GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 24ª VARA CRIMINAL DO FORO CENTRAL DA COMARCA DE SÃO PAULO. Procedimento de Investigação Criminal nº 27/10 Cautelar nº 050.10.090448-3 Consta do incluso procedimento de investigação criminal que, no período compreendido entre 1985 e 2009, abstraindo-se os fatos atingidos pela prescrição, ALDO BERTONI, qualificado à fls. 91, nas dependências da sede da Igreja Apostólica1, praticou as seguintes infrações penais. 1 - No mês de fevereiro do ano de 2008, em dia e hora inexatos, ALDO BERTONI, mediante grave ameaça e violência real, constrangeu a ofendida XXXXX, fls. 176/177, fiel da Igreja Apostólica, a praticar e permitir que com ela se praticassem atos libidinosos diversos da conjunção carnal. 1 A Igreja Apostólica possui sede situada à Rua Baguari, nº 146 e 158, Tatuapé, São Paulo. 1 GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] Pelo que consta dos autos, a vítima foi até a igreja buscar orientação de ALDO BERTONI, pois sua filha havia sido acometida de uma grave doença. Assim, interior da durante sala da a consulta, Diretoria da que Igreja, ocorreu ALDO no prometeu fazer orações para recuperação da garota. No entanto, ao invés de rezar, o denunciado aproximou-se qualquer beijo na vítima, da vítima espécie de boca. Não agarrou-a e agarrou-a, resistência, satisfeito novamente, de modo impondo-lhe e diante da imobilizando-a a impedir um lascivo repulsa da mediante prevalência física e a acariciou nos seios e demais partes íntimas, impondo-lhe, por fim, um abraço. Em resposta à repulsa da vítima e nutrido de um profundo sentimento de ódio, o denunciado começou a gritar, afirmando que iria matar o marido de XXXXX. De acordo com as declarações prestadas pela vítima, por algum período, recebeu telefonemas anônimos com ameaças à sua família. Além disso, também presenciou carros de seguranças de ALDO BERTONI rondando sua casa. 2 - No ano de 2008, em dia e hora inexatos, ALDO BERTONI, mediante violência real, constrangeu a ofendida XXXXX, fls. 222/227, fiel da Igreja Apostólica, a praticar e permitir que com ela se praticassem atos libidinosos diversos da conjunção carnal. 2 GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] Visando receber conselhos de ordem pessoal, a vítima procurou o denunciado, sendo atendida na sede da Igreja, no bairro do Tatuapé. Foram várias as consultas, tendo o caso narrado, ocorrido na sexta oportunidade em que a vítima esteve na companhia do denunciado. A igreja vítima acompanhada afirma de seu que na filho ocasião, que na foi época até a havia completado 7 anos de idade. Ao ser chamada para a consulta, entrou numa primeira sala, ao passo que o denunciado logo presenteou o menino com dois carrinhos de brinquedo. O denunciado, então, trancou a porta da sala, o que causou certa estranheza na vítima. O menino permaneceu brincando na para segunda uma ante-sala, sala, enquanto cuja ALDO porta conduziu também foi a vítima trancada. Conversando com a vítima, o denunciado seguiu andando e a conduziu para uma terceira sala, que também foi trancada por ele. Nesse último recinto, o denunciado aproximou-se da vítima, a qual estava impedida de qualquer resistência por conta da sequencia de portas trancadas, impondo-lhe um lascivo beijo na boca. Em seguida o denunciado passou a alisar as pernas da vítima, subindo a saia que ela trajava. Ato contínuo, ALDO BERTONI tirou a calcinha da vítima e começou a passar a mão em sua vagina. 3 GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] Inclusive, durante os atos praticados, ALDO BERTONI indagava se ela estava gostando, bem como se ela iria “gozar”. Por fim, o denunciado abaixou a calça e cueca que vestia, oportunidade em que a vítima pôde ver o órgão sexual de ALDO então, BERTONI exposto levantou-se, denunciado, vestiu-se passando a à sua frente. e conseguiu afrontá-lo, se A vítima, afastar indagando-o como do ele poderia fazer aquilo se, durante os cultos da igreja, ele pregava a fidelidade entre os casais. A vítima conseguiu sair da sala e evadiu-se daquele local. Na volta para Paraobé, cidade na qual mantém domicílio, a vítima contou sobre o corrido para suas irmãs e ao marido, oportunidade na qual suas irmãs também lhe narraram alguns episódios suspeitos envolvendo o freqüentava a denunciado. Insta mencionar que a vítima Igreja Apostólica desde criança, uma vez que quando nasceu, seus pais já eram fiéis. Ademais, a vítima afirmou que acreditava piamente na santidade de ALDO BERTONI, já que havia crescido sob a sua doutrina. A vítima esclareceu, ainda, que nas vezes em que vinha alojamento Igreja, visitar que local o abrigava onde denunciado, fiéis, sempre havia ficava localizado muitas hospedada no na da fiéis matriz de outras cidades, aguardando para se consultar com ALDO, sendo que 4 GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] tais pessoas chegavam a ficar dias numa espécie de fila, aguardando para falar com o líder religioso. 3- No mês de fevereiro do ano de 2006, em dia e hora ALDO inexatos, BERTONI, mediante violência real, constrangeu a ofendida XXXXX, fls. 228/230, menor de idade na época, fiel da Igreja Apostólica, a praticar e permitir que com ela se praticassem atos libidinosos diversos da conjunção carnal. Pelo que se infere dos autos, quando tinha 16 anos, a vítima passou a sofrer de uma forte depressão, já que, por conta compridas, de bem sua como religião, era precisava impedida de ver usar saias televisão, inclusive os filmes que eram exibidos na própria escola, pois seu genitor havia pedido às professoras que mandassem a vítima para a biblioteca quando algum filme fosse exibido. Como conseqüência dessa série de privações, a vítima pânico, desenvolveu o obrigando que a perturbação internada a fez iniciar foi por a doença parar de dias que em por freqüentar tratamento tamanho, 10 conhecida a psiquiátrico. a uma vítima síndrome do escola, lhe O grau precisou clínica da ficar psiquiátrica particular na cidade de Canoas/RS. 5 GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] Apesar de ter desenvolvido essa doença, especialmente em razão das privações que sua religião lhe impunha, a vítima tinha grande apreço e respeito por ALDO BERTONI, pois havia sido criada sob a doutrina da Igreja e acreditava piamente que ele fosse um santo. Assim, em fevereiro de 2006, a vítima foi até a matriz da igreja, acompanhada por sua tia XXXXX, local onde ambas foram atendidas por ALDO em seu escritório. XXXXX entrou no escritório, enquanto a vítima permaneceu aguardando em uma ante-sala. Em seguida, a vítima foi conduzida pelo denunciado até uma terceira sala, sendo que ele ia trancando as portas por onde passava, tendo trancado um total de três portas. Ao chegar ao terceiro recinto, ALDO BERTONI sentou-se de frente para a vítima, oportunidade em que esta começou a relatar-lhe seus problemas psicológicos. Para a surpresa da vítima, ALDO, então, começou a alisar suas pernas, bem como a subir a saia que ela vestia. Nesse momento a vítima estranhou a conduta e teve como reação imediata levar a saia para a altura correta, em ato que afastou qualquer tipo de conivência com aquela situação. Em seguida, ambos levantaram-se, ao que ALDO BERTONI, agarrou a vítima, impedindo-a de qualquer resistência, impondo-lhe um lascivo beijo na boca. Durante 6 GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] todo o beijo o denunciado agarrou a vítima por trás, como força, abraçando-a. A situação só teve fim quando a vítima conseguiu afastar ALDO BERTONI de perto dela. Após a agressão, a vítima afirmou ao líder religioso que estava ficando tonta, ao que ele falou em tom de deboche: “Toda vez que um homem te beija você fica tonta?”. Nesta mesma oportunidade, o denunciado ainda se aproveitou para encostar-se no corpo da vítima, sob a desculpa de dar um jeito na coluna dela. Nesse momento ele chegou a se esfregar na vítima menor de idade, de frente para as costas dela. A tia da vítima, a qual a acompanhou no dia dos fatos, afirmou que após ser atendida por ALDO, sua sobrinha saiu chorando da sala. Ademais, afirmou que também sofreu abuso sexual por parte do líder da Igreja Apostólica. 4 - No mês de fevereiro do ano de 2006 e em novembro de 2007, em dia e hora inexatos, ALDO BERTONI, atuando com desígnios autônomos, por três vezes, mediante violência real, constrangeu a ofendida XXXXX, fls. 231/234, fiel da Igreja Apostólica, a praticar ou permitir que com ela se praticassem atos libidinosos diversos da conjunção carnal. 7 GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] A vítima procurou orientação do denunciado, pois na época estava passando por dificuldades financeiras. Acerca deste encontro, a vítima narrou que foi conduzida pelo denunciado por três portas, até que chegaram ao denunciado se escritório, cuja porta ele fechou. No interior do escritório, o sentou ao lado da vítima, momento em quem passou a erguer sua saia e a acariciar suas pernas. ALDO, inclusive, tentou abaixar a calcinha da vítima, ato que só não foi concretizado, pois esta o impediu. Durante as esquivas da ofendida, ALDO BERTONI afirmava que ela era “gostosa” e bonita. Sobre o ocorrido, a vítima aduziu que, como foi criada desde pequena embora achasse na estranha igreja, a no conduta momento do dos abusos, denunciado, ficava confusa, pois acreditava piamente que ele era um santo e que, com tais atos, poderia estar abençoando-a ou lhe passando boas energias. Quando a vítima se levantou para deixar a sala, o denunciado agarrou-a outra vez, impedindo-a de qualquer resistência, impondo-lhe um lascivo beijo na boca e um abraço à força. A vítima informou que durante os abraços, sentia o pênis do investigado na posição ereta tocando seu corpo. 8 GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] Em novembro de 2007, a vítima voltou ao escritório do denunciado, desta vez na companhia de sua irmã XXXXX. Nessa ocasião, ALDO BERTONI também agarrou a vítima, impedindo-a novamente um beijo de na tirasse a cinta que abusos, o denunciado qualquer resistência, boca, bem como trajava sob o a chamou lhe exigindo vestido. por impondo que Durante os vezes de repetidas “gostosa”. A pedido do denunciado, a vítima voltou mais uma vez ao escritório da igreja, dessa vez acompanhada do marido e da filha. Nessa ocasião, mesmo com o marido da vítima do lado de fora, aguardando para ser atendido, ALDO começou a alisar as pernas da vítima e mais uma vez a agarrou, impedindo-a de qualquer resistência, impondo-lhe um beijo na boca. Após denunciado, desta vez seu ALDO a saída marido não da entrou fechou a vítima para porta do ser e escritório consultado, conversou com do mas ele rapidamente. 5 - No ano de 2005, ALDO BERTONI, mediante violência real, constrangeu a ofendida XXXXX, fls. 235/238, fiel da Igreja Apostólica, a praticar e permitir que com ela se praticassem atos libidinosos diversos da conjunção carnal. 9 GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] A vítima narrou que em 2003, nessa época já casada com um rapaz também fiel da Igreja Apostólica, ficou grávida pela primeira vez, ocasião em que foi acometida da doença denominada diabetes gestacional. Por conta de tal enfermidade, a vítima precisou ser internada no Hospital das Clínicas, local onde permaneceu por todo o período de gravidez, uma que vez que a gestação era considerada de risco. A filha da vítima nasceu em setembro de 2003, tendo a vítima atribuído o sucesso da gravidez e a saúde de sua filha à fé e orações que fazia ao “Santo Irmão Aldo e a Santa Vó Rosa”. Em meados do ano de 2005, a vítima ficou grávida novamente e ao buscar auxílio médico, soube que a gravidez poderia apresentar maior risco do que a primeira, uma vez que seu peso havia aumentado. Assim, a vítima, em virtude da fé que nutria pelo “Santo Irmão Aldo”, compareceu até a sede da Igreja Apostólica e o indagou sobre o que fazer. ALDO, então, sugeriu realizar um aborto. Ele disse que a vítima deveria que ela já havia sofrido risco de morte na primeira gravidez, além do que, sem a barriga ela ficaria muito mais linda. O líder religioso afirmou que iria conversar com a entidade denominada “Vó Rosa”, de modo que a vítima 10 GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] não precisaria sentir culpa em realizar o aborto que ele havia determinado. Em seguida, ALDO pediu que a vítima ficasse de pé, ocasião em que a abraçou pela frente. Ainda abraçado à vítima, impedindo-a de qualquer resistência, ALDO passou a deslizar as mãos por suas costas e mamas de modo a saciar sua lascívia. Como na Igreja era pregado que ALDO poderia descobrir eventuais problemas de saúde presentes no corpo dos fiéis, a vítima logo imaginou que poderia estar com algum problema nas mamas e que ALDO já sabia e estava tentando curá-la. Nessa mesma ocasião, ALDO a beijou por diversas vezes no rosto e também pediu que ela o beijasse no rosto e no peito. Muito máximo de sua nervosa, religião, e a sob a vítima autoridade obedeceu do às líder ordens proferidas por ALDO BERTONI. 6- Entre os anos de 1985 e 2004, em dia e hora não precisados, ALDO BERTONI, mediante violência real, por diversas vezes, constrangeu a ofendida XXXXX, fls. 178/179, fiel da Igreja Apostólica, à conjunção carnal, bem como a praticar atos libidinosos diversos da conjunção carnal. Segundo narrou a vítima, quando completou seus 18 anos, foi convidada por ALDO a ir morar e trabalhar em 11 GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] São Paulo, mais especificamente no restaurante “Canarinho”, que é de sua propriedade. Até então, a vítima não sofreu qualquer tipo de constrangimento por parte de ALDO, apenas elogios verbais como “você é bonita”, dentre outros. No freqüentador matrimônio, marido. A ano da de 1985 Igreja percebeu vítima, que então, casou-se com Apostólica. ALDO Porém, passou indagou o XXXXX, a também após hostilizar denunciado o seu sobre o motivo de tal comportamento, quando soube que a irritação do líder religioso se deu porque ele não teria sido o primeiro a manter relações sexuais com a vítima. Passado mencionada, a consulta seu vítima em possuía vítima certo tempo foi convidada escritório. uma doença ALDO, da conversa por ALDO então, grave, para dizendo passou a acima uma que a fazer-lhe carícias, determinando a retirada das roupas, acariciandolhe na região dos seios, além de praticar atos de masturbação. Isso se repetiu por várias oportunidades, em dias diversos, até que, passado cerca de um ano do ocorrido, ainda como parte do falso tratamento, ALDO forçou a prática de efetiva conjunção carnal com a vítima, fato que se repetiu por mais duas vezes. 12 GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] Posteriormente, numa outra oportunidade, sob o argumento de que deveria tomar o remédio, ALDO praticou sexo oral na vítima. Pelas atitudes de ALDO, dentre elas os pedidos para que não menoscabando contasse a tais imagem fatos de “Vó para o Rosa”, seu marido, dentre outras desculpas, a vítima não mais acreditou nas promessas de cura feitas pelo denunciado, rompendo com ele e com a sua Igreja. Conforme relato do próprio marido da vítima, tal situação perdurou até o ano de 2004 (fls. 213). Este longo período vítima, caso, em que havendo, em se especial, deu inclusive, o chama abuso fatos de que atenção ALDO já se pelo contra a encontram atingidos pela prescrição. Conforme se apurou, a vítima, durante todo esse período, além de ser submetida fisicamente, foi levada a erro em relação ao denunciado, pois este, através de sua superioridade lhe fazia crer que toda aquela situação consistia em um tratamento, quando na verdade ALDO BERTONI a utilizava para satisfazer seus desejos sexuais. 7 BERTONI, – mediante Entre os violência anos real, de 1999 por e 2009, diversas ALDO vezes, 13 GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] constrangeu a ofendida identificada pelo nome XXXXX, fiel da Igreja Apostólica, à conjunção carnal. A forçada com vítima ALDO relatou BERTONI que por manteve relação aproximadamente 10 sexual anos, sempre no escritório situado na sede da Igreja Apostólica e em períodos nos quais seu esposo estava em viagem pela Igreja. A vítima afirmou, ainda, que ALDO sempre se usava do argumento de que somente assim ela poderia receber a benção de ser curada da doença que possuía no útero. Com sua capacidade religioso, a de vítima discernimento era minada fisicamente pelo forçada à fanatismo conjunção carnal. 8- Entre os anos de 1997 e 2005, em dia e hora não precisados, ALDO BERTONI, mediante violência real, por diversas vezes, constrangeu a ofendida XXXXX, fls. 392/394, fiel da Igreja Apostólica, à conjunção carnal, bem como a praticar atos libidinosos diversos da conjunção carnal. Segundo narrou a vítima, quando completou 16 anos, seu pai passou a enviar comunicações a ALDO BERTONI dando conta de sua desobediência, assim compreendida pelo genitor da vítima, pois ela estaria a andar de mãos dadas com seu namorado, dentre outras situações comuns entre casais dessa idade. 14 GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] Após as reclamações, o denunciado solicitou que sua secretária convidasse a vítima para uma consulta no escritório localizado na sede da Igreja Apostólica, oportunidade em que a vítima foi recebida por ALDO BERTONI. No interior do escritório, o denunciado passou a indagar mantinha a vítima com seu acerca namorado. do relacionamento Apesar de que ela envergonhada, ela contou a ALDO tudo o que lhe fora perguntado. Em seguida, ALDO BERTONI se dirigiu até a vítima, momento em que repentinamente a agarrou, impedindoa de qualquer resistência, impondo-lhe um abraço à força, seguido de carícias na região das coxas e seios. A denunciado. vítima No entanto, conseguiu numa se desvencilhar tentativa de maquiar do o perverso contexto daquele episódio, ALDO BERTONI justificou sua conduta como sendo a de um diagnóstico, concluindo que a vítima possuía tumores nas mamas. Ao fim, o denunciado ordenou que a vítima retornasse na semana seguinte para dar continuidade ao “tratamento”. Absolutamente transtornada com a possibilidade de estar acometida por um câncer, a vítima retornou ao escritório de ALDO. Essa situação se repetiu por diversas ocasiões, sempre acreditando que estaria recebendo um “tratamento”. Em todas as ocasiões o denunciado tocava os seios e vagina da vítima de modo a saciar sua lascívia. 15 GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] Ao completar 20 anos de idade, a vítima iniciou um novo ALDO relacionamento. BERTONI, ela lhe Crente contou acerca sobre da o “santidade” novo de namorado. O denunciado aprovou a relação e disse que ela estaria apta a ter a primeira relação sexual. Porém, a pretexto de tornar a vítima uma mulher fértil e abençoada, ALDO, novamente, tirou a calcinha da vítima e manipulou sua vagina. Não durante o fosse todo aniversário de o trauma ALDO já BERTONI vivenciado, que a foi vítima vivenciou o seu maior pesadelo. Após cantar no coral da Igreja, foi convidada pela secretária de ALDO a se dirigir até o escritório da Diretoria. Após sua entrada no local, o denunciado trancou a porta com chaves e pediu para que ela se despisse. O denunciado, então, forçou a prática de efetiva conjunção carnal com a vítima. Assustada, após constatar a forçada penetração, a vítima rapidamente se vestiu e tentou fuga pela porta, não obtendo denunciado, êxito, então, pois agarrou a a mesma estava vítima, de trancada. modo a O tentar impedi-la de exercer qualquer espécie de resistência, mas esta conseguiu lhe empurrar, tacando-lhe uma cadeira. Ainda naquele cenário de intenso pavor, a vítima passou a gritar por socorro, correndo de um lado para outro no interior do escritório. Enquanto isso, ALDO BERTONI, sem o menor resquício de pudor, se masturbava na 16 GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] presença da vítima, informando-a que ninguém ouviria seus gritos, pois a sala possuía tratamento acústico. Ao ver a vítima clamar pela ajuda de “Vó Rosa”, cuja imagem estava afixada acima da porta, ALDO BERTONI, contrariando tudo que sempre pregara entre os fiéis, dizia que as preces da vítima seriam em vão, pois aquilo se tratava apenas de uma foto, bem como que a “Vó Rosa” não estava mais entre eles. Após entrar em efetiva luta corporal com o denunciado, de modo a evitar uma nova tentativa de abuso sexual, a vítima conseguiu fazer com que ALDO BERTONI abrisse a porta. Porém, ao sair da sala, ela verificou que todos já haviam se retirado da cerimônia de aniversário, fato que impediu o relato do ocorrido aos demais fiéis. A vítima, então, após todo o trauma ao qual foi exposta, abandonou a Igreja Apostólica e foi viver em Portugal, local onde reside atualmente. - Considerações finais Recaem, também, sobre o denunciado, suspeitas da participação no homicídio que vitimou João Ribeiro, expastor da Igreja Apostólica, morto na cidade de Belo Horizonte, in tese, a mando de ALDO BERTONI. Todavia, tal fato não será tratado aqui com maior nível de detalhe, pois a apuração e julgamento do delito em questão são da 17 GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] competência da Justiça do Estado de Minas Gerais (fls. 153). Ademais, este GAECO realiza investigação para apurar possível prática de desvio de dinheiro arrecadado entre os BERTONI, fiéis da Igreja para utilização Apostólica em cometido proveito por próprio ALDO e de terceiros. Além de tal prática, existe, ainda, uma clara confusão entre o patrimônio da Igreja e do denunciado. A título de exemplo, o denunciado possui diversos veículos cadastrados em seu nome, cerca de trinta, muitos de luxo e outros antigos, todavia, quem arca com os exorbitantes valores de IPVA e seguro dos automóveis é a Igreja. Outrossim, antes de ocupar o cargo de Diretor Superintendente da Igreja Apostólica, ALDO trabalhava como motorista. Assim, atualmente da compatibilidade considerando Igreja dos o salário (R$12.500,00), indicadores “Renda não X que se recebe verifica Patrimônio” de ALDO BERTONI. Por outro lado, voltando à questão central da presente denúncia, vale dizer que diversas outras mulheres ligadas à Igreja Apostólica também foram vítimas do denunciado ao longo de todos esses anos em que ele liderou o grupo religioso. Porém, como já dito anteriormente, o tempo e a idade do denunciado contribuíram para prescrição de alguns dos fatos que se tem notícia, como é o caso dos 18 GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] abusos envolvendo as vítimas: XXXXX (fls. 168), XXXXX (fls. 209) e XXXXX (fls. 220). Importante ainda frisar que as mulheres aqui elencadas, representam apenas uma pequena parcela do total de vítimas que sofreram abusos de ALDO BERTONI, visto que a grande maioria delas, imbuídas de um sentimento de angústia e vergonha, o que não se questiona aqui, preferem se calar e guardar apenas dentro de si as recordações da violência a qual foram expostas. Assim, conclui-se que ALDO BERTONI, aproveitouse de sua condição de líder prazeres sexuais com as religioso para saciar seus fiéis de sua Igreja, além da superioridade de força física. Ressalta-se que os abusos cometidos, por vezes, não foram assimilados de pronto pelas vítimas, pois estas eram levadas a acreditar que havia algum motivo sagrado nas atitudes de ALDO BERTONI, quando, na verdade, ele utilizava-se de sua falsa imagem de “Santo” para se satisfazer sexualmente. Ante o exposto, denunciamos a Vossa Excelência ALDO BERTONI como incurso no artigo 214, “caput”, por 6 (seis) vezes c.c. artigo 69 (concurso material), todos do Código Penal, com a redação utilizada antes da vigência da Lei nº 12.015/09, pela prática dos crimes cometidos em face das vítimas XXXXX, XXXXX, XXXXX (por três vezes) e XXXXX; como incurso no artigo 214, parágrafo único, do Código Penal, com a redação utilizada antes da vigência da Lei nº 19 GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] 12.015/09, pela prática do crime cometido em face da vítima, na época menor de idade, XXXXX; como incurso no artigo 214, “caput” c.c. artigo 213, “caput”, por 2 (duas) vezes c.c. artigo 71 (crime continuado), todos do Código Penal, com a redação utilizada antes da vigência da 12.015/09, pela prática do crime cometido em Lei nº face das vítimas XXXXX e XXXXX; e, por fim, como incurso no artigo 213, “caput”, por diversas vezes, c.c. artigo 71 (crime continuado), todos do Código Penal, com a redação utilizada antes da vigência da Lei nº 12.015/09, pela prática do crime cometido em face da vítima XXXXX. Requeremos, após recebida e autuada esta, seja instaurado o ordinário, até devido processo final legal, condenação, observado ouvindo-se, o além rito das vítimas, as testemunhas abaixo arroladas. ROL (vítimas e testemunhas): 1 - XXXXX - fls. 176 2 - XXXXX - fls. 222 3 - XXXXX - fls. 228 4 - XXXXX - fls. 231 5 - XXXXX - fls. 235 6 - XXXXX – fls. 394 7 - XXXXX – fls. 189 8 - XXXXX - fls. 178/179 20 GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected] 9 - XXXXX - fls.204 10 - XXXXX - fls.209 11 - XXXXX – fls. 220 12 - XXXXX – fls. 212 13 - XXXXX – fls. 374 14 - XXXXX - fls. 168 15 - XXXXX – fls. 170 16 - XXXXX – fls. 183 São Paulo, 12 de setembro de 2011. SANDRA RODRIGUES DE OLIVEIRA ALEXANDRE CID DE ANDRADE Promotora de Justiça do GAECO Promotor de Justiça do GAECO BEATRIZ LOPES DE OLIVEIRA ELIANA F. VENDRAMINI CARNEIRO Promotora de Justiça do GAECO Promotora de Justiça do GAECO YURI GIUSEPPE CASTIGLIONE THIAGO HENRIQUE TAKAMOTO Promotor de Justiça do GAECO Estagiário do GAECO 21