VIII CIAEC 046
USO DA CONTABILIDADE DE GESTÃO NAS MICRO E
PEQUENAS EMPRESAS DE DOURADOS-MS
Luciana Crispim de Souza
Universidade Federal da Grande Dourados (Brasil)
Antonio Carlos Vaz Lopes
Universidade Federal da Grande Dourados/ UNINOVE (Brasil)
Luciano Rosa
Instituto Federal Catarinense IFC (Brasil)
Jouliana Jordan Nordan
Universidade Nove de Julho - UNINOVE (Brasil)
Sérgio Adelar Brun
Universidade Federal da Grande Dourados/
Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil)
USO DA CONTABILIDADE DE GESTÃO NAS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS
DE DOURADOS-MS
RESUMO
O atual cenário econômico tem provocado profundas mudanças no ambiente
econômico, político, tecnológico e social e as empresas têm buscado através dos
seus gestores ferramentas de gestão que dão suporte para o processo de tomada
de decisões entre eles os instrumentos de contabilidade gerencial. Esse trabalho
busca responder a seguinte questão os profissionais de contabilidade fornecem
ferramentas da contabilidade gerencial para auxiliar os gestores na no processo de
tomada de decisões? O objetivo é identificar o nível de informação gerencial
fornecida pelos profissionais de contabilidade às micro e pequenas empresas na
cidade de Dourados. Através da pesquisa realizada de caráter exploratório de cunho
qualitativo, identificou que a maioria dos gestores estão descontentes com os
relatórios recebidos, os principais serviços são: folha de pagamento e cálculo de
impostos e a maioria deles nunca recebem balancete, demonstração do fluxo de
caixa e demonstração do resultado do exercício.
Palavras-chave: Micro e Pequenas Empresas, Contabilidade Gerencial, Relatórios
de Contabilidade Gerencial.
1. INTRODUÇÃO
A contabilidade evoluiu ao longo do tempo de forma a demonstrar o fluxo de
riqueza nas entidades, passando da simples função de registro e controle para a
funções de planejamento, avaliação de desempenho de apoio a tomada de decisão
para as empresas de todos os portes, criando diversas inovações de contabilidade
para suprir as Apesar da existência de diversas ferramentas de contabilidade
gerencial elas normalmente são utilizadas nas médias e grandes empresas
enquanto as micro e pequenas empresas sofrem com a falta de informações
financeiras adequada para a tomada de decisão.
As micro e pequenas empresas desempenham um papel econômico e social
importante em todas as sociedades como grande gerador de empregos, mas alguns
fatores como falta de instrumento de planejamento e gestão e recursos limitados,
dificuldade de financiamento torna a sua taxa de mortalidade elevada são apontados
como principais causas da alta mortalidade desse tipo de empreendimento.
Segundo dados da pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e
Pequenas Empresas (SEBRAE, 2005) junto aos empresários as principais causas
de mortalidade das MPE no estado de São Paulo são: 25% apontaram a falta de
capital como principal fator; para 19% dos entrevistados o motivo foi falta de clientes
ou inadimplência; 11% problemas administrativos ou particulares; 9% problemas
com sócios; 7% problemas legais; 6% falta de lucro; e para 2% altos impostos.
Outra pesquisa realizada pelo Sebrae (2004) em todo o Brasil apontou as
seguintes causas para o fechamento dos negócios nas micro empresas: falta de
capital de giro (67%), falta de conhecimentos gerenciais (33%), problemas
financeiros (17%) e falta de crédito bancário (17%).
Nesse contexto, a utilização adequada de informações de contabilidade
gerencial por parte dos usuários pode contribuir para reduzir a mortalidade e
melhorar a rentabilidade das organizações de pequeno porte.
Esse trabalho busca responder a seguinte questão os profissionais de
contabilidade fornecem ferramentas da contabilidade gerencial para auxiliar os
gestores na no processo de tomada de decisões
O objetivo principal é identificar o nível de utilização da contabilidade
gerencial fornecida pelos profissionais de contabilidade às micro e pequenas
empresas na cidade de Dourados. E como objetivos específicos conceituar a
contabilidade gerencial e apresentar as suas ferramentas, verificar ainda a
percepção dos gestores das pequenas e médias empresas da região de Dourados,
quanto aos serviços contábeis recebidos.
Além dessa introdução o restante do trabalho esta estruturado da seguinte
forma: Primeiro uma discussão teórica sobre a contabilidade gerencial e os seus
instrumentos de apoio a tomada de decisões, em seguida serão apresentados a
metodologia de pesquisa utilizada para o desenvolvimento, posteriormente a analise
e discussão dos resultados e finalmente as conclusões do trabalho.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 CONCEITO DE CONTABILIDADE
A contabilidade é a ciência que fornece informações primordiais para os
diversos usuários, sendo esses classificados como internos e externos. Para atender
tais usuários a contabilidade se divide em contabilidade financeira e contabilidade
gerencial.
A contabilidade financeira tem por objetivo fornecer relatórios financeiros aos
usuários externos para tomada de decisão. São exemplos de usuários externos: os
acionistas, credores, bancos, fornecedores, entidades reguladoras e autoridades
governamentais tributárias.
Para Atkinson et al. (2008) define contabilidade financeira como o processo
de geração de demonstrativos econômico-financeiro para público externo, como
acionistas, credores e autoridades governamentais e fortemente regulado pelos
órgãos governamentais.
Essas demonstrações são de extrema relevância para análise dos usuários
externos. Por sua vez, os usuários internos precisam de informações mais
detalhadas para auxiliar no processo de gestão: essas informações serão obtidas
através da contabilidade gerencial.
Já a contabilidade gerencial tem por objetivo fornecer informações aos
gestores que auxiliam na tomada de decisão, informações relevantes para uma
melhor decisão na aplicação dos recursos da empresa.
Atkinson et al (2008) define a contabilidade gerencial como o processo de
produção de informações financeiras e operacionais para funcionários e gerentes. O
processo deve ser orientado pelas necessidades de informação interna e deve dirigir
suas decisões operacionais e de investimentos”.
O processo de tomada de decisão termina com a escolha da melhor ação a
ser praticada para aquela deliberação. A informação contábil é de grande
importância no processo de decisão, já que alguns problemas existem somente
quando os relatórios contábeis são analisados regularmente e, com o orçamento
elaborado com base nas informações históricas e projeções contábeis, podem-se
formular e testar as alternativas para se chegar à decisão.
A contabilidade gerencial só existirá se houver uma ação que faça com que
ela exista. Uma empresa possui contabilidade gerencial se houver dentro dela
pessoas que consigam traduzir os conceitos contábeis em atualização prática.
Contabilidade gerencial significa gerenciamento da informação contábil. Ora,
gerenciamento é uma ação, não um existir. Contabilidade Gerencial significa o uso
da contabilidade como instrumento da administração.
As empresas devem utilizar a contabilidade (gerencial e financeira), no curso
da atividade, no intuito de melhor visualização da diferença entre ambas. Apresentase o quadro 1, onde identifica as características básicas de cada uma.
Quadro 1 Características básicas da contabilidade financeira e gerencial
Clientela
Contabilidade Financeira
Contabilidade Gerencial
Externa:
acionistas,
credores, Interna: Funcionários, administradores,
autoridades tributárias.
executivos.
Propósito
Informar decisões internas tomadas pelos
Reportar o desempenho passado
funcionários e gerentes; feedback e
às partes externas; contratos com
controle sobre desempenho operacional;
proprietários e credores.
contratos com proprietários e credores.
Data
Histórica, atrasada
Atual, orientada para o futuro.
Regulamentada: dirigida por regras
Restrições e princípios fundamentais da
contabilidade e por autoridades
governamentais.
Desregulamentada: sistemas e informações
determinadas pela administração para
satisfazer necessidades estratégicas e
operacionais.
Tipo
de Somente
Informação financeira
Mensuração física e operacional dos
processos, tecnologias, fornecedores e
competidores.
Natureza
da
I f
ã
Escopo
para
mensuração
Objetiva,
auditável,
consistente, precisa.
confiável, Mais subjetiva e sujeita a juízo de valor,
válida, relevante, acurada.
Muito agregada; reporta toda a Desagregada; informa as decisões e ações
empresa.
locais.
Fonte: Atkinson, Banker, Kaplan e Young (2008, p.38)
A partir da análise do quadro verifica que os usuários da informação contábil
tanto interno quanto externo, necessitam de informações distintas, sendo que os
usuários internos necessitam das informações para dar continuidade aos seus
empreendimentos e tomar as decisões adequadas com base nas informações
fornecidas pela contabilidade gerencial. São os usuários internos que fazem o uso
mais aprofundado das informações orientadas para o futuro relacionadas ao
processo operacional, informações adicionais e de relevância que a contabilidade
financeira não lhes proporciona.
A elaboração da informação contábil depende de alguns instrumentos para
formação da mesma; a seguir serão proporcionados os instrumentos da
contabilidade gerencial.
2.2 INSTRUMENTOS DA CONTABILIDADE GERENCIAL
A contabilidade gerencial fornece diversos instrumentos de apoio à gestão
empresarial e podem ser utilizadas em diversas empresas de uma maneira simples
e de fácil entendimento, adaptadas de acordo com as necessidades também dos
micro e pequenos empresários em seu processo decisório, visando assegurar a
compreensão clara dos dados. Alguns desses serão utilizados no trabalho, dentre
eles
estão:
análise
de
balanço;
orçamento;
análise
de
custo;
análise
custo/volume/lucro; planejamento tributário; Fluxo de caixa; Balanced scorecard.
A análise de balanço é considerada como um dos instrumentos mais
importante da contabilidade gerencial por demonstrar informações econômicofinanceira da instituição. A análise de balanço é um processo de meditação sobre as
demonstrativos financeiros com objetivo de avaliar a situação da empresa, em seus
aspectos operacionais, econômicos, patrimoniais e financeiros Padoveze (2007)
A análise de balanço utiliza de algumas ferramentas que são elencadas
como: análise vertical; análise horizontal; indicadores econômico-financeiros;
avaliação final. São instrumentos de extrema importância para constatação dos
aspectos operacionais, econômicos, patrimoniais e financeiros.
O orçamento auxilia os empreendedores a olharem para frente, definir
metas, parâmetros para que a empresa alcance seus objetivos. Orçamento significa
processar todos os dados constantes do sistema de informação contábil de hoje,
introduzindo os dados previstos para o próximo exercício, considerando as
alterações já definidas para o próximo exercício. Portanto, o orçamento não deixa de
ser uma pura repetição dos relatórios gerenciais atuais, só que com os dados
previstos (PADOVEZE, 2007)
Diante, da definição pode-se concluir, portanto, que o orçamento auxilia a
coordenação das atividades da organização, definido as responsabilidades dos
executivos, tornando-se um compromisso gerencial.
Uma boa administração pode aperfeiçoar os lucros através da modificação
no preço, isso dependerá de como o mercado irá se posicionar a essa mudança.
São muitos os fatores que influenciam na formação do preço de venda. Para
Crepaldi (1998, p.210) os objetivos básicos na gestão de preço são: “um adequado
retorno sobre o investimento; uma determinada participação no mercado; uma
capacidade de enfrentar concorrência; a obtenção da lucratividade global
compatível”. A má formação no preço de venda pode causar enorme prejuízo para
empresa, tanto para um preço abaixo do custo, quanto para um preço muito
elevado.
A contabilidade de custo é fundamental para qualquer entidade, análise de
custo aplica - se quando a empresa precisa de uma posição mais detalhada da
situação para concluir o processo decisório.
Segundo Martins (2006, p.21) define suas funções: a Contabilidade de
Custos tem duas funções relevantes: o auxílio ao controle e a ajuda às tomadas de
decisões. No que diz respeito ao Controle, sua mais importante missão é fornecer
dados para o estabelecimento de padrões, orçamentos e outras formas de previsão,
e num estágio imediatamente seguinte, acompanhar o efetivamente acontecido para
comparação com os valores anteriormente definidos.
Desse modo, a empresa precisa estar bem informada sobre a composição e
o comportamento dos custos de seus produtos e serviços para elaborar estratégias
de ação baseadas em dados confiáveis em busca de melhores alternativas
Para a análise custo/volume/lucro temos que ter em mente três importantes
conceitos conforme Padoveze (2007, p.366-367) destaca:
Margem de contribuição: é a diferença entre o preço de venda
unitário do produto e os custos e despesas variáveis por unidade de
produto. Significa que em cada unidade vendida a empresa lucrará
determinado valor. (...)
Ponto de equilíbrio: evidencia, em termos quantitativos, qual é o
volume que a empresa precisa produzir ou vender, para que
consiga pagar todos os custos e despesas fixas, além dos custos e
despesas variáveis que ela tem necessariamente que incorrer para
fabricar/vender o produto. (...)
Alavancagem operacional: significa a possibilidade de acréscimo do
lucro total pelo incremento da quantidade produzida e vendida,
buscando a maximização do uso dos custos e despesas fixas. É
dependente da margem de contribuição, ou seja, do impacto dos
custos e despesas variáveis sobre o preço de venda unitário e dos
valores de custos e despesas fixas. (...)
A utilização desses três conceitos facilita a escolha do custo de ação mais
desejável na forma operacional. A margem de contribuição representa quanto sobra
do preço de venda, diluídos os custos e despesas variáveis, esse resultado deverá
cobrir os custos e despesas fixas da entidade. O ponto de equilíbrio é o momento
em que a empresa hora com todos os custos e despesas. A alavancagem
operacional é quanto à empresa consegue aumentar o lucro, basicamente, em
função do aumento da margem de contribuição.
A escolha do melhor método de tributação é notável para qualquer
entidade, pois tal escolha influenciará diretamente no lucro da instituição. Oliveira
(2009) descreve que: “O planejamento tributário consiste em um conjunto de
medidas continuas que visam à economia de tributos, de forma legal”. O
planejamento tributário deve ser realizado com a finalidade de maximizar os lucros,
e de forma legal.
O fluxo de caixa atualmente é uma demonstração financeira obrigatória,
sendo também uma das importantes ferramentas gerenciais. Conforme Matarazzo
(1997, p.369) “a demonstração do fluxo de caixa é peça imprescindível na mais
elementar atividade empresarial e mesmo para pessoas físicas que se dedicam a
algum negócio”. É um instrumento de programação financeira que permite controlar
as entradas e saídas de caixa em um determinado período de tempo, possibilitando
o planejamento, organização e controle dos recursos financeiros da empresa para a
tomada de decisões administrativas.
O Balanced Scorecard é uma ferramenta de gestão sob a qual é utilizado
para alinhar as unidades de negócio, as unidades de serviços compartilhado, as
equipes e os indivíduos em torno das metas, ou seja, adequa-los à estratégia da
empresa.
Para Padoveze (2007, p.588) O Balanced Scorecard é um sistema de
informação para gerenciamento da estratégia empresarial. Traduz a missão e a
estratégia da empresa num conjunto abrangente de medidas de desempenho
financeiras e não financeiras que serve de base para um sistema de medição e
gestão estratégica.
Sistema de Gestão Estratégica que utiliza indicadores financeiros e não
financeiros, além disso, estabelece relações de causa e efeito entre esses
indicadores.
3. METODOLOGIA
Esse trabalho é de caráter exploratório. De acordo com Beuren (2003), esse
tipo de pesquisa ocorre corre quando há pouco reconhecimento sobre a temática a
ser abordada. O estudo exploratório, busca-se conhecer com maior profundidade o
assunto, de modo a torná-lo mais claro ou construir questões importantes para a
condução da pesquisa.
A abordagem qualitativa é caracterizada pela descrição, compreensão e
interpretação dos fatos e fenômenos, em contrapartida à avaliação quantitativa, em
que predominam mensurações.
De acordo com Merriam (1998), os principais elementos que caracterizam a
pesquisa como qualitativa são os objetivos descritivo e analítico, o delineamento
flexível, a centralidade do pesquisador com a inclusão de seus valores na coleta e
tratamento de dados e o modo de análise.
Optou-se por fazer um levantamento de dados, utilizando o questionário
como ferramenta de coleta. Gil (1999, p.65) “o elemento mais importante para a
identificação de um delineamento é o procedimento adotado pela coleta de dados”.
Utilizou o instrumento aplicado por Serbim Umbelino.
O questionário foi aplicado as empresas de Dourados, em alguns casos
sendo acompanhado e em outros deixado para futuro recolhimento, é de caráter
objetivo e sem perguntas abertas.
As empresas visitadas foram da área central de Dourados, utilizado como
critério cinco por quadra, foram aplicados entre os dias 20 a 31 de agosto de 2010,
sendo 50 empresas e retornados 42 questionários que representa 84% das
empresas visitadas .
4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Quanto ao porte da empresa para fins de classificação foi utilizado o critério
do SEBRAE que consiste no número de funcionários, onde para empresa
classificada como comércio e/ou serviço de 0 a 9 funcionários é considerado micro
empresas e de 10 a 49 funcionários é classificado como empresa de pequeno porte.
Foi observado que todas as empresas visitadas se enquadravam como
comércio e ou serviço.
Conforme critério Sebrae em relação ao número de funcionários verificou-se
78% de até 9 funcionários, assim 33 empresas dos questionários respondidos é
micro empresa (ME) e 21% aproximadamente de 10 a 49 funcionários, sendo 9
empresas de pequeno porte (EPP).
Tabela 1 – Número de funcionários segundo o respondente
Nº. de Funcionários
Freqüência
%
Até 9 funcionários
33
78,57%
De 10 a 49 Funcionários
9
21,43%
Total
42
100,00%
Fonte: Pesquisa dos autores.
Em relação aos respondentes, percebe-se que 78% são sócio proprietário
da empresa. Um ponto positivo é que 47% dos gestores possuem ensino superior e
35% estão cursando, números surpreendentes devido à cidade de Dourados ser um
pólo universitário.
Tabela 2 – Função do respondente por porte da empresa
ME
EPP
Total
%
Proprietário
28
5
33
78,57%
Gerente da Empresa
5
4
9
21,43%
Total
33
9
42
100,00%
Fonte: Pesquisa dos autores.
Verificou-se que a utilização de capital de terceiros é muito comum nas
empresas pesquisadas, 71% das empresas utilizam financiamentos de bancos.
A informação financeira processada pela empresa é desenvolvida em 92%
dos casos pelo próprio gestor, sendo que 33% sem a ajuda do computador e 59%
com ajuda do computador. O lado positivo é que os empresários estão usando cada
vez menos as formas manuais, por um outro lado nota-se que as empresas não tem
um profissional contábil para processar as informações financeiras.
tabela 3.
Conforme
Tabela 3 – Processamento da informação financeira
ME EPP Total %
Por mim mesmo, manualmente de forma mais organizada.
12
2
14
33,33%
Por mim mesmo, com a ajuda do computador.
19
6
25
59,52%
Com computador e com a ajuda de um profissional externo.
1
1
2
4,76%
Pelo pessoal do escritório central.
1
0
1
2,38%
Total
33
9
42
100,00%
Fonte: Dados da pesquisa.
Para 76% das empresas pesquisadas o profissional que deve ser contratado
para a avaliação de desempenho da entidade é o contador, verifica-se na tabela
abaixo que 100% das EPP têm o contador como profissional adequado para
realização de tal tarefa.
Tabela 4 – Quem você contrataria para produzir informações que ajudassem no controle das
operações e avaliação do desempenho da sua empresa ou sua loja
ME
EPP
Total
%
Economista
3
0
3
7,14%
Contador
23
9
32
76,19%
Outro
7
0
7
16,67%
Total
33
9
42
100,00%
Fonte: Dados da pesquisa.
Em relação à informação gerencial, 80% das empresas estão dispostas a
passar informações da empresa para os contadores a fim, de produzir relatórios que
lhe ajudassem a gerenciar melhor seu negócio.
Tabela 5 – Abertura de informações do empreendimento para o contador, para produção de
relatórios para gerenciar o negócio.
Serviço
contábil Escritório de contabilidade
prestado à empresa
%
Sim
Não
Total
34
8
42
80,95% 19,05% 100,00%
Fonte: Dados da pesquisa.
Caso o governo simplificasse o recolhimento da tributação, 76% das
empresas continuariam com o contador, demonstrando assim que alguns gestores
ainda têm o contador apenas como emissor de guias de tributos. Veja abaixo:
Tabela 6 – Simplificação do recolhimento da tributação continuaria com o contador
ME
EPP
Total
%
Sim
23
9
32
76,19%
Não
10
0
10
23,81%
Total
33
9
42
100,00%
Fonte: Dados da pesquisa.
Na gestão do negócio a fonte de informação tem várias origens, mas para os
empresários, a que tem maior importância são as que chegam: 80% Sebrae, 78%
contador, 61% empregados, 59% fornecedores e 52% de consultores, destaca-se
Sebrae como a origem de informação com maior importância para os gestores das
empresas entrevistadas, no outro extremo o governo ficou como o menos importante
para a origem de informação para as empresas. Os dados apresentados na tabela 7
demonstram que os empresários estão abertos as informação e estão cientes
quanto a seletividade do mesmo dando maior confiança para o Sebrae, contadores,
empregados, fornecedores e consultores.
Tabela 7 – Importância dada pelos gestores às fontes de informações
Fonte: Dados da pesquisa.
Quanto à qualidade dos serviços prestados pelos contadores, 45% das
empresas consideram regular, deficiente e insuficiente e 54% consideram boa e
muito boa, situação meio preocupante, pois, 45% não estão contente com os
relatórios entregues, que são folha de pagamento e cálculo de impostos, outros
serviços apenas 9% dos escritórios desenvolvem, conforme dados da tabela 8.
Tabela 8 – Serviço prestado x Qualidade
Fonte: Dados da pesquisa.
Foi questionado sobre o critério utilizado para contratar o contador, 100%
das empresas consideram relevante a qualidade dos serviços, 95% presteza na
entrega dos relatórios, 90% experiência do contador. É muito importante essa
questão, já que, os empresários antes de selecionar o contador preocupam-se com
a qualidade dos serviços e experiência do profissional a ser contratado. Conforme
tabela 9.
Tabela 9 – Critérios para selecionar o contador
Fonte: Dados da pesquisa.
Sobre a freqüência de entrega de relatórios, 83% dos entrevistados afirmaram
nunca terem recebido DFC e 73% nunca receberam DRE, são relatórios
imprescindíveis para a gestão do empreendimento, já que, saber a lucratividade da
empresa e disponibilidade de recursos é de extrema importância para a tomada de
decisão. Veja tabela 10:
Tabela 10 – Freqüência de entrega de relatórios contábeis
Fonte: Dados da pesquisa.
Além de receber poucos relatórios para gestão da empresa, 83% afirmam
que os relatórios chegam muito atrasados e 45% não estão contentes com os
relatórios que estão recebendo, conforme dados da tabela 11.
Tabela 11 – Conceito do gestor sobre os relatórios recebido
Freqüência %
Útil mas não aplico
2
4,76%
Útil e são aplicados
4
9,52%
Chegam muito atrasados
35
83,33%
Estou contente com os relatórios recebidos 11
26,19%
Não estou contente com os relatórios
recebidos
19
45,24%
Fonte: Dados da pesquisa.
Verificou-se, ainda, que as informações de cunho gerencial, assim como
controle de estoque, formação do preço de venda, produtos mais lucrativos, plano
de negócio e planos de expansão são processados sem ajuda do contador. As
informações geradas pelo contador são as de cunho fiscal como folha de
pagamento, impostos e encargos sociais. Notou-se que as empresas não estão
recebendo informações suficientes dos escritórios de contabilidade para a gestão do
negócio.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este artigo procurou identificar o nível de informação gerencial fornecida
pelos profissionais de contabilidade às micro e pequenas empresas na cidade de
Dourados. Para alcançar o objetivo foi realizada uma pesquisa com 42 empresas
entre micro e pequenas empresas, que demandam serviços contábeis através dos
escritórios de contabilidade. Com relação aos dados empíricos coletados, os
resultados relevantes identificados, são que: 78% dos participantes são micro
empresas; 88% dos gestores pagariam a mais para os escritórios produzir relatórios
que auxiliem na administração do negocio; 80% dos gestores estariam disposto abrir
informações de sua empresa ao contador; 76% dos gestores estariam disposto a
manter o contrato com o contador mesmo que houvesse simplificação do
recolhimento dos impostos e encargos sociais; 78% dos gestores disseram que o
contador é muito importante como fonte de informação para o seu negocio; folha de
pagamento (100%) e cálculo de impostos (100%) são os serviços mais prestados
pelos
contadores;
balancete
(38%),
demonstração
do
resultado
(73%),
demonstração do fluxo de caixa (83%) e balanço patrimonial (19%), se destacam
como relatórios que nunca são apresentados aos gestores; precisa melhorar
segundo os gestores, entregar relatórios com mais presteza (88%), entregar
relatórios diferentes dos atuais, que possam ajudar na gestão dos negócios (83%) e
ter mais conhecimento sobre legislação e impostos (64%).
A pesquisa demonstra que a maioria dos contadores não fornece as micro e
pequenas empresas ferramentas (relatórios) gerenciais que auxiliem na gestão do
empreendimento. Para futuras pesquisas sugere-se a replicação do estudo em outra
região com uma amostra maior.
6. BIBLIOGRAFIA
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Saraiva, 2006.
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BEUREN, Iilse M. Como Elaborar Trabalhos Monográficos em Contabilidade:
teoria e prática. São Paulo. Atlas, 2003.
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1998.
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1999.
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MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 9 ed. São Paulo: Atlas, 2006.
MATARAZZO, Dante C. Análise financeira de balanços: abordagem básica e
gerencial. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1997.
OLIVEIRA, Gustavo P. Contabilidade Tributária. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2009.
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(SEBRAE). Fatores condicionantes e taxas de sobrevivência e mortalidade das
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Disponível em: http://www.Sebrae.com.br>. Acesso em: 02 mar. 2009.
SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS
(SEBRAE).
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Disponível em: <http://www.Sebrae.com.br>. Acesso em: 21 jan. 2009.
UMBELINO, Wesley Serbim. Avaliação qualitativa do desequilíbrio da oferta e
demanda de serviços contábeis nas micro, pequenas e médias empresas da
grande Recife. 2008. 78f. Dissertação (Mestrado em Ciências Contábeis) –
Programa Multiinstitucional e Inter- Regional de Pós-Graduação em Ciências
Contábeis da UnB/UFPE/UFPB/UFRN, Brasília, 2008.
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