CÂMARA DOS DEPUTADOS DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO NÚCLEO DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES TEXTO COM REDAÇÃO FINAL COMISSÃO DE LEGISLAÇÃO PARTICIPATIVA EVENTO: Audiência Pública N°: 1894/09 DATA: 27/10/200 9 INÍCIO: 14h47min TÉRMINO: 16h24min DURAÇÃO: 01h37min TEMPO DE GRAVAÇÃO: 01h37min PÁGINAS: 31 QUARTOS: 20 DEPOENTE/CONVIDADO - QUALIFICAÇÃO CARLOS ALBERTO – Diretor de Estudos Socioeconômicos e Empresas Públicas do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Distrito Federal — SINDSEP-DF. RICARDO LEITE GOULART PONZI – Presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários e Afins — FNTAA. DAVID VILLAR FILHO – Representante de empresa extinta no Governo Fernando Henrique Cardoso. IDEL PROFETA RIBEIRO – Presidente da Comissão Especial Interministerial do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. MAGDA ROSA – Demitida do Governo Collor. EDIBERTO COELHO – Empresário. SUMÁRIO: Discussão sobre demitidos do Governo Collor. OBSERVAÇÕES Houve intervenção fora do microfone. Inaudível CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 O SR. PRESIDENTE (Deputado Roberto Britto) - Declaro aberta a reunião de audiência pública da Comissão de Legislação Participativa, originada do Requerimento nº 97, de 2009, de autoria dos Deputados Pedro Wilson e Luiza Erundina, que solicita a realização de audiência pública para debater a matéria constante do PL 5.030/09, do Senado Federal, que reabre o prazo para requerimento de retorno ao serviço de que trata o art. 2º da Lei nº 8.878, de 11 de março de 1994, que dispõe sobre a concessão de anistia nas condições que menciona e dá outras providências. Sras. e Srs. Deputados, senhores expositores, senhores membros desta Comissão, convidados, meus senhores e minhas senhoras, esta Comissão de Legislação Participativa tem uma finalidade básica: aproximar a sociedade do Congresso Nacional. Nós somos, pois, a porta de entrada para o Congresso Nacional. Através da sociedade organizada, nós temos a oportunidade de trazer indicações a esta Casa. Depois de uma avaliação na Comissão e aprovado o requerimento de indicação, ele segue os trâmites normais nesta Casa. Com isso, em alguns momentos, nós já conseguimos aprovar propostas que hoje já são leis que estão sendo utilizadas pela nossa sociedade. É com esse espírito que esta Comissão tem a oportunidade de realizar esta audiência pública para discutirmos sobre o Projeto de Lei nº 5.030, de 2009, do Senado Federal, proposição voltada à reabertura do prazo para requerimento de retorno ao serviço dos demitidos no Governo Collor que se enquadram, evidentemente, nas condições para a anistia estabelecidas pela Lei 8.878, de 1994. Somente aqueles que efetivamente foram demitidos, em algum momento, do seu serviço é que sabem avaliar o valor que tem o seu trabalho e a importância desse retorno. Na maioria dos casos, são pais de famílias que viviam única e exclusivamente daquele emprego, pessoas já com certa idade e que não podem concorrer com aqueles que estão iniciando na carreira. Enfim, essa situação precisa ser reavaliada. E é preciso que o Congresso Nacional efetivamente participe dessa discussão. Através dessa discussão em audiências públicas é que nós pretendemos, ouvindo todas as partes, tomar uma posição e trabalhar para que esse 1 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 prazo, se for aprovado pelo Congresso, através do PL que está em tramitação, seja observado e atendido. Estamos aqui agora para discutir esse tema, que eu acho por demais importante. Faltam apenas 2 passos na tramitação, a apreciação da Comissão de Finanças e Tributação, quanto à adequação orçamentária e financeira; e a apreciação da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, quanto à constitucionalidade, juridicidade e técnica legislativa. Portanto, este é o espaço da Casa que nós temos para discutir esse tema tão importante. Parabenizo o Deputado Pedro Wilson e a Deputada Luiza Erundina, aos quais rendo as minhas homenagens. Feito esse registro e confiante no sucesso desta nossa audiência pública, convoco para fazer parte da Mesa o Sr. Carlos Alberto, Diretor de Estudos Socioeconômicos e Empresas Públicas do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Distrito Federal — SINDSEP-DF; o Sr. Ricardo Leite Ponzi, Presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários e Afins — FNTAA; o Sr. Idel Profeta, Presidente da Comissão Especial Interministerial do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Cada expositor disporá de 15 minutos para o seu pronunciamento e não poderá ser aparteado. Passo a palavra ao Sr. Carlos Alberto para o seu pronunciamento. O SR. CARLOS ALBERTO - Boa tarde a todos os companheiros anistiados, que já conheço de longa data. Agradeço ao Presidente, Deputado Roberto Britto, a iniciativa. Companheiro Idel Profeta, que também já conheço, representante do Ministério do Planejamento; companheiro Ricardo, o nobre Deputado Presidente desta Comissão se referiu à função principal desta Comissão, que seria aproximar a sociedade do Congresso Nacional. Eu acho que, nesta questão da anistia, vai ser de suma importância, Deputado, o trabalho desta Comissão, porque sabemos a importância que tomou nesses últimos tempos no País a anistia. E, às vezes, a própria sociedade acha que o anistiado é simplesmente um — entre aspas — “aproveitador”. Às vezes, alguns 2 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 anistiados reclamam porque são chamados de vagabundos, porque querem voltar de graça para o serviço público. Eu acho de suma importância esta Comissão transmitir à sociedade, através do Congresso, a informação de que os anistiados foram injustiçados, demitidos no Governo Collor e também no Governo FHC. E, hoje, eles só querem naturalmente ter o seu direito de anistia reconhecido. Anistiou, está perdoado, tem que voltar ao trabalho. O Collor, naquela época, a partir da visão de Estado mínimo, saiu demitindo com poucos critérios. O Governo do Presidente Lula assumiu, principalmente no segundo mandato — e colocou isso no seu discurso —, o total apoio à questão da anistia. Então acho que a sociedade tem que tomar conhecimento da injustiça que foi cometida. Esses companheiros que estão aqui — podemos ver a maioria de cabeça branca já — nada mais querem do que ter o seu direito reconhecido. Se eles estivessem trabalhando até hoje, eles estariam com a sua aposentadoria tranquila. Várias famílias foram desfeitas. Sabemos tudo o que aconteceu na vida desses anistiados aqui, nesse tempo todo — 17 anos. Só no nosso País que conseguimos conceber que se demore 17 anos para se cumprir uma lei, para se fazer justiça — isso vem desde 1994. Acho que esta Comissão vai ser de suma importância. O Presidente colocou de forma clara que vai aproximar Congresso e sociedade. Anistia é um assunto do qual toda a sociedade tem que tomar conhecimento, não só os nossos Congressistas, que já sabem da sua importância, senão não estaríamos aqui — e já fizemos várias audiências públicas, esta não é a primeira —, mas também a sociedade. Esse é um tema importante. Os companheiros estão aqui clamando para que seja feita justiça depois de tanto tempo. Antes de falar da história do PL 5.030/09, temos que lembrar que essas pessoas que ficaram dentro do prazo — e aqui está o Idel, representando o Ministério do Planejamento — precisam de celeridade nos seus processo. Em janeiro vence o prazo da CEI. Acredito que deverá ser prorrogado, porque o volume de trabalho é muito grande. Para esse pessoal que está dentro do prazo concedido na lei, de 60 dias, para entrar com o requerimento, vamos limpar o terreno para que 3 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 se possa dar oportunidade de deliberar. Tenho certeza de que os companheiros vão ter direito novamente de solicitar isso junto ao Governo. Uma das coisas que temos que reivindicar durante os nossos trabalhos é a prorrogação dos trabalhos da CEI, porque ainda falta terminar a parte do pessoal beneficiado pela Lei 8.878, porque o retorno dessas pessoas ainda não terminou. O trabalho deve estar mais focado nesse pessoal que vai voltar agora. Esse Projeto de Lei 5.030/09 baseia-se principalmente no período que foi concedido para requerimento desse pessoal. Em 1994, foram concedidos 60 dias, que é um prazo exíguo, já que a comunicação foi feita por Diário Oficial, a maioria sabe disso, e ninguém tinha acesso ao Diário Oficial. Não temos que ter esse acesso. Se fosse uma comunicação oficial e pessoal, até entenderíamos, mas por Diário Oficial é complicado. Eu me lembro de muitas pessoas do interior do Paraná. Uma senhora me contou sua história de tristeza depois que foi demitida, o que ela passou, pois não tinha costume de trabalhar na roça e teve que trabalhar na roça. Estava com as mãos calejadas, cansada do sol, e não foi comunicada. Quando ela veio a saber, já se haviam passado os 60 dias de prazo. Numa reunião no SINDSEP-DF, que foi o precursor dessa ideia, para tratar do pessoal da Lei 8.878, percebemos que muitas pessoas ligavam de todo o País — e temos de deixar isso claro, principalmente nesta Casa, que representa todo o País —, dizendo que não tiveram como entrar com o requerimento, porque não tiveram conhecimento disso. Naquele momento, ligaram pessoas do Maranhão, do Pará, do Amazonas, lugares onde as pessoas estão isoladas, e a comunicação é difícil. Naquela época não havia acesso fácil à informação. Hoje nós temos meios de comunicação como a Internet. Em 1994 era muito diferente do que é agora. As pessoas não tiveram conhecimento disso, e a coisa tomou um vulto acima do que pensávamos. Milhares de pessoas começaram a entrar em contato com o SINDSEP-DF, e foi numa dessas reuniões que questionamos o que faríamos com essas pessoas, que calculávamos em torno de 30 mil pessoas no Brasil inteiro. Questionávamos o que fazer com esse pessoal que ficou de fora, e o nosso advogado, Ulysses Borges, disse que só podíamos mudar uma lei com outra lei. Temos que criar uma lei. Daí partimos para essa luta, que começou no Senado, 4 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 através do Senador Edison Lobão Filho, que teve empenho, assumiu essa luta. “Eu gosto de uma boa briga” — foram as palavras que S.Exa. usou — “e vou assumir essa briga de vocês, porque acho que isso foi injusto”. Até porque, como ele mesmo disse, a anistia política neste País não tem prazo; a qualquer momento pode ser requerida. Então, no mínimo, temos que dar um prazo maior para esse pessoal que perdeu esse tempo. O Senador Lobão Filho assumiu isso. Elaboramos esse projeto de lei com muita dificuldade, contando com a colaboração dos Estados, e o colocamos em votação no Senado. Muitos que estão aqui estavam presentes lá e sabem o que aconteceu. O projeto foi votado e aprovado por unanimidade. Isso não é qualquer coisa. Isso dá o peso que leva esse projeto de lei. Então ele foi encaminhado para a Câmara dos Deputados. Sabemos que numa Casa que tem mais de 500 representantes há várias formas de pensar, mas nas nossas visitas pela Câmara pudemos ver que todo Deputado assume a anistia. Nunca vi ninguém se colocar contrário a esse projeto de lei. Ele veio para cá, tivemos uma dificuldade muito grande, visitamos todos os Deputados da primeira Comissão, a CTASP. Estivemos com todos os Deputados. E vimos que 99% — e muitos desta Comissão podem dizer isso, pois estivemos em todas as Lideranças e gabinetes — colocaram-se sempre favoráveis a esse projeto. Tanto que ele passou pela CTASP e foi aprovado novamente por unanimidade. Sabemos da importância desse projeto. Agora, esse projeto está na CFT — Comissão de Finanças e Tributação. Estamos percebendo uma grande dificuldade agora, principalmente na questão orçamentária. O Presidente da Comissão, Deputado Vignatti, do PT de Santa Catarina, demorou um certo tempo para nomear o Relator, porque havia muitos Deputados interessados. Daí os senhores vêm a importância do projeto. Vários Deputados se mostraram interessados em relatar esse PL naquela Comissão. Foi nomeado, então, o Deputado Ricardo Berzoini, que, infelizmente, depois de 30 dias, devolveu o projeto de lei. Foi nomeado o Deputado André Vargas, que esperamos tenha uma relatoria favorável ao nosso projeto de lei, que é justo. E que S.Exa. não 5 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 demore tanto tempo assim, porque vêm aí final do ano, férias, recesso parlamentar, e não sabemos quando será votado, e para nós é urgente. Quanto à questão orçamentária, em 2007, antes de sair o parecer da AGU, o próprio Ministro Paulo Bernardo disse que não seria um empecilho para o retorno dessa anistia. Queremos relembrar essas palavras, porque hoje isso ficou colocado como o maior empecilho. Na última reunião — a maioria estava presente —, eu indaguei o Ministro Paulo Bernardo sobre a questão orçamentária, e novamente S.Exa. afirmou que não seria o problema. Colocaria até um orçamento extra, se fosse o caso. Os anistiados estão aqui presentes. São muitos no Brasil inteiro e estão dispostos a vir a Brasília em todas as atividades marcadas. A nossa intenção é lotar Brasília com todos os anistiados, até para que todos os Parlamentares e governantes saibam que realmente é grande o número desses anistiados no Brasil inteiro. Estamos num ano pré-eleitoral. Ano que vem, será um ano eleitoral. E 30 pais de famílias que direta ou indiretamente elegeram este Governo agora estão simplesmente querendo que justiça seja feita. Há vários PLs em tramitação na Câmara e vou citar apenas alguns deles. Amanhã, será analisado um a respeito da contagem do tempo de serviço dos pensionistas, que ficaram prejudicados. Ficaram 17 anos esperando e agora estão prejudicados. Haverá a votação do PL nº 5.182, de 2009, às 10h. Também está tramitando projeto que trata dos demitidos no Governo FHC — as demissões não ocorreram somente no Governo Collor. E está em tramitação o Projeto de Lei nº 1.265, de 2007, que também está na CFT e trata dos anistiados que ficaram na liquidação. Eles foram obrigados a ficar na liquidação, trabalhando para o Governo, ficaram fora do prazo e foram demitidos em seguida. Então, também são anistiados. A anistia é uma coisa muito ampla. Eu quero que o Governo tenha essa concepção da amplitude a que essa situação chegou. Os companheiros deixam suas casas para vir ao Congresso Nacional, vindos do Maranhão, do Paraná, companheiros que se deslocam para estarem aqui presentes, e o que querem é apenas que seja feita justiça neste País, porque a anistia não pode ser para um nem para meia dúzia. A anistia deve ser ampla e irrestrita. Se é anistia, é perdão. Se é perdão, é para todo o mundo. 6 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 Agradeço a todos e vamos à luta! (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Roberto Britto) - Agradeço ao Sr. Carlos Alberto a exposição. Eu gostaria de avisar a todos os presentes que estamos em transmissão ao vivo pela Internet. O mundo todo está tendo a oportunidade de assistir à nossa audiência pública pela Internet. Passo a palavra ao Presidente Ricardo Leite Ponzi, da Federação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários e Afins. O SR. RICARDO LEITE GOULART PONZI - Obrigado, Sr. Presidente. Primeiramente, cumprimento V.Exa. pelo comando dos trabalhos e os integrantes desta Comissão, que, como foi dito, aproxima esta Casa da sociedade e tem papel histórico extraordinário. Curiosamente, esta Comissão conta com a consultora Sônia Hypolito, que vem de outras lutas sociais. Tivemos a grata satisfação de encontrá-la aqui também nesta trincheira para reparar dívidas que existem e merecem reparação. A reparação é devida àqueles trabalhadores injustiçados, mas eu queria acrescentar, Carlos, que não só eles foram injustiçados, a Nação foi injustiçada. Talvez quem mais perdeu foi a Nação, porque curiosamente esses trabalhadores, concursados, qualificados, foram pioneiros e eram a elite, no bom sentido, dos homens públicos e tinham funções públicas extraordinárias. Nós representamos os trabalhadores do Lloyd Brasileiro e nos relacionamos com o pessoal do GEIPOT. Essa gente ajudou muito a construir o nosso País. Então, a reparação que temos de tratar não se limita a esses homens, mas ao que a Nação perdeu. E a Nação perdeu, nesse processo de desestruturação que vem do Governo Collor e passou por outros Governos, em razão da desqualificação do Estado, da desqualificação da construção da Nação. Isso é muito sério. Isso é muito grave. Nós perdemos. E perdemos também a avaliação crítica disso. Houve um processo de desestruturação da construção nacional, e essa é uma perda muito grande. Nós e aqueles trabalhadores que foram diretamente prejudicados perdemos, mas perdeu mais o País. Darcy Ribeiro dizia que o processo civilizatório é uma alternância entre as sociedades teocráticas do regadio e as hordas pastoris nômades. Tivemos 7 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 recentemente um horda que não é pastoril, uma horda liberal destrutiva, que teve o significado da desorganização da nossa Nação, mas, mais do que isso, teve um projeto internacional de desmobilização e de desorganização do nosso País. E essa gente que foi prejudicada estava, curiosamente, no GEIPOT, que produzia o pensamento logístico do País. O Lloyd Brasileiro não fazia nada mais nada menos do que o comércio internacional do Brasil, o controle do comércio internacional da Nação. Nós crescemos — o David sabe disso — nos últimos anos 3 ou 4 vezes o nosso comércio exterior, mas não temos nem 2% ou 3% de participação da nossa marinha mercante nesse comércio. Ou seja, nós comercializamos já perdendo 20%. Isso no sentido da perda comercial, não falando da questão estratégica do que significa não ter marinha mercante. Nós perdemos marinha mercante, nós perdemos planejamento. Digam-me o que é a Rede Ferroviária Federal. É a nossa logística ferroviária fundamental. E estava vendo outros companheiros, de empresas de prospecção do Nordeste, importantes. Temos de observar isso. Houve uma desestruturação dirigida e que pegou aqueles caras que trabalhavam pelo País de forma a conduzi-lo. Uma aristocracia, no bom sentido, daqueles condutores, homens e mulheres concursados, qualificados, e que foram simplesmente afastados de seus trabalhos, que eram trabalhos de interesse público e da Nação. Eu tenho certeza — e reafirmo isso, Carlos — que quem perdeu mais foi o País. E é o momento de reparar isso, não só anistiando e indenizando, mas readmitindo aqueles que estão aí e podem dar ainda o seu conhecimento para o País. Eu tenho certeza de que eles gostariam de voltar às suas trincheiras, às suas oficinas, aos seus laboratórios, aos seus navios para dar ainda o que têm para a construção deste País. V.Exas. estão de parabéns. Eu cumprimento V.Exa. por esta iniciativa, que é grandiosa e histórica. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Roberto Britto) - Agradeço ao Sr. Ricardo Ponzi a exposição. Passo a palavra ao Presidente da Comissão Especial Interministerial do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Sr. Idel Profeta. 8 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 O SR. IDEL PROFETA RIBEIRO - Boa tarde a todas e a todos. Boa tarde ao Presidente da Mesa, Deputado Roberto Britto. Saúdo o Carlos e o Ricardo. Estamos nesta Comissão legislativa com a finalidade de fazer um debate, estabelecer um processo de diálogo entre o Governo, os Deputados e a representação dos senhores aqui presentes, no sentido de avançarmos em relação a essa questão. Precisamos compreender o processo histórico à época. Eu sempre digo que essa questão dos anistiados da Lei nº 8.878 não é única e exclusiva deste Governo. Eu tenho vindo muito a esta Casa fazer este debate — o Carlão também tem participado, na Comissão de Direitos Humanos — e eu sempre digo que a questão dos anistiados é mais do que uma política de Governo, ela é uma política do Estado brasileiro. Dialogando com a fala do companheiro, que tem toda a razão, o grande prejuízo foi causado à Nação brasileira. O Relator da CPI do Collor, quando o Collor sofreu o impeachment, falou em 108 mil demissões. E nós vamos dialogar com esta realidade: 108 mil pessoas foram demitidas. Isso foi um prejuízo à Nação brasileira incomensurável, talvez de dimensões que a gente não possa... Estamos buscando recuperar o Estado brasileiro, construir um Estado Democrático de Direito, de fato, e nesse processo precisamos dialogar com todas as preocupações que trazem essas 108 mil demissões, em 1990, há quase 20 anos. Eu tenho que compreender isso, quando estou tratando de um processo de remissão, de pedido de perdão do Estado brasileiro a essas pessoas. Nós estamos promovendo retornos lá na CEI; deferimos mais de 9 mil processos este ano. E pessoas estão voltando a trabalhar com 89 anos. Será que isso é um pedido de remissão do Estado? Será que a alternativa única e exclusiva de pedido de remissão do Estado é o retorno ao trabalho para uma pessoa que está com 90 anos de idade? Sempre disse que a palavra de ordem do Governo Lula é negociação. Será que a saída para... Se eu tirar hoje em torno de 37 mil pessoas que têm processos ou que voltaram ou que estão voltando, de 1994 a 2004, faltarão 78 mil pessoas. Há um potencial de retorno de 78 mil pessoas à administração pública. 9 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 Aí eu quero dialogar com os senhores. Isso tem impacto orçamentário, sim. Uma coisa é o que o Ministro falava na reunião da Comissão dos Direitos Humanos. Para esses 15 mil que têm processos tempestivos existe dinheiro, existe dotação orçamentária. E, se acabar essa dotação, o Ministro disse que a supriria. Essa é uma situação. Outra coisa é uma situação para 78 mil pessoas. Como os senhores são sabedores, a maioria dos anistiados não estão voltando para as empresas. Estão voltando para a máquina pública, para os nossos órgãos públicos. Nós temos hoje na máquina pública do Poder Executivo 550 mil servidores ativos. Nós estamos chegando ao que nós tínhamos em 1997. Com toda a reposição de concurso, de volta ao trabalho dos servidores públicos, estamos com 550 mil servidores. Nós já temos 9 mil processos deferidos. Se eu voltar, em tese, com os 78 mil possíveis pretendentes ao retorno, isso compromete ou não a gestão administrativa desses órgãos? Compromete ou não a qualidade do serviço prestado? Compromete ou não a gestão orçamentária? Então, há vários diálogos que nós temos que fazer com toda a coragem possível, para não estarmos... Em vez de estarmos recuperando algo, nós estaremos cometendo um equívoco no nosso processo de construção do Estado. Essa é a preocupação que nós, do Ministério do Planejamento, temos em relação a essa questão. Não basta só garantir o retorno, porque isso não vai significar o princípio da eficiência do serviço público. Será que nós vamos estar atendendo o princípio da eficiência? Como é que vai ficar a qualidade desses serviços com essas pessoas entrando, algumas há 18 anos fora do mercado? Algumas pessoas, é verdade, se qualificaram etc., outras não. E há esse processo todo que estamos enfrentando para capacitar as pessoas para o seu retorno, ir aos órgãos dialogar. Fizemos várias conversas nesta Casa, na Comissão de Direitos Humanos, onde foi dito: “Olha, há preconceito em relação aos anistiados”. Então, nós estamos fazendo todo um processo para despojar os gestores desses preconceitos. Será que é justo a gente fazer isso com os anistiados? Esse é um debate que nós temos que fazer, sob pena de nós pensarmos que estamos acertando, mas na verdade estarmos dando razão ao ditado “de boas 10 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 intenções o inferno está cheio”. Pode ser uma boa intenção, mas, na prática, pode ser algo não exequível, algo em que nós consigamos dialogar com as preocupações. Por último, o PL estabelece que nós temos uma... que, se a CEI estiver funcionando, deveria assumir o recebimento desses processos. Se a CEI assumir o recebimento desses processos... Eu quero dizer aos senhores que eu trabalho com a porta aberta. Todo o mundo que chega lá... Aliás, a maioria de vocês eu já atendi lá na minha sala ou na sala de reunião. Quando estão ocupadas a sala de reunião e a minha sala, a gente atende no corredor, mas todo o mundo é atendido na CEI. Eu tenho atendido muita gente, porque, com a crise econômica mundial, várias pessoas que abriram empresas em outros países e faliram estão voltando para o Brasil e dizendo: “Olha, eu fui demitido lá atrás. Será que eu não posso pedir para retornar agora?” Várias pessoas estão vindo perguntar. Não foi 1 nem 2 nem 10. Muito mais de 10 pessoas já estiveram lá na minha sala perguntando: “E aí, tem jeito?” Se essas pessoas puderem entrar com um processo, eu acabo não dando saída ao que eu tenho acumulado lá dentro. Precisamos ver como se faz esse diálogo. Precisamos pensar um pouco no processo de construção de saídas em relação a essa questão. Isso é importante, porque senão a gente pode estar dando um tiro no pé. Eu acabo não conseguindo garantir o retorno desses 15 mil processos tempestivos que nós temos lá dentro — ainda faltam analisar quase 3 mil processos. Nós estamos trabalhando lá para terminar no prazo do dia 8 de janeiro, mas o que o Carlão disse é verdade. Provavelmente, nós não consigamos terminar todos os trabalhos que cabem à CEI fazer até o dia 8 de janeiro, até porque nós temos vários pedidos de reconsideração lá dentro, além dos 2 mil processos que nós analisamos. Acho que nós precisamos dialogar com todas os matizes que essa questão nos traz, Deputado, sob pena de cometermos um grande erro, do ponto de vista administrativo. Não sei se a saída para esse grupo é o retorno ao trabalho. Pode ser uma indenização. Temos de pensar em algumas outras medidas que dialoguem de outra forma com essa questão. Se nós pensarmos... Fala-se que 68 mil pessoas entraram com o processo em 1993, 1994. Não sei se isso é uma realidade. E se há 37 mil, 40 mil, então nós temos aí um universo de 10 mil processos para analisar. Pode ser que esses 10 mil sejam algo plausível para 11 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 analisar. Agora, não tem como hoje a administração pública assumir a recolocação de 80 mil pessoas na máquina pública sem nós termos um olhar e um pensar para isso do ponto de vista da gestão administrativa, porque isso pode comprometer a administração. O debate do pessoal da liquidação que foi feito... O art. 1º da Lei 8.878 estabelece que é concedida a anistia aos servidores públicos civis e empregados da administração pública federal direta, autárquica e fundacional, bem como aos empregados das empresas públicas e sociedades de economia mista sob controle da União que, no período compreendido entre 16 de março de 1990 e 30 de setembro de 1992... A lei estabelece um prazo. A lei é clara. É injusto para com os companheiros da liquidação? Acho que é injusto. Mas eu tenho que cumprir a lei. Eu não posso agir contra legem. Eu tenho que agir dentro do que está na legislação. Precisamos pensar em alternativas em relação a essas questões? Precisamos. E geralmente os melhores quadros da administração ficaram na liquidação. Então, precisamos até pensar se é para retornar, como fazer, qual é a alternativa. Agora, temos que compreender isso e fazer um balanço. Precisamos ter uma ideia da dimensão da questão. Alguns dizem: “Não são 80 mil pessoas”. Nós já conversamos sobre isso. “Não são 80 mil. É muito menos do que isso. Muita gente morreu, muita gente não vai querer voltar etc.” É verdade. Há todas essas questões. Mas tenho que trabalhar com todas as possibilidades. Ainda que eu exclua os falecidos, há 70 mil que poderão ter o direito ao retorno. E tenho que analisar isso à luz da máquina pública de que disponho. Há vários processos deferidos e várias pessoas para as quais não consigo colocação. Em Brasília, há quase 200 pessoas, e há uma estrutura administrativa grande aqui. Estamos “desprivatizando”, “desterceirizando” todos os Ministérios e Secretarias com status de Ministério. Estamos encerrando as terceirizações inadequadas, que ferem o decreto de 1997. Os órgãos estão aceitando pessoas, e, ainda assim, não temos conseguido colocação para quase 200 pessoas. Então tenho que ter um olhar para a máquina pública à luz dos problemas que tenho, para não fazermos algo que venha depois a depor contra nós mesmos. E, em 12 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 vez de comemorarmos uma vitória, um acerto em relação a essa questão, teremos dado um tiro no pé. É preciso buscar esse diálogo entre o Governo, a representação dos anistiados e a própria Câmara dos Deputados, no sentido de fazermos um debate que dialogue com a nossa realidade, não a comprometendo em relação à qualidade e à eficiência dos serviços públicos. Essa é a nossa preocupação. Estou aqui com a mensagem de que, da forma como está, o PL não dialoga com a nossa realidade administrativa. Ele não compõe, do ponto de vista do que é necessário, para que a gente possa implementar uma solução para o problema sem comprometer a qualidade administrativa, quer sob o aspecto da gestão, quer sob o aspecto orçamentário, quer sob o próprio entendimento que temos trabalhado nesses últimos 7 anos do Governo Lula de fortalecer o Estado brasileiro, consolidar a máquina pública, para que ela dê resposta e para que tenhamos serviços de qualidade. Precisamos dar esse salto de qualidade. Dito isso, há uma última questão. Muita gente tem me perguntado se, deferido o processo do anistiado, ele só tem direito a alguma vantagem pecuniária a partir do seu retorno, conforme o art. 6º da Lei nº 8.878. É só após o retorno. Não é a partir da publicação da portaria. Só após o retorno ele tem direito a alguma coisa. Fora isso ele não tem direito. Se é justo ou injusto podemos até fazer esse debate, mas do ponto de vista legal ele só tem direito após o seu retorno ao trabalho. Temos que buscar resolver todas as demandas já existentes para esses anistiados, temos que buscar dar esse salto de qualidade e dialogar com vocês sobre todas essas preocupações, no sentido de que isso não venha a comprometer a Administração Pública Federal. Obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Roberto Britto) - Agradecemos a exposição ao Sr. Idel Profeta, Presidente da Comissão Especial Interministerial do Ministério de Planejamento, Orçamento e Gestão. Informo que recebi comunicado do Deputado Vignatti, Presidente da Comissão de Finanças e Tributação. S.Exa. deveria participar desta audiência pública, mas não foi possível. Também os Deputados Pedro Wilson e Luiza Erundina, por questões outras, não puderam participar desta audiência. 13 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 Ouvimos os expositores. Agora vamos passar aos debates. Comunico que todos os presentes podem participar do debate. São 2 minutos para a formulação das questões, e os expositores terão 3 minutos para respondêlas. Passo a palavra ao Sr. David Villar Filho, para sua pergunta. O SR. DAVID VILLAR FILHO - Estou aqui representando uma empresa que foi extinta no Governo Fernando Henrique Cardoso. O representante da Federação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários e Afins, nessa Mesa, o companheiro Ricardo Ponzi, já se referiu ao Lloyd Brasileiro. Mas fora ele outras 7 empresas foram extintas no Governo Fernando Henrique Cardoso. O nosso entendimento é o de que se, no Governo Collor, houve demissões por perseguição política, mais do que perseguição política e demissão, no Governo Fernando Henrique houve um abrupto desmonte do Estado brasileiro. Há companheiros de outras empresas que podem falar a respeito delas, mas quero me ater ao Lloyd Brasileiro. Como o Ponzi disse, o Lloyd era a empresa que regulava o comércio marítimo do Brasil com todas as outras nações, com todos os outros Estados. Com a extinção do Lloyd Brasileiro, todas as outras empresas de navegação particulares que viviam por conta do Lloyd (50% estatal e 50% privado) acabaram nas mãos de empresas estrangeiras. Desculpe-me, Deputado Roberto Britto, mas infelizmente a maioria dos Deputados e Senadores não sabe, não entende e não tem informações sobre o que é o comércio marítimo brasileiro. Se soubesse isso, tenho certeza de que o Congresso Nacional pediria ao Governo Federal, ao Executivo, a volta da empresa. Deixamos para as empresas estrangeiras em torno de 20 bilhões de dólares anuais em fretes e afretamentos, por não termos uma empresa de marinha mercante. Não estou falando de uma empresa estatal, mas de uma empresa de navegação brasileira, que pode ser privada ou não. Eu gostaria que a Comissão de Legislação Participativa visse com bons olhos o projeto de lei que foi encaminhado pelo companheiro Ricardo Ponzi, o qual pede anistia para os demitidos das empresas extintas no Governo Fernando Henrique Cardoso. (Palmas.) É só isso. 14 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 O SR. PRESIDENTE (Deputado Roberto Britto) - Agradecemos a contribuição ao Sr. David Villar. Pergunto se há alguém da Mesa que gostaria de fazer algum comentário sobre o que foi dito pelo Sr. David. Concedo a palavra ao Sr. Idel Profeta. O SR. IDEL PROFETA RIBEIRO - A fala do David me parece bastante interessante, e nela há 2 aspectos. O primeiro deles é a caracterização do Governo Fernando Henrique, que foi eleito sob a égide de promover a diminuição do Estado — e assumiu essa característica. Nessa época eu era sindicalista e me lembro de que todo o movimento sindical, por unanimidade, fez campanha contra os pedidos de adesão, contra o PDV etc. Toda a máquina sindical fez campanha contrária a isso. Durante o Governo Collor, por mais que ele falasse que ia caçar marajás etc., a política do Collor não era só de redução do Estado, em defesa do Estado mínimo. Na verdade, o ponto central do Governo Collor é que ele não conseguia conviver com uma Oposição forte. O Collor ganhou do Lula, que teve 40% dos votos. E havia uma organização social muito forte e uma pressão popular muito grande. Como o Collor atuou para diminuir essa pressão popular? Ele não podia atacar os sindicatos, mas podia atacar as empresas públicas, um setor sob forte organização da CUT e do PT àquela época. Foi justamente o que ele fez: fechou empresas, sindicatos, postos de trabalho. Então ele optou por uma redução do Estado à luz de uma visão política de ataque ao que era a Oposição. E esse eu chamo de o maior atentado à nossa história republicana e à nossa história democrática. Por isso que a anistia ao Governo Collor virou uma lei em 1994, estabelecida pelo Sr. Itamar, e o processo das demissões do Governo Fernando Henrique, por mais que tenha toda a legitimidade, como o senhor falou que foi um prejuízo para o País do ponto de vista da sua administração, dos seus equipamentos, dos seus aparatos administrativos, a concepção política que está por trás das duas situações são diferenciadas. Elas não têm a mesma lógica que foi implementada. Uma foi fruto de uma situação, tanto é que, quando discutimos a questão da anistia do Governo Collor nesta Casa, nós temos o apoio de todos os Parlamentares, da Oposição e da Situação. 15 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 Não é um debate que nós tenhamos aqui... É um debate que nós tratamos como uma situação do Estado brasileiro, como o Estado brasileiro pede remissão a esse atentado político à nossa história democrática, diferentemente da situação do Governo Fernando Henrique, que tinha a maioria na Câmara e que fez seus gestos e suas mudanças prejudiciais sim à Nação brasileira, como o senhor bem falou, mas vamos dizer que num outro campo, num outro ambiente político. Obrigado, Deputado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Roberto Britto) - Passo a palavra ao Sr. Wilson, para sua pergunta. O SR. WILSON - Boa tarde, senhores membros da Mesa e ao plenário. Já estou anistiado pelo BNDES. Felizmente esta Comissão que está instalada, que está atuando no Ministério do Planejamento tem feito um trabalho que não foi feito durante todos esses anos. Quero agradecer. Lá no BNDES nós somos 97 companheiros anistiados e estamos aguardando nossa portaria de retorno. Estou aqui em solidariedade aos companheiros que foram também demitidos na época do Governo Collor, de 1990 a 1992, e gostaria de fazer algumas reflexões. A primeira em relação a como nós poderemos ajudar esses companheiros e companheiras que foram demitidos injusta e covardemente na época do Governo do ex-Presidente Fernando Collor de Mello. Ora, na ditadura militar, nas décadas de 70 e 80, vários companheiros, inclusive companheiros meus, foram perseguidos, mortos, muitos morreram, desapareceram, e nós sabemos que atualmente há um quantitativo grande de anistiados pela lei da anistia política. E a cada dia que passa aparecem mais companheiros com direito a essa anistia. E uma situação semelhante. Eu lembro essa história porque foi muito triste na luta dos trabalhadores do nosso País. Eu faço esse paralelo porque a nossa luta de 1990 não foi... Óbvio que na ditadura militar foi uma coisa sanguinária, sumiram com pessoas inocentes, fizeram muita covardia, mas também em 1990, na época do Governo Collor, companheiros se suicidaram, várias famílias se esfacelaram. Hoje em dia, os filhos desses anistiados estão com 18, 19 anos e não souberam o que é ter um pai dentro de casa, porque foi demitido covardemente pelo Sr. Collor de Mello. Como resgatar esses direitos, companheiros? Agora, nós, que temos um 16 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 compromisso socialista, que temos nossas concepções socialistas, temos de sim buscar uma saída para esses companheiros que não tiveram oportunidade. Eu, que era sindicalista, que fui perseguido dentro da empresa, quando a ficha caiu, eu já estava quase que perdendo o prazo para fazer o requerimento. Já não queria na época fazer, porque achava que aquela coisa não daria certo. Mas mesmo assim fiz o requerimento, eu e meus companheiros. Lá no BNDES, 365 companheiros foram demitidos, e só 167 entraram com requerimento e somente hoje 97 voltaram aos quadros do BNDES. Hoje, a máquina pública tem deficiência. Outro dia li no Correio Braziliense que o Governo está com uma carência de mais de 130 mil servidores públicos e que está com vários concursos abertos. inclusive, o número de terceirizados que hoje estão na máquina pública ultrapassa 100 mil trabalhadores. Então, vejam companheiros, se nós começarmos a analisar os números hoje, é possível estimar que no BNDES, por exemplo, mais de 20% dos companheiros já faleceram. Se jogarmos esse quantitativo para os 106 mil, nós sabemos que mais ou menos em torno de 20 mil companheiros desses já foram embora, perderam, morreram. Obviamente que seus dependentes terão direitos. Nós sabemos que muitos já se aposentaram e não querem voltar. Então, vamos diminuindo. E já voltaram mais de 10 mil ou 15 mil companheiros aos seus postos de trabalho. Mas eu acho que mesmo assim nós temos de buscar o Governo para negociar, porque a grande maioria desses companheiros estão assim, com a cabecinha branca, já ultrapassaram os 50 ou 60 anos de idade, e quem sabe o nosso Presidente Lula possa receber uma Comissão, dialogar conosco, trabalhadores que queremos que se faça justiça a esses companheiros, e seja dada a eles uma aposentadoria, como foi dada aposentadoria para os anistiados políticos. Nós temos de buscar uma saída. O que nós não podemos é deixar de fazer justiça a esses companheiros, porque é repetir a história da ditadura militar, repetir o erro do Sr. Fernando Collor de Mello, que pôs na rua mais de 100 mil trabalhadores. Muito obrigado. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Roberto Britto) - Alguém da Mesa gostaria de comentar? Carlos Alberto, com a palavra. 17 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 O SR. CARLOS ALBERTO - Sr. Presidente, em cima da fala do Wilson, quero concordar com essa oposição no sentido de que os companheiros que foram demitidos durante o Governo Collor tiveram 60 dias, não é isso? Não foram 60 dias para entrar com o requerimento? Quer dizer que o mesmo companheiro que foi demitido nesse mesmo período, depois de 60 dias e 1 minuto está fora. A Justiça agora não serve mais para ele, porque depois de 60 dias e 1 minuto ele estava fora. Ele foi demitido durante o Governo. A forma de comunicação foi muito difícil, por meio do Diário Oficial. Então, acho que o Governo mesmo tem de assumir, como fez agora com a anistia, o erro de a comunicação ter sido feita dessa forma, o que fez com que muitas pessoas ficassem de fora. Como o Wilson falou, muitos estão de cabeça branca, às vezes não se especializaram, não trabalharam. Lembro que há um parágrafo, se não me engano na Norma 4, o § 13, que diz que é obrigação do Governo capacitar esse pessoal que ficou de fora do mercado. Está na lei, se eu não me engano. Eu posso depois verificar isso com certeza, mas está escrito que é função do Governo preparar ou capacitar esse pessoal. E mesmo que não haja essa capacitação... Por exemplo, eu sou funcionário do Ministério do Planejamento também e lá há empregos terceirizados para o pessoal carregar processo. Esse tipo de trabalho também é útil, porque se retira uma pessoa que está fazendo um trabalho técnico para fazer esse tipo de coisa. Então, eu acho que há campo para todo mundo. Ele mesmo disse que concursos estão sendo abertos, todo mês há 5 Ministérios com concurso aberto — Comunicações, MDS, IPHAN. Pode olhar no Correio Braziliense que há um monte. Eu acho que, dentro dessa realidade, se poderia até deixar reservada uma porcentagem para esse pessoal anistiado que está voltando. É função do Governo, depois de esse pessoal voltar, já que não tem preparação, prepará-los, capacitá-los, de forma a se adequarem à realidade atual. Nós sabemos que, por exemplo, há a questão orçamentária. Nós temos de lembrar que se o projeto de lei passar, isso pode refletir em 2010, 2011, 2012, não sabemos. Então, há vários orçamentos aí pela frente. Não quer dizer que voltarão todos esses, sei lá, 30, 40 ou 50 mil no ano que vem, até porque há um trabalho para analisar os 18 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 requerimentos desse pessoal. Muita gente pode até não ter direito, não está enquadrado nas regras da Lei nº 8.878, de 1994. Acho que precisamos realmente reavaliar esse tipo de coisa. Como já foi dito pelo Wilson, temos de fazer uma justiça total. À justiça pela metade não sei o nome que se dá, não sei se há um termo para definir isso. É isso, pessoal. (Palmas.) O SR. PRESIDENTE (Deputado Roberto Britto) - Passo a palavra à Sra. Magda Rosa. A SRA. MAGDA ROSA - Boa tarde a todos. Eu ia dizer o que companheiro que falou na minha frente disse. Queria falar sobre esse número de anistiados, que estão dizendo que é de 80 mil. Na verdade, como ele explicou, não existe esse número de 80 mil. Muitos fizeram concursos, estão nos seus empregos, outros já faleceram, já abriram empresas, porque tem 20 anos que isso ocorreu e alguma coisa foi feita. Eu fui demitida pelo Governo Collor. Na época, eu havia acabado de ganhar neném. Minha filha hoje está com 19 anos. Trabalhei por conta própria por muitos anos, depois não deu certo. Perdi o prazo porque eu não residia em Brasília no período do recadastramento de 2004. Cada caso é um caso, são casos diferentes, cada pessoa aqui presente ou não tem interesse ou não em retornar ao trabalho. É isso que eu queria ressaltar, que o amigo falou na minha frente e até citou esse exemplo que ocorreu. Muita gente desistiu, não existe mais, já fez outras coisas. Quanto ao fato de não estarmos mais qualificados, pois já estamos há 20 anos sem trabalhar, em todo lugar hoje em dia existe um treinamento, como o Carlão ressaltou, a própria lei nos garante. Se chegarmos em algum lugar para trabalhar, se der tudo certo, todo mundo vai ser treinado de uma forma ou de outra, ninguém vai ficar lá a ver navios, pensando no que fazer. Obrigada. O SR. PRESIDENTE (Deputado Roberto Britto) - Agradecemos à Sra. Magda. Alguém quer comentar alguma coisa? O SR. IDEL PROFETA RIBEIRO - Em primeiro lugar, acho que temos acordo entre nós de que precisamos resgatar essa parte da história brasileira. Como falei, acho que é o maior atentado político à nossa história republicana. E, nos poucos 19 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 anos de democracia que temos em nossa história republicana, essa é uma mácula que precisamos resgatar. Só não sei se a alternativa — estou discutindo isso com os senhores — é fazer as pessoas retornarem ao trabalho. Não sei se essa é a alternativa, repito. Pode não ser 80 mil se eu trabalhar com os números da CEI, das pessoas que analisamos os processos. Se eu pegar, do quantitativo geral dos processos, os falecidos, os que desistem porque já passaram em outros concursos, isso não dá 10%. Se eu pegar 10% de 80 mil dá 8 mil, faltam ainda 72 mil. Não são 80 mil, mas tenho de trabalhar com um universo. Se não são 80 mil, está próximo disso, o que é muito para a máquina pública absorver. É isso que estou dizendo aos senhores. Quero fazer esse diálogo franco com os senhores. Essa problematização que estou fazendo é porque isso coloca em risco o serviço público. Temos de ter clareza para saber se é essa a alternativa. A alternativa é essa para esse setor de pessoas ou não? Quanto ao que a Magda falou, que perdeu o prazo porque não estava aqui em Brasília, ou outro que alegou que estava com o meu filho doente, etc. e tal, é justo que cada um seja tratado de forma diferenciada, que foi o que o Carlão ressaltou? Não acho que seja justo, mas é o que está na lei, que disse que havia um prazo de tanto a tanto para você fazer opção. Tenho de me pautar pelo que está na legislação, não eu, todos nós. Estamos num Estado Democrático de Direito e temos que nos pautar pela lei. Temos de resolver os problemas que a lei não resolve? Temos. Vamos buscar saídas para isso. Mas a saída neste momento para essa situação não dialoga com a nossa compreensão de serviço público. Essa é a problematização que quero fazer aqui, para que dialogássemos. A capacitação está ocorrendo, os anistiados estão sendo capacitados. Falei do preconceito, inclusive há muita gente anistiada com capacidade para exercer cargo superior ao que elas ocupavam. Temos muitas secretárias bilíngues das empresas que estão voltando hoje e dando um show. Estão todos brigando por elas. Assim também é com o pessoal que era auxiliar administrativo e fez curso de contabilidade, técnico de contabilidade, faculdade de contabilidade. Eles também estão dando show na administração. Há muita gente boa voltando para a administração pública e mais qualificada e há outras que não. Temos várias situações para administrar em relação aos anistiados. 20 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 Por isso que estou dizendo que, do ponto de vista da gestão, 70 a 80 mil pessoas, precisamos saber como vamos lidar com isso. Temos uma realidade em que a maior parte dessas pessoas estão em 2 Estados, Rio de Janeiro e Brasília. Essas são as cidades em que há as maiores concentrações. As pessoas também não estão espalhadas pelo Brasil inteiro, de forma que um anistiado do Amazonas eu loco ele mais rápido do que um anistiado de Brasília, eu consigo arrumar um lugar para ele ou aqui na Região Centro-Oeste, no Norte ou mesmo no Nordeste, onde há mais facilidade de resolver esse problema que em outros lugares. O que estou dizendo para os senhores é que a palavra de ordem do Governo é negociar. Como está, o PL está difícil para nós, porque isso, aos nossos olhos, lá do Ministério do Planejamento, nos compromete. Topamos pensar numa alternativa? Topamos. Mas precisamos ver o marco disso, quais são os marcos em relação a essa questão. Isso não conseguimos vislumbrar ainda. Talvez o movimento, que é mais sábio que nós e tem mais interação com a administração pública, consiga uma resposta. Nós não conseguimos ainda vislumbrar uma alternativa. Eu vim pensando em como é falar para uma pessoa de 78 anos que ela está anistiada e ganhou o direito de voltar ao trabalho. Não sei que ganho é esse para uma pessoa de 78 anos. Talvez pudéssemos estabelecer uma indenização, uma formatação diferenciada, os mais novos aproveitarmos na máquina pública e para os mais velhos criarmos um tipo algum tipo de bônus, de indenização, não sei. Mas é preciso pensar em alternativas em que casemos as 2 coisas e consigamos dar esse salto de qualidade em relação a essa questão e que isso não venha a comprometer a máquina pública. Mas o PL, por si só, estamos entendendo que ele não dialoga com a nossa compreensão, com os princípios da eficiência, da qualidade e tenho que vir aqui e ser honesto com vocês porque senão vocês vão achar que... Era essa a minha contribuição, Deputado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Roberto Britto) - Eu quero saber do Idel qual é a posição da Comissão Especial Interministerial quanto à proposta hoje que temos tramitando na Casa, um PL que visa a reabertura de prazo por mais 1 ano. Qual é a sua ideia sobre isso? É possível? Não é possível? Qual é a ideia concretamente? O SR. IDEL PROFETA RIBEIRO - É o que tenho tentado expor para os senhores. Como está, o PL abre de uma forma geral os prazos em relação à opção 21 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 e pode possibilitar que mais de 80 mil pessoas retornem à administração pública, ou em torno disso. Não temos o número de processos cadastrados, e mesmo esses 108 mil peguei da fala do Deputado Lavoisier Maia, que foi o Relator da CPI do impeachment do Collor e já é até falecido. Essa questão numérica é muito fluida, vamos dizer assim, porque hoje temos um controle de processos central. À época não existia. Então, não sabemos quem entrou com processo, quem não entrou, para ter essas dimensões de quantas pessoas são, qual é o tamanho desse universo em relação a pedidos. Tenho recebido na minha sala muita gente dizendo o seguinte: “Olha, eu estava lá em Paris, minha firma fechou, e eu queria saber se tenho direito a anistia e coisa e tal ”. Ou então: “Eu estava na Bolívia, abri uma firma e coisa e tal, minha firma fechou, faliu, veio a crise econômica mundial, etc”. Ou: “Eu não entrei com pedido nem 2004 nem em 1994. Posso voltar? Tenho chance à anistia?” O que eu respondo é: “Acompanhe o PL nº 5.030”. Mas essa situação como está, com 70 a 80 mil pessoas, compromete os serviços públicos, compromete do ponto de vista orçamentário, da gestão, da eficiência, da qualidade. Então, essa é problemática que o Ministério do Planejamento quer trazer para os senhores. Achamos que essa não é saída, que isso não dialoga com o que nós estamos construindo. Compromete os trabalhos da CEI à medida em que o PL diz que nós vamos receber. Então, tenho 2 mil processos lá. Vou parar para receber mais 50 mil a 60 mil processos. Então, não vou dar entrada. Essa a problemática em relação à questão é que eu queria trazer. Hoje, para nós, isso complicado. O PL, como está, se for aprovado dessa forma, vai talvez trazer um grande ônus para a administração pública. Pode até ser que não, que eu esteja com a expectativa errada, como o Carlão disse e vários dos senhores disseram: “Ah, não deve ser 70 mil, não deve ser 80 mil. É muito menos. Muita gente morreu, etc. e tal.” Pode ser um número menor, e isso não compromete a administração pública. Como pode ser um tamanho gigantesco — nós não temos essa dimensão —, e isso vai comprometer o serviço público. Então, o papel do Ministério do Planejamento é trazer esta problemática à tona. Estamos dizendo que é possível negociar, é possível pensarmos em alternativas, etc. Agora, como está, sem nós termos essas dimensões mais claras, é 22 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 difícil nós dialogarmos de forma pró-ativa em relação a essa demanda que os senhores estão apresentando. Quero ser bastante franco em relação a isso. O SR. PRESIDENTE (Deputado Roberto Britto) - Quero registrar presença do Sr. Deputado Fernando Ferro. Passo a palavra ao Sr. Carlos Alberto. O SR. CARLOS ALBERTO - Deputado, inclusive, que sempre nos apoiou nessa luta, durante muito tempo. Não é, Deputado? Já estivemos várias vezes com o Deputado Fernando Ferro. S.Exa. sempre foi um apoiador dos anistiados. Essa questão de número é uma muito polêmica, Idel. Nós já solicitamos — temos uma parceria com o DIEESE — um trabalho dentro do sindicato. Ele tem um trabalho para a gente. Então, já pedimos ao DIEESE que faça um estudo, se não exato, bem próximo. Já temos esse pedido para lá. Não sei quanto tempo deve demorar. Nós pedimos celeridade. Mas essa questão de número é muito polêmica. Então, nós precisamos realmente ter uma coisa mais fechada. Mas eu faço uma pergunta, assim, até mesmo caso esse número fosse superdimensionado. Segundo está aqui, 80 mil pessoas seria algo ruim para máquina. Agora, eu pergunto o contrário. Se esses 80 mil estivessem na máquina ainda, a máquina estaria falida? É o que eu queria saber: a máquina estaria falida se esses 80 mil estivessem trabalhando? Eu acho que o Governo ia ter uma solução para isso: já teria aposentado muita gente, muita gente não estaria nem retornando, 30% já estaria, no mínimo, aposentada, porque sabemos disso. Ele criou um problema. Não é isso? E, segundo o Idel mesmo disse aqui, hoje nós somos 500 e tantos mil funcionários públicos ativos. Então, esse número representa 10%. Também se fizermos um parâmetro diferente do que o Idel está falando em termos de número para cima, se eu fizer um parâmetro ao contrário, igual eu disse, se eles estivessem trabalhando, estaria falido o serviço público? São 10% do atual do número dos servidores que estão ativos. Então, acho que isso não é muito difícil de nós resolvermos. Acho que há possibilidade. Dentro dessa abordagem, espero que, até para colaborar com a Comissão, nos aproximemos bastante do número exato. Vamos aguardar esse estudo do DIEESE. Vamos aguardar esse estudo do DIEESE. Quando voltarmos, quando 23 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 sairmos daqui e formos ao sindicato, vamos cobrar para ver se nós equacionemos isso melhor. O SR. PRESIDENTE (Deputado Roberto Britto) - Passo a palavra ao Sr. Ediberto Coelho. O SR. EDIBERTO COELHO - Quero levantar uma questão aqui a respeito dos que foram demitidos no Governo Fernando Henrique. Temos uma empresa de colonização no sudoeste do Maranhão, região pré-amazônica, que tomava conta de 1 milhão de hectares. Foi um projeto idealizado pelo saudoso Ministro Celso Furtado. Esse projeto cumpriu função social extraordinária. Ele serviu, de certa maneira, para absorver aqueles contingentes de trabalhadores que vieram para o Nordeste expulsos pelo latifúndio. Essas pessoas ficaram, de certa maneira, nessa área com a assistência dessa empresa. A empresa vinha cumprindo seu papel social com dificuldades, mas vinha cumprindo. Hoje temos cerca de 15 Municípios dentro dessa área graças ao trabalho dessa empresa, que, quando o Governo Collor assumiu, passou a ser mencionada como na iminência de ser extinta. E de lá para cá veio se desdobrando essa questão, os recursos foram minguando, e o Governo Fernando Henrique ultimou o processo de extinção da empresa. Como sabemos, foi uma política única, uma filosofia de Governo de Estado mínimo que foi além do Governo Collor e se materializou com maior profundidade no Governo Fernando Henrique. Essa empresa foi extinta, hoje esses trabalhadores estão praticamente sem assistência, o INCRA não tem pessoal para gerir esse projeto. E um fato muito curioso é que o pessoal que começou a sair no Governo Collor, quando começou o processo de desmonte da empresa, a minoria foi readmitida, e a grande maioria, que continuou trabalhando até a extinção da empresa no Governo Fernando Henrique, não consegui mais voltar. Temos a mesma empresa extinta com parte do pessoal voltando, porque saiu no Governo Collor, e a grande maioria ficou injustiçada, não voltou porque foi demitida em um Governo posterior. A mesma empresa absorve uma parte do pessoal, e a sua grande maioria fica praticamente jogada. Há todas essas injustiças. Anistia geralmente é para reparar injustiças. A injustiça foi cometida pelo Estado brasileiro. Uma concepção política implantada no 24 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 Governo Collor e que teve segmento no Governo Ferrando Henrique, ainda com maior profundidade e mais estruturada. Esse pessoal ficou praticamente abandonado. A nossa Constituição fala da dignidade da pessoa humana. Como é que ficam essas pessoas que perdem o emprego após 20 anos de dedicação em uma região endêmica, lutando contra as próprias adversidades? Essas pessoas envelheceram nessa luta e de uma hora para outra são mandadas embora. Uns voltam porque saíram no Governo Collor, um contingente significativo, e outra grande parte bateu às portas da CEI e, apesar da boa vontade da CEI, nada pode fazer sob a alegação de que a lei amparava o pessoal do Governo Collor. Essa é a razão, considerando as demais empresas que foram extintas no Governo Collor, porque estamos, em âmbito nacional, no entendimento de que seja equacionada essa questão. Porque injustiça quando é cometida pelo Estado é coisa difícil de ser reparada. Somente o Poder Legislativo pode reparar essas injustiças. E é por isso que estamos aqui perante os Srs. Parlamentares fazendo esse pleito. E há a dignidade da pessoa humana. Esse pessoal trabalhou a vida toda e, de uma hora para outra, ficou aí abandonado, como se nenhuma contribuição tivesse prestado à sociedade. Sabemos que a boa vontade da Comissão Especial Interministerial, com o Sr. Idel Profeta, é realmente extraordinária. Ele realmente se destacou entre todos os outros, sem desmerecer os demais. Mas muita coisa precisa ser feita. Agora, é bem verdade que às vezes o Estado não pode absorver muitos que fazem parte desse pessoal. Então, que apresente alternativa: indenize aqueles que não querem voltar, mas permita que voltem ao emprego, restaure a dignidade daqueles que querem voltar a trabalhar. Essa é a nossa questão e estamos nessa luta pedindo o maior empenho dos Srs. Deputados nessa tarefa. O SR. PRESIDENTE (Deputado Roberto Britto) - Eu quero saber do Idel se ele tem o número exato de anistiados do Plano Collor até o momento. O SR. IDEL PROFETA RIBEIRO - Exato? O SR. PRESIDENTE (Deputado Roberto Britto) - Mais ou menos. O SR. IDEL PROFETA RIBEIRO - Tenho. Até 2002, em torno de 15 mil. Considerando que a CEI já analisou 9 mil processos — agora esse dado está 25 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 atrasado —, já analisou 11 mil processos, sendo 9 mil deferidos e 2 mil indeferidos, dá em torno de uns 26 mil processos analisados mais ou menos. (Intervenção fora do microfone. Inaudível.) O SR. IDEL PROFETA RIBEIRO - Em torno de uns 20 mil. O SR. PRESIDENTE (Deputado Roberto Britto) - Eu gostaria de passar a palavra ao Deputado Fernando Ferro. O SR. DEPUTADO FERNANDO FERRO - Sr. Presidente, senhores debatedores, peço desculpas porque eu estava em outra atividade, mas passei aqui para saudá-los. Eu tenho acompanhado esse processo há muito tempo e realmente nós enfrentamos dificuldades de várias ordens. Uma, em algum momento, era a má vontade ou a vontade política de não aceitar e não concordar com essa lei. No Governo do Presidente Lula, que foi onde se sistematizou esse processo, mesmo assim, nas equipes iniciais que ficaram nesta Comissão Especial Interministerial, estava cheio de tucano. Tucano não digo, está na cabeça, que queriam o Estado mínimo, diziam que esse pessoal não presta, não é para aceitar, e criaram dificuldades. Foi um negócio sério que nós enfrentamos. Depois, posteriormente, houve uma compreensão, inclusive porque isso foi, primeiro, uma decisão da Câmara dos Deputados, um projeto aprovado aqui e uma vontade do Governo para promover a recuperação e a reintegração dessas pessoas. Então, passamos evidentemente a ter uma outra dinâmica, e isso é muito importante. Mas é bom reconhecermos que, nesse processo, eu vivi isso diretamente, quando se demitiu, houve gente que estava tomada por essa ideia do Estado mínimo entre os trabalhadores. Eu ouvi comentários de pessoas dizendo o seguinte: “Ah, eu vou pegar o PDV agora, vou sair, porque não tem mais futuro isso aqui. Vocês que são bobos que fiquem aí nessas empresas. Isso aí não tem futuro, não. Vou ganhar dinheiro lá fora”. Algumas dessas pessoas estão tentando entrar, inclusive pegar uma carona no projeto de lei e passar por anistiado. Também teve isso: esperteza e malandragem. Evidentemente não é nosso papel ficar denunciando, mas, se for para fazer de fato um trabalho sério, temos de reconhecer que há uma dificuldade nessa seleção para você não cometer injustiças também desse tipo. 26 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 Agora, nós sabemos também que algumas pessoas aderiram ao PDV porque estavam com a faca no pescoço. Diziam a eles que a opção era aderir ao PDV ou ser demitido. Então, realmente, nós teríamos de encontrar algumas situações que caracterizassem esse assédio moral que foi praticado contra várias pessoas e levou a essa situação. É um negócio meio delicado fazer isso, mas, de qualquer maneira, acho que estamos chegando a um desfecho importante que faça justiça àqueles que foram anistiados e para as pessoas que foram levadas à situação praticamente de demissão, com o nome de PDV. É irônico, mas vemos passar pelo corredor algumas pessoas com a seguinte inscrição na camisa: “PDV nunca mais”, mas nas empresas há um movimento pró-PDV. Outro dia eu estava numa empresa de eletricidade e o pessoal disse: “Nós queremos um PDV”. Eu disse: “Olha, cuidado com esse negócio”. Na verdade, tem de haver um esforço para esses critérios. Mas só estou comentando isso para mostrar como não é simples essa tarefa e como a Comissão Especial lidou com realidades muito complicadas. Mas eu acho que está havendo um andamento importante e se está recuperando. Na semana passada mesmo eu participei na CHESF — Companhia Hidroelétrica do São Francisco — da reintegração dos primeiros 8 funcionários da companhia. E nós ainda temos um problema, que é a adaptação das pessoas ao local do trabalho. Há alguns que foram evidentemente afastados da sua profissão, outros que trabalhavam em cargos que foram extintos e há até um certo preconceito da parte dos atuais funcionários com a volta dessas pessoas. Há comentários do tipo: “O que vocês estão fazendo aqui? Vocês vão fazer o que aqui?” Então, temos de ter um trabalho de acompanhamento para que as pessoas sejam respeitadas em seu direito, porque, na verdade, não é nenhum favor que se está fazendo, não é nenhuma benesse que se está dando. Trata-se do cumprimento de uma lei que reconhece uma injustiça que foi praticada lá atrás. As pessoas, portanto, têm de ser respeitadas por isso. Quero encerrar minha fala perguntando o seguinte ao Idel: em termos da Comissão Especial, há um prazo para a extinção desta Comissão? Como está o cronograma? Desculpa, posso até estar fazendo uma pergunta que já foi feita antes, mas é que eu cheguei tarde aqui e estou só querendo ter uma ideia de qual é o 27 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 cronograma da Comissão Especial, se existe uma previsão do encerramento dos trabalhos. Muito obrigado, Presidente. E desculpe o atraso, mas fui levado a essa situação por conta de outros compromissos. O SR. PRESIDENTE (Deputado Roberto Britto) - V. Exa. é sempre bem-vindo e enriquece os nossos debates. Com a palavra o Sr. Idel. O SR. IDEL PROFETA RIBEIRO - O Deputado Fernando Ferro tem contribuído bastante com esse processo de avanço no debates das anistias, no retorno das pessoas. S.Exa. tem sido uma pessoa bastante atuante. Com relação ao cronograma da CEI, a portaria que revigorou a CEI estabeleceu o prazo de 1 ano. Então, o cronograma da CEI, segundo a portaria, termina dia 8 de janeiro de 2010. Mas nós temos 2.100 processos por analisar e mais 200 pedidos de reconsideração. Nós estamos achando que esse prazo que nós temos de 2 meses e 11 dias é inviável para concluir todos esses trabalhos. Já conversamos internamente dentro do Ministério e há disposição para que prorroguemos o término da Comissão por mais um período e que resolvamos essa demanda que está reprimida lá dentro. Isso é tranquilo. Também não há prejuízo. As pessoas perguntam assim: “Como o ano que vem é um ano eleitoral, há prejuízo em relação aos retornos?” Não há prejuízo nenhum, porque vocês não voltam como servidores públicos. A maioria volta como empregado público, que é o que eram à época, conforme o parecer da AGU. Voltam para o cargo de origem, com o nível, a classe e o padrão que tinham à época. Então, não há prejuízo pelo fato de ser um ano eleitoral. Acho que isso esclarece a fala do Deputado. Só para dialogar um pouco com a tua fala, Ediberto, esse PL não resolve o problema da liquidação. Quanto ao PL 5.030, de 2009, o pessoal que ficou na liquidação, que está fora do prazo da demissão, não dialoga com isso. Mas há o PL nº 175, de 2009, da Deputada Emília Fernandes. Esse, sim, resolveria essa questão da liquidação. Algumas pessoas falaram de direitos previdenciários à pensão, etc. Isso também o PL não resolve. Isso está no PL da Deputada Andreia Zito. É outra coisa. 28 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 Então, há vários PLs que dispõem sobre a anistia. Por isso que digo que essa questão é mais do que governamental, é do Estado brasileiro. Como bem disse o Deputado Fernando Ferro, há um pedido de remissão do Estado brasileiro. Ninguém está sendo agraciado ou ganhando nada de mão beijada, entrando pela porta dos fundos. Está havendo um processo de pedido de perdão do Estado brasileiro por conta dessa injustiça que as pessoas sofreram. Dito isso, vou considerar esta como minha intervenção final. Agradeço ao Deputado Roberto Britto a brilhante coordenação dos trabalhos. Quero agradecer a presença e fazer uma saudação a todos. Esse processo de troca entre nós é que vai garantir uma saída para essa questão, que seja a bom termo, que satisfaça todos os interesses, sem prejudicar a Administração Pública Federal. Obrigado. O SR. PRESIDENTE (Deputado Roberto Britto) - Para as suas considerações finais, tem a palavra o Sr. Carlos Alberto. O SR. CARLOS ALBERTO - Quero lembrar ao Deputado Fernando Ferro que o PL nº 5.030, de 2009, abre a possibilidade de, se não for a CEI, ser criada outra Comissão para fazer essas análises. O PL diz isso. Se houver algum problema quanto à questão de prorrogação de Comissão, ele abre a possibilidade de se criar outra Comissão. Espero que continuemos o diálogo. Já que o Idel é o representante do Governo, se há uma proposta do Governo, gostaria que ele a apresentasse formalmente, para que pudéssemos dialogar. Existe alguma proposta já formada? Não sei se há, mas se houver quero que a coloque, a fim de que possamos negociar, porque ficou muito vago. Se o Governo tem a proposta, que a apresente. A categoria pode negociar. O SINDSEP está aí para isso, a Comissão Especial Interministerial, e há a nossa Comissão aqui presente também. Que apresente a proposta para podermos negociar. O SR. PRESIDENTE (Deputado Roberto Britto) - Com a palavra o Sr. Ricardo Leite . O SR. RICARDO LEITE GOULART PONZI - Obrigado, Presidente. Quero acompanhar os meus pares numa questão maior, numa questão conceitual. Nós entendemos, sim, que o processo, desde Collor até Fernando Henrique, é o mesmo 29 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 processo de desmonte do Estado que gerou injustiça. Isso entendemos. É um conceito, é um diálogo maior. Esse é o entendimento. Temos certeza de que o Governo Lula entende assim também, mesmo porque o pessoal que resistiu, que sobrou e que veio apanhar com Fernando Henrique foi o que resistiu mais ao Collor, porque não foi derrotado no primeiro combate, mas no segundo. Nós, do Lloyd brasileiro, resistimos ainda 5 anos aos golpes. O mais forte foi o do Collor. Na TRANSPETRO resistimos e conseguimos sobreviver. Hoje é uma companhia que está com oxigênio, muito firme e é a esperança da nossa Marinha Mercante. Conceitualmente é essa questão, o mesmo processo e se trata de reparar a mesma injustiça. Por outro lado, ainda insisto que a Nação perdeu. São quadros concursados, gente que contribuiu, mas ainda há muito a contribuir com a Nação. O Lincoln dizia que cada vez passa mais tempo afiando o machado do que dando machadada. Ou seja, tem de preparar gente e essa gente que foi preparada foi decepada. Então, é uma perda para a Nação. Temos de dialogar amplamente e depois enquadrar pontualmente o que for mais pertinente, se é nesse ou naquele projeto, mas o conceito do diálogo maior tem de ser entendido entre o Governo e a sociedade. O SR. PRESIDENTE (Deputado Roberto Britto) - Gostaria de agradecer a presença a todos e dizer que foi bastante proveitosa a nossa audiência pública. Fico feliz em saber, Idel, que se não há ainda uma proposta concreta por parte do Governo, pelo menos ele está aberto ao diálogo, ao debate, para que as pessoas que foram injustiçadas possam ser reparadas por essa perda tão importante, como foi colocado aqui muito bem e claramente. Fico feliz com isso e tenho a certeza de que os projetos, os PLs em andamento no Congresso estão caminhando de forma célere, rápida e com a certeza de que vamos ter sim uma solução. Não tenho a menor dúvida disso. Nós, Parlamentares, falo pela classe, estamos à disposição para discutir. Alguns são a favor e outros contra, mas isso faz parte do processo democrático. Nós temos de entender perfeitamente que a democracia cresce com o debate, com pontos de vista diferentes. Enfim, acho que precisamos sim, cada vez mais, discutir essas questões e aqui é o fórum para isso. Essa Comissão de 30 CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ Nome: Comissão de Legislação Participativa Número: 1894/09 COM REDAÇÃO FINAL Data: 27/10/2009 Legislação Participativa é o local ideal para que possamos debater cada vez mais essas questões tão importantes da vida nacional. Oitenta, 86, 100, não sei quantas mil pessoas foram prejudicadas, mas o Governo também coloca muito claramente que não tem condições de absorver todos nem todos hoje estão aí para ser absorvidos. Pelo menos houve o gesto do Governo e 20 mil já foram absorvidos ou estão em processo de serem absorvidos, reintegrados e isso é importante. Acho que existe a boa vontade. O Governo Lula tem essa grande virtude, essa grande característica de reparar essa perda tão importante para a nossa sociedade. Convoco para o dia 4 de novembro uma sessão regular da Comissão de Legislação Participativa. Muito obrigado e uma boa tarde a todos. (Palmas.) 31