PROJETO PEDAGÓGICO INSTITUCIONAL
- PPI -
Uberlândia –MG
2007
378
P 964
Projeto Pedagógico Institucional [manuscrito] / Centro
Universitário do Triângulo. – 2007.
112 f.
ISBN: 978-85-60926-03-9
1. Projeto Pedagógico Institucional. 2. Centro Universitário
do Triângulo – UNITRI. I. Centro Universitário do Triângulo.
2
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL
Reitora
Profª. Alzira J. M. Almeida
Pró-Reitora de Integração Acadêmica
Profª. Marlene Salgado de Oliveira
Pró-Reitor de Graduação
Profº. Fábio Silva de Oliveira
Pró – Reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão
Profª. Clotilde Maria Korndorfer
Pró-Reitor de Graduação Tecnológica
Profº Marcílio Ribeiro Borges
Pró-Reitor Administrativo
Profº. Wallace Salgado de Oliveira
Pró-Reitor de Planejamento e Finanças
Profº Wellington Salgado de Oliveira
Pró-Reitor de Organização e Desenvolvimento
Profº. Jefferson Salgado de Oliveira
Pró-Reitor de Assuntos Comunitários
Profº. Joaquim de Oliveira
Diretor de Graduação Tecnológica
Profº. Edson Rodrigues Menhô Júnior
Diretora de Extensão
Profª. Vanda Cunha Albieri Nery
Diretor Administrativo
Marco Antonio Socreppa
Diretor Financeiro
José Maria Mina
Secretária Geral
Edilene Cristina Espíndula Borges
3
SUMÁRIO
Apresentação
5
1. Unitri: histórico e trajetória
8
2. O município de Uberlândia
12
3. A Unitri engajada no desenvolvimento da região de
Uberlândia
23
4. Princípios filosóficos e políticos-educacionais
45
5. Princípios pedagógicos e pressupostos da práxis
66
5.1. Princípios pedagógicos
67
5.2. Pressupostos da Práxis
85
5.3. Diretrizes para o Ensino de Graduação
93
5.4. Diretrizes para o Ensino de Pós-Graduação
103
5.5. Diretrizes para a Pesquisa
104
5.6. Diretrizes para a extensão
107
6. Considerações Finais
108
7. Bibliografia
110
4
Apresentação
Estes tempos de grandes mudanças na educação
superior, como um todo, e das próprias instituições em suas
dinâmicas
informações
institucionais,
e
acarretam
provocam
a
uma
sobrecarga
necessidade
de
de
novos
conhecimentos.
O contexto organizacional e operacional adequado à sua
produção exige das instituições que coloquem em evidência a
necessária competência técnica específica, desafiando-as a
construírem
e
renovarem
as
práticas
pedagógicas
e
administrativas que as projetem para novas direções.
Desse
movimento
emergem
valores
e
orientações
essenciais à qualificação das ações institucionais que sejam
coerentes e consistentes com a visão pretendida, ou seja, é a
partir dele que se propõe um caminho para as mudanças.
Os conhecimentos e recursos utilizados para projetar a
expansão e transformação das instituições, ao mesmo tempo
em que garantem aos professores e alunos sua identidade e
identificação
com
o
processo
de
consolidação
dessas
mudanças, os envolvem na produção das condições por ele
requeridas – envolvimento que constitui o pressuposto básico
para a assimilação dos princípios e diretrizes que fundamentam
a proposta pedagógica de cada instituição.
5
Tais pontos de participação coletiva guardam estreita e
unívoca relação com a forma como o Projeto Pedagógico
Institucional (PPI) da Unitri vem sendo pensado e construído ao
longo dos anos.
Trabalhar um PPI significa dar um novo sentido aos
resultados parciais extraídos dos cursos, em seus diferentes
níveis, assim como das diferentes instâncias de decisão,
enquanto reflexo dos esforços das respectivas equipes, na
busca sistemática e contínua da melhoria das ações que lhes
são inerentes. Um novo que se ergue a partir da história de
cada um, especialmente no que tange à valorização desse
processo de permanente construção e revisão dos referenciais
teórico-práticos interessados em solidificar sua essência.
Como
um
participação
processo
social,
o
PPI
de
definição,
considera
os
construção
e
conteúdos
e
orientações dos processos educativos estabelecidos em um
dado momento histórico, à luz de coordenadas sociais,
econômicas e culturais.
Assim, o PPI, ora apresentado, teve suas bases
edificadas ao longo da trajetória educacional e política da
Unitri, e seu propósito é instituir referências valorativas que
garantam
a
convergência
das
ações
acadêmicas
e
administrativas e, certamente, instituir o diálogo como um valor
que deve ser aperfeiçoado na ação cotidiana dos agentes
6
institucionais, nos múltiplos espaços em que desenvolvem suas
atividades.
Em
outras
palavras,
o
PPI
é
uma
instância
de
concretização da Política Acadêmica, por meio da qual a Unitri,
ao
explicitar
parâmetros
sua
identidade
norteadores
da
institucional,
construção
expressa
dos
os
projetos
pedagógicos dos diversos cursos enquanto espaço privilegiado
para a articulação entre ensino, pesquisa e extensão.
A materialização deste Projeto exige disposição e abertura
para mudanças em todos os setores da Unitri, seja no âmbito
acadêmico, seja no administrativo. Estes, embora de naturezas
diferentes, devem associar-se e comprometer-se, acima de
tudo, com o desenvolvimento de um PPI que traduza os
verdadeiros anseios individuais e coletivos dos alunos.
Este é um desafio complexo para todos nós que,
vocacionados para a educação, compartilhamos caminhos na
investigação das estruturas e práticas pedagógicas que melhor
contribuam
para
a
formação
de
pessoas
capazes
de
estabelecer conexões entre seus projetos de vida e o projeto
de construção de uma sociedade mais humana e mais digna.
Profª. Alzira J. M. Almeida
7
1. Unitri: histórico e trajetória
O complexo educacional hoje denominado Centro
Universitário do Triângulo - Unitri tem sua origem ligada à
criação da Faculdade de Serviço Social, cujo funcionamento foi
autorizado em 1972. Três anos depois, foi criada a Faculdade
de
Educação,
Ciências,
Letras
e
Estudos
Sociais
de
Uberlândia.
Em 1988, os mantenedores alteraram a razão social para
Associação de Ensino do Triângulo e lograram, em 1989,
autorização
para
o
funcionamento
das
Faculdades
de
Fisioterapia e de Comunicação Social.
O agrupamento das quatro faculdades então existentes
deu à Instituição, em 1990, a denominação de Faculdades
Integradas do Triângulo – FIT, e a absorção, em 1991, dos
cursos de Administração e de Ciências Econômicas das
Faculdades Integradas de Uberlândia - FAIU ampliou seu
espectro de atuação.
Os cursos de pós-graduação lato sensu, em nível de
especialização, tiveram início em 1992 e constituíram-se em
instrumentos para qualificação e aperfeiçoamento de pessoal
graduado,
em
atendimento
às
necessidades
do
setor
empresarial e de outros setores da sociedade.
8
Um significativo segmento dessa oferta respondeu a
reivindicações da área educacional – da educação infantil ao
magistério superior – envolvendo alunos, professores e
especialistas dos setores público e privado da região. Um
trabalho que tem transformado a Unitri em pólo de atualização
daqueles que militam nas instituições de ensino e em outros
órgãos do sistema. Também na área da saúde, a Unitri vem
dando sua contribuição ao desenvolvimento regional. Com
ênfase nas questões da Saúde Pública, a Instituição vem
especializando pessoal da Fisioterapia e de outras áreas, com
forte e positivo impacto no nível de atuação desses
profissionais em Uberlândia e região.
Além disso, vale ressaltar que os cursos de pósgraduação lato sensu da Unitri inauguraram sua aproximação
com a CAPES. Durante anos, essa Agência analisou os
projetos a ela submetidos, recomendando muitos deles quanto
ao mérito acadêmico e apoiando financeiramente, outros
tantos, com bolsas para alunos e recursos para custeio básico.
No início do ano de 1994, a FIT teve a aprovação de
cinco novos cursos de graduação: Arquitetura e Urbanismo,
Ciências Contábeis, Ciência da Computação, Direito e
Publicidade e Propaganda, o que elevou para dezoito o número
de cursos oferecidos.
9
Ainda em 1994, ocorreu a instalação da Unidade de
Araguari, distante 29 km de Uberlândia, onde, em julho do
mesmo ano, ofereceu seu primeiro vestibular para os cursos de
Direito
e
Administração,
Ciências
Contábeis,
Ciências
Econômicas e Ciência da Computação. Em seguida, foi
aprovada a Unidade de Araxá, distante 186 km de Uberlândia,
com os Cursos de Administração e de
Ciência da
Computação.
Consolidadas
suas
unidades
de
ensino
superior,
entendeu a FIT estar madura para transformar-se numa
instituição universitária, centro e agente catalisador da
diversidade de idéias e expressões. Coincidindo com esse
processo, é promulgada, no final de 1996, a Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional, que abriu a possibilidade de
criação de novos tipos de estabelecimentos de Ensino
Superior.
Dessa
forma,
pelo
estágio
de
desenvolvimento
acadêmico e científico em que se encontravam, com três
mestrados se iniciando, em Administração, em Fisioterapia e
em Educação – Magistério Superior, as Faculdades Integradas
do Triângulo foram transformadas em Centro Universitário do
Triângulo - Unit, através do Decreto Presidencial (s/nº), de 30
de outubro de 1997, publicado no Diário Oficial de 3 de
novembro de 1997.
10
A transformação permitiu à Unit, pela autonomia
conferida aos Centros Universitários, executar seu Plano de
Expansão com a implantação, em 1998, de seis novos cursos
de graduação: Farmácia, Enfermagem, Nutrição, Secretariado
Executivo, Educação Física e Turismo e Hotelaria.
Nesse mesmo ano, pelo processo de transferência de
mantença, a Unit passou a ser mantida pela família Salgado de
Oliveira que, com seu estilo dinâmico e arrojado de gerir os
investimentos, promoveu o crescimento e fortaleceu a imagem
da Instituição, projetando-a em nível nacional.
Com o propósito de ampliar as áreas de formação e de
continuar contribuindo para a elevação do patamar de
qualidade do desempenho dos profissionais de Uberlândia e
região, diversos cursos de graduação foram criados, dentre
eles os superiores de tecnologia que reafirmam o pioneirismo
da
Instituição
na
oferta
de
cursos
inovadores,
em
correspondência às mudanças que vêm ocorrendo no mundo
do trabalho.
Submetido ao processo de recredenciamento, o Centro
Universitário do Triângulo obteve os conceitos máximos
atribuídos pelo MEC, o que, além de conceder-lhe autonomia
por mais 10 anos (Portaria nº 2041/2003, publicada no DOU de
29/07/03,
Seção
1,
p.13),
transformou-o
em
Centro
Universitário de referência no país.
11
A excelência alcançada no ensino impulsionou o processo
que já buscava o reposicionamento da marca Unit. Assim, a
partir de 22 de julho de 2004, o Centro Universitário do
Triângulo
passou
a
ser
designado
pela
sigla
Unitri,
incorporando o nome da região que possui uma das maiores
riquezas culturais do nosso País: o Triângulo Mineiro.
2. O município de Uberlândia
O município de Uberlândia é, atualmente, considerado o
mais desenvolvido de toda a região do Triângulo Mineiro e Alto
Paranaíba, sendo também o mais populoso, com estimativa do
IBGE, em 2006, de 615 mil habitantes. Essa projeção aponta
uma taxa de crescimento anual de 7,8 %, o que eleva
Uberlândia à categoria de maior cidade da região do Triângulo
Mineiro, a 2ª maior do Estado de Minas Gerais e a 31ª do
Brasil.
Dos cinqüenta e um municípios componentes do DGE16, vinte e oito integram a área de influência do município de
Uberlândia, de acordo com os estudos realizados pelo Centro
de
Documentação
e
Pesquisa
Sócio-Econômico
da
Universidade Federal de Uberlândia. É o município-sede da
Unitri, portanto, cidade-pólo para a qual converge o importante
12
potencial produtivo de uma área de vastas dimensões e densa
população.
Enquanto na região observa-se maior desenvolvimento
do setor primário da economia, Uberlândia registra saudável
equilíbrio
entre
as
atividades
agropecuárias,
industriais,
comerciais e de prestação de serviços. A intensa vitalidade dos
setores primário, secundário e terciário da economia faz dela a
terceira cidade mineira em arrecadação de tributos federais e a
oitava em tributos estaduais.
A cidade dispõe de infra-estrutura adequada, compatível
com o nível crescente de desenvolvimento sócio-econômico.
São inúmeras as edificações, tanto horizontais quanto verticais;
os serviços de água e esgoto são oferecidos à quase totalidade
da população e a potência instalada de energia elétrica é de
mais de 482.035,5 kVA. A concentração de quatorze
hidroelétricas e mais duas em construção, num raio de 200 km,
garante o fornecimento de energia com uma capacidade
disponível de 13.110 MW.
No campo da saúde, a cidade dispõe de numerosos e
bem equipados hospitais, Centros de Saúde e Unidades de
Atendimento.
O sistema de transporte coletivo é realizado por um
moderno Sistema Integrado de Transporte - SIT, implantado
em 1.998, que interliga todos os bairros da cidade. Já as
13
ligações com os demais municípios brasileiros são feitas
através de bem montadas estruturas de transporte rodoviário,
ferroviário e aéreo. A malha rodoferroviária e o Terminal
Intermodal de Cargas, com o Entreposto Aduaneiro (Porto
Seco), integram os transportes terrestre, aéreo e hidroviário
(Tietê - Paraná), ligando a cidade aos principais mercados do
País, ao Mercosul e ao mundo.
Todas
as
companhias
distribuidoras
de
produtos
derivados do petróleo dispõem de grande capacidade de
tancagem e de distribuição de combustíveis.
A cidade é servida pela Empresa de Correios e
Telégrafos através de agências postais, oficiais e franqueadas,
caixas de coletas e postos de vendas de selos. Os serviços de
comunicação em âmbito nacional e internacional têm como
concessionária a EMBRATEL que mantém, em Uberlândia, um
subdistrito de operações. Em termos de telefonia, a cidade
registra uma das maiores médias de instalações de terminais
por 100 habitantes, que é da ordem de 13,12, enquanto a
média nacional situa-se na faixa de 7,4. Além de estar ligada
ao Brasil e ao exterior pelos sistemas DDD e DDI, conta com
serviços como o de telefonia rural, telefonia móvel celular,
telecard e telemarketing, dentre outros.
A cidade é sede do 36º Batalhão de Infantaria
Motorizado, do 17º Batalhão de Polícia Militar, de Grupamento
14
de Corpo de Bombeiros, de Delegacia Regional de Polícia Civil,
Companhias de Polícia Florestal, de Polícia Rodoviária
Federal, de Polícia Rodoviária Estadual, de Polícia Federal e
de Justiça Federal, como também da Delegacia da Receita
Federal.
No âmbito da tecnologia, Uberlândia está dotada de um
parque tecnológico que conta com o apoio das seguintes
organizações:
Granja Rezende, com tecnologia própria para produzir
ovos patogenicamente isentos, é uma das duas únicas
produtoras mundiais desse insumo para a produção de
vacinas;
Cargil
de
Uberlândia,
reconhecida
como
destaque
internacional entre todas as suas filiais no mundo, nos
conceitos de qualidade e produtividade;
Grupo ABC Algar, genuinamente uberlandense, atua
pioneiramente em segmentos que vão da Informática à
Mecatrônica, sendo o primeiro a instalar a telefonia digital
celular no País e a utilizar fibras óticas para fins
comerciais;
Grupo Carfepe, também genuinamente uberlandense, tem
como destaque tecnológico entre suas diversas atividades
a produção de vacinas veterinárias de altíssima qualidade;
15
Universidade Federal de Uberlândia, apesar de seus vinte
e um anos de existência, já se destaca no cenário
universitário brasileiro ao oferecer, por exemplo, os
primeiros
e
únicos
cursos
de
doutoramento
em
Engenharia Mecânica e Elétrica no Estado de Minas
Gerais;
Tecnópolis de Uberlândia, cujo programa de implantação
é resultante do trabalho conjunto da Universidade Federal
de Uberlândia, Associação Comercial e Industrial de
Uberlândia
e
Prefeitura
Municipal,
e
está
sendo
desenvolvido há mais de cinco anos. A Tecnópolis,
baseada em Uberlândia, representa uma estratégia de
desenvolvimento
e
de
sustentação
econômica,
fundamentada em larga agregação de conhecimento.
Através da motivação para geração e aproveitamento de
conhecimento originado nas instituições acadêmicas, nos
centros de pesquisa e desenvolvimento das empresas e
nas atividades profissionais autônomas, esta estratégia
proporciona os meios físicos, jurídicos e ambientais para a
evolução tecnológica dos setores econômicos existentes,
o estímulo comercial aos detentores de conhecimento e a
atração de empreendedores externos, pelas vantagens
competitivas oferecidas.
16
O parque computacional instalado em Uberlândia tem a
maior concentração de processamento de dados por habitante,
em todo o país, conforme dados da IBM do Brasil.
A cidade possui, ainda, o maior centro atacadistadistribuidor da América Latina, constituído pelas empresas
ARCOM,
Martins,
Aliança,
Peixoto,
as
quais
faturam,
anualmente, cerca de 2,2 bilhões de reais.
Tal potencial permite a ela manter setenta e um por cento
dos equipamentos de cultura e lazer existentes na região,
constituídos de cinemas, teatros, teatros de arena, auditórios,
museus, galerias de arte, arquivos públicos, bibliotecas, Casas
de Cultura, Conservatórios e Escolas de Música, antiquários,
academias de letras, clubes sociais e desportivos, salões de
uso comunitário, centros sociais urbanos, praças, jardins,
parques, quadras esportivas, vídeo-clubes e shopping centers.
A cidade acompanha, pari passu, o movimento cultural
das grandes capitais, exibindo filmes consagrados pela crítica,
logo após seu lançamento, ou, mesmo, integrando o circuito de
lançamento nacional. Recebe grupos teatrais de renome,
quando de suas turnês pelas principais cidades do país, além
de montar peças teatrais e óperas; acompanha o mercado
editorial, promovendo debates, palestras e conferências com
os mais conceituados e competentes especialistas das
diversas áreas do conhecimento; promove eventos artísticos de
17
repercussão nacional, a exemplo do tradicional Festival de
Dança do Triângulo. A programação de todas as emissoras de
TV do país é captada pelos televisores da região, seja através
de estações geradoras, transmissoras, redes de TV a cabo ou
antenas parabólicas. São várias as emissoras de rádio AM e
FM, jornais de circulação diária e revistas de periodicidade
mensal.
As instituições sociais, integradas por associações
comunitárias, sindicatos, entidades religiosas, clubes de
serviço, asilos, orfanatos, abrigos e educandários para
menores infratores, proliferam no município.
Uberlândia
tem,
aproximadamente,
duzentos
estabelecimentos educacionais. O ensino fundamental e
médio, oferecido pelas redes pública e particular, é satisfatório,
observando-se uma constante preocupação do Poder Público
Municipal com o aumento progressivo do número de vagas
disponíveis, principalmente em relação à educação infantil e ao
ensino fundamental. Também os programas de capacitação
docente têm merecido a melhor atenção das administrações
municipais e estaduais com a ministração de cursos de
aperfeiçoamento
para
professores
da
rede
pública,
principalmente nos períodos de férias.
Considerando os dados fornecidos pela Secretaria de
Estado
da
Educação
de
Minas
Gerais/
Centro
de
18
Documentação e Informação Educacional/ SEE-MG/ CEDINE,
Uberlândia tem o maior índice regional de conclusão no ensino
médio no Estado. Anualmente as Instituições oferecem cerca
de 19.145 (dezenove mil, cento e quarenta e cinco) vagas no
ensino superior, das quais 5.280 (cinco mil, duzentos e oitenta)
pelo Centro Universitário do Triângulo - Unitri. Na área de PósGraduação, a oferta é, também, significativa: dezenas de
cursos de Especialização, vinte e um de Mestrado dos quais
dois são oferecidos pela Unitri, e dois de Doutorado.
Os maiores centros demográficos concentram, também,
o maior contingente situado na faixa etária de demanda pela
educação superior e, assim, passa a haver um grande anseio
comunitário para que as instituições promotoras da cultura, do
ensino e da pesquisa ofereçam serviços relevantes para o
desenvolvimento social.
A comunidade uberlandense tem plena consciência dos
benefícios advindos da formação de gerações capazes de
liderar e de contribuir para a evolução científica, tecnológica e
cultural e mantém perfeita sintonia com as instituições de
ensino superior.
De sua parte, a Unitri tem sempre buscado o contínuo
aprimoramento de sensibilidades para captação de carências
que
levem
a
diagnósticos
e
a
prontas
respostas
às
19
necessidades detectadas, de tal forma que se constitua em
agente de evolução do seu meio.
Sendo convergentes os interesses da sociedade e da
Instituição, pode-se sempre esperar da primeira o mais amplo e
irrestrito apoio às iniciativas culturais e educativas, traduzido
sob a forma de participação nos programas desenvolvidos, de
parcerias na realização dos projetos, de colaboração para
utilização da infra-estrutura disponível e de oferecimento de
campos de estágio.
A identificação da demanda local e regional por
profissionais ligados à área de agronegócios, logística e de
comunicações, é fundamental para a oferta dos diversos
cursos que a absorve por meio de seus currículos.
A procura por uma melhor qualificação é sustentada por
dados que registram o aumento da participação de 23,64% dos
empregados com ensino médio (completo e incompleto) e de
11,04% dos de nível superior, em 1990, para 41,25% e 17,4%,
respectivamente, em 2003 (CEPES/UFU, 2005). O grande
número e a diversidade de empresas situadas na cidade e na
região apontam na seguinte direção:
• Atividade
comercial:
Casas
Bahia,
MIG,
Renner,
Pernambucanas, grandes redes de supermercados como
Carrefour, Bretas, C&A, Magazine Luiza, etc.
20
• Atividade
imobiliária:
Multi,
Rotina,
CityVal,
Delta,
Executiva, Módulo, Ivan, Centro de Desenvolvimento de
Negócios.
• Atividade de locação de veículos: Localiza Rent a Car,
ABC Táxi Aéreo, Unidas, Locar, Velpar.
• Atividade de alojamento e alimentação: o complexo
turístico
de
Araxá,
Plaza
Shopping
Hotel,
Center
Convention.
• Indústria de transformação: a Kraft Foods, Cargill, Nestlé,
Cica,
Sadia,
Mataboi,
Monsanto,
Satipel,
Ipiranga
Fertilizantes, Black & Decker.
• Atividade de serviços: MPrado Consultoria, Sankya.
• Atividade de logística e comunicações: Martins, Peixoto,
Arcom, Grupo ABC Algar, Ferrovia Centro Atlântica.
• Indústria extrativa: Arafértil, Fértil Fosfato, Fosfértil,
Fertibrás.
No
plano
da
arrecadação
de
ICMS,
em
2005
(CEPES/UFU), Uberlândia foi a cidade mais comercial dentre
as listadas, com o total de R$ 986.265.007,95 (novecentos e
oitenta e seis milhões, duzentos e sessenta e cinco mil e sete
reais e noventa e cinco centavos) de arrecadações.
21
O Produto Interno Bruto (PIB)1 é o valor dos bens finais
produzidos em um país e é utilizado no Brasil, em vez do
Produto Nacional Bruto (PNB), para medir a atividade
econômica. A diferença entre as duas medidas é a renda
líquida enviada ao exterior, ou seja, no PIB conta tudo o que é
produzido no país, inclusive pelas multinacionais.
Em relação ao PIB Municipal referente ao ano de 2003,
Uberlândia foi a cidade que mais arrecadou, atingindo cerca de
4,5% do PIB de Minas Gerais. A segunda cidade que mais
arrecadou, como esperado, devido aos dados de arrecadação
de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de
Serviços (ICMS), foi Uberaba, seguida por Araxá, Ituiutaba e
Patos de Minas.
Dentre os três setores que compõem o PIB local, o setor
Industrial cresceu 36.65%, em 1999, e 42.52%, em 2000. Em
2002, houve um crescimento do setor de Serviços da ordem de
55.24%, enquanto o setor Industrial cresceu apenas 40.69%.
Esses dados representam o foco de atividade das empresas
em Uberlândia.
Um aspecto importante a ser levado em consideração
diz respeito, porém, à distribuição de renda em Uberlândia.
Quando se analisa o salário dos empregados nos setores
formais, verifica-se que 55.22% do total dos empregados
1
DORNBUSH, Rudger & FISCHER, Stanley, Macroeconomia. 5.ed. São Paulo, Makron Books, 1991, p. 39
22
formais, em 1999, recebiam até três salários mínimos e que,
em 2003, esse número subiu para 72.41%, apontando para a
crescente precariedade do mercado de trabalho (CEPES/UFU,
2005).
O Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas
compreendem 10,06% do total de habitantes de Minas Gerais,
dos quais 28,97% residem em Uberlândia, 13,76% em
Uberaba, 6,75% em Patos de Minas e 5,26% em Araguari,
segundo estimativa do IBGE para o ano de 2006. Em ordem
decrescente, s cidades mais populosas da mesorregião, nesse
ano, são Uberlândia (600.368), Uberaba (285.094), Patos de
Minas (140.000), Araxá (124.677), Ituiutaba (110.427), Araguari
(108.998), Paracatu (84.412) e Patrocínio (82.278).
3. A Unitri engajada no desenvolvimento da região de
Uberlândia
No cenário econômico da mesorregião do Triângulo
Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas, a microrregião de
Uberlândia transformou-se num importante pólo agro-industrial
e num dinâmico pólo comercial, recebendo investimentos e
infra-estrutura de transporte, telecomunicações, armazenagem,
entre outros, viabilizando um grande crescimento do setor de
23
prestação de serviços. Segundo estudos recentes2, essa região
se distingue das demais regiões de Minas Gerais por estar sob
a influência do Macropólo de São Paulo e também do Multipólo
Brasília-Goiânia-Cuiabá,
formando
um
moderno
corredor
urbanizado e industrial.
As microrregiões de Uberaba, Uberlândia, Paracatu,
Araxá, Patos de Minas, Patrocínio, Ituiutaba, Frutal, Paracatu e
Unaí contam com uma infraestrutura consolidada e com bom
nível educacional que propiciam as condições para um
contínuo desenvolvimento regional.
Do ponto de vista da economia observa-se que a região é
um grande pólo logístico e agroindustrial. A evidência desta
vocação regional revela-se pela instalação de várias indústrias
produtoras de insumos (adubos, farmácia veterinária e
biotecnologia), indústrias de ração e de beneficiamento de
produtos
agrícolas,
assim
como
frigoríficos,
indústrias
alimentícias e de processamento de bens de consumo
(calçados e móveis) e, ainda, pela presença do comércio
atacadista-distribuidor,
com
o
suporte
de
várias
transportadoras, inclusive uma extensa malha ferroviária.
De acordo com a Fundação João Pinheiro (Perfil de Minas
Gerais,
2004,
p.79),
as
regiões
alvo
desta
análise
apresentaram maiores índices de crescimento nos seguintes
2
DINIZ e BOSCHI . O desenvolvimento econômico e humano diferenciado das regiões do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas Gerais. 2002 (online)
24
setores: serviços no Triângulo Mineiro (6,3%), serviços
industriais de utilidades públicas (SIUP) no Alto Paranaíba
(28,2 %) e serviços industriais de transformação no Noroeste
de Minas (25,2%). O setor que apresentou variação negativa,
nas três mesorregiões, foi o da construção civil, com 7,7% no
Triângulo Mineiro, 8,9% no Alto Paranaíba e 35,1% no
Noroeste de Minas.
Segundo a classificação nacional de atividades, a região é
forte em número de estabelecimentos no setor comercial e
atividades imobiliárias. Os números indicam uma tendência de
crescimento nos setores de serviços, indústria extrativa e
saúde.
Quando se analisa a relação entre o número de
estabelecimentos empresariais e a quantidade de mão de obra
empregada nas cidades em estudo, no período de 2000-2003,
verifica-se que os setores que apresentaram maior número de
estabelecimentos foram: o comércio (54,7%), as atividades
imobiliárias (9,9%) e as indústrias de transformação (8,7%); os
setores que mais empregam: comércio (34%), indústria de
transformação (17%) e o setor de administração pública e
seguridade
social
(9%).
Isso
representa
81%
dos
estabelecimentos instalados e 60% dos que mais empregam
na região. Dentre as atividades comerciais há o predomínio da
pequena e da microempresa em número de estabelecimentos.
25
Em Uberlândia, 98,17% dos estabelecimentos, em 1990,
tinham até 99 empregados, sendo que a maioria destes
estabelecimentos (65,52%) se enquadrava como pequenos
estabelecimentos (até 4 funcionários) passando para 71,09%
em 2003 (CEPES/UFU, 2005).
A identificação da quantidade de estabelecimentos e mão
de obra empregada permite verificar a potencialidade de oferta
de emprego na região e possibilita nortear o planejamento
regional.
Com a finalidade de ampliar as informações relativas à
região de abrangência da Unitri, é importante também analisar
os índices de desenvolvimento dos municípios da mesorregião.
O Índice de Desenvolvimento Humano - IDH é uma medida que
abrange as grandes dimensões da educação, longevidade e
renda, que varia de 0 (nenhum desenvolvimento humano) a 1
(desenvolvimento humano total). Classifica-se como baixo IDH
até 0,499; como médio entre 0,500 e 0,799 e alto maior que
0,800.
Localidade
IDHM
Crescimento
1991
2000
em %
Uberlândia
0,778
0,830
6,68
Uberaba
0,763
0,834
9,31
Patos de Minas
0,731
0,813
11,22
26
Araguari
0,754
0,815
8,09
Ituiutaba
0,747
0,818
9,50
Araxá
0,736
0,799
8,56
Patrocínio
0,719
0,799
11,13
Frutal
0,731
0,803
9,85
Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano, 2000.
A
análise
comparativa
Desenvolvimento Humano dos
com
base
no
Índice
de
Municípios (IDHM), entre os
anos de 1991 e 2000, indica melhoria nas condições de vida
dos municípios. Já Uberlândia (6,68%) apresentou o menor
crescimento no IDHM, no mesmo período (Programa das
Nações Unidas para o Desenvolvimento).
O IDHM dimensão “renda” das cidades de Unaí (23,23%)
e São Gotardo (23,05%) apresentou uma elevação; por outro
lado, em Monte Alegre de Minas (2,42%) e Tupaciguara
(2,98%) o índice de elevação foi baixo quando comparado com
o das cidades pesquisadas na região.
Considerando o IDH dimensão “longevidade” (média de
anos que a população deve viver e condições sociais de saúde
e de salubridade), as cidades que tiveram as maiores taxas de
crescimento, no período de 1991 a 2000, foram: Unaí
(18,94%), São Gotardo (16,3%) e Paracatu (14,26%) e, em
27
contrapartida, as que cresceram menos foram: Monte Carmelo
(5,51%), Uberlândia (5,8%) e Monte Alegre de Minas (6,02%).
Avaliando o IDH dimensão “educação” (acesso da
população à educação), merecem destaque, em termos de
crescimento, entre os anos de 1991 a 2000: Unaí (16,22%),
Iturama (16,76%), Santa Vitória (14,53%), Prata (14,31%),
Sacramento (13,91%) e Campina Verde (13,32%); em outra
ponta, os municípios de Uberlândia (8,49%), Uberaba (8,43%),
São Gotardo (9,02%) e Ibiá (9,03%) apresentaram o menor
crescimento neste índice, no mesmo período.
Em 2000, algumas cidades apresentam índices de IDHM
com valor considerável: Uberaba (0,83) e Uberlândia (0,83), 4º
e 7°lugares no Estado, e, por outro lado, Paracatu (0,76),
Santa Vitória (0,76) e Monte Alegre de Minas (0,759), 207º,
214° e 215° lugares no Estado, detêm os menores índ ices de
IDHM entre os municípios da região.
Na dimensão “renda”, em 2000, destaca-se São Gotardo
(0,806), Uberaba (0,773) e Uberlândia (0,768) com os mais
altos índices e Monte Alegre de Minas (0,676),
Paracatu
(0,675) e Santa Vitória (0,68) com os mais baixos.
Na dimensão “longevidade”, em 2000, as cidades de
Ituiutaba (0,848), Frutal (0,83) e Campina Verde (0,83)
apresentaram índices mais altos, e Araxá (0,751), Monte
28
Alegre de Minas (0,757) e Prata (0,757) apresentaram os
menores índices.
Na dimensão “educação”, em 2000, merece destaque
Uberlândia (0,92), Uberaba (0,913) e Araxá (0,901) com os
maiores índices. Ao contrário de Santa Vitória (0,812), São
Gotardo (0,822) e Ibiá (0,833) apresentaram os índices mais
baixos.
A mesorregião do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e
Noroeste de Minas, embora com crescimento na arrecadação
do ICMS e do PIB, apresenta uma grande desigualdade social.
Mais da metade da população (57%) ganha até 3 salários
mínimos, ou seja, até R$ 453,00 (baseado no salário mínimo
de R$ 151,00 de 2000), contra 45% da população da região
sudeste. Somente 8% da população ganhava acima de 10
salários mínimos, contra 13% da região sudeste e, somente
28%, 3 a 10 salários mínimos. É marcante a má distribuição da
renda na região. Este fato permite prever dificuldades da
comunidade
em
pagar
pela
educação
em
instituições
particulares de ensino médio e superior.
De acordo com os dados do Censo 2000, a classificação
econômica da região é a seguinte:
29
Classe
Renda Média
Familiar (R$)
Classe
Renda Média
Familiar (R$)
A1
7.793
C
927
A2
4.648
D
424
B1
2.804
E
207
B2
1.669
Fonte: ABIPEME
Comparando os dados da tabela com o Critério Brasil de
Classificação Econômica (ABIPEME)3, a maioria da população
pertence às classes C e D. Segundo o estudo sobre a
distribuição da população por classe social, somente 1% da
população, no Brasil, pertence à classe A1 e 5% à A2.
No Noroeste de Minas a quantidade de pessoas que
pertence à classe D é maior, cerca de 67% ganham R$ 453,00.
Verifica-se que o potencial de prospecção de alunos no
Noroeste de Minas é baixo e significa que as instituições
deverão ter cuidado ao investir esforços em comunicação e
marketing na região.
O sistema de educação superior da mesorregião do
Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas
possuía, no ano de 2004, aproximadamente trinta e sete IES.
Alguma delas são
multicampi, atraindo alunos de toda a
região. No 2° semestre de 2004, de acordo com o MEC , o
número de vagas oferecidas na região totalizou 40.853
3
Associação Nacional de Empresas de Pesquisa (ANEP)
30
(quarenta
mil
oitocentos
e
cinqüenta
e
três)
vagas,
considerando apenas as cidades em estudo. Neste ano
existiam trinta e cinco IES privadas e duas IES públicas. No 1°
semestre de 2005, as vagas aumentaram para 44.996
(quarenta e quatro mil, novecentos e noventa e seis),
distribuídas entre, aproximadamente, trinta e nove IES privadas
e três públicas.
As instituições que mais oferecem vagas na região são
UNIUBE, UNITRI, UNIPAC e UNIMINAS, respectivamente.
Estas instituições, em conjunto, dominam 57% do mercado de
vagas oferecidas no ano de 2004. Algumas destas IES vem
adotando a estratégia de oferecer multicampi, como é o caso
da UNIPAC com cursos nas cidades de Uberlândia, Uberaba,
Araguari, Campina Verde e Monte Carmelo, e da UNIUBE, nas
cidades de Uberlândia e Uberaba.
O maior número de estudantes das IES está concentrado
entre os jovens acima de 15 anos e abaixo de 29 anos. Assim,
estabelecendo a relação entre o número de vagas oferecidas
no 1° semestre de 2005 (44.996) e a população da re gião
(511.602), verifica-se que para cada vaga oferecida nas IES
existem 11,3 habitantes nesta faixa etária, independentemente
do rendimento familiar ou outra variável. Quando se realiza o
cruzamento entre os números de concluintes do ensino médio
e o número de vagas, observa-se que:
31
Número de concluintes do Ensino
Médio
Número de
Total
2002
2003
2004
16.539
15.031
18.428
vagas
em 2005
49.998
44.996
Fonte: Os dados do ensino médio foram fornecidos pelas superintendências de educação das 23
cidades em estudo no ano de 2004.
Pode-se dizer que para as 44.996 vagas existentes na
região, existem aproximadamente 49.998 candidatos, que
resulta numa relação de 1,11 candidato/vaga, demonstrando a
existência de uma demanda praticamente igual ao número de
vagas oferecidas.
Em 2000, de uma população estimada em 39.000 jovens
entre 17 e 29 anos, no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba
apenas 8% ganhavam acima de 10 salários mínimos.
Dividindo-se esse número pelo número de vagas oferecidas na
região obtêm-se um índice de 0,92, indicando que, para cada
vaga oferecida, tem-se menos de um habitante potencial para
preenchê-la. Esse resultado aponta a realidade das IES
particulares na região, justificando a ociosidade de vagas e a
intensa concorrência pelo preço.
As cidades que apresentaram maior índice de habitantes
com idades entre 15 e 29 anos, em relação ao número de
vagas oferecidas, foram as de Monte Carmelo, Patrocínio,
32
Ituiutaba, Patos de Minas e Paracatu. Dentre essas cidades,
Paracatu e Monte Carmelo apresentaram a menor renda per
capita no ano 2000.
Em Uberlândia, nos últimos anos cresceu a oferta de
cursos semelhantes por diferentes instituições, originando uma
oferta de vagas superior à demanda. Um exemplo é o curso de
Administração, com ênfase em finanças, hospitalar, hotelaria,
logística, marketing, entre outros.
A seguir, o demonstrativo de cursos oferecidos pelas IES
X
Administração:
Finanças
Administração:
Gestão Hoteleira
Administração:
Logística
Administração:
Marketing
Administração:
X
X
ESAMC
X
FCU
Uniminas
X
FPU
Unipac
X
UFU
Unitri
Administração
Uniessa
Cursos
Uniube
existentes na cidade:
X
X
X
X
X
X
33
Negócios
Internacionais.
Agronomia
X
Arquitetura e
X
Urbanismo
X
Banco de Dados
X
Biologia
X
X
Biomedicina
X
Ciências
X
Ciências
Aeronáuticas
X
X
Ciências Contábeis
Ciências da
Computação
X
X
X
X
Ciências Sociais
X
Comunicação
X
Decoração
Design de Moda
X
X
X
Design de Produto
Direito
Economia e
Finanças
X
X
X
Educação Artística
Educação Física
X
X
X
X
X
X
X
X
X
34
Enfermagem
Engenharia Civil
Engenharia da
Computação
X
X
X
X
X
X
Engenharia de
Controle e
X
Automação
Engenharia de
Produção
X
X
X
Engenharia de
X
Telecomunicações
Engenharia Elétrica
X
X
Engenharia
X
Mecatrônica
Engenharia
X
Química
Farmácia
X
X
Filosofia
X
Física
X
Fisioterapia
X
Fonodiaulogia
Agronegócios
X
X
X
Geografia
CST Gestão em
X
X
X
X
X
X
X
35
Gestão Hospitalar
X
História
X
Jornalismo
X
Letras
X
Licenciatura em
X
X
X
X
X
X
X
Computação
Matemática
X
Medicina
Medicina
X
Veterinária
Música
X
Normal Superior
X
Nutrição
X
Odontologia
X
Pedagogia
X
Psicologia
X
Publicidade e
X
X
X
X
X
X
X
Química
X
Secretariado
X
Executivo
Serviço Social
Informação
X
X
Propaganda
Sistemas de
X
X
X
X
X
X
36
C.S.T. Cinema,
Televisão e Mídia
X
Digital
C.S.T.
Comunicação
X
Empresarial
C.S.T. Criação
X
Publicitária
C.S.T. Design de
Interiores
C.S.T. Estética
X
X
C.S.T. Gestão de
X
Marketing
C.S.T. Gestão
Empresarial
X
C.S.T. Gestão de
X
RH
C.S.T. Gestão de
Segurança Pública
X
e Patrimonial
C.S.T. Gestão
X
Financeira
C.S.T. Redes de
Computadores
X
X
37
C.S.T. Segurança,
Saúde e Meio
X
Ambiente no
X
Trabalho
C.S.T. Tecnologia
Automobilística
X
C.S.T. Trânsito –
Gestão, Educação
X
e Legislação
Turismo e Hotelaria
X
X
Fonte: Quadro composto a partir das páginas das Instituições (fev. 2007)
Ao se comparar os novos cursos oferecidos, observa-se
significativo crescimento, na região, dos Cursos Superiores de
Tecnologia e cursos na área da saúde. No Triângulo Mineiro,
Alto Paranaíba e Noroeste de Minas existem 6.570 vagas de
Cursos Superiores de Tecnologia, das quais 5.000 são
oferecidas em Uberlândia e, dentre elas, 1.860 oferecidas pela
Unitri.
Em relação aos cursos de pós-graduação, no ano de
2004, as instituições de Uberlândia ofereciam a seguinte
quantidade de cursos:
38
QUANTIDADE
INSTITUIÇÃO
LATO SENSU
CATÓLICA
5
ESAMC
8
FPU
9
UFU
22
UNIESSA
4
UNIMINAS
15
UNITRI
12
STRICTO
SENSU
21
2
UNIUBE
1
Fonte: Dados pesquisados por telefone e nas páginas das IES
Verifica-se que existem IES que possuem mais cursos de
pós-graduação do que de graduação, visando participar de
uma
fatia
de
mercado
cuja
demanda
tem
crescido
continuamente.
A área de saúde, na mesorregião do Triângulo Mineiro,
Alto Paranaíba e Noroeste de Minas, apresenta déficit em
termos de número de leitos por habitante. Os dados
pesquisados mostram que existe carência de profissionais para
a área da saúde, o que representa um campo de formação
aberto para as instituições.
39
Em Uberlândia, a demanda pela saúde, nos diferentes
níveis e etapas do processo assistencial, é atendida pela
Secretaria Municipal de Saúde (SMS) que administra o Sistema
Único de Saúde – SUS.
A Vigilância Sanitária, criada em 1983, tem como função
básica a fiscalização do comércio de alimentos. A base legal
para suas ações era o Código Municipal de Posturas. A Seção
foi montada com 4 (quatro) agentes sanitários (nível médio) e 1
(um) médico veterinário. Em 1986, foi aprovado na Câmara
Municipal
o
Código
Municipal
de
Saúde
(Lei
4360),
regulamentada em 1987 através do Decreto 3.525, instrumento
importante para o incremento das ações de Vigilância
Sanitária. A partir da promulgação da Constituição, em 1988, e
da Lei Orgânica de Saúde, 1990, o município vem assumindo
de forma gradativa as ações de Vigilância Sanitária, dentro das
definições da NOB 96 (Ministério da Saúde) 4 , nos níveis de
complexidade determinados para os municípios em gestão
plena, o qual nos encontramos desde 1998. Além das
fiscalizações, das campanhas de multivacinação, a vigilância
sanitária atua também, junto à educação da população.
À exceção do Curso de Medicina, a Unitri oferece,
atualmente, os cursos que formam profissionais para atuarem
nas
4
Unidades
de
Atendimento
Integrado
–
UAI’s.
O
NOB: Norma Operacional Básica
40
atendimento público, em 2000, atingiu os seguintes índices nas
diversas áreas profissionais: 48% em Auxiliar de Enfermagem,
36% em Medicina, 8% em Odontologia; 4% em Serviço Social;
1,3% em Fisioterapia; 1% em Agente de Educação em Saúde;
0,8% em Psicologia; 0,3% em Enfermagem; 0,1% em
Fonoaudiologia, quantidade insignificante em Nutrição e
nenhuma procura por Agente Sanitário.
O Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas
estão entre as mais ricas regiões do Estado, apresentando
uma agropecuária avançada em termos de produtividade. As
principais indústrias nelas instaladas relacionam-se aos setores
de processamento de alimentos e de madeira, de açúcar e
álcool, de fumo e de fertilizantes. Essas características
consolidam o forte potencial para o Turismo de Negócio na
região, na qual são realizados eventos como: Fenamilho em
Patos de Minas, Expo Zebu em Uberaba, Feniube em
Uberlândia, Fenicafé em Araguari, entre outros.
Além do emergente turismo de negócio a região se
destaca pela riqueza hidromineral, pelas belas cachoeiras e
paisagens, consolidando assim o turismo ecológico. Um
Circuito Turístico é composto por municípios próximos entre si,
que se associam em função de interesses e possibilidades de
explorar turisticamente seus respectivos patrimônios históricos,
culturais e naturais, assim como outros bens afins. Em Minas
41
Gerais, a idéia de se agrupar municípios em Circuitos
Turísticos nasceu da necessidade de explorar melhor o
potencial do Estado nesse setor.
No Triângulo Mineiro, os circuitos Águas do Cerrado,
Lagos e Triângulo Mineiro; no Alto Paranaíba, o Circuito da
Canastra, Caminhos do Cerrado e Tropeiros de Minas. Já na
região do Noroeste de Minas há o Circuito Turístico Urucuia
Grande Sertão.
Uberlândia participa do Circuito Turístico do Triângulo
Mineiro, que se destaca pelos belos exemplares de arquitetura
civil e religiosa do final do século XIX e princípio do XX. São
estações ferroviárias, pontes e prédios antigos que, hoje,
abrigam museus, escolas e casas de cultura. O Turismo
Religioso também tem grande força, com a tradicional Romaria
de Nossa Senhora da Abadia, em agosto, e em Uberaba, que
mesmo após a morte de Chico Xavier, é uma referência para
todos os espíritas brasileiros.
Uberlândia é uma cidade com grande potencial turístico e
com personalidade própria. Recebe, por ano, cerca de um
milhão de turistas em trânsito, para os quais há uma excelente
rede hoteleira e uma infraestrutura capaz de coordenar mais de
vinte
eventos
simultâneos.
Existem
atrativos
singulares
(cultura, congressos e eventos) para o segmento de turismo de
42
negócios, além dos atrativos naturais, geográficos, com várias
represas ao seu redor.
•
Atrações Naturais: A Cachoeira de Sucupira, Cachoeira
Recanto dos Namorados, Cachoeira do Bom Jardim,
Reserva Ecológica do Panga, Parque do Sabiá, etc.
•
Atrações
Culturais:
Biblioteca
Municipal,
Cultura, Praça Clarimundo Carneiro,
Casa
da
Oficina Cultural,
Igreja do Divino Espírito Santo (Projeto da arquiteta
italiana Lina Bo Bard que está entre os seus dois únicos
projetos, no Brasil), Igreja Nossa Senhora do Rosário,
além das feiras de artesanato.
•
Atrativos Turísticos Culturais de Pesquisa e Lazer:
Museu de Minerais e Rochas, Museu do Índio, Parque
Siquerolli, Museu da Biodiversidade do Cerrado, Museu
Universitário de Arte, Estação Ferroviária, Palácio da
Justiça - Fórum Aberlado Pena, Praia Clube, Uberlândia
Clube (sede social), Estádio João Havelange e Parque
do Sabiá, entre outros.
O
potencial
hidrográfico
privilegiado
da
região
desempenha papel fundamental nas atividades agropecuárias
e hortifrutigranjeiras, além da função vital de abastecimento
público de água. O desenvolvimento industrial do município
beneficia-se da energia gerada pelas Usinas Hidroelétricas de
43
Nova Ponte, Miranda e da futura Usina de Capim Branco.
Profissionais das áreas de turismo e hotelaria e de educação
física podem atuar nesse mercado de trabalho.
Pode-se dizer que Uberlândia também tem vocação para
o esporte. Prova disto são os inúmeros campeonatos que
ocorrem na cidade: tênis, basquete, futebol, natação etc.
Temos a presença de grandes times de Basquetebol,
destacando-se o time da Unitri, campeão Brasileiro e SulAmericano, dois times profissionais de futebol e a Liga
Uberlandense de Futebol (LUF). O futebol amador da cidade
faz do esporte não só mais uma opção de lazer, mas, também,
uma profissão.
A elaboração desse diagnóstico do contexto externo faz
parte das informações necessárias à fundamentação do
Programa de Auto-Avaliação e da elaboração do Projeto
Pedagógico Institucional. Segundo, Philip Kotler, especialista
em marketing, as empresas bem-sucedidas precisam monitorar
as
forças
macro-ambientais
(demográficas,
econômicas,
tecnológicas, políticas, legais, sociais e culturais) e os atores
micro-ambientais importantes (clientes), que afetam a sua
habilidade de obter bons resultados. Ainda segundo este autor,
é
necessário
rastrear
tendências
e
desenvolvimentos
importantes e identificar as oportunidades/ameaças, os pontos
fortes/fracos tanto do ambiente interno como do ambiente
44
externo à empresa. Assim, é possível diagnosticar as
potencialidades da Instituição e as razões para adaptar-se ao
mercado e ao setor, dando sustentação à sua competitividade
e suporte para aumentar sua participação de mercado (1996,
p.142-5).
A pesquisa do contexto externo foi realizada com o
objetivo de analisar os aspectos econômicos, demográficos,
educacionais, epidemiológicos, além dos relacionados ao
turismo, à cultura e
ao lazer, que caracterizam o contexto
regional no qual se insere a Unitri, para melhor fundamentar as
tomadas de decisão quanto ao raio de ação da Instituição, a
partir do diagnóstico de suas necessidades e limitações. Como
objetivos secundários, os dados pesquisados visam contribuir
para a elaboração de um quadro de referências com variáveis
importantes para o reconhecimento, análise e estudo das
possíveis ofertas e demandas de cursos. Além disso, oferece
subsídios para o planejamento das ações institucionais da
Unitri, com vistas ao fortalecimento de sua eficácia e
efetividade acadêmica e social.
4. Princípios filosóficos e político- educacionais
O homem, na sua relação com o meio social e físico, age
com uma atitude de permanente construção e reconstrução em
45
favor de sua própria existência. Essa atitude não é a de uma
mente pensante que examina a realidade especulativamente,
mas a de um ser que age objetivamente, que exerce a sua
atividade prática no trato com a natureza e com os outros
homens, tendo em vista a consecução dos próprios fins e
interesses.
Conceber o homem como um indivíduo histórico, um ser
dialógico, transformacional, inconcluso, reflexivo, síntese de
múltiplas determinações num conjunto de relações sociais,
implica pensar sua formação do ponto de vista tanto das
capacidades que possui para idealizar e criar, como das
dificuldades e limitações consigo mesmo e com os que o
rodeiam.
Sob a compreensão do processo filogenético do
desenvolvimento humano, o homem reflete o ser homo,
coletivo, semelhante a todos os outros da sua espécie.
Paralelamente, sob a visão ontogenética, ele se mostra
singular, único e idiossincrático.
Para Fonseca (1998), é nesse ponto que se instala um
paradoxo: ao mesmo tempo em que reside na heterogeneidade
a maior riqueza do ser humano, essa pluralidade representa a
sua maior dificuldade. Saber-se nessa condição única e, ao
mesmo
tempo
plural,
significa,
necessariamente,
ser
reconhecido em suas particularidades e especificidades, assim
46
como reconhecer as do outro e aprender a respeitá-las e a
conviver com elas.
Somente nesse processo de mútuo conhecimento é que
as diferenças humanas são contempladas e o ato de
compartilhar se faz presente.
Nessa perspectiva, cabe à educação superior explicitar e
trabalhar as várias facetas e diversidades do homem, da
espécie humana, da individualidade humana, dos aspectos
sociais e históricos e sua interligação. Por essa razão, uma das
ações essenciais das instituições de ensino superior, neste
terceiro milênio, é o estudo da complexidade e formação
humana. De um modo ou de muitos, todas as pessoas estão
envolvidas com a educação, seja para aprender, para ensinar,
para aprender-e-ensinar, para saber, para fazer ser ou para
conviver (Brandão, 1981).
Como prática social educativa em intensa relação com o
contexto sócio-político-econômico, que lhe imprime significado
e torna inteligíveis suas finalidades e métodos, pode-se afirmar
que a educação superior é um processo integrante do
conteúdo social como um todo.
Impulsionadas pela evolução do homem e da sociedade,
as necessidades de aprimoramento das formas socializadoras
dos conhecimentos foram se tornando mais exigentes, na
medida em que os ensinamentos do passado se tornavam
47
inadequados às novas situações. A partir desse conflito, a
educação superior passa a ser interpretada por outros prismas,
com um enfoque voltado para a superação da mera
transmissão de conhecimentos historicamente acumulados.
As questões contemporâneas relacionadas ao aumento
da população, aos avanços tecnológicos e industriais, à
produção de bens de consumo, sua distribuição e globalização,
e aos anseios frente à organização econômica, social e política
que se transforma de tempos em tempos, impõem à educação
superior a tarefa de idealizar alternativas de criação de
condições para o desenvolvimento e sobrevivência do homem,
do mundo e da sociedade.
A educação como um processo de desenvolvimento
pleno
do
ser
humano,
permite
a
cada
um
construir
conhecimentos com base nas necessidades da transformação
social, alicerçando-os em suas experiências e adicionando-os
àqueles pertencentes ao legado histórico da humanidade,
constituído em diferentes contextos culturais. É esse confronto
de conhecimentos que viabiliza a geração de outros novos.
Ao participar da construção do conhecimento e da
realidade, o homem o faz não só pelo raciocínio ou pelas
percepções externas, mas pela intuição, sentimentos e
emoções vivenciados nos atos de aprender e de conviver.
48
Nesse sentido, trata-se de um ser de ações coletivas e
individuais, um ser de relações.
Assim, as dimensões individualizante e socializante da
educação se completam, com vistas ao desenvolvimento
eficiente, responsável e consciente do cidadão frente às
necessidades da vida em sociedade, características de cada
momento específico.
Com essa compreensão da vida do homem na
sociedade, as instituições de ensino superior devem se
constituir como espaços de consolidação da sua formação,
buscando,
pela
educação,
seu
pleno
desenvolvimento
cognitivo, sócio-cultural e afetivo. Para tanto, a educação no
ensino superior deverá buscar o redirecionamento total do
movimento de formação e orientar-se pelas concepções críticas
da educação, numa visão progressista. Essa é a condição para
que, intencionalmente, se torne representativa, legítima e
significativa na formação plena do ser humano em evolução
permanente.
Tendo, então, como pressupostos básicos (a) as
identidades e diferenças que cada ser humano possui, de
acordo com suas crenças, seus valores e tradições, que
determinam sua maneira de pensar e sentir-se no mundo do
qual faz parte, envolvendo os aspectos de gênero, raça, etnia,
sexualidade, tradições culturais e religiosas e (b) sua evolução
49
sócio-cultural pela constante transformação e movimento,
determinada pelo momento em que vive e pelas influências
econômicas e políticas, o processo formativo deverá assumir a
perspectiva paradigmática inclusiva.
A utilização desse paradigma implica compreender as
diferenças humanas e valorizar os potenciais individuais e
coletivos, respeitando-os enquanto limites e possibilidades
naturais que qualquer pessoa pode apresentar. A característica
de exclusão, predominante na sociedade contemporânea, tem
sido gradualmente superada a partir da Conferência Mundial de
Educação para Todos e da Declaração de Salamanca, marcos
referenciais de uma nova política social que se propõe a inserir
a gama de excluídos culturais, sociais e economicamente
desafortunados.
As lideranças políticas, os intelectuais e pesquisadores
estão começando a entender que o segredo para o
desenvolvimento social e econômico da sociedade está na
compreensão da composição multicultural de seu povo. Nesse
sentido, as leituras e ações se voltam para a compreensão da
diversidade
de
atores
que
compõem
a
sociedade
e,
conseqüentemente, a educação de nível superior.
O movimento de educação para todos deve realmente
primar pela inclusão, tendo em vista que a razão mais
importante para o ensino inclusivo é o valor social da igualdade
50
(Stainback; Stainback, 1999). Ensina-se através do exemplo
que, apesar das diferenças, todos têm direitos iguais.
Desse modo, é preciso que as instituições de ensino
superior busquem alternativas educacionais que dêem conta
da superação da dicotomia decorrente das diferenças naturais
entre
os
seres
humanos.
Como
um
dos
princípios
fundamentais das ações comprometidas com a transformação
e a reestruturação da sociedade, a inclusão só se efetivará nas
dimensões mais amplas do social e nas instâncias específicas
de uma instituição de ensino superior.
As propostas de educação superior, concebidas na
perspectiva paradigmática inclusiva, exigem uma atuação
diferenciada, dimensionada e ampliada da ação educacional
que, a partir da visão da totalidade, trabalhe as singularidades
e as diferenças como pilares da humanização, e assegure o
desenvolvimento eficiente do conhecimento para abarcar a
tecnologia e a globalização presentes na sociedade.
Com esse entendimento, a proposta pedagógica da Unitri
deverá
orientar-se
organizada e
para
uma
dimensionada,
formação
contextualizada,
capaz de romper com a
fragmentação que provoca rupturas na profissionalização e
promove
ações
isoladas.
Para
gerar
aprendizagens
significativas, as habilidades essenciais para o exercício do ato
educativo, em suas múltiplas facetas pedagógicas, deverão ser
51
sustentadas pelas teorias críticas relativas ao homem, ao
mundo, à sociedade, ao conhecimento, à educação, à escola e
ao ato de aprender.
Atender ao aluno respeitando suas diferenças, suas
necessidades específicas e potencializando suas capacidades,
requer a observação precisa do que ele é capaz de aprender,
de como aprende e de como utiliza esse aprendizado. Essa
percepção ampliada de que nem todos têm as mesmas
habilidades, interesses e capacidades para aprender através
dos mesmos canais, é determinante para uma postura de
flexibilidade, de interatividade e de inclusividade a ser adotada
no ensino superior.
Ao assumir esta filosofia, a Unitri deverá prover um
espaço aberto de oportunidades para a aprendizagem, de
modo a satisfazer as amplas e diversificadas necessidades de
formação
e
qualificação
profissional
que
implica
a
institucionalização da EaD como modalidade de organização
das ações pedagógicas.
Fundamentada em processos interativos e dialógicos,
mediados, sobretudo, pelas tecnologias da informação e da
comunicação,
a
intencionalmente
EaD
é
planejado
um
recurso
para
que
exercitar
deverá
as
ser
múltiplas
possibilidades do indivíduo, reforçando a articulação entre os
52
diferentes conhecimentos e formações, entre a teoria e a
prática, a reflexão e a ação, o indivíduo e a coletividade.
Essa modalidade de ensino, vinculada à modalidade
presencial, deverá configurar-se como prática de grande
importância para que se materialize, na Instituição, o modelo
de educação inclusiva orientado pelo princípio da cidadania
universal cujas bases se assentam na idéia de que o
desenvolvimento social deve garantir melhores condições de
vida para as pessoas.
A partir desse compromisso, em uma via de rigorosa
coerência com sua missão de oferecer ensino de excelência e
em
observância
às
diretrizes
e
preceitos
do
MEC/CNE/INEP/SINAES para o ensino, a Unitri deverá
concentrar-se nos seguintes objetivos:
desenvolver uma ambiência institucional para o campo
do ensino que, comprometida com a formação plena do
aluno, envolva a afetividade, a cognição, a sociabilidade,
as
idéias
e
valores
sócio-culturais
e
históricos,
propiciando uma mudança em seu estado de consciência
que favoreça uma profunda relação entre o fazer, o sentir
e o pensar;
orientar a formação do profissional por valores humanos
inter-relacionados aos campos afetivos essenciais, de
53
modo a possibilitar ao aluno o autoconhecimento, o
reconhecimento do outro e da realidade circundante em
seus aspectos condicionantes e ideológicos, propondo
alternativas
possíveis
para
os
problemas
sociais
contemporâneos;
promover uma formação profissional fundamentada em
uma profunda articulação entre a teoria e a prática, cuja
mediação se dê pela inter-relação entre todos os
profissionais e o aluno, com vistas ao desenvolvimento
de competências técnicas, humanas e políticas.
A consecução destes objetivos se fará por meio de ações
educativas que, inspiradas e direcionadas pela filosofia crítica
e inclusiva, se realizem segundo o ordenamento institucional
forjado a partir da complexa coordenação das estruturas de
apoio acadêmica e administrativa.
O processo educacional, assim institucionalizado, far-se-á
na confluência dos seguintes centros de interesses:
desenvolvimento integral do ser humano, especialmente
no que se refere aos aspectos intelectuais, estéticos e
morais;
oferta do ensino de graduação, graduação tecnológica e
pós-graduação, de forma ética e estética;
54
prestação de serviços à comunidade como forma de
apresentar os resultados da pesquisa;
desenvolvimento, preservação e transmissão do saber
em suas várias formas, ramos e modalidades;
assimilação dos valores culturais e difusão da cultura,
acompanhando de modo sistemático os avanços da
realidade cultural do País;
realização de atividades de ensino, pesquisa e extensão
comprometidas com o desenvolvimento harmônico e
integrado da comunidade local, regional e nacional,
visando o bem estar social, econômico e político;
promoção de eventos de caráter científico e cultural que
objetivem a integração com Instituições de Ensino e com
a Comunidade.
A partir desse compromisso com a consubstanciação de
um projeto global de qualidade, que garanta a continuidade de
seu papel de agente do avanço científico, cultural, intelectual e
social da comunidade em que está inserida, a Unitri contribuirá
para a formação geral e técnica da comunidade que vive em
sua área de abrangência, mediante o preparo de profissionais
e especialistas, bem como pela articulação com os poderes
público e privado para o estudo e a pesquisa de soluções dos
problemas em âmbito regional e nacional.
55
Para o pleno atendimento de sua missão, de seus
objetivos e de suas finalidades, a Instituição deverá ter em vista
propósitos específicos para cada um de seus pólos de atuação:
Ensino
• promover e realizar cursos de graduação nas
diversas áreas do saber e das necessidades sociais,
para a formação de profissionais-cidadãos;
• promover
e
realizar
programas
de
educação
continuada, tendo em vista a capacitação do seu
corpo
docente,
profissionais
dos
que
seus
vivem
na
dirigentes
sua
e
região
dos
de
abrangência;
• desenvolver programas de pós-graduação lato e
stricto sensu nas várias áreas de interesses e das
aspirações da comunidade;
• desenvolver ações e mecanismos de integração com
a educação básica, ou com outros níveis de ensino
da sua região de abrangência, com o propósito de
auxiliar na atualização dos professores e das
organizações interessadas;
• promover cursos de treinamento profissional e de
recursos humanos, consoante as necessidades
sociais emergentes.
56
Pesquisa
• utilizar
a
pesquisa
como
princípio
científico-
educativo, desenvolvendo programas específicos de
investigação para auxiliar no processo de criação da
ambiência
verdadeiramente
adequada
à
aprendizagem;
• oferecer ao corpo docente a estrutura de apoio
necessária ao desenvolvimento das atividades de
pesquisa;
• criar
mecanismos
de
institucionalização
da
participação dos alunos em atividades de iniciação
científica, com o propósito de instrumentá-los com a
criatividade e a crítica inerentes ao exercício pleno
da cidadania;
• manter intercâmbio com centros de pesquisas
nacionais e estrangeiros, particulares e públicos, que
propiciem
o
permanente
aprimoramento
e
atualização na busca do conhecimento e sua
posterior difusão;
• instituir mecanismos de captação de recursos
financeiros
que
desenvolvimento
auxiliem
dos
a
projetos
manutenção
e
institucionais
o
de
pesquisa.
57
Extensão
• levar à comunidade, sob a forma de cursos e
serviços, os benefícios advindos dos conhecimentos
produzidos, colaborando para a melhoria do nível de
formação dos recursos humanos individuais bem
como dos que atuam nas organizações da região de
influência da Unitri;
• promover atividades culturais e sociais, com a
finalidade específica de
fortalecer a integração da
Unitri com a comunidade por meio da participação de
seus professores e alunos, tendo em vista o mútuo
crescimento;
• engajar-se nos movimentos culturais próprios das
comunidades da região, colaborando para
seu
desenvolvimento e preservação;
• priorizar a ação comunitária comprometida com os
problemas das comunidades mais necessitadas e
carentes;
• ampliar convênios e parcerias com órgãos públicos e
privados, com vistas a assegurar a articulação entre
a formação educacional e a realidade do mundo do
trabalho.
58
Ao lado de seu caráter acadêmico, da procura do saber e
do desejo de promover a criatividade, a Unitri assume uma
função explícita de colaboradora do desenvolvimento e da
solução dos problemas da realidade social. Conduzir projetos
que realmente transformem a região e o ambiente em que está
inserida, sem perder de vista o sentido humano dessas
mudanças, implica antecipar seu impacto nas relações
econômicas, bem como no cotidiano das relações políticas e
das relações sociais entre os indivíduos.
Assim, a construção de suas ações institucionais deverá
orientar-se por uma abordagem interdisciplinar que, presidida
por uma visão de conjunto da realidade, possibilite a
permanente associação das diferentes dimensões do sujeito,
do objeto e do conhecimento. A convergência e a concentração
de esforços para o desenvolvimento das ações e para a
tomada de decisão pressupõem um movimento dialógico e
pluralista, capaz de romper com a postura disciplinar e com a
fragmentação no pensar, no sentir e no agir humanos.
Esse processo sistêmico que caracteriza as diretrizes do
PPI, ora apresentado, foi concebido a partir da compreensão e
percepção do homem no mundo contemporâneo e da
educação como espaço de consolidação de sua formação,
considerando os ciclos do desenvolvimento e as fases da
59
aprendizagem humana, assim como as habilidades e saberes
essenciais a serem trabalhados no ensino superior.
Em sua idealização, esse processo busca a essência da
formação, ou seja, o que determina os pontos convergentes
com os quais se deve trabalhar e, por conseguinte, as
inúmeras possibilidades de ações para os profissionais da
Unitri. É importante que nele seja demarcada a origem do
movimento pedagógico e administrativo, favorecendo, pela
interação entre ambos, a organização do trabalho institucional.
Como parte integrante desse processo sistêmico, o
Regimento Geral, o calendário, as grades horárias, a
organização dos recursos humanos e do espaço físico,
deverão respeitar os dispositivos da Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional, no que se refere à estrutura e ao
funcionamento do ensino superior, porém, valorizando e
aplicando o princípio da flexibilidade por ela estabelecida.
Desse modo, ao ensejar uma transição paradigmática no
campo educacional, o presente PPI tem como requisitos
básicos as determinações legais e as exigências de qualidade
estabelecidas pelo MEC.
A seguir, o diagrama representativo do processo
sistêmico das ações delineadas neste PPI.
60
Processo Sistêmico das Diretrizes do PPI
O P ro g ra m a
D e s e n v o l v im e n t o p e s s o a l e p r o f i s s iio
onal
T É C N IC O
HUM ANO
P O L ÍT IC O
P R O F IIS
S S IO N A L I Z A Ç Ã O / E S P E C I A L I Z A Ç Ã O
R e la ç õ e s H u m a n a s
Fazer
Pensar
C o t i d ia n o
G ra d u a ç ã o
H a b ilid a d e s
T e m p e ra m e n to s
P o te n c ia lid a d e s
C a p a c id a d e s
T a le n t o s
In te r e s s e s
S e n t ir
A p t id õ e s
E s t á g io s
A u la s
TCC
L a b o r a tó r io s
V is ita s
té c n ic a s
E x te n s ã o
P e s q u is a
E v e n to s
In c lu s ã o
V iv ê n c ia
C o n v iv ê n c ia
C o n te x to
C o n h e c im e n to
P ó s - G ra d u a ç ã o
A v a li a ç ã o
A to E d u c a tiv o
A m b ie n te s
T É C N IC
IC O
In te r a ç ã o
P R O F IS S IO
ZAÇÃO
I O N A L I Z A Ç Ã O / E S P E C I A L IIZ
HUM ANO
M e to d o lo g ia
P O L Í T IC O
D e s e n v o l v im e n t o p e s s o a l e p r o f i s s iio
onal
O P ro g ra m a
O processo sistêmico das diretrizes do PPI, para
sustentar-se numa abordagem interdisciplinar e na Pedagogia
61
de Projetos, deverá ter os seguintes pressupostos da
concepção progressista de educação:
o homem é um ser situado num mundo concreto,
social, econômico e ideologicamente determinado, que
lhe cabe transformar. A natureza humana vai se
constituindo histórica e socialmente, não existindo,
portanto,
uma
personalidade
humana
genérica,
padronizada e universal;
o mundo não se constitui num todo orgânico e
harmonioso, mas sim num espaço atravessado por
conflitos e contradições geradas pelas relações sociais
marcadas por interesses e aspirações distintas;
a realidade
social
é construída num
processo
dinâmico, contínuo e sócio-cultural mediado pelas
ações recíprocas entre os homens;
a cultura sofre as determinações dos condicionantes
histórico-sociais, sendo, portanto, a expressão dos
conflitos e contradições oriundas das relações sociais.
Dessa forma, os valores emanam da interação
recíproca entre o homem e o real, sendo a sua
consciência a expressão das condições concretas da
sua existência;
62
o conhecimento é um instrumento social em contínua
construção, o que significa que é essencialmente ativo
e sua aquisição só se dá na ação.
a educação, na relação dialética com a sociedade,
constitui-se
em
transformação
um
social,
determinantes
importante
instrumento
em
pesem
que
histórico-sociais.
Na
sua
de
seus
dimensão
formal cabe a ela elevar o nível de consciência do
educando a respeito da realidade social que o cerca, a
fim de capacitá-lo para atuar na busca de sua
emancipação social, econômica e cultural;
a escola deve ser valorizada como um instrumento de
luta das camadas populares, propiciando, de forma
sistemática,
o
acesso
ao
saber
historicamente
acumulado e reavaliado face às realidades sociais,
saber esse necessário à explicação e à compreensão
da prática social na qual o educando se insere;
os processos
de
ensino
e
de
aprendizagem
acontecem numa cultura específica, com pessoas
concretas, que pertencem a uma classe social definida.
Daí resulta a dimensão político-social inerente à prática
pedagógica que implica uma reflexão sobre o homem e
a realidade social na qual ele vive;
63
o professor deve ser um orientador do processo
educativo. Seu papel é o de mediador entre a prática
social vivida pelo aluno e o saber socialmente
significativo que ele deverá dominar, a fim de se tornar
uma força ativa na transformação das estruturas
sociais;
os métodos de ensino devem ter como ponto de
partida a prática social comum a professores e alunos.
É dessa prática que emergem os problemas e,
conseqüentemente,
para
os
resolvê-los.
conhecimentos
Os
alunos,
necessários
devidamente
instrumentalizados pelos princípios da pesquisa e da
investigação, retomam a prática social com vistas a
transformá-la;
a avaliação da aprendizagem, como um aspecto
relevante do processo educativo, deve oferecer ao
professor
e
ao
aluno
a
comprovação
de
que
ascenderam a um nível de consciência mais elevado
sobre
a
realidade
social
na
qual
se
inserem,
possibilitando-lhes melhor forma de atuação nesta
mesma realidade.
Assim, sob a égide das múltiplas dimensionalidades que
a definem, a proposta educacional da Unitri prima por uma
visão de homem enquanto ser biopsicosocial, cognitivo e
64
cultural. Ao abranger os âmbitos da cognição, da moralidade
humana, da sociabilidade, da afetividade e da língua e
linguagem, esta proposta visa assegurar uma formação
atualizada e diferenciada.
Com esta orientação, o processo de operacionalização
das ações específicas de cada uma das áreas de atuação da
Unitri deverá desenvolver um programa de formação, em que
se inter-relacionem e se complementem os seguintes níveis de
ensino:
cursos superiores de tecnologia
cursos de graduação e
cursos de pós-graduação.
Ao assumir esse compromisso com o desenvolvimento
contínuo e sistemático do poder integrador de suas ações, a
Unitri se afirma como lugar da formação humana, política e
técnica e cumpre seu dever de garantir aos estudantes, por
intermédio dos seus profissionais, “o direito a uma educação de
qualidade, sem qualquer discriminação e aberta às diferenças",
como prescreve a Constituição para todos os brasileiros,
indistintamente.
Para gerir um processo educacional dessa magnitude, a
estrutura interna da Instituição não deve ser algo generalizante,
65
rígida, burocrática, disciplinar, hierárquica, especializada e
linear, sob pena de não atender a todos aqueles que a ela
recorrem.
5. Princípios pedagógicos e pressupostos da práxis
Colocar-se a serviço de um modelo de educação
inclusiva significa, para a Unitri, ter como princípio central de
sua proposta a cidadania como patrimônio universal, de modo
que as ações institucionais se orientem pelo direito de todas as
pessoas a uma vida digna e honrada.
Como eixo orientador da formação, o conceito de
cidadania
universal
pedagógicos
da
presidirá
Unitri
que
o
conjunto
orientarão
de
sua
princípios
organização
acadêmica e sua vida institucional segundo diretrizes que
norteiam o seu desenvolvimento e consolidam a sua missão.
Esses princípios constituem a base de referência para o
trabalho educativo em qualquer situação institucional, ou seja,
apontam direções a seguir mais do que caminhos específicos a
percorrer ou instrumentos a usar para realizá-los. Orientam as
atividades de ensino, pesquisa e extensão da Instituição desde
sua concepção inicial, passando por suas várias etapas de
realização até o acompanhamento dos resultados do egresso
que estiver atuando em seu campo profissional.
66
5.1. Princípios Pedagógicos
5.1.1.Formação
Técnico-científica
e
Formação
Humanística
Como promotora da cidadania universal, a Unitri deverá
orientar suas ações prioritariamente pelos desafios oriundos
dos avanços tecnológicos sem perder de vista o sentido
humano das mudanças deles decorrentes, antecipando seu
impacto nas relações econômicas e no cotidiano das relações
políticas e sociais.
Por essa razão, é fundamental que em todas as suas
ações busque o equilíbrio entre as dimensões técnico-científica
e
ético-moral
como
fator
determinante
para
que
se
estabeleçam novas formas de pensar, sentir e atuar sobre uma
realidade caracterizada pela pluralidade e complexidade de
situações inscritas em redes e conexões de significados.
A convivência dos aspectos técnicos e humanísticos
torna indispensável a reflexão sobre o caráter ético que deverá
perpassar as relações intersubjetivas e os processos de
tomada de decisões, estimulando a utilização da técnica não
apenas como meio, mas como um modo de inserção do
homem no mundo que se caracterize pela participação ativa no
67
processo de transformação da realidade política e cultural de
nosso País.
5.1.2. Integração dos diversos níveis de ensino
O sentido da educação continuada reside no conceito de
aprender e recriar permanentemente ou aprender a aprender,
os quais não se esgotam no campo da introdução à ciência e,
menos ainda, nos métodos de transmissão do saber.
Para que a aquisição de conhecimentos seja valorizada
para além de sua aplicação imediata, é imprescindível que o
estudante seja estimulado, em sua dimensão individual e
social, a buscar, a pesquisar, a desenvolver processos teóricoepistemológicos de investigação da realidade que o tornem
capaz da auto-aprendizagem e da auto-determinação para
atualizar-se continuamente
O desenvolvimento dessa habilidade de aprender requer
a transformação do espaço acadêmico em locus de construção
e produção do conhecimento, mediante a integração dos
diversos níveis de ensino, em especial, da graduação com a
pós-graduação.
Além da formação do pesquisador, a pós-graduação
deverá integrar à sua missão a formação para a docência no
ensino superior associando às questões pedagógicas o rigor
68
dos métodos específicos de produção do saber, na perspectiva
epistêmica.
Caberá, também, à graduação relacionar-se com a
educação básica, tanto no desenvolvimento de programas de
formação do professor, incluindo a formação continuada, como
na integração do processo seletivo para ingresso no ensino
superior à sua qualificação. Ao lado dos interesses de captação
de candidatos, a interlocução com os agentes da educação
básica deverá, na perspectiva de sua qualificação, proceder à
análise crítica dos resultados apresentados, a partir da qual
possam emergir indicações para o aprimoramento dos
procedimentos de seleção.
5.1.3. Articulação entre Ensino, Pesquisa e Extensão
Sabe-se que o essencial para o profissional da atualidade
é a auto-formação e não a escolarização: sua prioridade é a
auto-realização, o orgulho e a satisfação de construir algo.
Diante dessa exigência, a formação focada apenas na
preparação do indivíduo para o exercício de uma profissão é
insuficiente para integrá-lo ao mundo do trabalho, exigindo o
compromisso com uma qualificação intelectual suficientemente
ampla e abstrata cuja base seja o domínio de métodos
analíticos e de múltiplos códigos e linguagens.
69
Nesse sentido, a formação deverá conjugar, com a
máxima organicidade, a competência técnica e científica com a
inserção política e a postura ética. Para estabelecer a
competência científica os estudantes precisarão apreender os
fundamentos específicos da
ciência correspondente a cada
área do conhecimento, a fim de construírem a capacidade de
aprender requerida para a aquisição contínua e eficiente de
conhecimentos específicos.
Durante esse processo, deverão ser explicitados, numa
perspectiva política, os condicionantes históricos subjacentes
ao processo evolutivo da criação dos métodos científicos e os
condicionantes contemporâneos de cada profissão. Como
decorrência, estabelece-se a compreensão crítica acerca do
contexto em que se dá o exercício profissional, forjando
exclusões sociais ou ensejando aberturas crescentemente
integradoras dos diferentes segmentos da sociedade.
Essa
formação,
contextualizada
com
as
muitas
urgências sociais, só se dá por intermédio da associação entre
ensino e extensão, permitindo, em sua dimensão política, que
nela se integrem as posturas éticas relacionadas à temática
imprescindível da dignidade da vida como direito universal. Por
outro lado, a associação do ensino com a pesquisa permite que
seja incorporado o domínio dos instrumentos por meio dos
quais cada profissão se expressa em seu processo evolutivo.
70
Como eixo da formação, a articulação entre ensino,
pesquisa e extensão pressupõe uma organização curricular
capaz de promover o diálogo interdisciplinar entre os
fundamentos
científicos
da
área
de
conhecimento
correspondente ao respectivo campo de atuação profissional e
as ciências correlatas. Tal pressuposto torna imprescindível a
existência
de
uma
equipe
de
docentes
formalmente
inclusiva,
científica
qualificados.
5.1.4. Capacitação Docente
A
formação
na
perspectiva
e
epistêmica requisita um perfil docente em que a competência
pedagógica é indispensável. Além da formação científica na
sua área de conhecimento que permita ao docente o amplo
domínio dos métodos de investigação e produção daquela
ciência específica, é necessário ter a competência formadora.
Embora se inicie nos programas formais de pósgraduação, essa competência científico-pedagógica deverá ser
aprimorada nos processos rotineiros de capacitação que
ocorrem no contexto da atuação coletiva em torno dos Projetos
Pedagógicos de Curso, de modo a estabelecer a articulação
entre ensino, pesquisa e extensão.
A construção coletiva desses Projetos Pedagógicos
deverá constituir-se em espaço privilegiado de capacitação
71
docente
abrangendo
o
cultivo
da
prática
científica
e,
igualmente, o diálogo interdisciplinar que deverá se fazer
presente tanto nos níveis pedagógicos próprios do curso como
nos de desenvolvimento de projetos específicos.
Dada a impostergável formação do perfil docente
pretendido e a possibilidade de sua consolidação no cotidiano
do fazer pedagógico serão apresentadas, a seguir, as
premissas subjacentes ao conjunto de diretrizes e idéias
básicas que deverão nortear seu comportamento e definir suas
responsabilidades.
• O projeto pedagógico de cada curso deve ter o futuro
como referencial, tanto para o que propõe ensinar
quanto para os métodos a empregar.
Durante a história da Educação, as instituições que
realizaram esse trabalho estiveram apoiadas na noção de que
o papel mais importante do ensino era apresentar o
conhecimento e a tradição cultural da comunidade para as
novas gerações, levá-las a aderir a esse conhecimento e a
submeter-se ao que ele prescrevia. A informação existente ou
de domínio dos professores, sua apresentação aos aprendizes
e a cobrança de adesão a elas ou de sua utilização como
verdades foi uma constante na história da Educação no mundo.
Atualmente,
muitos
professores
ainda
se
referem
ao
72
conhecimento que usam para ensinar aos alunos, acreditando
que ensinam o que denominam de conteúdo.
No entanto, mais do que dominar o conhecimento do
passado e as informações de outrora, mesmo que de pouco
tempo atrás, o desafio da Educação está em preparar as
pessoas para atuarem frente às situações com as quais vão
defrontar-se no futuro, com base no conhecimento mais
significativo existente.
O
conhecimento
e
a
tecnologia
do
passado
são
instrumentos para perceber melhor como acontecem os
processos da natureza ou os processos sociais e para poder
lidar melhor com eles, de forma a superar os problemas e
dificuldades que surgirem, sem lesar o meio, as pessoas, as
possibilidades de existência e a qualidade de vida das pessoas
na sociedade. O conhecimento do passado precisa constituir
uma efetiva base para inventar o futuro. E isso pode ser feito
por meio da capacidade de construir, derivando do melhor
conhecimento existente, as aptidões que devem constituir a
aprendizagem dos que viverão no futuro e serão os principais
agentes para definir e construir esse futuro. São, em última
instância, as aptidões que os aprendizes desenvolvem no
presente que constituirão as bases do que caracterizará a
sociedade no futuro.
73
As expressões aprender a aprender, aprender a viver
com o diferente, aprender a conviver, aprender a fazer,
aprender a ser, aprender a conhecer, aprender a pensar
traduzem a necessidade de superar a noção de domínio de
conteúdos, produzidos por outros, e orientam a atenção para o
futuro, para as novas necessidades, para a sociedade em
transformação acelerada e, muitas vezes, em direções e
velocidades assustadoras uma vez que anunciam o perigo da
falta de preparação para lidar com tudo isso. O foco de atenção
é deslocado do ensino para a aprendizagem, e isso tem
implicações muito importantes para o trabalho das instituições
de educação superior.
•
Ensino e aprendizagem precisam ser considerados
pela relação que os define e pela natureza desses
dois processos
É comum no contexto do ensino superior, o entendimento
de que o ensino produz a aprendizagem. A percepção em
relação a como acontecem as decisões sobre o que ensinar
ou sobre como fazê-lo e de que maneira a aprendizagem
afeta esses dois tipos de decisão é ainda bastante reduzida.
No entanto, é urgente a compreensão de que a razão de ser
do trabalho de ensinar é a aprendizagem, uma vez que é para
74
construí-la que todo o trabalho docente é concebido,
planejado e realizado.
Há que se compreender, também, que os processos de
ensino têm ou devem ter sua gênese nas necessidades de
aprendizagem e que a avaliação desses processos é
determinada pela aprendizagem que deles resulta. Um
processo de ensino deve, portanto, desde sua gênese,
orientar-se
pelas
aprendizagens
que
são
importantes
desenvolver nos alunos e aperfeiçoar-se em função das
aprendizagens que consegue realizar.
Assim, a aprendizagem é o núcleo do processo de ensino:
é ela que orienta suas características enquanto meio para obtêlas. O foco não é a atividade do professor, mas a
aprendizagem que ele consegue realizar com seus alunos, a
partir das atividades propostas.
Há um princípio, já acessível, sobre as relações que
constituem o processo ensino-aprendizagem e que pode ser
assim resumido: não existe ensino sem aprendizagem. O
que define o trabalho educacional é a relação entre o que o
professor faz e o que acontece com a aprendizagem dos
alunos. Para construir essa relação com qualidade é
necessário deslocar a atenção (e o discurso) das atividades e
intenções dos professores para o que fazem professores e
75
alunos em vista de constituírem uma relação educativa, uma
relação de aprendizagem.
•
Em cada curso da Instituição é necessário utilizar
princípios educacionais descobertos pela Ciência em
várias áreas
O conhecimento existente em diferentes áreas e produzido
por diferentes processos possibilita o acesso a conceitos
orientadores que merecem ser utilizados como princípios
importantes para o trabalho educacional, relativamente aos
aspectos que permitem construir uma relação entre os
processos de ensinar e aprender e o desenvolvimento de
aprendizagens importantes para o futuro. Isso, acrescido pela
rápida e constante transformação da sociedade, acarreta um
crescente nível de exigência para a atuação das pessoas no
convívio social.
Cinco desses princípios podem ser explicitados como
alguns dos mais conhecidos e já testados para garantir o
sucesso da construção de aprendizagem por meio do trabalho
de professores. Aparentemente pode parecer muito, mas são
direções de exigência que as instituições educacionais e os
profissionais do ensino precisam aprender a construir e usar
nos processos de aprendizagem que querem realizar por meio
76
de seu ensino. Vale a pena examinar um pouco o que constitui
cada um desses princípios.
a) Participação ativa dos alunos em cada unidade de
aprendizagem: refere-se à atuação do aluno como uma
dimensão
importante
do
processo
de
ensinar:
a
aprendizagem requer participação ativa do aluno (e isso é
muito mais do que ouvir, ler, repetir, decorar, devolver...).
Participação não como ativismo lúdico, mas como realização
de atividades que correspondam às aprendizagens importantes
a desenvolver para o aluno se tornar apto para lidar com as
circunstâncias com que irá se defrontar como profissional e
como cidadão. Atividades que constituam as aprendizagens
das ações significativas que dele serão requeridas pela
sociedade.
b) Exigências feitas em pequenos passos ou etapas da
aprendizagem
de
interesse:
diz
respeito
a dispor
as
aprendizagens dos alunos em etapas, de forma a permitir e
facilitar o processo de construção de novas capacidades de
atuar. As quantidades, a complexidade de cada etapa, ou
passo de aprendizagem, precisam ser compatíveis com as
possibilidades de realização dos alunos. Sem esse princípio –
de difícil realização – o professor corre o risco de prosseguir
77
nas suas atividades, independentemente do que acontece com
a aprendizagem de seus alunos. Um professor precisa ser um
mediador e um facilitador de aprendizagem e não alguém que
ostenta a quantidade de reprovações de seus alunos como se
fosse mérito de seu ensino. O valor de alguém como professor,
e o que permite que receba tal nome, consiste em conseguir
obter a aprendizagem de seus alunos sem causar-lhes
prejuízos ou sofrimentos.
Não se trata de facilitar a aprendizagem além do
necessário – isso levaria os alunos a desvalorizar o que fazem,
mas de facilitar o suficiente para que os que ainda não são
capazes de realizar algo possam aprender a fazê-lo sem
destruição de sua auto-estima, ou à custa de repetidos
fracassos e muito sacrifício, a ponto de provocar evasões,
desistências ou desânimo dos estudantes. O princípio de
construir as aprendizagens dos alunos por etapas, degraus,
que eles realizem progressivamente, é um componente do
sucesso da aprendizagem e, por isso mesmo, do ensino.
Descobrir o que pode constitui cada uma dessas etapas e
construí-las, são desafios para o trabalho docente com os
alunos.
c) Conseqüências informativas para cada passo ou etapa
realizado pelo aluno:
é constituído pela exigência de que
78
cada
aprendizagem
realizada
pelos
alunos
tenha
conseqüências informativas imediatas para eles, de forma a
orientá-los quanto à adequação de seu trabalho. Feedback
imediato a cada pequena etapa de aprendizagem é uma
importante condição para a aprendizagem dos alunos. E isso é
a base de uma avaliação processual que supera as tradicionais
medidas de desempenho, mais classificatórias dos alunos do
que orientadoras de seus processos de aprendizagem. Sem
informação
sobre
a
qualidade
ou
adequação
de
seu
desempenho, os alunos tendem a considerar – e aprender –
que o que fazem, independentemente de qualquer critério, é o
correto e o melhor. Conseqüências informativas e imediatas a
cada etapa de aprendizagem são fundamentais para que as
aprendizagens ocorram e, principalmente, se consolidem.
d) Encaminhamento imediato de acordo com o que é
realizado pelo aluno em cada etapa ou passo: princípio
importante para o ensino, e corolário do princípio precedente, é
o de que a conseqüência informativa e imediata deve ser
seguida de um encaminhamento apropriado para o aluno
corrigir ou completar o que fez, até estar correto e completo,
de acordo com os critérios de suficiência e adequação da
aprendizagem em foco. Encaminhar continuamente o que
acontece com as tentativas dos alunos, ao aprenderem cada
79
unidade de sua capacitação, é um complemento importante do
princípio do feedback imediato e constante. Sem esse
encaminhamento, o feedback é insuficiente como uma
condição de aprendizagem.
e)
Condições
apropriadas
às
características
de
aprendizagem de cada aluno: esse princípio de aprendizagem
considera que cada aluno tem características específicas e
deve poder aprender de acordo com essas características.
Isso significa que cada aluno tem condições e possibilidades
diferentes para realizar cada tipo de aprendizagem que os
professores lhe exigem. Nesse sentido, os professores devem
evitar os procedimentos de massificação, que consideram
todos
os
alunos
iguais.
Criar
condições
de
estudo
complementar, atendimentos adicionais, monitoria de colegas
adiantados,
oportunidades
variadas,
atividades
optativas,
instruções escritas orientadoras para procedimentos e recursos
de aprendizagem são alguns exemplos de possíveis aplicações
desse princípio.
Esses cinco princípios são um patrimônio do conhecimento
sobre os processos de ensino e de aprendizagem e precisam
ser integrados à prática pedagógica, tanto no âmbito da sala de
aula quanto das coordenações de curso, ou da administração
das condições e processos de ensino da Instituição. São
80
princípios interdependentes e relacionados entre si. Não devem
ser considerados como técnicas ou instrumentos isolados. O
conjunto desses princípios, e as relações entre eles, é que
pode dar maior consistência ao trabalho de aprendizagem de
nível superior a ser desenvolvido por um professor.
Mais que um patrimônio do professor, esses princípios são
instrumentos dos alunos para proteger e desenvolver seus
processos de aprendizagem. O professor, como responsável
pelo planejamento e disposição das condições para a
aprendizagem, deve garantir o respeito a esses princípios. Os
alunos também precisam conhecer, utilizar e garantir esses
princípios em suas atividades de estudo e de aprendizagem.
Sem a participação específica de ambos no trabalho de
construção da aprendizagem por meio de ensino, esses
princípios ficam vazios, são palavras mortas, sem fenômenos
que correspondam a eles.
• É imprescindível trabalhar com uma clara noção do
significado da expressão educação de nível superior.
O outro aspecto orientador para a educação é a clareza
do que significa realizar uma educação de nível superior. Os
costumes ou as práticas dos docentes nas instituições de
ensino
superior
raramente
permitem
examinar
com
profundidade o que significa a expressão nível superior. Ela
81
significa muito mais do que apenas algo que vem depois dos
níveis inferiores ou do que um terceiro grau de uma seqüência
de dificuldades ou exigências. A natureza do ensino de nível
superior precisa ser algo muito claro para os professores que
realizam esse trabalho. Sem isso, seu esforço profissional
tenderá apenas a repetir o que já é feito em outros tipos de
ensino e a persistir em concepções ultrapassadas sobre o que
é educar em nível superior.
Educação – e ensino – de nível superior significam
desenvolvimento de qualificação e, portanto, de aptidões para
atuar, de forma abrangente, efetiva, com resultados duradouros
e de eficácia sistêmica (não apenas isolada ou esporádica),
com dimensões éticas, afetivas, políticas e sociais, tanto
quanto dimensões técnicas, científicas e culturais. As várias
dimensões dos problemas da sociedade precisam fazer parte
da formação de nível superior, de tal forma que o aprendiz
egresso desse tipo de ensino tenha uma capacidade humana
de atuar integrada com todas as dimensões que tal capacidade
requer: técnicas, políticas, afetivas, emocionais, sociais,
históricas etc. Qualificação não apenas para obter emprego,
mas para relacionar-se em nível superior com a sociedade
como um todo e com as pessoas em particular. Uma efetiva
qualificação profissional depende de uma qualificação humana
para a vida em relação com os outros. Parece urgente superar
82
conceitos reducionistas. Ser um profissional de nível superior é
ser, de fato, capaz de estabelecer relações significativas com
seu entorno.
A qualidade, a relevância e a pertinência apregoadas para
a qualificação, inclusive profissional, de nível superior são os
outros nomes usados para designar essas dimensões da
atuação de uma pessoa. Não é o diploma universitário que
qualifica uma pessoa, mas sua capacidade de atuar com
dimensões
humanas,
sociais
e
profissionais,
como
componentes de cada uma de suas ações na sociedade.
Uma clara concepção sobre o que significa aprendizagem
e educação de nível superior é mais um dos componentes dos
princípios gerais que constituem os elementos para delinear
diretrizes para um ensino de graduação de alto valor para a
sociedade. É um princípio que serve de apoio a vários outros
princípios, à medida que destaca o que significa a expressão
educação de nível superior. Expressão que se refere a um
conceito orientador constante das ações que constituem o
trabalho de todos na universidade.
5.1.5. Avaliação Institucional
Concebendo a reflexão sobre a prática pedagógica como
móvel essencial de inovação e garantia de um elevado padrão
83
de desempenho, a Unitri desenvolverá seu Programa de
Avaliação Institucional com o objetivo de orientar a gestão
institucional, em suas dimensões política, acadêmica e
administrativa, de forma a promover os ajustes necessários à
melhoria de suas ações.
A avaliação deverá ter como foco as várias funções
produtivas e administrativas da Unitri, os diferentes níveis de
ensino e os problemas institucionais significativos. Os critérios
a serem utilizados deverão sempre refletir os objetivos da
Unitri, tendo em vista que a construção da excelência no
ensino deve ter na avaliação o elo mais importante do processo
de garantia da qualidade.
Sendo a qualidade garantida, preliminarmente, por meio
dos cuidados internos e da atenção constante e estrutural que
a própria Instituição e seus integrantes dispensam ao assunto,
esse processo, integrado à política geral da administração,
deverá ser sempre priorizado pela gestão.
A proposta metodológica da Avaliação, na Unitri, deverá
ser fundamentada nos seguintes princípios :
Garantia de um clima de acolhimento ao Programa pelos
professores e alunos que assegure sua participação na
operacionalização e nas condições de utilização dos
resultados;
84
obtenção de dados quantitativos e qualitativos na coleta
de informações, objetivando a formulação de um
diagnóstico do ensino;
conjugação da avaliação Institucional com a avaliação de
cursos e de docentes, a serem realizadas com a
participação de toda a comunidade acadêmica;
compromisso da Comissão Própria de Avaliação (CPA)
em garantir o sigilo absoluto dos dados obtidos nas
avaliações;
compromisso da CPA de oferecer condições para melhor
preparar
o
professor,
introduzindo
as
mudanças
necessárias de maneira gradual;
compromisso da Administração de manter coerência com
a CPA para assegurar a credibilidade necessária para o
desenvolvimento do seu trabalho.
5.2. Pressupostos da Práxis
Partindo da crença de que o objetivo dos professores da
Unitri é criar condições para o desenvolvimento do potencial
humano de cada aluno e que a eficácia das estratégias de
ensino está na efetiva preparação técnico-científica e política
dos alunos para alcançar o sucesso pessoal e profissional, sua
atuação deve estar fundamentada nos seguintes pressupostos:
85
a) O papel do professor deve ser o de facilitador do
desenvolvimento das capacidades do aluno para pensar e
agir responsavelmente.
Na sala de aula deve agir como estrategista e técnico da
aprendizagem, predizendo, diagnosticando e adaptando seu
ensino à compreensão e progresso do aluno e, ainda,
avaliando a qualidade do seu raciocínio e as suas reações
emocionais diante de cada situação.
b) A identificação dos objetivos do ensino pelo aluno
é um fator
determinante de sua motivação para a
aprendizagem, sendo seu
sucesso ou fracasso o que
define a maneira pela qual estabelece seus objetivos
futuros.
O processo educacional envolve uma série de experiências de
aprendizagem
que
visam
atingir
objetivos
educacionais
cuidadosamente selecionados mediante considerações acerca
da natureza do aluno, do contexto social no qual a Unitri está
inserida, e do conteúdo a ser ensinado. Portanto, a seleção dos
objetivos
educacionais
constitui
fator
determinante
da
construção do Projeto Pedagógico de cada curso.
c) O professor desempenha um forte papel na
imagem que o aluno tem de si mesmo, na maneira como
86
ele se vê, e tal visão está diretamente relacionada com sua
capacidade de se realizar academicamente.
A implicação dessas idéias para a construção do Projeto
Pedagógico de cada curso está diretamente direcionada ao tipo
e nível de dificuldade das experiências que devem ser
proporcionadas ao aluno. Elas devem ser apresentadas num
contexto de desafio e a consecução de cada objetivo deve ser
uma oportunidade de reforço para a imagem que o aluno tem
de si mesmo, bem como para o desenvolvimento máximo de
seu potencial. Para que isso aconteça, os interesses,
preocupações, problemas e necessidades dos alunos devem
ser usados como base para o ensino. Nesse sentido, o aluno
deve ser ajudado a identificar suas necessidades, a explicitar
seus valores, a estabelecer seus próprios objetivos e a se
responsabilizar pela sua aprendizagem e comportamento na
sala de aula.
d)
O
aluno
precisa
aprender
a
organizar
seu
conhecimento e a usar processo de pensamento criativo. A
organização do conhecimento é única para cada indivíduo.
Embora sujeito aos mesmos dados, informações, fatos e
conceitos, a maneira como cada aluno os compreende e
transforma
é
única.
O
conhecimento
novo
não
é
simplesmente incorporado ao antigo, nele ocorre a
mudança, a transformação.
87
Essa consideração tem implicações para a formulação
das estratégias de ensino. O conceito de pensar como um
processo essencialmente ativo, no sentido de que se aprende
apenas fazendo, coloca o ensino numa perspectiva diferente.
Maior ênfase passa a ser dada ao processo ao invés de ao
conteúdo, ou seja, o que importa é como as coisas são
ensinadas ou aprendidas e não simplesmente o o quê é
ensinado ou aprendido.
Esta postura influenciará diretamente a formação do perfil
profissiográfico definido no Projeto Pedagógico de cada curso e
que deverá compreender tanto o como fazer quanto o por quê
fazer.
e) O ensino deve ser centrado em problemas que
sejam significativos para os alunos e que satisfaçam as
suas necessidades.
A realização de atividades relacionadas à identificação de
problemas que lhes interessam e a elaboração de projetos de
trabalho coletivo com a assessoria dos professores oferecem
aos alunos uma série de alternativas que os envolvem em
diferentes
oportunidades
desenvolvimento
da
de
aprendizagem,
capacidade
de
desde
liderança
até
o
o
planejamento e avaliação de atividades programadas.
88
5.2.1. Fases da metodologia de ensino: aprender a
aprender
?
89
Neste caminho metodológico está implícito que as
estratégias de ensino deverão permitir o envolvimento intenso
dos professores e alunos no processo de
ensino e de
aprendizagem.
Para isso, é preciso que o professor compreenda, de
forma muito clara, o seu papel no espaço acadêmico, e,
especialmente, o seu papel no ensino. O ensino é mais que
uma atividade em classe e inclui, também, a preparação da
aula, o processo avaliativo, as leituras sobre sua matéria, a
orientação de monografias, a supervisão de estágios e as
atividades complementares e o registro acadêmico. Outras
atividades importantes que o professor desenvolve no ensino,
são as orientações metodológicas e técnicas
acompanhamento
do
aluno
na
escolha
envolvendo o
de
cursos
extracurriculares, a formação de hábitos de estudos e de
vivências práticas relacionadas à profissão.
As práxis pedagógicas, em seu tríplice objetivo de
proporcionar ao estudante o
potencialidades
como
desenvolvimento de suas
elemento
de
auto-realização,
a
qualificação para o trabalho e o exercício pleno da cidadania,
deverão desenvolver nos alunos as seguintes habilidades:
90
domínio pleno da leitura e da escrita para beneficiar-se
das oportunidades oferecidas pelo aprender a aprender,
ao longo de toda a formação;
percepção das múltiplas linguagens utilizadas pela
humanidade;
conhecimento,
compreensão,
interpretação,
análise,
relacionamento, comparação e síntese dos dados, fatos
e situações do cotidiano, que possibilitem a qualificação
profissional
e,
sobretudo,
o
desenvolvimento
das
competências que o tornem apto a enfrentar as inúmeras
situações da vida;
compreensão das relações sociais para uma atuação
adequada como cidadão;
valorização do diálogo, da negociação e das relações
interpessoais;
compreensão e valorização das expressões culturais de
sua gente e de seu entorno;
capacidade para localizar, acessar, contextualizar e usar
melhor as informações disponíveis;
capacidade para selecionar e classificar as informações
recebidas;
capacidade de discernimento e autonomia intelectual;
compreensão do outro e habilidade para descobrir meios
e processos de se trabalhar e respeitar os valores do
91
pluralismo e da compreensão mútua, em respeito às
diferenças humanas.
Desse modo, constituir-se-á o perfil de formação do
egresso da Unitri: o ser humano capaz de gerir o
conhecimento e opinar a respeito dos fenômenos sócioculturais, de enfrentar as questões que o envolve nas
diversas instâncias do seu cotidiano e legitimar uma
concepção ampliada de homem e de mundo, promovendo
a valorização e a prática dos valores democráticos sob o
prisma
da
solidariedade
e
do fomento ao espírito
colaborativo e participativo.
A formação desse perfil de egresso requer uma
ambiência institucional intencionalmente comprometida com a
criatividade, a comunicação, a tomada de decisões, o
relacionamento humano e o discernimento de oportunidades e
possibilidades, de modo a favorecer a compreensão de que
todo ser humano tem potencialidades para a auto-confiança e a
auto-realização. É por meio das relações estabelecidas entre o
ser e o meio vivencial que se constroem as características, os
ritmos e os tempos de cada um.
Essa visão deverá ser a direcionadora da construção da
ambiência propícia ao desenvolvimento da aprendizagem e da
práxis pedagógica da Unitri, com espaços de convivências
92
salutares nos quais a formação de seres humanos seja o cerne
de todo o seu trabalho institucional.
5.3. Diretrizes para o Ensino de Graduação
Partindo da missão e dos objetivos institucionais da
Unitri, as ações do ensino de graduação e de graduação
tecnológica devem ter total consonância com seus princípios
filosóficos, políticos e pedagógicos, no que diz respeito à
idealização, elaboração e execução dos projetos curriculares
dos cursos. Estes serão organizados a partir da concepção de
currículo como prática social que emerge da relação dialética e
dialógica entre o professor e o aluno, respeitando o princípio da
flexibilidade e a capacidade de criar e recriar conhecimento, ou
seja, da ação concreta e efetiva entre o sujeito, o objeto e o
conhecimento.
Os cursos oferecidos pela Unitri vinculam-se às seguintes
áreas do conhecimento, as quais deverão ter prioridade no
planejamento de novos cursos:
Ciências Humanas, Políticas e Sociais
Ciências da Saúde
Ciências Jurídicas e Empresariais
Ciências Exatas.
93
A criação de novos cursos, de graduação ou de
graduação tecnológica, deverá orientar-se por fundamentos
acadêmicos e fatos reais que apontem os melhores espaços de
inserção da Unitri na região e no País, à luz das suas
necessidades internas de crescimento. A concretização do
projeto pedagógico de cada curso deverá:
orientar-se
pelas
Nacionais/MEC/CNE
Diretrizes
e
normativas
Curriculares
dos
conselhos
profissionais de cada área, respeitados os princípios
legais;
buscar o equilíbrio entre a visão de futuro e a noção de
realidade, tanto no que propõe a ensinar quanto dos
métodos a empregar, referenciado nos princípios da
originalidade, da criatividade e da empregabilidade;
primar pelo diferencial mercadológico e pela otimização
de recursos, sem prejuízo da qualidade da formação do
cidadão crítico e consciente de seu papel na sociedade;
explicitar a relação que manterá com a EaD.
Os currículos dos cursos de graduação e graduação
tecnológica serão concebidos e organizados para promover
aprendizagens
profissionais
significativas,
seguindo
os
princípios filosóficos, políticos e pedagógicos da Instituição. Por
94
essa razão, devem ser estruturados em função das habilidades
a serem adquiridas, incluindo os fundamentos técnicocientíficos
e
humanísticos
necessários
ao
desempenho
profissional, consistentemente com as necessidades oriundas
do mundo do trabalho e com os valores que fomentem a
criatividade, a iniciativa, a liberdade de expressão, a intuição, a
inovação tecnológica e a descoberta científica. Deverão, ainda,
pautar-se nos critérios de flexibilidade, interdisciplinaridade e
contextualização.
Para a efetiva consolidação do processo formativo nos
cursos da Unitri, a ênfase deverá ser dada à aprendizagem
enquanto resultado da relação entre o sujeito, o objeto e o
conhecimento envolvendo os seguintes domínios cognitivos:
conhecimento, compreensão, aplicação, síntese, análise e
avaliação.
A construção do conhecimento, mediada pela ação do
sujeito sobre o objeto e pela repercussão dessa ação sobre si
mesmo, impõe a compreensão de aulas, presenciais ou a
distância, bem como a organização didática dessa ação em
um ambiente de aprendizagem dialógico e crítico, no qual
estejam
ocorram
contidas
a
possibilidades
problematização,
diversificadas
a
para
que
experienciação,
a
experimentação, a demonstração e as trocas circunstanciais.
95
O desenvolvimento social, afetivo e cognitivo do ser
humano em formação requer aulas expositivas dialógicas,
aulas demonstrativas, aulas experienciais, aulas de campo,
aulas de discussões dirigidas, aulas de exercícios ou de
soluções de problemas.
A
partir
desses
ambientes
de
aprendizagem
estimulantes, os professores deverão levar os alunos a
aprenderem a aprender, criando condições para refletirem,
analisarem
e
tomarem
consciência
do
que
sabem;
a
aprenderem a investigar, a dominarem diferentes formas de
acesso à informação, a desenvolverem a capacidade crítica de
avaliar, a reunirem e organizarem informações relevantes,
desenvolvendo as habilidades de manejar o conhecimento;
manifestarem a autonomia, a curiosidade, a criatividade e o
seu posicionamento como sujeitos diante da vida.
Nesse contexto, a função do professor é criar conflitos,
provocar desequilíbrios e, ao mesmo tempo, colocar um certo
limite
nesse
desequilíbrio,
propondo
situações-problema,
desafios a serem vencidos pelos alunos, para que possam
construir conhecimentos e, portanto, aprenderem.
5.3.1. Graduação Tecnológica
Os Cursos Superiores de Tecnologia da Unitri, na sua
especificidade, visam atender às demandas atuais do mercado,
96
constituindo-se uma área de formação imprescindível por
estabelecerem uma relação direta e dialógica com o mundo do
trabalho, articulando os processos produtivos, as pessoas e as
necessidades da sociedade contemporânea.
O processo de implantação e desenvolvimento da
educação profissional em nível tecnológico exige que ela seja
compreendida em todas as suas dimensões. Por ser um ponto
de intermediação entre o doutrinário e o teórico, de um lado, e
o técnico e o prático, de outro, a tecnologia se situa numa
posição de tensão entre a ciência e a técnica, o que lhe confere
um poder de síntese em relação a diversos campos científicos.
Ao aproximar a teoria da prática, a tecnologia estimula o
pensamento inventivo capaz de desenvolver o desejo de
aprender, aspecto de relevada importância para o estudante
em formação profissional. Do mesmo modo, ao aproximar-se
da técnica, permite a construção de modelos e a elaboração da
lógica na organização e execução do trabalho.
Justamente esse caráter científico e técnico faz da
tecnologia
um
campo
extremamente
fértil
para
o
desenvolvimento do espírito criativo e crítico, desde que
adequadamente explorados seus conteúdos pedagógico e
artístico.
97
Coerentemente com essas características e com a
finalidade proposta pelos cursos superiores de tecnologia, são
os seguintes os objetivos a serem alcançados:
desenvolver habilidades profissionais tecnológicas para a
gestão de processos de produção de bens e serviços;
cultivar o pensamento reflexivo, a autonomia intelectual,
a capacidade empreendedora e a compreensão do
processo tecnológico, em suas causas e efeitos, e nas
suas relações com o desenvolvimento do espírito
científico;
incentivar a produção e a inovação científico-tecnológica,
a criação artística e cultural e suas respectivas
aplicações no mundo do trabalho.
O foco dos cursos de graduação tecnológica está no
domínio
e
tecnológicos,
aplicação
em
de
áreas
conhecimentos
específicas
de
científicos
e
conhecimentos
relacionados a uma ou mais áreas profissionais. Neste sentido,
a educação profissional de nível tecnológico requer o domínio
operacional de uma determinada técnica de trabalho e a
compreensão global do processo produtivo mediante (a)
apreensão do saber tecnológico e do conhecimento que dá
forma ao saber técnico e ao ato de fazer, (b) valorização da
98
cultura do trabalho e (c) mobilização dos valores necessários à
tomada de decisões profissionais e ao monitoramento dos seus
próprios desempenhos profissionais.
Como resultado do atendimento a essas exigências terse-à o perfil geral do tecnólogo dotado de competências
profissionais
que
se
traduzam
na
aplicação,
no
desenvolvimento (pesquisa aplicada e inovação tecnológica) e
na difusão de tecnologias; na gestão de processos de
produção de bens e serviços; na criação de condições para
articular,
mobilizar
e
colocar
em
ação
conhecimentos,
habilidades, valores e atitudes para responder, de forma
original e criativa, com eficiência e eficácia, aos desafios e
requerimentos do mundo do trabalho; no desenvolvimento da
capacidade empreendedora e de uma atitude voltada para a
laboralidade. .
Essas competências deverão ser integradas àquelas
adquiridas em outros níveis da educação profissional, tendo
como suporte as bases científicas e instrumentais da educação
básica, de modo a possibilitar ao tecnólogo a especialização
em segmentos (modalidades) de uma determinada área
profissional, assim como a ampliação de sua atuação por meio
da continuidade dos estudos em cursos de bacharelado ou de
pós-graduação.
99
Para fazer face a essa visão da formação do tecnólogo,
os
currículos
poderão
ser
estruturados
em
módulos
(qualificações profissionais), disciplinas, núcleos temáticos,
projetos ou outras atividades educacionais, observando as
seguintes proposições:
incentivar
o
empreendedora
desenvolvimento
e
da
da
compreensão
capacidade
do
processo
tecnológico, em suas causas e efeitos;
incentivar a produção e a inovação científico-tecnológica,
e suas respectivas aplicações no mundo do trabalho;
desenvolver competências profissionais tecnológicas,
gerais e específicas, para a gestão de processos e a
produção de bens e serviços;
propiciar a compreensão e a avaliação dos impactos
sociais,
econômicos
e
ambientais,
resultantes
da
produção, gestão e incorporação de novas tecnologias;
promover a capacidade de continuar aprendendo e de
acompanhar as mudanças nas condições do trabalho,
bem como, propiciar o prosseguimento de estudos em
cursos de pós-graduação;
adotar
a
flexibilidade,
a
interdisciplinaridade,
a
contextualização e a atualização permanente dos cursos
e seus currículos;
100
garantir a identidade do perfil profissional de conclusão
do curso e da respectiva organização curricular.
5.3.2. Avaliação da Aprendizagem
Os cursos de graduação e de graduação tecnológica
deverão seguir os princípios e os critérios da avaliação
processual
comprometidos
com
a
promoção
do
desenvolvimento humano em suas possibilidades, limitações e
diferenças no cotidiano educativo. Essa avaliação permitirá
repensar permanentemente os atos pedagógicos, uma vez que
seus princípios constituem-se em diretrizes do processo de
aprendizagem às quais todo o seu desenvolvimento posterior
deve estar subordinado.
De acordo com esses princípios a avaliação processual
deverá ser:
contínua (não se restringir ao momento isolado);
gradual (realizar-se em etapas);
cumulativa (cada avaliação deve fornecer elementos
para outra);
coerente (ter ligação recíproca com o processo ensinoaprendizagem e com a metodologia desenvolvida pelo
currículo);
cooperativa (professor e aluno devem atuar juntos);
101
ampla (vários aspectos devem ser considerados);
de acompanhamento (e não apenas classificatória);
transparente (apresentar claramente os objetivos, os
conteúdos, os critérios e a bibliografia, antes do
momento da avaliação);
prazerosa (desenvolver-se num clima de tranqüilidade e
confiança).
Caberá ao sistema de avaliação envolver, também, os
domínios
cognitivos
relacionados
às
capacidades
de
conhecimento, compreensão, aplicação, análise, síntese e
avaliação que, aplicados às estratégias de ensino grupais e
individuais,
favoreçam
a
investigação,
a
exploração,
o
tateamento experimental em trabalhos temáticos escritos,
produções
textuais
orais
e
escritas,
provas,
exercícios
estruturais, debates orais, seminários temáticos e trabalhos de
campo para esse fim, entre outros.
A avaliação contínua dos alunos permitirá verificar as
habilidades desenvolvidas no ambiente do aprender a
aprender, criado na sala de aula e fora dela, considerada a
correspondência existente entre o desenvolvimento do
aluno e o período em que está inserido, em consonância
com os objetivos propostos no plano curricular de cada
curso de graduação.
102
5.4. Diretrizes para o Ensino de Pós-Graduação
Os programas de pós-graduação stricto sensu deverão
ter seus cursos projetados em consonância com os seguintes
objetivos:
formar professores para o magistério superior, a fim de
atender a expansão quantitativa desse nível de ensino e
a elevação da sua qualidade;
iniciar a formação de
pesquisadores para o trabalho
científico e para a execução de projetos com potencial de
inovação técnica e social, a fim de possibilitar a
consolidação dos núcleos de pesquisa existentes na
Unitri, além de atender às necessidades setoriais e
regionais da sociedade;
preparar profissionais de nível elevado, a fim de atender
a demanda do mercado de trabalho, nas organizações
públicas e particulares.
Os cursos de pós-graduação lato sensu, em nível de
especialização, deverão constituir-se em instrumentos para
qualificação e aperfeiçoamento de pessoal graduado, em
atendimento às necessidades dos setores empresarial, social e
educacional.
103
Os resultados obtidos por meio do trabalho pedagógico,
dos estudos e das pesquisas desenvolvidas no âmbito da pósgraduação lato sensu deverão colaborar para a:
melhoria da qualidade dos cursos de graduação;
criação de uma cultura de intercâmbio com especialistas
de outras instituições de ensino de renome;
elevação da qualificação dos docentes da própria Unitri e
de outras instituições de ensino da Região;
manifestação de interesses de seus alunos para a pósgraduação stricto sensu;
aproximação da Instituição com empresas, prefeituras,
órgãos do sistema educacional e de saúde, com quem
estabelece parcerias e assina convênios.
Aos Programas de Pós-Graduação caberá oferecer à
Instituição
o
estímulo
à
produção
intelectual
de
seus
professores e pós-graduandos, bem como sua participação em
eventos científicos nacionais e internacionais. Esforços deverão
ser realizados para que essa produção enquadre-se entre as
de melhor nível e seja cada vez mais difundida.
5.5. Diretrizes para a Pesquisa
104
Em sua elaboração e desenvolvimento, os projetos de
pesquisa na Unitri deverão considerar a convergência para
uma das quatro vertentes a seguir:
pesquisa como produto dos cursos de pós-graduação
lato sensu, cujos resultados sejam
meio
de
monografias
ou
de
apresentados por
artigos
científicos
elaborados pelos alunos da especialização, sob a
orientação de professores;
pesquisa individual do corpo docente através de:
• teses
e
dissertações
dos
concluintes
de
pós-
graduação stricto sensu;
• projetos com característica de inovação científica e
tecnológica que contribuam para a produção de novos
conhecimentos e a formação de recursos humanos
qualificados, sendo estimulados, principalmente, os
projetos inter e multidisciplinares
iniciação científica com o objetivo de despertar a
vocação científica e incentivar talentos potenciais entre
estudantes de graduação, a partir de sua participação
em projetos orientados por professores-pesquisadores
qualificados, além das pesquisas voltadas para a
elaboração dos trabalhos de conclusão de curso;
105
pesquisa
em
sala
de
aula
para
fundamentar
o
desenvolvimento de atitudes científicas com as quais se
pode construir uma qualidade desejável para o ensino na
graduação.
5.5.1. Iniciação científica
A Pesquisa deverá orientar o primeiro nível básico, o da
iniciação
científica,
promovendo
oportunidades
para
o
estudante utilizar os critérios inerentes ao processo científico
de conhecer, lidando com os problemas, com as dificuldades e
com o desconhecido que qualquer profissional de nível superior
enfrenta no exercício de sua profissão.
Sob esse prisma, as aptidões científicas são aspectos
importantes da formação e o Programa de Iniciação Científica
deverá ser um dos instrumentos de estímulo à participação dos
alunos da graduação nas atividades de pesquisa em suas
áreas de conhecimento, preparando-os para o acesso à pósgraduação.
O aluno integrante do Programa vincular-se-á a um
projeto de pesquisa, sob a orientação de um professorpesquisador que terá a tarefa de selecioná-lo, observando
critérios previamente definidos e amplamente divulgados na
comunidade acadêmica.
106
5.6. Diretrizes para a Extensão
A Extensão Universitária, como uma das funções da
educação superior integrada ao ensino e à pesquisa, deverá
propiciar
uma
nova
compreensão
do
processo
de
conhecimento, a partir da articulação entre os processos
educativo, científico e cultural e do estabelecimento de uma
relação dinâmica entre a Instituição e a sociedade.
Esse compromisso, na Unitri, deverá materializar-se em
ações sob a forma de programas, projetos, cursos, eventos,
prestação de serviços e produção acadêmica, abrangendo
quatro vertentes: educação continuada, ação comunitária,
serviços especializados e vivência artístico-cultural.
Na vertente da produção do conhecimento, a Extensão
deverá constituir-se em intervenção na comunidade por meio
de metodologias que transformem o conhecimento em um bem
social,
no
contexto
da
construção
da
cidadania.
Sua
socialização deverá ser feita por meio de mecanismos que
respeitem a cultura da população envolvida, incluindo a
comunidade acadêmica na qual poderá ser avaliado na
perspectiva da contemporaneidade e da relevância, bem como
de métodos científicos.
107
Ainda, nessa vertente, a Extensão deverá possibilitar à
comunidade acadêmica o exercício da práxis por meio do
relacionamento com agentes sociais que compartilhem a ética
da construção da cidadania. A produção do conhecimento
ocorrerá a partir dessas relações, no convívio entre os saberes
acadêmico e popular e no confronto com a realidade regional e
nacional.
6. Considerações Finais
O PPI da Unitri, ao estabelecer os princípios e os
fundamentos do processo educativo necessários à sua
concretização, buscou
refletir os múltiplos olhares voltados
para a realidade do fazer acadêmico e, também,
para a
realidade institucional.
As
proposições
nele
contidas
deverão
pautar
continuamente as relações sociais e as práticas cotidianas, de
modo a
contribuir para uma maior organicidade das ações
institucionais. Ao interagirem com os elementos da realidade
concreta,
caberá
a
elas
explicitar
as
necessidades
e
possibilidades de desenvolvimento deste projeto educacional,
mediante a definição das prioridades para a gestão nos planos
acadêmico e administrativo-financeiro.
108
Em última instância, a aceitação consensual do PPI é
determinante para que se atinja um maior nível de coesão
intra-institucional, na Unitri, e para que o resultado das ações
implementadas
seja
subsidiário
de
sua
revisão
e
aprimoramento contínuo.
109
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113
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