XIII JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2013 – UFRPE: Recife, 09 a 13 de dezembro. TEMPERATURA E COLORAÇÃO DOS FRUTOS DE LICURI SOBRE A GERMINAÇÃO DE SEMENTES Lidiana Nayara Ralph1, Sueli da Silva Santos-Moura², Adrielle Naiana Ribeiro Soares3, Priscila Cordeiro Souto1, Edilma Pereira Gonçalves4. Introdução O Brasil por ser um país tropical, pos uma enorme diversidade de palmeiras nativas, pertencentes à família Arecaceae, dentre estas, encontra-se o licuri (Syagrus coronata), também conhecido comolicurizeiro, ouricuri ou coqueiro-cabeçudo, uma palmeira encontrada nos estados de Pernambuco, Alagoas, Bahia, Sergipe, norte de Minas Gerais, no leste do rio São Francisco, , na caatinga, florestas semidecíduas, zonas de transição para restinga e cerrado. As palmeiras estão entre as quatro famílias botânicas mais importantes para o uso humano, juntamente com as famílias Poaceae, Fabaceae e Solanaceae (Johnson, 2010). A maturidade fisiológica das sementes é geralmente acompanhada por visíveis mudanças no aspecto externo e na coloração dos frutos e das sementes. A coloração das cápsulas é uma boa guia da maturidade das sementes (Hodgson, 1976). O desenvolvimento do endosperma e do embrião é considerado por Morandini (1962) & Wang (1973), conforme citação de Turnbull (1975a), como o índice mais real para a avaliação da maturidade das sementes. Entretanto, para sementes que não possuem endosperma este parâmetro torna-se impraticável (Booen, 1961 & Krugman, 1974). O objetivo do trabalho foi avaliara qualidade fisiológica de sementes de licuri (Syagrus coronata) provenientes de frutos de diferentes estádios de maturação em diferentes temperaturas. Material e métodos O trabalho foi realizado no Laboratório de Análise de Sementes - (LAS) da Universidade Federal Rural de Pernambuco - Unidade Acadêmica de Garanhuns - PE. Os frutos foram provenientes de 10 plantas matrizes localizadas na zona rural pertencente ao Município de Caetés – Pernambuco. Os frutos foram coletados em três estádios de maturação diferentes com base na sua coloração: frutos verdes - frutos que se apresentavam com a coloração verde e pouquíssimos tons amarelados; frutos verdes alaranjados - frutos com pequenos tons de verdes e predominância da cor laranja e frutos totalmente maduros - frutos com a cor laranja bem escura e pouquíssimos tons de verde alaranjada e desprendido naturalmente do cacho (Figura 1). Após a coleta, os mesmos foram colocados em sacos plásticos e levados para o (LAS), onde foram extraídos dos cachos, selecionados e imersos em água durante três dias para facilitar o beneficiamento. Após esse período, os frutos foram despolpados manualmente para a remoção do epicarpo e mesocarpo, sendo considerada semente o conjunto composto pelo endocarpo + semente, e as sementes obtidas foram secas à sombra durante 24 h. Posteriormente as sementes provenientes de cada coloração foram submetidas aos seguintes testes e determinações: Teste de germinação e Índice de velocidade de germinação. O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente ao acaso, em esquema fatorial 3x4 (colorações e temperaturas) com quatro repetições de 25 sementes. os dados obtidos foram submetidos à análise de variância pelo teste F e as médias comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Resultados e Discussão Na Tabela 1, encontram-se as médias da porcentagem de sementes germinadas de S. coronata provenientes dos frutos com colorações verde, verde alaranjada e laranja (maduro) em diferentes temperaturas de germinação. Verificouse que não houve influencia das temperaturas na germinação das sementes provenientes de frutos maduros e verdes, por outro lado as sementes extraídas de frutos com a coloração verde alaranjada obtiveram maiores porcentagens de germinação nas temperaturas de 25ºC e 30ºC. De forma geral, as sementes provenientes de frutos com coloração verde alaranjada foram as que mais germinaram em todas as temperaturas, já aquelas extraídas de frutos com coloração verde foram responsáveis pelos menores porcentuais de germinação (Tabela 1). Analisando a germinação de sementes de Syagrus schizophylla provenientes de frutos verdes, amarelos ou avermelhados, Pivetta et al. (2005) concluíram que os melhores resultados foram obtidos com frutos amarelos ou avermelhados. 1Discentes do curso de Agronomia, Unidade Acadêmica de garanhuns, Universidade Federal Rural de Pernambuco. Av Bom Pastor, S/N, Bairro Boa Vista, Garanhuns – PE, CEP: 55.296-901. E-mail: [email protected] 2 Discente do curso de Pós Graduação em Agronomia, Universidade Federal da Paraíba - UFPB 3 Discente do curso de Pós Graduação em Produção Agrícola, Unidade Acadêmica de Garanhuns, Universidade Federal Rural de Pernambuco. Av. Bom Pastor, S/N, Bairro Boa Vista, Garanhuns – PE, CEP: 55.296-901. 4 Professor Adjunto da Unidade Acadêmica de Garanhuns, Universidade Federal Rural de Pernambuco. Av. Bom Pastor, S/N, Bairro Boa Vista, Garanhuns – PE, CEP: 55.296-901. XIII JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2013 – UFRPE: Recife, 09 a 13 de dezembro. Os resultados obtidos no teste de germinação com o número de sementes germinadas nas três colorações permitem afirmar que as sementes de S. coronata são extremamente dormentes e que esta dormência pode estar relacionada não só com a impermeabilidade do endocarpo á água mais também a imaturidade de embrião. A dormência das sementes pode ser definida como o fenômeno em que sementes viáveis não germinam mesmo em condições ambientais favoráveis, necessitando assim de um tempo adicional para sua dispersão natural (Taiz & Zeiger, 2004). a dormência permite distribuir a germinação das sementes no tempo, a fim de garantir um maior número de combinações ecológicas para a espécie e isto é conseguido dotando as sementes de diferentes intensidades de dormência o que pode ser o caso das sementes da espécie em estudo (Carvalho & Nakagawa, 2012) Os estádios de maturação dos frutos provocaram variações na germinação das sementes de S. coronata desta forma, pode-se afirmar que a coloração do fruto é uma característica importante para determinar a maturidade fisiológica das sementes. No entanto, o porcentual de sementes germinadas foi inferior a 30% em todas as colorações, o que pode estar relacionado com as características particular de algumas espécies de palmeiras, que apresentam porcentagem de germinação baixa, lenta e desuniforme, sendo influenciada por vários fatores, como estádio de maturação ideal para a colheita dos frutos e temperatura durante o processo de germinação (Pivetta et al., 2007). Com relação à temperatura constatou-se que a utilização da temperatura alternada 20-30ºC prejudicou a germinação das sementes de S. coronata em todas as colorações utilizadas, sendo responsável pelos menores valores de germinação, indicando que estas variações de temperaturas são prejudiciais para a germinação das sementes desta espécie (Tabela 1). De acordo com Probert (1992) a temperatura ótima para a germinação de sementes está diretamente associada às características ecológicas da espécie. Para Carvalho & Nakagawa (2012) a resposta germinativa das sementes de determinadas espécies depende da condição de exposição à temperatura testada, se constante ou alternada. O índice de velocidade de germinação (IVG) (Tabela 2) foi superior nas sementes extraídas de frutos verdes alaranjado, por outro lado aquelas provenientes dos frutos de coloração verde foram responsáveis pelos menores valores de vigor. Comparando as temperaturas dentro de cada coloração verificou-se que não houve influencia das temperaturas em nenhuma das colorações utilizada, todavia as colorações dentro de cada temperatura tiveram comportamentos diferenciados, sendo aquelas retiradas de frutos com coloração verde alaranjada as de melhor desempenho para o (IVG), já para a temperatura de 30ºC não se verificou diferenças entre as colorações laranja e verde alaranjada Pimenta et al. (2010) verificaram que as temperaturas alternadas de 20-30°C e 25-35°C proporcionaram maiores médias de porcentagem de germinação e IVG, porem as diferentes faixas de temperaturas empregadas influenciaram diferentemente nos estágios de maturação dos frutos de Phoenix canariensis hort. ex Chabaud. Referências Carvalho, N.M.; Nakagawa, J. Sementes: ciência, tecnologia e produção. Jaboticabal: FUNESP, 588p, 2012. Hodgson, L.M. - Some aspects of flowering and reproductive behaviour in Eucalyptus grandis (Hill) Maiden at J.D.M.Keet Forest Research Station.2. The fruit, seed, seedlings, self fertility, selfing and inbreeding effects. South African forestry journal, Johannesburg, (98): 32-43, 1976. Johnson, D. V. Non-Wood Forest Products 10: Tropical palms. Food and agriculture organization of the united states (FAO). 2010. Krugman,S.L. - Eucalyptus L'Herit. In: USDA - Seeds of woody plants in the United States. Washington, Forest Service, p.598-638. (Agriculture Hang book, 450), 1974. Pimenta, R.S.; Luz, P.B.; Pivetta, K.F.L.; Castro, A.; Pizetta, P.U.C. Efeito da maturação e temperatura na germinação de sementes de Phoenix canariensis hort. ex Chabaud – Arecaceae. Revista Árvore, Viçosa, v.34, n.1, p.31-38, 2010. Pivetta, K. F. L. et al. Efeito da temperatura e do armazenamento na germinação de sementes de Thrinax parviflora Swartz. (Arecaceae). Científica, v.33, n.2, p.178-184, 2005. Pivetta, K. F. L. et al. Propagação de palmeiras e estrelitzias. In: Barbosa, J.G.; Lopes, L.C. Propagação de plantas ornamentais. Viçosa, MG: Universidade Federal de Viçosa, p. 43-70, 2007. Probert, R.J. The role of temperature in germination ecophysiology. In: Fenner, M. Seeds: the ecology of regeneration in plant communities. Wallingford: Cabi, p. 285-325, 1992. Taiz, L; Zeiger, E. Fisiologia Vegetal. Porto Alegre, RS: Artmed, 2004. Turnbull, J.W. - Assessment of seed crops and the timing of seed collection. In: Training course on forest seed collection and handling. Roma, FAO/DANIDA, v.2, p.79-94, 1975a. XIII JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2013 – UFRPE: Recife, 09 a 13 de dezembro. Turnbull, J.W. - Seed collection of eucalypts. - In: Training course on forest seed collection and handling. Roma, FAO/DANIDA, v.2, p.337-46, 1975b. Tabela 1. Porcentagem de sementes germinadas de Syagrus coronata (Mart.) Becc. provenientes de diferentes colorações dos frutos e diferentes temperaturas de germinação. COLORAÇÃO DO FRUTO TEMPERATURA (ºC) Laranjada Verde laranjados Verde 25º 17 aB 30 aA 10 aB 30º 18 aA 24 aA 8 aB 20-30º 11 aA 16 bA 5 aA 35º 11 aB 21 bA 10 aB Médias seguidas pela mesma letra maiúscula na linha e minúscula na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. Tabela 2. Índice de velocidade de germinação de sementes de Syagrus coronata (Mart.) Becc. provenientes de diferentes colorações dos frutos e diferentes temperaturas de germinação. COLORAÇÃO DO FRUTO TEMPERATURA (ºC) Laranjada Verde alaranjada Verde 25º 0,06 aB 0,14 aA 0,04 aB 30º 0,07 aA 0,10 aA 0,04 aB 20-30º 0,04 aB 0,08 aA 0,02 aB 35º 0,06 aB 0,12 aA 0,05 aB Médias seguidas pela mesma letra maiúscula na linha e minúscula na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade. A B C Figura 1. Colorações dos frutos de licuri colhidos em diferentes estádios de maturação. Fig. A: frutos verdes, Fig. B: frutos verdes alaranjados e Fig. C: frutos maduros.