UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE TECNOLOGIA – CT PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA – PPGEM MARINALVA FERREIRA TRAJANO. ESTUDO TRIBOLÓGICO DE BIOLUBRIFICANTES COM ADIÇÃO DE NANOPARTÍCULAS DE ÓXIDOS (ZINCO E COBRE) NATAL – RN AGOSTO/2013 MARINALVA FERREIRA TRAJANO. ESTUDO TRIBOLÓGICO DE BIOLUBRIFICANTES COM ADIÇÃO DE NANO PARTÍCULAS DE ÓXIDOS (ZINCO E COBRE) Dissertação apresentada ao programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito para obtenção do título de Mestre em Engenharia Mecânica na área de Tecnologia dos Materiais. Orientadora: Dra. Salete Martins Alves. NATAL – RN AGOSTO/2013 UFRN / Biblioteca Central Zila Mamede. Catalogação da Publicação na Fonte. Trajano, Marinalva Ferreira. Estudo tribológico de biolubrificantes com adição de nanopartículas de óxidos (zinco e cobre). / Marinalva Ferreira Trajano. – Natal, RN, 2013. 83 f.: il. Orientadora: Profa. Dra. Salete Martins Alves. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Tecnologia. Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica. 1. Nanopartículas de óxidos - Dissertação. 2. Biolubrificantes - Dissertação. 3. Lubrificação limite Dissertação. I. Alves, Salete Martins. II. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. III. Título. RN/UF/BCZM CDU 661.8’02 DEDICATÓRIA Aos meus familiares, Severina Tavares (mãe) e Iolanda (irmã). Aos meus inesquecíveis pais e/ou avós José Ferreira e Josefa Tavares. É com muita alegria que lhes DEDICO. EPÍGRAFE "Não temas, pois eu te salvo, eu te conheço pelo nome, és meu... Eu sou o Senhor, teu Deus, teu Pai e teu Salvador. És precioso a meus olhos. Eu te aprecio e te quero muito bem. Fica tranquilo, pois eu estou sempre contigo... Sou o teu Senhor e não há outro Salvador a não ser Eu... E, apesar deste meu amor, tu me atormentas com tuas maldades e os seus pecados. Cansas-me com tuas faltas... Mas, sou eu, sempre, que te arranco do mal, que apago as tuas faltas e me esqueço de teus pecados... Isso Eu faço porque Eu sou o Senhor, teu Deus e Eu te amo" (Isaías 43,4). AGRADECIMENTOS A minha família que amo: mãe Sinina, a minha irmã Iolanda, que estiveram presentes incentivando e contribuindo para a conclusão deste sonho: Mestrado. A elas meu eterno agradecimento por tanto amor e dedicação. Ao meu pai José e a minha mãe-avó Josefa, tão queridos e com quem aprendi os valores da vida, a força de vontade, à busca, a simplicidade. Sei que sempre estarão por perto vendo e participando da minha vida, mesmo não estando mais entre nós, muito obrigada por tudo! Aos demais familiares e amigos que acreditaram no meu potencial. Aos meus grandes amigos: Giliarde Macedo, Janduir Egito, Franklin Kaic, Osmael Oliveira, Jean Medeiros, Milena Faccio, Rodrigo Farias, Sidney, Romerito, Vívia Gomes, Dandara Virgínia, Carlos Antônio, Raymme, João Paulo, Netinho, Júlia Medeiros, Valdenice Melo, Gustavo Medeiros, Joseane, Kalline, Monnaliza Chaves, Jorge Gomes e Adelson de Oliveira, que sempre estiveram comigo em todos os momentos felizes e tristes. Que Jesus os abençoe grandemente. Aos amigos de convívio diário que estiveram sempre ao meu lado independentemente de qualquer eventualidade: Jarbas Santos, Aline Farias e Valdicleide Mello. Obrigada pela atenção, carinho e conselhos. A D. Dedé, Antônia Lisboa, Vânia, Plácido Almeida e Irani, Graça de Irinel, Camélia Pessoa, Hélio Plácido, madrinha Gracinha, madrinha Julice, tia Dulcema (in memória), José Pereira, Leneide, Luzineide, tia Duva e a inesquecível tia Lourdes que contribuíram para minha formação educacional durante toda a minha vida. A professora Dra. Salete Martins Alves, pela orientação, que é uma pessoa admirável, uma excelente profissional, que não hesitou em nenhum momento o meu pedido de orientação. A você professora minha amizade e gratidão. Aos professores que participaram da minha vida acadêmica, onde além de passar seus conhecimentos e com quem aprendi o que sei hoje em experiência e sabedoria: Dr. Avelino, Dra. Salete Alves, Dr. João Telésforo, Dr. George, Dr. Mário, Dr. Everaldo Silvino, Dra. Tereza Neuma, Dra. Fernanda, Dra. Dulce, Dr. Ito, Dr. Wanderson. Agradeço também a Edja Iandeyara, Kandice Barros, Diana Medeiros, Ella Raquel, Marcos Vinícyus, Msc. Aline Farias, Msc. Juliana pela ajuda durante a pesquisa e pela amizade. A CAPES e ao CNPq, pela oportunidade de aprender, pesquisar e financiar a pesquisa, confiando no meu trabalho durante o período a que me foi destinado à pesquisar lubrificantes novos. Enfim, a todos que contribuíram diretamente ou indiretamente para a realização deste sonho, MUITO OBRIGADA. TRAJANO, M. F. Estudo Tribológico de Lubrificantes com Adição de Nano Partículas de Óxidos. Natal: UFRN, abril. 2013. 83 fls. Dissertação (Mestrado em Engenharia Mecânica). Programa de pós-graduação em Engenharia Mecânica – PPGEM. RESUMO Atualmente, os óleos vegetais tem sido base de estudo para biolubrificantes que se adequem às novas normas ambientais. Em um mundo cheio de recursos naturais finitos, os óleos minerais, provenientes do petróleo, trazem consequências ao meio ambiente devido sua baixa biodegradabilidade e toxicidade. Também deve-se considerar, os óleos sintéticos possuem um alto custo. O objetivo deste trabalho é obter um biolubrificante aditivado com nanopartículas de óxido (ZnO e CuO) para uma melhor resistência ao atrito e desgaste, que seja não tóxico ao meio ambiente e possua melhor aderência em regime de lubrificação limite. Efetuou-se a síntese de biolubrificantes (soja e girassol) por reação de epoxidação. Em seguida fizeram-se análises físico-químicas no biolubrificante para caracterizar os óleos sintetizados, tais como; densidade, acidez, índice de iodo, viscosidade, índice de viscosidade. Posteriormente os mesmos foram aditivados com nanopartículas. O desempenho tribológico foi avaliado pelo equipamento HFRR (High Frequency Reciprocating Rig), que consiste num ensaio de desgaste do tipo esfera-plano. A caracterização do desgaste foi realizada através de análises de MEV/EDS. Os resultados demostraram que os biolubrificantes podem ser sintetizados por reação de epoxidação, com boa conversão. Do ponto de vista tribológico, os óleos epoxidados puros são mais eficazes que os aditivados com nanopartículas de óxido, apresentaram menores coeficientes de atritos e melhor percentual de formação de filme neste estudo. Porém, por serem ambientalmente corretos, os biolubrificantes ganham importância relevante no meio tribológico. Palavras-chave: Nanopartículas de óxidos. Biolubrificantes. Lubrificação Limite TRAJANO, M. F. Tribological Study of Addition of Nano Lubricants with oxide particles. Natal: UFRN . July, 2013. 83 fls. Master Dissertation (Master in Mechanical Engineering). Graduate Program in Mechanical Engineering PPGEM. ABSTRACT Currently, vegetable oils have been studied for bio-lubricants base that fits the new environmental standards. Since, in a world full of finite natural resources, mineral oils bring consequences to the environment due to its low biodegradability and toxicity, also it is important to consider that synthetic oils have a high cost The aim of this work is to obtain a biolubricant additived with oxide nanoparticles (ZnO and CuO) for better resistance to friction and wear, which is not toxic to the environment and have better adherence under boundary lubrication. The methodology consisted in the synthesis of bio-lubricants (soybean and sunflower base) by epoxidation reaction. Then, some physical-chemical analysis in bio-lubricants are made to characterize theses lubricants, such as, density, acidity, iodine value, viscosity, viscosity index. Later, the lubricants were additive with nanoparticles. The tribological performance was evaluated by the equipment HFRR (High Frequency Reciprocating Rig) consisting of a wear test ballplan type. The characterization of wear analysis was performed by SEM / EDS. The results show that bio-lubricants may be synthesized by reaction of epoxidation with good conversion. Tribological point of view, the epoxidized oils are more effective than lubricant additived with the oxide nanoparticles, they had lower coefficients of friction and better rate of film formation in the study. However, because they are environmentally friendly, bio-lubricants gain the relevant importance in tribological field. Keywords: Nanoparticles of oxides. Bio-lubricants. Boundary Lubrication LISTA DE FIGURAS Figura 1: Curva de Stribeck ........................................................................................03 Figura 2: Exemplos de superfícies conformais ....................................................... 04 Figura 3: Exemplos de superfícies não “conformais” ............................................. 05 Figura 4: Fórmula química do éter cíclico com três átomos de carbono formando um anel oxirano ........................................................................................................ 14 Figura 5: Mecanismo de reação da formação do peróxido..................................... 15 Figura 6: Mecanismo da formação do epóxido. Reação de epoxidação ................. 15 Figura 7: Fluxograma das etapas da metodologia aplicada nesta dissertação ...... 29 Figura 8: Diagrama esquemático do ensaio no equipamento do HFRR ............... 36 Figura 9: TGA dos lubrificantes ensaiados em atmosfera de oxigênio e nitrogênio ........................................................................................................................................ 40 Figura 10: Espectros dos Infravermelhos dos óleos de Soja e Girassol ................. 44 Figura 11: Espectro de Infravermelho do metil-e-éster a partir do óleo de girassol .. .........................................................................................................................................45 Figura 12: Raios-X das amostras de nanopartículas de óxido de zinco e de cobre 46 Figura 13: Micrografias das amostras de nanopartículas de óxido de zinco e de cobre ......................................................................................................................... 47 Figura 14: Coeficiente de Atrito com óleos de bases diferentes com e sem aditivos de nanopartículas ..................................................................................................... 48 Figura 15: Formação de Filme nos lubrificantes estudados ................................... 49 Figura 16: Micrografias das superfícies desgastadas lubrificados com os óleos vegetais ..................................................................................................................... 52 Figura 17: Micrografias das superfícies desgastadas lubrificados com os óleos sintéticos e minerais ................................................................................................. 53 Figura 18: Análise de EDS da superfície desgastada de disco de aço por óleos estudados .................................................................................................................. 55 Figura 19:Contato elástico entre uma esfera e uma superfície plana .................... 56 LISTA DE TABELAS, QUADROS E EQUAÇÕES. Tabela 1: Parâmetros usados no ensaio tribológico para verificar atrito e desgaste .........................................................................................................................................35 Tabela 2: Composição química (% p) do disco de aço AISI 52100 ........................ 36 Tabela 3: Características físico-químicas dos lubrificantes e óleos comerciais .... 38 Quadro 1: Tipos de aditivos para lubrificantes e suas funções .............................. 17 Quadro 2: Aditivos de Extrema Pressão e suas funções ......................................... 19 Quadro 3: Nanopartículas mais usadas em lubrificantes ........................................ 23 Quadro 4: Ensaios Tribológicos ............................................................................... 27 Equação 1: Rugosidade das superfícies ................................................................... 10 Equação 2: Equação de Scherrer ........................................................................... 31 Equação 3: Cálculo do Índice de Viscosidade ......................................................... 33 Equação 4: Cálculo do Índice de acidez ................................................................... 34 Equação 5: Cálculo do Índice de Iodo ...................................................................... 34 Equação 6: Equação de Hertz (raio da área de contato com a carga aplicada) ...... 57 Equação 7: Módulo de Elasticidade Total (HUTCHING, 1992) ............................. 57 Equação 8: Equação para Pressão Média de Contato de Hertz(HUTCHING, 1992) ................................................................................................................................... 57 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 01 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ........................................................................ 03 2.1.ASPECTOS DA LUBRIFICAÇÃO ...................................................................... 03 2.1.1. Lubrificação Hidrodinâmica ........................................................................... 04 2.1.2.Lubrificação Elastohidrodinâmica .................................................................. 04 2.1.3.Lubrificação Limítrofe ..................................................................................... 05 2.1.4.Pressão de Contato de Hertz............................................................................. 09 2.2.LUBRIFICANTES E BASES LUBRIFICANTES................................................ 09 2.2.1.Óleos Minerais ................................................................................................. 10 2.2.2.Óleos Sintéticos ................................................................................................ 11 2.2.3.Óleos Vegetais .................................................................................................. 12 2.2.4.Reação de Epoxidação ...................................................................................... 14 2.3.ADITIVOS .......................................................................................................... 16 2.3.1.Aditivos de Extrema Pressão (EP) .................................................................. 18 2.3.2.Nano-óxidos como aditivos em lubrificantes ................................................. 20 2.4.ANÁLISE DE DESEMPENHO DOS LUBRIFICANTES (TRIBOTESTES) ....... 27 3. METODOLOGIA ................................................................................................ 29 3.1.PREPARAÇÃO DOS LUBRIFICANTES A PARTIR DOS ÓLEOS VEGETAIS 30 3.2.PREPARAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DAS NANOPARTÍCULAS ............... 30 3.2.1.Aditivação Com as Nanopartículas de Óxidos ............................................... 31 3.3.CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA DOS LUBRIFICANTES SINTETIZADOS ...................................................................................................... 32 3.3.1.Viscosidade ...................................................................................................... 32 3.3.2.Densidade ......................................................................................................... 33 3.3.3.Composição Química por Infravermelho ....................................................... 33 3.3.4.Acidez .............................................................................................................. 33 3.3.5.Índice de Iodo ................................................................................................. 34 3.3.6.Análise Térmica (TG) ..................................................................................... 35 3.4.AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO TRIBOLÓGICO ........................................ 35 3.4.1.Desempenho Tribológico por HFRR .............................................................. 35 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES ........................................................................ 37 4.1.CARACTERÍSTICAS FÍSICO-QUÍMICAS DOS ÓLEOS LUBRIFICANTES ... 37 4.1.1.Análise Termogravimétrica (TG) ................................................................... 40 4.1.2.Composição Química por Infravermelho ....................................................... 43 4.2.CARACTERIZAÇÃO DAS NANOPARTÍCULAS ............................................. 45 4.3.ANÁLISE TRIBOLÓGICA DOS ÓLEOS LUBRIFICANTES ........................... 47 4.4.PRESSÃO DE CONTATO DE HERTZ ............................................................... 56 5. CONCLUSÕES .................................................................................................... 59 6. SUGESTÕES DE TRABALHOS FUTUROS .................................................... 61 7.REFERÊNCIAS .................................................................................................... 62 1 1.INTRODUÇÃO ESTUDO TRIBOLÓGICO DE BIOLUBRIFICANTES COM ADITIVOS DE NANOPARTÍCULAS DE ÓXIDOS (COBRE E ZINCO) A maioria dos lubrificantes existentes atualmente no mercado é de base mineral e sintética. Esses óleos lubrificantes são eficazes na lubrificação, mas, não são amigos do meio ambiente. Diante dos graves problemas ambientais causados pelo uso de lubrificantes não renováveis, buscam-se novas alternativas que substituam os lubrificantes de base mineral e sintética por bases de fontes renováveis e menos agressivas ao meio ambiente. Assim, surgem os biolubrificantes, de origem vegetal e rapidamente biodegradável, não tóxico ao meio ambiente. Nunes e Pedroso (2008) confirmam a importância dos óleos vegetais para desenvolver novos lubrificantes que atendam as atuais necessidades econômicas do país e às exigências de melhoria da qualidade de vida e preservação do meio ambiente. Os óleos modificados quimicamente são importantes, devido melhorar suas propriedades físico-químicas, ou seja, uma reação de epoxidação pode melhorar de uma forma bem significantiva a estabilidade térmica, aumenta viscosidade, coesão, aderência, maior densidade, uma baixa acidez, entre outras propriedades. As bases lubrificantes são selecionadas de acordo com sua capacidade de: formação de filme deslizante e protetor das partes móveis; resistir às elevadas temperaturas e presença de oxigênio, os quais alteram suas propriedades; resistir a choques e cargas mecânicas, sem alterar seu poder lubrificante; remover calor dos componentes internos do equipamento (DOWSON, 1998). Para oferecer outras características de desempenho e proteção, são adicionados às bases lubrificantes alguns componentes químicos que são chamados de aditivos. Os aditivos mais usados são os antioxidantes e os agentes extrema pressão (EP). Os agentes EP são aditivos que reagem quimicamente com a superfície metálica e formam uma película que reduz o atrito. Alguns tipos de agentes EP são o enxofre, o cloro e o 2 fósforo. Os aditivos de EP impedem as condições de adesão causadas pelo contato metal-metal diretamente entre as partes sob altas cargas (XUE et. al., 1997). Contudo, estes aditivos estão tendo restrições quanto ao seu uso devido aos seus impactos ambientais. Neste contexto, as nanopartículas de óxido surgem como uma alternativa importante para substituir os aditivos de extrema pressão convencionais, mesmo que estes sejam eficientes, as nanopartículas de óxido podem minimizar o atrito e o desgaste e são ambientalmente adequadas. De acordo com Xue et. al. (1997), os resultados de várias pesquisas mostram que as nanopartículas inorgânicas podem se depositar na superfície de contato e melhorar as propriedades tribológicas do óleo básico. Xue et. al. (1997) e Dong et. al. (2000) também observaram que as nanopartículas exibem boa adesão e características de redução de desgaste, mesmo em concentrações abaixo de 2% em peso. Assim, o objetivo geral deste trabalho foi desenvolver um biolubrificante e aditivá-lo com nanopartículas de óxido de cobre e zinco para uma maior resistência ao atrito, melhor aderência, melhorando seu desempenho tribológico em regime de lubrificação limite e que seja não tóxico ao meio ambiente. Os objetivos específicos foram: Sintetizar os biolubrificantes a partir de óleos vegetais de soja e girassol. Verificar a qualidade dos biolubrificantes através de análises físicoquímicas. Preparar e caracterizar as nano partículas de óxidos de cobre e zinco. Avaliar o desempenho tribológico dos biolubrificantes através do ensaio tribológico no HFRR. 3 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ASPECTOS DA LUBRIFICAÇÃO, LUBRIFICANTES E BASES LUBRIFICANTES, ADITIVOS, AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DOS LUBRIFICANTES. 2.1.ASPECTOS DA LUBRIFICAÇÃO Os lubrificantes são uma parte essencial para o bom funcionamento das máquinas a fim de evitar atritos em duas partes móveis que entram em contato contínuo. Esses lubrificantes são usados para reduzir a atrito e desgaste entre peças e componentes. Para tanto, é necessário definir o tipo de regime de lubrificação a ser usado, observando a carga, velocidade e a rugosidade das superfícies de deslizamento (DUARTE, 2005). Dessa forma, os regimes de lubrificação são classificados como: hidrodinâmico, elastohidrodinâmico, misto e limítrofe. Estes regimes são bem definidos na curva de Stribeck (Figura 1). Figura 1: Curva de Stribeck Fonte: Hersey (1966) 4 2.1.1. Lubrificação Hidrodinâmica A lubrificação hidrodinâmica é considerada um dos regimes de lubrificação mais importantes da tribologia devido ao desempenho tribológico que este regime de lubrificação oferece: menor atrito edesgaste. Este tipo de lubrificação ocorre quando duas superfícies em movimento relativo são separadas por uma película de um fluido lubrificante. A lubrificação hidrodinâmica é aquela que ocorre em mancais de deslizamento. Para que ocorra lubrificação hidrodinâmica, as superfícies opostas devem ser “conformes”, isto é, estas devem ser geometricamente semelhantes, separadas por somente um pequeno espaço, preenchido pelo lubrificante, sobre uma área relativamente grande (Figura 2). Figura 2: Exemplos de superfícies conformais. Fonte: Viegas (2010) Lee e Cheng (1991) revelaram que a espessura do filme lubrificante é contínua na região de contato, porém, na saída do contato existe uma diminuição na espessura. 2.1.2. Lubrificação Elastohidrodinâmica Dowson (1997) procurou estudar sobre esse regime de lubrificação e encontrou na lubrificação elastohidrodinâmica uma proteção para os componentes de máquinas críticas. Para o regime de lubrificação elastohidrodinâmica (EHL) a característica é a pressão transmitida pelo fluido que é elevada o suficiente deformando elasticamente os corpos. O corpo é pressionado contra o fluido, com uma intensidade tal que causa a 5 deformação elástica do corpo e do contra corpo. Nessas condições, a viscosidade do fluido aumenta, conforme aumenta a carga normal. Segundo Bhushan (2001), as características desse regime dependem da rugosidade da superfície, da pressão do filme fluido, da carga normal, da dureza e da rigidez das asperezas, entre outros aspectos. Segundo Norton (2004), a lubrificação elastohidrodinâmica é mais difícil de formar um filme completo, pois as superfícies não são conformes e tendem a expelir o lubrificante ao invés de permitir a sua entrada. Para os mancais de deslizamento, a pressão atinge 6 MPa e não se beneficia com o fenômeno do aumento da viscosidade. Se o contato entre as superfícies não for “conforme”, isto é, envolver nominalmente uma linha ou ponto de contato (ver Figura 3), então a tensão na zona de contato será geralmente muito maior do que aquela encontrada para condições de lubrificação hidrodinâmica. Figura 3: Exemplos de contatos não “conformais”. Fonte: Viegas (2010) A diferença entre EHL e a lubrificação hidrodinâmica é que no regime de lubrificação elastohidrodinâmico ocorre deformação elástica das superfícies em contato, o contato é não conforme e o regime de lubrificação hidrodinâmico não ocorre essa deformação elástica entre as superfícies e o contato é conforme (QUEIROGA, 2010). Além disso, com o aumento da tensão de contato, aumenta a viscosidade do filme. É importante destacar que, mesmo em condições de EHL, pode ocorrer a formação de um filme fluido pleno de lubrificante que evita, efetivamente, o contato entre as asperezas das superfícies opostas. 2.1.3. Lubrificação Limítrofe Regime limítrofe é a forma mais extrema de lubrificação por filme fino em que toda a carga é suportada pelas asperezas lubrificadas (resultando em deformação 6 plástica e desgaste) por superfícies de filme em nível molecular (ASM Handbook, 1992). Outra definição, de Tabor (1973), diz que a lubrificação limítrofe é dada nas condições de velocidade de deslizamento baixo entre as superfícies e altas cargas (forças) associadas, ocorrendo então um rompimento da camada de óleo que separa as duas superfícies e elas passam a ser separadas apenas por filmes de lubrificante de dimensões moleculares. A lubrificação limítrofe, comumente chamada de lubrificação de extrema pressão (EP), ocorre quando a temperatura e a pressão de carga são muito elevadas. Os lubrificantes utilizados neste tipo de lubrificação contêm substâncias em cujas estruturas estão presentes átomos de oxigênio, enxofre, cloro, fósforo ou chumbo. Estes elementos possuem elétrons não-ligantes em suas camadas de valência que atraem fortemente os elementos constituintes das superfícies a serem lubrificadas, formando ligações covalentes. A lubrificação de engrenagens hipoidais, onde se têm elevadas cargas e velocidades de deslizamentos (com altas temperaturas de atrito envolvidas), como, também, a lubrificação do sistema broca de perfuração-parede são exemplos de lubrificação limítrofe (BARRETO, 2006). Bhushan (2001) explica que na lubrificação limite as forças são transmitidas inteiramente pelos picos de rugosidade da superfície, os quais estão em contato físico um com o outro. O atrito é determinado pelas camadas aderidas à superfície. Segundo Silva (2005), em seus estudos experimentais e simulações numéricas, o coeficiente de atrito tem valores geralmente entre 0,1 e 0,3. A película de lubrificante é mais fina, permite o contato entre as superfícies de vez em quando. Nos casos em que cargas elevadas, baixas velocidades ou operação intermitente impedem a formação de uma película fluida, é conveniente empregar-se um lubrificante com aditivos de oleosidade ou antidesgaste. Onde as condições são muito severas, e estes aditivos perdem a eficiência, devem ser empregados aditivos de extrema pressão. Para que haja formação de película lubrificante, é necessário que o fluido apresente adesividade, para aderir às superfícies e ser arrastada por elas durante o movimento, e coesividade, para que não haja rompimento da película. A propriedade que reúne a adesividade e a coesividade de um fluido é denominada oleosidade. A água não é um bom lubrificante; sua adesividade e coesividade são muito menores que as de um óleo (SOUSA, 2012). 7 Gates (2005) relata em seus estudos que as películas de lubrificação limite são críticas na lubrificação para os componentes do motor. O seu mecanismo de formação não é totalmente compreendido devido à falta de compreensão de como a estrutura molecular dos óleos básicos e os aditivos antidesgaste trabalham em conjunto. Barreto (2006) afirma que os filmes lubrificantes são formados em uma superfície através do processo de adsorção. Esta adsorção pode ser física ou química, ou seja, as moléculas do lubrificante podem adsorver fisicamente ou quimicamente a uma superfície. Bollani (1976) acrescenta que os filmes podem ser formados por reação química. O contato dos ácidos graxos sobre um metal ocorre primeiramente uma aderência de modo muito rápido, resultante de uma atividade superficial do metal. Os ácidos graxos são compostos químicos capazes de se adsorver a superfície metálica, são solúveis em óleo e tem capacidade de interagir com a água. Em contato com a superfície metálica, a molécula polar orienta-se perpendicularmente a superfície, formando uma camada espessa ou filme, que pode, ou não, estar bastante aderida, e cuja atuação se assemelha a de um amortecedor, reduzindo o contato metal-metal, porém, não capaz de evitá-lo. As moléculas adsorvidas ficam tão estáticas, que a primeira camada do filme parece estar no estado sólido. A habilidade dessas moléculas de se adsorverem fisicamente à superfície pode variar de acordo com a sua constituição molecular. As moléculas polares orientam-se sobre a superfície pela força de adesão (CARRETEIRO E MOURA, 1987). Na lubrificação limítrofe, o filme é formado para reduzir o contato metalmetal. Filmes que promovam baixo coeficiente de atrito possuem uma tensão cisalhante bem menor do que a tensão cisalhante do metal Na adsorção química, o filme resulta de produtos de moderada reação química do metal. Inicialmente a adsorção parece ser física a baixas temperaturas e se altera para química quando em altas temperaturas e é caracterizada por uma irreversibilidade, pois o filme lubrificante resulta de moderada reação química do aditivo com o metal. Um exemplo típico é o do ácido octadecanóico (ácido esteárico) reagindo com o óxido de ferro na presença de água. Forma-se um filme sobre a superfície que ainda, assim, é fino em relação às rugosidades normais de uma superfície (CARRETEIRO E MOURA, 1987). 8 Na reação química, o filme é resultado de produtos de elevada reatividade química do metal. Trata-se de uma condição de extrema pressão, típica para a lubrificação de elevadas cargas e altas temperaturas. Os compostos mais utilizados são os que contêm S, Cl, P e Zn, que reagem (em altas temperaturas – a partir de 600 °C) com a superfície metálica. Esses compostos evitam a soldagem dos pontos elevados das superfícies. Existem métodos para medir a espessura do filme, como citado no por Gwidon e Andrew (2005): Método da resistência elétrica: envolve medida de resistência elétrica do filme lubrificante. É eficiente para detectar a presença do filme lubrificante, mas apresenta dificuldades para determinar a espessura do filme, que no nosso caso ocorreu devido não obter o valor dessa espessura. A resistência zero indica contato metal-metal e aumenta de maneira complexa com a espessura do filme. Este método é muito usado para detecção de falha do filme lubrificante. Método de Raio X: envolve a passagem de um feixe de raio X através do contato lubrificado. Tanto a superfície metálica como o filme absorvem os raios X, mas com intensidades diferentes, e através desta diferença o filme pode ser detectado. Mas, existem algumas dificuldades nesse método de raios-X, como por exemplo: manter o paralelismo do feixe com a tangente do contato superficial, a formação de camadas lubrificantes que promovam baixa tensão de cisalhamento sobre o substrato duro. Quando o mecanismo de lubrificação ocorre em alta temperatura e alta carga e com baixa velocidade, a espessura do filme decresce permitindo o contato entre as asperezas. Esse filme é de altíssima viscosidade, moléculas lineares de hidrocarbonetos alinhadas, com camadas amorfas de fosfatos contendo ferro e zinco, que são encontradas com o aditivo ZnDDP (GWIDON e ANDREW, 2005). Para o mecanismo de lubrificação com altas temperaturas, altas cargas e baixa velocidade são conhecidas como lubrificação de extrema pressão (lubrificação EP). Com altas temperaturas ocorre a dessorção (é um fenômeno pelo qual uma substância é 9 liberada), além de ser um filme sacrificial e os aditivos usados são S, Cl e P formando rapidamente um filme na superfície exposta. Nesse mecanismo ainda ocorre adesão entre as asperezas recoberta, que é bem menor que a adesão metálica. Já com baixas temperaturas não promovem a formação deste filme (GATES,2005). 2.1.3.1.Pressão de Contato de Hertz A pressão de contato de Hertz é importante devido estar relacionada com os regimes de lubrificação. Para lubrificação limite é considerada como pressão alta de contato (mais de 90 MPa), segundo os estudos de Lin e So (2004). A teoria de Hertz, para a determinação de tensões que ocorrem em superfícies em contato, se baseia nas seguintes condições: os materiais em contato são homogêneos e as tensões não excedem a de escoamento; as tensões de contato são causadas por uma força a qual é normal ao plano de contato o que efetivamente significa que não há forças atuando entre os sólidos (cilindros); a área de contato é muito pequena comparada com a área de contato entre os sólidos (cilindros); os sólidos em contato estão em repouso e equilíbrio; o efeito da rugosidade superficial é desconsiderado (JOHNSON, 1985). 2.2.LUBRIFICANTES E BASES LUBRIFICANTES Paserba et al (1999) afirmam que um bom filme tem que ter uma boa aderência, coesão e ter espessura maior que à rugosidade da superfície, pois, a rugosidade da superfície ( ) determina as condições de lubrificação, isto é, se irá ou não existir um filme fluido pleno de lubrificante que separe as duas superfícies em contato. A espessura média de filme das superfícies pode ser definida então como na equação 1: min./σ* Onde, é a espessura média de filme da superfície; Equação (1) 10 min é a espessura do filme; σ* =√ , onde: Rq1 e Rq2 são os valores de rugosidade quadrática média de cada superfície. O filme também funciona redistribuindo as tensões na interface e aumentando a área real de contato fisicamente, suavizando a rugosidade relativa diminuindo assim a pressão de contato. Os lubrificantes líquidos são os preferidos, devido penetrarem melhor entre as partes móveis pela ação hidráulica. Além de manter essas superfícies separadas, também atuam como agentes removedores de calor. Todos os lubrificantes líquidos são formulados com um ou mais fluidos básicos. O fluido básico usado em formulações de lubrificantes é de aproximadamente 95% e o percentual de aditivos varia de acordo com a aplicação e com o desempenho desejado (MANG, 2001). 2.2.1. Óleos Minerais Lubrificantes de base mineral são produzidos a partir de petróleo bruto. O processamento varia dependendo da qualidade do petróleo bruto e a qualidade esperada do fluido base (Avilino, 2004). Um lubrificante de base mineral pode ser de dois tipos diferentes, como determinada pelo tipo principal de ligação química: naftênicos e parafínicos. O tipo parafínico é mais comum em lubrificantes por causa de sua relativas boas propriedades, tais como: tendem a não oxidar em temperaturas ambientes ou levemente elevadas, apresenta uma densidade menor que a do naftênico e é menos sensível a alteração de viscosidade/temperatura. A grande desvantagem é seu comportamento em temperaturas baixas, pois, as parafinas tendem a sedimentar-se. Fluidos de base naftênicos são usados às vezes se as boas propriedades de baixa temperatura são necessárias e não IV (índice de viscosidade) alto, como por exemplo, um transformador elétrico. 11 Para o regime de lubrificação hidrodinâmico a melhor escolha é um óleo lubrificante à base de óleo mineral. Quando um óleo mineral é selecionado, viscosidade e índice de viscosidade (IV) são normalmente utilizadas para caracterizar o fluido (API, 2010). 2.2.2. Óleos Sintéticos Os óleos sintéticos são os melhores lubrificantes, provenientes da indústria petroquímica, mas são também os de custo mais elevado. Os mais empregados são os polímeros e os diésteres. Devido ao seu custo, seu uso é limitado aos locais onde os óleos convencionais não podem ser utilizados. De acordo com Zisman (1962), os fluidos de base sintética foram os primeiros utilizados em escala industrial em 1931, com bons resultados de pesquisa sobre óleos sintéticos polimerizados - olefinas. Diferentes fluidos de base sintética foram inventados, mas, os lubrificantes mais comumente utilizados na sua formulação são polialfaolefina (PAO) e Ses (ésteres sintéticos). Os óleos sintéticos são mais caros do que os lubrificantes tradicionais, mas, podem durar muito mais tempo e exigem menos troca de óleos. Os lubrificantes sintéticos têm excelente resistência ao calor e à oxidação, além de ter uma vida em serviço bem prolongada, têm maior índice de viscosidade inicial e repartição menor da viscosidade em relação aos tradicionais lubrificantes industriais. As moléculas que compõem os óleos têm tamanho uniforme e estabilidade de viscosidade bem superior. O problema com PAO é a polaridade baixa que poderia levar a um encolhimento e perda de elasticidade. Para superar este problema, um éster sintético com maior polaridade pode ser adicionado ao lubrificante e aumentar a compatibilidade de vedação (PETTERSSON et. al., 2006). Quando se muda para fluidos ambientalmente adaptados, Ses são as mais interessantes alternativas para fluidos de base tradicionais devido à alta qualidade, possibilidade de alcançar propriedades feitas sob medida, nenhuma toxicidade e biodegradação excelente destes ésteres sintéticos. Os Ses (ésteres sintéticos) podem 12 simultaneamente assegurar o desempenho necessário e composição para cumprir os requisitos ambientais exigidos de lubrificantes do futuro. 2.2.3. Óleos Vegetais Segundo Pettersson et. al. (2006), antes de meados do século 19, quase todos os lubrificantes foram derivados de fontes naturais, tais como banha animal, óleo de baleia e óleos vegetais. Hoje, os óleos vegetais permanecem como fonte econômica importante. Quimicamente falando, quase todos os óleos vegetais são ésteres do tipo de triglicerídeos, outra espécie importante é éster de cera. Cerca de 100 milhões de toneladas de óleos vegetais são produzidos, anualmente 90% destes para uso em alimentos e de 9% para a produção de sabão. A quantidade restante é usada em aplicações técnicas, tais como lubrificantes, tintas e vernizes. Como existe uma grande preocupação ambiental, os óleos vegetais (OV) constituem uma alternativa adequada para substituição dos óleos minerais, pois, são totalmente biodegradáveis, não tóxicos, e geralmente reconhecidos como produto seguro (ERHAN e PEREZ, 2002). De fato, OVs possuem a maioria das propriedades de lubrificação desejáveis, tais como um bom contato de lubrificação, alto índice de viscosidade (ou seja, alterações mínimas da viscosidade com a temperatura), alto ponto de fulgor e baixa volatilidade. Eles também têm desvantagens, no entanto, que devem ser superadas, incluindo pobres propriedades a baixa temperatura (tais como opacidade, precipitação, fluidez pobre e/ou solidificação a uma temperatura relativamente moderada), sua susceptibilidade à degradação oxidativa e sua propensão para sofrer hidrólise em meio ácido. Em relação à hidrólise e degradação oxidativa pode ser atenuada com relativa facilidade através do uso de aditivos (HWANG et. al. 2003). Estas características não desejadas pelos óleos vegetais são em função das insaturações contidas no óleo. Óleos vegetais são promissores sendo modificados quimicamente, um dos métodos mais utilizado é a epoxidação. A epoxidação pode ser realizada por catálise heterogênea e homegênea. Nunes et. al. (2008), Farias e Martinelli (2010) pesquisaram a síntese dos óleos de mamona e de soja por epoxidação, porém, ambos utilizaram o sistema catalítico, com os complexos metálicos [MoO2(acac)2] e [TiO(acac)2] em meio 13 homogêneo e heterogêneo, usando TBHP como agente oxidante. Entretanto, Derawi e Salimon (2010), pesquisaram a epoxidação pela rota do ácido fórmico com catálise homogênea ácida, uma forma mais simples e barata de realizar a epoxidação de óleos vegetais. Contudo existem outros tipos de modificação química dos óleos vegetais melhorando suas propriedades químicas e físicas como a esterificação, que é um processo reversível, obtendo como produto principal um éster específico. Podem ser utilizados para sintetizar os ésteres, no qual, sob aquecimento, um ácido carboxílico reage com um álcool (produzindo éster e água). Esta reação, quando processada em temperatura ambiente, é lenta, mas pode ser acelerada com o emprego de aquecimento e/ ou catalisador (exemplo, o ácido sulfúrico H2SO4). Existe também a hidrogenação, que consiste na ação de hidrogenar, adicionar hidrogênio, processo químico de redução no qual o hidrogênio gasoso (H 2) é diretamente adicionado a uma substância, geralmente hidrocarbonetos, alcenos (que apresentam uma dupla ligação entre os átomos de carbono) ou alcinos (que apresentam uma ligação tripla entre carbonos). Na maioria dos casos torna-se necessária a presença de um catalisador, processo então que passa a ser conhecido por hidrogenação catalítica. “Em geral a hidrogenação é conduzida de forma incompleta, visando a produção de gorduras parcialmente hidrogenadas, podendo ser seletiva ou não seletiva. O processo é considerado seletivo quando a adição de hidrogênio aos ácidos graxos mais insaturados prevalece sobre a hidrogenação dos menos insaturados, sendo mais seletivo com o aumento da temperatura de reação”(FELTRE, 2004). No ramo dos lubrificantes, os óleos vegetais epoxidados demonstram vantagens pela sua excelente biodegradabilidade e pela fonte de origem renovável. Os óleos vegetais, quando comparados com os óleos minerais, apresentam diferentes propriedades como: melhores lubrificantes de baixa volatilidade, alto índice de viscosidade, fácil miscibilidade com outros fluidos, reduzida toxicidade e melhor desempenho. Apresentam, também, melhores propriedades anticorrosivas e maior afinidade com a superfície do metal. (KLEINOVÁ et. al., 2007). 14 2.2.3.1.Reação de Epoxidação A modificação química dos óleos vegetais é uma rota importante para obter produtos industriais usando matéria prima de origem renovável. Uma reação importante para a indústria oleoquímica é a epoxidação, que ocorre nas insaturações presentes nas moléculas dos triglicerídeos dos óleos vegetais, sendo os produtos formados substratos mais reativos. Os óleos vegetais epoxidados são considerados intermediários promissores para uma ampla variedade de aplicações (MONTEAVARO et. al., 2007). Um epóxi, então, é um éter cíclico com três átomos que formam um anel, como na figura 4 abaixo: Figura 4: Éter cíclico com três átomos de carbono formando um anel oxirano. Fonte: Holleben et. al. (1996). Os estudos de Holleben et. al. (1996) mostram que os epóxidos ou oxiranos são versáteis intermediários em síntese orgânica que são preparados através de uma variedade de materiais de partida e que podem gerar, simultaneamente, até dois carbonos quirais. Devido à polaridade e a tensão do anel de três membros, os epóxidos são suscetíveis a reações com um grande número de nucleófilos, eletrófilos, ácidos, bases, com agentes redutores e alguns agentes oxidantes. Destas reações, a adição de nucleófilos a epóxidos, gerando produtos 1,2-dissubstituídos, tem sido a mais estudada e a mais utilizada em síntese orgânica. Os reagentes epoxidantes são as substâncias químicas responsáveis pela inserção do oxigênio numa ligação dupla carbono-carbono formando um epóxido. Estes compostos também têm sido obtidos pela ação de sistemas enzimáticos, os quais são capazes de epoxidar olefinas não funcionalizadas, assim relata Holleben et. al. (1996). O peróxido de hidrogênio tem sido o reagente epoxidante mais utilizado, porém, devido a sua baixa reatividade química, necessita ser ativado para reagir com uma olefina. Esta ativação, usualmente, é feita pela conjugação do grupo hidroperóxidos 15 com ligações múltiplas ou pela ação de um catalisador metálico. A reação abaixo mostra o mecanismo da formação do perácido: Figura 5: Mecanismo de reação da formação do perácido. Fonte: Lehnen (2011). Segundo Nunes et. al. (2008), as reações de epoxidação são usualmente realizadas com ácidos peroxicarboxílicos, como ácido peracético, ácido perfórmico e ácido perbenzóico. O perácido reage com os carbonos insaturados do substrato, formando o anel epoxidílico. Os ácidos mais utilizados são o acético e o fórmico. A utilização do ácido acético requer a presença de um catalisador para que ocorra a formação do perácido. Essa reação gera produtos laterais, como dióis, devido à abertura do anel. A utilização do ácido fórmico dispensa o uso do catalisador ácido, o que minimiza a formação desses produtos laterais (MARIATH, 2011). Na figura 6 mostra a formação do epóxido: Figura 6: Mecanismo da formação do epóxido. Reação de epoxidação. Fonte: Lehnen (2011). Gan et. al. (1992), estudou a cinética da reação de epoxidação e de clivagem oxirânica de ésteres metílicos derivados do óleo de palma por ácidos peracético e 16 perfórmico. Gan et. al. (1992), observou que, epoxidação com quase completa conversão e significante abertura do anel ocorreu na presença de benzeno. O efeito estabilizante do benzeno nos oxiranos em seus estudos é atribuído à natureza heterogênea do sistema empregado usando um solvente orgânico, onde somente uma pequena quantidade de ácido fica presente na fase do óleo. Porém, não é aconselhável devido à toxidade do benzeno a saúde. Assim, pesquisadores procuraram novas alternativas metodológicas de reação por epoxidação a partir dos estudos de Gan et. al. (1992). O processo de epoxidação do óleo de palma no seu estudo - Derawi e Salimon (2010) - foi realizado usando ácido perfórmico gerado in situ - (HCOOOH) - para produzir palma epoxidado. O ácido perfórmico foi produzido através da mistura de ácido fórmico (HCOOH), sendo o veículo de oxigénio, e peróxido de hidrogénio (H 2O2) como doador de oxigênio em várias razões estequiométricas: HCOOH: H2O2. O efeito da concentração de H2O2 e de HCOOH, temperatura, agitação e tempo de reação, foram estudados e os resultados mostraram que o teor de epoxi foi satisfatório com razão molar de 1: 5: 2 a 150 minutos. Porém, nesta dissertação a qual escrevo utilizou-se o ácido peracético (peróxido de hidrogênio + ácido acético). O peróxido de hidrogênio e o ácido peracético são agentes oxidantes eficazes e benignos ambientalmente, para os quais foram encontrados diversos usos na indústria química na fabricação de compostos orgânicos. Devido ao seu baixo peso molecular, o peróxido de hidrogênio é um agente oxidante mais eficiente que o dicromato e o permanganato de potássio, na comparação peso/peso. Observadas as condições adequadas de manuseio, o peróxido de hidrogênio e o ácido peracético são produtos químicos estáveis e seguros, além de oferecer a vantagem da solubilidade em água, em diversos solventes orgânicos ou no próprio substrato. Mas esses produtos possuem, ainda, outra vantagem: são ambientalmente corretos, uma vez que se decompõem em água e oxigênio, ou em água, oxigênio e ácido acético, respectivamente, como subprodutos de reação, (MARIATH , 2011). 2.3.ADITIVOS São substâncias adicionadas a uma solução para aumentar, diminuir ou eliminar determinada propriedade desta. Segundo Vale et al. (2008), os aditivos são vistos como uma forma de manutenção preventiva ou uma simples defesa, mas, na realidade eles são bastante úteis. 17 Para Sousa (2012), os aditivos são produtos químicos com funções específicas, produzidos pela indústria de química fina, com alto valor agregado. A utilização destes aditivos intensifica propriedades já existentes ou conferem novas características aos substratos orgânicos. Nos produtos derivados do petróleo são utilizados aditivos em pequenas quantidades, seja para impedir a sua deterioração ou para estabilizar as suas propriedades, principalmente a cor e a viscosidade, o que garante a sua estabilidade. No quadro 1, pode-se observar os tipos de aditivos e suas funções: Quadro 1: Tipos de aditivos para lubrificantes e suas funções. Aditivos Agentes antidesgaste (AW) Antioxidante Detergentes/dispersantes Antiespumantes Aditivos de extrema pressão (EP) Diminuidores do ponto de mínima fluidez Efeito produzido na base São os que amenizam os efeitos do atrito, reagem quimicamente com as superfíceis metálicas amenizando o desgaste por absorção física ou reação química, como os fosfotizados, à base de enxofre, ZnDTP que são mais eficazes neste caso. São aditivos utilizados para neutralização do ataque de ácidos e do oxigênio. Esse aditivo faz uma barreira entre as superfícies metálicas. A partir de 60 °C são indispensáveis a vida do óleo, pois, depende da resistência à oxidação para obter melhor desempenho. São compostos químicos que eliminam os radicais orgânicos e decompôem os peróxidos formados em reação catalítica dos lubrificantes. São usados para solubilizar os compostos na base fluida e envolver as partículas contaminantes oriundas do desgaste e da unidade e da oxidação nos lubrificantes, evitando sua junção. São aditivos que adicionados aos lubrificantes, evitam o surgimento de bolhas de ar no sistema. O aditivo EP envolve um ataque químico sobre as superfícies, por consequência da elevada pressão, velocidades de deslizamento e temperatura, evitando o engripamento e reduzindo atrito. Consiste em evitar o congelamento do óleo a baixas temperaturas. Evitam o processo de cristalização da fração de parafina presente no óleo base. A função do aditivo anticorrosivo é proteger as partes metálicas do ataque desses agentes. 18 Anticorrosivos Em geral, os aditivos são compostos por moléculas polares que se orientam e se fixam à superfície metálica, formando uma película protetora que impede o contato do agente corrosivo com o metal. O ditiofosfato de zinco, os ditiocarbonatos metálicos e os terpenos sulfurados são algumas das substâncias usadas como anticorrosivos. Fonte: Alves (2012). Esses aditivos com suas determinadas funções podem modificar a viscosidade, emulsionar e assim, melhorar as características de proteção contra desgaste em condições severas de trabalho; aumentam a resistência à oxidação e corrosão; aumentam a adesividade e também o índice de viscosidade. 2.3.1. Aditivos de Extrema Pressão A capacidade de desempenho de um óleo lubrificante depende integralmente dos aditivos de Extrema Pressão adicionados ao produto. Os aditivos de extrema pressão possuem a função de reduzir o desgaste, proteger as partes lubrificadas contra as altas pressões devido as condições de trabalho, ou seja, tanto os aditivos de extrema pressão, como os antidesgaste, lubrificam quando a película é mínima e esses óleos são para transmissões automotivas, mancais ou engrenagens industriais que trabalham com excesso de carga e óleos de corte. Quando a pressão exercida sobre a película de óleo excede certos limites, e quando esta pressão elevada é agravada por uma ação de deslizamento excessiva, a película de óleo se rompe, havendo um contato metal-metal. Se o lubrificante possuir aditivo de extrema pressão, havendo o rompimento da película, este aditivo reage com as superfícies metálicas, formando uma película lubrificante que reduzirá o desgaste. Quase todos os aditivos de extrema pressão são compostos químicos que contêm enxofre, fósforo, cloro e chumbo (BELMIRO, 2012; TEXACO, 2005). O quadro 2 apresenta os principais aditivos e suas características. 19 Quadro 2: Aditivos EP e suas funções. Aditivos Funções / Autor Suporta elevadas cargas sem destruir o filme de óleo. Como as superfícies metálicas livres de óxidos são extremamente reativas, se o óleo contiver um aditivo EP que contenha enxofre ou Fósforo e/ou Enxofre fósforo, estes reagem imediatamente com os átomos livres das superfícies, formando um sulfeto ou um fosfeto sobre elas. Este composto recobre as superfícies metálicas protegendo-as do fenômeno da adesão (MARTINS, 1995). Reagem (em altas temperaturas) com a superfície Cloro e/ou Zinco metálica. Esses compostos evitam a soldagem dos pontos elevados das superfícies (BARRETO, 2006). Alguns autores reconhecem este aditivo como aditivo EP leve. É uma importante Dialquilditiofosfato de zinco (ZnDDP) fonte de enxofre e de fósforo. Mas, devido a problemas de poluição ambiental causados por enxofre e fósforo, estão sendo procurados substitutos para ZnDDP (GATES, 2005). A desvantagem maior dos aditivos EP convencionais é a questão ambiental, não está de acordo com as novas regras ambientais, tendo-se procurado em novos estudos sua substituição e as nanopartículas de óxido tem sido uma alternativa para essa substituição. Xue et. al. (1997) e Dong et. al. (2000) afirmam que essa substituição pode ocorrer devido as nanopartículas de óxidos, os óxidos inorgânicos se depositarem na superfície metálica formando um filme protegendo esta superfície contra maiores atritos e consequentemente diminuindo o desgaste. 20 2.3.2. Nano-Óxidos como Aditivos em Lubrificantes Vários estudos foram realizados sobre os efeitos das nanopartículas como aditivos em lubrificantes produzindo uma película fina sobre a superfície de atrito. Ao fazer isso, o atrito e o desgaste dos materiais foram reduzidos e a capacidade de transporte de carga dos lubrificantes foi melhorada (WANG et al., 2008 e ZHOU et. al., 1999). Mas, Chen et al (1998);. Xue et al. (1997);. Liu e Chen (2000); Chen e Liu (2000); Zhou et al.(1999, 2001); Hu e Dong (1998); Zhang et al. (2001);. Qiu et al. (2000); Chinas-Castillo e Spikes (2003); Rapoport et al. (2005), Li et al. (2006), também relatam sobre as nanopartículas como aditivos em lubrificantes melhorando as propriedades físicas e químicas destes lubrificantes. Para as nanopartículas funcionarem como um excelente aditivo em lubrificantes é necessário que estes tenham tamanho de partícula adequado, pois quanto maior a partícula, maior atrito e maior desgaste (CHINAS-CASTILLO e SPIKES, 2003). Dependendo da forma das nanopartículas tem ou não um melhor desempenho e a concentração de aditivos inseridos ao lubrificante são essenciais para que não ocorra mais desgaste e mais atrito nas superfícies em contato (PENG et. al, 2009; CHEN e LIU, 2006). A baixa concentração das nanopartículas que variam 0,05-2,97 por cento (Chen et al, 1998;. Xue et al, 1997;. Liu e Chen, 2000; Chen e Liu, 2000, 2006; Zhou et al, 2001;. Hu e Dong 1998; Zhang et ai, 2001;. Qiu et al. 2000) é suficiente para melhorar as propriedades tribológicas. Ainda relatam que uma elevada concentração pode piorar as propriedades antidesgaste dessas suspensões. É evidente que para esses estudiosos, os lubrificantes com maior concentração de nanopartículas, o desgaste por abrasão torna-se maior. As nanopartículas podem variar em tamanho, principalmente entre 2 e 120nm. De um modo geral, os de menor tamanho são susceptíveis de reduzir atrito e aumentar a capacidade anti-desgaste como Chinas-Castillo e Spikes (2003) explica em seus estudos. Quanto menor as partículas, elas serão capazes de formar películas de proteção na superfície (Zhou et al, 1999, Rapoport et al, (1999). Yuh et. al. (2011) realizou estudos sobre as nanopartículas de óxido de titânio, que foram preparadas utilizando um arco elétrico de alta temperatura, numa câmara de vácuo para vaporizar o metal de Ti, depois foi condensado em um dispersante para formar o nanofluido de TiO 2 e foi 21 utilizada como aditivo lubrificante. Verificou-se também em suas experiências que o nanofluido de óxido de titânio utilizando o etileno glicol gelificou após 10 horas de funcionamento do motor. O óleo utilizado no motor com o aditivo de nanopartícula de TiO2 exibiu força de atrito menor, em comparação com o óleo sintético sem aditivos e deve-se a um menor tamanho de partícula que variou de 59 a 220 nm. Porém, este estudo descreve os métodos experimentais e equipamentos destinados a investigar a aplicação do nanofluido de TiO2 como aditivo lubrificante no motor de combustão interna. Para a geometria, pequenas nanopartículas esféricas são mais propensas a rolar entre as superfícies e diminuir o atrito que as demais formas, segundo Peng et al (2009). Com base em pesquisa bibliográfica, Peng et al (2009) cita quatro mecanismos de atuação das nanopartículas adicionadas ao óleo básico: (1) as nanopartículas menores interagem com as superfícies de atrito e formam uma película de proteção à superfície, (2) nanopartículas esféricas são mais propensas a alterar o atrito de deslizamento para rolamento, (3) as concentrações das nanopartículas associada com alta pressão de contato define maior ou menor atrito e desgaste na superfície e (4) as nanopartículas são depositadas sobre a superfície formando um tribo filme fisicamente que compensa a perda de massa (este efeito é chamado de "junção"). Uma combinação de quatro efeitos explica as boas propriedades de atrito e desgaste de nanopartículas em óleo básico. A influência do CuO, ZnO e ZrO2 como nanopartículas foram estudadas e utilizadas como aditivos em um lubrificante sob condições extremas de pressão (lubrificação limítrofe), utilizando ensaio Four-Balls de acordo com a norma ASTM D2783 (A. HERNANDEZ BATTEZ, 2007). As suspensões de nanopartículas de CuO com menor concentração apresentaram o maior coeficiente de atrito e desgaste. Maior concentração de CuO melhora o comportamento tribológico de suspensões. Nas suspensões com 0,5% de ZnO teve o melhor comportamento tribológico em geral, exibindo baixo atrito e valores de desgaste reduzido. E por fim, suspensões de nanopartículas de óxido de zircônio apresentaram reduções em atrito e desgaste em comparação com o óleo básico. Para verificar qual nano-óxido será melhor para aditivar o lubrificante é preciso um estudo mais profundo de cada um deles. No quadro 3 observa-se as nanopartículas mais utilizadas em lubrificantes, suas características, o ensaio usado para avaliar o 22 desempenho das nanopartículas e os possíveis mecanismos sugeridos pelos pesquisadores. 23 Quadro 3: Nanopartículas mais usadas em lubrificantes. Nanopartículas /Propriedades [1] ZrO2 (1) Conc.* Morfologia TP** Teste (%) w (nm) 0,5 Aglomerados globulares. Four-Ball <100 20 Estrutura de Testador (anel rotativo – parte Resultados Diminuiu em 27,34% o coeficiente de atrito e desgaste da esfera em aproximadamente 4%. A taxa de desgaste e atrito Mec. Lub. *** **** Adsorção física, química ou reação química. Interdifusão atômica entre Óleo mineral e óleo sintético. Óleo mineral 24 [2] Cu (1) 1,0 FCC e forma globular. Aglomerados [3] Cu (2) [4] CuO 0,5 elípicos Quase esférica 50 superior- e disco – parte inferior). com baixas concentrações de Cu, diminuiu. o Cu e Fe e adsorção física. Esfera de aço foi utilizada como condutor, a qual foi pressionada contra o disco de aço num movimento de vai e vem horizontal. O coeficiente de atrito e o desgaste diminuíram com o teor de Adsorção nanopartículas de física e Cu em 7.5wt%, química mas, quando a concentração de (formando o filme e nano partícula é maior do que o penetrando na superfície recomendado, as protegendo). propriedades tribológicas do cobre são enfraquecidas. SN 650. Óleo Sintético e Óleo Mineral. As suspensões de O mecanismo CuO de aditivo apresentaram o antidesgaste maior coeficiente em de atrito e nanopartículas desgaste por foi produzido Polialfaole- 25 0,5 monoclínico. 100 Four-Ball [5] ZnO 2,0 Quase esférica hexagonal 50 Four-Ball menor conteúdo de nanopartículas. Maior concentração de CuO melhora o comportamento tribológico de suspensões. por tribosinterização. As suspensões com 0,5% de ZnO teve o melhor comportamento tribológico em geral, exibindo baixo atrito e valores de desgaste reduzido. O mecanismo de aditivo antidesgaste em nanopartículas foi produzido por tribosinterização. Suspensões de nanopartículas apresentaram reduções em O mecanismo de aditivo antidesgaste em fina (PAO 6) Polialfaolefina (PAO 6) 26 [6] ZrO2 1,0 [7] TiO2 Varia de 0,05 a 2,97. Esférica monoclínica. Esférica 50 Four-Ball Varia Equipamento de para teste de 59atrito (bloco 220. cilíndrico e pistão). atrito e desgaste em comparação com o óleo básico. TiO2 como aditivo exibiu uma força de atrito menor, em comparação com o óleo original. nanopartículas foi produzido por tribosinterização. Película protetora vem da deposição de produtos, ou seja, da reação produzida por silanização das nanoparticulas durante o processo de atrito. Este efeito pode resultar num filme limite anti-desgaste. Polialfaolefina (PAO 6) Óleo parafínico convencional (SAE 1 0W40). *Concentração; **Tamanho de Partícula; ***Mecanismo; ****Lubrificante. [1]. Autor: Zheng et. al., (2010); [2]. Autor: Wang et. al., (2008); [3]Autor: Zhang et. al., (2011); [4] Autor: A. Hernandez Battez, et. al., (2008); [5] Autor: A. Hernandez Battez et. al., (2008); [6] Autor: A. Hernandez Battez, et. al., (2008); [7] Autor: Yuh et. al., (2011). 27 2.4.ANÁLISE DE DESEMPENHO DOS LUBRIFICANTES (TRIBOTESTES) O tribômetro é um equipamento versátil para medição de propriedades de atrito e desgaste de combinações de materiais e lubrificantes sob condições específicas de carga, velocidade, temperatura e atmosfera. A caracterização tribológica envolve estudos próximos às condições de uso do material assim como os estudos sobre o coeficiente de atrito, taxa de desgaste e durabilidade do filme (RADI, 2007). O quadro 4 apresenta diversos tribômetros, mostrando como se dá o contato do par tribológico. Quadro 4: Ensaios Tribológicos. Esquema Construtivo Equipamentos Pino-disco Almem Falex Descrição Consiste em um pino contra um disco, desenvolvendo um movimento sob ação de uma carga. Um eixo gira um mancal de bucha fendida, que pressiona o eixo. A cada 2 segundos são adicionados pesos de 2 libras. Um eixo gira entre duas castanhas de grande dureza e são pressionadas contra o eixo com uma força crescente. 28 Fourball SAE FZG Timkem Fonte: Carreteiro e Belmiro (2006). Uma esfera de meia polegada gira atritandose com três esferas similares fixas. Podemse notar a carga necessária para causar a soldagem ou gradualmente cargas constantes observando o desgaste do diâmetro das esferas. Dois cilindros girando em velocidades diferentes pressionados um contra o outro. Engrenagem gira a uma velocidade constante com uma temperatura do lubrificante-padrão. A carga sobre os dentes aumenta em estágios de 1 a 13; a cada estágio são observadas as alterações nos dentes. Um bloco é pressionado contra um anel cilíndrico de aço rotativo durante dez minutos. É anotada a carga na qual não acontece o gripamento. 29 3. METODOLOGIA PREPARAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS BIOLUBRIFICANTES, PREPARAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DAS NANOPARTÍCULAS, AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO TRIBOLÓGICO. O procedimento experimental está divido em 7 etapas observados no fluxograma da Figura 7. Figura 7: Fluxograma das etapas da metodologia aplicada nesta dissertação. Nos itens a seguir descrevem-se as etapas citadas no fluxograma. 30 3.1.PREPARAÇÃO DOS LUBRIFICANTES A PARTIR DOS ÓLEOS VEGETAIS. As quantidades de cada reagente foram determinadas através de cálculos estequiométricos, que foi baseado no número de insaturações dos ácidos graxos (oleico1, linoleico-2, linolênico-3) com 50% de excesso para garantir que a reação ocorra. A razão estequiométrica utilizada na reação de epoxidação é de 20:2:1 (Peróxido de Hidrogênio : Ácido Acético : Óleo Vegetal). A reação ocorre adicionando ao óleo vegetal (soja e girassol), ácido acético e 3,26 % de ácido sulfúrico (catalisador) por 30 minutos em agitação. Em seguida, adiciona-se peróxido de hidrogênio a 35% gotejando até o término do reagente por volta de uns 20 minutos e deixa por mais 4 horas e 30 minutos sob agitação a uma temperatura de 50 °C. Após esse procedimento, faz-se necessário uma neutralização do biolubrificante devido a sua acidez depois da reação de epoxidação. Assim, lava-se com água destilada em uma temperatura de 70 °C até chegar no pH neutro (pH 6-7). Quando ocorrer uma aproximação do pH neutro, adiciona-se um sal (Bicarbonato de sódio) ajudando inicialmente a chegar no pH neutro e também funcionando como solução tampão. E finalmente seca-se o óleo lubrificante a 90-100°C por 4 h, pois, é importante para conter o mínimo de água possível. 3.2.PREPARAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DE NANOPARTÍCULAS As nanopartículas de CuO e ZnO foram preparados por um método usando nitrato de cobre, nitrato de zinco, hidróxido de sódio, ácido acético e etanol como materiais de partida. Inicialmente, pesou-se 5 e 10 mmol de nitrato de metal (Cu ou de Zn) e de ácido acético, respectivamente, foram dissolvidos em 0,5 L de etanol. Depois aqueceram-se esses reagentes a 78 ° C sob agitação constante. Em seguida, adicionou-se 31 20 mmol de NaOH em pó, previamente pulverizado. As reações foram realizadas durante 1 h produzindo coloides que ficaram em suspensão. As nanopartículas foram coletadas a partir dessas suspensões por centrifugação a 3600 rpm durante 2 h. O material coletado foi lavado três vezes com água quente e secas a 60 ºC. Em seguida, as amostras produzidas foram caracterizadas por difração de raios-X e microscopia eletrônica de varredura (MEV). As análises de difração de raios X foram realizadas utilizando um difratômetro de pó de XRD-6000 com a radiação Ka-alfa (é a emissão de elétrons em transição do interior da primeira camada "K" (principal número quântico 1) a partir de um orbital 2p para a segunda camada "L" (com o principal número quântico 2)) para o Cu, operando a 30 kV e 30 m, na gama de 20 a 70 graus com varredura de 0.02°/min. Posteriormente, o tamanho de cristalito foi calculado usando a equação 2 de Scherrer (Klug et. al., 1962). Dhkl = k λ / ß. cos.Ѳ, Equação 2: Equação de Scherrer. Onde: Dhkl é o tamanho do cristalito; k é o fator da forma da esfera (0,89); Ѳ ângulo da difração; ß é a metade da largura total (FWHM) do pico; λ é o comprimento de onda de raios-X (1,54056 A). 3.2.1. Aditivação com as nanopartículas de óxidos Após o biolubrificante ter sido sintetizado aditiva-se com as nanopartículas de óxido (cobre e zinco). Para obter uma boa dispersão e estabilização em óleo, foram utilizados 0,5 % em peso da massa para as nanopartículas de óxido de cobre e de zinco a uma velocidade 32 de rotação 90 rpm por 4h. Antes dos ensaios, realizou-se a agitação de alta velocidade mecânica (rotação de 1250 rpm, por 8 min) e dispersão em ultra-som (potência 100 W, a temperatura 35 ºC e duração 8 min) para tentar obter as suspensões das nanopartículas uniformes no óleo lubrificante. A porcentagem 0,5% w foi determinada com base na revisão bibliográfica. 3.3. CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA DOS LUBRIFICANTES SINTETIZADOS 3.3.1. Viscosidade A análise de viscosidade foi realizada no Laboratório de Combustíveis e Lubrificantes (NUPEG – Núcleo de Petróleo e Gás) com o Reômetro, que é um viscosímetro rotacional medindo assim, por uma velocidade angular de uma parte móvel separada de uma parte fixa pelo líquido. Foram utilizadas 150 mL das amostras (Óleo de Soja Puro, Óleo de Soja Epoxidado, Óleo de Girassol Puro e Óleo de Girassol Epoxidado) para análise de viscosidade no equipamento Reômetro de marca CONTENCO e modelo PAVITEST, com dois níveis de temperatura (40 °C e 100 °C). O índice de viscosidade é obtido pela norma ABNT NBR-14358, cujo cálculo é baseado nos valores da viscosidade cinemática às temperaturas de 40º C e 100 º C. Quanto mais alto o IV, menor o efeito da temperatura sobre a viscosidade do produto. A Norma Brasileira NBR 14358 de 2005, baseada no método ASTM 2270, indica toda a metodologia para se obter o IV de um produto, através de tabelas padronizadas que indicam os parâmetros adotados pelo método em questão. Para efeito de composição das tabelas para o cálculo do IV, foram tomados como referência dois óleos básicos padrões: um proveniente da Pensilvânia e outro do Golfo do México, aos quais foram conferidos os valores arbitrários de 0 (zero) e 100 (cem) respectivamente para os seus IV’s. A partir daí, elaborou-se uma tabela com os valores de viscosidade a 40º C dos dois óleos básicos medidos em centistokes ou milímetro quadrado por segundo. Para o óleo com IV=0, esses valores situam-se na 33 coluna nomeada pela letra L e para o óleo com IV=100 esses valores estão na coluna denominada pela letra H. A tabela apresentada só é aplicada a produtos de petróleo com viscosidade cinemática entre 2 cSt e 70 cSt. Se chamarmos pela letra U a viscosidade cinemática em cSt. a 40ºC do produto cujo IV se deseja calcular, o cálculo do IV será dado pela seguinte equação: IV= (L-U) x 100 /(L-H) Equação (3) 3.3.2. Densidade Esta análise foi realizada em picnômetros, onde se pesou o picnômetro vazio, depois com água destilada. Após lavar e secar o picnômetro pesou-se em balança analítica com o óleo lubrificante e o óleo puro de soja e girassol. Essa análise foi realizada no Laboratório de Química da ECT, segundo a norma do Instituto Adolfo Lutz (1985, p. 18-21). 3.3.3. Composição Química por Infravermelho As análises foram realizadas na região do infravermelho médio (4000 a 400 -1 cm ). Utililizou-se uma célula líquida equipada com cristal de ZnSe. O tamanho do foco na amostra geralmente varia de 0,5 a 10 mm. Os divisores de feixe são escolhidos de acordo com a região espectral de trabalho. As velocidades de varredura do espelho móvel geralmente se encontram na faixa de 0,01 a 3,1 cm/s, que permite à obtenção de um espectro completo na região standard de 0,2 s. A resolução em número de onda para as configurações standard está na faixa de 0,2 a 5 cm-1 (ALVES, 2009). 3.3.4. Acidez Esta análise determina o teor de ácido livre em um óleo vegetal. Pesa-se, com exatidão, aproximadamente, 5 g de óleo vegetal diretamente dentro de um erlenmeyer de 250 mL. Adiciona-se 50 mL de uma mistura recém-preparada de éter etílico – etanol (1:1). Faz-se a mistura na capela, aquecendo-a levemente para facilitar a solubilização. 34 Adicionam-se 2 a 3 gotas de fenolftaleína e titula-se com solução de hidróxido de sódio 0,02 mol. L-¹, até coloração rósea persistente por 15 segundos. Essa análise foi realizada no Laboratório de Química da ECT segundo norma do Instituto Adolfo Lutz (1985, p. 25). A determinação da acidez foi feita pela equação (4): I.A = [ (BxMbx56,1)x100] / ma. Equação (4) Aonde: B = volume gasto de NaOH. Mb = molaridade do NaOH. Ma = massa de amostra pesada. 3.3.5. Índice de Iodo Ele é utilizado para medir o grau de insaturação de um óleo ou gordura, expresso em centigramas de iodo absorvido por grama de amostra (% de iodo absorvido). Quanto maior o índice de iodo, mais ligações insaturadas estão presentes no óleo ou gordura analisados. Essa análise foi realizada no Laboratório de Química Tecnológica da ECT segundo Akishino (2008, p. 69). O índice de iodo foi determinado pela equação 5: Índice de iodo (g I2/ 100g gordura) = (B-C). N. 12,69 / A Equação (5) Onde: A: peso da amostra B: consumo de solução de tiossulfato de sódio na titulação da prova em branco C: consumo de solução de tiossulfato de sódio na titulação da amostra N: normalidade de tiossulfato de sódio utilizado na solução. 35 3.3.6. Análise Térmica (TG) Utilizou-se 10 mg da amostra de óleo de soja e girassol epoxidado, numa taxa de aquecimento de 10 °C/min, iniciando a corrida em 25 °C e chegando aos 600 °C, em atmosfera de nitrogênio e de ar atmosférico a um de fluxo de 50 mL/min. 3.4. AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO TRIBOLÓGICO 3.4.1. Desempenho Tribológico por HFRR A preparação do disco (AISI 52100) foi realizada através de lixamento (220# a 1200#) e polimento para atingir uma rugosidade de Ra=0,02 μm. Após esse procedimento, o disco e a esfera foram limpas com detergente e secas com papel toalha. Em seguida o disco e a esfera são colocados num béquer com tolueno por 7 minutos. Após este tempo, elas foram secas em ar quente e emergidas em acetona para continuar a limpeza por mais 3 minutos. Ao término da limpeza, secou-se e pesou-se a amostra, assim a mesma foi utilizada no ensaio tribológico. O par tribológico (esfera – disco) apresentado na figura 8 é colocado nos suportes do HFRR e o ensaio é realizado com as condições mostradas na Tabela 1. Tabela 1: Parâmetros usados no ensaio tribológico para verificar atrito e desgaste. Parâmetros usados no equipamento High Frequency Reciprocating Rig Frequência Carga Deslocamento Temperatura Tempo 20 Hz 10 N 1 mm 50 º C 60 min Segundo, a norma ASTM 295 (1998), o aço 52100 é um aço de elevado teor de carbono, ligado ao cromo: Cr (1,30~1,60)%; C (0,98~1,10)%; Mn (0,25~0,35)%; S (máx. 0,025)% ; Si (0,15~0,35)%. A composição química do aço AISI 52100 é mostrada na Tabela 2, referida em porcentagem dos elementos principais contidos no disco utilizado nos ensaios deste trabalho segundo Farias (2011) é: 36 Tabela 02 – Composição química (% p.) do disco de aço AISI 52100 Fe Bal. C Mn Cr S Si Al Ca 0,900 0,413 1,567 0,127 0,546 0,105 0,154 Fonte: Farias (2011). Na figura 7 verifica-se um desenho esquemático do ensaio HFRR, que é um equipamento para ensaios tribológico de deslizamento com movimentoalternado, onde o corpo de prova e o contra-corpo estão submergidos com o óleo lubrificante escolhido e aquecido pela placa aquecedora submetido a uma carga. Ocorre então o movimento relativo ao iniciar o ensaio. Figura 8: Esquema do HFRR. Fonte: Farias, (2011). Durante o ensaio HFRR foram monitorados coeficiente de atrito e formação do filme lubrificante. Após o fim do ensaio foi mensurada a escara de desgaste da esfera com auxílio de um microscópio ótico. As superfícies desgastadas nos discos foram examinadas por microscopia eletrônica de varredura (MEV) Hitachi TM3000 e espectroscopia (EDS). 37 4: RESULTADOS E DISCUSSÕES CARACTERÍSTICAS FÍSICO-QUÍMICAS DOS ÓLEOS LUBRIFICANTES, CARACTERIZAÇÃO DAS NANOPARTÍCULAS, DESEMPENHO TRIBOLÓGICO DOS LUBRIFICANTES E PRESSÃO MÁXIMA DE CONTATO DE HERTZ. 4.1.CARACTERÍSTICAS FÍSICO-QUÍMICAS DOS ÓLEOS LUBRIFICANTES As propriedades físico-químicas são importantes para avaliar a qualidade de um lubrificante. Na tabela 3 estão apresentadas as propriedades analisadas para os biolubrificantes desenvolvidos nesta pesquisa e para os óleos comerciais, mineral e sintético. Segundo Neto (1999), a densidade do óleo de soja é de (0,9160 a 0,9220 g/cm3), pela resolução nº 482, de 23 de setembro de 1999 e para o óleo de girassol, a densidade é de (0,9150 - 0,9200 g/cm3) a uma temperatura de 25o C. Assim, para os biolubrificantes de soja e girassol, observa-se que ficaram mais densos que os óleos comerciais refinados devido às propriedades físicas e químicas terem sofrido mudanças com alteração química, no caso, fala-se da reação de epoxidação. Os óleos modificados quimicamente melhoram suas propriedades físico-químicas, ou seja, uma reação de epoxidação pode melhorar de uma forma bem significativa em uma maior viscosidade, aderência, maior densidade, uma baixa acidez, entre outras propriedades como Neto (1999) relata em seus estudos. 38 Tabela 3: Características Físico-Químicas dos Lubrificantes e Óleos comerciais. Biolubrificantes, Densidade Índice de Acidez Viscosidade Índice de Lubrificantes e (g/cm3) a Iodo (g de (% mg a 40 ºC / 100 Viscosidade Óleos 25 ºC I2/ 100 g de NaOH) ºC (CSt) gordura) Comerciais / CFQ* 0,9798 Soja 3,64 0,04 144,72 / 145 28, 08 Girassol 0,9805 3,75 0,06 151,2 / 28,08 144 Soja Comercial 0,9335 114,35 2,2265 74,68/26,0 159 Girassol 0,9183 119,77 2,2635 82,65/25,8 157 Mineral 0,8474 - - 82,2/15,06 146 Sintético 0,8303 - - 88,84/17,8 150 Comercial Já as densidades dos óleos minerais e sintéticos estão de acordo com a literatura, que segundo Neto (1999), o óleo mineral tem densidade de aproximadamente (0,8300 g/cm3) e o óleo sintético (0,8870 g/cm3). As densidades dos óleos lubrificantes estão compatíveis com as da literatura. Para saber se a reação de epoxidação realmente ocorreu, ou seja, verificar a eficiência desse processo, foi utilizado o índice de iodo, que é o número de centigramas de iodo absorvidos por 1 grama de gordura. A tabela 3 mostra os valores do índice de iodo obtidos para os óleos epoxidados. 39 Tendo em vista essa observação, os índices de iodo para os biolubrificantes foram baixos indicando a eficiência da epoxidação, sendo que os índices de iodo para os óleos comerciais refinados de soja e de girassol, pela literatura são de (120 a 141 g I2/100 g) e (110 a 143 g I2/100 g), respectivamente, segundo Farias (2010). A acidez dos biolubrificantes (Tab. 3) apresentou índice abaixo dos valores para os óleos comerciais refinados, indicados pela literatura (soja- até 3% e girassol- até 2%) de acordo com Farias (2010) e o índice de acidez e basicidade no método indicador na faixa: (0,00 a 2,00) mg/gKOH pela ASTM D 974/08e1 e NBR 14248/2009, o que é excelente, pois, uma alta acidez nos biolubrificantes não é recomendável devido à ocorrência de oxidação, hidrólise e até fermentação, o que contribui diminuir o estado de conservação do lubrificante vegetal. A viscosidade para os biolubrificantes apresentaram valores maiores (Tab. 3) que os dos óleos comerciais refinados como Brock et al. (2008) relatam em seus estudos (a 40 ºC : soja – 31,9 cSt e girassol – 31,6 cSt) e (100 ºC: soja e girassol - 5,1 cSt). As viscosidades para os óleos sintético e mineral têm valores menores em relação às demais viscosidades quando estas são a 40 ºC e 100 ºC (Tabela 3). Isso se explica devido os lubrificantes vegetais terem uma viscosidade aumentada com o tamanho da cadeia do éster (número de átomos de carbono) e com o aumento do grau de insaturação nela existentes. Isto torna o biolubrificante mais viscoso que os óleos minerais e sintéticos quando submetidos a altas temperaturas. Quando os óleos sintéticos e minerais são aquecidos a 100 ºC resulta em uma diminuição da viscosidade devido às classes desses óleos lubrificantes apresentarem parâmetros reológicos e composição química diferente dos demais óleos lubrificantes. Deve-se considerar que a viscosidade é uma característica fundamental para uma boa lubrificação. Na lubrificação limítrofe, entretanto, os óleos vegetais tiveram valores de viscosidades superiores aos óleos mineral e sintético, mesmo assim, o melhor desempenho de menor atrito e desgaste foi com os óleos de menor viscosidade. Para o índice de viscosidade, é um número que indica o grau de mudança da viscosidade de um óleo a uma dada temperatura, todos os óleos lubrificantes obtiveram bons índices, valores adequados para um lubrificante de boa qualidade. Um alto índice 40 de viscosidade indica uma menor mudança na viscosidade com o aumento da temperatura e um baixo índice ocorre o contrário. 4.1.1. Análise Termogravimétrica (TGA) A figura 9 apresenta as curvas de TGA dos lubrificantes (sintético e mineral) e dos biolubrificantes (soja e girassol) em ar atmosférico (nitrogênio e oxigênio): Figura 9: a) TGA dos lubrificantes ensaiados em ar atmosférico - nitrogênio; b) TGA dos lubrificantes ensaiados em ar atmosférico - oxigênio. a) 41 b) A curva TGA em (9-a) do óleo de soja epoxidado em ar atmosférico – nitrogênio - apresentou uma etapa de perda de massa no intervalo de 330 – 475 °C atribuída à decomposição dos ácidos graxos (principalmente do ácido linoleico, que é o principal componente do óleo de soja) com perda de massa de 98 %. A figura 8 revela as afirmações citadas acima. Para a curva TGA em (9-a) do óleo de girassol epoxidado em ar atmosférico nitrogênio - apresentou uma etapa de perda de massa no intervalo de 340 – 475 °C devido à decomposição dos ácidos graxos - decomposição maior do ácido linoleico que é a porcentagem maior na composição química do óleo de girassol epoxidado, com um valor de perda de massa próxima aos 99,9 %. O óleo mineral pode quando aquecido, em presença de oxigênio, acima de 200 ºC gerar vapor de água, e acima de 400 ºC originar metano, etano, etileno e dióxido de carbono, segundo Piluski e Hotza (2008). Em seus estudos, Piluski e Hotza (2008), a perda de vapor de água, desidroxilação e volatilidade do óleo mineral foram por volta de 16,95%, indicando que o resultado desta pesquisa está de acordo com a literatura e experimentos já realizados anteriormente. O óleo mineral em ar atmosférico - nitrogênio (8-a) apresentou uma etapa de perda de massa no intervalo de 150-330 °C, sendo que 16,11% são atribuídas perda de água, desidroxilação e volatilização do óleo mineral. Observou-se também que em 330 ºC houve 100 % de massa perdida. 42 A curva de TG do óleo sintético o ensaio também foi realizado em atmosfera de nitrogênio apresentou uma etapa de perda de massa no intervalo de 250 – 400 °C. Segundo Santos (2004), a perda de massa observada nesta faixa de temperatura é atribuída à eliminação de compostos de baixo peso molecular seguida pela degradação de hidrocarbonetos. A perda desses compostos foi de 12, 45 mg/s. Estas etapas são consideradas de grande importância para a determinação da estabilidade térmica dos óleos lubrificantes, pois correspondem ao processo de volatilização dos componentes de baixa e larga distribuição de peso molecular (AZEVEDO et al, 2005). Segundo Deneen, (1994) ao contrário dos óleos minerais, que possuem naturalmente uma complexa mistura de moléculas de hidrocarbonetos, os fluidos de base sintética têm uma estrutura molecular controlada, que lhes assegura uma ampla gama de propriedades específicas. Estes óleos possuem um maior equilíbrio térmico podendo resistir a operações em altas temperaturas, o que pode ser observado através da temperatura inicial de degradação, sendo maior nos óleos sintéticos. Os óleos sintéticos apresentaram uma temperatura inicial de degradação de 250ºC, enquanto, os óleos minerais 150ºC. Comparando a figura (9-a) com a (9-b) existe uma percepção quanto à atmosfera utilizada no ensaio, já que o ambiente utiliza o lubrificante que possui mais oxigênio, tentou-se observar a diferença entre as atmosferas de nitrogênio e oxigênio chegando aos seguintes resultados: os biolubrificantes de soja e girassol atingiram maior equilíbrio térmico nas duas atmosferas ensaiadas com valores bem semelhantes nas temperaturas onde ocorreram as perdas de massa, porém, com maior perda de massa na atmosfera de nitrogênio. O mesmo ocorreu para os lubrificantes sintético e mineral, com mais perda de massa na atmosfera de nitrogênio, mas, com menor equilíbrio térmico. Os óleos vegetais apresentaram maior equilíbrio térmico que os óleos minerais e sintéticos, pois os ácidos graxos degradaram-se em uma temperatura maior, sendo viáveis para um bom lubrificante. 43 4.1.2. Composição Química por Infravermelho Os espectros dos infravermelhos dos biolubrificantes demonstraram ser muito semelhantes. A região, compreendida entre 1300 e 1100 cm-1, apresenta um padrão com três bandas, sendo que a banda de maior frequência e a mais intensa é característica da ligação C-O devido à ocorrência da reação de epoxidação, indicando que as reações se deram pela abertura do anel epóxido. Por volta de 1500 cm-1 aparece uma banda que representa uma vibração de deformação axial de C=C, que é característica própria dessa banda, porém indicando que não houve conversão total das duplas ligações segundo Reiznautt (2008), pois, se houvesse conversão total em teor epóxi não apareceria essa banda espectral. Também são observadas, nesses espectros abaixo, algumas absorções típicas dos triacilglicerídeos, como a intensa absorção do estiramento da carbonila C=O em 1745 cm-1 e o sinal de intensidade média próximo de 1150 cm-1 característico da deformação axial do grupo funcional σ C – O – C do éster. O sinal da absorção do estiramento da carbonila geralmente não muda muito de posição, é livre de interferências, é o sinal mais fácil de identificar no espectro. Essa banda é também característica devido às reações que ocorreram modificando quimicamente esse óleo. De modo semelhante, nos dois espectros apresentaram as bandas fortes referentes ao estiramento simétrico e assimétrico para a ligação C-H em grupos olefínicos (νsC-Holef e νasC-Holef) em (2930 - 2856 cm-1) para os derivados insaturados (18:1, 18:2 e 18:3) (SKOOG, 2002 e SILVERSTEIN, 2005). 44 Figura 10: a) e b) - Espectros dos Infravermelhos de Óleo de Girassol e Óleo Soja. a) Espectro do Infravermelho do Óleo de Girassol Epoxidado. b) Espectro do Infravermelho do Óleo de Soja Epoxidado. 45 Para uma comparação pode-se observar um espectro de óleo de girassol epoxidado encontrado nos estudos de Reiznautt (2008), na figura 10 abaixo: Figura 11: Espectro de Infravermelho do metil-éster e do epóxi-éster a partir do óleo de girassol. Fonte: Reiznautt (2008). Logo, a composição química por infravermelho deste trabalho mostrou que os óleos de soja e de girassol foram epoxidados pela presença do estiramento C-O, confirmando a abertura do anel oxirano quebrando as ligações insaturadas da cadeia carbônica, porém, não se obteve conversão total de epóxido, pois, apareceu a banda referente C=C. Mesmo tendo transmitâncias um pouco diferentes, apresentaram sinais espectrais semelhantes. 4.2. CARACTERIZAÇÃO DAS NANOPARTÍCULAS A figura 12 mostra os padrões de difração das amostras. Em ambos os casos, as fases puras foram obtidas e todos os picos de difração indexada à estrutura hexagonal com espaço grupo P63mc (ZnO) e estrutura monoclínica com grupo espacial Cc (CuO). Estes dados estão de acordo com a norma JCPDS # 75-0576 para o óxido de zinco, e # 80-1916 para o óxido de cobre. 46 O tamanho médio de cristalito obtido de amostras em pó de ZnO e CuO são cerca de 11,71 e 4,35 nm, respectivamente. A densidade do ZnO é de 5, 657 g/cm³ e do CuO é de 6,516 g/cm³, assim sendo, densidades altas para os aditivos. Figura 12: Raios X das amostras preparadas de difração. Os pós foram analisados por microscopia eletrônica de varredura em um microscópio Philips-XL30 ESEM. Os resultados estão representados na Figura 13. Pode ser visto aglomerados formados durante o processo de coleta por centrifugação das nanopartículas. 47 Figura 13: Micrografias das amostras preparadas (a), CuO e (b) de ZnO. a) b) Tentou-se dispersar estas nanopartículas por tratamento com ultrassom, a fim de assegurar a formação de uma suspensão estável no óleo básico. Porém, quando aditivados aos lubrificantes e biolubrificantes, não obtiveram a dispersão esperada devido à falta de um tensoativo e um nível de energia maior que ajudasse nessa dispersão nos lubrificantes e biolubrificantes. 4.3. ANÁLISE TRIBOLÓGICA DOS ÓLEOS LUBRIFICANTES Os ensaios tribológicos foram realizados no tribômetro HFRR (High Frequency Reciprocating Rig). Esses testes tribológicos têm o objetivo principal analisar o desgaste, coeficiente de atrito e formação de filme nas condições de lubrificação limítrofe. As nanopartículas de óxido de cobre e de zinco não apresentaram o mesmo comportamento quando adicionados aos diferentes óleos lubrificantes estudados. Os óxidos de cobre obtiveram mais afinidade com os óleos sintéticos, enquanto o zinco teve mais afinidade com os óleos minerais e os dois óxidos com óleos lubrificantes vegetais aumentaram atrito e desgaste. Associa-se esse comportamento devido à falta de sinergismo das nanopartículas de óxidos com os biolubrificantes. 48 Nos gráficos da figura 14 e 15 respectivamente pode-se observar os coeficientes de atrito e formação de filme nos primeiros ensaios entre os óleos bases com as nanopartículas de óxido e os biolubrificantes puros para verificar a eficiência destes sem aditivos: Figura 14: Coeficientes de atrito em funções do tempo lubrificados com óleo de bases diferentes com e sem aditivo de nanopartículas: a) óleo mineral básico; b) óleo sintético básico; c) óleo de soja; d) óleo de girassol. a) b) c) d) Os coeficientes de atrito de todos os lubrificantes foram apresentados na fig. 14a-d. O desempenho do lubrificante mineral e sintético sem aditivo apresenta um valor alto, enquanto que, com a adição de nanopartículas de CuO e ZnO, o coeficiente de atrito tem uma diminuição significativa, porém, as nanopartículas de CuO tiveram melhor afinidade com o óleo sintético melhorando suas propriedades de lubrificação, 49 enquanto nos óleos minerais, o que teve melhor sinergismo e valorizando as propriedades de lubrificação foram as nanopartículas de ZnO apresentados nas Fig, 14a e 14b). No entanto, este comportamento não foi observado para os óleos de bases vegetais (Fig, 14c e 14d), que a adição de nanopartículas proporcionou um pequeno aumento do coeficiente de atrito. Nestes casos, as nanopartículas não atuaram como aditivo anti-atrito. Assim, o desempenho de nanopartículas de CuO e ZnO estão relacionados com o óleo de base e nos vegetais entra a questão da polaridade dos óleos. De acordo com Chiñas e Spikes (2000), as nanopartículas penetram na zona de contato e, em seguida, depositam-se sobre esta zona, devido eles serem menor ou semelhante em tamanho com a película lubrificante. Por outro lado, as nanopartículas em alguns casos podem aumentar o atrito ou desgaste assim foi observado para a mistura de óleos vegetais e nanopartículas. Para o percentual de filme formado pode-se observar nos gráficos (Fig. 15a-d): Figura 15: Formação de Filme nos lubrificantes estudados: a) mineral básico; b) sintético básico; c) óleo de soja; d) óleo de girassol. a) b) 50 c) d) O comportamento de atrito apresenta uma resposta que corresponde à formação da película entre os contatos, de acordo com as condições de lubrificação limite. A figura 15 apresenta o comportamento de formação de filme dos lubrificantes estudados. A formação de filme é fortemente influenciada pela óleo base e aditivos EP. Quando a óleo base sem aditivo foi utilizado houve formação de filme. Em uma porcentagem não muito expressiva, o óleo sintético e o óleo mineral também formaram uma película protetora, porém em todos os óleos báses apresentaram algumas oscilações de formação de filme durante o ensaio. O que aconteceu foi que ocorreu a formação de filme, mas, também a remoção desse filme durante o movimento relativo (reciprocating). Há a hipótese que quando ocorre o movimento, ida ou volta das superfícies em contato, forma o filme fino protegendo as superfícies e em seguida, quando a película é rompida ocorre contato direto dessas superfícies causando um desgaste abrasivo. A película isolante foi mais significativa para os óleos sintéticos e minerais quando CuO e ZnO foram adicionados, respectivamente. Por outro lado, os óleos de girassol e de soja puros apresentaram uma ótima formação de filme. Óleo vegetal, naturalmente, contêm espécies moleculares com propriedades de lubrificação limite (como, ácido oleico) o que explica Hutching (2000). Quanto ao número de ciclos, que é o deslocamento que ocorre nono movimento alternado, ou seja, 1 ida e 1 volta durante o ensaio no equipamento HFRR forma um ciclo, observou-se que a partir de 30x103 ciclos há mudanças significativas na diminuição do coeficiente de atrito e aumento da formação de filme. As Figuras 16 e 17 apresentam as micrografias de MEV das superfícies do disco usado sob condições de lubrificação diferentes e o valor de WSD (diâmetro do 51 desgaste da esfera). Com essas imagens é possível avaliar a capacidade anti-atrito das nanopartículas com óleo base. A superfície desgastada para óleos vegetais puros (Fig. 16a-b) apresentam quase nenhum sinal de ranhuras graves e que é mais liso e plano do que a superfície desgastada para óleos minerais e sintéticos (Fig. 17a-b). No entanto, quando as nanopartículas de CuO e ZnO foram adicionados a óleos vegetais (Fig.16c-f) é possível observar pequenos sinais de desgaste abrasivo na direção de deslizamento. Este resultado mostra que nanopartículas de CuO e ZnO não apresentam uma boa capacidade antidesgaste quando combinados com lubrificantes vegetais, ao contrário, estas partículas aumentam o desgaste. Comparando o efeito dos CuO e ZnO, é possível concluir que, para ambos os óleos de girassol e de soja epoxidado, as nanopartículas de ZnO mostram menor afinidade com a superfície com pequenos riscos e, consequentemente, maior desgaste. Este fato de maior desgaste é confirmado pela observação clara do WSD, que foram verificadas para óleo vegetal adicionado com nanopartículas de ZnO. O óleo vegetal epoxidado sem aditivos apresentaram menores diâmetros de desgaste da esfera. 52 Figura 16: Micrografias das superfícies desgastadas lubrificados com: a) óleo de girassol; b) óleo de soja; c) óleo de girassol + CuO; d) óleo de soja + CuO; e) o óleo de girassol + ZnO; f) óleo de soja + ZnO. a) WSD = 187 μm b) WSD = 203,5 μm c) WSD = 190 μm d) WSD = 230 μm e) WSD = 201 μm f) WSD = 239 μm 53 O diferente comportamento tribológico é verificado com óleo básico - mineral e sintético - (Fig. 17), as superfícies de desgaste após ensaios com óleo mineral e sintético puro possuem maiores ranhuras em comparação com os óleos vegetais. Quando o CuO e ZnO foram adicionados, a superfície desgastada ficou relativamente suave e com apenas ligeiros sinais de desgaste. No entanto, é evidente que as nanopartículas têm um desempenho diferente dependendo óleo base. Para o óleo de base sintética, a nanopartícula mais adequada é CuO resultando em menor desgaste e menor desgaste do diâmetro da esfera - WSD. Hernández Battez et al (2007), conclui que adicionando nanopartículas de CuO em óleo sintético (PAO) apresenta melhor comportamento EP com menor WSD. Por outro lado, o óleo mineral apresentou melhor desempenho quando ZnO foi adicionado, neste caso, menor WSD foram verificadas. Além disso, a combinação de óleo de WSD e nanopartículas confirmam os resultados do coeficiente de atrito. Figura 17: Micrografias das superfícies desgastadas lubrificados com: a) o óleo sintético; b) óleo mineral; c) óleos sintéticos + CuO; d) óleo mineral + CuO; e) o óleo sintético + ZnO e f) óleo mineral + ZnO. a) WSD = 303,5 μm b) WSD = 252,5 μm 54 c) WSD = 278,5μm d) WSD = 273,5 μm e) WSD = 293 μm f) WSD = 247 μm A fim de avaliar a formação de filme sobre a superfície desgastada, foi importante realizar análise de EDS, como se apresenta na fig. 17. Esta figura apresenta a análise química elementar das regiões de contato lubrificadas com diferentes lubrificantes contendo nanopartículas de CuO ou ZnO. Além disso, os EDS apresentam os elementos químicos presentes nas áreas indicadas na fig. 16 e 17. Com base na fig. 17(a-d) foi possível avaliar o efeito de CuO sobre a redução do desgaste. O maior teor de Cu foi encontrado quando o óleo sintético foi o lubrificante de base. Como foi mencionado acima, o melhor desempenho para o óleo sintético é obtido com nanopartículas de CuO, este fato foi comprovado através do espectro EDS. Para o óleo de girassol e o mineral, o percentual de Cu foi menor, indicando menor deposição de CuO sobre a superfície desgastada. Curioso é o espectro de óleo de soja, Cu não está identificado na superfície desgastada e, consequentemente, nenhuma película CuO foi formada. Outra importante observação é o teor mais elevado de carbono (C) na superfície desgastada lubrificada com óleo de girassol + CuO em comparação com as 55 outras superfícies. O elemento carbono possivelmente deriva da composição do óleo, devido à sua maior polaridade, que ajuda a adesão do material na superfície. Figura 18: Análise de EDS da superfície desgastada de disco de aço por: o óleo de soja a) óleo de girassol + CuO, b) + CuO, c) óleos sintéticos + CuO, d) óleo mineral + CuO, e) o óleo de girassol + ZnO, f) o óleo de soja + ZnO, g) de óleo sintético e ZnO, h) óleo mineral + ZnO. Analisando o conteúdo de zinco (Zn) nos espectros da EDS (Fig. 17(e-h)) verificou-se que o Zn está presente em toda a superfície desgastada em menor concentração do aditivo nos óleos: sintético e soja epoxidado, indicando uma menor deposição na superfície gasta. Por outro lado, observou-se um maior teor de Zn na superfície desgastada para o óleo mineral, a formação do filme mostrado foi mais eficaz com ZnO. Esta observação pode ser confirmada pelas imagens de MEV e percentagem de película formada, a superfície desgastada (Fig. 18f) é mais lisa do que a superfície desgastada para o óleo mineral puro (Fig. 18b), através da Fig. 15a, o ZnO melhora a formação do filme de óleo mineral. O mecanismo pelo qual as nanopartículas de CuO e ZnO reduz o atrito e desgaste é explicado pela formação de uma película de nanopartículas. No entanto três processos diferentes pode ter lugar: as nanopartículas podem ser fundidas e soldadas sobre a superfície de corte (o que não é possível para esta pesquisa, devido aos pontos de fusão das nanopartículas estudados, entre 1326 e 2700 ºC); reagiu com a superfície do metal a formou uma camada de proteção (isto é improvável devido à natureza de nanopartículas de óxido de metal), ou nanopartículas 56 são depositadas sobre a superfície e formar um tribofilme físico que compensa a perda de massa. Esta última opção também foi verificados por Choi et al (2009). Nanopartículas no óleo lubrificante podem preencher as ranhuras da superfície de atrito. Ao mesmo tempo, o filme por adsorção fisica é formado com as nanopartículas. Quando existe uma boa deposição de nanopartículas, o resultado é uma redução da força de atrito e uma superfície plana e lisa, como observado no óleo mineral adicionado com ZnO (Fig. 17d). 4.4.PRESSÃO DE CONTATO DE HERTZ Verificando-se a pressão média de contato de Hertz observa-se em que regime de lubrificação o filme lubrificante está atuando. Para lubrificação limite é considerada como pressão alta de contato (mais de 90 MPa), segundo os estudos de Lin e So (2004). A fórmula utilizada foi calculada considerando as seguintes variáveis: Módulo de elasticidade do aço AISI 52100 – 213 GPa; Coeficiente de Poisson – 0,29; Raio da esfera – 3 mm; Raio do disco – 4,875 mm; W – 10 N Para confirmar, Stachowiak e Batchelor (2001), explica que as análises de Hertz se estendem para contato esfera-plano. Para essa configuração, e sob um carregamento elástico, produz-se uma área de contato circular de raio α, de acordo com a figura X: Figura 19: Contato elástico entre uma esfera e uma superfície plana. R A é o raio da esfera; α é o raio de contato e W é a carga aplicada. Fonte: Stachowiak e Batchelor (2001). 57 Com base no raio da esfera, Hertz derivou a expressão que correlaciona o raio da esfera com sua carga aplicada: Equação 6: E*, módulo de elasticidade total é encontrado pela equação de (HUTCHING, 1992): Equação 7: Calculando pelas fórmulas acima obteve-se um resultado de área de contato 0,5232 mm entre a esfera e plano. Por fim, o cálculo médio da pressão de contato de Hertz é definido em Hutching (1992), como: Equação 8: O resultado da pressão de contato média de Hertz pela equação 8 foi de 1,16 GPa entre a esfera plano no ensaio realizado nesse trabalho de dissertação. 58 Observando este resultado verifica-se que os ensaios realizados obtiveram o regime de lubrificação limite devido apresentarem valores bem superiores ao indicado pela literatura citado acima por Lin e So (2004), isso ocorreu devido utilizar alta carga normal e baixa velocidade. As pressões geradas na zona Hertziana do contato são muito elevadas provocando a deformação das superfícies com a consequente alteração da geometria do filme lubrificante. Assim, na zona de alta pressão o lubrificante pode atingir pressões até 4 GPa em menos de 1 m/s. O aumento da pressão máxima de Hertz (ou da carga) provoca a diminuição global da espessura do filme (BAIR e WINER, 1992). 59 5.CONCLUSÕES A reação de epoxidação realizada nesse trabalho foi eficaz no desenvolvimento dos biolubrificantes (lubrificantes a base de óleos vegetais – soja e girassol-), pois, foi verificada essa eficiência pelo índice de iodo com valores bem baixos em relação aos óleos comerciais e pelo infravermelho que mostrou o anel oxirano em sua composição. Pode-se observar pelos resultados que os óleos vegetais epoxidados demonstram vantagens pela sua excelente biodegradabilidade e pela fonte de origem renovável. Os óleos vegetais, quando comparados com os óleos minerais, apresentam diferentes propriedades como: melhores lubrificantes de baixa volatilidade, alto índice de viscosidade, fácil miscibilidade com outros fluidos, reduzida toxicidade e melhor desempenho. Apresentam, também, melhores propriedades anti-atrito, um bom desempenho tribológico e maior afinidade com a superfície do metal. Os nano-óxidos que foram preparados em laboratório, foram caracterizados por DRX e MEV observando-se que realmente obteve-se nanopartículas de óxido de zinco e cobre. Com tamanho de cristalito 11,71 nm (ZnO) e 4,35 nm (CuO). A atuação das nanopartículas de CuO e ZnO obtiveram resultados não satisfatórios para os lubrificantes a base de óleos vegetais e satisfatórios para os lubrificantes mineral e sintético, observações válidas para as condições que foram propostas neste trabalho. Nas condições de lubrificação limite e com esses aditivos neste trabalho pode-se concluir que: O comportamento anti-desgaste de nanopartículas de ZnO e CuO depende do óleo base utilizado. Eles não mostram boa capacidade antidesgaste quando combinado com óleo vegetal epoxidado como óleos de girassol e soja para as condições apresentadas nesse estudo; 60 Com as nanopartículas de ZnO apresentaram um excelente desempenho na redução de atrito e desgaste quando combinada com óleo mineral e uma boa formação de filme; O óleo sintético tem suas propriedades melhoradas com a adição de CuO com menor atrito e menor desgaste na superfície. O mecanismo de anti-desgaste é atribuída à deposição de nanopartículas na superfície e formação de película física, o que pode reduzir o atrito e desgaste. Os óleos lubrificantes à base de óleo vegetal demonstraram ser eficazes sem aditivos químicos, porém, mesmo aditivados eles são ambientalmente corretos e possuem grande importância nos estudos tribológicos futuros. 61 6.SUGESTÕES DE TRABALHOS FUTUROS Ainda faz-se necessário muito estudo nessa área de lubrificantes vegetais com nano-óxidos. Algumas sugestões de pesquisas são citadas abaixo para continuar essa linha de pesquisa. Pesquisar outras nanopartículas e sintetizá-las; Estudar os nano-óxidos de zinco e cobre variando concentrações diferentes; Pesquisar sobre a dispersão das nanopartículas de óxidos; Investigar o desempenho tribológico em outros regimes de lubrificação. 62 REFERÊNCIAS ______. NBR 10520: informação e documentação – citações em documentos – apresentação. Rio de janeiro, 2010. ______. NBR 14724: informação e documentação – trabalhos acadêmicos – apresentação. Rio de Janeiro, 2010. AKISHINO, Jéssica Kimie. Esterificação e epoxidação de ácidos oleicos e óleos vegetais. Núcleo de química e biologia. Curso superior de tecnologia em processos ambientais - Relatório de Estágio pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Curitiba, p. 69-75, 2008. ALVES, O. L. Espectroscopia no Infravermelho com Transformada de Fourier: Feliz Combinação de Velhos Conhecimentos de Óptica, Matemática e Informática. 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