UNIVERSIDADE DE SANTA CRUZ DO SUL PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PROMOÇÃO DA SAÚDE MESTRADO EM PROMOÇÃO DA SAÚDE ÁREA DE CONCENTRAÇÃO EM PROMOÇÃO DA SAÚDE Ana Cristina Haas CÂNCER DE MAMA: ASPECTOS CLÍNICOS, LABORATORIAIS, EPIDEMIOLÓGICOS E AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA Santa Cruz do Sul 2012 Ana Cristina Haas UNISC CÂNCER DE MAMA: ASPECTOS CLÍNICOS, LABORATORIAIS, EPIDEMIOLÓGICOS E AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde – Mestrado ANA CRISTINA HAAS CÂNCER DE MAMA: ASPECTOS CLÍNICOS, LABORATORIAIS, EPIDEMIOLÓGICOS E AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde da Universidade de Santa Cruz do Sul UNISC, como requisito parcial para à obtenção do título de Mestre em Promoção da Saúde. Orientadora: Prof. Dr. Jorge André Horta Co-orientador: Prof. Dr. Daniel Prá Santa Cruz do Sul 2012 H112c Haas, Ana Cristina Câncer de mama : aspectos clínicos, laboratoriais, epidemiológicos e avaliação da qualidade de vida / Ana Cristina Haas. – 2012. 75 f. : il. ; 30 cm. Dissertação (Mestrado em Promoção da Saúde) – Universidade de Santa Cruz do Sul, 2012. Orientação: Prof. Dr. Jorge André Horta. Co-orientação: Prof. Dr. Daniel Prá. 1. Neoplasias da mama. 2. Qualidade de vida. 3. Neoplasias da mama - Epidemiologia. 4. Neoplasias da mama - Quimioterapia. I. Horta, Jorge André, orient. II. Pra, Daniel, orient. III. Título. CDD: 616.99449 Bibliotecária responsável Fabiana Lorenzon Prates - CRB 10/1406 ANA CRISTINA HAAS CÂNCER DE MAMA: ASPECTOS CLÍNICOS, LABORATORIAIS, EPIDEMIOLÓGICOS E AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde da Universidade de Santa Cruz do Sul UNISC, como requisito parcial para à obtenção do título de Mestre em Promoção da Saúde. Banca examinadora Dr. Jorge André Horta Professora orientador - UNISC Dra. Silvia Isabel Rech Franke Professora examinadora – UNISC Dra. Juliana da Silva Professora examinadora – Ulbra AGRADECIMENTOS Por definição gratidão corresponde ao ato de reconhecimento e ao sentimento de dívida afetiva. Com certeza não conseguirei “quitar” a dívida, mas sinceramente gostaria de manifestar meu enorme reconhecimento as inúmeras pessoas que me auxiliaram a chegar até aqui. Em primeiro lugar agradeço a todas as pacientes com câncer de mama, que mesmo passando por um momento de dor e fragilidade se dispuseram a participar dessa pesquisa. Agradeço ao Professor Jorge Horta pela paciência, críticas, disponibilidade e cordialidade durante toda elaboração e execução do projeto. Também pelos elogios nos momentos de dúvida e insegurança. Os elogios são para todos vocês a quem agradeço. De minha parte, continuo pensando que ainda dá para fazer muito melhor. Ao Professor Daniel Prá pela imensa generosidade em aceitar a co-orientação de um projeto em andamento. Sua participação foi fundamental para conclusão da obra, especialmente sua tolerância nas últimas e inúmeras correções. À Professora Silvia pelas idéias diretas e indiretas, pela ajuda com a realização do ensaio cometa. A vocês três agradeço pelo aprendizado de simplicidade, por serem prova “científica” do fato de que quanto maior o conhecimento maior a humildade e a humanidade. Agradeço à Patrícia Molz pelo trabalho no laboratório e por esclarecer minhas dúvidas técnicas. À Rosélia que com suas mãos hábeis e cuidadosas coletava as amostras das pacientes de maneira rápida e quase indolor, a ponto de surpreender as próprias pacientes. À Taiane e as meninas da Radioterapia, pela cedência da sala para as coletas e por organizar as agendas das pacientes. Aqui, estendo o agradecimento a todo o Centro de Oncologia Integrado do Hospital Ana Nery, onde parte importante da minha vida acontece todos os dias. Agradeço a equipe de suporte “emocional”: minha irmã Sandra pelo exemplo e força moral, concluindo o Doutorado nos mesmos dias em que defendo a dissertação do Mestrado. Ao meu namorado Nilson pela paciência e por compreender minha ausência. À Deus pelos milagres de todos os dias, com comprovação científica ou não. Por fim, agradeço aos demais professores do Mestrado em Promoção da Saúde pelas críticas e sugestões durante a elaboração do projeto de pesquisa. DEDICATÓRIA Aos meus pacientes. “A medicina é a arte de adiar o inevitável “a Morte”. Porém vale sempre que preservar a vida nem que seja mor um minuto. Mas com qualidade.” (Bernardino Antonio, 2005) LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – Associação entre estadio clínico e tipo de tratamento.............................. 51 Gráfico 2 – Associação entre estadio clínico e nível de dano ao DNA....................... 53 Gráfico 3 – Associação entre estadio clínico e escalas de funcionamento emocional , cognitiva e qualidade de vida global.......................................................... 54 LISTA DE TABELAS DO PROJETO DE PESQUISA Tabela 1 – Tamanho do tumor................................................................................. Tabela 2 – Linfonodos regionais.............................................................................. 18 Tabela 3 – Metástases............................................................................................... 19 Tabela 4 – Estadiamento TNM do câncer de mama por agrupamentos................... 19 Tabela 5 – Classificação do nível de atividade física segundo IPAQ...................... 28 Tabela 6 – Classificação de peso pelo IMC............................................................. 29 17 LISTA DE TABELAS DO ARTIGO Tabela 1 – Características clínicas das pacientes estudadas.................................... Tabela 2 – Comparação entre escores de qualidade de vida de acordo com esquemas de tratamento......................................................................... 51 Tabela 3 – Comparação entre valores médios de sintomas de acordo com o esquema de tratamento atual.................................................................. 52 Tabela 4 – Comparação entre valores médios de Proteína C Reativa Ultrasensível e dano primário ao DNA de acordo com estádio clínico. 53 Tabela 5 – Comparação entre os escores médios das escalas de qualidade de vida de acordo com o estadio clínico............................................................. 54 50 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AC Doxorrubina, docetaxel APETIT Apetite CA Câncer CMF Ciclofosfamida, metotrexato, fluoracil COI Centro de Oncologia Integrado CONST Constipação CRS Coordenaria Regional de Saúde DIARR Diarréia DIFINAN Dificuldade financeira DISPN Dispnéia DHL Desidrogenase láctica EC Estadio clínico EORTC QLQ – C30 European Organization for Research and Treatment of Cancer Quality of Life Questionare FA Fosfatase alcalina FADIG Fadiga FC Frequência de dano HAN Hospital Ana Nery HORMT Hormonioterapia ID Índice de dano IL Interleucina IMC Índice de massa corporal INCA Instituto Nacional do Câncer IPAQ International Physical Activity Questionaire NAUVOM Náusea e vômito NCCN National Comprehensive Cancer Network PCRu Proteína C reativa ultrassensível PDW Platelet Distribution Width PS Performance status QT Quimioterapia RADIO Radioterapia RDW Red Cell Distribution Width TAC Docetaxel, doxorrubicina, ciclofosfamida TMX Tamoxifeno TNM Classification of Malignant Tumours UICC International Union Against Câncer UNISC Universidade de Santa Cruz do Sul APRESENTAÇÃO A presente dissertação foi desenvolvida ao longo do Programa de Mestrado em Promoção da Saúde da Universidade de Santa Cruz do Sul. A pesquisa foi desenvolvida junto ao Centro de Oncologia do Hospital Ana Nery, referência regional no tratamento do câncer, tendo por objetivo caracterizar o perfil clínico e sócio-demográfico das pacientes com neoplasia de mama e quais características podem influenciar na qualidade de vida das mesmas. Parte dos resultados desta pesquisa, intitulada “Câncer de mama: aspectos clínicos, laboratoriais, epidemiológicos e qualidade de vida”, deram origem ao artigo apresentado como conclusão deste programa de Mestrado: “Avaliação das características clínicas, dano ao DNA e qualidade de vida em pacientes com câncer de mama em um serviço público do Rio Grande do Sul”. Espera-se que este estudo possa contribuir para aprimorar o conhecimento e a compreensão das pacientes com câncer de mama desta região, bem como sirva de base para o planejamento de ações de atendimento integrado e promoção da saúde contribuindo para melhoria da qualidade de vida destas mulheres. SUMÁRIO AGRADECIMENTOS.................................................................................................. 3 DEDICATÓRIA............................................................................................................ 4 LISTA DE GRÁFICOS................................................................................................. 5 LISTA DE TABELAS................................................................................................... 6 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS................................................................... 7 APRESENTAÇÃO........................................................................................................ 9 CAPÍTULO I PROJETO DE PESQUISA......................................................................................... 11 1 INTRODUÇÃO.......................................................................................................... 2 MARCO TEÓRICO................................................................................................... 3 OBJETIVOS............................................................................................................... 4 MÉTODO................................................................................................................... 5 CRONOGRAMA....................................................................................................... 6 RECURSOS HUMANOS E INFRAESTRUTURA.................................................. 7 ORÇAMENTO E RECURSOS MATERIAIS........................................................... 8 RESULTADOS E IMPACTOS ESPERADOS.......................................................... 9 RISCOS, DIFICULDADES E LIMITAÇÕES.......................................................... REFERÊNCIAS............................................................................................................ 13 15 25 26 32 33 34 35 36 37 CAPÍTULO II RELATÓRIO DO TRABALHO DE CAMPO......................................................... 40 CAPÍTULO III ARTIGO....................................................................................................................... 43 CAPÍTULO IV NOTA À IMPRENSA................................................................................................. 61 ANEXOS...................................................................................................................... 63 CAPÍTULO I PROJETO DE PESQUISA UNIVERSIDADE DE SANTA CRUZ DO SUL PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PROMOÇÃO DA SAÚDE MESTRADO EM PROMOÇÃO DA SAÚDE ÁREA DE CONCENTRAÇÃO PROMOÇÃO DA SAÚDE ANA CRISTINA HAAS CÂNCER DE MAMA: ASPECTOS CLÍNICOS, LABORATORIAIS, EPIDEMIOLÓGICOS E AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA Projeto de Dissertação apresentado ao Programa de PósGraduação em Promoção da Saúde da Universidade de Santa Cruz do Sul - UNISC, como requisito parcial para à obtenção do título de Mestre em Promoção da Saúde. Orientadora: Prof. Dr. Jorge André Horta Co-orientador: Prof. Dr. Daniel Prá Santa Cruz do Sul 2012 1.INTRODUÇÃO O câncer (CA) corresponde ao processo desordenado no crescimento e proliferação de células, morfológica e funcionalmente anormais, que adquirem capacidade de desenvolvimento autônomo, a partir de eventos genéticos independentes, contando-se o primeiro agravo no DNA da célula que dará origem a um tumor (CHU E DEVITA, 2001). O câncer representa a segunda causa de morte no Brasil, correspondendo a 17% dos óbitos de causa conhecida, com tendência ascendente; constitui-se em uma importante questão de saúde pública, objeto de políticas de saúde específicas. As grandes diferenças regionais e sociais, observando-se coeficientes de incidência e mortalidade distintos e distribuição diferenciada por tipo de câncer, exigem planejamento e implantação de ações de promoção, prevenção, diagnóstico e tratamento, específicas e adequadas, de acordo com contextos e grupos populacionais (INCA, 2010). Em uma perspectiva mundial, os cânceres de maior incidência são os de pulmão, mama, próstata e colorretal. O CA de mama é o segundo mais comum e o primeiro entre as mulheres (INCA, 2010). Entre os fatores de risco para câncer de mama, destacam-se a menarca precoce, idade da menopausa, exposição a poluição ambiental e hábitos de vida como ingesta alimentar, sedentarismo, consumo de álcool e tabaco. Tais fatores podem contribuir para o acúmulo de dano ao DNA celular, condição predisponente ao desenvolvimento do câncer. Santos e colaboradores (2010) verificaram que a presença de dano genético, verificada através do ensaio cometa, é maior entre mulheres com câncer de mama, quando comparadas aquelas que não desenvolveram a neoplasia (SANTOS et al., 2010). O diagnóstico de câncer de mama tem sido realizado precocemente; fato, que somado aos avanços no tratamento, tem aumentado a expectativa de vida das pacientes. O próprio diagnóstico já traz consigo um impacto na imagem pessoal da mulher e na vida familiar. Impacto esse que aumenta quando aliado aos efeitos colaterais do tratamento quimioterápico principalmente. Diagnóstico e tratamento afetam a qualidade de vida da paciente e, segundo estudos atuais, esta é hoje considerada preditora de adesão e bons resultados da terapêutica (MONTAZERI et al., 2008). O objetivo do tratamento do câncer é reduzir a população de células tumorais, sendo a quimioterapia antineoplásica o tratamento de escolha na maioria dos casos. As inúmeras combinações de modalidades de tratamento e agentes neoplásicos aumentaram as taxas de cura, sobrevida e melhora dos sintomas. No entanto, os efeitos colaterais, como já 2 14 mencionado, podem ser graves e comprometer a qualidade de vida dos pacientes, durante e após o tratamento. Os efeitos adversos, geralmente manejáveis, incluem náuseas, vômitos, fadiga, neuropatias, perda auditiva, imunodepressão com infecções generalizadas, diarréia, esofagite, nefrotoxicidade, entre outros. Parte de tais efeitos são associados às alterações laboratoriais e alguns previstas através delas (CHU E DEVITA, 2001). Cerca de 75% dos pacientes com CA, sofrem de fadiga em algum momento do tratamento quimioterápico, resultando em redução da capacidade funcional e perda de qualidade de vida. A ocorrência de anemia e a presença de substâncias inflamatórias estão entre as principais explicações fisiopatológicas para a fadiga relacionada ao câncer (BATTAGLINI et al., 2004; NCCN, 2009). Os hábitos de vida, especialmente alimentares e prática de atividade física, relacionam-se diretamente com a qualidade de vida antes, durante e após tratamento oncológico, especialmente por interferirem na ocorrência de anemia e percepção do sintoma fadiga. Estudo realizado por Macnelly e colaboradores (2006) e revisão realizada por Galvão (2005), demonstram que mulheres que receberam orientação para prática de atividades físicas durante e após tratamento oncológico apresentaram significativa melhora na qualidade de vida global, especialmente na sua vitalidade, funcionamento social e desenvolvimento de seus papéis emocionais (GALVÃO et al., 2005; MAcNELLY et al., 2006; SMITH et al., 2009). Considerando as diferenças regionais que caracterizam o Brasil, a importância da qualidade de vida após o diagnóstico e durante o tratamento no curso da doença e a ausência de estudos em Santa Cruz do Sul sobre o perfil dos pacientes com CA de mama, que possam servir para a elaboração de ações de promoção, prevenção, diagnóstico e tratamento, justificase o desenvolvimento desse trabalho. Diante do quadro descrito, essa pesquisa busca elucidar o seguinte problema: quais as características epidemiológicas, clínicas, laboratoriais e a intensidade de dano ao DNA celular das mulheres portadoras de câncer de mama, quais características e indicadores que estão associadas a uma melhor qualidade de vida destas pacientes? 3 2. REFERÊNCIAL TEÓRICO O câncer constitui-se em um dos mais preocupantes problemas de saúde da atualidade, pela elevada prevalência e a imagem de sofrimento e destruição física que a doença carrega consigo. A palavra câncer representa um conjunto de mais de 100 tipos de doenças, que apesar de algumas características fisiopatológicas comuns, diferenciam-se quanto à etiologia, manifestação clínica e evolução. Por definição, corresponde ao processo desordenado no crescimento e proliferação de células morfológica e funcionalmente anormais que adquirem capacidade de desenvolvimento autônomo (JOHNSTON E McDERMOTT, 2003; CHU E DEVITA, 2001). O desenvolvimento de uma neoplasia, caracteriza-se por lesões genéticas as células, principalmente, aquelas com alta capacidade de renovação presentes em todos os tecidos. Com o objetivo de bloquear o crescimento tumoral, atuam mecanismos de vigilância intracelular, como por exemplo, os sistemas que garantem instabilidade genômica como os dependentes da proteína p53 e do sistema de reparo do DNA, o mecanismo de vigilância extracelular e o mecanismo de vigilância imunológica (CHU E DEVITA, 2001). O fenótipo canceroso reflete o acúmulo de mutações somáticas que alteram a regulação das vias de sinalização que controlam funções celulares primordiais. A interação entre carcinógenos, sejam extrínsecos como agentes físicos (radiação ionizante), químicos (tabaco) e biológicos (vírus) ou intrínsecos (produção de espécies reativas de oxigênio) e a constituição genética do indivíduo determinam a taxa de mutação do seu genoma. Essa taxa é progressivamente maior conforme se envelhece, daí a idade ser um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de neoplasias que, somado aos fatores ambientais e hábitos de vida, aumenta ainda mais a prevalência desta patologia (CHU E DEVITA, 2001). No Brasil, as neoplasias são consideradas como uma importante causa de mortalidade, constituindo-se em uma importante questão de saúde pública (INCA, 2010). No Rio Grande do Sul, em 2008, foram registrados 30.422 óbitos, 4345 por neoplasias. No mesmo ano, em Santa Cruz do Sul, dos 508 óbitos registrados, 199 (39%) foram por câncer. As neoplasias além de elevada mortalidade agregam grande morbidade devido as suas complicações e efeitos colaterais do tratamento, correspondendo em 2008 a 15% (1.278 das 9.959 internações) das internações ocorridas em Santa Cruz do Sul no ano de 2008 (DATASUS BRASIL, 2008). As grandes diferenças regionais e sociais, observadas por coeficientes de incidência e mortalidade distintos e distribuição diferenciada por tipo de CA, exigem planejamento e 4 16 implantação de ações de promoção, prevenção, diagnósticas e tratamento, específicas e adequadas, de acordo com contextos e grupos populacionais. As neoplasias são categorizadas pelo estadiamento clínico, grau de diferenciação histológica e subtipos patológicos. Estas categorias são usualmente correlacionadas com dados de sobrevida e permitem a predição da história natural da doença e as respostas ao tratamento. Um dos fatores que dificultam o tratamento é o estágio avançado em que a doença é descoberta. No Brasil, a maioria dos casos de CA de mama é diagnosticada em fases avançadas (III e IV), diminuindo as chances de sobrevida e comprometendo os resultados do tratamento (INCA, 2010). O objetivo do tratamento do câncer é reduzir a população de células tumorais, utilizando como opções terapêuticas a quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia e imunoterapia. A quimioterapia antineoplásica representa o tratamento de escolha na maioria dos casos, corresponde a um tratamento sistêmico que utiliza princípios específicos para a destruição do clone tumoral. Os agentes quimioterápicos interferem em alguma fase essencial da divisão celular. O alvo inicial desses agentes varia amplamente desde o ataque direto à molécula de DNA, à inibição da organização do fuso mitótico e de enzimas necessárias ao metabolismo celular não só das células tumorais como também das normais, especialmente aquelas de alta taxa de divisão celular (CHU E DEVITA, 2001). As inúmeras combinações de modalidades de tratamento e agentes neoplásicos aumentou as taxas de cura nos estágios iniciais da doença, sobrevida e melhora dos sintomas. No entanto, os efeitos colaterais podem ser graves e comprometer a qualidade de vida dos pacientes durante e após o tratamento. Os efeitos adversos, geralmente manejáveis, incluem náuseas, vômitos, alopecia, neuropatias, perda auditiva, imunodepressão com infecções generalizadas, diarréia, esofagite, nefrotoxicidade, entre outros (CHU E DEVITA, 2001). 2.1. Câncer de mama A incidência por CA de mama feminina vem experimentando um crescimento contínuo na última década, o que pode ser resultado de mudanças sócio-demográficas e acessibilidade aos serviços de saúde. No Brasil, estima-se que 49.240 novos casos sejam diagnosticados em 2010, com uma taxa de incidência de 49,27 casos (INCA, 2010). As taxas de incidência por CA de mama aumentam com a idade, alcançando seu pico na faixa etária de 65 a 70 anos. Fatores de risco em mulheres incluem história familiar de CA de mama, diagnóstico confirmado de hiperplasia atípica, densidade da mama aumentada, história de menarca precoce ou menopausa tardia, obesidade após a menopausa, uso de 5 17 contraceptivos orais ou reposição de hormônios orais (estrogênio e progesterona) pósmenopausa, nuliparidade ou primeira gravidez após 30 anos de idade e consumo de bebidas alcoólicas. Os genes BRCA1 e BRCA2 são responsáveis por cerca de apenas 5% de todos os casos que ocorrem na população feminina. Por outro lado, a atividade física regular parece ser fator de proteção. Estudos de correlação ecológica, usando país como unidade de análise sugerem associação do CA de mama com dieta, especialmente ingestão de gordura animal. No entanto, resultados de estudos, usando indivíduos como unidade analítica (por exemplo, estudos de casos e controles) não são consistentes (CHU E DEVITA, 2001). O estadiamento do câncer de mama é realizado ao diagnóstico, sendo utilizado para planejamento do tratamento, avaliação prognóstica, acompanhamento dos resultados do tratamento, além de facilitar a troca de informações entre centros e pesquisa (INCA, 2010). Para determinar o estadio da doença, usa-se o sistema TNM ( Classification of Malignant Tumours) para a classificação de tumores malignos e a descrição de sua extensão anatômica, desenvolvido e publicado pela International Union Against Cancer (UICC) (AJCC,2010) . Para descrever a extensão anatômica da doença, o sistema TNM, está baseado na avaliação de três componentes: T- extensão do tumor primário N- ausência ou presença de metástases em linfonodos regionais M- ausência ou presença de metástases à distância Para cada localização anatômica, duas descrições são realizadas. A primeira é a classificação clínica pré-tratamento, designada TNM (ou cTNM), realizada a partir do exame físico, diagnóstico por imagem, endoscopia, biópsia, exploração cirúrgica e outros exames relevantes. A segunda, é a classificação patológica , designada pTNM, tem por base as evidências conseguidas antes do tratamento, complementadas ou modificadas pela evidência adicional conseguida através da cirurgia e do exame histopatológico do tumor primário (pT), dos linfonodos regionais (pN) para comprovar a ausência de metástase em linfonodos regionais (pN0) e investigação histopatológica de metástase à distância (pM)(AJCC,2010). Assim, o tumor de mama, linfonodos e metástes são classificados conforme abaixo: Tabela1. Tamanho do Tumor (T): Tx - tumor não pode ser avaliado T0 Não há evidência de tumor primário Tis - carcinoma in situ T1 - tumor com até 2 cm. em sua maior dimensão 18 6 T1 mic - carcinoma microinvasor (até 1 mm) T1a - tumor com até 0,5 cm em sua maior dimensão T1b - tumor com mais de 0,5 e até 1 cm em sua maior dimensão T1c - tumor com mais de 1 cm. e até 2 cm em sua maior dimensão T2 - tumor com mais de 2 e até 5 cm em sua maior dimensão T3 - tumor com mais de 5 cm. em sua maior dimensão T4 - qualquer T com extensão para pele ou parede torácica T4a extensão para a parede torácica T4b edema (incluindo peau d'orange), ulceração da pele da mama, nódulos cutâneos satélites na mesma mama T4c associação do T4a e T4b T4d carcinoma inflamatório Observações: a. O comprometimento do músculo grande peitoral não caracteriza T4. b. Presença de retração da pele ou papila não interfere no estadiamento. Fonte: AJCC, 2010 Tabela 2. Linfonodos Regionais (N): Nx - Os linfonodos regionais não podem ser avaliados N0 - Ausência de metástase N1 - Linfonodo(s) homolateral(is) móvel(is) comprometido(s) N2 - Metástase para linfonodo(s) axilar(es) homolateral(is), fixos uns aos outros ou fixos a estruturas vizinhas ou metástase clinicamente aparente somente para linfonodo(s) da cadeia mamária interna homolateral N2a - Metástase para linfonodo(s) axilar(es) homolateral(is) fixo(s) uns aos outros ou fixos à estruturas vizinhas N2b - Metástase clinicamente aparente somente para linfonodo(s) da cadeia mamária interna homolateral,sem evidência clínica de metástase axilar N3 -Metástase para linfonodo(s) infraclavicular(es) homolateral(is) com ou sem comprometimento do(s) linfonodo(s) axilar(es), ou para linfonodo(s) da mamária interna homolateral clinicamente aparente na presença de evidência clínica de metástase para linfonodo(s) axilar(es) homolateral(is), ou metástase para linfonodo(s) supraclavicular(es) homolateral(is) com ou sem comprometimento do(s) linfonodo(s) axilar(es) ou da mamária interna N3a - Metástase para linfonodo(s) infraclavicular(es) homolateral(is) N3b - Metástase para linfonodo(s) da mamária interna homolateral e para linfonodo(s) axilar(es) N3c - Metástase para linfonodo(s) supraclavicular(es) homolateral(is) Observação: Clinicamente aparente é definido como detectado por estudos de imagem (exceto linfocintigrafia), pelo exame clínico ou pelo diagnóstico patológico macroscópico. Fonte: AJCC, 2010 7 19 Tabela 3. Metástases (M): Mx metástase à distância não pode ser avaliada M0 ausência de metástase à distância M1 presença de metástase à distância (incluindo LFN supraclaviculares) Fonte: AJCC, 2010 Após definir as categorias T, N e M ou pT, pN e pM, elas podem ser agrupadas em estádios (AJCC,2010). Tabela 4. Estadiamento TNM do câncer de mama por agrupamentos: Estadio 0 Tis N0 M0 Estadio I T1 N0 M0 Estadio II A T0 N1 M0 T1 N1 M0 T2 N0 M0 Estadio II B T2 N1 M0 T3 N0 M0 Estadio III A T0 N2 M0 T1 N2 M0 T2 N2 M0 T3 N1 M0 T3 N2 M0 Estadio III B T4 N0 M0 T4 N1 M0 T4 N2 M0 Estadio III C Tqq N3 M0* Estadio IV Tqq Nqq M1* * qq = qualquer Fonte: AJCC, 2010 O prognóstico do câncer de mama é relativamente bom se diagnosticado nos estadios iniciais. Estima-se que a sobrevida média geral cumulativa, após cinco anos seja de 65% (variando de 53 e 74%) nos países desenvolvidos e de 56% (49 - 51%) para os países em desenvolvimento. Na população mundial, a sobrevida média após cinco anos é de 61% (SMEE, 2003; INCA, 2010). 2.2. Qualidade de vida, fadiga e anemia 8 20 A fadiga é um sintoma debilitante crônico em pacientes com câncer sendo observadas nessa população durante e depois do tratamento adjuvante (SERVAES, VERHAGEN E BLEIJENBERG, 2002). Está associada com fatores físicos, psicológicos, sociais, cognitivos e comportamentais. As conseqüências do sofrimento produzido pela fadiga levam também à limitação social e diminuição da auto-estima, contribuindo para reduzir a qualidade de vida. Além disso, está correlacionada com a piora do nível de atividade física, com desempenho diário, avaliada por escala específica - performance status (PS), e fraqueza muscular (ISHIKAWA, DERCHAIN E SANTOS THULER, 2005). Nos Estados Unidos, 72% a 95% dos pacientes com CA, que recebem tratamento, apresentam aumento nos níveis de fadiga resultando em redução da capacidade funcional e perda de qualidade de vida (BATTAGLINI et al., 2004). A fadiga tem um efeito negativo no humor, relações sociais, sono, atividades da vida diária e qualidade global de vida (BOWER et al, 2000; SERVAES, VERHAGEN E BLEIJENBERG , 2002). O National Comprehensive Cancer Network (NCCN) define a fadiga relacionada ao câncer (FRC) como uma perturbação na sensação subjetiva de saúde física, emocional e/ou cognitivas de cansaço persistente relacionadas ao câncer ou ao seu tratamento, desproporcional a atividade física recente e que causa interferência no funcionamento diário normal (VELTHUIS et al., 2010). A origem multifatorial caracteriza este sintoma (ROSENTHAL et al., 2008). Anemia, perda de peso, febre, dor, infecção, reação a medicamentos e depressão estão entre suas causas. Muitos destes fatores são influenciados pelo rompimento do equilíbrio entre citocinas endógenas e seus antagonistas naturais. Interleucinas endógenas são produzidas de forma aberrante por muitas neoplasias e servem como fatores de crescimento para os tumores, além de perturbar a resposta imune contra o mesmo (KURZROCK, 2001). Alteração em vários mediadores inflamatórios com ação no sistema nervoso central, inclusive IL-1h, IL-6, e TNF-α foram encontradas em desordens relacionadas com a fadiga como depressão, síndrome de fadiga crônica e doenças do comportamento. Níveis elevados de interleucinas (IL-1, IL-6, e TNF) podem ser responsáveis pela presença dos sintomas B como febre, sudorese noturna e perda de peso (COLLADOHIDALGO et al., 2006). Anemia é uma contribuinte importante para a fadiga relacionada ao câncer. Pacientes com diagnóstico de neoplasia têm freqüentemente hemoglobina entre 8 a 10 g/dL. Estes níveis estão abaixo daqueles considerados normais para mulheres, para a qual o valor de hemoglobina esperada é 12–14 g/dL, e homens que é de 14–16 g/dL. Entre os mecanismos envolvidos na origem da anemia relacionada ao CA, estão a inibição da produção de 9 21 eritrócitos pelas interleucinas IL-1, IL-6, e TNF. Além disso, tais pacientes podem ter uma deficiência férrea funcional, mesmo com níveis férreos normais. Finalmente, a supressão de medula óssea induzida pela quimioterapia ou pela infiltração do CA, além de sangramentos oriundos do tumor ou pós cirurgias podem contribuir com a anemia. Por fim, uma desregulação na resposta a eritropoetina endógena, faz com que muitos pacientes com CA tenham níveis desse hormônio acima do normal, porém não tão elevados quanto deveriam ser quando considerando o grau de anemia. Esse fato motiva o uso da eritropoetina exógena com melhora da anemia e impacto na qualidade de vida e sobrevida para alguns pacientes (RIZZO et al., 2008; SPIVAK, GASCÓN E LUDWIG, 2009). Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), qualidade de vida define-se como “a percepção do indivíduo quanto a sua posição na vida, no contexto da cultura e sistemas de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”. Porém, outros autores entendem que qualidade de vida é “a satisfação geral do indivíduo com a vida e sua percepção pessoal de bem-estar”. Depreende-se que o conceito de qualidade de vida é subjetivo e multidimensional e que a mesma é influenciada por fatores socioculturais (CONDE, FREITAS JUNIOR E ALDRIGHI, 2006). No Brasil, a medida do sintoma fadiga apresenta limitações, pois a maioria dos questionários internacionais não apresenta tradução validada na língua portuguesa. Assim, a medida se dá através de escalas de auto-avaliação, devido a sua subjetividade. Gonçalves et al. (2006) objetivou diferenciar a fadiga da depressão, para isso avaliou e correlacionou estes com a qualidade de vida. Foi utilizado um questionário geral, a Escala de Fadiga de Chalder Modificada – EFCm, Questionário de Qualidade de Vida EORTC QLQ – C30 (QQV) e o Inventário de Depressão de Beck. Este é um questionário que contempla 30 questões, subdividido em qualidade de vida global, funcional e presença de sintomas. Neste, são relatadas as atividades da vida diárias (AVDs) e os sintomas apresentados num período de uma semana (GOODWIN et al., 2003). Avaliações na qualidade de vida, além de contribuir para melhora do tratamento podem ter valor prognóstico, conforme demonstrado em estudo realizado por Coates, Porzsolt e Osoba (1997), com 735 pacientes com tumores sólidos avaliados através do EORTC QLQC30. O EORTC QLQ-C30 é o instrumento específico mais amplamente usado em estudos sobre qualidade de vida em pacientes com câncer (MONTAZERI, 2009). 2.3. Hábitos alimentares e atividade física 10 22 Por apresentar origem multicausal, a fadiga requer avaliação detalhada, incluindo uma revisão completa de sistemas, revisão de medicamentos, avaliação de comorbidades, avaliação nutricional/metabólica, níveis de hemoglobina e avaliação de nível de atividade física requerendo por isso, tratamento multidisciplinar (MOCK et al., 2000). Na maioria das vezes a fadiga é subtratada, o que acarreta grande prejuízo na qualidade de vida dos pacientes, inclusive após o tratamento. Vários estudos demonstraram a influência da dieta na evolução do câncer de mama. Um ensaio clínico randomizado chamado Women´s Intervention Nutrition Study (WINS) mostrou que o consumo de frutas e vegetais (5 ou mais porções por dia) aliado a atividade física (equivalente a andar por 30 minutos, 6 x por semana) reduz o risco de recorrência do câncer de mama (BLANCHARD, COURNEYA E STEIN , 2008). Outro estudo, mostrou que a redução da quantidade de gordura na dieta também é benéfica (CHLEBOWSKI et al. , 2006). Em relação ao consumo de álcool, o estudo LACE, estudo prospectivo que incluiu 1.897 pacientes com câncer de mama, mostrou que o consumo de mais de 6 g de álcool por dia aumenta o risco de recorrência (HR=1,34, p=0,05) e de morte por câncer de mama (HR=1,51, p=0,05) (KWAN et al., 2009). Através da análise de dados agrupados de sete estudos de coorte, incluindo 703 mulheres, verificou-se, naquelas na pós menopausa e com câncer de mama, risco relativo de 1.27 (95%CI: 1.03-1.55) para mulheres com IMC maior ou igual a 33 kg/m² quando comparado com mulheres com índice menor que 21 kg/m² (ROMIEU,2009). Estes resultados são consistentes com uma análise em 176 886 mulheres de nove países europeus do EPIC (LAHMANN, 2004). Muitos estudos avaliaram a associação entre atividade física e neoplasia de mama. A atividade física pode afetar níveis hormonais e aumentar os níveis de globulina ligadora do hormônio sexual (SHBG), reduzindo os níveis de estrogênio.Além disso, reduz a resistência a insulina, contribuindo para hiperinsulinemia associada ao desenvolvimento de câncer de mama. Em estudo de revisão, sobre influência de fatores como dieta, obesidade e exercícios no risco de câncer mamário, realizado por Romieu, encontrou-se evidência de cerca de 20% menor risco de câncer de mama em mulheres pós menopausa que referem prática de atividade física nos horários de lazer (ROMIEU,2009). A atividade física produz alterações metabólicas e morfológicas crônicas que podem torná-la uma opção importante no tratamento e no processo de recuperação envolvendo pacientes com CA. Alguns centros especializados em reabilitação, nos Estados Unidos, têm utilizado diferentes programas de exercícios físicos na recuperação desses pacientes. Programas de tal natureza têm como objetivo principal a melhora da capacidade 11 23 cardiovascular, a diminuição da gordura corporal, o aumento da resistência muscular, da força e da flexibilidade (BATTAGLINI et al., 2004). Em metanálise incluindo ensaios clínicos randomizados, incluindo atividades físicas variadas, observou-se ganhos na auto-estima, aptidão física, composição corporal e possivelmente taxa de conclusão do tratamento quimioterápico (VELTHUIS, 2010). Em estudo realizado por SMITH e colaboradores (2009), mulheres que receberam orientação para prática de atividades físicas durante e após tratamento oncológico apresentaram significativa melhora na qualidade de vida global, especialmente na sua vitalidade, funcionamento social e desenvolvimento de seus papéis emocionais (SMITH et al., 2009). 2.4. Alterações laboratoriais Além da anemia, avaliada através da medida da hemoglobina, a mensuração da desidrogenase láctica e fosfatase alcalina tem importância na avaliação inicial, acompanhamento, durante tratamento e resultado final deste. A desidrogenase láctica (DHL) é uma enzima encontrada nos tecidos cardíaco, hepático, renal, músculo esquelético, nervoso e pulmonar. A elevação sérica da DHL costuma associar-se a dano nos tecidos em que é encontrada. No câncer de mama, dosagens séricas elevadas desta enzima costumam sugerir a ocorrência de metástases, embora não indiquem o sítio das mesmas (SOARES et al., 2002). A fosfatase alcalina (FA) é usada na triagem para doença hepatobiliar seja de natureza obstrutiva, colestase intra-hepática ou infiltrativa; além disso, sugere destruição ou remodelagem óssea. A FA também está presente nos intestinos, rins e placenta. Assim, sua dosagem sérica é usada na avaliação inicial e acompanhamento das pacientes com câncer de mama, para avaliar, não só, possível presença de metástases, especialmente, hepáticas e ósseas, como também, danos hepáticos que possam surgir ao longo do tratamento (SOARES et al., 2002). 2.5. Alterações genéticas no câncer de mama Danos genéticos sucessivos ao DNA resultam na ativação de proto-oncogenes e inativação de genes de supressão tumoral, com início do processo neoplásico e desenvolvimento do câncer. Lesões persistentes ao DNA, sem o reparo adequado, geram padrões de lesões oxidativas características observadas em áreas adjacentes ao tumor de mama, quando comparadas com tecidos de controles normais. Além disso, a resposta inadequada de correção ao dano genético é um mecanismo provável para o risco aumentado dos portadores da mutação BCRA1 desenvolverem o câncer de mama. Conseqüentemente, a 12 24 capacidade de um indivíduo para consertar o DNA danificado, pode servir como um biomarcador útil de risco de câncer de mama (KOTSOPOULOS et al., 2007). Dessa forma, alterações citogenéticas em culturas de linfócitos obtidas de sangue periférico são avaliadas como biomarcadores de genotoxicidade precoce, capaz de predispor ao câncer, servindo para avaliação de risco. Santos et al. (2010) realizaram estudo sobre a extensão do dano ao DNA celular, através do ensaio Cometa e da presença de lesões de estresse oxidativo, em mulheres portadoras de câncer de mama antes da quimioterapia ou radioterapia (SANTOS et al., 2010). Gamulin et al., 2010, ao estudar pacientes mastectomizadas submetidas a radioterapia, observou que os níveis de dano ao DNA pré- tratamento aumentaram durante as sessões de radioterapia e regrediram lenta e parcialmente, após o final do tratamento. Verificou-se ainda que, o dano ao genoma era maior com a idade da paciente em todas as fases avaliadas. Provou-se com este estudo, que o ensaio Cometa é um indicador útil de dano ao DNA individual e avaliação de resposta a radiação (GAMULIN et al., 2010). 13 3. OBJETIVOS 3.1. Objetivo Geral: - Caracterizar o perfil epidemiológico, clínico, laboratorial, intensidade de dano ao DNA e qual a qualidade de vida das mulheres portadoras de câncer de mama pertencentes a 13ª Coordenadoria Regional de Saúde, tratadas no Centro de Oncologia Integrado do Hospital Ana Nery. 3.2. Objetivos Específicos: - Avaliar a qualidade de vida de pacientes em tratamento oncológico através do questionário EORTC-30. - Caracterizar o perfil demográfico, clínico, hábitos alimentares e atividade física de mulheres portadoras de câncer de mama sob tratamento oncológico. - Verificar a presença e intensidade de dano ao DNA celular, através do ensaio cometa. 14 4. MÉTODO 4.1. Amostra: A população-alvo deste estudo será constituída por pacientes do sexo feminino portadoras de neoplasia de mama residentes nos municípios que pertencem a 13ª Coordenadoria Regional de Saúde, tratadas no Centro de Oncologia Integrado (COI) do Hospital Ana Nery (HAN). Considerando o número de pacientes com neoplasia de mama tratadas no COI no ano de 2008, a amostra será constituída por 55 pacientes para obtenção de um intervalo de confiança de 95% . Serão incluídas no estudo: - Mulheres com idade superior ou igual a 18 anos. - Mulheres portadoras de câncer de mama tratadas no Centro de Oncologia Integrado (COI) do Hospital Ana Nery (HAN). - Pacientes que aceitarem as proposições do estudo e que assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, após terem recebido a devida informação escrita e verbal (Anexo B). 4.2. Delineamento metodológico A presente pesquisa consistirá em um estudo transversal descritivo. Segundo Pereira (2008), neste tipo de estudo, a relação exposição doença é explorada em uma população, permitindo retratar como as variáveis se relacionam num momento determinado. Tem como vantagem, permitir a verificação simultânea da doença, fatores de exposição e descrever características da população estudada, identificando grupos de risco para os quais medidas de atenção especial podem ser projetadas. Por se tratar de estudo descritivo, objetiva informar sobre um evento, neste caso, o câncer de mama na região da 13º CRS, em termos quantitativos. 4.3. Hipóteses e variáveis 4.3.1.Hipóteses: - Pacientes com câncer de mama apresentam qualidade de vida em função do estágio clínico da doença, características laboratoriais e tipo de tratamento. - Ocorre maior intensidade de dano ao DNA celular quanto mais avançado o estágio clínico da doença. 15 27 4.3.2.Variáveis: - Qualidade de vida de mulheres portadoras de câncer de mama avaliadas através da pontuação no EORTC-30 - Dano ao DNA através do ensaio cometa - Hábitos alimentares - Atividades física - Dados antropométricos (IMC) - Dados demográficos. 4.4. Procedimentos metodológicos: A pesquisa será desenvolvida através das seguintes etapas: 1ª) Seleção dos sujeitos: Pacientes com câncer de mama, que preencham os critérios de inclusão terão seus dados coletados e acondicionados em ficha própria (Anexo 1) a partir do prontuário médico junto ao COI do Hospital Ana Nery e serão entrevistadas para coleta de dados demográficos e epidemiológicos. 4.5.Técnicas e instrumento de coleta de dados: 4.5.1. Inventário da qualidade de vida: Será utilizado o questionário EORTC C-30 (European Organization for Research and Treatment of Cancer Quality of Life Questionaire) (Anexo 2) para avaliação de qualidade de vida e avaliação da fadiga relacionada ao câncer. Esse questionário é composto de múltiplas escalas para avaliação dos aspectos emocional, social, físico e cognitivo, além de sintomas de fadiga, dor, náusea e vômito além de outros como dispnéia, perda de apetite, insônia, constipação, diarréia e dificuldades financeiras (EORTC Study Group on Quality of Life, 1985). Os questionários são de auto-resposta, onde o entrevistador não influenciará a paciente na escolha das respostas, o mesmo não discutirá as questões ou o significado destas, nem a escala de respostas. Caso ocorram dúvidas, o entrevistador se disponibilizará a reler a questão de forma pausada para a paciente, será evitado fornecer sinônimos as palavras das perguntas. Ao término do preenchimento do questionário será verificado se a paciente respondeu a todas as questões e se assinalou apenas uma alternativa por questão. 16 28 4.5.2. Avaliação dos hábitos alimentares: A dieta será avaliada usando um questionário sobre hábito alimentar (Anexo 3). O tipo de comida e a frequencia consumida durante determinado período. 4.5.3. Avaliação da prática de atividade física: A atividade física será avaliada usando a versão curta do questionário internacional de atividade física – IPAQ (International Physical Activity Questionaire, 2001) (ANEXO 4), onde a paciente detalhará as atividades realizadas na última semana por período superior a 10 minutos. Os resultados serão classificados de acordo com a intensidade da atividade conforme segue: Tabela 5. CLASSIFICAÇÃO DO NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA- IPAQ: 1. MUITO ATIVO: aquele que cumpriu as recomendações de: a) VIGOROSA: ≥ 5 dias/sem e ≥ 30 minutos por sessão b) VIGOROSA: ≥ 3 dias/sem e ≥ 20 minutos por sessão + MODERADA e/ou CAMINHADA: ≥ 5 dias/sem e ≥ 30 minutos por sessão. 2. ATIVO: aquele que cumpriu as recomendações de: a) VIGOROSA: ≥ 3 dias/sem e ≥ 20 minutos por sessão; ou b) MODERADA ou CAMINHADA: ≥ 5 dias/sem e ≥ 30 minutos por sessão; ou c) Qualquer atividade somada: ≥ 5 dias/sem e ≥ 150 minutos/sem (caminhada + moderada + vigorosa). 3. IRREGULARMENTE ATIVO: aquele que realiza atividade física porém insuficiente para ser classificado como ativo pois não cumpre as recomendações quanto à freqüência ou duração. Para realizar essa classificação soma-se a freqüência e a duração dos diferentes tipos de atividades (caminhada + moderada + vigorosa). Este grupo foi dividido em dois sub-grupos de acordo com o cumprimento ou não de alguns dos critérios de recomendação: IRREGULARMENTE ATIVO A: aquele que atinge pelo menos um dos critérios da recomendação quanto à freqüência ou quanto à duração da atividade: a) Freqüência: 5 dias /semana ou b) Duração: 150 min / semana IRREGULARMENTE ATIVO B: aquele que não atingiu nenhum dos critérios da recomendação quanto à freqüência nem quanto à duração. 4. SEDENTÁRIO: aquele que não realizou nenhuma atividade física por pelo menos 10 minutos contínuos durante a semana. Fonte: Home Page: www.celafiscs.com.br IPAQ Internacional: www.ipaq.ki.se 4.5.4. Coleta de dados antropométricos: As pacientes selecionadas terão peso, altura e circunferência abdominal aferidos. Será calculado o índice de massa corporal (quilogramas por metro quadrado), adequado para idade 17 29 e as pacientes serão classificadas de acordo com procedimento padrão descrito pela Organização de Saúde Mundial (2000). Tabela 6. Classificação de peso pelo IMC IMC (kg/m2) < 18,5 18,5-24,9 ≥ 25 25,0 a 29,9 30,0 a 34,9 35,0 a 39,9 ≥ 40,0 Classificação Baixo peso Peso normal Sobrepeso Pré-obeso Obeso I Obeso II Obeso III Fonte: World Health Organization (2000). 4.5.5. Coleta de exames laboratoriais: O sangue periférico das pacientes será coletado antes da primeira aplicação de quimioterapia. Primeiro será coletada uma amostra que será misturada com heparina para análises biquímicas. Outra amostra de sangue será misturada com ácido etilenodiaminotetraacético para as análises hematológicas. Ambas as amostras serão imediatamente encaminhadas para análise conforme descrição abaixo: Hemograma: A amostra com anticoagulante será processada imediatamente, para contagem de glóbulos vermelhos (Hem), hemoglobina, RDW, PDW e concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM) usando-se analisador hematológico automático Cell-Dyn 3000 (Abbott Diagnostics, Illinois, EUA). Estas análises serão realizadas em duplicata e com uso do controle Cell-Dyn 3000 Tri (Abbott Diagnostics, Illinois, EUA). Metodologias empregadas para está análise: contagem eletrônica de células usando o princípio da análise da impedância e dispersão do laser (Cell Dyn 3000). Avaliação dos níveis de dano no DNA: ensaio cometa Uma alíquota heparinizada de sangue (mantida a 4oC no escuro desde a coleta) será utilizada para a realização do ensaio cometa, seguindo o protocolo de Franke et al.(2005). O protocolo do ensaio cometa pode ser descrito, resumidamente, como se segue: células sanguíneas (5µL) são misturadas a 95µL de agarose de baixo ponto de fusão. A mistura 18 30 (células e agarose) será acrescentada a lâminas de microscopia (pré-cobertas com agarose normal) e o conteúdo coberto com uma lamínula. Após a solidificação, as lamínulas são removidas e as lâminas imersas em solução de lise gelada por um período mínimo de 1 hora. Subsequentemente, as lâminas são expostas a uma solução alcalina por 20min a 4°C e, posteriormente, submetidas a uma eletroforese alcalina. Após a eletroforese, as lâminas são neutralizadas, fixadas e coradas com nitrato de prata. Cem células por indivíduo, selecionadas aleatoriamente, são analisadas (50 por lâmina, 2 lâminas por indivíduo) em microscópio convencional com magnificação de 200X. O dano é visualmente determinado pela classificação das células (morfologia em forma de “cometa”) em cinco classes de migração de DNA, de dano 0 (sem dano, morfologia circular apenas “cabeça” e nenhuma “cauda”) até dano 4 (dano máximo, “cauda” pronunciadamente maior do que a “cabeça”) (Figura 1). O índice de dano (ID) é obtido pela soma de células individuais classificadas, variando de 0 (nenhum dano: 100 células x 0) para 400 (dano de máximo: 100 células x 4). Células com núcleos não detectáveis (NDCN) (cabeça e cauda nitidamente separados, apoptose) são excluídas das análises. Figura 1. Classes de migração de DNA no ensaio cometa. Adaptação do site. Disponível em: http://www.cometassay.com, acessado em 31 de agosto de 2010. O sangue (sangue total, coágulo, soro e plasma) coletado dos pacientes, após a realização dos exames é submetido a tratamento esterilizador com Hipoclorito de sódio puro, por 24 horas e descartado juntamente com material pérfuro-cortante (agulhas, seringas, 19 31 lâminas, vidrarias, entre outros), desprezados em recipientes resistentes à perfuração e com tampa. 4.6. Análise de dados e estatística: Para análise estatística foram usados os programas Statistical Package for Social Sciences versão 14 (SPSS Inc, Chicago, US ) e GraphPad Prism versão 4.0 (GraphPad Software Inc., San Diego, US). O teste de ANOVA seguido do teste de Tukey foi utilizado para comparar os escores de qualidade de vida e o nível de inflamação e dano no DNA de acordo com o estadiamento. O teste de chi-quadrado e a associação linear foram empregado para testar a associação entre o esquema de tratamento e o tipo histológico ou estadiamento. A análise de correlação de Pearson foi empregada para testar a associação linear entre estas variáveis. O nível de significância foi de P<0,05. 4.7. Implicações éticas A pesquisa será submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa da UNISC e será obtido apropriado consentimento informado de todos os indivíduos que serão incluídos no trabalho e aprovação da Direção do Centro de Oncologia Integrado do HAN. Serão mantidos o sigilo e os preceitos éticos das profissões envolvidas, no sentido de zelar pelo sigilo e pela individualidade das pacientes selecionados para pesquisa. As voluntárias deverão assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para que se submetam ao estudo. 20 5. CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO 2010 Atividades/Etapas Metodológicas: A S O Revisão bibliográfica x x x Confecção e finalização do projeto x x x Defesa do projeto Avaliação pelo comitê de ética Instrumentalização e treinamento do grupo de x 2011 N D J F M A M J x x x x x J A S O x x pesquisa (bolsistas e voluntários), referente as avaliações laboratoriais e aplicação dos questionários de entrevista Levantamento dos dados Digitação dos dados em planilha eletrônica do x x SPSS for Windons Análise e discussão dos dados Redação e revisão final do projeto Preparo de comunicação Defesa da dissertação Elaboração do relatório final da pesquisa x x x x x x 21 6. RECURSOS HUMANOS E INFRA-ESTRUTURA Os dados serão coletados no Centro de Oncologia Integrado do Hospital Ana Nery. Em consultório médico, no mesmo local, serão aplicados os questionários por esta pesquisadora. As coletas para exames laboratoriais serão realizadas por pessoal técnico habilitado nas dependências do COI HAN. 22 7. ORÇAMENTO E RECURSOS MATERIAIS ITENS A SEREM FINANCIADOS Especificações Valor unitário Quantidade Valor total Fonte viabilizadora R$ Folha de papel A4 (500un.) 4 17.00 68.00 5 Pesquisadora Tinta para impressora (cartucho) 4 60.00 240.00 5 Pesquisadora CD-R 5 1.50 7.50 5 Pesquisadora Pen drive 1 60.00 60.00 5 Pesquisadora Pastas fichário 2 18.00 36.00 5 Pesquisadora Prancheta 1 5.00 5.00 5 Pesquisadora Caneta 5 1.50 7.50 5 Pesquisadora 250 0.15 37.50 5 Pesquisadora Insumos para análises laboratoriais 1 450,00 450.00 5 Pesquisadora Serviços de terceiros 1 250,00 250,00 5 Pesquisadora Manutenção de equipamentos 1 100,00 100,00 5 Pesquisadora Encadernação espiral 5 5.00 25.00 5 Pesquisadora Encadernação final 2 15.00 30.00 5 Pesquisadora Xerox de artigos e documentos (folha) TOTAL GERAL: 1316,50 23 8. RESULTADOS E IMPACTOS ESPERADOS Espera-se identificar aspectos vulneráveis que interfiram na qualidade de vida das pacientes portadoras de câncer de mama. Além de caracterizar a população de pacientes de nossa região quanto aos aspectos clínicos, laboratoriais e epidemiológicos do câncer de mama, neoplasia prevalente, a fim de fornecer dados para elaboração de medidas específicas com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dessas pacientes. Também serão identificados os principais parâmetros associados à melhoria na qualidade de vida. 24 9. RISCOS/DIFICULDADES E LIMITAÇÕES Como o estudo inclui pacientes portadores de câncer, a principal limitação do estudo encontra-se no risco de perda dos voluntários devido à morbidade e mortalidade da doença. Além disso, a diversidade de protocolos quimioterápicos poderá influenciar nos resultados laboratoriais e o tamanho da amostra poderá ser comprometido em função da ocorrência de casos no ano de 2011. 25 10. REFERÊNCIAS American Joint Committee on Cancer 2010 http://www.cancerstaging.org/TNM Classification of Malignant Tumours , 6th ed. Acessado em 20/09/10. BATTAGLINI, C.L. et al. 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O mapa abaixo apresenta os municípios da 13ª CRS (Figura 1). Figura 1- Mapa dos municípios pertencentes a 13ª Coordenadoria Regional de Saúde As pacientes com câncer de mama eram convidadas a participar, alternadamente, conforme a ordem de consulta nas agendas de consulta e tratamento. A mestranda se deslocava até o COI, recebia a agenda das secretárias e convidava as pacientes, conforme o critério descrito. Após assinatura do termo de consentimento informado, a coleta dos dados ocorria em três momentos: 1-Entrevista oral para coleta de dados de identificação e história pessoal, bem como aplicação dos questionários EORTC- 30, IPAQ e de hábitos alimentares. 2-Coleta de amostra sanguínea. 30 42 3-Coleta de dados do prontuário médico: estadio clínico ao diagnóstico, características tumorais pela imunohistoquímica, exames e tratamentos realizados até o momento. Houve atraso no cronograma inicial do projeto, pois algumas coletas foram remarcadas devido ao atraso das ambulâncias das Secretarias de Saúde com as quais as pacientes deslocavam-se até o Serviço de Oncologia. As pacientes eram então, agendadas para outra semana quando em Radioterapia e até para o próximo mês, dependendo do esquema de quimioterapia, que frequentemente era mensal. Outros motivos de atrasos nas coletas foram eventuais internações das pacientes nas cidades de origem e mudança das agendas de funcionamento do COI devido a procedimentos internos ou feriados. É importante ressaltar que, mesmo nos casos de atraso das coletas, a maneira de selecionar as pacientes manteve-se sem alterações. Após a coleta de todos os dados, os escores do EORTC foram calculados e a análise do nível de atividade segundo o manual do IPAC foi realizada. Os dados foram digitados em planilhas do Excel, para posterior análise com programa SPSS e GraphPad Prism. Os cálculos de escores e digitação foram feitos duas vezes por dois pesquisadores voluntários treinados. Em caso de discordância, a pesquisadora realizou a análise de inconsistências. Todos os dados foram coletados conforme projeto inicial intitulando “Câncer de mama: aspectos clínicos, epidemiológicos e qualidade de vida”. Parte dos dados deu origem a um primeiro artigo, apresentado nessa dissertação, estudando a relação entre qualidade de vida, estadios clínicos, inflamação e dano primário ao DNA. Trabalho de campo O trabalho de campo junto ao Hospital Ana Nery iniciou em 12/04/2011 e as coletas foram concluídas em 29/11/11, com recrutamento dos últimos dados de prontuários até 19/12/2011. Nesse período foram concluídas as análises do ensaio cometa junto à UNISC. 31 CAPÍTULO III ARTIGO 32 AVALIAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS, DANO PRIMÁRIO AO DNA E QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES COM CÂNCER DE MAMA EM UM SERVIÇO PÚBLICO DO RIO GRANDE DO SUL Ana Cristina Haas 1,2, Daniel Prá 1,2, Jorge André Horta 1* 1 PPG em Promoção da Saúde, Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Santa Cruz do Sul, RS, Brasil. 2 Curso de Medicina, Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Santa Cruz do Sul, RS, Brasil. * Correspondências: JÁ Horta PPG em Promoção da Saúde. Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC. Av. Independência, 2293 - Prédio 42, sala 4206. CEP: 96815-900 Santa Cruz do Sul - RS / Brasil [email protected] RESUMO Objetivo: Este estudo buscou avaliar a relação entre a qualidade de vida de pacientes com câncer e o estadiamento clínico da doença com esquema de tratamento, níveis de inflamação (Proteína C Reativa Ultrassensível: PCRu) e dano primário ao DNA. Métodos: Foram avaliadas 54 mulheres através de questionários sobre a história clínica das pacientes, fatores de risco e exames realizados, além do EORTC QLQ C-30 (European Organization for Research and Treatment of Cancer Quality of Life Questionaire) para avaliação da qualidade de vida. Para avaliação do nível de dano primário ao DNA foi utilizado o ensaio cometa. Resultados: As pacientes em estadio clínico IV apresentaram menor escore na escala de funcionamento emocional (p<0,05) indicando pior qualidade de vida. A realização de quimioterapia demonstrou impacto significativo nas escalas de funcionamento emocional, social e global, quando comparada aos demais tratamentos (p<0,05). Embora, demonstrou-se maior ocorrência de dano genético em pacientes com estadio IV, esta diferença não foi estatisticamente significativa. Não houve relação entre o nível de dano no DNA ou PCR e o tipo de tratamento (p>0,45). Conclusão: Estadios clínicos avançados e tratamento quimioterápico estão associados a pior qualidade de vida de pacientes com câncer de mama. Palavras- chave: Câncer de mama, qualidade de vida, ensaio cometa, tratamento. 33 45 ABSTRACT Objective: This study sought to evaluate the relationship between quality of life for cancer patients and clinical staging of the disease with treatment regimen, levels of inflammation (ultrasensitive C-reactive protein: PCRu) and primary damage to DNA. Methods: 54 women were evaluated through questionnaires based on the clinical history of patients, risk factors and tests, in addition to the EORTC QLQ C-30 (European Organization for Research and Treatment of Cancer Quality of Life Questionnaire) for assessing the quality of life. To assess the level of primary damage to the DNA comet assay was used. Results: The patients in clinical stage IV had lower scores for emotional functioning scale (p <0.05) indicating worse quality of life. The completion of chemotherapy showed a significant impact on the scales of emotional functioning, social and global levels, when compared to other treatments (p <0.05). Although, it has shown a higher incidence of genetic damage in patients with stage IV, this difference was not statistically significant. There was no relationship between the level of DNA damage or PCR and type of treatment (p> 0.45). Conclusion: Advanced clinical stages and chemotherapy are associated with worse quality of life for patients with breast cancer. Keywords: breast cancer, quality of life, comet assay, treatment. INTRODUÇÃO As neoplasias representam a segunda causa de morte no Brasil, correspondendo a 17% dos óbitos de causas conhecidas, com tendência ascendente devido ao aumento da perspectiva de vida da população e ao avanço dos métodos diagnósticos. Constituem-se em uma importante questão de saúde pública, objeto de políticas de saúde específicas devido às grandes diferenças regionais e sociais, observando-se coeficientes de incidência e mortalidade distintos e distribuição diferenciada por tipo de câncer (CA), exigindo planejamento e implantação de ações de promoção da saúde, prevenção, diagnóstico e tratamento adequadas com contextos e grupos populacionais (1). Em uma perspectiva mundial, os cânceres de maior incidência são os de pulmão, mama, próstata e colorretal. O CA de mama é o segundo mais comum e o primeiro entre as 34 46 mulheres (1). No Brasil, a incidência de CA no ano de 2010 foi de 490.000 casos, destes 49.240 casos foram de câncer de mama (1,2). A paciente com CA de mama necessita de uma rede de atenção oncológica interdisciplinar para tratamento abrangente e humanista da sua doença, onde a busca da qualidade de vida é fator indispensável para a promoção da saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), define-se qualidade de vida como “a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura, sistema de valores nos quais ele vive em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações” (3,4,5,6). O CA é definido como uma doença genômica e surge a partir de alterações cumulativas no material genético (DNA) de células normais; corresponde ao processo desordenado no crescimento e proliferação de células, morfológica e funcionalmente anormais, que adquirem capacidade de desenvolvimento autônomo, a partir de eventos genéticos independentes (7,8). Para desencadear esse processo, fatores fisiológicos e predisposição genética individual, além de fatores ambientais atuam simultaneamente. A formação de espécies reativas de oxigênio e nitrogênio estão entre os eventos iniciais do desenvolvimento de cânceres como pulmão, cólon e mama (9). Tais espécies são geradas a partir da ação de diversos tipos de radiação, reações inflamatórias e metabolismo dietético. As lesões ao DNA, formadas a partir destes processos de oxidação e inflamação, implicam no processo mutagênico que inicia a carcinogênese. Explicações para a reação inflamatória associada consistem na capacidade das células malignas produzirem espécies de oxigênio reativas, como peróxido de hidrogênio, capazes de estimular leucócitos polimorfonucleares e na reação à agressão tumoral provinda do sistema imunológico através da produção de interleucinas inflamatórias (10,11,12,13). Há algumas evidências de que o estresse oxidativo e a reação inflamatória sejam maiores em estadios avançados de CA (7). Este estudo buscou avaliar a relação entre a qualidade de vida de pacientes com câncer de mama e o estadiamento clínico da doença com esquema de tratamento, níveis de inflamação (Proteína C Reativa: PCRu) e dano primário ao DNA. MATERIAIS E MÉTODOS Todas as pacientes com diagnóstico de CA de mama, tratadas no Centro de Oncologia Integrado do Hospital Ana Nery (COI) no período de 12 de abril a 29 de novembro de 2011, foram convidadas a participar do estudo. Das 112 pacientes tratadas no período foram selecionadas 54 para constituírem a amostra, número que representa 48% do total de mulheres 35 47 atendidas. Foram incluídas no estudo mulheres que estivessem realizando algum tipo de tratamento oncológico e que assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, cujo protocolo de estudo foi devidamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Santa Cruz do Sul, processo nº 2680/10. Através de questionários, avaliou-se a qualidade de vida e informações referentes à história clínica das pacientes como fatores de risco e exames realizados, necessários ao estadiamento clínico. Em seguida, aferiram-se os dados antropométricos para cálculo do índice de massa corporal (quilogramas por metro quadrado) e posterior classificação de acordo com procedimento padrão descrito pela Organização de Saúde Mundial (2000). Para avaliação da qualidade de vida foi utilizado o questionário European Organization for Research and Treatment of Cancer Quality of Life Questionaire (EORTC QLQ C-30). Esse questionário é composto por 30 itens, o qual incorpora cinco escalas funcionais (desempenho físico, funcional, cognitivo, emocional e social), três escalas de sintomas (fadiga, dor, náusea e vômito) e escalas de qualidade de vida e estado de saúde global. Os itens simples avaliam sintomas adicionais comumente relatados por pacientes com câncer como dispnéia, perda do apetite, distúrbio do sono, constipação e diarréia, bem como o impacto financeiro da doença e do tratamento. O escore varia de 0 a 100, em que 0 representa pior estado de saúde e 100 melhor estado de saúde, com exceção das escalas de sintomas nas quais maior escore representa mais sintomas e pior qualidade de vida (6,14). Para o estadiamento da doença utilizou-se a classificação contida no prontuário da paciente realizada pelo mastologista ou oncologista. Esta classificação segue os critérios do sistema de Classification of Malignant Tumours (TNM) e descrição de sua extensão anatômica, desenvolvido e publicado pela International Union Against Cancer (UICC) (15). Para identificação dos receptores tumorais utilizou-se informações contidas no exame imunohistoquímico que segue recomendações da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) e Colégio Americano de Patologia (16). O sangue periférico das pacientes foi coletado no membro superior contralateral a mama afetada. Uma alíquota do sangue foi heparinizada e mantida a 4 oC no escuro desde a coleta, para a realização do ensaio cometa, seguindo o protocolo de Franke et al.(2005) (17). Para a análise do ensaio cometa, cem células por paciente, foram selecionadas aleatoriamente e analisadas (50 células por lâmina, 2 lâminas por indivíduo) em microscópio convencional com magnificação de 200X. O dano foi visualmente determinado pela classificação das células (morfologia em forma de “cometa”) em cinco classes de migração de DNA, de dano 0 (sem dano, morfologia circular apenas “cabeça” e nenhuma “cauda”) até 48 36 dano 4 (dano máximo, “cauda” pronunciadamente maior do que a “cabeça”). O índice de dano (ID) foi obtido pela soma de células individuais classificadas, variando de 0 (nenhum dano: 100 células x 0) para 400 (dano máximo: 100 células x 4). Células com núcleos não detectáveis (NDCN) (cabeça e cauda nitidamente separados, apoptose) foram excluídas das análises. A frequência de dano (FD) foi calculada como a frequência de células com dano (classes 1-4) em relação ao total de células analisadas. Para a determinação da PCRu foi utilizada amostra de soro submetida ao método turbidimétrico. A presença da PCR na amostra causa aglutinação das partículas de látex adsorvidas com anticorpos anti-PCR. O grau de aglutinação é proporcional a concentração de PCR na amostra e pode ser medido por turbidimetria conforme instruções do fabricante BIOSYSTEMS. Para análise estatística foram usados os programas Statistical Package for Social Sciences versão 14 (SPSS Inc, Chicago, US). O teste de ANOVA seguido do teste de Tukey foi utilizado para comparar os escores de qualidade de vida e o nível de inflamação e dano no DNA de acordo com o estadiamento. O teste de chi-quadrado e a associação linear foram empregados para testar a associação entre o esquema de tratamento e o tipo histológico do tumor ou o estadiamento. A análise de correlação de Pearson foi empregada para testar a associação linear entre estas variáveis. O nível de significância foi de P<0,05. RESULTADOS A Tabela 1 apresenta as características clínicas das pacientes estudadas. Dentre as pacientes selecionadas para o estudo, 67% apresentavam idade acima 51 anos (média de 53 anos), 76% eram de cor branca e o tempo médio de escolaridade foi de 6 anos. Quanto à história de exposição hormonal, 28% das pacientes apresentaram menarca precoce, 51% menopausa após os 55 anos, 9% eram nulíparas, 72% das pacientes haviam feito uso de anticoncepcional oral e 29% terapia de reposição hormonal. A história familiar de câncer de mama foi referida por 28% das pacientes, sendo que em metade delas a mãe também havia sido acometida; nas demais pacientes outros graus de parentesco foram mencionados como tia ou avó. Referente aos hábitos de vida deletérios, 33% das pacientes eram tabagistas, com exposição tabágica por período superior a 10 anos, e consumo diário médio de 15 cigarros; 57% mencionaram consumo de bebida alcoólica, pelo menos 1x semana (cerveja e vinho); 37 49 50% encontravam-se acima do peso ideal; 44% eram sedentárias; 18% das pacientes não consumiam frutas e 9% não consumiam legumes e/ou verduras regularmente; 30% referiram consumo diário de doces, 88% pães e massas 3 ou mais vezes ao dia; 39% consumiam carne bovina diariamente. Sessenta e sete por cento das pacientes referiram comorbidades, com maior frequência transtornos do humor (43%) como depressão e ansiedade, sendo que 58% apresentavam mais do que uma comorbidade. Após as doenças psiquiátricas, as doenças cardiológicas (37%) como HAS, cardiopatia isquêmica e insuficiência cardíaca foram referidas; doença endocrinológica (24%) como dislipidemia, diabetes mellitus, hipotireoidismo e hipertireoidismo. Em menor frequência, doenças reumatológicas (7%) e neurológicas (5%). Quanto ao estadio clínico (EC) ao diagnóstico, 53% encontravam-se com doença avançada (estadios III e IV). Todas as pacientes apresentaram como tipo histológico, carcinoma ductal infiltrante, variando quanto à presença dos receptores celulares. Noventa e três por cento apresentaram positividade para um ou mais receptores hormonais (estrógeno ou progesterona), sendo que 42% apresentavam também presença de HER2+. Apenas uma paciente foi triplo negativo. Não houve associação entre o tipo histológico e o esquema de tratamento (χ2 p=0,347). As pacientes em estudo fizeram uso dos seguintes protocolos de quimioterapia: docetaxel, doxorrubicina, ciclofosfamida (TAC), doxorrubicina, ciclofosfamida (AC) e ciclofosfamida, metotrexato, fluoracil (CMF). Das pacientes incluídas no estudo, 76% recebiam radioterapia, sendo 41% radioterapia exclusiva, as demais associação com hormonioterapia (tamoxifeno). Vinte por cento realizava quimioterapia, tendo realizado, no mínimo 3 ciclos. No momento do estudo, 39% das pacientes referiam apenas um tratamento prévio, 44 % dois tipos de terapia e 17% referiram 3 ou mais terapias anteriores. Não houve diferença estatisticamente significativa entre o esquema de tratamento de acordo com o estadiamento clínico. Contudo observou-se associação linear entre o esquema de tratamento e o estadiamento (Figura 1). As pacientes submetidas à quimioterapia apresentaram piores escores em todas as escalas de avaliação de qualidade de vida, sendo encontradas diferenças estatisticamente significativas nas escalas de funcionamento emocional (62,9 ± 17,2, p< 0,001), social (42,4 ± 15,6, p<0,003) e qualidade de vida global (49,2 ± 8,7, p<0,026) (Tabela 2). 38 50 Tabela 1. Características clínicas das pacientes estudadas CARACTERÍSTICA FREQUÊNCIA (nº) % IMC (Kg/m²) (n=54) Baixo peso 03 05 Normal 24 43 Sobrepeso 22 41 Obesidade 05 09 Antes 12 anos 15 28 Acima 13 anos 39 72 Abaixo 54 anos 17 49 Acima 55 anos 18 51 Nulípara 05 09 Multípara 49 91 Sim 39 72 Não 15 28 Sim 10 29 Não 25 71 Sim 12 22 Não 42 78 I 05 09 II 20 37 III 18 33 IV 11 20 HER2+ 04 07 Hormonal 26 47 Triplo negativo 01 02 Triplo positivo 23 43 MENARCA (n=54) MENOPAUSA (n=35) HISTÓRIA GESTACIONAL (n=54) USO CONTRACEPTIVOS ORAIS (n=54) REPOSIÇÃO HORMONAL (n=35) HISTÓRIA FAMILIAR CÂNCER MAMA (n=54) ESTADIO CLÍNICO (n=54) RECEPTOR TUMORAL (n=54) 39 40 51 2 p=0,114; r=0,332, p=0,014 RADIO RADIO+TMX TMX QT Pacientes (%) 100 75 50 25 0 1 2 3 4 Estádio clínico (1-4) Figura 1. Associação entre estadio clínico e tipo de tratamento. X2p: nível de significância de acordo com Teste Qui-quadrado. r: índice de correlação de Pearson. p: nível de significância.Radio: radioterapia. RADIO+TMX: radioterapia+tamoxifeno. TMX: tamoxifeno. QT: quimioterapia. Tabela 2. Comparação entre escores de qualidade de vida de acordo com esquemas de tratamento FFISIC FTRAB FEMOC FCOGN FSOCI FGLOB RADIO (n=22) RADIO+TMX (n=19) TMX (n=2) QT (n=11) P 66,8 ± 16,8 62,7 ± 7,3 79,8 ± 8,2 70,6 ± 10,4 71,4 ± 15,9 59,9 ± 6,2 63,7 ± 21,4 59,2 ± 20,3 80,0 ± 10,9 68,3 ± 13,1 57,5 ± 25,1 55,7 ± 10,9 56,7 ± 33,0 75,0 ± 11,8 87,5 ± 5,9 83,3 ± 0,0 75,0 ± 35,4 54,2 ± 17,7 52,7 ± 12,5 53,0 ± 12,5 62,9 ± 17,2 a**, b** 65,1 ± 9,0 42,4 ± 15,6 a** 49,2 ± 8,7 a* 0,224 0,158 0,001 0,179 0,003 0,026 FFISC: Funcionamento físico. FTRAB: Funcionameno no trabalho. FEMOC: Funcionamento emocional. FCOG:Funcionamento cognitivo. FSOCI: Funcionamento Social. FGLOB: Funcionamento global. RADIO: Radioterapia. TMX:Tamoxifeno. QT: Quimioterapia. a: em relação a Radio; b: em relação a Radio+TMX; c: em relação a TMX; sendo *: p<0,05, **: p<0,01 e ***: p<0,001. As escalas de sintomas que apresentaram maiores escores e, portanto, indicativos de pior qualidade de vida foram para dor (66,66), sono (66,66), alterações de apetite (66,66) e dificuldade financeira (66,66). Fadiga apresentou um escore médio de 40,11. Quando avaliadas em função dos tratamentos (Tabela 3), as pacientes submetidas à quimioterapia apresentaram diferença estatisticamente significativa nas escalas de fadiga (54,5 ± 11,6), náusea e vômito (31,8 ± 17,4), apetite (48,5 ± 22,9) e dificuldade financeira (48,5 ± 22,9). A 52 41 hormonioterapia (tamoxifeno) isolada demonstrou impacto significativo (p<0,05) nas escalas de fadiga (55,6 ± 0,0) e apetite (16,7 ± 23,6). Quanto às características hematológicas das pacientes, 24% encontravam-se anêmicas, com hemácias predominantemente normocíticas, 91% tiveram contagem plaquetária normal, 87% leucometria normal. Apesar de 24% de pacientes anêmicas, 5% plaquetopênicas e 4% leucopênicas, nenhuma paciente apresentou pancitopenia. Cinquenta e sete por cento apresentavam elevação da Proteína C Reativa ultrassensível (PCRu). Contudo, não houve associação entre o nível de PCRu e o estadiamento clínico (Tabela 4). Quanto à avaliação de dano primário ao DNA pelo ensaio cometa, as pacientes em estadio IV apresentaram maior ID e FD, contudo sem diferirem estatisticamente (Tabela 4). Observou-se um acréscimo dos valores dos DI, à medida que o estadio aumentava, contudo no limite da significância (Figura 2). Não houve associação entre o nível de dano no DNA e o esquema de tratamento. Tabela 3. Comparação entre valores médios de sintomas de acordo com o esquema de tratamento atual. RADIO (n=22) RADIO+TMX (n=19) TMX (n=2) QT (n=11) P FADIG 33,9 ± 6,6 37,2 ± 12,1 55,6 ± 0,0 a* 54,5 ± 11,6 a***, b*** <0,001 NAUVOM 0,0 ± 0,0 0,0 ± 0,0 0,0 ± 0,0 31,8 ± 17,4 a***, b***, c*** <0,001 DOR 7,9 ± 15,5 20,8 ± 25,3 33,3 ± 47,1 21,2 ± 15,1 0,110 DISPN 1,6 ± 7,3 6,7 ± 13,7 0,0 ± 0,0 9,1 ± 15,6 0,297 SONO 6,3 ± 13,4 13,3 ± 16,8 16,7 ± 23,6 21,2 ± 27,0 0,186 APETIT 28,6 ± 12,0 35,0 ± 17,0 16,7 ± 23,6 48,5 ± 22,9 a* 0,011 CONST 15,9 ± 17,1 15,0 ± 17,0 0,0 ± 0,0 12,1 ± 16,8 0,608 DIARR 0,0 ± 0,0 0,0 ± 0,0 0,0 ± 0,0 3,0 ± 10,0 0,276 31,7 ± 12,8 30,0 ± 14,9 33,3 ± 0,0 48,5 ± 22,9 a*, b* 0,021 DIFINAN FADIG: Fadiga. NAUVOM: Náusea e vômito. DISPN: Dispnéia. APETIT: Apetite. CONST: Constipação. DIARR: Diarréia. DIFINAN: Dificuldade financeira. RADIO: Radioterapia. TMX: Tamoxifeno. QT: Quimioterapia. a: em relação a Radio; b: em relação a Radio+TMX; c: em relação a TMX; sendo *: p<0,05, **: p<0,01 e ***: p<0,001. 53 42 Tabela 4. Comparação entre valores médios de Proteína C Reativa Ultrasensível e dano primário ao DNA de acordo com estadio clínico. EC 1 EC 2 EC 3 EC 4 p PCRu 6,2 ± 4,8 4,0 ± 4,0 5,0 ± 4,5 4,6 ± 3,7 0,722 DI 20,0 ± 7,2 17,3 ± 9,7 21,2 ± 9,0 25,5 ± 11,1 0,194 DF 16,6 ± 6,8 15,1 ± 8,4 18,1 ± 6,7 20,7 ± 7,6 0,290 DI: índice de dano. DF: frequência de dano. EC: estadio clínico. Índice de dano (u.a.) 60 r=0,266; p=0,068 50 40 30 20 10 0 0 1 2 3 4 5 Estádio clínico (1-4) Figura 2. Associação entre estadio clínico e nível de dano ao DNA . r: índice de correlação de Pearson. p: nível de significância Quanto à avaliação da qualidade de vida, os escores médios para todo o grupo foram: nas escalas de desempenho no trabalho (59,87), qualidade de vida global (55,96), funcionamento físico (62,40), cognitivo (72,66), social (60,49) e emocional (76,69). A comparação dos valores de qualidade de vida entre os diferentes estadios clínicos encontramse na tabela 5. Houve diferença no fator emocional, tendo as pacientes do estadio 4 apresentado valores significativamente menores no fator. Observou-se um decréscimo dos valores dos fatores emocional, cognitivo e qualidade de vida global à medida que o estadio aumentava (Figura 3). 43 54 Tabela 5. Comparação entre os escores médios das escalas de qualidade de vida de acordo com o estadio clínico. EC 1 (n=5) EC 2 (n=20) EC 3 (n=18) EC 4 (n=11) p FFISIC 57,3 ± 16,7 62,8 ± 20,5 60,7 ± 19,6 66,7 ± 16,1 0,789 FTRAB 63,3 ± 13,9 62,8 ± 16,2 56,2 ± 16,7 59,1 ± 8,7 0,550 FEMOC 80,0 ± 7,5 77,5 ± 12,4 81,0 ± 8,9 66,7 ± 18,3 c* 0,031 FCOGN 76,7 ± 9,1 71,7 ± 12,2 66,7 ± 11,4 65,1 ± 9,0 0,146 FSOCI 70,0 ± 13,9 60,0 ± 21,9 61,1 ± 25,6 56,1 ± 23,9 0,736 FGLOB 60,0 ± 3,7 58,7 ± 7,9 53,7 ± 10,0 52,8 ± 12,6 0,196 FFISC: Funcionamento físico. FTRAB: Funcionameno no trabalho. FEMOC: Funcionamento emocional. FCOG:Funcionamento cognitivo. FSOCI: Funcionamento Social. FGLOB: Funcionamento global. EC: estadio clínico. a*: em relação a 1, sendo p<0,05. Fator emocional (u.a.) 100 (A) 80 60 40 20 r=-0,288; p=0,035 0 Fator cognitivo (u.a.) 100 (B) 80 60 40 20 r=-0,307; p=0,024 0 Fator global (u.a.) 100 (C) 80 60 40 20 r=-0,280; p=0,041 0 0 1 2 3 4 5 Estádio clínico (1-4) Figura 3. Associação entre estadio clínico e escalas de funcionamento emocional , cognitiva e qualidade de vida global. r: índice de correlação de Pearson. p: nível de significância 44 55 DISCUSSÃO Este estudo avaliou as características e qualidade de vida de 54 mulheres portadoras de CA de mama em tratamento oncológico, através do instrumento EORTC QLQ30. Estudos e revisões recentes comprovam a confiabilidade do questionário, já validado para a língua portuguesa (6,18,19). Verificou-se em nosso estudo, que as pacientes em estadio clínico mais avançado, especialmente no EC IV, apresentam escores mais baixos e, portanto indicativos de pior qualidade de vida nas escalas de desempenho no trabalho (59,1 ± 8,7), qualidade de vida global (52,8 ± 12,6), funcionamento cognitivo (65,1 ± 9,0) , social (56,1 ± 23,9) e emocional (66,7 ± 18,3). O estudo de Kwan e colaboradores chegou à conclusão semelhante, verificando que pacientes que apresentavam estadios avançados ao diagnóstico possuíam baixos escores em todos os domínios, exceto bem-estar social. O mesmo estudo reforça a importância do estadio ao diagnóstico e suporte social na qualidade de vida (20). Mulheres com CA de mama apresentam significativa redução no funcionamento emocional, cognitivo, e social já ao diagnóstico, quando comparado com mulheres normais (21). Em nosso estudo, o funcionamento emocional diferiu estatisticamente (p<0,05), demonstrando impacto da doença avançada. Nesta fase, além de comprometimento linfonodal ocorrem metástases. Além disso, o pior funcionamento emocional pode dever-se à elevada prevalência de transtornos do humor (43%) como depressão e ansiedade no grupo em questão. Outro fator contribuinte é o fato de que o CA de mama em 67% das mulheres estudadas soma-se a outras comorbidades já existentes, aumentando ainda mais a carga emocional e orgânica do tratamento e do diagnóstico de CA. Fiorentino e colaboradores citaram depressão e ansiedade como condições que pioram a qualidade de vida e funcionamento emocional das pacientes com CA de mama (22). Jim e colaboradores, embora usando SF-36 também verificaram a associação entre depressão e pior qualidade de vida nas pacientes com neoplasia de mama (23). O pior desempenho cognitivo também foi citado por Fan e colaboradores e costuma fazer parte da constelação de sintomas associados à depressão, como distúrbios do sono, memória e maior sensibilidade à dor (24). O pior desempenho no trabalho é percebido pelas limitações físicas impostas por cirurgias prévias ou efeitos colaterais do tratamento (25). O afastamento do trabalho por indicação médica ou por limitações da doença reflete no funcionamento social da paciente e na qualidade de vida global. A escala de funcionamento físico não demonstrou pior desempenho com os estadios clínicos mais avançados, refletindo 45 56 provável interferência das recomendações médicas durante o tratamento de repouso e afastamento das atividades que envolvam esforços físicos. Quando realizada análise global da qualidade de vida das pacientes, sem estratificação por estadios de doença, as médias encontradas nas diversas escalas se assemelha às encontradas em outros estudos, em vários itens: desempenho no trabalho, qualidade de vida global e funcionamento cognitivo (26,27). A realização de quimioterapia demonstrou impacto significativo nas escalas de funcionamento emocional (62,9 ± 17,2), social (42,4 ± 15,6) e global (49,2 ± 8,7), quando comparada aos demais tratamentos. Diversos estudos concordam com o impacto dos tratamentos quimioterápicos na qualidade de vida. Embora quimioterapia seja efetiva aliviando sintomas relacionados ao câncer, estes benefícios nem sempre são sentidos por todas as pacientes e o ganho positivo é diminuído pelo abalo físico e emocional, além dos efeitos colaterais do tratamento (28). Fatores como frequência de aplicação, protocolo e comorbidades da paciente, podem aumentar o impacto negativo do tratamento quimioterápico sobre a qualidade de vida. Durante a fase de tratamento o câncer de mama compromete significativamente o funcionamento global e físico da mulher (29,30,31). A instabilidade genética é um importante parâmetro associado à mutagênese e à carcinogênese (32). Ensaios já demonstraram a ocorrência de dano ao DNA em pacientes com neoplasia mamária submetidas à radioterapia, através do teste Cometa (33,34,35). Em nosso estudo, as 54 pacientes avaliadas demonstrou-se maior ocorrência de dano genético em pacientes com estadio IV, submetidas a tratamento, embora não estatisticamente significativo (Tabela 4). Gamulin estudando pacientes mastectomizadas submetidas à radioterapia verificou que os níveis de dano ao DNA aumentavam durante as sessões de tratamento (36). Na análise inicial não foi realizada subdivisão por tipos de tratamentos, mas mantém a mesma tendência dos estudos citados com relação à capacidade do ensaio cometa em avaliar dano ao DNA em pacientes com CA de mama submetidas a tratamento oncológico. Não houve relação entre o nível de dano no DNA ou PCR e o tipo de tratamento (p>0,45), mas observou-se uma tendência de aumento da frequência e índice de dano com os estadios mais avançados. A fraca correlação observada através da análise univariada desses fatores sugere que outras variáveis podem estar influenciando a ocorrência dos níveis de dano ao DNA, e o funcionamento cognitivo, emocional e escala de qualidade da vida global, além do estadio clínico. No futuro, possível associação multivariada será testada avaliando outros fatores 46 57 como, por exemplo, IMC, hábitos alimentares, prática de atividade física e exposição hormonal. CONCLUSÃO No presente estudo são descritas as características de 54 pacientes com câncer de mama de um serviço público de tratamento oncológico. Verificou-se o significativo impacto do funcionamento emocional da doença na qualidade de vida destas pacientes, demonstrando que além do tratamento da neoplasia, suporte de atendimento integral e interdisciplinar é necessário para promoção da saúde destas pacientes. Tal observação, somada à história natural da doença e seus fatores de risco, torna indispensável atuação conjunta de nutricionistas, psicólogos, educadores físicos, fisioterapeutas além de especialidades médicas distintas. Este estudo mostrou que estadios avançados de doença e tratamento quimioterápico apresentam impacto negativo na qualidade de vida, necessitando intensificação das medidas de integração da rede de tratamento oncológico e saúde pública de forma global. Sugere-se, que a avaliação da qualidade de vida deveria se tornar uma avaliação clínica rotineira para subsidiar a escolha do regime quimioterápico e para estratificação dos pacientes em novas tentativas clínicas. Além disso, verificamos ainda a ocorrência de frequência crescente de dano ao DNA nestas pacientes com a progressão da doença, através do ensaio Cometa. Este teste, como já demonstrado em outros estudos pode auxiliar no acompanhamento da neoplasia mamária, não só para avaliação de dano instaurado, mas predisposição à doença e até sensibilidade a tratamentos. REFERÊNCIAS 1. INCA. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria da Atenção à Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Coordenação de Prevenção e Vigilância. Estimativa 2010: Incidência de câncer no Brasil. INCA: Rio de Janeiro, 2010. 2. BRASIL. Ministério da Saúde. DATASUS. Informações de Saúde (2008). http://datasus.gov.br [sitio na internet], Acessado em 08/07/2010 3. Minayo MCS, Hartz ZMA, Buss PM. Qualidade de vida e saúde: um debate necessário. Ciênc Saúde Coletiva. 2000;5:7-18. 47 58 4. Conde DM, Freitas Junior R, Aldrighi JM. Qualidade de vida de mulheres com câncer de mama. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, Rio de Janeiro, v. 28, n. 3, p. 195-204, 2006. 5. Montazeri A, et al. Quality of life in patients with breast cancer and after diagnosis: an eighteen months follow-up study. BioMed Central Cancer, London, v. 8, n. 330, 2008. 6. Montazeri A. Quality of life data as prognostic indicators of survival in cancer patients: an overview of the literature from 1982 to 2008. Health and Quality of Life Outcomes, London, v.7, n. 102, 2009. 7. Chu E, Devita VT. Principles of cancer management: chemotherapy. In: Cancer: Principles and Practice of Oncology. 6ª ed. Philadelphia: Lippincott Williams and Wilkins. 2001; 289-306 8. Johnston PG, McDermott U. Princípios e Prática da Oncologia. In: Oncologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003; p 01- 09. 9. Migliore L, Coppede F. Genetic and environmental factors in cancer and neurodegenerative diseases. Mutat Res, 2002;512(2-3):135-153 10. Schmielau J, Finn OJ. Activated granulocytes and granulocyte-derived hydrogen peroxide are the underlying mechanism of suppression of t-cell function in advanced cancer patients. 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Shou I, Ekeberg O, Sandvik L, Hiermstad MJ, Ruland CM. Multiple predictors of health-related quality of life in early stage breast cancer. Data from a year follow-up study compared with the general population. Qual Life Res 2005, 14:1813-1823. 22. Fiorentino L, Rissling M, Liu L, Ancoli-Israel S. The Symptom Cluster of Sleep, Fatigue and Depressive Symptoms in Breast Cancer Patients: Severity of the Problem and Treatment Options. Drug Discov Today Dis Models. 2011; 8(4): 167–173. 23. Jim HS, Small BJ, Minton S, Andrykowski M, Jacobsen PB. History of Major Depressive Disorder Prospectively Predicts Worse Quality of Life in Women with Breast Cancer.Annals of behavioral medicine. 2011. 24. Fan HG, et al. Fatigue, menopausal symptoms, and cognitive function in women after adjuvant chemotherapy for breast cancer: 1-and 2-year follow-up of a prospective controlled study. J Clin Oncol. 2005; 23(31):8025-32. 25. Avis NE, Crawford S, Manuel J. Quality of life among younger women with breast cancer. J Clin Oncol. 2005;23(15):3322-30. 26. Rebelo V, Rolim L, Carqueja E. Avaliação da qualidade de vida em mulheres com cancro da mama: um estudo exploratório com 60 mulheres portuguesas. Psicologia, Saúde & Doenças, 2007, 8 (1), 13-32 27. Silva BS, Albuquerque V, Leite J. Qualidade de Vida em Pacientes Portadoras de Neoplasia Mamária Submetidas a Tratamentos Quimioterápicos. Revista Brasileira de Cancerologia 2010; 56(2): 227-236 28. Lee CK, Stokler MR, Coates AS, Gebski V, Lord SJ, Simes RJ. Self-reported healthrelated quality of life is an independent predictor of chemotherapy treatment benefit 49 60 and toxicity in women with advanced breast cancer. British Journal of Cancer (2010) 102, 1341 – 1347 29. Silva S, Bettencourt D, Moreira H, Canavarro MC. Qualidade de vida de mulheres com cancro da mama nas diversas fases da doença: o papel de variáveis sócio demográficas, clínicas e das estratégias de coping enquanto factores de risco/protecção. Revista Portuguesa de Saúde Pública, 2011. 29(1): 64–76. 30. Nuzzo F, et al. Effects on quality of life of weekly docetaxel based chemotherapy in patients with locally advanced or metastatic breast cancer: results of a single-centre randomized phase 3 trial. BMC Cancer 2011, 11:75 31. Reimer T, Gerber B. Quality-of-life considerations in the treatment of early-stage breast cancer in the elderly. Drugs Aging. 2010 Oct 1; 27 (10):791-800. 32. Rajeswari N, et al. Risk assessment in first degree female relatives of breast câncer patients using the alkaling comet assay. Carcinogenesis. 2000.Vol 21, n 4, 557-561. 33. Lou JL, et al. Response of lymphocytes to radiation in untreated breast cancer patients as detected with three different genetic assays. Biomedical and Environmental Sciences, 2008 Dec;21(6):499-508 34. Djuzenova CS, et al. Radiosensitivity in breast cancer assessed by the Comet and micronucleus assays. British Journal of Cancer (2006) 94, 1194 – 1203 50 CAPÍTULO IV NOTA À IMPRENSA 51 Qualidade de vida em pacientes com câncer de mama O Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde da Universidade de Santa Cruz do Sul apresentou resultados de pesquisa sobre o perfil das pacientes com câncer de mama, dano primário ao DNA e qualidade de vida durante tratamento oncológico. A pesquisa incluiu mulheres provenientes dos municípios integrantes da 13ª Coordenaria Regional de Saúde e que estavam em tratamento no Centro de Oncologia Integrado do Hospital Ana Nery. O estudo verificou que a média de idade das pacientes tratadas foi de 53 anos, sendo que a maioria delas (53%) encontrava-se em estadio clínico avançado quando descoberta a doença. O diagnóstico em fases mais avançadas (estadios III e IV) que reflete a necessidade de tratamentos mais agressivos representou maior impacto na qualidade de vida das pacientes. Para avaliação da qualidade de vida foi usado o questionário EORTC-30, mundialmente usado em pacientes com câncer. Através deste instrumento, demonstrou-se que as pacientes submetidas à quimioterapia apresentaram maior comprometimento na qualidade de vida global, no funcionamento emocional e cognitivo, bem como maior ocorrência de efeitos adversos. As pacientes em estadio IV também apresentam pior qualidade de vida, além de maior nível de dano primário ao DNA, demonstrado através do ensaio cometa. Também verificou-se que o impacto do diagnóstico de câncer de mama traduz-se em comprometimento emocional importante com elevada prevalência de transtornos do humor, como depressão e ansiedade referidos por 43% das pacientes. 30 52 ANEXOS 53 ANEXO 1- FICHA DE INFORMAÇÃO SOBRE O RESPONDENTE Data: 1.Nome (iniciais): 2.Raça: ( ) branca ( ) parda ( )negra 3 .Idade (em anos completos):_________ Data de nascimento:____/____/______ 4. Até que série a Sra estudou? ( ) analfabeto ( ) I grau incompleto ( ) III grau incompleto ( ) I grau completo ( ) III grau completo ( ) II grau incompleto ( ) pós-graduação incompleto ( ) II grau completo ( ) pós-graduação completo 5. Peso (Kg): ______ Altura:______ IMC: __________ Circunfereência abdominal (cm): ______ 6.Qual a idade da sua primeira menstruação? _____anos 7. Qual a idade da menopausa?_____anos 8. A Sra tem filhos? ( )não ( )NSA ( ) sim 9. Se sim: Qual idade da primeira gestação?____anos 10. Quantas gestações a Sra teve?: ____ ( )NSA 11.A Sra fez uso de contraceptivos orais: ( )não ( ) sim 12. A Sra fez uso de terapia de reposição hormonal: ( )não ( 13.Tem ou teve alguém na sua família com câncer de mama? ( )sim ( )não ( )NSA )sim. Quem?________________ 14. Você fuma? ( ) não ( ) sim .Que tipo de cigarro?___________________ 15. Quantos cigarros fuma por dia?________________ ( )NSA 16. Há quanto tempo fuma?______________________ ( )NSA 17. A Sra costuma consumir bebida alcoólica? ( ( )não )sim. Qual?___________________ 18. Quantas vezes por semana costuma usar bebida de álcool?_______________ 19. Que quantidade costuma tomar por dia? ____________ ( )NSA ( )NSA 20. Possui alguma outra doença, que não o câncer de mama? ( ) sim ( ) não Se sim, qual?__________________________________________________________ 21. Faz uso de alguma medicação de uso diário? ( ) sim ( ) não 54 65 Se sim, qual (is)?_______________________________________________________ DADOS DO PRONTUÁRIO MÉDICO: 22. Qual foi o estádio da patologia no momento do diagnóstico: ( ) estádio I ( ) estádio II 23.Resultado do ( ) estádio III ( ) estádio IV Anatomopatológico e Imunohistoquímica: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 24. Receptores hormonais: ( ) HER2 + ( )outro: _______ 25. Exames de Imagens: ( )Mamografia: ____________________________________________________________ ( )Tomografia: ____________________________________________________________ ( )Ecografia: ______________________________________________________________ ( )RX Tórax: ______________________________________________________________ ( ) Cintilografia óssea: ______________________________________________________ 26. Laboratório: DHL:_______ FA:________ 27. Número de aplicações de quimioterapia previstas: ( )1 ( )2 ( )3 ( )4 ( )5 ( )6 ( )7 ( )8 28. Qual esquema de tratamento? ( ) radioterapia ( ) quimioterapia:_____________________________________ AVALIAÇÃO LABORATORIAL : Pré- tratamento: HB___g/dl VCM: _______ RDW:______ LT______mm³ VCM: _______ RDW:______ LT______mm³ Plaquetas_____mm³ PDW: _______ Pós- tratamento: HB___g/dl Plaquetas_____mm³ PDW: _______ Dano DNA- Cometa:_________ 55 ANEXO 2 - QUESTIONARIO EORTC QLQ30 Nós estamos interessados em saber algumas coisas sobre você e sua saúde. Por favor, responda todas as questões circulando o número que melhor se aplica a você. Não existem questões certas ou erradas. A informação que você fornecer permanecerá estritamente confidencial. Por favor preencha suas iniciais: Sua data de nascimento (dia, mês, ano): Data de hoje (dia, mês, ano): 1. Você sente algum incômodo quando está Não, Um Mais ou Bastante nada pouco menos 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 1 2 3 4 fazendo atividades intensas, como carregar sacolas pesadas ou uma mala? 2. Você sente algum desconforto quando faz uma longa caminhada? 3. Você sente algum desconforto quando faz curtas caminhadas fora de sua casa? 4. Você precisa ficar na cama ou no sofá durante o dia? 5. Você precisa de ajuda para comer, se vestir, tomar banho ou ir ao banheiro? Na semana passada: 6. Você sentiu-se limitado no seu trabalho ou em suas atividades diárias? 67 56 7. Você sentiu-se limitado fazendo seus hobbies 1 2 3 4 8. Você teve respiração curta, rápida? 1 2 3 4 9. Você sentiu dor? 1 2 3 4 10. Você precisou descansar? 1 2 3 4 11. Você sentiu algum incômodo enquanto 1 2 3 4 12. Você se sentiu fraco? 1 2 3 4 13. Você sentiu falta de apetite? 1 2 3 4 14. Você sentiu náuseas? 1 2 3 4 15. Você vomitou? 1 2 3 4 16. Você teve constipação? 1 2 3 4 17. Você teve diarréia? 1 2 3 4 18. Você se sentiu cansado? 1 2 3 4 19. A dor interferiu em suas atividades diárias? 1 2 3 4 20.Você teve dificuldade de concentração em 1 2 3 4 ou outras atividades de lazer? dormia? atividades como ler jornal ou quando olhava televisão? 68 57 21.Você se sentiu tenso? 1 2 3 4 22. Você esteve preocupado? 1 2 3 4 23. Você se sentiu irritado? 1 2 3 4 24. Você se sentiu deprimido? 1 2 3 4 25. Você teve dificuldade de lembrar coisas? 1 2 3 4 27. Sua condição física ou tratamento médico 1 2 3 4 interferiram em suas atividades sociais? 28. Sua condição física ou tratamento médico 1 2 3 4 causaram dificuldades financeiras a você? Para as próximas questões, por favor, circule o número entre 1 e 7 que melhor se aplica a você 29. Como você classificaria sua saúde durante a semana passada? 1 2 3 4 5 6 Ruim 7 Excelente 30. Como você classificaria sua qualidade de vida durante a semana passada? 1 2 3 4 5 Ruim Fonte: http://www.eortc.belhome/qoL/Expl/QLQ.C30.html 6 7 Excelente 58 ANEXO 3- HÁBITOS ALIMENTARES E CONTROLE DE PESO 1.As questões seguintes referem-se à freqüência de consumo de alimentos de uma semana típica (habitual). Pense em todas as refeições e lanches que você habitualmente realiza. Inclua o que você comeu em casa, na escola, em restaurantes ou em qualquer outro lugar. a)Quantas vezes por semana você toma suco de frutas ou natural? (não inclua refresco ou bebidas artificiais) b)Quantas vezes você come frutas? (não incluaindo suco de frutas) c)Quantas vezes você come saladas verdes (alface ou outro) e legumes (tomate, cenoura, vagem, couve-flor etc)? (não considerar conservas) d)Quantas vezes você come batatas? (sem incluir batatas fritas ou chips) e)Quantas vezes você toma vezes você come refrigerantes? f)Quantas salgadinhos fritos(batatas fritas, chips, coxinhas, pastéis e outros)? g)Quantas vezes você come pizza, lasanha e outros alimentos com queijo ou molho branco? h)Quantas vezes você come docinhos, tortas, chocolate, biscoitos, bolachas ou balas? i)Quantas vezes você come feijão com arroz? j)Quantas vezes você come carne bovina?(OBS: Não considerar frango) l)Quantas vezes você come peixe? 1 vez 2a3 4a6 3 ou Nenhuma por vezes vezes 1 vez 2 vezes mais vez semana por por por dia por dia vezes semana semana por dia 59 70 2. Você está satisfeita com seu peso corporal? ( )sim ( )não, gostaria de aumentar ( )não, gostaria de diminuir 3. Você come enquanto assiste televisão ou usa computador? ( )sim ( )não ( )às vezes 4.Alguma vez já tomou remédio para emagrecer? ( )sim ( )não 5. Você para emagrecer, já provocou vômitos após as refeições? ( )sim ( )não Fonte: BURGOS M et al. Avaliação de indicadores bioquímicos de saúde de escolares usando espectroscopia no infravermelho: um estudo em Santa Cruz do Sul. 60 ANEXO 4- QUESTIONÁRIO INTERNACIONAL DE ATIVIDADE FÍSICA – IPAQ INICIAIS:_______________________________________________________ Data: ______/ _______ / ______ Idade : ______ Nós estamos interessados em saber que tipos de atividade física as pessoas fazem como parte do seu dia a dia. As perguntas estão relacionadas ao tempo que você gasta fazendo atividade física na ÚLTIMA semana. As perguntas incluem as atividades que você faz no trabalho, para ir de um lugar a outro, por lazer, por esporte, por exercício ou como parte das suas atividades em casa ou no jardim. Suas respostas são MUITO importantes. Por favor responda cada questão mesmo que considere que não seja ativo. Obrigado pela sua participação ! Para responder as questões lembre que: atividades físicas VIGOROSAS são aquelas que precisam de um grande esforço físico e que fazem respirar MUITO mais forte que o normal atividades físicas MODERADAS são aquelas que precisam de algum esforço físico e que fazem respirar UM POUCO mais forte que o normal Para responder as perguntas pense somente nas atividades que você realiza por pelo menos 10 minutos contínuos de cada vez. 1a Em quantos dias da última semana você CAMINHOU por pelo menos 10 minutos contínuos em casa ou no trabalho, como forma de transporte para ir de um lugar para outro, por lazer, por prazer ou como forma de exercício? dias _____ por SEMANA ( ) Nenhum 1b Nos dias em que você caminhou por pelo menos 10 minutos contínuos quanto tempo no total você gastou caminhando por dia? horas: ______ Minutos: _____ 2a. Em quantos dias da última semana, você realizou atividades MODERADAS por pelo menos 10 minutos contínuos, como por exemplo pedalar leve na bicicleta, nadar, dançar, fazer ginástica aeróbica leve, jogar vôlei recreativo, carregar pesos leves, fazer serviços domésticos na casa, no quintal ou no jardim como varrer, aspirar, cuidar do jardim, ou qualquer atividade que fez aumentar moderadamente sua respiração ou batimentos do coração (POR FAVOR NÃO INCLUA CAMINHADA) dias _____ por SEMANA ( ) Nenhum 61 72 2b. Nos dias em que você fez essas atividades moderadas por pelo menos 10 minutos contínuos, quanto tempo no total você gastou fazendo essas atividades por dia? horas: ______ Minutos: _____ 3a Em quantos dias da última semana, você realizou atividades VIGOROSAS por pelo menos 10 minutos contínuos, como por exemplo correr, fazer ginástica aeróbica, jogar futebol, pedalar rápido na bicicleta, jogar basquete, fazer serviços domésticos pesados em casa, no quintal ou cavoucar no jardim, carregar pesos elevados ou qualquer atividade que fez aumentar MUITO sua respiração ou batimentos do coração. dias _____ por SEMANA ( ) Nenhum 3b Nos dias em que você fez essas atividades vigorosas por pelo menos 10 minutos contínuos quanto tempo no total você gastou fazendo essas atividades por dia? horas: ______ Minutos: _____ Estas últimas questões são sobre o tempo que você permanece sentado todo dia, no trabalho, na escola ou faculdade, em casa e durante seu tempo livre. Isto inclui o tempo sentado estudando, sentado enquanto descansa, fazendo lição de casa visitando um amigo, lendo, sentado ou deitado assistindo TV. Não inclua o tempo gasto sentando durante o transporte em ônibus, trem, metrô ou carro. 4a. Quanto tempo no total você gasta sentado durante um dia de semana? ______horas ____minutos 4b. Quanto tempo no total você gasta sentado durante em um dia de final de semana? ______horas ____minutos Fonte: www.celafiscs.com.br IPAQ Internacional: www.ipaq.ki.se 62 ANEXO 5- NORMAS PARA PUBLICAÇÃO DA REVISTA CLINICS Períodico: Clinics – Qualis B2 (em atualização) Instruções aos autores A Clinics publica artigos de interesse para clínicos e pesquisadores em ciências médicas. Todos os ensaios iniciados após 01 de janeiro de 2012 devem ser registrados, prospectivamente, (antes do recrutamento dos pacientes começar) em um registro de acesso público. Ensaios iniciados antes de 01 de janeiro de 2012 deve ser registrado antes do envio para nossas revistas. Veja o FAQ ICMJE relação ao registro julgamento para obter mais detalhes. Visite http://www.who.int/ictrp/network/list_registers/en/index.html para a lista da OMS de registros aprovados. Clinics sugere: http://www.clinicaltrials.gov/ como um site amigável. A Clinics usa um modelo de gestão onde as despesas são recuperadas em parte, pela cobrança de uma taxa de publicação para os autores ou patrocinadores de pesquisa para cada artigo publicado. Manuscritos que envolvam seres humanos ou o uso de animais de laboratório devem indicar claramente a adesão, orientação e aprovação de protocolos por seus conselhos de ética e revisão institucional. Fotografias que possam identificar pacientes ou outros participantes humanos de estudos serão aceitas somente quando um termo de consentimento legalmente válido for assinado pelo paciente participante ou seu representante legal. Os manuscritos devem ser digitalizados através de Word * Doc e enviado on-line em Inglês. Os autores são aconselhados a submeter o manuscrito em sua forma final a um corretor ortográfico para Inglês (EUA). As inscrições com ortografia excessiva ou erros de sintaxe, bem como artigos em que o significado não é suficientemente claro serão devolvidos para correção. Os autores também são aconselhados a utilizar abreviaturas com moderação para evitar jargões e melhorar a legibilidade do manuscrito. Todas as abreviaturas devem ser definidas na primeira vez em que são utilizadas. Apenas termos ou expressões que são usados pelo menos 5 vezes ao longo do texto devem ser abreviados. Estudo original: Três seções são oferecidas: pesquisa básica, clínica e cirúrgica. Estudos originais devem obedecer o formato abaixo: Página de título: Título (até 250 caracteres);Título resumido (até 40 caracteres, letras e espaços); Endereço completo do autor correspondente apenas. Os nomes dos autores (sem 63 74 títulos ou graus). Os autores devem ter participado suficientemente no trabalho para assumir responsabilidade pública para partes apropriadas do conteúdo. Essa participação deve ser declarado nesta seção. Manuscrito: -Resumo: Os resumos estão limitados a 250 palavras e estruturado em objetivos, método, resultados e conclusões. Citações ou abreviaturas (exceto abreviaturas reconhecidas internacionalmente, tais como pesos, medidas e abreviaturas físicas ou químicas) não são permitidas. Os autores são aconselhados a não apresentar a informação estatística numérica, mas apenas indicar o que é significativamente diferente (ou não) entre os parâmetros descritos. -Palavras-chave: 3-6 itens do Medical Subject Headings (MeSH) deve ser usado. Introdução: A introdução deve definir o objetivo do estudo, fornecer um breve resumo de estudos anteriores relevantes e os novos avanços na investigação atual. A introdução não deve incluir dados ou conclusões do trabalho que está sendo relatado. A última frase que resume o novo achado a ser apresentado é permitida. -Materiais e Métodos: Esta seção deve dar informações claras e suficientes para permitir que o estudo seja repetido por outros. Técnicas padronizadas só precisam ser referenciadas. Métodos publicados anteriormente podem ser brevemente descritos na sequência da referência. -Ética: Ao relatar experimentos com seres humanos, indicar se os procedimentos estavam de acordo com os padrões éticos do comitê responsável por experimentação humana (institucional ou regional) e com a Declaração de Helsinki de 1975, que foi revisto em 1983. Resultados: A seção de resultados deve ser um relato conciso da nova informação descoberta, com o mínimo julgamento pessoal. Não repetir no texto todos os dados das tabelas e ilustrações, mas brevemente descrever o que estes dados abrangem. -Discussão: A discussão deve incluir o significado da nova informação e relevância das novas descobertas à luz do conhecimento existente. Somente as citações indispensáveis devem ser incluídas. -Agradecimentos: Esta seção deve ser curta, concisa e restrita. -Referências no texto: Adotam o formato Vancouver. Cite as referências no texto com algarismos arábicos na ordem de aparecimento, entre parênteses, (1) após a palavra anterior, com espaçamento como neste exemplo: "Diabetes (2), hipertensão (3,4) e alcoolismo (5-9 ) são problemas médicos complexos (10) "Em circunstâncias excepcionais, os nomes dos autores podem aparecer no texto: autor único". 64 75 -Lista de Referência: Somente citações que aparecem no texto devem ser referenciadas. Trabalhos não publicados, a menos que aceito para publicação, não devem ser citados. O trabalho que está aceito para publicação devem ser citados como "no prelo" e uma carta de aceitação da revista deverá ser fornecida. Dados não publicados devem ser apenas citados no texto como "observações não publicadas", e uma carta de permissão do autor deve ser fornecida. Os autores são responsáveis pela exatidão e integridade das suas referências e de citações de texto correto. As referências devem ser restritas a trabalhos publicados ou resumos que foram aceitos para publicação. Normalmente, o número total de referências não deve exceder 35. Para até 6 autores, listar todos os autores. Por mais de 6 autores, listar 6 primeiros autores, seguido por "et al". -Tabelas e Figuras: O número máximo de tabelas e / ou figuras é de 6 tabelas e / ou figuras. Tabelas: Carregar cada tabela individualmente no sistema. As tabelas devem ser construídas usando o recurso de tabela no processador de texto ou usando um programa de planilhas como o Excel. As tabelas devem ser numeradas em ordem de aparição no texto, com algarismos arábicos. Cada tabela deve ter um título e uma legenda explicativa, se necessário. Todas as tabelas devem ser referenciadas e brevemente descritas no texto. Sob nenhuma circunstância deve-se repetir alguns dados da tabela que são apresentados em uma ilustração. Medidas estatísticas de variação (ou seja, desvio padrão ou erro padrão) devem ser identificadas, e casas decimais em dados tabulares deve ser restrito às pessoas com significância estatística e matemática. Figuras: Fotografias, ilustrações, gráficos, desenhos, etc são todos definidos como figuras. Numerar cada figura consecutivamente com algarismos arábicos em ordem de aparição e carregá-las individualmente para o sistema. A legenda deve ser descritiva e permitir o exame da figura sem referência ao texto. As imagens devem ser de qualidade profissional e enviados como arquivos *. Tiff. Anotações datilografadas ou números gerados por impressoras matriciais são inaceitáveis. Geralmente, as figuras serão reduzidas para ajustar uma coluna de texto. A ampliação real de todas as fotografias devem ser fornecidas, de preferência pela colocação de uma barra de escala na impressão. Gráficos nunca deve ser enviado como * Ilustrações jpeg. Nós recomendamos preparar gráficos como arquivos de Excel ® e copiar esses arquivos em Word *. Folha doc. Comentários: Os autores devem utilizar este espaço para descrever a novidade de seu estudo original. Somente o editor de Clinics tem acesso a essa seção da apresentação.