0 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ JEISON GABREL DA SILVA MENSURAÇÃO DA ACIDEZ DE BEBIDAS INDUSTRIALIZADAS NÃO LÁCTES DESTINADAS AO PUBLICO INFANTIL Itajaí 2012 1 JEISON GABREL DA SILVA MENSURAÇÃO DA ACIDEZ DE BEBIDAS INDUSTRIALIZADAS NÃO LÁCTES DESTINADAS AO PUBLICO INFANTIL Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial à obtenção do título de cirurgiãodentista, na Universidade do Vale do Itajaí, Centro de Ciências da Saúde Orientadora: Professora Gouveia Farias. Itajaí 2012 Maria Mercês Aquino 2 JEISON GABRIEL DA SILVA MENSURAÇÃO DA ACIDEZ DE BEBIDAS INDUSTRIALIZADAS NÃO LÁCTES DESTINADAS AO PUBLICO INFANTIL Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado para a obtenção do título de cirurgiãodentista e aprovado pelo Curso de Odontologia, da Universidade do Vale do Itajaí, Centro de Ciências da Saúde. Área de concentração: Odontologia Social e Coletiva. Itajaí, 20 de setembro de 2012. Professora MSc Maria Mercês Aquino Gouveia Farias UNIVALI – CCS – Curso de Odontologia Orientadora Professora MSc Beatriz Helena Eger Schmitt UNIVALI – CCS – Curso de Odontologia Membro Professora MSc Eliane Garcia da Silveira UNIVALI – CCS – Curso de Odontologia Membro 3 Mensuração da acidez de bebidas industrializadas não lácteas destinadas ao público infantil Measurement of acidity levels in industrialized non-dairy beverages intended for children Resumo O frequente e excessivo consumo de alimentos e bebidas ácidas estão associados com o aumento do risco para erosão dental. Este estudo objetivou determinar o pH e a acidez titulável de bebidas industrializadas não lácteas destinadas ao público infantil. Foram analisadas as marcas comerciais Del Valle Kapo® bebida da fruta, Del Valle Néctar®, Sufresh® e Ades Nutrikids®, totalizando 18 sabores. Uma água mineral sem gás foi usada como controle. Para cada sabor, foram obtidas 05 embalagens. A mensuração do pH inicial foi realizada utilizando um potenciômetro e eletrodo combinado de vidro (Tec-2 Tecnal). Para a verificação da acidez titulável, alíquotas de 100 µL de NaOH 1 N foram adicionadas às bebidas até alcançar pH 5,5. Constatou-se que apenas os sabores morango e chocolate (Ades Nutrikids®) apresentaram pH próximo à neutralidade, diferindo estatisticamente dos demais, que exibiram pH 5,5. O pH inicial das bebidas analisadas variou entre 2,54 (morango Sufresh®) e 7,27 (morango Ades Nutrikids®). As curvas de titulação demonstraram capacidade tampão intrínseca variada, com os volumes de NaOH 1 N necessários para elevar o pH a 5,5 variando entre 1320 µL (morango Sufresh®) e 3280 µL (uva Del Valle Néctar®). Portanto, somente as bebidas Ades Nutrikids® (sabores morango e chocolate) não demonstraram potencial erosivo uma vez que todas as demais bebidas apresentaram valores de pH< 5,5. As bebidas Ades Nutrikids® (sabores laranja e uva) apresentaram o menor grau de acidez e as Del Valle Néctar® e Sufresh® (sabor uva) apresentaram o mais elevado. 4 Palavras-chave: Acidez; bebidas; concentração de íons hidrogênio; erosão dentária; hábitos alimentares. Abstract: Introduction: The frequent and excessive consumption of acidic food and drinks is associated with an increased risk of tooth erosion. Objective: To determine the pH level and titratable acidity of industrialized non-dairy beverages produced for children. Method: We analyzed eighteen flavours of beverages produced by the commercial brands Del Valle Kapo®, Del Valle Nectar®, Sufresh® and Ades Nutrikids®, and a still water was used as control. For each flavour, five packets of juice from the same batch were used. The initial pH was measured with a potentiometer and a combined glass electrode (Tec-2 Tecnal). The buffering capacity was evaluated by adding 100 µL of NaOH 1 N to the beverages until a pH of 5.5 was reached. Results: Only the strawberry and chocolate flavours (Ades Nutrikids®) showed pH close to neutral, with statistical difference from the others, which showed pH<5.5. The initial pH of the drinks analyzed ranged from 2.54 (strawberry Sufresh®) to 7.27 (strawberry Ades Nutrikids®). The titration curves showed varied buffering capacity, with volumes of NaOH 1 N necessarily to reach pH 5.5 ranging from 1320 µL (strawberry Sufresh®) to 3280 µL (grape Del Valle Nectar®). Conclusion: Ades Nutrikids® (Strawberry and chocolate flavours) did not show tooth erosive potential; all the other beverages showed pH<5.5; Ades Nutrikids® (orange and grape flavours) had lower levels of acidity; while Del Valle Néctar® and Sufresh® (grape flavour) had higher acidity levels. Keywords: Acidity; beverages; hydrogen-ion concentration; food habits; tooth erosion. 5 AGRADECIMENTOS A Deus, pois que com fé e esperança tudo fica um pouco mais fácil. À professora Maria Mercês, pela paciência na orientação, incentivo e inspiração no desenvolvimento de vários projetos científico durante minha história na faculdade. Ao grupo de pesquisa que nos ajudaram realizando algumas mudanças melhorando nosso trabalho na medida do possível. Ao professor David Tames e seus funcionários que nos cederam um espaço no seu laboratório para o desenvolvimento dessa pesquisa. A todos os professores e funcionários da UNIVALI do Curso de Odontologia, sem prescisar citar nomes em especial, pois todos, de certo modo, foram muito importantes na minha vida acadêmica. A minha dupla Giara, que dividiu vários momentos durante a faculdade, e sempre presente a ajudar e me surpreendendo o quanto era capaz de ser uma pessoa ainda melhor. E a todos os meus colegas. Ao Programa de Iniciação Científica Artigo170/Governo do Estado de Santa Catarina/ Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação, Extensão e Cultura da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI, que financiou a pesquisa. 6 SUMÁRIO 1 ARTIGO .......................................................................................................... 7 2 REVISÃO DA LITERATURA........................................................................ 22 3 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS……………………….…………… 44 7 Introdução A redução da prevalência da doença cárie tem sido observada nos últimos anos. Em contrapartida, observa-se uma significativa elevação na prevalência da erosão dental em indivíduos de todas as faixas etárias, incluindo os de pouca idade.1,2 O frequente e excessivo consumo de alimentos ácidos está associado ao aumento do risco para a erosão dental.3 Esta é definida como a perda irreversível dos tecidos dentários duros provocada por ácidos e/ou quelação química, sem que haja envolvimento bacteriano.4 Pode ser classificada de várias maneiras, todavia, a classificação mais comum baseia-se na sua etiologia, sendo denominada de extrínseca quando resulta da ação de ácidos exógenos provenientes de dieta, como o ácido cítrico contido em frutas frescas, sucos de fruta e refrigerantes. É intrínseca quando resulta da ação do ácido endógeno, o ácido gástrico que entra em contato com os dentes durante o vômito recorrente, regurgitação e refluxo. Quando os ácidos que produzem o desgaste dental são de origem desconhecida chama-se idiopática.5 A perda mineral do órgão dentário caracteriza-se por depressões côncavas, rasas, largas, lisas, altamente polidas.6,7 A saliva atua como um meio de defesa dos tecidos dentais através de mecanismos que reduzem as perdas minerais sofridas durante o processo erosivo. Entre eles, primeiramente tem-se o fluxo, que age na diluição e eliminação pela deglutição de ácidos presentes na cavidade bucal. Outro é a capacidade tampão, que participa da neutralização de produtos ácidos no meio bucal; depois há a concentração de íons cálcio e fosfato que reduzem a velocidade de dissolução mineral e precipitam-se durante a remineralização de lesões erosivas; finalmente, a película adquirida que reduz a perda mineral no início da dissolução ácida8. Assim, indivíduos com baixo fluxo salivar apresentam um risco cinco vezes maior de desenvolver lesões de erosão dentária.9 8 A erosão dentária é dependente das variações de pH. Os valores iguais ou menores que 5,5 são considerados “críticos” para dissolução do esmalte. 10 Dentro deste contexto, as bebidas ácidas destacam–se na etiologia da erosão dental. Os sucos de frutas industrializados são sistemas complexos que consistem de uma “mistura” aquosa de vários componentes orgânicos voláteis e instáveis, responsáveis pelo sabor e aroma do produto, além de açúcares, ácidos, sais minerais, vitaminas e pigmentos. Devido à composição rica em ácidos orgânicos, que geralmente apresentam valores de pH entre 2,0 e 4,5. O pH depende do tipo e concentração de ácido na fruta, da sua espécie, grau de maturação, entre outros fatores.11 Quanto à natureza da fruta, os sucos podem ser classificados em cítricos (obtidos da laranja, limão, tangerina e pomelo), tropicais (maracujá, caju, abacaxi, goiaba e manga) e outros (uva e maçã).12 Nos dias atuais dispõe-se de uma grande variedade de sucos de frutas prontos para beber (industrializados) muitos deles com rotulações voltadas para o público infantil. Sua disponibilidade e praticidade têm aumentado seu consumo entre crianças. Entendendo que há elevação na oferta destes produtos e que os apelos comerciais interferem na sua escolha, os objetivos deste estudo foram determinar o pH e a acidez titulável (capacidade tampão) de bebidas industrializadas não lácteas destinadas ao público infantil; comparar os valores obtidos de pH e acidez titulável (capacidade tampão) das bebidas analisadas; classificá-las quanto a sua acidez para orientar os usuários qual seria a melhor escolha para diminuir os danos aos seus dentes. 9 Materiais e métodos A amostra foi composta por bebidas não lácteas cujas embalagens estão direcionadas ao público infantil. Foram selecionadas três marcas comerciais, totalizando 18 sabores (quadro 1). Para cada sabor adquiriu-se em supermercados 05 embalagens de 200 mL, do mesmo lote. Uma água mineral sem gás (quadro 1) foi utilizada como controle por apresentar um pH próximo ao neutro. Quadro 1. Distribuição das bebidas avaliadas, fabricantes e descrição dos sabores. PRODUTO FABRICANTE SABORES Del Valle Kapo® (bebida da fruta) Companhia de Bebidas Ipiranga. Ribeirão Preto-SP-Brasil/ Mais Indústria de Alimentos S.A. Linhares –ESBrasil abacaxi, laranja, maracujá, morango e uva Del Valle Néctar® Mais Indústria de Alimentos S.A. Linhares - ES – Brasil goiaba, manga, pêssego, uva Sufresh Néctar® Wow Ind. e Com. Ltda. Caçapava–SP-Brasil maçã, morango, pêssego, uva, laranja Ades Nutrikids® Unilever Brasil Industrial Ltda. Pouso Alegre–MG-Brasil chocolate, morango, uva e laranja Vila Nova Água Mineral Natural Sem Gás Concessionária Ind. Vila Nova Ltda. Joinville-SC-Brasil Sem Sabor A mensuração do pH inicial foi realizada sob temperatura ambiente. Cada embalagem foi agitada manualmente por 15 segundos, coletando-se três amostras de 30 mL de cada uma delas. Para esses ensaios foi utilizado um potenciômetro e eletrodo combinado de vidro (Tec-2 Tecnal) fabricado por Tecnal Equipamentos para 10 Laboratórios Ltda. Piracicaba-SP-Brasil, previamente calibrado com soluções padrão pH 7,0 e pH 4,0, antes de cada leitura. Para a verificação da acidez titulável (capacidade tampão), foram coletados 50 mL de cada embalagem para as 5 titulações, adicionando-se alíquotas de 100 µL de NaOH 1 N, sob agitação constante (Agitador Magnético Fisaton), medindo-se subsequentemente o pH, até se alcançar pH 5,5. Os resultados foram submetidos a análise de variância ANOVA (p<0,00001) e as médias comparadas pelo teste estatístico Scott-knott (p<0,05). 11 Resultados As bebidas Ades Nutrikids® sabores morango e chocolate e a Água Mineral Vila Nova® (controle ) apresentaram pH acima de 5,5. Os valores de pH estão exibidos na tabela 2. Todas as demais bebidas exibiram pH 5,5 e variada capacidade tampão intrínseca. A tabela 3 mostra o volume necessário de NaOH 1 N para alcançar pH 5,5. 12 Tabela 2. Média dos valores do pH Bebidas pH DP Morango Ades Nutrikids® 7,27 a 0,02 Chocolate Ades Nutrikids® 7,20 a 0,03 Vila Nova Àgua Mineral® 6,32 b 0,03 Uva Ades Nutrikids® 4,22 c 0,01 Laranja Ades Nutrikids® 3,78 d 0,01 Uva Del Valle K® 3,59 e 0,02 Morango Del Valle K® 3,49 f 0,09 Laranja Sufresh® 3,46 g 0,10 Abacaxi Del Valle K® 3,44 g 0,01 Maracujá Del Valle K® 3,42 g 0,02 Goiaba Del Valle N® 3,42 g 0,01 Pessego Del Valle N® 3,40 g 0,10 Laranja Del Valle K® 3,35 g 0,01 Pêssego Sufresh® 3,23 h 0,04 Manga Del Valle N® 3,18 h 0,14 Maçã Sufresh® 3,07 i 0,01 Uva Del Valle N® 2,90 j 0,01 Uva Sufresh® 2,87 j 0,02 Morango Sufresh® 2,54 k 0,02 *Médias seguidas da mesma letra não diferem significativamente entre si pelo teste de Scott-Knott (p < 0,05). 13 Tabela 3. Média dos volumes (µL) de NaOH 1 N para alcançar o pH 5,5. Bebidas NaOH 1 N (µL) DP Uva Del Valle N® 3280 a 217 Laranja Del Valle K® 3220 a 45 Uva Sufresh® 2800 b 122 Abacaxi Del Valle K® 2420 c 110 Maracujá Del Valle K® 2380 c 130 Laranja Sufresh® 2380 c 110 Morango Del Valle K® 2060 d 55 Uva Del Valle K® 2060 d 134 Pêssego Sufresh® 2000 d 122 Goiaba Del Valle N® 1980 d 84 Pessego Del Valle N® 1920 d 179 Manga Del Valle N® 1860 d 207 Maçã Sufresh® 1480 e 84 Laranja Ades Nutrikids® 1480 e 45 Uva Ades Nutrikids® 1400 e 100 Morango Sufresh® 1320 e 45 *Médias seguidas da mesma letra não diferem significativamente entre si pelo teste de Scott-Knott (p < 0,05). 14 Discussão O potencial erosivo de bebidas e alimentos depende de suas características químicas, tais como, pH, acidez titulável, conteúdo mineral, propriedades quelantes13, 14,15 e tipo de ácido (cítrico, fosfórico, ascórbico, málico, tartárico, oxálico e carbônico).2,4 Neste estudo, todas as bebidas apresentaram valores de pH que diferiram significantemente da bebida usada como controle (Água Mineral Vila Nova®). Neste sentido, destacamos dois tipos de comportamento: o das bebidas Ades Nutrikids® sabores morango e chocolate e das demais bebidas analisadas. As bebidas Ades Nutrikids® sabores morango e chocolate apresentaram um comportamento diferenciado, pois exibiram valores de pH próximo à neutralidade, valor semelhante ao sabor Ades® original (sem fruta) observado em estudo anterior.16 Este resultado difere significativamente de todas as demais bebidas, inclusive da àgua Mineral Vila Nova (controle) que apresentou pH= 6,32. Com relação as outras bebidas avaliadas, todas apresentaram valores de pH abaixo do crítico para o esmalte (5,5) e diferentes estatisticamente da bebida controle. Mesmo apresentando pH ácido, os sabores Ades Nutrikids® uva e laranja exibiram valores de pH mais elevados que as demais marcas comerciais (Del Valle® e Sufresh®), sendo este dado estatisticamente significante. É importante ressaltar que o sabor morango (Ades Nutrikids®) apresentou um comportamento diferenciado do sabor morango (Ades®), ambos acrescidos de soja, porém, o primeiro, destinado ao público infantil não se apresentou ácido, ao contrário do segundo cuja acidez foi observada em estudo prévio.16 Deve-se destacar que das bebidas analisadas, apenas os da marca comercial Ades® apresentavam soja na composição. Constatou-se que todos os sabores Ades Nutrikids® em termos de pH demonstraram um melhor comportamento em relação às demais bebidas. 15 Para todas as bebidas analisadas, os valores de pH, variaram entre 7,27 (Ades Nutrikids® sabor morango) e 2,54 (Sufresh® sabor morango). Também foram constatadas variações significativas de pH nas bebidas de uma mesma fruta, porém de marcas comerciais diferentes. Este achado é importante, pois diante da escolha de um determinado sabor pode-se optar por uma bebida com valor de pH mais adequado para a manutenção da saúde dentária. Neste estudo, os valores de pH abaixo do crítico estão em concordância com outros estudos que mensuraram pH de bebidas industrializadas.16,17,18 O potencial erosivo de uma bebida não depende apenas do pH, mas também de sua acidez titulável, pois a mesma determina a habilidade da bebida em manter o pH estável, ou seja, em resistir às alterações do pH. Assim, a sua neutralização pela saliva não ocorre e a permanência do ácido na cavidade bucal poderá afetar a severidade da perda do tecido dental14,19. Dentre as bebidas nas quais foi mensurada a acidez titulável, destacam-se o comportamento dos sabores laranja e uva (Ades Nutrikids®) que além de apresentarem pH mais elevado, exibiram junto com os sabores maçã e morango (Sufresh®) a menor capacidade tampão intrínseca ao necessitarem dos menores volumes de NaOH 1 N para elevarem seu pH a 5,5, sendo este comportamento estatisticamente relevante. Este perfil das bebidas com soja (Ades Nutrikids®) foi semelhante ao resultado de outra pesquisa que também constatou baixa capacidade tampão intrínseca de diversos sabores da marca Ades® analisados.16 Desta forma, dentre as bebidas ácidas os sabores laranja e uva (Ades Nutrikids®) foram as que exibiram menor acidez, destacando-se como as menos erosivas. Por outro lado, as bebidas sabor uva (Sufresh® e Del Valle Néctar®) demonstraram elevada capacidade tampão intrínseca e um dos mais baixos valores de pH, revelando-se como as bebidas de mais elevada acidez. 16 Não se pode esquecer que a erosividade de uma bebida também está na dependência da presença de íons fosfato, flúor e cálcio, que quando presentes tendem a reduzir seu potencial erosivo.20 Assim, a não mensuração do teor destes íons expõe uma limitação deste estudo. Deste modo, pode-se afirmar que estas bebidas apresentam um potencial erosivo, mas que a comprovação desta erosividade depende da realização de outros estudos, especialmente in situ. É importante ressaltar que o estabelecimento de lesões de erosão associada à dieta depende, além da acidez dos alimentos e bebidas, de fatores comportamentais tais como a forma como o líquido é levado para a boca; a duração do contato com os dentes; hábitos de engolir envolvendo movimentos dos lábios e das bochechas; o acesso à saliva entre outros.21 Tratando-se de crianças, a oferta de bebidas ácidas em mamadeiras e principalmente durante o sono, representa elevado risco para o estabelecimento da erosão dental, porque prolonga o contato da bebida com os dentes e limita a ação da saliva. 22 Em circunstâncias normais o fluxo salivar é estimulado pelo consumo de bebidas ácidas, facilitando o “clearence salivar”.18 Assim, indivíduos com baixo fluxo salivar estão expostos a um risco maior.23,24 No intuito de prevenir e controlar lesões de erosão recomenda-se a adoção de algumas medidas entre as quais a de consumir bebidas ácidas racionalmente, preferencialmente geladas e durante as principais refeições; ofertar água como o líquido de primeira escolha para sanar a sede; optar pelo consumo de frutas frescas como parte de uma dieta saudável; evitar o consumo de bebidas ácidas em mamadeiras e durante o sono; estimular o uso de copos e canudos; evitar a escovação dos dentes logo após sua 17 ingestão; usar dentifrícios com baixa abrasividade. Estas são condutas que, quando incluídas na rotina diária, ajudam a prevenir estas lesões.17,25,26,27,28 Embora este estudo limite-se a identificar a acidez de bebidas destinadas ao público infantil, estes achados podem auxiliar pediatras e odontopediatras na orientação de seus pacientes, pois se entende que o conhecimento e conscientização geram referências para autocuidado e a identificação de fatores de risco precocemente é certamente a melhor forma de prevenir erosão dental em crianças. 18 Conclusões Pode-se afirmar a título de conclusão que as bebidas Ades Nutrikids® (sabores morango e chocolate) não apresentaram acidez, não demonstrando potencial erosivo; que todas as demais bebidas apresentaram valores de pH abaixo do crítico para o esmalte, apresentando potencial erosivo; que as bebidas Ades Nutrikids® (sabores laranja e uva) apresentaram o menor grau de acidez e, ainda, que os sabores de uva (Del Valle Néctar® e Sufresh®) foram as bebidas que apresentaram a mais elevada acidez demonstrada pelo baixo valor de pH e elevada capacidade tampão intrínseca. Acredita-se que este estudo é mais uma contribuição na busca pela melhoria da qualidade da saúde dentária na infância. 19 Referências Bibliográficas 1. Nunn JH, Gordon PH, Morris AJ, Pine, CM, Walker A. Dental erosion – changing prevalence? A review of British national childrens’ surveys. Int J Paediatr Dent. 2003; 13(2):98-105. 2. Serra CS, Messias DCF, Turssi CP. Control of erosive tooth wear: possibilities and rationale. Braz Oral Res. 2009; 23(1):49-55. 3. Waterhouse PJ, Aud SM, Nunn JH, Steen IN, Moynihan PJ. Diet and dental erosion in young people in south-east Brazil. Int J Paediatr Dent. 2008; 18:353-360. 4. Moynihan PJ. The role of diet and nutrition in the etiologia and prevention of oral diseases. Bulletin of World Health Organization. 2005; 83(9):694-99. 5. Baratieri L N. Lesões não cariosas. In: Baratieri L N. Odontologia restauradora – Fundamentos e possibilidades. São Paulo: Santos; 2001. p. 361-194. 6. Ganss C. Definition of erosion and links to tooth wear. 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A suscetibilidade é muito variável de pessoa para pessoa e multifatorial na natureza, iguais as causas da erosão. A erosão do esmalte dental é relativamente rara e facilmente passa despercebida durante um diagnóstico. Um detalhado diagnóstico diferencial que elimina muitas outras possíveis causas de perda do esmalte deve ser realizado. É importante distinguir erosão dental da cárie dental. Embora o resultado final seja semelhante, estas duas patologias raramente ocorrem simultaneamente no mesmo local. Em casos de erosão verdadeira, o esmalte dental é desmineralizado através do contacto direto com ácidos, enquanto a cárie é uma doença que ocorre por ação da placa produzidos por microrganismos. Também deve ser salientado, clinicamente falando, que erosão é primeiramente um fenômeno na superfície, enquanto a cárie geralmente começa com uma desmineralização da subsuperfície do esmalte que eventualmente leva a uma cavidade no dente. Como a erosão do esmalte dental é relativamente rara, e o resultado de muitos fatores, uma investigação mais profunda é necessária para determinar o porque da suscetibilidade a erosão é diferente de pessoa para pessoa. O autor sugere que vários fatores podem explicar a variação de resposta. Que são: a) A forma como o líquido é levado para a boca; b) a superfície dental que entra em contato com o fluido; c) a duração do contato com os dentes. E esses fatores, por sua vez, são influenciados por: a) hábitos de engolir envolvendo movimentos dos lábios e da bochechas b) acesso a saliva. Por último, o autor incluiu a capacidade tampão da saliva, das propriedades químicas e físicas do esmalte e da forma e do contorno dos dentes como fatores que modificam e que poderiam ajudar a explicar suscetibilidade e falta deles. O objetivo de Al-Dlaigan, Shaw e Smith (2001a) neste estudo foi conhecer a prevalência de erosão em um grupo de crianças de 14 anos de idade de forma aleatória em Birmingham UK. E subsequentemente determinar se o nível socioeconômico influenciava a prevalência de erosão dental do grupo de crianças nesta faixa etária. O 23 grupo de estudo incluiu uma amostra aleatória de 418 crianças de 14 anos de idade estudantes em Birmingham UK, examinadas em 12 diferentes escolas, sendo 209 do sexo masculino e 209 do sexo feminino. A escala para mensurar a severidade das lesões de erosão foi uma modificação de (TWI) Índice de Smith e Knight (1984). Todas as crianças foram clínicamente examinadas em suas respectivas escolas sob iluminação normal e espelhos. As superfícies de todos os dentes presentes na boca foram classificadas de acordo com os critérios de erosão: Faces vestibular (V), palatal ou lingual (P,L), incisal (I) e oclusal (O); 0 nenhuma característica de perda de esmalte na superfície dental; 1 com característica de perda de esmalte na superfície dental (V,L,I); 2 perda de esmalte, dentina visível menos de 1/3 da superfície dental (V,L,O, I); 3 perda de esmalte, dentina visível com mais de 1/3 da superfície dental (V,L,O), grande perda de esmalte e de dentina mas sem exposição da polpa ou dentina secundaria (I); 4 Total perda de esmalte, ou com exposição da polpa ou dentina secundaria(V,L,O), com exposição da polpa ou dentina secundaria (I); 9 excluido da analise (dentes ausentes, parcialmente erupcionados, com banda ortodontica, com restauração de compositos, com coroas, dentes fraturados e fissuras com selantes) (V,L,O,I). E para determinar o nível socioecomomico de cada criança foi utilizado a categoria de ACORN (Classificação residencial dos bairros em UK). Os resultados mostraram que 48% das crianças tiveram baixa erosão, 51% tinham moderada erosão e apenas 1% tinham grave erosão. Não houve diferença estatística significativas entre os gêneros; os meninos tiveram mais erosão nas faces vestibular e lingual/palatal do que as meninas (P< 0,001). Também foi observado diferença significativa entre os níveis socioeconômicos sendo que os adolescentes de níveis mais baixos tiveram uma mais erosão dental. A maioria das superfícies dos dentes demonstraram uma perda do esmalte característicos (1) em ambos os dentes superiores e inferiores e vestibular e linguais. As bordas incisais dos dentes anteriores (incisivos centrais, lateral e caninos) tiveram perda de tecidos dental com a dentina visível (2). A erosão em dentina foi mais frequente na parte superior e inferior da faces vestibulares de dentes anteriores em comparação com dentes posteriores. Concluiu-se que graus moderados de erosão dental são frequentes na amostra estudada e isso pode levar ao aumento de problemas clínicos. Foi observado uma diferença significativa entre o grau de erosão dental em crianças de baixo nível socioeconômico. 24 O objetivo de Al-Dlaigan, Shaw, Smith (2001b) neste estudo foi investigar ineditamente em adolescentes do Reino Unido seu padrão dietético e determinar a possível relação entre erosão dentária e ingestão dietética dessas crianças. O grupo de estudo incluiu uma amostra aleatória de 418 crianças de 14 anos de idade estudantes de Birmingham UK, das quais 209 eram do sexo masculino e 209 do sexo feminino. Um questionário foi desenvolvido relacionando os principais fatores etiológicos para erosão dental publicados na literatura. A finalidade destas perguntas foi determinar a quantidade e a frequência de consumo de bebidas como suco de laranja, Coca Cola, outros refrigerantes, leite, chá, café, isotônicos e outros. Alguns tipos de frutas e alimentos de consumo também foram incluídos no questionário como maçãs, laranjas, as bananas, ketchup, pepino em conserva, iogurte, e Vitamina-C efervecentes. A quantidade do consumo de bebidas, comida e fruta por semana foi categorizada no grupos: Sem consumo algum; baixo consumo (1-7 vezes por semana); médio (8-21 vezes por semana) e alto consumo (22 ou mais vezes por semana). Todos os dados foram analisados pelo SPSS com teste de qui-quadrado e o coeficiente de correlação de Spearman determinado. O coeficiente de significância foi aceito até P < 0,05. Mais de 80% dos adolescentes consumiam regularmente bebidas não alcoólicas, mas cerca da metade dessas crianças tinham um consumo semanal relativamente baixo. No entanto, 13% e 10% respectivamente, consumiam mais de 22 vezes por semana Cola e outros refrigerantes. Quase um quarto dos adolescestes meninos consumiam bebidas alcoólicas, significativamente mais que as meninas envolvidas (P < 0,05). As meninas apresentaram um maior consumo de frutas. Foi observada uma correlação estatisticamente significativa entre a prevalência de erosão dental e o consumo de refrigerantes, bebidas alcoólicas, sucos de frutas, Vitamina-C efervecentes e outros alimentos ácidos (Coeficiente de correlação de Spearman P < 0,05). Os autores concluíram que o consumo de refrigerantes foi particularmente elevado e comum entre esses adolescentes. Existindo, além disso uma correlação entre ingestão ácida e erosão dental. Para Moynihan (2002) a erosão dentária é a perda de tecido dental duro através de um processo químico sem que haja envolvimento bacteriano. Há uma série de causas de erosão dental, incluindo a ingestão de alimentos ácidos, exposição a ácidos ambientais ou exposição a ácidos intrínsecos decorrentes de episódios de vômitos e/ou refluxo. Os ácidos presentes na alimentação são: cítrico, málico, fosfórico, tartárico, acético e ácido carbônico, e a presença de qualquer um deles pode indicar que o produto 25 é potencialmente erosivo. Há também evidências que sucos são 3–10 vezes mais erosivos que a fruta inteira. Se estas bebidas são vagarosamente tomadas durante um longo período de tempo, isto pode exacerbar seu potencial erosivo, pois os dentes estarão sendo banhados em meio ácido por longos períodos de tempo, facilitando a ocorrência da erosão. Devido ao número limitado de estudos clínicos realizados para investigar a associação entre a dieta e erosão dentária, a prevenção e o tratamento estão baseados no bom senso e não numa abordagem baseada em evidências. Os pacientes podem também ser aconselhados a consumir alimentos e bebidas com baixo potencial erosivo e a usar os alimentos que neutralizem a dieta ácida, tais como queijo e leite, após o consumo de alimentos e bebidas de baixo pH. O queijo protege os dentes pelo estímulo do fluxo salivar e pelo aumento de cálcio na placa. Sendo que as melhores bebidas são, portanto, leite e água. Algumas recomendações para obter uma boa saúde dental ér eduzir a frequência e a quantidade de consumo de alimentos e bebidas açucarados e ácidas e de tentar limitar estes alimentos as refeições. Seguir um plano alimentar não é seguido regradamente, de um consumo de alimentos açucarado de 3–4 vezes por dia,evitar o consumo de alimentos e bebidas açucaradas e ácidas perto de horários de dormir, incentivar o consumo de alimentos que não causem ou protegem contra, erosão e cárie dental, recomendar o consumo de alguns produtos com adoçante que podem ajudar alcançar esses objetivos em prática, incentivar os pacientes a ler os rótulos dos fabricantes e seguir as recomendações sobre a diluição e a utilização de produtos, estimular a mãe a não acrescentar qualquer alimento ou bebiba na mamadeira do bebê, com exceção do leite, sendo leite materno, o leite em pó, de vaca ou água, incentivar as mães a fornecer todas as bebidas (incluindo fórmulas) em um copo ou copo para crianças a partir de 6 meses de idade e cortar a mamadeira a partir do primeiro ano. Sirimaharaj et al., (2002) realizaram uma pesquisa com a finalidade de averiguar o consumo de alimentos e bebidas ácidas por atletas, registrar os casos de erosão dentária diagnosticadas pelo dentista do atleta e investigar a relação entre os padrões de consumo da dieta ácida e erosão dentária. Desta forma, foi aplicado um questionário sobre os hábitos, dieta e saúde bucal, a 690 membros de trinta e dois clubes desportivos da Universidade de Melbourne. Um total de 508 questionários foram devolvidos representando 74,9 % de participação. Uma análise estatística foi realizada para explorar as relações entre erosão dental (variável dependente) e a as variáveis independentes. Os resultados exibiram que a erosão dental foi relatada por 25,4% dos 26 participantes, especialmente entre os atletas de as artes marciais (37,4%). O consumo de alimentos e bebidas ácidas foi frequente entre a maioria dos atletas. Não foram encontrados associações significantes entre erosão dental e a frequência da ingestão de refrigerantes ou bebidas desportivas. Foi encontrado a associação estatisticamente significativas entre erosão dentária e a faixa etária (p=0,004), e na frequência de ingestão de sucos (p=0,05), e sensibilidade nos dentes (p=0,001). Os autores concluíram que o padrão de consumo de bebidas ácidas entre os oito grupos analisados foi semelhante. Associação entre o consumo de sucos de fruta pode estar associada à erosão dental e os atletas sujeitos a risco de desenvolverem erosão. As conclusões do presente estudo indicam uma significativa necessidade de programas de prevenção para os jovens atletas e um aconselhamento dietéticos para controlar e reduzir o efeito dos alimentos e bebidas ácidas. Esses conselhos poderiam ser dados por Odontólogos para seus pacientes que estão em situação de risco como os atletas, e também por um trabalho em conjunto com os organizadores dos clubes de esportes. O estudo de Murray (2004) teve por objetivo informar pediatras e outros profissionais de saúde, pais e membros do conselho escolar sobre a preocupação nutricional quanto ao consumo de refrigerantes nas escolas. Problemas de saúde associados à alta ingestão de bebidas açucaradas são: sobrepeso ou obesidade atribuida as calorias extras adicionadas na dieta; troca do consumo de leite, resultando na deficiência de cálcio como um risco de osteoporose e fraturas; e potencial cariogênico e erosão dental. Os contratos das escolas com exlusividade com marcas de refrigerantes incentivando o consumo direito ou indireto destas bebidas.Os funcionários das escolas e os pais precisam ficar mais informados sobre a saúde e implicações das bebidas vendidas na escola para tomar uma decisão quanto aos estudantes o seu acesso a elas. Está claramente definida, uma política que restringe a venda de bebidas não alcoólicas contra os problemas de saúde como um resultado de seu excesso. O consumo de refrigerantes aumentou 300% em 20 anos. Entre 56% e 85% das crianças na escola consumem bebidas não alcoólicas pelo menos 1 vez por dia diariamente, com maiores quantidades ingeridas por adolescentes do sexo masculino. Deste grupo, 20% consome 4 ou mais porções diariamente. Além da carga calórica, refrigerantes colocam em risco de cárie dentária devido ao seu alto teor de açúcar e erosão do esmalte devido à sua acidez. O consumo de leite diminuiu com refrigerantes se tornando o favorito pelas crianças, uma transição que ocorre entre o terceiro e o oitavo ano escolar. Leite é a principal fonte de cálcio na dieta americana. Produtos lácteos contêm uma quantidade 27 considerável de vários nutrientes, incluindo 72% de cálcio, 32% de fósforo, 26% de riboflavina, 22% de vitamina B12, 19% de proteína, e 15% de vitamina A nos alimentos dos EUA. A percentagem do valor diário de leite é considerado como "bom" ou "excelente" com 9 nutrientes essenciais em função da idade e sexo. Ingestão de proteínas e micronutrientes é diminuído em produtos a base de leite. A consequência da redução da ingestão de cálcio é o comprometimento do desenvolvimento máximo ósseo num momento crítico em vida, a adolescência. Quase 100% do cálcio no organismo está no osso. Quase 40% pico de massa óssea é acumulada durante a adolescência. Estudos sugerem que a 5% para 10% da falta desse pico máximo de massa óssea pode resultar em um período de vida 50% maior prevalência de fratura no quadril, um problema que pode piorar se não forem obtidas tomadas para melhorar ingestão de cálcio entre adolescentes. O objetivo de Bustillo et al., (2004) foi avaliar in vitro a permeabilidade do esmalte de dentes decíduos submetidos à ação de líquidos fermentáveis e substâncias ácidas. Foram utilizados 40 dentes decíduos. As substâncias testadas foram: refrigerante cola, suco de laranja industrializado, leite fermentado, soro fisiológico. Os dentes foram montados em uma base de resina acrílica e divididos aleatoriamente em quatro grupos de 10 dentes em cada grupo. Os espécimes foram mergulhados na substância a ser testada, a qual foi substituída a cada duas horas, durante 12 horas. Os espécimes foram mantidos, durante o experimento, em estufa a 37ºC. Após esse período, os dentes foram lavados em água destilada, e receberam aplicação do corante azul de metileno a 0,5% por 48 horas. Todos os dentes foram cortados no sentido longitudinal, realizada a leitura das imagens digitalizadas no programa Imagelab, e os resultados obtidos, submetidos à análise estatística. Foi possível observar a ocorrência de penetração do corante em todos os espécimes sendo que o Grupo 2 (suco de laranja) apresentou as maiores médias de área corada, seguido dos Grupos 1 (refrigerante tipo cola); 3 (leite fermentado) e 4 (soro fisiológico). A análise estatística demonstrou diferenças estatisticamente significantes entre os Grupos 1 (refrigerante tipo cola) e 4 (soro fisiológico); Grupo 2 (suco de laranja) e 3 (leite fermentado); e Grupo 2 (suco de laranja) e 4 (soro fisiológico). Não houve diferença estatisticamente significante entre os Grupos: 1 (refrigerante tipo cola) e 2 (suco de laranja); 1 (refrigerante tipo cola) e 3 (leite fermentado); e 3 (leite fermentado) e 4 (soro fisiológico). Os espécimes de todos os grupos experimentais apresentaram penetração do corante indicador. O suco de laranja e o refrigerante tipo 28 cola apresentaram maiores médias de porcentagem de área corada e podem interferir na estrutura do esmalte de dentes decíduos. O objetivo do trabalho realizado por Seow e Thong (2005), foi estudar o potencial erosivo de uma gama de bebidas populares analizando o pH e os seus efeitos diretos sobre as superfícies da dentina moída de pré molares extraídos. Foram utiliados para pesquisa várias bebidas não alcoólicas como refrigerantes, sucos de frutas, chás e café, e agumas bebidas alcoólicas principalmente vinhos branco, tinto e cervejas. O pH de cada bebida foi determinado pelo medidor de pH colocado dentro de cada solução, com um poder de exatidão de 0.1, e primeiramente calibrado de acordo com as instruções do fabricante, empregando soluções padrão pH 7 e pH 4. Todas as medidas foram feitas em temperatura ambiente de 22C0. Cinquenta ml de cada bebida foi colocado num becker e a leitura do pH foi feita após 15, 30, 45 e 60 minutos. Para determinar se a saliva tinha algum efeito sobre o pH da coca-cola e lucozade, foi utilizado saliva de três pessoas colhida uma hora após um lanche, sendo a boca enxaguada com água para limpar restos alimentares. Assim inicialmente seis ml de saliva foram colocados em um becker para medir o pH, e um ml foi adicionado a cada 5 minutos até chegar a 12 ml de saliva. A experiência foi repetida com água mineral sem gás Evian ao invés de saliva. Os dentes utilizados foram extraídos por motivos ortodônticos, isto é, deveriam estar livres de restaurações e defeitos como cáries e hipoplasia do esmalte. Um conjunto de três dente foi usado para um tratamento individualizado, com coca-cola, lucozade, suco de limão, e suco de laranja. A solução controle utilizada foi a água mineral sem gás Evian e saliva. Os três dentes foram imerssos em sua respectiva solução, e sua aparência foi verificada após 5, 15 e 30 minutos. Outro grupo foi incubado com 50% da bebida analizada e 50% de saliva. Após a incubação cada dente foi lavado com água corrente e secado, após isto foi analizado microscopicamente. Para as análises estatísticas foram usados o test T e o ANOVA com o valor alfa ajustado em 0,05. Os pH variaram entre 2.3 para cola-cola e pepsi até 3,6 para isotônicos. E entre os sucos foi de 2,1 para suco de limão e 6,9 para suco de coco. Já para as bebidas alcoólicas o pH aumentou apartir de 2,8 para o vinho branco Riesling, para o Chardonnay 3,2 e 3,4 para o vinho tinto Cabert Sauvignon, e as cervejas obtiveram o pH entre 3,8-3,9. Em contraste com a água mineral sem gás Evian 7,4, 6,8 para o chá e 5,6 para o café. E a saliva foi de 6,9. As bebidas não alteraram seu pH mesmo após estar abertas e mantidadas em temperatura ambiente após 60 minutos. Embora não tenham sido encontradas diferenças estatísticas entre o efeitos da água 29 mineral em comparação com a saliva aumentando o pH da coca-cola e do lucozade, porém ambos ao serem adicionados 50% (vol/vol) de saliva ou água em coca-cola o pH de 2,3 foi para 5,2 (p<0.0001), e assim para o lucozade adicionados 50% (vol/vol) de saliva ou água em coca-cola o pH de 2,5 para 3,2 (p<0.0001). O potencial erosivo de tais bebidas foi demonstrada pela a erosão profunda do esmalta após cinco minutos. A dureza do esmalte foi reduzida em cerca de 50% no caso do suco de limão (p<0,001) e 24% no caso da Coca-Cola (p<0,004). Além da adição de saliva para 50% (v/v) de Coca-Cola foi possivel reverter completamente os efeitos erosivos sobre no esmalte. Embora apenas algumas bebidas populares com o pH baixo foram testados, o estudo mostrou que a maioria das bebidas ácidas obtiveram um grande efeito erosivo sobre esmalte. Mesmo que a saliva obteve um efeito protetor contra a erosão, foram necessários grandes volumes para neutralizar a acidez. Cavalcanti et. al. (2006), avaliaram a quantidade de sólidos solúveis totais (°Brix) e o valor do pH de bebidas lácteas (iogurtes e achocolatados) e sucos de frutas prontos para o consumo. Foram testados 20 bebidas lácteas (10 iogurtes e 10 achocolatados) e 10 sucos de frutas prontos para o consumo, utilizando 3 repetições para cada amostra. As leituras do grau Brix foram feitas por refratometria e o pH foi avaliado por potenciometria. Os resultados mostraram que as médias dos sólidos solúveis totais (°Brix) diferiram entre si, apresentando-se em ordem decrescente na seguinte sequência: achocolatados > iorgutes > sucos de frutas. Verificou-se que os sucos de frutas apresentaram menor média do pH (3,45), seguindo dos iogurtes (3,86) e dos achocolatados (6,06). Concluíram que, a elevado a concentração de sólidos solúveis totais verificado nas bebidas lácteas e sucos de frutas, associados a um baixo pH podem contribuir para o desenvolvimento de lesões de cárie e erosão caso estes alimentos sejam consumidos em excesso pelas crianças. Este estudo realizado por Wongkhantee et al., (2006) teve como objetivo determinar o efeito dos alimentos e bebidas ácidas como (Coca Cola, iogurte, suco de laranja, Isotônicos esportivos e sopa Tom-yum) sobre a microdureza superficial de diferentes substratos (esmalte, dentina, compósitos universais, compósitos de micro preenchimento, cimento de ionômero de vidro, resinas modificadas com ionômero de vidro, poliácido-modificado com composite de resina). As amostras (n=10) foram imersas de modo alternativo, 5 s para cada, em alimentos ou bebidas e na saliva artificial por 10 ciclos. A microdureza superficial Vickers foi analisada pré e pós- 30 imersão, sendo então comparadas pareamente pelo t-teste. A diferença da dureza superficial entre os grupos foi analisado uma única vez com o teste ANOVA seguido por (LSD) teste. Os resultados mostraram que a Coca cola reduziu significativamente a dureza superficial do esmalte, dentina, compósitos de micro preenchimento, resinas modificadas com ionômero de vidro (p<0,05). O suco de laranja e bebidas desportivas reduziram significativamente a dureza superficial do esmalte (p<0,05). Já o iogurte e a sopa Tom-yum não reduziram a dureza superficial de qualquer substrato. O esmalte foi desmineralizado pelo suco de laranja e por bebida desportivas, mas não por iogurte, apesar de todas as bebidas terem três semelhantes valores de pH, entre 3,75 e 3,83. Evidentemente, que o pH não é o único fator que afeta a erosão do esmalte. Mas a capacidade tampão e a acidez titulável pode modificar o processo erosivo. Este estudo mostrou que os sucos de laranja e bebidas desportivas diminui significativamente a dureza do esmalte, mas não da dentina. Isto pode ser explicado pela diferença na composição dos dois tecidos. O esmalte é composto por 87% do seu volume inorgânico, dissolvido facilmente em meio ácido. E a dentina, por outro lado, tem 47% do seu volume inorgânico, assim é menos suscetível ao ataque ácido. A escovação dental ou abrasão, por outro lado, pode intensificar mais processo erosivo. Mas para melhor compreender este mecanismo novas pesquisas serão necessárias. Os autores concluíram que este estudo in vitro confirma o potencial erosivo de certas alimentos e bebidas ácidas que o público deve estar consciente de suas ações. Este estudo in vitro de Sales-Peres et al., (2007) teve por objetivo avaliar a capacidade de diversos refrigerantes (Coca-Cola ® - C, Coca - Cola Light ® - CL,Guaraná ® - G, Pepsi Twist ® -P e Sprite Light ® SL) em provocar a erosão do esmalte dentário e correlacionar o % de PDS com as concentrações de flúor e fosfato, capacidade tampão e pH das bebidas testadas. O pH e a capacidade de tampão foram determinados usando um eletrodo de vidro e pela adição de volumes de NaOH necessário alterar o pH da bebida em uma unidade, respectivamente. Através de espectrofotometria a foi determinada a concentração de fosfato e usando um eléctrodo específico a concentração de flúor. Cem espécimes de esmalte bovino foram aleatoriamente e igualitariamente divididas em de 5 grupos. Eles foram expostos a 4 ciclos de desmineralização nas bebidas e remineralização em saliva artificial. O amolecimento do esmalte foi mensurado pelo % PDS. Os resultados exibiram que o % médio de PDS para os respectivos grupos foram: C=77.27%, CL = 72.45%, 31 SL=78.43%, G=66.65% e P=67.95%. Comparando a % PDS promovida pelos 5 refrigerantes, SL = C > CL > P = G (P <.05). Não houve correlação significativa entre a PDS e pH, capacidade tampão, teor de fosfato e flúor nas bebidas testadas. Desta forma, os autores concluíram que os cinco refrigerantes causaram erosão de esmalte. Em relação às variáveis químicas testados, apesar de não ser estatisticamente significante o pH parece ter mais influência sobre o potencial erosivo das bebidas testadas. Aidi, Bronkhorst e Truin (2008) realizaram um estudo longitudinal com o objetivo de estimar a prevalência, incidência, progressão, e a distribuição de erosão dental em jovens adolescentes durante um período 18 meses. A amostra foi constituída por 1012 crianças com idades entre 10 e 12 anos. Verificou-se uma prevalência de erosão dental de 32,2% envolvendo apenas o esmalte, sem que houvesse diferenças estatísticas entre os gêneros. Quanto à incidência observou-se uma elevação para 42,8% num período de 18 meses, com 2,6% das crianças exibindo erosão em dentina, sendo o gênero masculino significantemente mais afetado. Das crianças livre de erosão dental, 24,2% desenvolveu a lesão. Concluiu-se que na população estudada não foi encontrada erosão dental severa. Entretanto aos níveis de prevalência, especialmente incidência e progressão suscita preocupações. Assim, o acompanhamento destes adolescentes com os sinais iniciais de erosão dental, bem como um elevado nível de consciência por parte dos dentistas, é recomendado. O objetivo de Bolan, Ferreira e Vieira (2008) neste trabalho foi avaliar in vitro os efeitos erosivos de gomas de mascar em esmalte decíduo e permanente. Foram obtidos 80 blocos de esmalte 40 de esmalte primário e 40 permanente que foram distribuídos em oito grupos. Os grupos foram divididos de acordo com o tipo de substrato dental (primário ou permanene), frequencia de exposição da substância ácida (2x ou 4x/dia), e concentração (pura ou diluida). O tempo de exposição aos ácidos da goma de mascar (Adams, Brasil) em temperatura ambiente foi de 5 minutos com agitação (velocidade de 7200rpm) durante 5 dias. O grupo D1 e P1 foram expostos a uma gota da substância ácida duas vezes por dia (9:00 am e 3:00 pm). O grupo D2 e P2 foram expostos a substância ácida diluida em 10ml de saliva artificial duas vezes por dia (9:00 am e 3:00 pm). O grupo D3 e P3 foram expostos a uma gota da substância ácida quatro vezes por dia (9:00 am; 11:00 am; 1:00 pm e 3:00 pm). O grupo D4 e P4 foram expostos a substância ácida diluida em 10ml de saliva artificial quatro vezes por dia (9:00 am; 11:00 am; 1:00 pm e 3:00 pm). Logo após estes procedimentos, as amostras foram 32 lavadas em água destilada por 20 segundos, e individualmente imerssas em 10 ml de saliva artificial, e guardadas em 37ºC até o próximo experimento. Todos os grupos apresentaram uma significativa redução de sua dureza superficial (P< 0,001), mas nenhuma diferença relacionada com a frequencia. Foi encontrado um diferença estatística entre o grupo D1 e D2 (P= 0,002), e D3 e D4 (P= 0,009) relacionado a concetração da substâcnia. A substância diluida causou uma maior diminuição da microdureza em esmalte primário do que a forma pura concentrada. Não houve diferença entre esmalte primário ou permanente. Assim concluiu-se que os ácidos usados nas gomas de mascar, tanto da forma pura quanto diluida, promove uma significante alteração na microdureza do esmalte primário e permanente e quando a substância ácida é diluida em saliva artificial a desmineralização é ainda maior. Ehlen et al., (2008), entende que as bebidas ácidas podem aumentar o potencial de erosão dentária, este estudo se propôs a mensurar o pH e a acidez titulável de bebidas populares nos Estados Unidos. Também teve como objetivo analisar a associação entre pH e acidez titulável com a profundidade das lesões provocadas no esmalte e nas superfícies radiculares. O pH de sucos concentrados, soda não diet, diet soda e as bebidas desportivas após abertas, e a acidez titulável tanto após abertas e após 60 minutos foram medidos. Para tanto, as superfícies do esmalte e da raiz de molares e premolares permanentes saudáveis foram expostas individualmente a diferentes bebidas por um período de 25 horas, sendo ao final a erosão mensurada usando um microscópio de luz polarizada medindo a distância entre a superfície dentária sadia e a parte mais profunda da região desmineralizada. Os resultados mostraram que todas as bebidas foram ácidas; a acidez titulável das bebidas energéticas foi maior do que as sodas não diet e diet e que estas foram superiores as dos sucos concentrados e bebidas desportivas (P<0.05). Gatorade, seguido por Red Bull e Coca-cola foram às bebidas que provocaram maior perda de esmalte, sendo superiores a Coca-cola diet e sucos de maçã concentrados (P <0,05). As lesões profundas das raízes foram maiores para o Gatorade seguidas de Red Bull, Coca-cola, sucos de maçã concentrados e Coca-cola diet (P<0,05). As lesões profundas não foram associados com pH ou a acidez titulável. Assim os autores concluíram que as bebidas populares nos Estados Unidos podem produzir erosão dental. O objetivo de Hara e Zero (2008) deste estudo foi comparar as propriedades químicas e o potencial erosivo de bebidas comercialmente disponíveis, com e sem 33 cálcio. A ocorrência e a evolução da desmineralização no esmalte podem ser reduzidas pela presença de seus produtos de reação, como cálcio. Portanto, neste estudo foi testada a hipótese de um menor potencial erosivo quando as bebidas continham cálcio na composição. Para tanto, dez bebidas disponíveis comercialmente, cinco com cálcio e cinco sem suplementação, foram testados em duas fases. Na primeira fase, o pH, capacidade tampão, e as concentrações de cálcio (total e iônico), de fósforo e flúor, foram analisados. Na segunda fase, a capacidade das bebidas testadas provocarem erosão dental foi mensurada em diferentes tempos. Os resultados mostraram que dentro das propriedades químicas testadas, o pH, o teor do íon de cálcio e a concentração total de cálcio mostrou uma forte correlação com desmineralização e o desgaste do esmalte. Os menores níveis de desmineralização e desgaste do esmalte foram encontrados para as bebidas que continham cálcio, em relação às sem cálcio. O conteúdo do íon de cálcio, bem como o pH, foram considerados bons preditores do potencial erosivo das bebidas testadas. Em conclusão, este estudo reforçou que o potencial erosivo das bebidas testadas pode ser caracterizado pela análise de suas propriedades químicas. O íon cálcio foi eficaz na redução do potencial erosivo da maioria das bebidas testadas, enquanto o efeito de fósforo e flúor em associação com cálcio, foram menos evidentes e devem ser investigados. A suplementação de bebidas ácidas com sais, especialmente contendo cálcio sugere reduzir seu potencial erosivo, isto é interessante pois existe à crescente necessidade de maior consumo desse sal para satisfazer as necessidades nutricionais diárias. Lussi et al., (2008) estudaram se a ação ácida predomina sobre o processo de remineralização, há então a manifestação clínica da erosão dentária. A perda de estrutura dentária é acelerada quando associada à abrasão e∕ou um processo de atrito. O consumo de refrigerantes e sucos de frutas está em crescimento constante na Europa e representa mais de 50% do consumo de bebidas não alcoolicas. Sendo a ação salivar e o consumo de bebidas e alimentos contendo cálcio e o fosfato são muito importantes para proteção dentinária. Algumas propriedades protetoras da saliva no ataque ácido são: diluição ácida, decomposição ácida, neutralização ácida e redução da dissolução do esmalte pela presença dos íons de cálcio e de fosfato na saliva, remineralizando e formando uma película que quanto mais grossa for menos prejuízo na estrutura dental pelo ataque ácido irá ocorrer. Porém fatores do paciente podem modificar alguns dados como, a natureza do consumo de bebidas erosivas (tomar aos goles, chupar, com∕sem canudo) deteminando a frequência e duração como a localização do ataque ácido e 34 quanto a aparência da erosão. Uma discussão detalhada com o paciente pode levantar informações sobre a etiologia da erosão. Frequentemente uma consulta não é o suficiente para o paciente ter realmente certeza de sua ingestão ácida. Assim pode-se adotar de vários métodos sendo um importante e de fácil aplicabilidade o diário alimentar por alguns dias. Quando, como e quanto está este paciente ingerindo alimentos ácidos entre suas refeições principais e intermediárias. E análise da saliva quanto sua produção e capacidade tampão são protocolos que sempre deverão ser execultado para pacientes com erosão dental. Sendo que o profissional deverá aconselhar a não escovar os dentes logo após a ingestão de alimentos ácidos. Não esquecendo que as cáries ainda são o principal problema, e o dente deve ser limpo logo em seguida a ingestão cariogênica, por isso o profissional deverá avisar qual será melhor maneira profilática de seu paciente. O trabalho de Magalhães et al., (2008) teve como objetivo relatar dois casos clínicos. A erosão dentária é definida como perda irreversível de estrutura dentária devido a um processo químico sem envolvimento de microorganismos. Este processo químico é decorrente da atuação de ácidos de origem extrínseca ou intrínseca. Os fatores extrínsecos e intrínsecos; que incluem principalmente o consumo de bebidas ácidas e problemas gastro-esofágicos, respectivamente; atualmente têm sido responsáveis pelo aumento na incidência da erosão. Estudos clínico de erosão dentária em indivíduos que consumiam sucos de frutas mais de duas vezes ao dia, refrigerantes, vinagres ou isotônicos diariamente tinham maior risco de apresentarem a lesão. Isto também foi verdadeiro para indivíduos que apresentavam problemas gástricos e baixo fluxo salivar. Apesar da dificuldade e despreparo do Cirurgião Dentista para diagnosticar a erosão dentária, estudos clínicos mais recentes têm mostrado um aumento na incidência desta lesão, principalmente em crianças. Este aumento na incidência se deve especialmente às mudanças de esb tilo de vida da população. Com o acúmulo de tarefas e falta de tempo, as pessoas estão consumindo mais produtos industrializados tais como alimentos e bebidas prontas, os quais apresentam componentes ácidos. O primeiro caso é de uma criança de 6 anos de idade, cuja face palatina dos incisivos decíduos superiores apresentava severos desgastes e, em alguns dentes era possível visualizar a polpa por translucidez. O outro caso é de uma criança de 8 anos de idade que apresentava desgaste em todos os dentes decíduos superiores e inferiores. O principal fator etiológico no primeiro caso foi o freqüente consumo de bebidas ácidas e 35 no segundo caso foi refluxo gastroesofágico. Na era da odontologia preventiva, o decréscimo da prevalência de cárie, especialmente nos países desenvolvidos, tem permitido a constatação da ocorrência de outras alterações bucais, como o desgaste dentário que vem crescendo em sua prevalência nos últimos anos. Os fatores extrínsecos tem demonstrado alta associação com o aumento da prevalência da lesão, e para mudar, a utilização da educação e instalação de protocolos preventivos são importantes, pois crianças que apresentam erosão dentária na dentição decídua são mais propensas há apresentarem na dentição permanente. O uso racional das bebidas ácidas, através da diminuição da ingestão das mesmas entre refeições, deve ser abordada. Além disso, deve-se aconselhar aos pacientes a ingerir bebidas em canudos, para diminuir o contato do ácido com o esmalte dentário. Uma outra medida seria a estimulação da salivação pelo uso de chicletes ou ingestão de alimentos alcalinos e ricos em cálcio (queijo e leite), após o consumo de bebidas ácidas e vômitos. Além disso, é aconselhável esperar pelo menos uma hora para escovar os dentes, após a ingestão de bebidas ácidas e ocorrência de vômitos, permitindo que a saliva possa remineralizar a lesão de erosão e assim minimizar a ação somatória da erosão e abrasão. O controle de problema gastroesofágico e uso de soluções alcalinas após episódios de vômitos e regurgitações também devem ser indicados. O procedimento realizado foi a orientação aos pais para prevenção de novas lesões, principalmente nos dentes permanentes, não foram realizados tratamentos restauradores devido as características sintomatológicas e clínicas dos dentes afetados. Rios et al. (2008) investigaram in situ, utilizando microscópia eletrônica de varredura os efeitos do estímulo da salivação sobre a erosão e abrasão em dentina humana e bovina submetidas à erosão seguida pela escovação imediatamente ou após uma hora. Durante 2 dias experimentais e 7 fases de cruzamento, 9 voluntários previamente selecionados usaram dispositivos intraoral e palatal, com 12 amostras de esmaltes (6 humana e 6 bovinas). Na primeira fase, os voluntários imergiram o dispositivo em 150 ml de Coca Cola por 5 minutos, 4 vezes ao dia (8:00, 12:00, 16:00 e 20:00). Imediatamente após a imersão, nenhum tratamento foi realizado nas 4 amostras (ERO), e 4 outras amostras foram imediatamente escovadas (0 min) utilizando um dentifrício com flúor e o dispositivo foi recolocado na boca do voluntário. Após 60 minutos, as outras 4 amostras foram escovadas. Na segunda fase, os procedimentos foram realizados, mas depois da imersão, os voluntários mascaram chicletes sem açúcar durante 30 minutos para estimular o fluxo salivar. As alterações superficiais do esmalte 36 de todas as amostras foram avaliadas por meio de um microscópio eletronico de varredura. A dissolução do núcleo do prisma do esmalte foi visto nas superfícies submetidas à erosão, enquanto naquelas que foram submetidas à erosão e à abrasão (ambos a 0 e 60 min) a superfície do esmalte apresentava-se mais homogenea, provavelmente devido à remoção da camada superficial do prisma alterada. Tanto o tipo de substrato quando a estimulação salivar. Os autores concluíuram que um fluxo salivar estimulado não resultou em um padrão diferente de desmineralização. A abrasão por escovação sob o esmalte erosionado, independentemente de ser realizada imediatamente ou depois de uma hora, resultou em uma menor alteração do esmalte. Tanto os substratos humanos como bovinos foram adequados para investigar erosão/abrasão. Waterhouse et al. (2008) investigaram a associação entre erosão dentária e o consumo regular de alimentos e bebidas ácidas em escolares no sudeste do Brasil. As informações foram obtidas por meio de um questionário sobre a frequência de ingestão e padrões de consumo de alimentos e bebidas ácidas, compondo uma amostra de 458 escolares, com idade média de 13,8 anos, seguindo do exame dentário para identificar a erosão dental. Verificou-se que as crianças que consumiam diariamente refrigerantes tinham uma maior prevalência de erosão, sendo este dado estatisticamente significante em relação aos que tinham um baixo consumo. A experiência de erosão decresceu com o consumo de chás e em relação ao padrão 6 de consumo alimentar, o fato de mascar chicletes diariamente estava associada a uma mais alta experiência de erosão. Os autores sugerem que haja aconselhamento dietético para favorecer a saúde oral e geral, desencorajando o consumo de refrigerantes e encorajando o de frutas e vegetais. No estudo de Zandin et al., (2008) diz que a dieta dos pacientes tem sido considerado um importante fator etiológico da hipersensibilidade dentinária. A frequente ingestão de substâncias ácidas pode promover a perda de estrutura dental ou remoção do esfregaço dentinário. A hipersensibilidade dentinária pode ser descrita como uma condição dolorosa comum decorrente da exposição dentinária em resposta a agentes químicos, térmicos, palpável, ou de osmose estímulos que não pode ser explicada como resultante de qualquer outro tipo de defeito ou patologias dentais. O objetivo deste trabalho foi avaliar o grau de eliminação do esfregaço dentinário e exposição túbulos dentinários por diferentes sucos naturais de laranja. Vinte e cinco dentes humanos recém-extraídos por motivos de doença periodontal foram utilizados. Um total de 70 amostras foram utilizadas e aleatoriamente divididas em controle 37 negativo (água destilada) e seis grupos experimentais de sucos naturais de laranja: Laranja Lima, Lima, laranja-da-baía, laranja de valência, mandarina e tangerina. Cada grupo experimental e o grupo controle consistiu de 10 amostras, subdividido em 2 grupos de 5 amostras cada. Suco de fruta foi aplicado às amostras por uma das seguintes métodos: tópico e tópico com atrito. Após a sua preparação para análise microscópia eletrônica de varredura, as fotomicrografias foram avaliadas por um examinador calibrado utilizando um sistema de índice. O teste de Kruskal-Wallis indicou uma influência significativa da sucos de laranja na remoção do esfregaço dentinário. Houve diferença significativa entre o suco de laranja-da-baía, laranja de valência, mandarina e tangerina e o grupo controle (p < 0,05). Estes sucos de laranja resultaram numa maior remoção do esfregaço dentinário e uma maior abertura dos túbulos dentinários. A comparação entre os métodos para cada grupo utilizando o teste de Mann-Whitney mostrou que atrito aumentou a remoção do esfregaço dentinário de modo significativo apenas para suco de laranja lima e lima. Os dados sugerem que determinados sucos naturais de laranja são mais eficazes em termos de remoção do esfregaço dentinário e exposição de túbulos dentinários que outros. Concluiu-se que os sucos de laranja-dabaía, laranja de valência, mandarina e tangerina são mais eficazes em termos remoção do esfregaço dentinário e exposição túbulos dentinários em comparação com laranja lima e lima. E escovar dentes sem dentifrício tende a melhorar a remoção do esfregaço dentinário após exposição ao suco de laranja com exceção laranja-da-baía. O objetivo Araújo et al., (2009) neste estudo foi observar a ocorrência de erosão dental em um grupo de crianças de 5 a 12 anos de idade, da cidade do Recife/Pernambuco e sua associação com o consumo de bebidas industrializadas. A amostra foi composta por 970 crianças e a coleta de dados abrangeu entrevistas e exames clínicos. Considerou-se como erosão dental a presença de lesões cervicais em superfícies vestibulares com as seguintes características clínicas: lesões largas, rasas, sem ângulos nítidos, com superfície lisa e em forma de “U”. Para a análise estatística foi utilizado o teste Qui-quadrado de Pearson. Os resultados exibiram que a ocorrência de erosão dental na amostra estudada foi de 3,4%, sendo 2,4% para a dentição decídua e 1,8% para a dentição permanente. Tanto na dentição decídua, quanto na permanente, a erosão dental foi associada ao consumo de bebidas industrializadas (P=0,02) e de refrigerantes especificamente (P=0,004). No presente estudo foi observado que os dentes decíduos foram mais afetados por erosão que os dentes permanentes. A erosão na dentição decídua pode ser considerada um preditor de erosão dental em dentição 38 permanente, que alerta para a necessidade de orientação que pode contribuir para prevenir e controlar o desgaste do dente. Neste estudo, o consumo de bebidas industrializadas, especialmente refrigerantes ingeridos com uma frequência de pelo menos três vezes por semana, tinham uma associação estatisticamente significativa com a ocorrência de erosão dentária. Deste modo, o aumento do consumo de bebidas industrializadas tem sido associada a um aumento da prevalência de erosão dentária em populações cada vez mais jovem. A ocorrência de erosão dentária foi baixa na população estudada em ambas as dentições decíduas e permanentes, sugerindo que este tipo de condição não constitui um problema de saúde pública para este grupo. Neste estudo, a erosão dentária foi revelada significativamente associada com o consumo de bebidas industrializadas, especificamente com o consumo de refrigerantes. Farias et al., 2009 descreveram a perda de minerais em razão da dissolução da superfície dental pela ação química de ácidos de origem não bacteriana. Além disso, a concentração de cálcio, fosfato e, em menor grau, o teor de fluoreto de uma bebida ou alimento são fatores importantes que influenciam no seu potencial erosivo. Já ingestão durante o sono potencializam o agente erosivo, visto que essas bebidas ficarão estagnadas sobre os dentes por mais tempo, em virtude da diminuição do reflexo da deglutição e do fluxo salivar, o que reduz a capacidade de tamponamento da saliva. Com o aumento da oferta e da procura por produtos industrializados, rotineiramente surgem no mercado novos produtos, cujo potencial erosivo é desconhecido. Então a odontologia restauradora alia-se de forma crescente à odontologia preventiva, no intuito de tratar o paciente de forma integral, não apenas interferindo nas consequências, mas principalmente nas causas das patologias. Neste contexto se insere a abordagem da erosão dental, que pode trazer sérios danos à saúde bucal. A capacidade destas bebidas de dissolverem os tecidos duros do dente está diretamente relacionada à presença de ácidos em sua composição. Além disso, outros fatores inerentes a estas bebidas como pH, capacidade tampão, tipo de ácido, concentração de ácido não dissociado, presença de íons como cálcio, fosfato, flúor e todos os cátions interferem aumentando ou diminuindo o seu poder de dissolução. Apesar da grande oferta de alimentos e bebidas ácidas, o padrão de consumo é relevante para que as lesões de erosão se mostrem clinicamente. Assim, algumas medidas, como evitar seu consumo desregrado tendo o leite e a água como uma fonte paralela de líquidos, evitar ofertar estas bebidas em mamadeiras e durante o sono, estimular o uso de canudos, não escovar os dentes logo após sua ingestão, usar dentifrícios com baixa abrasividade, usar soluções fluoretadas e 39 diluir estas bebidas, são condutas que, quando tomadas em conjunto, ajudam a prevenir estas lesões. Hanan e Marreiro (2009) realizaram um estudo com o objetivo de determinar o pH de refrigerantes, sucos de frutas e iogurtes industrializados na cidade de ManausAmazonas, consumidos pela população local, comparando os valores do pH dos produtos, segundo o tipo e o sabor, bem como em relação ao pH crítico de desmineralização. A amostra foi constituída de vinte e duas marcas comerciais de bebidas, divididas em 3 grupos (sucos, iogurtes e refrigerantes) adquiridas em supermercados da cidade de Manaus. Foram obtidas 4 unidades de cada produto, sendo duas do mesmo lote. Avaliou-se o pH utilizando-se um medidor de pH calibrado, logo após a quebra do lacre dos produtos e após 5 minutos. Os dados foram submetidos à análise de variância de ANOVA para demonstrar diferenças estatisticamente significantes entre os grupos de bebidas e sabores destas. Através dos resultados obtudos observou-se que, em média, os iogurtes apresentaram maiores valores de pH que os refrigerantes e sucos industrializados. O pH variou de 4,24 a 2,44, para o iogurte Fazendinha® sabor morango e o refrigerante Gury Cola®, respectivamente. O suco de pêssego apresentou o valor de pH mais elevado seguido dos sabores maracujá, frutas cítricas e uva. Quanto aos iogurtes, o sabor de maior pH correspondeu ao sabor morango seguido de côco, abacaxi e banana. Dentre os sucos de frutas, a maior média de pH observada foi para o suco Top Fruit® de pêssego correspondente a 3,77 e a menor foi registrada para o suco Tampico® de uva (2,78), observando-se diferença estatisticamente significante entre as duas bebidas, o que não ocorreu entre os sucos Tampico® frutas cítricas (2,91) e Top Fruit® maracujá (2,96). Ao autores concluíram que os refrigerantes, sucos e iogurtes analisados mostraram valores abaixo do pH crítico de dissolução da estrutura dental, sugerindo a possibilidade de desmineralização dental, demonstrando potencial para gerar lesões de erosão dentária. Das bebidas investigadas, os iogurtes apresentaram maiores valores de pH, quando comparados aos sucos industrializados e aos refrigerantes. Os sabores banana e uva dos iogurtes e sucos, respectivamente, alcançaram as menores médias de pH, assim como os refrigerantes a base de cola. O estudo in situ de Kato et al., (2009) avaliou o efeito protetor do chá verde em processos de erosão e erosão/abrasão dentinária. Para tanto, dez voluntários usaram aparelhos intraorais com amostras de dentina de bovina submetida a erosão (ERO) ou 40 erosão + abrasão com a escovação dos dentes realizada imediatamente (ERO+I-ABR) ou 30 minutos depois da erosão fazer a escovação (ERO+30-min-ABR). O chá verde reduziu o desgaste da dentina significativamente para todas as condições em relação ao controle. ERO+I- ABR foi significativamente maior que ERO, mas não foi significativamente diferente da ERO+30-min-ABR. A ERO+30-min-ABR provocado foi significativamente maior que ERRO, somente quando usado o tratamento com placebo. A partir dos resultados deste estudo o autor pode concluir que o chá verde pode reduzir o desgaste da dentina sob o processo de erosão/abrasão, mas mesmo assim devese esperar estudos adicionais para confirmação do seu mecanismo de ação sobre este processo. Se isto for confirmado, que o mecanismo de ação do chá verde sobre a redução do desgaste da dentina ocorre via inibição de metaloproteases, isso abrirá uma nova perspectiva para a prevenção/tratamento dessas lesões, através da concepção de novos produtos contendo inibidores de metaloproteases. A erosão dental é definida como a perda de tecido dental duro pela exposição ácida, sem que aja envolvimento bacteriano. A etiologia da erosão está é relacionada a fatores comportamentais, biológicos e químicos diferentes. Baseado em uma revisão de literatura, Magalhães et al. (2009), apresentaram um sumário das estratégias preventivas relevantes para os pacientes que sofrem da erosão dental. Os fatores comportamentais, tais como hábitos especiais na ingestão de bebidas, fatores relacionados ao estilo de vida ou exposição ácida ocupacional, poderão modificar a extensão da erosão dental. Assim, as estratégias preventivas têm que incluir medidas para reduzir a frequência e a duração da exposição ácida tanto quanto medidas adequadas de higiene oral, pois, sabe-se que as superfícies erosionadas são mais suscetíveis à abrasão. Os fatores biológicos, tais como a saliva ou o película adquirida, agem de forma protetora contra a desmineralização erosiva. Consequentemente, a produção de saliva deve ser realçada, especialmente nos pacientes com hiposalivação e xerostomia. No que diz respeito aos fatores químicos, a modificação de soluções ácidas com íons, especialmente cálcio, tem mostrado redução na demineralização, mas sua eficácia depende de outros fatores químicos, tais como o tipo de ácido. Para realçar o remineralização de superfícies erosionadas e para impedir uma progressão adicional do desgaste dental, as aplicações de produtos fluoretados em concentrações elevadas são recomendadas. Atualmente, pouca informação está disponível sobre a eficácia de outras estratégias preventivas, tais como a aplicação do cálcio e do laser, tanto quanto o uso de inibidores do metaloproteinases da matriz. De acordo com o revisado os autores concluíram que as estratégias preventivas para os 41 pacientes que sofrem da erosão são obtidas principalmente dos estudos in vitro e in situ e incluem aconselhamento dietético, estimulação do fluxo salivar, otimização no uso de fluoretos, modificação de bebidas erosivas e medidas orais adequadas da higiene. Mangueira et al., (2009) estimam que a prevalência de erosão dentária e identificar fatores etiológicos associados ao surgimento e desenvolvimento desta condição dental em escolares de 6 a 12 anos na cidade de João Pessoa, Paraíba foram os objetivos deste estudo. A amostra foi composta de 250 escolares da rede educacional pública e privada. Para o exame clínico, utilizou-se um índice específico para erosão dentária. A análise estatística foi feita pelo pacote estatístico para ciências sociais versão 13.0, sendo o valor de p<0,05 considerado estatisticamente significativo. Os resultados exibiram que na amostra examinada, 51,6% eram do sexo masculino e 48,4% eram do sexo feminino; 39,2% pertenciam às escolas da rede pública e 60,8% às escolas da rede privada. A prevalência de escolares com pelo menos um dente afetado pela erosão foi de 21,6%. Não houve diferença significativa entre os sexos (p=0,335) nem entre o tipo de escola (p=0,958). Em um modelo de regressão logística, idade (p=0,008) e consumo de suco industrializado (p=0,030) foram as únicas variáveis significativas. Nos elementos com erosão dentária, a superfície mais afetada foi a palatina, com 32%. Dos quatro níveis de severidade observados, 66,7% foram classificados no grau mais leve. Setenta e sete por cento dos dentes afetados apresentaram menos da metade de área superficial afetada. Os autores concluíram que a prevalência de erosão dentária nessa população é elevada e com baixa severidade, e que o consumo de suco industrializado foi o fator associado mais relevante para o desenvolvimento das lesões de erosão. Catelan, Guedes e Santos (2010) realizaram uma revisão de literatura conceituando erosão dental e suas implicações sobre a sáude bucal. A erosão dental descreve o resultado físico de uma perda patológica, crônica, localizada e assintomática dos tecidos dentais duros pelo ataque químico da superfície do dente por ácido e/ou quelante, sem o envolvimento de bactérias. Quanto a classificação pode ser baseada na etiologia, sendo dividida em: erosão extrínseca resultado de ácidos exógenos; erosão intrínseca resulta de ácidos endógenos; erosão idiopática quando o diagnóstico não se faz possível por meio de exames clínicos ou da anamnese. O diagnóstico depende de um exame clínico bem realizado e de uma anamnese criteriosa, uma vez que, o estágio da lesão é de extrema importância para o sucesso do tratamento a ser empregado. Durante a anamnese devem-se considerar os hábitos alimentares, distúrbios gastrintestinais, uso 42 de medicamentos, disfunção de glândulas salivares, exposição a meios ácidos durante o trabalho e hábitos durante a higiene bucal. Para redução das lesões de erosão podem se realizar bochechos com bicarbonato de sódio, consumo de produtos como leite e queijo e mastigação de goma de mascar contendo ureia ou bicarbonato, com o objetivo de neutralizar os ácidos, diminuir a frequência de consumo de comidas ácidas e restringir seu consumo juntamente com as refeições, escovação dental logo após o contato dos dentes com ácidos deve ser evitada, pode também estar indicando o uso de saliva artificial para pacientes com baixo fluxo salivar. É de extrema importância reconhecer as lesões de erosão no seu estágio inicial, utilizando-se de uma anamnese detalhada e um criterioso exame clínico, com o objetivo de identificar o fator etiológico no sentido de impedir sua progressão e instituir um plano de tratamento restaurador quando necessário, encaminhando o paciente a outro profissional quando pertinente. Furtadoet al., (2010) revisaram a literatura e discutiram o efeito isolado e combinado de propriedades físico-químicas relacionadas ao potencial erosivo de bebidas ácidas. Do ponto de vista físico-químico, o tipo de ácido, pH, acidez titulável, potencial quelante, concentração de cálcio e fosfato, temperatura e adesividade podem influenciar o potencial erosivo das bebidas ácidas. Individualmente, o pH, acidez titulável e conteúdo de cálcio são os parâmetros que melhor revelam a capacidade das bebidas em proporcionar a dissolução mineral da estrutura dental. Foi descrito que em contato com a saliva, ácidos presentes em bebidas erosivas dissociam-se liberando íons hidrogênio (H+). Consequentemente, o pH do meio bucal fica abaixo dos pHs críticos de dissolução do esmalte e da dentina. Assim, o meio torna-se subsaturado em relação aos íons cálcio e fosfato que compõem os cristais de apatita carbonatada, hidroxiapatita e apatita fluoretada, provocando a dissolução mineral da estrutura dental, o que se processa pela ligação do H+ ao carbonato e/ou ao fosfato dos cristais de apatita. Além do efeito ocasionado pelos íons H+, a erosão dental manifesta-se pela perda mineral desencadeada pela complexação do cálcio com ânions. A acidez titulável é a capacidade de uma bebida ácida maner seu pH original sendo que as bebidas erosivas possuem uma elevada acidez titulável. O conteúdo de cálcio, fosfato e flúor também interferem na erosividade de uma bebida, uma vez que, as substâncias supersaturadas em relação ao tecido dental não provocam dissolução mineral, ao passo que soluções subsaturadas levam à desmineralização. Produtos enriquecidos com cálcio proporcionam menor desmineralização e desgaste dental em relação a formulações equivalentes que não 43 contenham esse íon. Já com relação ao fosfato não há consenso sobre sua correlação com a perda mineral do esmalte. Quanto a caseína, esta pode ser considerada protetora pois uma fina camada dessa fosfoproteína formada sobre a superfície dental pode agir como uma barreira, restringindo o acesso de íons hidrogênio, impedindo a perda de cálcio e fosfato da hidroxiapatita. As moléculas de caseína também podem se ligar à superfície do cristal, prevenindo a perda iônica. Quanto aos aspectos físicos, destaca-se a temperatura. Temperaturas baixas estão associadas a redução da dissolução do mineral, ao passo que temperatura ambiente ou alta estão relacionadas a um aumento do potencial erosivo. Para uma caracterização mais precisa do potencial erosivo de bebidas ácidas, deve-se considerar a interação entre seus diferentes aspectos físicoquímicos. 44 Referências Bibliográficas AIDI, H.; BRONKHORST, E.M.; TRUIN, G.J. A longitudinal study of tooth erosion in adolescents. J. dent. res., Washington, v.87,n.8,p.731-5, 2008. AL-DLAIGAN, Y.H.; SHAW, L.; SMITH, A. Dental erosion in a group of British 14-year-old, school children. Part I: Prevalence and influence of differing socioeconomic backgrounds. Br. dent. j., London, v. 190, n. 3, p. 145-9, Feb., 2001.a AL-DLAIGAN, Y.H.; SHAW, L.; SMITH, A. Dental erosion in a group of British 14-year-old, school children. Part II: Influence of dietary intake. 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