UNIVERSIDADE POSITIVO
ESTUDO SOBRE A APLICABILIDADE DO
TURISMO CEMITERIAL EM CURITIBA
CURITIBA
2010
LETÍCIA CONCEIÇÃO HAHNE
ESTUDO SOBRE A APLICABILIDADE DO
TURISMO CEMITERIAL EM CURITIBA
Trabalho
de
Conclusão
de
Curso
apresentado ao Curso de Turismo da Escola
de Negócios, Universidade Positivo, como
requisito parcial para obtenção do título de
Bacharel em Turismo
Orientador: Profº Waldir Egenolf Prochnow
CURITIBA
2010
DEDICATÓRIA
Este trabalho é dedicado as jóias mais preciosas da minha vida, minha
mãe Eliane, e minha irmã Aline. Duas pessoas maravilhosas, que desde o
início sempre estiveram ao meu lado, me apoiando, me ajudando em tudo, em
todos os momentos. Sem elas, eu realmente não teria força suficiente para
enfrentar os obstáculos do caminho.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus, por todas as bênçãos recebidas, pela força que me
deu para que eu pudesse lutar e vencer, sem desistir jamais.
Agradeço imensamente a minha mãe Eliane, e a minha irmã Aline, por
estarem ao meu lado desde o início desta longa jornada, por me apoiarem e
me ajudarem em tudo, por todo amor e carinho que elas têm por mim, por
estarem comigo nos bons e nos mals momentos, sempre.
Ao meu pai, por todo o apoio e pelo auxílio na tradução de alguns livros
e artigos durante a construção deste trabalho.
Ao meu amado Wenderson, por estar sempre comigo, me divertindo e
me tranqüilizando nas minhas horas sombrias, por todo amor e carinho
concedido a mim, que foram essenciais nesta fase da minha vida.
Ao meu querido orientador Waldir Prochnow, por me guiar e me auxiliar
durante todos os processos deste trabalho. Sem os conselhos, o apoio e o
companheirismo dele, não seria possível concluir esta importante etapa da
minha vida acadêmica e profissional.
A todos os professores do curso, por todos os ensinamentos e
conselhos, em especial a saudosa professora Henriette Cordeiro Guérios (in
memorian) por tudo que ela ensinou. Foi uma grande honra ter uma professora
como ela.
A escritora e cemiterióloga Clarissa Grassi, pela disposição e gentileza
em me ajudar, pelo companheirismo, por compartilhar comigo seu vasto
conhecimento sobre cemitérios e pelos conselhos que foram de grande valia
para mim.
Aos meus colegas da faculdade, aqueles que desde o início do curso
estiveram comigo e que de alguma forma me ajudaram durante esta jornada.
Em especial a Amanda, Bruno, Fernanda, Gislene, Jéssica, Kamila, Priscila,
Rejane, Renata e Sara.
Aos meus melhores amigos, Bruna, Geny, Julya, Kayla, Rosana
Cristiano, Edson, Juliano, Leandro, Leo, Marco, Max, Paulo, Renato e Wagner,
pelo apoio, por nunca me abandonarem, por estarem sempre presentes
quando eu preciso, mesmo quando não posso dar a devida atenção a todos.
EPÍGRAFE
“Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança”.
(Renato Russo)
RESUMO
Os cemitérios surgiram há muito tempo atrás, inicialmente por motivos
de higiene, pois antigamente os sepultamentos eram feitos dentro de igrejas ou
capelas, que se tornavam fontes de contaminação devido aos miasmas que
ficavam concentrados nas criptas das igrejas. Com o passar dos anos, os
cemitérios transformaram-se, de simples depósitos de cadáveres a luxuosos
campos santos. Grande parte do requinte presente nos cemitérios deve-se a
arte tumular que trouxe uma simbologia e uma expressão artística diferente e
importante, de certa forma, “agregou valor” a estes locais. Este estilo artístico,
além de ser uma maneira de preservar aspectos arquitetônicos da localidade,
pode preservar aspectos histórico-culturais também. É possível descobrir a
história de uma região somente observando a arte tumular de seus campos
santos. Com tantos detalhes importantes e interessantes, presentes nos
cemitérios, criou-se uma segmentação turística especialmente para a
realização de visitas a estes lugares, o turismo cemiterial. Famoso em várias
cidades do mundo, e até mesmo em algumas cidades brasileiras, este
segmento está se desenvolvendo cada vez mais. Deste modo, é válido a
realização de estudos e análises das estruturas cemiteriais de Curitiba, para
que seja possível criar um novo segmento na cidade, valorizando o turismo e
ao mesmo tempo os cemitérios, bem como a história e a cultura da cidade.
Palavras-chave: cemitérios; arte tumular; segmentação turística; turismo
cemiterial; história; cultura; Curitiba.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ETC – European Travel Comission
ICOMOS – Organização das Nações Unidas para a Educação, a ciência e a
cultura
OMT – Organização Mundial do Turismo
SINCEP – Sindicato dos Cemitérios Particulares do Brasil
UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 – Campo de concentração Dachau na Alemanha
Figura 2 – Campo de extermínio Auschwitz – Birkenau na Polônia
Figura 3 – Memorial World Trade Center nos Estados Unidos
Figura 4 – Cúpula da Bomba Atômica no Japão
Figura 5 – Ossuário de Sedlec na República Tcheca
Figura 6 – Exposição de crânios no Camboja
Figura 7 – Edifício Dakota em Nova York
Figura 8 – Junção das estradas 41 e 46 na Califórnia
Figura 9 – Cemitério lotado durante Dia de los muertos no México
Figura 10 – Doces típicos d o Dia de los muertos no México
Figura 11 – Altar do Dia de los muertos no México
Figura 12 – Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém
Figura 13 – A Grande Pirâmide de Gizé no Egito
Figura 14 – Taj-Mahal na Índia
Figura 15 – Túmulo de Maria Antonieta e Luiz XVI na França
Figura 16 – Túmulo de Napoleão Bonaparte na França
Figura 17 – Cemitério de la Recoleta na Argentina
Figura 18 – Cemitério Chacarita
Figura 19 – Cemitério Nacional de Arlington nos Estados Unidos
Figura 20 – Cemitério Boot Hill nos Estados Unidos
Figura 21 – Cemitério St. Louis em New Orleans
Figura 22 – Cemitério Forest Lawn nos Estados Unidos
Figura 23 – Cemitério Père-Lachaise em Paris
Figura 24 – Cemitério Montparnasse na França
Figura 25 – Cemitério Highgate na Inglaterra
Figura 26 – Cemitério Staglieno na Itália
Figura 27 – Cemitério San Michele na Itália
Figura 28 – Cemitério dos Prazeres em Portugal
Figura 29 – Cemitério Old Jewish na Republica Tcheca
Figura 30 – Cemitério Santa Casa de Misericórdia – RS
Figura 31 – Cemitério São Miguel e Almas – RS
Figura 32 – Cemitério Evangélico – RS
Figura 33 – Cemitério São João Batista – RJ
Figura 34 – Cemitério São Francisco Xavier
Figura 35 – Cemitério do Araçá – SP
Figura 36 – Cemitério da Consolação – SP
Figura 37 – Cemitério Memorial Necrópole Ecumênica – SP
Figura 38 – Cemitério do Morumbi – SP
Figura 39 – Catacumbas de Paris na França
Figura 40 – Catacumba de São Calixto em Roma
Figura 41 – Catacumba de Odessa na Ucrânia
Figura 42 – Praça Tiradentes
Figura 43 – Rua das Flores
Figura 44 – Rua 24 horas na Visconde de Nácar
Figura 45 – Museu Ferroviário no Shopping Estação
Figura 46 – Teatro Paiol
Figura 47 – Jardim Botânico
Figura 48 – Estação Rodo ferroviária
Figura 49 – Teatro Guaíra
Figura 50 – Passeio Público
Figura 51 – Sede dos Poderes do Paraná no Centro Cívico
Figura 52 – Museu Oscar Niemeyer
Figura 53 – Bosque do Papa
Figura 54 – Bosque Alemão
Figura 55 – Universidade Livre do Meio Ambiente – UNILIVRE
Figura 56 – Parque São Lourenço
Figura 57 – Ópera de Arame
Figura 58 – Parque Tanguá
Figura 59 – Parque Tingui
Figura 60 – Portal Italiano no bairro Santa Felicidade
Figura 61 – Torre Panorâmica
Figura 62 – Parque Barigui
Figura 63 – Setor Histórico
Figura 64 – Cemitério Municipal São Francisco de Paula
Figura 65 – Cemitério Municipal Água Verde
Figura 66 – Cemitério Municipal Santa Cândida
Figura 67 – Cemitério Municipal Boqueirão
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ..............................................................................................12
1.1 OBJETIVOS ...............................................................................................15
1.1.1 Objetivo Geral .........................................................................................15
1.1.2 Objetivos Específicos...............................................................................15
2 REFERENCIAL TEÓRICO ...........................................................................16
2.1 CONCEITOS DE TURISMO ......................................................................16
2.1.1 Os primórdios da atividade turística ........................................................18
2.1.2 Grand Tour ..............................................................................................21
2.1.3 Thomas Cook – o pai do turismo ............................................................22
2.2 SEGMENTAÇÕES E TIPOLOGIAS TURÍSTICAS ....................................25
2.2.1 Turismo Cultural ......................................................................................30
2.2.2 Turismo Mórbido .....................................................................................37
2.2.2.1 Turismo Mórbido no mundo .................................................................41
2.2.3 Turismo Cemiterial ..................................................................................55
2.2.3.1 Turismo Cemiterial no mundo ..............................................................57
2.2.3.2 Turismo Cemiterial no Brasil ................................................................67
2.2.4 Origem dos cemitérios ............................................................................74
2.2.5 Arte Tumular ...........................................................................................80
2.3 HISTÓRIA DE CURITIBA...........................................................................82
2.3.1 Turismo em Curitiba ................................................................................86
2.3.2 Planejamento Urbano de Curitiba ...........................................................99
2.3.3 Cemitérios de Curitiba ...........................................................................100
2.3.3.1 Cemitério Municipal São Francisco de Paula .....................................102
2.3.3.2 Cemitério Municipal Água Verde ........................................................105
2.3.3.3 Cemitério Municipal Santa Cândida ...................................................108
2.3.3.4 Cemitério Municipal Boqueirão ..........................................................110
3 CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS ...................................................112
3.1 PESQUISA BIBLIOGRAFICA ..................................................................112
3.2 PESQUISA DE CAMPO E OPERACIONALIZAÇÃO ...............................112
DA PESQUISA
3.3 INSTRUMENTO DE PESQUISA ..............................................................114
4 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS FINAIS DA .................................116
PESQUISA DE CAMPO
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................126
6 REFERÊNCIAS ...........................................................................................131
12
1 INTRODUÇÃO
Várias cidades no mundo consideram a sua história e sua formação
cultural contada pelos seus antepassados, e preservada ao longo de vários
séculos por meio dos cemitérios.
O turismo cemiterial é uma nova segmentação do mercado turístico, que
consiste em promover visitas guiadas e não guiadas a cemitérios. Este tipo de
turismo é indicado para quem gosta de conhecer a arte e a cultura de
diferentes povos e países, para quem gosta de coisas e lugares mórbidos, para
aqueles que respeitam e admiram esse tema polêmico, que gera um misto de
medo e curiosidade nas pessoas, a morte.
A visitação aos cemitérios é aceita e praticada em várias cidades do
mundo. O Père-Lachaise em Paris e o Highgate em Londres, são exemplos de
cemitérios e cidades adeptos do turismo cemiterial.
No Brasil esse tipo de turismo ainda é pouco conhecido e pouco
explorado. Entre as cidades que promovem visitação aos cemitérios, pode-se
citar como exemplo São Paulo e Porto Alegre.
A atividade turística, na sua função de permitir o intercâmbio cultural,
possibilita
uma
identidade
histórico-cultural
das
cidades
visitadas,
proporcionadas pelo turismo cemiterial.
A identidade histórico-cultural da cidade pode ser identificada através da
observação e análise dos cemitérios, da arte cemiterial, dos túmulos de
personalidades históricas e pessoas famosas que de alguma forma
contribuíram para o desenvolvimento da cidade de Curitiba.
Observando e analisando a arquitetura cemiterial e as datas dos
túmulos, pode-se descobrir dados históricos e culturais da região, como data
da fundação da cidade, detalhes sobre imigrantes, entre outros dados.
Grandes descobertas sobre dados da história e da cultura da cidade,
também ocorrem através da visitação e observação de túmulos de pessoas
famosas, personalidades histórico-culturais que inspiraram nomes de ruas,
espaços culturais e até mesmo atrativos turísticos da cidade.
13
Como exemplos pode-se citar Victor Ferreira do Amaral, sepultado no
Cemitério Municipal São Francisco de Paula, seu nome foi inspiração para
batizar uma rua do bairro Tarumã, em Curitiba.
Outro exemplo é Lala Schneider, sepultada no Cemitério Municipal
Santa Cândida, seu nome batizou um espaço cultural da capital do Paraná, o
teatro Lala Schneider.
Por fim, pode-se citar Paulo Leminski, sepultado no Cemitério Municipal
Água Verde, seu nome foi utilizado para batizar um importante atrativo turístico
da cidade, a Pedreira Paulo Leminski.
Curitiba, com seus 317 anos de história, tem cemitérios antigos tais
como os municipais São Francisco de Paula, Água Verde, Santa Cândida e
Boqueirão. Nesta parte surge a problemática deste trabalho. Apesar da cidade
possuir cemitérios bastante antigos e importantes, a inexistência de uma
roteirização específica impedem a prática deste tipo de turismo, no contexto
histórico-cultural. Sendo assim, este fato torna-se a problemática central do
trabalho.
O estudo da aplicabilidade do turismo cemiterial em Curitiba levanta
hipóteses sobre os benefícios que poderão ser proporcionados pela prática
deste segmento.
Com a implantação desta nova segmentação turística na cidade de
Curitiba, pode-se observar e reconhecer a identidade cultural da cidade através
dos cemitérios.
Os cemitérios históricos podem transmitir dados de informação históricocultural para visitantes, como por exemplo, a miscigenação ocorrida na cidade,
reconhecimento do estilo arquitetônico de Curitiba, através dos mausoléus,
identificação de personalidades históricas da cidade.
Além disso, os cemitérios têm apelo ambiental e visual, desse modo,
despertaria o interesse e a curiosidade das pessoas também para o turismo
cemiterial.
O aumento do número de turistas nos últimos anos pode contribuir para
a criação e desenvolvimento de um segmento em Curitiba, o turismo cemiterial.
A metodologia aplicada no trabalho é pesquisa bibliográfica sobre o
tema, em livros, revistas, jornais, internet e meios impressos em geral.
14
Também faz parte da metodologia a pesquisa de campo nos quatro
cemitérios municipais da cidade, o São Francisco de Paula, o Água verde, o
Santa Cândida e o Boqueirão.
A pesquisa de campo foi realizada nos meses de agosto e setembro,
onde foram entrevistadas cinquenta pessoas em cada um dos cemitérios.
A finalização da pesquisa foi feita através da identificação e análise dos
resultados.
15
1.1 OBJETIVOS
1.1.1 Objetivo Geral
Analisar se o turismo cemiterial pode ser aplicado em Curitiba, através
de uma roteirização para visitação dos cemitérios municipais da cidade.
1.1.2 Objetivos Específicos
Verificar se as estruturas cemiteriais de Curitiba são adequadas para a
implantação deste novo segmento.
Observar o interesse dos turistas, pelo segmento em Curitiba, por meio
dos cemitérios.
16
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 CONCEITOS DE TURISMO
A definição e a descrição do que é turismo é uma tarefa complexa. São
necessárias análises econômicas, sociais e históricas, para conceituar da
melhor maneira esta atividade marcante do século XX (Castelli, 1990).
A palavra turismo se originou do inglês tourism, que por sua vez, tem origem
francesa, da palavra, tourisme. Theobald (1997) explica a origem do vocábulo
tour da seguinte forma:
Etimologicamente, a palavra tour (francês) é derivada do latim
“tornare” e do grego “tornos”, significando um giro ou um
círculo. Ou ainda, o movimento ao redor de um ponto central
ou eixo. O significado mudou no inglês moderno, passando a
representar especificamente “um giro.” O sufixo „ismo‟ (turismo)
é definido como uma ação ou processo, enquanto o sufixo „ista‟
(turista) qualifica aquele que realiza uma determinada ação.
Quando a palavra tour e os sufixos isme e iste são agrupados,
representam a ação de um movimento ao redor de um círculo
(THEOBALD, 1997, p.06).
Alguns autores acreditam que o vocábulo tur, é mais antigo do que
parece ser, pois os hebreus o teriam utilizado muito antes. Haulot apud Padilla
(1994) da explicações históricas e bíblicas sobre a origem da palavra:
Aparece na Bíblia que Moisés enviou à Terra de Canaã um
grupo de representantes para visitá-la e obter a informação
necessária a respeito das características do lugar. A palavra já
se usa no hebreu moderno, empregada antigamente como
sinônimo de viagem de vanguarda, de reconhecimento ou de
exploração (HAULOT apud PADILLE, 1994, p.15).
O turismo é uma opção para o descanso, para a distração, para o
relaxamento, para o divertimento das pessoas, é uma forma de ocupar o tempo
livre.
Waichman (1997) descreve o tempo livre como, aquele no qual o
homem age por sua própria necessidade autocriada. Ou seja, o indivíduo faz o
que quer, para satisfação das suas necessidades, esta diretamente relacionada
ao lazer,
17
Todo comportamento em cada categoria pode ser um lazer,
mesmo o trabalho profissional. O lazer não é uma categoria,
mas um estilo de comportamento, podendo ser encontrado em
qualquer atividade. (DUMAZEDIER, 1999, p.88)
Apesar das várias opiniões e definições do que é turismo, a definição
mais aceita e utilizada é a da Organização Mundial do Turismo (OMT), uma
organização criada em 1970, que deu ao turismo reconhecimento mundial, e
muitos outros benefícios. Para a OMT, turismo é:
O conjunto das atividades de pessoas que viajam e
permanecem em locais fora de sua residência habitual por um
período que não ultrapasse um ano, e a viagem seria por lazer,
negócios ou por outros propósitos (BARBOSA, 2005,p.79).
As pessoas viajam por muitos motivos. Alguns desejam estudar, adquirir
ou ampliar seus conhecimentos, outros querem participar de feiras,
congressos, seminários, eventos em geral. Há também os que necessitam
fazer tratamentos de saúde, em hospitais fora da sua cidade e do seu país,
Cunha (2001).
Ou aqueles que são movidos pela fé, por crenças religiosas e querem
conhecer templos, igrejas, santuários, lugares considerados sagrados. Seja
quais forem os motivos, culturais, religiosos, profissionais, políticos, status ou
simplesmente por prazer, o fato é que todas as pessoas precisam se deslocar.
De acordo com os motivos da viagem e com o perfil de cada pessoa,
elas podem ser classificadas em viajantes, visitantes ou turistas.
Segundo Barbosa (2005), viajante é aquele que faz seu próprio
itinerário, interage com a cultura local da cidade visitada e utiliza equipamentos
e serviços turísticos como hotéis, transportes ou restaurantes.
Para outros autores, todas as pessoas que se deslocam são chamadas
viajantes, Cunha (2001) afirma que o termo viajante “designa toda a pessoa
que viaja entre dois ou mais locais, qualquer que seja o modo ou o meio da sua
deslocação”.
Entre um viajante e um turista, existem algumas diferenças. Barbosa
(2005) define o turista como “um consumidor eu busca sempre o conforto, é
acomodado; quanto menos sacrifício numa viagem melhor” (BARBOSA, 2005,
p.74).
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Apesar do ponto de vista dos autores e de sua definições, o “poder
supremo” do turismo, a OMT, deu novos conceitos para visitante e turista. Para
ela
Visitante é toda a pessoa que se desloca a um local situado
fora do seu ambiente habitual durante um período inferior a 12
meses consecutivos e cujo motivo principal da visita é outro
que não seja o de exercer uma atividade remunerada no local
visitado (OMT apud CUNHA, 2001, p.19).
A OMT ainda define que turista “é todo o visitante que passa menos uma
noite num estabelecimento de alojamento coletivo ou num alojamento privado
no local visitado” (OMT apud CUNHA, 2001).
Há quem defina o turista de forma crítica, até mesmo irônica, “o turista
prefere o embrulho que contém toda uma simulação, a emoção e a
possibilidade de viajar ao seu redor” (BARBOSA, 2005, p.76).
Diferente dos viajantes e dos visitantes, o turista é aquele que fica preso
à sua “bolha”, simplesmente segue o roteiro da viagem, não busca se aventurar
muito, não busca interagir com a cultura local.
Sejam quais forem os motivos das viagens, e quais forem os tipos de
turistas, viajante, visitante ou turista, o fato é que todos viajam.
2.1.1 Os primórdios da atividade turística
As viagens sempre estiveram presentes na vida das pessoas, desde os
tempos bíblicos.
As viagens sempre acompanharam o ser humano como se
fossem um movimento físico e de idéias. Elas aparecem na
história representando uma das mais remotas atividades
humanas (BARBOSA, 2005, p.11).
No início as viagens estavam relacionadas com a religiosidade, com a
mitologia e principalmente com as escrituras sagradas da Bíblia. Barbosa
(2005) considera que a primeira grande viagem da história foi realizada por
Moisés, quando ele levou o povo de Israel até a Terra prometida. Pode-se citar
como exemplo de viagem fascinante, as viagens realizadas pelos Polinésios.
19
Partiram do sudeste da Ásia e cruzaram as ilhas da Micronésia
e da Polinésia. Algumas dessas viagens se estenderam do
Taiti ao Havaí, em uma distância que superava os 2 mil
quilômetros. Nessas longas rotas utilizavam embarcações
muito precárias. Para navegar, os primitivos povos polinésios
empregavam as estrelas e o sol (BARBOSA, 2005, p.13).
Na Idade Antiga, os viajantes mais assíduos eram os gregos, os
egípcios e os fenícios. Dentre estes três povos, destacam-se os gregos, pois
O povo grego foi uma das culturas mais voltadas às viagens.
Realizaram contínuas e freqüentes viagens a seus santuários,
celebrando simultaneamente competições atléticas e
imortalizando algumas de suas cidades como Delfos, Atenas,
Corinto e Olímpia (BERMÚDEZ, 1997, p.36).
Os gregos sempre se importaram com as estradas que levavam aos
lugares sagrados, mas a construção de uma rede de vias largas, que
facilitavam o tráfego e davam maior acessibilidade aos lugares mais
importantes, aqueles que os viajantes mais procuravam, foi construída
conforme os jogos Olímpicos foram ganhando dimensão e popularidade pelo
mundo afora. (BARBOSA, 2005).
Diferenciando-se um pouco dos gregos, os romanos em suas viagens
tinham como motivos principais a cultura e o prazer. Eles viajavam para
conhecer os templos no Mediterrâneo, em ocasiões de festejos, para assistir
aos jogos olímpicos e pelos banhos medicinais, Barbosa (2005).
Aos poucos as cidades estavam se formando, nas mais importantes
eram realizadas festas e celebrações religiosas, que atraíam pessoas de várias
localidades.
Por causa dessas festas, chegavam mercadores de outros
lugares para intercambiar e vender mercadorias, formando o
embrião do que seriam mais tarde as feiras. Paulatinamente,
nasciam os pioneiros grupos de viajantes que se deslocavam
de suas residências habituais para outros lugares; uns, por
motivos
religiosos,
outros
por
motivos
comerciais
(BERMÚDEZ, 1997, p.38).
Na Idade Média, após as cruzadas, a situação das viagens e dos
viajantes mudou inclusive os motivos pelos quais as pessoas viajavam.
Apesar dos acontecimentos desagradáveis e complicados que afetaram
as viagens, na Idade Média, ainda existia uma salvação – as cruzadas,
20
Barbosa (2005). Após as cruzadas, a situação das viagens e dos viajantes
mudou, incluindo os motivos pelos quais as pessoas viajavam.
Na Era Medieval foi a vez da peregrinação tornar-se o principal motivo
das viagens, os lugares mais visitados eram Roma, Jerusalém, Santiago de
Compostela e Canterbury.
Compostela constituía o lugar mais popular de visitação de
peregrinos, porém, Roma tinha mais prestígio. Após o saque a
Constantinopla, em 1204, Roma passou a possuir mais
relíquias cristãs do que qualquer outra cidade no mundo
(FEIFER, 1986, p.40).
A peregrinação era feita por várias razões, com promessas ou alcançar
a cura para alguma doença, esses eram uns dos objetivos mais comuns.
A peregrinação não era uma viagem de lazer, com a finalidade de divertir as
pessoas, eram viagens religiosas, movidas pela fé e pelas crenças das
pessoas.
Alguns dos destinos de peregrinação mais famosos, além de Santiago
da Compostela, era a peregrinação à Meca, e ao Santo Sepulcro em
Jerusalém.
A civilização maometana também fazia sua peregrinação. De
acordo com o Islã, todo árabe deveria fazer pelo menos uma
vez na vida uma peregrinação à Meca. Assim se sacralizaram
os caminhos para Meca, que as guerras santas defenderam
até em nossos dias, com todo o fanatismo próprio da sua
religião (MESQUITA, 1986, p.13).
Existiram alguns viajantes nessa época, que merecem destaque, entre
eles pode-se citar Benjamin de Tudela, Marco Polo e Abu „Abdallah Ibn Batuta.
Estudante Judeu, Benjamin de Tudela, o primeiro viajante
medieval a alcançar o Oriente, e que deixou Saragosa em
1160, fez um relato escrito em hebraico de sua jornada, que
durou 13 anos através da Europa, Pérsia e Índia, deu detalhes
das comunidades judias e da geografia dos lugares visitados
(BARBOSA, 2005, p.26).
Outro viajante famoso, Marco Polo, nascido em Veneza, no ano de
1254, foi o grande responsável pela propagação de conhecimentos sobre os
costumes, cultura e até sobre gastronomia de vários povos, considerado
também um influenciador das viagens de Cristóvão Colombo, Barbosa (2005).
21
E o último, mas não menos importante, viajante que pode-se citar como
exemplo, é Abu „Abdallah Ibn Batuta
O maior viajante árabe da Idade Média, que partiu de sua terra
natal, no norte da África, em Tanger, no Marrocos, para
viagens de peregrinação, ou hajj, para a cidade sagrada de
Meca. Levou um ano para atingir seu destino, percorrendo no
caminho Norte da África, o Egito, a Palestina e a Síria (DUNN,
apud BARBOSA, 2005, p.29).
A seguir, a contribuição das viagens culturais dos aristocratas ingleses
na identificação da atividade turística, aprimorando a sua conceituação já
citada neste trabalho.
2.1.2 Grand Tour
O Grand Tour surgiu após a “onda” de peregrinação no século XVI,
Barbosa (2005). Pode ser definido como “uma viagem empreendida por jovens
aristocratas, britânicos, que visitavam as principais cidades da Europa”
(LICKORISH e JENKINS, 2000, p.25).
Nestas viagens,
Os filhos dos nobres, burgueses e comerciantes ingleses
deveriam completar os conhecimentos de uma grande viagem
pelos países de maior fonte cultural adquiridos em seu país
com a realização de uma grande viagem pelos países de maior
fonte cultural do velho continente e conseguir, assim, a
consideração cultural que a sociedade impunha na Idade
Moderna (BERMÚDEZ, 1997, p.40).
Há quem defenda que “O propósito tradicional do Grand Tour era
educacional, voltado para visitas históricas e lugares culturais, observando
ainda maneiras e costumes das nações estrangeiras” (WITHEY, 1997, p.08).
A faixa etária dos jovens viajantes era de 25 anos, e o Grand Tour era
realizado somente por homens.
O Grand Tour significava, então, a viagem de um jovem
britânico, de sexo masculino, membro da aristocracia, realizada
em companhia de um tutor durante a jornada, que incluía ainda
um itinerário previamente fixado que sempre colocava Paris e
Roma como principais destinos (BARBOSA, 2005, p.33).
22
Em relação à durabilidade das viagens do Grand Tour, variavam entre
seis meses a dois anos, e os meios de hospedagem dos viajantes eram
sempre muito elegantes.
Os jovens privilegiados se alojavam em castelos, fortalezas e
mansões feudais nos países europeus, pronunciando uma
troca de informações e conhecimentos (BARBOSA, 2005,
p.33).
Das viagens do Grand Tour, lembranças e contribuições para outros
viajantes foram deixadas em livros e jornais publicados na época.
As descrições constavam de livros ou eram publicadas nos
jornais e em breve se transformariam numa nova moda para os
letrados e intelectuais. Nesse renovado gênero literário eram
enaltecidas as belezas paisagísticas, o patrimônio histórico e
cultural, a gastronomia, o conforto das estalagens e
hospedarias,as vias de comunicação, os melhores meios de
transporte. E, para que outros ilustres e experimentados
escrever não só as suas memórias de viagens como também
alguns guias turísticos, nos quais apontavam conselhos
indispensáveis e indicações uteis para quem viaja (MESQUITA,
1986, p.24).
A atividade turística passou a ser vista como atividade econômica,
quando Thomas Cook, um grande empreendedor do turismo, desenvolveu e
popularizou o turismo através de suas invenções e inovações na área.
2.1.3 Thomas Cook – O pai do turismo
Thomas Cook nasceu na Inglaterra, na cidade de Melbourne, em 1808,
considerado o pai do turismo, ele foi um importante empreendedor da área, o
primeiro agente de viagens do mundo, realmente um grande ícone da atividade
turística.
A negociação de tarifas de trens mais acessíveis, a fundação da primeira
agência de viagem em 1864, chamada Thomas Cook & Son, ele foi o primeiro
a utilizar campanhas publicitárias e de marketing na atividade turística. Através
dessas e de outras idéias, Cook tornou o turismo acessível a todos e
popularizou as viagens pelo mundo afora.
Em 1865, Cook também fazia reserva de hotéis e editava um
guia denominado “Conselhos de Cook para excursionistas e
turistas”. Em 1866 realizou seu primeiro tour pelos Estados
23
Unidos (mas não ficou satisfeito com a adequação dos
arranjos feitos). Em 1867 instituiu o voucher1 hoteleiro, em
1869 levou pela primeira vez um grupo ao Egito e à terra
santa, e em 1872 levou um grupo para dar a volta ao mundo,
demorando 222 dias (BARRETO, 1995, p.52).
Além destas inovações, Cook também lançou um jornal com
informações sobre viagens de trens.
Diante da possibilidade de crescimento dos negócios
turísticos, Cook usa mais uma vez a estratégia de inovação ao
lançar um jornal intitulado “The excursionist and Exhibition
Advertiser”, voltado para artigos sobre a orientação em
viagens e os detalhes de suas excursões, incluindo os horários
e o tráfego de trens. Cook escreveu vários textos no jornal
para justificar seus produtos e atingir um público maior
(WITHEY, 1997, p.140).
Pode-se citar também a fundação da rota mais longa para a França, que
passava pela Holanda via Antuérpia, na Bélgica.
Por volta de 1850, mais de quatro mil pessoas tinham viajado
para a Escócia em cada verão usando o serviços de Cook.
Nesse mesmo período Cook continuou desenvolvendo seus
negócios, atingindo todas as ilhas Britânicas. As viagens para
Liverpool e Gales tornaram-se mais populares e outros
destinos no litoral inglês foram incluídos em programas de
viagem. Houve ainda um aumento de demanda para outros
destinos fora do Continente (WITHEY, 1997, p.146).
Thomas Cook contribuiu muito para a atividade turística, com suas
ideias, com seu esforço e dedicação, suas criações e inovações são utilizadas
até hoje, merece ser reconhecido e considerado o pai do turismo.
Pode-se afirmar que as viagens, a partir do momento em que
foram chamadas de turismo, passaram a ter uma
característica mais apelativa, ou mágica, que seduzia o
viajante. No fundo, o turismo acabou sendo um neologismo em
função de que o homem sempre viajou (BARBOSA, 2005,
p.58).
As contribuições de Cook para o turismo foram extremamente
importantes, o turismo passou de uma simples atividade de lazer, para uma
complexa atividade econômica, transformou-se em um produto.
1
Segundo Barbosa (2005), voucher são cupons de hotel que concedem acomodação e
alimentação aos hóspedes, podendo optar por café da manhã, almoço ou jantar.
24
Segundo Kotler (1994), produto é “qualquer coisa que possa ser
oferecida a um mercado para a devida atenção, aquisição ou consumo: objetos
físicos, serviços, pessoas, lugares, organizações ou idéias” (KOTLER, 1994,
p.173).
O produto turístico, apesar de estar relacionado com turismo, não se
difere muito do conceito de produto, pode ser definido como: “o conjunto de
elementos ou de atividades realizadas e destinadas á satisfação das
necessidades do turista” (DIAS e CASSAR, 2005, p.184).
Os componentes fundamentais que formam o produto turístico são:
transporte, alojamento, alimentação e atrativos (DIAS e CASSAR, 2005).
Os produtos turísticos possuem características únicas, que os
diferenciam dos demais, estas características são: caducidade, simultaneidade
de produção e consumo, rigidez, heterogeneidade complementaridade,
subjetividade e devem ser consumidos no próprio local (DOMINGUEZ, 2001).
Produto e produto turístico são componentes do mercado turístico.
Desse modo, o conceito de mercado consiste em “todos os consumidores
potenciais que compartilham uma necessidade ou desejo específico, dispostos
e habilitados a fazer uma troca que satisfaça essa necessidade ou desejo”
(KOTLER, 1996, p. 28).
Baseando-se na definição de mercado, pode-se definir mercado turístico
da seguinte forma:
Conjunto de consumidores – turistas potenciais – que
compartilha a necessidade ou o desejo específico de viajar
para determinados lugares que apresentam produtos e
serviços turísticos e que possuam as condições para tanto
(DIAS e CASSAR, 2005, p.107).
Desse modo, surge a segmentação do mercado turístico, com produtos
específicos, para consumidores específicos, facilitando a organização e a
comercialização do turismo.
25
2.2 SEGMENTAÇÕES E TIPOLOGIAS TURÍSTICAS
A segmentação surgiu para facilitar a organização e a venda de serviços
e produtos turísticos, para dividir, classificar e qualificar o turismo de acordo
com o tipo de turista e seus respectivos interesses.
Ajuda os organizadores de turismo a compreender o turista, elaborar
pacotes específicos, satisfazendo as necessidades de cada um de maneira
eficaz.
A segmentação de mercado, de modo geral, visa identificar: os
motivos da viagem; a composição do grupo de viagem; o
âmbito geográfico da viagem; o local da prática do turismo; o
tipo de transporte e alojamento utilizado; a época e a duração
da viagem; os serviços requeridos; as atividades
desenvolvidas; o tipo de viagem; o grau de fidelidade do
consumidor; os gastos, além das características do comprador
como: nível de renda, características demográficas;
econômicas; geográficas; e psicográficas entre outras
(RABAHY, 2005, p.153-154).
Segundo a OMT e a European Travel Comission (ETC), existem duas
formas de segmentação – a priori, relacionada ao comportamento do
consumidor, e a posteriori, que está direcionada nas pessoas.
O Quadro 1 – Exemplos de segmentação do mercado turístico é uma
síntese destas duas formas básicas de segmentar o mercado do turismo.
Quadro 1. Exemplos de segmentação do mercado turístico.
A priori
Categoria
Tipos de Variáveis
Demográfica
Idade, sexo,
educação, renda
Geográfica
A posteriori
Psicográfica
Local de residência
Anseios, atitudes, valores,
características pessoais
Comportamental
Tipo de comportamento
Fonte: adaptado de Moscardo et al. (2001) apud WTO e ETC (2007).
Porém, antes de segmentar o turismo, faz-se necessário o estudo
dos diferentes tipos de turistas, conceituar oferta e demanda, entender o
26
mercado e o produto turístico, afinal estes são elementos básicos para
análise das mudanças que podem (ou não) ocorrer no mercado turístico.
Por esses e outros motivos, é de fundamental importância, estudar
os interesses e os gostos individuais dos turistas, antes de criar
segmentações.
Por trás de cada pessoa há uma série de demandas próprias e
diferentes das de seu familiar ou amigo mais próximo. É a
heterogeneidade do mercado, que sempre nos abre a porta à
possibilidade de novas oportunidades de negócio. Por outro
lado, essas demandas individuais nos levam a uma possível
heterogeneidade de respostas, o que dificulta a padronização
e, em consequência, a produtividade da oferta. Em outras
palavras, a heterogeneidade nos leva à „roupa sob medida‟,
mas a economia industrial nos leva à massificação, ao prêt-àporter, mais ou menos amplo em sua numeração (CHIAS,
2007, p.71).
Na literatura existem diversas classificações para os turistas, algumas
das classificações feitas por Smith (1989) foram:
Os exploradores: aqueles que procuram novos conhecimentos e
saberes, numa espécie de observação participantes similar à
realizada por antropólogos.
Os de elite: escolhem programas exclusivos, muito caros.
Os que fogem do familiar: aqueles que não querem se misturar com
os turistas de massa, e que querem fazer alguma coisa totalmente
diferente na sua origem.
Os de massa incipientes: aqueles que viajam em pequenos grupos
ou a sós, mas que exigem o conforto de casa.
Os de massa propriamente dito: aqueles que lotam os lugares em
grandes grupos com guias que falam seu idioma.
Os de “charter”: aqueles que chegam num avião fretado, são
apanhados pela agência no aeroporto, usam crachás de identificação
e vão para hotéis totalmente adaptados aos seus costumes de
origem; são pessoas que muitas vezes ganharam essa viagem em
algum programa de incentivo. (SMITH, 1989 apud NETTO e
ANSARAH, 2008, p.5).
27
Como observado, antes de segmentar o mercado turístico, além de
estudar e categorizar os turistas de acordo com a personalidade e o interesse
de cada um é necessário entender o que é oferta e demanda, pois estes são
conceitos básicos da atividade turística, essenciais para o entendimento e
formação das segmentações.
A demanda é formada por consumidores de bens e serviços turísticos,
na abordagem de Mathieson e Wall (1982), demanda é
O numero total de pessoas que viajam ou desejam viajar para
desfrutar das comodidades turísticas e dos serviços em
lugares diferentes daqueles de trabalho e de residência
habitual (MATHIESON e WALL, 1982, p.16).
Basicamente são viajantes, visitantes, turistas, um grupo de pessoas
com personalidades, interesses, motivações e experiências diferentes,
constituídas, desse modo, a demanda turística (SANCHO, 2001).
A oferta é formada pro produtos, serviços e organizações que podem ser
utilizados e consumidos por turistas e usuários turísticos2 (SANCHO, 2001).
Pode-se dizer então que oferta é uma combinação de elementos gerais
existentes nos destinos turísticos, como atrativos, meios de hospedagens,
transportes, entre outros.
Sendo assim, a segmentação turística surge para auxiliar empresas e
governos, que buscam atender os desejos e as necessidades dos clientes. É
necessário adaptar a oferta aos desejos da demanda. A segmentação está
baseada na idéia “de que a demanda por turismo raramente é distribuída por
igual entre todos os indivíduos de uma população” (NETTO e ANSARAH, 2009,
p.19).
Em 2007, a OMT e a ETC, lançaram o Handbook on tourism market
segmentation – maximising marketing effectiveness3, um manual sobre
segmentação turística, onde há explicações para calcular a porcentagem de
turistas adeptos ao segmento pelo número total de turistas. Netto e Ansarah
(2008) exemplificaram o calculo:
2
A oferta turística pode ser usada de forma não turística pelos residentes ou pelos visitantes
não relacionados com a atividade, daí a definição de “usuário turístico” (SANCHO, 2001, p.44).
3
Manual de segmentação do mercado turístico - otimizar a eficiência do marketing.
28
25.000 turistas (segmento)
x 100 = 2,5% propensão ao turismo
1 milhão de turistas
ou
125.000 (segmento)
x 100 = 0,5% da população
25 milhões (total da população)
Através desse cálculo, é possível observar a importância de segmentar o
mercado turístico, dessa forma torna-se mais fácil a elaboração de estratégias
de marketing para atingir o público alvo através da divulgação, promoção e
venda do produto ou serviço.
Existem alguns critérios para que se possa realizar a segmentação
turística. De acordo com esses critérios, elaborados pela OMT e pela ETC, os
segmentos de mercado devem ser diferenciados e sustentáveis; devem ser
medidos como um todo, para avaliar a proporção de turistas que se espera
atrair; deve-se estimar o valor do mercado, para assegurar que ele é promissor
financeiramente, deve haver a possibilidade de alcançar o segmento escolhido
através de uma ação de marketing customizada.
Segundo a OMT e a ETC (2007, p.25) adaptado por Netto e Ansarah
(2008), alguns dos tipos de segmentação mais usados são:
Sociodemográfica
Tipo de viagem
Visita a amigos e familiares
Características da viagem
Vantagem ou benefício
Motivação
Estilo de vida
Nicho de mercado
Geodemográfica
Preço
Internet
Business-to-business
Sem segmentação (NETTO e ANSARAH, 2008, p.23).
O quadro a seguir, Quadro 2 - Segmentos em turismo segundo as bases
de segmentação, explica e exemplifica melhor os segmentos turísticos
conforme as bases de segmentação:
29
Quadro 2. Segmentos em turismo segundo as bases de segmentação
CRITÉRIOS DE SEGMENTAÇÃO
SEGMENTOS
Turismo infantil
Turismo juvenil
IDADE
Turismo de meia-idade
Turismo de terceira-idade
Turismo social
Turismo popular
ECONÔMICO
Turismo de classe média
Turismo de luxo
Cicloturismo
Turismo aéreo
Turismo rodoviário
MEIO DE TRANSPORTE
Turismo ferroviário
Turismo marítimo
Turismo automobilístico
Enoturismo
Turismo Bíblico
Turismo cervejeiro
Turismo de aventura
MOTIVAÇÃO DA VIAGEM
Turismo de excentricidades
Turismo de lazer
Turismo mórbido
Turismo de negócios
Turismo gastronômico
Turismo romântico
Turismo emissivo
SENTIDO DO FLUXO TURISTICO
Turismo receptivo
Turismo de curta duração
DURAÇÃO DE PERMANENCIA
Turismo de média duração
Turismo de longa duração
Turismo local
Turismo regional
DISTÂNCIA DO MERCADO
Turismo nacional
Turismo continental
Turismo intercontinental
Ecoturismo
Turismo de praia
Turismo de montanha
CONDIÇÃO GEOGRÁFICA
Turismo de neve
Turismo ecológico
Turismo rural
Turismo single
TIPO DE GRUPO
Turismo de casais
Turismo de famílias
Turismo cultural
ASPECTO CULTURAL
Turismo esotérico
Turismo literário
Turismo religioso
Fonte: adaptado de Lohmann e Panosso, 2008.
30
Dentre todos esses segmentos turísticos mencionados, é de extrema
relevância destacar alguns deles para a compreensão e o estudo do turismo
cemiterial. Aqueles que estão mais relacionados com o tema são o turismo
cultural, o turismo mórbido e o turismo cemiterial.
2.2.1 Turismo Cultural
Cultura e patrimônio são elementos essenciais do turismo cultural. Ao
longo do tempo, cultura foi definida de várias maneiras, uma das definições
mais atuais e aceitas, é a que foi dada pela Conferência Mundial do Conselho
Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS) – Mundial Cult, realizada no
México, em 1982.4 Segundo este documento, cultura
Pode ser considerada atualmente como o conjunto dos traços
distintivos espirituais, materiais, intelectuais e afetivos que
caracterizam uma sociedade e um grupo social. Ela engloba,
além das artes e das letras, os modos de vida, os direitos
fundamentais do ser humano, os sistemas de valores, as
tradições e as crenças (ICOMOS, 1982).
A cultura possui características únicas e peculiares. Seus elementos
tangíveis (vestimentas, prédios, habitações, etc.) e intangíveis (música, dança,
crenças, histórias, etc.), fazem com que a cultura seja uma ferramenta de
adaptação, baseando-se na capacidade que os seres humanos têm de mudar
e evoluir. Ou seja, a cultura pode se adaptar às mudanças e à evolução das
pessoas, ao longo do tempo (DIAS, 2005).
Desse modo, pode-se afirmar que a cultura
É um produto histórico, sujeito a interações,
complementações e contradições inerentes ao seu processo
evolutivo.
Está sempre diretamente relacionada a uma sociedade
contextualizada em termos espaciais e temporais.
Interfere na forma como as pessoas vêem o mundo,
como percebem as coisas.
4
ICOMOS. Declaração do México: políticas culturais, 1982a. Disponível em:
< http://www.iphan.gov.br >. Acesso em: 18 nov. 2005. apud DIAS, 2006, p.18.
31
Sempre dinamiza e condiciona as inter-relações que as
diferentes sociedades estabelecem entre o passado, o
presente e o futuro.
Constitui um elemento fundamental de identificação, seja
de grupos, seja de indivíduos.
É transmitida pela herança social (DIAS, 2005, p.18).
O turismo cultural é uma maneira de transformar a cultura em um
produto, ou em um serviço oferecido sobre determinado local, ou sobre
costumes de diferentes etnias.
No turismo cultural, as pessoas viajam em busca de conhecimento,
entretenimento, em busca daquilo que cada um, particularmente considera
cultura. Desta forma, Fladmark (1994) define turismo cultural como:
Cultural tourism may be defined as that activity which enables
people to explore or experience the different way of life of other
people, reflecting social customs, religious traditions and the
intellectual ideas of a cultural heritage which may be unfamiliar
(FLADMARK, 1994, p.04). 5
Para Silberbereg apud PIRES (2001, p.67) no turismo cultural, as
pessoas visitam comunidades diferentes das que estão habituadas por
“interesses na oferta histórica, artística, cientifica ou no estilo de vida, tradições
da comunidade, religião, grupo ou instituição” (SILBERBEREG, 1995, p.361
apud PIRES, 2001, p.67).
Barreto (2000, p.19) também formulou seu próprio conceito sobre
turismo cultural, entendido como
todo turismo em que o principal atrativo não seja a natureza,
mas algum aspecto da cultura humana. Esse aspecto pode ser
a história, o cotidiano, o artesanato ou qualquer outro dos
inúmeros aspectos que o conceito de cultura abrange
(BARRETO, 2000, p.19-20).
Dentre estes, e outros conceitos sobre o que é o turismo cultural, a
definição mais abrangente é a de Dias (2006), que define o turismo cultural
como
5
Turismo cultural pode ser definido como toda atividade que possibilita explorar ou vivenciar
hábitos distintos de outros povos, a saber: seus costumes sociais, suas tradições religiosas, as
idéias de uma herança cultural sendo não tão conhecidas (tradução Marcelo Hahne).
32
Uma atividade de lazer educacional que contribui para
aumentar a consciência do visitante e sua apreciação da
cultura local em todos os seus aspectos – históricos, artísticos,
etc. Desse modo, turismo cultural é uma segmentação do
mercado turístico que incorpora uma variedade de formas
culturais, em que se incluem museus, galerias, eventos
culturais, festivais, festas, arquitetura, sítios históricos,
apresentações artísticas e outras, que identificadas com uma
cultura em particular, fazem parte de um conjunto que
identifica uma comunidade que atraem os visitantes
interessados em conhecer características, singulares de
outros povos (DIAS, 2006, p.39).
O turismo cultural de certa forma é uma busca incessante pelo
conhecimento. Possui aspecto educacional, é uma fonte de informações, e
uma forma de preservar a história, os costumes, as artes, as crenças e a
cultura em geral, das diferentes existentes no mundo.
Permite ao turista interagir com a cultura local de várias regiões,
participar de estilos de vida diferentes, vivenciar novas emoções e
experiências.
De acordo com Monfort apud DIAS (2006, p.42),
Para haver turismo cultural, precisam ser preenchidas três
condições: a primeira é o desejo de conhecer e compreender
os objetos e os homens; a segunda é o consumo de um
produto que tenha um significado cultural – monumentos,
obras de arte, espetáculos, troca de ideias; a última é a
intervenção de um mediador, pessoa, documento escrito ou
material audiovisual que introduza ou gere o produto cultural
(MONFORT apud DIAS, 2006, p.42).
Além de proporcionar conhecimento e experiências inovadoras, o
turismo cultural contribui para o desenvolvimento da economia da localidade,
ou seja, beneficia os turistas e a comunidade.
Dias (2006) explica essa contribuição da seguinte forma:
Quando é bem planejada, a exploração do turismo cultural
promove o desenvolvimento local por meio do aumento da
renda obtida pela localidade com as despesas correntes feitas
pelos visitantes no comércio local de modo geral, nos méis de
hospedagem, nos restaurantes, nas lojas etc. Para que isso
ocorra, é necessário que o período durante o qual o turista
permanecerá no lugar seja uma experiência agradável (DIAS,
2006, p.38).
33
O componente mais importante do turismo cultural é o patrimônio
cultural. É o elemento principal desta segmentação, o que motiva as pessoas a
visitação e apreciação dos atrativos culturais da destinação escolhida.
A palavra patrimônio possui vários sentidos, está relacionada à herança
familiar, aos bens materiais, aos monumentos históricos, aos bens culturais de
uma nação.
São símbolos, tradições regionais, uma maneira de representar e
preservar a história e a cultura de uma sociedade (Funari e Pinsky, 2001).
A construção do patrimônio cultural é um ato que depende das
concepções que cada época tem a respeito do que, para
quem e por que preservar. A preservação resulta, por isso, da
negociação possível entre os diversos setores sociais,
envolvendo cidadãos e poder público. O significado atribuído
ao patrimônio também modifica segundo as circunstâncias de
momento (FUNARI e PINSKY, 2001, p.16).
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a
Cultura (UNESCO),6 define a constituição do patrimônio cultural, sendo ele
formado por:
Monumentos (obras arquitetônicas ou de pintura monumentais,
elementos ou estruturas de natureza arqueológica, inscrições,
cavernas e grupos de elementos ou estruturas que tenham um
valor universal excepcional do ponto de vista da história, da
arte ou da ciência), conjuntos (grupos de construções isoladas
ou reunidas que, em virtude de sua arquitetura, unidade ou
integração na paisagem, tenham um valor universal
excepcional do ponto de vista da história, da arte ou da ciência)
e lugares (obras do homem ou obras conjugadas do homem e
da natureza, bem como as áreas que incluam sítios
arqueológicos, de valor universal excepcional do ponto de vista
histórico, estético, etnológico, ou antropológico (COSTA, 2009,
p.48).
O Quadro 3 – Evolução histórica do conceito de patrimônio, explica
como ocorreu a evolução do conceito e a utilização da palavra patrimônio.
6
Isabelle Cury (org.), cartas patrimoniais (2ª ed. Rio de janeiro: Iphan, 2000) pp.178-179 apud
COSTA, 2009, p.48.
34
Quadro 3 – A evolução histórica do conceito de patrimônio
ÉPOCA
Idade Antiga
CONCEPÇÃO
IDEIAS RELACIONADAS
Patrimônio = coleção de riqueza,
Butins de guerra. Troféus.Tesouros.
raridades e antiguidades de caráter
Oferendas
religiosas.
extraordinário ou de grande valor
privada.
Desfrute
material, indicadores de poder, de
Inacessibilidade.
Propriedade
individual.
luxo e de prestígio.
Grécia, Roma e Idade Média
Patrimônio
=
vestígios
civilização
considerada
de
uma
Escavações
arqueológicas.
superior,
Colecionismo seletivo. Tráfico de
que, por isso, é imitada. Valorização
obras-de-arte. Cópias de modelos
estética e herança de interesse
originais. Museus e câmaras de
pedagógico.
maravilhas.
Relíquias.
Exposição
pública de alguns elementos com
intenção de propaganda.
Patrimônio
=
objetos
especialmente
Renascimento e séculos XVI – XVIII
também
belos
artísticos
ou
valorizados
méritos,
elitista
de
pedagógica.
intenção
Academicismo.
sua
Colecionismo artístico e cientifico.
dimensão histórica e rememorativa.
Primeiros estudos de história da arte.
A
Desfrute por grupos eruditos. Certo
obra-de-arte
documento
por
Cultura
pode
para
ser
um
conhecer
o
grau de acessibilidade.
passado.
Século XIX início do século XX
Patrimônio = conjunto de expressões
Nacionalismo.
materiais
que
históricas, artísticas, arqueológicas e
a
etnológicas. Importância do folclore.
ou
explicam,
e
materiais
historicamente,
identidade
nação
não
sociocultural
por
sua
de
uma
Educação
de
protetora.
condição
Investigações
popular.
Legislação
Conservação
seletiva.
símbolos, devem ser conservadas e
Restauração monumental. Museus.
restauradas.
Arquivos e bibliotecas estatais a
serviço do público.
1945 – 1980
Patrimônio = elemento essencial
Reconstrução
para a emancipação intelectual, para
destruído.
o desenvolvimento cultural e para a
educativa. Exposições e ciclos de
melhoria da qualidade de vida das
atos culturais para que toda a
pessoas. Começa-se a considerar
população conheça o patrimônio.
seu
Difusão dos bens culturais. Consumo
potencial
econômico,
socioeducativo
além
de
seu
e
valor
do
patrimônio
Políticas
de
gestão
superficial. Turismo de massa.
cultural.
Atualidade
Patrimônio = riqueza coletiva de
Legislação.
importância
crucial
democracia
cultural.
Restauração.
para
a
acessibilidade
e
Exige-se
o
Participação.
Envolvimento
novos
Plena
usos.
da
compromisso ético e a cooperação
sociedade civil. Turismo sustentável.
de toda a população para garantir
Cultura
tanto sua conservação como sua
Criatividade.
exploração adequada.
Didática do patrimônio.
Fonte: LLULL apud DIAS, 2006, p.74.
popular
significativa.
Descentralização.
35
O patrimônio cultural é constituído por bens culturais tangíveis –
materiais,e bens culturais intangíveis – imateriais. Dias (2006), descreve os
bens culturais da seguinte maneira:
O patrimônio cultural material – ou tangível – está constituído
por: construções antigos, ferramentas, objetos pessoais,
vestimentas, museus, cidades históricas, patrimônio
arqueológico e paleontológico, jardins, edifícios militares e
religiosos, cerâmica, esculturas, monumentos, documentos,
instrumentos musicais e outros objetos que representam a
capacidade de adaptação do ser humano ao seu meio
ambiente e a forma de organização da vida social, política e
cultural.
O patrimônio cultural não material - ou intangível - é formado
por todos aqueles conhecimentos transmitidos, como as
tradições orais, a língua, a música, as danças, o teatro, os
costumes, as festas,as crenças, o conhecimento, os ofícios e
técnicas antigas, a medicina tradicional, a herança histórica,
entre outros (DIAS, 2006, p.68).
A UNESCO realizou no ano de 2002, em Veneza, uma Conferência
sobre Patrimônio Mundial7. Nesta Conferência foram estabelecidos tipos de
patrimônio culturais, sendo eles:
Sítios do patrimônio cultural, cidades históricas, paisagens
urbanas, sítios naturais sagrados, museus subaquáticos do
patrimônio cultural, museus, patrimônio cultural móvel,
artesanato, patrimônio documental e digital, patrimônio
cinematográfico, tradições orais, línguas, eventos festivos,
ritos e crenças, música e canções, execução das artes,
medicina tradicional, literatura, tradições culinárias, esportes e
jogos tradicionais. (UNESCO, 2002).
Dentre estes tipos de patrimônio os que estão direta e indiretamente
relacionados com o turismo cemiterial são: os sítios sagrados, os museus, o
patrimônio cultural móvel e os ritos e crenças.
Em relação ao perfil dos turistas adeptos dessa segmentação, Costa
(2009) caracterizou o turista cultural como:
Aquele que consome o produto turístico cultural. Suas
características têm sido traçadas de forma ampla, levando à
suposição da existência de um perfil bastante padronizado
para este tipo de turista: quando comparado com o público em
geral, ele revela possuir maior poder aquisitivo, gasto médio
7
UNESCO. World Heritage: Shared Legacy, Common Responsability International Congress,
14-16 nov. 2002. apud DIAS, 2006,p.94.
36
per capita em viagens mais alto, maior tempo de permanência
em uma única localidade receptora (geralmente com
permanência superior a uma semana em cada lugar), níveis
cultural e de escolaridade mais altos, predominância de
mulheres, faixas de idade mais elevadas com forte presença
de maiores de 65 anos (COSTA, 2009, p.53).
Baseando-se nestas informações, Costa (2009) classificou os turistas
culturais em cinco tipos diferentes, de acordo com a motivação cultural de cada
um, sendo eles: os altamente motivados por cultura, os parcialmente motivados
por cultura, os adjuntamente motivados por cultura, os casualmente motivados
por cultura e os nunca motivados por cultura.
A Tabela 1 – Tipos de turistas culturais (por grau de motivação) abaixo
mostra o percentual de turistas culturais e o grau de motivação deles.
Tabela 1 – Tipos de turistas culturais (por grau de motivação)
GRAU DE MOTIVAÇÃO
TURISTAS
(%)
RESIDENTES
(%)
15
5
30
15
20
20
20
20
40
40
Altamente motivados
Parcialmente motivados
Adjuntamente motivados
Casualmente motivados
Nunca motivados
Fonte: COSTA, 2009, p.57.
Pode-se observar na Tabela 1, que tanto turistas quanto residentes,
nunca motivados pela cultura, correspondem a 40% do total, sendo este o
maior percentual.
Os turistas e residentes que possuem o menor percentual do grau de
motivação são os altamente motivados, cujas porcentagens são 15% e 5%,
respectivamente.
Os parcialmente motivados são 30% turistas e 15% residentes. Os
adequadamente motivados e os casualmente, empatam com 20% em cada
uma da opções, tanto os turistas quanto os residentes.
37
Através destes dados, pode-se perceber que a cultura por si só, não é
um atrativo “forte” o suficiente para motivar as pessoas a viajar. É preciso algo
mais que somente cultura, para motivar e incentivar turistas e residentes.
A união de elementos culturais, sociais, ambientais e históricos são
ideais para a motivação e realização de uma viagem.
O turismo cultural é muito mais que apenas uma segmentação turística
criada para vender uma destinação e para entreter e transmitir conhecimentos
gerais para os turistas. Além de preservar a cultura, ele representa a identidade
cultural de uma sociedade.
A definição de uma identidade cultural sempre é a busca de
afirmação de uma diferença e de uma semelhança. Quando se
busca a identidade cultural, procura-se identificar que aqueles
que apresentam traços em comum, que se identificam entre si,
o que fortalece o sentimento de solidariedade grupal. No
entanto, delimitar um grupo de iguais implica distingui-lo de
outros; desse modo, a construção da identidade tem um
aspecto
aparentemente
contraditório,
por
levar,
necessariamente, ao estabelecimento de diferenças em
relação aos membros de outras comunidades (DIAS, 2000,
p.93).
Os residentes, aqueles que possuem semelhanças entre si, e que fazem
parte de um mesmo grupo social, se diferenciam dos turistas com seus
costumes diferentes. Ou seja, quando os turistas visitam um local totalmente
diferente do que estão habituados, o contraste cultural é facilmente percebido,
desse modo pode-se analisar a identidade cultural de uma região.
2.2.2 Turismo Mórbido
Outro segmento turístico que está relacionado ao tema central deste
trabalho é o turismo mórbido, também conhecido como turismo negro, turismo
sombrio, turismo “necrófilo”, turismo inusitado, turismo macabro, turismo de fait
divers8, entre outras denominações.
8
Fait Divers: Originado do francês, significa fatores diferentes. Segundo Auclair (1970),
designa signos de uma separação das normas que regem as relações fundamentais dos
homens entre eles e a natureza.
38
Antes de estudar a morte como um produto turístico, através do turismo
mórbido, é importante compreender uma ciência que de certa forma está ligada
à morte, a semiologia.
Semiologia é uma palavra de origem grega, semeîon, significa sinais
(imagens, rituais, objetos, comportamentos), e logîa que significa ciência,
estudo. (Netto e Ansarah, 2008).
Segundo Barthes (2003, p.11)
A semiologia tem por objeto, então, qualquer sistema de
signos, seja qual for sua substância, sejam quais forem seus
limites: imagens, os gestos, os sons melódicos, os objetos e
os complexos dessas substâncias que se encontram nos ritos,
protocolos ou espetáculos, se não constituem “linguagens”,
são pelo menos, sistemas de significação (BARTHES, 2003,
p.11).
Freud, em a Teoria dos Instintos, reconhece duas classes de instintos,
os instintos de morte – Tanatos, e os instintos de vida – Eros.
Segundo esse ponto de vista, um dos conjuntos de instintos,
que trabalham essencialmente em silêncio, seriam aqueles,
cujo objetivo é conduzir a criatura viva à morte e, assim,
merecem ser chamados de „instintos de morte’; dirigir-se-iam
para fora como resultado da combinação de grande número
de organismos elementares unicelulares e se manifestariam
como impulsos destrutivos ou agressivos. O outro conjunto de
instintos seria o daqueles que nos são mais bem conhecidos
na análise: os instintos libidinais, sexuais ou instintos de vida,
que são bem abrangidos pelo nome de Eros; seu intuito seria
constituir a substância viva em unidades cada vez maiores, de
maneira que a vida possa ser prolongada e conduzida a uma
evolução mais alta (FREUD, 1923 p. 274).
Neste sentido, a necrofilia são os instintos de vida “atraídos” pelos
instintos de morte, o desejo e o impulso de realizar um ato tão agressivo,
extremamente incomum e até mesmo e até mesmo bizarro.
Desse modo, pode-se dizer que necrofilia é a atração sexual por
“elementos” mortos, cadáveres.
Porém, nesta segmentação turística,a necrofilia “diz respeito muito mais
a uma atração (Eros) por lugares que simbolizam a morte (Tanatos) do que
pelo corpo morto em si” (NETTO e ANSARAH, 2008, p.350).
39
O turismo mórbido pode ser definido como visitas a locais de crimes,
campos de batalha, cemitérios, mausoléus, de modo geral, lugares
relacionados à morte.
Um dos maiores estudiosos do tema, Philip Stone – coordenador do
curso de turismo da Universidade de Lancashire, diz:
Defino turismo sombrio como o ato de viajar e visitar atrações
que apresentam a morte real ou recriada como tema central.
Porém visitar pessoas menos afortunadas para ver quão
pobres elas são, me parece bem macabro (TIRABOSCHI,
2010).
O turismo mórbido é tanto resultado de certas circunstâncias históricas,
como um poderoso elemento influenciador das mesmas.
It is clear from a number of soucers that tourist interest in
recent death, disaster an atrocity is a growing phenomenon in
the late twentieth and early twenty – first centuries and that
theorists have both noticed and attempted to understand it
(LENNON e FOLEY, 2000, p.03).9
O turismo negro é um fenômeno pós-moderno. O interesse inicial é
estimulado pelas tecnologias de comunicação.
Os elementos dessa forma de turismo criam ansiedade e dúvida a
respeito da modernidade.
The critical features apparent in the phenomena are, first, that
global communication Technologies play a major part in
creating the initial interest – especially in exploring the territory
between the global and the local, thereby introducing a
collapse of space and time (LENNON e FOLEY, 2000, p.13).10
Uma nova denominação para a narração de acontecimentos mórbidos
do cotidiano são os chamados fait divers.
9
Várias fontes vêm claramente demonstrando que o interesse recente pela morte, por
desastres e por atrocidades tem se mostrado um fenômeno crescente nas últimas décadas do
século XX e início do século XX!, o que tem atraído o interesse de teóricos tentando entender a
questão (tradução Marcelo Hahne).
10
Uma das características principais deste fenômeno é que, primeiramente, as tecnologias de
comunicação global desempenham um papel preponderante na formação de um interesse
inicial – especialmente no que tange a relação entre o que é local e o que é global introduzindo
assim um colapso entre espaço e tempo (tradução Marcelo Hahne).
40
Barthes (2003), p.67) descreve os fait divers como:
Uma arte de massa: seu papel é, ao que parece, preservar no
seio da sociedade contemporânea a ambiguidade do racional
e do irracional, do inteligível e do insondável; e essa
ambiguidade é historicamente necessária, na medida em que
o homem precisa ainda de signos (o que o tranqüiliza), mas
também na medida em que esses signos são de conteúdo
incerto (o que o irresponsabiliza): ele pode assim apoiar-se,
através do fait divers, sobre uma certa cultura; mas, ao mesmo
tempo, pode encher in extremis essa cultura da natureza, já
que o sentido que ele dá à comoditância dos fatos escapa ao
artifício cultural, permanecendo mudo (BARTHES, 2003, p.67).
O interesse pela morte pode se manifestar de várias maneiras, a mídia
(televisão, rádio, meios impressos) é a maneira mais fácil e conhecida. A morte
através da mídia se tornou trivial suscitando indiferença ou altruísmo (algo
quase irreal).
A morte de ícones passa a chamar mais a atenção, pois o mundo das
celebridades é conhecido pela maioria.
The Technologies wich have combined to make the collapsing
of time and space in news reporting possible have been
wrought in the outcomes of the project of modernity and have
been conceived largely within living memory. Critical elements
of the ability to experience news from abrond have included
the ability to take and process photographs, the ability to
transfer these and associated text to another place, the ability
to record sound and cinematic motion (Lumière brothers,
1896), the invention of radio and television and the lauching of
communications satellites (LENNON e FOLEY, 2000, p.08).11
Para algumas pessoas, o turismo negro causa um certo mal-estar, um
desconforto. Para outros, ele é algo fascinante, que desperta a curiosidade,
algo prazeroso, como qualquer outro tipo de turismo.
Benait Monin, psicólogo social da Universidade de Stanford, EUA,
acredita que
11
As tecnologias que, em conjunto, possibilitaram o colapso do tempo e espaço no noticiário
moderno são o resultado do projeto de modernidade e vem sendo concebidas em prol deste
conceito de memória viva. Isto se deu graças ao desenvolvimento de elementos, essenciais
que possibilitaram o reconhecimento de notícias do estrangeiro: a capacidade de tirar e revelar
fotos, a habilidade de juntar essas fotos a textos e transferi-las para outro ambiente e ou texto,
a capacidade de gravar imagens e sons (Lumière); por último, a invenção do rádio e da
televisão e o lançamento de satélites de comunicação (Tradução Marcelo Hahne).
41
O turismo mórbido cria uma ligação entre observador e
observado, pois o visitante vê o mundo com o olhar da vítima.
E alguns locais realmente tentam inserir o turista no mesmo
ambiente de quem viveu aquele momento (REVISTA
GALILEU).
Sejam quais forem os motivos, curiosidade, gostos exóticos ou
solidariedade com o próximo, o turismo mórbido é um segmento diferente, e
apesar de ser pouco conhecido, a tendência é que ele cresça e se espalhe
cada vez mais por países do mundo inteiro.
2.2.2.1 Turismo Mórbido no mundo
Atualmente existem diversos veículos de comunicação (televisão, rádio,
internet e meios impressos em geral), para as pessoas se informarem e se
atualizarem sobre os mais diferentes assuntos. Mesmo assim, existem temas,
assuntos que ainda são pouco divulgados, pouco conhecidos e explorados
pelas pessoas, como por exemplo, o turismo mórbido.
Este tipo de turismo ainda não é muito difundido, aceito e praticado,
principalmente no Brasil. Mas, apesar da pouca notoriedade deste segmento
turístico, existem alguns “atrativos mórbidos” em várias cidades e países do
mundo que merecem destaque.
Como exemplos de atrativos com características mórbidas, pode-se citar
campos de concentração e de extermínio, como Dachau, na Alemanha e
Auschwitz-Birkenau, na Polônia.
O Dachau (Figura1) está localizado próximo à Munique, ele foi um
campo de trabalho forçado, onde prisioneiros de guerra foram alojados, entre
eles judeus, homossexuais e comunistas. No portão de entrada há uma
escritura em alemão que diz: ”O trabalho liberta”. Atualmente é aberto para
visitação das 09h00 às 17h00, de terça a domingo. As visitas são guiadas,
feitas em vários idiomas e duram cerca de duas horas (NETTO e ANSARAH,
2008).
42
Figura 1 – Campo de Concentração Dachau na Alemanha.
Fonte: www.br.olhares.com
O Complexo Auschwitz-Birkenau (Figura 2), entre as cidades Auschwitz
e Birkenau na Polônia, eram campos de extermínio estruturados com câmaras
de gás e crematórios, onde aproximadamente 12 mil pessoas por dia eram
mortas e incineradas. As ruínas deste complexo foram declaradas, pela
UNESCO em 2002, Patrimônio da Humanidade. Alguns dados informam que
25 milhões de pessoas já visitaram o local (NETTO e ANSARAH, 2008).
Figura 2 – Campo de extermínio Auschwitz-Birkenau na Polônia.
Fonte: www.band.com.br
Outro exemplo de atrativos com características mórbidas são os
memoriais, como o do World Trade Center, nos Estados Unidos, e a Cúpula da
Bomba Atômica, no Japão.
43
Para ocupar o espaço vazio onde estavam situadas as torres gêmeas do
World Trade Center, e como forma de homenagear as vítimas da tragédia
inesquecível ocorrida em 11 de setembro de 2001, ocasionada por atentados
terroristas ás duas torres, será construído o National September 11 Memorial &
Museum (Figura 3). A entrada será feita por um pavilhão de vidro, onde o
visitante entrará e descerá 21 metros de profundidade, através de escadas e
rampas. Lá embaixo haverá um auditório, uma área reservada aos familiares
das vítimas e galerias multimídias (BORGES, 2010).
Serão expostos destroços, pertences pessoais dos falecidos,
objetos usados pelo corpo de bombeiros durante o resgate às
vítimas e partes de Vesey Street, a chamada “escada das
sobreviventes”, que serviu como rota de escape para centenas
de pessoas (BORGES, 2010).
Foi designado para o desenvolvimento e coordenação do projeto, o
escritório de arquitetura Davis Brody Bond Aedas.
Figura 3 – Memorial World Trade Center nos Estados Unidos.
Fonte: www.blogs.estadao.com.br
Gembaku Domu, a Cúpula da Bomba Atômica (Figura 4), localizada na
cidade de Hiroshima no Japão, é um memorial feito em homenagem as vítimas
do bombardeio atômico ocorrido em 6 de agosto de 1945 (DPEDIA, 2010).
44
Figura 4 – Cúpula da Bomba Atômica no Japão.
Fonte: www.tenrikyobrasil.blogspot.com
Esta cúpula faz parte do Parque Memorial da Paz, que é
Um museu com objetos, fotos, arquivos relacionados ao
bombardeio de agosto de 1945. Os relatos de sobreviventes ,
traduzidos em diversos idiomas, são exibidos no museu
(NETTO e ANSARAH, 2008, p. 358).
Outro atrativo um pouco macabro, que também faz parte desta
segmentação turística é o Ossuário de Sedlec, na Republica Tcheca, e a
exposição de crânios do Centro de Execuções Choeung EK, no Camboja.
O Ossuário de Sedlec (Figura 5), localizado em uma capela de estilo
Gótico, na Republica Tcheca, possui uma decoração interna bastante exótica,
formada por várias peças feitas com ossos humanos, algumas delas têm até 70
mil ossos. Organizados de maneira artística, estes ossos formam belas peças
de decoração, como por exemplo, o lustre e o altar da capela (SIMBOLOGIA
MALDITA, 2009).
45
Figura 5 – Ossuário de Sedlec na Republica Tcheca.
Fonte: www.simbologiamaldita.blogspot.com
Pode-se citar também, a exposição de crânios no Centro de Execuções
Choeung EK, no Camboja (Figura 6), o local onde
Milhões foram assassinados pelo exército do partido
comunista Khmer Vermelho, do ditador Pol Pot. Entre 1,5 e 2
milhões de pessoas consideradas inimigas do regime foram
assassinadas entre 1975 e 1979, quase um terço da
população do país. O Camboja recebe 1 milhão de turistas por
ano (TIRABOSCHI, 2010).
Figura 6 – Exposição de crânios no Camboja.
Fonte: www.revistagalileu.globo.com
46
Também estão inclusos em um roteiro mórbido, locais onde celebridades
morreram, como o Edifício Dakota, em Nova York, e a junção das estradas 41
e 46, na Califórnia.
O Edifício Dakota (Figura 7) é o local onde John Lennon foi assassinado
por Mak Chapman, em dezembro de 1980. Depois desta data, o Dakota se
transformou
em
ponto
de
peregrinação
de
admiradores
e
curiosos
(TIRABOSCHI, 2010).
Figura 7 – Edifício Dakota em Nova York.
Fonte: www.worldisround.com
Os fãs de James Dean se encontram, todos os anos na junção das
estradas 41 e 46 (Figura 8), na Califórnia, e encenam a morte do ídolo. O ator
morreu durante uma corrida de carros, em setembro de 1955 (TIRABOSCHI,
2010).
Figura 8 – Junção das estradas 41 e 46 na Califórnia.
Fonte: www.revistagalileu.globo.com
47
Relacionado a este assunto, locais onde celebridades morreram, existe
um tour nos Estados Unidos, que mostra o lado trágico de Hollywood.
Idealizado por Scott Michaels, o guia e dono da Agência Dearly
Departed (Entes Queridos), o tour, feito através de um micro ônibus, mostra
aos turistas, locais que foram palco de grandes e famosas tragédias em
Hollywood.
Fazem parte deste “roteiro trágico”, lugares como a casa onde ocorreu o
assassinato do casal La Bianca, no ano de 1969; os hotéis onde Janis Joplin e
John Belushi, em 1970 e 1982, morreram devido ao consumo excessivo de
drogas; o hospital onde Clark Gable morreu em 1960, entre outros lugares em
que ocorreram mortes e tragédias (DIÁRIO DO GRANDE ABC, 2008).
Outro atrativo que deve estar incluído em um roteiro de turismo mórbido
é o Dia de Los Muertos no México (Figura 9), que acontece todos os anos, no
final do mês de outubro e início do mês de novembro. O Dia de Los Muertos,
considerado Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO, é uma tradição que se
originou de culturas pré-hispânicas dos povos astecas (SILVA, 2005).
Figura 9 – Cemitério lotado durante Dia de los muertos no México.
Fonte: www.journeymexico.com
Este é o dia em que os mortos regressam ao mundo dos vivos, voltam
para visitar amigos e familiares.
Os dias são pautados pelo regresso dos mortos, de acordo
com a forma de suas mortes: no dia 30/10, regressam os
suicidas; em 31/10 voltam as almas dos mortos em acidentes;
48
no dia 1° de novembro regressam as crianças; e, no dia 2, as
almas dos adultos (SILVA, 2005).
Fazem parte das celebrações, comidas típicas (Figura 10), bebidas,
músicas, danças, apresentações teatrais, oferendas e inúmeras homenagens
aos falecidos. Dentre as comidas típicas, o que não pode faltar são
Receitas mexicanas tradicionais, como a calabaza de tacha,
um doce de abóbora feito com açúcar e canela, o famoso pan
de muertos, uma torta com decorações que imitam ossos e as
caveiras de açúcar (POSADA, 2009).
Figura 10 – Doces típicos do Dia de los muertos no México.
Fonte: www.viajeaqui.abril.com.br
As caveiras são um símbolo importante nesta tradição, elas estão por
toda parte, nas ruas, nas lojas, nas casas das pessoas. Ao invés de transmitir
medo e tristeza, estas caveiras são felizes e divertidas. Isto significa que
À parte de sua confecção, materiais e caricaturas distintas, na
essência a morte é vista por eles como uma brincadeira. De
fato, brincam e satirizam a morte. E é justamente por este
diferencial, que uma comemoração religiosa se transforma em
um espetáculo interessante e enigmaticamente rico, uma
verdadeira expressão da cultura mexicana (ROMANI, 2003).
Elementos essenciais na celebração do dia de finados no México são as
oferendas feitas aos mortos, é uma forma de compartilhar com eles os bons
acontecimentos que ocorreram durante o ano em que o falecido não esteve
presente. Geralmente as oferendas são depositadas em um altar (Figura 11)
49
preparado especialmente para o morto, mas também podem ser deixadas nas
ruas ou nos cemitérios (SILVA, 2005).
As pessoas enfeitam o altar com papéis picados de cor preta e laranja,
muitas velas são espalhadas por todos os cantos, para que os espíritos
encontrem seu lugar (POSADA, 2009).
Figura 11 – Altar do Dia de los muertos no México.
Fonte: www.lataco.com
Para compor o altar, são utilizados os quatro elementos da natureza:
Água (jarro para saciar a sede dos mortos); fogo (velas e
incensos); terra (alimentos e flores); e ar (adornos de “papel
picado”). Além disso, é incrementado com os objetos que
eram de preferência do morto (SILVA, 2005).
Durante as festividades, os cemitérios estão sempre cheios, familiares e
amigos limpam e enfeitam os túmulos com flores, há também comidas e
bebidas. As pessoas se arrumam, vestem seus melhores trajes para receber
seus mortos (SILVA, 2005).
É interessante o modo como os mexicanos enxergam a morte e
celebram o dia de finados, de maneira alegre e divertida, diferente dos outros
povos. “A morte não tem nada de terrível. No México, ela é feita de açúcar e
distribuída para as crianças” (SALAZAR apud POSADA, 2009).
50
Além dos campos de concentração, dos memoriais, dos locais onde
celebridades morreram e de celebrações culturais, lugares sagrados também
fazem parte do turismo mórbido, como a Basílica do Santo Sepulcro (Figura 12)
em Jerusalém, por exemplo.
Figura 12 – Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém.
Fonte: www.fozbartolomeumitre.seed.pr.gov.br
Considerado um dos lugares mais sagrados do mundo, o Santo
Sepulcro é o local onde Jesus Cristo foi crucificado e sepultado, segundo a
tradição cristã (CHURCHINART, 2009).
A história deste sagrado atrativo turístico passou por muitas reviravoltas.
Quem iniciou a construção da primeira Igreja do Santo Sepulcro, foi o
Imperador Constantino em 326. (RDPVIAGENS, 2010).
Em 614, foi destruída pelos persas, logo depois foi reconstruída pelos
bizantinos. No ano de 1009 o Califa Al-Hakim, ordenou que fossem destruídas
todas as igrejas de Jerusalém, inclusive o Santo Sepulcro. Então, no ano de
1099, quando os cruzados dominaram Jerusalém, foi construída uma nova
basílica (MFA, 2000).
Sendo assim, tendo como base evidências e descobertas feitas durante
a pesquisa, foi possível reconstruir o projeto original da basílica bizantina.
Ela se compunha de quatro elementos distintos: (1) a entrada
pela rua principal – o Cardo – (hoje em dia a rua principal do
mercado da cidade velha) que conduzia ao pátio (o átrio
oriental); (2) daí se chega à Basílica (o martírio); (3) a um átrio
51
interno (o jardim sagrado); (4) e aos edifícios do lado ocidental,
a rotunda (anastasis) com o sepulcro (MFA, 2000).
Atrativos histórico-culturais, que são bastante famosos e também podem
ser incluídos na segmentação de turismo mórbido, são as pirâmides de Gizé e
o Taj Mahal.
As Pirâmides de Gizé – Quéops, Quéfren e Miquerinos, foram
construídas sob o platô de Guiza no Egito, durante a Dinastia IV (2680 – 2650
a.C.). Dentre as três, somente a pirâmide de Quéops (Figura 13) é uma das
Sete Maravilhas Antigas do Mundo. Esta pirâmide na verdade, é um túmulo
gigantesco, que foi construído para o rei Quéops (DESCOBRIREGIPTO, 2010).
Figura 13 – A Grande Pirâmide de Gizé no Egito.
Fonte: www.lugaresextraordinarios.blogspot.com
A respeito do tamanho e das medidas da pirâmide, cada lado de sua
base mede atualmente 228m e comprimento, 137m de altura e possui
aproximadamente 2 mil e 300 blocos de pedras calcárias (DESCOBRIEGIPTO,
2010).
Desde a época da sua construção até os dias atuais, foram descobertas
somente três cãmaras no interior da pirâmide, sendo elas: a Câmara Real, a
Câmara Secreta e a Câmara da Rainha (SOUSA, 2010).
Um dos maiores mistérios existentes sobre as pirâmides de Gizé, está
relacionado à construção delas. Existem várias teorias que tentam desvendar
este enigma. Alguns sugerem que as pedras utilizadas na construção, eram
transportadas por embarcações através do Rio Nilo. Outros acreditam que os
egípcios utilizaram na construção um tipo de cimento especial. Há quem cogite
52
a possibilidade da existência de rampas internas para auxiliar no carregamento
dos blocos de pedras (SOUSA, 2010).
Além do grande valor histórico atribuído ás pirâmide, estudiosos
observaram
As qualidades de sua localização, como um gigantesco relógio
solar e observatório astronômico; seus supostos efeitos físicos
sobre seres vivos e objetos inanimados, a capacidade de
ajudar no crescimento de plantas, manterem alimentos frescos
por mais tempo e até reconstruir os fios de lâminas de barbear
e corredores estão alinhados a grandes estrelas, revelando a
existência de uma civilização anterior mais evoluída que sabia
o tamanho da posição do Planeta Terra (SOUZA, 2008).
Por estes e outros motivos, as Pirâmides de Gizé são consideradas uma
das construções mais belas, grandiosas e enigmáticas feitas pelo homem.
Além das pirâmides, o Taj-Mahal (Figura 14) também é um atrativo
turístico que pode ser incluído em uma roteirização mórbida.
Figura 14 – Taj Mahal na Índia.
Fonte: www.pacoteturismo.com
O Taj-Mahal localiza-se na Índia, em uma cidade chama Agra, no estado
de Uttar Pradesh (MISTERIOS ANTIGOS, 2010).
É uma das Sete Maravilhas do Mundo e uma das construções mais
importantes da história. Sobre o nome deste atrativo, “Taj” é uma palavra de
origem persa, significa coroa. “Mahal”, de origem arábica, significa lugar, ou
seja, “lugar da coroa”. (OBVIOUSMAG, 2005).
Sua história se iniciou durante o governo do Imperador Shah Jahan. Na
época em que o Imperador Jahan governava o país, a Índia estava passando
53
por boa época de prosperidade material. Shah Jahan era casado com várias
mulheres, mas dentre todas as suas esposas, havia uma que era mais amada
que as outras, Aryumand Banu Began, era a preferida. Ele a chamava
carinhosamente de Mumtaz Mahal – “a eleita do palácio”. Mas, uma tragédia
acabou com o casamento de Mumtaz e Shah. A esposa preferida do imperador
faleceu durante o parto do décimo quarto filho do casal (SOUSA, 2010).
Depois disso, durante dois anos não houveram celebrações por todo o
reino. Passado este período, Shah Jahan, ordenou a construção de um
monumento extremamente grandioso, para se tornar inesquecível na historia
da humanidade (OBVIOUSMAG, 2005).
Sendo assim, foram reunidas as maiores riquezas do mundo na cidade
de Agra, para a construção do monumento histórico.
O mármore fino e branco das pedreiras locais, Jade e Cristal
da China, Turquesa do Tibet, Lápis Lazulis do Afeganistão,
Ágatass do Yemen, Safiras do Ceilão, Ametistas da Pérsia,
Corais da Arábia Saudita, Quartzo dos Himalaias, Âmbar do
Oceano Índico (OBVIOUSMAG, 2005).
Em 1657, faltando cinco anos para a conclusão do palácio, o imperador
adoeceu e perdeu seu posto para seu filho Aurangzeb. No ano de 1666, Shah
Jaham faleceu e foi enterrado ao lado de sua amada, Mumtaz.
Atualmente, o Taj-Mahal além de ser uma das mais belas provas de
amor, é considerado uma das construções mais perfeitas da história (SOUSA,
2010).
Além destes exemplos, pode-se citar ainda, como parte de atrativos
turísticos em um roteiro mórbido, os túmulos de Maria Antonieta e Luiz XVI, na
França, o túmulo de Napoleão Bonaparte, também localizado na França.
Luiz XVI nasceu em Versalhes, no dia 23 de agosto de 1754. Casou-se
aos 16 anos com Maria Antonieta, da Áustria. Foi rei da França de 1774 a
1791. Morreu aos 39 anos de idade, no dia 21 de janeiro de 1793, em Paris.
O corpo de Luiz XVI e de sua esposa, Maria Antonieta, estão sepultados
em um cenotáfio – monumento erguido em memória do falecido, situado na
Basílica de Saint Denis, em Paris (Figura 15). O acesso à cripta onde estão
seus restos mortais é restrito à visitação. A cripta em estilo gótico, possui uma
54
lápide feita em mármore negro, e os nomes e as datas estão gravados em
dourado (RUBIALES, 2009).
Figura 15 – Tumulo de Maria Antonieta e Luiz XVI na França.
Fonte: www.picasaweb.google.com
Além do tumulo de Luiz XVI e Maria Antonieta, pode-se citar também o
tumulo de Napoleão Bonaparte (Figura 16), militar, estadista, um dos principais
imperadores da França, nasceu no dia 15 de agosto de 1769, em Ajácio,
Córsega (LOURES, 2010). Faleceu no dia 5 de maio de 1821. O tumulo de
Napoleão, está localizado na cúpula dos Inválidos, em Paris. O caixão é
composto por pórfiro vermelho importado da Rússia, e é um dos monumentos
mais famosos e visitados de Paris (ALMUDENA, 2009).
Figura 16 – Túmulo de Napoleão Bonaparte na França
Fonte: www.marthacorreaonline3.blogspot.com
55
Estes foram alguns exemplos de locais famosos e importantes para o
turismo mórbido. Obviamente existem muitas outras destinações e muitos
outros atrativos turísticos que estão inclusos nesta segmentação, pois o
turismo mórbido abrange muitos tipos de atrações turísticas, desde obscuros
campos de concentração à requintados mausoléus.
Alguns dos atrativos citados também se encaixam perfeitamente em
outros segmentos, como por exemplo a Basílica do Santo Sepulcro, um atrativo
que está presente em um roteiro de turismo religioso. Ou então, as pirâmides
de Gizé e o Taj-Mahal que fazem parte do turismo cultural.
Estes destinos turísticos foram citados, pois apesar de possuírem mais
aspectos histórico-culturais do que aspectos mórbidos, não deixam de ser
mausoléus, túmulos ou sepulcros.
Além disso, não estão situados em cemitérios, por esta razão não
podem ser incluídos em um roteiro de turismo cemiterial. Porém, de certa forma
todos estes atrativos estão incluídos no turismo mórbido, embora possuam
características histórico-culturais.
2.2.3 Turismo Cemiterial
Depois do turismo cultural e do turismo mórbido, a principal
segmentação, aquela que é a essência deste trabalho, é o turismo cemiterial,
ou turismo de cemitérios.
Assim como o turismo mórbido, o turismo cemiterial é pouco conhecido
no Brasil, sendo mais comum em países europeus.
De acordo com o Sindicato dos Cemitérios Particulares do Brasil
(SINCEP), pode ser conceituado da seguinte forma:
Visitas a necrópoles com finalidades que não sejam a visita a
túmulos de parentes, mas sim apreciação do patrimônio
histórico e arquitetônico, além da busca por túmulos de
personalidades mortas (SINCEP, 2010).
A finalidade básica do turismo cemiterial é, conforme o jornal Vicentino
(2007),
Mostrar a evolução histórica de um local e identificar as várias
fases pela qual passou. Contudo, algumas localidades
56
acabam desenvolvendo-se turisticamente em função do
cemitério que vira um atrativo a mais devido a existência, na
maioria dos cemitérios, de pessoas famosas e expressivas
para as cidades. O turismo cemiterial é a vontade de muita
gente em ir aos cemitérios da cidade, para visitar não só os
túmulos de grandes personagens do passado, assim como
também apreciar e fotografar as obras de arte. (JORNAL
VICENTINO, 2007).
O turismo cemiterial pode ser praticado por qualquer pessoa que goste
(ou não) de cemitérios, que tenha interesse e curiosidade pelo tema.
Este segmento se difere do turismo mórbido por ser praticado
especificamente em cemitérios, e não em vários locais que estejam
relacionados à morte. Os cemitérios são os próprios atrativos turísticos nesta
segmentação, não há outros locais para visitar, somente os cemitérios.
Queiroz (2007) destacou vantagens e desvantagens deste tipo de
turismo, que podem ser observadas e analisadas no turismo cemiterial e nos
cemitérios em geral.
Em relação às vantagens, ele afirma que
São diversificadas as motivações para o turista dos cemitérios
históricos e monumentais europeus, destacando-se sobretudo
duas:
- A visita a locais de elevado significado histórico, literário ou
patriótico, como é o caso de túmulos de grandes escritores,
músicos, líderes políticos e ideológicos, ainda que estes
túmulos não tenham qualquer interesse artístico.
- A visita a peças de arquitetura e escultura marcantes
(QUEIROZ, 2007, p.06).
Estas duas primeiras vantagens estão relacionadas com o conceito
propriamente dito de turismo cemiterial.
Queiroz (2007) destacou mais duas vantagens importantes:
Uma outra grande vantagem é o fato do turismo visível e
regular despertar a consciência das entidades que tutelam os
cemitérios, assim como dos concessionários dos jazigos, no
que diz respeito à sua conservação e restauro. Quanto mais
forem as visitas, maior é o incomodo social por uma obra nova
de fraca qualidade ou por falta de manutenção rigorosa dos
espaços públicos do cemitério. Uma outra vantagem do
turismo cemiterial é o fato das visitas se tornarem geralmente
muito demoradas, sobretudo nos cemitérios maiores e mais
recheados de arte. Sendo demoradas, muitas vezes implicam
a estadia por mais um dia, quando a mesma não depende de
57
pacotes turísticos rígidos. E lembramo-nos que mais um dia,
por parte de turistas com certo poder de compra, acaba por ter
forte impacto econômico. (QUEIROZ, 2007, p.06).
Em relação as desvantagens do turismo cemiterial, o autor acredita que
não existem sérios problemas, ou grandes desvantagens que impossibilite as
pessoas de praticarem este tipo de turismo. Porém, ele deixa claro que “uma
eventual massificação poderá causar problemas de vandalismo, ainda assim
de caráter localizado” (QUEIROZ, 2007, p.07).
Ainda sobre as desvantagens, ele afirma que
Em suma, os cemitérios não são vividos se não pelos seus
visitantes (sejam turistas ou não), pelo que não se aplicam a
estas cidades em miniatura os problemas de conflito entre
turismo e interesses dos residentes, tão habituais em algumas
cidades históricas com turismo de massas (QUEIROZ, 2007,
p.07).
O turismo cemiterial não é um benefício somente dos turistas, ele
também beneficia a comunidade local, das cidades que promovem a visitação
aos cemitérios, pois os turistas além de passearem pelos cemitérios, utilizam
serviços
de
infra-estrutura
turística
da
região.
“Essas
estratégias
comunicacionais estarão, por sua vez, implementando o crescimento da
visitação e gerando a demanda específica” (NETTO e FONTES, 2002, p.30).
2.2.3.1 Turismo Cemiterial no mundo
O turismo em cemitérios, ou turismo cemiterial, é uma segmentação
diferente e exótica, que desperta nas pessoas um misto de curiosidade e
receio. Embora seja bastante conhecido e praticado na Europa, este tipo de
turismo possui adeptos por países do mundo todo.
Como exemplos de países onde o turismo cemiterial é difundido, podese citar a Argentina, Estados Unidos, França, Inglaterra, Itália, Portugal,
Republica Tcheca. Estes países possuem pelo menos um cemitério onde podese realizar visitas turísticas.
58
Na Argentina, os cemitérios mais importantes são o Cemitério de La
Recoleta e o Cemitério da Chacarita.
O Cemitério de La Recoleta (Figura 17), situado em Buenos Aires, no
bairro da Recoleta, um dos mais nobres da cidade, é o cemitério mais famoso
da Argentina (PORTAL SÃO FRANCISCO, 2010).
Figura 17 – Cemitério de la Recoleta na Argentina.
Fonte: www.almadeviajante.com
Foi criado no ano de 1822, por Bernadino Rivadavia, ocupa uma área
equivalente a quatro quarteirões, possui 6 mil sepulcros e 70 mausoléus
familiares (PALACIOS, 2009).
Um detalhe peculiar e interessante que atrai a atenção dos visitantes
são os caixões, que não são enterrados, e sim guardados, empilhados uns
sobre os outros, dentro dos mausoléus, podendo ser observados através de
vidros e vitrais colocados no local.
Há várias personalidades históricas sepultadas no Cemitério da
Recoleta, dentre eles pode-se citar Eva Perón, Nicolás Avellaneda, Adolfo Bioy
Casares, Miguel Juarez Celman, Carlos Pellegrini, Vicente López y Planes,
Luis Federico, entre outros famosos (PORTAL SÃO FRANCISCO, 2010).
O Cemitério da Chacarita (Figura 18), localizado em Buenos Aires, foi
inauguradoem 1871. Ele foi criado devido à febre amarela que causou a morte
de 500 pessoas em apenas um dia.
59
Figura 18 – Cemitério da Chacarita
Fonte: www.pt.wikilingue.com
Com uma área de 94 hectares, abriga cerca de 10 mil mausoléus, dentre
os túmulos famosos pode-se citar o de Carlos Gardel e o de Juan Domingos
Perón. Para facilitara locomoção e a visitação, existem kombis grauitas à
disposição dos visitantes (PORTAL SÃO FRANCISCO, 2010).
Nos Estados Unidos, pode-se citar quatro cemitérios importantes e
bastante conhecidos, o Cemitério Nacional de Arlington, Cemitério Boot Hill
(Figura 20), Cemitério St. Louis e o Cemitério Forest Lawn.
O Cemitério Nacional de Arlington (Figura 19) é o maior cemitério militar
dos Estados Unidos, nele estão enterrados mais de 300 mil combatentes de
guerras (SANTANA, 2009).
Figura 19 – Cemitério Nacional de Arlington nos Estado Unidos.
Fonte: www.oqueeufiznasferias.com.br
60
Pode-se citar como exemplos de personalidades históricas sepultadas
no Arlington, John Wesley Powell, Omar Bradley, Jonathan Wainwright e John
Kennedy (WORLPOI, 2010).
Além destes, existe outro tumulo bastante famoso, o mais popular deste
cemitério, é o tumulo do Soldado Desconhecido, onde os restos mortais de três
soldados não-identificados da Guerra da Coréia e das duas Guerras Mundiais,
estão sob os cuidados de uma Guarda de Honra (SANTANA, 2009).
O Boot Hill (Figura 20) é um cemitério localizado em Tombstone no
Arizona, foi fundado em 1878, é um dos atrativos preferidos dos turistas que
vão à Tombstone.
Figura 20 – Cemitério Boot Hill nos Estados Unidos.
Fonte: www.skyscrapercity.com
Durante o século XIX era conhecido como cemitério para pistoleiros e
para pessoas que morreram de forma violenta. Os túmulos mais importantes
são o de Billy Clanton, Frank McLaury e McLaury Tom (CEMITERIOSP, 2010).
Outro cemitério que pode ser citado como exemplo é o St. Louis (Figura
21) em New Orleans, fundado em 1789, está situado a oito quadras do Rio
Mississipi.
61
Figura 21 – Cemitério St. Louis em New Orleans.
Fonte: biblioteconomiaepatrimonio.blogspot.com
Os mortos sepultados neste cemitério são enterrados de uma maneira
diferente da tradicional. Cada um dos falecidos, adquiriu uma pequena casa,
onde foram colocados os corpos.
A fama do St. Louis se deve à sua aparição em 1969, no filme Easy
Rider, de Dennis Hopeer (CEMITERIOSP, 2010).
Por fim, pode-se citar o Cemitério Forest Lawn (Figura 21). Este luxuoso
campo santo está localizado na cidade de Los Angeles, nele estão sepultadas
várias personalidades famosas e ricas.
Figura 22 – Cemitério Forest Lawn nos Estados Unidos.
Fonte: www.blogs.diariodepernambuco.com.br
62
Um grande diferencial do Forest Lawn, além dos túmulos famosos, é que
ele possui outros atrativos turísticos como o Tribunal da Liberdade, o Terraço
Lincoln e a Praça do Patrimônio (PONTOSBR, 2009).
Algumas das celebridades sepultadas neste magnífico campo santo são:
Humphrey Borgart, Spencer Tracy, Carole Lombard, Walt Disney, Sammy
Davis Jr., Nate King Cole, Michael Jackson, entre outros (ROSA, 2009).
No local onde Michael Jackson está sepultado, há valiosas obras de arte
de vários artistas ilustres, dentre eles Michelangelo e Da Vinci. Além disso, o
lugar é vigiado por seguranças e câmeras (ROSA, 2009).
Deste modo, pode-se dizer que o Forest Lawn é o cemitério mais
importante, e que abriga o maior número de túmulos famosos de Hollywood.
A França é um importante destino do turismo cemiterial, lá está
localizado um dos cemitérios mais importantes do mundo, o Père-Lachaise,
além dele, pode-se citar também o Cemitério Montparnasse.
O Père-Lachaise (Figura 22) é o principal e maior cemitério de Paris, e
um dos mais famosos do mundo. Foi projetado pelo arquiteto Alexandre
Théodore Brongniart, no século XIX. O ano de sua inauguração é 1804, seu
tamanho é de 43 hectares, possui aproximadamente 6 mil árvores e cerca de
70 mil jazigos (DREAMGUIDES, 2010).
Figura 23 – Cemitério Père-Lachaise em Paris.
Fonte: www.turismo.ig.com.br
A origem do nome está relacionada ao jesuíta Père François de La
Chaize. Até o ano de 1762, o terreno onde o cemitério se situa, era propriedade
63
dos jezuítas, no mesmo ano eles foram expulsos da França, e o terreno ficou
sem proprietário e vazio até 1817.
O Père-Lachaise começou a ganhar fama, quando foram enterrados lá,
os restos mortais dos escritores Molière e La Fontaine (NARLOCH, 2010).
Além destes, pode-se listar algumas personalidades famosas que estão
sepultadas no Père-Lachaise, como: Abelardo e Heloísa, Frédéric Chopin,
Honoré de Balzac, Auguste Comte, Allan Kardec, Oscar Wilde, Marcel Proust,
Sarah Bernhardt, Édit Piaf e Jim Morrison.
O Montparnasse (Figura 23), também é um importante cemitério francês.
Foi inaugurado no dia 25 de julho de 1824, no bairro de mesmo nome, em
Paris (VÁLIO, 2005).
Figura 24 – Cemitério Montparnasse na França.
Fonte: www.euromano.wordpress.com
Ele é bastante arborizado, possui ruas asfaltadas e os túmulos são todos
padronizados, em relação à cor e tamanho (SINCEP, 2010).
Assim como o Père-Lachaise, o Montparnasse também possui vários
túmulos importantes, como o de Beauvoir, Guy de Maupassant, Fréderic
Bartholdi, entre outros (DICAS DE FRANCES, 2010).
Na Inglaterra, o Cemitério mais famoso é o Highgate (Figura 24), aberto
em 1839, após a consagração de 15 dos seus 17 hectares, feita pelo bispo de
Londres.
64
Figura 25 – Cemitério Highgate na Inglaterra.
Fonte: www.canleira.blogspot.com
Em 1975, uma Instituição de Caridade denominada “Amigos do
Cemitério Highgate”, assumiu a administração do local, deste modo ele foi
conservado, para manter a noção que se tinha no século XIX, na qual os
cemitérios eram lugares para recreação. De acordo com a preferência e a
escolha dos “Amigos do Cemitério Highgate”, este campo santo é mantido em
um estado semi-selvagem, como um campo viçoso, e não um parque aparado
(ADLER, 1998).
Dentre os famosos ilustres sepultados no Highgate, destaque para os
túmulos de Karl Marx e Douglas Adams (BROTTO, 2010).
A Itália é outro pólo importante para esta segmentação turística. Seus
cemitérios mais importantes são o Cemitério Staglieno e o San Michele.
O Cemitério Staglieno (Figura 25) está localizado na cidade de Genova.
Ele possui 300 mil metros quadrados, mais de 2 milhões de túmulos e 290
capelas. Por ser gigantesco, existe um serviço interno de ônibus para facilitar o
transporte pelo cemitério, e além disso há guias oficiais para auxiliar no trajeto.
65
Figura 26 – Cemitério Staglieno na Itália.
Fonte: www.tripadvisor.com.br
Pode-se citar como exemplo de túmulos famosos os de Giuseppe
Manzini, Caterina Campodonico e Lorenzo Orengo (TRIVAGO, 2010).
Outro cemitério italiano interessante é o San Michele (Figura 26), o
principal cemitério de Veneza, situado em uma ilha, denominada “Ilha dos
mortos”. É bastante procurado por quem está em busca de paz e tranquilidade
(CEMITERIOSP, 2010).
Figura 27 – Cemitério San Michele na Itália.
Fonte: jackspaces.blogspot.com
O acesso à este atrativo turístico é feito por meio de Gôndolas, que são
embarcações típicas da região. No San Michele pode-se observar túmulos de
algumas celebridades como Ezra Pound e Igor Stravinsky (WALKSHOW,
2009).
66
Em Portugal, pode-se destacar o Cemitério dos Prazeres (Figura 27),
como um importante atrativo do turismo cemiterial.
Figura 28 – Cemitério dos Prazeres em Portugal.
Fonte: www.aspirinab.weblog.com
Sua inauguração data de 1833, por Ordem da Rainha, D. Maria. Ele tem
12 hectares, ruas, praças e espaços verdes (ITEMATICOS LISBOA, 2010).
Um passeio por este campo santo,
Permite ao visitante interpretar diversos temas, como a história
da maçonaria, simbologia fúnebre, grandes personalidades
heráldica, símbolos profissionais, morte, imortalidade e
estatuária. Além das exposições temporárias, patentes ao
público, é possível visitar a antiga sala das autópsias (LIFE
COOLER, 2010).
No Cemitério dos Prazeres há várias personalidades sepultadas, e, além
disso, há também alguns jazigos importantes. Destaque para o túmulo de
Aniceto M.B. Rocha, e do Conde de Burnay (ITEMATICOS LISBOA, 2010).
Na Republica Tcheca, também há um cemitério que merece destaque e
que pode ser incluído neste segmento turístico, o Cemitério Old Jewish (Figura
28) localizado na cidade de Praga.
67
Figura 29 – Cemitério Old Jewish na Republica Tcheca.
Fonte: www.skyscrapercity.com
Sua inauguração é datada do século XV, tem aproximadamente 12 mil
sepulturas e é o cemitério que possui mais mortos por metros quadrados. Os
túmulos encontram-se sobrepostos uns aos outros formando algumas
camadas, onde as lápides localizadas na superfície estão cobertas de musgos,
isto ressalta o aspecto sombrio do lugar. Dentre as sepulturas famosas, podese citar como exemplo a de Kafka (CEMITERIOSP, 2010).
Estes são exemplos de alguns dos cemitérios mais importantes do
mundo, assim como cidades e países que promovem o turismo cemiterial.
2.2.3.2 Turismo Cemiterial no Brasil
No Brasil, o turismo cemiterial ainda é pouco explorado, são poucas as
cidades adeptas deste segmento. “Aqui a mentalidade é outra. Ainda
relacionamos a morte ao sofrimento e ao luto” (GRASSI apud ALMEIDA).
Os únicos estados brasileiros que promovem visitação aos cemitérios
são Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo.
Os cemitérios do Rio Grande do Sul são conhecidos por sua belíssima
arte tumular, por este motivo são considerados importantes atrativos turísticos
da região.
Os principais campos santos são o Cemitério Santa Casa de
Misericórdia, o Cemitério Evangélico e o Cemitério São Miguel e Almas.
68
O Cemitério Santa Casa de Misericórdia (Figura 29), localiza-se em
Porto Alegre, foi inaugurado no ano de 1850 e possui 10,4 hectares (PIRES,
2010).
Figura 30 – Cemitério Santa Casa de Misericórdia – RS.
Fonte: www.cemiteriosantacasa.com.br
Este cemitério possui uma rica arte funerária, através da qual pode-se
perceber aspectos histórico-culturais da localidade, como lutas políticas, por
exemplo. Dentre os túmulos mais importantes estão o de Iberê Camargo, Júlio
de Castilhos e Pinheiro Machado (LOSEKANN, 2009).
Outro importante cemitério do Rio Grande do Sul é o São Miguel e
Almas (Figura 30), situado em Porto Alegre, foi o primeiro cemitério vertical da
América Latina (CEMITERIOSP, 2010).
Figura 31 – Cemitério São Miguel e Almas – RS.
Fonte: www.josie-blackangel.blogspot.com
69
Dentre as sepulturas e mausoléus presentes neste campo santo,
destaque para o mausoléu da família Mathias Velho (BRASIL CHANNEL, 010).
Por fim, pode-se citar como exemplo o Cemitério Evangélico (Figura 31),
fundado em 1856, foi o primeiro cemitério jardim do Rio Grande do Sul (PIRES,
2010).
Figura 32 – Cemitério Evangélico – RS.
Fonte: www.coloniasantoangelo.com.br
Está localizado em Alto Linha Santa Cruz, nele estão sepultados alguns
imigrantes, principalmente alemães, cujas lápides possuem escritores no
idioma deles, o alemão. Dentre os túmulos importantes, destaque para o de
Sussana Weber, que é o mais antigo (GAZETA DO SUL, 2010).
No Rio de Janeiro, os cemitérios mais conhecidos, que devem estar
inclusos em uma roteirização de turismo cemiterial são o Cemitério São João
Batista e o Cemitério do Caju.
O Cemitério São João Batista (Figura 32) foi inaugurado oficialmente no
dia 4 de dezembro de 1852 (LESCAUT, 2008). Está localizado no bairro do
Botafogo, sua área mede de 38 mil metros quadrados e abriga cerca de 40 mil
jazigos. O cemitério promove visitas guiadas, através das quais pode-se
observar além dos vários túmulos famosos, esculturas feitas por artistas
importantes (PIMENTA, 2008).
70
Figura 33 – Cemitério São João Batista – RJ.
Fonte: www.sopanomel.blogspot.com/
No São João Batista estão sepultadas muitas celebridades, dentre elas
Afonso Pena, Álvares de Azevedo, Carlos Drummond de Andrade, Carmen
Miranda, Cazuza, Chacrinha, Dorival Caymmi, Floriano Peixoto, José de
Alencar, Machado de Assis, Santos Dumont, Tom Jobim e Vinicius de Morais
(LESCAUT, 2008).
Outro cemitério carioca que possui grande importância para a cidade é o
Cemitério São Francisco Xavier (Figura 33), vulgo Cemitério do Caju. Sua
inauguração data de 1850, com 1,8 milhões de metros, abriga 342 mil
sepulturas, onde estão enterradas algumas celebridades como Bezerra de
Menezes, TIM Maia, Dolores Duran, Emilinha Borba, Waldick Soriano, Noel
Rosa, Lamartine Babo, Carlota e Jamelão (PIMENTA, 2008).
71
Figura 34 – Cemitério São Francisco Xavier.
Fonte: www.fotolog.com.br/riodejaneiro_br
Além do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, São Paulo também é
uma das cidades brasileiras adeptas do turismo cemiterial.
O Cemitério do Araçá, o Cemitério da Consolação, o Cemitério Memorial
Necrópole Ecumênica e o Cemitério do Morumbi, estão entre os principais da
cidade.
O Cemitério do Araçá (Figura 34) localiza-se no bairro de Pinheiros, foi
inaugurado no ano de 1887 e possui 220 mil metros quadrados (LEONAM,
2009).
Figura 35 – Cemitério do Araçá – SP.
Fonte: www.cemiteriosp.com.br
Neste campo santo pode-se observar
72
Uma forte presença de famílias pertencentes à oligarquia
cafeeira e isso pode ser notado nos túmulos e escultores com
influências de catolicismo. O lugar abriga também muitas
capelas (LEONAM, 2009).
Como exemplos de personalidades sepultadas no Araçá, pode-se citar
Assis Chateaubriand, Nair Bello, Cacilda Becker, Pedro Mattar, Laerte Marrone,
José Mauro de Vasconcelos, Haroldo de Campos e Wander Taffo (LIRA, 2009).
Outro cemitério de grande importância em São Paulo é o da Consolação
(Figura 35), o mais antigo da cidade, cuja inauguração data do ano de 1958
(LIRA, 2009).
Figura 36 – Cemitério da Consolação – SP.
Fonte: www.tipos.com.br
Além da riquíssima arte tumular e das sepulturas de celebridades, existe
também, guias e folhetos informativos sobre os túmulos e a história do
cemitério, tudo para auxiliar na visitação.
Além disso,
O Cemitério da Consolação tem desde 2001 uma iniciativa
para buscar o aumento do potencial turístico do local. O
Projeto Arte tumular, do Serviço Funerário Municipal, promove
passeios monitorados, com grupos de no máximo 15 pessoas.
São recebidos cerca de 300 interessados por mês atualmente
para as visitas guiadas (VÁLIO, 2005).
Dentre as personalidades sepultadas neste campo santo estão Monteiro
Lobato, Mário de Andrade, Washington Luis, Marquesa de Santos, Victor
73
Brecheret, Ramos de Azevedo, Guiomar Novaes, Campos Sales, etc. (LIRA,
2009).
O Cemitério Memorial Necrópole Ecumênica (Figura 36), localizado no
litoral paulista, na cidade de Santos, este cemitério foi considerado pelo
“Guiness Book”, o maior cemitério vertical do mundo (VÁLIO, 2005).
Figura 37 – Cemitério Memorial Necrópole Ecumênica – SP.
Fonte: www.memorialcemiterio.com.br
Foi construído em 1983 e atualmente conta com 9.600 lóculos. Possui
muitas inovações e um planejamento inteligente, oferece aos clientes serviços
de segurança e atendimento 24 horas. Sua infra-estrutura dispõe de salas para
velórios,
e
estacionamento,
ambulatório
médico
e
áreas
arborizadas
(MARADEI, 2010).
Por fim, o Cemitério do Morumbi (Figura 37), situado em um bairro nobre
da cidade, foi construído na década de 60. Por ser um cemitério parque, possui
enormes gramados, sem túmulos aparentes, como nos cemitérios tradicionais
(VÁLIO, 2005).
74
Figura 38 – Cemitério do Morumbi – SP.
Fonte: http://cidadesaopaulo.olx.com.br
Algumas das personalidades sepultadas no Morumbi são: Elis Regina,
Ayrton Senna, Altemar Dutra, Consuelo Leandro, Ronaldo Golias e Clodovil
Hernandez (LIRA, 2009).
Estas são as cidades brasileiras e seus respectivos cemitérios, onde o
turismo cemiterial é oficialmente aceito e praticado.
2.2.4 Origem dos cemitérios
Por ser o principal objeto de estudo desta pesquisa, os cemitérios
necessitam de estudos um pouco mais aprofundados que os demais temas
abordados neste trabalho. Por esta razão, faz-se necessário a descrição e
análise dos cemitérios, bem como sua origem e os elementos que os
compõem.
A palavra cemitério é originada etimologicamente do grego. Derivada da
palavra Koimeterion, significa dormitório. Esta relacionado com um espaço
sagrado para se dormir o sono eterno (ILOCAL, 2010).
Antes de se tornarem o que são hoje, os cemitérios passaram por
diversas transformações ao longo do tempo.
75
Os cristãos do primeiro século não tinham cemitérios próprios,
possuíam terrenos, onde sepultavam neles os seus defuntos,
ou recorriam aos cemitérios comuns, usados também pelos
pagãos (FORGANES, 1998).
Mais tarde, mais especificamente na primeira metade do século
segundo, surgiram as catacumbas, quando os cristãos começaram a realizar
sepultamentos abaixo da terra, Forganes (1998).
Para alguns “as catacumbas eram simplesmente cemitérios coletivos
cristãos, escavados na profundidade do terreno” (HONÓRIO, 1949).
De acordo com Barbosa (2004), catacumbas podem ser consideradas,
Galerias subterrâneas, parecendo verdadeiros labirintos e
podem atingir no conjunto muitos quilômetros. Nas paredes de
tufo desse intrincado sistema de galerias foram escavadas filas
de nichos retangulares, chamados lóculos, de várias
dimensões, que podiam conter um único cadáver, mas era
freqüente o caso que contivessem os corpos de duas e às
vezes mais pessoas (BARBOSA, 2004).
Vários acontecimentos que motivaram o surgimento das catacumbas. No
ano de 64, se iniciou uma grande perseguição aos cristãos, eles foram
perseguidos pelo Império Romano durante muitos anos. Por conta dessas
perseguições, os primeiros cristãos de Roma eram enterrados nestas galerias
subterrâneas (ARTEDUCAÇÃO, 2010).
Além das catacumbas, existiam em Roma naquela época, cemitérios a
céu aberto, mas os cristãos achavam melhor serem enterrados nos cemitérios
subterrâneos. Eles recusavam a cremação dos corpos, preferiam a inumação,
em respeito ao corpo, que segundo suas crenças, seria destinado um dia à
ressurreição dos mortos (CATACOMBE, 2009).
Com o passar do tempo as catacumbas adquiriram valor e importância
histórico-cultural, e hoje em dia, peregrinos do mundo inteiro visitam-nas.
Devido ao precioso patrimônio de pinturas, inscrições,
esculturas, etc, elas são consideradas autênticos arquivos da
igreja primitiva, que documentam os usos e costumes, os ritos
e a doutrina cristã, como era então entendida e praticada
(BARBOSA, 2004).
As mais visitadas do mundo são as Catacumbas de Paris, na França, as
de Roma, na Itália e as de Odessa, na Ucrânia.
76
As catacumbas de Paris (Figura 38) surgiram por volta do século XVIII,
quando e região tornou-se foco de doenças devido a superpopulação do
Cemitério dos Inocentes. Para solucionar o problema, o serviço sanitário
parisiense empreendeu um rearranjo de mortos, fechou os cemitérios mal
conservados e transportou os ossos para o subsolo da cidade, ou seja para as
catacumbas (POITTEVIN, 2010).
Figura 39 – Catacumbas de Paris na França
Fonte: www.quhist.com
Atualmente, uma pequena parte destas galerias subterrâneas é aberta
ao público para visitação, sendo um dos atrativos mais importantes de Paris
(CONEXAO PARIS, 2008).
Além de Paris, Roma também possui catacumbas importantes e
famosas. Elas serviam como local de sepultamento para os cristãos romanos,
foram nelas que surgiram as primeiras pinturas murais em catacumbas. Uma
das mais visitadas é a Catacumba de São Calixto (Figura 39), localizada na
região central de Roma, ocupa cerca de cinco andares abaixo da terra,
aproximadamente
20
mil
(ARTEHISTORIAPOESIA, 2009).
pessoas
estão
enterradas
lá
77
Figura 40 – Catacumba de São Calixto em Roma.
Fonte: www.flickr.com
Por fim, pode-se citar as Catacumbas de Odessa (Figura 40), na
Ucrânia, consideradas as maiores do mundo, possuem aproximadamente dois
quilômetros e meio de corredores, que formam labirintos sem fim. Durante
muito tempo estas catacumbas foram usadas como refúgio por criminosos
locais,
atualmente
são
um
importante
atrativo
turístico
da
cidade,
principalmente para os exploradores de cavernas (KULTURA GOTIKA, 2009).
Figura 41 – Catacumba de Odessa na Ucrânia.
Fonte: www.kulturagotika.com
As catacumbas foram deixadas de lado, e se tornaram quase totalmente
fora de uso (ainda eram utilizadas, mas não como antes com a finalidade de
sepultar pessoas), no final do século XVII, quando por medidas sanitárias
78
Os sepultamentos passaram a ser realizados em área aberta,
nos chamados campos-santos. Porém, este procedimentos já
era comum entre outros povos como os japoneses, judeus e
chineses. No Brasil, o enterro fora da igreja era reservado aos
católicos, protestantes, judeus, muçulmanos, escravos e
condenados, ate que por lei, inspirada na relação entre a
transmissão de doenças e através dos miasmas concentrados
nas naves e criptas, se instalaram os campos de
sepultamentos ensolarados. Um segundo motivo, que embora
não diga respeito à realidade brasileira, diz respeito à
localização do Estado e sua separação da igreja
(VALLADARES, 1972).
Outro motivo que contribuiu para que os cemitérios fossem construídos
em áreas abertas, foi o crescimento das cidades e a urbanização acelerada.
Com o aumento da população não era possível realizar os sepultamentos nas
igrejas ou nas capelas, havia muita demanda para pouco espaço, (Barbosa,
2004).
Dessa forma, pode-se perceber que essas medidas sanitárias não foram
impostas somente por uma questão de higiene, pois “se esta mudança
acontecesse por esse motivo, os cemitérios católicos em descampados teriam
permanecido sóbrios e padronizados” (VALLADARES, 1972).
Então pode-se dizer que a principal razão desta mudança
Era e sempre foi o desejo dos mais abastados, distinguir-se
através de uma marca perene, de um objeto de consagração –
o túmulo – pela atração de comparar-se aos grandes
personagens da história, sem a menor cerimônia, incluindo
nesta leva o soberanos, os faraós, os reis, os papas e os
príncipes, que mereceram sepulcros diferenciados dos demais
(VALLADARES, 1972).
Uma das principais razões da criação dos cemitérios, foi a higiene, para
evitar doenças e contaminação da população, mesmo assim, após serem
tomadas as providências corretas, os cemitérios continuaram sendo fonte de
contaminação. E “os mortos são capazes de se tornar perigosos poluentes”
(BOLIVAR, 2004).
O processo de decomposição de um corpo, que ao todo leva
em média dois anos e meio, dá origem a um líquido chamado
necrochorume. Este composto é eliminado durante o primeiro
ano após o sepultamento. Trata-se de um escoamento viscoso,
com a coloração acinzentada que com a chuva pode atingir o
aquífero freático, ou seja, a água subterrânea de pequena
profundidade (BOLIVAR, 2004).
79
Mas os cemitérios não são só fonte de coisas ruins, contaminações e
doenças, eles também podem ser considerados uma fonte de pesquisa.
Bellomo (2008) considera os cemitérios uma:
Fonte histórica para preservação da memória familiar
Fonte de estudo das crenças religiosas
Fonte de expressão do gosto artístico
Fonte de expressão da ideologia política
Fonte de preservação do patrimônio histórico
Fonte para conhecer a formação étnica
Fonte para o estudo da genealogia
Fonte reveladora da perspectiva de vida (BELLOMO, 2008).
No passado a principal finalidade para a construção dos cemitérios
foram as medidas sanitárias, era uma questão de higiene. A saúde dos vivos
era mais importante que o zelo e a memória dos falecidos.
Atualmente este cenário mudou muito, as pessoas adquiriram outros
costumes e cuidados para com os cemitérios.
Os cemitérios receberam cuidados especiais e uma boa administração.
Pode-se notar melhorias em relação a “limpeza, construção de vias de
circulação, informações permitindo o direcionamento das pessoas no espaço
cemiterial” (RODRIGUES, 2006, p.171).
Hoje em dia,
Cada cemitério passa a ser objeto de preocupações estéticas,
de planejamento urbano, de caprichos ecológicos. Os
arquitetos contemporâneos, quando pensam a questão dos
cemitérios, manifestam sempre o cuidado de integrá-los ao
cenário urbano, de descobrir para eles o melhor lugar
(RODRIGUES, 2006, p.171).
Outra mudança que pode ser percebida é em relação aos muros altos
que cercavam (e ainda cercam) os cemitérios, Rodrigues (2006) explica o
motivo pelo qual os cemitérios possuíam esses muros e porque eles tendem a
ser derrubados.
Estes muros eram obrigatórios e assimilavam uma ruptura:
construíam uma barra, marcando uma oposição entre vivos e
mortos, entre dois universos com identidades próprias. O
80
cemitério-parque moderno, entretanto, tende a perder estes
muros. Eles desabam, como todas as fronteiras com que a
civilização ocidental se defrontou: este desmoronamento é o
próprio processo por meio do qual os vivos devoram os mortos
e os mortos perdem sua identidade característica
(RODRIGUES, 2006, p.172).
Os cemitérios passaram por grandes transformações desde a sua
origem, não só em questões sociais e por medidas sanitárias, também
sofreram transformações na sua estética e arquitetura.
No cemitério contemporâneo cada objeto é um signo a
desempenhar um papel significacional preciso em favor do
imenso projeto de congelar o tempo. Os mausoléus, que eram
capelas, se transformaram em casas muitas vezes luxuosas,
de vidraças, ostentando o nome do proprietário. Nestas casas,
o morto não está mais morto: ele possui um nome e um
endereço (RODRIGUES, 2006. p.173).
Os cemitérios se transformaram ao longo do tempo, surgiram como
simples catacumbas e hoje são nobres mausoléus, com incrível valor histórico,
cultural e artístico.
2.2.5 Arte tumular
Arte tumular ou funerária é um termo usado para
Designar obras feitas para permanecerem em cima das
sepulturas nos cemitérios e igrejas. È uma forma de
representação que está ligada à cosmovisão de determinado
contexto histórico,
ideológico social e econômico,
interpretando a vida e a morte (WIKIPEDIA, 2010).
Presente
em
vários
cemitérios
espalhados
pelo
mundo
todo,
principalmente nos mais antigos, que possuem túmulos históricos, e arte
funerária secular.
No Brasil esta expressão artística surgiu no século XIX, devido a
necessidade que os imigrantes europeus tinham de eternizar-se perante a
sociedade. Eles faziam de seus túmulos extensões do próprio lar, os
mausoléus eram propriedade e representavam a importância de determinadas
famílias (CEMITERIOSP, 2010).
81
As obras de arte presentes nestes campos santos, eram feitas por
artistas consagrados como Brecheret e Luigi Brizzolara, Eugênio Pratti e
Ramando Zago (GOTHZNEWZ, 2010).
Existem dois estilos de arte tumular, a Belle Époque e a Art Noveau. Na
Belle Époque os objetos eram requintados e produzidos artesanalmente
(CEMITERIOSP, 2010).
Nesta expressão artística, eram representadas figuras românticas,
delicadas, com atitudes teatrais. Além disso, a presença de alegorias pagãs,
símbolos de fortuna e prestígio também eram freqüentes na Bélle Époque
(GOTHZNEWZ, 2010).
Na Art Noveau a produção da estrutura arquitetônica e escultural dos
jazigos era feita industrialmente, utilizando recursos mecânicos, ferramentas e
técnicas novas da metalurgia (CEMITERIOSP, 2010).
O trabalho artístico industrial mecanizado facilitou a criação de vários
objetos e adornos na arte tumular.
As fundições passaram a fornecer grades e portões,
cercaduras de ornatos, frisos, cruzes e alegorias prémoldadas, vigas metálicas, colunatas de estruturas, etc.
(GOTHZNEWZ, 2010).
Os símbolos utilizados na composição da arte tumular, tanto na Belle
Époque quanto na Art Noveau, possuem extrema importância e vários
significados para este estilo artístico.
A seguir, uma lista com alguns elementos que fazem parte desta
simbologia, e seus respectivos significados.
Cruzes: símbolo originalmente pagão, cujo significado varia de
acordo com a cultura em que está inserida, podendo representar
amor e fé, ou morte e terror;
Crânio e Esqueleto: trazem a idéia de que a morte acompanha todos
os seres;
Anjos: Simbolizam os mensageiros ou emissários de Deus;
Armas: usadas para compor a representatividade das figuras que
simbolizam a morte;
82
Flores: no geral, refere-se à fragilidade e singeleza;
Plantas: através delas pode-se distinguir a origem do falecido;
Animais: a conotação de cada espécie varia de acordo com a cultura
e a época em que foram aplicadas;
Aves: asas estão associadas ás internações divinas e à libertação
dos vínculos terrestres. Sendo assim, anjos, aves e animais alados
da mitologia são considerados seres livres e mensageiros de Deus,
além disso, possuem um significado específico para cada espécie;
Crianças: geralmente, estas figuras são associadas à inocência,
precocidade e imaturidade (SPECTRUM GOTHIC, 2010).
Atualmente, devido à má conservação de muitos cemitérios, a arte
tumular está se perdendo, se degradando aos poucos. E com o surgimento dos
cemitérios jardins este estilo artístico está praticamente extinto. Além disso, o
alto custo da matéria-prima (mármore, ferro, bronze) utilizada na construção
dos túmulos e os poucos artistas especializados neste tipo de arte, dificulta a
construção de mausoléus monumentais (CEMITERIOSP, 2010).
Mas, apesar de todos estes detalhes, ainda existe maneiras para
preservar a arte tumular, uma delas é o próprio turismo cemiterial, que faz com
que as pessoas percebam e valorizem a real importância dos campos santos e
seus aspectos artísticos, históricos e culturais. Destinações turísticas para este
segmento são fáceis de encontrar, isto não seria problema, afinal esta forma
artística tão magnífica e peculiar, está presente em campos santos de várias
cidades e países, até mesmo em locais onde o turismo cemiterial ainda não foi
implantado oficialmente.
2.3 HISTÓRIA DE CURITIBA
Curitiba é um dos principais objetos de estudo deste trabalho, sendo
assim, para que se possa fazer uma analise da localidade e observar se existe
ou não, a possibilidade de implantar um novo segmento turístico na cidade, é
fundamental estudá-la como um todo, sua origem e história, assim como os
atrativos turísticos e os cemitérios da região.
83
Em relação à origem do nome da cidade, cada autor possui seu próprio
ponto de vista sobre a etimologia da palavra Curitiba.
De acordo com Antenor Nascentes
Trata-se de termo de origem tupi “Ku’ri” ... pinheiro + “tuba” ...
sufixo coletivo: muito pinheiro, pinhal. Antiga Curituba,
oficialmente com “o” na primeira sílaba, ficando Corituba, que
aparece como curé ... porco + tyba ... abundância ou coré +
tyba ... abundância de porcos (NASCENTES apud FERREIRA,
2006, p.99).
Ferreira (2006) simplificou a origem etimológica da palavra, da seguinte
forma:
O pesquisador Mário Arnald Sampaio informa que o termo vem
do guarani puro, Kuri’yty, corruptela de Kuri’yndi ... pinheiral. A
atual ortografia, Curitiba, foi oficialmente estabelecida através
de Decreto-Lei, assinado em 1919, pelo presidente do Estado
do Paraná, Affonso Alves de Camargo, pois até aquela época
escrevia-se o nome da cidade de duas formas, Curityba e
Corityba, que são étimos diferentes (FERREIRA, 2006, p.99).
A história de Curitiba se iniciou em 1668, quando Gabriel de Lara, na
presença de um grupo de dezessete pessoas, ergueu o Pelourinho na região
de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Porém alguns historiadores afirmam
que quem fundou Curitiba oficialmente foi Eleodoro Ébano Pereira, quando ele
chefiou a primeira expedição oficial para explorar minas de ouro na região sul
(Ferreira, 1996).
Existe uma lenda sobre a fundação da cidade, relacionada aos grupos
que povoaram a região. De acordo com a história, alguns bandeirantes
representados pelas famílias Andrade, Seixas e Soares,
Em época incerta, teriam convidado o cacique dos Campos de
Tindiquera, às margens do Rio Iguaçu, para que lhes indicasse
o melhor local para a instalação definitiva da povoação. O
cacique, à frente de um grupo de moradores, trazendo na mão
uma grande vara, após andar muito, percorrendo grande
extensão de campos, fincou a vara no chão e disse: “aqui”,
sendo que neste local foi erguido uma pequena capela,
construída de pau-a-pique, no mesmo lugar onde atualmente
se encontra a igreja matriz de Curitiba, sendo substituída por
outra, feita de pedra e barro, que serviu à comunidade de 1714
até 1866, quando foi edificada a Catedral Metropolitana
(FERREIRA, 1996, p.261).
84
Apesar da lenda e das diferentes opiniões sobre quando e por quem foi
fundada a cidade, a data oficial da fundação de Curitiba é 29 de março de
1693,quando a câmara foi criada. Primeiro era conhecida como Vila Nossa
Senhora da Luz dos Pinhais, depois passou a ser chamada de Curitiba.
A principal atividade econômica em Curitiba, no século XVII, era a
mineração. Nos séculos XVIII e XIX era a atividade tropeira (PREFEITURA DE
CURITBA, 2010). Os tropeiros influenciaram muito a cultura dos curitibanos.
Tropeiros eram condutores de gado que circulavam entre
Viamão, no Rio Grande do Sul, e a Feira de Sorocaba, em São
Paulo, conduzindo gado cujo destino final eram as Minas
Gerais.O longo caminho e as intempéries dos invernos
rigorosos, em fazendas como as localizadas nos “campos de
Curitiba”. Aos tropeiros se devem costumes como o fogo de
chão para assar a carne e contar “causos”, a fala escandida – o
sotaque leitE quentE -, o chimarrão (erva-mate com água
quente, na cuia, porque os índios a utilizavam na forma de
tererê, com água fria), o uso de ponchos de lã,a abertura de
caminhos e a formação de povoados (PREFEITURA DE
CURITIBA, 2010).
Além da cidade de Curitiba, os tropeiros também deixaram marcas na
história e na cultura de outras regiões do estado, influencias tropeiras que até
hoje podem ser percebidas em todo o povo paranaense.
Segundo SCHMIDT apud ZATTI (2006, p.32),
Muito mais que uma presença física, os tropeiros iam deixando
fragmentos de cultura: pequenos povoados, modos de falar,
costumes, sentimentos... A história do tropeirismo é a
verdadeira história da colonização do Paraná... Uma
colonização de mais de um século, que teve pro base a
existência de bons pastos nativos, água abundante, e da figura
deste homem original, nômade e prático em busca da fortuna –
o tropeiro (SCHMIDT apud ZATTI, 2006, p.32).
No final do século XIX, época do ciclo da erva-mate e da expansão da
madeira, ocorreu um fato importante na história de Curitiba, “a construção da
Estrada de Ferro Paranaguá – Curitiba, ligando o litoral ao Primeiro Planalto
paranaense” (PREFEITURA DE CURITIBA, 2010).
Outro acontecimento importante que definiu o perfil da cidade de Curitiba
foi o movimento imigratório, que no Paraná, se iniciou no ano de 1829
(FERREIRA, 2006).
85
Além dos tropeiros, os imigrantes também influenciaram bastante os
costumes da região. Os alemães, os poloneses e os italianos foram os
primeiros a chegar à cidade.
Em 1872, chegaram os alemães. Foram eles que iniciaram o processo
de industrialização, inovaram o comércio, modificaram a arquitetura e os
hábitos alimentares da população.
Os poloneses migraram para a região no ano de 1871, trabalhavam na
lavoura e no comércio. Dentre as inovações que eles trouxeram, pode-se citar
a criação de várias colônias, como Santa Cândida, Orleans, Pilarzinho,
Abranches, entre outras.
Os italianos chegaram a Curitiba na mesma época que os alemães, em
1872. Em pouco tempo criaram a colônia Santa Felicidade, no ano de 1878.
Eles trabalhavam em diversas áreas, como operários, artesãos, comerciantes
ou produtores de hortaliças (PREFEITURA DE CURITIBA, 2010).
Depois da chegada destes, que foram os primeiros imigrantes de
Curitiba, vieram também os ucranianos, os japoneses, os sírios e libaneses.
Os ucranianos vieram em 1895. Estabeleceram-se no campo
da Galícia e foram expandindo suas propriedades ao longo da
atual Avenida Cândido de Hartmann e por todo o bairro
Bigorrilho. Os japoneses marcaram presença em Curitiba a
partir de 1915, com a chegada de Mizumo Ryu. Em 1924,
deslocaram-se para cá em maior número se fixaram na cidade
e redondezas – os bairros Uberaba, Campo Comprido, Santa
Felicidade e o município de Araucária. Os sírio libaneses, no
início do século XX, estabeleceram-se no comércio de roupas,
sapatos, tecidos e armarinhos. Em função das características
de suas lojas, ocuparam a área central da cidade. Os
primeiros imigrantes vendiam as novidades às colônias mais
distantes viajando em lombo de burro e batendo de porta em
porta (PREFEITURA DE CURITIBA, 2010).
Curitiba é uma cidade moderna que se preocupa com questões
relacionadas à cidadania e ao meio ambiente, por esta razão é conhecida
mundialmente como “Cidade Ecológica”, limpa e organizada, com vastas áreas
verdes. Vários de seus atrativos turísticos, como os parques, por exemplo,
estão situados em áreas abertas e bastante arborizadas, isto se torna um
diferencial da cidade, é um dos detalhes que despertam interesse nas pessoas
para visitarem Curitiba.
86
2.3.1 Turismo em Curitiba
Curitiba é um importante pólo turístico brasileiro. Sua infra-estrutura é
bem desenvolvida, possui vários restaurantes, meios de hospedagem, meios
de transporte modernos e bem cuidados, alem dos diversos espaços para
realização de eventos (CURITIBATUR, 2010).
Além disto, a capital também possui diversos atrativos turísticos
importantes e famosos nacional e internacionalmente.
Para proporcionar maior conforto às pessoas e facilitar o acesso a estes
locais, a prefeitura disponibiliza uma linha de ônibus que percorre os principais
atrativos turísticos da cidade, a Linha Turismo.
Com ela é possível conhecer os parques, praças e atrações da
cidade. Considerada uma das melhores do país, a Linha
Turismo circula a cada trinta minutos, percorrendo
aproximadamente 45 quilômetros em cerca de duas horas e
meia (URBS CURITIBA, 2010).
Para fazer o passeio com a Linha Turismo, é necessário comprar uma
cartela no valor de vinte reais, que contém cinco tíquetes, o qual dá ao
passageiro o direito a um embarque e quatro reembarques. Os veículos são
equipados com sistema de som que fornecem informações sobre os atrativos
em três idiomas – português, inglês e espanhol (PREFEITURA DE CURITIBA,
2010).
Os ônibus da linha foram revitalizados, e atualmente é composto por
ônibus jardineiras que possuem um deck12 na parte superior para que o
passageiro possa observar a cidade por cima e captar mais detalhes
(CURITIBANDO, 2010).
O Trajeto feito pela Linha Turismo passa por cerca de 25 atrativos
turísticos da cidade, sendo eles:
12
Deck: convés; tombadilho; cobertura; passadiço; forro; toldo (HOUAISS e AVERY, 1977,
p.153).
87
Praça Tiradentes
Rua das Flores
Visconde de Nacar
Museu Ferroviário
Teatro Paiol
Jardim Botânico
Estação Rodoferroviária/Mercado Municipal
Passeio Público/Memorial Árabe
Centro Cívico
Museu Oscar Niemeyer
Bosque do Papa/Memorial Polonês
Bosque Alemão
Universidade Livre do Meio Ambiente – UNILIVRE
Parque São Lourenço
Ópera de Arame/Pedreira Paulo Leminski
Parque Tanguá
Parque Tingui/Memorial Ucraniano
Portal Italiano/Santa Felicidade
Parque Barigui
Torre Panorâmica
Setor Histórico (PREFEITURA DE CURITIBA, 2010).
88
A Praça Tiradentes (Figura 41) é o marco zero de Curitiba, nela está
situada a Catedral Basílica de Nossa Senhora da Luz (PREFEITURA DE
CURITIBA, 2010).
Figura 42 – Praça Tiradentes.
Fonte: www.gobrazil.about.com
A Rua das Flores (Figura 42) é a principal rua da cidade e em 1972, foi
transformada no primeiro calçadão do país. Atualmente, é um importante eixo
comercial (PREFEITURA DE CURITIBA, 2010).
Figura 43 – Rua das Flores.
Fonte: www.skyscrapercity.com
A Rua Visconde de Nácar (Figura 43), por estar localizado no centro da
cidade, é um dos principais pontos da Linha Turismo. Nela, além dos vários
prédios comerciais, encontra-se também a famosa Rua 24 horas, uma espécie
89
de shopping, que como o próprio nome já diz, é aberta 24 horas pro dia, 7 dias
por semana, 365 dias por ano (ANDRADE, 1997).
Figura 44 – Rua 24 horas na Visconde de Nácar.
Fonte: www.flatpetras.com.br
O Museu Ferroviário (Figura 44), construído na antiga estação, é uma
síntese da história ferroviária do Paraná. Atualmente, o prédio onde o museu
está situado é anexo ao shopping de mesmo nome (PREFEITURA DE
CURITIBA, 2010).
Figura 45 – Museu Ferroviário no Shopping Estação.
Fonte: www.brasilpousadas.com.br
Outro importante atrativo da cidade é o Teatro Paiol (Figura 45), um
antigo depósito de pólvora do exército, construído em 1906, que foi desativado
e transformado em espaço cultural em 1971. O teatro tem formato de arena e
90
possui 225 lugares. No espetáculo inaugural, o palco reuniu grandes artistas
como Vinicius de Moraes e Toquinho (PORTAL SAOO FRANCISCO, 2010).
Além destes outros artistas ilustres se apresentaram no Paiol, dentre
eles Gonzaguinha, Zezé Motta, Djavan, Nana Caymmi, Zizi Possi e muitos
outros (FUNDAÇÃO CULTURAL DE CURITIBA, 2010).
Figura 46 – Teatro Paiol.
Fonte: www.acusticapaiol.sites.uol.com.br
O Jardim Botânico (Figura 46) é um dos principais cartões postais de
Curitiba. Inaugurado em 1991, tem 245 mil metros quadrados, possui jardins
geométricos, museu botânico, trilhas, quadras esportivas, velódromo e a
famosa estufa de três abóbodas, cuja arquitetura é feita de uma estrutura
metálica
que
abriga
plantas
GEOGRAFICO, 2010).
Figura 47 – Jardim Botânico.
Fonte: www.baixaki.com.br
da
floresta
atlântica
do
Brasil
(GUIA
91
A Estação Rodo ferroviária (Figura 47), localizada próxima ao Mercado
Municipal, foi inaugurada em 1972. Sua estrutura moderna representou um
marco no país em terminais de transporte (PREFEITURA DE CURITIBA,
2010).
Figura 48 – Estação Rodo ferroviária.
Fonte: www.urbs.curitiba.pr.gov.br
O Teatro Guaíra (Figura 48), oficialmente o primeiro teatro de Curitiba e
do Paraná, antigamente se situava na Rua Doutor Muricy, onde fora
inaugurado em 1884. No ano de 1952, o governador Bento Munhoz mudou o
teatro para a praça Santos Andrade, onde está situado atualmente. O Guaíra
possui três auditórios que juntos somam aproximadamente 2200 lugares
(ANDRADE, 1997).
Figura 49 – Teatro Guaíra.
Fonte: www.curitiba-parana.net
92
O Passeio Público (Figura 49), inaugurado no dia 2 de maio de 1886,
também é um importante atrativo de Curitiba. Um de seus portões é uma
réplica do portão do Cemitério de Cães em Paris (ANDRADE, 1997).
Figura 50 – Passeio Público.
Fonte: www.sasico.com.br
O Centro Cívico (Figura 50), implantado em 1953, é a Sede dos Poderes
do Estado do Paraná, com o Palácio Iguaçu, a Prefeitura de Curitiba, a
Assembléia Legislativa e o Tribunal de Justiça (PREFEITURA DE CURITIBA,
2010).
Figura 51 – Sede dos Poderes do Paraná no Centro Cívico.
Fonte: www.curitiba.blogger.com.br
Outro atrativo turístico da capital que merece destaque é o Museu Oscar
Niemeyer (Figura 51), inaugurado em novembro de 2002, recebeu este nome
em homenagem ao seu famoso projetista, o arquiteto Oscar Niemeyer.
93
Possui cerca de 16 mil metros quadrados para exposição de obras de
arte, além de um auditório para 400 lugares e espaços para lazer (GUIA
GEOGRÁFICO, 2010).
Figura 52 – Museu Oscar Niemeyer.
Fonte: www.turismo.ig.com.br
Localizado no Bosque do Papa (Figura 52), o Memorial da imigração
polonesa, inaugurado no ano de 1980, é composto por sete casas de tronco e
bosque nativo (PREFEITURA DE CURITIBA, 2010).
Figura 53 – Bosque do Papa.
Fonte: www.parana-online.com.br
O Bosque Alemão (Figura 53) é um atrativo que também está incluso na
rota da Linha Turismo. Ele possui uma trilha, chamada trilha de João e Maria,
baseada nos contos dos irmãos Grimm, possui também a Casa Encantada, o
Oratório Bach e a Torre dos Filósofos (PREFEITURA DE CURITIBA, 2010).
94
Figura 54 – Bosque Alemão.
Fonte: www.flickr.com
A Universidade Livre do Meio Ambiente – UNILIVRE (Figura 54) foi
criada para realizar pesquisas e divulgar o desenvolvimento do meio ambiente.
Sua inauguração contou com a presença do oceanógrafo francês, Jacques
Costeau (ANDRADE, 1997).
Figura 55 – Universidade Livre do Meio Ambiente – UNILIVRE.
Fonte: www.arqtodesca.blogspot.com
O Parque São Lourenço (Figura 55), localizado próximo ao centro da
cidade, foi inaugurado em 1972, abriga em seu interior o Centro de Criatividade
de Curitiba (ANDRADE, 1997).
95
Figura 56 – Parque São Lourenço.
Fonte: www.curitiba-parana.net
A Ópera de Arame (Figura 56), inaugurada em 1992 é um espaço
cultural da cidade, onde são realizados vários espetáculos. Formada por uma
arquitetura tubular e de vidro, possui uma ponte metálica, através da qual
pode-se observar um lago com peixes cercado por flores e pedras (ANDRADE,
1997).
Figura 57 – Ópera de Arame.
Fonte: www.curitiba-parana.net
O Parque Tanguá (Figura 57), inaugurado em 1996 é uma área de lazer
com vastos espaços verdes. Possui um ancoradouro, pista para caminhada e
corrida, ciclovia e um túnel que foi aberto na rocha bruta (PREFEITURA DE
CURITIBA, 2010).
96
Figura 58 – Parque Tanguá.
Fonte: www.nlink.com.br
O Memorial Ucraniano (Figura 58), situado no Parque Tingui é uma
homenagem ao centenário da chegada dos imigrantes ucranianos à Curitiba,
comemorado em 1995 (PREFEITURA DE CURITIBA, 2010).
Figura 59 – Parque Tingui.
Fonte: www.conhecendomelhorobrasil.blogspot.com
Santa Felicidade (Figura 59), a colônia formada por imigrantes italianos
em 1878, é sinalizado pelo Portal Italiano, cuja construção foi feita utilizando
elementos de típicas edificações italianas. O bairro é o principal eixo
gastronômico histórico e arquitetônico para a cidade (PREFEITURA DE
CURITIBA, 2010).
97
Figura 60 – Portal Italiano no bairro Santa Felicidade.
Fonte: www.curitiba.globe-images.info
A Torre Panorâmica (Figura 60) é outro atrativo de grande relevância
para a cidade. Está localizada no ponto mais alto de Curitiba, permite uma
visão privilegiada da cidade, em 360 graus. Sua altura é de 109,5 metros, e um
dezembro de 1991 (ECOADVENTURES, 2010).
Figura 61 – Torre Panorâmica.
Fonte: www.curitiba-parana.net
O Parque Barigui (Figura 61), inaugurado no ano de 1972, com uma
área de 1,4 milhões de metros quadrados, é um dos maiores e mais famosos
parques da cidade. Localizado em meio a uma vasta área verde, lá encontramse muitas espécies de aves e outros animais, como pavós, papagaio-do-peitoroxo, capivaras, garças, gambás, gansos, entre outros animais. Além disso, o
parque
também
possui
equipamentos de
ginástica,
sede
campestre,
98
churrasqueiras, restaurantes, canchas poliesportivas, quiosques, Museu do
Automóvel, parque de diversão, parque de exposições, e até um heliporto
(GUIA GEOGRÁFICO, 2010).
Figura 62 – Parque Barigui.
Fonte: www.pampasonline.com.br
Por fim, pode-se citar o Setor Histórico (Figura 62), que agrega as ruínas
São Francisco, o Relógio das Flores, a Fonte da Memória, igrejas antigas,
casarões históricos que foram reciclados e transformados em espaços
culturais, e aos domingos ocorre a feira de artesanato (PREFEITURA DE
CURITIBA, 2010).
Figura 63 – Setor Histórico.
Fonte: www.agenda-digital.blogspot.com
Além de possuir diversos atrativos turísticos, a cidade de Curitiba está
em constante crescimento e desenvolvimento, seja na infra-estrutura e na
99
arquitetura, ou em características histórico-culturais.
A cidade de Curitiba está em constante crescimento e desenvolvimento,
seja na infra-estrutura e na arquitetura, ou em características histórico-culturais.
2.3.2 Planejamento Urbano de Curitiba
O Plano Urbanístico de Curitiba, assim como estudos e pesquisas para o
planejamento e desenvolvimento integrado do município, é realizado pelo
Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), criado por
iniciativa de Ivo Arzua Pereira - prefeito de Curitiba de 1962 a 1966, para que
técnicos da Prefeitura pudessem acompanhar e monitorar a elaboração de
todas as etapas do Plano Preliminar de Urbanismo da cidade. A sede do
IPPUC foi inaugurada em setembro de 1965 (IPPUC, 2010).
Em 1991, através da Lei 7671 que tratava da Reforma Administrativa, o
IPPUC recebeu novas atribuições, como elaborar orçamentos de Investimentos
da Prefeitura, acompanhar as metas físico-financeiras de programas e projetos,
realizando a consolidação de tais programas.
Além destas atribuições, o IPPUC também se responsabiliza pelas
ações e serviços previstos no Plano Diretor de Curitiba, como padronização e
cuidados especiais com equipamentos que compõem a estrutura, o mobiliário
urbano e de comunicação visual da cidade (IPPUC, 2010).
Dentre as ações realizadas pelo IPPUC, pode-se citar:
Localização,
identificação
e
sinalização
de
ruas,
bairros
e
equipamentos turísticos;
Implantação di sistema de transporte coletivo, bem como a
reciclagem do uso de ônibus que foram substituídos ou retirados do
sistema, o processo de reciclagem dos veículos velhos, consiste na
construção de uma frota de serviços móveis, a criação de linhas
especiais que atuam em escolas e em bairros carentes, como por
exemplo a Linha Sopão, que distribui sopa e pão aos excluídos, ou
100
então os mercadões populares que vendem frutas e verduras a
preços menores que o comércio formal;
Cuidados com o mobiliário urbano da cidade, como calçadas, bancos
de praças, iluminação pública em geral, placas de sinalização, placas
turísticas,
telefone
público,
faixas
de
pedestres,
lombadas
eletrônicas, pontos de ônibus, entre outros;
Medidas de restauração e preservação de imóveis que possuem
valor histórico, arquitetônico e cultural para a cidade (IPPUC, 2010).
Dentre essas ações, destaque para a restauração e preservação de
patrimônios histórico-culturais, que pode ser feita através de medidas básicas
como limpeza e pintura dos imóveis, por exemplo.
Além disso, pode-se realizar ações um pouco diferentes e “abstratas”,
pois preservar a história e a cultura de uma localidade não está relacionado
somente a conservação de edifícios antigos, existem outros elementos que
fazem parte da história, como os cemitérios, por exemplo. Além de constituírem
parte do equipamento urbano e mobiliário, são uma fonte riquíssima de história
e cultura da cidade, deste modo, também podem ser considerados uma forma
de preservar aspectos históricos, culturais e arquitetônicos da região.
2.3.3 Cemitérios de Curitiba
De acordo com dados do IPPUC (2007), Curitiba possui 22 cemitérios. A
Tabela 2 – Divisão dos cemitérios de Curitiba - 2007, apresenta algumas
informações básicas sobre cada um deles.
101
Tabela 2 – Divisão dos cemitérios de Curitiba – 2007
Nome do Cemitério
Paroquial Abranches
Água Verde
Israelita Água Verde
Comuna Evangélica Luterana Protestante
Boqueirão
Jardim da Paz
Paroquial Campo Comprido
Parque Iguaçu
Mulçumano Jardim de Allah
Jardim da Saudade
Irmãs Carmelitas
Paroquial Orleans
Paroquial São Marcos
Paroquial de Santa Cândida
Santa Cândida
Israelita Santa Cândida
Paroquial de Santa Felicidade
São Francisco de Paula
Universal Necrópole Ecumênica
Paroquial de Umbará
Parque São Pedro
Israelita Zona Sul
Área (m²)
4.706
97.827
2.162
32.000
43.263
120.706
6.760
151.268
23.943
65.000
100
35.831
24.000
6.775
132.299
3.800
20.000
51.414
73.000
12.985
119.093
9.000
Numero de
túmulos 2007
1.460
11.300
245
2.260
6.500
35.000
2.195
35.000
133
14.000
21
4.334
2.752
1.936
8.000
400
4.000
5.700
6.000
3.355
30.000
800
Inauguração
1.890
1.888
1.923
1.854
1.950
1982
1897
1972
1984
1972
1971
1876
1899
1906
1957
1973
1888
1883
1990
1897
1995
1997
Fonte: Adaptado de SMMA/Serviços Especiais – Divisão de Cemitérios
Elaboração: IPPUC – Banco de dados13
Através da análise dos dados descritos na Tabela 2, é possível obter
informações importantes sobre os cemitérios da cidade, como datas de
fundação, área, número de túmulos, entre outras.
Pode-se observar que o maior cemitério de Curitiba é o Parque Iguaçu,
com uma área de 151.268 metros quadrados e 35 mil túmulos; o menor é o
Cemitério Irmãs Carmelitas, que tem 100 metros quadrados de área e possui
apenas 21 túmulos; pode-se observar também que o campo santo mais antigo
da cidade é o Comuna Evangélica Luterana Protestante, cuja inauguração data
de 1854; e o mais novo, é o Cemitério Israelita Zona Sul, inaugurado em 1997.
Dentre os 22 cemitérios existentes na cidade de Curitiba, destaque para os
quatro cemitérios municipais (Cemitério Municipal Água Verde, Cemitério
Municipal Boqueirão e Cemitério Municipal Santa Cândida), que são o tema
central e principal objeto de estudo desta pesquisa.
13
Esta tabela foi obtida através de um e-mail enviado ao IPPUC (Anexos 1 e 2).
102
Deste modo, faz-se necessário a observação e análise de algumas
informações gerais sobre cada um destes campos santos.
2.3.3.1 Cemitério Municipal São Francisco de Paula
O Cemitério Municipal São Francisco de Paula (Figura 63) é o mais
antigo dos municipais e também o mais famoso da cidade.
Figura 64 – Cemitério Municipal São Francisco de Paula.
Fonte: www.revista.grupouninter.com.br
Além de ter um belo conjunto arquitetônico e abrigar túmulos de
personalidades, este campo santo possui grande importância histórico-cultural
para a cidade de Curitiba.
É um museu a céu aberto. Podemos conhecer o ciclo
econômico e migratório da cidade. Pelas fotos é possível
descobrir sobre a moda em diferentes épocas e ainda
acompanhar a tendência artística arquitetônica através da arte
tumular (GRASSI apud ALMEIDA, 2010).
Existem muitas personalidades que marcaram a história de Curitiba,
sepultadas no São Francisco de Paula, como exemplos, pode-se citar Maria
Bueno, Guido Viaro, Helena Kolody, Victor Ferreira do Amaral, Bento
Mussurunga, entre outros (ALMEIDA, 2010).
103
Maria Bueno, considerada santa, por muitas pessoas, nasceu em 8 de
dezembro de 1854, ainda jovem mudou-se para Curitiba, onde freqüentava
muitos bailes e festas e teve muitos relacionamentos amorosos, dentre eles, o
soldado Ignácio José Diniz, com quem viveu sem se casar legalmente.
Foi assassinada em janeiro de 1883, seu corpo foi encontrado
decapitado e suas mãos cheias de cortes feitos com navalha. Alguns afirmam
que ela morreu ao resistir á tentativa de estupro feita por Diniz, quando ela
voltava de seu trabalho como lavadeira. Outros dizem que Maria Bueno era
prostituta, e que foi morta por ter desobedecido a ordens de José Diniz, que
havia proibido ela de continuar trabalhando no bordel (SILVA, 2010).
Este foi o primeiro crime passional de Curitiba que chocou toda a
população. Desde então, por curiosidade ou comoção, as pessoas começaram
a freqüentar o túmulo da pobre moça assassinada brutalmente.
No início seu túmulo era bastante simples, feito apenas com cimento e
uma pequena placa. Somente em 1962 foi inaugurada a capela de Maria
Bueno, com uma imagem em tamanho real, local para acender velas e orar.
Próximo a capela há várias placas de agradecimentos. Hoje em dia, o túmulo
de Maria Bueno é freqüentado por fiéis de várias cidades do Brasil e do mundo,
sendo este o túmulo mais visitado do cemitério São Francisco de Paula (SILVA,
2010).
Outro túmulo famoso é o do pintor Guido Viaro, natural da Badia
Polesine, chegou ao Brasil em 1927, após ter se alistado na marinha italiana na
Primeira Guerra Mundial. Estudou pintura em Veneza e Bolonha, trabalhou em
São Paulo, no Rio de Janeiro e no Paraná, onde conheceu o professor
Theodoro de Bona, o pintor Alfred Andersen e trabalhou junto com Poty
Lazzarotto. Além de pintor, Guido também era escultor e gravurista (ALMEIDA,
2010).
Outra personalidade sepultada no São Francisco, é a poetisa Helena
Kolody, nasceu em Rio Negro, interior do Paraná. Publicou aos 16 anos de
idade, seu primeiro poema – “A lágrima”, além disso, foi a primeira mulher a
publicar no Brasil um haicai – forma política de origem japonesa. Helena
morreu em 2004, aos 92 anos (ALMEIDA, 2010).
Além destes, pode-se citar também Victor Ferreira do Amaral, médico,
formado no Rio de Janeiro, recebeu seu diploma diretamente das mãos de D.
104
Pedro II. No Paraná, trabalhou durante sete anos na Santa Casa de
Misericórdia sem remuneração, fundou a sociedade de Agricultura do Paraná,
foi deputado federal e vice-governador do estado, criou a Universidade Federal
do Paraná e foi o primeiro reitor da Instituição (ALMEIDA, 2010).
Por fim, pode-se citar como exemplo, o túmulo do maestro Bento
Mussurunga, nascido em 1879, na cidade de Castro, aos 26 anos foi para o Rio
de Janeiro aprimorar seus conhecimentos sobre musica, de volta ao Paraná,
fundou a Orquestra Estudantil. Além de maestro, compositor e professor, Bento
Mussurunga compôs o hino oficial do estado do Paraná, e foi o primeiro
violinista da Orquestra Sinfônica Brasileira (ALMEIDA, 2010).
Além dos túmulos famosos e da riquíssima arte tumular, existem
também várias lendas sobre o Cemitério Municipal São Francisco de Paula,
dentre elas destaque para a lenda da idosa que cuidava do túmulo de Maria
Bueno. Esta senhora tinha a chave da capela, ela era a responsável pela
limpeza e arrumação do túmulo. Faleceu em 2006, devido a problemas
cardíacos. Após sua morte, há relatos de pessoas que a viram próxima ao
túmulo da santa, porém agora ela tinha asas nas costas (SOBRENATURAL,
2006). Outra lenda que merece destaque, é a lenda da gata preta.
Um homem dançou a noite inteira com uma morena em um
baile. Na hora de deixá-la em casa, esqueceu uma capa preta
com ela. No dia seguinte, foi buscar o acessório, quando foi
recebido pelos pais da garota. Eles informaram que a mulher
estava morta há muito tempo e mostraram uma fotografia. Era
exatamente a mesma pessoa com quem tinha dançado. Não
satisfeito, foi acompanhado dos pais da morena até o
cemitério onde está enterrada (São Francisco de Paula). A
capa preta estava em cima de seu túmulo. A história, segundo
o pedreiro Carlos Mendes de Freitas, foi confirmada por um
familiar durante uma visita (CARVALHO, 2004).
Estes são exemplos de apenas algumas das várias lendas contadas
sobre o Cemitério São Francisco.
Túmulos de personalidades históricas, rica arquitetura cemiterial e
lendas, são elementos que tornam o Cemitério Municipal São Francisco de
Paula, o cemitério mais famoso e importante de Curitiba.
105
2.3.3.2 Cemitério Municipal Água Verde
Outro cemitério de Curitiba muito conhecido e importante é o Municipal
Água Verde (Figura 64). Assim como o São Francisco, este campo santo
também é bastante antigo, formado por uma rica arquitetura tumular, possui
várias lendas e túmulos famosos.
Figura 65 – Cemitério Municipal Água Verde.
Fonte: www.diedricheosmarlenes.blogspot.com
Como exemplos de túmulos famosos deste cemitério, pode-se citar o de
Zilda Arns, Odelair Lazzarotto e Paulo Leminski (BEM PARANÁ, 2010).
A médica pediatra e sanitarista, Doutora Zilda Arns Neumann, nasceu no
dia 25 de agosto de 1934, na cidade de Forquilhinha, em Santa Catarina
(RUBIALES, 2010).
Durante toda a sua vida, Zilda Arns se dedicou inteiramente à muitos
projetos sociais. Ela foi a fundadora e coordenadora internacional da Pastoral
da Criança, fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa,
fundadora de organismos de ação social da Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil (CNBB). Além disso, foi representante titular da CNBB e do Conselho
Nacional de Saúde, e membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (CDES).
Por todos esses seus trabalhos sociais, Doutora Zilda Arns recebeu
muitos prêmios como: Woodrow Wilson da Woodrow Wilson Foundation, em
2007; Opus Prize, da Opus Prize Foundation (EUA), pelo inovador programa de
106
saúde pública que ajuda a milhares de famílias carentes, em 2006; Heroína da
Saúde
Humanitário
(Lions
Club
International/1997),
entre
outras
condecorações (PASTORAL DA CRIANÇA, 2010).
Outro túmulo famoso no Cemitério Água Verde que merece destaque é o
da atriz Odelair Rodrigues, nascida em 1935, na cidade Curitiba. Odelair
manifestou sua vocação artística desde cedo. Estreou nos palcos em 1952,
pelo Corpo Cênico do Colégio Estadual do Paraná (IN MEMORIAN, 2009).
Ao longo de sua carreira, a atriz estabeleceu uma sólida pareceria com
Ary Fontoura, e trabalhou com os principais diretores de teatro paranaenses,
como Maurício Távora, Eddy Franciosy, Antônio Carlos Kraide e Roberto
Menguini. Além do teatro, Odelair também atuou no cinema, nos filmes “Lance
Maior” e “Entardecer das Ilusões”. Na televisão, participou de programas
humorísticos e de novelas como “Escrava Isaura”, “Estranha Melodia” e “O
Diretor de Nascer”. No rádio, foi um dos nomes de maior sucesso no programa
“Rádio Teatro” da Rádio Clube, juntamente com Ary Fontoura. Ganhou vários
prêmios de melhor atriz, em 1956, 1977 e 1979. A atriz faleceu em 2003, aos
68 anos, devido a uma parada cardiorrespiratória (IN MEMORIAN, 2009).
Pode-se citar também, o túmulo de Poty Lazzarotto um dos principais
artistas do Paraná. Ele nasceu em Curitiba, em 1924, seu pai Issac Lazzarotto,
era ferroviário e sua mãe Julia Tortato Lazzarotto, mantinha um restaurante na
cidade. Poty era ceramista, quadrinista, painelista e azulejista, muitas de suas
obras estão expostas em painéis espalhados pela cidade (BICHO DO
PARANA, 2009).
Em 1946, foi estudar no Rio de Janeiro, onde trabalhou com Portinari e
Di Cavalcanti. Do Rio, foi para Paris, onde permaneceu durante um curto
período de tempo. Ao regressar para o Brasil, foi para São Paulo, lá ele pintou
vários painéis e murais. Depois das suas viagens, e de ter passado um longo
período longe da sua cidade natal, retornou à Curitiba e realizou grandes obras
na Cidade, obras estas, que podem ser observadas até hoje. Poty faleceu em
1998, devido a um câncer no pulmão (BICHO DO PARANA, 2009).
Por fim, pode-se citar como exemplo de celebridade, sepultada no
Municipal Água Verde, o escritor Paulo Leminski, nascido em Curitiba, no dia
24 de agosto de 1944 (JUNIOR, 2010).
107
Em 1964, em São Paulo, publica poemas na revista “Invenção”; Em
1968, casou-se com a poetisa Alice Ruiz; Em Curitiba, de 1970 a 1989,
trabalhou como redator de publicidade; Leminski também era compositor, suas
canções foram gravadas por Caetano Veloso e pela banda “A cor do som”;
Publicou no ano de 1975, o romance “Catatau”, nesta mesma época traduziu
obras de John Lenom, Samuel Becktett, Alfred Jarry, entre outros.
Em 2001, seu poema “Sintonia para pressa e presságio”, foi selecionado
por Ítalo Moriconi para entregar o livro “Os cem melhores poemas brasileiras do
século”. Leminski faleceu no dia 7 de junho de 1989 (JUNIOR, 2010).
Dentre as lendas contadas sobre este cemitério, destaca-se a lenda da
ruiva do Cemitério Água Verde.
Conta-se que em 1990, um advogado chamado Maurício, que veio do
interior de São Paulo para Curitiba, onde comprou um apartamento localizado
no bairro Água Verde, ao lado do cemitério. No seu segundo dia morando no
apartamento novo, Maurício presenciou um acontecimento estranho. Uma
moça ruiva, de vestido verde apertou a campainha e se apresentou como
sendo Lurdes, sua vizinha do andar de baixo, e pediu ao rapaz um pouco de
açúcar, com a justificativa de que onde ela morava era tudo muito amargo.
Maurício emprestou um pote de açúcar à ruiva, que agradeceu e foi embora
sendo observada da janela por ele, enquanto entrava no cemitério e
desaparecia. Apesar da estranheza, Maurício não se importou muito com o
ocorrido (GAUCHO, 2009).
No entanto, uma semana depois, lá estava a mesma moça lhe pedindo
um pouco de gelo, pois lá embaixo, onde ela estava era muito quente. Ele
ofereceu alguns cubos de gelo dentro de um pequeno isopor, e novamente a
moça agradeceu e foi embora, desaparecendo dentro do cemitério. Instantes
depois, alguém apertou a campainha, era José, seu vizinho do apartamento da
frente. Aproveitando a ocasião, o advogado perguntou ao homem se ele não
conhecia uma ruiva chamada Lurdes que morava nas redondezas. Ao ouvir
isso, José pediu que o moço aguardasse enquanto foi buscar uma foto. Ao
voltar, mostrou ao rapaz a foto, então Maurício afirmou que aquela era a
mesma mulher que lhe havia feito as breves visitas. José então lhe contou a
história daquela ruiva: ela era uma moça muito solitária, que morava no
apartamento de baixo, e morreu de problemas no coração, em 1987. Seu corpo
108
ficou dias trancado na residência, e só foi encontrado quando os vizinhos
sentiram o mau cheiro e chamaram a polícia. Ela foi enterrada no Cemitério
Água Verde, e sempre que surge um novo morador no prédio, ela pede coisas
emprestadas. Depois disso, Maurício pediu ajuda ao vizinho para localizar o
túmulo dela. Após acharem o lugar, o advogado viu a lápide com a foto, o
nome e as datas 1954-1987, e logo mandou rezar uma missa para a alma da
moça. Mas mesmo assim, dizem que o seu espírito ainda aparece para os
novos moradores do edifício ao lado do Cemitério Municipal Água Verde
(GAUCHO, 2009).
Além dos municipais São Francisco e Água Verde, outros dois
cemitérios têm grande importância para a cidade de Curitiba, o Cemitério
Municipal Santa Cândida e o Cemitério Municipal Boqueirão.
2.3.3.3 Cemitério Municipal Santa Cândida
O Municipal Santa Cândida (Figura 65) é o maior dos municipais, e
também o mais diferente em termos de infra-estrutura e arte tumular.
Figura 66 – Cemitério Municipal Santa Cândida.
Fonte: www.parana-online.com.br
Ao contrário dos outros cemitérios municipais, os túmulos do Santa
Cândida, estão dispostos de forma diferente do tradicional, semelhante a um
cemitério parque, estão situados em cima de pequenos morros, com muitas
109
gramíneas. A impressão que se tem ao observar o local é de que as sepulturas
estão emergindo do solo. Deste modo, não existe muita arte tumular neste
campo santo.
Embora não esteja localizado numa área adequada para que se possa
construir túmulos e mausoléus requintados, com uma bela e rica arte tumular, o
Cemitério Santa Cândida alguns túmulos importantes, como por exemplo, o da
menina Rachel Maria Lobo Oliveira, encontrada morta dento de uma mala na
rodoviária de Curitiba, no dia 5 de novembro de 2008. De acordo com os
policiais, o corpo da menina de apenas 9 anos de idade, tinha sinais de
estrangulamento e violência sexual (FOLHA ONLINE, 2008).
O crime chocou a população, alunos e professores da escola onde
Rachel estudava realizaram uma passeata como forma de protesto. Atualmente
as pessoas deixam flores, lembranças e faixas sob o túmulo da menina
(FOLHA ONLINE, 2008).
O Municipal Santa Cândida não possui muitas lendas relacionadas à ele,
não há relatos de histórias bizarras ou assustadoras sobre este cemitério.
Um detalhe do Santa Cândida que merecem uma atenção maior, é a
infra-estrutura que se difere muito dos outros cemitérios municipais de Curitiba,
embora seja desprovido de arte tumular.
Além dos três cemitérios municipais citados (São Francisco de Paula,
Água Verde e Santa Cândida), existe outro campo santo que possui grande
importância para a cidade, o Cemitério Municipal Boqueirão.
110
2.3.3.4 Cemitério Municipal Boqueirão
O Cemitério Municipal Boqueirão (Figura 66) é o menor dos municipais.
Figura 67 – Cemitério Municipal Boqueirão.
Fonte: www.pt.wikipedia.org
O túmulo mais importante deste campo santo é o da atriz Lala
Schneider, nascida em Irati, no dia 23 de abril de 1926.
Lala era a dama do teatro paranaense, considerada uma das cinco
melhores atrizes do Brasil. Atuou no teatro, na televisão e no cinema, também
foi diretora e professora d interpretação. A primeira vez que subiu aos palcos,
foi em 1950, na peça “O poder do amor”. A atriz faleceu em 2007, aos 80 anos
de idade (GAZETA DO POVO ONLINE, 2007).
Dentre as várias lendas contadas a respeito do Cemitério Boqueirão,
pode-se citar como exemplos, a lenda do feto e da noiva gótica.
Reza a lenda que
No dia12 de outubro de 2008 foi encontrado um feto, de
seis meses de gestação, no Cemitério do Boqueirão
entre dois túmulos. O interessante é que o bebê não
tinha marcas de aborto provocado. Algumas pessoas
afirmam que, provavelmente, a intenção da pessoa que
deixou o feto naquele lugar, era de usar o defunto da
pobre criança em rituais de magia negra tão comum no
local (ROCIO, 2008).
Outra lenda bastante conhecida sobre este cemitério é a da noiva gótica.
Conta-se que nos anos setenta, havia no bairro do Boqueirão, uma jovem que
111
seguia um estilo de moda chamado gótico14, ela só se vestia de preto e
gostava de passear no cemitério. O maior sonho dela era se casar vestida de
preto. Certo dia, esta moça engravidou de um empresário do bairro, então
marcou o casamento com ele. Mas, no dia da cerimônia, o noivo não apareceu,
e a jovem suicidou-se dentro do Cemitério Boqueirão, com seu vestido de noiva
preto. Diz a lenda que o espírito da noiva gótica ainda está lá, existem relatos
de pessoas que viram o fantasma de uma mulher com um véu preto vagando
pelo cemitério (ROCIO, 2008).
Arte tumular, lendas, túmulos famosos, são elementos presentes nos
cemitérios que despertam a curiosidade e o interesse das pessoas para
visitação destes locais. Deste modo, os quatro cemitérios municipais de
Curitiba merecem destaque, pois são o assunto principal deste trabalho, além
disso, por estarem entre os mais antigos da cidade, são uma fonte riquíssima
de história, cultura e expressões artísticas de Curitiba e do estado do Paraná.
14
Gótico: É uma cultura contemporânea presente em muitos países. Teve início no Reino
Unido durante o final da década de 1970 e início da década de 1980. A cultura gótica abrange
um estilo de vida, estando a ela associados, principalmente, gostos musicais dos anos 80 até o
presente, estética com maquiagem e penteados alternativos, e além disso, uma certa
“bagagem” filosófica e literária. A música se volta para temas que glamorizam a decadência e o
lado sombrio. A estética traduz-se em vários estilos de vestuário, essencialmente baseados no
negro (WIKIPEDIA, 2010).
112
A seguir, utilizam-se estes quatro cemitérios para a aplicação e
análise da pesquisa sobre a proposta do título deste trabalho.
3 CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS
3.1 PESQUISA BIBLIOGRÁFICA
Primeiramente, é realizada pesquisa bibliográfica sobre o tema principal
e sobre assuntos relacionados. A bibliografia é pesquisada em livros, revistas,
jornais, internet e meios impressos em geral.
Os principais temas a serem pesquisados são: conceitos de turismo,
origem, descrição e definição da palavra “turismo” e derivados; a história do
turismo e suas fases; segmentações turísticas e os segmentos relacionados ao
tema que são o turismo cultural, o turismo mórbido e o turismo cemiterial; a
história e origem dos cemitérios e por fim história e planejamento da cidade de
Curitiba.
3.2 PESQUISA DE CAMPO E OPERACIONALIZAÇÃO DA PESQUISA
A pesquisa de campo foi realizada para o cumprimento dos objetivos
específicos do trabalho. Foi feita através de questionários, aplicados nos quatro
cemitérios municipais da cidade, sendo eles: Cemitério Municipal São
Francisco de Paula, Cemitério Municipal Água Verde, Cemitério Municipal
Santa Cândida e Cemitério Municipal Boqueirão.
Apesar de serem cemitérios municipais, cada um deles possui alguns
detalhes, pequenas particularidades que os diferenciam entre si, como por
exemplo, túmulos famosos. Por este motivo, foram aplicados quatro
questionários diferentes, um para cada cemitério.
A pesquisa de campo foi realizada nos meses de agosto e setembro.
Nos dias 28 (sábado), 30 (segunda-feira) de agosto, e nos dias 02 (quintafeira), 11 (sábado) e 13 (segunda-feira) de setembro.
Durante os cinco dias de pesquisa foram entrevistadas 200 pessoas, 50
pessoas em cada cemitério.
113
Nos dias 28 e 30 de agosto, a pesquisa foi realizada no Cemitério
Municipal São Francisco de Paula.
No primeiro dia de pesquisa foram entrevistadas um total de 32 pessoas,
desde as 11h30 até às 16h30.
Neste dia, houve uma movimentação intensa no cemitério, logo no inicio
da pesquisa, das 11h30 às 13h00. Depois disto, a movimentação diminuiu, e
voltou a crescer após às 15h00.
Nem todos que chegavam ao cemitério aceitavam responder o
questionário, alguns estavam apressados, outros simplesmente não paravam
para responder.
Muitos dos que passavam pelo cemitério, estavam acompanhados, em
dupla ou em grupos de três até seis pessoas, raramente alguém estava
sozinho. Porém, nestes casos, apesar da grande quantidade de pessoas, no
geral, apenas uma pessoa da dupla ou do grupo, respondia ao questionário.
Isto dificultou bastante cumprir a meta de entrevistar 50 pessoas. Por este
motivo, o restante dos questionários, foi aplicado no dia 30 de agosto.
No segundo dia de pesquisa, foram entrevistadas 18 pessoas, o que
restava para completar 50 entrevistados.
O horário de realização da pesquisa foi das 10h30 às 13h00. A
movimentação no cemitério foi menor, se comparada ao primeiro dia de
pesquisa, que foi num sábado.
No dia 02 de setembro, a pesquisa de campo foi realizada no Cemitério
Municipal Santa Cândida. O total de entrevistados foi 50 pessoas, das 12h00
às 15h00.
Apesar de ser quinta-feira era bastante intenso o fluxo de pessoas que
circulavam pelo cemitério. Muitos dos que passavam por ali estavam apenas
utilizando o cemitério como atalho para chegar aos seus respectivos destinos,
isto facilitou atingir o objetivo de entrevistar 50 pessoas.
No dia 11 de setembro, foram aplicados 50 questionários no Cemitério
Municipal Água Verde, desde às 12h00 até as 16h00.
Houve grande movimentação no cemitério das 12h00 às 14h30, após
este horário a quantidade de pessoas diminuiu, e voltou a crescer a partir das
14h30.
114
Nos grupos de três a cinco pessoas, no geral, mais que uma pessoa do
grupo respondia o questionário, deste modo foi possível entrevistar 50 pessoas
num período de tempo razoável.
No dia 13 de setembro, a pesquisa foi feita no Cemitério Municipal
Boqueirão. Desde as 12h00 até as 16h00 foram entrevistadas 50 pessoas.
No inicio, das 12h30 às 14h00 o movimento no cemitério estava baixo,
após às 14h00 o movimento aumentou, mais pessoas circulavam pelo
cemitério, deste modo não houveram muitas dificuldades em atingir o total de
50 entrevistados, pois mais de uma pessoa, de um grupo de três a cinco
responderam a pesquisa.
3.3 INSTRUMENTO DE PESQUISA
Para realizar a pesquisa de campo, foram elaborados quatro
questionários, um para cada cemitério municipal da cidade.
As perguntas dos questionários estão relacionadas à cidade de Curitiba
e ao tema central deste trabalho, o turismo cemiterial.
O objetivo principal dos questionários foi identificar se são mais turistas
ou residentes que freqüentam os cemitérios da cidade e quais os motivos para
a visitação.
Os questionários também visaram verificar se as pessoas conseguem
perceber o aspecto histórico – cultural dos cemitérios e através disso analisar
as possibilidades da implantação desta nova segmentação, verificar se haverá
demanda para esta atividade.
As questões aplicadas foram as seguintes:
1. Cidade, estado e país do entrevistado.
Função: Identificar onde o entrevistado mora, se é turista ou residente.
2. Identificação do entrevistado.
Função: conhecer o perfil do entrevistado.
3. Idade do entrevistado.
115
Função: Identificar a faixa etária do entrevistado.
4. Motivo da viagem à Curitiba, caso o entrevistado seja turista.
Função: Identificar a motivação da viagem à cidade, caso o entrevistado
não more em Curitiba.
5. Qual característica da cidade é mais importante e agrada mais o
entrevistado.
Função: Reconhecer quais aspectos da cidade de Curitiba têm maior
relevância tanto para os visitantes, quanto para os residentes.
6. Qual motivo por estar no cemitério.
Função: Verificar qual a principal motivação que levou o entrevistado a ir
até o cemitério.
7. Qual característica em um cemitério atrai mais a atenção do
entrevistado.
Função: Verificar quais as características de um cemitério chama mais
atenção do entrevistado.
8. Qual sentimento cemitérios transmitem ao entrevistado.
Função: Identificar o principal sentimento que os cemitérios transmitem
para as pessoas.
9. Se houvesse um roteiro turístico para visitação aos cemitérios de
Curitiba, quantos dos entrevistados participariam.
Função: Analisar a possível demanda para o turismo cemiterial em
Curitiba.
116
4 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS DA PESQUISA DE CAMPO
4.1 CIDADE
Gráfico 1 – Cidade dos entrevistados
Fonte: da autora.
O Gráfico 1 - Cidade dos entrevistados, é a apresentação da cidade de
origem dos entrevistados. Através deste gráfico pode-se observar o percentual
de entrevistados que moram em Curitiba e também o percentual dos que
moram em outras cidades, estados ou outros países.
No cemitério Municipal São Francisco de Paula, o percentual de
entrevistados que moram em Curitiba é de 68%, este percentual é o mesmo no
Cemitério Municipal Água Verde.
No Cemitério Municipal Santa Cândida, 100% dos entrevistados moram
em Curitiba, o mesmo ocorre no Cemitério Boqueirão.
117
Em relação aos entrevistados que moram em outras cidades e estados,
no Cemitério São Francisco de Paula, o percentual é de 30%, no Cemitério
Água Verde é 32%, no Cemitério Santa Cândida e no Cemitério Boqueirão,
todos os entrevistados são residentes, por este motivo o percentual é de 0%.
Dos entrevistados no Cemitério São Francisco, apenas 2% são turistas
de outros países, nos outros três cemitérios não houve estrangeiros.
4.2 SEXO
Gráfico 2 – Sexo dos entrevistados.
Fonte: da autora.
O Gráfico 2 - Sexo dos entrevistados, mostra o perfil dos entrevistados.
Nos quatro cemitérios, a maioria dos entrevistados são do sexo feminino.
No Cemitério Municipal São Francisco e no Cemitério Municipal
Boqueirão, 60% das pessoas entrevistadas são mulheres e 40% são homens.
No Cemitério Municipal Água Verde, o percentual de mulheres é de 56% e de
homens 44%. No Cemitério Municipal Santa Cândida, 66% dos que
responderam a pesquisa são do sexo feminino e 34% são do sexo masculino.
118
4.3 IDADE
Gráfico 3 – Idade dos entrevistados
Fonte: da autora.
No Gráfico 3 – Idade dos entrevistados, pode-se observar a faixa etária
dos entrevistados. No Cemitério Municipal Santa Cândida, o maior percentual
foi de 44%, onde a faixa etária a maioria dos entrevistados é de 15 a 20 anos
de idade.
No Cemitério São Francisco e no Água Verde, a maior parte dos
entrevistados têm de 41 a 50 anos, os percentuais foram 24% e 30%, para
cada um respectivamente.
No Cemitério Boqueirão, os percentuais de pessoas com a faixa etária
de 15 a 20 anos, e de 41 a 50 anos se igualaram, ficando com 26% cada uma
delas. Desta forma, pode-se dizer que a grande maioria das pessoas tem de 15
a 20 anos, e também de 41 a 50 anos. São duas faixas etárias diferentes,
porém não há distinção na porcentagem entre elas.
119
No Cemitério Municipal Boqueirão e no Cemitério Municipal Santa
Cândida, para a minoria dos entrevistados, 6%, a faixa etária é acima de 65
anos.
No Cemitério Municipal Água Verde, o menor percentual em relação à
faixa etária dos entrevistados é de 2%, que representa as pessoas com idade
de 51 a 65 anos.
4.4 MOTIVAÇÃO DA VIAGEM
Gráfico 4 – Motivação da viagem à Curitiba.
Fonte: da autora.
Em relação à motivação da viagem à Curitiba dos turistas entrevistados,
pode-se observar através do Gráfico 4 – Motivação da viagem à Curitiba, que
nos cemitérios São Francisco e Água Verde, foram dois os principais motivos.
Um deles foi - Visita a amigos e/ou familiares, que corresponde a 10% dos
entrevistados no São Francisco e 20% no Água Verde. O outro motivo principal
foi - Passeio, cujas porcentagens são 14% no Municipal São Francisco e 10%
no Água Verde.
120
Os menores percentuais, em ambos os cemitérios foram os das opções Saúde, Férias e Negócios.
Nos cemitérios Santa Cândida e Boqueirão não houve visitação de
turistas, por esta razão a questão 4 do questionário, sobre motivação da
viagem, não foi aplicada. Sendo assim, os percentuais destes dois cemitérios
nesta questão, foram todos zerados.
4.5 ASPECTOS MAIS IMPORTANTES DE CURITIBA
Gráfico 5 – Aspectos mais importantes de Curitiba segundo os entrevistados.
Fonte: da autora.
O Gráfico 5 - Aspectos mais importantes de Curitiba segundo os
entrevistados, apresenta os aspectos mais importante da cidade, aqueles que
mais chamam a atenção dos turistas, e também dos residentes.
O aspecto mais importante, de acordo com os entrevistados dos
cemitérios São Francisco, Água Verde e Boqueirão, foi o aspecto ambiental.
121
O percentual foi de 42% no São Francisco e no Boqueirão, e 32% no
água Verde. No Cemitério Santa Cândida, houve um empate entre aspecto
cultural e ambiental, 24% para cada uma destas opções, sendo estes os dois
aspetos mais importantes para os entrevistados.
Os menores percentuais nos quatro cemitérios, foram os aspectos social
e tecnológico.
Pode-se notar que no Cemitério Municipal São Francisco de Paula, a
soma das porcentagens é maior que 100%, isto ocorre devido ao fato de que
oito dos entrevistados, assinalaram mais de uma opção na questão 5.
4.6 MOTIVO DA IDA AO CEMTÉRIO
Gráfico 6 – Motivo da ida ao cemitério.
Fonte: da autora.
O Gráfico 6 – Motivo da ida ao cemitério, mostra os principais motivos,
pelos quais as pessoas vão até os cemitérios.
122
No Cemitério Boqueirão, a maior porcentagem foi 48%, para a opção Visita a túmulos de familiares ou amigos. As opções - visita a um tumulo
famoso, e - Passear e conhecer o cemitério, não pontuaram.
No Cemitério Santa Cândida, o maior percentual foi de 76%, que
corresponde a opção - Outros. Dos entrevistados que assinalaram esta opção,
a maioria, mais especificamente 36 pessoas, ou 72%, responderam que o
motivo por estarem no cemitério, era que estavam utilizando-o como atalho
para chegarem aos seus respectivos destinos. Apenas 4% dos que
assinalaram a opção outros, disseram que estavam no cemitério para resolver
problemas com documentação.
No Cemitério Santa Cândida a opção – Funeral não pontuou, sendo este
o menor percentual.
Nos cemitérios São Francisco e Água Verde, para a maior parte dos
entrevistados, 42% no São Francisco e 46% no Água Verde, o motivo principal
por estarem no cemitério é visitação a um tumulo famoso.
123
4.7 PRINCIPAIS ATRATIVOS DOS CEMITÉRIOS
Gráfico 7 – Principais atrativos dos cemitérios.
Fonte: da autora.
No Gráfico 7 – Principais atrativos dos cemitérios segundo os
entrevistados, pode-se observar o percentual a respeito dos detalhes dos
cemitérios que mais atraem a atenção das pessoas. Os cemitérios São
Francisco, Água Verde e Boqueirão, a grande maioria dos entrevistados, cujas
porcentagens correspondem a 42%, 40% e 48% respectivamente, assinalaram
a opção - arquitetura e esculturas (arte cemiterial).
No Cemitério Santa Cândida, a maior porcentagem foi de 36%, para a
opção - datas dos túmulos.
124
4.8 SENTIMENTOS QUE OS CEMITÉRIOS TRANSMITEM
Gráfico 8 – Sentimentos que os cemitérios transmitem.
Fonte: da autora
O Gráfico 8 - Sentimentos que os cemitérios transmitem aos
entrevistados, ilustra os principais sentimentos que os cemitérios transmitem
para as pessoas.
No Cemitério São Francisco de Paula, no Cemitério Santa Cândida, o
principal sentimento que os cemitérios transmitem para os entrevistados é
tranquilidade. Os percentuais foram 54% no Cemitério São Francisco e 42% no
Cemitério Santa Cândida.
Nos outros cemitérios o sentimento principal, transmitido pelos
cemitérios é o respeito. No Água Verde o percentual foi de 36%, e no
Boqueirão 56%.
Pode-se observar que no cemitério São Francisco de Paula, a soma total
dos percentuais ultrapassam 100%, isto ocorre porque cinco das pessoas que
foram entrevistadas, assinalaram mais de uma alternativa na questão 8.
125
4.9 PARTICIPAÇÃO EM UM ROTEIRO PARA VISITAR OS CEMITÉRIOS
Gráfico 9 – Participação em um roteiro turístico para visitar os cemitérios.
Fonte: da autora.
Em relação à criação de um roteiro turístico para visitação aos
cemitérios municipais da cidade, o Gráfico 9 - Participação em um roteiro
turístico para visitar os cemitérios, mostra a porcentagem de uma provável
demanda para o turismo cemiterial em Curitiba.
Nos quatro cemitérios municipais, a resposta foi unânime entre
residentes e turistas, a maior parte das pessoas responderam que sim,
participariam do roteiro turístico.
Os percentuais foram: 60% no Cemitério São Francisco, 68% no Água
Verde, 48% no Santa Cândida, e 64% no Boqueirão.
126
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O principal objetivo deste trabalho foi observar as estruturas cemiteriais
de Curitiba, e analisar as possibilidades da implantação de um novo segmento
turístico na cidade, o turismo cemiterial.
De acordo com os resultados da pesquisa, no Gráfico 1 – Cidade dos
entrevistados, o fato de os turistas visitarem apenas dois, dos quatro cemitérios
municipais de Curitiba está relacionado à quantidade de túmulos famosos
presentes nestes dois campos santos. Eles possuem mais túmulos famosos
que os outros, além disso, duas grandes personagens da história de Curitiba,
duas pessoas que foram muito importantes e respeitadas pelos paranaenses, e
até mesmo pelo mundo inteiro, estão sepultadas nestes cemitérios. Maria
Bueno, no Cemitério Municipal São Francisco de Paula e Zilda Arns, no
Cemitério Municipal Água Verde. Este fato aumenta a curiosidade e o interesse
das pessoas para visitação aos cemitérios, com isto o número de turistas
também aumenta.
No Gráfico 2 – Sexo dos entrevistados, a diferença bastante significativa
no percentual do perfil dos entrevistados (sexo masculino ou feminino), cujo
resultado foi um maior número de mulheres, obviamente estes dados indicam
que elas visitam os cemitérios com mais frequência que os homens. Isto pode
estar relacionado com o índice de mortalidade dos homens, que parece ser
maior que o das mulheres. Deste modo, muitas viúvas vão aos cemitérios
visitar o túmulo dos seus maridos falecidos.
Outro detalhe observado, que pode ser uma explicação para as
mulheres serem maioria nos cemitérios, é o fato de que algumas das
entrevistadas estavam acompanhadas por seus filhos, maridos, sobrinhos ou
netos. Nestes casos quem respondia a pesquisa eram elas, os acompanhantes
do
sexo
masculino
raramente
também
respondiam.
Estes
detalhes
contribuíram para o percentual de mulheres ser maior que o percentual de
homens.
No Gráfico 3 – Idade dos entrevistados, observou-se um fato peculiar,
uma notável diferença na faixa etária dos entrevistados do Cemitério Municipal
Santa Cândida em relação aos demais cemitérios. O percentual elevado entre
127
jovens de 15 a 20 anos, deve-se ao fato de que há um colégio próximo ao
cemitério, e o horário de aplicação da pesquisa coincidiu com o horário da
saída dos estudantes do período da manhã, e da entrada dos estudantes do
período da tarde, muitos passavam pelo cemitério utilizando-o como atalho.
Os estudantes foram entrevistados por dois motivos, o primeiro motivo é
por serem maioria no cemitério Santa Cândida durante o horário em que a
pesquisa estava sendo aplicada. Se não fossem entrevistados os estudantes,
não seria possível cumprir a meta, de cinquenta pessoas entrevistadas em
cada cemitério, pois passado o horário de pico, onde o fluxo de pessoas no
cemitério era maior, houve dificuldade para concluir a aplicação dos
questionários, justamente devido à quantidade de pessoas circulando pelo
local, que diminuiu consideravelmente após o horário de saída e entrada dos
estudantes no colégio.
O segundo motivo está relacionado ao conhecimento histórico-cultural
dos estudantes, o quanto sobre história e cultura eles conhecem. Por estarem
na faixa etária de 15 a 20 anos, e por serem estudantes do ensino médio, estes
jovens possuem maior capacidade intelectual e conhecimento amplo sobre o
tema (história e cultura da cidade), se comparados a estudantes do ensino
fundamental, que estão na faixa etária de 10 a 14 anos, e possuem menos
conhecimentos sobre o assunto.
Portanto, estudantes com idade de 15 a 20 anos, têm capacidade e
conhecimento suficiente para opinarem sobre o tema, sobre o aspecto
histórico-cultural da cidade, e consequentemente dos cemitérios. Sendo assim,
suas respostas são válidas para a pesquisa.
Neste mesmo gráfico, notou-se que no Cemitério Municipal São
Francisco de Paula houve um empate nas respostas dos entrevistados, em
relação a faixa etária dos mesmos. Isto ocorre devido à localização do
cemitério. Ele está situado na região central da cidade, onde a faixa etária das
pessoas é bastante diversificada, há crianças, jovens, adultos e idosos
morando, trabalhando ou simplesmente passeando no centro de Curitiba, não
há somente jovens ou somente idosos.
Pode-se observar através do Gráfico 4 – Motivação da viagem á
Curitiba, que somente em dois (Água Verde e São Francisco de Paula) dos
quatro cemitérios municipais, houve visitação de turistas. Um dos fatores que
128
explica a demanda turística nestes cemitérios é a localização deles. Eles estão
localizados em bairros nobres e próximos ao centro da cidade, este detalhe
facilita o acesso a estes campos santos.
Outro fator que explica a presença de turistas nestes cemitérios, é a data
de fundação deles, eles são os dois cemitérios mais antigos de Curitiba, por
este motivo possuem túmulos de personalidades históricas e famosas, esta é
uma das características que desperta o interesse e a curiosidade para visitar os
cemitérios. Além disso, por serem bastante antigos possuem uma arquitetura
cemiterial diferenciada dos demais cemitérios, que atrai mais a atenção dos
visitantes.
Pode-se concluir através do Gráfico 5 – Aspectos mais importantes de
Curitiba segundo os entrevistados, que o aspecto mais importante e
interessante da cidade de Curitiba, é o aspecto ambiental. Tanto para os
turistas, quanto para os residentes este é o aspecto que mais se destaca.
Pode-se perceber também que a divulgação de Curitiba como “Cidade
Ecológica” interfere positivamente na demanda turística até mesmo nos
cemitérios. Isto confirma e ressalta a fama nacional e internacional que a
capital tem, de cidade verde, limpa e ecologicamente correta.
No Gráfico 6 – Motivo da ida ao cemitério, identificou-se que no
Cemitério Municipal São Francisco de Paula e no Cemitério Municipal Água
Verde, para a maioria dos entrevistados, a principal motivação da ida até o
cemitério foi a visitação de um tumulo famoso. Isto ocorre porque nestes dois
campos santos existem algumas personalidades que fizeram parte da história e
da cultura de Curitiba, pessoas realmente famosas.
Os túmulos famosos que mais se destacaram entre os visitantes foram o
de Maria Bueno, no Cemitério São Francisco e o de Zilda Arns, no Cemitério
Água Verde.
Maria Bueno, conhecida em todo o estado do Paraná, considerada santa
por muitos, sua história fascinou muitas pessoas, envolve milagres, crenças,
religiosidade e respeito.
Zilda Arns, a doutora que dedicou sua vida a ajudar as pessoas,
desenvolveu vários projetos sociais, conhecida mundialmente, faleceu durante
o terremoto que ocorreu no Haiti, em janeiro de 2010. Pela importância que
ambas tiveram para a cidade de Curitiba, seus túmulos são hoje os mais
129
visitados dos cemitérios onde estão sepultadas.
O Gráfco 7 – Principais atrativos dos cemitérios, mostrou uma grande
diferença no questionário do Cemitério Santa Cândida, no percentual da opção
– Datas dos túmulos. A explicação disto é a infra-estrutura dos cemitérios, o
Santa Cândida é diferente dos demais, é como um cemitério-parque, com
muitas árvores e gramíneas, os túmulos estão localizados diretamente na terra,
no gramado, por este motivo não existe muita arte cemiterial para observar e
admirar.
Através da análise deste gráfico, pode-se concluir que os atrativos mais
importantes, de maior destaque, em um cemitério são a arquitetura e
esculturas, bem como a história e a cultura. Estes são elementos essenciais
para que se possa promover a visitação aos cemitérios. Apesar dos túmulos
famosos serem importantes atrativos nos cemitérios de Curitiba e do mundo
inteiro, a pesquisa mostra que outros aspectos, características e detalhes
presentes nos campos santos, são tão importantes e especiais quanto os
túmulos
famosos.
O
conjunto
destes
elementos
histórico-culturais
e
arquitetônicos forma este segmento turístico, o turismo cemiterial.
Estes elementos básicos que os cemitérios devem ter para que se possa
criar um roteiro turístico para visitação dos mesmos, estão presentes nos
cemitérios municipais de Curitiba e isto facilita a aplicabilidade de um novo tipo
de turismo na cidade.
Pode-se observar através do Gráfico 8 – Sentimentos que os cemitérios
transmitem, os que estão mais presentes nos visitantes é o respeito e a
tranquilidade. Este fato pode estar relacionado a história e a cultura das
pessoas, a aprendizados e experiências de vida, ao modo como foram
educadas, isto faz as pessoas verem os cemitérios como lugares belos,
tranqüilos, de paz e respeito, quase sagrados.
As pessoas não vêem mais os cemitérios como locais cheios de
sepulturas, um depósito de cadáveres, locais que causam medo e repugnância,
que trazem lembranças da morte de amigos ou familiares - lembranças estas
que remetem a tristeza, ou um lugar que traz à mente questionamentos sobre o
significado da vida e da morte.
130
O pensamento e a percepção das pessoas em relação aos cemitérios
mudaram ao longo do tempo, atualmente os sentimentos positivos estão acima
dos sentimentos negativos.
Através do Gráfico 9 – Participação em um roteiro turístico para visitar os
cemitérios, pode-se analisar a demanda para o turismo cemiterial em Curitiba.
Observando os resultados obtidos, pode-se perceber que mais da metade dos
entrevistados dentre turistas e residentes, participariam de um roteiro turístico
para visitar os cemitérios da cidade.
Há também aqueles que assinalaram a opção – Talvez. Para estes, é
possível realizar ações de divulgação e sensibilização sobre o tema e sobre o
roteiro, para que as pessoas se informem, conheçam e compreendam o que é
o turismo cemiterial, como é feita a visitação aos cemitérios, quais os
benefícios que esta segmentação gera para a cidade. Através de medidas
semelhantes à estas, é possível aumentar ainda mais a demanda para o
turismo cemiterial em Curitiba.
Deste modo conclui-se que a ideia da implantação de um novo
segmento turístico – o turismo cemiterial, na cidade de Curitiba, assim como a
criação de um roteiro turístico para visitação aos cemitérios, é totalmente
viável, pois em Curitiba existem cemitérios que possuem infra-estrutura,
história, cultura e uma provável demanda para o turismo cemiterial.
É válido lembrar que não faz muito sentido visitar um cemitério apenas
para observar, admirar e fotografar túmulos famosos. O turismo cemiterial vai
muito além da visitação de túmulos de personalidades famosas. Aspectos
como a cultura, a história e a própria arte cemiterial também devem ser
considerados, afinal é a união destes elementos que constituem a essência e a
existência do turismo cemiterial em Curitiba, ou em qualquer outra cidade do
mundo.
131
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150
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ZATTI, C. O Paraná e o paranismo. Curitiba: Progressiva, 2006.
151
7 ANEXOS
ANEXO 1 – E-mail IPPUC sobre a lista dos cemitérios de Curitiba
ANEXO 2 – Resposta E-mail IPPUC sobre a lista dos cemitérios de
Curitiba
ANEXO 3 – Mapa da rota dos Cemitérios Municipais de Curitiba
ANEXO 4 – Questionário I – Cemitério Municipal São Francisco de Paula
ANEXO 5 – Questionário II – Cemitério Municipal Água Verde
ANEXO 6 – Questionário III – Cemitério Municipal Santa Cândida
ANEXO 7 – Questionário IV – Questionário Municipal Boqueirão
152
ANEXO 1 – E-mail IPPUC sobre a lista dos cemitérios de Curitiba
153
ANEXO 2 – Resposta E-mail IPPUC sobre a lista dos cemitérios de
Curitiba
154
ANEXO 3 – Mapa da rota dos Cemitérios Municipais de Curitiba
Fonte: http://maps.google.com.br/maps?hl=pt-br&tab=wl
155
ANEXO 4 - Questionário I – Cemitério Municipal São Francisco de Paula
UNIVERSIDADE POSITIVO
QUESTIONÁRIO - ESTUDOS SOBRE A APLICABILIDADE
DO TURISMO CEMITERIAL EM CURITIBA
Aluna: Letícia Conceição Hahne
Orientador: Professor Waldir Egenolf Prochnow
Curso: turismo / 8º período
QUESTIONÁRIO I – CEMITÉRIO MUNICIPAL SÃO FRANCISO DE PAULA
1. Cidade: ___________________________________________
Estado: ___________ País: ___________________________
2. Sexo:
( ) Masculino
( ) Feminino
3. Idade:
( ) de 15 à 20 anos
( ) de 21 à 30 anos
( ) de 31 a 40 anos
( ) de 41 à 50 anos
( ) de 51 à 65 anos
( ) acima de 65 anos
4. Se for turista, qual o motivo da viagem à Curitiba? (caso não seja turista, ir
para a pergunta 5).
a. ( ) Visita a amigos e/ou familiares
b. ( ) Saúde
c. ( ) Eventos
d. ( ) Férias
e. ( ) Passeio
f. ( ) Negócios
5. Para você qual(s) aspecto(s) da cidade de Curitiba, é(são) mais
importante(s), lhe chama(m) mais atenção?
a. ( ) Aspecto cultural
b. ( ) Aspecto histórico
c. ( ) Aspecto Ambiental
d. ( ) Aspecto Social
e. ( ) Aspecto tecnológico
f. ( ) Todos
6. Qual o motivo por você estar no cemitério?
156
a. ( ) Funeral
b. ( ) Visita a túmulos de familiares ou amigos
c. ( ) Visita a um túmulo famoso (por exemplo: Maria Bueno,Victor Ferreira do
Amaral, Helena Kolody, Guido Viaro, Ney Braga)
d. ( ) Para passear e conhecer o cemitério
e. ( ) Outros. Quais? ____________________________________________
7. O que lhe chama mais atenção em um cemitério?
a. ( ) Arquitetura e esculturas (arte cemiterial)
b. ( ) Túmulos de pessoas famosas
c. ( ) Datas dos túmulos
d. ( ) História e cultura
8. Qual(s) sentimento(s) cemitérios lhe transmitem?
a. ( ) Medo
b. ( ) Curiosidade
c. ( ) Tristeza
d. ( ) Tranquilidade
e. ( ) Respeito
9. Se houvesse um roteiro turístico para visitação aos cemitérios de Curitiba,
você participaria deste roteiro?
( ) Sim
( ) Não
( )Talvez
157
ANEXO 5 – Questionário II – Cemitério Municipal Água Verde
UNIVERSIDADE POSITIVO
QUESTIONÁRIO - ESTUDOS SOBRE A APLICABILIDADE
DO TURISMO CEMITERIAL EM CURITIBA
Aluna: Letícia Conceição Hahne
Orientador: Professor Waldir Egenolf Prochnow
Curso: turismo / 8º período
QUESTIONÁRIO II– CEMITÉRIO MUNICIPAL ÁGUA VERDE
1. Cidade: ___________________________________________
Estado: ___________ País: ___________________________
2. Sexo:
( ) Masculino
( ) Feminino
3. Idade:
( ) de 15 à 20 anos
( ) de 21 à 30 anos
( ) de 31 a 40 anos
( ) de 41 à 50 anos
( ) de 51 à 65 anos
( ) acima de 65 anos
4. Se for turista, qual o motivo da viagem à Curitiba? (caso não seja turista, ir
para a pergunta 5).
a. ( ) Visita a amigos e/ou familiares
b. ( ) Saúde
c. ( ) Eventos
d. ( ) Férias
e. ( ) Passeio
f. ( ) Negócios
5. Para você qual(s) aspecto(s) da cidade de Curitiba, é(são) mais
importante(s), lhe chama(m) mais atenção?
a. ( ) Aspecto cultural
b. ( ) Aspecto histórico
c. ( ) Aspecto Ambiental
d. ( ) Aspecto Social
e. ( ) Aspecto tecnológico
f. ( ) Todos
158
6. Qual o motivo por você estar no cemitério?
a. ( ) Funeral
b. ( ) Visita a túmulos de familiares ou amigos
c. ( ) Visita a um túmulo famoso (por exemplo Zilda Arns, Poty Lazzarotto,
Paulo Leminski, Maria Polenta)
d. ( ) Para passear e conhecer o cemitério
e. ( ) Outros. Quais? ___________________________________________
7. O que lhe chama mais atenção em um cemitério?
a. ( ) Arquitetura e esculturas (arte cemiterial)
b. ( ) Túmulos de pessoas famosas
c. ( ) Datas dos túmulos
d. ( ) História e cultura
8. Qual(s) sentimento(s) cemitérios lhe transmitem?
a. ( ) Medo
b. ( ) Curiosidade
c. ( ) Tristeza
d. ( ) Tranquilidade
e. ( ) Respeito
9. Se houvesse um roteiro turístico para visitação aos cemitérios de Curitiba,
você participaria deste roteiro?
( ) Sim
( ) Não
( ) Talvez
159
ANEXO 6 – Questionário III – Cemitério Municipal Santa Cândida
UNIVERSIDADE POSITIVO
QUESTIONÁRIO - ESTUDOS SOBRE A APLICABILIDADE
DO TURISMO CEMITERIAL EM CURITIBA
Aluna: Letícia Conceição Hahne
Orientador: Professor Waldir Egenolf Prochnow
Curso: turismo / 8º período
QUESTIONÁRIO III – CEMITÉRIO MUNICIPAL SANTA CÂNDIDA
1. Cidade: ___________________________________________
Estado: ___________ País: ___________________________
2. Sexo:
( ) Masculino
( ) Feminino
3. Idade:
( ) de 15 à 20 anos
( ) de 21 à 30 anos
( ) de 31 a 40 anos
( ) de 41 à 50 anos
( ) de 51 à 65 anos
( ) acima de 65 anos
4. Se for turista, qual o motivo da viagem à Curitiba? (caso não seja turista, ir
para a pergunta 5).
a. ( ) Visita a amigos e/ou familiares
b. ( ) Saúde
c. ( ) Eventos
d. ( ) Férias
e. ( ) Passeio
f. ( ) Negócios
5. Para você qual(s) aspecto(s) da cidade de Curitiba, é(são) mais
importante(s), lhe chama(m) mais atenção?
a. ( ) Aspecto cultural
b. ( ) Aspecto histórico
c. ( ) Aspecto Ambiental
d. ( ) Aspecto Social
e. ( ) Aspecto tecnológico
f. ( ) Todos
160
6. Qual o motivo por você estar no cemitério?
a. ( ) Funeral
b. ( ) Visita a túmulos de familiares ou amigos
c. ( ) Visita a um túmulo famoso (por exemplo: Lala Shneider, Wilson Bueno)
d. ( ) Para passear e conhecer o cemitério
e. ( ) Outros. Quais? ___________________________________________
7. O que lhe chama mais atenção em um cemitério?
a. ( ) Arquitetura e esculturas (arte cemiterial)
b. ( ) Túmulos de pessoas famosas
c. ( ) Datas dos túmulos
d. ( ) História e cultura
8. Qual(s) sentimento(s) cemitérios lhe transmitem?
a. ( ) Medo
b. ( ) Curiosidade
c. ( ) Tristeza
d. ( ) Tranquilidade
e. ( ) Respeito
9. Se houvesse um roteiro turístico para visitação aos cemitérios de Curitiba,
você participaria deste roteiro?
( ) Sim
( ) Não
( ) Talvez
161
ANEXO 7 – Questionário IV – Questionário Municipal Boqueirão
UNIVERSIDADE POSITIVO
QUESTIONÁRIO - ESTUDOS SOBRE A APLICABILIDADE
DO TURISMO CEMITERIAL EM CURITIBA
Aluna: Letícia Conceição Hahne
Orientador: Professor Waldir Egenolf Prochnow
Curso: turismo / 8º período
QUESTIONÁRIO IV – CEMITÉRIO MUNICIPAL BOQUEIRÃO
1. Cidade: ___________________________________________
Estado: ___________ País: ___________________________
2. Sexo:
( ) Masculino
( ) Feminino
3. Idade:
( ) de 15 à 20 anos
( ) de 21 à 30 anos
( ) de 31 a 40 anos
( ) de 41 à 50 anos
( ) de 51 à 65 anos
( ) acima de 65 anos
4. Se for turista, qual o motivo da viagem à Curitiba? (caso não seja turista, ir
para a pergunta 5).
a. ( ) Visita a amigos e/ou familiares
b. ( ) Saúde
c. ( ) Eventos
d. ( ) Férias
e. ( ) Passeio
f. ( ) Negócios
5. Para você qual(s) aspecto(s) da cidade de Curitiba, é(são) mais
importante(s), lhe chama(m) mais atenção?
a. ( ) Aspecto cultural
b. ( ) Aspecto histórico
c. ( ) Aspecto Ambiental
d. ( ) Aspecto Social
e. ( ) Aspecto tecnológico
f. ( ) Todos
162
6. Qual o motivo por você estar no cemitério?
a. ( ) Funeral
b. ( ) Visita a túmulos de familiares ou amigos
c. ( ) Visita a um túmulo famoso
d. ( ) Para passear e conhecer o cemitério
e. ( ) Outros. Quais? ___________________________________________
7. O que lhe chama mais atenção em um cemitério?
a. ( ) Arquitetura e esculturas (arte cemiterial)
b. ( ) Túmulos de pessoas famosas
c. ( ) Datas dos túmulos
d. ( ) História e cultura
8. Qual(s) sentimento(s) cemitérios lhe transmitem?
a. ( ) Medo
b. ( ) Curiosidade
c. ( ) Tristeza
d. ( ) Tranquilidade
e. ( ) Respeito
9. Se houvesse um roteiro turístico para visitação aos cemitérios de Curitiba,
você participaria deste roteiro?
( ) Sim
( ) Não
( ) Talvez
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