Fundação Getúlio Vargas FGV Management Núcleo de Brasília MBA em Administração Estratégica de Sistemas de Informação SÉRGIO SAMPAIO BEZERRA DESCENTRALIZAÇÃO DO MODELO DE GESTÃO DE TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO: PROPOSTA PARA O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE Brasília – DF 2004 Fundação Getúlio Vargas FGV Management Núcleo de Brasília MBA em Administração Estratégica de Sistemas de Informação SÉRGIO SAMPAIO BEZERRA DESCENTRALIZAÇÃO DO MODELO DE GESTÃO DE TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO: PROPOSTA PARA O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE Monografia a ser apresentada à Fundação Getúlio Vargas – FGV Management, Núcleo de Brasília-DF, como requisito parcial para conclusão do curso MBA em Administração Estratégica de Sistemas de Informação. Orientadora: Sandra Klosovski Brasília – DF 2004 Dedico este trabalho a minhas amigas queridas Ana Lourdes Marques, Sônia Brito e Celeste Aída, as pessoas que mais influenciaram na minha formação profissional. “Dados, dados por toda a parte, mas nenhum pensamento para pensar!” Jesse H. Shera BEZERRA, Sergio Sampaio. Busca de Informação: Descentralização do modelo de Gestão de Tecnologia de Informação: Proposta para o Sistema Único de Saúde. Monografia- FGV- 2004. RESUMO O objetivo deste trabalho foi apontar recomendações e analisar os benefícios da descentralização do Modelo de Gestão de Tecnologia da Informação(TI) para Estados e Municípios, visando a melhoria dos processos de trabalho em saúde, especificamente, contribuindo para melhoria da situação do Sistema Único de Saúde. Assim, primeiramente foi enfatizados o gerenciamento eficaz da TI e o seu alinhamento ao negócio nas organizações públicas e privadas com enfoque na dimensão estrutural e organizacional. Para tanto, utilizou-se uma contextualização da Administração Estratégica da Informação; os principais aspectos da Gestão da TI; os modelos de Estruturas da TI nas organizações e ainda especificamente o Processo de Descentralização do SUS. Em um segundo momento, expõe-se, a pesquisa de campo, realizada com 12 instituições, que fazem parte do SUS, objetivando-se confrontar as visões e experiências, a fim de identificar pontos comuns e de divergências em relação ao modelo de gestão de TI, existente atualmente no SUS. Logo após, far-se-á uma análise dos resultados obtidos baseados na área de TI do SUS, traçando um panorama atual com ênfase na importância da informação. Por fim, formulou-se a partir dos elementos apresentados, algumas premissas para um modelo de sistematização dos processos de gestão e uso da informação no SUS. SUMÁRIO INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 1 1- GERENCIAMENTO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO.................................... 5 1.1- ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DA INFORMAÇÃO ......................................... 5 1.2. GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO (TI) ............................................... 7 1.2.1. Gestão da Tecnologia da Informação no Setor Público ........................................ 10 1.2.2. Alinhamento da Gestão de TI ao Negócio da Organização................................... 12 1.3. MODELOS DE ESTRUTURA NAS ORGANIZAÇÕES............................................. 16 2. CARACTERÍSTICAS DA DESCENTRALIZAÇÃO DAS POLÍTICAS SOCIAIS NO BRASIL ................................................................................................................................... 20 2.1. PROCESSO DE DESCENTRALIZAÇÃO DO SUS – O MODELO DE FINANCIAMENTO............................................................................................................. 21 2.2. CONFIGURAÇÃO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÀO EM SAÚDE .................... 23 3- METODOLOGIA DA PESQUISA .................................................................................. 26 3.1 NATUREZA E ESTRATÉGIA DA PESQUISA........................................................... 26 3.2. INSTITUIÇÕES PESQUISADAS E PERFIS ............................................................... 27 4- ANÁLISE DOS RESULTADOS....................................................................................... 29 4.1 ÁREA DE TI NO SUS – CENÁRIO ATUAL ................................................................ 29 4.2. IMPORTÂNCIA DA INFORMAÇÃO PARA O SUS .................................................. 31 Usuários ........................................................................................................................... 33 Profissionais de Saúde ..................................................................................................... 34 Gestores ............................................................................................................................ 35 5- RECOMENDAÇÕES ........................................................................................................ 36 5.1. PREMISSAS.................................................................................................................. 38 5.2.DIRETRIZES ................................................................................................................. 38 CONCLUSÃO......................................................................................................................... 42 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 46 ANEXO I-PESQUISA “DESCENTRALIZAÇÃO DO MODELO DE GESTÃO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO: PROPOSTA PARA O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE”................................................................................................................................... 49 LISTA DE QUADROS Quadro 1- Estilos de Gerência da Informação......................................................07 Quadro 2 - Perfis da TI nas Instituições Públicas ................................................08 Quadro 3 - Configurações Estruturais ..................................................................13 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Os Três Fluxos de Informação de uma organização........................06 Figura 2 - Modelo de relacionamento Cíclico.....................................................08 Figura 3 – Esboço de uma genealogia de tipos Ideais......................................15 1 INTRODUÇÃO A Informação na sociedade pós-industrial é caracterizada por mudanças cada vez mais velozes, fato determinante para que as organizações sobrevivam e obtenham vantagens competitivas. A Tecnologia da Informação (TI) vem proporcionar agilidade a essa informação. A área de TI tem uma complexa gestão nas organizações, por ter que unir os processos de TI com o negócio e acompanhar as mudanças e as tendências tecnológicas geradas pelo mercado. Entretanto, a TI tem demonstrado uma histórica dificuldade em alinhar-se com os negócios da organização. O processo de alinhamento é bastante complexo, e sua sustentação torna-se um desafio continuo. Existem diversas práticas que podem ser aplicadas pelo CIO (Chief Information Officer) e sua equipe para alinhar a gestão de TI ao negócio da organização. Cada ambiente organizacional exigirá um conjunto adaptado de práticas, que levem em consideração as várias dimensões organizacionais. Os sistemas de informação em saúde brasileiros tiveram um crescimento acelerado nos últimos anos, especialmente com a implementação do Sistema Único de Saúde (SUS). O SUS é resultado de uma luta que teve início nos anos 70 e foi chamado por Movimento pela Reforma Sanitária Brasileira. Partindo do princípio de que a defesa da saúde é a defesa da própria vida, o Movimento pela Reforma Sanitária Brasileira insistia em que era preciso reformular o sistema de saúde para torná-lo mais eficaz e disponível a toda a população. O sistema de saúde vigente, até a promulgação da Constituição de 1998, só garantia o atendimento aos trabalhadores que tinham carteira de trabalho assinada. Aqueles que não eram trabalhadores, os pobres e excluídos do mercado de trabalho restavam o atendimento gratuito, realizado por algumas instituições. Foi então criado o SUS que trouxe várias mudanças para o sistema de saúde brasileiro. O SUS é um sistema público, ou seja, destinado a toda população e financiado com recursos arrecadados através dos impostos que são pagos pela sociedade. São princípios e diretrizes do SUS: a descentralização, a integralidade e a participação da comunidade, que se constitui no seu tripé de sustentação. A descentralização é um princípio de gestão que dá aos municípios o poder de administrar os serviços de saúde locais. Isto faz com que o sistema de saúde se torne mais eficiente, facilitando a resolução dos problemas pelo fato destes serem identificados no local onde surgem. Os estados, por meio das Secretarias Estaduais de Saúde, coordenam a prestação dos serviços na área de abrangência e prestam cooperação técnica aos municípios para o bom desempenho destes serviços. À direção nacional do SUS, representada pelo Ministério da Saúde, cabe coordenar e estabelecer normas para o sistema em âmbito nacional e também prestar assessoria técnica aos estados e municípios. Atualmente, a estrutura da área de TI no âmbito do SUS é centralizada no nível federal, enquanto nos estados e municípios, observa-se uma estrutura inadequada de TI. Isso provoca um desalinhamento entre o Modelo de Gestão de TI existente no âmbito do SUS e o principio da descentralização que o norteia, gerando um impacto na qualidade das informações que subsidiam o planejamento das ações de saúde. O modelo de financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) tem sido apontado como um dos maiores desafios ao seu processo de implementação efetiva, tendo em vista sua influência sobre o modelo assistencial e sobre a quantidade, a qualidade e a distribuição dos serviços de saúde. Historicamente, as formas de financiamento praticadas, têm concentrado recursos nas áreas mais desenvolvidas e induzido um modelo de atenção à saúde, voltado para a produção de serviços, sem preservar a coerência com os princípios do SUS, principalmente no que diz respeito à eqüidade. Não podemos responsabilizar a legislação que instituiu o SUS pela iniqüidade na distribuição de recursos, muito pelo contrário. O compromisso doutrinário em relação ao princípio da eqüidade está presente na legislação brasileira, mas essas garantias formais pouco têm se traduzido em termos de políticas públicas que efetivamente promovam um sistema de saúde mais eqüitativo. Alguns estudos já foram feitos acerca das vantagens e desvantagens da centralização ou descentralização da TI nas organizações, no entanto, para área de saúde coletiva é de grande relevância a avaliação de como um modelo de gestão de TI, pode alavancar a implementação do SUS no país. Diante do exposto, objetiva-se com esse trabalho apontar recomendações e analisar os benefícios da descentralização do Modelo de Gestão de TI para Estados e Municípios. Visa-se ainda, a melhoria dos processos de trabalho em saúde, com a produção de informações para os cidadãos, bem como para a gestão, a fim de qualificar a prática profissional e auxiliar no controle social. Tais melhorias, igualmente garantirão ganhos de eficiência e qualidade mensuráveis por meio da ampliação do acesso, da equidade e da integralidade, cumprindo o intuito de humanização dos serviços públicos de saúde e, assim, contribuindo para melhoria da situação de saúde da população. Assim, primeiramente será enfatizado o gerenciamento eficaz da TI e o seu alinhamento ao negócio nas organizações públicas e privadas com enfoque na dimensão estrutural e organizacional. Para tanto, utilizou-se uma contextualização conceitual da Administração Estratégica da Informação; os principais aspectos da Gestão da TI; os modelos de Estruturas da TI nas organizações e ainda especificamente o Processo de Descentralização do Sus. Em um segundo momento, será exposta, a pesquisa de campo, realizada com instituições, que fazem parte do SUS, representantes dos estados e municípios brasileiros e do governo federal. Objetivando-se confrontar as visões e experiências, a fim de identificar pontos comuns e divergências em relação ao modelo de gestão de TI, existente atualmente no SUS. Logo após, far-se-á uma análise dos resultados obtidos baseados na área de TI do SUS, traçando um panorama atual com ênfase na importância da informação para o desenvolvimento do mesmo. Por fim, formula-se-á a partir dos elementos apresentados colacionando subsídios, um vislumbramento de um modelo de sistematização ou reestruturação dos processos de gestão e uso da informação no SUS. 1- GERENCIAMENTO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO A construção do quadro teórico de referência consiste em um debate em torno de como administrar estrategicamente as informações para se obter efetividade no apoio a tomada de decisão, enfatizando o gerenciamento eficaz da tecnologia da informação e o seu alinhamento ao negócio nas organizações públicas e privadas com enfoque na dimensão estrutura-organizacional. Concentra-se, mais especificamente nas idéias de Cruz (2000), Walton (1993) e Mintzberg (2003). Além disso, foi feito um esforço de aproximação dessa discussão no âmbito da saúde, através de uma revisão de literatura acerca da descentralização das políticas sociais no Brasil e do processo de descentralização do Sistema Único de Saúde. 1.1- ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DA INFORMAÇÃO Segundo Davenport (1998, p.19) dados são simples observações sobre o estado do mundo, informação são esses dados com relevância e propósito e conhecimento é essa informação incorporada à mente humana. Informação é o resultado do processo de tratamento dos dados sobre alguém ou alguma coisa que aumenta sua consistência e o seu conteúdo cognoscível (CRUZ, 2000). A informação leva a tomada de decisões de melhor qualidade e no momento adequado, reduzindo seu grau de incerteza. Uma organização pode ter certas unidades trabalhando com grande desempenho e apenas uma trabalhando de forma medíocre obtendo um desempenho global também mediano, pois o desempenho de uma organização é imposto pelo seu elo mais frágil e está condicionado à qualidade das ligações e relações entre as unidades que a constituem (LESCA; ALMEIDA, 1994). Na sociedade pós-industrial, caracterizada por mudanças cada vez mais velozes, a informação seja formal ou informal tornou-se uma necessidade vital para qualquer área da atividade humana. As organizações não conseguem mais obter vantagens competitivas sustentáveis, simplesmente alocando novas tecnologias a ativos físicos e fazendo uma boa gestão financeira. As organizações da era da informação, só serão bem-sucedidas, investindo e gerenciando seu capital intelectual. (KAPLAN; NORTON, 1997). Segundo Lesca e Almeida (1994, p.69) nas organizações ocorrem três grandes fluxos de informação que apresentam duas componentes interdependentes, a informação de atividade que faz a organização funcionar e a informação de convívio que permite aos indivíduos conviverem e conseqüentemente influência seus comportamentos, como pode ser visto na Figura 1. Fluxo da Informação Produzida Pela Organização e Destinada ao Mercado Fluxo da Informação Produzida pela Organização e destinada a mesma. Fluxo da Informação Coletada Externamente e Utilizada pela Organização Figura 1: Os Três Fluxos de Informação de uma Organização 1 Lesca; Almeida, (1994, p. 69). 1 A gestão da informação consiste em um conjunto estruturado de atividades que engloba o modo como as organizações obtêm, distribuem e usam a informação e o conhecimento (DAVENPORT, 1998). A gestão da informação deve assentar em um SI (Sistema de Informação) desenvolvido a medida das necessidades da empresa, desempenhando um papel de apoio na articulação dos vários subsistemas que a constituem (entendida como um sistema global) e os sistemas envolventes. Na medida em que efetuar o processamento de dados provenientes de múltiplas fontes, gerando informação útil e em tempo real à gestão e à tomada de decisão formando e criando vantagens competitivas para a empresa no mercado. O objetivo da gestão da informação para uma organização consiste na busca da eficiência do conhecimento e da integração das partes que a constitui. A informação é um fator crítico de sucesso para qualquer organização, à medida que apóia o processo decisório e promove a sinergia entre seus vários subsistemas que a compõe. As novas tecnologias da informação são instrumentos que permitem uma nova forma de gestão da informação, pois agiliza e facilita sua transmissão. 1.2. GESTÃO DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO (TI) Pode-se conceituar a TI como todo e qualquer recurso tecnológico e computacional que permita o tratamento de dados e ou informação de forma sistêmica ou esporádica, aplicada no produto ou no processo (CRUZ, 2000). A TI e a sua gestão nas organizações têm sido objeto de discussão em várias mídias, artigos, congressos e publicações nos últimos anos. Esta Tecnologia impulsiona o progresso, conduz a inovação, aumenta a riqueza e atrai novos investimentos. Em simultâneo, permite um aumento da eficiência e a redução dos preços bem como melhora os serviços ao cliente, a qualidade e a variedade dos produtos. Os altos investimentos em projetos de TI têm direcionado o foco para a tecnologia em detrimento da informação, o que leva a pensar, que apesar dos níveis crescentes de investimento em TI, as organizações raramente possuem as informações que necessitam para tomada de decisão (MCGEE; PRUSAK, 1994). A TI têm dois papeis fundamentais em qualquer organização. O primeiro é ser usado pelas pessoas para que realizem suas atividades e a segunda é dá suporte ao processo produtivo da organização (CRUZ, 2000). Mcgee e Prusak (1994) identificam três tarefas necessárias a um efetivo gerenciamento da informação. A mais importante é que a identificação das necessidades e requisitos de informação deve considerar a variedade do ambiente que o sistema de informação (SI) tentará reproduzir; buscando mecanismos de auxilio para uma melhor identificação dessas necessidades e prevendo uma boa estratégia de coleta de dados. A segunda propõe a busca da adaptação do SI ao modo como os usuários trabalham a informação e a simplificação da forma como às informações chegam aos que vão utilizá-las para tomada de decisões. E, por último busca-se aproveitar o conhecimento e a experiência dos usuários. A TI deve estar alinhada ao negócio da organização e para isso é necessário entender como a esta funciona. Cruz (2000) propõe um modelo de relacionamento cíclico, para explicar o relacionamento da TI com outros elementos das organizações, conforme a Figura 2. A EMPRESA PROCESSOS CLIENTE PESSOAS TI Figura 2: Modelo de Relacionamento Cíclico 2 A interação desses três elementos busca a otimização dos processos produtivos com vistas a satisfazer os clientes. Diante disso, pode-se concluir que o modelo ideal mostraria um único circulo com o cliente no centro e que qualquer desses elementos em desequilíbrio prejudicaria o conjunto como um todo (CRUZ, 2000). Mcgee e Prusak (1994) identificaram cinco estilos de gerenciamento da informação que podem estar em conflito ou predominarem numa organização, como mostra o Quadro 1 . 2 Fonte: Cruz (2000, p. 36). ESTILO DE GERÊNCIA Utopia Tecnocrática Anarquia Feudalismo Monarquia Federalismo CARACTERISTICA Ênfase na modelagem e classificação da informação, valorização dos novos tipos de hardware e software e tentativa de centralização das informações da organização na área de tecnologia. Pessoas e pequenos departamentos gerenciando seus próprios bancos de dados o que leva a existência de dados duplicados com valores diferentes nos vários bancos. Aquisição, armazenagem, distribuição e análise da informação controlada pelos departamentos.Reduz a integração das informações para a tomada de decisão em níveis decisórios mais estratégicos. Poder de gerenciamento da informação centralizado.Reduz o poder dos departamentos em relação à política de informação.Dependente da visão do monarca para gerenciamento da informação. Uso da negociação como instrumento de gerência.Definição coletiva acerca do gerenciamento da informação. 3 Quadro 1: Estilo de Gerência da Informação Para uma organização otimizar o gerenciamento da informação é necessário que exista um consenso dentro dela acerca do que é informação, quem a possui, como é conservada, quem a gerência e como se controla e se utiliza a informação existente em todas as organizações (MCGEE; PRUSAK, 1994). Nas Organizações públicas tem que se considerar a dimensão política envolvida no gerenciamento da informação. 1.2.1. Gestão da Tecnologia da Informação no Setor Público A TI tem um grande impacto na desburocratização da administração pública o que resulta em uma maior eficácia das ações governamentais (BAHIENSE; NOGUEIRA, 2002). 3 Mcgee; Prusak (1994 p.155). Na gestão pública, a TI tem a mesma função das grandes organizações privadas, em algumas há consenso dos gestores que a TI deva ser centralizada, e em outras há consenso que deve ser descentralizada, dependendo das características de seus projetos e atividades (CUNHA; MARQUES; MEIRELLES, 2002). Segundo Bahiense e Nogueira (2002) na gestão de TI as instituições públicas podem ser segmentadas em três conglomerados de diferentes perfis, conforme sintetizado no Quadro 2: PERFIL DO CLUSTER Inovação Ação Burocrática Inação CARACTERISTICA Baixa influência política, motivação, política de recursos humanos consistente, participação da TI no planejamento estratégico e da alta administração no planejamento de TI, maior ênfase na efetividade do que na eficiência dos processos, visão da TI como alavancadora de progresso e maior oferta de serviços eletrônicos. A burocracia é usada como escudo contra interferências políticas, ausência de planejamento de longo prazo, atitudes pró-ativas com relação política a recursos humanos, visão da TI como avanço e inovação, TI não é considerada estratégica e menor oferta de serviços digitais. Apresenta distância de aspectos relevantes na construção de bases sólidas para avançar nos processo de gestão. Quadro 2: Perfis da TI nas Instituições Públicas 4 Observa-se que os três segmentos não apresentam questões importantes para gestão de TI como gestão de custos, gestão de mudanças, recrutamento e conservação do capital intelectual e o papel de TI no redesenho de processos. No entanto, o segmento Ação Burocrática é o que apresenta maiores possibilidades de saltos qualitativos (BAHIENSE; NOGUEIRA, 2002). Segundo Cunha, Marques e Meirelles (2002) na percepção dos executivos de TI da administração pública a política de TI na área pública deve ser alinhada ao plano de governo, obedecendo os tais critérios: formalização; 4 Bahiense e Nogueira (2002, p.13) estabelecimento de mecanismos de controle; acompanhamento e avaliação de custos e de seus projetos; busca da melhora da visão da TI para os gestores públicos; focar em resultados; construir e manter a infra- estrutura de TI do governo; formalizar a política de segurança física das informações e estabelecer uma política de recursos humanos, visando capacitar e reter os profissionais especializados. 1.2.2. Alinhamento da Gestão de TI ao Negócio da Organização Seria ideal que todos que compõem a organização compreendessem a estratégia, e como cada um, individualmente, pode contribuir para o alcance dos objetivos estratégicos, e ainda que todos buscassem coerentemente esse resultado. Esse movimento coerente é chamado alinhamento, na concepção de Kaplan e Norton (1997). Segundo Kaplan e Norton (1997, p.208) “ o alinhamento consiste em um processo que leva muito tempo e tem um alto grau de complexidade e para alcançá-lo em geral são utilizados três instrumentos: comunicação e educação contínua para as pessoas que compõe a empresa referente a sua estratégia; estabelecimento de metas visando o alcance dos objetivos estratégicos e motivação através de incentivos e compensações”. Historicamente a área de TI tem demonstrado uma grande dificuldade em alinhar-se com os negócios da organização. Dois fatores são convergentes para o aumento da importância do conhecimento de como integrar a TI e a organização. O primeiro é que a relação entre a TI avançada e a organização está se tornando mais complexas e profundas. O segundo é que eles ao mesmo tempo estão se tornando menos determinísticos. Os efeitos organizacionais dos antigos sistemas batch baseados em grandes computadores eram relativamente previsíveis-usualmente simplificadores e reguladores do andamento do trabalho. As gerações de TI seguintes tornaram-se menos diretamente associadas com o dado conjunto de efeitos. As duas potencialidades das tecnologias avançadas de informação permitem aos administradores optarem acerca do tipo de influência organizacional que pretendem dos sistemas de TI que aprovam (WALTON, 1993). Segundo Walton (1993, p.37), a “TI e a organização interagem de, pelo menos, sete diferentes maneiras. Em conjunto, mostram porque não podemos tratar a implementação de TI sem também discutir mudança organizacional” Primeiro, para ser eficaz, um sistema de TI pode requerer novas políticas ou desenhos organizacionais, tais como cargos mais amplos e flexíveis, distribuição de autoridade diferente, novos programas de treinamento ou diferentes critérios de seleção. Os planejadores obviamente necessitam ser capaz de planejar essas necessidades organizacionais de primeira ordem ao mesmo tempo em que planejam o sistema de TI. Segundo, a introdução de um sistema de TI pode provocar reações organizacionais não previstas, tais como novas disputas por poder ou status, mudanças nos padrões de comunicação, ou controle comportamental generalizado. Terceiro, sob certas condições organizacionais, a TI pode ser depois elaborada e revisada pelos usuários. Tal influência das pessoas sobre a tecnologia é especialmente significativa com os sistemas de computação pelo usuário final e os sistemas especialistas. Quarto, a TI pode criar ou promover novas soluções organizacionais. Pode, por exemplo, criar meios para evitar ou escolher entre uma estrutura centralizada e descentralizada, pela capacitação dos gerentes em dar suporte à flexibilidade e resposta características de uma organização descentralizada, conseguindo ao mesmo tempo a integração e o controle de uma organização centralizada. Quinto, os sistemas TI podem acelerar e refinar a adaptação organizacional a condições de mudança. Sexto, os sistemas de TI e as formas organizacionais podem, às vezes, serem considerados alternativos, no sentido de que cada um é capaz de desenvolver funções similares, como facilitar certos tipos de comunicação e coordenação em um departamento de Pesquisa e Desenvolvimento. Quando os planejadores conhecem os caminhos pelos quais as formas organizacionais e as características da tecnologia são substituíveis, podem considerar uma variedade maior de opções de desenho. Sétimo, o planejamento de um sistema de TI pode criar oportunidades para introdução de mudanças organizacionais que a administração pode achar desejável independente das necessidades ou potenciais efeitos do sistema. Os planejadores do processo de implementação completo devem estar ciente de cada uma dessas relações potenciais entre a organização e a tecnologia. De outra forma, serão candidatos a perderem oportunidades de desenvolver sistemas de TI mais eficazes ou serem surpreendidos por reações que deteriorem os sistemas que tiverem implementado. O processo de alinhamento é bastante complexo, e a sua sustentação torna-se um desafio contínuo. Existem diversas práticas que podem ser aplicadas pelo Chief Information Officer (CIO) e sua equipe para alinhar a gestão de TI ao negócio da organização. Cada ambiente organizacional requerá um conjunto adaptado de práticas que leve em consideração as várias dimensões organizacionais, que neste estudo se limitará à dimensão estrutura organizacional. A dimensão ‘estrutura’ é fortemente afetada pelas mudanças contínuas impostas pela modernidade. Segundo Nadler e Tushman (2000, p.60) a rapidez com que as mudanças ocorrem desfigura o tempo e o espaço afetando o design organizacional das empresas. Essas grandes mudanças levam as empresas a encontrar formas criativas de projetar e implementar novos desenhos organizacionais em menos tempo, e conservando os benefícios tradicionalmente associados ao planejamento e à participação. Historicamente, o objetivo das estruturas organizacionais era institucionalizar a estabilidade. Na empresa do futuro, o objetivo será institucionalizar as mudanças. Com freqüência a estrutura de TI leva ao direcionamento do foco para seus processos internos, não tendo foco nos processos de negócios da organização, fazendo com as mudanças ocorridas não seja antecipadas pela área de TI. Um gerente de TI efetivo é aquele que consegue antecipar as mudanças adequado-se a elas (NADLER; TUSHMAN, 2000). Implementar novas tecnologias sem promover as inovações organizacionais apropriadas freqüentemente resulta em sistemas que falham em atender às expectativas. Às vezes, os planejadores falham em proporcionar as condições organizacionais mínimas necessárias para o funcionamento de um sistema de TI (WALTON, 1993). 1.3. MODELOS DE ESTRUTURA NAS ORGANIZAÇÕES As estruturas organizacionais norteiam os fluxos e coordenam os inter-relacionamentos entre as partes da organização (MINTZBERG, 2003). Segundo Wood (2003, p.26) são quatro as forças que influem nas configurações organizacionais, o primeiro aspecto é o ambiente, pois as organizações devem estar em conformidade com seus ambientes. O aspecto estrutura procura minimizar as incertezas buscando um maior grau de confiança e reprodutibilidade. O terceiro aspecto, liderança, representada pela figura do líder, que influencia as definições de estratégias e das estruturas organizacionais. O último aspecto é a estratégia, pois a estrutura muitas vezes é fruto dela. Alguns autores criaram tipologias organizacionais, entre estes se pode destacar Mintzberg (2003), que definiu cinco formatos organizacionais, sintetizados no Quadro 3 , que são os seguintes: CONFIGURAÇÂO ESTRUTURAL Estrutura Simples CARACTERÌSTICAS Pequena ou nenhuma estrutura, centralização, pequena divisão do trabalho, pequena hierarquia gerencial, pouca formalização, faz pouco uso de planejamento e treinamento e acima de tudo é orgânica. Burocracia Mecanizada Altamente especializada, rotinizada, procedimentos formalizados em toda a organização, estrutura administrativa bem definida, descentralização limitada, ambiente simples e estável, organização antiga e sistema técnico regulado e não automatizado. Burocracia Profissional Baseia-se na coordenação da padronização de habilidades. Como aspectos fundamentais destaca-se o treinamento, a especialização do trabalho e a descentralização.Ambiente complexo e estável e sistema técnico não regulado e não sofisticado. As divisões são criadas de acordo com o mercado a que vão servir, descentralização limitada, há Forma Divisionalizada controle de desempenho, empresa antiga e de grande porte. Adhocracia Pouca formalização, grande especialização horizontal do trabalho, baseada em treinamento formal, grande quantidade de especialistas agrupados, instrumentos de ligação para ajudar ajustamento mútuo e descentralização seletiva, faz uso de agrupamentos temporários. Ambiente complexo e dinâmico e sistema técnico sofisticado e em geral automatizado. QUADRO 3 - Configurações Estruturais Cada uma das configurações de estrutura apresenta uma forma diferente de descentralização, a coordenação da organização é feita por mecanismos distintos e a parte mais importante da organização difere nos cinco tipos de configurações (MITZBERG, 2003). Wood (2001) apresenta um esboço de uma genealogia de tipos organizacionais ideais, conforme Figura 3. C o n fig u raç õ e s B u ro crá tica s M á q u in a b u ro crá tica B u ro c rac ia p ro fissio n a l • • • • E sta tais A lg u m as ex -esta tais Ó rg ã os d e G o v ern o A lg u m as g ra n d e s m u ltin a cio n ais eu ro p é ia s C o n fig u ra çõ es O rg ân ica s C o n fig u raç õ e s d e S im b o lism o In te n siv o E m p re sa o rg â n ic a O rg a n iz a çã o m issio n ária O rg a n iz aç ã o v irtu a l O rg an iza çã o d ra m á tica E m p re sa d e c o n h e cim en to in ten siv o O rg an iza çã o esp e ta cu lar • A lg u m as m u ltin acio n a is • E m p re sas p ro fissio n ais Figura 3: Esboço de uma Genealogia de Tipos Ideais 5 Wood (2001, p.103) 5 • A lg u m as m u ltin a cio n ais • E m p resa s d e se rv iço s • A lg u m as e m p resa s d e m íd ia Esse esboço leva em consideração a existência de uma tendência de migração das configurações burocráticas para configurações de alta intensidade simbólica e que no mercado, atualmente, temos uma mistura de vários tipos ideais ás vezes presente na mesma organização (WOOD, 2001). Quando todo o poder para tomada de decisão situa-se em um único ponto da organização, sugere-se uma estrutura centralizada. Na extensão em que o poder está disperso entre muitas pessoas, sugere-se a estrutura descentralizada. (MINTZBERG, 2003). Compreender os aspectos sócio-cultural local é fundamental para se compreender os fenômenos por trás das configurações organizacionais (WOOD, 2001). Segundo Mintzberg (2003, p.112), apesar da centralização ser o meio mais seguro de coordenar a tomada de decisão na organização, ela deve ser descentralizada simplesmente porque nem todas as suas decisões podem ser entendidas em um centro, em um cérebro. Às vezes, a informação necessária não pode ser levada a esse centro, talvez por ser difusa e difícil de ser transmitida. Outra razão é que ela permite a organização responder rapidamente ás condições locais e por último por que a descentralização constitui-se no estímulo para motivação. A descentralização vertical diz respeito à delegação do poder de tomada de decisão aos escalões inferiores da cadeia de autoridade, da cúpula estratégica para linha intermediária. O foco está no poder formal – fazer escolhas e autorizá-las -, oposto ao poder informal que surge do aconselhamento e da execução. A descentralização horizontal referese à extensão em que os não-gerentes controlam os processos de decisão. A centralização e a descentralização não devem ser tratadas como absolutas, mas, ao contrário, como extremos de um continuum. Segundo Cruz (2000, p.62) os modelos referidos são considerados estruturas formais em linha, porém, a rigidez das relações de poder e das comunicações propicia o aparecimento de diversas fragilidades que reduzem a capacidade de reação e adaptação da organização diante de mudanças. Essas estruturas possuem como vantagens o fato da cadeia de comando ser claramente definida e da responsabilidade pela variação de qualidade ser fácil determinar, e ainda da comunicação ser rápida e eficiente. Como desvantagens possui a falta de especialização do supervisor para operar em todas as esferas da organização; a freqüente sobrecarga de trabalho e a dificuldade em assegurar a sucessão do posto. No cenário atual de grande competição no mercado, as organizações têm usado como instrumento de resposta rápida, as mudanças organizacionais necessárias a sua orientação para processos onde à informação é fluida em todos os níveis da organização, fazendo com que cada individuo que compõe a organização, trabalhe para atingir o seu objetivo estratégico (WOOD, 2001). 2. CARACTERÍSTICAS DA DESCENTRALIZAÇÃO DAS POLÍTICAS SOCIAIS NO BRASIL O Brasil trouxe para o novo século as duas principais marcas da situação social que experimentou praticamente durante toda a segunda metade do século XX: uma das mais desiguais estruturas sociais dos países de médio e alto desenvolvimento econômico e um sistema de proteção social incompleto, frágil, incapaz de afetar positiva e significativamente os indicadores de desigualdade e exclusão social. O modelo de federalismo brasileiro influência a descentralização das políticas sociais em nosso país. A história federativa brasileira se caracteriza pela não cooperação entre o conjunto de atores e pela relação entre os Estados e União não ser pautada por via democrática, tendo o Governo Federal ao longo do tempo, se fortalecido politicamente, economicamente e administrativamente (ABRÚCIO, 1998). A descentralização na sua essência significa a transferência do poder central para o poder local promovendo a autonomia da gestão (JUNQUEIRA, 1995). No cenário brasileiro atual observa-se uma concorrência perversa entre os interesses regionais e nacionais. Nas negociações entre a união, estados e municípios tem predominado um jogo predatório entre estados e união, e uma competição não cooperativa na relação entre estados e municípios, que tentam obter do governo federal a maior quantidade de recursos possíveis com o mínimo de vinculação (ABRÚCIO, 1998). As sociedades modernas dispõem de três recursos: dinheiro, poder e solidariedade, além de suas inter-relações, para o exercício da governabilidade (JUNQUEIRA, 1995). Na análise da trajetória das políticas sociais no Brasil, dois aspectos têm exercido grande influência sobre seu financiamento e gestão, a nossa história tradicionalmente autoritária e centralizadora do poder central e o federalismo predatório (ABRÚCIO, 1998). A descentralização não pode ser total deve-se supor sempre a possibilidade do Estado recuperar o poder transferido, isto é, sempre deve existir algum nível de centralização (JUNQUEIRA, 1995). A mudança no modelo de federalismo brasileiro pressupõe a criação de mecanismos de coordenação e cooperação que diminuam os custos dos processos de barganha federativa, através da constituição de redes de articulação das ações dos sistemas públicos, das três esferas de governo. (ABRÚCIO, 1998) O modelo descentralizado de organização do Sistema Único de Saúde (SUS) reforça as interações entre os níveis de governo para resolver os problemas dos cidadãos (JUNQUEIRA, 1995). 2.1. PROCESSO DE DESCENTRALIZAÇÃO DO SUS O artigo 198 estabeleceu a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), determinando que as ações e serviços públicos de saúde devessem integrar uma rede regionalizada e hierarquizada, constituindo descentralizado, com direção única em cada esfera de governo. um sistema único Com isso, o desenvolvimento da reforma sanitária no Brasil através da implantação do SUS vem possibilitando a criação de novos modelos de gestão que tem como conseqüências a adoção de novos modelos de atenção à saúde e melhorias no uso dos recursos alocados (KISIL, 1998). A rede intergovernamental formada pelos atores envolvidos no processo de pactuação das políticas de saúde, forma uma estrutura heterogênea com um padrão de integração decrescente do nível federal para o nível municipal (CAMPOS, 2001). Qualquer mudança organizacional tem que ser vista como um processo organizacional, que tem que ser gerenciado com o envolvimento de cada membro da organização (KISIL, 1998) A pactuação das políticas de saúde geram normas de grande complexidade, levando a necessidade de profissionais especializados que apenas alguns gestores podem dispor. Diante disso, a maioria dos gestores delega suas reinvidicações aos órgãos de representação, limitando suas possibilidades de obtenção de recursos. (CAMPOS, 2001) Um dos principais avanços na implementação do SUS é o processo acelerado de descentralização político-administrativa, com progressiva transferência de recursos do gestor federal para os gestores estaduais e municipais. (SOUZA, 2002) Apesar da legislação determinar transferência de recursos financeiros para estados e municípios, através de repasse direto e automático, o modelo de financiamento praticado tem gerado a necessidade permanente de negociação dos critérios de divisão dos recursos. (CAMPOS, 2001) A dependência dos recursos federais induz as Secretárias Estaduais e Municipais a tentarem se adaptar para atender as demandas do nível federal como forma de favorecer a captação de recursos o que leva a uma perda da qualidade de suas ações (SOUZA, 2002). A questão do financiamento está diretamente relacionada ao difícil consenso das responsabilidades entre os três níveis de governo (CAMPOS, 2001). O desenho institucional do SUS deve distanciar-se das modificações apenas burocráticas e aproximar-se de uma reengenharia do sistema implicando numa revisão global dos processos de trabalho em todas suas áreas (MENDES, 1996). Essa questão vem influenciando sobremaneira os Sistemas de Informação em Saúde. 2.2. CONFIGURAÇÃO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE O Plano Diretor de Processamento de Dados do Ministério da Saúde que tinha como objetivo prover ao Ministério de Infra-estrutura de Processamento Eletrônico de dados, a viabilização do Sistema de Informação de Saúde e dar suporte ao processo de modernização administrativa em desenvolvimento. (BRANCO, 2001) Quando se tenta identificar os Sistemas de Informações em saúde, partindo de sua denominação, encontra-se uma infinidade de sistemas, de onde advêm uma série de fatores que geram dificuldades em relação à identificação dos sistemas e na duplicação de esforços pelas diversas instituições que fazem as ações de saúde, quais sejam (MORAES, 1994): Sistemas similares que em estados diferentes ganham desenhos de acordo com o gosto ou interesse do gestor; Quando há mudanças de gestor os mesmos mudam os sistemas apenas para caracterizarem com sendo de sua gestão; Existe concepções diferentes para o mesmo sistema; Alguns sistemas podem ter maior ou menor importância dependendo da autoridade do profissional que o gerencia; Encontra-se, também, a concepção da Teoria de Sistemas tentando organizar as inter-relações existentes. Identificam-se denominações tais como: Sistema, Subsistemas, Subsubsistemas, subsubsubsistemas. No Plano Diretor os sistemas a serem desenvolvidos foram agrupados em três grandes blocos: sistemas de interesse geral para o setor saúde; sistemas de responsabilidade do Ministério da Saúde e Sistemas administrativos. A seguir, os mesmos são especificados (BRANCO, 2001). Sistemas de interesse geral para o setor saúde: onde estão inseridos os sistemas que permite caracterizar a situação de saúde do país; Sistemas de responsabilidade do Ministério da Saúde: onde estão inseridos os destinados às atividades de vigilância epidemiológica, vigilância sanitária, combate as endemias e controle de epidemias; Sistemas administrativos: onde estão inseridos os destinados a modernização administrativa. Essa lógica de agregação temática dos sistemas, representa a lógica de organização das ações de saúde regidas por programas específicos o que favorece a crescente desarticulação entre as diversas áreas e conseqüentemente as informações por elas produzidas. 3- METODOLOGIA DA PESQUISA 3.1 NATUREZA E ESTRATÉGIA DA PESQUISA A pesquisa de campo foi realizada junto a 12 instituições que fazem parte do SUS, incluindo Unidades de Saúde, Secretárias Municipais de Saúde, Secretárias Estaduais de Saúde e Ministério da Saúde (área de negócio e área de TI). Estas instituições representam os estados e municípios brasileiros e o governo federal. Procurou-se investigar os processos de entradas e saídas dos dados, no que diz respeito á visão dos gestores do SUS e profissionais de saúde do SUS, nos Sistemas de Informação existentes atualmente no SUS enfocando seus objetivos, benefícios e experiências. Os entrevistados foram os representantes da alta direção das instituições e/ou profissionais das unidades de saúde do SUS. O objetivo foi de confrontar as visões e experiências do nível federal com os níveis estaduais, municipais e de profissionais de saúde, para identificar pontos comuns e divergências em relação ao modelo de gestão de TI existente atualmente no SUS, de forma a entender-se melhor, como está ocorrendo este processo e contribuir para um melhor desempenho global do sistema, através de algumas recomendações, alvo de discussão do próximo capítulo. Para que a amostra das instituições selecionadas para investigação fosse a mais representativa possível, procurou-se diversificar tomando como base critérios por regiões do país e porte de estados, municípios e unidades de Saúde. Pela natureza qualitativa do estudo, uma amostra ampla seria desaconselhável, pois poderia inviabilizar o levantamento, ao mesmo tempo em que tenderia a complicar excessivamente o processo de análise. A investigação foi realizada através de questionários semiestruturados, contendo questões fechadas e abertas que abrangeram as dificuldades encontradas pelos estados e municípios e profissionais de saúde para coletar e alimentar os dados nos sistemas de informação disponibilizados pelo Ministério da Saúde. Também foi avaliada, a estrutura da área de TI disponível nos estados e municípios e como são utilizadas as informações geradas pelos sistemas de informação do SUS nos diferentes níveis de gestão (federal, estadual, municipal e local) As inferências e conclusões não se prenderam meramente as análises estatísticas, até porque, pela própria natureza do enfoque e pelo número relativamente limitado de entrevistas realizadas, qualquer conclusão fundamentada em análise estatística tenderia a ficar enfraquecida. 3.2. INSTITUIÇÕES PESQUISADAS E PERFIS Das 12 instituições pesquisadas, 05 foram Secretarias Estaduais Saúde representando cada região do país (Sul, Sudeste, Norte, Nordeste e CentroOeste); 03 Secretarias Municipais de Saúde divididos em municípios de pequeno, médio e grande porte, 03 Unidades de Saúde por nível de complexidade do serviço (baixa, média e alta) e o Ministério da Saúde. Dessas instituições pesquisadas obteve-se resposta de 02 gestores estaduais, representantes das regiões Sudeste e Nordeste do país; 02 municípios, sendo 01 de pequeno porte e outro de médio porte; 01 profissional de saúde de Unidade de baixa complexidade e 01 gestor da área de TI e 01 outro da área de negócio do Ministério da Saúde. 4- ANÁLISE DOS RESULTADOS 4.1 ÁREA DE TI NO SUS – CENÁRIO ATUAL Todos os gestores, tanto estaduais como municipais, colocaram que embora os sistemas de informação de abrangência nacional tenham sido criados por mecanismos diferentes, ora pelo Ministério da Saúde ora pelo Ministério da Previdência, como, por exemplo, o Sistema de Informações de Mortalidade e o Sistema de Pagamento das Internações Hospitalares, todos tiveram por objetivo atender a necessidade dos órgãos centrais em obter os dados para efeitos imediatos de gestão ou geração de conhecimento em saúde. Todos os entrevistados seja do nível federal, estadual ou municipal bem como o profissional de saúde concorda que um processo comum aos sistemas de informação em saúde brasileiros é a instituição de um instrumento, impresso em papel, para coleta adicional aos registros profissionais e administrativos, duplicando o trabalho de registro rotineiro de dados. Este re-trabalho e a digitação posterior dos dados aumentam a probabilidade de erros e vieses na informação produzida e utilizada para a tomada de decisão. Via de regra, as necessidades de informatização dos próprios serviços vem sendo negligenciada pelos órgãos da administração central dos três níveis de governo, e a operação da grande parte dos serviços de saúde ainda se baseia em registros manuais, o que consome parte importante da mão de obra disponível. Além disso, o preenchimento dos múltiplos formulários, às vezes mais de um para determinado evento, se transforma em pesado encargo adicional, sem fornecer nenhum apoio para a melhoria da operação local. Sabe-se que, muitas vezes, esta forma de coletar dados que não tem interesse para o próprio serviço, apenas para cumprir as determinações administrativas, resulta na má qualidade das informações coletadas. Concordam que apesar da maior disponibilidade de recursos de informática, tanto pela existência de computadores cada vez mais baratos e poderosos quanto pelo aumento da competência nacional em informática, temos visto o antigo modelo de implantar um instrumento de coleta adicional ser multiplicado por um número cada vez maior de sistemas de informação que são implementados como novas obrigações sobre os mesmos serviços. Entretanto, eles observam que em outras áreas de governo, tem-se tido exemplos recentes do uso da informática passando do simples uso no processamento centralizado dos dados para apoiar a realização da própria atividade com surpreendentes ganho de qualidade e produtividade. Sendo um exemplo bem conhecido o processamento informatizado das eleições no Brasil, onde se passou da transcrição e consolidação dos boletins de urna, antes apurados manualmente ao longo de vários dias, para a urna eletrônica que realiza a própria votação e coloca o boletim disponível logo ao terminar o período de votação. Apesar disso, todos os gestores entrevistados afirmam que no âmbito do SUS começam a crescer os exemplos de iniciativas locais bem sucedidas de informatização do processo de trabalho em saúde, com ganhos de produtividade e qualidade dos serviços de saúde. 4.2. IMPORTÂNCIA DA INFORMAÇÃO PARA O SUS Há um consenso entre os gestores dirigentes do SUS entrevistados sobre a importância central da informação para avaliar o sucesso das políticas de saúde. Este consenso se manifesta não apenas nessa pesquisa, mas também em relatórios e recomendações de Conferências de Saúde, oficinas de trabalho do SUS e eventos de sociedades científicas. Informações epidemiológicas, financeiras, orçamentárias, legais, normativas, sócio-econômicas, demográficas e sobre recursos físicos e humanos, oriundas de dados de qualidade são capazes de revelar a realidade de serviços e ações de saúde e a situação de saúde da população, evidenciando vantagens e problemas de prioridades e investimentos definidos. A demanda por informações em saúde vem aumentando os desafios inerentes a sua utilização para subsidiar a tomada de decisões. Foi destacada pelos entrevistados a necessidade de que as avaliações do processo de trabalho em saúde além de permitir correções de trajetória, tenham um papel fundamental na capacitação de recursos humanos e na democratização do conhecimento. Usuários, profissionais e gestores, mas também prestadores de serviços de saúde, instituições de ensino e pesquisa e a sociedade civil organizada são parceiros estratégicos na produção e utilização das informações em saúde. Concordam que a tecnologia da informação e a integração do sistema de informações em saúde constituirão uma poderosa ferramenta na promoção da eqüidade na atenção integral à saúde, efetivando e qualificando a atenção básica como principal porta de entrada do cidadão no SUS e integrando-a com os demais níveis de atenção. A valorização de características sócio- demográficas, tais como idade, gênero, raça ou etnia, escolaridade, ocupação e classe social, poderão subsidiar os esforços de redução das desigualdades em saúde e de ampliação do acesso da população a ações e serviços de qualidade, oportunos e humanizados. Da mesma forma, ambos os recursos serão essenciais para reorganizar a atenção especializada, reestruturar a média e a alta complexidade, redefinir o papel dos hospitais na rede assistencial, facilitar o acesso aos cuidados necessários, inverter a lógica de pagamento por procedimento para a de agravos prioritários, estruturar a rede de atenção às urgências e incrementar o sistema nacional de transplantes. Além disso, a tecnologia da informação e a integração dos sistemas de informação em saúde contribuirão para aperfeiçoar e consolidar a gestão descentralizada do SUS, fortalecendo o comando único do Sistema em cada esfera de governo, aprimorando a descentralização progressiva dos recursos e contribuindo para a orientação das ações de saúde segundo as necessidades e demandas locais. Informática e informação são recursos basilares para o planejamento e a avaliação de ações de promoção, prevenção e reabilitação, capazes de reduzir a morbimortalidade decorrente das doenças e agravos prevalentes, levando em conta as diversidades locais e regionais, bem como os grupos ou segmentos populacionais mais expostos. Os recursos tecnológicos e de informação em saúde igualmente apresentam um enorme potencial de fortalecer a gestão democrática do SUS, reforçando as instâncias formais de controle social, ampliando a participação e a capacitação dos diversos segmentos da sociedade e implantando mecanismos de defesa dos direitos dos cidadãos no Sistema. O uso articulado da informática e das informações em saúde será útil na definição da política nacional de investimentos em saúde, que priorize linhas estratégicas, contribuindo para o uso racional de insumos estratégicos (medicamentos, imunobiológicos e hemoderivados), a ampliação e agilização do acesso e a promoção da qualidade dos serviços do SUS. Este recurso também contribui para a segurança, eficácia e qualidade de produtos, insumos, serviços e ambientes de interesse para a saúde pública e a promoção da saúde. Desta maneira será mais fácil combater adulterações de produtos, concorrências desleais e disfunções técnicas, apoiar medidas voltadas à preservação do meio ambiente, à melhoria da qualidade dos ambientes de trabalho e à prevenção e tratamento de doenças e agravos relacionados ao trabalho. A seguir lista-se alguns usos potenciais das informações em saúde, identificados pelos entrevistados para usuários, profissionais e gestores do SUS.Entenda-se por Usuários do SUS os cidadãos que são atendidos nas Unidades de Saúde do SUS; Gestores são os dirigentes do Sistema de Saúde nas três esferas de governo (federal, estadual e municipal) compreendendo diretores e Secretários de Saúde e profissionais de saúde são os médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, assistentes sociais, etc, enfim todos os profissionais que trabalham no atendimento ao cidadão. Usuários Os recursos de informática devem facilitar o acesso aos serviços de saúde, agilizando e humanizando o agendamento e acolhimento das demandas de saúde e promovendo a utilização de informações em saúde por iniciativa do usuário, constituído dos cidadãos que usam o sistema, superando o tradicional uso para finalidades administrativas. Os usuários do SUS deverão ter pleno acesso às suas informações de saúde, valorizando a autonomia e o conhecimento do cidadão. A educação em saúde deverá ser privilegiada pela política de informação em saúde, fortalecendo a autonomia e o autocuidado de saúde e orientando como conviver com as doenças e como se manter saudável. A tecnologia e a informação em saúde também deverão facilitar aos usuários o conhecimento da situação de saúde da população e as características de serviços e profissionais. Profissionais de Saúde Apoiar a prática profissional, facilitando e organizando os registros rotineiros, oportunizando a realização de consultas e relatórios sobre as informações produzidas, facilitando o agendamento, a referência e a contra-referência de usuários estão entre os usos potenciais mais importantes da informação e a informática em saúde identificada pelos entrevistados. Recursos como, por exemplo, registro eletrônico de saúde, protocolos clínicos e programáticos, alertas, notificações, sistemas de apoio à decisão e consulta assistida à distância (TeleSaúde) aprimoram o trabalho dos profissionais de saúde, beneficiando, em conseqüência os usuários do SUS. Da mesma forma, os profissionais de saúde médicos , enfermeiros, farmacêuticos, ressaltam a facilidade de acesso e o apoio à produção de conhecimento científico, a capacitação e a educação continuada, ensino à distância, a educação em saúde da população, a avaliação e desempenho de profissionais, equipes e serviços, juntamente com a análise da situação de saúde da população, deverão ser priorizadas para apoiar a prática profissional. Gestores O uso da informação em saúde deverá contribuir para o aperfeiçoamento e consolidação da gestão descentralizada do SUS, de modo a efetivar o comando único do sistema em cada esfera de governo e aprimorar o processo de descentralização progressiva de recursos, contribuindo para o atendimento, segundo as necessidades e demandas locais de saúde. Segundo os gestores da área de TI do SUS dos níveis federal, estadual e municipal, a informação em saúde e a informática dinamizam a gestão, ao facilitar os acompanhamentos financeiros, administrativos e das políticas de saúde; ao subsidiar o planejamento e programação de ações e o estabelecimento de prioridades; ao monitorar as ações do SUS, avaliando desempenho, processos e impacto dos serviços; ao qualificar as atividades de controle, avaliação, regulação e auditoria; ao agilizar o acesso ao conhecimento; ao possibilitar a realização de consultas e relatórios sobre informações em saúde e ao agilizar a troca de informação com outras esferas do SUS. 5- RECOMENDAÇÕES Como objetivo central da pesquisa, analisou-se os benefícios da descentralização do Modelo de Gestão de TI para Estados e Municípios com vista a melhoria dos processos de trabalho em saúde produzindo informações para os cidadãos, para a gestão, visando a qualificação da prática profissional e o auxílio no controle social. Contudo, a prática de gestão da informação não acompanhou a evolução conceitual presente. Mesmo quando a própria legislação incorpora alguns princípios que justifiquem medidas por ela regidas, pois estas são bastante restritivas para atingir os objetivos acima. A prática de gestão e produção da informação em saúde no Brasil, não consegue reproduzir a evolução do discurso, sucedendo-se a diagnósticos, oficiais e acadêmicos, sobre a falta de integração entre as ações e instancias gestoras; a proliferação de sistemas, nem sempre com o grau de cobertura e qualidade desejados; a duplicidade e redundância de dados e informações; a carência de infra-estrutura técnica e tecnológica; e as dificuldades de acesso e disseminação, dentre outros fatores. Face a permanência desse quadro, há a necessidade de uma política nacional para a área que tome como marco referencial a adoção dos princípios que regem o SUS, como um novo quadro de referência para a redefinição dos papéis das três esferas de governo na produção e gestão da informação em saúde. De acordo com os estilos de Gestão de TI referenciados anteriormente por Mcgree e Prusak, entende-se que o SUS se encontra em uma relação conflituosa onde adequa-se ao modelo de Gerência Monárquica, no qual o poder de gerenciamento da informação é centralizado e dependente de toda uma esfera política, e concomitantemente, adapta-se ao modelo que Bahiense e Nogueira, denominam de perfil de Ação Burocrática, na qual a burocracia age como escudo contra interferências políticas e onde a TI não é considerada estratégica, oferecendo, assim, segundo os autores, maiores possibilidades de saltos qualitativos. O agravamento do quadro é percebido ainda, com a falta de otimização da informação suscitada pelos diversos fatores políticos envolvidos no gerenciamento das informações e até mesmo no conflito entre os modelos estratégicos, tornando o nível da administração estratégica da informação do SUS estática. Segundo Kaplan e Norton, existem três instrumentos essenciais para promover o alinhamento estratégico da TI ao negócio, que consiste na integração entre os membros, o estabelecimento de metas comuns e os incentivos motivacionais. No caso do SUS o próprio modelo de descentralização não viabiliza tal alinhamento, que depende de uma forte conformidade de ações. Mintzberg ressalta ainda, que através de uma configuração estrutural simples onde a centralização se torna o meio mais seguro de gerenciamento, a tomada de decisão, contudo, deve ser uma atitude descentralizada pois esta significa a entrega de autonomia a diversas gestões, evitando por vezes uma tomada de decisão equivocada. Por tais motivos, faz-se necessário um modelo híbrido de gestão de TI no SUS, no qual cabe ao nível federal a centralização dos padrões, o desenvolvimento e manutenção do sistemas e aos estados e municípios o encargo de desenvolver aplicativos contextualizados a sua realidade. Logo no âmbito desse estudo, identificaram-se algumas premissas e diretrizes que podem servir como sugestão para sistematização ou rearranjo dos processos de gestão e uso da informação no SUS. A seguir se relacionam algumas recomendações consideradas básicas e mais importantes para observação e subsídios na construção das práticas de gerenciamento da informação no SUS. 5.1. PREMISSAS Reconhecer a importância do gerenciamento da informação como um recurso para performance do SUS; Reconhecer a necessidade da existência de uma política nacional de informática e informação; Considerar que o uso efetivo dos sistemas de informação pode encontrar limites à própria estrutura da administração pública; Levar em conta que a atual estrutura organizacional da administração pública privilegia as decisões centralizadas nos escalões superiores. 5.2.DIRETRIZES Fortalecer as áreas de informação e informática nas três esferas de governo, apoiando a sua organização e desenvolvimento, através da criação de mecanismos de articulação, com vistas à integração dos sistemas de informação em saúde; estabelecimento de mecanismos que permitam a manutenção de quadro permanente de profissionais de informação e informática em saúde; Estabelecer Registro Eletrônico de Saúde que permita recuperar, por meios eletrônicos, as informações de saúde do indivíduo em seus diversos contatos com o sistema de saúde, com o objetivo de melhorar a qualidade dos processos de trabalho em saúde, incluindo a disponibilidade local de informações para a atenção à saúde; Estabelecer, por um processo aberto e participativo, padrões de representação da informação em saúde, abrangendo vocabulários, conteúdos e formatos de mensagens, de maneira a permitir o intercâmbio de dados entre as instituições, a interoperabilidade entre os sistemas e a correta interpretação das informações; Investir na criação de infra-estrutura de telecomunicação que permita a interoperabilidade entre as aplicações nos diversos serviços de saúde; Estabelecer mecanismos de compartilhamento de dados de interesse para a saúde e ampliar a produção e disseminação de informações de saúde de forma a atender tanto às necessidades de usuários, profissionais, gestores, prestadores de serviços e controle social, quanto ao intercâmbio com instituições de ensino e pesquisa, outros setores governamentais e da sociedade e instituições internacionais; Estimular as iniciativas locais de desenvolvimento de sistemas de informação, considerando sua potencialidade de melhor atender a diversidade e complexidade dos serviços de saúde, respeitando as características regionais e fortalecendo o desenvolvimento da cultura de informação e informática em saúde; Fortalecer a competência do Estado de intervir na área de produção de software em saúde, através da articulação da capacidade de produção de software do setor público de saúde, aproveitando as iniciativas locais do SUS, incluindo: as instituições de ensino e pesquisa; adoção de padrões abertos de software; criação e manutenção de um repositório nacional de software em saúde, incluindo componentes e aplicações, de acesso público e irrestrito; indução da capacidade de produção do mercado de software em saúde, fomentando o potencial de geração de emprego e exportação; definição de linhas de financiamento para o desenvolvimento de software em saúde, em articulação com agências financiadoras; atribuição de licença de software livre para todo o desenvolvimento financiado com recursos do SUS; estabelecimento de mecanismo de certificação e avaliação de qualidade do software e hardware desenvolvidos para a saúde; promoção de metodologias para o desenvolvimento de sistemas de informação em saúde e a capacitação de recursos humanos no desenvolvimento de aplicações em saúde; Apoiar a disseminação de informação em saúde para a população utilizando diferentes linguagens, mídias e veículos de comunicação, alcançando públicos específicos e facilitando o controle social em saúde; Institucionalizar mecanismos que garantam a participação de usuários e profissionais de saúde no processo de desenvolvimento de sistemas de informação em saúde para o SUS; Adotar o modelo híbrido de gestão de TI, onde a unidade de TI do nível federal, será a responsável por determinar os padrões de TI e pelo desenvolvimento e manutenção dos sistemas de saúde, cabendo às unidades de TI descentralizadas (estados, municípios e Unidades de saúde) a responsabilidade de desenvolver e manter os aplicativos voltados para sua realidade local. CONCLUSÃO A informação é um fator decisivo na gestão por ser um recurso importante e indispensável tanto no contexto interno, como no relacionamento com o ambiente externo. Quanto mais viável, oportuna e exaustiva for essa informação, mais coesa será a organização e maior será seu potencial de resposta às solicitações de demandas. Isso depende basicamente da importância dada à informação pela organização, bem como a otimização da sua utilização. A gestão da informação deve ser assentada num SI desenvolvido de acordo com as necessidades da organização. Quanto mais global e estruturado for o SI, entendido como um conjunto de meios humanos e técnicos, dados e procedimentos, articulados entre si, com vistas a fornecer informação útil para a gestão das atividades da organização onde estar inserido e quanto melhor representar a organização em funcionamento, mais flexível poderá ser essa organização. O SI deve funcionar como instrumento de mudança estratégica na estrutura organizacional, colocando novos desafios e exigindo a utilização de novas metodologias com a presença de TI, na medida em que estas constituem um potencial de avanços para as organizações. As Tls afetam todos os níveis da estrutura organizacional: ao nível estratégico, quando uma ação é susceptível de aumentar a coerência entre a organização e o meio envolvente, que por sua vez se traduz num aumento de eficácia em termos de cumprimento da missão organizacional; e aos níveis operacional e administrativo, quando existem efeitos endógenos, traduzidos em aumento da eficiência organizacional em termos de opções estratégicas. No entanto ao ser feita esta distinção, não significa que ela seja estanque, independente, pois existem impactos simultâneos aos vários níveis: estratégico, operacional e táctico. As TI têm reconhecidamente provocado impacto ao nível interno das organizações: na estrutura orgânica e no papel de enquadramento/coordenação na organização; em nível psico-sociológico e das relações pessoais; no subsistema de objetivos e valores das pessoas que trabalham nas organizações; bem como no subsistema tecnológico. Os gestores dos recursos de informação na área pública devem entender três perspectivas gerenciais: a do profissional de informática, a do executivo das agências de TI e a do formulador de políticas públicas. As decisões importantes em relação à gestão e aos recursos de informação também envolvem quatro dimensões teóricas distintas: tecnologia, economia, organização e política. A habilidade de olhar os desafios a partir desses quatro pontos de vista, é fundamental para o uso efetivo dos recursos de informação. As políticas devem compreender tecnologia, seus custos e benefícios, os efeitos nas organizações, e as considerações políticas que definem a natureza única do setor público. Fatores organizacionais, legais e institucionais devem também ser tratados. Os gerentes de TI precisam ter uma visão estratégica para alinhar a TI ao negócio da organização. Um meio para se alcançar esse alinhamento é a adequação da estrutura organizacional da TI a estrutura do negócio. Existem estruturas organizacionais centralizadas e descentralizadas, que são adotadas de acordo com o tipo de negócio realizado pela estrutura organizacional. Os dois tipos de modelos de estrutura organizacional apresentam vantagens e desvantagens. No modelo centralizado temos como vantagens à economia de escala, alta integridade, segurança corporativa e padrões uniformes; e como desvantagens a frustração do usuário, custos de comunicação e os riscos de isolamento. No modelo descentralizado as vantagens são o controle local das prioridades, soluções apropriadas, controle local de custos e o desenvolvimento rápido; as desvantagens são o custo da redundância, difusão da arquitetura, nenhum aprendizado organizacional e o isolamento das melhores práticas. Quando a TI está descentralizada em uma organização tem-se de verificar se a autoridade sobre uma ou mais áreas de responsabilidade acha-se vertical e horizontalmente descentralizada, isto é, se a autoridade encontra-se delegada de cima para baixo e definida lateralmente. Isso significa que não somente hardware e dados devem ser descentralizados, mas todo o conjunto de atividades associadas ao gerenciamento de TI. Em uma organização onde a TI é centralizada, a responsabilidade do SI é totalmente mantida dentro de uma unidade centralizada ou corporativa de SI; quando descentralizada, a responsabilidade de SI é totalmente mantida nas unidades operacionais, resultando em múltiplas unidades com pessoal de SI distribuídos por toda a organização. Numa visão mais ampla a descentralização é tida como um recurso organizacional consistindo de muitas áreas de atividades, em que cada uma pode ser executada ou controlada por vários indivíduos. Essas atividades, ou áreas de responsabilidade podem estar espalhadas por toda organização de várias maneiras, sendo papel do gestor considerar o grau apropriado de descentralização para cada uma delas. De acordo com o que constatamos na investigação realizada, no SUS o modelo de estrutura de TI é centralizado no nível federal e que as desvantagens desse tipo de estrutura organizacional é potencializada ao máximo, enquanto suas vantagens, não são constatadas enfaticamente. Com a descentralização, os gestores de TI, que atualmente gerenciam custos computacionais, planejam capacidades, administram sistemas e implementam novas tecnologias, passarão a desenvolver novos processos em conjunto com os usuários, adaptando-se à visão destes sobre produtividade nas atividades do SUS. À medida que os usuários passarem a ter mais contatos com os SIs irão melhorar o uso da TI e produzir como conseqüência uma maior demanda por novas atividades de TI em suas unidades operacionais. REFERÊNCIAS ABRÚCIO L.F., COSTA V.M.F. Reforma do Estado e o contexto federativo brasileiro. São Paulo: Fundação Konrad Adenauer, Série Pesquisas, nº 12,1998. BAHIENSE, G. C; NOGUEIRA, R. 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Por isso, as organizações necessitam de pessoas capacitadas a gerenciar o uso da TI como suporte ao negócio, segundo um modelo de gestão que envolva a direção e as áreas clientes. Essa é a motivação do estudo que estou realizando, que tem como objetivo "discutir o atual modelo de gestão de TI do SUS". Precisamos de sua colaboração, respondendo a este questionário. Esse é um estudo realizado por servidor do SUS, sob orientação da professora Sandra Klosovski, como trabalho final do curso de pós-graduação em Administração Estratégica de Sistemas de Informação da Fundação Getúlio Vargas – Núcleo Brasília. Parte I – Dados de Identificação 1.Qual seu nível ou esfera de gestão no SUS? 2.Qual é a área de atuação no SUS? ( ) Federal ( ) Estadual ( ) Municipal ( )Unidade de Saúde ( ) Gestor Negócio ( ) Profissional de Saúde ( ) Gestor de TI 3. Qual percentual descreve a relação entre o número de pessoas na área de TI e o número total de pessoas na sua área de atuação no SUS? ( ) menos de 2% ( ) entre 2% e 5% ( ) entre 5% e 10% ( ) mais de 10% 4. Você reconhece a necessidade de participação dos estados, municípios e profissionais de saúde na gestão de TI no SUS? ( ) Não ( ) Sim Parte II – Estrutura de TI atual do SUS 1. Existe alguma estrutura de TI na sua instituição? 2. Caso exista, como ela é composta e qual o volume de investimento aplicado? 3. Qual a sua visão em relação à gestão de TI atual do SUS? 4. Como se dá a alimentação dos sistemas de informação em saúde exigidos pelo SUS? Parte III – Importância da Informação para o SUS 1. Qual a importância das informações atualmente geradas pelos sistemas de informação em Saúde para o planejamento de suas ações? 2. Qual sua opinião acerca da qualidade dessas informações? 3. Na sua opinião qual mudança seria necessária para otimizar a gestão de TI no SUS? 4. Na sua opinião qual o impacto de uma melhoria da disponibilidade de informação, bem como da sua qualidade para implementação do SUS no país? E no seu ponto de vista como a gestão de TI poderia contribuir com isso?