Manejo de Florestas Naturais
1. Conceito
A definição técnica de manejo florestal corresponde a “administração da floresta para
a obtenção de benefícios econômicos e sociais, respeitando-se os mecanismos de sustentação
do ecossistema objeto do manejo (Decreto no. 1182/94)”.
Fez se necessário na década de 90, a partir do incremento da certificação florestal,
expressar o conceito de manejo florestal sustentável de forma prática tornando possível sua
avaliação e replicação. Passou a ser empregado o termo "bom manejo florestal, que representa
as melhores práticas de manejo, capazes de promover a conservação ambiental e a melhoria
da qualidade de vida das comunidades locais, considerando a viabilidade econômica e o
estado da arte do conhecimento científico e tradicional” (VIANA citado por HUMMEL, 2001).
Atualmente a definição de Manejo Florestal passou a ser entendida, além de seu
aspecto técnico, no sentido de orientar a atividade do homem e das futuras gerações com base
no desenvolvimento sustentável. Indo além do fluxo contínuo de produtos, incluindo
comprometimento com códigos de ética em relação ao progresso. Destaca-se a definição de
Camino (2000):
“O manejo e o uso florestal sustentável da floresta (bom manejo florestal) é um
processo que valoriza o uso da floresta como atividade permanente, e:
 Supõe que das intervenções nos povoamentos se extrai madeira, outros produtos e




serviços;
A colheita de bens e serviços está dentro dos limites de produtividade do sistema, da
capacidade de suporte e do seu nível de garantia das operações permanentes nos
ecossistemas;
As operações de manejo são rentáveis de acordo com os critérios do ator que faz a
gestão do manejo;
Todos os atores afetados no processo participam da elaboração, execução, avaliação e
distribuição dos custos e benefícios, das políticas e ações concretas de acordo com
seus direitos e assumem, portando, responsabilidades;
É parte do desenvolvimento sustentável, portanto, não está dissociado das políticas de
desenvolvimento nacional e dos setores relacionados e nem dos direitos das gerações
futuras”
2. Vantagens do manejo florestal
Amaral et al. (1998) apresentaram 7 razões principais para uma floresta ser manejada
de forma sustentável:
a) Continuidade da produção: o manejo garante a produção de madeira em uma área de
floresta por tempo indeterminado;
b) Rentabilidade: o manejo gera benefícios econômicos que superam os custos, principalmente
em função do aumento da produtividade do trabalho e redução de desperdícios;
c) Segurança de trabalho: os riscos de acidente de trabalho são reduzidos a partir do momento
que são atendidos os pressupostos do uso sustentável de um maciço florestal, quando
comparado à exploração tradicional da floresta;
d) Respeito à lei: como o manejo florestal é obrigatório por lei, a sua não execução expõe as
empresas a diversas penalidades;
e) Oportunidades de mercado: a exigência de certificação da madeira para atingir o mercado
internacional de forma efetiva, faz com que as empresas que praticam manejo florestal tenham
maior facilidade de acesso aos mercados, especialmente o europeu e o norte-americano;
f) Conservação florestal: a cobertura florestal é garantida através do manejo, mantendo a
diversidade vegetal original e reduzindo impactos ambientais sobre a fauna quando comparado
a exploração tradicional;
g) Serviços ambientais: florestas manejadas contribuem para o equilíbrio do clima regional e
global, principalmente pela manutenção do ciclo hidrológico e pela retenção de carbono.
3. Plano de manejo florestal sustentável (PMFS)
De forma geral a operacionalização do manejo florestal, correspondendo à execução
do plano de manejo, tem sido abordada em três grandes fases descritas a seguir:
 Fase pré-exploratória: varias ações precedem o manejo de uma área florestal desde a
aprovação do plano ao planejamento do mesmo à projeção e demarcação da infraestrutura. A implantação da infra-estrutura (vias de acesso, armazenamento e de
escoamento da produção) busca reduzir custos operacionais e aumentar a segurança
no tráfego de veículos além de melhorar a produtividade das máquinas no arraste e
diminuir danos à floresta. Devem ser construídas de forma permanente possibilitando o
uso em diferentes etapas da exploração (ROTTA, 2006).
 Fase exploratória: a colheita da madeira representa a fase mais importante do ponto de
vista econômico para as atividades florestais. Devido à participação no custo final do
produto e aos riscos envolvidos (JACOVINE et al., 1997). A exploração florestal
quando realizada de forma intensa e seletiva, sem planejamento na região Amazônica,
transforma florestas com elevado estoque de madeira e valor comercial em áreas
degradadas difíceis de serem recuperadas (PINTO et al., 2002). O planejamento e a
execução da colheita, seguindo critérios técnicos, reduzem o impacto ambiental nos
meios físico, biótico e antrópico além de proporcionar a redução dos custos totais da
madeira. Contribuindo dessa forma para a sustentabilidade ambiental, econômica e
social do plano de manejo florestal (SOUZA et al., 2004).
 Fase pós-exploratória: consiste na manutenção das áreas de manejo através do o
acompanhamento e avaliação do comportamento da floresta. Esta etapa tem por
objetivo a identificação da necessidade de intervenção através de tratamentos
silviculturais. Favorecendo árvores remanescentes e indivíduos de maior interesse
econômico na floresta, o acompanhamento do crescimento da floresta e a definição do
momento ideal para uma nova exploração (ciclo de corte). Também é avaliada a perda
de madeira na floresta em função do traçamento incorreto e do abandono de toras
além da proteção florestal orientada para o controle de incêndios (ROTTA, 2006).
Áreas de florestas desmatadas e exploradas formam mosaicos propensos a incêndios,
em função da crescente penetração da luz combinada ao acúmulo de resíduos
inflamáveis originados na exploração (HOLDSWORTH & UHL, 1997; COCHRANE &
SCHULZE, 1998; NEPSTAD et al. 1999). Estima-se que a ocorrência de fogo na área
manejada provoca a morte de 45% das árvores remanescentes, destruindo também as
mudas de espécies comerciais que possam ter sido plantadas. Comprometendo a
regeneração natural e assim capacidade produtiva da floresta para os próximos ciclos
de corte. A restrição à caça e pesca, invasões e atividades extrativas sem autorização
legal é contemplada no controle florestal. A aplicação adequada das técnicas de
manejo florestal sustentável garantirá no futuro novos ciclos de corte nos mesmos
talhões (ROTTA, 2006).
Um sistema de manejo envolve múltiplas atividades inter-relacionadas,
como os processos de colheita de produtos florestais madeireiros e não-madeireiros, os
tratamentos silviculturais e o monitoramento da floresta remanescente, visando melhorar sua
qualidade, produtividade e, sobretudo, perpetuá-la. A eficiência e sustentabilidade do manejo
das florestas tropicais naturais estão associadas à qualidade das operações de colheita da
floresta e dos tratamentos silviculturais, bem como à conservação da base de recursos
florestais que lhes dão sustentações ecológica, econômica e social (SOUZA et al., 2004).
4. Aplicação PMFS
A aplicabilidade de um plano de manejo está relacionada diretamente ao
conhecimento da composição florística, da estrutura fitossociológica e das distribuições
diamétrica e espacial das espécies. É fundamental integrar esses conhecimentos para manejar
a floresta para uma estrutura balanceada que possibilite harmonizar os conceitos de
fitossociologia, produção sustentável de madeira e as regras impostas pela legislação florestal
e ambiental. (MEYER, 1952; ADAMS e EK, 1974; CAMPOS et al., 1983; DAVIS e JOHNSON,
1987; GULDIN, 1991; LEAK, 1996; SCHULTE e BUONGIORNO, 1998; GOODBRURN e
LORIMER, 1999; HITIMANA et al., 2004).
Os responsáveis pela colheita devem considerar o aspecto social da floresta e as
práticas de regeneração, além da biodiversidade para que o manejo sustentável das florestas
naturais se mostre passível de ser alcançado (ADLARD, 1993; LEE, 1993).
De forma geral as Unidades de Manejo Florestal, tecnicamente manejadas, vem
adotando ações a partir da investigação ecológica e silvicultural como a extração de baixo
impacto, parcelas permanentes, modelo de crescimento, ciclo de corte com base no
crescimento diamétrico e corte de cipós. Assim o plano de manejo florestal transforma-se
gradualmente numa ferramenta de manejo em substituição a um simples requisito oficial.
Comunidades, indústrias e governos têm apresentado interesse crescente na promoção de
sistemas florestais que incluam, além da exploração madeireira, produtos e benefícios
derivados das florestas de forma a conservar os ecossistemas. O conceito de Manejo Florestal
passa assim a resgatar a atividade do homem e das futuras gerações com base no
desenvolvimento sustentável, indo além do fluxo contínuo de produtos através dos tempos
(AZEVEDO, 2006).
5. Referências Bibliográficas:
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Canadian Journal of Forest Research, v. 4, n. 3, p. 274-287, 1974.
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experimentação e simulação. Universidade Federal do Paraná. Tese de doutorado.
CURITIBA, 2006. 254p.
 CAMINO, R. Empezando a hacer diferencias. Consideraciones sobre el manejo de
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 JACOVINE, L. A. G.; REZENDE, J. L. P.; LEITE, H. G.; TRINDADE, C. Reflexos da má
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 LEAK, W. B. Long-term strutuctural change in uneven-aged northerm hardwoods. Forest
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 LEE, S. A. Biodiversity. Manchester: SHELL/WWF. Tree Plantation Review, 1993. 34 p.
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 MEYER, H. A. Structure, growth, and drain in balanced uneven-aged forests. Journal of
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 NEPSTAD, D. C.; VERÍSSIMO, A.; ALENCAR, A.; NOBRE, C.; LIMA, E.; LEFEBVRE,
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 PINTO, A.C.M.; SOUZA, A.L.; SOUZA, A.P.; MACHADO, C.C.; MINETTE, L.J.; VALE,
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 ROTTA, G.W.; MICOL, L.; SANTOS, N.B. Manejo sustentável no portal da Amazônia
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 SCHULTE, B. J.; BUONGIORNO, J. Effects of uneven-aged silviculture on the stand
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 SOUZA, D.R.; SOUZA, A.L.; SILVA, M.L.; RODRIGUES, F.L. Ciclo de corte econômico
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 HUMMEL, A. C. Normas de acesso ao recurso florestal na Amazônia brasileira: O caso
do manejo florestal madeireiro. Manaus, 2001, 83 f. Dissertação (Mestrado em
Ciências de Florestas Tropicais) – INPA/UA.
Fonte: CIFloresta
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