UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS COORDENAÇÃO DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO SERVIÇO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM ADMINISTRAÇÃO LORENA DE MELO BORGES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS MELHORIAS EM UM PROCESSO DE COMPRA DO TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DA PARAÍBA TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO João Pessoa – PB junho de 2010 1 LORENA DE MELO BORGES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS MELHORIAS EM UM PROCESSO DE COMPRA DO TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DA PARAÍBA Trabalho de Conclusão de Curso Apresentado à Coordenação do Serviço de Estágio Supervisionado em Administração, do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal da Paraíba, em cumprimento às Exigências para a Obtenção do Grau de Bacharel em Administração. Orientador: Prof. Fábio Walter João Pessoa – PB junho de 2010 2 Ao Professor Orientador Fábio Walter Solicitamos examinar e emitir parecer no Trabalho de Conclusão de Curso da aluna Lorena de Melo Borges. João Pessoa, junho de 2010. __________________________ Prof. Fábio Walter Coordenador do SESA/CCSA/UFPB Parecer do Professor Orientador: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ 3 LORENA DE MELO BORGES IDENTIFICAÇÃO DE POSSÍVEIS MELHORIAS EM UM PROCESSO DE COMPRA DO TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DA PARAÍBA Trabalho de Conclusão de Curso Aprovado em: 09 de julho de 2010. Banca Examinadora ___________________________ Prof. Fábio Walter Orientador __________________________ Profa. Kátia Virgínia Ayres Examinadora ________________________________ Prof. Jaílson Ribeiro de Oliveira Examinador 4 Dedico este trabalho à minha família, com a qual aprendi a harmonizar diferenças. Aos meus queridos amigos, pelas “incontáveis formas de se divertir”. À minha querida prima Jane, que sempre me acolhe com seu amor generoso. À Rezinha, pelos melhores sorrisos. 5 AGRADECIMENTOS Ao meu orientador, Professor Fábio Walter, pela atenção, comprometimento e preciosas dicas. Aos servidores da Seção de Compras, da Seção de Programação Orçamentária e Financeira e da Comissão Permanente de Licitação do TRE-PB, pela paciência e gentileza nas informações prestadas. À Imaelly, colega de curso, que me orientou sobre os setores e servidores mais adequados para a coleta de dados, me apresentando aos entrevistados. À Rêzinha, pela paciência ao revisar meus primeiros textos. 6 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Hierarquia do processo................................................................................... Figura 2 - Procedimentos de melhoria de processos....................................................... Figura 3 - Processo de Compras...................................................................................... Figura 4 - Organização estrutural do Poder Judiciário.................................................... Figura 5 - Processo de Compras na Administração Pública............................................ Figura 6 - Organograma Geral do TRE-PB..................................................................... Figura 7 - Organograma SAO......................................................................................... Figura 8 - Fluxograma padrão ANSI............................................................................... Figura 9 - Macroprocessos de Compras do TRE-PB...................................................... Figura 10 - Processamento do Pregão............................................................................. Figura 11 - Formalização do pedido de compra.............................................................. Figura 12 - Verificação Financeira.......................................... ....................................... Figura 13 - Autorização da Licitação e Elaboração do Edital......................................... Figura 14 - Escolha do Fornecedor.................................................................................. Figura 15 - Homologação e Adjudicação do Vencedor................................................... Figura 16 - Recebimento do objeto licitado.................................................................... Figura 17 - Solicitação de recebimento do objeto e empenho......................................... Figura 18 - Recebimento do Material.............................................................................. Figura 19 - Pagamento..................................................................................................... Figura 20 - Formalização do Pedido (nova proposta) .................................................... Figura 21 - Verificação Financeira (nova proposta)........................................................ Figura 22 - Autorização da Licitação e Elaboração do Edital (nova proposta)............... Figura 23 - Homologação e Adjudicação do Vencedor (nova proposta)......................... Figura 24 - Solicitação de Recebimento e Empenho (nova proposta)............................ Figura 25 - Pagamento (nova proposta) 23 27 29 33 35 45 46 49 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 64 65 66 68 69 71 7 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Diferenças entre Compras reativa e proativa......................................... Quadro 2 - Informações que devem ser incluídas no MAP...................................... Quadro 3 - Limites de valor para licitação............................................................... Quadro 4 - Significado dos símbolos do fluxograma ANSI..................................... 20 25 40 50 8 LISTA DE ABREVIATURAS ANSI – American National Standards Institute ASJUR – Assessoria Jurídica COF – Coordenadoria de Orçamento e Finanças COMAT – Coordenadoria de Material CPL – Comissão Permanente de Licitação DG – Diretoria Geral D.O.U. – Diário Oficial da União O.C. – Ordem de Compra PTRE – Presidência do Tribunal Regional Eleitoral SADP – Sistema de Acompanhamento de Documentos e Processos SAO – Secretaria de Administração e Orçamento SEAL – Seção de Almoxarifado SECOMP – Seção de Compras SECON – Seção de Contabilidade SEFIN – Seção de Execução Financeira SEOR – Seção de Execução Orçamentária SEPOF – Seção de Programação Orçamentária TRE – Tribunal Regional Eleitoral 9 SUMÁRIO 1 1.1 1.2 1.2.1 1.2.2 1.3 INTRODUÇÃO............................................................................................................ Delimitação do tema e Problematização ....................................................................... Objetivos........................................................................................................................ Objetivo Geral............................................................................................................... Objetivos Específicos ................................................................................................... Justificativa ................................................................................................................... 12 12 14 14 14 14 2 2.1 2.1.1 2.1.2 2.2 2.2.1 2.2.2 2.2.3 2.3 2.3.1 2.3.1.1 2.3.1.2 2.3.2 2.3.3 2.3.3.1 2.3.3.2 2.3.3.3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.............................................................................. Compras........................................................................................................................ Administração de Materiais........................................................................................... A Função Compras........................................................................................................ Processos....................................................................................................................... Visão de Processos......................................................................................................... Melhoria de Processos................................................................................................... Processo de Compra...................................................................................................... Compras na Administração Pública.......................................................................... Administração Pública................................................................................................... Princípios, Natureza e Fins da Administração Pública.................................................. Poderes do Estado.......................................................................................................... Processo de Compras na Administração Pública........................................................... Licitação........................................................................................................................ Finalidades e Princípios da Licitação............................................................................ Dispensa de Licitação.................................................................................................... Modalidades de Licitação.............................................................................................. 16 16 16 19 22 22 24 28 30 30 31 32 34 37 37 38 39 3 3.1 3.1.1 3.1.1.1 3.1.1.2 3.1.1.3 3.1.2 3.1.2.1 3.1.2.2 3.1.2.3 3.1.2.4 3.1.3 3.2 3.3 3.3.1 3.3.2 3.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS.............................................................. Tipo de Pesquisa............................................................................................................ Quanto aos Fins............................................................................................................. Aplicada......................................................................................................................... Exploratória................................................................................................................... Descritiva....................................................................................................................... Quanto aos meios de investigação................................................................................. Documental.................................................................................................................... Bibliográfica.................................................................................................................. Estudo de Caso.............................................................................................................. Pesquisa de campo......................................................................................................... Quanto à abordagem...................................................................................................... Universo (população) e amostra.................................................................................... Método de Coleta de Dados........................................................................................... Entrevista focalizada ou por pautas............................................................................... Observação simples....................................................................................................... Método de análise de dados........................................................................................... 42 42 42 42 42 43 43 43 43 44 44 44 44 47 47 48 48 4 4.1 4.1.1 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS........................................................ 52 Coleta de Dados............................................................................................................ 52 Compras no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba............................................... 52 10 4.1.2 53 4.1.2.1 4.1.2.1.1 4.1.2.1.2 4.1.2.1.3 4.1.2.1.4 4.1.2.1.5 4.1.2.2 4.1.2.2.1 4.1.2.2.2 4.1.2.2.3 4.2 4.2.1 4.2.1.1 4.2.1.2 4.2.1.3 4.2.1.4 4.2.1.5 4.2.2 4.2.2.1 4.2.2.2 4.2.2.3 4.2.3 Mapeamento do Pregão Presencial com registro de preço na aquisição de bens................................................................................................................................ Processamento do Pregão.............................................................................................. Subprocesso Formalização do Pedido de Compra......................................................... Subprocesso Verificação Financeira.............................................................................. Subprocesso Autorização da Licitação e Elaboração do Edital..................................... Subprocesso Escolha do Fornecedor............................................................................. Subprocesso Homologação e Adjudicação.................................................................... Recebimento do objeto licitado..................................................................................... Subprocesso Solicitação de Recebimento e Empenho.................................................. Subprocesso Recebimento do Material......................................................................... Subprocesso Pagamento................................................................................................ Possibilidades de Melhoria do Processo.................................................................... Melhoria do Processamento do Pregão.......................................................................... Melhoria do Subprocesso Formalização do Pedido de Compra.................................... Melhoria do Subprocesso Verificação Financeira......................................................... Melhoria do Subprocesso Autorização da Licitação e Elaboração do Edital................ Melhoria do Subprocesso Escolha do Fornecedor......................................................... Melhoria do Subprocesso Homologação e Adjudicação do Vencedor.......................... Melhoria do Recebimento do Objeto Licitado.............................................................. Melhoria do Subprocesso Solicitação de Recebimento e Empenho.............................. Melhoria do Subprocesso Recebimento do Material..................................................... Melhoria do Subprocesso Pagamento............................................................................ Conclusões sobre a análise de melhoria........................................................................ 53 53 54 56 57 58 59 60 60 61 63 63 63 64 66 67 67 69 69 70 70 70 5 5.1 5.2 5.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................... Conclusão sobre o estudo.............................................................................................. Limitações do trabalho.................................................................................................. Sugestões para futuros trabalhos................................................................................... 74 74 77 77 11 RESUMO O objetivo deste trabalho é identificar possíveis melhorias no processo de compra de bens na modalidade pregão presencial com registro de preço do TRE- PB, a partir do seu mapeamento. Para tanto, utilizou como meio de investigação a pesquisa documental, bibliográfica, pesquisa de campo e estudo de caso; como método de coleta de dados, utilizou a entrevista focalizada, aplicada na seção de compras, na comissão permanente de licitação e seção de programação orçamentária e financeira, e a observação simples através do acompanhamento do fluxo desse processo de compra pelo SADP, programa interno que informa o caminho de todos os processos da organização. Para a análise dos dados, os modelos de mapeamento e melhoria de processo adotados por este estudo foram a ferramenta MAP – Mapeamento das Atividades Processuais, definida por Brandon e Morris (1994), e os procedimentos de melhoria apresentados por Mischak (1997, apud WALTER, 2008). Como resultado, conclui-se que o processo de Compra de bens na modalidade pregão presencial com registro de preço do TRE-PB é marcado por estanques burocráticos que atravancam o fluxo devido à excessiva e desnecessária concentração de atividades nas coordenadorias e secretarias superiores, provocando um gasto de tempo elevado que poderia ser evitado caso a organização adotasse sugestões de melhorias propostas neste trabalho; sugestões que têm como foco principal eliminar disfunções burocráticas. PALAVRAS-CHAVE: Administração de materiais. Compras na organização pública. Pregão. Processo. Mapeamento. Melhoria de processo. 12 1. INTRODUÇÃO Inicialmente será apresentado neste capítulo a delimitação do tema e problematização, para em seguida expor o objetivo geral deste estudo, assim como os objetivos específicos, encerrando este momento introdutório com a justificativa do estudo quanto à relevância, viabilidade e oportunidade da sua execução. 1.1 DELIMITAÇÃO DO TEMA E PROBLEMATIZAÇÃO O setor Compras é um segmento do Departamento de Materiais que tem como objetivo suprir a organização com materiais e serviços nas condições ideais, ou seja, no tempo, quantidade, qualidade e preço correto, de forma a garantir o seu pleno funcionamento. Conforme Viana (2009), Compras tem a finalidade de atender as necessidades da organização mediante a aquisição de materiais e/ou serviços, provenientes das solicitações dos usuários, objetivando identificar no mercado as melhores condições comerciais e técnicas. O processo de Compra, desde a sua solicitação até o recebimento efetivo do material, passa por diversos estágios que envolvem tomadas de decisões, como: definir onde comprar, em que quantidade, com quais especificações, quando, etc. No que diz respeito ao processo de Compra no contexto público, há uma diferença crucial em relação ao setor privado. Essa diferença se apresenta na escolha do fornecedor, pois, enquanto este tem total liberdade em decidir o fornecedor da maneira que melhor lhe convir, o primeiro precisa atrelar esta decisão às leis e normas da licitação pública. As organizações têm utilizado instrumentos de gerenciamento de processos para melhorar a eficiência, pois sabem que “a maior oportunidade de que você dispõe para melhorar a linha de lucros do seu balancete está em aperfeiçoar seus processos empresariais. Na realidade, a sobrevivência de sua empresa depende disso” (HARRINGTON, 1993, p.9). Essa concepção é mais comum no setor privado, mas não menos importante no setor público, que, como toda organização, precisa garantir sua sustentabilidade. O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba - TRE-PB, órgão federativo vinculado ao Poder Judiciário, com sede em João Pessoa - PB, foi o ambiente estudado no decorrer do primeiro semestre de 2010. Representa o órgão máximo da Justiça Eleitoral no Estado e tem a finalidade de planejar e coordenar o processo eleitoral nas eleições federais, estaduais e municipais, no âmbito do Estado da Paraíba, além de garantir o fiel cumprimento das leis eleitorais, assegurando os direitos dos cidadãos. 13 Através da Seção de Compras, o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, em conformidade com a Lei n° 8.666/93 e suas alterações, “contrata periodicamente as compras de: produtos, materiais, serviços e equipamentos necessários à manutenção de suas atividades” (TRE-PB, 2009). Além da sede, também é responsável pelas compras das demais zonas eleitorais do Estado, constituindo um total de 77 zonas. Do momento em que a Compra é solicitada até o recebimento dos materiais ou serviços, forma-se um processo longo e dispendioso envolvendo diversos setores. O TRE-PB realiza as Compras através da dispensa de licitação e das modalidades: convite, tomada de preço e pregão presencial. São duas as situações em que ocorre a dispensa da licitação: a licitação dispensável e licitação inexigível. A licitação pode ser dispensável quando o valor da compra não ultrapassa R$8 mil para bens e serviços, situação apresentada pela lei de licitação nº 8666/93. O procedimento de Compra nessa condição é mais simples e rápido, já que a única exigência requerida é a realização de uma pesquisa de preço com três fornecedores devidamente regularizados, sendo a proposta de menor custo escolhida. A inexigibilidade de licitação ocorre em menor freqüência, e na maioria das situações destina-se a custear participação de servidores em cursos de formação e treinamento realizados dentro e fora do próprio tribunal, como também despesas com água e telefonia. Já a Compra por convite é a modalidade de licitação menos praticada pela administração, realizada de duas a três vezes ao ano. A tomada de preço é utilizada quando se pretende licitar serviços de engenharia. Processo que envolve etapas distintas das demais situações, tanto por se tratar de uma modalidade diferente, mas também por ser destinada a serviços de engenharia, o que envolve setores específicos, como a Seção de Engenharia e Arquitetura. O TRE-PB realiza o pregão presencial com registro de preço e sem registro de preço para aquisição de bens e serviços comuns de qualquer valor. Este estudo concentrou-se no pregão presencial com registro de preço por ser a modalidade de licitação mais praticada. Há diferenças entre as atividades que compõem um processo de compra de bens e das que compõem um processo de aquisição de serviços. As atividades executadas, principalmente nos momentos da contratação, recebimento e pagamento são distintas. Objetivando focar a pesquisa, optou-se por concentrar na compra de bens, já que é mais comum o uso do pregão com registro de preço nestes casos, enquanto na contratação de serviços o mais usual é a dispensa de licitação. Portanto, esta pesquisa tem o propósito de analisar o processo de compra de bens do TRE-PB na modalidade pregão presencial com registro de preços, e a partir dessa análise 14 identificar possíveis melhorias que proporcionem um processo mais eficiente, contribuindo para uma gestão de materiais adequada às necessidades da organização. Desta forma, quais possíveis melhorias podem ser identificadas no processo de compra de bens na modalidade pregão presencial com registro de preço do TRE-PB? 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo Geral Identificar possibilidades de melhorias no processo de Compra de bens na modalidade pregão presencial com registro de preço do TRE- PB, a partir do seu mapeamento. 1.2.2 Objetivos Específicos - compreender os fundamentos teóricos relacionados à melhoria de processos; - compreender os processos de Compra do TRE – PB; - analisar o processo de Compra de bens na modalidade pregão presencial com registro de preço do TRE-PB a partir do seu mapeamento; - identificar possíveis melhorias no processo de compra de bens na modalidade pregão presencial com registro de preço do TRE-PB, utilizando ferramentas de aperfeiçoamento de processos. 1.3 JUSTIFICATIVA Toda organização, independente do porte ou do caráter, se pública, privada ou do terceiro setor, precisa de materiais e serviços para o seu funcionamento. A função Compras é responsável por suprir as organizações com os materiais e serviços fundamentais para sua operacionalização. Conforme um dos objetivos definidos por Baily et al (2008, p.31), Compras tem a finalidade de “suprir a organização com um fluxo seguro de materiais e serviços para atender as suas necessidades”. De forma geral, saber o quanto comprar, quando, por qual preço, de que fonte, com quais especificações, são alguns dos principais elementos que a gestão de Compras deve equilibradamente definir. E, segundo Chiavenato (1991, p.100), 15 o conceito de compras envolve todo o processo de localização de fornecedores e fontes de suprimento, aquisição de materiais através de negociações de preço e condições de pagamento, bem como o acompanhamento do processo (follow-up) junto ao fornecedor escolhido e o recebimento do material para controlar e garantir o fornecimento dentro das especificações solicitadas. Compras provocam grandes impactos dentro da organização, pois envolvem volumosas quantias de capital e podem comprometer o funcionamento da organização quando mal planejadas. Geri-las de forma cuidadosa é peça fundamental para a estratégia de qualquer empresa. Segundo Pozo (2007, p.159), “o sistema de compras baseia-se em uma ação que envolve atividades de pesquisa para a melhor adequação dos objetivos organizacionais, sendo, portanto, em seu sentido mais amplo, uma ação contínua”. Continua Pozo (2007, p.159): “Compras que não dependem de valores e julgamentos intuitivos, mas sim de sistemas de gestão moderna e com uso de tecnologia, são fontes geradoras de benefícios e lucros para as empresas”. É extremamente relevante que, no âmbito público, a gestão de Compras seja desenvolvida de forma criteriosa, já que lida com um fator diferencial: uso do dinheiro dos contribuintes. Enquanto nas empresas privadas a fonte financeira é de cunho particular, no ambiente que esta pesquisa está contextualizada a fonte financeira é proveniente das contribuições dos cidadãos brasileiros. Contribuições que todo cidadão espera que sejam adequadamente aplicadas, retornando em bons serviços prestados pelo Poder Público à população. Portanto, esse estudo é relevante, pois propõe uma análise de um processo de Compra do TRE-PB que, como todo órgão público, tem por finalidade o bem coletivo. Desta forma, qualquer contribuição para melhorar os seus processos irá refletir no uso racional do dinheiro público e em qualidade no desenvolvimento dos serviços. A realização desta pesquisa proporcionará ao TRE-PB uma oportunidade em agregar novos conhecimentos e práticas gerenciais, como também, uma oportunidade para enriquecer a bagagem de conhecimentos da pesquisadora, como também contribuir à universidade e a sociedade em geral com relatos sobre os processos de Compra de uma organização pública. 16 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A fundamentação teórica é composta por três partes: Compras, Melhoria de Processos e Compras na Administração Pública. No primeiro momento, realiza-se uma revisão na literatura sobre o conceito, função e atividades de Compra. No segundo momento, realiza-se uma revisão literária sobre processos, melhoria e técnicas de melhoria de processos e processos de Compra. Por último, apresenta-se visões sobre administração pública e Compras na administração pública, incluindo aspectos de licitação e suas modalidades. 2.1 COMPRAS Primeiramente serão apresentadas concepções sobre Administração de Materiais, para posteriormente discutir sobre a função e os objetivos de Compras, com foco na posição atual que esta ocupa nas organizações. 2.1.1 ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS Segundo Chiavenato (1991, p.35), a Administração de Materiais “consiste em ter os materiais necessários na quantidade certa, no local certo e no tempo certo à disposição dos órgãos que compõem o processo produtivo da empresa”. Já Fernandes (1987, p.43), inclui outros elementos na definição, como os custos e a qualidade: “administração de material destina-se a dotar a administração dos meios necessários ao suprimento de materiais imprescindíveis ao funcionamento da organização, no tempo oportuno, na quantidade necessária, na qualidade requerida e pelos menores custos”. Dias (1993, p.12) define Administração de Materiais como “o agrupamento de materiais de várias origens e a coordenação dessa atividade com a demanda de produtos ou serviços da empresa”. Ou seja, deve estar bem estruturada e capacitada a responder a demanda de materiais e serviços da organização. Desta forma, a Administração de Materiais tem como desafio conjugar harmonicamente fatores como tempo de reposição, quantidade, qualidade e custo de materiais, visando atender as necessidades da organização e assegurar o seu pleno funcionamento, através de um sistema de suprimentos de materiais e/ou serviços confiável e de baixo custo. Fernandes (1987, p.21) afirma também que “a Atividade Material existe desde os 17 tempos remotos em que, em sua forma mais rudimentar, inicialmente se fazia presente nas trocas de caças e de utensílios e, mais adiante no tempo, nas trocas mercantis, até chegarmos aos tempos modernos, com o advento da Revolução Industrial”. Ainda conforme este autor, o ser humano sempre teve a necessidade de produzir, estocar e trocar objetos e mercadorias, necessidade tão antiga quanto a própria idade do homem. Apesar da atividade material, em seu caráter rudimentar, ser remotamente constatada, “só há alguns anos as empresas vêm preocupando-se com este segmento de gerenciamento, consciente da sua importância e valor para a manutenção de operações rentáveis” (DIAS, 1993, p.9). O desejo de diminuir os custos e a crescente necessidade em gerenciar de forma racional o capital investido em materiais, foram elementos cruciais que impulsionaram o desenvolvimento da Administração de Materiais. Consequência de uma preocupação que, segundo Dias (1995, p.11), só surgiu depois da década de 80: Antes da década de 80, a grande preocupação empresarial era vender, produzir e faturar. Então vieram dois grandes problemas: o trabalhista e as despesas financeiras elevadas. (…) Houve um esquecimento geral quanto aos estoques, de sua parcela de contribuição na redução do capital de giro, de sua eficácia, de seus elevados custos e os enormes riscos de usá-los como fator especulativo. Chiavenato (1991, p.37) ressalta “o enorme investimento que as empresas fazem em materiais. O capital investido em estoques normalmente representa uma parcela muito grande do patrimônio da empresa e requer uma administração cuidadosa e inteligente”. E, para lidar com esse montante de capital, Francischini e Gurgel (2002, p.3) apontam a Administração de Materiais como “uma das condições fundamentais para o equilíbrio econômico e financeiro de uma empresa. Tratar adequadamente do abastecimento, do planejamento e do reaproveitamento de materiais contribui para a melhoria do resultado de qualquer organização”. Segundo Dias (1993, p.23), o objetivo “é otimizar o investimento em estoques, aumentando o uso eficiente dos meios internos da empresa, minimizando as necessidades de capital investido em estoques”. Desta forma, ao perceber o efeito financeiro do capital investido em materiais, o que representa volumosas quantias, as empresas passaram a lidar com este segmento de forma mais criteriosa e cuidadosa, voltando mais esforços à gestão eficiente de materiais, pois dependendo de como esse capital é administrado, poderá elevar ou declinar as despesas da organização. 18 É importante destacar a necessidade de ter a quantidade certa de material pelo tempo certo. Dias (1993, p.45) destaca duas variáveis que aumentam os custos de estocagem: “a quantidade em estoque e o tempo de permanência em estoque”. É preciso, portanto, encontrar um ponto de equilíbrio das quantidades disponíveis de materiais, como diz Chiavenato (1991, p.35): “as suas quantidades devem ser planejadas e controladas para que não haja faltas que paralisem a produção, nem excessos que elevem os custos desnecessariamente”. Administração de Materiais preocupa-se não só em diminuir custos, mas também, em igual importância, garantir o fornecimento contínuo de materiais adequados ao funcionamento da organização, qualquer que seja o tipo de empresa: “Sejam fabricantes ou distribuidores – atacadistas ou varejistas – as empresas estão constantemente às voltas com a localização, obtenção, utilização e movimentação de materiais para garantir suas operações” (CHIAVENATO, 1991, p.29). Dias (1986, p.20) ressalta a importância em possuir um sistema integrado de Administração de Materiais ao afirmar que “só assim alcança-se, então, o objetivo final, que é o de manter de uma maneira definitiva os estoques e o sistema logístico no peso correto, sem as gordurinhas tão incômodas e sem os regimes apressados e desesperadores”. Sem excessos nem faltas, e sim, visando “à operacionalização de forma eficaz, focando as reais necessidades da empresa e adaptando as variações e restrições do mercado” (DONEL et al, 2008, p.37). No que diz respeito às funções que compõem a Administração de Materiais, Dias (1995) define a organização tradicional de um sistema de Materiais da seguinte forma: controle de estoques, compras, almoxarifado, planejamento e controle da produção, importação, transporte e distribuição. Definindo as funções da mesma forma, Fernandes (1987, p.33) completa dizendo “que todas pertencem ao mesmo conjunto de responsabilidades e atribuições que influem no ciclo de obtenção e distribuição de materiais que compõem a Administração de Material e seu sistema de gestão [...]” Quanto aos termos utilizados para designar a Administração de Materiais, segundo Chiavenato (1991, p.35), “na prática, utilizam-se indistintamente vários termos – administração de materiais, suprimentos, fornecimento, logística, etc. - para designar os cargos e órgãos com títulos diferentes, mas com idênticas responsabilidades”. Já Fernandes (1987, p.29) diz que “'Material', 'Suprimento', 'Aprovisionamento', e 'Abastecimento' são os termos mais comuns, que encontramos na literatura especializada”. 19 2.1.2 A FUNÇÃO COMPRAS De acordo com Pozo (2007, p.149), “para que a organização possa movimentar-se eficazmente, é preciso que os materiais estejam disponíveis no momento certo e com as especificações corretas, onde isso é de responsabilidade da administração de compras”. Consoante com essa idéia, Batista e Maldonado (2008, p.7) afirmam que “a atividade de compra implementa o trabalho dos outros departamentos, pela aquisição de insumos necessários para a realização dos trabalhos finalísticos da instituição”. Dias (1993) diz que Compras constitui um segmento do Departamento de Materiais ou Suprimentos que tem por objetivo suprir as necessidades de materiais ou serviços, planejá-las quantitativamente e satisfazê-las no momento e nas quantidades adequadas, certificar se recebeu efetivamente o que foi comprado e realizar o armazenamento. Diante as definições vistas, de forma geral, a função Compras é responsável por fazer com que a organização receba os suprimentos dentro dos critérios especificados; é responsável por buscar fora da organização e nas melhores condições, os materiais necessários para o seu funcionamento. Portanto, ainda conforme Dias (1993, p.259), “é uma operação de área de materiais, mas essencialmente entre as que compõem o processo de suprimento”. No ponto de vista moderno, para Heinritz e Farrel (1994), Compras não se encontra subordinada nem em posição de domínio, mas, atuando de maneira integrada com os demais departamentos, com o foco voltado para objetivo comum de uma operação lucrativa. Atualmente a função Compras não se limita a desempenhar isoladamente suas atribuições, mas preocupa-se em interagir ativamente com os demais departamentos da organização, pois, juntos compõem um processo que tem o único objetivo: buscar resultados positivos para a empresa. A moderna tecnologia da informação provocou grandes transformações na gestão dos recursos logísticos de todas as organizações. A interdependência das funções, avaliada por meio de sistemas integrados de gestão, provocou a renovação dos papéis exercidos pelas atividades logísticas, entre as quais se destaca a função compras. Esta perdeu o foco operacional, assumindo uma perspectiva estratégica, com forte ênfase no processo de gerência total de fornecimento, em conformidade com os objetivos organizacionais. (LEENDERS; FEARON, 1997, apud LINHARES; MENEZES; SILVA, 2007, p.13) Portanto, segundo Leenders e Fearon (1997, apud LINHARES; MENEZES; SILVA, 20 2007), a tendência atual é ter Compras atuando estrategicamente dentro das organizações, alinhada com os objetivos globais, concepção decorrente do crescente uso de modernas tecnologias de informação, que promoveu uma forte integração e interdependência dos setores de uma organização. Reforçando essa concepção, Baily et al (2008, p.37) afirmam que “tradicionalmente as compras tendem a estar envolvidas nas atividades operacionais diárias, embora não venham dando à empresa a contribuição de que são capazes. Elas devem participar da tomada de decisões táticas e estratégicas”. Os autores ainda indicam as diferenças entre as Compras de tempos atrás (compra reativa) e Compras no contexto atual (compra proativa) Quadro 1. COMPRA REATIVA COMPRA PROATIVA • Compras pode adicionar valor; • Compras (e fornecedores) contribuem para as especificações; • Compras evita material defeituoso; • Compras rejeita materiais defeituosos; • Compras é importante função gerencial; • Compras subordina-se a finanças ou à produção; • Compras contribui para o desenvolvimento dos • Os compradores respondem as condições do mercados; mercado; • Os problemas são responsabilidades do fornecedor; • Os problemas são responsabilidade compartilhada; • O custo total e o valor são variáveis-chave; • Preço é variável-chave; • Ênfase estratégica; • Ênfase no hoje; • O sistema pode ser integrado aos sistemas dos • Sistema independente de fornecedores; fornecedores; • Compradores e fornecedores contribuem para as • As especificações são feitas por designers ou usuários; especificações; • Negociações ganha-ganha; • Negociações ganha-perde; • Muitos fornecedores = perda de oportunidades; • Muitos fornecedores = segurança; • Excesso de estoque = desperdício; • Estoque excessivo = segurança; • A informação é valiosa se compartilhada. • Informação é poder. • Compra é um centro de custo; • Compra recebe especificações; Quadro 1 – Diferenças entre Compras reativa e proativa Fonte: Baily et al (2008, p.20) Analisando o Quadro 1 percebe-se a posição que a função Compras ocupa atualmente nas empresas. Enquanto tempos atrás sua atuação era bem limitada, focada apenas no curto prazo e em responder passivamente aos outros setores, hoje ela adota uma visão estratégica nas suas ações, bem mais planejada e elaborada. Segundo Pozo (2007, p.151): o objetivo básico de suprimentos é garantir à empresa a plena satisfação de suas exigências de materiais e produtos, bem como máquinas, equipamentos e insumos necessários a sua operacionalidade, devendo todos ser negociados e adquiridos aos mais baixos custos, satisfazendo aos padrões de qualidade e serviços da empresa sem colocar os fornecedores em situações de incertezas 21 de perdedores, mas sim de parceiros. Conforme Baily et al (2008, p.31), do ponto de vista simplista, o setor de Compras “tem o objetivo de comprar a qualidade de material correta, no tempo certo, na quantidade exata, da fonte certa, ao preço adequado”. Portanto, de forma bem resumida, pode-se definir o objetivo da função Compras como o de adquirir os materiais requisitados a preços econômicos e no momento adequado, atendendo a qualidade e a quantidade solicitada. Porém, tanto Pozo (2007) quanto Baily et al (2008) preocuparam-se em elaborar definições mais amplas e de acordo com as atuais atribuições de Compras, definições que vão além da visão simplista anteriormente destaca por estes autores. Baily et al (2008) definiram amplamente os objetivos da função Compras da seguinte forma: a)Suprir a organização com o fluxo seguro de materiais e serviços para atender as suas necessidades; b)Assegurar continuidade de suprimento para manter relacionamentos efetivos com fontes existentes, desenvolvendo outras fontes de suprimentos alternativas, ou para atender a necessidades emergentes ou planejadas; c)Comprar eficiente e sabiamente, obtendo por meios éticos o melhor valor por centavo gasto; d)Administrar estoques para proporcionar o melhor serviço possível aos usuários e ao menor custo; e)Manter relacionamentos cooperativos sólidos com outros departamentos, fornecendo informações e aconselhamentos necessários para assegurar a operação eficaz de toda a organização; f)Desenvolver funcionários, políticas, procedimentos e organização para assegurar o alcance dos objetivos previstos. Baily et al (2008) adotaram uma abordagem ampla dos objetivos de Compras, abrangendo todos os aspectos que a envolve, desde adquirir por vias éticas e econômicas, sem negligenciar as especificações requeridas, até o relacionamento integrativo que se deve ter com os outros departamentos, como também a necessidade de desenvolver os indivíduos, procedimentos e políticas que compõem a gestão de Compras. Além, claro, de manter um sistema seguro de suprimento. Quanto a Pozo (2007), pode-se destacar na sua abordagem a posição competitiva 22 possível de se adquirir no processo de negociação, a viabilidade de manter parcerias ganhaganha com os fornecedores e, através de análise do mercado, evitar desperdícios e obsolescência de materiais. 2.2 PROCESSOS Este Subcapítulo irá inicialmente tratar sobre conceitos de processo, apresentando visões de diferentes autores, em seguida apresentará abordagens de aperfeiçoamento de processos, e por último, discutirá sobre processo de Compra. 2.2.1 VISÃO DE PROCESSOS Para Davenport (1994, p.7), processo é “uma ordenação específica das atividades de trabalho no tempo e no espaço, com um começo, um fim, e inputs e outputs claramente identificados: estrutura para a ação”. De acordo com Brandon e Morris (1994), processo é comumente definido como uma atividade realizada por uma seqüência de passos relacionados entre si, os quais produzem um resultado específico ou um grupo de resultados específicos. Já Hammer (1997, p.4) considera o processo como um meio para gerar valor ao cliente: “grupo de tarefas relacionadas que, juntas, geram um resultado que tem valor para o cliente”. Portanto, processo pode ser compreendido como um conjunto de tarefas integradas e ordenadas, com entrada e saída bem claras, que geram resultados específicos. Em uma extremidade recebe certas informações, para em seguida sofrer transformações e então produzir resultados que agreguem valor à empresa. “Podemos pensar em um processo como uma caixa preta que realiza a transformação, recebendo certos inputs e transformando-os em produtos de maior valor” (HAMMER, 1997, p.8). A finalidade dos processos é promover de alguma forma vantagem competitiva à empresa, segundo afirmam Brandon e Morris (1994). Hammer (1997) diferencia processo de tarefa quando afirma que a tarefa é geralmente realizada por uma única pessoa, enquanto o processo constitui o conjunto das tarefas. Concepção também defendida por Brandon e Morris (1994, p.46), ao dizer que “um processo geralmente é maior do que uma tarefa, por conseguinte ele é composto de tarefas”. De acordo com Hammer (1997), a perspectiva do processo não se limita a enxergar as tarefas individualmente, e sim o conjunto total de tarefas. E além desse foco no todo, a abordagem do processo, segundo Davenport (1994, p.7), dá uma ênfase “relativamente forte sobre a melhoria da forma pela qual o trabalho é feito, em contraste com um enfoque nos 23 produtos ou serviços oferecidos ao cliente”. Harrington (1993) define tarefa de maneira um pouco distinta ao apresentar uma hierarquia do processo composta pelo macroprocesso, situado no ponto mais alto, os subprocessos, inter-relacionando-se de forma lógica no plano abaixo, e as atividades e as tarefas no último nível. Estas últimas constituem a menor divisão do processo, realizadas por indivíduos ou por pequenas equipes (Figura 1). Macroprocesso Subprocessos Atividade s Tarefas Figura 1 – Hierarquia do processo Fonte: Harrington (1993, p.34) Uma das grandes dificuldades que as empresas se deparam quando decidem gerenciar seus processos é visualizar com clareza quais são os seus processos essenciais. Segundo Gonçalves (2000), observar o processo a partir de uma hierarquia é ponto fundamental quando se pretende identificar os processos essenciais e quando se pretende ter um olhar sistêmico das organizações. E de acordo com essa idéia, para este autor, os processos podem ser agregados em macroprocessos e subdivididos em subprocessos ou grupos de atividades, e conforme o tipo de análise que se pretende fazer, determina-se o nível de agregação mais adequado. Além da visão hierárquica do processo, para Gonçalves (2000, p.10) a “distinção entre os processos de negócio e os processos auxiliares ou de suporte pode ajudar muito na identificação dos processos essenciais da empresa. Geralmente, os processos essenciais estão diretamente associados às regras básicas do negócio”. Ele ainda ressalta que os organogramas não são bons parâmetros para analisar os processos de negócios, pois não mostram como 24 realmente funcionam na organização. Os processos de negócios estão relacionados com o funcionamento da organização e geralmente extrapolam os limites traçados pelo organograma. 2.2.2 MELHORIA DE PROCESSOS Percebendo o valor que processos bem definidos podem trazer, melhorando o tempo, o custo e qualidade dos trabalhos executados, as empresas passaram a dedicar mais atenção em como os seus processos são constituídos, quais tarefas os compõem, a importância e relevância de determinada tarefa, o tempo gasto para sua realização, a ligação com as demais partes, etc.. Hammer (1997, p.5) identifica os problemas de processo como os que mais acometem as organizações modernas: Os problemas que afligem as organizações modernas não são problemas de tarefa. São problemas de processo. O motivo da demora na geração de resultados não é o fato de as pessoas estarem, individualmente, realizando as tarefas de forma lenta e ineficiente; cinqüenta anos de estudos de tempo e movimento e automação resolveram isso. A demora ocorre porque algumas das pessoas nas empresas realizam tarefas absolutamente desnecessárias para a obtenção do resultado desejado, e por causa da lentidão agonizante em que o trabalho passa de mão em mão. A busca de melhorias constantes dos processos organizacionais proporciona o aumento da qualidade dos serviços e/ou produtos gerados e cria condições para o alcance de vantagem competitiva. Pois, como afirmam Brandon e Morris (1994), as matérias-primas e o capital humano que estão à disposição das organizações são os mesmos, o que irá diferenciá-las é o processo de trabalho, fato que ele considera como um dos elementos mais importantes que contribuem para a vantagem competitiva. Para avaliar os processos certos aspectos são considerados, e quanto a isso, afirma Davenport (1994, p.8): Os processos dotados de uma estrutura clara podem ter várias de suas dimensões medidas. Tais processos podem ser medidos em termos do tempo e do custo de sua execução. Seus outputs e inputs podem ser avaliados em termos de utilidade, coerência, variabilidade, ausência de defeitos e numerosos outros fatores. Essas medidas tornam-se os critérios para a avaliação do valor da inovação e para o estabelecimento de programas de melhoria constante. Compreender como um processo se configura, como se dá o seu fluxo, a interação das partes, etc., permite identificar pontos de melhoria. Desta forma, Brandon e Morris (1994) 25 apresentam algumas ferramentas utilizadas para criar modelos de processo organizacional. Entre elas, destacam o Mapeamento das Atividades Processuais (MAP): O propósito dos MAPs é oferecer modelos de fluxo de atividade de trabalho e fluxo de processo de trabalho abrangentes. Eles propiciam todas as informações necessárias para se entender uma operação processual, através tanto de uma representação gráfica do fluxo de trabalho como das informações detalhadas associadas (BRANDON; MORRIS, 1994, p.130). Para Brandon e Morris (1994) não só as informações usadas na ação devem ser consideradas, mas também todos os demais dados que dão apoio à atividade em questão. É importante reunir todos os elementos que envolvem a atividade, por mais desconexo que possa parecer, sem menosprezar quem a faz e sem analisá-la de forma tendenciosa, apenas descrevê-la como ocorre de fato. O Quadro 2 apresenta algumas informações que devem ser incluídas no MAP. 1. Informação de todas as telas de sistemas 7. Qualquer atividade especial, por exemplo, projetos computadorizados que a função organizacional utiliza. em que o pessoal apropriado esteja envolvido. 2. Informação de todos os relatórios que a função 8. Informações por volume, totalizadas por período e organizacional utiliza, tanto os que são gerados por totalizadas por pessoa, de acordo com a classificação e computador como os derivados manualmente. nível de emprego. 3. As normas e políticas que regem cada função 9. Detalhamento de posições do pessoal e a quantidade organizacional. de funcionários por descrição de posição e grau de habilidade. 4. Qualquer suporte de processamento externo à organização, ou seja, departamentos de crédito e 10. Reconhecimento básico de todas as tarefas outros. relevantes executadas em uma função organizacional e a classificação das mesmas em seus trabalhos. 5. Informações sobre ciclos, como períodos de alta nas vendas, produção ou processamento. 11. Identificação de falhas do atual método de trabalho pelo qual a função organizacional está sendo executada. 6. Detalhes sobre quem, o que, quando, onde, como e por quê. Quadro 2 – Informações que devem ser incluídas no MAP Fonte: Adaptado de Brandon e Morris (1994, p.139). Além desses pontos, cada organização deve adicionar a essa lista informações específicas do seu funcionamento. Quanto a Davenport (1994), cita algumas abordagens de melhoria dos processos: gerenciamento de custos baseados na atividade; análise do valor do processo; melhoria do processo empresarial; engenharia da informação; e reengenharia de processos empresariais. De forma resumida, Davenport (1994, p.167) define cada uma das abordagens da seguinte 26 forma: a) Gerenciamento de custos baseados na atividade: tem a finalidade de determinar os meios necessários à fabricação de um produto específico, ou ao atendimento de um conjunto de clientes. São duas as maneiras que proporcionam a melhoria das oportunidades nesse contexto de custos baseados na atividade: (1) o processo inclui analisar os geradores de custos e as atividades que não agregam valor, e (2) a informação resultante pode ser utilizada pelos funcionários e pelos gestores para avaliar a melhoria contínua. b) Análise de valor do processo: é uma abordagem direta que busca compreender o fluxo dos processos através da análise dos componentes e atividades que os integram. c) Melhoria do processo empresarial: abrange toda a empresa, estabelecendo objetivos de melhoria baseados em metas empresariais, proporcionando ainda, dispositivos que integrem as múltiplas iniciativas de melhoria. d) Engenharia da informação: constitui uma abordagem de cima para baixo, traduzindo os objetivos econômicos estratégicos em sistemas de informações, adota uma visão de macronível. Primeiro desenvolve-se modelos que abrangem toda a empresa, consistindo em representações de toda a empresa ou grandes unidades de negócios, para realizar a análise de dados e processos. e) Reengenharia do Processo Empresarial: entre outras ferramentas e técnicas da engenharia indústria, o modelo de processo é um diagrama do fluxo de trabalho que descreve o tempo e o custo, analisando o ciclo geral de tempo e o tempo ocioso de determinadas tarefas ou atividades. Walter (2008) afirma que vários procedimentos, principalmente em relação às etapas e ferramentas, podem ser utilizados para otimizar e racionalizar processos. Este autor também afirma que se atividades repetidas são identificadas, uma delas, ou as duas, caso não sejam realmente necessárias, pode ser eliminada e desta forma reduzir o custo e o tempo de ciclo. Mischak (1997, apud WALTER, 2008) esquematiza uma figura com diferentes procedimentos que podem ser utilizados quando se pretende melhorar processos (Figura 2). 27 Figura 2 – Procedimentos de melhoria de processos Fonte: Mischak (1997, apud WALTER, 2008, p.85) Qualidade e processo são dois conceitos interdependentes. Da mesma forma que aperfeiçoar processos significa investir em qualidade, para que produtos ou serviços sejam oferecidos com qualidade é preciso aperfeiçoar os processos que os determinam. Não adianta ater-se apenas na saída, mas no processo total, desde a entrada até a saída. Para garantirmos que um produto ou serviço venha a ser produzido, ou prestado, exatamente dentro das suas especificações, ou seja, com Qualidade, temos que nos assegurar de que todas as atividades que compõem o processo de trabalho que o gera estejam dentro de suas respectivas atribuições (ALMEIDA, 1993, p.115). Ainda segundo Almeida (1993, p. 115): Da mesma forma que trabalhamos medidas de Qualidade das atividades, temos que trabalhar medida de Qualidade do processo como um todo, sob pena de continuarmos a não saber se as melhorias parciais, obtidas em cada atividade, estão se refletindo no desempenho global do nosso processo Compreende-se então que aperfeiçoar isoladamente partes de um processo não garante elevar a qualidade do processo como um todo, é preciso atuar com uma perspectiva global. Não adianta adotar medidas de qualidade das atividades ou tarefas se não estender essas medidas para o processo em sua totalidade. 28 Portanto, além das abordagens de melhoria de processos apresentadas anteriormente por Davenport (1994), da ferramenta MAP por Brandon e Morris (1994) e dos procedimentos de melhoria por Mischak (1997, apud WALTER, 2008), as seguintes ferramentas para o aprimoramento da qualidade são apontadas por Oliveira (1996): fluxograma, brainstorming, causa-efeito, coleta de dados, gráficos, análise de pareto, histograma, diagrama de dispersão, box plot, estratificação, ramo-e-folhas e plano de ação. 2.2.3 PROCESSO DE COMPRA Segundo Viana (2009), o processo de Compra inclui algumas etapas que podem ser visualizadas na Figura 3. As principais fases desse fluxo são definidas pelo autor da seguinte forma: a) Preparação do processo: recebimento dos documentos e organização do processo de compra; b) Planejamento da compra: momento de definir as condições gerais e específicas e de indicação dos fornecedores; c) Seleção de fornecedores: análise dos fornecedores, ponderando suas qualificações com a finalidade de selecionar os fornecedores para a concorrência; d) Concorrência: abertura, análise, avaliação das propostas e negociação com fornecedores; e) Contratação: consiste em julgar as propostas apresentadas para prosseguir com a negociação com o fornecedor escolhido, e por fim, realizar a adjudicação do pedido; f) Controle de entrega: fase em que o fornecedor entregará o que foi acordado com a empresa contratante, configurando-se assim, no fim do processo 29 Figura 3 – Processo de Compras Fonte: Viana (2009, p.150) 30 Após as considerações apresentadas por Viana (2009) sobre as etapas que envolvem um processo de Compra, será discutido a seguir as características da administração pública e como um processo de Compras se configura nesse contexto. 2.3 COMPRAS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Considerando que este estudo desenvolveu-se no contexto de uma organização pública, será discutido neste Subcapítulo características da administração pública, os princípios, a natureza e fins que a regem, bem como características do processo de Compras nessa realidade, apresentando aspectos de licitação, as finalidades e princípios basilares dessa prática, situações de dispensa e particularidades das modalidades de licitação. 2.3.1 ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Segundo Di Pietro (2008, p.49), são dois os sentidos em que se utiliza mais comumente a expressão “administração pública”. O primeiro conceito leva em consideração os entes que fazem a atividade administrativa, enquanto o segundo conceito enfoca a natureza da atividade, a sua função administrativa. Segue: a) em sentido subjetivo, forma ou orgânico, diz respeito aos entes que exercem a atividade administrativa; consiste nas pessoas jurídicas, órgãos e agentes públicos responsáveis por exercer uma das funções da atividade estatal: a função administrativa. b) em sentido objetivo, material ou funcional, diz respeito à natureza da atividade exercida pelos entes que exercem a atividade administrativa; sendo assim, pode-se considerar que a Administração Pública é a própria função administrativa que encarrega, predominantemente, ao poder Executivo. Portanto, a Administração Pública diz respeito aos agentes públicos, os órgãos e as funções desempenhadas por eles. Tem como foco o bem estar coletivo, sendo de sua responsabilidade reunir esforços para atender as necessidades de direito dos cidadãos, pois, como afirma Meirelles (2005, p.64), numa visão global, a Administração Pública é “todo o aparelhamento do Estado preordenado à realização de serviços, visando à satisfação das necessidades coletivas”. 31 Continua Meirelles (2005, p.84): em sentido lato, administrar é gerir interesses, segundo a lei, a moral e a finalidade dos bens entregues à guarda e a conservação alheias. Se os bens e interesses geridos são individuais, realiza-se administração particular; se são da coletividade, realiza-se administração pública. Administração Pública, portanto, é a gestão de bens e interesses qualificados da comunidade no âmbito federal, estadual ou municipal, segundo os preceitos do Direito e da Moral, visando o bem comum. E para Medauar (2003, apud DONEL et al, 2008, p.39), “a administração pública tem como dever atender as necessidades e interesses da população, multiplica-se em inúmeras variedades, cada qual com as características jurídicas e técnicas próprias”. 2.3.1.1 PRINCÍPIOS, NATUREZA E FINS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA As ações públicas não são executadas desprovidas de sentido, devem estar obrigatoriamente em conformidade com os princípios básicos previstos na constituição brasileira, que em seu artigo 37 determina: “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”. Esses princípios previstos na constituição e que norteiam a administração pública direta e indireta, são definidos por Gasparini (2008, p.7) da seguinte forma: 1) Princípio da legalidade: em toda a sua atividade, a Administração Pública obrigatoriamente deve prezar aos mandamentos da lei, não podendo dela se distanciar, caso contrário, o ato perderá a validade e o autor será responsabilizado. 2) Princípio da impessoalidade: a atividade administrativa deve servir a todos os cidadãos indistintamente, sem favorecimento de pessoa nem discriminação de qualquer natureza. 3) Princípio da moralidade: o ato e a atividade da Administração Pública, além de obedecerem a lei, deverão também estar em conformidade com a própria moral, porque nem tudo que é legal é necessariamente honesto; 4) Princípio da publicidade: é obrigatória a divulgação de atos, contratos e outros instrumentos produzidos pela Administração Pública direta e indireta, com a finalidade de torná-los conhecidos por toda sociedade, possibilitando o controle e também com a finalidade 32 de iniciar os seus efeitos. 5) Princípio da eficiência: deve a Administração Pública realizar suas atribuições com rapidez, perfeição e rendimento. Portanto, a administração pública direta e indireta, obrigatoriamente, deve atuar dentro da lei, mas também em conformidade com a moral, atendendo de forma indiscriminada todos os cidadãos com presteza e, comprometendo-se ainda, em divulgar todos os seus atos. São condições que em nenhuma circunstância o poder público pode abster-se. E, quanto à distinção entre administração pública direta e indireta, Rosa (2009, p.22) afirma: a) Administração pública indireta é composta por pessoas jurídicas de direito público ou privado, criadas ou instituídas a partir de lei específica: fundações, empresas públicas, autarquias e sociedades de economia mista, e ainda associações e consórcios privados; b) Administração pública direta consiste na atuação direta pelo próprio Estado através das suas entidades estatais: União, Estados-Membros, Distrito Federal e Municípios. Sendo a União dotada de soberania e as demais de autonomia política, administrativa e financeira. Conforme Meirelles (2005, p.85): a natureza da administração pública é a de um múnus público para quem a exerce, isto é, a de um encargo de defesa, conservação e aprimoramento dos bens, serviços e interesses da coletividade. Como tal, impõe-se ao administrador público a obrigação de cumprir fielmente os preceitos do Direito e da Moral administrativa que regem a sua atuação. O administrador público lida com a coisa pública, ou seja, de propriedade do coletivo, sendo vedada qualquer atitude que suprima a coletividade e privilegie o particular. São leis, regulamentos, normas que determinam como o administrador público irá direcionar seus atos, que tem como único objetivo o bem comum: “Os fins da administração pública resumem-se num único objetivo: o bem comum da coletividade administrada” (MEIRELLES, 2005, p.87). 2.3.1.2 PODERES DO ESTADO De acordo com Moraes (2005) a Constituição Federal de 1988 concedeu as funções estatais de soberania aos três tradicionais Poderes do Estado: Legislativo, Executivo e 33 Judiciário, garantindo-lhes autonomia e independência sem negligenciar a harmonia entre si. Moraes (2005) define cada um dos Poderes do Estado: 1) Poder Judiciário: tem como função típica julgar, aplicando a lei a uma determinada situação, resultante de um choque de interesses. A Figura 4 apresenta um quadro de organização estrutural do Poder Judiciário com os tribunais que o compõem. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL STJ TST TSE STM TJs TRFs TRT TRE TM juízes de direito juízes federais juízes do trabalho juízes eleitorais juízes militares STJ = Superior Tribunal de Justiça TST = Tribunal Superior do Trabalho TSE = Tribunal Superior Eleitoral STM = Superior Tribunal Militar (Formado somente em tempo de guerra. Em tempo de paz, o STM exerce competência recursal de juízes militares.) TJs = Tribunais de Justiça TRFs = Tribunais Regionais Federais TRT = Tribunais Regionais do Trabalho TRE = Tribunais Regionais Eleitorais TM = Tribunais Militares Figura 4 – Organização estrutural do Poder Judiciário Fonte: Moraes (2005, p.457) Ainda conforme Moraes (2005, p.456), O Poder Judiciário é um dos três poderes clássicos previstos pela doutrina e consagrado com poder autônomo e independente de importância crescente no Estado de Direito, pois, como afirma Sanches Viamonte, sua função não consiste somente em administrar a Justiça, sendo mais, pois seu mister é ser o verdadeiro guardião da Constituição, com a finalidade de preservar, basicamente, os princípios da legalidade e igualdade, sem os quais os demais tornariam-se vazios. 34 2) Poder Legislativo: legislar e fiscalizar são as funções típicas desse Poder, sendo ambas igualmente importantes. Desta forma, se por um lado a Constituição prevê regras de processo legislativo, para que o Congresso Nacional elabore as normas jurídicas, de outro, determina que a ele compete a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial do Poder Executivo (CF, art.70, apud MORAES, 2005, p.376) Ainda conforme Moraes (2005), o Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional, que é composto pela Câmara dos deputados e pelo Senado Federal. 3) Poder Executivo: a posição de chefia desse Poder foi delegada pela Constituição Federal ao Presidente da República, que, auxiliado pelos Ministros de Estado, compete ao seu exercício. Tem como principal função a prática de chefia de estado, de governo e de administração. 2.3.2 PROCESSO DE COMPRAS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Quando se trata de Compras na administração pública, deve ser realizada quase sempre através de licitação. Segundo Meirelles (2005, p.271), licitação é o procedimento administrativo mediante o qual a Administração Pública seleciona a proposta mais vantajosa para o contrato de seu interesse. Como procedimento, desenvolve-se através de uma sucessão ordenada de atos vinculantes para a Administração e para os licitantes, o que propicia igual oportunidade a todos os interessados e atua como fator de eficiência e moralidade nos negócios administrativos. Ainda de acordo com este autor, o processo de licitação é composto por duas fases: a fase interna e a fase externa. É na fase interna que a autoridade competente autoriza a abertura do processo, indicando os recursos disponíveis para a realização e as características do objeto licitado. A fase externa é composta pelas seguintes etapas: audiência pública; edital ou convite; recebimento da documentação ou proposta; habilitação dos licitantes; julgamento das propostas e homologação e adjudicação (Figura 5). 35 Figura 5 – Processo de Compras na Administração Pública Fonte: Elaborada pela autora (2010). De acordo com Meirelles (2005), as fases são definidas: a) audiência pública: é realizada quando o valor estimado da licitação for superior a 100 vezes ao previsto pela modalidade concorrência relativa a obras e serviços de engenharia. Deve ser divulgada com antecedência mínima de 10 dias úteis e realizada pelo menos 15 dias úteis antes da publicação do edital. b) edital: leva ao conhecimento do público a abertura da concorrência ou tomada de preços, fixando as condições e convocando interessados. Já a carta-convite consiste numa forma simplificada de edital sem necessidade de publicação, realizada nas licitações de pequeno valor. c) recebimento da documentação ou proposta: a documentação consiste num conjunto de comprovantes que certifiquem a qualificação do licitante de acordo com o exigido pelo edital. O envelope com a documentação deverá ser entregue separadamente do da proposta, e sua abertura é feita em ato público. d) proposta de licitação: diz respeito à oferta de contrato apresentada pelo licitante, que dispõe sobre como se dará a realização, o preço e demais condições solicitadas pelo edital. e) habilitação dos licitantes: destina-se a averiguar os seguintes requisitos previstos no artigo 27 da Lei nº 8.666/93: habilitação jurídica, qualificação técnica, qualificação econômica-financeira, regularidade fiscal e cumprimento do disposto inciso XXXIII do art. 7º da Constituição Federal, ou seja, que não utiliza trabalho de menor de 18 anos em atividades noturnas, perigosas ou insalubres, ou de qualquer trabalho menor de 16 anos, salvo na condição de aprendiz a partir de 14 anos. f) julgamento da proposta: irá analisar e confrontar as ofertas apresentadas para a escolha do vencedor, da proposta mais vantajosa para a administração. g) homologação e adjudicação: homologação é o ato pelo qual a autoridade competente 36 confirma a classificação da proposta. E adjudicação é o ato de atribuir o objeto da licitação ao proponente vencedor. Apesar de Meirelles (2005) apresentar a sequência das etapas que constitui o processo licitatório, para cada modalidade há algumas diferenças nessa sequência que merecem ser discutidas. De acordo com o autor, a etapa “habilitação dos licitantes”, no caso da concorrência, ocorre na fase preliminar do julgamento das propostas, enquanto na tomada de preço ocorrer anterior à abertura da licitação, já que os interessados devem estar inscritos no registro cadastral. Na modalidade convite, o autor considera uma situação a priori, pois a organização convoca aqueles que julga capacitados, o que não impede de exigir comprovantes se considerar necessário. No leilão, a habilitação é desnecessária, em casos especiais poderá exigir, como no caso de leilão dentro do plano nacional de desestatização. Já no caso do pregão, a fase habilitação é invertida, depois do julgamento das propostas se examinará a documentação do vencedor. Por último, no caso do concurso, a habilitação é facultativa. Observando o processo de Compras apresentado por Viana (2009) na Figura 3 (Subcapítulo 2.2.3) e o processo de Compras na Administração Pública apresentado por Meirelles (2005) na Figura 5 (neste Subcapítulo), percebem-se diferenças nas etapas que os compõem. Porém, mantendo suas particularidades, tanto no âmbito público quanto no privado, a idéia central do fluxo de compra é a mesma. Nas duas situações a fase inicial consiste na preparação do processo de Compra (o que Meirelles (2005) denomina de fase interna), definindo objeto e recursos disponíveis para a Compra. No segundo momento, inicia-se a busca pelo fornecedor que melhor atenda aos critérios estipulados. Depois de avaliar as propostas dos fornecedores e escolher a mais vantajosa, realiza-se o contrato entre as partes, finalizando o processo com o recebimento da Compra. Apesar dessa última etapa (recebimento da compra) não ter sido explicitada por Meirelles (2005), ela faz parte de todo processo de Compra, já que por essência objetiva adquirir um produto e/ou serviço. O ponto crucial que determina as diferenças nesses processos é a formalidade, exigida por lei, das atividades no âmbito público, contrastando com a informalidade presente nas organizações privadas: “a diferença fundamental entre tais atividades é a formalidade no serviço público e a informalidade na iniciativa privada, muito embora com procedimentos praticamente idênticos, independentemente dessa particularidade” (VIANA, 2009, p.176). 37 2.3.3 LICITAÇÃO Enquanto as empresas privadas têm total autonomia para decidir de que fonte a compra será realizada, na administração pública não pode haver qualquer decisão tendenciosa do fornecedor, pois a escolha deste se dá através de um processo licitatório que é regido pela Lei n° 8.666/93. Quanto a isso, Dias e Costa (2006, apud DONEL et al, 2008, p.49), salientam que “a administração pública não pode descumprir as normas e condições do edital elaborado para a licitação, ao qual se acha estritamente vinculada”. E, de acordo com Di Pietro (2008, p.335), o segundo artigo da Lei n° 8.666/93 exige licitação para “as obras, serviços, inclusive de publicidade, compras alienações, concessões, permissões e locações”. E, continua ela, o artigo primeiro desta mesma Lei determina que “estão obrigados à licitação todos os órgãos da Administração Pública direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios” (DI PIETRO, 2008, p.343). 2.3.3.1 FINALIDADES E PRINCÍPIOS DA LICITAÇÃO Gasparini (2008) identifica duas finalidades da licitação, a primeira visa proporcionar às pessoas a ela submetidas a obtenção da proposta mais vantajosa (a que melhor atende, especialmente, em termos financeiros aos interesses da entidade licitante), e, a segunda finalidade, dar igual oportunidade aos que desejam contratar com essas pessoas. A Lei n° 8.666/93, no seu artigo 3°, prevê princípios básicos que norteiam o processo de Compras públicas: legalidade, impessoalidade, moralidade, igualdade, publicidade, probidade administrativa, vinculação ao instrumento convocatório, julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos. Os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade são os mesmos previstos na constituição federal brasileira e já definidos no Subcapítulo 2.3.1.1. Os demais princípios, Meirelles (2005, p. 272) conceitua da seguinte forma: a) Igualdade entre os licitantes: é o princípio que inibe qualquer discriminação entre os licitantes, quer seja através de regulamentos no edital ou convite, favorecendo uns em detrimento de outros, quer seja com julgamentos tendenciosos que iguale os desiguais ou desiguale os iguais. 38 b) Probidade administrativa: é dever de todo administrador público atuar com probidade administrativa, a lei inclui este princípio dentre os específicos da licitação como uma advertência aos responsáveis que promovem e julgam os processos licitatórios. c) Vinculação ao instrumento convocatório: é um princípio elementar de toda licitação. É compreensível que os critérios de participação dos licitantes fixados no edital permaneçam no decorrer do procedimento ou na realização do julgamento, de maneira a rejeitar qualquer documentação ou proposta que não esteja em conformidade com o estabelecido. d) Julgamento objetivo: é o princípio que se fundamenta nos critérios indicados no edital e nos termos específicos das propostas para realizar julgamentos. 2.3.3.2 DISPENSA DE LICITAÇÃO A dispensa de licitação divide-se em licitação dispensável, inexigível e dispensada. Segundo Fernandes (2003, p.3), a licitação dispensável pode ocorrer até um valor limite de R$8 mil para bens e serviços ou R$16 mil para obras e serviços de engenharia. Além dessas duas situações, também pode ocorrer dispensa em casos excepcionais de emergência, calamidade, guerra e quando o processo licitatório conduzir a resultados antieconômicos. Ele diz ainda que a lei prevê grande variedade de outras hipóteses de dispensa, relativamente a produtos ou serviços com características peculiares, sendo que sucessivas emendas estabeleceram outras situações de dispensa, perfazendo atualmente um total de 30 exceções, previstas em lei. Da mesma forma, segundo Fernandes (2003), inúmeras situações de inexigibilidade de licitação são admitidas pela lei, situações em que os produtos ou serviços a serem adquiridos são de natureza singular, que pressuponham notória especialização ou de profissionais artísticos. Moraes (2005, p.329) completa: diferentemente da dispensa da licitação, ocorrerão as hipóteses de inexigibilidade quando houver impossibilidade jurídica de competição entre os diversos contratantes, seja pela específica natureza do negócio, seja pelos objetivos visados pela administração pública Segundo Donel et al (2008), a Lei n° 8.666/93 também aponta hipóteses em que a licitação é dispensada, além de inexigível e dispensável: “Este caso é mais difícil de ocorrer, em geral são transações entre os próprios órgãos públicos, portanto não faz sentido organizar uma licitação” (DONEL et al, 2008, p.35). 39 2.3.3.3 MODALIDADES DE LICITAÇÃO O artigo 22 da Lei nº 8.666/93 estabelece cinco modalidades de licitação: a concorrência, tomada de preços, convite, concurso e leilão. E são assim definidas por esta Lei: a) Concorrência é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados que, na fase inicial de habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de qualificação exigidos no edital para execução de seu objeto; b) Tomada de preços é a modalidade de licitação entre interessados devidamente cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas para cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas, observada a necessária qualificação; c) Convite é a modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao seu objeto, cadastrados ou não, escolhidos e convidados em número mínimo de 3 (três) pela unidade administrativa, a qual afixará, em local apropriado, cópia do instrumento convocatório e o estenderá aos demais cadastrados na correspondente especialidade que manifestarem seu interesse com antecedência de até 24 (vinte e quatro) horas da apresentação das propostas; d) Concurso é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, mediante a instituição de prêmios ou remuneração aos vencedores, conforme critérios constantes de edital publicado na imprensa oficial com antecedência mínima de 45 (quarenta e cinco) dias; e) Leilão é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda de bens móveis inservíveis para a Administração ou de produtos legalmente apreendidos ou penhorados, a quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao da avaliação. (BRASIL, 1993) Há ainda a modalidade Pregão, que foi instituída pela Lei n.10.520/2002 e, segundo Di Pietro (2008, p.366), destina-se a “aquisição de bens e serviços comuns, qualquer que seja o valor estimado da contratação, em que a disputa pelo fornecimento é feita por meio de propostas e lances em sessão pública”. Meirelles (2005) completa essa definição afirmando que o pregão pode ser utilizado para adquirir bens e/ou serviços comuns, cujos padrões de desempenho e qualidade são especificados no edital de forma objetiva, utilizando características comumente praticadas no mercado. Admitindo apenas a escolha do licitante pelo critério de menor preço. O pregão pode ocorrer tanto de forma presencial quanto eletrônico. Gasparini (2008, p.576) afirma que o “pregão presencial é definido pelo art. 2 do Regulamento aprovado pelo Decreto n.3555/2000 como a modalidade de licitação em que a disputa pelo fornecimento de 40 bens ou serviços comuns é feita em sessão pública, por meio de propostas de preços escritas e lances verbais”. E, conforme Slomski (2003, apud DONEL et al, 2008, p.50), “o pregão eletrônico é o ato da disputa pelo fornecimento de bens e serviços comuns realizado em sessão pública, por meio de propostas e lances que acontecem através da rede mundial de comunicação”. Para cada modalidade de licitação há um valor a ser praticado. Viana (2009) apresenta no Quadro 3 os diferentes limites de licitação de acordo com cada modalidade: MODALIDADE DE LICITAÇÃO AQUISIÇÃO DE MATERIAIS PARA CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS OBRAS E SERVIÇOS DE ENGENHARIA PRAZOS MÍNIMOS PARA APRESENTAÇÃO DE PROPOSTAS LIMITES PARA DISPENSA Até R$ 8.000,00 Art.24 inciso II Até R$ 15.000,00 Art.24 inciso I ___ CONVITE Até R$ 80.000,00 Art.23 inciso II alínea a Até R$ 150.000,00 Art.23 inciso I alíena a 5 dias úteis TOMADA DE PREÇO Até R$ 650.000,00 Art.23 inciso II alínea b Até R$ 1.500.000,00 Art.23 inciso I alíena b 15 dias corridos CONCORRÊNCIA Para valores acima dos limites de Tomada de Preços Art. 23 inciso II alínea c 30 dias corridos Quadro 3 – Limites de valor para licitação Fonte: Viana (2009, p.47) Viana (2009) não contemplou o pregão no quadro acima, mas vale salientar que a Lei n° 10.520/2002, reguladora desta modalidade, fixa como prazo mínimo para a apresentação das propostas oito dias úteis. Vale destacar também que o artigo 21 da Lei nº 8.666/93 prevê o prazo mínimo de 45 dias para o recebimento das propostas na modalidade concorrência, nas situações de regime de empreitada integral ou quando a licitação for do tipo “melhor técnica” ou “técnica e preço”. Já na modalidade tomada de preço, quando a licitação for do tipo “melhor técnica” ou “técnica e preço”, será de 30 dias. É oportuno apresentar dois conceitos que se relacionam diretamente com as modalidades de licitação: os tipos de modalidades e o registro de preço. Quanto aos tipos de modalidades, o artigo 45 da Lei nº 8.666/93 prevê: § 1o Para os efeitos deste artigo, constituem tipos de licitação, exceto na modalidade concurso: 41 I - a de menor preço - quando o critério de seleção da proposta mais vantajosa para a Administração determinar que será vencedor o licitante que apresentar a proposta de acordo com as especificações do edital ou convite e ofertar o menor preço; II - a de melhor técnica; III - a de técnica e preço. IV - a de maior lance ou oferta - nos casos de alienação de bens ou concessão de direito real de uso Ainda na Lei nº 8.666/93: Art. 46. Os tipos de licitação "melhor técnica" ou "técnica e preço" serão utilizados exclusivamente para serviços de natureza predominantemente intelectual, em especial na elaboração de projetos, cálculos, fiscalização, supervisão e gerenciamento e de engenharia consultiva em geral e, em particular, para a elaboração de estudos técnicos preliminares e projetos básicos e executivos, ressalvado o disposto no § 4o do artigo anterior. Quanto ao registro de preço, segundo Meirelles (2005, p.67): Registro de preço é o sistema de compras pelo qual os interessados em fornecer materiais, equipamentos ou gêneros ao Poder Público concordam em manter os valores registrados no órgão competente, corrigidos ou não, por um determinado período e a fornecer as quantidades solicitadas pela Administração no prazo previamente estabelecido. O artigo 15 da Lei de licitação nº 8.666/93 afirma que, sempre que possível, as Compras deverão ser realizadas através do sistema de registro de preços, o qual terá a validade de no máximo um ano. 42 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Este Capítulo irá tratar sobre as características metodológicas desta pesquisa, classificando-a quanto aos fins, aos meios de investigação e à abordagem, apresentando também o universo e a amostra do estudo. Por último, irá expor os métodos utilizados para a coleta e análise dos dados. 3.1 TIPO DE PESQUISA Vergara (2008) classifica o tipo de pesquisa em relação aos fins e aos meios de investigação. Considerando a taxionomia apresentada por esta autora, o presente estudo pode ser assim caracterizado. 3.1.1 QUANTO AOS FINS 3.1.1.1 Aplicada De acordo com Vergara (2008), a pesquisa aplicada tem finalidade prática, pois, é essencialmente motivada pela necessidade de solucionar problemas reais, imediatos ou não. Desta forma, esta pesquisa pode ser compreendida como de caráter aplicado por identificar melhorias em um processo de Compra de uma organização pública, resultando em sugestões aplicáveis de aperfeiçoamento desse processo. 3.1.1.2 Exploratória Segundo Acevedo e Nohara (2007), o objetivo principal da pesquisa exploratória é possibilitar maior compreensão acerca do que está sendo investigado, de forma que permita ao pesquisador delimitar mais precisamente o problema em questão. Portanto, além de aplicado, este estudo também pode ser considerado de caráter exploratório, já que se dispôs a realizar um mapeamento detalhado de um processo de Compra da organização em questão, para então determinar pontos de possíveis aperfeiçoamentos. Para tanto, fez-se necessário adotar uma pesquisa de caráter exploratório que possibilitasse uma compreensão aprofundada do objeto de estudo, abordando todos os aspectos envolvidos na configuração deste. 43 3.1.1.3 Descritiva Menezes e Silva (2000, p.21) classificam uma pesquisa como descritiva aquela que busca “descrever as características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Envolve o uso de técnicas padronizadas de coleta de dados: questionário e observação sistemática”. Considerando esta definição, classifica-se este estudo como descritivo por expor detalhadamente as etapas que compõem o processo de Compra analisado, descrevendo cada atividade executada e a relação entre elas. 3.1.2 QUANTO AOS MEIOS DE INVESTIGAÇÃO 3.1.2.1 Documental Conforme Vergara (2008), a pesquisa documental consiste em coletar informações provenientes de documentos conservados dentro dos órgãos públicos e privados, ou com indivíduos: comunicações informais, registros, ofícios, regulamentos, balancetes, circulares, memorandos, etc. Sendo assim, este estudo pode ser percebido como pesquisa documental por buscar em resoluções, portarias, regimentos, atas, ofícios, entre outros documentos da organização, informações essenciais para compreender os procedimentos determinantes dos processos de Compra. 3.1.2.2 Bibliográfica A pesquisa bibliográfica, segundo Vergara (2008, p.48), é “o estudo sistematizado desenvolvido com base em material publicado em livros, revistas, jornais, redes eletrônicas, isto é, material acessível ao público em geral. Fornece instrumental analítico para qualquer outro tipo de pesquisa...”. Para a fundamentação teórica dessa pesquisa será realizado um levantamento de informações sobre Compras, administração pública, gerenciamento de processos, melhoria e técnicas de processos e Compras na administração pública, em livros, periódicos e artigos científicos. Através de um embasamento teórico dos pontos elementares desta pesquisa, a pesquisadora pôde nortear seu olhar para os aspectos relevantes do objeto de estudo, relacionando a teoria com a prática. 44 3.1.2.3 Estudo de caso Conforme Acevedo e Nohara (2007), a pesquisa de estudo de caso consiste em analisar com profundidade e detalhamento um objeto ou grupo de objetos, que podem corresponder a indivíduos ou organizações. Esta pesquisa intencionou compreender e analisar em profundidade um aspecto específico de uma organização pública: o seu processo de Compra de bens na modalidade pregão presencial com registro de preço. Portanto, pode-se configurála como um estudo de caso. 3.1.2.4 Pesquisa de campo De acordo com Vergara (2008, p.47), “pesquisa de campo é a investigação empírica realizada no local onde ocorre ou ocorreu um fenômeno ou que dispõe de elementos para explicá-lo”. Esta pesquisa será realizada no local onde se encontra o objeto de estudo, coletando informações diretamente com os servidores dos setores responsáveis pela Compra no TRE-PB, especificamente a seção de Compras (SECOMP), a comissão permanente de licitação (CPL) e a seção de orçamentária e financeira (SEPOF). 3.1.3 QUANTO À ABORDAGEM Embora Vergara (2008) não contemple em sua classificação a abordagem quantitativa ou qualitativa que uma pesquisa pode se configurar, é importante ressaltar que este estudo será de caráter qualitativo. O que difere esta abordagem da quantitativa, segundo Oliveira (1997, p.116), consiste no fato do método qualitativo não intencionar “numerar ou medir unidades ou categorias homogêneas”. Este estudo não se dispõe a ter como centro da análise do objeto de estudo dados estatísticos, mas informações sobre os elementos que envolvem o processo de Compra de bens na modalidade pregão presencial com registro de preço e como estes elementos interagem entre si. 3.2 UNIVERSO (POPULAÇÃO) E AMOSTRA Vergara (2008) define população como um conjunto de elementos, como pessoas, empresas, produtos, etc., que apresentam características que serão objeto de estudo. Desta forma, o universo da pesquisa será o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, órgão federativo 45 vinculado ao poder judiciário, com sede em João Pessoa-PB. Já a população amostral, de acordo com Vergara (2008), representa uma parte do universo, ou população, escolhida a partir de critérios de representatividade. A seção de compras (SECOMP), a comissão permanente de licitação (CPL) e a seção de programação orçamentária e financeira (SEPOF), constituíram os setores onde a pesquisa foi realizada. A Figura 6 apresenta o organograma geral do TRE – PB, que aponta, entre outras, a Secretaria de Administração e Orçamento (SAO), a responsável pelos setores onde a pesquisa foi realizada. Figura 6 - Organograma Geral do TRE-PB Fonte: Adaptado de TRE-PB (2009) Já a Figura 7 apresenta a estrutura da Secretaria de Administração e Orçamento (SAO), com destaque para a seção de compras (SECOMP), a comissão permanente de licitação (CPL) e a seção de programação orçamentária e financeira (SEPOF), ambientes onde a coleta de dados foi realizada. As entrevistas foram realizadas com os dois assistentes de pesquisa e cadastro da SECOMP, com o chefe da SEPOF e o pregoeiro da CPL. Desta forma, a amostra da pesquisa configura-se como sendo de caráter não probabilístico, já que não utilizou procedimentos estatísticos para determiná-la, e sim, critérios estabelecidos pela pesquisadora: “Existem dois tipos de amostragem, a probabilística e a não probabilística. A primeira fundamenta-se em leis estatísticas e a segunda baseia-se nos critérios apresentados pelo pesquisador” (ACEVEDO; NOHARA, 2007, p.56). 46 Figura 7 – Organograma SAO Fonte: TRE-PB (2009) Quanto à seleção da amostra, esta foi escolhida por tipicidade, já que a amostra é composta por elementos que foram considerados pela pesquisadora representativos da população. Vergara (2008) divide a amostra não probabilística em dois aspectos: por acessibilidade e tipicidade. Amostra não probabilística por tipicidade é definida por este autor 47 como “sendo constituída pela seleção de elementos que o pesquisador considere representativos da população-alvo, o que requer profundo conhecimento dessa população” (VERGARA, 2008, p.51). 3.3 MÉTODO DE COLETA DE DADOS Os dados desta pesquisa foram coletados por meio de entrevista focalizada e observação simples. 3.3.1 Entrevista focalizada ou por pautas De acordo com Vergara (2008), na entrevista focalizada ou por pautas o entrevistador estabelece pontos para serem abordados com o entrevistado, de forma a focalizar e aprofundar em apenas um assunto. Sendo assim, esta pesquisa utilizou como um dos instrumentos de coleta de dados, a entrevista focalizada, ou por pautas, por considerá-la uma ferramenta eficaz para uma coleta aprofundada das informações sobre o processo de Compra de bens na modalidade pregão presencial com registro de preço, como este ocorre, qual o seu fluxo, o ciclo, as etapas, etc. Forneceu à pesquisadora um guia importante na coleta de dados com os servidores lotados nos setores definidos no Subcapítulo 3.2, pois possibilitou abordar o máximo de pontos necessários para um real conhecimento desse processo de Compra. Guiada por um roteiro (ver apêndice A), inicialmente realizou-se uma entrevista com os dois assistentes de pesquisa e cadastro da SECOMP, onde informaram quais os processos de Compra adotado pelo TRE-PB e as etapas que compõem cada um, como também foi apontado durante esta entrevista, o excesso burocrático como o principal elemento atravancador. Com essas informações, a pesquisadora realizou um mapeamento preliminar de cada processo de Compra, e a partir desta primeira análise, percebeu-se que a modalidade pregão presencial com registro de preço é a mais praticada e que envolve mais setores na sua execução. Diante disso, optou-se por focar apenas nesta modalidade. Com o mapeamento preliminar desse processo, a pesquisadora retornou à SECOMP objetivando verificar com os funcionários entrevistados anteriormente se o que tinha sido mapeado condizia com o praticado. Após essa conferência, necessitou-se esclarecer alguns pontos das etapas, desta forma, guiando-se por um roteiro (ver apêndice B), foi realizada uma entrevista com o chefe da SEPOF que explicou detalhadamente o caminho percorrido pelo processo em toda COF. Por último, o pregoeiro da CPL foi entrevistado, também utilizando 48 um roteiro como orientação (ver apêndice C), com a finalidade de melhor compreender a fase externa do pregão, ou seja, desde a elaboração do edital à escolha do vencedor. 3.3.2 Observação simples Vergara (2008) aponta como um dos instrumentos de coleta de dados a observação simples, onde o observador mantém certo distanciamento da situação ou do grupo a ser estudado; não interage com os elementos observados. Para uma compreensão realística do processo de Compra em questão é importante que a pesquisadora observe o fluxo desse processo, como este ocorre comumente. A observação simples constituiu no acompanhamento do fluxo desse processo de Compra através do SADP, programa interno que informa o percurso de todos os processos da organização, inclusive os de Compra. As observações realizadas foram confrontadas com os dados coletados objetivando dirimir qualquer discrepância entre o praticado e o que estava sendo descrito. 3.4 MÉTODO DE ANÁLISE DOS DADOS Segundo Vergara (2008), os dados podem ser tratados com procedimentos estatísticos ou não estatísticos. No caso desta pesquisa, utilizaram-se procedimentos não estatísticos na análise dos dados, pois se pretendia compreender aspectos de um processo de Compra da organização pesquisada, que envolvem informações sobre detalhamento das atividades de Compra, as tarefas que as compõem, informações sobre o pregão presencial com registro de preço, tempo do processo, e demais informações que influenciem o desempenho das etapas de Compra. Considerando que a melhoria dos processos de Compra em órgãos da esfera pública busca otimizar o uso de recursos públicos, espera-se que a aplicação de técnicas de melhoria de processos proporcione contribuições significativas para a organização estudada. Guiandose nos aspectos metodológicos descritos a seguir, os modelos de mapeamento e melhoria de processo adotados por este estudo foram a ferramenta MAP – Mapeamento das Atividades Processuais, definida por Brandon e Morris (1994), e os procedimentos de melhoria apresentados por Mischak (1997, apud WALTER, 2008) no Capítulo 2.2.2. O programa Dia, disponível gratuitamente na internet, foi utilizado para criar fluxogramas dos processos de Compra de acordo com as informações coletadas, mapeando os 49 processos através dos recursos de imagens de processos, como início do fluxo, decisões, base de dados, documentos, entre outros, oferecidos por este software. O modelo de fluxograma utilizado foi o padrão American National Standards Institute (ANSI) que, segundo Harrington (1993), permite compreender de forma mais detalhada o funcionamento de um processo. Segue exemplo de um fluxograma padrão ANSI (Figura 8). Figura 8: Fluxograma padrão ANSI Fonte: Harrington (1993, p.118) Segue o Quadro 4 apresentando o significado dos símbolos mais utilizados pelo fluxograma padrão ANSI. 50 Símbolo Significado Operação: Retângulo. Use esse símbolo sempre que ocorrer uma mudança no item. Ela pode ocorrer pela execução de trabalho, atividade de uma máquina ou pela combinação de ambos. É usado para mostrar uma atividade de qualquer natureza, desde fazer um furo na peça até o processamento de dados num computador. É o símbolo correto a ser usado, sempre que nenhum outro for mais apropriado. Normalmente, inscreve-se no retângulo uma curta descrição da atividade realizada. Movimento/transporte: Seta grossa. Use uma seta grossa para indicar movimento da saída entre localidades (por exemplo, mandar peças para o almoxarifado, postar uma correspondência). Ponto de decisão: Losango. Coloque um losango no ponto do processo em que a decisão deve ser tomada. As seqüências de atividades a seguir dependerão da decisão tomada. Por exemplo: “Se a carta estiver correta, ela será assinada. Se estiver incorreta, será redatilografada”. Tipicamente, as saídas dos losangos são assinaladas com as opções (por exemplo, Sim – Não, Verdadeiro – Falso). Inspeção: Círculo grande. Use um círculo grande para indicar que o fluxo do processo é interrompido para que a qualidade da saída possa ser avaliada. Normalmente envolve uma operação de inspeção realizada por alguém que não seja a pessoa que executou a atividade anterior. Pode também indicar o ponto em que uma assinatura de aprovação se torna necessária. Documento impresso: Retângulo com fundo ondulado. Use este símbolo para mostrar quando a saída de uma atividade inclui informações registradas em papel (por exemplo, relatório escrito, cartas, listagens de computador). Espera: Retângulo de lados arredondados. Use esse símbolo, que às vezes é chamado de bala (munição), quando um item ou pessoa precisa esperar, ou quando um item é colocado num estoque temporário, antes que a atividade programada a seguir executada (por exemplo, esperar um avião, esperar uma assinatura). Armazenagem: Triângulo. Use um triângulo quando existir uma condição de armazenagem sob controle e uma ordem ou requisição seja necessária para remover o item para a atividade programada a seguir. Este símbolo é usado com mais freqüência para mostrar que a saída está armazenada aguardando um cliente. O objetivo de um processo de fluxo contínuo é eliminar todos os triângulos e retângulos deformados do fluxograma do processo. Num processo empresarial, o triângulo pode ser usado para mostrar a situação de uma requisição de compras sendo retida pelo setor de compras, aguardando que o setor financeiro verifique se a despesa está prevista no orçamento operacional. Anotação: Retângulo aberto. Use um retângulo aberto interligado por uma linha tracejada ao fluxograma para registrar informações adicionais pertinentes ao símbolo ao qual está ligado. Por exemplo, num fluxograma complexo, desenhado em várias folhas, este símbolo pode ser ligado a um pequeno círculo para indiciar o número de folhas em que a entrada vai reentrar no processo. Outra razão para utilizar o retângulo aberto é para designar quem é o responsável pela realização de uma atividade. O retângulo aberto liga-se ao fluxograma por uma linha tracejada, de modo a não ser confundido com uma linha com seta, que indica fluxo de atividade. Sentido de fluxo: Seta. Use uma seta para indicar o sentido e a ausência das fases do processo. Uma seta é utilizada para movimentar de um símbolo a outro. Ela indica sentido para cima, para baixo ou para os lados. A norma ANSI estabelece que a seta não é necessária quando o sentido do fluxo for de cima para baixo, ou da esquerda para a direita. Contudo, para evitar malentendidos por parte daqueles que não estejam tão familiarizados com os símbolos do fluxograma, recomenda-se que a seta seja sempre utilizada. Transmissão: Seta interrompida. Use uma seta interrompida para identificar a ocorrência de transmissão instantânea de informação (transmissão eletrônica de dados, fax, chamada telefônica). (Continua...) 51 (Continuação...) Conexão: Círculo pequeno. Use um pequeno círculo com uma letra inserida, no final do fluxograma, para indicar que a saída daquela parte do fluxograma será usada como entrada em outro fluxograma. Esse símbolo é usado com freqüência quando não há espaço para desenhar o fluxograma inteiro na folha de papel. Uma seta apontando para o círculo indica que se trata de uma saída, outra apontando para fora do círculo indica que se trata de uma entrada. Cada saída diferente deve ser designada por uma letra distinta. Qualquer saída pode reentrar no processo em vários pontos. Limites: Círculo alongado. Use um círculo alongado para indicar o início e o fim do processo. Normalmente as palavras Partida ou Início e Pare ou Fim são inscritas no símbolo. Quadro 4: Significado dos símbolos do fluxograma ANSI Fonte: Harrington (1993, p.114) A partir dos instrumentos apontados neste Capítulo, desenvolveu-se a coleta de dados, a qual será apresentada no Capítulo seguinte, juntamente com as análises das melhorias. 52 4. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS Inicialmente serão apresentados neste Capítulo os dados coletados através dos instrumentos citados no Subcapítulo 3.3, para posteriormente expor as possibilidades de aperfeiçoamento, e então finalizar com a conclusão sobre as melhorias sugeridas. 4.1 COLETA DOS DADOS Os dados coletados serão apresentados da seguinte forma: visão geral das Compras do TRE-PB, macroprocesso pregão presencial com registro de preço na aquisição de bens, seus processos e subprocessos. 4.1.1 COMPRAS NO TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DA PARAÍBA Como já foi exposto no Capítulo 1, o TRE-PB realiza as Compras através da dispensa de licitação e das modalidades: convite, tomada de preço e pregão presencial. Sendo assim, pode-se visualizar na Figura 9 os macroprocessos de Compra do TRE-PB, com destaque ao pregão com registro de preço na Compra de bens, foco desta pesquisa por se tratar da modalidade mais praticada para este tipo de aquisição. Figura 9: Macroprocessos de Compra do TRE-PB Fonte: Elaborada pela autora (2010). 53 Desta forma, assim pode-se compreender os modelos de Compra praticados pelo TREPB. A seguir serão detalhadas as atividades que compõem o macroprocesso pregão presencial com registro de preço na aquisição de bens, objeto de estudo desta pesquisa. 4.1.2 MAPEAMENTO DO PREGÃO PRESENCIAL COM REGISTRO DE PREÇO NA AQUISIÇÃO DE BENS Por se tratar de registro de preço, o recebimento do material pode ocorrer em parcelas, num período de no máximo um ano, de acordo com a conveniência do setor requisitante. Desta forma, pode-se dividir esse macroprocesso em dois processos: o primeiro consiste no processamento do pregão e a segundo no recebimento do objeto licitado. 4.1.2.1 Processamento do Pregão O processamento do pregão é composto pelos subprocessos: formalização do pedido de compra, verificação financeira, autorização da licitação e elaboração do edital, escolha do fornecedor e homologação e adjudicação do vencedor (Figura 10). Figura 10: Processamento do Pregão Fonte: Elaborada pela autora (2010). 4.1.2.1.1 Subprocesso Formalização do pedido de compra As atividades que compõem a formalização do pedido de compra estão representadas no fluxograma da Figura 11. 54 Figura 11: Formalização do pedido de compra Fonte: Elaborada pela autora (2010). Qualquer setor do Tribunal solicita, através de memorando, aquisição de material, justificando o motivo da necessidade, especificando quantidade e qualidade (Atividade 1). Para que o processo seja formalizado, o Secretário da Administração e Orçamento autoriza a autuação do pedido (Atividade 2). Após autorizada, a solicitação é autuada, ou seja, forma-se fisicamente o processo, colocando capa, numerando páginas e atribuindo um número específico (Atividade 3). Em seguida, o processo é encaminhado ao setor de protocolo, localizado no térreo, para registro no sistema SADP (Sistema de Acompanhamento de Documentos e Processo), atribuindo-lhe um número único de protocolo (Atividade 4). Após o registro no sistema, toda a tramitação deverá ser realizada através do SADP. Quando um servidor receber o processo fisicamente, deverá também receber via sistema, do mesmo modo, encaminhar via sistema quando remeter os autos para outro setor, indicando a finalidade da tramitação (“para autuar”, “análise da seção”, “para despacho”, etc.). A cada envio realizado pelo SADP, uma guia é gerada com o número do protocolo do processo remetido e com um campo para preencher a data e hora do recebimento físico, e outro para a assinatura do servidor que está recebendo. Esta guia deverá ser preenchida no ato da entrega dos autos e recolhida pelo servidor remetente. 4.1.2.1.2 Subprocesso Verificação Financeira Com o processo devidamente autuado e registrado, a Seção de Compras (SECOMP) realiza uma pesquisa de preço no mercado (telefone, e-mail ou presencial), sendo necessária a cotação de no mínimo três preços para cada item solicitado. Não é exigido que as empresas pesquisadas estejam regularizadas, pois a cotação servirá apenas de referência para o orçamento (Atividade 5). Com uma base orçamentária definida, é preciso verificar se a despesa estava prevista para em seguida efetuar o pré-empenho (o empenho consiste na reserva do dinheiro para o 55 pagamento da Compra). Para tanto, a Coordenadoria de Material (COMAT) encaminha o processo à Coordenadoria de Orçamento e Finanças (COF - Atividades 6 e 7) para providências. A verificação e o pré-empenho serão realizados respectivamente pela Seção de Programação Orçamentária e Financeira (SEPOF - Atividade 8) e pela Seção de Execução Orçamentária (SEOR - Atividade 13). Caso a despesa não esteja prevista na programação orçamentária, encaminha-se para o Secretário da Administração e Orçamento deliberar (Atividade 9). Ele poderá diminuir alguns itens da Compra para ajustar ao orçamento ou relocar verba para atender essa requisição (Atividade 10). Caso sentir necessidade, o Secretário poderá entrar em contato com o setor solicitante para fundamentar sua decisão. Após decisão do Secretário, a SEPOF fará o ajuste na programação orçamentária (Atividade 12), para em seguida a SEOR realizar o pré-empenho (Atividade 13). As atividades que compõem a verificação financeira estão representadas no fluxograma da Figura 12. Figura 12: Verificação Financeira Fonte: Elaborada pela autora (2010). 56 4.1.2.1.3 Subprocesso Autorização da licitação e elaboração do edital Efetuado o pré-empenho, a COF encaminha para a Secretaria de Administração e Orçamento (SAO) dar continuidade (Atividade 14). Esta enviará ao Diretor Geral para autorizar a licitação (Atividades 15 e 16). Com a licitação autorizada, a Comissão Permanente de Licitação (CPL) elabora o edital, o qual estabelece todas as condições, o contrato, pagamento, características do objeto, prazo para apresentar propostas, etc. (Atividade 17). Em seguida, encaminha a minuta do edital para a SAO providenciar o parecer técnico da mesma (Atividade 18), remetendo à Diretoria Geral para que esta faça a solicitação (Atividade 19) à sua Assessoria Jurídica (ASJUR), que irá verificar se as cláusulas estão bem definidas, as condições de contrato, o objeto, etc. A ASJUR emite parecer técnico, e se estiver tudo dentro das conformidades, retorna o processo à Diretoria Geral para prosseguimento (Atividade 22). Caso a ASJUR julgue necessidade de algum ajuste no edital, encaminha os autos para CPL retificar (Atividade 21). As atividades que compõem a autorização da licitação e elaboração do edital estão representadas no fluxograma da Figura 13. Figura 13: Autorização da Licitação e Elaboração do Edital Fonte: Elaborada pela autora (2010). 57 4.1.2.1.4 Subprocesso Escolha do fornecedor As atividades que compõem a escolha do fornecedor estão representadas no fluxograma da Figura 14. Figura 14: Escolha do Fornecedor Fonte: Elaborada pela autora (2010). Após a verificação das conformidades do edital, este segue para publicação (Atividade 24). Na data prevista, depois de 9 dias úteis, as propostas são recebidas e julgadas (Atividade 58 25 e 26). Escolhido o vencedor, verifica-se sua habilitação (Atividade 27), e caso esta não atenda às exigências, verifica-se a habilitação do licitante subseqüente (Atividade 28). Aprovada a habilitação do vencedor e se nenhum licitante entrar com recurso, encaminha-se o processo com o resultado do julgamento à SAO para providenciar parecer técnico (Atividade 34). Caso algum licitante manifeste, o que deve ser feito ainda na sessão de julgamento, a intenção de entrar com recurso, dá-se o prazo de três dias úteis para a entrega do recurso à CPL, com todas as justificativas que o fundamente (Atividade 29). Após esse prazo, o licitante que foi declarado vencedor terá também três dias úteis para apresentar a contra-razão, defendendo os pontos questionados pelo licitante que entrou com recurso (Atividade 30). A CPL tem 5 dias úteis para decidir se mantém ou renova a decisão da oferta inicialmente vencedora (Atividade 31). Decidido, remete-se o processo à Presidência do Tribunal para ratificar a decisão do pregoeiro (Atividade 33) e posteriormente à CPL, para que esta encaminhe à SAO. 4.1.2.1.5 Subprocesso Homologação e Adjudicação As atividades que compõem a homologação e adjudicação do vencedor estão representadas no fluxograma da Figura 15. Figura 15: Homologação e Adjudicação do Vencedor Fonte: Elaborada pela autora (2010). 59 A SAO encaminha o processo à Diretoria Geral (Atividade 34) para que esta solicite o parecer técnico à sua Assessoria Jurídica (Atividade 35). A ASJUR emite nota técnica quanto ao procedimento de forma geral, guiando-se por uma planilha de verificação, analisa se critérios como publicação do edital e conformidade do objeto com o requisitado, entre outros, foram devidamente atendidos (Atividade 36). Em seguida, a Coordenadoria de Controle Interno (CCI) emite nota técnica mais minuciosa quanto à legalidade do certame (Atividade 37). Retorna os autos à Diretoria Geral para esta dar continuidade ao processo remetendo à SAO (Atividade 38) que homologa a licitação, confirmando a classificação da proposta (Atividade 39). Os autos são enviados à COMAT para que providencie a confecção (Atividade 41), coleta das assinaturas dos vencedores (Atividade 42), firmando assim a adjudicação da licitação (prazo de dez dias para assinar), e publicação da ata do pregão com registro de preço no site do TRE-PB e no DOU (Atividade 43). Essas atividades serão executadas pela SECOMP. Após publicação da ata, retorna o processo à COMAT para conhecer as providências tomadas. Certificando se está em conformidade (Atividade 44), o processo originário fica sobrestado (Atividade 45 e 46) aguardando os pedidos de recebimento do objeto. O setor solicitante tem o prazo de até um ano para requisitar o material. 4.1.2.2 Recebimento do objeto licitado O segundo processo é composto pelos subprocessos: solicitação de recebimento de uma parcela ou da totalidade do objeto e empenho, recebimento do material, e por último, pagamento (Figura 16). Figura 16: Recebimento do objeto licitado Fonte: Elaborada pela pesquisadora (2010). 60 4.1.2.2.1 Subprocesso Solicitação de Recebimento e Empenho As atividades que compõem a solicitação de recebimento de uma parcela ou totalidade do objeto e empenho estão representadas no fluxograma da Figura 17. Figura 17: Solicitação de recebimento do objeto e empenho Fonte: Elaborada pela pesquisadora (2010). O setor requisita o recebimento de todo o objeto licitado, ou apenas uma parcela, à COMAT (Atividade 47), que solicita a autorização da emissão da Ordem de Compra (Atividade 48) à SAO. Com a autorização da O.C. (Atividade 49) efetivada, a SECOMP emite a ordem (Atividade 50) e encaminha os autos à COMAT que irá solicitar à COF a realização do empenho (Atividade 51). A COF remete à SEOR (Atividade 52) para que esta realize o empenho, ou seja, uma reserva do dinheiro para posterior pagamento (Atividade 53), e em seguida, à Seção de Contabilidade (SECON) para fazer a conformidade contábil (Atividade 54). Retorna os autos à COF, que irá encaminhar à COMAT para continuidade do processo (Atividade 55). 4.1.2.2.2 Subprocesso Recebimento do material As atividades que compõem o recebimento do material estão representadas no fluxograma da Figura 18. 61 Figura 18: Recebimento do Material Fonte: Elaborada pela pesquisadora (2010). Para evitar que seja de caráter arbitrário, antes de enviar a nota de empenho, entra em contato com o fornecedor para saber como gostaria de recebê-la, se irá retirar no próprio TRE-PB ou se via fax, pois a partir do momento que a nota de empenho é remetida, o fornecedor tem um prazo de dez dias para a entrega do material (Atividade 56). Em seguida, envia os autos à Seção de Almoxarifado (SEAL) para aguardar a entrega do material (Atividade 57). Ao receber o material, após conferência com o que foi solicitado (para materiais mais específicos como de informática, permanente e do setor de saúde, há uma comissão específica de cada área para verificar no ato do recebimento se condiz com o requisitado), atesta na nota fiscal o recebimento e apropria no SIAF, sistema financeiro, o material (Atividade 58 e 59). 4.1.2.2.3 Subprocesso Pagamento Com o material apropriado, retorna os autos à COMAT que encaminha para autorização do pagamento (Atividade 60) a ser realizada pela SAO (Atividade 61). Após autorização, a COF providencia o pagamento através da sua Seção de Execução Financeira (SEFIN), que colhe a assinatura do Secretário de Administração e Orçamento para atestar o procedimento (Atividade 62 e 63). A SECON realiza a conformidade contábil da despesa (Atividade 64) e remete o processo à COF para continuidade. Encaminha o processo à COMAT (Atividade 65 e 66) para providenciar o arquivamento na SECOMP, caso tenha realizado todo o objeto licitado (Atividade 67), caso não tenha, envia ao setor solicitante, (Atividade 68), onde ficará sobrestado até o próximo pedido de recebimento de material (Atividade 69). As atividades que compõem o pagamento estão representadas no fluxograma da Figura 19. 62 Figura 19: Pagamento Fonte: Elaborada pela pesquisadora (2010). Finalizada a apresentação dos dados coletados, será discutido no Subcapítulo que se segue, as possibilidades de melhorias para o processo em estudo. 63 4.2 POSSIBILIDADES DE MELHORIA DO PROCESSO Este Capítulo apresenta propostas de melhoria dos subprocessos descritos no Capítulo anterior. As sugestões aqui apresentadas resultaram de análises orientadas pelos procedimentos de melhoria de processos esquematizados por Mischak (2008), contemplados no Subcapítulo 2.2.2, principalmente no que concerne à identificação de atividades, eliminação de etapas desnecessárias, mudança de sequência e introdução de etapas. 4.2.1 Melhoria do Processamento do Pregão 4.2.1.1 Melhoria do Subprocesso Formalização do Pedido de Compra A formalização do pedido consiste em transformar uma solicitação de material (via memorando) em um processo formal (autuar), com numeração única, capa, etc. Portanto, a autorização da autuação não resulta de uma análise do pedido, já que este momento ocorrerá mais adiante quando a Diretoria Geral deliberar sobre a viabilidade da licitação. Desta forma, não há necessidade do memorando ser encaminhado à SAO, podendo sim ser enviado diretamente à COMAT para a autuação. Além da formalização que a COMAT realiza, é também necessário que o setor de protocolo registre o pedido no Sistema de Acompanhamento de Documentos e Processos – SADP, atividade que poderá ser realizada antes da autuação, já que há informações suficientes para o registro no SADP no memorando de solicitação. Considerando esta possibilidade e sabendo que o subprocesso seguinte inicia-se com a pesquisa de preço a ser realizada pela SECOMP, e sabendo também que esta seção situa-se na sala contígua à COMAT, e que o setor de protocolo localiza-se no térreo do prédio, pode-se inverter a atividade 3 e 4, ou seja, autuação e protocolização do processo, de forma a agilizar a tramitação pela proximidade física dos setores, evitando que o processo que já estava na sala próxima, desça e depois suba para dar início ao subprocesso subseqüente. Diante dessas considerações, as atividades que comporiam este subprocesso estão representadas na Figura 20. 64 Figura 20: Formalização do Pedido (nova proposta) Fonte: Elaborada pela pesquisadora (2010). 4.2.1.2 Melhoria do Subprocesso Verificação Financeira Depois que a pesquisa de preço é realizada pela SECOMP, verifica-se se a despesa está prevista no orçamento. Porém, no fluxo atual, é necessário que o processo passe pela COMAT e COF, por se tratarem de setores hierarquicamente superiores, mas que não agregam nenhuma informação, para só então a SEOR fazer a verificação orçamentária. Desta forma, pode-se eliminar as atividades 6 e 7 realizadas pelas coordenadorias em questão sem prejuízo da tramitação. Além dessas atividades, pode-se também excluir as atividades 9 e 11 pelos mesmos critérios das anteriores, já que consistem apenas no encaminhamento do processo pela COF sem adicionar informações. A atividade 14, pertencente ao subprocesso seguinte (autorização da licitação e elaboração do edital), consiste no encaminhamento dos autos à Diretoria Geral para autorização da licitação. Esta atividade, executada pela COF, poderia adotar um caráter de conferência do pré-empenho realizado e não se resumir a uma tramitação simples, pois, finalizado este subprocesso, significará que uma reserva preliminar do dinheiro foi efetivada, o que interfere na disponibilidade orçamentária do TRE – PB, exigindo desta forma um acompanhamento mais próximo da COF. Portanto, a atividade 14, incorporada inicialmente ao subprocesso seguinte seria deslocada para o último momento deste subprocesso com uma nova atribuição, ou seja, corresponderia à atividade 9. Diante dessas considerações, as atividades que comporiam este subprocesso estão representadas na Figura 21. 65 Figura 21: Verificação Financeira ( nova proposta) Fonte: Elaborada pela pesquisadora (2010). 66 4.2.1.3 Melhoria do Subprocesso Autorização da Licitação e Elaboração do Edital Seguindo o mesmo critério de eliminar atividades que não agregam informações, podese suprimir as atividades 15, 18, 19, 22 e 23, pois consistem em encaminhamentos ou solicitações formalmente praticadas entre setores hierarquicamente superiores, mas que essencialmente não deliberam, controlam ou orientam a tramitação. Diante dessas considerações, as atividades que comporiam este subprocesso estão representadas na Figura 22. Figura 22: Autorização da Licitação e Elaboração do Edital (nova proposta) Fonte: Elaborada pela pesquisadora (2010). 67 4.2.1.4 Melhoria do Subprocesso Escolha do Fornecedor Não há nenhuma consideração de melhoria quanto à seqüência das atividades que compõem a escolha do fornecedor. A maior parte desse subprocesso, e em sua totalidade quando nenhum licitante interpõe recurso, ocorre num único setor, na CPL. Para que cada atividade seja desenvolvida é imprescindível a realização da anterior, inviabilizando desta forma a execução paralela ou inversão da ordem. 4.2.1.5 Melhoria do Subprocesso Homologação e Adjudicação do Vencedor Após a escolha da melhor proposta, antes de homologar a decisão pelo vencedor, é necessária uma verificação técnica quanto ao procedimento e à legalidade, atividades que são executadas respectivamente pela ASJUR e CCI. Já a homologação é realizada pela SAO. Logo, as atividades 34 e 35 que antecedem a verificação técnica, como também a 38, que antecede a homologação, são dispensáveis, tendo em vista que os setores citados (ASJUR, CCI E SAO) são os responsáveis para a efetiva análise e aprovação da decisão pelo vencedor, não havendo necessidade de intermediação formal de outros. Depois da homologação, para concretização da adjudicação, providencia-se a confecção da ata, coleta da assinatura do(s) vencedor(es) e publicação da mesma. Atividades de responsabilidade da SECOMP, o que dispensa a atividade 40 (COMAT encaminha à SECOMP para as providências) por ter apenas a finalidade de intermediar a tramitação entre a SAO e a SECOMP. As atividades 45 e 46, sobrestar processo originário e aguardar pedidos do setor, de responsabilidade da COMAT, poderiam ser realizadas pela SECOMP, já que este é o setor que receberá a solicitação do recebimento do material, próxima etapa se considerar a implementação da melhoria do subprocesso “solicitação de recebimento e empenho”. Portanto, visando agilizar a tramitação, deixaria os autos sobrestados na própria SECOMP. Diante dessas considerações, as atividades que comporiam este subprocesso estão representadas na Figura 23. 68 Figura 23: Homologação e Adjudicação do Vencedor (nova proposta). Fonte: Elaborada pela pesquisadora (2010). 69 4.2.2 Melhoria do Recebimento do objeto licitado 4.2.2.1 Melhoria do Subprocesso Solicitação de Recebimento e Empenho O setor que solicitou a compra poderá requisitar o recebimento de uma parte ou da totalidade do objeto licitado. Para tanto, é necessária a emissão da Ordem de Compra e da nota de empenho. Como a autorização da licitação, a homologação e adjudicação do vencedor foram efetivadas anteriormente, não há necessidade de uma nova autorização para emissão da O.C, tendo em vista que a compra já tinha sido autorizada e o dinheiro previamente reservado. Portanto, são dispensáveis a atividade 40, ou seja, a autorização da O.C. pela SAO, e consequentemente a antecedente, que consiste na solicitação da autorização da emissão da ordem. Também é dispensável a intermediação formal para requisitar a nota de empenho (atividade 51 e 52) e para dar continuidade ao processo após a realização da conformidade contábil (atividade 55). Diante dessas considerações, as atividades que comporiam este subprocesso estão representadas na Figura 24. Figura 24: Solicitação de Recebimento e Empenho (nova proposta). Fonte: Elaborada pela pesquisadora (2010). 70 4.2.2.2 Melhoria do Subprocesso Recebimento do Material Não há sugestões de melhoria para as etapas que compõem este subprocesso. Está em conformidade a sequência das atividades, bem como os responsáveis por elas, no caso das quatro, três são executadas pela SEAL. 4.2.2.3 Melhoria do Subprocesso Pagamento O pagamento ao fornecedor só ocorre depois que o material é recebido, conferido e apropriado no sistema financeiro. Quem efetiva o pagamento é a SEFIN, portanto é possível o envio direto dos autos a este setor sem prejuízo da tramitação, ficando desta forma dispensadas as atividades 60, solicitação de pagamento, 61, autorização do pagamento (já que para realizar o pagamento necessita da assinatura do Secretário da Administração e Orçamento, o que ocorrerá na atividade 63) e 62, encaminhamento para o pagamento. A atividade 65, que consiste no envio do processo pela COF à COMAT após a conformidade contábil do pagamento, também pode ser dispensada, já que não agrega nenhuma informação. Diante dessas considerações, as atividades que comporiam este subprocesso estão representadas na Figura 25. 4.3 CONCLUSÕES SOBRE A ANÁLISE DE MELHORIA A partir do mapeamento do processo e análise do seu fluxo observa-se que este percorre um caminho demasiado longo pela excessiva e desnecessária concentração de atividades nas coordenadorias e secretarias superiores. Caminho traçado por designações regimentais e normativas obsoletas, que visam atender mais a conformidades hierárquicas do que a eficiência processual. A função precípua das melhorias aqui apresentadas é diminuir o tempo de realização desse processo de Compra. Porém, apesar de ser o tempo o elemento chave, não é possível mensurar com maior precisão o quanto se economizaria de dias ou horas com as propostas sugeridas, já que uma solicitação de compra pode contemplar apenas um item ou cinqüenta itens, por exemplo, o que neste caso implicará em uma análise mais demorada da solicitação, uma pesquisa de preço mais extensa, envolvendo vários fornecedores, etc. 71 Figura 25: Pagamento (nova proposta. Fonte: Elaborada pela pesquisadora (2010). 72 Apesar da variação das solicitações de compra inviabilizar uma mensuração precisa do tempo economizado, é possível, como foi informado pelos servidores entrevistados, eliminar pontos de estanque sem prejudicar a qualidade e confiabilidade do processo, de forma que um processo que demanda atualmente no mínimo cinco meses para finalizar, poderia levar três meses se suprimidos os excessos burocráticos apontados pela análise do processo. O objetivo do pregão é licitar produtos de características simples com maior rapidez que as outras modalidades. Enquanto na tomada de preço e concorrência, por exemplo, é estipulado por lei um prazo mínimo de 15 e 30 dias úteis, respectivamente, para a apresentação das propostas, e nas situações em que o critério de julgamento é de “melhor técnica” ou “técnica e preço”, 30 e 45 dias úteis; no pregão, é exigido apenas 8 dias úteis (o TRE-PB dá o prazo de 9 dias úteis). Porém, a agilidade proposta pelo pregão se perde na tramitação interna que está fortemente arraigada em preceitos de disfunções burocráticas. Cada macroprocesso de Compra do TRE-PB é composto por etapas diferentes, principalmente no que se refere à escolha do fornecedor, recebimento e pagamento do objeto, mas semelhantes no que concerne à formalização do pedido, verificação financeira e autorização da licitação. Alguns macroprocessos, como a dispensa de licitação e convite, são mais simples e menos formais, já outros, como o pregão presencial com registro de preço para contratação de serviços, pregão presencial sem registro de preços na aquisição de bens e serviços e a tomada de preço, são mais complexos e formais. Cada um tem suas particularidades, porém, todos seguem a mesma lógica burocrática. Desta forma, com as devidas adaptações, pode-se estender aos demais macroprocessos as propostas apresentadas neste estudo, já que têm como ponto central eliminar exageros da burocracia praticada. A adoção das sugestões propostas exigiria adaptações no sistema gerencial do TRE-PB em diferentes perspectivas, como: a) Modelo de gestão: reajustar a prática gerencial para uma orientação por processos; b) Gestão de pessoas: realizar programas de treinamento e capacitação para atuação em processos mais enxutos; c) Sistema de informação: uso de Tecnologia da Informação para aumentar a eficiência dos processos existentes. Um fator fundamental que auxiliou na compreensão e mapeamento deste processo foi a condição de estagiária do TRE-PB em que a pesquisadora se encontrava até a coleta dos dados desta pesquisa. Só assim pôde compreender com maior propriedade as atividades que envolvem este processo e do mesmo modo, sugerir aperfeiçoamentos com maior segurança. Apesar de ter estado lotada em um setor distinto dos aqui analisados, a pesquisadora tinha 73 conhecimento do funcionamento geral da organização e como ela está marcada por excessos burocráticos. 74 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 5.1 Conclusão sobre o estudo Com o objetivo de construir um campo teórico que orientasse esta pesquisa, inicialmente foi realizado um levantamento das teorias de Administração de Materiais, com foco em Compras, em seguida sobre processos e melhoria de processos, para então apresentar concepções sobre processo de Compra, objeto de análise desse estudo. Como este trabalho está contextualizado numa organização pública, buscou-se também aspectos sobre as características de uma organização desse caráter, quais princípios e finalidades que a orienta, já que seu funcionamento deve estar em conformidade com esses elementos. Finalizando o estudo teórico com questões sobre Compras na Administração Pública, expôs-se sobre licitação, instrumento legal utilizado para adquirir bens e serviços nestas organizações, dispensa e modalidades de licitação. A partir da teoria estudada e do que foi confrontado com a prática, a estrutura processual de aquisição de bens e serviços na Administração Pública é composta por elementos legais e obrigatórios que atendam aos princípios e finalidades que norteiam esta prática. De forma que, o que basicamente diferencia o processo de Compras do setor público do privado é a formalidade exigida pelo primeiro. Formalidade que não significa criar estanques burocráticos, e sim proporcionar garantias legais para uma execução isenta e transparente, em conformidade com os princípios basilares dessa prática. A idealização da burocracia elaborada por Max Weber, sociólogo e economista alemão, tinha como finalidade alcançar a eficiência organizacional, principalmente através do detalhamento e padronização de procedimentos e da previsibilidade do funcionamento. Para ele, “a burocracia é a organização eficiente por excelência. Para conseguir eficiência, a burocracia explica nos mínimos detalhes como as coisas deverão ser feitas” (CHIAVENATO, 2003, p.262). Ainda conforme Chiavenato (2003, p.268), “Para Weber, a burocracia é uma organização cujas conseqüências desejadas se resumem na previsibilidade do seu funcionamento no sentido de obter a maior eficiência da organização”. Porém, esse modelo provocou algumas conseqüências imprevistas e negativas, denominadas por Merton (MERTON, apud CHIAVENATO, 2003, p.269) de disfunções da burocracia como: a internalização das regras e apego aos regulamentos, excesso de formalismo e de papelório e superconformidade às rotinas e aos procedimentos. 75 Todavia, ao estudar as conseqüências previstas (ou desejadas) da burocracia que a conduzem à máxima eficiência, Merton, notou também as conseqüências imprevistas (ou não desejadas) que levam à ineficiência e às imperfeições. A essas conseqüências imprevistas, Merton deu o nome de disfunções da burocracia para designar as anomalias de funcionamento responsáveis pelo sentido pejorativo que o termo burocracia adquiriu junto aos leigos no assunto (CHIAVENATO, 2003, p.270). Esse sentido pejorativo da burocracia discutido por Merton difundiu-se ao longo do tempo, provocando associações desse modelo com algo negativo, moroso e com pouco resultado. No caso particular da Administração Pública brasileira, a gestão burocrática surgiu como resposta ao patrimonialismo presente na estrutura do governo até meados da terceira década do século XX quando não havia uma distinção clara entre o público e privado e o nepotismo era amplamente praticado. Era o particular se apropriando do coletivo para atender aos seus interesses. De acordo com Martins (1997, p.4), “o Estado e a administração pública brasileira nasceram patrimonialistas. O patrimonialismo é um traço distintivo deste período prévio às iniciativas deliberadas de implementação de padrões burocráticos de racionalidade administrativa no âmbito do Estado”. E como resposta aos efeitos negativos provocados pelas disfunções e limitações da burocracia na administração pública brasileira, surgiu uma nova concepção: a gerencial. Absorvendo características do setor privado, como eficiência e flexibilidade, a gestão pública brasileira iniciou, ou deveria ter iniciado efetivamente, um processo de modernização gerencial. Segundo Helou e Otani (2006, p.6), A busca de um modelo gerencial capaz de traduzir em resultados positivos a sua eficiência constitui o atual desafio da administração pública. Este é o sentido da administração gerencial defendida por autores modernos. A procura do ajustamento da gestão pública a técnicas consideradas vitoriosas pela gestão privada, isto é, técnicas bem sucedidas no “Mercado”, conduzem os nossos esforços às formas modernas da administração por resultados. Assim como ainda há na nossa estrutural governamental ranços patrimonialistas, há também resquícios, ou até mesmo práticas amplamente difundidas, das disfunções burocráticas. Através do mapeamento desse processo de Compra, percebe-se claramente a estrutura verticalizada e burocrática em que o TRE-PB se configura. É um exemplo típico de uma organização pública apegada excessivamente às normas e regimentos. 76 As normas e os regimentos são instrumentos que detalham procedimentos, atribuições e responsabilidades de cada setor e gestor, e como estes se relacionam entre si. No caso das organizações públicas, proporcionam um caminho para a execução isenta, legal e impessoal das atividades por não dar margem à ações tendenciosas que não visem o bem comum; que sejam realizadas seguindo apenas o critério particular de algum servidor. Sendo assim, são ferramentas que ajudam a garantir a vinculação das ações com os princípios da legalidade e impessoalidade da administração pública, previstos na Constituição Brasileira. Porém, também é previsto na Constituição Brasileira, no artigo 37, outro princípio, além da moralidade e publicidade, que juntamente com os demais regem as organizações públicas: o princípio da eficiência. É com este olhar que o TRE-PB deve lançar sobre o processo de Compra de bens na modalidade pregão e sanar essa incoerência entre o que o pregão se propõe e o que o TRE-PB pratica. É necessário uma modernização gerencial na interação entre os setores e no desenvolvimento das atividades, focando na gestão por processos. Portanto, o que se condena não é a burocracia em si, já que quando adequadamente aplicada proporciona benefícios, mas os excessos burocráticos que camuflam o real sentido do fluxo processual estudado. E é neste ponto que surge o mapeamento do processo como uma ferramenta eficaz para enxergar com clareza as atividades primordiais para uma execução excelente, abandonando e/ou redefinindo as atividades dispensáveis ou inadequadas. Desta forma, libertando-se de um viés vertical e rígido, o processo aqui estudado deve traçar um caminho mais horizontal, pois é ilógico percorrer hierarquias que não executam ações efetivamente, eliminando atividades desnecessárias e interligando as essenciais numa perspectiva horizontal. Através das melhorias aqui propostas, o TRE-PB poderá gerir com maior eficiência suas Compras ao adotar um processo mais rápido e confiável, que proporcione com segurança a programação de estoques e previsão de Compras. Ao adotar um processo que flua pela a organização sem estorvos, aumenta a qualidade dos serviços de suprimentos aos setores, garantindo as condições ideais para execução das suas atividades através do recebimento dos materiais no tempo adequado, por conseguinte, eleva o funcionamento da organização. Além destes benefícios, as sugestões de aperfeiçoamento redirecionarão a atenção dos funcionários com atividades dispensáveis para as atividades fundamentais, executando-as com maior primor. Considera-se que o objetivo deste estudo foi alcançado, ou seja, possibilidades de melhorias no processo de Compras de bens na modalidade pregão presencial com registro de preço do TRE-PB foram identificadas. Este objetivo foi atingido através do êxito dos 77 objetivos específicos, que consistiram a compreensão teórica sobre a melhoria de processos, a compreensão dos processos de Compra presentes na organização em questão, através das entrevistas realizadas, a análise do fluxo processual a partir do seu mapeamento e a apresentação de sugestões de melhorias utilizando a ferramenta de melhoria de processos apresentada por Mischak (1997, apud WALTER, 2008). 5.2 Limitações do trabalho A dificuldade encontrada durante a realização desse trabalho ocorreu na compreensão inicial das etapas que compõem o processo estudado, pois se trata de um fluxo longo que envolve vários setores e atividades. Por isso a necessidade de buscar também no SADP, além das entrevistas, a tramitação de processos do tipo analisado para confrontar o caminho percorrido no sistema com o que foi informado pelos entrevistados e só assim compreender com mais segurança as atividades do processo. Alguns fatores limitaram o desenvolvimento desta pesquisa, como: a) Impossibilidade de mensurar o tempo do processo: a inviabilidade de mensurar com maior precisão o tempo de execução do processo, bem como o quanto se economizaria com a implantação das melhorias, impossibilitou precisar um ganho real de tempo. b) Tempo para a realização do estudo: uma maior disponibilidade de tempo para se dedicar ao trabalho proporcionaria uma compreensão mais aprofundada do estudo. 5.3 Sugestões para pesquisas futuras O término desse trabalho não resulta necessariamente no encerramento dessa discussão, podendo ser aprofundada em trabalhos futuros, seja na utilização de outras abordagens de melhorias, seja na elaboração de artigos, projetos de especialização ou mestrado, pois carrega um rico conteúdo que permite ser explorado além do que foi apresentado aqui. As melhorias sugeridas podem ainda ser replicadas em outras organizações do mesmo caráter, de acordo com as suas peculiaridades, e em outros tipos de processos, inclusive do próprio TRE-PB. 78 REFERÊNCIAS ACEVEDO, C. R; NOHARA, J. J. Monografia no curso de Administração: Guia completo de conteúdo e forma. São Paulo: Atlas, 2007. ALMEIDA, L. G. Gerência de Processo: Mais um passo para a excelência. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1993. BAILY, P.; FARMER, D.; JESSOP, D.; JONES, D. Compras: princípios e administração. São Paulo: Atlas, 2008. BATISTA, M. A. C.; MALDONADO, J. M. S. V. O papel do comprador no processo de compras em instituições públicas de ciência e tecnologia em saúde (C&T/S). 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rap/v42n4/a03v42n4.pdf>. Acesso em: 03 nov.2009. BRANDON, J.; MORRIS, D. Reengenharia: Reestruturando sua empresa. São Paulo: Makron Books, 1994. BRASIL. Lei n° 8.666, de 21 de junho de 1993. Disponível em: <www.planalto.gov.br>. 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Process-orientation and Core Competence Management - the Contribution of the process-oriented Core Competence Management to the Integration of the Marketbased View and the Resource-based View. Tese de Doutorado em Administração. Technische Universität Chemnitz. Chemnitz, 2008. 81 APÊNDICE A – ROTEIRO DE ENTREVISA (SECOMP) 1. O TRE-PB realiza compras através de quais modalidades? 2. Qual a mais utilizada? 3. Qual o principal problema que os senhores identificam nos processos de compra? 4. Quanto tempo em média demanda para uma compra ser finalizada? 5. Qualquer setor pode solicitar uma compra? 6. Quando ou onde um processo de compra se inicia?E quais as etapas seguintes? 82 APÊNDICE B – ROTEIRO DE ENTREVISTA (SEPOF) 1. Como ocorre a verificação financeira de uma solicitação de compra? Há um orçamento previamente estabelecido? 2. É necessário realizar um pré-empenho após a verificação financeira? 3. Por quais setores da COF o processo de compra percorre?E com quais finalidades? 4. Qual o procedimento quando não há verba suficiente para a compra? 83 APÊNDICE C – ROTEIRO DE ENTREVISTA (CPL) 1. Em quais veículo de informação o edital é publicado? 2. São todas as licitações que precisam da autorização da presidência? 3. Qual o prazo para a entrega das propostas? 4. O recebimento das propostas, o julgamento e a verificação do(s) vencedor(es) ocorre em um única sessão? 5. O que ocorre caso um licitante interpõe recurso? 6. Qual o procedimento caso a habilitação do vencedor não esteja em confomidade?