Desenvolvimento de uma Identidade Visual para os grupos PET-UFPel
Desenvolvimento de uma Identidade Visual para os
grupos PET-UFPel
Development of a visual identity for the PET-UFPel groups
Pithan, Flávia Ataide; Doutora em Comunicação Social; Universidade Federal de Pelotas
[email protected]
Almeida, Henrique Rockenbach; aluno de graduação e bolsista do PET; Universidade Federal
de Pelotas
[email protected]
Dacol, Ana Maria; aluna de graduação; Universidade Federal de Pelotas.
[email protected]
Marchese, Carolina Moraes; aluna de graduação e bolsista do PET; Universidade Federal de
Pelotas.
[email protected]
Resumo
Este artigo apresenta as etapas metodológicas já vencidas para o desenvolvimento de uma Identidade
Visual para os grupos PET-UFPel. A UFPel possui onze cursos participantes do Programa de
Educação Tutorial, que visa a melhoria dos cursos de graduação sob a ideologia da indissociabilidade
entre Ensino, Pesquisa e Extensão. Os grupos não possuíam um sistema de identificação coeso, o que
causava confusões com outros projetos e desconhecimento da estrutura e organização do programa.
Nesse contexto, surgiu este projeto de pesquisa, o qual se encontra em fase de finalização. Os
resultados alcançados até então são relatados ao longo do texto.
Palavras Chave: identidade visual; grupos PET-UFPel; metodologia.
9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
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Abstract
This article presents the methodological steps already undergone for the development of a
visual identity for the PET-UFPel groups. The UFPel has eleven courses participating of the
Tutorial Education Program, which aims to improve undergraduate courses under the
ideology of the inseparability between Teaching, Research and Extension. The groups did not
have a cohesive system of identification, which caused confusions with other projects and
unknowing of the structure as well as of the organization of the Program. In this context, this
research project has emerged, which is at the time of being finalized. The results obtained so
far are reported throughout the text.
Keywords: visual identity; PET-UFPel groups; methodology.
O design gráfico é a mais universal de todas as
artes. Está em toda parte, explicando, decorando,
identificando – impondo significado ao mundo.
Quentin Newark
De acordo com o site do Ministério da Educação, o Programa de Educação Tutorial –
PET – é formado por grupos alocados nas Instituições de Ensino Superior, compostos por até
12 bolsistas, alunos de cursos de graduação, e um professor tutor. Atualmente existem cerca
de 400 grupos em instituições públicas e privadas, e cerca de 4270 alunos bolsistas. O PET
tem o objetivo de melhorar os cursos de graduação através do desenvolvimento de atividades
acadêmicas orientadas pelo princípio da indissociabilidade entre Ensino, Pesquisa e Extensão.
A UFPel possui, pelo menos até o momento da conclusão deste artigo, onze cursos
participantes do Programa de Educação Tutorial – PET: Agronomia, Artes Visuais,
Arquitetura, Educação, Educação Física, Engenharia Agrícola, Física, Meteorologia,
Odontologia, Ciência da Computação e Engenharia Hídrica.
Os grupos não possuíam um sistema de identificação coeso, o que causava confusões
com outros projetos e desconhecimento da estrutura e organização do programa. Nesse
contexto surgiu a necessidade do desenvolvimento deste projeto de pesquisa, que propõe
como resultado prático uma identidade visual concisa e coerente para o reconhecimento e
divulgação do trabalho desenvolvido pelo Programa, buscando agregar credibilidade,
visibilidade e respeitabilidade aos grupos envolvidos.
Segundo Strunck (2001), o Design Gráfico é a área do conhecimento que aborda o
conjunto de teorias e técnicas para realizar peças de comunicação visual. Através da
programação visual, o profissional da área tenta dirigir, com um nível razoável de segurança,
o modo pelo qual o entendimento das imagens se processa nos destinatários. Villas-Boas
(2003) define o design gráfico como a área de conhecimento e da prática profissional relativa
ao “ordenamento estético-formal de elementos textuais e não-textuais que compõem peças
gráficas destinadas à produção com objetivo expressamente comunicacional” (p. 7).
Sabe-se que o ensino sistemático do Design Gráfico começou em 1919 com a Bauhaus
na Alemanha e, no Brasil, em 1963 com o advento da Escola Superior de Desenho Industrial
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(ESDI) no Rio de Janeiro. Desde então, a área foi gradativamente sendo reconhecida e hoje se
pode afirmar que já aparece como uma necessidade em diversas áreas: desde o meio
acadêmico até o meio empresarial e no cotidiano das pessoas o Design Gráfico está cada vez
mais presente.
Uma das atribuições dos profissionais do Design Gráfico é desenvolver Identidades
Visuais. Uma Identidade Visual, segundo Strunck (2001) tem a função de explicar por meio
de formas e cores o conceito que a marca carrega, a qual deve sintetizar e transferir para
produtos e serviços toda a informação ou experiência desejada. Uma Identidade Visual
idealmente desenvolvida torna-se um sinalizador da confiança deposita nas marcas. Nas
palavras do designer,
Uma identidade visual é o conjunto de elementos gráficos que irão
formalizar a personalidade visual de um nome, idéia, produto ou serviço. Devem
informar, substancialmente, à primeira vista. Estabelecer com quem os vê um nível
ideal de comunicação (STRUNCK, 2001, p. 57).
Neste contexto, pode-se citar o pensamento de Durand (2004), para o qual hoje se vive
no que se pode chamar de pressão imaginária. Isto começou no século XX e tomou grandes
proporções, como se pode perceber no início deste século XXI com a explosão dos meios
técnicos audiovisuais. A produção em larga escala de mensagens intertextuais-visuais/
sonoras/ sinestésicas/ olfativas/ táteis atinge o indivíduo simultaneamente de modo dinâmico
e sincrético, interferindo nos estágios de sua vida e nas suas relações, modificando o meio
cultural e promovendo, como fato social, “uma universalização da cultura suscetível de
rápidas e constantes mutações” (NOJIMA, 1999, p. 14). Hoje a imagem (seja uma obra de
arte, uma fotografia, uma campanha publicitária ou uma marca) é muito valorizada. Ela não
só é uma forma de comunicar, de atingir as pessoas, mas também reflete e revela a história e a
cultura de um povo (PAVIANI, 1987). Por isso, segundo Dondis (2003), “a experiência visual
humana é fundamental no aprendizado para que possamos compreender o meio ambiente e
reagir a ele” (DONDIS, 2003, p. 7).
Essas noções expostas configuram o contexto do presente projeto e ajudam a ratificar
a relevância do desenvolvimento do mesmo, pois como diz Newark (2009), o design gráfico
deve “criar a diferença” e falando especificamente sobre identidade visual, deve fazer com
que o evento, a empresa ou o produto torne-se “exclusivo e facilmente reconhecido, escolhido
e diferenciado entre milhares de outros” (p. 14). Ao atingir esses objetivos, o design agrega
valor e significado àquilo que representa: objetivo deste projeto de pesquisa em relação ao
reconhecimento, divulgação e consolidação do Programa de Educação Tutorial junto à
Universidade Federal de Pelotas, através do design da sua Identidade Visual.
A demanda
A necessidade de uma Identidade Visual para os grupos PET da UFPel foi detectada
por dois bolsistas do programa vinculados ao curso de Artes Visuais com Habilitação em
Design Gráfico. A princípio esta inversão, já que o corriqueiro na profissão é que “um
cliente” solicite o projeto para um designer, foi o que tornou o projeto desafiador desde o
primeiro instante. Torne-se ainda mais difícil trabalhar a partir da proposta do projetista, ao
invés de trabalhar “suprindo a demanda do cliente”, de acordo com o que geralmente acontece
na área. Em outras palavras, se já é bastante difícil conseguir valorizar o design quando existe
a solicitação de um projeto pelo cliente, torna-se ainda mais desafiador trabalhar com a
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concepção inversa: o profissional identificar uma demanda e apontar a necessidade do
projeto.
Ao longo do texto evidenciam-se as ações executadas para convencer “o cliente 1” da
necessidade do projeto. Neste caso, “o cliente” também é um fator complicador do mesmo,
pois se está tratando com onze grupos diferentes, que fazem cursos de graduação diferentes e
que por sua vez são geridos por tutores diferentes e compostos por estudantes diferentes.
Voltar-se-á a este ponto mais adiante.
O importante aqui é ressaltar que atitudes profissionais análogas ao que se propôs com
este projeto são importantes para evoluir o design em âmbito nacional e buscar
definitivamente o reconhecimento frente à sociedade.
Alexandre Wollner, um dos mais antigos designers do Brasil por formação, graduado
pela Escola de Ulm, trabalha com esta idéia, mas alerta sobre a atitude reprovável de algumas
agências ou de alguns designers que, com o intuito de ganhar concorrências, apresentam os
projetos já prontos aos clientes. Para ele, é importante que o designer sugira ao cliente sua
necessidade, podendo o mesmo acatar ou não a proposta. Nas palavras do próprio Wollner,
citado por Stolarski (2005), “posso dizer o que é bom fazer, o cliente pode concordar e eu
posso dizer quanto custa. Mas oferecer um trabalho pronto é antiprofissional” (p. 65).
De acordo com esta idéia, os alunos do curso de Artes Visuais com habilitação em
Design Gráfico identificaram a necessidade de uma identidade visual para o programa e
elaboram uma apresentação/proposta para o desenvolvimento do projeto. Os grupos
discutiram a proposta em reunião deliberativa entre todos os grupos e concordaram com a
criação do projeto. Até este momento existiam apenas nove cursos participantes do programa.
Os últimos dois grupos, Ciência da Computação e Engenharia Hídrica, foram criados ao
longo do andamento do projeto.
O Briefing
Na etapa de aplicação do briefing, junto a cada um dos nove cursos de graduação –
que já possuíam bolsistas atrelados ao Programa de Educação Tutorial na época da execução
desta etapa – foram coletadas as mesmas informações conforme se descreve a seguir. Vale
salientar que no decorrer do desenvolvimento deste projeto de pesquisa, mais dois novos
cursos de graduação vincularam-se ao PET, já apontando possivelmente para a necessidade de
uma Identidade Visual que não esteja atrelada aos cursos e sim ao programa em si.
Em primeiro lugar, a pergunta aos grupos foi sobre quais objetivos gostariam de
contemplar com a Identidade Visual. Posteriormente investigou-se sobre os tipos de
atividades realizadas pelos grupos. As questões seguintes foram:
- Quais características positivas e negativas vocês identificam no seu grupo?
- Com qual tipo de público o grupo costuma tratar?
- Como é a relação do grupo com a comunidade acadêmica do curso ao qual está
vinculado?
- Valores a serem explorados e valores a serem evitados.
Ao final, pediu-se todo o material disponível (arquivos, impressos, CDs, etc) com a
Identidade Visual de cada grupo para futuras análises. Também foram pedidas sugestões caso
o grupo as tivesse.
A partir das respostas ao briefing, algumas definições iniciais foram possíveis. Esta
etapa foi mais complexa do que normalmente seria, pois como já citado anteriormente são
vários grupos para atender e será preciso contemplar as necessidades de todos. Tarefa bastante
1
Utiliza-se a palavra cliente por não encontrar um termo mais apropriado para designar aquele que encomendaria o projeto ou aquele para
quem o projeto seria necessário, que não o público-alvo. Assim, sempre que esta palavra aparecer no texto entre aspas é porque se refere
aos 11 grupos PET-UFPEL envolvidos.
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mais complexa do que se fosse um único cliente. Em outras palavras, o “cliente” com o qual
se está tratando é múltiplo, plural. É sempre mais difícil convencer e satisfazer um número
maior de pessoas.
De um modo geral, todos os grupos evidenciaram a importância da Identidade Visual
transmitir a ideologia com a qual o programa trabalha: a indissociabilidade entre Ensino,
Pesquisa e Extensão, visando suprir carências e necessidades advindas dos cursos de
graduação. A preocupação foi, portanto, um ponto unânime. Além disso, ficou óbvio o desejo
de uma maior integração entre os grupos, valorizando o Programa e aumentando o
reconhecimento do mesmo frente à Universidade. Essas questões foram ratificadas pelas
próprias atividades desenvolvidas pelos bolsistas, que vão desde a proposição e execução de
projetos de pesquisa, até a organização de cursos e oficinas e até mesmo participações em
congressos e visitas técnicas.
Os grupos possuem públicos variados, abrangendo a comunidade externa, os alunos da
graduação e pós-graduação e segmentos mais específicos da sociedade para cada grupo
conforme sua área de atuação, como por exemplo, a comunidade rural para os grupos da
Engenharia Agrícola e Agronomia, e estudantes de ensino básico e médio, para os grupos dos
cursos de Física e Pedagogia. Para a maioria dos bolsistas, a relação com os alunos está
melhorando gradativamente, talvez como resultado de suas atuações ao longo da existência do
programa e de um modo geral os professores tutores apóiam as atividades propostas pelos
bolsistas.
Resumidamente, os valores a serem explorados na Identidade Visual são: a
diversidade (não só em relação às atividades, mas também aos projetos e aos diferentes alunos
e se acrescentaria aqui também a diversidade de cursos envolvidos), a integração, a autonomia
(os grupos valorizam a autonomia permitida em relação à unidade ao qual estão vinculados),
o comprometimento e a credibilidade (características associadas a um comportamento
conquistado através de atitudes responsáveis e maduras).
As características a serem evitadas são, principalmente, a desorganização e
instabilidade (já que existe uma grande rotatividade de bolsistas, por vezes não dando
continuidade às atividades programadas). O ponto forte foi em relação aos valores a serem
evitados, onde a maioria dos grupos referiu-se a uma característica seguidamente associada ao
Programa: de o mesmo ser elitista. Os grupos julgam esta associação negativa e os alunos
vinculados ao PET acreditam que esta discriminação denigre a imagem do Programa.
A análise de dados
A etapa da análise tratou dos atuais símbolos e logotipos utilizados pelos grupos PET,
através de uma reflexão acerca dos aspectos sintáticos, semânticos e pragmáticos, com o
objetivo de verificar sua adequação comunicacional, conforme proposta de Niemeyer (2007)
apoiada pelos novos fundamentos do design (LUPTON; PHILLIPS, 2008).
Torna-se a frisar que uma identidade visual bem estruturada e concisa facilita o
reconhecimento de uma instituição e auxilia na valorização desta como uma entidade
organizada e engajada em seus objetivos.
Para a realização desta etapa, utilizou-se o material recolhido no briefing, o qual
contempla as marcas atuais dos grupos e as aplicações dessas em diversos meios. Acredita-se
que antes de passar ao Processo de Design, especificamente, é necessário construir uma base
de conhecimento sólida, a qual será a responsável pela filosofia do projeto (FUENTES, 2006)
e possibilitará um repertório suficiente para o momento da criação. A falta de embasamento
dos projetos em design é apontada por diversos autores como a principal causa de fracasso
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dos mesmos. Daí a importância e a necessidade de trabalhados desenvolvidos sob alicerces
sólidos e já consagrados metodologicamente na área.
A metodologia do design tem por objetivo aumentar o conhecimento das
coisas e dar maior sustentação ao ato criativo, permitindo ampliar os pontos de vista
sobre um determinado problema, aumentando o seu conhecimento e facilitando uma
perspectiva global até a sua resolução (FUENTES, 2006, p. 15).
Sendo assim, foi realizado o processo de análise das marcas de cada grupo PET da
UFPEL, buscando descobrir os significados dos elementos visuais presentes, além de analisar
as características relacionadas à linguagem visual (DONDIS, 2003; NEWARK, 2009),
juntando, assim, elementos para a criação da nova marca. As análises foram embasadas por
pesquisas bibliográficas acerca de leis e teorias da percepção visual, bem como conceitos
semióticos.
Em um primeiro momento foram realizadas análises individuais, para cada marca de
cada grupo PET, o que não caberia expor aqui pela própria extensão do artigo. Em um
segundo momento, foi realizada uma análise geral destacando características encontradas em
todas as análises e que será mostrada no presente artigo.
FIGURA 1: marcas utilizadas pelos grupos PET-UFPEL
A partir desta amostra verificou-se uma grande variação visual em decorrência da
diversidade de cursos e áreas pertencentes ao Programa de Educação Tutorial da UFPel. A
análise geral foi feita levando em consideração o contexto, os objetivos da mensagem visual
apresentada e a expectativa dos receptores.
Quando se trata de identidade visual, a otimização de determinadas características
visuais determina a maneira como o observador perceberá e compreenderá a mensagem. A
clareza de informações é importante para que ocorra a identificação por parte do observador,
o qual faz observações e associações através das cores, da hierarquia das mensagens, da
tipografia, dos símbolos utilizados, do estilo da linguagem visual empregada.
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Com relação às construções das marcas apresentadas, constatou-se que a maioria
procura utilizar associações entre imagem e texto. Além disso, as imagens estão mais
associadas às especificidades dos cursos em questão do que ao Programa, o que se julga não
ser o ideal pelas questões já expostas ao longo do texto. Não são enfatizadas as representações
simbólicas do tripé que rege as atividades do PET – pesquisa, ensino e extensão. Este é um
ponto crucial, visto que todos os grupos ressaltaram a importância deste ponto.
No âmbito da informação textual, as marcas dos grupos apresentam divergências
entre elas. Não há uma unidade no que se refere à identificação da sigla PET: alguns grupos
utilizam a sigla com inicial P em caixa-alta e a restante da sigla em caixa baixa. Isso
descaracteriza a sigla que significa Programa de Educação Tutorial, tornando-a suscetível a
confusões com termos que possuem a mesma grafia como, por exemplo, “pet shop” ou
“garrafa pet”.
Em relação à tipografia, há uma grande variação desta em uma mesma marca, quando
aplicada em diversos meios (impresso, eletrônico, etc.). A conseqüência é que com decorrer
do tempo se perde a referencia inicial dessa marca e a identificação pelo receptor que deve ser
rápida acaba prejudicada.
Outro fator crítico é a falta de hierarquia nas informações contidas nas marcas,
referentes ao nome do curso, à sigla PET e aos símbolos, o que influencia a percepção e
conseqüentemente a compreensão da totalidade da mensagem. “Qualquer que seja a
abordagem, a hierarquia emprega marcas claras de separação para sinalizar a mudança de um
nível a outro” (LUPTON, 2008, p.115). Esse é um dos mais importantes elementos da
linguagem visual e, portanto, merece ser bastante pensado (DONDIS, 2003).
Com relação à aplicação das marcas em diversos meios e às questões técnicas, notouse uma despreocupação estético-formal e técnica. Algumas situações encontradas foram:
utilização da marca em pequena escala comprometendo assim a visibilidade da informação;
distorção das imagens com relação à dimensão da marca; utilização de imagem em baixa
resolução, alterações da diagramação dos elementos, estilos visuais alterados, etc. Isso tudo
aponta para a necessidade de um manual de identidade visual, tornando a aplicação dessas
marcas sistemática, de forma que obedeçam às leis construtivas definidas pelo profissional
habilitado, responsável pelo projeto.
A análise aqui apresentada possibilita um conhecimento maior sobre os problemas
comunicacionais das atuais identidades visuais dos grupos. Através dela pode-se confirmar a
necessidade do desenvolvimento de uma nova identidade que contemple os aspectos
conceituais dos grupos PET- UFPEL de forma coesa e coerente.
Educando “os clientes”
Após o desenvolvimento das análises, julgou-se indispensável realizar uma nova
reunião com os grupos, o que foi feito de um a um. Durante a reunião foram mostrados para
cada grupo os pontos deficientes da sua marca. Após, foi apresentada a análise geral já
descrita neste texto.
Nas reuniões, novas discussões bastante profícuas ocorreram com os grupos,
acrescentando maiores informações ao projeto e fornecendo ainda maiores subsídios para uma
criação bem embasada. Pode-se dizer que este momento funcionou como um reforço ao
briefing e também como uma forma de educar “o cliente”, pois as apresentações foram
cuidadosamente desenvolvidas a partir de muito referencial teórico do design.
Além disso, alertou-se para o fato de que a existência de diferentes marcas para cada
grupo, não contribuía para o primeiro reconhecimento desejável do grupo: a identificação
visual. O projeto tomou força e o objetivo passou a ser de que a criação da Identidade Visual
não constitua somente uma mudança estética e superficial, mas sim um catalisador para um
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desenvolvimento e uma evolução dos grupos, divulgando a filosofia e importância do trabalho
dos bolsistas e também do próprio Programa de Educação Tutorial para a qualificação dos
cursos de graduação e do ensino de uma maneira ampla.
Os grupos mostraram-se bastante convencidos quanto ao trabalho que está sendo
desenvolvido e também bastante curiosos em relação ao resultado. Valendo-se disso, está
clara a necessidade da criação de uma marca capaz de gerir não só a identificação, mas
também representar e fortalecer as características organizacionais dos grupos.
O trabalho no momento encontra-se na fase de finalização da criação, a qual deverá
ser apresentada aos grupos para aprovação, antes do desenvolvimento do Manual de
Identidade Visual e da entrega final a cada um dos onze grupos PET da UFPel para que passe
a ser amplamente e corretamente utilizada.
Discussão e Resultados
Este artigo apresentou todas as etapas realizadas para o desenvolvimento de uma
Identidade Visual para os grupos PET da UFPel, considerando o aporte teórico necessário e
desejável para projetos desta natureza. Projetos assim são extremamente relevantes para a
consolidação da profissão.
São importantes, em primeiro lugar, porque incentivam aos alunos: que saem da
graduação com uma postura pró-ativa, engajada e solidificada teoricamente. Mais,
experiências como esta permitem o contato com a prática de projetos, tornando o aluno um
profissional apto a encarar o mercado de trabalho com maior preparo, experiência e
maturidade. Atribuições só compreendidas a partir da observação e emprego de uma base
metodológica já consagrada do design, ratificando que a profissão não é tão prática como
acreditavam (ou ainda acreditam) alguns profissionais formados há décadas atrás ou alguns
leigos que atuam como designers, em outras palavras, ratificando que a teoria é tão importante
quanto a experiência e é através da teoria e da pesquisa que o design conseguirá evoluir neste
país. Para isso é crucial oferecer cursos de graduação diferenciados, que proporcionem ao
aluno uma formação crítica. Sabe-se que isso não é o mais comum e que experiências com
projetos como o apresentado ainda são numericamente tímidas.
São importantes, em segundo lugar, porque ajudam a disseminar a importância da
profissão – ainda não amplamente reconhecida – através de discussões com outras áreas. No
Brasil, infelizmente, o design
[...] ainda não possui o mesmo poder de transformação que o Desenho alemão teve
na reconstrução de uma nação, que, por duas vezes, sucumbiu à destruição da
guerra, e muito menos que o desenho dos americanos e dos ingleses pós-guerra, que
modernizou e mudou a nossa cultura das idéias e do comportamento, por causa de
novos valores introduzidos através da cultura material, em outros continentes
(GOMES, 1998, p. 73).
São importantes, por fim, para incentivar e alavancar a pesquisa na área e,
conseqüentemente, talvez impulsionar a criação de um maior número de cursos de pósgraduação específicos em design no Brasil, que segundo o site da CAPES
(http://www.capes.gov.br/) conta com apenas três cursos de doutorado e doze de mestrado.
Em relação ao projeto especificamente, salienta-se a importância de uma Identidade
Visual para a divulgação e reconhecimento dos grupos do Programa de Educação Tutorial da
Universidade Federal de Pelotas. Uma identidade visual única agregará maior força e
expressividade aos grupos envolvidos. Um projeto com maior profissionalismo, regido pelos
preceitos já instituídos do design gráfico, que considere não só a estética da marca, mas
também a simbologia, a ergonomia e, principalmente, a funcionalidade, atinge um nível
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comunicacional otimizado frente ao público atingido. Vai-se além e arrisca-se ao afirmar que,
em um mundo tão múltiplo visualmente, o ideal seria que o Programa de Educação Tutorial
de todo o país tivesse uma única Identidade Visual, fortalecendo ano após ano sua filosofia e
sua atuação, criando uma unidade maior e mais forte.
Por enquanto, espera-se que o reconhecimento gradativo da marca PET-UFPel
possibilite uma maior identificação frente ao público e que ao longo do tempo ajude a agregar
valor ao Programa, sendo um passo importante rumo a uma mudança efetiva e significativa
nas atuações dos grupos, desejo manifestado pelos bolsistas e tutores que anseiam por
contribuir para um ensino de maior qualidade.
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Paulo: Cosas Naify, 2005.
STRUNCK, Gilberto Luiz Teixeira. Como criar identidades visuais para marcas de
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VILLAS-BOAS, André. O que é [e o que nunca foi] design gráfico. Rio de Janeiro: 2AB,
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LUPTON, Ellen. Novos Fundamentos do Design. São Paulo; Cosac Nayf, 2008
9º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design
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