ISBN 978-85-8015-054-4 Cadernos PDE VOLUME I Versão Online 2009 O PROFESSOR PDE E OS DESAFIOS DA ESCOLA PÚBLICA PARANAENSE ALGUNS CONCEITOS MATEMÁTICOS ENVOLVIDOS NO CORTE DA CANA-DE-AÇÚCAR Professora PDE: Fernanda da Silva Vieira 1 Orientador IES: Prof. Dr. Osvaldo Germano do Rocio 2 RESUMO O presente artigo é o relato de um trabalho desenvolvido com a turma de 5ª série (6° ano) do Colégio Estadual Almirante Tamandaré de Cruzeiro do Oeste, Estado do Paraná. O objetivo do trabalho foi despertar o interesse do aluno da Educação Fundamental para o estudo, promovendo o desenvolvimento do raciocínio lógico e a criatividade através da resolução de problemas envolvendo o cálculo de áreas e identificando a presença de conteúdos matemáticos em algumas profissões, com ênfase no corte da cana-de-açúcar. O trabalho desenvolvido favorece a exploração e a aplicação da Matemática no cotidiano de modo a possibilitar que a aprendizagem seja significativa e agradável. A principal contribuição do trabalho foi calcular a medida da área de um sitio com contornos irregulares destinado a plantação de cana de açúcar. PALAVRAS-CHAVE: medidas; unidade padrão; metro quadrado. ABSTRACT This article is a report about the activities developed with the group of the 5th grade (6th year) from the State Grade School Almirante Tamandaré in Cruzeiro do Oeste, Paraná State. The activities’ aim was arousing the student's Basic Education interest to study, promoting the development of logical reasoning and the creativity through the problem solving activities with the calculation of areas, identifying the presence of mathematical content in some occupations with emphasis on cutting sugar cane. The activities developed promote the investigation and application of mathematics in everyday life to enable that mathematical learning could be meaningful and enjoyable. There were some difficulties to the decimal numbering system required for the metric system. As a result, was gathered the students' opinions about the activities carried out in order to awaken the critical spirit in them. KEY-WORDS: measures, standard unit of measure, square meter. 1 Pós-graduação lato sensu em Matemática pela Universidade Paranaense, Graduação em Ciências Exatas pela Universidade Paranaense, Professora de Matemática da rede estadual de ensino do Estado do Paraná, no Colégio Estadual Almirante Tamandaré em Cruzeiro do Oeste/PR. Integrante do Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE da Secretaria de Estado da Educação do Estado do Paraná. 2 Doutor em Matemática pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Professor da Universidade Estadual de Maringá. 2 1 INTRODUÇÃO O desinteresse dos alunos pelos conteúdos matemáticos abordados em sala de aula é um dos aspectos que se soma à discussão acerca de melhores métodos de ensino da matemática. A escolha do título, “Alguns conceitos matemáticos envolvidos no corte da cana-de-açúcar”, teve o objetivo de relacionar a principal atividade econômica do município de Cruzeiro do Oeste com os conceitos de área e sistema decimal que fazem parte Diretrizes Curriculares de Matemática e permeia todas as séries dos ensinos Fundamental e Médio. Isto contribuiu sobremaneira para que uma parte da matemática fosse assimilada de uma maneira mais interessante, relacionando os conteúdos estudados com a realidade do aluno. A preferência pelo tema “Sistema decimal de medidas” contribuiu para que uma parte da matemática fosse assimilada de uma maneira mais interessante, relacionando os conteúdos estudados com a realidade do aluno, desempenhando papel importante nas Diretrizes Curriculares de Matemática e permeia todas as séries dos ensinos Fundamental e Médio. Na busca pela construção do conhecimento matemático de forma significativa, constituído em um processo de interação entre professor e aluno, em que ambos possam problematizar, refletir e construir conhecimentos matemáticos, as Diretrizes Curriculares do Paraná do ano de 2007 apontam a modelagem matemática como metodologia alternativa que relaciona os conhecimentos práticos dos alunos com os conhecimentos sistematizados. Pela modelagem matemática relaciona-se conteúdos matemáticos da Educação Fundamental à convivência da cultura local, mediando assim a matemática da escola e da vida, contribuindo com a formação pessoal do educando, sua interação na sociedade, a valorização cultural e a visão transformadora de sua própria realidade, acreditando-se que a diversificação de estratégias e a motivação dos alunos para uma nova aprendizagem gera o sucesso educativo. Para Bassanezi (2002, p. 16), a modelagem matemática “[...] consiste na arte de transformar problemas da realidade em problemas matemáticos e resolvelos interpretando suas soluções na linguagem do mundo real”. 3 A modelagem matemática no ensino pode ser um caminho para despertar o interesse pelo conteúdo matemático bem como oportunizar o estudo de situações-problemas por meio de pesquisa, desenvolvendo o interesse e estimulando o senso crítico dos estudantes. Para trabalhar o conteúdo matemático com os alunos, escolheu-se o tema da produção e corte da cana-de-açúcar devido a dois motivos principais: em primeiro lugar, porque a maioria dos alunos envolvidos provêm da zona rural e, mesmo os que residem na cidade, possuem contato com essa realidade econômica do município de Cruzeiro do Oeste; em segundo lugar, porque a produção e o corte de cana-de-açúcar cresce rapidamente no município de Cruzeiro do Oeste, tomando parte do cotidiano dos alunos e demais cidadãos. O rápido crescimento da produção de cana-de-açúcar, principalmente para a produção de etanol, foi devidamente estudada por RIBEIRO e ENDLICH (2010, p. 80) sobre a região noroeste do Estado do Paraná, região em que está localizado o município de Cruzeiro do Oeste: Em 2000, segundo o IBGE, a Mesorregião Noroeste produziu 7.476.160 toneladas de cana-de-açúcar. Em 2006, conforme o mesmo, a produção já subiu para 14.548.306 toneladas, um aumento de aproximadamente 95%. Outro dado a ser levado em consideração é o da área plantada. Em 2000, a cana-de-açúcar era cultivada numa área de 111.716 hectares. Em 2006, a área destinada ao cultivo da cana é de 190.068 hectares. Portanto, esses dados já demonstram a expansão canavieira na mesorregião de forma expressiva. Para se ter uma idéia mais aproximada, a área total do município de Cruzeiro do Oeste é de 77.922,20 m2, sendo que, destes, 9.739 m2 está destinados ao plantio da cana-de-açúcar, o que equivale a 12,5% da área total do município. (RIBEIRO, ENDLICH, 2010, p. 83) Por estes dados, pode-se ter uma idéia sobre a importância da cana-deaçúcar na realidade em que os alunos da rede pública de ensino do município de Cruzeiro do Oeste estão inseridos, o que por si só justificou a temática da canade-açúcar para permear o trabalho de ensino do cálculo de áreas junto com os alunos. 4 2 UNIDADE DE MEDIDA – UM POUCO DE HISTÓRIA O tema base do projeto de implementação objeto do presente artigo diz respeito ao cálculo de áreas, uma das primeiras noções geométricas a despertar o interesse do ser humano. Tanto os egípcios como os babilônios já conheciam o cálculo de áreas de figuras geométricas simples. Esses conhecimentos foram motivados por questões práticas de agrimensura. Isto significa o fato de que a palavra geometria significa literalmente “medida de terra”. A necessidade de calcular áreas de terrenos levou várias civilizações a desenvolver técnicas para fazê-lo. Há evidências de que os egípcios sabiam calcular apenas aproximadamente a área de terras. Os papiros egípcios mais antigos com conteúdos matemáticos contêm problemas referentes à área de terrenos, envolvendo triângulos, retângulos e outros quadriláteros. Alguns autores são da opinião de que os egípcios conheciam a regra para o cálculo da área de triângulos, mas que a dificuldade de, no terreno, determinarem a sua altura relativamente a uma base levava-os a utilizarem, apenas, uma estratégia para o seu cálculo. (LAGARTO, 2007, on-line) Esse sistema precisava ter uma unidade exata e que pudesse ser usada em qualquer país, com múltiplos e submúltiplos para medidas grandes e pequenas que facilitassem os cálculos. (GIOVANNI, 2000, p. 267) Assim, devido ao desenvolvimento das ciências, do comércio e das relações entre cidades e países, sentiu-se a necessidade de medidas mais precisas e uniformes. Diante desta necessidade, um grupo de cientistas reuniu-se na França para escolher uma medida padrão. Assim surgiu o metro, que foi reconhecido internacionalmente em 1875. (GIOVANNI, 2000, p. 267) Só a partir desta data é que passou a existir instrumento com a medida do metro (padronizada) em quase todo o mundo. As medidas de superfície fazem parte de nosso dia-a-dia e respondem a nossas perguntas mais corriqueiras do cotidiano. A superfície é uma grandeza com duas dimensões, enquanto a área é a medida dessa grandeza, portanto, um número, sendo a unidade fundamental de superfície o metro quadrado. Calcular a área de uma figura plana é medir a região ou a porção do plano ocupada por essa figura. Isso é feito comparando-se a figura plana com uma 5 medida de área. O resultado é um número que exprime quantas vezes a figura plana contém a unidade de área. A medida de superfície chama-se área, conteúdo este em que os alunos mostraram muito interesse, em razão de que alguns pais de alunos trabalhavam como pedreiros ou pintores e outras profissões que exigem o cálculo de áreas. A história dos padrões de medidas iniciada há muitos anos provavelmente ainda não terminou, pois novas descobertas e novas necessidades certamente alterarão as definições dos padrões. 3 DESENVOLVIMENTO O Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE, considerado um programa inovador de qualificação docente, permite ao professor da escola pública um retorno às atividades acadêmicas, proporcionando-lhe atualização e reflexão pedagógica. Durante o primeiro semestre foram ministrados vários cursos com conteúdos de Metodologia de Pesquisa e Fundamentos TeóricoMetodológicos da Ação Docente, além de cursos específicos da área de Matemática. Na elaboração do Projeto de Intervenção Pedagógica foi selecionado o tema que contempla o conteúdo “Pesquisa em Educação Matemática e Escola” o qual aborda as contribuições da investigação matemática na sala de aula e os encaminhamentos pedagógicos possíveis. Para além do cenário educativo, o desenvolvimento da proposta contribui com o avanço expressivo na qualidade de ensino, na formação pessoal do educando, sua interação na sociedade, sua valorização cultural e a visão transformadora de sua própria realidade. O material didático produzido permitiu que os alunos relacionassem atividades de seu cotidiano e do cotidiano de seus familiares com os conceitos de área e o sistema decimal de medidas. Desta forma uma parte da matemática foi assimilada de uma maneira mais natural e interessante, relacionando os conceitos estudados com a realidade do aluno. O material didático que desenvolvemos na segunda etapa do programa foi um Caderno Pedagógico formado por quatro Unidades Didáticas, direcionadas à 5ª série (6° ano) do 6 Ensino Fundamental, com assuntos relacionados ao conteúdo estruturante “Sistema Decimal de Medidas”, destacando-se a medida de superfície (área). A terceira etapa do programa foi desenvolvida no 2° semestre de 2010 onde foi feita a implementação do material didático produzido. Antes de apresentar aos alunos o material didático produzido o mesmo foi apresentado à direção e equipe pedagógica da escola. Depois de elaborado o cronograma da implementação do projeto o material didático foi submetido aos professores da área de matemática e das outras áreas do colégio os quais contribuíram com sugestões e criticas para o aprimoramento do material. O projeto foi implementado em uma turma de 5ª série (6º ano) do Ensino Fundamental do Colégio Estadual Almirante Tamandaré, na cidade de Cruzeiro do Oeste/PR, no período vespertino, formada por 34 alunos os quais demonstraram interesse pela disciplina iniciando nesse momento uma conversa entre eles sobre o título. Por intermédio da participação dos alunos, iniciou-se a investigação matemática com os pais, familiares e amigos, através de uma entrevista sobre o relacionamento entre a cana-de-açúcar e o conteúdo a ser estudado, possibilitando ao aluno um comportamento crítico e criativo, participando em todas as etapas das atividades. Na primeira unidade, por meio das sugestões dos alunos e dados das investigações, apareceram questionamentos, dúvidas, perguntas importantes relacionados com o conceito de medir, que traz em si uma idéia de comparação de coisas que possuem a mesma natureza, de modo que possa ser objeto de comparação entre elas: comprimento, área, perímetro. Sendo a maioria dos alunos da turma alvo da implementação do projeto provenientes da área rural do Município de Cruzeiro do Oeste e outros que residem na zona urbana do município, os mesmos mantêm contato direto ou indireto com a cultura da canade-açúcar, na medida em que sua produção domina a paisagem rural do Município. Assim nesta primeira etapa, os alunos foram convidados a responder, oralmente, diversos questionamentos sobre a produção da cana-de-açúcar, de modo a iniciar as atividades e interá-los ativamente no processo de aprendizagem. Dentre os diversos questionamentos que serviram como fundamentos para o desenvolvimento das atividades posteriores, foram realizados, 7 exemplificativamente, os seguintes questionamentos: “como é feito o arrendamento da propriedade rural?”, “o que é tonelada de cana?”, “como ela é pesada?”, “o que é hectare?”, “quantos metros tem um hectare?”, “como é pago o cortador de cana-de-açúcar?”, “o que é metro linear?”, “como encontrar a área do terreno arrendado para o plantio de cana?”, “quantas toneladas seriam colhidas na área arrendada?”, etc. Com estes e outros questionamentos, introduziu-se gradativamente o aluno no contexto a ser trabalhado, interando-os acerca do enlaçamento existente entre a atividade da produção e corte da cana-de-açúcar com o conteúdo matemático que seria desenvolvido, os alunos reconhecem as diferentes formas de medir, envolvido na produção da cana-de-açúcar. Em seguida, foram feitos exercícios que exigiam a utilização do “metro” como unidade de medida e suas divisões, comprando as dimensões das unidades menores e maiores, organizando tabelas em que se inseria o metro, como unidade base do sistema, apondo-se, em seguida, suas subdivisões, seus múltiplos e seus submúltiplos. Os prefixos deci, centi e mili obtidos pelas divisões sucessivas do metro tiveram um importante significado para os alunos. As conversões entre as unidades mostraram-se concretas uma vez que os educandos comprovavam as conversões por meio de cálculo mental e atividades elaboradas e passadas aos alunos através de atividades escritas, apenas para realizarem as conversões. Encerrado o estudo do metro, seus múltiplos e submúltiplos, passou-se em seguida ao estudo do perímetro, entendido este como a medida do comprimento de um contorno. Para o estudo deste conteúdo, foram realizadas várias atividades propostas pelo docente que envolviam situações cotidianas como, por exemplo, o cálculos necessário para a contratação de mão-de-obra e compra de tela ou arame para cercar terrenos o terreno objeto do exercício. Na segunda unidade trabalhou-se mais especificamente com o cálculo de áreas. Por intermédio das sugestões dos alunos e dados das investigações realizadas, foram feitas as atividades propostas. Dentre as diversas atividades apresentadas, os alunos resolveram um problema prático do cotidiano que envolvia o cálculo da quantidade de remuneração que um proprietário de um imóvel rural recebe da usina de produção 8 de etanol ao arrendar sua propriedade a esta, a fim de que seja produzida a canade-açúcar necessária para a produção daquele combustível. Para a resolução do exercício, foi necessário calcular a área do imóvel rural em questão. Entretanto, a cálculo da área de uma propriedade rural não é um exercício simples, pois em geral as propriedades rurais não se constituem em figuras geometrias regulares (quadrados, retângulos etc.). Na prática, as propriedades rurais são irregulares e não correspondem a uma figura geométrica simples. Para a resolução do exercício, utilizou-se o mapa de uma propriedade rural real, existente na zona rural da região, fornecido pela Usina Santa Terezinha, localizada no Município de Tapejara/PR, município vizinho ao de Cruzeiro do Oeste/PR. Este é o mapa utilizado para a resolução do exercício proposto, o qual foi feito com a utilização de um aparelho GPS (Global Positioning System). 9 Inicialmente, realizou-se o cálculo de área da propriedade rural pelo método simples, tradicional, por meio do qual se calcula a média dos comprimentos e a média das larguras do terreno, finalizando o cálculo com a multiplicação das médias encontradas. Sendo realizado da seguinte maneira: - Somam-se as medidas do comprimento dos dois lados e divide-se por 2; - Somam-se as medidas da largura da cabeceira e do fundo e divide-se por 2; - Multiplicam-se os resultados. - Encontra-se a área total da terra. a) Comprimento = 2000m + 1100m + 100m + 900m = 4100m: 2 = 2050m b) Largura = 446m + 336m =782m: 2 = 391m c) 2050m X 391m = 801550 m² d) 801550 m²: 24200 m² aproximadamente 33,12 ha Por meio desta técnica, somente é possível encontrar o resultado aproximado da área do terreno, tendo em vista seu caráter irregular. Após a resolução do exercício através do método tradicional, debateu-se acerca da necessidade de medidas mais precisas. Para tanto, verificamos que o cálculo de área do terreno deveria ser feito a partir de figuras geométricas regulares, sendo esta a forma mais adequada para a obtenção de um resultado que reflita a realidade da medida do terreno. Assim, estudou-se as figuras geométricas regulares, principalmente a forma de elaboração do cálculo de área destas figuras. Após o estudo do cálculo de área das figuras geométricas regulares, retornamos ao mapa da propriedade rural acima. O mapa do terreno, que é uma figura geométrica irregular, foi subdividido em diversas figuras geométricas regulares. Para facilitar a visualização da divisão do terreno pelos alunos, realizou-se a divisão do mapa da propriedade rural com cores diferentes, de modo a realçar a configuração das figuras geométricas regulares provenientes da divisão efetuada, de forma que a área do terreno é a soma de áreas de figuras geométricas regulares. Notamos juntamente com os alunos que a maneira de subdividir a figura geométrica irregular não é única, mas que a área total independe da forma 10 da subdivisão, com isto poderíamos optar pela subdivisão mais apropriada dentro de nossos propósitos. Neste sentido optamos em conjunto com os alunos pela subdivisão descrita na figura abaixo. Figura 2: Mapa dividido em figuras geométricas Fonte: Própria autora 11 Área das figuras: Figura A: A figura representa um triângulo irregular com lados 0,1 cm, 3,0cm e 3,05cm. Não sendo um triângulo retângulo calculamos a área usando a fórmula de Heron. 0,1cm + 3,0cm + 3,05cm 2 S = 3,075cm S= A = 3,075(3,075 − 0,1)(3,075 − 3,0)(3,075 − 3,05) A = 3,075 x 2,975 x0,075 x0,025 A = 0,017 A = 0,13cm² aproximado Figura B: A figura representa um retângulo com 3cm de largura e 2,4cm de comprimento. Multiplicamos a medida do comprimento pela medida da largura e obtivemos a área. A = 3,0cm x 2,4cm = 7,2 cm² Figura C: A figura representa um retângulo com 3cm de largura e 2,4cm de comprimento. Multiplicamos a medida do comprimento pela medida da largura e obtivemos a área. A = 3 cm x 2,4 cm = 7,2 cm² Figura D: A figura representa um retângulo com 3cm de largura e 2,2cm de comprimento. Multiplicamos a medida do comprimento pela medida da largura e obtivemos a área A = 3 cm x 2,2 cm = 6,6 cm² Figura E: A figura representa um retângulo com 2,8cm de largura e 0,2cm de comprimento. Multiplicamos a medida do comprimento pela medida da largura e obtivemos a área. 12 A = 2,8 cm x 0,2 cm = 0,56 cm² Figura F: A figura representa um triângulo retângulo com base de 0,2cm e altura 0,2cm. Multiplicamos a medida da base pela medida da altura e o resultado divide-se por 2 e obtivemos assim a área. A= 0,2cm x 0,2cm 2 A = 0,02cm² Figura G: A figura representa um retângulo com 2,2cm de largura por 2cm de comprimento. Multiplicamos a medida da largura pela medida do comprimento e obtivemos a área. A = 2,2cm x 2cm = 4,4cm² Figura H: A figura representa um retângulo com 1,1cm de largura por 1,5cm de comprimento. Multiplicamos a medida da largura pela medida do comprimento e obtivemos a área. A = 1,1cm x 1,5cm = 1,65cm² Figura I: A figura representa um triângulo irregular com lados 0,2cm, 0,3cm e 0,4cm. Não sendo um triângulo retângulo calculamos pela fórmula de Heron. 0,2cm + 0,3cm + 0,4cm 2 S = 0,45cm S= A = 0,45(0,45 − 0,2)(0,45 − 0,3)(0,45 − 0,4) A = 0,45 x0,25 x0,15 x0,05 A = 0,008 A = 0,03cm² aproximado Figura J: A figura representa um triângulo irregular com lados 1,1cm, 0,5cm e 1,2cm. Não sendo um triângulo retângulo calculamos pela fórmula de Heron. 13 1,1cm + 0,5cm + 1,2cm 2 S = 1,4cm S= A = 1,4(1,4 − 1,1)(1,4 − 0,5)(1,4 − 1,1) A = 1,4 x0,3 x0,9 x0,2 A = 0,0756 A = 0,275 cm² aproximado Figura K: A figura representa um triângulo irregular com lados 0,2cm, 0,3cm e 0,2cm. Não sendo um triângulo retângulo calculamos pela fórmula de Heron. 0,2cm + 0,3cm + 0,2cm 2 S = 035cm S= A = 0,35(0,35 − 0,2)(0,35 − 0,3)(0,35 − 0,2) A = 0,35 x0,15 x0,05 x0,15 A = 0,0004 A = 0,02 cm² aproximado Figura L: A figura representa um triângulo com lados 1,0cm, 0,6cm e 1,1cm. Calculamos a área pela fórmula de Heron. 1,0cm + 0,6cm + 1,1cm 2 S = 1,35cm S= A = 1,35(1,35 − 1,0)(1,35 − 0,6)(1,35 − 1,1) A = 1,35 x0,35 x0,75 x0,25 A = 0,0885 S = 1,0cm + 0,6cm + 1,1cm 2 A = 0,30cm² aproximado Figura M: A figura representa um retângulo com 2,2cm de largura e 1,5cm de comprimento. Multiplicamos a medida da largura pela medida do comprimento e obtivemos a área. 14 A = 2,2cm x 1,5cm = 3,3cm² Figura N: A figura representa um triângulo com lados 2,2cm, 1,3cm e 2,6cm. Calculamos a área pela fórmula de Heron. 2,2cm + 1,3cm + 2,6cm 2 S = 3,05cm S= A = 3,05(3,05 − 2,2)(3,05 − 1,3)(3,05 − 2,6) A = 3,05 x0,85 x1,75 x0,45 A = 2,04 A = 1,43cm² aproximado Figura O: A figura representa um triângulo irregular com lados 2,6cm, 0,4cm e 2,3cm. Não sendo um triângulo retângulo calculamos pela fórmula de Heron. 2,6cm + 0,4cm + 2,3cm 2 S = 2,65cm S= A = 2,65(2,65 − 2,6)(2,65 − 0,4)(2,65 − 2,3) A = 2,65 x0,05 x 2,25 x0,35 A = 1,104 A = 0,32cm² aproximado Somamos a área das figuras geométricas: Área total: 0,13cm² + 7,2cm² + 7,2cm² + 6,60cm² + 0,56cm² + 0,02cm² + 4,4cm² + 1,65cm² + 0,03cm² + 0,275cm² + 0,02cm² + 0,30cm² + 3,3cm² + 1,43cm² + 0,32cm² = 33,43cm² aproximado Desta forma, vimos que a divisão do terreno cuja área deva ser calculada em figuras geométricas regulares propicia a obtenção de um resultado mais aproximado à área real do que pela utilização do método tradicional, em que se promove apenas a multiplicação entre as médias da largura e do comprimento. Durante a realização das atividades propostas, permitiu-se que os alunos trabalhassem em grupos, a fim de que se propiciasse a troca de idéias, sugestões, havendo um grande interesse de todos. 15 No início da terceira unidade, surgiram algumas dificuldades em relação ao cálculo de área de um triângulo irregular, não retângulo. Verificamos que, nestes casos, faz-se necessário, para o cálculo da área do triângulo irregular, da utilização da chamada Fórmula de Heron de Alexandria. A fórmula de Heron tem a vantagem de fornecer a área de um triângulo qualquer em função de seus lados, sem precisar conhecer uma de suas alturas e o lado relativo a essa altura. Esta fórmula permite obter rapidamente a área de um terreno de forma quadrangular, quando se conhece os seus lados e uma de suas diagonais. Outros terrenos em forma de polígono qualquer, poderão ser divididos em triângulos. A Fórmula de Heron é a seguinte: Dado um triângulo qualquer no qual se conheça as medidas a, b, c, de seus lados, onde p é o semiperímetro do triângulo. p= a+b+c 2 A medida de sua área é expressa como: A= p( p − a)( p − b)( p − c) Isto facilita e normalmente o trabalho, ao deparamos com mapas que representam figuras irregulares. Trabalhado o conceito de área através de vários métodos diferentes, realizamos atividades propostas com a necessidade do uso da fórmula de Heron, pela qual foi possível a resolução de atividades que até então para eles não era possível. Discutimos sobre a necessidade de se reproduzir figuras que são muito grandes ou muito pequenas no tamanho original, razão pela qual se fez uso de técnicas de redução ou ampliação da figura sem que se alterasse a forma original. 16 Em um ou outro caso recorremos à ajuda de uma escala que é a razão entre as medidas da representação de alguma coisa e as medidas do seu tamanho real. escala = comprimento do desenho comprimento real As escalas são expressas sempre na relação 1 para algum número ou algum número para 1. Exemplo: E = 1/5 ou E = 5/1 Isto significa que uma medida gráfica (no papel) do objeto é cinco vezes menor a medida real. As escalas podem ser escritas também da seguinte forma: E=d:D ou E=D:d Assim pode-se ter: E=1:5 ou E=5:1 Nas escalas numéricas, o número 1 indica (um metro). Assim, pode-se dizer que um desenho representado na escala 1:5 teve a medida de um metro reduzido cinco vezes, isto é, o valor da unidade de medida gráfica corresponde a 1/5 = 0,20m ou 20cm. Como visto, feito o cálculo da área do sítio pelo método antigo, pela decomposição de figuras geométricas regulares e irregulares, faz-se também o cálculo através de escala. Demonstrou-se que, pelo uso da escala, é possível encontrar a razão entre as medidas da representação de alguma coisa e as medidas do seu tamanho real. (GIOVANNI JUNIOR, 2009, p. 240) Feito o cálculo de área pelo método tradicional (multiplicação das médias da largura e comprimento nas figuras geométricas irregulares), pela decomposição de figuras geométricas irregulares em regulares, inclusive com a utilização da Fórmula de Heron, demonstrou-se uma terceira forma de se calcular a área de uma figura: a utilização de escala, pela qual se subdividiu o mesmo mapa da propriedade rural dos exercícios anteriores em diversas figuras geométricas regulares e menores, utilizando-se da escala 1:148,66m aproximado, para que, deste modo, fosse encontrada a aproximação da área mais aproximada 17 da figura. Assim, subdividiu-se o mapa em áreas de 0,4cm e 0,2cm transformando-as em figuras geométricas regulares como retângulos e triângulos. A subdivisão do mapa para utilização da técnica da escala foi feita desta maneira: Figura 3: Mapa do sítio dividido em escala Fonte: A própria autora Depois de encontrada a área de cada subdivisão, somou-se a área de cada uma das figuras e encontrou-se a aproximação da área aproximada do sítio a ser utilizada no plantio. Realizamos da seguinte maneira: 0,1 cm x 3 cm : 2 = 0,15 cm² 0,4 cm x 3 cm x 18 = 21,6 cm² 0,4 cm x 2,2 cm x 5 = 4,4 cm² 18 0,4 cm x 1,1 cm x 3 = 1,32 cm² 0,4 cm x 0,1 cm : 2 = 0,2 cm² 0,4 cm x 0,6 cm² ; 2 = 0,12 cm² 0,4 cm x 2,2 cm x 4 = 3,52 cm² 0,2 cm x 2,2 cm = 0,44 cm² 0,4 cm x 2 cm = 0,8 cm² 0,4 cm x 1,3 cm = 0,52 cm² 0,4 cm x 0,4 cm = 0,16 cm² 0,4 cm x 0,2 cm : 2 = 0,04 cm² 0,4 cm x 0,7 cm : 2 = 0,14 cm² 0,4 cm x 0,9 cm : 2 = 0,18 cm² 0,4 cm x 0,2 cm : 2 = 0,04 cm² Área: 0,15 cm² + 21,6 cm² + 4,4 cm² + 1,32 cm² +0,2cm² + 0,12 cm² + 3,52 cm² + 0,44 cm² + 0,8 cm² + 0,52 cm² + 0,16 cm + 0,04 cm² + 0,14 cm² + 0,18 cm² +0,04 cm² = 33,63 cm² Sabe-se que: 1 cm x 1 cm = 1 cm² e 148,66 m x 148,66 m = 22099,80 m² 33,63 cm² x 22099,80 m² = 743216,1 m² 743216,1 m² : 24200 m² = 30,71 ha Observamos que o cálculo da área do sítio pôde ser calculada pelo método antigo, pela decomposição de figuras geométricas regulares ou através de escala, alcançando assim valores aproximados. Ressalte-se que, em todos os exercícios envolvendo esta figura, promoveu-se apenas o cálculo de sua área destinada ao plantio da cana-deaçúcar, excluindo-se a área da sede da propriedade e da mata ciliar. Até então, para a resolução dos exercícios, inclusive mediante a utilização das três formas de cálculo de área (figuras irregulares, figuras regulares e escala), passou-se à realização de atividades propostas em que se utilizava de medidas agrárias de grande extensão, como o hectare e o alqueire. Estas medidas agrárias são utilizadas no cotidiano para o cálculo de grandes porções de terra (como sítios, fazendas etc.), principalmente pela utilização da unidade agrária chamada hectare (ha), que corresponde a dez mil 19 metros quadrados, e que um hectare corresponde à medida de superfície de um quadrado de 100m de lado.. Trabalhamos ainda com uma medida agrária não-legal, utilizadas em vários Estados do Brasil, chamada de alqueire paulista (GIOVANNI JUNIOR, 2009, p. 274) que corresponde a vinte e quatro mil e duzentos metros quadrados, o equivalente a 2,4 hectares. Na quarta unidade foram realizadas atividades propostas referentes às formas de medir e às diferentes formas de cálculo de área. Nesta unidade, foi elaborada uma lista de exercícios diversos, envolvendo o cálculo de áreas de figuras geométricas regulares e irregulares, mediante a aplicação das três formas de cálculo de áreas anteriormente expostas. Solicitou-se ainda que cada aluno calculasse a área do terreno da casa onde residia, de modo a estabelecer um vínculo mais forte entre o conteúdo ensinado e a realidade de suas vidas. Por fim, apresentou-se aos alunos a forma mais moderna de se calcular a área de um terreno: pela utilização de um aparelho de GPS (Global Positioning System). Para demonstrar a forma de utilização deste aparelho, a docente propôs uma atividade extraclasse, na qual acompanhou os alunos em um trajeto em volta do Colégio Estadual Almirante Tamandaré, a fim de que promovam a medição da área do terreno da escola. Durante o trajeto em volta do terreno da escola, utilizamos o aparelho de GPS, gerando o mapa do terreno do colégio e identificando a área demarcada através de vários pontos demarcados durante o trajeto que formavam figuras geométricas regulares e irregulares no visor do aparelho. 20 Figura 4: Foto do GPS com o mapa do terreno do colégio. Fonte: A própria autora Assim, com a utilização do aparelho de GPS, calculamos a área exata do terreno onde está situado o colégio em que os alunos estudam, reforçando ainda mais o vínculo entre o conteúdo matemático e o cotidiano dos alunos. Entretanto, para verificar a veracidade dos resultados alcançados pela utilização do aparelho de GPS, propôs-se ainda uma última atividade: que os estudantes realizassem manualmente o cálculo da área do terreno do colégio, mediante utilização das técnicas anteriormente utilizadas, comparando-as com o resultado obtido pelo aparelho de GPS. 4 CONCLUSÃO O homem no decorrer da história se depara com noções de maior e menor, de antes e depois, e com isso passa a realizar comparações entre espaços e entre períodos de tempo, necessitando estabelecer valores qualitativos e quantitativos, ou seja, para que possa ter uma visão de realidade, o ser humano precisa medir e criar instrumentos de medida. 21 O desenvolvimento deste projeto contribuiu com o avanço na qualidade de ensino, proporcionando ao educando uma melhor interação na sociedade, uma valorização cultural e uma visão transformadora da sua própria realidade. A aplicabilidade do tema “Sistema Decimal de Medidas” vem ao encontro com várias situações do cotidiano do aluno, principalmente levando-se em consideração a realidade sócio-econômica em que está inserido o Município de Cruzeiro do Oeste, no qual a grande maioria dos alunos que frequentam o período vespertino estão direta ou indiretamente ligados à produção e ao corte da cana-de-açúcar, atividade que requer a utilização do cálculo de área de terrenos e outras atividades que demandam a utilização do sistema decimal de medidas. Assim, o projeto visou à promoção da interação entre a Matemática e a realidade do aluno, razão pela qual a escolha da produção e corte da cana-deaçúcar como pano de fundo para o ensino do conteúdo matemático. Através deste projeto detectaram-se algumas dificuldades apresentadas pelos educandos quanto ao domínio do cálculo de áreas, principalmente no que diz respeito à realização de atividades que demandam a utilização Fórmula de Heron e da técnica da escala. Em razão da dificuldade encontrada pelos alunos no uso da Fórmula de Heron e da técnica da escala, sugere-se que estes conteúdos específicos sejam aplicados apenas a partir na 8ª série do Ensino Fundamental e não na 5ª série. Os objetivos propostos foram atingidos, pois houve investigações, comparações entre as medidas e diferentes cálculos de áreas, levando-os a tomarem decisões relacionadas no seu dia-a-dia. A participação dos alunos ocorreu de forma dinâmica e criativa. Alunos que inicialmente pareceram inseguros na resolução de tarefas começaram a demonstrar interesse e até iniciativa no trabalho em grupo. O importante foi que os alunos começaram a se interessar pelo porquê dos fatos, emitindo opiniões com fundamento e espírito crítico. Como sugestão aos professores: retomar o conceito de medidas em vários momentos durante os anos do ensino fundamental. Acredita-se que a diversificação de estratégias e a motivação dos alunos para nova aprendizagem conduzam ao sucesso educativo. 22 REFERÊNCIAS BASSANEZI. Rodney Carlos. Modelagem matemática. Blumenau: Dynamis, 1994. v. 7.. GIOVANNI, José Ruy; GIOVANNI Jr., José Ruy. Matemática: pensar e descobrir: 5ª série. São Paulo: FTD, 2000. GIOVANNI JÚNIOR, José Ruy; CASTRUCCI, Benedito. A Conquista da Matemática: 6º ano. São Paulo: FTD, 2009. LAGARTO, Maria João. História da Matemática: cálculo de áreas. Disponível em: http://www.malhatlantica.pt/mathis/regras/Geometria/%C3%81reas.htm. Acesso em 19.03.2011. MATSUBARA, Roberto; ZANIRATTO, Ariovaldo Antonio. BIG MAT – Matemática: História : Evolução; 5ª série. São Paulo: IBEP, 2002. RIBEIRO, Vitor Hugo; Endlich, Ângela Maria. O avanço da agroindústria canavieira na mesorregião noroeste paranaense. In: Revista Percurso. Maringá: Núcleo de Estudos de Mobilidade e Mobilização da Universidade Estadual de Maringá, v. 2, n. 1, p. 73-92, 2010 SEED – SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DO PARANÁ. Diretrizes Curriculares de Matemática para Ensino Básico, Curitiba, 2007.