XII CONGRESSO DE ECOLOGIA DO BRASIL CRIADOUROS POTENCIAIS PARA O MOSQUITO DA DENGUE NA ESCOLA ESTADUAL VITAL BRASIL NA CIDADE DA CAMPANHA (MG) Felipe Gabriel Goulart de OLIVEIRA¹, Luciano Martins RIBEIRO² & Juliana Miranda MUNIZ² ¹ Aluno do Curso de Meio Ambiente e Recursos Naturais da Escola Estadual Vital Brasil ² Professores Orientadores da Escola Estadual Vital Brasil ([email protected]) INTRODUÇÃO A dengue é uma doença causada por um vírus e transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. No Ocidente, o mosquito está estritamente associado com os seres humanos, sendo doméstico, antropofílico e procriando-se em geral em recipientes artificiais (Chiaravalloti Neto, 1997). Dentre as doenças tropicais, a dengue tornou-se um problema de saúde pública não somente no Brasil, mas também em diversos países do mundo, visto que cerca de 2,5 bilhões de pessoas vivem nas áreas onde os vírus da doença podem ser transmitidos (OMS, 2008). As características da dengue no Brasil tem despertado o interesse de pesquisadores e órgãos nacionais e internacionais de saúde pública, pois, em termos de números de casos, representa a segunda mais importante doença transmitida por vetor do mundo (DENGUE, 2007). Diversos fatores estão associados ao crescente número dos casos de dengue, destacando a proliferação do mosquito Aedes aegypti, o rápido crescimento demográfico associado à intensa e desordenada urbanização, a inadequada infraestrutura urbana, o aumento da produção de resíduos não-orgânicos, os modos de vida na cidade, a debilidade dos serviços e campanhas de saúde pública, bem como o despreparo dos agentes de saúde e da população para o controle da doença (Mendonça et al, 2009). Diante da preocupação com o aumento da quantidade de casos da doença, é necessário quantificar os possíveis criadouros do mosquito e elimina-los, contribuindo assim, para uma redução nos riscos de contaminação de dengue nos centros urbanos. OBJETIVOS Este estudo teve como objetivos principais: realizar o levantamento de possíveis criadouros para o mosquito da dengue dentro da Escola Estadual Vital Brasil em Campanha-MG e desenvolver um trabalho de conscientização sobre os riscos da Dengue. MATERIAIS E MÉTODOS O trabalho foi realizado de agosto/2014 a abril/2015, na Escola Estadual Vital Brasil, localizada no Bairro Santo Antônio, na cidade de Campanha, Minas Gerais, Brasil. Foram destacadas 4 áreas de amostragem, denominados: A (frente da escola), B (fundo da escola), C (lateral da escola) e D (interior da escola). As primeiras amostragens foram feitas no mês de agosto de 2014, nos três turnos de funcionamento da escola: 1 XII CONGRESSO DE ECOLOGIA DO BRASIL matutino, vespertino e noturno. Cada área foi amostrada 6 vezes, em dias e horários distintos, totalizando 24 amostras em 2014 e o mesmo número se repetiu em 2015. Após as coletas de 2014, durante o mês de setembro, foi realizada em toda a escola, uma campanha de conscientização sobre o risco de deixar lixo e outros materiais que possam acumular água. Ao final do projeto de conscientização, foram feitas 3 novas amostragens, nas mesmas áreas, para avaliar a eficácia da campanha de conscientização. Para a coleta de dados foi utilizado o método de visualização e contagem direta dos criadouros potenciais, em cada área de amostragem As quantidades de possíveis criadouros foram plotadas numa planilha, para posteriormente confeccionar as tabelas e gráficos com os dados. RESULTADOS E DISCUSSÃO Na primeira fase, realizada em agosto de 2014, foram quantificados os seguintes criadouros potenciais: 7 na área A, 10 na área B, 40 na área C e nenhum na área D. Se for considerado o horário das amostragens, no turno matutino foi identificado o maior número de criadouros, total de 30, seguido do turno vespertino com 16 criadouros e do noturno com 11 criadouros. A grande quantidade de criadouros potenciais encontrados na área C tem explicação devida esta área se encontrar ao lado das janelas das salas de aula, local onde os alunos jogam lixo e materiais escolares. Esse alto índice de objetos encontrados é um risco, visto que a reprodução do mosquito da dengue é dependente de água parada que se acumula em qualquer recipiente. O Programa de Controle da Dengue proposto pela Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) se baseia principalmente na eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, principalmente eliminando e evitando o acúmulo de água em recipientes peridomiciliar (Silva et al. 2008). Portanto, para se alcançar um efetivo controle da dengue são necessárias ações para a eliminação destes vetores, para a eliminação das larvas dos criadouros existentes (larvicidas) e para a redução de criadouros potenciais que servem para a oviposição das fêmeas do mosquito (BRASIL, 2002). Após a campanha de conscientização feita na escola, o número de criadouros reduziu drasticamente, sendo identificados apenas 1 criadouro na área A, 4 na área B, 8 na área C e nenhum na área D. Este resultado comprova que campanhas de conscientização são eficazes na ação contra a dengue. Segundo Rangel-S (2008), para combater a dengue são necessárias atividades de mobilização da população mediante utilização de grande mídia e múltiplas técnicas pedagógicas de repasse de informações e ações coletivas (mutirões, dia D, semanas de prevenção da dengue, folders, cartazes, etc). Na segunda fase de amostragem, realizada em abril de 2015, os resultados foram alarmantes, sendo contabilizado um número superior de criadouros potenciais: 11 na área A, 21 na área B, 31 na área C e 2 na área D. Isso demonstra que após a paralização das campanhas de conscientização, a comunidade escolar não prosseguiu com as atitudes de prevenção da dengue. Medidas simples podem ser utilizadas pela população, como a remoção de lixo nas proximidades das residências, para evitar depósitos de lixo a céus abertos, pois estes podem servir de ambientes ideais após as chuvas para a criação de focos da dengue. (Silva et al., 2008). Portanto, a abordagem do assunto pelos meios de comunicação e pelas escolas deve buscar justamente a mudança das práticas habituais facilitadoras da proliferação do A. aegypti. (Tauil, 2002). CONCLUSÃO O fato do Aedes aegypti se reproduzir em qualquer recipiente com água parada é um grande obstáculo para o seu controle. Portanto, o primeiro passo para combater a dengue é eliminar os recipientes que são os locais de 2 XII CONGRESSO DE ECOLOGIA DO BRASIL reprodução do mosquito. Esta ação só e possível, se houver a participação da própria comunidade. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL, Ministério da Saúde, Fundação Nacional de Saúde. 2002. Plano Nacional de controle da dengue. Ministério da Saúde: Brasília. CHIARAVALLOTI NETO, Francisco. 1997. Descrição da colonização de Aedes aegypti na região de São José do Rio Preto, São Paulo. Rev. Soc. Bras. Med. Trop. vol.30, n.4, pp. 279-285. DENGUE fever climbs the social ladder [editorial]. 2007. Nature, v.448, p.734-5. MENDONCA, Francisco de Assis; SOUZA, Adilson Veiga e and DUTRA, Denecir de Almeida. 2009. Saúde pública, urbanização e dengue no Brasil. Soc. nat. vol.21, n.3, pp. 257-269. OMS. Organização Mundial da Saúde. 2000. Dengue e dengue hemorrágica. Registro Epidemiológico Semanal. 75(24): 193-200. RANGEL-S, Maria Ligia. 2008. Dengue: educação, comunicação e mobilização na perspectiva do controle – propostas inovadoras. Interface, Botucatu, v.12, n.25. SILVA, Jesiel Souza; MARIANO, Zilda de Fátima; SCOPEL Iraci. 2008. A dengue no Brasil e as políticas de combate ao Aedes aegypti: da tentativa de erradicação às políticas de controle. Hygeia 3(6):163-175. TAUIL, Pedro Luiz. 2002. Critical aspects of dengue control in Brazil, Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 18(3):867-871. 3