A gestão da inovação tecnológica – Um estudo de caso em uma empresa
multinacional atuante no setor de geração, transmissão, distribuição e
controle de energia
Onildo Ribeiro de Assis II
[email protected]
Djalma Araújo Rangel
[email protected]
Maria de Lourdes Barreto Gomes
[email protected]
Resumo
A implementação da gestão da inovação tecnológica pelas organizações pode trazer
impactos positivos, como o aumento da competitividade e melhoria nas atividades produtivas
da empresa. Este trabalho tem o objetivo de apresentar como a empresa Siemens faz uso
desse tipo de gestão, no setor de energia, e como este gerenciamento contribuiu para o
sucesso da organização. Inicia-se com a apresentação de conceitos sobre o tema e a partir
das informações financeiras e estratégicas disponibilizadas no relatório anual da empresa,
foi feita uma analise de como a empresa se comporta. Como principais atividades aliadas a
esse tipo de gestão, a organização intensifica o foco em tecnologias-chave, identificando
tendências e traduzindo idéias inovadoras em produtos e serviços, dando a importância
definida pelos diversos autores aqui citados.
Palavras-chave: Inovação tecnológica; Gestão; Energia.
1. Introdução
O cenário mundial está em constante mudança. O uso da tecnologia aumenta a complexidade
e a intensidade competitiva, favorecendo a criação de novos padrões de concorrência,
diferentes modelos organizacionais e influenciando em mudanças nas formas de criação do
conhecimento e nos métodos de trabalho. Segundo Griffin (1997), a tecnologia pode
promover a redução no ciclo de vida de produtos e processos e conforme Fagerberg (1987)
existem estudos estatísticos que demonstram que o nível de investimento em tecnologia revela
as diferenças em produtividade e participação do mercado entre as empresas/países em nível
mundial.
Challis e Samson (1996), afirmam que a aceleração do conhecimento tecnológico aumenta a
dependência entre tecnologia usada e o sucesso nos negócios. Dessa forma uma boa gestão
que envolve os conceitos e técnicas de produção, aprimoramento e comercialização das
inovações é de grande importância para uma organização com objetivos claros de
crescimento. A gestão da inovação tecnológica, segundo Ganesh e Zaveri (2001), implica
diretamente na idealização de produtos e serviços inovadores, visto que a empresa desenvolve
conhecimentos focados em negócios específicos da organização, promovem o
compartilhamento das informações e adquirem novas capacidades de gerenciamento apto a
edificar as tecnologias existentes e acessar as novas com um custo mínimo.
O gerenciamento tecnológico é uma forma de administrar inovações dentro de uma
organização, tornando os temas, tecnologia e inovação, intimamente ligadas. Tais princípios
resultam na visão de Porter (1986), em vantagem competitiva para quem consegue perceber o
seu valor cedo e tomar ações agressivas para explorá-los.
Um exemplo de organização com esse tipo de visão atuante no mercado internacional e com
base de negócios voltada para produção de inovações que geram vantagens para seus clientes,
colaboradores, acionistas e sociedade é a Siemens. Portanto, este artigo aborda como a gestão
da inovação tecnológica está inserida na rotina organizacional da companhia. A empresa
possui suas atividades agrupadas em três setores estratégicos - Indústria, Energia e Saúde,
porém pelo fato desta ser atualmente o maior conglomerado de engenharia elétrica e
eletrônica do País, apresentando tecnologias inovadoras ao longo de toda a cadeia de
conversão de energia, será abordado apenas o setor relacionado a este tema.
Para sustentar esta percepção o artigo está assim dividido: após esta introdução é feita uma
breve revisão bibliográfica sobre a gestão da inovação tecnológica; a seção seguinte apresenta
a caracterização da empresa e a sua forma de diferenciação no mercado por uma gestão
direcionada à busca por inovações; em seguida são apresentadas as considerações finais.
2. Aporte teórico
Neste tópico é feita uma apresentação sobre o tema pesquisado. A abordagem diz respeito à
gestão da inovação tecnológica, partindo de conceitos e definições de diversos autores sobre
inovação e como um bom gerenciamento pode alavancar o crescimento organizacional.
2.1 Inovação tecnológica
Uma diferenciação foi feita por Schumpeter (1982) entre invenção, inovação e difusão:
invenção é o desenvolvimento de um processo ou produto com sentido de explorar
comercialmente a idéia, porém ainda não realizada; inovação é a passagem da invenção para
o meio econômico, implícita na sua exploração comercial; a difusão é a adoção em massa, a
propagação de novos produtos e processos pelo mercado. Sousa (2005) afirma que enquanto a
invenção não for utilizada, seu valor econômico é zero, só após o uso, modificando produtos
ou meios de produção, é que a inovação pode gerar diferenciais competitivos.
Carneiro (1995) caracteriza a inovação tecnológica como a transformação de uma idéia em
forma de um produto, novo ou melhorado, ou processo operacional ou ainda em um novo
método de serviço, e Hitt, Ireland e Hoskisson (2002) argumentam que a inovação está
também através de mudanças na estrutura organizacional. A inovação, de acordo com Tigre
(2006), é uma arma competitiva que permite ao empreendedor produzir de forma mais
eficiente reduzindo a dependência sobre a mão-de-obra e eliminando concorrentes. Segundo
Laranja, Simões e Fontes (1997), a inovação tecnológica é definida como a aplicação de
conhecimentos tecnológicos com resultado em novos produtos, processos e serviços, ou na
melhoria considerável de algumas de suas características.
Segundo Souza e Bastos (2006), as inovações tecnológicas podem ser advindas das mudanças
em normas, estruturas, processos, objetivos e deve ser considerada uma ferramenta estratégica
para a economia da empresa. Tigre (2008) afirma haver diferentes origens de inovação, as
fontes internas envolvendo as atividades direcionadas para o desenvolvimento de produtos e
processos para a obtenção de melhorias incrementais por meio de programas de qualidade,
treinamento e aprendizado organizacional; e as fontes externas envolvendo a conquista de
informações codificadas, consultorias, licenças de fabricação de produtos ou tecnologias
inseridas em máquinas e equipamentos. De acordo com Barbieri et al. (2008), as inovações
podem surgir do mercado ou de vários pontos durante o processo de inovação, utilizando o
conceito de P&D ou idéias surgidas de diversos pontos da organização. Conforme Viana
(2004) todos os tipos de atividades científicas, tecnológicas, de infraestrutura da organização,
financeiras, comercias e legais interferem na inovação tecnológica como transformação de
conhecimentos tecnológicos em novos produtos e processos.
A inovação tecnológica, conforme Schumpeter (1962) é um diferenciador que pode permitir a
destruição ou a recriação de uma organização de forma que o empreendedor está diretamente
vinculado ao processo de transformação tecnológica e crescimento organizacional. Segundo
Silva, Hartman e Reis (2005), a inovação tecnológica tem sido intensamente abordada por
diversas pessoas da área acadêmica e empresarial, surgindo como fator primordial para se
alcançar uma melhor produtividade e competitividade.
Seguindo a afirmação de Drucker (2000), para que a inovação se desenvolva de maneira
correta se faz necessário um trabalho árduo, disciplinado e criativo, direcionando sua
aplicação de forma específica e clara. Portanto conforme Silva (2003), um sistema de
inovação, em conjunto com os stakeholders, deve ser capaz de criar, ampliar e sustentar um
ambiente inovativo, promovendo assim o desenvolvimento da organização. Reis (2003) nota
que essas formas de inovação devem ser introduzidas no mercado com êxito, só assim a
inovação tecnológica será vista como o principal agente de mudanças e que através destas as
organizações conseguem obter vantagens competitivas e um maior crescimento empresarial.
2.2 Gestão da inovação tecnológica
O processo de inovação, segundo Cassiolato e Lastres (2000), apresenta três concepções:
primeiro a inovação se constrói por meio de uma contínua busca pelo aprendizado, entre eles
o conhecimento das diversidades regionais ou padrões locais em que a organização está
inserida; posteriormente, para haver inovação é necessária uma diversidade de agentes
envolvidos em transferir e incorporar o conhecimento tecnológico; por fim, a inovação é um
processo interativo dependente de instituições públicas (institutos de ensino e pesquisa e
agências governamentais de fomento, financiadoras e incubadoras) e instituições privadas
(empresas, associações empresarias e sindicatos). Essas concepções são semelhantes ao
pensamento compartilhado por Patel e Pavitt (1994), onde apontam a necessidade da inovação
tecnológica interagir com a ciência, em que o progresso tecnológico é realizado por meio de
contato com instituições de pesquisa, por meio de gastos com P&D e por meio de aquisição
de máquinas de fornecedores especializados.
Um mercado altamente competitivo como o da tecnologia exige que as organizações utilizem
o conceito de P&D e a incorporem na estratégia empresarial como forma de alavancar o seu
potencial inovativo. Conforme o Manual de Frascatti da OECD (1994), a pesquisa e
desenvolvimento será a ação que conduzirá a transformação de uma idéia em um produto
novo ou melhorado vendável ou em um processo operacional nas organizações. Seguindo
esse raciocínio Cunha (2005) afirma que gerenciar tecnologicamente é relacionar todas as
atividades da empresa com pesquisa e desenvolvimento, assim como adquirir novos
equipamentos ou desenvolvimento de novos produtos e serviços, portanto, é uma forma de
administrar inovações tecnológicas dentro da organização.
Segundo o manual Temaguide (1999) da fundação Cotec, a gestão da inovação tecnológica
atua em toda a organização, envolvendo recursos internos e externos dos recursos humanos,
da área financeira e principalmente as tecnologias existentes na empresa. Se for gerenciada de
forma harmoniosa e integrada, servirá para o alcance dos objetivos e metas organizacionais,
possibilitando a inovação e o destaque entre os concorrentes, podendo também aumentar os
lucros e a satisfação do cliente por meio da melhora da qualidade dos produtos, processos e
serviços.
Rosini e Palmisano (2003) caracterizam a gestão da inovação tecnológica como um insumo
importante para a integração e reestruturação da empresa, sendo essencial nas atividades de
serviço, coordenação e organização de forma que facilita o fluxo de informações. Outra
definição é dada por Saenz e Capote (2002) como uma gerência sistemática de todas as
atividades empresariais relacionadas à geração, aquisição, produção, aperfeiçoamento,
assimilação e comercialização das tecnologias, incluindo cooperação e alianças com outras
instituições e administração de práticas de criação contínua da informação, permitindo assim a
melhoria da qualidade e da produtividade.
Com uma boa gestão tecnológica, a empresa, segundo Ariotti (1996), alcançará tempo e
recursos otimizados e ainda gerir o conhecimento revertendo-o em capital e conforme Rosini
e Plamisano (2003), a empresa que melhor empregar as aplicações tecnológicas emergentes,
usando a informática em seus processos de tomada de decisão, terá uma vantagem
competitiva maior no setor de atuação em que está inserida.
3. Metodologia
Este artigo é resultante de uma pesquisa de natureza qualitativa e caráter descritivo. A
empresa abordada é a Siemens, tratando-se, portanto de um estudo de caso. Para tanto,
pesquisas bibliográficas foram feitas sobre o tema com finalidade de desenvolver uma
contextualização referente ao assunto abordado, contribuindo para se fazer considerações
sobre inovação tecnológica e posteriormente com foco em gestão da inovação tecnológica.
Todas as informações relacionadas à organização apresentada no estudo de caso, entre elas os
dados financeiros, metas e estratégias, foram retiradas do relatório anual de 2008, o último
apresentando e disponibilizado ao público no site da empresa. A seguir apresentam-se os
resultados da pesquisa.
4. Resultados
Os resultados da pesquisa estão apresentados da seguinte forma: caracterização da empresa
Siemens, passando pela gestão da inovação tecnológica na empresa e o aprofundamento das
inovações no setor de energia.
4.1 A empresa Siemens
As primeiras operações da Siemens no Brasil datam de 1867 com a instalação da linha
telegráfica entre o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul evoluindo e aumentando seus
mercados até os dias atuais nas áreas de indústria, saúde e energia, fornecendo equipamentos
e serviços responsáveis por 50% da energia elétrica no País. Está no grupo das maiores
empresas atingindo um faturamento líquido no ano de 2008 de R$4,64 bilhões, representando
um crescimento de 32,7% relacionado ao ano anterior, e contando atualmente com cerca de 9
mil colaboradores. Segundo o relatório anual da empresa em 2008, a missão da Siemens,
partindo da base da inovação, está em reunir dentro de uma organização de alta performance,
os objetivos de gerar o mais elevado nível de valor agregado para seus clientes,
colaboradores, acionistas e sociedade com produtos e serviços de alta qualidade. Por se tratar
de uma empresa que tem como atividade o desenvolvimento de soluções tecnológicas para
diversas áreas, a gestão da inovação tecnológica é um fator fundamental para que ela se
mantenha de forma competitiva no mercado.
4.2 A gestão da inovação tecnológica na Siemens
A busca pela inovação é um dos objetivos principais da Siemens que investiu em 2008
aproximadamente € 3,8 bilhões em P&D em todo o mundo, contando com aproximadamente
62 mil patentes ativas, sendo 5 mil no último ano e quase 8 mil inventos notificados no
mesmo período, como pode ser observado na tabela 1, representada a seguir.
Investimentos em P&D
Intensidade
(€ em bilhões)
de investimento
2008
3784
4.9%
2007
3399
4.7%
Fonte: Adaptado do relatório anual 2008 da Siemens
Ano
Nº de invenções
(em milhares)
8.200
7.900
Nº de patentes
(em milhares)
5.000
4.900
Tabela 1 – Investimentos em P&D e número de invenções e patentes
Com 150 centros de pesquisa em 30 países que a empresa está presente, seis destes se
encontram no Brasil, nos quais empregam mais de 9 mil colaboradores, entre técnicos,
engenheiros, mestres e doutores. A consolidação das ações voltadas para o desenvolvimento
tecnológico só é possível por meio de uma equipe altamente especializada, que busca
incessantemente a inovação como caminho para o sucesso da empresa. A gestão da tecnologia
e inovação do Grupo Siemens no Brasil, procura atrair os melhores profissionais em todo o
mundo, além de promover a capacitação e aperfeiçoamento contínuo dos seus colaboradores.
Para isso a empresa possui parcerias estratégicas com instituições de fomento, com o
Ministério da Ciência e Tecnologia, com universidades e institutos de pesquisa, mantendo
ainda 81 pesquisadores atuando em projetos da empresa. A tabela 2 faz uma representação
gráfica da composição do capital intelectual nacional da empresa, onde 4.174 colaboradores
possuem curso superior, formalizando 46,2% do total. A tabela 2 apresenta outras
informações, como a distribuição por função, onde se verifica que maior parte das pessoas
está empregada no setor de produção, seguindo pelo administrativo, serviço e por fim, vendas.
Capital Intelectual - 2008
Total de colaboradores
Com curso superior
Graduados em engenharia
Graduados em engenharia e que possuem
outra formação
Colaboradores por função
9.030
4.174
1.901
Aprendizes, estagiários e novos talentos
Administrativo (35%)
Serviço
(23%)
909
Produção
(39%)
737
Vendas
(03%)
Fonte: Adaptado do relatório anual 2008 da Siemens
Tabela 2 – Capital Intelectual e Colaboradores por função
A gestão da inovação tecnológica presente na Siemens abrange tópicos referentes ao
planejamento estratégico e a promoção de um ambiente propício ao intercâmbio do
conhecimento, atuando em conexão com cada um dos seus centros de pesquisa, de forma a
manter o fluxo de inovação. Com o objetivo de garantir que a empresa esteja no topo mundial
das organizações mais inovadoras e líderes no estabelecimento de tendências tecnológicas,
são definidas três ações distintas:
Intensificar o foco em tecnologias-chave;
Identificar tendências tecnológicas e sua aplicação;
Traduzir idéias inovadoras em produtos e serviços para o mercado.
Para atingir estas ações, a gestão tecnológica da empresa fornece formas de apoio,
primeiramente a busca por gerações de produtos, identificando qual tecnologia atual irá
evoluir para atender as necessidades da sociedade do futuro, seja pela criação de uma
tecnologia nova ou pela integração de tecnologias já existentes. A segunda forma de
contribuição é assegurar um fluxo consistente e constante de informação científica e técnica
em todas as áreas da organização. Para isso a integralização da empresa é vital, com todos os
setores agindo em cooperação, pois mesmo com a experiência necessária em cada campo de
atuação, as introspecções adquiridas através da avaliação da base tecnológica advinda de uma
perspectiva diferente pode ser a chave de um caminho que satisfaça o maior número de
clientes.
A gestão da inovação tecnológica na Siemens é responsável por assegurar que os orçamentos
em pesquisa e desenvolvimento sejam adequados e que cumpram todas as leis e regulamentos
aplicáveis, sejam elas relacionadas às constantes mudanças político-econômicas ou a
disposições legais das condições sociais e ambientais. Apresenta-se também uma
responsabilidade empresarial de atuar no desenvolvimento local em cada comunidade em que
está presente, tornando o domínio da complexidade, um fator de extrema importância para
esse tipo de gestão.
No Brasil, a busca pela inovação é coordenada pelo Comitê de Gestão Estratégica da
Tecnologia, realizando seis reuniões anuais para discutir temas como patentes, normalização,
redução de custos, segurança, qualidade e agregação de valor à Siemens em seus diversos
setores definindo e garantindo a inovação como estratégia de crescimento. Um dos setores da
Siemens que apresentou grande crescimento foi o de energia, com um aumento em 30% no
ano de 2008 em relação ao ano anterior. Os principais resultados atingidos neste setor a partir
da aplicação da gestão da inovação tecnológica é apresentado a seguir.
4.3 O setor de energia
A empresa está fortemente posicionada em todos os segmentos que compõem o mercado de
energia no Brasil, fornecendo produtos, serviços e soluções para a geração, transmissão,
distribuição e controle de energia, especialmente em fontes renováveis, limpas e eficientes,
desenvolvendo métodos inovadores para reduzir emissões. A seguir são expostos os
segmentos estratégicos do setor energético da Siemens e suas principais inovações:
- Fossil Power Generation (Geração de energia fóssil): a partir da tecnologia e de produtos
inovadores, a Siemens está impulsionando os limites de eficiência das usinas elétricas,
ajudando a aproximar um equilíbrio viável entre proteção climática, segurança no
fornecimento e boa relação custo-benefício na geração de energia. Em exemplo, podem-se
citar os testes com a mais potente turbina a gás do mundo que alcança mais de 60% de
eficiência, consumindo menos combustível e cortando as emissões de carbono em 20 mil
toneladas ao ano em comparação com as termelétricas de ciclo combinado que possuem 58%
de eficiência;
- Renewable Energy (Energia renovável): a empresa desenvolve e fabrica turbinas para
parques eólicos, apresentando mais de 7.000 destas instaladas. Suas inovações aumentam
constantemente a eficiência e rentabilidade dos seus produtos, como o projeto Greater
Gabbard de 504MW no mar da Costa Oeste da Inglaterra, no qual a empresa fornece turbinas
avançadas e fabricadas em série, as maiores em utilização comercial apresentando baixa
manutenção e com capacidade de 3,6 MW. Outra inovação são os testes do primeiro protótipo
de turbina eólica que funciona sem redutor, que poderá reduzir custos e melhorar a eficiência
na capacitação de energia;
- Oil & Gas (Óleo e gás): a Siemens possui uma abordagem inovativa em soluções elétricas
completas para óleo e gás, fornecendo os principais equipamentos para extração,
compressores, acionadores, turbinas a gás e a vapor (principalmente nos setores de metais e
mineração, papel e celulose, açúcar e etanol, petroquímicas e termelétricas solares),
apresentando também serviços de engenharia, manutenção, TI e soluções de otimização de
processos;
- Power Transmission (Transmissão de energia): a empresa possui um portfólio amplo
contendo disjuntores, seccionadoras, reatores, buchas de alta tensão e transformadores
especiais para fornos, retificadores e de tração, conversores para sistemas HVDC (highvoltage direct current), além de serviços de reparo e sistemas de monitoramento e
gerenciamento da vida útil de transformadores;
- Power Distribution (Distribuição de energia): a Siemens oferece serviços para redes de
transmissão e distribuição, incluindo operação e manutenção das mesmas. A empresa está
inserida em projetos inovadores de Smart Grid, um novo conceito de rede inteligente baseado
na troca de informações entre consumidores e empresas fornecedoras de energia que reúne
diferentes tecnologias que tornam a rede elétrica mais eficiente e confiável. Entre os projetos,
podem-se citar os relacionados à comunicação em tempo real entre consumidores e centros de
controle de concessionárias de energia e ao uso mais eficiente da capacidade da rede através
do controle dos fluxos de potência de acordo com o comportamento das cargas.
A tabela 3 demonstra a quantidade a quantidade de novos pedidos distribuídos por segmentos
do setor energético, assim como a receita arrecada em cada um deles.
Segmentos do setor
Novos Pedidos
energético
Ano
2008
2007
% de crescimento
Geração de energia fóssil 12,993 11,721
11%
Energia renovável
4,434
2,452
81%
Óleo e gás
5,630
4,734
19%
Transmissão de energia
7,290
6,658
9%
Distribuição de energia
3,578
3,327
8%
Fonte: Adaptado do relatório anual 2008 da Siemens
2008
8,171
2,092
4,038
5,497
3,211
Receita
(€ em milhões)
2007 % de crescimento
8,129
1%
1,365
53%
3,363
20%
4,901
12%
2,851
13%
Tabela 3 – Comparativo de pedidos e receitas nos segmentos do setor de energia da empresa Siemens
O segmento de geração de energia fóssil cresceu 11% no número de pedidos aumentando em
1% a sua receita. O segmento que mais cresceu, tanto no número de pedidos quando em
receita foi o relacionado à energia renovável, crescendo 81% e 53% respectivamente. O setor
que manteve a média no crescimento em receita com relação ao número de pedidos foi o de
óleo e gás com 19% e 20%. O segmento de transmissão de energia aumentou em 9% os
pedidos obtendo uma receita de 12% e por fim, o setor de distribuição cresceu 8% em suas
encomendas e 13% em sua receita. Todo esse crescimento é causado por uma boa gestão
tecnológica capaz de gerar, produzir, aperfeiçoar e comercializar suas inovações, revertendo o
conhecimento em capital.
5. Conclusão
A tecnologia e a inovação são fatores de grande valor para a construção de um caminho que
leva ao sucesso empresarial, dessa forma, uma gestão que envolva esses conceitos se torna
importante para o alinhamento com as metas da empresa. De uma forma geral, os resultados
apresentados através deste estudo de caso possibilitam afirmar que a gestão da inovação
tecnológica apresentada, no caso estudado, recebe a importância definida pelos diversos
autores aqui citados. Como principais atividades aliadas a esse tipo de gestão, a organização
intensifica o foco em tecnologias-chave, identificando tendências e traduzindo idéias
inovadoras em produtos e serviços. Para tanto a empresa investe em P&D, apresentando um
número crescendo de patentes e inovações notificadas no ano. Tópicos referentes a
planejamento estratégico, a promoção de um ambiente propício ao intercâmbio do
conhecimento e o investimento no corpo profissional da empresa, capacitando e
desenvolvendo as equipes, também foram abordados. Conclui-se então que a gestão da
inovação tecnológica adotada pela empresa tem uma visão sistêmica, atuando de forma
integral em toda a organização, assegurando que os orçamentos na busca pela inovação sejam
adequados, fato que pode ser comprovado pelo crescimento do setor abordado no trabalho,
em 30% em relação ao ano anterior, se posicionando fortemente no mercado de energia do
Brasil.
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A gestão da inovação tecnológica – Um estudo