1
INDICADORES REGIONAIS DE PREÇOS AO
CONSUMIDOR: ÍNDICE DA CESTA BÁSICA MUNICIPAL
Gustavo Henrique Naves Givisiez
Universidade Federal Fluminense
[email protected]
Murilo Arruda Sabino de Souza
Universidade Federal Fluminense
Assis Rangel Leandro
Universidade Federal Fluminense
A produção contínua e sistemática de índices de preços ao consumidor tem por
objetivo o acompanhamento da variação dos preços relativos de um conjunto
de produtos e serviços. Entretanto, a abrangência geográfica desses índices
limita-se a algumas regiões metropolitanas do país. O presente artigo é um
relato parcial das atividades do projeto de pesquisa, de mesmo título, cujo
objetivo é coletar, processar e divulgar índices para a variação mensal da cesta
básica alimentar, para a área urbana do município de Campos dos Goytacazes.
O planejamento da pesquisa envolve a ponderação de tipos de
estabelecimentos e a listagem de tipos de estabelecimentos e de produtos,
com principais marcas e unidades de medida. Neste artigo são definidos
conceitos úteis para a concepção de uma cesta básica municipal e são
definidos os produtos que irão compor a cesta, com base em dados da
pesquisa de orçamento familiares. Os principais achados sugerem que em
etapas futuras, o projeto de pesquisa deverá considerar a adoção de uma
Cesta Alimentar Ampliada, acrescentando outros produtos além daqueles
listados na Cesta Básica Nacional, instituída legalmente em 1938.
Trabalho apresentado no 4º Seminário de pesquisa do Instituto de Ciências da Sociedade e
Desenvolvimento Regional, da Universidade Federal Fluminense - UFF, realizado em Campos
dos Goytacazes, RJ, Brasil, em março de 2010
2
INTRODUÇÃO
A produção contínua e sistemática de índices de preços ao consumidor tem por
objetivo o acompanhamento da variação dos preços relativos de um conjunto
de produtos e serviços. Para esse fim, o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística – IBGE é responsável pelo gerenciamento do Sistema Nacional de
Preços ao Consumidor – SNIPC, que produz e divulga, desde 1979, índices
nacionais de preços ao consumidor.
Os principais indicadores produzidos pelo SNIPC são o Índice Nacional de
Preços ao Consumidor - INPC e pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor
Amplo – IPCA, que têm como unidade de coleta os estabelecimentos
comerciais e de prestação de serviços, as concessionárias de serviços públicos
e os domicílios. Entretanto, a abrangência geográfica desses índices limita-se a
algumas regiões metropolitanas do país e aos municípios de Brasília e Goiânia.
Dessa forma, o SNIPC não abrange as cidades localizadas em cidades e
regiões do interior do país.
O presente artigo é um relato parcial das atividades do projeto de pesquisa
vinculado ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica - PIBIC
da Universidade Federal Fluminense – UFF. O projeto de pesquisa, de mesmo
título, tem por objetivo coletar, processar e divulgar índices para a variação
mensal da cesta básica alimentar, para a área urbana do município de Campos
dos Goytacazes. Cesta básica é o conjunto de produtos essenciais utilizados
por uma família durante um mês, que se constitui de gêneros alimentícios,
produtos de higiene pessoal e limpeza. A proposta, do citado projeto de
pesquisa, é, além de estimar indicadores da cesta de alimentos para a área
urbana da sede do município, divulgá-los de forma sistemática na mídia local e
regional.
Dessa forma, o presente trabalho descreve as etapas iniciais da pesquisa, que
se encontra em fases preliminares de elaboração. Neste artigo serão
apresentados conceitos preliminares e serão estimadas proporções dos
produtos que irão compor a cesta básica do município, com base em dados da
Pesquisa de Orçamento Familiares de 2008, para o estado do Rio de Janeiro.
O artigo está estruturado em quatro seções, além desta, que abordam, nessa
ordem, a revisão teórica sobre o tema, a metodologia aplicada no levantamento
das proporções, os resultados encontrados e as considerações finais.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS E MÉTODOS
A estimativa do custo de uma cesta básica baseia-se, de fato, no cálculo de um
“número índice” que será atualizado, no caso do projeto em questão,
mensalmente. Os “números índice”, ou, simplesmente, “índices” “são
proporções estatísticas, geralmente expressas em percentagens concebidas
para comparar as situações de um conjunto de variáveis em épocas e
localidades diversas” (Hoffmann, 2006). Sendo assim, em outras palavras, os
3
índices indicam a variação relativa no preço, na quantidade ou no valor entre,
por exemplo, um ponto anterior no tempo (período base) e o período corrente.
Os “índices simples” são aqueles que analisam apenas as variações de um
produto e, por outro lado, aqueles que envolvem um grupo de produtos são
chamados de “índices compostos” (Stevenson, 1981). A cesta básica alimentar,
a ser calculado no projeto de pesquisa relatado neste artigo, corresponde a um
índice composto, pois se refere a um conjunto de produtos utilizados por uma
família.
Há três classificações de números índice: índice de preço, índice de quantidade
e índice de valor. O índice de preço refere-se à variação do preço dos
produtos, mantendo-se inalterada a quantidade dos produtos. O índice de
quantidade, por sua vez, considera apenas a variação das quantidades
consumidas, mantendo-se fixo o preço dos produtos. Por fim, o índice de valor
considera a variação das quantidades e dos preços simultaneamente. Nota-se
que o problema em determinar as variações nos preços para um grupo de
artigos é que, usualmente, além das variações de preços, ocorrem variações
nas quantidades (Stevenson, 1981). Assim, para analisar apenas as variações
nos preços, a exemplo das variações do custo da Cesta Básica Alimentar
Municipal, as variações das quantidades devem ser eliminadas. Uma das
formas de eliminar essa variação é fazer com que as quantidades no período
base sejam exatamente iguais às do período corrente. A fórmula para um
índice de preços composto é dado pela equação apresentada a seguir:
(1)
Considerando que:
e
Preços e quantidades no período base
e
Preços e quantidades no período corrente
Dessa forma, a primeira etapa para a definição de uma Cesta Básica refere-se
à definição de quais produtos devem compô-la e as suas respectivas
quantidades. Entretanto, a definição de uma lista de produtos não é uma tarefa
óbvia, pois essa definição pode ter diversas finalidades distintas. Com a
alteração da região de moradia do consumidor, do padrão de consumo, dentre
outras características, alteram-se critérios, quantidades e metodologias.
Barretto, Cyrillo e Cozzolino (1998) definem dois processos de construção de
“cestas de alimentos”, com características distintas: um baseado no
levantamento da demanda das famílias e outro baseado no consumo calórico.
Os processos de estimativa derivados da observação direta do consumo dos
domicílios baseiam-se em pesquisas amostrais a exemplo da Pesquisa de
Orçamentos Familiares – POF, sistematizada pelo Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística – IBGE. A partir desse tipo de levantamento de dados,
determinam-se os principais componentes da dieta das famílias, em média, em
certa região e período. O pressuposto desse processo de construção é que as
escolhas de consumo dos indivíduos são baseadas na racionalidade
econômica de maximização do bem-estar, a partir da renda disponível e dos
preços vigentes (Barretto, Cyrillo e Cozzolino,1998).
Outros processos de construção de uma cesta de alimentos consideram que o
consumo alimentar verificado nas populações não são indicadores seguros de
4
nutrição saudável. Essas outras cestas de alimentos procuram suprir, mesmo
que parcialmente, recomendações nutricionais baseadas no campo da saúde
pública e nutrição (Barretto, Cyrillo e Cozzolino,1998). Sendo assim, na
construção dessas cestas alimentares considera-se uma alimentação
“desejável” e, no processo descrito anteriormente, considera-se a alimentação
“realizada”. Análises mais aprofundadas podem ainda considerar cestas
alimentares específicas, elencando, por exemplo, alimentos orgânicos,
dietéticos, hiper e hipocalóricos, dentre outros.
A “cesta básica DIEESE e PROCON” trata-se de um cesta formada a partir da
Pesquisa de Padrão de Vida e Emprego - PPVE, realizada no Município de São
Paulo, e relaciona produtos de alimentação, higiene e limpeza doméstica. Essa
cesta baseia-se no consumo mensal de uma família de quatro indivíduos e com
renda total é de 10,3 salários-mínimos e, para a cesta alimentar, são definidos
22 produtos, listados na tabela 1.
Tabela 1
Lista de produtos que compõe a Cesta básica DIEESE e PROCON. Município de São Paulo,
Brasil.
1 Arroz
15,0 kg
12 Extrato de tomate
0,7 kg
2 Feijão
4,0 kg
13 Óleo de Soja
4,5 l
3 Açúcar
10,0 kg
14 Leite em pó integral
1,5 kg
4 Café em pó
1,5 kg
15 Macarrão com ovos
2,0 kg
5 Farinha de trigo
3,0 kg
16 Biscoito Maisena
0,8 kg
6 Farinha de mandioca
0,5 kg
17 Carne de primeira
3,0 kg
7 Batata
4,0 kg
18 Carne de segunda
4,0 kg
8 Cebola
1,0 kg
19 Frango resfriado inteiro
5,0 kg
9 Alho
0,2 kg
20 Salcicha avulsa
0,5 kg
10 Ovos Brancos
3,0 dz
21 Lingüiça fresca
0,3 kg
11 Margarina
1,0 kg
22 Queijo Muzzarela fatiado
0,5 kg
Fonte: DIEESE 2011 (http://www.dieese.org.br/procon/030626.xml)
A Cesta Básica Nacional foi definida legalmente pelo decreto-lei nº 399, de
1938, ainda em vigor (tabela 1), e tinha por objetivos lastrear os cálculos do
Salário Mínimo. A escolha de produtos que compõe a cesta alimentar, instituída
em 1938, varia em quantidade de acordo com a região do país. Essa variação
associa-se ao estilo de vida local, padrão de consumo, disponibilidade de
alimentos. Embora a existência de uma legislação nacional que defina de forma
hermética os produtos alimentares de uma família possa ser questionada, a
padronização de critérios nacionais sobre o tema viabiliza a construção de
indicadores comparáveis em todo o território nacional e em vários períodos do
tempo. Dessa forma, os índices de cesta básica têm sido calculados por várias
instituições, a exemplo de SEI/BA, DIEESE, IPEAD/UFMG, UNIMONTES, UFV,
dentre outros.
5
Tabela 2
Lista de produtos que compõe a Cesta Básica Nacional definida pelo Decreto Lei nº 399, de
1938. Brasil.
Unidades de
Grupo de Alimentos
medida
Região 1
Região 2
Região 3
Carnes
Kg
6,00
4,50
6,60
Leite e derivados
L
7,50
6,00
7,50
Feijão
Kg
4,50
4,50
4,50
Arroz
Kg
3,00
3,60
3,00
Farinhas
Kg
1,50
3,00
1,50
Batata
Kg
6,00
6,00
Tomate
Kg
9,00
12,00
9,00
Pães e similares
Kg
6,00
6,00
6,00
Café em pó
Kg
0,60
0,30
0,60
Banana
Unidade
90
90
90
Açúcar
Kg
3,00
3,00
3,00
Óleos
L
0,75
0,75
0,90
Manteiga
Kg
0,75
0,75
0,75
Notas: Região 1: SP, MG, ES, RJ, GO e DF; Região 2: PE, BA, CE, RN, AL, SE, AM, PA, PI,
TO, AC, PB, RO, AM, RR e MA e Região 3: PR, SC, RS, MT e MS
Fonte Dieese (2009)
A comparação, entre a cesta básica definida pelo DIEESE para o município de
São Paulo Nacional (tabela 1) e a Cesta Básica Nacional (Tabela 2), revela
diferenças substanciais. Excetuando-se as carnes, nota-se que a concepção da
cesta alimentar do DIEESE privilegia produtos não perecíveis, enquanto a
Cesta Nacional não faz essa escolha prévia. Mas, a Cesta Alimentar do
DIEESE elenca um maior leque de produtos em quantidades maiores na
maioria dos produtos vários produtos: óleos, arroz, açúcares, farinhas, cafés,
carnes e manteiga (Tabela 3).
Tabela 3
Comparação entre as quantidades de produtos que compõe a Cesta Básica Nacional definida
pelo Decreto Lei nº 399, de 1938 e a Cesta Básica Alimentar do DIEESE. Brasil.
Razão:
Grupo de
Unidades de
Região 1
DIEESE
DIEESE /
Alimentos
medida
Região 1
Carnes
Kg
6
12,8
2,13
Feijão
Kg
4,5
4,0
0,89
Arroz
Kg
3
15,0
5,00
Farinhas
Kg
1,5
5,5
3,67
Batata
Kg
6
4,0
0,67
Café em pó
Kg
0,6
1,5
2,50
Açúcar
Kg
3
10,0
3,33
Óleos
L
0,75
4,50
6,00
Manteiga
Kg
0,75
1,00
1,33
Fonte Dieese (2009) e DIEESE (2011)
Em que pese essas substanciais diferenças, a Cesta Básica Nacional, definida
pelo decreto lei de 1938, será utilizada como referência para as estimativas de
variação de preços nessa primeira etapa deste projeto. As justificativas para
essa escolha relacionam-se à maior simplicidade de aplicação e à inexistência
de uma pesquisa regional de hábitos de consumo. Entretanto, mesmo que as
quantidades de produtos sejam fixas, a definição de quais produtos deve
compor cada item da lista, e suas respectivas quantidades, não é uma tarefa
trivial. Não é definido, de forma objetiva, quais os tipos de carnes, farinhas e
6
pães, por exemplo, compõem seus respectivos itens de consumo: variações
expressivas nas quantidades de cada tipo desses produtos poderiam alterar os
indicadores de preço. Sendo assim, na seqüência deste trabalho serão
definidos, por meio de dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares - POF
2007-2008, quais produtos farão parte da Cesta Básica de Alimentos de
Campos.
A ponderação de produtos e determinação de pesos de cada alimento que irá
compor cada item da Cesta Básica considerou os valores monetários dos
produtos adquiridos pelos domicílios do Estado do Rio de Janeiro, segundo os
dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares - POF 2007-2008. Ou seja, o
pressuposto é que as distribuições observadas no estado são as mesmas do
município de Campos, pressuposto necessário, dada a inexistência de dados
regionais sobre o consumo alimentar das famílias.
A seleção dos tipos de produtos mais comuns em cada item pertencente à
cesta básica foi feita no programa SPSS, onde foram geradas freqüências que
determinaram a quantidade de cada produto ponderada pelos valores
monetários. Os valores relativos de cada tipo de produto consumido serão
utilizados na ponderação dos preços coletados no mercado. Por fim, foi
elaborada uma tabela que sintetiza o levantamento de dados e as proporções
que serão utilizadas como referência na estimativa final do custo da cesta
básica de Campos.
RESULTADOS
Obviamente, foram encontradas diferenças entre os hábitos de consumo e os
produtos da cesta básica definida no decreto-lei. Ainda que os produtos e as
quantidades tenham sido mantidos ao longo do tempo, pequenas adaptações
serão realizadas neste trabalho. A tabela 4, a seguir, apresenta os grupos de
produtos dos quais não foram encontrados mais de um tipo e que, por esse
motivo, não irão demandar ponderação interna. A batata a ser considerada na
Cesta Municipal será a batata inglesa, uma vez que ela representa 96,7% dos
tipos de batatas consumida pelos domicílios fluminenses (tabela 4). No caso
dos pães, o pão francês e o pão de sal, considerados por este trabalho como o
mesmo produto, representam 94,4% dos tipos de pães consumidos. Por fim, o
tipo de café mais consumido é café em pó comum. A tabela 3 estima que
44,3% do consumo é de “café moído”, 39,3% de “pó de café” 14,6% de “café
em pó”, entendidos como produtos similares, que totalizam 98,2% do total do
café consumido.
7
Tabela 4
Percentual de consumo em valores monetários por tipo de Batatas, Pães e Cafés. Estado do
Rio de Janeiro, 2008-2009
Batatas
Distribuição Percentual
TIPO
Observada
Ponderada
BATATA INGLESA
96,7
96,8
BATATA LISA
2,0
2,0
BATATINHA
0,6
0,6
BATATA PORTUGUESA
0,4
0,4
BATATA BRANCA
0,2
0,2
Total
99,9
100,0
Pães
Distribuição Percentual
TIPO
Observada
Ponderada
PAO FRANCES
85,2
88,9
PAO DE SAL
9,2
9,6
MINI PAO FRANCES
1,4
1,5
Total
95,8
100,0
Cafés
Distribuição Percentual
TIPO
Observada
Ponderada
CAFE MOIDO
44,3
45,1
PO DE CAFÉ
39,3
40,0
CAFE EM PO
14,6
14,9
Total
98,2
100,0
Fonte: POF 2008
O tomate mais utilizado é o tomate sem especificação, que apresenta mais de
96% de consumo (Tabela 5). Não é possível afirmar, com certeza, qual o tipo
desse tomate, embora a suposição mais óbvia é que seja o tomate comum,
vendido em estabelecimentos que comercializam hortifrutigranjeiros.
Provavelmente, os tomates sem especificação originem-se, de fato, dos
cultivares Longa Vida, Santa Cruz, Santa Clara ou Débora, cultivados pela
maioria dos produtores de tomates no Brasil e que possuem custo de produção
similar (ABH, 2011). Os outros tipos de tomates definidos somados não
apresentam 5% do consumo.
Tabela 5
Percentual de consumo em valores monetários por tipo de Tomates. Estado do Rio de Janeiro,
2008-2009
Tomates
Distribuição Percentual
TIPO
Observada
Ponderada
TOMATE
96,1
96,3
TOMATE PAULISTA
0,2
0,2
TOMATE CAQUI
0,5
0,5
TOMATE CEREJA
1,0
1,0
TOMATE ORGANICO
2,0
2,0
Total
99,8
100,0
Fonte: POF 2008
A tabela 6, na seqüência, lista produtos que apresentaram uma proporção não
desprezível de tipos de produtos não especificados, no caso, as bananas e
feijões. No caso das bananas, o tipo não especificado corresponde a 11,8% e,
para os feijões, esse percentual é de 15,6%. Excluindo-se os tipos não
8
especificados a banana prata corresponderia a 82,7% das bananas
consumidas e o feijão preto, a 95% dos feijões consumidos no estado do Rio
de Janeiro. Mesmo com o considerável consumo de banana sem especificação
e d’água, as pesquisas da POF, apresentam o elevado número do consumo da
banana prata, por isso este produto ser escolhido para representar a banana.
Diante desses números, os critérios adotados para o cálculo da Cesta Básica
Campista utilizarão a Banana Prata, como representante das bananas e o
Feijão Preto, como representante dos feijões.
Adicionalmente, no caso das bananas, a Cesta Básica Nacional especifica que
o consumo mensal das famílias é de “90 unidades”. A comercialização de
produtos, por unidades e dúzias, era prática comum nos comércios brasileiros
e certamente era a forma comumente utilizada à época do decreto lei que
instituiu a Cesta Básica Nacional. Nesse sentido, adotar-se á que uma dúzia de
banana prata pesa ente 1,2 kg e 1,4 kg (Brasil, 2011 e Ceplac, 2011), ou seja,
90 unidades de bananas equivalem, aproximadamente, a 10 quilos de
bananas.
Tabela 6
Percentual de consumo em valores monetários por tipos de bananas e feijões. Estado do Rio
de Janeiro, 2008-2009
Bananas
Distribuição Percentual
TIPO
Observada Ponderada
BANANA PRATA
67,4
82,7
BANANA D'ÁGUA
8,5
10,4
BANANA NANICA
3,7
4,5
BANANA DA TERRA
1,9
2,3
BANANA (NAO-ESPECIFICADA)
9,2
BANANA NAO-ESPECIFICADA
2,6
Total
93,3
100,0
Feijão
Distribuição Percentual
TIPO
Observada Ponderada
FEIJAO PRETO
76,6
95,0
FEIJAO CARIOQUINHA
2,7
3,3
FEIJAO CARIOCA
1,3
1,6
FEIJAO (NAO-ESPECIFICADO)
15,6
Total
96,2
100,0
Fonte: POF 2008
No caso dos açúcares, os tipos escolhidos para compor a cesta básica de
Campos dos Goytacazes foram o açúcar refinado e o açúcar cristal, que
representam 75,4% do consumo de açúcares dos domicílios fluminense
(Tabela 7). Pelos critérios a serem adotados nos cálculos da cesta básica de
Campos, o levantamento dos custos considerará que 25% do açúcar (ou 0,75
kg) é adquirido pelas famílias na forma de açúcar cristal e 75% (ou 2,25 kg) na
forma refinada. Adicionalmente, nota-se que os adoçantes representam 9,3%
do consumo monetário nos domicílios e, outros produtos – a exemplo de
chocolate em pó, balas, barras de cereais, geléias e outros – somam, de forma
pulverizada, 15,3%. Seria válido considerar a quantidade consumida de
adoçantes, entretanto, não é possível precisar, com os dados disponíveis, as
quantidades de adoçantes uma vez que os pesos de açúcares e adoçantes não
são diretamente comparáveis.
9
Tabela 7
Percentual de consumo em valores monetários por tipos de açúcares, Estado do Rio de
Janeiro, 2008-2009
Açúcares
Distribuição Percentual
TIPO
Ponderada
Observada
Só açúcares
Todos
AÇUCAR REFINADO
56,1
74,4
66,2
AÇUCAR CRISTAL
19,3
25,6
22,8
Subtotal
75,4
100,0
89,0
ADOCANTE
9,3
11,0
Total
84,7
100,0
Fonte: POF 2008
A tabela 8, a seguir, apresenta a distribuição percentual dos tipos de arroz
consumidos no estado do Rio de Janeiro. Essas estimativas apontam para o
tipo não-especificado, com 26% de consumo. Os demais produtos são os
denominados: Arroz Polido, com 4,9%; o Arroz Branco, com 23,2%; o Arroz
Agulhinha, com 15,4% e o Arroz Parboilizado, com 21,5%. Todavia a escolha
do arroz Agulhinha e do Arroz Branco como produtos para compor a cesta
básica estaria incorreta, uma vez que o Arroz Branco e o Arroz Agulhinha são
denominações genéricas do Arroz Polido (AAA, 2011). Dessa forma, os valores
encontrados foram ponderados considerando a existência, apenas, do Arroz
Polido e do Arroz Parboilizado que passaram a representar, 66,9% e 33,1%,
respectivamente. Por fim, Pelos critérios a serem adotados nos cálculos da
cesta básica de Campos, o levantamento dos custos considerará que 33% do
arroz (ou 1,0 kg) é adquirido na forma parbolizada, pelas famílias do município,
e 67% (ou 2,0 kg) é adquirido na forma polida. Adotar-se-á o agulhinha tipo 1,
como referência de tamanho do grão, uma vez que é considerado o mais
comum na mesa brasileira (AAA, 2011).
Tabela 8
Percentual de consumo em valores monetários por tipos de arroz, Estado do Rio de Janeiro,
2008-2009
Arroz
Distribuição Percentual
Ponderada
TIPO
Observada
Polido e
Todos
Parbolizado
ARROZ POLIDO
4,9
7,5
ARROZ BRANCO
23,2
35,7
66,9
ARROZ AGULHINHA
15,4
23,7
ARROZ PARBOILIZADO
21,5
33,1
33,1
ARROZ (NAO-ESPECIFICADO)
26,0
Total
91,0
100,0
100,0
Fonte: POF 2008
O consumo de óleo pela população é representado principalmente pelo óleo de
soja e pelo o azeite (tabela 9). Segundo dados da POF 2008, para o Estado do
Rio de Janeiro, os tipos de azeites somados apresentam 33,9%% do consumo
de óleos e o óleo de soja, por sua vez, representa 64,7% do consumo. Para
efeito de estimativa da cesta básica de Campos, adotar-se-á que 66,7% (ou
0,50 litro) dos óleos adquiridos pelas famílias é de soja e 33,3% (ou 0,25 litro) é
azeite de oliva extra virgem.
10
Tabela 9
Percentual de consumo em valores monetários por tipos de arroz, RJ, 2008-2009
Óleos e Azeites
Distribuição Percentual
Ponderada
TIPO
Observada
Soja e
Todos
Azeites
OLEO DE SOJA
64,7
64,7
65,6
AZEITE DE OLIVA
26,5
26,5
AZEITE EXTRA VIRGEM
3,7
3,7
34,4
AZEITE IMPORTADO DE OLIVA
3,4
3,4
AZEITE VERDE
0,3
0,3
AZEITE COMPOSTO DE OLIVA E OLEO DE SOJA
1,4
1,4
Total
100,0
100,0
100,0
Fonte: POF 2008
A manteiga e a margarina apresentam uso similar no Brasil, e, por isso, o
consumo desses dois produtos foi estimado e comparado para a compsição da
cesta básica municipal. Essa comparação visava estimar as quantidades
consumidas de margarina, que como constatado, suspeitava-se ser maior que
de manteiga (Tabela 10). O total consumido de manteiga e margarina
corresponde a 20,9% e 76,4%, respectivamente. Dessa forma, desprezando as
proporções de produtos light e diet, adotar-se-á que o item Manteigas na Cesta
Básica Municipal, será composto de 20% (150 g) de manteiga e 80% (600 g)
de margarinas.
Tabela 10
Percentual de consumo em valores monetários por tipos de manteigas e margarinas, Estado do
Rio de Janeiro, 2008-2009
Manteigas e margarinas
Distribuição Percentual
TIPO
Observada Ponderada
MANTEIGA
20,9
21,5
MARGARINA
76,4
78,5
MANTEIGA LIGHT OU DIET
0,4
MARGARINA LIGHT OU DIET
2,3
100,0
100,0
Fonte: POF 2008
A tabela 11 apresenta a distribuição percentual de 85% dos leites e derivados
consumidos pelos domicílios fluminenses e nota-se que o consumo de leites e
derivados está pulverizado entre leites, queijos e iogurtes. Entretanto, a cesta
básica nacional considera o consumo de 7,5 l de leite e essa unidade de
medida (litros) não é comparável diretamente com os queijos e iogurtes e,
dessa forma, apenas o leite será utilizado como referência da Cesta Municipal.
Para a estimativa da Cesta Básica Alimentar de Campos, adotar-se-á que 80%
(ou 6,0 litros) dos leites adquiridos pelas famílias é integral e 20% (ou 1,5 litros)
é desnatado.
11
Tabela 11
Percentual de consumo em valores monetários por tipos de manteigas e margarinas, Estado do
Rio de Janeiro, 2008-2009
Leites e derivados
Distribuição Percentual
TIPO
Ponderada
Observada
Todos
Leites
LEITE INTEGRAL
37,2
43,7
82,0
LEITE DESNATADO
8,2
9,6
18,0
IOGURTE
10,1
11,9
QUEIJO PRATO
6,0
7,1
MUZZARELLA
6,9
8,1
QUEIJO MINAS
12,6
14,8
REQUEIJÃO
4,1
4,9
85,1
100,0
100,0
Fonte: POF 2008
As carnes escolhidas para composição da cesta básica do município baseouse na combinação entre carne de boi e carne de aves. Como apresentado na
tabela 12, o consumo de carne de boi é a mais significante no consumo dos
domicílios, com 51,9% do total das carnes. As carnes de aves, de peixes e
suína, representam 30,2%, 11,2% e 6,8%, nessa ordem, do total consumido
pelos domicílios fluminenses. Com base nesses dados, optou-se por adotar
carnes de boi e aves, nas proporções de 60% e 40%, respectivamente, para
ponderação das carnes na cesta básica de Campos dos Goytacazes.
Considerando que a Cesta Básica Nacional estabelece 6,0 kg de carnes como
consumo mensal, a estimativa do custo da cesta municipal considerará 3,6 kg
de carne bovina e 2,4 kg de carne de aves.
Tabela 12
Percentual de consumo em valores monetários por tipos de carnes, Estado do Rio de Janeiro,
2008-2009
Carnes
Distribuição Percentual
TIPO
Observada
Ponderada
CARNE BOVINA
51,9
63,2
CARNE SUÍNA
6,8
PEIXES
11,2
AVES
30,2
36,8
100,0
100,0
Fonte: POF 2008
Na seqüência, a tabela 13 apresenta a distribuição percentual por tipos de
carnes de boi e de aves consumidos. Considerando que na etapa anterior foi
definido que a Cesta Básica terá 3,6 kg de carne de boi, adotando valores
aproximados aos apresentados na tabela 13, estabelece-se que 50% da carne
bovina – 1,8 kg – será do corte “Contrafilé” e 50% será “Alcatra” – 1,8 kg. As
carnes de aves, por sua vez, serão distribuídas em 60% de peito de frango –
1,44 kg – e 40% de frango inteiro – 0,96 kg.
12
Tabela 13
Percentual de consumo em valores monetários por tipos de carnes de ave e boi, Estado do Rio
de Janeiro, 2008-2009
Carne bovina
Distribuição Percentual
TIPO
Observada Ponderada
CONTRAFILÉ
14,1
55,2
ALCATRA
11,5
44,8
COSTELA
4,1
NÃO ESPECIFICADA
45,7
Total
75,4
100,0
Carne de aves
Distribuição Percentual
TIPO
Observada Ponderada
PEITO DE FRANGO
30,9
62,2
FRANGO INTEIRO
18,8
37,8
OVOS DE AVES
16,0
COXA E SOBRECOXA DE FRANGO
12,6
OUTRAS AVES
6,4
ASA E COXINHA DA ASA DE FRANGO
6,2
MIÚDOS DE FRANGO
2,5
CARNE DE AVE PROCESSADA
1,5
FRANGO VIVO
0,7
CARCAÇA DE FRANGO
0,6
FRANGO EM PEDAÇOS NÃO ESPECIFICADO
3,7
Total
100,0
100,0
Fonte: POF 2008
Na distribuição percentual dos alimentos que compõe o grupo “Féculas,
Farinhas e Massas” observa-se que 48,2% desses alimentos referem-se às
massas e 11,2% referem-se aos salgadinhos semi-prontos (Tabela 14). As
farinhas de trigo, milho e mandioca, citadas no Decreto Lei que institui a Cesta
Básica Nacional, representam, respectivamente, 10,5%, 7,1% e 6,5%. Para
efeito da estimativa da cesta básica de Campos dos Goytacazes será
considerado a ponderação na proporção de 40%, 30% e 30%, para o fubá de
milho, a farinha de trigo e a farinha de mandioca, respectivamente. Entende-se
que o macarrão, hoje, é um importante componente da dieta demandada pelos
fluminenses, entretanto, a exemplo de outros itens já mencionados
anteriormente, as quantidades de farinha e macarrão não são diretamente
comparáveis e, por esse motivo, pretende-se não incluir o macarrão na
estimativa do item farinhas.
13
Tabela 14
Percentual de consumo em valores monetários por tipos de farinhas, féculas e macarrão,
Estado do Rio de Janeiro, 2008-2009
Farinhas, féculas e macarrão
Distribuição Percentual
TIPO
Observada
Ponderada
MACARRÃO
48,2
SALGADOS SEMIPRONTOS
11,2
BASEADA EM TRIGO
10,5
43,7
BASEADA EM MILHO
7,1
29,3
BASEADA EM MANDIOCA
6,5
27,0
PROCESSADAS
5,2
NÃO ESPECIFICADA
0,0
88,7
100,0
Fonte: POF 2008
A tabela 13 apresenta uma matriz síntese para as quantidades que serão
adotadas nas estimativas dos custos da cesta básica alimentar de Campos dos
Goytacazes.
14
Tabela 13
Quantidades dos produtos que compõe a Cesta Básica de Campos dos Goytacazes, Estado do
Rio de Janeiro, 2008-2009
Quantidades adotadas para a Cesta Básica
Grupo de Alimentos
de Campos dos Goytacazes
Carnes
6,00 kg
Carne de Boi
3,60 kg
Contrafilé
1,80 kg
Alcatra
1,80 kg
Carne de frango
2,40 kg
Peito de frango
1,44 kg
Frango inteiro
0,96 kg
Leite e derivados
7,5 l
Leite Integral
6,0 l
Leite desnatado
1,5 l
Feijão Preto
4,5 kg
Arroz
3,0 kg
Arroz polido
2,0 kg
Arroz parboilizado
1,0 kg
Farinhas
1,50 kg
Fubá de milho
0,60 kg
Farinha de trigo
0,45 kg
Farinha de mandioca
0,45 kg
Batata Inglesa
6,0 kg
Tomate comum
9,0 kg
Pão francês
6,0 kg
Café em pó
0,6 kg
Banana Prata
10,0 kg
Açúcar
3,00 kg
Açúcar refinado
2,25 kg
Açúcar cristal
0,75 kg
Óleos
0,75 l
Óleo de soja
0, 50 l
Azeite de oliva extra virgem
0,25 l
Manteiga
0,75 kg
Manteiga
0,15 kg
Margarina
0,60 kg
Fonte: Elaborado pelos autores
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Estudos mais aprofundados podem esclarecer se a Cesta Nacional, utilizada
como referência para o presente estudo, é hipocalórica, fato que justificaria o
uso de uma matriz alternativa para as quantidades utilizadas na estimativa do
custo da Cesta Básica Alimentar de Campos. Acredita-se que, em trabalhos
futuros, será necessária a adoção de uma matriz de referência alternativa à
nacional e que seja capaz de alimentar, adequadamente, uma família média.
Essa matriz alternativa poderia se basear em pesquisas já realizadas em
outras regiões do país, como por exemplo, a Cesta Básica do DIEESE
apresentada na tabela 1. Entretanto, é fato que cada região apresenta uma
maior ou menor quantidade de certos produtos, refletindo questões culturais,
15
costumes alimentares e padrões de consumo das sociedades e, dessa forma, a
cesta alimentar do DIEESE deverá ser adaptada à realidade campista.
Em estudos futuros, poderá ser sugerida uma cesta alimentar ampliada que
poderá considerar a inclusão de produtos além daqueles listados na Cesta
Básica Nacional, instituída legalmente em 1938, a exemplo de adoçantes e
produtos dietéticos, carnes de suínos e peixes, carnes processadas e massas.
É fato que as variações na qualidade dos produtos e a introdução de novos
alimentos na dieta comum dos brasileiros, observadas entre 1938 e a
atualidade, distorceriam comparações durante longos períodos de tempo e,
sendo assim, é notório que a matriz de produtos deva ser regularmente
revisada.
A próxima etapa da pesquisa em desenvolvimento e relatada neste artigo é a
pesquisa de campo propriamente dita. Para isso, na seqüência, serão definidas
as marcas líder, etapa importante para que seja mantidos níveis de preço
comparáveis entre duas coletas de dados. O instrumento de coleta de dados,
ainda a ser desenhado, deve listar os produtos e as respectivas marcas líder
facilitando, assim, a coleta de dados. As fases finais da pesquisa serão a
divulgação de resultados e a montagem de um boletim para essa divulgação.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AAA. Associação dos Arrozeiros de Alegrete. A diversidade do arroz. Disponível em:
<http://www.arrozeirosdealegrete.com.br/imagens/arroz/7%20A%20diversidade%20do%20arro
z.htm> Acesso em 5-mar-2011.
ABH. Associação Brasileira de Horticultura. Multiplicação de Tomates. In: Notícias. Disponível
em <http://www.abhorticultura.com.br/News/Default.asp?id=5957>. Acesso em 5-mar-2011
BARRETTO, Sérgio A. J.; CYRILLO, Denise C. and COZZOLINO, Sílvia M. F.. Análise
nutricional e complementação alimentar de cesta básica derivada do consumo. Rev. Saúde
Pública [online]. 1998, vol.32, n.1, pp. 29-35. ISSN 0034-8910.
DIEESE. Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos. São Paulo.
Metodologia da Cesta Básica Nacional: Versão Preliminar. 2009. Disponível em:
<http://www.dieese.org.br/rel/rac/metodologia.pdf> Acesso em: 16 outubro de 2009.
STEVENSON, Willian J. Estatística Aplicada à Administração. São Paulo: Harper e Row do
Brasil, 1981
CRAISA. Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André. Sobre a venda da
banana por quilo Disponível em: <http://www.craisa.com.br/banana_por_quilo.pdf> Acesso em
5-mar-2011
BRASIL. Ministério da Agricultura. Comissão executiva do Plano da Lavoura Caucaueira.
Banana. Disponível em: <http://www.ceplac.gov.br/radar/banana.htm> Acesso em 5-mar-2011
STEVENSON, Willian J. Estatística Aplicada à Administração. São Paulo: Harper e Row do
Brasil, 1981
Download

índice da cesta básica municipal - Universidade Federal Fluminense