faz necessário, uma vez que o monitoramento constante impede que muitas infecções hospitalares possam ocorrer, além de fazer com que os profissionais da saúde possam ficar mais atentos às suas condutas diárias. O monitoramento do ar no hospital da Santa Casa de Belo Horizonte torna-se uma tarefa primordial e deverá ser implantada pelos setores responsáveis do hospital, para que seja realizado semestralmente. 44 8. CONCLUSÕES De acordo com os resultados obtidos neste estudo foi possível concluir que A microbiota anemófila do Hospital Santa Casa de Belo Horizonte apresentou-se bastante diversificada, com 14 gêneros de fungos identificados, além de cocos e bastonetes; As espécies do gênero Cladosporium predominaram em todos os ambientes de onde foram realizadas as coletas; As espécies dos gêneros Aspergillus e Penicillium foram isoladas com maior frequência na Unidade de Terapia Intensiva adulta. Este fato torna-se significativo para um melhor acompanhamento no tratamento dos pacientes, uma vez que estes são mais susceptíveis a uma infecção sistêmica por estes fungos que causam fungemias graves; As espécies de Cladosporium, Penicillium e Aspergillus, consideradas pela literatura especializada como patogênicas, toxicogênicas ou alergizantes ao homem, foram as que predominaram nos ambientes estudados; As colônias leveduriformes isoladas foram identificadas como Cândida sp, indicando o predomínio deste gênero entre as espécies de leveduras do hospital. Este fato reforça outros estudos que indicam a candidemia como a infecção fúngica hospitalar mais comum. 45 9. PROPOSIÇÕES De acordo com os dados levantados, pode-se observar que importantes espécies de fungos patógenos humanos foram isolados em diferentes ambientes do hospital. Devido ao fato de que o hospital Santa Casa atende inúmeros pacientes imunossuprimidos, como os portadores do vírus HIV/AIDS, pacientes com câncer em tratamento com quimioterápicos, pacientes diabéticos e aqueles transplantados, torna-se fundamental o monitoramento da microbiota aerofila deste hospital. Este procedimento auxiliaria o controle da taxa de microrganismos patógenos presentes no ar do hospital, evitando a contaminação do paciente por um fungo patógeno. Desta forma, a presente dissertação propõe que seja realizado um levantamento da microbiota do ar a cada trimestre, observando as variações sazonais da composição da microbiota anemófila e controlando efetivamente o índice de infecção hospitalar por microrganismos potencialmente patogênicos. 46 10. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRAMCZYK, M. L. Infecções hospitalares em unidade de terapia intensiva. In: BRASIL. Ministério da Saúde. Agencia Nacional de Vigilância Sanitária. Pediatria: Prevenção e controle de infecções hospitalar. Brasília: Ed. ANVISA, 2006a. 116p. ABRAMCZYK, Marcelo L. RICHMANN, Rosana. Uso racional de antimicrobianos. In: BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Pediatria: Prevenção e controle de infecção hospitalar. Brasília: Editora Anvisa, 2006b. 116p. ISBN 85-334-1049-2 ADDINGTON, M. C. History and future of ventilation. In: SPENGLER, J. D., SAMET, J., M., MCCARTHY, J. F. Indoor Air Quality Handbook. New York: MacGraw-Hill, 2004. 1448p. AFONSO, M. S. M.; SOUZA, A. C. A.; TIPPLER, A. F. V.; et al. Condicionamento de ar em salas operação e controle de infecção. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 8, n. 1, p. 134-146, 2006. ALBERTI, C.; BOUAKLINE, A.; RIBAUAD, P. et al. Relationship between environmental fungal contamination and the incidence of invasive aspergillosis in haematology patients. Journal of hospital Infection, v. 48, p. 198-206, 2001. ALEXOPOULOS C. J, MIMS C. W & BLACKWELL M. 1996. Introductory Mycology. 4th ed. New York, John Wiley & Sons. 869 p. ALVAREZ-LERMA, F.; NOLLA-SALAS, J.; LEON, C. et al. Candiduria in critically ill patients admitted to intensive care medical units. Intensive Care Medicine, v. 29, p.1069-1076, 2003. ANDRADE, D. de.; ANGERAMI, E.L.S.; PADOVANI, C.R. Condição microbiológica dos leitos hospitalares antes e depois de sua limpeza. Rev. Saúde Pública, v. 34, n. 2, p. 163-69, 2000. ANDRADE, D.; ANGERAMI, E. L.; PADOVANI, C. R. Condição microbiológica dos leitos hospitalares antes e depois de sua limpeza. Rev. Saúde Pública, v. 34, nº 2, p.163-9, 2000. ANG, B. S.P.; TELENTI, A.; KING, B.; et al. Candidemia from urinary tract source: microbiological aspects and clinical significance. Clinical Infectious Diseases, v. 17, p. 622-627, 1993. BALLEY J.L.and ELLIS, F. J. Neonatal candidiasis: ophthamologic infection. Semim Perionatol., v. 27, p. 401-405, 2003. BEAUMONT, F.; KAUFFMAN, H.F.; DE MONCHY, J. G. R. et al. Volumetric aerobiological survey of conidial fungi in northeast Netherlands. Allergy, v. 40, p. 181-186, 1985. BERNARDI E. and NASCIMENTO J. S. Fungos anemófilos na praia do Laranjal em Pelotas, RS. SP. Arq. Instituto Biologia, v. 72, n.1, p.93-97, 2005. BERNARDS, A. T.; FRÉNAY, H. M. E.; LIM, B. T. et al. Methicillin-resistant Staphylococcus aureus and Acinetobacter baumannii: an unexpected difference in epidemiologic behavior. American Journal of Infection Control, v. 26, p. 544-551, 1998. BERQUÓ, L. S.; BARROS, A., J., D.; LIMA R. C. et al. Utilização de medicamentos para o rastreamento de infecções respiratórias na comunidade. Rev. Saúde Pública, v. 38, n. 3, p. 358-364. 2004. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução – RE no 9, de 16 de janeiro de 2003. Determina a publicação de Orientação Técnica elaborada por Grupo Técnico Assessor, sobre Padrões Referenciais de Qualidade do Ar Interior, em ambientes climatizados artificialmente de uso público e coletivo. 2003. BRASIL. Ministério da saúde. Consulta Pública nº. 109, de 11 de dezembro de 2003. Proposta de Resolução que Dispõe sobre Indicadores da Qualidade do Ar Ambiental Interior em Serviços de Saúde. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 196 de 24 de junho de 1983. Dispõe sobre normas sobre o controle de infecção hospitalar. Brasília, 1983. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria no 3.523, de 28 de agosto de 1998, Diário Oficial da União, Brasília, 31 ago. 1998. BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria no 930, de 27 de agosto de 1992. Diário Oficial da União, Brasília, 7 jan. 1997. Brasil. Congresso Nacional. Lei nº 9.431 de 06 de janeiro de 1997. Dispõe sobre a obrigatoriedade da manutenção de programa de controle de infecções hospitalares pelos hospitais do País. Brasil. Congresso Nacional. Lei nº. 8.080 de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e da outras providências. Brasília, 1990 (a). Brasil. Congresso Nacional. Lei nº. 8.142 de 28 de dezembro de 1990. Dispõe sobre a participação da comunidade na gestão do Sistema Único de Saúde – SUS e sobre as transferências intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras providências. Brasília, 1990 (b). Brasil.. Coordenadoria de Vigilância Sanitária e Epidemiológica (COVISAE). Relatório Mensal de Indicadores Epidemiológicos para Controle de Infecção Hospitalar. Cuiabá: 2006. 47 Brasil. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Relatório Anual de Atividades, 2006. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 2.616 de 12 de maio de 1998. Dispõe sobre a regulamentação das ações de controle de infecção hospitalar no país. 1998 (a). BURTON, G.R.W. and ENGELKIRK, P.G. Microbiologia para as ciências da saúde, 7ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. 426p. ISBN 85-277-1031-5 BUSH, R. K.; PORTNOY, J. M.; SAXON, A.; et al. The medical effects of mold exposure. Journal Allergy Clinical Immunology, v. 117, p. 326–333, 2006. CAMPBELL, M.C. & STEWARD, J.L. The medical mycology handbook. Willey, 1980. CANTÓN, E.; VIUDES, A.; PEMÁN, J. Infección sistémica nosocomial por levaduras. Rev. Iberoamerica Micologia, v. 18, n. 2, p. 51-55, 2001. CARMO, A. T. and PRADO, R. T. A. Qualidade do Ar Interno. Série Texto Técnico, TT/PCC/23. São Paulo: EPUSP, 1999, 35 p. CARMO, E. S.; BELÉM, L. F.; CATÂO, R. M. R.; et al. Microbiota fúngica presente em diversos setores de um hospital em Campina Grande-PB. RBAC, v. 39, p. 213-216, 2007. 67 COLOMBO, A. L.; Epidemiology and treatment of hematogenous candidiasis: a Brazilian perspective. Braz. Journal infect. Diseases, v. 4, p. 113-138, 2003. COLOMBO, A. L. and GUIMARÃES, T. Epidemiologia das infecções hematogênicas por Candida spp. Rev. Soc. Bras. Med. Trop., v. 36, n. 5, p. 599-607, 2000. COUTO, R.C.; PEDROSA, T.M.G. Epidemiologia Hospitalar. In: COUTO, R.C.; PEDROSA, T.M.G.; NOGUEIRA, J.M. Infecção Hospitalar e outras Complicações Não-infecciosas da Doença. 3 ed. Rio de Janeiro: Medsi, cap. 6, 93-155. 2003a. COUTO, R.C.; PEDROSO, E.R.P.; PEDROSA, T.M.G. História do Controle da Infecção Hospitalar no Brasil e no Mundo. In: COUTO,R.C.; PEDROSA, T.M.G.; NOGUEIRA, J.M. Infecção Hospitalar e outras Complicações Não-infecciosas da Doença. 3 ed. Rio de Janeiro: Medsi, cap. 1, p. 3-8. 2003b. De Hoog, G.S.; GUARRO, J.G; FIGUERAS, M.J. Atlas of clinical fungi. 2ª ed. CBS/Universitat Rovira, Virgili, 1126p. 2000. de MORAES, B. A.; CRAVO, C. A. N.; LOUREIRO, M. M.; et al. Epidemiological analysis of bacterial strains involved in hospital infection in a University Hospital from Brazil. Instituto de Medicina Tropical, v. 42, p. 201- 207, 2000. DEB, S.; KHAN, A.K.; DEBASISH, B. et al. Intracranial necrotizing granuloma caused by Cladophialophora bantiana. Neurology India, v. 53, p. 335-336, 2005. DINIZ, J.N.M.; SILVA, R.A.M.; MIRANDA, E.T. et al. Monitoramento de fungos anemófilos e de leveduras em unidade hospitalar. SP. Rev. Saúde Pública, v. 39, n.3, p.398-405, 2005. DIXIT, A.; LEWIS, W.; BATY, J et al. Deuteromycete aerobiology and skin-reactivity patterns – a two year, concurrent study in Corpus Christi, Texas, USA. Grana, v. 39, p. 209-218, 2000. DUTRA, L. M. M. Microbiota fúngica em ambientes climatizados artificialmente antes e após a higienização. Dissertação de Mestrado- Instituto de Ciências Biomédicas. 2002. 72p. EGGIMANN,P.;PITTET,D.Infection control in the ICU.Chest,v.120,p.2059-2093,2001. EIRCKHOFF, T. C. “Airbone Nasocomial Infection: a conteporary” Infection Control and Hospital Epidemiology, v. 15, p. 663-672, 1994. 69. 1994. FANELLO, S.; BOUCHARA, J.P.; JOUSSET, N. et al. Nosocomial Candida albicans acquisition in a geriatric unit: epidemiology and evidence for person-toperson transmission. Journal Hospital Infection, v. 47, p. 46-52, 2001. FERNANDES, A.T. et al. A medicina e as Bases da Civilização Ocidental. In: Infecção Hospitalar e suas Interfaces na Área da Saúde: 1 ed. São Paulo: Atheneu, 2000 (a) cap. 3, 25-42. FERNANDES, A.T. et al. A Tecnologia Invade um Sistema em Desequilíbrio: O desafio da Infecção Hospitalar In: FERNANDES, A.T. et al. Infecção Hospitalar e suas Interfaces na Área da Saúde. 1 ed. São Paulo: Atheneu, cap. 8, 129-59. 2000 (b). FERNANDES, A.T. O Homem Rumo ao Mundo Moderno: a Revolução Cultural, Industrial e Sanitária. In: FERNANDES, A.T. et al. Infecção Hospitalar e suas Interfaces na Área da Saúde. 1 ed. São Paulo: Atheneu, cap. 6, 75-90. 2000. FOUCAULT, M. O nascimento da clínica. Trad. Roberto Machado. 4 ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1994. 260 p. FOUCAULT, M. Microfísica do poder: O nascimento da medicina social. 10 ed., São Paulo: Graal, 1992 (a). p. 79-98. FOUCAULT, M. Microfísica do poder: O nascimento do hospital. 10 ed., São Paulo: Graal, 1992 (b). p. 99-111 48 GAMBALE, W.; CROCE, J.; MANSO, E. R. C.; et al. Library fungi at the University of São Paulo and their relationship with respiratory allergy. J. Invest. Allergol. Clin. Immunol. v. 3, p. 45-50, 1993. GARDAM, M.A.; BUROWS, L.L.; KUS, J.V.; et al. Surveillance of infection in neonatal intensive care units. Early Hum Dev. v. 83, p. 157-163, 2007. GAUDENZ GS.Analise dos sintomas e padrão de exposição a alérgenos em população exposta a condicionamento de ar.São Paulo:Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo;2001. GODOY, P.; TIRABOSCHI, I.N.; SEVERO, L. C.; et al. Species distribution and antifungal susceptibility profile of Candida spp bloodstream isolates from Latin American hospitals. Mem. Inst. Oswaldo Cruz, v. 98, n. 3, p. 401-405, 2003. GORBACH, S. L.; BARLETT, J. G. E.; BLACKLOW, N. R. Infectious diseases, 3° Ed. Amsterdan: Lippincott Williams e Wilkins, 2003. 2700p. GRIGOREVSKI-LIMA, A.L. SILVA-FILHO, R.G. LINHARES, L.F. COELHO, R.R.R. Occurrence of actinomycetes in indoor air in Rio de Janeiro, Brazil. Building and Environment, v. 41, p. 1540-1543, 2006. GRUMACH, A. S. Alergia e imunologia na infância e na adolescência. São Paulo: Atheneu, p. 42-47. 2001. GUERREIRO R. T. and SILVEIRA R. M. B. Glossário Ilustrado de Fungos: termos e conceitos aplicados à micologia. 2ª ed., Editora Universidade/UFRGS, 102p. 2003, GWON, Hwa Wan. SHU, Chuan Lu, YING, Huang Tsai. Polymerase chain reaction used for the detection of airborne Mycobacterium tuberculosis in health care settings. American Journal of Infection Control. v. 32, n. 1, p 17-22, 2004. HALWAGY, M. H. Seasonal airspora at three cites in Kuwait 1977–1982. Mycological research. v. 93, p.208-213, 1989. HARAKEH, S.; YASSINE, H.; GHARIOS, M.; et al. Isolation, molecular characterization and antimicrobial resistance patterns of Salmonella and Escherichia coli isolates from meat based fast food in Lebanon. Scienci Total Environ, v. 341, n.º 1-3, p. 33-44, 2005. HAWKSWORTH D. L. The magnitude of fungal diversity: the 1.5 million species estimate revised. Mycological Research, v. 105, n. 12, p. 1422-1432, 2001. HOFFMAN, P. N.; BENNETT, A. M.; SCOTT, G. M. Controlling airbone infections. Journal of Hosp. Infect., v. 43 Suppl., p. 203-210, 1999. HUANG, C.; LEE, C. L. F.; MA, Y.; SU, H. J. The seasonal distribution of bioaerosols in municipall and fillsites: a 3-yr study. Atmospheric Environment, v. 36, n. 1, p. 4385-4395, 2002. HUMPHREY, H. Microbes in the air - Whem to count! (The role of air sampling in hospital). Journal Med. Microbiol., v. 37, p. 81-82, 1998. JARVIS, B.B., J.D. MILLERr. 2005. Mycotoxins as harmful indoor aircontaminants. Applied Microbiology and Biotechnology 66: 367-372. JAWETS, E. Micologia Médica. 20 Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998, p.253-270. JENSEN, P. A. and SCHAFER, M. P. Sampling and caracterization of bioaerosols. Manual of analytical Methods. Disponivel em: http://www.cdc.gov/niosh/nmam/pdfs/chapter-j.pdf. KAUFFMAN, C. A. Candiduria. Clinical Infectious Diseases, v. 41, p. 371- 376, 2005. KENDRICK B. 2008. The Fifth Kingdoom Mycologue Publications. Disponível em: http://www.mycolog.com/fifthtoc.html. KENNY, L.C. BOWRY, A. CROOK, B. STANCLIFFE, J.D. Field Testing of a Personal Size-selective Bioaerosol Sampler. Annals of Occupational Hygiene. Vol. 43, No. 6, p. 393- 404, 1999. KRIEG, N.R. & HOLT, J.G. (editors). Bergey´s manual of systematic bacteriology, vol 1. Williams & Wilkins, 1984. LACAZ, C.S.; PORTO, E. and MARTINS, J. E. C. Micologia Médica. 8ªed. São Paulo: Editora Sarvier, 695p, 2002. LACERDA, R.A.. EGRY, E.Y. As infecções hospitalares e sua relação com o desenvolvimento da assistência hospitalar: reflexões para análise de suas práticas atuais de controle. Rev. Latino-Am. Enfermagem, v. 5, n. 4, p. 13-23, out., 1997. LEENDERS, A. C. A. P.; BELKUM, A.; BEHRENDT, M.; LUIJENDIJK, A. D.; VERBRUGH, H. A.; Density and molecular epidemiology of Aspergillus in air and relationship to outbreaks of Aspergillus infection. Journal Clinical Microbiology, v. 37, n. 6, p. 1752-1757, 1999. LUNDSTROM T. and SOBEL J. Nosocomial candiduria: a review. Clinical Infectious Diseases, v.32, p.1602-1607, 2001. LUOMA, M. and BATTERMAN, S. A. Caracterization of particulate emissions from occupant activities in offices. Indoor Air. v. 11, p. 35-48, 2001. MADIGAN, M.T.; MADINGO, J.M.; PARKER, J. Microbiologia de Brock, 10ª ed. São Paulo: Person / Prentice-Hall, 2004. 608p. ISBN: 85-87918-51-6. 49 MAHNSS, B.; STEHR, F.; SCHÃFER, W.; et al. Comparison of standard phenotypic assays with a PCR method to discriminate Candida albicans and Candida dubliniensis. Mycoses. v. 48, n. 1, p. 55-61, 2005. MALUCHE, M. E. and SANTOS, J. I. Candida sp. e infecções hospitalares: aspectos epidemiológicos e laboratoriais. RBAC, v. 40, n. 1. p. 65-67, 2008. MALUF, M.E.Z.; MALDONADO, A. F.; BERCIAL, M. E.; PEDROSO, S. A. Stethoscope: a friend or an enemy. São Paulo Med. J., v. 120, n. 1, p. 13-15, 2002. MANGRAM, A.J.; HORAN, T.C.; PEARSON, M.L.; SILVER, L.C.; JARVIS, W.R. Guideline for prevention of surgical site infection. Infection Control and Hospital Epidemiology, v. 20, n. 4, p. 247 – 278. Minneapolis: University of Minnesota, 1999. MARTINS-DINZ J. N.; SIVA, R. A. M.; MIRANDA, E. T.; et al. Monitoramento de fungos anemófilos e de leveduras em unidade hospitalar. Rev. Saúde Pública. v. 39, p. 398-405, 2005. MCCULLOUGH, M. J.; CLEMONS, K. V.; STEVENS, D. A. Molecular and phenotypic characterization of genotypic Candida albicans subgroups and comparison with Candida dubliniensis and Candida stellatoidea. J. Clin. Microbiol., v. 37, n. p. 417-421, 1999. MCDONALD, L. C.; WALKER, M.; CARSON, L.; ARDUINO, M. et al., Outbreak of Acinetobacter spp. Bloodstream infection in a nusey associated with contamined aerosols and air conditioners. Pedriatr. Infect. Dis. Journal, v. 17, p. 716-722, 1998. MEDRELA-KUDER, E. Seasonal variations in the occurrence of culturable airborne fungi in outdoor and indoor air in Craców. International Biodeterioration & Biodegradation, v.52, p.203-205, 2003. MELO, C.M.M. de. Divisão social do trabalho e enfermagem: In: MELO, C.M.M. de. A divisão social do trabalho na enfermagem. São Paulo: Cortez, 1986. cap. II, p. 33-60. MENEZES, A. E.; ALCANFOR, A. C.; CUNHA, F. A . Fungos anemófilos na sala de periódicos da biblioteca de ciências da saúde da Universidade Federal do Ceará. RBAC, V. 38, p. 155-158, 2006. MEZZARI, A.; PERIN, C.; JUNIOR, S.A.S.; et al. Fungos Anemófilos e Sensibilização em Indivíduos Atópicos em Porto Alegre. Rev. Inst. Medicina Tropical, v. 44, p. 269-272, 2002. MORBIM, M. and SALMITO, A. M. Microbiota fúngica dos condicionadores de ar nas unidades de terapia intensiva de Teresina, PI. Rev. da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 39, p.556-559, 2006. MURTONIEMI, T.; PENTTINEN, P.; NEVALAINEN, A.; et al. Effects of microbial cocultivation on inflammatory and cytotoxic potential of spores. Inhal. Toxicol., v. 17, p. 681–693. 2005. NIGHTINGALE, F. Notas sobre enfermagem: o que é e o que não é. Trad, CARVALHO, A.C. de. São Paulo: Cortez, 1989. p. 1-174. NUNES, Zilma das Graças. Estudo da Qualidade Microbiológica do Ar de Ambientes Internos Climatizados. 2005.163 f. Tese (Doutorado em Vigilância Sanitária) - Programa de Pós-graduação em Vigilância Sanitária / Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde / Fundação Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro, 2005. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Infecção Hospitalar. 15 ago 2000. Disponível em: <http://www.opas.org.br/sistema /fotos/ hospitalar1.PDF>. Acesso em: 21 jul. 2006. PALMEIRA, G. Epidemiologia. In: ROZENFELD, S. (org.). Fundamentos da Vigilância Sanitária. Rio de Janeiro: Fiocruz, p. 135-194. 2000. PANNUTI, C. S. A importância do ambiente hospitalar. In: Rodrigues, E. A. C. et al. Infecções Hospitalares: Prevenção e Controle. São Paulo: Savier; 1997. p. 449-454. PEI-CHIN, W.; HUEY-JEN, S.; CHIA-YIN, L. Caracteristics of indoor and outdoor airbone fungi at suburban and urban homes in two seasons. The Sciece of the Total Environment, v. 253, n. 2, p. 111-118, 2000a. PEI-CHIN, W.; HUEY-JEN, S.; HSIAO-MAN, H. A. A comparasion of sampling media for environmental viable fungi collection in a hospital environment. Environment research. Section A, v. 82, n.4, p.253-257, 2000b. PENNA, M. L. F. Condição marcadora e evento sentinela na avaliação de serviços de saúde. [Sobre Evento Sentinela. Projeto GERUS]. Disponível em: http://www.opas.org.br/rh/publicacoes/textos_apoio/pub06U1T2.pdf. PEREIRA, M.S. et al. A Infecção Hospitalar e suas implicações para o cuidar da enfermagem. Texto & Contexto Enfermagem, v. 14, n.02, p. 250-257, 2005. PEREIRA, R. G.; REIS, D.; AMBRÓSIO JUINOR, G. N.; et al. Bioaerossóis bacterianos em um hospital. Revista de Ciências Farmacêuticas Básica e Aplicada, V. 26, n.1, p. 77-81, 2005. PERFECT , J. R.; COX, G. M.; LEE, J. Y.; et al.. The impact of culture isolation of Aspergillus species: a hospital-based survey of aspergiloses. Clinical Infectious Diseases, v. 33, p. 1824-1833, 2001. 50 PETERNEL R, CULING J e HRGA, I (2004) Atmospheric concentrations of Cladosporium spp.and Alternaria spp. in Zagreb (Croatia) and effects of some meteorological factors.Ann Agric Environ Med. 11(2): 303-307 PFALLER, M. A.; DIEKERNA, D. J. Epidemiology of invasive candidiasis: a persistent public health problem. Clinical Microbiology Reviews, v. 20, n 1, p. 133-163, 2007. PFALLER, M. A.; Nasocolmial candidiasis: emergeging species, reservoirs, and modes of transmission. Clinical Infectious Diseases, v. 22 (Suppl 2), p. 89-94, 1996. RAMPLING, A.; WISEMAN, S.; DAVIS, L. et al. Evidence that hospital hygiene is important in the control of methicillin-resistant Staphylococcus aureus. Journal Infection Sociedade, v. 49, p. 109-116, 2001. REPONEN, T., K.; WILLEKE, V.; ULEVICIUS, V. et al. Techniques for dispersion of microorganisms into air. Aerosol Science Technol., v. 27, p. 405- 421, 1996. RIDDEL, R.W. Permanent staired mycological preparations obtained by slide culture. Mycology, v. 42, p. 265-270, 1950. RODRIGUES, C. P.; MONTELLI, A. C.; RUIZ, L. S. et al. Infecções hospitalares fúngicas: experiência em um hospital público de São Paulo. Prática Hospitalar, v. 9, n. 52, p. 63-66, 2007. RODRIGUES, E.A.C. Histórico das Infecções Hospitalares. In: RODRIGUES, E.A.C. et al. Infecções Hospitalares: Prevenção e Controle. São Paulo: Sarvier, cap.1, p. 3-27. 1997. ROSA, E. and de MELO LISBOA, H. Dispersão de aerossóis no sistema de tratamento de esgotos por lodo ativado na ETE Florianópolis – SC. Revista de estudos ambientais, v. 7, n. 1, 2005, p. 26-38. SALOMON, G. M.; KOSKI, M. H.; ELLMAN, M. R.; et al. Airbone mold and endotoxin concentrations in New Orleans, Louisiana, after flooding, October through November 2005. Environmental Health Perspectives, v. 114, p.1381- 1386, 2006 SAVINO, E. and CARETTA, G. Airborne fungi in an Italian rice mill. Aerobiologia. v. 44, n. 8, p. 267– 274, 1992. SIDRIM, J. J. C.; ROCHA, M. F. C. Micologia médica à luz de autores contemporâneos. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. p. 388. SILVEIRA, M. G.; Avaliação da qualidade do ar em um aeroporto na cidade do Rio de Janeiro. RJ. Tese (Doutorado). Escola de Saúde Pública do Rio de Janeiro, p.151, 2001. SIQUEIRA, L. F. Síndrome do edifício doente, o meio ambiente e a infecção hospitalar. In FERNANDES, A. T. et al. Infecção hospitalar e suas interfaces na área da saúde, Rio de Janeiro: Atheneu, cap.72, p.13071322. 2000. SOUZA, A.C.S. e et al. Desafios para o Controle de Infecção nas instituições de saúde: percepção dos Enfermeiros. Ciência y Enfermeria, Vol. 8, n. 1, p. 19-30, 2002. STARLING, C.E.F. et. al. Impacto das Infecções Hospitalares na Lucratividade de Hospitais Privados Brasileiros. Prática Hospitalar, ano VI, n. 34, jul-ago, 2004. ST-GERMAIN, G.; LAVERDIERE, M.; PELLETIER, R. et al. Prevalence and antifungal susceptibility of 442 Candida isolates from blood and other normally sterile sites: results of a 2-year (1996 to 1998) Multicenter Surveillance Study in Quebec, Canada. Journal of Clinical Microbiology, v. 39, p. 949-953, 2001. STRAUZ, M. C.; Análise de um acidente fúngico na Biblioteca Central de Manguinhos. RJ. Tese. Apresentada a Escola de Saúde Pública. p.79-81. 2001. TORTORA, G. J.; FUNKE, B. R.; CASE, C. L. Microbiologia. 8. Ed, Porto Alegre: Artmed, 2005, 894p. ISBN: 85-363-0488-X TRICK, W. E.; SCHONIAN, G.; MEYER, W.; et al. Secular trend of hospitalacquired candidemia among intensive are unit patients in the United States during 1989-1999. Clinical Infectious Diseases, v. 3, p. 627-630, 2002. TURRINI, R.N.T.; SANTO, A.H. Infecção Hospitalar e causas múltiplas de morte. Jornal de Pediatria, v.78, n. 06, p. 485-90, 2002. VAZQUEZ, J.A.; SANCHEZ, V.; DMUCHOWSKI, C.; et al. Nosocomial acquisition of Candida albicans: an epidemiology study. Journal of Infectious Diseases, v. 168, p. 195-201, 1993. WAHYUNINGSIH, R.; FREISLELEBEN, H. J.; SONNTAG, H. G.; et al. Simple and rapid detection of Candida albicans DNA in serum by PCR for diagnosis of invasive candidíasis. Journal Clinical Microbiology, v. 38, n. 8, p. 3016-3021, 2000. WANKE, B.; LAZÉRA, M.S.; NUCCI, M. Fungal infections in the immunocompromised host. Mem. Inst. Oswaldo Cruz, v.95, p.153-158, 2000. WEINBERGGER, M.; SWEET, S.; LEIBIVICI L.; et al.. Correlation between candiduria and departmental antibiotic use. Journal of Hospital Infection, v. 53, p. 183-186, 2003. 82. 2003 WENZEL, R. P. Nosocomial candidemia: risk factors and attributable mortality. Clinical Infectious Diseases, v. 20, p. 1531-1534, 1995.