FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO DE CURVELO
FELIPE LACERDA DINIZ LEROY1
MURILO MARTINS DE PAULA2
O PERFIL DO TRABALHADOR DE CURVELO
CURVELO
2010
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Doutorando em Teoria Econômica – Centro de Desenvolvimento e Planejamento Econômico/UFMG,
Economista e Pesquisador do NUPIA/FAC e Professor da Faculdade de Administração de Curvelo (FAC).
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Bacharelando em Administração de Empresas – Faculdade de Administração de Curvelo (FAC), Estagiário e
Pesquisador do NUPIA/FAC.
1
ÍNDICE
1- Introdução ...........................................................................................................................3
2- Mercado de Trabalho ..........................................................................................................4
3- Resultados e Discussões.....................................................................................................15
4- Metodologia.......................................................................................................................16
5-Conclusão........................................................................................................................... 30
6- Bibliografia .......................................................................................................................31
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1- INTRODUÇÃO
Para compreender em maior profundidade o mercado de trabalho na cidade de Curvelo/MG,
o Núcleo de Pesquisas Interdisciplinares em Administração (NÚPIA) da Faculdade de
Ciências Administrativas de Curvelo (FAC), realizou esta pesquisa com a finalidade de
traçar as características dos trabalhadores curvelanos.
O município de Curvelo, situado na região central do estado de Minas Gerais,
aproximadamente à 170 km de distância da capital mineira, possui uma população estimada
de acordo, com o IBGE, de 74.184 habitantes. A cidade possui localização privilegiada,
onde se destaca a BR- 040 que faz ligação entre capitais como Brasília, Belo Horizonte e
Rio de Janeiro. A região central do estado de Minas Gerais comporta um grande complexo
da siderurgia de carbono na confecção do Ferro Gusa, que são abastecidas por grandes
empresas de reflorestamento sediadas no município de Curvelo.
Atualmente, com a iminência do surgimento de um ambiente globalizado e tecnológico, com
empresas modernas ou em formação, a vinda do Centro Federal de Educação de Minas
Gerais (CEFET/MG), conclusão do novo acesso à capital mineira, entre outros
acontecimentos, prometem modificar o perfil da cidade, seja pela vinda de novas empresas,
pela maior oferta de mão-de obra qualificada, ou até mesmo pela perspectiva de progresso
para a população . A nova demanda buscará profissionais qualificados e que estejam
preparados para trabalhar com ferramentas complexas. As empresas precisarão de
informações seguras e confiáveis, que possam orientar suas ações, tanto para direcionar suas
atividades quanto para recrutar novos colaboradores.
Este trabalho pretende sanar a carência de informações sobre a mão-de-obra presente em
Curvelo, levantando dados como faixa etária, renda média, sexo, raça, estado civil, índice de
migração dos trabalhadores, remuneração média, tanto para indivíduos do sexo masculino
quanto o feminino, assim como, para brancos e não-brancos.
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2- MERCADO DE TRABALHO
Antes mesmo de ser discutido o mercado de trabalho, faz-se importante definir o que vem a
ser o mercado. O mercado significa o espaço onde ocorrem trocas e intercâmbios entre
os que oferecem um serviço ou produto e aqueles que procuram os mesmos.
A característica principal de todo mercado é a de oferta e de procura. O mercado de
trabalho é composto pela oferta de emprego pelas diversas organizações e, por isso,
toda organização é parte integrante de um mercado de trabalho. (CHIAVENATO, 1999
p.82)
Com o surgimento do sistema capitalista de produção e consequente utilização do trabalho
assalariado em escala,
o mercado de trabalho passa a emergir como uma instituição
fundamental para o funcionamento da economia. Pode ser entendido de um forma bastante
ampla, como a compra e venda de mão-de-obra, representando um confronto entre
trabalhadores e empresários dentro de um processo de negociações coletivas que ocorre com
a interferência do Estado. A interação dos agentes com a participação do Estado,
determinam conjuntamente os níveis de salários, o nível de emprego, as condições de
trabalho e os demais aspectos relativos às relações entre capital e trabalho. (Pinho &
Vasconcellos, 2003 p.381)
A importância do mercado de trabalho pode ser observada sob vários pontos de vista da
teoria econômica. No aspecto microeconômico, esse mercado constitui-se num caso
particular da teoria dos preços, sendo imprescindível na determinação dos níveis de salários
e emprego. Do ponto de vista macroeconômico, ele contribui para a compreensão da
determinação do nível de demanda agregada, do produto e do emprego, em que tem papel
fundamental ao lado dos mercados de bens e serviços, monetário e, também, de títulos.
(Pinho & Vasconcellos, 2003 p.381)
O mercado de trabalho pode ser dividido em dois setores, o formal e o informal. O mercado
formal de trabalho contempla as relações contratuais de trabalho, em grande
parte
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determinadas pelas forças de mercado, ao mesmo tempo em que são objetos de legislação
específica que as regula.( Pinho & Vasconcellos, 2003 p. 381).
Para Antigo et. al. (2006), “o setor formal é formado pelo indivíduo ocupado com carteira
de trabalho assinada, empregador, servidor público e profissional liberal”. Larrain e Sachs
(2004), afirmam que os contratos de empregos formais são muito mais utilizados nas nações
desenvolvidas do que nas nações em desenvolvimento, partindo-se de um pressuposto que o
emprego formal gera grande volume de arrecadação para o governo.
O mercado informal de trabalho é o mercado em que prevalecem regras de funcionamento
com a mínima interferência do governo. Ainda que a dimensão do mercado informal possa
ser relativamente grande, a dinâmica da economia é fornecida pelo setor fomal, notadamente
num país em desenvolvimento como o Brasil. Ademais, a própria dimensão e o
funcionamento do mercado informal estão intrisecamente ligados ao que ocorre no núcleo
capitalista de produção, no qual desponta o papel do mercado fomal de trabalho. (Pinho &
Vasconcellos, 2003 p. 381)
Segundo Martins (2003) o setor Informal abrange uma grande parcela da sociedade, que é
entendido como aqueles trabalhadores que nao possuem carteira assinada . A informalidade
é muito maior nos maiores centros urbanos, onde a oferta da mão-de-obra é maior que a
demanda. Existe uma migração do setor formal para o setor informal, e isso ocorre, porque
a falta de definição clara quanto a políticas de geração de emprego e as mudanças
tecnológicas contribuem para dessimular o setor formal. Cabe então ao governo e às ONGs,
procurar estimular o crescimento da economia, criando expectativas no setor formal, para
que o desemprego nao se torne uma agravante dentro do País, estimulando também as
mudanças tecnológicas a vir acompanhadas de políticas para combater o desemprego.
Na história mundial e do Brasil, existem vários fatos, que influenciaram o mercado de
trabalho e ainda influênciam até os dias atuais. Na década de 1990, a integração da
economia brasileira ao processo de globalização e a conquista da estabilidade foram os fatos
econômicos que mais marcaram o Brasil. Houve, então, grandes tranformações no mercado
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de trabalho brasileiro, originadas da reorientação do modelo brasileiro de desenvolvimento,
a partir, da industrialização protegida para uma economia aberta e competitiva e do sucesso
da estabilidade da moeda, ainda, na época, em consolidação. A economia brasileira,
inserida, num processo de globalização, por sua vez, traz um impacto sobre os fluxos de
comércio e de capitais, sobre a base tecnológica e gerencial e organizacional das empresas
brasileiras e sobre o mercado de produto e de trabalho. A estabilidade foi importante para
propiciar condições de planejamento das empresas e da sociedade do país. Assim, o
mercado informal de trabalho, passa a ser entendido, como uma alternativa de emprego,
principalmente, nos períodos de crise . (MARTINS, 2003)
E, por isso, para Filho et. al. (2004), o trabalho informal no Brasil ganha importância a cada
dia. Pelo fato de ser uma alternativa de emprego, existe um grande número de trabalhadores
informais, que vem crescendo, ainda mais, no decorrer dos anos, fazendo o percentual de
trabalhadores que contribuem para a previdência e que tem carteira assinada diminuir.
Porém, Costanzi (2004) analisando a RAIS3, mostrou uma ideia contraditória a de Filho et.
al., pois suas análises alegam uma tendência de crescimento do emprego formal no Brasil,
praticamente constante, que vai de 1985 a 2002, durante o qual cresceu à taxa média anual
de 2%. O emprego formal eleva-se de 20,5 milhões em 1985 para 28,7 milhões em 2002. Ao
longo do período em questão, nota-se que houve criação de postos de trabalho formais em
todos os anos, exceto de 1990 a 1992, reflexo da recessão pelo qual passava o Brasil,
possivelmente pelo processo de reestruturação da economia. Costanzi (2004), entretanto,
concorda que existe um grau de dificuldade dos trabalhadores na inserção no mercado
formal. Para ele o fraco desempenho da indústria de transformação, contribui para isso, por
3
Relação Anual de Informações Sociais
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parte da PEA4. Contudo, o grau de dificuldade para se conseguir um emprego está sendo
amenizado pelas contratações por prazos determinados e pelas contratações do setor público.
Alguns desenvolvimentos em nível macroeconômico, como o advento da crise asiática e da
crise financeira internacional em meados de 1998, bem como, a forte recessão que viveu o
Brasil entre 1990 e 1992, com redução do nível de atividade e aumento da taxa de
desemprego; de acordo com Néri et. al.(2000), tiveram fortes reflexos sobre o desemprenho
do mercado de trabalho. Alguns desses reflexos são a redução do emprego industrial e
aumento da proporção de trabalhadores informais, combinado a crescimento do rendimento
real dos trabalhadores e do emprego nos setores comércio e serviços, etc.
Ainda em nível macroeconômico, Néri et. al.(2000), explica ainda que, o desempenho do
mercado de trabalho brasileiro metropolitano na década de 90 deve ser dividido em dois
subperíodos distintos. Um compreende, de 1990 até a estabilização da economia em 1994. E
o outro começa em 1994 e dura até o presente. No primeiro a economia viveu uma forte
recessão, com aumento da taxa de desemprego aberto, níveis extremamente elevados de
inflação e passou por grandes mudanças estruturais. O segundo, a taxa de inflação foi
reduzida e a taxa de crescimento do produto se tornou positiva, até o ano de 1997.
Apesar dessa grande diferença no desempenho macroeconômico dos dois
subperíodos, em alguns aspectos o desempenho do mercado de trabalho mostrou
similaridades. Isso decorre das importantes mudanças estruturais que
caracterizaram eses anos. Ou seja, aqueles aspectos do funcionamento do mercado
de trabalho que estão relacionados aos efeitos das mudanças estruturais, como a
abertura da economia, as privatizações etc., têm uma evolução similar, no que se
refere ao sentido das transformações, entre os subperíodos, embora no primeiro
período essas tenham ocorrido de forma muito mais intensa. Por outro lado,
aqueles aspectos do funcionamento do mercado de trabalho relacionados ao
desempenho macroeconômico de curto prazo, como a estabilizaçao, têm
comportamentos bastante diferentes entre os subperíodos. (Néri et. al. 2000)
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PEA ou População Economicamente Ativa , representa os indivíduos que trabalham e que não trabalham,
mas estão procurando emprego por estarem dispostas a trabalhar, ou seja, compreende em uma população
ocupada e desocupada, que pode ser sinônimo da força de trabalho.
É a população ativa integrada no mercado de trabalho e a população ativa não integrada no mercado de
trabalho, isto é, incluem-se as pessoas empregadas e as que estão procurando emprego. (Gremaud el al., 2002
p. 102). De acordo com Pinho e Vasconcellos (2003 p.383), “entende-se por PEA o conjunto de elementos
empregados e desempregados num certo momento e captado por um inquérito estatístico, com base na
definição de atividade econômica dos indivíduos.”
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Em estudos sobre o mercado de trabalho, Mendonça e Barros (1997) descobriu que o grau
de flexibilidade do mercado de trabalho, assim como o grau de variação salarial é consenso
para o desempenho de uma economia. O grau de flexibilidade pode ser definido
genericamente, como a capacidade dos preços e quantidades transacionados neste mercado
se ajustarem rapidamente a choques nas curvas de demanda e oferta, assim uma maneira de
medir esse grau de flexibilidade seria estimar como preços e quantidades reagem no curto
prazo a choque exógenos de magnitude padronizada. Num mercado perfeitamente flexível,
assumindo a oferta de trabalho perfeitamente elástica, ocorreria uma queda salarial
suficientemente acentuada de forma a manter o nível de emprego e desemprego constante.
Por outro lado, num mercado com perfeita rigidez salarial, ocorreria uma queda no nível de
emprego e uma elevação no nível de desemprego, com o nível salarial permanecendo
constante e a curva de salário perfeitamente horizontal. Os autores, concluem que o grau de
flexibilidade salarial numa economia é um determinante fundamental no seu desempenho,
por isso este parâmetro deve ser continuamente monitorado e estudado, de forma que se
possa identificar os fatores que induzem um maior ou menor grau de flexibilidade no
mercado de trabalho.
Para Vasconcellos e Garcia (2008 p.116) o mercado de trabalho determina a taxa de salários
e o nível geral de emprego, sem distinguir os diferentes tipos de trabalho. Admite-se a
existência de um único tipo de mão-de-obra, independente das características individuais
como raça, escolaridade, idade, sexo etc. A demanda ou a procura de mão-de-obra depende
de dois fatores básicos, da taxa de salário real e do nível de produção desejado pelas
empresas. Por outro lado, a oferta de mão-de-obra depende do salário real e da evolução da
PEA. O equilíbrio desse mercado existe quando a oferta de trabalho é igual a demanda.
Considera (1980) identifica na literatura dos determinates da segmentação do mercado de
trabalho e da estrutura e a evolução dos salários industriais, duas ordens de fatores, que se
refere as características do mercado de trabalho, a primeira sobre às condições da força de
trabalho, tanto em demanda como ofertas e a segunda sobre as condições de cada indústria.
Os economistas que dão ênfase no primeiro grupo, dizem que o salário seria determinado
pelo confronto entre as características da mão-de-obra ofertada e a exigências feitas pelo
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empregador, assim os salários possibilitariam a maximização da utilidade do trabalhador e
consequentemente a dos juros. Para os economistas do segundo grupo de fatores, os salários
seriam determinados pelas relações entre as indústrias, tais como poder de mercado,
produtividade e lucratividade. Recentemente iniciou-se a síntese das duas correntes, com o
argumento de que ou as explicações seriam complementares ou as comprovações empíricas
dos defensores interindustriais poderiam ser reinterpretadas como evidências favoráveis aos
defensores do sistema competitivo.
Outro tema importante, quando se fala de mercado de trabalho, é o emprego e o
desemprego. Sabe-se que os trabalhadores estão inseridos no mercado de trabalho. E para
entender melhor este mercado é necessário entender também o que vem a ser , a força de
trabalho. Para Pinho e Vasconcellos (2003 p.383) a força de trabalho representa os
elementos que irão constituir o mercado de trabalho, o qual, por sua vez, abastece as
empresas, no que diz respeito a necessidade de mão-de-obra.
E de acordo, Gremaud et. al. (2002 p.102) a taxa de participação da força de trabalho vem
sofrendo um aumento nos ultimos anos, no Brasil. Pois na década de 80 a taxa era de
aproximadamente 53% e em 1995 essa taxa cresceu para 61%. Isso pode ser explicado pelo
ingresso progressivo das mulheres na força de trabalho, dos indivíduos em idade estudantil e
de idosos.
Os trabalhadores que ainda estão a procura de um emprego, são considerados
desempregados. De acordo com o PED5, desempregados são os indivíduos que se encontram
numa situação involuntária de não-trabalho, por falta de oportunidade de trabalho, ou que
exercem trabalhos irregulares com desejo de mudança. Existem três tipo de desemprego, o
desemprego aberto , que é aquele onde as pessoas procuraram trabalho de maneira efetiva
nos trinta dias anteriores ao da entrevista e não exerceram nenhum trabalho nos sete últimos
dias; desemprego oculto pelo trabalho precário, que é onde estão as pessoas que trabalham
em um trabalho remunerado ocasional de auto-ocupação ou nao remunerado em ajuda de
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Pesquisa de Emprego e Desemprego, é um levantamento domiciliar contínuo, realizado mensalmente, desde
1984, na Região Metropolitana de São Paulo, em convênio entre a Fundação SEADE e o DIEESE
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negócios de parentes e, por fim, o desemprego oculto pelo desalento, onde as pessoas não
possuem trabalho e nem procuraram nos últimos 30 dias anteriores ao da entrevista.
Segundo Hall e Taylor (1989 p.46 e p.47) sempre haverá desempregados, num nível elevado
ou num nível mais baixo, porque a economia não proporciona trabalho para toda a mão-deobra sendo o desemprego uma das questões mais importantes da macroeconomia, e, por
issso, aparece frequentemente como tópico de debate político O alto desemprego é o sinal
negativo para a economia. A taxa de desemprego é a porcentagem da força de trabalho
desempregada, porém existe milhões de pessoas que nao estão trabalhando, mas que
também não são consideradas desempregadas. Essas pessoas são consideradas fora da força
de trabalho, pois elas estão aposentadas, estudando, em casa cuidando dos filhos, doentes ou
não procuram emprego por alguma razão diferente.
Para Gremaud et. al. (2002) a razão pelo qual sempre vai haver algum desemprego, mesmo
com a atividade econômica em franco crescimento, é que o encontro entre empregados e
empregadores não é perfeito; ou os empregos estão em regiões diferentes sendo necessário
um deslocamento da população, ou estão em setores diferentes, exigindo um retreinamento,
ou simplesmente empregados e empregadores levam algum tempo para se encontrarem.
Os autores Hall e Taylor (1989 p.48) também explicam, através da taxa natural de
desemprego, que mesmo em épocas normais e de grande expansão o emprego nao é zero,
pois existe o desemprego friccional. As passagens de um emprego para outro são
particularmente comuns, principalmente nos casos de empregados jovens, pois a maioria
deles estão procurando descobrir o tipo de trabalho que mais se adaptam. Também, quando
os empregados entram na força de trabalho, precisam de algum tempo para encontrar
emprego, da mesma forma que, quando os empregados saem de seus empregos, passa algum
tempo até encontrarem outro emprego. Além disso existem alguns empregados que estão
frequentemente sem emprego pela sua falta de qualificação
Outro motivo pelo qual o desemprego aparece frequentemente como tópico de debate
político é o de o desemprego ser o problema macroeconômico que afeta os indivíduos de
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forma mais dura e direta, pois para a maioria a perda do emprego significa redução do
padrão de vida e angústia. Muitos políticos usaram a soma das taxas de inflação e de
desemprego, para medir o sucesso ou insucesso das politicas econômicas. Os economistas
estudam o desemprego para identificar suas causas e ajudar as políticas públicas que afetam
o desempregado, como por exemplo, o seguro desemprego, que alivia algumas dificuldades
dos desempregados. (Mankiw, 1998 p.94)
Outras razões, conforme Sachs e Larrain (2000 p.524) para tornar o desemprego uma das
principais preocupações das autoridades e do público em geral é que, para eles, o emprego
implica em desperdícios de recursos humanos, que poderiam estar produzindo bens e
serviços que satisfariam a necessidade da população, representando dificuldades pessoais
para o desempregado. O desemprego aumenta nas recessões e diminui nas expansões,
variando muito também entre as diversas nações. A taxa de desemprego é o numero de
pessoas desempregadas em proporção a força de trabalho.
De acordo com o International Labour Office (ILO), desemprego é definido como
o conjunto de pessoas acima de uma determinada idade que estao sem trabalho,
que estao atualmente disponíveis para trabalhar e estão procurando trabalho
durante o período de referência. Todas essa tres condições devem existir para que
uma pessoa seja considerada desmpregada. Para que se considere que está
procurando trabalho a pessoa deve estar tomando medidas claras para conseguir
emprego. Essas ações incluem registrar-se em um agencia de empregos,
candidatar-se a empregos procurá-los nos pontos de trabalho (fazenda, portas das
fábricas, mercados, etc), colocar anuncios em jornais ou responder a eles, etc.
(Sachs e Larrain , 2000 p. 525)
Ainda de acordo Sachs e Larrain (2000 p.531), a taxa natural de desemprego é a taxa que
corresponde ao equilíbrio macroeconômico, em que a inflação esperada é igual ao seu nível
real. Esse termo é usado para representar a taxa de desemprego à qual a economia vai voltar
depois de recessão ou expansão. A taxa natural de desemprego , às vezes, é chamada de
taxa de desemprego “de pleno emprego”, no sentido de que o desemprego só é excessivo
quando o desemprego real ultrapassa o nível natural. Isso porque o desemprego sempre vai
existir, pois, por razões “normais”, as pessoas sempre estão entrando e saindo do rol de
desempregados. Novos trabalhadores sempre estão entrando na força de trabalho e
frequentemente saem de um emprego e procuram outro. Também pode ser chamada de taxa
de desemprego não-aceleracionista da inflação.
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Segundo Gremaud et. al. (2002 p. 108 e p.109) “taxa natural de desemprego é aquela
compatível com o pleno emprego, e ocorre devido ao desemprego friccional e estrutural, não
sendo devida ao ciclo de negócios. O pleno emprego é o emprego de todos os fatores de
produçao, em termos da força de trabalho, é a igualdade entre a população economicamente
ativa e a população ocupada ou empregada.
O desemprego friccional é aquele decorrente do tempo necessário para que o
mercado de trabalho se ajuste. Assim, quando alguém deixa um emprego tendo
outro em vista, normalmente entre os dois momentos esse trabalhador encontra-se
desempregado. Nesse caso o tempo entre a saída do antigo emprego e o ingresso
no novo pode ser em razão da necessidade de um deslocamneto geográfico, de
problemas burocráticos ou mesmo do tempo necessário para a requalificação do
trabalhador à nova função ou ao novo setor de atividade. Quando o trabalhador
que perdeu o emprego não possui um emprego em vista ao ser despedido, existe
um tempo para ele encontrar um novo emprego, pois as informações sobre a
disponibilidade de empregos com as qualificações e condições desejadas nao são
completamente perfeitas. ( Gremaud et.al., 2002 p. 106)
Mankiw (1998 p.97), esclarece que o desemprego friccional é o intervalo necessário à
compatibilização de trabalhadores e empregos. Isso acontece porque os trabalhadores têm
diferentes preferências e habilidades e os empregos têm atributos diferenciados, assim é
necessário considerar que a busca de um emprego adequado exige tempo e esforço. Como
os postos de trabalho exigem habilitações diferentes, e pagam salários diferentes, os
desempregados nem sempre aceitam a primeira oportunidade.
Além do desemprego friccional existe também o desemprego estrutural e o cíclico. O
Desemprego Estrutural está relacionado com a procura de emprego e com a realocação em
setores, o desemprego facilita a adequadação eficaz de trabalhadores e vagas de emprego. O
termo “desemprego estrutural” pode ser usado pelos economistas de várias formas. Alguns,
para signifcar descompasso dos níveis de emprego quando os setores estão em expanção ou
em contração; outros, para representar bolsões geográficos de grande desemprego. ( Sachs &
Larrain, 2004 p. 544)
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Para Gremaud et. al. (2002 p.106 e p.108 ) desemprego estrutural “é o desemprego
decorrente de mudanças estruturais em certos setores da economia que eliminam empregos,
sem que haja, ao mesmo tempo a criação de novos empregos em outros setores”.
O desemprego cíclico, para Sachs e Larrain (2004 p.545) “é o desemprego acima da taxa
natural. Neste caso, a produção, pode ser elevada sem uma taxa de investimento mais alta,
pois há disponibilidade de recursos não utilizados”. E para Gremaud et. al. (2002 p.106), o
Desemprego Cíclico, tambem pode ser chamado de Desemprego conjuntural que refere-se
ao aumento do desemprego em função de uma diminuição do ritmo da atividade econômica,
ou seja, que ocorre devido a condições recessivas na economia. Quando há uma diminuição
na atividade econômica, deve existir uma diminuição da demanda por trabalho por parte dos
empresários.
2.1- O Mercado de Trabalho e a Mulher
Num passado próximo, sabe-se que as mulheres eram quase uma exceção no mercado de
trabalho. Porém esse quadro veio mudando e hoje vemos que as mulheres ocupam as mais
diversas profissões no mercado de trabalho.
Para Melo (2000) apud Saffioti (1984) o mercado de trabalho brasileiro nas ultimas décadas
demonstrou uma grande capacidade de geração de novas ocupações. A preferência pelo sexo
feminino, na hora da desregulamentação do trabalho, seja talvez pelo fato de as mulheres
serem vistas como mais submissas na nossa cultura. Segundo Melo apud Tarrés (1997) isso
pode ser explicado, porque muitas delas são chefes de família, com responsabilidades para
a sobrevivência do grupo doméstico, podendo afirmar também
que essas foram
historicamente socializadas para dizer “sim”.
Conforme Araújo e Ribeiro (2002), nos anos recentes a ocupação da mulher no mercado de
trabalho está crescendo, só que, por outro lado, o diferencial salarial entre os sexos não está
caindo. Para eles de acordo os autores Barros e Mendonça (1996) a desigualdade de renda
pode ser separada em fatores relacionados com desigualdade de condições, que é gerada por
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diferença nos atributos produtivos com que o trabalhador chega ao mercado e desigualdade
de resultados, que diz respeito, ao tratamento que a pessoa recebe no mercado de trabalho
dado seus atributos positivos.
Os estudos e as pesquisas feitas pelo IBGE, apresenta que no período de 1992 a 1997, a
procura pelo trabalho do sexo feminino teve um acréscimo significativo. Na região sul a
procura de trabalho, por parte das mulheres, teve um crescimento de 114.812, em 1992 para
261.832 em 1997. No Brasil esse acréscimo foi de 4.556.801 para 5.881.776, representando
37%. E ainda, a população feminina teve um crescimento do seu rendimento médio mensal
superior ao da população masculina em todas as categorias de emprego.
Teixeira (2005), posteriormente analisando também dados do IBGE, afirma que nos últimos
cinqüenta anos uns dos fatos mais marcantes foi a grande inserção da mulher na força de
trabalho brasileira, que é explicado pela combinação de fatores econômicos e culturais. No
ano de 2000 a população brasileira era de 169.799.170 milhões de habitantes, com uma
participação de 51,31% de mulheres. Segundo o autor, existe uma relação entre trabalho e
educação no processo de desenvolvimento na maioria dos grupos e na sociedade como um
todo. Para os dados do IBGE em 2001 a PEA brasileira tinha uma média de escolaridade de
6,1 anos, sendo que, a média de escolaridade para os homens eram de 6,3 anos e para as
mulheres 7,3 anos, concluindo que a pessoa que tem um grau de escolaridade mais elevado,
têm maior chances de entrar no mercado de trabalho.
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3- METODOLOGIA
Após a escolha e delimitação do tema, a coleta de dados foi efetuada através de um
questionário, aplicado em trabalhadores, nos principais bairros de Curvelo. As respostas
foram tabuladas, tranformadas em gráficos e análisadas.
O questinário é a forma mais usada para coletar dados, pois possibilita medir com exatidão o
que se deseja. Refere-se a um meio de obter respostas às questões por uma fórmula que o
próprio informante preenche, que contém um conjunto de questões, todas logicamente
relacionadas com um problema central. O questionário possui a vantagem de os
respondentes sentirem-se mais confiantes, devido o anonimato, o que se possibilita coletar
informações e respostas mais reais. ( Cervo e Bervian, 1996 p.138)
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4- RESULTADOS E DISCUSSÕES
Esta pesquisa realizada no mês de agosto do ano 2010, estrutura-se através de dados obtidos
por um questionário que foram aplicados em um total de 1076 entrevistados, sendo 54 do
sexo masculino e 53 do sexo feminino. A pesquisa tem como objetivo mensurar o perfil do
trabalhador curvelano, isto é, levantar o perfil dos profissionais mais concorridos, bem como
o dos menos solicitados, estimando a média da escolaridade, faixa etária, sexo, remuneração
média, etc. Os questionários foram aplicados nos bairros Ipiranga, Bela Vista, Centro, Santa
Maria e Vila Nova na cidade de Curvelo/MG. A amostra é considerada representativa ao
nível de significância de 10% e a pesquisa torna-se estatisticamente significante.
Variação do Sexo dos Trabalhadores
Masculino
44,44%
Feminino
55,55%
Gráfico 1
Fonte: Elaboração própria pelo NUPIA/FAC
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Vale salientar que 26 dos entrevistados não possuem trabalho, por isso foram descartados.
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Analisando o gráfico 1, conclui-se que na cidade de Curvelo/MG, há uma predominância de
trabalhadores do sexo masculino, com uma diferença de 11%, sendo 45% do sexo
feminino e 55% do sexo masculino. Neste gráfico percebemos o crescimento da
participação do trabalho feminino no mercado de trabalho, com um valor de 45%, o
que tem sido um fenômeno não só em Curvelo, mas no Brasil .
Segundo os dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicilio (PNAD) a participação
das mulheres no mercado de trabalho têm sido cada vez mais expressiva, em 1999 elas
representavam 41,4% e sua participação cresceu de 43,1% em 2004; para 43,5% em 2005; e
43,7% em 2006.
A entrada das mulheres no mercado de trabalho não foi acompanhada de uma diminuição das
desigualdades profissionais entre os sexos pois o emprego feminino continua sendo concentrado em alguns setores
de atividades e agrupado em um pequeno numero de profissões, embora numa proporção menor, sendo essa
segmentação a base das desigualdades entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Essa realidade pode
esconder um aspecto importante com relação à ocupação feminina: como as mulheres não chegam a ter uma
profissão tão definida como os homens, mas aceitam participar do mercado de trabalho em ocupações pouco
definidas e menos especializadas, talvez seja esse aspecto que explique em parte a manutenção de seu patamar de
participação na indústria de transformação. (MELO, 2000)
Vem ocorrendo, no entanto, uma mudança nos últimos anos, embora numa pequena
velocidade, pois de acordo com essa pesquisa, 7 mulheres entre 36, possuem curso superior
de graduação e trabalham na área em que se especializou.
Segundo, Guimarães e Consoni (2000) houve uma mudança importante no acesso ao
mercado de trabalho brasileiro e ao trabalho industrial no período de 1989 a 1998 que é a
entrada massiva de mulheres na força de trabalho. Existindo uma importante aproximação
entre homens e mulheres, onde as mulheres elevam sua participação de 35% a 42%,
enquanto os homens reduzem sua participação de 65% para 58%, resultando que , em 1998,
de cada 10 indivíduos 4 já eram mulheres e 6 eram homens.
17
Renda Média dos Trabalhadores Curvelanos
R$ 1.400,00
R$ 1.200,00
R$ 1.000,00
R$ 800,00
R$ 600,00
Masculino
Feminino
R$ 1.181,45
R$ 400,00
R$ 824,25
R$ 200,00
R$ 0,00
Gráfico 2
Fonte: Elaboração própria pelo NUPIA/FAC
Observamos a partir do gráfico 2, que a renda média dos trabalhadores do sexo masculino é
superior a do sexo feminino em torno de 30,23%, ou seja, o salário dos homens na cidade
de Curvelo/MG , de acordo com essa pesquisa tem uma diferença de R$357,20 em relação
ao salário das mulheres. Essa pesquisa a nível municipal comprova o que acontece em todo
o país. Tal fato pode ser explicado pelo motivo de as mulheres trabalharem em postos de
trabalho de menor status social e que recebem na maioria um salário mínimo. É importante
destacar também que, a renda média sem distinção de sexo é de R$1.029,21.
De acordo com Araújo e Ribeiro (2002) as mulheres, apesar de igualmente qualificadas são
descriminadas no mercado, pois recebem salário inferior ao dos homens, no desempenho da
mesma função e/ou recebem salários menores por terem acesso somente a cargos menos
remunerados. O salário/hora da mulher em 1995, no Brasil, era aproximadamente R$ 2,57
e dos homens R$3,62, com uma diferença de 41,4%.
Para Probst (2007) o número das mulheres em postos de direção cresce exponencialmente
nas empresas. No Brasil, as mulheres ocupam 41% do mercado de trabalho e ocupam 24%
dos cargos de gerência. Entretanto, as mulheres brasileiras recebem, em média, 71% dos
salários dos homens, pois as mulheres são ainda preferidas pelos trabalhos de rotina. Em
1991 a renda das mulheres brasileiras correspondia a 63% da renda dos homens. As
18
estatísticas provam que, existem mais mulheres no Brasil do que homens, e que elas vêm
conseguindo emprego com maior facilidade dos que os homens e os seus rendimentos
crescem num ritmo mais acelerado. As pesquisas no Brasil mostram que as mulheres estão
sendo preferidas para ocupar as vagas, pois elas têm se preocupado mais com o
conhecimento. Em 1994, 35% das mulheres contavam com o ensino médio e no final da
década esse numero chegou a 43%.
Probst apud Camargo e Serrano (1980) estimaram equações de salários para os homens e as
mulheres das indústrias em função de características pessoais (escolaridade) e do mercado
de trabalho. Essas equações concluíram que existe discriminação de renda por gênero,
porém não é possível saber a magnitude desse diferencial. De acordo com Probst, os autores
Lene e Wajaman (2000) avançaram os estudos em diferencial da renda por sexo, no período
de 1977 a 1997, mostrando que esse diferencial caiu de 75% para 25%, concluindo que para
cada geração mais jovem, a discriminação salarial às mulheres, tende a cair.
Ainda para Probst apud Cavalieri e Fernandes (1998) o diferencial de salário entre homens e
mulheres varia de acordo com a idade, região, educação e cor. Com dados de 1989, os
autores revelaram que esse diferencial é menor nas regiões metropolitanas do Sul e do
Sudeste. Também tende a ser menor entre brancos e não-brancos (negros e mulatos) e entre
menos estudados do que entre mais estudados. Com relação a idade foi identificado que, em
idades baixas e elevadas os diferencias salariais são mais baixos do que em faixas etárias
intermediárias.
Segundo Melo (2000), “uma das explicações para os baixos rendimentos das mulheres na
sociedade é que estas têm jornadas de trabalho menores que os homens, devido a seus
encargos domésticos”.
19
Raça X Renda
R$ 1.100,00
R$ 1.050,00
R$ 1.000,00
Negros
R$ 1.084,52
R$ 950,00
R$ 900,00
Não-negros
R$ 940,15
R$ 850,00
Gráfico 3
Fonte: Elaboração própria pelo NUPIA/FAC
No quesito raça, pode destacar que a renda entre negros e não-negros 7 tem uma diferença de
R$144,37, nota-se que a renda do trabalhador não-negro gira em torno de R$ 1084,52 e a do
trabalhador negro gira em torno de R$ 940,15, percebemos que essa diferença da renda está
bem próxima da realidade nacional.
Segundo pesquisas feitas pelo DIESE, o rendimento dos trabalhadores negros são inferiores
ao rendimento dos não-negros, nas regiões metropolitanas do Brasil. Essa situação,
expressa o conjunto de fatores que reúne a entrada precoce nos mercados de trabalho,
maior inserção da população negra nos setores menos dinâmicos da economia, a elevada
participação em postos de trabalho precários e em atividades não-qualificadas e as
dificuldades que cercam as mulheres negras no trabalho.
Silva (1980) utilizando dados do Censo de 1960 para o Rio de Janeiro, com o intuito de
avaliar a discriminação racial entre brancos e não-brancos, estima um modelo em que os
rendimentos são função da experiência, da escolaridade, de variáveis de lugar, de
antecedentes locacionais e do estado conjugal. Decompondo os diferencias de renda entre
7
Metodologia utilizada pelo DIEESE onde negros são pretos e pardos e não-negros são brancos e amarelos.
20
bancos e não-brancos, Silva mostra que, a discriminação racial determina cerca de 16% dos
diferencias de renda dos observados.
Cavalieri e Fernandes (1998) estudaram como esse diferencial varia de acordo com a idade,
a educação, o sexo e a região. Os resultados mostraram que esse diferencial praticamente
não varia de acordo com a idade, nem com a região e que essa discriminação racial aumenta
sensivelmente com o nível educacional e atinge mais as mulheres do que os homens.
Para Lowell (1992) utilizando dados do Censo de 1980, restritos aos homens, com idade
entre 18 e 64 anos, que residem nas regiões metropolitanas do Brasil, os resultados obtidos
com uma equação de salário em função de experiência, estado civil, idade, ocupação e
situação migratória , indicam a existência de diferencial de salários entre as raças branca e
preta. Em relação ao aspecto regional, foi constatado que os diferencias são menores em
Fortaleza, Curitiba e Porto Alegre e maiores em Salvador, pois a discriminação salarial esta
relacionada com o nível econômico regional.
De cada 10 trabalhadores no mercado, 6 eram brancos e 4 eram negros, tanto em 1989 como
em 1998. Se insistíssemos em anotar suaves mudanças, poderíamos dizer que há um muito
leve aumento do peso dos brancos, que se compensa com uma igualmente ligeira redução da
presença dos negros na força de trabalho. A tendência, entretanto, parece ser distinta quando
observamos o trabalho industrial. Aqui, os negros tendem a aumentar levemente a sua
participação (de 36 a 37%, enquanto os brancos reduzem-na de 64 a 63%). O suave
“branqueamento” que se poderia notar no conjunto da PEA8 não tem lugar na indústria.
(Guimarães e Consoni, 2000)
Ainda, em pesquisas feitas por Guimarães e Consoni (2000) os diferencias de trabalho tem
diminuído mais proporcionalmente por sexo do que por raça. Em 1989 a 1998, em média, a
força de trabalho branca recebia quase o dobro da força de trabalho negra. Assiste-se uma
certa hierarquia no mercado de trabalho. No topo, estão os homens brancos recebendo os
mais altos salários, na posição intermediária, estão os homens negros e as mulheres brancas,
com faixas salariais equivalentes. Por fim, abaixo, vêm as mulheres negras com salários
8
População Economicamente Ativa
21
significativamente baixos. Cabe considerar que os diferencias entre homens e mulheres na
indústria de transformação ainda esta alta. Em 1989 os salários das mulheres eram 51% dos
salários dos homens, aumentando para 59,2% em 1998. As mulheres brancas são mais
escolarizadas do que os homens, assim como as mulheres negras são mais escolarizadas que
os homens negros, porém elas não respondem pelos maiores salários.
Entre todos os entrevistados nesta pesquisa nenhum trabalhador era de raça amarela ou
indígena. Aprofundando ainda mais e analisando separadamente as raças dos trabalhadores,
vimos que os trabalhadores de raça preta recebem uma renda média de R$925,00, os pardos
de R$1008,00 e os brancos de 1084,52, indicando que os pretos possuem uma grande
diferença na renda em relação aos brancos com uma variação de 14,67% e em relação aos
pardos com uma variação de 8,23%. Comprovando que há uma discriminação salarial entre
raças no mercado de trabalho brasileiro.
22
Estado Civil dos Trabalhadores
2%
41%
Casados
Solteiros
57%
Outros
Gráfico 4
Fonte: Elaboração própria pelo NUPIA/FAC
A partir do gráfico 4 observa-se que, grande parte dos trabalhadores não são casados (57%
dos entrevistados), o restante esta dividido em 41% (casados) e 2% (outros) . Isso pode ser
explicado pelo sexo dos entrevistados em relação ao estado civil dos trabalhadores,
aprofundando mais, vimos que a maioria dos entrevistados solteiros, é do sexo feminino,
pelo fato de as mulheres quando casam, deixarem de trabalhar para poder cuidar das
atividades da casa e dos filhos, pois a pesquisa mostra que as maiorias das casadas possuem
filhos e somente 3 entre 11 casadas não possuem. Outro fator é que quando a mulher é
solteira, a busca pela independência é intensa. A renda dos trabalhadores solteiros é, em
média, R$1024,19 e dos casados é R$1003,67.
A pesquisa mostra que a maioria dos trabalhadores não possui filhos (56%). Isto ocorre,
pois como vimos no gráfico anterior, existe uma parcela maior de trabalhadores solteiros do
que trabalhadores casados, entre 33 trabalhadores casados, 27 possuem de 1 a 4 filhos e
entre os 46 trabalhadores solteiros, somente 8 possuem 1 ou 2 filhos.
23
Trabalhadores que nasceram em Curvelo
1%
19%
Não
Sim
Outros
80%
Gráfico 5
Fonte: Elaboração própria pelo NUPIA/FAC
Percebe-se no gráfico 5 com um valor de 80% do total, que quase todos os trabalhadores de
Curvelo/MG, com idade entre 18 a 51 anos , nasceram em Curvelo, sobrando 19% que
nasceram em outras cidades ou estados e 1% para outros, esta análise comprova que existe
uma pequena migração de pessoas de outros estados ou cidades.
Em um estudo feito pelo NUPIA, em novembro a agosto de 2008, utilizando dados
secundários oriundos do Censo Populacional Brasileiro de 2000, foi observado que a grande
maioria (71,3%) dos trabalhadores de Curvelo/MG era provenientes de outras cidades do
interior de Minas Gerais, seguido de 23,7% de trabalhadores que não eram migrantes.
Os resultados mudaram acentuadamente, em estudos novamente feitos pelo NUPIA com
base de dados primários, coletados através de questionário no mês de agosto deste ano, pois
de 71,3% caiu para 19% os trabalhadores que eram provenientes de outras cidades. E de
23,7% subiu para cerca de 80% os trabalhadores que nasceram na cidade de Curvelo.
Machado, et al (2010), ressaltaram que para a Teoria Microeconômica Neoclássica, o
migrante, é um individuo racional capaz de ordenar hierarquicamente suas escolhas e de
realizar cálculos relacionados às alternativas. Visando maximizar suas escolhas, possuem
informações perfeitas sobre o diferencial de renda entre a sua região e outras regiões. O
24
migrante decide migrar a partir de um cálculo de custos e benefícios que leva a ter uma
expectativa de retorno positivo com o movimento, levando em consideração o salário que ira
receber e os custos associados à migração. Ainda de acordo com Machado et. al., apud
Harris e Todaro (1970) consideram que os movimentos migratórios acontecem por
diferenças salariais entre duas regiões e/ou por diferenças nas taxas de emprego. Deverá
existir pelo menos uma dessas diferenças para que o movimento migratório ocorra.
O pressuposto básico da teoria proposta pelos Novos Economistas da Migração do Trabalho
(Stark & Bloom, 1985; Stark & Taylor, 1989; Stark & Taylor, 1991; Taylor, 1986) é o de
que a decisão de migrar não é tomada por indivíduos isolados, mas por um conjunto maior
de pessoas que estão de alguma forma ligadas. Muda-se o foco da análise, centrada não mais
no indivíduo, mas no domicílio ou outra unidade de produção e consumo, culturalmente
definida. Stark & Bloom (1985), por exemplo, ressaltam que a decisão de migrar
frequentemente é tomada conjuntamente com um grupo de não migrantes, sendo os custos e
os retornos divididos de uma forma prevista em um arranjo contratual que irá refletir o
poder de barganha das partes envolvidas. Outro ponto destacado é o de que os indivíduos
agiriam coletivamente visando não apenas maximizar os ganhos, mas também minimizar os
riscos (Taylor, 1986). Os domicílios controlariam os riscos de queda no padrão de vida,
diversificando a alocação de seus recursos, incluindo a força de trabalho familiar. Estes
autores consideram a existência de um mercado de trabalho imperfeito e afirmam que,
mesmo na ausência de diferenças salariais, as migrações continuariam a ocorrer, ao
contrário do que preconizam os economistas neoclássicos, pois os domicílios, ou alguns de
seus membros, poderiam se mover visando, com isso, minimizar os riscos de queda no
padrão de vida.(Machado et al, 2010)
25
Trabalhadores que frequentam escola
2%
23%
Não
Sim
Outros
75%
Gráfico 6
Fonte: Elaboração própria pelo NUPIA/FAC
A partir do gráfico 7, percebe-se que a grande maioria dos trabalhadores não freqüenta
escola, ou seja, maior parte (75%) deles só trabalham e não estudam, 23% trabalham e
estudam e 2% outros. De todos os trabalhadores entrevistados apenas 3, não sabem ler e
escrever.
Analisando a renda media desses trabalhadores, sem distinção de sexo, com a idade entre
18 e 39, é de R$1052,50, percebe-se que não é muito alta e que estes trabalhadores estão
tentando melhorar a qualidade de vida, através da educação. A renda média dos
trabalhadores, em geral, gira em cerca de R$1029,21.
26
Curso frequentado pelo trabalhador
80,00%
68%
70,00%
60,00%
Regular de Ens. Médio
Regular de Ens. Fundamental
50,00%
E.J.A. ou S.E.F.
40,00%
E.J.A. ou S.E.M.
Pré-vestibular
30,00%
Superior de Graduação
16%
20,00%
10,00%
5%
0,00%
0%
0%
Mestrado ou Doutorado
5%
5%
Gráfico 7
Fonte: Elaboração própria pelo NUPIA/FAC
Sem dúvida, grande parte dos trabalhadores que estudam, trabalham ao decorrer do dia e
estudam no período noturno. No gráfico 8, percebe-se a predominância do curso superior de
graduação (68%), sobrando 16% para educação de jovens e adultos ou supletivo do ensino
médio, 5% para mestrado ou doutorado, 5% para pré-vestibular e, por fim, 5% para regular
do ensino médio .
Numa análise mais aprofundada dos dados, detectamos que das mulheres que trabalham e
estudam aproximadamente 85% fazem curso superior de graduação e 15% faz educação de
jovens e adultos ou supletivo do ensino médio. E dos homens que trabalham e estudam 58%
fazem curso superior de graduação, 25% fazem educação de jovens e adultos ou supletivo
do ensino médio, 8% fazem pré- vestibular, 8% fazem regular do ensino médio e 8% fazem
mestrado ou doutorado.
27
Variação da Renda dos Trabalhadores
Até R$ 600,00
10%
3%
24%
21%
De R$ 601,00 a R$ 1000
De R$ 1001,00 a R$
1400,00
42%
De R$ 1401,00 a
R$1800,00
De R$1801,00 a R$2200
Gráfico 8
Fonte: Elaboração própria pelo NUPIA/FAC
A partir do gráfico 8, podemos visualizar uma grande desigualdade de renda dos
trabalhadores na cidade de Curvelo/MG, existindo uma predominância de 42%, dos
trabalhadores que recebem entre R$601,00 e R$1000,00 por mês. Percebe-se, também que
somente 3% dos trabalhadores de Curvelo, recebem salário entre R$1801 a R$2200.
De acordo com pesquisas feitas pelo PNUD9, o Brasil está entre os países da América Latina
que possui o pior Índice de Gini em 2010: 0,56. E o Índice de Gini calculado em Curvelo,
no ano de 2003, pelo IBGE foi de 0,42.
Segundo Ferreira (2000), as causas de uma distribuição de renda desigual pertencem a pelo
menos cinco grupos conceitualmente distintos de fatores. Primeiro é a existência de
diferença entre os indivíduos no que diz respeito às suas características natas, tais como
raça, gênero, inteligência e/ou riqueza inicial. Segundo é a existência de diferença entre
indivíduos no que diz respeito à características individuais adquiridas, tais como nível
educacional, experiência, etc. O Terceiro diz respeito aos mecanismos através dos quais o
mercado de trabalho, age sobre os dois primeiros grupos de características, transformandoas em diferenças no rendimento do trabalho. Esse grupo por sua vez se divide em três
9
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
28
canais: discriminação, sobressaindo a raça e o gênero do trabalhador; segmentação, como
por exemplo segmentação regional, que geram remunerações distintas em diferentes regiões
geográficas do país ou segmentação setorial, como segmentações formais e informais do
mercado de trabalho e, por ultimo; por projeção, entende-se a geração de retorno às
características observadas do trabalhador. Assim o perfil salarial da educação projeta anos
de escolaridade no espaço renda ou também o perfil salarial de experiência projeta anos de
experiência no espaço renda . O quarto grupo refere-se aos mercados de capital, a medida
que esses mercados sejam imperfeitos, as imperfeições afetam a geração de renda e,
portanto, sua distribuição. E o quinto e ultimo grupo de fatores, é basicamente demográfico,
incluindo decisões de formação de domicilio, de fertilidade, de co-habitação ou separação
domiciliar.
5- CONCLUSÃO
29
O objetivo principal deste trabalho é fornecer informações, análises e diagnósticos do
mercado de trabalho e suas transformações, da cidade de Curvelo/MG, para as empresas e
para administração do município. Esperando que os resultados desta pesquisa possam os
auxiliar.
Através da realização deste trabalho foi possível verificar alguns fatores relevantes no
mercado de trabalho da cidade de Curvelo. Fatos que acontecem não só em Curvelo, mas
sim, no mercado de trabalho brasileiro. Primeiro, vimos o aumento da participação dos
trabalhadores do sexo feminino, com percentuais quase equilibrados em relação ao dos sexo
masculino, porém percebemos que as mulheres ainda nao conseguiram vencer a
discriminaçao, pois recebem salários mais baixos do que os dos homens. Assim,
identificamos alguns motivos para tal fato e o principal deles em Curvelo, é a de as mulheres
ocuparem cargo de menor status do que os dos homens. Posteriormente, na análise dos
dados, identificamos também a existência de discriminação racial, onde trabalhadores nãonegros recebem mais que os trabalhadores negros. Entretanto, essa discriminaçao racial é
bem menor do que discriminação que acontece por sexo.
Os resultados da pesquisa mostraram também algumas dificuldades dos trabalhadores, como
aqueles que trabalham no decorrer do dia e estudam a noite, os que nao possuem casa
própria, com um valor de 48% dos entrevistados, assim como, a desigualdade da renda. Um
outro aspecto relevante analisado nesse artigo, foi o processo migratório no mercado de
trabalho curvelano, e relacionando com os estudos realizados anteriormente pelo NUPIA,
percebemos que, o número de trabalhadores que vieram de outras cidades teve uma grande
queda.
Por fim, este trabalho, considerado como
pioneiro no tema, entitulado “Perfil dos
Trabalhadores de Curvelo”, com um contexto acadêmico e com embasamentos teóricos,
sugere estudos posteriores e mais detalhados sobre o tema.
6- BIBLIOGRAFIA
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32
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