GRUPO DE ATUAÇÃO ESPECIAL DE COMBATE AO CRIME ORGANIZADO
GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO
Rua Riachuelo, nº 115 – 12º andar – Centro - CEP: 01007-904 - São Paulo/SP
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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 24ª VARA
CRIMINAL DO FORO CENTRAL DA COMARCA DE SÃO PAULO.
Procedimento de Investigação Criminal nº 27/10
Cautelar nº 050.10.090448-3
Consta do incluso procedimento de investigação
criminal que, no período compreendido entre 1985 e 2009,
abstraindo-se
os
fatos
atingidos
pela
prescrição,
ALDO
BERTONI, qualificado à fls. 91, nas dependências da sede da
Igreja Apostólica1, praticou as seguintes infrações penais.
1 - No mês de fevereiro do ano de 2008, em dia
e
hora
inexatos,
ALDO
BERTONI,
mediante
grave
ameaça
e
violência real, constrangeu a ofendida XXXXX, fls. 176/177,
fiel da Igreja Apostólica, a praticar e permitir que com
ela se praticassem atos libidinosos diversos da conjunção
carnal.
1
A Igreja Apostólica possui sede situada à Rua Baguari, nº 146 e 158, Tatuapé, São Paulo.
1
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Pelo que consta dos autos, a vítima foi até a
igreja buscar orientação de ALDO BERTONI, pois sua filha
havia sido acometida de uma grave doença.
Assim,
interior
da
durante
sala
da
a
consulta,
Diretoria
da
que
Igreja,
ocorreu
ALDO
no
prometeu
fazer orações para recuperação da garota.
No entanto, ao invés de rezar, o denunciado
aproximou-se
qualquer
beijo
na
vítima,
da
vítima
espécie
de
boca.
Não
agarrou-a
e
agarrou-a,
resistência,
satisfeito
novamente,
de
modo
impondo-lhe
e
diante
da
imobilizando-a
a
impedir
um
lascivo
repulsa
da
mediante
prevalência física e a acariciou nos seios e demais partes
íntimas, impondo-lhe, por fim, um abraço.
Em resposta à repulsa da vítima e nutrido de um
profundo sentimento de ódio, o denunciado começou a gritar,
afirmando que iria matar o marido de XXXXX.
De
acordo
com
as
declarações
prestadas
pela
vítima, por algum período, recebeu telefonemas anônimos com
ameaças à sua família. Além disso, também presenciou carros
de seguranças de ALDO BERTONI rondando sua casa.
2 - No ano de 2008, em dia e hora inexatos,
ALDO
BERTONI,
mediante
violência
real,
constrangeu
a
ofendida XXXXX, fls. 222/227, fiel da Igreja Apostólica, a
praticar
e
permitir
que
com
ela
se
praticassem
atos
libidinosos diversos da conjunção carnal.
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Visando receber conselhos de ordem pessoal, a
vítima procurou o denunciado, sendo atendida na sede da
Igreja, no bairro do Tatuapé. Foram várias as consultas,
tendo o caso narrado, ocorrido na sexta oportunidade em que
a vítima esteve na companhia do denunciado.
A
igreja
vítima
acompanhada
afirma
de
seu
que
na
filho
ocasião,
que
na
foi
época
até
a
havia
completado 7 anos de idade. Ao ser chamada para a consulta,
entrou numa primeira sala, ao passo que o denunciado logo
presenteou o menino com dois carrinhos de brinquedo.
O denunciado, então, trancou a porta da sala, o
que causou certa estranheza na vítima. O menino permaneceu
brincando
na
para
segunda
uma
ante-sala,
sala,
enquanto
cuja
ALDO
porta
conduziu
também
foi
a
vítima
trancada.
Conversando com a vítima, o denunciado seguiu andando e a
conduziu para uma terceira sala, que também foi trancada
por ele.
Nesse último recinto, o denunciado aproximou-se
da vítima, a qual estava impedida de qualquer resistência
por conta da sequencia de portas trancadas, impondo-lhe um
lascivo beijo na boca. Em seguida o denunciado passou a
alisar as pernas da vítima, subindo a saia que ela trajava.
Ato contínuo, ALDO BERTONI tirou a calcinha da vítima e
começou a passar a mão em sua vagina.
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Inclusive,
durante
os
atos
praticados,
ALDO
BERTONI indagava se ela estava gostando, bem como se ela
iria “gozar”.
Por fim, o denunciado abaixou a calça e cueca
que vestia, oportunidade em que a vítima pôde ver o órgão
sexual de ALDO
então,
BERTONI exposto
levantou-se,
denunciado,
vestiu-se
passando
a
à sua frente.
e
conseguiu
afrontá-lo,
se
A vítima,
afastar
indagando-o
como
do
ele
poderia fazer aquilo se, durante os cultos da igreja, ele
pregava a fidelidade entre os casais.
A vítima conseguiu sair da sala e evadiu-se
daquele local. Na volta para Paraobé, cidade na qual mantém
domicílio, a vítima contou sobre o corrido para suas irmãs
e ao marido, oportunidade na qual suas irmãs também lhe
narraram
alguns
episódios
suspeitos
envolvendo
o
freqüentava
a
denunciado.
Insta
mencionar
que
a
vítima
Igreja Apostólica desde criança, uma vez que quando nasceu,
seus pais já
eram fiéis. Ademais, a vítima
afirmou que
acreditava piamente na santidade de ALDO BERTONI, já que
havia crescido sob a sua doutrina.
A vítima esclareceu, ainda, que nas vezes em
que
vinha
alojamento
Igreja,
visitar
que
local
o
abrigava
onde
denunciado,
fiéis,
sempre
havia
ficava
localizado
muitas
hospedada
no
na
da
fiéis
matriz
de
outras
cidades, aguardando para se consultar com ALDO, sendo que
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tais pessoas chegavam a ficar dias numa espécie de fila,
aguardando para falar com o líder religioso.
3- No mês de fevereiro do ano de 2006, em dia e
hora
ALDO
inexatos,
BERTONI,
mediante
violência
real,
constrangeu a ofendida XXXXX, fls. 228/230, menor de idade
na época, fiel da Igreja Apostólica, a praticar e permitir
que com ela se praticassem atos libidinosos diversos da
conjunção carnal.
Pelo que se infere dos autos, quando tinha 16
anos, a vítima passou a sofrer de uma forte depressão, já
que,
por
conta
compridas,
de
bem
sua
como
religião,
era
precisava
impedida
de
ver
usar
saias
televisão,
inclusive os filmes que eram exibidos na própria escola,
pois seu genitor havia pedido às professoras que mandassem
a
vítima
para
a
biblioteca
quando
algum
filme
fosse
exibido.
Como conseqüência dessa série de privações, a
vítima
pânico,
desenvolveu
o
obrigando
que
a
perturbação
internada
a
fez
iniciar
foi
por
a
doença
parar
de
dias
que
em
por
freqüentar
tratamento
tamanho,
10
conhecida
a
psiquiátrico.
a
uma
vítima
síndrome
do
escola,
lhe
O
grau
precisou
clínica
da
ficar
psiquiátrica
particular na cidade de Canoas/RS.
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Apesar
de
ter
desenvolvido
essa
doença,
especialmente em razão das privações que sua religião lhe
impunha, a vítima tinha grande apreço e respeito por ALDO
BERTONI, pois havia sido criada sob a doutrina da Igreja e
acreditava piamente que ele fosse um santo.
Assim, em fevereiro de 2006, a vítima foi até a
matriz da igreja, acompanhada por sua tia XXXXX, local onde
ambas foram atendidas por ALDO em seu escritório.
XXXXX entrou no escritório, enquanto a vítima
permaneceu
aguardando
em
uma
ante-sala.
Em
seguida,
a
vítima foi conduzida pelo denunciado até uma terceira sala,
sendo que ele
ia trancando as
portas por onde
passava,
tendo trancado um total de três portas.
Ao
chegar
ao
terceiro
recinto,
ALDO
BERTONI
sentou-se de frente para a vítima, oportunidade em que esta
começou a relatar-lhe seus problemas psicológicos.
Para a surpresa da vítima, ALDO, então, começou
a alisar suas pernas, bem como a subir a saia que ela
vestia. Nesse momento a vítima estranhou a conduta e teve
como reação imediata levar a saia para a altura correta, em
ato
que
afastou
qualquer
tipo
de
conivência
com
aquela
situação.
Em seguida, ambos levantaram-se, ao que ALDO
BERTONI,
agarrou
a
vítima,
impedindo-a
de
qualquer
resistência, impondo-lhe um lascivo beijo na boca. Durante
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todo o beijo o denunciado agarrou a vítima por trás, como
força, abraçando-a. A situação só teve fim quando a vítima
conseguiu afastar ALDO BERTONI de perto dela.
Após
a
agressão,
a
vítima
afirmou
ao
líder
religioso que estava ficando tonta, ao que ele falou em tom
de
deboche:
“Toda
vez
que
um
homem
te
beija
você
fica
tonta?”.
Nesta mesma oportunidade, o denunciado ainda se
aproveitou
para
encostar-se
no
corpo
da
vítima,
sob
a
desculpa de dar um jeito na coluna dela. Nesse momento ele
chegou a se esfregar na vítima menor de idade, de frente
para as costas dela.
A tia da vítima, a qual a acompanhou no dia dos
fatos, afirmou que após ser atendida por ALDO, sua sobrinha
saiu chorando da sala. Ademais, afirmou que também sofreu
abuso sexual por parte do líder da Igreja Apostólica.
4 - No mês de fevereiro do ano de 2006 e em
novembro de 2007, em dia e hora inexatos, ALDO BERTONI,
atuando com desígnios autônomos, por três vezes, mediante
violência real, constrangeu a ofendida XXXXX, fls. 231/234,
fiel da Igreja Apostólica, a praticar ou permitir que com
ela se praticassem atos libidinosos diversos da conjunção
carnal.
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A
vítima
procurou
orientação
do
denunciado,
pois na época estava passando por dificuldades financeiras.
Acerca deste encontro, a vítima narrou que foi conduzida
pelo
denunciado
por
três
portas,
até
que
chegaram
ao
denunciado
se
escritório, cuja porta ele fechou.
No
interior
do
escritório,
o
sentou ao lado da vítima, momento em quem passou a erguer
sua saia e a acariciar suas pernas. ALDO, inclusive, tentou
abaixar
a
calcinha
da
vítima,
ato
que
só
não
foi
concretizado, pois esta o impediu.
Durante as esquivas da ofendida, ALDO BERTONI
afirmava que ela era “gostosa” e bonita.
Sobre o ocorrido, a vítima aduziu que, como foi
criada
desde
pequena
embora
achasse
na
estranha
igreja,
a
no
conduta
momento
do
dos
abusos,
denunciado,
ficava
confusa, pois acreditava piamente que ele era um santo e
que,
com
tais
atos,
poderia
estar
abençoando-a
ou
lhe
passando boas energias.
Quando a vítima se levantou para deixar a sala,
o denunciado agarrou-a outra vez, impedindo-a de qualquer
resistência,
impondo-lhe
um
lascivo
beijo
na
boca
e
um
abraço à força. A vítima informou que durante os abraços,
sentia o pênis do investigado na posição ereta tocando seu
corpo.
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Em
novembro
de
2007,
a
vítima
voltou
ao
escritório do denunciado, desta vez na companhia de sua
irmã XXXXX. Nessa ocasião, ALDO BERTONI também agarrou a
vítima,
impedindo-a
novamente
um
beijo
de
na
tirasse
a
cinta
que
abusos,
o
denunciado
qualquer
resistência,
boca,
bem
como
trajava
sob
o
a
chamou
lhe
exigindo
vestido.
por
impondo
que
Durante
os
vezes
de
repetidas
“gostosa”.
A pedido do denunciado, a vítima voltou mais
uma vez ao escritório da igreja, dessa vez acompanhada do
marido e da filha. Nessa ocasião, mesmo com o marido da
vítima do lado de fora, aguardando para ser atendido, ALDO
começou a alisar as pernas da vítima e mais uma vez a
agarrou, impedindo-a de qualquer resistência, impondo-lhe
um beijo na boca.
Após
denunciado,
desta
vez
seu
ALDO
a
saída
marido
não
da
entrou
fechou
a
vítima
para
porta
do
ser
e
escritório
consultado,
conversou
com
do
mas
ele
rapidamente.
5
-
No
ano
de 2005,
ALDO
BERTONI,
mediante
violência real, constrangeu a ofendida XXXXX, fls. 235/238,
fiel da Igreja Apostólica, a praticar e permitir que com
ela se praticassem atos libidinosos diversos da conjunção
carnal.
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A vítima narrou que em 2003, nessa época já
casada com um rapaz também fiel da Igreja Apostólica, ficou
grávida pela primeira vez, ocasião em que foi acometida da
doença denominada diabetes gestacional.
Por conta de tal enfermidade, a vítima precisou
ser
internada
no
Hospital
das
Clínicas,
local
onde
permaneceu por todo o período de gravidez, uma que vez que
a gestação era considerada de risco.
A filha da vítima nasceu em setembro de 2003,
tendo a vítima atribuído o sucesso da gravidez e a saúde de
sua filha à fé e orações que fazia ao “Santo Irmão Aldo e a
Santa Vó Rosa”.
Em
meados
do
ano
de
2005,
a
vítima
ficou
grávida novamente e ao buscar auxílio médico, soube que a
gravidez poderia apresentar maior risco do que a primeira,
uma vez que seu peso havia aumentado.
Assim, a vítima, em virtude da fé que nutria
pelo “Santo Irmão Aldo”, compareceu até a sede da Igreja
Apostólica e o indagou sobre o que fazer.
ALDO,
então,
sugeriu
realizar um aborto. Ele disse
que
a
vítima
deveria
que ela já havia sofrido
risco de morte na primeira gravidez, além do que, sem a
barriga ela ficaria muito mais linda.
O líder religioso afirmou que iria conversar
com a entidade denominada “Vó Rosa”, de modo que a vítima
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não precisaria sentir culpa em realizar o aborto que ele
havia determinado.
Em seguida, ALDO pediu que a vítima ficasse de
pé, ocasião em que a abraçou pela frente. Ainda abraçado à
vítima, impedindo-a de qualquer resistência, ALDO passou a
deslizar as mãos por suas costas e mamas de modo a saciar
sua lascívia.
Como na Igreja era pregado que ALDO poderia
descobrir eventuais problemas de saúde presentes no corpo
dos fiéis, a vítima logo imaginou que poderia estar com
algum
problema
nas
mamas
e
que
ALDO
já
sabia
e
estava
tentando curá-la. Nessa mesma ocasião, ALDO a beijou por
diversas vezes no rosto e também pediu que ela o beijasse
no rosto e no peito.
Muito
máximo
de
sua
nervosa,
religião,
e
a
sob
a
vítima
autoridade
obedeceu
do
às
líder
ordens
proferidas por ALDO BERTONI.
6- Entre os anos de 1985 e 2004, em dia e hora
não precisados, ALDO BERTONI, mediante violência real, por
diversas vezes, constrangeu a ofendida XXXXX, fls. 178/179,
fiel da Igreja Apostólica, à conjunção carnal, bem como a
praticar atos libidinosos diversos da conjunção carnal.
Segundo narrou a vítima, quando completou seus
18 anos, foi convidada por ALDO a ir morar e trabalhar em
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São Paulo, mais especificamente no restaurante “Canarinho”,
que é de sua propriedade.
Até então, a vítima não sofreu qualquer tipo de
constrangimento por parte de ALDO, apenas elogios verbais
como “você é bonita”, dentre outros.
No
freqüentador
matrimônio,
marido.
A
ano
da
de
1985
Igreja
percebeu
vítima,
que
então,
casou-se
com
Apostólica.
ALDO
Porém,
passou
indagou
o
XXXXX,
a
também
após
hostilizar
denunciado
o
seu
sobre
o
motivo de tal comportamento, quando soube que a irritação
do
líder
religioso
se
deu
porque
ele
não
teria
sido
o
primeiro a manter relações sexuais com a vítima.
Passado
mencionada,
a
consulta
seu
vítima
em
possuía
vítima
certo
tempo
foi
convidada
escritório.
uma
doença
ALDO,
da
conversa
por
ALDO
então,
grave,
para
dizendo
passou
a
acima
uma
que
a
fazer-lhe
carícias, determinando a retirada das roupas, acariciandolhe
na
região
dos
seios,
além
de
praticar
atos
de
masturbação.
Isso se repetiu por várias oportunidades, em
dias
diversos,
até
que,
passado
cerca
de
um
ano
do
ocorrido, ainda como parte do falso tratamento, ALDO forçou
a prática de efetiva conjunção carnal com a vítima, fato
que se repetiu por mais duas vezes.
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Posteriormente, numa outra oportunidade, sob o
argumento de que deveria tomar o remédio, ALDO praticou
sexo oral na vítima.
Pelas atitudes de ALDO, dentre elas os pedidos
para
que
não
menoscabando
contasse
a
tais
imagem
fatos
de
“Vó
para
o
Rosa”,
seu
marido,
dentre
outras
desculpas, a vítima não mais acreditou nas promessas de
cura feitas pelo denunciado, rompendo com ele e com a sua
Igreja.
Conforme relato do próprio marido da vítima,
tal situação perdurou até o ano de 2004 (fls. 213).
Este
longo
período
vítima,
caso,
em
que
havendo,
em
se
especial,
deu
inclusive,
o
chama
abuso
fatos
de
que
atenção
ALDO
já
se
pelo
contra
a
encontram
atingidos pela prescrição. Conforme se apurou, a vítima,
durante
todo
esse
período,
além
de
ser
submetida
fisicamente, foi levada a erro em relação ao denunciado,
pois este, através de sua superioridade lhe fazia crer que
toda aquela situação consistia em um tratamento, quando na
verdade
ALDO
BERTONI
a
utilizava
para
satisfazer
seus
desejos sexuais.
7
BERTONI,
–
mediante
Entre
os
violência
anos
real,
de
1999
por
e
2009,
diversas
ALDO
vezes,
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constrangeu a ofendida identificada pelo nome XXXXX, fiel
da Igreja Apostólica, à conjunção carnal.
A
forçada
com
vítima
ALDO
relatou
BERTONI
que
por
manteve
relação
aproximadamente
10
sexual
anos,
sempre no escritório situado na sede da Igreja Apostólica e
em períodos nos quais seu esposo estava em
viagem pela
Igreja.
A vítima afirmou, ainda, que ALDO sempre se
usava do argumento de que somente assim ela poderia receber
a benção de ser curada da doença que possuía no útero. Com
sua
capacidade
religioso,
a
de
vítima
discernimento
era
minada
fisicamente
pelo
forçada
à
fanatismo
conjunção
carnal.
8- Entre os anos de 1997 e 2005, em dia e hora
não precisados, ALDO BERTONI, mediante violência real, por
diversas vezes, constrangeu a ofendida XXXXX, fls. 392/394,
fiel da Igreja Apostólica, à conjunção carnal, bem como a
praticar atos libidinosos diversos da conjunção carnal.
Segundo narrou a vítima, quando completou 16
anos, seu pai passou a enviar comunicações a ALDO BERTONI
dando conta de sua desobediência, assim compreendida pelo
genitor da vítima, pois ela estaria a andar de mãos dadas
com
seu
namorado,
dentre
outras
situações
comuns
entre
casais dessa idade.
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Após as reclamações, o denunciado solicitou que
sua secretária convidasse a vítima para uma consulta no
escritório
localizado
na
sede
da
Igreja
Apostólica,
oportunidade em que a vítima foi recebida por ALDO BERTONI.
No interior do escritório, o denunciado passou
a
indagar
mantinha
a
vítima
com
seu
acerca
namorado.
do
relacionamento
Apesar
de
que
ela
envergonhada,
ela
contou a ALDO tudo o que lhe fora perguntado.
Em
seguida,
ALDO
BERTONI
se
dirigiu
até
a
vítima, momento em que repentinamente a agarrou, impedindoa de qualquer resistência, impondo-lhe um abraço à força,
seguido de carícias na região das coxas e seios.
A
denunciado.
vítima
No
entanto,
conseguiu
numa
se
desvencilhar
tentativa
de
maquiar
do
o
perverso contexto daquele episódio, ALDO BERTONI justificou
sua conduta como sendo a de um diagnóstico, concluindo que
a vítima possuía tumores nas mamas. Ao fim, o denunciado
ordenou que a vítima retornasse na semana seguinte para dar
continuidade ao “tratamento”.
Absolutamente transtornada com a possibilidade
de estar acometida por um câncer, a vítima
retornou ao
escritório de ALDO. Essa situação se repetiu por diversas
ocasiões,
sempre
acreditando
que
estaria
recebendo
um
“tratamento”. Em todas as ocasiões o denunciado tocava os
seios e vagina da vítima de modo a saciar sua lascívia.
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GAECO – NÚCLEO SÃO PAULO
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Fone: 11-3119-9992 – Fax: 11-3119-9002 – e-mail: [email protected]
Ao completar 20 anos de idade, a vítima iniciou
um
novo
ALDO
relacionamento.
BERTONI,
ela
lhe
Crente
contou
acerca
sobre
da
o
“santidade”
novo
de
namorado.
O
denunciado aprovou a relação e disse que ela estaria apta a
ter a primeira relação sexual. Porém, a pretexto de tornar
a vítima uma mulher fértil e abençoada, ALDO, novamente,
tirou a calcinha da vítima e manipulou sua vagina.
Não
durante
o
fosse
todo
aniversário
de
o
trauma
ALDO
já
BERTONI
vivenciado,
que
a
foi
vítima
vivenciou o seu maior pesadelo. Após cantar no coral da
Igreja, foi convidada pela secretária de ALDO a se dirigir
até o escritório da Diretoria.
Após sua entrada no local, o denunciado trancou
a porta com chaves e pediu para que ela se despisse. O
denunciado, então, forçou a prática de efetiva conjunção
carnal com a vítima.
Assustada, após constatar a forçada penetração,
a vítima rapidamente se vestiu e tentou fuga pela porta,
não
obtendo
denunciado,
êxito,
então,
pois
agarrou
a
a
mesma
estava
vítima,
de
trancada.
modo
a
O
tentar
impedi-la de exercer qualquer espécie de resistência, mas
esta conseguiu lhe empurrar, tacando-lhe uma cadeira.
Ainda
naquele
cenário
de
intenso
pavor,
a
vítima passou a gritar por socorro, correndo de um lado
para outro no interior do escritório. Enquanto isso, ALDO
BERTONI, sem o menor resquício de pudor, se masturbava na
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presença da vítima, informando-a que ninguém ouviria seus
gritos, pois a sala possuía tratamento acústico.
Ao ver a vítima clamar pela ajuda de “Vó Rosa”,
cuja imagem estava afixada acima da porta, ALDO BERTONI,
contrariando tudo que sempre pregara entre os fiéis, dizia
que
as
preces
da
vítima
seriam
em
vão,
pois
aquilo
se
tratava apenas de uma foto, bem como que a “Vó Rosa” não
estava mais entre eles.
Após
entrar
em
efetiva
luta
corporal
com
o
denunciado, de modo a evitar uma nova tentativa de abuso
sexual,
a
vítima
conseguiu
fazer
com
que
ALDO
BERTONI
abrisse a porta. Porém, ao sair da sala, ela verificou que
todos já haviam se retirado da cerimônia de aniversário,
fato que impediu o relato do ocorrido aos demais fiéis.
A vítima, então, após todo o trauma ao qual foi
exposta,
abandonou
a
Igreja
Apostólica
e
foi
viver
em
Portugal, local onde reside atualmente.
- Considerações finais
Recaem, também, sobre o denunciado, suspeitas
da participação no homicídio que vitimou João Ribeiro, expastor
da
Igreja
Apostólica,
morto
na
cidade
de
Belo
Horizonte, in tese, a mando de ALDO BERTONI. Todavia, tal
fato não será tratado aqui com maior nível de detalhe, pois
a
apuração
e
julgamento
do
delito
em
questão
são
da
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competência
da
Justiça
do
Estado
de
Minas
Gerais
(fls.
153).
Ademais, este GAECO realiza investigação para
apurar possível prática de desvio de dinheiro arrecadado
entre
os
BERTONI,
fiéis
da
Igreja
para
utilização
Apostólica
em
cometido
proveito
por
próprio
ALDO
e
de
terceiros.
Além de tal prática, existe, ainda, uma clara
confusão entre o patrimônio da Igreja e do denunciado. A
título de exemplo, o denunciado possui diversos veículos
cadastrados em seu nome, cerca de trinta, muitos de luxo e
outros
antigos,
todavia,
quem
arca
com
os
exorbitantes
valores de IPVA e seguro dos automóveis é a Igreja.
Outrossim, antes de ocupar o cargo de Diretor
Superintendente da Igreja Apostólica, ALDO trabalhava como
motorista.
Assim,
atualmente
da
compatibilidade
considerando
Igreja
dos
o
salário
(R$12.500,00),
indicadores
“Renda
não
X
que
se
recebe
verifica
Patrimônio”
de
ALDO BERTONI.
Por outro lado, voltando à questão central da
presente denúncia, vale dizer que diversas outras mulheres
ligadas
à
Igreja
Apostólica
também
foram
vítimas
do
denunciado ao longo de todos esses anos em que ele liderou
o grupo religioso. Porém, como já dito anteriormente, o
tempo e a idade do denunciado contribuíram para prescrição
de alguns dos fatos que se tem notícia, como é o caso dos
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abusos envolvendo as vítimas: XXXXX (fls. 168), XXXXX (fls.
209) e XXXXX (fls. 220).
Importante ainda frisar que as mulheres aqui
elencadas, representam apenas uma pequena parcela do total
de vítimas que sofreram abusos de ALDO BERTONI, visto que a
grande maioria delas, imbuídas de um sentimento de angústia
e vergonha, o que não se questiona aqui, preferem se calar
e guardar apenas dentro de si as recordações da violência a
qual foram expostas.
Assim, conclui-se que ALDO BERTONI, aproveitouse de sua condição de líder
prazeres
sexuais
com
as
religioso para saciar seus
fiéis
de
sua
Igreja,
além
da
superioridade de força física. Ressalta-se que os abusos
cometidos, por vezes, não foram assimilados de pronto pelas
vítimas,
pois
estas
eram
levadas
a
acreditar
que
havia
algum motivo sagrado nas atitudes de ALDO BERTONI, quando,
na verdade, ele utilizava-se de sua falsa imagem de “Santo”
para se satisfazer sexualmente.
Ante o exposto, denunciamos a Vossa Excelência
ALDO BERTONI como incurso no artigo 214, “caput”, por 6
(seis) vezes c.c. artigo 69 (concurso material), todos do
Código Penal, com a redação utilizada antes da vigência da
Lei nº 12.015/09, pela prática dos crimes cometidos em face
das vítimas XXXXX, XXXXX, XXXXX (por três vezes) e XXXXX;
como
incurso
no
artigo
214,
parágrafo
único,
do
Código
Penal, com a redação utilizada antes da vigência da Lei nº
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12.015/09,
pela
prática
do
crime
cometido
em
face
da
vítima, na época menor de idade, XXXXX; como incurso no
artigo 214, “caput” c.c. artigo 213, “caput”, por 2 (duas)
vezes c.c. artigo 71 (crime continuado), todos do Código
Penal, com a redação utilizada antes da vigência da
12.015/09,
pela
prática
do
crime
cometido
em
Lei nº
face
das
vítimas XXXXX e XXXXX; e, por fim, como incurso no artigo
213, “caput”, por diversas vezes, c.c. artigo 71 (crime
continuado), todos do Código Penal, com a redação utilizada
antes da vigência da Lei nº
12.015/09, pela
prática do
crime cometido em face da vítima XXXXX.
Requeremos, após recebida e autuada esta, seja
instaurado
o
ordinário,
até
devido
processo
final
legal,
condenação,
observado
ouvindo-se,
o
além
rito
das
vítimas, as testemunhas abaixo arroladas.
ROL (vítimas e testemunhas):
1 - XXXXX - fls. 176
2 - XXXXX - fls. 222
3 - XXXXX - fls. 228
4 - XXXXX - fls. 231
5 - XXXXX - fls. 235
6 - XXXXX – fls. 394
7 - XXXXX – fls. 189
8 - XXXXX - fls. 178/179
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9 - XXXXX - fls.204
10 - XXXXX - fls.209
11 - XXXXX – fls. 220
12 - XXXXX – fls. 212
13 - XXXXX – fls. 374
14 - XXXXX - fls. 168
15 - XXXXX – fls. 170
16 - XXXXX – fls. 183
São Paulo, 12 de setembro de 2011.
SANDRA RODRIGUES DE OLIVEIRA
ALEXANDRE CID DE ANDRADE
Promotora de Justiça do GAECO
Promotor de Justiça do GAECO
BEATRIZ LOPES DE OLIVEIRA
ELIANA F. VENDRAMINI CARNEIRO
Promotora de Justiça do GAECO
Promotora de Justiça do GAECO
YURI GIUSEPPE CASTIGLIONE
THIAGO HENRIQUE TAKAMOTO
Promotor de Justiça do GAECO
Estagiário do GAECO
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