ALINE GALVÃO XAVIER CHRISTIANE SALVADOR PICELO CLAIDENERY GONÇALVES DOS SANTOS NATÁLIA BRAZ PEREIRA 2ACBM ATITUDES INDIVIDUAIS NO MANEJO DE EMBALAGENS COMO ESTRATÉGIA DE REDUÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS XII SIMCIBIO – SIMPÓSIO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS SÃO PAULO 2009 ALINE GALVÃO XAVIER CHRISTIANE SALVADOR PICELO CLAIDENERY GONÇALVES DOS SANTOS NATÁLIA BRAZ PEREIRA 2ACBM ATITUDES INDIVIDUAIS NO MANEJO DE EMBALAGENS COMO ESTRATÉGIA DE REDUÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS Orientador: Prof . Dra. Solange dos Anjos Castanheira a Pesquisa apresentada à orientadora do grupo como parte dos requisitos necessários à apresentação do trabalho no XII SIMCIBIO – Simpósio de Ciências Biológicas – 2009 da Universidade São Judas Tadeu. UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS XII SIMCIBIO – SIMPÓSIO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS SÃO PAULO 2009 SUMÁRIO 1. RESUMO.................................................................................................................... 2. INTRODUÇÃO.......................................................................................................... 3. METODOLOGIA....................................................................................................... 3.1 Caracterização e seleção da área de trabalho....................................................... 3.2 Público alvo.......................................................................................................... 4 5 8 8 3.3 Coleta de dados.................................................................................................... 9 3.4 Tabulação dos dados obtidos............................................................................... 9 3.5 Forma de análise dos resultados.......................................................................... 10 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO............................................................................... 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................... 6. REFERÊNCIAS......................................................................................................... 11 28 29 9 4 1. RESUMO A visão socioambiental deve ser conservacionista, agrupando idéias de conservação da qualidade e quantidade de uma natureza-recurso, para não se esgotar nenhum recurso. A pesquisa ambiental se torna importante para atrelar conhecimento e atitudes conscientes aos indivíduos urbanos, pois eles não sabem como reduzir o lixo por falta de conceitos de educação ambiental, que atribui responsabilidade ambiental individual, promovendo sustentabilidade diária. Dessa forma, objetivou-se a identificação da ecopercepção da população de donas de casa do bairro da Ponte Grande, em Guarulhos, acerca da importância individual na redução de impactos ambientais causados pelo excesso de embalagens. A metodologia abrangeu entrevistas aleatórias e os dados obtidos foram analisados através de gráficos comparativos e do teste do X2 (qui-quadrado). Os resultados mostraram que a escolaridade não se relaciona com o nível de conhecimento sobre educação ambiental, mas a maioria dos entrevistados destina o lixo para reciclagem, apesar de a reutilização ser mais vantajosa, porém a população não pratica por falta de hábito. Contudo, verificou-se que a maioria da população recicla individualmente, apesar da falta de apoio de outros órgãos. Este trabalho inseriu propostas de educação ambiental para auxiliar na redução e reutilização de produtos consumidos, pois apesar da reciclagem, a população não costuma reduzir nem reutilizar. Palavras-Chave: educação ambiental, ecopercepção, resíduos sólidos, embalagens. 5 2. INTRODUÇÃO Dias (2002) e Carvalho (2004) concordam que na época em que a ecologia surgiu, em meio à crise ambiental dos anos 70 e 80, sob uma forte tradição naturalista, um erro foi cometido: os estudos sobre os ecossistemas; sobre a flora e a fauna; sobre as estruturas dinâmicas; sobre o metabolismo dos sistemas foram aprofundados. Porém, a espécie humana ficou à margem destes estudos; as relações de interação permanente entre a vida humana social e a vida biológica da natureza não foram consideradas. Segundo Sauvé (2005) as proposições da corrente naturalista reconhecem o valor intrínseco da natureza em detrimento dos recursos fornecidos por ela. A partir disto, Carvalho (2004) propôs que a visão socioambiental deveria ser orientada por uma racionalidade interdisciplinar, tornando-se uma visão conservacionista. O meio ambiente não deve ser visto como sinônimo de natureza intocada, mas o palco das relações interativas entre a cultura, a sociedade e as bases física e biológica dos processos vitais. Admitindo esta visão socioambiental, as relações entre os seres humanos e a natureza nem sempre são problemáticas; as modificações antrópicas podem ser sustentáveis. Uma visão conservacionista, conforme Sauvé (2005) explanam, agrupa as proposições centradas na conservação da qualidade e quantidade dos recursos de uma natureza-recurso. O consumo dos recursos deve seguir uma lógica de conservação, com o objetivo de não esgotar nenhum dos recursos. Além disso, uma equidade social deve ser estabelecida. Programas de Educação Ambiental (EA), como os três R’s (redução, reutilização e reciclagem), se associam à corrente conservacionista. Assim, o consumo pode se tornar ecoconsciente. Segundo a Associação COREN da Bélgica, citada por Sauvé (2005), “ecoconsumir é, primeiramente, fazer-se algumas perguntas pertinentes antes de comprar”. Perguntas que indaguem se a compra realmente corresponde a uma necessidade, evitando uma compra inútil. A escolha do produto deve ser responsável, examinando seu ciclo de vida. Para esta análise, leva-se em conta o composto utilizado na confecção do produto, além de considerar se a fabricação respeita as normas ambientais e se os recursos provêm de fontes renováveis. Em relação ao descarte, eliminação, é necessário saber se, ao término de sua utilização, ele pode ser empregado de outra maneira, se existe uma forma de reciclagem etc. São estes tipos de atitudes sustentáveis que tornam a qualidade ambiental urbana mais alta. 6 Segundo Vargas e Ribeiro (2001), o conceito de qualidade ambiental urbana está atrelado a dois outros conceitos: o de ecossistema urbano e o de qualidade de vida. Como definido por Odum (1983), um sistema ecológico é a interação entre os seres vivos e o ambiente não vivo. Em se tratando de um ecossistema urbano é necessário considerar que, em decorrência das peculiaridades da espécie humana, este envolve outros fatores como os culturais, e difere de outros ecossistemas heterotróficos naturais, pois apresentam um metabolismo diferenciado, mais agressivo por unidade de área. A estrutura dos ecossistemas urbanos compõe-se por um ambiente construído pelo ser humano, por um meio socioeconômico e pelo ambiente natural (Hengeveld e Voch, 1982 apud Dias, 2002). As cidades, em suas associações com o meio natural, causam-no modificações profundas através da criatividade humana e das inovações culturais. Além disso, geram uma alta demanda de capacidade de produzir pressão ambiental, pela produção e consumo constantes e pela transformação do ambiente natural por meio da produção de energia e materiais, transformando-os em produtos, que são consumidos e exportados, além de gerarem resíduos (Dias, 2002; Regales, 1997 apud Vargas e Ribeiro, 2001; Brugmann e Roseland, 1992 apud Vargas e Ribeiro, 2001). A qualidade do meio ambiente é julgada mediante valores da sociedade, através de avaliações que devam iniciar-se pela caracterização do meio ambiente urbano, como por exemplo, a história, o quadro socioeconômico e cultural da população além de seus aspectos físicos e recursos disponíveis (Vargas e Ribeiro, 2001). Cada ser humano acrescenta um juízo de valor sobre as condições de qualidade ambiental urbana que a cidade oferece, de acordo com seus interesses, objetivos e expectativas de vida. Neste sentido, o conceito de qualidade ambiental urbana vai além dos conceitos de salubridade, saúde, segurança, bem como das características morfológicas do sítio ou do desenho urbano. Incorpora, também, os conceitos de funcionamento da cidade fazendo referência ao desempenho das diversas atividades urbanas e às possibilidades de atendimento aos anseios dos indivíduos que a procuram (Vargas e Ribeiro, 2001). O significado de qualidade de vida urbana tem atores diferentes, com interesses diferentes, objetivos e expectativas também diferentes. O quadro individual e subjetivo altera-se com o tempo, na medida em que as mudanças da sociedade acontecem e os repertórios individual e coletivo se ampliam (Vargas e Ribeiro, 2001). Como já citado anteriormente, as cidades demandam um consumo extraordinário de energia. Dias (2002) vai além, comenta que o consumo de energia é acrescido quando há o crescimento e 7 desenvolvimento da sociedade e o ser humano é substituído pelas máquinas, além de um acréscimo de demanda por materiais e um consequente aumento na geração de resíduos. Assim os sistemas que se localizam a volta se tornam altamente impactantes, de uma vez que, além de suprir sua própria demanda, necessitam receber e metabolizar a contínua saída de resíduos de um ecossistema urbano central. Gil (2005) comenta sobre a importância da pesquisa em educação ambiental, enfatizando a importância dos conhecimentos e atitudes dos indivíduos. O indivíduo urbano não sabe como reduzir a produção de lixo por falta de informação e educação ambiental. A responsabilidade ambiental deve ser atribuída, primariamente, a cada individuo que reside nas cidades, produtores diários de resíduos sólidos, promovendo uma sustentabilidade diária, que parte de cada residência urbana. Sob este ponto de vista, baseado nestas visões tomadas de forma integrada, insere-se a ecopercepção em relação ao descarte apropriado das embalagens dos produtos consumidos. Este trabalho propôs uma discussão acerca do maior problema enfrentado pelos ecossistemas urbanos: o descarte de resíduos sólidos, principalmente embalagens, que deprime substancialmente a qualidade ambiental urbana. Dessa forma, objetivou-se a identificação da ecopercepção da população de donas de casa do bairro da Ponte Grande, em Guarulhos, município vizinho à cidade de São Paulo, acerca da importância da ação individual na diminuição de impactos ambientais urbanos causados pelo excesso de resíduos. 8 3. METODOLOGIA 3.1 Caracterização e seleção da área de trabalho Ponte Grande é um distrito localizado no extremo sudoeste da cidade de Guarulhos. Trata-se de um bairro essencialmente residencial apresentando, de acordo com dados do censo do ano 2.000, 18.844 habitantes. O local formou-se na várzea do rio Tietê e é um dos bairros mais tradicionais da cidade e o que contém mais idosos, dando ao local ares de cidade interiorana. Sua principal ligação com o município de São Paulo, com o qual faz divisa, é a conhecida Ponte Grande, hoje "Viaduto Migrante Nordestino", que no passado era de madeira, atravessando o largo rio Tietê (Guarulhos, 2009). O local tem como aspectos geográficos formações de morros e vales, sendo cortados pelos rios Tietê e Cabuçu (que deságua no limite sul), e pelo córrego Itapegica, que limita o distrito com o de Várzea do Palácio, desaguando no Tietê próximo a Ponte. O bairro conta também com 6 escolas de nivel fundamental e médio, e ainda com um setor da Universidade de Guarulhos. Na parte de lazer encontram-se ao longo da antiga várzea inúmeros campos de futebol e um estádio esportivo, além do centro do idoso, onde esses desenvolvem atividades para a saúde (Guarulhos, 2009). O Bairro vem crescendo rapidamente devido a instalação de novas filiais de indústrias bancárias e automobilísticas e o desenvolvimento de condomínios fechados para moradia. O valor das casas também vem subindo devido a melhora de qualidade de vida da região que, está sendo mais valorizada ultimamente (Guarulhos, 2009). Continua sendo um bairro tranquilo e pouco movimentado, com exceção da Avenida, pois é um caminho muito utilizado pelos motoristas para chegar na Zona Leste de São Paulo. Os moradores da Ponte Grande podem encontrar academias, mercados, lojas, locadoras, bancos, lanchontes, escolas, facilidade de transporte (ônibus) bem perto de suas casas, já que o comércio se concentra na Avenida Guarulhos, a principal avenida do bairro. O Shopping Internacional de Guarulhos encontra-se a menos de cinco minutos do bairro. Jardim Munhoz e Vila Augusta são bairros vizinhos (Guarulhos, 2009). 9 3.2 Público alvo O público alvo selecionado para responder ao questionário foram as donas de casa, uma vez que são elas quem, provavelmente, manejam as embalagens dos produtos consumidos nas residências. Para coleta da amostra, o critério de inclusão considerou como “donas de casa” as mulheres com idade superior a 30 anos, totalizando uma população de 5.380 mulheres. A amostragem contém 5% da população de donas de casa, totalizando 269 entrevistadas. 3.3 Coleta de dados Cada entrevistador treinado foi portador de um envelope com 68 questionários (ANEXO 2), que foram aplicados utilizando-se o recurso da bola de neve, onde um vizinho indicou o próximo a ser entrevistado. O processo de entrevistas das donas de casa foi feito a pé pelas ruas do bairro. Uma líder comunitária foi o ponto de partida do processo de aplicação dos questionários. A líder comunitária recomendou a próxima visita e assim sucessivamente, ou seja, cada informante recomendou a seguinte, permitindo que se mantivesse um caráter aleatório. Cada um dos entrevistadores foi treinado para abordar o informante identificando-se, explicando-lhe os objetivos do projeto e da entrevista, caracterizando bem o que será feito com os dados obtidos pela pesquisa e solicitando o preenchimento do termo de consentimento livre e esclarecido. Quando o possível entrevistado recusava-se a participar, o entrevistador agradecia e solicitava uma indicação. Caso não quisesse recomendar outro, retornava-se ao ponto de partida com o líder comunitário. Todo o cuidado foi tomado para que um mesmo informante não fosse entrevistado duas vezes. 3.4 Tabulação dos dados obtidos As informações obtidas foram tabuladas por contagem simples e analisadas em função da diversidade das respostas, através de gráficos. Foi feito um tratamento estatístico dos dados através do teste do X2 (qui-quadrado), com o uso do programa computacional Microsoft EXCEL2007. 10 Do ponto de vista estatístico, de acordo com Blackwell (1975), a suficiência é obtida com 5% do universo amostral. Dessa forma, optou-se por trabalhar com 5% do total, garantindo suficiência amostral e fidedignidade da pesquisa. Os dados obtidos foram tabulados e analisados para se embasar um possível programa de Educação Ambiental. 3.5 Forma de análise dos resultados Os dados foram analisados com uso de estatística descritiva, apresentando os resultados de cada comunidade em gráficos comparativos e tabelas, analisando-se o grau de correlação de cada gráfico apresentado, que remete ao grau de confiança de cada pergunta. O risco foi mínimo. Respeitou-se a identidade de cada informante, observando-se total sigilo. Não são citados os nomes e endereços dos entrevistados, nem tampouco o número do questionário. 11 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO Idade dos entrevistados 24,75% 25,00% 19,80% 20,00% 15,84% 15,84% 15,84% 15,00% 10,00% 4,95% 5,00% 0,99% 0,99% 0,99% 0,00% 11 a 20 21 a 30 31 a 40 41 a 50 51 a 60 61 a 70 71 a 80 81 a 90 91 a 100 Figura 1: Gráfico da idade dos entrevistados Escolaridade 36,27% 40,00% 35,00% 30,00% 22,54% 25,00% 19,60% 18,62% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 1,96% 0,00% Não alfabetizado Ensino Fundamental I Ensino Fundamental II Ensino Médio Ensino Superior Figura 2: Gráfico da escolaridade dos entrevistados A análise do X²² aplicada à idade e à escolaridade mostrou que o conceito de Educação Ambiental não depende do nível de escolaridade dos entrevistados, ressaltando que esta se orienta para a comunidade de maneira geral, geral, incentivando o indivíduo a participar ativamente da resolução dos problemas reais específicos como ação local. Zitzke (2002) afirma que no ensino ambiental é 12 fundamental que cada indivíduo conheça em sua totalidade, e não de de forma compartimentada, o ambiente em que vive; os indivíduos de uma cidade devem ter uma visão ampla de que este ambiente é constituído por sistemas biológicos, sociais, religiosos, políticos, educacionais, econômicos, e que estes sistemas interagem e possuem possuem problemas associados. Este é o ambiente em que a espécie humana está inserida, e somente com essa visão o indivíduo poderá desenvolver uma responsabilidade crítica. Assim, a análise de seu comportamento em relação ao meio ambiente provocará mudanças de atitudes e de hábitos diários, substituindo o conformismo confor pela ação socioambiental. Em que local a Educação Ambiental deve ser aprendida? 53,10% 54,00% 52,00% 50,00% 48,00% 46,89% 46,00% 44,00% 42,00% Na escola Outros ambientes Figura 3: Gráfico da pergunta referente ao local em que a educação ambiental deve ser aprendida A questão do lixo é uma preocupação mundial, já que atualmente este é um dos problemas ambientais em escala global que colocam colo em risco a vida no planeta. Antigamente havia menos lixo pelo fato da população ser menor e os alimentos serem de produção local. Hoje, a sociedade moderna sofre com o aumento da quantidade de lixo no planeta que se deu devido ao crescimento demográfico aliado ao alto consumo de produtos industrializados e à quantidade de materiais descartados sem condições adequadas, levando ao extremo da produção de lixo e, consequentemente, entemente, gerando danos ao meio ambiente a (Moura, 2002; Eco co debate, debate 2009). Este trabalho considera lixo somente aquilo que não tem mais utilidade. Segundo BEI (2004), o lixo está associado à idéia de tudo aquilo que deve desaparecer, porém os resíduos gerados a partir do consumo muitas vezes vezes são tratados como lixo. Em nossa cultura, a maneira como tratamos o lixo representa o rompimento do ciclo de vida de um material ou produto; na 13 natureza, a reciclagem é uma regra que sustenta a vida. Por isso, este estudo releva a atitude individual comoo a mais importante, no que diz respeito ao manejo dos resíduos. Desta forma, este estudo entende a educação ambiental como um assunto importante para o desenvolvimento social sustentável e para a garantia da qualidade de vida, considerando que, segundo Zitzke tzke (2002), a educação ambiental se encontra num estado utópico, devendo ser trazida para o dia-a-dia dia da população urbana. Os resultados da figura 3 confirmam esta afirmação, pois uma parte importante da população, 46,89%, ainda entende que a educação ambiental amb está atrelada somente à escola, mostrando que não possuem um embasamento adequado sobre a educação ambiental e atribuem tal responsabilidade a outras instituições e órgãos. Mas, ao contrário dos dados obtidos com esta questão, Gil (2005) ressalta a relevância da pesquisa em educação ambiental, enfatizando a importância dos conhecimentos e atitudes dos indivíduos. O indivíduo urbano não sabe como reduzir a produção de lixo por falta de informação e educação ambiental. Porém, estes resultados revelam que que essa situação já vem acontecendo de maneira um pouco sutil, de uma vez que 53,1% da população entrevistada entendem entende que a educação ambiental deve ser aprendida em todos os tipos de ambientes, incluindo a escola. Esta parcela da população citou sua própria casa como o principal local.. Gil (2005) concorda com tal informação e comenta que a responsabilidade ambiental deve ser atribuída, primariamente, a cada indivíduo que reside nas cidades, produtores diários de resíduos sólidos, promovendo uma sustentabilidade sustentabilidade diária, que parte p de cada residência urbana. Quando vai ao supermercado comprar frutas e vegetais: 86,36% 90,00% 80,00% 70,00% 60,00% 50,00% 40,00% 30,00% 20,00% 13,63% 10,00% 0,00% Prefere os embalados Escolhe separadamente Figura 4: Gráfico da pergunta 6, referente ao modo como compra suas frutas e vegetais: 14 Porque prefere escolher os embalados? 70,00% 66,66% 60,00% 50,00% 40,00% 30,00% 20,00% 8,33% 8,33% 8,33% 8,33% 10,00% 0,00% Higiene Mais barato Qualidade Praticidade Falta de opção Figura 5: Gráfico comparativo dos motivos da escolha de vegetais e frutas embalados. Porque prefere escolher separadamente? 80% 71% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 13% 6% 7% 2% 1% 0% Qualidade Preferência Hábito Preservação Ambiental Preço Indiferente Figura 6: Gráfico comparativo dos motivos da escolha separada dos vegetais e frutas. 15 Esta pesquisa teve como base para a ecopercepção no manejo de resíduos sólidos os três R’s aplicados ao consumo ecoeficiente: Reduzir, Reutilizar e Reciclar. Estes são os três passos básicos para a utilização ecoconsciente dos resíduos sólidos gerados pela população, principalmente a urbana. Eles devem fazer parte dos hábitos de consumo dessa população (TILZ, 2004; Reviverde; Gonçalves, 2009). O ‘R’ que deve ser posto em primeiro lugar é o ‘R’ da redução do desperdício, pois antes de se pensar em reutilizar ou reciclar, deve-se evitar a produção daquilo que se tornará resíduo, diminuindo substancialmente a aplicação da Reutilização e da Reciclagem. A redução reflete a economia de todas as formas possíveis. Toda compra gera um resíduo; na maioria das vezes, este resíduo é imediato, ou seja, dispensável (TILZ, 2004; Reviverde; Gonçalves, 2009). Essa reflexão, da redução do desperdício, deve ser gerada no momento em que se adquiri algum produto. É importante levar em consideração a real necessidade de um determinado item. Este tipo de reflexão visa gerar mudanças dos hábitos atuais por uma relação que torne sustentável a produção e o consumo. Este hábito foi identificado na população, assim como indica a figura 4, em que 86,36% dos entrevistados escolhem suas frutas e vegetais separadamente, dispensando as embalagens, que na maioria das vezes é de isopor, material que possui reciclagem em apenas algumas poucas localidades. Porém a figura 6 revela que apenas 2% da população entrevistada consideram esta atitude como forma de preservação ambiental, enquanto 71% se preocupam principalmente com a qualidade do produto, que, quando embalado, não permite a possibilidade de escolha. Dos entrevistados, 13% alegam que o preço dos produtos a granel é menor, pois desta maneira se leva somente o necessário (BEI; TILZ, 2004; Crempe et al, 2007; Reviverde; Gonçalves, 2009). Atitudes como estas também refletem redução do desperdício, pois o indivíduo compra somente o necessário para o consumo, gerando-se a consciência necessária para procurar sempre produtos mais duráveis. Além disso, ao ser aplicada a idéia de redução dos resíduos, evita-se que materiais tóxicos, que levam anos para se decompor totalmente na natureza, se tornem lixo (TILZ, 2004; Reviverde; Gonçalves, 2009). 16 As embalagens dos alimentos industrializados consumidos em sua residência são: 50% 50,00% 45,00% 42,59% 40,00% 35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 1,85% 5,00% 1,85% 3,70% 0,00% Lixo comum Reciclados Reutilizados Vendidos Outros Figura 7: Gráfico da pergunta 4, que questiona o destino das embalagens dos alimentos industrializados consumidos nas residências. O segundo ‘R’,, da reutilização, propõe o segundo passo básico na utilização consciente dos resíduos: consiste no uso secundário de embalagens. Essa atitude evita que aquilo que não é lixo vá para o lixo, aumentando o tempo de vida dos produtos. A população entrevistada não possui esta atitude como prática ativa; a partir dos dados da figura 7, observa-se se que 50% das embalagens dos alimentos industrializados consumidos nas residências vão diretamente para a reciclagem, enquanto apenas 1,85% destas embalagens são reutilizadas reutilizadas e 1,85% vendidas, atitude também considerada como uma forma de reutilização (Crempe et al, 2007). É relevante observar que a atitude de reciclagem é muito importante, porém deve ser a última medida a ser tomada em relação ao manuseio dos resíduos, o que ue não acontece na população entrevistada (Reviverde, 2009). 2009) A reutilização aborda diversas atitudes, como: reaproveitamento de recipientes de plástico, de vidro ou de caixas de papelão; aplicação da criatividade no uso de resíduos no artesanato e em utensílios do dia-a-dia. dia. Alguns exemplos de reutilização são o uso de garrafas PET por artistas plásticos na confecção de sofás ou cortinas. Dentro de várias casas foi observada a utilização de garrafas PET como vasos para plantas. plantas 17 Você utiliza refis dos produtos consumidos? 60,78% 70,00% 60,00% 50,00% 39,21% 40,00% 30,00% 20,00% 10,00% 0,00% Sim Não Figura 8: Gráfico da perguntas guntas 7 sobre a utilização refis dos produtos consumidos Porque utiliza refis dos produtos consumidos? 58,82% 60,00% 50,00% 40,00% 30,00% 20,59% 20,00% 8,82% 10,00% 5,88% 5,88% 0,00% Economia Quando Praticidade Preservação disponivel ambiental Figura 9: Gráfico comparativo dos motivos de utilização dos refis. Hábito 18 Porque não utiliza refis dos produtos consumidos? 68,75% 70,00% 60,00% 50,00% 40,00% 30,00% 20,00% 18,75% 8,33% 10,00% 4,16% 0,00% Não gosta Falta hábito Praticidade Falta oferta Figura 10: Gráfico comparativo dos motivos da não utilização dos refis. A utilização de refis dos produtos consumidos é uma atitude atitude interessante dentro do conceito de reutilização, porém, rém, conforme dados da figura 8, 8, apenas 39,21% dos entrevistados utilizam refis dos produtos consumidos, a maioria deles utiliza refis de produtos específicos, como sabonetes líquidos. Dos entrevistados, 58,82% que utilizam refis dos produtos consumidos, como mostra a figura 9,, justificam que esta atitude é economicamente viável, pois os refis são mais baratos; 20,59% preocupam-se se com a preservação ambiental, pois a redução de embalagens embalagens é imediata. A figura 10 revela que 68,75% da população não possuí possu o hábito de comprar refis. Porém, esta mesma população explica que a razão da não utilização dos refis é a falta de oferta no mercado (TILZ, 2004; Reviverde; Gonçalves, 2009). A reciclagem,, o terceiro ‘R’, ‘ consiste na transformação de determinado resíduo em matéria prima para a confecção de novos produtos a partir de processos industriais, isto é, enviar o material novamente para o ciclo de vida útil. Além disso, a reciclagem tem a finalidade de reduzir o volume de resíduos que não podem ser reaproveitados (TILZ, 2004; Crempe et al, 2007; Reviverde; Gonçalves, 2009). O índice de reciclabilidade de um material depende do seu potencial para se transformar no mesmo produto original, a partir de um mínimo de processos físico-químicos. físico Portanto, os melhores produtos em termos de reciclabilidade são aqueles que podem voltar a ter as mesmas características físico-químicas químicas do produto original e com a mesma qualidade (BEI, 2004). Produtos como o PET, mais conhecido conhecido como o plástico das embalagens de refrigerantes é um dos raros tipos de plástico que pode ser despolimerizado, ou seja, ter sua condensação revertida, recuperando os polímeros básicos de origem. O maior mercado para o PET pós-consumo pós no Brasil é o de produção dução de fibras para fabricação de cordas (multifilamento), fios de costura 19 (monofilamento) e cerdas de vassouras e escovas. Outra parte é destinada à modelagem de autopeças, lâminas para termoformadores e formadores a vácuo (manequins plásticos), garrafas de detergente, mantas não tecidas, carpetes e enchimentos de travesseiros. É possível reprocessar o polímero do PET para retirar resinas alquídicas usadas na produção de tintas. O mercado mundial de embalagens PET produzidas com material reciclado está em expansão (BEI, 2004). O plástico, em termos gerais, é um material que compõem cerca de 60% das embalagens plásticas no Brasil, como recipientes de produtos de limpeza e higiene e potes de alimentos. É também matéria-prima básica de bobinas, fibras têxteis, tubos e conexões, calçados, eletrodomésticos, além de utensílios domésticos e outros produtos. O plástico filme é uma película plástica geralmente usada em sacolas de supermercados. Quando encaminhadas para a reciclagem, voltam ao mercado como matéria-prima para fabricação de artefatos plásticos, como sacos de lixo (BEI, 2004). Porém, de acordo com as informações de Agenda Ambiental (2006) apud Fabro, Lindemann e Vieira (2007), são produzidas anualmente no Brasil 210 mil toneladas de plástico filme, o que representa 9,7% de todo o lixo nacional. E as vantagens que tornam o plástico resistente são as mesmas que conferem um aspecto negativo, pois sua degradação no ambiente demora 300 anos para ocorrer. Em 2005 o Brasil produziu 1.200 toneladas de sacolas plásticas de fácil degradação ambiental, as oxibiodegradáveis, por iniciativa de uma empresa paulistana que concede aditivos às indústrias plásticas para serem somados ao processo de produção, deixando o produto final facilmente degradável em 100 anos ou até menos. Desse modo agrega esse benefício a todos os outros do plástico tradicional, inclusive a possibilidade de reutilização e reciclagem. Tal aditivo rompe as cadeias poliméricas que compõem os plásticos, para que fiquem suficientemente pequenas para serem degradadas por microrganismos (Degradável, 2006 apud Fabro, Lindemann eVieira, 2007). O Instituto Pró-Verde (2009) tomou uma iniciativa que vem sendo muito utilizada em várias partes do país, a de comercializar sacolas de pano produzidas a partir de algodão cru, matéria-prima de uso renovável, que não agride o meio ambiente em seu processo de produção e é um tecido resistente, não recebendo nenhum beneficiamento químico na sua manufatura. Sua degradação no ambiente demora apenas 10 anos, aproximadamente, sendo um grande salto na aplicação do desenvolvimento sustentável, pois são resistentes, biodegradáveis, reutilizáveis e retornáveis. 20 A coleta seletiva do lixo reciclável é responsabilidade: 43,57% 42,86% 45,00% 40,00% 35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% 5,71% Prefeitura Minha Empresas 7,86% Outros Figura 11: gráfico da pergunta 3sobre a responsabilidade da coleta do lixo reciclável. De acordo com os dados referentes à figura onze,, 43,57% das pessoas entrevistadas acham que a responsabilidade sobre a separação do lixo para reciclagem é da prefeitura, sendo que a responsabilidade ambiental deve ser atribuída primeiramente a cada indivíduo indivíduo, como diz Gil (2005). Contudo, 42,86% da população já vêem essa responsabilidade como atitudes individuais e em conjunto com a prefeitura e com empresas. empresas Esta observação comprova a teoria de Zitzke (2002), (2002) na qual explana que, a partir da identificação dos problemas socioambientais,, deve-se aplicar uma proposta de ecodesenvolvimento, ecodesenvolvimento baseado na sustentabilidade ecológica e participação comunitária através da construção de um projeto político-pedagógico. político pedagógico. A chamada educação popular desse projeto seria uma forma de ampliar o nível de consciência individual e coletiva, visando à ação e à participação política na busca de uma melhoria melhor da qualidade de vida. 21 Os restos de frutas e vegetais consumidos em sua residência são: 77,70% 80,00% 70,00% 60,00% 50,00% 40,00% 30,00% 20,00% 8,30% 10,00% 7,40% 6,48% 0 0,00% Lixo Adubo Reaproveitados Animais Outros Figura 12: gráfico referente à pergunta 5, a qual questiona o descarte dos restos de frutas e vegetais consumidos nas residências. Foi identificado na população entrevistada que falta informação sobre como separar o lixo reciclável. Porém o processo é fácil, como explica Vannuchi (2009): a primeira etapa é separar o lixo orgânico do lixo inorgânico (ou o material úmido do seco). Vannuchi (2009) ainda ressalta que os restos de frutas e vegetais podem seguir para um sistema de compostagem, compostagem explicado por Moura (2002) como a reciclagem da fração orgânica do lixo, lixo que visa reduzir o lixo destinado aos aterros ou lixões e causam m problemas ambientais; além disso, a compostagem possui vantagens biológicas e também obtém produtos para maior fertilidade do solo, devolvendo-se devolvendo se nutrientes. nutrientes Porém, como indicado na figura doze, 77,7% da população encaminha o lixo orgânico orgânico diretamente para o lixo comum; apenas 8,3% utilizam estes restos como adubo para as plantas, dentre estes houve quem comentou que os encaminha para um sítio, onde também são utilizados como adubo. Vanucchi (2009) comenta que nem todo lixo seco pode ser ser encaminhado à coleta seletiva, corroborando com os conceitos de reutilização de Crempe et al (2007) e Reviverde (2009). Vidro, papel, alumínio, ferro, papelão, plástico, frascos de xampu, caixinhas de leite, revistas e jornais são recicláveis, porém podem m ser reutilizados até mesmo dentro da residência. Cerâmica, lâmpadas, pirex, espelhos, acrílico, papel plastificado (embalagens de biscoito), fotografias e fitas adesivas não são recicláveis, por isso, conforme TILZ (2004), Reviverde e Gonçalves (2009), estes e são passíveis de atitudes de redução. Não é necessário separar por tipo de material, apenas o que pode ser 22 reciclado do que não pode. Todas as embalagens devem estar destampadas. E o vidro deve ser devidamente acondicionado para evitar ferimentos. Todos os materiais devem ser lavados de modo a eliminar deles qualquer resíduo que possa provocar mau cheiro ou comprometer o reaproveitamento do material. Vannuchi (2009) atenta que para não ficar na dependência dos catadores autônomos, é possível levar o material reciclável diretamente às centrais de triagem. O material também pode ser separado para que seja recolhido pelo serviço municipal de coleta seletiva porta a porta, entretanto o bairro não possui sistema de coleta seletiva da prefeitura. Apesar disso, foi identificada uma atitude positiva de alguns moradores que se organizam para instalar um posto de coleta seletiva em uma rua específica. Esta é uma atitude individual importante, que pode ser explorada e expandida pelo bairro. Apesar de Vannuchi (2009) alertar sobre a dependência dos catadores, as entrevistas foram reveladoras, pois, como a coleta depende da disponibilidade do serviço em cada cidade, as pessoas que destinam o lixo para a reciclagem comentaram serem os catadores os maiores atores do recolhimento do lixo reciclável. Vasconcelos (2006) enfatiza que há ganhos socioeconômicos quando boa parte do lixo reciclado é recolhida por catadores autônomos ou cooperativas de catadores, pois estes grupos são formados, geralmente, por moradores de rua que têm nessa atividade sua principal fonte de renda. Não é prática comum entre a população a sugestão de Vannuchi (2009) de que os resíduos sólidos podem ser descartados em pontos de entrega voluntária instalados em estacionamentos de bancos, supermercados, escolas e condomínios. Segundo Vasconcelos (2006), depois de coletado e separado em centros de triagem da prefeitura ou de cooperativas de catadores, o lixo reciclado é comprado por indústrias a preços vantajosos, onde é reutilizado na fabricação de novos produtos. As latinhas de alumínio de refrigerante e cerveja, por exemplo, viram matéria-prima para produção de latas novas. Em 2006, o Brasil reciclou 9 bilhões de latas de alumínio, o equivalente a 121 mil toneladas. Isso significou 97,5% da produção nacional, o que torna o país campeão mundial na reciclagem do produto. O alumínio possui a liga metálica mais pura, portanto volta em forma de lâmina para produção de latas ou é repassada para fundição de autopeças. Pode ser transformada em produto igual ao de sua origem (BEI, 2004). Porém, Moura (2002) e Eco debate (2009) ressaltam uma informação importante mascarada pela situação apresentada: para trabalhar em coleta e triagem é preciso mão-de-obra barata, ou seja, homens que ganham pouco porque não teriam nenhuma outra oportunidade de emprego. Essa é a razão pela qual no Brasil os índices de coleta e reciclagem de latas de alumínio são tão elevados. A verdade é que os dirigentes públicos dão pouca atenção para o 23 assunto do lixo, um tema de pouca repercussão eleitoral. Na maioria das cidades a coleta seletiva é mantida no âmbito da assistência social, como um meio de ocupar a população mais pobre, quando de fato deveria funcionar como uma produtiva indústria. O mesmo processo ocorre com outros materiais, como papel, papelão, plástico, vidro e sucata. Segundo Moura (2002), até os anos 70, no Brasil, o lixo era queimado por incineradores, havendo pouca coleta. Em 1979, com a proibição do lixo em céu aberto feito pela EPA (Engenharia de Proteção Ambiental), surgiram os aterros com a vantagem de recuperar o metano eliminado para usar como fonte de energia. Mas não se reconhece isso como reciclagem e sim como transferência do problema, pois o lixo transformara-se em poluição do ar. As melhores soluções são redução da geração de resíduos, reciclagem e compostagem, já citadas anteriormente. Vasconcelos (2006) complementa esta informação comentando que, com a coleta seletiva, há a redução da degradação do meio ambiente e da exploração de recursos naturais, sendo estas vantagens da reciclagem, pois grandes quantidades de resíduos que antes iam para aterros sanitários e lixões retornam para o ciclo produtivo. Só com a reciclagem de latinhas de alumínio, deixou-se de extrair, no ano de 2006, cerca de 600 mil toneladas de bauxita, matéria prima para a fabricação do produto. Um grande problema ainda enfrentado por nosso país é o das pilhas comuns, embora também contenham substâncias tóxicas, não contam ainda com um sistema de recolhimento organizado pelos fabricantes, mesmo com a Resolução 257, aprovada e publicada pelo Conama, e complementada pela 263, de 12/11/1999, que disciplina o gerenciamento de pilhas e baterias em todo o território nacional. A resolução estabelece que as pilhas e baterias que contenham chumbo, cádmio, mercúrio e seus compostos deverão, após o esgotamento energético, ser devolvidas pelos usuários aos estabelecimentos que as comercializam ou à rede de assistência técnica autorizada pelas respectivas indústrias, para que sejam repassadas aos fabricantes ou importadores que por sua vez adotarão os procedimentos de reutilização, reciclagem, tratamento ou disposição final ambientalmente adequados (BEI, 2004). Porém existem empresas privadas que fazem seu próprio recolhimento, assim como bancos, que além de efetuarem o recolhimento de pilhas, ainda incentivam projetos entre empresas e catadores autônomos para criar um sistema de coleta seletiva que fecha um ciclo entre produtor de resíduo e reciclador industrial. Outras empresas que fazem tal recolhimento de pilhas e também de baterias de celular são empresas de telefonia, supermercados e lojas dos diversos ramos comerciais. Além destes, um outro destino para pilhas usadas é devolve-las ao fabricante, através de depósitos nos postos de coleta ou até mesmo via correio (Banco Real, 2009). 24 Quanto às baterias de celular, estas não devem ser colocadas no lixo, pois contêm componentes tóxicos, como cádmio, chumbo e mercúrio. Todos eles afetam o sistema nervoso central, o fígado, os rins e os pulmões. Já existem muitas possibilidades de encaminhamento dessas baterias para reciclagem, sob responsabilidade dos fabricantes (BEI, 2004). Atualmente, a produção de lixo no Brasil é estimada em aproximadamente 35 milhões de toneladas por ano, o equivalente a cerca de 100 mil toneladas por dia. A composição em média é feita por matéria orgânica (65%), papel e papelão (25%), metais (4%), plástico (3%) e vidro (3%). (Moura, 2002). Segundo Eco debate (2009) falta locais apropriados para tanto detrito, com especial gravidade no caso dos resíduos sólidos provenientes de uma infinidade de produtos presentes no cotidiano, muitos com uma sobrevida de até centenas de anos e a maioria sendo usada apenas uma vez, sem a preocupação da Redução ou da Reutilização. Para esses, a reciclagem age como um atenuante do problema, entretanto isso exige, além da ampliação da coleta seletiva de lixo, um entendimento básico e ações individuais fundamentadas. O entendimento não foi identificado na população, pois os dados da figura 3 revelam ainda um conceito pouco fundamentado sobre a Educação Ambiental. Vanucchi (2009) comenta sobre o óleo de cozinha, que deve ser armazenado em recipientes fechados e levado diretamente às cooperativas ou empresas que o utilizem na fabricação de sabão ou que possam dar um destino a ele. Segundo BEI (2004), apesar de ser um resíduo, o óleo usado é comprado pelos rerrefinadores, desestimulando o despejo nas redes de esgotos. No Brasil, 18% de todo óleo básico consumido é rerrefinado. Foi possível dissipar a informação de que a igreja local recolhe o óleo do bairro, pois durante uma entrevista essa informação foi fornecida. 25 Quando consome algum alimento na rua, o que faz com a embalagem? 60,00% 53,44% 50,00% 40,00% 26,72% 30,00% 20,00% 9,48% 10,00% 7,75% 2,58% 0,00% Chão Lixo (na rua) Lixeira específica Guarda Outros Figura 13: gráfico da pergunta 2, referente ao destino da embalagem de alimentos consumidos na rua. Este trabalho considera importante o conhecimento da população acerca do pictograma de embalagens, que é uma ferramenta que auxilia no descarte de resíduos sólidos recicláveis. A falta de conhecimento dos pictogramas é uma razão plausível para 26,72% da população entrevistada, como indicado na figura 4, descartar as embalagens de alimentos consumidos na rua em qualquer lixeira disponível, ao invés de procurar uma lixeira específica, como fazem 9,48% desta população. Segundo a Associação Brasileira de Embalagem – ABRE e o Compromisso Empresarial para a Reciclagem – CEMPRE (2009),, a comunicação é a maior aliada para que ocorra uma mudança de comportamento na sociedade moderna. A embalagem pode ser trabalhada como uma ferramenta comunicativa de educação ambiental. Dessa forma, o pictograma serve como uma identificação rápida e fácil que indica que a embalagem é reciclável reciclável e que deve ser descartada seletivamente, além disso, facilita também o tipo de material, permitindo sua correta separação. Abaixo seguem os pictogramas de embalagens e seus significados: Pictogramas para embalagens em geral: 26 Figura 14. Embalagem reciclável Figura 15. Embalagem reciclável Figura 16. Longa Vida reciclável Figura 17. Alumínio reciclável Figura 18. Aço reciclável Figura 19. Vidro reciclável Pictogramas para embalagens de plástico: Figura 20. PET - Poli (tereftalato de Figura 21. PEAD – Polietileno de alta Figura 22. PVC – Poli (cloreto de etileno) densidade vinila) Figura 23. PEBD – Polietileno de Figura 24. PP – Polipropileno Figura 25. PS – Poliestireno baixa densidade Pictogramas para embalagens de papel, papel cartão e papel ondulado: 27 Figura 26. Papel reciclável Figura 27. Produto Reciclado Fonte: ABRE, 2009. A tabela a seguir mostra os dados da equação e o grau de correlação (R²) com as curvas originas referentes a cada gráfico. A correlação indica o nível de confiabilidade da amostra. Quanto mais perto de 1 estiver o número apresentado, tanto maior é a confiabilidade. Tabela I: dados da equação e do grau de correlação (R²) de cada gráfico apresentado Pergunta Idade Escolaridade Local de aprendizado da EA Destino das embalagens de alimentos consumidos na rua Responsabilidade da coleta seletiva Destino das embalagens dos industrializados Destino dos restos de frutas e vegetais Como compra frutas e vegetais Razão da escolha separada Razão da escolha de embalados Utilização de refis Porque utiliza refis Porque não utiliza refis Equação y = -0,0117x + 0,1697 y = 0,0578x + 0,0245 y = 0,0621x + 0,4068 y = 0,371x + 0,0888 y = -0,1443x + 0,6107 y = -0,1259x + 0,5778 y = -0,1572x + 0,6714 y = 0,7273x - 0,591 y = -0,0954x + 0,5007 y = -0,1167x + 0,5499 y = 0,2157x + 0,1764 y = -0,0941x + 0,4823 y = -0,0333x + 0,3333 R² 0,1222 0,5588 1 0,0795 0,7828 0,6792 0,5874 1 0,4386 0,5 1 0,4361 0,0208 28 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS A ecopercepção realizada ao longo deste trabalho salientou que a educação ambiental não está diretamente relacionada com o grau de escolaridade dos entrevistados, porém depende do conhecimento sobre educação ambiental. Revelou ainda que a população em sua maioria não pratica ativamente a redução de resíduos e não encontra na reutilização de produtos consumidos uma alternativa eficaz para a diminuição de lixo e, consequentemente, de impactos ambientais. Outra informação significante obtida com este estudo foi que a população não possui o costume de fazer uso de refis de produtos consumidos, mas as pessoas que utilizam têm como finalidade única a economia feita, não existindo uma conscientização em relação à diminuição de resíduos. Apesar de uma parte muito pequena da população estar preocupada com o excesso de resíduos. Este trabalho evidenciou que, mesmo não sendo presente o apoio de prefeituras, empresas, órgãos e instituições, a reciclagem vem se tornando mais presente no bairro da Ponte Grande por iniciativa dos próprios moradores. E talvez até mesmo por tal defasagem, os moradores não têm consciência do destino certo que devem dar ao lixo orgânico, descartando-o junto ao lixo comum e ampliando os níveis volumétricos dos resíduos sólidos. Por essa falta de informação sobre o destino para o lixo orgânico, uma proposta feita por este trabalho é uma oficina de reaproveitamento de alimentos, visando à conscientização da população sobre como designar restos de frutas e vegetais adequadamente, evitando desperdícios e acúmulo de lixo. Com tais informações obtidas ao longo das entrevistas, propõe-se realizar na kolping da igreja local oficinas de sabão, com o objetivo de elucidar a população sobre a reutilização, além de mostrar que há uma forma eficiente e economicamente vantajosa de dar um destino adequado ao óleo usado recolhido na igreja. Outra proposta de educação ambiental a ser implantada em uma das ruas no bairro da Ponte Grande é a ampliação da coleta seletiva, visto que este local apresentou grande interesse por parte dos moradores no tocante ao destino apropriado ao lixo. Este trabalho abre oportunidades, finalmente, à realização de outras pesquisas que tenham como intuito a ampliação dos conhecimentos relacionados ao descarte, reutilização e reciclagem do lixo, não somente focalizado em embalagens, tema deste estudo, mas também referente a outros assuntos relacionados, como a reciclagem e reutilização de metais, vidros e papéis. 29 6. RERERÊNCIAS Associação Brasileira de Embalagens – ABRE. 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