Web - Revista SOCI ODIALET O • www. sociodialeto.com.br Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande IS SN : 2 17 8 -1 4 86 • V ol u m e 1 • Nú m er o 6 • f e v er ei ro 20 12 Homenagem ao Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho ESTUDO COMPARATIVO DA MARCAÇÃO DE PLURAL NO PVB E NO CRIOULO DA GUINÉ BISSAU Nágila Kelli Prado SANA (UEMS) [email protected] Elza Sabino da Silva BUENO (UEMS) [email protected] RESUMO: O presente estudo visa retratar a diversidade linguístico-cultural afro-descendente, no sentido de contribuir com os estudos relacionados à língua e à interculturalidade, em que temos como estímulo para essa pesquisa a “Lei nº 10.639/2003 que acrescentou à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) dois artigos: 26-A e 79-B em que afirmam que o ensino deve privilegiar o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o papel dessa na formação da sociedade nacional. Partindo destes pressupostos, estudamos a morfossintaxe do Crioulo Guineense comparando-o à norma padrão e à forma variante da língua nas comunidades quilombolas rurais, fazendo uma análise do aspecto sociolinguístico do país e dos povos que compõe os grupos pesquisados. Analisamos a concordância nominal de número no português falado por afro-descendentes do Brasil (Comunidade Picadinha) e da Guiné Bissau, com objetivo de identificar e analisar o processo da crioulização sobre o aspecto morfossintático do português vernáculo, comparando essa estrutura à do crioulo da Guiné Bissau, inclusive para verificar supostos vestígios do crioulo guineense no português do Brasil. PALAVRAS-CHAVE: Metaplasmos; Variação linguística; Comparação; Introdução Nossa pesquisa trata-se de um estudo comparativo que analisa as variáveis da concordância nominal de número no português falado na zona urbana de Dourados, na comunidade Picadinha, município de Dourados-MS e na Guiné Bissau, visando verificar variáveis que se assemelhem e ou distancie o Crioulo da Guiné Bissau do Português Vernacular Falado no Brasil (PVB). Partimos dos estudos do encontro do português com as línguas de povos e cultura africana e os resultados desse contato que podem ou não constituir um processo de crioulização ou influência. Verificamos os possíveis vestígios de 1 Web - Revista SOCI ODIALET O • www. sociodialeto.com.br Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande IS SN : 2 17 8 -1 4 86 • V ol u m e 1 • Nú m er o 6 • f e v er ei ro 20 12 Homenagem ao Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho ambas as línguas na concordância de número e de gênero no PVB. Para tanto é necessário que conheçamos o contexto histórico das regiões em análise. 1.1 Guiné Bissau A Guiné Bissau é um país localizado na África Ocidental que durante três séculos constituiu colônia da Guiné Portuguesa e, só em 1974, foi reconhecida sua independência. Inúmeros conflitos e guerras civis fizeram parte da sua história durante todos esses anos, gerando constantes instabilidades política, econômica e educacional. Segundo INEC (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos, 2002) o país possui uma extensão territorial de aproximadamente 36.125Km² e, embora seja pequeno em dimensões territoriais, é rico em diversidade linguística e cultural. Sua população, de cerca da 1.181.641 habitantes (INEC, 2002), divide-se em “20 etnias e 22 línguas”, Grimes (1988). O idioma oficial do país é o Português, mas há inúmeras línguas e dialetos nacionais falados por diferentes etnias, uma vez que cada etnia possui a sua própria língua. Essa diversidade linguística se deve às invasões realizadas pelo Império de Mali e por outros povos, além das migrações internas, por razões econômicas. As variações linguísticas demasiadas levaram Simões Landerset (1935) a atribuir o título de Babel Negra a este país. As etnias mais numerosas, em termos populacionais, são constituídas pelos povos Balantas, que habitam as regiões litorâneas e cultivam arroz; pelos Fulas criadores de gado; pelos Mandingas comerciantes; os Manjacos caracterizados pelo poder adquirido pelos seus imigrantes. Os Pepéis concentrados ao redor da capital Bissau e os Bijagós que são os habitantes das ilhas e compõem os povoamentos de animistas, praticando ritos e cerimônias, em 2 Web - Revista SOCI ODIALET O • www. sociodialeto.com.br Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande IS SN : 2 17 8 -1 4 86 • V ol u m e 1 • Nú m er o 6 • f e v er ei ro 20 12 Homenagem ao Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho sua maioria, secretos e que variam de uma ilha para outra. A nossa pesquisa concentra-se justamente nesta última etnia, tendo em vista a sua diversidade linguística e cultural e também a oportunidade que tivemos de conviver com este povo, pelo período de um ano, ocasião em que mantivemos contato com sua língua e cultura. Sua extensão territorial é pequena em termos geográficos, mas é grande a diversidade lingüística, nesse país que diversas vezes fora invadido, e que serviu como refúgio para conflitos internos na Àfrica, pois de acordo Intumbo (2007 p. 4) a Guiné Bissau tem cerca de 22 línguas que podem muitas vezes tratar-se de apenas variedades linguísticas, porém há muitas discussões sobre o assunto mas, diante dessa divergência, as línguas são distinguidas, na literatura, como grupo Oeste Atlântico e o grupo Mande, ambos da família Níger – Congo. 1.2 As comunidades quilombolas e a Picadinha em Dourados, Mato Grosso do Sul Atualmente existem registros de quinze comunidades quilombolas no Estado de Mato Grosso do Sul, que embora façam parte do contexto social sulmato-grossense, durante muito tempo, a sociedade brasileira ocultou e ignorou a cultura africana, bem como as suas contribuições para nossa formação social, assim de acordo com Lima (2004, p. 85) “a raiz desse ocultamento estava no preconceito e na ignorância sobre a vida social e a história desses grupos humanos e, sobretudo, na necessidade de domínio sobre eles, com o objetivo de colonizá-los e/ou até mesmo escravizá-los”. Os quilombos no Brasil são grupos sociais que se caracterizam por serem constituídos, em sua maioria, de população negra e ocuparem uma grande área na zona rural. Vale lembrar que a maior parte dessas terras não possui titulação, 3 Web - Revista SOCI ODIALET O • www. sociodialeto.com.br Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande IS SN : 2 17 8 -1 4 86 • V ol u m e 1 • Nú m er o 6 • f e v er ei ro 20 12 Homenagem ao Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho apenas setenta e uma delas têm seus direitos territoriais reconhecidos pelo governo. A comunidade na qual temos realizado parte de nossa pesquisa não possui o título da terra expedido pelo INCRA, mas é reconhecida como comunidade quilombola pela Fundação cultural Palmares. O distrito de Picadinha, localizado no município de Dourados a 18 km do perímetro urbano, residem 45 pessoas, formando a comunidade quilombola descendentes de Dezidério Felipe de Oliveira que, segundo Nishijima (2007), nasceu em 1867, em Uberaba, Minas Gerais e chegou no território Sul-matogrossense por meio de uma comitiva de gado, que vinha na região de Vista Alegre no distrito de Maracajú, onde se casou e teve doze filhos. Veio para o município de Dourados, em 1907. 1.3 A comunidade Douradense Dourados é uma cidade localizada no centro oeste brasileiro no estado de Mato Grosso do Sul, possui uma população de aproximadamente 200.000 mil habitantes. Antes da colonização essas terras eram habitadas pelas tribos Terena e Kaiwa cujos descendentes podem ser encontrados ainda nos dias de hoje, residindo em aldeias próximas ao perímetro urbano de Dourados. Em 1870 com o término da Guerra do Paraguai, deu-se início a um povoamento mais efetivo na região pela fixação dos ex combatentes, pelos gaúchos, que fugiam da revolução federalista; pelas famílias mineiras devido ao desenvolvimento pastoril; pelos paulistas na construção da estrada de ferro e, principalmente, pela criação da companhia Mate Laranjeira que atraiu muitos brasileiros para Dourados e região. 4 Web - Revista SOCI ODIALET O • www. sociodialeto.com.br Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande IS SN : 2 17 8 -1 4 86 • V ol u m e 1 • Nú m er o 6 • f e v er ei ro 20 12 Homenagem ao Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho Tendo em vista a diversidade dos povos existentes na região, podemos encontrar a pluralidade étnico-linguístico e cultural que dá suporte a esta pesquisa, com base nos pressupostos teórico-metodológicos dos estudos sociolingüísticos que contribuiram para a execução do presente estudo sobre a variação da concordância de número e gênero no PVB. 1.4 As línguas em contato O crioulo guineense, objeto de nosso estudo, é uma língua de base lexical portuguesa falada por cerca de 40% da população na Guiné Bissau (ROUGÉ, 1986, p. 28- 29) na região sul do Senegal. Na Guiné é reconhecida como língua nacional, compreendida e usada no dia-dia pela população e por parte de alguns guineenses. Na Guiné há propostas de inserção de projetos de ensino bilingue, embora o português seja a língua oficial do país constituindo o superstrato do crioulo e dando origem a maioria do léxico, questões identitárias e pós-coloniais tornam o crioulo um fruto de mescla cultural e de não aceitação da língua do dominante como produto de afirmação cultural, sendo assim, de acordo com Bonnici (2005, p. 33) e a teoria do pós colonialismo “a língua num país colonizado transcende a função comunicativa do discurso e adquire um significado profundamente cultural”. Existem controvérsias nas explicações do surgimento do CG, mas algo que podemos afirmar é que, de acordo com Intumbo (2007), o superestrato é o português indo- europeu e substrato de maior relevância é o balanta. O balanta pertence ao grupo oeste atlântico centro e constitui o que é designado por alguns teóricos como conjunto banto que hoje é classificado pelos linguístas pelo termo Níger- Congolês, integrando 1495 línguas. 5 Web - Revista SOCI ODIALET O • www. sociodialeto.com.br Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande IS SN : 2 17 8 -1 4 86 • V ol u m e 1 • Nú m er o 6 • f e v er ei ro 20 12 Homenagem ao Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho Partindo desse contexto de língua em contato e de questões identitárias, o Brasil foi considerado o maior importador de escravos do mundo ao receber 38% de todos os africanos trazidos para o Novo Mundo (HOLM, 1991, p.299) e em sua maioria de acordo com Tardoni (2008), os escravos trazidos, eram falantes das línguas Níger-congolês que constituí o maior grupo plurilinguístico. Assim, durante o período da escravatura, as línguas afros e o português estiveram em contato, isso também ocorreu no domínio do povo Português em Guiné Bissau com o surgimento do crioulo guineense que, segundo Intumbo (2004, p.5), culmina “no surgimento de uma língua híbrida, com características formais de ambas as línguas em contato, sendo geralmente a língua do dominador a fonte da maioria do léxico e as línguas de substrato, fonte de algumas estruturas e interferências fonético–fonológicas”, neste estudo não aprofundaremos nessa comparação, mas faremos algumas constatações comparando a língua brasileira ao crioulo da Guiné Bissau, uma vez que de acordo com Coelho (1967, p. 431) “diversas particularidades dos dialetos crioulos se repetem no português falado no Brasil; tal é a tendência para a supressão das formas de plural”. O autor considera esta semelhança um fator que aproxima o português vernáculo aos crioulos de base portuguesa. Neste contexto, vale ressaltar que a língua é parte fundamental da identidade cultural de um povo e, para esse estudo, contamos com o estímulo da legislação que é o diferencial em realizar essa pesquisa, em que nossa pretensão é estimular e despertar os educadores ao atendimento à lei: Lei nº. 10.639/2003 que acrescentou à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) dois artigos: 26-A e 79-B. O primeiro estabelece o ensino sobre cultura e história afro-brasileiras e específica que o ensino deve privilegiar o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional. O mesmo artigo ainda determina que tais conteúdos devem ser ministrados dentro do currículo escolar. (MEC, 2003). 6 Web - Revista SOCI ODIALET O • www. sociodialeto.com.br Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande IS SN : 2 17 8 -1 4 86 • V ol u m e 1 • Nú m er o 6 • f e v er ei ro 20 12 Homenagem ao Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho A pesquisa trata-se de um estudo qualitativo que visa a aproximação da língua crioulo guineense com o português vernacular brasileiro, para isso utilizamos entrevistas colhidas no país da Guiné Bissau que constituem, juntamente com as de indivíduos da comunidade quilombola picadinha e da comunidade douradense, o corpus da nossa pesquisa sobre a influência ou crioulização no português vernacular falado no Brasil, sob o aspecto da concordância de número. Metodologia da pesquisa Com embasamento teórico-metodológico de Tarallo (2001) e Labov (1983), esse estudo foi realizado pelo método prático de pesquisa de campo, com gravações de entrevistas in loco, com um roteiro de perguntas acerca de estudo/ escolaridade, namoro e casamento e acontecimentos marcantes na vida dos informantes. Para atingir nosso objetivo foram coletadas informações de doze informantes com idades que variam de vinte e cinco a setenta anos, seis homens e seis mulheres de cada comunidade pesquisada: Picadinha, Dourados e Guiné Bissau, constituído um total de trinta e seis entrevistas transcritas, digitadas e armazenadas para futuras pesquisas. Os homens e mulheres foram entrevistados para verificar quem faz maior uso das variações de concordância de número no sintagma nominal, uma vez que Paiva (1994) afirma que os homens e as mulheres se expressam de forma diferente, por isso contraporemos a variável gênero também de acordo com Mollica (1994) que ressalta que o fator sexo possui grande significância nos processos de variação e mudança linguística e pode atuar afirmando que as mulheres favorecem a ocorrência de concordância de número no sintagma nominal, apresentando todas as marcas de plural ou como inovadoras, 7 Web - Revista SOCI ODIALET O • www. sociodialeto.com.br Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande IS SN : 2 17 8 -1 4 86 • V ol u m e 1 • Nú m er o 6 • f e v er ei ro 20 12 Homenagem ao Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho apresentando apenas uma marca de plural ou o numeral como primeiro elemento. A diferença de resultados não torna possível a constituição de um padrão geral no que diz respeito ao comportamento linguístico da variável gênero do falante, por isso deixaremos os nossos dados afirmarem por si só as nossas hipóteses iniciais. Além da variável gênero, trabalhamos também as variáveis idade e escolaridade do falante e, ainda nas entrevistas da Guiné Bissau, encontramos as variantes étnicas do crioulo falado pelos informantes. Resultados da concordância de número no sintagma nominal Em todas as comunidades dos entrevistados de nossa pesquisa, para a análise da variável (concordância nominal de número), detectamos três tipos de casos, que são as variáveis linguísticas testadas nesta pesquisa. 1-Sintagma nominal com todas as marcas de plural; os meninos, as coisas. 2-Sintagma nominal com apenas uma marca de plural; Os homi trabalhava, os fio pequeno; as irmã. 3-Sintagma nominal contendo o 1° elemento como numeral; seis hora, seis anu, três anu, três mês, sete irmãos, sessenta e três anos. Na norma padrão do português falado no Brasil, os fenômenos de concordância de número são considerados obrigatórios e redundantes, sendo assim as marcas se repetem contendo a mesma informação em todos os elementos constituintes do Sintagma Nominal, como muito bem ressalta Scherre (1998). Na concordância dentro do SN, colocam-se marcas explícitas de plural em todos os seus elementos flexionáveis quando o núcleo do sintagma for formalmente plural; na concordância do predicativo com o sujeito, repetemse marcas formais de plural em todos os elementos flexionáveis dos 8 Web - Revista SOCI ODIALET O • www. sociodialeto.com.br Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande IS SN : 2 17 8 -1 4 86 • V ol u m e 1 • Nú m er o 6 • f e v er ei ro 20 12 Homenagem ao Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho predicativos quando o sujeito for formalmente plural; e na concordância verbal, colocam-se marcas explícitas de plural no verbo,quando o sujeito for formalmente plural ou quando for composto. (p.182) A variação na concordância de número é marcada pela identidade social do falante e o contexto social, assim, as marcas de pluralidade no complemento nominal estão ligadas a variáveis sociais como étnicos, localidade, gênero, idade, escolaridade. Sendo assim, a tradição da gramática não é aplicada ao uso da língua no contexto social. Para exemplificar os dados das entrevistas elaboramos os gráficos abaixo, em que o primeiro remete às diferentes formas de marcação do plural e às diferentes localidades que ela ocorre, além da porcentagem das ocorrências em cada comunidade: 9 Web - Revista SOCI ODIALET O • www. sociodialeto.com.br Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande IS SN : 2 17 8 -1 4 86 • V ol u m e 1 • Nú m er o 6 • f e v er ei ro 20 12 Homenagem ao Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho Na comunidade urbana de Dourados, encontramos um total de 310 ocorrências de SN produzidas pelos 12 informantes da zona urbana do município de Dourados. No fenômeno Todas as marcas de plural ocorrem 88 casos, sendo que em percentuais são representados como 28,4% é a variedade menos frequente nessa comunidade, em contrapartida a variável com Uma marca plural no SN, apareceu em 121 casos que correspondem a uma presença de 39% na fala, sendo essa a mais utilizada pelos falantes, embora não muito distante esteja o uso do Numeral como primeiro elemento que aparece 101 vezes e sua frequência de uso é de 32,6%. Diante dos resultados e dos percentuais, podemos dizer que a variação mais acentuada é aquela em que há a presença de apenas Uma marca plural, no SN, seguidas das ocorrências do Numeral como primeiro elemento e, por último, os acontecimentos em que há Todas as marcas de plural. O uso de Todas as marcas plurais corresponde ao uso da norma padrão da língua, e na comunidade Douradense é a menos utilizada, ou seja, os dados dessa comunidade são corroborados com os de Scherre (1978), em que há uma forte tendência de o falante utilizar apenas uma marca de plural, geralmente no 1º elemento do SN para facilitar a comunicação linguística no momento da enunciação. No entanto, podemos observar que na Comunidade Picadinha e na Guiné Bissau a marca de pluralidade mais usada é o numeral como 1º elemento e por último a variação de uma marca plural. Na comunidade guineense, o fator se explica ao considerarmos os aspectos geográficos que facilitam o contato da língua guineense com o português de Portugal e isso pode remeter ao uso em menor escala das variações e uma maior aproximação à norma padrão do português europeu. Na comunidade Picadinha, Município de Dourados, encontramos 73 casos de SN com todas as marcas de plural em percentuais 33,8 % sendo a segunda 10 Web - Revista SOCI ODIALET O • www. sociodialeto.com.br Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande IS SN : 2 17 8 -1 4 86 • V ol u m e 1 • Nú m er o 6 • f e v er ei ro 20 12 Homenagem ao Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho forma mais usada nas entrevistas dessa localidade. Para o SN com uma marca plural temos 54 casos e 25% de uso. Essa é a variedade menos encontrada, já o Numeral como primeiro elemento ocorre em 89 dos casos o que remete a 41,2%, sendo, portanto, a forma mais usada nessa comunidade. Assim podemos levantar as hipóteses de uma influência ou possível processo de crioulização da língua brasileira no passado? O PVB pode ser considerado como um semicrioulo? Silva (1976, p. 71), ele defende a hipótese de que o Brasil apresenta vestígios de crioulo. Diante das interpenetrações entre as populações rurais e urbanas, nas cidades, há marcas desse falar nos iletrados ou em pessoas de pouca escolarização. Como é a escola que promove o “reaportuguesamento”, ele é mais intenso nas cidades. E para o autor um dos vestígios apontado desse crioulo é o “desaparecimento” da flexão numérica por meio de –/s/. Sendo assim, podemos dizer que essa supressão da desinência de plural corresponde ao nosso dado de Uma marca de plural que foi a variável menos encontrada nos dados de nossa pesquisa na Picadinha, ocorrendo apenas em 25% dos casos analisados, devemos levar em consideração fatores geográficos e sociais que aproximam a região da escolarização, inclusive o fato de se localizar próximo a universidade e muitos moradores terem acesso à Faculdade. Na comunidade da Guiné Bissau encontramos um total de 74 ocorrências de SN com essas variedades, por isso é válido ressaltar que a população vive um processo de crioulização e apresenta as características dos crioulos na redução das flexões que indicam concordância de gênero e número no sintagma. Desse total geral de 74 ocorrências, encontramos 26 casos com Todas as marcas plurais que correspondem a 35,1% sendo a segunda variedade mais encontrada nos dados da Guiné Bissau, já a variável Uma marca plural apareceu em 15 casos com 20,3% de presença na fala dos informantes guineenses, o 11 Web - Revista SOCI ODIALET O • www. sociodialeto.com.br Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande IS SN : 2 17 8 -1 4 86 • V ol u m e 1 • Nú m er o 6 • f e v er ei ro 20 12 Homenagem ao Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho Numeral como primeiro elemento apareceu em 33 ocorrências com 44,6% de uso a variedade mais usada da fala da Guiné Bissau para marcar o plural no SN. De todos os nossos dados coletados para a pesquisa, os da Guiné Bissau foram os com menor ocorrência na variável concordância numeral, esse percentual remete às características das línguas crioulas que, de acordo com Valdman (1978) (apud, TARALLO e ALKIMIN, 1987), temos a não obrigatoriedade de marcador de plural. De acordo com Marques (1983) nas línguas “bantos” os SN são marcados em sua maioria por prefixo e não pelo sufixo, então podemos dizer que esse uso do numeral no início do sintagma, para designar o plural, ocorre devido à gramática do substrato estar presente na fala guineense. Agora, no fator de não obrigatoriedade do marcador plural como traço das línguas crioulas, temos que pontuar divergência dos conceitos sobre suas definições, pois ao analisarmos o áudio de nossas entrevistas, percebemos o uso de marcadores de pluralidade com uma determinada frequência, fator que pode indicar uma nova etapa no processo de crioulização da língua guineense, que só poderá ser comprovado por estudos mais aprofundados na região. 3.1.1 Variável gênero do falante Quando falamos sobre a variável gênero, Scherre (1997) afirma que as mulheres apresentam probabilidades estatísticas que evidenciam maior frequência no uso de concordância nominal do que os homens. O fator “sexo/gênero” exerce influência significativa sobre a aplicação da regra. Esses fatores são objetos de nossa investigação na consideração dos dados no gráfico a seguir: 12 Web - Revista SOCI ODIALET O • www. sociodialeto.com.br Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande IS SN : 2 17 8 -1 4 86 • V ol u m e 1 • Nú m er o 6 • f e v er ei ro 20 12 Homenagem ao Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho De acordo com o gráfico 2 podemos inferir que as mulheres de Dourados e da Guiné Bissau fazem mais uso da variante padrão que os homens, ou seja as mulheres e homens falam diferente, fato que confirma as ideias de Paiva (1994) e Scherre (1997). Nas entrevistas femininas observamos uma maior presença do sintagma nominal com todas as marcas de plural, portanto, supomos que o ato faça parte da natureza feminina, exceto na comunidade Picadinha onde a variável numeral como 1 º elemento foi a mais usada pelas informantes, podemos inferir tal fenômeno como uma característica da fala da comunidade. Mas, de forma geral, as mulheres apresentaram maior índice de sintagma nominal com apenas uma marca de plural, assim comprovamos nossa hipótese, pois além de fazerem uso das marcas de plural em todos os sintagmas com maior frequência que os homens, as mulheres ainda se apresentam mais abertas às inovações e variações da língua visto que, nas análises dos dados apresentados há 13 Web - Revista SOCI ODIALET O • www. sociodialeto.com.br Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande IS SN : 2 17 8 -1 4 86 • V ol u m e 1 • Nú m er o 6 • f e v er ei ro 20 12 Homenagem ao Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho maior incidência de sintagma nominal com apenas uma marca de plural na fala delas, enquanto nos homens verificamos percentuais menores, isto é, o fala das mulheres ocilam entre SN com todas as marcas e SN com apenas uma marca formal de pluralidade, o que comprova que elas têm mais facilidade para transitar entre a modadildade padrão da língua e o desvio linguístico, dependendo da situação em que se encontre. 3.1.2 Variável idade do falante: 14 Web - Revista SOCI ODIALET O • www. sociodialeto.com.br Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande IS SN : 2 17 8 -1 4 86 • V ol u m e 1 • Nú m er o 6 • f e v er ei ro 20 12 Homenagem ao Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho Observando o gráfico 3, podemos confirmar a hipótese segundo a qual aqueles que possuem maior idade fazem mais uso de Todas as marcas plural. Nas entrevistas das três localidades, as ocorrências de todas as marcas plural no grupo com mais de 40 anos constitui a dominante, embora na Guiné Bissau o fenômeno apresente-se em segundo lugar, pois podemos dizer que o grupo com mais de 40 anos GB apresenta sua fala mais próxima ao que os guineenses chamam de “crioulo fundo” o que seria uma língua de emergência de comunicação, ou seja, a língua simplificada. Os mais jovens usam mais a variação de Uma marca plural em todos os casos, exceto na GB. Vale ressaltar que o uso da marcação plural no grupo com mais de 40 será menor devido a não obrigatoriedade da marcação plural nas línguas crioulas que em todos os casos, se comparados as demais comunidades, seus valores são menores, e no grupo com mais idade é variável menos utilizada por fatores característicos das línguas de contato. Os grupos de mais idade de Dourados fazem maior uso do Numeral como 1º elemento, a Picadinha e Guiné Bissau têm essa variante como segunda posição de uso em seus falantes de maior idade, isso ocorre como características próprias da comunidade falante. Vale ressaltar que estamos estudando também a relação afrodescendentes e africanos e esse fator comum corrobora os estudos comparativos da fala afro-rural de Andrade (2003) em que a autora afirma que, por suas análises, é possível dizer que as variações das regras de concordância da língua portuguesa brasileira deve-se aos fatores de sua formação histórica e social, que é marcada pelo contato de línguas. 15 Web - Revista SOCI ODIALET O • www. sociodialeto.com.br Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande IS SN : 2 17 8 -1 4 86 • V ol u m e 1 • Nú m er o 6 • f e v er ei ro 20 12 Homenagem ao Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho 3.1.3 A Variável escolaridade do falante Os resultados obtidos confirmam que a educação tem influência significativa no emprego da forma variável de concordância nominal, uma vez que os que tiveram acesso à educação escolar apresentam maior uso da forma prestigiada com todas as marcas de plural em sua fala, embora não seja um valor significativo comparando aos analfabetos que apresentam menor variação de uma só forma plural, e pouco uso do numeral como primeiro elemento. A presença de uma marca plural é a que apresenta maior frequência na fala dos não alfabetizados, exceto na GB onde o numeral apareceu como primeiro elemento mais usado pelos alfabetizados, nesse caso e possível inferir que a aproximação da Guiné Bissau com Portugal aproxima os estudantes do falar lusófono europeu. 16 Web - Revista SOCI ODIALET O • www. sociodialeto.com.br Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande IS SN : 2 17 8 -1 4 86 • V ol u m e 1 • Nú m er o 6 • f e v er ei ro 20 12 Homenagem ao Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho 3.1.4 A variável étnia do falante guineense È importante relembrarmos que os negros escravos trazidos ao Brasil, em sua maioria, pertenciam ao grupo “Banto” e que grande parte dessas línguas pertence ao grupo nigero- congolês de línguas do grupo oeste atlântico centrooeste e que no CG de acordo com Intumbo (2007), a língua de maior influência no substrato é o balanta, por possuir maior número de falantes. Sendo assim, por meio dos dados do gráfico a seguir podemos observar algumas das etnias e os seus falares crioulos, além das possíveis influências na concordância de número no SN. Gráfico 5: A variedade étnia Guineense e a concordância nominal 12 71,44% 10 8 66,67% 54.6% 6 37,76% 66,66 % 4 2 45,40 % 31,48% 62,5% 30,76% 16,67% 21,43% 11,9% 16,67% 25% 12,50% 7,14% 7,14% 0 0 Fula Manjaco Balanta Geba Mancanha Bijagó Todas as marcas plural Uma marca Plural Numeral como 1 elemento 17 Web - Revista SOCI ODIALET O • www. sociodialeto.com.br Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande IS SN : 2 17 8 -1 4 86 • V ol u m e 1 • Nú m er o 6 • f e v er ei ro 20 12 Homenagem ao Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho De acordo com os nossos resultados, o povo Manjaco apresentou maior incidência de uso da variável Todas as marcas plural, sabemos que essa etnia encontra-se próxima aos rios e nas ilhas, por isso o contato marítmo com povos europeus pode influenciar no superstrato do crioulo falado por eles, o mesmo ocorre com o povo Bijágo que vive no arquipélago que é um lugar turístico, inclusive há hotéis cujos proprietérios são de nacionalidade portuguesa, fator que pode ocasionar o uso da variante padrão e aproximá-la à língua portuguesa européia. Todas as análises da concordância de número no SN na variável étnica confirmam as hipóteses de relexificação que, segundo Weglarz (2010), essa é a hipótese de que os crioulos constituem uma língua de vocabulário de superstrato, no caso do CG o português e a gramática de seu substrato e a variedade de cada etnia. Considerações finais Propusemo-nos a verificar a variável concordância nominal de número no português e crioulo da Guiné Bissau, em que verificamos as ocorrências de uso dessas variáveis na fala dos informantes, fazendo um estudo comparativo, tomando por base variáveis sociais como: gênero, idade, escolaridade e etnia do povo guineense em que trabalhamos três variáveis linguísticas marca de pluralidade e o uso da flexão de gênero ou não no SN, no PVB e no CG. Sendo assim, comprovamos as hipóteses da variação de gênero, em que homens e mulheres falam diferente, elas fazem maior uso da formas padrão da marcação de plural, mas também utilizam os desvios linguísticos, exceto em alguns casos que se justificam pelo contexto, de uso da língua. 18 Web - Revista SOCI ODIALET O • www. sociodialeto.com.br Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande IS SN : 2 17 8 -1 4 86 • V ol u m e 1 • Nú m er o 6 • f e v er ei ro 20 12 Homenagem ao Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho Percebe-se que as variáveis idade e gênero do falante estão correlacionadas, pois supõe-se que a população mais jovem tem mais acesso às regras de uso da língua devido ao estudo e, assim projetam esse fator na Picadinha e na zona urbana de Dourados, já na Guiné Bissau constamos uma situação de mudança linguística, em que os falantes mais jovens distanciam a gramática do crioulo da língua colonial ( padrão) e fazem maior uso das variedades de substrato, fator que pode evidenciar um novo processo linguístico no país. A variável etnia, que trabalhamos apenas na Guiné Bissau, identifica qual etnia está mais próxima ao falar lusófono e atribuímos as causas das variações a aspectos sociais e gramaticais de cada povo. No que compete à variável localidade e forma de uso da concordância nominal no SN, a fala da comunidade afro rural Picadinha aproximou–se do crioulo guineense ao apresentar casos similares na marcação de pluralidade. Portanto, esse estudo vem somar a série de pesquisas realizadas por Luchessi, Baxter, Holm, Scherre e outros que analisam o PVB sobre a perspectiva sociolinguística da variação e possível processo de crioulização da fala afro –brasileira, no entanto, ao comparar a zona urbana de Dourados percebemos que essas variações de concordância no SN ocorrem em menor escala, mas a presença delas não permite caracterizar como uma variação unicamente afro rural, e sim, que está mais relacionada ao contexto geral da formação do português brasileiro e suas raízes históricas das línguas que influenciaram a sua formação linguístico-histórica. Verifica-se que a concordância nominal do português falado no Brasil está internalizada na mente de seus falantes em função de aspectos linguísticos e sociais e essas variáveis encontradas são interpretadas por diversos estudiosos como processo de descrioulização da língua, portanto, acreditamos que todas as 19 Web - Revista SOCI ODIALET O • www. sociodialeto.com.br Bacharelado em Linguística e Licenciatura em Letras • UEMS/Campo Grande Mestrado em Letras • UEMS / Campo Grande IS SN : 2 17 8 -1 4 86 • V ol u m e 1 • Nú m er o 6 • f e v er ei ro 20 12 Homenagem ao Prof. Dr. Ataliba Teixeira de Castilho nossas hipóteses foram confirmadas, o que mostra que nosso estudo vai ao encontro de outros realizados na área, seja no português do Brasil ou no português falado em outros países. Referências bibliográficas ALKMIM, T. M. Sociolinguística: parte I. In. MUSSALIM, F. & BENTES, A. C. (orgs.). Introdução à linguística: domínios e fronteiras. São Paulo: Cortez, 2001. AMARAL, A. 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