H – 011
1. Em fins do século XIX, as principais potências capitalistas consolidaram seus domínios sobre vastas
regiões do globo, dividindo entre si boa parte dos continentes africano e asiático e das ilhas do Pacífico.
O desenvolvimento de uma economia internacional, baseada na concorrência do grande capital por
novos mercados, investimentos e fontes de matéria prima, não dispensou dominações políticas e ações
militares sempre que necessário. Em meio a governos direta ou indiretamente controlados pelas
grandes potências, estiveram elites nativas ocidentalizadas, fortemente comprometidas com a
manutenção desses "impérios informais". Rapidamente, a cultura, os valores e as instituições do
Ocidente invadiram o cotidiano das populações coloniais de diferentes regiões do globo, quer elas
quisessem ou não.
Considerando o texto acima:
a) IDENTIFIQUE três das potências capitalistas mencionadas e suas respectivas áreas de influência no
período tratado (sejam estas últimas caracterizadas pela dominação política ou econômica apenas).
b) EXPLIQUE a relação entre a busca de segurança para o comércio e investimentos das grandes
potências e a difusão de valores ocidentais entre as populações coloniais.
RESOLUÇÃO
a)
Será tida como correta a resposta que apresente três dos seguintes exemplos de "grande potência
capitalista" da época:
Na Europa: Inglaterra e França (principais potências); Alemanha (nova potência emergente); o Império
Russo e os reinos da Itália, Holanda, Portugal e Espanha (poderão ser considerados, se apropriadamente
relacionados às respectivas regiões coloniais e/ou dependentes).
Fora da Europa: os Estados Unidos e o Japão (as outras duas novas potências emergentes em fins do
século XIX).
Dentre as principais áreas de influência (colônias ou não) de cada potência, podem ser citadas, na Ásia,
África e Oriente Médio, as seguintes:
2012_Discursiva_Obrigatória_Hist - 011
Da Inglaterra:
Na ÁSIA - Índia, Ceilão, Burma, Norte de Bornéu, portos de Hong Kong e Shangai na costa da China,
Malásia e Singapura e Ilhas Adaman
No ORIENTE MÉDIO - Canal de Suez e Sul da Pérsia.
Na AFRICA - Egito, Sudão, Uganda, Somália Britânica, Rodésia, Nigéria, Serra Leoa, Costa do Ouro.
Da França:
Na ÁSIA - Indochina, portos indianos de Karikal, Pondicherry e Yanaon, região de Kwangsi e porto de
Kwangchow, ao sul da China.
No ORIENTE MÉDIO - Canal de Suez.
Na ÁFRICA - Marrocos, Argélia, Tunísia, África Ocidental Francesa (Senegal, Mauritânia, Guiné Francesa,
Costa do Marfim, Daomé, Niger e Tchad), Somália Francesa, África Equatorial Francesa e Madagascar.
Da Alemanha:
Na ÁSIA - Ilhas do Pacífico (Ilhas Mariana, Carolina e Kaiser Guilherme) e porto de Kiao-chow, na costa
chinesa
No ORIENTE MÉDIO - regiões do Império Otomano, particularmente no Golfo Persa.
Na ÁFRICA - Camarões, África do Leste Alemã, África do Sudoeste Alemã e Togo.
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Da Rússia:
Na ÁSIA - Sibéria, região norte da Mongólia, Mandchúria e Ilhas Sakalinas.
Da Itália:
Na ÁFRICA - Tripolitânia, Eritréia, Somália Italiana.
De Portugal:
Na ÁFRICA - Guiné Portuguesa, Ilha de São Tomé, Cabinda, Angola e Moçambique.
Da Espanha:
Na ÁFRICA - Guiné Espanhola, Marrocos Espanhol.
Dos Estados Unidos:
Na ÁSIA - Guam, Filipinas, Ilhas Aleutas, Alasca.
Do Japão:
Na ÁSIA - Mandchúria, Coréia, Ilhas Curilas, Porto Artur, no litoral da China.
b)
O aluno deverá relacionar a expansão econômica das grandes potências ocidentais nessas áreas (em
busca de fontes de matéria prima e mercados para investirem seus capitais) à penetração cultural que a
acompanha - isto é, à difusão dos valores e modos de ser do Ocidente. Poderá mencionar a esse respeito a
promoção de uma visão eurocêntrica do mundo que considerava os habitantes das colônias ou das áreas
de influência como seres 'inferiores'. Rotulados de 'pouco desenvolvidos' ou 'em estado de barbárie', estes
povos que deveriam mirar-se nas grandes potências para poderem trilhar, algum dia, o feliz caminho do
"Progresso" e da "Civilização". Muitas dessas idéias sobre o desenvolvimento das sociedades costumavam
basear-se em algumas teorias de superioridade racial então em voga e na sempre presente intolerância
religiosa, de modo a justificar a violência da dominação em curso. Os governantes das potências ocidentais
viam um "sentido de missão" nessas práticas de dominação. Tratava-se, enfim, do "fardo do homem
branco", (como apresentado no romance de Rudyard Kipling) capaz de conferir ao homem do Ocidente a
tarefa de "civilizar", "cristianizar" e, até mesmo, "branquear" (pela via da imigração) as populações dessas
muitas colônias.
2.
"Durante os séculos XVI, XVII e XVIII, o Brasil foi uma colônia de Portugal. No século XIX não era
mais; tornara-se um país independente politicamente. Durante trezentos anos, as vidas dos habitantes da
Colônia estiveram submetidas aos interesses da Metrópole. Nas primeiras décadas do século passado,
deixaram de estar, e muitos daqueles habitantes tornaram-se cidadãos de um novo país - o Império
do Brasil".
(Ilmar Rohloff de Mattos e Luiz Affonso Seigneur de Albuquerque - Independência ou morte.
A emancipação política do Brasil, p.3) RJ - Ed. Atual - 1994
a) EXPLIQUE dois mecanismos utilizados pelos colonizadores portugueses para submeter as vidas dos
habitantes da Colônia aos seus interesses, durante os séculos XVI, XVII e XVIII.
b) Levando em consideração tanto as rupturas ou descontinuidades quanto as permanências ou
continuidades entre o Brasil Colônia e o Império do Brasil, EXPLIQUE duas razões por que NEM
TODOS os habitantes se tornaram cidadãos do novo país independente, no início do século XIX.
RESOLUÇÃO
a) As relações entre a Metrópole portuguesa e sua colônia americana foram caracterizadas pelas práticas
monopolistas. Elas garantiam a submissão das vidas dos habitantes da colônia aos interesses da
Metrópole. Nesse sentido, aparecem como mecanismos de submissão, dentre inúmeros outros: a) a
imposição do monopólio comercial (a Colônia só pode comerciar com a metrópole ou através dela), que
garantia a transferência de renda da Colônia para a Metrópole; b) a monopolização dos cargos
administrativos pelos colonizadores; e c) a imposição de "uma fé, uma Lei, um Rei" aos habitantes da
Colônia, expressada na imposição da religião católica, da língua portuguesa e das leis do Estado
absoluto português, da qual decorria tanto a formação de cristãos e súditos quanto proibições, como a
da existência da imprensa.
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b) A emancipação política do Brasil no início do século XIX, não provocou mudanças significativas em sua
estrutura sócio-econômica de base colonial, na qual a presença marcante da escravidão permitia
distinguir com nitidez três grandes contingentes entre os habitantes do novo Império: os que eram
escravos; os que eram livres (e não possuíam escravos); e os que eram livres e proprietários de
escravos. Deste modo, parcela considerável dos habitantes do Império do Brasil (cerca de metade dos
3.000.000 indivíduos) era constituída por aqueles por não serem livres não eram considerados
cidadãos. Os pressupostos hierárquicos e excludentes que caracterizavam a sociedade gerada pela
colonização se expressariam na nova organização política (de acordo com a Constituição de 1824), ao
atribuir apenas aos que eram livres e proprietários (os cidadãos ativos) a responsabilidade pelos
assuntos políticos, vedados aos que apenas eram livres (os cidadãos não ativos)
3. A extinção do tráfico de escravos africanos no Brasil ocorreu em 1850. Com relação a esse
marco histórico,
a) explique o papel da Inglaterra nessa decisão.
b) relacione-o com a chegada de imigrantes.
RESOLUÇÃO
a) A proibição do tráfico de escravos africanos para o Brasil, consubstanciada em 1850 pela Lei Eusébio
de Queirós, resultou em grande parte da pressão inglesa, intensificada após a aprovação do “Bill”
Aberdeen pelo Parlamento Britânico em 1845.
b) O fim do tráfico negreiro para o Brasil teve, como uma de suas consequências, o crescimento da
imigração européia para o Brasil. Esse movimento objetivava tanto suprir de mão de obra a cafeicultura
do Oeste Paulista como atender a uma política de “branqueamento” da população brasileira.
4. No feudalismo, a organização da sociedade baseava-se em vínculos de dependência pessoal como os
de vassalagem e servidão. Descreva o que eram e como funcionavam, na sociedade feudal,
a) a vassalagem;
b) a servidão.
RESOLUÇÃO
a) Vassalagem era a subordinação de um nobre a um suserano que poderia ser o rei ou outro nobre de
grau mais elevado. O suserano concedia uma porção de terras ao vassalo. A relação entre suserano e
vassalo tinha caráter recíproco, pois a fidelidade do vassalo ao suserano implicava a proteção deste
último em relação ao primeiro.
b) Servidão era a relação de dependência existente, no feudalismo, entre o camponês preso à terra e o
senhor feudal. O primeiro devia ao segundo obrigações, pagas em serviços ou produtos. Em
contrapartida, o senhor devia proteção ao servo e à família dele.
5. Este livro não pretende ser um libelo nem uma confissão, e menos ainda uma aventura, pois a morte
não é uma aventura para aqueles que se deparam face a face com ela. Apenas procura mostrar o que
foi uma geração de homens que, mesmo tendo escapado às granadas, foram destruídos pela guerra.
Erich Maria Remarque, Nada de novo no front. São Paulo: Abril, 1974 [1929], p.9.
Publicado originalmente em 1929, logo transformado em best seller mundial, o livro de Remarque é, em
boa parte, autobiográfico, já que seu autor foi combatente do exército alemão na Primeira Guerra
Mundial, ocorrida entre 1914 e 1918. Discuta a ideia transmitida por “uma geração de homens que,
mesmo tendo escapado às granadas, foram destruídos pela guerra”, considerando:
a) As formas tradicionais de realização de guerras internacionais, vigentes até 1914 e, a partir daí, modificadas.
b) A relação da guerra com a economia mundial, entre as últimas décadas do século XIX e as primeiras do
século XX.
RESOLUÇÃO
a) Antes da Primeira Guerra Mundial, a guerra moderna baseava-se sobretudo na movimentação das
tropas com o objetivo de destruir o inimigo em algumas batalhas decisivas. Essa estratégia foi tentada
nos primeiros meses do conflito de 1914-18, mas falhou diante do equilíbrio das forças em confronto e
da nova tecnologia militar. A partir de então, a linha de frente estabilizou-se, dando origem à “guerra de
trincheiras”, que se estenderia até 1918.
b) Antes de 1914, a guerra era vista pelas grandes potências como um instrumento de fortalecimento de
sua própria economia. Todavia, as enormes despesas exigidas pela Primeira Guerra Mundial provocou
efeitos catastróficos na economia de todas as potências envolvidas – exceto nos Estados Unidos, cujas
perdas humanas e materiais foram muito menores que as sofridas pelos demais país.
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1 H – 011 1. Em fins do século XIX, as principais potências