GESTÃO DE RISCOS E SEGURANÇA DE BARRAGENS A. Veiga Pinto 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 GESTÃO DE RISCOS E SEGURANÇA DE BARRAGENS (SUMÁRIO) > GESTÃO DE RISCOS > APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO PORTUGUESA SOBRE SEGURANÇA DE BARRAGENS > ANÁLISE ESTATÍSTICA DE DETERIORAÇOES > FACTOR HUMANO NO CONTROLO DE SEGURANÇA 2 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BIBLIOGRAFRIA FUNDAMENTAL EM PORTUGUES CALDEIRA, L. (2005) – Análise de riscos em Geotecnia. Aplicação a barragens de aterro, Programa de Investigação para Obtenção de Habilitação para Funções de Coordenação Científica, LNEC, Lisboa, 1- 248 ALMEIDA, A. B. (2006) – Emergências e gestão do risco, Curso de Segurança e Exploração de Barragens, INAG ed., Lisboa, 7.1-7.110 VISEU, T. (2006) – Segurança dos vales a jusante de barragens. Metodologias de apoio à gestão do risco, Tese de doutoramento, IST, Lisboa, 1- 377 PIMENTA, L. (2008) – Abordagens de riscos em barragens de aterro, Tese de doutoramento, IST, Lisboa, 1- 534 CNPGB (2005) – Grupo de trabalho de análise de riscos em barragens.1º Relatório de Progresso, INAG ed., Lisboa, 1-13 CNPGB (2006) – Grupo de trabalho de análise de riscos em barragens.2º Relatório de Progresso, INAG ed., Lisboa, 1-27 A. Silva Gomes A. Betâmio Almeida A. Tavares de Castro José Paixão Laura Caldeira Lurdes Pimenta 3 Teresa Viseu 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 PRINCIPAIS ASPECTOS QUESTIONADOS NESTE ESTUDO SOBRE GESTÃO DE RISCOS O QUE SE PRETENDEU SABER 1) Objectivos e desenvolvimento histórico? 2) Quais os conceitos fundamentais e métodos utilizados? 3) Casos de aplicação? 4) Quais as perspectivas futuras? 4 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 RISCO Risco é o valor obtido a partir da consideração de consequências possíveis (designadamente, perdas de vidas e custos) de acontecimentos indesejáveis, conjugada com a probabilidade de ocorrência de factores (exógenos e endógenos) intervenientes no processo Como em qualquer outro acidente, também neste caso o melhor remédio é a prevenção, que passa pela gestão do risco do sistema albufeira-barragem-vale a jusante 5 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 PRINCIPAIS ACTIVIDADES DA GESTÃO DO RISCO Descrição do âmbito Identificação do perigo e respectivos efeitos Análise de riscos Avaliação de riscos Identificação das consequências Estimativa do valor das consequências Estimativa da probabilidade das consequências Estimativa de riscos Gestão de riscos Apreciação de riscos Admissibilidade de riscos Percepção de riscos Tomada de Decisões/Recomendações Tomada de decisões e controlo Controlo de riscos Observação de riscos 6 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 Descrição do âmbito Identificação do perigo e respectivos efeitos Análise de Análise de riscos riscos Avaliação de riscos Identificação das consequências Estimativa do valor das consequências Estimativa da probabilidade das consequências Estimativa de riscos Gestão de riscos Apreciação de riscos Admissibilidade de riscos Percepção de riscos Tomada de Decisões/Recomendações Tomada de decisões e controlo Controlo de riscos Observação de riscos 7 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 ANÁLISE DE RISCOS Por análise de riscos entende-se o conjunto de procedimentos referentes à identificação dos acontecimentos indesejáveis, que conduzem à materialização dos riscos, à análise dos mecanismos que desencadeiam esses acontecimentos e à determinação das respostas das estruturas e das respectivas consequências (estimativa da extensão, da amplitude e da probabilidade da ocorrência de perdas) > Numa análise de riscos há 3 componentes: Um acontecimento (mecanismo de deterioração) z Uma probabilidade associada à ocorrência desse acontecimento z Um dano potencial associado a esse acontecimento z O RISCO DE UM DADO ACONTECIMENTO É O PRODUTO DA PROBABILIDADE PELO DANO POTENCIAL 8 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 MÉTODO LCI Dos métodos qualitativos ou semi-quantitativos que melhor parece se adequarem à análise de riscos de barragens são os diagramas do tipo arborescente que se referem à Localização, Causa e Indicadores de falhas (LCI) O método LCI implementa-se em duas etapas. Numa primeira etapa procede-se à identificação e avaliação das potenciais consequenciais e à sua apreciação e, numa segunda etapa (condicionada aos resultados da primeira), à identificação e avaliação dos modos de ruptura com capacidade para induzir uma onda de cheia no vale a jusante (Pimenta, 2008) A identificação das consequências conduz à estimativa do caudal de ponta na secção da barragem, o tempo de chegada após a ruptura e a altura atingida pela onda de cheia em secções do vale previamente definidas 9 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 MÉTODO LCI Com base no conhecimento do vale a jusante e dos níveis de água atingidos pela onda de cheia, é calculado o índice global de impacto (IGI), através da combinação ponderada da perda potencial de vidas humanas (PPV) e das perdas económicas (PE), no vale próximo (primeiros 5 km) e no vale afastado (restante desenvolvimento) A aplicação dos diagramas LCI implica, para além da análise integrada de todos os elementos disponíveis (das fases de projecto, construção e exploração), a realização de uma visita de inspecção à obra. Na realidade, estes diagramas valorizam muito a detecção visual de indícios e evidências de comportamentos anómalos que possam conduzir à ruptura Um diagrama do tipo LCI, adaptado a barragens de aterro, foi desenvolvido no Reino Unido (Hughes et al., 2000). Em seguida apresenta-se uma parte deste diagrama 10 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 As causas e os indicadores das falhas são classificados de (1 a 5) por intermédio de três atributos que se discriminam subsequentemente (Pimenta et al., 2005). > Efeito (Ef.) relaciona o indicador induzido pela causa em análise numa determinada localização com a ruptura parcial ou total (1 para baixo, 5 para elevado) >Verosimilhança ( Veros.) da ruptura da componente no caso da causa em análise e indicador em estudo (1 para baixa, 5 para elevada) > Grau de confiança (Conf.) do analista nas suas estimativas do efeito e da verosimilhança, face, designadamente, às incertezas no conhecimento da componente em análise (5 para baixo ou duvidoso, 1 para elevado) 11 APLICAÇÃO DO MÉTODO LCI (Pimenta, 2008) Concluída a atribuição dos atributos, são calculados quatro índices para cada conjunto localização/causa/indicador: 1) Índice de ordenação, determinado pelo produto das classificações do atributo efeito pelo atributo verosimilhança 2) Índice de confiança, igual ao grau de confiança 3) Índice de criticalidade, determinado pelo produto das classificações atribuídas ao efeito, à verosimilhança e ao grau de confiança 4) Índice de risco, determinado pelo produto do índice de criticalidade pelo índice global de impacto (relativo às consequências) Os vários conjuntos localização/causa/indicador em estudo são hierarquizados através dos valores dos respectivos índices, tendo em conta o que se pretende com a realização da análise. Assim, por exemplo, para definir prioridades de medidas de reabilitação é utilizado o índice de ordenação e, para definir trabalhos de investigação complementar, o índice de criticalidade 12 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 ANÁLISE POR ÁRVORE DE EVENTOS QUANTIFICAÇÃO DO RISCO ÁNALISE QUANTITATIVA Por definição (Berthin e Vaché, 2000), a análise por árvore de eventos não é mais do que um esquema lógico arborescente, que permite ligar, por um método indutivo, os acontecimentos iniciadores às consequências que podem provocar (diagramas causa-efeito), e se requerido calcular as probabilidades associadas. Permite ilustrar os efeitos e/ou estados, intermédios e finais, susceptíveis de ocorrer após o surgimento de um acontecimento inicialmente seleccionado 13 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 EXEMPLO DE UMA ANÁLISE POR ÁRVORE DE EVENTOS (Caldeira, 2005) Sistema constituído Por duas barragens em cascata, pretendendo-se avaliar a possibilidade de ruptura por galgamento da barragem a jusante 14 Descrição do âmbito Identificação do perigo e respectivos efeitos Análise de riscos Avaliação de riscos Identificação das consequências Estimativa do valor das consequências Estimativa da probabilidade das consequências Estimativa de riscos Gestão de riscos Apreciação de Apreciação deriscos riscos Admissibilidade de riscos Percepção de riscos Tomada de Decisões/Recomendações Tomada de decisões e controlo Controlo de riscos Observação de riscos 15 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 APRECIAÇÃO DE RISCOS Após a realização de uma análise de riscos, há que efectuar a apreciação do risco. Designa-se por apreciação do risco o processo de ponderação e de julgamento do significado do risco obtido na análise dos riscos É um campo em que se entra no domínio da aceitabilidade e tolerabilidade do risco e portanto é um dos aspectos mais controversos da gestão dos riscos A aceitabilidade do risco parece variar significativamente com a condição socio-económica do local onde a barragem se insere 16 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 ANÁLISE DO RISCO INDIVIDUAL A aceitabilidade do risco a nível individual da ruptura em barragens é da ordem de 10-6 (Reino Unido; Morris et al.) a 10-6 a 10-8 (Austrália; ANCOLD, 1994) por pessoa e por ano O risco individual, geralmente associado à probabilidade de perda de uma vida humana, é uma forma sugestiva de representar o risco, já que permite a sua comparação imediata com diferentes tipos de acidente 17 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 ACEITABILIDADE DO RISCO INDIVIDUAL RISCO ACEITÁVEL POR MORTE QUANDO UM INDIVÍDUO É EXPOSTO A DIFERENTES TIPOS DE ACIDENTES (Gulvanessian et al.,2002) 18 ANÁLISE DO RISCO SOCIETAL A aceitabilidade dos riscos societais são calculadas por curvas FN, estabelecidas em termos do número de vítimas, N, e a respectiva probabilidade anual de ruptura (ou frequência, F, acumulada, por barragem e por ano), com um valor esperado de vítimas igual ou superior a N Os critérios propostos para barragens pela ANCOLD (1994) e pela BC Hydro (1993) estão representadas em escalas logarítmicas na figura seguinte 19 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 ACEITABILIDADE DO RISCO SOCIETAL 20 Limites de aceitabilidade e tolerabilidade ANÁLISES QUALITATIVAS OU SEMI-QUANTITATIVAS Nas análises qualitativas ou semi-quantitativas, os critérios de apreciação dos riscos mais usuais são as matrizes de risco Esta modalidade de apreciação do risco é mais subjectiva que os critérios de risco individual e societal utilizadas no âmbito da avaliação de análises de risco quantitativas. Verifica-se pois a existência de diferentes matrizes de risco, consoante o tipo de estrutura em causa, da sua localização e enquadramento das entidades envolvidas Nas matrizes de risco são normalmente consideradas 5 classes de probabilidade e 5 classes de consequências, conduzindo a um conjunto de apreciação do risco associado 21 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 MATRIZ DE RISCO EXEMPLO DE UMA MATRIZ DE RISCO (ALMEIDA, 2006) ANÁLISE QUALITATIVA 22 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 Descrição do âmbito Identificação do perigo e respectivos efeitos Análise de riscos Avaliação de riscos Identificação das consequências Estimativa do valor das consequências Estimativa da probabilidade das consequências Estimativa de riscos Gestão de riscos Apreciação de riscos Admissibilidade de riscos Percepção de riscos Tomada de Decisões/Recomendações Tomada de Tomada de decisões decisões e e controlo controlo Controlo de riscos Observação de riscos 23 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 CONTROLO DE RISCOS O controlo dos riscos é um conjunto de actividades integradas que engloba a decisão, a mitigação, a prevenção, a detecção, o planeamento de emergência, a revisão e a comunicação dos riscos. No fundo é um conjunto de medidas com o objectivo de manter ou reduzir o risco e a promoção de reavaliações periódicas da sua eficácia A observação dos riscos é concretizada através da implementação de uma monitorização contínua de todos os aspectos envolvidos, que incluem designadamente uma revisão periódica da segurança das estruturas 24 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 Descrição do âmbito Identificação do perigo e respectivos efeitos Análise de riscos Avaliação Avaliação de riscos de Identificação das consequências Estimativa do valor das consequências riscos Estimativa da probabilidade das consequências Estimativa de riscos Gestão de de Gestão riscos riscos Apreciação de riscos Admissibilidade de riscos Percepção de riscos Tomada de Decisões/Recomendações Tomada de decisões e controlo Controlo de riscos Observação de riscos 25 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 CASOS DE APLICAÇÃO HIPOTÉTICOS DE ANÁLISE DE RISCOS (Pimenta, 2008) 1 Comparação de riscos com vista à escolha de soluções a executar e/ou à localização de medidas de prevenção e detecção de riscos 2 Estudo de condicionantes geológico-geotécnicos complexos que podem determinar durante a construção diversas situações de atrasos e acréscimos de custos Projecto/ construção 3 Barragem em que se verificou a suspensão da empreitada com os aterros parcialmente executados Construção 4 Barragem em que se verificou a existência de deficiências construtivas com impacto na segurança da barragem Construção Barragem em que se verificaram comportamentos anómalos 1º Enchimento 5 Projecto 6 Portefólio de barragens que se pretende hierarquizar, com vista a estabelecer prioridades de intervenção para mitigação dos riscos Exploração 7 Barragem em que foram detectados indicadores de estados limites como, por exemplo, infiltrações excessivas pelo corpo do aterro Exploração 8 Barragem com alterações significativas de ocupação no vale a jusante Exploração 9 Barragem com elevada vida útil que importa adequar às exigências da regulamentação actual Exploração 26 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 LIMITAÇÕES DA ANÁLISE DE RISCOS As análises de riscos ainda não constituem uma prática corrente na Engenharia de Barragens, apontando-se, entre outros, os seguintes motivos (Morris et al., 2000): zA reduzida familiaridade e o cepticismo de parte da comunidade científica e técnica relativamente às técnicas de análise de riscos z O facto dos dados se revelarem inadequados para aplicação de alguns métodos de análise de riscos z A dependência do comportamento de uma barragem de interacções complexas entre as suas diversas componentes z A complexidade da estimativa da probabilidade de ocorrência de determinados modos de ruptura, em que a erosão interna do corpo de barragens de aterro é o exemplo mais frequentemente assinalado z Os custos envolvidos nas análises serem muito elevados z A existência de dificuldades de aplicação de alguns métodos e na compreensão ou nas consequências dos resultados associados à avaliação dos riscos de uma barragem 27 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 DESENVOLVIMENTOS FUTUROS A análise de riscos possui uma forte componente científica e técnica que apoia e fundamenta os passos seguintes da gestão do risco A gestão do risco falha muitas vezes pela: 9dificuldade em definir a probabilidade de uma dada incerteza 9flexibilidade e fragilidade do sistema em relação a acções excessivas ou não expectáveis No futuro prevê-se a: • elaboração de normas de aplicação de análises de riscos a barragens de aterro • adequação das Normas de Projecto de Barragens à filosofia dos Eurocódigos e das abordagens orientadas para o risco 28 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 ANÁLISE DE RISCOS VERSUS CONTROLO DA SEGURANÇA As acções de apreciação, de controlo e de mitigação de riscos exigem o envolvimento activo de entidades sociais, políticas e reguladoras, e podem incorporar a comunicação ao público e a participação activa da sociedade Na fase de tomada de decisão e controlo e mitigação dos riscos entra-se numa área comum do controlo de segurança de barragens que está presente na maior parte das disposições normativas e regulamentares, como sejam, por exemplo, a realização de estudos de ruptura para caracterização das consequências, a realização de Planos de Emergência e a implementação de sistemas de aviso e alerta Há muito que o controlo de segurança de barragens tem sido uma preocupação para fazer face ao elevado número de rupturas ocorridas neste tipo de estruturas e as consequências resultantes 29 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 CONTROLO DA SEGURANÇA ESPANHA Acções implementadas com vista à segurança de barragens • 1802 R. da B. de Puentes (110 vítimas) • Escuela de Ingenieria • 1959 R. da B. de Vega de Tera (144 vítimas) • Servicio de Vigilancia de Presas e elaboração de Normas • 1982 R. da B. de Tous (40 vítimas) • Programa de Seguridad y Explotación de las Presas del Estado 30 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 CONTROLO DA SEGURANÇA REINO UNIDO ELABORAÇÃO DE REGULAMENTAÇÃO Reino Unido 1830/1930 - 12 rupturas (420 vítimas) 1930 - legislação (Reservoir Act) Revisto em 1975 1930/2008 - não houve mais vítimas devido à ruptura de barragens 31 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 CONTROLO DA SEGURANÇA A segurança de uma barragem é a sua capacidade para satisfazer as exigências do comportamento relativas a aspectos estruturais, hidráulico-operacionais e ambientais, de modo a evitar a ocorrência de acidentes ou incidentes ou minorar as suas consequências ao longo da vida da obra (RSB, 2007) > Para controlo dessa segurança, os Países têm promovido a elaboração de legislação, normas ou recomendações sobre segurança de barragens > Na maior parte dos países da Europa, sobretudo no Norte (Reino Unido, Noruega, Suécia, Finlândia, Áustria e Alemanha) foram elaborados documentos, relativamente à segurança de barragens, em forma de recomendações (guidelines) > No entanto, noutros países, como Portugal e Espanha, a legislação é de aplicação obrigatória e tem carácter impositivo 32 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 LEGISLAÇÃO PORTUGUESA SOBRE SEGURANÇA DE BARRAGENS 1990 Regulamento de Segurança de Barragens (RSB) Revisão efectuada em 2007 1993 Regulamento de Pequenas Barragens de Terra 1993 Normas de Projecto Revisões em curso 1993 Normas de Observação e de Inspecção de Barragens 1998 Normas de Construção 33 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 REGULAMENTAÇÃO E RISCOS RSB Riscos «Risco de acidente ou de incidente» é o produto dos danos potenciais pela probabilidade de ocorrência do acidente ou do incidente com eles relacionado (RSB, Artigo 4º) Na regulamentação Portuguesa relativa a barragens recorre-se a métodos de cálculo determinísticos e a coeficientes de segurança globais, aplicados sobretudo ao projecto de novas barragens, os quais não permitem a avaliação quantitativa da probabilidade da ruptura (especialmente, a de barragens existentes) 34 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 FACTORES DE RISCO Factores de apreciação das condições de risco Boletim 41 da ICOLD (1982) apresenta uma proposta das condições de risco para apoio à definição do sistema de observação e sua exploração Esta proposta foi incorporada nas NOIB (1993), Artigo 8º, da Normalização Portuguesa A avaliação das condições de risco é efectuada atribuindo valores αi a um conjunto de descritores agrupados em três classes, associadas a factores exteriores ou ambientais (E), à fiabilidade da obra (F) e factores humanos e económicos afins à sua ruptura (R) 35 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 FACTORES DE RISCO Índice parcial E – Relativo às condições exteriores ou de ambiente 1. 2. 3. 4. 5. Sismicidade Escorregamento de taludes Cheias superiores ao Projecto Gestão da Albufeira Acções agressivas (Clima, água) 1 5 E = ∑ αi 5 i=1 Índice parcial F – Relativo à fiabilidade da obra 1. 2. 3. 4. Dimensionamento estrutural Fundações Órgãos de descarga Manutenção 1 9 F = ∑ αi 4 i=6 Índice parcial R – Relativo a factores humanos e económicos 1. 2. Volume da albufeira Instalações a jusante O valor do índice de risco global é o produto dos índices parciais 1 11 R = ∑ αi 2 i=10 αg = E × F × R 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 36 TÉCNICAS DE IDENTIFICAÇÃO DO RISCO COM VISTA À SUA QUANTIFICAÇÃO NOIB (1993) 37 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 CLASSES DE BARRAGENS – NORMAS As NOIB (1993) no Artigo 47º, relativo às inspecções das barragens existentes, para adequá-las ao RSB (1990), definiu as barragens em 3 classes baseadas na anterior classificação dos factores de risco 1. Classe A, barragens com pelo menos um factor com classificação de 6 2. Classe B, barragens com índice global superior a 20 e o índice parcial R maior ou igual a 3 3. Classe C, as restantes barragens 38 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 CLASSES DE BARRAGENS – RSB Com a revisão do RSB (2007), foi proposta uma nova classificação de barragens, tendo em conta os danos que podem ser causados a vidas humanas, bens e ambiente Classe Ocupação humana, bens e ambiente I Residentes em número igual ou superior a 25 II Residentes em número inferior a 25. Instalações ou bens ambientais de importância considerável III As restantes barragens Na nova classificação das barragens, associada ao seu risco, deu-se uma maior importância aos danos potenciais que podem ser causados a jusante, devido a uma onda de inundação que pode afectar a população, bens ou ambiente 39 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 DESENVOLVIMENTO DA LEGISLAÇÃO A partir do final do século XX a evolução da legislação de segurança de barragens evoluiu no sentido a: > dar mais importância à mitigação das consequências, sobretudo perda de vidas humanas, a jusante devido a uma potencial onda de inundação do que à importância da estrutura, em termos da sua dimensão, isto é, sobretudo a altura da barragem e a capacidade do reservatório > integrar a barragem, a albufeira e o vale a jusante > incorporar alguns aspectos da gestão dos riscos > introduzir a caracterização probabilística da segurança em vez do conceito da garantia de segurança (coeficiente de segurança) 40 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 RSB – ENTIDADES ENVOLVIDAS Autoridade (Instituto da Água – INAG) Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) Comissão de Segurança de Barragens (CSB) Dono de Obra 41 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 DIRECTOR TÉCNICO DA OBRA E TÉCNICO RESPONSÁVEL PELA EXPLORAÇÃO Dono de Obra Propõe Director Técnico da Obra (preferencialmente deveria ser designado o Chefe da Fiscalização) Técnico Responsável pela Exploração Técnico encarregado pela exploração, Responsável técnico pelos trabalhos nomeadamente nos aspectos de segurança na fase de construção Autoridade Aprova 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 42 EXPERIÊNCIA NA APLICAÇÃO DO RSB EFICIÊNCIA E EFICÁCIA 43 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 EFICIÊNCIA E EFICÁCIA NO CONTROLO DE SEGURANÇA DE BARRAGENS 1. Cumprimento eficaz da Regulamentação e Normalização pelos vários intervenientes, nomeadamente pelo dono de obra A existência de Regulamentos, Normas e Recomendações (legislação) sobre barragens não são suficientes para um controlo de segurança eficaz. Há, por vezes, deficiências na sua aplicação. Depende da consciencialização humana 44 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 EFICIÊNCIA E EFICÁCIA NO CONTROLO DE SEGURANÇA DE BARRAGENS 2. Elaboração de um adequado Plano de Observação, antes do início da construção, baseado nos pressupostos do Projecto 45 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 COMPONENTES FUNDAMENTAIS DE UM PLANO DE OBSERVAÇÃO 1) Análise do Projecto > Previsão do comportamento estrutural • • • Deformações Níveis piezométricos Caudais, etc. 2) Grandezas a medir • 3) 4) 5) 6) 7) Análises dos índices de risco Dispositivos de observação com especificações para a sua instalação Localização da aparelhagem Inspecção visual Frequência de leituras Modelos de comportamento 46 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 ANÁLISE ESTATÍSTICA DE ACIDENTES EM BARRAGENS No Plano de Observação devem-se estimar os mecanismos de acidente que poderão ocorrer na barragem A análise de riscos, como se viu atrás, também recomenda a análise histórica dos mecanismos de deterioração Um dos métodos mais eficazes de analisar as causas potenciais de deterioração é a análise estatística dos acidentes em barragens A título de exemplo refira-se alguns aspectos do estudo elaborado no âmbito da ICOLD 47 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 ESTATÍSTICA DE DETERIORAÇÕES > ICOLD (1983) - 14 700 barragens analisadas (até 1979) - 1 014 deteriorações > INCIDENTES - 1 em cada 15 barragens (7.10-2) > RUPTURAS - 1 em cada 250 barragens (4.10-3) Frequência relativa da ruptura de barragens - 10-4 Frequência relativa da ruptura de centrais nucleares- 10-5 a 10-6 48 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 MECANISMOS DE DETERIORAÇÃO 1 - GALGAMENTO PELO COROAMENTO 2 - EROSÃO INTERNA NO CORPO DA BARRAGEM 3 - DEFORMAÇÃO EXCESSIVA 4 - EROSÃO INTERNA NA FUNDAÇÃO 5 – EROSÃO SUPERFICIAL 6 – DEGRADAÇÃO DAS PROPRIEDADES DOS MATERIAIS 7 – SUPERFÍCIES DE DESLIZAMENTO 8 – INSTABILIDADE DEVIDO A ACÇÕES SÍSMICAS 49 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 GALGAMENTO Maior número de vítimas Origem - Capacidade insuficiente do descarregador de cheias Cheias subestimadas (dados meteorológicos e hidrológicos escassos) Estudo de 8 800 barragens existentes nos EUA Jansen (1983) • 3 000 (34%) consideradas inseguras • 81% incapacidade dos órgãos de descarga 50 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 EROSÃO INTERNA Erosão interna < perigosidade <>galgamento mais fácil a detecção e execução de medidas correctivas • Galgamento perda de vidas humanas em 75% dos casos • Erosão interna perda de vidas humanas em 50% dos casos 51 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 INSEGURANÇA AOS SISMOS Nenhuma barragem sofreu colapso aos sismos Comportamento estrutural excelente 127 barragens (EUA, Japão, Rússia) (Seed et al., 1978) Magnitude (Richter) - 8,3 Aceleração - 1,3 g Assentamento - 0,8 m Revista Soils & Rocks, Sep./Dec., 2008 VULNERABILITY OF ROCKFILL DAMS TO SEISMIC HAZARD A. Veiga Pinto 52 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 EFICIÊNCIA E EFICÁCIA NO CONTROLO DE SEGURANÇA DE BARRAGENS 3. Efectuar um Controlo de Execução do Plano de Observação eficaz, nomeadamente com uma instalação dos dispositivos de observação fiável e interpretação e análise do comportamento da estrutura logo após a aquisição dos dados 4. Apresentação, pelo dono de obra, no final da obra do relatório de síntese da construção 53 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 EFICIÊNCIA E EFICÁCIA NO CONTROLO DE SEGURANÇA DE BARRAGENS 5. Elaboração de um Plano de Primeiro Enchimento fiável que incorpore a informação obtida na fase de construção 6. Controlo de Execução do Plano de Primeiro Enchimento eficaz, nomeadamente efectuando a análise do comportamento da estrutura nos patamares de enchimento Da análise estatística de acidentes em barragens, verifica-se que, em termos relativos, a fase de primeiro enchimento tem sido a mais crítica 54 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 EFICIÊNCIA E EFICÁCIA NO CONTROLO DE SEGURANÇA DE BARRAGENS 7. Realizações periódicas de inspecções visuais de especialidade ou de rotina de modo fiável (mitigação do risco por prevenção) >As inspecções visuais têm por objectivo (NOIB, 1993): zA detecção de sinais ou evidências de deteriorações ou sintomas de envelhecimento z A detecção de anomalias do sistema de observação instalado Nas vistas de inspecção deve incluir-se a verificação do funcionamento dos órgãos hidráulico-operacionais 55 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 INSPECÇÃO VISUAL B. Roxo B. Meimoa Assentamentos excessivos Desalinhamentos Quebra de peças e fissuras 56 EFICÁCIA NA DETECÇÃO DAS DETERIORAÇÕES Sistema de observação (34%) Inspecção visual (66%) Importância do factor humano (conhecimento, experiência, sentido de responsabilidade, capacidade de julgamento, etc.) 57 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 EFICIÊNCIA E EFICÁCIA NO CONTROLO DE SEGURANÇA DE BARRAGENS 8. Organizar um Arquivo Técnico, que inclua as fases de Projecto, Construção e Exploração da barragem, tê-lo actualizado e de fácil consulta no caso de ocorrer uma deterioração. Deste arquivo deve também fazer parte o Livro Técnico da Obra 58 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 EFICIÊNCIA E EFICÁCIA NO CONTROLO DE SEGURANÇA DE BARRAGENS 9. Dispor de medidas de protecção civil fiáveis e eficazes (mitigação do risco pela preparação) Das medidas de protecção civil fazem parte (RSB, 2007): z Uma carta de riscos (mapa com as zonas inundadas no caso da ocorrência de uma ruptura) z Planos de Emergência Interno (PEI) e Externo (PEE) z Sistemas de aviso e alerta O PEI, da responsabilidade do dono de obra, visa a segurança da barragem e do vale a jusante na zona de auto-salvamento (distância ao local da chegada da cheia induzida pelo acidente em meia hora, com o mínimo de 5 km) O PEE, da responsabilidade do sistema de protecção civil, abrange todo o vale jusante, para além da zona de auto-salvamento 59 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 GESTÃO DO RISCO NOS VALES A JUSANTE DE BARRAGENS Enquadramento geral (Viseu, 2005) 60 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 Mitigação do risco nos vales a jusante de barragens (Viseu, 2005) Preparação (planeamento de emergência) …reduzir o “volume de perdas” em caso de ocorrência de um acidente 61 AVISO DA POPULAÇÃO A informação da população EVACUAÇÃO VERTICAL nas zonas em risco deve ser (Viseu, 2005) o mais simples possível. Por exemplo, na cidade Suíça de Zurique, estimando somente cerca de 1h entre a eventual ruptura das Barragens de In den Schlagen e de Huhnermatt e a chegada da onda de inundação à cidade, a medida prática de protecção principal, fora da zona de risco maior, consiste em deslocar as pessoas para andares superiores ao 3ºpiso dos edifícios, ou seja preconiza--se o princípio da 62 evacuação verticalde Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 3º Simpósio MEIOS DE ALERTA E DE AVISO (Viseu, 2005) MEIOS DE ALERTA E DE AVISO Como avisar? … Exemplo dos avisos sonoros na barragem de Alqueva 63 REGULAMENTAÇÃO EUROPEIA NO CONTROLO DO RISCO >O risco aceitável está cada vez mais associado ao número de pessoas residentes a jusante da barragem >A supervisão do risco (controlo externo) é efectuada pela Autoridade e a sua responsabilidade (controlo interno) é do dono de obra >Existe um Técnico Responsável pela Exploração (Portugal, Reino Unido, Áustria, França e Espanha) >As barragens dispõem de um Arquivo Técnico da Obra >São definidas cartas de risco a jusante devido a uma onda de inundação e zonas de evacuação 64 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 O FACTOR HUMANO Acidentes rupturas ANÁLISE ESTATÍSTICA DE DETERIORAÇÕES EM BARRAGENS Exemplos de erros humanos são os erros de projecto, de construção ou de fiscalização, os erros de manutenção ou de operação, a maleficência deliberada ou as práticas inadequadas de gestão (Caldeira, 2005) A quantificação da contribuição dos erros humanos para o risco é uma tarefa complexa, que os peritos de risco não são muitas vezes capazes de levar a efeito (Caldeira, 2005) 65 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 O FACTOR HUMANO (Caldeira, 2005) A nossa sociedade está-se a tornar cada vez menos tolerante a rupturas de estruturas de engenharia, incluindo acidentes provocados por fenómenos naturais que afectam as áreas desenvolvidas Os engenheiros tendem a ser considerados culpados pelas suas acções ou pelas suas omissões, existindo uma pressão crescente pela sua responsabilização e por mais transparência 66 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 ERRO HUMANO ERRO HUMANO NAS FASES DE INTERVENÇÃO (ICOLD, 1972_Lessons from dam incidents) Fase Número de casos VA CB PG TE ER Outros Total Reconhecimento 9 5 6 49 2 1 72 Material (caracterização) 1 2 8 1 4 17 3 Planeamento 11 25 Projecto 4 6 13 48 3 Construção 1 1 2 32 5 41 5 1 6 3 5 Exploração Inspecção e observação Total 1 1 16 14 27 162 14 2 3 76 236 67 CONSEQUÊNCIAS DA RUPTURA DE BARRAGENS 300.000 mortes no acidente de Chernobyl Cerca de 3 milhões de pessoas vítimas oficiais da explosão O número de perda de vidas humanas (após 1800) em consequências da ruptura de barragens atingiu um valor da ordem de 17 000 (Lempérière, 1993) BARRAGEM PAÍS ANO VÍTIMAS Puentes Inuka South Fork Orós Vajont Vratsa Machu Gouhou Espanha Japão EUA Brasil Itália Bulgária Índia China 1802 1868 1889 1960 1963 1966 1979 1993 607 1 200 2 209 1 000 2 600 600 2 000 1 257 68 ANÁLISE POR ÁRVOREEDE EVENTOS O FACTOR HUMANO LEGISLAÇÃO 90% dos acidentes devem-se ao factor humano A legislação começa a ser cada vez mais vinculativa com sanções crescentes O FACTOR COMPLACÊNCIA (SARKARIA, 1999) SARKARIA, 1999) – The Complacency Factor in Dam Safety Assessments, ´99 International Conference on Dam Safety and Monitoring, China book press, TGP Site, 210-216 69 O FACTOR COMPLACÊNCIA (Sarkaria, 1999) O QUE É? > Ter confiança em modelos teóricos ainda não testados > Fazer interpretações subjectivas ou erradas, em relação a resultados de análises de modelos matemáticos ou físicos > Subestimar o desencadear e as consequências de um incidente numa barragem > Adoptar procedimentos para além da experiência consagrada, por exemplo, utilizando novos materiais ou tipos de fundação > Ser complacente em face das análises estatísticas indicarem que a probabilidade de ruptura de um dado tipo de solução estrutural é muito baixo > Utilizar métodos comuns ou empíricos no projecto, sem os adaptar aos materiais ou outras condições locais 70 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE MALPASSET (FRANÇA) (1959) 71 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE MALPASSET (FRANÇA) Relato do acidente ¾ Situada no Sul de França (Riviera Francesa). Barragem de betão abóbada; H = 66 m; Valb = 47.106 m3 ¾ A construção decorreu de 1952 a 1954. O 1º enchimento processou-se gradualmente durante 5 anos ¾ Em 2 Dez. de 1959 a barragem atingiu o NPA pela primeira vez, a 2 m do coroamento. Decidiu-se abrir, também pela primeira vez, às 18:00h, a descarga de fundo para controlo dos caudais de cheia ¾ Às 19:30h o operador fecha a descarga de fundo e vai descansar numa casa localizada cerca de 1,5 km da barragem, num ponto a uma cota elevada ¾ Pelas 9:10h da manhã do dia seguinte o seu repouso foi interrompido, ouviu-se uma forte explosão. Apenas teve a oportunidade de ver pela janela do seu quarto o colapso total da barragem pelas 9:13h ¾ No apuramento das caudas da ruptura, a Comissão de Inquérito ficou perplexa. Quer o projecto, quer a construção tinham sido perfeitos. Começou-se pois a admitir as situações mais inverosímeis como a existência de um sismo que, no entanto, não tinha sido registado, queda de um meteorito, acções de sabotagem, etc. Então, qual a causa da ruptura? 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 72 BARRAGEM DE MALPASSET (FRANÇA) Relato do acidente Havia uma pequena falha na fundação, a cerca de 30 m a jusante e inclinada 450 com a vertical. A parte de montante da fundação, devido à pressão da água, deslizou sobre a de jusante provocando um abertura sob a estrutura de betão levando ao escoamento súbito da água da albufeira e à instabilidade da abóbada 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 73 BARRAGEM DE MALPASSET (FRANÇA) Relato do acidente O que restou 421 MORTES Este grave acidente contribuiu de forma bastante decisiva para o reconhecimento da necessidade de um estudo mais aprofundado dos maciços rochosos, dando lugar à Mecânica das Rochas. O LNEC teve um lugar destacadíssimo nessa investigação a nível mundial, e, em particular, o Eng.º Manuel Rocha LNEC 1º Congresso Internacional de Mecânica das Rochas, Lisboa,1966 74 BARRAGEM DE MALPASSET (FRANÇA) Factor complacência LIÇÕES ADQUIRIDAS Neste caso o projectista deu uma grande ênfase ao cálculo estrutural da abóbada, optimizando a forma e distribuição de tensões, mas negligenciou o reconhecimento e caracterização geológico-geotécnica da fundação rochosa e dos mecanismos de deterioração da mesma que poderiam conduzir à instabilidade da estrutura Não se promoveu também a drenagem da fundação, porque o projectista considerava que as pressões ascensionais não teriam qualquer consequência na estabilidade da barragem, mesmo com uma abóbada bastante delgada 75 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE MALPASSET (FRANÇA) Factor Factorcomplacência complacência LIÇÕES ADQUIRIDAS Para além da Barragem de Malpasset, os projectistas projectaram outras 2 barragens de arco esbelto. A Barragem de Le Gage que já tinha tido um comportamento anómalo e danos consideráveis e a Barragem de Toll que veio também a ter danos estruturais bastante significativos, tendo sido necessário reabilitá-la com novos arcos e contrafortes. Era nítido que as formas eram demasiado finas e sem margem de segurança à fendilhação devido aos elevados estados de tensão. Por sua vez , os projectistas, erradamente, apontaram a causa da fendilhação para a elevada rigidez das fundações (Sarkaria, 1999) Outro aspecto do factor complacência, e comum à fragilidade humana, é a relutância, associada ao orgulho, em reconhecer o insucesso no projecto e construção da Barragem Le Gage (acidente em 1955), repetindo os mesmos erros na Barragem de Malpasset, conduzindo à sua ruptura em 1959, e ainda vir a projectar, logo a seguir, em 1961, a Barragem de Toll, com consequências novamente bastante danosas no 76 seu3ºcomportamento estrutural (Sarkaria, 1990)Associados – Nov. 2008 Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos BARRAGEM DE VAJONT (ITÁLIA) (1963) 77 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE VAJONT (ITÁLIA) ¾ Alpes Italianos; exploração de energia hidroeléctrica ¾ Barragem arco de forma esbelta ¾ H = 260 m ¾ Conclusão em 1960 ¾ Primeiro enchimento em 1963 ¾ Recorde a nível mundial Características 78 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE VAJONT (ITÁLIA) Análise da ruptura ¾ Os encontros eram constituídos por um maciço calcário entrecruzado com estratos margosos, o que lhe confere uma elevada instabilidade ¾ Os engenheiros admitiram a possibilidade de poderem ocorrer pequenos deslizamentos da encosta, contendo a albufeira, razão pela qual aconselharam suavizar a inclinação dos taludes dos encontros laterais ¾ No entanto, não deram suficiente importância à instabilidade das encostas na zona da albufeira ¾ Desde o primeiro enchimento começaram-se a observar deslizamentos da encosta, por inspecção visual, e mais tarde após a colocação de testemunhos, sempre que subia o nível de água da albufeira. Quando a altura da água atingiu os primeiros 30 m, observaram que o maciço rochoso da montanha começou a deslizar cerca de 15 mm por dia, o que aumentou a preocupação dos intervenientes ¾ Dada a necessidade, por questões económicas, de se iniciar de imediato a geração de energia hidroeléctrica, a cota de água da albufeira subiu gradualmente, tendo os engenheiros minimizado a importância dos deslizamentos que estavam a ocorrer 79 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE VAJONT (ITÁLIA) Análise da ruptura (cont.) ¾ No Verão de 1963, chuvas excepcionais elevaram repentinamente o nível da albufeira para um valor de apenas 13 m do NPA. Verificou-se a existência de deslizamentos importantes e alarmantes nos taludes da albufeira. Reconheceu-se de imediato a necessidade de iniciar o seu esvaziamento. No entanto, em Setembro, ocorreram novamente chuvas que, para além de limitar a capacidade de esvaziamento da albufeira, saturaram os maciços dos encontros tornando-os mais instáveis. No dia 1 de Outubro, conforme os relatos, os animais que costumavam pastar na zona montanhosa começaram a afastar-se dessa zona junto à albufeira, provavelmente porque tinham a capacidade de detectar os reduzidos movimentos da encosta ¾ Em 8 de Outubro, os engenheiros concluíram que o volume da massa rochosa instável era cerca de 5 vezes superior ao que tinham previsto inicialmente. Assim, decidiram abrir a descarga de fundo no máximo ¾ Foi, no entanto, demasiado tarde. Em 09/10/1963, um apreciável volume de 240 milhões de m3 do maciço rochoso envolvente à albufeira deslizou na sua direcção com uma velocidade de 30 m/s, provocando uma enorme onda que atingiu uma altura impressionante de 40 m acima do anterior nível da albufeira ¾ No mesmo instante uma onda gigante galgou por cima da barragem, atingindo uma altura de 99 m acima do coroamento. Miraculosamente a barragem não ruiu, mas uma impressionante área a jusante foi devastada. 2 min após o início do deslizamento da massa rochosa, uma onda de cerca de 70 m de altura atingiu a Vila de Longarone, situada a apenas 1,5 km a jusante da barragem, matando quase todos os seus habitantes ¾ Tudo se passou em 15 minutos 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 80 BARRAGEM DE VAJONT (ITÁLIA) VILA DE LONGARONE ANTES 2 600 MORTES DEPOIS 81 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE VAJONT (ITÁLIA) Factor complacência LIÇÕES ADQUIRIDAS Em sumário, o factor complacência no caso da ruptura da Barragem de Vajont pode ter envolvido, pelo menos os seguintes aspectos: ¾ Estudos deficientes na caracterização do maciço rochoso envolvente à albufeira ¾ Excesso de confiança quando os taludes envolventes à barragem começaram a dar sinais de instabilidade ¾ Actuação demasiado tardia por questões economicistas ¾ Inexistência de planos de emergência 82 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE TETON (EUA) (1976) 83 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE TETON (EUA) Planta e perfil tipo 84 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE TETON (EUA) Relato do acidente ¾ Situada no Idhao (EUA), de aterro zonado com núcleo central; H = 93 m ¾ Construção concluída em Novembro de 1975. O enchimento processou-se rapidamente e a barragem rompeu em Junho de 1976, causando uma onda induzida para jusante ¾ O Bureau of Reclamation (USBR), dono de obra, tinha atingido um elevado prestígio a nível mundial por ser uma das organizações que construíam das barragens mais seguras desde há mais de 50 anos ¾ Foi pois um choque esta ocorrência a nível mundial. Mas não totalmente surpreendente porque os engenheiros sabiam e não tiraram as devidas ilações da existência de um acidente idêntico na Barragem de Fontenelle, com um perfil tipo muito semelhante ao de Teton ¾ Ambas as barragens foram constituídas com materiais argilo-siltosos, tinham uma cortina corta-águas e uma simples linha de furos na cortina de injecções 85 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE TETON (EUA) Relato do acidente ¾ Na Barragem de Fontenelle, em 3 de Setembro de 1965, quando a barragem atingiu o pleno armazenamento, observou-se uma infiltração, através da barragem, junto ao encontro da margem direita. Como a infiltração ia sucessivamente aumentando com arraste de solo, decidiu-se, de imediato, esvaziar o albufeira. No final do esvaziamento, passados 3 dias, verificou-se a existência de uma enorme cavidade com cerca de 30 m de diâmetro. Foi estimado que tivessem sido erodidos cerca de 12 000 m3 de solo ¾ A barragem não ruiu totalmente e pôde ser reconstruída, o que pode ter levado a um excesso de confiança por parte dos engenheiros do USBR e, desse modo, subestimar este tipo de mecanismo de deterioração ¾ O processo de erosão interna na Barragem de Teton foi muito semelhante ao da Barragem de Fontenelle ¾ A causa da ruptura da Barragem de Teton foi atribuída à erosão interna no núcleo, pela passagem de água em juntas de compartimentação do maciço rochoso vulcânico da fundação e encontros 86 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE TETON (EUA) 11:00h Junho de 1976 USBR Compactação do lado seco 12:00h Corps of Engineers Compactação do lado húmido 87 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE TETON (EUA) Factor complacência LIÇÕES ADQUIRIDAS Em sumário, o factor complacência no caso da ruptura da Barragem de Teton pode ter envolvido os seguintes aspectos: ¾ Excesso de confiança em projectos tradicionais ou empíricos que foram bem sucedidos na construção de muitas barragens ¾ Terem subestimado as causas e as consequências que levaram quase à ruptura da Barragem de Fontenelle ¾ Admitir que o fenómeno da erosão, por piping, numa barragem de aterro é relativamente lento e pode ser controlado antes da sua ruptura ¾ Não reconhecer eficazmente o papel de que pequenas deficiências da fundação rochosa têm na segurança de 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 barragens 88 BARRAGEM DE TETON (EUA) Plano de emergência O que restou A ruptura gradual da barragem de Teton, é um exemplo do sucesso da aplicação de um Plano de Emergência eficaz, uma vez que, das 25 000 pessoas a residir na zona de risco no vale a jusante, “apenas” onze perderam a vida 8 000 pessoas evacuadas do leito de cheia 2:00 h 11 MORTES 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 89 BARRAGEM DE GOUHOU (CHINA) (1993) 90 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE GOUHOU (CHINA) Relato do acidente ¾ É uma barragem de cascalho com uma cortina de betão armado a montante, de 71 m de altura. Tratava-se de uma das 4 barragens daquele tipo existentes em todo o mundo ¾ Na fase de primeiro enchimento, em 1989, quando o NAA estava a cerca de 22 m do NPA começou a aparecer água no paramento de jusante, junto à saia do aterro, tendose efectuado uma reparação com sucesso ¾ Um ano decorrido voltou a verificar-se um caudal de infiltração concentrado no talude de jusante, tendo novamente sido efectuada uma reparação. No entanto, não se fez qualquer inspecção quanto à zona a montante que estava danificada e deixava passar água ¾ Após cerca de um ano, a albufeira atingiu a sua cota máxima, tendo os operadores de observação da barragem, em 26 de Agosto de 1993 às 08:30pm, ouvido um ruído e a existência de água a fluir no paramento de jusante. Pelas 11:50pm, uma vila situada a 13 km da barragem foi atingida pela onda de inundação ¾ A barragem foi projectada de acordo com o estado da arte das barragens de enrocamento com cortina a montante, mas após a compactação, o material tinha cerca de 24% a 60% de partículas inferiores a 5 mm, tornando-se semi-impermeável e não totalmente drenante ¾ Considerou-se que a ruptura foi devida a uma infiltração excessiva através de uma fenda na cortina a montante, conduzindo ao arraste do material de aterro demasiado 91 fino para exibir um adequado eàRiscos estabilidade hidráulica 3º Simpósio decomportamento Segurança de Barragens Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE GOUHOU (CHINA) Factor complacência LIÇÕES ADQUIRIDAS Em sumário, o factor complacência no caso da ruptura da Barragem de Gouhou pode ter resultado dos seguintes aspectos: ¾ Excesso de confiança relativamente à segurança das CFRD, porque nenhuma destas barragens ainda ruiu ¾ Transportar indevidamente os conhecimentos e experiência das CFRD para uma barragem cujo material de aterro era diferente ¾ Terem utilizado materiais menos adequados porque, por questões económicas, estavam próximos do local da obra ¾ Ter uma excessiva confiança de que as infiltrações através das cortinas das CFRD podem ser reparadas com sucesso e não afectam a estabilidade deste tipo de estruturas 1 257 MORTES 92 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE SOUTH FORK (EUA) (1889) 93 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE SOUTH FORK Perfil tipo Coroamento – L = 300 m Descarregador sup. - L = 22 m Valb = 19.106 m3 94 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE SOUTH FORK Objectivo e construção > Afluente do Rio Mississipi; zona montanhosa > Escoamento de produtos mineiros > Aumentar as condições de navegação de um canal > Construção durante 13 anos (conclusão em 1853) > Aparecimento do caminho de ferro. Finalidade da barragem obsoleta 95 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE SOUTH FORK Exploração > Dono de obra (Estado da Pensilvania) vende a barragem > Comprada pelo empresário (Mr. Ruff) a custo da época de 2000 Euros > Mr. Ruff funda o Clube de Pesca e Caça (zona de próspero e denso agregado populacional) > Venda de 100 lotes (2000 Euros cada) do terreno junto à barragem > Construção de um gradeamento metálico e colocação de uma rede à entrada do descarregador para evitar a fuga de peixes > Decisão de baixar a cota do coroamento para permitir a circulação de veículos 96 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE SOUTH FORK Pré - ruptura > Cidade de Johnstown (30 000 habitantes) a 20 km a jusante da barragem, a uma cota mais baixa em cerca de 450 m > Em 1880 os organismos estatais da cidade manifestam preocupação crescente pela segurança da barragem > Mr. Ruff garante não haver perigo, mas substitui-se logo na presidência do Clube de Pesca e Caça > 1889 (31 de Maio) verifica-se elevada pluviosidade. Perigo iminente > Tentativas para: remover o gradeamento do descarregador; construir um novo descarregador na outra margem da barragem; executar o alteamento do coroamento 97 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE SOUTH FORK ruptura > Cerca das 11:00h os responsáveis pela obra admitiram que o colapso da barragem era inevitável > As acções de emergência e aviso e alerta também não estavam a resultar. No entanto, consta-se que John Parke, de 23 anos, jovem engenheiro contratado para tratar da segurança desceu montanha abaixo no seu cavalo de modo a avisar as populações > 3:10h da tarde a barragem ruiu. Estimativa de 25 min para a onda de cheia atingir a cidade de Johnstown, mas demorou 1:00h > A comissão de inquérito, da ASCE, admitiu que a obra tinha sido bem projectada e construída mas houve deficiências graves na exploração 98 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE SOUTH FORK Consequência da onda induzida ANTES DEPOIS CIDADE DE JOHNSTOWN 99 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE SOUTH FORK GRAVURA DA ÉPOCA 2 209 MORTES BARRAGEM DE SOUTH FORK Factor complacência LIÇÕES ADQUIRIDAS 9 ATITUDES ECONOMICISTAS PODEM CONDUZIR AO COLAPSO DE BARRAGENS COM ENORMES CONSEQUÊNCIAS 9 A PASSAGEM DE DONOS DE OBRA DE ENTIDADES ESTATAIS PARA PRIVADAS PODE SER BASTANTE NEGATIVO 9 ALTERAÇÕES AO PROJECTO, NA FASE DE EXPLORAÇÃO, DEVEM SER ANALISADAS E AUTORIZADAS POR ENTIDADES COMPETENTES 9 A GARANTIA DA SEGURANÇA POR PARTE DO DONO DE OBRA DEVE SER VERIFICADA PELA AUTORIDADE 101 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 BARRAGEM DE SOUTH FORK Factor complacência LIÇÕES ADQUIRIDAS 9 ENTIDADES ESTATAIS DEVEM SUPERVISAR A SEGURANÇA DE BARRAGENS, TOMAR DECISÕES E SE NECESSÁRIO IMPOR RESTRIÇÕES 9 É NECESSÁRIO A EXISTÊNCIA DE PLANOS DE EMERGÊNCIA E SISTEMAS DE AVISO E ALERTA 9 CONDUZIR OBRAS DE REPARAÇÃO NUMA SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA PODE SER TARDIA E POUCO EFICAZ 1889 2008 102 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 ENGENHARIA E MEDICINA A engenharia e a medicina têm como missão minimizar a ocorrência de fatalidades e as suas consequências Engenharia Medicina Agente barragem doente (ser humano) Risco mecanismo de deterioração tipo de doença Detecção habilidade do engenheiro habilidade do médico 103 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 ENGENHARIA E MEDICINA Engenharia Medicina Fiabilidade visitas à obra e exploração do SO contacto com o doente e auscultação Diagnóstico ensaios de materiais, de equipamentos e cálculos análises clínicas e outros meios de diagnóstico Medidas correctivas obras de reabilitação ou manutenção receituário, remédios e cirurgia 104 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 CONCLUSÕES >A gestão dos riscos é uma promissora ferramenta no controlo da segurança em barragens >Das vantagens da gestão dos riscos destaca-se uma melhor sistematização e definição das incertezas e das consequências potenciais >A maior dificuldade da gestão dos riscos é definir a probabilidade dos vários mecanismos de deterioração e prever acções excessivas >A consciencialização da necessidade de metodologias de controlo de segurança como, por exemplo a elaboração de legislação, verificou-se em um número significativo de Países, após a ocorrência de catástrofes resultantes da ruptura de barragens 105 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 CONCLUSÕES >A aceitabilidade do risco tem sido associada cada vez mais aos danos potenciais, resultantes de uma onda induzida, a jusante, e que pode afectar a população, bens ou ambiente >Cerca de 2/3 das deteriorações em barragens são detectadas por inspecções visuais >O galgamento tem sido a principal causa de rupturas em barragens, devido à dificuldade de caracterização dos caudais de cheia, limitação que, no entanto, tem vindo a melhorar >As barragens têm exibido um excelente comportamento aos sismos 106 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 CONCLUSÕES Os engenheiros devem evitar o factor complacência, isto é, estar sempre vigilantes, conscientes e promover acções tendentes a garantir a segurança de barragens. Finalmente, é de ter em conta que, das lições adquiridas, parece se concluir que, em regra, as causas dos acidentes de barragens estão sobretudo relacionadas com as situações mais inverosímeis (incerteza epistémica) É ainda de reter que o insucesso na avaliação da segurança em um elevado número de barragens deveu-se, muitas vezes, à falta de tempo ou à falta de recursos para realizar estudos suficientemente fundamentados 107 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 O AUTOR AGRADECE O CONTRIBUTO DE ESPECIALIDADE AOS COLEGAS Laura Caldeira João Casaca Rui Faria Silva Gomes Teresa Viseu 108 3º Simpósio de Segurança de Barragens e Riscos Associados – Nov. 2008 Adquire conhecimentos; Visita a obra frequentemente; Procura ser consciente… 21:40 …A barragem responderá decerto com segurança e sem riscos 23:40 Obrigado pela atenção 22:10 A. Veiga Pinto 109