PUBLICAÇÃO CULTURAL DA FUNDAÇÃO LOGOSÓFICA ANO 5 Nº 6 A hora da EVOLUÇÃO CONSCIENTE Vida humana e vida universal O sistema mental e a inteligência O que fazem os homens na Terra? Logosofia: arte e ciência do conhecimento de si mesmo Se das imaculadas alturas do pensamento se contempla a imensidão e o espaço, e depois se dirige o olhar aos seres humanos, ressalta com maior relevo sua pequenez cósmica. Aparece, então, desenhada no espaço, como uma imensa indagação, a pergunta: O que fazem os homens na Terra?... A desorientação atual é sinal inconfundível de que os conceitos vigentes não mais satisfazem às exigências intelectuais e às necessidades espirituais de nossa época. O espírito humano reclama hoje, imperativamente, uma solução para o complexo e sombrio problema que se abate sobre a vida de cada indivíduo. EDITORIAL A CHAMA INEXTINGUÍVEL DA ESPERANÇA O caminho da EVOLUÇÃO CONSCIENTE A busca da verdade tem durado séculos, ou melhor dizendo, milênios; mas, embora os frustrados esforços e ilusões de muitos fossem ficando pelos diversos caminhos percorridos com esse propósito, nunca deixou de alentar nas almas das pessoas a chama inextinguível da esperança. O homem sempre pressentiu algo além, uma prolongação indefinida de sua existência, que chegasse inclusive a identificá-lo com a própria divindade que alenta a criação. Para sua desdita, pretendeu internar-se nessas zonas profundas e de difícil acesso a toda inteligência carente de ilustração superior, sem os conhecimentos que o ajudariam nessa empresa. A Logosofia auspicia com seus conhecimentos o ingresso nessas zonas, cujo percurso o homem terá de iniciar – logicamente – partindo da primeira parte do grande processo evolutivo consciente. Esse processo ou caminho excepcional traçado pela Logosofia percorre-se em virtude do método que lhe é próprio. Sua sólida e reta construção tem sido posta à prova durante anos de incessante e empenhoso trabalho, e está aberto a todos sem exceção, ainda que não possam caminhar por ele os que pretendam levar sobre os ombros o peso de seus preconceitos, de suas crenças ou suas dúvidas. Por esta razão, a Logosofia estabeleceu o percurso de uma prudente etapa preparatória que, ao ser coberta com verdadeiro desejo de superação, permite o desapego gradual dos preconceitos e a eliminação das dúvidas. O caminho logosófico é tão longo como a eternidade, porque é o caminho determinado pela lei de evolução, que impera sobre todos os processos que se elaboram dentro da criação. Eis aí sua extraordinária virtude. O homem comum anda por esse caminho alheio às prerrogativas que essa lei lhe concede, e seu avanço é lento e penoso, mas poderá percorrê-lo conscientemente tão logo seus passos sejam guiados pelas luzes do conhecimento transcendente. Seu trajeto só está vedado à ignorância humana, mas não aos que deixaram para trás as etapas preparatórias desse conhecimento. LOGOSOFIA 3 SUMÁRIO Conceitos e valores Capa A LUZ DO SOL E A CASA MENTAL A sabedoria logosófica quer, como o sol, iluminar o interior dos seres A vida tem de ampliar seus horizontes; fazer longas as horas da existência para que o espírito, incorporado na matéria, experimente a grandiosidade de sua criação 05 13 Grandes concepções COMO DEIXAR DE SER VEGETAL, MINERAL OU ANIMAL? Na misteriosa configuração biológica do homem encontram-se representantes de todos os reinos AS DUAS MENTES DO HOMEM O sistema mental e a inteligência 06 Psicologia humana DEFICIÊNCIAS E DEFEITOS QUE CAUSAM A INFELICIDADE HUMANA Em sua maioria, os homens formaram um falso conceito de si mesmos 08 Comportamento COMO SER BOM E FAZER O BEM? A magnitude desse pensamento que guarda tão louvável propósito 10 POR QUE ESPERAR 90% DOS DEMAIS? Esta posição equivocada faz perder muitas amizades Uma nova cultura para a humanidade UM CONHECIMENTO DIFERENTE Logosofia: arte e ciência do conhecimento de si mesmo Evolução consciente 18 O DESENVOLVIMENTO DA CAPACIDADE INTELECTUAL A expansão da inteligência por via do estudo logosófico Sociedade humana 20 SEGREDOS DA CONVIVÊNCIA HUMANA A imagem ideal que influi para que os seres se reconciliem e se reencontrem Conhecimento de si mesmo 12 CRENÇAS E PROMESSAS QUE ADORMECERAM OS HOMENS A necessidade de vincular-se metafisicamente a Deus COMO COLOCAR-SE ENTRE A TERRA E O CÉU? Vida humana e vida universal Logosofia PUBLICAÇÃO CULTURAL DA FUNDAÇÃO LOGOSÓFICA EM PROL DA SUPERAÇÃO HUMANA Rua Piauí, 742 - Funcionários 30150-320 - Belo Horizonte Minas Gerais - MG tel/fax: (31) 3273-1717 e-mail: difusã[email protected] www.logosofia.org.br COMISSÃO EDITORIAL Coordenação: José Alberto da Silveira Subcoordenação: Joana Melo Bonfim Passos Edição de textos: Flávio Friche Passos - MTb 2015/MG Revisão geral: Eliane Amélia C. Vieira Martins Arte: Adesign - Direção de arte: Carin Ades Produção gráfica: Signorini Ano: 2002 Todos os artigos não assinados são de autoria de Carlos Bernardo González Pecotche (RAUMSOL), podendo ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados a publicação e o nome do autor. EXEMPLARES DE CORTESIA Se você deseja receber esta revista como cortesia, faça o seu pedido pelo e-mail: difusã[email protected] ou pelo fax (31) 3273-3266, ou via correio, informando seu nome e endereço completos. GRANDES CONCEPÇÕES Nossa ciência outorga hierarquia à mente humana ao apresentá-la sob uma concepção que a eleva à categoria de sistema. AS DUAS MENTES DO HOMEM E sse sistema está configurado por duas mentes: a superior e a inferior, ambas de igual constituição, mas diferentes em seu funcionamento e em suas prerrogativas. A primeira tem possibilidades ilimitadas e está reservada ao espírito, que faz uso dela ao despertar a consciência à realidade que a conecta com o mundo transcendente ou metafísico. O destino da segunda é a atenção às necessidades de ordem material do ente físico ou alma, e, em suas atividades, pode intervir a consciência. As duas mentes, a superior e a inferior, têm exatamente o mesmo mecanismo, constituído pelas faculdades de pensar, de raciocinar, de julgar, de intuir, de entender, de observar, de imaginar, de recordar, de predizer, etc., as quais são assistidas em suas atividades por outras faculdades que chamaremos de acessórias e que têm por função discernir, refletir, combinar, conceber, etc. Todas as faculdades formam a inteligência. A esta última, a Logosofia de- A atividade criadora da mente superior inicia-se com o despertar da consciência, o que significa que seu funcionamento se acelera em virtude do estímulo crescente que a consciência, ilustrada no conhecimento, exerce sobre ela nominou faculdade-máxima, porque abrange todas em conjunto. As faculdades de ambas as mentes agem independentemente, embora possam fazê-lo de forma combinada. Integram também o sistema mental, na zona dimensional que lhes corresponde em cada mente, os pensamen- tos, entidades psicológicas animadas, que cumprem um papel preponderante na vida humana. (...) Estabelecida a semelhança de ambas as mentes no que diz respeito à sua estruturação, apontaremos brevemente as peculiaridades que determinam seu diferente funcionamento. A mente inferior ou comum tende, em geral, para o conhecido, para o externo, e, salvo exceções, funciona sem intervenção direta da consciência ou apenas com a participação circunstancial da mesma. Isto poderá ser melhor compreendido tão logo se avance no estudo dos temas que aprofundam esta matéria. (...) A mente superior organiza-se em função dos conhecimentos transcendentes, cuja finalidade essencial é pôr em atividade a consciência. A influência desta mente sobre o destino da vida humana se faz sentir quando esses conhecimentos começam a traduzir-se numa conduta que coincide com as disposições de sua elevada preceptiva. LOGOSOFIA 5 PSICOLOGIA HUMANA Deficiências e defeitos que causam a INFELICIDADE HUMANA S e pousarmos a vista em cada ser humano, veremos que, em sua maioria, os homens formaram um falso conceito de si mesmos, razão pela qual acreditam ser mais do que são. Este é um primeiro e grave defeito, causador do muito que haverão de padecer no decurso de seus dias. Outro defeito é o de acreditarem ser mais que o semelhante. Esta tendência em diminuírem-se uns aos outros acaba, finalmente, por tornar pequenos a todos. Sobre o primeiro dos defeitos mencionados, pode-se agregar algo mais. Freqüentemente, o ser não só acredita ser muito mais do que é, senão que faz também uma ostentação constante do que supõe ser. Vivendo com essa falsa crença, deixa de preocupar-se por ser efetivamente aquilo que supõe ser; e, quando tenta aperfeiçoarse, angustia-se, desilude-se e desmoraliza-se ao advertir, depois de muitos esforços, que não avança nem produz um franco melhoramento, 6 LOGOSOFIA “A tendência em diminuírem-se uns aos outros acaba, finalmente, por tornar pequenos a todos” uma superação e uma pronunciada mudança em seu ser. Eis aqui a conseqüência da falsa visão de si mesmo, pois, ao crer-se mais do que é, busca superar esse ser que ainda não existe, porque ele não deixou de ser todavia aquilo que é. Quer dar um salto muito grande, e a Natureza ensina que nenhum processo se realiza aos saltos, senão em medidas regulares e sucessivas de evolução. É muito conveniente ter isto sempre presente, sobretudo para ser justo nos juízos e na conduta diária. A deficiência que acabamos de assinalar, que tantos erros faz cometer, tem sido comumente chamada de dupla personalidade: aquela que, na verdade, o ser é e a que imagina ser. Vejamos, a seguir, algumas das tantas situações que ela cria. Quando o possuidor desta deficiência trata com um semelhante, o correto é que este se dirija à pessoa a quem vê, ouve e julga, de acordo com o conteúdo moral, intelectual e espiritual que lhe oferece. Mas eis aí que tais seres sentem-se lastimosamente diminuídos ao ver que não são julgados de acordo com o que acreditam ser, senão que estão sendo julgados conforme o que são. Sucede também mais isto: quando o afetado por essa dupla personalidade sustenta uma conversação com alguma pessoa, produz-se nele um desequilíbrio que se pronuncia em sua posição mental porque, ao escutar, o faz, de uma parte, sob a sugestão do que ele mesmo acredita ser e, de outra, deixado a expensas do que realmente é. Aquele que desta maneira escuta, obstrui os canais do raciocínio, embelezado na admiração de seu próprio ser, prodigamente imaginado, produzindo-se, deste modo, tergiversações e entendimentos errôneos entre as pessoas. PSICOLOGIA HUMANA Refletindo sobre essas palavras, se compreenderá facilmente porque existem tantas desavenças entre uns e outros, assim como também por que cada um, fora de seu lugar, pretende estar bem colocado, isto é, em sua razão. Sem dúvida, o que é na realidade algo ou muito mais do que aparenta, trata sempre de não se distanciar demasiado do semelhante, para poder observá-lo bem e escutá-lo melhor. Escutando bem e observando melhor, o compreenderá, sendo lógico que uma boa compreensão já é um elemento de valor; e até poderia dizer-se que é uma ajuda instantânea que aquele recebe. É uma ajuda porque é sabido que, quando um ser aflito expressa sua emoção e seu estado de ânimo a um semelhante, se encontra nele compreensão, sente alívio imediato, não sucedendo assim quando não é compreendido, dado que sua aflição, neste ponto, recrudesce. Em todo este jogo de movimentos mentais, é fácil ver como aparece sempre a parte negativa do ser, que é, por sua vez, sua própria negação e sua inimiga. Para tornar mais clara e ampla a observação apontada, convidaria todos a seguir, com a maior atenção, o curso desta reflexão: cada um busca com insistência algo e, nessa busca, põe todo seu empenho, suas energias, seus afãs e seus desejos. E, o que é que busca? Ser mais feliz, possuir mais; em uma “Dupla personalidade: aquela que, na verdade, o ser é e a que imagina ser” palavra: ser mais do que é. Mas, preocupado com tal busca, esquece constantemente o que ela deve significar para sua vida. Se alguém tem, por exemplo, sua casa vazia e quer encher com móveis e adornos todos seus espaços, é lógico que, cumprido esse desejo, deva sentir-se satisfeito e feliz. Pois bem; muitos passam a vida enchendo e esvaziando a própria casa: quando a têm vazia, clamam por tê-la cheia e, quando isto ocorre, têm saudade dos tempos em que estava vazia, para voltar a sentir a aspiração de enchê-la. Provaremos a verdade do expressado. Muitos não passaram a vida inutilmente; algo têm, uns mais, outros menos. Mas se examinassem a mente, é certo que muitas coisas seriam encontradas abandonadas nela; possivelmente, muitas dessas coisas são as que, com afã, tratam de conseguir agora, sem advertir que já as têm consigo faz tempo. O ensinamento logosófico, com sua força construtiva, busca despertar a consciência para que esta ilumine toda a vida interna do ser. Se somos conscientes do que temos, e nos sentimos felizes com essa posse, devemos cuidar de que nada nos afete, nem diminua em nós a consciência do que possuí- mos. De modo que, se somos possuidores de uma parte de felicidade, por exemplo, não a esqueçamos em nenhum momento e, muito menos, não nos amarguremos por quanta pequena incidência da vida diária se nos apresenta, ameaçando perturbar a calma de nosso espírito. Sempre se há de evitar a ofuscação, a obstinação e o descuido em que muitas vezes se incorre por não se prestar atenção ao que possuímos, pois, podendo desfrutar conscientemente esta parte feliz de que dispomos, tornamos a vida triste, amargurando-nos diante de coisas que deveriam ser observadas com serenidade, sem deixar, em momento algum, que penetrem o ânimo para afetá-lo. O ser que é consciente dessa parte de felicidade deverá antepô-la como uma couraça contra o mal em todos os instantes de sua vida; quem seguir este conselho, verá quanto bem alcançará. Antepondo essa parte de felicidade e de bem que tenha conseguido alcançar em sua vida, o mal se chocará contra ela indefectivelmente e nada poderá, então, alterar a paz interna. Em vez disso, se esquecemos o que temos, comportando-nos como seres irracionais, a parte de felicidade e de bem que tenhamos conquistado irá diminuindo, porque será afetada sensivelmente pela infiltração do mal, que não soubemos deter antes que penetrasse em nós. O QUE É NECESSÁRIO PARA TRIUNFAR? Para triunfar é necessário vencer; para vencer é necessário lutar; para lutar é necessário estar preparado; para estar preparado é necessário prover-se de uma grande inteireza de ânimo e uma paciência a toda prova. LOGOSOFIA 7 COMPORTAMENTO C OMO M uitas vezes foi dito que é necessário ser bom e que há que fazer o bem. Isto foi repetido de várias formas e quase, poderia dizer-se, em todas as partes; mas sempre ocorreu que, após serem escutadas estas palavras, não se teve um conceito claro do que elas significam, nem de como realizar o que recomendam. Tão prontamente como nasce o propósito de ser bom, o sensato seria formular-se estas perguntas: “Dizemme que devo ser bom e esse é meu desejo, mas, que devo fazer para conseguir? De que forma devo proceder? Com que meios conto?” O mesmo quando se trata de fazer o bem: “Que devo fazer? De que forma? Com que meios?” Poderiam sobrevir depois outras indagações: “Como comprovarei que sou melhor a cada dia? Que fatos o demonstrarão? Como comprovarei que fiz o bem? Através de que fatos poderei confirmá-lo?” Uma longa série de perguntas poderia seguir às anteriores, mas, se não se conta mais do que com o propósito de ser bom, isso não bastará para concretizar uma compreensão de cada pergunta formulada. Passarão depois dias, meses, anos, épocas, quiçá, e aquelas exortações de ser melhor e de fazer o bem serão relegadas ao esquecimento pela mente, continuando na posição da maioria, que faz o bem inconscientemente, seja a si 8 LOGOSOFIA SER BOM “... algo que pode encher o coração humano de uma alegria saudável e verdadeira” mesmos, seja aos seus semelhantes, isto é, sem ter consciência real de que verdadeiramente são melhores ou de que fazem o bem. Traçarei, em continuação, uma imagem que irá explicar e fazer compreender a magnitude desse pensamento que guarda tão louvável propósito. Todos têm um passado e um presente que conhecem; mas também têm um futuro que não conhecem. Durante sua vida o ser vai criando um futuro, que é conseqüência ou resultado da forma como viveu seu passado e seu presente; daí que, analisando esses dois períodos de tempo, não fique difícil predizer o que poderia acontecer no futuro, porquanto as predições estão baseadas sempre no conhecimento do passado. Naturalmente que nem todos conhecem esse passado, ainda que acreditem o contrário. Na maioria dos casos é ignorado porque a mente humana, ao esquecer tão facilmente tudo o que faz de mau, recordando tão-somente o bom, não conhece, pode-se dizer, esse passado. COMPORTAMENTO E FAZER O BEM ? Tal é, pois, o passado que todos crêem conhecer de si mesmos, e estou seguro de que, se cada um pintasse sua própria imagem com seu passado, lhe poria uma auréola bem visível atrás da cabeça. Mas o certo é que, assim como se leva em conta as coisas boas que se fez, também há Quem as leva a respeito de todo o mal. Estas últimas são dívidas que, inexoravelmente, mais tempo, menos tempo, terão que ser pagas. Assim, quando ocorre um contra- tempo, quando tem lugar o que cada um considera um mal ou uma desgraça, é atribuído à fatalidade, à má sorte, ao destino; enfim, a muitas coisas, sem que jamais surja na mente humana o pensamento que aponte a própria culpabilidade ou o próprio causador desse mal, que é a própria pessoa. Pois bem; é completamente lógico que se tenham cometido muitos erros ou se tenha feito tanto mal; mas isto não deve ser motivo de pesar algum, quando no presente se tem a oportunidade de possuir, de um modo certo, o conhecimento que permite saber como o ser pode proteger-se contra os males do futuro, pois já se tem algo enorme; algo que pode encher o coração humano de uma alegria saudável e verdadeira. O SEGREDO DA REALIZAÇÃO HUMANA O domínio do próprio campo mental permite ao ser transcender sua limitação e desenvolver sua vida em planos mais elevados de consciência. Nisso reside o segredo da realização humana. LOGOSOFIA 9 UMA NOVA CULTURA PARA A HUMANIDADE UM CONHECIMENTO D IFERENTE A diferença fundamental entre o conhecimento logosófico e os conhecimentos correntes D e todos os que chegaram às fontes do conhecimento logosófico – e é crescente seu número – nenhum manifestou ainda conhecer o que a Logosofia ensina sobre sistema mental, sistema sensível, e ainda menos sobre a vida e atividade dos pensamentos, movendo-se independentemente dentro e fora das mentes dos homens. Tampouco ninguém manifestou conhecer anteriormente a concepção logosófica que estabelece princípios e assinala normas para o perfeito conhecimento de si mesmo. Os vôos dos chamados mentalistas, que infestaram uma infinidade de livros com sugestionantes ofertas de chaves para exercitar o chamado “domínio da vontade” ou o “poder do pensamento”, só levaram a aguçar ainda mais o complexo psicológico dos que, ingenuamente, acreditaram em semelhantes proposições. Basta examinar seus argumentos para convencerse da puerilidade e falta de consistência de sua exuberante literatura. (...) Após prévio exame e estimativa de 10 LOGOSOFIA “A ilustração e a instrução correntes levam a vida dos seres para o externo. A Logosofia ensina, em vez disso, a viver para o interno” todos os valores internos que manifeste ter e que realize auxiliado pelo conhecimento logosófico, o incipiente investigador começa por incorporar a seu próprio acervo os novos e fecundos conhecimentos que, sem limitação, lhe prodigaliza a Logosofia. Tais conhecimentos, ao internar-se neles, revelam-lhe caminhos que enriquecem seu espírito e lhe abrem perspectivas ignoradas para sua vida. Daí em diante, a autognose ocupará sua especial atenção. Guiado por ela, poderá observar, com singular interesse, os movimentos que se produzem em sua mente e vigiará, com atenção, a atividade que desenvolvem seus pensamentos. Deste modo, começará a descobrir neles suas qualidades, suas intenções ou ainda suas origens ou suas vinculações com idéias ou tendências, próprias ou estranhas. Fará uma seleção dos mesmos, eliminando os prejudiciais ou negativos e ficando com aqueles pensamentos úteis, que irão servir-lhe para resultados felizes no empenho tenaz e firme de seus elevados propósitos de bem. Tudo isso lhe fará compreender que já não é mais possível entregar sua vida ao acaso, como fazia antes e como é costume para a maioria de seus semelhantes. Tampouco terá que lamentar os freqüentes fracassos ou abalos da adversidade, pois, antes de iniciar alguma empresa que possa afetar seus interesses ou sua vida, estudará conscientemente os prós e os contras e preparará seu ânimo para enfrentar com inteireza toda eventualidade, sem que nenhuma contrariedade altere os objetivos permanentes de seu espírito. À parte do incentivo que o conhecimento logosófico cria na alma humana, o fato de exercer, em prática constante, a nobre profissão de fazer o bem, começando pelo que se faz à própria vida, permite desenvolver uma atividade que aumenta a inteligência em relação direta com os estímulos que recebe, traduzidos seja em UMA NOVA CULTURA PARA A HUMANIDADE formosos resultados, seja na repercussão feliz dos esforços. Cria no homem, assim, novas condições para sua vida e, após reiterados empenhos, este consegue triunfar sobre a inércia que o oprimia, debilitando-o psicológica e moralmente. A esta altura de sua realização logosófica, lhe é fácil admitir que os conhecimentos que antes tinha sobre a vida e sua função primordial eram rudimentares, já que não nos excederíamos demasiado se afirmássemos que a maioria dos seres não avançou grande coisa na investigação que se interna nas profundidades da consciência humana. Salta à vista a diferença fundamental que existe entre o conhecimento logosófico e os conhecimentos de domínio comum. Enquanto o ser atua no primeiro, usando com acerto e consciência as faculdades da inteligência, no segundo, quase sempre o faz ao acaso. E como não haveria de ser assim se a própria vida parece ser vivida sem que se experimente a realidade de tal existência? Acaso não vive a maioria por que sim, sem que nela exista a cabal consciência do que a vida deve representar para seu ser? Quais são os recursos mentais, as idéias, as concepções da inteligência, que usam para remediar seus males ou melhorar suas situações, na maioria das vezes críticas ou instáveis? E se não gozam de tais recursos mentais, quem, na época em que vivemos, poderá aproximá-los de suas possibilidades? Eis aqui perguntas que conduzirão a muitas reflexões. Outra diferença que devemos anotar, por constituir – poderíamos dizer – a linha divisória entre o conhecimento logosófico e os comuns, é aquela que se evidencia no fato, bastante significativo por certo, de que a ilustração e a instrução correntes levam a vida dos seres para o externo, em cuja direção todos orientam seus afãs. A sociedade moderna obriga a uma permanente rivalidade de ambições, que excitam a cobiça e assenhoreiam o desejo intenso pelos bens materiais em todas as ordens da vida. A Logosofia ensina, em vez disso, a viver para o interno; essa vida reservada única e exclusivamente para que o próprio espírito reine nela requer ser preservada de toda ingerência estranha. A atenção que nos exige o fato de viver a vida internamente não impede, em absoluto, nossa vida de relação com os demais; ao contrário, ela assumirá maior consciência Assim, pois, cada um deverá proceder sem demora a recolher a vida que estava fora de seu ser, exposta a todas as contingências da imprevisão; enquanto realiza isto, experimentará a grata sensação de estar vivendo já outra vida, agora internamente. Mas, para muitos, não é fácil a tarefa de recolher essa vida, por achar-se esta como que enganchada em muitas partes, chegando-se, às vezes, a experimentar a amarga realidade de não se sentir dono dela, de tanto saturar-se de compromissos e obrigações de toda espécie. Porém, quando se consegue firmar essa vida no interno, para senti-la mais intimamente e desfrutá-la compreendendo seu grande significado, então se tem verdadeiramente a impressão de viver dentro de uma vida que oferece as suaves e agradáveis sensações de um bem-estar não conhecido até esses momentos. É então quando se pensa no que foi feito da vida anterior, daquela em que se viveu alheio a esta formosa realidade que agora nos é dado desfrutar e apreciar. Vemos, com isto, a importância que reveste conhecimento tão fundamental. Viver a vida internamente significa ter conseguido ver e estimar essa vida dentro de si mesmo, o que permite, por sua vez, abarcar – na medida das próprias possibilidades, é natural – todo o mecanismo psicológico e mental do próprio ser; conhecendo-o em suas partes e funcionamento, chegase a conhecê-lo em sua totalidade. Isso não é nada irrealizável, ainda que tampouco seja tarefa fácil; há que adaptar os sentidos, antes desacostumados, a percepções mais sutis. LOGOSOFIA 11 CONHECIMENTO DE SI MESMO C RENÇAS E PROMESSAS QUE QUE ADORMECERAM OS HOMENS “O homem deve abrir os olhos; não fechá-los, como os fanáticos, que não querem ver nem ouvir” A PRIMEIRA GRANDE VERDADE A primeira grande verdade haverá o homem de encontrá-la dentro de si; uma verdade que está representada por todas as etapas que com seu esforço e seu adestramento deverá cumprir, até identificar-se com seu espírito e assegurar sua efetiva e permanente intervenção no transcendente processo que está realizando. Chegado a este ponto, o espírito assumirá o governo da vida e atuará com inteira liberdade na vigília, conseguindo o ser físico tal segurança e acerto em seu pensar e agir que lhe evitarão cair no engano ou no equívoco. 12 LOGOSOFIA N inguém ousará negar, sem contrariar a lógica, que, à medida que o homem avança na conquista do saber, os conceitos são suscetíveis de evoluir. Negá-lo seria negar a própria evolução, que é sinal de superação e aperfeiçoamento; seria pretender a permanência do homem na ignorância de suas grandes prerrogativas humanas e espirituais. (...) Já dissemos que o homem experimentou durante séculos a necessidade de vincular-se metafisicamente a Deus. Ante a falta de conhecimentos que lhe permitissem realizar essa esperança, consentiu na falácia e no absurdo de crenças e promessas que, ao contrário, adormeceram sua alma. O avanço do tempo foi despertando-o desse sonho pernicioso, e, erguido de novo, numa inquietante ansiedade, reclama com insistência cada vez mais firme o conhecimento orientador de sua existência. Os novos conceitos, os conceitos logosóficos, haverão de ir-se impondo inevitavelmente, porque consubstanciam verdades inatacáveis e estão sustentados por uma tremenda força lógica, que impele o homem a comprovar, por si mesmo, sua transcendental realidade. Mas este deverá abrir os olhos; não fechá-los, como os fanáticos, que não querem ver nem ouvir. Deverá abrir os olhos ao eflúvio benéfico e construtivo dos novos conhecimentos, chamados a iluminar a vida e libertá-la da oprimente escravidão em que está submersa pelo bloqueio dos velhos conceitos. Todo conceito que o homem não modifica com sua evolução torna-se um preconceito, e os preconceitos acorrentam as almas à rocha da inércia mental e espiritual. CONHECIMENTO DE SI MESMO C OMO COLOCAR - SE ENTRE A TERRA E O CÉU? “A enorme diferença que existe entre caminhar para baixo e fazê-lo para cima” C ada vez que ausculto os seres humanos e advirto neles os sintomas de um melhoramento, percebo ali, no mais íntimo de seu ser, que o desejo de elevar-se é, em princípio, por terror ao abismo; apenas quando se têm acostumado a ascender pela escada da evolução é que se dão conta da enorme diferença que existe entre caminhar para baixo e fazê-lo para cima. Tem-se dito que o céu une e a terra desune; se isso é verdade, não há mais remédio que ascender ou, pelo menos, manter-se à prudente distância da terra, o que já seria haver conquistado muito, con- quanto isso não seja tudo. Eu aconselharia mais: aconselharia a não se afastar da terra, nem subir ao céu, ou melhor, alcançar a mesma distância entre este e aquela. Sugeriria dividir a vida em duas partes, uma pertencente ao céu e outra à terra; que em uma governe o espírito e, na outra, a razão, para evitar que a terra, em um descuido do ser, o cubra e o sepulte. Se isso se consegue – o que é muito possível, visto que ninguém está privado de tal prerrogativa –, a felicidade pode ser completa. Saber conduzir-se entre o céu e a terra é voar com liberdade, fincando o pé com a mesma facilidade, tanto no céu quanto na terra. Isto impedirá o apego demasiado às coisas terrenas e fará com que se conceda um maior espaço para a preocupação do que corresponde ao céu de nossas comuns aspirações e esperanças; ao céu, que não é senão a paz e a felicidade que tanto busca o ser humano, e que somente prova aos sorvos, de vez em quando. LOGOSOFIA 13 CONCEITOS E VALORES A LUZ DO SOL E A CASA MENTAL O sol ilumina todo o sistema planetário; mas se ocorre a alguém encerrar-se em um quarto escuro e deixar somente um pequeno orifício à passagem de seus raios, o sol, com toda sua potência ultracósmica, o iluminará somente por esse orifício, enviandolhe uma tênue luz, muito fraca, isto é, a que pode passar por tão pequena cavidade. O que está dentro do quarto escuro, ainda que proteste por isso e trate de desprestigiar o sol, manifestando que não tem potência alguma, não conseguirá que o astro amplie a luminosidade que ele mesmo se está negando. No recinto mental ocorre coisa idêntica: à medida que cada um abra as janelas de sua mente, o oxigênio e a luz da sabedoria poderão penetrar através delas; mas o que apenas deixa uma fresta à passagem dessa luz, permanecerá sempre às escuras, ainda que ela ilumine todo o universo. Invocará depois a fatalidade, o es- 14 LOGOSOFIA “À medida que cada um abra as janelas de sua mente, o oxigênio e a luz da sabedoria poderão penetrar através delas” quecimento da mão de Deus, a má sorte, e enfim, tantas coisas quanto ocorram aos pensamentos. Porém, há mais ainda. Muitos abrem suas janelas mentais e a luz e o oxigênio entram; depois as fecham e, como se esquecem de abri-las novamente, a luz não penetra, por ser muito discreta, iluminando apenas a fachada. Quantas fachadas tem iluminado, também, a sabedoria logosófica! Mas isto não é o que generosamente ela oferece, ao brindar, como o sol, sua luz; o que quer é iluminar o interior dos seres. Mas, para isso, é mister que se abram – como disse – as janelas da mente, e que não se fechem ao sabor dos caprichos: hoje, porque se está desgostoso; amanhã, porque se tem que ir ao cinema; depois, ao teatro; outro dia, porque há muito o que fazer e, enfim, outras vezes, porque não tem disposição. Se deste modo o conhecimento não penetra, de quem será a culpa? Do saber logosófico? Não, certamente. Esta é uma verdade que todos tocaram com as mãos, tanto mentais como físicas; a força desta verdade se sente até na ponta dos dedos. Fica ainda uma consideração a fazer: o fato de que o sol permaneça esperando que lhe abram as portas, o que significa? Significa que dá provas de uma grande virtude: a de estar projetando sobre o universo a expressão da paciência, pois, enquanto ilumina todos aqueles que têm as portas abertas, espera que outros a abram. Esta é a paciência inteligente e ativa, de que CONCEITOS E VALORES TODOS OS DIAS SAI O SOL... Enquanto o sol aparece todas as manhãs, uma incontável quantidade de seres passa meses e meses sem vê-lo nem recordar-se de que existe. Esta é também outra forma de comprovar até falei outras vezes, e nesse fato reside também a expressão universal de outra virtude tão grande como a anterior: a tolerância, porque, ainda que os seres demorem séculos para abrir passagem à sua luz, não a nega se algum dia decidem voltar a fazê-lo. A única coisa que poderia acontecer é que o sol, em lugar de iluminar uma vida, tivesse que iluminar um cadáver. Mas a culpa não será, nesse caso, do sol, senão do que não abriu a tempo as portas para que seus raios, que enchem a vida de vida universal, penetrassem no interior. Estes são os conhecimentos que a Logosofia põe ao alcance de todas as mentes, para clarear profundas obscuridades que, há séculos, desde tempo imemorial, a humanidade vem arrastando atrás de si. São simples e singelos, e se revelam por si mesmos quando a palavra logosófica os desperta e anima, e as mentes humanas assistem a seu despertar. onde chega a vida superficial dos homens. Mas quem vive uma vida real, quem faz dela uma verdadeira potência interna, trata de aumentar o contato com essa e com toda a vida que o rodeia, pensando, entre outras coisas, que todos os dias sai o sol... Dedique, pois, o homem, um minuto ao dia, pelo menos, a vê-lo refletido em suas mãos, em seu rosto, e a render-lhe a homenagem de sua gratidão, ainda que seja apenas pelo fato de receber sua luz e seu calor. LOGOSOFIA 15 CONCEITOS E VALORES C OMO DEIXAR DE SER VEGETAL, MINERAL E ANIMAL? N ão se deve esquecer que o mineral jaz nas profundezas das montanhas, que o vegetal permanece imóvel na terra, que o animal está atado a seu instinto, e que o homem encontra sua liberdade nos tribunais de sua consciência, iluminada pela sublime luz do conhecimento. Sem dúvida, na misteriosa conformação biológica do homem encontram-se representantes de todos os reinos; conformação que, em mistura imponderável, associa ao organismo do homem elementos constituintes da vida atômica e molecular do universo. Que explicação pode-se dar ao homem da extraordinária complexidade do pensamento criador que animou sua vida, insuflando em seus mais recônditos meandros o hálito ciclópico, que acende a chama existencial das gerações cósmicas ao instituí-lo rei da Criação, en- 16 LOGOSOFIA “Na misteriosa configuração biológica do homem encontram-se representantes de todos os reinos” quanto faz permanecer nele vestígios latentes dos reinos inferiores? Deve o homem desvendar esta incógnita; deixar de ser um mineral, liberando-se da inércia; deixar de ser um vegetal, movendo-se inteligentemente em plena atividade construtiva; e, enfim, deixar de ser tudo o que não convém a um ente humano, desatando seu ser de todos os preconceitos do instinto, para transfundir em seu espírito a verdadeira essência de sua criação humana. As fagulhas que de vez em quando brotam, ao friccionar a inteligência com a áspera ponta da realidade, fazem com que apareçam, como em épica visão, fragmentos de imagens que o homem toma como antecipações promissoras de suas conquistas futuras. Para isso, tem à sua disposição o mecanismo mais genial que se poderia haver criado: sua mente. Haverá de ser, pois, inconcebível que não se produza uma verdadeira superação naqueles que, tomando contato com a sabedoria logosófica, podem promover dentro de si os movimentos inteligentes que os levem à realização a que se propuseram. Para tal fim contribuem todos os ensinamentos que, em forma de aluvião, fecundam o campo mental, e cuja importância está mais além do pensamento, por resumir, em síntese, todas as aspirações do ser. CONCEITOS E VALORES P OR QUE ESPERAR 90% DOS DEMAIS ? E m geral, cada um espera, senão tudo, pelo menos noventa por cento dos demais, parecendo-se ainda muito esses dez por cento que põe de sua parte. Esta posição tão equivocada faz perder muitos afetos, muitas amizades e relações, às quais algumas vezes se seguirá vinculado mas apenas em aparência. Assim, pois, mais convém que o homem ponha de sua parte os cem por cento que a ele concerne, confiando em suas próprias possibilidades. Isso lhe dará a oportunidade de poder servir a si mesmo e, excedendo ainda essa porcentagem, servir aos demais, podendo fazê-lo da melhor forma, qual seja, inculcando-lhes que ponham também de sua parte os cem “Mais convém que o homem ponha de sua parte os cem por cento que a ele concerne, confiando em suas próprias possibilidades” por cento de suas possibilidades, já que o grande dilema do mundo, desde o princípio até o presente, e que ainda alcançará o futuro, está na luta entre dois grandes: o indivíduo como figura humana, aquele que Deus criou sobre a Terra, e o coletivismo, como símbolo da animalidade, ameaçando absorver o indivíduo. Um é o positivo, desde que nele exis- tem uma inteligência e uma maneira de sentir que ninguém poderá dizer que as deu, senão um só: Deus; e o que Deus outorgou ao homem não se pode modificar sem que a humanidade sofra os mais cruéis descalabros. Para que o indivíduo possa enfrentar o monstro do coletivismo – o negativo –, que trata de absorvê-lo e anulálo, deve aperfeiçoar-se, completar-se; depois será invencível, quando consiga ser digno de transitar pela Terra como Deus quis que transitasse, vivesse e se prolongasse na família. O homem deverá mover-se dentro do mundo sem pretender suplantar o semelhante ou tirar-lhe seu lugar, pois cada um tem o seu, que pode ampliar sem molestar a ninguém. 10% 15% 90% 100% 60% 30% 10% LOGOSOFIA 17 O desenvolvimento da CAPACIDADE INTELEC O processo de fecundação mental que o conhecimento logosófico promove apresenta, ainda em sua fase inicial, aspectos que estimulam o labor de quem estuda. A atividade que adquire a energia mental por efeito dessa ação fecundante é de todo modo evidente, cumprindo-se, com isso, um dos propósitos do ensinamento, que é o de estimular a função intelectual, de forma que, gradualmente, aumente a capacidade para encarar os problemas superiores que se apresentam no vasto campo da ciência logosófica. Isto nos revela um importante aspecto do processo de fecundação mental, configurado no aumento de possibilidades que a inteligência experimenta por via do estudo logosófico, a qual se ajusta 18 LOGOSOFIA imediatamente, após a verificação de cada avanço, à grata tarefa de criar para si condições mais elevadas, auspiciosas à evolução de suas idéias. É freqüente observar como, sob a ação fertilizante do conhecimento logosófico, as idéias ou os projetos que ontem surgiram defeituosos da mente de quem se dedica a estes estudos, hoje, ao serem elaborados novamente, pronunciam-se com acentuado aperfeiçoamento sobre os anteriores, tanto na ordem dos detalhes como em sua concepção de conjunto. Desta maneira, ao desenvolver-se a capacidade intelectual, criam-se simultaneamente aptidões para encarar novas fases do conhecimento transcendente até então inacessíveis à inteligência. Compreender-se-á que tais mudanças de posição interna não se produzem bruscamente, senão de forma gradual, à medida que o conhecimento logosófico é assimilado com maior consistência na afirmação dos princípios que sustenta. Com freqüência pensa-se que o ensinamento opera de forma instantânea no ser e que, em conseqüência, este experimenta mudanças imediatas. Isso depende – logicamente – das condições ou aptidões de cada um, embora tampouco seja difícil deduzir que, ao instituir-se o processo de evolução consciente para o aperfeiçoamento do homem, foi necessário também estabelecer um tempo razoável para sua realização, em cujo transcurso haveriam de ir-se operando as mudanças e as EVOLUÇÃO CONSCIENTE A expansão da inteligência por via do estudo logosófico A PACIÊNCIA CRIA A INTELIGÊNCIA DO TEMPO TUAL transformações que essa evolução propõe cumprir. Nunca se há de esquecer que na Criação nada tem sido feito bruscamente, senão através de um desenvolvimento gradual, tal como a natureza mostra, demonstra e seguirá demonstrando sempre. Dissemos, mais de uma vez, que a paciência cria a inteligência do tempo; entendendo-se, naturalmente, que nos referimos à paciência de quem sabe esperar. Isto significa que, quanto melhor se compreenda o valor da mesma, maior será a eficácia com que nos servirá o tempo, dando-nos, por outra parte, uma serenidade de espírito que o impaciente não conhece. LOGOSOFIA 19 SOCIEDADE HUMANA SEGREDOS DA CONVIVÊNCIA HUMANA M ilhares ou milhões de lendas, que depois foram fontes inesgotáveis de novelas românticas, nos mostram o muito que o homem seria capaz de fazer ou de se sacrificar para conquistar o carinho daquela que, em seu coração, chama sua bem-amada. E, o mesmo, a mulher com respeito ao homem. Plasmada a imagem ideal, constituída já a vontade para ser encaminhada na conquista dessa aspiração, tudo se vai construindo com fios de seda e de marfim. So- 20 LOGOSOFIA brevém depois a realidade, quando um e outro completam sua aspiração e a imagem ideal começa, pouco a pouco, a empalidecer, desa- parecendo os fios de seda e de marfim. É que havia ali plasmadas duas imagens ideais: a dele e a dela. O encontro de ambos não foi o encontro das duas imagens e então, cada um, tomando por sua parte o pincel, a vai modificando, porque, considerando a sua muito superior, pensa ter sido demasiado generoso. SOCIEDADE HUMANA “A amizade – símbolo da irmandade leal dos espíritos – que, no lar, se nutre no amor ou no afeto, quantas vezes sofre o descuido daqueles que buscam depois, sem nunca encontrar, a causa de suas desavenças e até de seus afastamentos” Qual é o pincel que começa a se mover na mão desse artista incógnito, o qual plasmou no éter um quadro que somente ele podia ver, admirar e adorar? A realidade, aquela que, mostrando por uma parte o que é, oferece a possibilidade do que pode ser, e só pede colocar-se mãos à obra, com o afã tolerante que aperfeiçoa sem ferir o que quer modelar. Esta é, na verdade, uma arte à qual contados seres rendem culto; muito tentaram mas, pouco após começarem, a impaciência, as exigências injustas e depois o desânimo acabaram por alterar a imagem, deixando-a semidestruída. Algo fica sempre, porém, dessa imagem ideal: fica a força do afeto, a força da recordação que, em constante revivescência, fixa a cada um sua conduta. Essa parte da imagem ideal é a que influi desde o momento em que os seres se desencontram, se desconhecem ou se rechaçam; desde o momento em que, por causas não muito graves, suscitam-se desgostos, desavenças ou atritos. É a que influi para acalmar a agitação, suavizar o erro e ainda para perdoar, porque, quando a imagem física, nos instantes de furor se apaga para os olhos que a vêem, aparece, mostrandose a esses mesmos olhos a imagem ideal, revestida sempre de recordações, de afetos e de história; dessa história que juntos viveram, participando dos dias felizes e dos dias de dor. Essa imagem é a que influi, e não outra, para que os seres se reconciliem e se reencontrem, estreitando seus espíritos no amor dessa imagem. O que acontece entre os seres humanos, qualquer que seja seu vínculo, e entre os povos sempre tem uma causa que está mais além das supostas causas. Não é a última gota a que faz entornar o copo, senão toda a água que o enche, fazendo com que uma gota a mais não possa caber nele. De modo que a causa não está na gota, mas sim nas muitas gotas que o copo contém. Como disse antes, quando dois seres se conhecem e se vinculam amistosamente, ambos são pródigos em atenções; cada um busca fazer cômoda a amizade do outro. Porém, mais tarde a esquecem e, materializando o espiritual, convertem o que é puro, nobre e sublime, nesse tipo de espigas que não são para alimentar o corpo nem a alma, senão para varrer a escória; convertem essa instância de amizade que conceituavam grata ao espírito, ao coração, à própria vida, em uma vassoura, da qual um ditado muito velho diz, generalizando, que serve quando nova e depois aparenta varrer, mas deixa tudo como estava, ou pior ainda. Sobrevém, pois, o que inevitavelmente acontece quando se menosprezam as coisas que o uso desgasta. Os que provaram um dia os prazeres de uma doce amizade escorregam pela encosta da indiferença e começam mutuamente por desobrigar-se das atenções que antes prodigavam, sem que por isso cada um deixe de pretender, para si mesmo, a manutenção permanente dessas atenções que, como obrigação, pensa que lhe devem. A amizade – símbolo da irmandade leal dos espíritos – que, no lar, se nutre no amor ou no afeto, quantas vezes sofre o descuido daqueles que buscam depois, sem nunca encontrar, a causa de suas desavenças e até de seus afastamentos. É que a atenção deve ser cultivada sem afetação, fazendo com que esse traço gentil, que tanto atrai e obriga, se produza naturalmente. Não se deve esquecer de que a relação e vinculação entre os seres está constituída por uma série de coisas e fatos que se entrelaçam. De nós depende que se mantenham como no primeiro dia em que se estabeleceram, pois, do contrário, se destroem; acontecerá o mesmo que a um suéter, cujos pontos, soltando-se, irão destecendo-o pouco a pouco, não restando finalmente mais que um fio como recordação do mesmo. Este é o drama da vida, do mundo, da humanidade. LOGOSOFIA 21 LOGOSOFIA DE LIVROS 22 LOGOSOFIA O ESPÍRITO 196 páginas, em espanhol, português, inglês e francês DIÁLOGOS 212 páginas, em espanhol e português Conjunto de 53 diálogos que tratam, de forma direta, várias questões apresentadas à inteligência humana no curso da vida. Oferece elementos para que se forme um conceito pleno acerca do espírito, estimulando um estudo mais profundo da própria realidade interna individual. Um capítulo específico sobre os sonhos relaciona esse tema ao processo de superação integral. INTRODUÇÃO AO CONHECIMENTO LOGOSÓFICO 494 páginas, em espanhol, português e inglês Contém o texto integral de 72 conferências proferidas pelo autor em diversas sedes da Fundação Logosófica, apresentando uma visão mais profunda da concepção logosófica e suas projeções para o futuro da humanidade. BASES PARA SUA CONDUTA 56 páginas, em espanhol, português, inglês, francês, esperanto e catalão Dedicado aos jovens, mas útil para o leitor de qualquer idade, é uma fonte de diretrizes seguras para o amplo desenvolvimento da vida. O SENHOR DE SÁNDARA 512 páginas, em espanhol e português Romance que identifica as causas que têm impedido o ser humano de desenvolver e usar com plenitude sua inteligência, sua vontade e suas energias; o leitor poderá apreciar nele a exata diferença entre dois mundos, que também são duas formas de viver, e duas culturas. BIOGNOSE 174 páginas, em espanhol e português Apresenta profundos conhecimentos sobre os valores humanos e sua utilização na conquista de uma real capacitação mental para ampliar a própria vida. A HERANÇA DE SI MESMO 32 páginas, em espanhol, português, inglês e francês Aborda-se, nesse livro, um conhecimento de vital importância para o espírito humano, ampliando o conceito de herança ao abranger também os campos psicológico e espiritual nesse termo. INTERMÉDIO LOGOSÓFICO 214 páginas, em espanhol e português Conjunto de lendas e fábulas que oferecem novos conceitos através de imagens analógicas e figuras didáticas de profundo conteúdo. EDITORA LOGOSÓFICA O conhecimento amplia a vida. Conhecer é viver uma realidade que a ignorância impede desfrutar. Exegese Logosófica 110 páginas, em espanhol, português, inglês e francês Descreve sucintamente alguns dos principais conceitos logosóficos, dando ao leitor uma imagem clara e abrangente do campo experimental dessa ciência. CURSO DE INICIAÇÃO LOGOSÓFICA O MECANISMO DA VIDA CONSCIENTE 102 páginas, em espanhol, português, inglês e francês Guia prático que favorece a assimilação de novos conceitos e o encaminhamento da vida dentro do processo de evolução consciente; apresenta os resultados obtidos com o estudo e a prática dos conhecimentos dessa nova ciência. 125 páginas, em espanhol, português, inglês e francês Expõe a concepção logosófica do homem e do universo, levando o leitor a refletir sobre os grandes enigmas humanos, propondo uma nova rota para a realização da vida e do destino do homem. LOGOSOFIA CIÊNCIA E MÉTODO 150 páginas, em espanhol, português, inglês e francês Trata em profundidade o método logosófico, expondo a concepção logosófica sobre a constituição bio-psico-espiritual do ser humano e detalhando o funcionamento dos três sistemas que configuram a psicologia individual: o mental, o sensível e o instintivo. DEFICIÊNCIAS E PROPENSÕES DO SER HUMANO Carlos Bernardo González Pecotche RAUMSOL 213 páginas, em espanhol, português, inglês e francês LOGOSOFIA ciênciaemétodo Revela o mecanismo de atuação dos pensamentos que influem sobre o temperamento humano, apresentando a técnica para o domínio desses pensamentos visando o aperfeiçoamento da conduta. Técnica da formação individual consciente Editora Logosófica P E Ç A R E E M B O L S O P E L O P O S TA L e-mail: sp–[email protected] Te l / f a x : ( 1 1 ) 3 8 8 5 7 3 4 0 LOGOSOFIA 23 Fundação Logosófica EM PROL DA SUPERAÇÃO HUMANA SEDES REGIONAIS Belo Horizonte Rua Piauí, 742 - Funcionários 30150-320 - Belo Horizonte - MG Fone (31) 3273 1717 Brasília SHCG/NORTE - Quadra 704 - Área de Escolas 70730-730 - Brasília - DF Fone (61) 326 4205 Chapecó Rua João Cândido Marinho, 574 E - B. Saic – Caixa Postal 287 89807-090 - Chapecó - SC Fone (49) 722 5514 Curitiba Rua Almirante Gonçalves, 2081 - Rebouças 80250-150 - Curitiba - PR Fone (41) 332 2814 Florianópolis Rua Deputado Antonio Edu Vieira, 150 - B. Pantanal 88040-000 - Florianópolis - SC Fone (48) 333 6897 Goiânia Av. São João, 311 - Q 13 Lote 3 E / 23 E – Alto da Glória 74815-280 - Goiânia - GO Fone (62) 281 9413 Rio de Janeiro Rua General Polidoro, 36 - Botafogo 22280-001 - Rio de Janeiro - RJ Fone (21) 2543 1138 São Paulo Rua Cel. Oscar Porto, 818 - Paraíso 04003-004 - São Paulo - SP Fone (11) 3885 1476 Uberlândia Rua Alexandre de Oliveira Marquez, 113 B. Vigilato Pereira 38400-256 - Uberlândia - MG Fone (34) 3237 1130 A Fundação Logosófica possui ainda centenas de sedes culturais localizadas nas mais diversas regiões do País e no exterior. www.logosofia.org.br