Universidade Estadual de Goiás UnU de Ciências Exatas e Tecnológicas Curso de Ciências Biológicas JOYCE MARINA PEREIRA SILVA SOROPREVALÊNCIA DA DOENÇA DE CHAGAS EM DOADORES DE SANGUE DO HEMOCENTRO DE GOIÁS NO PERÍODO DE 2008 A 2011 Anápolis, Junho 2012 2 3 JOYCE MARINA PEREIRA SILVA SOROPREVALÊNCIA DA DOENÇA DE CHAGAS EM DOADORES DE SANGUE DO HEMOCENTRO DE GOIÁS NO PERÍODO DE 2008 A 2011 Trabalho de conclusão de curso apresentado à Universidade Estadual de Goiás, UnUCET, como requisito parcial à obtenção do grau de biólogo licenciado. Orientador Gigonzac Profº.MSc. Anápolis, junho 2012 Marc Alexandre Duarte 4 Á você, doador de sangue, que pelo seu nobre gesto de ajuda ao próximo, proporcionou a idealização e concretização desse trabalho. 5 AGRADECIMENTOS À Deus, não somente por esta conquista, mas por todas as batalhas vencidas que me trouxeram até aqui; Pelas forças renovadas quando tudo pareceu difícil e pelas incontáveis ‘segundas-chances’ de fazer o que era certo quando tudo parecia errado; Porque sei que teu amor não muda e ele jamais falhou... Aos meus pais, Jaime e Alceli, que acreditaram e investiram em meu potencial quando eu ainda nem sabia que o tinha; pelos valores e princípios repassados e pelo inesgotável, e nunca poupados, carinho e cuidado; Pelo dom da vida e por meus cromossomos X! Ao Jarles, pelas risadas, pelo carinho, e até mesmo pelas brigas de irmãos que nos ajudaram a crescer e compreender o valor um do outro; Ao meu noivo, Jonas, pela paciência nas ausências, por ouvir minhas intermináveis queixas com atenção e carinho, pela motivação nas horas difíceis e por sua companhia perfeita nos momentos agradáveis; Por ser não apenas minha metade, mas ser o meu todo; por esse amor inesgotável, por essa parceria incrível! À Lanusse Fernandes e Taizy Leda. Esses quatro anos de parceria e amizade foram únicos; Cada dia ao lado de vocês me fez crescer e ver o quanto é essencial ter em quem se apoiar, em quem confiar. Hoje vocês são uma parte memorável dessa trajetória, são meu presente e meu elo com essa fase tão importante. Obrigada por tudo! A Mariana, pela idéia desse trabalho, por todas as ajudas e direcionamentos; Por ter entrado em nosso “grupo” e nos alegrado com sua presença! À Igreja Batista Ebenézer, pelas incansáveis, e tão valiosas, orações; Ao meu orientador, Professor Marc, por sua disponibilidade tão imediata, por sua paciência, por suas críticas sempre tão construtivas e por ser parte fundamental desse processo final; 6 Ao Hemocentro de Goiás, por abrirem as portas para que esse trabalho pudesse ser concretizado; Aos meus professores, pelos conhecimentos repassados e experiências trocadas; Hoje reconheço o quão difícil é a tarefa de vocês, hoje sei o seu valor! Ao Rui Carlos, coordenadores e professores do Colégio Estadual Colina Azul, por todos os estágios que me propiciaram e por todo apoio transmitido; À UEG, porque mesmo, a princípio, sendo minha segunda opção, se tornou meu lar, meu território de descobertas, minha fonte de amizades sinceras e meu contato real com esse o mundo acadêmico que tanto sonhei. 7 RESUMO Em 1909, iniciaram-se os conhecimentos sobre a doença de Chagas, enfermidade infecciosa, parasitária e de endemia rural em vários países latino-americanos. Na ocasião, o próprio Carlos Chagas evidenciou pela primeira vez a existência de um protozoário que ganhou a designação de Trypanosoma cruzi. As formas habituais de transmissão da doença de Chagas humana reconhecidas são: a vetorial, a transfusão de sangue, a via congênita, e as que ocorrem via oral. A transmissão transfusional foi aventada nos anos 30 e comprovada nos anos 50. Inicialmente a sorologia pré-transfusional não era obrigatória e nas décadas seguintes os testes foram aperfeiçoados com técnicas mais adaptadas e fidedignas, chegando ao ELISA, mais utilizada atualmente. As estratégias de combate da transmissão transfusional da doença no Brasil têm obtido excelentes resultados. Nota-se redução significativa dos riscos dessa forma de transmissão através das ações de controle das atividades hemoterápicas. O presente trabalho analisou a prevalência sorológica da doença de Chagas em doadores do Hemocentro de Goiás. Foram consultados os arquivos dos registros diários de todos os candidatos à doadores de sangue, no período de julho de 2008 a junho de 2011. Foram analisadas 119418 fichas de doadores. A prevalência estadual encontrada foi de 0,37%, números relativamente baixos, se comparados às prevalências de 3,5% na década de 90 e 7,4% na década de 70. A queda dos índices de prevalência da infecção chagásica em doadores de sangue reflete a efetividade dos programas de combate ao vetor e maior controle de sangue e hemoderivados. No entanto, são necessários esforços de setores como vigilâncias sanitárias, bancos de sangue e laboratórios de sorologia, trabalhando em conjunto para evitar transfusional. Palavras-chave: Soropositividade; Transfusão; Tripanossomíase americana sua transmissão 8 ABSTRACT In 1909, we started the knowledge about Chagas disease, infectious disease, parasitic and endemic rural areas in several Latin American countries. At the time, Carlos Chagas himself was the first to reveal the existence of a protozoan that earned the designation of Trypanosoma cruzi. The usual forms of transmission of human Chagas disease are recognized: a vector, blood transfusion, congenital route, and those that occur orally. The transfusion transmission was suggested in 30 years and proven in 50 years. Initially serology pre-transfusion was not required and in the decades following tests have been improved with techniques more appropriate and reliable, even to the ELISA, most widely used. Strategies to combat transfusional transmission of the disease in Brazil have achieved excellent results. Note a significant reduction of risk of transmission through this form of control hemotherapy activities. This study aims to analyze the seroprevalence of Chagas disease in donors from the Blood Center of Goiás were consulted archives of daily records of all candidates for blood donors, from July 2008 to June 2011. We analyzed records of 119,418 donors. The statewide prevalence was found to be 0.37%, theat are low numbers, compared to the prevalence of 3.5% in the 90 and 7.4% in the 70's. Falling rates of prevalence of T. cruzi infection in blood donors reflects the effectiveness of vector control programs and greater control of blood and blood products. However, efforts are needed in sectors such as health surveillance, blood banks and serology laboratories, working together to eradicate this disease and its transmission by transfusions. Key-words: American trypanosomiasis; Seropositivity; Transfusion 9 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 - Ciclo de Transmissão do Trypanossoma cruzi em seu hospedeiro intermediário (homem) e definitivo (barbeiro)------------------------------------------------------------------------14 Figura 2 - Esquema do método de ensaio Imunuenzimático---------------------------------------16 Figura 3 - Prevalência da doença de Chagas em Goiás e outras regiões brasileiras em períodos variados----------------------------------------------------------------------------------------------------21 Figura 4 - Prevalência da Doença de Chagas em alguns países americanos---------------------22 Figura 5 - Prevalência da Doença de Chagas em Goiás de 2008 a 2011 em Goiânia e unidades do interior-------------------------------------------------------------------------------------------------22 Figura 6 - relativa semestral da doença de Chagas em Goiás (unidades do interior e Goiânia)---------------------------------------------------------------------------------------------------------------23 Figura 7 - Prevalência da doença de Chagas em Goiás ao longo dos anos-----------------------24 10 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Doações reativas à doença de Chagas em Goiânia e unidades do interior em seis semestres consecutivos----------------------------------------------------------------------------------23 11 LISTA DE ABREVIATURAS OMS - Organização Mundial da Saúde--------------------------------------------------------12 TA - Tripanossomíase americana---------------------------------------------------------------12 COSAH - Coordenação Geral de Sangue e Hemoderivados--------------------------------15 AIDS - Síndrome da imunodeficiência adquirida--------------------------------------------16 ELISA – Teste imunoenzimático (Enzyme Linked Immuno Sorbent Assay)------------16 HTLV - Vírus T-linfotrópico humano---------------------------------------------------------16 TMB - 3,3',5,5' –Tetrametilbezidin-------------------------------------------------------------16 GO – Goiás----------------------------------------------------------------------------------------19 HEMOGO - Hemocentro de Goiás-------------------------------------------------------------19 HGG - Hospital geral de Goiânia---------------------------------------------------------------19 HUAPA - Hospital de urgências de Aparecida de Goiânia---------------------------------19 HUGO - Hospital de urgências de Goiânia----------------------------------------------------19 SUS- Sistema Único de Saúde------------------------------------------------------------------19 12 SUMÁRIO Introdução ----------------------------------------------------------------------------13 Objetivos------------------------------------------------------------------------------19 Objetivo geral---------------------------------------------------------------19 Objetivos específicos -------------------------------------------------------19 Material e métodos ------------------------------------------------------------------20 Resultados e discussão --------------------------------------------------------------22 Conclusão ----------------------------------------------------------------------------27 Bibliografia -------------------------------------------------------------------------- 13 INTRODUÇÃO Em 1909, iniciaram-se os conhecimentos sobre a doença de Chagas, expressiva endemia rural em vários países latino-americanos (CHAGAS, 1909). Na ocasião, o cientista brasileiro Carlos Chagas efetuou investigações científicas, até hoje sem similares, devendo-se a relevância de tais pesquisas ao fato meritório desse médico ter desvendado, sem os recursos tecnológicos disponíveis atualmente, e, individualmente, destacar os fundamentos de uma enfermidade: evidenciou pela primeira vez a existência de um protozoário que ganhou a designação de Trypanosoma cruzi, em homenagem a Oswaldo Cruz, companheiro de trabalho em instituição de pesquisas (NETO; PASTERNAK, 2009). A hipótese clássica sobre a origem da doença de Chagas propõe que tenha surgido entre as populações pré-históricas dos Andes quando começaram a domesticar animais e mudaram para hábitos sedentários adotando a agricultura. Estas mudanças aconteceram há aproximadamente 6.000 anos. Entretanto, os dados da paleoparasitologia, baseados na biologia molecular, mostraram que a infecção por T.cruzi e a doença de Chagas eram comuns tanto em populações pré-históricas da América do Sul e América do Norte muito antes deste período. De acordo com dados paleoparasitológicos obtidos com ferramentas moleculares, a doença de Chagas pode ser tão antiga quanto a presença humana no continente americano (FERREIRA; JANSEN; ARAÚJO, 2011) A tripanossomíase americana (TA), como também é chamada, é uma enfermidade infecciosa parasitária e, a princípio, era uma zoonose que envolvia apenas triatomíneos e mamíferos silvestres, sendo ausente em seres humanos e animais domésticos. Em conseqüência do contato humano-vetor em áreas rurais devido aos grandes movimentos de migração nas décadas de 70 e 80 (LINDOSO; YASUDA, 2003), e das mudanças nos biótipos naturais, a doença espalhou-se aos locais domésticos. Hoje, os reservatórios naturais do T.cruzi incluem mamíferos - domésticos, sinantrópicos, e selvagens- incluindo o ser humano, o mais importante reservatório, devido à expectativa de vida de mais de 60 anos, e o fato da parasitemia poder permanecer positiva por mais de 40 anos (OMS, 2002). Segundo Coura (2003), somente encontramos triatomíneos adaptados ao domicílio em áreas desmatadas e em cerrados, e a distribuição geográfica da doença, como já previsto por Carlos Chagas, em 1909, ocorre em todas as áreas onde há triatomíneos antropofílicos adaptados ao domicílio humano, do México ao sul da Argentina. Os triatomíneos pertencentes à ordem Hemiptera, subfamília Triatominae da família Reduviidae com cerca de 130 espécies, 14 têm hábito alimentar hematófago, sendo considerados vetores em potencial do T.cruzi. A principal espécie propagadora da Doença, foi o Triatoma infestans, mas persistem ainda as espécies de menor importância como Panstrongylus megistus e o Triatoma sordida amplamente distribuídos (ARGOLO et al., 2008) As formas habituais de transmissão da doença de Chagas humana reconhecidas são: aquelas ligadas diretamente ao vetor contendo formas infectantes de T.cruzi (GODOY; MEIRA, 2007), a transfusão de sangue, a via congênita, e mais recentemente, as que ocorrem via oral, pela ingestão de alimentos contaminados. Mecanismos menos comuns envolvem acidentes de laboratório, manejo de animais infectados, transplante de órgãos e pelo leite materno (GONTIJO; SANTOS, 2011). O ciclo de vida do T. cruzi (Figura 1) se inicia quando o barbeiro, ao se alimentar do sangue do hospedeiro vertebrado, elimina, em suas fezes e urina, o parasito em sua forma alongada (tripomastigotas). Através de mucosas ou por ferimentos na pele, estes infectam células do hospedeiro, como as do coração. No interior destas, o parasito ganha forma arredondada (amastigotas), multiplicando-se por divisão binária. Quando as células estão repletas de parasitos, eles novamente mudam de forma (tripomastigotas), e com a ruptura da célula hospedeira disseminam-se pela corrente sangüínea, sendo capazes de infectar novos tecidos e órgãos. Se o indivíduo ou animal infectado é picado pelo barbeiro, os parasitos em seu sangue podem ser transmitidos ao inseto. No intestino deste, mudam mais uma vez de forma (epimastigotas), multiplicam-se e tornam-se, novamente, formas infectantes, que são eliminadas junto com as fezes e a urina do inseto. Fecha-se, assim, o ciclo (BRASIL, 2011a). 15 Figura1 - Ciclo de Transmissão do Trypanossoma cruzi em seu hospedeiro intermediário e definitivo (barbeiro). Fonte: Argolo et al., 2008 A possibilidade de transmissão da TA através da transfusão de sangue foi aventada em 1936 na Argentina e confirmada em 1952 no Brasil. As estratégias de combate da transmissão transfusional da doença no Brasil têm obtido excelentes resultados. Nota-se redução significativa dos riscos dessa forma de transmissão através das ações de controle das atividades hemoterápicas – além do controle vetorial que reduziu a prevalência de doadores infectados (SOUZA; SILVA, 2011). Em maio de 1950 foi oficialmente inaugurada, em Uberaba, a primeira campanha de profilaxia da doença de Chagas no Brasil (SILVEIRA; JUNIOR, 2011), apesar disso, a alta prevalência de indivíduos chagásicos nos centros urbanos e a inexistência de programas de controle, fez com que a transmissão transfusional da TA fosse responsável na década de setenta por aproximadamente 20 mil novos casos anuais da doença apenas no Brasil (SOUZA; SILVA, 2011). A primeira definição de uma política nacional na área de sangue e hemoderivados deuse com a criação, em 1980, pelo Ministério da Saúde, da Pró-Sangue, dando início à criação dos Hemocentros estaduais (VANDERLEY et al., 1993). Hoje, a Pró-sangue é a atual 16 Coordenação Geral de Sangue e Hemoderivados – COSAH, que coordena o sistema nacional de Sangue, componentes e derivados- SINASAN, que tem suas finalidades estabelecidas no decreto nº 3.990, de 30/10/2001, a chamada “Lei do Sangue”, que Regulamenta o art. 26 da Lei no 10.205, de 21 de março de 2001 que dispõe sobre a coleta, processamento, estocagem, distribuição e aplicação do sangue, seus componentes e derivados, e estabelece o ordenamento institucional indispensável à execução adequada dessas atividades (BRASIL, 2011b). O controle da transmissão vetorial foi realizado com sucesso em vários países do Cone Sul, sendo hoje a transfusão sangüínea a principal via de transmissão da infecção chagásica nesses países, tendo importância epidemiológica especial, pois pode levar a doença para áreas sem transmissão natural, inclusive para grandes centros populacionais. Trabalho recente de Lunardelli et al. (2007) mostra que o risco de transmissão da infecção via transfusão de sangue contaminado é de cerca de 12%-25% e depende de alguns fatores epidemiológicos (nível de parasitemia do doador, número e o volume de transfusões recebidas, o tempo entre a coleta do sangue e a transfusão, o estado imunológico do receptor, etc.). Assim, mesmo após ações para o controle da transmissão da doença terem repercutido no declínio de sua prevalência e incidência nas regiões tratadas, esta requer um caráter contínuo de vigilância epidemiológica, no sentido de detectar previamente surtos esporádicos (SOBREIRA et al., 2001; BRASIL, 2005). A queda dos índices de prevalência da infecção chagásica em doadores de sangue reflete a efetividade dos programas de combate ao vetor e maior controle do sangue e hemoderivados, através de uma rigorosa triagem clínica e da doação voluntária de sangue. Também a atuação mais efetiva da vigilância sanitária sobre os serviços de hemoterapia públicos e privados tem contribuído para o aumento da segurança transfusional e, consequentemente, para a eliminação da transmissão sanguínea da doença de Chagas (GONTIJO; SANTOS, 2011). Vale ressaltar, porém, que a Certificação Internacional de Eliminação da Transmissão da Doença de Chagas pelo Triatoma infestans, conferida em 2006 pela Organização Pan-Americana da Saúde, ao Ministério da Saúde do Brasil representa uma interrupção momentânea, e não a erradicação (interrupção definitiva) da doença, se fazendo necessária a manutenção de ações de controle e vigilância para que essa interrupção se mantenha (FERREIRA; SILVA, 2006). Legislação específica sobre a qualidade da hemoterapia, laboratórios nacionais e regionais de referência foram implementados, objetivando-se uma boa sorologia prétransfusional dos doadores, cuja cobertura tem aumentado – com vários estados alcançando o 17 controle sorológico de mais de 90% das transfusões realizadas. Hoje, a hemorrede pública pode ser considerada um ponto alto da Saúde Pública brasileira, ostentando um elevado padrão de qualidade (FERREIRA; SILVA, 2006). No Brasil, a Portaria 1376/93, reforçada pela resolução nº 343 MS/2001, determina a realização de testes de triagem sorológica nos serviços de hemoterapia para sífilis, doença de Chagas, hepatite B e C, AIDS, HTLV e malária (CARRAZZONE; BRITO; GOMES, 2004). O ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay) é um dos métodos imunológicos mais utilizados para quantificar a concentração de antígenos e anticorpos por apresentarem grande sensibilidade e especificidade. Foi inicialmente desenvolvido por Engvall & Perlman e é muito utilizado como teste diagnóstico em varias doenças. Existem vários modelos de testes de ELISA, sendo que sua forma mais simples, e também mais utilizada é chamada ELISA indireto (Figura 2). Nesse teste, um antígeno (geralmente formas purificadas de epimastigota) aderido a um suporte sólido (placa de ELISA) é preparado; Anticorpos específicos anti- T. cruzi (IgG ou IgM) presentes no soro ligam-se a estes antígenos formando complexos. O material não ligado é retirado por lavagem e um segundo anticorpo marcado com peroxidase é aplicado à reação. Este conjugado liga-se aos anticorpos específicos humanos ligados ao antígeno da placa. O material não ligado é novamente retirado por lavagem e um substrato (TMB- 3,3',5,5' -Tetrametilbezidina e peróxido de hidrogênio) é adicionado. Se o conjugado estiver presente, o TMB será oxidado resultando em um produto final colorido (GOLD ELISA, 2006). Figura 2 - Esquema do método de ensaio Imunuenzimático Fonte: Câmara, 2010 Do ponto de vista epidemiológico e do alcance das ações de controle torna-se indispensável a manutenção de uma vigilância de caráter contínuo, que ofereça informação útil para controle, assim como a implementação de ações de controle em áreas que ainda se 18 tem transmissão ativa da TA (ANDRADE, 2000). Segundo o Ministério da Saúde, a triagem dos doadores nos bancos de sangue é umas das fontes que mais frequentemente contribuem para o conhecimento dos casos (BRASIL, 2005) e de acordo com Dias (2006), a prevalência da infecção pelo T. cruzi em doadores ou candidatos à doação tem se apresentado como um indicador sensível, podendo ser entendido como um verdadeiro marcador do risco da doença de Chagas transfusional e até mesmo como um medidor do nível de transmissão da doença em uma região. Assim, as estimativas dos percentuais de soropositividade em doadores de sangue previamente sadios, justificam-se, pela necessidade de monitorar a segurança das transfusões sangüíneas e evidenciar a necessidade de concentrar esforços na prevenção e profilaxia das doenças transmissíveis pelo sangue (OLIVEIRA et al., 2007). 19 OBJETIVOS Objetivo Geral: Avaliar a prevalência da infecção por Trypanosoma cruzi em doadores de sangue do Hemocentro de Goiás no período de julho de 2008 a junho de 2011. Objetivos específicos: i. Verificar a soroprevalência da doença de Chagas em doadores de sangue; ii. Comparar a soroprevalência da doença de Chagas de Goiás com a encontrada em outras regiões do Brasil; iii. Comparar a prevalência da doença entre os doadores da unidade central do hemocentro em relação aos doadores de outras unidades; iv. Verificar se houve diferenças significativas na prevalência da doença de chagas em Goiás ao longo dos semestres. 20 MATERIAL E MÉTODOS Local de coleta de dados O Hemocentro de Goiás (HEMOGO) teve sua sede própria inaugurada em 1988. Está situado na Av. Anhanguera nº 5195 - Setor Coimbra, Goiânia – GO – CEP 74535-010 e foi Criado nos moldes do Pró-Sangue – Programa Nacional do Sangue/Ministério da Saúde, exercendo papel fundamental no contexto da saúde pública e visa proporcionar condições que assegurem a quantidade e qualidade do sangue, hemocomponentes e hemoderivados a serem transfundidos. Sua missão é prestar serviços em Hemoterapia e Hematologia, coordenando a Hemorrede e garantindo o fornecimento do sangue e seus derivados à comunidade. O HEMOGO é referência em Hemoterapia e Hematologia, desenvolvendo Ensino e Pesquisa, atendendo aos leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) do Estado de Goiás. O Hemocentro vem estendendo seus serviços gradativamente através da expansão da Hemorrede, contemplando assim, a população do interior do Estado e sobretudo eliminando procedimentos hemoterápicos inseguros. Hoje a Hemorrede Pública de Goiás é composta por: -01 Hemocentro coordenador: Goiânia (atende a Capital e parte do interior do Estado) -01 Unidade móvel de coleta de sangue: (realiza coletas em Goiânia e interior) -04 Hemocentros regionais: Catalão, Ceres, Rio Verde e Jataí -05 Unidades de coleta e transfusão : Goiânia (Hospital das Clíncas), Porangatu, Formosa, Quirinópolis e Iporá. -14 Agências transfusionais: Anápolis, Aparecida de Goiânia (HUAPA), Campos Belos, Goiatuba, Goiânia (HGG), Goiânia (HUGO), Itapuranga, Jaraguá, Minaçu Mineiros, Niquelândia, Pires do Rio, Planaltina e Santa Helena (BRASIL, 2010). Metodologia O presente estudo consistiu em uma pesquisa quantitativa sobre a prevalência da doença de Chagas em Goiás. Foram consultados os arquivos dos registros diários de todos os candidatos à doadores de sangue, no período de julho de 2008 a junho de 2011, no Hemocentro de Goiás. Neste estudo estão incluídos os doadores de retorno, pois os mesmos 21 têm seu valor estatístico visto que existe a possibilidade de serem soropositivos em uma terceira ou quarta doação. Os candidatos a doação de sangue que podem ser aceitos são aqueles com idade entre 18 e 65 anos e que pesem acima de 50 kg, embora esteja publicada, no Diário Oficial da União de 13 de Junho de 2011, a Portaria 1.353, que estabelece o novo Regulamento Técnico de Procedimentos Hemoterápicos, ampliando a faixa etária para candidatos à doação. Assim, Jovens de 16 a 17 anos (com autorização dos pais ou responsáveis) e idosos até 68 anos também podem doar sangue no País. (BRASIL, 2011c) A amostra populacional deste estudo foi composta por 119.418 doações. Estas amostras foram provenientes da unidade de Goiânia (Hemocentro Coordenador) e também de unidades externas (não especificadas na ficha, sendo estas amostras principalmente oriundas de unidades de coleta e agências do interior). Desta forma, a divisão das amostras nas fichas do HEMOGO foi caracterizada neste trabalho em dois grupos: Goiânia e interior. Entretanto, é provável que uma pequena parte das doações do grupo “Goiânia” seja de pessoas oriundas do interior, assim como indivíduos do grupo “interior” sejam pessoas da capital. Foi realizada uma análise de frequência dos dados coletados e comparações com dados de outras regiões. Os dados obtidos foram plotados em planilha eletrônica do Microsoft Office Excel 2007®. A partir desse software foram calculados a média e o desvio padrão. As comparações estatísticas foram realizadas pelo teste do qui-quadrado e teste t, com nível de significância de p<0,05. A pesquisa se limitou a análise de arquivos, não sendo disponibilizados dados pessoais dos doadores. 22 RESULTADOS E DISCUSSÃO No período compreendido entre julho de 2008 e julho de 2011, 2011 o HEMOGO analisou o sangue de 119.418 doações ções. A prevalência para doença de Chagas encontrada foi de 0,37%, 0,37% sendo consideradass sorologicamente sorologicamen positivas 452 doações. (Média= 0,32%, Desvio D padrão=0,13%) Tendo como base os resultados obtidos nos testes sorológicos do inquérito nacional realizado entre 2001 e 2008 por Ostermayer et al. (2011), a positividade global foi 0,1%. Assim sendo, observa em Goiás uma prevalência acima da media nacional. Por outro lado, a prevalência Goiana atual se mostra baixa quando quando comparada à outras regiões brasileiras: 1,1% encontrada por Silva et al. (1998) nos bancos de sangue do Ceará de 1996 a 1997 e 0,4% no Rio Grande do Sul. Já nos Estados de Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais, foram observadas prevalências menores menores que a constatada em Goiás, com valores de 0,05%, 0,05% 0,04% e 0,31, respectivamente (LUNARDELLI UNARDELLI et al., 2007; FERREIRA-FILHO FILHO et al., 2011) 2011 (Figura 3). 0,45% 0,40% 0,40% 0,37% 0,35% 0,31% 0,30% 0,25% 0,20% 0,15% 0,10% 0,10% 0,05% 0,04% 0,05% 0,00% São Paulo: 2004 a 2008 Santa Média Minas Goiás: 2008 Rio Grande Catarina: Nacional : Gerais: 2007 a 2011 do Sul: 2007 2002 a 2004 2001 a 2008 Figura 3 - Prevalência da doença de Chagas em Goiás e outras regiões brasileiras em períodos variados Os estados brasileiros no geral apresentam prevalência atual distante dos dados disponíveis na literatura para o continente americano (25% na Bolívia, 5,5% na Argentina e Paraguai, 4% em El Salvador e Guatemala), Guatemala), como mostra a Figura 4, 4 evidenciando uma eficácia icácia nos programas de combate à doença de Chagas (OLIVERIA (O et al., 2007). 23 30% 25% 25% 20% 15% 10% 5% 4% 4% El Salvador Guatemala 5,5% 5,5% Paraguai Argentina 0% Bolívia Figura 4 – Prevalência da Doença de Chagas em alguns países americanos Do total de amostras positivas, 327 casos foram registrados em Goiânia e 125 nas unidades do interior (Figura Figura 5). 5 0,60% 0,56% 0,50% 0,40% 0,34% Interior 0,30% Goiânia 0,20% 0,10% 0,00% de 2008/2 à 2011/1 Figura 5 - Prevalência da Doença de Chagas em Goiás de 2008 a 2011 em Goiânia e unidades do interior Nota-se se que a prevalência no interior foi superior à capital. Dos 97287 candidatos à doação analisados em Goiânia, 0,34% foram reativos (equivalente à 327 doações), doações) enquanto que no interior, a prevalência foi de 0,56% (equivalente à 125 doações), de um total de 22131 doadores. Desta forma, a população do interior do estado se mostrou signif ignificativamente mais afetada pela doença de Chagas que a capital (p=0,0098). (p Essa diferença de soropositividade já era esperada, uma vez que moradores de interior e zonas rurais sempre apresentam índices mais elevados de prevalência da T.A. comparados à população urbana de grandes cidades. 24 Condições mais extremas como a maior proximidade proximidade do habitat natural do vetor, habitações precárias, falta de educação sanitária e saneamento básico são as principais causas desses dados. Todas essas ações favorecem a domiciliação dos vetores, como forma de refúgio, em busca de abrigo e alimento, mantendo mantendo a transmissão da doença de Chagas. Paralelamente, a visibilidade pouco evidente da doença faz com que a população se mantenha pouco informada contribuindo para a disseminação da mesma (SILVEIRA (S et al., 2009). As freqüências relativas no interior e capital variaram bastantes tes no período analisado Em todos os períodos houve uma maior prevalência dos interiores, com exceção dos semestres 2010/2 e 2011/1, onde os números da capital capital ultrapassaram os do interior (GoiâniaMédia=0,34%, Desvio Padrão= 0,15%; 0,15% Interior- Média= 0,47%, Desvio Padrão= 0,27%) (Tabela 1 e Figura 6). Tabela 1 – Doações reativas à doença de Chagas em Goiânia e unidades do interior em seis semestres consecutivos. Semestres Goiânia Interior Doações Reativos Doações Reativos 2008/2 2009/1 2009/2 2010/1 2010/2 2011/1 13579 14610 15773 18093 18677 16555 78 54 75 42 41 37 6775 4474 3910 2291 1205 3476 53 26 26 12 1 7 Totais 97287 327 22131 125 1,60% 1,40% 0,57% 1,20% 0,37% 0,48% 1,00% 0,80% 0,78% Goiânia 0,23% 0,58% 0,60% 0,56% Interior 0,52% 0,22% 0,40% 0,22% 0,20% 0,20% 0,08% 0,00% 2008/2 2009/1 2009/2 2010/1 2010/2 2011/1 Figura 6 – Frequência relativa semestral da doença de Chagas em Goiás (unidades do interior e Goiânia) 25 Ao se verificar a prevalência progressiva nas doações, semestre após semestre, podepode se observar uma aparente tendência de diminuição (Figura (Figur 5 e Tabela 1). 1 Embora à primeira vista, os números parecem decrescerem, as variações variações encontradas nos percentuais de soropositividade no interior e capital ao longo dos semestres não foram significativas. (α=5%). O primeiro estudo sobre a infecção chagásica com alcance nacional antes da implementação rotineira das medidas de controle, foi feito na década de 70 e serviu para delimitar mais precisamente a área com transmissão endêmica da doença de Chagas e orientar as ações de controle vetorial, implementadas a partir da segunda metade da década de 1970. Antes disso, a informação era fragmentada, fragmentada, produto de estudos diversos em diferentes áreas e que seguiram diferentes métodos e técnicas de colheita e processamento laboratorial fazendo com que os resultados fossem pouco comparáveis (SILVEIRA; (S SILVA;; PRATA, P 2011). No Brasil, A soroprevalência soroprevalência da população rural do país, determinada por esse inquérito sorológico realizado entre 1975 e 1980, por amostragem em todos os municípios (à exceção daqueles do Estado de São Paulo, onde as atividades de controle estavam em curso desde meados dos anos 60), era de 4,2% para a população geral rural brasileira, com maiores taxa de prevalência em Minas Gerais e Rio Grande do Sul (8,8%), seguindo Goiás com 7,4%. (SILVA et al., 2010). Já Zicker et al. (1990), ( , encontrou uma prevalência de 3,5% nos anos de 1989 989 e 1990 em doadores de seis bancos de sangue de Goiânia . Se comparado aos dados atuais de 0,37%, pode-se se observar uma tendência forte de diminuição nas ultimas décadas na região do estado de Goiás (Figura ( 7). 8,00% 7,4% 7,00% 6,00% 5,00% 3,5% 4,00% 3,00% 2,00% 1,00% 0,37% 0,00% Goiàs: 1975-1980 1975 Goiânia: 1989-1990 Goiás: 2008-2011 2008 Figura 7 – Prevalência da doença de Chagas em Goiás ao longo dos anos 26 O modelo de vigilância desenvolvido que envolve a participação popular e os serviços locais de saúde e educação, permitem garantir sustentabilidade das ações, assegurando a detecção dos triatomíneos e monitorando situações que envolvam risco. Devem, ainda, ser implementadas ações que busquem orientar a população para a adequada modificação doambiente domiciliar com vistas a dificultar o estabelecimento de colônias desses insetos, principalmente em áreas ocupadas por população originária de áreas urbanas que se instalam em ambiente rural. Fato este registrado pelo IBGE que na última década mostrou um acréscimo no número de domicílios rurais, devido à oportunidade de emprego em projetos turísticos, como pesqueiros e hotéis-fazenda, entre outros, sem conhecimento da epidemiologia da doença de Chagas (SILVEIRA ; JUNIOR, 2011). Apesar de uma diminuição na mortalidade de Chagas que ocorreu no Brasil, a doença continua a ser um grave problema de saúde pública. Assim, é essencial que a assistência médica, prevenção e controle sobrea doença de Chagas seja mantida e melhorada (BRAZ et al., 2011) 27 CONCLUSÃO Estima-se que 15-16 milhões de pessoas estão infectadas com o T. cruzi na América Latina, e outros 75-90 milhões estão expostos ao risco de contrair a doença de Chagas (COURA; DIAS, 2009). Esses dados apontam para a importância da vigilância sorológica em hemocentros e bancos de sangue, uma vez que, segundo Becerril et al. (2005), a transfusão sangüínea é o segundo modo mais importante de transmissão da doença de Chagas na América Latina. Assim, a hemoterapia, no Brasil e no mundo, tem se caracterizado pelo desenvolvimento de novas tecnologias, objetivando minimizar os riscos transfusionais (CARRAZZONE; BRITO; GOMES, 2004). A prevalência para doença de Chagas de 0,37% encontrada nesse trabalho é um avanço no que diz respeito ao controle transfusional. Embora outras regiões brasileiras já tenham apresentado soroprevalência menos elevada que Goiás, este, ainda assim, tem se mostrado eficaz em seus programas de combate a transmissão chagásica, uma vez que, cerca de 30 anos atrás esse número era aproximadamente vinte vezes maior. Estatisticamente, o decréscimo ao longo dos semestres observados não foram significativos, entretanto, a literatura evidencia uma queda considerável quando se observa a diminuição ao longo de vários anos. A maior soropositivdade observada no interior também já era esperada, segundo Silveira et al. (2009), fazendo-se necessário um contínuo cuidado que vise amenizar a infecção e transmissão nessas áreas. Crê-se que, na próxima década, os percentuais de infecção chagásica entre doadores deverão estar próximos de zero. Para tanto, são necessários os esforços de todos os setores envolvidos na área, como vigilâncias sanitárias (nas três esferas de governo), bancos de sangue, laboratórios de sorologia, trabalhando em conjunto para erradicar esta doença e sua transmissão transfusional (MORAES; SOUZA et al., 2006). Os decréscimos da prevalência da doença de Chagas obtidos nesse trabalho, embora estatisticamente não-significativos, e a prevalência Goiana de 0,37% encontrada, bem abaixo das observadas a 20 anos atrás, são resultados de melhorias no setor transfusional. Neste contexto, cada vez mais as ações de educação em saúde devem nortear os princípios do Sistema Único de Saúde de universalização, descentralização, integralidade e participação da comunidade, centrada na promoção da qualidade de vida. 28 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARGOLO, A.M.; FELIX M.; PACHECO, R.; COSTA, J. Doença de Chagas e seus principais vetores no Brasil, 1ª. ed., Imperial Novo Milênio, Rio de Janeiro, vol. 1, 64 pp. 2008 ANDRADE, Z. A. Relatório das Oficinas de Trabalho da XVI Reunião Anual de Pesquisa Aplicada em Doença de Chagas e IV Reunião de Pesquisa Aplicada em Leishmanioses. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Uberaba, v.33, n.6, p.619-623, nov./dez. 2000. BECERRIL, N.H.; MEJÍA, A.M.; VERDUGO, M.A.B; MURILLO, V.G.; TOQUERO, E.M.; LÓPEZ, R.; TREVERTHAN, S.; CARDENAS, M.; REYES, P.A.; HIRAYMA, K.; MONTEÓN, V.M. Blood transfusion and iatrogenicrisks in Mexicocity. 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