I Coríntios 9.19 – 27 Esta carta foi escrita no período em que Paulo implantava a igreja em Éfeso (cf. I Coríntios 16.8 – 57 d.C), talvez por causa das reações à uma carta anterior enviada por Paulo (cf. I Coríntios 5.9). Neste trecho do livro de Corinto, Paulo responde a uma série de acusações feitas contra os apóstolos (em especial a ele e Barnabé) envolvendo; o direito ao casamento e ao sustento financeiro integral por parte da Igreja. Paulo afirma com base: Em sua autoridade apostólica (9.1 – 6); Em seu exemplo de vida (9.7, 11 – 12a); E nas Escrituras (9.8 – 10); que os Coríntios estavam com uma visão distorcida sobre Paulo e seus direitos. Ao mesmo tempo, Paulo se coloca como exemplo de renúncia para que os Corintos entendam como os verdadeiros cristãos devem abrir mão de benefícios e interesses próprios em prol de levar o maior número de pessoas a Cristo. 1. Sendo servo para todas as pessoas: jEleuvqero~
w]n
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19
Adj. Nom. MS Conj. Co. Exp. Ptc. Pres. At. Nom. MS Prep. Gen. Adj. Gen. MP Adj. Dat. MP Pron. Ref. 1ª Ac. MS 1ª S 1º Aor. Ind. At. livre pois sendo de todos à todos a mim mesmo (eu) escravizei 1
O particípio aqui é concessivo: “embora sendo” ejleuvqero~ (eleútheros) – Nascido livre, num sentido civil, pode se tratar de alguém que não é escravo ou de alguém que deixa de ser escravo, liberto, alforriado. Livre, isento, liberto, desimpedido, não atado por uma obrigação. Num sentido ético: livre do jugo da lei mosaica. Paulo declara aqui que apesar de ter nascido livre (Atos 22.22 – 29)2 e também estando livre em Cristo de “todos” os homens, ele próprio (segundo o pronome reflexivo – “a mim mesmo”), voluntariamente se fez escravo de todos. Ou seja, a pregação do evangelho exige abidicação de direitos, apesar de termos em Cristo o direito à total liberdade, usá-­‐la para seus próprios interesses parece ser incompatível com o evangelho: “Jesus os chamou e disse: Vocês sabem que os governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Ao contrário, quem quiser tornar-­‐se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo...” (Mateus 20.25 – 27). “Vocês me chamam ‘Mestre’ e ‘Senhor’, e com razão, pois eu o sou. Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei-­‐lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz. Digo-­‐lhes verdadeiramente que nenhum escravo é maior do que o seu senhor, como também nenhum mensageiro é maior do que aquele que o enviou. Agora que vocês sabem estas coisas, felizes serão se as praticarem” (João 13.13 – 17). “Nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos. Cada um de nós deve agradar ao seu próximo para o bem dele, a fim de edificá-­‐lo. Pois também Cristo não agradou a si próprio, mas, como está escrito: ‘Os insultos daqueles que 3
te insultam caíram sobre mim’ ” (Romanos 15.1 – 3). 1
TAYLOR, William Carey. Introdução ao Estudo do Novo Testamento Grego. 9ª ed. Rio de Janeiro: Batista Regular, 1990. p. 375 h. Paulo era um autentico cidadão romano de nascença não tinha nascido sob nenhum tipo de servidão, era livre. 3
Salmo 69.8 – 9: “Sou um estrangeiro para os meus irmãos, um estranho até para os filhos da minha mãe; pois o zelo pela tua casa me consome, e os insultos daqueles que te insultam caem sobre mim”.
2
1
“Também eu procuro agradar a todos, de todas as formas. Porque não estou procurando o meu próprio bem, mas o bem de muitos, para que sejam salvos” (I Coríntios 10.33). “Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; ao contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor” (Gálatas 5.13). Como sabemos que o contexto deste texto fala da pregação do evangelho (vs. 16), então essa escravidão se aplica não somente aos membros da Igreja de Corinto, mas todas as pessoas em geral. Paulo deixa isso claro com um jogo de palavra com adjetivo pa'~ (pâs – todo), inicialmente no genitivo, implicando sua liberdade e desobrigação, não sendo ele possuído por ninguém, a não ser Cristo, que trasforma a ação do Adjetivo em Dativo, ou seja: “para”, “em favor de”, “para o benefício de”. A implicação disso, é que o servo de Deus tem que viver neste mundo com a percepção de escravidão a todos os que são alvos do evangelho. Neste sentido a pregação do evangelho começa não com palavras, mas com serviço abnegado. É verdade que a maioria das pessoas tem uma má impressão quando as abordamos com a mensagem do evangelho diretamente, a impressão que passa é que estamos tentando convencê-­‐las e nos aproveitarmos delas trazendo-­‐as para a nossa religião. Porém quando a pregação começa pelo serviço, mesmo que seja à pessoas que não merecem, então a pregação acontecerá por atos de amor, e a pessoa saberá que está recebendo um grande benefício imerecido, assim como Cristo fez conosco. A prática do que Paulo está ensinando implica diretamente em não somente conviver com incrédulos, mas também serví-­‐los no que for possível, buscando oportunidades para ajudá-­‐los em suas necessidades corriqueiras, como levar alguém ao médico, cuidar das crianças para o casal sair, limpar a calçada do visinho, oferecer um jantar ou almoço, enfim... i{na
touv~ pleivona~
poluv~
kerdhvsw:
kerdaivnw
Conj. Sub. Final Adj. Ac. MP 1ª S 1º Aor. Subj. At. a fim de que o maior (número possível) (eu) conquiste (ganhe) Grau comparativo O Aoristo Subjuntivo expressa uma ação idealizada e incerta no futuro. kerdaivnw (kerdaínô) – “Lucrar”, “ganhar vantagem”, “adquirir”, “obter ganho”. Metaforicamente: Fala-­‐se do ganho provindo de evitar ou escapar do mal. No sentido passivo: “não envolver-­‐se”, “resguardar-­‐se”, daí, “ser poupado”, ativamente é: “ganhar alguém”, i.e, “conquistá-­‐lo” (para o reino de Deus, ganhar alguém para a fé em Cristo). Ou ainda, ganhar o favor e a comunhão com Cristo. O objetivo final desta auto-­‐escravização é ganhar o maio número possível de pessoas para Cristo, porém o uso do Aoristo no Subjuntivo parece expressar que essa conquista não esteja nas mãos do escravo, a finalidade da escravização é ganhar, a intenção do escravo é ganhar, o grau comparativo do adjetivo usado por Paulo indica uma idéia de ganhar mais do que, em maior número, mas, ainda que o esforço e a intenção sejam neste sentido, a decisão final dos que serão ganhos ou não, não está nas mãos do escravo, e sim do SENHOR. Essa observação é importante dentro do contexto, pois mostra que o escravo não trabalha para sua própria glória, nem se escraviza a “todos” buscando uma recompensa certa e segura, mas uma que seja pela fé e na dependência do querer de Deus. Também podemos perceber que a base da auto-­‐escravização não é a certeza absoluta do resultado, mas o cumprimento voluntário e a intenção sincera. 2
2. Adaptar-­‐se ao contexto de vida das pessoas: ejgenovmhn kai; givnomai 20 toi'~ jIoudaivoi~ jIoudai'o~ wJ~ jIoudai'o~, Conj. Co. Ad. 1ª S 1º Aor. Ind. Med. Adj. Dat. MP Part. Comp. Adj. Nom. MS e (eu) me tornei aos judeus como judeu i{na
jIoudaivou~
jIoudai'o~
kerdhvsw:
kerdaivnw
Conj. Sub. Final Adj. Ac. MP 1ª S 1º Aor. Subj. At. a fim de que judeus (eu) conquiste (ganhe) O verbo usado aqui, givnomai (gínomai – “ser gerado”, “nascer”, “tornar-­‐se”), é usado em conjunto com a partícula comparativa wJ~ (hôs – “como”, “assim como”), essa partícula não expressa integralidade, ou seja, igualdade absoluta, mas expressa uma semelhança, uma equiparação, que aqui tem um objetivo específico, indicado pela conjunção subordinativa final i{na (hína). Fato interessante, é que Paulo, sendo judeu, se coloca como se não fosse, como se fosse diferente dos judeus, vemos isso no uso do artigo definido “os judeus” (toi'~ jIoudaivoi~), e aqui se assemelhou a eles para conquistá-­‐los. Sendo assim, obviamente, Paulo, então, não está se referindo aos judeus como nacionalidade, pois neste sentido ele era judeu de nascimento, fariseu, filho de fariseus (Atos 23.6 e 26.5), circuncidado ao oitavo dia (Filipenses 3.5) e de nacionalidade Israelita, ou seja, um judeu.
O que Paulo faz aqui é demonstrar que como cristão ele não está mais debaixo do jugo da lei mosaica (Gálatas 5.18 – “Mas, se vocês são guiados pelo Espírito, não estão debaixo da Lei”), e por isso é livre da prática religiosa exigida na Lei, não precisando mais se submeter a ela. Porém, ele apesar de ter esta liberdade, abdicou dela em alguns momentos cumprindo rituais da lei para assim ganhar os judeus, é neste sentido que Paulo se tornou “como” os judeus, praticantes da Lei. Lembrando que Paulo não fez isso por crer que deveria obedecer a Lei Mosaica, mas para ganhar os judeus para uma Lei superior, Cristo. Alguns exemplos das ações de Paulo para com os judeus são: “Chegou a Derbe e depois a Listra, onde vivia um discípulo chamado Timóteo. Sua mãe era uma judia convertida e seu pai era grego. Os irmãos de Listra e Icônio davam bom testemunho dele. Paulo, querendo levá-­‐lo na viagem, circuncidou-­‐o por causa dos judeus que viviam naquela região, pois todos sabiam que seu pai era grego. Nas cidades por onde passavam, transmitiam as decisões tomadas pelos apóstolos e presbíteros em Jerusalém, para que fossem obedecidas. Assim as igrejas eram fortalecidas na fé e cresciam em número cada dia”. (Atos 16.1 – 5) “Quando chegamos a Jerusalém, os irmãos nos receberam com alegria. No dia seguinte Paulo foi conosco encontrar-­‐se com Tiago, e todos os presbíteros estavam presentes. Paulo os saudou e relatou minuciosamente o que Deus havia feito entre os gentios por meio do seu ministério. Ouvindo isso, eles louvaram a Deus e disseram a Paulo: ‘Veja, irmão, quantos milhares de judeus creram, e todos eles são zelosos da lei. Eles foram informados de que você ensina todos os judeus que vivem entre os gentios a se afastarem de Moisés, dizendo-­‐lhes que não circuncidem seus filhos nem vivam de acordo com os nossos costumes. Que faremos? Certamente eles saberão que você chegou; portanto, faça o que lhe dizemos. Estão conosco quatro homens que fizeram um voto. Participe com esses homens dos rituais de purificação e pague as despesas deles, para que rapem a cabeça. Assim, todos saberão que não é verdade o que falam de você, mas que você continua vivendo em obediência à lei. Quanto aos gentios convertidos, já lhes escrevemos a nossa decisão de que eles devem abster-­‐se de comida sacrificada aos ídolos, do sangue, da carne de animais estrangulados e da imoralidade sexual’. No dia seguinte Paulo tomou aqueles homens e purificou-­‐se com eles. Depois foi ao templo para declarar o prazo do cumprimento dos dias da purificação e da oferta que seria feita individualmente em favor deles” (Atos 21.17 – 26). 3
Lembrando que Paulo se sujeita a algumas práticas do judaísmo com um objetivo predeterminado, ganhar os judeus, por outro lado, com toda certeza Paulo não fez ou cumpriu com exigências legais que o levariam a negar a obra de Cristo. Até porque, o propósito “ganhar” já indica que a prática é só para não ser rejeitado logo de imediato. Novmon
novmon,
toi'~
uJpo;
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uJpo;
novmo~
novmo~
Dat. MP Prep. Ac. Ac. MS Part. Comp. Prep. Ac. Ac. MS aos debaixo (da) lei como debaixo (da) lei mh;
w]n
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novmon,
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Part. Neg. Ptc. Pres. At. Nom. MS Pron. 1ª Nom. MS Prep. Ac. Ac. MS não estando eu debaixo (da) lei uJpo;
novmon,
novmo~
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Conj. Sub. Final Ac. MP Prep. Ac. Ac. MS 1ª S 1º Aor. Subj. At. a fim de que os debaixo (da) lei (eu) conquiste (ganhe) 21
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kerdaivnw
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toi'~ ajnovmoi~
a[nomo~
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Adj. Dat. MP Part. Comp. Adj. Nom. MS aos sem lei como sem lei “Sem lei” aqui, não significa não estar debaixo de lei nenhuma, mas contrasta com os que vivem debaixo da Lei de Moisés, ou seja, os sem lei aqui são os gentios. Além disso, não estar debaixo da Lei de Moisés não significa viver uma vida sem lei nenhuma, antes submeter-­‐se a uma Lei suprema, superior à Lei de Moisés, a Lei de Cristo. mh;
w]n
eijmiv
a[nomo~
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Part. Neg. Ptc. Pres. At. Nom. MS não estando Cristou',
Cristov~
Adj. Nom. MS Gen. MS Conj. Co. Adv. Adj. Nom. MS Gen. MS sem lei da parte de Deus mas sujeito a lei de Cristo Essa expressão “lei de Cristo” é exclusiva de Paulo e parece se referir ao fato de que Jesus trouxe uma perspectiva nova e por isso Paulo se via não mais debaixo da Lei Mosaica. Essa nova perspectiva, a Lei de Cristo, são os ensinamentos de Jesus e dos apóstolos, ou seja, o Novo Testamento4. “Irmãos, se alguém for surpreendido em algum pecado, vocês, que são espirituais, deverão restaurá-­‐lo com mansidão. Cuide-­‐se, porém, cada um para que também não seja tentado. Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo” (Gálatas 6.1 – 2). i{na
kerdavnw
kerdaivnw
tou;~ ajnovmou~:
a[nomo~
Conj. Sub. Final 1ª S 2º Aor. Subj. At. Adj. Ac. MP a fim de que (eu) conquiste (ganhe) os sem lei 4
Para mais, comparar Êxodo 20.13 – 14 e Deuteronômio 5.17 – 18 com Mateus 5.22 e 28. Além de questões como a circuncisão (Êxodo 12.48 X Gálatas 2.3 e 5.1 – 3), a guarda do sábado (Êxodo 20.8 – 10 X Gálatas 4.8 – 11), comidas sagradas (Romanos 14.15 – 20), etc. 4
22
ejgenovmhn
givnomai
toi'~ ajsqenevsin
ajsqenhv~
ajsqenhv~,
1ª S 1º Aor. Ind. Med. Adj. Dat. MP Adj. Nom. MS (eu) me tornei para os fraco fraco ajsqenhv~ (asthenés) – “sem força”, “fraco”. Essa palavra descreve a incapacidade: !
!
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!
física; emocional; social; econômica; e até espiritual. i{na
tou;~ ajsqenei'~
ajsqenhv~
kerdhvsw:
kerdaivnw
Conj. Sub. Final Adj. Ac. MP 1ª S 1º Aor. Subj. At. a fim de que os fracos (eu) conquiste (ganhe) Foi com essa fraqueza que Paulo ganhou os Corintos: “Eu mesmo, irmãos, quando estive entre vocês, não fui com discurso eloqüente, nem com muita sabedoria para lhes proclamar o mistério de Deus. Pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado. E foi com fraqueza, temor e com muito tremor que estive entre vocês” (I Coríntios 2.1 – 3). “Pois, na verdade, foi crucificado em fraqueza, mas vive pelo poder de Deus. Da mesma forma, somos fracos nele, mas, pelo poder de Deus, viveremos com ele para servir vocês”. (II Coríntios 13.4). toi'~ pa'sin
pa'~
gevgona
givnomai
pavnta,
pa'~
Adj. Dat. MP 1ª S Perf. Ind. At. Adj. Ac. NP para todos (eu) tenho tornado todas estas coisas (tudo) Até este ponto Paulo usa Aoristos para expressar a ação passada de se igualar a cada um de seus alvos de pregação, porém aqui o Perfeito indica que essa ação passada de “tornar-­‐se” está completa no presente, como resultado da ação passada, mas ainda presente em seu momento atual. i{na
pavntw~
pa'~
tina;~
ti~
swvsw.
swv/zw
Conj. Sub. Final Adj. Dat. MP Pron. Indef. Ac. MP 1ª S 1º Aor. Subj. At. a fim de que por todo e qualquer meio alguns (eu) salve Pela primeira vez Paulo usa a palavra “salvar” no texto, e este salvar demonstra que todos os “ganhar” anteriores era salvar. Também é importante destacar o uso do pronome indefinido tina;~ (tinás – “alguns”) contrastando com o adjetivo pa'~ (pâs – “todos”), ou seja, ainda que ele tenha se entregado para todos, somente alguns reconhecerão essa entrega e serão ganhos. Isso significa que na pregação do evangelho, mesmo que nos esforcemos ao máximo, e nos dediquemos em ajudar, e abençoar a vida das pessoas, para ganhar-­‐las, nem todos aceitarão. Lembrando que a motivação de Paulo contínua sendo ganhar o máximo possível, e que sua motivação também não é numérica buscando resultados que tragam fama diante dos homens, mas sim, motivação de agradar a Deus buscando resultados que glorifiquem a Deus, ainda que com isso perca fama diante dos homens. 5
3.
23
Integralidade do Evangelho: pavnta
pa'~
de;
poiw'
poievw
dia;
to; eujaggevlion,
eujaggevlion
Adj. Ac. NP Conj. Co. Ad. 1ª S Pres. Ind. At. Prep. Ac. Ac. NS todas estas coisas e (eu) faço por causa de o evangelho i{na
sugkounwno;~
aujtou'
aujtov~
gevnwmai.
givnomai
Conj. Sub. Final Nom. MS Pron. 3ª Gen. NS 1ª S 1º Aor. Subj. Med. a fim de que co-­‐participante dele (eu) me torne Ilustração (Vs. 24 – 27) Nesta parte final Paulo usa o exemplo dos atletas para ilustrar o que havia dito acima. O exemplo era extremamente conhecido dos Corintos, pois na cidade aconteciam os famosos jogos Ístmicos5. “... A vida cristã exige um nível de renúncia aos direitos comparável ao de um atleta; à luz do valor incomparavelmente maior de nossa recompensa e da perda em caso de desqualificação, 6
os coríntios deveriam agir como Paulo, para serem aprovados como ministros do evangelho”. a)
A motivação abnegada do corredor pelo prêmio (24 – 26a) 24
Oujk
ouj
oi[date
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Part. Int. 2ª P Perf. Ind. At. Conj. Sub. Intg. não? (vós) tendes sabido que: oiJ
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trevcousin,
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Artg. Nom. MP Prep. Dat. Dat. NS Ptc. Pres. At. Nom. MP Adj. Nom. MP Part. Enf. 3ª P Pres. Ind. At. (os) no estádio que correm (corredores) todos certamente (eles) correm stavdion (stádion) – Espaço ou distância de cerca de 192 metros. Lugar no qual competições de corrida eram organizados, sendo que aquele que ultrapassasse o restante e alcança-­‐se o objetivo primeiro, recebia o prêmio. Percursos como este foram encontrados na maioria das grandes cidades gregas (desde 776 a.C.), e eram parecidos ao do Olimpo, que tinha 192 metros gregos em extensão.
5
ei|~
de;
lambavnei
lambavnw
Adj. Nom. MS Conj. Co. Adv. 3ª S Pres. Ind. At. Ac. NS um (só) mas (ele) obtêm o prêmio to; brabei'on_
brabei'on
“O Istmo se estende até o Golfo de Mégara e é notável por um templo de Netuno e pelos jogos celebrados a cada cinco anos [Um erro de Solinus, também cometido por Plínio, o Velho, pois os jogos eram bienais] (...) Esses jogos, interrompidos pelo tirano Cípselo, foram reinstituídos com solenidade pelos Coríntios, nos tempos antigos, na 49ª olimpíada” (Solino 7.14). Esses jogos, eram um dos quatro mais importantes festivais gregos, consagrados a Poseidon e celebrados no início da primavera (abril/maio), no segundo e quarto ano posteriores às Olimpíadas. Nestes jogos haviam competições atléticas, como o pancrácio (um tipo de MMA) e a luta livre, corridas de cavalos e de carruagens, como nos jogos Olímpicos, e também um concurso musical que admitia concorrentes de ambos os sexos. Certa vez, a poetisa Aristômaca de Eritréia ganhou o prêmio (Plu. Quest. conv. 675b). 6
PINTO, Carlos Osvaldo Cardoso. Foco e desenvolvimento no Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2008. p. 263. 6
Lembrando que o prêmio dos vencedores era puramente simbólico — coroas de louro, mais tarde de folhas de pinheiro, ou ter o nome gravado em colunas de mármore, mas em geral as cidades estado gregas tratavam muito bem seus cidadãos premiados. Consta que em Atenas havia uma lei, atribuída a Sólon, que concedia aos vencedores dos jogos ístmicos, além das honras de praxe, um prêmio adicional de 100 dracmas (algo entre de 200,00 e 300,00 R$). O que está em voga aqui não é o prêmio em si, mas o desejo por ele e a preparação necessária para tanto. Paulo está usando a alta competitividade em busca do prêmio nos jogos, para demonstrar o sentimento que deveríamos ter para evangelizar, o foco está na motivação que vem da preparação do atleta que deve ser exemplo para o crente. É certo que todo o atleta que entra em uma competição deseja o prêmio, mas desejar o prêmio não significa conseguir. Porém, existem os atletas que chegam à competição como “o atleta a ser batido”, estes, por seu treinamento e dedicação, vão à competição não para competir, mas para ganhar. É exatamente sobre estes que Paulo está falando, os que entram para vencer. Este é o que dá o máximo, que faz o seu melhor nos treinamentos, que sacrifica tudo para que no dia da competição ele entre na arena certo da vitória. ou{tw~
trevcete
trevcw
i{na
katalavbhte.
katalambavnw
Adv. portanto 2ª P Pres. Imp. At. Conj. Sub. Final 2ª P 2º Aor. Subj. At. correi (vós) de modo que (vós) obtenhais E a recompensa a quem Paulo se refere está diretamente ligada ao kerdaivnw (kerdaínô – “ganhar”) que ele citou inúmeras vezes anteriormente, “ganhar” o maior número de pessoas. Ainda que, como veremos mais a frente, exista um prêmio incorruptível de glória reservado ao vencedor da corrida celestial. O grande atleta não é o que entra na arena para vencer os outros, é aquele que treina todos os dias para vencer a si mesmo, superar seus limites constantemente nos treinos, chegar na linha de chegada sabendo que fez o máximo possível. Este atleta está eternamente insatisfeito consigo mesmo, crendo que sempre pode melhorar, esse é o espírito dos grandes campeões. E é assim que um atleta do evangelho deve viver, fazendo o máximo, para ganhar vidas, superando a si mesmo a cada dia na vida espiritual, esforçando-­‐se abnegadamente para o bem do outro, crendo que sempre a algo mais a fazer, algo a melhorar, nunca desistindo do alvo, fazendo todo o possível e até impossível para obter o maior número de almas para Cristo. 25
pa'~
de;
Adj. Nom. MS Conj. Co. Ad. todo e oJ ajgwnizovmeno~
ajgwnivzomai
pavnta
pa'~
Ptc. Pres. Med. Nom. MS Adj. Ac. NP aquele que compete (atleta) em todas as coisas (tudo) ejgkrateuvetai,
ejkgrateuvomai
3ª S Pres. Ind. Med (ele) controla-­‐se ejkgrateuvomai (egkrateýomai) – Controlar-­‐se, ser continente, exibir auto-­‐domínio, conduzir-­‐se temperadamente. Imagem derivada de atletas que, ao preparar-­‐se para os jogos, abstêm-­‐se de comida prejudicial à saúde, vinho e indulgência sexual. Assim, Paulo tira os olhos da corrida em si, e volta-­‐os para a preparação abnegada anterior à corrida, ou seja, não se ganha o prêmio na corrida sem uma preparação que exige sacrifícios extremos por parte do atleta, o melhor atleta em geral é o que se dedicou mais firmemente ao treinamento, assim como também não se ganha almas sem sacrifícios extremos por parte do mensageiro. 7
ejkei'noi
ejkei'no~
me;n
Pron. Dem. Nom. MP Part. Enf. aqueles # ou\n
i{na
fqarto;n
fqartov~
stevfanon
stevfano~
lavbwsin,
lambavnw
Conj. Co. Conj. Sub. Cons. Adj. Ac. MS Ac. MS 3ª P 1º Aor. Subj. At. coroa (eles) obtenham contudo de forma que corruptível Adversativa (que perece) a[fqarton.
a[fqarto
hJmei'~
de;
Pron. 3ª Nom. P Conj. Co. Adv. Adj. Ac. MS nós porém incorruptível O prêmio incorruptível que Paulo se esforça por obter não são a vida eterna ou os galardões, mas o resultado da pregação do evangelho, vidas salvas que entram na eternidade. Isso fica claro dentro do contexto, Paulo está defendendo o fato de que ele abre mão de qualquer recompensa pessoal em prol da pregação do evangelho, até mesmo de seus direitos como apóstolo, também, já demonstrou anteriormente que não prega por vontade própria, mas por obrigação de seu chamado, o tempo todo, o coro dos versículos anteriores é: “a fim de... ganhar muitos”. Seria incoerente que o prêmio aqui seja um benefício e glórias pessoais, ainda que futuras. A coroa incorruptível que Paulo almeja ganhar na corrida do evangelho é o maior número de pessoas salvas para Cristo, o propósito do evangelho e do ministério de Paulo. “Pois quem é a nossa esperança, alegria ou coroa em que nos gloriamos perante o Senhor Jesus na sua vinda? Não são vocês? De fato, vocês são a nossa glória e a nossa alegria”. (I Tessalonicenses 2.19 – 20) “Portanto, apelo para os presbíteros que há entre vocês, e o faço na qualidade de presbítero como eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, como alguém que participará da glória a ser revelada: pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir. Não ajam como dominadores dos que lhes foram confiados, mas como exemplos para o rebanho. Quando se manifestar o Supremo Pastor, vocês receberão a imperecível coroa da glória” (I Pedro 5.1 – 4). 26
ejgw;
toivnun
ou{tw~
trevcw
trevcw
wJ~
oujk
ouj
ajdhvlw~,
Pron. 1ª Nom. MS Conj. Co. Inf. Adv. 1ª S Pres. Ind. At. Part. Comp. Part. Neg. Adv. Eu portanto assim (eu) corro como não de modo incerto Paulo deixa claro aqui que vida cristã não pode ser vivida sem alvos para a pregação do evangelho, ou seja, muitos vivem a vida cristã sem propósitos e objetivos específicos, passam toda uma vida sem ter nenhuma coroa de glória, vivem se furtando do cristianismo apenas para resolver problemas pessoais, não estabelecem objetivos práticos para com seus dons, ministérios, discipulado, treinamento pessoal, por isso assim como Paulo demonstra, essas pessoas vivem correndo sem a certeza da vitória. 8
b)
27
O sacrifício que gera a vitória do lutador (26b – 27) pukteuvw
ou{tw~
wJ~
pukteuvw
oujk
ouj
ajevra
ajhvr
devrwn:
devrw
Adv. 1ª S Pres. Ind. At. Part. Comp. Part. Neg. Ac. MS Ptc. Pres. At. Nom. MS assim (eu) esmurro como não ar golpeando ajlla;
uJpwpiavzw
uJpwpiavzw
mou
ejgwv
to; sw'ma
sw'ma
kai;
doulagwgw',
doulagwgevw
Conj. Co. Adv. 1ª S Pres. Ind. At. Pron. 1ª Gen. S Ac. NS Conj. Co. Ad. 1ª S Pres. Ind. At. Mas (eu) espanco de mim o corpo e (eu) conduzo a escravidão uJpwpiavzw (hypôpiázô) – Espancar, bater tanto a ponto de provocar contusões e manchas cor-­‐de-­‐chumbo. Como um boxeador que esmurra seu corpo, trata-­‐o rudemente, disciplina-­‐o pelo sofrimento. doulagwgevw (doulagôgéô) – Conduzir à escravidão, tomar como escravo, tornar escravo e tratar como escravo i.e. com severidade, sujeito à disciplina severa e rígida. Esses dois verbos expressam o tremendo sacrifício que tem que ser feito pelo atleta para manter seu corpo rigorosamente disciplinado para que conquiste seus objetivos. Um boxeador que não esteja acostumado a levar duros golpes no corpo não suportará a luta, e um lutador desregrado, beberrão ou comilão, não conseguirá títulos, somente a disciplina rígida pode fazer de um atleta um grande campeão. Assim, tomado deste exemplo, Paulo estabelece o sacrifício rigoroso, a disciplina e a abnegação exigência essenciais para que um pregador do evangelho atinja seus objetivos. Lembrando que a frase uJpwpiavzw mou to; sw'ma (hypôpiázô moy tó sôma – “espanco o meu corpo”), expressa uma luta contra a carne, demonstrando que a pregação do evangelho não exige somente abnegação espiritual, mas também física. Seja contra o pecado, seja acostumando-­‐se a passar restrições como enfrentar, fome, frio, prisões, espancamentos, naufrágios, apedrejamentos, noite sem dormir e se necessário, até a morte, tudo para a pregação do evangelho: “Até agora estamos passando fome, sede e necessidade de roupas, estamos sendo tratados brutalmente, não temos residência certa e trabalhamos arduamente com nossas próprias mãos. Quando somos amaldiçoados, abençoamos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, respondemos amavelmente. Até agora nos tornamos a escória da terra, o lixo do mundo. Não estou tentando envergonhá-­‐los ao escrever estas coisas, mas procuro adverti-­‐los, como a meus filhos amados” (I Coríntios 4.11 – 14). “Ao contrário, como servos de Deus, recomendamo-­‐nos de todas as formas: em muita perseverança; em sofrimentos, privações e tristezas; em açoites, prisões e tumultos; em trabalhos árduos, noites sem dormir e jejuns; em pureza, conhecimento, paciência e bondade; no Espírito Santo e no amor sincero; na palavra da verdade e no poder de Deus; com as armas da justiça, quer de ataque, quer de defesa; por honra e por desonra; por difamação e por boa fama; tidos por enganadores, sendo verdadeiros; como desconhecidos, apesar de bem conhecidos; como morrendo, mas eis que vivemos; espancados, mas não mortos; entristecidos, mas sempre alegres; pobres, mas enriquecendo muitos outros; nada tendo, mas possuindo tudo” (II Coríntios 6.4 – 10). “São eles servos de Cristo? estou fora de mim para falar desta forma eu ainda mais: trabalhei muito mais, fui encarcerado mais vezes, fui açoitado mais severamente e exposto à morte repetidas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus trinta e nove açoites. Três vezes fui golpeado com varas, uma vez apedrejado, três vezes sofri naufrágio, passei uma noite e um dia exposto à fúria do mar. Estive continuamente viajando de uma parte a outra, enfrentei perigos nos rios, perigos de assaltantes, perigos dos meus compatriotas, perigos dos gentios; perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, e perigos dos falsos irmãos. Trabalhei arduamente; muitas vezes fiquei sem dormir, passei fome e sede, e muitas vezes fiquei em jejum; suportei frio e 9
nudez. Além disso, enfrento diariamente uma pressão interior, a saber, a minha preocupação com todas as igrejas. Quem está fraco, que eu não me sinta fraco? Quem não se escandaliza, que eu não me queime por dentro? Se devo orgulhar-­‐me, que seja nas coisas que mostram a minha fraqueza” (II Coríntios 11.23 – 30). mhv
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Part. Neg. Part. Indef. Pron. Dem. Dat. NP Ptc. 1º Aor. At. Nom. MS Pron. Nom. MS Adj. Nom. MS 1ª S 1º Aor. Subj. Med. ele desqualificado (eu) me torne não de algum modo de modo nenhum à outros depois de proclamar Uso adverbial temporal khruvssw (keƒrýssô) – Ser um arauto, oficiar como um arauto, proclamar como um arauto. Sempre com sugestão de formalismo, gravidade, e uma autoridade que deve ser escutada e obedecida. Publicar, proclamar abertamente: algo que foi feito. Usado da proclamação pública do evangelho e assuntos que pertencem a ele, realizados por João Batista, por Jesus, pelos apóstolos, e outros mestres cristãos. ajdovkimo~ (adókimos) – Não resistindo a teste, não aprovado, desqualificado. Propriamente usado para metais e moedas. Aquilo que quando testado, não é aprovado tal como deveria por isso é desqualificado para, desaprovado, falso, espúrio, condenado. Então, Paulo conclui seu pensamento, lembrando que depois de pregar a outros, o evangelho não pode ser esquecido por ele próprio, para que não seja desqualificado. Perceba que se Paulo fosse relapso para com o evangelho, não seria o evangelho que ficaria desqualificado e sim Paulo. Pois, a mensagem do evangelho é superior ao mensageiro, a grande questão é justamente a conclusão pessoal, de que para que preguemos a outros, o evangelho tem que ser verdadeiro e vívido a nós mesmos. 10
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1 I Coríntios 9.19 – 27 Esta carta foi escrita no período em que