0
UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ
JEISON GABREL DA SILVA
MENSURAÇÃO DA ACIDEZ DE BEBIDAS INDUSTRIALIZADAS NÃO
LÁCTES DESTINADAS AO PUBLICO INFANTIL
Itajaí
2012
1
JEISON GABREL DA SILVA
MENSURAÇÃO DA ACIDEZ DE BEBIDAS INDUSTRIALIZADAS NÃO
LÁCTES DESTINADAS AO PUBLICO INFANTIL
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como
requisito parcial à obtenção do título de cirurgiãodentista, na Universidade do Vale do Itajaí, Centro de
Ciências da Saúde
Orientadora:
Professora
Gouveia Farias.
Itajaí
2012
Maria
Mercês
Aquino
2
JEISON GABRIEL DA SILVA
MENSURAÇÃO DA ACIDEZ DE BEBIDAS INDUSTRIALIZADAS NÃO LÁCTES
DESTINADAS AO PUBLICO INFANTIL
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado
adequado para a obtenção do título de cirurgiãodentista e aprovado pelo Curso de Odontologia, da
Universidade do Vale do Itajaí, Centro de Ciências
da Saúde.
Área de concentração: Odontologia Social e
Coletiva.
Itajaí, 20 de setembro de 2012.
Professora MSc Maria Mercês Aquino Gouveia
Farias
UNIVALI – CCS – Curso de Odontologia
Orientadora
Professora MSc Beatriz Helena Eger Schmitt
UNIVALI – CCS – Curso de Odontologia
Membro
Professora MSc Eliane Garcia da Silveira
UNIVALI – CCS – Curso de Odontologia
Membro
3
Mensuração da acidez de bebidas industrializadas não lácteas destinadas ao
público infantil
Measurement of acidity levels in industrialized non-dairy beverages
intended for children
Resumo
O frequente e excessivo consumo de alimentos e bebidas ácidas estão associados com o
aumento do risco para erosão dental. Este estudo objetivou determinar o pH e a acidez
titulável de bebidas industrializadas não lácteas destinadas ao público infantil. Foram
analisadas as marcas comerciais Del Valle Kapo® bebida da fruta, Del Valle Néctar®,
Sufresh® e Ades Nutrikids®, totalizando 18 sabores. Uma água mineral sem gás foi
usada como controle. Para cada sabor, foram obtidas 05 embalagens. A mensuração do
pH inicial foi realizada utilizando um potenciômetro e eletrodo combinado de vidro
(Tec-2 Tecnal). Para a verificação da acidez titulável, alíquotas de 100 µL de NaOH 1 N
foram adicionadas às bebidas até alcançar pH 5,5. Constatou-se que apenas os sabores
morango e chocolate (Ades Nutrikids®) apresentaram pH próximo à neutralidade,
diferindo estatisticamente dos demais, que exibiram pH 5,5. O pH inicial das bebidas
analisadas variou entre 2,54 (morango Sufresh®) e 7,27 (morango Ades Nutrikids®).
As curvas de titulação demonstraram capacidade tampão intrínseca variada, com os
volumes de NaOH 1 N necessários para elevar o pH a 5,5 variando entre 1320 µL
(morango Sufresh®) e 3280 µL (uva Del Valle Néctar®). Portanto, somente as bebidas
Ades Nutrikids® (sabores morango e chocolate) não demonstraram potencial erosivo
uma vez que todas as demais bebidas apresentaram valores de pH< 5,5. As bebidas
Ades Nutrikids® (sabores laranja e uva) apresentaram o menor grau de acidez e as Del
Valle Néctar® e Sufresh® (sabor uva) apresentaram o mais elevado.
4
Palavras-chave: Acidez; bebidas; concentração de íons hidrogênio; erosão dentária;
hábitos alimentares.
Abstract: Introduction: The frequent and excessive consumption of acidic food and
drinks is associated with an increased risk of tooth erosion. Objective: To determine the
pH level and titratable acidity of industrialized non-dairy beverages produced for
children. Method: We analyzed eighteen flavours of beverages produced by the
commercial brands Del Valle Kapo®, Del Valle Nectar®, Sufresh® and Ades
Nutrikids®, and a still water was used as control. For each flavour, five packets of juice
from the same batch were used. The initial pH was measured with a potentiometer and a
combined glass electrode (Tec-2 Tecnal). The buffering capacity was evaluated by
adding 100 µL of NaOH 1 N to the beverages until a pH of 5.5 was reached. Results:
Only the strawberry and chocolate flavours (Ades Nutrikids®) showed pH close to
neutral, with statistical difference from the others, which showed pH<5.5. The initial pH
of the drinks analyzed ranged from 2.54 (strawberry Sufresh®) to 7.27 (strawberry
Ades Nutrikids®). The titration curves showed varied buffering capacity, with volumes
of NaOH 1 N necessarily to reach pH 5.5 ranging from 1320 µL (strawberry Sufresh®)
to 3280 µL (grape Del Valle Nectar®). Conclusion: Ades Nutrikids® (Strawberry and
chocolate flavours) did not show tooth erosive potential; all the other beverages showed
pH<5.5; Ades Nutrikids® (orange and grape flavours) had lower levels of acidity;
while Del Valle Néctar® and Sufresh® (grape flavour) had higher acidity levels.
Keywords: Acidity; beverages; hydrogen-ion concentration; food habits; tooth erosion.
5
AGRADECIMENTOS
A Deus, pois que com fé e esperança tudo fica um pouco mais fácil.
À professora Maria Mercês, pela paciência na orientação, incentivo e inspiração no
desenvolvimento de vários projetos científico durante minha história na faculdade.
Ao grupo de pesquisa que nos ajudaram realizando algumas mudanças melhorando
nosso trabalho na medida do possível.
Ao professor David Tames e seus funcionários que nos cederam um espaço no seu
laboratório para o desenvolvimento dessa pesquisa.
A todos os professores e funcionários da UNIVALI do Curso de Odontologia, sem
prescisar citar nomes em especial, pois todos, de certo modo, foram muito importantes
na minha vida acadêmica.
A minha dupla Giara, que dividiu vários momentos durante a faculdade, e sempre
presente a ajudar e me surpreendendo o quanto era capaz de ser uma pessoa ainda
melhor. E a todos os meus colegas.
Ao Programa de Iniciação Científica Artigo170/Governo do Estado de Santa Catarina/
Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação, Extensão e Cultura da Universidade do Vale
do Itajaí – UNIVALI, que financiou a pesquisa.
6
SUMÁRIO
1 ARTIGO ..........................................................................................................
7
2 REVISÃO DA LITERATURA........................................................................
22
3 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS……………………….……………
44
7
Introdução
A redução da prevalência da doença cárie tem sido observada nos últimos anos.
Em contrapartida, observa-se uma significativa elevação na prevalência da erosão dental
em indivíduos de todas as faixas etárias, incluindo os de pouca idade.1,2 O frequente e
excessivo consumo de alimentos ácidos está associado ao aumento do risco para a
erosão dental.3 Esta é definida como a perda irreversível dos tecidos dentários duros
provocada por ácidos e/ou quelação química, sem que haja envolvimento bacteriano.4
Pode ser classificada de várias maneiras, todavia, a classificação mais comum baseia-se
na sua etiologia, sendo denominada de extrínseca quando resulta da ação de ácidos
exógenos provenientes de dieta, como o ácido cítrico contido em frutas frescas, sucos de
fruta e refrigerantes. É intrínseca quando resulta da ação do ácido endógeno, o ácido
gástrico que entra em contato com os dentes durante o vômito recorrente, regurgitação e
refluxo. Quando os ácidos que produzem o desgaste dental são de origem desconhecida
chama-se idiopática.5 A perda mineral do órgão dentário caracteriza-se por depressões
côncavas, rasas, largas, lisas, altamente polidas.6,7
A saliva atua como um meio de defesa dos tecidos dentais através de
mecanismos que reduzem as perdas minerais sofridas durante o processo erosivo. Entre
eles, primeiramente tem-se o fluxo, que age na diluição e eliminação pela deglutição de
ácidos presentes na cavidade bucal. Outro é a capacidade tampão, que participa da
neutralização de produtos ácidos no meio bucal; depois há a concentração de íons cálcio
e fosfato que reduzem a velocidade de dissolução mineral e precipitam-se durante a
remineralização de lesões erosivas; finalmente, a película adquirida que reduz a perda
mineral no início da dissolução ácida8. Assim, indivíduos com baixo fluxo salivar
apresentam um risco cinco vezes maior de desenvolver lesões de erosão dentária.9
8
A erosão dentária é dependente das variações de pH. Os valores iguais ou
menores que 5,5 são considerados “críticos” para dissolução do esmalte. 10 Dentro deste
contexto, as bebidas ácidas destacam–se na etiologia da erosão dental. Os sucos de
frutas industrializados são sistemas complexos que consistem de uma “mistura” aquosa
de vários componentes orgânicos voláteis e instáveis, responsáveis pelo sabor e aroma
do produto, além de açúcares, ácidos, sais minerais, vitaminas e pigmentos. Devido à
composição rica em ácidos orgânicos, que geralmente apresentam valores de pH entre
2,0 e 4,5. O pH depende do tipo e concentração de ácido na fruta, da sua espécie, grau
de maturação, entre outros fatores.11 Quanto à natureza da fruta, os sucos podem ser
classificados em cítricos (obtidos da laranja, limão, tangerina e pomelo), tropicais
(maracujá, caju, abacaxi, goiaba e manga) e outros (uva e maçã).12
Nos dias atuais dispõe-se de uma grande variedade de sucos de frutas prontos
para beber (industrializados) muitos deles com rotulações voltadas para o público
infantil. Sua disponibilidade e praticidade têm aumentado seu consumo entre crianças.
Entendendo que há elevação na oferta destes produtos e que os apelos
comerciais interferem na sua escolha, os objetivos deste estudo foram determinar o pH e
a acidez titulável (capacidade
tampão) de bebidas industrializadas não lácteas
destinadas ao público infantil; comparar os valores obtidos de pH e acidez titulável
(capacidade tampão) das bebidas analisadas; classificá-las quanto a sua acidez para
orientar os usuários qual seria a melhor escolha para diminuir os danos aos seus dentes.
9
Materiais e métodos
A amostra foi composta por bebidas não lácteas cujas embalagens estão
direcionadas ao público infantil. Foram selecionadas três marcas comerciais, totalizando
18 sabores (quadro 1). Para cada sabor adquiriu-se em supermercados 05 embalagens de
200 mL, do mesmo lote. Uma água mineral sem gás (quadro 1) foi utilizada como
controle por apresentar um pH próximo ao neutro.
Quadro 1. Distribuição das bebidas avaliadas, fabricantes e descrição dos
sabores.
PRODUTO
FABRICANTE
SABORES
Del Valle Kapo®
(bebida da fruta)
Companhia de Bebidas
Ipiranga.
Ribeirão
Preto-SP-Brasil/ Mais
Indústria de Alimentos
S.A. Linhares –ESBrasil
abacaxi, laranja, maracujá,
morango e uva
Del Valle Néctar®
Mais
Indústria
de
Alimentos
S.A.
Linhares - ES – Brasil
goiaba, manga, pêssego,
uva
Sufresh Néctar®
Wow Ind. e Com. Ltda.
Caçapava–SP-Brasil
maçã, morango, pêssego,
uva, laranja
Ades Nutrikids®
Unilever
Brasil
Industrial Ltda. Pouso
Alegre–MG-Brasil
chocolate, morango, uva e
laranja
Vila Nova Água Mineral
Natural Sem Gás
Concessionária
Ind.
Vila
Nova
Ltda.
Joinville-SC-Brasil
Sem Sabor
A mensuração do pH inicial foi realizada sob temperatura ambiente. Cada
embalagem foi agitada manualmente por 15 segundos, coletando-se três amostras de 30
mL de cada uma delas. Para esses ensaios foi utilizado um potenciômetro e eletrodo
combinado de vidro (Tec-2 Tecnal) fabricado por Tecnal Equipamentos para
10
Laboratórios Ltda. Piracicaba-SP-Brasil, previamente calibrado com soluções padrão
pH 7,0 e pH 4,0, antes de cada leitura.
Para a verificação da acidez titulável (capacidade tampão), foram coletados 50
mL de cada embalagem para as 5 titulações, adicionando-se alíquotas de 100 µL de
NaOH 1 N, sob agitação constante (Agitador Magnético Fisaton), medindo-se
subsequentemente o pH, até se alcançar pH 5,5.
Os resultados foram submetidos a análise de variância ANOVA (p<0,00001) e
as médias comparadas pelo teste estatístico Scott-knott (p<0,05).
11
Resultados
As bebidas Ades Nutrikids® sabores morango e chocolate e a Água Mineral
Vila Nova® (controle ) apresentaram pH acima de 5,5. Os valores de pH estão exibidos
na tabela 2. Todas as demais bebidas exibiram pH 5,5 e variada capacidade tampão
intrínseca. A tabela 3 mostra o volume necessário de NaOH 1 N para alcançar pH 5,5.
12
Tabela 2. Média dos valores do pH
Bebidas
pH
DP
Morango Ades Nutrikids®
7,27 a
0,02
Chocolate Ades Nutrikids®
7,20 a
0,03
Vila Nova Àgua Mineral®
6,32 b
0,03
Uva Ades Nutrikids®
4,22 c
0,01
Laranja Ades Nutrikids®
3,78 d
0,01
Uva Del Valle K®
3,59 e
0,02
Morango Del Valle K®
3,49 f
0,09
Laranja Sufresh®
3,46 g
0,10
Abacaxi Del Valle K®
3,44 g
0,01
Maracujá Del Valle K®
3,42 g
0,02
Goiaba Del Valle N®
3,42 g
0,01
Pessego Del Valle N®
3,40 g
0,10
Laranja Del Valle K®
3,35 g
0,01
Pêssego Sufresh®
3,23 h
0,04
Manga Del Valle N®
3,18 h
0,14
Maçã Sufresh®
3,07 i
0,01
Uva Del Valle N®
2,90 j
0,01
Uva Sufresh®
2,87 j
0,02
Morango Sufresh®
2,54 k
0,02
*Médias seguidas da mesma letra não diferem significativamente entre si pelo teste de
Scott-Knott (p < 0,05).
13
Tabela 3. Média dos volumes (µL) de NaOH 1 N para alcançar o pH 5,5.
Bebidas
NaOH 1 N (µL)
DP
Uva Del Valle N®
3280 a
217
Laranja Del Valle K®
3220 a
45
Uva Sufresh®
2800 b
122
Abacaxi Del Valle K®
2420 c
110
Maracujá Del Valle K®
2380 c
130
Laranja Sufresh®
2380 c
110
Morango Del Valle K®
2060 d
55
Uva Del Valle K®
2060 d
134
Pêssego Sufresh®
2000 d
122
Goiaba Del Valle N®
1980 d
84
Pessego Del Valle N®
1920 d
179
Manga Del Valle N®
1860 d
207
Maçã Sufresh®
1480 e
84
Laranja Ades Nutrikids®
1480 e
45
Uva Ades Nutrikids®
1400 e
100
Morango Sufresh®
1320 e
45
*Médias seguidas da mesma letra não diferem significativamente entre si pelo teste de
Scott-Knott (p < 0,05).
14
Discussão
O potencial erosivo de bebidas e alimentos depende de suas características
químicas, tais como, pH, acidez titulável, conteúdo mineral, propriedades quelantes13,
14,15
e tipo de ácido (cítrico, fosfórico, ascórbico, málico, tartárico, oxálico e
carbônico).2,4 Neste estudo, todas as bebidas apresentaram valores de pH que diferiram
significantemente da bebida usada como controle (Água Mineral Vila Nova®). Neste
sentido, destacamos dois tipos de comportamento: o das bebidas Ades Nutrikids®
sabores morango e chocolate e das demais bebidas analisadas. As bebidas Ades
Nutrikids®
sabores
morango
e
chocolate
apresentaram
um
comportamento
diferenciado, pois exibiram valores de pH próximo à neutralidade, valor semelhante ao
sabor Ades® original (sem fruta) observado em estudo anterior.16 Este resultado difere
significativamente de todas as demais bebidas, inclusive da àgua Mineral Vila Nova
(controle) que apresentou pH= 6,32. Com relação as outras bebidas avaliadas, todas
apresentaram valores de pH abaixo do crítico para o esmalte (5,5) e diferentes
estatisticamente da bebida controle. Mesmo apresentando pH ácido, os sabores Ades
Nutrikids® uva e laranja exibiram valores de pH mais elevados que as demais marcas
comerciais (Del Valle® e Sufresh®), sendo este dado estatisticamente significante. É
importante ressaltar que o sabor morango (Ades Nutrikids®) apresentou um
comportamento diferenciado do sabor morango (Ades®), ambos acrescidos de soja,
porém, o primeiro, destinado ao público infantil não se apresentou ácido, ao contrário
do segundo cuja acidez foi observada em estudo prévio.16
Deve-se destacar que das bebidas analisadas, apenas os da marca comercial
Ades® apresentavam soja na composição. Constatou-se que todos os sabores Ades
Nutrikids® em termos de pH demonstraram um melhor comportamento em relação às
demais bebidas.
15
Para todas as bebidas analisadas, os valores de pH, variaram entre 7,27 (Ades
Nutrikids® sabor morango) e 2,54 (Sufresh® sabor morango). Também foram
constatadas variações significativas de pH nas bebidas de uma mesma fruta, porém de
marcas comerciais diferentes. Este achado é importante, pois diante da escolha de um
determinado sabor pode-se optar por uma bebida com valor de pH mais adequado para a
manutenção da saúde dentária.
Neste estudo, os valores de pH abaixo do crítico estão em concordância com
outros estudos que mensuraram pH de bebidas industrializadas.16,17,18
O potencial erosivo de uma bebida não depende apenas do pH, mas também de
sua acidez titulável, pois a mesma determina a habilidade da bebida em manter o pH
estável, ou seja, em resistir às alterações do pH. Assim, a sua neutralização pela saliva
não ocorre e a permanência do ácido na cavidade bucal poderá afetar a severidade da
perda do tecido dental14,19. Dentre as bebidas nas quais foi mensurada a acidez titulável,
destacam-se o comportamento dos sabores laranja e uva (Ades Nutrikids®) que além de
apresentarem pH mais elevado, exibiram junto com os sabores maçã e morango
(Sufresh®) a menor capacidade tampão intrínseca ao necessitarem dos menores
volumes de NaOH 1 N para elevarem seu pH a 5,5, sendo este comportamento
estatisticamente relevante. Este perfil das bebidas com soja (Ades Nutrikids®) foi
semelhante ao resultado de outra pesquisa que também constatou baixa capacidade
tampão intrínseca de diversos sabores da marca Ades® analisados.16 Desta forma,
dentre as bebidas ácidas os sabores laranja e uva (Ades Nutrikids®) foram as que
exibiram menor acidez, destacando-se como as menos erosivas. Por outro lado, as
bebidas sabor uva (Sufresh® e Del Valle Néctar®) demonstraram elevada capacidade
tampão intrínseca e um dos mais baixos valores de pH, revelando-se como as bebidas
de mais elevada acidez.
16
Não se pode esquecer que a erosividade de uma bebida também está na
dependência da presença de íons fosfato, flúor e cálcio, que quando presentes tendem a
reduzir seu potencial erosivo.20 Assim, a não mensuração do teor destes íons expõe uma
limitação deste estudo. Deste modo, pode-se afirmar que estas bebidas apresentam um
potencial erosivo, mas que a comprovação desta erosividade depende da realização de
outros estudos, especialmente in situ.
É importante ressaltar que o estabelecimento de lesões de erosão associada à
dieta depende, além da acidez dos alimentos e bebidas, de fatores comportamentais tais
como a forma como o líquido é levado para a boca; a duração do contato com os dentes;
hábitos de engolir envolvendo movimentos dos lábios e das bochechas; o acesso à saliva
entre outros.21
Tratando-se de crianças, a oferta de bebidas ácidas em mamadeiras e
principalmente durante o sono, representa elevado risco para o estabelecimento da
erosão dental, porque prolonga o contato da bebida com os dentes e limita a ação da
saliva. 22
Em circunstâncias normais o fluxo salivar é estimulado pelo consumo de bebidas
ácidas, facilitando o “clearence salivar”.18 Assim, indivíduos com baixo fluxo salivar
estão expostos a um risco maior.23,24
No intuito de prevenir e controlar lesões de erosão recomenda-se a adoção de
algumas medidas entre as quais a de consumir bebidas ácidas racionalmente,
preferencialmente geladas e durante as principais refeições; ofertar água como o líquido
de primeira escolha para sanar a sede; optar pelo consumo de frutas frescas como parte
de uma dieta saudável; evitar o consumo de bebidas ácidas em mamadeiras e durante o
sono; estimular o uso de copos e canudos; evitar a escovação dos dentes logo após sua
17
ingestão; usar dentifrícios com baixa abrasividade. Estas são condutas que, quando
incluídas na rotina diária, ajudam a prevenir estas lesões.17,25,26,27,28
Embora este estudo limite-se a identificar a acidez de bebidas destinadas ao
público infantil, estes achados podem auxiliar pediatras e odontopediatras na orientação
de seus pacientes, pois se entende que o conhecimento e conscientização geram
referências para autocuidado e a identificação de fatores de risco precocemente é
certamente a melhor forma de prevenir erosão dental em crianças.
18
Conclusões
Pode-se afirmar a título de conclusão que as bebidas Ades Nutrikids® (sabores
morango e chocolate) não apresentaram acidez, não demonstrando potencial erosivo;
que todas as demais bebidas apresentaram valores de pH abaixo do crítico para o
esmalte, apresentando potencial erosivo; que as bebidas Ades Nutrikids® (sabores
laranja e uva) apresentaram o menor grau de acidez e, ainda, que os sabores de uva (Del
Valle Néctar® e Sufresh®) foram as bebidas que apresentaram a mais elevada acidez
demonstrada pelo baixo valor de pH e elevada capacidade tampão intrínseca.
Acredita-se que este estudo é mais uma contribuição na busca pela melhoria da
qualidade da saúde dentária na infância.
19
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22
2 Revisão de literatura
Para Moss (1998) a erosão dental do esmalte ocorre apenas em indivíduos
suscetíveis independentemente do padrão de consumo de bebidas ou comidas ácidas,
sendo este fato isoladamente não determinante para o desenvolvimento de lesões de
erosão. A erosão dental possui uma etiologia multifatorial, isto é, extrínseca e
intrínseca. A patogênese da erosão dentária não é bem compreendida ainda hoje. No
entanto, é evidente que erosão raramente estará operando sozinha como causa da perda
mineral do dente. A suscetibilidade é muito variável de pessoa para pessoa e
multifatorial na natureza, iguais as causas da erosão. A erosão do esmalte dental é
relativamente rara e facilmente passa despercebida durante um diagnóstico. Um
detalhado diagnóstico diferencial que elimina muitas outras possíveis causas de perda
do esmalte deve ser realizado. É importante distinguir erosão dental da cárie dental.
Embora o resultado final seja semelhante, estas duas patologias raramente ocorrem
simultaneamente no mesmo local. Em casos de erosão verdadeira, o esmalte dental é
desmineralizado através do contacto direto com ácidos, enquanto a cárie é uma doença
que ocorre por ação da placa produzidos por microrganismos. Também deve ser
salientado, clinicamente falando, que erosão é primeiramente um fenômeno na
superfície, enquanto a cárie geralmente começa com uma desmineralização da
subsuperfície do esmalte que eventualmente leva a uma cavidade no dente. Como a
erosão do esmalte dental é relativamente rara, e o resultado de muitos fatores, uma
investigação mais profunda é necessária para determinar o porque da suscetibilidade a
erosão é diferente de pessoa para pessoa. O autor sugere que vários fatores podem
explicar a variação de resposta. Que são: a) A forma como o líquido é levado para a
boca; b) a superfície dental que entra em contato com o fluido; c) a duração do contato
com os dentes. E esses fatores, por sua vez, são influenciados por: a) hábitos de engolir
envolvendo movimentos dos lábios e da bochechas b) acesso a saliva. Por último, o
autor incluiu a capacidade tampão da saliva, das propriedades químicas e físicas do
esmalte e da forma e do contorno dos dentes como fatores que modificam e que
poderiam ajudar a explicar suscetibilidade e falta deles.
O objetivo de Al-Dlaigan, Shaw e Smith (2001a) neste estudo foi conhecer a
prevalência de erosão em um grupo de crianças de 14 anos de idade de forma aleatória
em Birmingham UK. E subsequentemente
determinar se o nível socioeconômico
influenciava a prevalência de erosão dental do grupo de crianças nesta faixa etária. O
23
grupo de estudo incluiu uma amostra aleatória de 418 crianças de 14 anos de idade
estudantes em Birmingham UK, examinadas em 12 diferentes escolas, sendo 209 do
sexo masculino e 209 do sexo feminino. A escala para mensurar a severidade das lesões
de erosão foi uma modificação de (TWI) Índice de Smith e Knight (1984). Todas as
crianças foram clínicamente examinadas em suas respectivas escolas sob iluminação
normal e espelhos. As superfícies de todos os dentes presentes na boca foram
classificadas de acordo com os critérios de erosão: Faces vestibular (V), palatal ou
lingual (P,L), incisal (I) e oclusal (O); 0 nenhuma característica de perda de esmalte na
superfície dental; 1 com característica de perda de esmalte na superfície dental (V,L,I);
2 perda de esmalte, dentina visível menos de 1/3 da superfície dental (V,L,O, I); 3 perda
de esmalte, dentina visível com mais de 1/3 da superfície dental (V,L,O), grande perda
de esmalte e de dentina mas sem exposição da polpa ou dentina secundaria (I); 4 Total
perda de esmalte, ou com exposição da polpa ou dentina secundaria(V,L,O), com
exposição da polpa ou dentina secundaria (I); 9 excluido da analise (dentes ausentes,
parcialmente erupcionados, com banda ortodontica, com restauração de compositos,
com coroas, dentes fraturados e fissuras com selantes) (V,L,O,I). E para determinar o
nível socioecomomico de cada criança foi utilizado a categoria de ACORN
(Classificação residencial dos bairros em UK). Os resultados mostraram que 48% das
crianças tiveram baixa erosão, 51% tinham moderada erosão e apenas 1% tinham grave
erosão. Não houve diferença estatística significativas entre os gêneros; os meninos
tiveram mais erosão nas faces vestibular e lingual/palatal do que as meninas (P< 0,001).
Também foi observado diferença significativa entre os níveis socioeconômicos sendo
que os adolescentes de níveis mais baixos tiveram uma mais erosão dental. A maioria
das superfícies dos dentes demonstraram uma perda do esmalte característicos (1) em
ambos os dentes superiores e inferiores e vestibular e linguais. As bordas incisais dos
dentes anteriores (incisivos centrais, lateral e caninos) tiveram perda de tecidos dental
com a dentina visível (2). A erosão em dentina foi mais frequente na parte superior e
inferior da faces vestibulares de dentes anteriores em comparação com dentes
posteriores. Concluiu-se que graus moderados de erosão dental são frequentes na
amostra estudada e isso pode levar ao aumento de problemas clínicos. Foi observado
uma diferença significativa entre o grau de erosão dental em crianças de baixo nível
socioeconômico.
24
O objetivo de Al-Dlaigan, Shaw, Smith (2001b) neste estudo foi investigar
ineditamente em adolescentes do Reino Unido seu padrão dietético e determinar a
possível relação entre erosão dentária e ingestão dietética dessas crianças. O grupo de
estudo incluiu uma amostra aleatória de 418 crianças de 14 anos de idade estudantes de
Birmingham UK, das quais 209 eram do sexo masculino e 209 do sexo feminino. Um
questionário foi desenvolvido relacionando os principais fatores etiológicos para erosão
dental publicados na literatura. A finalidade destas perguntas foi determinar a
quantidade e a frequência de consumo de bebidas como suco de laranja, Coca Cola,
outros refrigerantes, leite, chá, café, isotônicos e outros. Alguns tipos de frutas e
alimentos de consumo também foram incluídos no questionário como maçãs, laranjas,
as bananas, ketchup, pepino em conserva, iogurte, e Vitamina-C efervecentes.
A
quantidade do consumo de bebidas, comida e fruta por semana foi categorizada no
grupos: Sem consumo algum; baixo consumo (1-7 vezes por semana); médio (8-21
vezes por semana) e alto consumo (22 ou mais vezes por semana). Todos os dados
foram analisados pelo SPSS com teste de qui-quadrado e o coeficiente de correlação de
Spearman determinado. O coeficiente de significância foi aceito até P < 0,05. Mais de
80% dos adolescentes consumiam regularmente bebidas não alcoólicas, mas cerca da
metade dessas crianças tinham um consumo semanal relativamente baixo. No entanto,
13% e 10% respectivamente, consumiam mais de 22 vezes por semana Cola e outros
refrigerantes. Quase um quarto dos adolescestes meninos consumiam bebidas
alcoólicas, significativamente mais que as meninas envolvidas (P < 0,05). As meninas
apresentaram um maior consumo de frutas. Foi observada uma correlação
estatisticamente significativa entre a prevalência de erosão dental e o consumo de
refrigerantes, bebidas alcoólicas, sucos de frutas, Vitamina-C efervecentes e outros
alimentos ácidos (Coeficiente de correlação de Spearman P < 0,05).
Os autores
concluíram que o consumo de refrigerantes foi particularmente elevado e comum entre
esses adolescentes. Existindo, além disso uma correlação entre ingestão ácida e erosão
dental.
Para Moynihan (2002) a erosão dentária é a perda de tecido dental duro através
de um processo químico sem que haja envolvimento bacteriano. Há uma série de causas
de erosão dental, incluindo a ingestão de alimentos ácidos, exposição a ácidos
ambientais ou exposição a ácidos intrínsecos decorrentes de episódios de vômitos e/ou
refluxo. Os ácidos presentes na alimentação são: cítrico, málico, fosfórico, tartárico,
acético e ácido carbônico, e a presença de qualquer um deles pode indicar que o produto
25
é potencialmente erosivo. Há também evidências que sucos são 3–10 vezes mais
erosivos que a fruta inteira. Se estas bebidas são vagarosamente tomadas durante um
longo período de tempo, isto pode exacerbar seu potencial erosivo, pois os dentes
estarão sendo banhados em meio ácido por longos períodos de tempo, facilitando a
ocorrência da erosão. Devido ao número limitado de estudos clínicos realizados para
investigar a associação entre a dieta e erosão dentária, a prevenção e o tratamento estão
baseados no bom senso e não numa abordagem baseada em evidências. Os pacientes
podem também ser aconselhados a consumir alimentos e bebidas com baixo potencial
erosivo e a usar os alimentos que neutralizem a dieta ácida, tais como queijo e leite,
após o consumo de alimentos e bebidas de baixo pH. O queijo protege os dentes pelo
estímulo do fluxo salivar e pelo aumento de cálcio na placa. Sendo que as melhores
bebidas são, portanto, leite e água. Algumas recomendações para obter uma boa saúde
dental ér eduzir a frequência e a quantidade de consumo de alimentos e bebidas
açucarados e ácidas e de tentar limitar estes alimentos as refeições. Seguir um plano
alimentar não é seguido regradamente, de um consumo de alimentos açucarado de 3–4
vezes por dia,evitar o consumo de alimentos e bebidas açucaradas e ácidas perto de
horários de dormir, incentivar o consumo de alimentos que não causem ou protegem
contra, erosão e cárie dental, recomendar o consumo de alguns produtos com adoçante
que podem ajudar alcançar esses objetivos em prática, incentivar os pacientes a ler os
rótulos dos fabricantes e seguir as recomendações sobre a diluição e a utilização de
produtos, estimular a mãe a não acrescentar qualquer alimento ou bebiba na mamadeira
do bebê, com exceção do leite, sendo leite materno, o leite em pó, de vaca ou água,
incentivar as mães a fornecer todas as bebidas (incluindo fórmulas) em um copo ou
copo para crianças a partir de 6 meses de idade e cortar a mamadeira a partir do
primeiro ano.
Sirimaharaj et al., (2002) realizaram uma pesquisa com a finalidade de averiguar
o consumo de alimentos e bebidas ácidas por atletas, registrar os casos de erosão
dentária diagnosticadas pelo dentista do atleta e investigar a relação entre os padrões de
consumo da dieta ácida e erosão dentária. Desta forma, foi aplicado um questionário
sobre os hábitos, dieta e saúde bucal, a 690 membros de trinta e dois clubes desportivos
da Universidade de Melbourne. Um
total de 508 questionários foram devolvidos
representando 74,9 % de participação. Uma análise estatística foi realizada para
explorar as relações entre erosão dental (variável dependente) e a as variáveis
independentes. Os resultados exibiram que a erosão dental foi relatada por 25,4% dos
26
participantes, especialmente entre os atletas de as artes marciais (37,4%). O consumo de
alimentos e bebidas ácidas foi frequente entre a maioria dos atletas. Não foram
encontrados associações significantes entre erosão dental e a frequência da ingestão de
refrigerantes ou bebidas desportivas. Foi encontrado a associação estatisticamente
significativas entre erosão dentária e a faixa etária (p=0,004), e na frequência de
ingestão de sucos (p=0,05), e sensibilidade nos dentes (p=0,001). Os autores concluíram
que o padrão de consumo de bebidas ácidas entre os oito grupos analisados foi
semelhante. Associação entre o consumo de sucos de fruta pode estar associada à erosão
dental e os atletas sujeitos a risco de desenvolverem erosão. As conclusões do presente
estudo indicam uma significativa necessidade de programas de prevenção para os
jovens atletas e um aconselhamento dietéticos para controlar e reduzir o efeito dos
alimentos e bebidas ácidas. Esses conselhos poderiam ser dados por Odontólogos para
seus pacientes que estão em situação de risco como os atletas, e também por um
trabalho em conjunto com os organizadores dos clubes de esportes.
O estudo de Murray (2004) teve por objetivo informar pediatras e outros
profissionais de saúde, pais e membros do conselho escolar sobre a preocupação
nutricional quanto ao consumo de refrigerantes nas escolas. Problemas de saúde
associados à alta ingestão de bebidas açucaradas são: sobrepeso ou obesidade atribuida
as calorias extras adicionadas na dieta; troca do consumo de leite, resultando na
deficiência de cálcio como um risco de osteoporose e fraturas; e potencial cariogênico e
erosão dental. Os contratos das escolas com exlusividade com marcas de refrigerantes
incentivando o consumo direito ou indireto destas bebidas.Os funcionários das escolas e
os pais precisam ficar mais informados sobre a saúde e implicações das bebidas
vendidas na escola para tomar uma decisão quanto aos estudantes o seu acesso a elas.
Está claramente definida, uma política que restringe a venda de bebidas não alcoólicas
contra os problemas de saúde como um resultado de seu excesso. O consumo de
refrigerantes aumentou 300% em 20 anos. Entre 56% e 85% das crianças na escola
consumem bebidas não alcoólicas pelo menos 1 vez por dia diariamente, com maiores
quantidades ingeridas por adolescentes do sexo masculino. Deste grupo, 20% consome
4 ou mais porções diariamente. Além da carga calórica, refrigerantes colocam em risco
de cárie dentária devido ao seu alto teor de açúcar e erosão do esmalte devido à sua
acidez. O consumo de leite diminuiu com refrigerantes se tornando o favorito pelas
crianças, uma transição que ocorre entre o terceiro e o oitavo ano escolar. Leite é a
principal fonte de cálcio na dieta americana. Produtos lácteos contêm uma quantidade
27
considerável de vários nutrientes, incluindo 72% de cálcio, 32% de fósforo, 26% de
riboflavina, 22% de vitamina B12, 19% de proteína, e 15% de vitamina A nos alimentos
dos EUA. A percentagem do valor diário de leite é considerado como "bom" ou
"excelente" com 9 nutrientes essenciais em função da idade e sexo. Ingestão de
proteínas e micronutrientes é diminuído em produtos a base de leite. A consequência da
redução da ingestão de cálcio é o comprometimento do desenvolvimento máximo ósseo
num momento crítico em vida, a adolescência. Quase 100% do cálcio no organismo está
no osso. Quase 40% pico de massa óssea é acumulada durante a adolescência. Estudos
sugerem que a 5% para 10% da falta desse pico máximo de massa óssea pode resultar
em um período de vida 50% maior prevalência de fratura no quadril, um problema que
pode piorar se não forem obtidas tomadas para melhorar ingestão de cálcio entre
adolescentes.
O objetivo de Bustillo et al., (2004) foi avaliar in vitro a permeabilidade do
esmalte de dentes decíduos submetidos à ação de líquidos fermentáveis e substâncias
ácidas. Foram utilizados 40 dentes decíduos. As substâncias testadas foram: refrigerante
cola, suco de laranja industrializado, leite fermentado, soro fisiológico. Os dentes foram
montados em uma base de resina acrílica e divididos aleatoriamente em quatro grupos
de 10 dentes em cada grupo. Os espécimes foram mergulhados na substância a ser
testada, a qual foi substituída a cada duas horas, durante 12 horas. Os espécimes foram
mantidos, durante o experimento, em estufa a 37ºC. Após esse período, os dentes foram
lavados em água destilada, e receberam aplicação do corante azul de metileno a 0,5%
por 48 horas. Todos os dentes foram cortados no sentido longitudinal, realizada a leitura
das imagens digitalizadas no programa Imagelab, e os resultados obtidos, submetidos à
análise estatística. Foi possível observar a ocorrência de penetração do corante em todos
os espécimes sendo que o Grupo 2 (suco de laranja) apresentou as maiores médias de
área corada, seguido dos Grupos 1 (refrigerante tipo cola); 3 (leite fermentado) e 4 (soro
fisiológico). A análise estatística demonstrou diferenças estatisticamente significantes
entre os Grupos 1 (refrigerante tipo cola) e 4 (soro fisiológico); Grupo 2 (suco de
laranja) e 3 (leite fermentado); e Grupo 2 (suco de laranja) e 4 (soro fisiológico). Não
houve diferença estatisticamente significante entre os Grupos: 1 (refrigerante tipo cola)
e 2 (suco de laranja); 1 (refrigerante tipo cola) e 3 (leite fermentado); e 3 (leite
fermentado) e 4 (soro fisiológico). Os espécimes de todos os grupos experimentais
apresentaram penetração do corante indicador. O suco de laranja e o refrigerante tipo
28
cola apresentaram maiores médias de porcentagem de área corada e podem interferir na
estrutura do esmalte de dentes decíduos.
O objetivo do trabalho realizado por Seow e Thong (2005), foi estudar o
potencial erosivo de uma gama de bebidas populares analizando o pH e os seus efeitos
diretos sobre as superfícies da dentina moída de pré molares extraídos. Foram utiliados
para pesquisa várias bebidas não alcoólicas como refrigerantes, sucos de frutas, chás e
café, e agumas bebidas alcoólicas principalmente vinhos branco, tinto e cervejas. O pH
de cada bebida foi determinado pelo medidor de pH colocado dentro de cada solução,
com um poder de exatidão de 0.1, e primeiramente calibrado de acordo com as
instruções do fabricante, empregando soluções padrão pH 7 e pH 4. Todas as medidas
foram feitas em temperatura ambiente de 22C0. Cinquenta ml de cada bebida foi
colocado num becker e a leitura do pH foi feita após 15, 30, 45 e 60 minutos. Para
determinar se a saliva tinha algum efeito sobre o pH da coca-cola e lucozade, foi
utilizado saliva de três pessoas colhida uma hora após um lanche, sendo a boca
enxaguada com água para limpar restos alimentares. Assim inicialmente seis ml de
saliva foram colocados em um becker para medir o pH, e um ml foi adicionado a cada
5 minutos até chegar a 12 ml de saliva. A experiência foi repetida com água mineral
sem gás Evian ao invés de saliva. Os dentes utilizados foram extraídos por motivos
ortodônticos, isto é, deveriam estar livres de restaurações e defeitos como cáries e
hipoplasia do esmalte. Um conjunto de três dente foi usado para um tratamento
individualizado, com coca-cola, lucozade, suco de limão, e suco de laranja. A solução
controle utilizada foi a água mineral sem gás Evian e saliva. Os três dentes foram
imerssos em sua respectiva solução, e sua aparência foi verificada após 5, 15 e 30
minutos. Outro grupo foi incubado com 50% da bebida analizada e 50% de saliva. Após
a incubação cada dente foi lavado com água corrente e secado, após isto foi analizado
microscopicamente. Para as análises estatísticas foram usados o test T e o ANOVA
com o valor alfa ajustado em 0,05. Os pH variaram entre 2.3 para cola-cola e pepsi até
3,6 para isotônicos. E entre os sucos foi de 2,1 para suco de limão e 6,9 para suco de
coco. Já para as bebidas alcoólicas o pH aumentou apartir de 2,8 para o vinho branco
Riesling, para o Chardonnay 3,2 e 3,4 para o vinho tinto Cabert Sauvignon, e as
cervejas obtiveram o pH entre 3,8-3,9. Em contraste com a água mineral sem gás Evian
7,4, 6,8 para o chá e 5,6 para o café. E a saliva foi de 6,9. As bebidas não alteraram seu
pH mesmo após estar abertas e mantidadas em temperatura ambiente após 60 minutos.
Embora não tenham sido encontradas diferenças estatísticas entre o efeitos da água
29
mineral em comparação com a saliva aumentando o pH da coca-cola e do lucozade,
porém ambos ao serem adicionados 50% (vol/vol) de saliva ou água em coca-cola o pH
de 2,3 foi para 5,2 (p<0.0001), e assim para o lucozade adicionados 50% (vol/vol) de
saliva ou água em coca-cola o pH de 2,5 para 3,2 (p<0.0001). O potencial erosivo de
tais bebidas foi demonstrada pela a erosão profunda do esmalta após cinco minutos. A
dureza do esmalte foi reduzida em cerca de 50% no caso do suco de limão (p<0,001) e
24% no caso da Coca-Cola (p<0,004). Além da adição de saliva para 50% (v/v) de
Coca-Cola foi possivel reverter completamente os efeitos erosivos sobre no esmalte.
Embora apenas algumas bebidas populares com o pH baixo foram testados, o estudo
mostrou que a maioria das bebidas ácidas obtiveram um grande efeito erosivo sobre
esmalte. Mesmo que a saliva obteve um efeito protetor contra a erosão, foram
necessários grandes volumes para neutralizar a acidez.
Cavalcanti et. al. (2006), avaliaram a quantidade de sólidos solúveis totais
(°Brix) e o valor do pH de bebidas lácteas (iogurtes e achocolatados) e sucos de frutas
prontos para o consumo. Foram testados 20 bebidas lácteas (10 iogurtes e 10
achocolatados) e 10 sucos de frutas prontos para o consumo, utilizando 3 repetições
para cada amostra. As leituras do grau Brix foram feitas por refratometria e o pH foi
avaliado por potenciometria. Os resultados mostraram que as médias dos sólidos
solúveis totais (°Brix) diferiram entre si, apresentando-se em ordem decrescente na
seguinte sequência: achocolatados > iorgutes > sucos de frutas. Verificou-se que os
sucos de frutas apresentaram menor média do pH (3,45), seguindo dos iogurtes (3,86) e
dos achocolatados (6,06). Concluíram que, a elevado a concentração de sólidos solúveis
totais verificado nas bebidas lácteas e sucos de frutas, associados a um baixo pH podem
contribuir para o desenvolvimento de lesões de cárie e erosão caso estes alimentos
sejam consumidos em excesso pelas crianças.
Este estudo realizado por Wongkhantee et al., (2006) teve como objetivo
determinar o efeito dos alimentos e bebidas ácidas como (Coca Cola, iogurte, suco de
laranja, Isotônicos esportivos e sopa Tom-yum) sobre a microdureza superficial de
diferentes substratos (esmalte, dentina, compósitos universais, compósitos de micro
preenchimento, cimento de ionômero de vidro, resinas modificadas com ionômero de
vidro, poliácido-modificado com composite de resina). As amostras (n=10) foram
imersas de modo alternativo, 5 s para cada, em alimentos ou bebidas e na saliva
artificial por 10 ciclos. A microdureza superficial Vickers foi analisada pré e pós-
30
imersão, sendo então comparadas pareamente pelo t-teste. A diferença da
dureza
superficial entre os grupos foi analisado uma única vez com o teste ANOVA seguido
por (LSD) teste. Os resultados mostraram que a Coca cola reduziu significativamente a
dureza superficial do esmalte, dentina, compósitos de micro preenchimento, resinas
modificadas com ionômero de vidro (p<0,05). O suco de laranja e bebidas desportivas
reduziram significativamente a dureza superficial do esmalte (p<0,05). Já o iogurte e a
sopa Tom-yum não reduziram a dureza superficial de qualquer substrato. O esmalte foi
desmineralizado pelo suco de laranja e por bebida desportivas, mas não por iogurte,
apesar de todas as bebidas terem três semelhantes valores de pH, entre 3,75 e 3,83.
Evidentemente, que o pH não é o único fator que afeta a erosão do esmalte. Mas a
capacidade tampão e a acidez titulável pode modificar o processo erosivo. Este estudo
mostrou que os sucos de laranja e bebidas desportivas diminui significativamente a
dureza do esmalte, mas não da dentina. Isto pode ser explicado pela diferença na
composição dos dois tecidos. O esmalte é composto por 87% do seu volume inorgânico,
dissolvido facilmente em meio ácido. E a dentina, por outro lado, tem 47% do seu
volume inorgânico, assim é menos suscetível ao ataque ácido. A escovação dental ou
abrasão, por outro lado, pode intensificar mais processo erosivo. Mas para melhor
compreender este mecanismo novas pesquisas serão necessárias. Os autores concluíram
que este estudo in vitro confirma o potencial erosivo de certas alimentos e bebidas
ácidas que o público deve estar consciente de suas ações.
Este estudo in vitro de Sales-Peres et al., (2007) teve por objetivo avaliar a
capacidade de diversos refrigerantes (Coca-Cola ® - C, Coca - Cola Light ® - CL,Guaraná ® - G, Pepsi Twist ® -P e Sprite Light ® SL) em provocar a erosão do esmalte
dentário e correlacionar o % de PDS com as concentrações de flúor e fosfato,
capacidade tampão e pH das bebidas testadas. O pH e a capacidade de tampão foram
determinados usando um eletrodo de vidro e pela adição de volumes de NaOH
necessário alterar o pH da bebida em uma unidade, respectivamente. Através de
espectrofotometria a foi determinada a concentração de fosfato e usando um eléctrodo
específico a concentração de flúor. Cem espécimes de esmalte bovino foram
aleatoriamente e igualitariamente divididas em de 5 grupos. Eles foram expostos a 4
ciclos de desmineralização nas bebidas e remineralização em saliva artificial. O
amolecimento do esmalte foi mensurado pelo % PDS. Os resultados exibiram que o %
médio de PDS para os respectivos grupos foram: C=77.27%, CL = 72.45%,
31
SL=78.43%, G=66.65% e P=67.95%. Comparando a % PDS promovida pelos 5
refrigerantes, SL = C > CL > P = G (P <.05). Não houve correlação significativa entre a
PDS e pH, capacidade tampão, teor de fosfato e flúor nas bebidas testadas. Desta forma,
os autores concluíram que os cinco refrigerantes causaram erosão de esmalte. Em
relação às variáveis químicas testados, apesar de não ser estatisticamente significante o
pH parece ter mais influência sobre o potencial erosivo das bebidas testadas.
Aidi, Bronkhorst e Truin (2008) realizaram um estudo longitudinal com o
objetivo de estimar a prevalência, incidência, progressão, e a distribuição de erosão
dental em jovens adolescentes durante um período 18 meses. A amostra foi constituída
por 1012 crianças com idades entre 10 e 12 anos. Verificou-se uma prevalência de
erosão dental de 32,2% envolvendo apenas o esmalte, sem que houvesse diferenças
estatísticas entre os gêneros. Quanto à incidência observou-se uma elevação para 42,8%
num período de 18 meses, com 2,6% das crianças exibindo erosão em dentina, sendo o
gênero masculino significantemente mais afetado. Das crianças livre de erosão dental,
24,2% desenvolveu a lesão. Concluiu-se que na população estudada não foi encontrada
erosão dental severa. Entretanto aos níveis de prevalência, especialmente incidência e
progressão suscita preocupações. Assim, o acompanhamento destes adolescentes com
os sinais iniciais de erosão dental, bem como um elevado nível de consciência por parte
dos dentistas, é recomendado.
O objetivo de Bolan, Ferreira e Vieira (2008) neste trabalho foi avaliar in vitro os
efeitos erosivos de gomas de mascar em esmalte decíduo e permanente. Foram obtidos
80 blocos de esmalte 40 de esmalte primário e 40 permanente que foram distribuídos
em oito grupos. Os grupos foram divididos de acordo com o tipo de substrato dental
(primário ou permanene), frequencia de exposição da substância ácida (2x ou 4x/dia), e
concentração (pura ou diluida). O tempo de exposição aos ácidos da goma de mascar
(Adams, Brasil) em temperatura ambiente foi de 5 minutos com agitação (velocidade de
7200rpm) durante 5 dias. O grupo D1 e P1 foram expostos a uma gota da substância
ácida duas vezes por dia (9:00 am e 3:00 pm). O grupo D2 e P2 foram expostos a
substância ácida diluida em 10ml de saliva artificial duas vezes por dia (9:00 am e 3:00
pm). O grupo D3 e P3 foram expostos a uma gota da substância ácida quatro vezes por
dia (9:00 am; 11:00 am; 1:00 pm e 3:00 pm). O grupo D4 e P4 foram expostos a
substância ácida diluida em 10ml de saliva artificial quatro vezes por dia (9:00 am;
11:00 am; 1:00 pm e 3:00 pm). Logo após estes procedimentos, as amostras foram
32
lavadas em água destilada por 20 segundos, e individualmente imerssas em 10 ml de
saliva artificial, e guardadas em 37ºC até o próximo experimento. Todos os grupos
apresentaram uma significativa redução de sua dureza superficial (P< 0,001), mas
nenhuma diferença relacionada com a frequencia. Foi encontrado um diferença
estatística entre o grupo D1 e D2 (P= 0,002), e D3 e D4 (P= 0,009) relacionado a
concetração da substâcnia. A substância diluida causou uma maior diminuição da
microdureza em esmalte primário do que a forma pura concentrada. Não houve
diferença entre esmalte primário ou permanente. Assim concluiu-se que os ácidos
usados nas gomas de mascar, tanto da forma pura quanto diluida, promove uma
significante alteração na microdureza do esmalte primário e permanente e quando a
substância ácida é diluida em saliva artificial a desmineralização é ainda maior.
Ehlen et al., (2008), entende que as bebidas ácidas podem aumentar o potencial
de erosão dentária, este estudo se propôs a mensurar o pH e a acidez titulável de bebidas
populares nos Estados Unidos. Também teve como objetivo analisar a associação entre
pH e acidez titulável com a profundidade das lesões provocadas no esmalte e nas
superfícies radiculares. O pH de sucos concentrados, soda não diet, diet soda e as
bebidas desportivas após abertas, e a acidez titulável tanto após abertas e após 60
minutos foram medidos. Para tanto, as superfícies do esmalte e da raiz de molares e
premolares permanentes saudáveis foram expostas individualmente a diferentes bebidas
por um período de 25 horas, sendo ao final a erosão mensurada usando um microscópio
de luz polarizada medindo a distância entre a superfície dentária sadia e a parte mais
profunda da região desmineralizada. Os resultados mostraram que todas as bebidas
foram ácidas; a acidez titulável das bebidas energéticas foi maior do que as sodas não
diet e diet e que estas foram superiores as dos sucos concentrados e bebidas desportivas
(P<0.05). Gatorade, seguido por Red Bull e Coca-cola foram às bebidas que
provocaram maior perda de esmalte, sendo superiores a Coca-cola diet e sucos de maçã
concentrados (P <0,05). As lesões profundas das raízes foram maiores para o Gatorade
seguidas de Red Bull, Coca-cola, sucos de maçã concentrados e Coca-cola diet
(P<0,05). As lesões profundas não foram associados com pH ou a acidez titulável.
Assim os autores concluíram que as bebidas populares nos Estados Unidos podem
produzir erosão dental.
O objetivo de Hara e Zero (2008) deste estudo foi comparar as propriedades
químicas e o potencial erosivo de bebidas comercialmente disponíveis, com e sem
33
cálcio. A ocorrência e a evolução da desmineralização no esmalte podem ser reduzidas
pela presença de seus produtos de reação, como cálcio. Portanto, neste estudo foi testada
a hipótese de um menor potencial erosivo quando as bebidas continham cálcio na
composição. Para tanto, dez bebidas disponíveis comercialmente, cinco com cálcio e
cinco sem suplementação, foram testados em duas fases. Na primeira fase, o pH,
capacidade tampão, e as concentrações de cálcio (total e iônico), de fósforo e flúor,
foram analisados. Na segunda fase, a capacidade das bebidas testadas provocarem
erosão dental foi mensurada em diferentes tempos. Os resultados mostraram que dentro
das propriedades químicas testadas, o pH, o teor do íon de cálcio e a concentração total
de cálcio mostrou uma forte correlação com desmineralização e o desgaste do esmalte.
Os menores níveis de desmineralização e desgaste do esmalte foram encontrados para as
bebidas que continham cálcio, em relação às sem cálcio. O conteúdo do íon de cálcio,
bem como o pH, foram considerados bons preditores do potencial erosivo das bebidas
testadas. Em conclusão, este estudo reforçou que o potencial erosivo das bebidas
testadas pode ser caracterizado pela análise de suas propriedades químicas. O íon cálcio
foi eficaz na redução do potencial erosivo da maioria das bebidas testadas, enquanto o
efeito de fósforo e flúor em associação com cálcio, foram menos evidentes e devem ser
investigados. A suplementação de bebidas ácidas com sais, especialmente contendo
cálcio sugere reduzir seu potencial erosivo, isto é interessante pois existe à crescente
necessidade de maior consumo desse sal para satisfazer as necessidades nutricionais
diárias.
Lussi et al., (2008) estudaram se a ação ácida predomina sobre o processo de
remineralização, há então a manifestação clínica da erosão dentária. A perda de
estrutura dentária é acelerada quando associada à abrasão e∕ou um processo de atrito. O
consumo de refrigerantes e sucos de frutas está em crescimento constante na Europa e
representa mais de 50% do consumo de bebidas não alcoolicas. Sendo a ação salivar e o
consumo de bebidas e alimentos contendo cálcio e o fosfato são muito importantes
para proteção dentinária. Algumas propriedades protetoras da saliva no ataque ácido
são: diluição ácida, decomposição ácida, neutralização ácida e redução da dissolução do
esmalte pela presença dos íons de cálcio e de fosfato na saliva, remineralizando e
formando uma película que quanto mais grossa for menos prejuízo na estrutura dental
pelo ataque ácido irá ocorrer. Porém fatores do paciente podem modificar alguns dados
como, a natureza do consumo de bebidas erosivas (tomar aos goles, chupar, com∕sem
canudo) deteminando a frequência e duração como a localização do ataque ácido e
34
quanto a aparência da erosão. Uma discussão detalhada com o paciente pode levantar
informações sobre a etiologia da erosão. Frequentemente uma consulta não é o
suficiente para o paciente ter realmente certeza de sua ingestão ácida. Assim pode-se
adotar de vários métodos sendo um importante e de fácil aplicabilidade o diário
alimentar por alguns dias. Quando, como
e quanto está este paciente ingerindo
alimentos ácidos entre suas refeições principais e intermediárias. E análise da saliva
quanto sua produção e capacidade tampão são protocolos que sempre deverão ser
execultado para pacientes com erosão dental. Sendo que o profissional deverá
aconselhar a não escovar os dentes logo após a ingestão de alimentos ácidos. Não
esquecendo que as cáries ainda são o principal problema, e o dente deve ser limpo logo
em seguida a ingestão cariogênica, por isso o profissional deverá avisar qual será
melhor maneira profilática de seu paciente.
O trabalho de Magalhães et al., (2008) teve como objetivo relatar dois casos
clínicos. A erosão dentária é definida como perda irreversível de estrutura dentária
devido a um processo químico sem envolvimento de microorganismos. Este processo
químico é decorrente da atuação de ácidos de origem extrínseca ou intrínseca. Os
fatores extrínsecos e intrínsecos; que incluem principalmente o consumo de bebidas
ácidas e problemas gastro-esofágicos, respectivamente; atualmente têm sido
responsáveis pelo aumento na incidência da erosão. Estudos clínico de erosão dentária
em indivíduos que consumiam sucos de frutas mais de duas vezes ao dia, refrigerantes,
vinagres ou isotônicos diariamente tinham maior risco de apresentarem a lesão. Isto
também foi verdadeiro para indivíduos que apresentavam problemas gástricos e baixo
fluxo salivar. Apesar da dificuldade e despreparo do Cirurgião Dentista para
diagnosticar a erosão dentária, estudos clínicos mais recentes têm mostrado um aumento
na incidência desta lesão, principalmente em crianças. Este aumento na incidência se
deve especialmente às mudanças de esb tilo de vida da população. Com o acúmulo de
tarefas e falta de tempo, as pessoas estão consumindo mais produtos industrializados
tais como alimentos e bebidas prontas, os quais apresentam componentes ácidos. O
primeiro caso é de uma criança de 6 anos de idade, cuja face palatina dos incisivos
decíduos superiores apresentava severos desgastes e, em alguns dentes era possível
visualizar a polpa por translucidez. O outro caso é de uma criança de 8 anos de idade
que apresentava desgaste em todos os dentes decíduos superiores e inferiores. O
principal fator etiológico no primeiro caso foi o freqüente consumo de bebidas ácidas e
35
no segundo caso foi refluxo gastroesofágico. Na era da odontologia preventiva, o
decréscimo da prevalência de cárie, especialmente nos países desenvolvidos, tem
permitido a constatação da ocorrência de outras alterações bucais, como o desgaste
dentário que vem crescendo em sua prevalência nos últimos anos. Os fatores extrínsecos
tem demonstrado alta associação com o aumento da prevalência da lesão, e para mudar,
a utilização da educação e instalação de protocolos preventivos são importantes, pois
crianças que apresentam erosão dentária na dentição decídua são mais propensas há
apresentarem na dentição permanente. O uso racional das bebidas ácidas, através da
diminuição da ingestão das mesmas entre refeições, deve ser abordada. Além disso,
deve-se aconselhar aos pacientes a ingerir bebidas em canudos, para diminuir o contato
do ácido com o esmalte dentário. Uma outra medida seria a estimulação da salivação
pelo uso de chicletes ou ingestão de alimentos alcalinos e ricos em cálcio (queijo e
leite), após o consumo de bebidas ácidas e vômitos. Além disso, é aconselhável esperar
pelo menos uma hora para escovar os dentes, após a ingestão de bebidas ácidas e
ocorrência de vômitos, permitindo que a saliva possa remineralizar a lesão de erosão e
assim minimizar a ação somatória da erosão e abrasão. O controle de problema
gastroesofágico e uso de soluções alcalinas após episódios de vômitos e regurgitações
também devem ser indicados. O procedimento realizado foi a orientação aos pais para
prevenção de novas lesões, principalmente nos dentes permanentes, não foram
realizados tratamentos restauradores devido as características sintomatológicas e
clínicas dos dentes afetados.
Rios et al. (2008) investigaram in situ, utilizando microscópia eletrônica de
varredura os efeitos do estímulo da salivação sobre a erosão e abrasão em dentina
humana e bovina submetidas à erosão seguida pela escovação imediatamente ou após
uma hora. Durante 2 dias experimentais e 7 fases de cruzamento, 9 voluntários
previamente selecionados usaram dispositivos intraoral e palatal, com 12 amostras de
esmaltes (6 humana e 6 bovinas). Na primeira fase, os voluntários imergiram o
dispositivo em 150 ml de Coca Cola por 5 minutos, 4 vezes ao dia (8:00, 12:00, 16:00 e
20:00). Imediatamente após a imersão, nenhum tratamento foi realizado nas 4 amostras
(ERO), e 4 outras amostras foram imediatamente escovadas (0 min) utilizando um
dentifrício com flúor e o dispositivo foi recolocado na boca do voluntário. Após 60
minutos, as outras 4 amostras foram escovadas. Na segunda fase, os procedimentos
foram realizados, mas depois da imersão, os voluntários mascaram chicletes sem açúcar
durante 30 minutos para estimular o fluxo salivar. As alterações superficiais do esmalte
36
de todas as amostras foram avaliadas por meio de um microscópio eletronico de
varredura. A dissolução do núcleo do prisma do esmalte foi visto nas superfícies
submetidas à erosão, enquanto naquelas que foram submetidas à erosão e à abrasão
(ambos a 0 e 60 min) a superfície do esmalte apresentava-se mais homogenea,
provavelmente devido à remoção da camada superficial do prisma alterada. Tanto o tipo
de substrato quando a estimulação salivar. Os autores concluíuram que um fluxo salivar
estimulado não resultou em um padrão diferente de desmineralização. A abrasão por
escovação sob o esmalte erosionado, independentemente de ser realizada imediatamente
ou depois de uma hora, resultou em uma menor alteração do esmalte. Tanto os
substratos humanos como bovinos foram adequados para investigar erosão/abrasão.
Waterhouse et al. (2008) investigaram a associação entre erosão dentária e o
consumo regular de alimentos e bebidas ácidas em escolares no sudeste do Brasil. As
informações foram obtidas por meio de um questionário sobre a frequência de ingestão
e padrões de consumo de alimentos e bebidas ácidas, compondo uma amostra de 458
escolares, com idade média de 13,8 anos, seguindo do exame dentário para identificar a
erosão dental. Verificou-se que as crianças que consumiam diariamente refrigerantes
tinham uma maior prevalência de erosão, sendo este dado estatisticamente significante
em relação aos que tinham um baixo consumo. A experiência de erosão decresceu com
o consumo de chás e em relação ao padrão 6 de consumo alimentar, o fato de mascar
chicletes diariamente estava associada a uma mais alta experiência de erosão. Os
autores sugerem que haja aconselhamento dietético para favorecer a saúde oral e geral,
desencorajando o consumo de refrigerantes e encorajando o de frutas e vegetais.
No estudo de Zandin et al., (2008) diz que a dieta dos pacientes tem sido
considerado um importante fator etiológico da hipersensibilidade dentinária. A
frequente ingestão de substâncias ácidas pode promover a perda de estrutura dental ou
remoção do esfregaço dentinário. A hipersensibilidade dentinária pode ser descrita
como uma condição dolorosa comum decorrente da exposição dentinária em resposta a
agentes químicos, térmicos, palpável, ou de osmose estímulos que não pode ser
explicada como resultante de qualquer outro tipo de defeito ou patologias dentais. O
objetivo deste trabalho foi avaliar o grau de eliminação do esfregaço dentinário e
exposição túbulos dentinários por diferentes sucos naturais de laranja. Vinte e cinco
dentes humanos recém-extraídos por motivos de doença periodontal foram utilizados.
Um total de 70 amostras foram utilizadas e aleatoriamente divididas em controle
37
negativo (água destilada) e seis grupos experimentais de sucos naturais de laranja:
Laranja Lima, Lima, laranja-da-baía, laranja de valência, mandarina e tangerina. Cada
grupo experimental e o grupo controle consistiu de 10 amostras, subdividido em 2
grupos de 5 amostras cada. Suco de fruta foi aplicado às amostras por uma das seguintes
métodos: tópico e tópico com atrito. Após a sua preparação para análise microscópia
eletrônica de varredura, as fotomicrografias foram avaliadas por um examinador
calibrado utilizando um sistema de índice. O teste de Kruskal-Wallis indicou uma
influência significativa da sucos de laranja na remoção do esfregaço dentinário. Houve
diferença significativa entre o suco de laranja-da-baía, laranja de valência, mandarina e
tangerina e o grupo controle (p < 0,05). Estes sucos de laranja resultaram numa maior
remoção do esfregaço dentinário e uma maior abertura dos túbulos dentinários. A
comparação entre os métodos para cada grupo utilizando o teste de Mann-Whitney
mostrou que atrito aumentou a remoção do esfregaço dentinário de modo significativo
apenas para suco de laranja lima e lima. Os dados sugerem que determinados sucos
naturais de laranja são mais eficazes em termos de remoção do esfregaço dentinário e
exposição de túbulos dentinários que outros. Concluiu-se que os sucos de laranja-dabaía, laranja de valência, mandarina e tangerina são mais eficazes em termos remoção
do esfregaço dentinário e exposição túbulos dentinários em comparação com laranja
lima e lima. E escovar dentes sem dentifrício tende a melhorar a remoção do esfregaço
dentinário após exposição ao suco de laranja com exceção laranja-da-baía.
O objetivo Araújo et al., (2009) neste estudo foi observar a ocorrência de erosão
dental em um grupo de crianças de 5 a 12 anos de idade, da cidade do
Recife/Pernambuco e sua associação com o consumo de bebidas industrializadas. A
amostra foi composta por 970 crianças e a coleta de dados abrangeu entrevistas e
exames clínicos. Considerou-se como erosão dental a presença de lesões cervicais em
superfícies vestibulares com as seguintes características clínicas: lesões largas, rasas,
sem ângulos nítidos, com superfície lisa e em forma de “U”. Para a análise estatística foi
utilizado o teste Qui-quadrado de Pearson. Os resultados exibiram que a ocorrência de
erosão dental na amostra estudada foi de 3,4%, sendo 2,4% para a dentição decídua e
1,8% para a dentição permanente. Tanto na dentição decídua, quanto na permanente, a
erosão dental foi associada ao consumo de bebidas industrializadas (P=0,02) e de
refrigerantes especificamente (P=0,004). No presente estudo foi observado que os
dentes decíduos foram mais afetados por erosão que os dentes permanentes. A erosão
na dentição decídua pode ser considerada um preditor de erosão dental em dentição
38
permanente, que alerta para a necessidade de orientação que pode contribuir para
prevenir e controlar o desgaste do dente. Neste estudo, o consumo de bebidas
industrializadas, especialmente refrigerantes ingeridos com uma frequência de pelo
menos três vezes por semana, tinham uma associação estatisticamente significativa com
a ocorrência de erosão dentária. Deste modo, o aumento do consumo de bebidas
industrializadas tem sido associada a um aumento da prevalência de erosão dentária em
populações cada vez mais jovem. A ocorrência de erosão dentária foi baixa na
população estudada em ambas as dentições decíduas e permanentes, sugerindo que este
tipo de condição não constitui um problema de saúde pública para este grupo. Neste
estudo, a erosão dentária foi revelada significativamente associada com o consumo de
bebidas industrializadas, especificamente com o consumo de refrigerantes.
Farias et al., 2009 descreveram a perda de minerais em razão da dissolução da
superfície dental pela ação química de ácidos de origem não bacteriana. Além disso, a
concentração de cálcio, fosfato e, em menor grau, o teor de fluoreto de uma bebida ou
alimento são fatores importantes que influenciam no seu potencial erosivo. Já ingestão
durante o sono potencializam o agente erosivo, visto que essas bebidas ficarão
estagnadas sobre os dentes por mais tempo, em virtude da diminuição do reflexo da
deglutição e do fluxo salivar, o que reduz a capacidade de tamponamento da saliva.
Com o aumento da oferta e da procura por produtos industrializados, rotineiramente
surgem no mercado novos produtos, cujo potencial erosivo é desconhecido. Então a
odontologia restauradora alia-se de forma crescente à odontologia preventiva, no intuito
de tratar o paciente de forma integral, não apenas interferindo nas consequências, mas
principalmente nas causas das patologias. Neste contexto se insere a abordagem da
erosão dental, que pode trazer sérios danos à saúde bucal. A capacidade destas bebidas
de dissolverem os tecidos duros do dente está diretamente relacionada à presença de
ácidos em sua composição. Além disso, outros fatores inerentes a estas bebidas como
pH, capacidade tampão, tipo de ácido, concentração de ácido não dissociado, presença
de íons como cálcio, fosfato, flúor e todos os cátions interferem aumentando ou
diminuindo o seu poder de dissolução. Apesar da grande oferta de alimentos e bebidas
ácidas, o padrão de consumo é relevante para que as lesões de erosão se mostrem
clinicamente. Assim, algumas medidas, como evitar seu consumo desregrado tendo o
leite e a água como uma fonte paralela de líquidos, evitar ofertar estas bebidas em
mamadeiras e durante o sono, estimular o uso de canudos, não escovar os dentes logo
após sua ingestão, usar dentifrícios com baixa abrasividade, usar soluções fluoretadas e
39
diluir estas bebidas, são condutas que, quando tomadas em conjunto, ajudam a prevenir
estas lesões.
Hanan e Marreiro (2009) realizaram um estudo com o objetivo de determinar o
pH de refrigerantes, sucos de frutas e iogurtes industrializados na cidade de ManausAmazonas, consumidos pela população local, comparando os valores do pH dos
produtos, segundo o tipo e o sabor, bem como em relação ao pH crítico de
desmineralização. A amostra foi constituída de vinte e duas marcas comerciais de
bebidas, divididas em 3 grupos (sucos, iogurtes e refrigerantes) adquiridas em
supermercados da cidade de Manaus. Foram obtidas 4 unidades de cada produto, sendo
duas do mesmo lote. Avaliou-se o pH utilizando-se um medidor de pH calibrado, logo
após a quebra do lacre dos produtos e após 5 minutos. Os dados foram submetidos à
análise de variância de ANOVA para demonstrar diferenças estatisticamente
significantes entre os grupos de bebidas e sabores destas. Através dos resultados
obtudos observou-se que, em média, os iogurtes apresentaram maiores valores de pH
que os refrigerantes e sucos industrializados. O pH variou de 4,24 a 2,44, para o iogurte
Fazendinha® sabor morango e o refrigerante Gury Cola®, respectivamente. O suco de
pêssego apresentou o valor de pH mais elevado seguido dos sabores maracujá, frutas
cítricas e uva. Quanto aos iogurtes, o sabor de maior pH correspondeu ao sabor
morango seguido de côco, abacaxi e banana. Dentre os sucos de frutas, a maior média
de pH observada foi para o suco Top Fruit® de pêssego correspondente a 3,77 e a
menor foi registrada para o suco Tampico® de uva (2,78), observando-se diferença
estatisticamente significante entre as duas bebidas, o que não ocorreu entre os sucos
Tampico® frutas cítricas (2,91) e Top Fruit® maracujá (2,96). Ao autores concluíram
que os refrigerantes, sucos e iogurtes analisados mostraram valores abaixo do pH crítico
de dissolução da estrutura dental, sugerindo a possibilidade de desmineralização dental,
demonstrando potencial para gerar lesões de erosão dentária. Das bebidas investigadas,
os iogurtes apresentaram maiores valores de pH, quando comparados aos sucos
industrializados e aos refrigerantes. Os sabores banana e uva dos iogurtes e sucos,
respectivamente, alcançaram as menores médias de pH, assim como os refrigerantes a
base de cola.
O estudo in situ de Kato et al., (2009) avaliou o efeito protetor do chá verde em
processos de erosão e erosão/abrasão dentinária. Para tanto, dez voluntários usaram
aparelhos intraorais com amostras de dentina de bovina submetida a erosão (ERO) ou
40
erosão + abrasão com a escovação dos dentes realizada imediatamente (ERO+I-ABR)
ou 30 minutos depois da erosão fazer a escovação (ERO+30-min-ABR). O chá verde
reduziu o desgaste da dentina significativamente para todas as condições em relação ao
controle. ERO+I- ABR foi significativamente maior que ERO, mas não foi
significativamente diferente da ERO+30-min-ABR. A ERO+30-min-ABR provocado
foi significativamente maior que ERRO, somente quando usado o tratamento com
placebo. A partir dos resultados deste estudo o autor pode concluir que o chá verde pode
reduzir o desgaste da dentina sob o processo de erosão/abrasão, mas mesmo assim devese esperar estudos adicionais para confirmação do seu mecanismo de ação sobre este
processo. Se isto for confirmado, que o mecanismo de ação do chá verde sobre a
redução do desgaste da dentina ocorre via inibição de metaloproteases, isso abrirá uma
nova perspectiva para a prevenção/tratamento dessas lesões, através da concepção de
novos produtos contendo inibidores de metaloproteases.
A erosão dental é definida como a perda de tecido dental duro pela exposição
ácida, sem que aja envolvimento bacteriano. A etiologia da erosão está é relacionada a
fatores comportamentais, biológicos e químicos diferentes. Baseado em uma revisão de
literatura, Magalhães et al. (2009), apresentaram um sumário das estratégias preventivas
relevantes para os pacientes que sofrem da erosão dental. Os fatores comportamentais,
tais como hábitos especiais na ingestão de bebidas, fatores relacionados ao estilo de vida
ou exposição ácida ocupacional, poderão modificar a extensão da erosão dental. Assim,
as estratégias preventivas têm que incluir medidas para reduzir a frequência e a duração
da exposição ácida tanto quanto medidas adequadas de higiene oral, pois, sabe-se que as
superfícies erosionadas são mais suscetíveis à abrasão. Os fatores biológicos, tais como
a saliva ou o película adquirida, agem de forma protetora contra a desmineralização
erosiva. Consequentemente, a produção de saliva deve ser realçada, especialmente nos
pacientes com hiposalivação e xerostomia. No que diz respeito aos fatores químicos, a
modificação de soluções ácidas com íons, especialmente cálcio, tem mostrado redução
na demineralização, mas sua eficácia depende de outros fatores químicos, tais como o
tipo de ácido. Para realçar o remineralização de superfícies erosionadas e para impedir
uma progressão adicional do desgaste dental, as aplicações de produtos fluoretados em
concentrações elevadas são recomendadas. Atualmente, pouca informação está
disponível sobre a eficácia de outras estratégias preventivas, tais como a aplicação do
cálcio e do laser, tanto quanto o uso de inibidores do metaloproteinases da matriz. De
acordo com o revisado os autores concluíram que as estratégias preventivas para os
41
pacientes que sofrem da erosão são obtidas principalmente dos estudos in vitro e in situ
e incluem aconselhamento dietético, estimulação do fluxo salivar, otimização no uso de
fluoretos, modificação de bebidas erosivas e medidas orais adequadas da higiene.
Mangueira et al., (2009) estimam que a prevalência de erosão dentária e
identificar fatores etiológicos associados ao surgimento e desenvolvimento desta
condição dental em escolares de 6 a 12 anos na cidade de João Pessoa, Paraíba foram os
objetivos deste estudo. A amostra foi composta de 250 escolares da rede educacional
pública e privada. Para o exame clínico, utilizou-se um índice específico para erosão
dentária. A análise estatística foi feita pelo pacote estatístico para ciências sociais versão
13.0, sendo o valor de p<0,05 considerado estatisticamente significativo. Os resultados
exibiram que na amostra examinada, 51,6% eram do sexo masculino e 48,4% eram do
sexo feminino; 39,2% pertenciam às escolas da rede pública e 60,8% às escolas da rede
privada. A prevalência de escolares com pelo menos um dente afetado pela erosão foi
de 21,6%. Não houve diferença significativa entre os sexos (p=0,335) nem entre o tipo
de escola (p=0,958). Em um modelo de regressão logística, idade (p=0,008) e consumo
de suco industrializado (p=0,030) foram as únicas variáveis significativas. Nos
elementos com erosão dentária, a superfície mais afetada foi a palatina, com 32%. Dos
quatro níveis de severidade observados, 66,7% foram classificados no grau mais leve.
Setenta e sete por cento dos dentes afetados apresentaram menos da metade de área
superficial afetada. Os autores concluíram que a prevalência de erosão dentária nessa
população é elevada e com baixa severidade, e que o consumo de suco industrializado
foi o fator associado mais relevante para o desenvolvimento das lesões de erosão.
Catelan, Guedes e Santos (2010) realizaram uma revisão de literatura
conceituando erosão dental e suas implicações sobre a sáude bucal. A erosão dental
descreve o resultado físico de uma perda patológica, crônica, localizada e assintomática
dos tecidos dentais duros pelo ataque químico da superfície do dente por ácido e/ou
quelante, sem o envolvimento de bactérias. Quanto a classificação pode ser baseada na
etiologia, sendo dividida em: erosão extrínseca resultado de ácidos exógenos; erosão
intrínseca resulta de ácidos endógenos; erosão idiopática quando o diagnóstico não se
faz possível por meio de exames clínicos ou da anamnese. O diagnóstico depende de um
exame clínico bem realizado e de uma anamnese criteriosa, uma vez que, o estágio da
lesão é de extrema importância para o sucesso do tratamento a ser empregado. Durante
a anamnese devem-se considerar os hábitos alimentares, distúrbios gastrintestinais, uso
42
de medicamentos, disfunção de glândulas salivares, exposição a meios ácidos durante o
trabalho e hábitos durante a higiene bucal. Para redução das lesões de erosão podem se
realizar bochechos com bicarbonato de sódio, consumo de produtos como leite e queijo
e mastigação de goma de mascar contendo ureia ou bicarbonato, com o objetivo de
neutralizar os ácidos, diminuir a frequência de consumo de comidas ácidas e restringir
seu consumo juntamente com as refeições, escovação dental logo após o contato dos
dentes com ácidos deve ser evitada, pode também estar indicando o uso de saliva
artificial para pacientes com baixo fluxo salivar. É de extrema importância reconhecer
as lesões de erosão no seu estágio inicial, utilizando-se de uma anamnese detalhada e
um criterioso exame clínico, com o objetivo de identificar o fator etiológico no sentido
de impedir sua progressão e instituir um plano de tratamento restaurador quando
necessário, encaminhando o paciente a outro profissional quando pertinente.
Furtadoet al., (2010) revisaram a literatura e discutiram o efeito isolado e
combinado de propriedades físico-químicas relacionadas ao potencial erosivo de
bebidas ácidas. Do ponto de vista físico-químico, o tipo de ácido, pH, acidez titulável,
potencial quelante, concentração de cálcio e fosfato, temperatura e adesividade podem
influenciar o potencial erosivo das bebidas ácidas. Individualmente, o pH, acidez
titulável e conteúdo de cálcio são os parâmetros que melhor revelam a capacidade das
bebidas em proporcionar a dissolução mineral da estrutura dental. Foi descrito que em
contato com a saliva, ácidos presentes em bebidas erosivas dissociam-se liberando íons
hidrogênio (H+). Consequentemente, o pH do meio bucal fica abaixo dos pHs críticos
de dissolução do esmalte e da dentina. Assim, o meio torna-se subsaturado em relação
aos íons cálcio e fosfato que compõem os cristais de apatita carbonatada, hidroxiapatita
e apatita fluoretada, provocando a dissolução mineral da estrutura dental, o que se
processa pela ligação do H+ ao carbonato e/ou ao fosfato dos cristais de apatita. Além
do efeito ocasionado pelos íons H+, a erosão dental manifesta-se pela perda mineral
desencadeada pela complexação do cálcio com ânions. A acidez titulável é a capacidade
de uma bebida ácida maner seu pH original sendo que as bebidas erosivas possuem uma
elevada acidez titulável. O conteúdo de cálcio, fosfato e flúor também interferem na
erosividade de uma bebida, uma vez que, as substâncias supersaturadas em relação ao
tecido dental não provocam dissolução mineral, ao passo que soluções subsaturadas
levam à desmineralização. Produtos enriquecidos com cálcio proporcionam menor
desmineralização e desgaste dental em relação a formulações equivalentes que não
43
contenham esse íon. Já com relação ao fosfato não há consenso sobre sua correlação
com a perda mineral do esmalte. Quanto a caseína, esta pode ser considerada protetora
pois uma fina camada dessa fosfoproteína formada sobre a superfície dental pode agir
como uma barreira, restringindo o acesso de íons hidrogênio, impedindo a perda de
cálcio e fosfato da hidroxiapatita. As moléculas de caseína também podem se ligar à
superfície do cristal, prevenindo a perda iônica. Quanto aos aspectos físicos, destaca-se
a temperatura. Temperaturas baixas estão associadas a redução da dissolução do
mineral, ao passo que temperatura ambiente ou alta estão relacionadas a um aumento
do potencial erosivo. Para uma caracterização mais precisa do potencial erosivo de
bebidas ácidas, deve-se considerar a interação entre seus diferentes aspectos físicoquímicos.
44
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