Duarte APP, Ellensohn L A OPERACIONALIZAÇÃO DO PROCESSO DE ENFERMAGEM EM TERAPIA INTENSIVA NEONATAL OPERATIONALIZATION OF NURSING PROCESS IN NEONATAL INTENSIVE CARE LA OPERACIONALIZACIÓN DEL PROCESO DE ENFERMERÍA EN TERAPIA INTENSIVA NEONATAL Alexandra Paz Pereira DuarteI Lisara EllensohnII RESUMO: O processo de enfermagem é um método que viabiliza a sistematização da assistência e a individualização do cuidado prestado ao paciente. O objetivo deste trabalho foi conhecer as etapas do processo de enfermagem aplicadas em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), sua forma de aplicação e de registro. Desenvolveu-se um estudo exploratório, descritivo, com abordagem qualitativa, entre 31 de julho e 12 de setembro de 2006. A população do estudo foi constituída por cinco enfermeiros da UTIN de um hospital de médio porte da rede pública de saúde do Vale do Rio dos Sinos, Rio Grande do Sul. São desenvolvidos o histórico de enfermagem e, eventualmente, a evolução de enfermagem. Evidenciou-se que não há sistematização das etapas do processo de enfermagem na instituição investigada, inexiste definição de competências assistenciais para o enfermeiro nos diferentes turnos de trabalho e que o registro do referido processo nem sempre é realizado. Palavras-chave: Processo de enfermagem; enfermeiro; assistência de enfermagem; unidade de terapia intensiva neonatal. ABSTRACT ABSTRACT:: The Nursing Process (NP) is a method that enables the systematization and individualization of care given to the patient. The aim of the present study was to investigate NP steps at a Neonatal Intensive Care Unit (NICU), its application, and its registering. An exploratory, descriptive study with a qualitative approach was developed between July 31st and September 12th, 2006. The study population was made up of five NICU nurses from a medium-size public hospital located in Vale do Rio dos Sinos, state of Rio Grande do Sul, Brazil. It was evinced that there is no systematization of the NP steps at the institution investigated; no standard care procedures are developed in the different work shifts; and not always is there required registering of the NP steps developed. Keywords: Nursing process; nurses; nursing care; neonatal intensive care unit. RESUMEN: El proceso de enfermería és un método que viabiliza la sistematización de la asisténcia y la individualización del cuidado prestado al paciente. El objetivo de este trabajo fue conocer las etapas del processo de enfermería aplicadas en una Unidad de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), su forma de aplicación y de registro. Se desarrolló un estudio explorativo, descriptivo, con enfoque qualitativo, entre 31 de julio y 12 de septiembre de 2006. La populación del estudio fue constituída por cinco enfermeros de la UTIN de un hospital de médio porte de la red pública de salud de Vale do Rio dos Sinos, Rio Grande do Sul, Brasil. Son desarrollados el histórico de enfermería y, eventualmente, evolución de enfermería. Se evidenció que no hay sistematización de las etapas del proceso de enfermería en la institución investigada, no hay definición de competencias asistenciales para el enfermero en los diferentes turnos de trabajo y que el registro del proceso de enfermería no és siempre realizado. Palabras Clave: Proceso de enfermería; enfermero; asistencia de enfermería; unidad de terapia intensiva neonatal. INTRODUÇÃO A Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) caracteriza-se como uma área de assistência a recém-nascidos criticamente enfermos, altamente vulneráveis, que necessitam de cuidados de enfermagem especiais e contínuos, o que exige do profissional enfermeiro grande conhecimento científico, habilidade técnica e capacidade de realizar avaliações particularmente criteriosas desses pacientes. Nesse contexto, o planejamento e o desenvolvimento de intervenções de enfermagem adequadas e eficientes para a prevenção e solução de problemas em UTIN podem ser facilitados pela implementação do Processo de Enfermagem (PE). Para tanto, faz-se necessário que os enfermeiros conheçam o real significado desse método, bem como a melhor forma de aplicá-lo, de acordo com a sua realidade. Enfermeira, Serviço de Hemoterapia e Hematologia Hemovida, Santa Cruz do Sul/RS. Rua Guilherme Blos, 112 (Bairro 25 de Julho). Campo Bom – Rio Grande do Sul – Brasil. CEP 93700-000. E-mail: [email protected] II Professora Mestre, Instituto de Ciências da Saúde, Centro Universitário Feevale, Novo Hamburgo/RS. I R Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2007out/dez; 15(4):521-6. • p.521 Processo de enfermagem neonatal Durante a realização de disciplinas práticas de um curso de graduação em enfermagem, foi possível observar que o PE – apesar de ter sido implantado no Brasil há mais de três décadas, estar contemplado nos currículos das escolas de Enfermagem, constar na lei do exercício profissional dos enfermeiros e ser reconhecido na prática, tanto do ponto de vista organizacional quanto de registros – não é aplicado nem documentado de maneira integral em nenhuma das instituições hospitalares que constituíram campos de estágio acadêmico dos alunos do Centro Universitário Feevale, no Vale do Rio dos Sinos, Rio Grande do Sul (RS). Dessa forma, a constatação da existência de uma dicotomia entre a teoria ensinada aos acadêmicos e a realidade observada em campos de estágio em relação ao PE despertou curiosidade a respeito da representação do PE para os enfermeiros e da viabilidade de sua aplicação em instituições hospitalares, levando ao desenvolvimento do presente estudo, que teve como objetivo conhecer as etapas do PE aplicadas na UTIN investigada, sua forma de aplicação e de registro. REFERENCIAL TEÓRICO O Processo de Enfermagem (PE) é um método que viabiliza a organização da assistência de enfermagem, de forma sistemática e dinâmica, bem como o atendimento das reais necessidades de cuidado em saúde apresentadas por um indivíduo. Representa uma abordagem de enfermagem ética e humanizada, dirigida a resultados e de baixo custo1,2. No Brasil, o PE é uma atividade regulamentada pela Lei do Exercício Profissional da Enfermagem3, constituindo, portanto, uma ferramenta de trabalho exclusiva do enfermeiro. Na literatura, podemos encontrar outras denominações para o PE, entre elas Sistematização da Assistência de Enfermagem e Metodologia da Assistência de Enfermagem4. Observa-se, também, uma diferença no número de fases constituintes do método sugeridas por diversos autores, e que os conceitos empregados para definir a dinâmica do cuidado variam de acordo com o modelo teórico adotado por cada um deles para o desenvolvimento da prática de enfermagem. A descrição do PE considerada neste estudo segue o modelo proposto por Iyer, Taptich e Bernocchi-Losey 5, que apresentam o método estruturado com as seguintes etapas: Histórico, Diagnóstico, Planejamento, Implementação e Avaliap.522 • R Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2007 out/dez; 15(4):521-6. ção. Essas fases seguem uma determinada seqüência e se encontram inter-relacionadas. Elas definem as ações de enfermagem e constituem as funções intelectuais de resolução de problemas. Em relação às suas vantagens, afirma-se que o PE leva ao fortalecimento da profissão, à excelência no cuidado e, em especial, à concretização dos ideais de ser enfermeiro. Por meio dele, é possível que o profissional promova o cuidado de forma seqüencial6 e gerencie as ações de enfermagem7. Sabe-se, entretanto, que, ainda hoje, são poucas as instituições de saúde nas quais se aplica o PE de forma integral na sistematização da assistência ao paciente, sendo que, na maioria delas, se desenvolve uma prática orientada por normas e rotinas previamente estabelecidas, que são executadas de maneira repetida e sem reflexão. Considerando que a ausência de planejamento da assistência de enfermagem, de implementação de ações adequadas e de registros no prontuário pode afetar de forma significativa tanto a situação do cliente assistido quanto da equipe de enfermagem, destaca-se a importância do PE como meio para individualizar o cuidado e definir, de forma concreta, o papel do enfermeiro na equipe de saúde. METODOLOGIA Foi desenvolvido um estudo exploratório, des- critivo, com abordagem qualitativa, na UTIN de um hospital de médio porte da rede pública de saúde do Vale do Rio dos Sinos, RS. A referida UTI possui nove leitos e é uma das três áreas da Unidade Neonatal da instituição. A população do estudo foi constituída pelos enfermeiros da UTIN do hospital investigado. Os sujeitos do estudo foram cinco enfermeiros dessa unidade, que trabalham nos turnos da manhã, tarde, noite I ou noite II. Esses profissionais foram selecionados de forma intencional, conforme os critérios de inclusão e exclusão descritos a seguir. O critério para a inclusão no estudo foi ter, no mínimo, um ano de experiência nessa área. Esse critério foi estabelecido pensando-se em incluir na pesquisa enfermeiros com um período mínimo de vivência profissional em UTIN e que conhecessem a realidade dessa unidade. Foram excluídos do estudo os enfermeiros que se encontravam em férias e/ ou licença. O projeto foi submetido ao parecer do Comitê de Ética em Pesquisa da instituição hospitalar onde Duarte APP, Ellensohn L foi realizado o estudo, conforme as disposições da Resolução nº 196, de 1996, do Conselho Nacional de Saúde8, tendo sido aprovado. Antes de iniciar a coleta de dados, foi entregue a cada um dos enfermeiros convidados a participar da pesquisa um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, em duas vias de igual teor, no qual constavam os objetivos do estudo, a explicação sobre a forma de coleta de dados e a garantia do anonimato dos participantes e da instituição investigada. Os entrevistados foram identificados por códigos, iniciados pela letra E, acrescida do número correspondente à ordem consecutiva das entrevistas (E1, E2, E3, E4 e E5). Foram solicitados à Coordenação de Enfermagem da instituição em estudo os nomes dos enfermeiros que atendiam aos critérios de inclusão, o turno de trabalho de cada um deles e o número do telefone da UTIN, a fim de realizar o agendamento das entrevistas. Foi também solicitada uma sala para a realização das entrevistas, tendo sido cedida a sala de reuniões da UTIN. Realizou-se contato telefônico com cada um dos cinco enfermeiros selecionados, a fim de apresentar-lhes a proposta do estudo e indagá-los sobre o interesse em participar como sujeitos da pesquisa. As informações foram coletadas mediante entrevista, sendo que o instrumento de coleta de dados utilizado foi um roteiro de entrevista semiestruturado, contendo questões abertas. A coleta de informações foi realizada pela pesquisadora entre 31 de julho e 12 de setembro de 2006. As entrevistas foram gravadas em fita cassete e, posteriormente, transcritas para serem analisadas. As gravações permanecerão arquivadas por cinco anos e, posteriormente, serão destruídas. Os dados obtidos foram analisados por meio do método de Análise de Conteúdo proposto por Bardin9, conforme será descrito a seguir. Na etapa de pré-análise, as entrevistas transcritas foram organizadas com o objetivo de operacionalizar e sistematizar as idéias iniciais. Realizou-se a escolha dos textos que seriam analisados e a elaboração de hipóteses, objetivos e indicadores que fundamentariam a interpretação final. Na segunda etapa – fase de exploração do material – operações de codificação, recorte, agregação e enumeração foram realizadas nos textos, a fim de transformar dados brutos em conteúdo representativo, esclarecendo a analista sobre as características de cada entrevista. Na última etapa da análise – fase de tratamento e interpretação – os resultados brutos foram tratados de forma a tornarem-se significativos e válidos, possibilitando a realização de inferências e interpretações a propósito dos objetivos previstos e relacionados a novas descobertas. Posteriormente, esses dados foram discutidos à luz do referencial teórico. RESULTADOS E DISCUSSÃO A seguir, são apresentadas as categorias que emergiram das falas dos enfermeiros da UTIN entrevistados, a partir da análise do conteúdo. Foi possível constatar, durante a coleta de dados, a inexistência de sistematização das etapas do PE realizadas pelos enfermeiros da UTIN. As atividades assistenciais dos enfermeiros pesquisados não ocorrem de forma organizada na UTIN, pois não há, nessa unidade, a utilização formal de um método científico de sistematização da assistência. Categoria 1 – O processo de enfermagem é realizado parcialmente na unidade Nota-se, conforme o comentário de um dos sujeitos da pesquisa, que o PE é aplicado apenas parcialmente na UTIN estudada. Eu acho que, parcialmente, se aplica o processo. (E1) O que ocorre na unidade é a aplicação de algumas de suas fases, tais como o Histórico de Enfermagem (anamnese e exame físico), muitas vezes de maneira informal e, eventualmente, a Evolução de Enfermagem. A gente faz a admissão do paciente na unidade, com exame físico do paciente, conversa com familiares [...]. A maioria das informações são (coletadas) através da carteirinha de pré-natal e com o familiar que está na hora. Mas a gente não faz prescrição, não faz plano de cuidado de enfermagem por escrito – a gente orienta os funcionários, mas não tem isso, rotineiramente, por escrito – não fazemos Diagnóstico de Enfermagem, não se tem essa prática. (E3) Da mesma forma, num estudo de 2001, verificou-se que os enfermeiros respondentes, em sua maioria, não aplicam o PE integralmente, desenvolvendo apenas algumas etapas, tais como o Histórico simplificado e a Evolução diária10. A partir de alguns achados da presente investigação, percebe-se uma dicotomia entre o discurso e a prática dos profissionais. Entendo que, certamente, algum entrave deva estar condicionando os profissionais a deixarem de fundamentar sua prática num método que, segundo a literatura científica, apreR Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2007out/dez; 15(4):521-6. • p.523 Processo de enfermagem neonatal senta tanta relevância, e, consoante Figueiredo, ZemMascarenhas, Napoleão e Camargo11, continua a representar, atualmente, objeto de preocupação dos enfermeiros. Ferreira12 afirma, a partir de sua experiência na área hospitalar, que é possível realizar a sistematização da assistência. Entretanto, para que ela ocorra, é necessário mais do que as escolas e as instituições de saúde oferecem. É fundamental que os enfermeiros procurem compreender as dimensões da prática de enfermagem e a origem das dificuldades da profissão, e se comprometam a buscar a educação continuada como forma de ampliar e atualizar seus conhecimentos. Assim, compreendo que a aplicação do PE é possível quando, além das condições proporcionadas pelas instituições de ensino e de saúde, há esforço individual de cada enfermeiro, na procura por novas oportunidades educacionais, discussões entre a equipe de enfermagem sobre suas maiores dificuldades e formas de resolvê-las e análise criteriosa da prática. Categoria 2 – Não há consonância entre as etapas do processo de enfermagem desenvolvidas pela equipe de enfermeiros Destaca-se a falta de convergência nas respostas dos sujeitos do estudo em relação à realização da admissão dos recém-nascidos pelo enfermeiro na UTIN estudada, atividade que inclui anamnese e exame físico no momento da internação do paciente na unidade. Nota-se, a partir dos relatos a seguir, que dois enfermeiros afirmam realizar a admissão do paciente na UTIN, enquanto outro comenta que, rotineiramente, nessa unidade, não se tem essa prática. A admissão do paciente é a enfermeira que faz. A gente faz a nota de admissão e escreve [...] o que tu estás vendo do paciente. (E1) Na verdade, rotineiramente, ali na UTI Neo, não tem a nota de admissão pela enfermagem. (E2) A gente faz a admissão do paciente na unidade [...]. (E3) Diante disso, evidencia-se a falta de definição de competência do enfermeiro na assistência desenvolvida nos diferentes turnos de trabalho, o que compromete a continuidade e a qualidade do cuidado, a segurança do neonato enfermo e a confiança de sua família na equipe de enfermagem. Corroborando essa constatação, outro estudo revelou que não há homogeneidade em relação à p.524 • R Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2007 out/dez; 15(4):521-6. realização das etapas da sistematização da assistência pelos enfermeiros pesquisados7. Observa-se, também, a seguir, contradições em diferentes falas de um mesmo enfermeiro. Se faz evoluções dos pacientes em prontuário [...] rotineiramente. (E3) Rotineiramente, são evoluídos, basicamente, as intercorrências no turno. (E3) A impressão que se tem, a partir das falas registradas, é de que a realização de uma das atividades do enfermeiro na UTIN não está completamente clara para esse profissional. Pressupõe-se que tanto essa falta de clareza como a falta de uniformidade na assistência, já comentada anteriormente, devamse à inexistência de um método científico que defina e direcione as ações. Categoria 3 – O registro das etapas do processo de enfermagem executadas nem sempre é realizado Verificou-se que na UTIN investigada os registros dos profissionais, quando realizados, ocorrem de forma manual no prontuário do paciente, pois não existe sistema informatizado. A maioria dos enfermeiros ressaltou a falta de registro das etapas do PE por eles desenvolvidas na UTIN, o que pode ser constatado pelo comentário transcrito abaixo. A gente faz muito mais a questão informal do que formal [...], a gente tem mentalmente a situação, mas se tu vais olhar o prontuário do paciente em questão, o processo de enfermagem é extremamente pobre. (E2) O próprio enfermeiro caracteriza a sua atividade como informal, porque, muitas vezes, não há registro daquilo que é realizado, e assume a precariedade da documentação das etapas do PE desenvolvidas no prontuário do paciente. Assim, é oportuno ressaltar que a compreensão do conhecimento em enfermagem é algo complexo, pois os enfermeiros sabem mais do que falam e escrevem sobre a sua atividade profissional13. Percebe-se que, muitas vezes, na prática, há uma dedicação especial do enfermeiro à realização dos cuidados e um certo esquecimento em relação aos registros. Acredito que seja preciso que os enfermeiros se habituem a relatar o seu trabalho, comprovando a sua competência e se responsabilizando pelas suas decisões. Um dos enfermeiros supõe que a existência de um protocolo e de um impresso exclusivo na UTIN para registrar manualmente as etapas do PE desen- Duarte APP, Ellensohn L volvidas facilitaria a documentação daquilo que é realizado. Não existe um protocolo, um papel impresso que eu pudesse só [...] marcar para ser mais fácil [...], não existe, nós não temos. (E1) Os impressos para o registro do PE deveriam ser padronizados e elaborados conjuntamente por todos os membros da equipe de enfermagem, possibilitando a construção de um instrumento que atendesse às suas necessidades e reduzisse o tempo gasto na aplicação do método10. A utilização de um roteiro específico para a elaboração dos registros manuais das diferentes fases do PE facilitar a sua aplicabilidade, por orientar o enfermeiro em relação aos passos do PE e aos itens mais relevantes que precisam ser anotados a respeito da avaliação de qualquer cliente, inclusive do recémnascido, e também por reduzir o tempo dispensado para os registros1,2,4-7,10-14. Ao refletir sobre isso, faz-se necessário lembrar que o registro completo das informações sobre os pacientes é um dos meios mais eficazes para melhorar a assistência, pois fornece informações relevantes para toda a equipe, evita a repetição de perguntas ao paciente, aumenta a sua segurança, dá condições à continuidade das ações e possibilita a avaliação14. CONCLUSÃO Por meio deste estudo, evidenciou-se que o PE não está implantado como modelo de sistematização do trabalho assistencial do enfermeiro na UTIN investigada, sendo desenvolvido apenas o Histórico de Enfermagem – muitas vezes de maneira informal – e, eventualmente, a Evolução de Enfermagem, item integrante da etapa de Avaliação. Os enfermeiros também relatam a inexistência de uma sistematização nas etapas do PE executadas, bem como as limitações da assistência prestada na UTIN. Identificou-se que não há definição de competências assistenciais para o enfermeiro dos diferentes turnos e que o registro das etapas do PE, quando ocorre, é realizado manualmente. Diante disso, considerando a complexidade e especificidade das necessidades do RN e de sua família, ressalta-se que a falta de aplicação integral do PE e de registros apropriados pode ocasionar o comprometimento da assistência de enfermagem, levando à fragmentação dos cuidados. Em relação às falhas identificadas no sistema de registro das etapas do PE desenvolvidas, a elabo- ração de um impresso específico para o registro manual da assistência de enfermagem – baseado nas necessidades do paciente e dos profissionais, que oriente a implementação dos cuidados de forma ordenada, viabilize o resgate de informações importantes e mantenha o paciente como o centro das atenções da equipe – seria uma alternativa indispensável para operacionalizar as etapas já desenvolvidas do PE e otimizar seus resultados. A desarticulação entre o valor atribuído na teoria ao PE – como instrumento de organização do cuidado – e aquilo que efetivamente é realizado na prática diária decorre de algumas lacunas da educação dos enfermeiros, no modelo capitalista vigente nas instituições de saúde e na falta de empenho de alguns profissionais. Assim, as Escolas de Enfermagem deveriam definir – entre as diversas teorias de enfermagem existentes – um referencial teórico para fundamentar o ensino do PE, optando por um modelo capaz de atender às reais necessidades das organizações de saúde e da sociedade. As instituições de saúde, por sua vez, deveriam priorizar a realização do cuidado de enfermagem de qualidade, baseado em conhecimentos científicos, e não apenas a quantidade de trabalho produzido. Já os enfermeiros, para colocarem em prática o PE, deveriam ter como prioridade a busca pela qualidade assistencial, mediante pesquisa e atualização relacionadas a essa metodologia. Com esse esforço conjunto, será possível difundir a implementação do PE nas instituições de saúde, no intuito de aperfeiçoar a prática profissional, definir o corpo de conhecimentos específico da enfermagem e demonstrar, de forma concreta, o alcance e a importância da profissão. REFERÊNCIAS 1.Alfaro-Lefevre R. Aplicação do processo de enfermagem: promoção do cuidado colaborativo. 5a ed. Porto Alegre (RS): Artmed; 2005. 2.Smeltzer SC, Bare BG. Brunner e Suddarth: tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 10a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2005. 3.Conselho Federal de Enfermagem (Br). Lei nº. 7.498 de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem e dá outras providências. Rio de Janeiro: Gráfica COFEn, 1987. 4.Mendes MA, Bastos MAR. Transformando a prática do enfermeiro. Nursing. 2005; 80(8): 30-7. 5.Iyer PW, Taptich BJ, Bernocchi-Losey D. Processo e diagnóstico de enfermagem. Porto Alegre (RS): Artmed; 1993. R Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2007out/dez; 15(4):521-6. • p.525 Processo de enfermagem neonatal 6.Mendes MA, Bastos MAR. Processo de enfermagem: seqüências no cuidar, fazem a diferença. Rev Bras Enferm. 2003; 56: 271-76. 7.Thomaz VA, Guidardello EB. Sistematização da assistência de enfermagem: problemas identificados pelos enfermeiros. Nursing. 2002; 54(5): 28-34. 8.Conselho Nacional de Saúde (Br). Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. Resolução nº. 196/96. Dispõe sobre pesquisa envolvendo seres humanos. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 1996. 9.Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70; 1977. 10.Matté VM, Thofhern MB, Muniz RM. Opinião dos enfermeiros quanto à aplicabilidade do processo de enfermagem em unidade de tratamento intensivo. Rev Gaúcha Enferm. 2001; 22(1): 101-21. Recebido em: 07.08.2007 Aprovado em: 08.11.2007 p.526 • R Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2007 out/dez; 15(4):521-6. 11.Figueiredo RM, Zem-Mascarenhas SH, Napoleão AA, Camargo AB. Caracterização da produção do conhecimento sobre sistematização da assistência de enfermagem no Brasil. Rev Esc Enferm USP. 2006; 40: 299-303. 12.Ferreira NMLA. Sistematização da assistência de enfermagem: importância para a profissão e responsabilidade no preparo do enfermeiro. Acta Paul Enferm. 1990; 3(3): 79-84. 13.Santos SR, Paula AFA, Lima JP. O enfermeiro e sua percepção sobre o sistema manual de registro no prontuário. Rev Lat-am Enfermagem. 2003; 11(1): 80-7. 14.Castilho V, Campedelli MC. Observação e registro: subsídios para o sistema de assistência de enfermagem. In: Campedelli MC, organizadora. Processo de enfermagem na prática. São Paulo: Ática; 1989. p. 57–65.