PUBLICAÇÃO CULTURAL DA FUNDAÇÃO LOGOSÓFICA ANO 5 Nº 6
A hora da
EVOLUÇÃO
CONSCIENTE
Vida humana e vida universal
O sistema mental e a inteligência
O que fazem os homens na Terra?
Logosofia: arte e ciência
do conhecimento de si mesmo
Se das imaculadas alturas do pensamento
se contempla a imensidão e o espaço, e depois
se dirige o olhar aos seres humanos, ressalta
com maior relevo sua pequenez cósmica.
Aparece, então, desenhada no espaço, como
uma imensa indagação, a pergunta:
O que fazem os
homens na Terra?...
A desorientação atual é sinal inconfundível
de que os conceitos vigentes não mais
satisfazem às exigências intelectuais e às
necessidades espirituais de nossa época.
O espírito humano reclama hoje,
imperativamente, uma solução para
o complexo e sombrio problema que se
abate sobre a vida de cada indivíduo.
EDITORIAL
A CHAMA INEXTINGUÍVEL DA ESPERANÇA
O caminho da
EVOLUÇÃO CONSCIENTE
A
busca da verdade tem durado séculos, ou melhor dizendo, milênios; mas, embora
os frustrados esforços e ilusões de muitos fossem ficando pelos diversos caminhos
percorridos com esse propósito, nunca deixou de alentar nas almas das pessoas a
chama inextinguível da esperança.
O homem sempre pressentiu algo além, uma prolongação indefinida de sua existência, que
chegasse inclusive a identificá-lo com a própria divindade que alenta a criação. Para sua
desdita, pretendeu internar-se nessas zonas profundas e de difícil acesso a toda inteligência
carente de ilustração superior, sem os conhecimentos que o ajudariam nessa empresa.
A Logosofia auspicia com seus conhecimentos o ingresso nessas zonas, cujo percurso o
homem terá de iniciar – logicamente – partindo da primeira parte do grande processo
evolutivo consciente.
Esse processo ou caminho excepcional traçado pela Logosofia percorre-se em virtude do
método que lhe é próprio.
Sua sólida e reta construção tem sido posta à prova durante anos de incessante e empenhoso
trabalho, e está aberto a todos sem exceção, ainda que não possam caminhar por ele os que
pretendam levar sobre os ombros o peso de seus preconceitos, de suas crenças ou suas
dúvidas. Por esta razão, a Logosofia estabeleceu o percurso de uma prudente etapa
preparatória que, ao ser coberta com verdadeiro desejo de superação, permite o desapego
gradual dos preconceitos e a eliminação das dúvidas.
O caminho logosófico é tão longo como a eternidade, porque é o caminho determinado
pela lei de evolução, que impera sobre todos os processos que se elaboram dentro da
criação. Eis aí sua extraordinária virtude. O homem comum anda por esse caminho alheio
às prerrogativas que essa lei lhe concede, e seu avanço é lento e penoso, mas poderá
percorrê-lo conscientemente tão logo seus passos sejam guiados pelas luzes do conhecimento
transcendente. Seu trajeto só está vedado à ignorância humana, mas não aos que deixaram
para trás as etapas preparatórias desse conhecimento.
LOGOSOFIA 3
SUMÁRIO
Conceitos e valores
Capa
A LUZ DO SOL E A CASA MENTAL
A sabedoria logosófica quer, como o sol,
iluminar o interior dos seres
A vida tem de ampliar seus
horizontes; fazer longas as
horas da existência para que o
espírito, incorporado na
matéria, experimente a
grandiosidade de sua criação
05
13
Grandes concepções
COMO DEIXAR DE SER VEGETAL,
MINERAL OU ANIMAL?
Na misteriosa configuração biológica do homem
encontram-se representantes de todos os reinos
AS DUAS MENTES DO HOMEM
O sistema mental e a inteligência
06
Psicologia humana
DEFICIÊNCIAS E DEFEITOS QUE
CAUSAM A INFELICIDADE HUMANA
Em sua maioria, os homens formaram
um falso conceito de si mesmos
08
Comportamento
COMO SER BOM E FAZER O BEM?
A magnitude desse pensamento que
guarda tão louvável propósito
10
POR QUE ESPERAR 90% DOS DEMAIS?
Esta posição equivocada faz perder
muitas amizades
Uma nova cultura
para a humanidade
UM CONHECIMENTO DIFERENTE
Logosofia: arte e ciência do
conhecimento de si mesmo
Evolução consciente
18
O DESENVOLVIMENTO DA CAPACIDADE
INTELECTUAL
A expansão da inteligência por via
do estudo logosófico
Sociedade humana
20
SEGREDOS DA CONVIVÊNCIA HUMANA
A imagem ideal que influi para que os seres
se reconciliem e se reencontrem
Conhecimento
de si mesmo
12
CRENÇAS E PROMESSAS QUE
ADORMECERAM OS HOMENS
A necessidade de vincular-se
metafisicamente a Deus
COMO COLOCAR-SE ENTRE A
TERRA E O CÉU?
Vida humana e vida universal
Logosofia
PUBLICAÇÃO CULTURAL DA FUNDAÇÃO
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COMISSÃO EDITORIAL
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Edição de textos: Flávio Friche Passos - MTb 2015/MG
Revisão geral: Eliane Amélia C. Vieira Martins
Arte: Adesign - Direção de arte: Carin Ades
Produção gráfica: Signorini
Ano: 2002
Todos os artigos não assinados
são de autoria de Carlos
Bernardo González Pecotche
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publicação e o nome do autor.
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GRANDES CONCEPÇÕES
Nossa ciência outorga hierarquia
à mente humana ao apresentá-la
sob uma concepção que a eleva à
categoria de sistema.
AS DUAS MENTES
DO HOMEM
E
sse sistema está configurado por
duas mentes: a superior e a inferior, ambas de igual constituição, mas
diferentes em seu funcionamento e em
suas prerrogativas.
A primeira tem possibilidades ilimitadas e está reservada ao espírito, que
faz uso dela ao despertar a consciência à realidade que a conecta com o
mundo transcendente ou metafísico.
O destino da segunda é a atenção às
necessidades de ordem material do
ente físico ou alma, e, em suas atividades, pode intervir a consciência.
As duas mentes, a superior e a inferior, têm exatamente o mesmo
mecanismo, constituído pelas faculdades de pensar, de raciocinar,
de julgar, de intuir, de entender, de
observar, de imaginar, de recordar,
de predizer, etc., as quais são assistidas em suas atividades por outras
faculdades que chamaremos de acessórias e que têm por função discernir, refletir, combinar, conceber, etc.
Todas as faculdades formam a inteligência. A esta última, a Logosofia de-
A atividade criadora
da mente superior
inicia-se com o
despertar da
consciência, o que
significa que seu
funcionamento se
acelera em virtude
do estímulo crescente
que a consciência,
ilustrada no
conhecimento,
exerce sobre ela
nominou faculdade-máxima, porque
abrange todas em conjunto.
As faculdades de ambas as mentes
agem independentemente, embora
possam fazê-lo de forma combinada.
Integram também o sistema mental,
na zona dimensional que lhes corresponde em cada mente, os pensamen-
tos, entidades psicológicas animadas,
que cumprem um papel preponderante na vida humana. (...)
Estabelecida a semelhança de ambas
as mentes no que diz respeito à sua
estruturação, apontaremos brevemente as peculiaridades que determinam seu diferente funcionamento.
A mente inferior ou comum tende,
em geral, para o conhecido, para o
externo, e, salvo exceções, funciona
sem intervenção direta da consciência ou apenas com a participação circunstancial da mesma. Isto poderá
ser melhor compreendido tão logo se
avance no estudo dos temas que
aprofundam esta matéria. (...)
A mente superior organiza-se em
função dos conhecimentos transcendentes, cuja finalidade essencial
é pôr em atividade a consciência. A
influência desta mente sobre o destino da vida humana se faz sentir
quando esses conhecimentos começam a traduzir-se numa conduta
que coincide com as disposições de
sua elevada preceptiva.
LOGOSOFIA 5
PSICOLOGIA HUMANA
Deficiências e defeitos que causam a
INFELICIDADE
HUMANA
S
e pousarmos a vista
em cada ser
humano,
veremos
que, em sua maioria, os
homens formaram um
falso conceito de si
mesmos, razão pela
qual acreditam ser
mais do que são. Este
é um primeiro e grave defeito, causador do muito que haverão de padecer
no decurso de seus dias. Outro defeito
é o de acreditarem ser mais que o semelhante. Esta tendência em diminuírem-se uns aos outros acaba, finalmente, por tornar pequenos a todos.
Sobre o primeiro dos defeitos mencionados, pode-se agregar algo mais. Freqüentemente, o ser não só acredita ser
muito mais do que é, senão que faz
também uma ostentação constante
do que supõe ser. Vivendo com essa
falsa crença, deixa de preocupar-se
por ser efetivamente aquilo que supõe ser; e, quando tenta aperfeiçoarse, angustia-se, desilude-se e desmoraliza-se ao advertir, depois de muitos esforços, que não avança nem
produz um franco melhoramento,
6 LOGOSOFIA
“A tendência em
diminuírem-se uns
aos outros acaba,
finalmente, por
tornar pequenos
a todos”
uma superação e uma pronunciada
mudança em seu ser. Eis aqui a conseqüência da falsa visão de si mesmo,
pois, ao crer-se mais do que é, busca
superar esse ser que ainda não existe,
porque ele não deixou de ser todavia
aquilo que é. Quer dar um salto muito grande, e a Natureza ensina que
nenhum processo se realiza aos saltos, senão em medidas regulares e
sucessivas de evolução.
É muito conveniente ter isto sempre
presente, sobretudo para ser justo
nos juízos e na conduta diária.
A deficiência que acabamos de assinalar, que tantos erros faz cometer,
tem sido comumente chamada de
dupla personalidade: aquela que, na
verdade, o ser é e a que imagina ser.
Vejamos, a seguir, algumas das tantas
situações que ela cria. Quando o possuidor desta deficiência trata com um
semelhante, o correto é que este se
dirija à pessoa a quem vê, ouve e julga, de acordo com o conteúdo moral,
intelectual e espiritual que lhe oferece. Mas eis aí que tais seres sentem-se
lastimosamente diminuídos ao ver
que não são julgados de acordo com
o que acreditam ser, senão que estão
sendo julgados conforme o que são.
Sucede também mais isto: quando o
afetado por essa dupla personalidade
sustenta uma conversação com alguma pessoa, produz-se
nele um desequilíbrio que se
pronuncia em
sua
posição
mental porque, ao
escutar, o faz, de uma
parte, sob a sugestão do
que ele mesmo acredita ser
e, de outra, deixado a expensas do que realmente é.
Aquele que desta maneira
escuta, obstrui os canais do
raciocínio, embelezado na
admiração de seu próprio
ser, prodigamente imaginado, produzindo-se, deste
modo, tergiversações e
entendimentos errôneos entre as pessoas.
PSICOLOGIA HUMANA
Refletindo sobre essas palavras, se
compreenderá facilmente porque
existem tantas desavenças entre uns e
outros, assim como também por que
cada um, fora de seu lugar, pretende
estar bem colocado, isto é, em sua razão. Sem dúvida, o que é na realidade
algo ou muito mais do que aparenta,
trata sempre de não se distanciar demasiado do semelhante, para poder
observá-lo bem e escutá-lo melhor.
Escutando bem e observando melhor,
o compreenderá, sendo lógico que
uma boa compreensão já é um elemento de valor; e até poderia dizer-se
que é uma ajuda instantânea que
aquele recebe. É uma ajuda porque é
sabido que, quando um ser aflito expressa sua emoção e seu estado de
ânimo a um semelhante, se encontra
nele compreensão, sente alívio imediato, não sucedendo assim quando
não é compreendido, dado que sua
aflição, neste ponto, recrudesce.
Em todo este jogo de movimentos
mentais, é fácil ver como aparece
sempre a parte negativa do ser, que é,
por sua vez, sua própria negação e
sua inimiga.
Para tornar mais clara e ampla a observação apontada, convidaria todos a seguir, com a maior atenção, o curso desta reflexão: cada um busca com insistência algo e, nessa busca, põe todo seu
empenho, suas energias, seus afãs e
seus desejos. E, o que é que busca?
Ser mais feliz, possuir mais; em uma
“Dupla
personalidade:
aquela que, na
verdade, o ser é e a
que imagina ser”
palavra: ser mais do que é. Mas,
preocupado com tal busca, esquece
constantemente o que ela deve significar para sua vida.
Se alguém tem, por exemplo, sua
casa vazia e quer encher com móveis
e adornos todos seus espaços, é lógico que, cumprido esse desejo, deva
sentir-se satisfeito e feliz. Pois bem;
muitos passam a vida enchendo e esvaziando a própria casa: quando a têm
vazia, clamam por tê-la cheia e, quando isto ocorre, têm saudade dos tempos em que estava vazia, para voltar a
sentir a aspiração de enchê-la.
Provaremos a verdade do expressado.
Muitos não passaram a vida inutilmente; algo têm, uns mais, outros menos.
Mas se examinassem a mente, é certo
que muitas coisas seriam encontradas
abandonadas nela; possivelmente,
muitas dessas coisas são as que, com
afã, tratam de conseguir agora, sem advertir que já as têm consigo faz tempo.
O ensinamento logosófico, com sua
força construtiva, busca despertar a
consciência para que esta ilumine toda
a vida interna do ser. Se somos conscientes do que temos, e nos sentimos
felizes com essa posse, devemos cuidar
de que nada nos afete, nem diminua
em nós a consciência do que possuí-
mos. De modo que, se somos possuidores de uma parte de felicidade, por
exemplo, não a esqueçamos em nenhum momento e, muito menos, não
nos amarguremos por quanta pequena
incidência da vida diária se nos apresenta, ameaçando perturbar a calma de
nosso espírito.
Sempre se há de evitar a ofuscação, a
obstinação e o descuido em que muitas
vezes se incorre por não se prestar
atenção ao que possuímos, pois, podendo desfrutar conscientemente esta
parte feliz de que dispomos, tornamos
a vida triste, amargurando-nos diante
de coisas que deveriam ser observadas
com serenidade, sem deixar, em momento algum, que penetrem o ânimo
para afetá-lo.
O ser que é consciente dessa parte de
felicidade deverá antepô-la como uma
couraça contra o mal em todos os instantes de sua vida; quem seguir este
conselho, verá quanto bem alcançará.
Antepondo essa parte de felicidade e de
bem que tenha conseguido alcançar
em sua vida, o mal se chocará contra
ela indefectivelmente e nada poderá,
então, alterar a paz interna. Em vez
disso, se esquecemos o que temos,
comportando-nos como seres irracionais, a parte de felicidade e de
bem que tenhamos conquistado irá
diminuindo, porque será afetada sensivelmente pela infiltração do mal,
que não soubemos deter antes que
penetrasse em nós.
O QUE É NECESSÁRIO PARA TRIUNFAR?
Para triunfar é necessário vencer; para vencer é necessário lutar; para lutar
é necessário estar preparado; para estar preparado é necessário prover-se de
uma grande inteireza de ânimo e uma paciência a toda prova.
LOGOSOFIA
7
COMPORTAMENTO
C OMO
M
uitas vezes foi dito que é necessário ser bom e que há que fazer o bem. Isto foi repetido de várias
formas e quase, poderia dizer-se, em
todas as partes; mas sempre ocorreu
que, após serem escutadas estas palavras, não se teve um conceito claro
do que elas significam, nem de como
realizar o que recomendam.
Tão prontamente como nasce o propósito de ser bom, o sensato seria
formular-se estas perguntas: “Dizemme que devo ser bom e esse é meu
desejo, mas, que devo fazer para conseguir? De que forma devo proceder?
Com que meios conto?” O mesmo
quando se trata de fazer o bem: “Que
devo fazer? De que forma? Com que
meios?” Poderiam sobrevir depois
outras indagações: “Como comprovarei que sou melhor a cada dia?
Que fatos o demonstrarão? Como
comprovarei que fiz o bem?
Através de que fatos
poderei confirmá-lo?”
Uma longa série de perguntas poderia seguir às
anteriores, mas, se não se conta
mais do que com o propósito de ser
bom, isso não bastará para concretizar uma compreensão de cada
pergunta formulada. Passarão
depois dias, meses, anos,
épocas, quiçá, e aquelas exortações de ser melhor e de fazer
o bem serão relegadas ao esquecimento pela mente, continuando
na posição da maioria, que faz o
bem inconscientemente, seja a si
8 LOGOSOFIA
SER BOM
“... algo que pode
encher o coração
humano de uma
alegria saudável e
verdadeira”
mesmos, seja aos seus semelhantes,
isto é, sem ter consciência real de
que verdadeiramente são melhores
ou de que fazem o bem.
Traçarei, em continuação, uma imagem
que irá explicar e fazer compreender
a magnitude desse pensamento que
guarda tão louvável propósito. Todos
têm um passado e
um presente
que conhecem; mas também têm um
futuro que não conhecem. Durante sua
vida o ser vai criando um futuro, que é
conseqüência ou resultado da forma
como viveu seu passado e seu presente; daí que, analisando esses dois
períodos de tempo, não fique difícil
predizer o que poderia acontecer no
futuro, porquanto as predições estão
baseadas sempre no conhecimento
do passado. Naturalmente que nem
todos conhecem esse passado, ainda
que acreditem o contrário. Na maioria
dos casos é ignorado porque a mente
humana, ao esquecer tão facilmente
tudo o que faz de mau, recordando
tão-somente o bom, não conhece,
pode-se dizer, esse passado.
COMPORTAMENTO
E FAZER O BEM ?
Tal é, pois, o passado que todos crêem
conhecer de si mesmos, e estou seguro de que, se cada um pintasse sua
própria imagem com seu passado,
lhe poria uma auréola bem visível
atrás da cabeça. Mas o certo é que, assim como se leva em conta as coisas
boas que se fez, também há Quem as
leva a respeito de todo o mal. Estas
últimas são dívidas que, inexoravelmente, mais tempo, menos tempo,
terão que ser pagas.
Assim, quando ocorre
um contra-
tempo, quando tem lugar
o que cada um considera um mal
ou uma desgraça, é atribuído à fatalidade, à má sorte, ao destino; enfim, a
muitas coisas, sem que jamais surja na
mente humana o pensamento que
aponte a própria culpabilidade ou o
próprio causador desse mal, que é a
própria pessoa.
Pois bem; é completamente lógico
que se tenham cometido muitos erros
ou se tenha feito tanto mal; mas isto
não deve ser motivo de pesar algum,
quando no presente se tem a oportunidade de possuir, de um modo certo,
o conhecimento que permite saber
como o ser pode proteger-se contra
os males do futuro, pois já se tem
algo enorme; algo que pode encher o
coração humano de uma alegria saudável e verdadeira.
O SEGREDO DA
REALIZAÇÃO HUMANA
O domínio do próprio
campo mental permite
ao ser transcender
sua limitação e
desenvolver sua
vida em planos
mais elevados de
consciência. Nisso
reside o segredo da
realização humana.
LOGOSOFIA
9
UMA NOVA CULTURA
PARA A HUMANIDADE
UM
CONHECIMENTO
D IFERENTE
A diferença fundamental entre o conhecimento logosófico
e os conhecimentos correntes
D
e todos os que
chegaram às
fontes do conhecimento logosófico – e
é crescente seu número – nenhum manifestou ainda conhecer o
que a Logosofia ensina sobre sistema mental, sistema sensível, e
ainda menos sobre a
vida e atividade dos pensamentos, movendo-se independentemente dentro e fora das
mentes dos homens. Tampouco ninguém manifestou conhecer anteriormente a concepção logosófica que estabelece princípios e assinala normas
para o perfeito conhecimento de si
mesmo. Os vôos dos chamados mentalistas, que infestaram uma infinidade
de livros com sugestionantes ofertas de
chaves para exercitar o chamado “domínio da vontade” ou o “poder do
pensamento”, só levaram a aguçar ainda mais o complexo psicológico dos
que, ingenuamente, acreditaram em
semelhantes proposições. Basta examinar seus argumentos para convencerse da puerilidade e falta de consistência de sua exuberante literatura. (...)
Após prévio exame e estimativa de
10 LOGOSOFIA
“A ilustração
e a instrução
correntes levam
a vida dos seres
para o externo.
A Logosofia ensina,
em vez disso,
a viver para
o interno”
todos os valores internos que manifeste ter e que realize auxiliado pelo
conhecimento logosófico, o incipiente investigador começa por incorporar a seu próprio acervo os novos e
fecundos conhecimentos que, sem limitação, lhe prodigaliza a Logosofia.
Tais conhecimentos, ao internar-se
neles, revelam-lhe caminhos que enriquecem seu espírito e lhe abrem
perspectivas ignoradas para sua vida.
Daí em diante, a autognose ocupará
sua especial atenção. Guiado por ela,
poderá observar, com singular interesse, os movimentos que se produzem em sua mente e vigiará, com
atenção, a atividade que desenvolvem seus pensamentos. Deste modo,
começará a descobrir neles suas qualidades, suas intenções ou ainda suas
origens ou suas vinculações com
idéias ou tendências, próprias ou estranhas. Fará uma seleção dos mesmos, eliminando os prejudiciais ou
negativos e ficando com aqueles pensamentos úteis, que irão servir-lhe
para resultados felizes no empenho
tenaz e firme de seus elevados propósitos de bem.
Tudo isso lhe fará compreender que
já não é mais possível entregar sua
vida ao acaso, como fazia antes e
como é costume para a maioria de
seus semelhantes. Tampouco terá
que lamentar os freqüentes fracassos
ou abalos da adversidade, pois, antes
de iniciar alguma empresa que possa
afetar seus interesses ou sua vida, estudará conscientemente os prós e os
contras e preparará seu ânimo para
enfrentar com inteireza toda eventualidade, sem que nenhuma contrariedade altere os objetivos permanentes
de seu espírito.
À parte do incentivo que o conhecimento logosófico cria na alma humana, o fato de exercer, em prática
constante, a nobre profissão de fazer
o bem, começando pelo que se faz à
própria vida, permite desenvolver
uma atividade que aumenta a inteligência em relação direta com os estímulos que recebe, traduzidos seja em
UMA NOVA CULTURA
PARA A HUMANIDADE
formosos resultados, seja na repercussão feliz dos esforços. Cria no homem, assim, novas condições para
sua vida e, após reiterados empenhos, este consegue triunfar sobre a
inércia que o oprimia, debilitando-o
psicológica e moralmente. A esta altura de sua realização logosófica, lhe
é fácil admitir que os conhecimentos que antes tinha sobre a vida e
sua função primordial eram rudimentares, já que não nos excederíamos demasiado se afirmássemos que
a maioria dos seres não avançou
grande coisa na investigação que se
interna nas profundidades da consciência humana.
Salta à vista a diferença fundamental
que existe entre o conhecimento logosófico e os conhecimentos de domínio comum. Enquanto o ser atua
no primeiro, usando com acerto e
consciência as faculdades da inteligência, no segundo, quase sempre o
faz ao acaso. E como não haveria de
ser assim se a própria vida parece ser
vivida sem que se experimente a realidade de tal existência? Acaso não
vive a maioria por que sim, sem que
nela exista a cabal consciência do que
a vida deve representar para seu ser?
Quais são os recursos mentais, as
idéias, as concepções da inteligência,
que usam para remediar seus males
ou melhorar suas situações, na maioria
das vezes críticas ou instáveis? E se não
gozam de tais recursos mentais, quem,
na época em que vivemos, poderá
aproximá-los de suas possibilidades?
Eis aqui perguntas que conduzirão a
muitas reflexões.
Outra diferença que devemos anotar,
por constituir – poderíamos dizer – a
linha divisória entre o conhecimento
logosófico e os comuns, é aquela que
se evidencia no fato, bastante significativo por certo, de que a ilustração e a
instrução correntes levam a vida dos
seres para o externo, em cuja direção
todos orientam seus afãs.
A sociedade moderna obriga a uma
permanente rivalidade de ambições,
que excitam a cobiça e assenhoreiam o
desejo intenso pelos bens materiais em
todas as ordens da vida. A Logosofia
ensina, em vez disso, a viver para o
interno; essa vida reservada única e
exclusivamente para que o próprio
espírito reine nela requer ser preservada de toda ingerência estranha.
A atenção que
nos exige o fato
de viver a vida
internamente não
impede, em
absoluto, nossa
vida de relação
com os demais;
ao contrário, ela
assumirá maior
consciência
Assim, pois, cada um deverá proceder sem demora a recolher a vida que
estava fora de seu ser, exposta a todas
as contingências da imprevisão; enquanto realiza isto, experimentará a
grata sensação de estar vivendo já
outra vida, agora internamente. Mas,
para muitos, não é fácil a tarefa de recolher essa vida, por achar-se esta
como que enganchada em muitas
partes, chegando-se, às vezes, a experimentar a amarga realidade de
não se sentir dono dela, de tanto saturar-se de compromissos e obrigações de toda espécie.
Porém, quando se consegue firmar
essa vida no interno, para senti-la
mais intimamente e desfrutá-la
compreendendo seu grande significado, então se tem verdadeiramente
a impressão de viver dentro de uma
vida que oferece as suaves e agradáveis sensações de um bem-estar não
conhecido até esses momentos. É
então quando se pensa no que foi
feito da vida anterior, daquela em
que se viveu alheio a esta formosa
realidade que agora nos é dado desfrutar e apreciar.
Vemos, com isto, a importância que
reveste conhecimento tão fundamental. Viver a vida internamente significa ter conseguido ver e estimar
essa vida dentro de si mesmo, o
que permite, por sua vez, abarcar –
na medida das próprias possibilidades, é natural – todo o mecanismo
psicológico e mental do
próprio ser; conhecendo-o em suas partes e
funcionamento, chegase a conhecê-lo em sua
totalidade. Isso não é
nada irrealizável, ainda
que tampouco seja
tarefa fácil; há que
adaptar os sentidos,
antes desacostumados, a
percepções mais sutis.
LOGOSOFIA 11
CONHECIMENTO DE SI MESMO
C RENÇAS
E PROMESSAS QUE
QUE ADORMECERAM
OS HOMENS
“O homem deve abrir os
olhos; não fechá-los,
como os fanáticos,
que não querem
ver nem ouvir”
A PRIMEIRA
GRANDE VERDADE
A primeira grande verdade haverá
o homem de encontrá-la dentro
de si; uma verdade que está
representada por todas as etapas
que com seu esforço e seu
adestramento deverá cumprir,
até identificar-se com seu espírito e
assegurar sua efetiva e permanente
intervenção no transcendente
processo que está realizando.
Chegado a este ponto, o espírito
assumirá o governo da vida e
atuará com inteira liberdade na
vigília, conseguindo o ser físico
tal segurança e acerto em seu
pensar e agir que lhe evitarão
cair no engano ou no equívoco.
12 LOGOSOFIA
N
inguém ousará negar, sem
contrariar a lógica, que, à medida que o homem avança na conquista do saber, os conceitos são
suscetíveis de evoluir. Negá-lo seria
negar a própria evolução, que é sinal de superação e aperfeiçoamento; seria pretender a permanência
do homem na ignorância de suas
grandes prerrogativas humanas e
espirituais. (...)
Já dissemos que o homem experimentou durante séculos a necessidade de vincular-se metafisicamente a Deus. Ante a falta de conhecimentos que lhe permitissem realizar essa esperança, consentiu na falácia e no absurdo de crenças e promessas que, ao contrário, adormeceram sua alma. O avanço do tempo foi despertando-o desse sonho
pernicioso, e, erguido de novo,
numa inquietante ansiedade, reclama com insistência cada vez mais
firme o conhecimento orientador de
sua existência.
Os novos conceitos, os conceitos logosóficos, haverão de ir-se impondo
inevitavelmente, porque consubstanciam verdades inatacáveis e estão sustentados por uma tremenda
força lógica, que impele o homem a
comprovar, por si mesmo, sua
transcendental realidade. Mas este
deverá abrir os olhos; não fechá-los,
como os fanáticos, que não querem
ver nem ouvir. Deverá abrir os
olhos ao eflúvio benéfico e construtivo dos novos conhecimentos, chamados a iluminar a vida e libertá-la
da oprimente escravidão em que
está submersa pelo bloqueio dos velhos conceitos.
Todo conceito que o homem não
modifica com sua evolução torna-se
um preconceito, e os preconceitos
acorrentam as almas à rocha da
inércia mental e espiritual.
CONHECIMENTO DE SI MESMO
C OMO
COLOCAR - SE
ENTRE A TERRA
E O CÉU?
“A enorme
diferença que
existe entre
caminhar para
baixo e fazê-lo
para cima”
C
ada vez que ausculto os seres
humanos e advirto neles os
sintomas de um melhoramento,
percebo ali, no mais íntimo de seu
ser, que o desejo de elevar-se é, em
princípio, por terror ao abismo;
apenas quando se têm acostumado
a ascender pela escada da evolução
é que se dão conta da enorme diferença que existe entre caminhar
para baixo e fazê-lo para cima.
Tem-se dito que o céu une e a terra desune; se isso é verdade, não
há mais remédio que ascender ou,
pelo menos, manter-se à prudente
distância da terra, o que já seria
haver conquistado muito, con-
quanto isso não seja tudo. Eu
aconselharia mais: aconselharia a
não se afastar da terra, nem subir
ao céu, ou melhor, alcançar a mesma distância entre este e aquela.
Sugeriria dividir a vida em duas
partes, uma pertencente ao céu e
outra à terra; que em uma governe
o espírito e, na outra, a razão, para
evitar que a terra, em um descuido
do ser, o cubra e o sepulte.
Se isso se consegue – o que é muito possível, visto que ninguém está
privado de tal prerrogativa –, a felicidade pode ser completa. Saber
conduzir-se entre o céu e a terra é
voar com liberdade, fincando o pé
com a mesma facilidade, tanto no
céu quanto na terra. Isto impedirá
o apego demasiado às coisas terrenas e fará com que se conceda um
maior espaço para a preocupação
do que corresponde ao céu de nossas comuns aspirações e esperanças; ao céu, que não é senão a paz
e a felicidade que tanto busca o ser
humano, e que somente prova aos
sorvos, de vez em quando.
LOGOSOFIA 13
CONCEITOS E VALORES
A
LUZ DO SOL E A
CASA MENTAL
O
sol ilumina todo o sistema planetário; mas se ocorre a alguém encerrar-se em um quarto escuro e deixar
somente um pequeno orifício à passagem de seus raios, o sol, com toda
sua potência ultracósmica, o iluminará
somente por esse orifício, enviandolhe uma tênue luz, muito fraca, isto
é, a que pode passar por tão pequena cavidade. O que está dentro do
quarto escuro, ainda que proteste
por isso e trate de desprestigiar o
sol, manifestando que não tem potência alguma, não conseguirá que o
astro amplie a luminosidade que ele
mesmo se está negando.
No recinto mental ocorre coisa idêntica: à medida que cada um abra as
janelas de sua mente, o oxigênio e a
luz da sabedoria poderão penetrar
através delas; mas o que apenas deixa uma fresta à passagem dessa luz,
permanecerá sempre às escuras, ainda que ela ilumine todo o universo.
Invocará depois a fatalidade, o es-
14 LOGOSOFIA
“À medida que
cada um abra as
janelas de sua
mente, o oxigênio e
a luz da sabedoria
poderão penetrar
através delas”
quecimento da mão de Deus, a má
sorte, e enfim, tantas coisas quanto
ocorram aos pensamentos.
Porém, há mais ainda. Muitos
abrem suas janelas mentais e a luz e
o oxigênio entram; depois as fecham
e, como se esquecem de abri-las novamente, a luz não penetra, por ser
muito discreta, iluminando apenas a
fachada. Quantas fachadas tem iluminado, também, a sabedoria logosófica! Mas isto não é o que generosamente ela oferece, ao brindar,
como o sol, sua luz; o que quer é
iluminar o interior dos seres. Mas,
para isso, é mister que se abram –
como disse – as janelas da mente, e
que não se fechem ao sabor dos caprichos: hoje, porque se está desgostoso; amanhã, porque se tem que
ir ao cinema; depois, ao teatro; outro dia, porque há muito o que fazer
e, enfim, outras vezes, porque não
tem disposição. Se deste modo o conhecimento não penetra, de quem
será a culpa? Do saber logosófico?
Não, certamente. Esta é uma verdade que todos tocaram com as mãos,
tanto mentais como físicas; a força
desta verdade se sente até na ponta
dos dedos.
Fica ainda uma consideração a fazer:
o fato de que o sol permaneça esperando que lhe abram as portas, o que
significa? Significa que dá provas de
uma grande virtude: a de estar projetando sobre o universo a expressão
da paciência, pois, enquanto ilumina
todos aqueles que têm as portas abertas, espera que outros a abram. Esta é
a paciência inteligente e ativa, de que
CONCEITOS E VALORES
TODOS OS DIAS SAI O SOL...
Enquanto o sol aparece todas as manhãs, uma
incontável quantidade de seres passa meses e
meses sem vê-lo nem recordar-se de que existe.
Esta é também outra forma de comprovar até
falei outras vezes, e nesse fato reside
também a expressão universal de
outra virtude tão grande como a anterior: a tolerância, porque, ainda
que os seres demorem séculos para
abrir passagem à sua luz, não a nega
se algum dia decidem voltar a fazê-lo.
A única coisa que poderia acontecer é
que o sol, em lugar de iluminar uma
vida, tivesse que iluminar um cadáver. Mas a culpa não será, nesse caso,
do sol, senão do que não abriu a
tempo as portas para que seus raios,
que enchem a vida de vida universal,
penetrassem no interior.
Estes são os conhecimentos que a
Logosofia põe ao alcance de todas as
mentes, para clarear profundas obscuridades que, há séculos, desde
tempo imemorial, a humanidade
vem arrastando atrás de si. São simples e singelos, e se revelam por si
mesmos quando a palavra logosófica
os desperta e anima, e as mentes humanas assistem a seu despertar.
onde chega a vida superficial dos homens. Mas
quem vive uma vida real, quem faz dela uma
verdadeira potência interna, trata de aumentar
o contato com essa e com toda a vida que o
rodeia, pensando, entre outras coisas, que todos
os dias sai o sol... Dedique, pois, o homem,
um minuto ao dia, pelo menos, a vê-lo refletido
em suas mãos, em seu rosto, e a render-lhe a
homenagem de sua gratidão, ainda que seja
apenas pelo fato de receber sua luz e seu calor.
LOGOSOFIA
15
CONCEITOS E VALORES
C OMO DEIXAR DE SER
VEGETAL, MINERAL
E ANIMAL?
N
ão se deve esquecer que o mineral jaz nas profundezas das montanhas, que o vegetal permanece imóvel na terra, que o animal está atado a
seu instinto, e que o homem encontra
sua liberdade nos tribunais de sua
consciência, iluminada pela sublime
luz do conhecimento. Sem dúvida, na
misteriosa conformação biológica do
homem encontram-se representantes
de todos os reinos; conformação que,
em mistura imponderável, associa ao
organismo do homem elementos constituintes da vida atômica e molecular
do universo.
Que explicação pode-se dar ao homem da extraordinária complexidade do pensamento criador que
animou sua vida, insuflando em
seus mais recônditos meandros o
hálito ciclópico, que acende a chama existencial das gerações cósmicas ao instituí-lo rei da Criação, en-
16 LOGOSOFIA
“Na misteriosa
configuração
biológica do homem
encontram-se
representantes de
todos os reinos”
quanto faz permanecer nele vestígios latentes dos reinos inferiores?
Deve o homem desvendar esta incógnita; deixar de ser um mineral,
liberando-se da inércia; deixar de
ser um vegetal, movendo-se inteligentemente em plena atividade
construtiva; e, enfim, deixar de ser
tudo o que não convém a um ente
humano, desatando seu ser de todos os preconceitos do instinto,
para transfundir em seu espírito a
verdadeira essência de sua criação
humana. As fagulhas que de vez em
quando brotam, ao friccionar a inteligência com a áspera ponta da
realidade, fazem com que apareçam, como em épica visão, fragmentos de imagens que o homem
toma como antecipações promissoras de suas conquistas futuras.
Para isso, tem à sua disposição o
mecanismo mais genial que se poderia haver criado: sua mente. Haverá
de ser, pois, inconcebível que não se
produza uma verdadeira superação
naqueles que, tomando contato com
a sabedoria logosófica, podem promover dentro de si os movimentos
inteligentes que os levem à realização a que se propuseram. Para tal
fim contribuem todos os ensinamentos que, em forma de aluvião,
fecundam o campo mental, e cuja
importância está mais além do pensamento, por resumir, em síntese,
todas as aspirações do ser.
CONCEITOS E VALORES
P OR
QUE ESPERAR
90%
DOS DEMAIS ?
E
m geral, cada um espera, senão
tudo, pelo menos noventa por
cento dos demais, parecendo-se ainda muito esses dez por cento que põe
de sua parte. Esta posição tão equivocada faz perder muitos afetos,
muitas amizades e relações, às quais
algumas vezes se seguirá vinculado
mas apenas em aparência.
Assim, pois, mais convém que o homem ponha de sua parte os cem por
cento que a ele concerne, confiando
em suas próprias possibilidades. Isso
lhe dará a oportunidade de poder
servir a si mesmo e, excedendo ainda
essa porcentagem, servir aos demais,
podendo fazê-lo da melhor forma,
qual seja, inculcando-lhes que ponham também de sua parte os cem
“Mais convém que
o homem ponha de
sua parte os cem
por cento que a ele
concerne, confiando
em suas próprias
possibilidades”
por cento de suas possibilidades, já
que o grande dilema do mundo, desde o princípio até o presente, e que
ainda alcançará o futuro, está na luta
entre dois grandes: o indivíduo como
figura humana, aquele que Deus
criou sobre a Terra, e o coletivismo,
como símbolo da animalidade, ameaçando absorver o indivíduo.
Um é o positivo, desde que nele exis-
tem uma inteligência e uma maneira
de sentir que ninguém poderá dizer
que as deu, senão um só: Deus; e o
que Deus outorgou ao homem não se
pode modificar sem que a humanidade sofra os mais cruéis descalabros.
Para que o indivíduo possa enfrentar
o monstro do coletivismo – o negativo –, que trata de absorvê-lo e anulálo, deve aperfeiçoar-se, completar-se;
depois será invencível, quando consiga ser digno de transitar pela Terra
como Deus quis que transitasse, vivesse e se prolongasse na família.
O homem deverá mover-se dentro
do mundo sem pretender suplantar o
semelhante ou tirar-lhe seu lugar,
pois cada um tem o seu, que pode
ampliar sem molestar a ninguém.
10%
15%
90%
100%
60% 30%
10%
LOGOSOFIA 17
O desenvolvimento da
CAPACIDADE
INTELEC
O
processo de fecundação mental que o conhecimento logosófico promove apresenta, ainda em
sua fase inicial, aspectos que estimulam o labor de quem estuda.
A atividade que adquire a energia
mental por efeito dessa ação fecundante é de todo modo evidente,
cumprindo-se, com isso, um dos
propósitos do ensinamento, que é o
de estimular a função intelectual,
de forma que, gradualmente, aumente a capacidade para encarar os
problemas superiores que se apresentam no vasto campo da ciência
logosófica. Isto nos revela um importante aspecto do processo de fecundação mental, configurado no
aumento de possibilidades que a
inteligência experimenta por via do
estudo logosófico, a qual se ajusta
18 LOGOSOFIA
imediatamente, após a verificação
de cada avanço, à grata tarefa de
criar para si condições mais elevadas, auspiciosas à evolução de suas
idéias.
É freqüente observar como, sob a
ação fertilizante do conhecimento
logosófico, as idéias ou os projetos
que ontem surgiram defeituosos da
mente de quem se dedica a estes estudos, hoje, ao serem elaborados
novamente, pronunciam-se com
acentuado aperfeiçoamento sobre os
anteriores, tanto na ordem dos detalhes como em sua concepção de
conjunto. Desta maneira, ao desenvolver-se a capacidade intelectual,
criam-se simultaneamente aptidões
para encarar novas fases do conhecimento transcendente até então inacessíveis à inteligência.
Compreender-se-á que tais mudanças de posição interna não se produzem bruscamente, senão de forma gradual, à medida que o conhecimento logosófico é assimilado
com maior consistência na afirmação dos princípios que sustenta.
Com freqüência pensa-se que o ensinamento opera de forma instantânea no ser e que, em conseqüência,
este experimenta mudanças imediatas. Isso depende – logicamente
– das condições ou aptidões de
cada um, embora tampouco seja difícil deduzir que, ao instituir-se o
processo de evolução consciente
para o aperfeiçoamento do homem,
foi necessário também estabelecer
um tempo razoável para sua realização, em cujo transcurso haveriam
de ir-se operando as mudanças e as
EVOLUÇÃO CONSCIENTE
A expansão da
inteligência por
via do estudo
logosófico
A PACIÊNCIA CRIA
A INTELIGÊNCIA
DO TEMPO
TUAL
transformações que essa evolução
propõe cumprir. Nunca se há de
esquecer que na Criação nada tem
sido feito bruscamente, senão através de um desenvolvimento gradual, tal como a natureza mostra,
demonstra e seguirá demonstrando sempre.
Dissemos, mais de uma vez, que
a paciência cria a inteligência do
tempo; entendendo-se, naturalmente,
que nos referimos à paciência de
quem sabe esperar. Isto significa
que, quanto melhor se compreenda
o valor da mesma, maior será a
eficácia com que nos servirá o
tempo, dando-nos, por outra
parte, uma serenidade de espírito
que o impaciente não conhece.
LOGOSOFIA 19
SOCIEDADE HUMANA
SEGREDOS DA
CONVIVÊNCIA
HUMANA
M
ilhares ou milhões de lendas, que
depois foram fontes inesgotáveis
de novelas românticas, nos mostram o
muito que o homem seria capaz de fazer ou de se sacrificar para conquistar o
carinho daquela que, em seu coração,
chama sua bem-amada. E, o mesmo, a
mulher com respeito ao homem.
Plasmada a imagem ideal, constituída
já a vontade para ser encaminhada na
conquista dessa aspiração, tudo se vai
construindo com fios de
seda e de marfim. So-
20 LOGOSOFIA
brevém depois a
realidade,
quando um e
outro completam sua
aspiração e a
imagem ideal
começa, pouco a
pouco, a empalidecer, desa-
parecendo os fios de
seda e de marfim. É que
havia ali plasmadas
duas imagens ideais: a
dele e a dela. O encontro
de ambos não foi o encontro das duas imagens e então, cada um, tomando por
sua parte o pincel, a vai modificando, porque, considerando a sua muito superior,
pensa ter sido demasiado generoso.
SOCIEDADE HUMANA
“A amizade – símbolo da irmandade leal
dos espíritos – que, no lar, se nutre no amor
ou no afeto, quantas vezes sofre o descuido
daqueles que buscam depois, sem nunca
encontrar, a causa de suas desavenças e
até de seus afastamentos”
Qual é o pincel que começa a se mover na mão desse artista incógnito, o
qual plasmou no éter um quadro que
somente ele podia ver, admirar e adorar? A realidade, aquela que, mostrando por uma parte o que é, oferece a
possibilidade do que pode ser, e só
pede colocar-se mãos à obra, com o afã
tolerante que aperfeiçoa sem ferir o
que quer modelar. Esta é, na verdade,
uma arte à qual contados seres rendem
culto; muito tentaram mas, pouco
após começarem, a impaciência, as
exigências injustas e depois o desânimo acabaram por alterar a imagem,
deixando-a semidestruída.
Algo fica sempre, porém, dessa imagem ideal: fica a força do afeto, a força
da recordação que, em constante revivescência, fixa a cada um sua conduta.
Essa parte da imagem ideal é a que influi desde o momento em que os seres
se desencontram, se desconhecem ou
se rechaçam; desde o momento em
que, por causas não muito graves, suscitam-se desgostos, desavenças ou atritos. É a que influi para acalmar a agitação, suavizar o erro e ainda para perdoar, porque, quando a imagem física,
nos instantes de furor se apaga para os
olhos que a vêem, aparece, mostrandose a esses mesmos olhos a imagem
ideal, revestida sempre de recordações,
de afetos e de história; dessa história
que juntos viveram, participando dos
dias felizes e dos dias de dor. Essa imagem é a que influi, e não outra, para
que os seres se reconciliem e se reencontrem, estreitando seus espíritos no
amor dessa imagem.
O que acontece entre os seres humanos, qualquer que seja seu vínculo, e
entre os povos sempre tem uma causa
que está mais além das supostas causas. Não é a última gota a que faz entornar o copo, senão toda a água que o
enche, fazendo com que uma gota a
mais não possa caber nele. De modo
que a causa não está na gota, mas sim
nas muitas gotas que o copo contém.
Como disse antes, quando dois seres se
conhecem e se vinculam amistosamente, ambos são pródigos em atenções;
cada um busca fazer cômoda a amizade do outro. Porém, mais tarde a esquecem e, materializando o espiritual,
convertem o que é puro, nobre e sublime, nesse tipo de espigas que não são
para alimentar o corpo nem a alma, senão para varrer a escória; convertem
essa instância de amizade que conceituavam grata ao espírito, ao coração, à
própria vida, em uma vassoura, da
qual um ditado muito velho diz, generalizando, que serve quando nova e depois aparenta varrer, mas deixa tudo
como estava, ou pior ainda.
Sobrevém, pois, o que inevitavelmente
acontece quando se menosprezam as
coisas que o uso desgasta. Os que provaram um dia os prazeres de uma doce
amizade escorregam pela encosta da
indiferença e começam mutuamente
por desobrigar-se das atenções que antes prodigavam, sem que por isso cada
um deixe de pretender, para si mesmo,
a manutenção permanente dessas atenções que, como obrigação, pensa que
lhe devem.
A amizade – símbolo da irmandade leal
dos espíritos – que, no lar, se nutre no
amor ou no afeto, quantas vezes sofre o
descuido daqueles que buscam depois,
sem nunca encontrar, a causa de suas
desavenças e até de seus afastamentos.
É que a atenção deve ser cultivada sem
afetação, fazendo com que esse traço
gentil, que tanto atrai e obriga, se produza naturalmente.
Não se deve esquecer de que a relação
e vinculação entre os seres está constituída por uma série de coisas e fatos
que se entrelaçam. De nós depende
que se mantenham como no primeiro
dia em que se estabeleceram, pois, do
contrário, se destroem; acontecerá o
mesmo que a um suéter, cujos pontos,
soltando-se, irão destecendo-o pouco a
pouco, não restando finalmente mais
que um fio como recordação do mesmo. Este é o drama da vida, do mundo, da humanidade.
LOGOSOFIA 21
LOGOSOFIA
DE
LIVROS
22 LOGOSOFIA
O ESPÍRITO
196 páginas, em espanhol,
português, inglês e francês
DIÁLOGOS
212 páginas, em espanhol
e português
Conjunto de 53 diálogos que
tratam, de forma direta, várias
questões apresentadas à
inteligência humana
no curso da vida.
Oferece elementos para que se
forme um conceito pleno acerca
do espírito, estimulando um estudo
mais profundo da própria realidade
interna individual. Um capítulo
específico sobre os sonhos
relaciona esse tema ao processo
de superação integral.
INTRODUÇÃO AO CONHECIMENTO
LOGOSÓFICO
494 páginas, em espanhol,
português e inglês
Contém o texto integral de 72
conferências proferidas pelo autor
em diversas sedes da Fundação
Logosófica, apresentando uma visão
mais profunda da concepção
logosófica e suas projeções para o
futuro da humanidade.
BASES PARA SUA CONDUTA
56 páginas, em espanhol, português,
inglês, francês, esperanto e catalão
Dedicado aos jovens,
mas útil para o leitor de
qualquer idade, é uma
fonte de diretrizes
seguras para o amplo
desenvolvimento da vida.
O SENHOR DE SÁNDARA
512 páginas, em espanhol
e português
Romance que identifica as causas
que têm impedido o ser humano de
desenvolver e usar com plenitude
sua inteligência, sua vontade e suas
energias; o leitor poderá apreciar
nele a exata diferença entre dois
mundos, que também são duas
formas de viver, e duas culturas.
BIOGNOSE
174 páginas, em espanhol
e português
Apresenta profundos
conhecimentos sobre os
valores humanos e sua
utilização na conquista de
uma real capacitação mental
para ampliar a própria vida.
A HERANÇA
DE
SI MESMO
32 páginas, em espanhol, português,
inglês e francês
Aborda-se, nesse livro, um
conhecimento de vital
importância para o espírito
humano, ampliando o conceito
de herança ao abranger também
os campos psicológico e
espiritual nesse termo.
INTERMÉDIO LOGOSÓFICO
214 páginas, em espanhol
e português
Conjunto de lendas e
fábulas que oferecem novos
conceitos através de imagens
analógicas e figuras didáticas
de profundo conteúdo.
EDITORA LOGOSÓFICA
O conhecimento
amplia a vida.
Conhecer é viver
uma realidade que
a ignorância
impede desfrutar.
Exegese Logosófica
110 páginas, em espanhol, português,
inglês e francês
Descreve sucintamente alguns
dos principais conceitos
logosóficos, dando ao leitor
uma imagem clara e abrangente
do campo experimental
dessa ciência.
CURSO DE INICIAÇÃO LOGOSÓFICA
O MECANISMO DA VIDA
CONSCIENTE
102 páginas, em espanhol,
português, inglês e francês
Guia prático que favorece a
assimilação de novos conceitos e
o encaminhamento da vida
dentro do processo de evolução
consciente; apresenta os
resultados obtidos com o estudo
e a prática dos conhecimentos
dessa nova ciência.
125 páginas, em espanhol, português,
inglês e francês
Expõe a concepção logosófica do
homem e do universo, levando o
leitor a refletir sobre os grandes
enigmas humanos, propondo uma
nova rota para a realização da vida
e do destino do homem.
LOGOSOFIA CIÊNCIA E MÉTODO
150 páginas, em espanhol, português,
inglês e francês
Trata em profundidade o método
logosófico, expondo a concepção
logosófica sobre a constituição
bio-psico-espiritual do ser humano
e detalhando o funcionamento dos
três sistemas que configuram a
psicologia individual: o mental,
o sensível e o instintivo.
DEFICIÊNCIAS E PROPENSÕES DO
SER HUMANO
Carlos Bernardo González Pecotche RAUMSOL
213 páginas, em espanhol, português, inglês e francês
LOGOSOFIA
ciênciaemétodo
Revela o mecanismo de
atuação dos pensamentos que
influem sobre o temperamento
humano, apresentando a
técnica para o domínio
desses pensamentos visando o
aperfeiçoamento da conduta.
Técnica da formação
individual consciente
Editora Logosófica
P
E Ç A
R E E M B O L S O
P E L O
P O S TA L
e-mail: sp–[email protected]
Te l / f a x : ( 1 1 ) 3 8 8 5 7 3 4 0
LOGOSOFIA
23
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