TEORIAS ADMINISTRATIVAS QUE PERMEIAM A ENFERMAGEM Profa. Enf. Karina Gomes Lourenço Teorias Organizacionais e Gerenciais Surgem historicamente de acordo com as necessidades concretas da realidade das instituições; Justificam e explicam essas realidades que se sucedem na história do desenvolvimento institucional Teorias Organizacionais e Gerenciais Teoria ênfase em 1 ou mais variáveis Caráter específico Importância das Teorias Organizacionais e Gerenciais Apresentam pressupostos com evidências empíricas presente no cotidiano dos hospitais e sistemas de saúde Montagem do “constructo teórico” Contribuem para o estudo e interpretação da complexidade das organizações Considerações Os pressupostos dos primeiros paradigmas estão presentes nas teorias organizacionais e gerenciais mais recentes As evidências empíricas demonstram que as instituições do setor da saúde aplicam esses paradigmas de administração Psicologia, Sociologia, Antropologia, Política, Teoria de Sistemas, Economia, Engenharia e Direito influenciaram e contribuíram na análise das TGO Antecedentes históricos da Administração 1. Influência dos filósofos Sócrates (470 a.C.- 399 a.C.): administração como habilidade pessoal separado do conhecimento técnico e da experiência Platão (429 a.C.- 347 a.C.): preocupação com problemas inerentes ao desenvolvimento social e cultural do povo grego; forma democrática de governo e administração de recursos públicos Antecedentes históricos da Administração Aristóteles (384 a.C.- 322 a.C.): impulso à Filosofia; conhecimento humano , criador da lógica Jean-Jacques Rousseau (1712-1778): Teoria do Contrato Social, concebe o homem enquanto indivíduo bom e pacífico porém deturpado pela vida em sociedade Antecedentes históricos da Administração Karl Marx (1818-1883) e Friederick Engels (18201895): teoria que concedia ao poder político e ao Estado a força da dominação econômica do homem sobre o homem Marxismo: 1ª proposta ideológica a conceber a natureza humana como produto da existência limitada à espaço e tempo Antecedentes históricos da Administração 2. Influência da Igreja Católica Hierarquia da autoridade nas estruturas organizacionais Estrutura do poder centralizado em uma só pessoa 3. Influência da Organização Militar Princípio da unidade de comando Princípio da hierarquia Antecedentes históricos da Administração 4. Influência dos Economistas Séc XIX – Novo Capitalismo Liberalismo econômico Racionalização do trabalho 5. Influência da Revolução Industrial Mecanização da indústria e da agricultura Aplicação da força motriz à indústria Desenvolvimento do sistema fabril Aceleramento transportes e comunicações TEORIAS ADMINISTRATIVAS • • • • • • • • • Abordagens Tradicionais: Administração Científica Teoria Clássica Organização Burocrática Teoria das Relações Humanas Abordagens Modernas: Teoria Estruturalista Teoria Neoclássica Teoria Comportamental Teoria de Sistemas Teoria Contingencial ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA (TAYLORISMO) Administração Científica (Taylorismo) Frederick Wisloy Taylor (1856-1915), engenheiro americano Linha de produção, métodos e processos de trabalho e formas de sua racionalização Ênfase •Aumento da produção pela eficiência Redução de custos •Execução das tarefas •Eliminação do desperdício •Ociosidade do trabalhador Pressupostos Homo Economicus Estudo do tempo e movimentos Determinação da única maneira certa Seleção do homem de 1ª classe Estudo da Fadiga Humana Padrão de produção do funcionário Pressupostos Controle cerrado Incentivo monetário Condições de trabalho Organização formal Inexistência de conflitos Aplicabilidade na Enfermagem A divisão de trabalho aliado à padronização Assistência de enfermagem torna-se fragmentada Exemplos Adoção de métodos funcionais de trabalho Adoção de manuais de técnicas e procedimentos Críticas em relação ao cenário atual Mecanicista: homem como peça de engrenagem Não envolvimento das pessoas Absenteísmo Maior inimigo do trabalhador: contribui para o aumento da produtividade e eliminação do desperdício TEORIA CLÁSSICA (FAYOLISMO) Teoria Clássica (Fayolismo) Henri Fayol (1841-1925), engenheiro francês, contemporâneo de Taylor Preocupação com funções da gerência “Administrar é prever, comandar, controlar, coordenar e organizar” “escola de chefes” Caráter prescritivo e impositivo Ênfase Eficiência na organização pela adoção da estrutura adequada Conceitos em relação às operações administrativas Prever é perscrutar o futuro e traçar o programa de ação Organizar é construir o duplo organismo da empresa Comandar é dirigir o pessoal Coordenar é ligar, unir, harmonizar todos os atos e esforços Controlar é zelar para que tudo aconteça de acordo com as regras estabelecidas Princípios Divisão do trabalho – especialidades Autoridade – militarismo Disciplina – respeito às regras e normas Unidade de comando Unidade de direção Subordinação do interesse particular ao geral Remuneração de pessoal Princípios Centralização Hierarquia Ordem – arranjo organizacional Equidade Estabilidade de pessoal Iniciativa X Espírito de equipe Aplicabilidade na Enfermagem Estruturas rigidamente hierarquizadas Exemplo Organograma definindo linhas de subordinação integral de um indivíduo ao outro Críticas em relação ao cenário atual Caráter prescritivo e normativo Restringe-se apenas à estrutura formal Aspectos organizacionais analisados de cima para baixo TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Teoria das Relações Humanas George Elton Mayo (1924-1932), psicólogo social Reação ao modelo mecanicista de Taylor e Fayol Metáfora da “grande família” Abordagem democrática e liberal Teoria das Relações Humanas Ênfase Organização informal – relações informais Controle por resultados Liderança Participação nas decisões Satisfação das necessidades básicas do trabalhador Preocupação c/ homem no trabalho e com grupos Pressupostos Homo Social Nível de produção resultante da integração social .....capacidade social do trabalhador que estabelece seu nível de competência e eficiência e não só o fato de executar tarefas .......quanto mais integrado, maior disposição para produzir Comportamento social do trabalhador Pressupostos Recompensas e sanções sociais Organização informal – caráter espontâneo e não oficial Controle por resultados, “vestir a camisa da empresa” Identidade de interesses – satisfação do trabalhador Importância da liderança Importância da comunicação Importância da participação nas decisões Pressupostos “O hospital é uma organização formal, mas, sem seus grupos informais, suas lideranças informais, dificilmente ele funcionaria, pois sua complexidade e diversidade são muito intensas para serem abordadas só por meio de manuais, rotinas e procedimentos” (Picchai D, 2001) Aplicabilidade na Enfermagem Estimular a motivação pessoal Boa comunicação entre enfermeiro e equipe multidisciplinar Preocupação com liderança Exemplos Preocupação com liderança como estratégia de condução de grupos Comunicação adequada favorecendo a qualidade assistencial Críticas em relação ao cenário atual Enfoque manipulativo das relações humanas Concepção ingênua e romântica do operário, forma paternalista Exageros Conflitos são abafados ORGANIZAÇÃO BUROCRÁTICA Organização Burocrática Max Weber (1864-1920), sociólogo alemão Considera os indivíduos apenas em função dos cargos que exercem Visa organizar e controlar rigidamente as atividades institucionais Ênfase Racionalidade: adequação dos meios utilizados segundo os resultados Pressupostos Caráter legal das normas e regulamentos Caráter formal das comunicações Caráter racional e divisão do trabalho Impessoalidade nas relações Hierarquia de autoridade Rotinas e procedimentos padronizados Competência técnica profissionalização Aplicabilidade na Enfermagem Valorização das normas e regras contribuindo para práticas obsoletas Exemplo A estrutura burocrática deixa uma prática assistencial muito estanque Poucas expectativas de mudança Críticas em relação ao cenário atual Exagero e apego à normas e regras Excesso de formalismo e papelório Resistência à mudanças Despersonalização do relacionamento Exibição dos sinais de autoridade Valoriza mais os aspectos organizacionais do que o ser humano Críticas em relação ao cenário atual Organização burocrática Excesso de formalismo e despersonalização Plena conformidade do comportamento dos funcionários Conhecimento da norma: uma especialidade Norma Transformada em si mesmo Controle burocrático Definição de um padrão mínimo de comportamento Princípio: Documentação é necessária Necessária em que grau? O cliente pede exceção à norma O funcionário atém-se à norma Inadaptação a situações novas Rigidez administrativa O caso apresenta peculiaridades Desempenho Mínimo “Papelada” INEFICIÊNCIA Conflito com os clientes TEORIA ESTRUTURALISTA Teoria Estruturalista Surgiu da necessidade de visualizar a organização como unidade social grande e complexa Síntese entre as Escolas anteriores Reconhece que o conflito é inevitável porém desejável Reconhece as tensões entre as necessidades organizacionais e de seu pessoal Controle não só por marcação cerrada nem só por resultados Submissão do indivíduo à socialização organizacional Conceitos Homem organizacional: flexibilidade, tolerância à frustrações, personalidade cooperativa Organização formal e informal Conflitos na organização • Geram mudanças e desenvolvimento • Administrador: gerenciar e minimizar seus efeitos maléficos Ênfase Estrutura organizacional, nas pessoas e ambiente Aplicabilidade na Enfermagem O homem organizacional é um profissional que vive a organização e faz dela seu principal objetivo de vida Aplicabilidade na Enfermagem Exemplos No Hospital, ocorre o dilema entre o setor administrativo, pelo encarregado que segue as regras e o setor técnico, pelo especialista que geralmente busca mais autonomia para atendimento ao paciente. Dilema entre as necessidades de atendimento personalizado ao paciente e o processo profissional e impessoal do atendimento dado pelos hospitais. TEORIA NEOCLÁSSICA Teoria Neoclássica Surgiu da necessidade de se utilizarem os conceitos válidos da Teoria Clássica, expurgando-os dos exageros e distorções e condensando os conceitos válidos e relevantes oferecidos por outras teorias Não é uma Escola bem definida e sim um movimento heterogêneo Teoria Neoclássica Peter F. Drucker Willian Newman Ernest Dale Ralph C. Davis Louis Allen Harnold Koontz Não possuem alinhamento dentro de uma orientação comum Características Ênfase na prática administrativa Reafirmação dos postulados clássicos Ênfase nos princípios gerais da administração Ênfase nos objetivos e resultados ecletismo Princípios Básicos Divisão do trabalho em pequenas tarefas Especialização Hierarquia – organização formal Distribuição da autoridade e da responsabilidade Princípios Básicos SUPERIOR Responsabilidade OCUPANTE DO CARGO Autoridade SUBORDINADO TEORIA COMPORTAMENTAL (BEHAVIORISMO) Teoria Comportamental (Behaviorismo) Kurt Lewin (1947): objetiva explicar o comportamento humano nas organizações Preocupação com os processos de trabalho Crítico em relação à Teoria das relações Humanas pois os princípios eram expostos de forma ingênua e prescritiva Teoria Comportamental (Behaviorismo) Organizações = sistemas sociais baseados na cooperação para trazer satisfação pessoal = sistema de tomada de decisão (análise e escolha) Motivação humana: conhecer as necessidades humanas para compreender seu comportamento Teorias da Motivação: três Teorias da Motivação • • Primeira: Teoria da hierarquização das Necessidades Necessidades humanas organizadas e dispostas em níveis Hierarquia de importância e influência Teorias da Motivação: Teoria da Hierarquização das Necessidades 5. Necessidade de Autorealização 4. Necessidade do Ego Independência, apreciação, respeito, reconhecimento 3. Necessidades Sociais Associação, convívio, amizade, afeto, amor, etc. 2. Necessidade de Segurança Proteção contra o perigo da ameaça, desejo de Estabilidade e busca de um mundo ordenado e previsível 1. Necessidades Fisiológicas (biológicas ou básicas) Alimentação, desejo sexual, sono e repouso, abrigo, etc. Teorias da Motivação • • • • Segunda: Teoria “X” e Teoria “Y” de Douglas Mac Gregor Teoria “X” As pessoas são preguiçosas e indolentes Os empregados não gostam de trabalhar e evitam o trabalho sempre que podem Os empregados devem ser controlados, dirigidos e ameaçados Os empregados gostam de ser dirigidos e não gostam de aceitar responsabilidades Teorias da Motivação: Teoria “X” e Teoria “Y” de Douglas Mac Gregor Teoria “Y” • Trabalhar é tão natural quanto se divertir ou descansar As pessoas podem ser automotivadas e autodirigidas As pessoas são esforçadas e gostam de ter o que fazer As pessoas são criativas e competentes • • • Teorias da Motivação • • • • Terceira: Teoria dos dois fatores de Herzberg Frederick Herzberg (n.1923) Explica o comportamento da pessoa em situação de trabalho Fatores motivacionais (intrínsecos): podem causar a satisfação (relacionados aos desafios) Fatores higiênicos (extrínsicos): podem evitar a insatisfação (políticas da companhia, supervisão, salário, condições de trabalho,etc) Teorias da Motivação: Teoria dos dois fatores de Herzberg FATORES MOTIVACIONAIS (Satisfacientes) 1. 2. 3. 4. 5. O trabalho em si Realização Reconhecimento Progresso profissional Responsabilidade FATORES HIGIÊNICOS (Insatisfacientes) 1. 2. 3. 4. 5. As condições de trabalho Administração da empresa Salário Relações com o supervisor Benefícios e serviços sociais Teorias da Motivação: Teoria dos dois fatores de Herzberg Características: Homem tem 2 tipos básicos de necessidade: relacionada com a natureza e com a característica humana O único meio de motivar o empregado é atribuirlhe tarefas desafiantes em que ele possa assumir responsabilidades Os fatores higiênicos estão fora do controle das pessoas Teorias da Motivação: Teoria dos dois fatores de Herzberg “Satisfação não é condição suficiente mas é necessária para ter colaboração das pessoas.” Teoria Comportamental (Behaviorismo) Processo Decisório, segundo Herbert Simon Percepção as situação que envolve algum problema Análise e definição do problema Definição dos objetivos Procura de alternativas de solução ou de cursos de ação Avaliação e comparação dessas alternativas Escolha da alternativa mais adequada ao alcance dos objetivos Implementação da alternativa escolhida Aplicabilidade na Enfermagem A adoção de políticas e diretrizes baseadas no comportamento Estilos de liderança compatíveis com a Teoria “X” Exemplos Adoção de estilos de liderança baseadas na Teoria “X” = centralização das decisões e do poder da cúpula administrativa Sistemas rígidos de controle Críticas em relação ao cenário atual Por estar relacionada com a Teoria Da Motivação Humana, possui uma forma bipolar de conceber a organização, que muitas vezes pode comprometer as relações de trabalho por considerar que os indivíduos possuem as mesmas necessidades, passíveis de hierarquização TEORIA DE SISTEMAS Teoria de Sistemas Bertlanflay (1960) Busca a interdisciplinaridade e a capacidade de analisar a organização sob ângulos diversos e complementares Sistema: “conjunto de elementos interdependentes e interagentes formando um todo organizado e cujo resultado é maior do que o resultado que os elementos poderiam ter se funcionassem independentemente (efeito sinérgico)” (Chiavenato, 2002) Teoria de Sistemas • • Quanto à constituição físicos ou concretos: equipamentos, hardware Abstratos ou conceituais: hipóteses, idéias, software Teoria de Sistemas • • Quanto à natureza Fechados: não apresentam intercâmbio com o meio ambiente, apresentam comportamento determinístico e programado, são estruturados Abertos: apresentam intercâmbio com o meio ambiente por meio de entradas e saídas, são adaptativos, ajustam-se constantemente às condições do meio (retroalimentação), contínuo processo de aprendizagem e de auto-organização Teoria de Sistemas: o esquema conceitual de Katz e Kahn Desenvolveram modelo organizacional com características típicas de sistema aberto Teoria de Sistemas: o esquema conceitual de Katz e Kahn INPUT Paciente Doente CONTROLE EXTREMO Centro de Vig. Sanitária CLIENTE Paciente Família Comunidade PROCESSADOR Prédio/Instalações Equipamentos/ Corpo Clínico/ Enfermagem/ Corpo Administrativo OUTPUT Paciente sadios Cadáveres Pacientes com sequelas FEEDBACK Comparação Controle Retroalimentação Ambiente Entropia negatiba Aplicabilidade na Enfermagem Ocorre intercâmbio entre a enfermagem e o sistema de saúde ou com outras unidades Exemplos Organização do trabalho de enfermagem de acordo com as diretrizes do Sistema de Saúde exigente Elaboração de programas que atendam necessidades da população Críticas em relação ao cenário atual Teoria recente É coerente com a visão estrutural funcionalista típica dos países capitalistas de hoje TEORIA CONTINGENCIAL (ESCOLA AMBIENTAL) Teoria Contingencial (Escola Ambiental) Surgiu da investigação de como uma mesma empresa funciona de diferentes formas em diferentes condições Laurence, Lorsch, década de 1970 Pesquisa sobre defrontamento entre organização e ambiente. Conclusão: problemas organizacionais básicos são diferenciação e integração Teoria Contingencial (Escola Ambiental) Ênfase Não há nada de absoluto nas organizações ou na Teoria Administrativa, tudo é relativo, tudo depende Relação funcional entre condições do ambiente e técnicas administrativas Características A organização é de natureza sistêmica (sistema aberto) As condições são ditadas de fora (ambiente) para dentro da organização Interação entre si e o ambiente Características ambientais são variáveis independentes e as organizacionais são dependentes daquelas .....o ambiente assim como a tecnologia, influencia a estruturação e os processos organizacionais Aplicabilidade na Enfermagem Pode sofrer influência do sistema econômico, das propostas sociais, do regime político, pois os sistemas de saúde podem interferir nas ações de saúde Exemplo Desenvolvimento de programas de saúde de acordo com o perfil epidemiológico Críticas em relação ao cenário atual É interativa Diferentes formas de perceber a organização Ponto Favorável: não admite conceitos absolutos e sim relativos