09/08/2014 Mestrado em Ciência de Materiais Faculdade UnB - Planaltina Forças de van der Waals e Estabilidade Coloidal Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr Balanço de Interações em Colóides Convencionais Balanço de Forças Componente Repulsivo Repulsão entre as duplas camadas difusas Repulsão estérica Repulsão espacial por agentes surfactantes Interações de van der Waals Forças de dispersão de London Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® Repulsão eletrostática Componente Atrativo 1 09/08/2014 Balanço de Interações em Colóides Convencionais Colóides carregados (EDL colloids) Colóides funcionalizados com surfactantes (surfacted colloids) Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® Colóides funcionalizados com complexantes carregados Forças Intermoleculares Forças Repulsivas (Acima do eixo das abscissas) Forças Atrativas (Abaixo do eixo das abscissas) Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® 2 09/08/2014 Forças Intermoleculares Século XVII : Newton propõe a Lei da Gravitação Universal U (r ) = − GM 1M 2 r F (r ) = ou GM 1M 2 r2 G = Constante da gravitação, Mi (i = 1,2) massa dos corpos r = distância centro a centro entre os corpos Século XIX: Cientistas postulam uma lei de forças que poderia levar em conta todas as atrações intermoleculares O potencial de interação e a força atrativa têm a forma: U (r ) = − CM 1M 2 rn F (r ) = − ou nCM 1M 2 dU ( r ) =− dr r n +1 Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® • Por simplicidade, expressemos o termo de interação atrativa de par como : U (r ) = − C rn • Consideremos agora uma região do espaço onde a densidade dessas moléculas seja ρ (sólido, líquido ou gás) • A soma de todas as energias de interação de uma molécula com as demais em um volume esférico é dada pela expressão: Número de moléculas L L U total = ∫ U (r ) ρ 4π r dr = ∫ − 2 d U total • Como d ρ C 4π r 2 rn d: diâmetro molecular dr L: “tamanho” do sistema n −3 −4π C ρ d = 1 − ( n − 3) d n −3 L d contribuições de longo alcance à energia total somente ≤ 1 desaparecem quando n ≥ 3. L • Para n < 3, o segundo termo na equação torna-se grande e as interações de longo alcance são dominantes. Neste caso, o tamanho do sistema é importante (Exemplo: gravidade: planetas distantes atraem-se mutuamente) Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® 3 09/08/2014 • Para n ≥ 3 os potenciais intermoleculares tornam-se preponderantes e a equação anterior torna-se: U total = −4π C ρ ( n − 3) d n −3 Esta é a razão de as propriedades de materiais em escala submicrométrica sofrerem alterações: As forças intermoleculares começam a assumir o controle ! Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® Forças de van der Waals 1873: Visando-se a explicar os desvios do comportamento ideal de um gás, van der Waals propôs uma equação que corrige a equação de estado dos gases ideais: p= RT (V − b ) − a V 2 • Moléculas têm um volume finito (contabilizado pelo parâmetro “b”) • Forças intermoleculares atrativas (contabilizadas pelo parâmetro “a”) Essa relação prevê o comportamento de um gás real em uma ampla faixa de pressões As forças intermoleculares atrativas entre moléculas gasosas ficaram então conhecidas historicamente como “forças de van der Waals” Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® 4 09/08/2014 Forças de van der Waals • As forças de van der Waals constituem-se de três componentes Componente de Interação Keesom Origem das Interações Dipolo-dipolo Debye Dipolo – dipolo induzido Dipolo induzido – dipolo induzido London (Dispersão) Equação U (r ) = − u12u22 1 2 3(4πε oε r ) k BT r 6 U (r ) = − U (r ) = − u 2α o 1 (4πε oε r ) r 6 2 3 α o1α o 2 I1 I 2 1 2 (4πε o ) 2 ( I1 + I 2 ) r 6 • O componente de London é o dominante. • n = 6 indica que as forças de van der Waals são de curto alcance. Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® Forças de van der Waals (Componente de Keesom) u12u22 1 U (r ) = − 2 3(4πε oε r ) k BT r 6 ui (i = 1, 2): momento de dipolo, εo : permissividade elétrica no vácuo εr : permissividade relativa, kB: constante de Boltzmann, r: distância entre os dipolos, T: temperatura absoluta. •Interações dipolo-dipolo são geralmente fracas, porém tornamse significativas a curtas distâncias entre os dipolos. •As ligações de hidrogênio são interações dipolo-dipolo especialemente intensas. Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® 5 09/08/2014 Forças de van der Waals (Componente de Debye) U (r ) = − u 2α o 1 (4πε oε r ) r 6 αO: polarizabilidade, 2 • Interação de uma molécula apolar com uma polar. • Polarizabilidade: resposta relativa à distorção da nuvem eletrônica de uma molécula quando submetida a um campo elétrico externo. uinduzido = α 0 E • Interações de Debye são independentes da temperatura Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® Forças de van der Waals (Componente de London) U (r ) = − 3 α o1α o 2 I1 I 2 1 2 (4πε o ) 2 ( I1 + I 2 ) r 6 Ii (i = 1,2): potencial de ionização • Componente de intaração de van der Waals mais importante • As interações de Keesom e de Debye requerem a presença de ao menos uma molécula polar. As forças de London não. Portanto, eles se manifestam entre quaisquer tipo de moléculas. Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® 6 09/08/2014 Forças de van der Waals Entre Superfícies e Partículas • Para um par de partículas macroscópicas, Hamaker propôs que o potencial atrativo de van der Waals Uvdw pode ser aproximado de uma soma (ou integração) sobre todos os pares de átomos e moléculas interagentes: U vdw = (r ) ≈ − ∑ todos os pares βi r 6 ≈ − ∫∫ V1V2 β1β 2 ρ1 ρ 2 r6 dV1dV2 βi: constante positiva relacionada à natureza dos átomos/moléculas que constituem a partícula. ρi: densidade volumétrica de átomos/moléculas que constituem a partícula. • No vácuo, as soluções da integral anterior têm a forma geral U vdw = − Af (G ) A = π 2 Cρ1ρ 2 (Constante de Hamaker) Função da partículas geometria das Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® 7 09/08/2014 Constante de Hamaker A ∝ Cρ 2 ∝ α 2ρ 2 ∝ V 2 V2 ∝ constante Em geral o intervalo de variação dos valores da constante de Hamaker é pequeno (0,4-4 x 10-19 J) Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® Constante de Hamaker Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® 8 09/08/2014 Constante de Hamaker D U ( D) = − A123 12π D 2 U ( D) = − aA121 12 D Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® Constante de Hamaker • De acordo com o Teorema de Lifshitz das forças de van der Waals, a constante de Hamaker para duas fases macroscópicas 1 e 2 imersas em uma fase 3 pode ser calculada aproximadamente como: ( n12 − n32 )( n22 − n32 ) ε − ε ε − ε 3hυe 3 A ≈ k BT 1 3 2 3 + 1/2 1/2 1/2 1/ 2 4 ε1 + ε 3 ε 2 + ε 3 8 2 ( n12 + n32 ) ( n22 + n32 ) ( n12 + n32 ) + ( n22 + n32 ) • No caso simétrico, ou seja, para duas fases idênticas 1 interagindo em um meio 2: 2 2 ε −ε 3hυe ( n1 − n2 ) 3 k BT 1 2 + 3/2 4 ε1 + ε 2 16 2 ( n12 + n22 ) 2 A≈ 2 Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® 9 09/08/2014 Constante de Hamaker Independentemente dos valores relativos de n1 e n2 (e ε1 e ε2) o valor da constante de Hamaker será sempre positivo, implicando interação atrativa. (1) (3) (2) Se n1> n3 > n2 (ε1 > ε3 > ε2) ⇒ A < 0 (Repulsão) Se n3> n1 > n2 (ε3 > ε1 > ε2) ⇒ A > 0 (Atração) A constante de Hamaker somente apresentará valores negativos (repulsão) quando o meio de interação tiver índice de refração intermediário ao das fases. Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® Se n1> n2 > n3 (ε1 > ε2 > ε3) ⇒ A > 0 (Atração) D Efeitos de Retardamento Potencial decai com 1/r7 Potencial decai com 1/r6 Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® 10 09/08/2014 Teoria DLVO e Estabilidade em Colóides Carregados U DLVO = U eletrostático + U van der Waals Floculação (efeito de agregação leve e reversível) Coagulação (efeito de agregação irrreversível) Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® Teoria DLVO e Estabilidade em Colóides Carregados Coagulação rápida - Rf (UDLVO=0) Coagulação lenta - Rs (estabilidade cinética Umax >> kBT) Coagulação por difusão W= Razão de Estabilidade Rf Rs ⇒W ≈ Coagulação por atração de van der Waals 1 2κ a e U max k BT Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® 11 09/08/2014 Teoria DLVO e Estabilidade em Colóides Carregados Teoria DLVO e Estabilidade em Colóides Carregados U DLVO = 0 e U dU DLVO =0 dD Concentração crítica de coagulação (c.c.c.) c.c.c. ∝ e O aumento da concentração de eletrólito reduz a carga efetiva e, portanto, a altura da barreira de energia 1 z6 (Lei de Schultz-Hardy) Poder de coagulação Al3+ > Ba2+ > Na+ PO43- > SO42- > ClProf. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® 12 09/08/2014 Forças Não Não--DLVO Interaction Force/Radius (mN/m) 6 van der Waals Electrostatic Steric Depletion Hydrophobic Solvation 5 4 3 2 1 0 -1 -2 0 10 20 30 40 Separation Distance (nm) 50 Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® Exercícios Propostos • Capítulo 7: 1 ao 5. Muita atenção às unidades em todos os exercícios!!! Prof. Alex Fabiano C. Campos, Dr ® 13