FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO DE CURVELO FELIPE LACERDA DINIZ LEROY1 MURILO MARTINS DE PAULA2 O PERFIL DO TRABALHADOR DE CURVELO CURVELO 2010 1 Doutorando em Teoria Econômica – Centro de Desenvolvimento e Planejamento Econômico/UFMG, Economista e Pesquisador do NUPIA/FAC e Professor da Faculdade de Administração de Curvelo (FAC). 2 Bacharelando em Administração de Empresas – Faculdade de Administração de Curvelo (FAC), Estagiário e Pesquisador do NUPIA/FAC. 1 ÍNDICE 1- Introdução ...........................................................................................................................3 2- Mercado de Trabalho ..........................................................................................................4 3- Resultados e Discussões.....................................................................................................15 4- Metodologia.......................................................................................................................16 5-Conclusão........................................................................................................................... 30 6- Bibliografia .......................................................................................................................31 2 1- INTRODUÇÃO Para compreender em maior profundidade o mercado de trabalho na cidade de Curvelo/MG, o Núcleo de Pesquisas Interdisciplinares em Administração (NÚPIA) da Faculdade de Ciências Administrativas de Curvelo (FAC), realizou esta pesquisa com a finalidade de traçar as características dos trabalhadores curvelanos. O município de Curvelo, situado na região central do estado de Minas Gerais, aproximadamente à 170 km de distância da capital mineira, possui uma população estimada de acordo, com o IBGE, de 74.184 habitantes. A cidade possui localização privilegiada, onde se destaca a BR- 040 que faz ligação entre capitais como Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. A região central do estado de Minas Gerais comporta um grande complexo da siderurgia de carbono na confecção do Ferro Gusa, que são abastecidas por grandes empresas de reflorestamento sediadas no município de Curvelo. Atualmente, com a iminência do surgimento de um ambiente globalizado e tecnológico, com empresas modernas ou em formação, a vinda do Centro Federal de Educação de Minas Gerais (CEFET/MG), conclusão do novo acesso à capital mineira, entre outros acontecimentos, prometem modificar o perfil da cidade, seja pela vinda de novas empresas, pela maior oferta de mão-de obra qualificada, ou até mesmo pela perspectiva de progresso para a população . A nova demanda buscará profissionais qualificados e que estejam preparados para trabalhar com ferramentas complexas. As empresas precisarão de informações seguras e confiáveis, que possam orientar suas ações, tanto para direcionar suas atividades quanto para recrutar novos colaboradores. Este trabalho pretende sanar a carência de informações sobre a mão-de-obra presente em Curvelo, levantando dados como faixa etária, renda média, sexo, raça, estado civil, índice de migração dos trabalhadores, remuneração média, tanto para indivíduos do sexo masculino quanto o feminino, assim como, para brancos e não-brancos. 3 2- MERCADO DE TRABALHO Antes mesmo de ser discutido o mercado de trabalho, faz-se importante definir o que vem a ser o mercado. O mercado significa o espaço onde ocorrem trocas e intercâmbios entre os que oferecem um serviço ou produto e aqueles que procuram os mesmos. A característica principal de todo mercado é a de oferta e de procura. O mercado de trabalho é composto pela oferta de emprego pelas diversas organizações e, por isso, toda organização é parte integrante de um mercado de trabalho. (CHIAVENATO, 1999 p.82) Com o surgimento do sistema capitalista de produção e consequente utilização do trabalho assalariado em escala, o mercado de trabalho passa a emergir como uma instituição fundamental para o funcionamento da economia. Pode ser entendido de um forma bastante ampla, como a compra e venda de mão-de-obra, representando um confronto entre trabalhadores e empresários dentro de um processo de negociações coletivas que ocorre com a interferência do Estado. A interação dos agentes com a participação do Estado, determinam conjuntamente os níveis de salários, o nível de emprego, as condições de trabalho e os demais aspectos relativos às relações entre capital e trabalho. (Pinho & Vasconcellos, 2003 p.381) A importância do mercado de trabalho pode ser observada sob vários pontos de vista da teoria econômica. No aspecto microeconômico, esse mercado constitui-se num caso particular da teoria dos preços, sendo imprescindível na determinação dos níveis de salários e emprego. Do ponto de vista macroeconômico, ele contribui para a compreensão da determinação do nível de demanda agregada, do produto e do emprego, em que tem papel fundamental ao lado dos mercados de bens e serviços, monetário e, também, de títulos. (Pinho & Vasconcellos, 2003 p.381) O mercado de trabalho pode ser dividido em dois setores, o formal e o informal. O mercado formal de trabalho contempla as relações contratuais de trabalho, em grande parte 4 determinadas pelas forças de mercado, ao mesmo tempo em que são objetos de legislação específica que as regula.( Pinho & Vasconcellos, 2003 p. 381). Para Antigo et. al. (2006), “o setor formal é formado pelo indivíduo ocupado com carteira de trabalho assinada, empregador, servidor público e profissional liberal”. Larrain e Sachs (2004), afirmam que os contratos de empregos formais são muito mais utilizados nas nações desenvolvidas do que nas nações em desenvolvimento, partindo-se de um pressuposto que o emprego formal gera grande volume de arrecadação para o governo. O mercado informal de trabalho é o mercado em que prevalecem regras de funcionamento com a mínima interferência do governo. Ainda que a dimensão do mercado informal possa ser relativamente grande, a dinâmica da economia é fornecida pelo setor fomal, notadamente num país em desenvolvimento como o Brasil. Ademais, a própria dimensão e o funcionamento do mercado informal estão intrisecamente ligados ao que ocorre no núcleo capitalista de produção, no qual desponta o papel do mercado fomal de trabalho. (Pinho & Vasconcellos, 2003 p. 381) Segundo Martins (2003) o setor Informal abrange uma grande parcela da sociedade, que é entendido como aqueles trabalhadores que nao possuem carteira assinada . A informalidade é muito maior nos maiores centros urbanos, onde a oferta da mão-de-obra é maior que a demanda. Existe uma migração do setor formal para o setor informal, e isso ocorre, porque a falta de definição clara quanto a políticas de geração de emprego e as mudanças tecnológicas contribuem para dessimular o setor formal. Cabe então ao governo e às ONGs, procurar estimular o crescimento da economia, criando expectativas no setor formal, para que o desemprego nao se torne uma agravante dentro do País, estimulando também as mudanças tecnológicas a vir acompanhadas de políticas para combater o desemprego. Na história mundial e do Brasil, existem vários fatos, que influenciaram o mercado de trabalho e ainda influênciam até os dias atuais. Na década de 1990, a integração da economia brasileira ao processo de globalização e a conquista da estabilidade foram os fatos econômicos que mais marcaram o Brasil. Houve, então, grandes tranformações no mercado 5 de trabalho brasileiro, originadas da reorientação do modelo brasileiro de desenvolvimento, a partir, da industrialização protegida para uma economia aberta e competitiva e do sucesso da estabilidade da moeda, ainda, na época, em consolidação. A economia brasileira, inserida, num processo de globalização, por sua vez, traz um impacto sobre os fluxos de comércio e de capitais, sobre a base tecnológica e gerencial e organizacional das empresas brasileiras e sobre o mercado de produto e de trabalho. A estabilidade foi importante para propiciar condições de planejamento das empresas e da sociedade do país. Assim, o mercado informal de trabalho, passa a ser entendido, como uma alternativa de emprego, principalmente, nos períodos de crise . (MARTINS, 2003) E, por isso, para Filho et. al. (2004), o trabalho informal no Brasil ganha importância a cada dia. Pelo fato de ser uma alternativa de emprego, existe um grande número de trabalhadores informais, que vem crescendo, ainda mais, no decorrer dos anos, fazendo o percentual de trabalhadores que contribuem para a previdência e que tem carteira assinada diminuir. Porém, Costanzi (2004) analisando a RAIS3, mostrou uma ideia contraditória a de Filho et. al., pois suas análises alegam uma tendência de crescimento do emprego formal no Brasil, praticamente constante, que vai de 1985 a 2002, durante o qual cresceu à taxa média anual de 2%. O emprego formal eleva-se de 20,5 milhões em 1985 para 28,7 milhões em 2002. Ao longo do período em questão, nota-se que houve criação de postos de trabalho formais em todos os anos, exceto de 1990 a 1992, reflexo da recessão pelo qual passava o Brasil, possivelmente pelo processo de reestruturação da economia. Costanzi (2004), entretanto, concorda que existe um grau de dificuldade dos trabalhadores na inserção no mercado formal. Para ele o fraco desempenho da indústria de transformação, contribui para isso, por 3 Relação Anual de Informações Sociais 6 parte da PEA4. Contudo, o grau de dificuldade para se conseguir um emprego está sendo amenizado pelas contratações por prazos determinados e pelas contratações do setor público. Alguns desenvolvimentos em nível macroeconômico, como o advento da crise asiática e da crise financeira internacional em meados de 1998, bem como, a forte recessão que viveu o Brasil entre 1990 e 1992, com redução do nível de atividade e aumento da taxa de desemprego; de acordo com Néri et. al.(2000), tiveram fortes reflexos sobre o desemprenho do mercado de trabalho. Alguns desses reflexos são a redução do emprego industrial e aumento da proporção de trabalhadores informais, combinado a crescimento do rendimento real dos trabalhadores e do emprego nos setores comércio e serviços, etc. Ainda em nível macroeconômico, Néri et. al.(2000), explica ainda que, o desempenho do mercado de trabalho brasileiro metropolitano na década de 90 deve ser dividido em dois subperíodos distintos. Um compreende, de 1990 até a estabilização da economia em 1994. E o outro começa em 1994 e dura até o presente. No primeiro a economia viveu uma forte recessão, com aumento da taxa de desemprego aberto, níveis extremamente elevados de inflação e passou por grandes mudanças estruturais. O segundo, a taxa de inflação foi reduzida e a taxa de crescimento do produto se tornou positiva, até o ano de 1997. Apesar dessa grande diferença no desempenho macroeconômico dos dois subperíodos, em alguns aspectos o desempenho do mercado de trabalho mostrou similaridades. Isso decorre das importantes mudanças estruturais que caracterizaram eses anos. Ou seja, aqueles aspectos do funcionamento do mercado de trabalho que estão relacionados aos efeitos das mudanças estruturais, como a abertura da economia, as privatizações etc., têm uma evolução similar, no que se refere ao sentido das transformações, entre os subperíodos, embora no primeiro período essas tenham ocorrido de forma muito mais intensa. Por outro lado, aqueles aspectos do funcionamento do mercado de trabalho relacionados ao desempenho macroeconômico de curto prazo, como a estabilizaçao, têm comportamentos bastante diferentes entre os subperíodos. (Néri et. al. 2000) 4 PEA ou População Economicamente Ativa , representa os indivíduos que trabalham e que não trabalham, mas estão procurando emprego por estarem dispostas a trabalhar, ou seja, compreende em uma população ocupada e desocupada, que pode ser sinônimo da força de trabalho. É a população ativa integrada no mercado de trabalho e a população ativa não integrada no mercado de trabalho, isto é, incluem-se as pessoas empregadas e as que estão procurando emprego. (Gremaud el al., 2002 p. 102). De acordo com Pinho e Vasconcellos (2003 p.383), “entende-se por PEA o conjunto de elementos empregados e desempregados num certo momento e captado por um inquérito estatístico, com base na definição de atividade econômica dos indivíduos.” 7 Em estudos sobre o mercado de trabalho, Mendonça e Barros (1997) descobriu que o grau de flexibilidade do mercado de trabalho, assim como o grau de variação salarial é consenso para o desempenho de uma economia. O grau de flexibilidade pode ser definido genericamente, como a capacidade dos preços e quantidades transacionados neste mercado se ajustarem rapidamente a choques nas curvas de demanda e oferta, assim uma maneira de medir esse grau de flexibilidade seria estimar como preços e quantidades reagem no curto prazo a choque exógenos de magnitude padronizada. Num mercado perfeitamente flexível, assumindo a oferta de trabalho perfeitamente elástica, ocorreria uma queda salarial suficientemente acentuada de forma a manter o nível de emprego e desemprego constante. Por outro lado, num mercado com perfeita rigidez salarial, ocorreria uma queda no nível de emprego e uma elevação no nível de desemprego, com o nível salarial permanecendo constante e a curva de salário perfeitamente horizontal. Os autores, concluem que o grau de flexibilidade salarial numa economia é um determinante fundamental no seu desempenho, por isso este parâmetro deve ser continuamente monitorado e estudado, de forma que se possa identificar os fatores que induzem um maior ou menor grau de flexibilidade no mercado de trabalho. Para Vasconcellos e Garcia (2008 p.116) o mercado de trabalho determina a taxa de salários e o nível geral de emprego, sem distinguir os diferentes tipos de trabalho. Admite-se a existência de um único tipo de mão-de-obra, independente das características individuais como raça, escolaridade, idade, sexo etc. A demanda ou a procura de mão-de-obra depende de dois fatores básicos, da taxa de salário real e do nível de produção desejado pelas empresas. Por outro lado, a oferta de mão-de-obra depende do salário real e da evolução da PEA. O equilíbrio desse mercado existe quando a oferta de trabalho é igual a demanda. Considera (1980) identifica na literatura dos determinates da segmentação do mercado de trabalho e da estrutura e a evolução dos salários industriais, duas ordens de fatores, que se refere as características do mercado de trabalho, a primeira sobre às condições da força de trabalho, tanto em demanda como ofertas e a segunda sobre as condições de cada indústria. Os economistas que dão ênfase no primeiro grupo, dizem que o salário seria determinado pelo confronto entre as características da mão-de-obra ofertada e a exigências feitas pelo 8 empregador, assim os salários possibilitariam a maximização da utilidade do trabalhador e consequentemente a dos juros. Para os economistas do segundo grupo de fatores, os salários seriam determinados pelas relações entre as indústrias, tais como poder de mercado, produtividade e lucratividade. Recentemente iniciou-se a síntese das duas correntes, com o argumento de que ou as explicações seriam complementares ou as comprovações empíricas dos defensores interindustriais poderiam ser reinterpretadas como evidências favoráveis aos defensores do sistema competitivo. Outro tema importante, quando se fala de mercado de trabalho, é o emprego e o desemprego. Sabe-se que os trabalhadores estão inseridos no mercado de trabalho. E para entender melhor este mercado é necessário entender também o que vem a ser , a força de trabalho. Para Pinho e Vasconcellos (2003 p.383) a força de trabalho representa os elementos que irão constituir o mercado de trabalho, o qual, por sua vez, abastece as empresas, no que diz respeito a necessidade de mão-de-obra. E de acordo, Gremaud et. al. (2002 p.102) a taxa de participação da força de trabalho vem sofrendo um aumento nos ultimos anos, no Brasil. Pois na década de 80 a taxa era de aproximadamente 53% e em 1995 essa taxa cresceu para 61%. Isso pode ser explicado pelo ingresso progressivo das mulheres na força de trabalho, dos indivíduos em idade estudantil e de idosos. Os trabalhadores que ainda estão a procura de um emprego, são considerados desempregados. De acordo com o PED5, desempregados são os indivíduos que se encontram numa situação involuntária de não-trabalho, por falta de oportunidade de trabalho, ou que exercem trabalhos irregulares com desejo de mudança. Existem três tipo de desemprego, o desemprego aberto , que é aquele onde as pessoas procuraram trabalho de maneira efetiva nos trinta dias anteriores ao da entrevista e não exerceram nenhum trabalho nos sete últimos dias; desemprego oculto pelo trabalho precário, que é onde estão as pessoas que trabalham em um trabalho remunerado ocasional de auto-ocupação ou nao remunerado em ajuda de 5 Pesquisa de Emprego e Desemprego, é um levantamento domiciliar contínuo, realizado mensalmente, desde 1984, na Região Metropolitana de São Paulo, em convênio entre a Fundação SEADE e o DIEESE 9 negócios de parentes e, por fim, o desemprego oculto pelo desalento, onde as pessoas não possuem trabalho e nem procuraram nos últimos 30 dias anteriores ao da entrevista. Segundo Hall e Taylor (1989 p.46 e p.47) sempre haverá desempregados, num nível elevado ou num nível mais baixo, porque a economia não proporciona trabalho para toda a mão-deobra sendo o desemprego uma das questões mais importantes da macroeconomia, e, por issso, aparece frequentemente como tópico de debate político O alto desemprego é o sinal negativo para a economia. A taxa de desemprego é a porcentagem da força de trabalho desempregada, porém existe milhões de pessoas que nao estão trabalhando, mas que também não são consideradas desempregadas. Essas pessoas são consideradas fora da força de trabalho, pois elas estão aposentadas, estudando, em casa cuidando dos filhos, doentes ou não procuram emprego por alguma razão diferente. Para Gremaud et. al. (2002) a razão pelo qual sempre vai haver algum desemprego, mesmo com a atividade econômica em franco crescimento, é que o encontro entre empregados e empregadores não é perfeito; ou os empregos estão em regiões diferentes sendo necessário um deslocamento da população, ou estão em setores diferentes, exigindo um retreinamento, ou simplesmente empregados e empregadores levam algum tempo para se encontrarem. Os autores Hall e Taylor (1989 p.48) também explicam, através da taxa natural de desemprego, que mesmo em épocas normais e de grande expansão o emprego nao é zero, pois existe o desemprego friccional. As passagens de um emprego para outro são particularmente comuns, principalmente nos casos de empregados jovens, pois a maioria deles estão procurando descobrir o tipo de trabalho que mais se adaptam. Também, quando os empregados entram na força de trabalho, precisam de algum tempo para encontrar emprego, da mesma forma que, quando os empregados saem de seus empregos, passa algum tempo até encontrarem outro emprego. Além disso existem alguns empregados que estão frequentemente sem emprego pela sua falta de qualificação Outro motivo pelo qual o desemprego aparece frequentemente como tópico de debate político é o de o desemprego ser o problema macroeconômico que afeta os indivíduos de 10 forma mais dura e direta, pois para a maioria a perda do emprego significa redução do padrão de vida e angústia. Muitos políticos usaram a soma das taxas de inflação e de desemprego, para medir o sucesso ou insucesso das politicas econômicas. Os economistas estudam o desemprego para identificar suas causas e ajudar as políticas públicas que afetam o desempregado, como por exemplo, o seguro desemprego, que alivia algumas dificuldades dos desempregados. (Mankiw, 1998 p.94) Outras razões, conforme Sachs e Larrain (2000 p.524) para tornar o desemprego uma das principais preocupações das autoridades e do público em geral é que, para eles, o emprego implica em desperdícios de recursos humanos, que poderiam estar produzindo bens e serviços que satisfariam a necessidade da população, representando dificuldades pessoais para o desempregado. O desemprego aumenta nas recessões e diminui nas expansões, variando muito também entre as diversas nações. A taxa de desemprego é o numero de pessoas desempregadas em proporção a força de trabalho. De acordo com o International Labour Office (ILO), desemprego é definido como o conjunto de pessoas acima de uma determinada idade que estao sem trabalho, que estao atualmente disponíveis para trabalhar e estão procurando trabalho durante o período de referência. Todas essa tres condições devem existir para que uma pessoa seja considerada desmpregada. Para que se considere que está procurando trabalho a pessoa deve estar tomando medidas claras para conseguir emprego. Essas ações incluem registrar-se em um agencia de empregos, candidatar-se a empregos procurá-los nos pontos de trabalho (fazenda, portas das fábricas, mercados, etc), colocar anuncios em jornais ou responder a eles, etc. (Sachs e Larrain , 2000 p. 525) Ainda de acordo Sachs e Larrain (2000 p.531), a taxa natural de desemprego é a taxa que corresponde ao equilíbrio macroeconômico, em que a inflação esperada é igual ao seu nível real. Esse termo é usado para representar a taxa de desemprego à qual a economia vai voltar depois de recessão ou expansão. A taxa natural de desemprego , às vezes, é chamada de taxa de desemprego “de pleno emprego”, no sentido de que o desemprego só é excessivo quando o desemprego real ultrapassa o nível natural. Isso porque o desemprego sempre vai existir, pois, por razões “normais”, as pessoas sempre estão entrando e saindo do rol de desempregados. Novos trabalhadores sempre estão entrando na força de trabalho e frequentemente saem de um emprego e procuram outro. Também pode ser chamada de taxa de desemprego não-aceleracionista da inflação. 11 Segundo Gremaud et. al. (2002 p. 108 e p.109) “taxa natural de desemprego é aquela compatível com o pleno emprego, e ocorre devido ao desemprego friccional e estrutural, não sendo devida ao ciclo de negócios. O pleno emprego é o emprego de todos os fatores de produçao, em termos da força de trabalho, é a igualdade entre a população economicamente ativa e a população ocupada ou empregada. O desemprego friccional é aquele decorrente do tempo necessário para que o mercado de trabalho se ajuste. Assim, quando alguém deixa um emprego tendo outro em vista, normalmente entre os dois momentos esse trabalhador encontra-se desempregado. Nesse caso o tempo entre a saída do antigo emprego e o ingresso no novo pode ser em razão da necessidade de um deslocamneto geográfico, de problemas burocráticos ou mesmo do tempo necessário para a requalificação do trabalhador à nova função ou ao novo setor de atividade. Quando o trabalhador que perdeu o emprego não possui um emprego em vista ao ser despedido, existe um tempo para ele encontrar um novo emprego, pois as informações sobre a disponibilidade de empregos com as qualificações e condições desejadas nao são completamente perfeitas. ( Gremaud et.al., 2002 p. 106) Mankiw (1998 p.97), esclarece que o desemprego friccional é o intervalo necessário à compatibilização de trabalhadores e empregos. Isso acontece porque os trabalhadores têm diferentes preferências e habilidades e os empregos têm atributos diferenciados, assim é necessário considerar que a busca de um emprego adequado exige tempo e esforço. Como os postos de trabalho exigem habilitações diferentes, e pagam salários diferentes, os desempregados nem sempre aceitam a primeira oportunidade. Além do desemprego friccional existe também o desemprego estrutural e o cíclico. O Desemprego Estrutural está relacionado com a procura de emprego e com a realocação em setores, o desemprego facilita a adequadação eficaz de trabalhadores e vagas de emprego. O termo “desemprego estrutural” pode ser usado pelos economistas de várias formas. Alguns, para signifcar descompasso dos níveis de emprego quando os setores estão em expanção ou em contração; outros, para representar bolsões geográficos de grande desemprego. ( Sachs & Larrain, 2004 p. 544) 12 Para Gremaud et. al. (2002 p.106 e p.108 ) desemprego estrutural “é o desemprego decorrente de mudanças estruturais em certos setores da economia que eliminam empregos, sem que haja, ao mesmo tempo a criação de novos empregos em outros setores”. O desemprego cíclico, para Sachs e Larrain (2004 p.545) “é o desemprego acima da taxa natural. Neste caso, a produção, pode ser elevada sem uma taxa de investimento mais alta, pois há disponibilidade de recursos não utilizados”. E para Gremaud et. al. (2002 p.106), o Desemprego Cíclico, tambem pode ser chamado de Desemprego conjuntural que refere-se ao aumento do desemprego em função de uma diminuição do ritmo da atividade econômica, ou seja, que ocorre devido a condições recessivas na economia. Quando há uma diminuição na atividade econômica, deve existir uma diminuição da demanda por trabalho por parte dos empresários. 2.1- O Mercado de Trabalho e a Mulher Num passado próximo, sabe-se que as mulheres eram quase uma exceção no mercado de trabalho. Porém esse quadro veio mudando e hoje vemos que as mulheres ocupam as mais diversas profissões no mercado de trabalho. Para Melo (2000) apud Saffioti (1984) o mercado de trabalho brasileiro nas ultimas décadas demonstrou uma grande capacidade de geração de novas ocupações. A preferência pelo sexo feminino, na hora da desregulamentação do trabalho, seja talvez pelo fato de as mulheres serem vistas como mais submissas na nossa cultura. Segundo Melo apud Tarrés (1997) isso pode ser explicado, porque muitas delas são chefes de família, com responsabilidades para a sobrevivência do grupo doméstico, podendo afirmar também que essas foram historicamente socializadas para dizer “sim”. Conforme Araújo e Ribeiro (2002), nos anos recentes a ocupação da mulher no mercado de trabalho está crescendo, só que, por outro lado, o diferencial salarial entre os sexos não está caindo. Para eles de acordo os autores Barros e Mendonça (1996) a desigualdade de renda pode ser separada em fatores relacionados com desigualdade de condições, que é gerada por 13 diferença nos atributos produtivos com que o trabalhador chega ao mercado e desigualdade de resultados, que diz respeito, ao tratamento que a pessoa recebe no mercado de trabalho dado seus atributos positivos. Os estudos e as pesquisas feitas pelo IBGE, apresenta que no período de 1992 a 1997, a procura pelo trabalho do sexo feminino teve um acréscimo significativo. Na região sul a procura de trabalho, por parte das mulheres, teve um crescimento de 114.812, em 1992 para 261.832 em 1997. No Brasil esse acréscimo foi de 4.556.801 para 5.881.776, representando 37%. E ainda, a população feminina teve um crescimento do seu rendimento médio mensal superior ao da população masculina em todas as categorias de emprego. Teixeira (2005), posteriormente analisando também dados do IBGE, afirma que nos últimos cinqüenta anos uns dos fatos mais marcantes foi a grande inserção da mulher na força de trabalho brasileira, que é explicado pela combinação de fatores econômicos e culturais. No ano de 2000 a população brasileira era de 169.799.170 milhões de habitantes, com uma participação de 51,31% de mulheres. Segundo o autor, existe uma relação entre trabalho e educação no processo de desenvolvimento na maioria dos grupos e na sociedade como um todo. Para os dados do IBGE em 2001 a PEA brasileira tinha uma média de escolaridade de 6,1 anos, sendo que, a média de escolaridade para os homens eram de 6,3 anos e para as mulheres 7,3 anos, concluindo que a pessoa que tem um grau de escolaridade mais elevado, têm maior chances de entrar no mercado de trabalho. 14 3- METODOLOGIA Após a escolha e delimitação do tema, a coleta de dados foi efetuada através de um questionário, aplicado em trabalhadores, nos principais bairros de Curvelo. As respostas foram tabuladas, tranformadas em gráficos e análisadas. O questinário é a forma mais usada para coletar dados, pois possibilita medir com exatidão o que se deseja. Refere-se a um meio de obter respostas às questões por uma fórmula que o próprio informante preenche, que contém um conjunto de questões, todas logicamente relacionadas com um problema central. O questionário possui a vantagem de os respondentes sentirem-se mais confiantes, devido o anonimato, o que se possibilita coletar informações e respostas mais reais. ( Cervo e Bervian, 1996 p.138) 15 4- RESULTADOS E DISCUSSÕES Esta pesquisa realizada no mês de agosto do ano 2010, estrutura-se através de dados obtidos por um questionário que foram aplicados em um total de 1076 entrevistados, sendo 54 do sexo masculino e 53 do sexo feminino. A pesquisa tem como objetivo mensurar o perfil do trabalhador curvelano, isto é, levantar o perfil dos profissionais mais concorridos, bem como o dos menos solicitados, estimando a média da escolaridade, faixa etária, sexo, remuneração média, etc. Os questionários foram aplicados nos bairros Ipiranga, Bela Vista, Centro, Santa Maria e Vila Nova na cidade de Curvelo/MG. A amostra é considerada representativa ao nível de significância de 10% e a pesquisa torna-se estatisticamente significante. Variação do Sexo dos Trabalhadores Masculino 44,44% Feminino 55,55% Gráfico 1 Fonte: Elaboração própria pelo NUPIA/FAC 6 Vale salientar que 26 dos entrevistados não possuem trabalho, por isso foram descartados. 16 Analisando o gráfico 1, conclui-se que na cidade de Curvelo/MG, há uma predominância de trabalhadores do sexo masculino, com uma diferença de 11%, sendo 45% do sexo feminino e 55% do sexo masculino. Neste gráfico percebemos o crescimento da participação do trabalho feminino no mercado de trabalho, com um valor de 45%, o que tem sido um fenômeno não só em Curvelo, mas no Brasil . Segundo os dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicilio (PNAD) a participação das mulheres no mercado de trabalho têm sido cada vez mais expressiva, em 1999 elas representavam 41,4% e sua participação cresceu de 43,1% em 2004; para 43,5% em 2005; e 43,7% em 2006. A entrada das mulheres no mercado de trabalho não foi acompanhada de uma diminuição das desigualdades profissionais entre os sexos pois o emprego feminino continua sendo concentrado em alguns setores de atividades e agrupado em um pequeno numero de profissões, embora numa proporção menor, sendo essa segmentação a base das desigualdades entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Essa realidade pode esconder um aspecto importante com relação à ocupação feminina: como as mulheres não chegam a ter uma profissão tão definida como os homens, mas aceitam participar do mercado de trabalho em ocupações pouco definidas e menos especializadas, talvez seja esse aspecto que explique em parte a manutenção de seu patamar de participação na indústria de transformação. (MELO, 2000) Vem ocorrendo, no entanto, uma mudança nos últimos anos, embora numa pequena velocidade, pois de acordo com essa pesquisa, 7 mulheres entre 36, possuem curso superior de graduação e trabalham na área em que se especializou. Segundo, Guimarães e Consoni (2000) houve uma mudança importante no acesso ao mercado de trabalho brasileiro e ao trabalho industrial no período de 1989 a 1998 que é a entrada massiva de mulheres na força de trabalho. Existindo uma importante aproximação entre homens e mulheres, onde as mulheres elevam sua participação de 35% a 42%, enquanto os homens reduzem sua participação de 65% para 58%, resultando que , em 1998, de cada 10 indivíduos 4 já eram mulheres e 6 eram homens. 17 Renda Média dos Trabalhadores Curvelanos R$ 1.400,00 R$ 1.200,00 R$ 1.000,00 R$ 800,00 R$ 600,00 Masculino Feminino R$ 1.181,45 R$ 400,00 R$ 824,25 R$ 200,00 R$ 0,00 Gráfico 2 Fonte: Elaboração própria pelo NUPIA/FAC Observamos a partir do gráfico 2, que a renda média dos trabalhadores do sexo masculino é superior a do sexo feminino em torno de 30,23%, ou seja, o salário dos homens na cidade de Curvelo/MG , de acordo com essa pesquisa tem uma diferença de R$357,20 em relação ao salário das mulheres. Essa pesquisa a nível municipal comprova o que acontece em todo o país. Tal fato pode ser explicado pelo motivo de as mulheres trabalharem em postos de trabalho de menor status social e que recebem na maioria um salário mínimo. É importante destacar também que, a renda média sem distinção de sexo é de R$1.029,21. De acordo com Araújo e Ribeiro (2002) as mulheres, apesar de igualmente qualificadas são descriminadas no mercado, pois recebem salário inferior ao dos homens, no desempenho da mesma função e/ou recebem salários menores por terem acesso somente a cargos menos remunerados. O salário/hora da mulher em 1995, no Brasil, era aproximadamente R$ 2,57 e dos homens R$3,62, com uma diferença de 41,4%. Para Probst (2007) o número das mulheres em postos de direção cresce exponencialmente nas empresas. No Brasil, as mulheres ocupam 41% do mercado de trabalho e ocupam 24% dos cargos de gerência. Entretanto, as mulheres brasileiras recebem, em média, 71% dos salários dos homens, pois as mulheres são ainda preferidas pelos trabalhos de rotina. Em 1991 a renda das mulheres brasileiras correspondia a 63% da renda dos homens. As 18 estatísticas provam que, existem mais mulheres no Brasil do que homens, e que elas vêm conseguindo emprego com maior facilidade dos que os homens e os seus rendimentos crescem num ritmo mais acelerado. As pesquisas no Brasil mostram que as mulheres estão sendo preferidas para ocupar as vagas, pois elas têm se preocupado mais com o conhecimento. Em 1994, 35% das mulheres contavam com o ensino médio e no final da década esse numero chegou a 43%. Probst apud Camargo e Serrano (1980) estimaram equações de salários para os homens e as mulheres das indústrias em função de características pessoais (escolaridade) e do mercado de trabalho. Essas equações concluíram que existe discriminação de renda por gênero, porém não é possível saber a magnitude desse diferencial. De acordo com Probst, os autores Lene e Wajaman (2000) avançaram os estudos em diferencial da renda por sexo, no período de 1977 a 1997, mostrando que esse diferencial caiu de 75% para 25%, concluindo que para cada geração mais jovem, a discriminação salarial às mulheres, tende a cair. Ainda para Probst apud Cavalieri e Fernandes (1998) o diferencial de salário entre homens e mulheres varia de acordo com a idade, região, educação e cor. Com dados de 1989, os autores revelaram que esse diferencial é menor nas regiões metropolitanas do Sul e do Sudeste. Também tende a ser menor entre brancos e não-brancos (negros e mulatos) e entre menos estudados do que entre mais estudados. Com relação a idade foi identificado que, em idades baixas e elevadas os diferencias salariais são mais baixos do que em faixas etárias intermediárias. Segundo Melo (2000), “uma das explicações para os baixos rendimentos das mulheres na sociedade é que estas têm jornadas de trabalho menores que os homens, devido a seus encargos domésticos”. 19 Raça X Renda R$ 1.100,00 R$ 1.050,00 R$ 1.000,00 Negros R$ 1.084,52 R$ 950,00 R$ 900,00 Não-negros R$ 940,15 R$ 850,00 Gráfico 3 Fonte: Elaboração própria pelo NUPIA/FAC No quesito raça, pode destacar que a renda entre negros e não-negros 7 tem uma diferença de R$144,37, nota-se que a renda do trabalhador não-negro gira em torno de R$ 1084,52 e a do trabalhador negro gira em torno de R$ 940,15, percebemos que essa diferença da renda está bem próxima da realidade nacional. Segundo pesquisas feitas pelo DIESE, o rendimento dos trabalhadores negros são inferiores ao rendimento dos não-negros, nas regiões metropolitanas do Brasil. Essa situação, expressa o conjunto de fatores que reúne a entrada precoce nos mercados de trabalho, maior inserção da população negra nos setores menos dinâmicos da economia, a elevada participação em postos de trabalho precários e em atividades não-qualificadas e as dificuldades que cercam as mulheres negras no trabalho. Silva (1980) utilizando dados do Censo de 1960 para o Rio de Janeiro, com o intuito de avaliar a discriminação racial entre brancos e não-brancos, estima um modelo em que os rendimentos são função da experiência, da escolaridade, de variáveis de lugar, de antecedentes locacionais e do estado conjugal. Decompondo os diferencias de renda entre 7 Metodologia utilizada pelo DIEESE onde negros são pretos e pardos e não-negros são brancos e amarelos. 20 bancos e não-brancos, Silva mostra que, a discriminação racial determina cerca de 16% dos diferencias de renda dos observados. Cavalieri e Fernandes (1998) estudaram como esse diferencial varia de acordo com a idade, a educação, o sexo e a região. Os resultados mostraram que esse diferencial praticamente não varia de acordo com a idade, nem com a região e que essa discriminação racial aumenta sensivelmente com o nível educacional e atinge mais as mulheres do que os homens. Para Lowell (1992) utilizando dados do Censo de 1980, restritos aos homens, com idade entre 18 e 64 anos, que residem nas regiões metropolitanas do Brasil, os resultados obtidos com uma equação de salário em função de experiência, estado civil, idade, ocupação e situação migratória , indicam a existência de diferencial de salários entre as raças branca e preta. Em relação ao aspecto regional, foi constatado que os diferencias são menores em Fortaleza, Curitiba e Porto Alegre e maiores em Salvador, pois a discriminação salarial esta relacionada com o nível econômico regional. De cada 10 trabalhadores no mercado, 6 eram brancos e 4 eram negros, tanto em 1989 como em 1998. Se insistíssemos em anotar suaves mudanças, poderíamos dizer que há um muito leve aumento do peso dos brancos, que se compensa com uma igualmente ligeira redução da presença dos negros na força de trabalho. A tendência, entretanto, parece ser distinta quando observamos o trabalho industrial. Aqui, os negros tendem a aumentar levemente a sua participação (de 36 a 37%, enquanto os brancos reduzem-na de 64 a 63%). O suave “branqueamento” que se poderia notar no conjunto da PEA8 não tem lugar na indústria. (Guimarães e Consoni, 2000) Ainda, em pesquisas feitas por Guimarães e Consoni (2000) os diferencias de trabalho tem diminuído mais proporcionalmente por sexo do que por raça. Em 1989 a 1998, em média, a força de trabalho branca recebia quase o dobro da força de trabalho negra. Assiste-se uma certa hierarquia no mercado de trabalho. No topo, estão os homens brancos recebendo os mais altos salários, na posição intermediária, estão os homens negros e as mulheres brancas, com faixas salariais equivalentes. Por fim, abaixo, vêm as mulheres negras com salários 8 População Economicamente Ativa 21 significativamente baixos. Cabe considerar que os diferencias entre homens e mulheres na indústria de transformação ainda esta alta. Em 1989 os salários das mulheres eram 51% dos salários dos homens, aumentando para 59,2% em 1998. As mulheres brancas são mais escolarizadas do que os homens, assim como as mulheres negras são mais escolarizadas que os homens negros, porém elas não respondem pelos maiores salários. Entre todos os entrevistados nesta pesquisa nenhum trabalhador era de raça amarela ou indígena. Aprofundando ainda mais e analisando separadamente as raças dos trabalhadores, vimos que os trabalhadores de raça preta recebem uma renda média de R$925,00, os pardos de R$1008,00 e os brancos de 1084,52, indicando que os pretos possuem uma grande diferença na renda em relação aos brancos com uma variação de 14,67% e em relação aos pardos com uma variação de 8,23%. Comprovando que há uma discriminação salarial entre raças no mercado de trabalho brasileiro. 22 Estado Civil dos Trabalhadores 2% 41% Casados Solteiros 57% Outros Gráfico 4 Fonte: Elaboração própria pelo NUPIA/FAC A partir do gráfico 4 observa-se que, grande parte dos trabalhadores não são casados (57% dos entrevistados), o restante esta dividido em 41% (casados) e 2% (outros) . Isso pode ser explicado pelo sexo dos entrevistados em relação ao estado civil dos trabalhadores, aprofundando mais, vimos que a maioria dos entrevistados solteiros, é do sexo feminino, pelo fato de as mulheres quando casam, deixarem de trabalhar para poder cuidar das atividades da casa e dos filhos, pois a pesquisa mostra que as maiorias das casadas possuem filhos e somente 3 entre 11 casadas não possuem. Outro fator é que quando a mulher é solteira, a busca pela independência é intensa. A renda dos trabalhadores solteiros é, em média, R$1024,19 e dos casados é R$1003,67. A pesquisa mostra que a maioria dos trabalhadores não possui filhos (56%). Isto ocorre, pois como vimos no gráfico anterior, existe uma parcela maior de trabalhadores solteiros do que trabalhadores casados, entre 33 trabalhadores casados, 27 possuem de 1 a 4 filhos e entre os 46 trabalhadores solteiros, somente 8 possuem 1 ou 2 filhos. 23 Trabalhadores que nasceram em Curvelo 1% 19% Não Sim Outros 80% Gráfico 5 Fonte: Elaboração própria pelo NUPIA/FAC Percebe-se no gráfico 5 com um valor de 80% do total, que quase todos os trabalhadores de Curvelo/MG, com idade entre 18 a 51 anos , nasceram em Curvelo, sobrando 19% que nasceram em outras cidades ou estados e 1% para outros, esta análise comprova que existe uma pequena migração de pessoas de outros estados ou cidades. Em um estudo feito pelo NUPIA, em novembro a agosto de 2008, utilizando dados secundários oriundos do Censo Populacional Brasileiro de 2000, foi observado que a grande maioria (71,3%) dos trabalhadores de Curvelo/MG era provenientes de outras cidades do interior de Minas Gerais, seguido de 23,7% de trabalhadores que não eram migrantes. Os resultados mudaram acentuadamente, em estudos novamente feitos pelo NUPIA com base de dados primários, coletados através de questionário no mês de agosto deste ano, pois de 71,3% caiu para 19% os trabalhadores que eram provenientes de outras cidades. E de 23,7% subiu para cerca de 80% os trabalhadores que nasceram na cidade de Curvelo. Machado, et al (2010), ressaltaram que para a Teoria Microeconômica Neoclássica, o migrante, é um individuo racional capaz de ordenar hierarquicamente suas escolhas e de realizar cálculos relacionados às alternativas. Visando maximizar suas escolhas, possuem informações perfeitas sobre o diferencial de renda entre a sua região e outras regiões. O 24 migrante decide migrar a partir de um cálculo de custos e benefícios que leva a ter uma expectativa de retorno positivo com o movimento, levando em consideração o salário que ira receber e os custos associados à migração. Ainda de acordo com Machado et. al., apud Harris e Todaro (1970) consideram que os movimentos migratórios acontecem por diferenças salariais entre duas regiões e/ou por diferenças nas taxas de emprego. Deverá existir pelo menos uma dessas diferenças para que o movimento migratório ocorra. O pressuposto básico da teoria proposta pelos Novos Economistas da Migração do Trabalho (Stark & Bloom, 1985; Stark & Taylor, 1989; Stark & Taylor, 1991; Taylor, 1986) é o de que a decisão de migrar não é tomada por indivíduos isolados, mas por um conjunto maior de pessoas que estão de alguma forma ligadas. Muda-se o foco da análise, centrada não mais no indivíduo, mas no domicílio ou outra unidade de produção e consumo, culturalmente definida. Stark & Bloom (1985), por exemplo, ressaltam que a decisão de migrar frequentemente é tomada conjuntamente com um grupo de não migrantes, sendo os custos e os retornos divididos de uma forma prevista em um arranjo contratual que irá refletir o poder de barganha das partes envolvidas. Outro ponto destacado é o de que os indivíduos agiriam coletivamente visando não apenas maximizar os ganhos, mas também minimizar os riscos (Taylor, 1986). Os domicílios controlariam os riscos de queda no padrão de vida, diversificando a alocação de seus recursos, incluindo a força de trabalho familiar. Estes autores consideram a existência de um mercado de trabalho imperfeito e afirmam que, mesmo na ausência de diferenças salariais, as migrações continuariam a ocorrer, ao contrário do que preconizam os economistas neoclássicos, pois os domicílios, ou alguns de seus membros, poderiam se mover visando, com isso, minimizar os riscos de queda no padrão de vida.(Machado et al, 2010) 25 Trabalhadores que frequentam escola 2% 23% Não Sim Outros 75% Gráfico 6 Fonte: Elaboração própria pelo NUPIA/FAC A partir do gráfico 7, percebe-se que a grande maioria dos trabalhadores não freqüenta escola, ou seja, maior parte (75%) deles só trabalham e não estudam, 23% trabalham e estudam e 2% outros. De todos os trabalhadores entrevistados apenas 3, não sabem ler e escrever. Analisando a renda media desses trabalhadores, sem distinção de sexo, com a idade entre 18 e 39, é de R$1052,50, percebe-se que não é muito alta e que estes trabalhadores estão tentando melhorar a qualidade de vida, através da educação. A renda média dos trabalhadores, em geral, gira em cerca de R$1029,21. 26 Curso frequentado pelo trabalhador 80,00% 68% 70,00% 60,00% Regular de Ens. Médio Regular de Ens. Fundamental 50,00% E.J.A. ou S.E.F. 40,00% E.J.A. ou S.E.M. Pré-vestibular 30,00% Superior de Graduação 16% 20,00% 10,00% 5% 0,00% 0% 0% Mestrado ou Doutorado 5% 5% Gráfico 7 Fonte: Elaboração própria pelo NUPIA/FAC Sem dúvida, grande parte dos trabalhadores que estudam, trabalham ao decorrer do dia e estudam no período noturno. No gráfico 8, percebe-se a predominância do curso superior de graduação (68%), sobrando 16% para educação de jovens e adultos ou supletivo do ensino médio, 5% para mestrado ou doutorado, 5% para pré-vestibular e, por fim, 5% para regular do ensino médio . Numa análise mais aprofundada dos dados, detectamos que das mulheres que trabalham e estudam aproximadamente 85% fazem curso superior de graduação e 15% faz educação de jovens e adultos ou supletivo do ensino médio. E dos homens que trabalham e estudam 58% fazem curso superior de graduação, 25% fazem educação de jovens e adultos ou supletivo do ensino médio, 8% fazem pré- vestibular, 8% fazem regular do ensino médio e 8% fazem mestrado ou doutorado. 27 Variação da Renda dos Trabalhadores Até R$ 600,00 10% 3% 24% 21% De R$ 601,00 a R$ 1000 De R$ 1001,00 a R$ 1400,00 42% De R$ 1401,00 a R$1800,00 De R$1801,00 a R$2200 Gráfico 8 Fonte: Elaboração própria pelo NUPIA/FAC A partir do gráfico 8, podemos visualizar uma grande desigualdade de renda dos trabalhadores na cidade de Curvelo/MG, existindo uma predominância de 42%, dos trabalhadores que recebem entre R$601,00 e R$1000,00 por mês. Percebe-se, também que somente 3% dos trabalhadores de Curvelo, recebem salário entre R$1801 a R$2200. De acordo com pesquisas feitas pelo PNUD9, o Brasil está entre os países da América Latina que possui o pior Índice de Gini em 2010: 0,56. E o Índice de Gini calculado em Curvelo, no ano de 2003, pelo IBGE foi de 0,42. Segundo Ferreira (2000), as causas de uma distribuição de renda desigual pertencem a pelo menos cinco grupos conceitualmente distintos de fatores. Primeiro é a existência de diferença entre os indivíduos no que diz respeito às suas características natas, tais como raça, gênero, inteligência e/ou riqueza inicial. Segundo é a existência de diferença entre indivíduos no que diz respeito à características individuais adquiridas, tais como nível educacional, experiência, etc. O Terceiro diz respeito aos mecanismos através dos quais o mercado de trabalho, age sobre os dois primeiros grupos de características, transformandoas em diferenças no rendimento do trabalho. Esse grupo por sua vez se divide em três 9 Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento 28 canais: discriminação, sobressaindo a raça e o gênero do trabalhador; segmentação, como por exemplo segmentação regional, que geram remunerações distintas em diferentes regiões geográficas do país ou segmentação setorial, como segmentações formais e informais do mercado de trabalho e, por ultimo; por projeção, entende-se a geração de retorno às características observadas do trabalhador. Assim o perfil salarial da educação projeta anos de escolaridade no espaço renda ou também o perfil salarial de experiência projeta anos de experiência no espaço renda . O quarto grupo refere-se aos mercados de capital, a medida que esses mercados sejam imperfeitos, as imperfeições afetam a geração de renda e, portanto, sua distribuição. E o quinto e ultimo grupo de fatores, é basicamente demográfico, incluindo decisões de formação de domicilio, de fertilidade, de co-habitação ou separação domiciliar. 5- CONCLUSÃO 29 O objetivo principal deste trabalho é fornecer informações, análises e diagnósticos do mercado de trabalho e suas transformações, da cidade de Curvelo/MG, para as empresas e para administração do município. Esperando que os resultados desta pesquisa possam os auxiliar. Através da realização deste trabalho foi possível verificar alguns fatores relevantes no mercado de trabalho da cidade de Curvelo. Fatos que acontecem não só em Curvelo, mas sim, no mercado de trabalho brasileiro. Primeiro, vimos o aumento da participação dos trabalhadores do sexo feminino, com percentuais quase equilibrados em relação ao dos sexo masculino, porém percebemos que as mulheres ainda nao conseguiram vencer a discriminaçao, pois recebem salários mais baixos do que os dos homens. Assim, identificamos alguns motivos para tal fato e o principal deles em Curvelo, é a de as mulheres ocuparem cargo de menor status do que os dos homens. Posteriormente, na análise dos dados, identificamos também a existência de discriminação racial, onde trabalhadores nãonegros recebem mais que os trabalhadores negros. Entretanto, essa discriminaçao racial é bem menor do que discriminação que acontece por sexo. Os resultados da pesquisa mostraram também algumas dificuldades dos trabalhadores, como aqueles que trabalham no decorrer do dia e estudam a noite, os que nao possuem casa própria, com um valor de 48% dos entrevistados, assim como, a desigualdade da renda. Um outro aspecto relevante analisado nesse artigo, foi o processo migratório no mercado de trabalho curvelano, e relacionando com os estudos realizados anteriormente pelo NUPIA, percebemos que, o número de trabalhadores que vieram de outras cidades teve uma grande queda. Por fim, este trabalho, considerado como pioneiro no tema, entitulado “Perfil dos Trabalhadores de Curvelo”, com um contexto acadêmico e com embasamentos teóricos, sugere estudos posteriores e mais detalhados sobre o tema. 6- BIBLIOGRAFIA 30 ANTIGO, Mariângela; MACHADO, Ana Flávia; OLIVEIRA, Ana Maria C.H. Evolução do Diferencial de Rendimentos entre Setor Formal e Informal no Brasil: o papel das características não observadas. Rio de Janeiro, 2008. ARAÚJO Verônica Fagundes; RIBEIRO, Eduardo Pontual. Diferenciais de Salários por Gênero no Brasil: Uma Análise Regional. Fortaleza, 2002. CHIAVENATO, Idalbeto. Gestão de Pessoas: O Novo Papel dos Recursos Humanos nas Organizações. Rio de Janeiro: Campus,1999. COELHO, Allexandro Mori; CORSEUIL, Carlos Henrique. Diferencias Salariais no Brasil: Um Breve Panorama. IPEA: 2002 CONSIDERA, Cláudio M. Estrutura e Evolução dos Lucros e dos Salários na Indústria de Transformação. Rio de Janeiro,1980. COSTANZI, Rogério Nagamine. 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